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Numero do processo: 10983.904442/2009-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO RICARF.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 3002-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente APIS NATIVA AGROINDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 44 42 /2 00 9- 19 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 111 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 62 dos autos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação do débito declarado porque o crédito presumido apresentado como direito creditório foi calculado sobre a exportação de produtos (Mel) classificados na TIPI como NT, ou seja, produtos não industrializados, portanto sem direito ao benefício. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando, basicamente, que, sendo empresa produtora e exportadora (beneficiadora e acondicionadora, portanto, industrial), seriam ilegais e inconstitucionais os atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem a empresa com fins de exportação serviriam de base de cálculo do crédito presumido, conforme julgados administrativos e judiciais que cita. Cabe, também, informar que a fiscalização, ao recalcular o crédito presumido, glosou as aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, contra o que a manifestante argúi com jurisprudência a seu favor. O contribuinte juntou com sua manifestação de inconformidade (fls. 02/29): i) documentos de constituição e representação da empresa (fls. 31/41); ii) despacho decisório (fl. 42); iii) documentos sobre o produto (fls. 45/56). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 112 3 estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls.61/64) consignou que os produtos classificados como NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Prosseguiu afirmando que há duas condições cumulativas para fruição do crédito presumido de IPI: a empresa ser produtora e ser exportadora. Entendeu que o requerente, nos termos da legislação, não pode ser considerado estabelecimento produtor e não pode pleitear ressarcimento de crédito presumido referente a exportações de produtos NT. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 20/08/2015 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 69 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 09/09/2015, Recurso Voluntário (fls. 71/82). Em seu recurso, o contribuinte argumentou que o pressuposto para concessão do benefício fiscal é a condição da empresa de produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Não há disposição legal de que o produto exportado classificado como NT não faz jus ao benefício. A recorrente preencheria, então, o primeiro requisito, de ser produtora, por realizar processo de industrialização na modalidade de beneficiamento, consoante artigo 4º, inciso II, do Regulamento do IPI Decreto 4544/2002. Preencheria o segundo requisito, de ser exportadora, pois teria demonstrado à Receita Federal que vende seus produtos para fora do País. Alega que os créditos devem ser atualizados monetariamente sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Ao final, requer reconhecimento do direito creditório e ressarcimento, em espécie, do saldo remanescente, com incidência de atualização monetária. Juntou, com o recurso, documentos de constituição e representação da empresa (fls. 83/106 e 108). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Embora reconheça que esta matéria seja bastante controvertida na jurisprudência deste Conselho, alinhome à corrente que entende que as exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI deve integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. Para que melhor se compreenda as razões aqui expostas, transcrevo a seguir o conteúdo do referido artigo 1º: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 113 4 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notese que o caput do art. 1º acima transcrito, de fato, aponta como beneficiária do crédito presumido do IPI com ressarcimento do PIS e da COFINS a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ou seja, os requisitos expostos na legislação são no sentido de que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Não há, em contrapartida, qualquer exigência de que tais produtos sejam efetivamente tributados pelo IPI, para que possa a empresa fazer jus ao crédito presumido de IPI. Entendo, portanto, que ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a Lei n.º 9.363/1996 englobou todas as mercadorias nacionais produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI, não tendo vinculado o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. Até porque, penso que a intenção do legislador, na verdade, não foi de restringir a concessão do crédito presumido aos produtos que estejam efetivamente sujeitos ao recolhimento do IPI, mas sim incentivar as exportações, concedendo tal benefício às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Logo, penso que não caberia ao intérprete administrativo incluir requisito para fins de concessão do crédito presumido do IPI que não consta da própria lei que o instituiu. No meu entender, a interpretação sistemática da legislação defendida para fins de se negar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de qualquer mercadoria gravada como "NT", de forma genérica, vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. E, ao assim proceder, invadese a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Nesse mesmo sentido, vide Acórdão n. 9303001.469, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e Acórdão n. 3402004.778, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 114 5 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 115 6 A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Uma vez afastada a interpretação de que os produtos gravados como "NT" deveriam, por esta razão, ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, passase, então, à análise dos demais requisitos dispostos na legislação. Conforme acima indicado, verificase que a legislação exige que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 116 7 No caso concreto aqui analisado, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que tais requisitos restaram observados pela Recorrente, inclusive em observância ao disposto no art. 4º do RIPI 2002, a seguir transcrito: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Isso porque, consoante acima relatado, verificase que a recorrente é uma empresa que se dedica à "modificar, aperfeiçoar e alterar o acabamento ou aparência do mel", procedendo, assim, a processo de industrialização, na modalidade de beneficiamento, para futura exportação. Inclusive, é válido mencionar que a DRJ em nenhum momento pôs em dúvida o fato de a empresa realizar processo industrial, tendo negado o direito ao crédito tão somente sob o fundamento de que seria necessário que o produto não estivesse gravado como "NT". Ademais, entendo que o art. 2º do RIPI/2002, abaixo transcrito, trata apenas da incidência ou não do IPI, dispondo que os produtos "NT" estão excluídos do campo de incidência daquele imposto: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) Ou seja, este dispositivo legal não possui o condão de fazer concluir que os produtos "NT" não sofrem processo de industrialização. A legislação optou como selecionar os produtos que seriam gravados como "NT" por diversas razões, inclusive para casos em que há processo de industrialização. É o caso, por exemplo, dos produtos com imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, que são gravados como "NT" e, em relação aos quais não há discussão acerca de eventual existência de processo de industrialização. Nesse viés, penso que a conclusão de que o produto aqui analisado teria recebido a notação "NT" por não sofrer processo de industrialização não possui embasamento normativo. Para fins de identificação da melhor solução para a presente demanda, portanto, imprescindível que se analise a atividade específica desempenhada pela Recorrente, e, ao analisála, entendo que assiste razão ao contribuinte, conforme razões acima apresentadas. Por fim, é válido destacar que presente contenda versa sobre crédito presumido do IPI, o qual possui particularidades atinentes às razões que levaram à sua Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 117 8 concessão (incentivo à exportação) que decerto não se relacionam com as razões atinentes ao crédito básico deste mesmo tributo. Nesse contexto, por entender ter sido ilegítima a recusa realizada pela fiscalização, penso que faz jus a Recorrente à inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Até porque, como é cediço, este entendimento já restou sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 118 9 (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Da conclusão Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito creditório da recorrente, determinandose, ainda, que o valor a ser ressarcido deverá corrigido com base na SELIC, a ser calculada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora quanto à possibilidade de geração de crédito presumido do IPI a partir da exportação de produtos classificados como não tributados (NT) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Creio que o cerne desta divergência reside fundamentalmente em dois pontos: a) o entendimento de que não há exigência legal para que os produtos finais, exportados, sejam tributados pelo IPI, não sendo o cálculo do crédito presumido afetado por essa condição, que seria incluída por mera liberalidade interpretativa; e b) o argumento de que a empresa realiza um processo industrial e isso seria suficiente para configurar o direito ao aproveitamento de crédito. No que concerne à necessidade de que o produto exportado se encontre dentro campo de incidência do IPI, tal condição está posta na própria Lei nº 9.363/1996, em parágrafo que é desconsiderado pela corrente interpretativa adotada no voto vencido, sequer transcrito nas citações que amparam a argumentação. A Lei nº 9.363/1996 em momento algum determinou que se adotasse exclusivamente os conceitos e condições definidos para PIS/Cofins ou aqueles que foram estabelecidos na própria Lei. Ao contrário, após apontar no caput do art. 3º que a definição do valor dos insumos se daria de acordo com a legislação das contribuições sociais, determinou no parágrafo único do mesmo artigo que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem deveriam ser buscados na legislação do IPI, como se vê abaixo: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 119 10 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Assim, em respeito ao parágrafo único, precisam ser adotados os conceitos constantes na Lei nº 4.502/1964 e no Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Tal medida não é facultativa e nem decorre de extrapolação interpretativa, é mera obediência ao texto legal. Por consequência, a empresa produtora de que fala o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 deve atender ao conceito de produção contido na legislação do IPI, donde se extrai que o estabelecimento industrial (produtor) é definido como aquele que executa alguma das operações de industrialização previstas no RIPI e da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. RIPI/2002 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) Definido que o produto exportado deve ser tributado pelo IPI, resta verificar se o produto do caso em tela, mel, está dentro do campo de incidência do IPI. Há uma lógica “circular” que costura de maneira bastante específica as atividades e os produtos afetados pelo IPI, temos duas condições que devem ser atendidas simultaneamente: tratarse de atividade contida na definição de operação de industrialização prevista no Regulamento do IPI e que dessa operação resulte um produto tributado, ainda que a alíquota seja zero, excluídos aqueles a que corresponda a notação NT na TIPI. Logo, está dentro do campo de incidência do IPI a combinação atividade/produto que esteja na interseção dessas duas condições. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 120 11 Um outro aspecto a se observar é o sentido da classificação NT na TIPI. Historicamente, o NT surge quando se decide utilizar a mesma tabela do imposto de importação para o IPI. Inúmeros produtos que até então não constavam da TIPI, por estarem fora do seu campo de incidência, passaram a constar da tabela, o que levou à adoção da notação NT. Dentre os produtos NT temos produtos não industrializados, como animais vivos; produtos industrializados mas que o legislador resolveu excluir da incidência, como a pedra simplesmente cortada, em blocos ou placas; e produtos imunes, como livros e jornais. O que importa salientar em relação à classificação NT é que representa produtos que o legislador, comum ou o constituinte, resolveu excluir do campo de incidência do IPI, independentemente de existir operação de industrialização. Tal exclusão não seria possível se decorresse apenas do resultado de interpretação do texto legal, mas, em tendo sido definida a priori, na própria lei, só nos resta aplicar. Portanto, ainda que exista uma operação de industrialização, se o produto final está classificado como NT, estará fora do alcance do imposto, bem como, por outro lado, dentre os produtos tributados será gerado crédito apenas em relação aos insumos utilizados em uma operação de industrialização. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência e define a ocorrência do fato gerador do tributo. No caso que se analisa nestes autos, venda de mel, inexiste o fato gerador do IPI, pois temos a saída de produto não tributado, fora do campo de incidência do IPI. Se não incide IPI sobre a saída de mel, como determinar que passe a incidir apenas para gerar crédito presumido? Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. É como querer aplicar o imposto de importação à venda de mercadoria nacional no mercado interno – operação fora do campo de incidência do imposto de importação. Ao determinar que se adote o conceito de produção e insumos do IPI, a Lei nº 9.363/96 está, de fato, determinando que se adote a lógica do IPI, e que só pode ser a mesma utilizada para a concessão dos créditos básicos e incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor; se essa saída não gera saldo devedor, também não pode gerar saldo credor. Em relação ao segundo ponto de divergência, em nenhum momento neste processo discordase do fato de que a operação de acondicionamento realizada pelo contribuinte enquadrase como uma das operações de industrialização do RIPI. O problema é que ela resulta em produto NT e, conforme explicado acima, isso significa que esse produto está fora do campo de incidência do IPI, não podendo dele se creditar. Pelos motivos expostos, entendo que não é possível a apuração de crédito presumido em relação à exportação de produtos NT. Atualização monetária pela taxa Selic O STJ pacificou o entendimento de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, por Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10983.904442/200919 Acórdão n.º 3002000.288 S3C0T2 Fl. 121 12 meio do julgamento em rito de recursos repetitivos do REsp nº 1.035.847/RS, do qual decorreu a Súmula nº 411/STJ. É importante ressaltar dois pontos: 1) não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e 2) cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. Para a aplicação dessa decisão do STJ, seria necessário encontrar no caso presente a condição apontada no item 2 acima, o que não ocorre, já que o indeferimento foi legítimo e fundamentado, não tendo o despacho decisório da unidade de origem sofrido revisão ao longo deste processo. Logo, concluo não estar atendido requisito para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Em não tendo sido reconhecido o direito ao crédito, não há objeto para a aplicação da correção monetária. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.724155/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
GLOSA. COMPENSAÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS.
Podem ser compensadas as contribuições sociais cujo pagamento ou recolhimento foi indevido ou a maior, devendo ser glosados os valores compensados em desacordo com legislação.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA COMPENSAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A compensação indevida na hipótese de falsidade na declaração apresentada acarreta imposição de multa isolada ao sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS.
Constitui infração ao disposto no art. 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 225 do RPS, deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ônus probatório a cargo do Fisco.
Elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser afastados.
Numero da decisão: 2301-005.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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COMPENSAÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS. Podem ser compensadas as contribuições sociais cujo pagamento ou recolhimento foi indevido ou a maior, devendo ser glosados os valores compensados em desacordo com legislação. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA COMPENSAÇÃO DECLARADA EM GFIP A compensação indevida na hipótese de falsidade na declaração apresentada acarreta imposição de multa isolada ao sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. Constitui infração ao disposto no art. 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 225 do RPS, deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ônus probatório a cargo do Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 55 /2 01 4- 41 Fl. 681DF CARF MF 2 Elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser afastados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização em face da empresa em epígrafe, que de acordo com o Relatório Fiscal, referese a Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal e acessória a seguir relatados: AI DEBCAD 51.049.2886, importando R$ 6.909.510,93, motivado pelo lançamento de glosa de compensação (rubrica 19), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, período 01/2010 a 12/2010; AI DEBCAD 51.049.2894, importando R$ 5.966.128,27, incidindo a multa isolada (rubrica 39, alq. 150%), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, período de 02/2010 a 12/2010; AI DEBCAD nº 51.049.2878, importando R$ 18.128,43, em razão de ter deixado a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, com lastro em fundamentação legal contida na folha de rosto do AI – Código de Fundamentação Legal CFL 35. Inconformada com a autuação, cientificada por via postal em 07.11.2014, apresentou a empresa impugnação em 01.12.2014 no seguinte sentido: a autuação ora impugnada é clara no sentido de que o lançamento referese ao não acatamento de compensações; a DRF de Sorocaba e mesmo a DRF São Paulo não têm competência para lançamentos como o que ora se impugna, conforme Art. 222 do Regimento Interno da RFB, Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10855.724155/201441 Acórdão n.º 2301005.553 S2C3T1 Fl. 3 3 que atribui tal competência à DERAT – Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária; tal fato acarreta nulidade, consoante art. 59, I, do PAF e art. 12 do Decreto 7.574, de 29.09.2011; O lançamento fora efetuado sob emissão de MPFFiscalização, contudo, o art. 10, IV, da Portaria 3.014, da RFB, afirma que não será emitido MPF nos casos relativos a revisão interna da declaração; foi apresentado relatório justificando a compensação, mormente em relação ao Auto de Infração 19311.720413/201190 emitido em face da Secretaria de Transportes do Município de São Paulo/São Paulo Transportes, sendo que o Consórcio Sete, do qual é a Viação Campo Belo Ltda a empresa líder e o ora Impugnante participante; foram apresentadas as folhas de pagamento, o MANAD, a escrituração contábil, inclusive via SPEED, a GFIP e vasto relatório com detalhes dos valores que o contribuinte tem direito como compensação, que, inclusive, integra o presente processo administrativo fiscal; não houve qualquer prejuízo à fiscalização; o lançamento não pode prosperar, tendo em vista que possui créditos a compensar, através de GPS pagas, de compensação informada em GFIP e lançamento posterior de débito junto à Secretaria Municipal de Transportes para o mesmo período, em que foi alçado à qualidade de sujeito passivo tributário, como solidário, em relação à retenção de 11 % instituída pela Lei 9.711/98 que deu nova redação ao artigo 31, da Lei 8.212/91; o contribuinte tem créditos a compensar e integra o Consórcio Sete; a multa é confiscatória, pois alcança 170%, sendo 20% de multa de mora e 150% da multa isolada; assim foi decidido pelo STF em sede de repercussão geral; os fatos jurídicos indispensáveis à ocorrência do fato gerador previsto no art. 31, da Lei nº 8.212/91 não estão presentes na exação; houve recolhimento de todas as contribuições cabíveis; o lançamento deuse com base em presunções, que somente é cabível quando expressamente previsto em lei; o lançamento deixa de informar o salário de contribuição, apuração das contribuições, valor devido por segurados, de GILRAT e bases de cálculo; há confronto entre relatório fiscal e Fundamentação Legal do Débito, pois aquele prescreve que o lançamento deuse com fundamento no art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, enquanto que este aponta o art. 89, da mesma lei, relativo à compensação indevida; a empresa integra o Consórcio Sete, sendo solidária em dois processos: Fl. 683DF CARF MF 4 em ambos, houve entendimento de prestação de serviços via cessão de mão de obra, sendo o município de São Paulo, o tomador dos serviços; a impugnante opera junto à São Paulo Transportes S/A e a Procuradoria Geral Federal entende que há cessão de mão de obra, o que implica em que cabe à São Paulo Transportes proceder à retenção; tais retenções geraram créditos compensáveis pela impugnante e demais integrantes do Consórcio Sete; os créditos compensáveis são consideravelmente superiores aos lançados como compensação indevida no DEBCAD 51.049.2886; há prova inequívoca de que a Receita Federal do Brasil já procedeu à autuação do Município de São Paulo, para o período objeto do auto de infração ora impugnado, de janeiro de dezembro de 2010 em valor de R$ 29.656.858,43, relativo à retenção de 11% incidente sobre o faturamento das empresas prestadoras do serviço de transporte urbano municipal no CONSÓRCIO SETE, do qual a Impugnante é integrante, não se justificando a glosa de R$ 4.312.245,65 e seus reflexos e a MULTA ISOLADA de 150% do valor por suposta ação fraudulenta. Este valor diz respeito apenas ao Consórcio em que a Impugnante, EMPRESA SÃO LUIZ VIAÇÃO LTDA E VIAÇÃO CAMPO BELO LTDA integram, qual seja, Consórcio SETE. Como o valor da autuação, no principal foi de R$ 4.312.245,65 para empresa, o valor do crédito havido pelo AUTO DE INFRAÇÃO debcad 37.323.3434 processo 19311.720413/201190 é infinitamente superior, demonstrando o impugnante a ocorrência não apenas do "bis in idem", mas excesso de exação fiscal, de vez que a impugnante é também sujeito passivo solidária em relação ao Município de São Paulo em relação à exação relativa à retenção de 11% sobre o faturamento do prestador de serviços, processo retro mencionado e cujas copias estão sendo anexadas à presente impugnação. Quando a Receita Federal do Brasil autuou o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO com a assertiva de que o contrato de CONCESSÃO era nos moldes do artigo 31 da Lei 8.212/91, com CESSÃO DE MÃO DE OBRA, assegurou a alocação dos valores da retenção aos reais prestadores de serviço. Assim, quando da alocação dos valores dos autos de infração emitidos em face do MUNICÍPIO DE SÃO PAULO para os prestadores de serviço, devendo a RECEITA FEDERAL DO BRASIL diligenciar para que os valores lançados em face da Municipalidade sejam alocados para os reais prestadores de serviço. o artigo 113, da IN RFB 971, sustenta o entendimento supra; caso feita a alocação dos créditos dos autos emitidos em face do Município de São Paulo, não há débito a ser ora lançado; conforme Parecer Público PGFN/CAT nº 466/2014, há de ser considerado o crédito retido pela São Paulo Transportes S/A; ao contrário do alegado no relatório fiscal, a fiscalizada informou ao auditor a natureza da compensação, inclusive apresentado a Nota Técnica da PGFN sobre substituição das contribuições previdenciárias; a prova de que o contrato entre São Paulo Transportes e a autuada não é de concessão e sim de prestação de serviços vem da própria Procuradoria Federal Especializada do INSS, que entendeu que deveria se proceder à retenção de 11% da nota fiscal de prestação de serviços; Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10855.724155/201441 Acórdão n.º 2301005.553 S2C3T1 Fl. 4 5 a fiscalização deixou de apropriar créditos da impugnante, qual seja, os valores retidos pelo tomador dos serviços; O contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê, conforme a cláusula 19.1.25. fls. 29/33, o desconto da parcela da remuneração de cada Concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, cláusula esta integralmente pelo período de transição de 90 dias, contados de 21/07/2003, aplicandose integralmente, portanto, ao período fiscalizado e com lançamento de créditos previdenciários. o valor do faturamento das empresas prestadores de serviço à São Paulo Transportes S/A é público e pode ser acessado via internet; incabíveis os valores de multa e juros, pois confiscatórios; a multa deve ser reduzida para 2%, sob pena de violação ao princípio do não confisco; caso a contribuição seja declarada em GFIP, a multa de mora deverá ser reduzida em 50%; com a alteração da legislação em momento posterior ao da infração, não pode o impugnante suportar maior gravame na multa; o Auditor Fiscal informa no relatório que a impugnate já havia declarado o débito em GFIP e procedido ao pagamento do valor declarado via GPS; o tema está disciplina no art. 118, inciso XVIII, da IN RFB 971/09; a RFB já autuou a São Paulo Transportes S/A, tomadora dos serviços, responsável pelo recolhimento das prestadoras; o débito já estava declarado em GFIP; a compensação não pode ser atacada via auto de infração de ofício, mas homologação ou não homologação do direito creditório, conforme art. 226, do Regimento Interno da RFB; a não homologação é ato privativo da DERAT/SP, o que gera nulidade nos termos do art. 59, I, do PAF e do art. 31, do Decreto 7.574; reitera conflito no relatório fiscal e relatório Fundamentos Legais do Débito, pois se não há apuração das contribuições, houve homologação dos valores lançados em GFIP, não restando qualquer ato a ser praticado por Auditor da DEFIS/SP, cuja competência está declinada no art. 227, da Portaria MF 203/2012; O Acórdão da DRJ (fls. 542 e ss.) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Fl. 685DF CARF MF 6 GLOSA. COMPENSAÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS. Podem ser compensadas as contribuições sociais cujo pagamento ou recolhimento foi indevido ou a maior, devendo ser glosados os valores compensados em desacordo com legislação. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA COMPENSAÇÃO DECLARADA EM GFIP A compensação indevida na hipótese de falsidade na declaração apresentada acarreta imposição de multa isolada ao sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. Constitui infração ao disposto no art. 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 225 do RPS, deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ônus probatório a cargo do Fisco. Elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser afastados. Irresignada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 588 e ss., assim como 632 e ss) arguindo (i) a nulidade do lançamento em decorrência do descumprimento dos termos do mandado de procedimento fiscal; (ii) a desconstituição dos créditos tributários decorrentes da glosa de compensação de 11% do art. 31 da Lei 8.212/91, tendo em vista que a Recorrente não é a responsável por esta exação tributária, mas sim a empresa tomadora de serviços SPTRANS; (iii) o caráter confiscatório da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, há menção à inconstitucionalidade da multa devido à potencial ofensa ao princípio de vedação ao confisco (fls. 608). Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10855.724155/201441 Acórdão n.º 2301005.553 S2C3T1 Fl. 5 7 Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada relativa a potencial ofensa ao princípio da vedação ao confisco. Preliminar de Nulidade Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, diante do descumprimento dos termos do mandado de procedimento fiscal. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que a Recorrente conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Fl. 687DF CARF MF 8 Da Questão do Crédito oriundo de Retenção Tal qual decidido no âmbito da DRJ, em que pese o enorme esforço argumentativo do recurso voluntário, vêse que a impugnante preocupase em provar que se trata de uma prestadora de serviço com cessão de mãodeobra na relação empresarial da qual se diz fazer parte do Consórcio Sete para prestação de serviços rodoviários de transporte de passageiros junto à empresa pública São Paulo Transportes do Município de São Paulo. Com base nisso, insiste que o referido crédito previdenciário seria improcedente tendo em vista as disposições do artigo 31, da Lei 8212/91, que responsabiliza o tomador do serviço a realizar a retenção de 11% do valor da fatura ou notas fiscais e recolher o montante em nome da prestadora. Considera que tais valores seriam suficientes para a quitação do débito e que os utilizou como créditos de compensação quando do envio de suas GFIP, operação que, no cãs,o não foi considerada pela fiscalização que promoveu a glosa de tais valores. Entretanto, para o período auditado, a fiscalização verificou que empresa informou em suas GFIPs a título de compensação, valores que não puderam ser validados em virtude da falta de documentação comprobatória. Também aqui não assiste razão ao contribuinte, pois não faz juntar aos Autos prova dos créditos que diz ser oriundos da retenção de 11% sobre os contratos de prestação de serviço de transporte rodoviário de passageiros através do consórcio sete do qual faz parte. Examinandose a documentação acostada aos autos não se encontra faturas ou notas fiscais emitidas pela impugnante que espelhem o destaque da referida retenção para que, assim atendidos os requisitos legais, possase presumila feita. Ainda, consultandose a conta corrente da empresa nas bases de dados da RFB, não se encontra para o período nenhum recolhimento em seu nome a título de retenção de 11% sobre a prestação de serviço com cessão de mão de obra. A legislação pertinente à época dos fatos geradores prescrevia as formalidades a serem cumpridas pela empresa contratada para prestação de serviço a fim de se reconhecesse o seu direito à compensação dos valores eventualmente retidos, conforme abaixo se transcreve: Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 112. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, deverá reter 11% (onze por cento) do valor brutovda nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, observado o disposto no art. 79 e no art. 145. § 1º Para fins do disposto no caput, a empresa contratada deverá emitir nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços específica para os serviços prestados em condições especiais pelos segurados ou discriminar o valor Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10855.724155/201441 Acórdão n.º 2301005.553 S2C3T1 Fl. 6 9 desses na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. [...] Art. 113. O valor retido na forma do art. 112 poderá ser compensado com as contribuições devidas à Previdência Social ou ser objeto de pedido de restituição por qualquer estabelecimento da empresa contratada, na forma da Instrução Normativa RFB Nº900, de 30 de dezembro de 2008(Nova redação dada pela IN RFB Nº 1.071, de 16/09/2010) [...] ________________________________________________ Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008: Art. 48 . A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e (Redação à época dos fatos geradores I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mãodeobra ou pela execução da empreitada total; e ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009 ) II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. § 1º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. § 2º Para fins de compensação da importância retida, será considerada como competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 3º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, Fl. 689DF CARF MF 10 devendo ser declarada em GFIP na competência de sua efetivação, ou objeto de restituição, na forma dos arts. 17 a 19. [...] Desta forma tanto a fiscalização como este julgador estão impedidos de considerar para abatimento do débito possíveis créditos de retenção que a ora recorrente alega ter, já que não atendeu à formalidade exigida nos dispositivos acima transcritos, nem elaborou a correta declaração das informações e dos fatos geradores previdenciários em GFIP. Vêse que a compensação efetuada não possuía respaldo documental ou judicial para ser realizada, sendo hígida a glosa nos moldes efetuados. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Fl. 690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001824/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 24 /2 00 9- 57 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13888.001824/200957 Acórdão n.º 1301003.269 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13888.001824/200957 Acórdão n.º 1301003.269 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13888.001824/200957 Acórdão n.º 1301003.269 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13888.001824/200957 Acórdão n.º 1301003.269 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13888.001824/200957 Acórdão n.º 1301003.269 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720705/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, referente a períodos de apuração compreendidos no ano-calendário de 2011.
Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 08-40.775, de 20/10/2017 (fls. 3589 e ss.).
Irresignada, a contribuinte autuada, GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA - ME, apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3775 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega que, ao conferirem-se os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída" e comparando-os com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante - 2011", percebe-se algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal (na planilha "Apuração", o campo "Venda de Álcool em Reais" diz que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69). Contudo, no acórdão recorrido, o relator afirma que os documentos que são capazes de dirimir a dúvida levantada estão em seu poder, contribuinte, e somente ela tem condições de apresentá-los. Assim, não seria admissível a simples transferência dessa incumbência à autoridade fiscal. No entanto, caberia à fiscalização a prova do crédito tributário. No mais, reproduz os mesmos argumentos já encartados em sua impugnação.
Também, no prazo legal, apresentaram recursos voluntários os seguintes responsáveis solidários, tecendo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa:
PETROGOLD INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE NEGÓCIOS EM ÁLCOOL COMBUSTÍVEIS LTDA. (fls. 3700 e ss.)
- Segundo o Superior Tribunal de Justiça - STJ, não caracteriza solidariedade passiva o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico;
- O ponto de partida para o acórdão recorrido foi a decisão proferida em ação trabalhista, em que reconhecido grupo econômico entre várias empresas, entre as quais a Gigante, a Petrogold e outras. A fiscalização não se desincumbiu de identificar a participação da empresa nos fatos tributários;
- O julgador fala em atividade complementar da Petrogold e confusão patrimonial, mas as identifica;
- O STJ é firme em afastar na interpretação do art. 124, I, do CTN;
- Não há nenhuma linha sequer mencionando a Petrolgold e seus sócios no pedido cautelar.
FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO (fls. 3803 e ss.)
- Na diligência, não houve a análise de todos os pontos invocados pela contribuinte autuada, por isso os argumentos foram reforçados quando de sua manifestação (fls. 3566/3567). Não se pode chamar de alegações genéricas as situações legalmente previstas e que não integram as bases de cálculo das contribuições;
- Outro aspecto que não ficou suficientemente esclarecido está no fato de que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, conforme a planilha "Apuração", enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69);
- Pelos registros contábeis da contribuinte autuada (vale dizer, SPED), a fiscalização constatou que houve apuração das contribuições. E se houve apuração, ainda que o esse fato não tenha sido informado na Dacon ou no DCTF, não se pode afirmar que houve dolo;
- A fiscalização fez constar do Termo de Verificação que a contribuinte autuada apurava as contribuições na contabilidade como se fosse optante do regime especial (RECOB) previsto no art. 5º, § 4º, II, da Lei nº 9.718, de 1999. E se fez opção por este regime, ele deveria ser o critério utilizado para apuração tanto dos débitos lançados, quanto dos créditos não cumulativos;
- Informa-se que se fez a dedução dos créditos declarados na DCTF antes do início da ação fiscal, de forma a encontrar o saldo a pagar. Ou seja, para a apuração dos débitos, foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos, usou-se informação da própria contribuinte, que calculava tudo de acordo com o RECOB. São dois regimes aplicados simultaneamente, o que é inconcebível;
- Não foram considerados insumos que geram o direito a créditos no regime não cumulativo. Todos os gastos necessários à operação da empresa geram esse direito (passa a citá-los);
- O Relatório Fiscal não conseguiu demonstrar quais atos atraíram a responsabilidade solidária (art. 124, I, do CTN) e a responsabilização de terceiros (art. 135, III, do CTN). A responsabilidade dos sócios só é possível quando provado que agiram com dolo ou fraude e de que a sociedade não pode honrar a sua dívida fiscal. Ainda que a DCTF tenha sido entregue zerada, outras obrigações acessórias, como o Dacon e a escrituração digital, estavam em boa ordem e serviram para a execução do serviço fiscal;
- O interesse de que fala o art. 124, I, do CTN é o jurídico, não o econômico. O CARF entende que só é possível a responsabilidade por interesse comum quando se demonstre que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seu resultado;
- Não obstante a opção pelo regime de apuração especial, o PIS e a Cofins foram apuradas pelo regime normal no auto de infração. Ao apurar os créditos a que teria direito a contribuinte autuada, a fiscalização do regime especial, o que reduziu à metade tais créditos.
ANDRÉ LUCIANO ZANOVELO (fls. 3741 e ss.): basicamente, repete os mesmos argumentos já declinados na sua impugnação.
Intimados por edital (fls. 3723), depois de infrutífera a tentativa pelos Correios, os responsáveis solidários ARCFRAN-EMPREND. NEG E PART LTDA., TRIM-DISTR DE DERIV DE PETR S.A. e MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO não apresentaram recurso voluntário.
Retirada pela DRJ do polo passivo, a ARPEX CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL S/A, atual denominação da ARROWS PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. foi cientificada do acórdão de impugnação por meio do AR de fl. 3695.
É o relatório.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, referente a períodos de apuração compreendidos no ano-calendário de 2011. Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 08-40.775, de 20/10/2017 (fls. 3589 e ss.). Irresignada, a contribuinte autuada, GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA - ME, apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3775 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega que, ao conferirem-se os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída" e comparando-os com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante - 2011", percebe-se algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal (na planilha "Apuração", o campo "Venda de Álcool em Reais" diz que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69). Contudo, no acórdão recorrido, o relator afirma que os documentos que são capazes de dirimir a dúvida levantada estão em seu poder, contribuinte, e somente ela tem condições de apresentá-los. Assim, não seria admissível a simples transferência dessa incumbência à autoridade fiscal. No entanto, caberia à fiscalização a prova do crédito tributário. No mais, reproduz os mesmos argumentos já encartados em sua impugnação. Também, no prazo legal, apresentaram recursos voluntários os seguintes responsáveis solidários, tecendo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: PETROGOLD INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE NEGÓCIOS EM ÁLCOOL COMBUSTÍVEIS LTDA. (fls. 3700 e ss.) - Segundo o Superior Tribunal de Justiça - STJ, não caracteriza solidariedade passiva o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico; - O ponto de partida para o acórdão recorrido foi a decisão proferida em ação trabalhista, em que reconhecido grupo econômico entre várias empresas, entre as quais a Gigante, a Petrogold e outras. A fiscalização não se desincumbiu de identificar a participação da empresa nos fatos tributários; - O julgador fala em atividade complementar da Petrogold e confusão patrimonial, mas as identifica; - O STJ é firme em afastar na interpretação do art. 124, I, do CTN; - Não há nenhuma linha sequer mencionando a Petrolgold e seus sócios no pedido cautelar. FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO (fls. 3803 e ss.) - Na diligência, não houve a análise de todos os pontos invocados pela contribuinte autuada, por isso os argumentos foram reforçados quando de sua manifestação (fls. 3566/3567). Não se pode chamar de alegações genéricas as situações legalmente previstas e que não integram as bases de cálculo das contribuições; - Outro aspecto que não ficou suficientemente esclarecido está no fato de que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, conforme a planilha "Apuração", enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69); - Pelos registros contábeis da contribuinte autuada (vale dizer, SPED), a fiscalização constatou que houve apuração das contribuições. E se houve apuração, ainda que o esse fato não tenha sido informado na Dacon ou no DCTF, não se pode afirmar que houve dolo; - A fiscalização fez constar do Termo de Verificação que a contribuinte autuada apurava as contribuições na contabilidade como se fosse optante do regime especial (RECOB) previsto no art. 5º, § 4º, II, da Lei nº 9.718, de 1999. E se fez opção por este regime, ele deveria ser o critério utilizado para apuração tanto dos débitos lançados, quanto dos créditos não cumulativos; - Informa-se que se fez a dedução dos créditos declarados na DCTF antes do início da ação fiscal, de forma a encontrar o saldo a pagar. Ou seja, para a apuração dos débitos, foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos, usou-se informação da própria contribuinte, que calculava tudo de acordo com o RECOB. São dois regimes aplicados simultaneamente, o que é inconcebível; - Não foram considerados insumos que geram o direito a créditos no regime não cumulativo. Todos os gastos necessários à operação da empresa geram esse direito (passa a citá-los); - O Relatório Fiscal não conseguiu demonstrar quais atos atraíram a responsabilidade solidária (art. 124, I, do CTN) e a responsabilização de terceiros (art. 135, III, do CTN). A responsabilidade dos sócios só é possível quando provado que agiram com dolo ou fraude e de que a sociedade não pode honrar a sua dívida fiscal. Ainda que a DCTF tenha sido entregue zerada, outras obrigações acessórias, como o Dacon e a escrituração digital, estavam em boa ordem e serviram para a execução do serviço fiscal; - O interesse de que fala o art. 124, I, do CTN é o jurídico, não o econômico. O CARF entende que só é possível a responsabilidade por interesse comum quando se demonstre que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seu resultado; - Não obstante a opção pelo regime de apuração especial, o PIS e a Cofins foram apuradas pelo regime normal no auto de infração. Ao apurar os créditos a que teria direito a contribuinte autuada, a fiscalização do regime especial, o que reduziu à metade tais créditos. ANDRÉ LUCIANO ZANOVELO (fls. 3741 e ss.): basicamente, repete os mesmos argumentos já declinados na sua impugnação. Intimados por edital (fls. 3723), depois de infrutífera a tentativa pelos Correios, os responsáveis solidários ARCFRAN-EMPREND. NEG E PART LTDA., TRIM-DISTR DE DERIV DE PETR S.A. e MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO não apresentaram recurso voluntário. Retirada pela DRJ do polo passivo, a ARPEX CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL S/A, atual denominação da ARROWS PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. foi cientificada do acórdão de impugnação por meio do AR de fl. 3695. É o relatório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 3.837 1 3.836 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720705/201515 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3201001.390 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de agosto de 2018 Assunto PIS. COFINS. MULTA Recorrentes GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA ME FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, referente a períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2011. Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 0840.775, de 20/10/2017 (fls. 3589 e ss.). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .7 20 70 5/ 20 15 -1 5 Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Resolução nº 3201001.390 S3C2T1 Fl. 3.838 2 Irresignada, a contribuinte autuada, GIGANTE ARMAZENADORA E DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO E ÁLCOOIS LTDA ME, apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3775 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega que, ao conferiremse os dados das planilhas "Notas Fiscais de Saída" e comparandoos com os dados da planilha "Apuração Pis Cofins Gigante 2011", percebese algumas inconsistências que não foram esclarecidas no Termo de Verificação Fiscal (na planilha "Apuração", o campo "Venda de Álcool em Reais" diz que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69). Contudo, no acórdão recorrido, o relator afirma que os documentos que são capazes de dirimir a dúvida levantada estão em seu poder, contribuinte, e somente ela tem condições de apresentálos. Assim, não seria admissível a simples transferência dessa incumbência à autoridade fiscal. No entanto, caberia à fiscalização a prova do crédito tributário. No mais, reproduz os mesmos argumentos já encartados em sua impugnação. Também, no prazo legal, apresentaram recursos voluntários os seguintes responsáveis solidários, tecendo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: PETROGOLD INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE NEGÓCIOS EM ÁLCOOL COMBUSTÍVEIS LTDA. (fls. 3700 e ss.) Segundo o Superior Tribunal de Justiça STJ, não caracteriza solidariedade passiva o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico; O ponto de partida para o acórdão recorrido foi a decisão proferida em ação trabalhista, em que reconhecido grupo econômico entre várias empresas, entre as quais a Gigante, a Petrogold e outras. A fiscalização não se desincumbiu de identificar a participação da empresa nos fatos tributários; O julgador fala em atividade complementar da Petrogold e confusão patrimonial, mas as identifica; O STJ é firme em afastar na interpretação do art. 124, I, do CTN; Não há nenhuma linha sequer mencionando a Petrolgold e seus sócios no pedido cautelar. FABRÍCIO ZANOVELO REBELATO (fls. 3803 e ss.) Na diligência, não houve a análise de todos os pontos invocados pela contribuinte autuada, por isso os argumentos foram reforçados quando de sua manifestação (fls. 3566/3567). Não se pode chamar de alegações genéricas as situações legalmente previstas e que não integram as bases de cálculo das contribuições; Outro aspecto que não ficou suficientemente esclarecido está no fato de que a receita com a venda do combustível, durante todo o exercício, foi de R$ 414.028.870,63, conforme a planilha "Apuração", enquanto que, na planilha "Notas Fiscais de Saída", se somados os valores da coluna "Valor da Nota", o valor que se obtém é R$ 378.523.566,69); Pelos registros contábeis da contribuinte autuada (vale dizer, SPED), a fiscalização constatou que houve apuração das contribuições. E se houve apuração, ainda que o esse fato não tenha sido informado na Dacon ou no DCTF, não se pode afirmar que houve dolo; Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Resolução nº 3201001.390 S3C2T1 Fl. 3.839 3 A fiscalização fez constar do Termo de Verificação que a contribuinte autuada apurava as contribuições na contabilidade como se fosse optante do regime especial (RECOB) previsto no art. 5º, § 4º, II, da Lei nº 9.718, de 1999. E se fez opção por este regime, ele deveria ser o critério utilizado para apuração tanto dos débitos lançados, quanto dos créditos não cumulativos; Informase que se fez a dedução dos créditos declarados na DCTF antes do início da ação fiscal, de forma a encontrar o saldo a pagar. Ou seja, para a apuração dos débitos, foi aplicado o regime normal e, para o levantamento dos créditos, usouse informação da própria contribuinte, que calculava tudo de acordo com o RECOB. São dois regimes aplicados simultaneamente, o que é inconcebível; Não foram considerados insumos que geram o direito a créditos no regime não cumulativo. Todos os gastos necessários à operação da empresa geram esse direito (passa a citálos); O Relatório Fiscal não conseguiu demonstrar quais atos atraíram a responsabilidade solidária (art. 124, I, do CTN) e a responsabilização de terceiros (art. 135, III, do CTN). A responsabilidade dos sócios só é possível quando provado que agiram com dolo ou fraude e de que a sociedade não pode honrar a sua dívida fiscal. Ainda que a DCTF tenha sido entregue zerada, outras obrigações acessórias, como o Dacon e a escrituração digital, estavam em boa ordem e serviram para a execução do serviço fiscal; O interesse de que fala o art. 124, I, do CTN é o jurídico, não o econômico. O CARF entende que só é possível a responsabilidade por interesse comum quando se demonstre que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seu resultado; Não obstante a opção pelo regime de apuração especial, o PIS e a Cofins foram apuradas pelo regime normal no auto de infração. Ao apurar os créditos a que teria direito a contribuinte autuada, a fiscalização do regime especial, o que reduziu à metade tais créditos. ANDRÉ LUCIANO ZANOVELO (fls. 3741 e ss.): basicamente, repete os mesmos argumentos já declinados na sua impugnação. Intimados por edital (fls. 3723), depois de infrutífera a tentativa pelos Correios, os responsáveis solidários ARCFRANEMPREND. NEG E PART LTDA., TRIMDISTR DE DERIV DE PETR S.A. e MARCO ANTONIO DE MEDEIROS ALONSO não apresentaram recurso voluntário. Retirada pela DRJ do polo passivo, a ARPEX CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL S/A, atual denominação da ARROWS PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. foi cientificada do acórdão de impugnação por meio do AR de fl. 3695. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Entre as pessoas físicas e jurídicas apontadas pela fiscalização como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado, encontrase a OXXIL LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA., que apresentou, junto à DRJ, duas impugnações ao lançamento (subscritas por diferentes pessoas físicas; fls. 923/932 e fls. 994/1.001). Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 10865.720705/201515 Resolução nº 3201001.390 S3C2T1 Fl. 3.840 4 Consta dos autos que a unidade preparadora emitiu a INTIMAÇÃO SECAT Nº 317/2017 (fl. 3681), destinada a cientificála do acórdão de impugnação, mas não consta a comprovação da sua efetiva entrega. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade preparadora anexe ao presente processo a comprovação de que a OXXIL LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA. foi, de fato, cientificada do Acórdão nº 0840.775, de 20/10/2017. Caso a ciência não tenha sido efetivada ou não se obtenha a sua comprovação, a apontada responsável solidária deverá ser cientificada do acórdão recorrido, para que, se assim quiser, também apresente, no prazo legal, o seu recurso voluntário. Após escoado o prazo para apresentação do recurso, os autos devem retornar a este Colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3840DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.912345/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 45 /2 01 2- 43 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10783.912345/201243 Acórdão n.º 1201002.558 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720053/2017-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 00 53 /2 01 7- 87 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.720053/201787 Acórdão n.º 3002000.214 S3C0T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1677.837 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "O presente Auto de Infração, lavrado em 18/01/2017, referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pelo artº 77 da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00. A carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos, pelo Navio M/V CAP SPENCER, com atracação registrada em 02/11/2013 às 13:26. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305222894507 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305238701800.. O Agente de Carga SYLTRANS ASSESSORIA DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305222894507 a destempo em de 12/11/2013 às 11:57, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305238701800. Por ter violado o prazo estabelecido pela IN/SRF nº 800 de 2007, em seu art. 22, a fiscalização lançou a multa do art. 107, IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, no valor de R$ 5.000,00 para cada carga não informada. Alega a fiscalização a não aplicação do instituto da denúncia espontânea. De acordo com a descrição dos fatos, parte integrante do Auto de Infração, nos termos em que rege o art. 151, V do CTN, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial antecipação de tutela concedida pelo Juízo da 14a Vara Civil da Subseção Judiciária de São Paulo TRF 3a Região, nos autos do Processo 0005238 86.2015.4.03.6100. Intimada do Auto de Infração em 15/02/2017, fl. 98, a interessada apresentou impugnação e documentos em Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.720053/201787 Acórdão n.º 3002000.214 S3C0T2 Fl. 189 3 17/02/2017, juntados às fls. 101 e seguintes, alegando, em síntese do necessário: a Medida Provisória 497/10 editada pela Receita Federal do Brasil, ampliou o alcance do instituto da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro com a nova redação do artigo 102, §2º do Decretolei nº 37 de 1966; a Impugnante concluiu a desconsolidação da carga de acordo com o contido no auto de infração ou seja, para os casos envolvidos, a Impugnante efetuou a devida regularização pouco tempo APÓS ou a antes da chegada e a atracação do navio; o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, mas pode ser definido também pela expressão audiatur et altera pars, que significa “ouçase também a outra parte”; apenas ainda por amor ao debate, demonstramos a possibilidade de regularização espontânea por descumprimento de obrigações tratadas pelo art. 180 do Código Aduaneiro do Mercosul (Decisão CMC 27/2010); o aduzido faz referência entre outros, ao julgado recente, de 26/02/2013, prolatado no Acórdão 3201.001.222, onde a Segunda Câmara – 1ª. Turma Ordinária, em sede de Recurso Voluntário, prolatou o Acórdão alhures no processo administrativo 10711.007938/200853, oportunidade em que EXONEROU O CRÉDITO TRIBUTÁRIO em sua totalidade; o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que a interpretação do artigo 397 do Código de Processo Civil não deve ser feita restritivamente. Dessa forma, à exceção dos documentos indispensáveis à propositura da ação, a mencionada regra deve ser flexibilizada; Diante do até aqui exposto, respeitosamente requer pela juntada do Acórdão referido nos moldes do artigo Art. 397 do CPC; Por fim: a) Requer nos moldes do Decretolei 37/1966, "Artigo 102, Parágrafo § 2º”, seja tornado nulo ou insubsistente o auto de infração hostilizado e que ora se ataca, tornandose sem efeito quaisquer penalidades pretendidas, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco; b) Requer nos moldes do artigo 151, Inciso III, do Código Tributário Nacional, seja suspensa a exigibilidade fiscal imposta a Autuada; c) Requer seja reconhecida a ilegitimidade da Autuada, vez que o(s) contrato(s) de transporte(s) são emitidos por diversa(s) empresa(s); Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.720053/201787 Acórdão n.º 3002000.214 S3C0T2 Fl. 190 4 d) Requer que seja declarada CONFISCATÓRIA e conseqÜentemente seja declarada nula a multa imposta à Autuada em conformidade com o exposto no Artigo 150 da Constituição Federal; e) Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, oitiva das partes, Requer outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, oitiva das partes, formulação de quesitos, esuplementação das provas." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que restou dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº 1.1364, de 2004. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (168/182), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do Acórdão recorrido, de acordo com o estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O mesmo diploma legal dispõe sobre a regra geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, assim como sobre a definitividade das decisões administrativas, respectivamente, no art. 5º e no art. 42, que se transcreve: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.720053/201787 Acórdão n.º 3002000.214 S3C0T2 Fl. 191 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) No presente caso, a ora recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/07/17, segundafeira, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 164). Logo, o prazo de 30 dias para a interposição de recurso iniciouse em 04/07/17 e finalizouse em 02/08/17, quartafeira. Todavia, a recorrente somente apresentou seu recurso em 18/09/17, conforme Termo de Solicitação de Juntada (fl. 166), ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto na legislação para sua apresentação. Desta forma, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não houve o cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, estando, portanto, tal recurso intempestivo e não devendo ser conhecido por este colegiado, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, portanto, manter o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721078/2009-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 78 /2 00 9- 99 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.976 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10830.721078/200999 Acórdão n.º 9303007.088 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.002713/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de crédito tributário lançado contra o contribuinte no montante de R$ 195.313,64 (cento e noventa e cinco mil, trezentos e treze reais e sessenta e quatro centavos). As infrações se referem ao não emprego dos bens nos fins ou atividades para os quais foram importados e a produto estrangeiro em situação irregular (consumo ou entrega a consumo). Foram lançados, o Imposto de Importação mais multa (Art. 106, inciso I, “a”, DL 37/66) e juros, o IPI vinculado à importação mais multa (Art. 80, inciso I, Lei 4502/64 c/ redação art. 45 Lei 9.430/2002) e juros além da multa regulamentar de IPI, igual ao valor comercial da mercadoria (Art. 83 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 02 71 3/ 20 05 -5 5 Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.813 2 inciso I, da Lei n° 4.502/64 c/ redação do Decreto nº 400/68). Resumo da autuação: Relata a fiscalização que “Dando continuidade a fiscalização objeto da MPF/2004001492, realizamos auditoria de estoques na BMA Indústria e Comercio Ltda, com o intuito de verificar o cumprimento das condições estabelecidas na legislação concedente dos incentivos fiscais para a Zona Franca de Manaus, referentes aos exercícios de 2000, 2001 e 2002 (Indústria).” Foram examinados os registros e informações referentes às operações de importação, produção e internação dos seus produtos daqueles exercícios. Registra que: “Na apuração dos estoques foram verificadas as seguintes operações: a)Importações de insumos, b)compras no mercado interno c) saídas de produtos acabados d)outras entradas (devoluções, devoluções de conserto) e)outras saídas (remessas de conserto) f)Apuração do consumo de insumo importados; (essa apuração foi considerada sob a forma de Kit’s, tendo em vista que é por esta unidade que a empresa importa seus insumos, bem assim, como os declara para a composição dos seus produtos, nos respectivos Demonstrativos de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação (DCR); g) Apuração dos estoques de insumos importados; (as diferenças dos estoques foram obtidas pela comparação do Estoque Final apurado, que é a diferença entre as entradas e as saídas, encontrada peloexame da escrita contábil e o Estoque Final Escriturado, sendo este o estoque fruto das contagens registradas nos Livros de Inventários (fls.380 a 420)” As diferenças de estoques e demais inconsistências apuradas para o ano de 2000 resultaram em intimações com pedido de informações à fiscalizada que apresentou as justificativas que considerou necessárias. Algumas alegações e justificativas foram consideradas pertinentes, outras não e resultaram em autuação. Para algumas diferenças de estoque foi solicitada a apresentação de laudo técnico que desse respaldo à transformação de modelos de câmera em outros modelos, uma vez que a empresa utilizouse deste argumento para justificar essas diferenças. A empresa informou não possuir o laudo técnico solicitado. Para o ano de 2001 parte das diferenças, segundo a autuada, se referem a produtos exportados que não foram baixados do estoque. A autoridade autuante destaca que “esta fiscalização não acata esta justificativa, uma vez que não existe comprovação de tal fato”. Das inúmeras Intimações da fiscalização endereçadas à impugnante solicitando informações e justificativas para as diferenças de estoques encontradas, destacamos algumas observações. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.814 3 • A alegação de que as NF 8937 (f1.538) e NF557(f1.537) não entraram no estoque de 2001 não foi aceita, pois estas notas foram registradas no Livro de Entradas 02 em 21.12.00 e 20.12.00, respectivamente. • A fiscalização considera não apenas a entrada, mas também as saídas para conserto na composição do estoque, portanto, “justificativa não aceita.” • Que a fiscalização não considera este tipo de operação (transformação de modelos em outros), uma vez que a fiscalizada através do Termo de Intimação 35/2005 (f1.361) não apresentou laudo técnico comprovando a viabilidade da operação (f1.495). • Que após análise das justificativas apresentadas e acatamento de algumas, ainda permanecem as diferenças demonstradas no Relatório de Diferenças 2001; • Que não foram, para o ano de 2002, apresentados os laudos técnicos solicitados justificando a transformação de modelos de câmaras em outros modelos. A empresa não comprovou a viabilidade da operação. • O romaneio de carga com alterações nas quantidades de alguns modelos, apresentados pela fiscalizada para justificar diferenças de estoques não foi aceito. “Tal argumento não pode ser aceito, uma vez que nos documentos originais, solicitados pela intimação 04/2005 (f1.92), e apresentados pela empresa nas (fls. 379 e 421 a 429), (NFs 15968 ,016009 e 016010 de 2002, com os respectivos romaneios), não encontramos nenhuma alteração ou correção na quantidade dos produtos constantes dos romaneios, ocorrida na época da emissão das notas fiscais. Portanto esta fiscalização só pode considerar os romaneios originais.” • Que a fiscalização só aceita o estoque devidamente escriturado nos livros de inventário; Observa a fiscalização que “a valoração dos insumos objeto do presente documento foi extraído dos respectivos DCR’s – Declaração de Redução do Imposto de Importação (fls.542 a 970) sendo o dia 31/12 de cada exercício a data utilizada para o fato gerador e como alíquota do imposto, foi usada a vigente neste período para o produto acabado, por se tratar de importação de insumos sob a forma de Kit's, conforme prevê a regra 2.a de Classificação Fiscal, estabelecida nas Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado SH.” PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO Destaca a fiscalização que “Durante a realização de auditoria de estoque, na empresa acima qualificada, referente ao exercício de 2000, 2001 e 2002, foram detectadas diferenças em que o estoque escriturado é maior do que o estoque calculado por esta fiscalização, conforme Demonstrativos (fls. 22, 25 e 28). Sendo assim, em razão da intempestividade para a apreensão dos insumos em questão, cobrase a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria importada.” IMPUGNAÇÃO Em 15/06/2005 (fls. 06) o contribuinte teve ciência do auto de infração contra ele lavrado e em 13/07/2005 (fls. 1.090) apresentou impugnação com as razões a seguir expostas. • Ao começo, se insurge contra a autuação informando: “Inicialmente, a Impugnante, mesmo que sob protesto e não concordando com a totalidade das exigências a ela imputadas, informa que efetuou o pagamento do II e do IPI vinculado, Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.815 4 da multa proporcional e dos juros de mora, relacionados a algumas diferenças de estoque relativas aos produtos mencionados em (DOC 22).” • Em prejudicial de mérito o contribuinte alega decadência do direito do fisco exigir parcela dos tributos e penalidades. Afirma que por ser um tributo cujo lançamento se opera por homologação está sujeito ao que dispõe o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional: Se a lei não fixar prazo à homologação será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; • Que “Vale dizer, o prazo que o fisco para, se entender existente qualquer irregularidade, lançar de oficio, findase após 5 (cinco) anos contados da data de ocorrência do fato gerador do tributo.” • Que a fiscalização em 15/06/2005 impôs exigências de Imposto de Importação e de IPI vinculado à importação sobre uma série de operações que efetivamente ocorreram antes de 14/06/2000, ou seja, fora do prazo decadencial. • Que o prazo decadencial tem o seu início na data das importações e os impostos e multas cobradas relativas às operações de importação de insumos para a fabricação dos modelos de Câmeras fotográficas a seguir estão contaminados pelo instituto decadencial previsto pelo art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.816 5 Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.817 6 Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.818 7 • Com base nas tabelas mostradas acima afirma que Declarações de Importação elencadas são efetivamente, as que acobertaram as últimas operações de importação de cada um dos produtos em comento. • Requer “a realização de diligência que verificará, em referidos livros fiscais, que as importações ora mencionadas efetivamente foram as últimas realizadas pela Impugnante, para os insumos em comento.” • “Ante o exposto, a Impugnante, em prejudicial de mérito, requer a declaração da decadência do direito do fisco de exigir tributos aduaneiros pelas importações realizadas antes de 14/06/2000.” • Quanto ao mérito explica que um dos equívocos da fiscalização foi não considerar o fato de que a Impugnante realizou operações de troca de insumos em uma série de câmeras fotográficas. “Esta "transformação" ensejou, ora a entrada, e por vezes a saída, no estoque de insumos relacionados a alguns produtos fabricados pela Impugnante, o que não foi, porém deveria ter sido, considerado na auditoria de estoques realizada pelo d. fiscal autuante.” • Que para efetividade do art. 83, inciso I da Lei n° 4502/64 deve estar presente uma vontade consciente para a produção do resultado, a saber, "introduzir o produto clandestinamente no país" e “importar produto irregular ou fraudulentamente". • Que à Impugnante não foi apontado qualquer Laudo ou Prova Técnica comprobatória de que veio a incorrer em alguma das hipóteses ventiladas no tipo penal. • Contesta a apuração da fiscalização e rebate, para diversas mercadorias importadas, as quantidades encontradas em estoque e sua forma de contabilização pela fiscalização que não considerou a “transformação” ocorrida nas câmeras fotográficas. São os seguintes, os itens questionados: DIFERENÇAS DE ESTOQUE VERIFICADAS NO ANO DE 2001 Câmeras BV 100 Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 51 câmeras modelo BV 100 em 51 câmeras modelo BV 100 K, o que gerou uma saída de produtos não considerada pelo agente fiscal. Vale dizer, deve ser considerada uma saída do estoque de 51 câmeras modelo BV 100, as quais foram transformadas em câmeras BV 100 K. Câmeras BV 100 K Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 51 câmeras BV 100 em 51 câmeras BV 100 K, o que gerou uma entrada de (BV 100 K) Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.819 8 não considerada pelo agente fiscal. Ou seja, deve ser considerada uma entrada no estoque de 51 câmeras modelo BV 100 K, que foram fabricadas a partir da transformação de câmeras BV 100. Outrossim, houve também a transformação de 20 câmeras TR 100 em 20 câmeras BV 100 K, o que gerou uma entrada de ( BV 100 K ) não considerada pelo agente fiscal. Assim, deve ser considerada uma entrada no estoque de 20 câmeras modelo BV 100 K, que foram fabricadas a partir da transformação de câmeras TR 100. Deve ainda ser anotado que a fiscalização lançou indevidamente e a maior a saída de 196 peças, objeto de operações canceladas, espelhadas pelas NF's 10209 (24 peças) e 10409 (172 peças). Estas operações, como dito, foram canceladas. A NF 10209 foi cancelada, pois um dos produtos nela descrito, por um erro quando de sua emissão, não foi o efetivamente adquirido pelo cliente da Impugnante. Por seu turno, a NF n° 10409 teve seu cancelamento registrado no termo de ocorrências da Secretaria da Fazenda Estadual do Amazonas (DOC 03). Ainda, deve ser expurgado da exigência fiscal o equivalente a 53 câmeras que já foram objeto de abatimento da suposta diferença de estoque em comento. Com efeito, a Impugnante, ao responder a Intimação Fiscal n° 716/2004 esclareceu que a fiscalização não houvera considerado a entrada relacionada As NFs 9232, 9854, 9855, 926, 368753, 39818 e 14539. Posteriormente inclusive, a própria agente fiscal, ao apresentar a Intimação n° 27/2005 considerou como válida a explicação antes oferecida pela Impugnante, relacionando à fl. 358 destes autos as referidas Notas Fiscais. Não há, desta feita, como subsistir a exigência no que se refere a este particular. Câmeras BV 88 A Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 657 câmeras modelo BV 88 AF em 657 câmeras modelo BV Metal, o que gerou uma saída de produtos não considerada pelo agente fiscal. Vale dizer, deve ser considerada uma saída do estoque de 657 câmeras modelo BV 88 AF, as quais foram transformadas em câmeras BV Metal. Câmeras BV METAL Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 657 câmeras BV 88 AF em 657 câmeras BV Metal, o que gerou uma entrada de (BV Metal) não considerada pelo agente fiscal. Ou seja, deve ser considerada uma entrada no estoque de 657 câmeras modelo BV Metal, que foram fabricadas a partir da transformação de câmeras BV 88 AF. Outrossim, a agente fiscal equivocadamente considerou as saídas espelhadas pelas NF's nos 10665 e 10666, estas que se trataram de retorno dos respectivos produtos, enviados para conserto pelos clientes da Impugnante. (DOC 04) de se observar que a natureza das operações espelhadas pelas NF's em comento taxativamente esclarece que não se tratam de "saídas" passíveis de cômputo no levantamento fiscal realizado. Câmeras TR 100 Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 73 câmeras modelo TR 100 em 73 câmeras modelo TR 100 S. bem como de 20 peças em BV 100 K, o que gerou uma saída de produtos não considerada pelo agente fiscal. Vale dizer, deve ser considerada uma saída do estoque de 93 câmeras modelo TR 100, as quais foram transformadas em câmeras TR 100 S e BV 100 K. Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.820 9 Câmeras TR 100 S Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 73 câmeras TR 100 em 73 câmeras TR 100 S, o que gerou uma entrada de (TR 100 S) não considerada pelo agente fiscal. Ou seja, deve ser considerada uma entrada no estoque de 73 câmeras modelo TR 100 S, que foram fabricadas a partir da transformação / de câmeras TR 100. Câmeras EZ MOTOR, EZ MOTOR DB e DF 300 Não pode prevalecer a exigência fiscal nesse particular, pois as peças supostamente a menor no estoque da Impugnante foram objeto da NF n° 22042, (DOC 05) esta que espelhou operação de remessa para conserto promovida pelo estabelecimento da Impugnante situado em São Paulo / SP. Por um equivoco da Impugnante, os produtos objeto de referida remessa para conserto não foram lançados a titulo de "entradas" no estoque. De qualquer maneira, com os esclarecimentos ora trazidos pela presente, requerse o cancelamento das exigências relacionadas aos produtos em cotejo. Câmera 2 ZM DB Não pode prevalecer a exigência fiscal nesse particular, pois a fiscalização considerou, equivocadamente, a entrada objeto da NF n° 502 (DOC 06) esta que espelhou operação de remessa para conserto promovida por um dos clientes da Impugnante. Outrossim, foi equivocadamente considerada a saída objeto da NF nº 14527 (DOC 07), esta que espelhou operação de retorno de conserto da Impugnante a um de seus clientes. DIFERENCAS DE ESTOQUE VERIFICADAS NO ANO DE 2002 Câmera 2 ZM DB Deve ser considerada pela fiscalização a entrada de 3 câmeras referentes à devolução dessas mercadorias espelhada pela NF 411, emitida por Bertier Fotografia. Esta NF cumpre assinalar, não se confunde com a de mesmo número, relacionada à fl. 371 dos presentes autos, emitida por Fotóptica Ltda, em outra operação de devolução de mercadorias. (DOC 08). Não pode prevalecer a exigência fiscal nesse particular, pois a fiscalização considerou, equivocadamente, a entrada objeto da NF n° 615 (DOC 09) esta que espelhou operação de remessa para conserto promovida por um dos clientes da Impugnante. Ainda, não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 21 câmeras TRON DB em 21 câmeras 2 ZM DB, o que gerou uma entrada de (2 ZM DB) não considerada pelo agente fiscal. Ou seja, deve ser considerada uma entrada no estoque de 21 câmeras modelo 2 ZM DB, que foram fabricadas a partir da transformação de câmeras TRON DB. Outrossim, imperioso se faz aqui tecer um esclarecimento: A Impugnante, à época, efetuava algumas de suas vendas por consignação. Assim remetia seus produtos aos consignatários e, neste momento, registrava a saída das mercadorias de seu estoque. Ato continuo, alocava estes produtos a uma conta contábil especifica criada para este tipo de operação, denominada "estoque em poder de terceiros", conforme inclusive já informado à fiscalização, as fls. 378 dos presentes autos. Neste diapasão, deve ser considerada, para o modelo em comento, a saída de 31 câmeras que foram objeto de consignação, estas realocadas, do estoque da Impugnante para o denominado "estoque em poder de terceiros". Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar em duplicidade, a saída de 28 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s as fls. 471 dos presentes autos). Importante Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.821 10 esclarecer: Estas 28 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Pelo mesmo motivo, deve ser considerada a saída de 3 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação ( NF re 15593 ), que foram baixadas do "estoque" da Impugnante e realocadas ao "estoque em poder de terceiros". (DOC 10) Por fim, não pode prevalecer a exigência relacionada a 1 câmera, pois a fiscalização considerou, equivocadamente, a saída objeto da NF n° 18285, (DOC 11) esta que espelhou operação de retorno de conserto, i.e., tratavase de mercadoria de propriedade de terceiros. Câmera ZM DB Neste modelo, desde logo deve ser considerada a saída de 303 câmeras do estoque da Impugnante para o "estoque em poder de terceiros". Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 76 câmeras objeto de vendas por consignação (NF’s às fls.472 dos presentes autos). Ainda, não pode prevalecer a exigência relacionada a 1 câmera, pois a fiscalização considerou, equivocadamente, a saída objeto da NF n° 18226, (DOC 12) esta que espelhou operação de retorno de conserto, i.e., tratavase de mercadoria de propriedade de terceiros. Pelo mesmo motivo, deve ser considerada a saída de 4 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação (NF n° 15593), que foram baixadas do "estoque da Impugnante” e realocadas ao “estoque em poder de terceiros". (DOC 13) Câmera 3Z DB Neste modelo, desde logo deve ser considerada a saída de 132 câmeras do estoque da Impugnante para o "estoque em poder de terceiros". Câmera PC 606 Neste particular, a fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 154 Câmeras, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 98 câmeras, nos termos do romaneio substitutivo constante A fls. 467/470 dos presentes autos. Desta feita, devem ser canceladas a saída de 56 Câmeras do estoque da Impugnante. Câmera BV 100 K Neste modelo, desde logo deve ser considerada a saída de 106 câmeras do estoque da Impugnante para o "estoque em poder de terceiros". Outrossim, a fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 373 Câmeras, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento não envolveu nenhuma câmera do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Desta feita, devem ser canceladas a saída destas 373 Câmeras do estoque da Impugnante. Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 983 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s as fls. 473 e 474 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 983 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Ainda, deve ser considerada a saída de 954 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação (NF’s n° 14760, 14761, Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.822 11 14762 e 14763), que foram baixadas do "estoque" da Impugnante e realocadas ao "estoque em poder de terceiros" (DOC 14). Câmera BV METAL Não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 82 câmeras modelo BV Metal DB em 82 câmeras modelo BV metal o que gerou uma entrada de produtos não considerada pela fiscalização Vale dizer, deve ser considerada uma entrada no estoque de 82 câmeras modelo BV Metal, as quais foram fabricadas a partir de câmeras BV Metal DB. Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 668 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s as fls. 475 e 476 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 668 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Pelo mesmo motivo, deve ser considerada a saída de 96 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação (NF n° 171433), que foram baixadas do "estoque" da Impugnante e realocadas ao "estoque em poder de terceiros". (DOC 15) Câmera BV METAL DB Neste modelo, desde logo deve ser considerada a saída de 136 câmeras do estoque da Impugnante para o "estoque em poder de terceiros". Outrossim, não pode prevalecer a exigência fiscal, pois houve a transformação de 82 câmeras modelo BV Metal DB em 82 câmeras modelo BV Metal, o que gerou uma saída de produtos não considerada pelo agente fiscal. Vale dizer, deve ser considerada uma saída do estoque de 82 câmeras modelo BV Metal DB, as quais foram fabricadas a partir de câmeras BV Metal. Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 121 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s as fls. 477 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 121 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Câmera BV 550 Neste modelo, desde logo deve ser considerada a saída de 53 câmeras do estoque da Impugnante para o "estoque em poder de terceiros". Outrossim, é de e observe que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 4 câmeras das por consignação (NF’s as fls. 478 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 46 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Câmera PC 2000 A agente fiscal equivocadamente considerou equivocadamente a "entrada" espelhada pela NF 633, esta que se trata de remessa do respectivo produto, para conserto, por um dos clientes da Impugnante. (DOC 16) Outrossim, a fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 65 Câmeras, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 58 câmeras do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante A fls. 467/470 dos presentes autos. Câmera LINEA AZUL Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.823 12 A agente fiscal equivocadamente considerou equivocadamente a "entrada" espelhada pela NF 637, esta que se trata de remessa do respectivo produto, para conserto, por um dos clientes da Impugnante. (DOC 17) Câmera DUO Outrossim, é de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 1244 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s às fls. 480/481 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 1244 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Ainda, deve ser considerada a saída de 1272 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação (NF’s As fls. 482 e 483 dos presentes autos), que foram baixadas do "estoque" da Impugnante e realocadas ao "estoque em poder de terceiros". Outrossim, é de se observar que a fiscalização considerou a entrada, relativa à NF n° 10619, As fls. 450 dos presentes autos, de somente 2 câmeras, quando na realidade tratouse de operação envolvendo duas caixas de câmeras fotográficas, com 6 (seis) unidades de cada a. Desta feita, 10 (dez) câmeras que deram entrada no estoque da impugnante não foram consideradas no levantamento fiscal. É de se notar que a NF em comento esclarece de forma categórica que se tratam de 2 caixas de câmeras. Cada uma, contendo 6 unidades. Ainda, observase que o valor do produto mencionado na NF de devolução equivale ao valor de 12 Câmeras fotográficas, e não de duas. A este respeito, basta confrontar com a Nota Fiscal de venda n° 14561, previamente emitida pela Impugnante ao seu cliente (DOC 18) Câmera LINEA PRATA de se observar que equivocouse a fiscalização ao considerar a saída de 1375 câmeras objeto das vendas por consignação (NF’s As fls. 485 dos presentes autos). Importante esclarecer: Estas 1375 câmeras não podem ser consideradas como saída de estoque, uma vez que a Impugnante já houvera, quando da remessa para venda em consignação, realocado contabilmente estes produtos de seu "estoque" para o retro mencionado "estoque em poder de terceiros". Pelo mesmo motivo, deve ser considerada a saída de 1458 câmeras fotográficas objeto de remessa em consignação (NF’s n's 16479, 16480, 16484, 17142, 17143, 17144, 18058, 18059, 18060 e 18063 em anexo — DOC 19), que foram baixadas do "estoque" da Impugnante e realocadas ao "estoque em poder de terceiros". A agente fiscal equivocadamente considerou equivocadamente a "saída" espelhada pela NF 18607, esta que se trata de retorno do respectivo produto, de conserto, para um dos clientes da Impugnante. (DOC 20) Por fim, a Impugnante observa que no período compreendido entre 19/12/02 e 31/12/02 encontravase em escrituração de seu Livro de Inventário. Desta feita não baixou, no seu estoque, as saídas ocorridas neste período. A fiscalização no caso presente questiona a diferença de estoque equivalente a 1711 câmeras fotográficas que foram comercializadas exatamente no período em cotejo. Ocorre, entretanto, que essas mercadorias tiveram destinação certa, licita e sabida, razão pela qual não há porque subsistir a alegação de que a Impugnante não empregou os insumos respectivos para os fins esperados, quando das respectivas importações. Com efeito, as fls. 484 dos presentes autos, encontramse todas as notas fiscais emitidas e devidamente escrituradas pela Impugnante no período em questão. Referida documentação comprova o destino dessas 1716 câmeras fotográficas. Não pode, desta feita, subsistir a imposição tributária, uma vez que é inconteste que os insumos respectivos foram efetivamente empregados nos produtos vendidos pela Impugnante. Desta feita, em observância ao principio da verdade material bem como da tipicidade tributária, a Impugnante requer o cancelamento exigência fiscal relacionada a Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.824 13 estas 1711 câmeras fotográficas. Câmera BV 80 e BV 80 S100 Nestes produtos especificamente, a d. agente fiscal cometeu um equivoco elementar, ao considerar, no Livro Registro de Inventário da Impugnante de 31/12/2001, 32 câmeras. Entretanto, o correto seria considerar essas 32 câmeras, somadas a 7 kits BV 80, conforme expressamente apontado no Livro de Inventário cuja cópia se tem em (DOC 21). Concluise, desta feita, que em 31/12/2001, existiam 39 produtos no estoque. Lente Objetiva 28105 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 138 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 129 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Lente Objetiva 28 200 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 156 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 147 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante a fls. 467/470 dos presentes autos. Lente Objetiva 28 70 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 121 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 70 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Lente Objetiva 35 70 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 150 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 80 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Lente Objetiva 70210 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota fiscal n° 15968 Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 165 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Lente Objetiva 75300 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 465 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n ° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 382 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante A. fls. 467/470 dos presentes autos. Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.825 14 Lente Objetiva 28210 MM A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 25 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n ° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 16 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante à fls. 467/470 dos presentes autos. Teleconversora 2X A fiscalização considera indevidamente uma suposta saída de 8 Lentes Objetivas, objeto da operação espelhada pela Nota Fiscal n ° 15968. Ocorre, entretanto, que, como dito acima, o romaneio que acompanhou referida Nota Fiscal foi preenchido equivocadamente. A operação em comento envolveu efetivamente 7 lentes objetivas do modelo em cotejo, nos termos do romaneio substitutivo constante às fls. 467/470 dos presentes autos. AutoRádio TC 41 20 Outrossim, não foi considerada a saída de 8 AutoRádios espelhada pela NF n° 466. Esta saída ocorreu no período compreendido entre 20/12/02 e 31/12/02, no qual a Impugnante encontravase em escrituração de seu Livro de Inventário. Desta feita não baixou, no seu estoque, as saídas ocorridas neste período. Ocorre, porém que, pelos motivos já mencionados, não pode esta ausência de baixa no estoque, redundar na acusação fiscal ora contestada, já que é conhecida a existência e a licitude da operação praticada. AutoRádio TC 42 30 Não foi tampouco considerada a saída de 2 AutoRádios espelhada pela NF n° 466. Esta saída ocorreu no período compreendido entre 19/12/02 e 31/12/02, no qual a Impugnante encontravase em escrituração de seu Livro de Inventário. Desta feita não baixou, no seu estoque, as saídas ocorridas neste período. Ocorre, porém que, pelos motivos já mencionados não pode esta ausência de baixa no estoque redundar na acusação fiscal ora contestada já que é conhecida a existência e a licitude da operação praticada. • Questiona ainda a aplicação da taxa SELIC para corrigir os créditos tributários lançados. Afirma que na hipótese dos autos, os juros aplicáveis seriam, teoricamente, os moratórios, devidos em virtude do retardamento no pagamento da obrigação tributária e que a taxa SELIC, prevista no art. 13 da Lei n° 9.065 possui natureza remuneratória." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0828.907, de 27/02/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. AUDITORIA DE ESTOQUE. NÃO EMPREGO DOS BENS NOS FINS OU ATIVIDADES PARA QUE FORAM IMPORTADOS. Apurandose o estoque de bens importados com benefícios da Zona Franca de Manaus em quantidade superior à informada no registro de inventário, a diferença, quando não justificada, caracteriza o desvio de Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.826 15 finalidade, sendo exigíveis os tributos suspensos quando da importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. ZONA FRANCA DE MANAUS. AUDITORIA DE ESTOQUE. PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR. MULTA. Constatado que o estoque final, apurado a partir do estoque inicial acrescido das entradas e diminuído das saídas, é inferior ao estoque escriturado no inventário, a diferença, quando não comprovada, é tratada como produto estrangeiro em situação irregular, cabendo a pena de perdimento, ou na sua impossibilidade, a aplicação da multa prevista no artigo 463, inciso I, do Decreto 2.637/98 (RIPI/98). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002 DECADÊNCIA. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Nos casos de lançamento de penalidade pecuniária, a contagem do prazo decadencial se sujeita à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, onde está determinado que o dies a quo para a contagem do citado prazo corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratandose de importações realizadas com benefício de suspensão, o curso do prazo decadencial só se inicia após a constatação da falta que dá causa à perda do benefício, com a conseqüente exigibilidade dos tributos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Os tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos até a data de vencimento, estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, seja qual for o motivo determinante da falta. Tratase de expressa determinação legal em vigor, não cabe a esta instância administrativa de julgamento manifestarse sobre sua legalidade ou constitucionalidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Quando a petição da autuada não apresentar documentos e argumentações diferentes dos apresentados durante o procedimento fiscal que resultou no lançamento do crédito tributário, não há porque acatar o pedido de diligência, por prescindível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.827 16 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A fiscalização realizou uma auditoria nos estoques dos anos de 2000 a 2002, sobre operações de importação, produção e internação dos produtos, com o intuito de verificar o cumprimento das condições estabelecidas na legislação dos incentivos fiscais (isenção ou redução de Imposto de Importação II e isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI) para a Zona Franca de Manaus, previstos no Decretolei n° 288/67. De acordo com o auto de infração, foram examinados os registros relativos às seguintes operações: a) Importações de insumos, b) compras no mercado interno c) saídas de produtos acabados d) outras entradas (devoluções, devoluções de conserto) e) outras saídas (remessas de conserto) f) apuração do consumo de insumo importados; (essa apuração foi considerada sob a forma de Kit’s, tendo em vista que é por esta unidade que a empresa importa seus insumos, bem assim, como os declara para a composição dos seus produtos, nos respectivos Demonstrativos de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação DCR); g) apuração dos estoques de insumos importados; (comparação do estoque final apurado, que é a diferença entre as entradas e as saídas, encontrada pelo exame da escrita contábil e o estoque final escriturado, sendo este o estoque fruto das contagens registradas nos Livros de Inventário). Relativamente a alguns produtos, os saldos dos estoques finais dos insumos importados apurados pela fiscalização eram maiores do que os escriturados no Livro Registro de Inventário (LRI). As diferenças foram valoradas e submetidas às incidências do II e do IPI. Com efeito, no caso específico do II, a cálculo levou em conta os coeficientes de redução do imposto, para os casos em que o produto é destinado a qualquer ponto do território nacional (art. 7° do Decretolei n° 288/67). E as multas foram: no âmbito do II, equivalente a 100% do valor comercial do produto (alínea "b" do inciso I do art. 106 do DL n° 37/66); e, do IPI, a 75% (multa proporcional) do valor do imposto (art. 80 do Decretolei n° 4.502/64) e a 100% (multa regulamentar) do valor do produto (inciso do art. 83 do Decretolei n° 4.502/66). Trago para a turma, proposta de conversão deste julgamento em diligência, pelos motivos que a seguir exponho. Na impugnação, o contribuinte alegou que parte substancial das diferenças encontradas pela fiscalização ocorreu por conta de "operações de troca de insumos em uma série de câmeras fotográficas", a saber (fls. 1.789 e 1.790): "1) Alteração Superficial: Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.828 17 Essa alteração ocorre somente na parte cosmética impressa, determinada pela impressão do logotipo e modelo na tampa externa. A importação do produto pode ocorrer na sua forma genérica, sem a menção do modelo ou logotipo, ganhando posteriormente a sua definição de características cosméticas externas pelo processo de serigrafia ou 'silkscreen'. 2) Alteração no Formato: Ocorre alteração no formato das tampas externas mantendose, no entanto, os mesmos encaixes, pontos de fixação no produto principal e sendo livres de qualquer tipo de adaptação. No caso da Impugnante, essas tampas com formatos externos diferentes podem ou não ter sido importadas com o nome e modelo predefinidos, ou seja, podem ter sido recebidos com a impressão do nome do modelo ou na sua forma genérica. Na condição de tampas com modelos prédefinidos, o produto era montado na situação normal. As tampas na sua forma genérica, recebiam a estampa pelo mesmo processo anteriormente citado de acordo com a demanda ou necessidade. Outrossim, a 'transformação' dos modelos, ocorreu também para evitar a parada da linha de montagem. Verificouse, algumas vezes, que a tampa de um determinado modelo foi importada com manchas, riscos e falhas na injeção, o que obrigou segregar esse material. Essa situação forçou a produção a utilizar "tampas" similares as de outro modelo para evitar a suspensão da linha de montagem. O fato é que, como dito, no caso presente parcela substancial das diferenças de quantidades no estoque ocorreu por conta dessas operações de troca de insumos." (g.a.) Além das "trocas de insumos", o contribuinte trouxe cópias de diversas notas fiscais que, em tese, justificariam a ocorrência das demais diferenças de estoque, tais como: Diferenças nos saldos de 31/12/01 Câmeras BV 100K notas fiscais de vendas canceladas n° 10209 (24 peças) e 10409 (172 peças) Doc. 03 da impugnação; notas fiscais de entrada n° 9232, 9854, 9855, 926, 368753, 39818 e 14539 de 53 câmeras fotográficas, que teriam sido apresentadas à fiscalização com a resposat á Intimação n° 716/2004 e computadas em suas planilhas (fl. 358), porém não expurgadas da base tributável do lançamento de ofício; Diferenças nos saldos de 31/12/02 Câmera 2ZM DB cômputo na base tributável de diferenças relativas a 28 (notas fiscais listadas na fl. 471) e três (nota fiscal 15593 Doc 10 da impugnação) câmeras fotográficas, que teriam saído em consignação e, contabilmente, transferidas para a conta de estoque em poder de terceiros. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.829 18 A DRJ, ao enfrentar preliminar de nulidade, onde o contribuinte requeria que seus livros de entrada fossem inspecionados, para comprovar que as importações teriam sido realizadas em período, cujo direito de o Fisco lançar tributo já teria decaído, assim respondeu às alegações do contribuinte: "(. . .) Da mesma forma, resta prejudicada a solicitação da impugnante, quando, em síntese, quer que as diversas “transformações/substituições” (utilização de insumos de um modelo de câmera fotográfica em outras) sejam consideradas na apuração de estoques. Ressalto que as solicitações elencadas às folhas 1.098 a 1.108 em sua grande maioria se referem a questionamentos feitos durante o procedimento fiscal, onde a autoridade aduaneira exigiu a apresentação de laudo técnico que comprovasse a viabilidade dos processos de transformação efetuados pela impugnante. Naquele momento, como agora, os laudos técnicos não foram apresentados. Também os romaneios questionados pela impugnante já foram rechaçados pela fiscalização durante o procedimento fiscal. No entender deste julgador, não foi trazido ao processo elemento novo, apoiado em documentação hábil e idônea que possibilite à instância julgadora confirmar a sua veracidade e exonerar o contribuinte do crédito tributário referente a essas diferenças de estoque. Por certo, as verificações solicitadas são impraticáveis em sede de julgamento e, em vista das inúmeras intimações para que a impugnante apresentasse as justificativas para as diferenças de estoque encontradas pela fiscalização, durante o procedimento fiscal, sem sucesso, tornam o pedido de diligência prescindível. Não há porque protelar a solução do processo com base nas alegações apresentadas pela impugnante e inteiramente descartadas anteriormente pela fiscalização. (. . .)" Concordo, plenamente, com a DRJ, quanto à impossibilidade de se considerar como justificadas as diferenças de estoques motivadas por "trocas de insumos", ocorridas, segundo o contribuinte, por processos industriais de transformação. No curso da fiscalização, foi requerido e não apresentado laudo ou mesmo mapas de custo, atestando a realização do processo industrial e, por conseguinte, o consumo das quantidades de insumos consideradas faltantes. Assim, reputo que nenhum esforço adicional deve ser envidado pelas instâncias administrativas. O relator alegou ainda que as demais "verificações solicitadas são impraticáveis, em sede de julgamento". Por óbvio, inferese que se referiu às notas fiscais anexadas à impugnação. É compreensível o posicionamento do relator. O refazimento das movimentações de estoque requereriam, realmente, um trabalho muito extenso, cujo resultado, em função da complexidade, teria, necessariamente, de sofrer uma revisão. Contudo, não se pode simplesmente descartar os documentos fiscais (ex: notas fiscais de vendas canceladas, de remessas para consignação etc.) carreados aos autos pelo contribuinte. Além de menosprezar aquele que talvez seja o mais importante princípio do Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10283.002713/200555 Resolução nº 3301000.767 S3C3T1 Fl. 1.830 19 processo administrativo fiscal, o da "Verdade Material", estaríamos impedindo o exercício do pleno direito de defesa, previsto na Constituição Federal. Assim, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que as notas fiscais carreadas aos autos na impugnação e também citadas no recurso voluntário sejam analisadas e, se for o caso, retificados os cálculos do crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909849/2011-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/02/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 49 /2 01 1- 73 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909849/201173 Acórdão n.º 9303007.213 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.501, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/02/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909849/201173 Acórdão n.º 9303007.213 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909849/201173 Acórdão n.º 9303007.213 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909849/201173 Acórdão n.º 9303007.213 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909849/201173 Acórdão n.º 9303007.213 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724318/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 18 /2 01 1- 16 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.985. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 189DF CARF MF
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