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Numero do processo: 12268.000734/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 07 34 /2 00 8- 01 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 488 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.820 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.196.9964, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 34.810,49. O crédito previdenciário se refere às contribuição da parte dos segurados; no período de 01/2005 a 12/2005. O Relatório da decisão de primeira instância relaciona os levantamentos, cujas correspondentes remunerações não foram declaradas pela empresa em folhas de pagamento, nem em GFIP antes do inicio da ação fiscal: A) PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%), referentes as remunerações pagas para segurados contribuintes individuais, apuradas a partir de lançamentos no livro contábil Razão, contas 709 4.1.02.001.19 Serviços de Limpeza e 767 4.1.02.001.25 Serviços de Terceiros, havendo ainda sido verificados valores em DIRF — Declaração de Imposto Retido na Fonte que também constam no Livro Razão, na conta contábil 11234.1.05.002 Repasse para Pessoas Físicas Os nomes dos segurados e os valores por eles auferidos foram discriminados por competência em planilha inserida as folhas 3, 4 e 5 do Relatório Fiscal, sendo que foram anexadas ao Auto de Infração copias dos correspondentes recibos de pagamento e de folhas do Livro Razão onde constam os lançamentos nas mencionadas contas contábeis. B) ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%), referentes a pagamentos exclusivamente ao empregado Márcio Augusto Motta Vieira, sob a rubrica Auxilio Alimentação, conta contábil 1264.4.1.02.001.36, a respeito dos quais foram solicitadas informações para a empresa, que afirmou que tal verba foi um ponto de negociação quando da contratação do funcionário e que todos os pagamentos foram efetuados juntamente com o salário, por meio de cheque nominal, configurando remuneração indireta. Ademais, a empresa não estava inscrita no PAT — Programa de Alimentação ao Trabalhador. Os correspondentes valores foram discriminados por competência cm planilha constante às folhas 6 do Relatório Fiscal, havendo sido anexadas ao Auto de Infração cópia de folhas do Livro Razão contendo os aludidos lançamentos contábeis. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 C) TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%), referentes a pagamentos para condutores autônomos de veículos rodoviários, obtidos no Livro Razão, nas contas contábeis 7214.1.02.001.21 — Fretes e 780 4.1.02.001.26 — Táxi e outros meios de transporte, cujos recibos de pagamento, bem como as correspondentes folhas do livro Razão, foram anexados por copia ao Auto de Infração. Os valores pagos foram discriminados por competência em planilha constante as folhas 7 e 8 do Relatório Fiscal. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, o Relatório Fiscal informa que se procedeu ao comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte: (i) Em relação ao levantamento PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5°do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. II e art. 373), somada a multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z2 Transferido do Lev PCI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (ii) Em relação ao levantamento ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5'do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z1 Transferido do Lev ALI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 489 5 por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária Tios casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (iii) Em relação ao levantamento TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5' do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 Auto de Infração, Código de Fundamento Legal CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z3 Transferido do Lev TRA (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.08.2009, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, é de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação, em 252 itens resumidos conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Intimada do lançamento em 20/08/2009, a autuada adentrou com impugnação tempestiva em 21/09/2009, segundafeira, onde cita jurisprudências e doutrina e alega, em síntese: a) sua condição de instituição diretamente, atrelada e vinculada a outra, no caso, a Sociedade Brasileira de Patologia; b) a existência de vícios no procedimento fiscal c no Auto de Infração, a saber: b.1) descumprimento do artigo 10, caput, do Decreto n° 70.235/72; b.2) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; b.3) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado cm procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 c) a inexistência da obrigação de retenção das contribuições de segurados contribuintes individuais com varias fontes de renda; d) a inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; e) a irregular aferição do saldo devedor, pois com o advento da Emenda Constitucional n° 27/00 as alíquotas das contribuições providenciarias foram reduzidas em 20% (vinte por cento); f) a inexigibilidade e/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; g) a inexigibilidade c/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; h) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Anexou à impugnação, por cópia, Estatuto da Associação Paranaense de Patologia e ata de eleição de sua diretoria, Estatuto da Sociedade Brasileira de Patologia, Convênio 24/2005 SESA Secretaria do Estado da Saúde, MPF, Termos de Inicio c Encerramento da ação fiscal, DIRF do exercício 2006, Planilha Anexo I, elaborada pelo Auditor Fiscal, Recibos de Pagamento para contribuintes individuais, declarações firmadas por contribuintes individuais sobre já contribuírem pelo limite máximo c planilha demonstrando as exigibilidades consideradas indevidas pela autuada em relação aos contribuintes signatários das aludidas declarações. As folhas 356 foi anexada correspondência da empresa, datada de 21/12/2009, informando que foi efetuado deposito extrajudicial relativo ao Auto de Infração 37.196.9964, ora em apreço, consoante comprovantes anexados a tal correspondência. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0628.820 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, conforme Ementa a seguir: AssuNTo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Al 37.196.9964 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. 1NCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. esfera administrativa não cabe conhecer de argüições de inconstitucionalidade OU ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 490 7 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS. EMPRESA. PREVISÃO LEGAL. Para fins previdenciários, por expressa disposição legal, a associação representativa de médicos 6 considerada empresa, cabendolhe todas as obrigações tributárias para com a Seguridade Social aplicáveis as empresas em geral. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O MPF não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades procedimentos de auditoria fiscal, não podendo ser invocadas como causas dc nulidade do procedimento fiscal eventuais falhas na emissão, tramite, alteração ou prorrogação de tal documento. RELATÓRIOS FISCAIS. ENTREGA EM MEIO DIGITAL. ADMISSIBILIDADE. Nos termos dos atos normativos, é admissível a entrega a autuada de relatórios em meio digital. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÕES PAGAS PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações para segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no mês cm que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro. REMUNERAÇÕES PAGAS PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DO SEGURADO. TETO MÁXIMO Devem ser excluídos do lançamento os valores relativos as contribuições correspondentes a parte do segurado contribuinte individual que tenham ultrapassado o teto máximo estabelecido normativamente DESVINCULAÇÃO DAS RECEITAS DA UNIÃO. INDEPENDÊNCIA DOS RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. A Emenda Constitucional 20/98 reiterou a opção do Constituinte pela independência da Seguridade Social, especialmente da Previdência Social, ao acrescentar o inciso XI ao art. 167 da Constituição Federal, reforçando separação dos orçamentos e a vinculação dos recursos da previdência aos gastos estritamente definidos como benefícios, o que já constava do art. 195, § 20 da Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Carta Magna, onde se assegura que às unidades governamentais envolvidas na concessão de previdência social aos brasileiros incumbe a gestão de seus recursos. JUROS DE MORA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para os fatos geradores ocorridos até a vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11941/09, aplicase a legislação vigente na época dos fatos geradores, que determinava, em matéria de juros, a aplicação da SELIC, exceto nos meses de vencimento e pagamento da contribuição, em cada um dos quais incide o percentual de 1%, sendo que até setembro de 2007 os juros exigidos em cada competência não podiam ser inferiores a 1%. MULTA MAIS BENIGNA. MOMENTO DA APURAÇÃO. Nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, o cálculo da multa mais benéfica, observada a regra do artigo 106, II, c, do CTN, deve ser procedido no momento do pagamento ou do parcelamento do débito ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 5" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, devendo, na forma do voto, ser excluída do crédito a importância originária de R$ 14.011,44, correspondente ao somatório das competências janeiro a dezembro de 2005, mantendose integralmente o crédito tributário remanescente no valor originário dc R$ 5.572,44, mais os acréscimos legais cabíveis. Noticiase a existência de depósito extrajudicial relativo ao Auto de Infração em apreço, conforme folhas 356 a 360 dos autos. Encaminhese a unidade de origem, para ciência do interessado e demais providências, ressalvando ao contribuinte o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias da ciência, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n» 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1" da Lei n» 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002 Sala de Sessões, m 15 de outubro de 2010. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em 258 itens, resumidamente: Em sede Preliminar. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 491 9 Desta forma, a ora Recorrente é uma sociedade associativa com o fim de, entre outros tantos, incentivar e promover programas de qualidade da pratica da patologia, o que, em síntese, se traduz no incentivo e na promoção da realização de diversos programas na área da saúde, especificamente da patologia, visando não só o aprimoramento da atividade como a própria proteção da sociedade brasileira, já que o aprimoramento e a execução de programas de qualidade em patologia têm por objetivo a diminuição dos riscos e dos óbitos decorrentes da neoplasia câncer. A propósito, a ora Recorrente, Seccional da Sociedade Brasileira de Patologia, recebeu o encargo, por força de seu Estatuto Social e da condição de Seccional que é daquela outra instituição, assim como por força do Estatuto Social da Sociedade Brasileira de Patologia, de dar cumprimento com um Convênio pactuado entre a Sociedade Brasileira de Patologia e a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná SESA , inclusive para o ano de 2005, conforme se infere do Termo de Convênio e Extrato de Convênio n° 24/2005 anexos Impugnação Total ao Lançamento de fls. , pelo qual a ora Recorrente executa serviços na área de saúde, em prol inclusive do Estado do Paraná e das mulheres que nele residem, pelo qual exerce o controle das patologias e das neoplasias diagnosticadas nas pacientes atendidas pelo SUS Sistema Único de Saúde , o que o faz pelo denominado "Programa de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico Colo de Otero e Mama". Assim e para alcançar e atender a esta finalidade, inclusive em prol da sociedade paranaense, haja vista o Termo de Convênio e Extrato de Convênio citados, a ora Recorrente, no ano de 2005, não só incorreu com a contratação e, por conseqüência, com o pagamento de empregados contratados sob o regime celetista (CLT), como também incorreu em despesas com o pagamento de profissionais autônomos, cujos custos foram indubitavelmente incorridos para, em essência, alcançar e atender as obrigações que lhe foram decorrentes do Termo de Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná. Desta feita, em razão da condição assumida, a ora Recorrente passou a se subsumir a diversas normas legais e infralegais imputadas a contribuintes e nãocontribuintes da Seguridade Social, atualmente aplicadas e exigidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; 33. I. Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 34. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . 35. Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. 36. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) 53. Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) 58. Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. 60. Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 492 11 indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 61. Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. 62. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; 67. Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originado do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, à ora Recorrente não foram entregues o DAD Discriminativo Analítico do Débito e o Relatório Fiscal da autuação, ambos em meio físico, papel, sendolhe entregues tais documentos apenas em meio magnético, o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, em especial a discriminação dos valores originários das contribuições lançadas, suas bases de calculo e suas alíquotas, as deduções aplicáveis e as diferenças existentes e constatadas, o que ocasionou o cerceamento ao direito de defesa. (...) 83. Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 84. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) 94. Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. 95. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate 96. Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) 98. Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. 99. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. 100. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 493 13 pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. 101. Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9964, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 120. 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) 122. Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) 125. Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. 126. Assim, em síntese, para a utilização do procedimento ora comentado, mister que a contabilidade seja declarada imprestável ou insubsistente. (...) 128. A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 (...) 142. Isso posto, é indubitável que os lançamentos previdenciários e da contribuição ao SAT, consignados no Auto de Infração em debate e alcançados por meio da sistemática da aferição indireta, devem ser excluídos da exigibilidade posta nos autos em epígrafe, pois que a contabilidade da ora Recorrente não foi declarada imprestável e não foram vislumbradas, na situação fática concreta, quaisquer das situações que ensejam a aplicação das normas dos arts. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91 e 596 a 599, todos da IN MPS/SRP n° 03/2005, motivo pelo qual a ora Recorrente, desde j6, requer que o presente Recurso Voluntário seja provido para, ao final, serem excluídos da exigibilidade tributária os lançamentos calcados na sistemática de aferição indireta, em especial os lançamentos calcados nas informações constantes da DIRE acostada como documento 07, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe. (...) 149. Assim, percebese que a alusão de que a ora Recorrente deixou de processar com a retenção / desconto, com o conseqüente recolhimento da contribuição ao INSS incidente sobre as remunerações pagas aos profissionais autônomos contribuintes individuais que lhe tenham prestado serviços, estando tal lançamento lavrado com base no procedimento especial de aferição indireta suportado nas informações obtidas da DIRF referente ao anocalendário de 2005, acarreta indubitável erro de fato, especialmente quando se observa, pelos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos ôt Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, que o valor de diversas das remunerações neles lançados não se referem as competências de apuração das contribuições previdenciárias indicadas pelo Auditor Fiscal competência de 2005, mas sim a competências pretéritas, nas quais os créditos foram efetivamente registrados em prol do contribuinte individual. 150. Observem Vossas Senhorias que vários dos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, dizem respeito a créditos de remunerações decorrentes dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004; contudo, 'Para fins de autuação, foram presumidos pela Autoridade Fiscal como se tivessem sido originados nas competências do anocalendário de 2005, presunção esta incorreta até mesmo diante da legislação em vigor. No Mérito. (v) a inexigibilidade c/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 494 15 (vi) a inexigibilidade e/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; (vii) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 495 17 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é equiparada à empresa nos termos do art. 15, parágrafo único, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; 33. I. Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 34. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . 35. Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. 36. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) 53. Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) 58. Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 496 19 dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. 60. Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. 61. Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. 62. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Analisemos. A questão e fundo é saber se o AuditorFiscal que lavrou o Auto de Infração AIOP nº 37.196.9964 está presente no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659, a fim de se aferir a hipótese de violação ao art. 10, caput e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; De plano, observase que na capa do Auto de Infração, às fls. 01, consta o nome do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073, responsável pela lavratura do AIOP. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 No Relatório Fiscal, à fls. 039, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549. No Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF às fls. 041, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Intimação Fiscal – TIF às fls. 043, 054, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls. 062, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. Em consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659 no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp, extraído em 18.06.2013, constatase que o Mandado de Procedimento Fiscal determina ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1217549, bem como à AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil ROSA MARIA BONTORIN DIPP matrícula 00877220 / 0953926, na qualidade de SUPERVISORA da Equipe Fiscal: Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 20 de Maio de 2009. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Curitiba, 20 de Janeiro de 2009. VERGILIO CONCETTA Matrícula: 00002549 DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DRF CURITIBA Assinado eletronicamente conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Vide a tela extraída do referido site abaixo: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 497 21 Por outro lado, a Recorrente centra asua argumentação na afirmação de que o AuditorFiscal que lavrou o AIOP não estava relacionado no Mandado de Procedimento Fiscal: 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. Em que pese tal argumentação da Recorrente, comprovouse no exposto acima que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549, autoridade fiscal responsável pela lavratura do AIOP nº 37.196.9964 estava regularmente autorizado para fazêlo nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659. Com isso não há a ocorrência de violação ao disposto no art. 10, caput, Decreto 70235/1972 e no art. 59, I, Decreto 70235/1972. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.820 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.196.9964, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 34.810,49. O crédito previdenciário se refere às contribuição da parte dos segurados; no período de 01/2005 a 12/2005. O Relatório da decisão de primeira instância relaciona os levantamentos, cujas correspondentes remunerações não foram declaradas pela empresa em folhas de pagamento, nem em GFIP antes do inicio da ação fiscal. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.196.9964 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.196.9964) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 498 23 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DSD Discriminativo Sintético do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.196.9964, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; 67. Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originado do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, à ora Recorrente não foram entregues o DAD Discriminativo Analítico do Débito e o Relatório Fiscal da autuação, ambos em meio físico, papel, sendolhe entregues tais documentos apenas em meio magnético, o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, em especial a discriminação dos valores originários das contribuições lançadas, suas bases de calculo e suas alíquotas, as deduções aplicáveis e as diferenças existentes e constatadas, o que ocasionou o cerceamento ao direito de defesa. (...) 83. Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. 84. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 499 25 "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) 94. Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. 95. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate 96. Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) 98. Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. 99. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. 100. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. 101. Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9964", fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na violação do direito de defesa porque não foram entregues (1) o DAD Discriminativo Analítico do Débito em meio físico, papel, sendolhe entregue apenas em meio magnético; e (2) o Relatório Fiscal da autuação, ora em meio físico, ora em meio digital. No entanto, a Recorrente admite que recebeu em meio físico, papel, o Relatório Fiscal em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD nº 37.196.9964”, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. De plano, ao contrário do que aduz a Recorrente, os artigos 660 e 661 da IN MPS/SRP n° 03/2005 já tinham sido revogados há mais de um ano pela IN RFB 851, de 28/05/2008, por ocasião da lavratura do AIOP nº 37.196.9964, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 20.08.2009. Portanto, à época da lavratura do AIOP, o art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, indicava que os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos: Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Outrossim, verificase que a Recorrente teve pleno acesso aos documentos elencados na Folha de Rosto do AIOP ao dar ciência ao AIOP em 20.08.2009, às fls. 01: Nos termos dos arts. 2° e 3° da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte intimado do levantamento objeto do presente Al. A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legaI constam expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: 1PC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 500 27 Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal Da mesma forma, a Recorrente teve ciência do documento "Recibo de arquivos entregues ao contribuinte em meio digital", emitido pelo Auditor Fiscal, às fls. 63 a 64, efetuando o recibo, em meio magnético, do Auto de Infração, bem como dos Relatórios IPC, DAD, DSD, RL, RDA, RADA, FLD, REPLEG e VÍNCULOS. Ora, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, posto que a mesma foi cientificada em todos os atos do procedimento fiscal, recebeu todos os documentos integrantes do AIOP – incluindose o Relatório DAD e o Relatório Fiscal , nos termos do art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, bem como interpôs tempestivamente a Impugnação e o Recurso Voluntário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 120. 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) 122. Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) 125. Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. 126. Assim, em síntese, para a utilização do procedimento ora comentado, mister que a contabilidade seja declarada imprestável ou insubsistente. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 (...) 128. A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. (...) 142. Isso posto, é indubitável que os lançamentos previdenciários e da contribuição ao SAT, consignados no Auto de Infração em debate e alcançados por meio da sistemática da aferição indireta, devem ser excluídos da exigibilidade posta nos autos em epígrafe, pois que a contabilidade da ora Recorrente não foi declarada imprestável e não foram vislumbradas, na situação fática concreta, quaisquer das situações que ensejam a aplicação das normas dos arts. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91 e 596 a 599, todos da IN MPS/SRP n° 03/2005, motivo pelo qual a ora Recorrente, desde j6, requer que o presente Recurso Voluntário seja provido para, ao final, serem excluídos da exigibilidade tributária os lançamentos calcados na sistemática de aferição indireta, em especial os lançamentos calcados nas informações constantes da DIRE acostada como documento 07, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe. (...) 149. Assim, percebese que a alusão de que a ora Recorrente deixou de processar com a retenção / desconto, com o conseqüente recolhimento da contribuição ao INSS incidente sobre as remunerações pagas aos profissionais autônomos contribuintes individuais que lhe tenham prestado serviços, estando tal lançamento lavrado com base no procedimento especial de aferição indireta suportado nas informações obtidas da DIRF referente ao anocalendário de 2005, acarreta indubitável erro de fato, especialmente quando se observa, pelos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos ôt Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, que o valor de diversas das remunerações neles lançados não se referem as competências de apuração das contribuições previdenciárias indicadas pelo Auditor Fiscal competência de 2005, mas sim a competências pretéritas, nas quais os créditos foram efetivamente registrados em prol do contribuinte individual. 150. Observem Vossas Senhorias que vários dos recibos de pagamento a autônomos acostados como documento 09, anexos à Impugnação Total ao Lançamento de fls. dos autos em epígrafe, dizem respeito a créditos de remunerações decorrentes dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004; contudo, 'Para fins de autuação, foram presumidos pela Autoridade Fiscal como se tivessem sido originados nas competências do anocalendário de 2005, presunção esta incorreta até mesmo diante da legislação em vigor. Analisemos. Tal tópico foi analisado pela decisão de primeira instância, às fls. 452, a qual mostrou que para os Levantamentos não foram consideradas exclusivamente informações Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 501 29 oriundas da DIRF de modo a se ter uma aferição indireta, mas sim o Relatório Fiscal demonstrou que tais informações constam do Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas": Equivocase a defendente em seu entendimento de que a fiscalização violou normas c que levou cm consideração exclusivamente as informações constantes em DIRF para os aludidos lançamentos, realizando aferição indireta e desconsiderando o Livro Razão c os recibos de pagamento para autônomos apresentados. Pelo contrário, embora o Auditor Fiscal informe que uma parte dos valores relativos aos levantamentos PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E Z 2 Transferido do Lev PCI (75%) tem origem em valores declarados em DIRF, esclarece também que tais informações constam no Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas" e que foram anexadas à autuação as cópias do Livro Razão com as contas contábeis que originaram os levantamentos procedidos, bem corno copias de recibos de contribuintes individuais referentes ao lançamento PCI, ou seja, não desconsiderou tais documentos, os quais demonstram corn precisão os valores das remunerações que ocasionaram as autuações lavradas na ação fiscal. Em relação ao fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, a decisão de primeira instância, às fls. 452, mostra que considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, com fundamento na IN INSS/DC 100, de 18/12/2003, bem como na IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: No que tange as competências a serem consideradas para efeito dos lançamentos, esclarecese que, diferentemente do que ocorre com as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas para segurados empregados, o fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, podendo tal momento não coincidir com o mês da prestação de serviços. IN INSS/DC 100/2005, de 18/12/2003, revogado pela IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 72. Salvo disposição c/c lei em contrario, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual no mês em que lhe for paga ou creditada a remuneração. IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; Outrossim, em relação à revisão do lançamento com a compulsão dos elementos fáticos, a decisão de primeira instância ao proceder a análise dos elementos fáticos do lançamento, às fls. 447 a 448, retificou o débito com a exclusão de parcelas indevidas Para tal correção, necessário se faria excluir os valores acima relacionados da competência fevereiro de 2005, onde foram lançados, procedendose o concomitante lançamento nas competências corretas (janeiro e março/2005). Todavia, isto acresceria as contribuições devidas em janeiro e março de 2005, sendo que a competência atribuída as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em respeito ao principio da vedação à Reformatio in Pejus, não compreende a função de lançamento, com a conseqüente majoração da exigência fiscal, ainda que apenas em algumas competências. Por outro lado, a possibilidade de novo lançamento fiscal dos aludidos valores relativos a janeiro e março de 2005, competências nas quais a empresa apresenta recolhimento parcial, encontrase hoje decaída, consoante o previsto no Parecer PGFN/CAT 1617/2008 que, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante 11`) 08, do Supremo Tribunal FederalSTF (...) Destarte, apenas devem ser excluídos do débito os valores lançados em competência indevida (fey/05), abaixo discriminados, mantendose sem alteração para maior os valores lançados nas competências janeiro/2005 e março/2005. (...) Além disto, e considerando que não se encontra anexada ao processo copia do recibo de pagamento de R$ 477,73 para Luiz Marcelo Agustinho, lançados na competência 09/2005, no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, nem tampouco comprovação dos respectivos lançamentos contábeis, realizamos consulta ao CNIS, onde foi verificado que tal segurado foi empregado da empresa até 31/08/2005. Na cópia da D1RF anexada aos autos juntamente com a impugnação o aludido pagamento figura com código 0561— IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado , enquanto que na Planilha "FP x GFIP x elaborada pelo Auditor Fiscal como anexo ao Termo de Intimação Fiscal 01, de janeiro de 2009, tal segurado consta com categoria 01, de empregado. Assim sendo, temse que o mencionado pagamento não se refere a contribuinte individual e sim a segurado empregado, estando, Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 502 31 pois, incorreto o correlato lançamento no levantamento PCI PGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, devendo, cm conseqüência, ser excluída da competência setembro de 2005 a contribuição de R$ 95,54 (20%) a ele correspondente. Diante do exposto, concluo que não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (v) a inexigibilidade c/ou a incorreta aplicação dos juros moratórios incidentes no Auto de Infração em epígrafe; (vi) a inexigibilidade e/ou a incorreta aferição das multas moratórias lançadas relativamente as competências de janeiro a outubro e dezembro de 2005; (vii) a impossibilidade de questionar a multa pecuniária lavrada de oficio na competência novembro de 2005, por falta de clareza e precisão na autuação. Analisemos conjuntamente os tópicos (v), (vi) e (vii). Vejamos o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 26, na qual aparece a fundamentação legal utilizada pela AuditoriaFiscal para a aplicação dos acréscimos legais: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 01/2005 a 10/2005, 12/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, a , b e c , parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAISJUROS 602.07 Competências : 01/2005 a 12/2005 AI Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redacao dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedicoes W posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedicoes, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organizacao do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, a , b , paragrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo unico; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, a, b e paragrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE 0 VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 11/2005 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; As contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação à época da ocorrência do fato gerador: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 503 33 ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, o Relatório Fiscal informa que se procedeu ao comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte: (i) Em relação ao levantamento PC1 — PAGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e Z2 — Transferido do levantamento PCI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5°do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. II e art. 373), somada a multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z2 Transferido do Lev PCI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (ii) Em relação ao levantamento ALI — AUX1L10 ALIMENTAÇÃO e Z1 — Transferido do Lev. ALI (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 — CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5'do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 — Auto de Infração, Código de Fundamento Legal — CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z1 Transferido do Lev ALI (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária Tios casos de falta de pagamento e de falta de declaração. (iii) Em relação ao levantamento TRA — TRANSPORTE e Z3 Transferido do Lev TRA (75%): Na competência 11/2005, a multa aplicável é a menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.66 CTN) entre a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no revogado §5' do artigo 32, acrescentado pela Lei n ° 9.528, de 10/12/1997 Auto de Infração, Código de Fundamento Legal CFL 68 (na forma do Regulamento da Previdência Social RPS, art. 284, inc. ll e art. 373), somada à multa de mora de 24% sobre o valor devido, conforme artigo 35, inciso II, alínea "a" da Lei 8.212/91, esta resultou em R$969,22 em sua totalidade para tal competência; comparandose com a multa de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 27/12/96, esta resultou em R$586,22 em sua totalidade para tal competência. Desta forma, a citada competência foi lançada no levantamento "Z3 Transferido do Lev TRA (75%)", com aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade da contribuição previdenciária nos casos de falta de pagamento e de falta de declaração. Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000734/200801 Acórdão n.º 2403002.091 S2C4T3 Fl. 504 35 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904809/2008-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
COEINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Trata o imbróglio de compensação de valor pago a maior ou indevido com débito de Cofins não cumulativo, por meio de Per/Dcomp retificadora, que restou não homologada. O Despacho Decisório nº 791211902, de 25/09/2008 (fls. 05, 07 e 08), após análise do crédito informado pelo limite do seu valor original no Per/Dcomp, na data da transmissão em 19/10/2006 (fls. 01/04), concluiu pela sua utilização integral para a quitação de outros débitos próprios, não restando saldo credor para compensação dos débitos ali descritos. Em face do referido despacho a contribuinte manifestou a sua inconformidade aduzindo que em decorrência do Per/Dcomp original transmitido foram gerados três grupos de Per/Dcomp, sendo que cada grupo era encabeçado por uma Dcomp original, da qual, por sua vez, decorria outra retificadora, todas oriundas do débito relativo ao PIS não cumulativo, recolhido indevidamente através de DARF no valor de R$ 21.391,03, em 15/04/2004, valor suficiente para suportar a compensação de todos os débitos informados. Ocorre que do DARF, equivocadamente, constou a data de 15/12/2004, quando o correto seria a data anterior. Com isso admitiu a interessada haver cometido erros no preenchimento de tais documentos, explicitandoos, outrossim postulando pela prevalência da verdade material ante a verdade formal, mencionando jurisprudência administrativa neste sentido para, ao final, requerer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. Conclusos foram os autos submetidos a julgamento pela 9a Turma da DRJ/CPS, que proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0535.604 (fls. 45/46), sintetizada através da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.904809/200882 Acórdão n.º 3803004.296 S3TE03 Fl. 6 3 O reconhecimento do direito creditório aproveitado em Dcomp não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Entendeu o voto condutor do acórdão de fls. 44/45 que a não homologação da compensação não se deu em razão de erros no preenchimento dos dados relativos ao DARF, mas sim, como dito, devido ao fato de que, embora localizado o pagamento apontado da DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente havia sido utilizado para extinção anterior de débito da contribuinte; Que a contribuinte foi notificada em 2006 sobre os equívocos no preenchimento dos dados do DARF na DCOMP original, e providenciou os acertos por meio da DCOMP no 11607.78057.191006.1.7.046135, objeto deste processo administrativo; Que os dados do DARF indicados como corretos pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade são idênticos àqueles discriminados no Despacho Decisório. Concluiu o voto condutor que não foram erros formais no preenchimento da DCOMP que ocasionaram a não homologação, mas sim o fato de o recolhimento apontado como origem do crédito a compensar estar integralmente utilizado para quitação de débitos confessados pela contribuinte, contra o que, digase, ela nada alegou. Portanto, faltando aos autos a comprovação de que o pagamento é indevido ou foi feito a maior, o direito credit6rio não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode mesmo ser homologada. Ciente do contido na decisão de piso por meio de AR em 14/12/2011 a contribuinte irresignada protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 28/12/2011, para reiterar, de forma minudente, os termos vazados na exordial. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, no período situado entre : 01/02/2004 a 29/02/2004, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes e no Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 05, 07 e 08), que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada, tampouco restou demonstrada a certeza e liquidez do crédito alegado. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal afasta a possibilidade de atendimento da proposição formulada pela contribuinte no recurso aviado. Não se pode olvidar que a recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes à comprovação da certeza e liquidez do crédito informado em valores suficientes a viabilizar a compensação pretendida e não o fez. De igual modo os sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistemas estes alimentados por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, em de junho de 2013. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.904809/200882 Acórdão n.º 3803004.296 S3TE03 Fl. 7 5 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16682.900887/2010-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900887/201026 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.321 – 2ª Turma Especial Data 11 de setembro de 2013 Assunto PER/DCOMP Recorrente AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 37174.56800.280307.1.3.047808, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 2.667,31, com o crédito de R$ 2.667,31, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 88 7/ 20 10 -2 6 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 3 2 realizado por meio de DARF (cód. 2469), referente ao período de apuração 31/08/2006, no valor total de R$ 8.891,02. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540437),emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.667,31. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 22/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/48 e 50, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 17 da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 17 da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 12.797,06, o qual faz jus; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 4 3 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 37174.56800.280307.1.3.047808 em 28/03/2007, no total de R$ 2.667,31 (principal: R$ 2.116,07; multa: R$ 423,21; juros: R$ 128,03), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 2.178,49, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 488,81; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.023, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 29/06/2012 – 6a feira (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 31/07/2012. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e nº 28675.06910.211010.1.7.031728, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 6 5 efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, o crédito de R$ 2.667,31, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), no valor total de R$ 8.891,02, referente ao período de apuração de 31/08/2006, declarado no PER/DCOMP nº 37174.56800.280307.1.3.047808 (fls.02/06) Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 16 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 3.493.601,64 (fls. 52/63), como demonstrado a seguir: ... Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 7 6 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 17 da DIPJ/2007, passando a fazer jus à base de cálculo negativa de R$ 12.797,06. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 64/66), que o motivo do acréscimo da base de cálculo negativa está no preenchimento da Ficha 17 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível da “CSLL Mensal Paga por Estimativa” apresenta o valor de R$ 3.493.601,64, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 3.506.298,06. Consequentemente, a base negativa de R$ 100,64 das duas primeiras restou acrescida para R$ 12.797,06 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 (fls.33/45) declara a compensação de débito de CSLL utilizando o crédito de R$ 75,12, proveniente da base de cálculo negativa retificada de R$ 12.797,06. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 12.721,94. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls.104), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 28675.06910.211010.1.7.031728 (fls. 67/70), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 12.721,94, para compensar débito de CSLL, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 12.696,42. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de CSLL integra a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06 pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.03 6375, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 17 das respectivas declarações o efetivo valor da “Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Paga por Estimativa” – R$ 3.506.298,06 – e, consequentemente, da base de cálculo negativa – R$ 12.797,06 após todos os recolhimentos de estimativa de CSLL efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 8 7 terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de CSLL recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 12.696,41, compõem efetivamente a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.03 6375 e no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de base de cálculo negativa, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 pelo de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater à mencionada base de cálculo negativa retificada. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 102/103). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 12.696,42 indicado no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 9 8 proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 37174.56800.280307.1.3.047808 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor da CSLL, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, em que se analisa o saldo credor da CSLL de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo da CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, relativo ao período de agosto/2006, compõe o saldo negativo de R$ 12.797,06, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16682.900887/201026 Resolução nº 1802000.321 S1TE02 Fl. 10 9 saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13856.000244/2004-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE.
O regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço.
A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à pessoa jurídica vendedora (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (artigo 5o, inciso III).
Assim, seja pela própria natureza do regime da não-cumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora - e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação.
A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 - posterior aos fatos geradores -, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...], objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002.
Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada.
Recurso ao qual se nega provimento.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado.
Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. NATUREZA. COBRANÇA EM REGIME DE VALOR AGREGADO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA QUE ADQUIRIU PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS DO PIS. IMPOSSIBILIDADE. O regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep foi criado para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva, com a cobrança do mesmo de forma agregada. Assim é que foi viabilizada a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. A possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, para as hipóteses de que trata o artigo 5o, é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora adquirente de produtos com o fim específico de exportação. A inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004 posterior aos fatos geradores , que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição [...]”, objetivou alcançar unicamente as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 44 /2 00 4- 13 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002. Exegese que se extrai dos dispositivos legais acima citados, complementada pelo artigo 7o da Lei no 10.637/2002, e que está em sintonia com a exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na lei retrocitada. Recurso ao qual se nega provimento. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam parcial provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela recorrente. Vencido, ainda, o conselheiro Solon Sehn, que além de manifestar anuência quanto ao direito relativamente às aquisições de açúcar, admitia também a legitimidade dos créditos concernentes às aquisições de álcool, exceto para fins carburantes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. Fez sustentação oral o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP nº 236.471. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Fl. 289DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 112 3 A contribuinte CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1433.011, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o respectivo momento, adotase o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), fl. 1, cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao mês de março de 2003, no valor de R$ 3.705,50. A DRF/Ribeirão Preto, por meio do despacho decisório de fl. 110, não homologou a compensação, deixando de reconhecer integralmente o direito creditório postulado. Segundo os autos, a nãohomologação da compensação ocorreu porquanto, na análise da Ficha 04 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), a fiscalização constatou que a interessada empresa comercial exportadora se creditou indevidamente de valores referentes à aquisição de produtos com isenção destinados a exportação, bem assim das despesas de armazenagem e fretes. Assim, haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal; foi elaborada planilha de glosa dos citados créditos na ficha correspondente do Dacon (Anexo I fl. 25). Ainda segundo a fiscalização, a postulante considerou, como receitas de exportação, outros valores que não aqueles referentes às notas fiscais de exportação devidamente registradas no Sistema SISCOMEX, tais como complementos de preço e variações cambiais, que são tributáveis pelo PIS, assim, com base nos valores de receitas informadas pela interessada, foi refeita a base de cálculo da contribuição apurada na Ficha 05 do Dacon (fls.88/89). Do valor da contribuição, calculado após as compensações dos novos valores de créditos apurados pela fiscalização, resultou o valor da contribuição devida, no período de dezembro de 2002 a dezembro 2004, da qual foi excluída a parcela já declarada em DCTF, sendo apurado crédito tributário que foi objeto do auto de infração formalizado no processo n 2 15956.000309/200843. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 115/136, alegando, preliminarmente, que o direito do Fisco de exigir o pagamento Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 dos débitos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), anteriores a fevereiro de 2004, objeto da compensação informada na DCOMP, encontrase decaído, a teor do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Solicita, ainda em preliminar, o julgamento do presente juntamente com o processo n° 15956.000309/200843, onde foi constituído o auto de infração do PIS proveniente das mesmas glosas, por possuírem matérias coincidentes, informando ainda que a matéria de direito está integralmente consignada na impugnação ali contida, principalmente quanto às alegações da fiscalização de que a contribuinte teria considerado como faturamento no mercado externo receitas derivadas de vendas no mercado interno. Quanto ao mérito, alega que se trata de empresa preponderantemente exportadora e que foram desconsiderados, de forma infundada, pela fiscalização, os lançamentos contábeis na conta de Receita de Revenda de Exportação a título de "Complemento de Preço", "Variação Monetária" e "Estornos", levando os respectivos valores à tributação da contribuição como se receita de mercado interno fossem, algo que não se pode convalidar; todas as operações comerciais de venda, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, não tendo havido, neste período, qualquer operação de venda de produto no mercado interno. Após tecer considerações sobre os princípios contábeis atinentes a realização da receita conclui com a assertiva de que a receita de exportação somente se considera realizada no momento da transferência de propriedade dos produtos de uma entidade à outra, que se concretiza, no caso em apreço, pelo embarque das mercadorias exportadas no porto, razão pela qual, desde a emissão da Nota Fiscal de Exportação até que o momento em que se apure a receita de venda efetiva, são necessariamente efetuados ajustes, a débito e crédito, nas contas correspondentes de acordo com o regime de competência, sendo portando consideradas "variações cambiais", tanto para efeitos contábeis quanto fiscais, apenas após a tradição da mercadoria "emissão do Bill of Lading". Prossegue, afirmando que seria de praxe no mercado nacional e internacional de compra e venda de commodities, quando estas são negociadas em bolsas internacionais como é o caso do açúcar ou sujeitas a cotações diárias como é o caso do álcool , a apuração do preço de venda a posteriori, mesmo que após o embarque das mercadorias com destino ao exterior, por conta da possibilidade de fixação do preço final a critério e oportunidade do vendedor, o que gera em sua contabilidade, novamente em reverência ao princípio da competência, estornos e complementos de preço, de modo que a receita de exportação total reflita o valor final da operação. Os procedimentos legais de Despacho de Exportação, conforme consignado no termo de encerramento pela fiscalização, foram regularmente cumpridos pelo Contribuinte, não havendo determinação legal expressa de nova averbação no SISCOMEX Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 113 5 no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, nem tampouco qualquer necessidade de vinculação desta à comprovação da exportação para fins de gozo da imunidade das receitas de exportação à contribuição em apreço; ademais, o art. 160 da Portaria SECEX n° 36/07, que dispõe dos procedimentos de exportação, prevê que poderão ser efetuadas alterações no RE, e em casos bastante específicos, não havendo qualquer determinação expressa de nova averbação no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, como requer a fiscal. Em relação aos créditos na aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, alega que a Lei n° 10.637, de 2002, em sua redação original, não trazia qualquer óbice relacionado à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras, enquadrandose como pessoas jurídicas sujeitas ao regramento geral do regime da nãocumulatividade, conforme previsão contida na redação original do art. 3o , de que o contribuinte poderá descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art.Io. Somente com o advento da Lei n° 10.833/03, que passou a vigorar a partir de I o de fevereiro de 2004, nos termos do § 4 o do art. 6 o e disposição do art. 15, é que o direito de utilizar o crédito em virtude da imunidade das receitas de exportação e isenção nas vendas com fim específico de exportação não mais beneficiou a empresa comercial exportadora que adquirisse mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação; portanto, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, não havia qualquer vedação a apropriação de tais créditos, inclusive, entendimento j á expresso pelo antigo Conselho de Contribuintes, que cita. Por fim, esclarece que, por todo o exposto e, de acordo com a legislação de regência, tem direito à compensação informada na DCOMP, não havendo que se falar em débito remanescente de IRPJ. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, contudo, não foram acatados pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO SP, que negou provimento à manifestação de inconformidade, julgando procedente a glosa de créditos e negando o direito creditório, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras tratase de caso de não incidência, que, por conseqüência natural do regime da não cumulatividade da contribuição, não resulta em direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DÉBITOS. COMPETÊNCIA DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não têm competência legal para a análise da cobrança dos débitos objetos de DComp não homologada, mas sim do despacho que indeferiu a compensação pretendida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão a quo em 05/05/11, e inconformada com seu teor, a empresa interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário em 06/06/11, aduzindo como razões para reforma da r. decisão recorrida e o consequente cancelamento da exigência fiscal, em síntese, inexistirem as irregularidades apontadas pela fiscalização, tendo em vista que: i) apenas os fundamentos referentes à “INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS SEM INCIDÊNCIA DO PIS” fazem referência ao crédito objeto da Declaração de Compensação em questão, razão pela qual deve ser reformado o acórdão recorrido, para que se proceda à correta subsunção do fato à norma, tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância não deveria tratar da incidência da contribuição para o PIS sobre receitas de exportação registradas a título de complemento de preço, nem mesmo sobre as variações monetárias decorrentes de variações cambiais, uma vez que o processo administrativo em tela se restringe tão somente à legalidade do direito ao desconto de créditos de bens adquiridos para revenda (fim específico de exportação) em abril de 2003; ii) até 31 de janeiro de 2004 não havia na legislação de regência da contribuição para o PIS qualquer vedação de desconto de créditos nas aquisições tanto de comerciais exportadoras, na regra específica, quanto de produtos não sujeitos à incidência da contribuição, pela regra geral, posto que a Lei nº 10.637/02 não trazia em sua redação original qualquer óbice ao desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras (sujeitas ao regramento geral do regime), sendo certo que a restrição imposta pela Lei nº 10.833/03 somente entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2004 (art. 93, inciso I); Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 114 7 iii) a decisão recorrida é contraditória, vez que admite o conceito de não cumulatividade de tributos conforme o interesse de negar direitos creditórios à Recorrente, pois, ao mesmo tempo que afirma, com base neste conceito, que o contribuinte só possui direito ao crédito se a operação anterior foi tributada pela exação, também nega sua aplicação ao aceitar que o art. 6º, §4º, da Lei nº 10.833/03 veda o aproveitamento de crédito na aquisição de despesas de frete e armazenagem; iv) uma vez reconhecido o direito creditório da Recorrente no tocante às aquisições de mercadorias com finalidade específica de exportação em abril de 2003, por expressa previsão legal e por ausência de qualquer vedação ao contrário sua Dcomp deve ser reconhecida, não havendo que se falar em débitos remanescentes de IRPJ, vez que os mesmos foram extintos por compensação, nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Por fim, requer seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, de modo que seja homologada a Declaração de Compensação correlata, e ainda, pugna pela intimação dos procuradores subscritos acerca da inclusão do processo administrativo em pauta de julgamentos, bem como pelo apensamento deste ao processo nº 15956.000309/200843, referente à cobrança da contribuição para o PIS entre janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso merece ser conhecido, por preencher os requisitos de admissibilidade e pela sua manifesta tempestividade, nos termos do Decreto nº 70.235/72. I) Da matéria posta em análise De início, insta delimitar a abrangência da análise que será aqui realizada, uma vez que o procedimento de fiscalização que permitiu concluir pela não homologação do direito creditório pleiteado pela ora Recorrente englobou não somente outros períodos de apuração como também outros fatos jurídicos irrelevantes ao presente caso. Mediante a entrega de Declaração de Compensação datada de 28/10/04 (fls. 2/4) a contribuinte pretendia compensar débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ devido, com créditos de PIS. Compulsando os autos, verificase que os créditos de PIS que a Recorrente tinha como líquidos e certos para a efetivação da compensação pleiteada decorrem de créditos oriundos das suas atividades de exportação, incluindo certos insumos (frete e armazenagem), devidamente glosados pela autoridade fiscal responsável pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.09.002008008580, o que refletiu na lavratura do Auto de Infração que deu azo ao processo administrativo nº 15956.000309/200843. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Bem se percebe nos autos que a controvérsia perpassa por dois elementos: a) legitimidade dos créditos de PIS referentes a aquisição de mercadorias e demais insumos com o fim específico de exportação pela empresa comercial exportadora ora Recorrente na Declaração de Compensação sob exame; b) incidência, ou não, do PIS sobre as receitas resultantes de complementos de preço e variações cambiais, alegadamente auferidas em operações de exportação. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. A letra b, apesar de aparentemente não guardar respeito ao caso sob exame, em verdade é item crucial para a apuração do efetivo crédito que o contribuinte alega possuir. Pois se, por um lado, entenderse que essas receitas decorrem de exportação, será irregular a incidência do PIS sobre elas, impactando no saldo credor apresentado pelo sujeito passivo. Todavia, como o próprio contribuinte explica, o saldo credor objeto de discussão nos autos não envolve tais receitas, estando os autos circunscritos à celeuma acerca dos créditos de mercadorias adquiridas para exportação. Passase então à matéria de fundo, propriamente dita. II.1) Do direito ao crédito de PIS em relação a mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação Em manifestação de voto apresentada na última sessão de julgamento, manifesteime no sentido de que, mesmo na inexistência de norma expressa que vedasse o direito de aproveitamento de créditos com relação à aquisição de mercadorias destinadas a exportação, por empresa comercial exportadora, o fato de que elas não haviam sido tributadas anteriormente não permitiria que o sujeito passivo utilizasse suas aquisições na apuração do tributo. Finqueime, para tanto, na lógica do tributo e nos efeitos econômicos dessa operação. Assim fundamentei minha posição: Ocorre que, apesar de aparentemente corretas, tais assertivas não merecem guarida por este E. Conselho, como se passará a demonstrar. Primeiramente, convém ressaltar que a sistemática não cumulativa de apuração da contribuição ao PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02, pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta, senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária. Nesse contexto, a não cumulatividade do PIS operase por meio da concessão de créditos calculados em relação a determinados valores que representam insumos, bens instrumentais, custos ou Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 115 9 despesas da atividade econômica selecionada para ser não cumulativa, que serão deduzidos da base de cálculo encontrada pelo contribuinte (faturamento). Assim, a tributação que ocorre sobre o faturamento do contribuinte, será reduzida mediante a utilização de créditos restringidos a determinados bens e serviços, assegurandose sempre a neutralidade da tributação: esse o propósito da não cumulatividade. Até porque a não cumulatividade, tomada como princípio ou postulado da tributação por alguns doutrinadores, não possui carga valorativa, sendo sim um instrumento tributário para atingir fins de política econômica. Desde seu nascedouro no Brasil, a não cumulatividade é um critério de tributação que tem a finalidade sistêmica de neutralizar a cadeia produtiva, a fim de não haja prejuízo em conta tributária para os intermediários da cadeia, e que o ônus econômico seja integralmente direcionado sempre para o consumidor final. No caso concreto, dadas as peculiaridades das mercadorias objeto do caso, temse que não houve tributação dessas mercadorias, que foram produzidas e vendidas para a Recorrente, comercial exportadora. O art. 5º da Lei nº 10.637/02 era, desde sua redação original, assente em determinar a não incidência do PIS sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias, e das vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, impondo a não incidência do tributo sobre tais operações, que não se subsumem ao aspecto material da hipótese de incidência da contribuição. Com efeito, incontestável a finalidade específica da aquisição das mercadorias por parte da Recorrente, não havendo que se falar em necessidade de lei que trouxesse expressa vedação ou autorização ao creditamento ora pretendido, pelo simples fato de que decorre da lógica jurídica do sistema não cumulativo que a aquisição de insumos sobre os quais não incida a contribuição é ilegítima para geração de créditos deste mesmo tributo. É de notório conhecimento que as leis e demais normas jurídicas presentes no ordenamento jurídico nacional devem ser interpretadas de forma sistemática, permitindo que sua aplicação se dê de forma harmônica, a fim de garantir a efetividade dos princípios e garantias constitucionais. Deste modo, de uma breve análise do próprio propósito da não cumulatividade instituído pela Lei nº 10.637/02 é possível concluir, sem maiores dúvidas, que jamais foi da intenção do legislador (pautado pelo art. 195, § 12, da Constituição) que a empresa comercial exportadora pudesse se aproveitar de créditos de PIS oriundos da aquisição de mercadorias que já não Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 sofrem incidência da contribuição, por serem destinadas especificamente à exportação. Até porque, a rigor, permitir o desconto de créditos relativos a operações que não são tributadas, implicaria quebra da neutralidade, com mais crédito do que débito ao longo da cadeia produtiva. Isso significa assumir que o Brasil estaria concedendo subsídio econômico cruzado, rompendo diversos tratados internacionais que impedem o subsídio econômico a exportadores. Resta claramente evidenciado, portanto, que descabe o aproveitamento de créditos pleiteado pela Recorrente, relativamente a mercadorias adquiridas sem tributação, para fim específico de exportação. Isso transcende a existência de regra expressa: decorre da própria natureza econômica da não cumulatividade. Fincarse na existência de regra expressa, a rigor, seria tomar a forma em detrimento do conteúdo, com reflexos inclusive no direito concorrencial internacional. De tudo isso se conclui que não assiste direito à Recorrente pretender compensar débitos com alegados créditos de PIS oriundos de aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, por tratarse de caso de nãoincidência que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade, não dá direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente de mercadorias. No entanto, após os debates que se seguiram, iniciei longa reflexão sobre o caso, que me levou a questionar inclusive os parâmetros das decisões proferidas no CARF. Certamente a verdade material é sempre uma meta a ser atingida, sendo todavia sua busca parametrizada por regras que impedem certas considerações pelos julgadores – dentre elas, questionamentos sobre eventuais considerações de inconstitucionalidade ou mesmo de justiça provocada pelos efeitos econômicos de certos casos. O art. 62 do RICARF, por exemplo, é bem claro ao vedar a apreciação de questões de constitucionalidade pelos julgadores. Assim é que em diversas situações, mesmo percebendo que o contribuinte age buscando o que entende ser justo, ou correto, diante do fato de que normas hajam sido infringidas, nada resta ao julgador além de decidir o caso conforme o direito posto. Questionamentos de direito justo não comportam ao CARF. A rigor, mesmo diante de eventual inexistência de regras, e da necessidade de se resolver algum caso, há normas orientadoras de como se resolver a situação, no capítulo próprio do Código Tributário Nacional acerca da interpretação e integração das leis tributárias. A posição de julgador, muitas vezes, assemelhase à narrada por Amartya Sen em sua obra A ideia de justiça, ao narrar o dilema das concepções de justiça formal e consequencialista. O julgamento administrativo se comporta de modo semelhante, ainda que sem as imagens terríveis que o Mahabharata traz: o julgamento se atém ao direito posto, tendo como limites externos os efeitos econômicos diretos produzidos pelas normas vigentes. Os Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 116 11 efeitos econômicos indiretos, ou mediatos, estão situados fora do âmbito de julgamento administrativo, por aproximaremse mais de considerações de justiça próprias do Poder Judiciário, ou do meio acadêmico. Diante disso, e da inexistência de regra que me permita abstrair do direito posto (e das conseqüências fáticas do direito posto que é possível ao CARF apreciar), justifico a retificação do meu julgado na ponderação de que meu pressuposto básico – os efeitos econômicos decorrentes do procedimento adotado pelo sujeito passivo – foi equivocado. O voto, a bem da verdade, estava tão equivocado quanto um que afastasse certa regra de imposição tributária por considerar que seus efeitos econômicos são excessivamente danosos ou injustos. Assim, cercandome do direito posto e dos efeitos econômicos diretos desse direito (limite externo de apreciação de um caso pelo CARF), é de se observar que, à época da ocorrência dos fatos geradores, efetivamente não havia norma expressa que impedisse o aproveitamento de créditos, na apuração do PIS devido, relativo a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. E mais: posteriormente, essa vedação veio a ocorrer de modo expresso, por intermédio da lei 10.865/2004. Ora, a sistemática de apuração do PIS e da COFINS, para operacionalizar a não cumulatividade, dáse pela metodologia “base menos base”, diferentemente de outros tributos (como ICMS e IPI) que funcionam pelo método imposto menos imposto. É, nos dizeres da boa doutrina, metodologia de subtração indireta. Assim, diferentemente de tributos cujo fato gerador é a saída das mercadorias, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita decorrente dessas operações. Parece tratarse do mesmo fato gerador, mas a sutil diferença produz enormes diferenças. Uma dessas diferenças – e a é a que importa para este momento – é a de que a relevância, para os fins de não cumulatividade tributária, não é o ter ou não ocorrido tributação na etapa anterior, mas sim o haver ou não autorização para aproveitamento dos créditos. E não entro no mérito de a autorização ser ou não justa, ou de a vedação ser ou não justa. Não é dado ao CARF apreciar esse tipo de argumento. Ao contrário, cabe sim avaliar se há ou não a autorização. E no caso em tela, o que se tem concretamente é a inexistência, à época da ocorrência dos fatos geradores, de vedação para o aproveitamento dos créditos de PIS relativamente às aquisições efetuadas. Dois pontos merecem ser considerados no caso em tela. O primeiro deles é o de que não havia regra, à época da ocorrência dos fatos geradores, que impedisse o aproveitamento dos créditos de PIS nas aquisições de mercadorias por empresa comercial exportadora. Diante da inexistência de vedação ao aproveitamento dos créditos, a decisão que venha a restringilo é, a bem da verdade, contra legem, merecendo reparos à luz da legalidade. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 Indo mais além, é bastante plausível a interpretação que considere que a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores expressamente autorizava a utilização das despesas destinadas a aquisição de mercadorias destinadas a exportação, na apuração do PIS devido por comercial exportadora (diante da expressão poderá descontar créditos calculados com relação a bens adquiridos para revenda), como se vê: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o A rigor, a própria edição de norma posterior que vedasse a utilização desses créditos espelha que o ordenamento jurídico anterior era o de permissibilidade. Somese a isso (e então chegamos ao segundo ponto de ponderação) o fato de que o art. 105 do CTN impõe a aplicação sempre prospectiva da norma tributária, sendo reforçado pelo art. 144 do mesmo diploma, que impõe a aplicação da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores na atividade de lançamento. Decerto que estamos diante de procedimento destinado a revisar compensação realizada pelo sujeito passivo, mas o certo é que tanto o art. 105 quanto o art. 144 do CTN auxiliam a compor a árdua tarefa da lei complementar em regular as limitações ao poder de tributar – e aí temos uma clara manifestação da irretroatividade das leis tributárias. Seguramente a restrição ao aproveitamento dos créditos implicará a aplicação retroativa de uma norma que efetivamente só pode produzir efeitos futuros. E isso não pode ser considerado razoável, especialmente porque a lei 10.865/2004 não previu (como, aliás, nem poderia) aplicação retroativa, nem mesmo se destinava a interpretar normas anteriores de modo a viabilizar o raciocínio do art. 106, I, do CTN. Assim sendo, a pura aquisição de mercadorias destinadas a exportação por empresa comercial exportadora, antes da vedação imposta pela lei 10865/2004, não pode ser considerada irregular. Por outro lado, as mercadorias adquiridas com finalidade de exportação, objeto da presente celeuma, além de açúcar, eram sempre álcool etílico, o qual pode ser anidro carburante ou hidratado carburante (AEAC ou AEHC). Quanto ao álcool, a Recorrente não argüiu nos autos acerca da legitimidade do aproveitamento de créditos de PIS relativamente ao AEAC ou AEHC. Apenas em sede de memorial traz argumentos quanto à legitimidade de seu procedimento, dos quais destaco o seguinte excerto: Desta forma, concluise que o Álcool Etílico ( anidro ou hidratado) exportado pela Recorrente não está sujeito às normas da ANP, por não se destinar a distribuidores de combustíveis estabelecidos no país, razão pela qual não pode ser enquadrado na Lei n. 9847/99 e muito menos considerado como “fins carburantes”, de que resulta a impossibilidade de submetêlo ao regime monofásico das contribuições sociais. Ao meu ver, não merece guarida a consideração da Recorrente. A monofasia do PIS e da COFINS sobre o álcool etílico, instituída pela lei 10.147/2000, independe da Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 117 13 destinação da sua produção – mercado interno ou externo. Tratase de regime tributário próprio da mercadoria, seja ela destinada a exportação ou não. O argumento de estar ou não sujeito às normas da ANP, trazido pela Recorrente, não pode produzir efeitos na órbita tributária, dado que não há qualquer norma tributária que permita tal interpretação. Assim, mesmo reconhecendo que a decisão recorrida pecou por vedar o aproveitamento dos créditos por uma questão formal – a aquisição de mercadorias com finalidade de exportação por empresa comercial exportadora –, a conclusão de impossibilidade do aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de tributação é inescapável. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja parcialmente provido o recurso voluntário, reformandose a decisão de primeira instância para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO no sentido de reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às aquisições de açúcar realizadas pela Recorrente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios A presente lide integra um dos seis processos em nome de Crystalsev Comércio e Representações Ltda., julgados neste colegiado, os quais, por terem o mesmo objeto, serão tratados de forma conjunta neste voto. Assim, refirome aos processos nos 13856.000239/200401, 13856.000240/200427, 13856.000241/200471, 13856.000242/200416, 13856.000243/2004 61, 13856.000244/200413, os quais, de acordo com as correspondentes decisões de primeira instância, foram formalizados para discutir a nãohomologação de compensações pleiteadas pela recorrente, cujo direito creditório alegado diz respeito a suposto saldo credor do PIS relativo a receitas de exportação, apuradas segundo o regime de incidência nãocumulativa, e correspondentes, respectivamente, aos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Conforme relatórios objeto das decisões recorridas, os créditos do PIS foram calculados em relação a produtos adquiridos com isenção destinados à exportação, bem como em relação a despesas de armazenagem e fretes. Os correspondentes valores foram, contudo, glosados, com a consequente nãohomologação das compensações pleiteadas, sob o fundamento de que “haveria aproveitamento em duplicidade do benefício, tanto na manutenção dos créditos para o fornecedor da interessada, quanto para ela, ao revender as Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 mercadorias para o mercado externo, o que caracterizaria novo benefício fiscal sem previsão legal”. Ademais, a empresa considerou como receitas de exportação valores não correspondentes aos consignados nas notas fiscais, tais como complementos de preço e variações cambiais, tributáveis pelo PIS. Inconformada, a recorrente alega, em síntese: a) que as correspondentes lides não dizem respeito a diferenças nos preços consignados nas notas fiscais (complementos de preço, variações cambiais), mas unicamente à inexistência de direito de crédito na aquisição de mercadorias sem incidência do PIS; b) que a receita de exportação só deve ser considerada no momento da transferência da propriedade, devendo ser admitidos, até então, os ajustes: variação cambial e apuração do preço da mercadoria a posteriori; c) que o artigo 3o da Lei 10.637/02, na sua redação original, não trazia óbice à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições das comerciais exportadoras; d) que o disposto no artigo 6o, § 4o, da Lei no 10.833/03, segundo o qual o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com fins específicos de exportação, passou a produzir efeitos apenas a partir de 1o/02/2004. Sobre a alegação de que a lide não englobaria as diferenças de preços consignadas nas notas fiscais, penso diferentemente do i. relator. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, de acordo com as planilhas de fls. 29 e 93 do processo 13856.000239/200401, tais despesas não foram contabilizadas no anocalendário de 2003, razão pela qual não há porque se pronunciar a respeito delas, posto que não estão envolvidas no litígio (não há glosa a ser examinada). O mesmo se diga em relação a variações cambiais ou quaisquer outras despesas, também não incluídas na base de cálculo da contribuição no ano de 2003. Aliás, é isso que se extrai do “Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal”, onde se vê, notadamente às fls. 5 a 7, que tais glosas não são discutidas em relação ao ano de 2003 (v. fls. 99 a 101 do processo 13856.000239/200401). Passemos, pois, para o exame da lide, o qual, como se vê, é restrito ao aduzido direito creditório do PIS pela aquisição de produtos adquiridos com isenção destinados à exportação. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep (e para a COFINS) foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 118 15 A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição (§ 2º, inciso II, do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Tal alteração normativa, no caso do PIS, passou a viger a partir de 1º de agosto de 2004, conforme artigo 46, inciso IV, da Lei nº 10.865/20041, segundo o qual referida alteração passaria a produzir efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, que, no caso, ocorreu em 30/04/2004 (para a COFINS, os efeitos foram a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do artigo 93, inciso I, da Lei nº 10.833/20032). A tese sustentada pela defesa se alicerça, exatamente, no argumento de que referida alteração normativa não poderia atingir os fatos geradores em litígio, que, como ressaltado, dizem respeito ao PIS dos meses de abril, novembro, outubro, dezembro, maio e março, todos do ano de 2003. Na primeira versão do voto do i. conselheiro relator, este, relativamente à finalidade da sistemática nãocumulativa do PIS, ressaltou que tal desiderato “pressupõe para fins de geração de crédito do tributo, a incidência desta [da contribuição], senão econômica, ao menos juridicamente, em etapa anterior, compensandose assim o valor da contribuição 1 Lei 10.865, de 30/04/2004 Art. 37. Os arts. 1o, 2 o, 3 o, 5 o, 5 oA e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] "Art. 3o..................................................................... [...] § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. ....................................................................." (NR) [...] Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: [...] IV – nos arts. 1o, 2 o, 3 o e 11 da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 37 desta Lei. 2 Lei 10.833, de 29/12/2003 Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 devida com o montante cobrado na operação anterior, no intuito de incentivar determinados setores da economia, bem como desonerar os contribuintes do efeito cascata impingido pela sistemática cumulativa, de modo a contribuir com a neutralidade tributária”. Nesta sessão de julgamento, todavia, o i. colega reconsiderou e passou a dar parcial provimento ao recurso sob o fundamento de que, à época da ocorrência dos fatos geradores, inexistia norma expressa que impedisse o aproveitamento dos créditos na apuração do PIS devido relativamente a aquisições de mercadorias por comercial exportadora. Acolheu, portanto, a tese defendida pela reclamante, segundo a qual vedação nesse sentido só teria passado a viger a partir da edição da Lei no 10.865/2004. Pelas razões que passo a expor, peço vênia para discordar. Primeiramente, entendo que o regime da nãocumulatividade das contribuições sociais (PIS e COFINS) pressupõe, efetivamente, a incidência do tributo em etapa anterior. Exatamente para evitar a incidência em cascata do tributo na cadeia produtiva foi que o legislador criou o regime em tela, por meio do qual viabilizou a compensação da contribuição devida pela própria empresa com a contribuição anteriormente exigida na etapa anterior do ciclo produtivo do bem ou serviço. Tal entendimento se extrai, primeiramente, da exposição de motivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 20023 – posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002 –, conforme excertos a seguir reproduzidos: [...] 2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. 4. Cumpre esclarecer que qualquer alteração que tenha por premissa manter o montante arrecadado implica, necessariamente, a redistribuição da carga tributária entre setores. 5. No caso específico do setor agroindustrial, constatase uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estão sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. 3 Fonte: http://www.fazenda.gov.br/portugues/releases/2002/r020903_em.asp (acesso em 30/08/2012, às 12:00). Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 119 17 Isto posto, optouse por conceder um crédito presumido no montante correspondente a setenta por cento das aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Esse crédito presumido será adicionado aos créditos naturalmente já admitidos no modelo. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. [...] (grifos e destaques nossos) Da exposição de motivos da MP no 66/2002 destacamos o disposto em seu item 2, que é explícito quando se refere à introdução da sistemática de cobrança “em regime de valor agregado” – com a compensação do que foi pago na etapa anterior, portanto –, bem como as razões apostas no item 5, e seu correspondente subitem 1, onde o Exmo. Sr. Ministro da Fazenda justifica a criação de um crédito presumido para o setor agroindustrial em vista da normalmente significativa aquisição de insumos, por parte dessas empresas, de pessoas físicas, as quais, por não estarem sujeitas à contribuição, inviabilizam a transferência de créditos (e isso ocorre, precisamente, porque não há o que se transferir). Assim, para estimular tal setor e “minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos” (já que a empresa, repitase, não se credita de contribuição pelas aquisições de pessoas físicas), é que foi criado um mecanismo de concessão de crédito presumido para a empresa agroindustrial, que, a rigor, nada tem a ver com o regime compensatório da nãocumulatividade (vide § 5º do artigo 3o da MP 66/20024). Continuando com fundamentos adicionais que me fazem decidir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório guerreado, chamo atenção para o disposto no artigo 5o da Lei no 10.637/2002 (redação original): Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; 4 § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 11, e nos códigos 0504.00,07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifo nosso) O artigo 5o da Lei no 10.637/2002 relaciona as hipóteses em que não há incidência do PIS. Dentre elas, chamamos atenção para o disposto nos incisos I e III, que contemplam a exportação de mercadorias bem como as vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Na seqüência, temos o preceito de que trata o § 1o, segundo o qual, na hipótese do referenciado dispositivo (artigo 5o), “a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de”: a) dedução da contribuição a recolher (inciso I do § 1o), ou; b) para compensação com outros débitos tributários próprios (inciso II do § 1o). Como se vê, a possibilidade de desconto de créditos calculados na forma do artigo 3o da lei em evidência, para as hipóteses de que trata o artigo 5o (que, como ressaltado, contempla a não incidência do PIS em relação à exportação de mercadorias e às vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação), é limitada à “pessoa jurídica vendedora” (§ 1o), em outras palavras, à pessoa jurídica que vende para “empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação” (artigo 5o, inciso III). Assim, seja pela própria natureza do regime da nãocumulatividade do PIS, seja em virtude da vedação legal indireta (posto que a norma, nos casos expressamente enunciados no artigo 5o da Lei no 10.637/2002, só permite a utilização de crédito pela pessoa jurídica que vendeu à comercial exportadora – e não por esta), é inadmissível aceitar possibilidade em que haja nova utilização de crédito pela comercial exportadora, crédito este já contemplado em relação à empresa que vendeu os produtos à primeira com o fim específico de exportação. Vale lembrar ainda o disposto no caput do artigo 7o da mesma Lei no 10.637/2002 (abaixo transcrito), que reforçando o entendimento de que o encerramento da cadeia da nãocumulatividade se dá no vendedor à comercial exportadora, exige, da comercial exportadora adquirente de produtos para exportação que não os exportou no prazo de 180 dias, o recolhimento dos tributos não pagos pela empresa vendedora. Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13856.000244/200413 Acórdão n.º 3802001.201 S3TE02 Fl. 120 19 exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Por fim, quanto à inovação legislativa objeto da Lei no 10.865/2004, que, no § 2o do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, inseriu hipótese de vedação ao crédito quando “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”, tal dispositivo legal objetivou alcançar as transações realizadas no mercado interno, já que, em relação às empresas comerciais exportadoras adquirentes de produtos destinados especificamente à exportação, a vedação a quaisquer créditos já estava prevista na redação original da Lei no 10.637/2002, conforme demonstrado. Uma vez comprovada a impossibilidade de creditamento do PIS por empresa comercial exportadora adquirente de produtos destinados especificamente para exportação, irrelevante qualquer análise adicional concernente à natureza do produto comercializado. Com essas razões, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10920.003725/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano Gonzales Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 03 72 5/ 20 10 -1 0 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003725/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.338 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de lançamento, lavrado em 20/09/2010, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 26/38, deixado de recolher as contribuições previdenciárias, parte empresa, incidentes sobre remunerações de empregados e de contribuintes individuais apuradas por conferência das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), bem como efetuado compensações sem autorização do fisco ou decisão judicial favorável, nas competências 01/2008 a 12/2009, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 767.779,19, fls. 01. A fiscalização apurou que havia remunerações anotadas nas folhas de pagamento, sem que a correspondente contribuição fosse informada na GFIP (Levantamento G). No levantamento CI foram apurados valores pagos a contribuintes individuais sem a correspondente incidência da contribuição. Por fim, o levantamento GL referese à glosa de compensações. Após tomar ciência pessoal da autuação em 06/10/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 159/171, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 717/736, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 13/03/2012, fls. 738. O recurso voluntário, apresentado em 12/04/2012, fls. 740/747, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Houve violação do §2º do art. 7º do Decreto 70.235/72, na medida em que o Termo de Continuidade lavrado em 12/07/2010 tinha validade até 10/09/2010 e só houve lavratura de novo Termo em 13/09/2010. Assim, todos os atos lavrados anteriormente e posteriormente perderam a validade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Aponta que teria direito à relevação da multa aplicada, pois preencheu os requisitos da legislação para tanto. Informa que apresentou a GFIP dentro do prazo, pois não há atraso no FGTS. Agiu de boa fé e em conformidade com a legislação. Quanto aos contribuintes individuais apontados pela fiscalização tenta afastar a incidência em relação a cada um deles: João Gercino Duarte não poderia ser enquadrado como contribuinte individual, pois na condição de sócio teria recebido distribuição de lucros. Se em algum recibo constou Fl. 750DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003725/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.338 S2C3T1 Fl. 4 3 informação diversa, teria havido um equívoco. Na época apontada pela fiscalização referido sócio possuía contrato de trabalho com outra empresa; Kelli Adriana Frainer foi admitida como sócia em 07/12/2009, com a saída do Sr. João. Teria prestado serviços na condição de autônoma e não como empregada. Leonardo Jordani prestou serviço como autônomo, apenas duas vezes; Luiz Marcelo da Silva prestou serviço como autônomo por um curto período de tempo. As pessoas acima não poderiam ser consideradas contribuintes individuais, pois seriam autônomos. A empresa não teria omitido qualquer informação na GFIP. Sob re a adesão ao SIMPLES, esclarece que solicitoua em 30/01/2008, mas seu pedido foi indeferido por existirem os seguintes impedimentos: pendências junto a RFB e atividade econômica vedada. Apresentou impugnação a tal indeferimento, mas o processo 10920.0010005/200897 ainda não teve decisão definitiva. Alega não ter sido intimada da conclusão do referido processo. Salienta que, em 2008, não foram considerados pagamentos que fez na guia do SIMPLES e valores retidos de suas notas fiscais que somam R$ 72.888,92. Em 2009, não teriam sido considerados valores retidos em suas notas fiscais no montante de R$ 120.234,05. Requer o cancelamento da multa aplicada. É o relatório. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003725/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.338 S2C3T1 Fl. 5 4 Voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Durante a análise dos argumentos da recorrente constatamos que dois de seus argumentos suscitam a realização de diligências. O primeiro deles diz respeito à existência de valores retidos em suas notas fiscais que devem ser compensados de suas contribuições devidas. Foram juntadas várias notas fiscais que demonstrariam os valores a serem compensados. Em 2008, aponta que teria R$ 27.844,75, fls. 255/341, ao passo que a fiscalização concedeu créditos de R$ 32.336,15. Em 2009, aponta que teria créditos de R$ 120.348,05, fls. 342/712, ao passo que a fiscalização compensou R$ 94.584,84. Nesse caso, a diligência é recomendada para que a fiscalização apure a idoneidade das notas fiscais e o montante a ser compensado descontando o que já foi levando em conta no DD. O segundo argumento que suscita a realização de diligências é a afirmação que fez pagamentos do SIMPLES e que estes tem sua parte relativa às contribuições previdenciárias. Como, de plano, nossa posição é por aceitar a compensação desses pagamentos, a diligência é recomendada para apurar o montante do valor que corresponde às contribuições previdenciárias nos anos de 2008 e 2009. Por fim, notamos que no lançamento da multa de 150% incidiu outra multa de 75%, o que não nos parece aplicável ao caso, uma vez que a multa do art. 89, §10º da Lei 8.212/91 é uma multa isolada. A fiscalização poderá nos esclarecer o critério utilizado para aplicar tal multa e qual foi o crédito compensado que foi glosado. Por todo o exposto voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, de modo que a autoridade fiscal: 1. apure a idoneidade das notas fiscais de fls. 255/712, bem como o montante a ser compensado descontando o que já foi levando em conta no DD; 2. apurar o montante do valor que corresponde às contribuições previdenciárias recolhidas nas guias do SIMPLES nos anos de 2008 e 2009; 3. esclareça o critério utilizado para a multa por glosa de compensação e qual foi o crédito compensado que foi glosado. Efetuada a diligência, deve a recorrente ser intimada a apresentar, se desejar, aditamento ao seu Recurso, no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 752DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.003725/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.338 S2C3T1 Fl. 6 5 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916977/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/09/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 77 /2 00 9- 16 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916977/200916 Acórdão n.º 3803004.542 S3TE03 Fl. 147 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 21 de junho de 2005, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IOF, no valor atualizado de R$ 844,87, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 4/5/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o crédito utilizado teve origem em equívoco cometido no cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme atestaria laudo técnico anexo; b) no preenchimento da última DCTF enviada à Receita Federal, não demonstrara a existência do crédito de IOF, tendo sido declarado como devido exatamente o valor que havia sido recolhido; c) a existência do crédito poderia ser facilmente observada a partir da comparação entre os valores apresentados como devidos na base de cálculo, conforme planilha anexa, e a guia de recolhimento da mesma competência; d) os equívocos cometidos no preenchimento das declarações não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, pois a quantia recolhida a maior não pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, de correspondências emitidas por ALL Consultoria Ltda., da DCTF, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e de planilha por ele elaborada. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916977/200916 Acórdão n.º 3803004.542 S3TE03 Fl. 148 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2001. DIREITO CREDITóRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2001. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o julgador de piso que, não tendo sido retificado o valor do débito confessado em DCTF, o pagamento informado na Dcomp teria permanecido integralmente alocado ao débito confessado, do que se concluiria pela inexistência de crédito. Destacouse, também, que, em nome da verdade material, ainda que se superasse a falta da DCTF retificadora, não haveria previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam fossem substituídos por planilha, como a que o interessado trouxe aos autos, planilha essa desacompanhada dos contratos a que se reporta, não se tendo por identificadas as pessoas a quem os empréstimos teriam sido concedidos. Por fim, ressaltouse que, mesmo tendo o interessado recolhido o IOF, quem arcara com o encargo teria sido o tomador do empréstimo, sendo que, se restituição houvesse, seria desse último a legitimidade para a requerer, ou para autorizar o interessado que assim o fizesse. Cientificado do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ em 8 de outubro de 2011, o contribuinte postou o Recurso Voluntário em 8 de novembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo informado que, mediante decisão do Conselho Deliberativo da pessoa jurídica, o Recorrente havia sido autorizado a buscar a repetição do indébito e, uma vez recuperado o valor pago indevidamente, que este fosse devolvido aos participantes, conforme constaria de sua contabilidade; Ao final de sua peça recursal, o contribuinte faz o pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que, caso fossem considerados insuficientes os elementos probatórios até então trazidos aos autos, se apurasse o crédito efetivamente existente. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916977/200916 Acórdão n.º 3803004.542 S3TE03 Fl. 149 4 Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos cópias de correspondência enviada à Diretora da pessoa jurídica, de deliberação do Conselho, de planilhas de cálculo e de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação, da DCTF, de correspondências e de planilhas por ele elaboradas, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Notese que, mesmo após ter sido alertado pela julgador de primeira instância quanto à necessidade de apresentação da escrita fiscal, dos contratos de empréstimo e da identificação dos beneficiários, o Recorrente se predispôs a instruir os autos com documentos hábeis e idôneos, sendo juntadas apenas cópias de planilhas, de correspondências e de uma deliberação que, segundo ele, comprovariam sua defesa. Contudo, as planilhas trazidas aos autos na fase recursal não se encontram acompanhadas dos registros contábeis e nem dos documentos fiscais que os embasam, constando de uma delas inúmeros registros sem a identificação de sua vinculação com a matéria sob análise neste processo, não sendo os demais elementos juntados aos autos hábeis à comprovação do indébito reclamado. A correspondência do Recorrente datada de 29/3/2005, endereçada à DIFIN, sugere a necessidade de se formalizar consulta junto à Receita Federal para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos da recuperação dos valores recolhidos a maior, mas não consta dos autos que essa providência tenha sido tomada. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916977/200916 Acórdão n.º 3803004.542 S3TE03 Fl. 150 5 Não consta dos autos a demonstração da alteração do critério de apuração do imposto que acarretara o surgimento do indébito, havendo apenas uma fórmula que, segundo o contribuinte, teria sido por ele utilizada sem respaldo na legislação tributária. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e o requerimento de realização de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF) 1, e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916977/200916 Acórdão n.º 3803004.542 S3TE03 Fl. 151 6 regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10882.000543/2005-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso apresentado após o prazo estabelecido não pode ser conhecido, haja vista que a decisão a quo já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 3803-004.263
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por perempto.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002 PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso apresentado após o prazo estabelecido não pode ser conhecido, haja vista que a decisão a quo já se tornou definitiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por perempto. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado.
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso apresentado após o prazo estabelecido não pode ser conhecido, haja vista que a decisão a quo já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por perempto. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 05 43 /2 00 5- 15 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 17/25, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multas regulamentares (código de arrecadação: 3199), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). 0 crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao período compreendido entre o 2° trimestre de 2002 e o 1° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 270.000,00. 0 lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n°2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 505 c/c art. 212 do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 1°, 10, 11 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. 0 sujeito passivo foi cientificado do lançamento inicial por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 04/03/2005 (fl. 14), tendo sido posteriormente cientificado, em 18/03/2005 (fl. 26), do Termo de Retificação e Ratificação do auto de infração (fl. 16), que se prestou a comunicar a aplicação da redução da penalidade em 70% em face da constatação de o sujeito passivo ser optante pelo Simples. A impugnação foi protocolada em 15/04/2005, conforme peça de fls. 30/32, e anexos que a seguem, na qual aduz que, à época do fato gerador da primeira declaração a ser apresentada não estava mais obrigado à apresentála porquanto havia alterado o seu ramo de atividade para "execução de serviços de cópias coloridas e normais, encadernação e acabamento em geral, editoração eletrônica, plotagem e o comércio varejista de artigos de papelaria". Para o fim de provar o alegado, acostou cópia da 2° alteração e consolidação do contrato social (fls. 44/48), assim como da inscrição da nova atividade na Divisão de Cadastro Mobiliário da Secretaria de Planejamento e Receita da Prefeitura do Município de Santana de Parnaiba (fl. 49). A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou o Lançamento Procedente em Parte, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.000543/200515 Acórdão n.º 3803004.263 S3TE03 Fl. 107 3 Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, por contribuinte sujeito obrigatoriedade, sujeitao à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Lançamento Procedente em Parte Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário intempestivo, no qual nem menciona a preliminar de tempestividade e requer a improcedência do lançamento. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Questão preliminar perempção. A tempestividade do recurso é um dos pressupostos objetivos para que a Corte Administrativa possa conhecêlo. A pessoa jurídica foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 26 de outubro de 2009, segundafeira, conforme Edital constante da página 73, iniciandose a contagem do prazo recursal em 27 de outubro de 2009, terça feira. A recorrente interpôs recurso contra a decisão a quo em 11 de dezembro de 2009, conforme carimbo constante da fl. 77. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Diz o artigo 33 do Decreto 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal: Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim é que o prazo para interposição de recurso venceu no dia 25 de novembro de 2009, quartafeira, sendo portanto o recurso apresentado em 11 de dezembro do mesmo ano, intempestivo. No vinco do exposto, voto por não conhecer do recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901293/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 12 93 /2 00 9- 24 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 69 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 70 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 46/40 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls.37/41) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 06/04/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 11024.76603.060405.1.3.040818 (fls.23/28), com débitos no montante de R$ 101.332,13 assim especificados: a) débito informado (confessado): IRRF, código de receita 0561, 1ª semana/abril/2005, data vencimento 06/04/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 86.423,58; Total: R$ 86.423,58. b) débito informado (confessado): IRRF, código de receita 1708, 1ª semana/abril/2005, data vencimento 06/04/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 9.292,05; Total: R$ 9.292,05. c) débito informado (confessado): IRRF, código de receita 3208, 1ª semana/abril/2005, data vencimento 06/04/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 861,53; Total: R$ 861,53. d)débito informado (confessado): IRRF, código de receita 3280, do PA 1ª sem. /abril/2005, data vencimento 06/04/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 739,99; multa moratória: R$ 0,00 ; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 739,99. e) débito informado (confessado): CSLL/PIS/PASEP/Cofins, código de receita 5952, 2ª Quin./março/2005, data vencimento 08/04/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 4014,98; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 71 4 Total: R$ 4.014,98. f) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 97.669,52 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA dezembro/2004, DARF no valor de R$ 330.804,25 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005 (fl. 21). Limite de crédito na data da transmissão R$ 101.924,83 (valor original). O despacho decisório da DRF/Ponta Grossa, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 07 e 30), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 101.924,83. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sabre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática que tomou ciência em 03/04/2009 (fls. 33/35), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/04/2009 (fls. 02/05) . Consta das razões da irresignação apresentada pela interessada na instância a quo, em síntese: que o crédito compensado foi originário do recolhimento indevido antes do resultado apurado no balanço de suspensão/redução realizado em 31 de dezembro de 2004; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 72 5 que o fato gerador da obrigação ocorreu em 31 de dezembro de 2004; que, logo, não há como ser considerado infringido o art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600, de 2005, pois esse ato normativo infralegal é posterior ao fato gerador; que à luz do art. 74, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não há o alegado impedimento para o acolhimento da compensação sub censura; que compensou tributo indevidamente recolhido, conforme se pode verificar da inclusa DIPJ 2005, anocalendário 2004 (fls.15/20) que essa compensação foi feita com amparo no caput do referido art. 74 e no art. 165 do Código Tributário Nacional; que não ocorreu, no caso, nenhuma infração à legislação de regência, eis que a Fazenda Pública não sofreu qualquer prejuízo, não cabendo, por isso, a aplicação da multa e o acréscimo de juros de mora, em relação aos débitos confessados e compensados; que, por fim, pediu a reforma do despacho decisório para que seja reconhecido o crédito pleiteado e a compensação tributária informada. Na sequência, a DRJ/Curitiba, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 06/09/2011 (fls. 37/41), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ OU DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460/2004 OU DA IN SRF Nº 600/2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência das IN SRF nº 460/2004 e 600/2005 a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ ou de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ OU DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ ou de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 73 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 23/09/2011(fl. 45), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 17/10/2011 (fls.46/49) e juntou documentos (fls. 50/63), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade sob o fundamento que o art. 10 IN SRF 460/2004 e da IN SRF 600/2005 veda a utilização de crédito advindo de antecipação de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, antes do encerramento do respectivo período anual, podendo entretanto ser utilizado para dedução do imposto no ajuste anual ou para compor o saldo negativo; que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não prevê tal restrição; que a IN não deve prevalecer, por ser ato normativo infralegal. que, além disso, o referido artigo 10, dessas duas Instruções Normativas antes mencionadas, foi revogado pela Instrução SRF 900, de 30 de dezembro de 2008; que, diversamente do que consta da decisão a quo, a Instrução Normativa n° 900/2008 reconheceu o direito líquido e certo de compensar pagamentos indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL; que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF entende compensável não só o saldo negativo anual, apurado em balanço, como também saldos apurados por meio de balancetes de períodos menores; que caso o contribuinte recolha, a título de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado necessariamente ao ajuste anual, podendo ser utilizado como crédito ainda no próprio ano calendário. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão decisão recorrida, para que seja deferido o direito creditório pleiteado e seja, por conseguinte, homologada a compensação tributária.. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 74 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 06/04/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 11024.76603.060405.1.3.040818 (fls.23/28), informando que compensara débitos de diversos tributos do anocalendário 2005 conforme discriminados no relatório, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA dezembro/2004, data do recolhimento 31/01/2005. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim apenas saldo negativo do anocalendário. Nesse sentido, trancrevo a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida (fls. 39/40), in verbis: (...) 7. O pagamento que originou o direito creditório foi feito em 31/01/2005 e a DCOMP foi apresentada em 06/04/2005. 8. Não há como se reconhecer o direito creditório porquanto o recolhimento efetuado em 31/01/2005 somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ devido em 31/12/2004 ou para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, conforme previsto no artigo 10 da IN SRF nº 600, de 2005, in verbis: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” (Grifouse) 9. E isso porque tal dispositivo legal apenas reproduz integralmente a regra originalmente prevista no artigo 10 da IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, que já estava vigente, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 75 8 pois, à época tanto do pagamento do tributo que originou o direito creditório quanto da apresentação da DCOMP. 10. Ressaltese que a IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu artigo 11, revogou a IN SRF nº 600, de 2005, e disciplinou a matéria de forma diversa, excluindo a vedação para compensar pagamento indevido ou a maior a título de estimativas de IRPJ e CSLL: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Art. 99. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Art.100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005.”(Grifou se) 11. Contudo, esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, conforme disposto no seu artigo 99, e não cabe aplicar o artigo 106 do CTN para fazêlo retroagir à data da transmissão da declaração de compensação em análise, haja vista não se tratar de norma expressamente interpretativa e nem de norma que comine penalidade. As normas a serem aplicadas na compensação, que são de direito material, são aquelas vigentes à época do encontro de contas, ou seja, no momento em que o direito foi exercido pelo sujeito passivo, aplicandose o artigo 10 da IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004,. 12. Portanto, cabe ressaltar que a indicação dessa estimativa de IRPJ e/ou CSLL como direito creditório configura descumprimento da regra constante no artigo 10 da IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, posteriormente contida no artigo 10 da IN SRF nº 600, de 2005, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN, segundo o qual o direito à compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública fica sujeito às condições e sob as garantias que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o § 14 do art. 74 da Lei nº Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 76 9 9.430, de 1996, disposto que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo 74. 13. Acrescentese que esta autoridade julgadora não pode deixar de observar o entendimento da Receita Federal expresso em instruções normativas, por força do artigo 7º da Portaria do Ministério da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos.” 14. Dessa forma, sendo vedada a utilização dessa estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. (...) Entretanto, nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 foi revogada pela IN SRF 900/2008; que, mesmo que não fosse revogado tal dispositivo, não poderia prevalecer, pois não tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, diversamente do consta da decisão a quo, tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que no ano calendário 2004 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL estimativa mensal, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste; b) não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 77 10 regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; d) entretanto, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ estimativa mensal do PA dezembro/2004 não foi juntada cópia da escrituração contábil. E o fisco, em momento algum, intimou a contribuinte para compovar o direito creditório. Ou seja, embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso, pagamento indevido ou a maior), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2004 que comprove, de forma cabal, o erro de base estimada da IRPJ do PA dezembro/2004 que pudesse justificar o pleito do crédito. Nesse contexto, em tese, se houver, de fato, erro de base de cálculo estimada de do PA dezembro/2004, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material. Entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 78 11 Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição de saldo negativo, pois é possível sim a devolução de direito creditório pago em excesso por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste, conforme Súmula CARF nº 84. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Ponta Grossa para análise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, com os seguintes cuidados: a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, erro de base de cálculo estimada do IRPJ do PA dezembro/2004; b) apurar se houve o alegado excesso de recolhimento do referido PA (pagamento indevido ou a maior, por erro de base de cálculo estimada); c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de contribuição do mencionado PA, verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2004; d) ainda, se caracterizado o excesso de recohimento da contribuição por antecipação do citado PA, além de apurar o respectivo valor, informar, demonstrar, à luz da escrituração contábil, se decorreu de recolhimento sem relação com a receita bruta mensal, sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução (erro de base estimada), ou se decorreu de mera antecipação de pagamento nos termos da legislação de regência. Vale dizer, apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo estimada ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência. Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice suscitado, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões, devendo, então, a unidade de origem da RFB enfrentar o mérito do direito creditório pleiteado. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Ponta Grossa para que prossiga no julgamento, enfrentando o mérito do direito creditório pleiteado e da compensação tributária efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901293/200924 Acórdão n.º 1802001.855 S1TE02 Fl. 79 12 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10735.901054/2011-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
Marcos Tranchesi Ortiz Vice-Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vice-presidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 98 1 97 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.901054/201114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.358 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria DCOMPCOFINS Recorrente ABOLIÇÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2006 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti votaram pelas conclusões. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Marcos Tranchesi Ortiz – VicePresidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz (Vicepresidente), Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 54 /2 01 1- 14 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 18 a 221, transmitida em 31/08/2007, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 7.750,82, pago em 15/09/2006) a título da Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 2.838,62) com débito de R$ 3.149,45 relativo a IRPJ (período de apuração julho/2007). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 17 (emitido em 04/05/2011, com ciência em 16/05/2011, conforme AR de fl. 23), acusase que o pagamento (DARF de R$ 7.750,82) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) apurou em auditoria que havia recolhido a maior a contribuição, e procedeu à compensação sem, no entanto, retificar a DCTF e a DACON; e (b) com o despacho decisório eletrônico verificou que o DARF estava vinculado ao originalmente declarado na DCTF de agosto de 2006, pelo que passa a juntar na oportunidade DCTF retificadora para o período, confessando o real valor do débito, que é de R$ 4.912,20. Anexa a DCTF retificadora (fls. 13/14) e a DACON retificadora (fls. 15/16). Em 20/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 25 a 27), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a simples retificação dos documentos “não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PER/DCOMP, respaldado pela (sic) Dacon/DCTF retificadoras, mas que nas declarações originais inexistia”. Cientificada da decisão de piso em 11/02/2012 (AR à fl. 34), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/03/2012 (fls. 35 a 41), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, agregando que a retificação se deve a valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar. Os valores são detalhados à fl. 38, anexando se cópias do livro razão correspondente (fls. 89 a 95). O aproveitamento foi feito por rateio (conforme tabelas de fls. 39/40), tendo em vista que parte das receitas da empresa não está sob o regime nãocumulativo. Acrescentamse ainda Nota Fiscal referente a energia elétrica (fl. 86) e contrato de locação (fls. 87/88). É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901054/201114 Acórdão n.º 3403002.358 S3C4T3 Fl. 99 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alega que o crédito se origina de valores referentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano), que deixou de aproveitar, e para os quais não corrigiu a DCTF e a DACON com anterioridade ao despacho decisório. O julgador de primeira instância não tem meios de analisar tais elementos, pois a ele são apresentadas tãosomente a DCTF e a DACON retificadoras, não permitindo sequer saber o que ocasionou a retificação efetuada. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defrontase com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Em sede de recurso voluntário, agregamse documentos que não se fizeram presentes na manifestação de inconformidade, e não se vislumbra nenhuma das situações previstas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A simples análise de tais documentos (seja para concluir pela procedência ou improcedência, total ou parcial, seja para conversão em diligência) constituiria negação a dito comando legal, ofendendo à Súmula CARF no 2, de observância obrigatória por este colegiado, além de se constituir em supressão de instância administrativa, analisandose matéria que sequer foi objeto de conhecimento do julgador de primeira instância. Da mesma forma que não se permite na autuação, em regra, a inclusão de provas posteriormente à manifestação do autuado, mesmo em sede de diligência (que não se presta a suprir ônus probatório do Fisco), não se pode, em um pedido de compensação, admitir que seja em sede de recurso voluntário suprida a deficiência probatória por parte do contribuinte/postulante. Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.901054/201114 Acórdão n.º 3403002.358 S3C4T3 Fl. 100 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 19515.004412/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.276
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que votou por anular a decisão de primeira instância. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que votou por anular a decisão de primeira instância. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 41 2/ 20 10 -2 7 Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 33.245 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I, que julgou improcedentes a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.171.3625. A autuação diz respeito às contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. Segundo o relatório fiscal, fls. 677/688, as contribuições incidiram sobre pagamentos efetuados pela empresa a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, as quais não foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Acrescentase que os pagamentos foram verificados da análise das folhas de pagamento, planilhas de contribuintes individuais e nas contas contábeis dos Grupos 3.1.01.01.01 – Mão de Obra (Custo), 5.1.01.01.01 – Despesas de Pessoal, 3.1.01.05.01 – Serviços de Terceiros Pessoa Física, 5.2.02.01.01.00003 – Comissões sobre Vendas. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. A autuada apresentou impugnação, fls. 711/727, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que as julgou improcedentes (ver fls. 999/1.004). A DRJ negou o pedido de realização de diligência/perícia em razão da requerente não haver especificado as questões que pretendia esclarecer com a produção dessas provas. Também não foi acatado o requerimento para reabertura do prazo de defesa, ante a ausência de previsão legal que desse guarida à pretensão. Afastouse, ainda, a suscitada nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. O órgão a quo não acolheu a alegada inclusão das contribuições lançadas em parcelamento, justificando a decisão no fato de não constar do sistema da RFB a confissão de dívida, além da autuada não haver apresentado os documentos comprobatórios de suas alegações. Afirmouse na decisão recorrida que as informações das GFIP apresentadas com a defesa não constam do sistema da RFB, posto que foram substituídas por guias transmitidas posteriormente, afastandose, assim, a alegação de que as remunerações que serviram de base para o levantamento haviam sido declaradas nas GFIP. Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 4 3 Conclui a DRJ que as multas impostas foram aplicadas em consonância com a legislação, não havendo razão para o inconformismo da empresa quanto a esse ponto. Por fim, afirmouse na decisão atacada que, por determinação legal, as intimações deveriam ser efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.023/1.1.065, no qual, após breve relato de suas atividades empresarias e das autuações combatidas, alegou, em síntese, que: a) não há crédito a ser exigido posto que as contribuições constantes do lançamento já foram incluídos em parcelamento especial; b) o órgão julgador trouxe ao processo informações que a recorrente desconhecia, as quais alteraram inclusive a descrição da suposta infração, portanto, merece a recorrente a reabertura do prazo de defesa; c) a empresa somente veio a tomar conhecimento de supostas substituições das informações prestadas mediante a GFIP com a decisão recorrida, devendo ser anulado o AI, posto que o fisco não descreveu o fato gerador a contento, deixando de tratar de erros cometidos nas transmissões da guia informativa; d) a DRJ, ao detectar os alegados erros que teriam motivado a substituição dos valores declarados, deveria, pelo menos, ter retornado o processo à fiscalização para que fosse procedido a emenda do relatório, com reabertura de prazo para defesa; e) além de que a empresa possui os protocolos de envios da GFIP, comprovando suas afirmações, ao passo que o órgão recorrido não juntou aos autos nenhuma comprovação de que os dados teriam sido apagados; f) não houve por parte da autuada qualquer retransmissão de dados que pudesse acarretar na falha apontada pela DRJ; g) ao trazer ao processo fato novo e, com base nesse, decidir contra o sujeito passivo, o órgão recorrido violou a garantia constitucional ao contraditório e à ampla defesa; h) agiu conforme a legislação, não podendo ser prejudicada por erros em sistemas sobre os quais não tem gestão; i) o julgador de primeira instância deveria ter trazido ao processo as provas de que o sujeito passivo incorreu nos erros que motivaram as autuações, conforme determinam os artigos 36 e 37 da Lei n.º 9.784/1999; j) no mínimo, o erro apontado deveria ter sido demonstrado com informações prestadas pela instituição bancária responsável pelo recebimento e processamento dos dados declarados na GFIP; k) os AI foram lavrados de forma genérica, dificultando a produção da defesa e, somente após a decisão da DRJ, as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores foram demonstrados; Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 5 4 l) a recorrente comprovou que bem antes do início do procedimento fiscal já havia declarado, até em montantes superiores, os valores lançados, fato que impediria a constituição dos créditos; m) a realização de diligência/perícia é imprescindível para solução da contenda, ainda mais quando a DRJ apresentou novos fatos, sem comproválos; n) para comprovar suas alegações, o sujeito passivo mais uma vez junta aos autos todas as GFIP entregues via sistema; o) observese que, prevalecendo o entendimento da DRJ, a Fazendo perderá mais de R$ 2.500.000,00, posto que as contribuições confessadas pelo sujeito passivo suplantam os valores lançados; p) o julgamento apresentase incoerente, posto que o próprio fisco reconheceu que as contribuições declarados na GFIP estavam provisionadas na contabilidade da recorrente; q) a multa de mora aplicada é confiscatória; r) a multa de ofício não deve prevalecer, posto que o sujeito passivo declarou as contribuições na GFIP; s) o fisco não apresentou demonstrativo de comparação da multa mais benéfica, conforme exige a Instrução Normativa n.º 971/2009. Ao final pede: a) a declaração de nulidade do acórdão recorrido, em razão da inovação nos fundamentos das autuações; b) a improcedência das lavraturas, posto que as contribuições já haviam sido confessadas; c) a exclusão das multas aplicadas; d) que o processo seja baixado em diligência, de modo que lhe sejam apresentados os motivos que levaram à desconsideração das declarações efetuadas; e) que lhe seja dada oportunidade de se manifestar sobre esses fatos, antes da nova decisão de primeira instância; É o relatório. Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO VENCIDO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade da decisão recorrida A principal questão da presente lide reside na afirmação da recorrente de que teria declarado as contribuições lançadas na GFIP, tendo acostado documentos para comprovar o alegado. O fisco afirmou no seu relatório que efetuou a comparação entre os valores obtidos das folhas de pagamento e da contabilidade com os dados constantes no sistema informatizado da RFB, detectando as diferenças lançadas. Ao decidir sobre a questão, o relator do processo na DRJ afirmou que a empresa havia entregue mais de uma GFIP por competência, CNPJ, FPAS e código de recolhimento, e que esse fato teria motivado a substituição dos dados das guias que foram apresentados na defesa, não sendo as mesmas hábeis a comprovar a declaração dos fatos geradores supostamente omitidos. Vale a pena transcrever essa passagem do voto condutor do acórdão guerreado: “Ocorre que, com o intuito de verificarmos as GFIP´s entregues pela Impugnante, para confrontarmos os valores por ela declarados e os apurados pela fiscalização, consultamos o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e constatamos que embora a empresa tenha juntado na defesa cópias de GFIP´s por ela declaradas, entregou na rede bancária novas GFIP´s, apagando do sistema as informações anteriormente prestadas. Tomandose como exemplo a competência 02/2007, verificase que a empresa entregou 4 GFIP’s para esta competência entre 07/03/2007 e 14/07/2008, sendo duas com o FPAS 612 e duas com o FPAS 515. Sendo assim, muito embora a empresa tenha declarado informações nas GFIP e na sua contabilidade; ter alegado e juntado na defesa documentos que abrangem o período do débito aqui discutido, tais informações não constam mais do sistema informatizado para possibilitar a referida comparação. Diante do acima exposto, as alegações da defesa e os documentos juntados aos autos em nada alteram o procedimento fiscal que apurou valores devidos aos cofres públicos, não declarados em GFIP, conforme demonstrado pela fiscalização. Vale esclarecer ainda que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento. Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 7 6 Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada.” No recurso, a empresa volta a apresentar as GFIP, desta feita juntando também a “Relação de Trabalhadores”. Suscitou a recorrente a nulidade da lavratura, posto que não teria sido mencionada no relatório do fisco a substituição dos dados declarados por novas guias enviadas. Alternativamente, pede reabertura do prazo de defesa, para que possa se manifestar sobre essa questão, após a realização de diligência em que a Autoridade Lançadora verifique as guias apresentadas na defesa/recurso e apresente detalhadamente as causas das divergências que teriam dado origem aos lançamentos. De fato, observamos que há remunerações constantes nas GFIP apresentadas que constam da planilha do fisco como “não declaradas”. Esse fato nos leva a suspeitar que a DRJ têm razão ao afirmar que os dados enviados nas guias acostadas haviam sido substituídos. Ocorre que essa circunstância não foi mencionada no relatório fiscal, embora a legislação preveja que nos casos de omissão de fatos geradores na GFIP, o fisco deve solicitar esclarecimentos sobre as divergências verificadas. É o que diz o “caput” do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Na situação sob testilha, verificase que não houve a intimação exigida. A empresa aduz ainda em suas considerações que não houve a entrega posterior de guias que pudessem levar à substituição das informações prestadas originalmente nas guias informativas. Diante desse impasse e verificando que, na verdade, a decisão de primeira instância trouxe ao processo um fato que o fisco deveria ter apontado no seu relatório de trabalho, qual seja a possível ocorrência de exclusão de dados informados na GFIP em razão da transmissão de novas informações, entendemos que deva o processo retornar à fase de defesa, de modo que a empresa tenha restabelecido o seu direito de impugnar os lançamentos com amplitude. É inconteste que a omissão no relato do fisco de circunstância que altera o destino da contenda, acarreta em seria prejuízo aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que o fato de ter havido ou não a declaração dos fatos geradores interfere no cálculo da multa e até na própria razão de ser dos lançamentos questionados. Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 8 7 A regularização processual dessa lide, pede a anulação da decisão de primeira instância, de modo que o processo seja remetida à Autoridade Lançadora para solicitar do sujeito passivo esclarecimentos acerca das divergências entre as GFIP apresentadas e os dados constates do sistema. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. Portanto, não há dúvida de que a regularização da marcha processual não pode prescindir da anulação da decisão de primeira instância, haja vista que foi exarada com prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, merecendo a consequência prevista no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância, para que o sujeito passivo seja intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências verificadas entre as GFIP apresentadas e os dados constantes no sistema informatizado e, após às conclusões do fisco sobre esse fato, seja concedido o prazo legal para empresa se pronunciar. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 9 8 VOTO VENCEDOR Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Embora, tenha discordado da decisão do Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, quanto a determinar a nulidade da Decisão de Primeira Instância, entendo que os argumentos trazidos em seu voto encontramse acertados. Senão vejamos trecho do voto proferido: Ao decidir sobre a questão, o relator do processo na DRJ afirmou que a empresa havia entregue mais de uma GFIP por competência, CNPJ, FPAS e código de recolhimento, e que esse fato teria motivado a substituição dos dados das guias que foram apresentados na defesa, não sendo as mesmas hábeis a comprovar a declaração dos fatos geradores supostamente omitidos. Vale a pena transcrever essa passagem do voto condutor do acórdão guerreado: (...) No recurso, a empresa volta a apresentar as GFIP, desta feita juntando também a “Relação de Trabalhadores”. Suscitou a recorrente a nulidade da lavratura, posto que não teria sido mencionada no relatório do fisco a substituição dos dados declarados por novas guias enviadas. Alternativamente, pede reabertura do prazo de defesa, para que possa se manifestar sobre essa questão, após a realização de diligência em que a Autoridade Lançadora verifique as guias apresentadas na defesa/recurso e apresente detalhadamente as causas das divergências que teriam dado origem aos lançamentos. De fato, observamos que há remunerações constantes nas GFIP apresentadas que constam da planilha do fisco como “não declaradas”. Esse fato nos leva a suspeitar que a DRJ têm razão ao afirmar que os dados enviados nas guias acostadas haviam sido substituídos. Ocorre que essa circunstância não foi mencionada no relatório fiscal, embora a legislação preveja que nos casos de omissão de fatos geradores na GFIP, o fisco deve solicitar esclarecimentos sobre as divergências verificadas. É o que diz o “caput” do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Na situação sob testilha, verificase que não houve a intimação exigida, além de que há no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 373/374, a informação de que foram analisadas as GFIP, embora, contraditoriamente afirmese no relatório fiscal que o levantamento se baseou nos dados constantes no sistema informatizado. A empresa aduz ainda em suas considerações que não houve a entrega posterior de guias que pudessem levar à substituição das informações prestadas originalmente nas guias informativas. Diante desse impasse e verificando que, de fato, a decisão de primeira instância trouxe ao processo um fato que o fisco deveria ter apontado no seu relatório de trabalho, qual seja a possível ocorrência de exclusão de dados informados na GFIP em Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 10 9 razão da transmissão de novas informações, entendemos que deva o processo retornar à fase de defesa, de modo que a empresa tenha restabelecido o seu direito de impugnar os lançamentos com amplitude. É inconteste que a omissão no relato do fisco de circunstância que altera o destino da contenda, acarreta em seria prejuízo aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que o fato de ter havido ou não a declaração dos fatos geradores interfere no cálculo da multa e até na própria razão de ser dos lançamentos questionados. A regularização processual dessa lide, pede a anulação da decisão de primeira instância, de modo que o processo seja remetida à Autoridade Lançadora para solicitar do sujeito passivo esclarecimentos acerca das divergências entre as GFIP apresentadas e os dados constates do sistema. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. A retroação das fases processuais justificase pela impossibilidade de se suprimir do sujeito passivo o direito de discutir essa questão na instância a quo, sob pena de prejuízo ao devido processo legal. Portanto, não há dúvida de que a regularização da marcha processual não pode prescindir da anulação da decisão de primeira instância, haja vista que foi exarada com prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, merecendo a consequência prevista no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972. Ou seja, existe realmente um descompasso entre as informações trazidas pelo auditor fiscal em seu relatório e aquelas utilizadas pelo órgão julgador para manutenção do lançamento, contudo, não entendo que isso implica a nulidade da referida decisão ou mesmo do lançamento, necessitando apenas sejam prestados esclarecimentos, de forma a possibilitar ao contribuinte ter apreciadas suas alegações, e os documentos colacionados aos autos. Não identifico na referida decisão, nulidade, tendo o julgador esclarecido ao recorrente que a entrega posterior de novas GFIP na mesma chave, implica sobreposição das mesmas, apagandose dos sistemas da Receita Federal as informações anteriores. Todavia, o recorrente, alega não ter sido informado dessa sobreposição durante o procedimento fiscal, o que realmente não consta do relatório, fato que criou obstáculo aos seus argumentos, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. É nesse ponto, que entendo devam ser prestados esclarecimentos detalhados entre os documentos GFIP que o contribuinte diz ter entregue para declarar os fatos geradores e aqueles descritos pelo auditor fiscal como constantes do sistema e que servirão de base para a comparação entre os valores declarados, não declarados e recolhidos. É nesse ponto, que entendo ser desnecessária a declaração de nulidade, visto que tal fato poderá ser sanado por meio de uma diligência, na qual seja O RECORRENTE INTIMADO: a apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega; em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004412/201027 Resolução nº 2401000.276 S2C4T1 Fl. 11 10 Deve ser enfatizado ao recorrente, que o mesmo não deverá indicar na planilha apenas, as GFIPs que alega ter entregue, para rebater o lançamento, mas todas as GFIP, por ele transmitidas em cada competência. De posse desses documentos (planilha contendo as informações), deverá auditor elaborar nova planilha, agora incluindo, os valores das bases de cálculo apuradas durante o lançamento nos documentos apresentados pela empresa e da GFIP constante nos sistemas da Receita. Entendo que dessa forma, poderemos esclarecer no lançamento em questão, o que foi apurado de base, as GFIP entregues, a GFIP entregue por último, e a GFIP constante do SISTEMA. Dito fato, embora trabalhoso, mostrase necessário, uma vez que descreveu a autoridade fiscal ter apreciado as GFIPs apresentadas pelo contribuinte durante o procedimento e não ter mencionado a sobreposição das mesmas em seu relatório, quando utilizou as informações dos sistemas da Receita para comparar com os fatos geradores apurados durante o procedimento. Ademais, apenas com esse comparativo será possível afastar ou acatar os argumentos do recorrente de que não houve entrega de novas GFIPs capazes de sobrepor as anteriores, e da impossibilidade de lançar no presente AIOP valores já declarados. Por fim, apenas no intuito de esclarecer, foi colacionado recentemente pelo recorrente uma planilha, com informações semelhantes, porém apenas, destacou as GFIP que o mesmo alega ter entregue, sem prestar informações sobre outras GFIP entregues para a mesma competência, razão pela qual imprescindível a diligência requerida. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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