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Numero do processo: 10380.003154/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS
A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a COFINS.
Numero da decisão: 3201-000.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a COFINS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 300 1 299 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.003154/200501 Recurso nº 883664 Voluntário Acórdão nº 320100.848 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria COFINS IMUNIDADE Recorrente LIVRARIA E PAPELARIA PEDRO I LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adreine Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 03/09, no valor total de R$ 285.514,02, incluindo encargos legais e multa exigida isoladamente; O item apurado pela Fiscalização, relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foi o seguinte. 1) PIS Faturamento — Falta ou Insuficiência de Recolhimento do PIS (sic) O contribuinte deixou de declarar e recolher integralmente os valores da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cotins relativos aos períodos de apuração nos anos calendário de 2001 a 2003. Enquadramento legal: art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 dô Decreto n° 4.524/02. Inconformado com a exigência, daqual tomou ciência em 19/04/2005, fls. 03, apresentou o contribuinte em 18/07/2008 impugnação, fls. 118/121, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. De acordo com a defesa existe no levantamento da base de cálculo erros de lançamentos que ocasionaram a apuração do tributo, pois deixou de apontar o valor das receitas de serviços e não exclui as receitas imunes, "PELA REVENDA DE LIVROS DIDÁTICOS, OPERAÇÃO IMUNE DE TRIBUTOS CONFORME CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL". Com o levantamento feito com valores totalmente distorcidos da realidade, fica assim descumprindo o Art. 904, inciso primeiro do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999, Arts. 142 e 144 do CTN e Arts, 150, V e 151, I, titulo VI seção II da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. As exigências do artigo 904 do Decreto n° 3.000/99 e as contidas nos artigos 142 e 144 do CTN e nos artigos 150 e 151 da Constituição Federal oferece não apenas as recomendações técnicas para a efetivação do lançamento, mas igualmente dá a exata extensão das exigências legais de validade do lançamento. Tanto no aspecto técnico quanto do ponto de vista da legitimidade do lançamento observase, na Ação Fiscal "sub examen", defeituação que elimina o vigor jurídico do ato administrativo manifestado na peça vestibular, tirando a total subsistência da autuação. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003154/200501 Acórdão n.º 320100.848 S3C2T1 Fl. 301 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/03/2010, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 0817.247 (fls. 128/132): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMUNIDADE. LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS A vedação constitucional de instituição de impostos sobre os livros, os jornais e os periódicos não abrange o IRPJ, cuja base, no caso, é o lucro arbitrado trimestral, nem as contribuições que, além de não serem impostos, têm por base, no caso, a receita trimestral CSLL e a receita mensal,c PIS e Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por meio da Intimação n° 31540501 (fls. 136/137), em 29/03/2010 (f1. 138), tendo protocolado seu recurso voluntário em 20/05/2010 (fl. 139/145), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 118/121) com ênfase para a alegação de vício formal contido no auto de infração. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da divergência entre o acórdão recorrido e o recurso em si diz respeito à extensão da imunidade de que trata o art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal. Na visão a Recorrente, referido dispositivo constitucional abrangeria não apenas os impostos. Nesse particular, registro que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que a referida imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, não contempla as contribuições para o PIS e a COFINS. Vejamos: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS SOBRE A VENDA DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. IMUNIDADE. OMISSÃO. ALEGAÇÃO PROCEDENTE. 1. A imunidade prevista no art. 150, VI da Constituição Federal não alcança a contribuição para o PIS, mas somente os impostos incidentes sobre a venda de livros, jornais e periódicos. 2. Embargos recebidos para, suprindo a omissão apontada pelas embargantes, declarar conhecido e parcialmente provido o recurso extraordinário. (RE 211388 ED, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 10/02/1998, DJ 08051998 PP 00012 EMENT VOL0190906 PP01185) ......................................................................................................... EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. LETRA "D" DO INCISO VI DO ARTIGO 150 DA CARTA MAGNA. PRETENDIDA EXTENSÃO À COFINS. Dispositivo constitucional que, nos termos da jurisprudência desta excelsa Corte, diz respeito, unicamente, a impostos. Agravo desprovido. (RE 325302 AgR, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 20/06/2006, DJ 27102006 PP00046 EMENT VOL0225304 PP00671) ......................................................................................................... EMENTA: 1. Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. COFINS. Imunidade. Livros. Art. 150, VI, d, da CF. 3. É firme a jurisprudência de ambas as Turmas e do Pleno no sentido de que as imunidades vinculadas a "impostos" não se estendem às "contribuições". 4. Agravo regimental a que se nega provimento (RE 332963 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 23/05/2006, DJ 16062006 PP00024 EMENT VOL0223703 PP00487) A menção ao art. 151 da Constituição Federal não se aplica ao caso, uma vez que o tratamento tributário que foi descumprido pela Recorrente é uniforme em todo o território nacional. Esse dispositivo constitucional tem o condão de impedir que a União crie tributos apenas no território de determinados entes federativos, de modo a lhes onerar em benefício de outros. Sem outros argumentos relevantes que possam repercutir no resultado deste julgamento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho integralmente a decisão recorrida. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003154/200501 Acórdão n.º 320100.848 S3C2T1 Fl. 302 5 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003306/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Exercício: 1996, 1997
REGIME AUTOMOTIVO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO -
O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.619
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de lançar e em dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Exercício: 1996, 1997 REGIME AUTOMOTIVO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-06-26T14:59:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-06-26T14:59:22Z; Last-Modified: 2012-06-26T14:59:22Z; dcterms:modified: 2012-06-26T14:59:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a0c965d6-33a7-4394-aca7-1dd83e8a3079; Last-Save-Date: 2012-06-26T14:59:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-06-26T14:59:22Z; meta:save-date: 2012-06-26T14:59:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-06-26T14:59:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-06-26T14:59:22Z; created: 2012-06-26T14:59:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2012-06-26T14:59:22Z; pdf:charsPerPage: 1256; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-06-26T14:59:22Z | Conteúdo => S3-C1T2 11. -4-A6 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CC CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA 5E0;0 DE JULGAMENTO Processo n" 10855.003306/2004-52 Recurso n" 344.351 Voluntário Acórdão n" 3102-00.619 — la Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2010 Matéria MULTAS ISOLADAS - regime automotivo Recorrente METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Exercício: 1996, 1997 REGIME AUTOMOTIVO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - direito de constituição do crédito tributário pertencente ã Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4' do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de lançar e em dar provimento ao recurso voluntário. Luis uerra astro - Presidente Nilt Luiz 'o 1i - Relato EDITADO EM: 19/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Reproduzo e adoto o relatório da DRJ-SP, vez que bem sintetizou o feito, nos seguintes termos: "I- Do Lançamento Trata o presente do Auto de Infração de lis. 166/168, instruido pelo Termo de Verificacdo Fiscal e Descrição dos Fatos de fls. 162/164 e documentos anexos, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Sorocaba contra a interessada acima qualificada. O lançamento do crédito tributário em epígrafe decorreu do atendimento a determinação contida no Mandato de Procedimento Fiscal -MPF, juntado ãs fls. 01. Isto porque, em 19 de setembro de 2000 através do Oficio n" 262/00- SDP/COGIFI, fls. 02, encaminhado a Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro — COANA, o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior comunicou o que se segue: "Cumpre-nos informar a V.S" que o Secretário de Desenvolvimento da Produção, em despacho exarado em 05 de setembro de 2000, aprovou o encerramento do Programa referente ao regime automotivo geral firmado pela empresa SVEDALA DYNAPAC LTDA., Certificado de Habilitação n°018, de 26 de fevereiro de 1996, por decurso de prazo coin indicativo de inadimplemento, nos anos de 1996 a 1997, com relação ao art.10 do Decreto n" 1.761, de 26/12/95, de acordo coin as informações prestadas pela empresa, sujeito a verificação fiscal. Informamos, outrossim, que o mencionado Decreto foi sucedido e revogado pelo Decreto n° 1.863, de 16.04.96, que por sua vez foi sucedido e revogado pelo Decreto n" 2.072, de 14/11/96, que encontra-se em vigor. Assim sendo, estamos encaminhando a essa Coordenação- Geral, em anexo, cópia da documentação do referido Programa, para verificação fiscal c cambial ." II- Das Razões da Fiscalização No que pertine às razões expostas pela autoridade fiscal autuante que levaram à constituição do presente crédito tributário, a seguir, reproduzir-se-d os trechos considerados relevantes a elucidação do presente processo, vejamos : Através do MPF n" 0811000.2004.00333-9, foi iniciada na presente empresa a verificação do Regime Automotivo concedido pela Secretaria de Política Industrial do Ministério da Indústria e Comércio através do Termo de Aprovação e Certificado de Habilitação n° 018/96 de 2&/ Processo n" 10855.003306/2004-52 Acórao n.° 3102-00.619 26/02/1996, tendo como beneficiário a empresa "Svedala Dynapac Ltda", CNPJ 60.869.062/0001-66, que veio a ser incorporada pela "Metso Brasil Indústria e Comércio Ltda", CNPJ 43.939.271/0001-10. Estes documentos foram encaminhados a SRF através do oficio n" 262/00- SDP/COGIFI, de 19/09/2000, onde consta a informação sobre o indicativo de inadimplemento nos anos de 1996 e 1997, com relação artigo 11 do Decreto 2.072/96 (índice Médio de Nacionalização). Comparecemos no endereço da empresa, onde flea localizado o processo produtivo da mesma, silo à Av. Independência, n°2500, Sorocaba, SP, sendo atendido pelo Sr. Marinaldo José Araújo Zuza (Procuradoi) no setor de produção, onde a empresa foi intimada a apresentar documentos de interesse da fiscalização. 5. DA ANALISE DAS PROPORÇÕES DO ÍNDICE DE NACIONALIZACA -0 Analisando os Relatórios Trimestrais apresentados pela empresa habilitada observamos algumas inconsistências entre as informações dos valores ali prestadas e aquelas constantes dos Sistemas da Receita Federal. Após os esclarecimentos prestados pela empresa e entrega das cópias das declarações de importação, os dados dos relatórios ficam assim alterados: Ano de 1996: Item 4 — Importações coin redução no valor FOB de US$ 994.478,61 para US$ 1.053.720,00; Item 4.4 — Importações de autopeças C0171 redução no valor FOB de US$ 994.478,61 para US$ 1.053.720,00; Ano de 1997: Item 3 — Importação via Drawback no valor FOB de US$ 1.048.370,35 para US$ 1.045.495,00; Item 4 — Importação com redução no valor FOB de US$ 337.003,31 para US$ 254.457,00; Item 4.4 — Importação com redução no valor FOB de US$ 337.003,31 para US$ 254.457,00; Item 6- Importações sem i Incentivo no valor FOB de US$ 2.609.537,04 para US$ 3.117.440,00; Item 6.3.2 — Importações sem Incentivo de Autopeças para revenda no valor FOB de US$ 1.631.019,49 para US$ 2.138.923,00; Dos resultados obtidos podemos observar e comprovar que de fato houve um descumprimento do limite mínimo de proporção das aquisições insumos de fabricação nacional sobre os importados nos anos de 1996 e 1997, ao que passaremos então a detalhar o cálculo deste índice para entender os valores ali apontados: Conforme previsto pelo Decreto 2.072/96, o índice médio de nacionalização é uma proporção entre o valor da aquisição das partes, peça; componentes, conjuntos e matérias-primas produzidas no pais com o valor FOB das importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback, utilizados na linha de produção do beneficiário, em cada ano calendário, e deverá ser, no mínimo, se sessenta por cento. Para o cálculo do índice Médio de Nacionalização — I.M.N., aplica-se a fórmula : (A/A+B) x 100 Sendo A — InSUMOS Nacionais Sendo B — Insumos Importados Como não constou nos relatórios apresentados pelo contribuinte a aquisição de insumos (Autopeças) de fabricação nacional (A=0), mas consta importação (B), no valor FOB de US$ de 1.221.152,66 em 1996 e US$ 1.232.974,00 em 1997, aplicando a fórmula acima temos um índice igual a zero. Logo, a beneficiária não cumpriu o "indice Médio de Nacionalização — I.M.N." mínimo que deveria ser de sessenta por cento, sujeitando-se a penalidade de 70% sobre o valor FOB das importações de "instil/10S" que contribuiu para o descumprimento do indice Médio de Nacionalização" prevista no inciso V do artigo 14 do Decreto 2.072/96. III- Da Impugnação Inconformada, a contribuinte, por meio de seu representante (fls. 229/230), apresentou, a impugnação de fls. 200 a 225, argüindo o que segue: - em 01/01/2002 a ora Impugnante incorporou a empresa SVEDALA LTDA., denominação social de SVEDALA DYNAPAC LTDA., conforme se verifica dos documentos anexos; Processo n° 10855.003306/2004-52 Acnrao n." 3102-00.619 - a empresa sucedida pela Impugnante tinha, dentre outras atividades, como objeto social, a produção, venda, importação e exportação de máquinas. E peças destinadas a construção civil, pavimentação e compactação de estradas, comercializando seus produtos não somente no mercado interno, como também exportando para diversos países; - a empresa sucedida pela hnpugnante buscou e obteve junto ao MIC sua habilitação para participar do Regime Automotivo instituído pela M. P. n" 1.311/1996, regulamentada pelo Decreto n" 1.761/1995, revogado pelo Decreto n°2.072/96; - a empresa sucedida pela Impugnante importou as peças e os componentes que necessitava para a industrialização dos setts produtos, como também adquiriu no mercado nacional os il7S111110S necessários para tal industrialização numa porcentagem bem maior do que os 60% (sessema por cento) determinados pela legislação de regência; - de acordo com o Termo de Aprovação 11" 18/96, mais precisamente em sua Cláusula Sexta, a empresa sucedida pela Impugnante se comprometeu a apresentar "relatórios 111eStraiS e um anual consolidado, c't Secretaria da política Industrial com as informações necessárias para o acompanhamento do Programa"; todavia, por falha humana, a empresa sucedida pela Inzpugnante, quando da elaboração dos referidos relatórios trimestrais, deixou de informar corretamente a quantidade de ilTS111710S produzidos no mercado nacional e que .foram adquiridos para a industrialização de suas mercadorias. Ou seja, na coluna relativa aos produtos de fabricação nacional adquiridos, a empresa sucedida pela Impugnante informou como sendo 0 (zero), fato esse que deu ensejo a lavmtura do presente Auto de Infração, através do qual o Fisco exige da Impugnante multa regulamentar a que se refere o artigo 13, inciso V da Lei a° 9.449/9 7; - a d. autoridade fiscal limitou-se a analisar' os relatórios trimestrais entregues pela empresa sucedida pela Impugnante, sem ao nzenos tentar buscar a verdade material dos fatos, como assim z lhe exige os princípios que norteiam a atividade da Administração Pública; - se a d. autoridade tivesse analisado os documentos pertinentes para a busca da verdade material, tais C01110, Declaração de Imposto se Produtos Industrializados, livros registros de entrada, notas fiscais relativas aos períodos questionados, dentre outros, teria facilmente se certificado de que, apesar cht empresa sucedida pela Impugnante ter incorrido em erro formal (inclusão de informação incorreta nos relatórios trimestrais), a mesma não deixou de cumprir com as obrigações que assumi iii!, ou seja, na industrialização de seus produtos, utilizo ti-se de ate mais de 60% (sessenta por cento) de il1S111110S adquiridos no nzercado interno; - em homenagem ao Principio da Concentração da Defesa, 6 importante deixar consignado que a Impugnante não responsável pelo pagamento de multa aplicada á empresa por ela sucedida. Esse é o teor do disposto no art" 132 do CT1V, que determina que a pessoa jurídica que incorpora outra somente se torna responsável pelo pagamento do "imposto" devido pela empresa sucedida; - QUANDO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE, A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA DEVE SOLICITAR TODOS OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA OU NÃO DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA CUJOS CONTORNOS SÃO DESCRITOS NA LEI TRIBUTARIA. SOMENTE APÓS A ANALISE DE TAIS DOCUMENTOS, A AUTORIDADE FISCAL PODERÁ CONCLUIR DIRETAMENTE OU INDIRETAMENTE PELA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E, NO CASO DE NÃO CUMPRIMENTO DESTA POR PARTE 0 CONTRIBUINTE, EFETUAR 0 LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTARIO: - EXISTE FARTA JURISPRUDÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES NO SENTIDO DE QUE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMPETE A BUSCA DA VERDADE MATERIAL, NÃO PODENDO A D. AUTORIDADE FISCALIZADORA SE SATISFAZER APENAS COM INDÍCIOS DE QUE A INFRAÇÃO TRIBUTA RIA TENHA OCORRIDO. CITA ACORD/r0S; - ANALISANDO AS DECLARAÇÕES DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DA EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE RELATIVAMENTE AOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 1996 A 1997 (CÓPIAS EM ANEXO), VERIFICA-SE QUE FORAM ADQUIRIDOS INSUMOS PRODUZIDOS NO MERCADO NACIONAL NOS VALORES ABAIXO INDICA DOS: PERÍODO-BASE DE 1996- R$ 18.025.433,14 PERÍODO-BASE DE 1997 - R$ 19.630.834,73 POR SEU TURNO, A EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE IMPORTOU INSUMOS NOS VALORES CONSTANTES DO QUADRO ABAIXO: PERIOD° BASE DE 1996 - R$ 3.174.815,34 PERÍODO BASE DE 1997- R$ 1.908.271,98; - NOS VALORES INDICADOS NAS DIPIs RELATIVOS AOS INSUMOS ADQUIRIDOS NO MERCADO EXTERNO ACIMA MENCIONADOS ESTÃO INCLUÍDOS OS VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO INCIDENTE, COMO TAMBÉM AS QUANTIAS RELATIVAS ÀS IMPORTAÇÕES REALIZADAS SOB 0 REGIME DE DRAWBACK, DO QUE IA LOGO SE CONSTATA QUE PARA EFEITO DE CALCULO DO IMN OS VALORES INDICADOS ESTÃO MUITO ACIMA DAQUELE DISPOSTO NA LEI N ° 9.449/97; - o IMN QUE SE DEMONSTRA ATRAVÉS DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO É ABSOLUTAMENTE CONSERVADOR. ENQUANTO A LEI N" 9.449/978 AUTORIZA A SUBTRAÇÃO DO IMPORTE INCORRIDO A TÍTULO DE IMPOSTOS E DE IMPORTAÇÕES REALIZADAS SOB 0 REGIME DE 6 Processo ri" 10855.003306/2004-52 Acórdão ri.° 3102-00.619 DRAWBACK, A IMPUGNANTE CONSIDEROU, NA TOTALIZAÇÃO DOS INSUMOS IMPORTADOS, DITOS ACRÉSCIMOS; - MESMO ASSIM, OU SEJA, MESMO CONSIDERANDO UM VALOR MAIOR DE INSUMOS IMPORTADOS DO QUE AQUELE DETERMINADO PELAS REGRAS DO REGIME AUTOMOTIVO, o IMN CONTINUA SENDO SUPERIOR AOS 60% (SESSENTA POR CENTO) PARA CADA ANO CALENDÁRIO (VIDE FLS. 212 DO PROCESSO); - DE UMA SIMPLES ANÁLISE DOS LIVROS REGISTROS DE ENTRADA DA EMPRESA SUCEDIDA PELA IMPUGNANTE RELATIVAMENTE AOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 1996 E 1997 (COPIAS EM ANEXO), VERIFICA-SE QUE HOUVE DIVERSAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS PARA IA'DUSTRIALIZ400 NO MERCADO NACIONAL (CFOPS 1.11 E 2.11), ASSIM COMO IMPORTAÇÕES (FOP 3.11) ESTAS ULTIMAS EM MENOR ESCALA DO QUE AS PRIMEIRAS, AS QUAIS SUPERAM O ÍNDICE DE 60% (SESSENTA PRO CENTO); - SOLICITA PER/CIA, FORMULA QUESITOS E INDICA PERITO; - POR FIM, COM FUNDAMENTO NO ART. 5, XXX1V, LETRA "B" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REQUER A IMPUGNANTE QUE SEJA RESSALVADO 0 SEU DIREITO DE SER NOTIFICADA DA JUNTADA DE QUALQUER DOCUMENTO PELA D. AUTORIDADE FISCAL, OU DE QUALQUER OUTRO FATO SUPERVENIENTE QUE VENHA A OCORRER NOS PRESENTES AUTOS, A FIM DE QUE POSSA SE MANIFESTAR SOBRE OS MESMOS, SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA; - REQUER A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DO INFRAÇÃO. PARA QUE NÃO FOSSE ALEGADO 0 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, FOI ATEND1DA A DILIGÊNCIA SOLICITADA, ATRAVES DA RESOLUÇÃO N" 763, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2007, FLS. 1546/1.548 RETORN.4NDO 0 PROCESSO A REPARTIÇÃO DE ORIGEM, PARA QUE A F1SCALIZAÇÃO RESPONDESSE AOS QUESITOS FORMULADOS PELA INTERESSADA. INTIMADA .4TRAVES D.4 INTIMAÇÃO FISCAL N" 025/2008, FLS 1.552, INTERESSA DA EM 20/03/2008 SOLICITOU PRORROGAÇÃO DE PRAZO POR MAIS 60 (SESSENTA) DIAS, TENDO EM VISTA QUE SE TRATAM DE FATOS GERADORES OCORRIDOS HA' AJAIS DE 10 (DEZ) ANOS. 0 PROCESSO RETORNOU A ESTA DRJ COM A INFORMAÇÃO FISCAL DE FLS. 1554, DE 15/07/2008". Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo II, a qual julgou o lançamento procedente, por unanimidade de votos (11s. 1.555/1.569), conforme a seguinte ementa (fls. 1.555): "Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 1996, 1997 REGIME AUTOMOTIVO MULTA POR DESCUMPRIMENTO DAS PROPORÇÕES E INDICES O clescumprimento do Índice Médio de Nacionalização acarreta multa calculada sobre o valor FOB das importações de insunios que concorrem para esse descumprimento. Lançamento procedente". Devidamente notificado em 27/10/2008 (AR — fls. 1.573), o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário em 26/11/2008, As fls. 1572/1611, reiterando os argumentos já explanados em sua impugnação e acrescentando os seguintes: A recorrente teve seu direito de defesa cerceado porquanto, após pleitear mencionada prorrogação para apresentação de documentação solicitada pela Fazenda (Intimação Fiscal n° 025/2008), não obteve noticia alguma acerca de seu deferimento ou não; Não poderia se manifestar tempestivamente sem que lhe fosse concedido prazo para tanto, concluindo-se assim que a falha foi da Administração Pública que não intimou a recorrente do resultado do seu pedido de dilação de prazo, ou seja, do resultado da própria diligência; iii. A recorrente não logrou êxito em encontrar os documentos solicitados. Apesar disso, com a documentação já acostada aos autos facilmente se observa que a recorrente até mesmo ultrapassou o IMN; iv. Não há que se falar em estimulo A. sonegação e A fraude; v. 0 que esperamos da autoridade julgadora é que se apegue à prova já acostada aos autos para que se observe que aquilo que consta nos relatórios trimestrais (insumos nacionais = zero) não é a verdade material dos fatos, sendo claro que o apontamento zero por cento decorre de simples falha humana; vi. Não se pode contrariar os princípios norteadores das atividades da Administração Pública estabelecidos no caput do artigo 37 da CF: vii. A responsabilidade no caso de incorporação, de acordo com o artigo 132 do CTN, é pelo pagamento do tributo. Como é cediço, tributo não multa já que o fato que origina o tributo é sempre licito, ao contrário da multa, cuja incidência pressupõe sempre a ocorrência de urn ilícito (especificamente o de não recolher ou recolher a menor o tributo nos prazos previstos); viii.A recorrente não descumpriu qualquer condição imposta pelo Regime Automotivo instituído pela Lei n° 9.449/97 a ensejar a multa regulamentar exigida, tendo o IMN sido plenamente atingido e até superado. Requereu seja totalmente reformada a r. decisão recorrida, corn a conseqüente declaração de nulidade do auto de infração que deu origem ao presente. Pleiteou, por fim, a sustentação oral do recurso voluntário. A Processo n° 10855.003306/2004-52 Acórcl5o 0. 0 3102-00.619 FJ.J6tC Os autos foram distribuídos a este Conselheiro 10/12/2008, em volume, constando numeração até às fls.1.614, penúltima. o relatório. Voto Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Dou inicio a análise dos autos, tendo em vista tratar-se de matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por conter matéria de competência desta E. Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e por atender aos demais requisitos de admissibilidade. Trata-se de Auto de Infração (fls. 166/ 168) decorrente do atendimento de determinação contida no MPF n° 08.1.10.00-2004-00333-9 (fls. 01). O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comercio Exterior, através de O ficio n° 262/2000 (fls. 02), comunicou que, em despacho exarado em 05/09/2000, aprovou o encerramento do Programa referente ao Regime Automotivo geral firmado pela SVEDALA DYNAPAC LTDA, incorporada pela autuada, em 1° de janeiro de 2002. Assim, o Fisco exige o pagamento de multa prevista no artigo 13, V, da Lei 9.449/1997. A sucedida, após obter habilitação para participar do Regime Automotivo, se comprometeu a apresentar, relatórios trimestrais e um anual consolidado, a Secretaria da Política Industrial con-i as informações necessárias para o acompanhamento do Programa. Contudo, a recorrente quando da elaboração dos referidos relatórios trimestrais, informou incorretamente a quantidade de insumos produzidos no mercado nacional e que foram adquiridos para a industrialização de suas mercadorias. Em verdade, a empresa sucedida pela Recorrente informou como sendo "zero", o que ensejou a lavratura do Auto de Infração, que exige o recolhimento da multa prevista no artigo 13, V, da Lei n° 9.449/1997. Todavia, desnecessário verificar a procedência das alegações trazidas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, posto que operou-se in casu a decadência. Embora não tenha sido matéria ventilada nas peças de defesa da recorrente, imperioso lembrar que a decadência, por ser matéria de ordem publica, deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Cumpre lembrar que decadência é a perda do direito de constituir o credito tributário (de lançar) em razão do decurso de um prazo determinado. Em relação a termo a quo do prazo para homologação temos que os cinco anos são contados "do dia da ocorrência do fato gerador e ndo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia (recusando homologagdo) efetuar o lançamento f de oficio - artigo 150 ,sS 4"' - AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 2' Ed. Ed. Saraiva, 1998, p. 383. E cediço que grande parte dos tributos estão sujeitos à lançamento por homologação. Vale dizer que nesta modalidade, o sujeito passivo tem que verificar a ocorrência do fato gerador, calcular o montante devido e efetuar o pagamento no prazo, cabendo ao sujeito ativo apenas conferir a apuração e o pagamento realizados. Assim, tratando-se de tributo cuja modalidade de lançamento é a de homologação, aplica-se, a principio, o disposto no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, de forma que com o decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador, ocorreria a decadência para a Fazenda constituir o crédito tributário, como se observa na transcrição abaixo: Art. 150: "0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame de autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4 0: Se a lei não fixar prazo a homologação, set-1i ele de 05 anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste sentido, transcrevo as decisões dos E. Tribunais: "DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4°D0 CTN. LANÇAMENTO. 0 termo inicial da contagem do prazo decadencial para o fisco cobrar eventuais diferenças do tributo recolhido é a ocorrência do fato gerador da exação, na forma do artigo 150, § 4° do CTN. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial, de modo que a concessão de medida liminar em n mandado de segurança pode paralisar a cobrança, mas não o lançamento. Precedentes do STJ. (.)" (TRF, 2". T, unânime, AMS 2002.71.04.000892-8/RS, rel. Des. Fed. Vilson Darós, set/2002). "TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4", do Código Tributário Nacional, isto 6, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra sup-6e, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. (.)" (STI, 1". Seção, unân., EDiv-REsp 101.407/SP, rel. Mill. An Pargendler, 07/abr/2000). Processo ri° 10855.003306/2004-52 AcórcliTio 6.° 3102-00.619 Há que se lembrar, outrossim, que nos autos não há imputação ao contribuinte de acusação de prática de dolo, fraude ou simulação, portanto, havendo recolhimento antecipado do tributo, correto ou não, aplica-se tão somente o §4°, do artigo 150, do CTN. No caso em comento, conforme já mencionado em outro momento, foi aprovado o encerramento do Programa referente ao regime automotivo geral, por decurso de prazo corn indicativo de inadimplemento, nos anos de 1996 a 1997, ou seja, em razão de ter entendido pelo inadimplemento nestes anos, lavrou-se o Auto de Infração, cuja ciência se deu em 10.12.2004, consoante fls. 166. Corno facilmente se depreende, a lavratura e ciência do Auto de Infração ocorreu após mais de 7 anos do fato gerador (anos de 1996 a 1997). Assim, demonstrada o lapso temporal entre a lavratura do Auto de Infração e a ocorrência dos fatos geradores, caracterizada está a decadência do direito de lançar do Fisco. Nestes termos, dou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, para reconhecer a decadência, já que quando o contribuinte tornou ciência quanto lavratura do Auto de Infração, já se encontrava o crédito tributário exigido contaminado pela decadência. como voto. )on L Bartoli
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000488/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que considerou a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como rendimentos omitidos, pois não restou demonstrado, em sede de fiscalização, que os créditos bancários se referiam a rendimentos da atividade rural.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de depósitos bancários incluídos no lançamento.
ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS.
IMPOSSIBILIDADE.
Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão
apurada. Jurisprudência dominante do CARF.
Hipótese em que somente é possível se associar, mesmo que remotamente, menos de 30% dos depósitos à atividade rural, não sendo lícito reduzir a base de cálculo lançada para a tributação específica dessa atividade.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECEITAS DECLARADAS COMO DA ATIVIDADE RURAL NA DIRPF. RELAÇÃO COM OS DEPÓSITOS.
POSSIBILIDADE.
Somente é possível se considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que essas receitas transitaram pelas contas-correntes, mesmo sem vinculação específica com os depósitos.
No caso dos autos, o valor total dos cheques descontados emitidos por frigoríficos é compatível com as receitas declaradas como auferidas, sendo lícito vislumbrar uma vinculação entre essas quantias.
Preliminar rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que votaram por excluir da base de cálculo lançada um montante superior. Compareceu ao julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Marcos Caetano da Silva OAB-GO 11767.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que considerou a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como rendimentos omitidos, pois não restou demonstrado, em sede de fiscalização, que os créditos bancários se referiam a rendimentos da atividade rural. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de depósitos bancários incluídos no lançamento. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 236 2 ATIVIDADE RURAL. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Jurisprudência dominante do CARF. Hipótese em que somente é possível se associar, mesmo que remotamente, menos de 30% dos depósitos à atividade rural, não sendo lícito reduzir a base de cálculo lançada para a tributação específica dessa atividade. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECEITAS DECLARADAS COMO DA ATIVIDADE RURAL NA DIRPF. RELAÇÃO COM OS DEPÓSITOS. POSSIBILIDADE. Somente é possível se considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que essas receitas transitaram pelas contascorrentes, mesmo sem vinculação específica com os depósitos. No caso dos autos, o valor total dos cheques descontados emitidos por frigoríficos é compatível com as receitas declaradas como auferidas, sendo lícito vislumbrar uma vinculação entre essas quantias. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que votaram por excluir da base de cálculo lançada um montante superior. Compareceu ao julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Marcos Caetano da Silva OABGO 11767. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 237 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 e 92 a 106, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$870.022,23, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 109 a 130 e 177 a 204), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 208 a 212): O LANÇAMENTO (...) A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Como é sabido, o acesso aos extratos bancários dos contribuintes do Imposto de Renda é vedado pela Constituição Federal e pela legislação ordinária, salvo em casos especiais. No caso presente, substituiuse todo um procedimento previsto em lei, violentando o consagrado direito constitucional do impugnante. É ilegal, improcedente portanto, a constituição do crédito tributário com a violação dos direitos constitucionais do contribuinte, tal como o foi. Louvouse o Fisco, como já se disse, exclusivamente, em levantamentos procedidos nos extratos bancários do autuado, desconsiderando os rendimentos declarados espontaneamente na DIRPF do anocalendário fiscalizado, os quais deveriam ser confrontados com os valores dos extratos, tributandose apenas a diferença entre tais quantias, se existentes. Desse modo, sendo improcedente a constituição do crédito tributário apurado, tal como o foi, conforme o farto entendimento dos tribunais (administrativos e judiciais), não pode prosperar o lançamento. Os depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte não refletem, obrigatoriamente, rendimentos omitidos. É absolutamente impertinente inquinarse de “omissão de rendimentos”, sem outros indícios concludentes, créditos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 238 4 em contas bancárias em valores superiores aos rendimentos declarados no período examinado. Nesse sentido, o artigo 42, da Lei nº 9.430/96, apenas, não serve para sustentar a ação fiscal, pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento. Aliás, este entendimento (de ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei nº 8.021/90, que em seu artigo 6º, regulava a matéria debatida neste processo. O dispositivo em que o fisco fundamenta a autuação (artigo 42 da Lei nº 9.430/96) não passa de uma reprodução do §5º, do artigo 6º, da Lei nº 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal. Entretanto, jamais os depósitos bancários, exclusivamente, servirão de base para qualquer autuação, pois não caracterizam disponibilidade de renda, sendo, pois, totalmente improcedente a fundamentação do auto de infração no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que, como já dito, veio apenas substituir o § 5º, do art. 6º, da Lei nº 8.021/90, o qual, repetese, foi banido de nosso ordenamento jurídico devido ao despropósito de sua pretensão. Portanto, na prática a legislação não mudou, pois a pretensão do fisco, alicerçada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 também não poderá subsistir, porque está calcada unicamente em depósitos bancários, os quais, já dissemos, não podem ser caracterizados como disponibilidade econômica de renda, sendo pois, totalmente ilegal a presunção capitulada pelo dispositivo que sustenta o auto de infração. (...) No caso presente, o que levou o fisco a constituir o lançamento foi, única e exclusivamente, a existência de lançamentos nas contas bancárias do contribuinte. Não se preocupou a autoridade fiscal em comprovar que tais lançamentos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc. O único fundamento utilizado para constituição do crédito tributário, foi a existência do crédito em conta corrente! A jurisprudência O procedimento adotado pelo fisco que gerou o crédito tributário ora impugnado, tem se repetido com freqüência. E o recurso às vias judiciais tem, igualmente, sido freqüente, sempre com decisões favoráveis ao contribuinte, resultando, inclusive, na publicação da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos que é taxativa: (...) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 239 5 No processo administrativo que deu origem ao crédito tributário ora impugnado, o agente fiscal elaborou um quadro demonstrativo dos depósitos bancários para possibilitar a apuração do crédito tributário, sem demonstrar, contudo, onde estaria o nexo causal entre estes depósitos e o suposto fato caracterizador da alegada omissão de rendimentos. Excluindo tais depósitos não existe nada a tributar!, conseqüentemente, inexiste dívida tributária. A ORIGEM DOS RECURSOS DO CONTRIBUINTE O impugnante é contribuinte ligado exclusivamente à atividade agropecuária e desta atividade advém toda a sua receita, conforme se pode verificar de suas declarações de rendimentos, dos documentos ora inclusos e de outros que virão oportunamente ao bojo do processo que servirão de prova dos recursos que transitaram pelas suas contas correntes para justificar os depósitos realizados, já que, no prazo para apresentação desta peça de defesa, não conseguiu reunir todos eles, estando diligenciando neste sentido. Conforme se verifica do auto de infração, o contribuinte deve comprovar a origem dos recursos que deram suporte aos depósitos efetivados em suas contas correntes. No termo anexo que acompanhou o auto, o AFRF subscritor do mesmo selecionou os valores para aludida comprovação, os quais se referem, em sua grande maioria, a “Operação de Desconto Comercial”, junto ao Bradesco S/A, Agência 237, “Liberação de Operação de Crédito”, junto ao HSBC S/A, Agência 399 e “Liquidação Desconto/Empréstimo Financeiro”, junto ao Banco Rural S/A, Agência 453. Quanto aos lançamentos junto ao Banco do Brasil S/A, estes se tratam, praticamente, de depósitos e descontos de cheques. Na atividade agropecuária exercida pelo contribuinte – compra e venda de gado –ao vender certa quantidade de gado a determinado Frigorífico recebe cheques em pagamento, mais das vezes a prazo e diante da necessidade de levantamento de capital de giro, descontavaos perante as instituições financeiras com as quais movimentava, especialmente o Bradesco S/A (Ag. 237), conforme se pode ver do “Anexo” ao auto de infração. Nestas atividades agropecuárias, sempre diante da necessidade de capital de giro, é comum a utilização de empréstimos emergenciais junto a terceiras pessoas, até mesmo empréstimos de cheques para serem levados a desconto em bancos para levantamento de recursos, o que também era feito pelo impugnante. Também não raras vezes, quando necessitava de recursos financeiros e o gado não estava pronto para abate, socorriase dos próprios frigoríficos solicitando adiantamento por conta desse abate futuro. Vejamos a movimentação junto ao Bradesco S/A: No “Anexo” ao auto, o fisco selecionou, por exemplo, o valor de R$ 25.000,00 depositado junto ao Bradesco S/A (Banco 237), em 02/01/02. Pois bem, este valor referiuse a desconto de um cheque de nº 850102, sacado contra o Banco do Brasil S/A, tomado emprestado da Srª Julita Sampaio de Oliveira, o que se provará oportunamente mediante documento expedido por aquela instituição financeira. Quanto ao valor de R$ 53.375,78, depositado também no Bradesco S/A, este se refere a desconto de dois cheques recebidos do Frigorífico Industrial Açailândia Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 240 6 Ltda, em pagamento de gado para abate, cheques nºs 031614 e 031615, sacado contra o Bradesco S/A, nos valores de R$ 26.375,78 e R$ 26.000,00, respectivamente. Já o depósito de R$ 15.711,00, se refere a desconto de cheque, entretanto, não dispõe de detalhes da transação que envolveu sua emissão, estando diligenciando no sentido de maiores informações junto ao Banco Bradesco S/A para comprovação posterior. E o depósito de R$ 9.632,29 é referente a desconto de dois cheques nos valores de R$ 565,40 e R$ 9.066,89, de nºs 032860 e 032861, de emissão do Frigorífico Ind. Açailândia Ltda, sacados contra o Bradesco S/A, recebidos em pagamento de gado para abate. E a quantia de R$ 105.369,00, se refere também a descontos de dois cheques do Frigorífico Indl. Açailândia Ltda, sob nºs 183070 e 183071, sacados contra o HSBC S/A (Banco 399), nos valores de R$ 50.000,00 e R$ 55.369,00, recebidos também em pagamento de gado. O depósito de R$ 40.109,14 se tratou de desconto de três cheques de emissão do Sr. José Domingos de Melo nos valores de R$ 6.001,47 e 3.557,67, sacados contra o Bradesco S/A e R$ 30.550,00, sacado contra o HSBC S/A, ag. 399, sob nºs 033189, 033190 e 854897, respectivamente, emprestados ao impugnante para complementação de capital de giro. Quanto ao depósito da quantia de R$ 157.398,56, também se tratou de descontos de seis cheques de emissão do Frigorífico Açailândia Ltda, nos importes de R$ 36.470,80, R$ 11.739,13, R$ 8.944,69, R$ 35.243,94, R$ 35.000,00 e R$ 30.000,00 todos sacados contra o Bradesco S/A, sob nºs 033347, 033353, 033377, 033444, 033440 e 033443, recebidos pelo impugnante em pagamento de gado entregue para abate. O mesmo ocorreu com os depósitos nos valores de R$ 5.253,90 e R$ 49.200,00, ou seja, desconto de cheque recebido do mesmo frigorífico em pagamento de gado para abate, de nºs 033708 e 034839, sacados contra o Bradesco S/A. Já os depósitos de R$ 52.000,00 e R$ 20.000,00, feitos em 18/04 e 09/05/02, respectivamente, se referiram a descontos de cheques contudo não conseguiu precisar detalhes sobre aludidas negociações, entretanto, está diligenciando junto à instituição financeira no sentido de juntar aludida prova o mais rápido possível. Também o depósito de R$ 42.747,00 teve origem em descontos de cheques, um no valor de R$ 12.747,00 recebido do Frigorífico Açailândia, cheque nº 036633, sacado contra o Bradesco S/A e outro de R$ 30.000,00, sacado contra o Banco do Brasil S/A, cheque nº 850134. Quanto ao depósito da quantia de R$ 68.062,33, em 09/05/02, teve origem em descontos de dois cheques, sendo um do Frigorífico Açailândia, no importe de R$ 26.812,33, nº 036632, do Bradesco S/A recebido em pagamento de gado entregue para abate e outro de R$ 41.250,00, sob nº 868631, sacado contra o HSBC S/A, recebido do Sr José Domingos de Melo em caráter de empréstimo pessoal. O depósito de R$ 30.000,00 de 31/05, referiuse a desconto de cheque oriunda de sua atividade rural, cuja prova fará juntar oportunamente. E os depósitos de R$ 16.068,90 e R$ 12.000,00, feitos em 03/06 e 10/06/2002, tiveram origem em descontos de cheques recebidos do Frigorífico Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 241 7 Açailândia, cheques nºs 037748 e 037472, ambos do Bradesco S/A. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 150.788,22, ou seja, foi originado em desconto de sete cheques do aludido Frigorífico Açailândia, todos sacados contra o Bradesco S/A e recebidos em pagamento de gado entregue para abate, assim especificados: cheque nº 038014, R$ 20.000,00; nº 038015, R$ 20.000,00; nº 038016, R$ 20.000,00; nº 038017, R$ 22.812,27; nº 038286, R$ 20.000,00, nº 038287, R$ 20.000,00 e Cheque nº 038288, no valor de R$ 27.953,95. Quanto ao depósito de R$ 97.906,00, este teve origem em descontos de dois cheques nos valores de R$ 44.353,00 e R$ 53.553,00, nºs 850172 e 850173, ambos sacados contra o Banco do Brasil s/A, dados em empréstimo ao impugnante pelo Sr Fernando Vaz Sampaio. E o depósito de R$ 16.687,06, feito em 18/07/02, teve origem em desconto de cheque recebido do Frigorífico Açailândia, cheque nº 039689 do Bradesco S/A em pagamento de gado entregue para abate. O depósito de R$ 101.500,00 de 25/07, referiuse a desconto de cheque, recebido em transação envolvendo a atividade rural. Mais uma vez, o depósito de R$ 104.872,76 teve origem em desconto de quatro cheques do aludido Frigorífico Açailândia, todos sacados contra o Bradesco S/A e recebidos em pagamento de gado entregue para abate, assim especificados: cheque nº 040105, R$ 30.576,00; nº 040163, R$ 27.992,93; nº 040205, R$ 27.659,23; nº 040269, R$ 18.644,60. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 71.897,44, isto é, desconto de cheques do Frigorífico Açailândia, recebidos em pagamento de gado, através dos cheques nºs 040592, no valor de R$ 35.738,80 e 040639, no valor de R$ 36.158,64, ambos do Bradesco S/A. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 39.288,60, desconto de cheque do mesmo Frigorífico, cheque nº 040715, também do Bradesco S/A. Também ocorreu a mesma situação quanto ao depósito feito em 30/08/02, no valor de R$ 93.760,69, ou seja, desconto de três cheques, sendo dois recebidos do Frigorífico Açailândia, nos valores de R$ 20.000,00, R$ 20.760,69, de nºs 041347 e 041348, sacados contra o Banco Bradesco S/A e outro de nº 850207, no valor de R$ 53.000,00, sacado contra o Banco do Brasil S/A. Idem, quanto ao depósito de R$ 81.441,48, feito em 04/09/02, desconto de quatro cheques do Frigorífico Açailândia, nos valores de R$ 10.117,92, R$ 29.382,60, R$ 20.000,00 e R$ 21.940,96, cheques nºs 041719, 041925, 041958 e 041959, todos do Bradesco S/A, recebidos em pagamento de gado entregue para abate. O mesmo ocorreu quanto ao depósito de R$ 78.519,58, ou seja, desconto de três cheques do mesmo Frigorífico, nos valores de R$ 8.675,64, R$ 29.731,89 e R$ 40.112,05, sacados contra o Bradesco S/A, cheques nºs 042338, 042511 e 042512. Quanto ao depósito de R$ 35.200,00 de 1º/10, referiuse a desconto de cheque recebido em transação envolvendo a atividade rural, o que também se provará oportunamente, o mesmo ocorrendo quanto ao depósito de R$ 58.400,00, de 28/10/02. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 242 8 Já o depósito de R$ 42.350,06 se referiu a desconto de dois cheques recebidos pelo impugnante de Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, nos valores de R$ 3.697,83 e R$ 38.652,23, de nºs 002723 e 001867, ambos do Bradesco S/A, em pagamento de gado entregue para abate. Quanto aos depósitos de R$ 6.600,00 e R$ 32.000,00, feitos em 28/11/02, se referiram a desconto de dois cheques, ambos sacados contra o HSBC S/A, entretanto, até o momento de apresentação da impugnação não conseguiu reunir documentos comprobatórios desta situação, o que oportunamente o fará. Quanto ao depósito de R$ 80.000,00, este teve origem em desconto de um cheque de nº 850368, sacado contra o Banco do Brasil S/A, dado em empréstimo ao impugnante pelo Sr. Fernando Vaz Sampaio. O depósito de R$ 16.500,00 teve origem em desconto de dois cheques, um no valor de R$ 11.000,00, de nº 002799, sacado contra o Bradesco S/A, recebido pelo impugnante da Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, em pagamento de gado entregue para abate, e outro no valor de R$ 5.500,00, de nº 850062, sacado contra o Banco do Brasil S/A, referente a transação envolvendo a atividade rural, o mesmo ocorrendo quanto ao depósito de R$ 6.058,00, de 18/12/02, cujos documentos juntará oportunamente ao processo. Já o depósito de R$ 93.205,26, teve origem em desconto de cinco cheques, nos valores de R$ 37.793,44, R$ 13.464,00, R$ 23.000,00, R$ 13.579,36 e R$ 5.368,46, cheques nºs 002813, 001986, 001987, 001988 e 046418, sendo os quatro primeiros recebidos pelo impugnante da Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda e o último recebido do Frigorífico Açailândia, em pagamento de gado entregue para abate. Com relação à movimentação acima mencionada, qual seja, desconto dos cheques como origem dos depósitos, oportunamente, o impugnante fará juntar documento expedido pelo Bradesco S/A, o que já foi solicitado à aludida instituição financeira. Com relação aos demais bancos com os quais movimentava, solicitou documentos comprobatórios de todas as operações realizadas que, efetivamente, comprovarão a origem dos depósitos realizados nestas respectivas instituições. Por outro lado, tratandose o impugnante de contribuinte ligado exclusivamente a atividade rural, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física ocorre somente no final do anocalendário, eis que não está obrigado a ter escrituração contábil, razão pela qual devem ser computadas ao longo do ano calendário fiscalizado todos os recursos advindos desta atividade para cobertura dos depósitos que transitaram por suas contas correntes. E, vêse do auto que nem mesmo as receitas declaradas pelo impugnante em sua declaração de rendimentos alusiva ao anocalendário fiscalizado, foram consideradas pelo fisco, as quais, evidentemente, serviram de origem dos depósitos nas suas contas correntes, nos meses de seu efetivo recebimento. Assim, os rendimentos auferidos no anocalendário de 2002 (Doc. 2), devem ser considerados pelo fisco, como suporte aos depósitos nos respectivos meses de seu recebimento pelo contribuinte, ora impugnante. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 243 9 Também devem ser considerados os recursos advindos de financiamentos junto às instituições financeiras com as quais movimentava, conforme contratos anexos (Docs. 3/6), assim discriminados: Mês Banco Nº Contrato Valor (R$) 02/2002 B. Brasil S/a 21/220611 60.000,00 05/2002 B. Brasil S/A 000037037 232.883,91 07/2002 Bradesco S/A 200205031 40.000,00 11/2002 HSBC S/A 90808.2002.0106386 60.000,00 Ao longo do anocalendário de 2002, o contribuinte vendeu grande quantidade de gado para frigoríficos da região, dentre outros, para o Frigorífico Industrial Açailândia Ltda e Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, entretanto, os documentos desta transações extraviaramse, dispondo apenas de anotações paralelas, controles pessoais, que dão conta desta informações, conforme abaixo discrimina: FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA (..) HIPER CARNES COMÉRCIO ATACADISTA DE CARNES LTDA (...) Estes recursos, com certeza, servem de comprovação dos depósitos, eis que se tratam de receitas oriundas de sua atividade rural. Com relação aos documentos comprobatórios da venda do gado, o contribuinte está diligenciando junto aos respectivos Frigoríficos para juntálos ao processo, o que não foi possível no prazo para apresentação desta peça de defesa, contudo, assim que os tiver em mãos providenciará sua juntada aos autos o quanto antes. Existem, ainda, no anocalendário fiscalizado, outras receitas da atividade rural baseadas em contratos, cujos documentos também estão sendo providenciados para juntada posterior, já que no prazo para apresentação da impugnação não foi possível encontrálos. E, por se tratar de receita da atividade rural, estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo anocalendário na medida de seus recebimentos. Neste sentido, confirase o seguinte julgado do E. 1º CCMF: (...) Deve, ainda, ser considerado como recursos para a justificação dos depósitos, a sobra do saldo existente na declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 (Doc. 7) anexo, na quantia de R$ 358.517,00 (...). Tal importância, sem dúvida alguma, deve servir de comprovação de recursos para os depósitos objeto da autuação. Portanto, todas estas receitas, obtidas no período fiscalizado hão de servir como comprovação de origem dos recursos para fazer face aos depósitos em suas contas correntes, não sendo necessário coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos, independentemente desta coincidência, porque não há no artigo 42 da Lei 9.430/96 qualquer exigência neste sentido, mas apenas a da comprovação da origem dos recursos. Portanto, onde o legislador não distingue descabe ao intérprete o fazêlo. (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 244 10 EVIDENTE, PORTANTO, QUE DEVEM SER APROVEITADOS OS RECURSOS COMPROVADAMENTE AUFERIDOS PELO CONTRIBUINTE AO LONGO DO RESPECTIVO ANOCALENDÁRIO FISCALIZADO E, AINDA, OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS JÁ TRIBUTADOS, INCLUSIVE AQUELES OBJETO DA MESMA ACUSAÇÃO, AINDA QUE NÃO HAJA COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES, UMA VEZ QUE AS PESSOAS FÍSICAS SÃO DESOBRIGADAS DE ESCRITURAÇÃO. Deve se ressaltar, ainda, ilustres julgadores, que o fisco ao tributar os depósitos mensalmente, haveria de planilhálos e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior servirão de recursos para o mês seguinte, conforme entendimento do E. 1º CCMF esposado no acórdão nº 10419.682, supra colacionado. (...) Assim, todos os depósitos feitos nos meses anteriores ao longo dos períodos fiscalizados, servirão de recursos para os meses seguintes, o que não foi feito pelo fisco em total prejuízo ao impugnante. (...) À VISTA DO EXPOSTO, mas contando com os indispensáveis suplementos do conhecer jurídico de Vossas Senhorias que sempre nortearam as decisões dessa Egrégia Delegacia da Receita Federal de Julgamento, requer o impugnante o conhecimento da presente peça e seu provimento para: a) No julgamento da preliminar argüida, declarar a nulidade do lançamento, arquivandose o processo dele decorrente, conforme acima se expôs; b) Para a hipótese de superação da preliminar argüida, o que somente se admite à guisa de argumentação, no mérito, requer a improcedência do lançamento efetuado pelo fisco, por total insubsistência, determinando igualmente o arquivamento do respectivo processo, já que as receitas auferidas durante o ano calendário fiscalizado foram superiores aos valores creditados em sua conta corrente. Cumpre, ainda, observar que, em reforço às suas alegações, o contribuinte citou em sua impugnação doutrina de renomados juristas e decisões administrativas. Em 09/02/2007, o contribuinte, mediante instrumento procuratório, apresentou a petição de fls. 177/179, a seguir parcialmente transcrita, além dos documentos de fls. 180/204: (...) Por ocasião da apresentação da peça de impugnação ao lançamento, que ocorreu em 18/07/2006, o contribuinte supra identificado, protestou pela juntada posterior da documentação que sustentou sua defesa. Assim, requer, nesta oportunidade, a juntada dos documentos inclusos que comprovam a origem dos recursos que transitaram por suas contas correntes e mencionados ao longo da peça de impugnação. Através da “Declaração” inclusa (Doc. 1), firmada pelo Banco Bradesco S/A, comprovase as operações de descontos de títulos, cujos créditos passaram por suas Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 245 11 contas correntes, nos anoscalendário de 2002 e 2003, na forma alegada nas páginas 10/14 da peça de impugnação. No mês de março/2002, o impugnante recebeu recursos originados de sua atividade agropecuária, nos valores de R$ 4.000,00 e R$ 1.964,00, o que se pode verificar das Notas Fiscais Avulsas inclusas (Docs. 2/3). Em junho/2002, através da Cédula de Crédito Bancário anexa (Doc. 4), recebeu a quantia líquida de R$ 17.857,31, que também serviu de origem para os depósitos. Em julho/2002, recebeu recursos de R$ 101.500,00, conforme “Borderô de Desconto de Cheques” incluso, expedido também pelo Bradesco S/A, conforme (Doc. 5) anexo. Neste mesmo mês, recebeu do Banco Rural S/A, crédito total da ordem de R$ 259.899,31, decorrente de descontos de títulos, o que se verifica do (Doc. 6) incluso. Compõem o valor total desse credito, as seguintes Cédulas de Crédito Bancário: 1) Nº 070/5050/2002...... R$52.534,25 2) Nº 070/5350/2002...... R$99.938,61 3).................................... R$24.460,92 4).................................... R$82.965,53 TOTAL.......................... R$259.899,31 Estes dois últimos créditos, nos valores de R$ 24.460,92 e R$ 82.965,53, o Banco Rural S/A ainda não forneceu as cópias das respectivas Cédulas de Créditos Bancário e tão logo o impugnante as tenha em mãos, juntará ao processo. Também em julho/2002, recebeu os montantes de R$ 20.000,00; R$ 12.621,67; R$ 5.686,93; R$ 33.553,00; R$ 12.192,17 e R$ 25.0000,00, conforme (Doc. 6A) anexo, decorrentes de descontos de títulos junto ao Banco Rural S/A. E, através das Cédulas de Crédito Bancário do mesmo Banco Rural S/A, recebeu, outra vez, créditos decorrentes de descontos de títulos de créditos, nos valores líquidos de R$ 52.534,25 e R$ 99.938,61, conforme (Docs. 7/8) anexos. Em Outubro, novembro e dezembro/2002, por via das Cédulas de Crédito Bancário do Banco Rural S/A (Docs. 9/11) inclusos, recebeu as quantias líquidas de R$ 69.540,66, R$ 65.786,76 e R$ 29.571,63, respectivamente. Em agosto/2002, recebeu recursos decorrentes de Financiamento Rural junto ao Bradesco S/A, na quantia de R$ 40.000,00, conforme (Doc. 12) anexo. No mês de setembro/2002, recebeu recursos da ordem de R$ 38.000,00, decorrente da venda de um veículo, conforme (Doc. 13) incluso. E, em dezembro/2002, recebeu recursos decorrente de venda de gado, no importe de R$ 50.000,00, conforme nota fiscal nº 1914627 anexo (Doc. 14) e recursos de R$ 8.749,39 para cobertura posterior de saldo devedor junto ao Banco Rural S/A (Doc. 15) incluso. Também recebeu a título de recursos a quantia de R$ 20.833,33, referente a alienação de 8.333% do apartamento nº 1.102, do Edifício Osvaldo S. Souza, sito à Avenida dos Holandeses, s/nº, São Luiz/MA, conforme apurado ganho de capital em sua DIRPF do anocalendário de 2002. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 246 12 Todos esses valores, obviamente, serviram de origem para os depósitos feitos em suas contas correntes. E, como se pode observar todos os recursos ora comprovados tem origem preponderante nas atividades agropecuárias do contribuinte, ora impugnante. Assim, requer sejam também considerados tais recursos como origem para depósitos em suas contas correntes, na forma postulada na peça de impugnação, ao tempo em que protesta pela juntada posterior de outros documentos comprobatórios das alegações constantes de sua defesa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 207 a 215): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não há, portanto, obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É legal o procedimento fiscal embasado em extratos bancários apresentados pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 247 13 em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante da documentação trazida aos autos, o julgador de 1a instância considerou comprovada a origem dos seguintes depósitos: Banco/Agência Conta Data Histórico Valor em Reais 237/04600 (Bradesco S/A) 79227 05/08/2002 Lib/Pgto Fin Créd Rural 40.000,00 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 24/06/2002 Liquid Desc/Emp Financ 17.857,31 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 01/07/2002. Liq. Desc/Emp. F. 52.534,25 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 08/07/2002 Liq Desc/Emp. F. 24.460,92 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 10/07/2002 Liq Desc/Emp F. 82.965,53 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 22/07/2002 Liq Desc/Emp F. 99.938,61 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 04/10/2002 Liq Desc/Emp F 69.540,66 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 18/11/2002 Liq Desc/Emp F 65.786,76 453/0070 (Banco Rural S/A) 880002276 26/12/2002 Liq Desc/Emp F 29.571,63 TOTAL 482.655,67 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 19/11/2010 (fl. 220), o contribuinte apresentou, em 20/12/2010, o recurso de fls. 221 a 231, onde: a) ratifica todos os termos da impugnação e requer que ela seja considerada parte integrante deste recurso; b) pugna pela nulidade do lançamento, que teria se utilizado da alíquota de 27,5% sobre todos os depósitos, quando deveria ter utilizado como base de cálculo apenas 20% dos valores depositados, pois restou demonstrado que exerce exclusivamente a atividade rural; c) afirma que toda a receita por ele auferida teve origem na sua única fonte de renda, a atividade rural, pois exerce a profissão de pecuarista, atuando na cria, recria e engorda e venda de gado bovino preponderantemente para frigoríficos ou mesmo para outras pessoas físicas ou jurídicas; d) complementa que, assim sendo, por força da legislação de regência, especialmente a Lei n° 8.023/90, as receitas provenientes desta atividade deverão ser consideradas anualmente, razão pela qual não se admite o levantamento mensal, tal como fez o fisco quando da lavratura do auto de infração. Portanto, não podendo haver planilhamento mensal, por se tratar de receitas da atividade rural, o caixa será, por imperativo legal, anual, servindo tais receitas para cobrir qualquer crédito em suas contas correntes, em qualquer mês, independentemente de coincidência de datas e valores; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 248 14 e) assevera que todos os documentos por ele juntados ao longo de sua defesa são papéis comprobatórios de que todos os depósitos feitos nas contas bancárias de sua titularidade tiveram origem na atividade rural por ele desenvolvida e que a receita declarada em sua DIRPF do anofiscalizado, no valor total de R$855.250,99, deve ser considerada como origem dos recursos, independentemente de não terem sido individualizados os depósitos com datas e valores; f) alerta que está providenciando, para juntada posterior, novos documentos que comprovam outras receitas da atividade rural, já que no prazo para apresentação do recurso voluntário não foi possível encontrálos; g) argumenta que o fisco, ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que planilhálos e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior, tornaramse, indiscutivelmente, recursos regularizados para todos os efeitos de direito, os quais servirão de recursos para o mês seguinte, aptos a servir como origem para novos depósitos em dinheiro, em qualquer conta do contribuinte. Neste caso, pressupõese que os valores em dinheiro depositados nas contas correntes, tratavamse de receitas sujeitas tributação e uma vez tributadas passaram a ser recursos legítimos que, obviamente, servirão para novos depósitos em espécie. h) conclui, computadas todas as receitas da atividade rural, bem como outros recursos, e excluídos dos depósitos listados pelo fisco (créditos em conta corrente) os valores referentes a cheques devolvidos, transferências entre contas da mesma titularidade e os empréstimos concedidos pelos bancos com os quais manteve movimentação, e transportadas as sobras apuradas em um mês para o mês seguinte, resulta demonstrado nada haver a se tributar, pelo que insubsistente se mostra a autuação fiscal. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 233, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 234, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Autuação fiscal: O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003, anocalendário de 2002 (fls. 100 a 105), ter auferido somente rendimentos tributáveis relativos ao resultado da atividade rural de R$24.062,11, atividade que lhe proporcionou receitas de R$855.250,99 naquele ano. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 249 15 Entretanto, verificouse que, no ano de 2002, foram depositados R$4.335.620,01 em sua contacorrente, já excluídas as transferências entre contas e os créditos referentes a empréstimos bancários contratados. Intimado a comprovar a origem dos depósitos, o sujeito passivo informou que a maior parte da movimentação financeira era oriunda da atividade rural por ele desempenhada, e, como os valores das receitas dessa atividade foram declarados em DIRPF, ficavam comprovadas essas origens. Acrescentou que outra parte dos valores identificados diziam respeito a empréstimos alocados junto a terceiros próximos a ele, e que o restante se referia a transferências entre contas do mesmo titular. Não apresentou, contudo, qualquer documentação comprobatória. A Fiscalização julgou as explicações insuficientes, afirmando faltar comprovação de que os depósitos ser referiam à atividade rural e a empréstimos com terceiros, e que as transferências e os empréstimos identificados já haviam sido excluídos, e considerou os depósitos como sem origem, presumindo se tratar de receitas omitidas, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Preliminar de nulidade: Preliminarmente, o contribuinte pugna pela nulidade do lançamento, que teria considerado todos os depósitos como receita omitida, quando deveria ter utilizado como base de cálculo apenas 20% dos valores depositados, pois restou demonstrado que exerce exclusivamente a atividade rural. Sem razão o recorrente. Durante a fiscalização, não restou comprovado que os depósitos bancários estavam relacionados com a atividade rural, pois não foi apresentada qualquer documentação que embasasse essa conclusão. Há que se recordar que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, não se permitindo que agente fiscal deixe de constituir o crédito tributário sem que existam fatos concretos que demonstrem a não ocorrência do fato gerador, não sendo possível se admitir simples argumentos desacompanhados de provas. Ademais, há que se notar que o sujeito passivo apurou seu resultado da atividade rural com base na diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase, nos termos do caput do art. 4o da Lei no 8.023, de 12 de abril de 1990, e não com uso da estimativa de 20% da base de cálculo, nos moldes do art. 5o da mesma lei. Assim, não pode agora exigir que o Fisco se utilize de modalidade de apuração do resultado da atividade rural diferente da por ele escolhida. Pela análise dos autos, não verifico qualquer mácula que possa ser imputada ao lançamento, pelo que rejeito a preliminar suscitada. Lançamento com base em depósitos bancários: Como já explicado, o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 250 16 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 251 17 Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 04 e 05), que, depois de totalizar os depósitos, novamente o intimou a justificar sua origem (fls. 80 a 85), e que, após analisar as explicações do fiscalizado, deu a ele nova possibilidade de apresentar justificativas (fls. 86 a 91), tendo sido lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Não procede, também, o argumento de que as receitas da atividade rural devem ser tributadas anualmente, o que impediria o levantamento mensal, como feito no presente lançamento. Como já explicitado, os depósitos não foram tributados como rendimentos da atividade rural, pois não houve provas convincentes desse fato no curso da fiscalização, já tendo sido rejeitada a preliminar de nulidade nesse sentido. Não merece melhor sorte o argumento que afirma que os depósitos tributados em um mês devem ser considerados como origens para os depósitos do mês seguinte, pois não existe previsão legal nesse sentido. Ao contrário, quando a lei exige que os depósitos sejam comprovados mediante documentação hábil e idônea, está determinando que se justifique a origem de cada crédito, não admitindo explicações genéricas ou presumidas. O aproveitamento de sobras de recursos de um mês para outro diz respeito ao método de apuração de receitas com base em acréscimo patrimonial a descoberto, onde se confronta, mensalmente, o total de recursos e origens disponíveis com os dispêndios e aplicações efetuadas, procedimento não adotado no lançamento sob análise. Ademais, em sentido contrário ao pretendido, foi publicada a Súmula CARF nº 30: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 252 18 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Origem dos depósitos: Como já explicado, durante a fiscalização, o contribuinte buscou justificar seus depósitos como oriundos da atividade rural e de empréstimos de terceiros, mas não apresentou provas. Em sede de impugnação, o sujeito passivo trouxe diversos documentos que foram devidamente analisados pelo julgador de 1a instância, que considerou que serviam para comprovar a origem de depósitos no valor de R$482.655,67, relacionados à liberação de empréstimos e financiamentos. No recurso voluntário, o recorrente ratifica todos os termos da impugnação e requer que os argumentos nela contidos sejam considerados parte do apelo. Assim, verificarei se as justificativas apresentadas foram devidamente analisadas pelo julgador a quo, observando se restaram depósitos que merecem ainda ser excluídos da tributação. Em sua impugnação, o contribuinte disse estar ligado exclusivamente à atividade agropecuária e que dela advém toda a sua receita; que muitos dos depósitos junto ao Banco Bradesco S/A se referem a descontos de cheques recebidos de frigoríficos decorrentes da venda de gado; e que, pela necessidade de capital de giro, socorreuse de empréstimos emergenciais junto a terceiras pessoas e de adiantamento dos frigoríficos por conta de abate futuro. Em seguida, relaciona diversos depósitos nos bancos Bradesco S/A, HSBC S/A e Banco do Brasil S/A com cheques emitidos por Julita Sampaio de Oliveira, Frigorífico Industrial Açailândia Ltda, José Domingos de Melo, Fernando Vaz Sampaio, e Hiper Carnes Comércio Atacadista de Carnes Ltda, afirmando se relacionarem a empréstimos e vendas de gado. No documento de fls. 180 a 182, o Banco Bradesco S/A relaciona os cheques descontados pelo recorrente. O julgador a quo analisou essas provas da seguinte maneira (fls. 214v a 215): Inicialmente, com relação à Declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A, fls. 180/182, informando que o contribuinte descontava cheques prédatados naquela instituição, temse que somente referida Declaração se mostra, por si só, insuficiente para comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários. Para tanto, seria necessário se apresentar documentos que demonstrassem a que título as pessoas jurídicas Frigorífico Industrial Açailândia Ltda e Hiper Carnes Com. Atacadista Carnes Ltda e as pessoas físicas Julita Sampaio de Oliveira e José Domingos de Melo efetuaram depósitos/créditos em sua contacorrente. Ressaltase que as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. O artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina que a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 253 19 impugnação deve ser formalizada por escrito e ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Concordo com a decisão recorrida. Sem dúvida o fato de se receber recursos de frigoríficos é um indício de que o contribuinte manteve relações comerciais com essas empresas. Mas não é possível se concluir que se tratam de receitas decorrentes da atividade rural. Para isso, bastaria que se anexassem as notas fiscais de vendas dos produtos. A falta de documentação também não permite concluir que os cheques emitidos pelas pessoas físicas indicadas se relacionavam a empréstimos utilizados para cobrir despesas da atividade rural. O sujeito passivo também lista uma série de depósitos que estariam relacionados a empréstimos de financiamentos junto às instituições financeiras com as quais movimentava recursos. Entretanto, o acórdão recorrido analisou minuciosamente as provas e excluiu todos os depósitos vinculados a financiamentos que ainda compunham o lançamento, não tendo o recorrente comprovado que ainda resta alguma parcela a ser excluída. Também não é possível se admitir como origens aptas a justificar depósitos bancários simples anotações paralelas de venda de gado a frigoríficos. Por fim, concordo com a análise feita pelo acórdão recorrido das demais provas apresentadas na impugnação, que conclui que as notas fiscais do produtor, o documento de alienação de veículo e o informe de rendimentos financeiros descrevem operações que não ser relacionam com depósitos incluídos no lançamento. Acrescentese que valem para os descontos de cheques no Banco Rural as mesmas observações feitas acima para os descontos no Banco Bradesco, e que não existe depósito lançado que possa ser relacionado à venda do imóvel no valor de R$20.833,33. Desta forma, verifico que todas as provas e argumentos apresentados foram minudentemente analisados pela fiscalização e pelo julgador de 1a instância, já tendo sido excluídos os depósitos com explicações suficientes. Tributação como resultado da atividade rural: O contribuinte afirma que só aufere rendimentos da atividade rural, não existindo sequer indícios de que perceba rendas de outro tipo de negócio, o que obrigaria o uso da tributação própria do setor, sobre 20% da receita bruta. De fato, vem se consolidando neste Conselho uma jurisprudência que mitiga os efeitos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, quando se comprova que o sujeito passivo somente atua na atividade rural, oferecendose à tributação um percentual de 20% das receitas, na forma do art. 5o da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990. Nesse sentido os acórdãos: ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 254 20 legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.º 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. (Acórdão CSRF/04 00.487, sessão de 13/12/2006, relator do voto vencedor Remis Almeida) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS CONTRIBUINTE COM FONTES DE RENDIMENTOS PROVENIENTE EXCLUSIVAMENTE DA ATIVIDADE RURAL EXCLUSÃO DE 80% DO VALOR TOTAL DOS DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS OU COMPROVADOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Caso o conjunto probatório dos autos comprove que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese reduzir, a quinta parte, a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Na espécie, o fisco tem o ônus de provar a fonte dos rendimentos para desclassificála, se for o caso, para a tributação normal. (Acórdão n° 10616.716, 6a Câmara/1o CC, sessão de 22/01/2008, relator Giovanni Christian Nunes Campos) CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA. Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal.. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. (Acórdão n° 220200.437, 2a Câmara/2a Turma Ordinária/2a SJ, sessão de 10/03/2010, relator Antonio Lopo Martinez) Filiome a essa interpretação. De fato, é conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos. Não se pretende com essa afirmação simplesmente afastar as determinações legais, mas sim temperálas com a realidade dos fatos, que obrigatoriamente deve sensibilizar a análise do julgador, bem como harmonizálas com o restante da legislação tributária. Vejase que o art. 18, §2o, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como o parágrafo único do art. 5o da Lei n° 8.023, de 1990, punem a falta de escrituração do Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 255 21 resultado da atividade rural com o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Assim, se é possível se considerar que as receitas apuradas a partir de depósitos bancários decorreram exclusivamente da atividade rural, então é também razoável se apurar o resultado decorrente com o arbitramento previsto para os casos em que não se escriturou as receitas e despesas desse negócio. No caso, está demonstrado que o contribuinte exerce a atividade pecuária. Isso se verifica pelas cédulas pignoratícias de fls. 143 a 163, onde sua atividade é descrita e gado de sua propriedade é oferecido como garantia, por algumas notas fiscais acostadas aos autos, e pela própria declaração de imposto de renda, onde se apura o resultado da atividade rural. Contudo, não consegui me convencer de que o contribuinte aufere rendimentos apenas desse meio. Vejase que foram tributados R$4.335.620,01 de depósitos não comprovados, tendo o julgador a quo reduzido esse montante em R$482.655,67, chegandose ao total sem explicação da ordem de R$3.852.964,34. Mesmo que se admita que os cheques descontados emitidos por frigoríficos, constantes da declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A, fls. 180 a 182, bem como as poucas notas fiscais acostadas aos autos, de fato comprovem a percepção de rendimentos da atividade rural, chegarseá à conclusão de que essas receitas totalizaram R$1.078.241,91, conforme apuração por mim efetuada, valor que corresponde a menos de 1/3 dos depósitos tributados. Assim, apesar de me filiar a interpretação do CARF, e de já a ter adotado em outras situações, considero que não é possível se concluir que todos os depósitos se relacionam apenas à atividade rural, e julgo não ser lícito se reduzir a tributação a 20% dos depósitos considerados. Receita declarada da atividade rural: Finalmente, é necessário enfrentar o ponto da defesa que indica que se deve considerar, como origem apta a justificar os depósitos bancários, a receita da atividade rural informada na declaração de ajuste, no valor total de R$855.250,99, independentemente de não terem sido individualizados os depósitos com datas e valores. Deixei para abordar esse argumento no final, por não considerar ser possível, a priori, admitir a receita declarada como origem dos depósitos bancários, como reconheço ser a jurisprudência dominante desta casa. Respeito a força do argumento de que não é razoável se presumir que os depósitos não comprovados são receitas tributáveis, mas não se admitir que os rendimentos regularmente tributados transitaram pela contacorrente do fiscalizado, em especial quando toda a movimentação financeira foi considerada na ação fiscal. Os defensores dessa tese lembram, com razão, que, muitas vezes, a própria fiscalização deduz os valores declarados do total lançado, sendo incoerente que não o faça como regra para todos os lançamentos com base em depósitos bancários. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 256 22 Entretanto, penso ser temerário se adotar tal presunção como regra geral. Já analisei processos onde era evidente que os depósitos se referiam a receitas diferentes das declaradas, sendo forte os indícios de se relacionarem a uma atividade oculta. Além disso, nos casos em que todas as receitas auferidas derivam de fontes pagadoras que especificam os pagamentos efetuados, não há sentido em se admitir como origens valores que facilmente se verifica não se relacionarem com créditos bancários. Assim, penso só ser possível se considerar as receitas informadas na declaração de ajuste como origem apta a justificar os depósitos bancários, quando as provas dos autos levarem à conclusão de que esses rendimentos transitaram pelas contascorrentes e não foram excluídos do lançamento, mesmo que não seja possível fazer uma vinculação específica com os depósitos. Antes de adentrar nas especificidades do processo em análise, aproveito o ensejo para uma pequena digressão, que considero pertinente à matéria. Quando a discussão envolver depósitos bancários relacionados com a atividade rural, haverá situações onde não será possível cumular a redução da base de cálculo para 20% dos depósitos, como se discutiu na seção precedente, e a exclusão da receita declarada como origem dos créditos bancários, mesmo que esses procedimentos sejam recomendados individualmente. Isso ocorrerá nos casos em que o sujeito passivo apurar seu resultado da atividade rural com base na diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase, nos termos do caput do art. 4o da Lei no 8.023, de 1990, e não com uso da estimativa de 20% da base de cálculo, nos moldes do art. 5o da mesma lei, como aconteceu na situação sob análise. Isso porque, para se reduzir a base de cálculo para 20% dos depósitos, seria necessário arbitrar o resultado com base no parágrafo único do art. 5o da citada lei n° 8.023, de 1990, como punição pela falta de escrituração do resultado da atividade rural. Mas esse arbitramento teria que se dar sobre toda a receita auferida, inclusive aquela já declarada, desconsiderandose as despesas também informadas na declaração de ajuste. Dessa forma, caso se deduzisse o valor declarado, para depois reduzir a base de cálculo para 20% dos depósitos, estarseia cumulando o benefício de se apurar parte do resultado a partir do confronto entre receitas e despesas declaradas, e parte com o arbitramento do lucro em função das novas receitas apuradas. Registrada essa opinião, e haja vista não ter permitido a redução da base de cálculo lançada para 20% dos depósitos, volto às peculiaridades do caso em discussão, perquirindo sobre a possibilidade de se deduzir o valor informado como receita da atividade rural na declaração de ajuste. Penso existir um forte argumento contra a concessão desse benefício. Vejase que o contribuinte estava obrigado a apurar o resultado da exploração da atividade rural em Livro Caixa, pois auferiu receitas anuais superiores a R$56.000,00, nos termos do art. 18 da Lei nº 9.250, de 1995. Se tivesse feito, a contabilização serviria como prova irrefutável de parte dos depósitos, destacandoos dos recursos que foram manipulados em espécie, como é bastante comum nessa atividade. Mas, não efetuando a escrituração a qual estava obrigado por lei, nem apresentando os documentos fiscais de vendas, seria beneficiado pela presunção de que todos os valores declarados transitaram por sua conta. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10325.000488/200660 Acórdão n.º 2101001.508 S2C1T1 Fl. 257 23 De qualquer modo, creio que existem fortes indícios de que os valores declarados transitaram pelas contascorrentes. Como já explicado na seção precedente, verifiquei que os cheques descontados emitidos por frigoríficos totalizaram mais de R$1 milhão. E se a prova dos autos foi considerada fraca para se admitir que toda essa quantia seja oriunda da atividade rural, e excluíla do lançamento, é razoável relacionála com as receitas dessa natureza declaradas, no montante de R$855.250,99, pela própria compatibilidade entre os valores comparados. Assim, creio ser possível, no presente caso, considerar a receita declarada de R$855.250,99 como origem dos depósitos lançados. Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$855.250,99 da base de cálculo lançada. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000717/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
Mantém-se a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado.
Numero da decisão: 1803-001.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o
Acórdão nº 1803-00.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Mantém-se a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DE DECISÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo em vista a negativa de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente ao período autuado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 67 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 68 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 36): Versa o presente processo sobre autos de infração (fls. 03, 06, 09, 12, 15 e 18), mediante os quais é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 18.709,11, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2002, 1º ao 4º trimestre de 2003, 1º ao 4º trimestre de 2004, 1º e 2º semestre de 2005, 1º semestre de 2006. Cientificada da exigência fiscal em 29/11/2007 (AR fls. 25/30, a interessada, interpôs impugnação (fls. 01/02) em 14/12/2007, na qual requer o cancelamento do presente lançamento, alegando, em síntese, que estaria dispensada da apresentação das DCTF, nos termos do art. 3º, I, da IN/SRF nº 255/2002, relativamente aos períodos sob exame, tendo em vista que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época, pendente de decisão, a qual somente foi expedida em 21/06/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 35): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, tendo em vista o não reconhecimento de enquadramento da empresa no Simples relativamente ao período autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 15/01/2010 (fls. 40), em 17/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 e 42, instruído com os documentos de fls. 43 a 53, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Pelo Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, de fls. 55 a 58, deixou de ser conhecido o Recurso apresentado, em face de sua suposta perempção. 5. Cientificada dessa decisão em 19/08/2011, apresenta a Recorrente, em 02/09/2011, petição de fls. 64 (numeração digital), na qual esclarece que o dia 16/02/2010 foi feriado nacional de carnaval, sem expediente nas repartições públicas, e, em especial, na Receita Federal, pelo que o Recurso foi entregue no dia 17/02/2010, dia seguinte ao feriado. 6. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 69 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Anulação da decisão anterior 7. Conforme destacado pela Recorrente, o dia 16/02/2010 foi feriado nacional de carnaval, na forma da Portaria MPOG nº 834, de 6 de novembro de 2009 DOU de 09/11/2009, como segue: O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e considerando o que consta da Nota Técnica nº 464/COGES/ DENOP/SRH/MP, de 28 de outubro de 2009, resolve: Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2010, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: [...]; III 16 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); 8. É, pois, tempestivo o Recurso de fls. 41 e 42 por ela apresentado, já que fora cientificada da decisão de primeira instância em 15/01/2010 (fls. 40). 9. Por conseguinte, deve ser anulado o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, com fundamento no art. 59, inciso II, do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), de seguinte teor (grifouse): Art. 59. São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 10. Procedese, pois, a novo julgamento do processo. Novo julgamento do processo 11. Não é de ser acolhida a irresignação da Recorrente. 12. No decorrer de todo o período em que se examinou o processo nº 13976.000590/200346, de inclusão retroativa no Simples, por ela protocolado em Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180301.344 S1TE03 Fl. 70 5 28/05/2003, não estava a Recorrente, por óbvio, incluída nessa sistemática de tributação favorecida. 13. Daí porque não há como se falar em “dispensa” de apresentação de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) quanto a esse período (até 21/06/2007). 14. Com bem observa a decisão recorrida (fls. 35verso e 36): A alegação da contribuinte de que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época dos períodos autuados, pendente de decisão, não prospera para o efeito de dispensála da apresentação das DCTF ou para que seja levado a efeito prazo de entrega diferente daquele estabelecido pela legislação de regência, haja vista os extratos juntados nesta oportunidade, às fls. 32/34, que registram que a empresa, sob o “EVENTO: 319” foi incluída no Simples em 27/02/1997, mas logo em seguida, sob o “EVENTO: 303”, foi excluída do Simples em 31/08/2001. 15. Por conseguinte, em vista da negativa do pleito de inclusão retroativa no Simples o qual se porventura tivesse sido acatado, tornaria aí sim improcedentes os presentes lançamentos , são plenamente cabíveis as multas aplicadas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ANULAR o Acórdão nº 180300.966, de 28 de junho de 2011, desta Turma, por preterição do direito de defesa e, procedendo a novo julgamento do processo, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004791/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2007
Ementa: GRUPO ECONÔMICO – CONFIGURAÇÃO
À luz dos elementos colhidos nesses autos, quais sejam: as empresas realizam
a mesma atividade, são administradas por sócios em comum, transferem
funcionários de uma para outra, configura-se
a existência de grupo
econômico a ensejar a responsabilidade prevista no artigo 30, inciso IX da
Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-002.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : Obrigações acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2007 Ementa: GRUPO ECONÔMICO – CONFIGURAÇÃO À luz dos elementos colhidos nesses autos, quais sejam: as empresas realizam a mesma atividade, são administradas por sócios em comum, transferem funcionários de uma para outra, configura-se a existência de grupo econômico a ensejar a responsabilidade prevista no artigo 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.004791/200701 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.636 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria Auto de Infração Grupo econômico Recorrente MAXICRON COMERCIO DE TINTAS E REVESTIMENTOS LTDA "E OUTRO" Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2007 Ementa: GRUPO ECONÔMICO – CONFIGURAÇÃO À luz dos elementos colhidos nesses autos, quais sejam: as empresas realizam a mesma atividade, são administradas por sócios em comum, transferem funcionários de uma para outra, configurase a existência de grupo econômico a ensejar a responsabilidade prevista no artigo 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente) Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.109.2272 lavrado contra a recorrente por ter deixado de apresentar à fiscalização os Livros Diários de todo período fiscalizado até o mês 12/2006. Segundo aponta o relatório fiscal existe grupo econômico entre as empresas Maxicron e Tonacril Indústria de Tintas Ltda. pelo fato de haver, segundo a fiscalização, o mesmo controle acionário, similaridade de objeto social, a transferência de funcionários entre ambas, a existência de sócios sem poderes de gestão, bem como ações trabalhistas movidas por exsócios pleiteando o reconhecimento de vínculo empregatício. A Secretaria da Receita Federal em Joinville, diante da caracterização de grupo econômico e, portanto, de responsabilidade solidária, expediu intimação à Tonacril (fl. 63), abrindolhe prazo de 30 dias para que apresentasse impugnação ao lançamento, fato esse não concretizado. A Maxicron apresentou impugnação alegando, em resumo, a ausência de grupo econômico, já que “a impugnante apenas comercializa os produtos fabricados pela Tonacril, não havendo que se falar em intervenção na direção, controle ou administração uma da outra, muito menos em subordinação de uma a outra.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis manteve, por maioria, a autuação na sua integralidade. Ambas as empresas foram devidamente intimadas do acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis (fl. 87 e 88), sendo que apenas a Maxicron interpôs recurso voluntário repisando, basicamente, os argumentos defendidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Da análise dos autos verifico que somente a empresa Maxicron defendeu seus interesses ante a lavratura do Auto de Infração, sendo que a empresa Tonacril, a despeito de intimada tanto do lançamento, como da decisão de primeira instância quedouse inerte. Ademais, observo que a Recorrente, tanto na sua impugnação, como no recurso ora em análise, limitase a afirmar que não existe grupo econômico entre as citadas empresas, mas apenas relações comerciais. Em momento algum, apresenta fatos que modifiquem, impedem ou extinguem o lançamento no que diz respeito a não entrega dos livros contábeis solicitados, tornandoo, assim incontroverso nessa questão. Pelo exposto, cabe analisar, nessa sede recursal, apenas se restou configurada a existência de grupo econômico, o que imputaria a responsabilidade da empresa Tonacril. Grupo Econômico Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10920.004791/200701 Acórdão n.º 230102.636 S2C3T1 Fl. 3 3 Compulsando os autos pude atestar que ambas as empresas possuem objetos sociais semelhantes, quais sejam: o comércio de tintas, vernizes, solventes, seladores etc. Além disso, verificase claramente nos autos que o sócio Renato Franz é quem pratica atos de gestão de ambas as empresas. Enquanto que na Maxicron figura como sócio e único com poderes para gerir a sociedade de forma isolada (fl. 26) na Tonacril, em que pese não constar no quadro societário, exerce a gestão por meio de procuração pública, outorgada, com prazo de 10 anos, pelo seu pai, sócio de seu filho, menor impúbere à época da constituição da sociedade, representado por sua esposa Odete Terezinha Telles Cordeiro Franz. A fiscalização, de posse das GFIPs e das folhas de salários comprovou nos autos também que houve troca de funcionário entre ambas, como por exemplo, o Sr. Ademar de Borba, que foi transferido da Tonacril para a Maxicron. À luz dos elementos colhidos nesses autos, quais sejam: as empresas realizarem atividade semelhante, serem administradas por pessoa física em comum, transferirem funcionários de uma para outra, estou convencido da existência de grupo econômico a ensejar a responsabilidade prevista no artigo 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendose a decisão recorrida tal como proferida. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/05 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 19679.007681/2004-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE
PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA.
IMPOSSIBILIDADE.
À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI
referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos
favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT
na Tabela do IPI TIPI).
RESSARCIMENTO. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide juros Selic sobre ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.489
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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ENGENHARIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CREDITAMENTO. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FAVORECIDO PELA IMUNIDADE OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE. À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos favorecido por imunidade objetiva (Não Tributado NT na Tabela do IPI TIPI). RESSARCIMENTO. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide juros Selic sobre ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau, abaixo reproduzido. “A interessada protocolizou, em 31/05/2004, pedidos de ressarcimento (fls. 01/04) de créditos de IPI na aquisição de insumos empregados na industrialização de pedra britada ou outros minerais por ele produzidos, no montante de R$ 203.178,62, relativamente aos 1°, 2°, 3° e 4º trimestres calendário de 2003, com fulcro na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, c/c a Instrução Normativa SRF n°33, de 4 de março de 1999. O Despacho Decisório de fls. 58/61 (Parecer Seort n° 13884.577/2007 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos) considerou os pedidos de ressarcimento como não formulados e todas as compensações efetuadas como não declaradas, pois, primeiro deixou de transmitir os pedidos eletronicamente, através do programa PER/DCOMP 1.3, à época dos pedidos, individualizadamente por trimestre e segundo, transmitiu Declarações de Compensações compensando débitos, baseadas no presente processo, incorretamente protocolizado. Decidiuse também que, nos termos do art. 31, caput c/c art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600 de 28 de dezembro de 2005 e alterações, não cabe interposição de manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nem suspensão dos débitos compensados. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 66/76, dirigida ao Delegado da Receita Federal de São José dos Campos, alegando em síntese que: 1. As razões de indeferimento não poderiam prevalecer, já que a via escolhida para os pedidos, em papel, seria pelo fato do programa PER/DCOMP não aceitar a correção monetária dos valores a serem ressarcidos, pela taxa SELIC, incluídos no ressarcimento; 2. Os dispositivos constantes da IN SRF 210/2002 (art. 14 e 44), IN SRF 432/2004 (art. 2° e 3°) e IN SRF 323/2003 (art. 3°), retratam que pode o contribuinte utilizarse do formulário Pedido de Restituição, em razão da impossibilidade da elaboração do mesmo a partir do programa PER/DCOMP. 3. As declarações de compensações apresentadas teriam sido feitas com base na ordem administrativa então vigente, com base no art. 21 e seguintes da IN SRF 210/2002; 4. As compensações efetuadas totalizaram o valor de R$ 203.178,62. Logo inexiste compensações feitas a maior Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 19679.007681/200424 Acórdão n.º 330201.489 S3C3T2 Fl. 2 3 relativamente ao crédito objeto da compensação como afirma a autoridade administrativa; 5. O código "NT" da TIPI relativamente a produtos minerais (especificadamente à pedra britada produzida pela requerente) referese a produtos imunes, e, portanto, gerando crédito as aquisições de MP, PI e ME aplicados na industrialização dos produtos da requerente, crédito de IPI; 6. Por ser o ressarcimento, espécie do gênero restituição, os créditos objeto do pedido de ressarcimento em epígrafe, deverão ser corrigidos pela taxa SELIC, na forma prevista legalmente e como vem decidindo o Conselho de Contribuintes; 7. Em razão das argumentações carreadas na presente manifestação de inconformidade, a decisão da autoridade administrativa merece reforma, deferindo o pedido de ressarcimento e homologando todas as declarações de compensação atreladas a este pedido, ou, caso este não seja o entendimento, seja determinada a remessa dos autos à autoridade administrativa de origem para que seja apreciado o mérito do pedido de ressarcimento e do direito creditório da requerente relativamente ao IPI; 8. Ao final, requer que os débitos objetos de compensação com os créditos pleiteados sejam suspensos, a teor do art. 151, III, do CTN. O Parecer Seort n° 13884.707/2007 de fls. 79/84, da DRF/São José dos Campos, recebeu a manifestação de inconformidade impetrada como pedido de revisão de oficio, e apesar das contraargumentações apresentadas, considerou irretocável o Parecer Seort n° 13884.577/2007 mantendo como não formulado o pedido de ressarcimento e não declaradas as compensações a esse vinculadas. Não concordando com os procedimentos adotados, a requerente ingressou com o mandado de segurança sob o n° 2007.61.03.0088703, com trâmite perante a 3' Vara da Seção Judiciária de São Jose dos Campos. A juíza deferiu pedido de liminar (fls. 90/95) objeto da ação judicial, no sentido de que a manifestação de inconformidade deve seguir ao rito processual do Decreto 70.235/72, concluído a decisão conforme transcrição abaixo: "Diante dos exposto, defiro o pedido de liminar para suspender a exigibilidade dos créditos tributários consubstanciados nos processos administrativos n° 13804.005222/200447 e n° 19679.007681/200424 e, em conseqüência, determinar à autoridade impetrada que receba os aludidos recursos e prossiga na discussão administrativa. Oficiese." Conseqüentemente, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para julgamento”. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 4 O colegiado de primeira instância negou o direito creditório, sob as razões sintetizadas na ementa abaixo: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FORMULÁRIO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE PEDIDO FEITO EM FORMULÁRIO PAPEL. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de ressarcimento apresentado em formulário "papel". Conseqüentemente, consideramse como não declaradas as compensações vinculadas ao processo. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. IMUNIDADE. É facultada a manutenção e a utilização dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 1° de janeiro de 1999, destinados à industrialização de quaisquer produtos, incluídos os exportados com imunidade, os isentos e os tributados à alíquota zero, ressalvados, todavia, os não tributados (NT), para os quais permanece a obrigatoriedade de estorno dos créditos relativos ao IPI incidente sobre os insumos neles empregados. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual repisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão resumese em dois pontos: i) se os insumos empregados em produtos não tributados geram direito de crédito do IPI; ii) incidência da SELIC sobre ressarcimento. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 19679.007681/200424 Acórdão n.º 330201.489 S3C3T2 Fl. 3 5 Em relação ao primeiro ponto, sem razão a Recorrente conforme se demonstrará adiante. O Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 475.551, julgou questão correlacionada com a matéria dos autos, concluindo descaber direito de crédito de IPI, relativamente a insumos empregados na fabricação de produtos isentos e de alíquota zero, com fatos anteriores à Lei no 9.779/99. Vejamos: EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, § 3º, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9.779/1999. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a consequência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5. Com o advento do art. 11 da Lei no 9.779/1999 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. 6. Recurso extraordinário provido. (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.a sp?s1=(475551.NUME.%20OU%20475551.ACMS.)&base=base Acordaos) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 6 O recurso acima sinaliza que, anterior ou posteriormente à Lei nº 9.779/1999, os insumos empregados em produtos não tributados não geram direito de crédito do IPI. A defesa da Interessada sustenta que os produtos fabricados seriam imunes e, relativamente a tais produtos, o direito de crédito existiria haja vista, principalmente, o disposto nos arts. 1º e 4º da IN SRF no 33/99, que assim dispõe: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, darse á de conformidade com esta Instrução Normativa. Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. A argumentação, entretanto, não merece guarida. Ocorre que estes dispositivos não podem ser analisados isoladamente, a boa técnica de hermenêutica recomenda que todo e qualquer excerto normativo deve ser interpretado de forma sistêmica e, sob este prisma, devese levar em conta o que reza o § 3º do art. 2º do referido diploma normativo, vejamos: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). No mesmo sentido, temos o art. 190, § 1º1, do Regulamento do IPI – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/02. Noção cediça, os produtos imunes estão fora da incidência do imposto, da mesma forma que os não tributados. A diferença entre tais produtos poderia ser definida a partir da consideração de que os produtos NT não seriam considerados industrializados, enquanto que os produtos imunes seriam industrializados, mas protegidos da incidência do IPI por disposição constitucional. 1 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 19679.007681/200424 Acórdão n.º 330201.489 S3C3T2 Fl. 4 7 Se o emprego de insumos em produtos de alíquota zero e isentos, que estão dentro da incidência do imposto, dependeu de previsão legal (Lei no 9.779/99) para gerar direito de crédito, não faz sentido que o emprego dos mesmos insumos em produtos que sequer estão dentro do campo de incidência gerem crédito. A Instrução Normativa nº 33/99, ao considerar que o emprego de insumos em produtos imunes gera direito de crédito, está se referindo a imunidade decorrente de exportação de produtos, e não a imunidade objetiva. Tanto é que determina, em seu art. 2º, § 3º, sejam estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Dirimindo qualquer dúvida acerca disso, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 5, de 17 de abril de 2006, que assim dispõe: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação “NT” (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Ademais, esta questão está sedimentada no âmbito do CARF a teor da Súmula CARF nº 20, verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Corrobora neste sentido, a Súmula CARF nº 16 eis que contempla o aproveitamento dos créditos de IPI apenas dos insumos utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, in litteris: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 8 termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Portanto, a imunidade decorrente da natureza do produto, que é o caso dos autos, não gera direito ao creditamento, pois não tem amparo na Lei no 9.779/99. Concernente a incidência da SELIC sobre o ressarcimento em baila, entendo que tal matéria resta prejudicada em razão do não reconhecimento direito creditório em questão. Entretanto, caso vencido nas matérias acima tratadas, entendo, pelos mesmos fundamentos já aduzidos na decisão recorrida, que não incide SELIC sobre ressarcimento de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10882.000412/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1997
ESTIMATIVAS MENSAIS. LANÇAMENTO POSTERIOR À APURAÇÃO ANUAL.
Constatada, após o encerramento do ano-calendário, a insuficiência dos recolhimentos, incabível a exigência de recolhimento de estimativas mensais.
Numero da decisão: 1301-000.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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LANÇAMENTO POSTERIOR À APURAÇÃO ANUAL. Constatada, após o encerramento do anocalendário, a insuficiência dos recolhimentos, incabível a exigência de recolhimento de estimativas mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Jaci de Assis Junior. Declarouse impedido de votar o conselheiro Valmir Sandri. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 02/11/2001, fls. 35 a 41, para exigência de crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, concernente ao anocalendário de 1997, no valor de R$ 1.785.175,36, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. A exigência decorreu de auditoria interna da DCTF, referente ao primeiro e segundo trimestres de 1997, tendo sido constatado declaração inexata pela não confirmação do processo judicial informado pelo sujeito passivo como motivo da suspensão das respectivas exigibilidades. Como enquadramento legal foram citados: arts 1º e 4º da Lei nº 7.689, de 1099; art. 25 c/c art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 1º e 9º da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º e 6º (c/c art. 28) e arts. 30, 55 e 60 da Lei nº 9.430, de 1996. Em sua impugnação, a empresa alega que; falta motivação à exigência, pois a exigibilidade do crédito tributário está suspensa por força do Mandado de Segurança n° 97.00073360, como se pode constatar pela mera análise da petição inicial e demais documentos apresentados; encerrado o período de apuração anual, não caberia exigência de valores relativos a estimativas mensais; incabível a aplicação da multa de ofício, sob pena de desobediência à liminar concedida no mandado de segurança, bem como dos juros de mora na vigência de medida suspensiva de exigibilidade e, ainda, há que se considerar imprestável a taxa SELIC para cálculo desses encargos. A 5ª Turma da DRJ/CPS decidiu por manter parcialmente a exigência, para cancelar a multa de ofício sobre os valores amparados por liminar em Mandado de Segurança impetrado à época do lançamento. Cientificada em 30/03/2011, fls. 136, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/04/2011, fls. 137 a 158, alegando, em síntese que: decisão recorrida não deve prosperar na parte em que manteve o lançamento fiscal, sobretudo porque contraria o entendimento que se firmou perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que, encerrado o períodobase, não mais se admite a cobrança dos valores mensais que seriam devidos a título de CSLL; referida cobrança jamais poderia ter como base as estimativas declaradas pela Recorrente ao longo do ano porque quando de seus respectivos vencimentos a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, e após o encerramento do anobase não faria mais sentido a cobrança daqueles valores, conforme expressa disposição do artigo 16 da Instrução Normativa n° 93/97; o fato de aqueles valores de estimativa terem sido informados em DCTF com exigibilidade suspensa não autoriza em absoluto sua cobrança após o encerramento do anobase, ao contrário do que pretende fazer crer a r. decisão recorrida, porque já tendo sido apurada a real base de cálculo sobre a qual é calculada a contribuição devida relativamente a Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.000412/200295 Acórdão n.º 130100.880 S1C3T1 Fl. 164 3 cada anobase, não há que se falar em exigência de valores com base nos vencimentos mensais, uma vez que se estaria exigindo valores que não correspondem àqueles efetivamente devidos (arts. 2º e 6º da Lei n° 9.430/96); nos termos do artigo 16, inciso II da Instrução Normativa n° 93/97 uma vez encerrado o anobase não pode mais ser exigido do contribuinte o valor relativo aos débitos mensais por estimativa, mas sim apenas e tão somente o eventual valor apurado como devido ao final do anobase; a jurisprudência da DRJ do Rio de Janeiro e do E. Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de não aceitar lançamento de valores relativos a estimativas após o encerramento do exercício, sem fazer qualquer distinção quanto a ter estado ou não o crédito tributário "sub judice" (Acórdão 10323.442 e outros; Acórdão DRJ/RJOI n° 8.745 de 01/02/2006); ao contrário do que se entendeu, de fato não há que se falar em mora do contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento do tributo ao amparo de decisão judicial; o entendimento adotado pelos E. Conselhos de Contribuintes reconhece a improcedência da exigência de juros de mora sobre créditos com exigibilidade suspensa; do artigo 963 do Código Civil Brasileiro: "Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora."; os juros de mora lançados jamais seriam devidos na dimensão pretendida pela ilustre autoridade autuante, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; seja provido o presente recurso para que seja reformada a r. decisão recorrida na parte em que manteve o auto de infração que se faz objeto do presente processo, cancelandose integralmente a exigência fiscal como medida de Direito e de Justiça. É o relatório Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos previstos na legislação. Dele, pois, tomo conhecimento. Primeiramente, cumprese recordar que os lançamentos tributários devem ser efetuados nos termos da lei vigente à época da ocorrência do fato gerador, ainda que esta venha a ser posteriormente modificada ou alterada, nos termos do caput do art. 144 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo sido o Auto de Infração lavrado em 02/11/2001, a legislação tributária que se refere à necessidade de lançamento relativamente a débito informado em DCTF era regida pelo o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que dispunha: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, à época do lançamento, caso o débito constasse em DCTF como vinculado à qualquer das modalidades de suspensão ou extinção do crédito tributário, à vista de qualquer irregularidade constatada em procedimento fiscal faziase necessário, para dar cumprimento ao art 90 da MP 2.158/2001, o lançamento de ofício das respectivas diferenças. No presente caso, o lançamento se fundamentou na não confirmação do processo judicial que a contribuinte informara como hipótese de suspensão das respectivas exigibilidades. A primeira instância de julgamento cancelou a multa de oficio e manteve o lançamento fiscal sobre os valores das estimativas declaradas em DCTF, sob o argumento de que, embora confirmada a suspensão da exigibilidade das estimativas mensais, não haveria impedimento à formalização do principal devido. Insurgese a recorrente alegando que as estimativas objeto do lançamento não poderiam ser cobradas porque estavam com a exigibilidade suspensa à época dos respectivos vencimentos e, além disso, conforme expressa disposição do art. 16 da Instrução Normativa nº 93, de 1997, são inexigíveis após o encerramento do anocalendário. Segundo ainda a recorrente, o fato de os valores de estimativas terem sido informados em DCTF com exigibilidade suspensa não autoriza em absoluto sua cobrança após o encerramento do período base. Com efeito, entendo que a decisão recorrida, nesse aspecto, não deve prosperar, uma vez constar expressamente do citado artigo 16 da IN n° 93/97, que: “Art. 16 Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” Portanto, uma vez contatada eventual a insuficiência dos recolhimentos de estimativas mensais, após o encerramento do anocalendário, incabível a exigência da diferença do tributo recolhido a menor. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.000412/200295 Acórdão n.º 130100.880 S1C3T1 Fl. 165 5 Oportuno ressaltar que a própria decisão recorrida reconhece que não ocorreu a inexatidão das informações constantes na DCTF, diante do fato de a impugnante haver comprovado a existência processo judicial que vincularia os débitos declarados e que ora estão também sendo exigidos nos presentes autos. Finalmente, cumprese observar ao contribuinte e à Autoridade Administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB que os valores das estimativas mensais declaradas na DCTF em questão – por terem contribuído para a formação do saldo credor de CSLL, declarado em DIPJ no montante de R$ 2.681.489,75, fls. 124/126, conforme ressaltado na decisão proferida pela DRJ em Campinas/SP – ficam sujeitos às verificações necessárias e atinentes à eventual confirmação, em processo específico, da efetividade do respectivo direito creditório. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, observandose à Autoridade Administrativa da RFB que os valores das estimativas mensais declaradas na DCTF, tratada no presente processo, estão sujeitos às necessárias verificações atinentes à confirmação, em processo específico, da efetividade do respectivo direito creditório. Sala de Sessões, 10 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.007529/2002-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de
apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso Voluntário Provido.
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula nº 11, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 22/02/2012 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007529/200202 Acórdão n.º 210201.830 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS ANCHIETA LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 09/17, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao terceiro e ao quarto trimestre de 1997, no valor total de R$ 174.399,33, incluindo multa de ofício, juros de mora e multa isolada. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram falta de recolhimento (anexo III do Auto de Infração) e recolhimentos efetuados fora do prazo legal (anexo IV do Auto de Infração). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01/06, esclarecendo, em síntese, que não houve falta de pagamento ou pagamento em atraso e que efetuou todos os recolhimentos, conforme Darf, que juntou aos autos. A autoridade fiscal, revisando o lançamento, despacho, fls. 63/68, cancelou parte do crédito tributário, remanescendo na lide apenas os créditos tributários, vinculados aos débitos nºs. 4478349 e 4478356, nos valores de R$ 25.391,89 e R$ 4.350,00, respectivamente. Ato contínuo, a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1523.694, de 05/05/2010, fls. 126/127. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007529/200202 Acórdão n.º 210201.830 S2C1T2 Fl. 3 3 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 02/08/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 130, a contribuinte apresentou, em 01/09/2010, recurso voluntário, fls. 131/135, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Prescrição intercorrente e decadência – Presente se encontra a hipótese de prescrição intercorrente, pois transcorreram mais de sete anos entre a data do protocolo da impugnação e do julgamento. Houve novo lançamento, realizado em outubro de 2009, quando já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos em 1997. Lançamento de valores em um período de apuração inexistente – Não existem fatos geradores com período de apuração na quinta semana do mês de junho/1997, uma vez que o referido mês possui apenas quatro sábados. Assim, não poderia a decisão recorrida julgar procedente o lançamento, sob a justificativa de que os pagamentos comprovados por Darf foram utilizados para amortizar supostos débitos da quinta semana de junho/1997 com valores idênticos aqueles constantes da segunda semana de julho/1997. É o Relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007529/200202 Acórdão n.º 210201.830 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sede preliminar, a contribuinte afirma que teria ocorrido a prescrição intercorrente, dado que entre a data da apresentação da impugnação e da decisão recorrida transcorreram mais de sete anos. Ocorre que a prescrição intercorrente não se aplica no processo administrativo fiscal. Tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Rejeitase, portanto, a preliminar de prescrição intercorrente suscitada pela contribuinte. No mérito, a contribuinte inicialmente suscita a decadência do crédito tributário remanescente, pois entende que o despacho, fls. 68, de 09/10/2009, onde a autoridade fiscal reconhece que somente é devido parte do crédito tributário exigido no Auto de Infração, equivaleria a novo lançamento e que, na data em que foi produzido, o crédito tributário remanescente já estaria alcançado pelo instituto da decadência. Tal entendimento é equivocado. O crédito tributário foi lançado, mediante Auto de Infração, fls. 09/17, lavrado em 09/05/2002, e na ausência de Aviso de Recebimento (AR) nos autos, considerase que a contribuinte foi cientificada do lançamento na data em que apresentou sua impugnação, 12/07/2002, fls. 06. Logo não há que se falar em decadência, seja a contagem realizada nos termos do § 4º do art. 150 ou pelo inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Esclareçase que o crédito tributário remanescente se refere a fatos geradores ocorridos na segunda semana de julho de 1997, que se encerrou no dia 12/07/1997. Nestes termos, rejeitase a alegação de decadência suscita pela recorrente. Ainda, quanto ao mérito, a recorrente afirma que os créditos remanescentes, nos valores de R$ 25.391,89 e R$ 4.350, 00 foram devidamente recolhidos, conforme Darf, fls. 21/24 e 34. Por seu turno, a autoridade julgadora de primeira instância não acolheu a alegação da contribuinte, justificando que tais Darf foram utilizados para quitação de débitos de mesmo valor, que foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativamente à quinta semana de junho de 1997. Nesse sentido, a recorrente esclarece que os valores foram informados nas DCTF em duplicidade, de sorte que constam na quinta semana de junho de 1997 (DCTF do Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.007529/200202 Acórdão n.º 210201.830 S2C1T2 Fl. 5 5 segundo trimestre de 1997) e na segunda semana de julho de 1997 (DCTF do terceiro trimestre de 1997). De fato, dos documentos acostados aos autos, Darf e cópias das DCTF, fls. 136/139, verificase que assiste razão à contribuinte quando afirma que os débitos foram informados em duplicidade nas DCTF. E mais, como bem esclarecido pela recorrente, é fato que não existiu no ano de 1997 a quinta semana no mês de junho de 1997. Insta lembrar que para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Temse, portanto, que o lançamento decorreu de erro de preenchimento da DCTF, no que diz respeito à informação duplicada, de sorte que não ocorreram as faltas de recolhimentos remanescentes, apontadas no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000228/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/06/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.032
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16024.000228/2007-46 Recurso n° 163.908 Voluntário Acórdão n° 2401-01.032 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 • Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DENTAL MORELLI LTDA Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLARIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/06/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nus 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais • RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Cb\ dr\ ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente n )141 11 . _4à$1 1.` t nn _ RYCARDO HEN T / OBUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente julg. ent , os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, ame Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. • 2 Processo n° / 6024.000228/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.032 Fl, 119 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-l1, Recorrente: KOBE FLUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciórios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstaticionalidizile do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casai, constatou-se a decadéncitz sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150,§ 4" ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessõe em 24 de fevereiro de 2010 41,11.118,3 122.,,áltt t. RYCARDO HE ti IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - RelatorA • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS c.,11,:',/? QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO, ' Processo n°: 16024.000228/2007-46 Recurso n°: 163.908 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial tf 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.032 Brasília n e março de 2010 ELIAS S sP 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara ' Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10280.901697/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após
retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via
da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da
homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a
existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.666
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 143 1 142 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901697/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120200.666 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente BANCO DO ESTADO DO PARÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 144 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 145 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 Banco procedeu à compensação via PER/DCOMP, utilizando se do crédito de estimativa de IRPJ base set/2005, no valor de R$5.033,66, decorrente do valor pago a maior em 31.10.2005, considerando que a base estimada foi com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, para quitar os seguintes débitos: IRPJ base estimada de mar/2005, no valor de R$ 3.443,94, mais juros/multas, totalizando R$5.033,66. Importa esclarecer que o valor apurado de IRPJ base set/2005, com base no balancete acumulado do período, foi declarado à SRF, o valor de R$299.779,80, através de DCTF n° 24.73.80.50.7225, transmitida em 08.11.2005, devidamente registrado na contabilidade à época devida, e com alterações posteriores efetuadas até 22.12.2006, em decorrência do Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$295.477,16, declarado em DCTF retificadora n° 25.28.98.85.4720, transmitida em 03.01.2007, passando a existir crédito de pagamento a maior do referido período ( darf no valor total de R$299.779,80, pago em 31.10.2005), utilizado para compensar o IRPJ base mar/2005, conforme PER/DCOMP' n° 16526:67481 ..2.91206.1.3.04 7035, totalizando R$5.033,66. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 146 4 Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 147 5 Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 10/12/10 (fl.124,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.125 e ss), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 148 6 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 149 7 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 150 8 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 151 9 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 152 10 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 153 11 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 120200.666 S1C2T2 Fl. 154 12 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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