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Numero do processo: 16682.902298/2016-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 600 1 599 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.902298/201678 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.414 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Rio de Janeiro, com acréscimos posteriores: Trata o presente processo de apreciação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 22048.88592.230312.1.3.043616, transmitido em 23/03/2012, de crédito referente ao valor de R$ 52.016.750,30, que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 24/02/2012, a título de COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 02 29 8/ 20 16 -7 8 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16682.902298/201678 Resolução nº 3402001.414 S3C4T2 Fl. 601 2 (código 6840), atinente ao período de apuração 01/2012, com débitos diversos. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DemacRio de JaneiroRJ (fl.502), não foi homologada a compensação declarada, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo o citado pagamento indevido já teria sido utilizado para quitar débitos do contribuinte não gerando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 20/02/2017 (fl.505), a Interessada ingressou, em 17/03/2017, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: 1. Conforme se apura da análise do despacho decisório e das informações complementares fica evidenciado que a interessada foi simplesmente informada que o pedido foi indeferido, contudo sem a devida e obrigatória motivação; 2. Espera o reconhecimento da inobservância dos artigos 50, § 1º e 53, da Lei nº 9.784/99 c/c art.59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, no sentido de tornar sem efeito o despacho decisório, a fim de que seja produzida nova decisão nos estritos termos da Lei; 3. Independente da nulidade citada, cumpre sublinhar que o crédito ora em questão decorre da retificação do DACON, visto ter sido aumentado o crédito a ser descontado da contribuição em comento na ordem de R$ 52.016.750,30; 4. A diferença apurada entre o valor constante no DACON original em relação ao retificador demonstra o indébito ora pleiteado; 5. Destacase na DCTF (original e retificadora) que aludidos dados apontam para o crédito no montante pleiteado; 6. Diante do exposto, protesta pela juntada das provas trazidas com a manifestação e as provas complementares que venham a contribuir para a apuração da verdade real; 7. E que seja declarada a nulidade do despacho decisório ora atacado e, em pedido sucessivo, seja julgado procedente a presente manifestação de inconformidade. Junto com a manifestação de inconformidade a contribuinte carreou aos autos documentos de representação e cópias das DCTF original e retificadora, e dos DACON original e retificador. Por meio do acórdão nº 1290.478, de 24 de agosto de 2017 (fls. 513 a 517), a 17ªTurma da DRJ/RJI julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16682.902298/201678 Resolução nº 3402001.414 S3C4T2 Fl. 602 3 É válido o despacho decisório eletrônico que não homologa a compensação declarada com fundamento fático decorrente da verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.526 a 542), alegando a nulidade do despacho decisório e a certeza e liquidez do crédito requerido. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, e compensação com débitos diversos. O Despacho Decisório que não homologou a compensação foi emitido eletronicamente pela DEMACRio de JaneiroRJ, em virtude da utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A recorrente alega a lisura do pedido formulado e apresenta o resumo da composição do indébito perseguido: Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16682.902298/201678 Resolução nº 3402001.414 S3C4T2 Fl. 603 4 A recorrente alega que teria direito ao valor pleiteado a partir das retificações impostas em sua DCTF. Segundo suas alegações, tratamse de crédito referente a importação do gás natural da Bolívia (Linha 01 da Ficha 16B) e créditos sobre os bens do ativo imobilizado (Linha 10 da Ficha 16A), que não tinham sido incluídos na apuração original. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário às fls. 532 a 541 e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente em relação aos valores referentes à importação do gás natural da Bolívia (Linha 01 da Ficha 16B) e aos valores referentes ao imobilizado (Linha 10 da Ficha 16A), que não tinham sido incluídos na apuração original; (ii) apresentar um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000396/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2301-005.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 96 /2 00 8- 17 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 12267.000396/200817 Acórdão n.º 2301005.337 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o Relatório objeto do Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 12267.000363/200869, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias. Inconformada, o sujeito passivo apresentou impugnação alegando que o prazo decadencial aplicável é de cinco anos. A decisão de primeira instância, todavia, entendeu aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação original, que previa o prazo decadencial de dez. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual, a despeito de outras alegações, sustentou a ocorrência da decadência quinquenal. É o relatório necessário". Fl. 369DF CARF MF Processo nº 12267.000396/200817 Acórdão n.º 2301005.337 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 12267.000363/200869, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Maurício Vital, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Destaquese, inicialmente, que este voto foi proferido com base no § 1º do art. 47 do Regimento Interno do Carf e será aplicado a distintos processos nos quais os recursos se fundam em idêntica questão de direito, qual seja, a aplicação da regra decadencial quinquenal. A decisão recorrida entendeu aplicável a regra decadencial prevista na redação original do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia ser de dez anos o prazo para a decadência do direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos Constatase, de pronto, a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8, de 12/06/2008, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, devese aplicar a regra decadencial é a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Independentemente da regra de decadência quinquenal aplicável, todos os períodos contidos no lançamento já foram atingidos pela norma extintiva do crédito tributário. Considerando que a análise da decadência é suficiente para a solução definitiva do contencioso sem que haja prejuízo ao Fl. 370DF CARF MF Processo nº 12267.000396/200817 Acórdão n.º 2301005.337 S2C3T1 Fl. 5 4 sujeito passivo, deixo de apreciar eventuais alegações adicionais, preliminares ou de mérito, por despiciendas. Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator" Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro João Bellini Júnior Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720033/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA.
A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, é punida com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não for possível a aplicação da pena de perdimento, em virtude de a mercadoria não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015
JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Tratando-se de espécie de crédito tributário, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria se sujeita à incidência dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, e de 1%, no mês do pagamento.
Numero da decisão: 3401-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para afastar as preliminares de nulidade; e (b) por maioria de votos, para: (b1) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Cons. André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) manter, no que se refere à ocultação do real adquirente, o lançamento, vencido o Cons. Cássio Schappo. Os Cons. Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, no item "b2", por divergirem tão-somente em relação ao argumento utilizado pela relatora a título de endosso para manutenção do lançamento, ligado a propósito negocial e rearranjo societário no Brasil diverso do mundialmente ocorrido, que foi entendido como irrelevante. Como o Cons. Cássio Schappo também diverge de tal argumento, inclusive em maior extensão, deve a relatora agregar tal circunstância ao voto, suprimindo na ementa eventual menção a tal argumento, na forma regimental.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, é punida com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não for possível a aplicação da pena de perdimento, em virtude de a mercadoria não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Tratando-se de espécie de crédito tributário, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria se sujeita à incidência dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, e de 1%, no mês do pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para afastar as preliminares de nulidade; e (b) por maioria de votos, para: (b1) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Cons. André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) manter, no que se refere à ocultação do real adquirente, o lançamento, vencido o Cons. Cássio Schappo. Os Cons. Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, no item "b2", por divergirem tão-somente em relação ao argumento utilizado pela relatora a título de endosso para manutenção do lançamento, ligado a propósito negocial e rearranjo societário no Brasil diverso do mundialmente ocorrido, que foi entendido como irrelevante. Como o Cons. Cássio Schappo também diverge de tal argumento, inclusive em maior extensão, deve a relatora agregar tal circunstância ao voto, suprimindo na ementa eventual menção a tal argumento, na forma regimental. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, é punida com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não for possível a aplicação da pena de perdimento, em virtude de a mercadoria não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 33 /2 01 6- 28 Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.987 2 Tratandose de espécie de crédito tributário, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria se sujeita à incidência dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, e de 1%, no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para afastar as preliminares de nulidade; e (b) por maioria de votos, para: (b1) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Cons. André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) manter, no que se refere à ocultação do real adquirente, o lançamento, vencido o Cons. Cássio Schappo. Os Cons. Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, no item "b2", por divergirem tãosomente em relação ao argumento utilizado pela relatora a título de endosso para manutenção do lançamento, ligado a propósito negocial e rearranjo societário no Brasil diverso do mundialmente ocorrido, que foi entendido como irrelevante. Como o Cons. Cássio Schappo também diverge de tal argumento, inclusive em maior extensão, deve a relatora agregar tal circunstância ao voto, suprimindo na ementa eventual menção a tal argumento, na forma regimental. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos reproduzo, resumidamente o relatório que consta no acórdão da DRJ Fortaleza: Tratase de exigência de crédito tributário no valor originário de R$ 230.039.939,28, relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas sob as declarações de importação relacionadas às fls. 426 deste processo, registradas entre 26/08/2011 e 30/12/2015. Segundo a Fiscalização, a empresa Unilever Brasil Industrial Ltda., doravante denominada simplesmente UBI, ocultou, como importador ostensivo nas referidas operações de importação, Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.988 3 mediante fraude e simulação, a empresa Unilever Brasil Ltda., doravante denominada simplesmente UBR, sua controladora e real adquirente das mercadorias importadas, configurando interposição fraudulenta de terceiros. A completa motivação para o lançamento está relatada pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos (TVF) anexado às fls. 54110, dele constando que: a) Em procedimento de Fiscalização realizado junto às pessoas acima qualificadas, em cumprimento aos Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal apontados, constatouse a seguinte infração: DecretoLei nº 1.455/1976 Art. 23 ... b) Pelo exposto no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, concluiuse que a empresa Unilever Brasil Ltda., referenciada por UBR, importou produtos acabados de perfumaria e higiene pessoal, classificados nas NCM 3307.20.10 (desodorantes líquidos), 3307.20.90 (outros desodorantes), 9603.21.00 (escovas de dente) e 3305.90.00 (outras preparações capilares) entre os anos de 2011 e 2015, utilizandose fraudulentamente da empresa por ela controlada Unilever Brasil Industrial Ltda., referenciada por UBI, que figurou no plano formal como a importadora perante o Fisco federal; c) Verificouse que as mercadorias importadas formalmente pela UBI eram “revendidas” à UBR com baixíssimas margens de lucro (até mesmo prejuízo), em comparação com as margens praticadas nas vendas da UBR a seus clientes atacadistas ou varejistas; d) O intuito era claro: sonegação de tributos, em especial IPI, PISPASEP e COFINS; e) Ao interpor outra pessoa importadora, a real importadora UBR não se equiparou a industrial e, portanto, não recolheu IPI nas saídas de mercadoria que promoveu; f) Da mesma forma, o PISPASEP e a COFINS eram concentrados apenas nas saídas do aparente importador (a incidência destes tributos é monofásica nas NCM analisadas nesta ação fiscal), não incidindo nas saídas do próximo elo da cadeia, a UBR. O famoso mecanismo da quebra da cadeia de IPI aqui se estendeu também ao PISPASEP e à COFINS; g) Ambas as empresas fazem parte do grupo Unilever do Brasil, do qual a UBR é a empresa controladora; h) Os dirigentes da UBI são os mesmo da UBR, sendo que esta última é quem efetivamente toma as decisões do grupo; i) Parte das despesas incorridas na importação (fretes nacional e internacional) foi suportada com recursos saídos de contas bancárias da UBR; Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.989 4 j) As pessoas responsáveis pelo processo de importação incluindo formalização dos pedidos de compra são funcionários da sede da UBR em São Paulo/SP e não da UBI; k) As mercadorias desembaraçadas seguiam direto da alfândega para o centro de distribuição da UBR, passando no estabelecimento do importador apenas para “trocar nota fiscal”; l) A UBR era a única compradora das mercadorias importadas pela UBI; m) A UBR é a empresa responsável pela distribuição dos produtos no mercado interno, enquanto que a UBI é empresa industrial responsável pela fabricação de produtos, o que demonstra que enquanto a importação de insumos por esta última é justificável, o mesmo não pode ser dito em relação a importação de produtos acabados, os quais só fariam sentido serem importados pelo distribuidor, a UBR; n) O presente Auto de Infração abrange o lançamento ex officio da multa de valor equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela UBI cujo real adquirente era a UBR, em decorrência do disposto no § 3º do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976: ... o) O Auto de Infração de multa por cessão de nome está controlado pelo Processo Administrativo Fiscal nº 11829 720.034/201672; p) Além das informações colhidas através das referidas intimações fiscais, foram extraídas informações dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil como Siscomex, DW, Radar, CNPJ, eProcesso, além de sistemas externos como Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), Jucesp e Tecwin; q) Foram também aproveitadas provas produzidas no âmbito de fiscalizações passadas realizadas pela Receita Federal do Brasil junto à Unilever Brasil Industrial Ltda. e Unilever Brasil Ltda., que ajudam a subsidiar as conclusões da presente ação fiscal. A Fiscalização faz um relato de outras ações fiscais realizadas sobre o grupo Unilever, ressaltando que o cerne das autuações estaria no processo de cisão da empresa Unilever Brasil Ltda., ocorrido no ano de 2001, depois da mudança da sistemática de cobrança do PISPASEP e da COFINS, promovida pela Lei nº 10.147, de 21de dezembro de 2000, a partir da qual referido grupo empresarial teria “pretendido um ‘planejamento tributário’ que na prática configurou fraude contra a Fazenda Pública”. Esclarece a Fiscalização que, na sistemática de cobrança anterior, polifásica, toda pessoa jurídica que faturasse com a venda das mercadorias classificadas em posições específicas da TIPI, em particular, produtos de perfumaria e Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.990 5 higiene pessoal (capítulo 33 e posição 9603.21.00 da TIPI) seria considerada contribuinte; enquanto que, na nova sistemática, a cobrança passou a ser monofásica e recaiu apenas sobre o estabelecimento industrial ou equiparado responsável pela produção das mercadorias. Esclarece, também, que as alíquotas do PISPASEP e da COFINS passaram de 0,65% e 3%, respectivamente, para 2,2% e 10,3%, na nova modalidade de cobrança. Para a Fiscalização, “o intuito da nova lei era, claramente, instituir um mecanismo análogo ao da substituição tributária, amplamente utilizada na cobrança do ICMS pelos estados, em que a tributação seria concentrada na indústria, facilitando a Fiscalização e cobrança por parte do ente público”. A propósito da ação fiscal pertinente aos processos de nº 19515.001904/200412 e 19515.001905/200467, é relatado: a) A ação fiscal em epígrafe resultou em autuação à Unilever Brasil Ltda. pelo não recolhimento de PISPASEP e COFINS no período de outubro/2001 a dezembro/2003; b) A autuação foi baseada no nãorecolhimento pela autuada destas contribuições nos termos da Lei nº 10.147, promulgada em 21/12/2000, com vigência a partir de maio/2001; c) A autoridade fiscal apurou que, a fim de não ver aumentado o montante daquelas contribuições a recolher e, “de quebra”, também reduzir o IPI devido, a Unilever Brasil Ltda., que era produtora (industrial) e distribuidora de seus produtos, cindiu parte do seu patrimônio, especificamente suas unidades industriais (que eram filiais da UBR no CNPJ), e ofereceuas em capital para integralização da empresa IGL Industrial Ltda., CNPJ 03.085.759/000102, subsidiária da própria Unilever Brasil Ltda.; d) A industrialização passou, então, a ficar, a partir de 01/09/2001, sob responsabilidade da IGL Industrial Ltda., que “vendia” seus produtos exclusivamente à Unilever Brasil Ltda. a preços muito abaixo do que esta anteriormente praticava nas suas vendas ao mercado, de forma a anular os efeitos da Lei nº 10.147/2000. Em relação ao processo nº 10830.720562/201034, diz a Fiscalização: a) Esta ação fiscal analisou os recolhimentos de IPI da Unilever Brasil Industrial Ltda., cujos fatos geradores foram as vendas, à firma interdependente Unilever Brasil Ltda., das mercadorias fabricadas ou importadas, classificadas na TIPI como 3305.10.00, 3305.90.00 Ex 01 e 3307.20.10 (xampus, condicionadores e desodorantes), no período de janeiro/2006 a dezembro/2007; b) O resultado foi a autuação da empresa por falta de recolhimento de IPI, por a empresa “ter calculado seu IPI com base em valores inferiores ao preço corrente no mercado Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.991 6 atacadista na praça do remetente ou, ainda, inferiores ao custo de fabricação acrescidos dos custos financeiros e de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação”; c) A autoridade fiscal apurou que o estabelecimento da UBR de CNPJ 61.068.276/030780 era o único “adquirente” das mercadorias da UBI e que os preços de venda unitários da UBI eram em média 1/3 dos preços praticados pela UBR na venda a terceiros não interdependentes. Concluiu assim que a Unilever montou uma cadeia de negócio (venda de UBI para UBR, seguida de venda de UBR para atacadistas não interdependentes) com vistas a reduzir o montante de IPI devido, que não se coaduna com os ditames da legislação daquele tributo. No que diz respeito ao processo nº 10830.727214/201331, a Fiscalização aduz: a) Esta ação fiscal autuou a Unilever Brasil Industrial Ltda. pela “falta de recolhimento do IPI relativo a produtos saídos do estabelecimento industrial de VinhedoSP com notas fiscais que indicavam valores reduzidos, em média, em 2/3 (dois terços) daqueles efetivamente praticados”, entre os anos de 2008 e 2010; b) A autoridade fiscal apurou que a UBI dava saída, a título de venda, a seus produtos manufaturados em VinhedoSP exclusivamente a estabelecimentos supostamente atacadistas da Unilever Brasil Ltda. Os preços declarados em nota fiscal pela UBI eram, em média, 1/3 do preço praticado por aqueles estabelecimentos na venda a terceiros não interdependentes; c) A autoridade concluiu que aqueles estabelecimentos da UBR eram, de fato, meros depósitos fechados da própria indústria. Assim, a base de cálculo sobre a qual o IPI da indústria devia ter sido calculado era o valor das notas fiscais de venda daqueles depósitos fechados a seus clientes varejistas ou atacadistas, e não o preço declarado nas notas fiscais entre a indústria e tais depósitos. Quanto ao processo nº 11829.720047/201480, a Fiscalização informa que: a) Nesta ação fiscal, a Unilever Brasil Ltda. e a Unilever Brasil Industrial Ltda. foram autuadas com a pena de perdimento das mercadorias classificadas na NCM nº 3307.20.10 (desodorantes líquidos), importadas formalmente pelo estabelecimento industrial da UBI em VinhedoSP entre 2008 e 2010, por motivo de ocultação do real adquirente das mercadorias, mediante fraude ou simulação; b) A autoridade fiscal apurou que a promotora de fato das importações era a UBR, tendo a UBI apenas cedido o nome para Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.992 7 registro das declarações de importação. Para tal conclusão, apurou que: i. a UBR suportava diversos custos relacionados à importação; ii. as operações de saída da UBI com destino à UBR não tinham natureza de venda no mercado interno, pois não havia pagamento em contrapartida, nem negociação de preços (os preços eram determinados exclusivamente pela UBR); iii. o preço declarado em nota fiscal de saída da UBI para UBR era, em média, 3 vezes menor que o preço da venda da UBR aos revendedores; iv. a UBR realizava tais importações até o ano de 2001, mas o grupo Unilever optou, a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.147/2000, que instituiu a cobrança do PISPASEP e COFINS de forma concentrada na indústria ou equiparada, por registrar as declarações em nome de IGL Industrial Ltda. (empresa criada pelo grupo dois anos antes que viria, em 2010, a ser incorporada pela UBI); v. os funcionários responsáveis por toda a operação de importação, desde pedido de compra, celebração de contratos de câmbio, movimentação de contas bancárias da UBI, até contatos com as comissárias de despacho, contato com as transportadoras, etc., eram vinculados à UBR e não à UBI; vi. os desodorantes importados sequer adentravam o estabelecimento da UBI, pois seguiam da fronteira Argentina/Brasil direto ao centro de distribuição da UBR em Louveira/SP. A Fiscalização expressa o entendimento de que, a partir da leitura das ações fiscais acima, se pode concluir: a) que, “após a cisão do patrimônio da Unilever Brasil Ltda. em 2001, a qual cedeu seus estabelecimentos industriais para integralizar o capital social da IGL Industrial Ltda., o Fisco Federal, por quatro vezes até aqui (relativamente aos períodos de 2001 a 2003, 2006 a 2007 e 2008 a 2010), autuou o grupo Unilever, com fundamento principal nos efeitos decorrentes de tal cisão”; b) que “o grupo Unilever praticou o que considerava um “planejamento tributário” ao separar sua operação em indústria (IGL, que viria a ser chamada UBHPL até ser, finalmente, incorporada pela UBI) e distribuição (UBR). Pretendia com isso, reduzir o montante dos tributos PISPASEP, COFINS e IPI a recolher, especialmente após a edição da Lei nº 10.147/2000, que mudou a forma de incidência das contribuições sociais sobre desodorantes, condicionadores, escovas de dente, entre outros”; e c) que, “nas três ações fiscais, foi constatado pela autoridade competente que tal “planejamento” foi determinante para a prática da fraude tributária contra a Fazenda Nacional”. Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.993 8 A propósito da autuação, a autoridade fiscal esclarece, no Termo de verificação Fiscal, que: a) “não se está aqui a dizer que a separação da operação do grupo Unilever em empresa industrial e empresa comercial distribuidora tenha tido como única motivação a sonegação dos tributos federais. É possível que o grupo tenha vislumbrado e conseguido ganhos de produtividade e eficiência em outras frentes. Afirmase apenas que a prática da fraude tributária não teria sido possível sem a separação das operações industrial e comercial”; b) “o presente Auto de Infração não desconsidera a personalidade jurídica de qualquer das empresas autuadas. Ambas empresas possuem patrimônio e receitas, portanto existem de fato. Mas, como ficará demonstrado, a empresa industrial, UBI, cedeu o nome para realizar as importações promovidas pela empresa comercial distribuidora, UB, o que configura infração aduaneira punível com a pena de perdimento das mercadorias, ou multa equivalente ao valor aduaneiro”; e que c) “no presente caso, não se concluiu pela interposição presumida, mas sim à simulação comprovada tendente a ocultar o real promotor do ingresso das mercadorias estrangeiras no país, aquele, de fato, interessado na importação das mercadorias”. Acerca do tipo de infração caracterizado pela ocultação do sujeito passivo, a Fiscalização argui: a) “A legislação aduaneira aponta a interposição como o ato em que uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação, interpondose entre uma parte (o fisco) e outra (a ocultada – real beneficiária, responsável pela operação de comércio exterior), para ocultar esta última”; b) “A ocultação do real adquirente é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: i. não figurar como contribuinte “equiparado a industrial” e evitar a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações subsequentes, em alguns casos também do PIS PASEP e da COFINS; ii. não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; iii. burlar o limite da pequena monta no caso de pessoa habilitada a operar na modalidade simplificada; iv. não se submeter a controles administrativos dos órgãos públicos intervenientes nas operações de comércio exterior; v. praticar o subfaturamento ou outras fraudes na importação, expondo apenas a pessoa intermediária e não o real adquirente das mercadorias, entre outros”; c) “Além disso, o uso de interposta pessoa interfere na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos”. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.994 9 A autoridade fiscal traz os seguintes argumentos quanto à configuração da infração: a) “A configuração da ocultação pode se dar tanto com a identificação do real beneficiário da operação, como também nas situações em que, não havendo esta identificação, o importador não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações (interposição fraudulenta por presunção”; b) “A infração “ocultação do sujeito passivo” se configura quando uma declaração de importação é registrada no Siscomex em nome de pessoa que não é a real responsável pelo ingresso da mercadoria em território nacional, no caso de importação direta”; c) “No caso de importação por conta e ordem ou por encomenda, a ocultação se dá quando o importador por conta e ordem ou por encomenda não informa o real adquirente ou encomendante no campo próprio da declaração”. Tomando como exemplo a Declaração de Importação nº 11/17619208, registrada por Unilever Brasil Industrial Ltda. em 19/09/2011, a Fiscalização aduz: a) “Tratase de DI informada como “Importação Própria” (importador e adquirente coincidentes), tendo como importador Unilever Brasil Industrial Ltda.”; b) “Todas as DI sobre cujas mercadorias está sendo aplicada, neste Auto de Infração, a pena de multa de valor equivalente ao valor aduaneiro, seguiram a mesma sistemática: informadas como importação própria por Unilever Brasil Industrial Ltda., ocultando a real importadora Unilever Brasil Ltda.” A Fiscalização observa que o tipo infracional do inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, prevê que a ocultação seja praticada “mediante fraude ou simulação”, e que o Código Civil brasileiro traz a definição de simulação em seu artigo 167, afirmando, em sequência: “A declaração não verdadeira mencionada no inciso II do § 1º do artigo 167 da Lei nº 10.406/2002 é, no caso concreto, a informação, em todas as declarações de importação, que a UBI era a importadora por conta própria, quando na realidade a UBR é a real importadora.” A definição de fraude do art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, também é citada pela Fiscalização, que acrescenta: a) “Como ficará claramente demonstrado até o final deste Termo de Verificação, a ocultação praticada pela Unilever teve clara finalidade: reduzir o montante do PISPASEP, COFINS e IPI a recolher”; b) “A ocultação da UB, perante o Fisco, como importadora, tendeu a impedir a ocorrência do fato gerador das obrigações principais destes três tributos, no momento das vendas da UBR no mercado interno brasileiro”. Sobre a Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.995 10 organização societária das empresas do grupo Unilever, a Fiscalização traz, entre outras, as seguintes informações: a) “As empresas autuadas na presente ação fiscal, Unilever Brasil Ltda. (UB) e Unilever Brasil Industrial Ltda. (UBI), fazem parte do grupo multinacional Unilever”; b) “A pessoa jurídica que comanda os negócios do grupo no País é a Unilever Brasil Ltda. (UB) (CNPJ base n° 61.068.276), fundada em 02/10/1975 como Indústrias Gessy Lever Ltda., denominação utilizada até 01/09/2001, quando foi alterada para o nome atual. Seus sócios são sociedades estrangeiras (holdings) com sede em um mesmo endereço em Roterdã, na Holanda. São elas BRAZH1 B.V., BRAZH2 B.V., BRAZINVEST B.V. e BRAZINVESTEE B.V, todas inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas”; c) “A UBR atua como distribuidora no mercado interno brasileiro dos produtos manufaturados ou importados pelo grupo. Seus clientes são majoritariamente atacadistas ou varejistas, como supermercados, farmácias, etc.”; d) “Até 31/08/2001, o nome empresarial da UBR era Indústrias Gessy Lever Ltda., tendo sido alterado em 01/09/2001 para o nome atual”; e) “O braço industrial de todos os segmentos, exceto sorvetes, do grupo Unilever tem a denominação de Unilever Brasil Industrial Ltda. (UBI) (CNPJraiz nº 01.615.814). Os sócios são as mesmas pessoas jurídicas sediadas no exterior sócias da UB, mas a própria UBR é detentora de 43,11% de participação no capital social da UBI”; f) “A UBI foi fundada em 15/02/2001, com o nome RMB Ltda.; alterou seu nome para Unilever Bestfoods Brasil Ltda. em 04/10/2001; para Unilever Brasil Alimentos Ltda. em 24/08/2006; adotou finalmente o nome atual em 26/01/2010. Até o ano de 2010, era a empresa responsável pela industrialização dos produtos do segmento alimentício do grupo Unilever. Em 2010, incorporou a Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda., CNPJ nº 03.085.759/0001 02, empresa responsável pela industrialização do segmento higiene pessoal e limpeza, tornandose a responsável pela industrialização de todos os segmentos, exceto sorvetes”; g) “O quadro de diretores de UBR e UBI sofreu alterações de 2011 para cá, mas sempre houve coincidência de pessoas em cargo de diretoria nas duas pessoas jurídicas”; h) “A coincidência de diretores é consequência natural do fato de que a UBI é empresa controlada pela UB, já que esta é a “empresa mãe” do grupo Unilever no Brasil. As mesmas pessoas, portanto, tomam as decisões de ambas as empresas, objetivando o lucro do grupo como um todo”. A Fiscalização reafirma que o planejamento tributário do Grupo Unilever surgiu como uma reação às alterações na legislação da Contribuição ao PISPASEP e da COFINS, ocorridas entre 1998 e 2000, mas que vislumbrou também a repercussão desse tipo de planejamento sobre o montante de IPI devido, e descreve, detalhadamente, às fls. 79, os fatos que, a seu ver, explicam as origens do dito planejamento tributário. De acordo com a Fiscalização, o planejamento tributário do grupo Unilever se estendeu às mercadorias que importava, explicando que: Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.996 11 a) “O grupo Unilever estruturou sua operação de forma que o estabelecimento importador das mercadorias sujeitas à incidência monofásica de Pis e COFINS não era a UB, empresa encarregada da distribuição no território nacional, mas sim a UBI”; b) “Esta dava saída desses produtos não aos clientes do grupo Unilever (atacadistas, redes de supermercados e farmácias, entre outros), mas sim à pessoa jurídica controladora do grupo no Brasil, a UB”; c) “A razão para isto é simples: realizando a “venda” do importador à pessoa jurídica do mesmo grupo econômico, a margem de lucro pode ser manipulada de forma a resultar em pouco ou nenhum recolhimento das contribuições ao PISPASEP, COFINS e IPI”. A Fiscalização informa que analisou as notas fiscais de entrada (importação) emitidas durante o período fiscalizado (2011 a 2015) pelo estabelecimento importador da UBI, CNPJ nº 01.615.814/0064 87, sediado na Av. das Indústrias, 315, Parte III em Vinhedo/SP; as notas fiscais de venda à UB, destinadas ao estabelecimento CNPJ nº 61.068.276/0307 80, sediado à Av. José Luiz Mazzali, 450 em Louveira/SP e as notas fiscais de venda de tal estabelecimento da UBR aos revendedores, tendo constatado que o grupo Unilever concentra as margens de lucro na empresa distribuidora em detrimento do lucro da empresa industrial. Os resultados dessa análise, segundo a Fiscalização, indicaram evidente intuito sonegador do grupo Unilever ao utilizar sua unidade industrial (UBI) para registrar as declarações de importação e emitir notas fiscais de venda das mercadorias importadas à empresa responsável pela distribuição dos produtos no mercado brasileiro (UB), isso porque, conforme a autoridade fiscal autuante, com este artifício, todo o faturamento da UBR com aquelas mercadorias (muito maior que o da UBI, como demonstrado) ficou imune à tributação de IPI, PISPASEP e COFINS, a despeito de a UBR ter sido, de fato, a real importadora e, portanto, contribuinte destes tributos (equiparada a industrial). A Fiscalização aduz, ainda, como indícios da ocultação do verdadeiro adquirente das mercadorias importadas: a) O fato de as mercadorias importadas pela UBI serem entregues em endereço no qual funciona filial da UBR que aparece como destinatária das vendas da UBI e como remetente das vendas no mercado interno; b) O fato de que os pedidos de compra das mercadorias estrangeiras eram efetuados por funcionários da UBR e não da UBI e de que todo o processo de importação é comandado por dirigentes da UBR e executado por funcionários da UB; c) O fato de que parte dos fretes nacional e internacional referentes às mercadorias importadas pela UBI foi paga com recursos saídos de contas bancárias da UBR, conforme planilha de custos apresentada pela UBI; Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.997 12 d) O fato de a UBI ter como único cliente a UBR, especialmente a filial 030780 da UBR em LouveiraSP, o principal centro de distribuição da UB. A Fiscalização cita depoimentos de funcionários do grupo Unilever, tomados em outras ações fiscais, que indicariam procedimentos logísticos típicos dos casos de ocultação do real adquirente, na importação, em que as mercadorias eram transportadas da unidade aduaneira de despacho diretamente ao armazém do real comprador, ou no máximo, permaneceriam em armazém do importador por poucos dias, já que antes mesmo das mercadorias serem embarcadas no exterior, o real destinatário já era conhecido. Também é mencionada pela Fiscalização a apresentação, pela UBI, de documento intitulado “Contrato de Compra de Venda”, celebrado entre a UBI e a UB, o qual,além de termos genéricos, traria uma inconsistência formal, já que o texto é datado de 13 de fevereiro de 2015, porém, consta que o contrato entrou em vigor em 1º de agosto de 2013, sendo apontado, ainda, que, dos quatro signatários, apenas um constava como administrador das duas empresas nos registros da Receita Federal em 01/08/2013, sendo que os demais viriam a ser administradores no cadastro CNPJ apenas em março/2014. Registra a Fiscalização que nenhum contrato foi apresentado para o período de 2011 a 2013, observando, ainda, que, na prática, o mesmo grupo de pessoas tomava as decisões por ambas empresas, que por sua vez pertencem ao mesmo grupo econômico. Afirma ainda a Fiscalização: a) A fraude e a simulação praticadas pelo grupo Unilever ao ocultar a real adquirente das mercadorias importadas, Unilever Brasil Ltda., utilizandose da empresa Unilever Brasil Industrial Ltda., que apenas cedeu o nome para a realização das importações, acarretam a pena de perdimento das mercadorias conforme o artigo 23, inciso V e parágrafo 1º do DecretoLei nº 1.455/1976. Mas de acordo com o parágrafo 3º do artigo 23 do mesmo DecretoLei, caso as mercadorias não sejam localizadas, ou já tenham sido consumidas ou revendidas, a pena passa a ser de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias; b) No caso concreto, foi realizado o levantamento via Siscomex das declarações de importação (DI) já desembaraçadas, registradas pela UBI entre os anos de 2011 e 2015, de mercadorias classificadas nas NCM 3307.20.10, 3307.20.90, 9603.21.00 e 3305.90.00, com detalhamento por adição e item. Foram excluídas aquelas DI do ano de 2011 com mais de 5 anos da presente data, devido à decadência tributária; c) Em seguida foram analisadas as notas fiscais de entrada e saída emitidas pela UBI e realizado o batimento das mercadorias declaradas nas DI com as notas de entrada e, por fim, com as notas de venda para o estabelecimento CNPJ final Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.998 13 030780 da UBR (centro de distribuição em LouveiraSP). Aquelas mercadorias importadas pela UBI cuja venda à UBR foi comprovada pelas notas fiscais é que embasam a multa lavrada neste Auto de Infração; d) A ocultação de adquirente em operação de comércio exterior só ocorre com o concurso das pessoas envolvidas – o importador ostensivo e o adquirente oculto; e) A participação das duas, ou mais, pessoas na operação irregular implica o cometimento da mesma infração por todos, sendo que uma oculta e outra é ocultada, todas devendo responder pelo núcleo do tipo da infração – ocultação; f) No caso concreto, a Unilever Brasil Industrial Ltda. e a Unilever Brasil Ltda. respondem solidariamente, por força dos incisos I e V do referido artigo, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.158/2001. ... Cientificadas do Auto de Infração em 8 de agosto de 2016, as empresas autuadas apresentaram, em 6 de setembro de 2016, a impugnação conjunta de fls. 408445, com as seguintes alegações: DAS PRELIMINARES Nulidade da autuação por utilização de prova produzida em fiscalizações anteriores a) O Auto de Infração é nulo devido à utilização de provas emprestadas produzidas nos processos administrativos de nº 19515.001904/200412, 19515.001905/200467, 10830.720562/201034, 10830.727214/201331 e 11829.720047/201480, as quais se referem a período compreendido entre 2001 e 2010, enquanto a autuação ora impugnada envolve os anos subsequentes (2011 a 2015); b) Não existe qualquer previsão expressa no Decreto nº 70.235/72 acerca da utilização de prova emprestada e, por isso mesmo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) só tem aceitado o uso de prova emprestada nos casos em que há produção de laudo, o que de fato não ocorreu no caso dos autos; c) As demais fiscalizações que embasaram a presente autuação ou se encerraram de forma favorável às Requerentes (cancelamento das autuações pelo CARF) ou ainda estão pendentes de julgamento, são reversíveis e, assim, não podem fundamentar a presente autuação; d) As provas transportadas para estes autos foram majoritariamente produzidas no processo administrativo nº 10830.727214/201331, que trata de IPI/observância ao valor mínimo tributável (VTM), e a utilização de prova emprestada de outro processo, que sequer discute a mesma matéria jurídica, caracteriza violação ao direito de ampla defesa do contribuinte, conforme já entendeu o CARF; Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 1.999 14 e) As Requerentes entendem que restou demonstrada a impossibilidade de utilização nestes autos de provas produzidas em fiscalizações anteriores, em razão da divergência quanto à matéria debatida e especialmente quanto ao período autuado. Nulidade da autuação por violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 a) A Fiscalização pretende a desconsideração da personalidade jurídica das empresas sem que, para tanto, tenha se utilizado da devida fundamentação legal, o que também enseja a nulidade do Auto de Infração; b) A posição do Fisco é contraditória pois, se as empresas efetivamente existem de fato, não há motivos que impeçam a UBI, na condição de empresa industrial, a importar as mercadorias que lhe interessam. Ou seja, ou a UBI existe de fato e pode importar, ou a UBI não existe de fato e não pode importar; c) Se a Fiscalização quer sustentar a impossibilidade de importação pela UBI das mercadorias cujas operações foram autuadas (NCM 33059000, 33072010, 33072090 e 96032100), deveria: i. ter demonstrado como duas pessoas jurídicas distintas, que de fato realizam atividades operacionais absolutamente diversas (industrialização e comercialização), poderiam ser consideradas uma mesma pessoa jurídica apenas com base em operações realizadas por alguns de seus estabelecimentos; e ii. ter feito tal acusação de maneira expressa desde o momento da lavratura dos autos de infração, a fim de possibilitar que as Requerentes exercitassem plenamente o seu direito de defesa por meio da apresentação de uma impugnação centrada na desqualificação desse ponto específico, o que não ocorreu; d) Caso a Fiscalização de fato entenda que UBI e UBR são uma única e mesma pessoa jurídica (o que pretende na prática, embora negue textualmente), então faz pouco sentido prático aplicar a pena de perdimento em função das alegações constantes do TVF, já que a utilização de nome de terceiro pressupõe que exista um terceiro com relação ao importador, e não que importador e terceiro sejam a mesma pessoa, como parece considerar a Fiscalização; e) Se a Fiscalização realmente reconhece a personalidade jurídica das empresas, como pretende fazer crer, resta refletir sobre quais operações realizadas pela UBI seriam efetivamente respeitadas pela Fiscalização, na medida em que as operações de importação descritas nestes autos são imputadas como operações próprias da UB, o que esvazia por completo o propósito e existência da UBI; f) O Fisco vacila em admitir que a autuação está de fato fundamentada na desconsideração da personalidade jurídica da UBI, e apenas com essa descaracterização seria possível alegar Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.000 15 que a UBR realizava as importações em uma estrutura simulada e fraudulenta; g) Resta patente a nulidade do Auto de Infração por violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (emprego de capitulação legal incorreta para descrever a suposta infração, já que as regras de desconsideração da personalidade jurídica – artigo 50 do Código Civil e artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) – não foram expressamente invocadas como fundamento jurídico das autuações). Nulidade da autuação por ilegitimidade passiva da UBI para figurar como autuada a) A UBI consta como responsável solidária apenas no TVF, não tendo sido sequer mencionada no Auto de Infração; b) A Fiscalização pretendeu caracterizar a UBI como responsável solidária pela multa aplicada à UBR pela circunstância de a UBI supostamente ter cedido o seu nome para acobertar importações alegadamente realizadas pela UB, nos termos do artigo 95, I e V, do DecretoLei nº 37/1966, mas não capitulou no artigo 124 do CTN para justificar a solidariedade em questão, o que ratifica a nulidade da autuação por erros formais; c) A penalidade instituída pelo artigo 33 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, revogou o artigo 23 do DL nº 1.455/1976, já que dispôs sobre a mesma matéria, em sentido contrário àquele que estava na legislação vigente e em momento posterior; d) Como a Lei nº 11.488/2007 instituiu penalidade específica ao importador que em tese cede o seu nome, mas consegue comprovar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior, restou pacificado que a pena de perdimento/multa de 100% do valor das operações só poderia ser aplicável ao suposto adquirente oculto, já que a multa de 10% é evidentemente cabível ao importador ostensivo; e) Em razão da especificação das penalidades, e considerando que não é razoável supor que as penas de 100% e 10% se somem (em atenção à vedação do bis in idem), concluise que a responsabilidade solidária da UBI pretendida pela Fiscalização não merece prosperar, na medida em que a UBI já foi autuada para cobrança da multa de 10% sobre o valor das operações (processo administrativo nº 11829.720034/201672); f) As Requerentes entendem que restou demonstrada a ilegitimidade passiva da UBI para figurar como responsável solidária neste processo. DO MÉRITO ALEGAÇÕES GERAIS Reestruturação regular do Grupo Unilever Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.001 16 a) As impugnantes explicam que estudo realizado pela empresa de auditoria independente (Ernest & Young Assessoria Empresarial Ltda. – “E&Y”) mostrou que a segregação de atividades, entre industriais e comerciais, desde 2000, é uma estratégia global, implementada em todos os países em que atua, independentemente de ganhos/perdas tributárias locais, que teria por objetivo: i) a adoção de um modelo de negócios mais consistente regional e globalmente, inclusive em Tecnologia da Informação, ii) maior cooperação entre as áreas em diferentes países; iii) ganho de agilidade na introdução de novas marcas/produtos; iv) melhoria de atendimento a clientes, promoções, rapidez nas customizações, resposta a problemas, velocidade de entrega; v) otimização da cadeia de suprimentos através da melhoria de relacionamento com fornecedores; vi) maior transparência e clareza nas informações ao longo do grupo; vii) auxílio na diversificação dos riscos entre diferentes países/negócios; viii) maior agilidade no processo de decisão; ix) redução de atividades e/ou custos duplicados ao longo da cadeia; x) ganhos em negociações com fornecedores e varejistas; xi) redução de estoques e do ciclo de caixa; e xii) redução de perdas, entre outros também demonstrados, a partir de dados financeiros do Grupo b) A segregação das atividades industriais e comerciais no Brasil implicou diversos ganhos não tributários – uns esperados e outros não para as entidades locais UBI e UB, que, a partir da efetiva implementação da nova estrutura, apresentaram expressivas melhorias em seus indicadores operacionais e financeiros, tais como, forte crescimento na receita, redução do ciclo de caixa, crescimento da receita de vendas e do retorno sobre ativos, etc.; c) Esses indicadores e elementos demonstram, conforme conclui a E&Y, que a segregação das atividades foi uma medida com substância econômica/propósito negocial, que já aconteceria independentemente de eventuais economias/incentivos tributários, pois visa adequar as operações locais à política global do Grupo, e não capturar benefícios meramente locais (como seria a redução do IPI, PIS ou COFINS monofásicos, tão reiterada pelas DD. Autoridades Fiscais no TVF); d) O CARF já analisou a estrutura em questão e reconheceu, em duas oportunidades distintas (Acórdãos nº 3403002.519, de Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.002 17 22.10.2013, e 3402001.908, de 26.09.2012), que o modelo operacional utilizado pelas próprias Requerentes é lícito e legítimo; e) as Requerentes entendem que restou demonstrada a legitimidade da estrutura adotada pelo Grupo Unilever (segregação de atividades industriais e comerciais), haja vista que os indícios utilizados pelo Fisco Federal para pretender tornar a estrutura simulada foram totalmente afastados; Não ocorrência de simulação ou fraude nas importações feitas pela UBI a) Os comentários gerais sobre o Grupo Unilever já demonstram que a segregação de atividades e as respectivas consequências não representam simulação ou fraude; b) As alegações de simulação e fraude constantes do TVF não estão em consonância com a legislação sobre o tema; c) A UBI, em momento algum, prestou declaração não verdadeira apta a justificar alegação de simulação; d) As Requerentes entendem que a UBI foi a efetiva importadora nas operações discutidas nestes autos, razão pela qual qualquer informação diversa nas respectivas DI é que poderia ser considerada como simulada; e) A UBI como importadora dos produtos é a única informação que poderia ser prestada naqueles documentos, já que é a única que corresponde à realidade, de modo que não há que se falar em simulação; f) A UBI preenche todos os requisitos para importar, ou seja, não sofre qualquer restrição legal para tanto (como parece ser o entendimento da Fiscalização); g) Além disso, os direitos transmitidos ou conferidos nas operações examinadas foram, de forma clara e fiel, efetivamente transmitidos ou conferidos para as mesmas pessoas indicadas nos documentos celebrados entre as partes, e todas as operações foram devidamente registradas e tiveram os seus efeitos contábeis, fiscais e societários reconhecidos por quem de direito; h) A acusação de que as Requerentes teriam impedido a ocorrência do fato gerador das obrigações principais de “três tributos” que sequer são aqui discutidos (e nem foram objeto de Auto de Infração) é matéria alheia ao presente processo e foi feita apenas para tentar forçar a demonstração de fraude que, como já amplamente demonstrado, inexistiu; i) A Fiscalização não pode simplesmente desconstituir uma operação realizada em conformidade com a legislação em vigor apenas por conta das suas motivações econômicas, ainda mais quando se considera que nem o TVF e nem o Auto de Infração Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.003 18 invocou a aplicação do artigo 116 ou do inciso VII do artigo 149 do CTN; j) Esta é a conclusão do Acórdão nº 33020203.138, no sentido de que “não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária”; k) a estrutura adotada pelo Grupo Unilever no Brasil não caracteriza fraude ou simulação e sua licitude já foi reconhecida inclusive pelo E. CARF em mais de uma ocasião, além de ser sido detalhadamente estudada por empresa de auditoria especializada. Além disso, os supostos indícios de simulação pontualmente mencionados no TVF foram todos desconstituídos; l) As Requerentes entendem que não houve ocultação do importador nas operações autuadas; m) As Requerentes fazem notar que os requisitos exigidos em lei para a configuração da infração – nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados – não foram provados no TVF; n) Os supostos indícios elencados no TVF não seriam suficientes para a caracterização de ocultação por interposição fraudulenta de terceiro, que exige comprovação da “nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”; o) No caso, conforme bem destacado no TVF: i. os pagamentos do câmbio e tributos da importação foram sempre pagos com recursos saídos das contas bancárias da própria UBI; e ii. a maior parte das despesas com frete internacional e frete nacional foi paga pela UBI; p) Se não há simulação/fraude/interposição fraudulenta de terceiros, não se concretizou dano ao Erário e, assim, a infração prevista pelo artigo 23 do DL nº 1.455/76 não restou caracterizada. Inexistência de dano ao Erário a) a infração discutida nos autos é o dano ao Erário provocado por ocultação do real importador em operações de comércio exterior via fraude ou simulação, os esclarecimentos prestados até o momento são suficientes para afastar a cobrança, já que os fatos apurados e que foram utilizados como motivação são totalmente legítimos e não invalidam a estrutura/operação; b) Pela simples análise do artigo 23 do DL nº 1.455/76, utilizado pela Fiscalização para embasar a multa cominada às Requerentes, verificase que a pena de perdimento/multa deve ser aplicada apenas nos casos em que seja verificado um efetivo dano ao Erário, i.e., um dano financeiro ou patrimonial ao Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.004 19 Tesouro Público, conforme entende a jurisprudência do E. CARF; c) No caso em concreto, no entanto, tanto não se verificou qualquer dano efetivo ao Erário que a Fiscalização, por intermédio da lavratura do Auto de Infração ora combatido, não exige quaisquer valores a título de tributo, até porque não faz nenhum questionamento com relação à valoração aduaneira utilizada nas importações; d) Os tributos devidos em razão da importação de mercadorias foram integralmente recolhidos pela UBI, e os valores das respectivas bases de cálculo não foram questionados pela Fiscalização, não havendo, portanto, qualquer prejuízo financeiro ao Tesouro Público decorrente das importações objeto da autuação ora impugnada; e) Assim, em razão da ausência de prejuízo ao Erário, não é possível a aplicação da pena de perdimento que deu origem à cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela UBI, conforme já entendeu o antigo Conselho de Contribuintes em diversas oportunidades; f) O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também entende que a pena de perdimento é inaplicável na ausência de efetivo prejuízo financeiro ao Erário; g) O § 2º do artigo 23 do DL nº 1.455/1976, esclarece que “presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”; h) No caso concreto, entretanto, a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados pela UBI são de notório conhecimento do Fisco, já que todas as informações foram devidamente prestadas pela UBI nos documentos que embasam as importações, nos exatos termos da lei, sendo tal clareza, inclusive, em última análise, o que gerou a discussão destes autos; i) Dessa forma, tendo em vista que não se verifica no presente caso qualquer dano patrimonial ao Erário, à luz da jurisprudência administrativa e judicial, mostrase incabível a aplicação da pena perdimento sobre os produtos importados em discussão e, por consequência, da imposição de multa pecuniária resultante de conversão da pena de perdimento em montante equivalente ao valor total das importações; j) Vale mencionar, ainda, que a improcedência da acusação de dano ao Erário se evidencia também pelo fato de o presente Auto de Infração ter sido fundamentado pelo § 3º do artigo 23 do DL 1.455/1976. Isso porque, conforme já mencionado, tratase de dispositivo não aplicável desde o advento do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, em razão da retroatividade benigna deste dispositivo legal que derrogou tacitamente aquele outro, por ter regulado inteiramente a matéria da norma anterior; Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.005 20 k) Nesse sentido, a alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN determina que a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo em que foi praticado; l) Assim, ainda que as Requerentes tivessem supostamente incorrido na conduta alegada pela Fiscalização, a multa de 10% prevista pelo artigo 33 deve ser aplicada no lugar da pena de perdimento/multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, em razão da legislação mais benéfica, conforme já entendeu o CARF; m) Desse modo, como o instituto da retroatividade benigna previsto no artigo 106 do CTN é cabível ao caso, bem como considerando que a UBI já está sendo responsabilizada pela multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 nos autos do processo administrativo nº 11829.720034/201672, concluise que a multa exigida por meio do Auto de Infração ora impugnado é indevida, haja vista se basear em preceito já revogado e, portanto, deverá ser integralmente cancelada; n) Considerando que o dano ao Erário é a única suposta conduta pela qual as Requerentes foram de fato autuadas, e que a estrutura operacional das empresas do Grupo ao qual pertencem não causou qualquer prejuízo patrimonial aos cofres públicos, notadamente naquilo que se refere a importações, com relação às quais a D. Fiscalização não efetua qualquer lançamento complementar a título de tributos supostamente devidos, resta demonstrada a inocorrência da infração descrita no Auto de Infração ora impugnado; o) As Requerentes entendem que não houve dano ao Erário nas operações autuadas (ausência de exigência de tributo na importação e, além disso, o suposto recolhimento a menor de PIS, COFINS e IPI na venda não foi objeto de autuação). Impossibilidade de incidência de juros sobre multa a) Na remota hipótese de se admitir a manutenção do Auto de Infração ora impugnado, as Requerentes pleiteiam, então, seja afastada a atualização do valor do crédito tributário, em face da impossibilidade de aplicação de juros sobre multa; b) Isso porque a aplicação de juros sobre o valor das multas fiscais não é realizada com amparo lei, mas no Parecer MF nº 28, de 2.4.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT); c) Ocorre, contudo, que o artigo 61 da Lei 9.430, de 1996, utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas, trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil; Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.006 21 d) É justamente por tal motivo, qual seja, ausência de base legal para atualização das multas fiscais, que o CARF já pacificou o entendimento de que tais multas não são atualizáveis; e) Por fim, notase que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no julgamento do Recurso de Divergência nº 202 131.351 (Processo nº 18471.001680/200430 – Sessão de 06/05/2008), pacificou a questão acerca da ilegalidade da incidência dos juros moratórios (seja a Taxa SELIC ou o percentual de 1% ao mês) sobre a multa aplicada no âmbito federal; f) As Requerentes consideram ter demonstrado a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso e, tendo em vista a exclusão da incidência dos juros sobre os valores das multas fiscais em casos julgados pelo CARF, as Requerentes pleiteiam lhes seja dado o mesmo tratamento dispensado a outros contribuintes em situação semelhante, conforme descrito acima. ALEGAÇÕES PONTUAIS Margem de lucro da UBI nas vendas à UBR a) O próprio trabalho fiscal comprovou que a UBI efetivamente aufere lucro nas vendas realizadas à UB. Se a margem é deficitária para um produto ou outro, isso ocorre por razões comerciais (introdução de novas marcas no mercado, estratégia para popularização de um determinado produto, encerramento de uma linha específica, etc.), mas, certamente, não representa a realidade das operações da UBI, como comprova a margem de lucro geral apurada pela Fiscalização; b) As margens de lucro da UBR são superiores às margens de lucro da UBI pela própria natureza das atividades. A UBI não incorre em custos/despesas que não sejam necessários para atender à demanda de fornecimento de seu único cliente UBR e, assim, não precisa elevar a margem de lucro demasiadamente, já que seu risco é muito baixo; c) Já a UB, após adquirir as mercadorias comercializadas pela UBI, está sujeita a diversos riscos inerentes à comercialização e distribuição, tais como aqueles relativos à substituição de produtos, insolvência de clientes, sinistros de cargas, etc. Como isso ocorre com frequência, a UBR precisa elevar o preço justamente para compensar perdas decorrentes dessas indesejadas situações; d) Resta demonstrado que as operações realizadas pela UBI são lucrativas, já que repagaram o capital aplicado na compra/importação de insumos e produtos acabados para revenda, e ainda geram excedente que foi oferecido à tributação nos períodos autuados, conforme se pode verificar pelas Declarações de Informações EconômicoFiscal/Escrituração Fiscal Contábil do período. Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.007 22 Do endereço de entrega das mercadorias importadas a) A Fiscalização utilizase de depoimentos colhidos de funcionários da UBI no curso da Fiscalização que originou o processo administrativo 11829.720047/201480; b) a Fiscalização não poderia ter utilizado os depoimentos em questão, que se referem a período diverso daquele discutido nos presentes autos. Desse modo, as Requerentes pleiteiam sejam os depoimentos desconsiderados neste processo, sob pena de violação ao devido processo legal; c) Quanto ao local de entrega informado nas notas fiscais emitidas entre abril/2011 e setembro/2012, as Requerentes esclarecem que o estabelecimento 0090 operava na época como depósito fechado no Centro de Distribuição de Louveira/SP e que os produtos importados nunca foram de titularidade do estabelecimento 0307 enquanto mantidos no depósito fechado do estabelecimento 0090; d) Ainda que assim não fosse, o Parecer Normativo CST 123/74 permite o uso compartilhado de depósito fechado, desde que as mercadorias das empresas que o compartilham não se confundam quanto à natureza, procedência, uso ou destinação; e) Assim, seja sob uma ótica ou outra, resta demonstrado que as notas fiscais analisadas pela Fiscalização referentes a abril/2011 a setembro/2012, além de pouco representativas, face à abrangência do período autuado, não apresentam qualquer irregularidade, tampouco evidenciam simulação; f) Atualmente, a logística de carga desde o desembaraço aduaneiro ocorre por transporte rodoviário da alfândega até o estabelecimento importador da UBI (localizado em Vinhedo – CNPJ 01.615.814/006487), sem qualquer ponto de parada. Após todo o recebimento contábil e fiscal, as mercadorias importadas estão aptas para serem comercializadas e, somente após esse processo, são enviadas à UBR (localizada em Louveira – CNPJ 61.068.276/002816), devidamente acompanhadas pelas devidas notas fiscais de vendas; g) O tempo médio de permanência das mercadorias na UBI é de 1 (um) dia, o que não representa irregularidade ou indício de fraude/simulação; pelo contrário, demonstra apenas eficiência por parte da UBI, que se organizou para enviar a sua cliente as mercadorias importadas da forma mais rápida possível. Dos funcionários que efetuavam os pedidos de compra a) No âmbito trabalhista não há impedimento de que funcionários trabalhem para várias empresas do mesmo grupo econômico numa mesma jornada de trabalho, conforme disposto na Súmula nº 129 do Tribunal Superior do Trabalho (TST): “A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.008 23 caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário”; b) O fato de funcionários da UBR terem trabalhado ora em benefício de uma entidade legal, ora em benefício de outra, de forma alguma acarreta em simulação ou fraude, o que já foi reconhecido, inclusive, pelo próprio Conselho de Contribuintes; c) Ainda que fosse possível deixar de lado a incompetência funcional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil no que se refere à análise de aspectos trabalhistas, o que se admite apenas para argumentar, obviamente não procedem as alegações da Fiscalização com relação à impossibilidade de funcionários da UBR efetuarem pedidos de mercadorias estrangeiras para a UBI; d) As críticas da Fiscalização também são infundadas em vista da própria dinâmica da organização do Grupo Unilever no Brasil, uma vez que a UBR efetivamente repassa à UBI o custo associado ao tempo que seus empregados (da área de Comércio Exterior ou outras) dispendem trabalhando em benefício direto daquela empresa; e) Resta demonstrado que o compartilhamento de empregados entre empresas do mesmo grupo econômico é possível, conforme reconhecido pelo próprio TST, e que a UBR efetivamente repassa à UBI o custo associado ao tempo que seus empregados (da área de Comércio Exterior ou outras) dispendem em benefício direto daquela empresa, sem que isto, contudo, caracterize qualquer irregularidade, muito menos fraude ou simulação; Das despesas de importação pagas com recursos da UBR a) A própria Fiscalização reconhece que os pagamentos do câmbio e tributos da importação foram sempre pagos com recursos saídos das contas bancárias da própria UBI. Esclarece, ainda, que 38% do total do frete internacional e 36% do total do frete nacional teriam sido pagos com recursos saídos das contas bancárias da UB; b) A conclusão de que parcela do valor dos fretes eram suportadas pela UBR foi feita apenas com base em planilhas e, portanto, representa mera presunção. Para fazer esse tipo de análise corretamente, a Fiscalização deveria ter analisado as notas fiscais envolvidas, visando identificar qual empresa era a responsável por arcar com o valor do frete, o que não ocorreu. Vale dizer, o fluxo financeiro e a indicação de agentes de pagamento ou recebimento são matéria de Direito Civil, portanto passíveis de disposição entre as partes. Do fornecimento de mercadorias a um único cliente a) As autoridades fiscais pleitearam cópia do Contrato de Compra e Venda celebrado entre essas empresas, que foi devidamente apresentado. O contrato em questão foi assinado Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.009 24 em 2015 por administradores das Requerentes e o período de vigência é retroativo, já que o contrato entrou em vigor em 1º de agosto de 2013; b) A Fiscalização, contudo, considera que essa retroatividade é suspeita e aponta suposta irregularidade ao afirmar que, dos 4 signatários, apenas um constava como administrador das Requerentes nos registros da Receita Federal em 1º de agosto de 2013; c) Parece óbvio que se o contrato foi assinado em 2015, os administradores que os assinaram foram aqueles que estavam nas empresas naquele ano específico. Para assinar um contrato em 2015, o signatário não precisa necessariamente ter feito parte da empresa nos anos anteriores, basta ter poderes para tanto. A vigência do contrato é, sim, retroativa, mas isso não o torna “altamente suspeito”, como pretende fazer crer a Fiscalização; d) O contrato em questão apenas formalizou uma situação que já ocorria (fornecimento de mercadorias pela UBI à UB), o que foi feito por pura cautela das Requerentes, já que essa formalização sequer seria necessária; e) Nesse sentido, ensina Sílvio de Salvo Venosa, que contrato de compra e venda “não se submete, como regra geral, à forma especial. Pode ser ultimad[o] verbalmente ou por escrito, público ou particular. Em sua essencial, o contrato é meramente consensual”. Não é outro o sentido do artigo 107 do Código Civil; f) De maneira semelhante, consta do artigo 183 do Código Civil que a “invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provarse por outro meio”. Nesse mesmo sentido, ensina Maria Helena Diniz que “a inoperância do instrumento não implicará a do ato negocial; se este se puder provar por outros modos, o negócio continuará eficaz”; g) No caso dos autos, podese provar a compra e venda dos produtos por meio da farta quantidade de notas fiscais trocadas entre as partes, e dos diversos registros contábeis e fiscais lançados nos livros da UBI e da UBR – os quais fazem prova em seu favor, nos termos do artigo 226 do Código Civil; h) Independentemente de quaisquer considerações que a Fiscalização pretenda fazer acerca do Contrato de Compra e Venda celebrado entre as Requerentes, é certo que as partes podem formalizar contratos com prazo de vigência retroativo, se assim desejarem, sem que isso seja considerado simulação. Ainda que assim não fosse, a validade desse instrumento sequer é relevante para fins da consubstanciação da compra e venda entre as Requerentes, que efetivamente ocorreram. A DRJ Fortaleza, julgou em 23/03/2017 a impugnação protalando o acórdão nº 0838.330: Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.010 25 ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, por unanimidade de votos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente Acórdão, em CONHECER DAS IMPUGNAÇÕES para, preliminarmente, REJEITAR as arguições de nulidade do auto de infração e, no mérito, JULGAR IMPROCEDENTE as impugnações, de forma a manter o crédito tributário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, é punida com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não for possível a aplicação da pena de perdimento, em virtude de a mercadoria não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/08/2011 a 30/12/2015 JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Tratandose de espécie de crédito tributário, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria se sujeita à incidência dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, e de 1%, no mês do pagamento. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.011 26 As empresas forma intimadas do resultado do julgamento Intimação ECOB nº 29/2017, fls. 1746, tendo os destinatários efetuado o acesso à caixa postal eletrônica em 05/04/2017. A abertura dos documentos ocorreu em 07/04/2017 e 10/04/2017. Em 08/05/2017 foi solicitada a juntada eletrônica do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário, reproduzindo a maior parte do que foi alegado em sede de impugnação, traz em síntese os seguintes pedidos e alegações: 1) nulidade do auto de infração por: utilização de prova produzida em fiscalizações anteriores; desconsideração da personalidde jurídica da UBI e a violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70235/72; ser a estrutura do Grupo Unilever posta em xeque e o cerceamento do direito de defesa; inovação quanto aos fundamentos da autuação; 2) ilegitimidade passiva da UBI para figurar como autuada; 3) inocorrência de fraude; 4) margem de lucro da UBI nas vendas à UBR; 5) endereço de entrega das mercadorias importadas; 6) funcionários que efetuavam os pedidos de compra e que trabalhavam para ambas empresas; 7) despesas de importação pagas com recursos da UBR; 8) não houve dano ao erário; 9) impossibilidade de incidência de juros sobre multa. A Fazenda Nacional, por intermédio da PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário: 1) nulidade do auto de infração em razao de utilização de provas emprestadas: As recorrentes questionam a validade da prova emprestada, sob o argumento de que a autuação se baseou principalmente em provas produzidas em processos administrativos cujos lançamentos foram julgados improcedentes pelo CARF (19515.001904/200412, 19515.001905/200467) ou que ainda pendem de decisão definitiva (10830.727214/201331 e 11829.720047/201480). Questionam também o fato de aqueles processos se referirem a período diverso do alcançado pela fiscalização em tela. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.012 27 A rigor, tais alegações não dizem respeito ao tema da ilicitude da prova produzida. Se ainda pendem de decisão final administrativa processos nos quais a prova emprestada foi produzida, ou se, em outros, houve julgamento de improcedência do lançamento, são questões alheias à preliminar de nulidade. Da mesma forma, se os fatos retratados pela prova emprestada correspondem a período distinto, isso poderia em tese afetar a própria valoração da procedência do lançamento, e não sua validade. ... Em suma: a conclusão de que houve ocultação do sujeito passivo decorre fundamentalmente das provas coligidas nesta Ação Fiscal, e não exclusivamente da prova emprestada, material que, sem dúvida, é revelador de circunstâncias confirmadoras das provas diretas que subsidiam o lançamento e sobre o qual não recai nulidade alguma. 2) desconsideração da personalidade jurídica: A leitura atenta do Relatório Fiscal produzido pela autoridade administrativa revela que a acusação repousa na demonstração da realização de negócios jurídicos fraudulentos e simulados por parte das recorrentes, o que teve como consequência natural a superação de tais negócios, aplicandose a sanção cabível à infração cometida. Com efeito, o lançamento é claro quanto à imputação de simulação para ocultar o real importador, de modo a não deixar margem a dúvida de qual foi a fundamentação legal empregada. Transcrevese, por oportuno, a tipificação constante no lançamento, a qual não se confunde com o instituto da desconsideração da personalidade jurídica: ... Constatado que o sujeito passivo, ou terceiro em seu benefício, agiu com dolo, fraude ou simulação, está autorizado o lançamento de ofício, nos termos do art. 149, VII, do CTN, sem que se precise recorrer à teoria da desconsideração da personalidade jurídica, o que é admitido com tranquilidade pela jurisprudência do CARF. 3) cerceamento do direito de defesa: As recorrentes sustentam a nulidade da decisão recorrida, por entenderem que a DRJ teria violado seu direito de defesa, ao consignar que a fiscalização não questiona a estrutura adotada pelo Grupo Unilever e que não há motivo “para se magnificar, neste caso, a importância da estrutura organizacional em detrimento das práticas intrínsecas ao despacho aduaneiro de importação, que são o verdadeiro motivo da autuação”. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.013 28 Não há, aqui, cerceamento de defesa algum, mas simples divergência entre as premissas adotadas pelo contribuinte e pelo julgado impugnado acerca do motivo do lançamento. Enquanto as recorrentes insistem que o motivo do lançamento seria o questionamento da estrutura do Grupo Unilever, a decisão recorrida, com acerto, bem compreendeu que o cerne da controvérsia é a infração aduaneira. O tema em questão possui alguma relação com a preliminar anterior. Da mesma forma que a prova emprestada serviu para reforçar os elementos que atestam a ocultação do sujeito passivo, a descrição da estrutura organizacional utilizada pelo Grupo Unilever consiste em mera circunstância da infração aduaneira identificada. As recorrentes, a todo tempo, pretendem fazer crer que a fiscalização se limitou a questionar a legalidade da organização do Grupo Unilever, o que verdadeiramente não procede. A autoridade fiscal não afirmou que a cisão entre atividade industrial e de importação, de um lado, e de outro, a de distribuição contraria a ordem jurídica. Explicou o histórico de como isso ocorreu, mas justificou o lançamento não em razão dessa opção empresarial, e sim com base nos fatos identificados em todas as importações examinadas, a exemplo da margem de lucro praticada na saída do estabelecimento importador, da logística dos bens importados, do pagamento de despesas de importação pela UBR etc. A propósito, o TVF ressalta que “não se está aqui a dizer que a separação da operação do grupo Unilever em empresa industrial e empresa comercial distribuidora tenha tido como única motivação a sonegação dos tributos federais. É possível que o grupo tenha vislumbrado e conseguido ganhos de produtividade e eficiência em outras frentes. Afirmase apenas que a prática da fraude tributária não teria sido possível sem a separação das operações industrial e comercial”. 4) nulidade da autuação ou da decisão recorrida: As autuadas alegam ainda que “há um evidente descompasso entre a autuação e a r. decisão recorrida, que manteve o crédito tributário com base em fundamento inovador em relação àqueles que ensejaram a autuação, o que não é possível (...)”.Contudo, não se verifica descompasso algum. Consoante o art. 31 do Decreto 70.235/1972, a decisão de primeira instância deve conter “relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (destacouse). Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.014 29 É evidente que os fundamentos legais exigidos na motivação da decisão não se resumem à mera reprodução daqueles invocados no lançamento. Desde que a fundamentação seja pertinente à capitulação do lançamento, nada impede que a decisão administrativa dela se utilize. A jurisprudência do CARF já assentou entendimento de que “A decisão de primeira instância tem sua amplitude delimitada no debate entre a impugnação e o lançamento, razão pela qual pode conter, em relação ao lançamento original, argumentos adicionais no intuito de reforçar o posicionamento do julgador ou de rebater as razões de defesa relevantes da impugnante. Tanto é assim que há previsão no processo administrativo fiscal de apresentação de prova após a impugnação que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4º, "c" Fl. 1931 DF COCAT PGFN do Decreto nº 70.235/72)” (Acórdão 3402004.073, Relatora MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, julgado em 26/4/2017). No caso em tela, a decisão de primeira instância se refere à IN/SRF 634/2006 – que estabelece requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas para revenda a encomendante predeterminado e à IN/SRF 225/2002 – que estabelece requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros apenas para ratificar que houve ocultação do sujeito passivo e cessão de nome na importação (fundamento legal do lançamento), uma vez que as provas dos autos não apontam para a ocorrência de “importação por encomenda”, tampouco para “importação por conta e ordem de terceiros”. Em outras palavras, o que aquele órgão julgador fez foi reconhecer que não foram atendidos os requisitos para a importação promovida por pessoa jurídica importadora para revenda a encomendante predeterminado Tratase de perspectiva que apenas reforça a fundamentação legal empregada pela autoridade fiscal. 5) ilegitimidade da UBI para figurar com autuada: As recorrentes buscam excluir a UBI do polo passivo da presente autuação sob o argumento de que, após o advento da Lei 11.488/07 que instituiu penalidade específica para o importador que cede seu nome, mas consegue comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior , a pena de perdimento só pode ser aplicável ao adquirente oculto. Mais uma vez, não merece acolhida a irresignação. As interposições fraudulentas de terceiros realizadas nas importações, com o objetivo a ocultar o verdadeiro comprador, vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior, e, assim, escoimálo de suas responsabilidades tributárias, são previstas nas regras aduaneiras como fato ensejador de penalidades pecuniárias. Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.015 30 O Decretolei nº 1.455, de 07 de abril de 1976 contemplou, no seu art. 23, inciso V (incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002), a interposição fraudulenta de terceiro como circunstância caracterizadora de dano ao Erário. Segundo o apontado diploma legal, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, dá ensejo à aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, a qual pode ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não tenha sido localizada ou haja sido consumida. As penalidades são a pena de perdimento (§1º) ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não seja localizada ou tenha sido consumida (§3º), isto é, multa de 100% sobre o valor da operação. O sujeito ativo do tipo é o importador ostensivo e/ou real adquirente, em coautoria ou isoladamente, conforme dispõem os arts. 124, I, do Código Tributário Nacional e 95 do DecretoLei nº 37/66, in verbis: No mérito a Procuradoria apresenta as seguintes contrarrazões: 1) precedentes atuais pelo reconhecimento de fraude mediante simulação: As recorrentes invocam em sua defesa dois precedentes mais antigos do CARF (Acórdãos 3403002.519 e 3402001.908, respectivamente, dos anos de 2013 e de 2012). É verdade que, nos mencionados processos que versavam sobre PIS e Cofins monofásicos, houve resultado favorável ao Grupo Unilever. Apesar da discordância do Fisco quanto ao resultado de tais julgamentos, não foi possível manejar recurso, pois inexistia divergência com os mesmos contornos fáticos daqueles autos, razão pela qual houve o trânsito em julgado da decisão. Não obstante, mais recentemente, a Fazenda Nacional teve êxito. Em precedente atual, de janeiro de 2017 (3301003.169 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), esse E. Conselho reconheceu a existência de evasão fiscal mediante simulação em operações realizadas entre as autuadas, nas quais o modus operandi em nada destoa dos fatos apreciados no presente processo administrativofiscal. Confirase a ementa: ... 2) operações entre a Unilever Industrial e a Unilever Brasil: Em suma, as autuadas ocultaram o real importador com a finalidade de afastar a UBR de uma etapa de circulação de mercadorias, a importação, de modo a propiciar evasão fiscal do IPI, do Pis e da Cofins (regime monofásico dessas contribuições). Nesse processo, a Unilever Brasil violou as normas do controle aduaneiro das importações, pois apesar de ter atuado como Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.016 31 verdadeira importadora das mercadorias estrangeiras, estas foram submetidas a despacho aduaneiro por meio de declarações de importação nas quais constaram a Unilever Brasil Industrial Ltda como importadora e adquirente. 3) estrutura do grupo Unilever no mercado internacional: De todo modo, importa ressaltar que, no presente caso, o ilícito que motivou a aplicação da multa lavrada no Auto de Infração não consiste em determinada opção de estrutura pelo grupo empresarial. É o que a autoridade fiscal deixou claro no TVF: 4) fraude mediante simulação Nesse tópico, mais uma vez, as recorrentes sustentam que “a segregação de atividades e as respectivas consequências não representam fraude, mas apenas modelo operacional mundial conduzido com ganhos de eficiência e produtividade, propósito negocial e substância econômica”. Vale destacar que os fatos identificados nesta fiscalização são incontroversos. As recorrentes não os contestam, mas apenas se insurgem contra sua valoração jurídica. Não procede o argumento de que o conceito de fraude seria inaplicável ao caso dos autos, por se relacionar unicamente com fato gerador de obrigação tributária principal. O conceito de fraude pertence à teoria geral do direito e não se esgota na literalidade do art. 72 da Lei 4.502/1964. Ainda assim, devese ter como referência que, em última análise, conforme apontado pela autoridade fiscal, “a ocultação praticada pela Unilever teve clara finalidade: reduzir o montante do Pis/Pasep, Cofins e IPI a recolher”. Não bastasse isso, a penalidade pecuniária imposta por descumprimento de obrigação acessória (prestar declaração verdadeira à autoridade aduaneira) amolda se ao conceito de obrigação tributária principal (art. 113, caput, e §§ do CTN). 5) aplicação da pena de perdimento e sua conversão em multa: De início, cumpre destacar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF pacificou entendimento de que é legítima a cumulação das multas previstas nos arts. 23, V, § 3°, do DecretoLei 1.455/1976 e 33 da Lei 11.488/2007. Confirase a ementa do julgado: ... As interposições fraudulentas de terceiros realizadas nas importações, com vistas a ocultar o verdadeiro comprador, vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior, e, assim, escoimálo de suas responsabilidades tributárias, são previstas nas regras aduaneiras como fato ensejador de penalidades pecuniárias. Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.017 32 ... Depreendese desse arcabouço de regras que a interposição fraudulenta de terceiros, tanto na sua feição comprovada (caso dos autos) – quando o agente cede o nome para operação de terceiros com objetivos de acobertamento dos reais beneficiários , como na presumida, constitui fato descrito no antecedente normativo cujos efeitos jurídicos, prescritos no consequente, são a aplicação das penalidades de perdimento da mercadoria, ou a multa substitutiva no valor aduaneiro respectivo, e, concomitantemente, a declaração da inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica envolvida. 6) incidência de juros sobre a multa: É preciso mencionar, inicialmente, que as decisões administrativas que afastam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício o fazem a partir da literalidade do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. ... Afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Considerando que o Processo Administrativo Tributário se desenvolva e chegue ao seu final em aproximadamente 4 anos, e, sendo otimista, admitindo que uma posterior fase judicial seja concluída em 3 anos, a multa de ofício lançada teria algum impacto punitivo ou educativo após 7 anos de corrosão pela inflação? Claro que não! Assim, entender pela não incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício significa igualmente retirar a finalidade a que se propõe os dispositivos que veiculam multas de ofício. Despiciendo mencionar o impacto negativo que tal entendimento traria nas boas práticas tributárias, bem como nos cofres públicos. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Também tomo conhecimento das contrarrazões apresentadas pela PGFN. Inicialmente, apenas para conhecimento amplo, gostaria de salientar que anteriormente ocorreu a autuação da empresa, por interposição fraudulenta no comércio exterior, com modus operandi idêntico ao relatado no presente processo. O auto de infração foi lavrado em 22/10/2014 para o período de 01/11/2009 a 31/12/2010. Esse processo foi julgado a Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.018 33 desistência da empresa pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, acórdão nº 3402004.919, em 02/02/2018, por ter ajuizado ação anulatória no poder judiciário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Da nulidade do auto de infração por utilização de prova produzida em fiscalizações anteriores A recorrente alega em seu recurso que a autuação foi lavrada com base nas provas produzidas nos processos administrativos n° 19515.001904/200412, n° 19515.001905/200467, n° 10830.720562/201034, n° 10830.727214/201331 e n° 11829.720047/201480, que decorreriam de fiscalizações que supostamente teriam demonstrado que o Grupo Unilever implementou planejamento tributário ilícito. E continua esclarecendo que nos autos dos processos administrativos n° 19515.001904/200412 e n° 19515.001905/200467 este E. CARF reconheceu que a estrutura adotada pelo Grupo Unilever não é simulada e cancelou os respectivos créditos tributários. O processo administrativo n° 10830.720562/201034 envolve matéria alheia à dos autos (valor tributável mínimo — “VTM” — de IPI, sendo que a estrutura do Grupo não é questionada). Os processos administrativos n° 10830.727214/201331 e n° 11829.720047/201480 não foram definitivamente julgados e as Recorrentes acreditam que o entendimento que embasou as autuações será revertido até o término da discussão administrativa. Acrescenta que as provas produzidas se referem a períodos diversos do que ora se discute, foram produzidas para exigência de tributos diversos do aqui exigido, e que não sofreram autuação referente à estrutura do Grupo Unilever. A título de esclarecimento, consultei o site do CARF para os processos citados como não julgados e temos que o processo nº 10830.727214/201331 foi julgado em 17/03/2017: Acórdão:3301003.169 Número do Processo:10830.727214/201331 Data de Publicação:17/03/2017 Contribuinte:UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA Relator(a):VALCIR GASSEN Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS.É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.019 34 que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. ELISÃO. EVASÃO. SIMULAÇÃO.Quando há a transposição da linha divisória que separa a elisão da evasão o lançamento ou revisão de ofício ocorre com base art. 149, VII, e não pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, haja vista a nulidade do negócio jurídico simulado de acordo com o art. 167, II, do Código Civil.DECADÊNCIA.Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações ou na ocorrência das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, aplicase a regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA.Restando comprovadas as hipóteses normativas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, fazse aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. CABIMENTO.Cabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após o evento. E o processo n° 11829.720047/201480 foi julgado em 20/02/2018: Acórdão:3402004.919 Número do Processo:11829.720047/201480 Data de Publicação:20/02/2018 Contribuinte:UNILEVER BRASIL LTDA. Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.020 35 Relator(a):PEDRO SOUSA BISPO Ementa(s)Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Entretanto os julgamentos dos processos citados não afetam o julgamento desse processo, sendo que cada processo é independente entre si e sujeito a um contraditório e defesa específico. Quanto ao argumento que não seria possível utilizar provas obtidas em fiscalizações anteriores, a jurisprudência do CARF tem sido pacífica em aceitar a prova emprestada produzida em outros processos, inclusive tem aceito provas produzidas em âmbito judicial, vide as provas produzidas nas operações deflagradas pela Polícia Federal e Receita Federal com autorização judicial. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 PROVA EMPRESTADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CABIMENTO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É válido no processo administrativo o instituto da “prova emprestada”, desde que garantido às partes o contraditório e a ampla defesa, mostrandose válido o lançamento que carreia aos autos elementos de prova suficientes a demonstrar a ocorrência de fatos jurídicos semelhantes àqueles verificados em outro procedimento administrativo, ainda que envolva partes distintas. AUSÊNCIA DE PROVA. ACOLHIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. MÉRITO. ENFRENTAMENTO. Revista, em sede de recurso de ofício, a decisão de primeira instância administrativa que acolhe argumento de ausência de prova do ilícito administrativo, necessária se faz a devolução do julgamento para enfrentamento da questão meritória remanescente, a fim de que não haja indevida supressão de instância (Acórdão 3401002.919, Redator designado Conselheiro Robson Bayerl, Sessão de 25.02.2015). Importante ressaltar que existem casos em que as provas colhidas são judicialmente descartadas, o que não foi o caso. Assim é que o CPC/2015 admite a utilização de prova produzida em outro processo: art. 372 O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.021 36 As provas produzidas no âmbito de outros processos estão plenamente válidas e merecem ser acolhidas, desde que respeitado o escopo de utilização e o contraditório e ampla defesa. Esclareço que as provas colhidas em outros procedimentos não foram o único fundamento do lançamento, conforme se verifica no TVF. Elas serviram de embasamento para formação da convicção do autuador e juntamente com outros elementos permitiram a autuação pela fiscalização. Além das informações colhidas através das referidas intimações fiscais, foram extraídas informações dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil como Siscomex, DW, Radar, CNPJ, eProcesso, além de sistemas externos como Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), Jucesp e Tecwin. (fls. 59) A fiscalização acentua no TVF que o estudo detalhado do planejamento tributário efetuado pelas empresas, com cisão e criação de empresas, transferindo atividades entre elas foi o arcabouço inicial para identificação da infração. Concomitantemente a fiscalização analisou notas fiscais, o procedimento de pedido de compra, a compra, transferência de recursos, pagamentos, locais de entrega, fretes, e câmbio, dentre outros elementos juntados aos autos. Logo, existem provas suficientes na autuação para embasar o lançamento. As provas produzidas em outros procedimentos são plenamente aceitáveis. E essas provas não foram o único elemento que embasou o lançamento. Da desconsideração da personalidde jurídica da UBI e a violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 As recorrentes afirmam que a fiscalização almeja a desconsideração da personalidade jurídica da UBI sem que tenha utilizado as ferramentas jurídicas próprias, o que caracterizaria violação ao artigo 10, IV, do Decreto nº 70.235/72, por pretensões fáticas diversas do que consta no auto de infração. E que ao adotar tal procedimento a fiscalização esvazia por completo o propósito e existência da UBI, já que questiona seu processo de industrialização (VTM/IPI processo administrativo 10830.727214/201331), suas vendas (valor praticado com a UBR, questionado no próprio TVF) e, agora, suas importações. Para as recorrentes a posição do fisco é contraditória, pois se as empresas existem de fato não há motivos que impeçam a UBI, como empresa industrial, de importar mercadorias. Segundo o TVF em momento nenhum a fiscalização tentou imputar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas. A autuação repousa na demonstração da realização de negócios jurídicos fraudulentos e simulados por parte das recorrentes. Com consequente utilização de simulação para ocultar o real importador das mercadorias. Vide a reprodução de parte do relatório acima: A propósito da autuação, a autoridade fiscal esclarece, no Termo de verificação Fiscal, que: Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.022 37 ... b) “o presente Auto de Infração não desconsidera a personalidade jurídica de qualquer das empresas autuadas. Ambas empresas possuem patrimônio e receitas, portanto existem de fato. Mas, como ficará demonstrado, a empresa industrial, UBI, cedeu o nome para realizar as importações promovidas pela empresa comercial distribuidora, UB, o que configura infração aduaneira punível com a pena de perdimento das mercadorias, ou multa equivalente ao valor aduaneiro”; A tipificação utilizada no auto de infração foi do inciso V, artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76 que trata da ocultação praticada mediante fraude ou simulação. E não como quer fazer entender a recorrente que houve uma tentativa de desconsiderar a personalidade jurídica das empresas. As tipificações são diversas e uma não necessariamente precisa estar acompanhada da outra. A aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica nem sempre é necessária, constatado que o sujeito passivo, ou terceiro em seu benefício, agiu com dolo, fraude ou simulação, está autorizado o lançamento de ofício, nos termos do art. 149, VII, do CTN. Da estrutura do Grupo Unilever posta em xeque e o cerceamento do direito de defesa A recorrente questiona a decisão recorrida que insinuou que são desnecessários esclarecimentos a respeito da estrutura adotada pela Unilever, e que não há razão “para se magnificar, neste caso, a importância da estrutura organizacional em detrimento das práticas intrínsecas ao despacho aduaneiro de importação, que são o verdadeiro motivo da autuação”. Mas, segundo a recorrente, a autuação foi calcada em questões que decorrem exclusivamente da segregação das atividades industriais e comerciais. Continua afirmando que a segregação de atividades industriais e comerciais gerou consequências na forma de atuação do Grupo Unilever no Brasil. E a Fiscalização apurou todas essas consequências e as utilizou como indícios da suposta fraude. Ao explicar a licitude de sua estrutura e, assim, legitimar essas circunstâncias (consequências da segregação de atividades), com o objetivo de demonstrar a improcedência da exigência fiscal, as Recorrentes se depararam com a r. decisão recorrida que, de forma contraditória, afirmou que a estrutura do Grupo não está sendo questionada. Por isso entendem que houve cerceamento do direito de defesa na medida que para elas a forma que foi estruturada a empresa é licita e ampara a maneira que as operações foram efetuadas, a fiscalização utilizou essa estruturação do grupo empresarial para justificar sua autuação e a decisão recorrida entendeu que a estruturação não foi fator a ser levado em consideração no julgamento. Entendo que a decisão recorrida, ao analisar os fatos e dados, para formar seu convencimento, apenas utilizou aqueles que julgou serem os mais relevantes. A fiscalização por sua vez, construiu todo o arcabouço com base em todos os elementos encontrados, para assim criar uma estrutura sólida e que mesmo se fosse atacada por uma de suas facetas haveriam outras facetas a serem analisadas. Não há aqui cerceamento do direito de defesa, no meu entender, mas simples sopesamento de informações que serviram de base para o convencimento do julgados. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.023 38 As recorrentes querem fazer crer que a única motivação do auto de infração foi a legalidade da organização do grupo empresarial, porém esse não foi o único mote para a autuação. A fiscalização afirma que organização do grupo empresarial, com divisão de atividades entre as empresas, não está em desacordo com a ordem jurídica, mas a deturpação dessa organização empresarial com a finalidade de não pagar os tributos devidos é que não é permitido. Relata ainda que identificou vários fatos nas importações analisadas, como a margem de lucro praticada, a logistica dos bens importados, o pagamento de despesas de importação, etc... O TVF ressalta que “não se está aqui a dizer que a separação da operação do grupo Unilever em empresa industrial e empresa comercial distribuidora tenha tido como única motivação a sonegação dos tributos federais. É possível que o grupo tenha vislumbrado e conseguido ganhos de produtividade e eficiência em outras frentes. Afirmase apenas que a prática da fraude tributária não teria sido possível sem a separação das operações industrial e comercial”. Concluo que não existe conflito entre a decisão recorrida e o auto de infração, e que foi possível o exercício do direito de defesa. Abro um parenteses para dicorrer sobre documento apresentado pela recorrente no curso do processo denominado "Estudo sobre segregação societária de atividades na Unilever Brasil", de 30/06/2016, encomendado à empresa Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda, em que é esclarecido que o estudo foi elaborado para demonstrar as motivações e possíveis efeitos da adoção de estrutura societária segregada de atividades na Unilever Brasil. No estudo consta que: no ínicio do ano 2000, impulsionada pela crescente atuação global de seus principais fornecedores e clientes, o Grupo Unilever iniciou um processo de mudança de sua estrutura. no Período anterior a 2001, as operações do Grupo Unilever eram geridas de forma local, com administração por categoria de produtos (foods e HPC), por país, e com pouca interação entre as organizações. Em 2001, o Grupo deu início à regionalização das suas operações, com a integração das operações de produtos HPC na América Latina. Em 2005, a regionalização na América Latina foi expandida para a categoria Foods. Em 2005, o Grupo lançou globalmente o programa "One Unilever", cujo objetivo era a reestruturação de suas atividades em todas as geografias e áreas de atuação. O foco do programa era a centralização do planejamento e da tomada de decisões, simplificação das operações e remoção de duplicidade de atividades. A operacionalização deste objetivos ocorreu através da segregação, nos países, das atividades industrial, logística e comercial, que passaram a ser geridas verticalmente, por macro regiões. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.024 39 Na maior parte dos países, após o One Unilever, a estrutura operacional passou a contar com três entidades distintas: uma Sourcing Unit (SU), que contém as plantas manufatureiras, uma Marketing and Sales Organization (MSO), que é responsável pelas inteligência local de vendas e pelas atividades comerciais e de marketing, e uma Supply Chain Company (SCC), unidade responsável pela parte estratégica e de administração da cadeia logística. As SCC foram criadas por macro região e atuam nos países através de filiais locais. No Brasil, a SU é representada pela UBI e a MSO pela UBR. Já a SCC atua através de um consórcio entre a firma global (baseada na Suíça) e a UBI. ... Com base nos pontos acima, concluímos que: a segregação das atividades de manufatura e comercial não ocorreu apenas no Brasil. A estrutura global do Grupo foi reformulada com propósitos estratégicos de ganhos de escala, simplificação e racionalização da produção. Projetos específicos para tal reformulação foram efetuados na Europa, Ásia e Américas, definindo uma estrutura operacional padrão que também foi aplicada no Brasil. A segregação de atividades a nível local foi realizada para que o Grupo pudesse passar a ser gerido globalmente, por atividade. Fica claro a partir da leitura do estudo, e compactuado pelo relatório fiscal, que a motivação da separação do grupo não foi exclusivamente direcionada ao planejamento tributário no Brasil, mas partiu de uma estratégia global de atuação em que se buscou a centralização do planejamento e da tomada de decisões, simplificação das operações e remoção de duplicidade de atividades. A operacionalização deste objetivos ocorreu através da segregação, nos países, das atividades industrial, logística e comercial. Na maior parte dos países a estrutura operacional passou a contar com três entidades distintas: uma Sourcing Unit (SU), que contém as plantas manufatureiras, uma Marketing and Sales Organization (MSO), que é resposnável pelas inteligência local de vendas e pelas atividades comerciais e de marketing, e uma Supply Chain Company (SCC), unidade responsável pela parte estratégica e de administração da cadeia logística. Alguns pontos devem ser analisados com cuidado na leitura desse estudo. Primeiro temos que foram criadas três entidades distintas e com funções bem definidas, possibilitando uma estrutura que facilitasse o planejamento e tomada de decisões globalmente, evitando a duplicidade de atividades. Se as estruturas possuem atividades bem definidas, e na descrição da entidade Sourcing Unit (SU), representada no Brasil pela UBI, consta que sua função é ser planta manufatureira, é incoerente com toda essa exposição demonstrada que uma unidade fabril importe produtos acabados para revenda. Essa postura vai diametralmente contra o que foi pregado como objetivo global do Grupo. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.025 40 A outra não consta no estudo que as outras SU existentes pelo mundo exerçam a atividade de importação de produtos acabados para suprir demandas internas nos países. O que se vislumbra no estudo é que as atividades são bem segregadas e cabe às plantas manufatureiras, SU, a fabricação de produtos. No Estudo é apresentado o Projeto Mountain, realizado na Europa, onde é demonstrado que o modelo de operação europeu dividiuse em três entidades: SU, MSO e USCC, com as atividades bem delimitadas acima descritas. Na descrição da operacionalidade do modelo ficam bem definidas as atividades exercidas por cada entidade, e não há menção a importação de produtos acabados pela unidade fabril, ao contrário, toda a logística é efetuada pela USCC: Portanto, a estrutura do Grupo por país é, em sua maioria, formada por três entidades legais: a SU e a MSO, locais, e uma filial da USCC. Alguns países , como o Reino Unido, por exemplo, não possuem atividade de manufatura, contando apenas com uma MSO e a filial da USCC. ... Nesta região, a dinâmica de atividades se inicia com a USCC identificando os melhores fornecedores para as matériasprimas necessárias para a fabricação de produtos. A USCC negocia e adquire tais matérias primas e as envia para as SUs, de acordo com suas respectivas especializações, localização e capacidade. Posteriormente. A USCC envia os produtos acabados através de trasnportadores para armazéns contrtados pela mesma. A MSO responsabilizase pelo relacionamento com consumidores, incluindo todo o processo de venda, a qual, uma vez realizada, resulta na compra do produto da USS pela MSO e posterior revenda ao cliente final. A USCC é ainda responsa´vel pelo transporte das mercadorias, através de um terceiro contratado, até o cliente final. Importante observar que ao longo de todo o processo, até a vneda para a MSO, a USCC é a dona/Responsável legal pelos estoques. Para a região da Ásia, África, Oriente Médio, Europa Central e Oriental foi implantado o projeto U2K2, divisão também em três unidades. Para a região das Américas foi implantado o projeto Cordillera, com início na América Latina com o resultado de criação de uma rede de abastecimento operada desde as prateleiras de varejistas até fornecedores. Na página 23 do estudo é apresentado um gráfico em que fica claro que para a América Latina existe uma entidade legal em cada país com atuação conjunta da LASCC e MSO atuando em contrato de fornecimento de produtos acabados. Observe que não há menção a atuação da SU (sourcing unit) nessa cadeia de produtos acabados. O que se pode concluir é que o projeto global do Grupo buscava o melhor gerenciamento das atividades e economia de custos, entretanto localmente o que temos é uma empresa exercendo atividade, importação de produtos acabados, em desacordo com o recorrente alega que seriam as atividades exercidas pela empresa. Fica claro que as importações realizadas não eram importações próprias já que estavam em total desalinho com o papel definido globamente para as empresas do grupo que atuam como SU. Podemos concluir que a UBI estava realizando uma atividade que não lhe era própria e claro que visando o alcance de um resultado específico. Esse seu procedimento em desacordo com as normas Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.026 41 internas do grupo gerou para a Fazenda Nacional a quebra da cadeia do IPI, PIS e Cofins, com a diminuição da carga tributária incidente nas operações. Em tempo informo que esse aspecto incluído no meu voto, não foi acatado pelo colegiado como relevante para a decisão: Os Cons. Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, por divergirem tãosomente em relação ao argumento utilizado pela relatora a título de endosso para manutenção do lançamento, ligado a propósito negocial e rearranjo societário no Brasil diverso do mundialmente ocorrido, que foi entendido como irrelevante. Como o Cons. Cássio Schappo também diverge de tal argumento, inclusive em maior extensão, deve a relatora agregar tal circunstância ao voto, suprimindo na ementa eventual menção a tal argumento, na forma regimental Da inovação quanto aos fundamentos da autuação A recorrente alega que no entendimento da decisão recorrida o caso concreto não envolveria a estrutura do Grupo Unilever, mas apenas inobservância aos requisitos da importação por conta e ordem de terceiros IN SRF nº 225/02. E que não há na autuação afirmação de que a UBI deveria ter observado o procedimento necessário à importação por conta e ordem de terceiros. Ou seja, a autuação questiona a estrutura adotada pelo Grupo Unilever e, por esse motivo, entende que as importações realizadas pela UBI seriam, na verdade, importações próprias da UBR, razão pela qual ambas deveriam responder solidariamente pela multa por ocultação no comércio exterior do real beneficiário das mercadorias importadas; mas a decisão recorrida entende que a estrutura do Grupo Unilever não é relevante para o caso dos autos e que a UBI deveria ter cumprido os requisitos da IN SRF nº 225/02 (importação por conta e ordem) para que as importações pudessem ser regulares. Conclui a recorrente que há um descompasso entre a autuação e a decisão recorrida, que manteve o crédito tributário com base em fundamento inovador em relação àqueles que ensejaram a autuação. E afirma que as Recorrentes sequer trataram em sua impugnação dos requisitos previstos pela IN SRF nº 225/02 (tida pela r. decisão recorrida como determinante para o caso concreto), pois não constava na autuação. Ou a autuação é nula, pois deixou de incluir os dispositivos relativos à importação por conta e ordem de terceiros na capitulação legal da infração, ou a r. decisão recorrida é nula, pois inovou nos fundamentos jurídicos que ensejaram a cobrança do crédito tributário. Existe uma única menção à IN SRF n 225/2002 em todo o voto do acórdão DRJ: Como decorrência dos citados dispositivos, as operações das empresas autuadas, caracterizadas legalmente como importações por conta e ordem de terceiros, deveriam cumprir todos os requisitos e condições estabelecidos nas normas de Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.027 42 regência desse tipo de importação, especialmente, aqueles descritos na Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, mas, pelo visto, nada foi feito, pois as próprias impugnantes insistem que se tratava de importações próprias da UBI. De acordo com o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), a decisão de primeira instância deve conter “relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências”. Portanto, no auto de infração está o escopo da autuação, com seus fundamento legais, possibilitando o contraditório e a ampla defesa. Não existe impedimento a que a decisão recorrida utilizese de outros argumentos para complementar sua linha de raciocínio e formação de convicção no julgamento, reforçando o posicionamento do julgador. Claro que a decisão deve utilizar argumentos que sejam pertinentes à capitulação do lançamento. Na presente discussão é levantada pela recorrente a inovação no julgamento ao utilizar de referências a IN/SRF 225/2002, digo referências porque não vejo que tenha havido inovação na argumentação. O que a decisão a quo fez foi complementar sua razão de decidir, reconhecendo que ademais não foram atendidos os requisitos para a importação promovida por pessoa jurídica importadora para revenda a encomendante predeterminado. A fundamentação continuou a mesma contida no auto de infração. Por isso deixo de acatar a nulidade suscitada. Da ilegitimidade passiva da UBI para figurar como autuada As recorrentes entendem que a multa não pode ser cobrada nem da UBI e nem da UBR pois a penalidade instituída pelo artigo 33 da Lei 11.488/07 revogou o artigo 23 do DL n° 1.455/76, já que dispôs sobre a mesma matéria, em sentido contrário àquele que estava na legislação vigente e em momento posterior. Para as recorrentes após o advento da Lei nº 11.488/07, que instituiu penalidade específica para o importador que cede seu nome mas consegue comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, a pena de perdimento só pode ser aplicável ao adquirente oculto. As interposições fraudulentas de terceiros realizadas nas importações, com o objetivo a ocultar o verdadeiro comprador, vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior, e, assim, escoimálo de suas responsabilidades tributárias, são previstas nas regras aduaneiras como fato ensejador de penalidades pecuniárias, conforme Decretolei nº 1.455/76, art. 23, inciso V. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.028 43 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...). § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Instalado esse quadro fáticojurídico, sobreveio ao ordenamento o art. 33 da Lei n.º 11.488/2007, segundo o qual aquele que cede seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários é imputada a multa de 10% do valor da operação, afastandose a penalidade de inaptidão de CNPJ. Os seus exatos termos são os seguintes: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cumpre destacar que, alinhado com o entedimento propalado por essa turma, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF pacificou entendimento de que é legítima a cumulação das multas previstas nos arts. 23, V, § 3°, do DecretoLei 1.455/1976 e 33 da Lei 11.488/2007: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/12/2005 Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.029 44 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. A multa do art. 33 da Lei n.º 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DecretoLei n.º 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas (Processo 13971.722490/201124, Acórdão 9303004.905, 3ª Turma, julgado em 23/3/2017). Se as infrações praticadas pelo agente são diversas (como no presente caso, em que há ilícitos diferentes, com objetos próprios), ainda que derivada de uma só ação, cabe a aplicação das sanções correspondentes. Essa intelecção, no sentido da imposição de mais de uma penalidade quando há mais de uma infração, não é nenhuma novidade, e encontra expresso substrato legal, consoante se lê no art. 99 do DecretoLei n.º 37/1966, in litteris: Art. 99 – Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Ao ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior o sujeito infrator viola, a um só tempo, o Erário e o sistema de administração do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. A cessão de nome implica ocultação do sujeito passivo, o que, por seu turno, é classificado pelo art. 23 do DecretoLei 1.455/1976 como dano ao Erário. Percebase que a hipótese não configura relação de meio a fim, ou seja, a cessão de nome não constitui simples etapa para a realização de um resultado que pode, ou não, vir a ocorrer (dano ao Erário). O art. 23, V, do DecretoLei n.º 1.455/1976 veicula hipótese expressamente prevista como dano ao Erário, sendo inequívoco que um dos bens jurídicos por ele tutelado é o patrimônio da União. Ademais, referida infração atenta contra o regime de controle aduaneiro, sendo certo que, ao proibir a conduta de ocultar o sujeito passivo mediante fraude ou simulação, a norma em comento visa a punir as burlas à sistemática de fiscalização e controle das operações levadas a cabo no comércio exterior. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.030 45 O desígnio da norma encartada no art. 23, V, do DecretoLei n.º 1.455/1976, portanto, é a recomposição do Erário ante o dano sofrido com a conduta do agente prevista no tipo legal e, outrossim, a garantia do regime de controle aduaneiro, obstandose as fraudes ao sistema. Da inocorrência de fraude. A recorrente alega que a fraude não está presente no caso dos autos, tampouco a simulação, art. 167 do CC. Que a UBI em momento algum prestou declaração não verdadeira apta a justificar a alegação de simulação. A UBI preenche todas as condições para importar, todas as operações foram registradas. Que a fraude constante do art. 72 do CTN diz respeito a obrigação tributária principal e que na autuação questionase a imposição de multa aduaneira. Conforme já esclarecido acima apesar de o Grupo empresarial efetuar a divisão de tarefas entre as empresas para alcançar maior eficiência, foi demonstrado que o modus operandi da empresa UBI, efetuando importações de produtos acabados para posterior revenda a UBR, distribuidora, foge ao propósito empresarial definido para as empresas pelo planejamento internacional do grupo. É de se notar que antes da cisão das empresas, as operações de importação eram realizadas por apenas uma empresa do grupo, que concentrava a importação e a revenda, e nessa época ela era equiparada a estabelecimento industrial, para fins tributários. Depois da cisão, coincidindo com a mudanças legislativas, as atividades do grupo foram segregadas, de modo que, segundo toda a documentação apresentada, a UBI ficou com o parque industrial e a UBR responsável pela comercialização e distribuição dos produtos. Apesar das atividades bem definidas que deveriam exercer cada empresa dentro da lógica empresarial do grupo, a UBI era quem na prática efetuava as importações e revendia para a UBR com baixísimas margens de lucro, algumas vezes apresentando prejuízo. Agindo assim a real importadora, a UBR, não se equiparou a industrial, conforme nova disposição legal, e portanto não recolheu IPI nas saídas de mercadorias que promoveu. Da mesma forma, segundo Relatório Fiscal, o PIS/Pasep e Cofins eram concentrados apenas nas saídas do aparente importador, UBI, não incidindo nas saídas do próximo elo da cadeia a UBR. Em 21/12/2000, foi publicada a Lei nº 10.147 que alterou a sistemática de cobrança do Pis/Pasep e Cofins para alguns tipos de mercadorias, conforme a seguir: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 3003, 3004, 3303 a 3307, e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 2.092, de 10 de dezembro de 1996, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.031 46 II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Anteriormente à criação do mecanismo de incidência monofásica para as mercadorias classificadas na TIPI nas posições especificadas, estas eram tributadas com as alíquotas gerais de 0,65% e 3%, respectivamente, para o Pis/Pasep e Cofins. Com a entrada em vigor da Lei nº 10.147/2000, o importador e o produtor passaram a se sujeitar às alíquotas de 2,2% e 10,3%, respectivamente, sendo desonerados todos os demais estabelecimentos da cadeia de comercialização. Em suma, o governo centralizou a cobrança no conjunto restrito de estabelecimentos presentes na ponta inicial da cadeia interna de comercialização. Mais uma vez é preciso chamar a atenção para o fato de que nas outras unidades fabris (SU) existentes pelo mundo, e que exercem as mesmas atividades da unidade no Brasil, UBI, segundo o estudo apresentado juntamente com a impuganção, as SU não realizam importações, mas apenas atividade de industrialização. Isso e o fato de haver um repasse para o próximo elo da cadeia com margem de lucro baixíssimo deixam claro que o objetivo era evitar o pagamento dos tributos devidos. Acrecentese o exemplo apresentado no Relatório fiscal que efetua simulação para caso a UBR figurasse como importadora quais seriam os valores de tributos a serem recolhidos, demonstrando que houve uma diminuição no valor dos tributos pagos: As três tabelas a seguir trazem o valor unitário recolhido pela UBI de IPI, Pis/Pasep e Cofins ao final da operação de compra e venda, bem como os valores unitários dos mesmos tributos que teriam sido recolhidos pela UB na venda ao atacadista caso ela tivesse figurado como importadora das mercadorias (o valor recolhido pela UB destes 3 tributos foi zero, já que com a interposição da UBI como importadora formal, a UB não se equiparou à industrial). Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.032 47 Os valores unitários recolhidos pela UBI de IPI, Pis e Cofins foram, respectivamente, R$0,39, R$0,02 e R$0,12, totalizando R$0,25. Os valores de Pis e Cofins são negativos, indicando que a UBI teve crédito a restituir dessas contribuições13. Caso o nome da UB tivesse figurado na declaração de importação, ela teria que recolher R$4,34, R$1,22 e R$5,69, respectivamente, total de R$11,25, na sua venda ao cliente atacadista. Ou seja, no agregado das 2.565 caixas de desodorantes importadas pela UBI em 19/09/2011 e repassadas integralmente à UB em 23/09/2011 para venda no mercado interno, houve sonegação de, aproximadamente, 2.565 x R$11,25 = R$28.856,25 (mais de vinte e oito mil reais) entre IPI, Pis/Pasep e Cofins, ou 69% do seu valor aduaneiro. As margens de lucro da UBI foram calculadas para todas as operações de importação das mercadorias classificadas nas NCM 3305.90.00, 3307.20.10, 3307.20.90 e 9603.21.00 e, sujeitas à incidência monofásica de Pis e Cofins, realizadas entre Abril/2011 e Dezembro/2015 e os resultados foram planilhados (DOC 31). Para tanto, foram mapeadas as entradas e saídas de todas as caixas daquelas mercadorias e assim foi possível o cálculo da margem de lucro por operação. Os dados agregados forneceram as margens por NCM. Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.033 48 Também verificase no Relatório fiscal que esta comprovada a ocultação do real adquirente nas importações promovidas pela UBI, uma vez que: (i) nas 4 NCM fiscalizadas, a margem de lucro esteve concentrada na UBR, sendo que a UBI obtinha margens de lucro irrisórias ou prejuízos; (ii) o local de entrega das mercadorias desembaraçadas era formalmente uma filial da UBR; (iii) os responsáveis pelos procedimentos atinentes à importação são funcionários da sede da UBR; (iv) despesas de importação eram pagas diretamente com recursos da UBR. Ou seja, ocorreu a ocultação do real importador das mercadorias e com isso uma etapa da cadeia dos tributos foi afastada, o que resultou na evasão dos tributos IPI, PIS e Cofins. Quanto ao argumento de que o conceito de fraude seria inaplicável ao caso dos autos, por se relacionar unicamente com fato gerador de obrigação tributária principal, não merece prosperar. A autuação foi baseada na aplicação do art. 23 do DecretoLei nº 1.455 de 7 de abril de 1976, com as alterações da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que definiu como dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com o perdimento das mercadorias: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Segundo o dispositivo aplicado é considerado dano ao erário a ocultação, na importação ou exportação, de quem deveria figurar na relação apresentada á tributação e não figurou. Não há qualquer menção à fraude estar vinculada ao crédito tributário. A fraude ou simulação para o dispositivo legal está na ocultação do real adquirente da mercadoria importada: Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.034 49 Salientese que, no presente caso, não se concluiu pela interposição presumida, mas sim à simulação comprovada tendente a ocultar o real promotor do ingresso das mercadorias estrangeiras no país, aquele, de fato, interessado na importação das mercadorias. A ocultação do real adquirente é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: (a) não figurar como contribuinte “equiparado a industrial” e evitar a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações subsequentes, em alguns casos também do Pis/Pasep e da Cofins; (b) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; (c) burlar o limite da pequena monta no caso de pessoa habilitada a operar na modalidade simplificada; (d) não se submeter a controles administrativos dos órgãos públicos intervenientes nas operações de comércio exterior; (e) praticar o subfaturamento ou outras fraudes na importação, expondo apenas a pessoa intermediária e não o real adquirente das mercadorias, entre outros. Além disso, o uso de interposta pessoa interfere na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos. Como se observa, a legislação pertinente demonstra uma preocupação que vai além do simples recolhimento de tributos no momento do registro da declaração de importação. A hipótese identificada é de fraude contra a Administração Pública Federal mediante simulação. A UBI tanto simula ser a real adquirente quanto simula uma venda para a UBR, conforme já amplamente discutido. Foi demonstrado no relatório fiscal que UBI e a UBR deram uma roupagem diferente da realidade aos atos praticados, criando uma ilusão sobre as partes envolvidas e os negócios efetuados. Formalmente existiam operações entre a UBI e a UBR, mas, materialmente, não passavam de mero simulacro de compra e venda. As provas apuradas ao longo do presente processo administrativo fiscal são robustas nesse sentido. Nas contrarazões a PGFN apresenta argumentação para enfatizar a simulação no contrato de compra e vendas realizado: De acordo com o artigo 481 do Código Civil, pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Sobre o contrato de compra e venda, Fran Martins ensina que, ao estudar os elementos característicos desse contrato, costumam os autores dividilos em três: a coisa, o preço e o consentimento. Essa divisão vem desde o Direito Romano, em que eram tidos como elementos formadores do contrato de compra e venda: res, pretium e consensus. Por sua vez, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery pontuam como característica essencial do contrato de compra e venda a onerosidade, entendida como a subordinação de ambas Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.035 50 as partes a uma prestação que lhes traz vantagens e desvantagens. Esses elementos, no entanto, não se fizeram validamente presentes nas vendas realizadas entre a Unilever Industrial (UBI) e a Unilever Brasil (UB). A autoridade fiscal logrou demonstrar analiticamente como as margens de lucro obtidas pela UBI em tais operações eram deficitárias. Confirase: As margens de lucro da UBI foram calculadas para todas as operações de importação das mercadorias classificadas nas NCM 3305.90.00, 3307.20.10, 3307.20.90 e 9603.21.00 e, sujeitas à incidência monofásica de Pis e Cofins, realizadas entre Abril/2011 e Dezembro/2015 e os resultados foram planilhados (DOC 31). Para tanto, foram mapeadas as entradas e saídas de todas as caixas daquelas mercadorias e assim foi possível o cálculo da margem de lucro por operação. Os dados agregados forneceram as margens por NCM. Na tabela abaixo, estão mostradas as margens de lucro obtidas pela UBI agregadas por NCM e ponderadas pela receita líquida e o lucro/prejuízo obtido na venda daquelas mercadorias à UB. Tal constatação afasta as alegações das recorrentes – as quais não estão acompanhadas de dados empíricos de que a UBI sempre aufere lucros nas vendas à UBR e de que essa margem é menor em razão do baixo risco de sua atividade no mercado. Na Ação Fiscal, a UBI foi intimada a apresentar contratos de fornecimento de mercadorias firmados entre ela e a UB, com vigência no período de 2011 a 2015. A empresa apresentou documento intitulado “contrato de compra e venda”, o qual estabelece, de forma muito genérica, “o fornecimento de produtos da marca Unilever conforme especificado nos pedidos de compra eletrônicos”. Quanto ao preço, dispõe que este “será acordado e estabelecido antes de cada ano civil” para o qual será aplicado. Sucede, como visto, que o instrumento contratual foi firmado em 13 de fevereiro de 2015, e nele consta que o início de sua “vigência” ocorrera em 1° de agosto de 2013, ou seja, quase dois anos antes. Dos quatro administradores signatários apenas um, José Eduardo Rei da Silva, constava, nos registros da Receita Federal, como administrador das duas empresas na data do suposto início do contrato. Nenhuma minuta de contrato relativa ao período de 2011 a 2013 foi apresentada. Esse quadro fático se amolda ao disposto no art. 167, § 1º, III, do Código Civil, segundo o qual “Haverá simulação nos negócios jurídicos quando (...) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados”. Margem de lucro da UBI nas vendas à UBR Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.036 51 A recorrente questiona a apuração pela fiscalização da margem de lucro da UBI em relação às vendas à UBR. Ela alega que a UBI aufere lucro nas vendas realizadas à UBR, e se o lucro da UBR é superior ao da UBI é inerente à própria natureza das atividades. Afirma que a UBI não incorre em custos/despesas que não sejam necessários para atender à demanda de fornecimento de seu único cliente UBR, e por ser único cliente seu risco é muito baixo. A UBR por sua vez esta sujeita a diversos riscos inerentes à comercialização e distribuição, além de custos de marketing e relacionamento com clientes. Não consta do relatório fiscal questionamento a respeito de ser o lucro da UBR superior ao da UBI, sendo perfeitamente possível que no decorrer da cadeia de comercialização de produtos que novos custos sejam agregados levando a que empresas que prestam serviços mais especializados aufiram maiores lucros. É da essência da atividade empresarial. O que se verifica no relatório fiscal é que a fiscalização questiona a diminuta, e por vezes com prejuízo, margem de lucro auferida pela UBI. Não é da natureza das empresas serem criadas para não auferirem lucros, ou mesmo para auferirem prejuízo. Que a UBI tenha um lucro menor é viável, mas daí a ter prejuízo foge a lógica do mercado. Por isso, a conclusão da fiscalização de que na verdade ocorreu uma simulação para que o lucro todo da cadeia comercial desaguasse na empresa UBR, que ainda por não esta sujeita ao pagamento dos tributos que findaram na etapa anterior possibilitou um aumento no lucro apurado. Segundo o relatório fiscal as margens de lucro foram calculadas para todas as operações de importação analisadas na autuação: As margens de lucro da UBI foram calculadas para todas as operações de importação das mercadorias classificadas nas NCM 3305.90.00, 3307.20.10, 3307.20.90 e 9603.21.00 e, sujeitas à incidência monofásica de Pis e Cofins, realizadas entre Abril/2011 e Dezembro/2015 e os resultados foram planilhados (DOC 31). Para tanto, foram mapeadas as entradas e saídas de todas as caixas daquelas mercadorias e assim foi possível o cálculo da margem de lucro por operação. Os dados agregados forneceram as margens por NCM. E ficou demonstrado, por planilhas e cálculos efetuados, que ao contrário do afirmado pela recorrente, a empresa UBI não aufere lucros. Intimada a apresentar contratos de fornecimetno de mercadorias firmados entre ela e a UBR para o período de 2011 a 2015, apresentou documento intitulado “contrato de compra e venda”, o qual estabelece, de forma genérica, “o fornecimento de produtos da marca Unilever conforme especificado nos pedidos de compra eletrônicos”, e que o preço “será acordado e estabelecido antes de cada ano civil” para o qual será aplicado. O contrato foi firmado em 13 de fevereiro de 2015 com início de sua “vigência” em 1° de agosto de 2013, ou seja, quase dois anos antes. Dos quatro administradores signatários apenas um, José Eduardo Rei da Silva, constava, nos registros da Receita Federal, como administrador das duas empresas na data do suposto início do contrato. Nenhuma minuta de contrato relativa ao período de 2011 a 2013 foi apresentada. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.037 52 As recorrentes apenas afirmam que incorrem em custos diferentes, mas não apresentam quais seriam esses custos. Todo o trabalho da fiscalização foi efetuado a partir da documentação apresentada pelas empresas. As margens de lucro da UBI foram calculadas para todas as operações de importação das mercadorias classificadas nas NCM 3305.90.00, 3307.20.10, 3307.20.90 e 9603.21.00 e, sujeitas à incidência monofásica de Pis e Cofins, realizadas entre Abril/2011 e Dezembro/2015 e os resultados foram planilhados (DOC 31). Para tanto, foram mapeadas as entradas e saídas de todas as caixas daquelas mercadorias e assim foi possível o cálculo da margem de lucro por operação. Os dados agregados forneceram as margens por NCM. ... Para apuração das margens de lucro da UB, foram tomadas as notas fiscais de venda aos atacadistas/varejistas, relativas aos códigos de mercadoria classificados nas 4 NCM de interesse, importados pela Unilever entre abril/2011 e dezembro/2015. Foi aplicada a mesma sistemática de cálculo da receita líquida da UBI à UB, ou seja, o valor da nota, descontados os tributos incidentes sobre a venda e somados os créditos gerados na compra junto à UBI15. Porém não foram mapeadas as entradas e saídas da UB da mesma forma que na UBI, pois as saídas da UB são muito pulverizadas (no exemplo do início do capítulo, as 2.565 caixas compradas de uma só vez foram revendidas em 140 notas fiscais distintas). Assim, para a UB foram calculadas apenas as margens de lucro agregadas, ou seja, por NCM e ano, não sendo possível o cálculo por operação, como realizado para a UBI. Do endereço de entrega das mercadorias importadas As recorrentes alegam que se os procedimentos de movimentação e armazenagem das mercadorias coincidem com aqueles adotados pelas empresas que importam por conta e ordem de terceiros, isso não significa, em absoluto, indício de fraude. 88. A UBI recebe os produtos importados e os comercializa, em seguida, à UBR, sendo que algumas mercadorias são armazenadas em depósito fechado de uso compartilho pelas Recorrentes (sem que as mercadorias da UBI e da UBR se confundam quanto à natureza, procedência, uso ou destinação e tal como autoriza o Parecer Normativo CST 123/74). Todos esses procedimentos são lícitos e, se eventualmente coincidem com aqueles adotados por empresas que realizam importações por conta e ordem de terceiros, isso não justifica a imposição de multa às Recorrentes por suposta ocultação do real beneficiário das mercadorias importadas pela UBI. Segundo informação da Fiscalização as mercadorias importadas entre abril/2011 e setembro/2012 foram entregues em armazém situado em endereço compartilhado com armazém da empresa UBR, depois de transitar rapidamente, sem descarregar, pela Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.038 53 empresa UBI, em intervalo de tempo suficiente apenas para processar a troca de documentos de entrada por documentos de saída. O acórdão recorrido conclui que: A logística utilizada pela empresa autuada foi apontada e comprovada documentalmente pela Fiscalização como extremamente dinâmica e com direcionamento das mercadorias importadas por essa empresa para o mesmo local onde funcionava armazém da empresa UBR, o que constitui indício da prática da infração imputada à empresa autuada, visto que se trata de procedimentos integrados de movimentação e armazenagem das mercadorias, compatíveis com a operação definida na legislação como importação por conta e ordem de terceiro. Como já afirmado anteriormente, esse não foi o único fato apontado pela fiscalização para ensejar a comprovação de que ocorreu importação por conta e ordem de terceiros. De fato existe previsão normativa, amparada por Parecer da RFB que permite o compartilhamento de depósito de mercadorias. O que a fiscalização questiona é o fato de essas mercadorias irem diretamente, após o desembaraço aduaneiro, para depósito utilizado pelas duas empresas de forma compartilhada, o que facilitaria em muito a distribuição dos produtos pela UBR. Mas chama a atenção que, a partir de setembro/2012, a indicação de local de entrega nas notas fiscais deixou de ser aposta. Há uma possível explicação. Em 20/08/2012, no âmbito da ação fiscal da DRF/Campinas que culminou com a lavratura de auto de infração contra a UBI por recolhimento a menor de IPI (vide item 3.3 deste Termo), a autoridade fiscal intimou a empresa a apresentar algumas notas fiscais de entrada, entre elas algumas de mercadorias importadas (DOC 32): ... A parte da nota destacada em vermelho denota que, já no ano de 2008, a UBI emitia suas notas de entrada de produtos importados com indicação de entrega da mercadoria pelo transportador no endereço da filial 030780 da UBR em LouveiraSP. Coincidência ou não, a partir de outubro/2012, 40 dias após o recebimento da intimação que a fez apresentar tais notas fiscais à autoridade tributária, a UBI passou a omitir das notas de entrada tal indicação de local de entrega. No âmbito da fiscalização realizada pela ALF/Viracopos que culminou com a lavratura de auto de infração e pena de perdimento das mercadorias em 31/10/2014 (ver item 3.4 deste Termo), a autoridade fiscal tomou depoimento, durante diligência fiscal no estabelecimento 030780 da UB em LouveiraSP, em 16/06/2014, de funcionário que se declarou analista financeiro da UBI (DOC 33). Ele afirmou que os desodorantes importados pela UBI oriundos da Argentina não adentravam a unidade industrial da UBI em VinhedoSP; o Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.039 54 motorista do caminhão apenas “passava lá” para deixar a nota fiscal de entrada e pegar uma nota fiscal de saída emitida pela UBI com destino ao centro de distribuição da Unilever em LouveiraSP: E conclui a fiscalização: É típico dos casos de ocultação do real adquirente na importação, as mercadorias serem transportadas da unidade aduaneira de despacho diretamente ao armazém do real comprador, ou no máximo, permanecerem em armazém do importador por poucos dias, já que antes mesmo das mercadorias serem embarcadas no exterior, o real destinatário já era conhecido. Dos funcionários que efetuavam os pedidos de compra As recorrentes alegam que o compartilhamento de funcionários não caracteriza confusão patrimonial, mas é prática lícita admitida pelo TST, súmula 129. E a UBR repassa à UBI o custo associado ao tempo que seus empregados dispendem trabalhando em benefício da UBI, sem entretanto juntar provas quanto a essa alegação. Súmula TST 129 “A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário”. Segundo afirma a PGFN as recorrentes não negam que todo o pessoal que realiza as atividades de comércio exterior para o Grupo tem contrato de trabalho com a UBR. Porém afirmam que a atuação exclusiva de empregados da UBR é mais um entre os diversos elementos para se chegar a conclusão sobre quem é a real importadora: As recorrentes não negam a afirmação constante no Relatório Fiscal de que “todo o pessoal a serviço do grupo Unilever relacionado às atividades de importação é vinculado à matriz da UBR em São Paulo/SP”. ... A atuação exclusiva de empregados da UBR para providenciar importações em nome da UBI é apenas mais um entre os diversos elementos apurados pela fiscalização para permitir a conclusão de que a real importadora é aquela primeira empresa. Em momento algum se está a negar a possibilidade em tese de que funcionário de uma empresa do mesmo grupo econômico preste serviço a outra. Contudo, o arcabouço probatório demonstra que, ao executar os procedimentos necessário à importação, os funcionários da UBR estavam, em verdade, agindo no interesse exclusivo desta, e não da UBI. Novamente as recorrentes enfatizam fatos isolados para desconstruir o arcabouço de provas juntados pela fiscalização. De fato cada elo sozinho não serve para se formar o quadro da conduta praticada pelas recorrentes, mas juntando todos os elos vemos que Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.040 55 estamos diante de provas robustas que levam a convicção de que houve um planejamento com vistas a ocultar o real adquirente das mercadorias. Até agora já foi possível discutir sobre a simulação perpetrada, a margem de lucro obtida pelas empresas, o endereço de entrega em depósitos funcionamento no mesmo local, e agora estamos diante de compartilhamento de funcionários. Não se afirmou no relatório fiscal que a prática de compartilhamento de funcionários era ilícita, o que a fiscalização fez foi concluir que os funcionários da UBR ao realizar todo o processo de importação das mercadorias para a UBI estavam de fato agindo sob o comando da UBR que foi identificada como a real adquirente das mercadorias. Das despesas de importação pagas com recursos da UBR As recorrentes alegam: a fiscalização reconhece que tributos da importação foram pagos com recursos saídos das contas bancárias da própria UBI (TVF fls. 50 a 110 — vide pág. 49). E em relação à questão do frete, notese que essa conclusão de que parte da despesa teria sido quitada com recursos da UBR foi obtida apenas com base em planilhas e, portanto, representa mera presunção. Para fazer esse tipo de análise corretamente, a D. Fiscalização deveria ter analisado as notas fiscais envolvidas, visando identificar qual empresa era a responsável por arcar com o valor do frete, o que não ocorreu. Vale dizer, o fluxo financeiro e a indicação de agentes de pagamento ou recebimento são matéria de Direito Civil, portanto passíveis de disposição entre as partes. Já a PGFN apresenta a seguinte contra argumentação: Descabe ainda argumentar que, como as planilhas foram o meio de prova utilizado, a conclusão de que as despesas de frete foram pagas pela UBR não passaria de presunção. Ora, nos termos do art. 226 do Código Civil, “Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios”. Uma vez que as planilhas foram elaboradas e fornecidas pela própria UBI, elas servem indubitavelmente para fazer prova direta acerca da origem dos pagamentos, não se tratando de simples presunção. Com esteio no princípio da verdade material e no poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, deve superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária. A auditoria fiscal, diante de simulação, não pode permanecer inerte, pois tais negócios não são oponíveis ao Fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento. Nesse caso, o fiscal está autorizado a considerar a operação real, desprezando a declaração vazia, fictícia, que não representou uma verdadeira etapa na circulação da mercadoria (art. 149, VII, do CTN). Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.041 56 Como já assentou a ilustre Conselheira Sandra Faroni, no acórdão 10195.537, conquanto seja indiscutível que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, devese fazer uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é, assim, absoluto. No CARF, a concepção de planejamento tributário defendida pelas autuadas se encontra superada, podendose citar vários casos em que foram consideradas não oponíveis ao Estado as operações societárias engendradas com o fito exclusivo de economizar tributos. Por emblemático, citese o famoso caso Grendene, em que a antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão 10307.260, afirmou que “Há evasão ilegal de tributos quando se criam oito sociedades de uma só vez, com os mesmos sócios que, sob a aparência de servirem à revenda dos produtos da recorrente, têm, na realidade, o objetivo admitido de evadir tributo, ao abrigo de regime de tributação mitigada (lucro presumido)”. Dessarte, a simulação provada autorizou a desconsideração da UBI como importadora e adquirente das mercadorias no exterior, tendose a UBR como a pessoa jurídica que de fato promoveu a entrada de mercadorias estrangeiras em território nacional, ou seja, na condição de real importadora, nos termos do inciso I do art. 31 do DecretoLei 37/1966. Como já apontado pela fiscalização, o conjunto de condutas praticadas pela pela UBI em concurso com a UBR constitui infração aduaneira e se classifica como dano ao Erário, sendo penalizada com o perdimento da mercadoria, no caso convertido em multa (art. 23, § 3°, do DecretoLei 1.455/1976). Ora, esta claro na leitura do relatório fiscal que as planilhas não foram o único meio de prova utilizado pela fiscalização. Também foram utilizados as planilhas fornecidas pela UBI e como já citado pela PGFN, o art. 226 do Código Civil dispõe que: “Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios”. Da inocorrência de dano ao erário. As recorrentes trazem a baila o tema do dano ao erário. E entendem que o dano deve ser financeiro ou patrimonial ao Tesouro Público. Contrapõem o entendimento prolatado na decisão recorrida a respeito da prescindibilidde da prova de dano ao erário, sendo a ocultação da UBR, por si só, efetivo prejuízo ao erário. As interposições fraudulentas de terceiros realizadas nas importações, com vistas a ocultar o verdadeiro comprador, vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior, estão previstas nas regras aduaneiras como fato ensejador de penalidades pecuniárias. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.042 57 O Decretolei nº 1.455/1976 contemplou, em seu art. 23, V (incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002), a interposição fraudulenta de terceiro como circunstância caracterizadora de dano ao Erário. Segundo o apontado diploma legal, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, rende ensejo à aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, a qual pode ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não tenha sido localizada ou haja sido consumida. Para se incorrer na tipificação definida no inciso V do art. 23 não se exige que haja prejuízo financeiro ou patrimonial. O dano ao erário é caracterizado pela ocultação do real adquirente da mercadoria. Importante relembrar que as sanções aplicadas no âmbito aduaneiro almejam mais significativamente a garantia do controle aduaneiro, pois a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, conforme artigo 237 da Constituição Federal, de 1988. Por isso uma informação prestada, e declarada pelo contribuinte, em momento oportuno permite que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exerça sua competência institucional, e assim garanta a defesa dos interesses fazendários e em um escopo maior a defesa da economia nacional. O comando do inciso I, do art. 80 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, veio agregar possibilidade de atuação à instituição ao dar à RFB a prerrogativa de estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. O que se percebe é que a legislação não interfere nas relações comerciais, proibindo uma configuração que é prática no comércio. Ela apenas impõe o disciplinamento da relação comercial quando efetuada por conta e ordem de terceiros. Almejase assim um melhor controle aduaneiro e defesa da economia nacional, afastando a possibilidade do emprego de terceiras pessoas para práticas ilícitas diversas, tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e descaminho, dentre outros. Vale lembrar que o objetivo primordial do disciplinamento é estabelecer os devidos controles sobre os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas, a fim de que sobre eles se exerçam as fiscalizações necessárias para se detectar, entre outros aspectos, a origem lícita dos recursos empregados, o devido recolhimento dos tributos internos incidentes sobre tais operações fiscais, inibindose, dessa forma, que empresas inidôneas venham a competir de forma desleal com aquelas legalmente estabelecidas e observadoras da legislação vigente. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 11829.720033/201628 Acórdão n.º 3401005.285 S3C4T1 Fl. 2.043 58 Com isso, verificase que o dano ao erário dentro da atuação aduaneira abrange um escopo maior que o simples aspecto financeiro ou patrimonial. Na verdade almeja se a preservação e garantia do patrimônio nacional. Incidência de juros sobre a multa Por fim, no que concerne à alegação referente a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, é certo que o crédito tributário aqui constituído corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício. Por essa razão, quando do pagamento, os juros de mora deverão, sim, incidirem também sobre o crédito tributário constituído a título de multa de ofício. Vejase que, ao contrário do que crê a impugnante, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também vem sendo nesse mesmo sentido como se vê pela seguinte ementa do Acórdão nº 9202001.991, da 2ª Turma/CSRF/Carf, sessão realizada em 06/02/2012: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e das contrarrazões apresentadas pela PGFN e no mérito por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 2043DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730873/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
QUESTÕES DE FATO. PROVAS DOCUMENTAIS. MANUTENÇÃO DO DÉBITO.
Deve ser mantido o crédito em que as provas documentais apresentadas pela empresa autuada junto com a peça impugnatória não servirem para comprovar a sua improcedência.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09.
Numero da decisão: 2202-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de reduzir a multa aplicada no lançamento ao patamar de 20%. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao cálculo da multa o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 QUESTÕES DE FATO. PROVAS DOCUMENTAIS. MANUTENÇÃO DO DÉBITO. Deve ser mantido o crédito em que as provas documentais apresentadas pela empresa autuada junto com a peça impugnatória não servirem para comprovar a sua improcedência. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09.
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PROVAS DOCUMENTAIS. MANUTENÇÃO DO DÉBITO. Deve ser mantido o crédito em que as provas documentais apresentadas pela empresa autuada junto com a peça impugnatória não servirem para comprovar a sua improcedência. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de reduzir a multa aplicada no lançamento ao patamar de 20%. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao cálculo da multa o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 08 73 /2 01 0- 09 Fl. 284DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 250/255): Tratase de auto de infração (DEBCAD nº 37.308.9716) constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado, através do qual foram apuradas as contribuições previdenciárias a cargo do segurado empregado, descontado pela empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título. No Relatório Fiscal (fls. 99/106), a autoridade lançadora esclarece ainda que: Os créditos previdenciários lançados neste AI são referentes às competência de 01/2006 a 12/2008, e foram apurados com base nas folhas de pagamento de empregados, as quais continham a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. As bases de cálculo utilizadas peça fiscalização, descritas acima, não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Os fatos geradores das referidas contribuições foram apuradas no Levantamento FP. Em função da alteração da Lei nº 8.212/91 promovida pela Lei 11.941/2009, procedeuse à comparação da multa aplicada com base na legislação anterior e a multa aplicada com base na legislação vigente, tendo sido, então, aplicada a mais benéfica ao contribuinte. A multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º do artigo 44 da lei 9.340/96, foi aumentada de metade, em função do não atendimento, no prazo marcado, de intimação fiscal para prestar esclarecimentos ou para apresentar arquivos ou sistemas digitais. A empresa autuada apresentou sua peça impugnatória de fls. 158/179, alegando, em síntese, que: Levantamento FP: 06 e 07/2007: Alega que o crédito em questão estaria incluído no Parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.730873/201009 Acórdão n.º 2202004.598 S2C2T2 Fl. 284 3 09/2008: o crédito em questão teria sido informado em GFIP, no momento em que a autuada enviou GFIP retificadoras para a adesão ao parcelamento. 11, 12 e 13/2008: os valores lançados nestas competências são incompatíveis com aqueles constantes nas folhas de pagamento, de onde teriam sido extraídas as bases de cálculo pela fiscalização, devendo ser anulado o débito constituído nesses competências. Dos acréscimos legais: Questiona ainda a impugnante a multa de ofício aplicada, no percentual de 112,5% e a multa de mora, no percentual máximo de 20%, em razãode ter havido equívoco da fiscalização na aplicação das mesmas. Pede que aquela seja excluída, devendo ser mantida apenas a multa de mora. Em 03 de dezembro de 2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro deu parcial provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 250): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 QUESTÕES DE FATO. PROVAS DOCUMENTAIS. MANUTENÇÃO DO DÉBITO. Deve ser mantido o crédito em que as provas documentais apresentadas pela empresa autuada junto com a peça impugnatória não servirem para comprovar a sua improcedência. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMPARAÇÃO. MESMA CONDUTA PUNÍVEL. A comparação das multas vigentes na lei anterior e na lei atual, para fins de aplicação daquela mais benéfica para o contribuinte, deve ser efetuada entre normas que dispõem acerca de multas que tem por objetivo punir a mesma conduta do sujeito passivo. Cientificado da referida decisão (AR fls. 257 ) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 259/282 no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 286DF CARF MF 4 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) CERCEAMENTO DE DEFESA E DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL EM VIRTUDE DA AUSÊNCIA DA JUNTADA DE DOCUMENTOS MENCIONADOS NA DECISÃO RECORRIDA. Em relação ao Levantamento FP alegou a Impugnante que os valores relativos aos meses 06 e 07/2007 estaríam incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009 e que o débito relativo ao mês de 09/2008 teria sido informado em GFIP no momento em que enviou a GFIP retificadora para adesão ao parcelamento. A decisão recorrida, todavia, rejeitou as mencionadas alegações com base nos seguintes fundamentos: Analisando as razões de defesa trazidas pela empresa em sua peça impugnatória referentes ao levantamento FP, verificase que a impugnante alega que as competências 06 e 07/2007 teriam sido incluídas no Parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009. Desta feita, em análise ao sistema informatizado da RFB, foi possível verificar que, de fato, a empresa possui diversos processos de parcelamento ativos, consubstanciados nos seguintes DEBCAD: 39.072.2731, 39.672.9835, 39.672.9843, 43.553.9426, 43.553.9213, 43.553.9264, 43.553.9361, 43.553.9450, 43.755.2047, 43.755.2063, 60.352.8503, 60.423.6891 e 40.426.2299. No entanto, analisando referidos processos verificamos que nenhum deles se refere à contribuição previdenciária da parte do segurado (descontada), relativa às competências 06/2007 e 07/2007, que é a contribuição ora em debate. Sendo assim, descabe se falar em duplicidade de cobrança, posto que a contribuição lançada neste auto de infração, a despeito dos argumentos da impugnante, não possui mesma rubrica (contribuição do segurado) e competência das contribuições constantes nos processos de parcelamento que se encontram ativos, em nome da autuada. Resta evidenciado, portanto, que, ao contrário do que entendeu o contribuinte, no caso em foco, não houve lançamento de débito que já teria sido objeto de parcelamento. No que tange ao débito relativo à competência 09/2008, o contribuinte alega que o mesmo teria sido informado em GFIP no momento em que enviou GFIP retificadoras para a adesão ao parcelamento e apresenta como prova os documentos de fls. 223/226. No entanto, em consulta ao sistema GFIPWEB (fls. 240/244), verificase que na competência em questão (09/2008) constam diversas GFIP entregues pela autuada, sendo que aquela trazida como prova de seu argumento está na situação “5substituída não exportada”, o que significa que a mesma, antes mesmo de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.730873/201009 Acórdão n.º 2202004.598 S2C2T2 Fl. 285 5 ser exportada e produzir seus efeitos legais, foi substituída, devendo ser ressaltado que a GFIP para ser considerada válida deve estar na situação “1Exportada”. Em seu recurso a Recorrente não refuta o argumento da decisão recorrida relativo à inexistência de parcelamento, posto que a contribuição lançada neste auto de infração não possui mesma rubrica (contribuição do segurado) e competência das contribuições constantes nos processos de parcelamento que se encontram ativos, em nome da autuada. Conforme se observa pelas razões de recurso, a recorrente se limita a alegar que a decisão recorrida ofendeu o princípio da ampla defesa, pois não fez integrar ao acórdão os extratos obtidos dos sistemas informativos da RFB. Tal argumentação é dissociada da situação fática do presentes processo, uma vez que, como já dito, inexistem parcelamentos das contibuições lançadas no presente auto de infração. Em face do exposto, rejeito a preliminar. 2) MÉRITO. 2.1) DA EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO EXCLUSIVA DA MUTLA DE MORA NO PERCENTUAL DE 20% Por fim, alega a Recorrente que se faz necessária a exclusão da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, bem como a aplicação exclusiva da multa de mora no percentual máximo de 20%. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202 003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Fl. 288DF CARF MF 6 Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Ademais, é importante ressaltar que a norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional é clara ao determinar que aplicase a interpretação mais benéfica ao acusado em caso de dúvida quanto a natureza da penalidade aplicável, ou sua gradação. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada ao montante de 20%, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Em que pese os argumentos da D. relatora quanto à multa aplicada, deles dissinto. O contribuinte defende deva ser aplicada ao lançamento a multa de mora limitada a 20% do valor do débito, conforme prevê o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Tenho que o art. 35 da Lei nº 8.212/99, antes do advento da MP nº 449/08, previa a existência de multas de mora decorrentes do não cumprimento da obrigação tributária até o seu vencimento graduadas de acordo com a etapa do procedimento administrativo em que apuradas, sendo no seu inciso II regrado o percentual de 24% a 58% para a multa verificada mediante lançamento de ofício. A par disso, tinhase a multa do § 5º do inciso VI do art. 32 da Lei nº 8.212/91, relativa às multas por descumprimento de obrigação acessória. Com o advento da referida MP integrouse a sistemática das multas previdenciárias ao regramento adotado para as multas dos demais tributos federais. Foi então estabelecida a multa de mora de 20% nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, e a multa por descumprimento de obrigação acessória no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Além disso, foi prevista multa punitiva apurada via lançamento de ofício de 75%, pela infração de falta de pagamento ou pagamento a menor, falta de declaração e declaração inexata (art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44 da Lei nº 9.430/96). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10580.730873/201009 Acórdão n.º 2202004.598 S2C2T2 Fl. 286 7 Não vejo, nesse contexto, possibilidade de retroatividade benigna, pois antes da MP nº 449/08 existiam multas de mora, graduadas conforme determinados critérios, e multa por descumprimento de obrigação acessória. Após o advento de tal norma, passa a existir apenas um tipo de multa de mora, convivendo com multas aplicáveis de ofício em diversas situações, bem como multa isolada por descumprimento de obrigação acessória. Em suma, são sistemáticas diferentes, devendo cada uma viger na época dos respectivos fatos geradores, não havendo falar em retroatividade da norma. Sem embargo, cabe considerar que se trata de matéria cuja exegese traz dificuldades, suscitando variadas correntes interpretativas. Nessa senda, tendo em vista a função precípua dos tribunais administrativos de pacificar conflitos e firmar orientação sólida acerca das lides entre Fisco e contribuintes, bem como os princípios consagrados da duração razoável do processo e da eficiência, curvo me a despeito do meu posicionamento sobre o tema, acima sintetizado às recentes decisões da CSRF, que uniformizaram seu entendimento quanto à matéria. À guisa de exemplo, cito os Acórdãos nº 9202006.915 (j. 24/05/2018) e 9202006.717 (j. 17/04/2018). Segundo tais decisões, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, havendo lançamento conjunto de obrigação principal e acessória, devem ser somadas a multa relativa à obrigação principal (art. 35, inciso II da Lei nº 8.212/91) com a multa por descumprimento da obrigação acessória conexa (art. 32, inciso IV, § 4º ou § 5º da Lei nº 8.212/91), conforme previstas antes da vigência da MP nº 449/08, sendo o resultado comparado com a multa regrada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, de acordo com o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Tais são as orientações, necessário observar, contidas na Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Na espécie, temse que, consoante discriminado no Relatório Fiscal foi esse, precisamente, o procedimento da fiscalização, que realizou o comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte. Inexiste, assim, reforma a realizar no lançamento nesse ponto. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720460/2016-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2013, 2014
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/ PAGAMENTOS SEM CAUSA:
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se de lançamento de ofício, decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente
EXIGÊNCIA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PUNIÇÃO.
Não há que se falar em dupla punição na exigência de IRRF por pagamentos sem causa cumulado com multa de ofício, pois tributo não constitui sanção de ato ilícito.
COMPATIBILIDADE DA PRESUNÇÃO COM A RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS.
as situações descritas no artigo 124 e no artigo 135 que podem levar à responsabilização solidária são distintas e ao mesmo tempo compatíveis com a hipótese do artigo 128 do mesmo CTN. Assim, nada impede que determinada pessoa física ou jurídica seja autuada como responsável em virtude de não ter cumprido seu dever de reter e recolher o tributo sobre o rendimento de que foi a fonte pagadora, e ao mesmo tempo outras pessoas físicas e jurídicas serem convocadas a responder como devedores solidários, se sua conduta ou condição permitir que sejam enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas naqueles outros artigos.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF N. 108.
No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. Aplicação da Súmula 108.
RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO E ATOS CONTRÁRIOS À LEI DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS DE FATO.
Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ressalve-se que o art. 135 do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato do contribuinte.
Exclui-se do polo passivo a pessoa cujo interesse comum não restou comprovado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes.
CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA.
Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco Federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O procedimento fiscal é inquisitório e, por isso, não se lhe aplica a ampla defesa e o contraditório. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando se assegura ao interessado o pleno conhecimento dos atos processuais.
ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para afastar a aplicação de lei ou considerá-la inconstitucional. Aplicação da Súmula 2 do CARF.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
A Portaria RFB n. 2.284/2010, que define o procedimento de constituição do crédito tributário no caso de pluralidade de sujeitos passivos, nos termos da legislação pátria, tratando-se de atividade administrativa plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN.
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS APÓS 360 DIAS
O art. 24 da Lei n° 11.457/2007 não prevê obrigações ou conseqüências específicas para um processo que tenha duração superior ao referido prazo, tratando-se de norma programática. A aplicação de juros decorre de expressa aplicação de lei.
SOBRESTAMENTO DO FEITO PARA AGUARDAR AÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE
Salvo exceções, as decisões judiciais e administrativas são independentes no âmbito de suas respectivas esferas (civil, penal, administrativa, tributária, trabalhista etc.), até porque um mesmo fato pode consistir em ilícito tributário mas não penal, e vice-e-versa. Por sua vez, a eventual absolvição na esfera penal não acarreta necessariamente na improcedência do PAF. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsioná-lo até sua decisão final.
Numero da decisão: 1401-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recursos de ofício e aos recursos voluntários de 4 Rios Participações, Empreendimentos E Administrações Ltda., PNGS -Prosper Participações Eireli, Iara Galdino da Silva, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Maria Dirce Penasso. Por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários de Gustavo Henrique Penasso Kodama e Liciane Paes Freire Penasso Kodama. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2013, 2014 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/ PAGAMENTOS SEM CAUSA: Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO. Tratando-se de lançamento de ofício, decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente EXIGÊNCIA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PUNIÇÃO. Não há que se falar em dupla punição na exigência de IRRF por pagamentos sem causa cumulado com multa de ofício, pois tributo não constitui sanção de ato ilícito. COMPATIBILIDADE DA PRESUNÇÃO COM A RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS. as situações descritas no artigo 124 e no artigo 135 que podem levar à responsabilização solidária são distintas e ao mesmo tempo compatíveis com a hipótese do artigo 128 do mesmo CTN. Assim, nada impede que determinada pessoa física ou jurídica seja autuada como responsável em virtude de não ter cumprido seu dever de reter e recolher o tributo sobre o rendimento de que foi a fonte pagadora, e ao mesmo tempo outras pessoas físicas e jurídicas serem convocadas a responder como devedores solidários, se sua conduta ou condição permitir que sejam enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas naqueles outros artigos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF N. 108. No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. Aplicação da Súmula 108. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO E ATOS CONTRÁRIOS À LEI DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS DE FATO. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ressalve-se que o art. 135 do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato do contribuinte. Exclui-se do polo passivo a pessoa cujo interesse comum não restou comprovado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O procedimento fiscal é inquisitório e, por isso, não se lhe aplica a ampla defesa e o contraditório. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando se assegura ao interessado o pleno conhecimento dos atos processuais. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para afastar a aplicação de lei ou considerá-la inconstitucional. Aplicação da Súmula 2 do CARF. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A Portaria RFB n. 2.284/2010, que define o procedimento de constituição do crédito tributário no caso de pluralidade de sujeitos passivos, nos termos da legislação pátria, tratando-se de atividade administrativa plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS APÓS 360 DIAS O art. 24 da Lei n° 11.457/2007 não prevê obrigações ou conseqüências específicas para um processo que tenha duração superior ao referido prazo, tratando-se de norma programática. A aplicação de juros decorre de expressa aplicação de lei. SOBRESTAMENTO DO FEITO PARA AGUARDAR AÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE Salvo exceções, as decisões judiciais e administrativas são independentes no âmbito de suas respectivas esferas (civil, penal, administrativa, tributária, trabalhista etc.), até porque um mesmo fato pode consistir em ilícito tributário mas não penal, e vice-e-versa. Por sua vez, a eventual absolvição na esfera penal não acarreta necessariamente na improcedência do PAF. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsioná-lo até sua decisão final.
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MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente EXIGÊNCIA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PUNIÇÃO. Não há que se falar em dupla punição na exigência de IRRF por pagamentos sem causa cumulado com multa de ofício, pois tributo não constitui sanção de ato ilícito. COMPATIBILIDADE DA PRESUNÇÃO COM A RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS. as situações descritas no artigo 124 e no artigo 135 que podem levar à responsabilização solidária são distintas e ao mesmo tempo compatíveis com a hipótese do artigo 128 do mesmo CTN. Assim, nada impede que determinada pessoa física ou jurídica seja autuada como responsável em virtude de não ter cumprido seu dever de reter e recolher o tributo sobre o rendimento de que foi a fonte pagadora, e ao mesmo tempo outras pessoas físicas e jurídicas serem convocadas a responder como devedores solidários, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 04 60 /2 01 6- 64 Fl. 18851DF CARF MF 2 se sua conduta ou condição permitir que sejam enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas naqueles outros artigos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF N. 108. No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. Aplicação da Súmula 108. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO E ATOS CONTRÁRIOS À LEI DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS DE FATO. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ressalvese que o art. 135 do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato do contribuinte. Excluise do polo passivo a pessoa cujo interesse comum não restou comprovado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriandose do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O procedimento fiscal é inquisitório e, por isso, não se lhe aplica a ampla defesa e o contraditório. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando se assegura ao interessado o pleno conhecimento dos atos processuais. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para afastar a aplicação de lei ou considerála inconstitucional. Aplicação da Súmula 2 do CARF. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A Portaria RFB n. 2.284/2010, que define o procedimento de constituição do crédito tributário no caso de pluralidade de sujeitos passivos, nos termos da Fl. 18852DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.852 3 legislação pátria, tratandose de atividade administrativa plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS APÓS 360 DIAS O art. 24 da Lei n° 11.457/2007 não prevê obrigações ou conseqüências específicas para um processo que tenha duração superior ao referido prazo, tratandose de norma programática. A aplicação de juros decorre de expressa aplicação de lei. SOBRESTAMENTO DO FEITO PARA AGUARDAR AÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE Salvo exceções, as decisões judiciais e administrativas são independentes no âmbito de suas respectivas esferas (civil, penal, administrativa, tributária, trabalhista etc.), até porque um mesmo fato pode consistir em ilícito tributário mas não penal, e viceeversa. Por sua vez, a eventual absolvição na esfera penal não acarreta necessariamente na improcedência do PAF. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recursos de ofício e aos recursos voluntários de 4 Rios Participações, Empreendimentos E Administrações Ltda., PNGS Prosper Participações Eireli, Iara Galdino da Silva, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Maria Dirce Penasso. Por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários de Gustavo Henrique Penasso Kodama e Liciane Paes Freire Penasso Kodama. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 18853DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de Recursos Voluntários e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE), que julgou procedente em parte a(s) impugnação(s) administrativa (as) apresentada (as) pelo (os) contribuinte(s) em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao período de maio de 2013 a fevereiro de 2014. O lançamento referese a tributação pelo IRRF incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, totalizando o crédito tributário o valor de R$43.871.155,59, incluindo juros de mora e multa de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração em lide, e do relatório fiscal de fls. 13.614/13.851, o lançamento se deve a apuração da falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, referentes a pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas, provenientes de remessas de recursos para o exterior, efetuadas nos anoscalendário 2013 e 2014, por meio de operações de câmbio fraudulentas, baseadas em operações de importação inexistentes, uma vez que não houve a aquisição de mercadorias de origem estrangeira por parte da autuada, e cuja finalidade teria sido unicamente a de evasão de divisas, apuradas em investigações realizadas no âmbito da força tarefa da operação Lava Jato. A empresa DA VINCI realizou, ao longo de 2013 e 2014, 206 (duzentos e seis) remessas fraudulentas ao exterior por intermédio da corretora TOV, para pagamento de importações fictícias de vultosos valores, de acordo com o descrito no item 10 do citado Relatório Fiscal e procedimento de circularização (fls. 2.863/4.561) e demonstrativo de remessas fraudulentas à fl. 4.558. De acordo com o Relatório Fiscal acima mencionado, em seu item 2.2, “a autoridade fiscal informa que a empresa DA VINCI nunca funcionou no endereço cadastral informado na Junta Comercial, conforme descrição de diligência realizada junto ao proprietário da sala informada como seu endereço cadastral”. (...) “O tópico “4 – EMPRESAS CONSTITUÍDAS E/OU CONTROLADAS POR NELMA KODAMA NO EXTERIOR” do Relatório de Fiscalização demonstra detalhadamente, com base em documentos obtidos pela fiscalização no site do governo do Hong Kong e outros elementos, que as empresas estrangeiras beneficiárias das remessas ilegais da Da Vinci, que estão listadas no TVF, foram constituídas e/ou colocadas na direção de interpostas pessoas, bastante próximas à Nelma Kodama ou em nome da própria Nelma Kodama. Tanto Nelma Kodama quanto as suas interpostas pessoas omitiram na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física as empresas estrangeiras. Depreendese dos autos, que “através de ações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Receita Federal que a empresa DA VINCI pertencia de fato à Nelma Kodama que a utilizava para a prática de crimes financeiros, especialmente evasão de divisas e operação de instituição financeira irregular, conforme detalhadamente descrito no Relatório Fiscal e na sentença judicial de fls. 8.082/8.189. Nelma Kodama utilizava a DA VINCI para fazer remessa de recursos fraudulentos ao exterior a suas próprias empresas, sendo o seu quadro social constituído pelas interpostas pessoas Juliana Cordeiro de Moura e Paulo Sérgio Coelho”. No curso do procedimento fiscal, “foi levantado que a empresa de fachada Da Vinci foi utilizada para a realização de muitas outras remessas de recursos para o exterior Fl. 18854DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.853 5 além daquelas 91 remessas tratadas na ação penal 502624305.2014.404.7000/PR. A fiscalização levantou a existência de 246 remessas de recursos para fora do País de forma fraudulenta por intermédio da Da Vinci,sendo 40 remessas fraudulentas através da corretora Itaú Unibanco S/A no mês de maio de 2011 e 206 remessas por meio da corretora TOV no período de maio de 2013 a fevereiro de 2014. A empresa Da Vinci estava no nome de interpostas pessoas e o controle e propriedade de fato era da doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama”. Em adição às provas constantes da ação penal referente ao processo judicial 5022624305.2014.404.7000/PR as quais foram aproveitadas, “a fiscalização coligiu elementos adicionais os quais demonstram que a DA VINCI pertencia de fato a Nelma e era por ela controlada , conforme item 6 do Relatório Fiscal”. Foram responsabilizados solidariamente: “As pessoas jurídicas 4 RIOS PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÕES LTDA e PNGS PROSPER PARTICIPAÇÕES EIRELI (responsabilidade solidária de fato, artigo 124,I do CTN) e as pessoas físicas Gustavo Henrique Penasso Kodama, Iara Galdino da Silva, Nelma Mitsue Penasso Kodama, Liciane Paes Freire Penasso Kodama e Maria Dirce Penasso, todas responsabilizadas pela prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto (art. 135,do CTN, com base em seu inciso II em relação a Iara Galdino da Silva e com base no inciso III em relação aos demais)”. Constatouse a revelia da contribuinte DA VINCI CONFECÇÕES LTDA, bem como da responsabilizada solidária Iara Galdino, por não terem apresentado Impugnação Administrativa tempestivamente. Ciente da autuação, os interessados apresentam IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, trazendo em seu bojo as seguintes razões: A) IMPUGNAÇÃO apresentada por Nelma Mitsue Penasso Kodama às fls. 14.175/14.208, dos autos, trazendo as seguintes razões: 1. Afirma que “nunca havia sido sócia ou exercido qualquer função de gerência das empresas DA VINCI CONFECÇÕES LTDA nem da Empresa Patrimonial 4 RIOS PARTICIPAÇÕES EMPREENDIMENTOS ADMINISTRAÇÕES LTDA e que o artigo 135, III do CTN não preveria responsabilidade solidária para a hipótese delineada pela autoridade fiscal”; 2. Que “a DA VINCI tinha como sócia de fato e de direito a sra. Iara Galdino da Silva a qual havia deixado claro no curso da ação fiscal que a impugnante Nelma não seria a dona da empresa nem nunca havia exercido qualquer poder de gerência”; 3. Alega serem inadmissíveis “tanto as provas obtidas por meios ilícitos quanto os documentos retirados de outros autos sem que tenha sido assegurado o contraditório ao contribuinte. E que todas as Fl. 18855DF CARF MF 6 interpretações da autoridade fiscal teriam sido "pautadas em avaliações isoladas de documentos elaborados pelo MPF, sem que os mesmos tivessem sido submetidos ao contraditório, não podendo ser considerado como prova”; 4. Conclui que “a autoridade fiscal havia utilizado como prova os valores emitidos pelo Ministério Público Federal e que partes da ação penal só poderiam ser anexados aos autos de procedimento de fiscalização de partes da ação penal com a definitiva manifestação do Judiciário (art. 155 do Código de Processo Penal)”; 5. Alega “incompetência legal dos Auditores Fiscais da Receita Federal para imputar responsabilidade solidária a terceiros, sendo tal competência exclusiva da PGFN”; 6. Postula "seja reconhecido e assegurado o direito à ampla defesa da impugnante para refutar o mérito do auto de infração e não somente o seu respectivo termo de responsabilidade e, por força do disposto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal e nos artigos 9º,II, e 58 do DecretoLei nº 70.235/72"; 7. Argumenta não ser possível “a atribuição de responsabilidade por administração de fato nos termos do art. 135, III do CTN sem haver qualquer prova de que a contribuinte autuada fosse gerida pela impugnante”; 8. Que "a situação fática a que incidirá o art. 134(sic), inciso III, do CTN, não tem nenhuma relação com a suposta 'administração de fato' de sociedade empresária, que se trata de atividade econômica não relacionada à administração de bens de propriedade de terceiros." 9. Aduz que no presente caso, “a impugnante não é contribuinte direto nem indireto, não possuindo nenhuma ligação com a empresa autuada, e tampouco jamais foi "administradora de direito ou de fato" dos bens daquela empresa. Reafirmando nunca ter administrado bens da empresa e tampouco ter pertencido ao seu quadro social à época dos fatos geradores”; 10. Conclui, dessa forma, haver inadequação da norma jurídica ao fato imponível posto não ter havido pagamento efetuado pela DA VINCI. Em seu ponto de vista, "Nas operações fartamente narradas pelo Ministério Público Federal e reproduzidas exaustivamente no curso da fiscalização, não havia obrigação entre a empresa DA VINCI com os destinatários, portanto não se pode falar em pagamento." 11. Argumenta que " o que ocorria era que algumas pessoas, visando evitar a extensa e estrita regulamentação do sistema financeiro, utilizavam empresas administradas por doleiros, para realizar saques, depósitos,transferências e demais atividades bancárias. Dessa forma, não há que se falar em pagamento com a consequente violação aos artigos 674 e 675 do RII/99." Fl. 18856DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.854 7 12. Aduzindo que “não subsiste o fundamento adotado pelo Fisco de “pagamento sem causa”, devendo ser afastada essa tributação, haja vista que houve remessa de dinheiro para terceiros devidamente identificados, e não pagamentos feitos a beneficiário indevidamente identificado, não podendo ser taxados como “sem causa”, porque decorrem de previsão contratual vigente entre as partes, mesmo que seja posteriormente considerada ilegal”; 13. Requereu: a) a nulidade da prova emprestada" ou a nulidade do termo de responsabilidade lavrado, ou a nulidade do termo pela incompetência da agente fiscal. / Sejam desconsideradas as provas emprestadas dos processos administrativos que não contaram com a participação da impugnante e anulado o auto de infração. / Seja acolhida a "preliminar de incompetência jurisdicionaladministrativa do auditor fiscal para a fiscalização dos fatos geradores objeto da autuação fiscal e anulado o auto de infração". / Seja julgado improcedente o lançamento efetuado ou alternativamente, sendo mantida a responsabilidade da impugnante, seja anulada "a multa isolada. B) IMPUGNAÇÃO apresentada por Maria Dirce Penasso às fls. 14.361/14.392 dos autos, trazendo as seguintes razões: 1. Argui que “a fiscalização havia se baseado em "informações produzidas unilateralmente pela polícia federal, antes do contraditório e diametralmente oposta a decisão definitiva por parte do Judiciário”. “Portanto, não seriam válidas”; 2. Alega ter sido "absolvida criminalmente de todas as acusações penais, não havendo qualquer justificativa para a manutenção da tese de violação ao inciso III do artigo 135 do CTN." e que os documentos elaborados pelo MPF não poderiam ser considerados como prova tendo em vista não terem sido "sujeitos ao contraditório". Não podendo nem mesmo ser considerada como prova emprestada "já que não havia decisão definitiva sobre a matéria”; 3. Alega “a incompetência legal dos Auditores Fiscais da Receita Federal para inclusão de responsáveis solidários no Auto de Infração”; 4. Requereu a "aplicação do princípio da ampla defesa previsto no artigo 5º, LVda CF" em relação às impugnações interpostas pelos responsáveis tributários, assegurando o direito de defesa no âmbito do processo administrativo fiscal. 5. Afirma que “a fiscalização lhe havia atribuído responsabilidade solidária sem, contudo, descrever a conduta pessoal da impugnante que se enquadrasse na norma prevista no artigo 135,III do CTN. Tendo a autoridade fiscal se baseado apenas no fato de ser mãe de Fl. 18857DF CARF MF 8 Nelma para lhe estender o conceito de "administrador de fato" e de ser "laranja de Nelma", não havendo nenhuma prova de que teria sido administradora de fato da DA VINCI”. 6. Acrescenta que “ situação fática de que trata o artigo 134(sic),III do CTN não teria nenhuma relação com a suposta "administração de fato" de sociedade empresária, que se trataria de atividade econômica não relacionada à administração de bens de propriedade de terceiros"; 7. Quanto ao mérito, alega que “as operações consideradas pela autoridade fiscal, não haveria obrigação entre a empresa DA VINCI com os destinatários e, portanto, não se poderia falar em pagamento, tendo havido a seu ver violação aos artigos 674 e 675 do RIR/99”; 8. Afirma que “não houve pagamento conforme amplamente demonstrado nos autos da ação penal trazida aos autos pelo próprio agente fiscal. Houve simulação de operações de câmbio praticadas pela empresa DA VINCI que emprestava a sua empresa para todos aqueles que quisessem enviar ilegalmente dinheiro para o exterior”. 9. E que “não subsiste o fundamento adotado pelo Fisco de pagamento sem causa”, devendo ser afastada essa tributação, haja vista que houve remessa de dinheiro para terceiros devidamente identificados, e não pagamentos feitos a beneficiário indevidamente identificado, não podendo ser taxados como “sem causa”, porque decorrem de previsão contratual vigente entre as partes, mesmo que seja posteriormente considerada ilegal”. C) IMPUGNAÇÃO apresentada por PNGS PROSPER PARTICIPAÇÕES EIRELI às fls. 14.546/14.578 dos autos, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. Afirma que “havia sido responsabilizada solidariamente de fato na condição de grupo econômico fundamentada em prova emprestada de processo judicial criminal distribuído no estado do Paraná”; 2. Diz que “as provas seriam inválidas por entender serem inadmissíveis as provas emprestadas dos autos de processo criminal sem que fosse assegurado o contraditório ao contribuinte, sendo necessário que as partes do segundo processo sejam as mesmas do primeiro e tenham se defendido de forma ampla”; 3. Afirma que “os Auditores Fiscais da Receita Federal não teriam competência legal para inclusão de responsáveis no Auto de Infração”; 4. Requereu “o direito de defesa em relação às impugnações interpostas pelos responsáveis tributários”; Fl. 18858DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.855 9 5. Afirma “ser ilegal a responsabilização solidária da impugnante por suposta formação de grupo de fato sendo a intervenção estatal na economia admitida pela Constituição apenas nas hipóteses ali previstas , sendo vedado desconsiderar a personalidade jurídica de empresas privadas à revelia da intervenção do Poder Judiciário, para o efeito de estabelecer vínculos de responsabilidade entre empresas que considera formarem grupo informal de fato, devendo ser declarada nula por afronta aos ditames do art. 50 do Código Civil e do princípio constitucional da livre iniciativa(art. 170 da CF)”; 6. Diz que “o artigo 124, I somente seria aplicável aos casos de tributos relacionados à propriedade de uma coisa e não à realização de uma atividade, acrescentando não haver nenhuma prova de que a impugnante ou sua sócia Maria Dirce Penasso tenham sido administradoras de fato da empresa DA VINCI, verdadeira responsável pelos créditos tributários”; 7. Diz que “quanto ao mérito, alega haver inadequação dos artigos 674 e 675 do RIR/99 ao fato imponível e que no presente caso não teria havido pagamento efetuado pela DA VINCI aos terceiros por não haver obrigação entre estes, não se podendo falar em pagamento mas "simulação de operações de câmbio praticadas pela DA VINCI que emprestava a sua empresa para todos aqueles que quisessem enviar ilegalmente dinheiro para o exterior." 8. Afirma que “a alíquota de 35% do IRRF seria de natureza punitiva e que a imposição de multa seria dupla punição sobre o mesmo fato”; 9. Protesta ao final, “pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários”. D) IMPUGNAÇÃO apresentada por (i) 4 RIOS PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS ADMINISTRAÇÕES LTDA e as pessoas físicas (ii) Gustavo Henrique Penasso Kodama e (iii) Liciane Paes Freire Penasso Kodama apresentaram peças impugnatórias idênticas constantes, respectivamente, às fls. 15.691/15.721; 14.732/14.762 e 15.211/15.241, alegando o que segue: 1. Afirmam “que os Auditores Fiscais da Receita Federal não possuem competência legal para imputar responsabilidade solidária a terceiros; 2. “Que a autoridade fiscal havia utilizado como prova "meras planilhas e correios eletrônicos realizados em datas já atingidas pelo prazo decadencial uma vez que "se a decadência extingue o crédito tributário, encerrando o liame obrigacional entre o Estado credor e o próprio sujeito passivo, da mesma forma se encontrará rompida qualquer relação de responsabilidade tributária constituída durante o espaço de tempo abarcado pela decadência." Fl. 18859DF CARF MF 10 3. “Que a fiscalização havia se baseado em planilhas unilaterais e e mails desconexos, e que as informações policiais sequer haviam comprovado a prática de qualquer crime por parte dos impugnantes, visto que contra eles não havia sido proposta qualquer ação penal pelo Ministério Público”; 4. Dizem que dessa forma, “ante a falta de prova, o Auto de Infração deveria ser cancelado por ofensa ao princípio da estrita legalidade tributária”; 5. “Que em nenhum momento a autoridade fiscal havia apontado qualquer irregularidade em sua contabilidade e que a autuação teria se baseado unicamente em provas precárias obtidas junto à polícia federal”; 6. “Que haviam sido utilizadas apenas presunções para efetuar o lançamento”; 7. Que a empresa 4 RIOS sempre pertenceu a Liciane e sua família a quase quarenta anos, financeiramente sólida (proprietária de ativos de valores expressivos) e de grande confiabilidade junto a clientes e fornecedores e que nunca teria tido nenhuma relação negocial com a DA VINCI nem com a sra. Nelma Mitsue Penasso Kodama, por desenvolverem atividades econômicas distintas; 8. Que não havia sido juntado pela autoridade fiscal qualquer email trocado entre Nelma e Gustavo ou Liciane ou com representante legal da 4 RIOS; 9. Afirmam que “em relação ao empreendimento Edifício Hotel Villa Lobos, afirma que o imóvel no qual havia sido construído o referido empreendimento, pertenceria à família de Liciane desde 1978”; 10. “Que a construção do referido empreendimento através da parceria com outros investidores, cabendolhe 75 unidades habitacionais as quais haviam sido recebidas por meio de permuta física, nunca tendo alienado qualquer das unidades a Nelma Kodama, Maria Dirce Penasso ou PNGS PROSPER PARTICIPAÇÕES; 11. “Que a menção feita no Auto de Infração de que a 4 RIOS havia realizado depósitos bancários para a sra Nelma Kodama seria pura presunção baseada em uma simples planilha”; 12. Dizem que “quanto a sra Liciane, havia dado continuidade aos negócios iniciados por seu genitor e que por ser sócia proprietária majoritária da empresa 4 RIOS que por sua vez é proprietária de unidades habitacionais do condomínio Hotel Villa Lobos, seria natural que assumisse o cargo de síndica do citado condomínio”; 13. “Que a autoridade fiscal não havia provado que havia praticado atos e omissões com infração de lei, cedendo a empresa para uso, benefício e participação da sra. Nelma Kodama, não tendo sido apontado qualquer ato em afronta à lei ou ao contrato social da 4 RIOS que tenha sido praticado por Liciane Paes Freire Penasso Kodama, não Fl. 18860DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.856 11 autorizando a responsabilidade solidária prevista no artigo 135,III do CTN”; 14. Dizem que “quanto ao sr. Gustavo Penasso Kodama, alega auxiliar sua esposa Liciane na administração de suas empresas herdadas de seu pai. No entanto, a gestão das empresas sempre coube a sra. Liciane”; 15. Embora seja irmão da sra. Nelma Kodama, nunca havia mantido com ela qualquer relação empresarial, apenas familiar. Portanto, nunca havia mantido qualquer relação comercial com a empresa DA VINCI, não sendo interposta pessoa da irmã”; 16. Arguem que “o artigo 135, III do CTN não poderá servir de base para lhe atribuir responsabilidade solidária posto que tratarseia de pessoa completamente alheia aos fatos geradores ocorridos no período sob ação fiscal”; 17. Alegam “ter havido aplicação errônea da alíquota do IRRF”; 18. “Contesta a qualificação da multa de ofício por considerar ausente o dolo/fraude, uma vez que não teria havido prática dolosa por parte da 4 RIOS, da sra Liciane ou por Gustavo. Tampouco haveria erros ou vícios em sua contabilidade”. 19. Alegam também, “caráter confiscatório da multa de ofício de 150%, requerendo seu cancelamento”; 20. Aduzem, ainda, "a nulidade do lançamento por inobservância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade”. E) Da IMPUGNAÇÃO apresentada pela TOV às fls.16.178/16.220 dos autos, trazendo sem seu bojo as seguintes razões: 1. Diz que “no curso do procedimento fiscal entendeu a fiscalização que a empresa DA VINCI teria sido utilizada para realização de remessas de recursos para o exterior, sendo 91 apuradas na ação penal 502624305.2014.404.7000/PR e 246 remessas para fora do País apuradas posteriormente, sendo 40 remessas através da corretora Itaú Unibanco S/A no mês de maio/2011 e 206 remessas por meio da corretora TOV no período de maio de 2013 a fevereiro de 2014”; 2. “Que havia sido intimada pela autoridade fiscal e que havia apresentado todos os documentos ali exigidos, "demonstrando o integral cumprimento da legislação aplicável ao caso." Graças a sua colaboração, a autoridade fiscal havia apurado e constituído o crédito Fl. 18861DF CARF MF 12 tributário no valor de R$43.871.155,59, em face da empresa DA VINCI”; 3. Afirma que, “apesar de na sua opinião, haver "cumprido com todas as obrigações legais a que era imposta" havia sido equivocadamente responsabilizada solidariamente”. 4. Aduz a Impugnante que “teria sido responsabilizada por supostamente não ter sido diligente nas verificações acerca da existência da empresa Da Vinci Confecções Ltda e da veracidade dos pagamentos/remessas ao exterior, tendo sido aplicado o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, que prevê a responsabilização, de forma solidária, às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador”; 5. Pondera que “pelo fato de a infração ser falta de recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre 246 remessas de recursos ao exterior e de que a obrigação tributária de efetuar a retenção do IRF seria apenas da empresa DA VINCI, não havendo embasamento legal para atribuir responsabilidade à impugnante TOV pela retenção do IRF, conforme dispositivos legais constantes do lançamento. Concluindo que "a responsabilidade pela retenção do Imposto de Renda é da fonte pagadora. No presente caso, a responsabilidade é única e exclusivamente da empresa DA VINCI”; 6. Diz “que todos os dispositivos legais elencados no Relatório de Fiscalização determinariam a responsabilidade legal da empresa DA VINCI pela retenção do imposto”. 7. Diz que “nos termos do artigo 723 do RIR/99, somente seriam "solidariamente responsáveis pelo não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte" os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”; 8. Afirma que “acresce que não haveria interesse comum no fato gerador de que trata o inciso I do artigo 124 do CTN uma vez que entende ser "necessário que a situação de fato enquadre os sujeitos no mesmo polo da relação tributária", sendo requisito a participação direta dos interessados na realização do fato gerador”; 9. Diz “reconhece que a fiscalização havia demonstrado de forma plena que as demais pessoas jurídicas responsabilizadas solidariamente possuiam como sócia de fato a sra. Nelma Kodama, existindo, inclusive, confusão patrimonial entre a DA VINCI e as demais empresas. Mas que em relação à TOV não existiriam sequer indícios da existência de qualquer vínculo seja com a pessoa física Nelma Kodama seja com qualquer outra pessoa jurídica envolvida na autuação ou existência de confusão patrimonial, razão pela qual não poderia a TOV ser responsabilizada ante a inexistência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal”; Fl. 18862DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.857 13 10. “Que a fiscalização se ateve em demonstrar que a impugnante supostamente não teria sido diligente na sua atuação e que tal fato não seria o bastante para ensejar a responsabilização solidária. Caso não tivesse sido diligente,caberia a aplicação de penalidades administrativas pelo Banco Central do Brasil, mediante processo administrativo, não existindo qualquer dispositivo legal a prever a penalização por meio de responsabilização solidária pela não retenção do IR”. O Acórdão ora Recorrido (1156.902 3ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2013,2014 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA: Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente EXIGÊNCIA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PUNIÇÃO. Não há que se falar em dupla punição na exigência de IRRF por pagamentos sem causa cumulado com multa de ofício, pois tributo não constitui sanção de ato ilícito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013,2014 RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ressalvese que o art. 135, III, do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato do contribuinte. Fl. 18863DF CARF MF 14 Excluise do polo passivo a pessoa cujo interesse comum não restou comprovado. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013,2014 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O procedimento fiscal é inquisitório e, por isso, não se lhe aplica a ampla defesa e o contraditório. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando se assegura ao interessado o pleno conhecimento dos atos processuais. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma “a conduta específica e concreta do contribuinte teve a intenção de promover ilegalmente remessas de divisas do país para o exterior, ao mesmo tempo em que se evadia de tributos devidos, mediante registro em contratos de câmbio de importações fictas. Longe de se tratar de meros equívocos e erros, explicáveis pela negligência (o que poderia ensejar a multa simples de 75%), a conduta do contribuinte configurouse em prática sistemática e reiterada, redundando em grave crime contra a Fazenda Nacional. O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados, especificamente, em 246 contratos de câmbio ao desamparo de importações regulares”. Assim, “os fatos apurados na Operação Lava Jato não guardam, necessariamente, relação direta com os fatos apurados na ação fiscal, à qual interessam apenas as consequências tributárias. Se os impugnantes tiveram ou não ação penal proposta pelo Ministério Público Federal contra si, é tema que refoge à circunscrição do presente litígio, para cujo desfecho interessa saber se ocorreram ou não as infrações de natureza tributária imputadas ao sujeito passivo”. Entendeu a DRJ que(...) “em que pese o fato de que a conduta da Corretora TOV ter em tese possibilitado a realização de remessas fraudulentas de numerário ao exterior pela empresa DA VINCI, o que configuraria crime contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, não restaram comprovadas as circunstâncias que caracterizam o interesse comum previsto no artigo 124, I do CTN, ou seja, não restou comprovada a existência de grupo econômico de fato, confusão patrimonial, vinculação gerencial ou coincidência de sócios e administradores que pudesse ensejar a responsabilização tributária da TOV”. Considerou ainda que, “na autuação que se examina, restou evidenciado o interesse dos responsáveis, ora impugnantes, nas atividades que deram origem aos fatos Fl. 18864DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.858 15 geradores dos tributos devidos pela autuada, conforme disposto no citado artigo 124, inciso I, do CTN – uma vez que participara efetivamente nas ações delituosas, beneficiandose ainda das atividades ilícitas da empresa. (...) Da mesma forma, devido a sócia administradora da 4 Rios Participações, Empreendimentos e Administrações Ltda, Liciane Paes Freire Penasso Kodama, ter praticado atos e omissões com infração de lei, cedendo a empresa para uso, benefício e participação da doleira Nelma Kodama, tudo de forma oculta, Liciane também deve responder solidariamente pelas débitos tributários da solidária da Da Vinci Confecções Ltda, a 4 Rios Participações,Empreendimentos e Administrações Ltda, nos termos art. 135, III, do CTN. Por sua vez, Nelma Kodama por ter praticado atos e omissões com infração de lei, fraude, desvio de finalidade e confusão patrimonial, mediante uso, benefício e participação de fato na 4 Rios Participações, tudo de forma oculta, deve responder solidariamente pelos débitos tributários da solidária da Da Vinci Confecções Ltda, a 4 Rios Participações”. No caso em tela, a fiscalização se valeu, sim, de diversos documentos obtidos no âmbito da operação denominada “Lava Jato”, a exemplo da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em face, entre outros, das Sras. Nelma Mitsue Penasso Kodama e Maria Dirce Penasso (fls. 11/74), dos relatos dos operadores do esquema, entre outros. De qualquer forma, vemos no Termo de Verificação Fiscal que a autoridade autuante desempenhou corretamente seu mister, na medida em que buscou associar o conjunto desses documentos obtidos em outra seara com os documentos contábeis e fiscais de estilo, a exemplo das circularizões efetuadas junto aos beneficiários dos pagamentos, DIPJ, das notas fiscais, dos livros contábeis, etc.. Só então vimos surgir as conseqüências tributárias que culminaram na autuação. Com isso, rejeitouse as preliminares suscitadas, mantendo integralmente a exigência do crédito tributário lançado, e confirmar a sujeição passiva solidária atribuída a: 4 RIOS PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÕES LTDA, PNGS PROSPER PARTICIPAÇÕES EIRELI, GUSTAVO HENRIQUE PENASSO KODAMA, IARA GALDINO DA SILVA, NELMA MITSUE PENASSO KODAMA, LICIANE PAES FREIRE PENASSO KODAMA E MARIA DIRCE PENASSO, declarando revéis a contribuinte DA VINCI CONFECÇÕES LTDA e a responsabilizada solidária IARA GALDINO DA SILVA. Por fim, excluiuse a responsabilidade tributária solidária da CORRETORA TOV. Da decisão Recorreuse de OFÍCIO às fls.1.598 dos autos. Ciente da decisão do Acórdão, os interessados apresentam Recursos Voluntários, trazendo em seu bojo as seguintes razões: A) RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado em 15/08/2017 (fls. 16.506/16.541) por MARIA DIRCE PENASSO. Ciente da autuação em 25/07/17 (fls. 16.499), alegando as mesmas razões discorridas em sede de impugnação administrativa às fls. 14.361/14.392 dos autos. B) RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado por PNGS Prosper Participações Eireli em 31/08/2017 às fls. 18.672/18.723. Ciente da autuação em 25/07/2017 (fls. 16.500), alegando as mesmas razões discorridas em sede de impugnação administrativa às fls. 14.546/14.578 dos autos. Fl. 18865DF CARF MF 16 C) RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado por NELMA MITSUE PENASSO KODAMA em 24/08/2017 às fls. 16.555/16.589. Ciente da autuação em 24/07/2017 (fls. 16.503), discorrendo as seguintes razões: 1. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO NO TOCANTE À RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO: Aduz que “o dever de motivação é inerente à conduta da Administração Pública em qualquer situação que invada direitos e garantias individuais, o sendo também e principalmente, quando se trata de impor penalidade ou obrigatório tributário. Nesse sentido reza a Portaria RFB 2.284/2010 em seu artigo 2°, § 1°”; 2. DA INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE: Afirma que “no caso do auto de infração em espécie, a Recorrente não é contribuinte direto nem indireto e não possui nenhuma ligação jurídica com a empresa autuada. Tampouco foi "administradora de direito ou de fato" dos bens daquela empresa”. (...) E que “a violação alegadamente cometida pela empresa DA VINCI é de natureza punitiva. Ou seja, não houve fato gerador de obrigação principal que pudesse ser tida como transgredida para a aplicação da solidariedade”; 3. DA IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIEDADE EM RELAÇÃO AO IRRF: Diz que “está, portanto, infirmada a conclusão da Autoridade Fiscalizatória, não havendo nenhuma formação de grupo econômico e, menos ainda, sociedade entre a Recorrente e Iara ou ingerência na DA VINCI CONFECÇÕES LTDA. ME”; 4. DA DISTINÇÃO ENTRE SANÇÃO FISCAL (MULTA) E OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA (TRIBUTO): Diz que “a natureza jurídica da sanção distinguese, perfeitamente, da natureza jurídica do tributo extrafiscal, "proibitivo", uma vez que sanção é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular, diretamente, um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe”; 5. Da NATUREZA JURÍDICA DO IRRF EM PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA: Afirma que “na hipótese prevista no artigo 61 da lei 8.981/95, como não há beneficiário identificado, não é hipótese de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, tratase obviamente de penalidade pelo descumprimento de uma obrigação legal, mesmo porque, o beneficiário de eventual pagamento não poderia se creditar do imposto. A natureza da norma é de penalidade”; 6. DA VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 674 E 675 DO RIR/99 PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: Afirma que “não subsiste o fundamento adotado pelo Fisco de "pagamento sem causa", devendo ser afastada essa tributação, haja vista que houve remessa de dinheiro para terceiros devidamente identificados, e não pagamentos feitos a beneficiário Fl. 18866DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.859 17 indevidamente identificado, não podendo ser taxados como "sem causa", porque decorrem de previsão contratual vigente entre as partes, mesmo que seja posteriormente considerada ilegal. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei n°8.98.1, de 1995”; 7. DA DUPLA PUNIÇÃO PARA O MESMO FATO: Diz que resta “claro que a aplicação da alíquota de 35% tem natureza punitiva, não cabe a aplicação simultânea da alíquota de 150%, tendo em vista que seria permitir a dupla punição sobre o mesmo fato, devendo ser anulada a multa isolada, caso superadas as teses de defesa suscitadas”; 8. DA NÃO IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL: Afirma que “deve a Receita Federal, por meio de seus auditores e agentes, realizar diligências no sentido de identificar os reais beneficiários as operações e deles cobrar os valores devidos aos tributos. E há meios para isso. Tal diligência implica necessariamente no cancelamento da exigência fiscal relativa ao IRRF”; 9. DA MULTA CONFISCATÓRIA, JUROS SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA, CESSAÇÃO DOS JUROS DE MORA: Aduz que “a multa aplicada à Recorrente ultrapassa a proporcionalidade e chega ao confisco, o que é proibido nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal, razão por que deve ser afastada”; 10. Requereu que sejam “acolhidas as preliminares arguidas, com a declaração de nulidade do v. acórdão recorrido, pelas razões defendidas” e o acolhimento do presente recurso e a extinção do crédito tributário. D) RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado por RIOS PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÕES LTDA. (“4 Rios”), conjuntamente com o Sr. GUSTAVO HENRIQUE PENASSO KODAMA e a Sra. LICIANE PAES FREIRE PENASSO KODAMA em 24/08/2017 às fls. 16.668/ 16.796. Cientes da autuação em 25/07/2017 (fls. 16.501), discorrendo as seguintes razões: i. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO À RESPONSABILIZAÇÃO DOS RECORRENTES EM RAZÃO DE VÍCIO DE MOTIVAÇÃO: Afirma que “a motivação utilizada pela D. Autoridade Fiscal é insuficiente para o fim de imputar o vínculo da solidariedade (4 Rios) e da responsabilidade (Sr. Gustavo e Sra. Liciane), já que carece de clareza e congruência. A corroborar essa afirmação, os elementos utilizados pela Fiscalização (emails, planilhas, contratos etc) não justificam adequadamente o lançamento tributário em relação aos Recorrentes, pois não revelam qualquer conexão com as Fl. 18867DF CARF MF 18 remessas efetuadas pela Da Vinci”. Afirma que “o mesmo raciocínio desenvolvido para sustentar a nulidade do lançamento em relação a 4 Rios vale para o Sr. Gustavo e a Sra. Liciane, embora a insuficiência da motivação em relação a eles seja ainda mais flagrante. Para a D. Autoridade Fiscal, ambos teriam permitido que a 4 Rios fosse usada pela Sra. Nelma Kodama para benefício próprio, o que justificaria a imputação da responsabilidade de ambos pelo crédito tributário devido pela Da Vinci, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN”; ii. DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE O ÂMBITO DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 124, INCISO I, DO CTN E OS REQUISITOS QUE CONFIGURAM O “INTERESSE COMUM: Afirma que “considerando que o contribuinte é o sujeito passivo que pratica o fato gerador da obrigação tributária principal, não há dúvidas de que o inciso I do artigo 124 do CTN a ele se dirige exclusivamente. Em outras palavras, somente o contribuinte apresenta interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária – vez que o pratica –, de sorte que será “comum” o interesse partilhado necessariamente entre dois ou mais contribuintes. Afinal, se o contribuinte é quem possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, somente ele possuirá interesse comum nela. Por outro lado, o responsável jamais poderá ser considerado solidariamente obrigado com fundamento no inciso I do artigo 124 do CTN. Afinal, além de não praticar o fato gerador da obrigação tributária em conjunto com o contribuinte, não se situa no mesmo polo da relação jurídica de direito privado utilizada para a definição do fato gerador. Nesses casos, o estabelecimento do vínculo de solidariedade entre contribuinte e responsável ou entre responsáveis dependerá de expressa previsão legal, conforme preceitua o inciso II do mesmo enunciado”; iii. DA IMPOSSIBILIDADE LÓGICOJURÍDICA DE SE IMPUTAR A SOLIDARIEDADE EM RELAÇÃO AO IRRF EXIGIDO COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 61 DA LEI Nº. 8.981/95: Afirma que “a aplicação de uma norma de retenção (artigo 61 da Lei n°. 8.981/95) exclui, necessariamente, a regra da solidariedade do artigo 124, inciso I, do CTN, pois diz respeito à sujeição passiva direta. É dizer: os devedores solidários devem ser, necessariamente, contribuintes, jamais terceiros a quem se atribui a responsabilidade pelo crédito tributário. O responsável, repitase, jamais realiza dito fato gerador, embora mantenha com ele vínculo indireto; seu dever decorre de outro fato gerador, definido na norma que prescreve o seu dever de efetuar a retenção em caráter definitivo do imposto”; iv. DA AUSÊNCIA DE “INTERESSE COMUM” DA 4 RIOS NAS SITUAÇÕES QUE CONSTITUÍRAM OS FATOS GERADORES AUTUADOS REMESSAS REALIZADAS PELA DA VINCI A BENEFICIÁRIOS LOCALIZADOS NO EXTERIOR: Pontua “que o artigo 124, inciso I, do CTN só pode ser aplicado quando evidenciado o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária”. Assim, não basta que o Fisco demonstre a existência de um interesse comum (sempre de natureza jurídica, e não econômica, moral, social, financeira etc) entre dois sujeitos passivos; deve comprovar, Fl. 18868DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.860 19 também, que o interesse reside na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária”; v. DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS REALIZADOS À SRA. NELMA KODAMA NÃO PROVAM O INTERESSE COMUM ENTRE A 4 RIOS E A DA VINCI: Afirma que “os supostos pagamentos realizados à Sra. Nelma Kodama, além de estarem consignados em uma planilha em formato Excel, totalmente editável e manipulável pelo usuário que a origina, não possuem qualquer lastro em documentos de suporte que evidenciem a efetiva saída dos valores do caixa da 4 Rios. Temse, assim, que as referidas planilhas, desacompanhadas de documentos de suporte ou outros elementos de prova, não poderiam, sozinhas, justificar lançamento de ofício pelo Fisco, muito menos, a responsabilização da 4 Rios por três Autos de Infração que exigem o pagamento de aproximadamente R$ 78 milhões”; vi. DA EVENTUAL AUSÊNCIA DE CAUSA DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS JUSTIFICARIA, NO MÁXIMO, O LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRRF: Diz que “no limite, se o Fisco entende que não há causa para a realização de tais pagamentos, caberia autuar a 4 Rios, na qualidade de fonte pagadora, e exigirlhe o IRRF apenas sobre tais montantes, nos termos do artigo 61 da Lei n°. 8.981/95. O que não se justifica, evidentemente, é a sua responsabilização por remessas para o exterior efetuadas pela Da Vinci, empresa cuja existência desconhecia até a lavratura deste Auto de Infração, que perfazem R$ 44.648.409,89, montante esse incompatível, inclusive, com a movimentação bancária da 4 Rios no período autuado”; vii. DO CONDOMÍNIO HOTEL VILLA LOBOS E A PARTICIPAÇÃO DA SRA. NELMA KODAMA: Afirma que “em 20 de outubro de 2004, a 4 Rios (na qualidade de Primeira Contratante) assinou o “Instrumento Particular de Compra de Terreno em Permuta por Área Construída no Próprio Local e Outras Avenças” (folhas n°s. 1.354 a 1.360 do e processo) com o Condomínio Hotel Villa Lobos (na qualidade de Segundo Contratante) para formalizar a “aquisição pelo SEGUNDO CONTRATANTE do Terreno de propriedade do PRIMEIRO CONTRATANTE” por meio de permuta de “Unidades prontas e acabadas correspondentes a 29,41% do total da área construída e reformada”, conforme a cláusula 1ª do referido instrumento. Assim, por meio desse negócio, a 4 Rios recebeu 62 unidades (apartamentos n°s. 117 a 130; 219 a 230; 319 a 330; 419 a 430; e 1.101 a 1.112)”. (...) Constatase, “assim, a ausência de qualquer vínculo econômico ou jurídico entre a Sra. Nelma Kodama e a 4 Rios em relação aos 75 apartamentos do Hotel Villa Lobos, muito menos entre esta última e a Da Vinci. Mesmo que se admitisse, apenas hipoteticamente, que a propriedade do Hotel Villa Lobos pertence à Sra. Nelma Kodama, tal fato não seria suficiente para caracterizar o interesse comum da 4 Rios nas remessas efetuadas pela Da Vinci a beneficiários localizados no exterior. Nesse cenário meramente hipotético, o fato de a 4 Rios possuir imóveis em um hotel de propriedade da Sra. Nelma Kodama não Fl. 18869DF CARF MF 20 denotaria a existência de qualquer interesse jurídico nas remessas autuadas”; viii. DA UTILIZAÇÃO DO ENDEREÇO DA 4 RIOS PELA SRA. NELMA KODAMA:Diz que “a utilização do endereço da 4 Rios pela Sra. Nelma Kodama é conduta unilateral, que foge ao seu controle. Sabese que, em regra, uma pessoa pode indicar qualquer endereço nos cadastros da RFB. Nada impede que uma pessoa indique o endereço de um terceiro na sua Declaração de Ajuste Anual ou, ainda, no cadastro de uma empresa, já que inexiste qualquer avaliação prévia por parte do órgão que recebe tais informações”; ix. DAS CRÍTICAS À DECISÃO DA DRJ QUANTO À MANUTENÇÃO DA SOLIDARIEDADE DA 4 RIOS: Diz que “a 4 Rios jamais teve qualquer tipo de contato com a empresa Da Vinci, desconhecendo completamente as atividades que ela desenvolvia. Justamente em razão disso, as mais de 13.000 páginas dos autos não mostram qualquer vínculo existente entre elas, o que implica reconhecer a ausência de interesse comum da 4 Rios nas remessas efetuadas pela Da Vinci. À luz dessas considerações, merece provimento o Recurso Voluntário, a fim de que o acórdão recorrido seja reformado, reconhecendose, consequentemente, a ausência de solidariedade da 4 Rios em relação aos débitos exigidos da Da Vinci”; x. DA RESPONSABILIDADE IMPUTADA AO SR. GUSTAVO: Diz que “não basta alegar, genericamente, que o Sr. Gustavo praticou atos e omissões (sem identificálos) que teriam permitido o “uso' da 4 Rios pela Sra. Nelma Kodama para benefício próprio (sem apontar precisamente em que momento isso teria sido acordado entre as partes e, sobretudo, qual teria sido o benefício obtido por elas). Seria imprescindível a comprovação, pela D. Autoridade Fiscal, dessas alegações, bem como das condutas praticadas. Tamanha é a fragilidade da acusação fiscal também neste ponto, que a D. Autoridade Fiscal sequer vincula as suas alegações às provas supostamente produzidas nos autos”; xi. O USO PONTUAL DE SUA CONTA BANCÁRIA PESSOAL PELA SRA. NELMA KODAMA NÃO SE AMOLDA À HIPÓTESE DO ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN: Afirma que “o uso de conta bancária pessoal por um parente, além de não se amoldar à hipótese do artigo 135, inciso III, do CTN, tampouco prova qualquer vínculo do Sr. Gustavo com a Da Vinci, o que é suficiente para impedir a sua responsabilização pelos débitos imputados a ela”; xii. O SR. GUSTAVO NÃO CEDEU A 4 RIOS PARA USO E BENEFÍCIO DA SRA. NELMA KODAMA: Afirma que “a D. Autoridade Fiscal apenas demonstra algo que jamais foi ocultado pelo Sr. Gustavo: o seu vínculo de parentesco com a Sra. Nelma Kodama. Isso, no entanto, também não permite considerálo responsável por todo e qualquer ato praticado por sua irmã ou pelas supostas empresas de fachada, dentre elas a Da Vinci, constituídas para a prática de supostos ilícitos penais. Vale pontuar, também, que o fato de o Sr. Gustavo e a Sra. Liciane atuarem como síndicos do Hotel Villa Lobos, onde estão situadas as 75 Fl. 18870DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.861 21 unidades que pertencem a 4 Rios, embora não tenha sido invocado pela D. Autoridade Fiscal como um fundamento para responsabilizálos, é igualmente irrelevante para tal fim”; xiii. SUBSIDIARIAMENTE: A RESPONSABILIDADE DO SR. GUSTAVO DEVE SER LIMITADA AO PERÍODO EM QUE FOI SÓCIO DA 4 RIOS (ATÉ 28.08.2012): Destaca que “a D. Autoridade Fiscal não questionou, em momento algum, a saída do Sr. Gustavo da 4 Rios, tampouco lhe acusou de ter permanecido na empresa como sócio de fato. Com efeito, não foi feita qualquer ilação nesse sentido e, ainda que tivesse sido feita, caberia à D. Autoridade Fiscal produzir prova nesse sentido. Dessa forma, caso seja mantida a sua responsabilidade pelo crédito tributário exigido nestes autos, o que, repitase, é admitido neste momento apenas em caráter subsidiário, ela deverá ser limitada aos fatos geradores autuados no período de 27.05.2011 a 27.07.12”; xiv. DA RESPONSABILIDADE IMPUTADA À SRA. LICIANE: Diz que “justamente pelo fato de a Sra. Nelma Kodama e a 4 Rios (representadas pelo Sr. Gustavo e a Sra. Liciane) serem as maiores investidoras do empreendimento imobiliário, não estranha o fato de elas terem conduzido com maior rigor o acabamento do Hotel Villa Lobos, já que, como mencionado, havia grande interesse na finalização da obra, a fim de que ele pudesse gerar o retorno esperado”; xv. DAS CRÍTICAS À DECISÃO DA DRJ QUANTO À MANUTENÇÃO DA RESPONSABILIDADE DO SR. GUSTAVO E DA SRA. LICIANE: Afirma que “o acórdão da DRJ deixou analisar os argumentos de defesa do Sr. Gustavo e da Sra. Liciane e, ademais, criou uma nova acusação fiscal da qual eles sequer tiveram a oportunidade de se defender. Evidenciase, assim, que a própria DRJ, reconhecendo a insubsistência da acusação fiscal elaborada contra o Sr. Gustavo e Sra. Liciane, procurou aperfeiçoála, atuando indevidamente como autoridade lançadora. Mesmo diante de cenário tão absurdo, a tentativa da DRJ fracassa, eis que mesmo a nova acusação fiscal é vaga por deixar de apontar concretamente qualquer ato ilícito praticado pelo Sr. Gustavo ou pela Sra. Liciane”; xvi. A SRA. NELMA KODAMA NÃO ERA SÓCIA DE FATO OU DE DIREITO DA DA VINCI E DA IMPÉRIO: Afirma que “em específico, não existe qualquer demonstração de que havia exclusividade na utilização da Da Vinci ou da Império pela Sra. Nelma Kodama. Carece o Auto de Infração de qualquer prova de que a totalidade das transferências realizadas mediante as contas da Da Vinci referiase a operações de interesse da Sra. Nelma Kodama. Ao contrário, os indícios trazidos aos autos evidenciam que as empresas e contas eram disponibilizadas à ampla carteira de clientes da Sra. Iara Galdino, sem qualquer garantia de utilização exclusiva das empresas ou contas. Não há qualquer razão para crerse que tal fato seria distinto em relação à Da Vinci”; Fl. 18871DF CARF MF 22 xvii. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 124, INCISO I E ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN EM RELAÇÃO AO IRRF EXIGIDO COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 61 DA LEI Nº. 8.981/95: Afirma que “está, destarte, o erro cometido pela D. Autoridade Fiscal na sua tentativa de imputar o vínculo da solidariedade a 4 Rios com fundamento no artigo 124, inciso I, do CTN e da responsabilidade ao Sr. Gustavo e a Sra. Liciane com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN, pois a própria regra do artigo 61 da Lei nº. 8.981/95, ao prever a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, afasta a possibilidade de que haja solidariedade ou responsabilidade de terceiros”; xviii. DA RESPONSABILIDADE DOS RECORRENTES DEVE SER LIMITADA, NO MÁXIMO, AO MONTANTE DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS REALIZADOS A SRA. NELMA KODAMA NO PERÍODO AUTUADO: Afirma que “não se pode exigir dos Recorrentes o pagamento integral do crédito tributário por ausência de elementos que os vinculem aos demais pagamentos supostamente realizados pela Da Vinci. Se as supostas transferências realizadas em favor da Sra. Nelma tem o condão de confirmar a existência de interesse comum da 4 Rios ou a alegada prática de atos capazes de responsabilizar o Sr. Gustavo e a Sra. Liciane, cabe limitar essa responsabilidade aos montantes transferidos no período autuado”; xix. DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS PAGAMENTOS PELO FISCO IMPEDE A EXIGÊNCIA DO IRRF COM FUNDAMENTO NO § 1° DO ARTIGO 61 DA LEI N°. 8.981/95: Diz que “o acórdão recorrido é incoerente neste ponto. Embora afirme, em um primeiro momento, que não teria sido comprovada “a motivação das transferências” e, portanto, “a causa dos pagamentos em questão” (página n°. 23), em um segundo momento, reconhece que a “finalidade [das remessas] teria sido unicamente a de evasão de divisas” (página n°. 3). Ora, Srs. Julgadores, entendida a causa do pagamento como o seu motivo ou a sua razão, verificase que a decisão recorrida também a reconhece na medida em que confirma que a finalidade das remessas autuadas teria sido, justamente, a evasão de divisas”; xx. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO: A EMPRESA DA VINCI NÃO É A REAL FONTE DOS RENDIMENTOS, JÁ QUE ATUAVA COMO MERA INTERMEDIADORA DOS VALORES REMETIDOS: Afirma que “considerandose correta a premissa de que a Sra. Nelma Kodama utilizava a Da Vinci para realizar essas operações, então evidentemente não se pode imputar a ela (Da Vinci) a condição de sujeito passivo do IRRF exigido com base no artigo 61 da Lei nº. 8.981/95, pois, como se disse, seu objetivo era apenas intermediar o fluxo da renda entre os clientes da Sra. Nelma Kodama (e, possivelmente, de outros doleiros) e os beneficiários finais desses pagamentos no exterior. (...) Aliás, importa ressaltar que nem ao menos é seguro afirmar que o beneficiário final das referidas remessas sempre foi pessoa diferente daquela que detinha os montantes remetidos no Brasil. Isso porque há casos em que a fonte que Fl. 18872DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.862 23 produz a renda confundese com o beneficiário final desse mesmo recurso”; xxi. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CUMULAR O IRRF COM A MULTA DE OFÍCIO, DEVIDO À SUA NATUREZA SANCIONATÓRIA: Diz que “ante a especialidade da regra prevista pelo artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 frente à regra geral do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96, deve ser afastada a multa de 150% aplicada sobre o montante exigido a título de “IRRF”, tendo em vista a sua natureza de multa isolada”; xxii. DA NECESSÁRIA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA QUE A RFB VERIFIQUE SE AS FONTES PAGADORAS E OS REAIS BENEFICIÁRIOS PODEM SER IDENTIFICADOS E AUTUADOS: Afirma que “ a conversão do julgamento em diligência neste ponto evitará a tributação de situações em que nem mesmo o “pagamento” exigido pelo artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 se confirma, vez que há casos, mencionados pelo próprio MPF na denúncia apresentada contra a Sra. Nelma Kodama (folhas n°s. 11 a 74 do eprocesso), em que a fonte pagadora e o beneficiário no exterior se confundem. Anotese, por fim, que, em junho de 2016, a Sra. Nelma Kodama fechou acordo de delação premiada, conforme notícias veiculadas na internet. O acesso ao seu conteúdo poderá auxiliar a RFB a cumprir a diligência ora solicitada, especialmente em relação à identificação das reais fontes pagadoras dos montantes ora autuados”; xxiii. DA IMPROCEDÊNCIA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO: Afirma “que a qualificação da multa dáse em decorrência do suposto descumprimento de deveres instrumentais e supostas condutas ilícitas das quais os Recorrentes não possuíam conhecimento, tampouco a obrigação de conhecêlas. Assim, pretende a Fiscalização que os Recorrentes sejam penalizados por atos que não praticaram, dos quais não tinham conhecimento, ou sequer a possibilidade de ter conhecimento, já que as operações da Da Vinci lhe são completamente estranhas”; xxiv. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA QUALIFICADA À LUZ DO ENTENDIMENTO DO STF: Diz que “a multa deve: (i) sancionar o sujeito passivo infrator (caráter pedagógico da penalidade) em razão do descumprimento de norma que estabelece uma obrigação tributária ou um dever instrumental e (ii) desestimulálo a incorrer novamente na prática do ilícito. Para tanto, a multa pecuniária deve ser adequadamente graduada, a fim de que seu valor não seja excessivamente ínfimo (hipótese em que restariam frustrados os seus objetivos) ou excessivamente alto (hipótese em que haveria enriquecimento ilícito do Erário, tornando a multa uma fonte adicional de arrecadação e inviabilidade de o sujeito passivo recolher o próprio tributo exigido)”; xxv. DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN EM CASO DE VOTO DE QUALIDADE: Diz que “para conciliar o instituto do voto de Fl. 18873DF CARF MF 24 qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o artigo 112 do CTN, tornase mandatório o cancelamento das multas veiculadas no presente Auto de Infração em caso de empate no julgamento deste recurso voluntário”; xxvi. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE AS MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA: Afirma que “tal procedimento – que tem sido praticado indiscriminadamente pela Receita Federal do Brasil – carece de fundamento legal, já que o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado”; xxvii. DA CESSAÇÃO DA FLUÊNCIA DOS JUROS DE MORA APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DE 360 DIAS: Diz que “com efeito, o inadimplemento da obrigação tributária pelo contribuinte acarreta a incidência dos juros de mora. Ao optar por discutir administrativamente o débito, instaurando o litígio administrativo pela apresentação da Impugnação, o sujeito passivo aceita que, enquanto não solucionada a discussão, incidam juros de mora”; xxviii. Requereu o acolhimento das preliminares suscitadas, para cancelar integral ou parcialmente o Auto de Infração lavrado. xxix. Subsidiariamente, requereu a improcedência da acusação fiscal em conformidade com as razões de mérito expostas no presente Recurso Voluntário. Às fls. 18747/18816 CONTRARRAZÕES da PFN AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, trazendo em seu bojo as seguintes razões: 1. Afirma que, “apesar de DA VINCI e Iara Galdino não terem apresentado impugnação, tendo sido julgadas à revelia, em nenhum momento se afastou a possibilidade de os demais responsáveis solidários impugnarem não apenas a sua sujeição passiva, mas também o próprio mérito do lançamento. Isso foi explicitamente demonstrado e fundamentado no voto que julgou a impugnação, em especial à fl. 16.192 dos presentes autos. Assim, durante todo o processo de lançamento a discussão do mérito foi oportunizada a todos os responsáveis solidários, ora recorrentes”; 2. Diz que “as alegações acerca da motivação do ato de lançamento, permeadas de expressões denotadoras de apreciação subjetiva, revelam apenas a insatisfação da recorrente em relação ao resultado da análise probatória. Assim, os argumentos quanto à motivação devem ser objeto de exame de mérito. (...) Que os recorrentes não experimentaram qualquer prejuízo no que tange ao entendimento das infrações que lhes foram imputadas. Inversamente, revelaram ter compreendido as infrações que lhes foram imputadas, não tendo havido qualquer prejuízo para sua defesa, sobretudo quando se Fl. 18874DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.863 25 verifica o extenso conteúdo teórico apresentado nas páginas que compõem os recursos voluntários”; 3. Afirma que “não deve ser acolhido argumento de que seria necessário aguardar o deslinde da ação penal ou, até mesmo, seguirse a sorte da esfera judicial penal. Isso, porque, como sabemos, vigora em nosso país, como bem destacado pela DRJ, o princípio da independência das instâncias, de tal forma que uma absolvição na esfera penal em nenhuma situação indicará de forma peremptória a inexistência da hipótese de incidência tributária, já que se amparam em presunções, em provas e em elementos típicos totalmente diversos”; 4. Afirma que “é imprescindível ter em mente que a acusação fiscal é de houve pagamento sem causa. Assim, ainda que houvesse a juntada de contratos e das notas fiscais, por exemplo, isso não seria suficiente para afastar a exação, pois são justamente esses os documentos que se espera sejam forjados em um esquema fraudulento. Para dirimir a questão, seria imprescindível verificar a ocorrência de efetiva obrigação a ser adimplida por meio dos referidos pagamentos”. 5. Diz que “não tendo a DA VINCI respondido às informações e buscado esclarecer a origem dos pagamentos, em hipótese alguma seria o caso de suspender o julgamento da causa, já em estágio final, para que a SRFB reiniciasse, sem qualquer justificativa plausível, as tentativas frustradas durante toda a fase da instrução”; 6. Ressalta “que não há nenhum vício na motivação que imputou a responsabilidade pessoal às pessoas físicas anteriormente enumeradas. A fiscalização descreveu as condutas praticadas por cada empresa envolvida no conluio e de cada um dos administradores, além de fundamentar individualizadamente as responsabilizações impostas. No presente caso, a responsabilidade tributária se deu sob duas óticas: as pessoas jurídicas foram enquadradas no art. 124, I, do CTN (responsabilidade solidária de fato) e as pessoas naturais no art. 135 do mesmo codex. Segundo o art. 124 do CTN, são responsáveis solidárias as pessoas expressamente designadas por lei e que possuem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal”; 7. Afirma que “diversa é a situação da responsabilidade que advém da prática de atos ilícitos (art. 135, CTN) ou da ocorrência de interesse comum (art. 124 CTN). Em tais casos, a responsabilidade decorre de prática de fatos que não compõem a hipótese de incidência tributária, ao contrário do que ocorre na retenção na fonte por substituição. Dessarte, não há qualquer relação de incompatibilidade entre a previsão de retenção na fonte, seja ela exclusiva ou por antecipação, e as hipóteses de responsabilização tributária previstas nos arts. 124 e 135 do CTN. É verdade que a incidência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981 transfere a responsabilidade de reter e recolher o tributo devido à fonte pagadora e ainda dispõe taxativamente que tal Fl. 18875DF CARF MF 26 incidência é exclusiva na fonte e definitiva. Conseguintemente, sob circunstâncias normais, não cabe exigir o tributo e eventuais acréscimos legais, do contribuinte de fato ou beneficiário do rendimento pago”; 8. No presente lançamento, “a fonte pagadora é a DA VINCI, e somente ela figura inicialmente no pólo passivo em razão do seu papel como fonte pagadora. Ocorre que, além da hipótese do artigo 128, o CTN prevê outras situações em que outras pessoas, além do contribuinte, ou de eventual responsável excludente do artigo 128, possam ser chamadas a responder pelo crédito tributário. Algumas dessas hipóteses são de responsabilidade subsidiária, como as previstas no seu artigo 134. Outras são solidárias, de sorte que todos os sujeitos passivos, sem benefício de ordem, podem ser demandados a quitar o crédito tributário. Entre esses últimos casos, incluemse as hipóteses do artigo 124 e do artigo 135”; 9. Afirma que “os responsáveis solidários que ainda se insurgem contra a autuação apenas o fazem, praticamente, quanto à responsabilização solidária. Esse é um ponto diferencial deste feito em relação aos demais processos relacionados à Lava Jato e que possuem lançamento de IRRF, nos quais os responsáveis ainda tentam demonstrar alguma causa para os pagamentos supostamente ilícitos”; 10. Diz que “o grupo possuía um sistema de contabilidade informal, já comprovado em sentença condenatória, chamado Sysmoney. Por meio desse sistema, a contadora Mirna Zanetti e Nelma Kodama controlavam as empresas de fachada, como DA VINCI. Vejamos à fl. 13.693”. (...) E que “a responsabilidade da Sra. Maria Dirce decorre do fato de ser administradora da PNGS PROSPER, que formava grupo econômico com DA VINCI e 4 RIOS PARTICIPAÇÕES. A PNGS PROSPER, como vimos acima, serviu aos designíos ilícitos de Nelma Kodama. Maria Dirce, porém, não apenas cedeu o nome como laranja, como também fraudou declarações de IR, como é possível aferir da leitura do Relatório Fiscal (fl. 13.724)”; 11. Aduz que “os recorrentes tentam desqualificar o trabalho probatório de forma veemente, mas não possuem a mesma veemência na apresentação de provas que comprovem a origem e a destinação dos repasses feitos mensalmente a Nelma Kodama. Se a 4 RIOS e seus sócios, ao invés de menosprezarem a prova dos autos, se dispusessem a comprovar a razão dos repasses e da confusão patrimonial com Nelma Kodama, a PGFN seria a primeira a, em nome da verdade real, solicitar que o contraditório fosse refeito e fossem analisadas tais provas”. E que “mesmo tendo sido reintimada diversas vezes, a 4 RIOS não se dispôs a comprovar os destinatários ou as causas dos depósitos, mesmo quando novas provas foram obtidas em apreensões de mídias digitais (fl. 13.825). Ainda após terem sido obtidos documentos que comprovavam os pagamentos, a empresa se recusou a responder às indagações da SRFB”; 12. Afirma que “buscando dificultar as investigações, a 4 RIOS tentou impedir o acesso da SRFB às suas movimentações bancárias e à Fl. 18876DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.864 27 movimentação da conta corrente na qual eram feitos envios de recursos por empresas de fachada em benefício de Alberto Youssef (fl.13.830). Na sequência, registrase que mais uma vez Gustavo Kodama busca acobertar sua participação nos negócios escusos da doleira Nelma Kodama, retirando documentos do condomínio e impedindo que a fiscalização tivesse acesso aos instrumentos de cessão e transferência de direitos de unidades habitacionais, demonstrativos de recebimento de recursos, dentre outros”; 13. Às fls. 3.985 dos autos – a PFN anexa cópia de conversações realizadas via email, e afirma que “Liciane Kodama, por sua vez, sendo sócia administradora da (4) RIOS, praticou atos e omissões com infração à lei, cedendo a empresa para uso, benefício e participação da doleira Nelma Kodama, tudo de forma oculta. O uso da 4 RIOS no esquema fraudulento já foi detalhadamente demonstrado, motivo pelo qual não há que se alongar a peça nesse aspecto”. E que, incabível, portanto, limitar a responsabilidade de Gustavo Kodama ao período em que fora formalmente sócio da 4 RIOS, já que nunca deixou de ser administrador de fato”; 14. Acerca do juros sobre a multa de ofício, aduz que “a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional”; 15. Ressaltese que “há várias decisões firmadas em voto de qualidade que reconhecem direitos invocados por contribuintes, o que desconstrói, refuta, abomina, de imediato, falácia que nos dá conta de que votos de qualidade proferidos por conselheiros indicados pela Fazenda, necessariamente, decidem em favor do Fisco, prejudicando os contribuintes. Admitirse que voto de qualidade seja um voto carimbado, marcado, viciado, tendente, é premissa que devasta todo um modelo de construção de decisão, como já julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em processo emblemático”; 16. Afirma que “na situação dos autos, onde o ajuste doloso entre TOV e Da Vinci resulta claro, com a corretora auxiliando a prática dos atos ilícitos, é possível afirmar que sem a conduta da corretora não teria sido possível modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. Por conseguinte, é forçoso concluir que ambos possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, sendo que a responsabilidade tributária decorre do cometimento do ato ilícito, no momento da ocorrência do fato gerador. Não se trata de interesse Fl. 18877DF CARF MF 28 econômico no resultado, mas de participação consciente e direta na fraude, o que justifica a aplicação da norma contida no art. 124, I, do CTN ao caso”. 17. Requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário, bem como que seja provido o recurso de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e processo. O recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. Como relatado, o lançamento tornouse definitivo quanto à autuada e a Sra. Iara Galdinho em razão da não apresentação de impugnação. Passo à análise dos Recursos Voluntários apresentados. Das Preliminares As preliminares de nulidade serão analisadas em conjunto, visto que se sobrepõem e/ou se repetem, além de se confundir com o mérito. De forma geral, as recorrentes afirmam que a autuação se baseou em presunções, não restando comprovada a ocorrência do fato gerador. Entretanto, como claramente compreendido pelas Recorrentes, o presente lançamento é fundado em uma presunção decorrente de lei, o que é admissível no direito. Não se trata de presunção absoluta, mas sim de relativa, que poderia ser elidida pelas partes. Entretanto, o que se vê é que as partes, de forma geral, não negam que as operações efetivamente foram sem causa, ou pior, aduzem que a causa foi evasão de divisas (e que por isso não se aplicaria a presunção). Se insurgem as partes contra as provas obtidas junto às investigações da operação LavaJato e operações dela decorrentes. Defende a ilegalidade das mesmas e a sua suposta obtenção ilícita. Tais alegações não podem ser acolhidas. Fl. 18878DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.865 29 Há previsão legal da utilização da chamada prova emprestada, ademais, o lançamento não se resumiu a uma mera compilação de provas, mas o agente fiscal de forma correta e detalhada analisou especificamente os elementos de prova colhidos, autuando os efeitos tributários decorrentes das operações identificadas no âmbito das operações conduzidas pela Polícia Federal. No caso em tela, a fiscalização se valeu de diversos documentos obtidos no âmbito da operação denominada “Lava Jato”, a exemplo da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em face, entre outros, das Sras. Nelma Mitsue Penasso Kodama e Maria Dirce Penasso (fls. 11/74), dos relatos dos operadores do esquema, entre outros. De toda feita, vemos no Termo de Verificação Fiscal que a autoridade autuante desempenhou corretamente seu trabalho, na medida em que buscou associar o conjunto desses documentos obtidos em outra seara com os documentos contábeis e fiscais de estilo, a exemplo das circularizões efetuadas junto aos beneficiários dos pagamentos, DIPJ, das notas fiscais, dos livros contábeis, etc.. Só então vimos surgir as conseqüências tributárias que culminaram na autuação. A esse respeito, são diversos os precedentes do CARF quanto à validade da prova emprestada, aproveitando para citar um recente precedente de minha Relatoria nesta mesma TO (Acórdão n. 1401002.684 d.j. 13/06/18): (***) PROVA EMPRESTADA VALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. É válida a utilização, em processo administrativo tributário, de provas colhidas no curso de investigação policial, desde que a autoridade administrativa extraia suas próprias conclusões das provas emprestadas. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades, administrativas ou judiciais, para efeito de lançamento, quando o contraditório é ofertado no processo para o qual são transportadas. (***) No STF a matéria também foi abordada no mesmo sentido, como no RE nº 934.233 AgR/RS, quando se consignou: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. COMPETÊNCIA. CONCURSO MATERIAL. FRAUDE. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. ADMINISTRADOR DE HOSPITAL. SIGILOS BANCÁRIO E FISCAL. PROVA EMPRESTADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI. CARÁTER SANCIONADOR. 1. A competência da TCU é fixada a partir da origem dos recursos públicos, logo independe da natureza do ente envolvido na relação jurídica, inclusive na seara do Sistema Único de Saúde. 2. É possível a utilização em processo administrativo de provas emprestadas de processo penal, quando haja conexão entre os feitos. Fl. 18879DF CARF MF 30 3. A controvérsia relativa à retroatividade da aplicação da Lei 8.443/92 ao caso concreto cingese ao âmbito infraconstitucional. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Por sua vez, como bem ressaltado pela PFN em suas excelentes contrarazões, o STJ foi além, reconhecendo a validade, inclusive, de provas colhidas em processo administrativo do qual sejam distintas as partes envolvidas. Assim, não há razão nas alegações recursais. Por sua vez, os ataques quanto à suposta ausência de motivação do ato remontam a uma insatisfação na análise de provas, que é matéria a ser analisada no mérito. No caso concreto, não vislumbro a ocorrência de nenhum dos vícios ensejadores de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. Cabe observar que nos termos do art. 12 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 12. São nulos: I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Da análise do referido dispositivo é possível concluir que não ocorreu nenhuma das hipóteses legais de nulidade. Os atos foram lavrados por pessoa competente, e não houve preterição do direito de defesa. No que se refere à alegação de suposta indicação genérica da infração cometida também não assiste razão ao recorrente. O auto de infração e o TVF que o acompanha encontramse devidamente motivados, contendo especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações atribuídas à contribuinte, expressos de modo claro e completo. Tanto é assim que a contribuinte demonstrou entender perfeitamente as acusações que lhe foram feitas e delas se defendeu com facilidade, garantindose assim no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O fato é que, a ausência de documentos aptos a atender às solicitações fiscais tornou aplicável o art. 61, § 1º da Lei nº 8981/95, que prevê a incidência do imposto quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A autuação detalha o fato que lhe deu ensejo (a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços); a disposição legal que se reputou infringida (as normas que determinam a incidência do IRRF aos pagamentos efetuados quando não for comprovada a operação ou a causa) e a consequência jurídica (a incidência da exação prevista no art. 61 da Lei n. 8.981/94). Os recorrentes alegam ainda que os Auditores Fiscais da Receita Federal seriam incompetentes para determinarem a responsabilidade solidária. Entretanto, tal arguição, tratada em sede de preliminar neste voto, não procede vez que contraria expressamente o disposto na Portaria RFB n. Fl. 18880DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.866 31 2.284/2010, que define o procedimento de constituição do crédito tributário no caso de pluralidade de sujeitos passivos, nos termos da legislação pátria. Tratase de ato vinculado, e não mera prerrogativa dos auditores, como se constata da leitura do art. 2º da referida norma: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. No que se refere à alegação de aplicação do art. 112 do CTN em caso de empate para uso de voto de qualidade não tem como ser acolhida vez que, a previsão de voto de desempate é legal, e tratase de competência do Presidente, não tendo como a TO interferir no seu livre convencimento ou no destino do seu voto. Outrossim, tratase de questão que deve ser discutida judicialmente, não no âmbito deste CARF. Quanto à alegação de necessidade de suspensão do curso de juros após 360 dias de duração do PAF também não há como acolher tal pretenção. O art. 24 da Lei n° 11.457/2007 não prevê obrigações ou consequências para um processo que tenha duração superior ao referido prazo, tratandose de norma programática. Quanto à alegação de que seria necessário sobrestar o presente processo, e ser indevido se utilizar de informações obtidas de ação penal ainda não julgada, a doutrina e a jurisprudência são uníssonas no sentido de que há independência das instâncias. Salvo exceções, as decisões judiciais e administrativas são independentes no âmbito de suas respectivas esferas (civil, penal, administrativa, tributária, trabalhista etc.), até porque um mesmo fato pode consistir em ilícito tributário mas não penal, e viceeversa. Por sua vez, a eventual absolvição na esfera penal não acarreta necessariamente na improcedência do PAF. Ademais, o processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. Em verdade, foge ao campo discricionário da autoridade administrativa o poder de sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado, salvo em exceções de prejudicialidade, que não se aplicam no presente caso. Outrossim, como bem ressaltado pela DRJ, no que toca aos dados bancários e financeiros obtidos no âmbito da operação “LavaJato”, foram eles expressamente compartilhados com a Receita Federal, conforme decisão do Exmo. Sr. Juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná , fls. 13.232/13.247: (...) "Este Juízo já decidiu, a pedido da autoridade policial e do MPF, por mais de uma vez pelo compartilhamento das provas colhidas na assim denominada Operação Lavajato com a Receita Federal e outros órgãos como o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União. Ante o exposto, reitero as decisões anteriores de compartilhamento, defiro o requerido e autorizo o compartilhamento dos documentos bancários que se encontram com o Ministério Público Federal e com a Polícia Federal Fl. 18881DF CARF MF 32 na assim denominada Operação Lavajato com a Receita Federal, inclusive para os fins solicitados no Ofício 97/2015RFB/ Gabin e contribuintes ali relacionados. Ressalvo do deferimento o resultado das quebras de sigilo bancário de contas no exterior, obtidas em cooperação jurídica internacional, já que dependentes de autorização específica das autoridades estrangeiras. Ressalvo ainda que, caso formuladas representações fiscais para fins penais (por crimes contra a ordem tributária) contra acusados ou investigados que celebraram acordo de colaboração premiada com o MPF, as peças devem ser encaminhadas ao MPF da Força Tarefa Lava Jato para providências. (...)” Assim, face a tudo o quanto exposto, nego provimento às preliminares arguídas pelas Recorrentes. Das alegações de mérito Assim como fez a DRJ para fins de melhor compreensão, face ao grande volume de recursos e arguições, inicialmente as análises e conclusões constantes deste Voto dizem respeito às alegações em comum das Recorrentes e somamse à apreciação dos argumentos específicos, devidamente identificados. i) Razoabilidade e proporcionalidade Se insurgem quanto à base de cálculo utilizada para o IRRF e diz que fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, aos quais a Administração Pública está vinculada por força do disposto no art. 2° da Lei n° 9.784/99. Ocorre que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, pois se considera que o juízo sobre a constitucionalidade daqueles atos, que abrange os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, já foi feito pelas autoridades competentes. Dessa forma, assim como o julgador administrativo fiscal não pode afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, também não o pode fazer sob fundamento de irrazoabilidade ou desproporcionalidade. ii) Da imposição de multa de ofício Os recorrentes rechaçam a aplicação da multa de ofício sobre a cobrança do imposto de renda exclusivo na fonte de que trata o art. 61, da Lei n. 8.981/95, dispositivo ao qual atribuem natureza jurídica de norma penal. Afirmam ser inconteste na doutrina e jurisprudência que essa regra Fl. 18882DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.867 33 corresponde a uma sanção, não podendo ser cumulada com outra pena, sob pena de caracterizar bis in idem. Tal argumentação busca que se considere que o IRRF não seria uma forma de tributação, mas sim uma forma de penalidade. Ora, o IRRF não está a sancionar a fonte pagadora. Ele parte apenas de uma presunção legal de aferição de renda que faz com que se determine a retenção do pagamento na fonte. Não há nenhuma ilicitude nesse pagamento. A tese dos recorrentes, embora defendida por alguns doutrinadores respeitáveis, contraria a própria definição de tributo constante do Código Tributário Nacional, e se acatada fosse, seria o mesmo que defender que o IRRF no presente caso não teria natureza de tributo. O fato gerador do IRRF é a renda, a teor do CTN, art. 43. Embora pagamento não seja renda para quem o faz, na maioria das vezes representa renda para quem o recebe. A exigência da retenção na fonte se trata de hipótese de responsabilidade tributária permitida na legislação. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, por sua vez, estabelece uma presunção legal de que determinado pagamento, aquele cuja causa ou beneficiário não puder ser identificado, constitui renda, exigindo o imposto exclusivamente na fonte pagadora (responsável tributário), ressalvada a prova em contrário. Assim, não ocorrendo a dupla penalização apontada, mas sim a exigência de um imposto sobre a renda, acrescido da multa pelo seu não recolhimento pela fonte pagadora, que possuía tal responsabilidade. Entretanto, mesmo que fosse possível entender de forma contrária, como bem ressaltado pela PFN, tanto a regra matriz do IRRF quanto o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, no qual se ampara a aplicação da multa, não foram declarados inconstitucionais e continuam plenamente vigentes, de tal forma que não caberia ao CARF afastar a aplicação de tais atos normativos. Por sua vez, em julgamento recente a tese das Recorrentes foi afastada por este CARF pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção (Acórdão nº 1302002.087 j. 23 de março de 2017): (***) IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. NATUREZA DE PENALIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE TRIBUTÁRIA. O IRRF cobrado em face da não identificação do beneficiário ou da não comprovação da operação ou sua causa decorre da presunção legal de que a fonte pagadora assumiu o ônus pelo pagamento do imposto que deixou de reter e recolher em face de pagamentos comprovadamente efetuados a terceiros, sendo erigido pela lei, nestes casos, à condição de responsável pelo seu pagamento. Esta previsão legal não tem a natureza de sanção por ato ilícito e se coaduna com o princípio da praticabilidade tributária. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Fl. 18883DF CARF MF 34 Não tendo o tributo exigido a natureza de sanção por ato ilícito, nos termos do art. 3ª do CTN é cabível a exigência de penalidade quando este vem a ser exigido de oficio, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não há como acatar os argumentos recursais. iii) Das Arguições de Ilegalidade e Inconstitucionalidade A exigência tributária e as multas aplicáveis tem amparo legal, razão pela qual não cabe a este Conselho afastar sua aplicação. Ademais, matérias atinentes à inconstitucionalidade igualmente não podem ser apreciadas, a teor do que dispõe a Súmula 2 do CARF, de aplicação obrigatória por este julgador: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deixo de conhecer tais arguições. iv) Dos Julgados e Precedentes Precedentes administrativos ou judiciais não vinculam o julgamento administrativo, salvo se de aplicação obrigatória. Mesmo que os precedentes trazidos pelas recorrentes guardassem similitude com o caso concreto, não seriam de aplicação obrigatória, razão pela qual não vinculam este Relator. v) Apresentação de Novas Provas e Realização de Diligências Quanto aos pedidos para apresentação de provas suplementares, de diligências ou de perícias eles foram corretamente inadmitidos, uma vez que o momento da apresentação de provas documentais é na impugnação, justificandose a juntada em outro momento, quando cumpridas as exigências dispostas no § 4º, artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, entendo que tal alegação é meramente protelatória vez que nada novo foi juntado ao longo do PAF. Os recorrentes argumentam sobre a necessidade de se realizar diligência para que se demonstre quais seriam os reais beneficiários dos pagamentos realizados por meio das empresas aqui autuadas. Tal exigência se mostraria absurda. Em primeiro lugar, porque a SRFB já realizou inúmeras tentativas de identificação dos reais destinatários e das causas dos pagamentos. Outrossim, a norma de incidência que baseou o lançamento existe para dar praticabilidade ao recolhimento do imposto de renda em casos justamente como esses. Fl. 18884DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.868 35 Caso contrário, a não apresentação de provas ou respostas às intimações serviriam de escudo para o infrator. Assim, não tendo a contribuinte respondido às informações e buscado esclarecer a origem dos pagamentos, ou ainda, se quer impugnado o lançamento fiscal, em hipótese alguma seria o caso de suspender o julgamento da causa, para que o Fisco reiniciasse, sem qualquer justificativa plausível, as tentativas frustradas durante toda a fase da instrução. Não dou provimento aos Recursos Voluntários neste particular. vi) Juros Sobre Multa No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 18885DF CARF MF 36 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). A questão também é objeto de Súmula do CARF, de aplicação vinculante: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim é que não assiste razão à tese Recursal. vii) Da não existência de pagamentos sem causa ou beneficiário não identificado. Neste particular, cumpre esclarecer que diferente dos casos similares julgados por este CARF, nos recursos voluntários ora interpostos não se tenta demonstrar a origem lícita das remessas. Pelo contrário, a desfaçatez dos recorrentes é tão grande que eles confessam e reconhecem que se tratam de remessas utilizadas por doleiros e que se relacionavam a pagamento de propina no famoso esquema descoberto no âmbito da operação Lava Jato. É absurdo e inadmissível que esse argumento chegue a ser utilizado para justificar que não se trataria de pagamentos sem causa, já que reconhecidamente se trata de dinheiro ilícito que não dizia respeito a negócios da própria DA VINCI, que apenas era responsável pelo trâmite dos valores para terceiros. Outrossim, em relação à hipótese de incidência tributária insculpida no art. 61, §1º da Lei n. 8.981/94, a eventual juntada de qualquer documentação não bastaria para comprovar a causa do pagamento. Para que a efetividade da operação ficasse demonstrada, seria imprescindível a comprovação do serviço ou das importação contratadas. Entretanto, as próprias Recorrentes ao tentar se valer da própria torpeza acabam por confessar o crime cometido. Isto porque, o pagamento “sem causa”, ou causa torpe, é aquele que é feito para cumprir uma suposta prestação, cuja obrigação inexiste. Fl. 18886DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.869 37 Assim, ainda que seja identificado o beneficiário, inexistindo a comprovação da causa, da obrigação da empresa de efetuar tais pagamentos, configurase o fato gerador previsto na norma acima citada a qual deve ser observada pela autoridade administrativa. O pagamento ou repasse de propina não pode ser considerado como causa ou obrigação lícita. Ademais, no caso concreto, o lançamento foi efetuado em razão da apuração da existência de 204 (duzentos e quatro) contratos de câmbio, celebrados com a TOV Corretora de Câmbio em 2013 e 2014, com a respectiva remessa de recursos para o exterior, lastreados em operações de importação jamais realizadas, efetuados entre a autuada e empresas sediadas no exterior controladas pela mesma sócia administradora. Há que se ressaltar que as operações de câmbio, a despeito de oferecerem a identificação dos destinatários dos valores, não comprovam a motivação dos pagamentos, cuja ausência, no caso em concreto, alcança todos os pagamentos objeto da autuação. Entretanto, intimada pela fiscalização a apresentar a documentação completa que lastreou as operações de câmbio, os Recorrentes não apresentaram qualquer documentação. O lançamento foi então efetuado com base no disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o qual determina a tributação à alíquota de 35% os valores relativos a tais pagamentos bem como o reajustamento da base de cálculo do imposto. Como bem ressaltado na decisão da DRJ, no caso sob análise, não se há como negar que a autoridade fiscal provou (deixou patente) o fato constitutivo da pretensão consubstanciada no auto de infração, qual seja, a não comprovação da causa dos pagamentos em questão, o que resta evidenciado no Relatório Fiscal, em seu item 3.1. O lançamento foi formalizado com base no § 1º do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995 (base legal do artigo 674 do RIR/99 , dispositivo abaixo reproduzido: “Art 61. Fica sujeito a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Da sua leitura, depreendese que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não fique Fl. 18887DF CARF MF 38 comprovada mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. O CARF tem precedentes exaustivos em casos semelhantes, citandose como exemplo: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI nº. 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referida em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº. 8.981, de 1995. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10422.944, em 22.01.2008. Publicado no DOU em 28.01.2009) Assim, diante da ausência de prova da causa do pagamento, bem como a efetiva confissão da sua inexistência, o fisco encontrase legalmente obrigado a promover todos os lançamentos tributários em consonância com os dispositivos legais em vigor. Não dou provimento aos Recursos Voluntários nesse ponto. viii) Da multa de ofício qualificada (150%) No que se relaciona ao caráter de confisco da multa aplicada, tratandose de alegação de inconstitucionalidade da norma este CARF não é competente para apreciar tal alegação, nos termos do tópico (iii) já analisado no presente voto. Por sua vez, a multa de ofício encontra suporte no artigo 44, § 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996, e as provas constantes dos autos revelam que a prática reiterada de atos dolosos não suscitava outra penalidade, senão a multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados. Nos termos do referido dispositivo legal, a multa majorada é devida nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 18888DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.870 39 tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso em análise, a autoridade fiscal constatou que a empresa DA VINCI contratou e liquidou o total de 206 (duzentas e seis) operações de câmbio fraudulentas para pagamento de importações fictícias , conforme inúmeras provas acostadas aos autos do presente processo e detalhadamente descrito no Relatório Fiscal. O Relatório Fiscal demonstra, de forma inequívoca, que a recorrente desenvolveu rotineiras atividades criminosas cumuladas com infrações tributárias, sob o comando dos responsáveis solidários, como se verifica no Relatório Fiscal (fl. 13.849): O sujeito passivo agiu dolosamente na sonegação, fraude e conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, mediante as condutas de: a) a sócia de fato, Nelma Kodama, colocar a empresa Da Vinci no nome de interpostas pessoas; b) deixar de oferecer à tributação o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada no exterior ou no País nos anos de 2011 a 2014; c) fazer 246 remessas fraulentas de recursos para o exterior mediante celebração de contratos de câmbio fraudulentos para pagamento de importações fictícias no período de 2011 a 2014; d) utilizar documentação falsa para fechamento de todos os contratos câmbio (faturas comerciais, conhecimentos de carga etc.); e) omitir a DIPJ, DCTF e DACON; f) deixar de apresentar os livros da escrituração contábil e fiscal (Livro Caixa ou Diário e Razão; LALUR; Livro de Prestação de Serviços; Livro de Registro de Apuração do ISS; Livro Registro de Apuração do ICMS; Livro Registro de Apuração do IPI; Livro Registro de Apuração do ISS; Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Registro de Inventario; Livros auxiliares da escrituração); g) deixar de apresentar os comprovantes das receitas, custos e despesas; h) deixar de apresentar as notas fiscais de entrada, saída, serviços tomados e serviços prestados; deixar de comprovar o real beneficiário dos pagamentos ou remessas de recursos ao exterior ou dentro do País. No caso concreto, é patente o dolo, pois a vontade real das partes foi, além da economia tributária, viabilizar um esquema fraudulento de desvio de recursos para corrupção, mediante a realização de atos ou negócios jurídicos vazios de substância econômica e com a intenção de ludibriar o Fisco. Ademais, as próprias Recorrentes confessam que, de fato, tais recursos foram oriundos de um esquema sistematizado de fraudes e corrupção, com repasse de propina para agentes públicos. Outrossim, o modus operandi da autuada e suas responsáveis solidárias era tão complexo que envolvia Fl. 18889DF CARF MF 40 um conjunto de empresas de fachada, de laranjas e de um sistema próprio de contabilidade paralela e controle das remessas ilícitas. A conduta específica e concreta do contribuinte teve a intenção de promover ilegalmente remessas de divisas do país para o exterior, ao mesmo tempo em que se evadia de tributos devidos, mediante registro em contratos de câmbio de importações fictas. A conduta do contribuinte configurouse em prática sistemática e reiterada, redundando em grave crime contra a Fazenda Nacional. O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados, especificamente, em 246 contratos de câmbio ao desamparo de importações regulares. Assim é que, da situação fática e provas apresentadas decorrem as figuras dolosas da simulação e do conluio resultando fraude contra a Fazenda Nacional, subsumindose perfeitamente à multa exasperada de 150%, tipificada art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. ix) Da alegada incompatibilidade da responsabilidade solidária com a exação prevista no art. 61 da Lei n. 8.981/94 Os Recorrentes alegam suposta incompatibilidade da responsabilidade solidária com a incidência exclusiva na fonte, entretanto, não há como acatar tal alegação. Como bem ressalvado pela PFN, à tributação exclusiva na fonte se opõe a tributação na fonte por antecipação. Em regra, no primeiro caso, o contribuinte de fato não mais pode ser demandado pela obrigação tributária, enquanto na segunda hipótese, não adimplida a obrigação pela fonte pagadora, caberia o lançamento em face do contribuinte de fato. Em ambos os casos, seja tributação exclusiva, seja por antecipação, a relação de responsabilidade de que se trata é relação de substituição, na qual a obrigação tributária surge em face do substituto. Ou seja, tratase de simples subsunção do fato à norma que prevê a obrigação tributária. Entretanto, a situação da responsabilidade originária da prática de atos ilícitos (art. 135, CTN) ou da ocorrência de interesse comum (art. 124 CTN) decorrem de prática de fatos que não compõem a hipótese de incidência tributária, ao contrário do que ocorre na retenção na fonte por substituição. Em razão disso, não há qualquer relação de incompatibilidade entre a previsão de retenção na fonte, seja ela exclusiva ou por antecipação, e as hipóteses de responsabilização tributária por atos ilícitos. No presente caso, por expressa disposição legal, é a DA VINCI como fonte pagadora que figura inicialmente no pólo passivo da obrigação tributária. Entretanto, o CTN prevê outras situações em que terceiros, além do contribuinte, possam ser chamadas a responder pelo crédito tributário. Assim é que, nas hipóteses dos artigos 124 e 135, os responsáveis podem ser demandados para quitar o crédito sem qualquer benefício de ordem, por se tratar de responsabilização solidária. E não poderia ser diferente uma vez que, se valesse a tese sustentada pelas Recorrentes estaríamos diante de uma hipótese de sonegação fiscal quase que perfeita. Como é comum em situações fraudulentas como a ora analisada, bastaria se abrir uma empresa de fachada em nome de interpostas pessoas e realizar os pagamentos sem causa. Nessa situação, as interpostas pessoas e a empresa (de fachada) seriam os únicos responsabilizados, e a Fl. 18890DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.871 41 exigência da tributação na fonte (IRRF) excluiria a responsabilidade tributária dos destinatários dos recursos ou dos efetivos articuladores da operação criminosa. Não podemos acatar tal argumento. Como ressaltado pela PFN, as situações descritas no artigo 124 e no artigo 135 que podem levar à responsabilização solidária são distintas e ao mesmo tempo compatíveis com a hipótese do artigo 128 do mesmo CTN. Assim, nada impede que determinada pessoa física ou jurídica seja autuada como responsável em virtude de não ter cumprido seu dever de reter e recolher o tributo sobre o rendimento de que foi a fonte pagadora, e ao mesmo tempo outras pessoas físicas e jurídicas serem convocadas a responder como devedores solidários, se sua conduta ou condição permitir que sejam enquadradas em quaisquer das hipóteses previstas naqueles outros artigos. Assim, face ao exposto, não há como dar provimento às alegações recursais quanto a este ponto. DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA x) Da alegada incompetência legal dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Tal alegação já foi enfrentada em sede de preliminar. xi) Da atribuição de responsabilidade tributária com fundamento nos artigos 124, I e 135 do CTN. Necessário tecer alguns argumentos a respeito do instituto da responsabilidade tributária aplicável ao caso concreto. Nos termos do art. 121 do CTN, responsável é aquele que, embora não tendo relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário é eleito pela lei para satisfazer a obrigação tributária. Assim, ele possui alguma espécie de vínculo indireto relativamente ao fato jurídico tributário ou ao contribuinte. A causa para a criação de normas de responsabilidade tributária tem natureza de arrecadação, em que, por motivos de conveniência e necessidade, a lei elege um terceiro para ser o responsável pelo pagamento do tributo, em caráter pessoal, subsidiário ou solidário. O art. 124 do CTN, por sua vez, trata da responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei e das que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, sendo ele aqui apontado como supedâneo legal nos termos de responsabilização por crédito tributário. Frisese que o objetivo do legislador ao instituir a responsabilidade tributária, foi assegurar à Fazenda Pública o efetivo recebimento dos créditos devidos, em situações que o contribuinte se tornar pouco acessível a cobrança, ou o tributo não puder ser normalmente pago. Fl. 18891DF CARF MF 42 É fato que, como regra, o tributo deve ser cobrado da pessoa que pratica o fato gerador. Nessas condições, surge o sujeito passivo direto (contribuinte). Em certos casos, no entanto, o Estado pode ter necessidade de cobrar o tributo de uma terceira pessoa, que não o contribuinte, que será o sujeito passivo indireto (“responsável tributário”). Não se discute aqui que a DA VINCI é a contribuinte e sujeito passivo direta da relação obrigacional tributária, relação essa gerada após a ocorrência de um fato gerador presumido por lei, mas confirmado diante da inexistência de questionamento ou desfazimento da presunção legal (relativa). Entretanto, o CTN (Lei Complementar), atribui hipóteses em que, tendo o objetivo de assegurar o recebimento do crédito, terceiros podem se tornar responsáveis. Exatamente o que ocorreu no caso concreto. Em análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível verificar que a corte, de forma pacífica, entende que a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN só pode ocorrer quando o interesse comum na realização do fato gerador seja o interesse jurídico, que pressupõe a prática conjunta do fato, o que afasta a responsabilidade pela simples circunstância de uma sociedade pertencer ao mesmo grupo econômico de outra. Por outro lado, é interessante notar que os casos analisados pelo STJ, que levaram a formação deste entendimento, são bem antigos e não enfrentam o redirecionamento aos grupos econômicos de fato envolvidos em suspeita de fraude, simulações ou abuso de personalidade jurídica. O que se verifica é que a análise de casos mais complexos que envolvem grupos econômicos de fato, por vezes envolvidos em fraude, tem sido obstada pela aplicação cada vez mais alargada da Súmula 07, que impede o STJ de averiguar matéria de fato em Recurso Especial. Assim, independente da fundamentação das instâncias inferiores, a corte tem mantido as decisões sem adentrar no mérito. Como bem pontua o Ex Conselheiro Marcos Neder1: Importante ressaltar que o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode, por si só, levar a uma tributação solidária das empresas. A atribuição de responsabilidade tributária solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e regulada restritivamente na lei tributária. Apenas quando uma sociedade tem comprovadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador será possível a imposição da responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Vigora em nosso ordenamento a diretriz geral de preservação da autonomia jurídica dos integrantes do grupo de sociedades (personalidade própria) e da impossibilidade de a responsabilidade tributária transbordar da sociedade que realizou o fato gerador. (...) O fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não pode ser o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir de direitos e deveres comuns entre pessoas numa mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador. Para isso, é indispensável o órgão 1 https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/ocarfeasolidariedadetributarianogrupoeconomico06052015 Fl. 18892DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.872 43 aplicador comprovar o interesse comum na relação jurídica subjacente que serve como suporte para o surgimento do fato gerador do tributo. De fato, a análise do alcance e do conceito da terminologia "interesse comum" é absolutamente tormentosa, e não poderia ser mais vago. Alguns interpretes ao analisar de forma estrita o texto legal2 entendem que ao se referir ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o CTN delimitou tal responsabilidade ao chamado interesse ou vínculo jurídico. E parece que foi essa linha que seguiu o STJ, ressaltando, é claro, que a referida corte firmou tal entendimento em situações menos complexas, e não tem adentrado ao mérito em novas análises. É difícil, para não dizer impossível, separar algumas situações em que o interesse econômico não dependa, necessariamente, do interesse jurídico na relação que constitua o fato gerador. Ou ainda, que tal interesse ou vínculo jurídico, também não resulte, necessariamente de um interesse no resultado econômico. De fato, a interpretação de tal dispositivo não pode ser tão alargada ao ponto de, aceitando a subjetividade do termo legal adotado, se atribuir de forma indiscriminada responsabilidade solidária a qualquer contribuinte que de alguma forma tenha obtido algum resultado econômico. Afinal, como se dizer que um fornecedor legítimo da autuada, não tenha interesse no sucesso da sua atuação (mesmo que indiretamente resultante de sonegação), para poder fornecer maiores volumes de mercadorias. Claro que este não é o objeto do legislador, e nem o meu entendimento. Entretanto, não vejo como restringir absolutamente a aplicação do dispositivo legal, a situações em que o responsável solidário tenha participado diretamente do fato ou situação que gerou o fato gerador. Quem participa diretamente de tal situação, é sempre o contribuinte de fato. A participação do responsável é, e sempre será, indireta. Entretanto, necessário que exista nexo entre a conduta da devedora solidária e a suposta infração, não necessariamente a realização do próprio fato gerador. Exatamente por isso é necessário aferir caso a caso, a existência desse nexo, razão pela qual não se pode adotar de maneira indiscriminada a posição majoritariamente manifestada pelo STF. 2 CTN Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 18893DF CARF MF 44 E nesse sentido, diante da grande incerteza quanto ao alcance de tal definição, como não poderia deixar de ser diferente, são várias as posições manifestadas em julgamentos deste CARF, não havendo um entendimento uníssono, até pela necessidade de avaliação dos fatos verificados e provas produzidas em cada caso. O CARF tem diversas decisões mantendo a responsabilidade solidária por interesse comum em situações em que exista fraude ou abuso de personalidade jurídica, confusão patrimonial, grupo econômico ou a demonstração de um nexo entre a atuação do solidário e a ocorrência da infração. Ressaltese, tal linha argumentativa não adota o entendimento restrito do mero interesse econômico, afinal de contas, como já me manifestei, entendo que toda e qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de relação econômica com o contribuinte tem, de certa forma, interesse econômico. Entretanto, na análise de caso a caso outros fatos e provas confirmam o nexo, mesmo que indireto, do responsável solidário. É o caso do entendimento manifestado nos Acórdãos 1102001.102 (julgado em 06/05/2014) e 1102001.032 (julgado em 11/03/2014), do Conselheiro Ricardo Marozzi, no qual verificou que as pessoas físicas eram titulares de fato e beneficiárias dos recursos fornecidos pelo contribuinte, tendo interesse imediato na situação que constitui o fato gerador. Nessa linha, em havendo a confusão patrimonial, elas se beneficiaram diretamente e tinham interesse no fato que constitui o fato gerador. Também nesse sentido é o Acórdão 1102001.301 (julgado em 03/03/2015) do Conselheiro Ricardo Marozzi: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte. Seguindo a mesma linha da confusão patrimonial, o Conselheiro Marcos Takata no Acórdão 110300.188 (julgado em 18/05/2010), em que detectou confusão patrimonial nas atividades desenvolvidas por duas pessoas jurídicas. Outras situações também são ventiladas para fins de manutenção da responsabilidade solidária por interesse comum (fraude, abuso de direito, desconsideração de personalidade jurídica, etc), mas me limito à posição trazida por ser base do fundamento trazido pela acusação no seu TVF. Nesse sentido é que se faz necessário, verificar o nexo e a confusão patrimonial identificada pela autoridade fiscal. A comprovação do “interesse comum” a que se referem os Recorrentes não está restrito a uma simples prestação de declarações, como pretendem, mas sim a todo um comportamento e procedimentos fraudulentos que caracterizam plenamente o objetivo deliberado de descumprir com as obrigações tributárias formalmente em nome da empresa DA VINCI. Ora, se uma empresa não é localizada em seu endereço, fornecido à Administração Tributária ou à Junta Comercial, não responde às intimações, depreendese que seus sócios, Fl. 18894DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.873 45 deliberadamente, adotaram providências de forma que ela não possa mais responder por suas obrigações tributárias e fiscais, dificultando em muito a atividade da fiscalização. A prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, torna pessoalmente e solidariamente responsável o agente pelos créditos tributários decorrentes. Vejamos o disposto no art. 135 do CTN, lembrando também, que incluemse neste rol, as pessoas enumeradas no art. 134 do CTN. Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A conduta ilícita, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, deve ser reveladora de infração que exija a comprovação do dolo. O art. 135 contempla não somente os sócios (em virtude da remissão do seu inciso I às pessoas referidas no artigo anterior), mas também os mandatários, prepostos e empregados (inciso II) e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (inciso III), inclusive, a figura do administrador não sócio. A propósito da matéria, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional esclareceram através da mencionada Nota GT Responsabilidade Tributária nº1, de 17 de dezembro de 2010 o que segue: "................................................................ DAS HIPÓTESES DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA I Art. 124 do CTN 7. Neste dispositivo podem ser vislumbrados dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato, capitulada no art. 124, inciso I, do CTN, quando há interesse comum, e a de direito, disposta no art. 124, inciso II, do CTN, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. 8. Abordarseá apenas a situação de que trata o inciso I (interesse comum), pois as hipóteses do inciso II estão expressamente previstas em lei, sendo de fácil identificação. Assim, visualizase interesse comum, por exemplo: Fl. 18895DF CARF MF 46 Nos Grupos Econômicos – a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça possui interpretação restritiva do art. 124, inciso I, pois entende que o interesse comum só ocorre se as empresas realizam a mesma atividade (REsp 834.044). Em razão disso, para caracterizar o interesse comum, a Fiscalização deve demonstrar a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, fazendo constar que as empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação das empresas é complementar; ou, no caso em que ficar caracterizada confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, em todos os casos em que há abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Enquadramse nessa hipótese as pessoas jurídicas que são sócias, de fato, de sociedade formalmente constituída, porquanto configuram um grupo econômico de fato. (...) VII Art. 135 do CTN 51. A Fiscalização deve incluir no lançamento de ofício todos os responsáveis, nos termos do art. 135 do CTN, de que tiver condições de comprovar o vínculo, pois o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009 não refuta esse entendimento, tendo em vista que corresponde a uma orientação adotada pela PGFN no sentido da tese utilizada nos Tribunais. 52. Quanto à natureza dessa responsabilidade, nos termos do Parecer acima citado e da jurisprudência do STJ, não há dúvida tratarse de responsabilidade solidária. 53. No que diz respeito ao elemento subjetivo, o item 59 do Parecer afirma que a jurisprudência maciça do STJ caminha no sentido de que é o dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo ou culpa. Os precedentes que ensejaram a Súmula 435 do STJ afirmam que compete ao sócio gerente demonstrar que não agiu com dolo, culpa, fraude ou excesso de poderes. Em razão desses argumentos, a Fiscalização pode enquadrar os sujeitos passivos nas hipóteses tratadas pelo artigo ainda que não consiga demonstrar o dolo. 54. Quanto ao fato gerador, este pode ser anterior à infração à lei. A Súmula 435 corrobora este entendimento. 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder –não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. Fl. 18896DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.874 47 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador.” 57. Se a pessoa jurídica foi constituída por interpostas pessoas, o lançamento das infrações apuradas deve ser com multa qualificada, pois foram alteradas características do fato gerador (sujeito passivo). Nesse caso, os reais administradores também respondem solidariamente com a pessoa jurídica. 58. Também configura hipótese de que trata o art. 135, a dissolução irregular. A Súmula 435 do STJ pacificou o entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". ................................................................................................. CONCLUSÕES 161. Em síntese, concluise: ............................................................ b) O art. 124 do CTN comporta dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato (art. 124, I), que exige interesse comum, e a de direito (art. 124, II). Visualizase interesse comum, por exemplo: nos grupos econômicos, se constatadas situações de confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores; .... .... k) O art. 135 trata de uma responsabilidade solidária. O elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Em relação ao fato gerador, este pode ser anterior à infração à lei. Se o lançamento de ofício é feito com multa qualificada, ocorre a responsabilidade solidária de que trata o art. 135, em relação aos sócios administradores à época do fato gerador. Se a pessoa jurídica foi constituída por meio de interpostas pessoas, o lançamento deve ser com multa qualificada e os reais administradores respondem solidariamente com a pessoa jurídica. A dissolução irregular também configura hipótese de que trata o art. 135. Configurase dissolução irregular a baixa nos órgãos de registro, quando são apurados débitos posteriormente, pois houve infração à lei societária. ............." Fixadas tais premissas, passo a analisar as arguições específicas a respeito da aplicação da responsabilidade tributária para cada um dos recorrentes. xii) Nelma Mitsue Penasso Kodama Fl. 18897DF CARF MF 48 Em resumo, afirma que no caso do auto de infração em espécie, não é contribuinte direto nem indireto e não possui nenhuma ligação jurídica com a empresa autuada. Tampouco foi "administradora de direito ou de fato" dos bens daquela empresa”. Aduz que a DA VINCI possuía sócia de fato e de direito (Iara Galdino da Silva), não podendo ser a ela imputada a responsabilidade pelos atos cometidos pela empresa e sua sócia. Diante de um contexto probatório tão vasto e completo chegam a ser absurdas as argumentações da Recorrente. O agente fiscal comprovou de forma exaustiva que a empresa Da Vinci pertencia de fato à Nelma Kodama, que a utilizava para a prática de crimes financeiros, especialmente evasão de divisas e operação de instituição financeira irregular ou utilizava a Da Vinci inclusive para fazer remessas de recursos fraudulentos ao exterior à suas demais empresas. O quadro social da Da Vinci era composto pelas interpostas pessoas Iara Galdino da Silva e Paulo Sérgio Coelho, tendo, em 18/07/2011, Iara deixado a empresa, transferindo suas cotas para Juliana Cordeiro de Moura, outra laranja de Nelma Kodama. A fiscalização adicionalmente à ação penal processo 5026243 05.2014.404.7000/PR, que demonstrou que a empresa Da Vinci era de fato controlada por Nelma, levantou mais elementos que demonstram que a empresa Da Vinci pertencia de fato à Nelma e era por ela controlada. Senão vejamos algumas das provas carreadas no TVF: O trabalho fiscal foi impecável neste aspecto, além de analisar as conversas entre as partes envolvidas, apurou a comprovação das operações realizadas a exemplo da acima referida, ocorrida no mesmo dia conforme informado pela Sra. Nelma Kodama, efetiva proprietária da empresa. Fl. 18898DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.875 49 Mais adiante, em nova troca de mensagens a Recorrente confessa ser a proprietária de diversas empresas, entre elas a DA VINCI, além de discutir sobre situação de contas bancárias da empresa: E seguem as mensagens detalhando operações realizadas pela empresa, algumas operações para sua própria pessoa física: Fl. 18899DF CARF MF 50 Ainda restou comprovado que a Sra. Nelma Kodama usava um sistema de controle financeiro paralelo, onde junto com sua contadora realizava operações de câmbio por diversas empresas, entre elas a DA VINCI: Enfim, assim como essas provas, o TVF está recheados de outras provas que demonstram, de forma absolutamente inequívoca, que a Sra. Nelma Kodama era dona de fato da DA VINCI, razão pela qual a responsabilidade pessoal solidária está absolutamente caracterizada. xiii) Da PNGS PROSPER e Sra. Maria Dirce Penasso No que se refere à participação da PNGS PROSPER para fins de apurar a formação de grupo econômico e a responsabilização solidária, foram juntadas provas nos autos que demonstram que Fl. 18900DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.876 51 a empresa registrou diversos imóveis da Sra. Nelma Kodama e pagou despesas, encargos e gastos pessoais, como comprovado em diligência (fls. 5.560 e seguintes). Restou absolutamente comprovada a confusão patrimonial entre a Recorrente, a DA VINCI e a Sra. Nelma Kodama. Era a PNGS que concentrava os recursos obtidos ilicitamente pela Sra. Nelma Kodama como fruto da utilização das suas empresas de fachada, uma delas a DA VINCI. Há, assim, clara confusão patrimonial e formação de grupo econômico, tendo em vista que a PNGS PROSPER realizou transações imobiliárias com o Condomínio Hotel Villa Lobos, em nome de Nelma Kodama, em conjunto com a 4 Rios Participações, como se constata das fls. 6.210 e seguintes. O TVF (fl. 13.076) ainda demonstra que a PNGS PROSPER lavava dinheiro declarando recebimentos de aluguéis inexistentes, como se pode perceber no trecho abaixo: Por sua vez, a PNGS PROSPER não apresentou os documentos requeridos pela SRFB, relacionados à diferença na rubrica “recbto aluguel”, alegando que não os possui. Ainda, a partir de HD apreendido pela Polícia Federal, foi possível analisar a contabilidade paralela da empresa no mês de junho de 2012. Além disso, foi realizada a circularização patrimonial da PNGS. A circularização efetuada na empresa M M de Itu Comércio de Veículos LTDA levou à constatação de que Nelma Kodama adquiriu veículo Porche Cayman e tentou colocar no nome da PNGS PROSPER. Não conseguindo, o registrou em nome da Sra. Maria Dirce Penasso, sua mãe e sócia da empresa, e o pagamento do veículo foi feito pela PNGS PROSPER (fl. 13.701). Todos esses elementos deixaram bem claro que o papel da PNGS era o de servir de intermédio ou receptora dos recursos das atividades ilícitas realizadas pela DA VINCI. A PNGS PROSPER, quando intimada a apresentar escrituração e comprovante das operações, quedouse silente. Outra demonstração de que a PNGS PROSPER era administrada por Nelma Kodama, que utilizava sua mãe como laranja, foi a execução judicial promovida contra a devedora KLT, assim sintetizada no Relatório Fiscal (fls. 13.708 e seguintes): Fl. 18901DF CARF MF 52 Além disso, o depoimento de Nelma Kodama prestado à Polícia Federal às fls 12229 a 12231 deixa claro que as dívidas recebidas pela PNGS tiveram origem nos negócios ilícitos de Nelma: QUE indagada se atua no comércio de moeda estrangeira ou câmbio respondeu que atua na intermediação de operações dessa natureza; QUE a intermediação consiste na troca de cheques de Reais por moeda (papel/Reais) e intermedia a venda de moeda estrangeira através uma distribuidora pela qual foi uma forma que teve de receber dívidas; QUE a distribuidora referida é a DISTRICASH, de propriedade do RODRIGO SROUR; QUE RAUL SROUR e pai de RODRIGO e acredita que o mesmo administre a empresa; QUE esclarece que a dívida tem origem por volta do final de 2009, tendo atuado na captação de clientes para "troca" de cheques por papel moeda/Reais e que, segundo a declarante, tais valores eram desviados pelo referido, gerando a dívida; QUE a dívida era de aproximadamente uns três milhões de reais; QUE por volta de 2012, procurou RAUL quando tomou conhecimento que o mesmo teria adquirido a DISTRICASH; QUE buscou então oficializar a dívida que RAUL havia contraído junto à declarante; QUE tal fato culminou em uma termo de confissão de dívida já referido nos autos; QUE fazia parte de tal acordo que RAUL forneceria para declarante papel moeda (dólar), adquirido via DISTRICASH, pelo valor do dólar oficial, mais os impostos (aproximadamente 1,5%); QUE a declarante fazia o pagamento em Reais e retirava dólares, não sabendo dizer como essa negociação era contabilizada na DISTRICASH; QUE para a confissão de dívida foi usada a empresa PNGS PROSPER, cujo quadro societário é integrado pela mãe da declarante, pois a declarante não poderia utilizar de seu nome pessoa física, uma vez que possui restrições em razão de créditos fiscais já constituídos e questionados judicialmente; QUE em pagamento de tal divida foram ainda recebidos pela declarante as telas que foram apreendidas na residência da declarante e um veículo MERCEDES AMG, em nome de RAFAEL HENRIQUE. Outra demonstração de que Nelma Kodama era a verdadeira gestora da PNGS PROSPER pode ser encontrada à fl. 13.713, no Relatório Fiscal: Fl. 18902DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.877 53 7.2 PONTO COMERCIAL DE NELMA KODAMA COLOCADO EM NOME DA PNGS A Sra. Nelma Kodama realizou a aquisição e alienação de ponto comercial, de mais de 14 anos, localizado na loja nº 155 do Shopping Pátio Higienópolis, situado na Avenida Higienópolis, 618, São PauloSP, em nome da Pngs. Na data de 12 de novembro de 2013, a Pngs, representada por Nelma Kodama, recebe em transferência ponto comercial pertencente à KLT, pelo valor de R$ 825.000,00. Logo depois, na data de 20/12/2013, a Pngs, representada por Nelma, cede à KLT o mesmo ponto ponto comercial. Isto demonstra que Nelma era a verdadeira proprietária e gestora da Pngs. (vide instrumento particular de transferência de ponto comercial e outras avenças anexo ao Termo de Diligência Fiscal nº 03 da Pngs do procedimento de circularização às fls. 5560 a 6202). 7.3 AQUISIÇÃO DE APARTAMENTO NO EDIFÍCIO GUARIBA POR NELMA EM NOME DA PNGS A sra. Nelma Kodama adquiriu direitos sobre apartamento nº 82 do Edifício Guariba VIII, localizado na em Praia GrandeSP, e o colocou em nome da sua empresa patrimonial, de fato, Pngs Prosper. A aquisição do apartamento do Edifício Guariba VIII, conforme documentos apresentados pela construtora Cozi & Cozi Construção e Comércio de Imóveis Ltda na diligência às fls. 1681 a 1776, foi feita por Nelma Kodama, em nome da Pngs Prosper. Diversos pagamentos foram feitos usando recursos provenientes da conta Pngs Prosper, como pode ser observado na contabilidade paralela da PNGS. O comprovante de pagamento às fls. 12232, obtido nos Hds apreendidos, referese a pagamento de uma parcela do apartamento. O TVF é ainda exaustivo de exemplos e provas de diversas outras negociações de compra de bens, sempre conduzidos pela Sra. Nelma Kodama em nome da PNGS, o que apenas reafirma a confusão patrimonial e o interesse comum da empresa, que era a destinatária dos recursos e patrimônio obtidos pela Sra. Nelma em seu esquema criminoso. Além disso, restou comprovado que as despesas pessoais da Sra. Nelma eram pagas pela PNGS: Fl. 18903DF CARF MF 54 Fl. 18904DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.878 55 O relatório é extenso e comprova pagamento de despesas pessoais da Sra. Nelma que iam desde pagamento de vitaminas a pagamento de custas para elaboração de Declaração de IRPF de laranjas. Outrossim, grande parte dos ingressos financeiros na empresa foram de origem não comprovada, muitos deles realizados pela própria Nelma Kodama, os quais foram fruto de suas atividades criminosas. Os controles financeiros da Pngs às fls. 6207, cujos trechos são transcritos a seguir, que demonstram que grande parte dos depósitos bancários não são decorrentes de transferências bancárias pelo aluguel de 56 apartamentos à Atlantica Hotels em nome da Pngs (a 4 Rios, outra empresa utilizada por Nelma, possui mais 75 apartamentos). A Pngs foi intimada através do TDF nº 05 a comprovar a origem, causa e contabilização e os comprovantes bancários (com remetente e destinatário dos recursos) das operações constantes na contabilidade e controles paralelos da Pngs extraídos do computador de uso da contadora Mirna Zanetti. A laranja Maria Dirce atendendo intimação alegou que desconhece a contabilidade paralela e nada pode esclarecer e a sócia de fato, Nelma Kodama, alegou que a a Pngs não é de sua propriedade. Fl. 18905DF CARF MF 56 Vejam que os registros da contabilidade paralela da PGNS comprovam que a grande parcela de recebimentos se deu através de operações de origem não confirmada, como depósitos da própria Nelma e do Sr. Gustavo, outro responsável solidário. Os controles contábeis paralelos das contas da Pngs obtidos nos Hds da contadora Mirna às fls. 6207 era de acompanhamento contínuo por Nelma Kodama, quem cobrava Mirna sobre o andamento de seus registros e discutia sobre os seus lançamentos. A legitimidade dos registros dos controles da Pngs pode ser confirmada pelos muitos emails selecionados para exame e seus respectivos documentos (vide, por exemplo, emails 205, 217, 224, 225, 237, 238, 280, 313 e 349; vide lançamentos da contabilidade paralela correlacionada com emails examinados às fls. 13610): Fl. 18906DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.879 57 O TVF provou exaustivamente que a empresa Pngs foi constituída por Nelma Kodama em nome de interpostas pessoas. Nelma é a verdadeira proprietária, administradora e beneficiária da empresa Pngs. A empresa Pngs foi utilizada por Nelma para dar ingresso de valores de natureza não identificada sob a roupagem de aluguéis; receber valores decorrentes das atividades ilícitas de Nelma; receber valores da interposta pessoa do irmão, Gustavo Kodama; realizar a aquisição e registro de diversos bens imóveis pessoais; e realizar pagamentos de despesas, encargos e gastos próprios. Nelma Kodama não só utilizou as interpostas pessoas Maria Dirce e Francisca Pereira na constituição da empresa Pngs, mas também as utilizou na constituição e/ou na indicação como responsáveis de inúmeras empresas situadas em Hong Kong, beneficiárias de remessas fraudulentas da Da Vinci. Tendo em vista a existência de infração à lei, fraude, desvio de finalidade, confusão patrimonial e formação de grupo econômico, a empresa patrimonial Pngs Prosper deve responder solidariamente pelos débitos tributários da Da Vinci Confecções Ltda, nos termos do art. 124, I, do CTN, in verbis. A empresa Da Vinci e a Pngs são controladas de fato pela Nelma Kodama e ambas são voltadas em benefício da Sra. Nelma: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 18907DF CARF MF 58 Outrossim, a interposta pessoa, Maria Dirce Penasso, por ter cedido seu nome de forma fraudulenta para compor o quadro societário da Pngs Prosper, deve responder responder solidariamente pelas débitos tributários da solidária da Da Vinci Confeccções Ltda, a patrimonial Pngs Prosper, nos termos do art. 135, III, do CTN, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese, por oportuno, que a atuação da Sra. Maria Dirce não se limitou a ceder o nome ou estar na condição de laranja. Ela é mãe da Sra. Nelma Kodamo, e respondeu grande parte das intimações da Fiscalização, como sócia administradora da PNGS, e de forma furtiva tentou enganar e atrapalhar a fiscalização, além de não fornecer os documentos requeridos e, também negar a existência de toda a movimentação financeira nas contas da sua empresa. Assim, entendo restar absolutamente caracterizada a responsabilidade solidária da PNGS e da Sra. Maria Dirce Penasso. xiv) 4 RIOS, Gustavo Kodama e Liciane Kodama Como as solidárias apresentaram Recurso com as mesmas razões, a atribuição de responsabilidade para os 3 será analisada em conjunto. Defendem os Recorrentes que a responsabilização solidária se baseou em planilhas unilateralmente produzidas e editáveis, em emails desconexos, bem como em informações decorrentes de inquérito no qual não houve oferecimento de denúncia ou condenação. Como bem destacado pela DRJ, o fato de não haver oferecimento de denúncia não ilide em nada a responsabilidade solidária tributária. Ainda que este segundo núcleo não tenha eventualmente concorrido para as atividades criminosas, é notório, a partir das provas que analisaremos, que formaram grupo econômico e praticaram atos sem substrato econômico, voltados exclusivamente à circulação de recursos do esquema da doleira Nelma Kodama. É lógico que, ainda que as consequências penais possam reforçar a acusação fiscal, as consequências tributárias dos atos praticados pelos responsáveis solidários são independentes. A SRFB conseguiu produzir um vasto arcabouço probatório que embasa o lançamento ora recorrido a partir das provas obtidas no âmbito da Operação "Lava Jato". Por outro lado, os recorrentes tentam de forma inútil desqualificar o trabalho probatório, mas não logram êxito na apresentação de provas que comprovem a origem e a destinação dos repasses feitos mensalmente a Nelma Kodama. A Sra. Nelma Kodama registrou suas empresas no mesmo endereço da empresa 4 RIOS, como se constata do seguinte trecho à fl. 13.650: Fl. 18908DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.880 59 O endereço de Nelma Kodama no Brasil informado no cadastro de suas empresas All Best e First Transport , conforme atos constitutivos e alterações, era a Rua Amazonas, 3300, sala 74, 7º andar, CEP 15500004, VotuporangaSP, Brasil, mesmo endereço da empresa 4 Rios Participações Empreendimentos e Administrações Ltda, que responde solidariamente pelas dívidas da Da Vinci. Já para as empresas Connect, Greenworld, IL Solo Tuo, Liex Trading e Top One foi informado o endereço residencial da mãe de Nelma Kodama no Brasil à Rua Araras, 559, Cond Marambaia, CEP 13280000, VinhedoSP. Os recorrentes alegam que isso seria um ato unilateral de Nelma Kodama, como se esta tivesse escolhido aleatoriamente uma sala comercial, na lista telefônica, para instalar suas empresas de fachada. Mas se trata de apenas mais um dos muitos elementos de prova disponíveis. A empresa 4 Rios Participações Empreendimentos Administrações Ltda era utilizada por Nelma Kodama para recebimento de significativos valores mensais continuadamente de natureza não comprovada desde, pelo menos, novembro de 2006. Instada a se manifestar, a 4 RIOS deixou de comprovar os depósitos e afirmou não possuir os comprovantes que demonstrariam os destinatários dos recursos. Também não indicou a causa dos pagamentos. Ademais, prestou declaração falsa para não enviar a escrituração contábil ou o livro diário do ano 2009 (fl. 13.821 – com grifo nosso): O contribuinte, em atendimento ao TIF nº 04: a) deixou de comprovar individualizadamente os depósitos bancários, bem como deixou de apresentar os respectivos comprovantes bancários, que demonstram o remetente e o destinatário dos recursos, sob a alegação de “não temos comprovantes bancários”; b) deixou de comprovar individualizamente o beneficiário (CNPJ/CPF e nome completo), a causa e o oferecimento à tributação dos pagamentos ou operações, sob alegação “não temos como comprovar individualmente”, bem como deixou de apresentar os respectivos comprovantes bancários, que demonstram expressamente o remetente e o destinatário dos recursos, sob alegação de que “não temos comprovantes bancários”; c) deixou de apresentar a escrituração contábil ou o livro Diário do ano 2009, sob a alegação de que a empresa permaneceu inativa, conforme declaração simplificada da pessoa jurídica de inatividade, sendo que tal afirmação é falsa pois o contribuinte teve movimentação financeira no período segundo a DIMOF; d) deixou de apresentar os extratos bancários dos anos de 2009 e 2010, embora tenha havido movimentação financeira, conforme demonstra a DIMOF; e) deixou de demonstrar a contabilização da movimentação bancária relativa ao banco nº 399, Agência nº 1032, Conta nº 1107915, dos anos de 2009 a 2014, sob alegação de que “não foram apresentados os extratos bancários para a contabilidade”; f) deixou de apresentar demonstrativo detalhado de todos os depósitos feitos a Nelma Mitsue Penasso Kodama, Gustavo Henrique Penasso Kodama, Maria Dirce Penasso e Liciane Paes Penasso Kodama, bem deixou de informar a respectiva causa, sob alegação de que não teria demonstrativos Fl. 18909DF CARF MF 60 detalhados, nem movimentação bancária com Nelma Mitsue Penasso Kodama. Mesmo tendo sido reintimada diversas vezes, a 4 RIOS não se dispôs a comprovar os destinatários ou as causas dos depósitos, mesmo quando novas provas foram obtidas em apreensões de mídias digitais (fl. 13.825). Por sua vez, segundo os controles mensais de despesas da 4 RIOS encontrados nos HDs apreendidos pela Polícia Federal, Nelma Kodama recebia retiradas mensais da empresa (Vide controles paralelos às fls. 6666 a 6671 e email 118): Assim sendo, considerando os elementos localizados no HD de uso contadora Mirna Zanetti, Nelma Kodama obteve vantagens mensais da empresa 4 Rios Participações Empreendimentos Administrações Ltda, no período de 11/2006 a 12/2007 e 05/2010 a 12/2013, no montante de R$ 2.559.048,06. O patrimônio da 4 Rios Participações, Empreendimentos e Administrações Ltda diminuiu mensalmente a favor da Sra. Nelma Kodama, que nega ter vínculos com a empresa 4 Rios Participações Empreendimentos Administrações Ltda. Fl. 18910DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.881 61 Além da demonstração, a partir das mídias apreendidas, do pagamento de uma despesa fixa com Nelma Kodama, a 4 RIOS possui 75 empreendimentos por ela administrados (fl. 13.829). Por sua vez, buscando dificultar as investigações, a 4 RIOS tentou impedir o acesso da SRFB às suas movimentações bancárias e à movimentação da conta corrente na qual eram feitos envios de recursos por empresas de fachada em benefício de Alberto Youssef (fl. 13.830): Ademais, a 4 Rios foi utilizada para receber valores das empresas de fachada RCI Software e Empreiteira Rigidez (vide documentos de transferências bancárias às fls. 12368 compartilhados pela Justiça Federal à Receita Federal), ambas utilizadas por Alberto Youssef na lavagem de dinheiro conforme demonstra a sentença da ação penal processo nº 502621282.2014.4.04.7000/PR às fls. 12369 a 12482 ou alguns dos trechos dela transcritos a seguir. Os valores enviados pela RCI Software e Empreiteira Rigidez foram destinados à conta 1107915, agência 1032, banco nº 399, cuja movimentação bancária é omitida na contabilidade e cujos respectivos extratos bancários foram sonegados pela diligenciada 4 Rios. Portanto, resta claro que os referidos valores recebidos são fruto das atividades ilícitas de Nelma Kodama. Além disso, vários depósitos foram feitos pela 4 RIOS para a PNGS, outra empresa de propriedade de fato da Sra. Nelma Kodama. Nelma Kodama utilizava a conta bancária do irmão, Gustavo Kodama, para realizar sua movimentação financeira, conforme demonstram os emails selecionados a seguir. Além disso, Nelma também realizava elevadas operações de compra e venda de suas ações na bolsa de valores mantidas em nome do irmão (email 144: “ELE TEM QUE PAGAR UMAS ACOES QUE EU COMPREI NO NOME DELE OK”). Por exemplo, conforme nota de corretagem do email 78, Nelma Kodama adquiriu 4.000 ações da Bovespa, em 20/05/2008, no valor total de R$ 104.560,00, em nome do irmão. O Sr. Gustavo Kodama era sócio da empresa 4 Rios Participações, Empreendimentos e Administrações Ltda, que responde solidariamente pelas dívidas tributárias de Nelma Kodama na Da Vinci. Até 28/08/2012, Gustavo constava como sócio administrador da 4 Rios. Depois disso, o quadro societário da 4 Rios passou a ser constituído pela sócia administradora (esposa), Liciane Paes Freire Penasso Kodama, e a filha Giovana Freire Penasso. Gustavo Kodama e Liciane Kodama são os síndicos do Condomínio Hotel Villa Lobos (vide fls. 8365 a 8378), onde estão situados os 56 apartamentos em nome da Pngs e os 75 apartamentos em nome da 4 Rios Participações. Além disso, conforme comprovado em diligências no curso da fiscalização, o Sr. Gustavo Kodama escondeu e destruiu provas buscadas pelo Fisco. Durante o procedimento diligência na empresa Atlantica Hotels, arrendatária do Condomínio Hotel Villa Lobos e responsável pela guarda e responsabilidade de diversos documentos dos apartamentos do Condomínio Villa Lobos (vide TDF nº 03 da diligência fiscal às fls. 944 a 1576), foram solicitados os documentos relativos às cessões de direitos sobre os apartamentos do condomínio Hotel Villa Lobos cujo cessionário, cedente, participante ou testemunha sejam Gran Frio Armazéns; Maria Dirce Penasso; PNGS Prosper; Gustavo Henrique Kodama Penasso; Mareia Regina Flausino; Mareia Regina Flausino Traboulsi; 4 Rios Participações; Maricia Regina Flausina; Mirna Zanetti Fialho e Nelma Mitsue Penasso Kodama. No entanto, a Fl. 18911DF CARF MF 62 diligenciada Atlantica informou que tais documentos foram retirados de suas dependências pelo Sr. Gustavo Kodama sem autorização e conhecimento da Atlantica Hotels. Outrossim, parte dos lucros oriundos das operações de compra e venda de ações realizadas pela Sra. Nelma Kodasso com as contas em nome do Sr. Gustavo, eram declaradas no seu IRPF, conforme demonstra email indicado pela Fiscalização: Outrossim, a Sra. Liciane administradora da empresa, e esposa do Sr. Gustavo, alega que herdou o negócio do Pai e administrava atividades lícitas. Ou seja, alegou que tinha domínio da atividade, o que significa dizer que tinha acesso e conhecimento das operações bancárias e repasses realizados à Sra. Nelma Kodama. O Sr. Gustavo Kodama também permaneceu, junto à sua esposa, na administração de fato das atividades da empresa. Por sua vez, a Sra. Liciane era sócia administradora da 4 RIOS, empresa que foi usada como um braço para as operações criminosas da Sra. Nelma Kodama, operandose, também, uma clara confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas e físicas. Por todo esse contexto, não há como se afastar a responsabilidade solidária dos recorrentes. DAS CONCLUSÕES Assim, face a tudo o quanto exposto, voto no sentido de negar provimento integral a todos os Recursos Voluntários. Passo a analisar o Recurso de Ofício. A DRJ concluiu que, em que pese o fato de que a conduta da Corretora TOV ter em tese possibilitado a realização de remessas fraudulentas de numerário ao exterior pela empresa DA VINCI, o que configuraria crime contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, não restaram comprovadas as circunstâncias que caracterizam o interesse comum previsto no artigo 124, I do CTN, ou seja, não restou comprovada a existência de grupo econômico de fato, confusão patrimonial, vinculação gerencial ou coincidência de sócios e administradores que pudesse ensejar a responsabilização tributária da TOV. Fl. 18912DF CARF MF Processo nº 10835.720460/201664 Acórdão n.º 1401002.881 S1C4T1 Fl. 18.882 63 Neste particular também concordo com a DRJ. Ora, do conjunto de omissões perpetradas pela TOV é impossível não concluir que a referida tinha ciência e permitiu a evasão de recursos oriundos do esquema criminoso. Basta dizer que permitiu o cadastro da DA VINCI mesmo sendo empresa inapta, e permitiu a realização de vultosas e suspeitas operações. A TOV deixou de prestar as informações obrigatórias por lei, e apenas o fez depois de deflagrada a Operação Lava Jato, e usou isso como justificativa de sua "boafé", mas certamente não foi. Entretanto, de fato, não restou configurado o interesse comum na medida em que não se comprovou que a TOV participou dos esquemas criminosos, ou ainda, que ficou com parte do seu fruto, além das comissões ordinárias nas operações de câmbio. Também não restou comprovada confusão patrimonial, como nas demais empresas. Restou claro que a TOV praticou crimes contra o sistema financeiro nacional, sendo por isso punida de forma adequada vez que teve seus registros cassados, além de responder uma série de processos criminais. Entretanto, não há como atribuir à empresa a responsabilidade tributária prevista no art. 124 do CTN. Desta feita, voto pelo não provimento do Recurso de Ofício. Assim, face a tudo o quanto exposto, voto pelo não provimento de todos os recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 18913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901908/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 08 /2 00 9- 54 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10882.901908/200954 Acórdão n.º 1301003.318 S1C3T1 Fl. 3 2 Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerála improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito original decorrente de pagamento indevido/maior a título estimativa de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido em síntese que recolheu DARF no valor total da estimativa e só utilizou parte deste, gerando assim saldo credor. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10882.901908/200954 Acórdão n.º 1301003.318 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.316, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.900305/2009 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.316): O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Tratase originalmente de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de IRPJ, apresentado via Dcomp. Nos termos da decisão recorrida, foi afastada a hipótese de pagamento indevido ou a maior, aduzindo que o valor do recolhimento realizado (via DARF) encontravase vinculado à estimativa devida, e que o procedimento de retificar DCTF, em data posterior ao despacho decisório, não teria suporte na legislação pertinente, considerando como correta a informação constante na DCTF original. Entendeuse ainda não ser possível, naquela fase processual, transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, e que não foram trazidos provas que desse guarida ao eventual erro cometido pelo contribuinte na apuração do crédito que afirma ser titular. Assim, com base nesses argumentos, julgouse improcedente a impugnação apresentada. Pois bem. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10882.901908/200954 Acórdão n.º 1301003.318 S1C3T1 Fl. 5 4 não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, o direito creditório apresentado não é oriundo de pagamento a maior das estimativas, e sim, em tese, proveniente de saldo negativo. Aliás, a própria decisão recorrida chegou a essa conclusão, deixando de proceder com as verificações necessárias, com o escopo de confirmar a liquidez e certeza do suposto direito creditório de fato reclamado, por entender que naquela fase processual, não seria mais possível a transformação da origem do crédito pleiteado. Vejase que o valor do crédito apresentado corresponde ao valor do saldo negativo declarado nas DIPJs apresentadas, seja na original ou na retificadora. Embora em situação anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, nas ricas e sempre oportunas discussões no colegiado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10882.901908/200954 Acórdão n.º 1301003.318 S1C3T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.011692/2002-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito que decorre direta e automaticamente da interposição do recurso voluntário, nos termos do art. 150, III do Código Tributário Nacional, prescindindo de decisão a respeito por parte do CARF.
ARROLAMENTO DE BENS.
A exigência de arrolamento de bens para a interposição de recurso voluntário de há muito não mais subsiste, pelo que despicienda qualquer manifestação do CARF a respeito do tema.
AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DOENÇA GRAVE.
Rendimentos recebidos em ação trabalhista não se inserem na previsão de isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria percebidos por portador de doença grave.
JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO. SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC.
LANÇAMENTO. PRESSUPOSTO DE FATO. ELEMENTO DE PROVA.
Mantém-se o lançamento quanto o contribuinte não apresenta elemento de prova necessário para afastar o pressuposto de fato da exação.
Numero da decisão: 2402-006.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Júnior, que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE Recorrente GEORGE DENIS DE BARROS LABOURDETTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito que decorre direta e automaticamente da interposição do recurso voluntário, nos termos do art. 150, III do Código Tributário Nacional, prescindindo de decisão a respeito por parte do CARF. ARROLAMENTO DE BENS. A exigência de arrolamento de bens para a interposição de recurso voluntário de há muito não mais subsiste, pelo que despicienda qualquer manifestação do CARF a respeito do tema. AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DOENÇA GRAVE. Rendimentos recebidos em ação trabalhista não se inserem na previsão de isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria percebidos por portador de doença grave. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO. SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC. LANÇAMENTO. PRESSUPOSTO DE FATO. ELEMENTO DE PROVA. Mantémse o lançamento quanto o contribuinte não apresenta elemento de prova necessário para afastar o pressuposto de fato da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 16 92 /2 00 2- 65 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 578 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Júnior, que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini. Relatório Os presentes autos retornaram a este Colegiado depois de cumprida a diligência solicitada por meio da Resolução de fls. 202/207, cujo relatório é o seguinte: Conforme relatório da decisão recorrida, o processo de auto de infração fls. 73/77 se originou da revisão da declaração de ajuste do ano calendário 1998, onde se detectou omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência de acordo trabalhista, processo JCJ n° 00952.019/981, e de rendimentos tributáveis informados em Dirf pela Fundação Corsan, sendo que a comprovação de moléstia grave está datada de 26/03/1999, ou seja, é posterior à percepção dos rendimentos do anocalendário 1998; alteraramse os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica para R$ 77.778,43, a dedução para previdência oficial para R$ 726,84, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF para R$ 8.944,96 e os rendimentos isentos ou não tributáveis para zero; indeferiuse a restituição pleiteada de R$ 8.633,95 e exigese R$ 7.924,22 de IRPF suplementar com multa de ofício do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora, base legal a fl. 75/76. 2. Tempestivamente, fl. 79, o interessado apresentou impugnação de fls. 1/9, por meio de seu representante legal, fl. 30, e os documentos de fls. 10/32. 3. Confirma que a divergência se refere a rendimento recebido em dissídio individual interposto pelo autuado, processos n° 00952019/981 e 00467.019/98 (apensado), contra a Cia Riograndense de Saneamento Cosam, encerrado com um acordo homologado conforme Ata de Audiência de 17/12/1998, que anexa, resultando em promessa de pagamento ao reclamante de R$ 75.000.00; destes, R$ 30.000,00 recebidos em 1998 foram considerados isentos por se tratar de indenização e R$ 42.253,63, tributados na fonte pelo empregador com IRRF de R$ Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 579 3 8.633,95 (R$ 8.944,96, segundo o fisco), foram considerados isentos, haja vista estar o contribuinte acometido de moléstia grave (anexo II); recebeu ainda R$ 1.754,92 de aposentadoria do INSS. 4. Contesta a autuação integralmente porque: a. indenização por tempo de serviço recebida na rescisão do contrato de trabalho não entra no cômputo do bruto tributável; cita IN n° 124, de 1980, e jurisprudência; b. em relação a essa mesma indenização, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido; referenciase a jurisprudência e ao art. 792 do RIR de 1994, repetido no art. 718 do RIR de 1999, e acórdão administrativo; c. afirma que incluiu indevidamente R$ 1.754,92 recebidos de aposentadoria do INSS, porque são isentos do IR os proventos de aposentadoria por doença grave, conforme o art. 39, XXXIII do RIR de 1999; que, embora o fisco alegue que a comprovação da doença grave data de 1999, fica comprovado que a moléstia é anterior, dado que o contribuinte foi submetido a cirurgia cardíaca em 08/08/1997; portanto, tal valor deve ser excluído. 5. Protesta contra a cobrança dos juros de mora apurados pela taxa referencial do Sistema de Liquidação c Custódia para títulos federais Selic, por afrontarem o art. 192, §3º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, por se tratar de juros extorsivos. 6. Pugna ainda contra a multa de oficio, afirmando que, mesmo que a parcela de R$ 30.000,00 fosse tributável, o cliente foi induzido por erro de informação da fonte pagadora e transcreve jurisprudência nesse sentido. 7. Às fls. 85/86 consta pedido de diligência da DRJ/POÁ, relativo ao ano calendário 2001, mas não o resultado da diligência. 8. O processo foi transferido para a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR mediante a Portaria SRF n° 80 de 16 de janeiro de 2006, DOU de 18/01/2006. 9. Esta DRJ/CTA solicitou a diligência de fls. 91/92, cumprida às fls. 93/108. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DOENÇA GRAVE. Rendimentos recebidos em ação trabalhista não se inserem na previsão de isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria percebidos por portador de doença grave. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Somente podem ser excluídas da tributação as parcelas identificadas como isentas e as tributadas exclusivamente na fonte, das verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista. AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 580 4 Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento, devendo ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, inobstante a falta de retenção ou retenção a menor pela fonte pagadora. FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tratandose de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, inexiste responsabilidade tributária concentrada exclusivamente na pessoa da fonte pagadora, sendo correta a autuação do beneficiário, com capitulação legal de omissão de rendimentos, quando este não ofereceu à tributação, na declaração de ajuste anual, os rendimentos tributáveis recebidos em virtude de ação trabalhista e sujeitos ao ajuste anual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 JUROS DE MORA. SELIC. Os juros de mora apurados pela Selic são devidos no lançamento de oficio, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de oficio, na exigência de oficio, por expressa previsão legal. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância em 01/08/2008, o contribuinte apresentou tempestivamente, fls. 146 e segs., em 17/09/2008, o recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: 1. Pugna pela suspensão da exigibilidade do débito referido no auto de infração 2. Protesta pela desnecessidade do arrolamento de bens; 3. Alerta que o Recorrente é portador de moléstia grave desde 08/08/1997, dado que o contribuinte foi submetido a cirurgia cardíaca em tal data, embora o fisco alegue que a comprovação da doença grave data de 1999; 4. Discorre sobre a função do Conselho de Recursos para afastar do lançamento do tributo as leis instituidoras de exações que são inconstitucionais ou que não são válidas; 5. Em relação a isenção por moléstia grave, cita que o Superior Tribunal Justiça já apreciou a referida controvérsia e proferiu entendimento no sentido de que a aludida isenção deve ser reconhecida diante da prova da existência de moléstia grave, ainda que a comprovação não esteja fundada exclusivamente em laudo médico oficial; 6. Que ao valor de R$ 30.000,00, recebido através de acordo trabalhista, se trata de indenização trabalhista, sendo, portanto, isento do imposto de renda, nos termos do inciso XX, art. 39 do RIR/99 e IN 124/80; 7. Em relação a essa mesma indenização, a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido; referenciase a Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 581 5 jurisprudência e ao art. 792 do RIR de 1994, repetido no art. 718 do RIR de 1999, e acórdão administrativo; 8. Pugna ainda contra a multa de ofício, afirmando que, mesmo que a parcela de R$ 30.000,00 fosse tributável, o cliente foi induzido por erro de informação da fonte pagadora e transcreve jurisprudência nesse sentido. 9. Protesta contra a cobrança dos juros de mora cobrados pela taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais – Selic, por afrontar o art. 192, § 30 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, por se tratar de juros extorsivos. É o relatório. Conforme voto da então relatora, esta Turma entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fosse providenciada cópia integral dos autos do processo judicial no qual se deu o acordo trabalhista que resultou no pagamento questionado, no importe de R$ 30.000,00, bem como para que fossem prestados esclarecimentos acerca da composição desse valor e da natureza do pagamento no valor de R$ 42.253,63, que o recorrente, por alegar se tratar de rendimento não tributável, a ela pareceu ter sido sugerido se tratar de aposentadoria. Foram juntados aos autos os documentos de fls. 213/570 e o documento de fls. 212 (Of. 010/2017), por meio do qual a empresa Corsan esclarece que não identificou o pagamento de R$ 42.253,63 no ano calendário de 1998 em nome do recorrente, e que relativamente ao montante de R$ 30.000, 00, tratase uma parcela do acordo firmado nos autos do processo nº 00952.019/981 “como forma de pagamento dos pedidos formulados na petição inicial daquele feito”. Cumprida a diligência, os autos, então, retornaram a este Conselho para julgamento do recurso voluntário. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. PRELIMINARES a) SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Em preliminar, o recorrente argumenta que uma vez interposto recurso administrativo como exercício do direito de defesa em auto de infração, impõese que seja mantida a suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que da decisão proferida em primeira instância caberá recurso voluntário com efeito suspensivo, sendo que o art. 151, III do CTN também contém disposição no mesmo sentido. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 582 6 Com efeito, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito que decorre direta e automaticamente da interposição do recurso voluntário, nos termos do mencionado art. 150, III do Código Tributário Nacional. Portanto, uma vez que decorre de disposição legal expressa, o pedido da recorrente para que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do auto de infração prescinde de decisão por parte deste colegiado. b) ARROLAMENTO DE BENS COMO CONDIÇÃO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Ainda como preliminar, requer o recorrente que o recurso seja analisado sem a necessidade de arrolamento de bens, aplicandose o Ato Interpretativo RFB nº 9, de 06/06/2007, cujo art. 1º dispõe que “Não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário”. Como apontado pela própria recorrente, a exigência de arrolamento de bens para a interposição de recurso voluntário de há muito não mais subsiste. Desse modo, não há nada o que prover nesse sentido, pelo que, parecenos que, também neste caso, despicienda qualquer manifestação deste Conselho a respeito do tema. Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 109, "o órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens". MÉRITO DO VALOR RECEBIDO EM DECORRÊNCIA DE ACORDO TRABALHISTA O recorrente recebeu R$ 30.000,00 aos 21.12.98 em decorrência de acordo trabalhista a título indenizatório firmado nos autos da ação trabalhista de nº JCJ 00952.019/981. Por não haver o detalhamento das verbas que compõem esse valor, a decisão recorrida entendeu correto o lançamento sob o fundamento de que não há dúvida de que as verbas recebidas em decorrência de ação trabalhista têm caráter salarial, pois constituem, na verdade, falta de pagamento e correção ou recomposição dos ganhos pelos índices oficiais. Pois bem. Consta dos autos que o recorrente foi admitido na Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan (a qual, de ora em diante, assim nos referiremos), sociedade de economia mista cuja principal atividade é captação, tratamento e distribuição de água, a 1º/06/66 (fls. 45). Ingressou nessa empresa na função de técnico de contabilidade e lá permaneceu até que se deu a extinção do contrato de trabalho aos 03/11/94 por aposentadoria pelo INSS, havendo uma observação em sua CTPS no sentido de que as anotações lançadas posteriormente à aposentaria foram feitas a título de indenização (fls. 47 e 546). Pelo que se infere os autos, embora extinto o contrato de trabalho, o recorrente permaneceu prestando serviços à empresa até que, aos 29/03/96, foi desligado em razão de sua aposentadoria junto à Previdência Social (fls. 372). Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 583 7 Discordando do desligamento, o recorrente, então, moveu contra a empresa a reclamação trabalhista nº 00693.020/962, tendo obtido decisão judicial aos 18/06/96 que determinou que fosse reintegrado aos quadros da empresa. Essa decisão, todavia, foi cassada por decisão do TRT da 4ª Região aos 14/05/97 na Apelação Cível nº 347022/979 (fls. 546), quando, então, o recorrente foi desligado definitivamente. Com o advento da Lei nº 9.528, de 10/12/97, cujo art. 11, “caput”, estabelece que “a extinção do vínculo de que trata o § 1º do art. 453 da CLT não se opera para os empregados aposentados por tempo de serviço que permaneceram nos seus empregos até esta data, bem como para aqueles que foram dispensados entre 13 de outubro de 1996 e 30 de novembro de 1997, em razão da aposentadoria por tempo de serviço, desde que solicitem, expressamente, até 30 de janeiro de 1998, a suspensão da aposentadoria e, quando houver, a do pagamento feito por entidade fechada de previdência privada complementar patrocinada pela empresa empregadora”, o recorrente, então, aos 30/01/98, requereu a suspensão temporária de sua aposentadoria junto ao INSS (fls. 460), procedendo à devolução do valor do benefício recebido relativo à competência de fevereiro/98 (fls. 468). Requereu, também, na mesma data, a suspensão de sua aposentadoria complementar junto à Fundação Corsan (fls. 462) e o seu reingresso como trabalhador ativo junto a Corsan (fls. 458). Pela documentação constante dos autos, inferese que até 1º/04/98, a empresa não havia se posicionado acerca do pedido do recorrente de reingresso como trabalhador da empresa, ensejando o ajuizamento da Medida Cautelar inominada (autos nº 00467019/0983) contra a empresa aos 27/04/98 visando obter decisão judicial que determinasse sua pronta readmissão na empresa (fls. 442). Posteriormente, ajuizou a reclamação trabalhista nº JCJ 00952.019/981, distribuída por dependência àquela cautelar, visando obter decisão judicial definitiva que deferisse a sua readmissão no emprego, a contar de 1º/02/98, com pagamento de salários e demais vantagens do cargo ocupado quando do desligamento, devidamente reajustados, com todos os acréscimos legais (fls. 214). Na ação cautelar em tela, o recorrente obteve decisão liminar que determinou fosse ele novamente readmitido na empresa, tendo sido expedido mandado de readmissão aos 23/07/98, cumprido na mesma data (fls. 296). E foi nesse contexto que foi celebrado acordo judicial entre o recorrente e a Corsan nos autos da reclamação trabalhista principal de nº JCJ 00952.019/981, na qual se deu o pagamento discutido (fls. 460). Com efeito, restou acordado entre as partes que a empresa efetivaria o pagamento ao recorrente, a título indenizatório, do valor de R$ 75.000,00, dividido em 3 parcelas, conforme abaixo: Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 584 8 Ficou acordado entre as partes, também, que a partir de 16/12/98, o recorrente seria desligado da empresa, passando a dela perceber valor equivalente à suplementação provisória de aposentadoria, no valor do teto de benefícios ampliado, conforme cláusula 68° do acordo coletivo 98/99, até que adquirisse o direito à suplementação de aposentadoria pela Fundação Corsan, no valor equivalente ao referido teto. Ficou ajustado, ainda, que uma vez cumpridas as prestações por parte da empresa, o recorrente daria plena e irrevogável quitação a todas as parcelas postuladas naquela ação judicial, bem como às postuladas nas demais reclamações trabalhistas movidas contra a empresa (autos nºs. 339.020/989, 408.014/989 e 467.019/9813), além de quitação geral do seu contrato de trabalho. Mencionado acordo foi homologado em audiência realizada aos 17/12/98 (fls. 265), constando anotação na CTPS do recorrente como data de seu desligamento da empresa o dia 16.12.98 em decorrência do acordo judicial celebrado (fls. 46). Eis o cenário em que se deu o mencionado pagamento, no valor de R$ 30.000,00, que tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida entenderam ter natureza remuneratória, portanto, sujeito a tributação pelo IRPJ por não haver discriminação das verbas que o compõem. A respeito desse pagamento, o recorrente argumenta, em seu recurso, que se trata de verba paga pela empresa que se destinaria a indenizar o recorrente pelos montantes por ele desembolsados para quitar os valores devidos à Fundação Corsan, entidade fechada de previdência complementar dos funcionários da Corsan, como condição para sua reintegração nos quadros na entidade e também uma das condições para o recebimento de sua aposentadoria complementar, cuja suplementação provisória, também conforme acordo judicial celebrado, seria feita a título indenizatório pela Corsan até que, uma vez reintegrado, as condições de recebimento pela própria entidade fossem satisfeitas. E para comprovar que o valor em questão se trata de indenização, nos termos em que relatado, junta “Termo de Reintegração e Confissão de Dívida”, celebrado com a Fundação Corsan (fls. 190), que prevê as condições da reintegração do recorrente mediante a quitação de seu débito para com a entidade. Conforme consta do documento em questão, constatase que o total do débito do recorrente para com a Fundação Corsan perfaz o importe total de R$ 29.212,89 (vinte e nove mil e duzentos e doze reais e oitenta e nove centavos), muito próximo dos R$ 30.000,00 (trinta mil reais) que o recorrente argumenta ter recebido a título indenizatório da Corsan destinado a viabilizar o seu reingresso nos quadros da entidade. Há que se anotar que a própria empresa informou ao recorrente que esse pagamento se tratava de pagamento de verba indenizatória, não destinada à tributação pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 62) e que, uma vez instada pela fiscalização, no curso das diligências fiscalizatórias, a esclarecer como se compunha a aludida verba, informou à Secretaria da Receita Federal que “se tratava uma parcela do acordo judicial firmado junto ao processo nº 00952019/981 (fls. 51/52), como forma de pagamento dos pedidos formulados na petição inicial”. Pois bem. Como mencionado, entendeu a decisão recorrida que deveria ser mantida a autuação uma vez que “não há dúvida de que as verbas referidas em decorrência de ação trabalhista têm caráter salarial, pois constituem, na verdade, falta de pagamento e correção ou recomposição dos ganhos pelos índices oficiais”. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 585 9 Com todo o respeito, nem sempre. Como já exposto, o que o recorrente pleiteava na ação judicial que ensejou o pagamento em tela (e nas demais a ela correlatas), diferentemente do que se poderia supor (e, a julgar pelo fundamento da decisão recorrida e do teor da ementa do julgado, parece ter se suposto), não eram “diferenças não pagas de verbas salariais, diferenças de salários, proventos ou pensões”, mas sim a sua reintegração nos quadros da empresa em função do permissivo legal constante do art. 11, “caput”, da Lei nº 9.528/97. Para tanto, também como narrado, como condição imposta por esse mesmo dispositivo legal, foi necessário que solicitasse a suspensão de suas aposentadorias junto ao INSS e à Fundação Corsan, efetivando, inclusive, a devolução do valor de benefício recebido àquele primeiro, tudo de molde a viabilizar seu pleito de reintegração, nos termos da lei. Ocorre que entre a data desse requerimento (30/01/98) e a sua efetiva reintegração, que se deu somente mediante cumprimento de mandado judicial expedido em ação cautelar aos 23/07/98, houve um hiato em que o recorrente ficou despojado tanto de seus proventos, como de salário (fato, aliás, que também contribuiu para o deferimento da medida liminar na ação cautelar, tendo sido o caracterizador do "periculum in mora" que ensejou a concessão da medida). Assim, é evidente que o recorrente experimentou prejuízos provenientes dessa situação. E diante de todo esse contexto, não é razoável supor que ele tenha sido indenizado por isso e que aquele pagamento no valor de R$ 30.000,00 tenha sido feito, de fato, a esse título, como tanto ele como a própria empresa afirmam, especialmente considerando que, ao final, o recorrente teve seu direito à reintegração reconhecido e determinado judicialmente? Parecenos que sim, a nós parecendo suficientemente demonstrado que aquele valor se trata, efetivamente, de pagamento feito a título de indenização. Nessa linha, dispõe o art. 70, "caput" e § 5º da Lei nº 9.430/96, que: Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. (...) § 5º O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais.” Ao tratar dos rendimentos isentos e não tributáveis, o Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), em seu artigo 39, XVIII, por sua vez, dispõe que: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 70, § 5º); (...)". Assim, à vista de todo o exposto, entendemos que a situação se enquadra na hipótese de isenção prevista no art. 70, § 5º da Lei nº 9.430/96 e 39, XVIII do Decreto nº Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 586 10 3.000/99, razão pela qual tal pagamento não está sujeito à tributação pelo imposto de renda da pessoa física. DA MULTA DE OFÍCIO Ainda a respeito do aludido pagamento no valor de R$ 30.000, 00, argumenta o recorrente que mesmo que se considerasse sobre ele ser devido o imposto de renda, não lhe poderia ser imposta multa de ofício, uma vez que foi induzido em erro por informação equivocada que a ele foi prestada pela empresa, que lhe informou, conforme declaração que se encontra anexada aos autos, tratarse de rendimentos não sujeitos à tributação. Cita precedente nesse sentido segundo o qual “Sendo o lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício” (1° CCAc. 10416.954 4ª C REL. João Luis de Souza Pereira). Nesse mesmo sentido, dispõe a Súmula CARF nº 73 que o “erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. Aqui também nos parece ter razão o recorrente. Realmente, como já exposto anteriormente, o recorrente recebeu o aludido valor como parcela de indenização em acordo firmado em ação trabalhista com a empresa Corsan. Essa empresa, por sua vez, informoulhe que mencionado valor não deveria ser submetido à tributação uma vez que se tratava de rendimento não tributável. Ora, nesse cenário, não havia razão para o recorrente supor que fosse diferente, de modo que, legitimamente, confiou na informação que lhe foi transmitida pela empresa, sendo que eventual “omissão de rendimentos” terá decorrido de erro escusável que não lhe pode ser imputado. Desse modo, caso esse colegiado venha a entender, diferentemente desta relatora, que sobre o pagamento em questão deverá incidir Imposto de Renda da Pessoa Física, entendemos que, pelas razões acima expostas, sobre ele não deve incidir multa de ofício, por aplicação da Súmula CARF nº 73. ILEGALIDADE DOS JUROS FIXADOS PELA TAXA SELIC O recorrente ainda alega, ainda, que caso se entenda devido o tributo sobre o pagamento de R$ 30.000,00, a cobrança de juros pela taxa SELIC é ilegal. Tece longas considerações acerca desse índice visando afastar a sua aplicação. Sobre os juros moratórios, é entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 587 11 Por se tratar de matéria objeto de súmula, conforme determina o art. 72, “caput”, do RICARF, sua aplicação é obrigatória por parte deste colegiado. DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA E ainda sobre o pagamento de R$ 30.000,00, o recorrente alega, por fim, que mesmo que e tratasse de rendimento tributável, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto seria da fonte pagadora, nos termos do art. 718 do Decreto 3.000/99, segundo o qual “O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário”. Assim, argumenta que havendo dever de retenção, não pode arcar com o erro da fonte pagadora, que deixou de reter o valor correspondente ao tributo devido. Neste ponto, considerando que o recurso voluntário não trouxe nenhum argumento novo visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador na decisão recorrida, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, com os quais estou de pleno acordo: Acerca da responsabilidade pelo recolhimento do Imposto sobre a Renda retido na Fonte — IRRF, a legislação, Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1994 (Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994), que rege a matéria determina: Responsabilidade no Caso de Decisão Judicial Art. 792. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário (Lei nª 8.541, de 1992, art. 46). 27. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto sobre os rendimentos pagos, ainda que não o tenha retido, é o que dispõe também o art. 919, do RIR de 1994: "Art. 919. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido. Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarseá a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto de renda que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste." 28. No entanto, a interpretação do caput do art. 919 há de ser feita sistematicamente, considerando os aspectos relacionados à responsabilidade tributária e ao momento de incidência do imposto. 29. A definição do momento da incidência do imposto consta no citado Regulamento, art. 1º, § 2°, nos termos a seguir: Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 588 12 Art. 1°. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4°). (...) §2°. O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei n°8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 25. (Grifouse.) 30. O art. 93 do RIR de 1994, por sua vez, assim estabelece: Art. 93. Sem prejuízo do disposto no § 2° do art. 2°, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. (Lei n°9.250, de 1995, art. 7°). (Grifou se) Ressaltese que nenhum dos dispositivos legais transcritos menciona que a retenção é exclusiva na fonte, mesmo porque se referem também aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, que devem ser consignados na declaração de ajuste anual. 32. Assim, a partir da edição da Lei n°8.134, de 7 de dezembro de 1990, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, à medida que os rendimentos forem percebidos, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda da pessoa física seja efetuada na declaração anual de ajuste; estáse diante de um fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos e com responsabilidades bem definidas: em um primeiro momento, a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, constituindo mera antecipação do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos e de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora; e, em um segundo momento, o acerto definitivo para cálculo do montante do imposto devido, apurado anualmente na declaração de ajuste e sob inteira responsabilidade do contribuinte beneficiário do rendimento. 33. De qualquer modo, como os rendimentos compõem a base de cálculo do imposto de renda na declaração anual de ajuste, na forma prevista na Lei n° 9.250, de 1995, arts. 7° e 8°, em nenhuma hipótese poderá o contribuinte eximirse de tributálos, alegando tratarse de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora. 34. Portanto, a determinação legal para que a fonte pagadora proceda à retenção e ao recolhimento do imposto não retira daquele que recebeu os rendimentos a qualidade de contribuinte. Ou seja, ainda que a fonte pagadora tenha deixado de efetuar a retenção, cabe somente ao contribuinte incluir os rendimentos na declaração de ajuste, informandoos como tributáveis ou nãotributáveis, conforme o caso, justamente porque a pessoa que recebeu os rendimentos e adquiriu disponibilidade econômica é o sujeito passivo da relação jurídicotributária, na qualidade de contribuinte do Imposto de Renda Pessoa Física. 35. Assim, apesar de a fonte pagadora ter deixado de reter na fonte o imposto de renda o valor tributável pago, inexiste amparo legal para eximir o beneficiário da responsabilidade de tributálo por ocasião da apresentação da declaração de ajuste anual." Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 589 13 Esse entendimento é, ainda, reforçado pela Súmula CARF de nº 12, segundo a qual “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. PARCELAS ISENTAS – MOLÉSTIA GRAVE Em seu recurso voluntário, o recorrente alega, ainda, ser portador de cardiopatia grave, condição que lhe garante isenção de imposto de renda, conforme prevê o art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88, bem como o art. 39, XXXIII do Decreto nº 3.000/99. Argumenta que embora a decisão recorrida considere que a isenção por moléstia grave tenha tido início aos 26/03/1999, data do reconhecimento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 25), verificase que para esse reconhecimento, o perito oficial do INSS se baseou em cirurgia cardíaca à qual o recorrente se submeteu em agosto/1997, bem como em declaração de médica credenciada do Estado do Rio Grande do Sul, de 05/08/1997, o que comprova que a moléstia em questão, no mínimo, originouse na data da cirurgia e é, portanto, anterior ao anocalendário de 1998. Alega, também, que em que pese a Lei nº 9.250/95 ter alterado a sistemática para o reconhecimento ao direito à isenção veiculada nos incisos XIV e XXI da Lei nº 7.713/88, exigindo a comprovação da moléstia grave por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda do recorrente, o próprio perito oficial do INSS se baseou nos documentos da cirurgia fornecidos pelo Instituto de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul para constatar a doença grave de que padece, sem necessidade de submetêlo a outro exame médico pericial. Nesse sentido, traz precedente do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual o direito à isenção ao imposto de renda deve ser reconhecido diante da prova da existência da moléstia grave, ainda que a comprovação não esteja fundada exclusivamente em laudo pericial oficial. Pois bem. Sobre este ponto de seu recurso, considerando a matéria efetivamente impugnada pelo recorrente, que foi aquela até aqui já enfrentada, o fato de restar comprovado nos autos ser ele portador de cardiopatia grave, bem como ser essa moléstia preexistente ou não ao anocalendário de 1998, não interfere no deslinde no presente feito, uma vez que os rendimentos recebidos em decorrência de reclamação trabalhista, independentemente de sua natureza, remuneratória ou indenizatória, não se inserem na previsão de isenção do imposto de renda da pessoa física, que apenas beneficiam os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portador de doença grave. Com efeito, são os seguintes os termos do art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 590 14 alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...)”. Portanto, considerando que os valores efetivamente impugnados no recurso foram recebidos a título indenizatório, não são alcançados pela norma isentiva, de modo que a investigação acerca da data do surgimento da moléstia que acomete o recorrente em nada aproveita o debate travado nos autos. Nesse passo, convém esclarecer que no recurso voluntário, apenas na descrição dos fatos, o recorrente aponta valor de R$ 1.754,92 que teria sido por ele lançado por equívoco como rendimento tributável em sua declaração de ajuste anual, tendo como principal fonte pagadora a Fundação Corsan, mas que na verdade, tratarseia de rendimento de aposentadoria recebido do INSS. Para a discussão desse valor, a investigação da data do surgimento da doença do recorrente certamente seria relevante, tivesse sido ela adequadamente deduzida em seu recurso. Mas não foi. Como dito, o recorrente apenas fez um apontamento a respeito na descrição dos fatos e, ainda assim, não trouxe nenhuma prova a respeito desse pagamento que alega se tratar de pagamento de aposentadoria do INSS, como um contracheque, extrato bancário ou qualquer documento hábil a demonstrar que o valor em questão se trataria, realmente, de pagamento de aposentadoria passível de isenção em face de sua condição de portador de moléstia grave. Nessa mesma situação, ou seja, apenas na descrição dos fatos, também aponta que recebeu o valor de R$ 42.253,63, mas sequer diz a que se refere. Apenas alega que foi erroneamente tributado na fonte pelo empregador, o que nos faz inferir que está a sugerir que também se trata de aposentadoria. Todavia, fosse esse o caso, também não trouxe prova alguma aos autos a esse respeito, além do fato de a Corsan ter declarado esse valor em sua Dirf como rendimento tributável do recorrente. Por outro lado, por hipótese, fosse o caso de ter pretendido sugerir se tratar aquele valor de indenização, já restou demonstrado quais rendimentos percebidos pelo portador de moléstia grave foram eleitos pela legislação como hipóteses de isenção do imposto de renda da pessoa física, sendo certo que rendimentos percebidos a título de indenização não figuram entre eles. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento a incidência de imposto de renda sobre o valor de R$ 30.000,00, por se tratar de rendimento recebido a título de indenização em acordo trabalhista. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 591 15 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho a Relatora nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto a não incidência do Imposto de Renda sobre o valor de R$ 30.000,00, recebido na ação trabalhista nº JCJ 00952.019/981, em 21/12/98. Após discorrer sobre os diversos fatos ocorridos entre o Recorrente e a empresa Corsan (aposentadoria, demissão, pedido de reintegração, ação trabalhista, etc.), os quais levaram ao recebimento desses R$ 30.000,00, concluiu a Relatora que tal verba teria sim natureza indenizatória, nos seguintes termos: Assim, é evidente que o recorrente experimentou prejuízos provenientes dessa situação. E diante de todo esse contexto, não é razoável supor que ele tenha sido indenizado por isso e que aquele pagamento no valor de R$ 30.000,00 tenha sido feito, de fato, a esse título, como tanto ele como a própria empresa afirmam, especialmente considerando que, ao final, o recorrente teve seu direito à reintegração reconhecido e determinado judicialmente? Parecenos que sim, a nós parecendo suficientemente demonstrado que aquele valor se trata, efetivamente, de pagamento feito a título de indenização. Pois bem, vejamos o que restou consignado na decisão de primeira instância, fls. 124 a 132, contra a qual foi interposto o recurso voluntário: 9. Esta DRJ/CTA solicitou a diligência de fls. 91/92, cumprida às fls. 93/108. [...] 15. A diligência solicitada por esta DRJ foi no sentido de que se apresentasse detalhamento das verbas recebidas no acordo trabalhista, que foi a questão objeto da impugnação do litigante, porém o interessado limitouse a anexar os mesmos documentos anteriormente apresentados, onde o valor de R$ 30.000,00 é simplesmente classificado como a "título indenizatório". [...] 24. Assim, com relação às verbas isentas ou de tributação, exclusiva, fica impossibilitada a distinção, dado que o valor recebido de R$ 30.000,00 não foi detalhado quanto à sua composição, concluindose pela procedência da autuação. Conforme se observa, a decisão a quo manteve a tributação sobre o valor recebido de R$ 30.000,00, em razão do contribuinte não ter juntado aos autos o detalhamento das verbas recebidas no acordo trabalhista, o qual foi solicitado na diligência, fl. 93, nos seguintes termos: Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 592 16 Trata o processo do auto de infração de fls. 73/77, onde, na revisão da declaração de anocalendário 1998, detectouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Companhia Riograndense de Saneamento CORSAN, CNPJ 92.802.784/000190, no valor de R$ 42.253,63, com R$ 8.633,95 de IRRF, declarados pelo contribuinte como isentos ou não tributáveis, e de rendimentos recebidos em decorrência de acordo trabalhista com a mesma empresa, no valor de R$ 30.000,00, não declarados, fls. 37/40. O contribuinte alega, em relação aos R$ 30.000,00 do acordo trabalhista, que se trata de indenização por tempo de serviço, portanto, isenta; em relação aos R$ 42.253,63, que estaria isento haja vista ter sido cometido de moléstia grave, anteriormente ao anocalendário 1998; e, em relação aos R$ 1.754,92 que declarou como tributáveis, requer retificação para isentos, ao mesmo argumento. À vista do exposto, proponho que encaminhe ao órgão preparador, em diligência, a fim de juntar aos autos: a) detalhamento dos valores que compõem a indenização de R$ 30.000,00 recebida em 21/12/1998, a fim de que se possa identificar as parcelas isentas, tributáveis exclusivamente na fonte e tributáveis que compõem esse valor (processo 00952.019M1, fls. 62/63); b) Laudo Médico Pericial emitido por serviço médico oficial da União ou do Estado, indicando a moléstia, o respectivo CID e a data em que a moléstia foi contraída, tendo em vista que o documento fornecido pelo Posto de Convênios do INSS, fl. 24, é insuficiente para comprovar a alegada moléstia grave. Observese que esse mesmo Laudo está sendo solicitado na diligência solicitada pela DRJ/POA, relativamente ao processo n° 11080.000175/200341 do mesmo contribuinte. Como se nota, o detalhamento solicitado na diligência visava identificar as parcelas isentas, tributáveis exclusivamente na fonte e tributáveis, sendo tal informação crucial para o julgamento da defesa, porém, o contribuinte se limitou a anexar aos autos os mesmos documentos anteriormente apresentados, nos quais o valor de R$ 30.000,00 é simplesmente classificado como verba paga a "título indenizatório". Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 145 a 170, no qual traz as seguintes alegações quanto ao valor recebido de R$ 30.000,00: II DOS FATOS Em síntese, as divergências que geraram o lançamento, resultaram do valor correspondente a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), declarados como isento de imposto de renda, proveniente de dissídio individual interposto pelo Recorrente (acordo homologado e ata de audiência fls. 11/13 dos autos), onde são partes o ora Recorrente e a empresa CIA Riograndense de Saneamento CORSAN. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 593 17 [...] Contudo, em pese toda a fundamentação anteriormente arguida, onde resta demonstrado que o valor proveniente do dissídio individual se trata de indenização, e, consequentemente não tributável, EM NADA SE TORNA RELEVANTE AO CASO EM COMENTO, EIS QUE O RECORRENTE É PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE, QUE O TORNA ISENTO DE IMPOSTO DE RENDA NOS TERMOS DO ARTIGO 6°, XIV DA LEI 7.713/88 E DO DECRETO 3000 DE 26 DE MARCO DE 1999. [...] III.3 – DA TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS ISENTAS Em que pese, o Recorrente ser portador de moléstia grave desde 05.08.1997 e, consequentemente, isento de imposto de renda, insta esclarecer que cobrança de IRPF em relação ao valor de R$ 30.000,00, recebida através do acordo trabalhista; não procede eis que se trata de indenização trabalhista. Para corroborar esta afirmação, acostamos o "Termo de Reintegração e Confissão de Dívida", fornecido pela Fundação CORSAN — Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento, onde comprova que o acordo trabalhista referese à reintegração do Recorrente aos Quadros da entidade, sendo esta uma das condições para sua aposentadoria. Assim, hão restam dúvidas que se trata de indenização, que se enquadra no inciso XX, art. 39 do TI/99. Neste mesmo sentido, temos a Instrução Normativa n° 124/80 que esclarece o assunto quando diz: "não ocorre a incidência do imposto em indenizações decorrentes de acidentes de trabalho, de rescisões de contratos de trabalho ou de outros rendimentos tributáveis". Isto posto, considerando que a se trata de indenização por tempo de serviço, não há incidência de imposto de renda, mesmo porque o referido acordo foi homologado por juiz do trabalho e declarado como isento pelo empregador (documentos já acostados aos autos). (Grifo no original) Segundo se extrai da transcrição acima, para o contribuinte, ora Recorrente, seria irrelevante a demonstração da natureza das verbas que compõem o valor recebido de R$ 30.000,00, uma vez que seria portador de moléstia grave, e, por tal motivo, estaria isento do Imposto de Renda, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713, de 22/12/88. Porém, à luz desse dispositivo, somente os proventos de aposentadoria, percebidos por portador de uma das doenças graves, elencadas no inciso XIV, é que estão sujeitos à isenção, sendo tais condições não evidenciadas no caso em análise, pois (i) não ficou demonstrado que o rendimento recebido corresponde a proventos de aposentadoria e, (ii) segundo a informação prestada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fl. 24, a doença foi reconhecida somente em Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11080.011692/200265 Acórdão n.º 2402006.546 S2C4T2 Fl. 594 18 26/3/99, sem mencionar qualquer retroatividade, lembrando que o lançamento diz respeito ao anocalendário de 1998. Logo, não restou demonstrado que o valor recebido de R$ 30.000,00 se enquadra na regra isentiva do art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88. Quanto à natureza desse valor recebido, o Recorrente alega corresponder a indenização trabalhista, enquadrável na regra do "inciso XX, art. 39 do TI/99", buscando comprovar tal alegação com o Termo de Reintegração e Confissão de Dívida de fl. 190, além de invocar a Instrução Normativa nº 124/80. Pois bem, o Termo de Reintegração, carreado aos autos, apenas faz referência a acordo judicial, sem fazer qualquer referência expressa ao valor de R$ 30.000,00 e sem demonstrar e detalhar a natureza de qualquer valor recebido. Senão, vejamos: Portanto, tal elemento probatório não se mostra suficiente para demonstrar que o rendimento, ora discutido, se enquadra na regra isentiva dos citados atos normativos. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto 70.235, de 6/3/72), o que não aconteceu no presente caso. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.721068/2014-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 15504.722445/2015-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ORIGINAL. RETIFICADORA. QUOTA. IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Os valores já pagos pelo contribuinte devem ser considerados na revisão de ofício.
Numero da decisão: 2002-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se extraia da declaração do contribuinte o valor de 5.289,10 de imposto complementar não comprovado e se considerem os valores pagos às fls. 6 e 7, os quais extinguem pelo pagamento o crédito tributário apurado na declaração revisada de ofício, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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RETIFICADORA. QUOTA. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Os valores já pagos pelo contribuinte devem ser considerados na revisão de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se extraia da declaração do contribuinte o valor de 5.289,10 de imposto complementar não comprovado e se considerem os valores pagos às fls. 6 e 7, os quais extinguem pelo pagamento o crédito tributário apurado na declaração revisada de ofício, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 24 45 /2 01 5- 35 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15504.722445/201535 Acórdão n.º 2002000.286 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento (fl. 8 e ss) do anocalendário 2012 na qual o resultado do imposto foi alterado de 2.164,73 a pagar para 7.453,83 a pagar (fl. 10), gerando imposto suplementar de 5.289,10 mais multa e juros. O lançamento referese à glosa de compensação indevida de imposto complementar (5.289,10). A fiscalização informa que (fl. 9): Foi compensado indevidamente o valor do IRRF pago a título de quotas de imposto de renda como imposto complementar Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 2 e 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 12/03/2015 (fl. 42) e protocolou sua peça no dia 30/03/2015 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: foi cometido erro no preenchimento da declaração. O valor contestado não diz respeito a imposto complementar, mas sim a imposto de renda retido na fonte. Declara ainda que não está discutindo judicialmente a matéria objeto deste processo e pede prioridade na análise em razão do art. 69A, I da Lei 9.784/99. Decisão de 1ª instância A DRJ julgou a impugnação improcedente, em síntese, porque o contribuinte incluiu na declaração retificadora como imposto complementar o valor do imposto de renda a pagar apurado na declaração original. Contudo, um dos julgadores fez declaração de voto posicionandose favoravelmente ao cancelamento do crédito tributário. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Impõese a improcedência da impugnação quando o contribuinte não apresenta provas capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15504.722445/201535 Acórdão n.º 2002000.286 S2C0T2 Fl. 4 3 Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 76 a 78) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 15/07/2015 (fl. 74) e protocolou sua peça no dia 14/08/2015 (fl. 76), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 76 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: realizou a retificação da DIRPF 2013 para corrigir lançamento de despesas médicas, reduzindo as mesmas de R$ 20.704,57 para R$ 12.832,80 e com isto procedeuse ao pagamento do imposto sobre esta diferença que representou um valor de R$ 5.289,10, conforme comprovante bancário já apresentado anteriormente no processo. No entanto, por desconhecer o procedimento correto, cometeu uma falha ao inserir este valor de R$ 5.289,10 como imposto complementar; deve ser avaliado o acórdão da DRJ já que o ocorrido foi bem detalhado na declaração de voto do Auditor Fernando Antonio Gonçalves Celestino Saraiva que votou pela improcedência da impugnação, cancelando o crédito tributário. Por fim requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal. 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários. Assim, considerando que o pedido do recorrente, neste ponto, já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito Na primeira declaração (fl. 19 e ss) enviada em 21/04/2013, foi gerado um saldo de imposto de 5.289,10 a ser pago em 1 quota (fl. 35). O referido valor foi pago em Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.722445/201535 Acórdão n.º 2002000.286 S2C0T2 Fl. 5 4 24/04/2013 (fl. 6). Em 17/08/2013 (fl. 43), o contribuinte retificou a declaração reduzindo suas despesas médicas e informando a quota paga na primeira declaração como imposto complementar na declaração retificadora (fl. 46), gerando saldo de imposto de 2.164,73 a ser pago também em 1 quota (fl. 50). Na fl. 7 consta o comprovante de pagamento deste valor, muito embora a data do pagamento não esteja legível. O valor da quota paga na declaração original não poderia ter sido informado como imposto complementar na declaração retificadora, pois tratamse de institutos distintos. O imposto complementar é uma antecipação do imposto devido e só pode ser pago até o último dia útil do respectivo anocalendário (art. 25, IN 15/2001). As quotas de imposto, por sua vez, são pagas após o envio da declaração, no ano seguinte, não constituindo antecipação. No caso em tela, como a retificação reduziu despesas médicas, o que resulta em aumento do imposto declarado, o procedimento correto seria manter o número de quotas da declaração original, calcular a diferença entre o novo valor do imposto devido em cada quota e o valor do imposto das quotas já pagas e emitir o Darf para pagamento da diferença da quota (art. 55, IN 15/2001). Como o contribuinte não fez o procedimento correto, necessário se fez o lançamento em questão para retificar a apuração do imposto de renda, glosando o imposto complementar, pois caso contrário, o contribuinte poderia pleitear, indevidamente, a restituição da quota paga na declaração original. Assim, se o contribuinte não tivesse declarado indevidamente o imposto complementar, o saldo do imposto a pagar passaria de 5.289,10 (fl. 35) para 7.453,83, conforme lançado pelo Fisco e informado pela DRJ (fls. 10 e 70). Contudo, no prazo da declaração original, o contribuinte pagou 5.289,10 (fl. 6) e após a entrega da retificadora, pagou mais 2.164,73 (fl. 7), o que totaliza 7.453,83, mesmo valor total de imposto a pagar apurado pela fiscalização no lançamento (fl. 10). Logo verificase que, muito embora a retificação de ofício fosse cabível em razão da declaração errônea, os valores pagos pelo contribuinte antes mesmo da lavratura da notificação de lançamento extinguem o crédito tributário apurado pela retificadora revisada de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, para que seja retificada de ofício a declaração do contribuinte, extraindose dela o valor de 5.289,10 de imposto complementar e para que sejam considerados os valores pagos pelo contribuinte às fls. 6 e 7, os quais extinguem pelo pagamento o crédito tributário apurado na declaração retificadora revisada de ofício. (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15504.722445/201535 Acórdão n.º 2002000.286 S2C0T2 Fl. 6 5 Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000215/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
LUCROS OU DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS. REGRA DE ISENÇÃO DO IRPF.
Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. LUCRO ARBITRADO.
A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido ou arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o arbitrado.
Numero da decisão: 2401-005.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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REGRA DE ISENÇÃO DO IRPF. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. LUCRO ARBITRADO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido ou arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 15 /2 01 0- 32 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 786 2 (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 5ª Turma da DRJ/SDR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 616/621): Tratase de Auto de Infração (fls. 135 a 141), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, anoscalendários de 2005 e 2006, para a exigência do crédito tributário discriminado no quadro abaixo, em reais (R$): Imposto 82.471,49 Juros de Mora (calculados até 26/02/2010) 32.910,68 Multa Proporcional (75%) 61.853,61 Valor do Crédito Tributário Apurado 177.235,78 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal às fls. 130 a 133, os sistemas da RFB indicaram que parte da variação patrimonial, informada pelo contribuinte, foi suportada em rendimentos isentos e não tributáveis. Foi constatado que a maior parte dos rendimentos teve origem em lucros distribuídos pelas empresas JOKAFARIAS CONSULTORIA EMPRESARIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA e DISTRIBUIDORA DE LEGUMES VASSOURAS LTDA. Concluiuse que o contribuinte não poderia ter considerado como lucro isento o valor do lucro líquido apurado com base na contabilidade da JOKAFARIAS CONSULTORIA EMPRESARIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA, CNPJ n° 05.019.678/000130, nos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que os registros contábeis não foram lastreados em documentação hábil e idônea, conforme verificado em procedimento fiscal. Como consequência, foi lavrado o Auto de Infração que compõe o processo administrativo de n° 12898.002339/200919. O lançamento na pessoa física foi efetuado com base na tabela abaixo, disposta no item 2 do Termo de Verificação Fiscal: 1 2 3 4 5 6 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 787 3 Ano calendário Lucro Arbitrado apurado pela fiscalização Tributo apurado pela fiscalização Valor que poderia ser considerado isento, pelo sócio, com base na legislação Valor distribuído ao sócio e que este considerou como isento e não tributável Valor a ser lançado de ofício 2005 R$ 532.357,52 R$ 173.060,48 R$ 359.297,04 R$ 604.000,00 R$ 244.702,96 2006 R$ 540.278,42 R$ 196.502,06 R$ 343.776,36 R$ 427.425,00 R$ 83.648,64 Segundo consta, os valores indicados no item 3 da tabela supra correspondem aos tributos apurados no Auto de Infração emitido contra a Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda, conforme demonstrativo anexo ao Termo de Verificação (fl. 134), já os números do item 5 correspondem aos valores informados pelo fiscalizado às fls. 23, 24 e 27 (fls. 25, 26 e 29 dos autos eletrônicos). Cientificado pessoalmente em 04/03/2010 (fl. 136), o contribuinte apresentou, em 31/03/2010, a impugnação de fls. 149 a 175, na qual alega, em síntese, que: ∙ é sócio majoritário (99% das quotas) da pessoa jurídica Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda; ∙ dentre os documentos solicitados à pessoa jurídica pela Fiscalização e não disponibilizados (por motivo de extravio, divulgado pela sociedade por meio de publicação em diário de grande circulação) estavam as notas fiscais de serviços prestados, cujo pagamento, em algumas vezes, deuse através de depósito bancário em dinheiro; ∙ em face disso, os referidos depósitos foram considerados como receita omitida pela sociedade, embora devidamente registrados e correlacionados com as respectivas notas fiscais em seus livros contábeis, apresentados à Fiscalização, que os desconsiderou e, consequentemente, arbitrou o lucro referente ao período fiscalizado, gerando auto de infração, ainda pendente de julgamento; ∙ a decisão acerca do processo da pessoa jurídica é questão prejudicial ao julgamento do presente processo, o qual deve ser suspenso até a decisão final a respeito da manutenção ou não do auto de infração lavrado em face da sociedade (processo n° 12898.002339/200919); ∙ há incorreção da base de cálculo presumida pela Fiscalização para apurar o IRPF do impugnante no ano calendário de 2005, isso porque o valor de R$ 604.000,00 corresponde ao somatório dos lucros referentes aos anos calendários de 2004 (R$ 143.849,75) e de 2005 (R$ 460.150,25), que somente foram pagos em 2005, conforme comprovante de rendimentos e DIRPF. Requer: (i) seja julgada procedente a impugnação, para cancelar o Auto de Infração, eis que fundamentado em outro auto que ainda não teve seus créditos confirmados, com o Fl. 787DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 788 4 conseqüente arquivamento do feito; (ii) caso assim não se entenda, seja determinada a suspensão do presente processo até o julgamento definitivo do processo n° 12898.002339/200919, a fim de se evitar a prolação de decisões contraditórias no âmbito da DRJ/RFB; (iii) se este ainda não for o entendimento, seja a impugnação julgada procedente, nos termos da fundamentação trazida, seja pela inexistência de omissão de receita da sociedade, seja pela impossibilidade de considerar os depósitos bancários, por si só, como renda; (iv) mas, em sendo julgado procedente o lançamento, requer seja a base de cálculo do IRPF do anocalendário de 2005 retificada, diante das razões postas. Cita jurisprudência e protesta pela posterior produção de todas as provas admitidas em âmbito administrativo, inclusive, a produção de provas documental e pericial. Às fls. 590 a 593, o impugnante acrescenta que, em 19/12/2013, teve ciência da decisão proferida pela 1a Turma da DRJ/RJ1 referente ao aludido processo da pessoa jurídica. Com o parcial provimento da impugnação, do total lançado (R$ 533.579,40) restou apenas o valor principal de R$ 18.809,21. Entende que não há de prevalecer o lançamento do IRPF, devendo ser cancelado o crédito tributário discutido nos presentes autos. Anexa a decisão (fls. 606613). É o relatório. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1536.493 (fls. 616/621), de 28/08/2014, cujo dispositivo considerou Improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos auferidos pelo contribuinte apurada por meio de documentos ou declarações. LUCROS OU DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS. REGRA DE ISENÇÃO DO IRPF. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Impugnação Improcedente Fl. 788DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 789 5 Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Inicialmente, cabe reconhecer a existência da questão prejudicial suscitada pelo impugnante, relativa ao lançamento em desfavor da pessoa jurídica da qual é sócio majoritário (Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda, CNPJ n° 05.019.678/000130). No entanto, a decisão proferida não beneficia a pessoa física ora impugnante, como se verá adiante. 2. Compulsando os autos do processo nº 12898.002339/200919, que controla o Auto de Infração lavrado contra a mencionada pessoa jurídica, constatase que a decisão de primeira instância, juntada às fls. 606613, encontrase assim ementada: ARBITRAMENTO. Procedente o arbitramento dos lucros, quando o contribuinte deixa de fornecer à fiscalização os documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis no período fiscalizado. RECEITAS INFORMADAS NA DIPJ. É legítima a adoção da receita informada na DIPJ como base para cálculo do lucro arbitrado. Diante de erro de fato, cabe retificação do lançamento. RECEITAS OMITIDAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A comprovação do oferecimento à tributação dos depósitos bancários elide a presunção de omissão de receitas. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTOS CONEXOS. Aplicase ao lançamento conexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. 3. No voto, considerouse procedente o arbitramento dos lucros, já que o contribuinte deixou de fornecer à Fiscalização os documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis no período fiscalizado (mesmo que sob a alegação de extravio). Logo, o lançamento de IRPJ (e reflexos) com base na receita informada na DIPJ (receita declarada) permaneceu, com a retificação do erro de fato detectado, conforme detalhado no voto. 4. Embora a origem dos depósitos não tenha sido comprovada (diante da não apresentação dos documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis), verificouse que os depósitos foram escriturados na contabilidade e compõem a receita informada na DIPJ, a qual foi tributada na apuração do lucro arbitrado. Assim, considerouse elidida a Fl. 789DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 790 6 presunção de omissão de receitas, sendo cancelado o lançamento de IRPJ (e reflexos) com base nos depósitos bancários (receita omitida). 5. Ao final, decidiuse pela manutenção da exigência do IRPJ, no valor original de R$ 18.809,31, com base no demonstrativo abaixo resumido: (1) (5) (6) (7) (8) (9) Trimestre/Ano Valor tributável Imposto (5) x 15% Adicional Valor a compensar (conforme AI*) IRPJ mantido 4/2004 48.462,56 7.269,38 4.482,91 2.786,47 Total 2004 48.462,56 7.269,38 4.482,91 2.786,47 1/2005 112.903,13 16.935,47 5.290,31 17.953,78 4.272,00 2/2005 76.062,17 11.409,33 1.606,21 10.451,30 2.564,24 3/2005 62.014,29 9.302,14 201,42 7.736,26 1.767,31 4/2005 33.359,82 5.003,97 4.381,39 622,58 Total 2005 284.339,41 42.650,91 7.097,94 40.522,73 9.226,13 1/2006 24.537,60 3.680,64 3.310,20 370,44 2/2006 53.114,12 7.971,62 8.960,64 3/2006 123.289,68 18.493,45 6.328,96 19.760,35 5.062,07 4/2006 51.783,70 7.767,56 6.403,36 1.364,20 Total 2006 252.755,10 7.767,56 6.328,96 38.434,55 6.796,71 Total geral 585.557,07 37.913,27 13.426,90 83.440,19 18.809,31 Total 2005 e 2006 537.094,51 80.564,18 13.426,90 78.957,28 16.022,84 * Foi considerado o valor do Auto de Infração (a fiscalização deduziu o IRPJ declarado pelo interessado e, também, valores de IRRF extraídos da DIRF), ainda que o interessado não tenha efetuado a dedução do IRRF na DIPJ. 6. Registrese que o crédito tributário foi extinto mediante pagamento do saldo remanescente, conforme extrato contido nos autos do referido processo. 7. Considerando a decisão acima descrita, alterase a apuração do crédito tributário referente ao imposto sobre a renda da pessoa física. A tabela disposta no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 130 a 133) ficaria assim: 1 2 3 4 5 6 Fl. 790DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 791 7 Ano calendário Valor tributável mantido após julgamento do AI da PJ IRPJ mantido após julgamento do AI da PJ Valor que poderia ser considerado isento, pelo sócio, com base na legislação Valor distribuído ao sócio e que este considerou como isento e não tributável Valor a ser tributado na PF do sócio (excesso considerado como rendimento tributável) 2005 R$ 284.339,41 R$ 9.226,13 R$ 275.113,28 R$ 604.000,00 R$ 328.886,72 2006 R$ 252.755,10 R$ 6.796,71 R$ 245.958,39 R$ 427.425,00 R$ 181.466,61 Total R$ 537.094,51 R$ 16.022,84 R$ 521.071,67 R$ 1.031.425,00 R$ 510.353,33 8. Como se vê, haveria um aumento da base de cálculo do IRPF nos dois anoscalendários considerados (2005 e 2006). Como não se pode agravar o lançamento em sede de julgamento, fica mantido o crédito tributário apurado pela Fiscalização. 9. Não se constata a alegada incorreção da base de cálculo presumida pela Fiscalização para apurar o IRPF do anocalendário de 2005. O valor de R$ 604.000,00, ainda que corresponda ao somatório dos lucros referentes aos anoscalendários de 2004 (R$ 143.849,75) e de 2005 (R$ 460.150,25), conforme alegado, constituise em rendimentos que foram auferidos em 2005, como atesta o próprio impugnante (subitem 6.3 da peça impugnatória). O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 629/641), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Insta salientar que, de todo o crédito tributário lançado no Processo n° 12898.002339/200919, no montante de R$ 533.579,40, restou mantido apenas como principal o valor de R$ 18.809,31, a título de IRPJ lançado sobre as receitas declaradas (eis que todo o lançamento efetuado com base nas receitas supostamente omitidas foi cancelado), o qual foi quitado nos termos da Lei n° 11.941/09. b. Sendo assim, como a presente autuação tem como pressuposto de validade a manutenção do auto de infração lavrado em face da pessoa jurídica, eis que consequência lógica e direta daquele, não se podem vislumbrar duas decisões conflitantes entre si. Isto, inclusive, porque este auto de infração foi baseado somente na suposta omissão de receita pela pessoa jurídica, afastada pela DRJ, não havendo que se falar em lançamento de IRPF. c. Ora, e não haveria de ser diferente, eis que ambos os lançamentos se originam de uma mesma presunção levada a efeito pela autoridade fiscal, a qual, por sua vez, foi devidamente elidida pela pessoa jurídica, mediante a comprovação da origem dos depósitos bancários identificados, bem como de que tais valores foram oferecidos à tributação. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 792 8 d. No intuito de demonstrar sua boafé, o recorrente reafirma, nos presentes autos, que os depósitos cuja origem a fiscalização não havia identificado foram devidamente registrados e correlacionados com as respectivas notas fiscais em seus livros contábeis, os quais, frisese, foram devidamente apresentados à autoridade fiscal autuante, sendo justamente esta a razão pela qual o auto de infração lavrado contra a pessoa jurídica foi cancelado praticamente na íntegra. e. Por fim, cumpre ressaltar que o argumento de que a contabilidade da empresa Jokafarias não é idônea, devendose manter o arbitramento, não pode prosperar, uma vez que o resultado apurado com base na DIPJ foi plenamente aceito, conforme decisão proferida nos autos do processo administrativo da respectiva empresa. f. E mais, da análise de tais documentos contábeis, os quais foram devidamente juntados aos autos do processo administrativo instaurado em face da pessoa jurídica, percebese que o resultado líquido dos exercícios: R$ 462.450,83 (2006) e R$ 533.026,45 (2005) são suficientes para justificar a distribuição dos dividendos declarados pelo ora recorrente, ainda que as considere a parcela remanescente do lançamento em face da pessoa jurídica (R$ 18.809,31). g. Caso seja ultrapassado o alegado anteriormente, tornase imperioso evidenciar a incorreta base de cálculo presumida pela fiscalização para se apurar o IRPF do recorrente no anocalendário 2005 (cf. tabela constante na pág. 3 do Termo de Verificação Fiscal). h. Isso porque a fiscalização utilizou como base para o seu cálculo o valor de R$ 604.000,00, distribuído ao recorrente no citado anocalendário, considerado por este como lucro isento e não tributável. i. De fato, referida quantia foi percebida pelo sócio recorrente no ano de 2005, mas não deve ser considerada, em sua integralidade, para fins de cálculo da base do IRPF. Este montante é o somatório dos lucros referentes aos anoscalendário 2004, no valor de R$ 143.849,75, e 2005, no valor de R$ 460.150,25, que somente foram pagos em 2005, conforme se depreende do Comprovante de Rendimentos Pagos pela Pessoa Jurídica do anocalendário 2005 e DIRF do mesmo ano (doc. 09 anexado à impugnação). j. O anocalendário 2004 não foi objeto de autuação da pessoa física, a ensejar sua composição para fins de cálculo do limite isento de lucros distribuídos em 2005. Em nenhum momento foi levantado pela fiscalização o quantum de lucro poderia a sociedade distribuir aos seus sócios, de forma isenta, referente ao ano de 2004, para se considerar que o valor de R$ 143.849,75 extrapola o limite que poderia ser distribuído sem a carga tributária do IR. Constatase, apenas, que o recorrente declarou tal valor como “Direitos a receber da empresa Jokafarias Consultoria e Representação Ltda., referentes a lucros creditados e não pagos” em 2004, em sua DIRF (cf. doc. 09 anexado à impugnação), o que Fl. 792DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 793 9 não quer dizer que o lucro líquido apurado pela sociedade em 2004 não comportaria a distribuição desse dividendo isento. k. Posto isso, fazse necessário reconhecer que, da parcela de R$ 604.000,00 inserida no item “5” da tabela, R$ 143.849,75 devem ser diminuídos do cômputo para a aferição da base de cálculo do IRPF, totalizando, portanto, o valor de R$ 460.150,25 que o sócio teria recebido e considerado como dividendo isento de tributação. Desta forma, a base de cálculo correta para a incidência do IR no anocalendário 2005, caso este seja considerado como devido, é de R$ 100.853,21, e não de R$ 244.702,96. l. Diante do exposto, requer seja recebido, conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformandose o acórdão n° 1536.493, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA) para cancelar integralmente o auto de infração originário, tendo em vista a insubsistência da cobrança nos autos do processo administrativo lavrado em face da pessoa jurídica em comento. Caso remanesça qualquer dúvida por parte do i. Conselheiros, requer que o julgamento seja convertido em diligência para que seja determinada a juntada de cópia integral do Processo n° 12898.002339/200919 aos presentes autos, a fim de que se constatem as alegações do ora recorrente, face ao Princípio da Verdade Real. Mas, em sendo mantido o lançamento, requer seja a base de cálculo do IRPF do ano calendário 2005 retificada, diante das razões postas no item IV. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). Fl. 793DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 794 10 O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 130/134), a autoridade fiscal entendeu que o senhor João Faria de Oliveira não poderia ter considerado como lucro isento, o valor do lucro líquido apurado com base na contabilidade Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que os registros contábeis não foram lastreados em documentação hábil e idônea. É ver o seguinte quadro e que bem demonstra os valores lançados de ofício (fl. 132): 1 2 3 4 5 6 Ano calendário Lucro Arbitrado apurado pela fiscalização Tributo apurado pela fiscalização Valor que poderá ser considerado isento, pelo sócio, com base na legislação Valor distribuído ao sócio e que este considerou como isento e não tributável Valor a ser lançado de Ofício 2005 R$ 532.357,52 R$ 173.060,48 R$ 359.297,04 R$ 604.000,00 R$ 244.702,96 2006 R$ 540.278,42 R$ 196.502,06 R$ 343.776,36 R$ 427.425,00 R$ 83.648,64 Fl. 794DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 795 11 Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 130/134), o montante indicado no item três do quadro acima é representado pelos tributos apurados no Auto de Infração que deu origem ao Processo n° 12898.002339/200919, instaurado em face da pessoa jurídica de que o recorrente é sócio majoritário (Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda.), no qual a autoridade fiscal lançou de ofício IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre depósitos bancários considerados como receita omitida pela sociedade. O indicado no item cinco corresponde aos valores informados pelo fiscalizado às folhas 23, 24 e 27, em atendimento aos termos de intimações. Conforme consta no Acórdão 1244.470 (fl. 609), da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), no Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 12898.002339/200919, a fiscalização aponta que “o extravio de livros fiscais e documentos que ampararam a escrituração contábil e fiscal, de acordo com os artigos números 530 e 532 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), são suficientes para caracterizar o arbitramento de lucro, principalmente, quando o fiscalizado não comunicou o fato, à época do ocorrido, a RFB e informa estar impossibilitado de comprovar os registros contábeis com os referidos documentos”. Dessa forma, a decisão de 1ª instância nos autos do Processo n° 12898.002339/200919 considerou procedente o arbitramento dos lucros, por entender que o contribuinte deixou de fornecer à fiscalização os documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis verificados no período fiscalizado (mesmo que sob a alegação de extravio). E, ainda, entendeu cabível a utilização da receita informada na DIPJ na apuração do lucro arbitrado, eis que o arbitramento deve tomar por base, preferencialmente, o parâmetro da receita bruta (art. 532 cc/ art. 535, do RIR/1999). Contudo, o julgador assentou que, ao confrontar as DIPJs com o demonstrativo da fiscalização, constatou que a autoridade fiscal, em alguns trimestres, teria equivocado na transcrição das outras receitas (considerou “Resultado da aplicação dos percentuais sobre a receita bruta” como “Rendimentos e Ganhos líquidos aplicações renda fixa/renda variável”), majorando o valor tributado como outras receitas. Assim, entendeu que o lançamento de IRPJ com base na receita informada na DIPJ (receita declarada) deveria permanecer, desde que com a retificação do erro de fato constatado. E, ainda, o julgador assentou que, embora a origem dos depósitos não tenha sido comprovada, foi possível verificar, do exame dos lançamentos contábeis, que os depósitos foram escriturados e estariam contidos na receita informada na DIPJ, que já estaria sendo tributada na apuração do lucro arbitrado. Prosseguindo, entendeu que do confronto do “Demonstrativo de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada”, com o demonstrativo da receita bruta – DIPJ (com a retificação), temse que apenas no terceiro trimestre de 2006 o total dos depósitos superou o da receitaDIPJ. Contudo, tal ocorrência seria resultado de erro de fato, que, efetuada a retificação, o total da receitaDIPJ superaria o dos depósitos em todos os trimestres. Assim, foi considerada elidida a presunção de omissão de receitas, sob o entendimento de que a tributação dos depósitos bancários representaria, bis in idem. Assim, foi determinado o cancelamento do lançamento de IRPJ com base nos depósitos bancários (receita omitida). Como o item do lançamento de IRPJ que deu origem ao lançamento de PIS e de Cofins (receita omitida) foi considerado improcedente, os lançamentos de PIS e de Cofins Fl. 795DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 796 12 também foram considerados improcedentes. Em relação ao lançamento de CSLL, que foi efetuado com base nos depósitos bancários (receita omitida), item considerado improcedente, e nas receitas declaradas, item mantido, embora o lançamento de IRPJ com base nas receitas declaradas tenha sido mantido, não haveria valor a ser exigido, pois o coeficiente utilizado no arbitramento foi o mesmo coeficiente utilizado na apuração do lucro presumido, 32%. Dessa forma, considerou também improcedente o lançamento de CSSL. Considerando a decisão descrita acima, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 15 36.493 (fls. 616/621), de 28/08/2014, alterou a apuração do crédito tributário referente ao imposto sobre a renda da pessoa física da seguinte forma: 1 2 3 4 5 6 Ano calendário Valor tributável mantido após julgamento do AI da PJ IRPJ mantido após julgamento do AI da PJ Valor que poderia ser considerado isento, pelo sócio, com base na legislação Valor distribuído ao sócio e que este considerou como isento e não tributável Valor a ser tributado na PF do sócio (excesso considerado como rendimento tributável) 2005 R$ 284.339,41 R$ 9.226,13 R$ 275.113,28 R$ 604.000,00 R$ 328.886,72 2006 R$ 252.755,10 R$ 6.796,71 R$ 245.958,39 R$ 427.425,00 R$ 181.466,61 Total R$ 537.094,51 R$ 16.022,84 R$ 521.071,67 R$ 1.031.425,00 R$ 510.353,33 Nesse sentido, por entender que houve um aumento da base de cálculo do IRPF nos dois anoscalendários (2005 e 2006) e não sendo possível agravar o lançamento em sede de julgamento, a unidade de julgamento decidiu manter, neste ponto, o crédito tributário. Entendo que agiu com acerto a decisão de piso. É que, o arbitramento do lucro foi mantido após o julgamento do auto de infração da pessoa jurídica da qual o recorrente é sócio, apenas havendo a retificação, em meses específicos, dos montantes integrantes da receita bruta. Com a redução da receita bruta, houve, consequentemente, a redução do valor tributável, o que, consequentemente, impactou o montante do “valor que poderia ser considerado isento, pelo sócio, com base na legislação”, reduzindoo. Dessa forma, houve o acréscimo, também como consequência, do excesso considerado como rendimento tributável. Vale lembrar que o presente lançamento tributário foi motivado em razão de insuficiência de documentos comprobatórios a darem lastro aos registros contábeis da Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda. Ademais, a procedência parcial do auto de infração da pessoa jurídica, que diz respeito ao lançamento de IRPJ com base nos depósitos bancários (receita omitida), decorreu unicamente do fato de que, do exame dos lançamentos contábeis, o julgador constatou que os depósitos foram escriturados e estão contidos na receita informada na DIPJ, que já estaria sendo tributada na apuração do lucro arbitrado (vedação ao bis in idem), embora a origem dos depósitos não tenha sido comprovada (diante da não apresentação dos documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis). Fl. 796DF CARF MF Processo nº 12898.000215/201032 Acórdão n.º 2401005.779 S2C4T1 Fl. 797 13 Tais fatos, somados, impediram que fossem considerados como resultados líquidos da Jokafarias Consultoria Empresarial e Representação Ltda, referentes aos anos calendários 2006 e 2005, os montantes respectivos de R$ 462.450,83 (fl. 558) e R$ 533.026,46 (fl. 482) informados na escrita contábil. Em outras palavras, como a sociedade não comprovou, com base em documentos, os lançamentos contábeis do período fiscalizado, não foi possível considerar os resultados líquidos da sociedade apontados na escrita contábil, o que impacta, consequentemente, o valor distribuído ao sócio que deva ser considerado como isento e não tributável, eis que deve prevalecer o lucro arbitrado. Adicionalmente, o recorrente questiona o valor considerado pela fiscalização como distribuído ao sócio e que este considerou como isento e não tributável referente ao ano calendário de 2005, por entender que o montante de R$ 143.849,75 diz respeito ao ano calendário de 2004, mas que somente foi pago em 2005. Dessa forma, entende que como o anocalendário de 2004 não foi objeto de autuação da pessoa física, deveria ser excluído do montante considerado pela fiscalização. A decisão de piso acertadamente, ao meu ver, entendeu que, ainda que o valor de R$ 604.000,00, corresponda ao somatório dos lucros referentes aos anoscalendários de 2004 (R$ 143.849,75) e de 2005 (R$ 460.150,25), conforme alegado, constituise em rendimentos que foram auferidos em 2005, como atesta o próprio recorrente (subitem 6.3 da peça impugnatória). Ademais, destaco que mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. Não consta nos autos a escrituração contábil referente ao anocalendário de 2004, o que impede o avanço na análise da transposição de eventual saldo para o ano calendário 2005. Não há que se falar que o anocalendário de 2004 não foi objeto de autuação, sendo ônus do contribuinte comprovar a existência de lucro efetivo e transportado para o ano calendário de 2005. Como não fez prova do fato, neste ponto, não lhe assiste razão. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NERGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 797DF CARF MF
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