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Numero do processo: 10725.000814/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PIS E COFINS RETIDOS NA FONTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS.
A compensação do PIS e Cofins retidos na fonte com débitos de outros tributos só é possível a partir da publicação da MP nº 413/2008, em 03/01/2008, conforme disposição expressa do art. 5º, § 3º da Lei nº 11.727/2008.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal foi designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
(assinado digitalmente)
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. A compensação do PIS e Cofins retidos na fonte com débitos de outros tributos só é possível a partir da publicação da MP nº 413/2008, em 03/01/2008, conforme disposição expressa do art. 5º, § 3º da Lei nº 11.727/2008. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 14 /2 00 8- 98 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 180 2 ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Bernardo Motta Moreira. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 181 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) envolvendo débitos de PIS regime nãocumulativo, períodos de apuração maio, junho, julho e agosto de 2003 e crédito de PIS referente ao período de abril de 2005., conforme sintetiza a emenda a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pase Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços poderão ser deduzidos pelo contribuinte das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Somente a partir da publicação da MP nº 413/08, de 03/01/2008, quando não for possível a dedução dos valores a pagar a título de Cofins no mês de apuração, os valores retidos na fonte a título desta Contribuição poderão ser restituídos ou compensa dos com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica aplicável à matéria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, de acordo com a decisão recorrida a obrigatoriedade pela retenção na fonte do imposto de renda, CSLL, COFINS e PIS/PASEP tem como base legal o artigo 34 da Lei 10.833/2003 (artigo 32 da MP 135/2003), que alterou o artigo 64 da Lei 9.430, de 1996, as quais estabelecem que referidos valores retidos são considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação à mesma contribuição, sendo vedada qualquer compensação. Essa limitação só foi alterada com a publicação da Medida Provisória 413, de 03/01/2008, convertida na Lei 11.727, de 23/06/2008, passando a ser admitida a restituição ou compensação do PIS e COFINS retidos na fonte quando seus valores superem as respectivas contribuições devidas no mesmo período, conforme dispõe o artigo 5º da referida Lei: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 182 4 § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. Assim, até a edição da MP 413/2008, no caso de os valores retidos a título de contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins superar em os valores apurados no encerramento do período de apuração, não havia previsão legal que autorizasse a compensação ou a restituição dos valores retidos em exame, podendo o excesso de retenção somente ser deduzido das respectivas contribuições nos períodos de apuração seguintes. Cientificada em 26/04/2012 (AR – fl. 115) a Recorrente interpôs recurso voluntário em 28/05/2012 (fls. 118 e seguintes), requerendo, em síntese, a aplicação do art. 106, II, “b” do Código Tributário Nacional, com a consequente homologação da Compensação Declarada. Em favor de sua tese cita jurisprudência pacífica do colendo Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 30774 e REsp nº 440994). É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 183 5 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso – Relator. O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A questão central discutida no presente processo se refere à possibilidade da compensação dos valores retidos na fonte, a título de Cofins, prevista no art. 34, da Lei nº 10.833, de 30/12/2003, que assim dispõe: Art. 34 . Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal: I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e III demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI. [...] De acordo com o art. 36 da Lei nº 10.833/2003, os valores retidos na forma do art. 34 acima transcrito, “serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte”: Art. 36 . Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. A partir da Medida Provisória 413, de 03/01/2008, convertida na Lei 11.727, de 23/06/2008, ficou expressamente autorizada a compensação dos valores retidos, a título de PIS/Pasep e Cofins, quando ocorrer a impossibilidade de sua dedução dos valores a pagar das aludidas contribuições no mês de apuração, in verbis: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 184 6 § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008 , o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. O pleito da Recorrente é para que essa alteração legislativa introduzida pela Lei nº11.727, de 23/06/2008, seja aplicada retroativamente ao período de apuração no qual ocorreu a compensação (01/05/2006 a 31/05/2006), com fulcro no art. 106, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática O artigo 106, acima transcrito, divide o assunto em dois tópicos, o primeiro diz respeito à lei interpretativa, o segundo, quando se referir a fato não definitivamente julgado, que deixe de considerar o ato como infração, deixe de considerálo como contrário à exigência de ação o ou omissão, e por último quando se refira à cominação de penalidade. A Recorrente requer a retroatividade com base no art. 106, II, “b”, por não se tratar de ato ainda não definitivamente julgado, cuja prática do ato implicou em contrariar exigência de ação ou omissão. De fato, embora não houvesse uma determinação expressa vedando a utilização de eventual saldo credor retido para a compensação com outras contribuições, o certo é que limitava a sua utilização apenas à dedução dos valores da própria contribuição no respectivo período de apuração. Entendo que essa limitação contraria o princípio da nãocumulatividade das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, previstos no art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 185 7 Federal, e afinal, regulamentado pela própria Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ao instituir a Cofins, com incidência não cumulativa, que dispõe, expressamente que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes” (art. 3º, § 4º). Nesse sentido, peço vênia para reproduzir os arestos colacionados pela Recorrente em seu recurso, exarados pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que atestam a possibilidade da retroatividade de lei tributária, como ocorre no caso, in verbis: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A lei tributária mais benéfica e aquelas meramente interpretativas retroagem, a teor do disposto nos incisos I e II, do art. 106, do CTN 2. O § 4º introduzido pela Lei n.º 9.528/97 no art. 9º, da Lei n.º 9.317/96, ao explicitar em que consiste "a atividade de construção de imóveis", veicula norma restritiva do direito do contribuinte, cuja retroatividade é vedada. 2. "Consoante o disposto no artigo 8º, parágrafo 2º da Lei n.º 9.317/96, a opção da pessoa jurídica pelo SIMPLES, submeterá a optante à esta sistemática, a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente." (REsp n.º 329892/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ de 05.11.2001) 3. Recurso especial improvido. *grifado. (REsp 440994/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/02/2003, DJ 24/03/2003, p. 144) TRIBUTARIO E PROCESSUAL. ICMS. APREENSÃO DE GADO BOVINO. ARREMATAÇÃO EM LEILÃO. SUMULA STF/323. DIREITO SUPERVENIENTE. 1. "E INADMISSIVEL A APREENSÃO DE MERCADORIAS COMO MEIO COERCITIVO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS" ENTENDIMENTO SUMULADO DO STF. 2. JUS SUPERVENIENS O DIREITO VIGENTE A EPOCA DA DECISÃO DEVE SER APLICADO PELO JUIZ, AINDA QUE POSTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO, SEMPRE QUE A LEI NOVA NÃO RESSALVE OS EFEITOS DA LEI ANTERIOR. 3. APLICAMSE AOS FATOS PRETERITOS, NÃO JULGADOS DEFINITIVAMENTE, AS LEIS TRIBUTARIAS FAVORAVEIS AO CONTRIBUINTE. 4. RECURSOS NÃO CONHECIDOS. *(grifado) (REsp 30774/PR, Rel. MIN. PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/1997, DJ 23/06/1997, p. 29073) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 186 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que dava provimento ao recurso voluntário, em face da retroatividade benigna da lei tributária prevista no art. 106, II, “b” do CTN. Todo o recurso voluntário, fls. 118/126, está fundamentado na hipótese da aplicação da retroatividade da lei mais benéfica prevista no art. 106 do CTN. Assim há que se concluir que ele concorda que na data em que foi apresentada a Declaração de Compensação, 11/05/2007, fl. 04, a legislação que tratava do assunto não permitia a compensação pleiteada. De fato estava em vigor a respeito dos valores retidos na fonte do PIS e da Cofins o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96 c/c art. 34 da Lei 10.833/2003, abaixo parcialmente transcritos: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. (...) Art. 34. Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 187 9 A Receita Federal entendeu, com base nos artigos supra transcritos que, ocorrendo a hipótese de retenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em valor que ultrapasse a contribuição a pagar apurada no encerramento do período, a diferença credora somente poderá ser deduzida das respectivas contribuições nos próximos períodos de apuração. Ressaltese novamente que o contribuinte ao invocar a retroatividade da lei mais benéfica, com base no art. 106, II, “b” do CTN, entende também que a legislação anterior não permitia a compensação por ele pleiteada. Assim há que se verificar se é o caso de aplicação da retroatividade da Lei prevista no art. 106, II, “b” do CTN, abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática A permissão legal para compensar os valores retidos na fonte com débitos relativos a outros tributos só veio acontecer com a edição da Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, convertida na Lei nº 11.727, de 23/06/2008, in verbis: Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A partir da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008 , o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10725.000814/200898 Acórdão n.º 3301001.883 S3C3T1 Fl. 188 10 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. (grifos nossos) O próprio dispositivo legal, por meio do seu parágrafo terceiro, acima grifado, estabeleceu a partir de quando seria possível efetuar a compensação de saldos anteriores de PIS e da Cofins. Portanto, com todo respeito ao voto do relator, entendo que não se trata de aplicação retroativa da lei tributária prevista no art. 106, II, “b” do CTN, pois a interpretação que se busca já está expressamente escrita na Lei, ou seja, somente a partir da publicação da Medida Provisória nº 413/2008, em 3/1/2008, é que se poderia apresentar PER/DCOMP para efetuar compensações de saldos anteriores de PIS e Cofins retidos na fonte. Como a Declaração de Compensação de que trata o presente processo só foi apresentada em 11/05/2007, antes portanto do permissivo legal, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15374.907836/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 36 /2 00 8- 21 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 21642.03567.280504.1.3.043571 (fls. 03/07), transmitida em 28/05/2004, de débitos de COFINS (cód. 2172), relativos aos períodos de apuração de novembro a dezembro de 2003, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 15/12/1999, atinente ao Período de Apuração 30/11/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 08) emitido eletronicamente, a DERAT Rio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 11), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 12/21), na qual alega, em síntese, que: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907836/200821 Acórdão n.º 3802001.718 S3TE02 Fl. 135 3 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em setembro de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A Recorrente, nas razões de fls. 86 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/04/2012 (fls. 84), interpondo recurso tempestivo em 22/05/2012 (fls. 86). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, de nossa relatoria, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907836/200821 Acórdão n.º 3802001.718 S3TE02 Fl. 136 5 apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso, verificase que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitouse a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação. Assim, devido à ausência de prova da liquidez e da certeza do direito creditório, votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19515.000187/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.131
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INSUMOS Recorrente MIRA OTM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente processo trata de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, lavrados em 28/01/2011, para a cobrança da Contribuição para o PIS, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 2.376.080,63 (efolhas 354/365), e da Cofins – Contribuição para Financiamento da Previdência Social, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 10.577.685,42 (efolhas 366/377), em decorrência da apuração de supostas diferenças de tributo devidas, em face da recomposição da base de cálculo (glosas de insumos), para o período de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2007. Neste passo, com vistas a melhor elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes, transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 707/ss), verbis: Relatório Fl. 867DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000187/201131 Resolução nº 3202000.131 S3C2T2 Fl. 2 2 Em 31/01/2011 (fl. 378), a empresa foi intimada de autos de infração de falta/insuficiência de recolhimento das contribuições nãocumulativas acima. O auditor coteja os darf’s, a escrituração, a DIPJ e os débitos confessados em DCTF, e ao final recompõe cada base de cálculo mensal, que apresenta sob a forma de planilhas integradas ao auto de infração, contendo os grupos/contas que admite como formadores da base de cálculo. O auditorfiscal constata apropriação de crédito sem permissão legal para integrar, como insumo, o custo do serviço prestado. A autoridade diz que os dispêndios glosados não são contemplados pela legislação para fins de crédito do PIS e da COFINS, por não integrar diretamente o custo dos serviços prestados, não sendo considerados insumos, conforme disposto no artigo 3º, da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03. Os fundamentos legais apontados foram: a) artigos 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02 (Pis); b) artigos 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03 (Cofins). Em 01/03/2011 (fl 380 a 392) a empresa impugnou, dizendo que o faz contra todos os valores lançados e não os está discutindo judicialmente. Em suma, a irresignada arguiu: a) tempestividade; b) nulidade em razão dos fundamentos legais apontados, que não lhe permitem saber os motivos e as regras aplicadas pela fiscalização para cobrar as diferenças, e ferem: a ampla defesa; o devido processo legal e saber qual o recurso; c) questiona o desenquadramento de valores utilizados na prestação de serviços: pedágios; estacionamentos; terceiros; despesas diretas e indiretas com a frota; agenciamento e gerenciamento; administrativos inerentes; recargas de extintores; viagens; seguros; despesas com armazenagem; comunicação; d) seus créditos são mais amplos que uma empresa simples de transporte; e) como amostragens, junta documentos e contratos de clientes; f) todos os valores glosados são insumos da prestação de serviços; g) as contas dos grupos 4.1.13 a 4.1.9 e 4.1.21 são insumos descontáveis; h) a aparente inclusão das contas contábeis 3011 e 3014 de pagamentos de ISS e ICMS na base de cálculo (fl 390) é indevida por inconstitucionalidade e falta de amparo legal; i) a aparente inclusão de vale pedágio é indevida pois amparada na Lei 10.209/01; j) o desconto incondicional da conta 3015 não compõe a base de cálculo, pois decorre de emissão de conhecimento de cargas por erro e não houve recebimento efetivo nem cobrança dos clientes; k) diz juntar novo demonstrativo mais didático de atividades e pede retificação de valores; Fl. 868DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000187/201131 Resolução nº 3202000.131 S3C2T2 Fl. 3 3 l) requer diligência para conferência de registros e de conduta; m) alternativamente, requer perícia e nomeia como assistente seu contador, tendo como quesito a descrição das operações, a identificação de seus insumos, e a conferência contábil dos registros correlatos; n) requer recebimento, processamento, e julgamento pela improcedência da autuação. A partir da fl. 393 a defesa anexa documentos da representação, contratos de prestação de serviços e/ou carta/tabela/cronograma (fl 400408, 409415, 416 422 e 423, 424430, 431,432 a 450, 451458), normas operacionais de gerenciamento de risco em operações elaborada por Rodobens de 19/9/2005 (459552), normas operacionais de gerenciamento de risco da Petrobrás (fl 553 a 572), cópia do auto de infração e apensos (fl 573 a 700). Para melhor entendimento resumiremos os documentos anteriores à defesa. Nos balancetes fls. 21 a 275 figuram os grupos contábeis e suas respectivas contas. Nas planilhas fls. 276 a 289 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo mensais a partir de janeiro de 2006 e os valores a pagar informados pela empresa à fiscalização. Na folha 302 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Pis em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls. 303 e seguintes constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo de PIS a partir de janeiro de 2006. Na folha 328 consta o resumo das diferenças mensais apuradas/lançadas de Cofins em relação às confessadas em DCTF. Das planilhas fls. 329 a 353 constam as contas/grupos que compuseram as bases de cálculo da COFINS a partir de janeiro de 2006. Das fls. 354 a 377 constam os Autos de Infração. A DRJ – São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1633.878, em sessão de 22 de setembro de 2011, julgando o lançamento parcialmente procedente (efls. 706/ss), cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000187/201131 Resolução nº 3202000.131 S3C2T2 Fl. 4 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justifica quando o fato possa ser demonstrado pela juntada de documentos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NÃO FORMULAÇÃO. Indeferese o pleito, vez que os elementos processuais dão o necessário subsídio à decisão. Pedido de perícia deve citar quesitos referentes aos exames desejados, nome, endereço e qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 16, Decreto 70.235/72). PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INSUMO. CRÉDITOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS. Não participa da formação do cálculo o valor para o qual não haja previsão legal. Insumo utilizado na prestação de serviço é o bem não incluído no ativo imobilizado, aplicado ou consumido na prestação de serviço, e o serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, aplicado ou consumido na prestação de serviço. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa autuada ingressou com o Recurso Voluntário em 03/05/2012 (efolha nº 748/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando apenas comentários e ponderações sobre o voto vencedor da decisão de primeira instância. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000187/201131 Resolução nº 3202000.131 S3C2T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Como relatado, a Recorrente já havia solicitado a conversão do julgamento em diligência para realização de perícia em sua impugnação (negada pelo relator da decisão recorrida), fazendoo novamente no recurso voluntário. Entretanto pareceme razoável o pedido formulado pela Recorrente. Isto porque, a meu ver, existem matérias que precisam ser esclarecidas antes da tomada de decisão por parte deste Colegiado. Deste modo, deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de documentação probante, de modo a demonstrar suas alegações, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. O princípio da verdade material referese ao dever de esclarecer o fato real, trazer aos autos a versão mais próxima possível do evento ocorrido, para que o julgador disponha de elementos seguros para a sua decisão. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que sejam esclarecidos os seguintes pontos: 1º Se efetivamente o ICMS e o ISS foram inseridos no cálculo das supostas diferenças das contribuições exigidas na autuação fiscal (contas contábeis 3011 e 3014), como afirma a interessada (vide efolha 390), portanto, matéria relativa à inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo do PIS/Cofins. 2º A matéria central do litígio passa, necessariamente, pela discussão relativa ao conceito de insumos, para fins de creditamento do PIS e da Cofins. Em síntese, a autoridade lançadora fez uma interpretação mais restritiva, glosando algumas rubricas que entendeu não enquadraremse no conceito de insumos; por sua vez, a Recorrente, sob a alegação que sua atividade empresarial é o transporte multimodal (transporte de produtos e mercadorias e organização, coordenação, operação ou simplesmente logística) e, portanto, poderia creditarse de todos os insumos vinculados à prestação desses serviços de transporte e logística, inerente aos operadores de transporte multimodal (OTM). Em decorrência desta divergência de interpretação, foram glosados pela fiscalização as seguintes despesas (efolhas 302/354): conta 4026 – pedágio; conta 4027 – estacionamento; conta 4034 – serv. prest. terc. PF; conta 4036 – desp. Diversas; conta 4039 – recarga de extintores; conta 4106 – condomínio. Para o deslinde do litígio, portanto, deve ser esclarecido se tais gastos/despesas, glosados pela fiscalização, relacionamse ou não à atividade de prestação de serviços da Recorrente, devendose, considerar para tanto, como insumos os bens ou serviços pertinentes e necessários a essa atividade, que neles possam ser empregados direta ou indiretamente e cuja subtração importe na impossibilidade da prestação de seus serviços. Deste modo, o processo deve retornar à Defis São Paulo para que a autoridade autuante esclareça os dois pontos acima enunciados, quando deverá providenciar o que segue: Fl. 871DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000187/201131 Resolução nº 3202000.131 S3C2T2 Fl. 6 6 1. Em relação ao primeiro ponto, esclarecer e demonstrar se o lançamento foi efetuado também para inserir na base de cálculo das contribuições os valores referentes ao ICMS e ao ISS (discussão acerca da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo do PIS/Cofins). 2. Quanto ao segundo ponto, a unidade preparadora deverá: 2.1. Intimar a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, consignando o que segue: a) Descrever detalhadamente a atividade empresarial da Recorrente, notadamente em relação à prestação de serviços em discussão nestes autos, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na prestação de seus serviços; b) Indicar se tais insumos são de aplicação direta ou indireta na prestação dos serviços; e c) Informar se tais insumos possuem natureza essencial à prestação dos serviços, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da prestação dos serviços. 2.2. Após a juntada do laudo, efetuar diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosadas, em relação à prestação dos serviços da Recorrente. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da Defis – São Paulo deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando se sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 872DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10280.905653/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires.
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APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 56 53 /2 00 9- 88 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905653/200988 Acórdão n.º 1803001.811 S1TE03 Fl. 134 2 (Assinado Digitalmente) (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0121.922 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 108 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 09/02/2009 pela contribuinte acima identificada (em retificação de PER/DCOMP transmitida anteriormente em 04/05/2006), na qual indicou crédito de R$ 43.426,11 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 08/2005, no valor originário de R$ 410.192,61. A Delegacia de origem, em análise datada de 07.06.2010 (fl. 12), asseverou que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 17/06/2010, a interessada apresentou, em 19.07.2010, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 19/28): a) Não obstante ter indicado em sua DCTF o montante de R$ 372.068,91 como valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de agosto de 2005, a Requerente equivocadamente efetuou o recolhimento, via DARF, no valor de R$ 410.192,61, gerando um crédito em seu favor, o qual se pretende compensar. O montante a título de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2005 foi expressamente indicado não apenas em DCTF, como também na DIPJ 2006. b) A sistemática do recolhimento do IRPJ sob o regime de estimativa encontrase definida pela Lei 9.430/96, especificamente em seu art 2º, do qual se extrai que se considera como valor devido a título de estimativa de IRPJ o resultado da aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previamente estabelecidos. O resultado deste cálculo deve ser recolhido pelo Contribuinte, e comporá, no final do ano calendário, o ajuste anual, ocasião em que se verificará se há valor remanescente a ser recolhido ou saldo negativo passível de restituição/compensação. Considerandose que o valor devido a título de estimativa mensal não é arbitrariamente estipulado pelo Contribuinte, sendo, na verdade, resultado de um cálculo realizado mediante aplicação de critérios definidos em lei, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905653/200988 Acórdão n.º 1803001.811 S1TE03 Fl. 135 3 temse como claro que apenas o valor obtido após a realização do referido cálculo pode ser utilizado para composição quando do ajuste anual. Assim sendo, quaisquer valores recolhidos pelo Contribuinte ALÉM (leiase A MAIOR) dos valores indicados como estimativa mensal em suas Declarações ao Fisco, devem ser tratados como verdadeiro crédito contra o Fisco. c) A Instrução Normativa n° 600/05, em seu art. 10, tratando especificamente da compensação dos valores recolhidos a maior a título de estimativa de IRPJ, disciplinou entendimento há muito firmado pela doutrina e jurisprudência no sentido de que pode haver compensação entre os valores indevidamente recolhidos a título de estimativa mensal, e o eventual valor a recolher apurado quando do ajuste. No caso vertente, a Recorrente, quando da apuração do ajuste anual, verificou a existência de um valor remanescente devido a título de IRPJ, e optou por utilizar o pagamento a maior realizado a título de estimativa do mês de maio de 2005 a fim de deduzir, mediante compensação, do valor devido a título de IRPJ quando do ajuste anual. Refere julgados administrativos e conclui que diante da clara origem do crédito e da correição da compensação realizada pela Requerente, mostrase imperiosa a sua homologação, posto que inequívoco o crédito que se pretende ver compensado e legítimo o procedimento adotado”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 06/06/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0121.922 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente” Cientificado da decisão de primeira instância em 28/10/2011 (AR fls. 117 dos autos, a WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS DO NORTE S/A, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0121.922, recorre em 25/11/2011 a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, acrescentando argumentos à manifestação de inconformidade. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905653/200988 Acórdão n.º 1803001.811 S1TE03 Fl. 136 4 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão de mérito dos autos trata da negativa constante do Despacho Decisório, número de rastreamento: 863955156, emitido pela DRF de Belém – PA em 07/06/2010 (fls. 12 doas autos), que não reconheceu o direito creditório da Recorrente de R$ 43.426,11 (quarenta e três mil, quatrocentos e vinte e seis reais e onze centavos), pleiteado através da DECOM nº. 07718.94506.090209.1.7.040143 em decorrência do pagamento a maior, conforme demonstrativo abaixo: A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0121.922 asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa falsa, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$ 43.426,11 (quarenta e três mil, quatrocentos e vinte e seis reais e onze centavos), porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905653/200988 Acórdão n.º 1803001.811 S1TE03 Fl. 137 5 Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch, aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10240.900338/201074 na sessão de abril de 2013, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.654 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, a quem peço vênia para transcrever a ementa, “verbis”: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905653/200988 Acórdão n.º 1803001.811 S1TE03 Fl. 138 6 Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905699/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso provido em parte
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APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pleiteada restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 56 99 /2 00 9- 05 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905699/200905 Acórdão n.º 1803001.878 S1TE03 Fl. 92 2 retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0121.917 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 59 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 07/10/2009 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 11.176,96 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 07/2006, no valor originário de R$ 138.395,94. A Delegacia de origem, em análise datada de 07.10.2009 (fl. 06), registra que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 22/10/2009, a interessada apresentou tempestivamente, em 19.11.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 17/27): a) Tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal estão equivocados, pois os valores apontados no PER/DCOMP não foram antecipações, mas recolhimentos indevidos ou a maior, efetuados com código incorreto, fato que evidencia a total improcedência do enquadramento legal indicado pela fiscalização, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação. b) O débito da compensação não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa. c) Ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos. Refere e transcreve decisão judicial, concluindo que deve prevalecer o entendimento no sentido de que não são aplicáveis limitações à compensação relativa a valores Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905699/200905 Acórdão n.º 1803001.878 S1TE03 Fl. 93 3 recolhidos antes da lei limitadora, aduzindo que no caso da presente manifestação de inconformidade, tanto os créditos em favor da requerente quanto os débitos que se quer quitar são de datas anteriores à MP 449/08. Ainda que se admita que a lei possa limitar a utilização de crédito pelo contribuinte, mesmo assim, somente depois que a lei limitadora entrar em vigor é que a restrição começará a valer, mas nunca antes da lei estabelecer as limitações ao uso do crédito do contribuinte”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 06/06/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0121.917 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância através do Comunicado nº. 868/2011 (fls. 70 dos autos) a COMPANHIA REFINADORA DA AMAZÔNIA, qualificada nos autos em epígrafe, solicitou, em 14/10/2011 cópia da decisão de primeira instância tendo recebido em 19/10/2011 (fls. 71 dos autos) e inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0121.917, recorre em 18/10/2011 (fls. 74 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, acrescentando argumentos à manifestação de inconformidade. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905699/200905 Acórdão n.º 1803001.878 S1TE03 Fl. 94 4 Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão de mérito dos autos trata da negativa constante do Despacho Decisório, número de rastreamento: 848567287, emitido pela DRF de Belém – PA em 07/10/2009 (fls. 6 dos autos), que não reconheceu o direito creditório da Recorrente de R$ 11.176,96 (onze mil, cento e setenta e seis reais e noventa e seis centavos), pleiteado através da DECOM nº. 10703.35480.311008.1.3.044520 em decorrência do pagamento a maior. A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, consubstanciada através do Acórdão nº 0121.917 asseverou, em síntese, que não haveria direito à compensação, pois a Recorrente, enquanto pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, em um voto bem fundamentado, mas sob uma premissa falsa, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório da Recorrente, que efetivamente recolheu aos cofres públicos R$ 11.176,96 (onze mil, cento e setenta e seis reais e noventa e seis centavos), porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema já possui direcionamento reiterado no CARF que fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Além do mais, a matéria é objeto da Súmula nº 84 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim determina: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch, aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10240.900338/201074 na sessão de abril de 2013, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.654 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, a quem peço vênia para transcrever a ementa, “verbis”: “IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10280.905699/200905 Acórdão n.º 1803001.878 S1TE03 Fl. 95 5 O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)”. Diante de tudo isso e em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984880/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 25638.10640.141205.1.3.040786, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado, referente à Cofins apurada em dezembro/2003, em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 84 88 0/ 20 09 -0 1Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.984880/200901 Resolução nº 3401000.761 S3C4T1 Fl. 5 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, juntando demonstrativos de cálculo do tributo que originou o direito creditório, cópias do Livro Registro de Entradas e Saídas e razão analítico. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação ao argumento que não havia prova suficiente do direito pleiteado e que o regime de apuração da Cofins, anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03, era o cumulativo, o qual não previa desconto de créditos de espécie alguma. Cientificado em 05/09/2011, em 04/10/2011, o contribuinte interpôs recurso onde contestou a conclusão da decisão de primeiro grau, de que o indébito adviria de supostos créditos não cumulativos, esclarecendo que corresponderia a produtos sujeitos à alíquota zero – incidência monofásica, tal qual previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/02. Na oportunidade foram juntados DCTF, DIPJ, demonstrativo de cálculo da Cofins. Em 29/11/2012 o contribuinte apresentou arrazoado explicitando a origem do direito creditório que, segundo afirma, referirseia à indevida inclusão de produtos sujeitos à incidência monofásica (autopeças) na apuração do tributo devido em suas operações, no período de janeiro/2003 a agosto/2005; que nem todos os produtos comercializados estão sujeitos a tal forma de tributação; e, que está colecionando listagem de documentos fiscais emitidos diretamente do sistema SINTEGRA (instituído pelo Convênio ICMS 57/95) É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Examinando a situação em debate, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada, e, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação para outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais, bem assim, que no período de apuração do crédito – dezembro/2013 – a Cofins era cumulativa, de modo que não haveria que se falar em créditos da não cumulatividade. É certo que os demonstrativos de apuração colacionados junto à manifestação de inconformidade induzem ao entendimento que a apuração se teria efetuado pelo regime não cumulativo, todavia, tal afirmação não consta da peça recursal ou mesmo do PERDCOMP respectivo, que se limitou a indicar o motivo do crédito como pagamento indevido. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.984880/200901 Resolução nº 3401000.761 S3C4T1 Fl. 6 3 Portanto, não me parece que haja, neste descompasso entre os cálculos apresentados na manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, uma tentativa de alterar o fundamento inicial do pedido de restituição, que continua calcado no pagamento indevido. Outrossim, na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova adequada a estribar seu pleito, ainda que amparado em cópias de páginas de livros fiscais, no entanto, em recurso voluntário fez juntar documentos extraídos do SINTEGRA, cópias de notas fiscais, que, somados aos documentos já existentes nos autos e a meu ver, consubstanciam um início razoável de prova apto a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente em confronto com sua contabilidade. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir exclusivamente de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos contábeis/fiscais e não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.984880/200901 Resolução nº 3401000.761 S3C4T1 Fl. 7 4 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724526/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.506
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.724526/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.506 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente COMPOJET BIOMEDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 45 26 /2 00 9- 91 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a contribuintes individuais declarados em DIPJ e na escrita contábil, além de auxílio alimentação pago em pecúnia – parte dos segurados. O r. acórdão, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A empresa autuada firmou contrato de prestação de serviços com as empresas MONTARTE Montagem, Embalagem de Produtos Hospitalares Ltda EPP, NEUMICRO Montagem, Embalagem de Produtos Hospitalares Ltda EPP e BIOPLAST Projetos Moldes e Transformações de Termoplásticos Ltda EPP, empresas essas enquadradas no regime simplificado de tributação. Em cumprimento à cláusula contratual a que se encontra obrigada, a autuada procedeu ao fornecimento de auxílio alimentação aos empregados das empresas contratadas. · Como as empresas são do SIMPLES, contribuem sobre o faturamento, não havendo assim que se falar em contribuição sobre o auxílio alimentação. · A falta da inscrição formal no PAT somente pode gerar, na forma do art. 8º do Decreto 5, de 1991, a vedação da empresa para se valer do incentivo fiscal de dedução dos gastos no seu Imposto de Renda (perdendo o direito de créditos remanescentes, inclusive) e a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória ou instrumental (como é a mera e formal inscrição no PAT, que se processa perante os Correios e está automaticamente aprovada neste mesmo momento). · A presente Notificação tem como fundamento a pretensa responsabilidade do empregador pela contribuição previdenciária devida por terceiros que prestaram serviços À empresa autuada, sob a equivocada premissa de estes seriam substituídos na relação tributária. E certo que só existe coresponsabilidade frente ao comprovado inadimplemento do contribuinte. Assim, a fiscalização, num primeiro momento, deve examinar a regularidade do contribuinte (prestador de serviço) quanto ao pagamento da exação ora cobrada e, certificando se da inadimplência, formalizar a cobrança ora fustigada junto ao contribuinte prestador de serviço). Sendo frustrada esta cobrança, num segundo momento, é que caberia a cobrança do responsável solidário. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 5 4 · Protestase, pois, pela realização de perícia fiscal visando a apuração dos valores, por ventura, devidos e, sendo o caso, a busca da satisfação do crédito junto aos contribuintes. · É evidente o equívoco cometido pelo INSS ao exigir o pagamento do empregador antes mesmo de verificar o adimplemento pelo empregado, pois, caso contrário, será o reconhecimento de que foi inserido em nosso ordenamento, mediante lei ordinária, uma nova contribuição a cargo do tomador de serviço. · O caráter subsidiário da responsabilidade. · Requer improcedência do auto de infração ora impugnado, haja vista que os empregados que obtêm auxílio alimentar são empregados das empresas contratadas pela autuada, sendo certo que as mesmas são optantes do SIMPLES NACIONAL, estando regular com o recolhimento de seus tributos, bem como a folha de salário. Ad cautelam, diante da demonstração cabal do cumprimento das obrigações com o PAT na prática; da impossibilidade de ser modificar a natureza das coisas com exigências meramente formais; da observância de que a empresa apenas poderia ter cassado o incentivo de que trata o art. I o da Lei n° 6.321/76 e terlhe aplicada multa, apenas; da existência de precedentes normativos internos da Procuradoria do INSS e dos Tribunais Superiores, com força vinculante inclusive, seja declarado a inexistência dos débitos elencados no Auto de Infração. Ademais, diante dos argumentos acima aduzidos, concluise pela manifesta improcedência do auto de infração ora impugnado, vez a inexistência de comprovação de não pagamento da contribuição por parte dos terceiros que prestaram serviços à autuada, sendo certo que a responsabilidade do tomador é subsidiária à responsabilidade do contribuinte direto, o que impõe a necessária improcedência da autuação fiscal ora impugnada. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Insurgese a recorrente apenas acerca das verbas pagas a título de auxílio alimentação aos empregados terceirizados. Do que posto, temos que a recorrente pagava em dinheiro as parcelas a título de auxílio alimentação, sem a inscrição no PAT, aos segurados que lhe prestavam serviço, sendo as parcelas consideradas como salário de contribuição. Com razão a autoridade autuante. Os pagamentos a título de alimentação efetuados em dinheiro são considerados salário de contribuição, senão vejamos trecho do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011: Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Referido parecer foi aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda, consoante despacho publicado no DOU de 24.11.2011, seção 01, pág 72. Do relatório fiscal de fls 17 e ss, temos que a recorrente pagava a seus segurados, em pecúnia, verbas a título de despesas de alimentação. A lei 8.212/91 traz: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 7 6 ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;” Esclarecemos que o referido parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 também entende que a parcela in natura entregue ao empregado não se configura salário de contribuição, estando ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador, mas esta não é o caso dos autos. No caso presente, com pagamento em dinheiro, não há que falar na excepcionalidade da retrocitada alínea “c” do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, sendo tais verbas consideradas como salário de contribuição. O Programa de Alimentação do Trabalhador está disciplinado pela Portaria Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Nº 3 de 01.03.2002. Tal norma não prevê o pagamento em dinheiro, a corroborar com o entendimento explanado no parecer. Vejamos as modalidades previstas: III das Modalidades de Execução do Pat Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam credenciadas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. Nota Nova nova redação dada a este Artigo pelo Artigo 2º da Portaria SIT/DSST nº 61 de 28.10.2003. Tal portaria está em consonância com o art. 3º da lei Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art.3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ‘in natura’ pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724526/200991 Acórdão n.º 2803002.506 S2TE03 Fl. 8 7 Dessa feita, pagamento a título de auxílioalimentação, pago em dinheiro, deve ser considerado base de cálculo de contribuições à seguridade social, nos termos do art. 28,I da lei 8.212/91. Sobre a solidariedade apontada, não merece reparos a decisão de primeiro grau. As verbas foram pagas por COMPOJET BIOMÉDICA, tudo escriturado na conta 32023 DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO, sendo assim a responsável pelos ônus tributários daí advindos. Não merece acolhida a tese de que os prestadores eram empregados de empresas do SIMPLES, pois a autuação não se adentrou nessa relação jurídica, restringindose aos pagamentos feitos diretamente entre COMPOJET e segurados, sendo igualmente irrelevantes os acertos firmados entre particulares para se tentar afastar a incidência fiscal, conforme art. 123 do CTN, que transcrevo. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa feita, deve a r. decisão ser mantida em sua integralidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10855.003100/99-02
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (súmula CARF no 57).
Numero da decisão: 1101-000.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
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IMPEDIMENTO A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (súmula CARF no 57). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 31 00 /9 9- 02 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 198 2 Relatório ANGRIZANI & GARROTE S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra exclusão da contribuinte do SIMPLES. Em 17/09/1999 a contribuinte solicitou inclusão retroativa no Simples, a partir de 18/08/1999, data sua constituição, alegando erro de digitação na FCPJ quando no cadastramento do CNPJ deixou de constar o código 301, referente à opção ao referido regime tributário (fls. 01 e 02). O despacho decisório no 233/2000 de 29/02/2000, indeferiu o pedido fundamentando no art. 9º inciso XIII da Lei 9.317/1996 ( fl. 18), tendo em vista que a empresa exercia atividade assemelhada às atividades de engenheiro ou técnico (exploração no ramo de assistência técnica em máquinas e equipamentos e instalações elétricas e mecânicas) e que o sócio majoritário, que detém 99,00% do capital social, é engenheiro. Cientificada em 05/05/2000 (fl. 21), a contribuinte ingressa com a impugnação em 06/06/2000 (fls. 2225) aduzindo que: · Inscreveuse como contribuinte em 18/08/1999 e por erro de digitação deixou de constar o código 301. · Em 19/09/1999 requereu o enquadramento no SIMPLES. · Em 26/01/2000, pelo Termo de Intimação nº 15/2000 foi intimada a apresentar o contrato social e comprovante de opção pelo SIMPLES. · O pedido foi indeferido ante a fundamentação de que “a atividade desenvolvida é impeditiva de adesão ao SIMPLES, conforme previsto no art. 9º, inciso XIII da Lei 9.317/96 e em normas legais posteriores”. · A empresa não se enquadra no art. 9º, inciso XIII da Lei 9.317/1996, pois não a atividade desenvolvida pela empresa, conforme consta em seu contrato social é a “exploração do ramo de ASSISTENCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES ELETRICAS E MECÂNICAS”, não excludente da opção pelo Simples, pois não necessita de profissional habilitado. · Não há na atividade desenvolvida pela empresa qualquer vinculação com o artigo 9º, inciso XIII e que a exclusão reportase apenas em atividades nas quais o seu exercício depende de profissão legalmente exigida. · Presta apenas serviços de assistência técnica em máquinas e equipamentos e instalações elétricas e mecânicas, não necessitando para esse fim de qualquer conhecimento técnico obtido através de cursos profissionalizantes (habilitação legal), bastando o conhecimento do diaadia. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 199 3 · O sócio majoritário ser engenheiro não autoriza a ilação contida no despacho decisório. · Qualquer pessoa formada em uma profissão pode exercer outra completamente diferente e que o sócio trabalhou até meados de 1998 como empregado em outra empresa. Por fim, requer o enquadramento da empresa no Simples. A DRJ – Ribeirão Preto SPO confirmou o despacho decisório, indeferindo o manifestação de inconformidade da contribuinte através do Acórdão DRJ RPO 1685 de 08/07/2002 (fls. 2024), cuja ementa transcrevese: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. AnoCalendário: 2000 Ementa: Simples, Vedações, Serviços de Montagem e Manutenção de Equipamentos Industriais. A Pessoa Jurídica que presta serviços na área de Assistência Técnica em Máquinas e Equipamentos; e Instalações Elétricas e Mecânicas, está impedida de exercer a opção pelo Simples, por tratarse de atividade relacionada à prestação de serviços de Engenharia. Solicitação Indeferida”. Consta do acórdão que do texto legal (art. 9º, inciso XII da Lei 9317/1996), depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços: 1. relativos às profissões expressamente listadas, dentre elas, a de professor; 2. profissionais assemelhados àqueles listados no mesmo inciso; 3. profissionais de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Caracterizadas pela atividade exercida, por citação literal ou semelhança, as duas primeiras hipóteses são distintas e independentes da terceira, bastando que a pessoa jurídica incorra em uma só delas para que sua inscrição no Simples seja vedada. Ao citar expressamente os assemelhados, a lei tornou não exaustiva a lista de serviços profissionais relacionados, sendo alcançada pela vedação toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal. A atividade exercida pela interessada, qual seja: Assistência em Máquinas e Equipamentos; Instalações Elétricas e Mecânicas, embora não esteja literalmente citada dentre as atividades vedadas, foi incluída na condição de atividade assemelhada à prestação de serviços de engenheiro, conforme se observa no Ato Declaratório (Normativo) n° 04, de 22 de fevereiro de 2000. "Ato Declaratório (Normativo) n° 4, de 22 de fevereiro de 2000." Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 200 4 Dispõe sobre a opção pelo Simples de empresas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais. O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF no 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso XIII do art. 9° da Lei no Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alínea "f' do art. 27 da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1996 e a Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia." Ciente em 20/08/2002 da decisão da DRJ e, irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/09/2002 a este Colegiado (fls. 3741), argumentando em sede recursal que o entendimento da decisão da DRJ não deve prosperar. Alega que “não há como se aceitar a ligação feita entre a atividade desenvolvida pela recorrente, a saber: ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MECÂNICAS e o Ato Declaratório no 4 MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, (g.n).” Afirma que não há qualquer traço de similitude nas atividades acima e que a atividade desenvolvida pela empresa não necessita de profissional habilitado legalmente, bastando somente o conhecimento que ele tenha adquirido na prática. Recorda que o primeiro indeferimento no setor de Tributação da DRF Sorocaba, baseouse no fato de que a atividade da recorrente “requer o emprego de serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados e que o sócio gerente Sr.Wilson Garrote Porcel Junior é engenheiro”. Por fim, requer o deferimento do pedido de enquadramento no Simples. O julgamento foi convertido em diligência em sessão de 12 de agosto de 2005, pelos membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, a fim de que fosse verificada a real atividade da empresa (fls. 50 a 54), conforme ementa transcrita: RESOLUÇÃO No 30101.438 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A DRF, através do Termo de Intimação no 249/2006 de 05 de maio de 2006 (fl. 65), intimou a contribuinte a apresentar as Notas Fiscais Simples expedidas nos períodos de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 201 5 outubro a dezembro de 1999 e agosto e setembro de 2000, no que foi atendida, com a entrega de notas fiscais de números 001 a 012 (fls. 68 a 79). A autoridade preparadora em despacho de fl. 80, assim dispôs: “(...) Após a apresentaçao das Notas Fiscais de fls. 68/79, que documentam pagamentos mensais efetuados por PIRELLI CABOS S/A SOROCABA à recorrente, por prestação de serviços de assistência técnica para linha de cordagem SZ – cabos ópticos, entendo não merecer qualquer reparo o despacho de indeferimento. As máquinas, ou equipamentos, dessa linha de montagem de cabos ópticos operam com a utilização dos serviços de assistência técnica prestados pela requerente, tal como consta da Cláusula Segunda de seu Contrato Social (fl. 09). A aptidão para prestação de tais serviços à cliente PIRELLI CABOS S/A é própria de profissionais de engenharia ou assemelhados (art. 9º, XII, da Lei n º. 9.317/1996”. Retornando os autos ao Conselho de Contribuintes, a d. Relatora assim se manifestou (fls. 81 a 84): “A despeito do entendimento daquela autoridade preparadora quanto à procedência do despacho de indeferimento, verificase, dos extratos emitidos pela própria Receita Federal, que a contribuinte foi inclusa no SIMPLES a desde o ano calendário de 1999 (f1.57) e dele excluída em 01/01/2002 (fl. 56, verso). (grifamos) Assim, vez que a lide posta nos autos diz respeito ao indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, não se insurgindo a requerente contra qualquer exclusão que porventura tenha sido efetuada, entendo ser necessária a confirmação das informações constantes do predito extrato emitido pela SRF, no sentido de corroborar a inclusão da contribuinte no SIMPLES desde 1999, conforme acima assinalado, razão pela qual voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA”. Em sessão de 27 de fevereiro de 2007, o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de origem, cuja ementa, se transcreve: RESOLUÇÃO No 3011.796 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Foram juntados aos autos, em 05/12/2007, cópias de documentos extraídos do processo n. 10855.003552/200242 que tratou da exclusão da contribuinte do SIMPLES. Os documentos mostram, em síntese (fls. 87 a 124): · A contribuinte estava enquadrada no Simples desde 01/01/2000, devido a sua opção no regime tributário do Simples Federal em 21/01/2000, com efeitos retroativos a 01/01/2000 conforme mostra o cadastro CNPJ (fl. 87 – verso). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 202 6 · Em decorrência na análise do processo 10.855.003100/9902, a SACAT da DRF Sorocaba instaurou o processo 10855.003552/2002 52 onde propôs a edição de Ato Declaratório para exclusão do simples para exclusão do Simples desde a data em que formalizou a sua opção: 01/01/2000 (fl.115) · Foi editado o Ato Declaratório n. 15 de 21 de fevereiro de 2003, que excluiu a contribuinte do Simples (fl. 117) a partir de 01 de janeiro de 2002, em função do disposto no inciso II do artigo 15 da Lei 9.317/1996, com a redação alterada pelo artigo 73 da Medida Provisória no 215835 de 2001 e tendo em vista o disposto no artigo 1º da Instrução Normativa SRF no 102/2001. · A contribuinte foi cientificada em 14/03/2003 do Ato Declaratório no 15 e, tendo transcorrido o prazo regulamentar sem apresentação de impugnação, foi lavrado o Termo de Revelia em 08/07/2003 (fls. 120 e 120v). · Em 06/08/2003 foi processada a exclusão de ofício da contribuinte no Simples Federal, evento 321, em razão da definitividade dos efeitos do ADE em razão da revelia (fls. 123). Em cumprimento à determinação da realização da diligência, a autoridade preparadora informou que (fl. 125): · Em 17/09/1999 a contribuinte requereu inclusão no Simples desde 18/08/1999, data da inscrição no CNPJ, elegando erro no preenchimento da FCPJ. · Em 21/01/2000 a contribuinte fez opção pelo SIMPLES com efeitos retroativos a 01/01/2000 ( 87v) · O pedido, efetuado em 17/09/1999 foi indeferido, em virtude da atividade economica exercida. · Foi instaurado o processo 10855.003552/200252 para exclusão de ofício do SIMPLES FEDERAL, desde a data de 01/01/2002. · A exclusão aconteceu em 11/08/2003, com efeitos desde 01/01/2002. Retornando os autos à Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, os membros, por unanimidade de votos, acordaram em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora, que “considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II “b” do Código Tributário Nacional, DOU PROVIMENTO ao recurso para considerar incluida no Simples, a partir do anocalendário 1999, inclusive” (fls.126 a 131). Transcrevese a ementa do acordão 30134.707 de 14/08/2008: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 203 7 Anocalendário: 2000 SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADES DE ENGENHARIA LEI COMPLEMENTAR 123/2006. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1°, inciso XIII, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. SIMPLES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA. JULGAMENTOS PENDENTES. EFEITOS. A lei nova tem repercussão pretérita aos casos pendentes de julgamento, por força do caráter interpretativo da norma jurídica impeditiva anterior, revogada pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem à rega do artigo 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A União, em 12 de março de 2009, com fulcro no artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interpôs Recurso Especial contra o Acordão proferido pela colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atualmente, Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), que deu provimento ao recurso voluntário, alegando divergência entre a decisão impugnada e o entendimento adotado por outras Câmaras dos Conselhos (fls. 135 a 154). O recurso especial foi admitido e a contribuinte cientificada em 02/06/2010 (fl. 171). Em 25/04/2012, os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acordam por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, para afastar a retroatividade da Lei Complementar 123/2006 e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário, conforme a ementa transcrita : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microe mpresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Ano –calendário: 2000 RECURSO ESPECIAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/06. IRRETROATIVIDADE. MUDANÇA DO ROL DE ATIVIDADES VEDADAS AO SIMPLES. Não retroage a lei complementar nº 123/06, que inaugurou o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, tendo em vista que não se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade prevista no artigo 106 do CTN, portanto, não há que se falar na inclusão retroativa da contribuinte no regime simplificadode tributação. Os autos retornaram ao CARF para, nos termos do voto do relator, dar cumprimento à determinação do “retorno dos autos à Câmara de origem para que seja apreciado o mérito do recurso voluntário relativo a real atividade exercida pela contribuinte”. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 204 8 Voto Conselheira MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Em atendimento ao determinado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais passase à análise do mérito do recurso voluntário relativamente à real atividade exercida pela contribuinte. O recurso voluntário foi interposto em 19/09/2002 em face da decisão DRJ Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, decidiu manter o despacho decisório que negou o enquadramento da contribuinte no Simples, retroativo a 18/08/1999. A ementa da decisão da DRJ Ribeirão Preto 1685 de 08/07/2002, se reproduz a seguir: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. AnoCalendário: 2000 Ementa: Simples, Vedações, Serviços de Montagem e Manutenção de Equipamentos Industriais. A Pessoa Jurídica que presta serviços na área de Assistência Técnica em Máquinas e Equipamentos; e Instalações Elétricas e Mecânicas, está impedida de exercer a opção pelo Simples, por tratarse de atividade relacionada à prestação de serviços de Engenharia. Solicitação Indeferida”. O motivo da negativa está exposto no voto que ora transcrevese: A contribuinte não poderá optar pelo Simples conforme a Lei 9.317, de 1996, art. 9°, XIII, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.(grifei) Do texto legal depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços: 1. relativos às profissões expressamente listadas, dentre elas, a de professor; 2. profissionais assemelhados àqueles listados no mesmo inciso; 3. profissionais de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 205 9 Caracterizadas pela atividade exercida, por citação literal ou semelhança, as duas primeiras hipóteses são distintas e independentes da terceira, bastando que a pessoa jurídica incorra em uma só delas para que sua inscrição no Simples seja vedada. Ao citar expressamente os assemelhados, a lei tornou não exaustiva a lista de serviços profissionais relacionados, sendo alcançada pela vedação toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal. A atividade exercida pela interessada, qual seja: Assistência em Máquinas e Equipamentos; Instalações Elétricas e Mecânicas, embora não esteja literalmente citada dentre as atividades vedadas, foi incluída na condição de atividade assemelhada à prestação de serviços de engenheiro, conforme se observa no Ato Declaratório (Normativo) n° 04, de 22 de fevereiro de 2000. "Ato Declaratório (Normativo) n° 4, de 22 de fevereiro de 2000." Dispõe sobre a opção pelo Simples de empresas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais. O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF no 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso XIII do art. 9° da Lei no Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alínea "f' do art. 27 da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1996 e a Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia." Primeiramente, o processo foi baixado em diligência pelos membros da 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em sessão de 12 de agosto de 2005 para verificar a real atividade da empresa (fl. 50 a 54). Em procedimento de diligência, atendendo à intimação nº 249/2006 de 05 de maio de 2006, a contribuinte apresentou 12 (doze) notas fiscais numeradas de 01 a 12, constantes às fls. 68 a 79. Todas as notas fiscais de Prestação de Serviços referemse ao mesmo cliente “Pirelli Cabos S/A Sorocaba” e a especificação dos serviços traz a seguinte descrição: “Prestação de serviços de assistência técnica para linha de cordagem SZ – Cabos Opticos”, acrescido do mês da prestação do serviço e número do pedido. Verificase, portanto, que a contribuinte efetivamente prestava serviços tanto no ano de 1999 como em 2000, de assistência técnica, de acordo com o objeto social que consta na Cláusula segunda do seu Contrato Social (fls. 08 a 11): A Sociedade terá por objeto a exploração do ramo de ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MECÂNICAS. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 206 10 Em informação fiscal (fl. 80), o auditor–fiscal responsável pela diligência, analisou estes documentos e entendeu que restou comprovado que a contribuinte não podia enquadrarse no SIMPLES pois a atividade é própria de profissionais de engenharia e assemelhados, conforme se reproduz: “As Notas Fiscais de Prestação de Serviços de fls. 68/79 relativas aos meses de outubro de 1999 a setembro de 2000, apresentadas pela empresa em atendimento à referida Intimação, discriminam adequadamente a natureza dos serviços por ela prestados, e fazem a prova necessária e bastante ao exame conclusivo do recurso voluntário. O Despacho Decisório de fl. 18, que indeferiu o pedido da interessada de inclusão no SIMPLES, vem ajustado à prova até então disponível no processo. Após a apresentação das Notas Fiscais de fls. 68/79 que documentam pagamentos mensais efetuados por PIRELLI CABOS S/A SOROCABA à recorrente, por prestação de serviços de assistência técnica para linha de cordagem SZ cabos ópticos, entendo não merecer qualquer reparo o despacho de indeferimento. As máquinas, ou equipamentos, dessa linha de cordagem de cabos ópticos operam com a utilização dos serviços de assistência técnica prestados pela requerente, tal como consta da Cláusula Segunda de seu Contrato Social (fl. 09). A aptidão para prestação de tais serviços à cliente PIRELLI CABOS S/A é própria de profissionais de engenharia ou assemelhados (Art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317/1996)”. Para melhor esclarecimento sobre a atividade prestada, buscouse a Resolução Nº 218, de 29 de junho de 1973, que considerando que o Art. 7º da Lei nº 5.194/66 referese às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, em termos genéricos, discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, conforme dispõem os arts. 8o, 9º e 12o. Art. 8º Compete ao ENGENHEIRO ELETRICISTA ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETROTÉCNICA: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes à geração, transmissão, distribuição e utilização da energia elétrica; equipamentos, materiais e máquinas elétricas; sistemas de medição e controle elétricos; seus serviços afins e correlatos. Art. 9º Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônico sem geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. Art. 12 Compete ao ENGENHEIRO MECÂNICO ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO EDE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO MECÂNICO E DE ARMAMENTO ou ao ENGENHEIRO DE AUTOMÓVEISou ao ENGENHEIRO INDUSTRIAL MODALIDADE MECÂNICA: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletromecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos. As atividades 01 a 18 citadas no art. 9º são: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 207 11 Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. (grifos nossos) Importante trazer aos autos que a citada Resolução 218 também regula no art. 23, as atividades do Técnico de nível superior ou tecnólogo, a quem compete: I – o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1o desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais. II – as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1o desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item 1 deste artigo. Também o art. 24 da Resolução 218 regula a competência do Técnico de Grau Médio: I – o desempenho das atividades 14 e 18 do artigo 1o desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais: II – as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1o desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Vêse que diversas atividades de Engenharia são também executadas por técnicos, inclusive atividades de Execução de instalação, montagem e reparo. Podese concluir, portanto, que não sejam atividades exclusivas de engenharia. Acrescentese que a causa da exclusão tratase de matéria já pacificada no âmbito desta instância de julgamento através da Súmula CARF Nº 57 aprovada pela Portaria Nº 52, de 21 de Dezembro de 2010 que divulgou as súmulas aprovadas e consolidadas com os acórdãos paradigmas e súmulas vinculantes: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 208 12 Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Como se pode observar, a Súmula CARF nº 57 não distingue quais máquinas e equipamentos, ou quais tipos de assistência técnica sujeitamse à manutenção, assistência técnica ou instalações. Na medida que a contribuinte conseguiu optar pelo SIMPLES no ano 2000, o pedido de inclusão retroativa analisado nestes autos, limitase ao ano de 1999. Considerando que a contribuinte pede a inclusão retroativa no SIMPLES a partir de 18/08/1999, pelo exposto, a atividade da contribuinte não pode ser considerada vedada pela Lei n° 9.317/96, com fundamento na súmula n° 57. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para mantêla no SIMPLES no ano de 1999. (documento assinado digitalmente) MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.003100/9902 Acórdão n.º 1101000.947 S1C1T1 Fl. 209 13 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16682.900882/2010-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 05966.28898.280307.1.3.046913, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 88 2/ 20 10 -0 1 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 3 2 relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 7.345,10, com o crédito de R$ 7.345,10, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), referente ao período de apuração 30/09/2006, no valor total de R$ 24.483,69. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540468), emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.345,10. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/49, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 12B da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 12B da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936, como forma de corroborar o acima Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 4 3 exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 103.179,76, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 05966.28898.280307.1.3.046913 em 28/03/2007, no total de R$ 7.345,10 (principal: R$ 5.877,96; multa: R$ 1.175,59; juros: R$ 291,55), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 6.051,37, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 1.293,72; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.018, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 11/03/2013 (Aviso de Recebimento, AR). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 5 4 A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO.CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/04/2013. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 6 5 no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anobase encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, o crédito de R$ 7.345,10, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 24.483,69, referente ao período de apuração de 30/09/2006. declarado no PER/DCOMP nº 05966.28898.280307.1.3.046913,(fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 9.617.173,50 (fls.54/65), como demonstrado a seguir: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 7 6 ... 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 12B da DIPJ/2007, passando a fazer jus ao saldo negativo de R$ 103.179,76. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 66/68), que o motivo do acréscimo do saldo negativo está no preenchimento da Ficha12B (“Cálculo do IR sobre o Lucro Real”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” apresenta o valor de R$ 9.617.173,50, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 9.652.441,32. Consequentemente, o saldo negativo de R$ 67.911,94 das duas primeiras restou acrescido para R$ 103.179,76 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls.31/41) declara a compensação de débito de IRPJ utilizando o crédito de R$ 67.850,66, proveniente do saldo negativo retificado de R$ 103.179,76. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 35.329,10. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls. 109), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 69/72), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 35.329,10, para compensar débito de IRPJ, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 35.267,82. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de IRPJ integra o saldo negativo de R$ 103.179,76 pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 12B das respectivas declarações o efetivo valor do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” – R$ 9.652.441,32 – e, consequentemente, do saldo negativo – R$ 103.179,78 após todos os recolhimentos de estimativa de IRPJ Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 8 7 efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de IRPJ recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 35.267,84, compõem efetivamente o saldo negativo de R$ 103.179,78, pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de saldo negativo, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 pelo de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo do saldo negativo de R$ 103.179,78, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater ao mencionado saldo negativo retificado. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte do saldo negativo de R$ 103.179,78, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 106 e 108). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 35.267,82 indicado no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 9 8 proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 05966.28898.280307.1.3.046913 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 em que se analisa o saldo credor do IRPJ de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, relativo ao período de setembro/2006, compõe o saldo negativo de R$ 103.179,78, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900882/201001 Resolução nº 1802000.316 S1TE02 Fl. 10 9 saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.001780/2003-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
Ementa:
CONTRADIÇÃO, OMISSÃO - REEXAME DE MATÉRIA
O juízo de conhecimento dos embargos, inconfundível com o de mérito, requer um mínimo de potencialidade de obscuridade, contradição ou omissão do julgado, o que não se faz presente aqui, em que o recurso foi desafiado para reexame da matéria, para o que não se presta a via estreita dos embargos.
Numero da decisão: 1103-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 Ementa: CONTRADIÇÃO, OMISSÃO REEXAME DE MATÉRIA O juízo de conhecimento dos embargos, inconfundível com o de mérito, requer um mínimo de potencialidade de obscuridade, contradição ou omissão do julgado, o que não se faz presente aqui, em que o recurso foi desafiado para reexame da matéria, para o que não se presta a via estreita dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 80 /2 00 3- 13 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.579 2 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 14/05/2003 a recorrente protocolizou declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração 28.02.2003 e vencimento em 31.03.2003, no valor original de R$ 63.397,13, com crédito oriundo de Saldo Negativo – SN, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, ano calendário de 2002 no montante de R$ 905,28. Visando à instrução processual foi solicitado por meio da Intimação Fiscal nº 16/06 (fls. 5 e 6) demonstrativo de origem e utilização das compensações realizadas pela recorrente desde o anocalendário de 1996, os quais foram apresentados conforme solicitação (fls. 8 a 44). A autoridade competente, para apreciação da pretendida compensação elaborou, em 30/01/2007, o Despacho Decisório (fls. 744 a 752), que, posteriormente, em março/2007, foi retificado conforme “Despacho Decisório – Retificação” de fls. 755 a 763 (fls. 1.264 a 1.272), indeferindo a compensação pleiteada pela recorrente, nos termos abaixo sintetizados: a) Inicialmente, a autoridade fiscal discorre sobre a legislação pertinente ao instituto da compensação, destacando legislação específica relativa à compensação de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL (Ato Declaratório nº 003, de 07/01/2000, e art. 6º da IN SRF nº 210, de 30/09/2002); b) Ao analisar o “Direito ao Crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário de 2002”, a autoridade fiscal informa que a recorrente teve analisado e denegado, pela DEINF/SPO, o pedido de compensação de diversos débitos de IRRF, anocalendário de 2002 com crédito oriundo de pagamento a maior que o devido apurado no período compreendido entre maio de 1993 e dezembro de 1995 (processo administrativo nº 16327.000723/200589); c) Anotou também a autoridade fiscal que o crédito indicado pela recorrente tem sua origem em anos calendários anteriores, cuja análise é imprescindível para a conclusão escorreita do trabalho e, em assim sendo, retrocedeu à apuração do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1996 (até AC 1995 já fora analisado no Processo Administrativo nº 16327.000723/200589); d) Com base nos dados informados nas DCTF e nas DIRPJ, bem como, considerando os valores efetivamente recolhidos (Sinal 08) e Retidos na Fonte (DIRF) foram os cálculos refeitos (Demonstrativo completo às fls. 687 a 699), conforme quadro a seguir: Saldo Negativo AC 1996 AC 1997 AC 1998 AC 1999 Declarado 0,00 224.501,52 468.888,85 0,00 Contribuinte Apurado SRF 0,00 223.543,36 460.967,42 351.379,74 Saldo Negativo AC 2000 AC 2001 AC 2002 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.580 3 Declarado 1.002.823,79 69.724,51 863,82 Contribuinte Apurado SRF 351.487,84 2.447,77 ZERO e) A autoridade fiscal consignou que as diferenças entre as informações da recorrente e os valores efetivamente apurados pela DIORT/DEINFSPO se deram ao fato de a recorrente ter considerado na apuração dos Saldos Negativos valores que teriam sido compensados, mas que durante a auditoria realizada não foram confirmados (Relatório Analítico de compensação emitido pelo sistema de apoio operacional – SAPO às fls. 694 e 695); f) Registrou a autoridade fiscal que a recorrente, no anocalendário de 1998, sucedeu, por incorporação, a Indusval Participações S/C Ltda, CNPJ nº 01.692.539/000111, e, no anocalendário de 1999, a Induspart. Administração e Participações SC Ltda (CNPJ nº 02.388.219/000135), conforme pesquisa cadastral (fl. 686), sendo que os correspondentes saldos negativos (AC 1998: R$ 1.352.460,62 + R$ 1.004.162,98 e AC 1999 – R$ 96.908,96) foram incorporados ao patrimônio da recorrente e, por conseguinte, foram utilizados como crédito favorável à ela no Sistema Operacional de Compensação da SRF; g) Como resultado das imputações, a autoridade fiscal concluiu que o crédito resultante dos Saldos Negativos apurados foi insuficiente para promover a quitação do total dos débitos indicado nas citadas DCTF (ano de 1998 a 2003). Sendo que restaram débitos ativos passíveis de cobrança; h) Ante o exposto, a autoridade administrativa decidiu: · não reconhecer o direito de crédito da recorrente oriundo de Saldo Negativo apurado no anocalendário de 2002, conforme pleiteado, uma vez que constatado sua inexistência, conforme Demonstrativo de apuração de Saldos Negativos (fls. 694 e 695); · reconhecer o direito de crédito da recorrente oriundo de Saldos Negativos apurados nos anos calendários de 1997 a 2001 contra a Fazenda Nacional, dos valores, conforme abaixo: ORIGEM CNPJ AC/EX APUR VALOR Indusval Part. Ltda 01.692.539/000111 1997/1998 31/12/97 1.352.460,62 Banco Indusval 61.024.352/000171 1997/1998 31/12/97 223.543,36 Banco Indusval 61.024.352/000171 1998/1999 31/12/98 460.967,42 Induspart Adm e Part. Ltda 02.388.219/000135 1998/1999 31/12/98 1.004.162,68 Induspart Adm e Part. Ltda 02.388.219/000135 1999/2000 31/12/99 96.908,96 Banco Indusval 61.024.352/000171 1999/2000 31/12/99 351.379,74 Banco Indusval 61.024.352/000171 2000/2001 31/12/00 351.487,84 Banco Indusval 61.024.352/000171 2001/2002 31/12/01 2.447,77 · homologar as compensações indicadas nas DCTF relativas aos anos calendários de 1998 a 2000, até o completo esgotamento do crédito reconhecido, conforme indicado no demonstrativo de compensação às fls. 696699 e no relatório emitido pelo sistema SAPO às fls. 700703; · cobrar o débito de IRPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28, bem como os demais débitos listados na DCTF (2000, 2001 e 2002) e demonstrados no relatório de débitos emitido pelo Sistema SAPO (fls. 703 a 707), cujo valor do crédito foi considerado insuficiente para sua compensação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.581 4 Devidamente cientificada em 17/04/2007, a recorrente opôs manifestação de inconformidade (fls. 1.278 a 1287), na qual requer a reforma do despacho decisório, para o fim de reconhecer o crédito oriundo do Saldo Negativo apurado nos anoscalendários de 1996 a 2002 e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada com o débito constante na DCOMP que originou o presente processo administrativo, sob as argumentações abaixo sintetizadas: a) Preliminarmente, contrapõese à cobrança de valores que se encontram decaídos pelo decurso do prazo de cinco anos ou, ainda, caso assim não se entenda, estaria prescrito o direito de cobrança do Fisco com relação a esse mesmo período; b) Também argúi a necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos nºs 16327.001781/200368 e 16327.000723/200589, porquanto: · no processo administrativo nº 16327.001781/200368 que decorre da Declaração de Compensação apresentada em 14 de maio de 2003, o Requerente utilizou o crédito de IRPJ (R$ 346.164,15), decorrente dos anos de 1995 a 1998, para a compensação com os seus débitos apurados em Janeiro, Fevereiro e Março de 2003; · no processo 16327.000723/200589, constam as compensações referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro as quais também são objeto do presente processo administrativo (fls. 695 e DIPJ/2002, fls. 184 a 186), motivo pelo qual deverão os autos ser agrupados para análise conjunta. c) Ao analisar planilha de fls. 694 e 695, em que se comparam os dados considerados pela recorrente e pelo Fisco para fins apuração do saldo negativo do IRPJ nos anos calendário de 1996 a 2002, assevera que a autoridade fiscal teria desconsiderado alguns recolhimentos efetuados nos anos calendário de 1996 a 2002; d) Em relação ao anocalendário de 1996, alega que a Fiscalização desconsiderou recolhimentos do IRRF (código 8045) por ela efetuados, no valor de R$ 28.677,56 (relação às fls. 1281 e 1282 e cópia das DARFs às fls. 1327 a 1339). Argumenta ainda que, analisandose a planilha elaborada pela fiscalização (fls. 694 e 695), notase que foi desconsiderado também o valor de R$ 798.284,78 decorrente da compensação com IRFonte referente ao anobase de 1996, no valor de R$ 820.450,05, oriundo da incorporação da empresa Participação Indusval S/C Ltda (CNPJ 00.377.379/000101), ocorrida em 08/01/97 (docs anexos: atas de assembléia, laudo de avaliação, razão contábil e informe de rendimentos); e) No que concerne ao anocalendário de 1997, entende que a diferença entre o saldo negativo apurado pela autoridade fiscal (R$ 223.543,36 – fl. 694) e aquele informado pela interessada em sua DIPJ/1998 (R$ 224.501,52 – fl. 76) deuse em razão de desconsideração de valores retidos na fonte. Aponta que foram devidamente recolhidos a titulo de IRRF, código 8045, nos meses de março, abril e maio de 1997, nos valores de R$ 320,45, R$ 302,78, e R$ 334,24, respectivamente (fls. 80, 81 e 83); f) Relativamente ao anocalendário de 1998, de igual forma, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado pela SRF (R$ 460.967,42 – fl. 694) e aquele informado na DIPJ (R$ 468.888,85, fls. 113), decorre do fato de não terem sido considerados os valores recolhidos a título de IRRF (código 8045), nos meses de março, abril, maio, agosto, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.582 5 setembro, outubro e novembro de 1998, nos valores de R$ 892,09, R$ 299,08, R$ 254,40, R$ 281,33, R$ 279,49, R$ 279,49 e R$ 280,29, conforme atestam os documentos de arrecadação (fls. 1370 a 1379); g) Quanto ao anocalendário de 1999, apenas esclarece que apurou base de cálculo negativa de IRPJ (R$ 2.449.365,26, fl. 118) motivo pelo qual os valores recolhidos por estimativa, referentes aos meses de janeiro (R$ 230.911,96 – fl. 119) e fevereiro (R$ 120.467,78 – fl. 120) representam crédito para o requerente no valor de R$ 351.379,74 (crédito esse que será utilizado no ano de 2000); h) Em relação ao anocalendário de 2000, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado pela SRF (R$ 351.487,84 – fl. 694) e aquele informado na DIPJ/2001 (R$ 1.002.823,79, fls. 128) deuse em razão de a autoridade fiscal ter considerado apenas os recolhimentos efetuados nos valores de R$ 121.797,86 e R$ 227.384,83, conforme guia DARFs anexas, desconsiderando a compensação efetuada com Saldo Negativo de IRPJ no valor total de R$ 651.335,95 (vide tabela às fls. 1284 a 1286 em que se encontram discriminados os valores compensados). Destacou, ainda que, para fins de demonstrar o crédito por ela utilizado no anobase de 2001, foi apurada, no ano de 2000, base de cálculo negativa de IRPJ (R$ 500.776,42) e, conseqüentemente, saldo negativo decorrente dos recolhimentos e retenção na fonte (junho e julho – DARF anexo e IRFonte declarado de R$ 2.305,15) e compensações por estimativa, no valor de R$ 1.002.823,79; i) Quanto ao anobase de 2001, alega que a diferença entre o saldo negativo apurado na planilha de fl. 695 (R$ 2.477,77) e o informado na DIPJ (R$ 69.724,51 – fls. 169) é decorrente do fato de a autoridade administrativa ter desconsiderado os valores pagos/compensados por estimativa no valor de R$ 67.276,74 com créditos provenientes do ano de 2000 (oriundos da existência de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.002.823,99). Destacou ainda que, em razão da apuração de base de cálculo negativa de IRPJ no anobase de 2001 (R$ 3.867.402,74 – fl. 155) o valor de R$ 67.276,74 compensado/pago durante o ano tornouse crédito em favor do Requerente (fl. 169), acrescido do valor de R$ 2.447,77 (IRFonte – fl. 168); j) No que concerne ao anocalendário de 2002, defende que, nos termos da planilha apresentada pela Autoridade Fiscal à fl. 695, verificase que foi apurada uma diferença de R$ 371.748,53, decorrente da desconsideração de compensações efetuadas pelo requerente conforme relacionado na fl. 1286; k) Alega também que, em razão das incorporações efetuadas em 1998 (Indusval Participações Ltda. – CNPJ 01.692.539/000111) e 1999 (Induspart Administração e Participações Ltda – CNPJ nº 02.388.219/000135), foi transferido para o Requerente crédito de IRFonte nos valores de R$ 1.852.683,85 e R$ 1.153.784,00, conforme informe de rendimentos e DIRF anexos e , ainda, DIPJ/99 da Induspart Administração e Participações Ltda (Ficha 18). DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 11/09/2007, acordaram a 8ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, em não conhecer da manifestação de inconformidade na parte em que se discute a compensação informada em DCTF e indeferir a solicitação, ratificando assim o despacho Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.583 6 decisório (fls. 1264 a 1272) relativamente à nãohomologação da compensação, objeto da Declaração de Compensação (fl. 01), débito de IRPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28, sob os argumentos abaixo sintetizados: a) Inicialmente, cumpriuse assinalar que a inconformidade da recorrente com a cobrança de débitos alheios à DCOMP não foi objeto de julgamento porquanto pertinentes a DCTF, os quais não estão sujeitos ao rito do PAF (Decreto nº 70.235, de 06/03/1972), sendo analisado apenas quanto ao débito Declarado em DCOMP de fl. 01 (débito de IRPJ, código 2319, apurado em 28/02/2003 e vencido em 31/03/2003 no montante de R$ 905,28); b) Em assim sendo, restou prejudicada a alegação de decadência/prescrição quanto à cobrança dos valores declarados em DCTF e que não foram objeto de DCOMP pertinente a este processo; c) Em relação à alegada necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos nºs 16327.001781/200368 e 16327.000723/20045 89, registrouse que tais processos já foram objeto de julgamento nesta instância administrativa. Deste modo, não foi acolhido o pedido da recorrente para a realização de julgamento conjunto, quer porque não há previsão legal para tanto, quer porque os referidos processos já foram objeto de julgamento nesta instância administrativa com resultado de indeferimento do pleito; d) Destacouse o art. 170 do CTN para enfatizar os requisitos da certeza e da liquidez dos créditos para que possam ser compensados; e) Em relação ao anocalendário de 1996, alegou a recorrente que, na planilha de fl. 695, em que se comparam os dados considerados pela contribuinte e pelo Fisco para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ nos anos calendário de 1996 a 2002, teria o auditor fiscal desconsiderado recolhimentos do IRRF (código 8045) por ela efetuados no valor de R$ 28.677,56 (relação às fls. 1281 e 1282 e Cópia dos DARFs às fls. 1327 a 1339); f) Observouse, de pronto, que ainda que acolhida a reclamação da recorrente relativamente aos “recolhimentos” que deixaram de ser computados pelo autuante no ano calendário de 1996, em nada iriam alterar os dados do relatório de imputação (fls. 700 a 709), posto que não foi apurado saldo negativo no IRPJ/1997 (AC 1996) nem pela recorrente (fls. 694 e 71), nem pela Fiscalização (fl. 694); g) Quanto à reclamação pertinente ao fato de o auditor fiscal ter desconsiderado os valores indicados em sua DIPJ/1998 (AC 1997 – Linha 06 da Ficha 09 – fls. 80, 81 e 83) a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), porquanto haviam sido recolhidos sob o código 8045, nos meses de março, abril e maio de 1997, nos valores de R$ 320,45, R$ 302,78, e R$ 334,24, os espelhos dos documentos de arrecadação extraídos do Sistema “SINAL08” acostados às fls. 1478 a 1480, indicou que o CNPJ 61.024.352/000171 (Banco Indusval S.A.) pertence à pessoa jurídica responsável pelo recolhimento. Portanto, salvo prova inequívoca em contrário, a interessada reteve o imposto de renda sobre rendimentos que pagou a terceiros e, por conseguinte, o recolhimento efetuado pelo responsável (fonte pagadora), é passível de compensação pela pessoa que recebeu os rendimentos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.584 7 h) Da mesma forma, não foi acolhido o argumento de que a diferença entre o Saldo Negativo do IRPJ apurado pela Fiscalização e aquele informado pela recorrente em sua DIPJ/1999 seria decorrente de IRRF (código 8045) devidamente recolhidos. Mais uma vez, conforme atestam os documentos de fls. 1370 a 1379, a recorrente foi responsável pelo recolhimento e, portanto, salvo prova inequívoca em contrário, ela reteve o imposto de renda sobre rendimentos que pagou a terceiros; i) No que tange ao anocalendário de 1999, a recorrente faz apenas um esclarecimento no sentido de que os valores recolhidos por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 1998 representariam crédito o qual seria utilizado no ano de 2000. Entretanto, tal esclarecimento, por si só nada acrescenta aos autos; j) A recorrente alegou que, no anocalendário de 2000, a diferença entre o saldo negativo apurado pela SRF (R$ 351.487,84 – fl. 694) e aquele informado na DIPJ/2001 (R$ 1.002.823,79, fls. 128) deuse em razão de a autoridade fiscal ter considerado apenas os recolhimentos efetuados nos valores de R$ 121.797,86 e R$ 227.384,83, conforme guia DARFs anexados; ao mesmo tempo em que desconsiderou a compensação efetuada com saldo Negativo de IRPJ no valor total de R$ 651.335,95, reportandose à tabela às fls. 1284 s 1286 na qual encontramse discriminados os valores compensados; k) Segundo a tabela de fls. 1284, os valores de estimativa apurados em janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 teriam sido compensados com saldo negativo referente ao ano de 1998, saldo negativo referente ao ano de 1999 e crédito decorrente da incorporação da Induspart. Cumpriuse, entretanto, observar que os valores dos saldos negativos apurados pela fiscalização e utilizados para fins de imputação, nos anos calendário de 1998 e 1999, foram ratificados neste voto, não havendo diferença a ser computada; l) A alegação de que houve compensação com crédito decorrente da incorporação da Induspart é pertinente a crédito que não consta do litígio ora instaurado. Tal crédito não consta nem da Declaração de Compensação de fls. 01, tampouco é pertinente aos saldos negativos do IRPJ que foram considerados pela autoridade fiscal no relatório de imputação. Dessa forma restou prejudicado o argumento apresentado com vistas a considerar que as estimativas do IRPJ pertinentes a janeiro, fevereiro, março e abril de 2000 correspondessem a débitos extintos por compensação e, por conseguinte, devessem ser considerados para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ daquele anocalendário; m) Entendeu a recorrente que a diferença entre o saldo negativo do anobase de 2001 apurado na planilha de fl. 695 (R$ 2.477,77) e o informado na DIPJ (R$ 69.724,51 – fls. 169) é decorrente do fato de a autoridade administrativa ter desconsiderado os valores pagos/compensados por estimativa no valor de R$ 67.276,74 com créditos provenientes do ano de 2000 (oriundos da existência de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.002.823,99). Também no anocalendário de 2001, o valor do saldo negativo apurado pela fiscalização e utilizado para fins de imputação, foi ratificado neste voto, não havendo diferença a ser computada para fins da compensação com os valores de estimativa (R$ 67.276,74); n) Restou, por conseguinte, também prejudicada a alegada existência de crédito no valor de R$ 67.276,74 compensado / pago no anocalendário de 2001 em razão da apuração (pela recorrente) do saldo negativo naquele mesmo anocalendário; o) Quanto ao anocalendário de 2002. a recorrente reclamou que a diferença de R$ 371.748,53 apurada entre o saldo negativo declarado e o apurado pela fiscalização seria, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.585 8 decorrente da desconsideração de compensações efetuadas por ela conforme elencado à fl. 1286. Novamente verificouse que os valores cujas compensações foram desconsideradas (IRPJ estimativa de janeiro, fevereiro, março, abril –parte, de 2002) foram devidamente listados (fls. 707) para fins do Relatório de Imputação emitido pelo sistema SAPO. Irretocável o procedimento fiscal também em relação ao anocalendário de 2002; p) Alegou também a recorrente que, em razão das incorporações efetuadas em 1998 (Indusval Participações Ltda. – CNPJ 01.692.539/000111) e 1999 (Induspart Administração e Participações Ltda – CNPJ nº 02.388.219/000135), teria sido transferido a ela crédito de IRFonte nos valores de R$ 1.852.683,85 e R$ 1.153.784,00, conforme informe de rendimentos e DIRF anexos e , ainda, DIPJ/99 da Induspart Administração e Participações Ltda (Ficha 18). O crédito invocado para a compensação, decorrente de incorporações, não consta nem da Declaração de Compensação de fl. 1, tampouco é pertinente aos saldos negativos do IRPJ que foram considerados pela autoridade fiscal no relatório de imputação. Isto significa que a autoridade administrativa não averiguou a liquidez e certeza deste crédito; q) Como se vê, a contribuinte não apresentou nenhum elemento ou prova capaz de modificar as conclusões fiscais expostas no Despacho Decisório de fls. 1264 a 1272. Devidamente cientificada em 3/10/2007 da r. decisão, a recorrente, inconformada, interpôs, em 1º/11/2007, recurso voluntário, no qual basicamente reitera as alegações já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 24/05/2011, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.196, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos débitos cobrados, cujos fatos geradores tenhamse consumado até 31/03/2002, conforme ementa que se segue. DECADÊNCIA – COBRANÇA EM DESPACHO Na medida em que os créditos igualmente declarados em DCTF e informados como compensação são fulminados em despacho decisório de compensação, os débitos declarados em DCTF não se tornam “pura” confissão de dívida passíveis de exigência sem formalização. Tratase de formalização de dívida impulsionada por despacho. Porquanto o despacho se aperfeiçoou em 17 de abril de 2007, operouse a decadência em relação aos débitos constantes no relatório integrante do despacho, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002. SALDO NEGATIVO DE IRPJ – COMPENSAÇÃO O suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 decorre de compensações de estimativa com saldo negativo de anocalendário anterior, que por sua vez, igualmente deriva da compensação de estimativa com saldo negativo de ano calendário anterior, e assim sucessivamente, em efeito “cascata”. Vêse nos autos que os saldos negativos de anos calendário anteriores a 2002 não são aqueles apurados pelo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.586 9 contribuinte, pois este não abatera muito desses valores, que haviam sido compensados “espontaneamente” pelo contribuinte (sem pedido de compensação) com débitos de tributo da mesma espécie e declarados em DCTF. Não resultou comprovado pelo contribuinte a existência de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A União (Fazenda Nacional), em 24/08/2010, opôs embargos de declaração de fls. 1574 a 1576, alegando, em síntese, o que segue. De acordo com o acórdão, a DCTF não teria o condão de assegurar o “autolançamento” do crédito tributário. Em face disso, foi declarada a decadência parcial do tributo. Contudo os créditos tributários anteriores ao anocalendário de 2002 haviam sido declarados em DCTF. Assim, a declaração de fl. 1/2 não coincide com a DCTF, relativa ao “autolançamento”, mas sim a pedido de compensação, lastreado em tributos declarados e confessados anteriormente em DCTF. Neste sentido, não cabe reconhecer a decadência. Dessa forma, entende pelo cabimento da aplicação do enunciado da Súmula 436 do STJ. Requereu o conhecimento e o provimento dos presentes embargos para serem sanadas a contradição e a omissão indicadas. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.587 10 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo. Alegase nos embargos que estes são manejados para sanear suposta contradição e omissão existentes no Acórdão nº 110300.196, da sessão de 18/05/10, de minha relatoria. Nos embargos, articulase que os créditos tributários anteriores ao ano calendário de 2002 já haviam sido declarados em DCTF, de modo que é descabido o reconhecimento de decadência. Nesse sentido, acentuase: Assim, a declaração de fl. 1 / 2 em nada coincide com a DCTF, relativa ao autolançamento, mas sim a pedido de compensação, lastreado em tributos declarados e confessados anteriormente em DCTF. (grifos do original) De outra parte, importa serem transcritos excertos do voto no Acórdão nº 110300.196: Não se cuida, aqui, de débitos confessados que prescindam de ato formalizador para sua exigência, malgrado informem débitos declarados em DCTF’s da recorrente. Na medida em que os créditos igualmente declarados nas DCTF’s, em compensação “espontânea” da recorrente – por serem casos de compensação de créditos com débitos de tributos da mesma espécie, antes do advento da Medida Provisória 66/02 convertida na Lei 10.637/02 – são fulminados no despacho decisório, impõese a formalização da exigência daqueles débitos, ainda que impulsionada pelo despacho decisório. Com isso quero dizer que a hipótese em dissídio gira em torno do instituto da decadência e não do da prescrição. Vêse nos autos que o aperfeiçoamento do despacho decisório se dera em 17/04/2007, sendo que os débitos objetivados no despacho decisório são do final de 1999 a maio de 2002. É indisfarçável, pois, que os débitos em questão – com fatos geradores aperfeiçoados até o final de março de 2002 – encontramse atingidos pelo fenômeno decadencial, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Outrossim, na conformidade do art. 59, § 3º, do PAF, deixo de decretar a nulidade do acórdão de origem, para reconhecer a decadência dos débitos “lançados” pelo despacho decisório, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.588 11 conforme figuram no relatório do Sistema SAPO que acompanha o referido despacho. Já, quanto à alegada necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com os processos nºs 16327.001781/200368 e 16327.000723/200589, entendo que a apreciação apartada daqueles processos não prejudica o julgamento do presente feito. Ainda que a pretensão da recorrente deduzida nos autos do processo nº 16327.000723/200589 venha a prosperar, não resultaria afetado o desfecho deste feito. A pretensão manejada naquele processo se refere a compensações de débitos relativos aos meses de outubro a dezembro de 2002, no montante de R$ 299.924,80, com créditos compreendidos entre maio de 1993 a dezembro de 1995, e que seria insuficiente para configurar saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, conforme demonstrado em cálculo de fl. 695. Prossigo no exame do feito. (...) Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos débitos cobrados conforme o despacho decisório da DRF de origem (descritos no relatório do sistema SAPO, que integra o referido despacho – fls. 703 a 707), com fatos geradores consumados até o final de março de 2002. (grifamos) Também a ementa relativa à questão do referido acórdão: DECADÊNCIA – COBRANÇA EM DESPACHO Na medida em que os créditos igualmente declarados em DCTF e informados como compensação são fulminados em despacho decisório de compensação, os débitos declarados em DCTF não se tornam “pura” confissão de dívida passíveis de exigência sem formalização. Tratase de formalização de dívida impulsionada por despacho. Porquanto o despacho se aperfeiçoou em 17 de abril de 2007, operouse a decadência em relação aos débitos constantes no relatório integrante do despacho, com fatos geradores consumados até o final de março de 2002. Como se vê do voto (notemse os trechos grifados) e da ementa, inexiste contradição no fundamento, no dispositivo, na ementa, ou entre fundamento e dispositivo, ou entre um desses e a ementa. Igualmente é visível a inexistência de omissão em relação à questão posta. Sobre inexistir contradição nem omissão no acórdão embargado, o que se constata é o seguinte. Os embargos foram desafiados para reexame da matéria, para o que existe espécie própria de recurso, não se prestando a tal a estreita via da espécie recursiva em apreço. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001780/200313 Acórdão n.º 1103000.700 S1C1T3 Fl. 1.589 12 Eventual efeito infringente dos embargos devese dar como consequência lógica ou necessária1 do saneamento de contradição ou do enchimento de omissão existente (enchimento do vazio) apresentadas no acórdão embargado. Não, porém, por consequência de reexame de matéria. De outra parte, o juízo de conhecimento dos embargos requer um mínimo de potencialidade de obscuridade, contradição ou omissão do julgado, o que não se faz presente aqui, como descrito acima, vez que o recurso se ordenou a reexame da matéria, pura e simplesmente, sendo inexistente a referida potencialidade. Sob essa ordem de considerações, não conheço dos embargos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 1 Cf., entre outros, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “Código de Processo Civil Comentado”, 7ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 925; Luís Eduardo Simardi Fernandes, “Embargos de Declaração”, 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 475. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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