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Numero do processo: 19515.003470/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Deve ser retificado o erro material constatado na apreciação dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3401-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração em parte.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:
Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ERRO MATERIAL. Deve ser retificado o erro material constatado na apreciação dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração em parte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 70 /2 00 7- 38 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 540/542) opostos pela Fazenda Nacional ao acórdão no 3401001.817 (fls.536/539), pelo qual foi abatida parte do lançamento de ofício da COFINS do mês de outubro de 2007. No acórdão embargado, está fundamentado que a Recorrente apresentou alguns DARFs que provam o recolhimento de parte da COFINS do mês de outubro de 2007. A embargante, por sua vez, alega que o acórdão é obscuro, pois um dos DARFs apontados é relativo ao recolhimento do PIS, e não da COFINS, além de que os valores recolhidos já tinham sido abatidos pela DRJ. Ao fim, a Embargante pediu o acolhimento dos embargos de declaração para o saneamento do vício apontado. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator. Os embargos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. A Embargante aponta uma obscuridade inexistente, pois no acórdão está bem claro que os pagamentos relativos ao mês de outubro de 2007 não foram abatidos do lançamento, nem mesmo pela DRJ, conforme é possível verificar no demonstrativo de fl. 496, no qual a DRJ não exonerou nenhum valor do lançamento principal da COFINS. Apesar disso, os embargos da Fazenda evidenciaram um erro que deve ser corrigido. Nas fls. 467 a 470 (numeração do processo físico), a Recorrente apresentou DARFs contendo o recolhimento parcial do débito de outubro de 2007. No julgamento do recurso voluntário, ficou consignado que todos os DARFs eram relativos à COFINS e totalizavam o montante R$ 19.838,72. Todavia, é pertinente a observação da Embargante no sentido de que o DARF de fl. 467 é relativo ao recolhimento do PIS e não da COFINS. Além disso, este Relator notou outra falha a ser corrigida, esta de ofício: pelos DARFs de fls.468 a 470, além do valor principal, também foi recolhida a multa. No cálculo do acórdão embargado, o Relator levou em consideração para abatimento do valor principal tanto a COFINS quanto a multa recolhidas. Ocorre que, no recálculo do valor lançado, deve ser abatido somente o valor principal e, em seguida, excluídos os respectivos encargos que constam no auto de infração. Desse modo, o acórdão deve ser corrigido, a fim de que sejam exonerados do lançamento da COFINS de outubro de 2007 (R$128.597,19) os valores referentes à obrigação principal da COFINS, cujos recolhimentos estão comprovados nos DARFs de fls. 468 a 470 (R$ 16.159,71), de modo a remanescer o lançamento do valor principal da COFINS no montante de R$ 112.437,48 e não de R$ 108.758,47 como disposto no acórdão embargado. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.003470/200738 Acórdão n.º 3401002.439 S3C4T1 Fl. 533 3 Quanto ao DARF de fl. 467, o valor total recolhido nele de R$ 3.501,27 trata unicamente do PIS, sem juros ou multa, razão pela qual ele deve ser aproveitado em sua integralidade para a exoneração do lançamento do PIS de outubro de 2007 (R$ 27.862,72), de forma que permanece o lançamento principal do PIS de outubro de 2007 no valor de R$ 24.361,45. Cabe observar que a multa e os juros relativos ao lançamento do PIS e da COFINS de outubro de 2007 devem ser recalculados sobre o novo valor principal remanescente. Ex positis, acolho os embargos de declaração em parte para corrigir os erros indicados na forma fundamentada acima. É como voto. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002004/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3401-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinou-se o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Fenelon Moscoso de Almeida Declaração de voto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinouse o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original. Júlio César Alves Ramos – Presidente 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 20 04 /2 00 9- 81 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator Robson José Bayerl – Relator Fenelon Moscoso de Almeida – Declaração de voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Por bem refletir o caso tratado nestes autos, adoto o relatório da decisão administrativa de primeira instância, verbis: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 89) lavrado contra a empresa em epígrafe, (...), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição para o PIS/Pasep e Confins incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Segundo relata a fiscalização às fls. 04 a 71, o procedimento fiscal em causa teve por base documentos coligidos em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica autuada, além de outros documentos e arquivos magnéticos que foram apreendidos pela Polícia Federal durante a denominada “Operação Dilúvio”, voltada à apuração de esquema fraudulento perpetrado por uma organização controlada por Marco Antônio Mansur (CPF n.º 365.153.459/68), outrora denominada “grupo MAM”. Mais precisamente, no que diz respeito às importações de mercadorias estrangeiras registradas entre 08/04/2004 e 14/04/2004, através das Declarações de Importação n.ºs 04/03360573, 04/05549142, 04/06740440 e 05/00066013, a autoridade autuante relata ter efetuado as seguintes constatações: a) as empresas DARCK e COTIA TRADING S/A estão envolvidas nas importações relacionadas à fl. 04, tidas como simuladas, e realizadas com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas DI sob apreço foram registradas pela empresa COTIA por conta e risco próprio, sendo que, na realidade, quem financiava as operações de importação era a empresa DARCK, configurando um quadro de simulação e interposição fraudulenta; c) a DARCK foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior, real importadora e como real adquirente no mercado nacional ao passo 2 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 que a COTIA, ao revestirse da qualidade de importadora, serviu de escudo e blindagem para a real importadora; d) os fornecedores e a DARCK (real importadora) foram os que acertaram as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento, etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores aos valores efetivamente praticados (DI n.ºs 04/03360573, 04/05549142 e 05/00066013) ou arbitrados (DI n.º 04/06740440), havendo a empresa fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento. Regularmente cientificados, em 17/06/2009 e 18/06/2009 (fl. 03), as empresas DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA e COTIA TRADING S/A apresentaram, em 14/07/2009 e 20/07/2009, respectivamente os documentos de fls. 307 e 331 a 357, havendo a empresa DARCK TECHNOLOGIES apresentado a impugnação de fls. 290 a 306, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que a autoridade autuante desbordou dos limites da legislação aplicável ao trazer relatos e graves afirmações de que houve crime de falsidade e descaminho, com base em documentos extraídos de procedimentos conduzidos nas esferas policial e judicial, ao que aduz o raciocínio de que, por estar o auto de infração em tela baseado no processo penal, é de se declarar a sua improcedência ante o fato de a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do HC n.º 113.145PR e por unanimidade de votos, ter concedida a ordem para trancar a ação penal em relevo, decisão esta que deve ser respeitada na esfera administrativa, pois transitou em julgado em 23/03/2009; Em outro plano, alega que não pode ser responsabilizado pela infração descrita no presente processo, ao argumento de que todos os tributos incidentes nas operações que praticou, inclusive aqueles que incidiram na venda a varejo das mercadorias adquiridas foram recolhidos, além do que pagou pela aquisição no mercado interno das mercadorias importadas, fato este que foi desconsiderado pela fiscalização; Considera descabidas as acusações que lhe foram imputadas, já que as empresas que lhe venderam as mercadorias estavam habilitadas no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de trading company, além do que reclama de estar sendo acusado por condutas que não lhe dizem respeito e que, ante a ausência de documentos, os valores aduaneiros arbitrados pelo Fisco encontramse fulcrados em suposições e ficções, em flagrante desatendimento ao princípio do ônus da prova; Nega ter assumido financeiramente os custos incorridos nas operações de importação, ao que aduz não ser da atividade da empresa desincumbirse de operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos financeiros e fluxo de caixa para fazer frente aos tributos no momento da nacionalização das mercadorias importadas; Alega que, em razão de os tributos incidentes nas operações de importação serem pagos antecipadamente, a terceirização das atividades de logística 3 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA internacional tornase conveniente, não só do ponto de vista de custos e de estrutura organizacional, mas também em face do próprio aspecto econômico financeiro inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos até a entrega do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de custos oriundos de benefícios e créditos fiscais das trading; Reclama que a autoridade autuante desbordou do que determinam as disposições contidas no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que trouxe para o feito, indevidamente, relatos e graves afirmações extraídos de procedimentos levados a efeito nas esferas policial e judicial, quando deveria limitarse aos fatos que ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário; Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados, com a juntada de peças do processo de competência das autoridades policial e judicial, pelo que entende ter sido ofendido, na realização do feito ora atacado, o direito previsto no inciso XII do art. 5º da Constituição Federal; Insurgese contra a afirmação da autoridade autuante que se refere à prática de sonegação, fraude, conluio, falsificação de documentos, prestação de informações falsas e de benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades e ofereceu ao Fisco toda a documentação requerida, havendo, inclusive, incabível apreensão sem devolução de todos os documentos solicitados, em razão de que entende ter a presente autuação desrespeitado as disposições contidas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 9.784, de 1999, dentre os quais destaca a previsão de ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que devem facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; Nega ter participado do esquema fraudulento apontado pela fiscalização, ao argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentor de informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas citadas no relatório da autuação; Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir o IPI, pois jamais desenvolveu atividade industrial ou a ela equiparada, nem é importador, pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI, nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos que incidiram nas operações realizadas com a aquisição das mercadorias em relevo no mercado interno e posterior venda a varejo das mercadorias adquiridas; Em outro plano, contesta a cobrança de juros de mora calculados à taxa referencial Selic, eis que eivada de incerteza e iliquidez, por entender ser referida cobrança ilegal e inconstitucional; Quanto à aplicação das multas veiculadas no auto de infração, alega não ter sido demonstrada ou comprovada a prática das infrações cominadas pelas mencionadas penalidades que reputa serem confiscatórias, violando o preceito contido no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, ao que aduz não ter incorrido em qualquer fraude que desse azo a essa penalização; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Por sua vez, a empresa COTIA TRADING S/A apresentou a impugnação de fls. 290 a 306, onde, em síntese: 4 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Alega que as importações em tela foram feitas sob encomenda da empresa DARCK, que sua capacidade financeira foi atestada no próprio auto de infração e que não participou da negociação de preços das mercadorias importadas, ao que aduz que a documentação que fundamenta a autuação foi obtida na empresa DARCK, sendo apenas de conhecimento da referida empresa, o que, a seu ver, viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, caracterizando prova emprestada; Argúi a nulidade do feito ora atacado, com fulcro na disposição contida no § 1º do art. 9º do Decreto n.º 70.235, de 1972, e que determina a lavratura de autos de infração distintos para cada contribuinte, e não um único auto de infração que mistura alegações, condutas e penalidades imputáveis a dois contribuintes diferentes; Ademais disso, reclama que as importações em causa já haviam sido submetidas ao crivo da fiscalização aduaneira, em razão de que entende que as mercadorias encontramse regularmente no País, descabendo nova análise aduaneira que colima imputar multa gravíssima à empresa COTIA, mera responsável solidária de acordo com o auto de infração; Em outro plano, alega a decadência dos lançamentos de oficio relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, no que pertine aos fatos geradores ocorridos antes de 17/06/2004, com fundamento no disposto pelo § 4º do art. 150 do CTN combinado com os artigos 668 e 669 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 4.543, de 2002, ao que aduz que a participação na fraude, dolo ou simulação, aventados pela autoridade autuante, de molde a impedir a decadência, deve ser provada e não presumida, reiterando, no ponto, ter realizado importações sob encomenda da DARCK, sem intermediar a negociação com os fornecedores que emitiram as faturas comerciais supostamente falsas e que instruíram os despachos de importação em relevo; Na seqüência, reclama ser inaplicável à COTIA TRADING a responsabilidade tributária sobre obrigações da empresa DARCK, dado que não tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão (CTN, art. 124), ao que aduz o esclarecimento de que a venda das mercadorias importadas deuse por valores muito próximos ao custo da operação de importação, por ter colimado auferir o benefício financeiro advindo do regime do FUNDAP (ICMS) instituído pelo Estado de Espírito Santo, e, portanto, o subfaturamento de preços só diminuiria o ganho da COTIA; Relativamente à imputação de subfaturamento, argúi, ainda, que a fiscalização não observou o procedimento de valoração aduaneira disciplinado pela IN SRF n.º 237, de 2003, havendo desconsiderado injustificadamente o método do valor de transação, sem que o importador houvesse sido intimado para comprovar o valor declarado e sem que fosse obedecida a seqüência de aplicação dos métodos de valoração substitutivos, o que, a seu ver, constitui afronta ao princípio do devido processo legal; Contesta a sua responsabilização pela falsidade das faturas comerciais e demais documentos que instruíram os despachos de importação sob apreço, ao argumento de não ter emitido tais faturas, e de que tampouco tinha conhecimento de outras faturas que foram apreendidas pelo Fisco junto à empresa DARCK, ao passo que os conhecimentos de embarque e as DI refletiram as operações realmente 5 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA praticadas, e que reitera terem sido importações sob encomenda, realizadas antes da publicação da Lei n.º 11.286, de 2006; Em outro plano, ainda, alega que a autoridade administrativa tem o dever de apurar os fatos relacionados unicamente ao ato objeto da imputação, inexistindo espaço para utilização de indícios e conclusões que não levem a uma decisão conclusiva, sendo incabível, no direito tributário, o empréstimo de prova relativa a outros procedimentos, dado a tipicidade restrita que preside esse ramo direito, derivada do princípio da legalidade, de modo que a exigência legítima de tributo ou de penalidade depende da subsunção perfeita entre o ato, ou omissão, perpetrado pelo contribuinte e o fato imponível previsto na lei; Na seqüência, após alegar que a negociação do adquirente com o fornecedor estrangeiro é uma faculdade prevista tanto na importação sob encomenda (§ 3º do art. 11 da Lei n.º 11.281, de 2006), como na importação por conta e ordem de terceiro (art. 1º da IN SRF n.º 255, de 2002), reitera que as importações sob apreço foram realizadas por encomenda da empresa DARCK, tendo esta, e não a empresa COTIA, negociado com os fornecedores estrangeiros, pelo que supostas irregularidades envolvendo faturas comerciais e os preços praticados nessas importações somente podem ser imputadas ao exportador ou, no máximo, à empresa DARCK, solicitando, ainda, no caso de dúvidas, que seja observado o disposto no art. 112 do CTN, no que pertine à interpretação da lei tributária, de forma mais favorável ao acusado; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado.” A DRJ Florianópolis/SC reputou nulo o lançamento, por vislumbrar vício formal na imputação da sujeição passiva, bem assim, que seria incabível o lançamento da multa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n.º 2.15835/2001, regulamentado pelo art. 633, I do Decreto n.º 4.543/2002. Esta decisão foi submetida ao procedimento do recurso de ofício. Devidamente cientificados da decisão, os autuados não apresentaram recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator A decisão submetida a reexame necessário preenche os pressupostos mínimos para seu conhecimento e processamento. Dois são os pontos controvertidos submetidos a julgamento: a sujeição passiva e (in)aplicabilidade da multa de 100% da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, nos casos de fraude, sonegação ou conluio em operação de importação. Respeitante à definição da qualificação jurídica que os contribuintes autuados deveriam ostentar no lançamento, a decisão de piso, adotando a premissa que se cuidava de importação por conta e ordem, após indicar a legislação de regência da matéria, concluiu que 6 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 houve inversão do pólo passivo no auto de infração, devendo a COTIA TRADING S/A figurar como contribuinte e DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA., como responsável tributário. O pressuposto para tal inferência, segundo o voto condutor, encontrase no seguinte excerto: “Considerando o fato de que as operações de importação registradas pela empresa COTIA TRADING , independente da forma como foram declaradas, caracterizase como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem da DARCK, o presente procedimento fiscal foi focado nessa empresa identificada como REAL IMPORTADORA e real adquirente das mercadorias, que utilizou os serviços prestados pela interposta pessoa jurídica COTIA TRADING com o objetivo de reduzir os seus custos, sem se importar com as ilegalidades dos seus atos.” (fl. 24) Noto, porém, que a autoridade autuante assevera que, do ponto de vista dos fatos, cuidavase de operação realizada por conta e ordem, no entanto, em várias outras passagens, que reproduzirei, acentuou que a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A registrou as declarações de importação como sendo importação por conta própria, ocultando o real importador/adquirente DARCK TECHONOLOGIES, de modo que, a bem da verdade, caracterizarseia a figura da interposição fraudulenta, sendo, inclusive, objeto de tópico específico de autuação (“Simulação e Interposição Fraudulenta”). São as seguintes: “Neste procedimento estão sendo tratadas as importações das mercadorias acobertadas pelas DI's relacionadas, cujas Notas Fiscais de entrada na DARCK, foram emitidas pela empresa COTIA TRADING que registrou ditos processos na sistemática de importação por conta e risco próprio.” (fl. 04 – sublinhado) “As notas fiscais emitidas pela empresa COTIA TRADING, foram vinculadas à Faturas Internacionais, tidas como efetivamente emitidas pelos reais exportadores, e aos processos de importação, que foram registrados como sendo por conta e risco da empresa COTIA TRADING , cuja simulação, subfaturamento e outras irregularidades, foram comprovados e onde foi identificada a empresa DARCK , como a compradora das mercadorias no exterior (REAL IMPORTADORA) . A participação da empresa DARCK foi comprovada em diligência na empresa onde foram retidas, conforme termo próprio (fls. 191 a 199), além das Notas Fiscais referentes aos processos em questão, inúmeras outras Notas Fiscais de entradas emitidas por diversas empresas tidas como sendo de fachada, muitas a serviço do Grupo MAM, na maioria das vezes INAPTAS perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, consideradas inexistentes de fato, envolvendo diversos processos de importação e um grande número de importadoras, todas agindo 7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA a serviço da DARCK, onde foram constatados os mesmos tipos de irregularidades motivando autuações (...)” (fl. 07 – sublinhado) “Assim temos que a DARCK foi Identificada como real COMPRADORA DAS MERCADORIAS NO EXTERIOR, REAL IMPORTADORA e como REAL ADQUIRENTE NO MERCADO NACIONAL, foi quem assumiu financeiramente todos os custos, já a COTIA TRADING revestiu se da qualidade de IMPORTADORA servindo de escudo e blindagem para a REAL IMPORTADORA.” (fls. 07/08) “Dessa forma, os reais adquirentes e encomendantes (neste caso a DARCK, identificada como real importadora), quando mantidos ocultos, obtêm uma substancial (e indevida) vantagem fiscal, também na fase de comercialização, no mercado interno, de produtos importados sujeitos à incidência do IPI.” (fl. 17) “(...) Neste contexto, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se dá é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que é o caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Como se demonstra , a empresa COTIA TRADING e a empresa DARCK, real adquirente das mercadorias, conjuntamente, simularam operação de comércio exterior, na modalidade de importação por conta própria (importação direta) em que supostamente a COTIA TRADING seria titular da operação, mantendo oculta aos olhos do fisco a real adquirente das mercadorias, verdadeira titular das operações de comércio exterior, identificada como sendo a DARCK.” (fl. 24) “Neste procedimento tratamos as operações de importação, registradas pela empresa COTIA TRADING, que se revestiu do título de importadora, simulando que agia por conta e risco próprio. Na ação fiscal foram identificadas as operações reais, os verdadeiros valores de transação e a adquirente das mercadorias, a empresa DARCK, que comprou as mercadorias no exterior e aproveitou os benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas.” (fls. 24/25) “Os intervenientes nos processos de importação em pauta foram identificados na ação fiscal, como sendo as empresas COTIA TRADING como interposta pessoa jurídica, e DARCK, como 8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 compradora das mercadorias REAL IMPORTADORA.” (fl. 31) “Como fartamente comprovado, o interesse pelo negócio partiu da DARCK, que adquiriu as mercadorias no exterior e contratou a COTIA TRADING para que nacionalizasse as mercadorias, estando claro que todos os procedimentos estão eivados de vícios, com os intervenientes agindo em total desrespeito à legislação vigente, fazendo declarações e preparando documentos a fim de atender as etapas a serem ultrapassadas, e não para o atendimento aos preceitos legais.” (fls. 31/32) “Dessa forma temos que a compradora de fato (real importadora) das mercadorias em questão foi a empresa DARCK, que interessada em maximizar os seus resultados, contratou os serviços da COTIA TRADING, que investida de forma simulada da qualidade de importadora, promoveu a nacionalização das mercadorias que sabia, haviam sido adquiridas no exterior pela empresa DARCK e agindo assim, esses contribuintes, para atingir os seus objetivos, formularam a simulação de negócios e prepararam todos os documentos registrando a COTIA TRADING como importadora, deixando oculta a verdadeira adquirente das mercadorias a DARCK. Então, a DARCK interessada em nacionalizar as mercadorias com o menor custo e a COTIA TRADING interessada em se aproveitar dos benefícios financeiros do FUNDAP, resolveram correr o risco, cabendo ao fisco unicamente identificar as irregularidades e punir os responsáveis pela infração.” (fl. 33) “Conforme foi demonstrado, as operações de importação em questão, apresentando como importadora e adquirente a empresa COTIA TRADING, são simuladas, e omitem a compradora dos bens (real importadora), aquela que adquiriu as mercadorias no mercado exterior e internou em território nacional a DARCK. Dessa forma para dar credibilidade aos procedimentos de nacionalização desses bens, utilizaram documentos, materiais ou ideologicamente falsos, promovendo declarações ideologicamente falsas, para que, ao declarar a COTIA TRADING como importadora pudessem ocultar a empresa DARCK principal interessada e real compradora das mercadorias no exterior (real importadora).” (fl. 34) Ou seja, a referência à importação por conta e ordem apenas remete àquilo que, segundo os fatos narrados, deveria ser declarado, mas não o foi, uma vez que, além de 9 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA registrada como sendo importação por conta própria, por parte da pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, não observou os requisitos necessários à sua configuração, razão porque foi tratada como interposição fraudulenta. Destarte, consoante art. 80, I da MP 2.15835/2001, à Secretaria da Receita Federal foi delegada a incumbência de estabelecer exigências e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro e, neste diapasão, foi editada a IN SRF 225/02, que definiu a forma de atuação da pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros, listando, dentre os requisitos, o dever de apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços à unidade da SRF, de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz; a necessidade de indicar, em campo próprio da DI, a inscrição no CNPJ do adquirente; que a fatura comercial deveria identificar o adquirente da mercadoria, dentre outras. Ora, se a RFB exige que determinadas condições sejam observadas para enquadramento da operação como importação por conta e ordem, uma vez desatendidas tais imposições, temse a sua descaracterização, não podendo ser assim considerada, como fez a decisão submetida a reexame. O que existe, a meu ver, é um conluio fraudulento entre os coobrigados indicados na autuação, onde a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, de forma inverídica, informou nas DIs registradas tratarse de importação por conta própria (fls. 216, 232, 236, 251, 275), visando à fruição de vantagens fiscais no âmbito do ICMS e a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, quando na verdade o importador de fato era a pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA, como sobejamente demonstrado nestes autos. Neste sentido, entendo que assiste razão à autoridade administrativa autuante quando indica ser o real importador a pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA, assim devendo ser tratada, inclusive e principalmente para fins de determinação do sujeito passivo dos tributos devidos, ainda que formalmente, nas declarações de importação, tenha figurado apenas a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, a teor das disposições do art. 31, I do DecretoLei nº 37/66, verbis: “Art.31 É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) III o adquirente de mercadoria entrepostada. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) 10 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006)” (destacado) Tal como consta da autuação1, entendo ser estreme de dúvidas que a COTIA TRADING S/A, ainda que se revestindo apenas formalmente da condição de importador, deva também ocupar o pólo passivo da obrigação tributária na condição de contribuinte solidário, pois a relação pessoal e direta com as situações constituídas, consoante previsão do art. 121 do CTN, decorre do fato de declararse nessa categoria quando do registro da DI e porque foi beneficiária de vantagens fiscais decorrentes de incentivo estadual, daí advindo sua solidariedade em relação ao crédito tributário exigido, nos termos do art. 124, I do mesmo diploma. Portanto, COTIA TRADING S/A e DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL S/A se qualificam como contribuintes, em função da relação pessoal e direta com os fatos jurídicos tributáveis (art. 121, I do CTN), como fartamente demonstrado nos autos, devendo responder solidariamente pela obrigação tributária, devido ao já referenciado interesse comum na situação descortinada (art. 124, I do CTN). De outra banda, como a solidariedade não comporta benefício de ordem, segundo o parágrafo único do aludido art. 124 do CTN, pouco importa a posição em que figuram as pessoas jurídicas no cabeçalho do auto de infração, desde que tomados na condição de contribuintes, como no caso. Deste modo, tocante à sujeição passiva, entendo que se deva dar provimento ao recurso de ofício, com o retorno do feito à primeira instância, para, afastado o vício de 1 O documento que formaliza o lançamento imputa à pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA a condição de contribuinte responsável e a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, contribuinte solidário. 11 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA forma, prosseguir o julgamento das demais questões postas nas impugnações, como entender de direito. Concernente à matéria remanescente, cabimento da multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001 ao caso vertente, tenho que não andou bem a decisão recorrida, uma vez que a declaração de nulidade, em virtude do vislumbrado erro na indicação dos sujeitos passivos, impediria a manifestação a respeito de questões atinentes ao mérito da causa. Análoga às decisões judiciais, por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, a decisão administrativa que acolhe questão preliminar extinguiria o processo sem exame de mérito. A respeito do tema, pertinente a remissão aos ensinamentos de Fredie Didier Júnior2: “Antes de decidir o mérito, o magistrado deverá verificar se estão presentes os chamados requisitos de admissibilidade do exame de mérito (condições da ação e pressupostos processuais). Tratase de análise preliminar (e, pois obrigatória) à análise de mérito. Quando reconhece existente qualquer das causas constantes do rol do art. 267 do CPC, o juiz constata a impossibilidade de julgar/resolver o pedido do demandante. Profere, neste caso, decisões terminativas.” Transplantando tais conclusões para o processo administrativo, uma vez detectada qualquer nulidade no ato de lançamento ou do despacho decisório, seja por inobservância aos elementos próprios exigidos para a lavratura do ato administrativo (competência, forma, finalidade, objeto e motivo), seja pela ausência dos requisitos exigidos para validade, como preceitua o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ou, ainda, a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do mesmo diploma, deve o vício ser reconhecido e declarada a invalidade do ato por intermédio da decisão competente, que deverá se limitar a tal matéria, abstendose de se manifestar sobre questões de ordem meritória. Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso de ofício aviado, com a conseqüente devolução do processo à DRJ competente para julgamento das demais questões postas no recurso voluntário, inclusive acerca da multa inicialmente afastada, nos termos do voto. Relator Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 2 Curso de Direito Processual Civil, Teoria geral do processo e processo de conhecimento, Volume II, 11ª edição. Editora JusPodivm, Salvador: 2009, fls. 535. 12 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Julgamos conveniente explicitar os motivos pelos quais acompanhamos o relator quanto ao provimento do recurso visto que não concordamos, na totalidade, com os seus argumentos. A divergência limitase a que, a nosso ver, não se trata de dois contribuintes, um dos quais contribuinte solidário. As pessoas jurídicas arroladas na autuação são, sim, sujeitos passivos da exação em virtude da solidariedade prevista na própria norma, mas uma delas na condição de contribuinte e o outro, na de responsável por solidariedade. É que o CTN claramente especifica: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Destarte, parecenos, não podem duas pessoas figurar simultaneamente, isto é, com relação aos mesmos fatos geradores, ambas na condição de contribuintes, assim como não pode a mesma pessoa ser ao mesmo tempo contribuinte e responsável. É claro que, normalmente, há mais de uma pessoa em relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, mas, dentre elas, elege o legislador a que vai figurar contribuinte. Qualquer outro que a lei chame à relação tributária o será na condição de responsável. Embora pareça de menor importância, o ponto tem implicação no reconhecimento de que houve mesmo uma imperfeição na identificação de quem é o contribuinte e quem é o responsável. É que, como se trata de imposto de importação, o contribuinte é aquele que promove o ingresso das mercadorias no território nacional, identificado pela inserção de seus dados nos documentos que instruem o despacho. No caso concreto, a empresa Cotia Trading, como bem apontado na decisão da DRJ. A inclusão da Darck no pólo passivo da autuação, assim, se dá em razão da norma legal que prevê a solidariedade na espécie; é ela, portanto, responsável. Isso implica reconhecer mesmo que a autuação não distingue corretamente quem seria o responsável, aliás, como bem notado pelo dr. Robson, sequer há essa expressão na capa do auto,que se refere a “contribuinte” e “contribuinte solidário”. Assim, não chega a ser precisa a afirmação da DRJ de que houve erro na identificação do sujeito passivo; o que pode ser dito é que eles não foram nomeados com precisão. 13 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Nas situações clássicas de erro na sujeição passiva, que tipicamente têm como conseqüência a nulidade da autuação por vício material, indicase como sujeito passivo alguém que nem é contribuinte nem é responsável. Os casos mais comuns se dão quando há sucessão e autuase a sucedida, já não mais existente, em vez de imputarse a exação à sucessora. Enfrentamos também alguns casos envolvendo a figura da sujeição supletiva prevista para a CPMF com base no art. 128 do CTN. Mas aqui o que se tem é a menção correta às duas empresas que deveriam mesmo ser autuadas e, desde que se entenda que por “contribuinte solidário” estavase querendo dizer responsável por solidariedade, há uma inversão das empresas. Ora, a razão para a decretação da nulidade da autuação nos casos de verdadeiro erro na identificação do sujeito passivo é o flagrante cerceamento do direito de defesa, tanto do verdadeiro sujeito passivo, que não é chamado aos autos, quanto de quem nada tem a ver com a autuação e é nela incluído. É por isso que a natureza do instituto que leva à inclusão do segundo sujeito passivo faz toda a diferença. Com efeito, se ela se dá por subsidiariedade, não há dúvida que o cerceamento se mantém mesmo no simples caso de inversão de papéis, na medida em que há benefício de ordem, isso é, a lei especifica quem deve, primeiro, recolher o tributo, somente recaindo o ônus sobre o segundo em virtude do não pagamento integral por parte do outro. Tampouco é disso que se cuida no caso em discussão; tratase aqui de solidariedade. E, como sabido de todos, nesses casos não há benefício de ordem algum, podendo o sujeito Ativo exigir o tributo indistintamente de qualquer um dos envolvidos. Por esses motivos é que não vemos por que estender a drástica conclusão da nulidade da autuação à hipótese dos autos. Aqui, repitase, ambas as empresas autuadas são sim sujeitos passivos e de qualquer uma delas pode a União cobrar o débito, desde que, obviamente, se entenda ser ele de fato devido. Não há, nesses termos, cerceamento do direito de defesa de ninguém que justifique a declaração da nulidade do lançamento. Essas as considerações que nos levaram a acompanhar, apenas pelas conclusões, o voto do n. relator. Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 14 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 16707.010075/99-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.800
Decisão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteuse o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 10 07 5/ 99 -9 5 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16707.010075/9995 Resolução nº 3401000.800 S3C4T1 Fl. 470 2 Relatório Aproveito o relatório produzido em assentada anterior, considerando que os autos retornam de diligência realizada pela autoridade de primeira instância: Em 18.10.1999, foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Construtora Norte Brasil Ltda. (CNPJ 08.826.869/000100) exigindo o recolhimento de créditos tributários da COFINS no valor de R$ 151.661,64 (atualizado até 30.9.1999), composto da seguinte forma: Contribuição: R$ 53.182,42 Juros de mora: R$ 58.592,44 Multa proporcional (passível de redução): R$ 39.661,78 O lançamento referese à falta de recolhimento da COFINS relativos aos fatos geradores de janeiro/95 a dezembro/95. Em 19.11.1999, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alega, em síntese, que: a) apesar de ter pedido que tomasse ciência do inteiro teor de todos os relatórios conclusivos elaborados pela fiscalização, o fiscal não atendeu, configurandose cerceamento do direito da ampla defesa; b) o fiscal entendeu que os fatos geradores da COFINS ocorreram no mês de conclusão da obra. As receitas sujeitas à COFINS são as geradas em cada mês, tendo sido a contribuinte, por sinal, tributada nos meses de 1994, quando foram emitidas as respectivas faturas; c) a fiscalização incluiu as receitas de aluguel na base de cálculo sob o pretexto de que são receitas operacionais e por isso é devido a COFINS sobre elas. Não se questiona que são receitas operacionais, mas estas receitas não integram a Receita Operacional Bruta, uma vez que não está incluída nos objetivos da contribuinte, enquadrandose, portanto, em Outras Receitas Operacionais, não sendo devida a COFINS sobre estas receitas; d) a fiscalização não compensou a quantia de 6 DARFs, devidamente autenticados, que foram entregues; e) os valores de janeiro e fevereiro de 1995 não puderam ser compensados porque o sistema de emissão de Auto de Infração não permitia a compensação desses valores em meses posteriores. Este procedimento é inaceitável e os valores devem ser compensados; f) diante da estreita correlação entre os valores relativos ao presente Auto de Infração e os constantes do processo n° 10469.208749/9610, requer que sejam julgados de forma conjunta. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16707.010075/9995 Resolução nº 3401000.800 S3C4T1 Fl. 471 3 Em sessão de 7.2.2003, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife – PE acordou, com base em diligência da Delegacia da Receita Federal em Natal – RN, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, alterando a contribuição para R$ 31.620,85. Segundo o voto: a) a contribuinte teve oportunidade de exercer o amplo direito de defesa, tanto que apresentou impugnação sabendo exatamente o que lhe era imputado; b) as receitas de aluguéis da empresa devem ser incluídas no cálculo da COFINS, pois a sua base de cálculo, para os fatos geradores considerados, é o faturamento mensal; c) as receitas de obras por empreitadas realizadas no período de até 12 meses devem ser computadas no mês final do término da obra, como estabelecido pela Instrução Normativa nº 21/1979. Não cabe analisar no presente processo se nos outros anos não foi feita a mesma apuração, pois estão em litígio as bases de cálculos da COFINS de 1995. Em 19.3.2003, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) o pedido de diligência não foi atendido, sequer compareceu à sede da empresa o diligenciante. Deve ser anulada a decisão da DRJ – Recife, determinandose a realização da diligência requerida; b) reitera os argumentos apresentados na Impugnação. Em sessão de 15.3.2005, resolvem, por unanimidade de votos, os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, converter o julgamento em diligência, para que se apure se a contribuinte ofereceu antecipadamente à tributação as receitas de obras por empreitadas, se a receita de aluguéis é decorrente de imóveis próprios ou de terceiros e se ocorreu falta de dedução dos valores pagos. Em relatório de diligência, de 17.3.2008. é esclarecido que: a) as receitas de aluguel são referentes a locação de imóveis e equipamentos próprios; b) não constam nas planilhas apresentadas pela contribuinte, que as receitas de 1994 no valor de R$ 1.741.381,15, quando teriam ocorrido os fatos geradores e recebidas as respectivas faturas, já haviam sido tributadas; c) quanto à dedução dos valores pagos, o Processo nº 10469.208749/9610 pleiteia essas quantias, havendo no auto a compensação daqueles valores, demonstrado pela tabela 1 (fls. 15); d) quanto aos itens abordados pela empresa no Termo de Início de Diligência que não foram solicitadas pelo Conselho, nada a informar. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16707.010075/9995 Resolução nº 3401000.800 S3C4T1 Fl. 472 4 No dia 19.5.2008, a contribuinte protocolou seu pronunciamento sobre o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, no qual alega que, apesar de não ser matéria solicitada no âmbito da diligência, o fiscal deveria ter analisado as inexatidões e equívocos de lançamento apontados pela empresa. É necessário que sejam analisadas e corrigidas estas questões. É o relatório. A 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, eis que existia a necessidade de respostas conclusivas sobre as inexatidões e equívocos levantados pela contribuinte (fls. 435 a 438). Em resposta à diligência realizada, a DRJ informou que, quanto ao possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento de 09/03/95, não assiste razão ao contribuinte. Já em relação ao possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 18/05/95 e possível falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, assiste razão à contribuinte. O Termo de Encerramento de Diligência Fiscal encontrase acostado às fls. 428 e 429, não havendo informação sobre a intimação da contribuinte acerca do resultado da diligência. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado é tempestivo, e presente estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE Como é cediço, o contraditório e a ampla defesa em nosso ordenamento jurídico tratase de uma cláusula pétrea, disposta no art. 5º, LV da Constituição Federal..Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 20a. edição, Atlas, p. 367) esclarece em breves linhas sobre tais princípios, mostrando que: "O princípio do contraditório, que é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dandoselhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. Exige: 1 notificação dos atos processuais à parte interessada; 2 possibilidade de exame das provas constantes do processo; 3 direito de assistir à inquirição de testemunhas; 4 direito de apresentar defesa escrita" Ora, o contraditório e a ampla defesa não se constituem em meras manifestações das partes em processos judiciais e administrativos, mas, e principalmente uma pretensão à tutela jurídica. Inserese nesta tutela, assim como visto na doutrina alemã a Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16707.010075/9995 Resolução nº 3401000.800 S3C4T1 Fl. 473 5 pretensão à tutela jurídica, os direitos de informação, de manifestação, o direito em ver seus argumentos devidamente apreciados e o direito de produzir provas. O Ministro Gilmar Ferreira Mendes, em sua renomada obra de Direito Constitucional, explica que “sob a Constituição de 1988, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que os princípios do contraditório e da ampla defesa são assegurados nos processos administrativos, tanto em tema de punições disciplinares como de restrição de direitos em geral.” O contraditório é um dos princípios mais antigos e está intrínseco na própria concepção de direito. As pretensões às tutelas jurídicas inerentes à defesa em esfera administrativa mostram seu caráter ainda mais essencial quando vislumbrado os processos administrativos fiscais. Apesar dos princípios do contraditório e da ampla defesa terem um maior fomento na esfera judicial, processos penais e até mesmo no que tangem os inquéritos policiais (ainda que este último seja cercado de intermináveis discussões doutrinárias e jurisprudenciais não pertinentes à nossa pesquisa), é certo que em se tratando de dívidas tributárias os efeitos causados pela não observância dos citados princípios são extremamente danosos ao devedor. Com efeito, a garantia da ampla defesa é intimamente ligada ao contraditório, sendo quase simbiótica tal relação. Tal garantia, tratase da oportunidade de contestar as acusações imputadas, tendo como origem o direito angloamericano com o due processo of Law e incorporado em nossa Carta Magna pelo já citado artigo 5, LV, onde expressamente se incluí os processos administrativos. Destarte, não paira dúvida que cabe a este Conselhos zelar pelo respeito aos basilares princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Dito isso, analiso a questão dos autos. Ora, a não intimação da contribuinte do resultado da diligência realizada pode macular o presente feito, trazendo prejuízos á própria credibilidade do processo administrativo fiscal, razão pela qual a intimação da contribuinte é condição sine qua non para que seja preservado o devido processo legal. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que seja a contribuinte devidamente intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência apurada, sob pena de desrespeito aos basilares princípios da ampla defesa e do contraditório. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10882.901802/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.739
Decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteuse o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 80 2/ 20 08 -7 0 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 182 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que julgou improcedente a homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 30645.12875.310304.1.3.044594, em virtude do alegado direito de crédito encontrarse integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade a contribuinte salientou que efetuou recolhimento em valor maior que o devido e aproveitou o indébito para compensação com outros tributos administrados pela RFB, porém, de fato, não providenciou a retificação da DCTF, mas que a DIPJ apresentada refletiria o valor efetivamente devido, o que, em nome da verdade material, deveria ser considerado no exame da questão. Na oportunidade foram juntadas ao processo cópias do DARF, DCTF, PERDCOMP, DACON e DIPJ. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que, para homologação da compensação declarada, fazse necessária a demonstração da liquidez e certeza do direito de crédito vindicado. Em recurso voluntário o contribuinte reafirma que a DCTF está incorreta, sendo que o valor efetivamente devido está perfeitamente indicado na DIPJ e no DACON, asseverando que tais declarações nunca foram questionadas pelas autoridades administrativas, pelo que, estariam homologadas pela Administração Tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O ponto fulcral a ser enfrentado por este colegiado reside exclusivamente na possibilidade de se admitir o reconhecimento de indébito tributário a partir de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, não havendo discussões acerca de nulidade de ato administrativo ou cerceamento de defesa, como é comum nestas situações. No caso vertente, o contribuinte não trouxe cópia de documentos contábeis que pudessem confirmar o acerto de suas declarações, cuja exatidão baseiase tão somente em sua afirmação em sede recursal. É certo que as declarações prestadas pelo contribuinte gozam de presunção de idoneidade e veracidade, porém, dita presunção não é absoluta, mas relativa, de maneira que havendo incongruência entre os dados delas constantes, apontados pelo próprio contribuinte, caberia a demonstração, a partir de elementos contábeis, de qual destas informações é a verídica. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 10882.901802/200870 Resolução nº 3401000.739 S3C4T1 Fl. 183 3 O próprio contribuinte reconhece que há uma discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON. Neste passo, não há como afirmar que a DIPJ e a DACON deveriam prevalecer sobre a DCTF, eis que não há esta “hierarquia” entre as declarações prestadas pelo sujeito passivo à RFB, mas sim uma natureza específica a cada uma, cumprindo a esta última o status de instrumento de confissão de dívida e às primeiras a função meramente informativa da apuração do tributo. Outrossim, não procede a afirmação que os dados indicados nas DACON/DIPJ estariam homologados por ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais, aliado ao decurso do prazo, o que as tornaria suficiente para comprovação do crédito vindicado. O instituto da homologação em matéria tributária, mormente a modalidade tácita, por representar a aquiescência da autoridade administrativa em relação a procedimentos adotados pelo sujeito passivo ou terceiros submetidos à legislação específica, exige previsão legal para sua ocorrência, não sendo decorrência natural dos atos administrativos ou simplesmente abstraída por presunção. Assim, por exemplo, sua incidência nas hipóteses previstas no art. 150 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Tocante à homologação de informações prestadas em declarações à RFB, desconheço a existência de previsão legal que a ampare, de maneira que, enquanto não extinto o direito de exigir o crédito tributário, as autoridades administrativas podem sim desprezálas e, no caso deste autos, o despacho decisório de não homologação da compensação foi expedido no prazo legal. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações –, tenho que apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe confere expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação para contraposição às declarações para checagem do que é realmente devido. Ou seja, a questão diz respeito a prova ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório, isto é, a quem caberia fazer a prova do direito em jogo. O contribuinte, na primeira oportunidade em que se manifestou, pugnou pela observância da verdade material, porém, há de se ter em conta, inicialmente, a quem competiria demonstrar o direito vindicado, o que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição sua. Destarte, consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constituvio de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 10882.901802/200870 Resolução nº 3401000.739 S3C4T1 Fl. 184 4 Nestes autos, a incumbência da prova então caberia ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a remissão às declarações, justamente porque as informações são díspares. Aliás, esta observação foi pontualmente feita pela decisão de primeira instância, porém, ainda assim o recorrente não atentou para o ponto. Pelo exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA O julgador ao prolatar suas decisões deve atentarse para a função social do processo administrativo, para que ele não se torne apenas um “amontoado de papeis”, que não reflete a verdade real dos fatos. É pacífico o entendimento que a verdade material ou real é princípio que informa o processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. O abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” Sendo assim, tendo em vista que as declarações juntadas pela contribuinte apresentam discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON, é imperioso que os documentos sejam explicados, sob pena de se prolatar uma decisão socialmente ilegítima. CONCLUSÃO Observando a função social do processo, à luz do princípio da verdade material ou real, baixemse os autos à origem, com a finalidade de que sejam refeitos os cálculos e retificadas as informações. Depois de cumprida a diligência, abrase vista à contribuinte, em honra aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000166/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Cláudio Monroe Massetti, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Cláudio Monroe Massetti, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Cláudio Monroe Massetti, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 16 6/ 20 06 -2 9 Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 6 ___________ RELATÓRIO O contribuinte pediu o ressarcimento do crédito presumido a que julga ter direito, relativo ao período em destaque. Tendo transmitido o pedido em 20/12/2004 ingressou com o Mandado de Segurança n°2006.61.00.0211129, no qual obteve liminar para que a análise de seu pedido fosse concluída em 30 dias. Assim, o processo foi encaminhado para a fiscalização, tendo sido cientificado em 27/12/2006 do competente MPF e da intimação para apresentar os documentos necessários para a analise do pleito (fl. 255/257) em 10 dias, sendo que, em 17/01/2007, o contribuinte solicitou uma prorrogação de mais 30 dias. Nessa mesma data foi realizada uma audiência entre a MM Juíza Federal Substituta da 93 Vara Cível de São Paulo e o processo foi reencaminhado para a auditoria, contudo, passados cinco meses desde a primeira intimação fiscal, o interessado ainda pediu prorrogação por mais dez dias, o que foi negado, tanto pelo tempo decorrido, como para cumprimento da decisão liminar. Conseqüentemente, por falta de comprovação do direito creditório, o Despacho Decisório de fls. 32/36 indeferiu o pedido. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, basicamente, que desde a data da pedido todos os documentos necessários estavam prontos para análise do Fisco e, apenas se aguardava a diligência do auditor fiscal , nos termos dos artigos: 196 do CTN, 436 do RIPI/2002 e 4° da IN SRF n° 600/2005. Para demonstrar sua boafé, juntou "todos os documentos necessários" para a análise do pleito. Encerrou requerendo a alteração da decisão que indeferiu o pedido. Em 28/08/2008 esta DRJ foi intimada pelo Poder Judiciário, em sede de liminar concedida no MS n° 2008.61.02.009499 para que o presente processo fosse julgado em cinco dias, à revelia da Portaria SRF n° 6.182/2005, que, em respeito ao princípio da impessoalidade, determina a ordem a ser seguida na distribuição e julgamento dos processos. Assim, em estrito cumprimento da determinação judicial, o processo foi julgado. A DRJ decidiu em síntese: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2000 a Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000166/200629 Resolução nº 3401000.819 S3C4T1 Fl. 7 3 30/06/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida”. O Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos acima. VOTO O Recurso é tempestivo e segue os requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Não obstante o contribuinte somente ter trazido aos autos a referida documentação somente na Manifestação de Inconformidade necessário se faz analisála e acolhêla, em observância aos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. Esse é o entendimento deste conselho, já expressado inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe dos arestos abaixo: PROCESSOADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o principio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3'. Câmara 1°. C.C.). Recurso negado. (CSRF, Processo n.°. :10320.001705/9835, Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000166/200629 Resolução nº 3401000.819 S3C4T1 Fl. 8 4 Recurso n.°. : 301120.475, Sessão de : 09 de novembro de 2004, Acórdão n.°. : CSRF/0304.194) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano calendário: 2000, 2001, 2003 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, ,sç 4°, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. [..](Sexta Câmara do Primeiro Conselho — Recurso n°148651, Sessão de 22101/2008) No mesmo sentido: Recurso n. 149.285, Acórdão 240100.135 4a Câmara/1a Turma Ordinária, 06 de maio de 2009 e Recurso 165.731, Acórdão 220200.417 2a Câmara/2a Turma Ordinária, 04 de fevereiro de 2010. Em razão ao princípio da verdade material e devido ao fato de toda a documentação ter sido juntada na Manifestação de Inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que se apure o crédito levandose em conta a documentação juntada. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Angela Sartori Relator Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005870/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-004.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes votado pelas conclusões, por carência probatória, admitindo as provas constantes do processo; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes votado pelas conclusões, por carência probatória, admitindo as provas constantes do processo; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 58 70 /2 01 0- 88 Fl. 2553DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 19647.005870/201088, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de (a) imposto de importação multa por infração administrativa ao controle das importações (R$ 875.349,81); (b) IPIimportação (R$ R$ 17.506,99), acrescido de juros de mora (R$ 10.828,03), multa de ofício de 150% (R$ 26.260,49) e multa sobre o valor comercial (R$ 5.075,383,02); (c) COFINSimportação (R$ 91.774,71), acrescida de juros de mora (R$ 57.497.20), e multa de ofício de 150% (R$ 137.662,07); e (d) Contribuição para o PIS/PASEPimportação (R$ 19.924,78), acrescida de juros de mora (R$ 12.482,93), e multa de ofício de 150% (R$ 29.887,17), totalizando o crédito tributário no valor histórico de R$ 6.354.557,19. 2. Segundo se depreende da leitura dos documentos juntados a estes autos administrativos, a autuação tem como origem procedimento fiscalizatório realizado com a finalidade de apurar a prática de fraudes no comércio exterior cometidas pela empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., doravante denominada simplesmente "CIL" em conluio com a empresa OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., doravante denominada simplesmente "OPUS TRADING", com base em indícios colhidos na Operação Dilúvio conduzida em conjunto pela Polícia Federal e pela Receita Federal. 3. Constaram, ainda, como sujeitos passivos indicados na autuação, além da CIL e da OPUS TRADING: MARCO ANTONIO MANSUR; MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO; ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES; e ALESSANDRA SALEWSKI, que, ao lado da empresa CIL, apresentaram impugnação. A empresa OPUS TRADING não apresentou impugnação. 4. Em 27/01/2012, a 6ª Turma da Delegacia Recional de Julgamento em Recife (PE) determinou a realização de diligência no intuito de que fossem anexados aos autos documentos comprobatórios da regular apreensão e compartilhamento, pelo Ministério Público Federal, dos elementos de prova decorrentes da chamada operação dilúvio. 5. Em 10/04/2012, a autoridade fiscal prestou as informações determinadas e juntou documentos. A empresa CIL e ALESSANDRA SALEWSKI se manifestaram no sentido da necessidade de decretação da nulidade do processo. Diante das informações prestadas e das manifestações dos sujeitos passivos, a 6ª Turma da DRJRecife/PE determinou a realização de nova diligência, desta vez com a finalidade de que "(...) a autoridade fiscal procedesse à separação das provas que teriam sido contaminadas, por derivação, pela nulidade das escutas telefônicas, apontando, por conseguinte, os elementos de prova que entendia idôneos", o que foi feito, conforme relatório de diligência fiscal situado às fls. 1555 a 1558. 6. A 6ª Turma da DRJRecife/PE proferiu o Acórdão DRJ nº 1149068, em sessão de 23/01/2015, julgando parcialmente procedente as impugnações para (i) manter o crédito tributário correspondente ao lançamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as operações de importação 05/03275335, 05/03923006 e 05/04903211, no montante de R$ Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.554 3 129.206,48, ao qual devem ser acrescidos juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%; e (ii) afastar do pólo passivo da obrigação tributária as pessoas físicas ALESSANDRA SALEWSKI, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES e MARCO ANTÔNIO MANSUR, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 NULIDADE DAS PROVAS. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA EM RELAÇÃO À JUDICIAL. TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. MITIGAÇÃO. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE. A nulidade de determinada prova na via judicial não se estende automaticamente ao processo administrativo. Compete à autoridade administrativa responsável pela utilização da prova compartilhada, certificarse acerca dos efeitos de eventual anulação sobre processo administrativo. A Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, segundo a qual as provas derivadas de prova nula seriam igualmente contaminadas pelo mesmo vício, não é absoluta, admitindo mitigação. A Teoria da Descoberta Inevitável admite a validade de provas que, embora derivadas de provas ilícitas, seriam inevitavelmente produzidas, seguindo os trâmites típicos e de praxe do procedimento investigatório. Por outro lado, a Teoria da Fonte Independente admite uso de provas que, embora derivadas de provas declaradas nulas, poderiam ser licitamente obtidas por fonte independente. O Código do Processo Penal brasileiro, admite expressamente o uso das provas derivadas de provas nulas, quanto puderem ser obtidas por fonte independente, assim consideradas aquelas que, seguindo os trâmites típicos e de praxe do procedimento investigatório chegariam a tais provas. No caso concreto, são nulas as provas produzidas por escuta telefônica e telemática, a partir do 60º dia de seu início, sendo hígidas as provas decorrentes de apreensões realizadas sobre os estabelecimentos comerciais das empresas investigadas e suas parceiras comerciais. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. EXCLUSÃO. Ante a ausência de elementos hábeis a demonstrar a conduta das pessoas Fl. 2555DF CARF MF 4 físicas autuadas, ou seu vínculo com as infrações praticadas, cabe afastálas do pólo passivo da obrigação tributária. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de perícia que não especifique as razões para sua realização, aponte perito e, ainda, formule quesitos a serem respondidos. Por outro lado, deve ser rejeitada a solicitação de perícia prescindível, quando os autos dispõem dos elementos necessários ao julgamento da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. PRESENÇA DE DOLO. INÍCIO DA FLUÊNCIA DO PRAZO DECADENCIAL NO PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. No caso de lançamento de impostos e contribuições, restando caracterizado dolo ou simulação, a fluência do prazo decadencial de cinco anos iniciase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os impostos e contribuições poderiam ser lançados. DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADES NA IMPORTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. INÍCIO DA FLUÊNCIA NA DATA DA INFRAÇÃO. No caso de lançamento das penalidades administrativas incidentes sobre a importação, a contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciase na data de ocorrência da infração, conforme disposição expressa do Dl 37/66, reproduzida no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/02/2005, 16/03/2005, 21/03/2005 IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOBRE A IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MEDIANTE ARBITRAMENTO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constada a inidoneidade dos documentos que instruíram o despacho de importação e, verificado que o valor aduaneiro fora dolosamente reduzido, cabe o lançamento da diferença dos impostos e contribuições incidentes. Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.555 5 Nesse caso, caracterizada a fraude, a base de cálculo dos impostos e contribuições deve ser apurada mediante arbitramento, afastandose a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira. Sobre a diferença de impostos e contribuições incide a multa de ofício qualificada de 150%. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ENTREGUE A CONSUMO. APLICAÇÃO DE MULTA CORRESPONDENTE A 100% DO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. ERRO DE CAPITULAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta na importação, e tendo sido as mercadorias importadas entregues a consumo, cabe aplicar a multa correspondente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 7. Foi dirigido recurso de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei n.º 9.532/97, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008. 8. Em 31/03/2015, foi interposto recurso voluntário pelo responsável solidário MARCO MANSUR FILHO, no qual se alegou, em síntese: (i) inexistência de pressuposto para a aplicação da responsabilidade solidária, em virtude de não se tratar de representante comercial das empresas estrangeiras, não havendo ordens de compras ou outros documentos fiscais em seu nome não sendo adquirente nem encomendante da mercadoria, inexistiria interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, exigências do art. 124 CTN e do art. 32 do DecretoLei º 37/1966; (ii) nulidade do acórdão recorrido por aproveitar provas decorrentes de apreensões realizadas sobre os estabelecimentos comerciais das empresas investigadas e suas parceiras comerciais, uma vez que a decisão partiu da premissa que os elementos probatórios relacionados seriam produzidos em qualquer procedimentos fiscal, independentemente da existência de escuta telefônica; (iii) a necessidade de considerar o dies a quo, para fins de contagem do prazo decadencial, a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez que não houve dolo, fraude ou simulação; (iv) cerceamento de defesa, em afronta ao inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e aos incisos LIV e LV da Constituição Federal, decorrente do indeferimento indevido de prova pericial contábil para se demonstrar a incompatibilidade entre o valor apontado nas declarações de importação objeto do auto de infração e os valores lançados no memorial de cálculos, o que implica nulidade da decisão recorrida; (v) caráter confiscatório e desproporcional da multa de 150%, em desacordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; (vi) contradição entre o fundamento da decisão, que entendeu serem indevidas a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, acobertada pelo manto decadencial e a multa de 100% entre o preço praticado e preço declarado (art. 88 da medida Provisória nº Fl. 2557DF CARF MF 6 2.15835) e a ementa do acórdão, que manteve a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. 9. Em 09/04/2015, foi interposto recurso voluntário por CIL, no qual se alegou, em síntese: (i) nulidade do acórdão recorrido por utilizar provas declaradas nulas pelo Poder Judiciário; (ii) nulidade do auto de infração, que não indicou todos os sujeitos passivos, tendo faltado a indicação das empresas CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., e INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.; (iii) decadência, que deve começar a ser contada a partir do registro da DI; (iv) impossibilidade da aplicação cumulativa da multa igual ao valor da mercadoria (art. 704 RA); (iv) a base de cálculo da multa do inciso I do art. 83 da Lei nº 4.502/64 (art. 704 RA) deve ser o preço pago pelas mercadorias importadas, sem a inclusão dos custos de transporte (frete) e seguro, não se confundindo com o valor aduaneiro; (v) a necessidade de se rejeitar o método do arbitramento utilizado pela autoridade fiscal, uma vez que não foi demonstrado o subfaturamento dos preços das mercadorias importadas pela MERCOTEX; (vi) a necessidade de se afastarem tanto as multas como a representação para fins penais em virtude da ausência de dolo, fraude ou simulação. 10. Em 31/03/2015, foram apresentadas contrarazões ao recurso de ofício por ALESSANDRA SALEWSKI, que repetem as razões trazidas pelo recurso voluntário interposto por MARCO MANSUR FILHO. 11. Em 14/04/2015, foram apresentadas contrarazões ao recurso de ofício por MARCO ANTONIO MANSUR, que repetem as razões trazidas pelo recurso voluntário interposto por MARCO MANSUR FILHO. 12. Não se localizou, no eprocesso, recurso voluntário interposto pelo responsável solidário OPUS TRADING. Cabe observar, todavia, a existência de retorno de aviso de recebimento negativo, situado às fls. 2.176 a 2.177, enviado ao endereço da "Av. São Paulo Aspen Park Trade, 172 Sls 507/509/513/515 Zona 1 Maringá/PR CEP 87013 040" com o aviso manuscrito "fechou" 13. No espaço destinado a anotações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) consta a informação "Mudouse": Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.556 7 14. Em 08/04/2015, foi afixado o Edital de Intimação nº 19/2015, com data de desafixação de 23/04/2015, situado à fl. 2.179, por meio do qual, nos termos do inciso II do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, em virtude de se encontrar em local incerto e ignorado, tendo se mostrado improfícua a tentativa de intimação anterior, cientificouse o responsável solidário OPUS TRADING da Intimação nº 40/2015. 15. Não obstante as informações acima, consta aviso de recebimento positivo, situado à fl. 2.185, dirigido à OPUS TRADING, no mesmo endereço do aviso postal anterior ("Av. São Paulo Aspen Park Trade, 172 Sls 507/509/513/515 Zona 1 Maringá/PR CEP 87013040"), com data de 31/03/2015: 16. Em 16/04/2015, a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA. apresentou recurso voluntário "(...) tão somente porque foi intimada para tanto na condição de interessada (intimação nº 36/2015)". Esclarece, ainda, preliminarmente, que: "(...) a recorrente está, por cautela, manifestando seu recurso voluntário tão somente porque foi intimada para Fl. 2559DF CARF MF 8 tanto na condição de interessada (intimação 36/2015). Isto porque a empresa importadora das DIs citadas no acórdão foi a empresa OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. e não a recorrente e, logo, não tem esta nenhuma relação com os fatos narrados no acórdão, não foi intimada para apresentação de impugnação e nunca teve acesso aos autos administrativos deste PAF, o que desde já deixa claro sua falta de condições de recorrer, em flagrante nulidade por cerceamento de defesa e violação da ampla defesa e do contraditório (do devido processo legal, em suma" (seleção e grifos nossos). 17. O processo foi distribuído a esta relatoria que, ao compulsar os autos para elaboração de competente relatório e voto, constatou a ausência do "Volume 1", no qual presumivelmente se encontram tanto o auto de infração como o respectivo termo de verificação fiscal, em conformidade com a figura abaixo, recortada do eprocesso: 18. Diante da ausência de documentos imprescindíveis para a apreciação do caso, pronunciamonos, por meio do Despacho Saneador s/n de 13/02/2017, situado às fls. 2341 a 2344, para que fossem os autos remetidos novamente para a unidade local, para fins de localização e importação do volume e eventuais documentos faltantes, a fim de que fossem disponibilizados no eprocesso. 19. Após ter a unidade cumprido a contento a determinação monocrática, conforme documentos situados às fls. 2348 a 2548, os autos foram devolvidos para este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.557 9 20. Os recursos voluntários e o recurso de ofício preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 21. Trata a acusação fiscal, em síntese, de conluio entre o importador ("OPUS") com o real adquirente ("CIL") para submeter a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Restaria comprovada a conduta dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal mediante alteração indevida para menor da base de cálculo dos tributos aduaneiros nas operações registradas sob as DI no 05/03275330, 05/03923006, e 05/04903211, que culminaram com o lançamento de ofício das diferenças relativas ao IPI Importação, COFINSImportação, e Contribuição para o PIS/PASEPImportação, acrescidas de multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. As mesas operações de importação, não obstante, foram objeto de lançamento da multa correspondente à 100% da diferença entre o preço praticado e o declarado, capitulada no art. 88, parágrafo único da MP 2.15835. 22. Destaca a autoridade fiscal que os produtos importados irregular e fraudulentamente foram entregues à "CIL", real adquirente das importações, que permanecia oculta durante as transações. Esta, por sua vez, efetuou o consumo ou a entrega para tal das mercadorias que sabia serem importadas irregularmente, pois participou de toda a simulação praticada desde o inicio, o que ensejou a aplicação da multa de 100% do valor comercial da mercadoria, capitulada no art. 704 do Decreto 6.759/09. Cabe destacar, do relatório de fiscalização, o seguinte trecho: "(a) a investigação realizada pela Receita Federal (RF), em conjunto com a Policia Federal (PF), tem por foco uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, denominada na operação de “Grupo MAM”, e que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, e resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos “produtos dos crimes” realizados; (b) os procedimentos de investigação da OPERAÇÃO DILÚVIO tiveram seu inicio em 2005 e culminaram com a deflagração da parte ostensiva da operação em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, nos quais foram localizados e apreendidos documentos/arquivos magnéticos comprobatórios das fraudes praticadas, com autorização judicial (a maioria dos documentos e arquivos foram apreendidos em 16/08/2006 pela PF, em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão MBA emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR); (c) o Grupo MAM consiste em um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam de forma dissimulada como importadores ou como distribuidores de mercadorias Fl. 2561DF CARF MF 10 importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais interessados pelas operações (estes sim, reais adquirentes que compravam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como tal, tampouco como importadores, perante os controles administrativos e aduaneiros); (d) os controladores desta organização, ou seja, MARCO ANTÔNIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (TONY), e ALESSANDRA SALEWSKI, e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, tais como: a forma de embarque das mercadorias; como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles mesmos que os emitiam); como seria elaborada a Declaração de Importação; como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizadas no fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do cliente, proporcionando amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização; (e) na figura a seguir (fl. 44) se demonstra graficamente o esquema fraudulento: 23. Este colegiado já enfrentou, em diversas oportunidades, a acusação fiscal em apreço, referente a este mesmo grupo de empresas, em que se discute a validade do repertório probante originário da chamada "Operação Dilúvio", acima referenciada, tendo sido o caso mais recente aquele tratado no Acórdão CARF nº 3401004.427, em sessão de 20/03/2018, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl, que restou vencido, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O processo administrativo em referência se refere unicamente a período de apuração distinto do presente, versando sobre fatos ocorridos entre 30/09/2004 a 03/01/2005. Ao se cotejarem as provas produzidas naqueles autos com aquelas que instruem o presente, verificase não apenas similaridade, mas vera identidade, o que nos permite deduzir, com a necessária segurança Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.558 11 jurídica, que a resposta dada pela unidade em cumprimento de diligência determinada por este Conselho no sentido de que aquele auto de infração tem por base unicamente documentos que foram apreendidos por ocasião dos procedimentos de busca e apreensão, no contexto da “Operação Dilúvio”, pode ser estendida ao presente caso. 24. Observase que tal percurso argumentativo sequer se faz necessário, pois é possível se alcançarem idênticas conclusões por meio de diligência realizada no seio do presente processo, determinada já pela jurisdição de primeiro piso, cuja descrição, por sua fidelidade aos fatos, merece transcrição: Distribuídos os autos, esta relatora propôs, em 27 de janeiro de 2012, conforme despacho anexado às fls. 1.128 e 1.129, a realização de diligência no intuito de que fossem anexados aos autos documentos comprobatórios da regular apreensão e compartilhamento, pelo Ministério Público Federal, dos elementos de prova decorrentes da chamada "Operação DILÚVIO". Em 10 de abril de 2012, a autoridade fiscal informa, no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.193 e 1.194, a conclusão do procedimento, tendo sido anexados aos autos os documentos de fls. 1.130 a 1.190. Cientificados de tal procedimento, comparecem ao processo os sujeitos passivos CIL (fls. 1.210 a , 1.225), ALESSANDRA SALEWSKI (fLS. 1.257 a 1.574) A empresa CIL alega, inicialmente, que a juntada posterior dos documentos não teria o condão de sanar a nulidade do processo, posto que o auto de infração deveria ter sido instruído, desde o início com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova; que o próprio Ministério Público entendera que os MBAs procedidos no âmbito da Operação Dilúvio teriam derivado das escutas telefônicas anuladas pelo STJ, sendo igualmente nulas as provas obtidas durante sua execução; requer eu o AI seja julgado improcedente. Por sua vez, alega ALESSANDRA SALEWSKI que a nulidade das provas no âmbito do IPL no 2006.00.0224356, deveria ser refletida nos julgamentos administrativos, conforme reconhecera decisão proferia pela 5a. Turma da DRJ/Recife, nos autos do processo administrativo no 19647.003715/201027. Ante à relevância dos fatos novos relacionados ao IPL no 2006.00.0224356, particularmente a manifestação do Ministério Público Federal, e, por outro lado, tendo em vista a independência entre as esferas administrativa e judicial, esta relatora requereu novamente que fosse procedida diligência, para que a autoridade fiscal procedesse à separação das provas que teriam sido contaminadas, por derivação, pela nulidade das escutas Fl. 2563DF CARF MF 12 telefônicas, apontando, por conseguinte, os elementos de prova que entendia idôneos. Concluída o procedimento foi anexado aos autos Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.555 a 1.558, contra o qual apresentaram manifestaramse os sujeitos passivos MARCO ANTÔNIO MANSUR (fls. 1602 a 1.829), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (fls. 1.849 a 1.898) e a empresa CIL. O Sr. MARCO ANTÔNIO MANSUR alega, essencialmente, que não se poderiam considerar lícitas as provas passíveis de serem obtidas em qualquer procedimento fiscal, posto que a Receita Federal não o fizera de fato, acrescentando que, no caso dos autos, os documentos colacionados nada mais são do que cópias de documentos ilicitamente apreendidos; argumenta ainda que seria impossível segregar as provas contaminadas pela nulidade, posto que as conclusões do Ministério Público e os emails decorrentes de interceptação telemática teriam permeado toda a acusação fiscal. Na mesma linha, alega ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES que não haveria no caso fonte independente, a maior parte dos elementos probatórios decorreu de uma única fonte, que fora anulada, sendo os dados coletados nos sistemas na RFB insuficientes para sustentar o lançamento. Na mesma linha, argumenta a empresa CIL, alegando que todas as provas seriam nulas, por derivação, nos termos da teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, sendo inexistentes, no caso em tela, fontes independentes. 25. Em nosso entendimento, ainda que o ordenamento brasileiro não seja minimamente compatível com a concepção de descoberta inevitável, é igualmente possível se passar ao largo da ideia de "frutos envenenados da árvore envenenada" ao se ter em conta que as provas produzidas no curso da Operação Dilúvio não têm mais o condão de ofertar suporte fático a decisões autênticas, do qual é espécie o lançamento em disputa, mas podem ser consideradas indícios aptos a dar início a um procedimento fiscal, pois noticia contexto que indica a potencial supressão ou falta de recolhimento de tributos. Sua natureza indiciária, no entanto, deve ser abstraída no momento da justificativa da decisão que sustenta a incidência. Assim, apenas se a coleção de provas novas, produzidas no curso do novel procedimento, for suficiente para demonstrar a ocorrência do fato gerador e seus sucedâneos e consectários legais é que deverá ser mantido o auto de infração. 26. O relatório de diligência fiscal porta consigo considerações da unidade a respeito de teorias que deram conta dos efeitos da declaração de nulidade das provas no Direito, mas o que há de relevante é a informação de que a totalidade dos documentos referenciados no relatório de auditoria utilizados para formalização do lançamento foram apreendidos, mediante busca e apreensão, no contexto da chamada “Operação Dilúvio”, ainda que vários deles pudessem, como faz questão de ressaltar a unidade, já prevendo a Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.559 13 conseqüência desta informação a depender do compromisso do julgador com uma ou outra teoria, ser obtidos de outra forma. Diante da impossibilidade do acolhimento da "teoria inevitável", que alberga os fins e cega aos meios, ainda que afrontem direitos e garantias fundamentais, extravazando a não mais poder o poder fiscalizatório, o que se percebe é que, excluídas as provas nulas, nada resta a dar apoio ao lançamento, que, derruído em seu suporte fático, padece de carência probatória. 27. Assim, voto por dar provimento integral aos recursos voluntários interpostos, em virtude de carência probatória, bem como por conhecer e negar, por conseqüência, provimento ao recurso de ofício, restando, desta forma, prejudicados os demais pedidos e argumentos formulados, incluindose aquele referente à decadência. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 2565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901912/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 12 /2 00 8- 18 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.644, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000449/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002
JUROS DE MORA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-004.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a incidência de juros de mora, com fundamento na Súmula CARF n. 5.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a incidência de juros de mora, com fundamento na Súmula CARF n. 5. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 49 /2 00 6- 36 Fl. 525DF CARF MF 2 1. Adoto, como relatório, por fiel aos fatos, aquele elaborado pelo julgador de primeiro piso: Tratase de auto de infração de PIS e de Cofins, fls. 208/213 e 230/236 respectivamente, lavrado contra a empresa qualificada em epígrafe para prevenir os direitos da Fazenda Nacional contra a decadência, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre os meses 01/2001 a 06/2002, com exigibilidade suspensa por força dos depósitos judiciais autorizados no âmbito da Ação Cautelar n° 2002.51.01.018666 4 (fls 46 a 51), vinculada à Ação Ordinária n° 2002.51.01.0220532 (fls. 52 a 90), impetradas junto à 16a Vara Federal no Rio de Janeiro, nas quais a interessada questiona a legalidade do recolhimento do PIS e da Cofins nos moldes estabelecidos pela IN/SRF n° 170/2002. Exigese, para o PIS, principal de R$ 25.595,24, que acrescido de juros de mora perfaz R$ 46.594,65 e, no caso da Cofins, contribuição de R$ 278.463,51, totalizando, com os juros moratórios, R$ 522.255,66. Integra o auto de infração o "Termo de Verificação Fiscal" de folhas 191 a 206. Neste, no item 4 (fls. 192 a 199) foi exposta a legislação da Cofins e do PIS aplicável as entidades fechadas de previdência complementar. Consta ainda, no item 5 um relatório da auditoria efetuada, no qual a autoridade fiscal informa que a autuada, em resposta a solicitação de apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins nos termos da IN SRF n° 170/2002, forneceu as planilhas de folhas 111 e 161 a 163 além dos comprovantes de recolhimentos e depósitos judiciais efetuados, os quais foram confirmados no sistema SINAL da SRF. Confrontando as informações fornecidas nas planilhas com os balancetes da empresa, constatou o fiscal que foram excluídas, nas planilhas de apuração da base de cálculo, os ressarcimentos do Fundo de Saúde e Convênios, durante o período de janeiro de 2001 a novembro de 2002. A esse respeito, informou o contribuinte ao fisco que as diferenças apuradas foram recolhidas em 28/11/2003, sem acréscimo multa e juros, sob alegação de denúncia espontânea. Foram apuradas diferenças entre os valores devidos e os declarados p lo contribuinte, como se depreende da análise das planilhas is fls. 207 e 229. Por outro lado, verificouse a existência de depósitos judiciais suficientes para cobrir parte dos débitos não declarados. Esta parcela, correspondente aos valores não declarados, mas cobertos pelos depósitos judiciais foi objeto de lançamento com exigibilidade suspensa formalizado no presente processo. Cientificado da autuação em 21/12/2006 a interessada, inconformada, apresentou em 22/01/2007 as impugnações de folhas 258 a 273 e 321 a 335 nas quais alega, em síntese que: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 19740.000449/200636 Acórdão n.º 3401004.487 S3C4T1 Fl. 526 3 Repudia a forma como foi erigido o lançamento, uma vez que não há demonstração, de forma clara, da origem dos valores lançados; Que o fiscal, apesar de reconhecer a existência de depósitos judiciais, desconsiderouos na apuração dos valores devidos; Que houve dedução e duplicidade dos valores referentes aos ressarcimentos de convênios e referentes ao PIS folha; As folhas 263 e 326 efetuou apuração do PIS e da Cofins, respectivamente, na qual demonstra não existirem valores a lançar. Por fim, alega ser inconstitucional a utilização da taxa SELIC e solicita cancelamento do auto lavrado. É o relatório. 2. Em 22/09/2011, a 4ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1337.360, situado às fls. 399 a 401, de relatoria do AuditorFiscal Carlos Henrique Gomes, entendeu, por unanimidade de votos, ser a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002 EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO 0 lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de oficio do agente do Fisco. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PISTASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002 EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO 0 lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de oficio do agente do Fisco. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Fl. 527DF CARF MF 4 3. Intimada por meio de envio postal em 18/06/2012, conforme aviso de recebimento de fl. 454, a contribuinte apresentou, em 05/07/2012, recurso voluntário, situado às fls. 457 a 474, em cujas razões reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. Reproduzo, abaixo, as razões utilizadas pela decisão a quo para decidir pela manutenção do auto de infração lavrado, julgando improcedente a impugnação: Quanto à questão suscitada relativa à possibilidade do lançamento ante a existência de depósitos judiciais calculados sobre a parcela das receitas questionadas por meio da ação judicial n° 2002.51.01.0220532 (fls. 52 a 90), agiu corretamente a autoridade autuante ao fazêlo. A finalidade do referido procedimento é a mera constituição do crédito via lançamento, de forma a salvaguardar os direitos da Fazenda Publica contra uma possível decadência do direito de lançar. Isso em face de a matéria estar sendo discutida na Justiça. Como o crédito está suspenso, por força dos depósitos judiciais efetuados (art. 151, CTN), constituiuse o crédito, mas não há imposição de multa de oficio. Tal procedimento tem supedâneo legal definido no artigo art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, que assim dispunha, a época da ocorrência do fato gerador e também do lançamento: "Art. 63. Não caberá lançamento da multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV ou V do artigo 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966." Fl. 528DF CARF MF Processo nº 19740.000449/200636 Acórdão n.º 3401004.487 S3C4T1 Fl. 527 5 Posicionamento nesse sentido é claramente encontrado no Parecer PGFN/CRJN n° 1.064, de 1993, que assim dispõe: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do artigo 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional; b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CI7V c/c o artigo 7°, inciso Ido Decreto n° 70.235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (artigo 151 do GIN); c) preexistindo processo fiscal a liminar concedida, deve aquele seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto ao atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida." Como se vê, o fato de a matéria tributável estar sub judice não é fator impeditivo A constituição do crédito tributário. Antes pelo contrário, verificase que mesmo havendo depósito do montante integral, concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em outras ações, antecipação de tutela, que são fatores de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, do CTN), não é defeso ao Fisco constituir o crédito, por meio do lançamento de oficio, cuja exigibilidade (cobrança) fica suspensa ate a decisão final da justiça. Com efeito, a suspensão regulada nos incisos do art. 151 do C'TN paralisa temporariamente o poder de execução, entretanto, não paralisa ou suspende a prática do ato administrativo de lançamento, imprescindível no sentido de se evitar a decadência do poder de lançar, que decorre de atividade vinculada e obrigatória conforme determina o art. 142 do referido Código. Cabível portanto o lançamento com exigibilidade suspensa visando salvaguardar os direitos da Fazenda Publica contra uma possível decadência do direito de lançar. Quanto aos pretensos erros apontados na apuração do crédito (dedução e duplicidade dos valores referentes aos ressarcimentos de convênios e referentes ao PIS folha) entendo correta a apuração efetuada pela autoridade fiscal. Fl. 529DF CARF MF 6 Os valores devidos (coluna PIS e Cofins IN 170, planilhas fls. 207 e 229) foram tomados da informações prestadas pela interessada As folhas 161 a 163. Destes foram deduzidos os valores já declarados em DCTF, que incluem aqueles relacionados pela interessada As folhas 262 e 325, e os valores recolhidos quando da adesão ao Regime Especial de Tributação (RET) instituído pela MP n° 2.222/01. Da apuração foram excluídos somente os débitos objetos dos pagamentos efetuados em 28/11/2003, relacionados às folhas 204 e 205, os quais, em virtude do recolhimento desacompanhado dos encargos moratórios, foram objeto de lançamento de oficio tratado no âmbito do processo administrativo n° 19470.000450/200661. Os montantes mensais não declarados e/ou pagos foram cotejados com os depósitos judiciais efetuados. A parcela coberta pelos depósitos foi lançada com suspensão de exigibilidade, neste processo, e a parcela restante, caso existente, foi lançada em processo A parte. Não vislumbro, portanto, incorreções na apuração efetuada pelo Fisco. Quanto à utilização da taxa Selic para o calculo dos juros, cabe transcrever o disposto no art. 161 do CTN sobre a matéria: "Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. ,f 1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados taxa de um por cento ao mês." Notese que o CTN é bastante claro ao tratar sobre o percentual de juros de mora, dispondo que somente deve ser aplicado o percentual de 1% ao mês calendário, quando a lei não dispuser de modo diverso. Assim, fica a critério do poder tributante o estabelecimento, por lei, da taxa de juros de mora a ser aplicada sobre o crédito tributário não liquidado no seu vencimento. As normas reguladoras dos juros de mora para o caso vertente estão disciplinadas no art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 61, § 3o da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que determinaram a aplicação do percentual equivalente A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente. Lembramos, mais uma vez, que a atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária, cabendo A Administração apenas fazer cumprilos, pelo que, em que pesem as considerações Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19740.000449/200636 Acórdão n.º 3401004.487 S3C4T1 Fl. 528 7 transcritas pelo contribuinte, esclarecemos ser defeso aos agentes públicos a aplicação de entendimentos contrários As orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria. Por todo o exposto, voto por julgar procedente o lançamento efetuado. 5. A decisão merece ser mantida, salvo quanto a incidência dos juros de mora, merecendo parcial provimento o pleito da contribuinte, uma vez que, com base na Súmula CARF nº 05, deve ser afastada a incidência de juros de mora, pois, da leitura dos documentos que instruem o presente processo, denotase a existência de depósitos judiciais calculados sobre a parcela das receitas questionadas por meio da ação judicial n° 2002.51.01.0220532, situado às fls. 52 a 90: Súmula CARF nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral 6. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para afastar a incidência dos juros de mora. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 531DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002769/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade).
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/11/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. RE 606.107/RS. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes e trânsito em julgado em 10/12/2013, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros, decorrente de operações de exportação, não se sujeita à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, por força da imunidade do art. 149, § 2º, I da CF/88, sendo essa manifestação de observância impositiva no âmbito do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF 343/15.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-005.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade). CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/11/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. RE 606.107/RS. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes e trânsito em julgado em 10/12/2013, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros, decorrente de operações de exportação, não se sujeita à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, por força da imunidade do art. 149, § 2º, I da CF/88, sendo essa manifestação de observância impositiva no âmbito do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF 343/15. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 69 /2 00 6- 28Fl. 241DF CARF MF 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de lançamentos de Cofins, decorrente de ressarcimento indevido, tendo em vista erro na apuração dos saldos credores, pela não inclusão, como receita, dos valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros, bem assim, apropriação de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras). A impugnação sustentou que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não se conformariam ao conceito de receita e/ou faturamento, passando a discorrer sobre o assunto; que o conceito de faturamento veiculado nas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 ofende a Constituição Federal de 1988, arrolando as razões para tal inferência; que a a taxa selic é inaplicável aos tributos; e, que haveria vício formal no lançamento, por não indicar o dispositivo legal que amparou a pretensão fiscal. A DRJ Porto Alegre/RS manteve o lançamento em decisão assim ementada: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7 1, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.” Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 242 3 O recurso voluntário ratificou a impugnação, destacando a nulidade do lançamento pela ausência de indicação do dispositivo em que fundada a exigência. No mérito, defendeu que a cessão de créditos de ICMS não constitui receita tributável pela Cofins; que o alargamento do conceito de faturamento ditado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10833/03 é inconstitucional, havendo interposição de ação judicial (Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376 – TRF 4ª Região) para discussão dessa questão. Ainda, inovando a argumentação, asseverou que haveria vício formal na apuração do quantum debeatur, uma vez que os créditos foram glosados sem lavratura de auto de infração, como decidido no Acórdão 380300.253; e, que, por aplicação da retroatividade benigna, deverseia considerar as alterações promovidas pela Lei nº 12.058/09 nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminarmente, quanto à propalada nulidade, por suposta ausência de indicação dos dispositivos legais que embasam o lançamento, não assiste razão ao recorrente, porquanto o auto de infração, no quadro denominado “Enquadramento Legal” (efls. 33/34), aponta o seguinte fundamento legal: “Arts. 1º, 3º, 5º e 6º da Lei nº 10.833/03. Art. 44, § 4º da Lei nº 9.430/96”. Além do que, a fundamentação jurídica é bem objetiva e precisa, indicando claramente as pretensas infrações cometidas, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao contraditório. Ainda em sede preambular, quanto à argüição de vício formal no levantamento do quantum debeatur, temse que a questão não foi objeto de contestação no recurso inaugural, em princípio, ocorrendo a preclusão consumativa e o impedimento de se retomar tal discussão em momento ulterior, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, todavia, há uma peculiaridade neste caso, ao passo que o processo mencionado como jurisprudência – PA 13055.000078/200472 –, na verdade julgou o processo de ressarcimento que resultou neste auto de infração, como atesta o relatório de autuação de efl. 33, de maneira que, a despeito da preclusão consumativa, mas no intuito de evitar a prolação de decisões incompatíveis, tendo em conta a vinculação entre ambos, extraordinariamente conheço da matéria levantada extemporaneamente. Nesse passo, sendo a presente autuação clara decorrência do recálculo promovido no pedido de ressarcimento formulado no PA 13055.000078/200472, necessariamente as decisões lá exaradas influenciarão este feito, cumprindo registrar que as teses jurídicas lá estampadas e encampadas não vinculam os membros desse Colegiado, ou sequer, sejam aqui compartilhadas. A 3ª Turma Especial/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 380300.253, de 19/10/2009, decidiu o seguinte: Fl. 243DF CARF MF 4 “COFINS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COPINS do PIS nãocumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante ressarcir, diferença de valores que Fiscalização considerar como recolhidos menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se fiscalização entende que valores como de transferências de créditos de ICMS devem sofrer incidência da Contribuição, tem de promover sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oleio, não podendo lazer subtração sumária do crédito que contribuinte utilizou para pagamento de outros tributos, que ficariam descoberto.” Essa decisão, entretanto, alcança apenas e tãosomente o acréscimo, na base de cálculo da Cofins, da cessão de créditos de ICMS a terceiros, nada mencionando sobre os créditos glosados (apropriação indevida de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras), que não foram alvo de julgamento naquela assentada, como se verifica do relatório do aresto: “Tratase de declaração de compensação apresentada pelo contribuinte em 30/06/2004, na qual utiliza créditos de COFINS nãocumulativa apurados no 2º trimestre de 2004 (fls. 01/02). A DRFNovo Hamburgo/RS reconheceu a existência do crédito pleiteado pelo contribuinte, mas recusoulhe o direito de aproveitamento integral, entendendo por bem reduzir este saldo, fazendoo a titulo de ‘irregularidade fiscal’, por ter verificado que ‘nos meses de fevereiro a .setembro de 2004, a fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Circulação (ICMS) a terceiros’ e que ‘a fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito de ICMS. Tais operações equiparamse a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e originam receitas tributáveis, devendo, portanto, compor a base de cálculo da Cofins, cm conformidade com o art. 1º, §§ 1ºe 2º da Lei nº 10. 833/2003.’ (fls. 72/80). Assim, a DRF apurou o valor que entendeu que seria devido de COFINS em relação à receita. de venda de créditos de ICMS, e reduziu este valor do saldo de créditos apresentado na declaração de compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 83/102) argumentando que a glosa seria indevida porque não foi feita como preceitua o artigo 142 do CTN, que seu direito de crédito decorre da sistemática não cumulativa e que não pode haver a incidência da COFINS sobre a venda de créditos de ICMS, visto que a sua incidência deve ser limitada às receitas das vendas de bens e serviços, conforme doutrina e jurisprudência que cita. (...)” Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 243 5 Nada obstante divergir do posicionamento meritório adotado pela e. Turma Julgadora, em respeito à harmonia processual, ante a imbricação entre os autos, entendo que a cessão de créditos de ICMS a terceiros deve ser excluída do lançamento sub examine, como lá decidido, mesmo porque, a análise de direito acerca da incidência da contribuição sobre esta verba aproveita ao recorrente, como adiante se exporá. Na seqüência, invertendo a ordem de enfrentamento das questões devolvidas ao Colegiado, atinente às alegações de inconstitucionalidade, acentuo que é entendimento assente neste sodalício, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não compete se manifestar sobre o tema, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Esta situação ficou ainda mais evidente com a edição da Lei nº 11.941/09, que, alterando o Decreto nº 70.235/72, incluiu o art. 26A, cuja redação é a seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como não bastasse, o próprio recorrente noticia a propositura de ação judicial perante a Justiça Federal objetivando debater a (in)constitucionalidade do conceito de faturamento apresentado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 245DF CARF MF 6 Nesse passo, em consulta ao sítio virtual do TRF 4ª Região verifiquei que a Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376/RS, patrocinada por Móveis Kappesberg Ltda., transitou em julgado em 17/12/2007, inclusive com liquidação de execução de sentença (repetição de indébito), sendo baixada definitivamente em 18/12/2007. A decisão proferida na fase de conhecimento, em primeira instância, é a seguinte: “AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2005.71.08.0079376/RS AUTOR : MOVEIS KAPPESBERG LTDA ADVOGADO : LILIANA ROSA FERREIRA RÉU : UNIAO FEDERAL SENTENÇA 1. RELATÓRIO: Tratase de ação ordinária em que a autora se insurge contra a exigência de PIS e COFINS sobre a totalidade das suas receitas auferidas. Refere que as alterações da Lei 9718/98, essencialmente no ponto em que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS (art. 3º, I), conflita com o texto constitucional. Em síntese, sustenta haver necessidade de lei complementar para a alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois a inovação trazida pela referida norma deve ser entendida como criação de novo tributo, já que antes da EC 20/98 as exações somente poderiam incidir sobre o faturamento e não em relação à receita bruta, tal com determinado pela legislação questionada. Postula o reconhecimento do indébito e a sua restituição ou compensação, após o trânsito em julgado da lide. Junta documentos. Na contestação, a União suscitou em preliminar a prescrição do pedido de repetição do indébito, nos termos indicados pela Lei Complementar 118. No mérito, abordou a evolução legislativa da matéria, alegando que o termo faturamento inscrito no texto constitucional não teve a intenção de restringir o conceito, ao contrário, indica que as contribuições sociais dos empregadores deverão incidir sobre a receita bruta da atividade exercida pela sociedade. Salientou que a Lei 9.718/98 não introduziu uma nova conceituação, somente veio esclarecer um conceito já utilizado pela jurisprudência. Disse ainda que a inovação só produziu efeitos quando já vigorava a Emenda Constitucional nº 20, que colocou um ponto final na controvérsia acerca da base de cálculo das contribuições sociais, deixando claro que estas podem incidir sobre a receita das pessoas jurídicas, sem qualquer restrição quanto à sua abrangência. Argumentou que a exigência de lei complementar como instrumento legislativo para instituição e/ou modificação diz respeito às novas contribuições sociais, ou seja, às residuais, que não é o caso da lide. Tratandose exclusivamente de matéria de direito, vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. Decido. 2. FUNDAMENTAÇÃO: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 244 7 O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 346.084, considerou inconstitucional a base de cálculo do PIS/COFINS definida no §1º do art. 3º da Lei 9718/98 porque a Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, que alterou o art. 195 da Carta Magna, permitindo a instituição da contribuição social sobre a receita ou faturamento, foi superveniente à publicação da Lei 9718, ocorrida em 28 de novembro de 1998, e jamais poderia ter o efeito de constitucionalizála pelo simples fato de que ela, no ponto referente à base de cálculo, era uma autêntica natimorta. Logo, em relação à COFINS, a alíquota de 3% definida pela Lei 9718/98 (art. 8º) deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no art. 2º da LC 70/91. No que tange ao PIS, o tributo deverá ser apurado com a alíquota de 0,65% (art. 8º da Lei 9715/98), incidente sobre a base de cálculo prevista no art. 3º da Lei 9715/98. Tudo que tiver sido pago de maneira diversa comporta restituição ou compensação. De outra parte, deve ser observado que a compatibilização da base de cálculo do PIS/COFINS pelas Leis 10637/02 (art. 1º) e 10833/03 (art. 1º) , respectivamente, ocorreu apenas em relação às empresas que estão sujeitas ao regime nãocumulativo das citadas contribuições. De fato, o art. 8º da Lei 10637/02 dispõe que ‘permanecem sujeitas às normas da legislação para o PIS/PASEP, vigente anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. No caso da COFINS, o art. 10 da Lei 10833/03 repete disposição idêntica, estabelecendo ‘permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. As Leis 10637/02 e 10833/03 instituíram o sistema nãocumulativo para a cobrança do PIS e da COFINS, tal como dispõe o Capítulo I que as encabeça. O sistema nãocumulativo não se aplica para todas as pessoas jurídicas, mas apenas para aquelas que operam pelo lucro real. As optantes pelo lucro presumido ou sujeitas ao lucro arbitrado continuam recolhendo as contribuições para a COFINS e o PIS com base na Lei 9718/98, não tendo havido modificação legislativa superveniente a esta lei. Quer dizer, devem ser diferenciadas duas situações: a) Para as empresas optantes pelo lucro real e que recolhem as contribuições pelo regime nãocumulativo, os pagamentos indevidos a título de COFINS abrangem o período de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de janeiro de 2004, quando passou a vigorar a Lei 10833/03, resultado da conversão da MP 135, de 30 de outubro de 2003. No caso do PIS, os recolhimentos indevidos vão de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de novembro de 2002, quando compatibilizada a base de cálculo pela MP 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei 10637/02. b) As optantes pelo lucro presumido ou arbitrado têm direito à restituição ou compensação dos valores que foram ou continuam sendo indevidamente pagos, uma vez que não se lhes aplicam as disposições das Leis 10637/02 e 10833/03. Portanto, observadas as distinções supramencionadas, os valores indevidamente pagos a tal título comportam compensação ou restituição, a critério da autora por ocasião da execução e após o trânsito em julgado da sentença. A compensação deverá se dar com quaisquer tributos administrados pela SRF, Fl. 247DF CARF MF 8 devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei 9430/96. Em qualquer caso, os créditos deverão ser apurados a partir de cada recolhimento indevido, ficando sujeitos à incidência da taxa SELIC, nos termos do art. 39 da Lei 9250/95. Quanto à prescrição, tenho que prevalece a sistemática dos 5+5, ou seja, de dez anos, a contar dos respectivos fatos geradores. Como as contribuições são lançadas por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos depois do fato gerador (art. 150, §4º do CTN), quando há a homologação tácita. Extinto o crédito, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para rever o indébito (art. 168, I do CTN). Afastase, na hipótese dos autos, o prazo de cinco anos, a contar do pagamento indevido, nos termos do disposto no art. 3º da LC 118/05: Art. 3º. Para efeito da interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A respeito do tema, escrevi no livro Curso de Direito Tributário, publicado pela editora Verbo Jurídico em 2005, págs. 290/291: ‘Tais entendimentos jurisprudenciais acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação certamente passarão por acirradas discussões, frente ao disposto nos artigos 3° e 4° da LC 118/05. É que o art. 3° desta lei, para efeito de interpretação do art. 168, I, do CTN, fixou a data do pagamento antecipado como o momento em que ocorre a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. E o art. 4° mandou que fosse observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, do CTN. Ou seja, o legislador acabou com o entendimento dos "cinco mais cinco" e atribuiu à norma que considera extinto o crédito tributário no momento do pagamento, nos tributos lançados por homologação, um caráter meramente interpretativo. Com isto, pretende que o dispositivo alcance os pagamentos anteriores à data da vigência da LC 118/05, cujos efeitos vigorarão a partir de junho de 2005 (art. 4°). Em princípio, a Constituição Federal não proíbe a edição de leis retroativas. A proibição alcança apenas as normas que vulnerem a coisa julgada, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito (art. 5°, XXXVI). O Supremo Tribunal Federal tem admitido a chamada retroatividade das leis interpretativas, desde que permaneçam intangíveis as situações juridicamente consolidadas. O Min. OROSIMBO NONATO, em 1950, no julgamento do RE 10039/SP, já dizia que a Constituição impunha um efeito limitador da aplicação retrooperante das leis interpretativas. Segundo ele, "o problema da retroatividade da lei interpretativa, que é uma anomalia, como observa Capitant, e traduz 'una mala política legislativa', na observação de Salvat é considerado diversamente pelos D.D.". Depois de fazer referência ao magistério de Bento de Faria, esclarecia o Ministro que "a chamada retroatividade da lei puramente interpretativa seria de simples aparência. Como argumenta lucidamente Gaston Jèze se a lei nada encerra de novo é pura superfluidade. E o que rege o passado é a lei antiga repetida ociosamente. Se contém algo de novo, é lei nova. E, então, quando é constitucional a vedação da retroatividade, não poderá ela ter projeção retrooperante". No caso, o CTN já dispunha acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos lançados por homologação. De fato, o art. 156, VII estabelece Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 245 9 que extingue o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento, nos termos do disposto no art. 150 e seus §§1° e 4°. Nos tributos lançados por homologação o pagamento antecipado nunca foi uma causa de extinção do crédito tributário. E não havia extinção justamente por causa da necessidade de homologação, expressa ou tácita, da Fazenda Pública ao pagamento efetuado pelo contribuinte. O art. 3° da LC 118/05 não é uma norma simplesmente interpretativa, de maneira a alcançar pagamentos anteriores à data da sua vigência. É uma lei nova que não poderá reger o passado para vulnerar situações jurídicas concretizadas de acordo com a norma então vigente. "Exige o Código Tributário Nacional", diz BERNARDO RIBEIRO DE MORAES, "para tal aplicação seja a norma 'expressamente interpretativa' (art. 106, I). Portanto, a lei tributária expressamente interpretativa, isto é, lei com cláusula de retroatividade, retroage ao dia em que entrou em vigor a lei interpretada. Em verdade, afirma Limongi França, as leis interpretativas não retroagem no sentido próprio do termo, pois 'o que se dá é a aplicação da própria lei interpretada, a partir da sua entrada em vigor'. Em verdade, a lei interpretativa não inova a ordem jurídica, não cria e nem altera relações inexistentes (caso contrário não seria interpretativa), mas apenas oferece novo entendimento à norma interpretada". Logo, entendemos que apenas os pagamentos efetuados a partir do momento em que passar a vigorar a LC 118/05 é que se submeterão à nova modalidade de extinção do crédito tributário. Ou seja, os tributos lançados por homologação somente poderão ser considerados extintos pelo pagamento quando este ocorrer após a entrada em vigor da LC 118/05. Nesta situação, o contribuinte terá o prazo de cinco anos, a contar do pagamento, para postular a restituição’. Acerca da retroatividade das leis interpretativas, escreveu o Ministro Carlos Velloso no RE 120.446PB, DJU 13.12.96: ‘ A questão das leis interpretativas costuma envolver juristas em equívocos, principalmente aqueles que lêem autores cujos sistemas jurídicos não dão ao princípio da irretroatividade das leis status constitucional. No Brasil, o princípio da irretroatividade das leis, em obséquio ao direito adquirido, embasase na Constituição. É por isso que Baleeiro, lembrei em trabalho doutrinário que escrevi – ‘ A Irretroatividade da Lei Tributária Irretroatividade e Anterioridade Imposto de Renda e Empréstimo Compulsório", em "temas de Direito Público", Del Rey Editora, 1994, pág; 298 comentando o art. 106, I, CTN, que estabelece que a lei interpretativa se aplica a ato ou fato pretérito, leciona que, " nos países, como o nosso (CF/69, art. 153, §§ 3º, 16, 36), em que a irretroatividade da lei em relação às situações jurídicas definitivamente constituídas assume caráter de direito e garantia individuais do Estatuto Político, a interpretação autêntica há de ser limitada à sua função específica: esclarecer e suprir o que foi legislado, sem arrogarse a jus novum, mais oneroso para o cidadão. Lei que interpreta outra há de ser retroativa por definição no sentido de que lhe espanca as obscuridades e ambigüidades. Mas contaminarseá de inconstitucionalidade se, em matéria fiscal, criar tributos, penas, ônus ou vexames que não resultavam expressa ou implicitamente do texto interpretado. Tais inovações só alcançam para o futuro.’ (Aliomar Baleeiro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Forense, pág. 428). O Ministro também faz referência pertinente à lição de Pontes de Miranda: ‘ em sistemas jurídicos, que têm o princípio da legalidade, da irretroatividade das leis e da origem democrática da regra jurídica, não se pode pensar em regra Fl. 249DF CARF MF 10 jurídica interpretativa, que, a pretexto da autenticidade da interpretação, retroaja.’ (Temas de Dir. Público", pág. 229). Em decorrência disso, como todos os pagamentos indevidos remontam ao ano de 1999 e ação foi proposta em 08 de agosto de 2005, não existem créditos que tenham sido atingidos pela prescrição. 3. DISPOSITIVO: Pelo exposto, julgo procedente o pedido para condenar a União na restituição, ou compensação, dos valores indevidamente pagos, nos termos supramencionados. Condeno a União no pagamento de honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da causa e na restituição das custas adiantadas pela autora, ambos atualizados pelo IPCAE. Sentença sujeita ao reexame necessário. Publiquese. Registrese. Intimese. Novo Hamburgo, 15 de fevereiro de 2006.” Diante da apelação apresentada pela União Federal e pela remessa necessária, o TRF 4ª Região assim se pronunciou: “APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.71.08.0079376/RS RELATOR :Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK APELANTE :UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO :Simone Anacleto Lopes APELADO :MOVEIS KAPPESBERG LTDA/ ADVOGADO :Liliana Rosa Ferreira e outro REMETENTE :JUÍZO FEDERAL DA 01A VF DE NOVO HAMBURGO EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. CORREÇÃO MONETÁRIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. 2. Cuidandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição inicia a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 246 11 da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a contar do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. 3. O e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º da LC 118/2005 somente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, o que não é o caso dos autos. 4. A restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. 5. Na forma da Lei nº 8.383/91, é possível a compensação dos valores pagos indevidamente com prestações vincendas das próprias contribuições, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação (art. 150, § 1º, do CTN). Saliento, entretanto, que relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitese a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão, de acordo com a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637, de 30122002. 6. Cuidandose de tributo objeto de contestação judicial, para que a compensação tenha o condão de operar a extinção do crédito tributário, deve ser efetivada depois do trânsito em julgado da decisão. 7. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, podendo o contribuinte escolher o regime de compensação que lhe convier. 8. Optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. 9. Se o contribuinte escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. 10. O provimento judicial limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do juízo administrativo. Fl. 251DF CARF MF 12 11. A correção monetária deve incidir sobre os valores desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 12. Em havendo sucumbência recíproca, compensamse os honorários advocatícios, cada parte arcando com a verba honorária de seus respectivos patronos. 13. Apelação desprovida e remessa oficial provida em parte. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e dar provimento parcial à remessa oficial, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 27 de setembro de 2006. RELATÓRIO Móveis Kappesberg Ltda. ajuizou ação ordinária pretendendo a declaração de inexigibilidade do PIS e da COFINS nos moldes das bases de cálculo introduzidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, com o reconhecimento do direito à compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a esse título a partir de fevereiro de 1999. Alegou que a Lei nº 9.718/98 incluiu na base de cálculo do PIS e da COFINS outras receitas que não aquelas integrantes do conceito de faturamento previsto nas respectivas LC nº 07/70 e LC nº 70/91. Referiu que a EC nº 20/98 não tem o condão de retroagir e convalidar vícios da Lei nº 9.718/98, sendo esta inconstitucional desde sua edição. Argumentou que as alterações da base de cálculo das contribuições em apreço promovidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003 contrariam os conceitos de direito privado, em violação ao art. 110 do CTN, bem como a definição de faturamento já explicitada pelo STF. Sustentou a impossibilidade de uma lei ordinária modificar dispositivo de lei complementar, por afronta ao princípio da hierarquia das leis estampado no art. 59 da CF. Regularmente processado o feito, sobreveio sentença, às fls. 105110, julgando procedente o pedido para declarar o direito da requerente à restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS e à COFINS, com base no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, a ser a compensação efetuada com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, condenada a União à restituição das custas adiantadas pela demandante e ao pagamento dos honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor da causa. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 247 13 A União Federal interpôs recurso de apelação, às fls. 113122, alegando, primeiramente, a ocorrência da prescrição qüinqüenal prevista na LC nº 118/2005. Sustentou, em breve relato, que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 permanece vigente, uma vez que foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF somente pela via difusa, com efeitos inter partes, sendo que apenas após a resolução do Senado Federal é que surtirá efeitos perante todos. Com contrarazões (fls. 125140), subiram os autos a esta Corte, ainda, por força da remessa oficial. É o relatório. Peço dia. VOTO A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, §1º, ao estabelecer a base de cálculo do PIS e da COFINS, ampliou a definição de faturamento, considerandoo como a ‘... totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas’. De fato, não se desconhece que, após ampla e reiterada discussão sobre a inovação introduzida pelo referido dispositivo, este Tribunal firmou posicionamento, em julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nº 1999.04.01.0802741/SC, pela constitucionalidade da modificação da base de cálculo do PIS e da COFINS introduzida pela Lei nº 9.718/98, porquanto inserida no conceito de receita bruta. Ocorre, contudo, que o Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. A propósito, vale transcrever o texto extraído do Informativo do STF nº 408, in verbis: Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.") v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC Fl. 253DF CARF MF 14 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718/98, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/98 o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) , poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;").RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio (RE357950).RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE346084). Malgrado outro tenha sido o entendimento deste Tribunal sobre a matéria, a discussão perde relevância ante a nova orientação dada pela Suprema Corte, órgão máximo para resolver as questões relativas à compatibilidade formal e material das leis frente à Constituição Federal, no sentido de ser inconstitucional a exigência do PIS e da COFINS nos termos da base de incidência trazida pela Lei nº 9.718/98. Deixo, portanto, de argüir a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ao Plenário desta Corte, em atendimento ao art. 481, parágrafo único, do CPC. Com efeito, as subseqüentes Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, resultado da conversão das respectivas Medidas Provisórias nº 65 e 135, mantiveram a base de cálculo do PIS e da COFINS definida anteriormente pela Lei nº 9.718/98, assim compreendida como o resultado da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil, mas instituíram a cobrança nãocumulativa dessas contribuições, permitindo o abatimento de vários créditos. Contudo, foram excluídas dessa nova sistemática de cálculo as instituições financeiras, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, as optantes pelo Simples, as imunes a impostos, dentre outras pessoas jurídicas e grandezas econômicas mencionadas no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e art. 10º da Lei nº 10.833/2003, que devem permanecer sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente a essas Leis. Ressaltese, outrossim, que não há falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que promovida posteriormente à nova redação dada ao art. 195, I, b, da CF, dada pela EC nº 20/98, que consignou serem a receita ou o faturamento expressões equivalentes. Não prospera, igualmente, o argumento de que uma lei ordinária não tem o condão de modificar uma lei complementar. É posição pacífica nesta Corte que a LC nº 07/70 foi recepcionada como se fosse lei ordinária, bem como que a LC nº 70/91, na verdade, é materialmente lei ordinária, necessitando para a sua alteração de normas da mesma hierarquia. Não há falar, na hipótese, em inconstitucionalidade formal da lei ordinária modificadora, porquanto as matérias para as quais se reclama a veiculação por lei complementar encontram previsão no próprio texto Constitucional, não estando as contribuições ao PIS e a COFINS enquadradas nessa exigência. Forçoso destacar, por oportuno, que o STF já se pronunciou no sentido de que a eficácia do provimento judicial em controle concentrado, entendimento que pode ser aplicado ao controle concreto, por analogia, passa a valer a partir da publicação, no DJU, da ata de julgamento, e não do trânsito em julgado do Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 248 15 acórdão. Nesse sentido, imperioso transcrever trecho do voto do Min. Celso de Mello, em que foi Relator na Rcl 3309, pub. DJU de 4.8.2005, no qual cita precedentes da Suprema Corte que serviram de fundamento para sua decisão: ‘(...) O extremo relevo que assumem as conseqüências jurídicas decorrentes da suspensão cautelar da aplicabilidade de atos normativos, quando impugnados em sede de controle concentrado de constitucionalidade, impõe que se defina o "dies a quo" a partir do qual a decisão desta Suprema Corte passa a ter eficácia. Cabe relembrar, neste ponto, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar questão de ordem suscitada na ADI 711/AM, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA, definiu, como termo inicial da plena instauração de eficácia da medida cautelar concedida em ação direta, a data em que publicada, no Diário da Justiça da União, a ata da sessão do respectivo julgamento, ressalvadas as hipóteses excepcionais indicadas no precedente referido: "Ação Direta de Inconstitucionalidade. Medida cautelar deferida. Questão de Ordem. 2. A decisão que concede medida cautelar, em ação direta de inconstitucionalidade, possui eficácia, 'ex nunc'. Com a concessão da liminar, o ato normativo impugnado fica com sua eficácia suspensa, até o julgamento final. (...) 4. O deferimento da medida cautelar produz seus efeitos a partir da data da publicação da ata de julgamento no Diário da Justiça da União.(...)." (grifei) (...) Não foi por outra razão que esta Suprema Corte, ao julgar a Rcl 2.576/SC, Rel. Min. ELLEN GRACIE, reiterou essa orientação, assinalando, então, que se revela "Desnecessário o trânsito em julgado para que a decisão proferida no julgamento do mérito em ADI seja cumprida", sendo de aplicarse, ainda, "(...) o critério adotado por esta Corte, quando do julgamento da Questão de Ordem, na ADI 711, em que a decisão, em julgamento de liminar, é válida a partir da data da publicação no Diário da Justiça da ata da sessão de julgamento" (grifei) (...). Concedida a medida cautelar (que se reveste de caráter temporário), a eficácia ex nunc (regra geral) 'tem seu início marcado pela publicação da ata da sessão de julgamento no Diário da Justiça da União (...)(ADIn 711AM (Questão de Ordem), Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA) (...)." (RTJ 164/506509, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) (...) Esse mesmo entendimento é também perfilhado pelo eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI ("Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional", p. 67, item n. 3.4, 2001, RT),(...) "O termo inicial da eficácia da liminar é, em regra, o da data da publicação, no Diário de Justiça da União, da ata da sessão de julgamento em que a medida foi deferida, ressalvada decisão expressa em outro sentido." (grifei) (...). Vê se, desse modo, considerada a orientação jurisprudencial acima referida, que a eficácia da decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, tal como proferida na ADI 2.409MC/ES (eficácia "ex nunc"), passou a operar somente a partir do dia 20/03/2002, data em que foi publicada, no DJU, a ata pertinente à sessão de julgamento daquele processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, o que permite reconhecer que a prática dos atos ora reclamados não se pôs em conflito com o acórdão que deferiu a medida cautelar na já mencionada ADI 2.409MC/ES (...). Prescrição Ante a natureza tributária das contribuições ora enfocadas (PIS e COFINS), não se aplica a prescrição qüinqüenal prevista no Decreto nº 20.910/32. A regra especial prevalece sobre a geral, incidindo as disposições específicas do Código Tributário Nacional sobre prescrição e decadência. Neste passo, cuidase, na espécie, de tributo sujeito a lançamento por homologação, no qual o contribuinte antecipa o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa; somente depois de feito o recolhimento é que o Fisco Fl. 255DF CARF MF 16 constatará a sua regularidade, dependendo a extinção do crédito de posterior homologação do lançamento (art. 150, caput e § 1º, do CTN). Não havendo a homologação expressa, considerase definitivamente extinto o crédito no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, ocorrendo o que se denomina de homologação tácita (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição, contado da extinção do crédito tributário (art. 168, I, do CTN), inicia a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a partir do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. Neste sentido, há farta jurisprudência do Colendo STJ, expressa no REsp nº 171.999/RS (Rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJU 1412 98), Embargos de Divergência no REsp nº 54.3809/PE (Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 070895), REsp nº 134.732/RS (Rel. Min. Hélio Mosimann, DJU 181196), REsp nº 120.939/RS (Rel. Min. Peçanha Martins, DJU 201097). No caso, ajuizada a demanda em 08 de junho de 2005, não há parcelas atingidas pela prescrição. Por outro lado, descabe a invocação da Lei Complementar nº 118/2005, já que, examinando a matéria, a Primeira Seção do e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º somente às ações ajuizadas após 09 de junho de 2005, o que não se verifica na hipótese dos autos. Repetição do indébito A modalidade de restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, tanto a compensação como a restituição via precatório são modos de se efetuar a repetição do tributo declarado indevido. Todavia, considerando que nesta fase processual o provimento jurisdicional limitase ao reconhecimento do direito à repetição do indébito pretendido, bem como em traçar os parâmetros para apuração do montante a ser devolvido, nada impede que, quando da execução do julgado, seja facultado ao contribuinte optar pela forma de restituição por meio de precatório ou compensação, de acordo com o que lhe for mais favorável, consoante o disposto no §2º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Compensação A compensação, segundo o art. 170 do CTN, constitui modalidade de extinção do crédito tributário, na qual o contribuinte obrigado ao pagamento do tributo é credor da Fazenda Pública. Os principais regimes de compensação são estabelecidos pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, com características, requisitos e efeitos próprios. O contribuinte não pode criar um regime misto, em que combine apenas os aspectos que lhe são mais favoráveis. Regime da Lei nº 8.383/91 A Lei nº 8.383/91, no art. 66, autorizou a compensação de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciários, pagos indevidamente ou a maior, mesmo quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, no recolhimento da importância correspondente a períodos subseqüentes, condicionando, no § 1º, que seja feita entre tributos e contribuições da mesma espécie. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 249 17 Cuidase de uma compensação de futuro crédito tributário (logo, de crédito não constituído ainda) com um crédito que tem o contribuinte perante a Fazenda em virtude de pagamento indevido de tributo. Da mesma forma que o pagamento antecipado, a compensação referida no art. 66 da Lei nº 8.383/91 extinguirá o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação, conforme art. 150, § 1º, do CTN. O sujeito passivo da relação tributária compensa os créditos por sua conta e risco, assumindo a responsabilidade de seu ato. Uma vez que não é necessário provocar a via administrativa, o contribuinte deve informar o procedimento compensatório na DCTF, GFIP ou documento equivalente. Se o Fisco constatar irregularidade, deve realizar lançamento de ofício, dentro do prazo legal (CTN, art. 150, § 4º), pois não há falar em confissão de dívida quanto ao débito quitado através da compensação. A condição imposta no § 1º do art. 66 da Lei deve ser entendida como tributos e contribuições com a mesma espécie e destinação constitucional, porquanto o encontro de contas farseá perante o ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo. Há outra razão de ordem financeira: se o tributo que for compensado tiver destinação diversa daquele que já foi pago indevidamente, não se estará mantendo o equilíbrio das receitas tributárias, imprescindível para a distribuição destas receitas. Nesse regime, somente pode haver a compensação de prestações vincendas, isto é, posteriores ao pagamento indevido, desde que não se trate, obviamente, de crédito tributário constituído na forma da lei. O art. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, é aplicável a sentenças proferidas após a vigência deste dispositivo. Quando o pedido fundamentase na invalidade de dispositivo de lei, é necessário que o crédito seja determinado quanto ao seu objeto e certo quanto à sua existência, condição esta alcançada tãosomente por ocasião da chancela do Poder Judiciário sobre a tese defendida pelo contribuinte. Regime da Lei nº 9.430/96 O art. 74 da Lei nº 9.430/96 aplicase apenas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão. A Lei nº 10.637/2002 alterou significativamente o regime legal, que, embora seja em alguns pontos semelhante ao da Lei nº 8.383/91, difere substancialmente em outros. Transcrevo o inteiro teor do dispositivo, com as modificações supervenientes, destacando as diferenças: ‘Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 257DF CARF MF 18 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 250 19 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)’ Enfatizo que, mesmo na vigência da Lei nº 10.637/2002, é imprescindível a declaração de compensação, por meio de procedimento administrativo adequado (DCOMP). A mera informação na DCTF, portanto, não equivale à Declaração de Compensação, devendo o contribuinte submeterse ao crivo da Secretaria da Receita Federal. A principal diferença em relação ao regime da Lei nº 8.383/91, porém, diz respeito aos efeitos da compensação. Caso não seja homologada a compensação e o contribuinte não manifeste inconformidade, a Receita pode inscrever em dívida ativa o que foi declarado e cobrar o débito, sem prévio lançamento, pois a declaração de compensação constitui confissão de dívida. Além disso, o § 12 do art. 74 enumera várias situações em que a compensação será considerada não declarada, ou seja, sequer haverá decisão posterior não homologatória; o fisco simplesmente vai ignorar a declaração. Insta mencionar que o art. 170A do CTN também é aplicável à compensação prevista na Lei nº 9.430/96, permitindose ao contribuinte valerse de seus créditos depois do trânsito em julgado da sentença. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. O contribuinte pode escolher o regime que lhe convier, pois, inexistindo antagonismo entre ambos, sua coexistência é admissível. O que é absolutamente vedado é mesclar elementos dos dois. O provimento judicial, portanto, limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do Fl. 259DF CARF MF 20 juízo administrativo. Obviamente que, optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado. Se escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. Correção monetária Prosseguindo, anoto que os valores deverão ser corrigidos monetariamente desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, índice aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer outro indicador de correção monetária ou juros de mora (art. 39,§ 4º, da Lei nº 9.250/95). No particular, aponto, ainda, que a partir do advento da Lei nº 9.250/95, legalmente estabelecido que a atualização dos valores compensados segundo a sistemática do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 observará a forma do citado artigo 39, § 4º. Honorários advocatícios Esclareço, inicialmente, que a sentença foi de parcial procedência e não de procedência total do pedido como consignado às fls. 105110, haja vista que o pedido da autora de declaração de inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelas respectivas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não foram reconhecidos pela r. decisão monocrática. Portanto, merece reparos a condenação da União ao pagamento dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Considerando que, na hipótese, as partes foram reciprocamente sucumbentes, os honorários advocatícios hão de ser compensados, sendo que cada litigante deve arcar com a verba honorária devida aos seus correspondentes patronos, em atendimento ao art. 21, caput, do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à apelação da União e dar provimento parcial à remessa oficial para ressaltar que a compensação do indébito deve aguardar o trânsito em julgado, em atendimento ao art. 170A do CTN, bem como para reconhecer a sucumbência equivalente das partes, tudo nos termos da fundamentação precedente.” (grifos no original) Reproduzidas integralmente as decisões judiciais proferidas na ação em comento, constatase que, de fato, a inconstitucionalidade in genere do conceito de faturamento trazido pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que interessam ao deslinde da celeuma aqui presente, foi lá deduzida, manifestandose o Poder Judiciário, em decisão definitiva, pela sua higidez, isto é, que o conceito de faturamento nelas veiculados não ofende a Constituição Federal de 1988. Cumpre registrar que a opção pela via judicial configura renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, na esfera administrativa, quanto à questão submetida à apreciação daquela instância, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 251 21 II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destcado) Não discrepa, quanto a substância, o art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/15: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (destacado) Portanto, a inconstitucionalidade do conceito de faturamento previsto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não serão examinadas nesta oportunidade, em vista das Súmulas CARF nºs 1 e 2. Assim, considerando que a autuação abarca o período de abril a junho/2004, quando vigente a Lei nº 10.833/03, com apuração da Cofins no regime não cumulativo, a Fl. 261DF CARF MF 22 incidência se dá sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, assim entendida a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a teor do art. 1º, § 1º do diploma em referência, o que, em tese, albergaria a receita com a cessão de créditos de ICMS a terceiros. No entanto, essa matéria foi alvo de manifestação do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes, no RE 606.107/RS, de 22/05/2013 e trânsito em julgado em 10/12/2013, plenamente aplicável ao caso vertente, porque não deduzido esse assunto, in specie, na ação judicial proposta pelo recorrente: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 252 23 subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Consoante art. 62, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de maneira que a parcela referente à cessão de créditos de ICMS, ainda que não fosse a decisão prolatada no PA 13055.000078/200472, deveria ser excluída da autuação por força desse aresto. Por derradeiro, ainda que despiciente, mas a título de registro, o emprego do instituto da retroatividade benigna, pela superveniência dos arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 12.058/2009 (?), como pugnado pelo recorrente, não se aplica à situação dos autos, pois nada prevêem sobre a exclusão das transferência onerosas de ICMS das bases de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, papel esse que coube à Lei nº 11.945/09, que através de seu art. 17, deu nova redação ao art. 1º, § 3º da Lei nº 10.833/03, que rege a Cofins não cumulativa, para inserir, dentre as exclusões da base de cálculo, as receitas “decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996”, entretanto, segundo a própria Lei nº 11.945/09, esse dispositivo somente passou a produzir efeitos a partir de 01/01/2009 (art. 33). Fl. 263DF CARF MF 24 Logo, prevendo as disposições legais data futura para deflagração de seus efeitos, logicamente, não se está diante de norma expressamente interpretativa, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, a atrair a retroatividade benigna. Outrossim, como antecipado, as glosas pela apropriação de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras) não foi contestada em seu mérito, mas tãosomente por via reflexa, mediante preliminar de nulidade formal do lançamento, já devidamente rechaçada. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros. Robson José Bayerl Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901903/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 03 /2 00 8- 19 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.635, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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