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Numero do processo: 23034.000082/2002-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999
RITO PROCESSUAL DO DECRETO 3.142/99. AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos.
Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
Numero da decisão: 2402-006.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999 RITO PROCESSUAL DO DECRETO 3.142/99. AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos. Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
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AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos. Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 00 82 /2 00 2- 71 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 23034.000082/200271 Acórdão n.º 2402006.294 S2C4T2 Fl. 102 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 28/48 em face da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 25/2002 emitida em 09/01/2002 no valor total de R$ 4.131,44 (efls. 11/13), com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação especificamente quanto à ausência de indicação de alunos indenizados no Programa RAI relativas às competências 12/96; 06/97; e 06/99, objeto de decisão, em sede de revisão de ofício, do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 18/20 que declarou a revelia da Recorrente e decidiu pela procedência da notificação em litígio. A Recorrente foi cientificada da NRD n. 25/2002 (efls. 11/13) em 15/01/2002 (efl. 14) e não apresentou impugnação, nem houve pagamento ou pedido de parcelamento. Nesse contexto, o FNDE procedeu, de ofício, a análise da NRD n. 25/2002 (efls. 11/13), declarando a revelia e decidindo pela procedência da notificação, nos termos da decisão de efls. 18/20. Não consta dos autos a data de ciência da Recorrente da decisão de efls. 18/20, embora haja registro de postagem do Ofício n. 232/2006/DIADE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC (efls. 24/25) que encaminhou a decisão de e fls. 18/20 com datas de 17/05/2006 e 22/05/2006 (efl. 26). Todavia, na data de 29/06/2006 a Recorrente apresentou Recurso Voluntário de efls. 28/48 em face da NRD n. 25/2002 (efls. 11/13). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Conforme já relatado, a Recorrente não apresentou impugnação em face da NRD n. 25/2002 (efls. 11/13), havendo o FNDE, de ofício, procedido à análise da retrocitada notificação, oportunidade em que declarou a revelia da Recorrente e decidiu pela procedência do lançamento, nos termos da decisão de efls. 18/20. A primeira questão que salta aos olhos diz respeito à não observância do rito processual insculpido no Decreto n. 3.142, de 16 de agosto de 1999 que regulamenta a contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, § 5o, da Constituição, no art. 15 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 23034.000082/200271 Acórdão n.º 2402006.294 S2C4T2 Fl. 103 3 da Lei n. 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e na Lei n. 9.766, de 18 de dezembro de 1998, e dá outras providências e que se encontrava em vigor na época dos fatos. Com efeito, verificase que não se instaurou a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, verbis: Art. 14. Após a instauração do específico processo administrativo fiscal, procedida a apuração e a atualização do débito, de acordo com a legislação previdenciária em vigor, o devedor será notificado do valor da dívida, pelo FNDE, com discriminação das parcelas devidas e dos períodos a que se referem. § 1o Recebida a notificação, o devedor terá o prazo de quinze dias para apresentar defesa junto ao FNDE, efetuar o pagamento ou apresentar solicitação de parcelamento do débito. § 2o Apresentada a defesa, o processo será submetido à decisão do Secretário Executivo do FNDE. § 3o O procedimento será encerrado se o devedor recolher o débito dentro do prazo assinalado. § 4o Aplicase o rito de que trata este artigo aos débitos decorrentes de contratos administrativos celebrados com escolas prestadoras de serviços do SME, procedidas, nestes casos, a apuração e a atualização de acordo com a Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993. (Incluído pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) Art. 15. Da decisão do SecretárioExecutivo caberá recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, observado o disposto neste artigo. § 1o O recurso poderá ser interposto no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão, com as razões e, se for o caso, os documentos que o fundamentam. § 2o A interposição do recurso em processo de natureza tributária dependerá de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE trinta por cento do valor principal do débito e dos respectivos acessórios. (Redação dada pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) § 3o O débito tempestivamente questionado ficará dispensado de novos acréscimos, se o seu valor, devidamente atualizado e acrescido dos respectivos juros e multa de mora, for integralmente depositado, até a decisão final. § 4o Os acréscimos legais de que trata o parágrafo anterior serão exigíveis até a data do depósito. § 5o Sobre a parcela pecuniária referente ao depósito obrigatório, previsto no § 2o deste artigo, não poderão ser acrescidos encargos legais. § 6o Se o débito for considerado improcedente, o valor do depósito será devolvido ao contribuinte, na forma da legislação vigente. No caso concreto não foi apresentada defesa, havendo, inclusive, declaração de revelia da Recorrente, atraindo a incidência do disposto no art. 14, § 1°., in fine, ou seja, efetuar o pagamento ou apresentar solicitação de parcelamento do débito. É dizer: com a declaração da revelia, ocorreu a constituição definitiva do crédito tributário. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 23034.000082/200271 Acórdão n.º 2402006.294 S2C4T2 Fl. 104 4 Nessa perspectiva, o Recurso Voluntário em apreço não se reveste dos requisitos para julgamento em segunda instância, conforme dispõe o art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não enfrenta decisão em face de impugnação, que no caso concreto sequer existiu. É de bom alvitre ressaltar que a revisão de ofício não é sucedâneo recursal de impugnação, não podendo assim fazer às vezes desta, inclusive por que inexiste o contraditório e ampla defesa da Recorrente, com lastro em provas. Ao contrário, a revisão de ofício é ato unilateral da Administração e não tem o condão de inaugurar a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, vez que sequer é prevista no rito processual estabelecido no Decreto n. 3.142/1999. É relevante destacar ainda que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) imiscuirse nos procedimentos previstos no Decreto n. 3.142/1999 para fins de definição do contencioso fiscal, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo. É dizer, uma vez não apresentada defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, conforme a regra dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, não há de se conhecer de recurso voluntário interposto pela Recorrente. Nessa perspectiva, não há de se conhecer da peça recursal de efls. 28/48. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 28/48). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002416/2009-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-09T11:14:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-09T11:14:36Z; Last-Modified: 2018-07-09T11:14:36Z; dcterms:modified: 2018-07-09T11:14:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f4636e68-650a-482e-ac2c-ad30f47eec22; Last-Save-Date: 2018-07-09T11:14:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-09T11:14:36Z; meta:save-date: 2018-07-09T11:14:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-09T11:14:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-09T11:14:36Z; created: 2018-07-09T11:14:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-09T11:14:36Z; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-09T11:14:36Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.002416/200997 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.757 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HORUS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 16 /2 00 9- 97 Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 9202006.757 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000464/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
REVISÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DADOS EQUIVOCADOS PRESTADOS PELA FONTE PAGADORA.
Uma vez confirmado pelo conjunto probatório que a fonte pagadora prestou informações equivocadas concernentes aos rendimentos tributáveis e ao imposto de renda retido da pessoa física, cujos dados acabaram corrigidos pelo empregador após o lançamento fiscal, é cabível a retificação da declaração de ajuste anual do beneficiário, tendo em conta os valores corretos para o ano-calendário, o que resulta, no caso dos autos, na improcedência da notificação fiscal que considerou haver dedução indevida do imposto de renda retido na fonte.
Numero da decisão: 2401-005.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, ressaltando-se que deverão ser corrigidos os dados da DAA 2005.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, ressaltando-se que deverão ser corrigidos os dados da DAA 2005. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 68 1 67 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13963.000464/200764 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.507 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria IRPF COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO Recorrente JOÃO DAL PONT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 REVISÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DADOS EQUIVOCADOS PRESTADOS PELA FONTE PAGADORA. Uma vez confirmado pelo conjunto probatório que a fonte pagadora prestou informações equivocadas concernentes aos rendimentos tributáveis e ao imposto de renda retido da pessoa física, cujos dados acabaram corrigidos pelo empregador após o lançamento fiscal, é cabível a retificação da declaração de ajuste anual do beneficiário, tendo em conta os valores corretos para o anocalendário, o que resulta, no caso dos autos, na improcedência da notificação fiscal que considerou haver dedução indevida do imposto de renda retido na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 04 64 /2 00 7- 64 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13963.000464/200764 Acórdão n.º 2401005.507 S2C4T1 Fl. 69 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, ressaltandose que deverão ser corrigidos os dados da DAA 2005. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13963.000464/200764 Acórdão n.º 2401005.507 S2C4T1 Fl. 70 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), através do Acórdão nº 0722.343, de 26/11/2010, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 23/25). 2. Em face do contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento nº 2005/609435078882056, relativa ao anocalendário de 2004, decorrente de procedimento de revisão interna de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte no importe original de R$ 6.278,77 (fls. 14/16). 2.1 O imposto está vinculado a rendimentos recebidos da pessoa jurídica Scremin & Cia, CNPJ 83.479.063/000108. 2.2 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto no valor de R$ 2.833,02, acrescido de juros e multa de mora. 3. A intimação da notificação, via postal, deuse no dia 09/07/2007, tendo o contribuinte impugnado a exigência fiscal em 01/08/2007 (fls. 01/02 e 18/19). 4. Cientificado em 14/04/2011, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 16/05/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, no sentido de que houve erro da fonte pagadora, porquanto recebeu no anocalendário de 2004 o montante de R$ 12.172,43, com imposto retido na fonte de R$ 39,95 (fls. 27/31 e 32/33). 5. Por meio da Resolução nº 2101000.137, de 14/08/2013, proferida pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência com a finalidade da juntada de cópias de declarações, assim especificadas (fls. 44/46): (...) Para esse fim, os autos devem ser encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC), para que junte aos autos (i) cópia da declaração anual de ajuste do recorrente, correspondente ao anocalendário 2004 e (ii) cópias das DIRF retificada e retificadora da empresa Scremin & Cia., referentes ao mesmo anocalendário 2004, de modo a permitir a identificação tanto do total dos rendimentos pagos ao recorrente, mês a mês, quanto o valor do imposto sobre a renda retido na fonte. (...) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13963.000464/200764 Acórdão n.º 2401005.507 S2C4T1 Fl. 71 4 6. A diligência foi executada, anexandose ao processo cópia da DAA/2005 apresentada pelo recorrente e cópias das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), entregues pela fonte pagadora Scremin & Cia, referentes ao anocalendário de 2004 (fls. 49/57). 7. Dado ciência do resultado da diligência fiscal, o contribuinte declarou a concordância com a retificação efetuada pela fonte pagadora, no tocante ao anocalendário de 2004, tendo em conta a Dirf apresentada em 16/05/2007 (fls. 62). 8. Por fim, levando em consideração que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 66/67). É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13963.000464/200764 Acórdão n.º 2401005.507 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Na DAA/2005, anocalendário de 2004, o contribuinte declarou como rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Scremin & Cia, CNPJ 83.479.063/0001 08, o montante equivalente a R$ 36.135,77, com imposto de renda retido na fonte de R$ 6.318,72. Ao fazer opção pela utilização do modelo de declaração de ajuste simplificada, apurou o valor de imposto a restituir igual a R$ 3.445,75 (fls. 51/54). 10.1 O total de rendimentos e retenção na fonte informado na DAA/2005 está compatível com os dados da Dirf entregue pela fonte pagadora em 23/02/2005 (fls. 57). 11. Entretanto, a fonte pagadora retificou os dados originalmente informados. Uma primeira vez, por meio da entrega de Dirf em 12/05/2006 (fls. 56). Posteriormente, foi apresentada uma outra Dirf retificadora, em 16/05/2007, na qual assinalou para o mesmo beneficiário, relativamente ao anocalendário de 2004, o pagamento de rendimento tributável equivalente a R$ 12.172,43 e imposto de renda retido na fonte de R$ 39,95, valores estes aceitos como verdadeiros pela pessoa física (fls. 55 e 62). 12. A aparência de veracidade dos dados da Dirf retificadora de 16/05/2007 é fortalecida pelo restante do conjunto probatório dos autos, ou seja, (i) declaração emitida pela fonte pagadora, em que afirma que incorreu em manifesto equívoco no preenchimento da Dirf original, (ii) cópia da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), (iii) cópias de recibos de pagamento de salários, (iv) cópia do termo de rescisão do contrato de trabalho, e (v) comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte, com data de 13/05/2011 (fls. 06/13 e 35). 13. Nesse cenário, forçoso reconhecer a improcedência da exigência fiscal de dedução indevida de imposto retido na fonte, visto que o equívoco nos dados atingiu não só o valor do imposto retido na fonte, como também o montante dos rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Scremin & Cia, cujo valor, por sinal, não restou alterado pela fiscalização após o procedimento de revisão da declaração da pessoa física. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13963.000464/200764 Acórdão n.º 2401005.507 S2C4T1 Fl. 73 6 14. Por esse motivo, a fim de privilegiar a verdade material e obstar o enriquecimento ilícito, também é necessária a retificação dos dados da declaração de ajuste anual da pessoa física, levando em consideração os valores corretos para o anocalendário de 2004. 14.1 Dessa feita, caberá à unidade da RFB responsável pela execução do acórdão proceder ao ajuste do total de rendimentos tributáveis e do imposto de renda retido na fonte, respectivamente, para R$ 12.172,43 e R$ 39,95. 15. Vale dizer que caso haja algum valor de imposto a restituir ao recorrente, relativamente ao anocalendário de 2004, estará limitado ao montante pago de R$ 39,95, e não ao valor de R$ 3.445,75, como pleiteado originalmente na declaração de ajuste anual pelo contribuinte. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a Notificação de Lançamento 2005/609435078882056, relativa ao anocalendário de 2004 (fls. 14/16). Nada obstante, os dados da DAA/2005, anocalendário de 2004, deverão ser corrigidos para constar como total de rendimentos tributáveis e imposto de renda retido na fonte, respectivamente, os valores de R$ 12.172,43 e R$ 39,95, pelas justificativas acima descritas. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912254/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.782
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 54 /2 01 2- 81 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912254/201281 Acórdão n.º 3201003.782 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.627, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912254/201281 Acórdão n.º 3201003.782 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912254/201281 Acórdão n.º 3201003.782 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912254/201281 Acórdão n.º 3201003.782 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003289/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 32 89 /2 00 5- 61 Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.763, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao terceiro trimestre de 2005. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 214/2008, às folhas 1811 a 1815, e Despacho Decisório, à folha 1816), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1819 a 1837, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento j á pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 4 3 residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações nao se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 5 4 sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.082, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2540 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 6 5 2) Inexiste saldo credor de crédito da Cofins vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação fls. 43/44 (R$ 44.366,40 – crédito de julho), 81/82 (R$ 31.969,90 crédito de agosto) e 118/119 (R$ 35.077,36 – crédito de setembro) protocoladas em 31/10/2005. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 7 6 parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 8 7 (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 9 8 A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 10 9 A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 10909.003289/200561 Acórdão n.º 3302005.568 S3C3T2 Fl. 11 10 A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 2632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920516/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/02/2006
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/02/2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803006.314, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 16 /2 00 9- 12 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 9303006.954 CSRFT3 Fl. 3 2 O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 9303006.954 CSRFT3 Fl. 4 3 No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 9303006.954 CSRFT3 Fl. 5 4 De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 9303006.954 CSRFT3 Fl. 6 5 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 9303006.954 CSRFT3 Fl. 7 6 em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004297/2004-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA.
Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
Numero da decisão: 9101-003.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 95 1 94 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.004297/200489 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.634 – 1ª Turma Sessão de 7 de junho de 2018 Matéria SIMPLES ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AUTMAQ COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA EPP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplicase a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 42 97 /2 00 4- 89 Fl. 95DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 39100.026, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a simples manutenção e reparo de equipamentos (empilhadeira, andaime, esteira, equipamentos de transporte industrial) não se insere dentre as atividades cujo exercício encontraria vedação ao ingresso no regime tributário do SIMPLES, por não guardar semelhança com os serviços de engenharia. O contribuinte foi excluído do SIMPLES através do ADE nº. 562.768, de 2/8/2004, por contemplar, dentre suas atividades sociais a "prestação de serviços de manutenção, instalação, desinstalação, conserto de máquinas e equipamentos de transporte industrial" (empilhadeira, andaime, esteira, equipamentos de transporte industrial). O contribuinte ingressou com Solicitação de Revisão da Execução da Opção pelo Simples, mas a Delegacia indeferiu seu pleito, ao argumento de que qualquer atividade relativa a reparo ou manutenção de máquinas e equipamentos está inserida na competência dos engenheiros, caracterizando a prestação de serviço profissional de engenharia ou assemelhados e de outras profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2002 Simples. A simples manutenção e reparo de equipamentos (empilhadeira, andaime, esteira, equipamentos de transporte industrial) não se insere dentre as atividades cujo exercício encontraria vedação ao ingresso no regime tributário do SIMPLES, por não guardar semelhança com os serviços de engenharia. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10875.004297/200489 Acórdão n.º 9101003.634 CSRFT1 Fl. 96 3 Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando que a atividade exercida pela contribuinte é de competência de engenheiro legalmente habilitado, e que, por isso, agiu com acerto a autoridade administrativa na origem. Além disso, a Fazenda também discute a aplicação retroativa de alteração na Lei 9.317/96, promovida pela Lei 11.051, que possibilitou a entrada no SIMPLES de empresas com atividade de manutenção de veículos e afins. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte não apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo importante o debate, notadamente em função da súmula CARF 57, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Avaliando as decisões que ampararam a edição da súmula em questão podemos encontrar a análise de situações fáticas de serviços de reparos e manutenção de bombas hidráulicas (Ac. 39300.054), máquinas e equipamentos industriais (Ac. 0306.233 e 39100.059), aparelhos e cabos telefônicos (Ac. 30134.653 e 30239.829), bem como de serviços de usinagem (Ac. 39300.021). Tendo em vista que aqui a análise paira sobre a possibilidade de manutenção no SIMPLES de sociedade que exercia a manutenção e reparo de equipamentos industriais (empilhadeira, andaime, esteira, equipamentos de transporte industrial) é possível compreender que a situação presente encontrase no âmbito daquelas analisadas para a edição da súmula. Ocorre que, nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Os paradigmas trazidos pela Fazenda tratam exatamente de situações onde atualmente se aplicaria a Súmula 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Fl. 97DF CARF MF 4 Logo, avaliando esse tema não conheço do Recurso da Fazenda. Com relação ao outro tema tratado no Recurso, vejo a perda de objeto, pela aplicação da súmula. Já que a Fazenda discute a irretroatividade de norma que veio a possibilitar a opção pelo SIMPLES de empresas com atividade de manutenção de veículos. Portanto, não conheço do Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720126/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
MATÉRIA CONCOMITANTE IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 1. In casu, a matéria referente ao direito de restituição de crédito de COFINS, relacionado à inconstitucionalidade de dispositivo de Lei, submetendo a sorte deste processo administrativo à mesma daquele processo judicial.
Numero da decisão: 3302-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 MATÉRIA CONCOMITANTE IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 1. In casu, a matéria referente ao direito de restituição de crédito de COFINS, relacionado à inconstitucionalidade de dispositivo de Lei, submetendo a sorte deste processo administrativo à mesma daquele processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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In casu, a matéria referente ao direito de restituição de crédito de COFINS, relacionado à inconstitucionalidade de dispositivo de Lei, submetendo a sorte deste processo administrativo à mesma daquele processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 26 /2 01 0- 71 Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao período de apuração de 01/10/2002 a 30/06/2002. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório da Resolução nº 3302000.506, conforme a seguir transcrito: "Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 15100.81499.020210.1.2.570346 (fls. 07/09), transmitido em 02/02/2010 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição do valor de R$ 24.740.423,76, decorrente da ação judicial nº 1999.35.00.0097380. Posteriormente foram apresentadas diversas declarações de compensação, utilizando o referido crédito. Às fls. 11 a 13 consta cópia do despacho que deferiu o pedido de habilitação correspondente. Às fls. 641 a 653 consta despacho decisório proferido pela DRF/Goiânia GO, indeferindo a restituição pleiteada e não homologando as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos: ∙ O crédito pleiteado abrange indébito da própria interessada, assim como da empresa por ela incorporada (Caramuru Alimentos de Milho Ltda), ambas admitidas como litisconsortes no Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0097380; ∙ O crédito engloba os pagamentos de PIS e Cofins correspondentes ao indevido alargamento da base de cálculo destas contribuições, previsto no art. 3º da Lei nº 9.718/98, tendo sido este dispositivo considerado inconstitucional naqueles autos judiciais, com trânsito em julgado em 26/08/2009; ∙ Após a habilitação do crédito por meio do processo administrativo nº 10120.012904/200911, a interessada transmitiu o PER em análise e um total de 32 DCOMP, conforme tabela; ∙ Intimada, a interessada apresentou planilhas discriminando as receitas brutas que não fazem parte do faturamento, mas que compuseram a base de cálculo do PIS e da Cofins do período entre fev/99 e jan/04, e cópias de balancetes deste período; ∙ Apresentou, ainda, documentos (notas e livros fiscais) justificando a divergência na receita tributável (diferença entre a receita bruta mensal informada na DIPJ e as demais receitas, informadas nas planilhas apresentadas) e no faturamento sujeito às contribuições; ∙ A DRF/GOI consultou a PFN, a fim de verificar se a interessada mantinhase como parte no Mandado de Segurança Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 4 3 nº 1999.35.00.0097380, ou se havia sido excluída, ante a decisão proferida em agravo de instrumento, transitada em julgado em 08/04/2003; ∙ Em resposta, a PFN concluiu que a questão processual foi decidida pelo Tribunal em sede de julgamento de Agravo de Instrumento, restando determinada no acórdão a exclusão das litisconsortes Caramuru Alimento de Milho Ltda e Caramuru Óleos Vegetais Ltda, entre outras, que haviam sido admitidas no feito pelo Juízo de 1º grau após a propositura e distribuição da demanda, tendo esta decisão transitado em julgado; ∙ Assim, constatouse questão preliminar relativa ao Agravo de Instrumento 2000.01.00.0033191, provido pelo TRF1 para inadmitir o litisconsórcio facultativo posterior, tal que a interessada e outras foram excluídas do Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0097380, conforme ementa transcrita; ∙ Considerando que a interessada consta no pólo ativo tanto das certidões narrativas, quanto na consulta à movimentação processual, optouse por questionar a PFN, a qual concluiu que "a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região resolveu questão processual na fase de saneamento do processo, inadmitindo o litisconsórcio ulterior que fora admitido pelo juiz de 1º grau na decisão de fls. 119 dos autos, determinando a exclusão das quatro litisconsortes acima mencionadas. A referida decisão transitou em julgado em 20/03/2003"; ∙ A PFN informou, ainda, que ocorreu a preclusão do direito de as impetrantes contestarem a decisão do TRF1; ∙ Assim, é inquestionável a inadmissão do litisconsórcio ulterior, que fora admitido pelo Juízo de 1º grau, restando excluídas do processo judicial as litisconsortes ulteriores, dentre elas a interessada; ∙ Sem integrar o pólo ativo, a interessada carece de qualquer direito decorrente do Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0097380, devendo ser indeferido o PER em análise, sem se adentrar no cálculo do suposto crédito, não se homologando, também, as compensações declaradas, dele decorrentes. Cientificado desta decisão em 18/03/2013 (fl. 670), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 15/04/2013 (fls. 687 a 703), alegando, em resumo, que: ∙ As compensações em questão, embora ainda não homologadas, não podem ser objeto de cobrança, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, devendo ser determinada a suspensão da exigibilidade dos valores compensados, até a decisão administrativa final; Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 5 4 ∙ A interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0097380, a fim de que fossem reconhecidas as inconstitucionalidades das modificações das bases de cálculo das contribuições, trazidas pela Lei nº 9.718/98; ∙ O referido processo transitou em julgado com decisão favorável, oportunizando à recorrente ingressar com processo administrativo para habilitação de seu direito creditório, devidamente deferida pela autoridade administrativa; ∙ Após a habilitação, a recorrente transmitiu o PER e as DCOMP em análise; ∙ O despacho decisório questionado afronta princípios jurídicos básicos, pois a recorrente não se resignará até que seu direito seja garantido; ∙ O entendimento de que a coisa julgada não beneficia a recorrente, em virtude de decisão proferida em sede de agravo de instrumento, não possui qualquer fundamento, vez que, com o julgamento da sentença, restou prejudicado o objeto do agravo; ∙ A decisão administrativa errou ao alegar que a decisão do TRF1, relativa ao agravo, teria validade, eis que tal agravo perdeu seu objeto quando do proferimento da sentença, favorável a todas as impetrantes, inclusive constando expressamente o nome da recorrente (Caramuru Alimentos de Milho Ltda e Caramuru Óleos Vegetais Ltda), eis que a sentença prevalece sobre as decisões anteriores; ∙ Citase jurisprudência judicial neste sentido; ∙ Fica prejudicado o agravo de instrumento interposto contra decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela quando se verifica a prolação de sentença de mérito, tanto de procedência, pois absorve os efeitos da medida antecipatória, por se tratar de decisão proferida em cognição exauriente, como de improcedência, pois há a revogação, expressa ou implícita, da decisão antecipatória; ∙ O próprio juiz do processo principal de conhecimento determinou o prazo de 10 dias para a União informar eventual efeito suspensivo conferido ao agravo; ∙ Como não houve tal informação no prazo, o agravo ficou sem efeito suspensivo, motivo pelo qual o processo principal foi para conclusão e o juiz proferiu a sentença favorável a todas as empresas, confirmando a liminar, inclusive constando expressamente o nome das citadas empresas, eis que a sentença prevalece sobre as decisões anteriores; ∙ Não tendo sido comunicada qualquer decisão do agravo de instrumento pelo TRF1, agiu corretamente o juiz ao manter seu entendimento pela sentença, que devolveria à União o prazo para questionar qualquer matéria de qualquer outro agravo que teria perdido o objeto em face da sentença final; Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 6 5 ∙ É pacífico em nosso ordenamento que a eficácia da sentença não pode subordinarse ao julgamento de agravo de instrumento interposto anteriormente, seja pela inadmissibilidade da sentença condicional, seja pela sua finalidade de resolver definitivamente o conflito de interesses; ∙ A sentença é a fixação dos exatos contornos da lide pelo juízo de primeiro grau, que encerra com este ato a prestação da tutela jurisdicional, devendo e podendo todo questionamento ser comprovado por recursos contra a sentença (embargos de declaração, apelação etc); ∙ Citase doutrina no mesmo sentido; ∙ A sentença foi oficiada ao TRF1 sem qualquer resposta deste órgão ou mesmo pedido e/ou chamamento à ordem da União; ∙ Assim, como a União não ingressou com nenhum embargo de declaração alegando qualquer outra decisão do TRF que pudesse suspender, chamar à ordem ou informar qualquer contradição na sentença ou decisão do TRF contrária à sentença, pois que é o agravo que tem que acompanhar o processo principal e não o inverso; ∙ Quando da interposição da apelação da União, a PGFN não aproveitou a oportunidade para informar qualquer decisão do TRF que poderia modificar a sentença; ∙ Além disso, toda matéria sobe de ofício ao Tribunal; ∙ No mérito da apelação a União também não recorreu contra a admissão do litisconsorte admitida/confirmada na sentença, apenas recorreu quanto ao mérito do reconhecimento da procedência da ação; ∙ Quando do reexame necessário o próprio TRF também não reformou e não limitou ou excluiu a recorrente ou qualquer uma das litisconsortes que foram expressamente beneficiadas pela sentença, independentemente da existência de decisão anterior contrária à sentença ou não, eis que a sentença prevalece sobre quaisquer questões anteriores pendentes, que perdem seu objeto, pois o juiz do processo principal nunca foi oficiado a tempo de qualquer decisão do TRF que pudesse alterar/modificar seu entendimento anterior; ∙ Resultado: a sentença foi integralmente confirmada pelo TRF, portanto, válida para todas as empresas nela mencionadas; ∙ Em resumo, pouco importa que o agravo tenha sido provido, pouco importa que a decisão do TRF tenha cassado a liminar ou inadmitido qualquer litisconsorte, pois a sentença confirmou a liminar, como também confirmou a admissão dos litisconsortes, prevalecendo sobre as decisões anteriores; ∙ Assim, a União teria que voltar a recorrer sobre qualquer questão com relação à sentença, quando da apelação, o que não foi feito, permanecendo incólume a sentença; Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 7 6 ∙ A própria União, em memorando que tratou sobre o alcance da coisa julgada em relação à impetrante Pinheiros Veículos Ltda, afirmou que não houve exclusão das litisconsortes da relação processual, conforme transcrição; ∙ Posteriormente, o litisconsórcio reconhecido na sentença foi expressamente confirmado em todas as certidões fornecidas pelo Judiciário, sem qualquer restrição a qualquer empresa, onde o Tribunal, em julgamento do recurso de apelação, não admitiu a exclusão das litisconsortes, independentemente de o pedido não constar na apelação da União, pois o reexame necessário foi de toda a matéria dos autos (principal e acessórios); ∙ Várias foram as outras decisões a favor da recorrente homologando a renúncia à execução judicial para fins de compensação na via administrativa, homologando a renúncia; ∙ Também decisão de embargos reconhecendo que a compensação da Caramuru se dará na via administrativa, e também decisão do juiz informando que tal “discussão acadêmica, que não interessa ninguém”; ∙ Conforme cópia em anexo, a recente decisão judicial, proferida nos mesmos autos, ratifica o litisconsórcio e ainda recomenda a provocação de manifestação perante a Corregedoria Geral da Receita Federal, em face da decisão administrativa da outra litisconsorte (Pinheiro’s Veículos Ltda, que ingressou nos autos juntamente com a recorrente), que alegou a inadmissibilidade do litisconsórcio, em desobediência à decisão judicial soberana a qualquer entendimento administrativo divergente; ∙ A decisão citada é o mesmo caso da presente situação, no mesmo processo judicial, não podendo a autoridade fiscal levantar questões já ultrapassadas e que perderam seu objeto, inclusive passando o prazo de possível ação rescisória; ∙ Além disso, está se tratando aqui da compensação de valores que tiveram indevidamente majoradas as bases de cálculo, conforme declarado pelo STF; ∙ Assim, caso tivesse razão a autoridade administrativa, estarse ia desprezando a coisa julgada efetiva, e também o entendimento consolidado do STF; ∙ Face ao exposto, requer o reconhecimento integral do crédito pleiteado, homologandose as compensações efetuadas, ou o retorno do processo à DRF para apuração dos cálculos; ∙ Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade dos valores compensados. No dia 07/08/2013 foi juntado por apensação a este processo, o Processo nº 10120.723979/201316, que trata do auto de infração de multa isolada por compensação indevida (art. 74 da Lei 9.430/96). Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 8 7 A 16a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão no 1262.139, de 12/12/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 AÇÃO JUDICIAL. LITISCONSÓRCIO ATIVO DEFERIDO APÓS A DISTRIBUIÇÃO DA AÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO PELO TRIBUNAL. Não pode ser autorizada a restituição ou homologada a compensação quando o direito creditório decorra de decisão judicial transitada em julgado, proferida em mandado de segurança do qual o contribuinte foi excluído por acórdão proferido em agravo de instrumento interposto contra a admissão do litisconsórcio posteriormente à distribuição da ação. Ciente desta decisão em 14/02/2014 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 17/03/2014, com Recurso Voluntário, no qual renova as alegações da manifestação de inconformidade." Distribuído o recurso voluntário interposto contra o acórdão da DRJ acima mencionado, seu julgamento ficou a cargo dessa 2ª Turma Ordinária, que em sessão realizada em 18 de março de 2015, observandose a possibilidade de existência de concomitância entre os objetos dos processos judiciais e o presente processo administrativo, resolveuse por converter o julgamento em diligência para: " 1) apurar se existe concomitância de objeto deste processo com o objeto das ações ordinárias 1456790.2013.4.01.3500, 1764847.2013.4.01.3500 e 2864560.2011.4.01.3500, juntando aos autos cópias das principais peças dessas ações judiciais, tais como petições iniciais, decisões interlocutórias, sentenças, recursos etc. 2) apurar se existe outra (ou outras) ação judicial impetrada pela Recorrente, além das três acima citadas, que trata da mesma matéria objeto do presente processo administrativo. Existindo, proceder conforme solicitado no item anterior; 3) preparar relatório conclusivo sobre a existência de concomitância de objeto entre o presente processo e processo judicial; 4) dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação." Baixado o processo, a diligência foi realizada pela Secat/DRF/GOI, cujas as conclusões foram expostas no despacho nº 1.296/2017 (efl. 3133), do qual se extrai o seguinte trecho: "12. Conforme observado pelo próprio Relator do acórdão da 2' Turma Ordinária da 3' Câmara do CARF, objeto da Resolução Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 9 8 n' 3302000.506 de 18/03/2015, a “lide posta neste processo diz respeito unicamente à integração ou não da Recorrente (e da empresa incorporada, Caramuru Alimentos de Milho Ltda) ao polo ativo do Mandado de Segurança n' 1999.35.00.0097380, na condição de litisconsorte ativo facultativo, beneficiandose ou não das decisões de mérito proferidas no referido writ”. 13. Pelo teor das petições iniciais, bem como das sentenças prolatadas, em relação às ações ordinárias 14567 90.2013.4.01.3500, 1764847.2013.4.01.3500 e 28645 60.2011.4.01.3500, verificase que a tese da recorrente (integração ao polo ativo do mandado de segurança n' 1999.35.00.0097380) defendida no presente recurso voluntário, também fora suscitada em todas as ações judiciais mencionadas. 14. Observase que o MM. Juiz da 3a. Vara Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás, ao prolatar as sentenças, pendentes ainda de confirmação pelo TRF da 1 a. Região, acolheu a tese defendida pela recorrente (Caramuru Alimentos S/A) de que esta teria sido beneficiada pela coisa julgada formada no mandado de segurança n' 1999.35.00.0097380, de modo que: a) ação ordinária 1456790.2013.4.01.3500: na Sentença de 27/09/2015, julgou procedente o pedido inicial, para determinar a anulação do auto de infração objeto do processo administrativo n' 10120.723979/201316, referente à multa isolada. O TRF da 1a. Região ainda não apreciou o recurso de apelação interposto pela União, em face dessa Sentença. b) ação ordinária 1764847.2013.4.01.3500: na Sentença de 02/12/2015, julgou procedente o pedido inicial, para reconhecer que a autora está sujeita aos efeitos da sentença proferida no mandado de segurança 1999.35.00.0097380 e anular o Despacho Decisório 235/2013, proferido no processo administrativo 10120.720126/201071, devendo a ré adentrar no cálculo do crédito oriundo de tal mandamus. O TRF da 1a. Região ainda não apreciou o recurso de apelação interposto pela União, em face dessa Sentença. c) ação ordinária 2864560.2011.4.01.3500: na Sentença de 23/09/2015, julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na inicial para determinar que a União, no prazo improrrogável de 60 (sessenta) dias, reexaminasse o PER 15100.81499.020210.1.2.570346. O TRF da 1a. Região ainda não apreciou o recurso de apelação interposto pela União, em face dessa Sentença. 15. São estas as observações sobre o objeto das supracitadas ações judiciais. 16. Procedemos à juntada ao presente processo administrativo das principais peças processuais relativas às ações ordinárias 1456790.2013.4.01.3500, 1764847.2013.4.01.3500, 28645 60.2011.4.01.3500 e 0889657.2011.4.01.3500, para as Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 10 9 conferências necessárias e para instruir o julgamento administrativo do presente recurso voluntário. 17. Embora haja evidências suficientes nesse sentido, deixo de pronunciar, conclusivamente, sobre a existência de concomitância de objeto entre o presente processo administrativo e os processos judiciais, de que poderia caracterizar renúncia às instâncias administrativas, por entender que se trata de atribuição do órgão julgador. 18. O presente Despacho será cientificado ao contribuinte, para manifestação, nos termos do art.35, §único do Decreto n' 7.574/11. Da informação fiscal que respondeu os questionamentos feitos na Resolução que determinou a diligência, a recorrente foi intimada na data de 04/10/2017, conforme comprovante de aviso de recebimento de efl. 3144, contudo não houve manifestação por parte desta a respeito das conclusões ali lançadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Podemos observar do relatório acima transcrito que a questão do presente processo cingise na possibilidade de haver concomitância entre as ações judiciais promovidas pela recorrente e o processo que aqui se propõe a discutir. Conforme observamos da informação fiscal trazida pela a DRF, em resposta à resolução que determinou a diligência com o objetivo de trazer ao processo documentos que pudessem ajudar em sua conclusão, em que pese não haver expressamente apontado a existência da concomitância, trouxe elementos incontestes da sua presença. Observemos trechos extraídos da sentença prolatada pelo MM. Juiz da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, no processo nº 1456790.2013.4.01.3500 (efl 1808/1826): (...) Desse modo, afastada a tese da União, que serviu de amparo à não homologação das compensações efetivadas pela autora (despacho decisório DRF/Goi nº 235, de 08/03/2013), de se concluir pela inaplicabilidade da multa isolada à demandante. Daí a procedência do pedido inicial. (...) Do exposto, julgo procedente o pedido inicial, na forma do art. 269, I, do CPC, para anular o auto de infração objeto do Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 11 10 processo administrativo nº 10120.723979/201316 (fls. 495/611), referente à multa isolada. (...) Apontase também trecho da sentença proferida novamente pelo MM. Juíz da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás, no processo nº 1764847.2013.4.01.3500 (efl. 2309): (...) Do exposto, julgo procedente o pedido inicia, na forma do art. 269, I, do CPC, para reconhecer que a autora está sujeita aos efeitos da sentença proferida no mandado de segurança nº 1999.35.00.0097380 e anular o despacho decisório nº 235/2013 DRF/GOI (fls 340/352) proferido no processo nº 10120.720126/201071. (...) Assim, não há como não reconhecer a concomitância entre os processos judiciais citados e o processo administrativo em análise, pois, como demonstrado, versam sobre a mesma matéria. Desta feita, temse que todas as matérias discutidas nos presentes autos foram também discutidas judicialmente. Neste sentido, de acordo com a Súmula nº 01 do CARF, tratase de clara questão de concomitância, em que prevalece a decisão judicial, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por todo o exposto, deixo de conhecer o recurso voluntário posto que as matérias discutidas foram objeto de decisão prolatada em caráter definitivo pelo judiciário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10120.720126/201071 Acórdão n.º 3302005.707 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 3156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001514/2003-06
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA
O exercício de atividade impeditiva à opção pelo Simples Federal, constante do Contrato Social e evidenciada por documentos constantes dos autos, não pode ser afastado por meras alegações. Lei nº 9.317/96, art. 9º, inciso XIII.
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROAÇÃO. APLICABILIDADE AO SIMPLES FEDERAL.
O SIMPLES FEDERAL e o SIMPLES NACIONAL são regimes distintos de tributação, com vigências distintas e aplicabilidades desconexas. Incabível a pretensão de retroagir os efeitos da Lei Complementar nº 123/2006 para revogar aplicação da Lei nº 9.317/96 em sua vigência.
Numero da decisão: 1003-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA O exercício de atividade impeditiva à opção pelo Simples Federal, constante do Contrato Social e evidenciada por documentos constantes dos autos, não pode ser afastado por meras alegações. Lei nº 9.317/96, art. 9º, inciso XIII. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROAÇÃO. APLICABILIDADE AO SIMPLES FEDERAL. O SIMPLES FEDERAL e o SIMPLES NACIONAL são regimes distintos de tributação, com vigências distintas e aplicabilidades desconexas. Incabível a pretensão de retroagir os efeitos da Lei Complementar nº 123/2006 para revogar aplicação da Lei nº 9.317/96 em sua vigência.
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ATIVIDADE IMPEDITIVA O exercício de atividade impeditiva à opção pelo Simples Federal, constante do Contrato Social e evidenciada por documentos constantes dos autos, não pode ser afastado por meras alegações. Lei nº 9.317/96, art. 9º, inciso XIII. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROAÇÃO. APLICABILIDADE AO SIMPLES FEDERAL. O SIMPLES FEDERAL e o SIMPLES NACIONAL são regimes distintos de tributação, com vigências distintas e aplicabilidades desconexas. Incabível a pretensão de retroagir os efeitos da Lei Complementar nº 123/2006 para revogar aplicação da Lei nº 9.317/96 em sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 14 /2 00 3- 06 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13971.001514/200306 Acórdão n.º 1003000.036 S1C0T3 Fl. 80 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de retroação da opção pelo Simples Federal no período compreendido entre os anos calendário 1999 a 2003, em razão de ter restado evidenciado o exercício, no referido período, pela contribuinte, com CNAE, à época, 7221400 Desenvolvimento e edição de software pronto para uso, de atividade econômica impeditiva, prestação de serviços de programador, analista de sistemas e assemelhados, conforme previsto no art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. A contribuinte já havia sido excluída do Simples Federal, pela mesma razão, a partir de 01/03/1999, mediante o Ato Declaratório Executivo ADE nº 105.773/1999, contra o qual relatou já ter apresentado manifestação de inconformidade julgada improcedente. A recorrente alega, em síntese: I Que não efetua serviço de programação e análise de sistemas, mas de processamento de dados, conforme consta de seu contrato social e de "documentação trazida aos autos"; II Que a Lei Complementar nº 123/2006, em seus art. 18, § 5ºD, incisos IV, V, VI, e art. 17, § 1º, incisos XXIII, XXIV e XXV deve retroagir, por não mais vedar a opção pelo Simples de empresas que exerçam as atividades de elaboração de programas de computadores, licenciamento ou cessão de uso de programas de computação e planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, conforme prescreve o art. 106, inciso II, alíneas "a", "b" e "c" do CTN, por deixar de considerar infração o que assim era considerado anteriormente; III Que eventuais créditos tributários decorrentes da referida exclusão do Simples estariam "prescritos". É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. I No que se refere à negativa de prestação de serviços de programação e análise de sistemas, conforme suficientemente tratado no Despacho Decisório e no acórdão de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13971.001514/200306 Acórdão n.º 1003000.036 S1C0T3 Fl. 81 3 primeira instância, consta na oitava alteração do contrato social da empresa (folhas. 09/12, numeração em papel), cláusula 3Q, que seu objeto social é a exploração do ramo de comercialização de sistemas para computadores, locação de sistemas de processamentos de dados, e na realidade a empresa desenvolve sistemas/software desde o ano de 1993, sendo esse o ramo empresarial que a própria recorrente descreve em seu sitio na internet (telas de folhas 31/38), tendo sido o exercício desta atividade a razão da exclusão do Simples Federal mediante o ADE 105.773/1999, contra o qual já havia apresentado manifestação de inconformidade julgada improcedente. Não há porque, portanto, tornar a julgar questão já decidida em outro processo administrativo, mormente diante das evidências mencionadas, e da ausência de comprovação em contrário. Cabe mencionar que, além do referido contrato, nenhuma outra documentação foi trazida aos autos. II Quanto à alegação de que os dispositivos da Lei Complementar nº 123/2006 que permitem a opção pelo Simples Nacional por empresas que exercem atividades que eram vedadas pela Lei nº 9.317/1996 para opção pelo Simples Federal, também conforme bem argumentado na decisão de primeira instância, devese observar que a Lei Complementar n° 123/2006 estabeleceu um novo sistema simplificado de tributação, com novos requisitos, os quais devem ser observados a partir da sua vigência. Desta forma, nas hipóteses em que havia vedação expressa de opção na Lei n° 9.317, de 1996, as situações devem se manter regidas pela legislação vigente à época. O art. 106, inciso II, alíneas "a", "b" e "c" do CTN, desta forma, não é aplicável, por se tratarem os dois sistemas de tributação, o Simples Federal e o Simples Nacional, de regimes absolutamente desconexos e independentes, sobretudo no que se refere à vigência, em que pesem as semelhanças de nomenclatura e aplicabilidade existentes. III Em relação ao argumento de que eventuais créditos tributários decorrentes da referida exclusão do Simples estariam "prescritos", devese observar que a discussão acerca de eventuais lançamentos tributários decorrentes de exclusão do Simples Federal devem ser tratados em processo administrativo de que constem os referidos lançamentos, o que não é o caso o presente processo. Aliás, sequer a referida exclusão do Simples Federal é objeto do presente processo, já que o ADE nº 105.773 não foi aqui discutido e nem poderia, por já ter sido objeto de decisões administrativas alheias aos presentes autos, que tratam apenas do pedido de retroação da opção pelo Simples Federal antes mencionado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.000007/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESAPROPRIAÇÃO AMIGÁVEL. INDENIZAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. ENUNCIADO Nº 42 DA SÚMULA CARF.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, ainda que esta tenha se dado na modalidade amigável.
Numero da decisão: 2201-004.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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INDENIZAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA. ENUNCIADO Nº 42 DA SÚMULA CARF. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, ainda que esta tenha se dado na modalidade amigável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 00 07 /2 00 6- 11 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 50/66) interposto em face do Acórdão nº 1328.109 da 2ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 43/48), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao Despacho Decisório nº 323, de 2007 (fls. 23/24), pelo qual a Delegacia da Receita Federal em Campos dos Goytacazes/RJ indeferiu pedido de restituição de imposto de renda, pago sobre ganho de capital auferido em alienação decorrente de indenização por desapropriação de imóvel realizada por município. O pedido de restituição foi indeferido com o fundamento de que a situação concreta não se enquadra nas regras de não incidência previstas no art. 120 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. No mesmo sentido, o Acórdão recorrido entendeu que a situação em questão não está abrangida pela imunidade tributária conferida pela Constituição Federal aos valores recebidos em função de desapropriação por reforma agrária, bem como que decisões judiciais e administrativas reconhecendo o benefício para situações isoladas não produziriam efeitos além das partes em litígio. A ciência da decisão de piso ocorreu em 25/05/2010 (fl. 49) e o recurso voluntário foi tempestivamente interposto em 24/06/2010 (fls. 50/66). Em sede recursal, o contribuinte alega, em síntese, que: 1. A desapropriação é caracterizada pela compulsoriedade e nela prepondera o interesse público sobre o privado. 2. A indenização deve ser justa, o que significa que corresponde ao valor do bem expropriado, portanto não há acréscimo ao patrimônio passível de tributação pelo imposto de renda. 3. O art. 27 do DecretoLei nº 3.365, de 1941, isenta do imposto de renda a quantia referente à indenização recebida. 4. Os tribunais superiores já assentaram o entendimento de que não é possível a incidência do imposto de renda sobre indenizações recebidas a título de desapropriação. 5. Estabelecida a nãoincidência do imposto de renda resta caracterizado o pagamento indevido, que dá margem à restituição pleiteada. Em nova manifestação juntadas às fls. 94/103, o contribuinte reforça seus argumentos invocando o enunciado nº 42 da Súmula CARF, transcrevendo jurisprudência deste Conselho e pedindo prioridade no julgamento em função do estatuto do idoso. É o que havia para ser relatado. Voto Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10725.000007/200611 Acórdão n.º 2201004.643 S2C2T1 Fl. 106 3 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Extraise da documentação acostada ao processo, que bem imóvel de propriedade do contribuinte foi desapropriado pelo município de Campos dos Goytacazes após ter sido declarado de utilidade pública por decreto municipal (escritura pública a fls. 7/12). A despeito do entendimento pessoal desta Conselheira, conforme foi destacado pelo recorrente, já existe enunciado de súmula deste Colegiado a respeito da incidência de imposto de renda sobre o ganho obtido em operação de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Entre os Acórdãos que serviram de paradigma para este enunciado, destaco o de nº 10615.476, de cuja fundamentação se extrai: Com a devida vênia às autoridades julgadoras de primeira instância e à autoridade lançadora, penso que essas exigências fiscais não podem ser mantidas, na medida em que os valores recebidos em razão da desapropriação apenas recompuseram o patrimônio do recorrente, tendo nítido caráter indenizatório e, portanto, não se sujeitando à incidência do imposto sobre a renda. A Constituição Federal, em seu artigo 5°, inciso XXIV, determina que a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição." (Grifei) Sendo assim, em razão da desapropriação, que consiste, basicamente, na perda da propriedade de um bem por ato unilateral do Estado, o expropriado tem direito a receber uma justa e prévia indenização em dinheiro. A indenização, fundamentalmente, equivale à reposição de capital em virtude da realização de um ato danoso que causou prejuízo ao patrimônio de alguém, sendo que os rendimentos recebidos em razão da desapropriação não representam acréscimo patrimonial ou ingresso de riqueza nova no patrimônio do contribuinte, que sequer possui capacidade contributiva para ser tributado por este fato. Nos termos do artigo 43 do CTN, acima transcrito, o imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, entendida como o produto do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, ou de outros acréscimos patrimoniais. Fl. 107DF CARF MF 4 No caso em tela, onde o recorrente recebeu a indenização pela desapropriação acrescida de juros moratórios, tenho como evidente que ocorre apenas uma mutação patrimonial, ou seja, o imóvel do particular, transferido de forma coativa para o poder público, foi objeto de recomposição financeira. Inexistiu riqueza nova ou renda, o patrimônio não recebeu nenhum acréscimo, não se podendo cogitar em fato gerador do imposto sobre a renda na espécie. A incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas em razão da desapropriação desnaturaria o principio constitucional da justa e prévia indenização em dinheiro, previsto no artigo 5°, inciso XXIV, da Constituição Federal de 1988 e, ainda, o conceito de acréscimo patrimonial do artigo 43 do CTN. Na hipótese em análise, entretanto, existe uma peculiaridade que deve ser enfrentada: ocorreu uma desapropriação amigável. A respeito desse instituto, em função de sua natureza didática, transcrevo trecho da fundamentação do Acórdão do Conselho Superior de Magistratura de São Paulo na Apelação Cível nº 000002136.2011.8.26.0213: A desapropriação é o procedimento administrativo identificado pela prática de uma série encadeada de atos preordenados à perda da propriedade, pelo particular, mediante transferência forçada de seus bens para o Poder Público, precedida, em regra, do pagamento de prévia e justa indenização em dinheiro. O despojamento compulsório da propriedade pelo Poder Público pode estar fundado a) em necessidade ou utilidade pública ou interesse social (artigo 5.º, XXIV, da CF), b) em descumprimento do Plano Diretor do Município – quando dispensada a prévia indenização e admitido o pagamento mediante títulos da dívida pública (artigo 182, § 4.º, III, da CF) , c) visar, à luz do descumprimento da função social do imóvel rural, à reforma agrária – hipótese em que autorizado o pagamento da indenização por meio de títulos da dívida agrária (artigo 184 da CF) , ou d) apoiarse na utilização criminosa dos bens, situação que desobriga o pagamento de indenização ao expropriado (artigo 243 da CF). A desapropriação, amigável ou judicial, concluída extrajudicialmente, na via administrativa, ou por meio de processo litigioso, com a intervenção do Poder Judiciário, revelase, sempre, um modo originário de aquisição da propriedade: inexiste um nexo causal entre o passado, o estado jurídico anterior, e a situação atual. A propriedade adquirida, com o aperfeiçoamento da desapropriação, libertase de seus vínculos anteriores, desatrelase dos títulos dominiais pretéritos, dos quais não deriva e com os quais não mantém ligação, tanto que não poderá ser reivindicada por terceiros e pelo expropriado (artigo 35 do Decretolei n.º 3.365/1941), salvo no caso de retrocessão. Tratase de entendimento compartilhado, além do mais, pela melhor doutrina: Miguel Maria de Serpa Lopes, Hely Lopes Meirelles, Celso Antonio Bandeira de Mello, Maria Sylvia Zanella di Pietro, Lucia Valle Figueiredo, Diogenes Gasparini, José Carlos de Moraes Salles e Marçal Justen Filho. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10725.000007/200611 Acórdão n.º 2201004.643 S2C2T1 Fl. 107 5 A propósito da desapropriação amigável, Diogenes Gasparini acentua: mesmo ela, na qual, igualmente, a transferência do domínio é imposta pelo Poder Público, a aquisição da propriedade é originária, “dado que o expropriante e o expropriado ajustam seus interesses apenas em relação à indenização, às condições de pagamento e à transferência da posse.” Na mesma linha, Celso Antonio Bandeira de Mello destaca a natureza compulsória da aquisição da propriedade realizada por meio da desapropriação, causa autônoma suficiente, por si só, para incorporação do bem expropriado ao patrimônio do Poder Público, apoiada na sua vontade, no seu poder de império, e no pagamento da indenização, malgrado encerrado o procedimento extrajudicialmente, com acordo. Enfim, ainda que a segunda fase do procedimento expropriatório bifásico, a executiva (a primeira fase é a declaratória), termine no âmbito administrativo, com a lavratura da escritura pública amigável de desapropriação, a ser registrada no Registro de Imóveis, a desapropriação, a despeito do acordo extrajudicial, não se desnatura, ou seja, não se transmuda em modo derivado de aquisição da propriedade. Consoante Marçal Justen Filho, “a concordância do particular não atribui natureza consensual à desapropriação,” que, assim – implicando supressão da propriedade privada por iniciativa estatal, para a qual indiferente a anuência do expropriado , “não se confunde com uma compra e venda”, ainda que haja “aquiescência no tocante ao valor da indenização.” Por sua vez, o Colendo Conselho Superior da Magistratura, por anos, acompanhou o posicionamento doutrinário exposto, sem fazer distinção, com relação ao modo de aquisição da propriedade, entre as desapropriações amigável e judicial. Conforme se extrai dos julgamentos da Apelação Cível n.º 9.461 0/9, no dia 30 de janeiro de 1989, relator Corregedor Geral da Justiça Milton Evaristo dos Santos, e da Apelação Cível n.º 12.9580/4, no dia 14 de outubro de 1991, relator Corregedor Geral da Justiça Onei Raphael, a desapropriação, mesmo a amigável, era compreendida, tal como a judicial, como modo originário de aquisição da propriedade. Todavia, com o julgamento da Apelação Cível n.º 83.0340/2, no dia 27 de dezembro de 2001, relator Corregedor Geral da Justiça Luís de Macedo, houve modificação da jurisprudência: passouse a entender que a desapropriação amigável, consumada na fase administrativa, é meio derivado de aquisição da propriedade, retratando um negócio jurídico bilateral, oneroso e consensual, instrumentalizado mediante escritura pública. Doravante, tal concepção do assunto prevaleceu – segundo demonstra, a título de exemplo, o julgamento da Apelação Cível n.º 396/0, em 18 de setembro de 2003, relator Corregedor Geral Fl. 109DF CARF MF 6 da Justiça Luiz Tâmbara , até um novo reexame da questão, recentemente promovido, por ocasião do julgamento da Apelação Cível n.º 990.10.415.0582, no dia 07 de julho de 2011, relator Corregedor Geral da Justiça Maurício Vidigal, quando restabelecido o anterior entendimento, a ser prestigiado, porque afirmado, em harmonia com o acima aduzido, que a desapropriação amigável, inclusive, é modo originário de aquisição da propriedade. Não sem razão, porquanto o acordo extrajudicial, elemento identificador da desapropriação amigável – espécie de expropriação também contemplada no artigo 10 do DecretoLei 3.365/1941 , versa, exclusivamente, convém insistir, sobre a indenização a ser desembolsada pelo expropriante: ou seja, a escritura pública amigável de desapropriação não é titulo translativo da propriedade. O despojamento da propriedade é coativo, mesmo na desapropriação amigável: inexiste, na desapropriação, em quaisquer de suas espécies, transferência consensual da propriedade para o Poder Público. A perda compulsória da propriedade, acompanhada de sua aquisição originária pelo expropriante, é resultante do procedimento administrativo desencadeado pelo Estado. O risco de fraude e a falta da garantia prevista para a desapropriação judicial, representada pela apuração da regularidade dominial como condição para o levantamento da indenização (artigo 34 do DecretoLei n.º 3.365/1941), não justificam a desvirtuação da natureza da desapropriação, ainda que amigável. Ao terceiro prejudicado, restará a subrogação de seus supostos direitos na indenização desembolsada pelo ente expropriante (artigo 31 do DecretoLei n.º 3.365/1941) ou, inviabilizada esta, perseguir, judicialmente, o reconhecimento de eventual responsabilidade do Estado. Dentro do contexto exposto – reconhecido o modo originário de aquisição da propriedade pelo Poder Público, precedida da perda compulsória do bem pelo particular , a observação do princípio registral da continuidade é prescindível, ainda mais diante da regra emergente do artigo 35 do DecretoLei n.º 3.365/1941. Segundo foi destacado por esse texto, o art. 10 do Decreto nº 3.365, de 1941, prevê a efetivação da expropriação mediante acordo, metodologia que não desnatura a operação como forma originária de aquisição da propriedade. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10725.000007/200611 Acórdão n.º 2201004.643 S2C2T1 Fl. 108 7 Fl. 111DF CARF MF
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