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Numero do processo: 10675.005082/2004-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Perícia. Indeferimento.
Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Restituição Do Indébito Tributário. Prova. Ônus.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Numero da decisão: 1801-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Perícia. Indeferimento. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Restituição Do Indébito Tributário. Prova. Ônus. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
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PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, somente para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 50 82 /2 00 4- 31 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0921.688/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 378 a 397, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) relacionados nas fls. 159/160 – (fls. 01 a 06, 28 a 33, 102 a 132, 133 a 136, 137 a 140). Aproveito trechos do Despacho Decisório Denegatório, fls. 159 a 160vº, para historiar os fatos: “A empresa Uberlândia Caminhões e Ônibus Ltda. enviou, em 27/11/2004, via internet, a Declaração de Compensação (DCOMP) n° 36045.50998.271104.1.3.02 0747 onde declarou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a compensação dos débitos abaixo listados com saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2001 (DIPJ/2001), anocalendário/2000. [...] Posteriormente, enviou a DCOMP' retificadora n° 00959.18133.290307.1.7.023922 (fls. 28 a 33) compensando os mesmos débitos, mas alterando o exercício do saldo negativo de IRPJ para 2000 e demonstrando o crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1999. Finalmente foram enviadas as DCOMP's abaixo utilizando também o. crédito do saldo negativo de IRPJ, anocalendário/1999. [...] Preliminarmente, cumpre verificar que, em 31/12/2004, já havia decaído o direito da empresa à restituição/compensação de valores porventura apurados no ano calendário de 1999 a título de saldo negativo de IRPJ. [...] Desta. forma, para as DCOMP's enviadas à partir de 01/01/2005 e que encontramse abaixo listadas, não há crédito a ser utilizado nas compensações, devendo as mesmas serem NÃO HOMOLOGADAS e todos os débitos serem cobrados com os devidos acréscimos legais. Declaração de Compensação Data da compensação 23748.7948.100806.1.7.02 6848 (retifícadora) 30/05/2006 (original) 13084.92031.201006.1.7.02 14/07/2006 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.005082/200431 Acórdão n.º 1801001.838 S1TE01 Fl. 3 3 0207 (retificadora) (original) 02314.39100.281206.1.3.02 8565 28/12/2006 A análise quanto ao crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário/1999, fica restrita somente à utilização do mesmo na DCOMP retificadora n° 00959.18133.290307.1.7.023922 que substituiu a original enviada em 27/11/2004. Conforme verificado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2000 (DIP J/2000) encaminhada à RFB (fls. 34 e 35), a empresa apurou em 31/12/1999 um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 186.699,45. . O saldo negativo de IRPJ na DIP J/2000 tevê origem no excesso de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de pagamentos de estimativa mensal de IRPJ em relação ao IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999. A estimativa. IRPJ de junho/1999 foi liquidada por compensação espontânea (sem processo) com saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1994 e 1995 (fls. 35, 48 a 101). [...] Por todo o exposto, verificase que pode ser reconhecido em favor da Uberlândia Caminhões e Ônibus Ltda., CNPJ: 25.757.972/000156, o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1999 no valor de R$ 186.699,45 (cento e oitenta e seis mil, seiscentos e noventa e nove reais, quarenta e cinco centavos). Entretanto, o contribuinte utilizou todo o saldo negativo de IRPJ, ano calendário/1999, em compensações espontâneas para liquidar as estimativas IRPJ de fevereiro,março, maio, agosto a outubro e dezembro/2000 (fls. 144 a 153). Assim sendo, não restou crédito para liquidar as compensações objeto da DCOMP retificadora n° 00959.18133.290307.1.7.023922, devendo a mesma ser NÃO HOMOLOGADA.. [...]” A Segunda Turma de julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG assim ementou o acórdão ora recorrido: DECADÊNCIA: O direito de pleitear restituição extinguese em 05 anos conforme artigo 168 CTN. COMPENSAÇÃO: Na vigência da IN SRF 21/1997, não se exigia que fosse formulado pedido para compensação entre tributos e contribuições da mesma espécie. O controle era efetuado por meio das DCTF's. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 384 a 399, argumentando, em síntese, que não está prescrito o seu direito à restituição do indébito tributário e que, com relação à argumentação de haver esgotado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, nas estimativas de IRPJ de fevereiro, março, maio, agosto a outubro e dezembro de 2000, não foi o que efetivamente ocorreu, pois quitou apenas as estimativas de agosto e setembro de 2000, nos valores de R$ 61.982,77 e 11.147,49, respectivamente. As demais estimativas foram pagas com saldos negativos de anos anteriores (1995, 1996, 1997, 1998) e IRRF dos próprios meses de 2000. Confessa que errou ao 1 AR – 22/12/08, fls. 383; Recurso – 19/01/09, fls. 384 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 preencher as DCTF à época, não sendo então necessário a formalização de pedido de compensação, mas que em 27/11/2004 veio a requerer que o saldo remanescente do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1999 fosse restituído e compensado com os débitos informados nos Per/Dcomp em questão. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Da Preliminar – Prescrição dos Per/Dcomp Cumpre, primeiramente, identificar os Per/Dcomp objetos deste processo. Consoante corretamente assinalado no Despacho Decisório de fls. 159 a 160, vº, o Per/Dcomp protocolizado em 27/11/2004, ainda que posteriormente retificado, de fls. 01 a 06 (original) e 28 a 33 (retificador) não está prescrito e deve ser analisado quanto ao mérito. Todavia, os Per/Dcomp juntados às fls. 102 a 132, 133 a 136 e 137 a 140, cujas datas de emissão (dos originas) foram 03/05/06, 14/07/06 e 28/12/06, respectivamente, estão, com efeito, prescritos, pois tem como objeto o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, mas foi o crédito pleiteado em prazo superior a cinco anos. Nestes casos, a tese dos dez anos, cinco mais cinco, defendida pelo Superior Tribunal de Justiça, adotada por este órgão julgador de segunda instância administrativa, não socorre à recorrente. A decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.005082/200431 Acórdão n.º 1801001.838 S1TE01 Fl. 4 5 fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Destarte, a prescrição qüinqüenal não alcança a situação dos contribuintes que protocolizaram os pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, até 09 de junho de 2005 (destaquei), restando decidido o cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador. A questão encontrase definitivamente julgada. A recorrente emitiu os Per/Dcomp acima referenciados após a data de junho de 2005, pleiteando saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, repito, razão pela qual estes pedidos continuam se submetendo ao prazo qüinqüenal e devem ser declarados prescritos, conforme julgado da Corte Suprema ora transcrito. II) Do Mérito – Per/Dcomp protocolizado em 27/11/04 (fls. 01 a 06 e 28 a 33) No que respeita o Per/Dcomp cuja prescrição não alcançou, cabe analisar as razões da recorrente. A recorrente defende que não utilizou por inteiro o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999, para compensar as estimativas do anocalendário de 2000, conforme alegado pela autoridade administrativa a quo Defende que utilizou o valor de R$ 70.269,49, restando o saldo de R$ 116.429,96 passível de utilização em compensações futuras e que eventual erro de informação nas DCTF à época entregues não podem subtrair o seu direito. Requer perícia/diligência para a busca da verdade material e reitera os quesitos já veiculados na manifestação de inconformidade previamente apresentada. Argumenta que não consta dos autos prova – DCTF – de que compensou todas as estimativas do anocalendário de 2000 com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999. No entanto, verificase às fls. 150 a 153 as cópias das DCTF relativas às informações de compensações de estimativas do ano de 2000 com o saldo negativo de IRPJ/00 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (ac 1999), relativas aos meses de fevereiro, março, maio, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2000, exaurindo, de fato, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Constato que a recorrente não trouxe aos autos cópias dos registros contábeis, escriturados à época, para comprovar o que alega, em contraposição ao informado nas referidas DCTF espontaneamente entregues e não retificadas posteriormente. O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] O pedido de diligência/perícia pode ser indeferido pela Turma Julgadora de primeira instância em face à ausência de qualquer prova que caberia à recorrente apresentar quanto ao direito pleiteado, mas não provado. Entendo que a recorrente não apresenta qualquer prova que justifique a realização de diligência, e que este ônus é seu e não da Administração Tributária. Por todo o exposto, voto em indeferir o pedido de diligência/perícia contábil, em preliminar, manter a prescrição consoante declarada e, no mérito, quanto ao per/Dcomp não prescrito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 433DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11046.002067/2008-34
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 01/01/1999
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE DESCRIÇÃO DO TIPO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFERIR A OCORRÊNCIA DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS GERADORES. VIOLAÇÃO A DETERMINAÇÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 01/01/1999 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE DESCRIÇÃO DO TIPO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFERIR A OCORRÊNCIA DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS GERADORES. VIOLAÇÃO A DETERMINAÇÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 6. 00 20 67 /2 00 8- 34 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 519 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 520 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 35.079.2003, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte, decorrente da remuneração paga, devida ou creditados em razão da responsabilidade solidária na cessão de mão de obra, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 39 a 42. O sujeito passivo foi cientificado da notificação, em 02/02/2000, conforme – Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 49 a 62, recebida, em 15/02/2000, a qual foi acompanhada do documento, de fls. 63 a 275. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 276 e 277. O Serviços de Análise de Defesas e Recursos baixou os autos em diligência, fls. 278 e 279. A diligência foi atendida pelo despacho, de fls. 281. A primeira instância exarou a DecisãoNotificação DN nº 04.401.4/0275/2001, em 30/10/2001, fls. 298 a 309, no qual o lançamento foi considerado procedente em parte, devido a exclusão da rubricas terceiros, nos termos do Parecer CJ/MPAS Nº 1.710/1999. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 27/05/2002, AR, de fls. 325. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 328, com razões recursais, as fls. 329 a 346, recebida, em 11/06/2002, acompanhado dos documentos, de fls. 347 a 375,. As teses recursais não foram resumidas, o que explicará no voto. O recurso foi considerado deserto em razão da ausência de depósito recursal, fls. 377, tendo sido sugerido sua remessa à procuradoria, para inscrição em dívida ativa. A empresa foi cientificada desta decisão, fls.384. A D. Procuradoria Federal do INSS iniciou as atividades da fase de execução com a inscrição em dívida ativa e demais procedimentos, fls. 386 a 411. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 467, bem como determinou o retorno dos autos ao SERDA para cancelamento da inscrição em dívida ativa e exame da admissibilidade do recurso, em razão de decisão judicial favorável ao contribuinte em MS. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 521 4 Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 517. É o Relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 522 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Ao proceder a leitura dos autos e a análise de suas peças verifiquei que falta ao mesmo os elementos básicos a compreensão do que lançado no presente crédito, observese as inadequações verificadas. O lançamento segundo consta é decorrente da responsabilidade solidária com cessão de mão de obra, antes do advento da Lei 9.711/98. Todavia, não consta dos autos qual o tipo de serviço foi contratado e que era executado, pois como é cediço nem todo tipo de serviço executado por terceiros exige a cessão de mão de obra. No item 6 do REFISC, de fls. 39 a 42, o fiscal diz o que se transcreve. 6. ELEMENTOS ANALISADOS: Notas Fiscais de Prestação de Serviços Contratos de Prestação de Serviços No entanto, não só não esclarece o tipo de serviço objeto da cessão de mão de obra, como não junta aos autos cópia do contrato de prestação de serviços ou das notas fiscais/faturas examinadas, apenas mencionado os documentos. Chegase a conclusão pela leitura da Impugnação e do Recurso Voluntário do contribuinte que os serviços podem estar relacionados com a construção civil, haja vista que este cita nas mencionadas peças, diversas jurisprudências e até mesmo súmulas sobre a responsabilidade solidária na construção civil, mas nem, assim, se pode ter certeza do tipo de serviço contratado e prestado, que ensejaria a cessão de mão de obra. Além do mais, a prova do fato constitutivo do direito cabe ao fisco produzir, artigo 333, I, da Lei 5.869/73 c/c 37, caput, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, onde estes dois últimos exigem a descrição clara e precisa do fato gerador da contribuição. Aliás, a Ordem de Serviço INSS/DAF Nº 176/1997 em seu item um e dois, abaixo transcritos, deixam evidente como se dá a cessão de mão de obra, observese as disposições. I CONCEITOS 1 CESSÃO DE MÃODEOBRA: é a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com as atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 523 6 II SOLIDARIEDADE 2 A empresa tomadora de serviço mediante cessão de mãode obra responde solidariamente com a empresa prestadora pelas obrigações previdenciárias decorrentes da mãodeobra colocada à sua disposição, admitida a retenção das importâncias devidas para a garantia do cumprimento dessas obrigações. Destarte, com os esclarecimentos acima não vislumbo na notificação em tela os elementos mínimos ensejadores da demonstração clara e precisa da ocorrência dos fatos geradores, bem como da matéria tributável, o artigo 142, da Lei 5.172/66 não resta atendido. Com esses esclarecimentos devido a falta de precisão e clareza na descrição dos fatos geradores, reconheço a improcedência da notificação. Esta é a razão pela qual não sumariei as razões recursais. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento, decretando a improcedência da notificação, uma vez que o fato gerador da contribuição, cessão de mão de obra não ficou devidamente configurado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Declaração de Voto Conselheiro Oséas Coimbra Jr Sr Presidente, No relatório fiscal de fatos geradores, o auditor autuante elenca todas as notas fiscais de serviço consideradas, com número, data, valor, oferecendo assim todas as informações pertinentes ao contribuinte. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 524 7 O recorrente efetivamente demonstra que teve todas as informações pertinentes, tanto que NÃO CONTESTA A LEGALIDADE DAS RETENÇÕES em razão da natureza dos serviços prestados, tornando o fato incontroverso, na linha do art. 17 do decreto 70.235/72, que reproduzo. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Devem ser disponibilizadas ao contribuinte as razões da autuação e este irá decidir os pontos com os quais concorda ou não. Acerca do que não há concordância, apresentase o respectivo recurso. A falta de manifestação do contribuinte sobre fatos que constam no relatório fiscal, demonstra matéria incontroversa, não disponibilizada ao contencioso, conforme art. 14 do decreto 70.235/72, resultando no trânsito em julgado administrativo, nessa parte. Toda a linha de defesa apresentada diz respeito ao fato de que a fiscalização federal deveria, antes de autuar a recorrente, fiscalizar a prestadora dos serviços, tese afastada pela DRJ. Trazer agora, em fase recursal, tema nunca suscitado – natureza dos serviços prestados, vai de encontro com a jurisprudência deste Colegiado, posto que constitui, ao mesmo tempo, supressão de instância, e inovação, de ofício, na matéria posta em litígio. Cabe a parte demonstrar sua irresignação e delimitar a lide. Uma vez determinados os pontos controversos, sobre esses se inicia o contencioso. Ad argumentandum tantum, caso a natureza dos serviços prestados tivessem sido suscitadas em sua defesa, e o julgador de primeiro grau assim entendesse, poderia suscitar diligências para esclarecer fatos obscuros, o que não ocorreu pois tal matéria não criou questão controversa a ser dirimida. Ao se debruçar, de ofício, sobre fato incontroverso, não impugnado seja na defesa, seja no recurso interposto, matéria preclusa portanto, vislumbramos infração não só a lei, como também a assentada jurisprudência deste Conselho, senão vejamos. (...) MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Processo nº. : 13808.000955/200293 Recurso nº.: 156.154. Sessão de: 12 de setembro de 2007. NORMAS PROCESSUAIS MATÉRIA NÃO ABORDADA NA FASE IMPUGNATÓRIA PRECLUSÃO – À inteligência do art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, considerase preclusa, na fase recursal, matéria não questionada na fase impugnatória e não Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 525 8 tratada na decisão recorrida.(...) Acórdão n° 10248.152. Processo 11080.001460/200541. Sessão de 25 de janeiro de 2007 MATÉRIA PRECLUSA O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase lítígíosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição ímpugnatíva inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com o tributação do valor omitido, sendo "extra petíta" a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Primeira Turma/ ACÓRDÃO n.° CSRF/01 03.351 de 17/04/2001, publicado no D.O.U de 28/09/2001) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao Conselho de Contribuintes apreciála (Decreto no 70.235/72, art. 17, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97). Processo nº. : 10280.004214/200280 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Processo nº. 35464.002340/200604 MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Processo nº. : 15374.004371/200189 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não contestada pelo sujeito passivo está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo tornase consolidado. Processo nº. : 11516.001652/200591 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 526 9 RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – é preclusa a discussão em sede recursal de matéria para a qual não houve impugnação, tendo como efeito a constituição definitiva do crédito tributário no âmbito administrativo. Processo nº. : 10980.008007/200398 MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerase incontroversa a matéria objeto de recurso, quando não impugnada em primeiro grau. Processo nº. : 10540.000616/200388 Nessa linha, citamos precedente do Supremo Tribunal: RMS N. 28.456DF RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS. APLICAÇÃO DE VINTE POR CENTO DA RECEITA BRUTA EM GRATUIDADE. EXIGÊNCIA DOS DECRETOS N. 752/1993 E 2.536/1998 E DA RESOLUÇÃO MPAS/CNAS N. 46/1994. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA NÃO PROVIDO. 1. Argumentos novos, suscitados apenas no recurso ordinário e que, portanto, não foram objeto do acórdão recorrido, não podem ser analisados, sob pena de ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição. 2. O Decreto n. 2.536/1998 e a Resolução MPAS/CNAS n. 46/1994 são regulamentos autorizados pelas Leis n. 8.742/1993 e 8.909/1994. (...) Por fim, Supremo Tribunal Federal, AC 112/RN, excertos do voto do Relator, Min. Cezar Peluso. O art. 515, caput, do CPC, consagra o conhecido princípio "tantum devolutum quantum appellatum", ao prescrever que "a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada". Tal norma governa a determinação dos chamados limites horizontais do efeito devolutivo operado pela interposição do recurso, que se volta e limita exclusivamente aos capítulos do ato decísórto impugnados pelo recorrente. A tais limites cingese a atividade cognitiva do tribunal ad quem, ao qual não é lícito pronunciarse sobre os capítulos da sentença cuja cognição lhe não tenha sido expressamente devolvida por obra do recurso." Em termos práticos, o interessado pode, ou não, no recurso, impugnar todos os capítulos da sentença, e, se os não impugna todos (recurso parcial), só os impugnados são devolvidos ou submetidos à cognição do órgão ad quem. É o alcance manifesto da regra. (...) não é nem nunca foi lícito ao órgão ad quem apreciar questão relativa a capítulo decisório com o qual se tenha conformado o recorrente! grifamos Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11046.002067/200834 Acórdão n.º 2803002.828 S2TE03 Fl. 527 10 São essas as considerações que gostaria de trazer ao voto proferido. (Assinado digitalmente). Conselheiro Oséas Coimbra Jr Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assin ado digitalmente em 20/12/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 12893.000226/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1005 a 31/12/2005
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO.
Não se aplica, para apuração do insumo de PIS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.637/02, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
Não gera direito a crédito o custo com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, pós fase de produção.
INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS.
A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO AGRO-INDUSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de produtos químicos, vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva; (ii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao crédito nas aquisições de adubos e fertilizantes, vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iii) por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito das despesas de fretes de produtos acabados, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quanto às demais matérias. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Fabíola Cassiano Keramidas
Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. Não se aplica, para apuração do insumo de PIS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.637/02, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. Não gera direito a crédito o custo com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, pós fase de produção. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 02 26 /2 00 7- 67 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 196 2 DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de produtos químicos, vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva; (ii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao crédito nas aquisições de adubos e fertilizantes, vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iii) por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito das despesas de fretes de produtos acabados, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quanto às demais matérias. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Relatora (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 197 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS apurados pela sistemática não cumulativa, referente ao período de apuração do 4o trimestre de 2005, no valor de R$ 2.491.712,92 . Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “A Verificação fiscal efetuada junto ao interessado, fls. 70/82, constatou irregularidades na apuração do crédito passível de compensação e efetuou glosas referentes a créditos dos seguintes itens: a) Produtos químicos — constatou que o interessado incluiu na apuração de créditos produtos usados para limpeza, higienização e sanitização das instalações industriais, tubulações, centrifugas e tanques, ou seja, produtos que não entram em contato direto com o produto e, portanto, não podem ser considerados como insumos sujeitos ao creditamento do PIS. b) Fretes sobre compras — Nos termos da Solução de Divergência COSIT n° 11, de 27/09/2007, as despesas de frete sobre aquisições de matériasprimas não são consideradas como insumos por falta de previsão legal. c) Crédito Presumido da Agroindústria — efetuou a glosa dos valores pagos à pessoas fisicas, a titulo de fretes, por falta de previsão legal. Tais valores integraram a base de cálculo para apuração do crédito presumido. A partir das glosas efetuadas nos itens acima e de acordo com a planilha de fls. 81, apurouse o creditamento indevido do PIS no valor de R$ 123.777,52. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara, através do Despacho Decisório de fls. 115/116 acatou as conclusões da verificação fiscal, e ressaltou que a partir de agosto de 2004, passouse a subtrair o "Crédito Presumido /Atividades Agroindustriais" do saldo final passível de compensação. Efetuou a correção do ajuste sos saldos iniciais e finais e reconheceu o direito creditório do interessado ao valor de R$ 1.233.722,76, conforme tabela de fls. 115, verso. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 121/134, onde faz longa exposição sobre a instituição do regime de nãocumulatividade do PIS e da Cofins, destacando as diferenças entre estes e o do aplicado ao IPI e ICMS, relativamente ao conceito de insumos. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 198 4 Ressalta que a legislação do IRPJ é a fonte mais segura para a definição dos gastos que geram crédito para compensar com a receita, concluindo que todos os custos e despesas que contribuem para a formação das receita tem que gerar crédito para a apuração do PIS não cumulativo. Requer a reforma do Despacho Decisório , para que o pedido de ressarcimento seja analisado sob tal premissa, vindo da Constituição Federal. Referente às glosas efetuadas, com base nas premissas acima, afirma que os produtos químicos empregados nas instalações industriais, nas máquinas, nas linhas de produção, para limpeza, manutenção, tratamento de afluentes, são todos gastos incorridos para viabilizar a obtenção de receita, assim como os gastos com fretes. Sobre os fretes, transcreve ementas de Soluções de Consulta, de 2006, que destacam que os serviços de frete realizados por pessoa jurídica poderão ser descontados do PIS e da COFINS. Também contesta a glosa referente ao frete, contida no crédito presumido da agroindústria. Quanto às despesas de depreciação e exaustão, simplesmente alega que respeitaram os limites legais e tem origem válida nos bens a que se referiram. Alega, ainda, que a fiscalização glosou parte do crédito presumido e, posteriormente, no Despacho Decisório , foi glosado todo o crédito presumido. Assim, há duplicidade das glosas efetuadas nesse item. Requer a acolhida da manifestação de inconformidade, a reforma do Despacho Decisório para que sejam canceladas as glosas promovidas e o deferimento total do pedido.” Registrase que, a despeito de não ter sido mencionado no relatório acima referido, as autoridades administrativas proferiram dois despachos decisórios, sendo o segundo dito “complementar” responsável pela retificação, para menor, do crédito tributário anteriormente deferido. A redução ocorreu em razão de as autoridades administrativas aplicarem ao caso o Ato Declaratório Interpretativo no 15/05, que não permite o ressarcimento de crédito presumido de PIS e Cofins vinculado à atividade agroindustrial. Entretanto, a impugnação não discutiu a legalidade do tal “Despacho Complementar” ou de seus efeitos, tornando esta matéria incontroversa. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente em sua impugnação, a 1a Turma da DRJ/RPO, proferiu o acórdão no 1435.439 (fls. 140/146 – dig. 146/152), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2005 a 31/12/2005 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 199 5 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. O custo do transporte (frete) pago a pessoa jurídica domiciliada no Pais, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa do PIS/Pasep. DUPLICIDADE DE GLOSAS. COMPROVAÇÃO. CORREÇÃO. Comprovada a ocorrência de duplicidade de glosas em créditos do interessado, é de se efetuar a correção dos cálculos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Em resumo, os julgadores de primeira instância administrativa reconheceram o direito da Recorrente ao crédito relativo aos fretes na aquisição de insumos e referente à duplicidade de glosas a titulo de crédito presumido da agroindústria. Irresignada, a Recorrente entendeu por bem apresentar recurso voluntário (fls. 160/186), por meio do qual reiterou os termos de sua impugnação, defendendo a identidade entre o conceito utilizado pelo Imposto de Renda (custos e despesas) e o crédito da sistemática não cumulativa do PIS e COFINS; e a impossibilidade de aplicação da restrição trazida pela ADI 15/05 no que se refere ao crédito resumido da agroindústria, argumentando, também, que ao impossibilitar o ressarcimento deste tipo de crédito estáse ferindo direitos constitucionais (não surpresa/adquirido). Ainda, alegou, em sede de preliminar, a nulidade da decisão da DRJ em razão desta não ter analisado os argumentos referentes à sistemática de apuração de créditos no sistema do PIS e COFINS não cumulativo. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 200 6 Voto Vencido O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito apurado na sistemática não cumulativa do PIS, sendo que as matérias ainda em discussão podem ser assim resumidas: (i) em sede de preliminar – a nulidade da decisão recorrida em razão de supostamente não ter analisado determinados argumentos; (ii) no mérito – a glosa indevida de créditos. Passo a análise dos pontos em discussão. (i) Da Nulidade da Decisão A primeira alegação da Recorrente referese à suposta nulidade da decisão recorrida. Argumenta a Recorrente em sua defesa que as autoridades administrativas deixaram de analisar seus argumentos acerca da dissociação dos sistema não cumulativo de PIS e COFINS com aquele aplicável ao IPI e ICMS. A ausência de análise desta premissa teria, a seu ver, levado à glosa dos créditos tributários pleiteados. Sem razão a Recorrente. As autoridades julgadoras não precisam analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para proferir uma determinada decisão se o quanto analisado foi suficiente para a formação da convicção. Fato é que a decisão deixa claro que, no que se refere ao conceito de insumos, a linha adotada pelos julgadores apresentase em concordância com aquela externada pela fiscalização1 (mesmo critério utilizado para o sistema do IPI e ICMS). Da mesma forma, a v. decisão recorrida demonstra, nos itens seguintes, que está procedendo à análise da legislação específica, o que, inclusive, gerou a concessão do crédito relativo ao frete sobre insumos, que havia sido negado pela fiscalização. Assim, não procede o pleito da Recorrente neste particular, inexistindo,a meu ver, a alegada nulidade de decisão de primeira instância. (ii) Da Glosa “Indevida” dos Créditos Em relação aos créditos pleiteados a título de COFINS não cumulativo, aos itens glosados pela fiscalização e mantidos pela DRJ, a discussão permanece no que se refere às despesas com: (a) fretes; (b) defensivos e adubos; (c) produtos químicos; (d) depreciação e exaustão e (e) impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. 1 Trecho do v. acórdão recorrido Fls. 143 dig. 149: "Ora, nenhum dos itens relacionados pela recorrente, (produtos químicos empregados nas instalações industriais, nas máquinas, nas linhas de produção, para limpeza, manutenção, tratamento de afluentes), podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matériasprimas ou materiais de embalagem e tampouco se desgastam em contato direto com o produto em fabricação." Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 201 7 Em relação aos insumos pleiteados, claro está que a DRJ manteve entendimento similar daquele apresentado pela fiscalização, identificando o conceito com aquele comumente aplicado para o cálculo do IPI e ICMS. A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei2 (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei3; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica4; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à 2 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 3 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 4 Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: "III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica" Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 202 8 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor5: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; 5 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "§1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:" Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 203 9 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes6, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. 6 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 204 10 A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita7 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma 7 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 205 11 vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco8: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário9. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação 8 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 9 Lei nº 10.833/03, art. 3º, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 206 12 específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges10: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29011 e 29912 do RIR/99. 10 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin 11 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 12 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 207 13 Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 13 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. 13 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 208 14 De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita14, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins.Vejamos. Já de acordo com os termos do Recurso Voluntário, o objeto social da empresa está consubstanciado: “A sociedade tem a natureza de agroindústria sendo seu objeto a indústria, comércio, importação e exportação de produtos e sucos hortifruticolas em geral, seus derivados, subprodutos e residuos, a agricultura; a pecuária; a prestação de serviços correlatos as suas atividades; a exploração imobiliária e a atividade de operador portuário.” Como definiu a própria fiscalização em seu Parecer, verbis: Fls. 82 – eletrônica 84 “Cabe ressaltar que a empresa é constituída por fazendas destinadas à produção de laranja, e pelo parque industrial apto à produção do suco e derivados. Fezse então visita à unidade industrial de Araraquara.” Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não 14 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 209 15 cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI15, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. De acordo com a premissa admitida, entendo que para gerar crédito de PIS/COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao seu objeto social. Analisemos cada item. (A) FRETES Neste item, discutese o frete realizado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, para transporte dos produtos acabados para o centro de distribuição/exportação. Conforme tenho defendido, sou da opinião de impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Isto porque não há hipótese legal expressa permitindo este creditamento, razão pela qual a hipótese de concessão seria a conclusão de que este gasto representaria um “serviço utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Assim, conforme premissa adotada, para ser considerado crédito o frete entre estabelecimentos deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final e estar RELACIONADO ao seu objeto social. In casu, a meu sentir, o frete entre estabelecimentos de produto já acabado não se refere à fase produtiva, que se findou com a formação do produto. Desta forma, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, qual seja, aquele que determina que o insumo deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção. Lembro que afasto a alegação de que o crédito é devido porque equiparase ao conceito de custo do Imposto de Renda em função da premissa que adoto, de que o PIS e COFINS possuem seu próprio conceito de insumo, diverso daquela utilizado pelo ICMS/IPI/IRPJ. Ante o exposto, mantenho a glosa no que se refere ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados. (B) DEFENSIVOS E ADUBOS 15 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 210 16 Em relação aos defensivos e adubos utilizados na produção, para os quais a Recorrente pede o reconhecimento de serem insumos, cumpre esclarecer que não foram glosados por interpretação do conceito de insumos. De acordo como os termos registrados no Despacho Decisório, a glosa se embasou no fato de a época estes insumos estarem sujeitos à alíquota zero, o que inviabilizaria a manutenção dos créditos. É o que se depreende do Despacho Decisório – Fls. 83 (dig. 85), a saber: “1.1.2. — Defensivos e adubos Aquele mesmo conceito já referido de insumo também deve ser aplicado para os defensivos e adubos aplicados na produção de laranja. Porém, ocorreu alteração legislativa a partir de 01/08/2004, quando o art. 2° da MP n° 183/04, e posteriormente a Lei n° 10.925/04 reduziu a zero as aliquotas destes produtos, de maneira que não mais pudessem gerar qualquer crédito de PIS/COFINS. Desta forma, a partir daquela data não mais se admitiu qualquer crédito destes insumos quando aplicados na produção.” Pois bem. A legislação, ao tratar da exceção ao crédito em seu parágrafo 2o referese aos serviços “não sujeitos ao pagamento da contribuição”, a saber: “§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Aqui temos um ponto crítico a analisar. A sujeição à alíquota zero é hipótese de “não sujeição do pagamento da contribuição”? Entendo que não. Explico. A alíquota zero é hipótese de sujeição de tributo, ainda que resulte em valor zero. Ocorre a subsunção do fato à norma, assim como a sujeição à incidência tributária, que acaba por não gerar quantum a recolher em virtude a opção do legislador por instituir o valor “zero” à alíquota tributável. Diverso seria se o insumo fosse não tributado ou isento (a previsão de isenção está expressa na seqüência da regra legislativa). Nestes termos, a razão pela qual o insumo não foi considerado como passível de formar crédito não prospera. Passemos à conseqüência do afastamento do mencionado parágrafo 2o, que resulta na possibilidade de aceitar o gasto com produtos químicos na composição do crédito tributário. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 211 17 Como aventado, entendo que para o crédito ser passível é preciso que seja: UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final e esteja RELACIONADO ao seu objeto social. Uma vez que trata de empresa agroindustrial produtora de sucos de laranja, cuja atividade se inicia no plantio da laranja, não vejo óbice à compreensão de que os defensivos agrícolas indicados nos autos gerem crédito no sistema PIS e COFINS não cumulativo, razão pela qual reverto a decisão neste particular. (C) PRODUTOS QUÍMICOS No que se refere aos produtos químicos, imperioso analisar motivo da glosa. Nos termos do Despacho Decisório, a glosa está justificada no fato a fiscalização ter aplicado, ao caso, o mesmo conceito aplicável ao IPI, isto é: o insumo tem que ser consumido no processo produtivo (MP, ME e PI) e entrar em contato direto com o produto. Vejamos o que disse o decisório, a saber: “1.1.3 Produtos químicos Seguindo a determinação legal do que seja insumo aplicado na produção, em conceito idêntico ao aplicado a outro tributo não cumulativo, qual seja, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), os produtos que podem gerar direito a crédito são aqueles consumidos no processo produtivo, quais sejam, as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. Ainda admitiu a legislação infralegal retro citada que os outros bens, distintos da MP, PI e ME, que sofram alterações quando em ação diretamente exercida sobre o produto fabricado, não incluídos no ativo imobilizado, geram direito ao creditamento. Tais bens são aqueles que entram em contato com o produto final, sofrendo o desgaste por força deste contato. Pois bem. A fiscalizada incluiu entre os bens químicos aqueles usados para limpeza, higienização e sanitização das instalações industriais, tubulações, centrifugas e tanques. Não correspondem àqueles produtos como as lixas, e outros que sofrem o desgaste pelo contato direto com o produto que segue na linha produtiva. No caso destes produtos de limpeza o contrário acontece, pois que os insumos são retirados do processo produtivo para análise, sem que continuem a seguir o ciclo de produção. Estes não entram em contato diretamente com os bens a serem produzidos, mas com amostras retiradas da linha de produção, os quais não retornarão ao processo. Ainda creditouse dos produtos químicos usados para tratamento da água. Digase que a água tratada não entra em contato direto com o suco produzido, nem se trata de componente adicionado ao suco, mas sim da limpeza da água que servirá para 4111 desinfecção Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 212 18 dos tanques de armazenamento. Portanto, incabível o direito creditório sofre referidos bens. Há produtos químicos que servem para a análise físicoquímica dos produtos fabricados. Tratase das análises laboratoriais realizadas antes, durante e após o processo produtivo. Neste caso, ainda que se desnaturem ao entrar em contato com os bens em produção, assim acontece porque saem da linha de produção. Não correspondem àqueles produtos como as lixas, e outros que sofrem o desgaste pelo contato direto com o produto que segue na linha produtiva. No caso laboratorial, os insumos são retirados do processo produtivo para análise, sem que continuem a seguir o ciclo de produção, tal qual ocorre com os produtos de limpeza.” Claro está, pela descrição realizada pela Recorrente nos autos, que os produtos químicos pleiteados pela Recorrente foram utilizados – e até consumidos – no processo produtivo. Também pareceme claro que estes produtos são indispensáveis para a formação do produto final da Recorrente e que está relacionado ao seu objeto social. Presentes, a meu sentir, os componentes necessários à conceituação dos produtos químicos como insumos para o a legislação de PIS e Cofins. O óbice apresentado pela fiscalização referese, exatamente, à aplicação do conceito de insumo nos termos da legislação do IPI, o que afasto de prima, postas as premissas. Assim, concedo o crédito de produtos químicos da forma como pleiteada pela Recorrente. (D) DEPRECIAÇÃO E EXAUSTÃO Percebese que a Recorrente tratou, em sede de recurso, de supostas reduções de crédito com base em critérios de depreciação e exaustão. A despeito da análise fiscal realizada no Despacho Decisório deixar dúvidas quanto ao aceite do critério utilizado pela Recorrente, fato é que conforme se verifica das planilhas de glosas trazidas nos Despachos Decisórios, não houve qualquer glosa com este fundamento. Portanto, não há lide sobre o assunto, razão pela qual deixo de conhecer os argumentos apresentados. (E) DO CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA O último ponto em discussão referese ao crédito presumido da agroindústria. Importante esclarecer que esta matéria tornase relevante a partir do momento que admito a premissa de que é possível à administração pública anular seus próprios atos administrativos dentro do prazo de 5 anos, de acordo com os permissivos legais. É que foi por intermédio do Segundo Despacho Decisório proferido que a autoridade administrativa promoveu à glosa de valores anteriormente concedidos a título de ressarcimento por entender aplicável à espécie o Ato Declaratório Interpretativo n o 15/05. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 213 19 Já me posicionei em relação a este assunto, acompanhando o bem lançado voto do Conselheiro Alexandre Gomes,proferido nos autos do processo administrativo no 11686.000397/200850, in verbis: “(iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: ‘Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.’ Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A leitura da legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: ‘TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 214 20 INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 215 21 dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 216 22 Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, entendo que em relação a este item está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre.” – destaquei. De fato, a legislação não permitiu que os crédito presumido de PIS e Cofins fosse ressarcido, mas apenas compensado com valores devidos no corrente, razão pela qual a fiscalização está correta ao impedir o aproveitamento do crédito da forma pretendida pela Recorrente. Também não prospera a alegação de irretroatividade e “anterioridade de lei mais gravosa” porque, in casu, a questão é que não há previsão legal para o pretendido pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando assim o v. acórdão recorrido para o fim de conceder crédito em relação aos insumos decorrentes de (b) defensivos e adubos e (c) produtos químicos. É como voto. (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 217 23 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de apuração de crédito da nãocumulatividade de PIS/Pasep e de Cofins na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero. Como bem relatado, a autoridade fiscal glosou créditos relativos à aquisição de adubos e defensivos, sob o argumento de que tais bens, por não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições, não podem gerar créditos. A conselheira relatora entendeu pela possibilidade de creditamento, afastando a restrição imposta no §2º, inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, em razão de a sujeição à alíquota zero estar dentro do campo da incidência tributária. Penso, entretanto, de modo diverso. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei, obedecidas as restrições legais, dentre elas a impossibilidade de creditamento em relação a bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, conforme dispositivos legais abaixo transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Por seu turno, a Lei nº 10.925, de 2004, reduziu a zero a alíquota incidente sobre defensivos e adubos: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 218 24 Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias primas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; A clareza do dispositivo não deixa margem a dúvidas: o que se exige é que a aquisição seja sujeita ao pagamento e não sujeita à incidência tributária. A tributação sob alíquota zero, embora inserta no campo da incidência tributária, não possui qualquer conteúdo econômico positivo. Deste modo, as aquisições à alíquota zero não transferem carga tributária alguma, uma vez que além de não haver débito na saída, o crédito embutido na etapa anterior é ressarcível pelo vendedor (artigo 17 da Lei nº 11.033, de 200416 combinado com artigo 16 da Lei nº 11.116, de ,200517), não havendo qualquer transferência de carga tributária no preço. O que, de fato, ocorre é a aquisição desonerada de carga tributária. A questão foi enfrentada no julgamento do RE 353.6575 – Paraná, ao tratar do creditamento de IPI sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero. No item 6 do voto, a Ministra Ellen Gracie assim explicitou: 6. Desejo frisar a importância da ausência de tributação em momento anterior à etapa zero ou nãotributada. Isso porque, a maneira pela qual os contribuintes ingressam e juízo e pleiteiam o creditamento faz parecer que qualquer entrada de matéria prima haverá de gerar crédito, a ser compensado com o montante do tributo devido na saída do produto industrializado. Não é essa, todavia, a sistemática da nãocumulatividade, que objetiva tãosomente evitar a incidência tributária sobre uma base já onerada pelo mesmo tributo. Se, no entanto, a etapa zero ou N/T não está precedida de tributação positiva, a base de cálculo já está desonerada, sem que faça necessário – ou mesmo pertinente – qualquer mecanismo compensatório. Como frisado no voto da Ministra Ellen Gracie, a inexistência de transferência de carga tributária para a etapa seguinte constitui um dos fundamentos para o 16 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 17 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12893.000226/200767 Acórdão n.º 3302002.261 S3C3T2 Fl. 219 25 impedimento de creditamento à alíquota zero, restrição imposta que não desnatura o princípio da nãocumulatividade. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de creditamento de PIS decorrente da aquisição de insumos tributados à alíquota zero, porquanto dela não resulta qualquer pagamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000480/2003-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
APLICAÇÃO DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE 30% DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA PARA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL - ATIVIDADE RURAL - MEDIDA PROVISÓRIA 1.99115/2000. SÚMULA CARF 53.
À pessoa jurídica, que tem como objeto social exclusivamente à atividade rural, não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para compensação das bases nega Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Numero da decisão: 9101-001.688
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Especial
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e eu Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LINOFORTE AGROPECUÁRIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 APLICAÇÃO DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE 30% DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA PARA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ATIVIDADE RURAL MEDIDA PROVISÓRIA 1.99115/2000. SÚMULA CARF 53. À pessoa jurídica, que tem como objeto social exclusivamente à atividade rural, não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para compensação das bases nega Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Especial (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 80 /2 00 3- 09 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e eu Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de acórdão proferido pela 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes.. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o auto de infração de fls.107 a 112, exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao 1° e 3° trimestres do anocalendário de 1998, no valor de R$ 4.472,63 (quatro mil, quatrocentos e setenta e dois reais e sessenta e três centavos), multa de ofício de R$ 3.354,46 (três mil, trezentos e cinquenta e quatro reais e quarenta e seis centavos) e juros de mora de R$ 3.683,83 (três mil, seiscentos e oitenta e três reais e oitenta e três centavos), em virtude da apuração de compensação indevida da base de cálculo negativa de períodosbase anteriores na apuração da CSLL, tendo infringido a Lei n° 7.689, de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 58; Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, art. 16; Lei n° 9.249, de 1995, art. 19. Impugnando o auto de infração, apresentou a Recorrida Recurso Ordinário perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, sendo este julgado Improcedente por unanimidade de votos (fls. 138/143). Inconformada, impetrou ainda Recurso Voluntário perante a 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que em sessão de 06 de dezembro de 2007, julgou PROCEDENTE por unanimidade de votos (fls.163/170), nos seguintes termos: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DE BASESDE CÁLCULO ACUMULADAS — TRAVA DE 30%. Não se aplica o limite de 30% do lucro líquido, para a compensação das bases negativas da CSLL, no caso de pessoas jurídicas que tenha como objeto social a atividade rural. Recurso Voluntário Provido. Alegando divergência entre julgados, a Fazenda Nacional, apresentou Recurso Especial de Divergência, sob o argumento de que o entendimento proferido no respectivo acórdão colide com o acórdão paradigma nº 10513625 (fls.183), proferido pela Egrégia Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que restou ementado nos seguintes termos: Acórdão 10513625 "Ementa: (...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ATIVIDADE RURAL – A não aplicação do limite de 30%, na redução do lucro líquido ajustado, na compensação de base de cálculo negativa apurado na atividade rural, somente tem aplicação a partir da edição da MP n.° 1.99115, de 10 de março de 2000 (art. 42)." Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10835.000480/200309 Acórdão n.º 9101001.688 CSRFT1 Fl. 214 3 Devidamente cientificado da interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Fazenda Nacional, apresentou o Contribuinte contrarrazões às fls. 193/197. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. No entanto, cabe ressaltar que a presente matéria não comporta mais discussão na instância administrativa, pois, é objeto da Súmula CARF nº 53, que deve ser aplicada por todos os Conselheiros: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000 Oportuno ressaltar, que nos termos do artigo 72, do Regimento Interno deste Conselho, as súmulas são de observância obrigatória pelos Conselheiros: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Desta feita, com fundamento na súmula supra, NEGO PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões em 16 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902700/2008-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2003
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 280 1 279 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.902700/200890 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.593 – 3ª Turma Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria COFINS Base de Cálculo Desconto Padrão Agência de Publicidade Veículo de divulgação Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2003 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 00 /2 00 8- 90 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 9303002.593 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 9303002.593 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.296, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 9303002.593 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 9303002.593 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 9303002.593 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 285DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900937/2008-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2003
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 37 /2 00 8- 18 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 12 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 13 3 à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o decreto lei 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar n 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” O colegiado recorrido, decidindo o feito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº288/67. O contribuinte apresentou recurso especial em que, basicamente, repete as alegações expendidas no recurso voluntário. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 14 4 Foi dado seguimento a esse recurso especial pelo presidente da câmara recorrida Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. O processo foi distribuído a este conselheiro em despacho de 21 de agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte insurgese contra a não homologação de seu pedido de compensação alegando supostos créditos por pagamentos indevidos de PIS e COFINS que, alega a recorrente, não incidiriam sobre vendas por ela feitas a contribuintes situados na Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, por se equipararem a exportações, para fins fiscais. Consultando os autos, verificase que a contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, junta planilhas em que constam apenas meras listagens de notas fiscais, sendo certo que tais planilhas sequer são mencionadas na referida peça recursal. Quanto ao recurso voluntário e ao especial, depreendese da leitura dessas peças que o contribuinte confunde as atividades administrativas de fiscalização e (eventual) lançamento com o procedimento de restituição/compensação. Abaixo transcrevo excertos das peças recursais a título ilustrativo: 6. Como se repara, o v. acórdão inova completamente do lançamento inicial, visto que o r. despacho decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade à Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Fica evidente que tal prática cerceou o direito de defesa da Recorrente. 7. É fato que para a comprovação do seu direito creditório (que sequer tinha sido investigado em primeira t instância, tendo sido rejeitado de plano, sem análise prévia de nenhum documento fiscal ou contábil),... (sublinhados nossos) Conforme vimos acima, a contribuinte menciona “lançamento” e “investigação”. Ora, a atividade administrativa de fiscalização é que busca investigar condutas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 15 5 Nesse procedimento, de iniciativa do Fisco, diversos passos são necessários para garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, sendo que ao final, pode (ou não) o processo resultar em lançamento de crédito tributário. No procedimento de restituição/compensação, de iniciativa da contribuinte, o ônus da prova cabe a esta, por dever legal, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Ressaltese que a apresentação da PER/DCOMP extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória de (eventual) posterior homologação pelo Fisco, que se dará mediante comprovação pela contribuinte do direito creditório alegado. Eventual porque a grande maioria das PER/DCOMP são “homologadas” eletronicamente pelos sistemas informatizados desde que as informações necessárias constem dos bancos de dados da Receita Federal, dispensando a apresentação de provas pela contribuinte. Assim, uma vez que a PER/DCOMP é de iniciativa da contribuinte, tem o poder de extinguir crédito tributário e que a grande maioria deles é “eletronicamente homologada”, é perfeitamente razoável que o procedimento de glosa de compensação seja um procedimento simplificado, devendo o contribuinte trazer a prova da liquidez e certeza de seus créditos assim que notificado da glosa desses. Nesta Terceira Seção de Julgamento, diversas turmas de julgamento, por unanimidade (ressaltese), tem reafirmado este entendimento conforme acórdãos abaixo transcritos para maior clareza: Acórdão nº 3301001.932– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão nº 3102001.898 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 16 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Tal entendimento é pacífico também na 1a. Seção de Julgamento, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos em que, por unanimidade (ressaltese), decidiuse que cabe ao demandante do crédito o ônus da prova de sua liquidez e certeza: Acórdão nº 1802001.818 – 2ª Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO CONTRA O FISCO. ATRIBUTOS. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação tributária autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento do alegado crédito é desprovida de fundamento. Na declaração retificadora, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova da escrituração contábil que pudesse evidenciar outro tipo de erro material nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Acórdão nº 1801001.626 – 1ª Turma Especial Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900937/200818 Acórdão n.º 9303002.533 CSRFT3 Fl. 17 7 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11065.001448/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO.
Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõese a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 48 /2 00 9- 59 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001448/200959 Acórdão n.º 3801002.821 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001448/200959 Acórdão n.º 3801002.821 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Recorrente contra os termos em que foi proferido o Acórdão nº 3801001.873, de 22 de maio de 2013, sob o argumento de que o aludido Acórdão continha omissão. Após breve relato dos fatos, argumenta que ao contrário do que foi decidido pelo Acórdão ora embargado, fora préquestionada a matéria na manifestação de inconformidade, ainda que de forma concisa. Entende a embargante que a preclusão diz respeito à impossibilidade processual para que a parte ofereça em sede recursal seu inconformismo em relação a um ou vários aspectos da exigência/negativa de reconhecimento de direito creditório em relação aos quais não havia se insurgido na fase de impugnação. Pontua que situação diversa é aquela, como a destes autos, em que a parte ofereceu resistência contra o indeferimento de seu direito creditório, contestandoo, tanto que a decisão de primeiro grau a rejeitou, e, por ocasião do oferecimento de recurso voluntário, invoca razões mais alentadas, com fundamentos mais robustos. Destaca que a questão processual que se impõe definir é a seguinte: a parte deve necessariamente insurgirse, contra o não reconhecimento de seu direito creditório, seja pelas razões que forem – e isto ocorreu nestes autos. Não pode é silenciarse, sob pena aí sim, de preclusão. Aduz que cabe ao julgador decidir segundo o seu livre convencimento sobre a questão que lhe foi posta, não importando os fundamentos trazidos pelas partes. Sustenta que ao não ter sido enfrentada por esta turma a questão de mérito quanto às glosas dos créditos, sob o motivo de alegada preclusão incorreu o v. Acórdão em omissão. Colaciona diversas normas tributárias e jurisprudência administrativa. Insiste que a DRJ/NH conheceu da manifestação de inconformidade em relação à questão de mérito e sobre a mesma decidiu e quando da interposição do recurso voluntário sustentou, perfunctoriamente, a natureza jurídica dos créditos e o direito em relação a cada um dos itens glosados. Por outro lado, alega que de acordo com a jurisprudência do CARF, é defeso ao E. Conselho, sob pena de configurar supressão de instância, pronunciarse sobre questão de mérito não apreciada pela decisão de 1ª instância, devendo determinar que o processo retorne à Delegacia de Julgamento para que seja proferida nova decisão que contemple a apreciação de todas as matérias objeto da lide. Por fim, requereu que fossem recebidos e acolhidos os presentes Embargos, para o fim de que a turma profira novo acórdão, suprindo a omissão apontada, de forma que a tutela seja plenamente prestada, com o reconhecimento do direito creditório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001448/200959 Acórdão n.º 3801002.821 S3TE01 Fl. 13 4 Alternativamente, requereu que fosse anulada a decisão de primeira instância, determinandose a remessa dos autos à instância a quo para que, ao apreciar as razões sustentadas, nova decisão seja proferida, possibilitando à Embargante litigar regulamente nas instâncias superiores. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001448/200959 Acórdão n.º 3801002.821 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Convém lembrar que, em regra, a omissão é a falta de apreciação de um ponto específico relevante. Com será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão. Diferentemente do alegado, ocorreu, sim, a preclusão e o Colegiado manifestouse expressamente sobre a sua ocorrência, conforme excertos abaixo transcritos: De fato, em sua manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma preliminar referente a ausência de motivação do despacho decisório e no mérito limitouse a alegar que os pedidos de ressarcimento são originários de créditos de contribuições nãocumulativas e que seus pedidos de ressarcimento foram acompanhados dos documentos comprobatórios, portanto faz jus a todo o saldo pleiteado. Do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias acima citadas não foram enfrentadas. A decisão de primeira instância apenas apreciou a preliminar de ausência de motivação. Destarte, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento das teses por falta de pré questionamento no momento oportuno. Como visto, a recorrente não apresentou suas razões na manifestação de inconformidade em relação ao mérito do direito creditório, assim consideramse preclusas as matérias não contestadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão recorrida. A falta de pré questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento da matéria na fase recursal. Com efeito, o voto condutor do acórdão entendeu que do confronto entre o teor da manifestação de inconformidade e da decisão de primeira instância ficou caracterizada de forma inequívoca a preclusão. Ademais, os embargos de declaração não é o meio de impugnação adequado para se rediscutir a fundamentação adotada pelo colegiado, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação da decisão. Como visto, não ficou caracterizada uma suposta omissão, pelo contrário evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria com base em novos argumentos sobre a ocorrência da preclusão, o que não é viável no recurso de embargos de declaração. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001448/200959 Acórdão n.º 3801002.821 S3TE01 Fl. 15 6 Por tais razões, não há espaço para se declarar a nulidade da decisão “a quo”. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006062/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 04/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. EDITADO EM: 04/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 04/11/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 60 62 /2 00 7- 62 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Autuação Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/34, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, anoscalendário 2002 a 2004, em que se lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 2.220.049,77, sendo R$ 975.395,61 de imposto, R$ 731.546,70 de multa proporcional e R$ 513.107,46 a titulo de juros de mora, calculados até 30/11//2007. O interessado tomou ciência do Auto de Infração em 28/12/2007 (AR as fls. 1113). Conforme o item "descrição dos fatos e enquadramento legal" (fls. 08/15), foram apuradas as seguintes infrações: i) Glosa de Despesas da Atividade Rural — diferença apurada em razão da glosa de despesas da atividade rural, tendo sido informado como despesas de custeio no mês de janeiro/2004 o valor de R$ 224.000,00, tendo sido comprovado apenas R$ 70.278,55. 0 montante da glosa neste item foi de R$ 153721,45; ii) Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada — omissão de rendimentos nos anoscalendário 2002 a 2004, caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Em 16/01/2008 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1114/1118), apresentando os seguintes argumentos de defesa: a) os recursos movimentados em sua conta não eram de sua titularidade, havendo correlação entre os depósitos bancários efetuados em seu nome e as notas fiscais emitidas pela empresa I. L. Perinotto, da qual era funcionário e procurador; b) a identificação dos depositantes existente nos próprios extratos bancários leva a tal conclusão, pois em sua maioria absoluta são empresas ligadas comercialização de produtos madeireiros, que é a atividade principal da empresa I. L. Perinotto; c) as notas fiscais que acompanham a defesa e inúmeras outras, embora não exista a precisão matemática dos valores reclamada pelo auditor, comprovam que os inúmeros créditos efetuados em nome do recorrente foram feitos por empresas clientes da I. L. Perinotto; d) a razão da disparidade dos valores das notas fiscais com os valores depositados foi esclarecida na defesa (parcelamento do pagamento ou depósito único referente a mais de uma nota fiscal); Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.006062/200762 Acórdão n.º 2101001.423 S2C1T1 Fl. 1.176 3 e) o auditor utilizou a situação patrimonial do proprietário da empresa I. L. Perinotto, Sr. Ideraldo Luiz Perinotto, estranho a este procedimento, como prova contra o recorrente; f) a movimentação de recursos em decorrência da remuneração s e empregados da referida empresa não comprovam diretamente a origem da receita, mas tambem é certo que estes recursos entraram na conta em razão da atividade comercial da I. L. Perinotto; g) a sua afirmação sobre a existência de "restrições bancárias" da empresa I. L. Perinotto não se revestiu de precisão técnica, o que havia era débitos perante as instituições financeiras e terceiros que consumiriam créditos porventura depositados, inviabilizando a continuidade dos negócios; h) a procuração concedida pela I. L. Perinotto para o recorrente são com poderes gerais para gerenciar a empresa, não se podendo extrair dela nenhuma conclusão que possa refletir implicações fiscais em seu desfavor. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fl. 1137): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda expressamente, bem como aquela .que não tenha. sido contestada pelo impugnante. MATÉRIA NA() IMPUGNADA. ATIVIDADE RURAL. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. Considerarseá não impugnada a matéria e a parcela da exigência que não tenham sido expressamente contestadas pela contribuinte, consolidandose administrativamente o correspondente crédito tributário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegaçõês. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O julgador de 1a instância fundamentou seu voto nos seguintes termos, em resumo (fl. 1140): Matéria não impugnada. Glosa de despesa da atividade rural Na defesa foram apresentados argumentos apenas contra a exigência do valor principal correspondente à omissão por depósitos bancários. Tratase, portanto, de impugnação parcial, pelo que resta consolidado administrativamente o crédito tributário correspondente à parcela não impugnada, correspondente à glosa de despesas da atividade rural. Da legitimidade do lançamento com base apenas em depósitos bancários. A partir do advento da Lei n° 9.430/1996, art. 42, quando o contribuinte regularmente intimado não comprova a origem, os recursos depositados são considerados rendimentos omitidos tributáveis, face à presunção legal. Se é um dever legal informar ao Fisco os seus rendimentos tributáveis sob pena de severas sanções, inclusive criminais, o contribuinte notificado para justificar a diferença encontrada em seus extratos bancários, passa a ter o ônus de provar a natureza do erro cometido, para não sofrer as conseqüências da falta de provas convincentes, como a de ser considerado verdadeiro, como rendimento tributável, o fato inicialmente presumido pela autoridade fiscal. (v. AURÉLIO PITANGA SELKAS FILHO, Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário A Função Fiscal, 1995, p. 7880). Da alegação de que a conta corrente era utilizada para a movimentação financeira proveniente da atividade de pessoa jurídica Não pode ser acatada a alegação de que o lançamento deve ser cancelado, pois os depósitos bancários considerados não justificados no levantamento fiscal, referirseiam ao faturamento da empresa I. L. Perinotto, CNPJ n° 02.936.881/000182. O contribuinte deveria ter apresentado documentação hábil e idônea que pudesse identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstrasse de forma inequívoca a que titulo os créditos foram efetuados na conta corrente. As demais alegações quanto as restrições bancárias e folha de pagamento da pessoa jurídica, bem como à procuração, também não podem ser acolhidas, pelas mesmas razões acima expendidas. Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.006062/200762 Acórdão n.º 2101001.423 S2C1T1 Fl. 1.177 5 Cientificado da decisão de primeira instância em 18/11/2009 (fl. 1150), o contribuinte apresentou, em 16/12/2009, o recurso de fl. 1160, onde requereu que seja conhecido e dê provimento ao presente Recurso, e no mérito julgálo procedente anulando ao auto de infração que deu origem ao processo 10.183.006062/200762, cancelando crédito tributário atribuído ao recorrente e ainda, em regime de urgência que seja determinado o cancelamento do arrolamento nos bens do Recorrente, determinado pela Delegacia da Receita Federal de SINOPMT, conforme processo supra mencionado, liberandoos, junto ao Departamento de Transito do Município de SinopMT, por ser indevido. O Recorrente não apresenta nenhum fato novo, ou prova adicional, apenas repetindo as alegações constantes da impugnação e já afastadas pelo Julgador de 1a instância. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 1174, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de preliminares. Quanto ao mérito, o Recorrente apenas repete as alegações constantes da impugnação e já afastadas pelo Julgador de 1a Instância, em voto abrangente e fundamentado em remansosa jurisprudência deste Conselho, não se carreando aos autos fato novo ou nova prova documental não apresentada nas fases de instrução e impugnação, com estrita observância do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. É notório que a Fazenda Pública pode exigir o imposto de renda fundamentada na presunção legal, tornandose ônus do contribuinte a demonstração da inaplicabilidade de tal presunção. Considerando que o Recorrente foi regularmente intimado para se manifestar a respeito da presunção de omissão de rendimentos, e não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos, é legítima a presunção de omissão de rendimentos originada por depósitos bancários. Nesse sentido, reproduzo parte do voto do Conselheiro José Antônio Belíssimo Campos, extraído do processo 13016000.230/201021, brilhantemente fundamentado: Este também é o entendimento do Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CSRF), como bem exemplifica o Acórdão CSRF n°010.071, sessão de 23/05/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 "O certo é que, cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Pareceme elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. Assim as presunções legais vem expressas na legislação tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador. Nessas hipóteses, o ônus da prova foge à regra geral e invertese. In casu, destacase o pensamento abaixo reproduzido, de José Luis Bolhões Pedreira: "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." Portanto, é a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não, meros indícios de omissão. Logo, a presunção em favor do Fisco transfere ao impugnante o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos depositados. Em relação, ao cancelamento do pedido de arrolamento de bens, considerando que o crédito tributário lançado de ofício, foi lavrado em estrita observância da legislação tributária vigente, enquanto não satisfeita a obrigação tributária, não é possível cancelar tal arrolamento. Dessa forma, não há qualquer vício no lançamento de ofício, razão pela qual não há reforma a fazer na decisão de 1a instância, ora recorrida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento tributário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 995DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.006062/200762 Acórdão n.º 2101001.423 S2C1T1 Fl. 1.178 7 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.722626/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1615; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.650 1 1.649 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722626/201241 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.230 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de novembro de 2013 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente FARMA LOGÍSTICA E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase do exame de Autos de Infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2008 e 2009, com multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. As infrações apuradas estão descritas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 362 e seguintes, e nos Autos de Infração, de fls. 372 e seguintes, assim resumidas: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 62 6/ 20 12 -4 1 Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.651 2 1 Custos/despesas não comprovados lançados nas Fichas 04A – “Custos dos Bens e Serviços Vendidos”, Linhas “Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas”, e “Outros Custos” das declarações DIPJ/2009 e 2010. Os demonstrativos dos valores apurados constam das planilhas de fls. 345 a 353. 2 Compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL ocorrida em 31/12/2009, por saldos insuficientes, tendo em conta os lançamentos constantes do processo administrativo nº 19515.720891/201294, em que houve a reversão, no anocalendário de 2007, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, e a utilização de todo o saldo de prejuízos disponível de períodos anteriores. No mesmo procedimento fiscal, foram apuradas ainda infrações relativas ao PIS e Cofins não cumulativos, cujos lançamentos foram autuados no processo administrativo nº 19515.722627/201295. Os lançamentos fiscais foram impugnados e as razões apresentadas pela defesa encontramse resumidas no Acórdão nº 1646.158 da DRJ/SPI, de fls. 1585 e seguintes, que passo a transcrever e adotar: “Afirma a tempestividade da impugnação, e que a glosa das despesas estaria fundada, basicamente, na ausência de comprovação dos pagamentos de despesas efetivamente incorridas, e já comprovadas mediante documentação idônea, cujas cópias são novamente apresentadas em anexo à impugnação. Para a defesa, como o auto de infração não esclarece as razões pelas quais as despesas regularmente contabilizadas foram consideradas não comprovadas, seria imperioso o reconhecimento da nulidade dos lançamentos, por falta de fundamentação. Faz remissão aos preceitos do art. 26 do Decreto nº 7.574, de 2011, segundo o qual a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade fiscal a prova da inveracidade de tais fatos. Anota que apesar da referência a custos, todos os lançamentos seriam relativos a despesas. Com relação ao mérito, contesta a glosa das despesas por falta de comprovação dos pagamentos, uma vez que não teria sido questionada a efetividade ou a necessidade das despesas para a atividade empresarial, e que a contribuinte estaria sujeita ao regime de competência, no qual para serem dedutíveis basta que as despesas necessárias à atividade tenham sido incorridas, sendo desnecessária a prova da quitação. Faz referência ao art. 299 do RIR/99 e à Solução de Consulta nº 229, de 2010, de seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETIFICAÇÃO. As despesas devem ser registradas na contabilidade no período em que incorridas, entretanto, a despesa não lançada no período de competência poderá ser objeto de exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real ou poderá ser registrada em período posterior, desde que isso não cause redução indevida do lucro real. Erros na apuração do imposto devido devem ser corrigidos pela entrega de declaração Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.652 3 retificadora, o que poderá ser feito enquanto não extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição”. Colaciona também as lições de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hiromi Higuchi, no sentido de que a comprovação do pagamento não seria condição de dedutibilidade das despesas. De qualquer forma, afirma que todas as despesas objeto de glosa pela fiscalização teriam sido efetivamente pagas pela pessoa jurídica. No que se refere aos valores contabilizados como despesas com fretes, explica que, sendo uma operadora logística, a atividade da empresa envolveria a armazenagem e o gerenciamento do transporte de mercadorias de seus clientes até o destino final. É prática no mercado que o operador logístico não disponha de frota própria, mas apenas gerencie o transporte das mercadorias, mediante subcontratação de transportadoras, pelo que a maior parte de suas despesas é de subcontratação de transporte de carga. No caso, a contribuinte teria subcontratado a INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., e os valores faturados por esta última teriam sido registrados, em 2008, nas contas “Fretes Rodoviário” e “Fretes Pessoa Jurídica”, e em 2009, nas contas “Fretes Aéreo”, “Fretes Distribuição” e “Fretes Pessoa Jurídica”. Ocorre que tais despesas estariam devidamente comprovadas pelas FATURAS/DUPLICATAS, emitidas pela INTEC, em favor da contribuinte, em razão dos serviços prestados, documentos que instruem a presente impugnação (Anexos INTEC 2008 e 2009). Apesar de dispensável a prova do pagamento para garantir a dedutibilidade das despesas, traz aos autos a comprovação de todos os pagamentos realizados à INTEC, em 2008 e 2009, e correspondentes às despesas registradas na contabilidade. Esclarece que realizava o pagamento das FATURAS/DUPLICATAS sempre em bloco, mediante transferência de valores ao longo do mês, ou mesmo realizando pagamentos a terceiros, por conta e ordem da INTEC, conforme demonstrado nos mesmos Anexos acima referidos, valores que eram deduzidos do valor total a ela devido. Segundo a defesa, nos anexos, teria sido demonstrado o controle dos pagamentos, mediante a indicação de todas as FATURAS/DUPLICATAS, emitidas pela INTEC, todos os depósitos realizados pela fiscalizada em favor da INTEC ou de terceiros, acompanhados de cópias da seguintes documentação: (i) as faturas/duplicatas; (ii) os extratos bancários indicativos dos depósitos efetuados em favor da INTEC; e (iii) os comprovantes dos pagamentos efetuados a terceiros, por conta e ordem da INTEC. Requer o cancelamento da glosa e da autuação. Nos Anexos “Contratos de Locação”, “Despesas 2008” e “Despesas 2009” estariam comprovadas as despesas incorridas e os pagamentos (depósitos bancários, boletos e outros meios de pagamento legalmente admitidos) das demais despesas objeto de glosa, contabilizadas nas contas “Fretes Gerenciamento”, “Assessoria Operacional”, “Vigilância” e “Segurança Predial”, em 2008; e nas contas “Aluguéis de Imóveis”, “Assessoria Operacional” e “Material de Embalagem”, em 2009. Especificamente em relação às despesas registradas na conta “Aluguéis de Imóveis”, diz que a glosa abrangeria contratos de locação celebrados com as seguintes empresas: Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.653 4 1. BRPR XXVI Empreendimentos e Participações Ltda. (nova denominação de MGM Empresa de Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ nº 08.839.112/000142 – contrato de locação em Itapevi/SP; 2. GB Armazéns Gerais Ltda., CNPJ nº 77.376.093/000188 – contrato de locação de imóvel no Rio de Janeiro; 3. INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., CNPJ nº 52.134.798/000915 – contrato de sublocação de imóvel no Rio de Janeiro. Afirma que, além de os contratos estarem em pleno vigor em 2008 e 2009, apresenta comprovantes de inscrição no CNPJ de suas filiais instaladas nos endereços dos imóveis locados para comprovar a sua vinculação com a atividade da empresa. Com relação à documentação que instrui a autuação explica que teria reconstituído, mensalmente, as planilhas elaboradas pela fiscalização, denominadas “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”, relativamente aos anos de 2008 e 2009, nas quais foram discriminados os lançamentos contábeis objeto de glosa, e anexou os documentos comprobatórios das despesas incorridas, bem como dos respectivos pagamentos. Em cada planilha foi indicada a data do lançamento, o número e título da conta contábil, o mês de competência, o histórico do lançamento, o valor da despesa e, a última coluna, denominada “Nº Ordem Doc.”, a indicação de onde se encontram os documentos comprobatórios de cada despesa incorrida, bem como a prova do respectivo pagamento. Quando a coluna “Nº Ordem Doc.” apontar um número, o respectivo documento poderá ser localizado junto à própria planilha, identificado com o referido número em sua face; quando apontar um “Anexo”, significa que poderá ser localizado em um dos anexos que instruem a presente impugnação, organizados por mês de competência. Por fim, segundo a contribuinte, por motivo de força maior, deixaram de ser juntados alguns poucos comprovantes de pagamento, em razão do não fornecimento pela instituição financeira, pelo que protesta pela juntada posterior. No que diz respeito à glosa da compensação de prejuízo fiscal, por conta de lançamento anterior relativo ao anocalendário 2007, diz que referida exigência teria sido impugnada e ainda não proferida a decisão de 1ª instância. Ademais, em havendo cancelamento daquela autuação, com o restabelecimento do prejuízo fiscal de 2007, automaticamente a presente exigência se tornará insubsistente. Na ótica da Impugnante, como a redução do prejuízo fiscal de 2007 se encontra com a exigibilidade suspensa não poderia gerar efeitos nos períodos seguintes, enquanto não esgotada a discussão administrativa, impondose o cancelamento da autuação também desta matéria. Na sequência foi juntada a seguinte documentação: 1. “Anexo Despesas 2008”, às fls. 505/617; 2. “Anexo Despesas 2009”, às fls. 618/676; 3. “Anexo Contratos de Locação”, às fls. 677/745. 4. “Anexo INTEC 2008”, às fls. 746/1096; 5. “Anexo INTEC 2009”, às fls. 1097/1506;” A DRJ/SPI, por meio do Acórdão nº 1646.158, julgou procedente em parte a impugnação, de acordo com a seguinte ementa: Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.654 5 Glosa de Despesa. Comprovação. Documentação Hábil. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica descrita no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência. Quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, as notas fiscais/faturas não devem ser admitidas como hábeis à comprovação das operações. Glosa de Compensação de Prejuízo Fiscal. Diante das reversões dos prejuízos fiscais apurados e da utilização, em lançamento anterior, de todo o saldo acumulado de períodos anteriores, deve ser a manutenção da glosa da compensação de prejuízos, devido à ausência de saldo disponível. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os principais fundamentos utilizados no voto condutor podem ser assim sintetizados: em regra, não há suporte fático a amparar a glosa das despesas, se intimada a comprovar os custos/despesas contabilizados, a contribuinte apresenta as faturas/duplicatas ou contratos, emitidos e subscritos por empresas, cuja idoneidade não é questionada pela fiscalização, nos quais os serviços prestados ou a causa dos pagamentos se encontram regulamente discriminados; a glosa do custo/despesa é frágil quando baseada unicamente na falta de comprovação do pagamento e quando não questionada a idoneidade da documentação hábil apresentada e a efetividade da prestação do serviço, devidamente discriminado no documento fiscal. Para que a imputação se sustente, necessária é a desconstituição da validade das faturas e dos contratos apresentados. para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica retratada no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc.), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência – no caso das despesas, por exemplo, os requisitos da necessidade, usualidade e Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.655 6 normalidade. Justamente por isso as notas fiscais/faturas, quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, não são consideradas hábeis e suficientes a dar suporte às operações, momento em que se impõe também a comprovação dos pagamentos efetuados. em seguida, o voto condutor analisa de forma minuciosa a comprovação dos custos/despesas glosados pela fiscalização, confrontando os valores glosados relacionados nas planilhas de fls. 345/349 e 350/353, com os documentos juntados na impugnação, concluindo por manter unicamente a glosa em relação aos registros contábeis de custos/despesas que não tiveram a documentação de suporte apresentada pela impugnante. em relação aos prejuízos fiscais glosados, não se dá razão à impugnante, principalmente porque a suspensão da exigibilidade somente se aplica ao crédito tributário exigível, ou seja, aquele objeto de lançamento de ofício, e não propriamente à retificação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e às compensações do saldo de períodos anteriores de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, efetuadas no anocalendário de 2007. Mesmo após a decisão de primeira instância proferida no processo nº 19515.720891/201294, constatase que no anocalendário de 2009 não há prejuízos/bases de cálculo negativas de períodos anteriores disponíveis para a compensação na DIPJ/2010, pelo que procedente a exigência. Dessa decisão, a DRJ/SPI recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 1618 a 1628, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Reforça a tese de que o único argumento utilizado pela fiscalização, para a glosa dos custos/despesas, seria a falta de comprovação de pagamento desses custos, nada mencionando a respeito da necessidade dos mesmos. Alega que a prova de pagamento não é requisito essencial para a dedutibilidade das despesas incorridas na empresa. Uma vez incorridas as despesas, seria totalmente improcedente a glosa efetuada. Em relação aos saldos insuficientes de prejuízos fiscais, argumenta que esses dependem do quanto decidido no âmbito da outra autuação, relativa ao ano de 2007, e que se encontra acompanhada no processo nº 19515.720891/201294. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A fiscalização glosou custos/despesas cujos pagamentos não teriam sido comprovados, com fundamento no art. 3º da Lei nº 9.249/95 e arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1202000.230 S1C2T2 Fl. 1.656 7 277,278, 289, 290, 292 e 300 do RIR/99. Glosou também saldos insuficientes de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL no ano de 2009, uma vez que esses saldos já haviam sido absorvidos por ocasião de outro lançamento fiscal efetuado no ano de 2007. Após minucioso trabalho, a DRJ/São Paulo I entendeu por manter parte do lançamento fiscal porque não teriam sido apresentados, pela autuada/impugnante, os documentos de suporte dos registros contábeis dos custos/despesas glosados. Já a recorrente alega, em síntese, que a prova de pagamento não é requisito essencial para a dedutibilidade dos custos/despesas incorridos na empresa. Não apresenta nenhuma alegação/documento quanto à falta de documentação de suporte dos registros contábeis mencionado pelo voto condutor do acórdão recorrido. Em relação aos saldos insuficientes prejuízos fiscais, argumenta que esses dependem do quanto decidido no âmbito da outra autuação, acompanhada no processo nº 19515.720891/201294. Como se vê, a matéria em litígio relativo a glosa de custos/despesas pode ser solucionada enfrentando questões de direito e das provas trazidas ao processo. No entanto, a infração relativa a saldos insuficientes de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL que teriam sido aproveitados em 2009, mas que foram absorvidos integralmente na autuação relativa ao ano de 2007, acompanhada no processo nº 19515.720891/201294, verificase a existência de conexão entre o presente processo e aquele. A apreciação do processo nº 19515.720891/201294 é prejudicial ao exame deste. Pesquisa efetuada no site do CARF, em 30/10/2013, indica que o mencionado processo encontrase distribuído a relator (Viviane) na atividade “para relatar”. Com efeito, concluise que a melhor solução a ser dada é aguardar a decisão definitiva no processo nº 19515.720891/201294, para então proceder no julgamento do presente recurso voluntário, efetuandose os ajustes porventura necessários. Em face do exposto, voto para converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, retornando o processo ao órgão de origem para: a) juntar cópia da decisão administrativa definitiva do processo nº 19515.720891/201294; b) após, retorno a este CARF, para julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13982.000594/2007-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros
Exercícios: 200.3 a 2006
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal -
MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos,
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das
disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária.
SALDO CREDOR DE CAIXA — CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO — Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos, Não comprovada as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores.
PRESUNÇÃO LEGAL — OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS POR SÓCIO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE — Inverte-se o ônus da prova quanto à omissão de receita decorrente de suprimento de numerário por sócio, em virtude de
presunção legalmente estabelecida. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRIBUTABILIDADE PELO IPI E PELA CSLL — BASE DE CÁLCULO — O crédito presumido de IPI não tem
característica de subvenção para custeio, mas, sim, de ressarcimento de despesas fiscais com PIS e COFINS. Consequentemente, não integra a base de cálculo do IRPI e da CSLL, inclusive no bojo da sistemática do lucro presumido.
LUCRO PRESUMIDO - RECUPERAÇÃO DE CUSTOS - De acordo com o art. 53 da Lei 9.430/96, os custos ou despesas recuperados — inclusive
créditos presumidos de IPI — não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real, ou se referirem-se a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS — O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços. Afastado deve ser o disposto no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9,718/98, por força de decisão de mérito proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Inteligência do artigo 26-A, § 6°, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, introduzido pela Lei n° 11.941/09.
MULTA QUALIFICADA — INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Somente é justificável a exigência da multa qualificada — prevista, à época, no artigo art. 44, II, da Lei n 9,430/96 — quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O desiderato fraudulento deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos da Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não há que se falar em qualificação da
multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação das hipóteses legais de fraude.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - A Fazenda Púbica dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato
gerador, para promover o lançamento de impostos e de contribuições sociais enquadrados na modalidade do lançamento por homologação (artigo 150, § 4º, do CTN).
Numero da decisão: 1803-000.346
Decisão: Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, a) para: expurgar das bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os valores atinentes a créditos presumidos de [ IPI; b) reduzir as multas
de oficio qualificadas cominadas, passando-as de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); c) reconhecer a decadência dos créditos de IRPJ e CSLL lançados
anteriormente ao 4° trimestre do ano-base de 2002; e d) declarar a caducidade das exigências de PIS e COFINS pertinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 31/10/2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões na matéria relativa à exclusão do crédito presumido de IPI, dos lançamentos de PIS e COFINS, por entender que não há decisão judicial com efeito "erga omnes" declarando a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9318/98.
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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decisao_txt : Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, a) para: expurgar das bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os valores atinentes a créditos presumidos de [ IPI; b) reduzir as multas de oficio qualificadas cominadas, passando-as de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); c) reconhecer a decadência dos créditos de IRPJ e CSLL lançados anteriormente ao 4° trimestre do ano-base de 2002; e d) declarar a caducidade das exigências de PIS e COFINS pertinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 31/10/2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões na matéria relativa à exclusão do crédito presumido de IPI, dos lançamentos de PIS e COFINS, por entender que não há decisão judicial com efeito "erga omnes" declarando a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9318/98.
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros Exercícios: 200.3 a 2006 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária. SALDO CREDOR DE CAIXA — CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO — Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos, Não comprovada as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. PRESUNÇÃO LEGAL — OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS POR SÓCIO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE — Inverte-se o ônus da prova quanto à omissão de receita decorrente de suprimento de numerário por sócio, em virtude de presunção legalmente estabelecida. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRIBUTABILIDADE PELO IPI E PELA CSLL — BASE DE CÁLCULO — O crédito presumido de IPI não tem característica de subvenção para custeio, mas, sim, de ressarcimento de despesas fiscais com PIS e COFINS. Consequentemente, não integra a base de cálculo do IRPI e da CSLL, inclusive no bojo da sistemática do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO - RECUPERAÇÃO DE CUSTOS - De acordo com o art. 53 da Lei 9.430/96, os custos ou despesas recuperados — inclusive créditos presumidos de IPI — não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real, ou se referirem-se a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS — O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços. Afastado deve ser o disposto no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9,718/98, por força de decisão de mérito proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Inteligência do artigo 26-A, § 6°, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, introduzido pela Lei n° 11.941/09. MULTA QUALIFICADA — INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Somente é justificável a exigência da multa qualificada — prevista, à época, no artigo art. 44, II, da Lei n 9,430/96 — quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O desiderato fraudulento deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos da Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação das hipóteses legais de fraude. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - A Fazenda Púbica dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e de contribuições sociais enquadrados na modalidade do lançamento por homologação (artigo 150, § 4º, do CTN).
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Recorrente MÓVEIS RIPKE LTDA. Recorrida 3' TURMA/DRI-FLORIANÓPOLIS/SC Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros Exercícios: 200.3 a 2006 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária, SALDO CREDOR DE CAIXA — CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO — Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos, Não comprovada as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. PRESUNÇÃO LEGAL — OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS POR SÓCIO — FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE — Inverte-se o ônus da prova quanto à omissão de receita decorrente de suprimento de numerário por sócio, em virtude de presunção legalmente estabelecida. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o ócio mutuante. 1 Processo n0 13982.000594/2007-79 S1-TE03 Acárdâo n•° 1803-00346 F I.. 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRIBUTABILIDADE PELO IRRI E PELA CSLL — BASE DE CÁLCULO — O crédito presumido de IP I não tem característica de subvenção para custeio, mas, sim, de ressarcimento de despesas fiscais com PIS e COFINS. Consequentemente, não integra a base de cálculo do IRPI e da CSLL, inclusive no bojo da sistemática do lucro presumido.. LUCRO PRESUMIDO - RECUPERAÇÃO DE CUSTOS - De acordo com o art. 53 da Lei 9.430/96, os custos ou despesas recuperados — inclusive créditos presumidos de IPI — não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real, ou se referirem-se a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado. CRÉDITO PRESUMIDO DE EM — IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS — O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços. Afastado deve ser o disposto no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9,718/98, por força de decisão de mérito proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Inteligência do artigo 26-A, § 6°, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, introduzido pela Lei n°11.941/09. MULTA QUALIFICADA — INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Somente é justificável a exigência da multa qualificada — prevista, à época, no artigo art. 44, II, da Lei n 9,430/96 — quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O desiderato fraudulento deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos da Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, serka devida comprovação das hipóteses legais de fraude. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - A Fazenda Púbica dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e de contribuições sociais enquadrados na modalidade do lançamento por homologação (artigo 150, § 4', do C'TN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, a) para: expurgar das bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os valores atinentes a créditos presumidos de [PI; b) reduzir as multas de oficio qualificadas cominadas, passando-as de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); c) reconhecer a decadência dos créditos de IRPJ e CSLL lançados anteriormente ao 4° trimestre do ano-base de 2002; e d) declarar a caducidade das exigências de PIS e COFINS pertinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 31/10/2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sergio Rodrigues Processo n" 13982.000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão n." 1803-00346 Fl. 3 Mendes votou pelas conclusões na matéria relativa à exclusão do crédito presumido de IPI, dos lançamentos de PIS e COFINS, por entender que não há decisão judicial com efeito "erga 011171eS" declarando a inconstitucionalidade do artigo 3 0, § 1 0, da Lei n° 9318/98.. ------2:-- ..,, — - EL ki._ -IRA DE a 1, ES — Presidente .. BENE,DICTO C SO , EN' CIO jÚNIOR — Relator EDITADO 8 1\/1: 05 AGe ,.0 [0 Participaram, da presente ;essão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter AdOlfo_Maresel, Luciano Inocêncio dos Santos, Bendicto Celso Benício Júnior e Sérgio Roclrigu6-M-ená.. Relatório Por meio dos autos de infração postos às folhas 05 a 67, foram exigidas do contribuinte, acima qualificado, as importâncias de R$ 84.693,75 (oitenta e quatro mil, seiscentos e noventa e três reais e setenta e cinco centavos), R$ 41.1.34,66 (quarenta e um mil, cento e trinta e quatro reais e sessenta e seis centavos), R$ 17.684,40 (dezessete mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e quarenta centavos) e R$ 81.594,96 (oitenta e um mil, quinhentos e noventa e quatro reais e noventa e seis centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSL,L,, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, respectivamente, acrescidas de multa de oficio de 75% ou de 150%, conforme o caso, e de juros de mora. As exigências referem-se a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2002 a 2005, No Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (ff 1789 a 1796), a fiscalização informa que apurou omissão de receita caracterizada pela existência de saldo credor de caixa (RIR/99, art. 281, I), de um lado, e pela não tributação de receitas decorrentes de créditos presumidos de IPI, de outro. A existência de saldo credor na conta caixa foi evidenciada pela verificação de que pagamentos transitavam por esta conta, sendo lançados a débito dela, em contrapartida a lançamento a crédito da conta bancos. Entretanto, não foram escrituradas as saídas dos recursos da conta caixa, por meio de lançamentos a crédito nela, em contrapartida a lançamentos de débito na conta banco, referentes ao pagamento. A fiscalização encaminhou ao contribuinte cópia dos extratos bancários, .junto com planilha denominada "Demonstrativo de Cheques Compensados". Neste demonstrativo foram discriminados todos os cheques compensados via instituição financeira, contabilizados como suprimentos de caixa pelo contribuinte, para os quais não foram identificados, em sua escrituração, os lançamentos contábeis referente às saídas dos recursos. Ainda com relação à escrituração da conta caixa, foi estornada a entrada que seria decorrente de empréstimo feito pelo sócio Ricardo Ripke, Intimado a comprovar a efetiva 3 Processo o" 13982 000594/2007-79 51-T E:03 Acórdão ft 1803-00.346 El 4 entrega e a origem dos recursos disponibilizados, apresentou o contribuinte os documentos de fls. 471 e 930 a 934 — os quais, ajuízo da fiscalização, não demonstram de forma cumulativa a efetiva entrega e a origem dos recursos contabilizados. Por entender que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de impedir o conhecimento, por parte da Administração Tributária, do total das exações devidas pela empresa, a Fiscalização majorou para 150% a multa aplicada em relação às receitas omitidas, apuradas por via do saldo credor de caixa. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls.. 1810 a 1844, por meio de procurador, na qual defendeu a improcedência das autuações, mediante os seguintes argumentos: - o fisco deixou ultrapassar a data máxima para a conclusão da fiscalização (29/06/07), pois somente intimou a impugnante da prorrogação do procedimento em 31/08/07, quando apresentou os Termos de Prorrogação de MPF; - em nenhum dos Demonstrativos de Emissão e de Prorrogação do MU' inicial, cientificados por AR à impugnante em 31/08/07, foi informado qual a autoridade fiscal que o emitiu, como também não existe qualquer assinatura do emissor daquele documento. Isso indica o cometimento de vício por falta de indicação da autoridade emissora das prorrogações e da própria existência de assinatura, sabidamente indispensável aos atos da vida pública; - é de se ver que, apesar de a Portaria n° 1007/01 mencionar que a prorrogação do MPF possa se dar de forma eletrônica, tal situação não exclui o dever de intimar o contribuinte, como exige o art, 23 do Decreto 70,235/72. Em mesmo sentido impele o próprio principio da publicidade dos atos processuais, tratado pelo art. 155 do CPC — instrumento legal de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, pot força do disposto no art, 108, inciso III, do Código Tributário Nacional; - de acordo com precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes, comprovada a não observância do prazo máximo de 120 dias, destinado à conclusão da atividade fiscalizatória autorizada pelo MPF inicial, bem como demonstrada a falta de assinatura, pelo fiscal competente, do termo de prorrogação — tudo em fiel cumprimento do disposto no Decreto 70.235/72, na Lei Complementar 105/01 e no Decreto 3.724/01 nulo são os lançamentos pretendidos pela Fazenda Pública; - não há nenhuma infração na prática adotada pela impugnante, senão vejamos: a) os cheques foram emitidos para fazer frente às necessidades diárias da impugnante; b) os cheques foram devidamente lançados na conta caixa, em contrapartida à conta banco; e) os cheques foram todos pagos pelo banco; e d) todos os valores foram devidamente escriturados pela impugnante nos seus livros fiscais e nos demonstrativos contábeis, tais como razão, diário, balanços e balancetes; - é prática absolutamente comum emitir cheques para pagamento das suas obrigações financeiras, inclusive cheques com data futura para saque, ou simplesmente cheques pré-datados.. Ocorre que nem sempre possui todos os recursos para efetuar o pagamento das suas obrigações, precisando recorrer, seguidamente, à emissão de cheques pré- datados; - da mesma forma, a autora nem sempre emite cheques no valor exato dos pagamentos que efetua, haja vista que muitas vezes possui parte doS\recursos em moeda corrente nacional (dinheiro), e parte dos recursos em conta bancária (dpósito), daí sendo necessário emitir, exemplificativamente, cheques parciais para o pagam nto de algumas despesas; Processo ri 13982000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão rn 1803 -00346 Fl 5 - noutras ocasiões, não possuindo recursos suficientes depositados no banco, e sabendo que necessitava efetuar vários pagamentos de menor valor, emitiu cheques de maior valor e pré-datados, descontando-os no próprio banco, ou até em empresas de fomento mercantil,. Também por isso, o valor dos cheques utilizados para pagamento acaba por não coincidir com o valor das várias contas que pagou naquele mesmo dia, não tendo sido pago pelo banco na modalidade de "cheque sacado", mas, sim, pela modalidade de "cheque compensado"; - outra prática comum utilizada pela empresa e pelos contribuintes em geral é a emissão de cheque de um banco para depósito em outro banco, até porque, em determinadas datas, faz-se necessária a transferência de recursos para fazer frente aos cheques que foram anteriormente emitidos; - limitou-se o Fisco a afirmar que os cheques emitidos, apesar de terem sido lançados no caixa, foram compensados na modalidade de compensação, de forma a não corresponder a pagamentos efetuados no mesmo valor e na mesma data, Entretanto, nenhuma destas práticas resultou em prejuízo à Fazenda Pública, até porque tais operações foram todas devidamente contabilizadas pela impugnante; - não custa lembrar que o conceito de renda tributável, para fins de incidência do imposto de renda, implica em comprovar um acréscimo de capital, o que, de nenhuma forma, ficou demonstrado pelo Fisco, tendo este simplesmente se baseado em operações que por si só não são definidas como renda, para fins de tributação; - o Fisco alega que a peticionária não comprovou ter recebido os recursos do sócio, em 20/12/2002, no valor de R$ 17.3.661,80; em 06/08/2003, no valor de R$ 10.000,00; em 28/08/2003, no valor de R$ 8,000,00; em 16/09/2003, no valor de R$ 50.000,00; em 22/09/2003, no valor de R$ 50.000,00; e em 29/09/2003, no valor de R$ 50,000,00; - ocorre que os referidos valores foram entregues em moeda corrente nacional pelo sócio, nas exatas datas indicadas nos recibos lançados no caixa. Estes valores estão todos devidamente contabilizados como empréstimos contratados com o sócio, estando devidamente declarados pelo sócio nas declarações de rendimentos dos anos-calendário de 2002 e 2003 (does, 04 e 05); - para glosar os valores recebidos do sócio, o Fisco simplesmente desconsiderou tais valores, alegando que "a juízo desta fiscalização, não demonstranz de forma cumulativa a efetiva entrega e a origem estranha à sociedade dos recursos contabilizados". Esta prática fiscal, além de imoral e ilegal, é perigosa, porque se for aceita, implicará na extinção do pagamento de valores em espécie pelos contribuintes — o que fatalmente acabará com qualquer pagamento em moeda corrente, relegando unicamente à movimentação bancária todos os atos possibilitados; - a fiscalização sequer intimou o sócio para comprovar a origem destes recursos. Se a impugnante recebeu de alguém um valor, in casu, do sócio, deveria a Receita Federal ter verificado a fonte dos recursos. Tais recursos foram devidamente declarados pela sociedade e pelo sócio, devendo ser considerados para fins de comprovação do saldo de caixa pela autuada; - o crédito presumido de IPI não representa uma receita tributada pelo Min e pela CSLL, mas, sim, uma redução de custos, um ressarcimento, tal como ocorre com o IPI normal, com o ICMS e, agora, pela forma não-cumulati a, com a contribuição social ao PIS e com a Cofins; Processo n" 13982.000594/2007-79 S1-T E03 Acórdão n 1803-00346 Fl 6 - se fosse admitida a tributação pretendida, os créditos normais de IPI sobre as aquisições, em conjunto com os créditos de ICMS de mesma natureza, também deveriam ser tributados pelo imposto de renda e pela contribuição social, na modalidade de lucro presumido, o que não ocorre; - a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições ao PIS e da COFINS foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária do dia 09/11/2005, quando pacificou seu entendimento sobre a matéria, ao julgar o Recurso - Extraordinário 357.950/RS; - restando comprovada a inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo das contribuições sociais referidas, através da Lei n° 9718/98, impõe-se a nulidade da pretensão do fisco em exigir essas contribuições sobre o crédito presumida de IPI, que sabidamente não se inclui na definição de faturamento, como previsto pela Constituição Federal (art, 195), antes da Emenda Constitucional 20/98; - tendo em vista que o parágrafo único do art, 28 da Lei n° 9,868/99 determina que a Administração Pública faça cumprir as decisões proferidas pela Suprema Corte, a empresa requer seja anulado o auto de infração do PIS e da Cofins; - o que se pode concluir da narrativa dos fatos, confirmados pelos documentos juntados, é que os valores exigidos pelo Fisco, por meio dos autos de infração aqui debatidos, foram apurados justamente a partir das informações repassadas espontaneamente pela fiscalizada, sem exceções, em cumprimento das intimações fiscais, sem qualquer tentativa de maquiar situação de fato no sentido de tentar impedir ou evitar a exigibilidade dos tributos; - as infrações apontadas pelo Fisco não caracterizam o ato de fraude dolosa, tal como delineado pelo art. 71 da Lei n° 4,502/64, o que afasta a aplicação da penalidade qualificada de 150%. Neste sentido é a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual "A mera omissão de rendimentos não justifica a qualificação da multa de oficio ao percentual de 150%, aplicado nos casos em que fique comprovado o evidente intuito de fraude visando a sonegação fiscal mediante comportamento fiscal doloso do contribuinte" e que "A omissão na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física caracteriza falta simples, porém, não evidencia intuito defraude"; - devido à forma como se dá a apuração e o recolhimento do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS, estão ditos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, num prazo de 5 (cinco) anos, a contar do seu fato gerador, conforme preconiza o art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional; - assim, a autuada entendeu que os créditos tributários de IRRI, da CSLL, da COFINS e de PIS, relativos aos fatos geradores anteriores a outubro de 2002, foram alcançados pela decadência do direito de lançamento, razão pela qual não podem ser exigidos. Ao analisar os argumentos apresentados pelo contribuinte na citada impugnação, a 3' TURMA — DRI EM FLORIANÓPOLIS — SC julgou totalmente procedentes os lançamentos, ementando seu aresto nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário. 2002, 2003, 2004, 2005 PRAZO DECADENCIA . DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 6 Processo tf 13982.000594/2007-79 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00,346 Fl.. 7 A existência de dolo, .fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento .já poderia ter sido efetuado, SALDO CREDOR DE CAIXA,. OMISSÃO DE RECEITAS, A apuração de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, SALDO CREDOR DE CAIXA. CHEQUES COMPENSADOS, Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos. Não comprovada as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO, MONTANTE VULTOSO, FALTA DE PROVA DA ORIGEM E EFETIVIDADE DA ENTREGA DO NUMERÁRIO PELOS SÓCIOS À SOCIEDADE, O suprimento de numerário feito por sócio, em montante vultoso, sem a prova plena, objetiva e inquestionável, mediante documentação idônea e coincidente em data e valor, da origem e efetividade da entrega do numerário pelos sócios à sociedade, autoriza o estorno da operação na escrituração da conta caixa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRIBUTAÇÃO. A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9,363/1996 deverá ser apurada ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, e, contabilizada como receita operacional, deverá ser integralmente oferecida à tributação pelo imposto de renda, ASSUNTO,' NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos às contribuições destinadas ao' financiamento da Seguridade Social extingue-se após dez 7 Processo n° 13982 000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão n ° 1803-00346 Fl 8 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ónus de provar que os fatos concretos não ocorreram na . forma como presumidos pela ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MPF. FORNECIMENTO DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO, A partir da Portaria SRF n.° 3..007/2001 , não é causa de invalidade da ação fiscal a comunicação da prorrogação do MPF, após o decurso do prazo original, pois a prorrogação fica disponibilizada na Internet, e essas informações constarão do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, que será fornecido ao sujeito passivo pelo AFRFB responsável pelo procedimento ,fiscal, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO, As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações., MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito defraude." Cientificado do acórdão em 28/02/2008, o contribuinte apresentou recurso a este conselho, em 31/03/2008, repetindo as razões já formuladas na instância administrativa antecedente. Processo n° 13982.000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão n,' 1803-00346 Fl 9 É o relatório do essencial, Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. As razões formuladas pela empresa peticionária devem ser analisadas separadamente, para facilitação de sua exposição: (1) Dos vícios formais nos Mandados de Procedimento Fiscal — MPF's Preliminarmente, aduz o contribuinte a existência de vícios formais que, em seu entendimento, nulificam todo o trabalho fiscal empreendido. Ditas vicissitudes corresponderiam a inobservâncias das regras especificas que regulamentam a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF — peça que documenta e formaliza o início dos procedimentos de fiscalização tributária. Elenca o contribuinte, em sua argumentação, as seguintes eventuais irregularidades: i) emissão de MPF de Prorrogação realizada apenas em 31/08/07, não obstante o prazo final do MPF Inicial já tivesse se esgotado em 29/06/07; ii) inexistência, nos Demonstrativos de Emissão e Prorrogação do MPF, de qualificação e de assinatura da autoridade emissora; iii) extrapolação do prazo de 120 dias, estabelecido para a finalização das atividades fiscalizadoras. A respeito do tema, reitero entendimento já consagrado neste colegiado, no sentido da impossibilidade de reconhecimento de nulidades infirmadoras das autuações levadas a cabo, decorrentes de eventual constatação de equívocos na formalização dos MPF's — seja em relação ao procedimento fiscal como um todo, seja no que pertine aos autos inflacionais em específico. As normas que regem a emissão dos MPF's dizem respeito, primacialmente, ao controle interno das atividades desenvolvidas pela Receita Federal do Brasil. Ainda que a formalização deste documento possa, indiretamente, servir para informar o investigado das medidas instrutórias a serem tomadas, é função precipua do MPF somente promover a administração interna corporis dos órgãos fiscalizadores. Observem-se alguns precedentes desta Corte: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. (Ac. 1" CC — 104-22087/06)" "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PORTARIA SRF N" 1.265/99, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF — INSTRUMENTO DE CONTROLE - O MPF constitui-se em elemento de controle da 9 Processo n" 13982.000594/2007-79 Si--TE03 Acórdão n." 1SO.3-0O34 FI 10 administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infialegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo, (Ac. 1° CC — 102-48..251/07)" Em todo caso, as causas que tornam nulas as peças acusatórias são apenas aquelas subsumíveis ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, de um lado, ou as que se originarem da desobediência aos requisitas do artigo 10 do mesmo diploma, de outro lado. Seguem os dois indigitados dispositivos, para ratificação do exposto: "Art. 59. São nulos.. 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.. § 1 A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3" Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." "Art. 10, O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da .falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI- a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.," Outros eventuais vícios ou omissões só ensejariam a nulidade do trabalho fiscal ou das autuações decorrentes se deles resultassem prejuízo à defesa do contribuinte — o que, por óbvio, não é o caso, já que o interessado teve amplo acesso às informações do processo, em perfeita observância do contraditório administrativo. Nessa esteira, veja-se também o teor do artigo 60 do citado Decreto n" 70235/72: "At. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas' quando resultarem em 'N>=. Processo n" 13982.000594/2007-79 S1-1E03 Acórdão n " 1803-00.346 Fi 11 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Está claro que a mera emissão irregular de MPF, alegadamente verificada no caso, jamais invalidaria, por si só, o procedimento fiscal. Não representa tal fato vício insanável dos autos de infração lavrados, como afirmado nas razões recursais. Trata-se de simples documento interno de organização da Receita Federal do Brasil, prescindível para fins de validação das autuações. A competência do agente autuante decorre diretamente de lei, sendo irrelevante, para a lidimidade do trabalho, eventual "ratificação" ou identificação da autoridade competente, como quer fazer crer a peticionária, (2) Da apuração de saldo credor de caixa Em segundo lugar, aventa a empresa interessada que inexiste saldo credor de caixa a se tributar, Segundo defende, os cheques compensados, apurados pelo agente fiscal, foram emitidos para fazer frente às suas necessidades de liquidez diária, tendo sido, todos estes títulos, pagos regularmente pelos bancos. Ditos cheques, no mais, teriam sido objeto de lançamento regular nos livros fiscais e nos demonstrativos contábeis, não ocorrendo, por conseguinte, nenhuma infração que legitimasse a formalização da exigência sob ataque. Apresenta a peticionária, ainda, uma série de alegações meramente retóricas, que buscam convencer este conselho acerca da correção de suas operações. Assevera, neste sentido, que "é prática absolutamente comum emitir cheques para pagamento das suas obrigações financeiras, inclusive cheques com data futura para saque ou simplesmente cheques pré-datados. Ocorre que nem sempre possui todos os recursos para efetuar o pagamento das suas obrigações, precisando recorrer, seguidamente, à emissão de cheques pré-datados". Em idêntica direção, também consigna que "nem sempre emite cheques no valor exato dos pagamentos que efetua, haja vista que muitas vezes possui parte dos recursos em moeda corrente nacional (dinheiro), e parte dos recursos em conta bancária (depósito), dai que necessita emitir, exemplificadanzente, cheques parciais para pagamento de algumas despesas". Ademais de tudo isso, impugna o contribuinte, ainda, o fato de que a mera averiguação de saldo credor, na forma defendida pelo agente fazendário, não sustentaria a cobrança de IRPJ e de CSLL, sendo essencial que o Fisco comprovasse ter acontecido efetivo acréscimo de capital digno de tributação. Pois bem, Não entrevejo razão nos argumentos trazidos pela recorrente, urna vez ter sido o trabalho fiscal, nesse aspecto, realizado de maneira imaculada. O agente autuante, perscrutando a escrituração da empresa, em cotejo com os extratos de movimentações bancárias fornecidos pela própria fiscalizada, apurou a realização de pagamentos feitos com recursos provenientes de contas correntes, mediante cheques compensados, escriturados a título de débito na Conta Caixa (com o correspondente !-' lançamento a crédito na conta bancária), Simultaneamente, no entanto, notou o fiscal que a empresa não escriturou a saída desses montantes da Conta Caixa, mediante escrituração a título de crédito, com correlato lançamento a débito na conta contábil voltada a registrar os destinos dos pagamentos. O procedimento contábil mantido pela recorrente é nitidamente inadequado, iipois os cheques liquidados por compensação não representam efetivo ingresso de r r citas. Qualquer que tenham sido os motivos alegados para estas operações, certo é que o lanç nento a débito na Conta Caixa deveria ter sido acompanhado do correspondente registro a cr ito na 11 Processo n° 13982.000594/2007-79 51-1E03 Ac6rdào n 1803-00346 H 12 mesma conta, com o mesmo valor, em mesma data ou em dia próximo, consignando a saida dos recursos. Ao assim não proceder, a empresa contribuinte mitigou, irregularmente, eventual saldo credor de caixa, derivado da não contabilização de outros ingressos de receitas. Nesse cenário, agiu corretamente o agente fazendário ao glosar os lançamentos contábeis incorretos. Se, recomposto o caixa, sem a escrituração a débito dos cheques compensados, acabou-se por apurar saldo credor, nada mais acertado do que a tributação desta diferença, consoante expressa determinação do artigo 281, I, do Decreto n° 3.000/99, verbis: "Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses 1- a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; .)" Em idêntico sentido aponta profusa jurisprudência deste conselho, conforme ementas adiante reproduzidas: "IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — SALDO CREDOR DE CAIXA — A emissão de cheques lançados a débito da conta caixa, ainda que destinados a pagamento de encargos da empresa, mas não lançados a crédito desta, configura a hipótese de omissão de receitas, precisamente porque tais pagamentos foram feitos com recursos ficticiamente acrescidos ao caixa (Ac, 1° CC — 103- 23.117/07)" "SALDO CREDOR DE CALVA - CHEQUES LIQUIDADOS POR COMPENSAÇÃO - Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos. Não comprovada as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributando-se, como omissão de receita, os eventuais saldos credores (Ac. 1° CC — 107-06.269/01r "IRPJ Omissão de Receita — Saldo Credor de Caixa — Cheques Compensados — Não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e desconhecendo-se sua destinação, justifica-se seu expurgo do saldo da conta O saldo credor assim apurado autoriza a presunção de omissão de receita. (Ac, 1 "CC 108-09.082/06)" Não se pode admitir a alegação de que a simples constatação de saldo credor de caixa seja incapaz de fulcrar autuações derivadas de omissão de receitas. Deve-se lembrar, mais uma vez, que a presunção preceituada pelo supracitado artigo 281, I, do RIR199 tem natureza iuris lanhem, de forma a ser possível ao contribuinte produzir contra-provas hábeis ao seu emprego. Iii casu, porém, uma vez intimada, não foi capaz a peticionária de explanar, documentalmente, a regularidade de seus escritos contábi -fi_scais. Não logrou ela, nesse 12 Processo n p 13982 000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão tr.° 1803-00346 Fl 13 diapasão, demonstrar o correto registro, a crédito da Conta Caixa, dos valores pertinentes aos cheques compensados arrolados pela Fazenda. A mera apresentação de argumentos genéricos, tangentes ao seu "dia-a-dia" financeiro, é inservível para tal escopo, Corno é típico do instituto da presunção jurídica, passou a hipótese conjeturada, com a falta de provas opostas, a ser considerada como verdade incontroversa (situação factual), não se podendo mais admiti-la como se mera presunção fosse. O procedimento adotado pela Fiscalização obedeceu aos estritos ditames da lei e, por esta razão, não precisa, neste ponto, ser corrigido. (3) Do estorno do empréstimo realizado por sócio à empresa recorrente (suprimento de caixa) De forma análoga à da apuração do saldo credor de caixa acima versado, tributou o Fisco, também, montante de receita cogitado a partir do estorno de pretenso empréstimo realizado à empresa autuada por um de seus sócios, escriturado a título de débito junto à Conta Caixa. A Fazenda, ao apurar o registro deste alegado mútuo, intimou o contribuinte para que este explicasse, documentalmente, a origem e a causa econômica dos recursos. A peticionária, em resposta, limitou-se a juntar recibos assinados pelo sócio mutuante (fls. 930/4), Segundo juízo do agente de lançamento, tais documentos se mostraram insuficientes para o fim que se propunham, tendo se tornado imperiosa a recomposição do caixa e a posterior tributação do saldo constatado. Arguiu a recorrente, contra este entendimento do Fisco, tanto na anterior quanto na presente instância administrativa, que "referidos valores foram entregues em moeda corrente nacional pelo sócio, nas exatas datas indicadas nos recibos lançados no caixa. Estes valores estão todos devidamente contabilizados como empréstimos contratados com o sócio e ,foram apresentados à fiscalização, estando ainda devidaniente declarados pelo sócio nas declarações de rendimentos dos anos-calendário de 2002 e 2003". Ainda nessa seara argumentativa, afirmou a interessada que a glosa dos valores recebidos do sócio, "além de imoral e ilegal é perigosa, porque se for aceita, se for permitida, implicará na extinção do pagamento de valores em espécie, em dinheiro, pelos contribuintes, o que ,fatalmente acabará com qualquer pagamento em moeda corrente, relegando unicamente à movimentação bancária todos os atos dos contribuintes". Pois bem. Sem prejuízo dos esforços do contribuinte, parece-me indubitável que os lançamentos em debate devem ser mantidos, O suprimento de caixa alegadamente realizado pelo sócio, apurado a partir da escrituração da autuada, não pôde colher prova em nenhum dos elementos carreados aos autos. Seu estorno, seguido do lançamento do IRPJ e dos reflexos tributos incidentes, obedeceu estritamente ao comando do artigo 282 do Decreto n° 3.000/99, a seguir copiado: "Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas" Não é árduo perceber que as razões trazidas a lume pelo contribuinte têm caráter simplesmente retórico. Além de ser improvável que o sócio tenha feito aporte, em espécie, da considerável quantia pretensamente emprestada, é ainda de se notar que a mera 13 Processo n° 13982.000594/2007-79 SI-TE03 Acórdão n 1803-00.346 Fl. 14 adução dos recibos colacionados aos autos não cumpre o papel de demonstrar a origem e o titulo da aventada transferência de recursos, Necessária seria a demonstração objetiva do negócio jurídico subjacente ao aporte financeiro, oponível a terceiros, cuja legitimidade pudesse ser aferida objetivamente, para além de simples documentos facilmente fabricáveis por conluio entre sócio e sociedade,. Nesse sentido indica cediça jurisprudência deste órgão julgador: "SUPRIMENTO DE CAIXA - PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS - PROVA DO INGRESSO DOS RECURSOS - A comprovação do ingresso dos recursos supridos deve ser feita mediante documentos objetivamente hábeis, sendo insuficientes elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, alterações contratuais ou recibos, ou a simples alegação da capacidade econômica ou financeira dos sócios. Não restando comprovado com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e o efetivo ingresso das quantias supridas à pessoa .jurídica, configura-se a omissão de receita, que não pode ser elidida pelo simples lançamento contábil, a débito de Caixa e a crédito de conta do sócio, ou a apresentação de contratos de mútuo, firmados entre a empresa e o sócio. (Ac. 1" CC — 105-17. 037/08)" "PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS POR SÓCIO - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE. Inverte-se o ônus da prova quanto à omissão de receita decorrente de suprimento de numerário por sócio em virtude de presunção legalmente estabelecida, O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante (Ac. 1 CC — 101- 96.707/08,)" Rematando o exposto, é ainda se consignar, na linha do acórdão recorrido, que a recorrente não registrou, em sua contabilidade, as operações de pagamentos em tela, ficando plenamente evidenciada, com isso, a lidimidade da presunção legal de omissão de receitas ora empreendida, (4) Da intributabilidade dos valores atinentes a créditos presumidos de IPI Também se rebela a recorrente contra os lançamentos formalizados sobre os montantes de créditos presumidos de IPI apurados no período fiscalizado. Segundo a exegese que encampa, os créditos presumidos de IPI não representariam receita, para fins de incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; ao contrário, ditos ativos configurariam simples ressarcimento dos custos tidos em função do recolhimento das duas contribuições sociais citadas por último, sendo oficioso, por conseguinte, o cancelamento das exigências ora tratadas 14 Processo n° 13982 000594/2007-79 S1-TE03 Acórdão n° 1803-00.346 Fl. 15 Esta matéria vem sendo objeto de controvertidos debates administrativos e juidiciais. Para expormos nosso posicionamento, necessária é a leitura inicial do artigo 10, capta, da Lei n° 9.363/96, que apresenta a seguinte redação: "Art. 1 0 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." A análise do dispositivo acima reproduzido permite dupla exegese. Há juristas que vislumbram no crédito presumido de IPI a natureza de subvenção de custeio, ofertada pelo Poder Público, mediante renúncia fiscal, para auxiliar o beneficiário a arcar com os gastos de sua atividade. Nesta linha de entendimento, os créditos em comento deveriam sempre ser adicionados ao resultado tributável, vez integrarem o conceito de lucro operacional, nos termos do artigo 392, I, do RIR/99. Outra corrente, todavia, com a qual me alinho, entende que os créditos presumidos de IPI representam verdadeiro ressarcimento, oferecido ao contribuinte para compensar as despesas tidas com o recolhimento pretérito de PIS e de COFINS incidentes sobre as operações que a lei especifica. É a própria dicção normativa que nos permite entrever este caráter de recuperação de custos, já que o enunciado do estresido artigo 1' tacha a concessão dos créditos, literalmente, como "ressarcimento de despesas fiscais". A orientação que esposamos conta com partidários neste colegiada, consoante se pode inferir da ementa de julgamento adiante exposta: "CSLL — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - BASE DE CÁLCULO DA CSLL - O crédito presumido de IPI, não tem característica de subvenção para custeio e sim de ressarcimento. Consequentemente, não integra a base de cálculo da CSLL na sistemática do lucro presumido. (Ac. 1° CC — 105-16„469/07)" Fixada, assim, a natureza dos ditos créditos, resta-nos perquirir, contudo, sobre a possibilidade de sua inclusão na base de cálculo 'do IREI e da CSLL. A resposta a esta indagação deve pressupor o fato de o contribuinte ter estado sujeito, à época da apuração dos créditos presumidos (1° trimestre de 2003 e 2° a 4 0 trimestres de 2004), ao regime de apuração pelo lucro presumido, consoante DIP.I's carreadas às fls. 180 e ss. Nesse cenário, a solução da controvérsia parece jazer no artigo 53 da Lei n° 9.430/96, verbis: "Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período 15 Processo n° 13982.00059412007-79 S1-1 E03 Acórdão n ° 1803-00346 P1 16 anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado," Ora, o enunciado normativo é claro: os valores recuperados, a título de custos e despesas — inclusive fiscais, pertinentes ao presente ressarcimento de PIS/COHNS — deverão ser, em regra, adicionados ao lucro presumido, salvo se tais montantes se referirem a penados igualmente abrangidos pela sistemática de lucro arbitrado ou presumido — o que ocorreu 1'11 casii. A orientação ora agasalhada já encontrou guarida em outros precedentes do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: "LUCRO PRESUMIDO - RECUPERAÇÃO DE CUSTOS - De acordo com o art. 53 da Lei 9,430/96, os custos ou despesas recuperados não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real ou se se referirem a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado, (Ac, 1" CC — 101-95.443/06)" Não posso deixar, em face do exposto, de votar pela exclusão, junto às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, dos montantes pertinentes aos créditos presumidos de IPI auferidos pela recorrente. Quanto à incidência do PIS e da COFINS sobre tais ativos, por sua vez, visiono também a necessidade de expurgo, haja vista a concessão de créditos presumidos de IPI representar mecanismo de recuperação de custos, inconfundível com a aferição de receitas de faturamento. A respeito da abrangência do conceito de faturamento, foi definido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09/11/2005, por meio de acórdão prolatado para solução do Recurso Extraordinário — RE n° 390840/MG, transitado em julgado em 29/09/2006, o entendimento de que só poderiam ser tributadas pelo PIS e pela COHNS as receitas derivadas de venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços, afastados os demais rendimentos não-operacionais percebidos pelo sujeito passivo fiscal. Neste sentido, estornadas da tributação, relativamente a estas contribuições, estariam também os créditos presumidos em discussão, uma vez ter sido declarada inconstitucional a regra do artigo 3", § 1", da Lei n° 9.718/98, ampliador da base imponível das citadas exações. Tal entendimento judicial deve ser observado por este Conselho, em todos seus termos. Isto assim se faz por força da promulgação da Lei if 11.941, em 27/05/09, responsável por adicionar ao Decreto n° 70.235/72, regularnentador do Processo Administrativo Fiscal, o artigo 26-A, § 6°, inciso I, vigente com as seguintes feições redacionais: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob finidamento de inconstitucionalidade, 16 Processo n° 13982.00059412007-79 51 -TE03 Acórdão n ° 1803-00.346 Fl. 17 § O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo,- 1- que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (,)" Nesse sentido já decidiu este conselho: "CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1" DO ART. 3" DA LEI N° 9,718/98 DECLARADA PELO STF, IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS, O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (Acs, 2° CC — 202-18,397/07 e 202-18.396/07)" Não há, portanto, como se admitir a manutenção das exigências de PIS e COFINS formalizadas sobre os créditos presumidos autorizados pela Lei n° 9.363/96. É necessário o expurgo destes rendimentos, junto ao total de faturamento averiguado pelos trabalhos fazendários. (5) Da imposição de multa qualificada de 1.50% Em quinto lugar, discute a autuada a cominação da multa qualificada de 150%, aplicada a parte dos autos de infração elaborados. O agente autuante majorou a sanção oficiosa por entender que a omissão iterada de receitas, por parte da empresa fiscalizada, mediante escrituração inadequada dos cheques compensados, de um lado, e realização de mútuo não documentalmente comprovado, entre sócio e sociedade, de outro lado, indicaria evidente finalidade de fraude. Parece-me esta qualificação, no entanto, insustentável. Não obstante o brilhantismo do trabalho de fiscalização realizado, vejo como desarrazoada a impingência da penalidade majorada, haja vista não ter sido comprovadas com a necessária certeza que o tópico requer, a ocorrência de fraude ou de dolo específico, nos moldes dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502/64. A imposição da multa de 150% não pode se embasar na mera constatação da omissão de rendimentos tributáveis, ainda que de forma repetida e vultosa. Para se legitimar a penalidade mais gravosa, é indispensável que o Fisco demonstre, de forma indubitável, ter havido evidente intuito fraudulento, mediante mecanismos ou negócios identificáveis aos tipos penais dos citados artigos de lei. Este elemento de culpabilidade não pode ser deduzido da simples não informação das circunstâncias do fato gerador' à autoridade fazendária, sendo in ispensáveis provas mais robustas. 17 Processo n" 13982.000594/2007-79 81-1 E03 Acórdão a° 1803-00.346 F I 18 A profusão de julgados no sentido que ora defendemos, proferidos por este colegiado, deu ensejo à formalização da Súmula n" 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "Súmula CARF n" 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo," A existência de intuito doloso não pode ser presumida. Devem ser minoradas, por isso, todas as multas de oficio de 150%, passando elas a encenar o importe de 7.5%, na forma do artigo 44, I, da Lei n° 9A30/96. Em vista da conexão dos ternas, também se faz necessária, nesse cenário, a revisão do tratamento dado pelo aresta recorrido às arguições de decadência dos créditos tributários. Passemos a este tópico. (6) Da decadência de parcela dos créditos tributários constituídos Por fim, a empresa interessada aduz ter havido decadência de parte dos lançamentos realizados. O acórdão recorrido, ao analisar o mesmo pedido, denegou-o, afirmando que, em face do intuito de fraude manifestado pelo contribuinte, incidiria ao caso a metodologia insculpida pelo artigo 173, I, do CTN. Como demonstrado, contudo, não há, nos autos, prova suficiente do aludido escopo elisivo, autorizador da aplicação do critério de cômputo decadencial mais prejudicial ao contribuinte. O critério de contagem do lustro de caducidade dos tributos, a ser aplicado à hipótese, não pode, pois, ser outro que não aquele previsto pelo artigo 150, § 4°, do em É interpretação pacífica neste conselho aquela que manda se contar o quinquênio decadencial a partir da data de concretização dos fatos geradores, sempre que se cuidar de tributos sujeitos a lançamento por homologação — tais como o IRPJ, a CSLL, a contribuição ao PIS e a COFINS, todos ora objeto de debate. A ciência da lavratura das peças acusatórias foi dada ao contribuinte em 16/10/07, conforme fl. 68. Computando-se retroativamente os cinco anos pertinentes, conforme mandamento do supracitado artigo 150, § 4', do CTN, ternos que os lançamentos em discussão só poderiam tanger a fatos imponiveis realizados até 16/10/02, restando decaídas todas as obrigações tributárias nascidas antes disso. Fica claro, destarte, que, dentre as exigências desfavoráveis à recorrente, ó podem ser mantidas aquelas correlatas ao IRPJ e à CSLL incidentes a partir do 4° trimestre de 2002, inclusive. Quanto às autuações de PIS e COHNS, por outro lado, mostram-se sustentáveis apenas aquelas pertinentes ao mês de outubro de 2002, e daí em diante. Todos os demais lançamentos devem ser considerados caducos, para todos os efeitos. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: a) expurgar, das bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os valores atinentes a créditos presumidos de IPI; b) reduzir as multas de oficio qualificadas cominadas, passando-as de 150% para 75%; c) reconhecer a decadência dos créditos de IRPI e CSLL lançados anteriormente ao 4° trimestre do ano-base de 2002; e d) declarar a caducidade das exigências de PIS e COFINS pertinentes a fatos g- ai ores ocorridos anteriormente a 31/10/02. BENEDICTO CEL'i, O 'CIO JUNIOR 18 Processo n" 13982. 000594/2007-79 S1-TE03 Acói dão o" 1803-00.346 Fl 19 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um. dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art., 81, § .3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009.. Brasília, (,) r k). - ariste JAC/U1.1.k.b-pjf_‘...,(4) a "de SonSa-Ródrigues 'i- Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração, 19 4a Câmara MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF ia Seção QUARTA CÂMARA - i a SEÇÃO CARF Processo n° : 13982.000594/2007-79 Interessado(a) : MÓVEIS RIPKE LTDA TERMO DE JUNTADA a Seção/43 Câmara Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.346, (fls. e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em Chefe da Secretaria
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