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Numero do processo: 10320.723622/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório.
AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.
PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão-somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 36 22 /2 01 3- 73 Fl. 15162DF CARF MF 2 a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tãosomente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários. Fl. 15163DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.164 3 ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 14.408 a 14.430) lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2008, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora. De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal, os lançamentos se devem à apuração da omissão de receitas da atividade de revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada, embora regularmente notificada, deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração (art. 530, III, do RIR/99). O Relatório de Atividade Fiscal descreve o procedimento ao longo de suas 375 páginas, sendo importante destacar os seguintes trechos: 10. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO 818. Como se pode perceber pelo tópico anterior, a receita anual da PRS no ano calendário de 2008 foi de R$ 45.329.043,90, tendo declarado à RFB uma receita de apenas R$ 30.453.407,87. A empresa, no AC 2008, era optante pelo LUCRO PRESUMIDO. 819. Intimada e Reintimada (fls 13.784 a 13.801) a apresentar seus livros contábeis (Diário e Razão, ou Livro Caixa), Livro Registro de Inventário e Livros Registro de Entradas e de Saídas, nada apresentou. Também os verdadeiros sócios (família Tolardo) foram intimados (fls 13.624 a 13.652). Igualmente nada apresentaram. Deste modo frente à não apresentação dos livros obrigatórios, não resta outra alternativa a não ser a tributação pelo LUCRO ARBITRADO. É o que se denota do art 530 do decreto 3.000 de 26 de Março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Fl. 15164DF CARF MF 4 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; 820. De se destacar que, muito embora a empresa não tenha apresentado seus livros contábeis, ainda que os tivesse porventura apresentado, podese antecipar que certamente não seriam aptos à identificação da efetiva movimentação financeira e bancária, ou mesmo para a determinação do Lucro Real, de modo que, por força do inciso II do art 530 do RIR (acima transcrito), igualmente imporseia a tributação pelo Lucro Arbitrado. E podese afirmar que a contabilidade seria imprestável por vários aspectos, senão vejamos: (...) 835. O que se demonstrou neste breve relato é que dentro deste panorama de atuação da REDE PRESIDENTE não há como se considerar apta à aferição do Lucro Real ou à identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, a escrituração contábil apresentada por quaisquer das filiais do esquema REDE PRESIDENTE, posto que essas contabilidades não registram nem de perto as reais operações da respectiva “filial” (empresa), sejam de receitas, custos ou despesas. Eram escriturações confeccionadas apenas “pro forma” com o único intuito de fictamente cumprir uma obrigação legal afastando (ou tentando afastar) a possibilidade de autuações fiscais. Restam completamente imprestáveis à apuração do Lucro Real. 836. A constituição da empresa em nome de laranjas (gerando registros contábeis fictos); os bens (veículos) utilizados pelas empresas porém, registrados em nome de laranjas e cujas despesas, obviamente, não são contabilizadas; funcionários não registrados ou registrados com salários inferiores aos efetivamente pagos (vide MGA233.9 – fls 8.873 a 8.893); todo o esquema de administração clandestina (em “bunkers”) e centralizada, cujas despesas não são contabilizadas; o esquema montado para as compras da REDE, onde algumas empresas são utilizadas para fazer as compras junto aos fornecedores, enquanto outras empresas são utilizadas para fazer o pagamento dessas compras; receitas oriundas de vendas sem notas fiscais de uma empresa, sendo depositadas em contas de outras empresas; enfim, são elementos que denotam a completa imprestabilidade da contabilidade escriturada pelas “filiais”, e mais que isso, a imprestabilidade se dá por vícios que pela sua própria natureza se mostram completamente insanáveis, ou seja, o esquema todo foi engendrado em uma plataforma operacional que impede a regular aferição contábil individualizada de cada empresa. 837. A aferição contábil do resultado do esquema, como vimos, não era feita por meio da contabilidade oficial de cada “filial”, mas sim de forma centralizada, Fl. 15165DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.165 5 por métodos não contábeis, por meio dos controles constantes das planilhas “BALA”. 838. De todo modo, reiterase que a fiscalizada, regularmente intimada e reintimada, NÃO apresentou sua contabilidade ou livro Caixa. Tampouco os verdadeiros sócios da fiscalizada apresentaram qualquer documentação, optando por negar sua participação na empresa (fls 13.784; e 13.821 a 13.824). 839. Assim sendo, efetuase no presente processo o lançamento tributário relativo ao IRPJ e CSSL reflexa, dos 2º, 3º e 4º Trimestre do AC 2008, na modalidade de tributação denominada LUCRO ARBITRADO, tendose por base a efetiva receita bruta obtida pela empresa, conforme amplamente discorrido nos tópicos. Vale destacar também o seguinte trecho do relatório da decisão recorrida: Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, tratase, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada no anocalendário de 2008 foi de R$ 45.329.043,90, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e abatido os tributos já declarados pela autuada em DIPJ e em DCTF, na modalidade lucro presumido. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, Fl. 15166DF CARF MF 6 segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: • Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; • Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; • Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; • Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; • Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 28/12/2013, conforme Edital de fl. 14.451, a interessada não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 07/12/2013, conforme AR de fls. 14.456, 14.457, 14.453 e 14.455, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 06/01/2014 as impugnações de fls. 14.468 a 14.507, 14.547 a 14.585, 14.600 a 14.639 e 14.644 a 14.683, respectivamente, (...). Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 28/12/2013, conforme Edital de fls. 14.463, Robson Marcelo Tolardo apresentou em 06/01/2014 a impugnação de fls. 14.687 a 14.726, (...). Em 11 de dezembro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários, por meio do acórdão 1271.204 (fls. 14.754 a 14.771), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a Fl. 15167DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.166 7 omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As intimações do acórdão 1271.204 e as apresentações de recurso voluntário ocorreram nas seguintes datas: Sujeito Passivo Situação do AR Recurso Voluntário Íris da Silva Tolardo Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.788) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.91714.972) Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Devolvido em 24/11/2015 motivo: outros (fl. 14.791) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.85514.912) Róbson Marcelo Tolardo Devolvido em 24/11/2015 motivo: desconhecido (fl. 14.789) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 15.03715.095 e 15.100 15.158) Rogério Marcio Tolardo Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.786) Apresentado em 22/12/2015 (fls. 14.97515.032) Samuel Tolardo Junior Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.787) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.79414.851) Em seus recursos voluntários os recorrentes alegam: (i) nulidade da decisão de primeiro grau, por ausência de análise das alegações de defesa, (ii) nulidade da intimação, eis que realizada em endereço diverso do indicado na impugnação, (iii) julgamento proferido por autoridade incompetente, pois a autoridade relatora era AuditorFiscal da Receita Federal e não Delegado da Receita Federal conforme determina o art. 25, "a" do decreto 70.235/1972. Ademais, reiteraram ipsis litteris os argumentos expostos na impugnação, quais sejam: 1) nulidade por inexistência de garantia do contraditório e da ampla defesa, pois, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 2) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal em nome dos responsáveis solidários; Fl. 15168DF CARF MF 8 3) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada pelos Correios; 4) a ilegitimidade passiva dos recorrentes, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) ausência de responsabilidade dos recorrentes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, não teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica, e não há prova de benefício por parte dos recorrentes; 10) decadência ou prescrição dos créditos tributários lançados; 11) exclusão ou redução da multa, uma vez que o recorrente não respondia pela empresa, não restou caracterizado o evidente intuito de fraude, o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Requereram também a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos. Anoto ainda o teor do despacho de encaminhamento de fl. 15.161, de 19/02/2016: "A empresa não entrou com recurso voluntário. Todos os sócios solidários entraram com recurso voluntário. Jeanne e robson, apesar de terem o ars devolvidos, tomaram ciência, pois providênciaram o recurso voluntário. Por isso envio a CARF para a análise." É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Fl. 15169DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.167 9 Inicialmente, cumpre notar que a contribuinte não apresentou impugnação nem recurso voluntário, tendo precluído o direito de fazêlo. Os recursos voluntários apresentados pelas pessoas físicas indicadas como responsáveis preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Haja vista que os recursos apresentados são iguais, seja no que concerne às questões suscitadas, seja quanto à fundamentação e aos argumentos alinhados, serão eles objeto de apreciação conjunta. Quanto às nulidades apontadas, não assiste razão aos recorrentes. Nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas hipóteses resta configurada no caso em questão. Os recorrentes alegam genericamente que a decisão de primeiro grau seria nula por ausência de análise das alegações de defesa. Todavia, um exame da decisão recorrida revela que esta, ao longo das 12 páginas do voto, endereça cada uma das razões de defesa apontadas. Tanto é que os recorrentes não foram sequer capazes de apontar a razão de defesa que deixou de ser tratada. Também não procede a alegação de que a intimação seria nula por ter sido realizada em endereço diverso do indicado na impugnação. Isso porque a legislação determina que o contribuinte será notificado no local onde tiver o seu domicílio fiscal (art. 838 do RIR/99, art. 23, II , do Decreto 70.235/1972). Sobre o fato de o julgamento ter sido proferido por AuditorFiscal da Receita Federal e não Delegado da Receita Federal conforme determina o art. 25, "a" do decreto 70.235/1972, este não tem o condão de resultar em nulidade, eis que se trata de autoridade competente, nos termos da Lei 10.593/2002: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) I em caráter privativo: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) b) elaborar e proferir decisões em processo administrativofiscal, ou delas participar, bem como em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência). Fl. 15170DF CARF MF 10 Neste sentido, a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), assim dispõe: Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (...) Quanto às demais razões expostas nos recursos voluntários, os recorrentes se contentam em repetir as mesmas justificativas que foram reportadas para o fiscal e para a DRJ, sem fazer menção específica ao conteúdo da decisão de primeira instância alegando razões para que esta seja reformada. Conforme discorreu o Conselheiro Antonio Bezerra Neto, em seu voto no acórdão 1401001.640, julgado em 07.06.2016, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar de tais princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, neles estão implícitos também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo continua ilustre Conselheiro é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso que, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda porventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem tome conhecimento e, se for o caso, corrijaos e supereos em sua atividade de órgão revisor. Assim, em vista dos argumentos da decisão da DRJ e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, que reproduzo ao final deste voto. Antes, porém, considero importante tecer observações sobre a responsabilidade atribuída aos recorrentes e as razões adicionais pelas quais deve ser mantida. O Relatório de Atividade Fiscal responsabiliza os recorrentes com base nos artigos 124, inciso I, e art 135, inciso III, do CTN, por concluir que eles são os reais proprietários e administradores das empresas integrantes do "esquema REDE PRESIDENTE". Segundo o Relatório de Atividade Fiscal, tal "esquema" consiste em um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”(*), tratase, em verdade, de uma única empresa, originariamente iniciada por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitida aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Fl. 15171DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.168 11 (*) alguns dos “laranjas” eram funcionários da REDE PRESIDENTE, outros terceiros sem qualquer vínculo efetivo com tais empresas e que apenas recebiam algum valor pela utilização de seu nome, e outros ainda sequer sabiam que tiveram seus nomes utilizados. O Relatório de Atividade Fiscal menciona a participação de cada uma das pessoas físicas no esquema, demonstrando não apenas seus poderes de administração como o interesse comum na situação que gerou o fato gerador qual seja: omitir da autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, dando ensejo ao lançamento com base no artigo 530, III, do RIR/99. Apontamos abaixo os principais fatos apontados pelo Relatório de Atividade Fiscal que levam a tal conclusão. Importa observar que tais fatos, embora isoladamente não levem à responsabilização tributária, juntos servem de indícios suficientes de que se tratava de reais proprietários e administradores das empresas integrantes do esquema REDE PRESIDENTE, portanto responsáveis pelos tributos ora lançados. ROBSON MARCELO TOLARDO (filho mais velho de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo, e a pessoa que, segundo o Relatório de Atividade Fiscal, com o falecimento do pai em 2007, tornase o principal comandante da REDE PRESIDENTE) mencionado em planilha que controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE, desde 30/11/2007 até 31/05/2011. tinha despesas pagas pela REDE PRESIDENTE, como fatura de cartão de crédito, contas de luz, condomínio, net, além de ativos e despesas de suas fazendas. possui, juntamente com seu irmão Samuel Tolardo Júnior, procurações com poderes amplos, gerais e ilimitados para representar os administradores de empresas da REDE PRESIDENTE. depoimentos pessoais colhidos em diligência e emails apreendidos reportamno como proprietário de empresas integrantes do esquema REDE PRESIDENTE, seja mencionandoo seja tratandoo como tal (o material revela que ele é consultado e quem decide sobre diversos assuntos desde moradias para funcionários, passando por salários, localização de equipamentos como servidor de rede informatizada, compra de bens como gado e até avião, nomes de empresas a serem constituídas, bem como sobre reuniões com gerentes de bancos, decisões sobre contas bancárias, etc). conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram ser ele o principal administrador das atividades do esquema REDE PRESIDENTE. documentos apreendidos demonstram que ele negociou a compra de empresas do grupo EMBREPAR (as quais passaram a ser administradas de fato por sua irmã Jeane, como se verá a seguir) proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE (alguns registrados em nome de seus filhos ou empresas) garantidor de imóveis de terceiros locados pela REDE PRESIDENTE segundo o Relatório de Atividade Fiscal, as lojas da REDE PRESIDENTE, constituídas em nome Fl. 15172DF CARF MF 12 de laranjas, em regra, não possuíam patrimônio, o que dificultava a locação pois normalmente o locador exigia alguma garantia por parte do locatário. garantidor dívidas de empresas da REDE PRESIDENTE. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (filha mais nova de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram que ela tinha participação ativa na REDE PRESIDENTE, sobretudo na posição de administradora do novo grupo adquirido (EMBREPAR), em Curitiba/PR. detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. fiadora de contrato de locação de imóvel onde foi localizado um dos "bunkers" da REDE PRESIDENTE (onde foram localizados documentos comprobatórios do esquema), e de imóvel utilizado por filial (barracão comercial) de tais empresas. proprietária de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE ROGÉRIO MARCIO TOLARDO (segundo filho de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal revelam que ele era tratado como coproprietário de empresas da REDE PRESIDENTE. SAMUEL TOLARDO JUNIOR (filho caçula de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. em seu apartamento em Curitiba foram encontrados diversos documentos relacionados a empresas da REDE PRESIDENTE, tais como planilhas com informações (Passivo, Despesas, Impostos, Venda, Rentabilidade), anotações de rotina referentes a filiais, planilha de controle de juros referente a mutuo da empresa EMBREPAR, escrituras públicas e documentos relativos ao IPTU de imóveis onde funcionam filiais da REDE PRESIDENTE, planilha de controle dos imóveis da REDE PRESIDENTE em nome dos integrantes da família Tolardo, etc. Fl. 15173DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.169 13 ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram sua participação no esquema, na análise de questões operacionais como transferências entre filiais e estoque negativo. detém procuração (também outorgada a Iris da Silva Tolardo e Robson Marcelo Tolardo) com poderes para “vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem” o imóvel onde se localizava um dos “bunkers” do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR (residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, em que foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE). seu endereço domiciliar indciado na DIRPF é o de uma filial da REDE PRESIDENTE detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE. garantidor de imóveis locados de terceiros pela REDE PRESIDENTE. ÍRIS DA SILVA TOLARDO (matriarca da família, viúva de Samuel Tolardo, apontado como inaugurador do esquema) detém procuração (também outorgada a Robson Marcelo Tolardo e Samuel Tolardo Junior) com poderes para “vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem” o imóvel onde se localizava um dos “bunkers” do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR (residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, em que foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE). garantidora solidária de imóveis locados pela REDE PRESIDENTE. injetou recursos na REDE PRESIDENTE em condições tão absurdamente benéficas que o Relatório de Atividade Fiscal conclui que se trata de negócio próprio ("empréstimo" de R$900.000 com cinco anos para pagamento, com juros de poupança e sem quaisquer garantias). tinha despesas pagas pela REDE PRESIDENTE, como fatura de cartão de crédito e vencimentos de funcionário pessoal (caseiro). conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram que ela tinha conhecimento das atividades operacionais do esquema REDE PRESIDENTE. Sobre as demais alegações aventadas nos recursos voluntários e que não passam de reiteração do quanto já alegado nas impugnações, sem qualquer dialeticidade com a decisão recorrida, adoto, como fundamentado acima, as razões de decidir do acórdão recorrido, que transcrevo: 2.3. DA NULIDADE Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não Fl. 15174DF CARF MF 14 obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal nº 03.2.01.00 2013001576, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fls. 13.800 e 13.801, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 25/09/2013, conforme edital de fl.13.820, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de coresponsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do que afirmam os impugnantes, a autuação esta devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Afasto, também, a alegada incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa fiscalizada e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, pois, de fato, no presente caso não se cogita a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, nem se atribuiu a responsabilidade objetiva dos impugnantes. A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a coresponsabilidade tributária, na forma da lei. Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar Fl. 15175DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.170 15 competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Ante todo o exposto, afasto a alegada nulidade dos termos de sujeição passiva solidária. 2.4. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirmam os impugnantes a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontrase com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Portanto, indefiro o pedido de suspensão do presente processo. 2.5. DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO O lançamento consubstanciado no auto de infração foi efetuado com arbitramento do lucro e apuração trimestral do IRPJ e CSLL, referente aos fatos geradores do anocalendário de 2008, e com aplicação multa qualificada, em virtude da atribuição à fiscalizada da prática de sonegação e fraude. É mister para o deslinde dessa controvérsia verificar a procedência ou não do lançamento no que tange a atribuição da prática de sonegação e fraude à autuada, de modo a possibilitar a incidência da contagem de prazo decadência na forma estabelecida pelo § 4º do art. 150 ou na prevista no inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). A aplicação da multa qualificada está sendo mantida no presente voto, nos exatos termos em que foi lançada, diante da constatação da sonegação e fraude. Desse modo, não incidiria a regra decadencial prevista no §4º do art. 150, do CTN, que trata de homologação do lançamento, por expressa disposição da parte final do referido parágrafo, mas a prevista no inciso I, do art. 173, do mesmo diploma legal, a qual prevê como início da contagem do prazo Fl. 15176DF CARF MF 16 decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, os créditos tributários relativos aos fatos geradores do 2º e 3º trimestres de 2008, cuja data de ocorrência são respectivamente 30/06 e 30/09/2008, poderiam ter sido constituídos até 31/12/2013, prazo estendido para 31/12/2014, em relação ao fato gerador do 4º trimestre de 2008, cuja data de ocorrência é 31/12/2008. Tendo em vista que a autuada foi cientificada do lançamento em 28/12/2013, afasto a alegada decadência. Em que pese os impugnantes tenham sido devidamente cientificados da autuação bem como dos termos de sujeição passiva solidária antes dos prazos mencionados no parágrafo anterior, o que não deixa dúvidas quanto a inocorrência da alegada decadência, a atribuição da coresponsabilidade em matéria tributária não se confunde com a constituição do crédito tributário mediante ao lançamento, não se sujeitando, portanto, ao regramento e prazos decadenciais previstos no art. 173, ou art. 150, do Código Tributário Nacional. Tanto é assim que o lançamento é no âmbito da União Federal atribuição privativa do detentor do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, ao passo que a coresponsabilidade pode ser atribuída até mesmo após o fim do contencioso administrativo e efetuada em sede de execução fiscal, mesmo após a inscrição em dívida ativa, conforme faculdade contida no inciso I, do art. 202, e art. 203, do CTN. Tendo o lançamento sido devidamente cientificado pela autuada em 28/12/2013, começa a contar dessa data o prazo prescricional, o qual foi interrompido com a apresentação das impugnações dos interessados, não havendo, por isso, que se falar em prescrição dos créditos tributários lançados. Desse modo, afasto as alegadas decadência e prescrição em relação a todos coobrigados. 2.6. DA OMISSÃO DE RECEITAS A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limitamse os impugnantes a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Fl. 15177DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.171 17 Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurouse que “TAB1” referiase a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.184 a 1.220, e reproduzida à fl. 14.107 a 14.110 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 14.110, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos arquivos com extensão SPL, obtidos no disco= rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, constante das fls. 10.278 a 10.299, em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levandose em conta que a autuada e suas filiais eram consideradas as filiais 50, 54 e 56 a 58, 60 e 61 da Rede Presidente, e que os valores controlados representam 10 % do valor real das operações de vendas, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 14.163 a 14.187. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento. 2.7. DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Mantido o crédito tributário no tocante ao IRPJ, devem ser mantidos os créditos referentes a CSLL, uma vez que efetuado o lançamento pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, os quais foram considerados, neste voto, procedentes. 2.8. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, pela sonegação em razão da suposta utilização de interpostas pessoas, componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais sócios, integrantes da família Tolardo, eximindoos da responsabilidade pela infração apurada. Tal interposição teria sido perpetrada mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica, e com falsificação de assinaturas. A autoridade administrativa constatou ainda que a autuada omitiu parte considerável de suas receitas de vendas, obtidas sem a devida emissão de notas fiscais, aos quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em computadores de empresas da denominada Rede Presidente ou em pendrives dos seus administradores de fato ou de seus empregados e que foram apreendidos em operação conjunta da Polícia, Ministério Público e Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela justiça federal do Paraná. Fl. 15178DF CARF MF 18 A autuada teria se eximido do pagamento de parcela considerável de seus tributos, tendo em vista que declarou de valor de receita bruta para exercício de 2008 de R$ 30.453.407,87, tendo sido apurada no lançamento a obtenção de receita com vendas de mercadorias no mesmo período no valor de R$ 45.329.043,90. Assim, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de sonegação e fraude prevista nos incisos I e II, do art. 71, a art. 72 da Lei nº 4.502/64. Os impugnantes afirmam genericamente que não praticaram nenhum ato doloso ou mesmo culposo que desse azo a aplicação da penalidade, e que a fiscalização desincumbiuse de demonstrar a existência de dolo ou culpa na prática de seus atos, uma vez que a autuação encontrou suporte apenas na interpretação subjetiva desses mesmos atos realizada pelos fiscais. Entendo que assiste razão a autoridade administrativa, na medida que a conduta praticada pela impugnante se enquadra perfeitamente na hipótese de qualificação da multa de ofício. A aplicação da multa de ofício no percentual de 150 % está assim prevista no § 1º e inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os dispositivos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, utilizados como fundamento da qualificação da multa, estão a seguir transcritos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Francisca Dias Alvarenga, atual sócia da autuada em conjunto com a Suncay Financial Corp teve sua DIRPF/2010 transmitida pelos mesmos Fl. 15179DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.172 19 computadores utilizados na transmissão das DIRPFs de pessoas vinculadas à Rede Presidente. Nascida em 1956, não tem nenhum vínculo trabalhista formal registrado nos sistema da RFB. Igual padrão de DIRPF dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006, com rendimentos recebidos de pessoa física, dentro do limite de isenção, bens declarados tais como “valores em caixa”. Suncay Financial Corp, NCPJ n° 05.715.713/000155, atual proprietária formal da PRS, em conjunto com a Sra Francisca, é empresa estrangeira, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, que tem como responsável legal, na condição de procurador o Sr Ananias José de Souza, CPF n° 822.687.46968, pessoa que não possui qualquer registro de vinculo trabalhista, e com declarações entregues a RFB, dos anoscalendário de 2004 a 2007 com o mesmo padrão das demais pessoas interpostas utilizada no esquema: Rendimentos dentro do limite de isenção, recebidos de pessoa física, bens tais como veículos sem identificação da placa,dinheiro em espécie, e quotas de empresas. A PRS foi citada pelos fornecedores de autopeças Rayton e NGK, como um dos estabelecimentos que estariam ligadas ao Grupo Presidente. Igualmente, no procedimento realizado pela DRF Caxias do Sul/RS, os fornecedores Cinpal e Tenneco citaram a PRS como empresa relacionada à Rede Presidente, tanto como compradora, como pagadora de compras feitas em nome de outras empresas do esquema. Nas buscas e apreensões efetuadas foram encontrados nos diversos locais documentos ligados à PRS, dentre outros: a) alteração societária e consolidação (MGA1913.90 – fls 6.777 a 6.788; e MGA 085.43 – fls 2374 a 2379), b) diversas procurações (MGA1919.124 fls 8.158 a 8.159; MGA19 19.156 – fls 8.200; MGA1919.157 – fls 8.201; MGA1919.159 – fls 8.203 a 8.204; MGA19 19.160 – fls 8.205 a 8.206; MGA1919.163 – fls 8.211; MGA19 19.24 – fls 8.446 a 8.447). c) Relatório de programação de férias de funcionários da PRS, de 08/2012 (CTB 33.14 – fls 1231 a 1238); d) Cotações de preços de peças, e respectivos recibos, do fornecedor “Industria Olimpic”, dirigidos à PRS (GRU38.2 – fls 1602 a 1618); e) Contrato de Cessão de Direitos por meio do qual a PRS cede seus direitos relativos a faturas de vendas, à Trajecto Gestão Empresarial Ltda (GRU38.5 – fls 1619 a 1631); f) Cotações de peças em nome da PRS (GRU3813.6 – fls 1538 a 1546); g) Notas fiscais emitidas pela PRS no ano 2009 (MGA181.26 e MGA18 1.27 – fls 3.816 a 4.409); h) Depósito feito pela PRS, em favor de Jumbo Materiais de Construção (MGA1836.4 – fls 4.838 a 4.839); i) Carimbos diversos de filiais da PRS (MGA18137.13 – fls 4.517). Destacase também a presença de vários CNPJs da PRS (filiais) nos documentos de controle das filiais (MGA1919.214 e MGA1919.215 – fls 8.321 a 8.372), encontrado no “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, que Fl. 15180DF CARF MF 20 identifica as diversas empresas (filiais) da Rede Presidente. O controle MGA19 19214 (fls 8.344 a 8.355), por exemplo, tem 11 páginas, e relaciona 56 filiais. Abaixo imagem de um desses registros da PRS: Assim, resta evidente a utilização de interpostas pessoas no quadro societário da autuada e de seu vínculo à Rede Presidente, sendo considerada por seus administradores de fato como mais uma das filiais do mesmo gupo empresarial. Além disso, a autuada apresentou declaração informando receitas auferidas de sua atividade em valores muito inferiores à receita efetiva, deixando de contabilizar parte considerável das receitas às quais foram auferidas sem a devida emissão de notas fiscais de venda, mantendo controle dessas operações não contabilizadas; além disso, utilizouse de pessoas interpostas em seu quadro societário, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos demonstram a prática de sonegação e fraude conforme as definições dos incisos I e II, do art. 71, e art. 72 da Lei nº 4502/64. Assim, restou configurada a hipótese de qualificação da multa de ofício sendo correta a sua aplicação. 2.9. DA LEGITIMIDADE PASSIVA Alegam os impugnantes a ilegitimidade, ante a suposta ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa. Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de emails, arquivos e documentos aprendidos. Há toda evidência de que a autuada faz parte do mesmo grupo empresarial denominado Rede Presidente, pois várias das filiais da mesma possuem como nome fantasia Distribuidora Presidente. A fiscalizada antes da atual denominação foi constituída com a razão social de Retífica Presidente Ltda, Fl. 15181DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.173 21 passou em 2004 a denominação de Retífica Presidente Peças para Veículos Ltda e em 2006 para Retífica Presidente Prudente Peças para Veículos Ltda. Chama a atenção o fato que Samuel Tolardo, patriarca da família Tolardo já falecido, integrou o quadro societário da fiscalizada a partir de 1999e permanecendo no mesmo até julho de 2000, momento em que ingressaram interpostas pessoas, sem capacidade econômica, na sociedade de modo a ocultar os verdeiros proprietários. A administração do grupo empresarial e conhecimento de suas ações, por parte de Robson Marcelo Tolardo pode ser ilustrada pela resposta dada a seu funcionário Daniel de Oliveira Júnior em email do dia 08/2/2010, constante de fls 13.579 a 13.582, mencionado no relatório fiscal à fl. 14.115, a seguir transcrito: “Adeus Daniel Preciso verificar mas acho que é complicado vender tab 01 porque não tem muita entrada e custa para nós os impostos que nós ganhariamos na inadiplicência e perderia pagando mais imposto, então o certo é cortar os limites de quem não está pagando e tentar falar com o cliente que não está pagando que vamos ter que emitir a nota fiscal do pedido que ele comprou e não pagou e dar mais prazos para ele pagar e depois se eles não pagar executar eles.” Para não restar dúvidas, quanto à propriedade da sujeição passiva solidária de Robson Marcelo Tolardo transcrevese a pergunta de Daniel de Oliveira Júnior, contida no email encontrado no computador de Daniel de Oliveira Junior (MGA08.23 – fl. 9.650): Diretório: DANIEL\daniel2\atualizacoes\mailnet\CENTRAL03EMAILS. Arquivo: 98 MARCELO TOLARDO.dbx: “Marcelo adeus ? Algumas regiões como Pernambuco, Maranhao e até Distrito Federal em determinados ramos são classificadas como regiões de maior indice de PRINAD (Probabilidade de Inadimplência ) . Maranhao esta com uma inadimplencia alta porem sao clientes da própria capital. Ja pedi para a supervisora Rose e seu gerente reanalisar os clientes . Brasilia é um caso sério, lá se nao mudarmos para vendas 100% T1 agente sempre vai ficar como ultima opção para receber dividas. Como a gente vende tabela especial eles alem de aproveitar este beneficio, eles acabam agindo de má fé quando estao com dificuldades financeira. Vai fazer uns 5 anos que esta filial so fica em ultimo lugar na inadimplencia. Vc pretende continuar com esta loja aberta? Se sim , tem como agente mudar o perfil de vendas para 100% T1 na opção duplicatas? Resp.: Recife esta com uma inadimplencia alta e o maior motivo foi a venda especial para fora de Recife . tem determinadas cidades que o ideal seria vender somente t1 !! a cidade de Carpina/PE deu inadimplencia de acima de 10% , a cidade de Igarassu/PE deu inadimplencia acima de 11% , outras cidades deu acima de 1% no maximo 2% . os pernambucanos e paraibanos Fl. 15182DF CARF MF 22 tambem aproveitam muito a situação das vendas tabela especial, sempre deixam nós como ultima opçao de acertos de dívidas!! Estas cidades posso bloquear para vender somente Tabela 01 com duplicatas ? Resp.: Paz de Deus Daniel Jr ®” Samuel Tolardo Junior teve pendrives apreendidos, CTB29, item 5 – fls 933 e 934, que continham arquivos excel, com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, e com o controle de “saldos”, referente aos pagamentos de prólabore aos sócios de fato da autuada. Dentre as provas coletadas ainda se destaca o fato de despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de prólabore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Isto caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e e mails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da coresponsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. 2.10. DA RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS Defendem os impugnantes que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Na presente autuação não foi aplicada multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação para que seja excluída tal penalidade não procede. Pelo mesmo motivo também não procede a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro. Não cabe a autoridade julgadora administrativa deixar de aplicar disposição expressa de lei, em razão de suposta inconstitucionalidade, em que pese na opinião deste julgador não há vedação constitucional à aplicação de penalidade pecuniária com caráter confiscatório, vedação que alcança tão somente os tributos. Tendo os responsáveis solidários comprovadamente praticado atos com infração a lei na gestão dos negócios da autuada, omitindo receitas de suas vendas, mas mantendo o controle paralelo dessas mesmas receitas à margem da escrituração contábil e fiscal, utilizandose interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas, devem ser responsabilizados não só pelos tributos devidos, mas Fl. 15183DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.174 23 também pelas multas aplicadas, inclusive qualificada, conforme determinação contida no art. 137, do CTN. 2.11 DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Insurgese a impugnante quanto à cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, sob a alegação de que só haveria previsão legal para incidência dos juros de mora sobre tributos e contribuições. O art. 161 do CTN dispõe que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Primeiro é de se observar que o dispositivo prevê a imposição de juros sobre o crédito vencido e não pago, sem qualquer distinção de sua natureza. Segundo, o termo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” deve ser interpretado que a imposição dos juros não impede a aplicação da multa. A interpretação conjunta do dispositivo acima, com o art. 142 do CTN, leva à conclusão que sendo a multa de ofício integrante do crédito tributário, se não paga no vencimento, está também sujeita aos juros de mora. A previsão legal da aplicação da taxa Selic e de 1% sobre o mês do pagamento estão no art. 30, da Lei nº 10.522/2002, ao se referir aos demais créditos da Fazenda Nacional. Portanto, incidem juros sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Por fim, quanto ao protesto pela produção de provas e realização de perícia, cumpre esclarecer que, em regra, a prova documental no processo administrativo fiscal deve ser apresentada juntamente com a impugnação, consoante determinação prescrita no art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, a seguir transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo.”(grifei) Destaquese, por outro lado, que o § 4º do artigo 16 do mesmo diploma legal, permite, por seu turno, ao impugnante apresentar provas documentais noutro momento processual, mas somente quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivos taxativamente nele referidos, conforme se segue: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 15184DF CARF MF 24 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos” Os presentes autos não reclamam tal providência, e sequer há demanda específica dos recorrentes demonstrando a ocorrência de alguma das hipóteses legais. Também não há a indicação de quesitos para eventual diligência ou perícia. Vale notar que, mesmo que houvesse tal indicação, tratase de procedimento desnecessário no caso em questão. Isso porque a diligencia ou perícia se destina a levar conhecimento técnico e especializado ao julgador, a fim de comprovar a veracidade de certo fato ou circunstância, de modo a auxiliálo em seu livre convencimento. No presente caso, não há motivos que justifiquem a realização deste procedimento, pois estão presentes nos autos os elementos necessários ao deslinde das questões de fato e de direito, naquilo que se refere aos itens impugnados. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento aos recursos voluntários, mantendo a responsabilidade das pessoas físicas pelos tributos então lançados. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 15185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722888/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS A RFB. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ - REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF - RICARF.
A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva.
O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos.
Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO.
Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utiliza-se de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS.
Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, quanto às preliminares: a) por unanimidade de votos, rejeitar a nulidade pela utilização dos dados de extratos bancários e a nulidade do Auto de infração por inconsistências e obscuridades; e b) por maioria de votos, rejeitar o pedido de realização de perícia, vencida a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Antes do julgamento do mérito, foi proposto a conversão do julgamento em diligência pelo Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Colocado em votação, por voto de qualidade, foi negada tal proposição, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade, dar-lhe provimento parcial, para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do sujeito passivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos. Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 88 /2 01 3- 96 Fl. 11235DF CARF MF 2 O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utilizase de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS. Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Fl. 11236DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.224 3 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, quanto às preliminares: a) por unanimidade de votos, rejeitar a nulidade pela utilização dos dados de extratos bancários e a nulidade do Auto de infração por inconsistências e obscuridades; e b) por maioria de votos, rejeitar o pedido de realização de perícia, vencida a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Antes do julgamento do mérito, foi proposto a conversão do julgamento em diligência pelo Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Colocado em votação, por voto de qualidade, foi negada tal proposição, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade, darlhe provimento parcial, para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do sujeito passivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 11237DF CARF MF 4 Relatório Da auditoria fiscal: O Contribuinte foi intimado a justificar, com documentação hábil e idônea, a movimentação financeira apurada no anocalendário de 2008 que, a princípio, seria incompatível com os rendimentos informados na declaração de ajuste anual, efls. 5 a 15, conforme mostra o quadro comparativo I "Rendimentos declarados X Movimentação financeira". Quadro I "Rendimentos declarados X Movimentação financeira" Rendimentos declarados (Valores em Reais) ANO Tributáveis Isentos e não tributáveis Tributação exclusiva Total Movimentação Financeira (em Reais) 2008 5.879.383,68 3.101.105,35 1.609,04 8.982.098,07 412.105.336,41 De acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, efls. 1.600 e 1.601, o Contribuinte apresentou extratos das contas correntes nº 165.0009, mantida na agência 0596 do Bradesco e 31.0226, mantida na agência 0183 do Banco Itaú. Os valores movimentados nas contas apresentadas pelo Contribuinte não foram suficientes para justificar a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras. A fiscalização demandou a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF para as instituições bancárias: Banco do Brasil, Safra, Itaú, Bradesco e Santander, com base no art. 3º, XI, do Decreto nº 3.724, de 2001. De posse dos extratos bancários, a fiscalização extraiu os valores lançados a crédito e intimou o contribuinte a justificar e/ou comprovar a origem desses depósitos, conforme relação anexada à intimação, efls. 1.602 a 1.933. Às efls. 1.934 a 3.067, consta a relação dos depósitos, por data e valor, das contas bancárias identificadas como "Bradesco Dutra, Bradesco Dutra 2, Bradesco Reembolso, Bradesco Reembolso 2, Itaú, banco do Brasil, etc" com descrição sumária dos lançamentos e totalização dos depósitos para os meses de janeiro a dezembro de 2008. Do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração: (efls. 4.757 a 5.136) A fiscalização relacionou os depósitos que considerou não comprovados pelo Contribuinte das contas correntes dos bancos do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú e Safra, que têm como titulares o Contribuinte e o Sr. José Eduardo de Abreu Sodré Santoro. Foram imputados 50% desses valores ao Contribuinte, conforme mostram os quadros efls. 4.760 a 4.762, que totalizaram os seguintes valores mensais para o ano de 2008, base do lançamento. Fl. 11238DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.225 5 Valores mensais dos depósitos não comprovados ano 2008 Janeiro R$ 27.840.972,08 Julho R$ 41.210.949,86 Fevereiro R$ 28.872.140,69 Agosto R$ 37.310.233,30 Março R$ 32.476.443,31 Setembro R$ 37.659.890,11 Abril R$ 41.275.674,17 Outubro R$ 34.592.936,20 Maio R$ 34.746.213,80 Novembro R$ 29.513.325,74 Junho R$ 40.681.198,12 Dezembro R$ 35.280.069,35 O lançamento foi descrito da seguinte forma no Auto de Infração: "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo." Resumo do Crédito Tributário lançado Imposto R$ 115.901.512,85 Juros de Mora (calculados até 29/11/2013) R$ 48.087.537,68 Multa proporcional (75%) R$ 86.926.134,63 Crédito Tributário apurado R$ 250.915.185,16 Da Impugnação: (efls. 5.142 a 5.167) O Contribuinte informa que exerce a atividade de leiloeiro oficial, atividade regulamentada pelo Decreto nº 21.981, de 1932, prestando serviços, na sua maioria, a instituições financeiras e explica como são realizados os leilões, a saber: (efl. 5.142 os destaques são do Contribuinte) "Todas as transações que realiza são precedidas de autorização de venda dos bens (doc. 06), publicação de editais (doc. 07), catálogos de leilões (doc. 08), relatório de recebimentos dos lotes (doc. 09) sendo as transações devidamente documentadas pela emissão de notas fiscais de venda (docs. 10 a 12), registradas em livros próprios Diário de Leilões e Fl. 11239DF CARF MF 6 Livro Caixa com indicação do lote, valor da arrematação e arrematante (docs. 13 a 18). Realizado o pregão, o impugnante é obrigado por lei a proceder à prestação de contas das transações celebradas, junto ao comitente (docs. 19 a 22), repassandolhe o respectivo valor dentro de 5 (cinco) dias, bem como a comprovar, dentro de 15 dias após a cobrança, perante a Junta Comercial, o pagamento dos impostos federais e estaduais, relativos a sua profissão (doc. 23). Para bem explicitar a forma como se realiza e documenta a sua atividade, o Impugnante junta em anexo um procedimento completo de uma operação (docs. 06 a 33)." I Em preliminar: Nulidade do Auto de Infração porque fundamentado em dados bancários protegidos pelo sigilo e obtidos pelo Fisco sem a autorização judicial, tornandose prova ilegal. II Das Inconsistências e obscuridades do Auto de Infração: 1. Por força de disposições de lei, em especial o art. 27 do Decreto nº 21.981, de 1932, as contas são vinculadas a leilões realizados em São Paulo ou em outros pontos do País, singularmente ou em parceria com outros leiloeiros e os saldos eram transferidos para a conta principal, movimentada para efetuar os pagamentos a seus comitentes. O Fisco não considerou esse procedimento tributando duas vezes os mesmos valores; 2. Foram considerados como receita omitida valores que não são seus e que apenas transitam por sua conta para serem entregues aos comitentes; 3. Não foi levado em conta a efetiva remuneração do Impugnante fixado em cinco por cento a título de comissão, paga pelo arrematante, fixada no art. 24 do Decreto nº 21.981, de 1932; 4. A autoridade administrativa não apurou corretamente a base de cálculo e o montante do imposto devido como exige o art. 142 do CTN. III Da Improcedência do Auto de Infração: 1. A doutrina e jurisprudência são convergentes no sentido de reconhecer que depósitos bancários, por si só, não podem ser considerados renda sem os demais elementos configuradores do conceito efetivo de renda, como por exemplo, sinais exteriores de riqueza. O Fisco é obrigado a investigar e estabelecer a base real do lançamento, qual seja, a aquisição de renda. Cita acórdão 10417.494 da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (DOU de 13/09/2000); 2. O procedimento fiscal violou o princípio da legalidade, na medida em que desconsiderou o art. 153, III, da Constituição Federal e o art. 43 do CTN, segundo o qual o fato gerador do imposto é a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica de renda, caracterizando acréscimo patrimonial; 3. O Fisco ignorou os elementos fornecidos pelo Impugnante e os documentos que atestam as peculiaridades das atividades exercidas pelo impugnante como leiloeiro oficial; IV Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios: Fl. 11240DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.226 7 1. As obrigações principais ou acessórias não podem ter efeito confiscatório, vedação expressa no inciso IV do art. 150 da CF, entendimento presente em diversos acórdãos do STF; 2. A aplicação da multa em percentual de 75% caracteriza situação de desproporção entre o pretenso desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica. V Do descabimento da aplicação da taxa Selic como juros moratórios. VI Requer a realização de prova pericial, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Indica auditor contábil e formula quesitos. Acórdão de Impugnação: (efls. 11.170 a 11.174) A 3ª Turma da DRJ de Salvador, por meio do Acórdão nº 1539.125, julgou procedente em parte a impugnação para excluir o imposto correspondente ao depósito do valor recebido do Banco Ourinvest, conforme consta da DIRF desse banco no valor líquido de R$ 1.232.806,72. O imposto foi reduzido para R$ 115.562.491,00, conforme demonstrativo apresentado ao final do acórdão de impugnação à efl. 11.174, a saber: A Depósito de origem comprovada na impugnação 1.232.806,72 B Imposto a excluir (A x 27,5%) 339.021,85 C Imposto lançado 115.901.512,85 D Imposto mantido ( C B ) 115.562.491,00 O voto condutor do Acórdão de Impugnação rebate os pontos do lançamento que são impugnados pelo Contribuinte, da seguinte forma: 1. A Lei Complementar nº 105, de 2001, reforça a disposição contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; na medida em que fornece à autoridade administrativa novos instrumentos para a sua eficaz aplicação. 2. O lançamento foi realizado com suporte no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza considerar como rendimentos omitidos os créditos em conta bancária, em relação aos quais o(s) titular(es), , regularmente intimado(s), não comprove(m), mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao(s) titular(es) das contas o ônus da prova em contrário. 3. Contrariamente ao alegado pelo impugnante, o lançamento não faz a equiparação dos depósitos bancários em fato gerador do imposto, mas sim utilizase da presunção legal da existência de renda tributável omitida quando o(s) titular(es) dessas contas não comprovam a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se trata, portanto, do procedimento a que se refere a súmula 182 do extinto TFR, mas sim de presunção legal estabelecida em norma posterior aqui em comento. Fl. 11241DF CARF MF 8 4. As notas de venda em leilão (efls. 5.325 a 6.467), livro Caixa (efls. 6.475 a 7.373), relatórios de prestação de contas e os documentos bancários de transferências para os comitentes (efls. 7.373 a 8.490) são juntados pelo Impugnante sem a identificação dos depósitos a que se referem. O impugnante não realiza a correlação individualizada entre estes documentos e os depósitos a serem comprovados, como exige o § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 5. O impugnante propõe a realização de diligência com o objetivo de provar as suas alegações quanto à origem dos depósitos e sua destinação. Sendo seu, porém, o ônus da prova, o pedido deve ser indeferido. 6. O impugnante não demonstrou que os depósitos em sua conta Bradesco Ag. 5932, c/c nº 212800/4 provêm de transferências de outras contas suas, e que os valores transferidos para esta conta já foram repassados para os comitentes. O autuante já havia excluído as transferências entre contas do próprio titular na forma como determina o artigo 42, §3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996. 7. Sustenta que já informara em sua declaração os rendimentos a que se referem os depósitos, que seriam comissão de 5% sobre os valores recebidos em leilões. Os rendimentos e recursos declarados, porém, não são suficientes em si mesmos para comprovar a origem dos depósitos, uma vez que a presunção legal é de que os depósitos de origem não comprovada correspondem a rendimentos omitidos. O que foi declarado não foi omitido. Logo, mesmo para os rendimentos e recursos declarados é indispensável que o responsável comprove individualizadamente, com documentação hábil e idônea, como teriam dado origem aos depósitos em sua conta bancária. 8. Comprovada a origem do depósito no valor de R$ 1.232.806,72. Tratase de rendimentos declarados pelo contribuinte, recebidos do Banco Ouroinvest, no valor de R$ 1.700.000,00 (IRFonte 466.859,00, previdência R$ 334,28). Este depósito deve ser excluído do lançamento, pois os rendimentos já foram declarados pelo contribuinte. 9. A multa de ofício e os juros de mora foram aplicados de acordo com legislação vigente. Não compete às autoridades administrativas manifestarse sobre a validade ou a inconstitucionalidade de leis, atividade de competência exclusiva do Poder Judiciário. Do Recurso Voluntário: (efls. 11.180 a 11.207) Cientificado em 16/12/2015, AR efl. 11.178, o Contribuinte interpôs, em 13/01/2016, o recurso voluntário de efls. 11.180 a 11.220 requerendo, em síntese: I Preliminares: A Nulidade da autuação por restar fundamentada em prova ilegal. O Recorrente alega que a autoridade fiscal contrariou dispositivos da Constituição Federal que protegem os dados bancários das pessoas, permitindo acesso somente quando há expressa autorização judicial, o que não ocorreu neste caso. Alega também que o procedimento fiscal contrariou decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 389.808/PR que não permite acesso direto do Fisco aos dados bancários sem a prévia autorização judicial. Assim, considera nulo o lançamento baseado em prova, extratos bancários, obtida de forma ilegal. B Cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia sem motivação e C Inconsistências e obscuridades do Auto. Fl. 11242DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.227 9 Alega cerceamento do seu direito à ampla defesa quando teve seu pedido de perícia negado sem qualquer justificativa acerca de sua inutilidade, prescindibilidade, violando garantias previstas para o processo administrativo, em desrespeito à verdade material, atestada pela documentação juntada aos autos. Requer que o julgamento seja convertido em diligência para a produção de prova pericial, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. II Da improcedência do Auto Aduz que o auto de infração exige uma importância a título de tributo sem a efetiva ocorrência de fato gerador, devendo o trabalho fiscal ser desconstituído, por falta de sustentação legal e manifesta iliquidez e incerteza, contrariando o disposto no art. 142 do CTN. Afirma que os depósitos em contas de sua titularidade são provenientes de sua atividade de leiloeiro oficial mas que não podem ser considerados em sua totalidade como receita própria porque são devolvidos aos comitentes, permanecendo com o Recorrente apenas uma comissão de aproximadamente 5%. A atividade de leiloeiro demanda a movimentação de valores pertencentes a terceiros em diversas contas correntes. Contesta a apuração da base de cálculo com base unicamente na somatória dos depósitos. Aponta inconsistências na apuração da base de cálculo com duplicidade de valores em depósitos transferidos de contas correntes com mesma titularidade. II. 1. Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios Multa de mora aplicada em percentual que contraria a Constituição Federal, art. 150, IV, segundo o qual é vedado à União, aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios "utilizar tributo com efeito de confisco." II. 2. Do descabimento da aplicação da taxa Selic Ilegalidade da aplicação da taxa Selic sobre o suposto crédito tributário a título de Juros de Mora. É o relatório. Fl. 11243DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. TEMPESTIVIDADE O Recurso foi apresentado com observância do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cabendo a apreciação do seu mérito. 2 PRELIMINARES 2.1. Nulidade da autuação por restar fundamentada em prova ilegal. Em preliminar, o Recorrente alega nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5º, XII, da Constituição Federal. Considera que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. Aduz que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada pelo ora Recorrente acerca da inconsistência da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial para fins de constituição de crédito tributário, nos termos do RE 389.808/PR. Sobre esse argumento de defesa pela impossibilidade da RFB requisitar dados bancários e a própria movimentação financeira do Recorrente sem prévia autorização judicial, cabem as considerações apresentadas em sequência. Embora a possibilidade de requisição às instituições bancárias já estivesse prevista no art. 197, II da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), somente com edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, foi autorizado à Receita Federal do Brasil acessar as informações protegidas pelo sigilo bancário no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial. Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;[...]" Lei Complementar nº 105, de 2001: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, Fl. 11244DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.228 11 livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." O teor do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 autoriza a busca de informações junto às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, sempre que houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Conforme destacado acima, na hipótese dos autos, a Autoridade Lançadora, diante da demora do Contribuinte em justificar a expressiva movimentação financeira e de fornecer os dados relacionados, solicitou diretamente às instituições bancárias os extratos bancários do Contribuinte visando a checar a titularidade das contas e apurar a responsabilidade sobre os valores movimentados. Assim, não constato qualquer irregularidade no presente procedimento administrativo fiscal uma vez que o Auditor Fiscal estava se valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico. Dessa forma, o procedimento fiscal de requisitar as informações sobre a movimentação bancária às instituições financeiras tem respaldo legal expresso no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, com regulamentação do Decreto nº 3.724, de 2001, conforme evidenciam os docs. efls. 275 a 287. Noutro giro, o Recorrente destaca decisão do STF no RE 389.808/PR que considera inconstitucional o afastamento do sigilo bancário por parte da Receita Federal, sem prévia autorização judicial. Neste ponto, há que se admitir que o sigilo sobre os dados bancários é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e agora, em sede de recurso voluntário. Na Corte Suprema, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, e foi julgada por meio do “leading case” RE nº 601.314, no qual se definiu que: (grifos acrescentados) “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. [..]”) Fl. 11245DF CARF MF 12 A decisão deste tema foi noticiada no sítio do STF1 no dia 25/02/2016, nos seguintes termos: (grifos acrescentados) "O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. [...]" Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente pela impossibilidade do acesso das Autoridades Fiscais às informações protegidas pelo sigilo bancário. Portanto, não há que falar em quebra de sigilo bancário em procedimento que obedeceu rigorosamente as regras estampadas no Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. Vale lembrar que há no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 2015, dispositivos aplicáveis à matéria e de cumprimento obrigatório por seus conselheiros, a conferir: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) 1 disponível no sítio do STF no endereço: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verJulgamentoDetalhe.asp?idConteudo=310708 Fl. 11246DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.229 13 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" 2.2. Do indeferimento do pedido de perícia cerceamento da defesa nulidade; Inconsistências e obscuridades do Auto. Segundo o Recorrente, o pedido de perícia foi indeferido sem fundamentação adequada pelos julgadores da DRJ e que é de rigor a nulidade do procedimento com a negativa de produção de tal prova, prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho da defesa ou do Fisco. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas especializadas ou fáticas quando necessárias e imprescindíveis ao julgador no exame do litígio. A esse respeito escreveram Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, em obra de destaque no meio jurídico, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado2: "Como já dissemos, a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendêla desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico. Verificase que, dificilmente, as autoridades de primeira instância têm se curvado aos pedidos formulados pelos contribuintes sob a alegação de ser desnecessária. Já nos Conselhos de Contribuintes, com certa freqüência, admite se a descida dos autos para a realização de diligências, como meio de melhor apuração da verdade material. De qualquer forma, o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade." No presente caso, verificase, com facilidade, que o Colegiado da instância de piso apreciou o pedido de perícia e decidiu pelo seu indeferimento ao afirmar que: (efl. 11.173) "O impugnante apresenta notas de venda em leilão (fls. 5325/6467), livro Caixa (fls. 6475/7373), relatórios de prestação de contas e documentos bancários de transferências para os comitentes (fls. 7373/8490). Não demonstra, porém, nem se verifica uma correlação individualizada entre estes documentos e os depósitos a serem comprovados. Propõe a realização de diligência com o objetivo de provar as suas alegações quanto à origem dos depósitos e sua destinação. Sendo seu, porém, o ônus da prova, o pedido deve ser indeferido." 2 Neder, Marcos Vinicius et López, Teresa Martínez Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, 3ª ed. 2010, pág 210. Fl. 11247DF CARF MF 14 Acrescento, por considerar pertinente, o que dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária." No presente caso, a decisão emanada da autoridade de primeira instância está suprida de motivação. O indeferimento motivado de realização de perícia não acarretou cerceamento do direito de defesa da parte, ainda mais tendo sido dado ao contribuinte no decurso da ação fiscal todos os meios de defesa aplicáveis ao caso e, é fácil constatar que em momento algum ficou o contribuinte impedido de apresentar as provas, que entendia necessárias à sua defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, suscitada com base na alegação de que o acórdão recorrido não atendeu à solicitação de perícia formulada. O instituto da perícia é instrumento que deve servir ao julgador, e não só à parte, na busca de sedimentar a sua convicção sobre os fatos em litígio, devendo ser utilizado quando há dúvida, contradição ou inicio de prova que a justifique. II Da improcedência do Auto Aduz que o auto de infração exige uma importância a título de tributo sem a efetiva ocorrência de fato gerador, devendo o trabalho fiscal ser desconstituído, por falta de sustentação legal e manifesta iliquidez e incerteza, contrariando o disposto no art. 142 do CTN. Afirma que os depósitos em contas de sua titularidade são provenientes de sua atividade de leiloeiro oficial mas que não podem ser considerados em sua totalidade como receita própria porque são devolvidos aos comitentes, permanecendo com o Recorrente apenas uma comissão de aproximadamente 5%. A atividade de leiloeiro demanda a movimentação de valores pertencentes a terceiros em diversas contas correntes. Contesta a apuração da base de cálculo com base unicamente na somatória dos depósitos. O Recorrente não comprova a vinculação dos depósitos relacionados pela fiscalização às receitas advindas da atividade de leiloeiro. Apesar de existirem nos autos livros de leilões e outros documentos afins, constato que o Contribuinte não logrou efetuar a comprovação das receitas e a apuração dos resultados que indica. O Recorrente não apura o resultado da atividade que deseja vincular aos depósitos como origem desses créditos e, na falta de livro caixa que faça a vinculação das receitas com os depósitos/créditos e de outros demonstrativos que permita a conciliação bancária separando as atividades exercidas e sua receitas, tornou imprecisas e vagas as alegações feitas no recurso. Por outro lado, tentar suprir essa carência de comprovação com a realização de perícia não é viável neste momento nem mesmo justificável à luz da legislação pertinente. A partir do lançamento fiscal, com a lista dos depósitos a serem comprovados e vinculados aos eventos que justificassem a sua origem, o Contribuinte deveria oferecer elementos de prova que permitissem à autoridade fiscal e, posteriormente às autoridades julgadoras, verificarem se esses valores já haviam sido submetidos à tributação do IR. Isso não foi realizado. O Recorrente alega que compete a Autoridade Tributária o ônus de comprovar a existência da renda, afirmando que não existe o ônus ao contribuinte de provar se dado depósito é ou não renda. Assim, os depósitos em conta bancária deveriam ser apenas um marco, mesmo inicial, de investigação do Fisco, para se aferir ter ocorrido, ou não, renda, não podendo ela se desincumbir desse dever jurídico de perseguição da verdade material dos aspectos fáticos a autorizarem a incidência Fl. 11248DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.230 15 tributária. Assim, conclui que o fato elegível pela fiscalização, depósito em conta bancária não é elegível como fato gerador do imposto de renda, pois não representa obtenção econômica ou jurídica da renda. A argumentação levantada pelo Recorrente não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." É importante salientar que, quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN. Nessa linha de raciocínio, verificase que os depósitos bancários são apenas o sinais de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o (s) titular(es) das contas bancárias, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. A existência do fato jurídico (depósito bancário) foi comprovada pela Fiscalização por meio dos dados bancários do contribuinte fornecidos pelas instituições bancárias. Portanto, os depósitos (entradas, créditos) existem não foram presumidos. O que a Autoridade Fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus, é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi comprovada) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerado, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem desses valores depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos) e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. A fiscalização relacionou todos os depósitos expurgando as transferências entre contas do mesmo titular e outros registros sem interesse fiscal e intimou o titular da conta e o cotitular, quando Fl. 11249DF CARF MF 16 constatou conta conjunta, a comprovar a origem dos valores por meio de documentos hábeis e idôneos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Portanto, a Lei nº 9.430, de 1996, tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem), espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Por outro lado, constato que o Recorrente centraliza sua argumentação de defesa partindo do pressuposto que exerce exclusivamente a atividade de leiloeiro, sem demonstrar com clareza as receitas e despesas desta atividade e, principalmente, sem vincular as receitas obtidas aos depósitos creditados em diversas contas correntes. Tornase mais confusa a organização das receitas do Contribuinte quando podem ser provenientes de outras atividades, como a de empresário com participação significativa nas empresas ADM. Cosmos Ltda., ADM. Aliança Ltda., ADM. Augusta Ltda.; conforme informado na declaração de ajuste e reproduzido à efl. 14. Entretanto, a partir de comprovações do Recorrente é possível extrair do lançamento depósitos que têm origem em transferências ente contas do mesmo titular. O Recorrente descreve à efl. 11.190 como administrava essas contas correntes utilizandose de transferências bancárias para suprir determinadas contas como se fossem centros de receitas. É o caso das transferências entre as contas nº 212.800/4 e 165.000/9 da agência 593/2 do Bradesco, seja com o histórico descrito nos extratos como "Transf saldo caixa cent* Filial ag.=00593 cta=016500" ou outra descrição que permite concluir tratar se de transferência de recurso proveniente de conta de mesma titularidade. Assim, fazse necessário a exclusão de valores que são comprovadamente transferências entre contas de mesma titularidade, conforme os quadros I, e II, anexos a este voto. Quadros I Levantamento diário/mensal das transferências de valores entre contas correntes de mesma titularidade, com a identificação do número de folha deste processo onde encontramse citados os depósitos no lançamento. Quadro II Tabela com os valores dos depósitos efetivamente não comprovados após a exclusão das transferências comprovadas no Recurso Voluntário. Compõemse das colunas "Dep. ñ comprovados no AI", "Dep comprovados no RV" e "Dep. ñ comprovados após RV". A base de cálculo do lançamento deverá ser recalculada tendo como base nos dados do Quadro II, descontando os rendimentos declarados pelo Recorrente conforme consta de sua declaração de ajuste, exercício 2009, conforme espelho da declaração de ajuste processada, efls. 5 a 15. Valor declarado R$4.140.463,30, conforme mostrado no Quadro III na sequência. Vale lembrar que as transferências bancárias, cujos depósitos foram comprovados em recurso, devem ser referenciados aos relacionados pela fiscalização e que há o depósito comprovado pelo contribuinte e acatado pela DRJ de R$1.700.000,00 pagos pelo Banco Ourinvest com imposto retido de R$466.859,00 (vide efl. 11.219). Fl. 11250DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.231 17 Dia Valor Histórico efl. 2 1.189.397,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 3 1.419.018,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 4 357.258,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 7 1.116.353,37 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 8 540.552,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 9 1.001.968,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 10 1.104.252,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 11 1.316.880,36 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 14 2.115.488,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 15 843.226,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 16 807.694,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 17 1.133.896,56 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 18 1.417.814,14 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 21 1.608.175,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 22 1.125.471,74 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 23 836.874,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 24 945.050,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 25 1.080.257,44 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 28 2.643.194,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 29 1.305.547,04 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 30 699.855,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 31 776.810,12 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 Total 25.385.038,55 Dia Valor Histórico 7 21.462,64 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 8 111.100,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH MESMA TITULARIDADE 5009 9 90.333,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 10 21.765,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 15 14.953,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 16 63.789,36 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 17 29.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 18 19.910,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 22 34.913,49 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 23 13.045,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 24 16.068,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 28 27.792,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 29 90.725,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 Total 554.916,99 Soma 25.939.955,54 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Janeiro de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11251DF CARF MF 18 Dia Valor Histórico efl. 1 1.086.222,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 6 1.188.034,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 7 1.056.871,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 8 826.561,03 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 11 1.873.770,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 12 493.069,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 13 892.967,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 14 558.781,51 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 15 793.528,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 18 2.612.119,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 19 911.538,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 20 1.154.069,34 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 21 1.223.409,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 22 1.422.281,22 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 25 1.664.364,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 26 1.632.910,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 27 1.086.424,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 28 1.267.458,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 29 798.560,15 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 Total 22.542.944,62 Dia Valor Histórico 1 39.190,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 7 80.386,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 11 31.441,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 11 5.150,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 12 90.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ F A SODRE SANTORO 5011 12 8.865,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 13 19.200,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH MESMA TITULARIDADE 5011 13 50.160,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 13 110.178,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5011 15 490.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5012 15 18.990,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 18 33.700,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSM TITULARIDADE 5012 19 12.160,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 22 59.750,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSM TITULARIDADE 5012 22 40.042,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 25 16.145,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 25 7.700,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 26 54.151,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 27 34.050,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 28 44.100,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSMA TITULARIDADE 5012 29 43.853,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 Total 1.289.211,00 Soma 23.832.155,62 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Fevereiro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11252DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.232 19 Dia Valor Histórico efl. 3 1.188.697,15 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 4 790.553,41 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 5 1.013.125,19 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 6 1.082.804,55 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 7 985.814,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 10 2.103.467,11 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 11 875.913,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 12 743.562,32 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 13 1.300.512,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 14 1.171.376,86 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 17 1.086.199,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 18 1.837.779,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 19 1.188.461,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 20 1.390.422,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 24 1.105.644,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 25 943.886,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 26 901.045,56 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 27 1.507.667,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 28 782.119,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 31 681.392,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 Total 22.680.444,89 Dia Valor Histórico 3 99.891,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 5 12.723,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 7 15.105,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 10 87.120,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 11 34.522,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 12 14.295,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 13 81.725,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 14 7.920,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 17 114.850,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 18 24.116,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 14.520,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 44.935,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 32.945,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 24 57.836,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 25 33.510,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 26 11.765,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 27 7.100,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 27 18.300,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSMA TITULARIDADE 5015 27 6.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 28 16.015,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 31 65.080,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 Total 800.273,50 Soma 23.480.718,39 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Março de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11253DF CARF MF 20 Dia Valor Histórico efl. 1 878.230,39 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 2 1.027.718,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 3 1.267.265,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 4 1.162.485,09 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 7 3.343.095,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 8 1.322.243,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 9 1.144.581,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 10 1.118.179,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 11 2.350.654,33 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 14 2.083.813,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 15 1.303.576,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 16 858.605,05 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 17 1.424.748,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 18 1.432.464,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 22 1.687.542,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 23 1.374.363,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 24 1.384.677,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 25 1.978.534,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 28 3.434.190,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 29 1.250.081,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 30 1.640.770,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 Total 33.467.823,04 Dia Valor Histórico efl. 1 24.458,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 2 47.564,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 3 28.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 4 1.260.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5015 4 12.821,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 8 77.132,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 9 21.567,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5015 9 24.950,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 11 35.380,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 14 11.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 15 46.506,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 16 15.580,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 18 300.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 18 17.825,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 22 28.380,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 50.685,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 12.230,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 80.400,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5016 23 3.300,00 DOC CREDITO AUTOMATICO* LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5016 23 3.400,00 DOC CREDITO AUTOMATICO* LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5016 24 33.231,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 28 162.031,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 29 117.928,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5017 29 12.435,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 29 75.322,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 Total 2.503.001,00 Soma 35.970.824,04 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Abril de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11254DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.233 21 Dia Valor Histórico efl. 2 1.057.547,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 5 478.881,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 6 563.196,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 7 2.489.011,31 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 8 1.247.976,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 9 1.520.688,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 12 1.266.065,93 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 13 694.720,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 14 950.025,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 15 1.362.245,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 16 1.660.218,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 19 1.682.346,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 20 1.696.862,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 21 1.443.115,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 23 2.757.418,14 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 26 2.984.095,43 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 27 1.812.467,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 28 1.431.612,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 29 1.578.256,28 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 30 1.121.877,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 Total 29.798.628,54 Dia Valor Histórico 2 62.576,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5017 2 36.670,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 5 598.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5017 8 20.775,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 9 12.750,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 12 59.440,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 13 55.450,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 14 14.155,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 15 19.866,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 16 18.076,41 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 20 14.465,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 23 16.512,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 26 38.040,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 27 179.961,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 28 38.355,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 29 29.273,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 30 95.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 Total 1.309.854,41 Soma 31.108.482,95 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Maio de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11255DF CARF MF 22 Dia Valor Histórico efl. 2 2.880.941,83 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 3 1.850.222,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 4 1.157.625,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 5 959.888,61 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 6 959.215,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 9 850.748,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 10 1.004.862,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 11 1.084.876,65 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 12 1.523.366,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 13 3.172.066,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 16 2.930.462,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 17 1.277.547,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 18 1.206.800,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 19 1.529.615,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 20 1.453.050,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 23 3.296.275,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 24 1.323.333,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 25 1.168.052,28 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 26 1.484.512,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 27 695.352,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 30 2.697.745,62 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 Total 34.506.562,83 Dia Valor Histórico 2 93.186,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 3 57.363,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 3 273.175,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5019 4 32.692,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 5 17.566,35 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 9 13.941,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 10 16.995,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 11 24.175,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 13 42.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 16 199.590,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 16 10.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 17 11.480,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 18 37.425,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 19 9.994,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 23 49.442,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 24 7.155,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 24 26.630,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 25 52.953,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 26 443.488,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 26 10.552,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 27 5.200,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 27 19.200,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 30 33.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 30 86.970,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 Total 1.574.723,85 Soma 36.081.286,68 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Junho de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11256DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.234 23 Dia Valor Histórico efl. 1 925.012,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 2 974.408,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 3 1.327.682,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 4 763.483,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 7 1.436.941,93 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 8 987.528,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 10 1.112.383,44 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 10 51.745,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 11 1.293.677,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 14 2.638.695,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 15 1.549.545,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 16 3.402.254,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 17 1.565.080,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 18 1.149.671,03 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 21 2.559.986,97 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 22 1.703.045,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 23 815.780,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 24 1.994.073,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 25 2.194.590,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 28 3.174.000,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 29 1.277.928,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 30 1.141.064,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 31 2.456.387,85 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 Total 36.494.970,75 Dia Valor Histórico 1 15.270,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 2 14.430,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 4 7.800,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 7 177.693,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5022 7 67.562,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 8 50.355,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 8 24.335,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 11 13.767,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 14 16.045,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 15 155.852,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 16 19.368,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 17 11.750,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 18 38.700,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 21 12.550,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 22 71.375,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 23 15.950,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 24 148.280,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5023 28 31.120,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 29 103.955,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 30 9.580,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 31 11.115,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 Total 1.016.853,00 Soma 37.511.823,75 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Julho de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11257DF CARF MF 24 Dia Valor Histórico efl. 1 2.486.572,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 4 2.121.845,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 5 1.162.552,24 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 6 1.277.125,02 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 7 1.298.411,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 8 1.814.632,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 11 1.984.252,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 12 1.473.418,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 13 575.905,83 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 14 1.245.651,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 15 1.620.361,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 18 1.800.036,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 19 1.378.060,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 20 1.136.248,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 21 1.919.449,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 22 1.932.550,11 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 25 3.227.491,07 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 26 1.224.200,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 27 926.059,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 28 1.273.747,85 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 29 2.068.048,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 Total 33.946.620,31 Dia Valor Histórico 1 5.450,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 4 37.300,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 4 58.760,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 7 20.800,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 8 90.267,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 11 52.900,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 11 14.270,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 12 38.710,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 13 18.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 15 26.773,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 20 24.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 Total 387.230,00 Soma 34.333.850,31 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Agosto de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11258DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.235 25 Dia Valor Histórico efl. 1 2.198.380,49 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 2 1.481.709,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 3 1.068.536,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 4 1.113.028,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 5 799.180,16 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 8 1.285.875,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 9 968.760,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 10 1.386.566,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 11 1.071.384,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 12 1.617.462,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 15 2.788.527,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 16 988.363,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 17 1.068.881,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 18 1.715.987,62 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 19 2.245.503,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 22 3.478.490,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 23 1.479.201,63 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 24 1.274.659,84 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 25 2.256.514,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 26 1.531.584,41 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 29 1.471.075,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 30 960.850,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 Total 34.250.524,41 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Setembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11259DF CARF MF 26 Dia Valor Histórico 1 11.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 1 65.501,42 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 2 53.400,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 2 50.772,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 3 32.057,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 4 52.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 4 10.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 8 65.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5026 8 46.485,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 9 32.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 11 65.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 12 41.315,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 16 15.100,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 17 179.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 17 18.345,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 18 19.510,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 19 20.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 19 13.430,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 22 34.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 22 72.112,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 23 97.995,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 24 9.650,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 25 13.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 25 18.553,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 25 25.180,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 26 2.661,35 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 29 8.600,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 29 2.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 29 29.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 30 17.735,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 Total 1.120.543,27 Soma 35.371.067,68 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Setembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11260DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.236 27 Dia Valor Histórico efl. 1 1.362.630,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 2 1.018.706,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 3 872.936,48 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 6 1.907.512,95 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 7 2.209.864,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 8 866.099,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 9 1.418.072,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 10 1.330.923,02 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 13 1.577.470,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 14 718.313,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 15 1.415.368,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 16 1.079.915,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 17 1.978.129,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 20 2.396.809,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 21 1.200.490,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 22 820.320,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 23 1.088.730,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 24 1.462.055,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 27 1.721.501,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 28 1.369.867,78 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 29 663.794,53 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 30 1.103.684,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 31 1.038.549,91 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 Total 30.621.745,22 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Outubro de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11261DF CARF MF 28 Dia Valor Histórico 1 72.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 2 16.300,00 TRANSF ENTRE AGENC CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5027 2 46.500,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5027 2 16.780,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 3 26.400,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 3 2.878,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 6 37.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 7 29.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 13 24.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 13 46.028,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 14 53.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 14 14.575,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 15 23.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 15 20.090,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 16 34.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 17 16.800,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 17 18.710,60 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 20 3.465,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5028 20 6.000,00 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.LUIZ F DE ABREU S. SANTORO 5028 20 15.310,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 20 14.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 20 97.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 22 150.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 22 110.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 22 150.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 23 87.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 24 30.955,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 27 2.000,00 TRANSF ENTRE AGENC CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5029 27 75.460,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5029 28 30.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 29 19.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 30 300.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 31 9.860,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 1.249,97 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 Total 1.598.361,57 Soma 32.220.106,79 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Outubro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11262DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.237 29 Dia Valor Histórico efl. 3 1.485.252,74 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 4 790.033,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 5 785.717,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 6 776.032,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 7 1.335.190,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 10 2.512.778,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 11 971.037,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 12 658.678,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 13 1.152.417,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 14 1.361.048,19 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 17 1.610.923,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 18 987.215,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 19 1.455.892,82 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 21 483.693,76 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 21 1.506.895,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 24 2.686.394,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 25 1.292.510,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 26 1.030.852,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 27 1.240.407,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 28 1.670.037,33 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 Total 25.793.009,86 Dia Valor Histórico 4 2.385,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 5 81.802,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5030 5 39.660,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 6 720,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5030 6 25.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 10 160.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 10 26.340,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5030 11 26.130,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 12 51.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 12 8.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 17 18.365,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 19 33.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 19 30.650,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 21 31.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 24 100,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 24 25.810,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 25 106.908,30 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 25 106.908,31 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 26 54.535,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 27 9.915,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 Total 838.743,61 Soma 26.631.753,47 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Novembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11263DF CARF MF 30 Dia Valor Histórico efl. 1 2.085.251,35 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 2 1.348.289,98 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 3 966.697,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 4 1.146.104,89 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 5 656.013,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 9 1.648.129,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 9 2.459.399,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 10 1.199.406,09 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 11 1.730.976,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 12 1.665.883,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 15 848.228,55 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 16 1.837.766,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 17 1.073.684,24 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 18 2.501.416,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 19 1.600.259,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 22 2.348.265,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 23 1.386.551,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 24 740.035,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 26 559.628,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 29 1.797.096,63 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 30 1.287.728,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 Total 30.886.811,91 Dia Valor Histórico 1 13.690,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 2 1.320,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 2 12.015,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANT 5031 3 20,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 3 43.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 5 585,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5032 5 15.945,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 9 61.072,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 11 44.285,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 12 17.260,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 16 70.345,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 22 62.436,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 23 10.800,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5033 26 21.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 30 19.940,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 Total 394.168,50 Soma 31.280.980,41 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Dezembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11264DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.238 31 Dos rendimentos recebidos de PF declarados: O Contribuinte informou na declaração de ajuste os rendimentos mensais oriundos de pagamentos de pessoas físicas e esses valores provavelmente transitaram pelas contas correntes. Como o lançamento foi realizado considerando todos os depósitos creditados nas contas corrente do Contribuinte considero pertinente deduzir os valores confessados do montante apurado. Vale ressaltar que, apesar do Recorrente não ter se manifestado quanto a esta dedução por ter se insurgido contra o lançamento Assim, dos saldos mensais de depósitos que restaram não comprovados (vide Quadro II) devem ser deduzidos os valores declarados como recebidos de pessoas físicas, a saber: QUARO III 2008 Depósitos ñ comprovados Valores declarados recebidos de PF Saldo de depósitos ñ comprovados Janeiro 1.901.016,54 100.310,00 1.800.706,54 Fevereiro 5.039.985,06 92.402,50 4.947.582,56 Março 8.995.724,92 92.572,50 8.903.152,42 Abril 5.304.850,13 94.228,00 5.210.622,13 Maio 3.637.730,84 7.192,50 3.630.538,34 Junho 4.599.911,43 592.781,00 4.007.130,43 2008 Dep ñ comprov no AI Dep comprov no RV Saldo de dep ñ comprovados Janeiro 27.840.972,08 25.939.955,54 1.901.016,54 Fevereiro 28.872.140,69 23.832.155,62 5.039.985,06 Março 32.476.443,31 23.480.718,39 8.995.724,92 Abril 41.275.674,17 35.970.824,04 5.304.850,13 Maio 34.746.213,80 31.108.482,95 3.637.730,84 Junho 40.681.198,12 36.081.286,68 4.599.911,43 Julho 41.210.949,86 37.511.823,75 3.699.126,11 Agosto 37.310.233,30 34.333.850,31 2.976.382,99 Setembro 37.659.890,11 35.371.067,68 2.288.822,43 Outubro 34.592.936,20 32.220.106,79 2.372.829,41 Novembro 29.514.325,74 26.631.753,47 2.882.572,27 Dezembro 35.280.069,35 31.280.980,41 3.999.088,93 QUADRO II Fl. 11265DF CARF MF 32 Julho 3.699.126,11 517.664,50 3.181.461,61 Agosto 2.976.382,99 570.540,00 2.405.842,99 Setembro 2.288.822,43 57.750,00 2.231.072,43 Outubro 2.372.829,41 652.282,50 1.720.546,91 Novembro 2.882.572,27 699.121,50 2.183.450,77 Dezembro 3.999.088,93 663.618,30 3.335.470,63 Total anual 47.698.041,06 4.140.463,30 43.557.577,76 Com o novo cálculo do valor resultante da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem comprovada, a base de cálculo do imposto devido, antes dos acréscimos legais, do imposto pago e da dedução acatada pela DRJ, com base no que consta à efl. 5.130, será: Base de cálculo declarada ..............R$ 1.949.970,08 Infrações Quadro III .....................R$43.557.577,76 Base de cálculo após este recurso....R$45.507.547,84 II. 1. Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios Multa de mora aplicada em percentual que contraria a Constituição Federal, art. 150, IV, segundo o qual é vedado à União, aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios "utilizar tributo com efeito de confisco." Incabível enfrentar aqui questionamentos referentes à constitucionalidade de leis e decretos. A Súmula CARF nº 2 assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." II. 2. Do descabimento da aplicação da taxa Selic A aplicação da taxa Selic é matéria já sumulada por este Conselho, sendo de observância obrigatória neste julgamento, conforme disposição regimental e, portanto, desnecessário alongar a discussão. Súmula CARF nº 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Além disso, a jurisprudência do STJ também já consolidou entendimento, no sentido de sua aplicação: "Está firmado no âmbito da 1° Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos Fl. 11266DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.239 33 tributários para com a Fazenda Nacional", foi o que afirmou o STJ, 1aT, Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08 e também no Resp 879844/MG, Min LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/11/2009. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação tributária, destaco, por fim, que: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Conclusão: Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular, conforme Quadro II, e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do Recorrente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 11267DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725253/2011-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 52 53 /2 01 1- 24 Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403003.607, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000325/00-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF
REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO.
A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Credito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerá-lo parcialmente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Credito Tributário Mantido em Parte.
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CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Credito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 03 25 /0 0- 00 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 394 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerálo parcialmente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins, relativo ao anocalendário de 1995, decorrente de divergência entre valores escriturados no livros fiscais e valores declarados em DCTF e DIRPJ. Em impugnação, a recorrente alegou preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por ter sido lavrado sem o devido Mandado de Procedimento Fiscal. No mérito, que a autuação é improcedente, uma vez que os tributos estavam constituídos antes da lavratura, mediante a entrega de Termo de Opção pelo Refis; que esta opção configura denúncia espontânea; que o Decreto nº 3.712/2000 ao permitir a complementação da Declaração Refis até 12/02/2001, permitiu a regularização de todos os débitos; que a taxa Selic deve ser excluídas como juros de mora. A DRJ, por sua vez, proferiu o Acórdão nº 1.595, julgando improcedente a impugnação, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1995, 01/07/1995 a 31/12/1995 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). 0 Mandado de Procedimento Fiscal integral o rol dos atos discricionários vinculados à autorização e controle da execução dos procedimentos de fiscalização e a eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 395 3 Constatada pela fiscalização a falta ou insuficiência de recolhimentos de Cofins, deve a exigência tributária ser constituída de oficio. OPÇÃO PELO REFIS. A opção pelo Refis após o inicio do procedimento fiscal não sustenta a alegação de denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de oficio e juros de mora decorre de observância da legislação de regência e está ligada ao preceito do art. 142 o Código Tributário Nacional (CTN) acerca da atividade vinculada do lançamento. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente repisou as alegações efetuadas na impugnação, acrescentando a necessidade de declaração de nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos da defesa. Por seu turno, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento proferiu o Acórdão nº 3803.00.419, dando provimento ao recurso voluntário, declarando a decadência de todo o lançamento. Cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, por contradição na contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 173, inciso I, do CTN, ao ter declarado a decadência de todo o ano de 1995, quando deveria ter excluído o período de dezembro de 1995 da referida decadência. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos de declaração foram admitidos para sanar a contradição quanto à contagem do prazo decadencial estabelecido no artigo 173, inciso I do CTN, efetuada no Acórdão nº 3803.00.419, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COFINS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 396 4 Em razão do transcurso do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), encontrase extinto o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nas datas acima identificadas. 0 prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Recurso Voluntário Provido. Constatase que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/02/2001 (efls. 81), sendo o lançamento relativo aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1995. Destarte, uma vez que a Cofins do mês de dezembro de 1995 venceu em meados de janeiro de 1996, apenas após esta data seria possível o lançamento, o que leva o termo inicial do prazo para 1º/01/1997 e o termo final para 31/12/2001, após a ciência do Auto de Infração. Concluise, portanto, que o fato gerador de dezembro de 1995 não está decaído. Ultrapassada a prejudicial de decadência em relação a este período, necessário se faz apreciar as demais alegações de recurso voluntário. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da autuação pelo fato de que a recorrente não obteve ciência do MPF 0210300/00071/000, e, portanto, não houve ciência do procedimento fiscal, e que esta suposta ausência causaria a preterição do direito de defesa. Em relação a eventuais irregularidades no MPF, salientase que é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativo funcionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º1 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, instituidora do MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.935/1972. 1 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 397 5 Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto a este ponto, cujos fundamentos adoto de forme complementar como razão de decidir, nos termos do §1º2 do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A segunda preliminar arguida diz respeito à nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação de argumentos defesa, especificamente quanto à alegação de duplicidade de cobrança dos débitos de Cofins relativos ao anocalendário de 1995, uma vez que aderiu e confessou no REFIS, de acordo com a Lei nº 10.002/2000 e Decreto nº 3.712/2000. A recorrente alegou em impugnação que os débitos lançados foram devidamente pagos no parcelamento de que tratou a Lei nº 10.002/2000, declarados antes da lavratura do Auto de Infração, e que a manutenção do lançamento implicaria em duplicidade de cobrança. Sustentou que não são cabíveis o principal, juros de mora e multa de 75% aplicados, bem como houve denúncia espontânea da infração, mediante a declaração ao REFIS. A decisão da DRJ caminhou no sentido da necessidade do lançamento, em razão de ter a adesão ao REFIS ocorrida após o início da ação fiscal, por estar excluída a espontaneidade. Assim, entendo que a decisão não abordou ponto relevante alegado em impugnação quanto à questão da duplicidade de cobrança, via REFIS e Auto de Infração, em inobservância do artigo 31 do Decreto nº 70.235/19723, o que causaria sua nulidade, a teor do artigo 59, inciso II do referido diploma. Ocorre que tal declaração não será necessária, nos termos do §3º do referido artigo 59, em vista do que se decidirá adiante. No mérito, a recorrente alegou, em suma, que a adesão e declaração ao REFIS teria o condão de impedir o lançamento de ofício, uma vez que os débitos estariam confessados antes da constituição do lançamento e que a existência das duas constituições de crédito tributário implicaria em duplicidade de cobrança. Passo à análise. O REFIS foi instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, cujo prazo foi reaberto pela Lei nº 10.002, de 14 de setembro de 2000, tendo sido regulamentado pelos Decretos nº 2 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 3 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 398 6 3.431 e 3.712, ambos de 2000. Abrangeu os débitos vencidos até 29/02/2000, conforme artigos 1º da Lei nº 9.964, de 2000 e do Decreto nº 3.431, de 2000, contemplando os períodos lançados neste processo. Por sua vez, o artigo 3º da referida lei dispôs que a opção pelo REFIS implica confissão irretratável e irrevogável dos débitos informados, bem como o artigo 2º menciona em seu §3º, que a consolidação abrangeria todos os débitos, constituídos ou não, inclusive acréscimos legais relativos a multa, de mora ou ofício, juros e demais encargos, determinados de acordo com legislação vigente à época, conforme transcrito abaixo: Art. 2o O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. § 1o A opção poderá ser formalizada até o último dia útil do mês de abril de 2000. § 2o Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis. § 3o A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. O Decreto nº 3.431/2000, regulamentando a Lei nº 9.964/2000, dispôs, ainda, no §9º do artigo 5º que as multas de ofício incluídas no REFIS seriam reduzidas em 40%, nos termos do artigo 60 da Lei nº 8.383/1991. Após a edição da Lei nº 10.002, de 2000, o Decreto nº 3.712, de 2000, em seu artigo 2º, §1º, determinou que os débitos não constituídos pela pessoa jurídica deveriam ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 12/02/2001. Da análise dos documentos acostados aos autos, constatase que a recorrente efetuou a opção em 27/11/2000 (efls. 303), efetuou a entrega de declaração de débitos em 12/02/2001 (efls. 312/321), onde constam os débitos de Cofins em valores originais correspondentes aos lançados neste Auto de Infração. O demonstrativo de débitos consolidados (efls. 337/355) mostra que a consolidação ocorreu com a multa moratória de 20%, estando o parcelamento sendo controlado no processo nº 10218.450055/200164, de acordo com a informação prestada pela recorrente em recurso voluntário. Neste ponto, frisese que a recorrente recebeu intimações em 11/07/2000 e 11/08/2000, tendo, inclusive respondido à fiscalização em 14/08/2000, ao passo que efetuou a opção pelo Refis apenas em 27/11/2000, caracterizando, assim, estar sob procedimento de fiscalização quando do exercício da opção. Destarte, de acordo com o §1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 e parágrafo único do artigo 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea ou existência de espontaneidade, após o início do procedimento fiscal. No caso, a opção pelo REFIS e a entrega da declaração, ainda que anterior à lavratura do Auto de Infração, não têm o condão de afastar a multa de 75% lançada neste Auto de Infração, em vista de que a consolidação efetuada no REFIS ocorreu com multa moratória de 20% e a ausência de espontaneidade para a prática do ato. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 399 7 Porém, os débitos informados no REFIS consistiram em confissão irretratável e irrevogável de dívida, o que implica a impossibilidade de exigência em duplicidade dos referidos créditos tributários. Assim, entendo que deve ser exonerado do lançamento, a parcela do débito do mês de dezembro de 1995 (recordandose que os demais períodos foram julgados extintos por decadência) correspondente ao valor declarado no REFIS, considerando a redução da multa de ofício em quarenta por cento, de acordo com o §9º do artigo 5º do Decreto nº 3.431/2000. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3401002.998: LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. Ressaltase que sobre o crédito original remanescente, restabelecese a multa de ofício de 75%. Diante do exposto, voto para acolher os embargos de declaração e retificar o acórdão embargado, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose totalmente os créditos tributários correspondentes aos períodos de janeiro a novembro de 1995 e exonerandose, parcialmente, o crédito tributário correspondente a dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 399DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.907848/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907848/201175 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.889 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de fevereiro de 2017 Assunto PER/DCOMP Recorrente DM MOTORS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição de fls.2 e ss., correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 84 8/ 20 11 -7 5 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10850.907848/201175 Resolução nº 3402000.889 S3C4T2 Fl. 3 2 pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. É o relatório, em síntese. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Assim sendo, entendo que o processo não está maduro para julgamento, cabendo a realização de Diligência Fiscal para esclarecimento dos fatos que estão aqui sendo discutidos. Desse modo, voto por converter o presente julgamento em diligência para: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.935058/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 58 /2 00 9- 96 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.966, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.724099/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO COMPLEMENTAR. INEXISTÊNCIA. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. LANÇAMENTO DECORRENTE CANCELADO.
Quando o contribuinte comprova ter se equivocado no preenchimento de declaração de ajuste retificadora, informando imposto complementar inexistente, o lançamento decorrente desta glosa deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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INEXISTÊNCIA. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. LANÇAMENTO DECORRENTE CANCELADO. Quando o contribuinte comprova ter se equivocado no preenchimento de declaração de ajuste retificadora, informando imposto complementar inexistente, o lançamento decorrente desta glosa deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 40 99 /2 01 4- 12 Fl. 162DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Relatório Das declarações de ajuste: (efls. 127 a 134) O Contribuinte transmitiu para o anocalendário de 2012 duas declarações de ajuste anual sendo a primeira em 27/04/2013 e a segunda (retificadora) em 09/04/2014. Na sistemática de processamento utilizada pela RFB a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada. Na declaração retificadora, o contribuinte informou no campo "Imposto Complementar" o valor de R$5.148,86. Da Notificação de Lançamento: (efls. 55 a 58) O cruzamento eletrônico detectou que não havia recolhimento, no código próprio para imposto complementar 0246, e houve a glosa deste valor. Assim, considerando a data de transmissão foi recalculado o imposto como os acréscimos devidos. Apurouse crédito tributário de R$6.964,86, sendo R$5.148,86 de imposto, R$1.029,77 de multa de 20% sobre o imposto, e R$786,23 de juros de mora, calculados até 28/11/2014. Da Impugnação: (efls. 2 a 58) O Contribuinte não concorda com o lançamento e informa que errou no preenchimento da declaração retificadora, que não existe o imposto complementar e sim o pagamento tempestivo do imposto apurado na declaração retificada. (efls. 2 e 4) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10840.724099/201412 Acórdão n.º 2401004.712 S2C4T1 Fl. 157 3 Solicita o cancelamento da Notificação. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 135 a 138) A 21ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão 1274.084, de 09 de abril de 2015, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO COMPLEMENTAR Somente os recolhimentos efetuados no código 0246, referentes a Imposto Complementar no decorrer do Ano calendário, podem ser objeto de compensação a título de imposto complementar na DAA do exercício correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Do Recurso Voluntário: (efls. 143 a 149) Cientificado do acórdão em 05/2015, não estando legível o dia da entrega /ciência no AR de efl. 141, apesar de constar a assinatura do recebedor. O Recurso Voluntário foi interposto em 16/06/2015, efl. 143 com alegações que podem ser assim resumidas: 1. reitera as razões da impugnação, reforçando tratarse de erro material na declaração de ajuste; 2. não concorda em ser onerado com acréscimo de multa e juros uma vez que efetuou o pagamento tempestivamente; 3. requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE: O Aviso de Recebimento dos Correios não registra a data efetiva da entrega e sim tentativas nos dias 18, 19 e 20 de maio de 2015, apesar de conter a assinatura do Contribuinte como recebedor da correspondência. (vide efl. 141) Entretanto, consta do Extrato do Processo, efl. 151, documento preparado pela Secat/DRF de Ribeirão Preto, que a data da ciência (contribuinte) foi 20/05/2015. Por outro lado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/06/2015, conforme consta à efl. 143, assim o recurso foi interposto dentro do prazo legal sendo, portanto, tempestivo e deve ser conhecido. 2. MÉRITO: O Recorrente afirma que incorreu em erro quando informou haver "imposto complementar", no valor de R$5.148,86, na sua declaração de ajuste retificadora, referente ao ano calendário 2012. Entendeu que a declaração de ajuste retificadora, entregue em 09/04/2014, o cálculo do imposto deveria resultar em zero, tanto o imposto a pagar quanto o a restituir. Como este entendimento preencheu a linha "imposto complementar" com o valor do imposto que já havia recolhido (apurado na declaração retificada), por meio de Darf com o código de recolhimento 0211, código correto para o recolhimento do imposto a pagar. No processamento da declaração retificadora ficou evidente que não existia o pagamento correspondente aos códigos 0246 imposto complementar ou 0190 carnê leão e, portanto, a declaração retificadora foi selecionada para que o Contribuinte apresentasse ou justificasse a ausência daquele pagamento declarado. Na Notificação de Lançamento conta que: (efl.56) O contribuinte não obteve êxito no julgamento da instância de piso que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo a glosa e o lançamento correspondente justificando que: "Somente os recolhimentos efetuados no código 0246, referentes a Imposto Complementar no decorrer do Ano Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10840.724099/201412 Acórdão n.º 2401004.712 S2C4T1 Fl. 158 5 calendário, podem ser objeto de compensação a título de imposto complementar na DAA do exercício correspondente." Discordo desta decisão, uma vez comprovado o erro cometido pelo contribuinte ao preencher a linha correspondente ao valor do imposto complementar, na declaração retificadora. 3. Conclusão: Pelo que foi exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000398/2004-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 03 98 /2 00 4- 54 Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.285 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de retorno de processo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de que sejam examinadas, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração relativa aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, não apreciadas nesta instância em face da decadência, a qual, posteriormente, foi afastada naquela corte administrativa. O auto de infração de fls. 750/776, lavrado contra o sujeito passivo, exigiu Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos sem causa, referentes aos desembolsos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, por meio do Banco da Amazônia (BASA), Agência Altamira, c/c 070.8772, no período de 01/01/1999 a 31/12/2001, cuja operações ou causas não foram devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, conforme Relatório Fiscal às fls. 777/795. A fiscalização expôs que em 2002 houve uma fiscalização (processo 10215.800021/200406), que objetivou verificar aspectos atinentes à correta aplicação de recursos provenientes da SUDAM; e que o presente procedimento fiscal, iniciado em 2004, teve como principal objetivo verificar a regularidade dos pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belém/PA, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão em impugnação de fls. 905/919, afastando as preliminares, inclusive de decadência, nos moldes do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). A 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso voluntário, acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN) e rejeitou as demais preliminares; e, no mérito, negou provimento ao recurso, conforme acórdão de fls. 991/1051, assim ementado: DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 pagamento a beneficiário não identificado ou o pagamento efetuado sem a comprovação da operação ou causa está sujeito 5 incidência na fonte, cuja apuração e recolhimento devem ser realizados na ocorrência do pagamento (fato gerador). A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.286 3 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO POSSIBILIDADE REVISÃO DE LANÇAMENTO O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) expedido regularmente pelo delegado da unidade jurisdicionante do sujeito passivo assegura, por si só, a possibilidade de reexame de período anteriormente fiscalizado. DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA PELA POLICIA FEDERAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA O fato de o contribuinte ter tido sua documentação apreendida pela Policia Federal, em cumprimento regular de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal, não faz prova alguma de que houve cerceamento ao direito de defesa. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÁS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n°. 5.172, de 1966 CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA LEI N° 8.981, DE 1995, ART. 61 CARACTERIZAÇÃO A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referida em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.287 4 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei no 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do C. P. C. e art. 29 do Decreto n°. 70.235, de 1972). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminar de decadência acolhida. Preliminares de nulidades rejeitadas. Recurso negado. Em análise de recurso especial interposto pela PGFN, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), às fls. 1206/1214, decidiu pela aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN, restabelecendo a exigência em relação a todo o período lançado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso especial provido. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.288 5 Houve interposição de embargos de declaração pelo contribuinte (fls. 1233/1237), que foram acolhidos com efeitos infringentes, no acórdão da CSRF às fls. 1265/1268, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para alterar a decisão recorrida, com retorno à Câmara de origem para análise das demais questões. (...) Voto (...) O Embargante alegou, em síntese: O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da PFN sob o fundamento de que não houve o transcurso do prazo de decadência, mas foi omisso ao não determinar o retorno dos autos à Câmara/Turma recorrida para examinar, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração em relação aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, período esse abrangido pelos efeitos da decadência que havia sido acolhida na decisão a quo. Diante da omissão constatada, ACOLHO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS COM EFEITOS INFRINGENTES, para CONHECER do RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria da Fazenda para considerar devidamente constituído o crédito tributário decorrente do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 1999, com retorno dos autos à Câmara/Turma recorrida para examinar, no mérito, as provas apresentadas para descaracterizar a infração em relação aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999. (Grifos no original) As disposições trazidas no Relatório Fiscal de fls. 777/795, que também contemplam os fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, são as seguintes: Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.289 6 As Intimações (circularizações) foram devidamente encaminhadas para o domicilio tributário dos diversos beneficiários dos pagamentos, conforme dados cadastrais constantes dos arquivos da Receita Federal. (§ 4º do art. 23 do decreto 70.235/72) (...) Algumas correspondências foram devolvidas (fls.649/675) a Delegacia da Receita Federal em Santarém/PA uma vez que não foi possível aos correios localizar o endereço (domicilio tributário) constante da base de dados da Receita Federal. Tendo em vista o silêncio da fiscalizada e a dificuldade em se localizar o domicilio tributário dos beneficiários dos cheques abaixo listados, esclarecemos que os valores destinados às empresas não localizadas (Quadro n° 3) foram considerados pagamentos sem causa e sem comprovação estando, portando, sujeitos ao IRRF. Segue abaixo análise individualizada das respostas referentes às circularizações que foram realizadas pela fiscalização: (...) 2) AGROINDUSTRIAL BRASIL S/A — CNPJ 03.062.244/000197 (fls.380/382) O responsável pela Agroindustrial Brasil S/A declarou que o pagamento em questão referiase à venda de novilhas a Agropecuária Pinguim S/A, entretanto não apresentou documentação comprobat6ria que confirmasse tal declaração. Com base na insuficiência de esclarecimentos e provas por parte do beneficiário do cheque e da empresa fiscalizada, concluímos que o valor questionado (Quadro no 5) configurase em pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeito ao IRRF. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.290 7 3) AGROPECUÁRIA RIO FLORES S/A — CNPJ 02.652.687/000175 (fls.383/386) A Agropecuária Rio Flores S/A, também empresa beneficiária da SUDAM, recebeu a quantia total de R$916.200,00 da Agropecuária Pingiiim S/A. A circularizada não apresentou resposta ao atual Termo de Intimação Fiscal 193, entretanto, em fiscalização realizada anteriormente no decorrer do ano de 2002 (fls.385/386), a Agropecuária Rio Flores S/A declarou que os valores foram utilizados para demonstração de depósito em conta corrente da empresa exigido pela SUDAM. A beneficiária fez questão de ressaltar que esta operação teve a orientação da contadora e de servidores/auditores da SUDAM e anuência do BASA. Esta operação tem característica de operação utilizada pelo "esquema" que consiste em fazer com que o mesmo dinheiro seja utilizado por diversas empresas da SUDAM como prova de depósito dos recursos próprios, com a finalidade de viabilizar as liberações dos recursos do FINAM, que só eram autorizadas após a comprovação das integralizações por parte dos acionistas. Tendo em vista a irregularidade do "esquema" em questão e com base na falta de documentação comprobatória, informamos que os valores questionados (Quadro n° 6) configuramse em pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 6) FRANGO GIGANTE S/A — CNPJ 02.713.660/000145 (fls.410/411) Embora o contribuinte não tenha respondido ao Termo de Intimação Fiscal 200, com base nos altos valores repassados pela Agropecuária Pingüim S/A (R$540.000,00), praticamente na mesma data (14/01/1999 e 15/01/1999), e tendo em vista o fato de que a Frango Gigante S/A também recebeu recursos do FINAM, ou seja, teve projeto aprovado junto à extinta SUDAM, temos fortes indícios para acreditar que os recursos desembolsados pela Agropecuária Pingüim em nome da Frango Gigante serviram de comprovação de recursos próprios da circularizada para a liberação de recursos públicos do FINAM, esquema já mencionado anteriormente. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.291 8 Tendo em vista a irregularidade dos desembolsos questionados (Quadro n° 9) e a falta de documentação hábil e idônea que comprove a autenticidade das operações que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, efetuamos lançamento de tais valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 8) ILHA MOTOCENTER LTDA — CNPJ 02.952.676/000100 (fls.416/419) O responsável pela empresa esclareceu que os valores recebidos não foram objeto de operação comercial realizada diretamente com a Agropecuária Pingüim S/A e sim com terceiros. Em conseqüência da falta de documentação hábil e idônea comprobatória das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 11) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeitos ao IRRF. Quadro nº 11 9) INCRAL COM E REP ARAUCÁRIA LTDA — CNPJ 03.539.280/000107 (fls.420/434) O responsável pela Incral informou que não realizou operação comercial diretamente com a Agropecuária Pingüim, esclareceu ainda que, os valores recebidos referiamse a transações comerciais efetivadas entre a Incral e a empresa de construção, Construtora Constrói, entretanto nenhum documento foi apresentado. Na fiscalização desenvolvida no decorrer do ano de 2002 (fls.423/434), a Construtora Constrói, CNPJ 01.963.111/0001 66, encaminhou A. Receita Federal relação de todas as notas fiscais que foram emitidas em nome da Agropecuária Pinguim S/A, com base na informação prestada por tal construtora, os valores e datas de emissão e pagamento expressos nas notas fiscais relacionadas pela construtora não coincidem com os dados constantes dos cheques que segundo a Incral foram emitidos pela Agropecuária Pinguim para pagamento dos serviços prestados pela Construtora Constrói e posteriormente repassados pela Construtora Constrói a Incral. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.292 9 Com base na insuficiência de provas efetivas quanto a autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingiiim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 12) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. (...) 13) MILTON LUIZ ANSELMO — CPF 035.938.40804 (fls.4651469) Embora o Sr. Milton não tenha respondido ao atual Termo de Intimação Fiscal 212, em circularização realizada em fiscalização desenvolvida anteriormente no ano de 2002, o Sr. Milton Luiz Anselmo afirmou que foi gerente da Fazenda Pinguim entre agosto de 1998 a julho de 2000, informou que os valores foram utilizados no pagamento de despesas de implantação do projeto Agropecuária PingUim S/A, porém não apresentou documentação que ratificasse tal declaração. Com base na insuficiência de provas efetivas quanto à autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingiiim S/A, realizamos lançamentos dos valores questionados (Quadro n° 16) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF. 14) MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) — CNPJ 05.024.583/000104 (fls.470/608) Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.293 10 MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA — CNPJ 84.189.950/000104 (fls.609/615) A empresa Agropecuária Pingiiim S/A, bem como a empresa Mônaco Diesel Ltda(Revemar) e a empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda, fazem parte de um grupo que se autodenomina de Grupo Mônaco e têm em comum os mesmos sócios cotistas, membros de uma única família segundo informações e dados constantes das folhas n° 473; 611/615 . Em resposta à solicitação de esclarecimentos quanto aos inúmeros cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A em nome da empresa Mônaco Diesel Ltda (Revemar), a circularizada encaminhou copia de inúmeras notas fiscais emitidas pela empresa Mônaco Diesel em nome da Fiscalizada. Na análise das notas fiscais apresentadas, não conseguimos identificar ligação entre os valores constantes dos cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A (Quadro n° 17) e os valores expressos nas nota fiscais emitidas pela Mônaco Diesel Ltda, além do que, na maioria dos casos, as notas fiscais mencionam condições de pagamento a vista, nesses casos os valores e datas expressos nos cheques deveriam ser coincidentes com as datas e valores constantes das notas fiscais, o que não se verifica na análise dos documentos apresentados onde as datas de emissão e os valores expressos nas notas fiscais não se aproximam das datas e valores expressos nos cheques. Com relação ao Termo de Intimação fiscal 214 (fls.609/612), o responsável pela empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda informou que não realizou nenhuma transação comercial com a Agropecuária Pingüim S/A, esclareceu que os cheques relacionados no termo de Intimação (Quadro no 18) foram provenientes de negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda (fl.613). No procedimento de fiscalização realizado anteriormente em 2002 (fls.614/615), o responsável pela empresa Mônaco Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.294 11 Motocenter Comercial Ltda informou que durante a implantação do projeto da Agropecuária Pingüim era comum os proprietários recorrerem aos caixas das outras empresas do grupo para atender necessidades prementes de investimento no decorrer do prazo entre uma liberação e outra. Já em resposta ao atual termo de intimação fiscal 214 (fl.613), o responsável pela Mônaco Motocenter informou que os valores questionados referiamse a negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda. Importante salientarmos que as empresas embora façam parte de um grupo econômico são entidades autônomas, portanto, as operações realizadas entre as empresas que fazem parte do grupo (transações entre partes relacionadas) devem gozar de transparência, independência e isenção. (...) No caso em epígrafe, as transações entre partes relacionadas ganham destaque ainda maior tendo em vista o fato de que houve utilização de recursos públicos na implantação do projeto da Agropecuária Pinguim S/A. Os recursos próprios e do FINAM têm objetivos claros de investimento no projeto, não podendo ser desviado para outras empresas com vínculos familiares ou não. Este tratamento dispensado aos recursos pela PINGUIM não se justifica a luz do regulamento estabelecido pela SUDAM, tampouco à luz dos princípios de responsabilidade que devem pautar o gerenciamento do dinheiro público. Tendo em vista o breve relato acima e a insuficiência de provas quanto à autenticidade das operações comerciais que deram causa aos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim às empresas, Mônaco Diesel Ltda e a Mônaco Motocenter Comercial Ltda, empresas de um mesmo grupo familiar, efetuamos o lançamento de tais valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando, portanto, sujeitos ao IRRF Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.295 12 15) NORAUTO RENT A CAR LTDA — CNPJ 83.368.837/000115 (fls.616/625) Embora o atual termo de intimação fiscal 216 não tenha sido encaminhado com sucesso a Norauto Rent a Car Ltda, com base em informação constante de intimação realizada na fiscalização anterior, realizada no decorrer do ano de 2002, o responsável pela Norauto Rent a Car Ltda informou que não efetuou operação comercial diretamente com a Agropecuária Pingüim S/A, esclareceu ainda que, o valor recebido (Quadro n° 19) referiase à venda de um veiculo ao Sr. Carlos Carrilho de Castro Júnior. Como não conseguimos identificar e comprovar a causa que deu origem ao pagamento realizado pela Agropecuária pingüim S/A, efetuamos lançamentos do valor questionado a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação estando sujeito ao IRRF. (...) 18) TIBIRI AVÍCOLA AS TIBISA — CNPJ 23.670.151/0001 52 (fls.6341636) O responsável pela Tibiri Avícola informou que o pagamento foi direcionado a cobrir despesas com elaboração de um ante projeto e assessoria técnica e econômica, visando a implantação de uma unidade de criação de frangos de corte, entretanto, nenhum documento comprobatório foi apresentado. Tendo em vista a inexistência de provas quanto à autenticidade da operação comercial que deu causa ao pagamento realizado pela Agropecuária Pingüim S/A, providenciamos lançamento do valor (Quadro n°22) a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação. (...) Continuando a fiscalização, não conseguimos identificar os reais beneficiários de inúmeros cheques, em alguns casos, os nomes estão ilegíveis, em outros há homônimos, alguns cheques não estão nominais, alguns nomes de beneficiários não foram localizados no banco de dados da Receita Federal. Intimamos várias vezes a fiscalizada a identificar os reais beneficiários e as operações que originaram tais pagamentos, entretanto, até o final da fiscalização não recebemos nenhum esclarecimento por parte da Agropecuária Pingüim S/A. Nos casos em questão a não identificação do beneficiário implica também na não comprovação da operação ou sua causa. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.296 13 Tendo em vista a falta de esclarecimentos e provas quanto à identificação dos reais beneficiários dos pagamentos realizados pela Agropecuária Pingüim S/A, bem como a não comprovação da operação que deu causa aos pagamentos abaixo relacionados (Quadro n° 26), efetuamos lançamentos dos valores a titulo de pagamento sem causa e sem comprovação. Os argumentos trazidos no recurso voluntário (fls. 931/948) quanto ao mérito, envolvendo os fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, são basicamente os mesmos apresentados na impugnação, a seguir resumidos: em relação aos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26, elaborados pela fiscalização para demonstrar a consideração de pagamentos sem causa (acima transcritos), a recorrente justifica a falta de apresentação dos documentos comprobatórios pela seguinte razão: Não se conseguiu documentos ou outra informação referente à contrapartida do(s) débitos em conta corrente, chegando a conclusão que os dados e documentos que comprovam a operação estão contidos no material apreendido pela Policia Federal em 05/07/2001, conforme Termo de Apreensão (anexo) quanto aos demais quadros em que a fiscalização aponta os pagamentos sem causa (acima transcritos), assim se pronunciou a recorrente: QUADRO 5 Agroindustrial Brasil S/A — Compra de novilhas da raça nelore, conforme documentação em anxo [sic] (...) QUADRO 11 Ilha Motocenter Ltda. Na [sic] efetivamos negócios diretos com essa empresa. Notas fiscais comprobatórias anexo Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.297 14 QUADRO 12 Incral Com. E Rep. Araucária Ltda. Transações efetivadas com a empresa Construtora Constrói, documentos em anexo. (...) QUADRO 16 Milton Luiz Anselmo Gerente da empresa no período de 1998 a 2000 e os cheques emitidos em seu nome eram para fazer frente a despesas da empresa. Documentos retidos pela Policia federal. QUADRO 17 Mônaco Diesel Ltda. Contrato de mútuo entre empresas, conforme documentação em anexo. QUADRO 18 Mônaco Motocenter Com. Ltda Contrato de mútuo entre empresas, conforme documentação em anexo. O contribuinte trouxe no recurso os documentos de fls. 945/985. Junto à impugnação já havia trazido os documentos de fls. 815/897; e no aditivo à impugnação (fls. 900), o documento de fls. 901. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. A presente análise se restringe ao exame das provas apresentadas pela recorrente para descaracterizar a infração relativa aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999, em cumprimento do acórdão em embargos da CSRF, de fls. 1265/1268, que acolheu o pleito do contribuinte nesse sentido. Cumpre registrar que a numeração das folhas mencionadas nesta decisão se refere ao processo já digitalizado. Apenas nas transcrições de trechos das peças contidas nos autos é que se manteve a numeração original. Em relação aos pagamentos sem causa, apontados pela fiscalização nos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26 (fls. 780/793 e transcritos no relatório), a recorrente não trouxe provas que desconstituíssem a infração e argumentou que não conseguiu documentos ou outra informação relativa à contrapartida dos débitos em conta corrente, o que a fez concluir que os dados e documentos que comprovam as operações estariam contidos no material apreendido pela Policia Federal em 05/07/2001, conforme Termo de Apreensão que anexou às fls. 850/851. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.298 15 Ocorre que esse argumento, já apreciado em sede de preliminar pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 991/1051), está fora do âmbito desta análise, que se limita à verificação das provas trazidas para descaracterizar a infração. Portanto, como não há apresentação de provas que identifiquem as causas e operações correspondentes aos pagamentos realizados pelo contribuinte até 29/09/1999, apontados nos quadros 3, 6, 9, 19, 22 e 26, devese manter o lançamento do imposto de renda retido na fonte sobre tais quantias. No que diz respeito ao pagamento de R$ 9.000,00, indicado no quadro 5, efetuado à AGROINDUSTRIAL BRASIL S/A — CNPJ 03.062.244/000197, o contribuinte alega que se trata de compra de novilhas da raça nelore, conforme documentação em anexo. Contudo, nos autos há apenas uma declaração apresentada pela Agroindustrial Brasil, na ocasião das circularizações, de que vendeu novilhas à autuada (fls. 391), mas não houve apresentação de documento que confirmasse essa declaração, como observou a autoridade fiscal. A recorrente também não trouxe nenhum documento comprobatório dessa operação. Logo, necessário manter o lançamento nesse ponto. Quanto aos cheques nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 35.000,00, emitidos em favor de ILHA MOTOCENTER LTDA — CNPJ 02.952.676/000100 (quadro 11), a recorrente alega que: QUADRO 11 Ilha Motocenter Ltda. Na [sic] efetivamos negócios diretos com essa empresa. Notas fiscais comprobatórias anexo Verificase que, durante o procedimento fiscal, a ILHA MOTOCENTER LTDA. informou que esses cheques não foram objetos de nenhuma transação comercial com a emitente, mas sim com terceiros (fls. 433/432). E nos documentos trazidos pelo contribuinte aos autos (fls. 815/897, 901, 945/985), não há notas fiscais em nome dessa empresa. Assim, persiste essa infração. Em relação aos pagamentos nos valores de R$ 25.000,00 (12/01/1999), R$ 18.000,00 (22/02/1999) e R$ 20.000,00 (30/03/1999), efetuados à INCRAL IND. COM. E REP, ARAUCÁRIA LTDA — CNPJ 03.539.280/000107 (quadro 12), o contribuinte diz que foram transações efetivadas com a CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, conforme documentos em anexo. Nesse aspecto, conforme já consignou a fiscalização no relatório fiscal e como se verifica às fls. 437, a INCRAL informou que esses valores (cheques emitidos pela recorrente) foram recebidos em transações comerciais com a CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, mas não apresentou nenhum documento relativo a essas operações. A CONSTRUTORA CONSTRÓI LTDA, às fls. 438/449, também indicou as notas fiscais que foram emitidas para a recorrente, porém nenhuma delas coincide com os dados dos cheques compensados. Essas notas fiscais foram emitidas a partir de 04/06/1999 e os cheques em 12/01/1999, 22/02/1999 e 30/03/1999. A recorrente também trouxe no recurso, às fls. 884/893, notas fiscais da CONSTRUTORA CONSTRÓI, emitidas em seu nome, mas todas com datas a partir de Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.299 16 21/05/1999, ou seja, em momento posterior ao da emissão dos cheques em pauta e em valores distintos. Assim, mesmo na eventual hipótese da recorrente ter efetuado pagamentos à CONSTRUTORA CONSTRÓI, por serviços prestados, mediante cheques ao portador e que, posteriormente, esses cheques tenham sido repassados por essa Construtora à INCRAL, (abstraindose das questões relativas à regularidade de operação nesse sentido) tal operação não demonstraria a causa dos pagamentos citados no quadro 12, visto que as quantias e datas dos cheques não conferem com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela CONSTRÓI para a recorrente. Observase ainda que o contribuinte trouxe, às fls. 894, uma nota fiscal da INCRAL emitida para a AGROPECUÁRIA PINGÜIM, mas na data de 07/12/1998 e no valor de R$ 40.000,00. Portanto, essa nota fiscal também não confere com as quantias e datas dos pagamentos em questão. Dessa forma, permanece a insuficiência de provas quanto à autenticidade das operações realizadas e, por conseguinte, devese manter a exigência fiscal demonstrada no quadro 12, no que diz respeito ao período objeto desta análise. Quanto aos montantes indicados no quadro 16 (R$ 25.000,00; R$ 50.000,00; R$ 25.000,00; R$ 20.000,00; R$ 20.000,00; R$ 50.000,00; R$ 6.000,00; R$ 20.000,00, referentes ao período em análise) relativos a pagamentos efetuados a MILTON LUIZ ANSELMO — CPF 035.938.40804, a recorrente argumenta que se trata de gerente da empresa, no período de 1998 a 2000, e que os cheques emitidos em seu nome eram para fazer frente a despesas da empresa. Também diz que os documentos foram retidos pela Policia Federal. Porém, não houve apresentação de provas que confirmassem essa alegação. Assim, não se desconstituiu a infração apontada. Em relação aos cheques constantes no quadro 17, destinados à MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) CNPJ 05.024.583/000104 (R$ 30.000,00 e R$ 20.420,99, de 03/02/1999; R$ 21.000,00, de 20/04/1999; R$ 44.000,00, de 21/05/1999; R$ 20.000,00, de 26/05/1999; R$ 16.400,00, de 27/05/199); e no quadro 18, destinados e à MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA CNPJ 84.189.950/000104 (R$ 21.000,00, de 24/02/1999; R$ 16.000,00, de 22/04/1999; R$ 60.000,00, de 10/05/1999; R$ 40.000,00, de 12/05/1999) o contribuinte alega que são decorrentes de contrato de mútuo entre as empresas, conforme documentação em anexo. Nesse sentido, verificase que a recorrente trouxe na impugnação, às fls. 824/828 e 837/840, cópias de contratos de mútuo que teriam sido firmados entre ela e a MÔNACO DIESEL LTDA. e a MÔNACO AUTO CENTER COMERCIAL LTDA, nos quais constam as mesmas datas de emissão dos cheques e mesmos valores, em relação ao período em exame, com exceção do contrato nº 03, com a Mônaco Diesel (R$ 44.000,00), às fls. 826, em que não há coincidência de data. Porém, observase que, nesses contratos, sequer há a identificação dos representantes legais da Mônaco Diesel e da Mônaco Auto Center, que teriam assinado os termos. Também não há nenhum outro documento ou registros contábeis que corroborem inequivocamente essa operação entre as empresas. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.300 17 Ademais, conforme exposto no relatório fiscal (trecho repetido abaixo), essas empresas (que fazem parte de um grupo econômico, constituído por sócios de uma única família) foram intimadas a se pronunciarem sobre os cheques em que apareciam como beneficiárias e houve inconsistências nas informações prestadas: 14) MÔNACO DIESEL LTDA (REVEMAR) — CNPJ 05.024.583/000104 (fls.470/608) MÔNACO MOTOCENTER COMERCIAL LTDA — CNPJ 84.189.950/000104 (fls.609/615) A empresa Agropecuária Pingiiim S/A, bem como a empresa Mônaco Diesel Ltda(Revemar) e a empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda, fazem parte de um grupo que se autodenomina de Grupo Mônaco e têm em comum os mesmos sócios cotistas, membros de uma única família segundo informações e dados constantes das folhas n° 473; 611/615 . Em resposta à solicitação de esclarecimentos quanto aos inúmeros cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A em nome da empresa Mônaco Diesel Ltda (Revemar), a circularizada encaminhou copia de inúmeras notas fiscais emitidas pela empresa Mônaco Diesel em nome da Fiscalizada. Na análise das notas fiscais apresentadas, não conseguimos identificar ligação entre os valores constantes dos cheques emitidos pela Agropecuária Pinguim S/A (Quadro n° 17) e os valores expressos nas nota fiscais emitidas pela Mônaco Diesel Ltda, além do que, na maioria dos casos, as notas fiscais mencionam condições de pagamento a vista, nesses casos os valores e datas expressos nos cheques deveriam ser coincidentes com as datas e valores constantes das notas fiscais, o que não se verifica na análise dos documentos apresentados onde as datas de emissão e os valores expressos nas notas fiscais não se aproximam das datas e valores expressos nos cheques. (....) No procedimento de fiscalização realizado anteriormente em 2002 (fls.614/615), o responsável pela empresa Mônaco Motocenter Comercial Ltda informou que durante a implantação do projeto da Agropecuária Pingüim era comum os proprietários recorrerem aos caixas das outras empresas do grupo para atender necessidades prementes de investimento no decorrer do prazo entre uma liberação e outra. Já em resposta ao atual termo de intimação fiscal 214 (fl.613), o responsável pela Mônaco Motocenter informou que os valores questionados referiamse a negociações com a empresa Mônaco Diesel Ltda. (...) (Grifouse) Além das inconsistências nos esclarecimentos, observase que nenhum contrato de mútuo ou documento contábil demonstrando operações dessa natureza foi apresentado pelas empresas do grupo quando da circularização realizada pelo fisco. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.301 18 Da mesma forma, o contribuinte, antes da lavratura da autuação, foi reiteradamente intimado a se pronunciar sobre os cheques emitidos. Contudo, naquela ocasião, não apresentou esclarecimentos e documentos comprobatórios da real operação ocorrida entre as empresas (conforme relatório fiscal às fls. 793/794). Apenas em sede de impugnação foram trazidos os supostos contratos de mútuo com a intenção de respaldar os valores envolvidos, porém, de forma irregular e desacompanhados de outros documentos capazes de confirmar a operação. Notase ainda que o contribuinte trouxe na impugnação notas fiscais da MÔNACO DIESEL LTDA. (REVEMAR), às fls. 850/881, aparentemente para demonstrar a restituição de quantia que supostamente teria sido objeto de mútuo em mercadorias (possibilidade indicada nos contratos). Todavia, como os contratos de mútuo não foram aceitos nesta análise, tornase desnecessário se pronunciar sobre tais notas fiscais. Ademais, várias delas estão com a data e valores ilegíveis e naquelas em que se pode identificar a data, verifica se que a emissão se deu em 2002, ou seja, passados mais de uma ano de emissão dos supostos contratos de mútuo de 1999 (que estipulava o prazo de uma ano para restituição do valores). E, ainda, se o contribuinte desejasse demonstrar inequivocamente a operação alegada com essas notas, deveria ao menos fazer a correlação entre elas e as quantias supostamente emprestadas. Conveniente também ressaltar a avaliação feita pela autoridade fiscal, com a qual se concorda neste voto, sobre a necessidade de transparência entre as empresas, ainda que pertencentes ao mesmo grupo econômico, especialmente quando há recursos públicos envolvidos, conforme abaixo: (...) Importante salientarmos que as empresas embora façam parte de um grupo econômico são entidades autônomas, portanto, as operações realizadas entre as empresas que fazem parte do grupo (transações entre partes relacionadas) devem gozar de transparência, independência e isenção. (...) No caso em epígrafe, as transações entre partes relacionadas ganham destaque ainda maior tendo em vista o fato de que houve utilização de recursos públicos na implantação do projeto da Agropecuária Pinguim S/A. Os recursos próprios e do FINAM têm objetivos claros de investimento no projeto, não podendo ser desviado para outras empresas com vínculos familiares ou não. Este tratamento dispensado aos recursos pela PINGUIM não se justifica a luz do regulamento estabelecido pela SUDAM, tampouco à luz dos princípios de responsabilidade que devem pautar o gerenciamento do dinheiro público. (...) (Grifouse) Portanto, diante desse contexto, concluise que os documentos trazidos pelo contribuinte não são aptos a comprovar a causa dos pagamentos efetuados à MÔNACO DIESEL LTDA. e à MÔNACO AUTO CENTER COMERCIAL LTDA, no período em análise, inseridos nos quadros 17 e 18. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10215.000398/200454 Acórdão n.º 2202003.621 S2C2T2 Fl. 1.302 19 Por fim, em cumprimento do acórdão em embargos da CSRF, examinouse as provas apresentadas pelo contribuinte relativas aos fatos geradores ocorridos até 29/09/1999 e se constatou que essas provas não foram suficientes para descaracterizar a infração, devendo ser mantido o lançamento do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995, a seguir: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...) Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 1302DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900780/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO EM DCOMP. IRRF. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
Comprovada a existência de direito creditório, relativo a IRRF recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP), cujo pagamento foi comprovadamente indevido, devem ser homologadas as compensações declaradas.
Numero da decisão: 2202-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: Relator
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IRRF. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Comprovada a existência de direito creditório, relativo a IRRF recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP), cujo pagamento foi comprovadamente indevido, devem ser homologadas as compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 80 /2 00 8- 16 Fl. 257DF CARF MF 2 O presente processo é relativo a pedido de compensação substanciado na Declaração de Compensação nº 21693.86614.060204.1.3.045622, pela qual a Contribuinte pretende utilizar crédito alegado, oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor total de R$ 29.220,74 (atualizado), para compensar débito posterior do mesmo tributo. Conforme Despacho Decisório (fl. 57), a compensação declarada foi parcialmente homologada, uma vez que o credito disponível era inferior ao crédito pretendido. Cientificada da decisão em 06/05/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/06/2008, alegando, em síntese, que tal crédito foi extraído do pagamento efetuado a maior no Código de Arrecadação 5706, através do DARF recolhido em 13/10/2003, no valor de R$ 115.007,08, acrescido de multa, totalizando o valor pago de R$ 116.904,70, referente ao IRF sobre o pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio do 3° trimestre de 2003, apurado em 30/09/2003, que conforme demonstrativo em anexo, se verifica que o valor devido era de R$ 102.556,03, sendo R$ 87.172,51 no código 5706 e R$ 15.383,52 no código 9453. Afirma a impugnante que a diferença entre o valor devido no código 5706 e o valor do DARF pago gerou o crédito no montante de R$ 27.834,58 (atualizado para R$ 29.220,74) em favor da Impugnante, valor este integralmente compensado da seguinte forma: R$ 15.383,52, que acrescido de juros e multa representou a compensação de R$ 16.808,03, para pagamento de IRF código 9453 apurado no dia 30/09/2003 e o saldo remanescente de R$ 12.289,81 (atualizado para R$ 12.412,71), para pagamento complementar do IRF no valor de R$ 12.289,81 e juros de R$ 122,90 no código 5706, apurado em 31/12/2003 em conformidade com a citada PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRF) DRJ/BSA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Conforme voto condutor, a DRJ entendeu que a Contribuinte não trouxe aos autos material probatório que comprovasse o erro cometido, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao mês de fevereiro de 2004, argumentando que apenas cópia de planilha elaborada pela própria Contribuinte ou memória de cálculo, sem a devida escrituração, não é suficiente para desconstituir o Despacho Decisório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10166.900780/200816 Acórdão n.º 2202003.747 S2C2T2 Fl. 258 3 A Contribuinte foi cientificada da decisão em 23/04/2009, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 126, tendo interposto recurso voluntário em 22/05/2009 (fls. 127/130), no qual alega, em síntese: em janeiro de 2004, quando da revisão dos registros contábeis para fins de encerramento do balanço do exercício de 2003, foi constatada a diferença no imposto devido ao 3° trimestre no que tange à remuneração do capital próprio, no montante de R$ 27.834,58, sendo também constatado o equívoco no código de arrecadação que, no caso, foi informado como sendo o de n° 5706, quando o correto seria adotar os de n° 5706 (para acionistas residentes no pais) e 9453 (para os acionistas residentes no exterior); constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 27.834,58 que, atualizado até o mês de fevereiro de 2004, atingiu o valor de R$ 29.220,74 e o equívoco do código de arrecadação, promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP, aproveitando este crédito para a liquidação do IRRF incidente sobre juros do capital próprio residente no exterior (código 9453) devido no dia 30/09/2003, no valor de R$ 15.383,52 que, com os acréscimos legais atingiu R$ 16.808,03 e o IRRF incidente sobre juros do capital próprio (código 5706) declarado na DCTF do 1° trimestre de 2004 (1ª semana/janeiro), no valor de R$ 12.289,81, o qual, com os acréscimos legais, atingiu R$ 12.412,71; informa que anexou ao recurso a folha do Livro Razão com o registro do lançamento contábil e os recibos de pagamento dos juros sobre o capital próprio aos acionistas no 1°, no 2° e no 3° trimestre de 2003, onde se verifica, no 3º trimestre, que a base de cálculo do imposto deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04 e 15% deste valor resulta no imposto devido de R$ 87.172,51, a ser recolhido no código 5706; esclarece que o acionista FIRE Fundo Mútuo de Investimento em Empresas Emergentes é isento do imposto de renda, embora sediado no pais, conforme cópia do cartão do CNPJ anexo e que a acionista QUALCOMM Incorporated é domiciliada no exterior, tendo auferido no mesmo período o valor de R$ 102.556,72, resultando no imposto de R$ 15.383,52 a ser recolhido no código 9453. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso, julgando procedente o pedido de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e está dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A Recorrente alega a existência de pagamento a maior, no valor de R$ 27.834,58, a título de IRRF incidente sobre Juros sobre o Capital Próprio (JCP), em virtude de equívocos constatados na apuração do IRRF relativo ao 3º trimestre de 2003, detectados quando da revisão dos registros contábeis para fins de encerramento do balanço do exercício de 2003. Fl. 259DF CARF MF 4 Sustenta que a base de cálculo do imposto no 3º trimestre deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04, sendo que 15% deste valor resulta no imposto devido de R$ 87.172,51, a ser recolhido no código 5706, além da parcela relativa à acionista QUALCOMM Incorporated, no valor de R$ 102.556,72, resultando no imposto de R$ 15.383,52 a ser recolhido no código 9453. Visando à comprovação de suas alegações, a Recorrente apresentou cópias de planilhas de cálculos dos Juros sobre o Capital Próprio JCP (fls. 208/229), DARF recolhido (fl. 209), DCOMP entregue (fls. 210/215), DCTF retificadora (fls. 216/217), DCTF original (fl. 218), registros contábeis (fls. 219/221) e recibos do pagamento de JCP (fls. 222/224). Não desconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo, como no presente caso. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Mediante cotejo entre as informações apresentadas, é possível concluir que os valores que constam da DCTF retificadora possuem suporte nos registros contábeis exibidos e, portanto, a Contribuinte tem um direito creditório no valor de R$ 27.834,58, relativo ao pagamento indevido a título de IRRF incidente sobre Juros sobre o Capital Próprio (JCP), referente ao 3º trimestre de 2003. Pelo Livro Razão apresentado (fl. 220) e pela planilha de fl. 208, verificase que a base de cálculo do imposto (Código 5706) deveria ser composta pelos valores devidos aos acionistas residentes no país (Nelson Piquet, Clotilde Piquet e Geraldo Piquet) totalizando o montante de R$ 581.150,04, resultando no imposto devido de R$ 87.172,50 (aplicada a alíquota de 15%), o qual deveria ter sido recolhido no código 5706, valor este declarado na DCTF retificadora (fl. 216). Como o valor recolhido foi de R$ 115.007,08 de valor principal, conforme DARF de fl. 209, a Contribuinte faz jus a um direito creditório original de R$ 27.834,58, referente ao Código 5706, conforme informado na DCOMP (fl. 212). Dessa forma, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10166.900780/200816 Acórdão n.º 2202003.747 S2C2T2 Fl. 259 5 Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721438/2012-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornou-se devida a estimativa.
Numero da decisão: 9101-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornouse devida a estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 38 /2 01 2- 24 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 667 2 Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório LEVYCAM CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES LTDA recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 410/421, contra o Acórdão nº 1301 001.787 (efls. 337/367), que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à tributação do ganho de capital e, por voto de qualidade, manteve a multa isolada. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. JUNTADA POSTERIOR DE PÁGINAS FALTANTES DO TVF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O registro, contido nos autos do processo, da providência de juntada ulterior de páginas faltantes do Termo de Verificação Fiscal TVF, do qual, inclusive, teve a contribuinte integral conhecimento quando da intimação original, não impõe a necessidade de sua intimação específica e nem tampouco qualquer nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA CONTRIBUINTE. REALIZAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA PARA A REDUÇÃO DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO BACEN. REJEIÇÃO. Sendo a contribuinte empresa integrante do universo de entidades submetidas ao controle próprio e específico do Banco Central, somente após a sua expressa autorização nos termos do Art. 11 da Lei 4.728/65 , é que pode ter plena eficácia a decisão firmada em Assembléia Geral Extraordinária a respeito da pretendida redução de capital. Considerando que a referida autorização somente foi materializada após a efetivação do processo de "incorporação de ações", inafastável se verifica a legitimidade da contribuinte para responder por seus eventuais efeitos tributários, sendo, assim, rejeitada a preliminar de ilegitimidade destacada PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido efetivada a operação de incorporação de ações no dia 08/05/2008, inexiste qualquer possibilidade de configuração de decadência na espécie, tendo em vista que o auto de infração fora lavrado em 22/02/2013. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 668 3 Sujeitase à incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a título de ganho de capital, a diferença entre o valor das ações incorporadas ao capital de outra sociedade e o montante representativo das novas ações recebidas em virtude de tal incorporação. Irrelevantes, no caso, a ausência de fluxo financeiro e de manifestação de vontade do titular das ações alienadas. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. CONFISCO E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADES. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO no que diz respeito à tributação do ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e Valmir Sandri. E, pelo voto de qualidade, mantida a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães relativo ao ganho de capital e à multa isolada. Irresignada com o acórdão supra, a Recorrente apresentou Embargos de Declaração (efls. 379/392), os quais foram rejeitados, por meio do despacho de efls. 399/404. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à (i) legitimidade passiva e decadência; (ii) possibilidade de ocorrência de ganho de capital na incorporação de ações; (iii) exigência de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. Por meio do despacho de exame de admissibilidade de efls. 636/642, foi dado seguimento ao recurso especial exclusivamente quanto à matéria da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Em relação às demais matérias, a recorrente não conseguiu demonstrar divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados. Este julgamento limitase, portanto, a análise do recurso especial apresentado contra a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. A Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 669 4 referida multa advém do fato de a contribuinte ter deixado de considerar o ganho de capital obtido na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa em maio de 2008, o que resultou na falta de recolhimento de estimativas para o período. Com relação à matéria admitida, transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 9101001.771): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido entendeu que deve ser mantida a multa isolada à razão de 50% concomitantemente com a multa de ofício, por se tratarem de penalidades de naturezas diferentes. No entanto, o acórdão paradigma "entendeu pela impossibilidade de incidência de ambas as penalidades concomitantemente", sendo "evidente a divergência entre as posições". Ao final, pede que o recurso especial seja admitido e provido para que "seja afastada a multa isolada, já que a sua aplicação não pode ser concomitante com a multa de ofício lavrada". Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 650/661). Defende a Procuradoria a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, alegando, em síntese, que é cabível a cumulação das multas exigidas no anocalendário de 2008, pois as infrações apenadas por cada uma delas são diferentes. Enquanto a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte, a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Assim, o Contribuinte deve pagar tanto a multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, como a multa então disposta no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, pois não se verifica, no presente caso, hipótese que dispense qualquer das exigências. Ainda com a finalidade de demonstrar que as multas sob análise são "inteiramente diversas", argumenta que não incidem sobre a mesma base de cálculo. A multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte, já a multa isolada incide sobre o valor do pagamento mensal. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 670 5 Além disso, a Procuradoria destaca que eventual criação de nova hipótese de dispensa de multa isolada, qual seja, "a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo", decorreria de um juízo de equidade do aplicador da lei. Como não existe norma que permite a dispensa da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 por considerações de equidade, "eventual cancelamento da multa isolada causará evidente violação ao art. 172 do CTN". Ao final, a Fazenda Nacional requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. A contribuinte deixou de incluir o ganho de capital obtido na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa em maio de 2008, resultando no recolhimento a menor de estimativas de IRPJ e de CSLL para o período. Em razão disso, foi exigida multa isolada de 50% sobre os respectivos valores, prevista nos arts. 43 e 44, II, "b", da Lei n° 9.430, de 1996. A decisão recorrida, diante do questionamento da contribuinte, manteve a exigência da multa isolada, afastando a argumentação de que a multa isolada não pode ser exigida após o encerramento do ano em que era devida a estimativa, assim como não pode ser exigida em concomitância com a multa de ofício proporcional, entendendo ser possível a aplicação das duas penalidades em razão de estarem associadas a duas sanções distintas e autônomas. A contribuinte, agora em sede de recurso especial, volta a afirmar a impossibilidade de a multa isolada ser exigida após o encerramento do ano em que era devida a estimativa. A Fazenda Nacional refutou a argumentação da contribuinte, em sede de contrarrazões, reafirmando o entendimento adotado no acórdão recorrido, pelo qual o recolhimento a menor de estimativa é violação de uma obrigação acessória, sendo infração distinta e autônoma daquela praticada quando se recolhe a menor o imposto devido no final do ano (obrigação principal). Pela lógica do argumento levantado pela recorrente, o dever de antecipar deixaria de existir quando o tributo passa a ser exigível ao final do anocalendário, condição em que seria devido o próprio tributo, acrescido da multa de ofício pelo não recolhimento do ajuste anual. Pela mesma lógica, a falta de recolhimento de estimativas não seria punível porque, se ao final do período nada foi apurado como devido, ou ainda, caso tenha sido experimentado prejuízo fiscal ou saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, não haveria mais que se falar em dever de antecipar algo que não existe e, assim, não haveria conduta a ser punida. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 671 6 Contudo, evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Observo, por pertinente, que tal previsão já constava da redação original da lei. Nestes termos, a lei afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada1. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do anocalendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação. Neste sentido é o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa acerta da questão2: Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores 1 Lei nº 8.981, de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [...] V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 Acórdão nº 110100.434, integrado por voto vencedor do Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho afastando a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício antes da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 672 7 estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: (*) negritei Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento3. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. O recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. O mesmo prejuízo ocorre se o contribuinte deixa de recolher as antecipações e apura saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, ao final do período de apuração. Veja que o legislador não fez distinção alguma a tal respeito. Por todas as razões expostas, entendo que a multa isolada lançada nestes autos deve subsistir. 3 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.721438/201224 Acórdão n.º 9101002.777 CSRFT1 Fl. 673 8 Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 674DF CARF MF
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