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Numero do processo: 10830.720473/2018-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-001.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator).
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 73 /2 01 8- 45 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.720473/201845 Acórdão n.º 2001001.032 S2C0T1 Fl. 73 2 Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de relatório inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 39/47. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave. Solicita que seja reconhecida a isenção. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.720473/201845 Acórdão n.º 2001001.032 S2C0T1 Fl. 74 3 estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.720473/201845 Acórdão n.º 2001001.032 S2C0T1 Fl. 75 4 Com o recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico Oficial, atestando a moléstia grave e suprindo falhas apontadas pelas autoridades lançadora e julgadora. Com base nestes fundamentos, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (voto de José Ricardo Moreira) Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721356/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas.
Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações.
IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA BASEADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS.
Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes.
Numero da decisão: 2401-005.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA BASEADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA BASEADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 56 /2 01 2- 80 Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório ITAU UNIBANCO HOLDING S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1648.129/2013, às efls. 218/242, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas a determinados diretores por meio de outorga de opções de compra de ações (Stock Options), em relação ao período de 04/2007 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 140/164 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos Autos de Infração abaixo relatados: DEBCAD nº 37.346.3081 AIOP onde foram apurados valores referentes à contribuição devida à Seguridade Social:, prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga a diretores (contribuintes individuais), sob a forma de outorga de opções de ações (Stock Options) que dão direito à subscrição de ações da companhia . O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 265.338.950,84 (duzentos e sessenta e cinco milhões, trezentos e trinta e oito mil, novecentos e cinqüenta reais e oitenta e Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 4 3 quatro centavos.), consolidado em 04/12/2012, correspondente às competências 04/2007 a 12/2008. DEBCAD nº 37.346.3090 AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no Art.32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91, em virtude da omissão, nas GFIP, da remuneração e dos valores devidos acima referidos. A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 113.198,40 (cento e treze mil, cento e noventa e oito reais e quarenta centavos), consolidado em 04/12/2012, corresponde às competências 04/2007 a 11/2008 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal autuante adotou o entendimento de que os planos de opções de compra de ações outorgados pelo Recorrente a seus diretores configuram remuneração e, como tal, sujeitamse à incidência da contribuição previdenciária patronal. Com o objetivo de sustentar tal posicionamento, o Auditor Fiscal, inicialmente, transcreveu trechos de documentos apresentados pela Companhia no curso da fiscalização ou obtidos através do seu sítio eletrônico, tais como notas explicativas de demonstrações financeiras e trechos do formulário 20F apresentado à SEC – US Securities and Exchange Comission, que fazem alusão aos planos de opções de compra de ações ofertados pelo Recorrente como remuneração dos beneficiários (diretores ou empregados de alto escalão). Em seguida, o fiscal autuante efetua uma análise das principais disposições do Plano para Outorga de Opções de Ações aprovado pela Assembleia Geral de 01/11/2002 e alterado pelas Assembleias Gerais de 28/04/2004, 27/04/2005 e 26/04/2006. Feitas as considerações iniciais acima indicadas, o auditor fiscal passa a defender a natureza salarial das opções de compra de ações ofertadas pelo Recorrente. A autoridade fiscal autuante, então, apresenta distinções entre as opções de compra de ações comuns e as opções de compra de ações para trabalhadores, com objetivo de fortalecer a alegada natureza salarial dos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ações destinados aos trabalhadores, ressaltando, para tanto, alguns aspectos. Alega que as instituições financeiras, ao ofertarem opções de compra de ações a seus trabalhadores, buscam motiválos, reter profissionais, vincular a sua remuneração à performance da empresa, alinhar os interesses dos trabalhadores aos dos acionistas, dentre outros fatores, que acabam levando o beneficiário a trabalhar mais e provocam um efeito “algemas de ouro”. Pontua que os planos de opções de ações são oferecidos como recompensa pelo trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, tratase de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmios), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. Em seguida, o Auditor Fiscal analisou o momento da ocorrência do fato gerador nos casos envolvendo os planos de opção de compras de ações e concluiu que o fato gerador resta caracterizado com o vencimento do prazo de carência, tendo em vista que, Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 5 4 naquele momento, há o implemento da condição suspensiva contratual, sendo irrelevante para a configuração do fato gerador se o trabalhador exerceu ou não a opção de adquirir as ações. Com o objetivo de apurar a base de cálculo devida para incidência das contribuições previdenciárias, o Auditor, em observância ao critério adotado quanto ao momento em que resta caracterizada a ocorrência do fato gerador, utilizando os dados extraídos da planilha apresentada pelo contribuinte, entendeu que o montante corresponderia à multiplicação da quantidade de opções de compra outorgadas ao trabalhador (passíveis de exercício) pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço do exercício da opção no momento do vencimento da carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. Após a análise da penalidade mais benéfica ao contribuinte, em observância ao exposto no art. 106, inciso III, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o Auditor Fiscal confrontou a multa por descumprimento de obrigação acessória (ausência de declaração do fato gerador em GFIP) somada à multa de mora (24%) com a multa de ofício, estabelecida pela Lei nº 11.941/2009 (75%), e concluiu que a aplicação da legislação anterior seria mais benéfica ao contribuinte. Foi lavrado, assim, o Debcad de n. 37.346.3090 (AI 68), pelo descumprimento da obrigação prevista no art. 32, IV, da Lei 8.212/1991. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 247/261, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da decadência da competência de abril de 2007, de acordo com artigo 150, § 4° do CTN. Em relação ao mérito, traz elementos característicos dos planos de outorga de opções de compra de ações, com o objetivo de atestar a natureza societária desses planos, demonstrando, para tanto, a base legal (art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76) e ressaltando a regulamentação da CVM, que, por meio das Instruções n.º 290/98, 291/98 e 390/09, estabelece requisitos para instituição do plano, como, por exemplo, a necessidade de disciplina em estatuto e aprovação do plano por meio de assembleia geral de acionistas, o que reafirmaria o caráter societário dos planos de stock options. Ressalta que a outorga da opção gera apenas expectativa de direito, que, uma vez exercida, e a depender das perspectivas do mercado de ações, pode acarretar ganho ou perda de capital ao trabalhador ou, até mesmo, pode nem vir a ser exercida após findo o prazo de carência do plano. Tais circunstâncias seriam aptas a demonstrar a ausência de caráter remuneratório que a fiscalização tenta imputar aos pagamentos decorrentes do plano de opções de compra de ações. Alegou, em seguida, que o entendimento manifesto na acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador é equivocado, devendo ser considerado configurado Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 6 5 o fato gerador apenas com o exercício do direito, ou seja, quando a ação objeto da outorga é adquirida. Com o objetivo de demonstrar as distorções ocasionadas pelo equivocado entendimento da acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, o Recorrente ressaltou que algumas opções foram consideradas como exercidas quando findo o prazo de carência, embora os respectivos funcionários jamais tenham exercido a referida opção, pois se desligaram da companhia antes de findo o prazo de carência, ou seja, antes mesmo de o direito de compra das ações poder ser exercido. Aduz que a jurisprudência do TST manifestase no sentido de que a opção pela compra de ações não proporciona ao trabalhador vantagem de natureza salarial. Em relação à multa considera que as verbas oriundas do exercício da opção de compra de ações não possuem natureza salarial e, portanto, não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não seria cabível a cobrança referente à obrigação acessória. Pleiteia a não incidência de juros sobre multa ofício, tendo em vista que, nos termos do art. 61, caput, apenas os débitos de tributos e contribuições se sujeitam aos juros de mora, além de não ser cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, efls. 319/337, nos seguintes termos: Afirma que os próprios documentos apresentados pelo Recorrente demonstram que os pagamentos decorrentes do plano de stock options possuíam caráter remuneratório, ressaltando o fato de que competiria ao Comitê de Nomeação e Remuneração designar periodicamente os diretores aos quais seriam outorgadas as opções. De acordo com a Procuradoria, a designação dos diretores que teriam direito ao exercício demonstra que o plano não era estendido a todos os trabalhadores indistintamente, bem como que a performance do executivo seria relevante para que fosse concedida a opção de compra de ação, o que reforçaria a sua natureza remuneratória. Tais fatos demonstrariam que a concessão das opções de ação possui caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho do profissional na empresa. Destaca que as opções outorgadas aos diretores são pessoais e intransferíveis, não havendo a possibilidade de negociação das opções recebidas pelos executivos, ao contrário do que ocorre com os planos de stock options tipicamente mercantis, que são cotidianamente negociadas no mercado de ações. Para fundamentar tal alegação, ressaltou que, se qualquer titular da opção se desligar ou for desligado da Companhia, as opções terão sua vigência extinta, restando evidente que a circunstância de o indivíduo estar prestando serviços à empresa, e somente enquanto assim o estiver, é condição sine qua non para que ele possa se beneficiar da opção. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 7 6 Diante das considerações realizadas, concluiu pela existência de uma política de remuneração e de atuação voltada à eliminação de potenciais riscos quanto às variações do mercado de ações. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustentou que deveria ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista a consolidação da jurisprudência judicial e administrativa nesse sentido. Em 11 de fevereiro de 2015, a 1° Turma Ordinária da 4° Câmara, entendeu por bem julgar procedente o recurso voluntário, exonerando o crédito tributário, por entender restar decaído pelo art. 150, § 4° do CTN a competência de abril de 2007 e, no mérito, não comprovado o caráter remuneratório do plano de stock options, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2401003.888, de efls. 489/516, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaída a competência de abril de 2007. STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUCIDIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicandose a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, está decaída a competência de abril de 2007. Em relação às competências remanescentes, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal. Recurso Voluntário Provido. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às efls. 518/557, pleiteando a manutenção do lançamento, e conseguinte reforma da Decisão. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 8 7 Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por bem julgar procedente o recurso especial da fazenda para considerar o artigo 173 do Código tributário Nacional como forma de contagem para determinar a decadência das obrigação acessórias em questão, além de entender pelo caráter remuneratório dos valores apurados pela fiscalização à título de stock options, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões ventiladas no Recurso Voluntário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 9202005.968/2017, de efls. 645/689. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior para análise quanto a correição da ocorrência do fato gerador e ao mérito da obrigação acessória nas competências anteriormente declaradas decadentes e a incidência dos juros sobre a multa. DA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR Bom, considerado entender a Câmara Superior restar devidamente caracterizada a natureza salarial da verba, restanos, por fim, enfrentar a alegação quanto ao momento da indicação do fato gerador. Para tanto, valhome da descrição trazido pelo auditor em seu relatório: Portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções de compra de ações é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, seja pelo decurso do prazo previsto contratualmente, seja pelo seu vencimento antecipado nos casos também previsto em contrato, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. (grifamos) Quanto a este ponto, entendo que não logrou êxito o auditor em indicar da forma mais acertada a ocorrência do fato gerador, demonstrando, verdadeiro equivoco no lançamento. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto condutor do Acórdão n° 2401003.891, o qual me filio, da lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, exarado por esta Colenda Turma nos Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 9 8 autos do processo n° 16327.721267/201233, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: Contudo, não tenho como concordar com a premissa trazida pelo auditor, qual seja: "data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador". Até poderíamos acatar, conforme indicado no relatório, que o fato gerador ocorreria na data do vencimento da carência, partindo do raciocínio de que no presente caso, ocorreria a carência antecipada, porém não foi essa a indicação da autoridade fiscal, mas a de que o fato gerador ocorreria independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. O que se conclui do raciocínio ali exposto é que exercendo ou não, o valor da ação seria automaticamente incorporado ao patrimônio do trabalhador, seja empregado ou contribuinte individual, afastando qualquer ato de vontade deste. Não entendo ser possível levar como correto esse raciocínio, pois se acatássemos, estariamos desconstruindo o pagamento como "outorga de ações", desconsiderando tudo narrado pelo auditor e partido da premissa de que os pagamentos seriam simplesmente prêmios, ou gratificações. (...) Face o exposto, entendo existir um erro essencial na constituição do lançamento, qual seja, a indevida indicação dos fatos geradores, que pela forma trazida pela autoridade fiscal, impossibilitam dizer se os valores lançados correspondem apenas ao ganho obtido sobre ações exercidas, ou foram lançadas as totalidades de valores, independentemente do exercício, razão pela qual, nessa parte entendo exista um vício no lançamento que inviabiliza a manutenção do lançamento na forma como lançado Neste mesmo sentido, também transcrevo excerto exarado pelo Nobre Conselheiro Dr. Cleberson Alex Friees no bojo do Acórdão n° 2401004.861, de 6 de junho de 2017, senão vejamos: (...) Quanto ao fato gerador, aperfeiçoase no momento no qual há o exercício das opções de compra das ações, pois configurada a remuneração sob a forma de utilidade, a partir do qual o beneficiário pode fruir as vantagens advindas da aquisição do ativo financeiro. Até então, não há qualquer vantagem econômica ao beneficiário das opções, dadas as restrições contratuais existentes. Dessa maneira, correto o procedimento fiscal que considera a data de ocorrência do fato gerador "aquela em que houve o exercício das opções", levando em conta a base de cálculo como Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401005.990 S2C4T1 Fl. 10 9 a diferença entre "o valor das contribuições para aquisição das ações, estipulado nos contratos e atualizado até a data da compra, (...), e o valor de mercado das ações na data de liquidação financeira das referidas aquisições" (item 14, às fls. 65/66). (...) (grifo nosso) Nesta mesma toada, podemos citar, ainda, os Acórdãos n° 2301004.973, 2202003.510, 2402005.781, entre diversos outros. Vale salientar ainda, que a prórpia PFN reconhce tal entendimento. Neste diapasão, é inequívoca a improcedência do lançamento. Ressalto, que considerando a improcedência do feito, abstenhome de apreciar as demais questões devolvidas pela Câmara Superior (OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E JUROS SOBRE A MULTA), pelas razões acima narradas, o que leva a improcedência do demais autos de infração (obrigação acessória), lavrados no presente processo. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920577/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2006
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.260
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 05 77 /2 01 2- 49 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02065.551, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920577/201249 Acórdão n.º 3402006.260 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.724187/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 2402-006.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
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AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 41 87 /2 01 2- 35 Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.692 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724187/201235. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de processo que inclui os Autos de Infração (AI) lavrados em 22/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias acessórias, sob os seguintes DEBCAD nº: 37.353.3594 e 37.353.3608. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: 1) Com relação ao Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA CFL 68 DEBCAD nº 37353.3594 informa a Fiscalização que, na ação fiscal, foi constatado que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; 2) O Procedimento acima descrito constitui infração ao disposto na Lei nº8.212, de 24/07/1991, artigo 32, IV e parágrafo 5º, também acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com o artigo 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999; 3) O procedimento foi constatado pela fiscalização por meio do exame das folhas de pagamento de salários exibidas em arquivo digital no formato MANAD, da contabilidade também por meio de arquivo digital no formato MANAD, da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS acessadas por meio dos sistemas internos da RFB e das notas fiscais de cooperativa de trabalho exibidas à fiscalização referentes as competências janeiro e setembro de 2008, conforme discriminado na planilha número 15 denominada APURAÇÃO AIOA CFL 68; 4) Pela infração ao disposto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, artigo 32, IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com o artigo 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, fica aplicada a multa no valor de R$ 88.941,60 (oitenta e oito mil novecentos e quarenta e um reais e sessenta centavos), capitulada na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, parágrafo 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, artigo 284, inciso II, com redação dada pelo Decreto nº 4.729, de Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.693 3 09/06/2003 e artigo 373; 5) O valor da multa aplicada previsto no artigo 92 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi atualizado para o valor acima conforme o disposto no artigo 32 –parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, no artigo 373 do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e inciso IV do artigo 8° da Portaria Interministerial Ministério da Previdência Social/Ministério da Fazenda – MPS/MF número 2 de 06/01/2012; 6) Com relação ao Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA CFL 69– DEBCAD nº 37.353.3608, informa a Fiscalização que, na mesma ação fiscal, foi constatado que a empresa apresentou GFIP com informações erradas no que concerne a valores de dedução do salário família, o que redundou em aplicação de multas nas competências janeiro e setembro de 2008, conforme discriminado na planilha nº 17 denominada APURAÇÃO AIOA CFL 69; 7) O procedimento foi constatado pela fiscalização por meio do exame das folhas de pagamento de salários exibidas em arquivo digital no formato MANAD; 8) Pela infração fica aplicada a multa de R$ 161,72 (cento e sessenta e um reais, setenta e dois centavos). O valor da multa aplicada previsto na Lei nº 8.212 de 24/07/1991, artigo 32, parágrafo 6º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/199, artigo 284, inciso III e artigo 373 foi atualizado para o valor acima conforme o disposto no artigo 32 – parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, no artigo 373 do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e inciso IV do artigo 8° da Portaria Interministerial Ministério da Previdência Social/Ministério da Fazenda– MPS/MF número 2 de 06/01/2012. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada dos lançamentos por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 66. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Preliminarmente. Do cancelamento do lançamento. Insurgese contra a metodologia questionável utilizada pela fiscalização: confronto entre os dados de GFIP e DIRF. O trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com a DIRF, pouco ou nada importando para a fiscalização que tais modalidades de informações fiscais possuem elementos formadores díspares, como por exemplo, enquanto um adota regime de caixa, o outro adota o regime de competência. Além disso as bases de cálculo são diferentes, pois nem toda verba que é levada à tributação do IRPF necessariamente será tributada pelo INSS. O lançamento que deixar de cumprir os princípios informadores da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência não pode ser exigível, pois este ato requer segurança jurídica de que o contribuinte não será privado de seus bens sem o devido processo legal. Pede o cancelamento do presente lançamento. Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar valores não recolhidos ou recolhidos a menor pelo contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.694 4 Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB TransTransportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.695 5 Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora das situações previstas pelo próprio art. 124 e 128, do CTN e sem qualquer robusta prova de participação efetiva de mais de uma pessoa na prática do fato gerador. Do exposto, vem o contribuinte requerer o cancelamento do presente lançamento pelas diversas inconsistências apresentadas no trabalho de apuração fiscal e, se porventura, não for esse o entendimento, que sejam desconstituídos todos os termos de responsabilização passiva solidária, a fim de que apenas o contribuinte seja responsabilizado por eventuais valores não recolhidos, bem como que sejam canceladas as exigências de multas às demais empresas pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 128131), com as seguintes finalidades: a) que sejam lavrados Termos de Sujeição Passiva, individualizados para cada responsável solidário, a serem inseridos nos autos do presente processo e elaborado novo Relatório Fiscal, contendo as razões da caracterização de grupo econômico de fato; e b) que a fiscalização justifique o motivo de ter utilizado o método de aferição indireta na apuração dos créditos constituídos. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra novo Relatório Fiscal (fls. 143148), Informação Fiscal (fls. 149153) e ainda são cientificadas por meio de Termos de Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.696 6 Sujeição Passiva Solidária as empresas URB Mix Concreto Ltda, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda, URB Trans Transportes Gerais Ltda e Construtora Marins Ltda. As empresas integrantes do grupo econômico de fato foram cientificadas dos lançamentos por via postal (Avisos de Recebimento às fls. 154158) e por edital (fls. 160). As empresas URBENGEngenharia e Incorporações Ltda e URB Transportes Gerais Ltda. apresentam impugnações com o mesmo conteúdo da impugnação da URB Topo Engenharia e Construções Ltda nos tópicos já descritos acima. Aduzem ainda como preliminar a decadência quinquenal do direito de lançar quanto às coobrigadas. A Construtora Marins Ltda. apresenta impugnação aduzindo os seguintes tópicos: decadência do direito de constituição do crédito tributário; inexistência de responsabilidade solidária da impugnante; não configuração de grupo econômico; inaplicabilidade da Lei 12.401/2011; nulidade do presente Auto de Infração; inexistência da conduta ilícita e confiscatoriedade da multa aplicada." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão. Pelo fato de o ConselheiroRelator Jamed Abdul Nasser Feitoza, que já não se encontra mais no quadro de Conselheiros do CARF, não ter formalizado o presente acórdão, fui designado para proceder à sua formalização, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 17, inciso III. Destaco, contudo, que apenas formalizei o acórdão, transcrevendo a integra do relatório e do voto apresentados pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, durante a sessão de julgamento, e que foram deixados em pasta compartilhada. Do conhecimento O recurso interposto é tempestivo, no entanto, não preenche todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, não devendo ser conhecido. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.697 7 À fl. 1.031, foi juntada, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, informação no sentido de que haveria em curso ação judicial, concomitantemente à presente demanda, e relativa à mesma matéria, qual seja, os lançamentos efetuados nos Autos de Infração postos no item 3 do Relatório Fiscal de fls. 158 a 173 e fls. 174 a 179. Em vista disso, este colegiado decidiu por converter o julgamento anterior em diligência determinando que viessem aos autos a constatação de movimentação de demanda judicial e suas peças de modo a confirmar ou infirmar a alegação da PGFN quanto a conformação de concomitância de lides. Cumprida a diligência determinada às fls. 1.036 a 1038, restouse evidente, pela peças juntadas, que o litígio judicial apontado pela D. PGFN possui as mesmas partes, objeto e pedido do presente PAF. Isso porque, no documento de fl. 1.044, petição inicial da Ação Ordinária nº 3259966.2016.4.601.3800, movida pelo ora Recorrente, e que tramita perante a 13ª Vara Federal de Belo Horizonte, estão relacionados todos os Autos de Infração e processos conexos ao presente crédito perseguido pelo Fisco, bem como, à fl. 1.074, requerse o afastamento da solidariedade das empresas e pessoas inseridas no pólo passivo da presente demanda administrativa, abolindo, portanto, a jurisdição deste e. Órgão Julgador administrativo, tendo em vista a preponderância da decisão proferida em instância judicial. Assim o é, uma vez que, com o início do oferecimento da pretensão resistida ao Poder Judiciário, temse renúncia às vias administrativas, que vem confirmado pelo art. 5º , XXXV , da CF/88. Confirase o texto da Lei Maior: XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. De tal modo, tendo em vista o já cediço princípio da unicidade da jurisdição, resta prejudicado o presente recurso, uma vez que lhe falta elemento intrínseco de admissibilidade, a saber, o interesse recursal, desdobramento lógico do interesse de agir, ambos repousados no binômio necessidade e utilidade. A necessidade referese à imprescindibilidade do provimento jurisdicional pleiteado para a obtenção do bem da vida em litígio, ao passo que a utilidade cuida da adequação da medida recursal alçada para atingir o fim colimado, ambos agora entregues ao entendimento do Poder Judiciário, instância superior à administrativa. Sobre tal situação processual, já há muito foi firmado entendimento, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que importa renúncia às instâncias a propositura de ação judicial, entendimento este esposado através da Súmula CARF nº 1, com a seguinte redação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (g.n.) Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 13603.724187/201235 Acórdão n.º 2402006.826 S2C4T2 Fl. 1.698 8 De mesmo modo, o que constante no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e art. 87 do Decreto nº 7.574/2011. Confirase: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, acarreta a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Portanto, inconcebível que se tramite discussões referentes à mesma matéria em instâncias diversas, administrativas ou judiciais, conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho de Contribuintes (Acórdão 101002.585, CSRF; Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 201 77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 30131241, de 16/06/2003 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004), bem como dos Tribunais Pátrios. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira RedatorDesignado ad hoc Fl. 1698DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720047/2017-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0964.562, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que assim relatou o feito: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 04 7/ 20 17 -6 4 Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.635 2 Tratase de processo formalizado para tratamento dos Autos de Infração (AI) resultantes de procedimento fiscal realizado junto à Braspress Transportes Urgentes Ltda (Braspress). O referido procedimento foi amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.24.002015025194 e teve início em 18/12/2015 (fls. 4/6), com ciência da contribuinte em 21/12/2015 (fls. 7/9). As autuações tiveram por base a verificação das obrigações pertinentes à Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) do anocalendário de 2013, tendo sido apuradas infrações referentes a (i) glosa de créditos de PIS e Cofins abatidos irregularmente e (ii) multa pelo cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas. Os valores lançados, acrescidos das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício e aos acréscimos legais, encontramse fundamentados e detalhados nos autos de infração (fls. 1405/1423), no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1424/1458), na Relação de Créditos abatidos irregularmente (fl. 1459 arquivo não paginável), nos Anexos I a IV (fls. 1460/1463) e nos demais documentos que instruem os autos. Em breve síntese do Termo de Verificação Fiscal (TVF), nele a autoridade fiscal abordou inicialmente a origem e o histórico da ação fiscal, incluindo a fundamentação legal para os lançamentos, e, depois, passou a tratar das bases e dos critérios utilizados para os levantamentos. Transcrevemos o seguinte trecho: [...]7 Portanto, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas somente aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente, sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço objeto da atividade econômica. [Grifamos.] 8 Na definição de bens e serviços utilizados como “insumos” na Prestação de Serviços, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF nº 247/2002, e nº 404/2004, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [Grifamos.] 9 Essa conceituação, portanto, é a que foi levada em consideração ao analisar os gastos relacionados pela fiscalizada sobre os quais foram calculados créditos da contribuição para o Pis e para a Cofins. 10 Considerando essa conceituação, no decorrer dos trabalhos de verificação, foi constatado que a contribuinte descontou valores a título de créditos de Pis e Cofins sobre bens e serviços não consumidos diretamente na prestação dos serviços de transportes, tais como: ÁGUA E ESGOTO, SERVIÇOS DE DESPACHANTES, DESPESAS COM GERENCIAMENTO DE RISCO, SEGUROS, MANUTENÇÃO DE RÁDIO, ANÚNCIO E PUBLICIDADE, MATERIAL DE PROPAGANDA, FEIRAS E EVENTOS, ASSISTÊNCIA MÉDICA, DESPESAS POSTAIS, LINK DE DADOS, SERVIÇOS DE TECNOLOGIA, SEGURANÇA, SERVIÇOS DE ESCOLTA, SERVIÇOS Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.636 3 DE TERCEIROS (PESSOA JURÍDICA DE FUNCIONÁRIOS), VALE REFEIÇÃO, CESTA BÁSICA, TREINAMENTO E CURSO, FARMÁCIA, AUXILIO FUNERAL, EXAME OCUPACIONAL, HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, HONORÁRIOS CONTÁBEIS, HOSPEDAGEM, LANCHES E REFEIÇÕES, CONTA DE TELEFONE, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E JARDINAGEM, CONTA DE TELEFONE 0800, COPA E COZINHA, MATERIAIS DE CONSUMO ADMINISTRATIVO, MATERIAL DE ESCRITÓRIO, MATERIAL DE INFOMÁTICA, MATERIAL DE HIGIENE E LIMPEZA, CONDUÇÃO, CARTÓRIO, DESPESAS COM CÓPIAS, LOCAÇÃO DE CENTRAIS TELEFÔNICAS, MANUTENÇÃO DE TELEFONES, IMPRESSOS, CONFECÇÃO DE FATURAS, AMORTIZAÇÃO DE LICENÇA DE SOFTWARE, COMBUSTÍVEIS DE AERONAVES, BRINDES E BONIFICAÇÕES, MATERIAL DE SEGURANÇA PATRIMONIAL, DESPESAS COM COMISSÕS, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS FÍSICAS, ALUGUÉIS DE IMÓVEIS DESTINADOS A TERCEIROS, CONSERVAÇÃO PREDIAL, INSS, INDENIZAÇÃO POR AVARIAS, DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS. Esses dispêndios, em parte, não são necessários/essenciais para a execução da atividade do transporte de cargas exercida pelo contribuinte e, em parte, ainda que necessários/essenciais não são aplicados ou consumidos diretamente nos serviços prestados pela empresa, portanto não é admissível o abatimento dos créditos relativos a eles. [...]Prosseguindo com o Termo de Verificação Fiscal, além dos dispêndios relacionados acima, ocorreram gastos que, devido às suas peculiaridades, foram detalhados individualmente, quais sejam: P Subcontratação de Fretes; P Aluguéis; P Conservação Predial; P Serviços de Terceiros PJ; P Outros Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica; P Seguros RCTRC, Seguros RCFDC, Segurança, Serviços de Escolta; P Locação de Máquinas e Equipamentos; P Amortização de Licença de Software; P INSS; P Indenização por Avaria sem Cobertura; P Descontos Incondicionais Concedidos; e P "Fiscal X Oracle", "Acerto Oracle X Fiscal" e "Ajuste Crédito de PIS/Cofins". No TVF, depois de relatar e fundamentar as glosas de créditos do PIS e da Cofins, o AuditorFiscal explicou a aplicação da multa por infração à legislação tributária, tendo em vista que a Braspress transmitiu ao Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.637 4 Sped a Escrituração Fiscal Digital EFDContribuições com informações inexatas. Por fim, a autoridade fiscal conclui o Termo de Verificação Fiscal nos seguintes termos (grifos nossos): 23 CONCLUSÃO Face ao exposto, restando devidamente demonstrada a infração à legislação tributária procedemos a lavratura do presente AutodeInfração, de acordo com o artigo 836 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), em nome do sujeito passivo BRASPRESS TRANSPORTES URGENTES LTDA no montante de R$46.609.594,39, dos quais R$38.996.010,41 são referentes glosa de créditos de Pis e Cofins abatidos irregularmente e R$7.613.583,98 são referentes à multa pelo cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas. As Contribuições para o Pis e para a Cofins que deixaram de ser apuradas e recolhidas em razão dos fatos aqui apontados, são exigidas através deste Auto de Infração, no qual são mencionados os valores lançados, bem como os fundamentos para sua exigência, e do qual este Relatório Fiscal faz parte integrante. 24 E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, assinado digitalmente pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência ao sujeito passivo se dará por meio eletrônico, em conformidade com o disposto no artigo 23, inciso III, alínea “a” e § 2º, inciso III, alíneas “a” e “b”, do Decreto 70.235/72. Em 30/03/2017, a Braspress foi cientificada dos autos de infração, do Relatório Fiscal e demais documentos relacionados através dos termos de fls. 1466/1470. Regularmente cientificada do resultado, a Braspress apresentou sua Impugnação em 29/04/2017 (fls. 1472/1498), que veio acompanhada de procuração e documentos de identificação (fls. 1499/1501) e de documentos comprobatórios (fls. 1502/1506). Na peça de defesa, a interessada alega que (transcrevemse trechos): [...]1 Auto de Infração [...]2 A Empresa e suas Operações A empresa Braspress Transportes Urgentes Ltda. tem por objeto social o transporte rodoviário de carga a frete e, encomendas por conta própria e de terceiros, de âmbito intermunicipal e interestadual; assim como o agenciamento de carga aérea doméstica e internacional; Para a realização do seu objeto social conta com aproximadamente 6.000 funcionários e mantém 106 (cento e seis) filiais e inúmeros pontos de coleta em todo o território nacional, instaladas em imóveis locados de terceiros; A partir do início de 2010 acompanhando a tendência mundial de um novo modelo de gestão, a empresa procurou terceirizar parte de seus serviços, contratando Prestadores de Serviços Pessoas Jurídicas e Físicas, além de estimular o empreendedorismo de seus principais colaboradores e outros profissionais, através de treinamentos específicos e orientação para a constituição de empresas especializadas nas diversas áreas de atuação da empresa seja Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.638 5 operacional, intermediária e de apoio, além de outras medidas de modernização do sistema operacional, financeiro e de controle interno; A visita ao Site da empresa, na Internet endereço: www.brapress.com.br, pode dar uma pequena ideia da empresa, dos sistemas existentes, da automatização dos processos, do acompanhamento digital de cada encomenda, com a consulta em tempo real (Braspress Tracking), além do monitoramento e rastreamento de cada veículo. Também poderá conhecer os cuidados com o recrutamento, treinamento e acompanhamento da saúde de cada funcionário, com ênfase nos Motoristas. A operacionalização, controle, manutenção, segurança e acompanhamento de aproximadamente 1.000 veículos próprios, que atendem uma centena de filiais, milhões de encomendas, exigem equipamentos, sistemas e programas bastantes complexos e que demandam relevantes custos na prestação dos serviços realizados e operados por pessoal próprio e por empresas especializadas. Mais de 6.000 colaboradores diretos e aproximadamente 2.000 pessoas jurídicas (terceirizados), além dos transportadores contratados (agregados), são responsáveis pela realização das atividades da empresa. [...]Os transportes, internos nos armazéns da empresa são realizados por veículos, tratores, empilhadeiras, carrinhos de mão, e nas unidades automatizadas a movimentação é feita por esteiras mecânicas, ou pelos sofisticados sistemas denominados SORTER, com uso integrado das leitoras de códigos de barras nas rampas de alimentação, esteiras, separadores até as rampas de saída. O transporte externo é realizado por Veículos pequenos e médios para entregas e coletas para aplicação nos Centros Urbanos, Veículos médios para entregas e coletas para aplicação nos centros interurbanos, e veículos de grande porte para transferências entre filiais de aplicação rodoviária, todos equipados com rastreadores e atuadores, rádios de comunicação e monitorados pelo sistema de gerenciamento de riscos e, em casos excepcionais, acompanhados por Escoltas. [...]Apesar de todo controle realizado por sistemas e programas complexos, próprios e de terceiros ainda permanece a necessidade da documentação em papel para os Conhecimentos de Transporte, Notas Fiscais e outros, que acompanham os volumes e são apresentados aos Clientes, documentos estes que representam ainda parcela expressiva no custo operacional da empresa; Cabe destacar que os caminhões e as filiais são as verdadeiras fábricas de serviços, onde todas as operações desenvolvidas estão diretamente vinculadas à prestação dos serviços, ficando a cargo da Matriz, as operações comerciais, administrativas e financeiras, embora na Matriz também sejam desenvolvidas, expressivas operações específicas de recepção, armazenamento e distribuição das encomendas em um dos maiores armazéns do Brasil. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.639 6 Os caminhões e as filiais representam uma extensão dos lares dos principais operadores do transporte de encomendas (motoristas, ajudantes e auxiliares). Destaquese que cada filial da empresa, dotada de alojamento, centro de apoio ao motorista, restaurante ou refeitório, realiza somente as atividades operacionais específicas do seu objeto social: armazenamento e distribuição de encomendas, com alto índice de automatização e tecnologia de informação e são operadas por empresas terceirizadas; 3 Despesas, Custos e Insumos Conceitos Legais Do exposto fica evidente a necessidade e efetividade dos custos e dos insumos dos serviços prestados pela Braspress e de que, esses dispêndios não podem ser analisados como aqueles de uma pequena empresa de transporte ou de um transportador autônomo, onde os serviços são desenvolvidos com um ou poucos caminhões, muitas vezes complementados com serviços eventuais de chapas e ajudantes, sem qualquer automação, consolidação de cargas, monitoramento e eficientes controles administrativos e fiscais, etc.; É fato notório, em todos os setores de atividade que a sofisticação dos processos e dos sistemas, decorrem do desenvolvimento de novas tecnologias e da real necessidade de maior eficiência, rapidez, segurança, pontualidade, credibilidade, crescimento dos volumes, demandas concorrenciais, trabalhistas, além do acompanhamento digital em tempo real, para atender e cumprir as exigências dos clientes, do sistema tributário, previdenciário/trabalhista e das seguradoras, o que exige uma ampla gama de equipamentos, materiais, serviços próprios e de terceiros, indubitavelmente ligados diretamente à prestação dos serviços realizados, como os existentes, aplicados e registrados pela Braspress. A evolução tecnológica, a terceirização e os seus custos devem ser conhecidos e considerados pelo Fisco na aplicação da legislação fiscal, fato evidentemente prejudicado neste procedimento de fiscalização, realizado unicamente nas instalações da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, sem o conhecimento da empresa (com sede em São Paulo), de suas instalações, de sua estrutura operacional, e dos sistemas existentes para a execução dos serviços; O desconhecimento da empresa e de suas operações, aliado a interpretação obtusa das Leis n° 10.637/2002, n° 10.833/2003 e das IN SRF n° 247/2002 e n° 404/2004, levou o Auditor Fiscal a glosar os como dispêndios não necessários para a execução da atividade de transporte ou não consumidos diretamente nos serviços prestados, os custos e despesas diretamente ligadas às operações da empresa, dentre os quais destacamos: DESPESAS DE DESPACHANTES DE VEÍCULOS, SEGUROS RCF, SEGUROS RCT, SERVIÇOS DE TECNOLOGIA, LINK DE DADOS, SERVIÇOS DE TECNOLOGIA, TELEFONE, SERVIÇOS DE ESCOLTA, MATERIAL DE INFORMÁTICA, DESPESAS COM GERENCIAMENTO DE RISCO, SERVIÇOS COM GERENCIAMENTO DE RISCOS, SERVIÇOS DE ESCOLTA, Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.640 7 DESPESAS COM CÓPIAS, FATURAS, AMORTIZAÇÃO LICENÇA DE SOFTWARE, INDENIZAÇÃO POR AVARIA S/COBERTURA. Também foram glosados como dispêndios, não necessários para a execução da atividade de transporte ou não consumidos diretamente nos serviços prestados, os custos e despesas diretamente ligadas às operações da empresa realizados nas filiais da BRASPRESS cuja atividade única é a recepção, triagem, armazenagem e distribuição das mercadorias. AGUA E ESGOTO, VALE REFEIÇÃO, CESTA BÁSICA, COPA E COZINHA, REFEIÇÕES E LANCHES, LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, SEGURANÇA PATRIMONIAL, CONSERVAÇÃO PREDIAL, SERVIÇOS PRESTADOS PJ, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PJ. O auto Lavrado sem o conhecimento detalhado das operações da empresa, e com o obtuso conceito sobre os dispêndios autorizados a gerar créditos, nos cálculos das contribuições, devem ser corrigidos neste processo, conforme entendimento do CARF, em diversas decisões e cristalinamente apresentado no seguinte processo: Merece destaque ainda a reprodução de parte do relatório e do voto da Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz, no referido processo, relativamente ao tema: [...] Em complemento ao acórdão que esclarece o conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe destacar resumidamente, a decisão no processo da recorrente TNT Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.641 8 MERCÚRIO CARGAS E ENCOMENDAS, que desenvolve a mesma atividade da BRASPRESS: 4 Ação Fiscal 4.1 Multa Regulamentar 4.1.1 EFD CONTRIBUIÇÕES / SPED x DECLARAÇÕES No Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 04/02/2016, quando do confronto das DACONs com a DIPJ (transmitidas pela empresa), o fisco constatou divergências no montante anual dos Serviços Prestados por PJ e nos Materiais Aplicados na Produção dos Serviços, valor de R$ 219.365.341,07; A Divergência apontada foi devidamente esclarecida ao Auditor Fiscal, através dos Atendimentos prestados em 17/02/2016 e 14/03/2016; Ainda no mesmo Termo, quando da realização dos batimentos das DACONs e dos EFDContribuições, transmitidos pela empresa, o fisco constatou divergências nas bases de cálculo das Contribuições no montante anual de R$ 101.447.085,32; Do exame sumário, dos dados mensais do EFDContribuições, relacionados no Termo Fiscal, ficou evidente a ocorrência de erro de fato, nas transmissões realizadas; Os valores relativos aos créditos e à base de cálculo do mês de 02/2013, de R$ 2.613.247,09 e R$ 34.384.830,12, respectivamente, foram repetidos nos meses de 04, 06, 09, 10, 11 e 12/2013; assim com os valores do mês de 03/2013 de R$ 3.541.435,08 e R$ 46.597.829,99, respectivamente, foram repetidos nos meses de 07 e 08/2013/213 [...]Os procedimentos adotados pela empresa em atendimento à Intimação para prestar esclarecimentos e retificar a EFD Contribuições, foram prontamente executados e realizados na forma determinada pela Instrução Normativa RFB n° 1.252/2012: [...]Como claramente demonstrado, a diferença apontada quando da confrontação DACON e EFD Contribuições, decorreu de ERRO DE FATO e foi devidamente corrigida com a transmissão de todas as EFD Contribuições do período de 2013 e não justifica aplicação de multa por inexatidão na EFDContribuições. Os anexos I e II do Auto de Infração de Multa apresentam as informações das EFD Contribuições Originais e das EFD Contribuições Retificadas e apontam as diferenças ocorridas em função do ERRO DE FATO acima descrito. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.642 9 4.1.2 GLOSAS DE CRÉDITO x INCORREÇÕES NA EFD No Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 22/04/2016, ao se manifestar sobre os valores pagos aos Transportadores de Carga Subcontratados, o Auditor Fiscal intimou a empresa, para no prazo de 05 dias: "segregar em planilhas, tipo excel, os Sub Contratados optantes pelo Simples, os não optantes e os transportadores autônomos pessoas físicas." Deixou consignado (ameaça), que glosaria 25% dos créditos realizados com base nos valores pagos a todos os transportadores de Carga Subcontratados, assim se manifestando: "Fica a empresa cientificada que, caso não sejam segregados os valores conforme descrito neste item, serão considerados os créditos aproveitados sobre 75,00% dos Sub Contratados" (GN) No Atendimento prestado ao Fisco em 29/04/2016, além de esclarecer que o Ativo e Passivo apresentados nos balancetes não batiam porque o fisco não considerou as despesas e as receitas e, quanto aos valores pagos aos Transportadores de Carga Subcontratados, assim se pronunciou o contribuinte: [...]No Atendimento prestado ao Fisco em 17/05/2016, em complemento ao Atendimento de 29/04/2016, quanto aos Transportadores Subcontratos, assim se manifestou o contribuinte: [...]Nos arquivos apresentados em 29 de abril e em 17/05/2016, constam as Fichas Financeiras de todos os transportadores subcontratados (agregados), e de todos os pagamentos realizados no período fiscalizado; Cabe esclarecer que as Fichas Financeiras, obtidas junto ao Departamento Financeiro da empresa, foram apresentadas em substituição às planilhas solicitadas pelo fisco, em face da impossibilidade material para a geração no meio, na forma, com os dados e no prazo exigidos pelo Auditor Fiscal; Os arquivos apresentados subsidiaram o Auditor Fiscal para a elaboração da Relação dos Transportadores optantes pelo Simples, que após contestação da empresa foi retificada e utilizada como anexo ao Auto de Infração; O procedimento adotado pela empresa possibilitou ao Auditor Fiscal o exame dos registros dos valores pagos aos Transportadores, através dos arquivos das Fichas Financeiras e dos livros (elaborados pela empresa), baixados do Sistema Público Digital Sped, conforme conta no Termo de Encerramento Total do Procedimento Fiscal; Em momento algum a empresa se recusou a retificar o EFD Contribuições, como consta na leviana afirmação do Auditor, até porque todos os pagamentos realizados aos Transportadores subcontratados foram devidamente informados no SPED Contábil e Fiscal e, ainda complementados pelo Arquivo das Fichas Financeiras apresentadas ao Fisco; Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.643 10 Além do mais, a eventual glosa de créditos das contribuições por si só, não comprova a ocorrência de informação inexata, nem justifica a pretendida retificação da EFD Contribuições, que o Auditor entendeu como necessária; O anexo III do Auto de Infração da Multa apresenta o valor dos Créditos Glosados nos cálculos das Contribuições do PIS e da Confins, exigidos nos Autos de Infração das Contribuições, apurados com base nos pagamentos dos Transportadores Subcontratados e, de forma alguma justifica a suposta inexatidão da EFD Contribuições 4.1.3 CÁLCULO DA MULTA ISOLADA O excesso praticado pelo Auditor Fiscal ao tentar exigir Multa, que sabe indevida, foi ampliado quando da determinação do valor da exigência; O ano de 2013 foi o período da ocorrência da suposta inexatidão na EFD Contribuições; Neste período as multas exigidas com base na Lei n° 12.77/12 sofreram as seguintes alterações pela Lei n° 12.873/13: O percentual de 0,20 % aumentou em 15 (quinze vezes), passando para 3,00%; A base de cálculo foi alterada do faturamento do mês anterior ao da entrega da escrituração equivocada, para o valor das transações comerciais ou das operações financeiras, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; O Anexo IV do Auto de Infração da Multa, demonstra que a alteração na base de cálculo ocorrida no período não foi observada pelo Auditor Fiscal, que contrariando o texto legal utilizou o faturamento do mês anterior para todos os meses do ano, resultando numa exigência muito maior, para os meses de outubro, novembro e dezembro, caso tivesse observado o que determinou a nova lei, ou seja o valor das transações comerciais no caso de informação inexata. Como demonstrado a multa por inexatidão do EFDContribuiçõs é indevida e foi lavrada com excesso como demonstrado. 4.2 Glosa de Créditos 4.2.1 Créditos em Geral Como destacado no item 3 desta impugnação, o desconhecimento da empresa e de suas operações, aliado a interpretação obtusa das Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003 e das IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, levou o Auditor Fiscal a glosar os como dispêndios não necessários para a execução da atividade de transporte ou não consumidos diretamente nos serviços prestados, os custos e despesas diretamente ligadas às operações da empresa, também foram glosados como como dispêndios, não necessários para a execução da atividade de transporte ou não consumidos diretamente nos serviços prestados, os custos e despesas diretamente ligadas às operações da empresa e realizados nas filiais da BRASPRESS: O Auditor Fiscal, com base nos arquivos fornecidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital, inclusive aqueles retificados durante a Ação Fiscal para a correção de erros de fato, listou em planilhas, os lançamentos das respectivas contas e afirmou que, por não apresentarem contato direto com os serviços prestados pela empresa e por não constarem da relação de gastos, que dá direito ao Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.644 11 aproveitamento do Pis e Cofms, serão glosados os créditos apropriados sobre esses gastos; Ainda no Termo de Constatação e Solicitação de Esclarecimentos de 29/06/2016, concluiu e intimou: "Desta forma, fica o contribuinte intimado a se manifestar sobre os lançamentos relacionados para efeito de glosa de créditos de Pis e Cofins, devendo para tanto anexar a manifestação os documentos que entender pertinente" Está evidente a transcrição, da escrituração da empresa para as planilhas anexadas ao referido Termo Fiscal e posteriormente para o TVF, anexo ao Auto de Infração, de milhares de lançamentos, com a afirmação genérica de que todos esses gastos foram glosados por falta de contato direto com os serviços prestados pela empresa. O procedimento adotado pelo fisco, aproximase ao da desqualificação de parte da escrituração da empresa, ao tentar glosar milhares de lançamentos realizados em diversas contas e transcritos para algumas as planilhas anexas aos Termos Fiscais; Não basta transcrever todos os lançamentos da escrituração do contribuinte para algumas planilhas e afirmar, por presunção, que são créditos indedutíveis, tentando inverter o ônus da prova ao exigir do contribuinte a demonstração e a comprovação do seu direito ao abatimento de créditos calculados sobre milhares de lançamentos realizados durante o ano de 2013; Os Demonstrativos de Apuração e a Escrituração da Empresa estão em poder do fisco, em meio digital e, toda a documentação hábil que dá suporte à escrituração sempre estiveram a sua disposição; A generalização das glosas dos milhares de lançamentos, em expressivo número de contas, por presunção pessoal, aliado a exigência da apresentação de todos os documentos pertinentes, pelo fiscalizado indica excesso do Auditor, que somente a realização de diligência com exame por amostragem poderia sanear; Os lançamentos glosados estão devidamente codificados, com histórico e referências aos documentos base, e fazem prova a favor do contribuinte A escrituração faz prova a favor do contribuinte e cabe ao fisco a prova da inveracidade dos fatos registrados (Artigos 923 e 924 do RIR/99); 4.2.2 Glosa de Créditos Específicos Apresentadas, resumidamente, as operações da empresa, sua estrutura e porte (o que poderá ser confirmado em Diligência Fiscal), desnecessário seria discorrer sobre a necessidade e vinculação de cada despesa e custo na prestação dos serviços realizados pela BRASPRESS e glosados nesta ação fiscal, todavia merecem destaques as seguintes: 4.2.2.1 Conservação Predial R$ 21.772.021,51 Como esclarecido ao Auditor Fiscal, a empresa Braspress Transportes Urgentes Ltda. não possui imóveis próprios e todas as suas operações são realizadas em propriedade de terceiros. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.645 12 As benfeitorias realizadas nesses imóveis foram registradas na conta 531.04.005 Conservação Predial. A título de exemplo, foram juntados aos esclarecimentos prestados ao fisco, documentos que comprovam os procedimentos adotados pela empresa, os registros e os controles das benfeitorias realizadas (obras de Bauru e Novo Hamburgo). Foi esclarecido também que os dispêndios com Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, realizados até 2013, foram integramente amortizados (registrados diretamente em Despesas), não restando valores a amortizar; A glosa dos créditos calculados sobre as Benfeitorias fundamentouse, não no mérito dos gastos, mas na forma como foram escriturados esses gastos: não constarem na escrituração contábil registrados na conta "Benfeitorias em Imóveis de Terceiros", mas sim como "Conservação Predial" levadas diretamente a despesas; Assim conclui o Auditor: "De fato, os valores foram registrados contabilmente como DESPESAS DE CONSERVAÇÃO PREDIAL e esse tipo de gasto não dá direito ao abatimento de créditos de contribuições para o Pis e para a Cofins, por não serem consumidos diretamente na prestação dos serviços de transportes de carga, logo não se enquadram no conceito de Insumo." (SIC) O procedimento adotado para a amortização direta e integral, não invalida o direito à dedutibilidade e aos créditos do PIS e da Cofins, como pode ser constatado no entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, ao anular o Auto de Infração, no item relativo a matéria correlata, conforme o Acórdão: A glosa integral dos créditos é ilegal, como esclarece o Acórdão que anulou o Auto de Infração, visto que no procedimento adotado pela empresa não houve falta de pagamento do Imposto e de Contribuições, apenas postergação desses pagamentos; O registro antecipado de despesas (passiveis de amortização) reduziu o resultado de 2013, mas ao desconsiderar os efeitos da amortização, nos anos seguintes (2014, 2015 e 2016), houve pagamento a maior, compensando a redução ocorrida em 2013; Os quadros a seguir demonstram o efeito do registro das dos gastos diretamente em despesas e pela sistemática do registro pela amortização dos gastos realizados em 2013, considerando que o prazo de Locação dos Imóveis da Braspress é de 4 anos: Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.646 13 Como demonstrado e considerando ainda que foram realizados todos os pagamentos do Pis e da Cofins no período de 01/2013 até a lavratura do Auto de Infração (DOC. 02 e DOC. 03), as exigências das contribuições calculadas com base nos créditos apurados sobre os gastos com benfeitorias em propriedade de terceiros devem ser anuladas. 4.2.2.2 Serviços de Terceiros PJ Funcionários R$ 28.390.9234,26 Como esclarecido inicialmente, a partir do início de 2010, após a crise econômica de 2008/2009 e acompanhando a tendência mundial de um novo modelo de gestão, a empresa procurou terceirizar parte de seus serviços, contratando Prestadores de Serviços Pessoas Jurídicas e Físicas, além de estimular o empreendedorismo de seus principais colaboradores e outros profissionais, através de treinamentos específicos e orientação para a constituição de empresas especializadas nas diversas áreas de atuação da empresa seja operacional, intermediária e de apoio, além de outras medidas de modernização do sistema operacional, financeiro e de controle interno; Os serviços especializados e com elevado poder intelectual, prestados por novos contratados e também pelos colaboradores funcionários da empresa (Tecnologia da Informação, Administradores de Unidades Gerentes, Logística em Geral, Advogados, Operadores das Filiais), passaram a ser realizados por empresas constituídas por estes profissionais altamente qualificados, e que também prestam serviços a outras Pessoas Jurídicas; O Auditor Fiscal sumariamente desconsiderou a personalidade jurídica de todos os prestadores de Serviços, empresas legalmente constituídas, inscritas nas Prefeituras Municipais, no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda e que recolhem os tributos e contribuições federais e municipais, simplesmente, afirmando que são empregados disfarçados de Pessoa Jurídica; Anexou ainda em seu TVF, Decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o vínculo de trabalho com a BRASPRESS de um motorista que foi contratado como Pessoa Jurídica O reconhecimento de eventual vínculo trabalhista, aplicase à legislação trabalhista e previdenciária, mas não justifica a desconsideração da Pessoa Jurídica, para fins da Legislação Tributária Federal, de empresa legalmente constituída, menos ainda sem a realização de quaisquer diligências e investigações mais profundas. Assim a glosa de todos os créditos calculados sobre os Serviços Prestados por Pessoa Jurídica em função da desconsideração da pessoa jurídica, devem ser revertidos. Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.647 14 A alegação de que os serviços não são utilizados como insumo na prestação de serviços deve ser comprovada, em especial os Serviços prestados por Pessoas Jurídicas que operam as Filiais, como os Serviços Prestados por Operadores e Gerentes de Filiais, tendo em vista que essas unidades realizam exclusivamente serviços de recepção, triagem, armazenagem, distribuição e transporte de encomendas, ou seja, todos os dispêndios realizados são destinados à atividade FIM da Filial. 4.2.2.3 Seguros RCF R$ 2.345.429,69 Seguros RCT RC R$ 3.516.715,75 Os gastos com seguros, além de necessários e vinculados diretamente aos serviços prestados, são de contratação obrigatória para o desempenho das atividades de transporte, como determina o art. 20 do DecLei 73/1966, assim como o Art. 10 do Dec. 61.867/1967: [...]O direito ao crédito do Pis e da Cofms sobre os gastos com seguros está consagrado na legislação e nas decisões do Conselho de Contribuintes: 4.2.2.4 Avaria sem Cobertura R$ 531.905,53 As perdas, desvios ou roubos de encomendas não cobertas ou não indenizadas por seguro são, obrigatoriamente, indenizadas pelo transportador. Como gastos com seguros geram direito a crédito, a indenização realizada pela empresa, tem a mesma natureza daqueles e, portanto, também geram direito a crédito. Quanto aos comprovantes e esclarecimentos apresentados ao Fisco, cabe destacar que não se referem a todos os créditos, mas sim aqueles solicitados na intimação fiscal. 4.2.2.8 Descontos Incondicionais R$ 1.592.175,79 A Glosa dos créditos das contribuições sobre os descontos incondicionais foram efetivadas por não serem considerados como insumo na prestação de serviços; Acontece que os Descontos Incondicionais não geram créditos por insumos, mas podem ser excluídos da Receita Bruta, quando da apuração da Base de Cálculo, como definido pela legislação das Contribuições para o Pis da Cofins. Quanto aos comprovantes e esclarecimentos apresentados ao Fisco, cabe destacar que não se referem a todos os valores excluídos da Base de Cálculo, mas sim aqueles solicitados na intimação fiscal. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.648 15 4.2.2.9 Despesas com Cópias R$ 2.222513,35 Como esclarecido e comprovado ao Auditor Fiscal, as cópias representam altíssimos custos operacionais (conta 53105010 despesas com cópias) e por isso mesmo, em grande parte são ressarcidas pelos clientes, através da emissão de Notas Fiscais de Serviços pela Braspress; portanto esses custos estão diretamente ligados às receitas de transporte e à receita de cópias cobradas dos clientes (A Braspress desenvolve formalmente a atividade n°.: 82.19901 Fotocópias do código das atividades secundárias) Os ressarcimentos obtidos com as cópias faturadas aos clientes são registrados em receitas operacionais e tributadas pelo PIS/COF1NS, como as demais Receitas Operacionais auferidas pela Braspress. (ver anexos: NF19146, NF19147 e CNPJ MTZ apresentados durante a Ação Fiscal) 5 Pedido De tudo o que foi exposto, solicita o cancelamento dos Autos de Infração e o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal; Requer ainda, a ciência da data de realização do julgamento deste processo, bem como a possibilidade de sua participação direta no julgamento, com a entrega de memoriais aos julgadores e a sustentação oral da impugnação. São Paulo, 26 de abril de 2017. É o relatório. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SETOR DE SERVIÇOS. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. No regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no setor de serviços, somente podem gerar crédito os gastos ou dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviço pela pessoa jurídica ao seu público externo, observadas as ressalvas legais e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tão somente como aquele bem ou serviço que, adquirido de pessoa jurídica, seja diretamente aplicado ou consumido na prestação do serviço aos clientes da prestadora. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas necessariamente à caracterização de sua Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.649 16 essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. FUNCIONÁRIOS CONSTITUÍDOS COMO PESSOAS JURÍDICAS. PEJOTIZAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Glosamse os créditos calculados sobre os serviços pagos a pessoa jurídica que se revelou indevidamente interposta entre a contratante e as pessoas físicas, quando tais serviços são executados pelos titulares dessas prestadoras em condições que os caracterizam como funcionários da contratante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2013 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Aplicase multa por infração à legislação tributária quando o contribuinte, obrigado à transmissão da Escrituração Fiscal Digital EFDContribuições para o Sistema Público de Escrituração Digital Sped, o faz com informações inexatas, incompletas ou omitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à impugnação, a qual deve mencionar os pontos de discordância e os motivos de fato e de direito em que se fundamentam esses pontos, além das razões e provas que possuir. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses excepcionadas pela legislação. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. SUSTENTAÇÃO ORAL OU ACOMPANHAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.650 17 Inexiste previsão, no âmbito do processo administrativo fiscal, para acompanhamento ou sustentação oral por representante do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. Também por falta de previsão, é descabido o requerimento para ciência da data de realização do julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Em (fls. 1.618 e seguintes) o Recorrente apresentou petição de desistência parcial do recurso, apresentando tabela com os débitos a parcelar, indicando apenas a contribuição, código, período de apuração, total lançado e total a parcelar. Esclarece que os débitos a parcelar referemse às glosas sobre "subcontratos optantes p Simples/Autônomos" e INSS. Por meio da Representação nº 347/2017, a unidade de origem efetuou a segregação entre os débitos parcelados e os mantidos, quais sejam R$11.787.800,43 (COFINS) e R$2.559.193,35 (PIS), em valores principais lançados (sem multa e juros). Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Como se verifica pelo relato dos fatos, a matéria central em discussão no presente feito referese a glosas realizadas em razão do conceito de insumo trazido pela legislação da Cofins não cumulativa. O Despacho Decisório e o Acórdão Recorrido, aplicando a IN SRF nº 404/2004, efetuou a glosa de serviços que, no seu entendimento, não teriam sido "efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviço. Todavia, é de conhecimento que a matéria em questão sofreu considerável alteração após a lavratura do auto de infração e prolação do acórdão pela DRJ. Na esteira do que há muito vinha se estabelecendo deste CARF, para fins de apuração do PIS e da COFINS não cumulativas sobre a aquisição de insumos pela Pessoa Jurídica, já definiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de efeito vinculante à este CARF e à propria Administração Tributária, pelo afastamento da aplicação da legislação de IPI utilizada como parâmetro na autuação. E, também consoante jurisprudência já estabelecida por esta Corte Administrativa, determinou a Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.651 18 necessidade de se avaliar a essencialidade e relevância dos bens adquiridos como insumos à atividade produtiva do contribuinte. É a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 19311.720047/201764 Resolução nº 3201001.683 S3C2T1 Fl. 1.652 19 Mais recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, examinou a decisão proferida pelo STJ para fins de dispensa de contestação e recursos nos processos que versem sobre a matéria. Assim, estabelecidos tais parâmetros, deve se perquirir, a essencialidade e relevância das aquisições efetuadas pela Recorrente para que se possa legitimar a glosa ou o direito ao crédito. Por essa razão, adotando entendimento já consolidado nesta Turma, reputo essencial a realização de diligência para que a lista de serviços glosadas seja devidamente e ajustada / segregada e que seja explicitada a real natureza de cada um dos itens glosados. Tanto no Relatório Fiscal, como na defesa e Recurso, as razões de glosa foram genéricas (inserção ou não na atividade produtiva), tendo sido apenas alguns itens tratados de modo individualizado. De todo modo, verificase nos autos que a Recorrente apresentou descritivos acerca do seu processo produtivo, apresentando, ao menos, indícios mínimos da inserção dos créditos apropriados. Cito, a exemplo, gasolina de aviação e serviços de tecnologia. Lado outro, existem despesas que, de fato, nem em caráter genérico poderiam ser defensáveis, como, por exemplo, honorários advocatícios e contábeis, assistência médica e cestas básicas. Pelo exposto, proponho a conversão do feito em diligência para que: 1) Seja intimado o contribuinte a indicar expressamente os itens de glosa que busca questionar, descrevendo de modo claro e objetivo, a sua natureza (e não apenas a descrição contábil já utilizada) e em qual fase do processo produtivo tal item é utilizado como insumo; 2) De posse de tais esclarecimentos, que a Autoridade Lançadora, em face da decisão proferida pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, posicionese acerca da possibilidade ou não de manutenção dos créditos inicialmente glosados; 3) Concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao contribuinte para manifestarse acerca do posicionamento fiscal; Após, retornem os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1652DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901358/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 58 /2 01 3- 50 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10882.901358/201350 Acórdão n.º 3301005.644 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.652, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10882.901358/201350 Acórdão n.º 3301005.644 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10882.901358/201350 Acórdão n.º 3301005.644 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10882.901358/201350 Acórdão n.º 3301005.644 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10882.901358/201350 Acórdão n.º 3301005.644 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006419/2007-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2005 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE FALTA DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A alegação de que a multa em face de seu valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, uma vez que se trata de exigência fundada em legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 64 19 /2 00 7- 84 Fl. 116DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0114.991, da 1a Turma da DRJ/BEL que negou provimento à impugnação, apresentada, pela ora recorrente, contra o Auto de Infração eletrônico (703082l89) decorrente do processamento das DCTF janeiro/2005, exigindo crédito tributário de R$ 2.452,85, correspondente à multa por atraso na entrega da DCTF, sob os n°s l000000200518.10001948, conforme fl. 30. Resumo, a seguir o relatório: Irresignado com a formalização da exigência fiscal, interpôs impugnação, tempestiva, (fls 01/52) ao lançamento, na qual alega, em linhas gerais: 1irregularidade formal relativa à capitulação legal da infração ( fl 04/05); 2atraso na entrega da DCTF motivado por falha no sistema informatizado da administração tributária federal (fl 06/09); 3 denúncia espontânea da infração e afastamento da penalidade por descumprimento de dever instrumental ( fl 09/17); t 4falta de razoabilidade e de proporcionalidade na exigência da multa pecuniária (fl 18/27); 4.1desnecessidade da multa aplicada (fl 22/24); 4.2da inadequação da multa aplicada (fl 24); 4.3desproporcionalidade em sentido estrito da multa aplicada (fl 25/27); 5da relevação da multa em razão do cumprimento da obrigação acessória (fl 27/28); 6insubsistência da obrigação acessória frente ao cumprimento da obrigação principal (fl 27); A recorrente foi cientificada da decisão em 08/10/2009 (fl 71) e apresentou o seu recurso voluntário em 28/10/2009 ( fl 72) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação. Resumo: 1. PRELIMINARMENTE: AUSÊNCIA DE REQUISITO ESSENCIAL Ao LANÇAMENTO ORA GUERREADO Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10283.006419/200784 Acórdão n.º 1001001.118 S1C0T1 Fl. 3 3 IRREGULARIDADE FORMAL RELATIVA À CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO Adiciona à preliminar, arguida na impugnação, que: Com relação à apresentação deste argumento à DRFBelém, limitouse o julgador a dizer que: ` “Para os lançamentos originados de auditoria da DCTF, a penalidade aplicável encontrase descrita na fundamentação legal (item 5) do auto de infração 703082189 (/I 30). Os preceitos acima foram aplicados com correção ao lançamento impugnado, sem que lhe caiba qualquer reparo. ” Assim, conforme demonstrado acima, não assiste razão à DRF, pois tratase de vício formal, que gera a nulidade absoluta do lançamento tributário. Além do quê, o argumento apresentado pela mesma não resta suficiente para afastar o argumento da ora Recorrente no sentido de que não fora obedecido o dever do lançador apresentar a correta capitulação que deu suporte à autuação A respeito, dispõe o inciso IV, ao artigo 10, do decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Ora, a disposição legal está claramente demonstrada no inciso 5 do Auto de Infração, que foi o artigo 7°, da Lei 10.426/02, in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega Fl. 118DF CARF MF 4 destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto, não há como se alegar a falta de clara capitulação legal. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. As demais alegações, resumo. a seguir: 2. DO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF MOTIVADO POR FALHA No SISTEMA INFORMATIZADo DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL 3. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO E AFASTAMENTO DA PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL 4. DA FALTA DE RAZOABILIDADE E DE PROPORCIONALIDADE NA EXIGÊNCIA DA MULTA PECUNIÁRIA ORA GUERREADA 5. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE 5.1 Da (Des)necessidade da multa aplicada 5.2 Da (INA)dequação da multa aplicada 5. 3 Proporcionalidade em Sentido Estrito 6 DA RELEVAÇAO DA MULTA EM RAZÃO DO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Culmina, pedindo: DO PEDIDO Tendo em vista todo o exposto, considerada a liquidez e a certeza do direito aqui invocado pela impugnante, amparado em consistentes e preciosas lições de doutrina e em reiteradas e cediças manifestações da jurisprudência administrativa e judicial, requer a peticionante a) seja inteiramente cancelada a exigência relativa a multa fiscal por descumprimento de obrigação acessória indevidamente formalizada em face da empresa por meio do auto de infração ora guerreado nos autos (cópia em anexo), extinguindose por completo, e em definitivo, a odiosa exigência irregularmente constituída contra a impugnante através do malsinado ato administrativo de lançamento de oficio em referência, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 156, inciso IX, do Código Tributário Nacional, e na forma preconizada pelo Decreto n° 70.235/72, tudo como medida da mais lídima e sábia justiça tributária. › Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10283.006419/200784 Acórdão n.º 1001001.118 S1C0T1 Fl. 4 5 b) alternativamente, para a remota hipótese de julgamento de improcedência dos argumentos de direito aqui expostos contra a pretensão fazendária inicialmente deduzida contra a empresa, seja reduzida a exigência de penalidade objeto do auto de infração em referência para o patamar mínimo previsto na legislação aplicável ao atraso na entrega da DCTF, nos termos do disposto no artigo 7°, § 3°, inciso II, da Lei n° 10.426/2002, e no artigo 8°, § 3°, inciso II, da Instrução Nonnativa n° 482/2004, considerada a absoluta inexistência, in casu, de dolo, fraude, simulação ou prejuízo arrecadatório para a fazenda pública federal. c) que fique suspensa a exigibilidade do crédito irregularmente constituído em face da empresa através do auto de infração aqui atacado nos autos, até final julgamento da presente impugnação contra ato de lançamento de oficio, na forma e para os efeitos do disposto nos artigos 151, inciso III, e 206, ambos do Código Tributário Nacional, tudo de modo a se evitar que a odiosa pendência fiscal ora guerreada venha a caracterizar impedimento de acesso, para a impugnante, às certidões de regularidade fiscal previstas na legislação tributária de regência, ate' encerramento em definitivo do processo administrativo em referência. d) que caso seja necessário que seja, EM SEDE DE DILIGÊNCIA, expedido oficio, setor responsável pelo recebimento pelas obrigações acessórias confirmando os problemas com relação à entrega das DCTF's nas datas mencionadas acima, EM NOME DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. d) que todas as intimações e notificações expedidas nos autos encaminhadas também para o seguinte endereço: Avenida Carlos Grimaldi, n° 1.701, 5° e 6° andares, conjuntos SA, SB e 6A do Edificio Galeria Corporate, Bairro Fazenda São Quirino, CEP 13.091901, Município de Campinas, Estado de São Paulo. Como já antes dito é de rejeitarse a preliminar de nulidade pelos motivos antes expostos. Quanto ao propósito de a impugnante suscitar a redução da penalidade aplicada. cabe esclarecer que as reduções para a multa em questão, quando cabíveis. independem de requerimento e são objetivamente definidas na legislação. A aplicação do item II do § 3" do art. 7° da Lei 10.426/2002, somente será efetuado quando, do cálculo da multa, resultar em valor inferior a R$ 500,00. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, como citado pela própria recorrente é claro a este respeito: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Quanto às intimações, estas são e serão expedidas na forma que consta no cadastro do contribuinte. As demais alegações foram devidamente analisadas e devidamente combatidas pela DRJ, em seu voto, o qual, por concordar com as conclusões, peço a devida vênia, para reproduzilo (parcialmente): A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. E regra de conduta formal que não se confunde com o não Fl. 120DF CARF MF 6 pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento.A responsabilidade de que trata 0 art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo.A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte.Citese, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 0201.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA ¬ ESPONTANEIDADE INFRAÇÃO DE NATUREZA F ORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. NÃO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM VIRTUDE FALHA NOS SISTEMAS DE INFORMÁTICA DA RFB Não há previsão legal para afastar cobrança da multa por atraso na entrega declaração DCTF, em virtude de questões técnicas não comprovadas pelo impugnante que cumpriu sua obrigação acessória em atraso. Impugnante não apresenta provas de impedimento por problemas técnicos. Impugnante não apresenta nenhum documento ou despacho exarado por autoridade competente dando conta da impossibilidade por problemas técnicos; apenas, e tão somente, cópia de email enviado a servidor da RFB (fl 51),em 09/03/2005, um dia depois do envio da declaração (já em atraso), declarando problemas ocorridos quando do envio da declaração. Cabe neste momento a pergunta: se os problemas ocorreram em 07 e08/03/2005, e a declaração fora entregue em 08/03/2005 às 14:53:00 h (fl 52), como podem os problemas técnicos serem opostos à entrega tempestiva, se o fisco só foi informado em09/03/2005 ,às 11:10h (fl 51)? DA ARGUIÇAO DE CONFISCO, FALTA DE RAZOABILIDADE E DEMAIS EXPOSTAS PELO IMPUGNANTE Para os lançamentos originados de auditoria da DCTF, a penalidade aplicável encontrase descrita na fundamentação legal (item 5) do auto de infração 70308218 9 (fl 30). Os preceitos acima foram aplicados com correção ao lançamento impugnado, sem que lhe caiba qualquer reparo. A alegação de que a multa em face de seu valor é confiscatória, bem como os demais argumentos do impugnante, não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, uma vez que se trata de exigência fundada em legislação vigente (como acima demonstrado), à. qual este julgador é vinculado. Isto sem falar que ao deixar para o último dia de entrega da DCTF o cumprimento da obrigação acessória, 0 impugnante correu os riscos inerentes a esta escolha, tanto é prova que no dia seguinte (08/03/2005) logrou êxito em transmitir sua DCTF. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10283.006419/200784 Acórdão n.º 1001001.118 S1C0T1 Fl. 5 7 Quanto à alegação, a da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, adicionase o fato de esta já ter sido objeto de súmula vinculante por este CARF a de n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto aos outros aspectos, como bem o menciona a DRJ, em sua decisão, o auto de infração foi lavrado em obediência à legislação em vigor, à qual este CARF, assim como a DRJ, também, está vinculado. A este respeito, temos a Súmula 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, rejeito as preliminares de nulidade em função tanto quanto à ausência de capitulação legal quanto em relação ao princípio da razoabilidade, suscitadas nos autos, para, no mérito, negar provimento ao presente Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901403/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.901398/2015-45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.901398/201545, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração de compensação, por meio da qual o contribuinte, pretende compensar recolhimento indevido de estimativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 40 3/ 20 15 -1 0 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.901403/201510 Resolução nº 1402000.817 S1C4T2 Fl. 3 2 O fundamento do Despacho Decisório foi o fato de o crédito informado no PER/DCOMP se refere a pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: a) A autoridade administrativa não considerou que, para a compensação dos débitos informados, foram utilizados valores recolhidos a maior e não homologou a compensação declarada. b) O que se pede nesta manifestação é que seja aceita a compensação declarada, pois o valor recolhido a maior foi utilizado conforme o direito de compensação desse crédito através dos PER/DCOMPs em questão. Para comprovar o crédito alegado a contribuinte juntou à manifestação de inconformidade, além da DCOMP apresentada e do despacho decisório de não homologação, a declaração em DCTF do débito compensado, a DIPJ tempestivamente apresentada, na parte referente à apuração das estimativas devidas no anocalendário e às retenções sofridas, além de elementos de sua escrituração comercial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que: a) A empresa enviou PER/DCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PER/DCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). b)Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. c) Ou seja, na presente situação contatase erro no tipo de PER/DCOMP enviado, sendo que não há que se falar que as estimativas não eram devidas, pois, na verdade, apesar das estimativas serem antecipações, que, no fim do período de apuração podem compor saldo de IRPJ a ser restituído, no curso do anocalendário, elas são devidas conforme previsto na legislação de regência. Não há, pois, que se tratar os valores pagos por meio de DARF a esse título, como se indevidos fossem, solicitando compensação na forma de PGIM. Ao invés disso deveria ter sido formulado PERDCOMP de saldo negativo de IRPJ. d) Tratase de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. f) Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.901403/201510 Resolução nº 1402000.817 S1C4T2 Fl. 4 3 Cientificada a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) De acordo com a IN nº 900/2008 não há dúvida de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa tem tratamento de indébito tributário o que lhe confere direito a restituição. b) Que seu posicionamento encontrase amparado pela Súmula 84 do CARF. É o relatório Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º , do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.811, de 21/02/2019, proferida no julgamento do Processo nº 16327.901398/201545, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº1402000.811): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida negou o pedido de compensação fundamentalmente por entender que os recolhimentos de estimativas devidas devem compor eventual saldo negativo. Sendo assim, a Recorrente teria cometido erro quanto ao tipo de compensação formulada, pois ao invés de realizar o pedido de compensação de pagamento indevido deveria ter requerido a compensação de saldo negativo, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Ora, a empresa enviou PERDCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PERDCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. No entanto, ao analisar a DIPJ juntada à manifestação de inconformidade verificase que a contribuinte, a partir do mês de setembro, não mais apurou estimativas a pagar, possivelmente por deduzir as retenções sofridas no período. Sendo assim, o recolhimento constante do DARF, poderia ser, de fato, recolhimento indevido diferentemente do decidido pela decisão recorrida. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analise a apuração das estimativas Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.901403/201510 Resolução nº 1402000.817 S1C4T2 Fl. 5 4 informadas em DIPJ em confronto com a escrituração do sujeito passivo e outros elementos que devam ser a ele requeridos, em especial confirmando as retenções aproveitadas e o cômputo dos correspondentes rendimentos na base tributável, e manifestandose expressamente acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analise a apuração das estimativas informadas em DIPJ em confronto com a escrituração do sujeito passivo e outros elementos que devam ser a ele requeridos, em especial confirmando as retenções aproveitadas e o cômputo dos correspondentes rendimentos na base tributável, e manifestandose expressamente acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa. Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902986/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 29 86 /2 01 3- 91 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº º 19677.42385.310111.1.3.049030, por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 30/09/2010, com os débitos relacionados (R$84.688,28). O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 214.096,49, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF no valor de R$ 1.274.717,78, recolhido em 29/10/2010 Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De acordo com a decisão, o valor original total de R$ 1.274.717,78 já havia sido utilizado para quitar débito do código 2362 (período de apuração 30/09/2010) no mesmo valor, não restando crédito passível de compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que confessou indevidamente em DCTF o valor de R$ 1.214.717,78 relativo ao IRPJ de setembro de 2010. Ressalta que em sua DIPJ consta a apuração correta do IRPJ deste período no valor de R$ 1.060.621,29. Também destaca que retificou a DCTF entregue com equívoco. Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. Quando da decisão da instância primeva restou decidido conforme ementa abaixo pela inviabilidade do reconhecimento do crédito: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13896.902986/201391 Acórdão n.º 1401003.092 S1C4T1 Fl. 175 3 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Apresentou a contribuinte o competente recurso onde apresentou suas razões e juntou mais provas. Este é o relatório Voto Conselheira Relatora Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. Com relação ao alegado crédito de R$214.096,49 apesar de não ter sido apresentado quando da manifestação de inconformidade toda a DIPJ comprovandose assim o erro na DCTF anteriormente informada, certo é que apresentou a contribuinte quando da interposição do recurso a esse Conselho a documentação capaz de comprovar o seu direito. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita: Art. 9º (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.” Assim, dialogando com a decisão, providenciou a recorrente as provas capazes de demonstrar que faz jus ao crédito original de R$214.096,58, relativo ao pagamento a maior de IRPJ em setembro de 2010. Não considerar a prova juntada em sede de recurso seria permitir o enriquecimento ilícito do Estado e, ainda, abarrotar o judiciário com celeumas que podem ser resolvidas administrativamente. Fl. 176DF CARF MF 4 Ademais, apesar de a legislação explicitar que deve o contribuinte demonstrar seu direito liquido e certo, tendo sido retificada a DCTF após a PERDCOMP, deveria ter a contribuinte juntado aos autos quando da manifestação de inconformidade tal comprovação. Contudo, pelo princípio da verdade material e considerando que restou devidamente comprovado o direito, creio que em alguns casos pode ser relativizado o prazo da apresentação das provas. Isso porque, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se generalizado, por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. É sabido que, por vezes, a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. Assim, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo. A produção probatória que acontece em momento posterior a instrução do processo administrativo pode ser de ordem complementar àquelas provas apresentadas anteriormente, o que ocorreu no caso em análise. Em qualquer caso, a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, pois a nova prova foi apresentada para suprir as alegações da decisão de primeira instância, tendo o contribuinte apresentadoas na primeira oportunidade. Assim, devidamente demonstrado que teria a contribuinte o direito ao crédito e, ainda, sendo esse suficiente para compensar o valor deR$84.688,28 deve ser provido o recurso. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação do PER/DCOMP nº 19677.42385.310111.1.3.049030 no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720042/2012-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 00 42 /2 01 2- 12 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 13005.720042/201212 Acórdão n.º 1003000.447 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 14 40.348 da 3ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Defendeu a contribuinte que, ao optar pelo Simples Nacional, não foi considerada como data da opção a data do registro na junta comercial, mas data posterior, fato que levou à cobrança da multa. A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) A empresa foi registrada na Junda Comercial do Estado do Rio Grande do Sul e no Cadastro de Pessoas Jurídicas em 14/08/2007; (ii) O sistema operacional da Receita Federal considerou o início das atividades apenas em 10/09/2007, não retroagindo até 14/08/2007, o que ensejou o prazo de 27 dias no ano calendário de 2007 sem estar a empresa no Simples Nacional; (iii) Aduz que não há razão para uma empresa em início de atividades, devidamente enquadrada no prazo legal, não esteja sob a égide do regime tributário do Simples Nacional, manter a decisão implica prejudica a contabilidade da empresa; Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Fl. 30DF CARF MF Processo nº 13005.720042/201212 Acórdão n.º 1003000.447 S1C0T3 Fl. 4 3 Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional considerando a data do Registro na Junta Comercial. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; Fl. 31DF CARF MF Processo nº 13005.720042/201212 Acórdão n.º 1003000.447 S1C0T3 Fl. 5 4 IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. (c) obedecidas as condições acima, a opção produzirá efeitos a partir da data do ultimo deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo essa também a data considerada como início de atividade. Em razão do deferimento da opção pelo Simples Nacional, verificase ter a Recorrente obedecido as condições (itens "a" e "b" supra) determinadas pelo art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, para empresa em início de atividade. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13005.720042/201212 Acórdão n.º 1003000.447 S1C0T3 Fl. 6 5 Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional cumprindo as condições da norma e, por conseguinte, tem o direito de ter seu registro no Simples considerado a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo esse igualmente a data considerada como início de atividade (incisos V e VI do art. 7º da Resolução CGSN nº 04/ 2007). Temse que, nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 33DF CARF MF
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