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Numero do processo: 10882.003473/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Votou pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Votou pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 34 73 /2 00 7- 19 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 343 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301002.458, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 01 de dezembro de 2011 (efls. 189 a 211). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicado esta última regra. No caso em análise, não há provas de pagamento antecipado no período que interessa para a decadência. MULTA MORATÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, devido a aplicação do I, Art. 173 do CTN. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar o determinado no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiro Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 344 3 que votaram em excluir a multa do lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 29/05/2013 (efl. 212) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 02/07/2013 (efl. 226), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 213 a 225). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF 2.40100.120, prolatado em 06 de maio de 2009, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho deContribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 345 4 ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN 2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, na nova redação conferida pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. Assim, devese considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449, de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; b) A redação do art. 35A citado é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora somente ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; c) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 346 5 reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; d) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430,de 1996, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009; e) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449, de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que a contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve, isto sim, lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. f) Assim, entende que autuação deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 256 a 261. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 19/04/2016 (efl. 268), a contribuinte ofereceu, em 03/05/2016 (efl. 269), contrarrazões de e fls. 270 a 273, onde: a) Salienta que o objetivo da autoridade fiscal era prevenir a decadência do crédito tributário, estando o mesmo com sua exigibilidade suspensa por força de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança 2001.03.88.0229235. Assim, não caberia qualquer aplicação de multa de ofício, a partir do disposto no art. 63 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplicando a multa de ofício aplicada pelo recorrido ao caso em tela. Ressalta que tal entendimento também é respaldado pela Súmula CARF no. 17, editada antes do Recurso Especial da Fazenda Nacional sob análise; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 347 6 b) Informa ainda, que o referido processo judicial transitou em julgado em favor da recorrente em março de 2012, afastando a exigibilidade da contribuições sobre vale transporte pago em dinheiro, objeto dos presentes autos. Requer, assim, que seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, uma vez que o crédito tributário se encontra extinto, não havendo, assim, que se discutir a espécie da multa aplicável. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a tais requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à caracterização de divergência interpretativa, ouso discordar. Faço notar que, aqui, nos presentes autos, se está a tratar de situação onde, quando do lançamento da multa objeto de constituição (em 28/12/2007, consoante efl. 08), o crédito tributário da obrigação principal encontravase com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, IV do Código Tributário Nacional (vide elementos de efls. 62 a 64, com a apelação no âmbito do MS 2001.03.99.0229235, que teve a segurança concedida, sendo recebida apenas no efeito devolutivo, consoante despacho de 02/02/2001, constante do site do Tribunal Regional Federal da 3a. Região), situação que remeteria à consideração de necessidade de aplicação do art. 63 da Lei no. 9.430, de 1996, que estabelece a desnecessidade de lançamento da multa de ofício, caso se considere ser esta a natureza da multa lançada. Já o paradigma se refere ao lançamento de obrigação principal, sem que ali se cogite, em nenhum momento, de hipótese de suspensão de exigibilidade, não se podendo afirmar como se posicionaria o Colegiado paradigmático acerca da situação dos autos (em especial no que diz respeito ao cabimento ou não do lançamento da multa de ofício, assim ali considerada, a partir do disposto no art. 63 da Lei no. 9.430, de 1996), resultando assim, em meu entendimento, como não caracterizada a divergência interpretativa. Ad argumentandum tantum, caso vencido quanto à esta primeira consideração de inexistência de divergência interpretativa, ainda que aceda, aqui, à consideração do recorrido no que diz respeito à retroatividade benigna em questão não estar abrangida pelo manto da concomitância, uma vez que cingese o mencionado MS à discussão acerca da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre a rubrica de vale transporte, ainda que paga em dinheiro (ou seja, limitase o MS a discutir a existência da obrigação principal). faço notar ter o referido processo judicial (repitase, referente à existência da obrigação principal) transitado em julgado de forma contrária à Fazenda Nacional durante o ano de 2012, fazendo com que deixe de existir interesse recursal no pleito fazendário, interposto em 02/07/2013 (inexistindo obrigação principal, não há que se falar de multa). Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10882.003473/200719 Acórdão n.º 9202005.072 CSRFT2 Fl. 348 7 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720943/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL/LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL DA BAHIA Nº 20/2003. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 a 1.41 do CPC/2015). Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Numero da decisão: 2202-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 a 1.41 do CPC/2015). Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto informou que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 43 /2 00 9- 79 Fl. 249DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do contribuinte para requalificar rendimentos declarados como isentos. Intimado, o contribuinte impugnou o lançamento, porém a DRJ manteve integralmente o crédito tributário. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário. Analisando os autos, o CARF entendeu ser necessário sobrestar a lide, nos termos do art. 62A do RICARF então vigente, em decorrência da declaração de repercussão geral da matéria, em sede de STF. Alterado o regimento interno, vieramme os autos para análise e julgamento. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 08/04/2009 foi lavrado auto de infração (fls. 2/13) em desfavor do Contribuinte, ora recorrente, para reclassificar os rendimentos inseridos como isentos na DIRPF, constituindo imposto de renda no valor de R$ 75.640,95, além de juros e multa de 75%. Os valores foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia sob a rubrica "Valores Indenizatórios de URV". Intimado em 16/04/2009 (fl. 32), o Contribuinte apresentou impugnação em 07/05/2009 (fls. 34/108). Em 18/09/2009 foi lavrado o Despacho nº 481 da DRJ/SDR (fls. 123/124) determinando a realização de diligência no sentido de determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que se refizesse o lançamento, uma vez que identificou tratarse de RRA e que fora publicado o Despacho MF S/N, de 11/05/2009, aprovando o Parecer PGFN / CRJ / Nº 287/2009, no sentido de que deveriam ser tributados os lançamentos com base nas alíquotas dos meses em que os valores eram devidos, e não globalmente no mês em que foram efetivamente recebidos. Em 06/01/2011, entretanto, o processo foi devolvido à DRJ, uma vez que o Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 (que versou sobre a matéria objeto da diligência) fora suspendido pelo Parecer PGFN / CRJ nº 2.331/2010 (fl. 125). Enfim, a DRJ proferiu o acórdão nº 1527.279 (fls. 126/132), em 25/05/2011, que restou assim ementado: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10580.720943/200979 Acórdão n.º 2202003.557 S2C2T2 Fl. 250 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme o acórdão de 1º grau, o contribuinte tinha razão em relação à incorreta inclusão das férias indenizadas e do 13º salário na base de cálculo da infração impugada. Nesse sentido, concluiu pela necessidade de excluir tais valores da base de cálculo, reduzindo proporcionalmente o valor do tributo lançado. Intimado da decisão de primeiro grau em 18/07/2011 (fl. 135), o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 03/08/2011 (fls. 136/227), alegando, em síntese: · Que o Estado da Bahia atribuiu caráter indenizatório e portanto isento aos rendimentos; · Que a DRJ deixou de se pronunciar sobre a incompetência da Fazenda Nacional para cobrar IRPF constitucionalmente atribuído aos Estados, violando o art. 5º, LIV e LV, bem como o art. 93, IX da CF/1988, e que também deixou de analisar a quebra da capacidade contributiva do Recorrente, pedindo que sejam devolvidos os autos para a DRJ complementar sua decisão; · Que, nos termos do art. 157, I, da CF/1988, a titularidade dos recursos era do Estado da Bahia, não tendo a União competência constitucional para cobrálo; · Que há quebra da capacidade contributiva, uma vez que o fisco busca obter como tributo, multa e juros valor superior àquele recebido pelo próprio Contribuinte; · Que o Contribuinte, ao declarar o rendimento em sua DIRPF, não reconheceu a validade da tributação, especialmente por têlo inserido como rendimento isento; · Que a parcela referente à diferença da URV não tem natureza salarial e sim de indenização, não podendo ser, portanto, tributada; Fl. 251DF CARF MF 4 · Que há quebra do princípio da isonomia em relação aos demais funcionários públicos, inclusive federais, que têm reconhecida a isenção de tais valores; · Que as alíquotas utilizadas estão equivocadas; · Que por se trata de RRA, deve ser levado em conta não apenas a distribuição mensal dos recursos em relação ao período em que deveria ter sido tributado, mas também o valor total pago naquele mês. Consequentemente, foi publicada uma tabela progressiva especificamente para as hipóteses de RRA; · Que a autoridade lançadora não levou em consideração, quando do lançamento, as deduções que tinha direito o Contribuinte; · Que a autoridade julgadora de primeiro grau, observando a incorreta inclusão dos valores referentes ao 13º salário e às férias indenizadas, excluiu o valor de R$ 2.571,17, referente às férias, para cada ano calendário, quando o valor correto a ser excluído é de R$ 3.254,72. No tocante às férias, o valor correto è R$ 4.907,30 para cada ano calendário. · Que o Contribuinte não pode ser penalizado pela falha na atuação do Estado da Bahia, responsável legal pela retenção do imposto na fonte, devendo a administração fazendária se voltar contra este outro órgão público, e não contra o Contribuinte, nos termos dos arts. 842 e 844 do RIR/1999, entre outros, de sorte que pede a sua exclusão do polo passivo ou, ao menos, a inclusão do Estado da Bahia como responsável solidário; · Que deve ser afastada a multa de ofício, uma vez que o Contribuinte lançou em sua DIRPF as informações recebidas das fontes pagadores, havendo, portanto, boafé; · Que devem ser afastados os juros moratórios e a atualização monetária com base no art. 100, §único, do CTN, uma vez que a classificação do rendimento como isento se baseou na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003; · Que é confiscatória a imposição de IRPF sobre verbas indenizatórias, as quais visam tão somente reconstituir o patrimônio do indivíduo. Chegando ao CARF, foi proferida a resolução nº 2801000.177 (fls. 236/240), de 22/11/2012, determinando o sobrestamento do processo nos termos do art. 62A do RICARF então vigente, em decorrência da existência de processo com repercussão geral no STF, versando sobre a mesma matéria. Enfim, alterado o RICARF, vieramme os autos para relatoria e julgamento. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10580.720943/200979 Acórdão n.º 2202003.557 S2C2T2 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Rendimento Recebido Acumuladamente: O presente lançamento tem como base de cálculo os valores pagos entre 2004 e 2006 a título de diferença de URV referentes aos anos de 1994 a 2001. Como bem explica o art. 2º da referida Lei, tratase de Rendimentos Recebidos Acumuladamente: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Como se observa do Auto de Infração, mais específicamente às (fls. 8/10), a despeito de se tratar de RRA, os valores foram lançados como se tivessem sido auferidos integralmente nos exercícios em que foram recebidos (2004, 2005 e 2006). Acontece que o STF já discorreu sobre o tema em sede de repercussão geral no RE nº 614.406, em 23/10/2014, que restou assim ementado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. No voto, explicou que: Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido.(...) Fl. 253DF CARF MF 6 Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. Tendo em vista o que estabelece o art. 62, §2, do RICARF vigente, devem ser reproduzidas as decisões julgadas pelo STF em sede de repercussão geral. Em outras palavras, o tributo deveria ter sido apurado pela identificação mensal dos valores recebidos entre 1994 e 2001, aplicandose a alíquota sobre esses valores. Esse não foi o procedimento aplicado in casu. Tal vício já havia sido identificado pela DRJ em 2009, quando da elaboração do Despacho nº 481 da DRJ/SDR (fls. 123/124), que determinou que o lançamento fosse refeito. Entretanto, a diligência não foi realizada, mantendose o lançamento tal como feito inicialmente, pelo valor global e com as alíquotas vigentes na época do recebimento. Não pode prevalecer o auto de infração, tal como lançado. Tratase, efetivamente, de erro material na apuração do montante devido, posto que foi aplicada fórmula incorreta para apuração do imposto de renda incidentes sobre RRA. Aproveitamos o voto proferido pelo Cons. Márcio Parada, no acórdão CARF nº 2202003.355, de 14/04/2016, que bem fundamenta a questão: "Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10580.720943/200979 Acórdão n.º 2202003.557 S2C2T2 Fl. 252 7 Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus Fl. 255DF CARF MF 8 direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária." Ratifico as palavras, fazendoas minhas: tendo utilizado forma equivocada para apurar o tributo, não haverá mera depuração da base de cálculo mas sim verdadeiro lançamento novo, o que não pode prevalecer. Dispositivo: Pelos motivos expostos, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal em função de vício material. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Declaração de Voto Peço licença ao ilustre Conselheiro Relator para discordar de seu voto quanto à necessidade de se cancelar o lançamento por vício material, em face da metodologia de cálculo Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10580.720943/200979 Acórdão n.º 2202003.557 S2C2T2 Fl. 253 9 nele utilizada ter sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão definitiva, no regime de repercussão geral. Ao examinar mais detidamente a questão, entendo que, o fato de o STF, no julgamento do RE 614.406/RS, ter reconhecido a inconstitucionalidade do art. 12, da Lei nº 7.713/1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, não ocasiona o cancelamento da autuação que foi constituída com base nesse dispositivo, durante a sua vigência, mas sim a necessidade de retificar os cálculos efetuados. Nesse sentido, transcrevo, a seguir, trecho do voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, proferido em 27 de janeiro de 2016, no Acórdão da CSRF, nº 9202003.695, o qual adoto para a situação em análise nestes autos: (...) Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão [do STF no RE 614.406/RS], de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 257DF CARF MF 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos, (...). (...) (Grifei) Citase ainda que nos Acórdãos nº 2401004.146, de 17/02/2016; nº 2401004.432, de 13/07/2016; e nº 9202004.185, de 21/06/2016, ao se analisar questão relacionada a imposto de renda sobre rendimentos acumulados, calculados nos termos do art. 12, da Lei n 7.713/1988, também se decidiu pela manutenção em parte do lançamento com as necessárias retificações de cálculo. Em face do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721147/2015-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 19.000,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 19.000,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 11 47 /2 01 5- 59 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.721147/201559 Acórdão n.º 2202003.532 S2C2T2 Fl. 60 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.721147/201559, em face do acórdão nº 0266.303, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2014/359006285869560, expedida em 23/03/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2014, anocalendário 2013, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$8,96 e seus consectários legais, totalizando R$16,56, com juros de mora calculados até 31/03/2015, fls. 5 a 9. O lançamento decorreu da apuração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$21.310,75 (R$19.000,00, Danilo Maioni de Assis Junior; R$2.310,75, Prev Saúde), com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Contribuinte intimado a comprovar o efetivo pagamento no valor de R$19.000,00, ao CPF 622.704.43691 DANILO MAIONI DE ASSIS JUNIOR, apresentou cópias de cheques em valores diferentes e datas diferentes dos recibos apresentados, fato que motivou a glosa total. Referente ao CNPJ 05.855.775/000162 PREV SAÚDE – ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA MEDICA PRIVADA, foi glosado o valor de R$2.310,75 por referirse a pessoa não declarada como dependente nesta declaração. Cientificado da notificação em 30/03/2015, fls. 24, o contribuinte apresentou impugnação em 10/04/2015, fls. 2 a 4, acompanhada dos documentos de fls. 10 a 17, contestando parcialmente o lançamento. Concorda com a glosa de despesa médica no valor de R$2.310,75. Alega que a glosa de R$19.000,00 é indevida, pois o valor contestado referese a despesas médicas do próprio declarante. O despacho de fls. 22 assinala que não ocorreu o desmembramento do processo, em relação à parte não Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.721147/201559 Acórdão n.º 2202003.532 S2C2T2 Fl. 61 3 contestada, pois o cálculo referente a tal parcela não geraria imposto suplementar a ser arrecadado de imediato. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 35/40, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 41/54, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. A lide foi já delimitada para tão somente a questão da dedutibilidade das despesas médicas, no valor de R$ 19.000,00, pagos ao profissional DANILO MAIONI DE ASSIS JUNIOR. O contribuinte, em impugnação manifestouse concordando com a glosa de despesa médica no valor de R $2.310,75, referente a despesa com a SAÚDE – ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA MEDICA PRIVADA. Analisando os autos, verifico que o contribuinte já havia apresentado durante a fiscalização todos os recibos e comprovantes de pagamento (cheques) decorrentes de seu tratamento odontológico com o profissional Danilo Maioni Assis Junior, constando, inclusive, planilha destes documentos no acórdão da DRJ: No entanto, entendeu a autoridade lançadora que havendo a discrepância entre a data dos recibos e o valor individual de cada um, quando realizada a data e valor de cada cheque, deve ser glosada a despesa. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.721147/201559 Acórdão n.º 2202003.532 S2C2T2 Fl. 62 4 Por sua vez, na fase de impugnação, o contribuinte apresentou os recibos de fls. 13 a17, ajustandoos aos cheques apresentados à autoridade lançadora. Todavia, compreendeu a DRJ de origem que esta "assemelhase ao procedimento comumente conhecido na contabilidade como “conta de chegada”, ou seja, a partir de um resultado final realizamse operações para justificar tal valor". Concluiu a DRJ de origem que "em termos didáticos, os novos recibos, fls. 13 a 17, seriam as operações realizadas para justificar os cheques apresentados por ocasião do termo de intimação fiscal". Entretanto, ao meu entender, a conduta do contribuinte supre a falha apontada pela autoridade lançadora. É certo, pela documentação apresentada, que o contribuinte realizou o pagamento de R$ 19.000,00 ao seu dentista, sendo certo também que ele possui os recibos destes pagamentos (retificados inclusive, nos termos pretendidos pela fiscalização). Há ainda prova nos autos da efetiva realização do tratamento odontológico (fls. 42/44). O excesso de rigor da fiscalização não encontra respaldo jurídico, contrariando inclusive o princípio da boafé que rege não só a relação de particulares (no caso, dentista e paciente), mas como a relação entre o ente estatal e os contribuintes. Ao meu juízo, sequer seria necessária a retificação dos recibos, pois não é admissível exigir que a data do recibo coincida, exatamente, com a data do cheque. Além do mais, é comum em um tratamento dentário haver uma operação denominada "conta corrente" entre paciente e dentista. No presente caso, temos que o valor total do tratamento (R$ 19.000,00) foi efetivamente comprovado pelo contribuinte como despesa médica (odontológica), dedutível no imposto de renda, através da apresentação de cópia de cheques, recibos (inclusive com as retificações), declaração do profissional (fl. 44) e ficha do paciente (42/43). Devese, portanto, ser afastada a referida glosa. Ante o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 19.000,00, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720101/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1802-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .7 20 10 1/ 20 11 -2 1 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 746 2 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração que apurou omissão de receitas através de levantamento realizado com fulcro na Lei Complementar n° 105, em seu artigo 6° por extratos bancários fornecidos pelas próprias instituições bancárias, em montante superior ao declarado por meio de Declaração Simplificada. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do Recurso Voluntário interposto, adoto o relatório proferido pela 2a Turma da DRJ/CTA, através do Acórdão n° 06 34.258, constante às fls. 709/711: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito foi lavrado o auto de infração de fls. 617689, para exigir: a) R$ 28.220,70 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples (fl.640), R$ 20.668,62 a título de contribuição ao Programa de Integração Social Simples (fl.649), R$ 28.220,70 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples (fl.658), R$ 83.209,85 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples (fl.667), R$ 17.518,82 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados Simples (fl.676) e, R$ 240.479,82 título de Contribuição para Seguridade Social INSS Simples (fl.685). 2. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 2º incisos I e II, § 2º, 3º,§ 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 18 da Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998, art. 186, 188 e 199 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 1999. Depósitos bancários não escriturados art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, regulamentado pelo art. 287 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 3º, “b” da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2º, inciso I, art. 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991; art. 5º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e) para o IPI, artigo 2º, parágrafo 2º, artigo 3º, parágrafo 1º, alínea “e”, artigo 5º, parágrafo 2º, artigo 7º, parágrafo 1º e artigo 18 da Lei nº 9.317, de 1996, artigo 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e artigos 2º, 3º, 34, 35, 122 e 127 do RIPI, de 2002 e; f) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 3. A multa de ofício é de 75%, com base no previsto no art. 44, inciso I, ambos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996. 4. As infrações imputadas ao contribuinte são: 1) receitas não escrituradas e, 2) insuficiência de recolhimento em face da mudança da faixa de tributação. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 747 3 5. A ciência do auto de infração foi pessoal e ocorreu em 25/04/2011 sendo que o sujeito passivo protocolou a impugnação de fls. 696700, acompanhada dos documentos de fls. 701704. 6. Inicia a defesa fazendo um histórico da ação fiscal e, em preliminar, pede a nulidade da exigência, posto que a Receita não teria obtido autorização judicial para requisitar a documentação bancária e que em 21/12/2010, quando foram emitidas as RMF, o Supremo Tribunal Federal já havia se pronunciado junto ao Recurso Extraordinário nº 389.808PR nos seguintes termos: que a quebra de sigilo deve ser submetida ao crivo de órgão eqüidistante, pois contraria a Constituição Federal, norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Pede a decretação da ilegalidade do feito. 7. Na seqüência, sustenta que o auto de infração não pode ser mantido em sua integralidade já que a autoridade fiscal considerou como receita omitida e incluiu na base de cálculo valores referentes a cobrança, empréstimos, desconto de duplicatas, liberação garantida, devolução de TED, os quais não podem ser considerados receita, nos termos do disposto no parágrafo 2º do artigo 2º da Lei nº 9.317, de 1996. 8. Menciona um documento que anexa aos autos onde resta demonstrado que no período de abril/2006 a dezembro/2006, especificamente nas datas de 17/04, 31/05, 02/06, 03/07, 13/07, 15/08, 14/09, 21/09, 21/1, 15/12 e 26/12, teria ocorrido a liberação de empréstimos em suas contas correntes, valores estes que não foram excluídos da base de cálculo dos tributos. 9. Sustenta que nas datas de 06/04, 03/07, 04/07 e 05/07 houve a liberação de valores a título de Liberação Garantida, que não foram excluídos da base de cálculo dos tributos. Ainda neste viés, nas datas de 05/04, 09/05, 15/05, 22/05, 25/05, 31/05, 02/06, 13/06, 02/08, 07/08, 08/08, 15/08, 10/10, 25/10, 03/11, 08/11 e 24/11, houve liberação de valores referentes a desconto de duplicatas que também não foram excluídos da base de cálculo dos tributos. Defende que os valores creditados a título de desconto de duplicatas, em nenhum dos meses, ultrapassou o limite da receita declarada, devendo assim, serem excluídos da base de cálculo dos tributos. Reconhece que somente podem compor a base de cálculo os valores creditados a título de duplicatas descontadas que ultrapassar a receita declarada no mês, uma vez que as duplicatas descontadas possuem origem na receita declarada. 10. Contesta a constituição de crédito tributário sobre valores creditados em conta corrente referentes a cobrança, posto que os mesmos tem como origem o faturamento mensal da empresa. 11. Pede a exclusão do valor de R$ 20.000,00, na data de 17/04/2006 por ser referente à uma devolução de TED, o que não representa receita. 12. Argumenta no sentido de que o ônus da prova cabe ao fisco; pede o deferimento de prova pericial, indica perito e formula questões e, por Fl. 747DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 748 4 fim, pede seja declarado nulo o auto de infração ou, que sejam excluídos os valores que não representam receitas. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela procedência parcial do pleito impugnado pelo contribuinte, afastando da exigência de ofício as supostas receitas onde comprovouse tratarse de empréstimos e devolução de TED, sintetizado pela seguinte Ementa (fls. 708/709): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano calendário: 2006 Ementa: CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:2006 Ementa: ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. OBEDIÊNCIA A LEGALIDADE. Se durante a ação fiscal existia todo um arcabouço jurídico de lei complementar a decreto permitindo que a Administração Tributária Federal tivesse acesso às informações bancárias não fornecidas pelo contribuinte devidamente intimado, não há que se falar em nulidade do lançamento em decorrência da ausência de autorização judicial, se o procedimento fiscal já havia sido instalado e permaneceu nos trilhos da legalidade. DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMAS. LEGALIDADE. O julgador administrativo não possui competência para afastar normas válidas. Seus atos são fundamentados na legislação tributária. Provocado pela impugnação examina, sob a ótica da legalidade, as provas existentes nos autos e decide se o lançamento do imposto, da multa e dos juros está em consonância com o sistema tributário nacional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia inter partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. PAF. DILIGÊNCIA. FINALIDADE. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 749 5 O julgador administrativo pode indeferir pedido de diligência por considerálo prescindível para o deslinde da lide. Tampouco deve permitir o uso inapropriado de diligência, seja com intuito meramente protelatória ou utilizada como mecanismo de inversão do ônus da prova, do contribuinte para a autoridade fiscal, ainda mais quando se trata de lançamento tributário com base em presunção legal, onde o ônus de produzir provas precisas e individualizadas é claramente do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada validamente do Acórdão em 22/11/2011 e inconformada com a manutenção da exigência a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/12/2011, onde reitera seus argumentos de que (em apertada síntese): – o auto de infração é nulo, dada a quebra de sigilo fiscal sem a autorização judicial – precedente jurisprudencial (RE n° 389.808/PR) – e em desrespeito ao princípio da legalidade e da motivação, face o art. 2° da Lei n° 9.784/99; – o acórdão que indeferiu seu pedido de prova pericial contraiu ilegalidade, na medida em que não foi devidamente fundamentado – art. 38, parágrafo único, da Lei n° 9.784/99 – ensejando violação a princípios consagrados, como do devido processo legal e do contraditório e por via de conseqüência, prejudicando sua ampla defesa. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e dado o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como se extrai do Relatório, o presente processo discute acerca da possibilidade da quebra do sigilo bancário da pessoa jurídica, frente ao dispositivo trazido pela Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 750 6 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Tal dispositivo foi regulamentado através do Decreto n° 3.724, também de 10 de janeiro de 2001, que passou por alterações pelo Decreto n° 6.104 de 30 de abril de 2007 e sobre este aspecto em específico assim previu: Art.2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). [...] §5° A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). [...] Art.4° Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). §1° A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: [...] §5° A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. §6° No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. [...] §8° A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. [...] Fl. 750DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 751 7 Como se observa, havendo a indispensabilidade do procedimento, permitese por meio do formulário RMF (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira) que a fiscalização solicite às instituições bancárias o que necessário para proceder à sua atividade, observando, contudo, a definição trazida pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.33.A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; [...] Diante do exposto, asseverase haver lastro revestido de legalidade no procedimento adotado pela autoridade fiscalizadora in casu, tendo em vista que o contribuinte quando intimado a apresentar tais documentos não o fez, obrigando a autoridade fiscal a proceder na forma em que supra descrito. Ademais, é fato que as autoridades administrativas devem se apegar ao dispositivo de Lei para proceder à sua atividade, como a do lançamento, nos termos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ocorre que, precedentes jurisprudenciais, sobretudo do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutem a constitucionalidade de leis, embora tenham por vezes efeitos inter partes, possuem laços de repercussão geral, conforme a Lei n° 5.869 de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC): Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 751DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 752 8 § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). [...] Como se observa, o Recurso Extraordinário para ser conhecido deve estar revestido da repercussão geral, que significa o interesse da coletividade e pressupõe que a decisão colegiada embora tenha efeitos restritos entre as partes (inter partes), transborda esses limites por esse aspecto, o que ocorre por três vias: I – pela suspensão do dispositivo questionado, no todo ou em parte, pelo Senado Federal, por decisão que assim profere o STF, nos termos do art. 52, X da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: [...] X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; [...] II – pela conversão da decisão (que possui efeitos inter partes) em súmulas vinculantes, nos termos do art. 103A da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, vinculantes aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, em todas as esferas tributárias: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). III – pela conversão dos efeitos inter partes em erga omnes no próprio julgamento, quando de plano entender o Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade da Lei, e quando se tratar de matéria urgente para manutenção da ordem social. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 753 9 No presente caso, existe supedâneo jurisprudencial da Suprema Corte, pelo Recurso Extraordinário n° 389.808/PR, assim ementado: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 1005 2011 EMENT VOL0251801 PP00218) Como se observa, a Suprema Corte entendeu a possibilidade de quebra do sigilo bancário somente com o crivo do Poder Judiciário, e na condição de investigação criminal ou instrução processual penal. Desta forma, tal decisão afeta frontalmente os dispositivos legais da Lei Complementar n° 105, e o Regulamento deste proveniente, acima analisados, conforme conteúdo no voto do Ministro Relator Marco Aurélio (fls. 229): [...] Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso extraordinário interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários da Recorrente. Com isso, confiro à legislação de regência – Lei n° 9.311/96, Lei Complementar n° 105/01 e Decreto n° 3.724/01 – interpretação conforme à Carta Federal, tendo como conflitante com esta a que implique afastamento do sigilo bancário do cidadão, da pessoa natural ou da jurídica, sem ordem emanada do Judiciário. [...] Ocorre que da decisão colegiada, ainda constam embargos declaratórios a serem julgados, de forma que a matéria ainda não está definida por completo. Enquanto nesta situação se encontrar, este colegiado aplica o contido na Portaria CARF n° 256 de 22 de junho de 2009, assim disposto: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 753DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720101/201121 Resolução nº 1802000.108 S1TE02 Fl. 754 10 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, proponho o sobrestamento do presente processo, até a definição do leading case no Supremo Tribunal Federal. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 754DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10865.000792/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 23/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO Em face da contribuinte ANA APARECIDA DIAN, CPF/MF nº 024.428.738 42, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 30/03/2006, auto de infração (fls. 03 e seguintes), com ciência pessoal em 31/03/2006 (fl. 4), com ação fiscal iniciada em 20/09/2005 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 79 2/ 20 06 -0 8 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2102000.086 S2C1T2 Fl. 574 2 (fl. 17). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 499.136,59 MULTA DE OFÍCIO R$ 374.352,43 À contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos importes de R$ 1.033.933,74 e R$ 783.072,07, nos anoscalendário 2000 e 2001, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Em decorrência da omissão da contribuinte em fornecer ao fisco os extratos de suas contas bancárias, a fiscalização emitiu as competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, de nºs 2005142 e 2005145, para assenhoreamento compulsório dos extratos pelo fisco (fls. 28 a 31). A partir dos extratos bancários, a fiscalização intimou a fiscalizada a comprovar a origem dos depósitos (fls. 274 a 308 e 310 a 316), sem obter respostas, o que levou a imputarlhe uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, tendo imputado em proporção os depósitos das contas com mais de um titular. Compulsando os autos, vêse a declaração de ajuste anual retificadora do ano calendário 2000, apresentada em 17/01/2005, que apurou imposto a pagar (fl. 18). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0111.367, de 23 de junho de 2008 (fls. 391 e seguintes). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 18/08/2008 (fl. 413). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 22/08/2008 (fl. 414). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. nula é a decisão recorrente, por cerceamento do direito de defesa, pois “... patente é a violação ao devido processo legal nos julgamentos proferidos pelas Delegacias de Julgamento a medida que: as sessões de julgamento são realizadas em recinto fechado; não é dada publicidade prévia às pautas das sessões de julgamento; não é permitido ao contribuinte adentrar e assistir a sessão de julgamento de matéria de seu interesse; não é permitido o acesso às sessões de julgamento de advogados e o exercício de sua atividade 'profissional, sendolhe, portanto, vedada a sustentação oral, a entrega de memoriais e outras ações inerentes ao exercício do direito de defesa de seu constituinte” (fl. 417 – transcrição do recurso voluntário); II. nulo é o lançamento por ter se alicerçado exclusivamente em depósitos bancários, que não representam renda ou disponibilidade econômica, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2102000.086 S2C1T2 Fl. 575 3 qualquer evolução patrimonial em desfavor do fiscalizado, aqui lembrando que a vetusta Súmula 182 do TFR já renegava esse tipo de procedimento; III. além da quebra injustificada do sigilo bancário da recorrente a ensejar o reconhecimento da nulidade do auto de infração, também houve ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, pois o Fisco utilizou a Lei complementar nº 105/2001 para atingir fatos geradores pretéritos a sua vigência; IV. é nulo o auto de infração violação do sigilo bancário e fiscal do contribuinte sem autorização judicial; V. igualmente deve ser decretada a nulidade do auto de infração por ter se alicerçado em presunções e em dispositivo de lei inconstitucional; VI. houve ofensa aos princípios da contraditório e da ampla defesa, pois ocorreu a quebra do sigilo bancário, referente a fato anterior a edição lei, sem justificativa, não fundamentada, consistente na expedição das RMFs; VII. a multa aplicada violada os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo ser relevada, inclusive por aplicação da interpretação mais benigna, na forma do art. 112 do CTN. Finalizando, a recorrente pede a exclusão da multa de ofício aplicada, com fundamento no art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a exigibilidade do débito estaria suspensa por força de liminar concedida (juntou ao recurso o acompanhamento do processo 2001.61.05.003912 – AMS 243031SP), sendo que havia necessidade de realização de prova pericial, realizada por auditoria independente, que demonstrará a ausência de acréscimo patrimonial em prol da defendente. Em petição datada de 20 de abril de 2012, juntada aos autos, a recorrente noticia que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808/PR, declarou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário por parte do fisco, o que é suficiente para cancelar o lançamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 18/08/2008 (fl. 413), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 22/08/2008 (fl. 414), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/09/2008, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2102000.086 S2C1T2 Fl. 576 4 Antes de tudo, devese anotar que a recorrente pediu a exclusão da multa de ofício aplicada, com fundamento no art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a exigibilidade do débito estaria suspensa por força de liminar concedida (juntou ao recurso o acompanhamento do processo 2001.61.05.003912 – AMS 243031SP – número CNJ 0003912 67.2001.4.03.6105). Analisando a documentação juntada (fls. 461 a 469), não se vê a recorrente como parte no mandado de segurança acima. Consultando o mandamus citado no site do TRF 3ª Região (disponível em: http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20016 1050039124. Acesso em 10 de agosto de 2012), vêse que a União Federal litiga com ARY PERANOVICH e LUCIANO PERANOVICH, não constando a recorrente como parte no mandado de segurança em foco. Dessa forma, não há qualquer prova nos autos a indicar que o objeto da autuação esteja sob discussão judicial, estando esta instância livre para apreciar todas as matérias deduzidas no recurso voluntário. As nulidades vindicadas, com exceção da transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco e da aplicação pretérita dos poderes instituídos pela Lei complementar nº 105/2001, poderiam ser enfrentadas neste momento nesta instância, não havendo, em princípio, como acatálas, pois se trata de ataque à hipótese da tributação oriunda do art. 42 da Lei nº 9.430/96, forma de tributação mansamente aceita neste CARF (para tanto, apenas como exemplos, vide a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada; Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário; Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física). Igual compreensão se aplica à nulidade levantada em relação ao procedimento de julgamento na Primeira Instância Administrativa, no qual também o CARF tem assentado sua regularidade. Entretanto, a discussão sobre a inviabilidade da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, bem como a aplicação dos poderes da LC nº 105/2001 de forma retroativa pelos agentes fiscais, hoje está sendo sobrestada, como se demonstra a seguir. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação Fl. 576DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2102000.086 S2C1T2 Fl. 577 5 conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2102000.086 S2C1T2 Fl. 578 6 Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. E, no caso destes autos, em decorrência da omissão da contribuinte em fornecer ao fisco os extratos de suas contas bancárias, a fiscalização emitiu as competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, de nºs 2005142 e 2005145, para assenhoreamento compulsório dos extratos pelo fisco (fls. 28 a 31), a indicar a identidade jurídica com o Tema 225. Ademais, o próprio recorrente sustentou debate similar ao Tema 225, sendo imperioso aguardar a decisão final do Supremo Tribunal Federal. Assim, com a fundamentação acima, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001453/2006-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 27/07/2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos e Demes Brito e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 27/07/2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos e Demes Brito e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001453/200612 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.243 – 3ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria ADMISSIBILIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FINANCEIRA ALFA LTDA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/07/2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos e Demes Brito e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 53 /2 00 6- 12 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Discute a Fazenda Nacional a possibilidade de aplicação da taxa selic a direito creditório reconhecido judicialmente antes de sua edição, que, por isso mesmo, não foi previsto na decisão que transitou em julgado. Como paradigmas, apresentou decisões que consideraram ofensa à coisa julgada a extensão de compensação originalmente deferida apenas com débitos da mesma contribuição. Neles a decisão transitada em julgado limitou a utilização de direito creditório de PIS à compensação de débitos do mesmo PIS e as decisões administrativas mantiveram tal restrição mesmo tendo sido exercido o direito quando já vigente o art. 74 da Lei 9.430/96. A seguir as ementas como transcritas no corpo do recurso: Acórdão n° 20403370 "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/06/1999 NORMAS GERAIS. DECADÊNCIA. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. IN APLICABILIDADE. Os débitos confessados espontaneamente pela empresa em Declarações de Compensação sujeitamse a prazo homologatório, de cinco anos contados a partir da data da entrega da declaração, a teor do art. 17 da Lei n 10.833/2003, que não se confunde com o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN aplicável aos tributos que requeiram prévio lançamento pela autoridade fazendária. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Em processos originados em declarações de compensação, o litígio administrativo cingese à possibilidade da compensação comunicada e não atinge a cobrança dos débitos nela informados. Descabe, por isso, o exame de eventual duplicidade de exigência. COISA JULGADA. O respeito à coisa julgada i m p õ e a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário. Se a decisão judicial transitada em julgado restringe a compensação de indébito tributário de PIS a débitos da própria contribuição, mesmo após a edição das Leis n°s 9.430/96 e 10.637/2002, assim deve proceder a Administração Tributária. Recurso Voluntário Negado" (grifos acrescidos) Acórdão n° 20402901 "PIS. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO DE LEI POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE CONTRARIAR A COISA JULGADA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que determina que os créditos de PIS só poderão ser compensados com valores devidos do próprio PIS, inviável a aplicação de lei posterior que possibilita a compensação com outros tributos. Devese respeitar a coisa julgada, conforme proteção dada pela Constituição Federal, de forma que a lei mais benéfica ao contribuinte, no Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.001453/200612 Acórdão n.º 9303004.243 CSRFT3 Fl. 3 3 caso em questão, não pode retroagir de forma a contrariar o que expressamente dispõe a decisão judicial transitada em julgado. Recurso negado." Admitido o recurso pelo Presidente da Seção, sobrevieram contrarrazões que postulam a manutenção do julgado com citação de jurisprudência do STJ em linha com as conclusões da Câmara e mencionam a Nota Cosit 141/2003 em que a própria Administração tributária assim se posicionara. É o Relatório, tão sucinto quanto o necessário. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Entendo imprescindíveis alguns breves comentários sobre a admissibilidade do recurso. É que a Fazenda Nacional, mais uma vez, fez uso da possibilidade prevista no parágrafo 7º do art. 67 do Regimento vigente por ocasião da apresentação do seu recurso, de modo que apenas transcreveu nele as ementas das decisões que pretendia paradigmáticas. Da leitura delas, no entanto, não resta claro que as situações confrontadas sejam, de fato, semelhantes a ponto de o recurso poder ser conhecido. E isso porque durante muito tempo boa parte dos conselheiros distinguíamos duas situações no que concerne à matéria que foi objeto de discussão nos paradigmas, isto é, compensação entre tributos diferentes postulada administrativamente sob a égide da Lei 9.430, mas referente a decisão judicial que limitara sua compensação ao próprio tributo. Num caso, a decisão transitava em julgado antes da edição do ato novo, sendo impossível ao Juiz leválo em consideração quando da prolação de sua sentença. Noutro, a decisão era proferida (ou, ao menos, o seu reexame em grau de recurso) quando já vigente o novo ato legal, mas a este nenhuma referência fazia, limitandose àquilo que constava do pedido original do autor. Na primeira hipótese, muitos daqueles que filiávamos à corrente admitiam a aplicação da nova legislação, dado que a decisão jamais poderia a ela fazer qualquer referência; não, porém, no segundo, visto que o juiz, conhecedor que é do direito, poderia perfeitamente identificar a perda do objeto específico e reconhecer de pronto o direito em sua sentença, ainda que não tivesse (também por óbvio) constado do pedido original. Essa distinção, no entanto, deixou de prevalecer, repito, na matéria objeto dos paradigmas, por força de nota oriunda da própria administração tributária Nota COSIT 141/2003. Com base nela, reforço, votamos recentemente1 pela possibilidade de compensação entre tributos diferentes mesmo que a decisão judicial a tivesse limitado ao mesmo tributo e ainda que essa decisão houvesse transitado em julgado quando já existente o ato legal garantidor do direito postulado. Em resumo, versasse o recorrido sobre essa mesma situação, forçoso seria reconhecer que o entendimento pretendido pela Fazenda Nacional não mais prevaleceria neste 1 Acórdão 9303002.225, relator o i. Conselheiro Marcos Valadão, sessão de março de 2013 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 colegiado. Sendo a ela restritos os acórdãos pretendidos como paradigmas, forçoso também reconhecer não ter sido comprovada a divergência necessária ao conhecimento do recurso. Voto, pois, pelo seu não conhecimento. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10480.908676/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.296
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 76 /2 01 2- 93 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.570, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908676/201293 Acórdão n.º 3201002.296 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914815/2012-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.276
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.815, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 15 /2 01 2- 93 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914815/201293 Acórdão n.º 9303004.276 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914815/201293 Acórdão n.º 9303004.276 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10921.000133/2010-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/04/2010
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada, não é passível de denúncia espontânea porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 9303-003.556
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada, não é passível de denúncia espontânea porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 33 /2 01 0- 28 Fl. 154DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3102002.077, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/04/2010 MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCABIMENTO As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. COBRANÇA DE MULTA ISOLADA. LEGALIDADE A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontrase plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro. Recurso Voluntário Negado” Insatisfeito com o referido acórdão, o sujeito passivo apresentou recurso especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido no que tange ao afastamento da penalidade de natureza administrativa com a invocação da denúncia espontânea. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 146 3 O apelo do sujeito passivo foi admitido, conforme Despacho nº 3100521 de fls. 128/130 Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 132/141 em face do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, requerendo: · O não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte; · E, caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que atende aos pressupostos de admissibilidade, pois foi comprovada a divergência suscitada. O acórdão recorrido considerou inaplicável a denúncia espontânea sobre penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, sendo que o julgamento foi realizado posteriormente à redação dada pela Lei nº. 10.350, de 2010, ao § 2º do art. 102 do DecretoLei nº. 37/66. Por outro lado, no paradigma, que tratou da mesma penalidade, o colegiado considerou aplicável a denúncia espontânea às infrações da mesma espécie. Notese que no paradigma tratouse de penalidade exigida para fato gerador ocorrido antes da Lei 10.350, de 2010, e o julgamento foi realizado após sua vigência, situação idêntica ao recorrido. Todavia, no paradigma, foi afastada a penalidade por aplicação da retroatividade benigna. Fl. 156DF CARF MF 4 Ventiladas tais considerações, no que tange à lide – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, apenas destaco que essa conselheira alterou seu entendimento em relação a essa matéria – especificamente, quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea quando se tratar de obrigação acessória em matéria aduaneira. Essa conselheira aplicava para o caso em comento o entendimento consolidado em todas as esferas jurídicas de que as obrigações tributárias autônomas ou acessórias deveres de caráter formal não guardam vínculo necessário com o fato gerador do tributo. E que, por conseguinte, trazia que o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não obstante o argumento do sujeito passivo, de que tenha informado espontaneamente antes de qualquer procedimento fiscal. E, ainda considerava, para tanto, que tal entendimento já se encontrava pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula de Enunciado n° 49 (numeração de enunciados consolidados): “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” Invocando, inclusive, o Julgado do STF, RE n° 195161/GO de 26/04/99, que expõe que “a entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar com atraso a declaração de imposto de renda”. E, por fim, por analogia, entendia que, por se tratar o caso especificamente de penalidade por inobservância de obrigações acessórias, independentemente de se tratar de obrigação acessória “aduaneira”, observava a referida Súmula, apesar desta última ter tratado especificamente de atraso na declaração de DCTF. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 147 5 Não obstante, refletindo melhor sobre a aplicabilidade ou não da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alterei meu entendimento. Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira encontrase positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): Fl. 158DF CARF MF 6 “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 148 7 Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do DecretoLei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não Fl. 160DF CARF MF 8 obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 149 9 Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por admitir o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 162DF CARF MF 10 Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Ao meu sentir, a questão fulcral deste contencioso passa antes pela apreciação mais minuciosa do tipo penal tributário malferido. Ou por outras palavras, se a infração praticada pela recorrida é passível de aplicação de denúncia espontânea. E tal mister, de fato mereceu especial atenção no voto do exconselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Dizia o i. relator, Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi: a) Da denúncia espontânea Um dos argumentos da Recorrente diz respeito à aplicação dos benefícios da denúncia espontânea, trazida pelo CTN no art. 138, pois, segundo a interessada, registrou, ainda que não imediatamente, a declaração dos dados do embarque no SISCOMEX antes de qualquer fiscalização e, por isso, a multa aplicada no Auto de Infração em litígio deve ser afastada. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Admitir a denúncia espontânea no caso em tela seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. Esse tem sido o entendimento de ambas as Turmas de Direito Público do STJ e também do CARF. No que toca ao CARF, apenas à guisa de ilustração transcrevo o Acórdão abaixo: Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Ementa NULIDADE Não há vedação para a assinatura digital, não implicando vício formal nem cerceamento de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea para excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração. Logo, não há como se reconhecer a procedência na alegação do Recorrente. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 150 11 Ainda nesse diapasão, vale trazer a lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3102002.187, de 26/03/2014, que trata da mesma matéria: Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a Fl. 164DF CARF MF 12 informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10921.000133/201028 Acórdão n.º 9303003.556 CSRFT3 Fl. 151 13 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/ MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida merece ser reformada, nos termos supra. Do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso, mantendo a multa por descumprimento de prazo de prestação de informação sobre veículo e carga sob controle aduaneiro, fixada no art. 107, IV, “e”, do Decretolei 37/1966. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722061/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/06/2013
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE.
A uma vez comprovada a omissão do real comprador das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiro, configura dano ao Erário sancionado a com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. POSSIBILIDADE.
A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/06/2013
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade a decisão primeira instância em que apreciada todas as razões de defesa suscitadas pelos impugnantes contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada.
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa.
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários.
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que excluíam do polo passivo a empresa Savixx. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto. Esteve presente o Dr. André Grassiotto - OAB 287387 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Declarante.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 5.601 1 5.600 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722061/201366 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.366 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR PENALIDADES Recorrente SAVIXX COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. A uma vez comprovada a omissão do real comprador das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiro, configura dano ao Erário sancionado a com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. POSSIBILIDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/06/2013 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão primeira instância em que apreciada todas as razões de defesa suscitadas pelos impugnantes contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 20 61 /2 01 3- 66 Fl. 5601DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que excluíam do polo passivo a empresa Savixx. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto. Esteve presente o Dr. André Grassiotto OAB 287387 SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Declarante. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Trata de auto de infração (fls. 2/93), em que formalizada a exigência de crédito tributário, no valor de R$ 2.928.386,49, relativo à conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do Fl. 5602DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.602 3 artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. De acordo com a descrição dos fatos, que integra o referido auto de infração, a fiscalização apurou que Nas importações realizadas pela pessoa jurídica SAVIXX COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A, doravante denominada de SAVIXX, por encomenda da pessoa jurídica FELIX MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA., doravante denominada de FELIX, fora identificado o cometimento das infrações de interposição fraudulenta de terceiros e de uso de documento falso, nos respectivos despachos aduaneiros de importação, as quais motivaram a aplicação da referida penalidade. Segundo a fiscalização, no período analisado, as Declarações de Importação (DI) que amparavam as referidas operações de importação por encomenda da pessoa jurídica FELIX foram registradas por dois importadores distintos, as pessoas jurídicas SAVIXX e LOG TRADING & SUPPLY CHAIN LTDA, doravante denominada de LOG TRADING, que originou a lavratura de vários autos de infração, segregados por importador e diferentes sujeitos passivos solidários. O presente auto de infração foi lavrado contra a pessoa jurídica SAVIXX, por ter constado nas DI como importadora por encomenda das mercadorias (importadora aparente) e, na condição de responsáveis solidárias, foram incluídas no pólo passivo as pessoas jurídicas FELIX, por haver concorrido para a prática infracional ou dela se beneficiado, e PIASTRELLA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA., doravante denominada PIASTRELLA, identificada como a verdadeira encomendante/adquirente das mercadorias e por haver concorrido para a prática e se beneficiado da infração. A fiscalização apurou que a empresa FELIX figurou como encomendante nas operações de importação investigadas, entretanto as mercadorias eram prédestinadas a outros interessados, verdadeiros encomendantes das mercadorias e sujeitos passivos das obrigações tributárias, mas que, mediante interposição fraudulenta, mantiveramse ocultos nas operações de importação objeto da questionada autuação. Nas importação objeto da presente autuação, a pessoa jurídica PIASTRELLA foi identificada como a real compradora/encomendante e responsável pelas operações de importação das mercadorias estrangeiras, mediante interposição fraudulenta de terceiro, pois foi ela quem forneceu os meios para a atuação da pessoa jurídica encomendante interposta FELIX, especialmente, os recursos financeiros utilizados custeio das operações de importação. Após a conclusão do procedimento especial de fiscalização instaurado perante a pessoa jurídica FELX, segundo os excertos extraídos da citada descrição dos fatos, a seguir transcritos, asseverou a fiscalização que restou constatado que: • A rede de lojas AMOEDO negociou diretamente as mercadorias no exterior, através do Sr. Ricardo Torres de Oliveira, funcionário de uma das empresas da Rede de Lojas Amoedo e responsável pelos trâmites de todas as operações de comércio exterior do grupo; • Há um intricado interrelacionamento da FELIX com outras empresas do grupo, por meio de sócios e/ou administradores integrantes ou excluídos dos quadros societários. Tais empresas foram responsáveis pelos créditos não contabilizados na conta Fl. 5603DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 bancária da FELIX e foram as destinatárias das mercadorias de procedência estrangeira; • Na conta bancária da FELIX, há inegáveis coincidências de datas e valores dos créditos efetuados pelas Lojas da Rede Amoedo e dos débitos para pagamento aos importadores, sem a devida escrituração contábil, demonstrando que as importações foram na verdade pagas pelas outras empresas do grupo; • Empresas da Rede de Lojas Amoedo foram as verdadeiras responsáveis pela prestação de garantias a importadora SAVIXX para realização das operações de comércio exterior, na forma de carta de fiança; • Há confusão de gerentes e administradores entre as empresas da Rede de Lojas AMOEDO; • A FELIX não dispõe e nunca dispôs da capacidade operacional e logística necessária para estocar e movimentar mercadorias para atuar no comércio exterior nos montantes transacionados; • A FELIX não dispõe e nunca dispôs dos funcionários necessários para atuar no comércio exterior nos montantes transacionados, e nem para comercializar as mercadorias importadas no mercado interno. (destaques do original) Após análise do fluxo de pagamentos e recebimentos da pessoa jurídica FELIX, a fiscalização chegou a conclusão que a citada pessoa jurídica não era a verdadeira encomendante/adquirente das mercadorias importadas, mas sim as pessoas jurídicas integrantes do grupo de Rede de Lojas AMOEDO, com base constatações relatadas nos trechos extraídos da referida descrição dos fatos, a seguir transcritos: 1. Após o desembaraço e antes da emissão de qualquer Nota Fiscal, os valores para pagamento das importações eram transferidos das Lojas AMOEDO para a FELIX (QUADRO (B)); 2. Após o recebimento desses valores, no mesmo dia ou no dia seguinte, a FELIX efetuava a transferência para a SAVIXX (QUADRO (C)); 3. Após o recebimento dos valores, a SAVIXX emitia as Notas Fiscais de Saída para a FELIX (QUADRO (D)). Tais Notas Fiscais representam saídas fictícias, pois as mercadorias não eram destinadas a estabelecimento da FELIX, mas diretamente para as Lojas AMOEDO; 4. No mesmo dia ou em data bem próxima, a FELIX emitia as Notas Fiscais de Saída para a Loja AMOEDO destinatária final das mercadorias (QUADRO (E)), que recebia as mercadorias importadas diretamente do recinto alfandegado; 5. Os valores transferidos das Lojas AMOEDO para a FELIX (QUADRO (B)) são valores redondos, na ordem de milhares, que não coincidem com as datas e valores das Notas Fiscais, até porque elas sequer estavam emitidas. As datas das transferências são anteriores a emissão das Notas Fiscais. Resta claro que tais transferências não são de fato pagamentos de compras, mas “suprimentos de caixa” fornecidos à FELIX pela Fl. 5604DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.603 5 verdadeira encomendante das mercadorias, para possibilitar o pagamento adiantado da importadora SAVIXX, antes da emissão das Notas Fiscais de Saída, e garantir a entrega das mercadorias importadas; 6. Para algumas operações, uma das Lojas AMOEDO transferiu a totalidade ou parte dos valores para a FELIX (QUADRO (B)), enquanto outra loja foi a destinatária final das mercadorias (QUADRO (E)). Vide linhas REF 2, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 22. Tal situação demonstra a confusão patrimonial da Rede de Lojas AMOEDO, pois a loja que de fato pagava as importações nem sempre era a verdadeira destinatária final das mercadorias importadas; 7. Para uma das operações, vide linha REF 9, os valores sequer transitaram pela FELIX, foram transferidos de uma das Lojas AMOEDO, a RHODES 116, diretamente para a SAVIXX. (grifos do original) Em suma, com base em tais fatos, a fiscalização concluiu que as evidências reunidas demonstravam que: a) a pessoa jurídica FELIX tinha atuado, reiteradamente, como interposta pessoa nas importações, de fato, realizadas pelas empresas integrantes do grupo Rede de Lojas AMOEDO, reais encomendantes/adquirentes das mercadorias importadas, ocultadas nas correspondentes operações de importação; e b) as DI registradas pela importadora aparente SAVIXX estavam eivadas de falsidade, pois nelas havia declarado que a encomendante predeterminada fora a pessoa jurídica FELIX, porém, os fatos evidenciavam que as verdadeiras encomendantes foram as demais pessoas jurídicas integrantes do grupo de Rede de Lojas AMOEDO, no caso da presente autuação, a pessoa jurídica PIASTRELLA. Em sede de impugnação, as razões de defesa apresentadas pela autuada SAVIXX e pelas pessoas jurídicas solidárias foram assim resumidas nos excertos do relatório encartado no acórdão recorrido, que seguem transcritos: Devidamente cientificadas do lançamento, as autuadas arroladas no pólo passivo, SAVIXX (doravante 1ª Impugnante), FELIX (doravante 2ª Impugnante) e PIASTRELLA (doravante 3ª Impugnante) apresentaram tempestivamente suas impugnações, conforme constam nos autos na íntegra, as quais se consideram como se estivessem aqui integralmente transcritas, e de onde a seguir se extrai resumida e essencialmente as suas alegações: Da 1ª Impugnante. I.1. Depois de intimada a apresentar documentos e esclarecimentos diversos, e após justificado pedido de prorrogação de prazo em face do volume e complexidade dos documentos solicitados, a interessada apresentou resposta com 49 processos de importação e outros documentos. Ainda assim foi reintimada para apresentar complementarmente a correspondência comercial trocada com o encomendante das mercadorias importadas (a FELIX), bem como documentos comprobatórios da origem, transferência e disponibilidade dos recursos recebidos pela venda das mercadorias importadas, os Fl. 5605DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 quais foram creditados pela FELIX em contas bancárias de sua titularidade no Banco BANESTES S/A e Banco do Brasil. I.2. Posteriormente, am atendimento a nova intimação, a SAVIXX acostou comprovantes TED e informou estar apresentando todos os documentos que estavam faltantes em relação às intimações anteriores, informando por fim que não lhe seria possível identificar o remetente de recursos nos casos de “depósitos on line”, exclusivamente porque tal informação não constava nos extratos apresentados pelas instituições financeiras I.3. Havendo a fiscalização apontado uma inconsistência nas informações prestadas, a SAVIXX confirmou e esclareceu que os recursos foram de fato creditados no BANESTES, mas foram imediatamente transferidos para o Banco do Brasil, juntando documentos comprobatórios disso, emitidos pelos referidos Bancos. I.4. Complementarmente expôs que todos os faturamentos decorrentes de importações realizadas por encomenda da FELIX foram efetuados diretamente contra esta, com todos com vencimento à vista, todos sempre adimplidos, o que sempre lhe transmitiu segurança quanto à sua capacidade econômica e financeira, não havendo porque a SAVIXX tivesse de suspeitar das irregularidades apontadas pela fiscalização. I.5. Não bastasse isso, outro fator de segurança para a SAVIXX foi que a FELIX apresentou Fiança Bancária no valor de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), emitida pelo UNIBANCO, apresentandose este, pois, como fiador da FELIX. Essa garantia conferida à encomendante prédeterminada demonstrava a sua capacidade econômica e financeira para as importações encomendadas. A SAVIXX não dispunha de nenhuma outra informação que apontasse falta de lastro para a garantia oferecida pela FELIX, além disso sempre que foi demandada na investigação fiscal cumpriu sua obrigação de informar quanto ao solicitado. I.6. Sobre a Rede de Lojas AMOEDO, suposto Grupo Econômico oculto. Alega a d. fiscalização que o real encomendante dos aparelhos de arcondicionado importados pela SAVIXX (por encomenda da FELIX) seria a empresa PIASTRELLA, que esta seria uma loja da rede varejista da AMOEDO. Terseia constatado ainda que outras empresas/lojas da rede AMOEDO teriam bancado diversas operações de importação da FELIX, efetuando créditos em conta bancária de sua titularidade para que esta posteriormente os repassasse às trading companies utilizadas para as compras internacionais. Segundo a acusação fiscal, todas as empresas destinatárias das mercadorias importadas, por encomenda da FELIX, compradoras das mercadorias importadas no mercado interno, seriam só aparentemente independentes entre si, porque seriam vinculadas à FELIX por meio dos atuais sócios e também por meio de ex integrantes dos respectivos quadros societários. I.7. Acrescentouse que alguns extratos bancários apresentados pela FELIX apontavam débitos referentes a “pagamentos à Fl. 5606DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.604 7 SAVIXX” e créditos realizados quase sempre no mesmo dia, em valores bastante próximos aos dos débitos, sem identificação dos remetentes dos recursos. Segundo a fiscalização, os referidos débitos somam R$ 2.838.505,17, e os créditos são no valor de R$ 2.880.000,00. A conclusão da fiscalização foi de que as empresas remetentes de recursos para a FELIX foram as que de fato arcaram com os pagamentos das importações à SAVIXX (1ª Impugnante) I.8. Na investigação fiscal foram analisadas diversas Notas Fiscais de Saída da FELIX, extratos bancários e dados extraídos dos sistemas de controle da Receita Federal, tudo isso para identificar as empresas remetentes dos recursos para a FELIX , a coincidência entre sócios e exsócios dessas empresas e da FELIX, concluindose que todas são pertencentes a um mesmo grupo econômico, a rede de lojas AMOEDO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. I.9. Apontaramse indícios de prova para as conclusões apresentadas: a) terseia encontrado na internet, no sítio da AMOEDO, um anúncio de venda de aparelhos de ar condicionado importados pela PIASTRELLA por meio da DI nº 10/04369249, justamente a que deu início a toda a investigação da FELIX; b) emails trocados entre a AMOEDO e a SAVIXX (ora 1ª Impugnante), antes que a DI acima referida fosse submetida ao procedimento especial de investigação, e mesmo antes da importação, serviriam de prova de que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico, e que a rede de lojas da AMOEDO foi a responsável e verdadeira interessada na operação de importação. I.10. Nesse ponto, fazse mister os seguintes esclarecimentos pela SAVIXX, reiterando o que já expusera à d. fiscalização no curso da investigação, pelo que se depreende do auto de infração, a fiscalização concluiu por prática de interposição fraudulenta da empresa FELIX em operações de importação realizadas pela SAVIXX sob sua encomenda, e nisto terseia ocultado a rede de lojas da AMOEDO. Em continuidade aos argumentos antes apresentados, a SAVIXX ao longo da investigação com a qual sempre contribuiu, esclarece mais uma vez que participou de negócios totalmente lícitos, realizando importação de mercadorias a ela encomendadas mediante pedidos que lhes foram apresentados exclusivamente por seu cliente FELIX, única empresa com quem contratou. Nada mais. I.11. Ainda que se fale em interposição fraudulenta de outras empresas posteriores compradoras das mercadorias já nacionalizadas, não há subsídios no presente Auto de Infração para se estender eventual punição decorrente de tal prática à SAVIXX. Observese que esta não possuía, e não haveria como ser diferente, ingerência sobre a origem dos recursos utilizados por seus clientes, no caso a FELIX, nem tampouco sobre a destinação das mercadorias que legitimamente importa e comercializa. Fl. 5607DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 A SAVIXX não tinha conhecimento da origem dos recursos da FELIX, bem como não sabia que seria a PIASTRELLA ou a AMOEDO as compradoras das mercadorias importadas com base nos pedidos de compra sempre apresentados pela FELIX. E deve ficar claro que não haveria como ser diferente. I.12. Muito menos podia saber a SAVIXX que os recursos utilizados pela FELIX para pagar pelas mercadorias referentes às DI’s registradas, pela SAVIXX, sob a encomenda daquela, seriam provenientes de empresas terceiras, na medida em que os créditos que recebia a SAVIXX eram oriundos de fato da FELIX. A fiscalização reconhece em seu relatório que as transferências para a SAVIXX foram provenientes da FELIX. Assim, ainda que da investigação tenha resultado que no fluxo financeiro identificouse que os recursos repassados pela FELIX à SAVIXX foram oriundos de empresas da rede de lojas AMOEDO, a SAVIXX não tinha acesso a essa informação, e é claro que a SAVIXX não tem nenhuma ingerência quanto aos recursos de seus clientes. I.13. Do relatório da Fiscalização extraemse dois pontos relevantes: (i) a SAVIXX efetivamente recebia créditos para pagamento das importações do seu cliente/encomendante FELIX; (ii) A origem dos recursos utilizados pela FELIX era absolutamente oculta para a SAVIXX, e somente foi desvendada, pela fiscalização, após análise de Livros, documentos fiscais, extratos bancários, e outros documentos obtidos mediante investigação das movimentações financeiras informadas pelas instituições bancárias, ou seja, através de documentos absolutamente estranhos à ora Impugnante (1ª Impugnante). E mais, após cumprir suas obrigações decorrentes de contratos, a SAVIXX não é mais responsável, corresponsável ou sequer tem ciência da destinação das mercadorias que importa. I.14. Sobre a descoberta da fiscalização de que a empresa PIASTRELLA seria uma das lojas da rede AMOEDO, as quais teriam financiado as operações realizadas entre a SAVIXX e a FELIX, a ora impugnante esclarece que também não tinha conhecimento de tal situação. Toda a negociação, desde antes a celebração do contrato, sempre foi com a FELIX que, entretanto se valia do nome de fantasia AMOEDO por conta do prestígio da marca no Rio de Janeiro, ou pelo menos assim imaginou a SAVIXX estar fazendo, induzida a erro pelo seu então cliente/encomendante FELIX. No caso as relações contratuais e negociais se deram entre a SAVIXX e a FELIX que, para todos os efeitos, se valia do nome de fantasia AMOEDO para comercializar as mercadorias relacionadas ao ramo da construção civil. Observese que não existe nenhuma PJ de nome AMOEDO, nem tampouco grupo econômico com essa denominação, embora seja este o nome de diversas lojas, do site na internet e da extensão dos emails utilizados pelo funcionário da FELIX com quem a ora Impugnante negociou. I.15. É nesse enfoque acima exposto que deve ser analisada a afirmação da fiscalização de que foi a AMOEDO que abriu a Fl. 5608DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.605 9 sequencia de mensagens apresentadas e que, portanto, foi a responsável pela importação focada, ou seja, o nome “AMOEDO” é mero nome de fantasia da FELIX, que não há PJ com esse nome e não houve negociação entre a SAVIXX, ora impugnante, e qualquer funcionário ou representante da AMOEDO enquanto empresa propriamente dita ou grupo econômico. I.16. Dessa forma, ainda que o funcionário (Ricardo Torres) com quem a SAVIXX trocou correspondência eletrônica não tenha qualquer vínculo empregatício com a FELIX, foi a SAVIXX induzida a acreditar que havia tal vínculo, na medida em que negociava um contrato com a empresa FELIX, a qual indicou como seu contato para pedidos de compra o Sr. Ricardo Torres. Por óbvio, não caberia à SAVIXX checar se havia ou não o vínculo empregatício daquele que foi designado pelo cliente para as tratativas de negociação e execução dos contratos. I.17. Que fique bastante claro que todas as descobertas realizadas pela d. Fiscalização, em especial sobre a existência de um grupo econômico (rede de lojas AMOEDO), bem como a relação societária entre a FELIX e as demais empresas das lojas AMOEDO, as quais teriam realizado créditos em contas bancárias da FELIX, tudo isso é fruto de vasto trabalho de fiscalização, com base em documentos e informações confidenciais e sigilosos, e não havia para a SAVIXX os meios de aferir essas informações, nem sequer desconfiar de irregularidade nas operações da FELIX. É importante frisar. Ainda que de fato haja o ”esquema” aduzido pela d. Fiscalização, a ora impugnante SAVIXX jamais fez parte desse esquema e jamais poderia suspeitar de sua existência. A SAVIXX, por meio de providências que se espera do “homem médio”, sempre procurou atuar no mercado de forma correta, com respeito à legislação, precavendose de supostos esquemas como o que se vê ora injustamente inserida pela d. Fiscalização. I.18. Nesse sentido, com relação à FELIX, cuja capacidade econômicofinanceira é questionada nestes autos, a SAVIXX esclarece que sempre foi atendida por funcionários que se identificavam como próprios da FELIX, sendo bastante qualificados, e a FELIX dispunha de crédito no mercado junto a bancos de primeira linha, assim jamais poderia questionar a idoneidade da FELIX ou sua capacidade de atuação e/ou adimplemento dos pedidos que faria. Sobre a fiança bancária oferecida pela FELIX à ora Impugnante a título de garantia, a qual fora desconstituída pela d. Fiscalização, também não é razoável esperar que a ora Impugnante tivesse ciência de que o Unibanco houvera emitido a Carta de Fiança em favor da FELIX lastreada em valores ou direitos previamente cedidos por seus sócios, relacionados a outras empresas do mesmo grupo econômico. I.19. No mais, da parte da SAVIXX, em nenhuma das operações de importação investigadas houve qualquer supressão de tributos, que todos os impostos incidentes foram recolhidos, Fl. 5609DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 inclusive o IPI, sendo indiferente para a SAVIXX quem seria o seu encomendante. I.20. Da alegada quebra na cadeia do IPI. I.20.1. Este ponto foi aduzido, pela d. Fiscalização, como fator motivador de todo o “esquema” supostamente entabulado pela FELIX e pelas demais empresas do seu grupo econômico, sobre isso esclarece a SAVIXX que a cadeia de incidência do IPI sobre produtos importados é estendida até o encomendante, o que o torna um contribuinte desse imposto ainda que não realize qualquer atividade industrial. No caso concreto, para fins de valoração do tributo a recolher, pela SAVIXX, não haveria diferença se a importação fosse realizada para a PIASTRELLA ou para a FELIX, ou para qualquer outra empresa dita “suposta interessada no esquema”, a menos que a SAVIXX aferisse alguma vantagem em eventual operação ilegal, o que não se verifica em hipótese alguma, sendo certo que não há sequer acusação nesse sentido em todo o trabalho realizado pela fiscalização. 1.20.2. Assim, se o desenho da operação propiciava alguma vantagem fiscal, esta seria do faturamento efetuado pela SAVIXX para frente, não a atingindo. Não há como incluir a SAVIXX como parte do “esquema” sem demonstrar a vantagem que teria obtido. I.21. Da inexistência de simulação nas operações. 1.21.1. Segundo a fiscalização teria havido interposição fraudulenta nas importações focadas nestes autos, bem como em várias outras operações realizadas pelas partes autuadas, mediante fraude, simulação ou falsidade documental. No entanto, da análise de todos os documentos apresentados no procedimento investigatório, em face do instituto da simulação, verificase cabalmente que isso não ocorreu nas importações sob análise. 1.21.2. A simulação está definida no Código Civil Brasileiro (CCB), exigindo sua caracterização a constatação de divergência entre o negócio jurídico real (o realizado) e o negócio jurídico declarado (simulado). Conforme preceitua o CCB, art.167, haverá simulação quando o negócio jurídico for realizado: (i) aparentando transmitir direitos a pessoas diversas, (ii) contiver declaração falsa ou, (iii) estiver baseado em instrumentos particulares antedatados ou pósdatados. 1.21.3. No caso concreto, segundo a fiscalização, a ora Impugnante e a FELIX teriam praticado um negócio simulado. Segundo a ilação fiscal, a vontade aparente (simulada) seriam as importações realizadas pela SAVIXX sob a encomenda da FELIX, para posterior revenda no mercado interno; mas, na verdade o interesse das partes seria simular as importações de mercadorias cujos reais adquirentes seriam empresas do mesmo grupo econômico da FELIX, mas que esta se apresentava como encomendante, interposta na operação apenas para simular/ocultar a vontade das partes realmente adquirentes. No entanto, por todo o exposto antes, está equivocado esse Fl. 5610DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.606 11 entendimento. As operações efetivamente ocorreram e foram exatamente aquelas praticadas e formalizadas, tendose apresentado toda a documentação correspondente tão logo foi solicitada à SAVIXX pela d. Fiscalização. 1.21.4. Tratase de três operações distintas: na primeira, a SAVIXX importa as mercadorias encomendadas pela FELIX; Na segunda, a SAVIXX vende tais mercadorias à FELIX; na terceira, a FELIX vende as mercadorias aos seus clientes no mercado interno. Essas três etapas ocorreram para todos os fins e produziram os efeitos previstos na legislação. E, no que tange à atuação da SAVIXX nessas operações aqui consideradas, tudo foi feito às claras, sem nada ocultar, sem nenhum intuito de induzir quem quer que seja em erro, muito menos a d. Fiscalização. Ao menos essa é a leitura que a SAVIXX sempre teve dessas operações, e não havia motivo para entender diferente, lembrandose que os fatores que levaram à d. fiscalização a uma conclusão em contrário foi fruto de árdua investigação, com base em documentos sigilosos, sobre os quais a SAVIXX não possui qualquer ingerência e nem sequer conhecimento. 1.21.5. É importante deixar claro que foi o aspecto financeiro envolvido nas operações o fator único de interesse da SAVIXX, a qual tem sua atuação nas operações investigadas justificada pela utilização do sistema FUNDAP, aferindo lucro na operação com suporte nos benefícios por ele oferecido (tratamento tributário diferenciado). 1.21.6. Ademais, destacase que a simulação exige intenção deliberada de enganar terceiros para obter vantagem. É dizer, somente existe simulação quando é comprovada a finalidade, o real motivo que o agente intentou atingir. Tratase de conclusão óbvia, já que ninguém cometeria ilícito, para ludibriar terceiros, sem motivo, uma vantagem para tanto. Para a fiscalização, a vantagem seria a quebra da cadeia de IPI, entretanto, essa vantagem seria auferida exclusivamente pelas supostas reais encomendantes. Assim, ainda que o “esquema” sugerido pela fiscalização tenha ocorrido, considerandose a utilização de recursos de terceiros pela FELIX, não houve qualquer repasse de vantagem à SAVIXX. Portanto, cai por terra a pretensão de incluir a ora impugnante como partícipe de tal esquema. Nesse sentido, cita em suporte, a doutrina de Marco Aurélio Greco (in GRECO, Marco Aurélio, Planejamento Tributário, 2ª edição, 2008, São Paulo, Dialética, pp.267 e 269 – vide transcrição às fls.5.101/5.102) 1.21..7. Por todo o exposto concluise que, no caso concreto, não houve negócio jurídico simulado por parte da SAVIXX nas etapas das operações que contaram com sua atuação. Ao longo dos seus quase dez anos de operações no estado do Espírito Santo a prática adotada pela SAVIXX sempre foi a correta identificação e instrumentalização das importações que realiza. Aliás, tal conduta sempre a caracterizou desde o inicio de suas Fl. 5611DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 operações de importação desde o ano de 1984. Ao longo de todos esses anos a SAVIXX experimentou gradual crescimento, fruto de muito trabalho e “expertise” em sua área de atuação. Seu histórico revela o zelo com que realiza seus negócios, a estrita obediência da lei e idoneidade de todas as suas práticas. 1.21.8. Por outro lado, pelo que se extrai do Relatório Fiscal, o histórico e rotinas da FELIX são bastante diferentes. Segundo a fiscalização, a FELIX encontrase inoperante e sem atividades (segundo seu contador), não havendo razão para associar a SAVIXX à referida empresa, nem às outras empresas do mesmo grupo econômico da FELIX. 1.22. Houve erro na capitulação legal dos fatos no AI. Este se fundamenta na alegação de que as empresas autuadas, rol em que foi inserida a ora Impugnante SAVIXX, teriam praticado infrações à legislação aduaneira tipificadas como “interposição fraudulenta de terceiros na importação de mercadorias” e “uso de documento falso no desembaraço aduaneiro”. A fiscalização teria constatado que nas importações realizadas pela SAVIXX por encomenda da FELIX, os recursos empregados por esta foram oriundos de empresas terceiras, estranhas às operações declaradas, posteriores compradoras, no mercado interno, das mercadorias importadas. Nos termos do AI, contra a SAVIXX foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias registradas nas DI especificadas, com posterior conversão dessa pena em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Às demais partes, supostamente envolvidas no “esquema”, foi atribuída a condição de sujeitos passivos solidários quanto à mesma penalidade. Há, porém, erro grave na capitulação legal das condutas praticadas pelos envolvidos no suposto “esquema”, com consequente erro na aplicação das sanções a cada um desses supostos envolvidos, na medida em que se trata de condutas distintas, porém, no caso concreto mereceu a mesma sanção, o que fere a legislação aduaneira específica. 1.23. Discutese agora a suposta conduta que, na prática, teria resultado em fornecimento de informações falsas na DI relacionada no AI, consubstanciandose em fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, nos termos do Dl nº 1.455/76, art.23, V, §§ 1º e 3º. Convicta da prática da conduta tipificada no dispositivo legal mencionado, a d. Fiscalização aplicou à SAVIXX a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias relacionadas na DI especificada no AI. Ocorre que tal aplicação não encontra embasamento legal quando se analisa individualmente as condutas perpetradas pelas partes. O citado art.23, V. do Dl 1.455/76, destinase a punir o sujeito oculto das operações de importação em que tenha havido interposição fraudulenta de terceiros. Ou seja, destinase a punir o dito “verdadeiro responsável pela operação”. Nessa linha de raciocínio da d. Fiscalização seria a empresa FELIX e não o importador SAVIXX. I.24. E mais. Com o advento da Lei 11.488/2007, art. 33, deixou de ser imputável ao importador ou ao exportador ostensivo, em coautoria, a infração prevista nesse artigo, restando aplicável ao Fl. 5612DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.607 13 agente que cede seu nome ao agente ocultado uma multa de 10% sobre o valor da operação acobertada. Assim, no caso concreto deveria ser aplicada à FELIX a citada multa de 10%, e não a multa no valor aduaneiro integral das mercadorias importadas (100%). Nos termos da legislação regente, a pena de perdimento das mercadorias seria aplicável ao terceiro ocultado, e não ao importador (aquele que realizou a importação), nem tampouco ao agente que cede o nome. No caso concreto, ainda que o suposto “esquema” aduzido pela fiscalização seja real, a penalidade aplicada às partes deveria ter sido aplicada à figura do suposto encomendante oculto no caso concreto à empresa FELIX, e não ao importador SAVIXX, ora impugnante. Assim, à ora impugnante SAVIXX não haveria que se impor a pena de perdimento, nem mesmo na condição de sujeito passivo solidário, de modo que há erro grave na sua autuação. I.25. Com relação à imputação à SAVIXX de suposta conduta de falsidade documental, de todo o exposto concluise não subsistir tal acusação. Todos os documentos que sustentaram as operações de importação por encomenda da FELIX se deram consoante as informações constantes do Contrato celebrado entre as partes, bem como de acordo com os pedidos de compra (no exterior) que a SAVIXX recebera do seu cliente/encomendante FELIX, sendo impossível sustentar que a SAVIXX devesse, enquanto importadora, ter escrito informações diversas das que consignou nos documentos de importação. Ademais, o delito de falsidade ideológica exige para sua caracterização o dolo específico que consiste na vontade consciente da ação ou omissão que dá materialidade ao fato, com o fim de prejudicar direito, obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Quando não se demonstre o dolo específico, como no caso concreto, não há que se cogitar de delito de falsidade ideológica. I.26. Em conclusão, a SAVIXX, diferentemente da FELIX, com a qual aquela foi equivocadamente associada pela fiscalização, é empresa atuante e cumpridora de suas obrigações tributárias decorrentes das importações que realiza nos portos e aeroportos de diversas unidades da Federação, sempre zelando pelo atendimento à legislação e bom relacionamento com a Alfândega. É, pois, improcedente a acusação de interposição fraudulenta lançada contra a SAVIXX, sendo impossível enquadrar qualquer conduta desta com a penalidade aplicada no Auto de Infração (AI). De todo o exposto, requer o acolhimento integral desta impugnação, com a improcedência e cancelamento do AI. Caso não seja esse o entendimento de VV. SS requerse a exclusão da SAVIXX do pólo passivo, com o consequente e imediato cancelamento da penalidade a ela imposta, dada a absoluta falta Fl. 5613DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 de indícios que a atrelem ao suposto “esquema” invocado, mantendose o AI única e exclusivamente em face da FELIX. (II) Da 2ª impugnante: II.1. A Receita Federal lavrou auto de infração (AI) contra a empresa SAVIXX (ora 1ª impugnante), no qual incluiu, como sujeitos passivos solidários, as empresas ora 2ª e 3ª impugnantes. O AI lavrado não pode prosperar porque é fulminado pela nulidade desde a fiscalização (procedimento investigatório) que respalda a autuação, configurando a existência de vícios e informações desconexas, conforme se passa a demonstrar. II.2. Da nulidade do AI. II.2.1.Como é sabido, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de controle e confere aos lançamentos legitimidade. No caso presente, embora a fiscalização tenha realizado pormenorizada descrição dos fatos, não logrou êxito em justificar as razões que corroborem a inclusão da ora 2ª Impugnante como sujeito passivo solidário. Para fundamentar a cobrança foram apresentadas meras presunções e, em inúmeras ocasiões, fatos que não correspondiam à época do fato gerador. Para ilustrar, notese que em resposta às intimações, a ora 2ª impugnante informou que não estava operacional no ano 2012, contudo a fiscalização persistiu em busca de informações referentes àquele ano para justificar importações realizadas em outros anos. Assim, as informações apresentadas pela empresa sobre o ano de 2012 não têm o condão de justificar operações realizadas nos anos anteriores. No período passado a ora impugnante (2ª impugnante) informou devidamente á Fiscalização a sua capacidade operacional, período em que estava localizada em outro endereço, o qual permitia que contratasse serviços de armazenagem nas eventuais necessidades. Notese, ainda, que a fiscalização ao apresentar detalhes, preços, cálculo sobre a importação e precificação de aparelho de arcondicionado, pretende alegar que a referida importação seria voltada a obter vantagens financeiras indevidas, no entanto, não apresenta nada em concreto sobre as DI que originaram a cobrança da multa objeto do AI. Além disso, a fiscalização alega que a vantagem indevida seria uma “economia” no recolhimento do IPI. Caso objetivasse efetivamente apurar recolhimento a menor de IPI, o procedimento fiscal deveria visar o recolhimento do tributo e não a imputação de penalidades gravosas à impugnante. Com isso, apesar da extensa narração no MPF, este não logra espelhar a verdade por trás dos fatos, baseandose em presunções para incorrer em graves acusações à ora impugnante. Na descrição dos fatos e no enquadramento legal apresentado não há justificação que permita subsunção dos fatos supostamente irregulares apurados para a aplicação dessa penalidade tão severa e prejudicial à impugnante. Citase em Fl. 5614DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.608 15 apoio, às fls.5.153/5.154, jurisprudência recente do CARF acerca do vício insanável do lançamento quando este padeça da falta de subsunção do motivo de fato ao motivo legal invocado. No mesmo sentido a Lei 9.784/99. Diante disso, resta patente a existência de irregularidades em elementos essenciais de motivação para a cobrança de penalidade tão gravosa, sendo certo que a irregularidade do MPF configura vício que é capaz de invalidar o lançamento. Mas caso VV. SS entendam ser possível sanear tal vício, isso deveria ocorrer antes da lavratura do AI, o que não se verificou. Portanto a autuação não merece prosperar. II.3. Da abusividade da multa aplicada. II.3.1. Não bastasse a preliminar arguida para afastar o equívoco perpetrado, não se pode dar guarida à multa aplicada em valor exorbitante, com caráter confiscatório, sendo evidente a falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa lavrada, em contradição com a CF, art.150, IV, bem como com o Decreto 70.235/72 e com a Lei 9.784/99, não podendo a Administração Publica deixar de obedecer aos princípios constitucionais especificados. Aponta às fls.5.161/5.162, apoio doutrinário e jurisprudencial à sua tese. II.3.2. No presente caso, conforme sempre primou o direito brasileiro, devese presumir a boafé do cidadão, devendose abrandar as penalidades a ele impostas a teor do CTN, art.112, o qual estabelece interpretação benigna em favor do contribuinte, mandamento que deve ser integralmente aplicado no caso em apreço. Registrase, não houve qualquer ato atentatório à legislação vigente, não havendo que se falar em máfé do contribuinte, fraude ou sonegação, nem prejuízo ao erário. II.3.3. Fazse mister admitir que a multa aplicada não é razoável, nem proporcional, revelandose flagrantemente confiscatória. Diante disso, pede a 2ª impugnante a nulidade do auto de infração, tendo em vista a falta de motivação. E, por amor ao debate, caso assim não se entenda, solicita a redução da multa aplicada em face dos argumentos desenvolvidos. (III) Da 3ª impugnante: III.1. A autoridade fiscal, em meio à fiscalização de obrigações tributárias da FELIX, constatou que a SAVIXX realizava importações tendo como encomendante prédeterminada a FELIX, a qual, após a compra das mercadorias as revendia para a ora (3ª) impugnante. A acusação fiscal aponta que a FELIX não teria capacidade logística e operacional para figurar como real encomendante das mercadorias importadas pela SAVIXX, no período de 2009 a 2010, razão pela qual, por mera presunção, imputa tal condição (de real adquirente) à ora Fl. 5615DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 impugnante. A mera conjectura desse cenário pareceu suficiente para a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Por óbvio, em respeito aos direitos e garantias que regem o ordenamento jurídico, essa falaciosa imputação não tem como prosperar. III.2. Preliminares: absoluta nulidade por ilegitimidade passiva da ora impugnante e cerceamento ao direito de defesa. III.2.1. Ao estender fatos e penalidades à ora impugnante por mero juízo de presunção a autoridade fiscal eivou de ilegalidade o auto de infração ora combatido. Toda a instrução probatória ocorreu em frontal inobservância da mais basilar das garantias constitucionais: o direito de defesa. O amplo e irrestrito direito ao contraditório (CF/88, art.5º, LV) é pressuposto basilar do Estado Democrático de Direito. Assinalase que a ora impugnante não foi intimada a participar do procedimento fiscalizatório ao qual ela estava ligada, não lhe sendo possibilitada a apresentação de documentos que demonstrassem a ausência de fraude nas suas negociações com a FELIX. A situação tornase ainda mais lesiva, ao se perceber, com surpresa, que houve quebra do sigilo bancário da ora impugnante, revelandose no processo alguns de seus dados bancários. O cerceamento ao direito de defesa se verifica no procedimento fiscal em dois níveis: inobservância do direito de informação sobre a fiscalização e impossibilidade de manifestação oportuna e eficaz. A conjunção desses dois elementos produz limitações irremediáveis à defesa, rompendose o equilíbrio processual sob o qual deve ser travado o contraditório. III.2.2. Quanto à inobservância do direito de informação sobre a fiscalização, Frente à gravidade das acusações, em nenhum momento a ora impugnante foi intimada a prestar esclarecimentos, restando impossibilitada de informar e se defender. A Portaria RFB 3.014/2/011 dispôs acerca dos fundamentos que deve balizar o MPF. Dentre outros, são deveres basilares do Fisco informar quem está sendo fiscalizado, quem está conduzindo a fiscalização e qual o objeto da apuração. No presente caso é evidente a afronta a esses elementos que à ora impugnante estão sendo imputados fatos apurados em procedimento de fiscalização que lhe é alheio. A ora impugnante estava às cegas enquanto a fiscalização se desenvolvia sem seu conhecimento ou acompanhamento. Essa excepcionalidade somente se admite na esfera criminal, e ainda assim na estrita necessidade da investigação. III.2.3. Quanto à impossibilidade de manifestação oportuna e eficaz, antes que se diga que era dispensável o contraditório em fase inquisitorial, ressaltase que as particularidades do caso em muito o afastam da hipótese genérica. O MPF em questão excedeu o limite da mera obtenção de informações e documentos. A autoridade fiscal maquinou verdadeira peça acusatória, transcendendo a usualidade dos procedimentos fiscais. Atingindose o nível acusatório não há como se Fl. 5616DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.609 17 prescindir do contraditório sob pena de irremediáveis prejuízos à defesa, o que fica evidente no caso. III.2.4. O direito de defesa não é mera formalidade, cabendo ser exercido de forma oportuna e eficaz. Esses dois elementos vitais foram totalmente negligenciados, na medida em que ao longo do procedimento foram, furtivamente, construídas teses, presunções e acusações, sem que, em nenhum momento, a ora impugnante, que nem sequer fazia parte da fiscalização, pudesse se manifestar. Somente após o término dessa aviltante etapa, onde o Fisco pôde de forma livre e desimpedida transitar na esfera acusatória sem qualquer objeção ou controle, é que foi conferido à impugnante o “direito de defesa”. III.2.5. Considerandose a natureza das provas consignadas pela fiscalização, deveria a ora impugnante ter tido o direito de acompanhar a sua produção e assim poderia fiscalizar a sua adequada mensuração. A acusação fiscal partiu do que a doutrina convencionou chamar de prova emprestada. No entanto, para que esse tipo de prova seja admissível é imprescindível que o processo tenha envolva as mesmas partes e que a respectiva produção tenha sido submetida ao contraditório. Nenhum desses requisitos foi observado in casu. Portanto, todas as provas imputadas contra a ora impugnante são ilegítimas por vício de produção. Em conclusão, não se trata aqui materialmente de um mero MPF, mas de um verdadeiro instrumento de acusação, demonstrandose assim afronta ao direito da ora impugnante de ter apresentado, à época da apuração dos fatos, a sua defesa plena, o que implica na absoluta nulidade do auto de infração, violando diretamente os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal.. III.2.6. Ao longo do processo foram praticadas violações aos princípios e garantias constitucionais em tal magnitude que nem se reputa necessário maiores dilações sobre as questões de mérito para que se demonstre a improcedência da autuação, em face da nulidade do auto de infração. Digase apenas que, se não bastassem as preliminares expostas, apesar de a acusação fiscal partir de dispositivo legal que estabelece uma presunção legal, esta não é absoluta nem inverte o ônus da prova, razão por que se requer provas que caberia ao fisco produzir. Alem disso, uma das questões levantadas como motivo da autuação seria uma suposta quebra da cadeia do IPI, exemplificandose em operações de venda de aparelhos de arcondicionado. Destacase, primeiro, que foram comprados da FELIX não somente arcondicionado, o qual sofre incidência do IPI, mas a grande parcela dos produtos adquiridos possui alíquota zero do IPI, não podendo, portanto, o exemplo do arcondicionado ser aplicável a todas as operações realizadas pela impugnante. Vejase, por exemplo, que a DI nº 1007060656 tratou da importação de porcelanato, cuja alíquota do IPI incidente é de 0,0%. De modo semelhante, na DI nº 0014176400, para a qual a fiscalização aponta a PIASTRELLA como real encomendante, utilizandose da FELIX para quebrar a cadeia do IPI. Tratase Fl. 5617DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 ali da importação de Ladrilho Polido que, conforme exemplo anterior, está submetido a alíquota do IPI de 0,0%. A maioria das outras operações da impugnante com a FELIX envolvem produtos com alíquota zero do IPI, e dessa forma inexiste em diversas hipóteses a quebra da cadeia do IPI, o que esvazia as razões de autuação ora combatidas, que é inexistente qualquer benefício à impugnante. Nessas operações não podia ocorrer quebra da cadeia do IPI, visto que esse tributo sequer incide sobre as mercadorias encomendadas pela FELIX e importadas pela SAVIXX. Os exemplos utilizados pela fiscalização são incapazes de determinar clara e especificamente o fundamento legal e a motivação para a inclusão da ora impugnante no pólo passivo solidário, o que fere a ampla defesa e o contraditório, sendo imperiosa a anulação do lançamento. Diante de todo o exposto, a ora impugnante requer que seja julgado nulo e/ou improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e o Auto de Infração, cancelandose o lançamento tributário. Em seguida, sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 5219/5275), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO SUJEITA A PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Ainda que houvesse interesse legítimo de faturamento, a empresa importadora fundapeana se prestou a participar de esquema de fraude contra o controle aduaneiro, atuando como importador por suposta encomenda de empresa que, com seu conhecimento, apenas cedeu o nome para ocultar os reais adquirentes das mercadorias importadas irregularmente mediante interposição fraudulenta de terceiros. Tratase de infração passível de pena de perdimento das mercadorias. Na impossibilidade de sua apreensão porque não localizadas, a pena de perdimento foi legalmente convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos da legislação regente. A importadora é sujeito passivo legítimo, responsável solidariamente pela infração juntamente com o real adquirente ocultado e com o suposto encomendante, todos devidamente arrolados no pólo passivo da relação jurídica sancionatória. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em 24/07/2014, a autuada SAVIXX e a solidária PIASTRELLA foram intimada da referida decisão (fls. 5566/5567 e 5570/5571), enquanto que a solidária FELIX foi intimada em 25/07/2014 (fl. 5284). Em 7/8/2014, a solidária PIASTRELLA postou o recurso voluntário de fls. 5287/5301. Em 12/8/2014, a autuada SAVIX protocolou o recurso voluntário de fls. 5321/5347. Por fim, em 20/8/2014, a solidária FELIX protocolou o recurso voluntário de fls. 5573/5589. Fl. 5618DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.610 19 Nas referidas peças recursais, as recorrentes reafirmaram as razões de defesa apresentadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente PIASTRELLA alegou nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que seu o direito de defesa fora prejudicado com a manutenção da autuação sem que fosse apresentado qualquer manifestação robusta do órgão julgador de primeira instância, ou argumentos válidos e capazes de afastar a nulidade da autuação, em razão da sua inclusão no pólo passivo, sem que tivesse sido previamente intimada acerca do procedimento de fiscalização que originou a questionada autuação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos foram interpostos dentro do prazo legal e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. A lide referese a questões preliminares sobre nulidade da decisão de primeiro grau e da autuação e questões de mérito acerca da ilegitimidade passiva, onerosidade excessiva da multa, erro de enquadramento legal etc. I DAS QUESTÕES PRELIMINARES As recorrente FELIX e PIASTRELLA alegaram, em preliminar, nulidade da decisão de primeiro grau e do auto de infração. I.1 Da Nulidade da Decisão Recorrida. Em preliminar, a recorrente PIASTRELLA alegou nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que seu o direito de defesa fora prejudicado com a manutenção da autuação sem que fosse apresentado qualquer manifestação robusta do órgão julgador de primeira instância, ou argumentos válidos e capazes de afastar a nulidade da autuação, em razão da sua inclusão no pólo passivo sem que tivesse sido previamente intimada acerca do procedimento de fiscalização que originou a questionada autuação. Não procede a alegação da recorrente. Diferentemente do alegado, no voto condutor do acórdão recorrido o i. Relator expôs com clareza os argumentos, devidamente fundamentados, para rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pela recorrente. Para confirmar o asseverado, merece destaque os seguintes argumentos aduzidos no referido voto: a) não havia irregularidade na edição Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que serviu de amparo à realização do procedimento fiscal; b) a falta de intimação do sujeito passivo solidário antes da lavratura do auto de infração não maculava o procedimento fiscal; c) a ciência da acusação fiscal somente após a lavratura do auto de infração não ofendia o direito de defesa, e muito menos representava qualquer afronta ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, princípios consagrados na CF/88, que representam efetivas garantias a serem exercidas na fase processual, descabendo sua invocação na fase inquisitorial ou procedimental; e d) a autoridade fiscal tem competência para recolher e utilizar informações e documentos de terceiros, envolvidos ou não no ilícito apontado, para Fl. 5619DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 sustentar a inclusão legítima do acusado no pólo passivo da relação jurídica tributária ou sancionatória, como no caso concreto, cujo objeto era a aplicação de penalidade administrativa ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior, ainda que o acusado não tivesse conhecimento prévio da investigação que deu ensejo ao auto de infração. Todos os referidos argumentos, no entendimento deste Relator, foram adequados e suficientes, para motivar a rejeição da suposta preliminar de nulidade da autuação, suscitada pela recorrente. O fato de a recorrente com eles não concordar, obviamente, não representa motivo idôneo, de modo a macular com vício insanável o questionado auto de infração. A propósito, cabe ressaltar que o dever de fundamentação fixado no art. 93, IX, da CF/1988, combinado com disposto no art. 31 do Decreto 70.235/1972, exige que a autoridade julgadora ou órgão julgador se manifeste, de forma fundamentada, sobre as razões de defesa das partes, sem, contudo, determinar que o julgador examine, completa e pormenorizadamente, cada uma das alegações ou provas apresentadas pelas partes, nem que seja correto os fundamentos por ele aduzidos. No mesmo sentido, o entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do que fora externado no julgamento do AgRg no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 268.238/SP, cujo enunciado da ementa segue transcrito: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DO ISSQN. REGISTRO PÚBLICOS, CARTORÁRIOS E NOTARIAIS. ADI 3.089/DF. POSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DO ISSQN DEVIDO PELOS TABELIÃES. PREÇO FIXO OU PREÇO DO SERVIÇO. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. INDEFERIMENTO LIMINAR. ART. 543A, § 5º, DO CPC. ART 5º, XXXV E ART. 93, IX, AMBOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RECURSO PREJUDICADO. AGRAVO DESPROVIDO. [...] III. A Corte Suprema, nos autos do AIRGQO 791.292/PE, julgado sob o regime da repercussão geral, reafirmou a sua jurisprudência no sentido de que o art. 93, IX, da Constituição Federal exigem que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. IV Agravo regimental desprovido.1 (grifos não originais) Da mesma forma, tem trilhado a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme bem ilustra o julgamento realizado sob regime de repercussão geral, cujo enunciado da ementa segue transcrito: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam 1 BRASIL. STJ. CORTE ESPECIAL. AgRg no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 268.238/SP, Rel. Ministro GILSON DIPP, julgado em 18/12/2013, DJe 03/02/2014) Fl. 5620DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.611 21 fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral.2 (grifos não originais) Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão recorrido. I.2 Da Nulidade do Auto de Infração. As recorrentes PIASTRELLA e FELIX, em preliminar, alegaram nulidade do auto de infração, por motivos distintos. A primeira com base no argumento de que houve ofensa ao contraditório e ao exercício do direito de defesa. A segunda sob argumento de que ausência de motivação. Da nulidade por ofensa ao contraditório e ao direito de defesa. A recorrente PIASTRELLA alegou nulidade do procedimento fiscal por ofensa aos princípios do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa, sob o argumento de não fora submetida a prévio procedimento fiscal e tampouco cientificada previamente das acusações que motivaram a sua inclusão no polo passivo da autuação. Não assiste razão a recorrentes. No âmbito do processo administrativo fiscal, que trata da exigência do crédito tributário, a fase do contraditório tem início com a ciência do auto de infração pelo contribuinte e pelos sujeitos passivos solidários, o que, no caso em tela, foi feito de forma regular e em consonância com disposto no art. 23 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores. Cabe ressaltar que, nos casos em que autoridade fiscal dispõe dos elementos necessários para realização do lançamento, incluindo a definição dos sujeitos solidários que comporão o polo passivo da autuação, revelase de todo prescindível a intimação de determinado sujeito passivo, ainda não incluído no procedimento fiscal, para fim de lavratura do auto de infração. E a adoção desse procedimento não implica qualquer contrariedade ao princípio do contraditório e do amplo direito de defesa, que é plenamente assegurado ao autuado e ao sujeito passivo solidário, após a ciência do auto de infração, se instaurada a fase litigiosa do processo. Assim, se na fase de instrução ou inquisitorial do procedimento fiscal, não há qualquer determinação legal que obrigue a fiscalização instaurar procedimento contra cada um dos sujeitos passivos solidários ou, previamente, cientificálos do início e do curso do procedimento fiscal instaurado contra o sujeito passivo principal. A adoção de tais providências somente se revelam necessárias, se no curso do procedimento fiscal elas se demonstrarem indispensáveis, para fins de instrução processual, o que não ocorreu na autuação em apreço. 2 BRASIL. STF. PLENÁRIO. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) Fl. 5621DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, conforme se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46, de adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho, que segue transcrito: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” No caso, com a regular ciência da recorrente, na condição de sujeito passivo solidário, foilhe facultada a possibilidade impugnar a exigência fiscal dentro do prazo legal. E tal prerrogativa foi devidamente exercida, primeiramente, por meio da peça impugnatória colacionada aos autos, e atualmente, por intermédio do recurso voluntário em apreço. E tais documentos representam prova inconteste de que o contraditório e o direito de defesa foram assegurados em toda sua plenitude, inclusive a faculdade de apresentar as provas que entendesse adequadas e pertinentes, com vistas à comprovação das aduzidas razões de defesas. Além disso, o questionado auto de infração atende todos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972, a minuciosa descrição dos fatos que o integra contém todos os dados e informações necessários e suficientes para o perfeito conhecimento das irregularidade aduaneiras imputadas aos sujeitos passivos principal e solidários. Assim, revelase de todo improcedente alegar cerceamento do direito de defesa ou afronta ao contraditório antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, que, se apresentada tempestivamente pelo autuado, instaura a fase litigiosa do processo, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade do auto de infração. Da nulidade por ausência de motivação. A recorrente FELIX alegou nulidade do auto de infração, baseada no argumento de que questionada autuação não continha os “fundamentos jurídicos suficientes para garantir a motivação necessária do auto de infração.” Para fiscalização, não havia na descrição dos fatos e enquadramento legal justificativa concreta para aplicação de penalidade tão severa, que permitisse a subsunção dos fatos supostamente irregulares apurados pela fiscalização à norma sancionadora. Tratase de alegação de natureza genérica e, portanto, desprovida de qualquer fundamento. Diferentemente do alegado, após a conclusão de exaustivo procedimento especial de fiscalização instaurado perante a recorrente, que resultou na coleta de fartos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização constatou que: a) embora intimada e reintimada várias vezes, a recorrente nada apresentou para comprovar a efetiva integralização do capital social, irregularidade que a enquadrava na condição de inexistente de fato, conforme previsto no art. 27, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa RFB 1.183/2011; b) não obstante já restar comprovado de forma cabal o enquadramento da empresa como inexistente de fato, o simples exame dos contratos sociais e da escrituração contábil apresentados permitia constatar que a recorrente FELIX fora constituída em nome de interpostas pessoas, usualmente chamados de “laranjas”; c) embora intimada e reintimada várias vezes a sanear as irregularidades identificadas na escrituração contábil, relativa ao anos de 2008 a 2010, a recorrente FELIX não Fl. 5622DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.612 23 apresentou contabilidade imprestável para comprovar a origem lícita, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregados em suas atividades; d) a falta de comprovação da origem lícita, da efetiva transferência e da disponibilidade dos recursos empregados pela recorrente FELIX nas operações de comércio exterior comprovavam a interposição fraudulenta, por presunção legal, conforme determina o art. 23, § 2º, do Decretolei 1.455/1976; e) porém, como o objetivo dos autores da fraude é manter a interposta pessoa como responsável pelo crédito tributário, por ser esta incapaz de arcar com o montante do valor dos débitos, com vistas a identificar os sujeitos passivos ocultos, a fiscalização aprofundou as investigações, buscando informações junto às instituições financeiras, com o a finalidade de identificar a origem (ilícita) dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; f) após coleta e análise dos documentos bancários e contábeis, a fiscalização constatou que a recorrente FELIX não tinha e nunca teve capacidade financeira, econômica ou operacional apropriada para atuar como encomendante predeterminada em importações nos montantes transacionados. Logo, concluiu a fiscalização que a recorrente FELIX fora rotineiramente utilizada como interposta pessoa nas importações sustentadas pelas pessoas jurídicas integrantes do grupo de Lojas AMOEDO, verdadeiras encomendantes predeterminadas das mercadorias, que se mantiveram ocultas nas correspondentes operações de importação; e g) com base nos livros, documentos fiscais e extratos bancários e demais documentos apresentados ou obtidos via Requisição Movimentação Financeira (RMF), a fiscalização elaborou um “Fluxo de Pagamentos”, em que ficaram demonstradas as transferências bancárias das empresas da Rede de Lojas AMOEDO, no caso da presente autuação, a recorrente PIASTRELLA, para a recorrente FELIX e desta para a SAVIXX. Diante desses fatos, respaldados por documentos habeis e idôneas colacionadas aos autos, resta cabalmente demonstrado que a recorrente FELIX não existia de fato, era uma pessoa jurídica formada por sócios “laranjas”, não tinha capacidade financeira, econômica e operacional para atuar no comércio exterior como importador encomendante predeterminado e não comprovou a origem lícita dos recursos utilizados nas operações de importação objeto da presente autuação. Dessa forma, resta devidamente comprovado que a recorrente FELIX atuou como interposta pessoa da real encomendante predeterminada, a recorrente PIASTRELLA, pois, de fato, foi esta quem forneceu os recursos financeiros para realização das operações de importação e para quem fora remetida, com exclusividade, a totalidade das mercadorias importadas. Diferentemente alegado pela recorrente, a presente autuação não foi baseada em mera presunção, ao contrário, no caso em tela, a fiscalização comprovou a prática da infração por interposição fraudulenta nas operações de importação objeto da autuação e procedeu o correto enquadramento legal no art. 23, V, e §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976, incluídos pela Lei 10.637/2002. Logo, não se trata de interposição fraudulenta presumida, caracterizada pela simples não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, prevista no art. 23, § 2º, do Decretolei 1.455/1976, incluído pela Fl. 5623DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 Lei 10.637/2002, mas de interposição fraudulenta comprovada, haja vista que a fiscalização comprovou que a recorrente FELIX atuou como interposta pessoa com fim específico de ocultar a recorrente PIASTRELLA, a real importadora por encomenda predeterminada. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade do auto de infração. II DAS QUESTÕES DE MÉRITO Em relação ao mérito, nenhuma das pessoas jurídicas recorrentes contestou, de forma explícita, a não ocorrência da prática da interposição fraudulenta nas operações de importação objeto da presente autuação, que, conforme já mencionado, ficou devidamente comprovada nos autos pela fiscalização. As contestações meritórias cingemse, basicamente, a aspectos atinentes à ilegitimidade passiva, onerosidade excessiva da multa aplicada, inexistência de motivos para quebra da cadeia do IPI e erro de enquadramento legal. II.1 Da Infração e da Penalidade Aplicada. Inicialmente, cabe esclarecer que as operações de importação objeto da autuação foram realizadas sob forma de importação por encomenda, que se encontra disciplinada nos arts. 11 a 14 da Lei 11.281/2006 e regulamentada pela Instrução Normativa SRF 634/2006. Nessa modalidade de importação indireta, o importador realiza a compra direta da mercadoria do exportador estrangeiro com recursos próprios, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação e, por fim, obrigatoriamente, revende as mercadorias a um encomendante predeterminado, segundo os termos e a forma definidos em contrato celebrado previamente entre as partes (importador e encomendante). Assim, a regular a operação de importação para revenda a encomendante predeterminado é uma forma de terceirização das operações de importação. Neste tipo de importação, uma determinada pessoa jurídica (a importadora) é contratada para promover, em seu próprio nome, com recursos (integrais) próprios, e em razão de contrato previamente firmado com o adquirente exclusivo das mercadorias, a importação de mercadorias para revenda, exclusivamente, a pessoa jurídica encomendante predeterminada. Essa modalidade de importação caracterizase pela existência de dupla transação comercial. A primeira dáse entre o exportador estrangeiro e o importador (relação jurídica de nacionalização da mercadoria) e a segunda entre importador e o encomendante predeterminado (relação jurídica de compra e venda no mercado interno). Além dos requisitos formais estabelecidos Instrução Normativa SRF 634/2006, editada com respaldo no art. 11, § 1º, Lei 11.281/2006, para que seja caracterizada como importação por encomenda, a operação de importação deve atender, cumulativamente, os seguintes requisitos materiais: a) os custos integrais da operação de importação devem ser integralmente assumidos pela importadora contratada; e b) a encomendante predeterminada deve ter e comprovar capacidade econômicofinanceira suficiente para adquirir as mercadorias importadas por sua encomenda. Em face desses requisitos, a pessoa jurídica importadora deve dispor de capacidade econômica e financeira para o pagamento da operação importação, bem como de todas as demais despesas da nacionalização, incluindo as despesas de logística aduaneira e com Fl. 5624DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.613 25 os tributos devidos na operação. E a pessoa jurídica encomendante predeterminada também deve ter capacidade econômicofinanceira, para adquirir as mercadorias a seremlhe obrigatoriamente revendidas pelo importador contratado. No caso, há informação nos autos de que o primeiro requisito foi cumprido, ou seja, os custos e as despesas com as respectivas operações de importação foram integralmente pagos com os recursos da própria importadora contratada, no caso a recorrente SAVIXX. Logo, em relação a esse requisito não existe dissenso. De outra parte, há fartos elementos probatórios coligidos aos autos que demonstram que o segundo requisito não foi cumprido. Com efeito, as robustas provas colacionadas aos autos pela fiscalização comprovam que a recorrente FELIX não tinha capacidade econômicofinanceira, nem detinha logística operacional e estrutura administrativa, para atuar como encomendante predeterminada nas correspondentes operações de importação. Também foi devidamente comprovado nos autos, sem qualquer contestação relevante, que a recorrente FELIX inexistia de fato e fora constituída em nome de interpostas pessoas, com a nítida intenção fraudar o pagamento dos tributos devidos, especialmente, mediante a quebra da cadeia de incidência do IPI sobre os produtos importados. Diante desta constatação, resta induvidoso que a participação formal da recorrente FELIX nas operações de importação objeto da presente autuação foi feita de forma simulada, com o evidente e intencional propósito de ocultar a real encomendante predeterminada e compradora das mercadorias no mercado interno, no caso, a recorrente PIASTRELLA, quem forneceu a totalidade dos recursos financeiros utilizados pela recorrente FELIX, para o pagamento das operações de compras realizadas perante a importadora contratada, a recorrente SAVIXX. Ademais, restou demonstrado pela fiscalização, sem qualquer contestação por parte das recorrentes, que recorrente PIASTRELLA era quem detinha capacidade econômicofinanceira e possuía a logística operacional e a expertise necessária para atuar como a real encomendante e compradora das mercadorias importadas pela SAVIXX. Noticia os autos que a PIASTRELLA é uma das pessoas jurídicas que integra o grupo informal, com atuação no comércio varejista de materiais de construção, denominado de “Rede de Lojas AMOEDO”, com atuação no Estado do Rio de Janeiro e considerado um dos maiores comerciantes do ramo de materiais de construção do País. Além da recorrente PIASTRELLA, outras pessoas jurídicas da “Rede de Lojas AMOEDO” também adotaram modus operandi similar, em relação a outras operações de importação realizadas pela recorrente SAVIX, ou seja, nas pertinentes operações de importação também foram as ditas pessoas jurídicas da “Rede de Lojas AMOEDO” quem fornecera os recursos financeiros para as compras realizadas pela pessoa jurídica interposta FELIX, mediante créditos em sua conta bancária, que, no período de dezembro de 2009 a abril de 2010, importaram no valor total de R$ 2.880.000,00. Segundo dados obtidos nos sistemas de informação da RFB, no período de setembro de 2009 até o início de maio de 2011, a recorrente FELIX atuou como suposta encomendante predeterminada em 68 DI, cujo valor total CIF declarado foi de US$ 3.833.026,07. Há provas cabais nos autos que demonstram que a origem do suprimento da totalidade dos recursos financeiros utilizados pela interposta FELIX sempre fora uma empresa/loja integrante da chamada “Rede de Lojas AMOEDO”. Na presente autuação, conforme demonstrado pela fiscalização, foi a recorrente PIASTRELLA quem forneceu a Fl. 5625DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 26 totalidade dos recursos financeiros utilizados pela recorrente FELIX na compra das mercadorias importadas. Cabe ainda ressaltar que, embora intimada e reintimada várias vezes, a recorrente FELIX não comprovou a integralização do insignificante valor R$ 50.000,00 a título de capital social registrado na Junta Comercial, valor considerado insuficiente para custear o elevado montante das operações de importação em que foi formalmente declarada como encomendante predeterminada. Além disso, ficou demonstrado, que os supostos sócios formais da recorrente FELIX não eram os verdadeiros responsáveis pela sua gerência e administração. Há elementos probatórios nos autos que comprovam que os citados sócios foram utilizados como meros “laranjas”. A omissão dos registros contábeis da movimentação financeira e bancária demonstram que a escrituração contábil da recorrente FELIX era inidônea e imprestável como meio de prova da origem e disponibilidade dos recursos financeiros utilizados nas compras das mercadorias importadas pela SAVIXX. Diante dessa constatação, embora intimada e reintimada várias vezes, no curso do procedimento de fiscalização, a refazer e reapresentar sua escrituração contábil dos anos de 2008 a 2010, a recorrente FELIX não aproveitou essa oportunidade de comprovar a origem lícita dos recursos financeiro utilizados. Na ausência da escrituração da movimentação financeira, especialmente, dos registros contábeis na conta Caixa e Bancos Conta Movimento, com vistas a verificar a origem dos recursos financeiros utilizados nos pagamentos das mercadorias importadas, a fiscalização solicitou às instituições financeiras e estas lhe forneceram os dados dos registros financeiros da recorrente FELIX. Com base nesses dados, extraídos dos pertinentes extratos bancários e comprovantes de débitos e de créditos, a fiscalização apurou que, para cada débito identificado como pagamento à importadora SAVIXX, havia um crédito de valor muito próximo e geralmente no mesmo dia, ou em data muito próxima, o que evidenciava que as empresas depositantes dos recursos financeiros, integrantes do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, foram quem, de fato, arcaram com os pagamentos das compras, no mercado nacional, das mercadorias importadas pela SAVIXX. A fiscalização demonstrou ainda que todas as pessoas jurídicas destinatárias das mercadorias, aparentemente importadas por encomenda da recorrente FELIX, na realidade, eram pessoas vinculadas/relacionadas entre si por sócios e exsócios comuns. Para facilitar a identificação dessas vinculações, dos interrelacionamentos dessas empresas entre si e dos seus sócios e exsócios, a fiscalização elaborou o diagrama que segue reproduzido: Fl. 5626DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.614 27 Com base nas notas fiscais emitidas pela recorrente FELIX, em cotejo com os históricos dos extratos bancários, a fiscalização identificou as pessoas jurídicas destinatárias exclusivas das mercadorias e remetentes dos recursos financeiros. E apurou ainda que todas elas, informalmente, pertenciam a mesmo grupo econômico, identificado pelo nome de fantasia “Rede de Lojas AMOEDO de Materiais de Construção”. Dentre essas pessoas jurídicas, a recorrente PIASTRELLA merece destaque, por ter sido a que realizou o maior volume de compras da recorrente FELIX, as quais foram lastreadas por 118 notas fiscais, cujo valor total chegou a cifra de R$ 5.492.829,07. Outro dado relevante que, de modo congruente, ratifica o modus operandi do esquema fraudulento em comento, consiste no fato, devidamente comprovado nos autos, de que, logo após a desembaraço aduaneiro e liberação das mercadorias, a recorrente FELIX emitia as notas fiscais de saída e as mercadorias eram enviadas diretamente do recinto alfandegado para as respectivas empresas da “Rede de Lojas AMOEDO”, incluindo a recorrente PIASTRELLA. Diante desses fatos, corroborados por provas idôneas colacionadas aos autos, resta demonstrada que houve simulação nas operações de importação realizadas pela recorrente SAVIXX, mediante interposição fraudulenta de terceiro (no caso, a recorrente FELIX), com o claro e deliberado propósito de ocultar a real encomendante e compradora das mercadorias (no caso, a recorrente PIASTRELLA). Fl. 5627DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 28 Assim, resta devidamente configurada a infração por dano Erário, sancionada com a pena perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, uma vez que a mercadoria não fora localizada, ou consumida ou revendida, nos termos do art. 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976, a seguir transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) [...] (grifos não originais) Esses foram os fatos e o enquadramento legal que embasaram a autuação em apreço, em que a fiscalização desconsiderou as operações de importação por encomenda regular e as qualificou como operações de importação por encomenda simulada. E ao assim proceder, a fiscalização agiu com acerto, pois, resta devidamente comprovado nos autos, que a recorrente FELIX, efetivamente, não tinha capacidade econômica, financeira ou operacional para figurar como encomendante predeterminada nas correspondentes operações de importação. Logo, a sua presença formal nos documentos das correspondentes operações de importação fora fraudulentamente realizada, com o claro propósito de ocultar a real encomendante predeterminada, a recorrente PIASTRELLA, quem de fato tinha capacidade econômicofinanceira e forneceu os recursos utilizados pela recorrente FELIX nas operações de compras realizadas perante a importadora contratada, a recorrente SAVIXX. Por essas razões, chegase a conclusão que a infração por interposição fraudulenta em apreço resta devidamente caracterizada e, por conseguinte, corretamente aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, que foram importadas pela recorrente SAVIXX e compradas, no mercado interno, pela recorrente PIASTRELLA. II.2 Das Razões de Defesa Apresentadas Pelas Recorrentes. Em relação ao mérito, nas peças recursais colacionadas aos autos, as recorrentes apresentaram distintas razões de defesa a seguir analisadas. No geral, alegaram Fl. 5628DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.615 29 ilegitimidade passiva, onerosidade excessiva da penalidade e erro de enquadramento legal da infração e respectiva penalidade. Das razões de defesa da recorrente SAVIXX. A recorrente SAVIXX alegou que era parte passiva ilegítima, porque não havia prova de que praticara qualquer conduta, comissiva ou omissiva, que pudesse ensejar a sua inclusão no polo passivo da autuação, sequer como sujeito passivo solidário, na medida em que não houve, no caso concreto, de sua parte, “(i) nenhum negócio jurídico simulado; (ii) supressão no pagamento de qualquer tributo; e (iii) qualquer ganho ou vantagem ilícita com as operações investigadas e autuadas”. Os argumentos apresentados pela recorrente não são hábeis e sufientes, para excluir a sua responsabilidade pela penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta, comprovadamente, praticada nas operações de importação por ela realizadas, pelas razões a seguir aduzidas. No plano abstrato, sob o aspecto subjetivo, a tipificação da interposição fraudulenta na operação de importação inclui a prática de várias condutas e a necessária participação, comprovada ou presumida, de mais de uma pessoa, que de forma, omissiva ou comissiva, concorrem para a a configuração da referida infração. Portanto, tratase de infração de natureza complexa. Especificamente no âmbito da operação de importação por encomenda, o cometimento da referida infração exige, no mínimo, a participação da importadora contratada, da encomendante aparente e da real encomendante/adquirente das mercadorias. Essa tríade de pessoas, mediante simulação e cada uma a seu modo, de forma comissiva ou omissiva, concorrem para a prática da interposição fraudulenta ocorrida no âmbito da referida modalidade de importação indireta. Dada essa característica, no plano pragmático, a participação de cada uma das citadas pessoas revelase imprescindível para a materialização da conduta infratora em comento, a saber: a importadora aparente por realizar a operação de importação por encomenda simulada, a encomendante aparente por cumprir a função de interposta pessoa e a real encomendante/adquirente por fornecer os recursos financeiros necessários a compra da mercadoria importada. Nesse contexto, a real encomendante/adquirente, com a aquiescência da importadora, transfere e concentra todo o passivo tributário, decorrente da operação subsequente ocorrida no mercado interno, na encomendante aparente interposta, por se tratar de pessoa jurídica, geralmente, inexistente de fato e sem capacidade econômicofinanceira, com quadro societário inidôneo, formado por “testas de ferro” ou “laranjas”. Por meio desse procedimento fraudulento, os ganhos financeiros provenientes do não pagamento dos tributos devidos na operação regular de importação, induvidosamente, acabam sendo apropriados pela importadora e pela real encomendante/adquirente das mercadorias, as reais beneficiárias da fraude cometida. Assim, uma vez demonstrada a simulação, com o evidente intuito de ocultar a real encomendante, a operação de venda e compra simulada entre a importadora e encomendante interposta deve ser desconsiderada e mantida a real operação de venda e compra entre a importadora e a real encomendante, conforme preceitua o art. 167 do Código Civil, a seguir transcrito: Fl. 5629DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 30 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (grifos não originais) Nesse contexto, em que a importadora e a real encomendante concorrem para a prática da infração e dela se beneficiam, independentemente, da intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracional, conjunta ou isoladamente, as duas devem responder pela prática da infração, por força do que determina o art. 95, I, combinado com o disposto no art. 94, § 2º, ambos do Decretolei 37/1966, a seguir transcritos: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. [...] § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. (grifos não originais). Assim, ainda que a recorrente SAVIXX não tenha realizado, direta e exclusivamente, o negócio jurídico simulado, suprimido o pagamento de qualquer tributo e obtido qualquer ganho ou vantagem ilícita, na condição de importadora, certamente, ela concorreu para a prática da infração por interposição fraudulenta em apreço e dela se beneficiou, haja vista que não só auferira os ganhos financeiros normais decorrentes da atividade de importação por encomenda, como também obtivera expressivos ganhos financeiros provenientes do incentivo fiscal gerido pelo Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (FUNDAP). E esse fato incontroverso contraria a alegação da recorrente de que não obtivera nenhuma vantagem e nenhum tipo de ganho com as citadas operações de importação. Também não procede a alegação da recorrente SAVIXX de que não tinha conhecimento do esquema de interposição fraudulenta em referência, pois, ao contrário do alegado, as mensagens eletrônicas (emails) sobre faturas próforma, ordem de compra e Fl. 5630DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.616 31 demais procedimentos prévios de importação das mercadorias, efetivamente, trocadas entre o Sr. Ricardo Torres de Oliveira, funcionário da “Rede de Lojas AMOEDO”, que atuava na área de importação do grupo, e os prepostos da recorrente SAVIXX, reproduzidas na descrição dos fatos integrante do auto de infração, revelam que os representantes da SAVIXX, induvidosamente, sabiam que as reais encomendantes e adquirentes das mercadorias por elas importadas eram as pessoas jurídicas integrantes do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, as quais, por meio da interposta e recorrente FELIX, forneciam os recursos financeiros necessários e suficientes para o pagamento dos custos e despesas devidas nas correspondentes operações de importação. Na presente autuação, foi a recorrente PIASTRELLA a pessoa jurídica integrante do referido grupo que forneceu os recursos financeiros utilizados pela interposta FELIX no pagamento das operações de compra realizadas da perante a recorrente SAVIXX. No mesmo sentido, em outras mensagens, parcialmente reproduzidas no corpo do auto de infração, o preposto da recorrente SAVIXX justifica a necessidade de pagar taxas de sobreestadia de contêineres e solicita autorização ao Sr. Ricardo Torres de Oliveira para realizar o pagamento. O teor das referidas mensagens revela, de forma convergente, que era o citado funcionário do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, responsável pela área de importação, quem negociava diretamente com os exportadores estrangeiros, incluindo as encomendas perante os exportadores/fornecedores estrangeiros, os preços das mercadorias etc., sem qualquer interferência da recorrente FELIX, até porque esta era apenas uma empresa fachada, utilizada para acobertar a respectiva pessoa jurídica integrante do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, conforme fartamente demonstrados nos autos. Com o objetivo de comprovar que desconhecia a referenciada interposição fraudulenta, na resposta à intimação da autoridade fiscal, com data de 17/5/2012, a recorrente confirmou que as negociações internacionais das mercadorias importadas foram acompanhadas pelo Sr. Ricardo Torres Oliveira, que entendia ser funcionário da recorrente FELIX, sem contudo apresentar elemento de prova adequada que corroborasse essa última informação. Ainda na tentativa de demonstrar que desconhecia que a recorrente FELIX não era a real encomendante, a recorrente SAVIXX apresentou à fiscalização contratos de garantia para as operações de importação, sob a forma de fiança bancária, emitida pelo Unibanco e Banco Itaú, em favor da SAVIXX, no valor de R$ 2.000.000,00, que alegara terem sido prestadas pela recorrente FELIX. No entanto, após a realização de diligência, a fiscalização obteve documentos, devidamente registrados em cartórios, que demonstravam que as citadas garantias, de fato, não forma prestadas pela recorrente FELIX, mas prestadas e suportadas pelas empresas do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, conforme se infere das certidões extraídas da descrição dos fatos, que seguem transcritas: Certidão emitida pelo 3º Ofício de Registro de Títulos e Documentos (OFÍCIO CARTÓRIO 3 RTD 204 2012) apresentou o seguinte documento: I) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE GARANTIA FIDEJUSSÓRIA nº 0101059740001, entre o UNIBANCO e a FELIX, assinado em 15/05/2009. Conforme o número do contrato e do campo “CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO”, se trata da fiança no valor de R$ 2.000.000,00 prestada para a SAVIXX. A título de garantia, foram anexados ao contrato três Fl. 5631DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 32 TERMOS DE CESSÃO FIDUCIÁRIA DE DEBÊNTURES em favor do UNIBANCO, pelas seguintes CEDENTES/PRESTADORAS DAS GARANTIAS e respectivos valores: a) PIASTRELLA MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.069.769/000191, 35% da operação, R$ 700.001,55; b) ROSSIO 14 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ nº 09.218.915/000142, 35% da operação, R$ 700.001,55; c) POSTO NOVE MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.117.717/000143, 12% e 20% da operação, respectivamente R$ 249.443,94 e R$ 400.016,22. Certidões emitidas pelo 6º Registro de Títulos e Documentos (CERTIDÕES 6º OFÍCIO) apresentaram os seguintes documentos: II) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidora a empresa POSTO NOVE MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.117.717/000143. Conforme os dados da operação garantida, se trata da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 487.145,50, vinculadas a conta nº 015795, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela POSTO NOVE, conforme se depreende do item 3 do termo; III) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidora a empresa PIASTRELLA MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.069.769/000191. Conforme os dados da operação garantida, tratase da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 852.471,95, vinculadas a conta nº 015654, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela PIASTRELLA, conforme se depreende do item 3 do termo. Certidão emitida pelo 4º Registro de Títulos e Documentos (OFÍCIO CARTÓRIO 177 2012 4º RTD) apresentou o seguinte documento: IV) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidor a empresa BOTTINO MT DE CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ nº 05.879.152/000120. Conforme os dados da operação garantida, tratase da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 826.128,79, vinculadas a conta nº 015704, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela BOTTINO, conforme se Fl. 5632DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.617 33 depreende do item 3 do termo. (grifos em negrito e sublinhados não originais). O teor dos textos transcritos revela que a garantia das referidas fianças foram, efetivamente, prestadas pelas pessoas jurídicas integrantes do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, dentre as quais, destacase a recorrente PIASTRELLA. Assim, por não ser a real garantidora das referidas fianças, a presença da recorrente FELIX nos referidos contratos de garantia revestese de caráter meramente figurativo, com o único propósito de encobrir a participação das pessoas jurídicas reais encomendantes e adquirentes das mercadorias importadas. Além disso, os referidos contratos revelam mais uma operação simulada engendrada pela recorrente SAVIXX e pelas reais encomendantes, com vistas a dissimular e a ocultar a efetiva participação destas últimas nas correspondentes operações. No caso, como a recorrente FELIX era, comprovadamente, uma empresa inexistente de fato, sem patrimônio e com quadro societário constituído por sócios “laranjas”, fica evidenciado que a finalidade das referidas garantias fora uma forma da importadora SAVIXX de se garantir de um eventual inadimplemento da encomendante interposta. Portanto, diferentemente do alegado, tais contratos representam um indício, convergente com os demais anteriormente mencionados, no sentido de que a recorrente SAVIXX sabia sim que a recorrente FELIX não existia de fato e estava sendo utilizada como pessoa interposta, com o evidente propósito de ocultar as reais encomendantes e adquirentes das mercadorias importadas e, com esse procedimento, fraudar o pagamento dos tributos devidos nas operações de compra e venda no mercado interno realizadas entre importador e real encomendante. O teor das referidas mensagens e dos referidos contratos de garantia, conjugado ao fato de que, após o desembaraço aduaneiro, as mercadorias importadas eram remetidas diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimentos das reais encomendantes, de forma congruente, revelam que a recorrente SAVIX não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele participara direta e efetivamente, na condição de importadora, e que fora uma das pessoas beneficiárias com os resultados financeiros advindos das correspondentes operações de importação fraudulentas. Essas constatações também demonstram a improcedência da alegação da recorrente de que não lhe era possível saber se os recursos utilizados pela recorrente FELIX eram provenientes das empresas do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, o que somente fora possível após análise dos documentos protegidos por sigilo bancário, os quais a recorrente não poderia exigir que lhe fossem apresentados. Também não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, a alegação da recorrente de que não se beneficiara com a quebra da cadeia do IPI, porque, a presente autuação não trata da cobrança do referido imposto, mas, exclusivamente, da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. A recorrente SAVIXX alegou ainda que, ao enquadrar as condutas supostamente praticadas pela empresas autuadas no art. 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976, a fiscalização cometera grave erro na capitulação legal, sob argumento de que a referida penalidade deveria ser aplicada somente na pessoa jurídica encomendante oculta integrante do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, no caso, a recorrente PIASTRELLA, e não na importadora. Assim, caso este Colegiado entendesse que ela havia participado do suposto Fl. 5633DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 34 esquema fraudulento, o que admitia apenas por amor à argumentação, a penalidade que lhe deveria ser imposta seria a multa de 10% (dez) por cento sobre o valor da operação acobertada, prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sem razão a recorrente. Da simples leitura do texto transcrito, inferese que a referida multa de 10% (dez por cento) destinase a sancionar a conduta da pessoa jurídica que apenas cede o nome, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior. Portanto, dada essa característica, a referida multa somente se aplica se configurada a interposição fraudulenta comprovada na importação por conta e ordem, que se materializa mediante a comprovação da interposição do adquirente (ou mandante aparente) e a identificação do real adquirente da mercadoria, intencionalmente ocultado do conhecimento das autoridades aduaneiras e tributárias. Nessa modalidade de interposição fraudulenta comprovada, como a operação de importação é realizada por conta do mandante interposto (ou adquirente aparente), o importador assume a condição de mero cedente do nome. E dada a condição de não ser o proprietário da mercadoria em nenhuma fase da operação de importação, nem de fato ou de direito, o importador responde apenas pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, nos termos do caput art. 33 da Lei 11.488/2007, enquanto que o adquirente interposto (ou mandante aparente) e o adquirente oculto (ou real adquirente), por força do disposto no art. 95, I e V, do Decretolei 37/1966, em regime de coautoria, respondem pela pena de perdimento da mercadoria ou pela multa substitutiva equivalente ao valor da mercadoria, prevista no art. 23, V e §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976. Na presente autuação, induvidosamente, não foi o que ocorreu com a recorrente SAVIXX. A descrição dos fatos que integra o questionado auto de infração revela que foi a recorrente quem realizou as correspondentes operações de importação com recursos próprios, o que, obviamente, infirma a conduta infracional consistente na mera cessão do nome. Neste caso, ela foi a proprietária da mercadoria até se consumada a tradição da mercadoria a operação de compra e venda realizada no mercado interno. Nos autos ficou demonstrado, que a interposição fraudulenta ocorreu no âmbito da operação de aquisição no mercado interno, de sorte que a interposta pessoa, a recorrente FELIX, ocupou fraudulentamente o lugar da real encomendante e adquirente das mercadorias integrante do citado grupo econômico, no caso, a recorrente PIASTRELLA. Portanto, tratase de interposição fraudulenta comprovada no âmbito da operação de importação por encomenda, em que o importador atuou como o real importador/proprietário da mercadoria importada e não como mero cedente do nome. No caso, tratase de interposição fraudulenta comprovada na importação por encomenda, em que quem cedera o nome não foi a pessoa jurídica importadora, mas a encomendante interposta, com vistas ao acobertamento da pessoa jurídica real encomendante das mercadorias importadas, o que se materializa mediante a simulação de uma operação de Fl. 5634DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.618 35 compra e venda no mercado interno celebrada entre a encomendante aparente (ou formal) e a encomendante oculta (ou real) apenas para ocultar a participação da real responsável pela operação de importação, no caso a recorrente PIASTRELLA. Ressaltase, novamente, que a conduta motivadora da autuação da recorrente SAVIXX foi o fato de ela ter concorrido e se beneficiado da infração, conforme anteriormente demonstrado. Com base nessas considerações, rejeitase todas as alegações da recorrente SAVIXX, em decorrência, ela deve ser mantida polo passivo da autuação. Das razões de defesa da recorrente PIASTRELLA. A recorrente PIASTRELLA alegou que houve incoerência na sua inclusão no polo passivo da presente autuação, sob o argumento de que, se uma das consequências da interposição fraudulenta de terceiro era a quebra da cadeia do IPI, como sustentado pela fiscalização, logo, como grande parte dos produtos por ela adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero do imposto, tal quebra não ocorrera. Não procede a alegação da recorrente. A uma, porque a quebra da cadeia do IPI é apenas uma das consequências danosas para a arrecadação tributação decorrente da pratica interposição fraudulenta no âmbito das operações de importação, e, possivelmente, o móvel principal de quem pratica o referido tipo de fraude. A duas, porque o motivo da inclusão da recorrente no polo passivo da autuação, como sujeito passivo solidário, foi decorrência da comprovação de que ela concorreu e se beneficiou com a prática da referida infração, na condição de real encomendante e adquirente das mercadorias importadas, o que se revela suficiente para que ela responda pela infração, em regime de solidariedade com os demais infratores, nos termos do art. 95, I e VI, do Decretolei 37/1966, com as alterações posteriores, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação, para manter a recorrente no polo passivo da autuação. Das razões de defesa da recorrente FELIX. No mérito, a recorrente FELIX alegou que a penalidade aplicada era excessiva onerosa e que afrontava os princípios do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade. A questão suscitada pela recorrente, inequivocamente, envolve a apreciação de constitucionalidade de norma legal vigente (art. 23, V, e §§ 1º e 3º, do Decretolei Fl. 5635DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 36 1.455/1976), o que é defeso aos integrantes deste Conselho, conforme expressamente determina o art. 26A3 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 11.941/2008. Tal atribuição, sabidamente, é reservada ao Poder Judiciário. E não se pode olvidar, que, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontra se reafirmada no art. 62 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e consolidada na sua jurisprudência, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, não se toma conhecimento da questão, em consequência, deve ser mantida a cobrança do valor integral da multa aplicada. III DA CONCLUSÃO. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento da questão atinente à onerosidade excessiva da multa aplicada e, na parte conhecida, pela rejeição das preliminares de nulidade de decisão de primeira instância e do auto de infração, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 5636DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.619 37 Declaração de Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Reverencio o brilhante voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, mas ouso pedir vênia para dele divergir. O nobre relator considerou que a empresa Savixx efetivamente participou e se beneficiou da interposição fraudulenta na operação de importação por encomenda objeto da autuação sob julgamento. Como bem descrito: "neste tipo de importação, uma determinada pessoa jurídica (a importadora) é contratada para promover, em seu próprio nome, com recursos (integrais) próprios, e em razão de contrato previamente firmado com o adquirente exclusivo das mercadorias, a importação de mercadorias para revenda, exclusivamente, a pessoa jurídica encomendante. Essa modalidade de importação caracterizase pela existência de dupla transação comercial. A primeira dáse entre o exportador estrangeiro e o importador (relação jurídica de nacionalização da mercadoria) e a segunda entre importador e o encomendante predeterminado (relação jurídica de compra e venda no mercado interno)". Após minuciosa análise da autuação fiscal, o Conselheiro José Fernandes adotou as seguintes premissas em seu voto: Premissa 1. A contabilidade da Felix era inidônea e imprestável como meio de prova da origem e disponibilidade dos recursos financeiros utilizados nas compras de mercadorias importadas pela Savixx; Premissa 2. As operações de importação contratadas pela Felix foram financiadas por pessoas jurídicas da Rede de Lojas Amoedo; Premissa 3. A Savixx (na condição de importadora) se beneficiou não só dos ganhos financeiros decorrentes da atividade de importação por encomenda, mas também de expressivos ganhos financeiros provenientes do incentivo fiscal gerido pelo Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (FUNDAP); Premissa 4. Os emails acostados aos autos pela fiscalização comprovam que a Savixx sabia sobre o esquema fraudulento, já que foram endereçados ao Sr. Ricardo Torres de Oliveira (funcionário da Rede de Lojas Amoedo); Fl. 5637DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 38 Premissa 5. Existe um pedido de autorização para o pagamento das taxas de sobreestadia de contêineres formulado pela Savixx ao Sr. Ricardo; Premissa 6. A Savixx apresentou fianças bancárias que serviram como garantias para as operações de importação. No entanto, a fiscalização trouxe a conhecimento certidões emitidas pelo 3º Cartório de Registro e Títulos e Documentos que comprovam que as citadas garantias foram realmente suportadas pelas empresas do grupo "Lojas Amoedo"; Premissa 7. Após o desembaraço as mercadorias importadas eram remetidas diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimento dos reais encomendantes. Passo as minhas considerações. Sobre a premissa 1 É importante ter em mente que a Savixx é uma empresa de importação, dedicada à estruturação de operações de comércio exterior. Portanto a ela não compete fiscalizar a contabilidade das empresas que a contratam, que é o caso da Félix. Ainda que por um preciosismo absurdo a empresa Savixx quisesse ter acesso aos documentos contábeis de sua contratante, isso não seria legalmente permitido, já que não faz parte do rol elencado no art. 1.190 do Código Civil, o qual transcrevo: Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. Nesse mesmo sentido não é possível apenar a Savixx por não ter conhecimento sobre a capacidade financeira da empresa Felix. As informações financeiras de uma empresa que contrata os serviços da Savixx, via de regra, demandam mais do que uma simples consulta ao Serasa. A quebra do sigilo bancário é possível em situações excepcionais, dentre as quais não se encaixa a mera contratação do serviço de importação. Sobre a vedação ao acesso às informações bancárias se aplicam as normas previstas nos inciso X e XII do art. 5º da Constituição Federal, bem como o art. 1º da Lei Complementar n. 105/2001. Sobre a premissa 2 Os auditores fiscais comprovaram que as operações de importação contratadas pela empresa Félix foram financiadas pelas pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico Rede de Lojas Amoedo. Ao ser intimada a comprovar os pagamentos recebidos da Felix, a Savixx apresentou: Vários extratos bancários apontando as diversas Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs) provenientes da conta bancária da Felix (fl. 42 RESPOSTA SAVIXX 11 04 2012); Relacionou todos os pagamentos recebidos da Felix a cada uma das Declarações de Importações (RESPOSTA SAVIXX 11 04 2012 e anexos); E, por fim, apresentou os comprovantes individuais de cada uma das transferências eletrônicas, comprovando, ao fim e ao cabo, que os recursos foram pagos pela Félix. Fl. 5638DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.620 39 Ao que consta, não seria possível exigir da empresa Savixx outros documentos ou conduta diversa, já que todos os pagamentos foram efetivamente recebidos da empresa Felix. Mais uma vez não competiria a empresa Savixx rastrear a origem desses recursos, até mesmo porque tal conduta não lhe é permitida diante do sigilo bancário resguardado no texto constitucional. Sobre a premissa 3 Para o relator, a Savixx (na condição de importadora) se beneficiou não só dos ganhos financeiros decorrentes da atividade de importação por encomenda, mas também de expressivos ganhos financeiros provenientes do incentivo fiscal gerido pelo Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (FUNDAP). Não há nos autos qualquer prova que ateste que a Savixx tenha auferido benefícios de sua relação comercial com a Felix. Ao que tudo indica, a Savixx foi remunerada de acordo com as condições previstas no contrato entabulado com a Felix, já que houve a devida prestação de serviços de importação. Não há nos autos qualquer indício que a Savixx auferiu expressivos ganhos financeiros porque é uma empresa Fundapeana. É indiscutível que o benefício fiscal atrelado ao FUNDAP tem sido utilizado de forma ilegal por algumas beneficiárias. Porém, o simples fato de ser detentora do benefício não pode resultar em iminente declaração de ilegalidade de seus atos comerciais. Como se sabe, o ato ilícito não se presume. Para que a contribuinte seja apenada, é imprescindível a comprovação da prática da ilegalidade, que não há nos autos. Sobre as premissas 4 e 5 Tratarei sobre as duas premissas que são relacionadas. Foram trazidos aos autos emails que comprovariam que a Savixx teria ciência sobre o esquema fraudulento, já que o endereço eletrônico do Sr. Ricardo Torres de Oliveira é relacionado a Amoedo, e que existe um pedido de autorização para o pagamento das taxas de sobreestadia de contêineres formulado pela Savixx e endereçadas ao Sr. Ricardo. Em primeiro lugar a Savixx reconhece que o seu contato para resolver questões sobre as importações contratadas com a Felix seria o Sr. Ricardo Torres: "As referidas negociações internacionais foram acompanhadas pelo Sr. Ricardo Torres Oliveira, email: felixricardo@oi.com.br ou ricardot@amoedo.com.br, funcionário da empresa Felix Material de Construções" (trecho extraído da RESPOSTA SAVIXX 17 05 2012)" Percebese que foram indicados dois endereços eletrônicos: um situado na oi.com.br e outro na amoedo.com.br. Entendo que uma só pessoa pode ter endereços eletrônicos situados em vários sítios, sem que isso possa caracterizar qualquer falta. Mas também reconheço que o endereço que remete a Amoedo pode ensejar alguma confusão. No entanto, revisando as informações lavradas pelos fiscais, verifiquei que a própria fiscalização comprova que "o email do Sr. RICARDO TORRES também consta no cadastro de contribuinte da FELIX na RFB". As provas obtidas pela fiscalização atestam que o Sr. Ricardo nunca foi empregado da Felix, mas que consta no perfil do Sr. Ricardo no Linkdin (sítio eletrônico de relacionamentos profissionais) que ele é "controller na Amoedo Material de Construção", e que é especialista em importações. Fl. 5639DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 40 Dessas informações e provas, entendo que não é razoável exigir que a empresa Savixx investigasse a fundo a relação do Sr. Ricardo Torres com a empresa Felix. Isso porque é possível admitir que a sua condição de especialista em importação permita com que ele esteja vinculado a várias empresas em um mesmo período, já que poderia ser contratado como consultor. No período em que as importações foram feitas o Sr. Ricardo Torres estava registrado nos sistemas oficiais como empregado da Reale Tintas, sob a Classificação Brasileira de Ocupação n. 2522 (que corresponde a contadores e afins). A fiscalização conclui que "O Sr. Ricardo Torres atuava na área de importação, não para uma determinada empresa, mas para todo o grupo econômico". Ou seja, a própria fiscalização reconhece que o Sr. Ricardo Torres não se dedicava exclusivamente a uma só empresa. Deste modo, não vislumbro como admitir que a Savixx tivesse conhecimento sobre as relações mantidas entre a Felix e Amoedo somente em decorrência de um endereço eletrônico. Sobre a premissa 6. A Savixx apresentou fianças bancárias que serviram como garantias para as operações de importação. No entanto, a fiscalização comprova que as citadas garantias foram realmente suportadas pelas empresas do grupo "Lojas Amoedo". A Savixx entregou aos fiscais a Carta de Fiança n. 010105974001 (PASTA DE CONTRATOS E ATOS CONSTITUTIVOS), de 15/05/2009, emitida pelo Unibanco em benefício da Savixx, afiançando a Felix no valor de até R$ 2.000.000,00, pelo cumprimento das obrigações relativas à importação de mercadorias. Também apresentou um aditamento a essa carta de fiança, de 28/10/2009, prorrogando a data de vencimento para 10/05/2010, e um segundo aditamento, de 01/06/2010, prorrogando a data de vencimento para 10/05/2011. É incontroverso que as Cartas de Fiança apontam como a conexão entre a Savixx e a Felix intermediada pelo Unibanco. Ultrapassando a legitimidade conferida a esses documentos, os fiscais, cientes da incapacidade financeira da Felix e por dever de ofício, realizaram pesquisa no 3º Ofício de Registros de Títulos e Documentos (OFÍCIO CARTÓRIO 3 RTD 204 2012) e no 6º Registro de Títulos e Documentos (CERTIDÕES 6 OFÍCIO) e constataram que as empresas garantidoras das fianças são todas Lojas Amoedo. É de rigor ressaltar, no entanto, que esses documentos cartorários consignam que o Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória n. 010159740001 foi ajustado entre o Unibanco e a empresa Félix, e que o Termo de Constituição de Garantia de Alienação Fiduciária foi firmado entre o Banco Itaú e Felix. Mais uma vez não vislumbro que tais documentos façam prova de que a Savixx tivesse conhecimento e participasse do esquema fraudulento existente entre as empresas do grupo Amoedo e a empresa Felix. Isso porque os documentos que lhes foram entregues como condição para importação não registram qualquer participação de uma terceira empresa. As empresas do grupo Amoedo surgem como garantidoras, em contratos arquivados em cartório, sobre os quais a fiscalização não comprovou que a Savixx tinha conhecimento ou que deveria ter. A Savixx não tem obrigação legal de procurar informações sobre garantidores de contrato de fiança. Até mesmo porque não existe óbice legal que impeça que quaisquer outras pessoas figurem nessa posição, sejam elas pessoas físicas ou jurídicas. Fl. 5640DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722061/201366 Acórdão n.º 3302003.366 S3C3T2 Fl. 5.621 41 Sobre a premissa 7. Após o desembaraço as mercadorias importadas eram remetidas diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimento dos reais encomendantes. Sobre tal fato a fiscalização não trouxe provas suficientes que atestem sua conclusão. Diante da inexistência de provas, entendo que a presunção não merece prosperar. Outras observações: * É indiscutível que os custos e as despesas com as respectivas operações de importação foram integralmente pagos com os recursos da própria importadora Savixx, o que atesta que a importadora cumpriu com os requisitos legais; * A fiscalização4 ilustra as relações entre as empresas Felix, Amoedo, seus sócios e exsócios. Não há nesse diagrama qualquer indicação que a empresa Savixx ou seus sócios ou exsócios façam (ou tenham feito) parte do esquema fraudulento; * A fiscalização ilustra as suas conclusões em um "Fluxo de Pagamento", esse elaborado com as informações obtidas das análises dos Livros e Documentos Fiscais e dos extratos bancários e demais documentos apresentados ou obtidos via RMF, que a Amoedo transferia recursos para a Felix que, por sua vez, pagava o que devia a Savixx. Mais uma vez é comprovado que os recursos recebidos pela Savixx vinham da Felix. Conclusão: A empresa Savixx foi autuada por ter registrado nas Declarações de Importação que a encomendante era a empresa Felix, enquanto as investigações realizadas pelos auditores fiscais apontam que a real encomendante era a Amoedo. Como já dito, entendo que não há como apenar a Savixx pelo descumprimento de regras aduaneiras, já que está provado nos autos que a sua relação contratual era com a empresa Felix, que os pagamentos recebidos efetivamente saíram das contas bancárias de titularidade da Felix e que a mercadoria importada foi devidamente entregue. Não é possível exigir da Savixx o conhecimento sobre fatos que só foram conhecidos após vasta e minuciosa investigação por parte dos auditores fiscais, que detêm competência e legitimidade para acessar informações sigilosas. Ao meu ver a empresa Savixx não violou o art. 18 do Regulamento Aduaneiro, já que não há alegação que não tenha mantido em guarda e ordem os documentos relativos às transações comerciais. Também não há se falar em afronta aos art. 557 do Regulamento Aduaneiro, porque consta na fatura comercial o nome e endereço, completos, do encomendante predeterminado, que efetivamente foi a empresa Felix. 4 São trechos extraídos do auto de infração: "As coincidências entre sócios e exsócios dessas empresas, a intricada rede de relacionamentos com a FELIX, o fato da FELIX só ter efetuado 'vendas' para empresas vinculadas , bem como ter recebido recursos das mesmas em datas e valores coincidentes com os pagamentos feitos a importadora SAVIXX não são obra do acaso, mas decorrem de um fato: as empresas são todas pertencentes a um grupo econômico, a REDE DE LOJAS AMOEDO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO." Fl. 5641DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 42 Sobre o art. 13 da IN SRF n. 228/2002, que declara que a prestação de informações ou apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais, ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa, caracteriza a simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, não se aplica aos autos. Como já dito, a realidade comercial (contrato, pagamento e entrega) se deu com a empresa Felix e não com a Amoedo. O que há nos autos é evidente e comprovada fraude no mercado interno e não na operação de importação. Da mesma maneira não entendo aplicável na hipótese o comando do art. 689 do Regulamento Aduaneiro, que impõe a pena de perdimento das mercadorias quando os documentos necessários ao embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. Não há nos autos nenhuma prova de adulteração ou falsificação de documentos. Assim, por tudo que foi exposto, divirjo do brilhante relator e voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Fl. 5642DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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