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Numero do processo: 12466.004054/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.583
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Cíntia Sales Queiroz, OAB/SP nº 241708.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Cíntia Sales Queiroz, OAB/SP nº 241708. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 05/12 e 22/25) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação (R$ 187.854,17) e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 125.520,75), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, bem como à multa regulamentar por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 17.298,86, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001, e à multa do controle administrativo por falta de licenciamento na importação no valor de R$ 512.329,49. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 04 05 4/ 20 07 -3 1 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.004054/200731 Resolução nº 3201000.583 S3C2T1 Fl. 384 2 No Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 31/49, consta que a autuada registrou as declarações de importação elencadas, para a importação de impressoras digitais ou sistemas de impressão digital, segundo a sua descrição,tendo sido classificados com os códigos NCM 8471.60.23 e 8471.60.30. Entretanto, o entendimento da fiscalização é de que esses produtos deveriam ter sido classificados com o código NCM 9009.21.00, por se tratar de COPIADORAS MULTIFUNCIONAIS, ou seja, um "sistema de impressão" modular, podendo integrar várias funções tais como impressão, cópia, scanner e fax. E, por não ser possível distinguir a função principal do produto, foi aplicada a RGI3,” c”, que conduziu a classificação para a última posição dentre as possíveis. Informa que tal é a conclusão de solução de consulta efetuada pela própria empresa ÊXITO Solução SRRF/7ª. RF/DIANA nº 100/03 (processo 12466.003353/200243), de 16 de abril de 2003 e na Solução SRRF/7ª.RF/DIANA nº 119 (processo 12466.003351/200254), de 02 de maio de 2003 (doc. 02), referente às multifuncionais importadas da marca RICOH, modelos Aficio 1015, e Afício 700, 1035 e Aficio 1045, respectivamente. Regularmente cientificada (fls. 6 e 22) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 159/186, na qual, em síntese: Alega, preliminarmente, ilegitimidade passiva, arguindo que a responsabilidade é exclusiva da adquirente, uma vez que a importação realizouse por conta e ordem da Simpress Indústria, Comercio e Locação de Sistemas de Impressão Ltda., atualmente denominada RR Indústria e Remanufatura S.A., a qual indicou a classificação fiscal adotada. Também a Impugnante não tem interesse comum, já que não obteve nenhuma vantagem em realizar as importações pela classificação fiscal desqualificada, e, além disto, o Contrato de Importação por Conta e Ordem de Terceiros anexado estabelece expressamente a responsabilidade da Adquirente. Por estes motivos, deve o auto de infração ser anulado em razão do erro de identificação do sujeito passivo ou, alternativamente, deverá ser incluída a Adquirente como solidária. Informa que os produtos importados são equipamentos que agregam de forma modular os recursos de impressão, cópia, digitalização (scanner) e facsímile, constituindose em verdadeiros "Sistemas de Impressão", não se caracterizando como "fotocopiadora por sistema ótico". Afirma que o Laudo Técnico n.° 064/02 (Doc. 04), elaborado pela FUCAPI como resposta às indagações formuladas pela Secretaria da Receita Federal, constatou que os equipamentos importados são equipamentos de impressão, exatamente como concluíram os peritos nos Laudos Técnicos n° 118, 117 e 196 (Doc. 03). Argui que, além destes, foram emitidos laudos técnicos do Instituto Nacional de Tecnologia INT (Doc. 05), o qual é categórico em afirmar que as mercadorias importadas não são copiadoras por sistema ótico. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.004054/200731 Resolução nº 3201000.583 S3C2T1 Fl. 385 3 Nesse sentido também concluiu a UNICAMP (Doc. 06). Sendo a conclusão de todos os laudos de que a característica essencial dos produtos importados é a impressão, deve ser desqualificada a classificação fiscal adotada pela fiscalização, em vista da RGI 3. Alega que nenhuma das multas impostas pode prosperar, já que a operação foi coberta por fatura comercial e guia de importação, com o devido Registro da Declaração de Importação, os quais descreviam de forma suficiente as mercadorias importadas como sistemas de impressão, com a indicação da espécie, tipo, marca, número, série, referência. Não houve qualquer declaração inexata e a Impugnante não poderia ter informado que se tratavam de copiadoras, pois, conforme atestado por todos os laudos técnicos juntados, as mercadorias não se enquadram no conceito de copiadora. Além de o produto estar corretamente descrito, não houve intuito doloso ou máfé por parte da declarante. Assim, em razão do que dispõe o Ato Declaratório Normativo ADN Cosit n° 10/97, é incabível tanto a multa prevista no art. 44 da Lei n°9.430/96, quanto a multa prevista no art. 633, II, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro. É improcedente, também, a cobrança da multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Ainda que os valores sejam julgados como devidos, há imputação de mais de uma penalidade a um só fato (declaração inexata), num verdadeiro bis in idem, de forma que os valores deverão ser cancelados. Argumenta que a fiscalização pretende ampliar a hipótese de aplicação da penalidade disposta no art. 633, II, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro, para que ela abranja também a hipótese de declaração inexata de mercadorias na Declaração de Importação, utilizando como fundamento o Parecer n° 55/2003, da DISIT da 7ª. Região Fiscal. Ao empregar interpretação extensiva da norma penal e fundamentar a aplicação da pena em ato sem poder normativo afronta ao princípio constitucional da legalidade. Destaca que a encomendante da importação (Simpress) teve contra si lavrado auto de infração pela Alfândega do Porto de ManausAM, em razão da importação dos mesmos produtos (sistemas de impressão da linha Aficio), sendo que, ao julgar o referido recurso voluntário, o Terceiro Conselho de Contribuintes cancelou as exigências, por entenderem que os produtos importados não se caracterizam como "fotocopiadoras por sistema ótico", classificadas na NCM 90.09 (Acórdão 30334.061— Doc. 07). Insurgese contra a incidência de juros sobre o valor lançado a título de multa de oficio, porque não há previsão na legislação de juros sobre multa, mas, tão somente, sobre os débitos de tributos e contribuições. Requer o acatamento da preliminar de ilegitimidade passiva, ou que seja incluída a Adquirente como solidária, além do cancelamento integral da exigência fiscal. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário apurado, para excluir a multa Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.004054/200731 Resolução nº 3201000.583 S3C2T1 Fl. 386 4 administrativa do controle das importações de 30% relativas às DI nº: 03/00722057/ 002, 03/00722057/ 004, 03/00722057/ 005, 03/00722057/ 006, 03/00722057/ 007, 03/01320823/ 001, 03/01320823/ 004, 03/01320823/ 006, 03/01320823/ 007, 03/02953927/ 002 e 03/03653080/ 001. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 02/05/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota, tornamse exigíveis as diferenças de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/ 2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. Inconformado com a decisão, apresentou a contribuinte, tempestivamente, o presente recurso voluntário. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Autos de Infração em que resta formalizada, entre outras exigências, a cobrança de multa de controle administrativo por falta de licenciamento na importação. A decisão recorrida cancelou a multa em relação às Declarações de Importação (DI) em que entendeu que o produto importado foi corretamente descrito, mantendo a exigência quanto às DI que não apresentavam a correta identificação. Observo, contudo, que a infração apenas resta configurada nas situações em que a importação da mercadoria, na classificação exigida pelo Fisco, esteja submetida ao regime de licenciamento não automático. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.004054/200731 Resolução nº 3201000.583 S3C2T1 Fl. 387 5 Em análise aos autos, verificase que a informação sobre o regime de licenciamento a que as mercadorias estavam sujeitas à época de ocorrências dos fatos geradores, se automático ou não automático, não consta do presente processo. Desta forma, tendo em vista a ausência de informação necessária a solução da lide, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fiscalizadora esclareça se, com a nova classificação fiscal adotada pela fiscalização, as mercadorias importadas, objeto de discussão, nos autos, estavam, à época dos fatos, sujeitas à Licença de Importação automática ou não automática. Efetivada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente e à PGFN para, em tendo interesse, manifestaremse no prazo de 30 dias. Realizadas as providências, os autos devem ser encaminhados para este Conselho, para fins de prosseguimento no julgamento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001289/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO.
Deve-se aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no ano-calendário.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202-002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO. Deve-se aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no ano-calendário. Acórdão rerratificado.
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Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO. Devese aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no anocalendário. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 12 89 /2 00 6- 13 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 183 3 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão embargada, desta Turma do CARF. Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.25 a 29), relativa ao anocalendário 1999, para apurar imposto de renda suplementar no valor de R$32.921,45, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e multa por atraso na entrega da DIRPF no valor de R$6.584,29. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte fls. 27. Impugnou o lançamento alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: · a peça defensória é tempestiva , uma vez que a informação prestada pelo CAC referente à data da ciência em 08/08/2005 não procede uma vez que não recebeu o auto de infração. Em relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte afirma que os valores declarados pela fonte pagadora foram recebidos pelo espólio de Jorge Schnaider e declarados em sua DIRPF, ocasionando bitributação. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), conforme Acórdão 1327.164– de 17 de novembro de 2009 de fls. 62 e ss, julgou procedente o lançamento, nos termos das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a dedução indevida do IRRF consignado na declaração de ajuste anual , quando não comprovada a sua retenção por meio hábil de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu em 24/03/2011, consoante termo ciência pessoal de fls. 54. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/04/2011, fls. 60. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Eis as alegações recursais: · Assevera que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27 de abril de 1998 a Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107, por contrato daquela data, aditado em 1º de abril de 2003 (docs.1/4).de infração abrangido fatos geradores mensais do ano de 2001. Cita uma vasta jurisprudência visando fundamentar suas alegações. · No ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46 (cento e quarenta e três mil), quatrocentos e vinte e três reais e quarenta e seis centavos), retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48, como constante da Informação de Rendimentos Pagos, anexa (doc. 5). · Não obstante, o CPF constante desse Comprovante de Rendimentos foi o do inventariante do Espolio, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador, como devido (doc. 5). · Entregue a um contador os documentos do espolio e de seus herdeiros para a elaboração de suas declarações de ajuste do Exercício de 2000, esse profissional, inexplicavelmente, fez constar na declaração do ora recorrente aqueles rendimentos da locação que foram do Espolio, e não seus e o valor do imposto retido. · Acresce que o equivocado procedimento da locatária quanto aos comprovantes de rendimentos pagos repetiuse nos anos calendário de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005, o que a levou a retificações das informações originariamente prestadas (docs. 6/13). · Também no exercício de 2001 o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste do suplicante procedeu da mesma forma, o que deu causa a autuação fiscal e à instauração do processo fiscal n° 13710. 1290/200648, no qual ficou demonstrada a indevida inclusão de rendimentos de terceiros e do imposto retido sobre os mesmos rendimentos. Decisão, então proferida, deu acolhida a impugnação apresentada pelo ora recorrente (doc. 14) · Com a juntada da documentação agora acostada fica evidenciado que os alugueres no valor de R$ 143.423,46 foram efetivamente pagos ao Espólio de Jorge Schnaider, ao qual incumbiam, e a ele diz respeito a retenção de tributo na fonte no montante de R$ 35.121,48, tudo constante do Comprovante emitido pela Igreja de Nova Vida do Catete (CGC 02.300.711/000107), nova designação da Igreja Água Viva. · É de suporse que a nãoidentificação de tal recolhimento deveuse ao fato de ao que se infere do documento n° 5 ter sido o mesmo efetivado sob o CPF do inventariante. · O proprietário do imóvel locado à entidade religiosa é o Espólio de Jorge Schnaider, e não seu herdeiro Rui Goldenstein, e a ele, Espólio, e não ao herdeiro, foram pagos os alugueres correspondentes · A inépcia constrangedora com que agiram as partes envolvidas, à toda evidência, não cria rendimento que não existiu e, conseqüentemente há matéria econômica a tributar. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 184 5 · Havendo pendência quanto ao exercício em questão, não é facultado ao contribuinte, no sistema da Receita Federal, retificar a declaração de ajuste correspondente, mas dos rendimentos declarados pelo suplicante, naquele documento, devem ser excluídos aqueles efetivamente percebidos por terceiro e, bem assim, o valor retido na fonte, que também não lhe é pertinente. QUANTO A MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO IRPF · O recorrente solicita que seja aplicado o valor mínimo É o relatório. Em petição entregue em 25 de agosto de 2011, o contribuinte, por meio de seu advogado, solicita a juntada de documento, emitido pela fonte pagadora, alegando que só lhe foi entregue recentemente (fls. 155 a 157). Em sessão de julgamento ocorrida em 13 de agosto de 2014, foi dado provimento ao recurso, cuja decisão, consubstanciada no acórdão 2202002.756, foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 Ementa: RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Devese reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações. Recurso Voluntário Provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs embargos de declaração, alegando obscuridade e omissão em relação aos seguintes pontos: a) Alega a embargante que a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, contudo o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir diz respeito a outro processo administrativo do contribuinte (fls. 105 e 106). Assim, em face da falta de clareza no fundamento de decidir, requer que seja sanada a obscuridade apontada. b) a PFN sustenta que a DRJ entendeu que se encontrava preclusa a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF (fls. 50 e 51), pois não houve impugnação quanto a esse ponto. Afirma que, no entanto, a questão da definitividade da decisão de primeira instância não foi objeto de análise do Colegiado, configurando omissão a ser apreciada. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Tendo em vista que a relatora do Acórdão não mais compõe a Turma, fui designado pelo Presidente da Turma como relator ad hoc. No exame de admissibilidade, os embargos foram acolhidos para que sejam sanados os vícios revelados, conforme despacho às fls. 180 e 181. É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), relativos ao Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014. A Embargante afirma que no acórdão embargado a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, embora o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir seja relativo a outro processo administrativo do Contribuinte. Sustenta, ainda, a Embargante que na decisão de primeira instância se entendeu que a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF se encontrava preclusa, pois não houve impugnação quanto a esse ponto, porém a questão da definitividade da decisão da DRJ não foi objeto de análise do Colegiado. Entendo que os embargos devem ser acolhidos para sanar os vícios apontados, posto que no acórdão embargado foi adotado como razão de decidir um despacho decisório referente a outro processo do contribuinte (fls. 105 e 106), assim como o Colegiado não se pronunciou a respeito da preclusão da matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF. O contribuinte fiscalizado, em seu recurso voluntário, alega que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27/04/1998 à Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107. Afirma que, no ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46, retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48. Relata que a locatária informou indevidamente como beneficiário dos rendimentos o CPF do inventariante, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador. Aduz que, em virtude de equívoco do contador, constam das suas declarações de ajuste dos exercícios 2000 a 2005, os rendimentos da referida locação, os quais, na realidade, são do espólio. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 185 7 Informa que em relação ao exercício 2001, foi acolhida a impugnação, tendo sido reconhecida a indevida inclusão dos rendimentos do espólio e do imposto de renda retido na fonte. Após o recurso voluntário, o contribuinte apresentou um documento, emitido pela fonte pagadora, no qual consta que ela informou erroneamente o CPF do locador, tendo afirmado que efetuara a correção das cinco últimas DIRFs, porém não corrigira as DIRFs dos anoscalendário 1998 e 1999, por não estarem mais disponíveis para retificação. Entendo que deve ser acatado o documento acostado pelo contribuinte, embora entregue após o recurso voluntário. É que o referido documento vem corroborar as suas alegações, feitas tempestivamente, e somente lhe foi disponibilizado pela fonte pagadora posteriormente ao prazo recursal. Nesse caso, deve prevalecer o princípio da verdade material, além dos princípios da eficiência e da economia processual, posto que evita uma diligência a ser efetuada para buscar essa informação. Tendo em vista os documentos acostados aos autos, mais especificamente o contrato de locação (fls. 122 a 129), a Declaração de Ajuste Anual DAA do espólio de Jorge Schnaider dos anoscalendário 1999 a 2001 (fls. 130 a 132), o despacho decisório referente ao anocalendário posterior ano de 2000 (fls. 141 a 143) e a informação da fonte pagadora (fl. 156), entendo que restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua DAA rendimentos de aluguéis, os quais, na realidade, são do espólio de Jorge Schnaider. Assim, deve ser cancelado o lançamento referente ao imposto sobre a renda da pessoa física do anocalendário 1999. Quanto à multa por atraso na entrega da declaração, entendo que deva ser reduzida para o seu valor mínimo, R$ 165,74, considerando que não há imposto de renda devido relativo a esse anocalendário. A PFN alega que a decisão de primeira instância foi no sentido de que se encontrava preclusa essa matéria, pois não houve impugnação específica relativa a essa questão. Entretanto, tratase de uma multa cujo lançamento teve como base de cálculo justamente o valor do imposto apurado no procedimento fiscal e lançado de ofício. Cancelar o lançamento de ofício relativo ao imposto de renda e manter a multa tendo como base de cálculo o valor cancelado é, no mínimo, contraditório. Se a base do lançamento da multa foi anulada, não há como subsistir o lançamento da própria multa fundamentada naquele valor exonerado. Na lição de Dinamarco: Não há no direito brasileiro, como no italiano (c.p.c., art. 336), uma norma que autorizasse estender a devolução recursal aos capítulos de mérito inatacados, quando eles forem necessariamente dependentes do que houver sido objeto do recurso (prejudicialidade: supra, n. 15). Mesmo sem norma expressa, todavia, essa devolução a maior deve ocorrer, porque seria incoerente reunir em um processo duas ou mais pretensões e dizer que isso é feito em nome da economia e da harmonia entre os julgados, para depois renunciar a essa harmonia e permitir que a causa prejudicada (dependente) ficasse afinal julgada de modo discrepante do julgamento da prejudicial (dominante). Assim como não é necessário pedir juros e Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 outros acréscimos na demanda inicial (os chamados pedidos implícitos CPC, art. 293), assim também se dispensam esses pedidos na apelação referente ao capítulo principal com a consequência de que eventual omissão do recorrente não impedirá a devolução no tocante ao capítulo referente a eles. Seria também inaceitável manter a procedência da demanda indenizatória proposta em cúmulo com a de reintegração de posse, nos casos em que, julgadas ambas procedentes em primeiro grau, o réu interpusesse apelação exclusivamente quanto ao capítulo alusivo à possessória, deixando inatacado o outro capítulo. Em casos assim, onde é muito intensa a relação de prejudicialidade entre os diversos capítulos, é imperioso estender ao capítulo portador do julgamento de uma pretensão prejudicada, quando irrecorrido, a devolução operada por força do recurso que impugna o capítulo que julgou a matéria prejudicial. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 111112). (Os grifos são do original). Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para DAR provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13971.005060/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006).
APREENSÃO DE MERCADORIAS.
As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias.
INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
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SIMPLES NACIONAL Recorrente AJ ESTRELA PRESENTES E PESCA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 50 60 /2 00 8- 49 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de manifestação inconformidade contra Ato Declaratório Executivo nº 008 de 08/02/2010, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que excluiu o contribuinte em epígrafe do Simples Nacional, com base no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inciso VII do art. 5º da Resolução CGSN nº 15/2007, com efeitos retroativos a 01/09/2008, às fls. 17. O motivo da exclusão foi a comercialização de mercadorias objeto de contrabando, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, às fls. 05/11, lavrado em 07/10/2008 e Termo de Lacração de Volumes, objeto do processo nº 13971.004216/200874, às fls. 65/102. Cientificado do Ato Declaratório de Exclusão, o contribuinte apresentou defesa em 10/03/2010, referente ao processo de exclusão do Simples Nacional, às fls. 31/102, alegando em síntese: a reclamante é pessoa jurídica de direito privado, com objeto social a exploração de ramo de loja de variedade de pequeno porte, comércio varejista de brinquedos, comércio varejistas de artigos de pesca, comércio varejista de bijuterias e comércio varejista de artigos de presentes. E seu comércio encontrase no chamado "camelôs" da Rua Nereu Ramos em Blumenau/SC. na data de 30 de setembro de 2008, deparouse com operação da Policia Federal em conjunto com a Receita Federal, advindos da Representação Criminal n 2008.72.05.0020085/ SC, que tinha como objetivo a investigação e formação de provas de supostos crimes de descaminho ou contrabando. Sublinhase que o Mandado de Busca e Apreensão tinha destinatários certos, e poderiam ser estendidos a outras pessoas jurídicas ou físicas, dependendo do caso, porém, ocorreu o fechamento de todas as bancas/Box, inclusive da reclamante. em 07/10/08 ocorreu a deslacração de mercadorias, através do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias (auto de infração 13971.004216/200874 em anexo), com a devolução de diversas mercadorias, por entender não Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 4 3 subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão, e retenção e guarda e o relatório anexo ao auto genérico e sem descrição de marca/modelo/número de série e origem das mercadorias. a reclamante aduz ainda que não apresentou impugnação ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, e diante deste transcurso de prazo, foi determinado o perdimento das mercadorias, conforme Termo anexo e com a posterior representação fiscal para exclusão de ofício da reclamante do Simples, por entender que as mercadorias em comercialização eram proveniente de objeto de contrabando ou descaminho, o que ensejaria a exclusão em concordância ao inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, e art. 5º, inciso VII, Resolução CGSN nº 15/07. no mérito, entende que existem vários motivos que macularam o Auto de Infração, bem como motivos jurídicos que geram a ilegalidade da exclusão da Reclamante do Simples Nacional, identificandose primeiramente o abuso de poder acometido pelos Fiscais juntamente com a Polícia Federal, visto que o mandado de busca e apreensão emitido pelo MM. Juiz da Vara de Execuções Fiscais e Criminal da Subseção Judiciária de Blumenau/SC, no processo de Representação Criminal nº 2008.72.05.0020085/ SC, tinha como objetivo a formação de provas contra a prática de crime de descaminho ou contrabando, especificadamente aos Boxes 01, 02, 04, 06, 10, 12 e 20, ou outros com a atividade ora em apuração, isso tudo em concordância com as provas já acostadas naqueles autos. o mandado de busca e apreensão não tinha o condão de “lacrar” o comércio dos outros boxes, mas assim fizeram e agiram com abuso de poder, o que maculou o ato. vale registrar que todo ato emanado de agente incompetente, ou realizado além dos limites de que dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é inválido, por lhe faltar elemento básico de sua perfeição, qual seja, o poder jurídico para manifestar a vontade da Administração (Hely L. Meirelles, p. 141). rapidamente se demonstra o exercício arbitrário, desmensurado, abusivo e ilegal efetuado e não existiu o necessário Mandado de Procedimento Fiscal, na busca e apreensão ou em seu prazo máximo, o que selouse como ausência de início de procedimento fiscal/início de fiscalização, configurando a ilegalidade do ato. não se pode dizer que estavam albergados pelo Mandado de Busca e Apreensão, pois este foi emitido para que o Ministério Público Federal obtivesse prova, e a diligência da RFB, através de seus fiscais, fora determinado pelo MM. Juiz para o acompanhamento dos Policiais Federais. houve tempo entre a expedição do Mandado de Busca e Apreensão e o efetivo cumprimento, e se os Srs. Fiscais da RFB Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 5 4 tinham a intenção de fiscalizar, ou mesmo fazer colheita de provas, obrigatoriamente, para legalidade do ato, deveria expedir MPF, "D" ou "F", em concordância com sua vontade e intenção, ou ainda, poderia se utilizar do MPF" E", nos termos do artigo 5º da Portaria RFB nº 11.371/2007. o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. E a nulidade deve ser alegada a primeira oportunidade da reclamante, e o prazo de defesa ditado era apenas quanto ao processo de apreensão, cujo prazo de defesa era de 20 dias, em concordância com o artigo 27, §1 do Decretolei 1.455/76. 29., prejudicando a defesa no prazo de 30 dias, estabelecida no Decreto n° 70.235/42. assim, diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. além disso, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. O motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. assim sendo, não há o que se falar ou imputar que reclamante comercializava mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, sendo este um ponto salutar, pois nem a tipicidade foi declarada, havendo gigantesca diferença entre contrabando e descaminho. Simplesmente foi jogado ao ar que a reclamante comercializava mercadoria objeto de contrabando ou descaminho, porém, sua tipicidade não foi declarada, pois não foram averiguadas as mercadorias, como será visto. para correta e legal imputação do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, caso realmente existissem mercadorias objeto de contrabando e descaminho, deveria ter sido taxada cada uma das mercadorias apreendidas, e se essa era teoricamente objeto ou de contrabando ou de descaminho. a incerteza não pode gerar qualquer imputação de exclusão do Simples à Reclamante, pois não se sabe se essa foi excluída pois supostamente suas mercadorias seriam objeto de descaminho, seriam objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades. destarte, diante não condenação da reclamante penalmente, com trânsito em julgado, bem como por não ser tipificado se as mercadorias apreendidas supostamente eram objeto de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 6 5 descaminho, eram objeto de contrabando, ou ainda, objeto das duas tipicidades, não há o que se falar em exclusão da reclamante do Simples através do artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. não há nos autos qualquer documento ou conclusão que traz que mercadoria "x" é objeto de descaminho por tal motivo, mercadoria "y" é objeto de contrabando. Simplesmente foram apreendidas mercadorias, não foram declaradas, discriminadas, tipificadas as mesmas, e fora declarado o perdimento por não apresentação de defesa. assim, não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 7 6 requerse, com base em todo o exposto, a reintegração da empresa Reclamante no SIMPLES, sendo de tudo e de todos os atos comunicada a reclamante. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0127.197, de 19 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/09/2008 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO/DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando, entre outras hipóteses, constatarse a comercialização de mercadorias objeto de contrabando/descaminho. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica, cientificada da mencionada decisão em 13/12/2013 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 18/12/2013, o qual traz os mesmos argumentos acima relatados expendidos na Manifestação de Inconformidade, portanto desnecessário repetilos. Finalmente requer a reintegração da empresa Recorrente no SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Compulsandose os autos constatase que, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BLU N° 008, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, fl.15, com efeitos retroativos à 1º de setembro de 2008 em virtude da verificação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e no inciso VII do art. 5° da Resolução CGSN no 15, de 23 de julho de 2007, ficando a interessada impedida de optar por esse regime especial pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Verificase às fls.04/10, cópia do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ) em nome da Recorrente com a seguinte descrição dos fatos: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 8 7 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, efetuamos a apreensão das mercadorias estrangeiras relacionadas na Relação de Mercadorias, anexa, de diversas origens estrangeiras, por se encontrarem sem documentação comprobatória de sua regular importação, ou comercialização. A retenção das referidas mercadorias ocorreu em 30 de setembro de 2008, em operação que envolveu a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Departamento de Policia Federal, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão epigrafado, expedido pela Vara de Execuções Fiscais e Juizado,... pecial Federal Criminal Adjunto de Blumenau. A proprietária da empresa, ora autuada, assumiu a propriedade das mercadorias em tela, acompanhou a deslacração dos volumes e a discriminação das mercadorias. Devolvemos, neste ato, as demais mercadorias, lacradas em 30/09/2008, por não subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão. ... Sobre o mencionado processo, consta do TERMO DE PERDIMENTO (fl.15) o seguinte: Não tendo o interessado apresentado impugnação à apreensão dos bens de que tratam os autos, foi tal circunstancia consignada mediante emissão do TERMO DE REVELIA. Assim, com base na competência que me foi atribuída pelo art.280, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria M.F n° 125, de 4 de março de 2009, lavro, nesta data, o presente TERMO DE PERDIMENTO, mediante o qual APLICO A PENA DE PERDIMENTO das mercadorias de que tratam os autos. Blumenau, 30 de Dezembro de 2009. JOSÉ CARLOS DA VEIGA AFRFMatr. 859871 DELEGADO ADJUNTO DRF / BLUMENAU Toda a argumentação da Recorrente é no sentido de que o Auto de Infração emitido e que deu espeque ao processo de Exclusão do Simples é viciado na origem, e nulo por conseqüência dos atos ilegais praticados. A Recorrente argúi que: o fato de não existirem ou não terem sido apresentadas notas fiscais, não tipifica que as mercadorias eram advindas de descaminho ou contrabando, o que deveria ser feito por meio de perícia, bem como, ao menos, da competente discriminação de cada mercadoria apreendida. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 9 8 a única hipótese de declaração de que a mercadoria é objeto de contrabando ou descaminho é o flagrante, seja no traslado da mercadoria, ou seja, na recepção destas, e tudo devidamente comprovado, sendo que o próprio auto não imputa a origem das mercadorias, ele não é conclusivo sobre isso, sendo genérico e sequer diz se é objeto de contrabando ou de descaminho, fazendo isso por não ter elementos suficientes de prova, pois o fato de não terem sido apresentadas notas fiscais não quer dizer que as mercadorias são estrangeiras, ou foram importadas irregularmente. não há como declarar que as mercadorias apreendidas eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando, pois o Auto de Infração que deu espeque à exclusão da reclamante do Simples, não declara a procedência das mercadorias, ele é abstrato sobre essa circunstância, que digase vital para a Exclusão do Simples. Alega a Recorrente que, ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. E que o motivo da exclusão do Simples é a alegação que a reclamante comercializava mercadorias objetos de descaminho ou contrabando, porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e inclusive não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração. Aduz que não há como enquadrar a empresa Reclamante no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n 123/2006, pois não há provas ou parecer ou perícia ou ainda, discriminação das mercadorias com seu pais de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando. Afirma que diante da ausência do inicio de fiscalização, advindo pela ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca Apreensão, requer seja mantida a reclamante no Simples, já que os atos que motivaram a exclusão são totalmente maculados e ilegais. Cabe observar que o trâmite do processo de apreensão das mercadorias é regulamentado pelo Decretolei nº 1.455/1976, cujo artigo 27 assim estabelece, in verbis: Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 10 9 § 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única. Com efeito, foi conferido ao contribuinte impugnar o Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias, por meio de rito próprio estabelecido pelo Decreto nº 1.455/76, no prazo de vinte dias. A nãoapresentação da defesa no prazo regulamentar implicou em revelia, tornando incontestável a infração constatada pela autoridade competente. Desse modo, não há falar em nulidade, visto que o procedimento (Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias) que antecede ao ato de exclusão da empresa do Simples Nacional observou a legislação em vigor relativa a ciência do interessado. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir qualquer vício por ventura ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 13971.004.216/200874 ). Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; ... § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos calendário seguintes. (...) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 11 10 GRIFEI Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) que deu ensejo à exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento. A Recorrente pugna ainda pelo princípio da irretroatividade jurídica, pois o ato declaratório ao retroagir os efeitos da exclusão a 01/09/2008, não observou o art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal/88, não podendo a lei retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica e por esses motivos é vedada a irretroatividade dos efeitos, in casu, efeitos da exclusão do Simples, caso persista o maculado e ilegal ato de exclusão, transcrevendose algumas decisões judiciais nesse sentido, nas quais se baseia para solicitar que os efeitos da exclusão se postergue até a data de cientificação da decisão final no processo de reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU nº 008/2010. Sobre a exclusão do Simples Nacional e os seus efeitos, como transcrito acima, o § 1º da Lei Complementar nº 123/2006 determinou expressamente que no caso de exclusão de ofício pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, VII), a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a situação excludente, no caso setembro/2008. Portanto, não merece reparos à decisão recorrida que assim concluiu: ... As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de legitimidade até que sejam declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta, ou pelos demais órgãos do Poder Judiciário, inter partes, no controle difuso de constitucionalidade. De qualquer modo, somente o Poder Judiciário tem autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada. Concluise que as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da ilegalidade ou inconstitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, restando ao agente da Administração Pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n.º 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que, efetivamente, não é o caso. Não cabe, pois, nesta esfera administrativa qualquer pronunciamento, acerca de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123/2006, encontrando óbice, inclusive, na Súmula CARF Nº 2, verbis: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005060/200849 Acórdão n.º 1201001.385 S1C2T1 Fl. 12 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10680.013884/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância.
Preliminar de Nulidade da Intimação Conhecida e Indeferida
Recurso Voluntário Não Conhecido em Relação ao Mérito
Numero da decisão: 2201-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação. Por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação ao mérito. Vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (Relator), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. Preliminar de Nulidade da Intimação Conhecida e Indeferida Recurso Voluntário Não Conhecido em Relação ao Mérito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação. Por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação ao mérito. Vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (Relator), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 38 84 /2 00 8- 70 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 82 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.749,42, incluídos multa de ofício, multa de mora e juros de mora calculados até 30/09/2008. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 47/50. Segundo se extrai da peça impugnatória e do acórdão recorrido, em decorrência do não atendimento à intimação a Autoridade lançadora glosou despesas médicas no valor de R$ 22.000,00, por falta de comprovação, e imposto de renda retido na fonte indevidamente compensado, no valor de R$ 838,98. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 29), o Interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 37/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Nulidade por falta de citação Ao contrário do que se afirma no acórdão recorrido, não recebeu o Termo de Intimação, pois o mesmo foi devolvido em 24/01/2008, conforme comprovante à fl. 05 deste processo digital. Falase em edital nº 00001, publicado em 02/06/2008. Mas o que houve antes desta data? Quem é que foi notificado e para quê? Afirmase na decisão e no edital “que por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação por via postal, o contribuinte foi citado por edital”. Estando no plural, é porque houve no mínimo duas tentativas. O que ocorreu antes de 02/06/2008 para se afirmar que as tentativas de notificação por via postal foram improfícuas e que foi necessária a publicação por edital? A única informação, trazida e juntada aos autos pelo Recorrente, obtida na própria Receita, referese à tentativa de janeiro (Termo de Intimação Fiscal). Os documentos de fls. 10 e 19 referemse à Notificação de Lançamento. Aonde foi publicado o edital? Esteve na Receita por três vezes e não viu nem sinal dele. Quanto ao aviso de recebimento de fl. 19, datado de 19/09/2008, não traz a assinatura do Recorrente nem de ninguém de sua família e não foi entregue na sua residência. Portanto, a nulidade é absoluta, por falta de citação, e o processo é nulo. Mérito Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 83 3 A citação por edital é a que se faz por avisos, publicados pela imprensa e afixados na sede do juízo. A AdvocaciaGeral da União, no seu Guia Prático dos Procedimentos Disciplinares, estabelece: Tratase de providência processual pela qual se dá conhecimento ao indiciado da acusação formal que lhe é feita, a fim de que possa defenderse. É o ato final da subfase da instrução e constitui requisito de validade processual. A regra é a citação pessoal, por mandado. Frustrada esta, por se achar o indiciado em lugar incerto e não sabido, determina o art. 163 da Lei 8.112/1990 que a citação seja feita por edital, que deverá ser publicado, uma única vez, no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação, na localidade do último domicílio conhecido. Neste caso, o prazo para a apresentação de defesa é de 15 dias, contados da última publicação. O importante é que a citação tenha sido regularmente efetivada. Portanto, somente com o descumprimento, pelo indiciado, da citação regularmente feita, por mandado ou por edital, para o fim de apresentar defesa escrita, é que fica caracterizada a revelia, que será declarada por termo, nos autos, e restituirá o prazo para a referida defesa, desta feita, por defensor dativo, “ocupante de cargo de nível superior ao do indiciado” e nomeado pela autoridade instauradora do processo. Ou seja, publicado o Edital no Diário Oficial da União e no jornal O Estado de Minas, o prazo será restituído para a defesa e nomeado um defensor dativo para que a faça. Quanto ao Código de Processo Civil, a forma normal de fazerse a citação é por mandado e pessoalmente. Apenas por exceção o Código admite a citação por edital, quando impraticável a sua promoção pessoalmente. A citação por edital é, portanto, presuntiva. Ao réu que, citado por edital, se mantiver revel, é obrigatória a nomeação de curador especial. É que, tratandose de uma citação por presunção legal, é de admitirse que o réu não tenha tido ciência de seu chamamento. São requisitos da citação por edital a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão e a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local. Conclusão: só houve uma única tentativa de citação pelos Correios, a qual foi devolvida devido à ausência. O referido edital não foi publicado “em órgão da imprensa oficial local”, assegurado pelo Decreto nº 70.235/1972. Não houve o envio de uma única carta simples, tão simples que dispensa a necessidade de se ter alguém em casa aguardando a passagem do carteiro. E não existe no processo comprovação inequívoca da referida publicação, como ocorre nas multas de velocidade no trânsito e nos seguros obrigatórios, cuja fotografia, registrando o cometimento da infração, é obrigatória, o mesmo ocorrendo com as seguradoras, que fartamente fotografam o veículo a ser segurado. Sabido é que no serviço público, hoje, com a terceirização, às vezes com pessoal não tão qualificado, falhas podem ocorrer e não se tem a certeza, a garantia de que o referido edital tenha sido ao menos afixado na Receita. Ao fim, requer: 1) o acolhimento da preliminar oferecida, determinandose a anulação do processo e o seu arquivamento; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 84 4 2) se ultrapassada a preliminar, permita ao contribuinte, perante esse Conselho, exibir documentos que entender necessários ou a devolução de prazo para impugnação. Diligência Por meio da Resolução nº 2801000.319, de 8 de outubro de 2014 (fls. 53/56), o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem: instruísse o processo adequadamente, mediante a juntada dos documentos faltantes (descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração relativa à glosa de imposto de renda retido na fonte e DIRF da fonte pagadora) e de outros que integraram o dossiê fiscal do contribuinte, mas que deixaram de ser digitalizados ou não foram anexados ao processo digital; intimasse o Interessado para, caso fosse de seu interesse, apresentar as razões que entender de direito, bem como para apresentar os documentos que comprovassem as despesas médicas deduzidas e o imposto de renda compensado em sua declaração de ajuste anual. A Unidade de origem apenas intimou o Interessado a apresentar comprovantes de rendimentos e de deduções de despesas médicas (fl. 63). O Recorrente apresentou a petição de fls. 60/62 e os documentos de fls. 64/73. O processo tornou a este Conselho. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Preliminar de nulidade por falta de intimação A “Consulta Postagem” de fl. 5 evidencia que a tentativa de notificação do contribuinte, do Termo de Intimação Fiscal de fl. 19 (intimação para apresentação de comprovantes de rendimentos e de despesas médicas), datado de 02/01/2008, se mostrou infrutífera (postagem da correspondência em 16/01/2008 com devolução em 24/01/2008). O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, trata da intimação no art. 23, cujo teor, na parte que interessa, está descrito nos seguintes termos: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 85 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Como se vê, o § 1º e o § 4º, I, ambos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, não exige diligências exaustivas (por exemplo, mais de uma tentativa) para efetivação da intimação, sendo suficiente o envio da correspondência ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Administração Tributária, e posterior devolução, para que seja autorizada a intimação por edital. Constatase, assim, que o procedimento adotado pela repartição fiscal encontrase dentro dos ditames estabelecidos pelo Decreto 70.235∕1972, uma vez que, improfícua a tentativa de intimação pela via postal no endereço informado pelo contribuinte, procedeuse à publicação do edital (fls. 21/22) mediante afixação nas dependências do órgão encarregado da intimação. Portanto, não se pode cogitar de irregularidade da intimação realizada para apresentação de comprovantes, porquanto de acordo com a legislação aplicável à matéria. Por outro lado, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do próprio contribuinte pessoa física, exigência extensível tão somente à intimação pessoal, de modo que a intimação da Notificação de Lançamento, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo (Aviso de Recebimento à fl. 20), se mostra eficaz, ainda que recebida por terceiro, nos exatos termos da Súmula CARF nº 9, cujo teor é o seguinte: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 86 6 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Demais disso, o Interessado apresentou impugnação tempestiva, o que demonstra que, mesmo não tendo assinado o aviso de recebimento, teve ciência da Notificação de Lançamento a tempo de poder exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Acrescento, ainda em sede de preliminar, por oportuno, que os documentos apresentados pelo Recorrente, após a conversão do julgamento em diligência, serão considerados na análise de mérito, o que revela a inexistência de qualquer prejuízo ao contribuinte. Nesse cenário, sou pela rejeição da preliminar suscitada pelo Interessado. Mérito Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte A folha de rosto da Notificação de Lançamento, à fl. 6, evidencia que foi glosado imposto de renda na fonte no valor de R$ 838,98 (Código DARF 0211). A declaração de ajuste anual do Recorrente, às fls. 12/15, revela que ele declarou rendimentos tributáveis recebidos de três pessoas jurídicas. O Recorrente apresentou os “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte” de fls. 65/66 que demonstram que os valores retidos pelas fontes pagadoras AGU e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte coincidem com os valores retidos e que foram declarados pelo Interessado (R$ 26.108,85 e R$ 2.040,14, respectivamente). O valor do imposto retido pela fonte pagadora Cooperativa União dos Carreteiros Ltda. (“Comprovante” à fl. 64), no entanto, está em desarmonia com o valor do imposto declarado pelo Interessado. A fonte pagadora reteve R$ 1.705,02, ao passo que o Recorrente declarou R$ 2.544,00 (fl. 13). Logo, houve uma compensação indevida de imposto de renda de R$ 838,98 (R$ 2.544,00 – R$ 1.705,02), que corresponde ao mesmo valor glosado pela Autoridade lançadora. Nesse cenário, entendo que deve ser mantida a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 838,98. Dedução Indevida de Despesas Médicas A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 7 evidencia que houve glosa de despesas médicas no montante de R$ 22.000,00, por falta de comprovação (não atendimento à intimação). O Recorrente apresentou, nesta sede recursal, o comprovante de despesas odontológicas no valor de R$ 12.000,00, pagos à Assistência Odontológica Integrada Ltda. (fl. 69), bem como doze recibos referentes a atendimentos de terapia ocupacional no valor total de R$ 10.000,00, pagos à profissional de saúde Rosália Ribeiro Silva (fls. 70/73). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 87 7 Nesse contexto, e em homenagem ao princípio da verdade material, sou pelo restabelecimento das despesas médicas glosadas pela Fiscalização. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Permitome discordar do Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, no que se refere ao mérito da controvérsia. Analisando detidamente a impugnação apresentada pelo Recorrente (fls. 2/3) verificase que o suplicante não se insurge, especificamente, contra nenhuma das duas infrações apuradas pela Autoridade lançadora (glosa de despesas médicas e compensação indevida de IRRF). Na verdade, o Interessado apenas alegou o cerceamento do seu direito de defesa em face de uma suposta nulidade da intimação do lançamento. Assim, verificase que, de fato, houve nesta Segunda Instância uma inovação, relativamente ao mérito do litígio. Portanto, o direito de impugnar restou precluso no tocante à parte não questionada, consoante dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997). Com efeito, a matéria não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita do contribuinte, e é insuscetível de ser trazida em momento processual subsequente. Ressaltase que o contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação. Portanto, relativamente às questões não suscitadas na peça impugnatória operouse a preclusão administrativa, de modo que ao enfrentar matéria não adstrita ao pedido do Recorrente, a Autoridade administrativa estaria julgando de forma extra petita, ou seja, além dos limites estabelecidos no pedido do autor. A respeito do tema, Antônio da Silva Cabral, no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144, assim se manifesta: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013884/200870 Acórdão n.º 2201002.788 S2C2T1 Fl. 88 8 que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Assim, ocorrendo à preclusão processual não pode este Órgão, por conseguinte, apreciar alegações não suscitadas em momento oportuno. Esse é entendimento deste Conselho, consoante às ementas que transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. (ACÓRDÃO 20181453) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (ACÓRDÃO 203 11507) Ante a todo o exposto, acompanho o Relator no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação e voto por não conhecer do recurso em relação ao mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.001542/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
DECADÊNCIA. TERMO A QUO.
Conforme entendimento sufragado pelo STJ, em julgamento submetido ao rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo), inexistindo pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue o lançamento de ofício é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante ou posterior à celebração do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas.
PAF. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativa à omissão de ganho de capital no ano-calendário de 1997. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado).
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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TERMO A QUO. Conforme entendimento sufragado pelo STJ, em julgamento submetido ao rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), inexistindo pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue o lançamento de ofício é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante ou posterior à celebração do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. PAF. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 42 /2 00 3- 89 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 697 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativa à omissão de ganho de capital no anocalendário de 1997. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado). Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 177.186,77, incluídos multa de ofício no percentual de 75%, multa isolada e juros de mora. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 501/503 evidencia que o crédito tributário foi constituído em razão da constatação, pela Autoridade lançadora, das seguintes infrações: Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, anocalendário de 1998. Acréscimo patrimonial a descoberto, anocalendário de 1997. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, ano calendário de 1997. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, anocalendário de 1998. Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, anocalendário de 1998 (aplicação de multa isolada). Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 698 3 Em 1ª instância administrativa o lançamento foi julgado procedente em parte. Entenderam os julgadores da instância de piso que a infração de “Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” deveria ser cancelada, porquanto não obedecido o disposto no inciso II, do § 3º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Ademais, a multa isolada aplicada no percentual de 75% foi reduzida ao percentual de 50%, com base na retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/05/2013 (fl. 685), o Interessado interpôs, em 29/05/2013, o recurso de fls. 686/690. Na peça recursal aduz, em síntese, que: O procedimento referese aos anoscalendário de 1997 e 1998, com autuação levada a efeito em 2003. A defesa administrativa foi protocolada em 23/03/2003 e o julgamento em primeira instância administrativa ocorreu em 10/02/2011, ou seja, quase oito anos após a apresentação da defesa. A intimação dessa decisão demorou mais de dois anos, totalizando, assim, mais de dez anos de tramitação desse processo administrativo. Não se pode ignorar o disposto no art. 151, III, do CTN, por força do qual as reclamações e os recursos administrativos figuram como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não pode ele ser cobrado. Também não se sujeita à prescrição. Entretanto, essa regra tem ressalvas, sobretudo em casos como este, em que transcorreram mais de dez anos até a intimação da decisão de 1ª intância, pena de ser estabelecida a imprescritibilidade pelo simples fato de existir discussão administrativa. A prescrição intercorrente é admitida pela doutrina e jurisprudência, surgindo após a propositura da ação administrativa. Ocorre quando, suspensa ou interrompida a exigibilidade, o processo administrativo fica paralisado por incúria da Fazenda Pública. Isso foi o que ocorreu nesses autos, onde o processo ficou paralisado nos escaninhos da Administração por longos dez anos. Ao final, requer que o recurso seja recebido e provido integralmente, mediante o acolhimento da preliminar suscitada, com o reconhecimento da prescrição intercorrente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. A insurgência recursal se limita à alegação de prescrição intercorrente no curso do processo administrativo fiscal. Observo, todavia, que esta matéria foi pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 11, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 699 4 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. As súmulas do CARF são de observância obrigatória por parte dos membros do Conselho, nos termos do que dispõe o caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Nada obstante, a decadência do direito de o Fisco constituir seus créditos tributários é matéria apreciável de ofício, motivo pelo qual passo a analisála em relação às infrações referentes ao anocalendário de 1997 (acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de ganho de capital na alienação de imóvel). Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve recolhimento durante o anocalendário de 1997, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 215/216. Aplicável, portanto, em relação à infração de acréscimo patrimonial a descoberto, a regra do art. 173, I, do CTN, cujo termo a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento poderia ser efetuado a partir de abril de 1998, prazo limite para entrega da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 1997, o que significa dizer que o primeiro dia do exercício seguinte corresponde ao dia 01/01/1999. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 500, revela que o mesmo foi lavrado em 16/04/2003 e a intimação do lançamento se deu em 23/04/2003 (aviso de recebimento à fl. 506). Considerando que o termo final do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2003, descabe falar em decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo ao anocalendário de 1997, no que se refere à infração de acréscimo patrimonial a descoberto. No concernente à infração de omissão de ganho de capital na alienação do imóvel, no entanto, algumas particularidades merecem ser apontadas e apreciadas, uma vez que o pagamento não se realizou em parcela única e abarcou mais de um anocalendário. Ademais, a matéria relativa ao ganho de capital no caso de venda em parcelas ainda não se encontra pacificada neste Conselho, de modo que me sinto no dever de reabrir a discussão em relação a tema tão instigante. Para uma melhor compreensão da matéria, fazse necessário, por primeiro, estabelecer a distinção entre o negócio jurídico celebrado e o fato jurídico tributário. Para isso, me valho da lição de Marcos Vinicius Neder (Controvérsias JurídicoContábeis Aproximações e Distanciamentos, Dialética, p. 335). São dele as palavras abaixo: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 700 5 Em muitos casos, a norma jurídica tem como pressuposto de sua incidência, fato já juridicizado por outra norma jurídica. Um fato jurídico pode servir de suporte fático para a incidência de outra norma. (...) No Direito Tributário, o legislador identifica que certos atos ou negócios jurídicos privados denotam capacidade contributiva dos sujeitos a ele vinculados e captura nesse suporte fático um fato que autoriza a incidência tributária. O que se busca evidenciar, com este ensinamento, é que a existência de um negócio jurídico privado se posiciona de forma subjacente ao fato jurídico tributário. Na alienação de bem imóvel o ganho de capital é o fato jurídico tributário e a situação subjacente é o negócio jurídico privado de compra e venda do imóvel. Assim, a circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante (parcela paga à vista) ou posterior (demais parcelas) à celebração do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. Em outras palavras: o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação a prazo de imóvel não é a celebração do negócio jurídico, senão apenas o acréscimo patrimonial dele decorrente. Não fosse assim, qualquer alienação sofreria a incidência tributária, ainda que não houvesse acréscimo patrimonial. E isso não é verdade. Registro, por oportuno, que o imposto sobre a renda da pessoa física é regido pelo regime de caixa. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. O regime de caixa é o que melhor se harmoniza ao conceito constitucional de renda, porquanto identifica, com maior precisão, o conceito de acréscimo patrimonial disponível. Isso porque implica exigir o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos pela pessoa física, independentemente de quando tenha surgido o direito a eles. Só é tributado o que efetivamente ingressa para o patrimônio do contribuinte. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. Bem por isso é que o art. 2º da Lei nº 7.713/1988 está descrito nos seguintes termos: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. A leitura do art. 2º da Lei nº 7.713/1988 evidencia que o imposto de renda da pessoa física, por opção do legislador, tem na percepção dos rendimentos ou dos ganhos de capital o próprio aspecto temporal da hipótese de incidência, o que significa dizer que, pelo Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 701 6 regime de caixa, não surge obrigação tributária sem que haja a efetiva disponibilidade dos rendimentos ou dos ganhos de capital. Nas palavras de Geraldo Ataliba (Hipótese de Incidência Tributária, Malheiros, 5ª edição, p. 84), “A mais importante função do aspecto temporal diz respeito à indicação – necessariamente contida na hipótese de incidência – do momento em que se reputa ocorrido o fato imponível (e, pois, nascida a obrigação tributária)”. Assim, em caso de ganho de capital na venda parcelada de bem imóvel o fato gerador (fato imponível) se reputa ocorrido e, em consequência, nascida a obrigação tributária, com a efetiva percepção dos rendimentos ou ganhos, que ocorre no momento do recebimento de cada parcela, quando acontece a tributação, nos exatos termos do art. 21 do mesmo diploma legal (Lei nº 7.713/1988), assim descrito: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Esmiuçando mais o entendimento acima exposto: a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador (fato imponível) e não depende da intenção dos agentes que celebraram o negócio jurídico subjacente que porventura ocasionou efeitos tributários. O fato gerador e, por consequência, a obrigação tributária, decorrem tão somente da subsunção de uma situação fática à descrição abstrata contida na lei. O art. 114 do Código Tributário Nacional – CTN, por sua vez, estabelece que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, ou seja, é o fato ou o conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação de pagar o tributo. Transportando essa ordem de ideias para o caso concreto, bem se vê que a celebração do contrato de compra e venda não pode ser considerada o momento do fato gerador do imposto de renda no caso de ganho de capital na alienação a prazo de imóvel, haja vista que o contrato é uma situação necessária ao nascimento da obrigação tributária, porém não é suficiente, porquanto a mera contratação não gera qualquer acréscimo patrimonial. O que ocasiona o acréscimo patrimonial é o recebimento das parcelas pactuadas. Pois bem. O “Termo de Verificação e Constatação” de fls. 486/494 evidencia que a Autoridade fiscal considerou, na apuração do ganho de capital, o valor da alienação de R$ 135.000,00 expressos no “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” de fls. 200/202, assinado em 11/12/1996. No mesmo “Termo de Verificação e Constatação” consta a informação de que “o comprador do imóvel adiantou o valor de R$ 5.000,00 naquela data, ficando o saldo restante R$ 130.000,00 para ser liquidado na concretização do negócio, após aprovação do financiamento, que ocorreu em 19/03/97, conforme Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel Residencial e de Mútuo com Pacto Adjeto de Hipoteca. Este valor foi recebido em duas parcelas, segundo anotações feitas no extrato bancário apresentado: R$ 41.498,33 em 21/03/97 e R$ 88.501,67 em 07/04/97. O imposto a ser recolhido em 1997 será calculado aplicandose o percentual do ganho de capital total e o valor total da alienação sobre o valor de cada parcela paga neste ano”. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001542/200389 Acórdão n.º 2201002.928 S2C2T1 Fl. 702 7 É pacífico que o ganho de capital na alienação de bens e direitos está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que sua apuração é realizada pelo próprio contribuinte. Embora o negócio jurídico tenha sido celebrado em dezembro de 1996, o pagamento das duas parcelas tributadas neste Auto de Infração foi avençado para março e abril de 1997, quando houve o recebimento. O Interessado não apurou e não recolheu o imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação do imóvel. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN, cujo termo a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. E quando o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital poderia ter sido efetuado? De acordo com o § 1º do art. 52 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o contribuinte tem até o último dia útil do mês subsequente àquele em que o ganho de capital foi percebido para efetuar o pagamento do respectivo imposto. Decorre, daí, que o Fisco não poderia exigir o crédito tributário respectivo até o último dia útil do mês seguinte àquele em que ocorreu o ganho de capital, vale dizer, até o último dia útil de abril (segunda parcela) e de maio (terceira parcela) de 1997. De conseguinte, o termo inicial para o Fisco proceder ao lançamento de ofício ocorreu no primeiro dia do ano de 1998, findandose em 31/12/2002. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 500, revela que o mesmo foi lavrado em 16/04/2003 e a intimação do lançamento se deu em 23/04/2003 (aviso de recebimento à fl. 506). Logo, ocorreu a decadência em relação à infração de omissão de ganho de capital na alienação de imóvel no que se refere às parcelas recebidas em 1997. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativa à infração de omissão de ganho de capital na alienação de imóvel no ano calendário de 1997. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.003326/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 26 /2 00 9- 63 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1654.733, da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 247/253, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 242/246, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 6.493.284,45 (seis milhões, quatrocentos e noventa e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos), sendo R$3.232.741,44 referentes ao imposto, R$ 2.424.556,08, à multa proporcional, e R$835.986,93, aos juros de mora (calculados até 31/08/2009). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 251/252), o procedimento apurou a seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242/246). Cientificado da autuação em 02/10/2009 (fls. 257), o contribuinte protocolizou, em 3016/10/2010, a impugnação de fls. 265/277, alegando, em resumo, o que segue: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 411 3 1. o procedimento de fiscalização que resultou no auto de infração que se impugna está eivado de nulidades, que demandam o seu cancelamento; 2. a primeira nulidade que macula o procedimento de fiscalização ocorreu no termo de início de fiscalização de 24/03/2009, que indicou incorretamente o período sob fiscalização, viciando todos os atos subseqüentes à sua lavratura; 3. o fato de constarem do referido termo informações conflitantes quanto ao período sob fiscalização (no primeiro parágrafo do termo constou "anocalendário de 2006", enquanto que na descrição dos valores movimentados nas contas bancárias mencionadas, constou "ANO 2005"), impossibilitou ao contribuinte o exercício pleno de sua defesa; 4. a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, constitui verdadeira ilegalidade, gerando a nulidade do ato em questão;o termo de inicio de fiscalização determinou ao contribuinte a prestação de esclarecimentos referentes às informações da movimentação bancária do ano de 2005; 5. o contribuinte cumpriu as exigências de apresentação de documentos no prazo de 10 dias, tendo sido concedido novo prazo, agora de 5 dias, para sua complementação, tendo sido apresentada vasta documentação que comprovava a origem das movimentações bancárias, como por exemplo, registros de propriedades, contratos de locação, livros diário, contrato social de pessoa jurídica da qual participa o contribuinte, entre outros; 6. entretanto, em razão do decurso de aproximadamente 4 anos, do vultuoso número de títulos creditados e do exíguo prazo, foi impossível a apresentação da microfilmagem de todos os cheques creditados nas contas bancárias do contribuinte no ano de 2005, exigida pelo auditor fiscal, que julgou insuficientes os documentos apresentados, devolvendoos em sua totalidade ao contribuinte ; 7. durante todo o procedimento de fiscalização, em especial no termo de início de fiscalização e no auto de infração, o auditor fiscal responsável não explicitou, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos; 8. nas 3ª e 4ª folhas do Auto de Infração, vêse que o auditor fiscal relaciona valores que teriam sido omitidos para fins de apuração do imposto de renda, agrupandoos e descrevendoos indistintamente todo último dia de cada mês do ano de 2006, sem especificar quais movimentações bancárias somadas deram origem às respectivas quantias mensais, tornando impossível ao contribuinte identificar quais valores haviam sido levados em consideração para a apuração do imposto e quais valores foram julgados corretos quando da análise dos extratos bancários; 9. tal fato tornou impossível o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte, em desrespeito ao art. 5º, LV, da Constituição Federal, deixando de ser observada também a legislação infraconstitucional, já que o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa deve verificar de forma inequívoca "a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, (...)", o que não ocorreu no caso em tela; 10. também ocorreu a nulidade do procedimento administrativo, vez que o mesmo foi baseado em informações prestadas pelas instituições financeiras à SRF, sem o consentimento do contribuinte, o que constitui grave violação ao sigilo fiscal (art. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 38, da Lei nº 4.595/1964) e, conseqüentemente, à garantia constitucional à intimidade (art. 5º, X, da CF); 11. embora as multas administrativas busquem compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao Estado com a prática da infração, se ela é fixada em valor excessivo, tal penalidade toma caráter de ato confiscatório e se desvia da sua finalidade, impondose a sua anulação; 12. como se verá a seguir, comprovou o contribuinte que a movimentação bancária analisada no procedimento de fiscalização não era renda passível de tributação, sendo, por exemplo, valores creditados em suas contas a titulo de empréstimos bancários e, por isso, a tributação desses valores, e a incidência de multa sobre eles, além de ilegal, por não caracterizar fato gerador de imposto de renda, constitui ato confiscatório, passível de argüição de nulidade, gerando a nulidade do próprio auto de infração e do respectivo lançamento, em face da violação frontal da Constituição Federal (art. 150, inciso IV); 13. o Auditor Fiscal não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus da prova sobre a alegada omissão de rendimentos, previsto no art. 924 do Decreto n° 3.000, de 1999, limitandose a listar diversos valores que teriam sido creditados na contas bancárias do contribuinte sem a devida tributação, sem, contudo, demonstrar seus valores exatos, as datas dos aportes e qualquer indício de que seria um valor passível de tributação; 14. os contratos de locação, registros de propriedade e livros diário apresentados pelo contribuinte davam conta de que a maior parte dos valores sob apuração eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual o contribuinte é sócio, valores esses já tributados pela pessoa jurídica, e que, por conseguinte, não poderiam ser objeto de nova tributação na pessoa física; 15. assim, o auto de infração lavrado contra o contribuinte tem outro gravíssimo vicio, a bitributação dos valores comprovadamente oriundos das locações de imóveis pertencentes à empresa da qual o contribuinte é sócio, porque já foram objeto de tributação pela pessoa jurídica, que é vedada pelo sistema pátrio (art. 154, I, da CF), e por isso vicia todo o auto de infração, que deverá ser cancelado; 16. os valores remanescentes também tiveram sua origem comprovada pelo contribuinte e referiamse a empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, não se tratando verdadeiramente de "renda"; 17. verificase, ainda, a existência de diversas transferências entre contas do próprio contribuinte, bem como da pessoa jurídica da qual e sócio, fato que não é passível de tributação, por ser mera movimentação de recursos, sem caráter de rendimentos, havendo vedação expressa nesse sentido, no art. 849, §2°, I, do Decreto n° 3.000, de 1999; 18. os juros aplicados no auto de infração excedem os limites da razoabilidade, pois, se entre particulares, a taxa de juros não pode ser superior à taxa máxima de 1%, e se o Estado Democrático de Direito veda esta incidência em índices superiores a 12% ao ano, qual é o motivo para que justamente a Administração Pública Federal, pretenda incidir em seu favor juros que excedam tal índice?; 19. não obstante tenha sido implantada por uma lei, a regulamentação efetiva da SELIC, inclusive quanto a seus índices, ocorre através de Regulamento do Conselho Monetário Nacional e, assim, sua imputação extrapola e desrespeita o principio da legalidade esculpido no art. 150, I, da Constituição Federal; 20. neste sentido, a implantação da SELIC não corresponde às determinações constitucionais exigidas, uma vez que a lei não conferiu segurança jurídica quanto Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 412 5 aos critérios utilizados, o que é feito através de mera resolução consubstanciada em ato administrativo que não proporciona os mínimos requisitos de segurança que a CF/88 exige, devendo eventual aplicação de juros ser restrita ao percentual de 1% ao mês; 21. ante o exposto, demonstrada a nulidade do procedimento de fiscalização, bem como a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que: i) seja acolhida a presente Impugnação, anulandose o procedimento de fiscalização e o respectivo auto de infração, ou cancelandoo, por ser ilegal e indevido; ii) todas as intimações e publicações sejam realizadas em nome do patrono Dr. Mikhael Chahine OAB/SP n° 51.142, no endereço de seu escritório, situado na Av. Damasceno Vieira, n° 871 Vila Mascote São Paulo/ SP cep: 04363040. A 16ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, tendo excluído da tributação alguns depósitos que tiveram origem em transferências de contacorrente de titularidade do próprio contribuinte. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Eventuais erros no termo de início de fiscalização, devidamente sanados posteriormente, não inquinam de nulidade o lançamento efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e estão presentes nos autos todos os elementos necessários à elaboração da impugnação, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. In casu, não houve quebra de sigilo bancário, haja vista que o próprio contribuinte forneceu à fiscalização os extratos bancários contendo sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Uma vez comprovado que alguns depósitos bancários tiveram origem em transferências provenientes de contacorrente de titularidade do contribuinte e, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 tendo a referida conta integrado o presente lançamento, cabe excluir do montante tributável tais valores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado da decisão em 17/03/2014, por via postal, (A.R. à fl. 329) e interpôs recurso voluntário em 16/04/2014 (fls. 331 a 405), por meio de procurador legalmente habilitado, no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 413 7 Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação e excluiu da tributação os créditos efetuados na contacorrente do Banco Sudameris que foram provenientes de transferência da contacorrente do Banco do Brasil, dada a coincidência de datas e valores dos lançamentos. Das preliminares de nulidade do Auto de Infração O Recorrente pugna pela nulidade do Auto de Infração, alegando que o AuditorFiscal cometeu um erro quanto à indicação do anocalendário objeto da fiscalização, o que prejudicou a sua defesa. Aduz que a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844 do RIR/99, constitui verdadeira ilegalidade, maculando o lançamento. Argumenta que durante todo o procedimento fiscal, bem como no Auto de Infração, não foram explicitadas, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos, o que prejudicou o exercício do contraditório e da ampla defesa. Afirma que o AuditorFiscal limitouse a agrupar os valores no último dia de cada mês no Auto de Infração, sem especificar quais lançamentos bancários somados deram origem a essas quantias. Não há que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O equívoco cometido em relação ao anocalendário da fiscalização foi sanado ainda durante o procedimento fiscal, conforme o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fl. 16, não acarretando nenhum prejuízo à defesa do Recorrente, tanto que ele apresentou os extratos bancários solicitados. Sobre a alegação de que ocorreu supressão de prazo para apresentação dos documentos, esse fato também não lhe trouxe nenhum prejuízo, tendo ele solicitado prorrogações e atendido às intimações, conforme se verifica pelos termos de intimação e pelas suas respostas, acostados aos autos. Quanto à falta de especificação dos lançamentos bancários que foram objeto da autuação, também não lhe assiste razão, porquanto lhe foi dada oportunidade de apresentar as justificativas para os créditos realizados em suas contascorrentes, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 30/06/2009 (fls. 144 a 151), o qual contém a discriminação individualizada de todos os lançamentos bancários que necessitavam de comprovação da origem. O próprio contribuinte elaborou um demonstrativo (fls. 152 a 154) onde se encontram discriminadas as movimentações bancárias solicitadas. Assim, era de conhecimento do Recorrente todos os créditos bancários que foram lançados por falta de comprovação da origem. Outrossim, por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, o contribuinte insiste em alegar que os depósitos bancários são provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, o que demonstra que ele teve pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada. Concluise, portanto, que o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242 a 246). Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. O Recorrente alega, ainda, que ocorreu ilegalidade na lavratura do auto de infração, pois ocorreu violação do seu sigilo bancário. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 414 9 A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que no presente caso o próprio o contribuinte apresentou seus extratos bancários. Dessa forma, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a apresentação dos extratos bancários pelo próprio contribuinte. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). Por todas essas razões, rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração apontadas pelo Recorrente. Da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O Recorrente alega que os documentos apresentados durante a ação fiscal (contratos de locação, registros de propriedade e livros diário) demonstraram que a maior parte dos créditos eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras. Aduz, ainda, que os valores oriundos de locações de imóveis pertencentes à empresa da qual é sócio já haviam sido objeto de tributação pela pessoa jurídica. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 415 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Embora o contribuinte afirme que os valores movimentados em suas contas bancárias tiveram origem em aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e em empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, ele não logrou comprovar as suas alegações, mediante documentação hábil e idônea. Os documentos apresentados durante a ação fiscal não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. Não é possível fazer uma vinculação entre os depósitos e os documentos apresentados. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Em relação às transferências bancárias, verificase que a decisão de primeira instância teve o cuidado de excluir da tributação todas as transferências efetuadas entre contas do próprio fiscalizado. Desse modo, está correta a decisão da DRJ em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o Recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, os quais foram considerados como rendimentos omitidos. Da multa de ofício aplicada O Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação do Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros de mora taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10111.000868/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2007
AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido.
Numero da decisão: 3201-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/09/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 68 /2 00 7- 91 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/20 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação doPatrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços(Pis/PasepImportação),da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Socialdevida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação),acrescidos da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, juros demora, da multa regulamentar por classificação incorreta em nomenclatura complementar (NVE– Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística) e, por fim, da multa pela descrição inexatade mercadoria perfazendo, na data da autuação, o valor total do crédito tributário lançado emR$ 82.154,00 (oitenta e dois mil e cento e cinquenta e quatro reais). Informa o relatório fiscal, fls. 03/05, que o importador, por meio dadeclaração de importação de número 07/12722178,de 19/09/2007, procedeu a importação, de500Kg de produto identificado por ele como sendo Azitromicina, sob o código NCM2941.90.59 e sob NVE 0001, ver fl. 33. Ocorre que o produto submetido efetivamente ao despacho foi a Azitromicina Diidratada, conforme demonstrado por Certificado de Análise do Produto, fl. 26,e nas etiquetas de identificação afixadas pelo fabricante, fls. 27/29. Em virtude disto foi lançada multa no montante de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria informada incorretamente em NVE, além de multa no mesmo índice em virtude de constatada a descrição inexata do produto, apresentado como Azitromicina, quando na verdade tratavase da Azitromicina Diidratada. A fiscalização argumenta que tratamse de produtos diferentes, o que pode ser verificado através da distinção na numeração de CAS – Chemical Abstracts Service, forma geral e peso molecular. Tal diferença faz com que a Azitromicina seja classificada na Nomenclatura de Valor Aduaneiro – NVE no enquadramento AA0001, enquanto a Azitromicina Diidratada no AA9999, conforme exposto na IN SRF 701/2006. Assim, no despacho realizado o importador utilizouse indevidamente de redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no artigo Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 94 3 1o, inciso I, do decreto 5.821/2006, que reduz a zero as alíquotas dos tributos citados, em relação aos produtos pertencentes ao Capitulo 29 da NCM listados no Anexo I da referida norma Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que os produtos importados não poderiam usufruir do beneficio fiscal, uma vez que este contemplaria tão somente esses produtos na forma anidra, e não na forma hidratada, correspondente ao produto objeto da importação. Para reforçar o conceito, observa que a hidratação é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 5.821/2006, como se pode verificar no caso da Amoxicilina, da Amplicilina e da Cefalexina, que figuram na lista tanto na forma anidra quanto em formas sódicas, monoidratada e triidratada. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio à Azitromicina Diidratada, a teria relacionado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos citados. Cientificado do Auto de Infração em 03/10/2007, o sujeito passivo interpôs impugnação em 25/10/2007, na qual alega que: Há a necessidade de realização de perícia para que seja apresentada a diferença entre a Azitromicina e a Azitromicina Anidra, bem como entre a Azitromicina e a Azitromicina Diidratada, e ainda indicar o registro no CAS dos seguintes produtos: Azitromicina, Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada (mas sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito). Não poderia ser penalizada com a aplicação de penalidade relativa a classificação incorreta e além disso, incompleta, em virtude da impossibilidade da coexistência destas duas figuras. A Azitromicina é considerado gênero, que comporta as duas espécies: Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada, o que, como será demonstrado na perícia, a Azitromicina não comporta CAS, sendo suas especificidade apresentada nas formas anidro e Diidratada. O Anexo I do Decreto 5.821/2006 ao contemplar o gênero Azitromicina reduziu a zero a alíquota de PIS/PASEP – Importação e da COFINS Importação para todas as espécies. Requer a anulação da autuação ou, ao menos, a relevação da penalidade aplicada, vez que o fato gerador não foi eivado de dolo, fraude ou simulação. Solicita a conversão do julgamento em diligência. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/09/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 19/09/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 e por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que o legislador, “ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, deixou claro que, para aqueles produtos aos quais não especifica hidratação, refere se a forma anidra, e não à gênero ou grupo.” Nesse contexto, o Decreto n. 5.821/2008 determina que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas devem estar, cumulativamente, classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, e relacionados no Anexo I correspondente. Conclui, a decisão, portanto, que “a redução das alíquotas foi concedida a produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios”. No que tange às penalidade aplicadas, manteveas integralmente, pois se entendeu que deveria ter sido declarada a importação de Azitromicina Diidratada, e , tendo sido apenas declarada “azitromicina”, perfezse a incorreta descrição. Observase que houve declaração de voto, apenas para explicitar o fundamento segundo o qual Na lista da DCB 2003 já constavam a azitromicina e a azitromicina diidratada, porem, no anexo I do referido decreto, só está a azitromizina, ou seja, os produtos são listados exaustivamente no anexo I do Decreto nº 5.821/ 2006, sendo independentes das questões de gênero e de espécie. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 95 5 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produto em referência. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 19/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual se transcrevem e reiteram os argumentos da decisão de impugnação. Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.522 ( fls.93 a 97), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto nas Soluções de Consulta SRRF08/DISIT nº 75/2015 e 8.052/2015, informamos que esta fiscalização mantém o entendimento exarado no Auto de Infração objeto do presente processo, com relação ao produto importado “Azitromicina”, uma vez que as supracitadas Soluções de Consulta se referem exclusivamente aos produtos Cefadroxila e Cefaclor Monoidratado, respectivamente. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Voto Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto AZITROMICINA DIIDRATADA, NCM 2941.90.59, identificandoo como “AZITROMICINA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 191 AZITROMICINA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão diidratada da AZITROMICINA estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “AZITROMICINA” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 96 7 nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Na mesma coluna, estão os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. Assim se estrutura o CAS: Esse código é um número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. De acordo com as referidas normas técnicas, os produtos “AZITROMICINA” e “AZITROMICINA DIIDRATADA ”, são produtos químicos distintos, possuindo CAS distintos, como se depreende: Nº DCB Substância Nº CAS 00997 azitromicina 58503825 00998 azitromicina diidratada 83905015 Relevante observar que a Recorrente pleiteia que seja tomada prova emprestada de outro processo administrativo, no qual houve a análise técnica do produto em questão. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Com efeito, às efls. 130, consta informação fiscal segundo a qual em relação ao qual foi produzido o laudo técnico n. 10831/012 sobre o produto importador, em que se confirma que se trata de AZITROMICINA DIIDRATADA, antibiótico que apresenta pseudoformismo, ou seja, pode apresentar diversas formas de cristalização, forma anidra e hidratada. Acresce que, a forma diidratada é a mais estável, e, por essa razão, de maior comercialização. Não obstante, está correta a decisão recorrida quando afirma que despicienda seria a realização de perícia técnica, uma vez que não se discute nos autos a correta identificação do produto em questão, pois mesmo a Recorrente afirma que importou o “AZITROMICINA DIIDRATADA”, que, ao seu ver, deve ser considerada espécie do gênero contemplado com o benefício fiscal, com fundamento no art.110 e 111 do Código Tributário Nacional. Ao se analisar o Anexo I, do Decreto nº 5.821 de 29/06/06, contudo, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliandose essa informação com o fato de que a AZITROMICINA é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para a AZITROMICINA DIIDRATADA . Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Acórdão n.º 3201001.997 S3C2T1 Fl. 97 9 Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cefadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, trata a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 10909.003020/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento de seu saldo credor.
PIS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. COOPERATIVAS.
A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias que apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei de regência.
Numero da decisão: 3201-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35220.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento de seu saldo credor. PIS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. EMPRESAS CEREALISTAS. COOPERATIVAS. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 30 20 /2 00 5- 85 Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.136 2 apurem o imposto de renda com base no lucro real foi suspensa a partir de 01 de agosto de 2004, nos termos da lei de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35220. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social PIS nãocumulativa. no valor de R$ 2.373.689,28. decorrentes de operações no mercado externo. que remanesceram ao final do 3º trimestre de 2005. Do Parecer Fiscal Em seu parecer. a Seção de Arrecadação e Cobrança (Sarac da Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC. inicialmente. registra que os valores informados pela interessada no Dacon não correspondem àqueles presentes na memória de calculo apresentada em atendimento a intimação a Receita Federal para fins de demonstração da composição da base de calculo do Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.137 3 direito de credito e que foram. então. considerados como pleiteados os valores presentes nesta e não os declarados no Dacon. Na apreciação do pleito. efetuadas as verificações do credito em confronto com os livros contábeis. arquivos digitais dentre outros documentos da contribuinte. manifestouse a Sarae/DRF/ltaíaí/SC pelo seu deferimento apenas parcial. fazendoo com base no não acatamento na apuração de créditos. dos seguintes valores: a) Bens Adquiridos para Revenda: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de produtos classificados nos capítulos e códigos previstos nos incisos II e VII do artigo1º" da Lei nº 10.925/2004 b) Bens Utilizadas como Insumos: do montante informado a esse título foram excluídos os valores: de aquisição de bens utilizados como insumos. cujas receitas de vendas estão sujeitas a alíquota zero. conforme: art. 1º do Decreto nº5.127/2004; art. 28, III, da Lei nº10.865/2004; art. 1º, incisos I,II, IV e VII da Lei nº 10.925/2004; de fretes relativos a CTRC aos quais não foram vinculadas quaisquer notas fiscais (Anexo ll). por não ser possível determinar trataremse de fretes no transporte de insumos. pagos pela adquirente a pessoas jurídicas domiciliadas no país: de fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram na memória de cálculo do crédito do período apresentada pela contribuinte (Anexo lll). não configurando. portanto. fretes na compra de bens utilizados como insumos. c) Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: foram excluídos: os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se referem a uma operação de venda de mercadoria de produção do estabelecimento. d) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: foram excluídos os valores referentes a bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens destinados a venda; e) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais: dos valores informados a esse titulo: foram excluídos: os valores relativos a aquisições de pessoas jurídicas, em razão de este tipo de aquisição. a teor da legislação pertinente. não gerar direito a credito presumido: os valores dos fretes relativos a essas aquisições. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.138 4 pelo mesmo motivo também foram glosados da base de calculo do credito presumido aquisições de mercadorias para revenda Cfop 1 102; foram ajustadas as alíquotas aplicadas a aquisições de insumos de pessoas físicas: 0.99% (60% de 1,65%) para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10 e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. e de 0.5775% (35% de 1.65%) para os demais produtos: f) Outros Créditos a Descontar: sobre os valores informados a esse título. informa a autoridade fiscal que a interessada não presta serviços de transporte rodoviário de carga e que os códigos Cnae relativos a esse tipo de serviço. atribuídos a algumas de suas filiais. têm servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço e a própria empresa. tendo sido. então. excluídos os valores informados destes serviços. por não gerarem créditos presumidos nos termos previstos nos §§ 19 e 20 do art. 3º e inciso ll do art 15 da Lei nº 10.833/2003. na redação da Lei nº 11.051/2004. Alem das glosas acima. a Autoridade Fiscal. considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional. ajustou a proporção entre a receita de exportação vinculada as aquisições de bens e serviços que geram direito ao credito e a receita bruta total de vendas de bens e serviços. a ser aplica a sobre os valores dos custos. despesas e encargos comuns. incorridos no mês. Ao final. ressalva a Autoridade Fiscal que a soma. por mês de apuração. dos valores indicados à linha 09 da ficha 11B do Dacon (Total da Contribuição para o PIS no mês. antes do desconto de créditos) foi extraída do Dacon da interessada e não se constituiu em objeto de procedimento de fiscalização. o qual ainda poderá ser realizado. respeitado o prazo decadencial. Por meio do Despacho Decisório. presente na folha 1061. com base no Parecer/Sarac/DRF/ITJ nº 071/2008. a DRF/Itajai/SC decidiu por: a) reconhecer parcialmente o direito creditório no valor originário de RS 593.379,97: b) homologar parcialmente a compensação constante da Dcomp de fl. 01, protocolada em 28/09/2005. até a o limite do valor do credito reconhecido; c) não homologar as compensações constante das demais Dcomp presentes nos autos. entres as folhas 10 e 33. Da Manifestação de Inconformidade Em sua Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório a interessa contesta o parecer fiscal nos termos que seguem. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.139 5 Inicialmente contesta a glosa dos valores das aquisições dos bens para revenda e de insumos adquiridos a alíquota zero alegando que. “a despeito de terem [as aquisições] sido realizadas mediante alíquota zero de PIS". os tais produtos “foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação". Nesse sentido aduz que "Mesmo quando o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero. paga. embutido no preço. o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos. adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo". A corroborar sua tese traz excertos de uma decisão do STJ e de outras do Conselho de Contribuintes. Conclui. então. que as aquisições de produtos tributados pela presente contribuição a alíquota zero. não se tratam "de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°. parágrafo 2° da Lei 10.637/02". E acrescenta que a própria legislação. no caso a Lei n° 11.033/04. em seu artigo 17. autoriza a manutenção dos créditos em situações como a presente. Quanto aos valores dos fretes relativos às operações de aquisição de insumos. alega que não procedem as duas razões motivadoras das glosas postas pela autoridade fiscal pois os CTRC indicados estão vinculados ao transporte de aves. ou seja. de insumos utilizados em seu processo produtivo. Em relação as glosas dos valores referentes a fretes nas operações de venda. relativos: CTRCs cujas notas fiscais não se encontrariam escrituradas no Livro Registro de Saídas. alega que não tem condições de contestaas pois não teria como identificar "quais são as notas fiscais que não estariam registradas no aludido livro. eis que não há qualquer menção a elas na decisão ora recorrida. apresentando o fisco apenas o valor total glosado a este título". Reclama então que “teve seu direito à ampla defesa cerceado. impondose que. na dúvida. lhe sejam totalmente deferidos os créditos indevidamente glosados.". Adicionalmente argumenta que. mesmo que assim não fosse. ainda assim improcedentes seriam as glosas. uma vez que a legislação de regência não impõe a escrituração de notas Fiscais em Livros Registro de Saídas como condição à geração de créditos. Aduz que o direito ao credito está vinculado "ao efetivo valor de frete suportado. desde que se refira a serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Pais" e conclui que "comprovado que o frete realmente foi um custo incorrido pela Recorrente. a glosa fiscal aqui tratada não merece prosperar". Já em relação as despesas de fretes entre estabelecimentos da própria empresa. defende que "com base na lei e nas soluções de consulta da Receita Federal. conferem direito a créditos de PIS". entre outros: (...) Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.140 6 c) transferência de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento distribuidor da mesmo pessoa jurídica; d) serviços de transporte (adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais) de insumos, de um estabelecimento a outro da mesmo pessoa jurídica, sendo esse deslocamento necessário à inserção desse insumo no processo produtivo desenvolvido no estabelecimento de destino. e) transporte de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente. E conclui que comprovado o direito ao credito referente a despesas de "serviços de transporte relativos a transferências essenciais ao processo produtivo" as glosas dos valores correspondentes não devem ser mantidas. "eis que tratam de créditos a título de frete apropriados nos exatos termos das leis que regulamentam esta questão". Das glosas referentes aos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado. a interessada manifestase concordando com a glosa em relação aos "Juros Capitaliz. Operacional" e "Construções Civis e Benfeitorias". Todavia contesta a glosa dos valores referentes aos moveis e utensílios. computadores ou softwares alegando que todos esses bens. indistintamente. fazem parte do seu processo produtivo. gerando portanto o direito ao credito pretendido. a teor das soluções de consulta da RFB cujas ementas transcrevo. Explica. então. a utilização dos bens em questão. como segue: Com efeito, em seus parques industriais se utiliza de mesas de corte e cadeiras para seus funcionários, sendo estes utencílios essenciais ao seus processos produtivos, como bem se observa por meio das fotos anexas, tiradas, exemplificativamente, da fábrica localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 03) O mesmo ocorre em relação aos computadores e softwares, tendo em vista que a Recorrente os utiliza em todas as suas fábricas, a exemplo daquelas destinadas a produção de rações, onde controlam a mistura e composição de rações, monitorando itens como o peso, quantidade, etc. Vide, também neste contexto, as fotos anexas, que bem comprovam a utilização dos computadores na fabrica da Recorrente localizada em Seara/Santa Catarina (doc. 4) No que concerne ao crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial. a interessada inicialmente insurgese contra a glosa dos valores da aquisições junto a pessoas jurídicas. alegando: Desta forma, no entendimento da fiscalização, a Recorrente somente teria direito ao crédito presumido sobre os valores relativos às aquisições de pessoas jurídicas beneficiadas com a Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.141 7 suspensão da contribuição ao PIS, conferida pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/04, a partir de 04/04/2006, visto que somente a partir desta data a IN SRF nº 636/2006 regulamentou tal suspensão. Ocorre que, de acordo com tal entendimento, a fiscalização deveria ter efetuado a inclusão de tais aquisições na rúbrica "bens utilizados como insumos" e, portanto, ter concedido a Recorrente o direito ao crédito do PIS sobre tais aquisições mediante a aplicação da alíquota integral de 1,65%. Isto porque, com base na premissa fixada pela fiscalização que somente a partir de 04/04/2006 foi possível efetuar vendas com a suspensão da contribuição para o PIS, inferese, por conclusão lógica, que as aquisições realizadas pela recorrente até 04/04/2006 sofreram a tributação pelo PIS, o que, pela sistemática da nãocumulatividade, gera o inquestionável direito da Recorrente apropriarse dos créditos correspondentes! Quanto a alíquota de 0.5775%, utilizada pela Autoridade Fiscal nos cálculos do credito presumido. argumenta. a interessada. ser esta equivocada. considerando que o critério eleito pelo legislador para determinar o calculo do beneficio do credito presumido não e o insumo c sim o produto produzido pela empresa c que seu objetivo social que consiste. entre outros. a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos. bovinos e outros animais que convier. observada a respectiva classificação nos Capitulos 2 e 16 da TIPI bem como nos códigos 15.01 da NCM (doc. 02) calculou corretamente o credito presumido da Contribuição para o pis à alíquota de 0,99%. tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso l do § 3°. art. 8” do mencionado diploma legal. A contribuinte defende. ainda. ter direito a credito em relação aos “custos com a subcontratação de serviços de transporte de carga prestados por pessoa física. por força do disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3° da Lei nº 10.833/2003 considerando ser uma de suas atividades empresariais. conforme consta de seu objeto social (doc. 02). a prestação de serviços de transporte de cargas. Salienta que: (..) a fiscalização reconhece que a Recorrente é uma empresa prestadora de serviços de transporte de cargas, o que significa que, mesmo prestando operações de transporte em benefício próprio, tem inquestionável direito aos créditos de PIS ora glosados, na medida em que NÃO HÁ QUALQUER ÓBICE LEGAL PARA TANTO. Diante de todo o exposto. requer o acolhimento de sua Manifestação d Inconformidade para que reste deferido seu pleito. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Os fundamentos do Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.142 8 voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÃO. Quando o contribuinte adquire bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições nãocumulativas, por disposição legal expressa, não tem direito a crédito sobre tais aquisições, independentemente de suas vendas serem ou não tributadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito, portanto. o frete relacionado ao mero deslocamento de insumos ou produtos entre estabelecimentos da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A despesa com frete na aquisição de um bem integra o valor deste, para fins de compor a base de cálculo do crédito, quando o bem seja utilizado como insumo, o serviço seja contratado com pessoa jurídica domiciliada no País e o custo seja suportado pelo adquirente do insumo REGIME DA NAOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. A natureza da atividade da empresa é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento de credito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇO DE TRANSPORTE PRESTADO POR PESSOA FISICA. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.143 9 A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que sub contratar serviços de transporte de carga prestados por pessoa física, poderá descontar. da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre os valores dos pagamentos efetuados por esses serviços, desde que estes tenham sido por ela utilizados como insumo na prestação de serviço destinados à venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição. compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para O PIS e da Cofins. nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.144 10 A lide versa sobre a exigência de Contribuição para o PIS/Pasep apurada no Regime da Não Cumulatividade, e decorre da glosa de determinados créditos requeridos pela contribuinte. A este respeito, esclarecese que as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 instituíram um sistema legal de abatimento de créditos em relação a determinados gastos, apurados mediante a aplicação das alíquotas especificadas para estas contribuições (1,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). O legislador adotou o critério de listar expressamente os bens e serviços capazes de gerar créditos, dispostos no artigo 3º destas leis: Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.145 11 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Como se percebe, as hipóteses passíveis de geração de créditos não abarcam a totalidade das despesas e custos que as pessoas jurídicas possuem, estando ausentes, por exemplo, as despesas financeiras. Ressaltese que tais despesas, originalmente, geravam direito a créditos, mas esta possibilidade foi extinta pela Lei nº 10.865 de 30 de abril de 2004. A hipótese de geração de créditos que mais gera controvérsia entre o Fisco e os contribuintes referese ao inciso II deste artigo, que permite o creditamento em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O termo insumos, de origem econômica, traduzido do termo inglês input, compreende, de um modo geral, bens ou serviços utilizados na produção de um outro bem ou serviço. Inclui, em sua acepção mais ampla, cada um dos elementos que entram no processo de produção de mercadorias ou serviços, e são necessários para a sua produção, tais como matériasprimas, bens intermediários, máquinas e equipamentos, capital e trabalho humano. Diferentemente dos bens adquiridos para revenda, os insumos são comprados pelos produtores ou prestadores de serviço para consumo em suas atividades. Na indústria, podem integrar o produto final, como as matérias primas, podem servir para alimentação de máquinas, como os combustíveis, ou podem ser utilizados para a manutenção do parque fabril, como os lubrificantes. Insumo, desta forma, pode ser entendido como todos os fatores de produção que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços, sejam eles diretos, como as matériasprimas, ou indiretos, como a mãodeobra, energia, e os tributos. O vocábulo, em seu sentido jurídico, foi desta forma conceituado por Maria Helena Diniz: Insumo. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.146 12 entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributo), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços. 1 Marco Aurélio Greco2 distingue os insumos em econômicos e funcionais. Insumos econômicos seriam aqueles que incluem os fatores de produção, como o capital e o trabalho; já os funcionais englobam todos os elementos que integram o processo produtivo, como máquinas, equipamentos, matériasprimas, trabalho humano, embalagens, etc.. Observase, todavia, que nem toda aquisição de bens nãoduráveis será caracterizada como compra de insumo. É necessário que as despesas sejam relacionadas às atividades da pessoa jurídica. Desta forma, despesas com familiares de executivos, por exemplo, nunca são considerados insumos, mesmo que tenham sido custeadas pela pessoa jurídica. Analisandose os elementos que permitem o desconto de créditos na Contribuição para o PIS/Pasep e na Cofins, verificase que eles tomam por base bens adquiridos para revenda (inciso I), bens do ativo permanente (incisos VI e VII), insumos necessários à produção (inciso II), serviços (inciso IX), bem como outros custos e despesas incorridos com a atividade empresarial (incisos III, IV, V e X). Da análise das hipóteses acima expostas, constatase que os créditos abrangem, de forma selecionada, insumos econômicos e funcionais. Observase ainda que, dentre as hipóteses passíveis de geração de créditos, o inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permite o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo “insumos”, incluído dentre as hipóteses de creditamento, que por sua vez são constituídas por “insumos” em significado amplo, como não poderia deixar de ser, gerou uma infinidade de divergências em relação ao seu significado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão competente para emissão de normas complementares referentes ao sistema tributário nacional, definiu como insumos apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em "ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação"3. Adotouse, nestes atos, o entendimento exposto no Parecer Normativo COSIT n° 65/79 acerca do conceito de insumos – tal ato, contudo, versa sobre o IPI. Alguns julgados deste Conselho, de forma diametralmente oposta, defendem que o conceito de insumo aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins deve ser o mesmo aplicável ao Imposto de Renda, baseado em que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. 1 DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. Vol 2, São Paulo: Saraiva, 1988, p. 870 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, p. 113 3 Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, art. 66, §5º e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, art. 8º, §4º. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.147 13 Entendem, desta forma, que a materialidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é mais próxima daquela estabelecida para o IRPJ do que daquela prevista para o IPI. Assim sendo, baseado na natureza das respectivas hipóteses de incidência (receita/lucro/industrialização), o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, seria mais próprio de ser aplicado a estas contribuições do que o conceito previsto na legislação do IPI. Entendo, contudo, que a melhor forma de definição conceito de insumos passa pela análise da figura tributária ao qual este conceito foi estabelecido, qual seja da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. E, tendo em vista que o cerne de uma figura tributária é a sua materialidade econômica, no caso das contribuições em tela esta definição exige que se verifique “a receita ou o faturamento”, nos termos da CF/88, e mais especificadamente a receita bruta, ou “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, conforme previsto pelas leis nº 10.833/03 e 10.637/02. Este entendimento inviabiliza a defesa do conceito de insumos estabelecido pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, que reproduzem o conceito de insumos estabelecido pela legislação do IPI. Esclarecese que o IPI possui como elemento nuclear as operações de industrialização, assim entendidas aquelas que modificam a natureza ou a finalidade de produtos, ou os aperfeiçoem para o consumo, fato jurídico com profundas diferenças em relação às contribuições em tela. Em que pese a receita bruta de uma pessoa jurídica ter por base, entre outras receitas, aquelas decorrentes de operações de industrialização, a materialidade jurídica receita em nada corresponde a destas operações. Da mesma forma, não se mostra apropriada a utilização do conceito de insumos adotado na legislação do Imposto de Renda. Este tributo incide sobre o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, denominado renda ou lucro. Não se confunde, de forma alguma, com receita bruta, que possui sentido bem mais amplo, compreendendo qualquer quantia percebida. Mesmo que se possa falar que a materialidade jurídica “renda” é mais próxima a “receita” do que “operações de industrialização”, ainda assim as diferenças entre estas figuras impedem que se adote, pura e simplesmente, os entendimentos já consolidados na legislação do Imposto de Renda para a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Desta forma, a busca do conceito de insumos para estas contribuições impõe que se verifique a base econômica destas, ou seja, a receita bruta. Por outro ângulo, tendo em vista a ausência de uma verdadeira cadeia econômica relacionada à receita bruta, posto dizer respeito a cada contribuinte individualmente considerado, as proposições existentes para as demais exações tributadas pelo regime da não Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.148 14 cumulatividade, quais sejam o IPI e o ICMS, tampouco podem ser utilizadas sem que sejam feitas as devidas adaptações. Assim sendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco4, mostrase necessário, para definição do conceito de insumos, a visualização do processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º das leis 10.637/02 e 10.833/03, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins. Como esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringe aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. 4 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, pp. 112122 Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.149 15 Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Ultrapassadas as exposições iniciais sobre a matéria, é possível adentrarmos na lide propriamente dita. Bens adquiridos para revenda operações sujeitas à alíquota zero Foram glosados os créditos referentes a produtos adquiridos cujas receitas encontravamse sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os produtos correspondem a matériaprima utilizada em seu processo industrial, e que tem direito ao crédito em relação às aquisições, "[...] na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de PIS, é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação." Explicitada a divergência, esclarecese que os incisos II dos parágrafos 2º dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam que não gera direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3o [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (grifo nosso) Os créditos foram glosados devido aos produtos estarem sujeitos à alíquota zero para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Pois bem, a principal característica da figura tributária da alíquota zero é justamente a que ela resulta em uma exigibilidade nula, ou seja, não sujeita a operação ao pagamento da contribuição. Em restando incontroverso que as mercadorias adquiridas sujeitavamse a alíquota zero, mostrase incorreta a apropriação de créditos pela recorrente. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.150 16 Desta feita, tendo em vista o disposto no inciso II do parágrafo 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Insumos Serviços de transporte utilizados na aquisição de bens Em relação aos créditos apropriados pela recorrente relativos a fretes na aquisição de insumos, a autoridade fiscal glosou os créditos em relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) apresentados pela recorrente para comprovação dos créditos que não informavam a Nota Fiscal a que estavam vinculados. Justificou a glosa afirmando que tais documentos não são suficientes para comprovar o direito creditório. Foram glosados ainda os créditos referentes a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram na memória de cálculo do crédito do período e que, portanto, não configurariam frete na compra de bens utilizados como insumos. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os fretes referiamse ao transporte de aves, insumo de seu processo produtivo, o que daria o direito ao crédito. Afirma ainda que: A fim de corroborar tais alegações requer a Recorrente a juntada das planilhas comprovando o vínculo da nota fiscal de compra de insumos com a nota fiscal de frete, relacionando, ainda, os números dos CFOP's e CTRCs De fato, conforme defendido pela recorrente, o frete pago na aquisição de insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep da Cofins no regime da não cumulatividade. A autoridade fiscal não contesta o direito ao crédito da recorrente em relação aos gastos com fretes nas aquisições de insumos de seu processo produtivo. A glosa decorre da falta de comprovação da natureza dos dispêndios, de que o frete, de fato, referese a aquisição de insumos. Mostrase necessário, neste ponto, alguns esclarecimentos acerca da repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. O artigo 333 do Código de Processo Civil disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.151 17 Estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Comentando esse art. 333, Humberto Theodoro Júnior sustenta que: Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito. Quando, todavia, o réu se defende através de defesa indireta, invocando fato capaz de alterar ou eliminar as conseqüências jurídicas daquele outro fato invocado pelo autor, a regra invertese. É que, ao se basear em fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor, o réu implicitamente admitiu como verídico o fato básico da petição inicial, ou seja, aquele que causou o aparecimento do direito que, posteriormente, veio a sofrer as conseqüências do evento a que alude a contestação. O fato constitutivo do direito do autor tornouse, destarte, incontroverso, dispensando, por isso mesmo, a respectiva prova (art. 334, n.º III). 5 Aplicandose este conceito à lide tributária, podese afirmar que à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte, enquanto que ao contribuinte incumbe provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. À legislação processual administrativotributária inclui disposições que reproduzem este conceito. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". A distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de glosa de créditos do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 5 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Forense, São Paulo, 23ª ed., 1998, p. 424. Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.152 18 Esclarecese, sucintamente, que para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins a não cumulatividade consiste na possibilidade de se deduzir, do valor a ser recolhido, créditos calculados sobre encargos da pessoa jurídica, tais como matériaprima, energia elétrica e aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Desta forma, neste regime mantémse a premissa de que compete a autoridade fiscal comprovar a ausência de recolhimentos em relação matéria tributável desta contribuições, qual seja a receita bruta do contribuinte. Quanto aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, estes se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Assim, em sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da não cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No tocante a realização de diligências probatórias, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, é preciso ter em conta que as diligências não podem ter por finalidade suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso em análise, ao contribuinte cumpre o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.153 19 processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é lícito ao julgador dispensar a autoridade fiscal ou o contribuinte, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Retornandose a análise da lide, constatase que a recorrente não trouxe aos autos nenhum documento capaz de comprovar sua afirmação de que os fretes referiamse ao transporte de aves. Nem mesmo a planilha a que fez alusão em seu Recurso Voluntário foi anexada. Os CTRC apresentados pela recorrente, posto não informarem a nota fiscal referente aos insumos que afirma estar adquirindo, não são suficientes para comprovar que o transporte se refere a aquisição de mercadorias. A Nota Fiscal é o instrumento que formaliza a aquisição dos insumos. A ausência desta informação no CTRC impede que se tenha segurança de que a carga transportada se refira a insumos adquiridos. Desta forma, os bens podem estar sendo transportados por diferentes finalidades, não sendo possível ter certeza de que se refere a aquisição de insumos. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.154 20 Desta forma, tendo em vista que cumpre à contribuinte o ônus de comprovar seu direito creditório, e que os documentos anexados não se prestam a tal finalidade, mostrase correta a glosa de créditos promovida pela autoridade fiscal. Fretes na operação de venda falta de comprovação A autoridade fiscal glosou os créditos requeridos vinculados a fretes na operação de venda relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período. A recorrente contesta a glosa, afirmando que os CTRCs que a administração alegou que não seriam vinculados às notas fiscais se referiam a aquisições de aves vivas, consideradas insumos no seu processo produtivo. Esclarece que um único transportador é responsável pelo transporte de aves de diversos produtores, recolhendo as aves em cada estabelecimento dos criadores durante um único transporte, e por conseqüência emite somente um CTRC. Assim sendo, no momento que os CTRCs são emitidos, a transportadora não possui conhecimento de quais notas fiscais irão acompanhar o transporte de aves vivas e, por tal razão, emitese os CTRCs sem a descrição da nota fiscal correspondente. Em atenção ao arguido, constatase inicialmente que a recorrente modifica a natureza do direito creditório requerido: os créditos declarados em seu Dacon como sendo referentes a frete na operação de venda agora são apresentados como sendo frete na aquisição de insumos. Observase, ainda, que a recorrente não apresenta nenhum documento comprobatório do que alega. Restringese a afirmar que possui direito aos créditos, mas novamente deixa de cumprir com seu ônus probatório. Em sendo esta a situação em tela, tendo em vista a falta de comprovação de seu direito creditório, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal em relação créditos a fretes na operação de venda relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período. Fretes na operação de venda transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Foram glosados créditos vinculados a fretes na operação de venda em que foi constatado corresponderem a transferência de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e estabelecimentos distribuidores, não integrando a operação de venda a ser realizada posteriormente. A glosa foi promovida tomando por base o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) de saída do produto informado pela recorrente, em relação as seguintes operações: 5151 Transferência de produção do estabelecimento 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5451 Remessa de animal e de insumo para estabelecimento produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.155 21 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5910 Remessa em bonificação, doação ou brinde 5914 Remessa de mercadoria ou bem para exposição ou feira 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem 5949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 6501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 6503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 6910 Remessa em bonificação, doação ou brinde 6923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem 6949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado 7949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado A recorrente contesta a glosa, afirmando que, muito embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados às vendas ou ao processo produtivo, o que daria direito ao crédito de PIS/COFINS. Em atenção ao alegado, esclarecese que o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 determina o direito ao desconto de créditos em relação a gastos com armazenagem e frete na operação de venda relacionados a produtos adquiridos para revenda ou a insumos de seu processo produtivo: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.(grifo nosso) O artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/2003 expressamente confere o direito ao crédito em relação a Contribuição para o PIS/Pasep. Pois bem, do citado dispositivo, extraise que gera direito ao crédito o pagamento de serviços de frete nas operações de venda. Não abarca, desta forma, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria contribuinte, que por não integrarem uma operação de venda, não possibilitam a apropriação de créditos. A recorrente afirma ainda alguns destes fretes tem por objeto o transporte de insumos de seu processo produtivo. Em análise aos CFOP de saída que foram objeto de glosa, constatase que estes abarcam o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria recorrente. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.156 22 Como explicitado no início deste voto, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, não sendo possível considerar o produto já acabado, após a etapa de produção, como insumos para fins de geração de créditos. Desta forma, mostramse corretas as glosas promovidas em relação aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 5910, 5914, 5949, 6151, 6152, 6151, 6152, 6501, 6503, 6910, 6923, 6949 e 7949. O CFOP 5451, contudo, referese a remessa de animal e de insumo para estabelecimento produtor. A recorrente informa que se tratam de remessas de insumos relacionados ao seu processo produtivo, por meio de um sistema integrado de parceria rural com pequenos produtores. Da mesma forma, os CFOPs 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros também dizem respeito ao seu processo produtivo. Estes fretes, portanto, tem por objeto o transporte de insumos de seu processo produtivo, o que gera direito ao crédito. Quanto aos CFOPs 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação e 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem, os mesmos correspondem a frete na operação de venda, o que gera direito a crédito. Desta forma, deve ser revista a glosa dos créditos relacionados aos fretes relacionados as saídas no CFOP 5451, 5152, 5501 e 5923 mantendo os demais créditos glosados. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Foram glosados os créditos com depreciação de bens do ativo imobilizado apropriados referentes as contas "Juros e Capitalização Operacional", "Construções Civis e Benfeitorias", "Software Imobilizado" e "Área Administrativa", devido a não serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A recorrente contesta a glosa, afirmando que todo o processo industrial depende destes itens, que estariam diretamente vinculados ao seu processo produtivo. Em atenção ao alegado, esclarecese que os incisos VI dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam o direito ao desconto de créditos em relação aos encargos de depreciação referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda de seu processo produtivo: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.157 23 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Os bens do Ativo Imobilizado, desta forma, para conceder direito ao crédito, precisam estar vinculados ao processo produtivo da contribuinte. Não se incluem nesta hipótese os bens do ativo imobilizado utilizados em outras atividades, como, por exemplo, os equipamentos utilizados nas áreas administrativa e comercial. As glosas correspondem as contas "Juros e Capitalização Operacional", "Construções Civis e Benfeitorias", "Software Imobilizado" e "Área Administrativa". De pronto, verificase que os gastos referentes as contas "Juros e Capitalização Operacional" e "Área Administrativa" não tem nenhuma relação como seu processo produtivo, de forma que não geram direito ao crédito pleiteado. Quanto às contas "Construções Civis e Benfeitorias" e "Software Imobilizado", que pela descrição poderiam incluir tanto bens utilizados em seu processo produtivo como nas demais atividades da empresa, a recorrente restringese a vociferar a vinculação ao seu processo produtivo, sem, contudo, explicitar quais os bens a que se refere, com a efetiva utilização. A recorrente, além de não descrever de forma individualizada os bens a que se refere, não apresenta nenhum documento passível de comprovar que são efetivamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Em sendo estes os fatos em julgamento, constatada a falta de comprovação do seu direito creditório, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Crédito presumido da agroindústria A autoridade fiscal glosou o crédito presumido da agroindústria, previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/04, referente a aquisições de pessoas jurídicas, com base no entendimento de que a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/04 passou a vigorar somente a partir de 04/04/2006, após a regulamentação do referido dispositivo legal pela IN SRF 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF 660/2006. Foram ainda glosados os créditos presumidos da agroindústria referentes a aquisição de mercadorias para revenda, bem como foram modificados os percentuais aplicados em relação a determinadas mercadorias adquiridas que explicita. A recorrente contesta as glosas afirmando que os bens adquiridos correspondem a insumos, e que teria aplicado o percentual correto. Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.158 24 A recorrente não contesta a glosa referente a aquisições de pessoas jurídicas, requerendo, contudo, que seja reconhecido o crédito integral de PIS sobre as aquisições realizadas no período envolvido. Exposta a lide, a glosa referese ao crédito presumido previsto pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe (redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.159 25 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O dispositivo estabelece que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente pode ser deduzido do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime da não cumulatividade. Não esta prevista, portanto, a hipótese de ressarcimento ou da utilização deste crédito presumido na compensação com outros débitos tributários. O próprio art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, que prevê a possibilidade de compensação e ressarcimento de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, restringe aos créditos apurados na forma do art. 3º da referida lei. Assim sendo, por falta de previsão legal, concluise que a recorrente não possui direito ao ressarcimento dos créditos presumidos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Resta verificar ainda o pedido da recorrente referente às aquisições de pessoas jurídicas, para que seja reconhecido o crédito integral de PIS sobre as aquisições realizadas no período envolvido. A questão versa sobre o termo inicial da vigência da suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação às vendas efetuadas por empresas cerealistas e cooperativas às agroindústrias. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.160 26 A suspensão da incidência das contribuições foi estabelecida pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que em seu artigo 9º assim dispõe: Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifo nosso) Constatase que a referida suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins abrangia a receita com a venda dos produtos in natura de origem vegetal efetuada por cerealistas e cooperativas agropecuárias. Os contribuintes, contudo, deveriam atender aos termos e condições estabelecidas pela RFB. O artigo 17 desta Lei estabeleceu que a norma produziria efeitos a partir de 1º/08/2004: Art. 17. Produz efeitos: [...] III – a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei. (grifo nosso) Posteriormente, em 29/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.051, alterando a redação deste dispositivo, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.161 27 § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." (NR) (grifo nosso) A nova redação, em que pese ter ampliado o benefício, não alterou a situação dos cerealistas e cooperativas que já possuíam o direito a suspensão. Mantevese ainda a necessidade de se atender aos termos e condições estabelecidos pela RFB. O artigo 34 desta Lei definiu o início da produção de efeitos desta alteração para 29/12/2004: Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1o de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11 a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. Verificase ainda que a RFB, em que pese a Lei nº 10.925 ter sido publicada em 23 de julho de 2004, apenas em 24 de março de 2006, por meio da Instrução Normativa SRF nº 636, estabeleceu as condições para o exercício do direito da suspensão da incidência do PIS e da Cofins. Este ato normativo produziu de efeitos para a partir de 1º/8/2004, conforme previsto em seu artigo 5º : Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. A IN SRFnº 636/2006 foi revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que passou a dispor sobre a matéria. O artigo 11 desta IN estabeleceu que seus dispositivos produziriam efeitos, em relação à suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, a partir de 4/4/2006: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I – em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. (grifo nosso) Ultrapassada a exposição dos dispositivos que regem a matéria, resta definir qual o marco inicial da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o Pis/Pasep e da Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.162 28 Cofins: se a partir de 1º/8/2004, conforme previsto no artigo 17 da Lei nº 10.925/2004 e no artigo 5º da IN SRF nº 636/2006, ou se a partir de 4/4/2006, como estabelecido pelo artigo 11, inciso I da IN SRF nº 660/2006. Observo que a questão já foi examinada e definida com muita propriedade pelo STJ, em acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. SÚMULA 284/STF. PIS/COFINS. SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. Não se conhece de Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Hipótese em que se discute a data a partir da qual passou a ter eficácia o benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins, previsto no art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. O Tribunal de origem entendeu que o termo seria 30.12.2004 (publicação da Lei 11.051/2004). 3. O Fisco aponta ofensa ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, que remeteria o termo inicial do benefício à regulamentação. Defende a suspensão da incidência a partir de 4.4.2006, data prevista na IN SRF 660/2006 (argumento principal). 4. Também indica violação do art. 34, II, da Lei 11.051/2004. Sustenta que a suspensão da exigibilidade não poderia ter eficácia antes de 1º. 4.2005, conforme previsto nesse dispositivo legal (argumento subsidiário). 5. O art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, faz referência aos "termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, para fins de aplicação do benefício fiscal. A Fazenda defende que este benefício, portanto, é previsto por norma de eficácia limitada, a depender da disciplina pela SRF para sua aplicação. 6. A primeira Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal que regulou a matéria foi a IN SRF 636, publicada em 4.4.2006. Seu art. 5º previa o início de vigência retroativamente, a partir de 1º.8.2004, data prevista consoante o art. 17, III, da Lei 10.925/2004 como termo inicial do benefício de suspensão da incidência do PIS/Cofins. 7. A IN SRF 636/2006 não tem, por si só, o condão de infirmar o acórdão recorrido, pois, logicamente, o confronto dessas duas normas (IN SRF 636/2006 e Lei 11.051/2004) permite apenas reconhecer o benefício a partir de 30.12.2004 (data mais recente, entre o início de eficácia da IN SRF 636/2006 – 1º.8.2004 – e o da Lei 11.051/2004 – 30.12.2004), como decidiu o Tribunal a quo. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.163 29 8. A Fazenda Nacional defende que a posterior IN SRF 660, publicada em 25 de julho de 2006, revogou a IN SRF 636/2006 (publicada em 4.4.2006, previa o início de eficácia retroativamente, a partir de 1º. 8.2004) e acabou com a previsão de retroatividade do benefício. Essa segunda IN determinou que o benefício teria eficácia somente a partir de 4.4.2006, quando publicada a primeira Instrução (argumento principal). 9. É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. 10. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor da contribuinte pela Lei 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações significativas em relação à normatização da matéria, restringindose a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. 11. Ademais, ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tem característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação foi viabilizada pela publicação da IN SRF 636/2006, cujo art. 5º previu sua entrada em "vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004” (fato incontroverso). 12. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do benefício a partir de 1º. 8.2004; no caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (data de publicação da Lei 11.051, que ampliou o benefício em seu favor). 13. De fato, o acolhimento do pleito da Fazenda significaria impedir o aproveitamento do benefício entre 30.12.2004 (data da ampliação da suspensão em favor da contribuinte pela Lei 11.051/2004) e 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006), o que já havia sido reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal quando da publicação da IN SRF 636/2006 (art. 5º desse normativo). 14. Segundo a Fazenda Nacional, ainda que não se aceite 4.4.2006 como termo inicial para o benefício (data prevista na IN SRF 636/2006), impossível reconhecêlo antes de 1º. 4.2005 (data prevista no citado art. 34, II, da Lei 11.051/2004 – argumento subsidiário). 15. Há erro no argumento subsidiário da recorrente, pois a discussão recursal referese ao art. 9º da Lei 10.925/2004 (suspensão da incidência do PIS/Cofins) e não ao art. 9º da Lei 11.051/2004 (crédito presumido). Foi o benefício do crédito Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.164 30 presumido que teve sua eficácia diferida para o primeiro dia do 4º mês subseqüente ao da publicação (art. 34, II, da Lei 11.051/2004), mas isso não tem relação com o presente litígio. 16. A alteração do art. 9º da Lei 10.925/2004, ampliando o benefício fiscal de suspensão de incidência do PIS/Cofins em proveito da recorrida (objeto desta demanda), foi promovida pelo art. 29 da Lei 11.051/2004 (e não por seu art. 9º). Esse dispositivo legal (art. 29) passou a gerar efeitos a partir da publicação da Lei 11.051/2004, nos termos de seu art. 34, III, como decidiu o Tribunal de origem. 17. O art. 34, II, da Lei 11.051/2005, suscitado pela Fazenda, referese à matéria estranha ao debate recursal, de modo que carece de comando suficiente para infirmar o fundamento do acórdão recorrido. Aplicase, nesse ponto, o disposto na Súmula 284/STF. 18. Recurso Especial não provido. (Resp 1.160.835/RS, 2ª Turma, sessão de 13/04/2010, relator Min. Herman Benjamin) Conforme definido nesta decisão, cujos fundamentos adotase neste voto, em que pese o disposto no artigo 11, inciso I, da IN SRF nº 660/2006, a suspensão da incidência do PIS e da Cofins iniciase em 1º de agosto de 2004, conforme previsto no art. 17 da Lei nº 10.925/2004. Assim sendo, tendo em vista que os créditos glosados referiamse a receitas cuja incidência do PIS e da Cofins encontravase suspensa, os mesmos permitem a apropriação do crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Observase, contudo, conforma já explicitado, que o nosso ordenamento jurídico não permite o Ressarcimento ou a Compensação do crédito presumido da agroindústria, apenas o desconto no valor da contribuição devida, o que impede a homologação da compensação declarada. Desta forma, mostrase correta a autoridade fiscal ao negar direito à compensação do crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, restando prejudicados os demais argumentos. Outros créditos a descontar Tratase de hipótese de crédito prevista no §§ 19 e 20 do art. 3o e inciso II do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, na redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, relacionada a empresa de serviço de transporte rodoviário de carga, e incidente sobre o valor dos pagamentos de serviços de transporte de carga prestados por pessoa física, transportador autônomo, e pessoa jurídica transportadora optante do Simples. A autoridade fiscal procedeu com a glosa dos créditos por constatar que a recorrente não presta serviços de transporte rodoviário de carga. Os códigos Cnae, relativos a esse tipo de serviço, atribuídos a algumas de suas filiais, teriam servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço é a própria empresa Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.165 31 A recorrente, a seu turno, justifica o direito ao crédito pois a atividade de transporte de carga estaria descrita em seu objeto social. Delimitada a controvérsia, transcrevese abaixo os dispositivos que permitem o direito ao crédito: Artigo 3º [...] § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (grifo nosso) Segundo tal dispositivo, o que gera direito ao crédito é a subcontratação de serviços de transporte de cargas. Não basta, portanto, a atividade de transporte de carga estaria descrita no objeto social da empresa, ela precisa realizar uma subcontratação de serviços de transporte de cargas. Tratase de espécie de contrato amplamente utilizada no segmento de transportes, mediante o qual as empresas transportadoras subcontratam outras empresas do mesmo ramo de atividade ou transportadores autônomos de cargas para cumprirem parte do percurso constante de Conhecimento de Transporte. Ela pressupõe a existência de uma operação prévia de venda de serviços de transporte, na qual a empresa transportadora contrata a prestação de serviço de transportes com determinado cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total da venda. A subcontratação de serviços de transporte de cargas corresponde a uma operação posterior, por meio da qual a transportadora repassa a terceiros, também empresa de transporte, um valor inferior ao recebido sem a emissão de novo documento fiscal, referente à execução parcial do serviço de transporte contratado com seu cliente. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.003020/200585 Acórdão n.º 3201002.018 S3C2T1 Fl. 2.166 32 Em análise aos autos, constatase que créditos glosados não correspondem a subcontratação de serviços de transportes, posto não estarem vinculados a uma prestação de serviços de transporte previamente contratada junto a recorrente. Desta forma, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, restaurando o crédito referente aos gastos com fretes que informam o CFOP 5451, 5152, 5501 e 5923, e mantendo a glosa quanto aos demais créditos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10380.015085/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 50 85 /2 00 7- 31 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Foi lavrado contra a contribuinte VERÔNICA MARTINS VENTORINI PONTES, Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), fls. 05/15, para cobrança do Imposto de Renda Suplementar, no valor de R$ 85.981,84, relativo ao exercício de 2003 (anocalendário 2002), e do Imposto de Renda Suplementar, no valor de R$ 59.470,21, relativo ao exercício de 2004 (anocalendário 2003). O total do crédito tributário lançado foi de R$ 346.666,31, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2007. O lançamento foi decorrente da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada, tendo em vista que a contribuinte fiscalizada não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos financeiros creditados em suas contas correntes no Bank Boston Banco Múltiplo S/A. A contribuinte era titular de uma conta individual (c/c 10.8376.75; ag. Fortaleza) e de uma conta em conjunto com o seu então cônjuge, Henrique Voss Pontes (c/c 96.5682.01; ag. Fortaleza). A Fiscalização, mediante análise dos extratos bancários fornecidos pelo Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A (Itaú), em atendimento à Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeiras (RMF), intimou a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários nas suas contas (fls. 99/100 e fls. 264/274). O cotitular da conta conjunta, seu cônjuge, Henrique Voss Pontes, também foi intimado a comprovar a origem dos créditos, nos autos do processo nº 10380.015084/200797. Em resposta às intimações, a contribuinte informou que a movimentação financeira na conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A em conjunto com seu cônjuge, Henrique Voss Pontes, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, foi proveniente da atividade da construtora H.V.P Projetos e Construções Ltda, na qual possuía participação societária (fls. 269/276). Houve apresentação de documentos da empresa, tais como: Recibos, DOC, Notas Fiscais, ART, e TED. Quanto à conta corrente individual, sobre a qual havia intimação para comprovação da origem de um depósito bancário no valor de R$ 125.000,00, não houve argumentação. Assim, esse depósito bancário foi tido como não comprovado pela autoridade fiscal. Em relação à conta conjunta, após a análise dos documentos da empresa, alguns depósitos bancários foram tidos por comprovados pela Fiscalização, que elaborou uma relação dos depósitos bancários, discriminando os depósitos bancários comprovados e os não comprovados (fls. 285/293). Para o anocalendário de 2002, os depósitos não comprovados totalizaram: a) conta individual (c/c 10.8376.75): R$ 125.000,00, relativo a um único depósito, efetuado no dia 17/07/2002; b) conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01): R$ 409.565,37, relativos a diversos depósitos bancários. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 414 3 Para o anocalendário de 2003, a soma dos valores não comprovados foi de R$ 466.754,68, relativo a diversos depósitos efetuados na conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01). Quanto à conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01), a autoridade fiscal efetuou o rateio entre a contribuinte e seu cônjuge, na proporção de 50% para cada um. Às fls. 362 a 379, encontrase cópia do Acórdão DRJ/FOR n° 20.345, de 28 de março de 2011, processo n° 10380.015084/200797, relativo a Henrique Voss Pontes, então cônjuge da contribuinte, cuja decisão foi pela improcedência da impugnação. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 301 a 303), em que alega, em síntese: a conta corrente do Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A, mantida em conjunto com o cônjuge, era usada para recebimento de valores pertencentes à construtora H.V.P. Projetos e Construções Ltda, na qual possuía participação societária. os depósitos ou os créditos correspondem a recebimentos de pessoas ou de empresas em virtude de contratos para execução de serviços feitos com a construtora, que, como remuneração, percebia um percentual, que variava de 10% a 15% dos valores recebidos; o crédito, via DOC, no valor de R$ 125.000,00, no dia 17/07/2002, feito na conta corrente do Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A, conta corrente individual, foi proveniente de uma alienação feita em 16/07/2002, de uma casa situada na Via Local 24, S/N, Mariuba, Lote 16, Quadra 39, Porto das Dunas II Etapa, conforme Registro do Imóvel no Cartório Florêncio 2º Oficio de Aquiraz, na qual o adquirente, Giuseppe Bosio, fez DOC nesse valor. Na impugnação, a contribuinte requereu que fosse solicitado ao Banco Central as microfilmagens de todos os depósitos efetuados na conta corrente do Banco Bank Boston S/A. Solicitou, ainda, diligência, e informou que novas provas seriam apresentadas até o julgamento da lide. Apresentou, em anexo, cópias de recibos emitidos pela construtora H.V.P. Projetos e Construções Ltda.; DOCs identificando o remetente; comprovantes de depósitos bancários; e Tabela de Custo Unitário Básico do mês de dezembro de 1997. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada (fls. 380/381): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ÔNUS DA PROVA. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe ele a prova da origem dos recursos para acobertar seus depósitos bancários, mormente se a movimentação bancária supera em muito o montante de rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual. DEPÓSITO BANCÁRIO. ARGUMENTAÇÃO DE QUE O CRÉDITO É PRODUTO DE UMA ALIENAÇÃO DE UM IMÓVEL. Temse por comprovado o crédito que corresponder a produto de uma alienação de imóvel, quando a operação de alienação está demonstrada, havendo cobrança do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. DEPÓSITO BANCÁRIO. ARGUMENTAÇÃO DE QUE O DEPÓSITO BANCÁRIO É ORIGINADO DA ATIVIDADE DE EMPRESA. ARGUMENTAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PERTENCEM À EMPRESA. No caso de argumentação de que a movimentação financeira na conta corrente é proveniente de empresa e de que a ela pertence, a comprovação da origem dos créditos bancários, para os efeitos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, darseá com apresentação de documentação contábil que demonstre a transferência de recurso do caixa da empresa para a conta corrente sob fiscalização. Exigese, também, a apresentação de documentação que demonstre débito na conta corrente que tenha sido destinado a pagamento de obrigação da empresa. CONTA CORRENTE EM CONJUNTO COM O CÔNJUGE Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Assunto : Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. Ressalvadas as ressalvas previstas na legislação de processo administrativo, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO FORMULAÇÃO DO PEDIDO. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a esses requisitos. Impugnação procedente em parte Crédito Tributário Mantido em parte A decisão de primeira instância entendeu como comprovada a origem do depósito de R$ 125.000,00, em 17/07/2002, tendo exonerado o crédito tributário correspondente, por considerar que ficou demonstrado que o crédito foi decorrente da alienação de um imóvel. Quanto ao restante dos depósitos/créditos, foi mantido o lançamento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 415 5 A contribuinte foi cientificada da decisão em 20/07/2011 (fl. 401) e interpôs recurso voluntário em 16/08/2011 (fls. 403 a 407), no qual argumenta, em resumo: como preliminar, suscita a nulidade do Auto de Infração, pois não há provas nos autos de que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto foi intimado a comprovar a origem dos créditos. Cita a Súmula CARF nº 29; no mérito, afirma que apresentou todos os recibos emitidos pela Construtora H.V.P. Projetos e Construções, que suportam os depósitos da contacorrente mantida no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A. Tais depósitos são de titularidade da empresa da qual ela e o exmarido eram sócios; não procede o argumento da decisão da DRJ que exige a prova de que a movimentação financeira transitou pela contabilidade da empresa e de que houve recolhimento de IRPJ, PIS e COFINS sobre a receita bruta correspondente aos depósitos bancários, uma vez que não é a empresa que está sendo fiscalizada e sim a pessoa física; a decisão recorrida afronta a Súmula 32 que dispõe: "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". Cita jurisprudência do CARF. a manutenção do lançamento em bases mensais fere a Súmula Vinculante CARF nº 38, que está assim redigida: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário". Ao final, requer que a decisão de primeira instância seja anulada ou, no mínimo, reformada para acatar os documentos comprobatórios apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar de nulidade pela falta de intimação de cotitular da conta conjunta Preliminarmente, a Recorrente alega que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A não foi intimado a comprovar a origem dos créditos, contrariando a Súmula nº 29, que dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". Não lhe assiste razão, posto que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto era o então cônjuge da contribuinte, Henrique Voss Pontes, tendo ele sido também Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 intimado em relação aos mesmos depósitos bancários. Ressaltese que ele também foi autuado, assim como a contribuinte, na proporção de 50%, conforme se verifica pela cópia do Acórdão DRJ/FOR n° 20.345, de 28 de março de 2011, processo n° 10380.015084/200797 (fls. 362 a 379). Consoante transcrição abaixo de trecho do relatório do referido Acórdão da DRJ/FOR (fl. 365), relativo ao cotitular Henrique Voss Pontes, ele foi intimado comprovar a origem dos depósitos bancários e em resposta, informou que a conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A era em conjunto com seu cônjuge, Verônica Martins Ventorine Pontes e que a movimentação financeira, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, nessa conta corrente, era proveniente das atividades da empresa HVP Projetos e Construções Ltda, da qual era proprietário. A fiscalização, com base nos extratos bancários, fornecidos pelos bancos, preparou relação de depósito bancários e preparou intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, fls. 241/252. Em resposta às intimações, o contribuinte informou que a conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A era em conjunto com seu cônjuge, Verônica Martins Ventorine Pontes, CPF n° 230.846.18372, e que a movimentação financeira, relativamente aos anos calendário de 2002 e 2003, nessa conta corrente foi proveniente da atividade da construtora HVP Projetos e Construções Ltda, da qual é proprietário, fls. 321/324. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. Mérito A Recorrente alega que os depósitos efetuados na conta conjunta mantida no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A, em conjunto com seu exesposo, eram referentes à empresa H.V.P. Projetos e Construções, da qual eram sócios. Destaca que apresentou todos os recibos emitidos pela Construtora H.V.P. Projetos e Construções que suportam os depósitos da contacorrente. É possível que os valores movimentados em sua contacorrente possam pertencer à empresa da qual era sócio juntamente com o então marido. Embora não seja a forma recomendada, existem casos em que as pessoas físicas acabam utilizando suas contas bancárias pessoais para movimentar valores das pessoa jurídicas das quais são sócias administradoras ou titulares. Entretanto, nesses casos, é primordial que adotem as devidas cautelas para registrar, de forma detalhada, tais movimentações. Ao misturar as movimentações bancárias de ordem pessoal com as relativas aos seus negócios comerciais, o contribuinte contraria a boa técnica e deve se cercar de todos os cuidados para que, quando instado pelo Fisco, possa demonstrar, de maneira cabal, a segregação das receitas. Ou seja, ele deverá ser capaz de identificar cada lançamento bancário, comprovando a sua origem com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Se assim não o fizer, terá de assumir as conseqüências, estando sujeito às penalidades legais. Nesse ponto, cabe observar que a documentação apresentada pela Recorrente no decorrer da ação fiscal foi parcialmente acatada pela Fiscalização, com base em uma relação com discriminação do depósito bancário, depositante e o documento que o comprova (fls. 277 a 280). Somente ocorreu a autuação em relação aos depósitos para os quais não houve comprovação da origem, mediante documentos hábeis e idôneos, conforme demonstrativo de fls. 285 a 293. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 416 7 Notese que os recibos apresentados pela recorrente, por ocasião da impugnação, são de emissão do próprio sócio da empresa, seu exmarido, e não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. O contribuinte também não apresentou os livros contábeis da empresa que demonstrem as suas receitas e a sua movimentação bancária, nem apresentou notas fiscais de venda ou prestação de serviços. A alegação da Recorrente de que não é a empresa que está sendo fiscalizada não procede, pois é a própria recorrente quem afirmou que se tratava de recursos financeiros da empresa e, assim, tal alegação deve ser demonstrada com documentos e uma das provas seria a sua contabilidade regular. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois a Recorrente não logrou comprovar, de forma individualizada, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Quanto ao argumento da Recorrente de que a apuração do imposto de renda não poderia ser mensal, e sim anual, também não lhe assiste razão, porquanto os §§ 1º e 4º do artigo 42 da lei nº 9.430/96 assim dispõem a respeito. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. [...] § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10630.720337/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ASPECTO QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constitui-se na atividade privativa atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituem-se em aspectos da hipótese de incidência tributária.
Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97).
Quando há equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontra-se viciado. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores pagos pelo adquirente dos produtos, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA, que negaram provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ASPECTO QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade privativa atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Quando há equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontrase viciado. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores pagos pelo adquirente dos produtos, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 37 /2 00 8- 30 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 235 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA, que negaram provimento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 201/202), que bem descreve os fatos, complementandoo ao final: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.01/12, com ciência pessoal do sujeito passivo em 17/11/2008. relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF exercício 2006, anocalendário 2005, sendo apurados os seguintes valores: Imposto 81.352,14 Multa de Ofício 7 5 % (passível de redução) 61.014,10 Juros de Mora calculados ate 11/2010 24.389,37 Total do crédito tributário apurado 166.755,61 Motivou o lançamento de ofício (Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 13/20) a constatação de omissão de rendimentos da atividade rural, no valor total de R$ 1.498.094,54. Relata a autoridade lançadora ter sido o contribuinte intimado a prestar esclarecimentos sobre informações fornecidas à Receita Federal do Brasil RFB pela Cooperativa Central dos Produtores de Rurais de Minas Gerais (Itambé). que declarou ter recebido do contribuinte fiscalizado, no ano de 2005, mercadorias/insumos no valor de R$ 1.604.411,59. Em atendimento às intimações o contribuinte, para justificar tal recebimento, informou que somente uma parcela do leite comercializado no referido ano com a citada Cooperativa lhe pertencia, sendo o restante de propriedade de outros produtores Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 236 3 rurais de sua região, a quem teriam sido repassados os valores devidos. Não tendo a Fiscalização considerado comprovado o argumento do interessado, por falta de provas, foi emitido o presente lançamento de omissão de rendimentos de R$ 1.498.094.54. consistente na diferença entre o apurado na ação fiscal com base em documentos apresentados pelo contribuinte e pela Cooperativa de Itambé, R$ 1.609.211.59 (R$ 4.800,00 de venda de gado e R$ 1.604.411,59 de venda de leite à Cooperativa) e o informado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual DAA/2006, R$ 111.117,05, conforme planilha de fls. 11. Como não houve a apresentação de Livro Caixa da atividade rural, a base de cálculo foi arbitrada no percentual de 20%, resultando no valor de R$ 299.618,91 (fls. 12). Em 09/12/2008 o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 168/176, por meio de procurador constituído, acompanhada dos documentos de fls. 177/186, alegando em síntese o que se segue. Reitera o argumento oferecido na fase preparatória do lançamento, reafirmando que o impugnante não auferiu para si o montante da receita apurada pela RFB, uma vez que fazia a entrega na cooperativa do leite de vários produtores rurais de sua região que não teriam como comercializar sua produção e, após o recebimento do concernente pagamento, repassava a cada produtor seu valor respectivo. Argumenta ser impossível auferir renda anual de venda de leite de R$ 1.604.411,59 explorando área de 50,10 hectares, relativa a duas propriedades rurais informadas em sua DAA/2006 (fls. 181). Alega que as declarações de alguns produtores rurais obtidas pela Fiscalização na fase preparatória do lançamento fazem prova em seu favor e não teriam sido consideradas na apuração, chamando a atenção para o depoimento de testemunha no sentido de que o procedimento de comercialização do leite que era realizado de forma improvisada hoje está formalizado com a criação da Associação dos Produtores Rurais de Engenheiro Caldas, tendo como presidente o impugnante. Combate o arbitramento da receita pela inexistência de Livro Caixa, que deveria gerar apenas penalidade pela falta de cumprimento de obrigação acessória. Prossegue requerendo que, caso não cancelado o Auto de Infração, seja reconhecida a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, na medida em que o impugnante não foi intimado a participar de produção de prova (oitiva das testemunhas), que jamais poderia ter sido realizada sem sua presença, o que inclusive teria provocado intimidação aos produtores rurais. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 237 4 Requer, por fim, que qualquer intimação/notificação seja feita na pessoa de seu procurador constituído. Ao julgar a Impugnação, a DRJ em Juiz de Fora/MG, em resumo assim dispôs: a venda de leite efetuada pelo impugnante à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (Itambé) em 2005 enquadrase no conceito de receita bruta da atividade rural. Não tendo o contribuinte escriturado o Livro Caixa da atividade, a base de cálculo foi arbitrada no percentual de 20%, conforme prevê o Regulamento do Imposto de Renda. o Contribuinte não provou as alegações de que vendia em seu nome a produção de outros, para posterior recebimento e repasse de dinheiro. Houvesse coincidência entre saques constantes em extratos bancários, que não foram apresentados, com valores recebidos declarados pelos produtores, poderia ser considerada a existência de indício de que o impugnante recebeu valores de produção de terceiros, posteriormente repassados. alguns depoentes declararam que no ano de 2005 não forneceram leite para o fiscalizado e outros, embora tivessem confirmado a entrega de leite para o interessado, prestaram informações sobre a quantidade de leite produzida e valores recebidos pelo litro de leite com. divergência dos informados nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, sem apresentarem qualquer documento ou recibo relativos às transações. fala de ônus da prova. trata da alegação de cerceamento de defesa e entende que não restou configurado. Concluiuse então que está correto o lançamento e decidiuse pela improcedência da Impugnação. Cientificado dessa decisão em 13/07/2011 (AR na folha 211), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/08/2011, com protocolo na folha 213. Em sede de recurso, repisa as questões da Impugnação e rebate pontualmente as disposições do Acórdão recorrido. Em suma trata da: a) análise das declarações dos produtores rurais que prestaramnas ao Contribuinte e ao Auditor Fiscal. Divergências apontadas e justificativas. Validade das mesmas como prova; b) falta de razoabilidade e adequação do arbitramento do rendimento obtido com a Atividade Rural; c) cerceamento de defesa por ter sido feita a oitiva de testemunhas sem a oportunidade de participação do Recorrente; d) intimação do Procurador para todos os atos do processo; e) ônus da prova, que, no caso, deveria ser do Fisco e não do Contribuinte. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 238 5 Assim, REQUER a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa ou, alternativamente, insubsistência do feito fiscal por estar "distante do conjunto probatório" destes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Diz o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Colho na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Paulo de Barros Carvalho, didaticamente, identifica três funções da base de cálculo, segundo transcreve Regina Helena Costa: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 239 6 a) a função mensuradora, pois mede as reais proporções do fato; b)função objetiva, porque compõe a específica determinação da dívida, e c)função comparativa, posta em comparação com o critério material da hipótese, é capaz de confirmálo, infirmálo ou afirmar aquilo que consta do texto da lei, de modo obscuro. (Op. Cit p.229) Existe uma interminável discussão doutrinária sobre a natureza do lançamento. Kiyoshi Harada diz que "o legislador brasileiro ... fixouse na tese que ele tem efeito meramente declaratório da obrigação tributária, mas constitutivo do crédito tributário. (Direito Financeiro e Tributário, 24ª ed., p. 576). De qualquer forma, seja qual corrente se abrace, o lançamento deve tornar líquida, certa e exigível a obrigação que o pressupõe. Lembremonos que o artigo 139, do CTN diz que "o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Salvo algumas situações expressamente previstas em lei, como por exemplo o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a Autoridade Administrativa a presumir a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não seja demonstrada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte regularmente intimado, havendo uma patente inversão do ônus da prova, em outros casos o Fisco deve demonstrar o seu direito ao crédito e, mais, apurar de forma líquida e segura o seu valor. Explica Kiyoshi Harada: "é que o lançamento representa um título jurídico, que confere à Fazenda a exigibilidade do crédito" (Op. Cit, p. 576) Passemos então á análise destes autos. Com base no cruzamento de informações prestadas pela Cooperativa Itambé, em Minas Gerais, que informou em DIPJ ter comprado R$ 1.609.211.59 (R$ 4.800,00 de venda de gado e R$ 1.604.411,59 de venda de leite à Cooperativa) do Recorrente, o Fisco iniciou procedimento de apuração de omissão de receitas da Atividade Rural, uma vez que o Contribuinte declarara em sua DIRPF valor de rendimentos muito inferior. No bojo do procedimento, o Contribuinte disse que a receita não lhe pertencia toda, uma vez que transportava, armazenava e vendia leite de outros produtores rurais à Cooperativa, recebendo os valores e repassandoos posteriormente. Apresentou declarações firmadas por 25 produtores rurais com essas informações. Observo que de fato há elementos insólitos em tais declarações. Destaco as quantidades de litros informadas, por exemplo, "uma média de 6.968" (fl. 98), "uma média de 5.226" (fl. 99), "uma média de 12.046" (fl. 100) e assim por diante foram todas elas. Ora, o Recorrente afirma nos autos que os signatários são produtores rurais simples e de pouca instrução, que foram coagidos pelo Auditor Fiscal, que não se lembram exatamente do valor praticado por litro de leite, que não se preocuparam em efetuar e guardar qualquer registro das transações e que prestaram essa declarações em 2008, para tratar de fatos ocorridos em 2005. Mas lembramse até das unidades? Doze mil e quarenta e seis, cinco mil duzentos e vinte e seis, seis mil novecentos e sessenta e oito, etc... para referirse a uma média? Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 240 7 Pareceme claro que as informações sobre quantidades que constam das declarações firmadas pelos produtores e apresentadas pelo Contribuinte estão totalmente desprovidas de validade, neste aspecto. Foi isso que também concluiu o Auditor Fiscal, ao intimar oito desses vinte e cinco produtores e colher o depoimento de seis deles, que efetivamente compareceram à Receita Federal. As quantidades informadas não conferem. A produção mensal de cada um deles era bem inferior, em 2005, e não poderiam ter entregue a Norton Maurício aqueles litros de leite todos, para que fossem comercializados em seu próprio nome, com a Cooperativa Itambé, sendolhes repassado valores, posteriormente. Mas o fato é que eles confirmaram a existência da operação, ou seja, de fato entregavam o seu produto ao Recorrente para a venda intermediada. Diz o Auditor Fiscal, em seu Relatório, fl. 17: ... todos os depoentes afirmaram não dispor de qualquer documento para comprovar essa comercialização. Apesar disso, esses depoentes, em sua maioria, confirmaram terem vendido leite, no ano de 2005, para o contribuinte fiscalizado só que em quantidades estimadas divergentes das informadas nas "Declarações" apresentadas a esta fiscalização. Com relação ao preço de venda do litro de leite praticado no ano de 2005, talvez por receio de que pudesse acarretar alguma implicação para si ou para o contribuinte fiscalizado, todos os depoentes disseram não recordar com precisão qual era esse valor. Em vista disso os valores do litro de leite comercializado no ano de 2005, informados pelos depoentes, foram bastante variados oscilando entre R$ 0,20 (vinte centavos) a R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos).(sublinhei) Destaco ainda que o "em sua maioria" referese ao fato de que dos vinte e cinco produtores apontados pelo Contribuinte, tendo o Auditor intimado oito e comparecido seis, um apenas (Mario Tiago, fl. 148) disse que em 2005 não vendera leite para o Recorrente, o que se dera apenas a partir de 2007. Vejamse os Termos de Depoimentos, nas folhas 141 e seguintes. Bem, que existia uma comercialização entre os produtores e o Recorrente, no ano de 2005, para transporte, armazenagem e venda intermediada de leite à Cooperativa Itambé pareceme incontroverso. Mas quanto era vendido pelo Recorrente de sua produção própria e quanto era vendido de produção alheia e quanto era seu rendimento nessa última operação? Não conseguindo determinar essas respostas, a Fiscalização transferiu para o Contribuinte o ônus da prova, com a seguinte disposição, em seu Termo de Intimação Fiscal nº 02, fl. 151: ... fica o contribuinte acima qualificado INTIMADO a apresentar nesta seção de fiscalização, no prazo acima especificado, DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS que comprovem, de forma insofismável, todos os repasses mensais de Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 241 8 pagamentos que foram feitos no ano de 2005 para os seus fornecedores de leite. Devese esclarecer que a falta dessa comprovação, para fins do imposto de renda, obrigará a fiscalização considerar como sendo receita do contribuinte todos os pagamentos efetuados no ano de 2005, em seu nome, pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de MG relativos à compra de leite.(destaques originais)(sublinhei) Mas a quem compete privativamente apurar a matéria tributável e determinar o montante devido, conforme artigo 142 do CTN? O raciocínio empreendido, de atribuir ao contribuinte o ônus de provar que repassou o dinheiro, mesmo diante de todas as evidências, termos e depoimentos de que não vendera produção própria naquele montante informado pela Cooperativa Itambé, sob pena de considerarse que todo o rendimento fora seu, fere princípios e normas tributárias. Como disse no início, salvo disposição expressa de lei, os fatos tributários não se presumem e devem ser demonstrados e apurados com segurança, certeza e liquidez, na constituição do crédito, pelo lançamento. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados pela Cooperativa, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. No caso, não houve um arbitramento da receita, que em alguns casos é previsto em lei, mas uma arbitrariedade da fiscalização. Ora, se houve equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontrase viciado. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na apuração do montante devido. Em face da conclusão a ser apresentada, deixo de apreciar a questão preliminar de cerceamento de defesa levantada, observando o § 3º do artigo 59 do Decreto nº 72.235, de 1972. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 242 9 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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