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Numero do processo: 13823.000492/2008-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL.
A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação .
O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação . O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação . O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 3. 00 04 92 /2 00 8- 67 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13823.000492/200867 Acórdão n.º 1001000.126 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 80 a 83) interposto contra o Acórdão nº 0360.731, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 70 a 73), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos FederaisDCTFdo 2º Semestre de 2007, anocalendário de 2007, no qual está sendo exigido do interessado supra identificado o crédito tributário no valor de R$ 500,00. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento contestando a cobrança da multa por atraso, alegando, em síntese, falta de previsão legal para imposição da multa, além do fato de que apresentou a declaração em atraso, porém espontaneamente. Cita jurisprudência nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13823.000492/200867 Acórdão n.º 1001000.126 S1C0T1 Fl. 4 3 Cientificado da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário argumentando acerca do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, que, em seu entender, deveria ser aplicado ao presente caso para excluir a exigência fiscal em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, destacase que é inconteste que o Recorrente deixou de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos FederaisDCTF referente ao 2º Semestre de 2007 dentro do prazo devido. Desta forma, não há que se negar que este incorreu nas penalidades previstas pela Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art 7º, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, conforme transcrevo: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarse á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13823.000492/200867 Acórdão n.º 1001000.126 S1C0T1 Fl. 5 4 destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. De forma diversa da pretendida pela Recorrente, entendo não aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art, 138 do CTN ao presente caso, vez que não se trata de multa decorrente do não pagamento de tributo, mas sim descumprimento de obrigação acessória autônoma. Neste ponto, cabe ressaltar que as obrigações acessórias autônomas não são abrangidas pelo dispositivo supramencionado, conforme foi irretocavelmente exposto na decisão ora atacada, da qual tomo a liberdade de reproduzir o seguinte excerto: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13823.000492/200867 Acórdão n.º 1001000.126 S1C0T1 Fl. 6 5 "Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerado como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário NacionalCTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos do fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Administração Pública pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." Ademais, se faz oportuno registrar que o entendimento acima exposto, acerca da denúncia espontânea, já foi pacificado e sumulado por este Conselho, conforme transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, concluo como correta as conclusões adotadas pela decisão de primeira instância, não merecendo essa qualquer reparo. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720327/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012
REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS, GOZADAS OU INDENIZADAS. ADICIONAL DE FÉRIAS.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias.
O caráter remuneratório dos adicionais de férias, gozadas ou indenizadas, (art. 7°, XVII, da CF) é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.
A incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13º salário está prevista expressamente na legislação tributária. (Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 7º.)
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.
Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014.
MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO.
A aplicação da multa isolada pr falsidade de declaração, prevista pelo art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.488.de 2007, é necessário que reste caracterizado o dolo, ou seja, a vontade de apresentar declaração falsa.
Numero da decisão: 2301-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, (b) por maioria de votos lhe dar parcial provimento para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.136-4, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração; vencidos os conselheiros João Maurício Vital e Andrea Brose Adolfo, que negavam a provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012 REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS, GOZADAS OU INDENIZADAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. O caráter remuneratório dos adicionais de férias, gozadas ou indenizadas, (art. 7°, XVII, da CF) é inequívoco, pois tratam-se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. A incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13º salário está prevista expressamente na legislação tributária. (Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 7º.) RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A aplicação da multa isolada pr falsidade de declaração, prevista pelo art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.488.de 2007, é necessário que reste caracterizado o dolo, ou seja, a vontade de apresentar declaração falsa.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, (b) por maioria de votos lhe dar parcial provimento para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.136-4, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração; vencidos os conselheiros João Maurício Vital e Andrea Brose Adolfo, que negavam a provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720327/201326 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.168 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE BELFORD ROXO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012 REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS, GOZADAS OU INDENIZADAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. O caráter remuneratório dos adicionais de férias, gozadas ou indenizadas, (art. 7°, XVII, da CF) é inequívoco, pois tratamse de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. A incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13º salário está prevista expressamente na legislação tributária. (Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 7º.) RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 03 27 /2 01 3- 26 Fl. 1726DF CARF MF 2 decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A aplicação da multa isolada pr falsidade de declaração, prevista pelo art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.488.de 2007, é necessário que reste caracterizado o dolo, ou seja, a vontade de apresentar declaração falsa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, (b) por maioria de votos lhe dar parcial provimento para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração; vencidos os conselheiros João Maurício Vital e Andrea Brose Adolfo, que negavam a provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0735.145, exarado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) (e fls. 12461259), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), abaixo discriminados, que compõem o presente processo: AIOP nº 51.010.1356: referente à exigência das contribuições a cargo da empresa, devidas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat), incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, devido (a) às diferenças entre os valores informados em folhas de pagamento e os declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 10/2010, 11/2010 e 13/2010 (Levantamento FP) e (b) a glosas de compensações indevidas, nas competências 05/2010 a 11/2010 e 13/2010, informando em Gfip valores que não tem o direito previsto em lei nem em decisão judicial (levantamento GC). Cópias das folhas de pagamento às efls. 4988. AIOA nº 51.010.1364: referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto aos créditos Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 3 3 informados, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no período de 03/2011 a 08/2012 (levantamento CI). De acordo com o relatório fiscal (efls. 1822), em resposta à intimação fiscal, a Municipalidade informou que efetuou compensação das contribuições pagas a título de terço constitucional de férias e de horas extras, com base em decisões favorecendo terceiros, que obtiveram ganho de causa pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. A autoridade fiscal informa que não constam, nas folhas de pagamento da Prefeitura Municipal, valores pagos a título de horas extras e que s referidas decisões judiciais sobre o teço de férias não dizem respeito ao Regime Geral da Previdência. Transcrevo do relatório fiscal: O Município apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) invalidade do auto de infração em razão da ausência de individualização dos débitos, b) ausência de fundamentação quanto à falsidade da declaração a justificar a aplicação da multa isolada de 150% e seu caráter confiscatório; c) que não se operou a prescrição para compensar as contribuições incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos, declarada inconstitucional, d) que não são tributáveis as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, férias gozadas, auxílio universitário e décimoterceiro salário, e) existência de direito creditório decorrente de divergência entre valores retidos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e valores declarados em GFIP (relatório CCORGFIP). A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme ementa a seguir: Fl. 1728DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2013 AIs nos 51.010.1355 e 51.010.1364, de 13/12/2013. EMISSÃO DE UM AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS SOB FUNDAMENTOS JURÍDICOS. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO. É plenamente viável a emissão de apenas uma auto de infração para constituição de créditos tributários com base em fundamentos jurídicos distintos. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS COM BASE EM REGRA DE INCIDÊNCIA PREVISTA EM LEI AINDA VÁLIDA. NECESSIDADE DE RECONHECER AO JUDICIÁRIO. O simples entender do contribuinte de que a contribuição previdenciária foi recolhida com fulcro em lei inconstitucional ou ilegal não o autoriza a compensar os valores já pagos, tendo em vista a necessidade de recorrer ao Judiciário para se pronunciar a respeito do seu direito à compensação. PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES PAGAS COM BASE EM DECLARADA INCONSTITUCIONAL NO CONTROLE CONCENTRADO. CINCO ANOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. O prazo para pleitear compensação de tributos pagos com base em lei declarada inconstitucional no controle concentrado de leis é de cinco anos, contados do pagamento indevido. FÉRIAS GOZADAS, RESPECTIVO TERÇO CONSTITUCIONAL E AUXÍLIO PARA PAGAMENTO DE CURSO SUPERIOR. PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição, sujeitandose a incidência de contribuição previdenciária as férias gozadas, o terço de férias sobre férias gozadas e o auxílio para pagamento de curso superior. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. As DRJ não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 18/11/2014 (efl. 1263). Em 12/12/2014, o Ente Federado interpôs recurso (efls. 12651283), alegando, em síntese: Quanto a compensação: Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 4 5 (a) ser fato incontroverso nos autos que o Recorrente recolheu as parcelas por ele compensadas a título de férias gozadas, terço constitucional de férias e auxílio curso superior, verbas que o Fisco reconhece que compuseram a sua base tributável, pois no relatório fiscal foi registrado que apenas o terço de férias não constou na sua base tributável; (!!! para lembrar: no relatório fiscal são descritas compensações indevidas de terço constitucional de férias e de horas extras) (b) que o terço de férias e o adicional de horas extras possuem natureza indenizatória, de modo que não integram o salário de contribuição; refere que a Lei 8.212, de 1991 e a IN RFB 971, de 2009 não poderiam desbordar do caráter contributivo do regime Previdenciário, previsto na Constituição Federal, art. 201; como pagou indevidamente contribuição previdenciária sobre as horas extras (parcela indenizatória), sobre as quais discorre; cita jurisprudência judicial neste sentido; afirma que o mesmo pode ser dito sobre o terço de férias (c) não incidir contribuição previdenciária sobre o "auxíliouniversitário", asseverando que, para fins da isenção prevista no art. 28, § 9º, "t", da Lei 8.212/91, é irrelevante a distinção entre educação profissional, educação básica e educação superior, desde que exista vinculação do campo de estudo às atividades da empresa. Ademais, não se trata de contraprestação pelo trabalho, o que exclui essa verba do fato gerador previsto no art. 28, I, da Lei 8.212/91; (d) A Lei 12.844, de 2013, art. 19, IV, § 7º, prevê a possibilidade de revisão de ofício dos créditos constituídos; Quanto à divergência entre os valores declarados e recolhidos: (e) Reproduzo as razões da litigante: O extrato CCORGFIP relaciona os valores informados por si em GFIP, com os valores efetivamente recolhidos a título de contribuição previdenciária. Por se tratar de documento nitidamente público e por evidenciar informações constantes da base de dados da Receita Federal tal documento se classifica como prova incontestavelmente apta a corroborar as divergências positivas evidenciadas. É que, fazendose um comparativo entre as declarações prestadas e os valores recolhidos chegase a montante compensável (recolhimentos a maior que o devido) Explicase: com o advento da Lei n. 11.196/2005, que instituiu o Parcelamento Especial chamado "REFIS 3", os entes federativos a ele aderentes firmaram o compromisso de se verem debitados das obrigações previdenciárias em suas respectivas Repartições de Receitas Tributárias, prevista no art. 157 e ss., da Constituição Federal. Em se tratando de Município, o débito das referidas obrigações ocorre na Ia. cota do FPM, em regra a cada dia 10. (...) Fl. 1730DF CARF MF 6 Assim sendo, temse que os referidos recolhimentos ocorreram, em muitas oportunidades, a maior, quando comparados aos valores informados, o que gerou um prejuízo razoável ao contribuinte, os quais se encontram especificados na planilha e nos extratos de retenções do FPM, ambos em apêndice. Na maioria das vezes, a divergência se deu por conta da data em que se transmitiu a informação, por meio de oficio, que deveria seguir à Delegacia da Receita Federal até o 2o diaútil de cada mês. Quando a informação não chegava a tempo, a autoridade fazendária lançava o débito pela média dos meses anteriores. A Instrução Normativa INSS/DC n° 6, de 16 de dezembro de 1999, que dispõe sobre a amortização especial de dívidas oriundas de contribuições sociais e obrigações acessórias dos Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, constando da Cláusula 6a do TADF TERMO DE AMORTIZAÇÃO DE DÍVIDA FISCAL, com o seguinte teor: Cláusula 6 – o DEVEDOR autoriza seja efetuada a retenção no FPM e o repasse ao INSS do valor das suas obrigações previdenciárias correntes, assim como das mesmas obrigações das Câmaras Municipais, cuja dívida faça parte deste acordo, correspondentes ao mês anterior ao do recebimento do respectivo Fundo, bem como nas outras receitas municipais depositadas em quaisquer instituições financeiras, na hipótese em que os recursos do referido FPM sejam insuficientes para a quitação destas obrigações. Nessa senda, a Lei n°. 10.522/2002, em seu art. 14D, incluído pela Lei n° 11.941/2009, consolidou o entendimento segundo o qual os parcelamentos poderão ser adimplidos mediante retenção direta no FPM, bem como as obrigações correntes, ambas a título de recolhimento de contribuição previdenciária. Senão, vejamos: (...) Posto isso, devemos nos focar no principal fundamento da Autoridade Fiscal no tocante à negativa do pleito, o qual reside na afirmação de que os valores sobejantes no cotejo entre os valores declarados em GFIP e os valores retidos na cota do FPM cabida ao município dizem respeito às mensalidades do parcelamento simultaneamente cobrado”. A fim de verificar a veracidade do que aqui afirmamos, já foram juntados aos autos os "Demonstrativos de Distribuição da Arrecadação", através dos quais podem ser vistas, sob as rubricas "INSSPARCADM" e "PARC./RET.INSS", as retenções relativas aos parcelamentos do Município junto à RFB. Paralelamente, podem ser vistos nos mesmos Demosntrativos de Distribuição da Arrecadação” os valores constantes sob a rubrica ”INSS EMPRESA", os quais dizem respeito às retenções realizadas com o fim de quitar as obrigações previdenciárias correntes do contribuinte. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 5 7 Tudo isso nos permite concluir que a afirmação de que os valores retidos no FPM do contribuinte não dizem respeito às mensalidades dos parcelamentos, vez que estas são deduzidas sob o rótulo independente, tal qual mostram os demonstrativos colacionados. Nesse norte, não há que se falar em glosa dos referidos valores, isso porque os recolhimentos a maior causaram forte desequilíbrio nas contas do município recorrente, que se viu credor da União nas respectivas competências, valendose das compensações realizadas para utilizar seu direito de crédito. Quanto ao enquadramento SAT/RAT (f) questiona a glosa também no que tange aos valores compensados a título valores pagos a maior em razão do enquadramento equivocado do contribuinte na alíquota SAT/RAT 2%; afirma que o principal fundamento da Autoridade Fiscal para glosar os valores compensados reside na afirmação de que o contribuinte não retificou as declarações anteriores, e que em razão disso não poderia terse compensados dos valores equivocadamente recolhidos; assevera que tal afirmação lhe parece absolutamente despropositada, sobretudo se considerado que a Autoridade Fiscal limitase a mencionar genericamente o artigo 32 da Lei 8.212, o qual em momento algum condiciona a compensação à retificação das GFIP's; Quanto à multa isolada: (g) ser indevida a multa isolada, uma vez que a falsidade não ficou demonstrada nos autos. Foram feitos os seguintes pedidos: (i) ser acatado o pleito de compensação dos valores declarados a título de verbas indenizatórias, divergência CCOR/GFIP e alíquota SAT/RAT; (ii) cumulativamente, com esteio nas Súmulas 14 e 25 do CARF, que seja anulado o DEBCAD 51.010.1364, referente à Penalidade Isolada. Em 13/04/2016 esta Turma, em face de provocação realizada pela relatora original deste processo, conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, determinou diligência, nos seguintes termos: Diante do exposto, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada e conclusiva da autoridade lançadora quanto ao aqui exposto, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) informar se subsistem recolhimentos, sejam espontâneos ou mediante retenção do FPM, a maior do que o declarado na GFIP e que não tenham sido apropriados em outros débitos do contribuinte, como, por exemplo, para quitação de parcelas de parcelamentos. b) informar se há diferenças entre GFIP e GPS que foram objeto de compensação pela Recorrente. Em caso afirmativo, demonstrar, para cada competência da compensação, o período do indébito e o valor compensado. Fl. 1732DF CARF MF 8 c) informar se o recolhimento em valor superior ao declarado foi aproveitado para redução do valor glosado neste auto de infração, em outro lançamento tributário ou foi objeto de pedido de restituição. d) se for o caso de se aproveitar este específico crédito, demonstrado no CCORGFIP, para reduzir o valor glosado da compensação, elaborar planilha de valores demonstrando, por competência, o crédito do contribuinte a ser considerado e o valor retificado da glosa. e) esclarecer se existe direito creditório decorrente de diferença de alíquota SAT. Se for o caso de se aproveitar este específico crédito para reduzir o valor glosado da compensação, elaborar planilha de valores demonstrando, por competência, o crédito do contribuinte a ser considerado e o valor retificado da glosa. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, podendo, para isso, intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, prestar informações adicionais e juntar documentos que entender necessários, e, após concluída a diligência, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Na informação fiscal das efls. 1.305 a 1.308, a autoridade preparadora informa que intimou a recorrente, em 29/07/2016, a apresentar os seguintes esclarecimentos: Demonstrar quais valores recolhidos em GPS não estão vinculados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias declarados em GFIP, bem como demonstrar a que se referem tais valores. Demonstrar quais valores referentes a diferenças recolhidas a maior entre GPS e GFIP foram objeto de compensação em GFIP, destacando para cada competência onde houve compensação o período do indébito e o valor compensado. Informar se eventuais valores recolhidos em GPS a maior do que o declarado em GFIP foram objeto de pedido de restituição. Em caso positivo, apresentar documentação comprobatória. Demonstrar quais valores retidos no Fundo de Participação dos Municípios não se referem à quitação de obrigações correntes nem tampouco à quitação de parcelamentos. Demonstrar, por competência, eventuais diferenças de alíquota de SAT recolhidas a maior, bem como informar os valores eventualmente compensados e em quais competências foram efetivadas tais compensações, discriminando também por competência. Todas as demonstrações e informações, assim como eventuais esclarecimentos, devem ser apresentados acompanhados de documentação comprobatória. Solicitada e concedida prorrogação de prazo, não foi prestada qualquer informação tempestiva. Concluiu a autoridade fiscal: Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 6 9 CONCLUSÃO 9. Quanto ao item "a", o interessado não apresentou quaisquer elementos comprobatórios necessários e suficientes para que este Auditor Fiscal preste as informações solicitadas. 10. Quanto ao item "b", o interessado não apresentou quaisquer elementos comprobatórios necessários e suficientes para que este Auditor Fiscal preste as informações solicitadas. 11. Quanto ao item "c", informo que os recolhimentos em GPS a maior do que o declarado em GFIP não foram aproveitados para redução do valor glosado neste Auto de Infração, nem em outro lançamento tributário, pelo fato de não ter sido comprovado, à época, a que tais recolhimentos se referem, assim como neste momento, apesar de ter sido intimada, a PMBR não prestou as informações solicitadas a esse respeito. Quanto à informação se tais recolhimentos foram objeto de pedido de restituição, da mesma forma, o interessado não prestou tal informação, apesar de intimado para tal. (Grifouse.) 12. Quanto ao item "d", entendo que os lançamentos devem ser mantidos integralmente, por não haver fatos novos que provem a existência de créditos passíveis de aproveitamento, uma vez que o interessado não apresentou qualquer resposta ao TIF n°01. 13. Quanto ao item "e", entendo que os lançamentos devem ser mantidos integralmente, por não haver fatos novos que provem a existência de créditos passíveis de aproveitamento em relação a diferença de alíquota de SAT, uma vez que o interessado não apresentou qualquer resposta ao TIF n° 01. Cinquenta e oito dias após o decurso de prazo, a recorrente se manifestou pelo Ofício n° 450/GP/2016 (efls. 1311 a 1336), não se manifestando sobre o objeto da diligência e desbordando, quase por completo, de suas razões de defesa suscitadas na impugnação e no recurso voluntário. Afirmou, em síntese, que efetivou compensações devido a recolhimentos a maior sobre (a) verbas nãointegrantes do salário de contribuição, como abono e auxíliouniversitário, adicional de férias gozadas, auxíliodoença (primeiros 15 dias), auxílio acidente e aviso prévio indenizado, adicional de horaextra, de insalubridade, de periculosidade, noturno e gratificações, férias gozadas e usufruídas, saláriomaternidade, décimoterceiro salário, (b) valores recolhidos sobre subsídios dos agentes políticos e (c) divergências entre valores declarados e recolhidos. Propugnou, ainda, a insubsistência da multa de ofício. Pediu a homologação das compensações realizadas. A respeito das alegações da recorrentes, concluiu a autoridade preparadora do Despacho de diligência (efls. 1717 a 1721) 17. Da análise realizada, concluo que nenhuma das demonstrações e informações solicitadas no Termo de Intimação Fiscal n°1, cuja ciência se deu em 29/07/2016, foram apresentadas. 18. Considerando que tais esclarecimentos e informações são indispensáveis e imprescindíveis para o atendimento aos quesitos discriminados no item 16 acima, nada tenho a Fl. 1734DF CARF MF 10 acrescentar na Informação Fiscal de 19 de setembro de 2016, mantendoa integralmente. Os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator DO RECURSO VOLUNTÁRIO AIOP Nº 51.010.1356 Como visto, o AIOP 51.010.1356 referese (a) à diferença entre os valores informados em folhas de pagamento e os declarados Gfip nas competências 10/2010, 11/2010 e 13/2010 (Levantamento FP) e (b) a glosas de compensações indevidas, nas competências 05/2010 a 11/2010 e 13/2010 (levantamento GC). Como visto, não houve recurso quanto à diferença entre os valores informados em folhas de pagamento e os declarados Gfip nas competências 10/2010, 11/2010 e 13/2010 (Levantamento FP), pelo que tal o lançamento que versa sobre tal matéria está constituído definitivamente. Passo a bordar as questões levantadas no recurso voluntário. GLOSAS DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS Quanto às glosas de compensações indevidas (levantamento GC), a recorrente refere que se devem a I – ao recolhimento indevido de verbas indenizatórias e II – direito creditório decorrente de retenção do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). I – Verbas Indenizatórias Quanto às verbas indenizatórias, na impugnação foi referido que essas seriam condizentes com a recuperação das contribuições previdenciárias indevidamente recolhidas sobre verbas de natureza indenizatória referentes ao terço de férias, às férias gozadas, ao auxíliouniversitário e ao 13º salário (efls. 147, 151, 152, 154 da impugnação); em sede do recurso voluntário, que limita a matéria devolvida a este CARF, são indicadas como verbas a serem recuperadas as atinentes ao terço de férias, ao adicional de horas extras, ao auxíliouniversitário e decorrentes do equivocado enquadramento na alíquota SAT/RAT de 2% (efls. 1267, 1274 e 1280); em sede de manifestação em decorrência da diligência solicitada por esta Turma, são citadas diversas outras verbas, como, por exemplo, saláriomaternidade, férias gozadas, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional noturno, gratificações; ademais, é referido que parte do montante decorreria de valores recolhidos sobre subsídios de agentes públicos e de divergências entre os valores declarados e recolhidos. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 7 11 Descabe conhecer da matéria que não foi nem impugnada nem objeto de recurso voluntário, uma vez que considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997); além disso, também não deve ser conhecida a matéria que foi objeto de impugnação mas não foi suscitada em sede de recurso voluntário, uma vez que a competência do CARF é limitada ao julgamento do recurso voluntário, o que inclui e se limita à matérias nele suscitadas (art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 – Ricarf.) Para facilitar a visualização, elaboro um quadro comparativo: MATÉRIAS CONTESTADAS IMPUGNAÇÃO RECURSO VOLUNTÁRIO TERÇO DE FÉRIAS TERÇO DE FÉRIAS FÉRIAS GOZADAS AUXÍLIOUNIVERSITÁRIO AUXÍLIOUNIVERSITÁRIO 13º SALÁRIO ADICIONAL DE HORAS EXTRAS ENQUADRAMENTO NA ALÍQUOTA SAT/RAT DE 2% Assim, limitome à conhecer e analisar as alegações atinentes às parcelas que foram objeto da impugnação e do recurso voluntário, ou seja as verbas concernentes ao terço de férias e ao auxíliouniversitário, indicadas, em sede de recurso voluntário, como origem das compensações glosadas. Quanto ao terço constitucional de férias (adicional), adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, os argumentos do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi em seu voto no Acórdão 2401003.943: A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, "o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados". (A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/ Fl. 1736DF CARF MF 12 tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014) No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição "não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo".(Idem p. 57.) Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo "folha de salários", "demais rendimentos" e "ganhos habituais", sendo que este último não deixa de ser "rendimento", "a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF". (Idem p. 68.) E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu "saláriodecontribuição" (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de "remuneração" e de "saláriode contribuição". Entendemos que remuneração "pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que "remunere" (Ibidem p. 69 e seguintes.), de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição"), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, "assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho" (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em "contraprestação" (uma prestação por outra), mas sim em "retribuição", ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão "contraprestação" ao invés de "retribuição". Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 8 13 nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). Assim, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no saláriomaternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas FÉRIAS (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), bem como sobre o avisoprévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. (Grifouse.) O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do saláriodecontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). (Grifouse.) Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014, cuja ementa é: Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Fl. 1738DF CARF MF 14 Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Nãoinclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. (Grifouse.) Friso que se fossem conhecidas as alegações respeitantes às parcelas ditas indenizatórias que não foram objeto de impugnação, os argumentos do contribuinte seriam rejeitados pelas exatas razões retroexpostas. Por outro lado, se fosse conhecida a sua arguição condizente com o indevido enquadramento Sat/Rat, essa seria rejeitada pela desconexão das razões de defesa (ser indevida a glosa dos valores pagos a maior em razão do enquadramento equivocado na alíquota SAT/RAT) com o lançamento (glosa de valores indevidamente compensados correspondentes ao terço constitucional de férias e a horasextras) e, por outro lado, por absoluta falta de provas de sua inclusão na base de cálculo do presente lançamento. Em relação aos valores pagos a título de AUXÍLIOUNIVERSITÁRIO, a recorrente alega que (a) sob uma perspectiva axiológica, o entendimento do Fisco demonstra imensa insensibilidade, vez que põe na mesma situação fiscal o contribuinte que estimula a educação de seus colaboradores, e aquele que nada faz em prol do estímulo da educação de seus empregados; (b) a distinção entre "educação profissional", "educação básica" e "educação superior" é de absoluta irrelevância, eis que, face à alínea “t”, § 9°, do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991, a vinculação dos campo de estudo às atividades da empresa, já é suficiente para isentar o "auxíliouniversitário" do âmbito da incidência da tributação sobre a folha; (c) a interpretação literal do inciso I, do mesmo artigo 28, também isenta a verba, uma vez que há incidência de tributo apenas sobre os ganhos que sejam "destinados a retribuir o trabalho" e que sejam também "habituais", o que não ocorre no caso. Não lhe assiste razão. Por primeiro, reitero que o lançamento trata unicamente da glosa de valores indevidamente compensados correspondentes ao terço constitucional de férias e a horasextras. Desse modo, as alegações respeitantes à natureza indenizatória do auxílio universitário são estranhas ao presente caso, pelo que não devem ser conhecidas. Caso reste vencido quanto a não conhecer essa matéria, o recurso voluntário deve ser denegado pelas razões que se seguem. O comando do art. 150, § 6º, da Constituição Federal, determina que “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas”: Art. 150 (...) (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 9 15 regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (Grifouse.) Ademais, também dispõe a Constituição Federal, em seu art. 195, caput, que a “seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (Grifouse.) No caso, a lei a ser considerada para os períodos ocorridos de 2010 até outubro de 2011 (início da vigência da Lei 12.513, de 26/10/2011) é a Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, §9°, alínea "t", que estabelecia dois requisitos cumulativos para que as bolsas de estudos não integrem o salário de contribuição, quais sejam, (a) visem à educação básica ou cursos de capacitação profissional capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e (b) que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). (Grifouse.) Após a vigência da Lei 12.513, de 26/10/2011 são requisitos cumulativos: (a) visar à educação básica e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; (b) não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (c) o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapassar 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por Fl. 1740DF CARF MF 16 cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Segundo a Lei n° 9.434, de 1996, art. 21, a educação escolar compõese de dois níveis: (1) educação básica, da qual fazem parte a educação infantil, o ensino fundamental e ensino médio; e b) de educação superior. De acordo com tal diploma legal, a educação superior (Título V, Capítulo IV) difere da educação básica (Título V, Capítulo II) e da educação profissional e tecnológica (Título V, Capítulo III), o que denota que esta não está classificada entre as categorias de educação abrangidas pela isenção prevista no art. 28, § 9°, "t", da Lei n° 8.212/1991. Sendo assim o auxíliouniversitário pago aos servidores municipais integra o saláriodecontribuição, estando, pois, sujeito à incidência de contribuição previdenciária. DIREITO CREDITÓRIO DECORRENTE DE RETENÇÃO DO FPM A recorrente afirma serem as diferenças entre os valores declarados e recolhidos devidas a direito creditório decorrente de retenção do Fundo de Participação dos Municípios, em valor superior ao devido pelo Município, incluindo seus débitos correntes (GFIP) e os parcelamentos, cujas diferenças estão demonstradas no relatório da própria Receita Federal (CCORGFIP). Adoto como razões de decidir os fundamento da decisão recorrida, que transcrevo: Primeiramente, cabe registrar que, no item 1 do Ofício n° 2127/2010, expedido pela Prefeitura de Belfort Roxo, em resposta à intimação do agente fiscal, foi informado que as compensações realizadas referiamse a contribuições indevidamente para sobre verbas de natureza indenizatória no período de 05/2000 até os dias atuais. Em nenhum momento, o contribuinte mencionou um suposto crédito oriundo de retenção do FPM realizado a maior. Não obstante isso, examinando os extratos do sistema "Plenus" trazido pelo impugnante aos autos (fls. 1200 a 1215), concernentes ao batimento dos valores informados em GFIP com os recolhimentos feitos, constato que são apresentados no citado relatório informações atinentes às competências 01/2000 a 04/2012. De pronto, é importante deixar registrado que eventuais recolhimentos anteriores a 05/2005 não podem ser aproveitados por ter operado a prescrição para efeitos de compensação, conforme as regras já explicitadas anteriormente. Quanto às demais competências, de fato, em algumas competências há uma diferença de recolhimento a maior, porém em valores não muito significativos. Em contrapartida, em outros meses há pagamentos de contribuição previdenciária em patamar inferior àqueles valores declarados como devidos em GFIP, sobretudo no período compreendido entre 03/2008 e 06/2008, em que a quantia devida superou a cifra de R$ Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 10 17 3.200.000,00, sem haver recolhimento algum. Ora, o ônus de comprovar do direito creditório é do contribuinte. No caso dos autos, o impugnante afirmou que tinha sofrido retenções no valores do FPM a si atribuídos, não indicando em que competências isso ocorreu, tampouco em que montante. Também não conduziu aos auto nenhum documento tendente a comprovar que os pagamentos registrados no sistema “Plenus” diz respeito, efetivamente, a retenções do FPM. Por outro lado, vêse, pelos extratos carreados, que, embora em algumas competências existam diferenças em favor do sujeito passivo, em outras o saldo a pagar supera e muito o suposto crédito do autuado. Além disso, somente com base nos documentos oferecidos em sede de impugnação não é possível aferir se tais valores já foram compensados em outras competências ou por outros órgãos municipais. Enfim, ao meu ver, diante de toda situação exposta, o contribuinte não se desincumbiu de provar o seu direito, em virtude do que não há como acatar as alegações relativas a este tópico. Ademais, intimada especificadamente, no curso da diligência promovida por esta Turma, a “demonstrar quais valores retidos no Fundo de Participação dos Municípios não se referem à quitação de obrigações correntes nem tampouco à quitação de parcelamentos”, a recorrente não se referiu a esse tema em sua resposta, conforme relatado. Deste modo, deve ser mantido o lançamento referente às glosas de compensações indevidas (levantamento GC). DA MULTA ISOLADA – AIOA Nº 51.010.1364 Quanto à aplicação da multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei 8.212, de 1991, o recorrente alega que para a aplicação dessa multa não basta o mero inadimplemento. A base legal da multa isolada em questão possui a seguinte redação: Lei 8.212, de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1742DF CARF MF 18 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei na 11.941. de 2009). Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei na 11.488. de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488.de 2007) Verificase que o citado art. 89 carreia dois tratamentos diversos para os casos de compensação indevida, (1) quando não se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa de mora, o qual é limitado ao percentual de 20% pelo art. 61 da Lei 9.430, de 1996, por expressa remissão do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, e (b) quando se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa isolada, no percentual de 150%, face ao disposto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. Uma vez que ambos os casos tratam de compensação indevida e, não havendo previsão para a aplicação conjunta das duas multas, é evidente que deve existir um critério diferenciador para a aplicação das aludidas multas; a meu juízo, tal critério é a existência, ou não, do dolo de praticar uma declaração falsa. Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177): § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. No caso concreto, face à análise do conjunto probatório, não me convenci da existência do dolo; as justificativas apresentadas pela recorrente foram por mim rechaçadas, Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 11 19 mas penso que a compensação indevida em análise mais provavelmente se deve à falta de assessoramento capacitado do que ao dolo de apresentar declaração falsa. Por essas razões, entendo que deve ser cancelada a multa constante do AIOA nº 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto aos créditos informados, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no período de 03/2011 a 08/2012 (levantamento CI). Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, lhe dar PARCIAL PROVIMENTO para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1744DF CARF MF 20 Declaração de Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Multa Isolada sobre Compensação de Contribuições Previdenciárias O art. 89,§ 10, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Pelo texto acima, vêse que o fundamento para a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida consiste na falsidade da declaração apresentada, não sendo necessário ficar configurada sonegação, fraude ou conluio A respeito desse tema, transcrevo excertos do voto proferido pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, em 12/4/2016, no Acórdão nº 9202003.929 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Esclarecida a diferença entre o lançamento em geral e o caso da compensação de contribuições previdenciárias, passo a apresentar como interpreto sistematicamente os conceitos de: (a) fraude/sonegação/conluio, (b) falsidade e (c) mero erro. Por sonegação/fraude/conluio, entendo, em linha com o disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, que é ação dolosa tendente a impedir o conhecimento do fato pela autoridade ou a alteração de suas características, com ou sem a participação de duas ou mais pessoas. Por falsidade, referida no art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, entendo a consciência do agente, de que a conduta praticada consiste em inserção de informação, na declaração de compensação, que não corresponda à verdade. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 2301005.168 S2C3T1 Fl. 12 21 Por fim, por mero erro escusável, temos a inserção de informações equivocadas na declaração, sem que esteja comprovada a consciência do agente acerca do fato. Concluindo, no caso de erro não cabe a exigência da multa prevista no art. 89 Lei nº 8212, de 1991. Já no casos de falsidade e de fraude/sonegação/conluio, cabe a multa. Porém não é necessária a comprovação de fraude/sonegação/conluio, basta a comprovação da falsidade. No caso em tela, entendo que ocorrida a falsidade a ensejar a aplicação da multa isolada uma vez que o próprio contribuinte apresenta informações contraditórias sobre a suposta origem do crédito a ser compensado. Inicialmente alegou tratarse de contribuições previdenciárias recolhidas sobre horas extras, o que foi rechaçado pela fiscalização, uma vez que tal rubrica sequer constou na folha de pagamento do município. Depois, em sua impugnação, trouxe à baila a informação de que a origem seria decorrente de XXXXX. Agora, em seu recurso voluntário, questiona a natureza de diversas verbas, dentre elas, terço de férias, auxílio universitário, adicional de SAT. Por fim, em nova manifestação após a realização de diligência, sustenta que houve retenções do FPM em valores superiores aos devidos pelo Município. Portanto, ao não conseguir sequer demonstrar a origem das contribuições previdenciárias compensadas ao longo do ano de 2010, considero que fica demonstrada a falsidade das informações prestadas, não se podendo falar em mero erro no preenchimento da GFIP, devendo ser mantida a multa isolada de 150% aplicada sobre as compensações declaradas em GFIP. É como voto. Andrea Brose Adolfo Fl. 1746DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.726190/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL E DA NATUREZA DOS PROVENTOS.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos provenientes de aposentadoria e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 31/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL E DA NATUREZA DOS PROVENTOS. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos provenientes de aposentadoria e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726190/201580 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.987 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2017 Matéria IRPF Recorrente RACHEL NEVES DOURADO DUARTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 ISENÇÃO. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE POR MEIO DE LAUDO PERICIAL OFICIAL E DA NATUREZA DOS PROVENTOS. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos provenientes de aposentadoria e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 90 /2 01 5- 80 Fl. 80DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010, da contribuinte acima identificada, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 03/08/2015, de fls. 06/09. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (...) 18) Saldo do imposto a restituir ajustado Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 11.573,16, recebidos pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Complementação da Descrição dos Fatos Conforme laudo pericial emitido pelo INSS, a isenção por moléstia grave alcança os períodos de 12/11/07 a 12/11/08, 31/07/09 a 31/07/10 e 31/03/14 a 20/03/16. (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15504.726190/201580 Acórdão n.º 2201003.987 S2C2T1 Fl. 3 3 Ementa: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE OMISSÃO A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial contendo requisitos mínimos necessários, tais como a especificação da data em que a doença foi contraída, o prazo de validade do laudo, e emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação no sentido da não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o valetransporte pago em dinheiro, bem como no sentido da revogação do fundamento constitucional de validade da contribuição a INCRA (o que não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade da norma que prevê tal exação), de modo a determinar o cancelamento o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, os presentes autos tem como objeto a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica indevidamente declarados como isentos, em razão de a contribuinte não ter comprovado ser portadora de moléstia grave. Sobre da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel Fl. 82DF CARF MF 4 (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Salientase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dessa forma, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Conforme se observa da decisão de piso, foi negado o direito à isenção, com as seguintes considerações: Ressaltese que a contribuinte não anexou ao presente processo o laudo pericial emitido pelo INSS que explicita os períodos de isenção alcançados pela moléstia grave. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 15504.726190/201580 Acórdão n.º 2201003.987 S2C2T1 Fl. 4 5 No “Laudo de Junta Médica Oficial” não consta informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, deveria conter o prazo de validade do referido laudo. Conforme visto na folha 07, no laudo pericial emitido pelo INSS constavam os períodos em que a contribuinte estaria isenta do Imposto de Renda da Pessoa Física. Por meio dos períodos elencados, verificase que no anocalendário 2010 a contribuinte estaria isenta do referido imposto até o mês de julho/2010. Em consulta ao Portal Dirf, verificase que os rendimentos tributáveis recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social pela contribuinte no anocalendário 2010 corresponderam a R$ 23.578,02. Por meio da Solicitação de Revisão de Lançamento, fl.10, lavrada em 03/08/2015, a Fiscalização considerou como isentos do Imposto de Renda os valores recebidos referentes aos meses de janeiro a julho/2010 que totalizaram R$ 12.004,86. Assim, os rendimentos recebidos pela contribuinte do Instituto Nacional do Seguro Social, a título de pensão por morte previdenciária, no anocalendário 2010, referentes aos meses de agosto a dezembro sofrem incidência do Imposto de Renda, devendo ser considerados rendimentos tributáveis na DIRPF/2011. Desse modo, verificase que a decisão de piso julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, em razão da ausência de comprovação da moléstia grave, no período autuado. Além disso, conforme disposto pela Delegacia de origem, foi apresentado Laudo Médico emitido pelo INSS, no qual constam períodos do acometimento da referida doença grave, sendo que, no anocalendário 2010, nos meses de agosto a dezembro, a contribuinte estaria fora da isenção, em razão de tal período não estar abarcado pelo laudo. Não obstante o julgado, a contribuinte apontou, em seu recurso voluntário, o laudo médico oficial emitido pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, fls. 11, no qual consta a data de início da moléstia grave, a partir de 12/11/2007 (data da primeira biopsia que confirmou a patologia, em caráter permanente). Também aduziu a recorrente o seguinte: Fl. 84DF CARF MF 6 Tal argumento, de fato, possui grande relevância, pois, pela própria natureza da neoplasia maligna, não há como serem estipulados curtos intervalos de suposta "cura", devendo ser compreendido pela isenção todo o anocalendário de 2010, com base no conjunto probatório constante dos autos (do Laudo do INSS e da Assembléia Legislativa). Cabe acrescentar que, segundo Acórdão apresentado pela recorrente, a DRF/Belo Horizonte; em lançamento referente a mesma situação jurídica, em anos posteriores, com base nos Laudos apresentados também nessa autuação; mudou o entendimento no sentido do reconhecimento do direito à isenção da contribuinte. Nesse contexto, considerando o teor da Súmula CARF n.º 63, que dispõe expressamente sobre a isenção do portador de moléstia grave, observase que os proventos decorrentes de aposentadoria ensejam o direito à isenção, quando cumulativamente considerados com a comprovação de moléstia grave, como segue: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000060/92-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração:01/08/1989 a 31/12/1990
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-005.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para anular o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:01/08/1989 a 31/12/1990 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para anular o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.144 1 1.143 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13851.000060/9217 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.269 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOBRE O AÇÚCAR E O ÁLCOOL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAIZEN ARARAQUARA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. (antiga USINA ZANIN AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/08/1989 a 31/12/1990 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para anular o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do art. 58, § 5º, Anexo II, do RICARF, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado) não votou neste julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 60 /9 2- 17 Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.145 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei, tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 7°, I do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, e recepcionado conforme o disposto no art. 4° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), em face do Acórdão nº 30331.956, que possui a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOBRE O AÇÚCAR E O ÁLCOOL — CAA. Inexistência de publicação dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, resulta na ineficácia dos mesmos, por inexistência de obrigatoriedade de seu cumprimento — Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A matéria de fundo trazida nos autos referese a auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, para a exigência da contribuição e o adicional sobre o açúcar e o álcool, não declarado e não recolhido, referente aos meses de agosto de 1989 a dezembro de 1990. A turma julgadora a quo, por maioria de votos, entendeu pela improcedência do lançamento efetuado, pela ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, relativos à Contribuição sobre o açúcar e o álcool, pela inexistência de sua publicação, bem como pela impossibilidade de majoração da Contribuição após o advento da Constituição Federal de 1988. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à lei (cópia com o protocolo atestando sua tempestividade às fls. 1.121 a 1.128), que foi admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 562 a 563. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 1.010 a 1.082. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo: os autos foram recebidos na Procuradoria da Fazenda Nacional no dia 31/03/2006, conforme ciência pessoal no Termo de Intimação (fl. 490), e devolvidos no dia 06/04/2006, conforme protocolo atestando seu recebimento à fl. 1.121. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.146 3 Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão proferida por meio do Acórdão 30331.956, em que, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para considerar insubsistente o lançamento da contribuição e do adicional sobre o açúcar e o álcool, no período de agosto 1989 a dezembro de 1990. A Procuradoria pede a reforma da decisão e a restauração do inteiro teor da decisão de 1ª instância. Afirma a Fazenda Nacional que a decisão a quo contrariou o disposto nos seguintes dispositivos legais e regulamentares: “Concluindo, ao ter derrubado o auto de infração, o v. acórdão ora recorrido acabou por ofender o art. 3° do Decretolei no. 308, de 28 de fevereiro de 1967, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei no. 1.712, de 14 de novembro de 1979, artigos 1° e 2° e Decretolei no. 1.952, de 15 de julho de 1982, arts. 1° e 3°; Decretolei no. 2.471, de 1° de setembro de 1988, art. 3° e Decreto no. 96.022, de 9 de maio de 1988. Ademais, ao ter excluído as multas, o v. acórdão ora embargado acabou por malferir o Decretolei no. 2.471, de 1° de setembro de 1988, art. 2° c/c Decretolei no. 308, de 28 de fevereiro de 1967, art. 6° , par. 2° e Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto no. 87.981, de 23 de dezembro de 1982, art. 364, inciso II.” Conforme consta do despacho de admissibilidade, estão satisfeitos os pressupostos regimentais, pois o acórdão recorrido foi proferido na vigência do antigo Regimento Interno; a decisão não foi unânime; o recurso foi interposto com a guarda do prazo regimental e foi demonstrada fundamentadamente a contrariedade à lei. Desse modo, considerando que restaram preenchidos os requisitos regimentais, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da incidência da Contribuição sobre o açúcar e o álcool para fatos posteriores ao advento da Constituição Federal de 1988. A turma julgadora a quo, entendeu pela improcedência do lançamento efetuado por dois fundamentos: (i) ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional, pelo BACEN, relativos à Contribuição sobre o açúcar e o álcool, pela inexistência de sua publicação; (ii) impossibilidade de majoração da Contribuição, após o advento da Constituição Federal de 1988. Alega a recorrente ter havido violação ao disposto nos atos legais e infralegais acerca da Contribuição sobre o açúcar e o álcool. Por outro lado, o acórdão recorrido afastou a aplicação das normas por entender que lhes faltavam um requisito essencial: a publicidade. Aponta o sujeito passivo em suas contrarrazões a violação ao artigo 81, inciso III, da Constituição Federal de 1967, e ao artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Também consta como fundamento da decisão recorrida a impossibilidade de majoração da Contribuição para fatos posteriores à CF/88. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.147 4 Em que se pese as alegações trazidas no acórdão a quo, o fundamento para a inaplicabilidade das normas pela ausência de publicidade, bem como pela impossibilidade de majoração da Contribuição para fatos posteriores à CF/88, é a violação de preceitos constitucionais, o que impede a este órgão julgador de apreciála em sua plenitude. Assim dispõe a Súmula CARF 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tanto a violação ao princípio da publicidade, quanto a violação à estrita legalidade para majoração da contribuição pressupõe a manifestação desta turma julgadora acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Destacase, também, que somente são de observância obrigatória por este Conselho, à luz do art. 62 do RICARF, as decisões proferidas pelo STF sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), o que não é o caso da matéria em litígio. Portanto, por lhe faltar competência, não é possível o afastamento de norma tributária não declarada inconstitucional pelo STF por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido, mantendo, na íntegra, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator e presidente em exercício, Rodrigo da Costa Pôssas, para manifestar meu entendimento. A priori, quanto ao conhecimento, apenas trago que concordo com as colocações feitas pelo relator que se inclinou pelo conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que foram satisfeitos os requisitos para tanto. Quanto ao cerne da lide, é de se recordar que se trata de auto de infração que imputou a exigência da Contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool e seu respectivo adicional relativamente ao período de agosto/89 a dezembro/90. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.148 5 Ressurgindo à lide, temse que o DecretoLei 308/67 dispôs sobre a receita do Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA, estabelecendo, entre outros, que para custeio da intervenção da União, através do Instituto do Açúcar e do Álcool, na economia canavieira nacional, ficam criadas, na forma prevista no art. 157, § 9º, da Constituição Federal/67 as r. contribuições ora em discussão. Nos termos do DecretoLei 1.712/79, tais contribuições incidirão exclusivamente sobre a saída do açúcar ou álcool da unidade produtora, sendo que fica o Conselho Monetário Nacional responsável por estabelecer os percentuais das contribuições de que trata este Decretolei, observados o limite máximo de 20% do valor dos preços oficiais do açúcar e álcool, considerando os tipos destes produtos ou sua destinação final. Importante apenas trazer que o Pleno do STF – ao apreciar o RE 214.206, considerou que os diplomas legais que instituíram tais contribuições foram recepcionados pela CF/88. E, no que tange à variação da alíquota, vêse que, analisando os autos do processo, tal matéria não seria objeto da lide (questão de inconstitucionalidade da norma). Sendo assim, apenas clarifico que a discussão da lide trazida em recurso especial não se refere a constitucionalidade ou não da norma. A lide trazida em recurso traz discussão apenas da força normativa que deve ser considerada ou não quando não foi dada devidamente publicidade a norma do CMN – essencial, nos termos do decretolei, para a fixação dos percentuais das contribuições ora em discussão. Em relação a essa matéria, temse que, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99 – que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal manda a administração observar os princípios basilares do direito administrativo: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.149 6 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Nesse ínterim, da leitura do acórdão recorrido, antecipo minha manifestação concordando com o voto proferido pela nobre exconselheira Nanci Gama – que peço vênia para reproduzilo (Grifos meus): “Cumpreme analisar o quanto foi devolvido à esta segunda instância, através do recurso interposto. O Contribuinte, em sede recursal, não suscitou nenhuma preliminar tal como o fez nas outras peças constantes dos autos, limitandose às questões de mérito concernentes A possibilidade de modificação das alíquotas da referida contribuição, após o advento da Constituição Federal de 1988, bem como a ausência de publicidade dos votos CMN, responsáveis pela majoração das alíquotas da CIDE em questão. Como se sabe, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no ano de 1996, manifestouse pela constitucionalidade das referidas exigências, consoante se infere da seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL DEVIDOS A AUTARQUIA FEDERAL. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS. DELEGAÇÃO AO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. CONSTITUCIONALIDADE. I. Contribuição para o Instituto do Açúcar e do Álcool e seu respectivo adicional. Decretosleis n°s 308/67 e 1.712/79. Fixação de alíquotas pelo Conselho Monetário Nacional, observados os limites e as condições previstos na legislação pertinente. Legitimidade da delegação de atribuições em face da Emenda Constitucional n° 01/69 e do Código Tributário Nacional. 2. Contribuição para o IAA. Arrecadação recolhida ao Tesouro Nacional e não ao Fundo de Exportação. Inconstitucionalidade do Decretolei n° 1.952/82, por haver transmudado a contribuição em imposto ao alterar a destinação dos recursos. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.150 7 Improcedência. A natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, Tribunal Pleno, RE 158.208/RN, Relator, Ministro Marco Aurélio, DJ de 24/08/2001). Contudo, em referido julgamento, o Pleno do STF não apreciou, ou melhor, não foi levado â. sua apreciado o argumento de que o ato administrativo que fixou as alíquotas da já extinta CIDE carecia de requisito essencial de validade, qual seja, publicidade. Com efeito, observouse que a publicação das alíquotas da CIDE se dava de maneira bastante imprópria, uma vez que vinham divulgadas na composição do preço da canadeaçúcar. Quando os preços da cana eram publicados, na composição dos mesmos, faziase referência ao percentual que se deveria recolher a título de referida contribuição. Como se sabe, a publicidade é um dos princípios que deve nortear todo e qualquer ato administrativo, tendo sido positivado no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, pelo que, se lhe falta esse requisito, o ato não é capaz de vincular terceiros, impondo o seu cumprimento. Sobre a importância e necessidade de se observar esse principio vale transcrever a lição de Jose Santos Carvalho Filho, para quem1: "(..) os atos da Administração devem merecer a mais ampla divulgação possível entre os administrados, e isso porque constitui fundamento do princípio propiciarlhes a possibilidade de controlar a legitimidade da conduta dos agentes administrativos. Só com a transparência dessa conduta é que poderão os indivíduos aquilatar a legalidade ou não dos atos e o grau de eficiência de que se revestem". Ademais, vale destacar ainda que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou pela ineficácia dos atos do Conselho Monetário Nacional não publicados no Diário Oficial da União (CSRF/020.647 e CSRF/0201.036). Cumpre ressaltar também que, analisando a recente jurisprudência de nossos Tribunais Federais, identificamos que o entendimento que vem sendo adotado pela esfera judicial corrobora o que ora se afirma: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PELO CM. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE PUBLICAÇÃO DO RESPECTIVO ATO. NÃO ATENDIMENTO. 1. Muito embora se houvesse reconhecido que o Conselho Monetário Nacional (CMN) estivesse autorizado a fixar alíquotas para a contribuição devida ao extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) (Cf. Pleno do STF. RE 178.144/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU de 28.09.2001), tornase indispensável a publicação do ato de majoração para que se possa exigir, validamente. 2. Hipótese em que essa prova não foi feita nos autos, ainda que oferecida à União Federal, nesta Corte, oportunidade para fazêlo. (grifouse) 1 in Manual de Direito Administrativo. 1999. Lumen Juris: Rio de Janeiro, p. 14. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13851.000060/9217 Acórdão n.º 9303005.269 CSRFT3 Fl. 1.151 8 Por fim, é de ressaltar que, em consonância com o decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a CIDE em questão, de fato, não poderia ter sido majorada após o advento da Constituição Federal de 1988. Nesses termos, dado que o período a que se refere o lançamento compreende os meses de agosto de 1989 a dezembro de 1990, concluise, também por esta razão, que o mesmo deve ser julgado insubsistente. Assim, pelas razões acima expostas, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2005” Sendo assim, vêse que a decisão dada pelo colegiado a quo nada mais fez que observar o art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei 9.784/99 – que, por sua vez, regula o processo administrativo fiscal, ao tratar do dever de divulgação dos atos administrativos para que produzam efeitos no ordenamento jurídico. Ademais, cabe recordar que, nos termos do art. 62 do RICARF/2015 fica essa conselheira obrigada a observar dispositivo de lei e decreto que não tenham sidos afastados sob o fundamento de inconstitucionalidade. O que, por conseguinte, cabe observar os termos do DecretoLei 1.712/79, que traz que o Conselho Monetário Nacional deve estabelecer os percentuais das contribuições incidentes sobre a saída do açúcar ou álcool da unidade produtora e o art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei 9.784/99, que traz que somente os atos administrativos divulgados produziriam efeitos no mundo jurídico. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11557.000807/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
PRESCRIÇÃO.
Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2401-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. PRESCRIÇÃO. Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 08 07 /2 00 8- 38 Fl. 330DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11557.000807/200838 Acórdão n.º 2401005.103 S2C4T1 Fl. 331 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 35.732.5818) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social correspondente à diferença de contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, no período de 05/96 a 12/03, conforme Relatório Fiscal (fls. 57/59). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: decadência, cerceamento de defesa e que foram incluídos na base de cálculo valores que não foram pagos a autônomos. Foi proferida a DecisãoNotificação (DN) 07.401/0356/2004, fls. 99/105, que julgou procedente o lançamento. Cientificado da DN em 6/10/04 (Aviso de Recebimento AR de fl. 108), o contribuinte não apresentou recurso e, após o prazo para cobrança amigável, o processo foi encaminhado para a Procuradoria. O crédito foi inscrito em dívida ativa e ajuizada a execução fiscal. O Sesi informou que obteve decisão favorável no Mandado de Segurança 2005.50.01.0008499, reconhecendo o direito de interpor recurso administrativo sem garantia de instância (depósito de 30%, à época exigível). Assim, a execução fiscal foi extinta. Na decisão do mandato de segurança, fls. 241/246, determinouse que se admitisse o recurso administrativo do sujeito passivo, independentemente do oferecimento de garantia. Após processamento no qual se discutia se o contribuinte teria perdido o prazo para interposição do recurso administrativo, fls. 247/267, reabriuse o prazo para apresentação de recurso e o contribuinte foi cientificado em 25/11/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 273). Em 23/12/13, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 275/278, no qual alega que ocorreu a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário. Cita o CTN, art. 174. Entende que o processo de execução foi extinto sem julgamento do mérito em 2007, iniciandose o prazo de cinco anos para propositura de nova execução. Assim, não há que se falar em abertura de prazo para "defesa", já que o crédito perdeu sua eficácia, não podendo mais ser inscrito em dívida ativa, devendo ser reconhecido de ofício a ilegalidade da cobrança, em decorrência da prescrição. Requer seja reconhecida a prescrição. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A prescrição referese ao direito de ação de cobrança do crédito tributário. Este prazo começa a fluir após a constituição do crédito pelo lançamento e extinguese pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o lançamento se tornar definitivo. Tal comando normativo está previsto no art. 174 do CTN. Assim, durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Tendo sido concedido ao sujeito passivo, conforme pleiteado por ele, em sede de Mandado de Segurança, o direito de apresentar recurso administrativo, não há que se falar em prescrição, visto que o instituto da prescrição não se aplica aos créditos na atual fase de litígio administrativo. Não há que se falar em prescrição, pois referido prazo sequer começou a fluir. Sendo assim, descabidos os argumentos no sentido que ocorreu a prescrição e que a cobrança é ilegal. DECADÊNCIA Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. Para verificar se houve decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11557.000807/200838 Acórdão n.º 2401005.103 S2C4T1 Fl. 332 5 Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso, houve princípio de recolhimento, pois o lançamento foi de diferenças de contribuições, portanto, devese excluir deste lançamento, ocorrido em 29/06/04, o período até 05/99, aplicandose o disposto na Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifo nosso) Sendo assim, deve ser excluído o levantamento PA (que compreende competências até 12/98), e excluídas as competências até 05/99 do levantamento PA1. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para excluir todos os lançamentos até a competência 05/99, em razão da decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721916/2012-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
DESISTÊNCIA
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1001-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 124 1 123 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721916/201200 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.095 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente DANICA TERMOINDUSTRIAL CENTROOESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 DESISTÊNCIA A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para R$ 3.000,00 (três mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2010). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 19 16 /2 01 2- 00 Fl. 124DF CARF MF 2 Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação em 27/04/2012 (efls. 02/13). As razões da impugnação foram assim resumidas no acórdão recorrido: Preliminar de Nulidade – os dispositivos legais citados no enquadramento legal (art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art. 2º da IN RFB 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória 2.15835/01), transcritos, não servem como suporte à descrição dos fatos, pois são, em parte, inaplicáveis e, em parte, insuficientes para fundamentar a presente imposição descrita nos fatos, sendo, portanto, flagrante a ausência de enquadramento legal na notificação ora combatida; – o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999 (transcrito), estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem ser, obrigatoriamente, motivados. Além disso, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que são nulos: (...) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, temse que a capitulação legal é requisito essencial para a fundamentação de todo e qualquer ato administrativo, e sua ausência, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, é fator de absoluta nulidade; – logo, diante da ausência dos elementos identificadores do objeto da obrigação tributária, violando garantia constitucional prevista no inciso LV do art. 5º, não restam dúvidas quanto à nulidade da presente Notificação de Lançamento, haja vista manifesto vício insanável; Do Direito – de acordo com a descrição dos fatos contida na notificação do presente lançamento: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mês calendário ou fração de atraso. – como a Escrituração FCONT do exercício de 2009, com prazo de entrega de 29/11/2011, foi entregue em 30/03/2012, a autoridade fiscal entendeu pela aplicação da penalidade de R$5.000,00 por “4 meses de atraso”, num total de R$20.000,00 (vinte mil reais); – o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que a pena pecuniária deveria ser aplicada por “mês de atraso”, a partir da data em que a escrituração deveria ter sido entregue; – tal entendimento não merece prosperar tendo em vista que a presente discussão trata, na sua essência, a respeito da aplicação do correto conceito de “mês calendário” ; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10183.721916/201200 Acórdão n.º 1001000.095 S1C0T1 Fl. 125 3 – uma vez que a referencia é “mês calendário” e não “mês de atraso”, a aplicação da multa de R$5.000,00 deve incidir uma única vez a cada obrigação acessória descumprida; – caso a multa incidisse repetidamente, em todos os meses do período de atraso do cumprimento da obrigação, a referência seria expressa por mês de atraso e não por mês calendário; – ao entender que “mês calendário” abrange todos os meses durante o atraso no cumprimento da obrigação, a autoridade incorre em interpretação extensiva e, além de prejudicar o contribuinte, contraria totalmente a orientação trazida pelo art. 112 do CTN; – assim sendo, a cada vez que o contribuinte deixar de entregar escrituração, na data determinada, ele só pode ser penalizado uma única vez. Além do mais, a fixação da multa de forma cumulativa configurase totalmente desproporcional, pois se estaria transformando a multa que é punitiva em moratória; – isso se justifica ainda, pelo fato de que nem toda obrigação acessória tem periodicidade mensal. Assim, mesmo que a periodicidade seja trimestral ou anual, o termo “mês calendário” deve ser interpretado conforme essa peculiaridade, de modo que cada escrituração que deixe de ser apresentada gerará uma única multa. Se a obrigação é mensal, a multa incide por mês; se trimestral, a multa será para cada trimestre, e assim por diante (cita ementa do Ac 523020074013801 do TRF1, em julgamento de multa pelo atraso na entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, conhecida como “DIFPapel Imune”. cujo título é “ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. NÃO CUMULATIVIDADE”); – no presente caso, como a periodicidade é anual, o termo “por mês calendário” significa a cada ano em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta de aplicar a multa de R$5.000,00 é apenas a cada ano, até que a escrituração seja entregue; – dessa forma, o termo “mês calendário”, que é uma previsão genérica, estará sendo interpretado, corretamente, em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos; – portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, Fl. 126DF CARF MF 4 sob pena de a multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; Dos Pedidos – por todo o exposto, requer que se acate integralmente a impugnação, julgandoa procedente, seja pela preliminar, seja pelas demais razões, no sentido de cancelar o lançamento na sua totalidade. Do contrário, que seja aplicada a penalidade na forma exposta. A decisão de primeira instância (efls. 54/61) manteve em parte o crédito tributário, exonerando em parte o crédito por constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/09/2013 (efl. 65) a Interessada interpôs recurso voluntário em 16/10/2013 (efls. 67/98), em que repete os argumentos da impugnação e aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ (CARF Acórdão n° 340200.754 e STJ REsp n° 252.095PE) em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: (...) Com relação a este julgado, o r. Acórdão recorrido afirmou que "não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais sem efeito erga omnes, ou decisões judiciais em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Data vénia, ainda que o Fisco tenha que cumprir a atividade vinculada e obrigatória de lançar, não pode, de forma desarrazoada, impor penalidades ao contribuinte, extrapolando o que determina a legislação tributária, sob pena de violação de princípios constitucionais já citados, tais como razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Ademais, ainda que os julgados não tenham efeito erga omnes, não se pode ignorar atuais entendimentos acerca do tema, sendo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso análogo, se manifestou também no seguinte sentido: (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Processo n° 19515001106/200571, Recurso Voluntário n° 25.3366, Acórdão n° 340200.754 — 4° Câmara/2° Turma Ordinária, Sessão: 26/08/2010). Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao mês Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10183.721916/201200 Acórdão n.º 1001000.095 S1C0T1 Fl. 126 5 calendário da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela Fiscalização, mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerandose que os referidos limites se encontram sob expressa previsão no CTN em seu artigo 97, V, instituído exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. No presente caso, como a periodicidade de entrega é anual, o termo "por mêscalendário" significa "a cada ano" em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta seria aplicar a multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) apenas uma vez a cada ano, até que a escrituração seja entregue, havendo ainda no caso da Contribuinte a redução de 50% acima mencionada. Ainda que a lei não tivesse limitado a aplicação da referida multa, sendo pressuposto de sua aplicação o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que a Impugnante permaneceu inadimplente, pois como já assentou a Jurisprudência: "o STJ firmou o entendimento de que a sequência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida" (STJ REsp n° 252.095PE, Reg. n° 2000/00264008, 06/12/2005, Rei. Min, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJU de 13/03/06, p. 235). Dessa forma, o termo "mêscalendário", que é uma previsão genérica, deve ser interpretado em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos. Portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena da multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Conforme Termo de Anexação de 26/10/2017 (efl. 104), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência (efl. 105) do presente recurso por ter requerido adesão ao parcelamento do Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído pela MP n. 766/2017. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Desta forma, voto por não conhecer do recurso Fl. 128DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720322/2013-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente J. L. DE CARVALHO PINTO TRANSPORTES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 03 22 /2 01 3- 81 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 57 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0945.812, de 22/08/2013 (efls. 20/22), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao período de março de 2010, conforme Notificação de Lançamento (efl. 17). A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Não encontro no processo o Aviso de Recebimento, mas no despacho de encaminhamento (efl. 49) a Unidade de controle do crédito tributário afirma que o recurso voluntário, apresentado em 18/10/2013 (carimbo de recepção à efl. 39), é tempestivo. No recurso interposto (efls. 39/48), a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que descabe a multa punitiva por ter agido de forma espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN, pois a DCTF foi entregue antes de qualquer procedimento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. O argumento da recorrente foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 58 3 recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: A interpretação do art. 113 do CTN mostra que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores distintos e independentes, sendo que o simples fato de não observar a obrigação acessória constitui o fato gerador da obrigação principal de pagar a respectiva penalidade pecuniária. A penalidade em discussão está expressamente prevista em lei, conforme enquadramento legal constante do lançamento, vinculando toda a Administração Pública, em face do princípio constitucional da legalidade. O lançamento da multa, dentro do prazo decadencial de cinco anos (art. 173, I, do CTN), é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, a exigência da multa independe de culpa ou dolo do sujeito passivo. O atraso na entrega da(o) DCTF é ostensivo, evidente por si só, sendo desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. O instituto da denúncia espontânea, versado no artigo 138 do CTN, não se aplica às multas por atraso na entrega de Declaração, Demonstrativo e Escrituração Digital, consoante entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Essa matéria encontrase também pacificada no âmbito do Poder Judiciário. A título exemplificativo, cito manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional nº 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União – DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13910.720322/201381 Acórdão n.º 1001000.006 S1C0T1 Fl. 59 4 Edgar Bragança Bazhuni Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000975/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001, 2002
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as respectivas receitas sujeitam-se à tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, em nome do sócio que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.
JOGOS DE BINGO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO.
A partir da publicação da MP n° 1.926/99, se a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, esta última deve assumir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas
ao jogo.
EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA.
Equipara-se a pessoa jurídica a pessoa física que, em nome individual, explora, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário:2001, 2002
PIS FOLHA DE SALÁRIO.
A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/97, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva enquadrada
na citada lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/00.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001, 2002
Lançamento Decorrente. CSLL. PIS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ), tendo em vista a íntima relação de causa e efeito existente entre eles.
Numero da decisão: 1401-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado: a) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência; b) pelo voto de qualidade, afastar as preliminares de ilegitimidade por descaracterização da sociedade em conta de participação e equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as respectivas receitas sujeitamse à tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, em nome do sócio que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais. JOGOS DE BINGO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. A partir da publicação da MP n° 1.926/99, se a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, esta última deve assumir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. Equiparase a pessoa jurídica a pessoa fisica que, em nome individual, explora, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 PIS FOLHA DE SALÁRIO. A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/97, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva enquadrada na citada lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/00. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 Lançamento Decorrente. CSLL. PIS. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ), tendo em vista a íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado: a) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência; b) pelo voto de qualidade, afastar as preliminares de ilegitimidade por descaracterização da sociedade em conta de participação e equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; c) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 408DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 455 3 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 402405): A DRF UBERABA/MG lavrou Autos de Infração, fls. 05/25, para exigir o IRPJ no valor de R$ 37.970,17, a CSLL no valor de R$ 8.543,25 e a Contribuição para o PIS no valor de R$ 5.141,71, com a multa de oficio de 150% conforme enquadramento legal constante nos autos, e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/33 que: a) a auditoria fiscal descaracterizou a Sociedade em Conta de Participação (SCP) formada entre o NACIONAL FUTEBOL CLUBE como sócio ostensivo e MILTON CARLINI como sócio oculto para a exploração de BINGO PERMANENTE E BINGO EVENTUAL E SIMILARES, com o nome de fantasia de "Bingo Uberaba Palace", com atividades de lazer, sendo o lançamento para o período de 04/2001 a 09/2002; b) relata a fiscalização que "ficou evidenciado que as figuras do SÓCIO OSTENSIVO e do SÓCIO OCULTO estão totalmente invertidas, conforme demonstrado nos autos, sendo a gerência e a administração da sociedade feita exclusivamente pelo SÓCIO OCULTO, ferindo assim toda a legislação pertinente o que descaracteriza a sociedade em Conta de Participação entre as duas pessoas mencionadas; c) acrescenta que a exploração indireta de jogos de bingo implica responsabilidade exclusiva da entidade desportiva autorizada, mesmo que a administração da sala seja entregue a empresa comercial idônea, que seria responsável apenas pelo pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social, conforme disposição do artigo 4 0 da lei 9.981/2000; d) ocorrendo a entrega da administração do bingo a pessoa fisica de Milton Carlini houve a infringência ao parágrafo único do artigo 61 da lei 9.615/98, com a redação dada pela MP 1.926/1999 e uma vez constituída indevidamente a sociedade em conta de participação entre o Nacional Futebol Clube e Milton Carlini, pois a referida SCP contraria o disposto nos artigos 325 a 328 do Código Comercial, vigentes A. época. Na SCP, a reunião de duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, que, sem firma social, realizam, para lucro comum, uma ou mais operações de comércio determinadas. Como a lei determina que o sócio ostensivo é o único que se obriga com terceiros, aquele deverá ser comerciante em nome individual ou sociedade e, no caso, a natureza jurídica do Nacional Futebol Fl. 409DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Clube é em forma de associação e, portanto, não exerce atividade comercial; e) no contrato da SCP consta que caberá ao sócio oculto Milton Carlini o resultado liquido apurado na exploração dos serviços de bar e/ou restaurante, venda de bebidas, refeições e outros, caracterizando tipicamente uma atividade comercial; f) as pessoas fisicas se equiparam à pessoa jurídica, por força da legislação, quando em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, que se encontrem regularmente inscritas ou não junto ao órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil, ficando ainda, pela referida equiparação, como empresas individuais e deverão adotar todos os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis As pessoas jurídicas, tudo de conformidade com o pontuado nas alíneas "a" a "e" (fls. 29); g) é vedado à pessoa fisica, equiparada por força da legislação à empresa individual, o arquivamento de mais de uma firma individual para a mesma pessoa fisica e que, no caso, já há uma inscrição como empresário (individual) de MILTON CARLINI, desde 09/1999, com o CNPJ 03.417.202/000121 e, por conseqüência, essa empresa é o sujeito passivo da obrigação tributária nos termos do CTN, art. 121I, transcrito; h) por força de disposição legal expressa, na hipótese de a administração do jogo do bingo ser entregue a empresa comercial, esta responde por todos os tributos incidentes sobre a atividade; i) a base de cálculo (englobando o período de abril de 2001 até setembro de 2002) foi apurada considerandose como receita própria da empresa 28% da arrecadação bruta. Sobre esse valor é que foram apurados os tributos (IRPJ, CSLL e PIS). A COFINS (do mês de 10/2001 até 09/2002) constam da DCTF da entidade beneficente (promotora), ou seja, Nacional Futebol Clube — Bingo Uberaba Palace — CNPJ n° 17.777.624/000112 (fls. 47 a 144), cujos valores também foram recolhidos em nome da entidade desportiva; j) as declarações do autuado relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002 foram apresentadas com opção pela forma de tributação pelo Lucro Presumido; 1) é inequívoco que esta contribuinte praticou operações que implicaram a ocorrência de fatos geradores tributários em montantes significativos nos anoscalendário de 2001 e 2002. Abstevese de denunciar, por meio de DCTF, seus débitos tributários (IRPJ, CSLL e PISFATURAMENTO), do mês de abril de 2001 até o mês de setembro de 2002, relativamente As receitas provenientes da administração do Bingo Permanente. Para tornar mais evidente seu propósito de ocultar da Administração tributária a existência de débitos tributários, foram apresentadas as DCTF alusivas aos trimestres do ano calendário de 2001 e 2002, em nome NACIONAL FUTEBOL CLUBE SPC BINGO UBERABA PALACE, CNPJ n° Fl. 410DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 456 5 017.777.624/000112, com ausência de débitos (fls. 93 a 96) relativamente a esses tributos; m) pela sistemática omissão de receitas já aludidas, uma vez que não consta nenhum valor em DCTF relativamente a receitas auferidas em bingo permanente, observando o mesmo quanto As DIPJ dos exercícios de 2002 e 2003, a fiscalização aplicou a multa de oficio qualificada de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em face do que considerou configuração de intuito de fraude. Intimada em 30/06/2006, AR de fl. 255, o interessado apresentou a impugnação de fls. 259/287, em 31/07/2006, onde alegou, em síntese, o seguinte: que o autuado não pode ser comparado à pessoa jurídica em virtude de Lei, interpretada pela própria Receita Federal do Brasil, conforme o previsto no Manual de Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica, do PIR12006; a sociedade em conta de participação foi constituída entre o Nacional Futebol Clube e a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Microempresa MILTON CARLINI funcionava na Avenida Leopoldino n° 3814 e tinha somente atividade de bar, enquanto o Bingo Uberaba Palace fica no n° 3806 da mesma avenida, funcionando em nome do Nacional Futebol Clube que é o sócio ostensivo e responsável pela sociedade de conta de participação e que tinha justamente autorização da CEF para isso; os tributos devidos pela administração do bingo foram pagos e que a responsabilidade total pelo Bingo Uberaba Palace é do Nacional Futebol Clube, que é o sujeito passivo das obrigações tributárias, de acordo como os extratos bancários juntados aos autos que provam que todo o dinheiro do lucro com as atividades do bingo vão sempre diretamente para a conta do Nacional Futebol Clube, mas nunca para o Sr. Milton. E como o Nacional Futebol Clube é isento de IR e CSLL, então este pagou realmente tudo que devia de PIS (folha de salários) e COFINS; a constituição da sociedade de conta de participação entre o Sr. Milton e o Nacional Futebol Clube não foi feita indevidamente, muito menos infringindo os artigos 325 a 328 do Código Comercial, já que nem sequer existe mais o Código Comercial. 0 que existe, na realidade, é o que preconiza o Código Civil de 2002, nos artigos 991 a 993 (transcritos), que não foram infringidos para a constituição dessa sociedade entre o Nacional Futebol Clube e o Sr. Milton Carlini; traz doutrina e jurisprudência a respeito da SCP, transcrevendoos, para concluir que na sociedade em conta de participação, a responsabilidade é exclusiva do sócio ostensivo. a legislação favorece ao autuado frente à possibilidade da interpretação mais benigna das cláusulas contratuais; Fl. 411DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 a pessoa participante da SCP foi a pessoa física de Milton Carlini e que o fisco tenta equiparar a situação da pessoa física à jurídica, de forma absurda; ilustra com orientações contidas no manual de perguntas e respostas do órgão lançador (PIR2006), e com base, especificamente na resposta à pergunta n° 34, conclui que o autuado não pode ser comparado à pessoa jurídica, pois a sua condição é de sócio oculto que não se relaciona com o seu estabelecimento comercial (firma individual) ao lado do Bingo Uberaba Palace, salientando que o administrador do mesmo bingo é o Nacional Futebol Clube, na conformidade do contrato de constituição da sociedade; esclarece que ao tempo da feitura do contrato que deu origem à Sociedade em Conta de Participação, não vigia o artigo 4° da Lei n° 9.981/00, mas sim o artigo 61 da Lei n° 9.615/1998, que estabelecia que "os bingos funcionarão sob responsabilidade exclusiva das entidades desportivas, mesmo que a administração da sala seja entregue a empresa comercial idônea". Aduz que a lei nova terá sempre que respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, com fulcro na Constituição Federal, art. 5°, XXXVI. Além disso, dentro do crédito tributário, a lei aplicável é aquela da data da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a Lei n° 9.615/1998 isenta totalmente o Sr. Milton Carlini de qualquer responsabilidade perante o bingo. relativamente à figura do sujeito passivo da obrigação principal a responsabilidade compete ao Nacional Futebol Clube e transcreve o artigo 121 e seu parágrafo único (CTN), enfatizando que quem sempre teve a relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador foi o Nacional Futebol Clube, tanto em virtude da atividade de bingo, quanto devido à sociedade em conta de participação, já que ele era o sócio ostensivo, responsável pela sociedade; é preciso que também se atente para a Lei n° 9.981/2000, cujo artigo 2° (transcrito) diz que o artigo 61 foi revogado a partir de 31 de dezembro de 2001, porém deveria a fiscalização respeitar o prazo de vigência da autorização concedida, que foi de 26/03/2001 a 25/03/2002. A autorização concedida determinava que a entidade do NACIONAL FUTEBOL CLUBE, ficaria encarregado da administração e promoção do Bingo Permanente e, quando foi dada a respectiva autorização, a Caixa sabia que era uma entidade esportiva e não foi exigido que a mesma tivesse atividade comercial, como quer impor a autoridade fiscal; a fiscalização emitiu um auto de infração de COFINS, referente aos fatos geradores ocorridos entre 04 a 09/2001, sendo que o Nacional Futebol Clube já teria recolhido os outros períodos e fizeram o auto de infração em nome de Milton Carlini, sendo que, conforme consulta a pagamentos efetuados pelo Nacional Futebol Clube, na Receita Federal do Brasil, podemos comprovar mais um equivoco cometido pela fiscalização, conforme documentos em anexo; Fl. 412DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 457 7 o PISFOLHA DE SALÁRIO também foi recolhido, porém a fiscalização cobrou da firma MILTON CARLINI o PIS FATURAMENTO, sendo que além de não ser o sujeito passivo da obrigação, não consideraram o valor já pago através do PIS FOLHA DE SALÁRIO, efetuado pelo sócio ostensivo NACIONAL FUTEBOL CLUBE. A 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade de votos, julgou os lançamentos procedentes, por meio do Acórdão nº 0922.863, assim ementado (fls. 400401): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Sociedade em Conta de Participação. Descaracterização. Tributação das Receitas. Descaracterizada a sociedade em conta de participação, as receitas então percebidas por aquele que se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência de sociedade, são passíveis de tributação pelo IRPJ e contribuições sociais, mormente quando aqueles não foram declarados e nem tributados na DIPJ do outro sócio participante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 PIS FOLHA DE SALÁRIO. A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica as entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9532/1997, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva que se enquadre no rol previsto na referida lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3659/2000. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001, 2002 JOGOS DE BINGO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA. Na hipótese de a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo é, desde a publicação da MP n° 1.926, de 1999, da empresa comercial. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. A pessoa fisica que, em nome individual, explorar, habitual e profissionalmente, as atividades de bingo permanente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços, estará equiparada a pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 Lançamento Decorrente. CSLL. PIS/PASEP. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito especificas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Lançamento Procedente Intimada desse Acórdão em 15/04/2009 (fls. 420), a contribunte apresentou em 14/05/2010 o Recurso Voluntário de fls. 421452. Em sede de preliminar, a recorrente arguiu sua ilegitimidade passiva, sustentando que a administração do Bingo Uberaba Palace nunca foi exercida pelo autuado, mas sim pelo Nacional Futebol Clube, sócio ostensivo da sociedade, que detinha autorização da CEF para explorar o aludido bingo. Caso esta preliminar não seja acatada, a recorrente formulou outra preliminar de ilegitimidade passiva, desta vez argumentando que a pessoa participante da SCP foi a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Fiscalização tenta equiparar à situação da pessoa fisica jurídica, de forma “absurda”. Ainda em sede de preliminar, arguiu a ocorrência da decadência referente aos fatos geradores ocorridos ao longo do anos de 2001 e 2002, com fundamento na Súmula Vinculante nº 8. No mérito, a recorrente basicamente reprisou os argumentos utilizados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 458 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Decadência Sobre o tema, assim se pronunciou a recorremte, fls. 450: Também podemos constatar que o relator não aplicou a SUMULA VINCULANTE 8, no PIS/FATURAMENTO EM 2001 E 2002, INCLUSIVE, POR TER HAVIDO RECOLHIMENTO DE 1% SOBRE A FORMA DE PIS — FOLHA DE SALARIO , NO COFINS E NA CSLL POIS OS MESMOS FORAM ATINGIDOS PELA DECADENCIA. Não merece prosperar a alegação da recorrente. Ab initio, esclareçase que os presentes lançamentos foram cientificados ao interessado em 30/06/2006 (fls. 225) e os créditos tributários lançados correspondem a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 30/06/2001 e 30/09/2002 (fls. 0607). Assim sendo, por qualquer critério de contagem do prazo decadencial que seja utilizado (art. 150, IV ou 173 do CTN), é forçoso reconhecer que os presentes lançamentos foram realizados dentro do quinquênio legal. Apenas a título de esclarecimento, convém destacar que no presente caso o prazo decadencial deve seguir a regra geral de contagem, estabelecida no art. 173 do CTN, tendo em vista que o autuado (contribuinte) não efetuou qualquer recolhimento de tributos referente à operação do Bingo Uberaba Palace, conforme resultará claramente demonstrado na análise do tópico subsequente. Ilegitimidade passiva Descaracterização da sociedade em conta de participação Conforme relatado, os autuantes descaracterizaram a constituição da sociedade em conta de participação entre o autuado e o Nacional Futebol Clube (entidade desportiva), por total inobservância das regras que devem reger este tipo de sociedade. Segundo o Fisco, o contrato de fls. 57 a 63, firmado entre o autuado e a sociedade esportiva, indica como sócio ostensivo o Nacional Futebol Clube e como sócio oculto o fiscalizado como o Sócio Oculto afronta diversas regras aplicáveis a este tipo de sociedade, em especial as constantes dos artigos 325 a 328 do Código Comercial (v. fls. 28/29). O recorrente alegou que os aludidos dispositivos do Código Comercial seriam inaplicáveis ao presente caso, uma vez que o aludido Código não mais existe, tendo Fl. 415DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 sido substituído pelos arts. 991 a 993 do Código Civil de 2002. Tais artigos não foram teriam sido infringidos pela constituição da sociedade em conta de participação entre o Nacional Futebol Clube e o autuado. Não assiste razão à Recorrente. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente os argumentos constantes do acórdão recorrido, fls. 406: Vejamos os dispositivos do Código Comercial, que se aplica ao CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP) que foi firmado e concluído antes da vigência das regras dispostas no novo Código Civil: Art. 325. Quando duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, se refinem, sem firma social, para lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando um, alguns ou todos, em seu nome individual para o fim social, a associação toma o nome de sociedade em conta de participação, acidental, momentânea ou anônima; esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades, e pode provarse por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. Art.326. Na sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; o s outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações empreendidas nos termos precisos do contrato. [grifei] Oportuno mencionar que no contrato firmado entre o Nacional Futebol Clube, Milton Carlini assume exclusivamente a integral responsabilidade e todos os ônus decorrentes da realização dos jogos, equipamentos, móveis e utensílios, pagamento de salários, encargos e demais obrigações dai decorrentes, inclusive de eventuais reclamações trabalhistas e todos os tributos incidentes sobre as arrecadações dos eventos, bem como a aquisição e pagamento dos prêmios (cláusula oitava, fl.58). Tais atribuições e responsabilidades do fiscalizado, contratualmente denominado como sócio oculto/participante da SCP fulminam, digamos assim, a "marca registrada" desse instituto, que reside no fato de que somente o sócio ostensivo pratica as operações comerciais e sob sua exclusiva responsabilidade. Na sociedade em conta de participação (SCP) o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. [...] Contrariamente ao alegado, o Novo Código Civil (CC), no trato da matéria em questão, regulamentou o instituto da sociedade em conta de participação praticamente nos mesmos moldes do que já estabelecia o Código Comercial. Em Comentários ao Novo Código Civil — Direito das Sociedades, de Attila de Souza Andrade Jr., temse (pg.42): Fl. 416DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 459 11 2.3. Da sociedade em conta de participação 0 art. 991 do novo Código estabelece que na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. 0 novo Código Civil revigora e revitaliza este interessante instituto já previsto no nosso Código Comercial em seus arts. 325 a 328. Os contornos conceituais são os mesmos que os apregoados pelo nosso Código Comercial Imperial. [..]. Assim, tanto pelas disposições contidas no Código Comercial quanto pelo regramento atual, o novo Código Civil, os pressupostos inerentes As sociedades em conta de participação continuaram os mesmos: apenas o sócio ostensivo pratica as operações comerciais e sob sua exclusiva responsabilidade. Nester termos, concluo que em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Ilegitimidade passiva – Equiparação da pessoa física à pessoa jurídica A recorrente alegou que a pessoa participante da SCP foi a pessoa fisica de Milton Carlini e que a Fiscalização tenta equiparálo a pessoa jurídica, sem amparo legal. Para justificar seu entendimento, fez referência a orientações contidas no manual de perguntas e respostas do órgão lançador (PIR2006), mais especificamente a resposta à pergunta n° 34. Não assiste razão ao recorrente. A pessoa fisica de Milton Carlini foi equiparada a pessoa jurídica com base no art. 4° da Lei 9981/2000, uma vez provado que o recorrente efetivamente administrava o jogo de bingo. A administração de bingo, por força de lei, necessariamente deve ser realizada por empresa comercial. Sobre o suposto conflito entre este entendimento e a pergunta constante do Manual do PIR 2006, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 412413: [...] Ao contrário do que alega o interessado, não há conflito com o "Perguntas e Respostas do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2006", que na pergunta 232, página 140, define as hipóteses em que a pessoa fisica equiparase a pessoa jurídica, verbis: A pessoa fisica equiparase a pessoa jurídica quando: a) em nome individual, explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, quer se encontrem, ou não, regularmente inscritas no órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil, exceto quanto às profissões de que trata o art. 150, §2°, do RIR/1999. (Grifamos). Fl. 417DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 12 b) Promova a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos. (RIR/1999, art.150, II e III) Já o art. 966 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil Brasileiro), assim está posto: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa." Em primeiro lugar, impõese a observação de que o superveniente art. 966 do Novo Código Civil em nada interfere nas condições de há muito estipuladas pela legislação tributária para a equiparação das empresas individuais as pessoas jurídicas; antes, com elas se coaduna. Em segundo lugar, evidenciase, em relação as atividades exercidas pelo interessado, que ele estará equiparado a pessoa jurídica, nos termos do art. 150, § 1º, inciso II, do RIR 1999, se, em nome individual, explorar, habitual e profissionalmente, as atividades de exploração de BINGO PERMANENTE e BINGO EVENTUAL E SIMILARES, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros desses serviços. As exceções da pergunta 233, páginas 140 e 141, do "Perguntas e Respostas do IRPF 2006", "Quais as atividades exercidas por pessoas físicas que não a equiparam a empresa individual?", especificamente as alíneas "a" e "c", citadas em sua defesa, não se aplicam ao impugnante. Isso porque o interessado não explora as atividades sem vinculo empregaticio mencionadas no artigo 150, § 2°, inciso I, do RIR/1999, ou seja, de médico, engenheiro, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas e não funciona como casa lotérica (ADN COSIT n° 24, de 1999). Diante do exposto, rejeito a presente preliminar de ilegitimidade passiva. Mérito Alegação de pagamento dos tributos, pela entidade esportiva, dos tributos exigidos no presente processo A recorrente alegou que os tributos e contribuições ora exigidos já teriam sido pagos pelo Nacional Futebol Clube, de acordo com os extratos bancários juntados aos autos. Sob a alegação de que o Nacional Futebol Clube é isento de IR e CSLL, então a referida entidade esportiva teria pago tudo o que deva a título de PIS (folha de salários). Vale dizer que o Fisco apurou que, na realidade, o Nacional Futebol Clube nada recolheu ao Fisco relativamente às receitas provenientes da administração do bingo permanente. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 460 13 Sobre o tema, assim se manifestaram as autoridades autuantes, em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 33): Ora, é inequívoco que esta contribuinte praticou operações que implicaram a ocorrência de fatos geradores tributários em montantes significativos nos anoscalendário de 2001 e 2002. Abstevese de denunciar, por meio de DCTF, seus débitos tributários (IRPJ, CSLL e PISFATURAMENTO), do mês de abril/2001 até o mês de setembro de 2002, relativamente as receitas provenientes da administração do Bingo Permanente. Para tornar mais evidente seu propósito de ocultar da Administração Tributária a existência de débitos tributários, foram apresentadas as DCTF's alusivas aos trimestres do ano calendário de 2001 e 2002, em nome NACIONAL FUTEBOL CLUBE SPC BINGO UBERABA PALACE, CNPJ 017.777.624/000112, com ausência de débitos (fls. 93 a 96), relativamente a esses tributos.. PISFOLHA DE SALÁRIO — A contribuição ao PIS sobre a folha de salário e a aliquota de um por cento só se aplica lis entidades sem fins lucrativos a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9.532/1997, não se enquadrando nesta hipótese as empresas administradoras de sala de bingos, ainda que filiadas a alguma sociedade desportiva que se enquadre no rol previsto na referida lei, haja vista que a tributação de tais empresas somente recai sobre o percentual a elas destinadas pelo artigo 14 do Decreto n° 3.659/2000. E no caso não consta nenhum valor em DCTF relativamente a receita auferidas em bingo permanente, observando o mesmo quanto às DIPJ's dos exercícios de 2002 e 2003, anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Pela análise das DIPJ/2002 e 2003 (fls. 97 a 144), a interessada não apurou IRPJ e CSLL, por se considerar isenta em relação a tais exações. Conseqüentemente, esses dois tributos não foram declarados pela interessada, conforme se observa nas DCTFs correspondentes a estes períodos (fls. 93 a 96). Quanto aos extratos bancários trazidos aos autos (fls. 315383), em nome do Nacional Futebol Clube SCP Bingo, relativos ao período de 03/2001 a 12/2002, observase que os valores creditados na conta corrente do Nacional Futebol Clube não contemplam as receitas provenientes da atividade do jogo do Bingo escrituradas no Livro Razão do NFC SCP BINGO UBERABA PALACE (fls. 145/178). Para cpomprovar este fato, é suficiente observar que os valores creditado são bem inferiores, além do que não há correspondência em datas e valores com a receita do bingo. Registrese, por oportuno, que os aludidos extratos também não demonstram o pagamento dos tributos exigidos nos autos de infração objeto do presente processo. Quanto às alegações da recorrente relativas ao PIS, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 408409: No que tange a alegação da impugnante no sentido de que a Fiscalização não considerou os valores de PIS sobre sua folha de salários à aliquota de 1%, já pagos pelo sócio ostensivo (Nacional Futebol Clube), não verifico qualquer procedência. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 14 Baseia a defendente todo seu raciocínio na falsa proposição de que o sujeito passivo da obrigação seria o Nacional Futebol Clube, entidade sem fim lucrativo, beneficiandose, portanto, do disposto no artigo 13 da Medida Provisória n° 1.8586/99 e suas sucessivas reedições, [...] Ora, a exegese dos artigos acima transcritos impõe que da apuração do PIS sobre a folha de salário só se podem valer, além das demais hipóteses previstas pela Medida Provisória n° 1.8586/1999, as instituições contempladas no art. 15 da Lei n° 9532/1997 que não possuam qualquer finalidade lucrativa, situação esta que não se coaduna com a da ora impugnante. Com efeito, a Lei n° 9615/1998, regulamentada pelo Decreto n° 3659/2000, permitiu os jogos de bingos em todo território nacional, desde que fossem cumpridas certas exigências, dentre elas, a necessidade de filiação a entidade de administração de qualquer sistema do desporto olímpico. Ou seja, facultouse a exploração do bingo por empresa comercial, desde que houvesse sua filiação a entidade ligada ao esporte, podendo esta ser de natureza filantrópica e sem finalidade lucrativa. Assim, ainda que a filiação da impugnante tenha se efetivado junto à entidade esportiva sem fim lucrativo, o beneficio estabelecido pelo artigo 13 da Medida Provisória n° 1858 6/1999 não se estende à impugnante, verdadeira contribuinte, de finalidade puramente lucrativa. Ademais, cumpre salientar que a não aplicação do disposto no artigo 13 da Medida Provisória n° 18586/1999 não traz qualquer prejuízo à entidade esportiva. Isto porque, os recursos arrecadados pelos bingos e transferidos a estas entidades não sofrem qualquer tipo de tributação, sendo repassados aos favorecidos integralmente. É que o Decreto n° 3659/2000, determina, em seu artigo 14°, a destinação dos recursos arrecadados pela administração da sala do bingo, estabelecendo o percentual de 28% as empresas administradoras dos jogos, e 7% as entidades desportivas. Assim, a contribuição ao PIS deve incidir apenas sobre o montante resultante da aplicação do coeficiente de 28% sobre o total dos recursos arrecadados (cota da administradora), não se tributando, portanto, a parcela destinada a entidade esportiva filiada, metodologia esta seguida A. risca pela autoridade fiscal ao efetuar o lançamento em questão. Diante disto, mostrase descabida a inconformidade demonstrada pela impugnante quanto ao lançamento referente ao PIS. Questionamento acerca da vigência do art. 4º da Lei nº 9.981/2000 O recorrente alegou que, na data da formalização do contrato da Sociedade em Conta de Participação, não estava em vigor o art. 4° da Lei n° 9.981/2000, mas sim o artigo 61 da Lei n° 9.615/1998, o qual determinava que os bingos deveriam funcionar sob a Fl. 420DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 461 15 responsabilidade exclusiva das entidades desportivas, mesmo que a administra çao da sala fosse entregue a empresa comercial idônea. O recorrente afirmou, outrossim, que a lei aplicável é aquela da data da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a Lei n° 9.615/1998 isentaria totalmente o autuado de qualquer responsabilidade tributária decorrente de operação do bingo. Alegações totalmente desprovidas de sentido. Mais uma vez lanço mãos dos argumentos constantes do acórdão recorrido, que adoto, transcrevo e grifo parcialmente (fls. 409412): Mais uma vez enganase o impugnante. A Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT n° 38, de 14 de maio de 2002, esclarece, com base nos fundamentos a seguir transcritos que, na hipótese de a entidade esportiva autorizada a explorar o jogo de bingo entregar a administração da atividade a empresa comercial, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas ao jogo 6, desde 25/10/1999, da empresa comercial que o administra. 2. A exploração do jogo de bingo por entidades desportivas foi inicialmente prevista pela Lei n° 8.672, de 6 de julho de 1993, com regulamentação dada pelo Decreto n°981, de 11 de novembro de 1993. Embora esses diplomas não tenham sido objeto da consulta, esclareçase que, à época, toda a responsabilidade pela atividade, inclusive a tributária, recaiu sobre as entidades de prática desportiva, únicas autorizadas a realizar os sorteios de bingo, cabendo eis sociedades comerciais, eventualmente contratadas pelas entidades desportivas que assim o desejassem, somente a administração da realização dos sorteios. 3. A revogação dos referidos diplomas pela Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998, e pelo Decreto n° 2.574, de 29 de abril de 1998, que passaram a tratar da matéria, em nada alterou a responsabilidade das entidades desportivas e o papel reservado às sociedades comerciais, conforme se verifica do disposto nos arts. 60 e 61 da Lei n° 9.615, de 1998: [...] 4. Entretanto, com o advento da Medida Provisória n° 1.926, de 22 de outubro de 1999 (DOU 25/10/1999), que acrescentou ao art. 61 da Lei n° 9.615, de 1998, o parágrafo único, abaixo transcrito, a responsabilidade tributária foi transferida da entidade desportiva para a sociedade comercial. (grifousei "Parágrafo único. Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e Fl. 421DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 16 encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade." 5. Cumpre salientar, conforme suscitado pela consulente, que esse dispositivo foi convertido no art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000, a qual também convalidou os atos praticados com base na MP n° 2.0118, de 26 de maio de 2000 (reedição da citada MP n°1.926, de 1999). 6. Registrese ainda que os dispositivos constantes do Decreto n° 2.574, de 1998, que tratavam da exploração do bingo foram revogados pelo Decreto n° 3.659, de 14 de novembro de 2000, o qual passou a regulamentar a matéria, não tendo ocorrido, entretanto, qualquer alteração quanto à responsabilidade tributária. 7. Diante de todo o exposto, concluise que, a partir da publicação, em 25/10/1999, da MP n° 1.926, de 1999, por força do parágrafo único acrescentado ao art. 61 da Lei n° 9.615, de 1998 (posteriormente, art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000), o pagamento dos tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas relativas a exploração do jogo de bingo passou a ser de responsabilidade da empresa comercial que administra a atividade. Assim sendo, não procede a reclamação do autuado, uma vez que, desde a celebração do "Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação (S.C.P.)", entre o NACIONAL FUTEBOL CLUBE e o autuado, MILTON CARLINI, em 14 de fevereiro de 2000, já vigia o dispositivo de que "na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade". A outra alegação do impugnante é no sentido de que a Fiscalização deveria obedecer ao art. 2° da Lei n° 9.981/2000, que revogou o artigo 61 desta Lei somente a partir de 31 de dezembro de 2001 e respeitar as autorizações que estavam em vigor até a data de sua expiração, uma vez que o prazo da autorização concedida pela Caixa Econômica Federal para que o NACIONAL FUTEBOL CLUBE explorasse o Bingo Permanente expirava em 25/03/2002. Além disso, dispara a recorrente, a Caixa tinha conhecimento de que o NACIONAL FUTEBOL CLUBE era uma entidade esportiva e não foi exigido que esta tivesse atividade comercial, como quer impor a autoridade fiscal. [...] Entretanto,, o artigo 4° da Lei 9.981/2000 responsabiliza a empresa comercial que administra o jogo de bingo tãosomente quanto ao pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade, conforme já dispunha a MP n° 1926/1999. Ademais, segundo a legislação pertinente A exploração de jogos de bingo no Brasil, não há previsão legal Fl. 422DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10650.000975/200631 Acórdão n.º 140100.531 S1C4T1 Fl. 462 17 para que a CEF autorize para execução indireta do jogo do bingo uma empresa comercial que apenas administre o jogo. Assim, não procedem as alegações do impugnante de que a Fiscalização não obedeceu ao dispositivo do art. 2° da Lei n° 9.981/2000 e de que a concessão do jogo deveria ser dada a uma empresa comercial após a edição da Lei 9.981/2000. Alegação de erro na forma de tributação das receitas decorrentes da administração do bingo O recorrente questiona a correção da forma de tributação aplicada às receitas decorrrentes da administração do bingo (lucro presumido). Devese ter em conta que a pessoa física do recorrente, à época dos fatos, já se encontrava equiparada a empresa individual, em face da exploração de outra atividade, no caso "serviços de bar e restaurante", conforme "Declaração de Firma Mercantil Individual" (fls. 37/40). Por esta razão , as receitas provenientes da atividade de administração de bingo foram tributadas naquela empresa individual, de acordo com as regras do lucro presumido, pois esta foi a opção da empresa para os anoscalendário de 2001 e 2002 (conforme respectivas DIPJs, fls. 196248). Sobre o tema, é suficientemente clara a orientação constante do parágrafo único do art. 160 do RIR/99, verbis: Art. 160. As pessoas fisicas consideradas empresas individuais são obrigadas a: Parágrafo único. Quando já estiver equiparada à empresa individual em face da exploração de outra atividade, a pessoa fisica poderá efetuar uma só escrituração para ambas as atividades, desde que haja individualização nos registros contábeis, de modo a permitir a verificação dos resultados em separado, atendidas as normas dos arts. 161a 165. Concluise, portanto, que foi inteiramente correta a forma de tributação das receitas provenientes da prestação de serviços de administração e exploração do jogo de bingo na empresa individual Milton Carlini. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 423DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 18 Fl. 424DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13851.902173/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902173/200931 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.487 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNDAY SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 73 /2 00 9- 31 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902173/200931 Acórdão n.º 1302002.487 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910550/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.468
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 02/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 50 /2 01 1- 57 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.576, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910550/201157 Acórdão n.º 3402004.468 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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