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4955877 #
Numero do processo: 18108.001287/2007-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra de empreitada de construção civil, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Insuficiente fundamentação legal nos levantamentos R01 - Penta Pena Transportes Aéreos, R07 - Transportadora Giacchero Ltda, R22 - Metropolitan Transportes, R23 - Sete Táxi Aéreo Ltda e R26 - ASH Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda determina a exclusão dos mesmos. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vista vencedor do(a) Conselheiro Oseas Coimbra Junior, para anular os levantamentos R01 - Penta Pena Transportes Aéreos, R07 - Transportadora Giacchero Ltda, R22 - Metropolitan Transportes, R23 - Sete Táxi Aéreo Ltda e R26 - ASH Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. Declaração de voto Conselheiro Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: Gustavo Vettorato

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 397          2 Gustavo Vettorato – Relator  (Assinado Digitalmente)  Oseas Coimbra Junior – Redator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice­presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira  Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.  Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 398          3   Relatório  O  presente  Recurso  Voluntário  apresentado  (fls.  374­391)  busca  a  revisão  total  da decisão a quo  (fls.330­343),  que manteve crédito  constituído pela NFLD a  título de  contribuições que deveriam ser retidas e recolhidas em razão de serviços prestados por cessão  de  mão­de­obra,  sob  a  égide  de  responsabilidade(art.  31  da  Lei  n.  8.212/1991),  e  que  reconheceu a decadência dos créditos anteriores à 11/2001 (art.173, I,CTN). A ocorrência dos  eventos  sobre  os  quais  incidiu  a  norma  de  imposição  tributária  se  deu  nas  competências  de  04/1999 a 04/2002, sendo o lançamento cientificado no dia 14.11.2007 (fls.01).  Em seu recurso, a contribuinte alegou a decadência total do crédito lançado  por se tratar de tributo sujeito à homologação de pagamento (Sum.8 do STF c/c art. 150,§4, do  CTN), de que o lançamento não cumpre os requisitos para sua validade, bem como os serviços  estariam inclusos no art.31 da Lei n. 8.212/1991.  O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, seguindo  originalmente para o 2º Conselho de Contribuintes, que teve suas competências transferidas à  2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, e, por conseguinte, veio distribuído à presente Turma  Especial e relator.  Este é o Relatório.  Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 399          4   Voto Vencido  Conselheiro Gustavo Vettorato  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  supra  relatado,  dispensado  do  depósito  prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido.  Inicialmente, com a devida licença de inversão de análise, antes se verificar a  existência ou não de decadência, deve­se verificar se o lançamento objeto da decisão recorrida  preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação  ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971.  Observe­se  a  alegação  da  Recorrente  de  que  não  foi  realizada  a  devida  indicação do fundamento  legal, em que pese a  resposta da decisão recorrida em que o anexo  “FLD  –  Fundamentos  Legais  do  Débito”  (fls.  70­72)  teria  apresentado  de  forma  clara  e  objetiva  os  dispositivos  legais  aplicados  no  lançamento,  é  de  se  entender  que  a mesma  está  incorreta em atenção aos documentos juntados na NFLD.  A  atenção  à  esse  aspecto  formal  é  interessante  por  um  motivo  cabal:  o  lançamento foi constituído com base em uma presunção realizada em face de uma negativa da  Recorrente  em  fornecer  documentos  solicitados  pela  fiscalização.  Segundo  o  Relatório  da  Notificação Fiscal (fls. 103­106) em face dessa negativa, o fiscal aplicou uma presunção de que  a base de cálculo para a retenção de 11% (art. 31, da Lei n. 8.212/1991) seria de 30% (trinta  porcento)  sobre  todas  as  Notas  Fiscais  de  Serviços,  desconsiderando  em  muitos  casos  a  necessidade de continuidade de tais serviços.   Em  momento  algum,  informou  a  base  legal  específica  para  tal  presunção,  pois  tal  aplicação  é,  em  verdade,  um  arbitramento  por  aferição  indireta. O  arbitramento  por  aferição indireta é instrumento legítimo para a descrição e qualificação do evento sobre o qual  incide  a  norma  tributária,  desde  que  obedecido  o  que  dispõe  os  artigos  142,  148  e  149,  do  CTN, e o arts. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991. Inclusive, em decorrência do próprio art.  142, do CTN, os motivos fáticos, inclusive o método de aferição devem estar expressos, bem  como  o  fundamento  legal  que  dá  base  a  utilização  de  tal  instrumento,  ordem  essa  oriunda  também no art. 37, da Lei n. 8.212/1991. Tais determinações são necessárias inclusive para que  haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5,  LV da CF/1988)  Primeiro, nos autos em momento algum há explicação ou indicação de onde a  fiscalização ou qual método obteve para aplicar a presunção da base de cálculo a ser aplicada  seria de 30% (trinta por cento) sobre o valor de todas as notas fiscais de prestação de serviço de  natureza tão dispare.  Segundo, a mera menção ao artigo 33, da Lei n. 8.212/1991, sem especificar  qual  é  o  seu  parágrafo  fundamentador  da  aplicação  do  instrumento  de  aferição  indireta,  observando que o mesmo artigo trata uma série de assuntos atinentes ao lançamento, desde a  competência até procedimentos específicos. Ou seja, afirmação feita pela decisão recorrida não  sanou  a  afronta  aos  dispositivos  supra  mencionados.  Ressalta­se,  caso  tivesse  realmente  Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 400          5 buscado a devida base legal de tal instrumento, a fiscalização inclusive teria a sua disposição  um código fornecido pelo próprio sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil  para indicar tais dispositivos.  “sendo,  o  lançamento,  o  ato  através  do  qual  se  identifica  a  ocorrência  do  fato  gerador,  determina­se  a  matéria  tributável,  calcula­se  o montante  devido,  identifica­se  o  sujeito  passivo  e,  em sendo o caso, aplica­se a penalidade cabível, nos termos da  redação  do  art.  142  do  CTN,  certo  é  que  do  documento  que  formaliza  o  lançamento  deve  constar  referência  clara  a  todos  estes  elementos,  fazendo­se  necessário,  ainda,  a  indicação  inequívoca e precisa da norma  tributária  impositiva  incidente”  (PAUSEN,  Leandro.  Direito  Tributário:  Constituição  e  Código  Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto  Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ).  Revendo  posicionamentos  anteriores,  pelas  razões  acima,  observa­se  que  a  norma  individual  e  concreta  em  que  não  demonstra  todas  as  suas  facetas,  prejudica  a  sua  aplicação  e  a  possibilidade  de  defesa  do  contribuinte  perante  o  Fisco  (art.  59,  I,  do  Dec.  70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo, algo além da  mera  formalidade  extrínseca  do  ato  de  constituição  do  crédito,  afetando  o  seu  âmago.  Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes:  "PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  EX  OFFICIO  —  É  nulo  o  Ato  Administrativo  de  Lançamento,  formalizado  com  inegável  insuficiência  na  descrição  dos  fatos,  não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe  outorga  o  ordenamento  jurídico,  o  amplo  direito  de  defesa,  notadamente  por  desconhecer,  com  a  necessária  nitidez,  o  conteúdo  do  ilícito  que  lhe  está  sendo  imputado.  rata­se,  no  caso,  de  nulidade  por  vício  material,  na  medida  em  que  alta  conteúdo  ao  ato,  o  que  implica  inocorrência  da  hipótese  deincidência."  (1°  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  Recurso  nº132.213  —  Acórdão  n°101­94049,  Sessão  de  06/12/2002, unânime)  Dessa  forma,  está  claro  que  com  meras  alegações  circunstanciais,  como  apresentadas  pela  autoridade  fiscal,  não  se  poderia  constituir  o  crédito  tributário  impugnado  contra a Recorrente. a ausência dos fundamentos legais e fáticos para o arbitramento  Em  razão  deste  entendimento,  as  demais  questões  restam  prejudicadas  de  análise.  Isso  posto,  meu  voto  é  para  CONHECER  O  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a  nulidade do lançamento por vicio material.  Sala de Sessões, 12 de março de 2012.   (Assinado digitalmente)  Gustavo Vettorato ­ Relator  Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 401          6 Voto Vencedor  Conselheiro Oséas Coimbra,  Pedi  vista  dos  presentes  autos  a  fim  de  melhor  refletir  acerca  das  provas  colacionadas pelo contribuinte.  Segundo  DN  de  fls  339,  foi  reconhecida  a  decadências  das  competências  anteriores a 11/2001, inclusive, restando sob análise as competências 12/2001 a 04/2002 e os  levantamentos R01  ­  Penta Pena Transportes Aéreos, R07  ­ Transportadora Giacchero Ltda,  R13 ­ Siemens Engenharia e Service, R16 ­ Siemens Engenharia e Service, R22 ­ Metropolitan  Transportes, R23 ­ Sete Táxi Aéreo Ltda, R26 ­ ASH Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda e  R35 ­ Servflora Serviços Florestais Ltda.    Dos levantamentos referentes a serviços de transportes  Os  levantamentos  R01  ­  Penta  Pena  Transportes  Aéreos,  R07  ­  Transportadora Giacchero Ltda, R22 ­ Metropolitan Transportes e R23 ­ Sete Táxi Aéreo Ltda.,  por se referirem a serviços de transportes, tiveram sua base de cálculo considerada como 30%  do valor das notas fiscais, conforme relatório fiscal.  Na  defesa  apresentada,  o  contribuinte  já  se  insurge  sobre  a  falta  de  fundamentação legal e, sobre esse tema, na DN de fls 338, assim se manifesta o e. julgador: O  anexo  "FLD —  Fundamentos  Legais  do  Débito"  (fls.  70  a  72)  apresenta  de  forma  clara  e  objetiva os dispositivos  legais que  fundamentaram o  lançamento  efetuado, de acordo com a  legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. Assim, inadmissível a alegação  da  Impugnante no sentido de que os artigos  tidos como  infringidos, na verdade, configuram  uma  singela  relação  de  toda  a  legislação  relativa  às  contribuições,  algumas  sem  qualquer  relação com os fatos apontados na NFLD.”  A  base  de  cálculo  diferenciada  consta  da  OS  209,  de  20.05.1999,  subitem  17.4. A manifestação do contribuinte acerca da falta de fundamentação legal demonstra clara  impugnação à ausência da norma citada, o que poderia ter sido sanado em diligência, fato não  realizado. A falta de esclarecimentos acerca da base de cálculo do fato gerador imputado, vicia  o auto lavrado.   Em razão do exposto, adiro, nessa parte, ao voto do e. Relator, para anular os  levantamentos R01  ­  Penta Pena Transportes Aéreos, R07  ­ Transportadora Giacchero Ltda,  R22 ­ Metropolitan Transportes e R23 ­ Sete Táxi Aéreo Ltda, por erro formal.   Complementando,  temos que a deficiência na fundamentação  legal deve ser  considerada  como  erro  formal,  também  na  linha  do  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça. Vejamos o que decidido no AgRg nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP  Nº 1.212.658 – RS, DJe: 18/08/2011  Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 402          7 PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NOS  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL.  AUTUAÇÃO  ORIGINAL  INVÁLIDA  POR  VÍCIO  FORMAL  (FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL).  LANÇAMENTO  COMPLEMENTAR.  DECADÊNCIA.  DISCUSSÃO  ACERCA  DO  TERMO  INICIAL.  DISSÍDIO  JURISPRUDENCIAL  NÃO  DEMONSTRADO.  FALTA  DE  SIMILITUDE  FÁTICA  ENTRE  OS  ACÓRDÃOS  CONFRONTADOS.  1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente  os embargos de divergência pelos quais a contribuinte sustenta a  existência de dissídio interno acerca da contagem da decadência  para  o  lançamento  complementar  proveniente  da  fase  de  diligências no curso do processo administrativo (art. 18, § 3º, do  Decreto 70.235/72).  2.  Não  há  similitude  fática  e  jurídica  entre  os  acórdãos  confrontados.  A  questão  de  direito  apreciada  pelo  acórdão  embargado  diz  respeito  ao  termo  a  quo  do  prazo  decadencial  para  a  realização  de  lançamento  complementar  àquele  que  foi  invalidado por  vício  formal  (fundamentação  legal  equivocada).  Já  o  aresto  paradigma  apontado  cuida  de  situação  diversa,  relativa  à  necessidade  de  publicação  em  jornais  de  grande  circulação  como  pressuposto  de  validade  para  a  cobrança  da  contribuição sindical rural, nos termos do art. 605 da CLT.  3. Constata­se,  também, das razões de decidir, que os acórdãos  em  comparação  não  ostentam  teses  jurídicas  antagônicas  a  justificar o processamento do presente recurso, pois, enquanto o  acórdão embargado trata de decadência quando há vício formal  no  lançamento  original  (análise  dos  planos  da  existência  e  da  validade  do  ato  administrativo),  o  aresto  paradigma  cuida  da  invalidade  de  cobrança  tributária  por  vício  na  notificação  do  lançamento (análise do plano da eficácia do ato administrativo).  4. Agravo regimental não provido.  Dos demais lançamentos  Do TIAD de  fls.  93,  temos  a  pertinente  intimação  para  a  apresentação  dos  Contratos  e  Notas  Fiscais  de  Prestação  de  Serviços  referentes  aos  prestadores  elencados  na  Planilha anexa ­ fls. 94 a 97. Às fls 98 a 102, outro TIAD é emitido, com reiteração do que já  solicitado.  Sobre  a alegação  apresentada na defesa de  fls  199, de que o TIAD não  foi  lavrado pelo Agente Autuante, temos que o Auditor que lavrou o Termo era integrante da ação  fiscal conforme MPF de fls 80, não havendo impedimento que este Auditor lavrasse os TIAD e  outro lavrasse a notificação.  Estes levantamentos não trazem base de cálculo diferenciada, como no caso  dos  serviços  de  transportes,  razão  pela  qual  o  que  consta  do  relatório  FLD  é  suficiente  a  embasar o que lançado.  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 403          8 O Relatório  fiscal  informa  que  tais  lançamentos  se  referem  a  prestação  de  serviços  com  cessão  de  mão­de­obra  ou  empreitada.  A  não  apresentação  da  documentação  requerida impede maiores esclarecimentos acerca dos serviços prestados. Consta do relatório:  “A empresa não apresentou não só as NFS ­ Notas Fiscais de Serviço, como também deixou de  apresentar os contratos de prestação de serviços solicitados, tendo por isso, sido presumida a  cessão de mão de obra.”  Aqui  abre­se  um parênteses  acerca  da necessidade de  se  trazer no  relatório  fiscal menção ao art. 33 §3º da lei 8.212/91, uma vez que os lançamentos se deram em razão da  não  apresentação  da  documentação  requerida  pela  fiscalização.  Destaca­se  que  o  artigo  foi  citado, o parágrafo 3º não, conforme consta do voto do em. Relator.  Art. 33 (...)  §3°Ocorrendo  recusa ou  sonegação de qualquer documento ou  informação,  out  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  e  o Departamento  da  Receita  Federal­  DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à  empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.   O §3 traduz atribuição intrínseca à ação de fiscalização tributária – falta de  apresentação de documentos gera presunção de ocorrência de fato gerador ­ se assim não fosse,  a mera não apresentação de documentos impediria o Fisco de efetuar o lançamento, nada mais  absurdo.   Sobre  esse  tópico,  perfilho­me  ao  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  que,  ao  julgar  o  processo  35368.000865/2006­95,  em  10  de maio  de  2010  assim decidiu:  Ementa:   FALTA  DE  INDICAÇÃO  DE  DISPOSITIVO  LEGAL  PARA  ARBITRAMENTO  DE  TRIBUTO.  DESCRIÇÃO  CLARA  E  SUFICIENTE  DOS  FATOS.  AUSÊNCIA  DE  PREJUÍZO  À  DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  A  falta  de  indicação  do  dispositivo  legal  para  arbitramento  de  tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando  a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar  o exercício do direito de defesa.   Recurso Especial do Procurador Provido  Crédito Tributário Mantido  Entendo que não há prejuízo ao contribuinte em  razão da não  indicação do  parágrafo do art 33, uma vez que a fiscalização demonstrou de forma suficiente suas razões e  circunstâncias  pertinentes  ao  lançamento,  oferecendo  as  devidas  oportunidades  de  constestação.   Temos que não fica configurada aferição indireta, pois a base de cálculo é a  prevista  em  legislação  –  valores  constantes  em  notas  fiscais,  não  havendo  que  se  falar  em  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 404          9 detalhamento  de  método  utilizado,  pois  os  valores,  repisa­se  são  os  presentes  nas  notas  e  detalhados no razão auxiliar – fls 107 e ss.   Houve, em razão da não apresentação de documentos, um arbitramento, onde  o  fisco  considerou  tais  notas  como  referentes  à  prestação  de  serviços  sujeitos  à  retenção,  e  subseqüente aferição direta da exação devida – correto o procedimento.   Na liquidação do crédito arbitrado, o auditor­fiscal pode empregar diferentes  procedimentos,  dentre  os  quais  o  procedimento  de  aferição  indireta  da  base  de  cálculo  das  contribuições devidas.   A aferição indireta ou ficta ocorre quando, para se alcançar um valor de base  de cálculo, utiliza­se elementos relacionados circunstancialmente ao fato gerador considerado,  cuja  análise  deverá  trazer  um  valor  aproximado  ao  do  fato  gerador  efetivamente  ocorrido,  exemplo:  ­ honorários pagos a advogados sem comprovação de valores ­ utilização  da tabela da OAB;   ­obra de construção civil sem regular contabilização – utiliza­se o CUB  ou  percentuais  sobre  as  notas  fiscais  dos  serviços  prestados(quando  fiscalizada a prestadora), etc.  Continuando, em relação às empresas R13 ­ Siemens Engenharia e Service,  R16 ­ Siemens Engenharia e Service, R26 ­ ASH Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda e R35 ­  Servflora Serviços Florestais Ltda, nenhuma nota fiscal ou contrato foi apresentado.  Nos  TIAD´s  acostados,  há  expressa  determinação  de  apresentação  dos  documentos referentes às empresas listadas, a empresa ­ ASH Assessoria Serviço de Hotelaria  Ltda não consta das relações, e os lançamentos contábeis apresentados não demonstram serviço  sujeito a retenção de 11%, razão pela qual também deverá ser excluída da presente NFLD.   No recurso há expressa impugnação aos levantamentos R07, R01, R11, R22,  R13 e R17. Considero também impugnado o levantamento R16 que se refere a mesma empresa  – SIEMENS, trazida no levantamento R13.  Nesse  ponto,  alega  o  contribuinte  que “essa  constatação  não  se  comprova  apenas nos registros acima citados, mas também nos demais registros em que a descrição do  lançamento  informa,  por  exemplo,  que  a  operação  realizada  se  trata  de  locação  de  equipamento, como no Registro R13 e não da contratação prestação de serviço, propriamente  dita, e muito menos de cessão de mão­de­obra.”  A descrição do lançamento, de acordo com o razão auxiliar – fls 132 e ss, não  traz essa informação, que consta apenas de cópias da tela do sistema informatizado da própria  empresa – fls 264 e ss, sendo assim imprestáveis para o fim a que se propõe. A recorrente não  anexou, novamente, contratos ou notas fiscais a demonstrar o alegado.    Assim  sendo,  temos  que,  em  relação  aos  levantamentos  R13  ­  Siemens  Engenharia  e  Service,  R16  ­  Siemens  Engenharia  e  Service  e  R35  ­  Servflora  Serviços  Florestais  Ltda  o  contribuinte  não  trouxe  elementos  que  afastassem  o  que  alegado  pela  fiscalização.  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 405          10 CONCLUSÃO  Ante o exposto, conheço do presente  recurso e dou parcial provimento para  anular  os  levantamentos  R01  ­  Penta  Pena  Transportes  Aéreos,  R07  ­  Transportadora  Giacchero Ltda, R22  ­ Metropolitan Transportes, R23  ­ Sete Táxi Aéreo Ltda  e R26  ­ ASH  Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda.  Sala de Sessões, 12 de março de 2012.   (Assinado digitalmente)  Conselheiro Oséas Coimbra  Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 406          11   Declaração de Voto  Conselheiro Eduardo de Oliveira.  Pedi  vista  dos  autos,  exclusivamente,  em  razão,  da  controvérsia  sobre  realização ou não da aferição indireta – arbitramento, para melhor poder estudar o caso.  O órgão fiscal tem a prerrogativa de lançar a importância que entender devida  quando  o  contribuinte  ou  o  sujeito  fiscalizado  se  recusar  a  fornecer  ou  fornecer  de  forma  deficiente documentos e esclarecimentos ou caso estes documentos não mereçam fé, artigo 33  e seus incisos da Lei 8.212/91 c/c o artigo 148 da lei 5.172/66.  Pelos relatos dos I. Conselheiros que me precederam foi o que ocorreu, pois  segundo verifiquei a empresa não forneceu os documentos necessários para que se pudessem  diferenciar onde houve e onde não houve cessão de mão de obra, observe­se o trecho abaixo  transcrito retirado do voto­vista do N. Conselheiro Oséas Coimbra Júnior.  “A  empresa  não  apresentou  não  só  as NFS  ­ Notas Fiscais  de  Serviço,  como  também  deixou  de  apresentar  os  contratos  de  prestação de serviços solicitados, tendo por isso, sido presumida  a cessão de mão de obra.”  Desta  forma,  não  tendo  a  fiscalização  como  mensurar  quais  os  serviços  ocorram com cessão de mão de obra  e quais não,  em  razão da  inércia da  recorrente,  o  fisco  apenas usou de sua atribuição legal, nos termos do artigo 33 da Lei 8.212/91 c/c o artigo 142 da  Lei 5.172/66 e presumiu a ocorrência do fato gerador em todas as notas.  No entanto, isto não significa aferição­indireta/arbitramento, pois estas dizem  respeito ao método e  técnica de apuração da base de cálculo, o que no presente caso não foi  necessário,  uma  vez  que  se  usou  os  valores  constantes  da  próprias  notas  fiscais,  como  determina  a  Lei  8.212/91  em  seu  artigo  31,  caput,  ou  seja,  a  base  de  cálculo  teve  apuração  direita.  No intuito de elucidar a questão trago a colação a lição abaixo transcrita.  “O grande alcance da  fiscalização  tributária é  figura essencial  ao exercício da própria atividade tributária como um todo. Se a  fiscalização  não  fosse  dotada  desse  poder  de  examinar  as  atividades  dos  sujeitos  passivos,  a  tributação  perderia  seu  caráter compulsório.  A  eventual  recusa  do  sujeito  passivo  em  exibir  seus  livros  e  papéis  às  autoridades  fazendárias  não  inibe  a  atividade  do  lançamento  tributário.  Nesse  caso,  caberá  o  lançamento  de  ofício  por  arbitramento,  conforme  estatui  o  art.  148  do  CTN,  aplicável  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos  expedidos pelo sujeito passivo ou terceiro legalmente obrigado.  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 407          12 Nessas  circunstâncias  a  autoridade  fiscal  presumirá  haver  ocorrido  o  fato  gerador  do  tributo  e  consequentemente  arbitrará, de  forma unilateral, o valor da base de cálculo para  efeitos, de constituição do crédito tributário correspondente.” 1   PENAL E PROCESSUAL PENAL. SONEGAÇÃO FISCAL. ART.  1º  DA  LEI  8.137/90.  CRIME  MATERIAL  ­  CONSUMAÇÃO  ­  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  ­  INÍCIO  DO  PRAZO  PRESCRICIONAL  ­  NÃO  OCORRÊNCIA  DA  PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DO 366 DO CPP ­ CABÍVEL AOS  FATOS  SOB  SUA  VIGÊNCIA  ­  PRELIMINAR  DEFERIDA  ­  PROCESSO  E  PRAZO  PRESCRICIONAL  SUSPENSO  EM  RELAÇÃO  À  OMISSÃO  OCORRIDA  NO  ANO­CALENDÁRIO  DE 1997. MATERIALIDADE ­ PRESUNÇÃO TRIBUTÁRIA ­  INSUFICIÊNCIA  ­  NECESSIDADE  DE  EFETIVA  DEMONSTRAÇÃO  DA  SONEGAÇÃO.  AUTORIA  E  DOLO  CARACTERIZADOS.  DOSIMETRIA  BEM  APLICADA.  APELO  DA  ACUSAÇÃO  PARCIALMENTE  PROVIDO.  APELO  DA  DEFESA IMPROVIDO. 1. O delito previsto no artigo 1º da Lei  nº 8.137/90, crime material,  se  consuma com a  constituição do  débito  pelo  Fisco.  Precedentes.  2.  ­  É  possível  a  aplicação  parcial  do  disposto  no  art.  366  do CPP,  em  relação  aos  fatos  praticados na sua vigência, mesmo na hipótese de existir outros  anteriores  a  mesma  (CPP:  artigo  2º).  3  ­  De  outro  tanto,  em  relação  ao  ano­calendário  de  1994,  não  restou  demonstrada  a  efetiva constituição dos fatos geradores, para fins de provas no  âmbito penal, tendo em vista que foram presumidos. 4 ­ Como é  sabido,  a  presunção  é  válida  na  seara  tributária, mas, mesmo  que  o  contribuinte  não  impugne  a  ação  fiscal,  aceitando  seus  termos,  não  é  aceitável  que,  sem  prova  contundente,  a  mesma  sirva de substrato para um decreto condenatório. 5. A autoria e  o  dolo  também  caracterizados.  6. Dosimetria  bem  aplicada.  7.  Apelo  da  acusação  parcialmente  provido.  Apelo  da  defesa  desprovido.(ACR  200161810037949,  JUIZ  CONVOCADO  ROBERTO  JEUKEN,  TRF3  ­  SEGUNDA  TURMA,  DJF3  CJ1  DATA:10/06/2010 PÁGINA: 114.) (grifos meus)  Destarte,  em  verdade  o  que  ocorreu  no  presente  caso  e  que  foi  acima  esclarecido foi a presunção da ocorrência do fato gerador ­ cessão de mão de obra em todos os  serviços  prestados  ante  a  recusa  da  empresa  em  apresentar  documentos  que  pudessem  identificá­los.  Logo,  a  indicação  do  inciso  da  aferição  indireta  tornou­se  irrelevante,  pois  esta não ocorreu,  agindo o  fisco nos  exatos  termos do  artigo 33,  caput da  lei  8.212/91 c/c o  artigo 142, caput da Lei 5.172/66.  Assim  sendo,  acompanho a divergência  inaugurada pelo  I. Conselheiro que  me antecedeu, mas no que tange aos lançamentos mantidos, o faço por outros motivos, os quais  estão supramencionados e esclarecidos.  Sala de Sessões, 12 de março de 2012.                                                              1 RUSCHMANN, Cristiano Frederico. Direito Trbutário. São Paulo. Editora Saraiva. 2005. pág. 199.  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001287/2007­37  Acórdão n.º 2803­01.394  S2­TE03  Fl. 408          13  (Assinado digitalmente)  Conselheiro Eduardo de Oliveira.  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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4879661 #
Numero do processo: 10980.004180/2002-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun May 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 3          1 2  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.004180/2002­36  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3403­000.441  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária  Data  12 de maio de 2013  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  SPAIPA S/A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência nos termos do voto do relator.    Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Alexandre  Kern,  Domingos  de  Sá  Filho,  Rosaldo  Trevisan,  Ivan  Allegretti  e  Raquel Motta  Brandão Minatel.    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  restituição  do  PIS  e  da  Cofins,  no  valor  de  R$  1.249.968,23,  protocolado  em  09/04/2002,  decorrente  de  recolhimentos  indevidos  das  contribuições  efetuados  nos  períodos  de  apuração  compreendidos  entre  junho  de  1999  e  outubro de 2001, por  ter o  contribuinte  incluído  nas bases de  cálculo dessas  contribuições o  valor do ICMS retido na condição de substituto tributário (fls. 04/310 vol 1).  Ao pedido de  restituição  foi  vinculado o pedido de  compensação, protocolado  na mesma data, indicando os seguintes débitos para compensação: a) Cofins do PA 10/2001, no     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 18 0/ 20 02 -3 6 Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.004180/2002­36  Resolução nº  3403­000.441  S3­C4T3  Fl. 4          2 valor de R$ 786.117,08; b) PIS do PA 10/2001, no valor de R$ 222.006,64; e c) Cofins do PA  11/2001, no valor de R$ 241.844,51 (fl. 315 vol. 1).  Por meio  do  despacho  decisório  de  fls.  1563/1574  (vol.  5)  foi  reconhecido  o  crédito  no  valor  de  R$  887.534,91,  em  valor  originário,  e  por  meio  do  despacho  decisório  complementar  de  fls.  1666  (vol.  5),  foram  homologadas  as  compensações  dos  débitos  indicados  nos  itens  “a”  e  “b”  citados  no  parágrafo  anterior  e  R$  107.652,00  do  débito  informado no item “c”, remanescendo um saldo de PIS não compensado no PA 11/2001 de R$  134.192,51.   A  diferença  entre  o  valor  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte  (R$  1.249.968,23) e o deferido pela autoridade administrativa (R$ 887.534,91), decorreu do fato de  que,  em  relação  ao  PIS,  o  contribuinte  efetuara  compensações  sem  DARF  em  DCTF  com  créditos  de  PIS  reconhecidos  na  ação  ordinária  nº  97.0025959­5.  Segundo  apurado  pela  fiscalização,  esse  crédito  se extinguiu  em  agosto de 1998,  sendo  insuficiente para quitar por  compensação  os  débitos  dos  períodos  de  apuração  compreendidos  entre  11/1999  e  02/2001,  que  permaneceram  em  aberto.  Desse modo,  quanto  ao  PIS,  foi  reconhecida  a  existência  de  indébito  decorrente  da  inclusão  do  ICMS  –  substituição  tributária  nas  bases  de  cálculo  nos  períodos compreendidos entre 06/1999 e 10/1999 e entre 03/2001 e 10/2001. Quanto à Cofins,  foi  reconhecida  a  existência  de  indébito  em  relação  a  todo  o  período  pleiteado,  ou  seja,  de  06/1999 a 10/2001.   Os  débitos  do  PIS  que,  segundo  a  fiscalização,  permaneceram  em  aberto  no  período de 11/1999 a 02/2001 estão sendo cobrados em dois processos: 10980.000019/00­23  (auto  de  infração)  e  10980.007724/2006­81  (cobrança).  A  autoridade  administrativa,  ao  verificar  que o  contribuinte  realmente  incluiu  o  ICMS – Substituição  tributária  nas  bases  de  cálculo,  determinou a  exclusão do PIS  indevido  dos valores que  estão  cobrados no processo  10980.007724/2006­81 (fl. 1573).  Regularmente  notificado  dos  despachos  decisórios,  o  contribuinte  apresentou  recurso hierárquico com base no art. 56 da Lei nº 9.784/99 (fls. 1506 a 1684) e manifestação de  inconformidade, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/96. Em ambos insurgiu­se contra a  compensação de ofício que teria sido efetuada pela autoridade administrativa com os créditos  pleiteados no período de 11/1999 a 02/2001. Alegou que não foi  intimado para se manifestar  sobre  a  compensação  de  ofício;  que  houve mudança  de  critério  jurídico;  que  os  débitos  do  período 11/1999 a 02/2001 estão sendo cobrados por meio do auto de infração do processo nº  10980.007734/2006­81  e  que  também  foi  objeto  de  compensação  de  ofício  no  processo  10980.010859/99­25. Existe duplicidade de compensações de ofício sobre os mesmos débitos.  Disse  que  está  discutindo  em  juízo  o  auto  de  infração  albergado  no  processo  nº  10980.007734/2006­81,  pois  entende  que  os  créditos  originários  da  ação  ordinária  nº  97.00255959­5  foram  suficientes  para  o  acerto  de  contas  requerido  em  instrumentos  específicos  e  distintos  destes  autos.  Diante  da  compensação  de  ofício  efetuada  no  processo  10980.010859/99­25, a glosa efetuada neste processo é totalmente indevida e despropositada.  Requereu o deferimento do  total do crédito pleiteado, validando­se a compensação  requerida  ou, então, que se abra oportunidade para que possa se manifestar nos autos.  Por meio do Acórdão 15.719, de 10 de outubro de 2007 (fls. 1791 a 1811), a 3ª  Turma da DRJ em Curitiba não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade, por  entender  que  não  cabe  a  apresentação  desse  recurso  contra  despacho  que  não  homologue  declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003. Entendeu a DRJ que no caso  Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.004180/2002­36  Resolução nº  3403­000.441  S3­C4T3  Fl. 5          3 concreto a declaração de compensação não constitui confissão de dívida, devendo ser lavrado  auto  de  infração. Os  processos  de  auto  de  infração  e  de  não  homologação  da  compensação  deveriam ser juntados e o contribuinte exerceria seu direito de defesa em impugnação ao auto  de infração.  Regularmente notificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando  que após a apresentação do recurso hierárquico,  foi a própria autoridade preparadora quem o  orientou  a  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade.  Acrescentou  que  a  autoridade  administrativa  analisou  a  questão  como  declaração  de  compensação,  atribuindo  o  efeito  de  confissão de dívida e, consequentemente, o direito de o contribuinte apresentar manifestação de  inconformidade, conforme estabelecem os §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. No mais,  reprisou e reforçou as alegações da manifestação de inconformidade, quanto à impossibilidade  da alteração de critérios jurídicos; quanto à preclusão da discussão administrativa, em face da  discussão  judicial  do  auto  de  infração;  quanto  à  impossibilidade  de  efetuar  compensação  de  ofício sem intimar o contribuinte a se manifestar; e quanto à duplicidade da compensação de  ofício.  Por meio do Acórdão 3402­00.689, de 01 de  julho de 2010, a Segunda Turma  Ordinária  desta  Câmara  deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  e  reconheceu  que  o  contribuinte  tem  direito  ao  rito  do  Decreto  nº  70.235/72  e  de  ver  julgado  o  mérito  da  sua  manifestação de  inconformidade. Foi determinado o retorno do processo à DRJ – Curitiba, a  fim de que a manifestação de inconformidade fosse apreciada e julgada quanto ao mérito (fls.  1872 a 1884 do vol. 6).  Cientificada  do  acórdão  à  fl.  1885,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  não  recorreu.   O processo  foi  enviado  à DRJ – Curitiba e,  diante das  alegações  contidas nos  recursos apresentados e na narrativa contida no despacho decisório, o Presidente da Turma de  Julgamento  homologou  a  proposta  de  retorno  dos  autos  ao  Seort  da DRF/Curitiba  para  que  fosse informado “(...) se, de fato, dos depósitos judiciais de PIS, feitos no âmbito do processo  judicial  nº  99.0012785­4,  teriam  sido  deduzidos  valores  para  acobertar  compensações  que,  originalmente, foram vinculadas em DCTF com o processo judicial n.° 97.0025959­5, visando  extinguir débitos de PIS dos períodos de apuração 11/1999 a 02/2001. Dessa informação, dar  ciência à interessada, para não ser alegado cerceamento ao direito de defesa, com reabertura  de prazo para, caso queira, oferte manifestação nos autos.” (fl. 1894 do vol. 6)  Os autos retornaram com os documentos de fls. 1897 a 1917, por meio dos quais  a fiscalização informou que nenhum valor de depósito judicial de PIS, efetuado no Mandado de  Segurança nº 99.0012785­4, foi utilizado para compensar débitos de outro processo, uma vez  que aqueles depósitos foram levantados integralmente pelo impetrante.   O  contribuinte  foi  notificado  às  fls.  1919  a  1921  em 09/06/2011  e  apresentou  manifestação de fls 1923 a 1929 em 22/06/2011.  Por  meio  do  Acórdão  06­32.832,  de  27  de  julho  de  2011,  a  3ª  Turma  da  DRJ/Curitiba  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade.  Ficou  decidido  o  seguinte: 1) quanto aos períodos de apuração 11/1999 a 02/2001, não houve lavratura de auto  de infração. Na verdade, no processo 10980.007734/2006­81, o fisco verificou que não existia  crédito  suficiente  com  base  no  processo  judicial  97.0025959­5,  que  pudesse  dar  lastro  às  compensações  informadas  nas  DCTF  relativas  aos  citados  períodos  de  apuração.  Assim,  os  Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.004180/2002­36  Resolução nº  3403­000.441  S3­C4T3  Fl. 6          4 valores  do  PIS  que  restaram  em  aberto  nas  DCTF  foram  considerados  confessados  e  encaminhados  para  a  dívida  ativa  da União. A DRJ  considerou  que  não  houve mudança  de  critério jurídico de lançamento, pois a cobrança constante de processo 10980.007734/2006­81,  sendo considerada dívida confessada, não caracteriza lançamento de ofício; e b) o resultado da  diligência efetuada mostrou que no processo nº 10980.010859/99­25, de acompanhamento do  Mandado  de  Segurança  nº  99.0012785­4,  não  existiu  a  compensação  de  ofício  alegada  pela  recorrente,  pois  os  valores  depositados  em  juízo  foram  integralmente  levantados  pela  impetrante.  Regularmente  notificado  do  Acórdão  de  primeira  instância  em  13/10/2011,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  de  fls.  1983  a  2003  em 11/11/2011,  alegando,  na  parte em que interessa ao deslinde deste processo, o seguinte: 1) que na sua manifestação sobre  a  diligência  determinada  pela  DRJ  comprovou  que  as  compensações  efetivadas  nas  competências de 1999, 2000 e 2001,  relativas ao PIS (ação ordinária 97.0025959­5)  também  foram objeto de compensação de ofício nos autos do processo 10980.010859/99­25, conforme  reconhecido no trecho da manifestação fiscal que transcreve à fl. 1995. A mesma manifestação  fiscal informa que dos depósitos judiciais pertencentes à recorrente foram deduzidas as outras  compensações  via  judicial  pelo  processo  judicial  97.0025959­5  em  relação  aos  períodos  11/1999 a 02/2001. Essas deduções também foram efetuadas pelo despacho decisório proferido  neste  processo,  fato  que  comprova  a  duplicidade  alegada;  2)  Nas  fls.  1719  e  1720  foram  encartadas “telas” do sistema de arrecadação, as quais relacionam pagamentos e depósitos de  PIS  no  período  de  01/07/1999  até  31/12/2002,  tudo  a  evidenciar  a  regularidade  fiscal  da  recorrente; 3) Foi colacionado às fls. 1721 a 1725 “telas” do SINALDEP, que informam quais  os  valores  devolvidos  à  recorrente  e  quais  os  transformados  em  renda  da  União,  conforme  determinação  judicial  já  transitada  em  julgado;  4)  a  autoridade  administrativa  não  poderia  alterar critérios  jurídicos (art. 146 do CTN), com violação do ato  jurídico perfeito e da coisa  julgada  e, muito menos,  rever  lançamento  de ofício  sem  apontar quaisquer  hipóteses  do  art.  149  do  CTN;  5)  houve  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  em  razão  da  falta  de  apreciação de argumentos; 6) requereu a conversão do julgamento em diligência para que haja  a solução da divergência entre as manifestações fiscais; 7) reiterou as razões de ordem fática e  jurídica  desenvolvidas  na  manifestação  de  inconformidade  e  no  recurso  apresentado.  8)  requereu  a  reforma  do  acórdão  recorrido  para  o  fim  de  que  seja  validado  o  valor  total  da  compensação declarada.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator.   Conforme  se  verifica  nos  autos,  o  contribuinte  apresentou  declaração  de  compensação  vinculando  créditos  de  PIS  e  de  Cofins  decorrentes  da  inclusão  indevida  do  ICMS – substituição tributária nas bases de cálculo.  Os pagamentos indevidos teriam ocorrido no período compreendido entre junho  de  1999  e  outubro  de  2001.  Esse  é  o  objeto  do  litígio:  a  autoridade  administrativa  não  reconheceu a existência de indébito de PIS nesse período.  Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.004180/2002­36  Resolução nº  3403­000.441  S3­C4T3  Fl. 7          5 A  autoridade  administrativa  apurou  que  no  período  compreendido  entre  novembro de 1999 e fevereiro de 2001 não houve pagamento da contribuição ao PIS, em razão  de  compensações  sem  DARF  que  não  foram  homologadas  por  insuficiência  do  crédito  da  mesma contribuição decorrente da ação ordinária nº 97.0025959­5.  Apesar deste processo administrativo já ter sido baixado em diligência pela DRJ  ­ Curitiba, permanece uma dúvida que impede o julgamento da lide.  Para que exista direito à devolução do PIS, que  teria sido pago  indevidamente  em  razão  do  acréscimo do  ICMS – Substituição  tributária  na  base  de  cálculo,  é preciso  que  tenha ocorrido a quitação do PIS nos períodos de apuração compreendidos entre novembro de  1999 e fevereiro de 2001.  A  autoridade  administrativa  diz  que  os  créditos  de  PIS  decorrentes  da  ação  ordinária  nº  97.0025959­5  não  foram  suficientes  para  quitar,  por  compensação,  os  débitos  dessa contribuição informados nas DCTF dos meses de novembro de 1999 a fevereiro de 2001.  Na  diligência  solicitada  pela  DRJ,  a  autoridade  administrativa  informou  à  fl.  1915  do  PDF  (1726  do  processo)  que  os  depósitos  judiciais  de PIS  efetuados  no  âmbito  do  mandado  de  segurança  nº  99.0012785­4,  foram  devolvidos  integralmente  à  recorrente  e  que  não foram usados para quitar nenhum débito de outro processo.   Por  outro  lado,  nas  folhas  1897  a  1899  consta  uma  peça  do  processo  nº  10980.010859/99­25,  que  é  o  processo  administrativo  de  acompanhamento  do  mandado  de  segurança citado no parágrafo anterior. Nesta peça processual, consta a seguinte informação:  “(...)  Quanto  ao  PIS  faturamento,  da  mesma  forma  apurou­se  conforme  Demonstrativos,  fls.  338  e  339,  desses  valores  foram  deduzidas  as  outras  compensações  via  judicial  pelo  processo  judicial  nº  97.0025959­5  em  relação  aos  períodos  de  11/99  a  02/2001,  fls.  340  a  355  e  pelo  processo  administrativo  10980.004180/2002­36 do período de 10/2001, fl. 356. (....)”  (Grifei)  Com  base  nesse  excerto,  o  contribuinte  insiste  que  os  débitos  do  período  de  novembro de 1999 a fevereiro de 2001 estão quitados e, em consequência, que ele teria direito  à  restituição da parcela quitada sobre o  ICMS – substituição  incluído na base de cálculo  em  relação aos períodos de novembro de 1999 a fevereiro de 2001.  A dúvida  que  persiste  é  a  seguinte:  embora  os  depósitos  judiciais  efetuados  a  título de PIS no mandado de segurança nº 99.0012785­4 tenham sido devolvidos integralmente  ao  contribuinte,  conforme  informação  da  autoridade  administrativa,  os  débitos  de  PIS  que  restaram em aberto nas DCTF do período de novembro de 1999 a fevereiro de 2001 foram de  alguma forma compensados?  Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à  repartição fiscal de origem, a fim de que a autoridade administrativa:  1)  Informe  o  significado  do  excerto  da  manifestação  existente  no  processo  nº  10980.010859/99­25, que foi acima transcrito e sublinhado;  Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.004180/2002­36  Resolução nº  3403­000.441  S3­C4T3  Fl. 8          6 2)  Informe  conclusivamente,  em  relatório  circunstanciado,  se  houve  compensação  dos  débitos  do  PIS  do  período  de  novembro  de  1999  a  fevereiro  de  2001  nos  autos  do  processo 10980.010859/99­25,  juntando aos autos os documentos comprobatórios ou as  peças processuais. Se for o caso, que seja anexada a este processo a íntegra do processo  nº 10980.010859/99­25; e  3)  De tudo dê ciência ao contribuinte para que ele, querendo, se manifeste no prazo de 30  dias.   Atendida esta solicitação de diligência, que os autos  retornem a este colegiado  para que se prossiga no julgamento.  Antonio Carlos Atulim  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 11080.900348/2005-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. A modificação da decisão, em razão da interposição de embargos de declaração, somente pode ocorrer como decorrência lógica da retificação de um acórdão em razão da existência de omissão, obscuridade ou contradição, não podendo, em hipótese, alguma, manifestar-se sem que ao menos uma dessas hipóteses de cabimento se faça presente. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-001.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora). Designado o Conselheiro Jose Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relator (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon- Redator designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 67          1 66  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.900348/2005­95  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3801­001.668  –  1ª Turma Especial   Sessão de  30 de janeiro de 2013  Matéria  Embargos de Declaração ­ Erro Material  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AES SUL DISTRIBUIDORA GAÚCHA DE ENERGIA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ERRO  MATERIAL.  EFEITOS  INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA.  IMPOSSIBILIDADE.  A  modificação  da  decisão,  em  razão  da  interposição  de  embargos  de  declaração, somente pode ocorrer como decorrência lógica da retificação de  um acórdão em razão da existência de omissão, obscuridade ou contradição,  não  podendo,  em  hipótese,  alguma,  manifestar­se  sem  que  ao  menos  uma  dessas hipóteses de cabimento se faça presente.  Os  embargos  de  declaração  não  se  prestam  à  rediscussão  da  controvérsia.  Hipótese  não  prevista  no  art.  65  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria MF n°  256, de 22/06/2009.  Embargos Rejeitados      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  rejeitar  os  embargos de declaração. Vencida a Conselheira Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  (Relatora). Designado o Conselheiro Jose Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor.    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relator    (assinado digitalmente)  Jose Luiz Bordignon­ Redator designado     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 03 48 /2 00 5- 95 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 68          2   (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes­ Presidente    Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros Marcos  Antonio  Borges,  José  Luiz  Bordignon,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo Antonio  Caliendo Velloso  da  Silveira, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.    Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 69          3 Relatório  O presente  processo  originou­se  de manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho  Decisório  emitido  eletronicamente  pela  DRFB  Porto  Alegre  relativo  à  PER/DECOMP,  em  virtude  de  exame  de  declaração  de  compensação  no  qual  não  foi  homologado  o  encontro  de  contas  por  ausência/insuficiência  de  créditos  oponíveis  contra  a  Fazenda Pública.   A  Intimação  Fiscal  originária,  motivadora  da  respectiva  Manifestação  de  Inconformidade, traz como fundamentação e enquadramento legal, os seguintes argumentos:  "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  178.162,86. A partir das características do DARF discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP"     Em sua impugnação, a ora Embargante contestou o Despacho alegando não  ter  sido  conferida  a  ela  qualquer  hipótese  de  conhecimento  da  infração  objeto  da  intimação.  Alegou  supostas  irregularidades  na  intimação,  tanto  no  conteúdo  quanto  na  forma  como  ocorreu,  invocando nulidade da mesma. Por  tais  razões, e alegando ainda  impossibilidade de  defesa, requereu a declaração de nulidade da intimação fiscal.   A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre  – Estado do Rio Grande do Sul, proferiu decisão constante do Acórdão 1015.943, que restou  assim ementada:    Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social Cofins  Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003  Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação  Nos  termos  do  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional,  essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para  a  efetivação  do  encontro  de  contas,  comprovação  esta  que  é  ônus  do  contribuinte,  sendo  incabível  a  transferência  da  responsabilidade ao Fisco.  Solicitação Indeferida    Inconformado com a decisão de primeira instância, o Embargante apresentou  recurso  voluntário,  alegando  novamente  o  cerceamento  de  defesa.  Além  deste  argumento,  apresentou documentos relacionados à compensação em si. Em sua argumentação explicou que  houve,  em  relação  ao mês  de  30/06/2003,  pagamento  do  débito  tributário  apurado  (após  as  compensações devidas), no montante de R$ 1.956.647,77 (um milhão; novecentos e cinqüenta  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 70          4 e  seis mil,  seiscentos  e quarenta  e  sete  reais  e  setenta  e  sete  centavos),  por meio  da DARF,  anexado aos autos. Contudo, em sua DCTF apresentou como valor para pagamento o montante  de R$ 1.778.484,91 (um milhão setecentos e setenta e oito mil, quatrocentos, e oitenta e quatro  reais  e  noventa  e  um  centavos).  Assim,  haveria  crédito  para  a  contribuinte  no  valor  de  R$178.162,86, posto que recolheu DARF em valor maior que o apurado e declarado em DCTF  (R$1.778.484,91).  Esta 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou  o recurso voluntário, negando­lhe provimento por meio da seguinte ementa:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  Apresentado  ao  contribuinte  o  despacho  decisório  com  todos  os  elementos  suficientes  para  o  entendimento  das  razões  que  motivaram  o  indeferimento  do  pleito,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  por  cerceamento do direito de defesa.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  CRÉDITO  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  No âmbito do procedimento compensatório, o ônus da prova da  existência do crédito  restituível, passível de compensação, é do  sujeito  passivo,  por  conseguinte,  ele  deve  apresentar  os  documentos  fiscais  comprobatórios  da  origem  do  indébito  tributário.  Sem  tais  elementos  probatórios  não  é  possível  a  Administração  tributária  verificar  a  existência  do  direito  creditório informado. Em conseqüência, a falta de comprovação  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  utilizado  na  compensação  implica  nãohomologação  do  procedimento  compensatório  declarado.  PER/DCOMP,  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  AÇÃO  JUDICIAL.  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  A  compensação  de  créditos  decorrentes  de  ação  judicial  somente  é  viável  após  o  trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou.    O  contribuinte  opôs  embargos  de  declaração,  alegando  a  ocorrência  de  omissão no acórdão de 2ª instância, pois “não se posicionou quanto à negativa de vigência do  art. 10,  inciso  IV, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972 e do artigo 5º.,  inciso LV da  Constituição Federal de 1988”. Alegou também ter o acórdão se baseado em premissas falsas,  incorrendo em erro material que fez com que sua conclusão fosse contraditória à realidade dos  fatos,  ao  considerar  como  fundamento  de  decidir  o  fato  de  a  compensação  pleiteada  ter  ocorrido sobre créditos decorrentes de ação judicial anteriormente a seu trânsito em julgado, e  ao  mencionar  que  o  contribuinte  restou  vencido  na  referida  ação  judicial  (processo  1999.7100005920­1, que discutia  a  legalidade das  alterações  trazidas pela Lei no. 9.718,  em  relação ao aumento da base de cálculo da COFINS.    É o relatório.  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 71          5 Voto Vencido  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Os embargos de declaração foram opostos no prazo legal, razão pela qual são  admitidos.  Quanto à omissão alegada, não vislumbro sua ocorrência. A decisão omissa é  aquela que não examina um pedido ou um fundamento trazido pelas partes, o que não ocorreu  na hipótese presente. No caso, o  acórdão  analisou o ponto ventilado no Recurso Voluntário,  acerca do suposto cerceamento do direito de defesa, nos seguintes termos:     De  início,  no  que  tange  à  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte,  não  vislumbro  qualquer  nulidade  no  conteúdo  do  despacho  decisório  guerreado,  sendo  certo  que  restou  claro  o  motivo  do  indeferimento,  fundamental  pressuposto  de  fato  e  de  direito  para  a  validade do ato administrativo. A motivação é elemento do  ato, parte onde os motivos são expostos.  Por outro  lado, verifico que a decisão embargada, de fato,  incorreu em erro  material  ao  se  basear  em  premissa  equivocada,  considerando  como  fundamento  de  decidir  o  fato  de  a  compensação  pleiteada  ter  ocorrido  sobre  créditos  decorrentes  de  ação  judicial  anteriormente a seu trânsito em julgado, e ao mencionar que o contribuinte restou vencido na  referida  ação  judicial  (processo 1999.7100005920­1, que discutia  a  legalidade das  alterações  trazidas pela Lei no. 9.718, em relação ao aumento da base de cálculo da COFINS).  A uma, porque o contribuinte restou vencedor na referida ação judicial, e não  vencido.  A duas, porque da análise dos autos do processo  infere­se que realmente os  créditos  levados  à  compensação  na PER/DCOMP não  se originaram de  decisão  judicial  não  transitada  em  julgado.  Tais  créditos  foram  levados  à  compensação  em  decorrência  de  pagamento  via  DARF  (sob  o  código  2172)  de  tributos  depositados  judicialmente  (mediante  quitação de DARF sob o código 7498). Em última análise, não houve compensação decorrente  de decisão judicial não transitada em julgado, mas sim de débito recolhido indevidamente.  Tal  se  depreende  da  própria DCTF  relativa  ao mês  de  junho  de  2003,  que  contém a descrição da COFINS A PAGAR (faturamento) e da COFINS A PAGAR (depósito  judicial); da guia DARF do valor total da COFINS (faturamento + depósito judicial); e da guia  DARF  do  valor  da  COFINS  depositada  judicialmente.  Verifica­se  que  o  crédito  objeto  do  pedido  de  compensação  se  deu  pelo  pagamento  em  duplicidade  da  parcela  da  COFINS  incidente  sobre  “outras  receitas”,  vez  que  depositada  judicialmente  (por  meio  da  DARF  de  código 7498) e novamente recolhida pela quitação da DARF de código 2172.  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 72          6 Ou  seja,  o  valor  do  crédito  objeto  do  presente  processo  foi  recolhido  e  também  depositado  judicialmente,  originando  o  crédito  objeto  da  PER/DCOMP  invalidada  administrativamente.    Assim, o acórdão embargado contém o erro material apontado, pois entendeu  que a compensação realizada pelo contribuinte Embargante referia­se à compensação fundada  em ordem judicial precária, embora tenha decorrido de pagamento a maior da COFINS, o que  pode ser verificado nas guias de recolhimento mencionadas e na própria DCTF.   Por  todo  o  acima  exposto,  voto  por  dar  provimento  aos  embargos  de  declaração interpostos para:  1.  Considerar  não  ocorrida  omissão  no Acórdão  embargado,  conforme  acima demonstrado;  2.  Considerar  que  a  decisão  incorreu  em  erro  de  premissa,  conforme  acima demonstrado;  3.  Sanear a incorreção demonstrada acima, conferindo aos Embargos de  Declaração  efeitos  infringentes,  por  meio  da  análise  das  alegações  trazidas em sede de recurso voluntário;  Em  decorrência  da  referida  análise,  acima  fundamentada,  concluir  pela  improcedência do lançamento.  (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relator  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 73          7 Voto Vencedor  Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado  De se registrar que a divergência com o voto proferido pela ilustre Relatora  se limita aos efeitos infringentes atribuídos aos embargos de declaração.   Como  já mencionado,  trata­se  de  embargos  de  declaração  sob  alegação  de  omissão e erro material cometido no acórdão proferido pelo Colegiado quando do julgamento  do recurso voluntário.  De acordo com a Portaria MF nº 256/2009 – RICARF – cabem embargos de  declaração nos seguintes casos:  Art.  64.  Contra  as  decisões  proferidas  pelos  colegiados  do  CARF são cabíveis os seguintes recursos:  I ­ Embargos de Declaração.  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se a turma.  §  1°  Os  embargos  de  declaração  poderão  ser  interpostos,  mediante  petição  fundamentada  dirigida  ao  presidente  da  Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão.  Desse  modo,  quanto  a  omissão  reclamada  pela  Embargante  comungo  da  decisão da Relatora que muito bem tratou da questão.  No  entanto,  com  relação  as  inexatidões materiais,  o RICARF  tem  previsão  expressa em seu artigo 66:  Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os  erros  de  escrita  ou  de  cálculo  existentes  na  decisão  serão  retificados pelo presidente de  turma, mediante  requerimento de  conselheiro da  turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do  titular  da  unidade  da  administração  tributária  encarregada  da  execução do acórdão ou do recorrente.  §  1°  Será  rejeitado  de  plano,  por  despacho  irrecorrível  do  presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a  inexatidão ou o erro.  §  2°  Caso  o  presidente  entenda  necessário,  preliminarmente,  será  ouvido  o  conselheiro  relator,  ou  outro  designado,  na  impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja  submetida à deliberação da turma.  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 74          8 § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput,  dar­se­á ciência ao requerente. (grifos acrescidos)  No caso  em  análise,  é  fato  que  a  decisão  embargada  contém  erro material,  pois dentre seus fundamentos encontra­se o registro de que a compensação pleiteada teve como  origem créditos decorrentes de ação  judicial,  conforme excerto  abaixo colacionado, o que se  revela um engano.  [...]  não trouxe aos autos dados sobre o provimento judicial que deu  azo ao valor considerado indevido.  [...]  Ademais, a ação judicial que deu base para a suspensão de parte  do  valor  supostamente  devido,  o  Mandado  de  Segurança  1999.71000059201, não havia transitado em julgado na data em  que o crédito foi declarado em DCTF. Por fim, vale dizer que o  contribuinte restou vencido na mencionada ação judicial. Assim  sendo,  correto  o  lançamento  desses  valores,  eis  que  a  compensação  pressupunha  o  trânsito  em  julgado,  ou  seja,  a  liquidez dos créditos a serem compensados.  Contudo,  no  acórdão  em  questão,  o  entendimento  chancelado  por  unanimidade pelo Colegiado foi no sentido de que a interessada não foi capaz de comprovar a  liquidez e certeza de seu crédito, conforme dispõe o art. 170 do CTN. É de se notar que este  fundamento  foi  trazido  desde  o  despacho  decisório  até  o  acórdão  ora  embargado,  já  colacionado no voto vencido.   É  importante  registrar  que  eventual  alteração  da  decisão  do  Colegiado  somente  é  possível,  em  decorrência  de  julgamento  de  Embargos  de  Declaração,  quando  originária da existência de pelo menos um dos pressupostos de admissibilidade dos embargos  de declaração,  isto é, omissão, obscuridade, contradição ou sobre ponto o qual a  turma devia  pronunciar­se. Inexistindo qualquer um desses vícios, não é possível alterar a decisão.   Portanto, imprimir efeitos infringentes aos presentes embargos no sentido de  homologar a compensação pleiteada, em razão do erro material acima exposto, além da falta de  previsão legal vai de encontro ao princípio da verdade material, também aplicável em favor da  Fazenda Nacional.  Por fim, diante do acima exposto, considerando que:   (i) não houve qualquer omissão no acórdão embargado;  (ii)  a  modificação  da  decisão,  em  razão  da  interposição  de  embargos  de  declaração,  somente pode ocorrer  como decorrência  lógica da  retificação de um acórdão  em  razão  da  existência  de  omissão,  obscuridade  ou  contradição,  não  podendo,  em  hipótese,  alguma, realizar­se sem que ao menos uma dessas hipóteses de cabimento se faça presente,   encaminho meu voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração  interpostos pela contribuinte, retificando­se o acórdão embargado, de modo a excluir a parte de  que trata o erro material acima identificado.  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11080.900348/2005­95  Acórdão n.º 3801­001.668  S3­TE01  Fl. 75          9 É assim que voto.    (assinado digitalmente)  José Luiz Bordignon                  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 29/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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Numero do processo: 10950.003218/2006-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física Exercício:2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação tributária autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10950.003218/2006­34  Acórdão n.º 2801­02.315  S2­TE01  Fl. 160          2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Curitiba na decisão recorrida, que transcrevo abaixo:    “Relatório  Trata  o  presente  processo  de  exigência  de  Imposto  de  Renda  Pessoa Física — IRPF formalizada por meio do auto de infração  de  fls.  102  a  106,  do  qual  faz  parte  o  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  de  fls.  97/101  e  os  demonstrativos  de  fls.  95/96,  no  valor  de  R$  23.721,64  de  imposto,  R$  17.791,23  de  multa de oficio de 75%, além de acréscimos legais, referentes ao  exercício de 2002, ano­calendário de 2001.  A exigência fundamentada no art. 849, do Decreto 3.000, de 26  de março de 1999 — RIR11999; art. 42 da Lei 9.430, de 1996;  art. 40 da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997;  art. 1º, da Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999 e, decorreu da  omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em  conta  de  depósito,  mantidos  em  Instituições  Financeiras,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprovou,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  conforme  Termo  de  Verificação  e  Constatação  Fiscal  de  fls.  97/101  e  os  demonstrativos de fls. 95/96.  Regularmente  cientificado  do  lançamento  em  18/12/2006  (fl.  110), o interessado ingressa, em 18/01/2007, com a impugnação  de  fls.  112/113,  acolhida  como  tempestiva  pela  unidade  de  origem  (fl.  122),  instruída  com  os  documentos  de  fls.  114/117  onde, alega que a autoridade autuante apurou R$ 91.266,40 de  movimentação bancária não justificada, deixando de considerar  o valor declarado consoante documento de fl. 114.  No  que  tange  à  multa,  argumenta  que  deve  ser  verificada  a  diminuição  com  o  valor  pago  à  vista,  aplicando­se  o  devido  desconto.  Por  fim, aduz que deve ser descontado o valor já declarado no  IR de 2001 e pago de R$ 10.703,20.”  É o relatório  Passo  adiante,  em  25  de  setembro  de  2007,  através  do  Acórdão  n.°  06­ 15.566,  a  4a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em Curitiba,  entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada:    “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA  FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10950.003218/2006­34  Acórdão n.º 2801­02.315  S2­TE01  Fl. 161          3 Considera­se como não­impugnada a parte do lançamento com a  qual  o  contribuinte  concorda  ou  não  se  manifesta  expressamente.  LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei  n°  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  de  omissão  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  Lançamento Procedente”  Cientificado  conforme AR  juntado  à  fl.  141,  em 08/11/2007,  o Recorrente,  interpôs  Recurso  Voluntário  datado  de  10/12/2007  (fls.  142  à  152  e  docs.),  reiterando  os  argumentos expostos quando da apresentação da impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator:    DO VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO E DA OMISSÃO DE  RENDIMENTOS    Em  seu  recurso  de  fls...  o  recorrente  argumenta  que  em  razão  de  parcelamento  de parte  do  crédito  tributário,  houve  o  desmembramento  em outro  processo,  o  que  haveria  levado  a  divergência  de  julgamentos  entre  a  a  Superintendência  da  9  ª.  Região  Fiscal e a 4ª Turma da DRF Maringá acerca do quantum impugnado.    Neste ponto de se destacar que a DRF­Maringá assim pontificou:     “De acordo com o quadro acima, a diferença não impugnada foi  de  R$  2.943,38  (R$  23.721,64  —  R$  20.778,26),  que  foi  transferida para o processo n° 10950.000238/2007­34 (fls. 23).”    A DRJ, em seu julgamento assim dispôs:    “Voto  Inicialmente,  cumpre  observar  que  não  houve  qualquer  pagamento  de  imposto  por  parte  do  contribuinte  em  sua  declaração de ajuste anual do exercício de 2002 (fls. 114/117),  uma vez que a base de cálculo declarado estava dentro do limite  de  isenção.  Assim,  é  de  se  entender  que  a  matéria  impugnada  corresponde  apenas  à  base  de  cálculo  declarada  de  R$  10.703,20,  que  o  impugnante  pretende  que  seja  deduzida  do  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10950.003218/2006­34  Acórdão n.º 2801­02.315  S2­TE01  Fl. 162          4 montante  dos  depósitos  bancários  não  justificados  de  R$  91.266,40.   Dessa  forma,  a  diferença  de  depósitos  não  justificados  de  R$  80.563,20  (91.266,40  —  10.703,20)  acrescidos  da  base  de  calculo declarada, deve ser considerada, conforme o disposto no  art.  17  do Decreto n"  70.235,  de  06  de março  de 1972,  com a  redação genericamente que efetivou todas as comprovações das  despesas médicas exigidas pela fiscalização.  (...)  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  considerar  não  impugnada  a  exigência de R$ 20.778,26 de imposto, R$ 15.583,69 de multa de  oficio  de  75%,  e  encargos  legais  e,  procedente  a  parte  impugnada  do  lançamento,  mantendo  R$  2.943,38  de  imposto,  R$ 2.207,53 de multa de oficio de 75%, e encargos legais.”(g.n.)  Ou seja, da leitura dos excertos acima, se depreende que a decisão da DRJ, na  realidade, manteve integralmente crédito tributário impugnado.  Neste tocante de se destacar que durante o curso do processo administrativo,  foi o contribuinte intimado pela Autoridade Fiscal para desconstituir a omissão de rendimentos  apontados, não tendo logrado êxito em fazê­lo.   Como bem reconheceu o julgamento da DRJ, a legislação tributária atribui ao  titular  da  disponibilidade  financeira  o  “ônus  de  identificar  os  negócios  jurídicos  que  proporcionaram os depósitos”.   Tal atitude tem como conseqüência prática, a inversão do ônus da prova que  passa a recair sobre o contribuinte, uma vez que é ele, contribuinte, quem participa diretamente  do negócio jurídico gerador dos depósitos questionados.  Por outro viés, não há de ser acatado o pleito de dedução da base de cálculo  declarada  dos depósitos  não  justificados,  uma vez que não  foi  acostado  aos  autos  elementos  capazes de comprovar o liame entre os créditos bancários e esses rendimentos.  A simples alegação do recorrente, desprovida de provas neste sentido, de que  sua  conta  pessoal  foi  utilizada  para  movimentação  financeira  de  empresa  da  qual  é  sócio  (Transbalan) “no período de 2001” (sic) (fls.145), não isenta o recorrente da declaração de tais  valores.   Apenas em tese, à se admitir como válido os argumentos do recorrente de que  se  tratavam  de  recurso  de  pessoa  jurídica  da  qual  é  sócio,  presumível  é  que  existisse  uma  escrituração contábil mínima, até mesmo para prestação de contas aos seus demais sócios, não  havendo nos autos notícia de qualquer documento comprobatório da alegada movimentação.     Desta forma, não havendo o contribuinte se desvencilhado do mister que lhe  cabia, qual seja, demonstração mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos  utilizados  nessas  operações,  conforme  Termo  de Verificação  e  Constatação  Fiscal  constante  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10950.003218/2006­34  Acórdão n.º 2801­02.315  S2­TE01  Fl. 163          5 dos Autos,  salta  aos  olhos  a  omissão  de  rendimentos  apurado  pela Autoridade  Fiscal,  sendo  cabível a manutenção do crédito tributário apurado.   Quanto  a  suposta  legalidade  e/ou  abusividade  da multa  aplicada,  razão  não  assiste ao recorrente, na medida em que sua aplicação decorre de texto literal de Lei, não tendo  esta  esfera  administrativa  (CARF)  competência  para  se  pronunciar  sobre  legalidade/constitucionalidade de Lei.   Conclusão  Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  Assinado digitalmente  Luiz Cláudio Farina Ventrilho                                    Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA

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5001509 #
Numero do processo: 15504.001344/2008-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há comprovação de recolhimentos parciais, motivo da manutenção da decisão.
Numero da decisão: 9202-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15504.001344/2008­06  Recurso nº  259.146   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­002.632  –  2ª Turma   Sessão de  24 de abril de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN)  Interessado  FUNDAÇÃO TV MINAS CULTURAL E EDUCATIVA E OUTRO    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  REGIDO  PELO  §  4°,  ART. 150, DO CTN.  Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa  no  CTN  a  ser  utilizada  deve  ser  a  prevista  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  conforme  inteligência da determinação do Art. 62­A, do Regimento  Interno  do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.  No  presente  caso,  há  comprovação  de  recolhimentos  parciais,  motivo  da  manutenção da decisão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.     (assinado digitalmente)  OTACÍLIO DANTAS CARTAXO  Presidente         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 13 44 /2 00 8- 06 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA     2   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS  CARTAXO  (Presidente),  MARCELO  OLIVEIRA,  GUSTAVO  LIAN  HADDAD,  ELIAS  SAMPAIO  FREIRE,  MARIA  HELENA  COTTA  CARDOZO,  LUIZ  EDUARDO  DE  OLIVEIRA  SANTOS,  MANOEL  COELHO  ARRUDA  JUNIOR,  RYCARDO  HENRIQUE  MAGALHAES  DE  OLIVEIRA,  GONCALO  BONET  ALLAGE,  SUSY  GOMES  HOFFMANN.  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.001344/2008­06  Acórdão n.º 9202­002.632  CSRF­T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  0153,  interposto  pela  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  (PGFN)  contra  acórdão,  fls.  0140,  que  decidiu  dar  provimento ao recurso, nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  ­  DECADÊNCIA  ­  ARTS  45  E  46  LEI  Nº  8.212/1991  ­  INCONSTITUCIONALIDADE  –  STF  –  SÚMULA  VINCULANTE.  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições do Código Tributário Nacional.  Nos  termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas  Vinculantes  aprovadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terão  efeito  vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e  à  administração pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual e municipal.  Recurso Voluntário Provido  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora   Esclarecendo, o litígio em questão trata de regra decadencial a ser aplicada.  Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que:  1.  O  colegiado  entendeu  estar  decaído  o  debito,  independentemente da regra utilizada: art. 150, § 4, ou  art. 173, I, ambos do CTN;  2.  A PGFN entende que a competência 12/98 não estaria  decaída, considerando a aplicação da regra do art. 173,  I, do CTN, mostrando­se necessário que o colegiado se  manifestasse  acerca  do  dispositivo  que  entende  cabível;  3.  Diante do exposto, requer que seja admitido o presente  recurso  e,  no  mérito,  que  lhe  seja  dado  provimento  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA     4 para  reformar  o  acórdão  recorrido,  afastando  a  decadência declarada na competência 12/98.  Por despacho, fls. 0182, deu­se seguimento ao recurso especial.  O sujeito passivo  apresentou suas contra  razões, argumentando, em síntese,  que a decisão deve ser mantida.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 18DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.001344/2008­06  Acórdão n.º 9202­002.632  CSRF­T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  –  recurso  tempestivo  e  com  divergência  confirmada  ­  conheço  do  Recurso  Especial  e  passo  à  análise  de  suas  razões  recursais.  O cerne da questão  sobre  a decadência  é  a discussão  sobre qual das  regras  decadenciais,  presentes  no  CTN,  aplicar­se­á:  a  expressa  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN  ou  a  constante do I, Art. 173 do CTN.  Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois  não  houve  a  necessária  e  obrigatória  antecipação  parcial  de  pagamento,  resultando  na  manutenção dos valores lançados referentes a competência 12/1998.  Creio que já temos resposta sobre esta dúvida.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  através  de  alteração  promovida  pela  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que  “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62­A  do anexo II).  No  que  diz  respeito  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  temos  o  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0),  julgado  em  12  de  agosto  de  2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que  teve o Acórdão submetido ao regime do artigo  543­C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL  .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  Fl. 19DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA     6 simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.        Fl. 20DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.001344/2008­06  Acórdão n.º 9202­002.632  CSRF­T2  Fl. 5          7   Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC  definiu  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  Cabe  destacar  que  na  análise  dos  autos  encontramos  informação  de  que  o  Fisco verificou recolhimentos, fls. 020.  Outro ponto importante é que o fato gerador da contribuição previdenciária é  a  totalidade  da  remuneração  paga  ou  creditada  pelos  serviços,  independentemente  do  título  que  se  lhe  atribua,  tanto  em  relação  ao  tomador  do  serviço  (empresa),  quanto  do  segurado  contribuinte.  Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos  levar em conta  se  houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a  totalidade  desses  pagamentos  que  se  denomina  Salário­de­Contribuição  (SC),  que  é  todo  e  qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de  forma  direta  ou  indireta,  em  dinheiro  ou  sob  a  forma  de  utilidades,  habituais  em  relação  ao  segurado empregado.  Elucidativo  o  texto  contido  em  decisão  proferida  na  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/2007­47, pelo nobre Conselheiro Francisco  Assis de Oliveira Júnior:  “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta,  ainda  resta  dirimir  a  questão  relacionada  ao  recolhimento  específico da rubrica eventualmente  lançada, conforme defende  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  ou  se  seria  suficiente  para  caracterização  de  pagamento  antecipado  o  recolhimento  genérico  relativo  aos  valores  consolidados  na  folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo.  Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada  deve  considerar  a  regra  matriz  relacionada  efetivamente  à  definição  de  qual  seria  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Nesse  sentido,  observamos  que  à  luz  do  que  dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento  jurídico  a  ser  considerado  para  efeito  de  análise  do  recolhimento  total  ou  parcial  refere­se  à  remuneração  total  paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o  trabalho, qualquer que seja a  sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma  Fl. 21DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA     8 de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o  tributo  em  relação a  determinada  rubrica  que  acredita  não  ter  incidência  da  contribuição  previdenciária,  tal  fato  não  descaracteriza  a  antecipação  de  pagamento  para  o  restante  calculado  e  recolhido  indicado  pela  folha  de  pagamento  do  empregador.   Em  verdade,  o  fracionamento  dessas  rubricas  revela­se  necessário  para  identificação dos  requisitos  estabelecidos para  verificação  da  não  incidência  do  salário  de  contribuição  em  conformidade com as  inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Contudo,  o  conjunto  de  situações  e  específicas  que  caracterizam  a  contra­prestação  onerosa  do  empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de  cada  uma  dessas  rubricas  que  são,  em  seu  conjunto,  a  remuneração  devida  ao  segurado.  Em  outras  palavras,  cada  rubrica é espécie do gênero remuneração.   Desse  modo,  para  efeito  de  identificação  do  pagamento  antecipado,  não  deve  ser  exigido  o  recolhimento  específico  de  uma  ou  outra  rubrica  paga  pelo  empregador,  mas  sim  a  consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na  folha de pagamento.”    Portanto,  claro  está  que  qualquer  recolhimento  está  relacionado  à  remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150  do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido.  CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.    Fl. 22DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.001344/2008­06  Acórdão n.º 9202­002.632  CSRF­T2  Fl. 6          9 Verifica­se,  da  análise dos  autos,  que  a  cientificação  do  lançamento  se  deu  em 07/04/2004, e o débito se refere ao período compreendido entre 01/1998 a 12/1998.  Com a aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, todas as  contribuições lançadas encontram­se em período atingido pela decadência.  CONCLUSÃO:   Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre  PGFN, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                              Fl. 23DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA

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Numero do processo: 13839.900464/2011-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Em face da homologação tácita da compensação, reputa-se insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Matéria: GLOSA CRÉDITO - SIMPLES
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     2 Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (DComp),  transmitida  em  14/10/2004, em que informada a compensação da parcela do saldo credor do IPI do1º trimestre  de  2003,  no  valor  de  R$  34.282,15,  com  débitos  do  mesmo  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep.  Segundo o Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 75/84, a compensação foi  homologada  parcialmente,  em  razão  de  insuficiência  de  crédito,  no  valor  de  R$  366,13,  correspondente  ao  somatório  dos  valores  do  IPI,  destacados  nas  notas  fiscais  emitidas  por  pessoa jurídica optante pela tributação do Simples e registrados indevidamente como crédito do  IPI no 1º trimestre de 2003.  Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que tem  direito ao crédito do IPI destacado na nota fiscal de compra, pois, conforme consulta ao sítio da  Secretaria de Receita Federal do Brasil, a pessoa jurídica emitente do documento fiscal não se  encontrava enquadrada na sistemática do Simples.  Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ ­ Ribeirão Preto/SP,  que, por unanimidade de votos,  julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com  base no argumento de que a legislação em vigor não permitia o crédito do IPI calculado sobre  aquisições de estabelecimento submetido a tributação pelo regime do Simples.  Em  13/6/2012,  a  Recorrente  foi  cientificada  da  decisão  primeira  instância.  Em 4/7/2012, protocolou o Recurso Voluntário, em que alegou impossibilidade da cobrança da  parcela  do  débito  não  compensada,  sob  o  argumento  de  que houve  a  homologação  tácita  da  compensação, pois havia extrapolado o prazo quinquenal de decadência, estabelecido no § 5º  do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, deve ser conhecido.  A alegação de defesa concernente à homologação tácita da compensação em  apreço,  aduzida apenas no  recurso, não  impede o  seu conhecimento, pois  se  trata matéria de  ordem pública, portanto, não sujeita a preclusão processual.  O  questionado  Despacho  Decisório  foi  emitido  em  1/3/2011,  sendo  dele  cientificado  a  Recorrente  no  dia  14/3/2011,  conforme  documento  de  fl.  85,  enquanto  que  a  DComp nº 16593.23313.140904.1.3.01­4557, homologada parcialmente, foi transmitida no dia  14/9/2004.  Dessa forma, tanto na data da emissão quanto na data da ciência do referido  Despacho  Decisório,  a  compensação  informada  na  referida  DComp  já  se  encontrava  homologada tacitamente, pois, nas referidas datas, já havia transcorrido o prazo de cinco anos,  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.900464/2011­78  Acórdão n.º 3802­001.582  S3­TE02  Fl. 21          3 estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para fim de realização da homologação  expressa pela autoridade fiscal competente.  Por  todo  exposto,  DOU  PROVIMENTO  ao  Recurso,  para  declarar  insubsistente  o  Despacho  Decisório  de  fls.  80/84  e  reconhecer  a  homologação  tácita  da  compensação declarada na DComp nº 16593.23313.140904.1.3.01­4557.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                              Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA

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Numero do processo: 10840.000919/2005-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.559
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001536, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração fevereiro/2005, no valor de R$ 20.300,72, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 26/31, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: Em decorrência dos procedimentos fiscais efetuados, constatamos que a contribuinte descontou créditos indevidos sobre o valor do combustível utilizado no plantio de cana-de-açúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo" 3° da"Lei nº. 10.833/2003 e no artigo 8o , inciso I, alínea "b" e " b l ", parágrafo 4o , item I, alínea "a" e parágrafo 9o , inciso I, da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004, conforme descrito a seguir. Esta fiscalização encaminhou à empresa o Termo de Intimação Fiscal datado de 10/12/2009 (cópia às fls. 19), através do qual esta foi intimada a informar, apresentando documentação hábil e idônea, em quais operações do processo produtivo foi efetivamente aplicado o item 'Transportes - Combustíveis", constante da planilha de cálculo apresentada a esta fiscalização. Em resposta à intimação fiscal, a contribuinte apresentou o documento de fls. 20/22, através do qual informou que os valores correspondem a combustíveis utilizados no "Transporte - apoio plantio de cana". O inciso II do artigo 3º da Lei n°. 10.833/03 estabeleceu que a pessoa jurídica poderá descontar crédito em relação aos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Os dispositivos legais inseridos na IN n°. 404/04, acima citados, estão transcritos abaixo: " Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I- das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Parágrafo 4º - Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: I- utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.” Interpretando os referidos mandamentos legais, concluímos que os bens, passíveis de desconto de crédito na apuração das contribuições não-cumulativas da COFINS, são aqueles utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive os combustíveis e lubrificantes, que tenham sofrido alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Assim sendo a empresa só poderá descontar créditos em relação aos bens que foram efetivamente uti1izados em sua produção. Não estão incluídos aí os insumos utilizados na cultura da cana-de-açúcar ou nos veículos da empresa, pois não estão alocados diretamente no processo produtivo da contribuinte. Verifica-se, assim, que a contribuinte inseriu em sua apuração créditos de COFINS apurados sobre as aquisições de combustíveis relacionados com o "custo agrícola", ou seja. utilizados nas plantações de cana de açúcar. Como a contribuinte é produtora e vendedora, principalmente, de açúcar, bagaço de cana, ó1eo fusel, melaço, etc, nenhum dos insumos relacionados com o "custo agrícola" poderá ser considerado, de acordo com a citada legislação, como utilizados na fabricação ou produção destes produtos. Assim sendo, por falta de previsão legal que permita considerar o item "transporte combustíveis" como insumo consumido no processo industrial da contribuinte, esta fiscalização efetuou a glosa, no cálculo dos créditos, do valor correspondente, conforme pode ser visto no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS NÃO-CUMULATIVO E DA COFINS NÃO-CUMULATIVA" (fls. 23). Em função da divergência apurada, reajustamos os valores apurados pela empresa conforme os documentos de fls. 15/18 e calculamos os valores das contribuições devidas e dos créditos relativos ao mercado externo passíveis de ressarcimento/compensação, conforme pode ser visto no referido "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS NÃO-CUMULATIVO E DA COFINS NÃO-CUMULATIVA", onde foram apurados os novos valores dos créditos, tanto os relativos ao mercado interno quanto àqueles relativos ao mercado externo (passíveis de compensação) e o saldo do referido período de apuração. Da análise do referido demonstrativo, constata-se que a empresa dispunha de saldo credor para compensar, decorrente de exportações, no valor de R$ 9.901,44 Através do Despacho Decisório de fls. 30/31, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.42/80, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. DA DESCONSIDERAÇÃO DE BENS E PRODUTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS Alega a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, que limitou temporalmente o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de bens para o Ativo Imobilizado, tomando como referência a data de aquisição dos mesmos, afrontando a irretoratividade da norma tributária, o princípio da isonomia e da livre concorrência, fazendo distinção entre os contribuintes que adquiriram os bens anteriormente a 01/05/2044 e os que os adquiriram após esta data. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito à crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes às atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39315, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e Termina sua petição recursal pleiteando o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações declaradas, com o consequente cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. È o relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 14-32.224, de 24 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF - através de decisão proferida no Acórdão 3402-001536, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não-cumulativa, referente ao período de apuração fevereiro/2005, no valor de R$ 20.300,72, fls.2/4. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 26/31, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: Em decorrência dos procedimentos fiscais efetuados, constatamos que a contribuinte descontou créditos indevidos sobre o valor do combustível utilizado no plantio de cana-de-açúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo" 3° da"Lei nº. 10.833/2003 e no artigo 8o , inciso I, alínea "b" e " b l ", parágrafo 4o , item I, alínea "a" e parágrafo 9o , inciso I, da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004, conforme descrito a seguir. Esta fiscalização encaminhou à empresa o Termo de Intimação Fiscal datado de 10/12/2009 (cópia às fls. 19), através do qual esta foi intimada a informar, apresentando documentação hábil e idônea, em quais operações do processo produtivo foi efetivamente aplicado o item 'Transportes - Combustíveis", constante da planilha de cálculo apresentada a esta fiscalização. Em resposta à intimação fiscal, a contribuinte apresentou o documento de fls. 20/22, através do qual informou que os valores correspondem a combustíveis utilizados no "Transporte - apoio plantio de cana". O inciso II do artigo 3º da Lei n°. 10.833/03 estabeleceu que a pessoa jurídica poderá descontar crédito em relação aos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Os dispositivos legais inseridos na IN n°. 404/04, acima citados, estão transcritos abaixo: " Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I- das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Parágrafo 4º - Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: I- utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.” Interpretando os referidos mandamentos legais, concluímos que os bens, passíveis de desconto de crédito na apuração das contribuições não-cumulativas da COFINS, são aqueles utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive os combustíveis e lubrificantes, que tenham sofrido alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Assim sendo a empresa só poderá descontar créditos em relação aos bens que foram efetivamente uti1izados em sua produção. Não estão incluídos aí os insumos utilizados na cultura da cana-de-açúcar ou nos veículos da empresa, pois não estão alocados diretamente no processo produtivo da contribuinte. Verifica-se, assim, que a contribuinte inseriu em sua apuração créditos de COFINS apurados sobre as aquisições de combustíveis relacionados com o "custo agrícola", ou seja. utilizados nas plantações de cana de açúcar. Como a contribuinte é produtora e vendedora, principalmente, de açúcar, bagaço de cana, ó1eo fusel, melaço, etc, nenhum dos insumos relacionados com o "custo agrícola" poderá ser considerado, de acordo com a citada legislação, como utilizados na fabricação ou produção destes produtos. Assim sendo, por falta de previsão legal que permita considerar o item "transporte combustíveis" como insumo consumido no processo industrial da contribuinte, esta fiscalização efetuou a glosa, no cálculo dos créditos, do valor correspondente, conforme pode ser visto no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS NÃO-CUMULATIVO E DA COFINS NÃO-CUMULATIVA" (fls. 23). Em função da divergência apurada, reajustamos os valores apurados pela empresa conforme os documentos de fls. 15/18 e calculamos os valores das contribuições devidas e dos créditos relativos ao mercado externo passíveis de ressarcimento/compensação, conforme pode ser visto no referido "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS NÃO-CUMULATIVO E DA COFINS NÃO-CUMULATIVA", onde foram apurados os novos valores dos créditos, tanto os relativos ao mercado interno quanto àqueles relativos ao mercado externo (passíveis de compensação) e o saldo do referido período de apuração. Da análise do referido demonstrativo, constata-se que a empresa dispunha de saldo credor para compensar, decorrente de exportações, no valor de R$ 9.901,44 Através do Despacho Decisório de fls. 30/31, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do referido crédito. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls.42/80, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte: DECADÊNCIA Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única e exclusivamente na existência ou não do direito creditório do interessado e entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto nesse dispositivo legal, decai o direito do Fisco de efetuar glosas no valor apurado pelo contribuinte. PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de 2003, utilizando-se do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana-de-açúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza-se como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. DA DESCONSIDERAÇÃO DE BENS E PRODUTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS Alega a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, que limitou temporalmente o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de bens para o Ativo Imobilizado, tomando como referência a data de aquisição dos mesmos, afrontando a irretoratividade da norma tributária, o princípio da isonomia e da livre concorrência, fazendo distinção entre os contribuintes que adquiriram os bens anteriormente a 01/05/2044 e os que os adquiriram após esta data. A seguir, destaca alguns itens em que considera que o direito ao crédito é mais evidente, a saber: Despesas referentes à assistência técnica, material de expediente, materiais de consumo, materiais e equipamentos de segurança, manutenção elétrica, manutenção mecânica, automação industrial e manutenção de entressafra, - Alega que a Receita Federal, através da IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito ao aproveitamento de crédito e limitou o conceito de insumo passível de gerar direito à crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta. Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara transgressão à sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena, pois impedem o aproveitamento de créditos referentes às atividades essenciais do interessado para obter/manter o produto acabado em condições de pronta vendagem. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-39315, de 23 de novembro de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, considera-se esta como o total das receitas, cumulativa e não-cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS - CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entende-se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e da recomposição da escrita fiscal e a intimação da glosa dos créditos; Deve ser afastada a equivocada noção restrita do conceito de insumos admitida no acórdão recorrido, o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; relata, ainda neste tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda mais evidente, tais como o transporte de pessoal, as despesas de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc; O procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins desse cálculo; e Termina sua petição recursal pleiteando o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações declaradas, com o consequente cancelamento dos valores exigidos por meio de intimação. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 100          1 99  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.000919/2005­88  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.559  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de julho de 2013  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  USINA BELA VISTA S/A  Recorrida  DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP)     RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª  turma ordinária da Terceira Seção  de julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos  do voto do relator.    (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.        Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior,  Silvia  de Brito Oliveira, Winderley Morais  Pereira,  Fernando  Luiz  da Gama  Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva.                   RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 00 91 9/ 20 05 -8 8 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Para  elucidar  os  fatos  ocorridos  nos  autos  transcrevo  o  relatório  do  Acórdão  refutado, in verbis:  No  presente  processo  foi  proferido  Acórdão  nº  14­32.224,  de  24  de  janeiro  de  2011,  tornado  nulo  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais  – CARF  ­  através  de  decisão  proferida  no Acórdão  3402­001536,  de  06  de  outubro  de  2011,  acolhendo  preliminar  de  cerceamento  de  defesa  solicitada  pelo  interessado  em  seu  recurso  voluntário, dispondo em sua parte final:  “Pelo  exposto,  voto  por  anular  o  acórdão  recorrido  para  que  a  primeira  instância  produza  uma  nova  decisão,  analisando  todos  os  fundamentos  jurídicos  relevantes  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade,  em  especial,  a  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  referentes  ao  valor  do  serviço  de  transporte  dos  materiais  utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e  da cana colhida.”  Tal  voto  foi  decorrência  do  entendimento  de  que  a  alegação  do  interessado  quanto  ao  creditamento  das  despesas  de  serviços  de  transporte  de  pessoas/mercadorias  não  foi  devidamente  tratada  pela  DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível  utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias.  Passemos à análise do processo.  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  com  o  aproveitamento  de  crédito  da  contribuição  para  a  Cofins  não­ cumulativa, referente ao período de apuração fevereiro/2005, no valor  de R$ 20.300,72, fls.2/4.   Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo  de  Informação  Fiscal,  fls.  26/31,  onde  se  relata  as  divergências  encontradas na apuração efetuada, quais sejam:  Em decorrência dos procedimentos fiscais efetuados, constatamos que  a  contribuinte  descontou  créditos  indevidos  sobre  o  valor  do  combustível  utilizado  no  plantio  de  cana­de­açúcar,  bem  este  não  incluído  no  conceito  de  insumo  utilizado  no  processo  produtivo  da  empresa,  conforme  o  disposto  no  inciso  II  do  artigo"  3°  da"Lei  nº.  10.833/2003 e no artigo 8o , inciso I, alínea "b" e " b l ", parágrafo 4o ,  item I, alínea "a" e parágrafo 9o , inciso I, da Instrução Normativa n°  404, de 12 de março de 2004, conforme descrito a seguir.  Esta fiscalização encaminhou à empresa o Termo de Intimação Fiscal  datado  de  10/12/2009  (cópia  às  fls.  19),  através  do  qual  esta  foi  intimada a  informar,  apresentando documentação hábil  e  idônea,  em  quais operações do processo produtivo foi efetivamente aplicado o item  'Transportes  ­  Combustíveis",  constante  da  planilha  de  cálculo  apresentada  a  esta  fiscalização.  Em  resposta  à  intimação  fiscal,  a  contribuinte  apresentou  o  documento  de  fls.  20/22,  através  do  qual  informou  que  os  valores  correspondem  a  combustíveis  utilizados  no  "Transporte ­ apoio plantio de cana".  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 102          3 O inciso II do artigo 3º da Lei n°. 10.833/03 estabeleceu que a pessoa  jurídica  poderá  descontar  crédito  em  relação  aos  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes.  Os dispositivos legais inseridos na IN n°. 404/04, acima citados, estão  transcritos  abaixo:  " Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode  descontar  créditos,  determinados  mediante  a  aplicação  da  mesma  alíquota, sobre os valores:  I­ das aquisições efetuadas no mês:  b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados  como insumos:  b.  1)  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda.  Parágrafo  4º  ­  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:  a) matéria­prima, o produto intermediário, o material de embalagem e  quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação diretamente  exercida  sobre o produto  em fabricação, desde que  não estejam incluídas no ativo imobilizado.”  Interpretando  os  referidos  mandamentos  legais,  concluímos  que  os  bens, passíveis de desconto de crédito na apuração das contribuições  não­cumulativas  da COFINS,  são  aqueles  utilizados  como  insumo na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  os  combustíveis  e  lubrificantes,  que  tenham  sofrido  alterações,  tais  como o desgaste,  o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas,  em função da ação diretamente exercida  sobre o  produto  em  fabricação.  Assim  sendo  a  empresa  só  poderá  descontar  créditos em relação aos bens que foram efetivamente uti1izados em sua  produção. Não estão  incluídos aí os  insumos utilizados na cultura da  cana­de­açúcar ou nos  veículos da  empresa, pois não estão alocados  diretamente no processo produtivo da contribuinte.  Verifica­se, assim, que a contribuinte inseriu em sua apuração créditos  de  COFINS  apurados  sobre  as  aquisições  de  combustíveis  relacionados com o "custo agrícola", ou seja. utilizados nas plantações  de  cana  de  açúcar.  Como  a  contribuinte  é  produtora  e  vendedora,  principalmente,  de  açúcar,  bagaço  de  cana,  ó1eo  fusel,  melaço,  etc,  nenhum dos  insumos relacionados com o "custo agrícola" poderá ser  considerado,  de  acordo  com  a  citada  legislação,  como  utilizados  na  fabricação  ou  produção  destes  produtos.  Assim  sendo,  por  falta  de  previsão legal que permita considerar o item "transporte combustíveis"  como  insumo  consumido  no  processo  industrial  da  contribuinte,  esta  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 103          4 fiscalização  efetuou  a  glosa,  no  cálculo  dos  créditos,  do  valor  correspondente,  conforme  pode  ser  visto  no  "DEMONSTRATIVO DE  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS  DO  PIS  NÃO­CUMULATIVO  E  DA  COFINS NÃO­CUMULATIVA" (fls. 23).  Em  função da divergência apurada,  reajustamos os valores apurados  pela  empresa  conforme  os  documentos  de  fls.  15/18  e  calculamos  os  valores das contribuições devidas e dos créditos relativos ao mercado  externo  passíveis  de  ressarcimento/compensação,  conforme  pode  ser  visto  no  referido  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS  DO  PIS  NÃO­CUMULATIVO  E  DA  COFINS  NÃO­ CUMULATIVA", onde  foram apurados os novos valores dos créditos,  tanto  os  relativos  ao  mercado  interno  quanto  àqueles  relativos  ao  mercado  externo  (passíveis  de  compensação)  e  o  saldo  do  referido  período de apuração.  Da  análise  do  referido  demonstrativo,  constata­se  que  a  empresa  dispunha de saldo credor para compensar, decorrente de exportações,  no valor de R$ 9.901,44  Através do Despacho Decisório de  fls. 30/31, a Delegacia da Receita  Federal do Brasil  em Ribeirão Preto,  reconheceu o direito  creditório  da  empresa  ao  valor  apurado  na  Informação  Fiscal,  que  aprovou,  e  homologou a compensação até o limite do referido crédito.  Cientificado,  o  interessado,  através  da  manifestação  de  inconformidade,  fls.42/80,  inicialmente descreve os  fatos e os motivos  da glosa e sobre as divergências encontradas que geraram a glosa do  valor pretendido, alega em breve síntese, o seguinte:  DECADÊNCIA  Alega “... a ocorrência da decadência do prazo para o Fisco efetuar a  glosa do saldo utilizado como crédito”, uma vez que foi cientificado do  Despacho Decisório em prazo maior que cinco anos contados da data  em que o crédito do contribuinte foi constituído.  Concluiu que o indeferimento das compensações se deu com base única  e  exclusivamente  na  existência  ou  não  do  direito  creditório  do  interessado  e  entende  que  a  formação  dos  créditos  no  período  de  apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do  artigo 150 do CTN e, assim, decorrido o prazo de cinco anos previsto  nesse  dispositivo  legal,  decai  o  direito  do Fisco  de  efetuar  glosas  no  valor apurado pelo contribuinte.  PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE  Faz  longa  exposição  a  respeito  do  conceito  constitucional  da  não  cumulatividade  pretendendo  que  os  créditos  sejam  apurados  sobre  todas  as  despesas  necessárias  e/ou  insumos  incorridos  para  a  formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que  tais  despesas/insumos,  em  relação  às  quais  está  se  concedendo  o  crédito,  foram  outrora  receita  para  a  pessoa  jurídica  “da  etapa  anterior”  e,  por  conseqüência,  já  foram  tributadas  pelo  PIS  e  pela  COFINS”.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 104          5 RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS.  Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou  corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10/833, de  2003, utilizando­se do método de rateio proporcional;  Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual  existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a  receita  total,  “...  sem especificar  que  qualquer  um dos  indicadores  a  ser  utilizado  no  cálculo  esteja,  necessariamente,  atrelado  aos  custos,  despesas  e  encargos  que  dão  direito  ao  crédito  da  COFINS  não  cumulativa”.  Entende  que  o  conceito  de  receita  bruta  compreende  receitas  além  daquelas  advindas  da  venda  de  bens  e  serviços  e  que  a  lei  não  pretendeu  que  o  cálculo  do  rateio  de  custos,  despesas  e  encargos  compreendesse  apenas  as  receitas  relacionadas  à  determinada  atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e  encargos  que  geram  créditos  da  COFINS,  e  que  interpretar  o  dispositivo  legal  de  maneira  diversa  significa  desnaturar  a  própria  sistemática da não cumulatividade da COFINS.  COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE  Quanto  ao  combustível  utilizado  no  transporte,  alega  que  na  sua  atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de cana­ de­açúcar  é  imprescindível  a  observância  de  todas  as  etapas,  que  abrangem  o  plantio,  corte,  carregamento,  transporte,  pesagem  e  amostragem, produção e distribuição e  vendas dos produtos,  e que o  transporte  de  materiais  utilizados  no  plantio  e  cultivo  da  cana,  dos  trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracteriza­se como uma  despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado  será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa.  Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito  de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e  limitou  o  conceito  de  insumo  passível  a  gerar  direito  ao  crédito  previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve.  Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei.  DA  DESCONSIDERAÇÃO  DE  BENS  E  PRODUTOS  NÃO  CONSIDERADOS COMO INSUMOS  Alega a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, que  limitou  temporalmente  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  da  aquisição de bens para o Ativo Imobilizado, tomando como referência  a  data  de  aquisição  dos  mesmos,  afrontando  a  irretoratividade  da  norma  tributária,  o  princípio  da  isonomia  e  da  livre  concorrência,  fazendo  distinção  entre  os  contribuintes  que  adquiriram  os  bens  anteriormente a 01/05/2044 e os que os adquiriram após esta data.  A  seguir,  destaca  alguns  itens  em  que  considera  que  o  direito  ao  crédito é mais evidente, a saber:  Despesas  referentes  à  assistência  técnica,  material  de  expediente,  materiais  de  consumo,  materiais  e  equipamentos  de  segurança,  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 105          6 manutenção  elétrica,  manutenção  mecânica,  automação  industrial  e  manutenção de entressafra, ­ Alega que a Receita Federal, através da  IN  SRF  nº  404,  de  2004,  restringiu  o  direito  ao  aproveitamento  de  crédito  e  limitou  o  conceito  de  insumo  passível  de  gerar  direito  à  crédito, fato repetido através de inúmeras Soluções de Consulta.  Que tais restrições não estão de acordo com o primado constitucional  da não cumulatividade do PIS e da Cofins e nem mesmo com o disposto  na Lei nº 10.833, de 2003 e, assim, representam clara  transgressão à  sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins de forma plena,  pois  impedem  o  aproveitamento  de  créditos  referentes  às  atividades  essenciais  do  interessado  para  obter/manter  o  produto  acabado  em  condições de pronta vendagem.  A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente  a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14­39315, de 23 de novembro de  2012, cuja ementa abaixo reproduzo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 28/02/2005  COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.  No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos  contados da  entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto  no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo  o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da  compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei  nº 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de  créditos tributários.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 28/02/2005  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE.  Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência  não­cumulativa e a receita bruta total, considera­se esta como o total  das  receitas,  cumulativa  e  não­cumulativa,  que  tenham  custos,  despesas e encargos comuns.  CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.  O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts.  8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  apuradas  no  regime  de  incidência  não  cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação.  DEDUÇÃO.  INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE  TRANSPORTE  DE  PESSOAS  OU  MERCADORIAS,  NÃO  UTILIZADOS  NA  FABRICAÇÃO  DO  PRODUTO.  FALTA  DE  PREVISÃO LEGAL.  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 106          7 Entende­se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da  contribuição, a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas, em  função da ação diretamente  exercida  sobre o produto  em  fabricação,  desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.  O  combustível  e  as  demais  despesas  com o  transporte  de  pessoas  ou  mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não  podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor  da contribuição apurada, por falta de previsão legal.  DEDUÇÃO. INSUMOS ­ CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA.  Entende­se como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da  contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matéria­prima, o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado.  O  sujeito  passivo  teve  ciência  desta  nova  decisão  e  apresentou  novo  recurso  voluntário, onde alega, em breve síntese que:  a)  Ocorreu a decadência, na medida em que  transcorreu mais de  05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura e  da  recomposição  da  escrita  fiscal  e  a  intimação  da  glosa  dos  créditos;  b)  Deve  ser  afastada  a  equivocada  noção  restrita  do  conceito  de  insumos  admitida  no  acórdão  recorrido,  o  que  deverá  ser  observado,  inclusive,  em  relação  aos  montantes  que  compuseram  o  seu  estoque  de  abertura;  relata,  ainda  neste  tocante, alguns insumos em que o direito creditório seria ainda  mais  evidente,  tais  como o  transporte de pessoal,  as despesas  de depreciação, a assistência técnica, manutenção elétrica, etc;  c)  O  procedimento  adotado  pelo  contribuinte  com  relação  ao  rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo  elementos  que  justifiquem  a  exclusão  de  parcela  das  receitas  sujeitas a incidência não­cumulativa da Cofins desse cálculo; e  Termina  sua  petição  recursal  pleiteando  o  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  e  a  homologação  das  compensações  declaradas,  com  o  consequente  cancelamento  dos valores exigidos por meio de intimação.   È o relatório.      Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 107          8 VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  A  impugnação  foi  apresentada  com observância  do  prazo  previsto,  bem como  dos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Sendo  assim,  dela  tomo  conhecimento  e  passo  a  apreciar.  A Autoridade  Fiscal  e  a Delegacia  de  Julgamento  partem  da  premissa  de  que  para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na  produção  ou  fabricação  do  bem. Conceito  parecido  com o  utilizado  pelo Parecer Normativo  CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia  não se subsumirem a regra acima descrita.  Neste contexto foram glosados diversos itens a seguir elencados:  • Despesas de depreciação;  • Energia elétrica;  • Despesas com mão­de­obra e encargos;  • Assistência técnica;  • Material de expediente;  • Licenciamento de veículos;  • Materiais de consumo;  • Materiais de limpeza e higiene;  • Materiais e equipamentos de segurança;  • Prêmio de Seguro;  • Despesas de conservação e reparação de veículos;  • Transporte de pessoal;  • Manutenção elétrica;  • Manutenção mecânica;  • Construção Civil;  • Carpintaria;  • Laboratórios;  • Automação Industrial;  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000919/2005­88  Resolução nº  3402­000.559  S3­C4T2  Fl. 108          9 • Manutenção de entressafra;.  Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que  admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da  contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME  relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a  ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Por  isso,  entendo  que  em  todo  processo  administrativo  que  envolver  créditos  referentes a não­cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado  como  “insumos”  e  o  seu  envolvimento  no  processo  produtivo,  para  então  definir  a  possibilidade de aproveitamento do crédito.  Assim,  retornando  aos  autos,  tenho  que  este  processo  não  se  encontra  em  condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade  preparadora  para  que  seja  esclarecida  a  participação  de  cada  item  (“bem  ou  direito”)  acima  relacionado  no  processo  produtivo  da  empresa,  ainda  como,  que  seja  efetuado  descritivo  minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e  direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final.  Ao  efetuar  estas  constatações,  peço  que  a  autoridade  preparadora  elabore  um  parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma  análise  jurídica  deste  Colegiado,  quanto  à  participação  de  cada  bem  ou  direito  no  processo  produtivo do contribuinte em questão.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  É como voto.  Sala das Sessões, em 24/07/2013  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Numero do processo: 13826.000396/2003-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1995 a 28/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados”
Numero da decisão: 9303-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 03/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO ­ Presidente.     JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator.    NOME DO REDATOR ­ Redator designado.  EDITADO EM: 03/06/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício  Rabelo  de Albuquerque  Silva, Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos.  Ausentes,  momentaneamente,  os  Conselheiros  Rodrigo  Cardozo  Miranda  e  Maria  Teresa Martínez López, e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann    Relatório  Recorre a Fazenda Nacional contra o acórdão nº 292­00.038 cujo dispositivo  foi assim redigido:  ACORDAM  os  membros  da  Segunda  Turma  Especial  do  Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos,  em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência  e reconhecer o direito de o recorrente apurar o indébito do PIS,  em relação aos meses de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996,  observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos  termos da Súmula nº 11, do 2º CC  A  insurgência  diz  respeito  tão­somente  ao  termo  inicial  para  contagem  do  prazo  prescricional  para  postulação  administrativa  de  restituição  tendo  em  vista  pagamento  indevido de tributo sujeito ao lançamento por homologação.   A decisão recorrida entendeu ser ele o dia da publicação da decisão do STF  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  –  ADIn  –  nº  1.417­0/DF,  ocorrida  em  06/8/1999.  Como o pedido foi formalizado em 08/10/2003, menos de cinco anos portanto, considerou não  prescrito o direito que havia sido negado, por esse motivo, pela instância inaugural.  O  recurso  fazendário,  calcado  na  divergência  de  entendimentos  entre  Câmaras  do Conselho,  postula  a  aplicação  das  disposições  do Código Tributário Nacional  –  arts.  165  e  168  –  de  modo  que  o  direito  teria  perecido  em  2000  para  os  fatos  geradores  ocorridos  em  1995  e  em  2001  para  os  dois  períodos  do  ano  de  1996.  A  divergência  restou  comprovada pela apresentação de ementas de decisões em que se aplicou a tese defendida pela  representação fazendária.  É o sucinto relatório.  Voto             Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13826.000396/2003­84  Acórdão n.º 9303­002.284  CSRF­T3  Fl. 4          3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  O recurso foi bem admitido porquanto cabalmente demonstrada a divergência  de entendimentos. Dele conheço.  A  ele,  no  entanto,  não  podemos  dar  provimento  em  face  do  art.  62­A  do  Regimento Interno, visto que a matéria já foi resolvida pelo e. STF em julgamento realizado na  sistemática do art. 543­B.  Refiro­me, como de todos sabido, ao julgamento do recurso extraordinário nº  566.621/RS,  Relatora  a Ministra  Ellen Gracie,  no  qual  discutiu­se  a  constitucionalidade  dos  arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 que fazem obrigatória a aplicação dos artigos  pretendidos pela Fazenda Nacional mesmo a pedidos anteriores a sua entrada em vigor.  Naquele julgamento, assentou a Ministra:  “...Logo,  aquela  Corte  firmou  posição  no  sentido  de  que,  também  em  tais  situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei  instituidora, dever­se­ia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp  329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...”  Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em  que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal  ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra.  Em  suma,  deve  ser  afastada  a  tese  que  demarca  o  início  do  prazo  no  “reconhecimento  de  inconstitucionalidade”.  Ele  é,  sem  mais  discussão,  a  data  de  extinção  do  crédito  tributário,  consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria.  O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação  da Fazenda Nacional.   Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que  prevalecia  no  STJ  era  a  dos  cinco  mais  cinco  mesmo  para  esses  casos  de  declaração  de  inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento  deve  ser  respeitado,  em  louvor  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  quando  a  postulação  seja  anterior à edição da Lei Complementar.  No  presente  caso,  indubitável  que  a  petição  do  contribuinte  deu  entrada  administrativamente  em  data  bem  anterior  à  edição  daquela  Lei  Complementar.  É  de  rigor,  pois,  reconhecer,  que  o  termo  inicial  para  contagem do  prazo  de  cinco  anos  previsto  no  art.  168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do  mesmo Código.  A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o  direito  do  contribuinte  à  restituição  pretendida,  devendo  ser  mantida  a  decisão  objeto  do  recurso fazendário.  Voto, por isso, por negar provimento ao apelo da Fazenda Nacional.    Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 JÚLIO  CÉSAR  ALVES  RAMOS  ­  Relator                               Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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4879208 #
Numero do processo: 10675.004846/2004-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Deve ser excluída da base de cálculo do ITR a área de reserva legal averbada na matrícula do imóvel antes do início da fiscalização, pois tal providência cumpre a finalidade da lei. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.953
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   2     (assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Relator    (assinado digitalmente)  Alexandre Naoki Nishioka ­ Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado) Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo  Lian  Haddad,  Francisco  Assis  de  Oliveira  Junior,  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.  Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 238          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  contrariedade,  fls.0180,  interposto  pela  nobre PGFN contra acórdão, fls. 0168, que decidiu, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso.  O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão:  Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Exercício: 2000  Ementa:  ITR  DE  2000.  PRESENÇA  DE  ÁREAS  DE  RESERVA LEGAL E DE  PRESERVAÇÃO PERMANENTE.  LAUDOS  TÉCNICOS  FIRMADOS  POR  ENGENHEIRO  AGRÔNOMO  RESPONSÁVEL  COM  AVERBAÇÃO  EM  CARTÓRIO.  FATO  ALEGADO  E  PROVADO.  ISENÇÃO  ACOLHIDA. Tem­se dos autos prova efetiva da área de reserva  legal  averbada  em  cartório  e  prova  parcial  da  área  de  preservação permanente declarada no DITR.   DO  VALOR  DA  TERRA  NUA  —  SUBAVALIAÇÃO.  Notadamente,  deve  ser  mantido  o  valor  apurado  pela  fiscalização com base no SIPT, por falta de documentação hábil  demonstrada  pela  contribuinte  a  embasar  sua  declaração.  0  valor  declarado  é  inferior  ao  valor  arbitrado  pela  fiscalização  com base no SIPT.  MULTA DE OFÍCIO E  JUROS LEGAIS.  Decorrem  de  lei  a  obrigatoriedade  da  aplicação  de  multa  de  oficio  nos  casos  de  informação  inexata  na  declaração,  bem  como  os  acréscimos  legais  do  imposto  com  juros  de  mora  equivalentes  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  —  SELIC.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  da  PRIMEIRA  CÂMARA  do  TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de  votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto  da  relatora.  Vencida  a  Conselheira  Irene  Souza  da  Trindade  Torres, que negava provimento ao recurso.  Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que:  1.  A averbação intempestiva da área de reserva legal não  deve servir à exclusão de áreas para  fim de  tributação  do ITR;  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   4 2.  A data  para  averbação  consta de modo  expresso  no  §  1º, Art. 12 do Decreto 4.382/2002;  3.  Regras  de  isenção  devem  ser  interpretadas  de  forma  literal;  4.  O acórdão recorrido malferiu a Lei 9393/1996 (Art 1º,  caput) e o artigo 144 do CTN;  5.  Pelo  exposto,  requer  que  seja  conhecido  e  provido  o  presente recurso.  Por despacho, fls. 0190, deu­se seguimento ao recurso especial.  O interessado apresentou recurso especial, fls. 0218.  Por  despacho,  fls.  0227,  negou­se  seguimento  ao  recurso  especial  do  interessado.  A  Presidência  do  CARF  analisou  o  despacho  sobre  o  indeferimento  do  recurso do interessado e manteve seu entendimento, fls. 0230.  O interessado apresentou contra razões, fls. 0216, argumentando, em síntese,  que deve ser mantida a decisão expressa no acórdão recorrido.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 239          5   Voto Vencido  Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e  passo à análise de suas razões recursais.  A nobre PGFN contesta a decisão expressa no acórdão recorrido por entender  que a averbação intempestiva não deve servir para exclusão de tributação do ITR.  Os motivos que levaram o Fisco a efetuar o lançamento foram:  Apesar  de  apresentadas,  as  averbações  não  podem  surtir  os  efeitos  esperados  pelo  Contribuinte,  para  o  exercício  de  2000,  pois  ocorreram  em  10  e  11  de  julho  de  2001,  conforme  a  matricula, após a ocorrência do  fato gerador em questão. Com  exceção da matricula  1.347,  cuja  averbação ocorreu  em 19  de  maio  de  1983,  sendo  assim,  glosa­se,  parcialmente,  a  área  de  Utilização Limitada.   Já  o  ADA,  protocolado  tempestivamente,  tem  áreas  de  preservação permanente  e  de  utilização  limitada  inferiores  aos  constantes na DITR, sendo assim, glosa­se, parcialmente, a Área  de Preservação Permanente.  Quanto  à  questão  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  não  há  dúvidas  sobre a questão, pois existe Súmula a esse respeito:  Súmula CARF  nº  41:  A  não  apresentação  do Ato Declaratório  Ambiental  (ADA)  emitido  pelo  IBAMA,  ou  órgão  conveniado,  não  pode  motivar  o  lançamento  de  ofício  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos  até  o  exercício  de  2000.  (Portaria  CARF  049/2010)  Portanto, resta­nos analisar a questão se a averbação intempestiva, depois do  fato gerador e antes da fiscalização, possibilita o usufruto da isenção por parte do interessado.  Ressaltamos que o exercício constante no lançamento é o de 2000, que a área  em discussão foi averbada em 07/2001 e que a fiscalização teve seu início em 2004.  Cabe  deixar  expresso  que  a  exigência  de  averbação  da  reserva  legal  é  determinação da legislação.  Lei 4.771/1965:  Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime  de  utilização  limitada  e  ressalvadas  as  de  preservação  permanente,  previstas  nos  artigos  2°  e  3°  desta  lei,  são  suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições:    Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   6 ...      § 2º  A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo,  20%  (vinte  por  cento)  de  cada  propriedade,  onde  não  é  permitido  o  corte  raso,  deverá  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada,  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento  da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)  Essa determinação sofreu alteração pela Medida Provisória 2.166/2001, mas  continuou  obrigatória  a  averbação,  demonstrando,  de  forma  clara  e  reiterada  a  vontade  do  legislador.  Lei 4.771/1965:  Art.  16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166­67,  de 2001)  ...  8o  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001)  A  averbação,  portanto,  é  condição  para  o  usufruto  da  isenção  e  deve  ser  realizada até a data de ocorrência do fato gerador, como determina a Legislação:  Lei 9.393/1996:  Art. 1º O  Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural  ­  ITR,  de  apuração  anual,  tem  como  fato  gerador  a  propriedade,  o  domínio útil ou a posse de imóvel por natureza,  localizado fora  da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.  ...  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  ...  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 240          7 a) de  preservação permanente  e de  reserva  legal,  previstas  na  Lei nº 4.771, de 15 de  setembro de 1965,  com a  redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;  Lei 4.771/1965:  Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais  formas  de  vegetação,  reconhecidas  de  utilidade  às  terras  que  revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do  País, exercendo­se os direitos de propriedade, com as limitações  que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem.  ...  § 2º Para os efeitos deste Código, entende­se por:  ...  II ­ área de preservação permanente: área protegida nos termos  dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa,  com  a  função  ambiental  de  preservar  os  recursos  hídricos,  a  paisagem,  a  estabilidade  geológica,  a  biodiversidade,  o  fluxo  gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem­estar  das populações humanas;  III  ­  Reserva  Legal:  área  localizada  no  interior  de  uma  propriedade  ou  posse  rural,  excetuada  a  de  preservação  permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais,  à  conservação  e  reabilitação  dos  processos  ecológicos,  à  conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e  flora nativas;  Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  A  averbação  intempestiva  não  pode  gerar  efeitos  para  usufruto  da  isenção,  pois o lançamento se reporta à data de ocorrência do seu fato gerador e o art. 1°, caput , da Lei  no. 9.393/1996 estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de  cada ano.  Ressalte­se  que  a  averbação  não  é  mera  formalidade,  mas  sim  requisito  previsto  em  lei,  razão  pela  qual  não  se  discute  a  materialidade  da  área  de  utilização  limitada/reserva legal glosada pela autoridade autuante.  A  averbação  tempestiva  é  requisito  para  a  isenção,  como,  por  exemplo,  no  caso da legislação exigir a emissão de um certificado, de uma decisão, de uma informação para  usufruto de uma isenção e a empresa não possuir essa exigência para certo período, levando a  correta  conclusão  de  que  não  há  que  se  conceder  o  benefício,  por  ausência  de  um  dos  seus  requisitos exigidos.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   8 Não se  trata aqui de verdade material, até pelo motivo de não  termos como  concluir sobre a verdade existente à época. Trata­se de requisito determinado pela legislação,  que deve ser cumprido.  Portanto, como o  interessado não cumpriu com sua obrigação para usufruto  de isenção no período determinado, correto está o lançamento.  CONCLUSÃO:  Em  razão  do  exposto,  voto  em dar  provimento  ao  recurso  da  digna PGFN,  nos termos do voto.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 241          9   Voto Vencedor  Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Designado  Ouso divergir do voto proferido pelo eminente Conselheiro Marcelo Oliveira,  pelos motivos que passo a expor.  Antes  de  tratar  especificamente  do  assunto,  cumpre  tecer  alguns  breves  esclarecimentos sobre o ITR e as áreas de preservação permanente e de reserva legal.  Como  é  cediço,  o  imposto  sobre  a  propriedade  territorial  rural,  de  competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas  no art. 29 do Código Tributário Nacional, in verbis:  “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial  rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por  natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.”  À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a  Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art.  1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel  por natureza, localizado fora da zona urbana do município”.  Sem adentrar na discussão a  respeito da  eventual ampliação do conceito de  propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem  como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva  na presente análise, verifica­se que não há qualquer celeuma a respeito da incidência do tributo  no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal.  Com efeito, ainda que em tais áreas a utilização da propriedade deva observar  a  regulamentação  ambiental  específica,  disso  não  decorre  a  consideração  de  que  referida  parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o  direito  de  propriedade,  expressamente  garantido  no  inciso  XXII  do  art.  5º  da  CF,  possui  limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF).   Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador  uma  relativa  liberdade  para  conformação  do  direito  de  propriedade,  devendo  preservar,  contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e,  fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima  a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá­la, única e exclusivamente, a serviço  do  Estado  ou  da  comunidade”  (MENDES,  Gilmar  Ferreira  (et.  al.).  Curso  de  direito  constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483).  No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica­se que a legislação,  muito  embora  restrinja  o  uso  do  imóvel  em  virtude  do  interesse  na  preservação  do  meio  ambiente  ecologicamente  equilibrado,  na  forma  como  estabelecido  pela  Constituição  da  República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela  legislação cível.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   10 Com fundamento no exposto, não versando o presente caso sobre hipótese de  não­incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da  base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte:  “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte,  independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  [...]  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771,  de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de  1989” (grifei).  Havendo  referido  dispositivo  legal  feito  expressa  referência  a  conceitos  desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental,  oportuno  se  faz  recorrer  ao  arcabouço  legislativo  desenvolvido  neste  campo  específico,  na  forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se  entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese  de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo).  A  respeito  especificamente  da  chamada  “área  de  preservação  permanente”  (APP),  dispõe  o  Código  Florestal,  Lei  n.º  4.771/65,  atualmente  regulada,  também,  pelas  Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte:  “Art. 2° Consideram­se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei,  as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:  a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto  em faixa marginal cuja largura mínima será:   1 ­ de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de  largura;   2 ­ de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a  50 (cinquenta) metros de largura;   3 ­ de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a  200 (duzentos) metros de largura;  4  ­  de  200  (duzentos)  metros  para  os  cursos  d'água  que  tenham  de  200  (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;   5  ­  de  500  (quinhentos)  metros  para  os  cursos  d'água  que  tenham  largura  superior a 600 (seiscentos) metros;   b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;  c)  nas  nascentes,  ainda  que  intermitentes  e  nos  chamados  "olhos  d'água",  qualquer  que  seja  a  sua  situação  topográfica,  num  raio mínimo  de  50  (cinquenta)  metros de largura;   d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 242          11 e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a  100% na linha de maior declive;  f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;  g)  nas  bordas  dos  tabuleiros  ou  chapadas,  a  partir  da  linha  de  ruptura  do  relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;   h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a  vegetação.   Parágrafo  único.  No  caso  de  áreas  urbanas,  assim  entendidas  as  compreendidas  nos  perímetros  urbanos  definidos  por  lei  municipal,  e  nas  regiões  metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar­se­ á  o disposto  nos  respectivos  planos  diretores  e  leis de  uso  do  solo,  respeitados  os  princípios e limites a que se refere este artigo.   Art.  3º  Consideram­se,  ainda,  de  preservação  permanente,  quando  assim  declaradas  por  ato  do  Poder  Público,  as  florestas  e  demais  formas  de  vegetação  natural destinadas:  a) a atenuar a erosão das terras;  b) a fixar as dunas;  c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;  d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares;  e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico;  f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção;  g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas;  h) a assegurar condições de bem­estar público.  § 1° A supressão  total ou parcial de  florestas de preservação permanente só  será  admitida  com  prévia  autorização  do  Poder  Executivo  Federal,  quando  for  necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública  ou interesse social.  § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime  de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.”  Verifica­se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação  considera  como  área de  preservação permanente,  trazendo à baila  a  lição de Edis Milaré,  as  “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua  localização  e  a  sua  função  ecológica”  (MILARÉ,  Edis.  Direito  do  ambiente:  doutrina,  jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691).  Vale  notar,  nesse  sentido,  que  nas  áreas  de  preservação  permanente,  consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade  de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos,  atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social.  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   12 Não  se  confunde  com  a  área  de  preservação  permanente,  no  entanto,  a  chamada  área  de  reserva  legal,  ou  reserva  florestal  legal,  cujos  contornos  são  estabelecidos  igualmente  pelo  Código  Florestal,  mais  especificamente  em  seu  art.  16,  que,  na  redação  vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.166­67/2001, assim dispõe:  “Art. 16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime de utilização  limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de  supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:   I ­ oitenta  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área  de  floresta  localizada na Amazônia Legal;   II ­ trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado  localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e  quinze  por  cento  na  forma  de  compensação  em  outra  área,  desde  que  esteja  localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo;   III ­ vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras  formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e   IV ­ vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada  em qualquer região do País.  § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e  cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e  II deste artigo.   § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser  utilizada  sob  regime  de  manejo  florestal  sustentável,  de  acordo  com  princípios  e  critérios  técnicos  e  científicos  estabelecidos  no  regulamento,  ressalvadas  as  hipóteses  previstas  no  §  3o  deste  artigo,  sem  prejuízo  das  demais  legislações  específicas.   § 3o  Para  cumprimento  da  manutenção  ou  compensação  da  área  de  reserva  legal  em  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar,  podem  ser  computados  os  plantios  de  árvores  frutíferas  ornamentais  ou  industriais,  compostos  por  espécies  exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas.   § 4o A  localização  da  reserva  legal  deve  ser  aprovada  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de  aprovação, a  função social da propriedade, e os  seguintes critérios e  instrumentos,  quando houver:   I ­ o plano de bacia hidrográfica;   II ­ o plano diretor municipal;  III ­ o zoneamento ecológico­econômico;   IV ­ outras categorias de zoneamento ambiental; e   V ­ a  proximidade  com  outra  Reserva  Legal,  Área  de  Preservação  Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida.   § 5o  O  Poder  Executivo,  se  for  indicado  pelo  Zoneamento  Ecológico  Econômico ­ ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério  do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá:   Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 243          13 I ­ reduzir,  para  fins  de  recomposição,  a  reserva  legal,  na  Amazônia  Legal,  para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas  de  Preservação  Permanente,  os  ecótonos,  os  sítios  e  ecossistemas  especialmente  protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e   II ­ ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices  previstos neste Código, em todo o território nacional.  § 6o  Será  admitido,  pelo  órgão  ambiental  competente,  o  cômputo  das  áreas  relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo  do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas  para  o  uso  alternativo  do  solo,  e  quando  a  soma  da  vegetação  nativa  em  área  de  preservação permanente e reserva legal exceder a:   I ­ oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal;   II ­ cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do  País; e  III ­ vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b"  e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o.  § 7o  O  regime  de  uso  da  área  de  preservação  permanente  não  se  altera  na  hipótese prevista no § 6o.   § 8o  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de  sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.   § 9o  A  averbação  da  reserva  legal  da  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando  necessário.   § 10. Na  posse,  a  reserva  legal  é  assegurada  por Termo  de Ajustamento  de  Conduta,  firmado  pelo  possuidor  com  o  órgão  ambiental  estadual  ou  federal  competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da  reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de  sua vegetação, aplicando­se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste  Código para a propriedade rural.   § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais  de  uma  propriedade,  respeitado  o  percentual  legal  em  relação  a  cada  imóvel,  mediante  a  aprovação  do  órgão  ambiental  estadual  competente  e  as  devidas  averbações referentes a todos os imóveis envolvidos.  (...)  Art. 44.  O  proprietário  ou  possuidor  de  imóvel  rural  com  área  de  floresta  nativa,  natural,  primitiva  ou  regenerada  ou  outra  forma  de  vegetação  nativa  em  extensão inferior ao estabelecido nos incisos  I,  II,  III e  IV do art. 16,  ressalvado o  disposto  nos  seus  §§  5o  e  6o,  deve  adotar  as  seguintes  alternativas,  isoladas  ou  conjuntamente:   I ­ recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três  anos,  de  no  mínimo  1/10  da  área  total  necessária  à  sua  complementação,  com  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   14 espécies  nativas,  de  acordo  com  critérios  estabelecidos  pelo  órgão  ambiental  estadual competente;   II ­ conduzir a regeneração natural da reserva legal; e   III ­ compensar  a  reserva  legal  por  outra  área  equivalente  em  importância  ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada  na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento.   § 1o  Na  recomposição  de  que  trata  o  inciso  I,  o  órgão  ambiental  estadual  competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar.   § 2o  A  recomposição  de  que  trata  o  inciso  I  pode  ser  realizada mediante  o  plantio  temporário  de  espécies  exóticas  como  pioneiras,  visando  a  restauração  do  ecossistema  original,  de  acordo  com  critérios  técnicos  gerais  estabelecidos  pelo  CONAMA.   § 3o  A  regeneração  de  que  trata  o  inciso  II  será  autorizada,  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente,  quando  sua  viabilidade  for  comprovada  por  laudo  técnico, podendo ser exigido o isolamento da área.   § 4o Na  impossibilidade  de  compensação  da  reserva  legal  dentro  da mesma  micro­bacia  hidrográfica,  deve  o  órgão  ambiental  estadual  competente  aplicar  o  critério  de  maior  proximidade  possível  entre  a  propriedade  desprovida  de  reserva  legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e  no  mesmo  Estado,  atendido,  quando  houver,  o  respectivo  Plano  de  Bacia  Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III.   § 5o  A  compensação  de  que  trata  o  inciso  III  deste  artigo,  deverá  ser  submetida  à  aprovação  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente,  e  pode  ser  implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou  reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44­B. (...)”  O Código  Florestal  estabelece,  em  sua  essência,  como  lembra MILARÉ,  a  idéia  de  disciplinar  a  supressão  tanto  das  florestas  e  demais  formas  de  vegetação  nativa,  excetuadas  as  áreas  de  preservação  permanente,  vistas  anteriormente,  como,  igualmente,  das  florestas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada,  ou  já  objeto  de  legislação  específica  (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702).  Nesse  sentido,  lembra  o  referido  ambientalista  que  “ao  permitir  tal  supressão  [de  florestas]  determina  que  se  mantenha  obrigatoriamente  uma  parte  da  propriedade  rural  com  cobertura  florestal  ou  com  outra  forma  de  vegetação  nativa”,  delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p.  702).  A reserva florestal  legal, portanto, sendo um percentual determinado por  lei  para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa  Antunes,  “uma  obrigação  que  recai  diretamente  sobre  o  proprietário  do  imóvel,  independentemente  de  sua  pessoa  ou  da  forma  pela  qual  tenha  adquirido  a  propriedade”,  estando,  assim,  “umbilicalmente  ligada  à  própria  coisa,  permanecendo  aderida  ao  bem”  (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do  Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos  Tribunais, 2001, p. 120).  À luz do exposto, verifica­se que as restrições ambientais, tanto nos casos de  áreas  de  preservação  permanente,  como  naqueles  em  que  há  reserva  legal,  decorrem,  explicitamente, da ocorrência ou verificação,  in  loco, dos pressupostos  legais apontados pela  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 244          15 legislação,  inexistindo,  portanto,  qualquer  discricionariedade  por  parte  do  proprietário  ou  agente público.  Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não  há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente,  de  qualquer  ato  público  que  as  constitua,  mas,  apenas  e  tão­somente,  da  ocorrência  das  hipóteses  legais  previstas  pelo  Código  Florestal,  bem  como  pelos  demais  atos  normativos  primários que disponham sobre o tema.   Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matrícula  do  imóvel,  com  a  devida  vênia  daqueles  que  entendem  de  forma  diversa,  não  tem  natureza  constitutiva,  mas  simplesmente  declaratória,  tendo  em  vista  que,  excetuadas  as  hipóteses  especificamente mencionadas na  legislação, a observância do percentual de 20% previsto em  lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização  por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio,  pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º  do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166­ 67, de 2001).  Nesse  sentido,  oportuno  afirmar  que,  muito  embora  a  legislação  preveja  a  necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei  n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo  art.  55  do Decreto  n.º  6.514/2008,  encontra­se  atualmente  prorrogada  para  2011,  de  acordo  com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação  concedeu  um  período  de  adaptação  aos  proprietários,  a  fim  de  que  possam  cumprir  referida  determinação legal, deixando de cominar­lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de  averbação de referida área.  Por  tais  razões,  especialmente  por  entender  que  a  observância  dos  percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública,  que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo  simples  fato de que não procedeu este  à  competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório,  sendo  necessária  para  conferir  publicidade  ao  gravame  fixado  que,  como  já  se  verberou  oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental.  Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as  áreas  de  reserva  florestal  legal,  igualmente  não  havia,  até  o  exercício  de  2000,  qualquer  fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim  de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17­O, da Lei Federal  n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte:  "Art. 17­O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório Ambiental ­ ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do  valor  auferido  como  redução  do  referido  Imposto,  a  título  de  preço  público  pela  prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC)  "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é  opcional."  Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a  entrega  tempestiva  do  ADA,  como  requisito  para  a  fruição  da  redução  da  base  de  cálculo  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   16 prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais  aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009:  “A  não  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  emitido  pelo  IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a  fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.”  Pois  bem.  Muito  embora  inexistisse,  até  o  exercício  de  2000,  qualquer  fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com  o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterou­se a redação do §1º do art. 17­O da Lei n.º  6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma:  “Art. 17­O.   (...)   § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR  é obrigatória.”  Assim,  a  partir  do  exercício  de  2001,  a  exigência  do  ADA  passou  a  ter  previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17­O,  §1º,  da  Lei  n.º  6.938/81,  para  a  fruição  da  redução  da  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Propriedade Territorial Rural.   Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado  tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a  partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros  meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo.  Assim,  sendo  certo  que  as  normas  que  instituem  isenções  devem  ser  interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se  poderia entender de uma análise superficial do art. 111 do Código Tributário Nacional, fato é  que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a  legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar  a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR.  Importante  gizar,  outrossim,  ainda  no  que  concerne  à  obrigatoriedade  de  apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7º  do  art.  10  da  Lei  n.º  9.393/96,  instituído  pela Medida  Provisória  n.º  2.166­67/01,  tendo  em  vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo refere­se justamente às  declarações  feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental  (ADA), de modo  que  não  estabelece  referido  dispositivo  legal  qualquer  desnecessidade  de  apresentação  deste  último.  Feita  esta  observação,  relativa,  portanto,  à  obrigatoriedade  de  apresentação  do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida  declaração no órgão competente.  No que toca a este aspecto específico,  tenho para mim que é absolutamente  relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17­O  da Lei n.º 6.938/81.   Analisando­se,  nesse  passo,  o  real  intento  do  legislador  ao  estabelecer  a  obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode­se inferir que a mudança de paradigma deveu­ se  a  razões  atinentes  à  efetividade  da  norma  isencional,  especialmente  no  que  concerne  à  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 245          17 aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir  que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR.  Em  outras  palavras,  a  efetiva  exigência  do  ADA  para  o  fim  específico  da  fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da  Receita  Federal  da  preservação  das  áreas  de  reserva  legal  ou  de  preservação  permanente,  utilizando­se, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA.  Em  síntese,  pode­se  afirmar  que  a  alteração  no  regramento  legal  teve  por  escopo razões de “praticabilidade” tributária, a partir da criação de um dever legal que permita,  como  afirma  Helenílson  Cunha  Pontes,  uma  “razoável  efetividade  da  norma  tributária”  (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição  tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e  seus  limites.  In:  Revista  Internacional  de  Direito  Tributário,  v.  1,  n.º  2.  Belo  Horizonte,  jul/dez­2004, p. 57), no caso da norma isencional.   De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente  no que atine às áreas de interesse ambiental  lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um  número extenso de contribuintes, exigir­se­ia, não fosse a obrigatória protocolização do ADA,  que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades  rurais  compreendido  no  território  nacional,  o  que,  do  ponto  de  vista  econômico,  não  teria  qualquer viabilidade.  Por esta razão, assim, passou­se, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00,  a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base  de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA.  Tratando­se,  portanto,  da  interpretação  do  dispositivo  em  comento,  deve  o  aplicador  do  direito,  neste  conceito  compreendido  o  julgador,  analisar  o  conteúdo  principiológico  que  norteia  referido  dispositivo  legal,  a  fim  de  conferir­lhe  o  sentido  que  melhor se amolda aos objetivos legais.  Partindo­se  desta  premissa  basilar,  verifica­se  que  o  art.  17­O  da  Lei  n.º  6.938/81, em que pese ao fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA,  não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo  fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do  ITR.  A  exigência  de  protocolo  tempestivo  do  ADA,  para  o  fim  específico  da  redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º,  I, do Decreto n.º 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002.  Quer­se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de  maneira  inolvidável,  a  respeito  da  entrega  do  Ato  Declaratório  Ambiental,  para  o  fim  específico  da  redução  da  base  de  cálculo  do  ITR,  não  havia,  sequer  no  âmbito  do  poder  regulamentar,  disposição  alguma  a  respeito  do  prazo  para  sua  apresentação,  e, menos  ainda,  que  possibilitasse  à  Receita  Federal  desconsiderar  a  existência  de  áreas  de  preservação  permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA.  Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão  do  crédito  tributário,  na  forma  como  denominada  pelo  Código  Tributário  Nacional,  são  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   18 matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97 do  CTN,  mais  especificamente  no  que  toca  ao  seu  inciso  VI,  não  poderia  sequer  o  poder  regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação  intempestiva do ADA.  Repise­se,  nesse  sentido,  que  não  se  discute  que  a  lei  tenha  instituído  a  obrigatoriedade  da  apresentação  do ADA, mas,  sim,  que  o  prazo  de  seis meses,  contado  da  entrega  da  DITR,  foi  instituído  apenas  por  instrução  normativa,  muito  posteriormente  embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar.  Em virtude,  portanto,  da  ausência de  estabelecimento  de  um critério  rígido  quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre  recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia  ao disposto pelo art. 17­O da Lei n.º 6.398/81.  Dentre  os  mecanismos  de  integração  previstos  pelo  ordenamento  jurídico,  dispõe  o  CTN,  em  seu  art.  108,  I,  que  deve  o  aplicador  recorrer  à  analogia,  sendo  referida  opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte­ se, não é o caso.  Nesse  esteio,  recorrendo­se  à  analogia  para  o  preenchimento  de  referida  lacuna,  deve­se  recorrer  à  legislação  do  ITR  relativa  às  demais  declarações  firmadas  pelo  contribuinte,  mais  especificamente  no  que  atine  à  DIAT  e  à  DIAC,  expressamente  contempladas  pela  Lei  n.º  9.393/96,  aplicadas  ao  presente  caso  tendo­se  sempre  em  vista  o  escopo  da  norma  inserida  no  texto  do  art.  17­O  da  Lei  n.º  6.398/81,  isto  é,  imprimir  “praticabilidade” à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente,  para o fim específico da isenção tributária.  Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA tem o papel de imprimir  “praticabilidade” à  apuração da  área  tributável,  verifica­se que  cumpre  o  escopo da norma a  sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais  atenderá seu desiderato.  De  fato,  até  o  início  da  fiscalização  em  face  do  contribuinte,  a  entrega  do  ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo  do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e  retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda  que  intempestiva, muito  embora  pudesse  ensejar  a  aplicação  de  uma multa  específica,  caso  existisse  referida norma  sancionatória,  seria  equivalente  à  retificação das demais declarações  relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas  últimas, em consonância com o que estatui o brocardo  jurídico “ubi eadem ratio,  ibi eaedem  legis  dispositio”,  isto  é,  onde  há  o  mesmo  racional,  a  legislação  não  pode  aplicar  critérios  distintos.  À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim  que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão  do  contribuinte  ensejou  a  necessidade  de  fiscalização  específica  relativa  ao  recolhimento  do  ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato.  Assim, aplica­se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra  prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.189­49/01, que assim dispõe:  “Art. 18.  A  retificação  de  declaração  de  impostos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da Receita  Federal,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 246          19 terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  independentemente de autorização pela autoridade administrativa.”  De  acordo  com  a  interpretação  que  ora  se  sustenta,  pois,  é  permitida  a  entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da  fiscalização.  Poder­se­ia  sustentar,  inclusive,  que  o  ADA  poderia  ser  substituído  por  outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de  reserva  legal,  à  luz  do  que  se  extrai  do  próprio  “Manual  de  Perguntas  e Respostas”  do Ato  Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010.  De  fato,  de  acordo  com  a  pergunta  e  resposta  n.  10,  não  seria  possível  a  apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou­se anual.  Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte  procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA:  “Em  virtude  da  impossibilidade  de  proceder­se  à  apresentação  de ADA,  de  um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomenda­se  que seja efetuado o preenchimento do  formulário  referente ao Exercício em vigor,  mesmo  porque  a  apresentação,  a  partir  do  ADA  –  Exercício  2007  tornou­se  ANUAL.  É  necessário,  também,  munir­se  de  mapa(s)  georreferenciado(s)  da  propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um  primeiro momento,  não  é  necessária  ao  Ibama,  porém,  caso  haja notificação  pela  Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no  Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.”  Mais  adiante,  em  resposta  à  pergunta  n.  40  (“Que  documentação  pode  ser  exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o  IBAMA relaciona  os seguintes documentos:  “●  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA  e  o  comprovante  da  entrega  do  mesmo;  ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação  natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal  em seu artigo 3.;  ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado  da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as  Áreas  de  Interesse Ambiental  (Área  de Preservação Permanente; Área  de Reserva  Legal;  Reserva  Particular  do  Patrimônio  Natural;  Área  de  Declarado  Interesse  Ecológico; Área  de Servidão Florestal  ou Ambiental; Áreas Cobertas  por Floresta  Nativa;  Áreas  Alagadas  para  fins  de  Constituição  de  Reservatório  de  Usinas  Hidrelétricas);  ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental;  ●  Certidão  do  Ibama  ou  de  outro  órgão  de  preservação  ambiental  (órgão  ambiental  estadual)  referente  às Áreas de Preservação Permanente  e de Utilização  Limitada;  Fl. 18DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA   20 ● Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Reserva Legal;  ●  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  da  Área  de  Reserva  Legal  (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);  ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas  de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato  do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área  no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para  a  agricultura  ou  pecuária,  pode  ser  solicitada  ao  órgão  ambiental  federal  ou  estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico.  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Servidão Florestal;  ●  Portaria  do  Ibama  de  reconhecimento  da  Área  de  Reserva  Particular  do  Patrimônio Natural (RPPN).”  Pode­se  concluir,  portanto,  que  a  própria  Administração  Pública,  que  não  pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva  legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das  áreas de preservação permanente e de  reserva  legal, o que  remete a solução da controvérsia,  nas  hipóteses  em  que  ausentes  a  apresentação  do  referido  ADA  ou  a  averbação  da  reserva  legal, à análise de cada caso concreto.  Em  relação  à  reserva  legal,  esta  está  sujeita  à  aprovação  da  sua  localização  por  órgão  ambiental  estadual  competente  após  o  exercício  de  2002,  ou,  mediante  convênio,  pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição  devidamente  habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela  Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001).  No  presente  caso,  conforme  se  extrai  do  voto  do  eminente  Conselheiro  Marcelo  Oliveira,  houve  averbação  intempestiva  da  área  de  reserva  legal,  depois  do  fato  gerador  e  antes  do  início  da  fiscalização.  Nesse  sentido,  informa  o  nobre  Relator  que  o  exercício  constante  no  lançamento  é  o  de  2000,  que  a  área  em  discussão  foi  averbada  em  07/2001 e que a fiscalização teve seu início em 2004.  Considerando­se que se discute in casu o ITR relativo ao exercício de 2000 e  que a área de reserva  legal  foi averbada antes do  início da fiscalização, entendo que referida  área deva ser excluída da base de cálculo do tributo.  Eis os motivos pelos quais, pedindo vênia ao eminente Conselheiro Relator,  voto no sentido de negar provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Alexandre Naoki Nishioka                Fl. 19DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10675.004846/2004­71  Acórdão n.º 9202­01.953  CSRF­T2  Fl. 247          21   Fl. 20DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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4908187 #
Numero do processo: 13839.901810/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 10          1 9  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.901810/2008­30  Recurso nº  919.268   Voluntário  Acórdão nº  3802­001.300  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de setembro de 2012  Matéria  PIS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  VALEO SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  DIREITO  CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA  FASE  RECURSAL.  DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA.  Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantém­se  a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação  declarada pelo sujeito passivo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003  PROCESSO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  ENTREGA  APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO  ORIGINAL.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DO  ERRO.  OBRIGATORIEDADE.  Uma  vez  iniciado  o  processo  de  compensação,  a  redução  do  valor  débito  informada  na  DCTF  retificadora,  entregue  após  a  emissão  e  ciência  do  Despacho  Decisório,  somente  será  admitida,  para  fim  de  comprovação  da  origem  do  crédito  compensado,  se  ficar  provado  nos  autos,  por  meio  de  documentação  idônea  e  suficiente,  a  origem do  erro  de  apuração  do  débito  retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.  NULIDADE.  DECISÃO  DE  PRIMEIRO  GRAU.  ANÁLISE  DE  NOVO  ARGUMENTO  DE  DEFESA.  MANUTENÇÃO  DA  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  DA  COMPENSAÇÃO  POR  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  ALTERAÇÃO  DA  MOTIVAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.  Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro  grau  que  rejeita  novo  argumento  defesa  suscitado  na  manifestação  inconformidade  e  mantém  a  não  homologação  da  compensação  declarada,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 10 /2 00 8- 30 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     2 por  da  ausência  de  comprovação  do  crédito  utilizado,  mesmo  motivo  apresentado no contestado Despacho Decisório.  DILIGÊNCIA.  REALIZAÇÃO  PARA  JUNTADA  DE  PROVA  DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.  Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental  em  poder  do  próprio  requerente  que,  sem  a  demonstração  de  qualquer  impedimento,  não  foi  carreada  aos  autos  nas  duas  oportunidades  em  que  exercitado o direito de defesa.  Recurso Voluntário Negado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  2ª  Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  do  acórdão  recorrido.  Por  maioria,  em  face  da  preclusão,  não  conhecer  da  documentação  juntada  aos  autos,  consoante  alegação  da  recorrente  em  sustentação  oral,  após  a  publicação  da  pauta  da  reunião  de  julgamento  ­  e,  portanto,  após  a  análise  dos  autos  pelo  Relator.  Vencido,  nesse  ponto,  o  Conselheiro  Solon  Senh  que,  devido  às  particularidades  do  caso,  entendia  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  juntado  dessa  documentação  aos  autos.  No  mérito,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  Dr.  Fábio  de  Almeida  Garcia,  OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.  (assinado digitalmente)  Regis Xavier Holanda ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  EDITADO EM: 09/10/2012  Participaram  da  Sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Regis  Xavier  Holanda,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Solon  Sehn,  Bruno  Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão  proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por  unanimidade  de  votos,  julgaram  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  com  base  nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO.  CRÉDITO  LÍQUIDO  E  CERTO.   Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901810/2008­30  Acórdão n.º 3802­001.300  S3­TE02  Fl. 11          3 Para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro  grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado:  Trata­se  de Declaração  de Compensação  – DCOMP,  com  base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido  ou a maior.  A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de  não homologação da compensação, fundamentando:  Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: :  5.096,17.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado,  foram localizados um ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos  débitos  informados no PER/DCOMP.  (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  Cientificada  desse  despacho  em  29/07/2008,  a  interessada  apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008,  alegando, em síntese e fundamentalmente, que:  Seu  crédito  decorre  de  ter  considerado  equivocadamente  na  base  de  cálculo  da  contribuição  do  período  em  questão  algumas  vendas  de  produtos  que  se  encontravam  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  nº  10.485/2002;  Transmitiu  a DCOMP  utilizando  aquele  crédito, mas,  por  um  lapso,  deixou  de  retificar  a  DCTF  relativa  ao  período,  para que nela  passasse  a  constar  o  valor  correto  da contribuição devida;  Somente  com  a  ciência  do  Despacho  em  tela  é  que  percebeu  seu  equívoco.  Assim,  procedeu  imediatamente  à  retificação da DCTF;  Trata­se de mero erro de preenchimento de obrigação  acessória,  que  não  afasta  a  existência  inequívoca  de  seu  crédito,  e  não  pode  lhe  tolher  o  direito  à  compensação.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     4 Jurisprudência  administrativa  e  judicial  corroboram  seu  entendimento;  Não  há  prejuízo  ao  Fisco.  Ao  contrário,  não  lhe  permitir  utilizar  tal  crédito  configuraria  enriquecimento  ilícito do Erário.  Em  10/03/2011,  a  Interessada  foi  cientificada  do  referido  Acórdão.  Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as  razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade.  Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão  recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos  no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não  homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do  crédito compensado, apresentada no referido Acórdão.  No  mérito,  em  síntese,  alegou  a  Recorrente  que  (i)  a  origem  do  crédito  utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas  ao  regime monofásico;  (ii)  por  um  lapso,  somente  retificou  a  DCTF,  para  informar  o  valor  correto débito, após a ciência do Despacho Decisório;  (iii) a guia Darf,  a DComp e a DCTF  retificadora, apresentados com a manifestação de  inconformidade, eram documentos hábeis e  idôneos  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  compensado;  e  (iv)  o  princípio  da  verdade  material  ,  deveria  se  sobrepor  a  qualquer  equívoco  cometido  no  cumprimento  das  obrigações  acessórias,  em  consequência,  meros  erros  de  preenchimento  de  declaração  não  poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior.  Caso não  fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada  as provas  já  carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a  documentação complementar destinada a comprovar o que alegara.  Em  10/08/2011,  os  presentes  autos  foram  enviados  a  este  E. Conselho. Na  Sessão  de  março  de  2012,  mediante  sorteio,  foram  distribuídos  para  este  Conselheiro,  em  conformidade  com o disposto no  art.  49 do Anexo  II  do Regimento  Interno deste Conselho,  aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator  O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de  matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento.  Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos  autos.  Na  sustentação  oral  realizado  durante  a  Sessão  de  julgamento,  alegou  o  patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901810/2008­30  Acórdão n.º 3802­001.300  S3­TE02  Fl. 12          5 com  pedido  de  juntada  aos  autos  de  notas  fiscais  de  venda,  emitidas  durante  o  período  de  apuração  do  crédito  informado  na  DComp  em  apreço.  No  memorial,  naquele  momento  entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas.  Na  oportunidade,  consultei  o  e.processo  e  verifiquei  que  tais  documentos  ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se  encontram  os  autos,  tal  documentação  não  pode  ser  admitida  nem  conhecida,  uma  vez  que  consumada a preclusão do direito de apresentá­la, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº  70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos  autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado.  Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido.  Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o  argumento  de  que  ele  havia  alterado  a motivação  e  a  fundamentação  do  presente Despacho  Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não  homologação  da  compensação  declarada,  aquele  indicara  a  não  comprovação  da  origem  do  crédito compensado.  Não  procede  argumento  suscitado  pela  Recorrente,  com  a  devida  vênia.  A  uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito  creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos  da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta  do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação.  Na  verdade,  em  decorrência  das  novas  razões  de  defesa  alegadas  na  manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verifica­se que a diferença entre uma e  outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito  compensado não existia.  Com  efeito,  segundo  o  teor  do  vergastado  Despacho  Decisório,  a  compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito  informado  não  foi  comprovada, pois,  embora o pagamento  referente  à origem do crédito,  informado na  DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora  integralmente  utilizado  na  quitação  do  débito  da  Cofins  do  respectivo  período  de  apuração,  confessado  pela  própria  Recorrente  na  DCTF  original.  Logo,  o  real  o  motivo  da  não  homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado.  Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente  contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava  errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a  não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da  DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório.  Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da  compensação  em  tela,  desta  feita,  com  base  no  argumento  de  que  a  Recorrente  não  havia  comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que  ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás,  asseverou  a  Turma  de  Julgamento  de  primeiro  grau  que  a  simples  apresentação  da  DCTF  retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     6 débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito,  mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original.  Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta  de  comprovação  da  existência  do  crédito  compensado.  Ratifica  o  asseverado,  o  teor  do  enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito:  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO.  CRÉDITO  LÍQUIDO  E  CERTO.   Para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a  diferença  entre  ambos  está  no  argumento  utilizado  para  não  reconhecimento  do  direito  creditório  alegado,  pois,  enquanto  o  Despacho  Decisório  limitou­se  a  comparar  o  valor  do  pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido  foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na  apuração  do  valor  débito  retificado,  porém,  não  acatou  a  retificação,  porque  não  foi  comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro  de  apuração  do  valor  do  debito  retificado,  consistente  no montante  das  supostas  receitas  de  vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002,  submetidas  a  alíquota  0%  (zero  por  cento)  da  Cofins,  por  força  do  regime  de  tributação  monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal.  Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do  débito original, obviamente,  ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e,  portanto,  mantido  o  mesmo  motivo,  para  a  não  homologação  da  compensação,  exposto  no  referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem  do  crédito,  ter  sido  “integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados”  na  presente  DComp.  No caso  em  tela,  teria havido alteração de motivação da decisão originária,  caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do  débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não  homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não                                                              1  "Art.  1º  As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  as  importadoras  dos  produtos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da  Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita  bruta  decorrente  da  venda  desses  produtos,  ficam  sujeitas  ao  pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor  Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47%  (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento),  respectivamente.   [...]  Art.  3º  Fica  reduzida  a  0%  (zero  por  cento)  a  alíquota  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  relativamente à receita bruta da venda:   I ­ dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei;  II ­ dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas  a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.189­49, de 23 de agosto de 2001.   Parágrafo  único.  Fica  o  Poder  Executivo  autorizado,  mediante  decreto,  a  alterar  a  relação  de  produtos  discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI.  [...]"  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901810/2008­30  Acórdão n.º 3802­001.300  S3­TE02  Fl. 13          7 ser passível de  restituição, por  falta de previsão  legal,  o que,  evidentemente,  não ocorreu no  caso em tela.  Por  fim,  cabe  ainda  ressaltar  que,  no  caso  em  tela,  não  tem  qualquer  relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de  sabença,  o  referido  preceito  legal  aplica­se  aos  casos  de  revisão  do  lançamento  de  ofício,  situação que não ocorreu nos presentes autos.  Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter  incólume o Acórdão recorrido.  Da análise do mérito.  No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da  existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na  DComp colacionada aos autos.  Para  Recorrente,  contrariando  o  princípio  da  verdade  material,  a  simples  retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de  recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado.  Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real,  entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação  da DCTF  desacompanha  da  comprovação,  por  documentação  contábil  e  fiscal  adequada,  do  motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e  liquidez do crédito informado na DComp em apreço.  No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi  a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há  como  saber  qual  deles  é  o  correto  (se  o  valor  do  débito  informado  na DCTF  original  ou  o  declarado  na  DCTF  retificadora),  sem  que  haja  a  confirmação  por  uma  outra  fonte  de  informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a  confirmação do alegado equívoco.  A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava  errado e que o valor correto  seria o  informado na DCTF retificadora, porém, não  trouxe aos  autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitando­se a  apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora.  Tal  alegação  trata  de  questão  defesa  que  este Colegiado  já  apreciou  e,  por  unanimidade,  tem  manifestado  o  entendimento  de  que,  a  simples  retificação  da  DCTF,  desacompanhada  de  prova  robusta  do  alegado  equívoco,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência da certeza e liquidez do crédito compensado.  Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art.  7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em  apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito  passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a  redução do valor débito, objeto da compensação não homologada,  somente seria admitida  se  demonstrada  e  comprovada,  por  meio  de  documentação  adequada,  a  origem  do  erro  na  apuração do valor do débito retificado.  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     8 Especificamente  em  relação  à  redução  dos  débitos  tributários,  em  consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em  que  caracterizada  a  espontaneidade  a  DCTF  retificadora  tem  a  mesma  natureza  da  DCTF  original,  substituindo­a  integralmente.  Por  outro  lado,  afastada  a  espontaneidade,  evidentemente,  tal  retificação  não  pode mais  ser  admitida  com  a  simples  retificação  da  dita  Declaração.  Corrobora  o  asseverado,  o  disposto  nos  §§  1°  e  2º  do  art.  9º  da  Instrução  Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve  a redação das  Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a  seguir transcritos:  Art.  9º  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  será  efetuada  mediante  apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância  das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.  § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  vinculados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.  II  ­  alterar  os  débitos  de  impostos  e  contribuições  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início  de  procedimento fiscal.                                                              2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786,  de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto:  “Art.  11.  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou  efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto  alterar  os  débitos  relativos  a  impostos  e  contribuições:  I ­ cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição  em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos;  II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já  tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III ­ em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido  intimada de início de procedimento fiscal.  [...]”.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901810/2008­30  Acórdão n.º 3802­001.300  S3­TE02  Fl. 14          9 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em  alteração  do montante  do  débito  já  enviado  à  PGFN  para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto  não  extinto  o  crédito  tributário.  (Redação  dada  pela  Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011)  [...]. (grifos não originais)  Inequivocamente,  o  presente  Despacho  Decisório  representa  o  ato  administrativo  final,  resultante  do  procedimento  de  controle  da  legalidade  da  compensação  declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as  alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida  se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da  DCTF retificada.  Além disso,  por  ter  efeito  direto  sobre  desfecho  do  julgamento  da  presente  controvérsia,  inaugurada  com  a  citada  manifestação  de  inconformidade,  obviamente,  a  comprovação  da  origem  da  redução  do  valor  do  débito  retificado  deve  ser  tratado  como um  questão  de  defesa.  Dessa  forma,  para  que  seja  aceita  tal  retificação,  ela  deve  atender,  necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do  processo  administrativo  fiscal,  dentre  os  quais  merece  destaque  a  comprovação,  com  documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não  se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em  questão.  Neste  último  caso,  admitir  a  simples  retificação  da DCTF  como  suficiente  para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da  regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996,  com  as  alterações  posteriores,  uma  vez  que  o  Despacho  Decisório,  regularmente  prolatado,  tornar­se­ia  juridicamente  inexistente,  sem  que  fosse  pronunciada  a  sua  inexistência  ou  nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal.  Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do  débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação  das  receitas  das  vendas  dos  produtos  sujeitas  ao  regime  monofásico,  contudo,  nas  duas  oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse  tal alegação.  Assim,  em  sintonia  com  o  entendimento  aqui  esposado,  como  o  erro  apontado pela Recorrente  refere­se a erro de apuração do valor do débito,  logo, por  força do  disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972  (PAF), era ônus da  Interessada  trazer aos  autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao  referido  regime  de  tributação monofásico.  Para  esse  fim,  a  simples  apresentação  das  cópias  autenticadas  dos  livros  contábeis  (Diário  e  Razão)  e  fiscais  (Apuração  do  IPI  e  ICMS),  corroborados  pelas  respectivas  notas  fiscais  de  venda,  ao meu  ver,  eram  suficientes  para  tal  comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição,  instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     10 Da mesma  forma,  também evidencia a  insuficiência da  instrução probatória  da  incumbência  da Recorrente,  o  fato  de  ela  não  ter  relacionado  sequer  os  produtos  que  se  encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica.  Não  é  demais  lembrar  que,  em  relação  ao  fato  constitutivo  do  direito  pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe  inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal.  Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do  CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações  posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da  compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento.  Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado,  o  que  confirma  a  falta  de  comprovação  da  existência  do  crédito  utilizado  no  presente  procedimento compensatório.  Por  fim,  alegou  a  Recorrente  que  o  princípio  da  verdade  material  deve  se  sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de  preenchimento  de  declaração  tolher  o  seu  direito  a  restituição  ou  compensação  da  quantia  indevidamente paga.  Discordo.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  conformidade  com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca  pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que  a  autoridade  julgadora  tenha  de  assumir  ônus  probatório  das  partes  interessadas,  seja  da  Fiscalização ou do sujeito passivo.  Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de  que  a  autoridade  julgadora  não  deve  contentar­se  apenas  com  os  aspectos  formais  da  controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não  ampara  a  omissão  deliberada  ou  injustificada  da  parte  interessada,  incluindo,  obviamente,  o  sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao  processo de compensação, por  força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996,  que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase  impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas  nas alíneas do referido parágrafo.                                                              3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor".    4 "Art. 16. [...]  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela  Lei nº 9.532, de 1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997).    5 "Art. 74. Omissis.  (...)  § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do  Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172,  de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. "  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901810/2008­30  Acórdão n.º 3802­001.300  S3­TE02  Fl. 15          11 No  presente  caso,  ao  pretender  atribuir  a  simples  retificação  da  DCTF  a  condição  de  prova  suficiente  do  indébito  informado,  contraditoriamente,  a  Recorrente  está  agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento.  Além  disso,  em  consonância  com  o  disposto  nos  arts.  15  e  18  do  PAF,  o  encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando,  não  podendo  tal  atividade  ser  transferida  para  a  autoridade  julgadora,  sob  pena  de  desvirtuamento das  regras que  rege o processo  administrativo  fiscal. Em consequência desse  regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária  à  formação  do  convencimento  da  autoridade  julgadora  é  que  ela  poderá  determinar  a  sua  produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada.  Não  se  pode  também  olvidar  que,  na  condição  de  titular  do  crédito  compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação,  era  da  Recorrente,  conforme  expressamente  exige  o  art.  170  do  CTN,  combinado  com  o  disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.  No  caso  em  tela,  não  foi  comprovado  o  alegado  erro  de  preenchimento  da  DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real.  Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa  privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a  aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a  ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais  robustas do alegado equívoco.  Por  essas  razões,  rejeito  as  alegações  da  Recorrente,  para  manter  a  não  homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp.  Do pedido de realização de diligência.  No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência,  para  fim  de  obtenção  da  documentação  complementar,  com  a  finalidade  de  comprovar,  em  relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que:  a)  a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins  em montante  superior  ao devido,  em virtude da desconsideração  do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições  a 0% (zero por cento); e  b)  as  declarações  e  retificações  apresentadas  pela  Recorrente  eram  suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para  efetuar as compensações realizadas.  Em  consonância  com  o  princípio  verdade material,  determina  o  art.  18  do  PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a  requerimento do interessado, quando entendê­la necessária.  No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de  provas complementares, revela­se totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso,  trata­se  de  documentos  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  própria  Recorrente  que,  se  existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA     12 que  nele  se manifestou,  especialmente,  na  presente  fase  recursal,  quando  ela  já  tinha  pleno  conhecimento  de  que  tais  documentos  eram  imprescindíveis  para  comprovação  do  alegado  equívoco.  Com  base  nessas  considerações,  reputo  desnecessária  a  realização  da  diligência  pleiteada.  Em  consequência,  com  respaldo  no  art.  18  do  PAF,  sou  pelo  seu  indeferimento.  Da conclusão.  Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter  na íntegra o Acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                                Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA

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