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Numero do processo: 10540.002474/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007
EMBARGOS INOMINADOS.
O conhecimento de Recurso Voluntário quando o crédito tributário nele constante era objeto de parcelamento não era possível, configurando-se inexatidão material devido a lapso manifesto.
Numero da decisão: 2301-005.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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O conhecimento de Recurso Voluntário quando o crédito tributário nele constante era objeto de parcelamento não era possível, configurandose inexatidão material devido a lapso manifesto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 24 74 /2 00 7- 17 Fl. 795DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos da Unidade Preparadora (fls. 789) opostos pela Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal de Vitória da Conquista informando que: “O município de Ribeirão do Largo em 20/12/2012 protocolou pedido de parcelamento previsto no art. 1º da MP 589/2012, além de requerimento de desistência de discussão administrativa/judicial de débitos passíveis de ser incluídos no referido parcelamento, vide fls. 784 a 788, conforme anexos I, II ,III e IV da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 09/2012, situação que se enquadra os débitos constante do Debcad nº 37.091.088 5, objeto do presente processo, uma vez que o pleito do contribuinte é deferido, desde que o sujeito passivo apresente, na data de formalização do pedido, os documentos elencados no art. 5º da referida portaria, conforme define art. 6º da mesma portaria. Diante do exposto acima, devolvo o processo ao CARF de modo a se manifestar em relação ao julgado do recurso voluntário prolatado no Acordão nº 2301003.632, de 17/07/2013, uma vez que o mesmo ocorreu após a opção do contribuinte pelo parcelamento da MP 589/2012 e desistência da discussão administrativa do processo em tela, fato ocorrido em 20/12/2012, conforme consta às fls. 784 a 788. Ressaltamos que não foi providenciado na época a inclusão do pedido de parcelamento do art. 1º da MP 589/2012 no presente processo, uma vez que o mesmo já se encontrava no CARF aguardando julgamento, desta forma o julgado ocorreu sem a informação da opção do contribuinte pelo parcelamento”. O termo de desistência do processo administrativo foi protocolado perante a Receita Federal em 20 de dezembro de 2012 e consta na fls. 786. Em que pese tal desistência, o referido processo foi julgado pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF por meio do Acórdão n. 2301003.632 (fls. 705 e ss), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE SUBSÍDIO DE EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO ANTES DO ADVENTO DA LEI N. 10.887/04 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO RE Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301005.560 S2C3T1 Fl. 3 3 351.717 E SUSPENSA EXECUÇÃO DE LEI PELA RESOLUÇÃO 26/2005 DO SENADO FEDERAL. Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN. Em face do exposto, requer a Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal de Vitória da Conquista que o CARF se manifeste sobre o assunto. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos inominados está disciplinado em seu art. 66, nos seguintes termos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 797DF CARF MF 4 § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Dessa forma, o artigo 66 do RICARF determina que cabem embargos quando o acórdão contiver inexatidão material devido a lapso manifesto. A partir da leitura do Acórdão n. 2301003.632 (fls. 705 e ss), notase que não foi analisada a questão de inclusão dos débitos discutidos no parcelamento, em que pese o débito já tivesse sido parcelado conforme termo de desistência do processo administrativo, que foi protocolado perante a Receita Federal em 20 de dezembro de 2012 e que consta na fls. 786. Dispõe o § 3° do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015 (Ricarf), que no caso de desistência ou de pedido de parcelamento, entre outros, fica configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão que lhe tenha sido favorável. Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis (Ricarf, Anexo II, art. 78, § 5º). Diante de todo o exposto, há lapso manifesto a ser sanado, uma vez que não foi verificado que já havia sido pedido parcelamento do débito tributário. Voto, portanto, por voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 798DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.022318/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados.
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADE PENDENTE DE JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 14)
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO COM BASE NAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E LIVROS FISCAIS DO ICMS/ISS. VALIDADE.
A simples emissão das notas fiscais e o seu registro nos livros fiscais do ICMS e ISS, nos quais se espelha o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Trata-se de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA X REGIME DE CAIXA.
A regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, incumbindo ao sujeito passivo que optou pela tributação pelo regime de caixa, nos casos permitidos pela legislação. Quando o contribuinte deixa de apresentar os livros onde deveriam estar escrituradas suas receitas, nem demonstra que foram oferecidas à tributação, correta a apuração efetuada pelo Fisco pelo regime de competência.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO CARACTERIZADO. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo.
Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrá-lo.
No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ante a reiterada prática de oferecer à tributação em suas declarações de rendimentos valores significativamente inferiores às receitas efetivamente auferidas.
DECADÊNCIA. PRAZO APLICÁVEL. INTUITO DOLOSO.
Comprovada a existência do intuito doloso de sonegar tributos, ainda que existente pagamento parcial, o prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE.
Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelando-se inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. EXCLUSÃO.
Não tendo a fiscalização aportado ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN, a imputação de responsabilidade deve ser cancelada.
Numero da decisão: 1302-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADE PENDENTE DE JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 14) OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO COM BASE NAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E LIVROS FISCAIS DO ICMS/ISS. VALIDADE. A simples emissão das notas fiscais e o seu registro nos livros fiscais do ICMS e ISS, nos quais se espelha o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Trata-se de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes. OMISSÃO DE RECEITAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA X REGIME DE CAIXA. A regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, incumbindo ao sujeito passivo que optou pela tributação pelo regime de caixa, nos casos permitidos pela legislação. Quando o contribuinte deixa de apresentar os livros onde deveriam estar escrituradas suas receitas, nem demonstra que foram oferecidas à tributação, correta a apuração efetuada pelo Fisco pelo regime de competência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO CARACTERIZADO. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrá-lo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ante a reiterada prática de oferecer à tributação em suas declarações de rendimentos valores significativamente inferiores às receitas efetivamente auferidas. DECADÊNCIA. PRAZO APLICÁVEL. INTUITO DOLOSO. Comprovada a existência do intuito doloso de sonegar tributos, ainda que existente pagamento parcial, o prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelando-se inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. EXCLUSÃO. Não tendo a fiscalização aportado ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN, a imputação de responsabilidade deve ser cancelada.
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OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO Recorrentes R H CARDOSO E CIA. LTDA E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADE PENDENTE DE JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 14) OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO COM BASE NAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E LIVROS FISCAIS DO ICMS/ISS. VALIDADE. A simples emissão das notas fiscais e o seu registro nos livros fiscais do ICMS e ISS, nos quais se espelha o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Tratase de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes. OMISSÃO DE RECEITAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA X REGIME DE CAIXA. A regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, incumbindo ao sujeito passivo que optou pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 23 18 /2 00 8- 11 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 443 2 tributação pelo regime de caixa, nos casos permitidos pela legislação. Quando o contribuinte deixa de apresentar os livros onde deveriam estar escrituradas suas receitas, nem demonstra que foram oferecidas à tributação, correta a apuração efetuada pelo Fisco pelo regime de competência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO CARACTERIZADO. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrálo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ante a reiterada prática de oferecer à tributação em suas declarações de rendimentos valores significativamente inferiores às receitas efetivamente auferidas. DECADÊNCIA. PRAZO APLICÁVEL. INTUITO DOLOSO. Comprovada a existência do intuito doloso de sonegar tributos, ainda que existente pagamento parcial, o prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelandose inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. EXCLUSÃO. Não tendo a fiscalização aportado ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN, a imputação de responsabilidade deve ser cancelada. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 444 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 445 4 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0228.747 da 4ª turma da DRT/BHE, proferido em 23 de setembro de 2010, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas pelo contribuinte e responsável solidário arrolado, em face das exigências de tributos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, do ano calendário 2004, objeto deste processo; da exclusão do Simples a partir do anocalendário 2005, objeto do Processo Administrativo nº 15504.022315/200870, e da exigência de tributos apurados com base em arbitramento de lucros, relativos ao anocalendário 2005, objeto do PA nº 15504.011137/201076, os dois últimos objeto de apensação a estes autos. A decisão proferida está sintetizada na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência considerado prescindível. NULIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal federal, existem apenas duas hipóteses de nulidade: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos e contribuições apurados a partir das receitas de venda e serviços escrituradas nos livros de apuração do ICMS e ISS, mas omitidas na declaração do Simples, mormente quando as notas fiscais emitidas comprovam o efetivo auferimento da receita. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 446 5 BASE DE CÁLCULO DO SIMPLES. COMPOSIÇÃO. ISS. ICMS. O ISS e o ICMS incidentes sobre vendas e serviços compõem a base de cálculo do Simples. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, aplicase multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). A exclusão, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica, darseá de ofício e surtirá efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Cancelase o termo de sujeição passiva solidária quando não comprovada, de forma inequívoca, a interposição fraudulenta que motivou sua lavratura. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DECORRENTE DE EXCLUSÃO NÃO DEFINITIVA DO SIMPLES. Declarada a exclusão do Simples, nada impede a imediata lavratura de auto de infração para exigência do crédito tributário devido, ainda que não decidido o recurso administrativo interposto contra o ato de exclusão. OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos e contribuições, não declarados nem pagos, apurados a partir das receitas de venda e serviços escrituradas nos livros de apuração do ICMS e ISS, mormente quando as notas fiscais emitidas comprovam o efetivo auferimento da receita. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 447 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. DEDUÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES PAGOS NA FORMA DO SIMPLES. Na hipótese de exclusão de ofício do Simples, da exigência apurada mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização serão deduzidos os valores dos impostos e contribuições pagos na forma do Simples, observados os respectivos percentuais indicados no art. 23 da Lei nº 9.317, de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Por bem retratar os fatos ocorridos no processo até o julgamento da impugnação, transcrevo os principais pontos do relatório da decisão recorrida, verbis: Tratase dos seguintes processos, juntados em 07/07/2010 (fls. 334), que serão adiante relatados separadamente: 1) nº 15504.022318/200811, de exigência de crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004; 2) nº 15504.022315/200870, de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; 3) nº 15504.011137/201076, de exigência de crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. Registrese que a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, dispõe, em seu art. 1º, III, que serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente. E, em seu art. 3º, determina que os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Processo nº 15504.022318/200811 Os autos de infração objeto deste processo, lavrados em 19/12/2008, formalizam, em relação à interessada, a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.898.854,09, conforme demonstrativo que se segue: [...] Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 448 7 Do termo de verificação lavrado pela autoridade lançadora às fls. 69/71, consta, em resumo, que: I) Em procedimento de fiscalização iniciado em 12/08/2008, a interessada foi intimada a apresentar uma série de documentos e livros fiscais. A intimação foi atendida apenas parcialmente. Não foram entregues os livros Diário, Razão, Lalur e Caixa, este último obrigatório para optantes pelo Simples. II) Por meio de instrumento público, o sócio Valdenir Rocha de Paulo, transferiu todo o gerenciamento administrativo e comercial da empresa a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.90600, que foi de fato a pessoa que administrava e gerenciava a empresa e praticou os fatos relatados no termo de verificação. III) Relativamente aos anoscalendários de 2004 e 2005, a empresa apurou os impostos e contribuições na forma do Simples, apresentando as respectivas declarações anuais simplificadas. IV) A autoridade lançadora apurou – a partir do exame dos livros Registro de Apuração do ISS e Registro de Apuração do ICMS (fls. 82/95) e das notas fiscais emitidas (fls. 96/120) – que os valores das receitas mensais auferidas no ano calendário de 2004 (total de R$ 8.210.205,99) eram superiores aos informados na respectiva declaração do Simples de fls. 121/138 (total de R$ 116.433,36), conforme tabelas I, II e III de fls. 72/80. V) Questionado a respeito das divergências, o preposto e administrador da empresa, Ronaldo Eustáquio Cardoso, alegou apenas que os livros poderiam ter sido escriturados com alguns erros, pois determinadas vendas apontadas nos livros não se realizaram de fato, tendo a mercadoria retornado para ser direcionada a outro estabelecimento da empresa compradora, sem a devida emissão da nota fiscal de devolução de venda. No entanto, ele não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar suas alegações. A ação fiscal foi encerrada parcialmente, tendo sido objeto de lançamento os valores dos impostos e contribuições que deixaram de ser recolhidos na forma do Simples relativamente ao anocalendário de 2004, acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Também foi lançada a multa de que trata o art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996, relativa à falta de comunicação obrigatória da exclusão do Simples, por auferimento de receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 no anocalendário de 2004. Para fins de exclusão da interessada do Simples a partir do anocalendário de 2005, a autoridade lançadora formalizou a representação fiscal objeto do processo administrativo de nº 15504.022315/200870 (fls. 152). Notificada do lançamento, por intimação pessoal, em 26/12/2008 (sexta feira), a interessada, em 27/01/2009, apresentou impugnação às fls. 157/179, instruída com os documentos de fls. 180/331. Às fls. 149 e 154, constam instrumentos de procuração. Suscita, em resumo, as seguintes razões de defesa: a) Como a autuação se baseia em causa de exclusão da pessoa jurídica do Simples, deveria ter sido precedida (no mínimo acompanhada) do respectivo ato declaratório executivo e, não o tendo sido, incorre em nulidade, nos termos da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. b) A autuação é inválida por ter havido deslocamento ilegal do ônus da prova. Consta do termo de verificação que o administrador da impugnante “não apresentou Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 449 8 nenhuma documentação hábil e idônea para comprovar suas alegações”. O fisco atribuiu à impugnante o dever de comprovar a inexistência de receitas, enquanto cabia a ele comprovar sua efetiva existência. Ainda que se admitisse o deslocamento do ônus da prova, deveria ser este expressamente previsto na legislação relativa ao Simples. Inexistindo tal previsão, impossível ao fisco fazêlo. c) A autuação é inválida por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida. As informações contidas nos livros Registro de Apuração do ISS e Registro de Apuração do ICMS não fazem prova de auferimento de receita, mas apenas fazem prova da realização das operações que constituem o fato gerador daqueles impostos, quais sejam, a saída de mercadorias e a prestação de serviços. Pode muito bem acontecer de uma mercadoria ser vendida ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar o respectivo pagamento ao vendedor/prestador. A formalização da ocorrência dos fatos geradores do ICMS e do ISSQN consiste em meros indícios de receita auferida, demandando a colheita de provas cabais por parte da fiscalização, o que não ocorreu no presente caso. As provas poderiam ter sido feitas pela demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou seja, como a suposta receita foi utilizada pela impugnante em suas atividades. d) A autuação é inválida por ter sido utilizada prova emprestada, contrariando o art. 199 do CTN. O primeiro vício consiste na falta de lei ou convênio possibilitando o uso, pelo fisco federal, de informações próprias de impostos estaduais e municipais para efetuar lançamento do Simples. Além disso, não pode o fisco reportarse à prova emprestada como único meio de convencimento. A fiscalização não se ocupou em reunir outros elementos que comprovassem a receita. Os livros de ICMS e ISS podem conter irregularidades a serem corrigidas pela fiscalização estadual e municipal, o que poderia inclusive beneficiar o contribuinte. Não se tributa a escrituração, e sim o fato gerador efetivamente ocorrido na realidade. É ilegal o lançamento fundado em prova emprestada e despida de certeza. e) Sucessivamente, caso admitida a exclusão do Simples, a autuação é inválida, dada a impossibilidade de utilização da receita bruta como base de cálculo da contribuição para a seguridade social (INSS). A receita bruta é elemento totalmente estranho à apuração dessa contribuição, que tem como base a folha de pagamentos. A tomada da receita bruta como base de cálculo da contribuição é excessiva, verdadeira pena contra a impugnante. O tributo não pode consistir em sanção de ato ilícito, com ofensa ao conceito de tributo posto no art. 3º do CTN. E a Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco. No mínimo, e sucessivamente, deve o crédito tributário ser reduzido pela utilização da base de cálculo prevista no art. 22, I, da Lei 8.212, de 1991. f) Ainda sucessivamente, devem ser excluídos da base de cálculo do Simples, consistente na receita, os valores destacados nas notas fiscais da impugnante relativamente ao ICMS, pois não constituem receita da impugnante, mas sim do Estado de Minas Gerais. g) Em último caso, devese, no mínimo, reduzir a multa de 75%, já que confiscatória, contrariando totalmente o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, nos termos de farta jurisprudência pátria. Requer perícia, formulando os seguintes quesitos: 1) Qual o valor das remunerações pagas pela Impugnante em remuneração a trabalhos e serviços a ela prestados no ano de 2004?; 2) Considerando a resposta supra, qual seria o valor devido a título de contribuição para a seguridade social nos termos do art. 22, inciso I, da Lei 8.212/91?; e 3) Quais são os valores do ICMS destacados nas notas fiscais emitidas pela Impugnante no ano de 2004?. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 450 9 Processo nº 15504.022315/200870 Tendo em vista o despacho decisório do Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte de fls. 20/23 – que acolheu a representação formalizada, conforme já relatado, pela autoridade lançadora (fls. 01) –, a Delegada da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 52/2009, de 31/03/2009 (fls. 24), declarou a exclusão da interessada do Simples, por incorrer em situação de vedação, ao auferir, no anocalendário de 2004, receita bruta anual superior ao limite permitido, nos termos do art. 9º, II, da Lei nº 9.317, de 1996. Declarou ainda que a exclusão surtiria efeitos a partir de 01/01/2005, nos termos do art. 14, I, e art. 15, IV e §3º, da Lei nº 9.317, de 1996. A ciência do ADE deuse, por via postal, em 07/04/2009, conforme aviso de recebimento de fls. 24 – verso. Em 07/05/2009, a interessada apresentou a impugnação de fls. 25/42, instruída com os documentos de fls. 43/60, suscitando, em resumo, as seguintes razões de defesa: a) O ADE é inválido por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida e por ter sido utilizada prova emprestada despida de certeza, contrariamente ao princípio da legalidade tributária e ao disposto nos arts. 142 e 199 do CTN. b) O ADE é inválido também por não ter sido apurada de forma correta a receita, incluindose nela valores que não foram auferidos pela interessada, notadamente os valores destacados nas notas fiscais relativamente ao ICMS e ISS. Processo nº 15504.011137/201076 Os autos de infração objeto desse processo, lavrados em 24/06/2010, formalizam, em relação à interessada, a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.882.831,23, conforme demonstrativo que se segue: Tais lançamentos resultaram do mesmo procedimento fiscal que havia sido encerrado parcialmente em relação ao anocalendário de 2004, e que, após a exclusão de ofício da interessada do Simples a partir de 01/01/2005 (fls. 61), teve continuidade em relação ao anocalendário de 2005. Consta do termo de verificação de fls. 37/41, em resumo, que: I) Novamente a interessada foi pessoalmente intimada a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais do anocalendário de 2005, bem como a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desse ano, com a apuração dos impostos e contribuições pelo lucro real (fls. 54). Como aconteceu em relação à apuração dos impostos e contribuições de 2004, não foram entregues os livros Diário, Razão e Lalur, tampouco o livro Caixa. Foram entregues apenas os livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, bem como notas fiscais de vendas de serviços e mercadorias. II) A autoridade lançadora elaborou as tabelas I e II (fls. 42/49), relacionando todas as notas fiscais de vendas de serviços e de mercadorias e as respectivas receitas de vendas, bem como as devoluções/cancelamentos de vendas. Todas as notas fiscais relacionadas foram escrituradas no livro Registro de Saídas nº 6 e serviram de base para a apuração do ICMS devido no livro Registro de Apuração do ICMS nº 6 (fls. 84/87). A interessada foi novamente intimada, em 27/05/2010, a entregar os livros com a contabilização da receita auferida, bem como a se manifestar sobre as tabelas, mas não houve resposta (fls. 55). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 451 10 III) Em virtude da não entrega dos livros Diário e Razão ou, opcionalmente, no caso de apuração pelo lucro presumido, do livro Caixa, a autoridade lançadora apurou os impostos e contribuições pelo lucro arbitrado, como previsto no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. IV) Realizouse circularização, por amostragem, junto aos principais clientes apontados nas notas fiscais, que confirmaram os respectivos pagamentos, juntando a documentação comprobatória que deu origem ao Anexo I. A amostragem representou um total de 117 notas fiscais no valor de R$ 5.817.342,76, correspondendo a 14,9% do total das notas fiscais e 43,3% do valor das operações, e está sumarizada na tabela III (fls. 50). V) A tabela IV (fls. 51) demonstra a receita de venda de serviços e mercadorias apurada com base nas notas fiscais apresentadas, de cujo total (R$ 13.474.829,21), para fins de apuração dos impostos e contribuições, não deve ser descontada a parcela informada na declaração do Simples anteriormente apresentada (R$ 239.347,95), uma vez que a opção para o anocalendário de 2005 foi indevida. VI) A adoção pela interessada, durante os 24 meses do período fiscalizado (anoscalendários de 2004 e 2005), da prática dolosa, usual, frequente e rotineira da não apuração e do não pagamento dos impostos e contribuições devidos em seus valores integrais, mediante a informação na declaração do Simples de receitas em montantes significativamente inferiores àqueles escriturados nos livros Registro de Apuração do ICMS, sem uma justificativa plausível, bem como a constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de “laranja” para resguardar a pessoa que era seu sócioproprietário de fato ensejam a qualificação da multa de ofício. Em 29/06/2010, Ronaldo Eustáquio Cardoso teve ciência pessoal dos autos de infração, bem como do termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57, que lhe atribui responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN, pelo crédito tributário objeto dos processos de ns. 15504.022318/200811 e 15504.011137/2010 76, uma vez que “a empresa fiscalizada, embora registrada no nome de Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.55606, era administrada e gerenciada por Ronaldo Eustáquio Cardoso, seu verdadeiro dono, e que dela se utilizava e se beneficiava de seus resultados”. Em 26/07/2010, a interessada apresentou as impugnações de fls. 101/129, 222/247, 290/318 e 415/437, instruídas, respectivamente, com os documentos de fls. 130/219, 248/289, 319/412 e 438/479. Nessa mesma data, Ronaldo Eustáquio Cardoso apresentou contra o termo de sujeição passiva solidária a impugnação de fls. 480/491, instruída com os documentos de fls. 492/528. A seguir, são resumidas e consolidadas as razões de defesa suscitadas nas referidas peças impugnatórias, todas subscritas pelo mesmo advogado: a) Os lançamentos são nulos por ausência de certeza quanto à exclusão do Simples para o ano de 2005. Apenas com o final do processo administrativo nº 15504.022315/200870, em caso de rejeição da impugnação e recursos apresentados pela impugnante, é que se terá um ato de exclusão provido de relativa certeza. b) Não houve prova, pelo fisco, do auferimento das receitas utilizadas para o lançamento dos tributos. As informações contidas nos livros destinados à fiscalização do ISSQN e do ICMS não fazem prova do auferimento de receita, apenas fazem prova da realização das operações que constituem o fato gerador daqueles tributos, quais sejam, a saída de mercadorias e a prestação de serviços. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 452 11 c) O fisco federal só poderia ter acesso a tais informações com autorização de lei ou convênio, nos termos do art. 199 do CTN. A utilização desses livros constitui uso de prova emprestada. Não pode o fisco reportarse à prova emprestada como único meio de convencimento, como ocorreu no presente caso, pois a fiscalização não se ocupou em reunir outros elementos que comprovassem a receita, tais como os sinais exteriores de uso dessa receita. Os livros de ICMS e ISS podem conter irregularidades a serem corrigidas pela fiscalização estadual e municipal, carecendo assim da certeza necessária a se comprovar o auferimento das receitas. d) Não pode o fisco inverter o ônus da prova para o contribuinte, o que faz ao alegar que não houve manifestação da empresa quando intimada a confirmar as operações indicadas nas notas fiscais, bem como a informar se a receita de alguma daquelas operações não tenha sido de fato recebida. Também não se pode exigir do contribuinte prova negativa. e) Qual o motivo que permite que se presuma que todas as operações foram realizadas, a partir da confirmação de apenas 14,9% delas? A quais critérios estatísticos se refere a fiscalização? Nenhum, pois não foram demonstrados. Estáse diante de uma presunção simples, sem previsão na legislação, que não pode validamente suportar o lançamento, em razão do princípio da legalidade. f) O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins para alcançar a receita bruta, foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, pois o texto constitucional mencionava somente faturamento e não totalidade das receitas. A Emenda Constitucional nº 20, de 1998, alterou o art. 195 para fazer nele constar a possibilidade de tributação da receita. Com base nessa alteração, foram editadas a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), e a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), trazendo novamente a previsão da receita bruta como base de cálculo das contribuições. Entretanto, o regime dessas leis não se aplica à impugnante, uma vez que elas são expressas na exclusão das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado. Na hipótese de prevalecer o desenquadramento do Simples, a única base de cálculo válida para a exigência do PIS e da Cofins é o faturamento. g) Apenas podem ser validamente tributadas as receitas que comprovadamente ingressaram no patrimônio da impugnante de forma definitiva, acrescendolhe a expressão de forma positiva. Como apenas 43,3% dos valores foram confirmados e provados, apenas esse percentual pode validamente compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Da mesma forma, deve sofrer redução de 56,7% a receita considerada para fins de arbitramento do lucro tributável (IRPJ e CSLL). h) Há ilegalidade na aplicação da multa qualificada de 150%. A divergência entre as declarações do contribuinte e os valores escriturados no livro de Registro de Apuração de ICMS sequer configuram omissão de receita. Ainda que se entenda que a situação configura uma omissão de receita, a divergência apurada demonstra tão somente uma falta de recolhimento, um inadimplemento da obrigação tributária, que não justificam a multa qualificada. É o que se vê da Súmula nº 14 aprovada pelo Pleno do Primeiro Conselho de Contribuintes na sessão de 20.06.2006. Além disso, a maior parte das receitas supostamente omitidas não foram objeto de comprovação cabal. A exasperação da multa só tem sentido nos casos de documentos ideologicamente falsos, materialmente falsos ou adulterados. i) Inexiste constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de laranja, o que afasta a multa qualificada de 150%. Não houve nenhuma fraude na conduta do Sr. Valdenir em outorgar a procuração, como autoriza o contrato social da empresa, e nem do Sr. Ronaldo em recebêla e exercer os poderes ali conferidos. Tanto o meio Fl. 452DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 453 12 quanto a finalidade são lícitos. Segue em anexo declaração do próprio Sr. Valdenir, no qual o mesmo reafirma sua qualidade de sócio e justifica a nomeação do Sr. Ronaldo como procurador e administrador da sociedade (doc. 03), bem como a DIRPF do Sr. Valdenir, no qual resta declarado seu vínculo com a sociedade (doc. 04). A procuração foi outorgada por instrumento público. Não há nenhuma simulação, nenhum ato encoberto, nenhum laranja. A procuração outorgada afasta toda e qualquer alegação de que os atos praticados objetivaram afastar ou transferir a suposta responsabilidade tributária para prejudicar os interesses da Fazenda Pública, uma vez que o Sr. Ronaldo passou a ter poderes de gerência, possibilitando sua responsabilização, no caso de ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. j) Não há dever legal de que o sócio esteja presente no estabelecimento da empresa. Os supostos questionamentos a outros funcionários não podem ser utilizados como provas, pois não há indícios seguros de que tenham sido efetivamente realizados. Nenhum desses questionamentos foi reduzido por escrito, a fiscalização não identificou quem seriam esses funcionários e nem qual a posição que ocupam na empresa. Não há termo de intimação apontando em qual dos incisos do art. 197 do CTN estaria enquadrado o dever de tais funcionários prestar informações. h) O crédito tributário referente aos períodos de janeiro a junho de 2005 já se encontrava extinto pela decadência quando da notificação do lançamento aqui combatido, pois esta se deu apenas em 24/06/2010, uma vez que houve pagamento antecipado a menor (doc. 05 – fls. 146/170), sem dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Do processo nº 15504.022318/200811, verificase que, diante da mesma situação de fato, a fiscalização limitouse a lançar o valor do Simples com a multa de ofício de 75%. Ora, por que agora, diante dos mesmos elementos, conclui a fiscalização pela existência de fraude, aplicando a multa qualificada? A resposta é evidente: tenta a fiscalização deslocar o prazo decadencial para a regra do art. 173, I, do CTN e furtarse da incidência do art. 150, § 4º, do CTN. j) Os valores recolhidos no ano de 2005 pelo regime do Simples devem ser deduzidos do lançamento na proporção do art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996, sob pena de duplicidade de exigência, intolerável bis in idem e ofensa direta à letra expressa do art. 150, §§ 2º e 3º, do CTN (doc. 05 – fls. 146/170). k) O valor de ICMS e de ISSQN destacados nas notas fiscais não podem integrar a base de cálculo do PIS nem a da Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Município), que não podem ser equiparadas a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte (doc. 06 – fls. 171/219). l) A responsabilização solidária do Sr. Ronaldo Eustáquio, com fundamento no art. 124 do CTN, é nula por ausência de motivação e equívoco no fundamento legal da responsabilidade. A responsabilidade tributária deve se fundar em uma das situações previstas nos arts. 128 a 135 do CTN, e apenas sua graduação em solidária é regulada pelo art. 124 do CTN. Ainda que se admitisse que a responsabilidade poderia se fundar exclusivamente no art. 124 do CTN, a imputação de solidariedade pretendida é nula por falta de motivação. A fiscalização não descreveu em nenhum momento onde residiria o interesse comum dos envolvidos na situação que configura o fato gerador dos tributos exigidos, nem apontou nenhum dispositivo de lei que designasse expressamente a responsabilidade pretendida. A responsabilidade do administrador depende da existência e prova, pela Fazenda Pública, de uma das Fl. 453DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 454 13 situações previstas no art. 135 do CTN. Nos termos da Súmula 430 do STJ, o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Demonstrado que a qualidade de sócio do Sr. Valdenir e de procurador do Sr. Ronaldo não implicam nenhuma fraude ou simulação, nenhuma acusação há no presente processo administrativo que não o inadimplemento da obrigação tributária pela não exclusão do Simples. Logo, não há prova de que o Sr. Ronaldo tenha agido culposamente no cometimento de alguma das condutas do art. 135 do CTN, motivo pelo qual é inválida a sua responsabilização. m) O termo de sujeição passiva solidária tem natureza de lançamento, sendo cabível impugnação nos termos do art. 145, I, do CTN. O ano de 2004 já foi objeto de lançamento em processo anterior, no qual se identificou como sujeito passivo apenas a empresa contribuinte, de sorte que adicionar àquele lançamento um novo sujeito passivo, qual seja o Sr. Ronaldo, implica alterar o lançamento fora das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Ademais, como a ciência desse termo se deu apenas em junho de 2010, o crédito tributário constituído contra o Sr. Ronaldo referente ao período de 2004 já estava totalmente extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. A interessada requer perícia, formulando os seguintes quesitos: 1) Considerando apenas a receita bruta cujo efetivo recebimento foi comprovado pela fiscalização mediante informações colhidas junto aos clientes da impugnante, qual seria a expressão da base de cálculo da Cofins (e PIS/IRPJ/CSLL) aqui lançada?; 2) Qual o valor do ICMS e do ISSQN destacado nas notas fiscais utilizadas na apuração da base de cálculo da Cofins (e PIS)?; e 3) Já considerando a receita apurada na resposta ao quesito nº 1, poderia o sr. perito informar qual seria a base de cálculo da Cofins (e PIS) com a exclusão dos valores de ICMS e ISSQN apurados na resposta ao quesito nº 2?. Em síntese o colegiado da DRJ/BHE decidiu, verbis: a) Relativamente ao processo de nº 15504.022318/200811, julgar improcedente a impugnação, para indeferir o pedido de realização de perícia, rejeitar as arguições de nulidade e manter integralmente o crédito tributário exigido. b) Relativamente ao processo de nº 15504.022315/200870, julgar improcedente a impugnação, para rejeitar as arguições de nulidade e manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005. c) Relativamente ao processo de nº 15504.011137/201076, julgar parcialmente procedentes as impugnações para: c.1) indeferir o pedido de realização de perícia e rejeitar as arguições de nulidade; c.2) cancelar o termo de sujeição passiva solidária lavrado em nome de Ronaldo Eustáquio Cardoso; c.3) manter os percentuais da multa de ofício e o cálculo dos juros tal como foram lançados; c.4) manter parcialmente a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, reduzindo os seus valores nos termos indicados na conclusão do voto do relator. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 455 14 Em face da exclusão da responsabilidade do responsável solidário arrolado, a DRJ/BHE interpôs recurso de ofício. Cientificado em 05/01/2011 (AR, fls. 403), a contribuinte principal apresentou recurso voluntário em 31/01/2011, no qual repete as razões de impugnação e refuta as conclusões da decisão de primeiro grau, alegando em síntese: a) a decadência do direito de confirmar o auto de infração do SIMPLES (Processo 15504022318/200811) e o ADE 052/2009 (Processo 15504.022315I200870) e a conseqüente invalidade do Processo 15504.011137I201076, tendo em vista que as impugnações referente aos dois primeiros processos foram apresentadas em 27/01/2009 e 07/05/2009, respectivamente e só foram apreciadas em 23/09/2010, quando foi proferido o acórdão recorrido; b) que, de acordo com o disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/07, o Fisco dispunha do prazo de 360 dias para proferir a decisão confirmando o lançamento relativo ao ano de 2004 e a consequente exclusão do Simples; c) que a referida lei estabelece um prazo para que a Fazenda Pública se pronuncie sobre a pretensão do contribuinte de ver anulado o ato administrativo e que o silêncio da Administração Pública consistente na nãoapreciação da impugnação no prazo acarreta o atendimento ao pleito do contribuinte, conforme doutrina de Hugo de Brito Machado e Celso Antonio Bandeira de Melo, que cita; d) que tendo expirado o prazo de 360 dias sem que tenha sido proferida nenhuma decisão no Processo 15504022318/200811, está decaído o direito da Fazenda Pública de confirmar o auto de infração do SIMPLES, extinguindose o crédito tributário; e) e que, como também se perdeu o prazo para confirmar a exclusão do SIMPLES, operada pelo ADE 052/2009 (Processo 15504.022315/200870), deve ser anulado também os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados no Processo 15504011137/201076. f) Que é nulo o auto de infração lavrado no Processo 15504.022318/200811 por ausência de prévio Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, pois se os tributos são exigidos na suposta receita auferida e não declarada, e se este fato enseja a exclusão do SIMPLES, a certeza necessária a sua formalização passa pela prévia edição do ato declaratório. g) Que são nulos dos autos de infração lavrados nos Processos 15504.022318/200811 e 15504.011137/201076 em razão da ausência de pronunciamento definitivo sobre o ato declaratório. h) Que são inválidos os autos de infração e o ADE por ausência de prova quanto à receita auferida, sendo insuficiente a mera emissão da nota fiscal ou o registro nos livros de apuração de ICMS e ISSQN, incumbindo ao Fisco demonstrar a sua efetiva entrada dos recursos na pessoa jurídica; i) que pode ocorrer de uma mercadoria ser vendida, ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar respectivo o pagamento ao vendedor/prestador e, embora a operação seja registrada nos livros, a receita não será auferida por inadimplência do comprador ou tomador; Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 456 15 j) que não se admite a utilização de prova emprestada do Fisco Estadual, sendo esta somente possível mediante lei ou convênio possibilitando seu uso; k) que admitir que as notas fiscais sirvam como prova do auferimento da receita é inverter o ônus da prova ao contribuinte, exigindolhe prova negativa o que é rechaçado pela doutrina e jurisprudência que cita; l) que, em consequência de não ter havido prova cabal da receita auferida, deve ser declarada a: a) Processo 15504.022315/200870: invalidade do ADE 052/2009, pois fundamenta a exclusão no auferimento de receita em montante superior ao limite para manutenção no SIMPLES, o que automaticamente leva à invalidade dos autos de infração lavrados nos outros dois processos, pois decorrem da referida exclusão; b) Processo 15504022318/200811: invalidade do auto de infração de SIMPLES, pois não comprovada a receita auferida que serviu de base de cálculo da autuação; c) Processo 15504011137/201076: necessidade de redução do crédito tributário, para considerar como receita para fins de composição da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas 43,3% do total utilizado no lançamento, pois apenas essa porcentagem foi comprovada como receita efetivamente auferida. m) que é incabível a aplicação da multa qualificada, pois não restou comprovado o intuito doloso e que a acusação de prática reiterada não o caracteriza e que foi afastada pelo acórdão recorrido a acusação de interposição de pessoa no quadro social da recorrente; n) que não houve sonegação, pois ausente o intuito de impedir o conhecimento do Fisco, mas mero erro, uma vez que todas as operações foram registradas nos documentos fiscais relativos ao ICMS e ISSQN, incidindo no disposto na Súmula nº 14 do 1ºCC. o) Que afastandose a multa qualificada por ausência de dolo, há que ser reconhecida a decadência parcial do lançamento relativo ao anocalendário 2005, pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve o pagamento antecipado dos tributos lançados por meio do sistema Simples. p) Que o ICMS e o ISS não podem integrar a base de cálculo do Simples, PIS e Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Municipio), que não pode ser equiparada a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte, conforme doutrina e jurisprudência que cita. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário, para: a) reformar o acórdão para invalidar os lançamentos e o ADE 052/2009, pelos fundamentos acima expostos; b) subsidiariamente determinar a redução do crédito tributário no Processo 15504.011137/201076 de forma a considerar como receita auferida para fins da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas os 43,3% efetivamente comprovados; Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 457 16 c) ainda subsidiariamente, para excluir o ICMS e o lSSQn da base de cálculo do SIMPLES, PIS e COFINS nos Processos 15504.022315/200870 e 15504011137/201076. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 458 17 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de recurso voluntário e de ofício a serem apreciados. Recurso Voluntário O recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo principal é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. 1. Das alegações preliminares A recorrente suscita diversas preliminares que se acolhidas invalidariam o lançamento. Inicialmente, alega a decadência do direito de confirmar o auto de infração do SIMPLES (Processo 15504022318/200811) e o ADE 052/2009 (Processo 15504.022315I200870) e a conseqüente invalidade do Processo 15504.011137I201076, tendo em vista que as impugnações referente aos dois primeiros processos foram apresentadas em 27/01/2009 e 07/05/2009, respectivamente e só foram apreciadas em 23/09/2010, quando foi proferido o acórdão recorrido. Suscita a aplicação do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, sustentando o entendimento de que tal norma fixa um prazo para a administração se pronunciar sobre sua impugnação, findo o qual, sem manifestação, decairia o direito da Fazenda Pública de confirmar o lançamento. O referido dispositivo da Lei nº 11.457/2007, assim dispõe: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. A referida regra, conquanto estabeleça um prazo para o proferimento de decisões administrativas, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo seu descumprimento pela administração tributária, muito menos estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. Verificase que o Poder Judiciário tem extraído alguns efeitos concretos da referida norma nos casos em que os pedidos de restituição/ressarcimento apresentados pelo sujeito passivo não tenham sido apreciados no prazo de 360 dias de seu protocolo, determinando a aplicação de correção monetária sobre créditos escriturais do contribuinte a partir desta data. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 459 18 É o que se constata na jurisprudência do STJ, verbis: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 460 19 § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial Nº 1.138.206 RS Rel. Ministro Luiz Fux 09/08/2010) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO OBSTACULIZADO PELO FISCO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC/73, firmou entendimento no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo fisco. 2. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a administração deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 461 20 pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73; sendo que "a correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo" (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015). Precedentes: AgInt no Resp 1581330/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, Dje 21/8/2017; AgInt no REsp 1585275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1194811 / RS Relator Ministro Sergio Kukina 20/02/2018) TRIBUTÁRIO. IPI. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a Administração deve observar o prazo de 360 dias para decidir os pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73. 2. A correção monetária de ressarcimento dos créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo de ressarcimento. Precedentes: ERESP 1.461.607/SC, Primeira Seção, Rel. para o acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 22/2/2018, pendente de publicação; AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015; AgInt no ARESP 1.194.811/RS. Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 2/4/2018; AgInt no ARESP 1.659.494/RS. Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 27/3/2018; AgInt no REsp 1.581.33 0/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 21/8/2017; AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno provido para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no REsp 1229108 / SC Ministro Benedito Gonçalves 17/04/2018) Não há, pois, como extrair da norma em debate os efeitos postulados pela recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar esta alegação. A recorrente alega, na sequência, que é nulo o auto de infração lavrado no Processo 15504.022318/200811 por ausência de prévio Ato Declaratório de Exclusão do Simples, pois se os tributos são exigidos na suposta receita auferida e não declarada, e se este fato enseja a exclusão do Simples, a certeza necessária a sua formalização passa pela prévia edição do ato declaratório. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 462 21 Desta feita, a recorrente quer estabelecer um rito prévio, inexistente em lei, para o lançamento da omissão de receitas apuradas pelo regime do Simples, que consistiria na emissão e apreciação de um Ato Declaratório de Exclusão prévio ao lançamento das ditas receitas omitidas, que por sua vez ensejariam a própria exclusão. O silogismo da recorrente, além de carente de suporte na lei, não se sustenta na sua própria lógica, tendo o mesmo efeito do cão correndo atrás do próprio rabo, ou seja, por ele não se chega a lugar algum. No caso, o lançamento de omissão de receitas é o pressuposto para a emissão do ADE para exclusão do Simples, tendo em vista a constatação de excesso em relação ao limite de receitas auferidas para permanência no regime especial de apuração. Ante ao exposto, voto por rejeitar a alegação. A recorrente alega ainda que seriam nulos dos autos de infração lavrados nos Processos 15504.022318/200811 e 15504.011137/201076 em razão da ausência de pronunciamento definitivo sobre o ato declaratório discutido no PA nº. 15504.022315/200870. Como já salientado acima, o lançamento de omissão de receitas, do ano calendário 2004, constante do PA nº 15504.022318/200811 é quem deu suporte à emissão do ADE discutido no PA nº. 15504.022315/200870, não dependendo deste, portanto, para a realização do lançamento. Com relação ao lançamento efetuado com base em arbitramento de lucros do anocalendário 2005, este sim decorre do Ato Declaratório de Exclusão nº 52/2009. Não obstante a sua vinculação ao lançamento do anocalendário 2004, o lançamento dos tributos devidos em face da exclusão do regime do Simples, independem da decisão definitiva quanto ao ADE, nos termos da Súmula CARF nº 77, verbis5 Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Ante ao exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade dos lançamentos ora discutidos. A recorrente alega, ainda, a ocorrência de decadência parcial do lançamento com relação ao anocalendário 2010, ao pressuposto de que seria aplicável o disposto no art. 150, § 4ºdo CTN quanto ao prazo decadencial, uma vez ausente o intuito doloso de sonegar e a existência de pagamento antecipado pelo regime do Simples. Como tal análise depende da discussão quanto à multa qualificada aplicada pela autoridade fiscal, reservo para o final do voto a sua conclusão. 2. Do mérito No mérito, a recorrente alega que não são válidos os autos de infração e o ADE por ausência de prova quanto à receita auferida, sendo insuficiente a mera emissão da Fl. 462DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 463 22 nota fiscal ou o registro nos livros de apuração de ICMS e ISSQN, incumbindo ao Fisco demonstrar a efetiva entrada dos recursos na pessoa jurídica. Sustenta que pode ocorrer de uma mercadoria ser vendida, ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar respectivo o pagamento ao vendedor/prestador e, embora a operação seja registrada nos livros, a receita não será auferida por inadimplência do comprador ou tomador. Ressalta que não se admite a utilização de prova emprestada do Fisco Estadual, sendo esta somente possível mediante lei ou convênio possibilitando seu uso. Alega que admitir que as notas fiscais sirvam como prova do auferimento da receita é inverter o ônus da prova ao contribuinte, exigindolhe prova negativa o que é rechaçado pela doutrina e jurisprudência . O acórdão recorrido enfrentou bem estas questões, verbis: 1.2 – Omissão de receitas De acordo com a interessada, a autuação seria inválida por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida, por utilização de prova emprestada despida de certeza, por ausência de lei ou convênio nos termos do art. 199 do CTN e por deslocamento ilegal do ônus da prova. Não lhe assiste razão. Com efeito, as tabelas de fls. 72/79 identificam, uma a uma, as notas fiscais cujos valores compuseram o montante da receita apurada pela autoridade lançadora. Na “Tabela I – Notas fiscais de serviços e receitas de vendas de serviços” estão discriminados, relativamente a cada uma das notas fiscais de serviços, o número da nota, a data de emissão, a série, o cliente, e o valor total da nota. Estão ali identificadas, ainda, as notas canceladas, cujos valores foram desconsiderados na apuração do montante da receita. Na “Tabela II – Receitas de venda de bens e mercadorias” estão discriminados, relativamente a cada uma das notas fiscais, o número da nota, a data de emissão, o código fiscal de operação e prestações, o cliente, o valor total da nota e a situação (“venda” ou “devolução de venda” ou “venda de sucata” ou “venda para entrega futura”). Os valores das notas de devolução foram deduzidos do montante da receita apurada. Na “Tabela III – Receitas apuradas, declaradas e nãodeclaradas” são somados o valor da receita de venda de serviços (R$ 17.205,40 – tabela I) e o da receita de venda de mercadorias (R$ 8.193.000,59 – tabela II), obtendose o total da receita de vendas (R$ 8.210.205,99). Desse total é deduzido o valor da receita declarada (R$ 116.433,36), obtendose o da receita não declarada (R$ 8.093.772,63). Tais valores referemse todos ao total anual. E cópias das notas fiscais de valores mais expressivos foram anexadas às fls. 98/120. Assim, a receita auferida está, sim, efetivamente comprovada por meio das notas fiscais emitidas e apresentadas ao fisco pela própria interessada. Não se trata, pois, de prova emprestada, como se alega. Aliás, nem se tem notícia nestes autos de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 464 23 que o fisco estadual ou o municipal tenham autuado a interessada por omissão de receitas, ou mesmo que tenham levado a efeito algum outro procedimento com base em tais provas. Nem há necessidade de lei ou convênio para que o fisco federal se utilize de informações constantes dos livros fiscais que lhe são apresentados pelo próprio contribuinte, ainda que tais livros sejam relativos à apuração do ICMS ou ISS. A lei ou o convênio a que se refere o art. 199 do CTN são instrumentos que regulam a forma em que os entes federativos prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, o que não ocorreu no caso. Confirase: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Quanto ao argumento de que uma mercadoria pode ser vendida ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar o respectivo pagamento, cabe ponderar que o art. 5º da Lei 9.317, de 1997, dispõe que o valor devido mensalmente pelo contribuinte inscrito no Simples será determinado mediante a aplicação dos percentuais ali previstos sobre a receita bruta mensal auferida, ou seja, basta que a receita tenha sido auferida, independentemente de recebimento: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: E não houve nenhum deslocamento do ônus da prova, ou mesmo exigência de prova negativa. Como visto, a autoridade lançadora, tendo em vista os dados constantes das notas fiscais e livros que lhe foram apresentados, apurou a receita auferida. Se as informações contidas em tais documentos não correspondem à realidade, incumbe à interessada tal comprovação. Nos termos do art. 226 da Lei nº 10.406, de 2002, tais livros fazem prova contra si, cabendolhe, se for o caso, ilidila pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Penso que os fundamentos lançados no acórdão recorrido já são suficientes para refutar as alegações da recorrente. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 465 24 A se aduzir apenas que a regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, de modo que a simples emissão das notas fiscais, que espelham o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Tratase de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes. No tocante à validade da nota fiscal para fins de comprovação da receita, a legislação estadual regula sua emissão, mas no âmbito federal a sua emissão também é obrigatória, tanto que a legislação prevê que a falta de sua emissão ou sua emissão em desacordo com a legislação caracteriza omissão de receitas, conforme dispõe o art. 283 do RIR/1999, verbis: Art. 283. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei nº 8.846, de 1994, art. 2º). A questão relacionada ao efetivo recebimento só ganharia relevo se a empresa autuada, ora recorrente, tivesse optado pelo reconhecimento da receita pelo regime de caixa, o que é expressamente facultado pela IN. SRF. Nº 355/2003, verbis: Art. 4º Considerase receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. § 2º Para fins de determinação da receita bruta auferida, poderá ser considerado o regime de competência ou de caixa, mantido o critério para todo o anocalendário. Ocorre que, no presente caso, a contribuinte, ora recorrente, sequer apresentou à fiscalização o livro caixa escriturado que pudesse demonstrar que optou pela tributação das receitas pelo regime de caixa nos anoscalendário 2004 e 2005. Aliás, também não trouxe aos autos quaisquer elementos no sentido de demonstrar que as receitas decorrentes das notas fiscais por ela emitidas não foram recebidas ou o foram em outro período de apuração e nem sequer demonstrou quais as receitas Fl. 465DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 466 25 efetivamente teria oferecido à tributação, o que o fez por valores muito inferiores à receita espelhadas nas notas fiscais emitidas e registrada em seus livros fiscais. Ante ao exposto, não há reparos ao procedimento fiscal no que tange à apuração das receitas efetivamente apuradas, tendo trazido aos autos todos os elementos necessários à sua identificação. Como já ressaltado, diante dos elementos coligidos pela fiscalização nos próprios livros e documentos fiscais da recorrente, caberia a esta trazer aos autos elementos capazes de desconstituílos. Não o tendo feito, suas alegações revelam mero inconformismo com a autação. Assim, deve ser mantida a atuação relativa ao anocalendário de 2004, objeto formalizado neste processo e, em consequência, configurado que o contribuinte auferiu receitas que ultrapassaram naquele ano o limite permitido para permanência no Simples, nos termos do art. 9º, inc. II da Lei nº 9.317/1996, também deve ser confirmado o ADE DRF/BHE nº 052/2009. de 31 de março de 2009, que determinou a exclusão do contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005. Com relação à exigência relativa ao anocalendário 2005, a recorrente além de contestar o lançamento pelo lucro arbitrado realizado em face da sua exclusão do Simples, o que já foi devidamente apreciado, apresenta as mesmas razões de irresignação quanto à utilização, pela autoridade fiscal, das notas fiscais e de sua escrita fiscal para apuração da receita auferida a ser tributada. Tais alegações também já foram devidamente apreciadas e afastadas, de modo que seu pedido subsidiário no sentido de que seja determinada a redução do crédito tributário no Processo 15504.011137/201076, considerando como receita auferida para fins da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas os 43,3%, cujos recebimentos foram efetivamente comprovados pela fiscalização, também não pode ser acatado. Como acima analisado, a regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, de modo que a simples emissão das notas fiscais, que espelham o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica e, também com relação ao anocalendário 2005, o contribuinte não apresentou livro Caixa escriturado identificando quais receitas teriam sido oferecidas a tributação pelo regime de caixa. Além disso, como bem destacou a autoridade fiscal em seu TVF, no lucro arbitrado não existe a hipótese de tributação das receitas auferidas pelo regime de caixa. Conforme estabelecia a, então vigente, IN.SRF. nº 93/1997, em seu art. 41, § 2º o lucro arbitrado será determinado pelo período de competência. Desta feita, deve ser mantido o valor principal do lançamento dos tributos apurados com base no lucro arbitrado no anocalendário 2005. Pelo exposto, voto no sentido de manter integralmente o mérito das exigências dos anoscalendário 2004 e 2005, nos termos ajustados pelo acórdão recorrido, e pela manutenção do Ato Declaratório de Exclusão do Simples a partir de 01/01/2005. 4. Da multa qualificada Fl. 466DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 467 26 A recorrente alega que é incabível a aplicação da multa qualificada, pois não restou comprovado o intuito doloso e que a acusação de prática reiterada não o caracteriza e que foi afastada pelo acórdão recorrido a acusação de interposição de pessoa no quadro social da recorrente; Assevera que não houve sonegação, pois ausente o intuito de impedir o conhecimento do Fisco, mas mero erro, uma vez que todas as operações foram registradas nos documentos fiscais relativos ao ICMS e ISSQN, incidindo no disposto na Súmula nº 14 do 1ºCC. A multa qualificada somente foi aplicada com relação ao anocalendário 2005, tendo a autoridade fiscal assim justificado sua aplicação no Termo de Verificação Fiscal: 26. Destacamos que a conduta do contribuinte neste caso, comprovada no curso da ação fiscal, na qual, durante todos os 24 meses do periodo fiscalizado (AC 2004 e 2005), este adotou a prática dolosa usual fregüente e rotineira, da não apuração e do não pagamento dos impostos e contribuições devidos em seus valores integrais, mediante a declaração, na DIPJ Simplificada, de valores de receitas em montantes significativamente inferiores àqueles escriturados nos livros Registro de Apuração do ICMS, sem uma justificativa plausível, bem como a constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de “laranja” para resguardar a pessoa que era seu sócioproprietário de fato ensejam a qualificação da multa de oficio como prevista no art. 44 l combinado com o parágrafo 1º da lei 9.430/96, com a redação dada pela lei 11.488/2007. O acórdão recorrido assim se pronunciou para manter a multa qualificada aplicada sobre as exigências do anocalendário 2005: A aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/1997 e 21/01/2007, estava prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original: [...] Por sua vez, os arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, dispõem que: [...] Conforme já exposto no item 3.1, não se comprovou a existência de interposição, um dos fundamentos para a qualifição (sic) da multa aplicada. Entretanto, estando caracterizada a omissão de receita (ver item 3.4), cumpre verificar se ficou efetivamente demonstrada a ocorrência de algum dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, como asseverou a autoridade lançadora. Não há dúvida de que, no caso dos autos, não se trata de simples omissão de receita ou de declaração inexata, por erro de fato no preenchimento da declaração, ou com caráter isolado ou eventual. De fato, temse, na espécie, a prática reiterada de omitir receita, mês a mês, durante todo o período fiscalizado, tendo sido declarado, de forma sistemática, valores muito abaixo dos reais – em média, menos de 2% das receitas eram declaradas mensalmente, consoante a seguir demonstrado: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 468 27 Anocalendário 2004 Receitas Apuradas (R$) Receitas Declaradas (R$) Percentual Declarado Janeiro 677.272,20 9.618,28 1,42% Fevereiro 339.903,04 8.972,80 2,64% Março 471.253,38 9.153,45 1,94% Abril 357.906,04 9.943,00 2,78% Maio 94.136,70 9.377,50 9,96% Junho 143.264,00 9.218,00 6,43% Julho 658.615,75 10.107,78 1,53% Agosto 934.529,90 10.086,30 1,08% Setembro 231.383,86 9.875,90 4,27% Outubro 466.669,69 9.472,35 2,03% Novembro 520.686,07 9.788,00 1,88% Dezembro 3.314.585,36 10.820,00 0,33% Total 8.210.205,99 116.433,36 1,42% Anocalendário 2005 Receitas Apuradas (R$) Receitas Declaradas (R$) Percentual Declarado Janeiro 1.850.160,17 9.745,80 0,53% Fevereiro 2.481.486,42 9.514,50 0,38% Março 933.550,28 10.150,00 1,09% Abril 386.489,38 10.350,00 2,68% Maio 848.009,30 9.937,40 1,17% Junho 1.038.529,08 18.754,25 1,81% Julho 631.328,39 19.325,00 3,06% Agosto 390.426,32 19.215,00 4,92% Setembro 1.391.045,48 19.440,00 1,40% Outubro 622.464,24 20.876,00 3,35% Novembro 741.450,86 21.540,00 2,91% Dezembro 2.159.889,29 70.500,00 3,26% Total 13.474.829,21 239.347,95 1,78% Evidenciase aqui, de forma inequívoca, a consciência e a vontade de impedir que o fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, a fim de evitar o pagamento do tributo devido, o que se manifesta de forma objetiva na realização distorcida dos deveres instrumentais, configurandose, assim, a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, a impor que seja mantida a multa no percentual de 150%, de que trata o inciso II do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, em sua redação original. Aliás, a multa de 150% também poderia ter sido aplicada no caso do lançamento relativo ao anocalendário de 2004, dado que a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, da mesma forma ali se configurou. Ora, o fato de a autoridade lançadora não o têlo feito, por óbvio, não autoriza a conclusão, a que se chega na impugnação, de que seria incabível a qualificação da multa no caso do lançamento relativo ao anocalendário de 2005. Os fundamentos da manutenção da multa qualificada no acórdão recorrido estão em linha com a acusação fiscal, não havendo qualquer reparo às suas conclusões. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 469 28 A recorrente, no entanto, suscita que todas as operações foram registradas nos livros fiscais do ICMS e ISSQN, de sorte que caberia ser observada a Súmula CARF nº 14, que dispõe, verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No entanto, a jurisprudência consolidada deste conselho traz entendimento no sentido de que configurada a prática reiterada de ocultar receitas na declaração de rendimentos apresentada ao Fisco Federal, em detrimento das reais receitas declaradas ao Fisco Estadual ou Municipal, revela o intuito doloso de sonegar tributos, como se observa dos seguintes arestos: Acórdão 9101000.986 24/05/2011 MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A apresentação, reiterada durante vários exercícios, de declarações de rendimentos (IRPJ) e de tributos devidos (DCTF) com valores zerados e a ausência dos recolhimentos das contribuições devidas não podem ser consideradas como meras declarações inexatas, pois denotam a conduta dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, restando configurada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pelo que se impõe a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Acórdão 9101001.029 25/05/2011 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Acórdão 9101001.856 28/01/2014 MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da Fl. 469DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 470 29 obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Recurso a que se dá provimento. Acórdão 9303005.058 15/05/2017 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Acórdão nº 1302002.722 11/04/2018 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ante ao exposto, voto no sentido de manter a multa qualificada aplicada no anocalendário 2005. 5. Da alegação de decadência parcial do anocalendário 2005 A recorrente alega que afastandose a multa qualificada por ausência de dolo, há que ser reconhecida a decadência parcial do lançamento relativo ao anocalendário 2005, pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve o pagamento antecipado dos tributos lançados por meio do sistema Simples. O argumento da recorrente cai por terra quando se comprova a existência do intuito doloso de sonegar tributos, o que desloca o prazo decadencial para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, julgado no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art. 543C do antigo CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 470DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 471 30 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREs p 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 471DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 472 31 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta feita, considerandose que o lançamento se refere ao anocalendário 2005 e tendo sido devidamente cientificado à contribuinte, ora recorrente, em 29/06/2010, há que se rejeitar a alegação de decadência. Assim, voto no sentido de afastar a alegação de decadência. 6. Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do Simples, do PIS e da Cofins Por fim, a recorrente alega que o ICMS e o ISS não podem integrar a base de cálculo do Simples, PIS e Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Municipio), que não pode ser equiparada a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte. Com efeito, durante o julgamento do RE nº 574.706 com Repercussão Geral reconhecida sob o tema 691, o Supremo Tribunal Federal STF analisou o conceito constitucional de faturamento e receita para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, decidindo pela inconstitucionalidade da inclusão dos valores destacados a título de ICMS na base de cálculo daquelas contribuições. Veja ementa do Acórdão, publicado em 02/10/2017: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Fl. 472DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 473 32 Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29 092017 PUBLIC 02102017) O Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, parágrafo 2º do Anexo II1, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática dos arts. 1036 a 1041 do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Não obstante, no caso sob exame, até a data em que foi proferido o presente acórdão, não houve o trânsito em julgado do RE nº 574.706, tendo em vista o pedido de modulação de efeitos elaborado pela União Federal. Desta feita, não sendo ainda definitiva a decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelase inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. De outra parte, impõese observar que a recorrente não alega, nem tampouco comprova ser autora de ação judicial, em caráter individual ou coletivo, com trânsito em julgado favorável, nos termos suscitados em seu recurso. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação. 7. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários interpostos: a) no processo administrativo nº 15504.022318/200811 (principal), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2004; b) no processo administrativo nº 15504.022315/200870 (apenso), para manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; e, c) no processo administrativo nº 15504.011137/201076 (apenso), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2005. Recurso de Ofício Tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo solidário Ronaldo Eustáquio Cardoso do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a DRJ/BHE interpôs o competente recurso de ofício. 1 Art. 61. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 474 33 O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A exoneração do sujeito passivo solidário quanto aos créditos constituídos nestes autos, foi decidida pelo colegiado a quo nos seguintes termos: 3.1 – Termo de sujeição passiva solidária Convém, inicialmente, transcrever os seguintes excertos extraídos tanto do termo de verificação de fls. 37/41, como do termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57: TERMO DE VERIFICAÇÃO (...) 3. Também verificamos que, por meio do instrumento público (...) firmado pelo sócio Valdenir Rocha de Paulo (doc de fl 96), este transferiu todo o gerenciamento administrativo e comercial da empresa a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.906 00, que foi de fato, a pessoa que administrava e gerenciava a empresa e praticou os fatos que serão relatados abaixo. (...) 6. Questionamos pessoalmente o preposto e administrador da empresa, sr. Ronaldo E. Cardoso, a respeito das divergências entre as receitas brutas de vendas acima (DIPJ e ISS/ICMS), tendo o mesmo nada esclarecido a respeito e, com isso, confirmando a ocorrência da existência de receitas escrituradas mas não declaradas. 7. Alegou apenas a seu favor que os livros Registro de Saídas, Registro de Entradas e, por conseguinte, o livro Registro de apuração do ICMS poderiam ter sido escriturados com alguns erros (...) 8. No entanto, o mesmo não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea para comprovar estas suas alegações. 27. Em todas as ocasiões que comparecemos à empresa fomos recebidos pelo sr. Ronaldo; nunca esteve presente o sr. Valdenir. Questionamos certa ocasião outros funcionários, que disseram desconhecer esta pessoa, afirmando que o dono da empresa era o sr. Ronaldo. (...) TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (...) A partir da análise do contrato social e suas alterações, verificamos que a empresa, por ocasião do período fiscalizado, tinha como sócios Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.556 06 (299 cotas) e Marli Miranda de Oliveira, CPF 036.149.796 28 (001 cota), sendo a administração da sociedade exercida pelo sócio Valdenir. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 475 34 Verificamos também que em 21/07/2000, no Serviço Notarial do 10º Ofício da Comarca de Belo Horizonte, o sr. Valdenir na qualidade de sócio gerente da empresa fiscalizada, lavrou instrumento de procuração em que concedia poderes a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.90600 para a administração da empresa, incluindose todos os atos para representação e gestão, judicial e extrajudicial; nomeação de procurador; representação em juízo; representação em face da Administração Pública Municipal, Estadual e Federal; representação perante as Fazendas Públicas Municipal, Estadual e Federal; atuação junto a entidades financeiras, podendo contrair empréstimos, aplicar dividendos, comprar e vender ações; poderá dispor do patrimônio da empresa, comprar e/ou vender bens móveis e/ou imóveis, enfim, praticar todos os atos como se proprietário fosse. De tudo o que foi verificado por esta fiscalização, consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal de 24/06/2010, em particular dos contatos e entrevistas mantidos na empresa, bem como da documentação apresentada, depreendese que a empresa fiscalizada, embora registrada no nome de Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.55606, era administrada e gerenciada por Ronaldo Eustáquio Cardoso, seu verdadeiro dono, e que dela se utilizava e se beneficiava de seus resultados. Portanto, a partir de todos os indícios apontados, ficou evidenciada a situação em que se tentava manter a identidade do real sujeito passivo ou do seu responsável encoberta pela figura de um terceiro, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido, caracterizandose, portanto, numa interposição fraudulenta, isto é, cuidavase, no fundo, simular situação de transferência de responsabilidade para terceiro que, ou não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou não é o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial ou profissional. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) (...) (grifo no original) De acordo com as impugnações, não haveria nenhuma fraude na conduta do sócio Valdenir Rocha de Paulo em outorgar a procuração, como lhe autorizaria o contrato social da empresa, e nem na conduta de Ronaldo Eustáquio Cardoso em recebêla e exercer os poderes ali conferidos. Anexouse documento – datado de 16/07/2010 e assinado por Valdenir Rocha de Paulo, com firma reconhecida – em que este declara que, de livre e espontânea vontade, celebrou contrato de sociedade com Marli Miranda de Oliveira, nomeando Ronaldo Eustáquio Cardoso como administrador e procurador da RH Cardoso & Cia Ltda, “tendo em vista sua experiência e notoriedade no mercado de atuação da empresa” (fls. 138). Vêse que a autoridade lançadora declarou a sujeição passiva solidária de Ronaldo Eustáquio Cardoso em virtude de ter sido constatada, com base nos seguintes elementos, a ocorrência de interposição fraudulenta: a) Em todas as ocasiões em que compareceu à empresa, a autoridade lançadora foi recebida por Ronaldo Eustáquio Cardoso; nunca esteve presente o sócio Valdenir Rocha de Paulo; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 476 35 b) Outros funcionários disseram desconhecer o sócio Valdenir Rocha de Paulo, afirmando que o dono da empresa era Ronaldo Eustáquio Cardoso; c) Valdenir Rocha de Paulo, na qualidade de sóciogerente, por instrumento público de procuração, concedeu a Ronaldo Eustáquio Cardoso os mais amplos poderes para a administração da empresa, podendo inclusive “dispor do patrimônio da empresa, comprar e/ou vender bens móveis e/ou imóveis, enfim, praticar todos os atos como se proprietário fosse” (fls. 96); d) Ronaldo Eustáquio Cardoso se utilizava da empresa e se beneficiava dos seus resultados. Todavia, as declarações prestadas pelos funcionários não foram reduzidas a termo ou registradas por outro meio qualquer, impossibilitando, portanto, sua utilização como prova. Também não há nos autos comprovação de que Ronaldo Eustáquio Cardoso se beneficiava dos resultados da sociedade. Efetivamente demonstrada está apenas a outorga do mandato, conferindolhe ilimitados poderes de administração. Temse aqui apenas indícios, que não autorizam concluir, com segurança ou certeza, pela ocorrência de interposição fraudulenta. Pelo exposto, e não tendo sido indicados outros fatos e fundamentos jurídicos, além dos relativos à interposição fraudulenta, a motivar a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário a Ronaldo Eustáquio Cardoso, cumpre cancelar o termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57, lavrado em seu nome, por insuficiência de provas. Não tenho reparos ás conclusões do acórdão recorrido. Com efeito, a fiscalização não trouxe ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN. Mesmo os indícios por ela apontados, carecem de comprovação. Verifico que, constatado o evidente intuito de sonegação, conforme analisado no recurso voluntário, o mandatário, Sr. Ronaldo Eustáquio Cardoso, que detinha plenos poderes para a administração da sociedade, poderia ter sido arrolado como responsável solidário com base no art. 135, inc. III do CTN, pelos atos praticados com infração à lei tributária. Não obstante, não sendo esta a acusação fiscal, da qual se defendeu o responsável solidário arrolado, falece competência ao julgador para indicar novo fundamento à imputação, sob pena de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O acórdão recorrido exonerou, ainda, parcialmente a exigência ao admitir a dedução dos valores recolhidos a título de Simples do montante autuado, verbis: 3.7 Dedução dos valores recolhidos a título de Simples Procede, sim, a pretensão de que da exigência, apurada mediante regime de tributação diverso (lucro arbitrado), sejam deduzidos os valores dos impostos e contribuições pagos na forma do Simples, observados os respectivos percentuais indicados no art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996. Calha transcrever o seguinte excerto da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit): Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 477 36 EMENTA. (..) “ A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção deforma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. (..) 2. FUNDAMENTA ÇÃO LEGAL (...) 12. Igualmente deve ser o tratamento na hipótese de exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte (Simples), deduzindo do valor apurado mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização, as parcelas de IRPJ e CSLL recolhidas a título de Simples. No caso em exame, todos os 12 DARFSimples apresentados " por meio dos quais foram efetuados os pagamentos relativos aos períodos de' apuração de janeiro a dezembro do anocalendário de 2005 indicam ser de 5,4% o percentual aplicado sobre a receita bruta mensal para determinação do valor do Simples devido. Relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2005, a Lei n° 9.317, de 1996, assim estabelecia: [...] A seguir, estão demonstrados os valores recolhidos a título de Simples relativamente aos perídos de apuração de janeiro a dezembro do anocalendário de 2005, bem como as parcelas correspondentes ao IRPJ, PIS, CSLL e Cofins: (tabela omitida) Já nos demonstrativos que se seguem estão indicadas as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins mantidas neste voto, após serem deduzidos dos valores lançados os já recolhidos por meio dos DARFSimples acima relacionados: (tabela omitida) Não tenho reparos aos fundamentos da decisão recorrida que corretamente mandou excluir da exigência os valores recolhidos pela sistemática do Simples. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO GERAL Por todo o exposto, voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários interpostos: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 478 37 a) no processo administrativo nº 15504.022318/200811 (principal), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2004; b) no processo administrativo nº 15504.022315/200870 (apenso), para manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; e, c) no processo administrativo nº 15504.011137/201076 (apenso), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2005; e, ainda, 2) de negar provimento ao recurso de ofício (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728915/2017-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 383/398) em face do Acórdão n. 04 44.699 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE (efls. 90/96), que julgou improcedente a impugnação de efls. 03/04 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 13/06/2017 (efl. 65) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 Exercício 2016 no valor total de R$ 605.787,50 sendo R$ 449.897,89 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 89.979,57 de multa de mora não passível de redução; e R$ 65.910,04 de juros de mora calculados até 30/06//2017 (efls. 33/36), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 91 5/ 20 17 -2 5 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10880.728915/201725 Resolução nº 2402000.687 S2C4T2 Fl. 3 2 Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de e fls. 03/04, julgada improcedente pela DRJ/CGE, nos termos do Acórdão n. 0444.699 (efls. 90/96), de cujo teor tomou ciência em 16/01/2010 (efl. 101), havendo interposto recurso voluntário na data de 15/02/2018 (efl. 112). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 383/398) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, o fundamento da autuação (ausência de pagamento de DARF no Código de Receita 0561) estaria superado pelas compensações, mediante Per/Dcomp, efetuadas pela fonte pagadora e que comprovariam a liquidação do IRRF objeto de glosa. É oportuno ressaltar que no Recurso Voluntário (efls. 383/398) o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2016 ND 08/65.643.605 Data de Entrega: 25/04/2016 informando rendimentos tributáveis de R$ 2.988.827,31 e IRRF total de R$ 622.015,22, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 74.990,47. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 449.897,89 vinculado à fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 605.787,50, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 (efls. 33/36). Em conformidade com a descrição dos fatos consignada na Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 (efls. 33/36), o Recorrente é diretor estatutário e, portanto, recebe pro labore da fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 que declarou em DIRF IRRF no valor total de R$ 624.995,86 (e fl. 95) sendo objeto de glosa pela Fiscalização da RFB o valor de R$ 449.897,89 vinculado ao Recorrente e se encontra na Malha DIRF x DARF, sem que tenha sido apresentado DCTF nem comprovantes de pagamento do IRRF. Assim, na condição de diretor estatutário, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10880.728915/201725 Resolução nº 2402000.687 S2C4T2 Fl. 4 3 devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 449.897,89), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 383/398, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a condição de diretor estatutário fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197. Entretanto, o Recorrente reclama pela liquidação do IRRF pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 referente ao AC 2015 que inclui o valor que lhe foi descontado mediante compensações, consubstanciadas em Per/Dcomp, conforme confessado em DCTF AC 2015 (efls. 130/382), havendo, inclusive, a decisão recorrida registrado tais fatos, salientando, todavia, que não consta pagamento de DARF no Código de Receita 0561, verbis: [...] Além do mais a empresa Votorantim Participações S/A apresentou as DCTF de fls. 41 em diante, no qual informa valores de IRRF superiores ao retido do contribuinte. Ocorre porém que não consta pagamento de DARF no código 0561 para o período em questão, razão pela qual o pleito do contribuinte não deve ser atendido pelas razões anteriormente apontadas. [...] (grifei) Assim, verificase, no caso concreto, razoável dúvida quanto ao efetivo recolhimento, ainda que parcial, do IRRF objeto da glosa, que impõe a necessidade de diligências junto à Unidade de Origem com o fito de apurar junto aos sistemas da RFB a ocorrência de liquidação por qualquer meio previsto no art. 156 do CTN do IRRF vinculado ao Recorrente no valor de R$ 449.897,89 e declarado pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 383/398) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à Unidade de Origem, para verificar nos sistemas da RFB a ocorrência de liquidação por qualquer meio previsto no art. 156 do CTN do IRRF vinculado ao Recorrente no valor de R$ 449.897,89 declarado pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197, considerando, inclusive, as informações consignadas nas DCTF e Per/Dcomp acostadas às e fls. 130/382 , observandose que após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar em Informação Fiscal o resultado das verificações que proceder, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13506.720013/2017-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Provada a dedução do contribuinte, a glosa deve ser cancelada.
Numero da decisão: 2002-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa no valor de R$ 8.064,54 referente à despesa médica do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Provada a dedução do contribuinte, a glosa deve ser cancelada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa no valor de R$ 8.064,54 referente à despesa médica do contribuinte. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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score : 1.0
Numero do processo: 10920.004067/2010-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência que deflui da Súmula CARF nº 01.
In casu, a ação judicial proposta possui o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 1001-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência que deflui da Súmula CARF nº 01. In casu, a ação judicial proposta possui o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 40 67 /2 01 0- 75 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 181 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1448.522, de 30/01/2014 (efls. 37/40). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/JOI nº 438411, de 01/09/2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile SC, que excluiu a empresa em tela do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – Simples Nacional, em virtude de possuir débitos deste regime especial, com exigibilidade não suspensa, no período de 12/2007, 02/2008 e de 06 a 12/2008, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, com efeitos a partir de 01/01/2011. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, procotolada em 18/10/2010, alegando em síntese: 1) os períodos de 12/2007 e 02/2008 foram quitados, conforme documentação anexa; e portanto o ato é nulo nos termos do inciso II do art,. 59 do Paf, visto dissonância entre o ato e a realidade dos fatos; e consequente cerceamento de defesa; 2) por um processo recessivo no cenário econômico, foi compelida a permanecer em mora com algumas parcelas do SIMPLES, e foi impedida de parcelar os débitos, sob a justificativa de falta de previsão legal para parcelamento do Simples Nacional, em afronta ao art. 10 da Lei 10.522; Requer por fim a anulação do ato ou possibilidade de parcelamento na forma da Lei 10.522/2002. Através do Despacho Decisório SACAT n° 012/2011, de 18/01/2011, a DRF em Joinville SC, conheceu da Manifestação de Inconformidade, e manteve o Ato Declaratório de Exclusão, visto que em 22/10/2010, prazo para regularização das pendências apresentadas e até a data do referido despacho encontravamse exigíveis os valores de 06/2008 a 12/2008, e que o parcelamento não encontra amparo legal, citando o Parecer PGFN CAT n° 1.031, de 20 de maio de 2009. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou em 17 de fevereiro de 2011, nova Manifestação de Inconformidade, aduzindo que a requerente pretende honrar com seus compromissos fiscais, mas se possível de uma maneira menos gravosa como é o caso do parcelamento administrativo pelo art. 10 da Lei n° 10.522/2002. Em sequência o processo foi encaminhado para apreciação desta Delegacia Regional de Julgamento. Apensado ao presente, encontrase também, o processo de acompanhamento judicial n° 10920.720613/201019, que noticia da impetração em 25/10/2010 de Mandado de Segurança pela requerente, com pedido de liminar, com o fim de ser Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 182 3 mantida no regime do Simples Nacional, uma vez que constam valores quitados e alternativamente parcelamento dos débitos na forma da Lei n° 10.522/2002. Constam ainda do apensado, que a contribuinte não obteve liminar favorável (fl. 30/34), a sentença também foi desfavorável à empresa (fls. 44/48), bem como a apelação pela contribuinte ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região não obteve êxito (fls.49/52), culminando no trânsito em julgado em 25/11/2011 (fl. 53). É o relatório. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo voto condutor do acórdão recorrido transcrevo a seguir, in verbis: A manifestação de inconformidade foi apresentada com observância dos requisitos de admissibilidade. No entanto, deixo de conhecer da Manifestação de Inconformidade, em decorrência de propositura de ação judicial pela contribuinte com o mesmo objeto. Ocorre que a requerente, embora tenha apresentado Manifestação de Inconformidade neste âmbito administrativo, primeiramente em 18/10/2010 e também em 17/02/2011, impetrou Mandado de Segurança, em 25/10/2010, de n° 5003913 32.2010.404.7201 junto à 2ª Vara da Justiça Federal de Joinville SC, as quais possuem identidade de objeto. Apenso ao presente, encontrase o processo de acompanhamento judicial n° 10920.720613/201019, composto das principais peças processuais do trâmite judicial, que nos dá conta de que há decisão judicial definitiva desfavorável à requerente, com trânsito em julgado em 25/11/2011, conforme Informação Fiscal 187/2012 da Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais da DRF Joinville SC, de fl. 57 e tela da Justiça Federal – fl. 53. Conforme sentença de fls. 44/48, de 20/01/2011, houve a denegação do mandado de segurança, “em razão da inexistência de direito da impetrante a incluir débitos do Simples Nacional no parcelamento instituído pela Lei n° 10.522, de 2002, bem como por não ter sido demonstrada qualquer irregularidade na exclusão da impetrante do SIMPLES.” Por sua vez, às fls. 49/52 consta Decisão de 29/08/2011, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que negou seguimento à apelação da impetrante. Como é cediço, vigora no nosso sistema jurídico, o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5°, XXXV, da Constituição Federal de 1988, que concede exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”). Ao buscar provimento judicial tornase inócua a discussão no âmbito administrativo da mesma matéria, já que as decisões administrativas submetemse às decisões judiciais. Neste sentido, a Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011, que “Disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)”, em seu artigo 26 dispõe: Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do processo. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 183 4 Tal entendimento encontrase pacificado no âmbito administrativo sendo, inclusive, objeto de Súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Caberá à Delegacia de origem, dar efetividade à decisão judicial, se for o caso, conforme Informação Fiscal 187/2012 da Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais da DRF Joinville SC, de fl. 57 e tela da Justiça Federal – fl. 53 (presentes no processo 10920.720613/201019), já que conforme consulta ao cadastro da empresa de fl. 55 do referido processo, a mesma ainda figura como optante do Simples Nacional. Por todo exposto VOTO por não conhecer da Manifestação de Inconformidade, em decorrência de mesma matéria objeto de propositura de ação judicial pela contribuinte. O acórdão da Câmara baixa teve a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo quando há identidade de matéria entre ambas as esferas, devendo o julgamento administrativo aterse apenas à matéria diferenciada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 18/03/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 44, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 17/04/2014 (efls. 46/65), conforme carimbo aposto à efl. 46. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 184 5 Conforme disposição constitucional, a seguir transcrito, o processo administrativofiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O Decreto 70.235/72, ao dispor sobre o processo administrativofiscal, segue os comandos constitucionais supracitados, estabelecendo o Recurso Voluntário como meio apto para submeter as decisões exaradas pelas Delegacias Regionais de Julgamento ao duplo grau de jurisdição, in casu, a ser exercido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, é cediço que para se conhecer do recurso é necessário que, além do prazo recursal, outros pressupostos ou requisitos devem ser atendidos, constituindose em elementos indispensáveis a expressa insatisfação com a decisão impugnada, a exposição das razões que levaram ao contribuinte a demonstrar seu inconformismo com a decisão atacada, a interposição por pessoa legitimada, dispõe os arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 63 da Lei 9.784/99. Assim, resta evidente que o juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário devese voltar tão somente para a verificação do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade supra colacionados, não devendo o conhecimento do recurso se confundir com a própria análise do mérito da decisão do juízo a quo. Importa registrar que o não conhecimento do recurso voluntário implica o trânsito em julgado da decisão nos termos propostos pela primeira instância. Por outro lado, caso se entenda que a decisão de piso merece reparos de qualquer ordem, tal modificação só pode ocorrer por ocasião do julgamento do mérito recursal, o que só ocorre quando conhecido o Recurso. No caso presente, verificase o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo recorrente, visto que foi protocolizado no prazo regulamentar (art.15 do Decreto nº 70.235/72) e apresentado por representante legal devidamente qualificado. Porém, assim como em relação à Manifestação de Inconformidade, deixo de conhecer do recurso voluntário, em decorrência de propositura de ação judicial pela Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 185 6 contribuinte com o mesmo objeto do processo administrativo, conforme excerto da decisão do TRF 4ª Região, transcrita do processo 10920.720613/201019, verbis: Apelação Cível Nº 500391332.2010.404.7201/SC RELATOR : ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA APELANTE : ITAUM CAR AUTO MECANICA LTDA ME ADVOGADO : FERNANDA CAROLINE DOS SANTOS APELADO : Delegado RECEITA FEDERAL DO BRASIL Joinville : MARIO BENJAMIN BARTOS MPF : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INTERESSADO : UNIÃO FAZENDA NACIONAL DECISÃO Itaum Car Auto Mecânica Ltda. ME interpôs recurso de apelação contra sentença proferida em mandado de segurança impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville que denegou a ordem objetivando a ordem para que a autoridade coatora se abstenha de excluíla do Regime do Simples Nacional tendo em vista a inconstitucionalidade do inciso V, art. 17, da Lei Complementar nº 123/06 e a nulidade do ato declaratório, ou, a concessão da liminar para determinar o parcelamento dos débitos oriundos do SIMPLES NACIONAL referente às competências 06/2008 a 12/2008, na forma da Lei 10.522/2002. Custas pela impetrante. Incabíveis na espécie honorários advocatícios. Em suas razões de apelo, sustenta, em síntese, que os artigos 10 e 11 da Lei nº 10.522/02 não expressam em nenhum momento a vedação às empresas do Simples Nacional ao parcelamento ordinário, pelo contrário, não fazem distinção quanto a sistemática tributária. Defende a inconstitucionalidade do inciso V, art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006 ao ignorar o tratamento diferenciado garantido pela Constituição Federal, conforme os artigos 146, 170 e 179. Apresentadas as contrarrazões, vieram os autos a este Tribunal. O Ministério Público Federal opinou pelo provimento do recurso. É relatório. Decido. Sabese que o parcelamento é causa de suspensão do crédito tributário, na forma do art. 151, VI, CTN, porém este será 'concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica', tal como estabelece o art. 155A do mesmo codex. Com efeito, releva notar que o SIMPLES NACIONAL consiste em regime simplificado de tributação, o qual envolve exações da titularidade de todos os entes políticos, a teor do que dispõe o art. 12 da LC n. 123/06. Através desse sistema são apurados e recolhidos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação e cuja regulamentação se dá por Comitê Gestor em que estão todos esses entes devidamente representados (art. 16 da LC n. 123/06). (omissis) Ante o exposto, forte no art. 557, caput, nego seguimento à apelação, nos termos da fundamentação. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10920.004067/201075 Acórdão n.º 1001000.773 S1C0T1 Fl. 186 7 Intimese. Publiquese. Porto Alegre, 29 de agosto de 2011. Desembargador Federal ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA Relator Assim, entendo que o voto condutor do acórdão recorrido, transcrito no curso do relatório, não merece reparos, o qual adotoo como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724794/2016-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO. Podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 94 /2 01 6- 37 Fl. 99DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.334,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Fortaleza. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 79/93. Invoca preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, em apertada síntese, alega que está obrigado ao pagamento de despesas médicas e plano de saúde aos alimentandos Igor Monteiro Brazil Nogueira e Yuri Brasil Nogueira, por força de decisão judicial, nos termos do Direito de Família. Aduz que a decisão de primeira instância extrapolou os limites da fundamentação do lançamento, inovando para fundamentar o lançamento em razão diversa do que consta no ato de constituição do crédito tributário. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. No mérito, entendo que o recurso voluntário deve ser provido. A fundamentação do lançamento é que "não há pagamento de pensão alimentícia ao contribuinte Igor Monteiro Brazil Nogueira, não existindo previsão legal para dedução de suas despesas médicas". Entretanto, o recorrente provou, à f. 12/14, que existe sentença judicial que o obriga ao pagamento de pensão a citados alimentandos, além de continuar arcando com as despesas médicas do mesmo. A decisão a quo, ao manter o lançamento, utilizou de fundamentação diversa da constante no lançamento, o que entendo não ser possível. A fundamentação do lançamento determina as razões da autoridade lançadora e tem o condão de conduzir as razões da defesa, delimitando os contornos da lide. Ao inovar na fundamentação, o julgador alarga os limites da lide, em inequívoco prejuízo à defesa. Ademais, é de se frisar que o ato administrativo de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.724794/201637 Acórdão n.º 2001000.417 S2C0T1 Fl. 3 3 lançamento deve conter todos os elementos suficientes e necessários à constituição do crédito tributário. Dentre estes elementos, os fundamentos de fato e de direito que embasam a autuação devem ser tidos como elementares. Não pode uma decisão administrativa, a posteriori, alterar estes fundamentos, incluindo elemento novo, haja vista que tal medida não está no âmbito de sua competência e, também, por trazer prejuízo à defesa. Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900119/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .9 00 11 9/ 20 08 -1 9 Fl. 80DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 81 ___________ Relatório Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de DCOMP, em razão de, analisadas as informações prestadas, partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega que a não homologação da compensação pleiteada se funda em erro no preenchimento das DCTFs originárias, as quais foram corrigidas após intimação pelo Fisco Federal e que desta correção, acredita ter direito aos créditos objeto da compensação. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1429.210 1ª Turma da DRJ/RPO Data do fato gerador: 15/08/2003 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DIPJ. RETIFICAÇÃO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. ANALOGIA. A retificação da DIPJ, para fins de comprovar a existência de crédito do contribuinte não pode ser aceita, pois efetuada após a ciência do Despacho Decisório, procedimento de ofício da autoridade administrativa, conforme o disposto no art. 832, do RIR/99, utilizado neste caso por analogia, conforme o disposto no art. 108, do CTN, por inexistência de disposição expressa. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRlBUTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO Não comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário objeto de compensação declarada pelo sujeito passivo, é de se não homologar a compensação por ele declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 82 3 O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito: Trata o presente de Despacho Decisório, fl. 06 que não homologou a compensação declarada pelo interessado, uma vez que o crédito apresentado para a compensação foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado em 30/04/2008, fl. 39, o interessado protocolou o documento de fls. 12, em 29/05/2008, alegando que no período de apuração jul/2003 apurou o PIS devido no valor de R$ 587,98, recolhido em 15/08/2003 e que, posteriormente a essa data, a empresa cancelou a Nota Fiscal n° 130, de 30/07/2003, no valor de R$ 90.459,00, gerando um crédito do PIS no valor do recolhimento. Que o valor foi erroneamente informado em DCTF e que só em 27/05/2008 efetuou a sua retificação. Vem solicitar o cancelamento do Despacho Decisório uma vez que não há diferença a ser recolhida. É o relatório. Recurso Voluntário A recorrente se insurge em face do acordão proferido pela DRJ/RPO que, manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação por entender que o crédito declarado na DCOMP já tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Sustenta, em síntese, que pagou a maior o valor da Contribuição para o PIS referente ao período de apuração do mês 07/2003 por ter cancelado nota fiscal de prestação de serviços em razão de problemas com o recebimento desta pela Prefeitura, o que posteriormente corrigiu emitindo nova nota fiscal. Alega que por esse motivo teria direito ao crédito decorrente de PIS pago em decorrência dessa nota fiscal cancelada, o que pretende compensar com tributos do mesmo ente. Requer o conhecimento e provimento do presente recurso para que seja reformada a decisão prolatada pela DRJ com o consequente reconhecimento do seu direito creditório e extinção do débito objeto da compensação. Juntou aos autos, a nota fiscal cancelada, a nova nota fiscal emitida, o livro diário, a DCTF e DIPJ retificadoras e demais documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 83 4 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento para baixar em diligência, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS Tratase de pedido de compensação no qual a recorrente alega que, recolheu valor a maior da Contribuição para o PIS referente ao período de apuração do mês 07/2003. Sustenta que cancelou a nota fiscal que dava origem ao valor tributado, o que lhe tinha gerado um crédito. Por meio de PER/DCOMP a contribuinte pediu a compensação do valor pago a maior com débito referente ao PIS. A autoridade fiscal por meio de despacho decisório entendeu por negar o pedido de compensação por entender que esse valor já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte juntou DCTF e DIPJ, ambas retificadas posteriormente ao Despacho Decisório e apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente por não restar comprovado a liquidez e certeza do crédito por insuficiência de provas documentais. Ato contínuo, a recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário e vieram me os autos conclusos para julgamento. MÉRITO O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 84 5 Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três posicionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu COFINS. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 85 6 A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 86 7 O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 87 8 que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1ª TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, a Dcomp, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Possibilidade de complementação de Prova Precedente da CSRF Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Acórdão nº 9303005.396 Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 88 9 correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. A seu exemplo, sugerese a contabilidade e seus controles típicos como os meios aptos à comprovação do pagamento a maior e a origem legítima do crédito. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 89 10 Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 90 11 consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte juntou aos Autos, em sede de Recurso Voluntário, seu Livro Diário Geral, além da DCTF e DIPJ retificadoras, o DARF pago e a DCOMP, juntados em Manifestação de Inconformidade. Do Parcial Provimento com Retorno para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora e demais documentos A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 91 12 para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Na esteira de fundamentar este posicionamento, e firmar ponto de vista sobre a jurisprudência sobre o tema, há que se mencionar precedente, exatamente nos mesmos moldes, nesta primeira turma Extraordinária, de lavra do brilhante Conselheiro Cássio Schappo, o qual demonstra claramente a possibilidade de enfrentamento do mérito quando enfrentado processo administrativo com tal substância probante: Valhome aqui de julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 92 13 O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora– que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo um deles a DIPJ da recorrente, que de acordo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13830.900119/200819 Resolução nº 3001000.127 S3C0T1 Fl. 93 14 com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. CONCLUSÃO Neste sentido, voto por converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000335/2001-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/09/1996
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
Incabível a aplicação de preferência tarifária no caso de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, bem assim quando, antes da vigência da Resolução ALADI 232, internalizada por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998, houver intermediação e o produto importado for comercializado por terceiro país não signatário do acordo internacional (triangulação).
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PETROBRÁS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/09/1996 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. Incabível a aplicação de preferência tarifária no caso de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, bem assim quando, antes da vigência da Resolução ALADI 232, internalizada por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998, houver intermediação e o produto importado for comercializado por terceiro país não signatário do acordo internacional (triangulação). Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 03 35 /2 00 1- 91 Fl. 697DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência da Fazenda Nacional (fls. 511/527), admitido pelo despacho de fls. 529/534, que se insurge contra o Acórdão 3201 001.537 (fls. 451/471), de 28/01/2014, o qual negou provimento ao recurso de ofício e proveu parcialmente o voluntário, e cuja ementa foi vazada com a seguinte dicção, na parte ora controvertida: ... INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DA ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira. ... RECURSO DE OFÍCIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O recurso especial do contribuinte (fls. 540/550) teve seu seguimento negado pelo despacho de fls. 676/681. Agravado este, em sede de reexame de admissibilidade (fls. 682/683) foi mantida a negativa de seguimento do especial do contribuinte pelo Presidente do CSRF. De fls. 619/629, contrarrazões do contribuinte ao especial da Fazenda, entendendo que o recurso não deveria ser conhecido, porém sem articular em que medida, e, no mérito, postulou pelo improvimento do recurso. A Procuradoria acostou como paradigma o Acórdão 930301.870, de 06/03/2012. Insurgese a Fazenda, exclusivamente, na parte do recorrido que afastou o lançamento em relação à cobrança de II referente à DI 323/96, por entender aplicáveis a operações de importação anteriores à 07/12/1998 as normas do artigo 02 do Acordo 91 da ALADI. Ou seja, recorre do entendimento da turma baixa que julgou cabível a aplicação do benefício da redução tarifária (Imposto de Importação II) decorrente dos acordos internacionais firmados no âmbito da ALADI, tendo em vista que no entender da recorrente seria inaplicável o art. 2º do Acordo ALADI 91 em relação a operações de triangulação anteriores à vigência da Resolução ALADI 232, internalizada pelo Decreto nº 2.865, de 08/12/1998, a qual veio a permitir operações de triangulação com a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 4 3 Acresce a PFN que a matéria controvertida diz respeito à redução da alíquota do Imposto de Importação (II) prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Brasil e a Comunidade Andina, pontuando que tal redução de alíquota não deve ser acolhida em caso uma vez que a fiscalização constatou que a pleiteante descumpriu as regras do regime de origem da mercadoria. Assevera a recorrente que o reconhecimento pelo Fisco de um benefício tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, faz menção ao art. 7º da Resolução 78 da ALADI. Conclui que somente com o advento da Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, que alterou o Acordo 91, é que foi modificado o regime de origem, quando a partir daí passouse a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Aclara que o auto de infração registrou que a triangulação tratada nos autos foi anterior à Resolução ALADI 232, e, portanto, não possuía a operação, à época de sua realização, amparo legal. Assim, tendo a referida DI sido registrada em 29/10/1998, não se aplicaria a Resolução 232 da ALADI, vez que o Decreto nº 2.865, que a internalizou, só entrou em vigor posteriormente ao registro daquela, qual seja, em 08/12/1998. Em suma, entende incabível a aplicação retroativa da Resolução ALADI nº 232 a DI registradas anteriormente a 08/12/1998. Não se aplicando tal Resolução ALADI, a operação de importação deve se adequar aos requisitos previstos no art. 4º da Resolução 78, vale dizer deveria a DI ter sido emitida pelo país de origem, fato não ocorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I DO CONHECIMENTO O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, mormente quanto à similitude fática e jurídica do paradigma trazido à colação e a interpretação dada pelo aresto recorrido. Enquanto o acórdão recorrido, majoritariamente, afastou o lançamento em relação à DI 323/96 por entender aplicáveis a operações de importação anteriores à 07/12/1998 as normas do artigo 2º do Acordo 91 da ALADI, o paradigma, Acórdão 930301.870, veiculou entendimento oposto, assim caracterizando a interpretação divergente da lei, a que alude o art. 67, II, do RICARF. Pelo teor da ementa do divergente já se constata o atendimento a esse pressuposto recursal, tendo no pólo passivo a mesma empresa objeto do lançamento inserto nestes autos. Acórdão nº 930301.870 – 3ª Turma Sessão de 6 de março de 2012 Matéria II/ALÍQUOTA Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 699DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/10/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. INADMISSIBILIDADE DO REGIME FAVORECIDO. Incabível a aplicação de preferência tarifária no caso de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, bem assim quando houver intermediação e o produto importado for comercializado por terceiro pais não signatário do acordo internacional, operação denominada triangulação, antes da vigência da Resolução ALADI 232, internalizada por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998. Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Com efeito, conheço do especial de divergência da Fazenda Nacional. II DO MÉRITO Emerge do relato que a matéria posta ao nosso conhecimento cingese a definirmos se cabe a intermediação na exportação para o Brasil, de modo a incidir a redução tarifária no âmbito da ALADI, a interveniência de terceiro país não signatário, antes da vigência da Resolução ALADI 78, internalizada em nosso ordenamento pelo Decreto 2.865, de 07/12/1998, com vigência a partir de 08/12/1998. Ou seja, examinarmos, exclusivamente o cabimento do lançamento de II em relação à DI 000323. A Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI) foi criada pelo Tratado de Montevidéu, de 12 de agosto de 1980, e o Brasil, sendo paísmembro da citada associação, assinou o Regime Geral de Origem, consubstanciado na Resolução 78 do Comitê de Representantes, anexa ao Decreto nº 98.874, de 24 de novembro de 1990, e a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação de Origem, que se operou através do Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836, de 17 de janeiro de 1990. Tais normas disciplinam a comprovação da origem da mercadoria e estipulam outros requisitos a serem atendidos para fruição das preferências tarifárias pactuadas entre os paísesmembro da ALADI. Cediço que a relação jurídica decorrente da operação de importação se estabelece entre a União e o importador, sendo deste a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. Assim, a fruição do benefício de redução tarifária importa a observância das condições e requisitos estabelecidos no acordo internacional. É claro o entendimento de que o reconhecimento por parte do Fisco de um benefício tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Destarte, inferese das normas de regência que, se o benefício acordado entre os países signatários do acordo está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do certificado de origem é pressuposto de validade para que o benefício pactuado seja reconhecido pelo país importador, pela imprescindibilidade deste documento. No entanto, além de serem Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 6 5 apresentados os certificados de origem, deve a operação de importação estar de conformidade com as regras estabelecidas no regime de origem. Com efeito, os acordos no âmbito da ALADI visam estabelecer, em longo prazo e de maneira gradual e progressiva, um mercado comum, com o desiderato último da eliminação das tarifas e outras barreiras ao comércio entre os países que dele participam. Neste entendimento, evidenciase de suma importância o estabelecimento das normas acerca do Regime Geral de Origem, pela Resolução n.º 78, de 1987, no âmbito da ALADI, visto que, para a efetividade desses acordos, a caracterização da origem deve ser inequívoca, sob pena de invalidar os benefícios da redução tarifária acordada entre os países signatários. O ACE 39, firmado entre Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina), executado internamente pelo Decreto nº 3.138, de 16 agosto de 1999, adota expressamente em seu art. 8º, o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução 78 e no Acordo 91. Nesse passo, importante destacar a regra contida no art. 7º da Resolução nº 78 da ALADI, verbis: “SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o tratado de Montevidéu 1980, os paísesmembros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador.” Ou seja, para a fruição do benefício de redução tarifária exigese a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência. O reconhecimento pelo Fisco do benefício tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importação ocorreu nos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, além da apresentação de certificado de origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidas nos Acordos de regência. Assim, indene de dúvida que as normas pactuadas pelos países, uma vez incorporadas ao seu sistema jurídico, constituem fonte de direito, já que são normas jurídicas strictu sensu como as demais leis. Da exegese dessas normas, constatase, diante do caráter recíproco dos tratamentos preferenciais para os países integrantes da ALADI, que a concessão de redução tarifária com base nos requisitos de origem foi formulada justamente para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender a importações de terceiros países não signatários, o tratamento preferencial acordado exclusivamente entre os países membros. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 7 6 Uma leitura acurada dos dispositivos legais que disciplinam o Regime de Origem permite a inferência de que essa vedação tornase evidente e imperativa na medida em que deverá haver uma correspondência entre o certificado de origem e a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro, assegurandose, dessa forma, que a mercadoria submetida ao despacho é a mesma objeto da certificação e que a operação comercial que deu origem à importação se amolda aos princípios pactuados nos acordos, atendendo a seus objetivos. Ressaltese que para fins aduaneiros a fatura comercial comprova a cessão por venda, por parte do vendedor/exportador em favor do adquirente/importador. Sem embargo, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro país nos moldes das operações comerciais efetivamente ocorridas, de que resultaram as importações efetuadas pela empresa autuada, visto que deve estar cristalinamente demonstrado que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, em conformidade com as normas citadas, o paísmembro da ALADI signatário do acordo pactuado, segundo a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem do Acordo 91. Vejase as regras veiculadas nos art. 4º da Resolução ALADI 78: “QUARTO – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta:” (grifei). a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Somente com o com o advento da Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada em nossa legislação pelo Decreto nº 2.865, de 07 de dezembro de 1998, que alterou o Acordo 91, é que veio a ser modificado o regime de origem, passandose a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Como bem registra o auto de infração a triangulação aqui tratada foi anterior a edição da Resolução ALADI 232 e, portanto, não possuía aquela operação amparo legal à época de sua realização, tendo a fiscalização analisado a conformidade das operações em questão com as normas do art. 7º da Resolução ALADI 78, verbis (fls. 07/08 do eprocesso): Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 8 7 ... Em relação à DI n° 000323, constatouse as seguintes irregularidade: a) Exportador situado em pais não signatário da ALADI (fatura que instrui o processo foi emitida pela Petrobrás América Inc., empresa com sede em Houston, Texas, EUA) Norma violada: triangulação comercial sem amparo legal na época de ocorrência do fato gerador (a possibilidade de interveniência de um terceiro pais não signatário do Acordo só passou a ser admitida, sob certas condições, a partir da edição da Resolução n° 232 da ALADI, em 08 de outubro de 1997 Decreto 2.865, de 07/12/1998).:” E esse foi o rumo trilhado pelo aresto paradigma, Acórdão nº 930301.870, de 06/03/2012, que entendeu que tal triangulação antes da vigência da Resolução 232, que se iniciou em 08/12/1998, era indevida, de modo a infirmar a redução de alíquota de importação. Vejase: “Tratase da chamada operação de triangulação, cuja prática é reconhecida e justificada pelo contribuinte, por questões relacionadas à financiamento em moeda estrangeira e ao prazo de pagamento nessas aquisições. Porém, no caso não se aplica a Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865, de 07 de dezembro de 1998, a qual veio permitir a triangulação em seu art. 2º, porque não estava em vigor no Brasil à época da operação, já que a DI foi registrada em 29 de outubro de 1998 e o Decreto nº 2.865, que internalizou a Resolução ALADI nº 232, só entrou vigor posteriormente, por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998. Assim, deve ser afastada a incidência desta Resolução ALADI nº 232 ao caso sob exame, mesmo porque se afigura incabível sua aplicação retroativa.” Concluise, portanto, que, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro país, antes de 08/12/1998, nos moldes das operações comerciais efetivamente ocorridas, de que resultaram as importações efetuadas pela empresa, visto que a empresa domiciliada em terceiro país, Petrobrás América Inc, não é um operador, como é permitido pela legislação, mas sim o próprio exportador. Verificase que essa transação comercial terminou contemplando um terceiro país exportador, no caso, EUA, que, como já dito, sequer é parte do referido Acordo, situação que afasta a aplicação da redução tarifária como requerida. Deveras, é de ser provido o Especial da Fazenda. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda para manter a cobrança do Imposto de Importação em relação à DI 000323, registrada em 19/09/1996. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 9303007.345 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.727784/2015-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2013
ACUSAÇÃO FISCAL. ERRO INEXISTENTE.
A opção feita pelo regime de apuração anual, afasta o alegado equivoco supostamente cometido pela acusação fiscal, de maneira que não resta nulidade a ser sanada, perfeitamente válidos os Autos de Infração com base na apuração ANUAL, principalmente diante do comportamento contraditório adotado pelo contribuinte.
DECADÊNCIA. REGRA GERAL E REGRA ESPECIAL DO CÔMPUTO DO PRAZO. APLICAÇÃO.
Se constatada a prova da ocorrência de dolo, fraude e simulação afasta-se a regra especial do cômputo do prazo decadencial (que visa a homologação apenas das condutas corretas do contribuinte), aplicando-se a regra geral do art. 173, I, do CTN.
Por outro lado, em caso de afastamento das hipótese de dolo, sonegação e conluio, o prazo especial da contagem do prazo decadencial só será aplicado tão somente se houver prova do recolhimento antecipado referente aos tributos lançados por homologação. Não sendo efetuado qualquer recolhimento tempestivo, a regra aplicável é a geral.
IRPJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
PIS E COFINS - REGIME NÃO CUMULATIVO
As receitas apontadas como omitidas foram apuradas com o uso de presunção legal e não correspondem a nenhuma das exceções ao regime não cumulativo previsto na legislação. Aliás, como a própria DRJ reconhece no parágrafo 5.56 note-se que não é possível identificar nos autos, de forma positiva e factível, a quê se referiram todos os valores constantes da base de cálculo do tributo lançado
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO.
A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico tributária.
A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado.
A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I), e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídico tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação ( RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC).
Numero da decisão: 1401-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade, afastar a alegação de decadência das exigências relativas ao IRPJ e CSLL e superar às relativas ao PIS e à COFINS haja vista a improcedência dos respectivos lançamentos. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos os valores demonstrados como redução de saldo negativo e plano de previdência privada, e a exigência relativa ao PIS e à COFINS, por erro na fundamentação legal, ainda, afastar a responsabilidade do solidário. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencida a conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ERRO INEXISTENTE. A opção feita pelo regime de apuração anual, afasta o alegado equivoco supostamente cometido pela acusação fiscal, de maneira que não resta nulidade a ser sanada, perfeitamente válidos os Autos de Infração com base na apuração ANUAL, principalmente diante do comportamento contraditório adotado pelo contribuinte. DECADÊNCIA. REGRA GERAL E REGRA ESPECIAL DO CÔMPUTO DO PRAZO. APLICAÇÃO. Se constatada a prova da ocorrência de dolo, fraude e simulação afastase a regra especial do cômputo do prazo decadencial (que visa a homologação apenas das condutas corretas do contribuinte), aplicandose a regra geral do art. 173, I, do CTN. Por outro lado, em caso de afastamento das hipótese de dolo, sonegação e conluio, o prazo especial da contagem do prazo decadencial só será aplicado tão somente se houver prova do recolhimento antecipado referente aos tributos lançados por homologação. Não sendo efetuado qualquer recolhimento tempestivo, a regra aplicável é a geral. IRPJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 77 84 /2 01 5- 64 Fl. 1022DF CARF MF 2 PIS E COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO As receitas apontadas como omitidas foram apuradas com o uso de presunção legal e não correspondem a nenhuma das exceções ao regime não cumulativo previsto na legislação. Aliás, como a própria DRJ reconhece no parágrafo 5.56 notese que não é possível identificar nos autos, de forma positiva e factível, a quê se referiram todos os valores constantes da base de cálculo do tributo lançado MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico tributária. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I), e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídico tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação ( RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade, afastar a alegação de decadência das exigências relativas ao IRPJ e CSLL e superar às relativas ao PIS e à COFINS haja vista a improcedência dos respectivos lançamentos. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos os valores demonstrados como redução de Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.023 3 saldo negativo e plano de previdência privada, e a exigência relativa ao PIS e à COFINS, por erro na fundamentação legal, ainda, afastar a responsabilidade do solidário. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencida a conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 1668.102 4ª Turma da DRJ/SPO que por unanimidade de, julgou PROCEDENTE EM PARTE a Manifestação de Inconformidade. Houve também recurso de ofício em razão da desoneração correspondente a desqualificação da multa de ofício. Tratase de lançamento tributário relativo a fatos geradores referentes aos anoscalendários 2010 e 2011, efetuado sob a circunscrição da DRF/BRASÍLIA, pelo qual constituíramse créditos tributários, acrescidos de multa proporcional qualificada, e juros de mora calculados até 12/2015, com ciência pessoal do Contribuinte e responsável tributário passivo Gércio Marcelino Mendonça Júnior, sócio autuado por “interesse” na situação que constituiu o fato gerador, tendo atuado ostensivamente na materialização das irregularidades que culminaram com a falta de recolhimento dos tributos. Por bem descrever os fatos ocorridos até o momento em que foi proferida, transcrevo em parte o relatório da decisão recorrida, naquilo que interessa a solução da lide. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA (fls. 311/328)) Fl. 1024DF CARF MF 4 2. A presente fiscalização decorreu dos trabalhos da operação Ararath1, e foi instaurada em face da autuada com o objetivo de apurar omissão de rendimentos em razão de incompatibilidade entre movimentação financeira e receitas declaradas em DIPJ, nos anoscalendários 2010 a 2013, e pagamentos a beneficiários não identificados/sem causa ou por Operação não comprovada. 2.1 Depois de analisadas/conciliadas as informações dos extratos bancários, o contribuinte foi intimado a comprovar a motivação e origem dos créditos/débitos bancários relacionados na planilha TIF COML AMAZONIA (TIF 022016 item 19 fl. 315). Em resposta, alegou que a escrituração mantém o regime de conta corrente, controlando apenas saldos, motivos pelo qual não há uma vinculação de débito e crédito individualizada; que não mantinha cópia de cheques já compensados, ou comprovantes de operações realizadas eletronicamente. 2.2 Em relação aos créditos/débitos bancários, o contribuinte segregou os valores os quais alegou serem mútuos com o sócio Gércio Marcelino Mendonça Jr., não apresentando, contudo, provas documentais das alegadas operações (como contrato, prazos, encargos, garantias e comprovante das transferências das operações). Alegou não possuir documentos sobre os mútuos, pois seriam operações tácitas, não onerosas, e de prazo indeterminado, razão pelas quais as operações foram realizadas apenas por comando eletrônico, mas que foram declaradas na contabilidade e na declaração da pessoa física – item 22, pg 316. Apresentou, em relação aos mútuos, uma planilha contendo as entradas e saídas dos valores. 2.3 Na falta de apresentação das provas documentais, a fiscalização considerou todos os lançamentos bancários a crédito como omissão de receita por presunção legal, com base no art. 42 da Lei n. 9.430/96 (nos anos de 2010 e 2011); bem como considerou pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado os lançamentos bancários a débito, ante a falta de vinculação e comprovação documental com qualquer pagamento ou entrega de recursos a terceiros com os quais a empresa mantinha atividade ligada a seu objeto social – fl. 317. 2.4 Acrescentese, também, a falta de apresentação de comprovantes da causa e os respectivos beneficiários dos supostos empréstimos ou mútuos escriturados na conta contábil 1.2.3 Empréstimos a sócios do livro razão – item 43. [...] 2.5 Quanto à multa qualificada, alegou a fiscalização que o contribuinte, em tese, cometeu sonegação, dolo e fraude em todo o período fiscalizado, pois de forma intencional e sem justificativa não declarou os tributos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou o crédito correspondente. [...] 2.6 O sr. Gercio Marcelino Mendonça Júnior, conforme denúncia do MPF da Operação Ararath, era o operador financeiro do grupo político do Estado do Mato Grosso e efetuada uma grande movimentação financeira através de suas empresas, principalmente a autuada, para efetuar os pagamentos as PF e PJ do esquema. E toda a movimentação financeira promovida pela autuada foi contabilizada como “operação mútuo júnior”, com o intuito de fraudar o fisco, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, as características do FG da obrigação principal. [...] 2.7 Foi estabelecida a multa qualificada, nos termos da legislação vigente, por ter entendido a fiscalização. 2.8 Ao sr. Gercio (por ser sócio administrador exclusivo da autuada) foi imputada responsabilidade tributária passiva, nos termos do art. 124, I do CTN, entendendo que a conduta da autuada de não declarar tributos e não comprovar a documentalmente a movimentação bancária caracterizaria o interesse da pessoa física, atuando ostensivamente na materialização de irregularidades que resultaram na falta de recolhimento dos tributos incidentes, bem como pelo fato de o mesmo ser o sócio administrador. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.024 5 3. A autuada e o imputado responsável tributário passivo tomaram ciência dos Autos de Infração em 28/12/2015 (fl. 459) apresentando em 26/01/2016 a Impugnação de fls. 468/529, e anexos de fls. 530/843, alegando, sem síntese o que se segue: Nulidade Absoluta do Auto de InfraçãoAI – alegou a nulidade do AI pela inobservância de motivos fáticos e de direitos, a saber: a) decadência – consoante art. 156, VI, c/c art. 150, §4º, do CTN, os débitos de janeiro/2010 a dezembro/2011 estariam extintos, pois somente em junho/2015 (mais de 05 anos da ocorrência do fato gerador) foram constituídos definitivamente com a notificação do sujeito (TIPF); Apresenta julgado sobre o tema. O Impugnante apurou o imposto, entregou as competentes declarações e efetuou recolhimento dos valores apurados. Desse modo, forçoso se reconhecer a ocorrência da extinção dos créditos tributários ora impugnados, nos termos do art. 150, § 4ª , c/c art. 156, V, todos do CTN. b) Da Tributação Reflexa O fisco se fundamenta na exigência do IRPJ decorrente de omissão de receita para efetuar a tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS). Ocorre que, pela lógica processual, quando for cancelada a tributação principal, cancelarseá também a decorrente. A decadência da tributação principal afeta a tributação reflexa, porque o acessório segue a sorte do principal, tendo o nosso sistema jurídica acatado definitivamente tal regra. Se não há incidência do IR não há que se falar em tributação reflexa. Apresenta jurisprudência sobre o tema (fls. 500/501). c) Da impossibilidade de quebra de sigilo de dados sem autorização judicial – alegou que a autuação baseouse em informações fornecidas pelo MPF, decorrente da operação Ararath – IP 182/2012, praticandose um ato ilegal e sem qualquer respaldo jurídico – fl. 514 e ss; o afastamento do sigilo de dados particulares por parte do fisco prescinde de prévia autorização judicial, sob pena de constituírem prova ilícita desprovida de qualquer validade jurídica, devendo ser declarada nula, seja na esfera administrativa ou judicial; O sigilo das informações bancárias encontra guarida sob o manto do art. 5º, X, da CF88. O STF já se manifestou acerca do sigilo de dados, em importante julgamento do Recurso Extraordinário 398.808/PR, consagrando o entendimento de que o sigilo de dados é espécie de direito à privacidade, inerente à personalidade das pessoas, protegido constitucionamente. Em vista de tal decisão, em que foi dada interpretação conforme a Constituição à Lei n. 9.311/96, à LC 105/1001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, para determinar a impossibilidade de afastarse o sigilo bancário da pessoa natural ou jurídica sem autorização judicial, é nula a fiscalização que quebra sigilo sem ordem judicial. Fl. 1026DF CARF MF 6 d) discrepância entre enunciado do lançamento e provas O IRPJ deve incidir apenas sobre renda ou ganhos que representem aumento de patrimônio; o ilustre fiscal tributou também débitos/saques/retiradas havidos nas contas bancárias, através do IRRF. Porém, toda a movimentação bancária teria origem comprovada, afastando a presunção legal. As operações (de entrada e saída) foram amplamente detalhadasApresenta julgado sobre o tema. O Impugnante apurou o imposto, entregou as competentes declarações e efetuou recolhimento dos valores apurados. Desse modo, forçoso se reconhecer a ocorrência da extinção dos créditos tributários ora impugnados, nos termos do art. 150, § 4ª , c/c art. 156, V, todos do CTN. b) Da Tributação Reflexa O fisco se fundamenta na exigência do IRPJ decorrente de omissão de receita para efetuar a tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS). Ocorre que, pela lógica processual, quando for cancelada a tributação principal, cancelarseá também a decorrente. A decadência da tributação principal afeta a tributação reflexa, porque o acessório segue a sorte do principal, tendo o nosso sistema jurídica acatado definitivamente tal regra. Se não há incidência do IR não há que se falar em tributação reflexa. Apresenta jurisprudência sobre o tema (fls. 500/501). c) Da impossibilidade de quebra de sigilo de dados sem autorização judicial – alegou que a autuação baseouse em informações fornecidas pelo MPF, decorrente da operação Ararath – IP 182/2012, praticandose um ato ilegal e sem qualquer respaldo jurídico – fl. 514 e ss; o afastamento do sigilo de dados particulares por parte dofisco prescinde de prévia autorização judicial, sob pena de constituírem prova ilícita desprovida de qualquer validade jurídica, devendo ser declarada nula, seja na esfera administrativa ou judicial; O sigilo das informações bancárias encontra guarida sob o manto do art. 5º, X, da CF88. O STF já se manifestou acerca do sigilo de dados, em importante julgamento do Recurso Extraordinário 398.808/PR, consagrando o entendimento de que o sigilo de dados é espécie de direito à privacidade, inerente à personalidade das pessoas, protegido constitucionamente. Em vista de tal decisão, em que foi dada interpretação conforme a Constituição à Lei n. 9.311/96, à LC 105/1001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, para determinar a impossibilidade de afastarse o sigilo bancário da pessoa natural ou jurídica sem autorização judicial, é nula a fiscalização que quebra sigilo sem ordem judicial. d) discrepância entre enunciado do lançamento e provas O IRPJ deve incidir apenas sobre renda ou ganhos que representem aumento de patrimônio; o ilustre fiscal tributou também débitos/saques/retiradas havidos nas contas bancárias, através do IRRF. Porém, toda a movimentação bancária teria origem comprovada, afastando a presunção legal. As operações (de entrada e saída) foram amplamente detalhadasjunto ao MPF e fizeram parte do acordo de delação premiada homologado pela Justiça Federal de Mato Grosso; e) diversas operações foram referentes a recebimentos de valores relativos ao contrato de promessa de compra e venda mercantil com licença de uso de marca, firmado com a Petrobrás Distribuidora S.A., já declaradas, tendo sido recolhido o Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.025 7 respectivo tributo, através do ajuste anual (DIRPF); os depósitos estão identificados pelo próprio fiscal no AI; tais valores já foram levados à tributação pela Impugnante quando da entrega de sua DIPJ. O contrato firmado e os extratos bancários com a correta identificação da fonte pagadora são provas robustas da origem do recebimento/operação comercial havida entre as partes. f) Alegou, também, que a maioria das operações referemse a MÚTUOS contraídos, inclusivamente com o recolhimento de IOF, o que exclui da hipótese de incidência do IRPJ; os depoimentos prestados no MPF foram anteriores ao início da fiscalização, e comprovam os mútuos realizados e a forma como se davam – fl. 477; É comum no meio empresarial a operação de mútuo entre PJs ou entre PJ e PF (empresa e seus sócios), bem como entre PFs. Grande parte da autuação são provenientes dos contratos tácitos de mútuo com a PJ (do qual o Impugnante sr. Gercio é sócio), e com pessoas físicas, com a efetiva comprovação da transferência de valores, mormente, quando a respectiva percepção foi declarada pelas PJ com o recolhimento de IOF. Os mútuos realizados pelo sócio da Impugnante (Gércio) estão detalhadamente descritos e comprovados em seus depoimentos perante o MPF, e que embasaram o acordo de delação premiada, homologada pela justiça federal de Mato Grosso. O sócio da empresa realizava os mútuos com a sua empresa, repassando os valores tomados diretamente as pessoas físicas e jurídicas, indicadas pelos agentes políticos do Estado do Mato Grosso (contas bancárias de terceiros), sendo que, posteriormente, tais valores retornavam diretamente para a conta da empresa Comercial Amazônia de Petróleo, através de depósitos pelas próprias pessoas físicas e jurídicas (terceiros). g) O auditor desconsiderou os empréstimos de Mútuo entre a Comercial Amazônia e seu sócio Gércio Marcelino), conforme constam dos extrados bancários,configurando em dupla tributação, na medida em que o contribuinte recolherá sobre a mesma operação valores relativos ao IRPF e IOF (os créditos foram relacionados às fls. 484/494 da Impugnação). Esclarece que boa parte dos valores relativos ao cumprimento do contrato de mútuo e empréstimos fora realizado por meio de entrega de numerário em espécie, que somente mediante perícia contábil será possível comprovar sua origem e idoneidade. Apresenta julgados administrativos às fls. 496/498. Requer a nulidade absoluta do auto de infração. Ainda, o Impugnante Gérgio Marcelino recebeu na conta bancária de sua empresa (Comercial Amazônia) receitas decorrentes da distribuição de lucros da empresa da qual era sócio (Globo Fomento Ltda). Os extratos bancários apresentados pelo sr. Fiscal comprovam a origem dos recursos, que já foram tributados quando da apresentação da DIPJ daquela empresa (os lançamentos bancários foram relacionados à fl. 494 dos autos). Alega que os valores não se configuram renda ou proventos de qualquer natureza, tratandose de recomposição do patrimônio. Fl. 1028DF CARF MF 8 Apresenta julgados de fls. 495/496. h) não há dolo (como afirmado pela fiscalização), sendo inaplicável a multa qualificada, até porque os eventuais crimes praticados pelo Impugnante foram objeto de acordo de Delação Premiada firmada perante o MPF e homologado pela Justiça Federal. Devese provar e não apenas declarar a existência do elemento subjetivo (dolo – vontade livre e consciente de produzir o resultado). A ocorrência de fraude não se presume da presunção de omissão de rendimentos, pois seria um absurdo jurídico a presunção da presunção. O auto de infração deve especificar qual das três condutas (sonegação, fraude e conluio) foi empregada no caso concreto, bem como exibir as provas respectivas, porquanto os conceitos normativos de sonegação, fraude e conluio não podem ser permutados pelo aplicador da lei, em face do princípio da estrita legalidade e na exigência de decisão com base na verdade material. Alegou, também, a natureza confiscatória das penalidades (apresentando posições doutrinárias a respeito), requerendo sua redução ao patamar de 2% sobre o valor das operações. i) inexiste solidariedade passiva do sócio pois não há dolo (vontade livre e consciente de produzir o resultado) com intenção de sonegar, fraudar e/ou conluio em relação às omitidas suas receitas. A fiscalização entendeu que o sr. Gércio teria o intuito de impedir ou retardar o conhecimento, pela Administração, das receitas apuradas na atividade empresarial nos anos de 2010 e 2011. Não basta que o fisco apenas inclua seu nome na atuação, é preciso confirmar a existência do débito, e que se aponte o fato gerador da responsabilidade do co obrigado. A empresa impugnante justificou toda a sua movimentação financeira apontada nos extratos bancários, ou seja, seus rendimentos e/ou débitos foram suficientemente justificados, afastando a alegação de sonegação. As operações realizadas pela Impugnante referemse a saídas e créditos de operação de Mútuos devidamente comprovadas, e já declaradas e levadas à tributação, e também em relação às operações com a PETROBRAS, bem como às operações tributadas e declaradas, relativas ao recebimento de prólabore, lucros e juros sobre capital próprio e dividendos. No que tange à responsabilidade tributária pessoal dos sócios pelos débitos da pessoa jurídica, é necessário observar a aplicação do artigo 135 do CTN, visto que a responsabilidade pessoal desse dispositivo não é objetiva, mas subordinada à pratica culposa ou dolosa de atos abusivos ou, ainda, em violação de lei ou contrato social. Assim, conforme já exposto, devese interpretar sistemativamente o “caput” do referido artigo, o que limita a responsabilidade dos sócios ou diretores aos “atos praticados com excesso ou infração de lei, contrato social ou estatuto”. Menciona precedentes do STJ – fl. 507. Ainda que assim não fosse, o que se admite ad argumentandum, a regra do art. 135, III não tem aplicação porque a responsabilidade pessoal é medida excepcional e depende de demonstração de comportamento doloso ou fraudulento, consistente em atos praticados com excesso de poder, infração à lei ou estatuto, o que não houve no caso. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.026 9 A responsabilidade do sócio deve ser decorrente não só do inadimplemento por impossibilidade econômicofinanceira da sociedade, mas desse fato conjugado com a circunstância de ter praticado ilegalidade, fraude ou abuso de poder que deve ficar regulamente comprovada. Apresenta doutrina e julgados (fls. 508/510). Desta forma, a autuação deve se voltar exclusivamente contra a pessoa jurídica, posto ser esta a devedora do tributo em questão, até seu exaurimento, excluindose do pólo passivo o sócio da empresa. O art. 134 do CTN é claro ao prescrever que apenas nos casos de impossibilidade do cumprimento da obrigação é que se cobraria o responsável. j) Impossibilidade de presunção no ato administrativo de lançamento – súmula 182 do TRF – fl. 502 – alegação de vício insanável. O fisco não pode presumir a ocorrência do FG uma vez que a atividade de lançamento é vinculada, correndo o risco de se violarem as disposições do art. 142 do CTN. A simples consideração dos depósitos bancários não serve para demonstrar a incidência de renda tributável, podendo a movimentação financeira escapar complemente à hipótese de incidência do imposto de renda. Somente quando se estiver diante de alteração do patrimônio que representa um acréscimo ao mesmo é que se estará diante do fato jurídico tributário ensejador do IRPJ. Segundo a súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, “é ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. Apresenta jurisprudência e doutrina sobre o tema – fls. 504/505. k) Da necessidade de perícia – somente através da prova pericial é que se conseguirá esclarecer a tese apresentada, afastandose por completo os fundamentos ensejadores da combatida ação fiscal e, conseqüentemente da nulidade do crédito; Não há outro meio de se atender ao princípio da ampla defesa, sendo que a prova a ser produzida depende de conhecimento técnico específico na área contábil. Apreciada a impugnação, após afastada a preliminar de decadência por envolver análise questão constitucional alheia a competência da DRJ, o lançamento foi mantido em parte para por maioria reduzir o percentual da multa de oficio de 150% para 75% e por unanimidade rejeitar as preliminares de decadência e nulidade e rejeitar o pedido de perícia, para no mérito manter a exigência fiscal nos valores principais originais a saber: IRPJ (R$ 5.391.981,91), CSLL (R$ 1.958.393,49), COFINS (R$ 652.797,79), PIS (R$ 141.439,39) e IRRF (R$ 9669.695,72), acrescidos da multa de 75% e juros de mora. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário apontando preliminar de nulidade da atuação, segundo o argumento de que não podem ser validados os Autos de Infração com base na apuração ANUAL, quando há prova de que o contribuinte fez OPÇÃO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL; No mérito defende a improcedência da autuação considerado que: Fl. 1030DF CARF MF 10 a) a fiscalização autuou fatos jurídicos que já estavam abrangidos pela decadência; b) os fatos alegados pela Fiscalização na elaboração do presente ato administrativo de lançamento são inexistentes, na medida em que toda sua movimentação bancária relacionada ao período autuado tem sua origem suficientemente comprovada na própria escrituração contábil que foi validada pelo Fisco; c) o acórdão se mostrou completamente omisso a comprovação dos valores recebidos e pagos pela Recorrente, razão pela qual deve se acolher a preliminar alegada no presente recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ para que esta aprecie as demais matérias articuladas na impugnação, essenciais ao julgamento do litígio; d) desconsiderou a comprovação de que as operações realizadas pela Recorrente referemse em sua grande maioria a créditos de MÚTUOS contraídos, inclusive com o recolhimento do IOF por essas operações junto ao Fisco, fatos que estão excluídos da hipótese de incidência do Imposto de Renda; e) As operações de saídas e entradas que se referem aos MÚTUOS contraídos por seu sócio foram amplamente detalhadas junto ao MPF e fizeram parte do acordo de delação premiada homologado pela Justiça Federal de Mato Grosso, completamente desconsideradas pela DRJ; f) diversas operações (créditos em conta corrente) referemse ao recebimento de valores relativos ao Contrato de Promessa de Compra e Venda Mercantil com licença de uso de marca firmado com a empresa Petrobrás Distribuidora S.A, já declaradas e que o tributo foi efetivamente recolhido através do ajuste anual (DIRPF). Esses documentos estão nos autos e foram ignorados pela DRJ, requerendo ponderado exame dessa Turma do CARF, até mesmo com a cautela para que sejam avaliados em procedimento de diligência fiscal, pleiteada ao final deste recurso; g) foram tributadas operações relativas ao recebimento de prólabore, lucros, juros sobre capital próprio e dividendos já devidamente declarados e tributados, demonstrações essas que também foram ignoradas pela DRJ e que precisam ser avaliadas, ainda que em diligência, para que não se consume o condenado cerceamento ao direito de defesa; h) inexiste solidariedade passiva do sócio da Recorrente, ou seja, há contradição ao aplicar o art. 124 do CTN que pressupõe o interesse jurídico na prática do fato gerador (e não o econômico como aponta a DRJ). Além disso, não há dolo (vontade livre e consciente de produzir o resultado) com intenção de sonegar, fraudar e/ou conluio para omitir suas receitas. i) as operações da Recorrente devem ser consideradas como sendo de fomento mercantil, aplicando o fator Anfac para arbitramento do lucro uma vez que o conjunto probatório indica que os depósitos bancários não decorrem da operação de venda de combustível; j) se correta a premissa sobre o volume de receita omitida e dos pagamentos sem causa, a contabilidade era imprestável o que levaria necessariamente ao arbitramento dos lucros. k) a identificação dos pagamentos destinados ao grupo político investigado pela Operação Ararath (fato incontroverso), não havendo que se falar em tributação do IR como “pagamento sem causa”. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.027 11 A despeito de já desqualificada pela DRJ, é preciso insistir no erro de direito que ocorreu na aplicação da exorbitante multa qualificada de 150% por infrações que não existiram. O Responsável solidário também apresentou Recurso Voluntário, onde defende estarem provadas as origens dos depósitos e os destinos dos depósitos conforme depoimentos colhidos pelo Ministério Público em acordos de delação premiada, devendo ser afastada a sua responsabilização. É o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Os recursos são tempestivos e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de "nulidade" por erro na acusação fiscal: Conforme anota a recorrente, o Auto de Infração e Imposição de Multa é o documento elaborado pela fiscalização que vai fazer o lançamento do fato gerador do tributo não pago e impor penalidade sobre essas quantias. Para tanto deve indicar os fundamentos de fato, ou seja, os motivos reais que ensejaram a sua prática, bem como os fundamentos de direito, que é o completo e correto enquadramento legal aplicável a essa cobrança tributária. Nesse contexto, observase que a própria decisão de piso reconhece uma incoerência entre a forma de apuração que havia sido adotada pelo contribuinte na apuração do lucro real e a posteriormente consignada pela fiscalização quando refez a apuração também pelo lucro real para considerar os depósitos bancários omitidos presumidos receitas, contudo adotando sistemática diversa daquela que originariamente havia sido eleita pela Recorrente, ou seja, enquanto a recorrente havia optado pela apuração do lucro real pela apuração trimestral, a fiscalização refez a contabilidade, mas adotando apuração anual. Na intenção de demonstrar a incoerência que segundo a Recorrente levaria a nulidade da autuação, destaca do acórdão recorrido o seguinte trecho: 5.65 Notese que há uma incoerência entre as informações constantes da DIPJ e os recolhimentos referentes ao IRPJ (cód. 3373 – IRPJ – PJ não obrigada ao lucro real) e CSLL (cód. 6012 – CSLL – Lucro Real Trimestral), vez que tais recolhimentos referemse à apuração trimestral, enquanto que a DIPJ informa apuração pela sistemática anual. Outrossim, ainda que não houvesse tal discrepância, os sistemas da RFB mostram que os recolhimentos relativos a períodos de apuração de 2010 foram efetuados apenas no ano de 2011, conforme as áreas achuradas, abaixo, relativas às datas de arrecadação (que é seguida pela data de vencimento – não achurada): Como demonstrado pela Recorrente, o código de DARF 3373 está assim relacionado pela própria Secretaria da Receita Federal: Código Descrição Fl. 1032DF CARF MF 12 3373 IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL Com isso, tendo a pessoa jurídica realizado seu primeiro recolhimento do IRPJ mediante DARF com esse código 3373, fez a sua opção pela regra geral de tributação que é o regime TRIMESTRAL de apuração, opção essa que a lei considera irretratável para o referido ano calendário. Contudo, verificase que na entrega da DIPJ relativa ao período fiscalizado (fls.) a Recorrente não confirma a opção pela apuração trimestral, pois ao contrário do por ela defendido em sede de recurso, sua opção é feita pelo regime de apuração anual, o que afasta o alegado equivoco supostamente cometido pela acusação fiscal, de maneira que não resta nulidade a ser sanada quanto a este ponto, restando perfeitamente válidos os Autos de Infração com base na apuração ANUAL, principalmente diante do comportamento contraditório adotado pelo contribuinte. Decadência. Aponta a recorrente que crédito tributário é relativo a depósitos e saques supostamente não justificados no período de Janeiro/2010 a Dezembro/2011, que somente foram constituídos definitivamente com a notificação do sujeito passivo em 28/12/2015. Neste caso, uma vez decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, sem que o Fisco tenha se pronunciado a respeito de eventuais diferenças relacionadas ao lançamento por homologação realizado pelo contribuinte, essas diferenças se encontram extintas, não podendo mais ser lançadas. Assim, defende a recorrente que de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para homologar, de forma expressa ou tácita, o lançamento por homologação efetuado pelo contribuinte, sendo que o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador do tributo sujeito a lançamento por homologação. Isto porque, estáse diante de débitos relativos aos meses de Janeiro/2010 a Dezembro/2011, que somente em dezembro/2015 (mais de 05 anos da ocorrência do fato gerador) foram constituídos definitivamente, com a notificação do sujeito passivo. De maneira que segundo seu raciocínio, na data em que o fisco efetuou o lançamento, já havia ocorrido a homologação tácita da norma individual e concreta expedida pelo particular e declarado extinto o crédito tributário. Contudo, conforme acórdão recorrido, considerando que no ano de 2010 o contribuinte optou pela sistemática do lucro real anual, com antecipações mensais por estimativa (conforme consta de sua DIPJ – fl. 96), foram verificados, junto aos sistemas da RFB, os recolhimentos efetuados naquele anocalendário, tendo constatados pagamentos apenas em 31/01/2011, após a entrega da DIPJ ano calendário 2010, com opção pela apuração anual, razão pela qual foi afastada a alegação da decadência. Em relação ao PIS e COFINS monofásico na cadeia anterior, deixo de analisar a preliminar de decadência, pois no mérito o lançamento será considerado improcedente. Mérito. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.028 13 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL ILEGALIDADE. A empresa inicia seu recurso questionando juntamente a impossibilidade de inversão do ônus da prova com imputação ao contribuinte do ônus de demonstrar a origem dos depósitos bancários localizados em suas contas, sob pena de presumilos com renda, quando argumenta o caberia a fiscalização o dever legal de comprovar a existência de renda omitida a justificar a autuação. Já está pacificado nesse Conselho que o lançamento baseado no art. 42, da Lei nº 9.430/96, e que é legítimo o lançamento com base na presunção legal por ele instituída, desde que seguidos os procedimentos impostos no dispositivo: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996).(CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202002.207.Rel. Rafael Pandolfo. Julg. 12/03/13) A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Omissão de Receitas. Durante todo o processo e de forma reiterada em recurso voluntário, a recorrente arguiu e traz indícios de que as operações (ingressos e saídas de valores) objeto de tributação pelos autos de infração ora questionados decorrem em regra de empréstimos (mútuos) em operações indicadas pelos sócios da empresa autuada. Nesse contexto, embora a ação fiscal tenha sido iniciada em decorrência da investigação da operação ARARATH desenvolvida pelo Ministério Público Federal (MPF), as informações contidas nos depoimentos dos envolvidos na operação, prestados ao MPF, foram desconsiderados pela autoridade autuante que entendeu não haver provas das operações financeiras da ora Recorrente, situação confirmada pela DRJ. As informações prestadas nos depoimentos colhidos pelo MPF, segundo a recorrente seriam mais do que suficientes para demonstrar a real natureza de grande parte das operações na medida em que seus intervenientes atestam qual o negócio jurídico entabulado e a sua causa. Isto porque, observase que os mútuos realizados pelo Sr. Gércio Marcelino Mendonça Júnior (operação realizada pela pessoa física, com recursos tomados junto à empresa ora Recorrente) teriam sido detalhadamente descritos e comprovados em seus Fl. 1034DF CARF MF 14 depoimentos perante o MPF e embasaram o acordo de delação premiada homologado pela Justiça Federal do Mato Grosso. O mútuo, confirmado e validado na delação pelas autoridades que conduziram o inquérito e investigaram as operações, não pode ser transformado POR PRESUNÇÃO em pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Referidos documentos, segundo a recorrente seriam prova robustas de que Gercio Marcelino Mendonça Junior realizava os mútuos EXCLUSIVAMENTE com sua empresa (Comercial Amazônia de Petróleo), repassando os valores tomados diretamente as pessoas Físicas e Jurídicas indicadas pelos agentes políticos do Estado de Mato Grosso (contas bancárias de terceiros). Posteriormente tais valores retornavam DIRETAMENTE para a conta da empresa Comercial Amazônia de Petróleo através de depósitos realizados pelas próprias pessoas Físicas e Jurídicas (terceiros). Dos depoimentos prestados, extraise que todas as operações de Mútuo realizadas pelo Sr. Gercio Marcelino Junior, tinham como destino atender ao Grupo Político objeto de investigação pela operação Ararath. O depoimento do Recorrente, aponta a ORIGEM e DESTINO de recursos financeiros: “Depoimento prestado no dia 25/02/2014: (...) QUE o Depoente foi procurado por SILVAL BARBOSA pessoalmente no escritório do Depoente localizado na cidade de Várzea Grande, na sede da GLOBO FOMENTO, (...) que DOIS DIAS DEPOIS, APÓS O PRIMEIRO CONTATO, O Depoente recebeu novamente em seu escritório em Várzea Grande o Vice Governador SILVAL BARBOSA, momento em que entregou pessoalmente vários cheques por meio do Banco Bradesco, (...), na Conta Corrente nº 65400 e 64595, ambas da Agência 1263, Banco Bradesco – 237; (...) QUE o Depoente repassou parte do primeiro TED nº 8200153 de 25/03/2009 da Conta Corrente nº 645958, Banco Bradesco, (...) Que o depoente emitiu inúmeros cheques da conta corrente nº 80800, Agência 1263, Banco Bradesco. Em nome de COMERCIAL AMAZÔNIA DE PRETRÓLEO LTDA de propriedade do Depoente; QUE não foi dado nenhum título de crédito como forma de garantia do empréstimo (...); QUE os cheques compensados em 04/10/2010 na conta corrente 808008 indicada acima foram emitidos para execução do empréstimo, (...). QUE o depoente declara que a sequência de cheques compensados de 04/10/2010 a 29/10/2010 (nºs 628 a 732) foram utilizados para realização de empréstimo (“...);”. Que outro pagamento feito pelo grupo acima referido, por intermédio da ENCOMIND, na data de 19/04/2010, mediante uma só transferência no 4 valor de R$ 6.570.000,00 (seis milhões, quinhentos e setenta mil reais), na conta corrente 80800, Agência 80800, Agência 263, Banco Bradesco, da Comercial Amazônia Petróleo Ltda; (...). Realmente estão nos autos os documentos dessa operação e, a despeito de estar confirmada e comprovada a origem desse valor de R$ 6.570.000,00 (ENCOMIND), permanecendo esse significativo valor indevidamente tributado como “depósito sem origem comprovada”, conclusão que se revela simplista e contraditória por afrontar a prova dos autos, merecendo a devida ponderação pela Turma de Julgamento, ainda que mediante avaliação em Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.029 15 procedimento de diligência, para que não se consume o condenado cerceamento ao direito de defesa. Feito esse necessário registro, voltase ao Depoimento que é esclarecedor da origem de outros significativos valores: Reconhece que a transferência de R$ 2.485.000,00 (dois milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil reais) feita pela TODESCHINI em favor da COMERCIAL AMAZÔNIA; (...). Que registrava como ‘EMPRÉSTIMO JÚNIOR MENDONÇA’ para fins de apresentação ao escritório de contabilidade; (...). Que o Declarante esclarece que todos os empréstimos realizados utilizandose da C/C 808008, Agência 1263, Banco Bradesco, Comercial Amazônia de Petróleo, foram concedidos pela pessoa física do Declarante, uma vez que retirava esse dinheiro da Comercial Amazônia a título de antecipação de lucro e o próprio Declarante, na condição de pessoa física, concedia os empréstimos; que o Declarante nunca se utilizou da estrutura da Comercial Amazônia de Petróleo para concessão de empréstimos, vez que as quantias emprestadas tem como origem o lucro obtido com a atividade empresarial de comércio de combustível; “Depoimento prestado no dia 27/02/2014: (...) além de pedir para usar a empresa Comercial Amazônia de Petróleo para fins de solicitação de empréstimo perante o Banco Bic; (...) e que os valores incluem os valores emprestados pelo Depoente a EDER MORAES, bem como os valores fornecidos a este e que foram obtidos mediante empréstimo tomado pela Comercial Amazônia no interesse e a pedido de EDER MORAES (...), que o depoente foi até o apartamento de Chico Galindo, foi recebido por este, tomou um café com este, e entregou um lote de cheques cujo emitente e nominal era a empresa Amazônia Petróleo, contam corrente 80800 do Banco Bradesco, até alcançar a soma de R$ 1.400.000,00; QUE o Depoente afirma que todas as transferências de sua movimentação bancária de suas empresas Globo Fomento e Comercial Amazônia de Petróleo em favor da empresa Brisa Consultoria/Assessoria foram realizadas a pedido e determinação de EDER MORAES; (...) HUMBERTO BOSAIPO já foi até uma das unidades dos postos do Depoente, denominado posto ANAUÊ – Posto Amazônia 7, localizado próximo à “Ponte Nova” que liga a cidade de Cuiabá e Várzea Grande.”. Não há como se afastar a força probante dos depoimentos havidos perante o MPF (também utilizados pelo Fisco para tentar lhe atribuir a condição de sócio de fato da recorrente), prova esta homologada judicialmente através do acordo de delação premiada. No mesmo sentido o empréstimo concedido a empresa MAXPET de propriedade de Joaquim Curvo no valor de R$ 200.000,00 realizado em 25/10/2010. No depoimento prestado ao MPF (Doc. 01) GÉRCIO MARCELINO MENDONÇA JÚIOR aduziu às fls. 6 no que toca à transferência realizada em favor da empresa MAXPET o declarante pontua que concedeu empréstimo, conforme transferência realizada no dia 25.10.2010, da conta 808008, Banco Bradesco, da COMERCIAL AMAZÔNIA DE PETRÓLEO, a quantia de R$ 200.000,00, em favor da MAXPET, e propriedade de Joaquim Curvo; que o empréstimo foi concedido a Joaquim, não sabendo o que ele fez com o dinheiro (...). 6 Fl. 1036DF CARF MF 16 Esses pagamentos, realizados diretamente da conta da Recorrente para a empresa MAXPET, estão no rol de pagamentos sem causa que acompanha o auto de infração de IRRF. Portanto, de acordo com seu raciocínio restaria claro que os depoimentos prestados pelos envolvidos na operação ARARATH são provas da causa das remessas realizadas pela Recorrente assim como justificam e comprovam a origem dos ingressos, objetos dos autos de infração ora combatidos. No entanto, em que pese a fiscalização ter tido acesso a todos os depoimentos que ensejaram a ação fiscal, essas provas foram sumariamente ignoradas na conclusão do auto de infração. Ora, se todo o procedimento fiscal decorre da apuração do MPF as provas obtidas na investigação não podem ser ignoradas. Assim é evidente a validade da prova produzida no IPL oriundo da operação Ararath, dentre eles os inegáveis depoimentos prestados pelo Recorrente e que foram homologados através da delação premiada. Dessa forma, defende a Recorrente que não haveria que se falar em pagamento sem causa, mormente porque através das provas produzidas durante a Operação Ararath, estão minuciosamente identificados os Mútuos realizados pelo sócio da recorrente, para atender ao Grupo político, com a individualização dos valores repassados. Contudo, após considerados os argumentos de defesa, é necessário contextualizálos enquanto elementos probatórios, face ao já apontado pela DRJ, no sentido de que é necessário verificar, especificamente, o conteúdo da alegada prova da origem dos valores, a que se referem os Recorrentes. Quanto a isso, foi mencionado na Impugnação, primeiramente, que houve depoimentos prestados junto ao MPF, anteriores à fiscalização. Tal argumento, por si só, não prospera nessa seara, visto que a prova aqui analisada não são vinculadas àquelas tratadas no âmbito do Ministério Público. De certo, apenas, que o conteúdo das informações lá prestadas, e aqui reiteradas, devem ser devidamente comprovadas, se tiverem ligação direta com os fatos geradores, para que se possa concluir acerca dos efeitos tributários. A fiscalização desconsiderou os valores recebidos da empresa Petrobrás Distribuidora SA, decorrentes do contrato de Promessa de Compra e Venda Mercantil com licença de uso de marca (CNPJ 34.274.233/000102) fl. 479; afirmou que os oconstantes dos extratos bancários, bem como o contrato firmado, seriam provas robustas da origem dos créditos, bem como que os valores teriam sido submetidos à tributação. Sobre a alegação supra, e compulsando os autos, o D. Julgador DRJ verificou que o auditor considerou os valores da tabela acima como sendo de origem não identificada, conforme se verifica das tabelas de fls. 329 e ss, e dos totais das bases de cálculo do lançamento de fls. 247 e ss. Notese, porém, que, ainda que o auditor tenha se referido à Petrobrás como sendo o depositante dos referidos TED, conforme planilhas denominadas “omissão de receita 2010 e 2011”, de fls. 329 e ss, não há como se verificar as provas de tal origem, pois, se houve pagamentos por parte da PETROBRAS à Impugnante COMERCIAL AMAZONAS, deveriam ter ocorrido as respectivas retenções do IR Fonte, devendo ser devidamente registrados na DIPJ da Impugnante (as quais foram anexadas aos autos fls. 95 e ss, bem como fls. 132 e ss, anoscalendários 2010 e 2011, respectivamente), porém, não logrou localizar tais informações nas referidas declarações. Importante se destacar também que, apesar de os Impugnantes terem anexado o contrato com a PETROBRAS (anexado às fls. 547 e ss), firmado em 01/09/2010, alegando ser tal documento prova robusta dos créditos bancários integrantes da BC do lançamento, Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.030 17 verificase nesse referido documento que a autuada é nominada como PROMISSÁRIA – COMPRADORA, ou seja, atuaria como REVENDEDORA, adquirindo produtos da DISTRIBUIDORA de combustíveis (além de obter licença para uso da marca), o que afasta o argumento da suposta prova, pois que não haveria justificativa para ter havido os referidos TED advindos da referida Distribuidora, quando a autuada seria a compradora. Ainda, com referência às alegações de terem havido diversas operações de MÚTUOS, conforme adotado pela DRJ, verificase que o fisco fez as seguintes observações sobre o tema: Não houve provas documentais das alegadas operações (como contrato, prazos, encargos, garantias e comprovante das transferências das operações); Contribuinte alegou não possuir documentos sobre os mútuos, pois seriam operações tácitas, não onerosas, e de pazo indeterminado; e as operações foram realizadas apenas por comando eletrônico Que as operações foram declaradas na contabilidade e na declaração da pessoa física Apresentou planilha contendo as entradas e saídas dos valores. Na falta de apresentação das provas documentais, a fiscalização considerou os lançamentos a crédito como omissão de receita por presunção legal, com base no art. 42 da Lei n. 9.430/96 (nos anos de 2010 e 2011); e considerou os lançamentos bancários a débito como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, ante a falta de vinculação e comprovação com qualquer pagamento ou entrega de recursos a terceiros com os quais a empresa mantinha atividade ligada a seu objeto social; Ausência de comprovantes da causa e os respectivos beneficiários dos supostos empréstimos ou mútuos escriturados na conta contábil 1.2.3 Empréstimos a sócios do livro razão; Conforme bem considerado pela DRJ, para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que haja contrato; segundo, que tal documento possua condições de ateste de sua efetividade, como, por exemplo: a forma escrita; definição do valor mutuado; data da disponibilidade; previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento, assim como deve ser apresentada a prova do pagamento pelo mutuário (e dos juros eventualmente incidentes). No entanto, não houve nada nesse sentido, pelo contrário, o contribuinte alegou, inclusive, não dispor de documentos sobre os mútuos, pois que seriam operações tácitas, não onerosas, e de pazo indeterminado, e que as operações foram realizadas apenas por comando eletrônico, enfraquecendo, portanto a tese defensiva. Sobre as transferências do dia 18/11/2010, nos valores de R$ 81.166,66, R$ 20.553,55; R$ 85.500,00 e R$ 83.333,33] referiramse a parte do pagamento do mútuo, sendo cheques da rede de postos do próprio Aldo Locatelli; [...] Aldo Locatelli repassou ao Declarante “muitos e diversos cheques”, todos com valores pequenos, emitidos por clientes da rede de postos de Aldo; esses cheques representaram a maior parte do valor da dívida; [...] o Declarante não ficou com cópia de qualquer dos cheques [...]; Fl. 1038DF CARF MF 18 que em relação aos depósitos realizados pela empresa AJ CAMINHÕES LTDA, na contacorrente 808008, ag. 1263, Bradesco, da Comercial Amazônia de Petróleo, foram pagamentos efetuados a favor de terceiros que tomaram empréstimos com o Declarante, mas não sabe dizer quem teria sido favorecido (relaciona diversos pagamentos efetuados em 2011 e 2012) – fl. 581; Portanto, em relação às mencionadas declarações, confirmase que não houve por parte dos Impugnantes controle sobre os documentos relacionados aos supostos mútuos. Inclusive, reiterese que já havia sido informado à fiscalização que não havia cópias de cheques compensados e demais comprovantes das operações realizadas eletronicamente, conforme fl. 67. Dando respaldo a confirmação da acusação fiscal, está o próprio pedido de diligência formulado pela Recorrente, no sentido de diligenciar junto as empresas apontadas como remetentes dos valores glosados para que apontem as causas das remessas, visto que ela foi incapaz de demonstras a causa dos referidos depósitos. Isto porque, tais respostas apenas corroborariam a suspeita da autoridade fiscal autuante de que ditos adiantamentos nunca tiveram tal natureza, tanto é que a Recorrente não foi capaz de comprovar, para nenhum deles, quer a devolução quer a destinação dos valores como contrapartida a efetivos serviços. De qualquer forma, comprovar a origem dos recursos não significa apenas identificar o depositante, mas também provar a causa dos recebimentos. No caso, mesmo que o suposto credor tivesse sido identificado como uma empresa do grupo, isso não esclarece sobre a natureza dos recursos e somente documentos hábeis e idôneos trazidos aos autos poderiam elidir a presunção legal de que se trata de receitas. Por se tratar de uma presunção legal, não cabe ao fisco provar o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente a omissão das receitas, sendo este ônus da Recorrente, a qual dele não se desincumbiu, não sendo cabível neste ponto a realização de diligencia par buscar prova da origem para o crédito realizado pela ENCOMIND, na data de 19/04/2010, mediante uma só transferência no valor de R$ 6.570.000,00 (seis milhões, quinhentos e setenta mil reais), na conta corrente 80800, Agência 80800, Agência 263, Banco Bradesco, da Recorrente; ou prova da origem da transferência de R$ 2.485.000,00 (dois milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil reais) feita pela TODESCHINI em favor da Recorrente, ao passo que tais demonstrações deveriam ter sido por ela feitas em momento oportuno. Por outro lado, a Recorrente demonstra que parte dos valores tratados como pagamento sem causa, ou com como omissão de receitas, não representam pagamentos ou ingressos na Recorrente, o que implicaria na precariedade do trabalho fiscal, estando incorretos e devendo ser expurgados dos lançamentos os seguintes valores: Redução de saldo devedor As planilhas de omissão de receitas e de pagamentos sem causa trazem valores que não podem ser considerados receita e muito menos pagamentos sujeitos a incidência de IRRF. A redução de saldo negativo em uma conta bancária não representa ingresso de receita ou saída de numerário. Logo na primeira página da planilha de omissão de receitas é possível identificar o lançamento de 24/03/2010 no valor de R$ 9.381,00 cujo histórico aponta como redução e saldo devedor. Esse mesmo valor, R$ 9.381,00, consta na página 4 da planilha de pagamento sem causa com o mesmo histórico redução de saldo devedor. No dia 19/02/2010 Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.031 19 também há um lançamento de R$ 49.818,87 com o histórico de redução de saldo devedor. Esse mesmo valor, R$ 49.818,87, consta na página 3 da planilha de pagamento sem causa com o mesmo histórico redução de saldo devedor. No dia 10/09//2010 também há um lançamento de R$ 61.752,70 com o histórico de redução de saldo devedor. Esse mesmo valor, R$ 61.752,70, consta na página 4 da planilha de pagamento sem causa com o mesmo histórico redução de saldo devedor. Plano de Previdência Privada: No dia 30/12/2010 há um registro de uma saída da conta da Recorrente no valor de R$ 300.000,001 cuja descrição na planilha de Pagamentos sem causa que integra o auto de infração de IRRF já é suficiente para denotar que não se trata de operação sem causa. Com efeito, consta no histórico que a saída se refere a aporte em plano de vida e previdência em favor do sócio da Recorrente. Uma vez comprovado o destinatário da operação e a sua natureza não há como justificar a acusação de pagamento sem causa. É preciso registrar que desde a Impugnação a Recorrente demonstra que essa remessa é destinada a seu sócio a título de empréstimo o que não pode ser mais uma vez sumariamente desconsiderado. Feitas essas considerações, quando aos dois itens acima, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos os valores demonstrados como redução de saldo negativo e plano de previdência privada. PIS E COFINS Nas razões de recurso voluntario, é demonstrado o equívoco no enquadramento da Recorrente (empresa tributada pelo lucro real anual) no regime cumulativo de apuração do PIS e da COFINS conforme previsão da Lei nº 9.718/98., fundamento dos Autos de Infração. Isso porque, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabeleceram como regra o regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS. Assim, os Autos de infração são improcedentes em relação à exigibilidade do Pis e da Cofins. Isto porque, as receitas apontadas como omitidas foram apuradas com o uso de presunção legal e não correspondem a nenhuma das exceções ao regime não cumulativo previsto na legislação. Aliás, como a própria DRJ reconhece no parágrafo 5.56 notese que não é possível identificar nos autos, de forma positiva e factível, a quê se referiram todos os valores constantes da base de cálculo do tributo lançado (fls. 848). Portanto, os lançamentos efetuados são improcedentes neste aspectio, eis que foram confeccionados com base em regime jurídico distinto do determinado pelos comandos legais para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real como a Recorrente. Notase que nos termos do delatado a atividade desenvolvida pela autuada era de repasse de valores e não de empréstimo, de maneira que não cabe a analogia pretendida pela autoridade fiscal, no sentido de tratála como factoring, até porque, conforme item 38 do TVF, a autuada não possuia lastro suficiente para relacionar os contratos de mútuos, saques, retiradas, com a atividade principal da empresa, posto que foram tratadas como operações sem causa comprovada. De maneira que não havendo causa comprovada, apuração teria que ser pelo lucro real, no regime nãocumulativo e lançado a base de 9,5% e não 13,5% que é a base de Fl. 1040DF CARF MF 20 factoring para o regime cumulativo, justamente pela falta de comprovação de que seria factoring, conforme descrito na base legal para autuação Por essas razões, voto pela improcedência da acusação fiscal em relação a autuação do Pis e Cofins por conta do desvistuamento da aplicação da alíquota, em razão da eleição de regime equivocado por parte da autoridade fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Na autuação, foi ainda atribuída responsabilidade solidária ao sócio da empresa Gaércio Marcelino Mendonça Júnior. Isto porque conforme os fatos relatados no TVF o sr. Gério era tanto sócio como administrador da empresa autuada, e, segundo denúncia do MPF (e também segundo as declarações do próprio sr Gércio, então delator), também era o operador financeiro de um grupo político do Estado do Mato Grosso, manipulando pessoalmente movimentação financeira vultosa através de suas empresas, principalmente a Comercial Amazônia de Petróleo Ltda, e efetuando diversos pagamentos a PFs e PJs através de operações que não faziam parte dos negócios normais da empresa, operações essas contabilizadas como “operações mútuo júnior”. Reiterese, inclusive, o que o Imputado responsável declarou ao MPF (conforme mencionado nesse voto), que recebera pagamento da ENCOMIND no valor de R$ 3.430.000,00, através dos TEDs de 23/04/2010, 26/04/2010 e 27/04/2010, todos de R$ 1 milhão, e uma quarta transferência de R$ 430 mil, em 28/04/2010; que tais pagamentos não eram referentes a vendas efetuadas a ENCOMIND, mas para justificar uma operação dissimulada de fomento efetuada em 2009; que tais pagamentos foram feitos no interesse do grupo Eder Moraes, Silval Barbosa e Blairo Maggi. Tais declarações, a meu pensar, confirmam a própria denúncia do MPF, de que o sr. Gércio encobria operações dissimuladas de outras empresas e de agentes políticos do Estado do Mato Grosso. Notase que o contexto descrito, se amoldaria ao artigo 135, III, do CTN, contudo a acusação fiscal aponta como causa da imputação de responsabilidade ao solidário, a presença do interesse comum prevista no art. 124, I, do CTN, dispositivo de lei que inclusive foi transcrito no lançamento. Contudo, para que houvesse a responsabilização do Sr. Gaércio nos termos do art. 124, I do CTN conforme pretendido pela autoridade autuante, era necessária a demonstração do efetivo benefício por ele aferido em razão da sua conduta, uma vez que a ação de não pagar tributo, por si, só, ao menos ao meu ver, não pode ser entendida como apta a caracterização de interesse comum. Nestes termos, afasto a responsabilidade solidária. RECURSO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA. Houve recurso de ofício contra o Acórdão DRJ que afastou a qualificação da multa por entender ausentes as provas sobre a verdadeira natureza dos valores referentes aos extratos bancários impertinente seria afirmar que houve mudança da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o art. 71, da Lei n. 4.502/64 (hipótese de sonegação). Para a conformação da hipótese de fraude o fato gerador da obrigação principal teria que estar devidamente demonstrado e claro qual a forma dolosa utilizada para Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.032 21 retardar ou impedir a ocorrência do FG da omissão direta, descabendo que o fato gerador seja relacionado à omissão por presunção. Demonstrado que o fisco não foi capaz de provar qual a atividade a que os valores (dos extratos bancários) se refeririam, e que, apenas pelo fato de estar sob o amparo legal da presunção se utilizou desse recurso, devese afastar a hipótese do art. 72, da Lei n. 4.502/64. De igual forma, aplicase à hipótese de conluio. É impertinente no âmbito administrativo de julgamento tratar de hipótese de multa confiscatória e redução do percentual a patamar não previsto em lei, visto que os trabalhos de fiscalização e julgamento administrativo são estritamente vinculados à lei. Reduzise de 150% para 75% a multa de ofício, pela ausência de comprovação das hipóteses de fraude, sonegação e conluio. Ao meu ver, a decisão de piso não merece reparos, vez que, de fato, não se admite a qualificação da multa com base em meras presunções ou ilações da autoridade lançadora, sem fundamento legal e sem a devida individualização da conduta. Não basta, para fins de qualificação da multa, apoiarse apenas em argumentos quanto a razoabilidade da conduta do contribuinte, ao apontar simplesmente que com relação à infração descrita no item 4 – Omissão de receitas – Notas fiscais de venda não contabilizadas, as circunstâncias descritas revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante sonegação, fraude e conluio praticados de forma dolosa e agravam o valor da multa imposta, sem mencionar precisamente quais as circunstancias e o efetivo ato fraudulento ou doloso praticado. Até porque, embora em momento tardio (durante o procedimento de diligência) o contribuinte trouxe para os autos as notas fiscais ditas a principio como ocultadas, documentos estes que permitiram inclusive reconhecer a redução da base de calculo da CSLL e IRPJ. Conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qualificação da multa pressupõe a prova inequívoca sobre a intenção do agente em fraudar o fisco. Meras ilações de ordem subjetiva são incapazes de suportar lançamento de multa agravada, ainda mais quando a sua mantença implica necessariamente em juízo persecutório penal ao fim do processo administrativo e desprezo ao disposto no artigo 112, II do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;". Nesse sentido, 2a. Turma da 2a. Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste E. Sodalício: COMPROVADA – MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n. Fl. 1042DF CARF MF 22 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64. O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO SE PRESUME E DEVE SER DEMONSTRADO PELA FISCALIZAÇÃO. NO CASO, O DOLO QUE AUTORIZARIA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NÃO RESTOU COMPROVADO, CONFORME BEM EVIDENCIADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. A omissão de rendimentos por dois exercícios consecutivos ou a ausência de apresentação de declarações de ajuste anual, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. (Acórdão n" 920200.971. Processo n. 14041.000301/200401. Recurso n° 149.607 Especial do Procurador. Sessão de 17 de agosto de 2010). No mesmo sentido: CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, Acórdãos n.s 920200.969, 920200.910 e920200.909. No mesmo sentido, 1ª Turma da CSRF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA . INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 9101001.403 Processo n.º 11020.004863/200719. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 1ª Turma. Sessão de 17 de julho de 2012. Não bastasse a reiterada jurisprudência da CSRF do CARF, é de se observar a Súmula CARF n. 14, assim redigida: "A simples apuração de omissão de receita e de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". De forma que correta a desoneração da qualificadora conforme decidido na origem. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os valores demonstrados como redução de saldo negativo e plano de previdência privada, negar provimento ao recurso de ofício no que se refere à qualificação da multa de ofício e manter a responsabilidade do solidário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.033 23 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado Fui designado para redigir o voto vencedor em relação à manutenção da multa qualificada. Em que pese o voto da I. Conselheira Luciana, entendo que as provas acostadas ao processo demonstram que a conduta perpetrada pela ora recorrente superou a fronteira da mera inadimplência fiscal ou ainda do planejamento tributário fiscal, ainda que abusivo. O § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a multa de ofício (75%) deverá ser duplicada quando verificadas as hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, respectivamente, transcritos abaixo: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. _____________ Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1044DF CARF MF 24 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta. No caso concreto, porém, há a confissão do sócioadministrador da recorrente, Sr. Gercio Marcelino Mendonça Junior, de que se montou um arquétipo com o objetivo de praticar crime de lavagem de dinheiro, conforme se depreende da leitura do termo de delação premiada constante no IPL nº 182/201, acostado neste processo como "arquivo não paginável" (pág. 1 do arquivo denominado "Resumo dos IPLs): O inquérito policial indicado demonstra que as empresas Globo Fomento Ltda e Comercial Amazônia de Petróleo Ltda, além de seus sócios e de empresas relacionadas com estas, estão a realizar atividades privativas de instituição financeira sem autorização do Banco Central do Brasil, bem como auxiliar terceiros criminosos a ocultar e dissimular a natureza de recursos provenientes de atividades ilícitas, fatos que configuram, em tese, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, de Lavagem de Ativos e de quadrilha (artigos 16 da Lei nº 7.492/86, artigo 1º, incisos V, VI e VII da Lei nº 9.613/98 e 288 do Código Penal). Este é o ponto de partida para a caracterização da sonegação fiscal, mas não é o que inevitavelmente demonstra a conduta ilícita (sonegação, fraude e conluio) praticada pela recorrente, pois poderia a empresa pagar pelos tributos decorrentes dos ingressos de numerários em suas contascorrentes, não deixando surgir a imputada omissão de receitas, e posteriormente repassar a quem fosse os recursos advindos de tais ingressos ressalvo que esta é apenas uma hipótese, pois se sabe que todo o procedimento teve como intento a prática de crime de lavagem de dinheiro . O que quero dizer é que a recorrente confessa toda a estrutura criminosa por ela implementada e, para tanto, ainda deixa de recolher tributo que sabia devido. Este é o ponto central que me faz entender que a recorrente tenha praticado o crime de sonegação e fraude fiscal, nos termos dos artigos 71 e 72 da lei nº 4.502/1964. A fiscalização tratou da fraude fiscal, conforme trecho do Termo de Verificação Fiscal (efl. 410): O Sr. Gercio Marcelino Mendonça Junior, conforme denuncia do MPF da Operação Ararath, era o operador financeiro do grupo político do Estado do Mato Grosso e manipulação uma grande movimentação financeira através de suas empresas, principalmente a Comercial Amazônia de Petróleo Ltda, para efetuar os pagamentos as PF`s e PJ`s do esquema envolvido. E toda essa movimentação financeira efetuada pela Comercial Amazônia de Petróleo Ltda que não fazia parte de seus negócios "normais" foi contabilizada como "OPERAÇÕES MÚTUO JUNIOR", com o intuito de fraudar o Fisco; ou seja, omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10183.727784/201564 Acórdão n.º 1401002.498 S1C4T1 Fl. 1.034 25 tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Além da fraude, vejo também que o interesse da recorrente era muito mais omitir do conhecimento da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (sonegação fiscal) do que meramente a apresentação de declaração inexata, ou seja, não se pode admitir simplesmente que houve erro de informação, uma vez que a fiscalização alcançou dois anos subsequentes, e, como visto, houve omissão de receitas em todos os meses de cada anocalendário. Quero dizer, não se trata de uma situação isolada, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material; enfim, situada dentro do campo da inadimplência. Tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscal, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir tanto a ocorrência do fato gerador quanto o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício, mantendo a multa qualificada em 150%. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1046DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.000904/2002-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERROS DE ESCRITA.
Constatado o lapso manifesto, com erros quanto à identificação do período de apuração e dos valores do pedido de compensação e glosa, cabe a correção da decisão embargada.
INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO. CORREÇÃO DE OFÍCIO.
Constatada, de ofício, inexatidão material devida a erro de cálculo, cabe a correção da decisão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-004.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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LAPSO MANIFESTO. ERROS DE ESCRITA. Constatado o lapso manifesto, com erros quanto à identificação do período de apuração e dos valores do pedido de compensação e glosa, cabe a correção da decisão embargada. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO. CORREÇÃO DE OFÍCIO. Constatada, de ofício, inexatidão material devida a erro de cálculo, cabe a correção da decisão. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 09 04 /2 00 2- 58 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Transcrevo parte do despacho de admissibilidade de embargos de declaração respectivo: A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP, Autoridade Administrativa regimentalmente incumbida da execução do o (sic) Acórdão nº 20312.624, de 11 de dezembro de 2007, fls. 91 a 951, interpõe Embargos de Declaração contra a decisão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento mediante pedido de ressarcimento ao fim do trimestrecalendario. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS. ADMISSIBILIDADE. É incabível a homologação da compensação se o direito creditório reclamado não for admitido à luz da legislação tributária. Recurso negado. Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O arrazoado de fls. 101, após síntese dos fatos relacionados com a lide, aponta lapso manifesto da decisão, ao referirse ao pleito objeto do processo nº 10850.000.905/200201 do mesmo contribuinte, visto que o pedido no processo em epígrafe referese ao Primeiro Trimestre de 2001, no 1 As referências às folhas dos autos levam em conta a numeração atribuída pelo processo digital. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10850.000904/200258 Acórdão n.º 3301004.772 S3C3T1 Fl. 112 3 valor de R$ 3.929,83 não ao Segundo Trimestre de 2001, no valor de R$ 7.034.87. Compulsando os autos, às fls. 2, constato que o presente processo cuida de pedido de ressarcimento do saldo credor básico de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao 1º trimestre de 2001, autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Foi exatamente esse o pleito decidido pelo Despacho Decisório de fls. 56. A lide instaurada pela interposição de Manifestação de Inconformidade, fls. 61 a 66, também restringiuse a esses limites temporais. A decisão do julgamento de primeira instância foi nessa mesma linha. Observese a ementa do Acórdão DRJ/RPO nº 10.281, de 16 de dezembro de 2005, fls. 74 a 77: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados –IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 [...] O Recurso Voluntário, fls. 83 a 88, já no seu primeiro parágrafo, avisa que a “...ação fiscal originouse de Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI, referente ao 1º trimestre de 2001, fundado no artigo 11 da Lei n.9 9.779/99 e Instrução Normativa SRF n.s 033/99.” O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção, prolator do despacho de admissibilidade citado, observa que: Considerando tratarse de colegiado extinto e de conselheiro que não integra os quadros atuais do CARF, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito da 3ª Seção. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Analisados os pressupostos de admissibilidade, os embargos foram admitidos, como inominados, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF. Descreve trecho arrazoado da Delegacia embargante, para dar números à questão: [...] o pedido no processo em epígrafe referese ao Primeiro Trimestre de 2001, no valor de R$ 3.929,83 (fls. 01) e não ao Segundo Trimestre de 2001, no valor de R$ 7.034,87 (fls. 89). O valor da glosa em discussão no processo em questão é de R$ 62,83 (fls. 55) qual divergente da constante no Acórdão R$ 143,30 (fls. 89). O prolator do despacho de admissibilidade se refere ao "Acórdão nº 203 12.624, de 11 de dezembro de 2007, fls. 91 a 95", assim como o arrazoado da Delegacia embargante (fl. 101). Ocorre que o Acórdão à fls. 91 a 95 é o de número 20312.627, de mesma data, referindose ao presente processo, 10850.000904/200258. Em seu relato constam vários elementos a apontarem para a 2º trimestre de 2001: A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acumulados no segundo trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 7.034,87, fundamentandose no artigo 11, da Lei n°9.779, de 1999. [...] A Delegacia da Receita Federal — DRF em São José do Rio Preto deferiu parcialmente a solicitação, no montante de R$ 6.891,57, glosando R$ 143,30 por tratarse de crédito decorrente de insumos adquiridos de comerciante atacadista não equiparado a industrial, ou seja, não houve destaque de IP! na nota fiscal de compra. [...] Dentre seus fornecedores encontrase a empresa KM Indústria e Comércio de Papel Ltda., cuja mercadoria "papel couché divgrs", não teve o destaque do IPI na nota ,fiscal de aquisição. A empresa se creditou, neste caso, de R$ 143,30, que foi calculado como 50% da base de cálculo do imposto. [...] Ao ser o feito submetido ao julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, esta entendeu pela manutenção dos termos do despacho inicial, pelos motivos bem sintetizados pela ementa que destacamos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10850.000904/200258 Acórdão n.º 3301004.772 S3C3T1 Fl. 113 5 Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 [...] (Grifos deste relator). O acórdão da Delegacia de Julgamento (fls 74 e seguintes) não comete o mesmo erro, trazendo os valores apontados como corretos, pedido de R$ 3.929,83 e glosa de R$ 62,83; mas contaminouse ao reproduzir a Decisão do Saort da DRF de São José do /Rio Preto (fl. 55), que subtraiu errôneamente o valor da glosa daquele do pedido, sendo o valor correto de R$3.867,00 e não de R$3.857,00; erro de cálculo deve ser corrigido de ofício, nos termos do art. 32 do Decreto 70.235/72. Reproduzo trecho da Decisão da DRF: 8. Destarte, estando no restante regular o pedido de ressarcimento, a exceção do valor da glosa proposta, proponho o deferimento parcial do pedido, resultando (R$ 3.929,83 R$ 62,83) na importância de R$ 3.857,00 (Três mil, oitocentos e cinqüenta e sete reais). Consulta ao sistema informatizado eProcesso revela não haver o processo 10850.000.905/200201, mas sim os de final 906/200247 e 907/200291, em ambos constando documento qualquer anexado: Diante dos elementos apontados; considerando que: os fundamentos da decisão embargada são de direito; o entendimento do prolator do despacho de admissão de que "a decisão embargada relata e decide a respeito de pleito referente ao segundo trimestre de 2001, embora o número do processo esteja correto (o que leva a crer que não se trata de mero erro na anexação de decisão)"; a possibilidade de " correção das divergências", como ao final requer a Delegacia embargante; e tendo em vista a economia processual; voto por acolher os embargos interpostos, para fins de retificar o acórdão embargado; como também de corrigir ofício o valor deferido para R$ 3.867; com efeitos infringentes: a) Na ementa, o período de apuração, de "01/04/2001 a 30/06/2001" para "01/01/2001 a 31/03/2001"; e b) No relatório: i) De "segundo trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 7.034,87, " para "primeiro trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 3.929,83" Fl. 116DF CARF MF 6 ii) De "no montante de R$ 6.891,57, glosando R$ 143,30" para " no montante de R$ 3.867,00, glosando R$ 62,83" iii) De " se creditou, neste caso, de R$ 143,30, " para " se creditou, neste caso, de R$ 62,83, " e iv) quando este reproduz ementa do acórdão da Delegacia de Julgamento, o período de apuração, de "01/04/2001 a 30/06/2001" para "01/01/2001 a 31/03/2001"; e (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 117DF CARF MF
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