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Numero do processo: 18471.000901/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇAO A PESSOA IURÍDICA.
Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-007.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente CLÁUDIA REGINA DE PAULA SOUZA VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇAO A PESSOA IURÍDICA. Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 01 /2 00 4- 52 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 249 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 1ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 1320.365 (fl. 205) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 99/114, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, no valor total de R$ 215.277,59 (duzentos e quinze mil, duzentos e setenta e sete reais e cinquenta e nove centavos), assim composto: Imposto R$ 94.119,37 Juros de Mora (calculados até 30/07/2004) R$ 50.568,70 Multa Proporciona (75%) R$ 70.589,52 Valor do crédito tributário apurado R$ 215.277,59 O lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada verificados em contas bancárias mantidas em conjunto com o cônjuge da interessada nas instituições financeiras Banco Bradesco e Itaú/SA (Descrição dos Fatos à fl. 100). De acordo com a autoridade fiscal, os extratos bancários correspondentes (fls. 18/43, 47/54, 70/82) foram fornecidos pela própria contribuinte, conforme consta das respostas (fls. 16, 46 e 69) ao Termo de Início de Fiscalização de fl.13. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 250 3 Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 97/98), intimada a comprovar a origem dos depósitos, nos termos do artigo 42, § 39, inciso H da Lei º 9.430/96, a contribuinte não encaminhou qualquer documento que pudesse comprovar a origem dos depósitos. A autoridade autuante, considerando não comprovada a origem dos depósitos auditados, elaborou as planilhas às fls. 105/109 e lavrou o presente Auto de Infração tributando como rendimentos omitidos somente 50% dos referidos depósitos, com base no art. 42 da Lei n9 9.430/96. Cientificada do lançamento em 19/08/2004 (ciência pessoal à fl. 114), a interessada apresentou, em 17/09/2004, a impugnação de fls. 120/130, acompanhada dos documentos às fls. 131/159, na qual levanta as razões de defesa abaixo reproduzidas. Inicialmente, a contribuinte alega que não comprovou, desde logo a origem dos recursos depositados em suas contas correntes devido à extrema dificuldade de se lembrar, vários anos depois, de que se tratava cada crédito em sua conta e porque não foi possível identificar o anocalendário da conta mantida junto ao Banco Itaú contas correntes/poupança nº 0769.25753/500. Especificamente no que se refere à conta nº 0769257536/500, mantida no Banco Itaú, alega que as datas foram arbitrariamente alocadas pela fiscalização, que escolheu a esmo os anos a que se referiam cada depósito. Entende que, na ausência da indicação dos anos, caberia ao autuante exigir do banco a informação. Não havendo segurança e certeza nos anos dos depósitos, não se poderia lançar tributo com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de l996. Reclama que, na planilha constante do Auto de Infração, não conseguiu localizar os depósitos sequenciais discriminados pelo fiscal, nem mesmo a que aniversários da referida conta se referiam, quanto mais o ano base de lançamento de cada um deles. Assim, conclui que foi cerceado o seu direito de defesa. Diz que chefiava equipes de enfermeiros que prestavam serviços profissionais a terceiros e que depositava na conta do Banco Itaú o montante recebido por esses serviços, repassando informalmente a parte que cabia ao prestador de serviço. Além disso, parte dos depósitos representava despesas relacionados a esse serviço que lhe eram posteriormente ressarcidos. A parte dos rendimentos que lhe cabia era inserida na sua declaração de rendimentos. Considera injusto tratar esses depósitos como receitas tributáveis sem sequer considerar os custos e despesas e, mais grave, sem abater os cheques devolvidos. Entende que impõese adotar os necessários temperamentos da aplicação da lei sob pena de massacrarse as pessoas, Fl. 250DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 251 4 destruindolhes o patrimônio por exigências fiscais que não correspondem a um efetivo aumento patrimonial. Aventa a hipótese de que a autoridade fiscal deveria arbitrarlhe os lucros, tratandoa não como pessoa física mas como empresa individual. Quanto às contas 6.698.1428 e 66987728, mantidas no Banco Bradesco, informa que conseguiu justificar e comprovar a origem dos depósitos constantes de planilha anexa à impugnação, os quais atribui a recursos repassados por seu marido para o pagamento de despesas da família. Argumenta que são realidades fáticas, ocorrentes no mundo moderno e que a sensibilidade do julgador não pode ignorar. Por fim, caso não sejam acatadas as argumentações anteriores, alega que a parcela tributada em um mês serve de origem como recurso já tributado para o mês seguinte e assim sucessivamente, até o mês de dezembro de 2001, impondose a revisão dos cálculos por este motivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1320.365 (fl. 205), conforme ementa abaixo reproduzida: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Os rendimentos omitidos apurados em lançamento com base em depósitos bancários deverão ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇAO A PESSOA IURÍDICA. Somente é conceituada com empresa individual e equiparada a pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. Lançamento Procedente Cientificada dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fl. 219, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 252 5 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se infere do relatório supra, tratase, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, sustenta, em síntese, (i) a nulidade do lançamento em relação à conta nº 322358 do Itaú por não constar na descrição dos fatos que integram o auto de infração, (ii) nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em relação às contas 322358 e 257536, ambas do Itaú, (iii) erro na identificação do períodobase, (iv) comprovação da origem dos depósitos bancários e (v) equiparação à pessoa jurídica. Analisandose o recurso voluntário apresentada pela Contribuinte, em cotejo com a impugnação e com a decisão de primeira instância, verificase que não foram apresentadas novas razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, pelo que, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor. Antes, porém, impõese destacar alguns pontos relativos as teses defensivas da contribuinte. No que tange à preliminar nulidade do feito em relação à conta corrente / poupança n° 0733322358, do Banco Itaú S.A, por não constar na descrição dos fatos que integram o auto de infração, razão não assiste à Recorrente. Isto porque, o Relatório Fiscal de fl. 124 é expresso ao mencionar a referida conta, conforme se infere da imagem abaixo: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 253 6 Com relação à nulidade do lançamento por cerceamento de defesa em razão da maneira imprecisa de se determinar os períodos base correspondentes tanto na conta acima citada como na de n° 0769257536/500, através de datas inseridas pelo autuante no corpo das contascorrentes, como minuciosamente demonstrado na impugnação para onde se remete o julgador de segunda instância, cabe ressaltar que a fiscalização se embasou nos extratos bancários fornecidos pela própria Recorrente. Se estes não são precisos em relação ao ano de ocorrência das operações e tendo o fiscal autuante utilizado como critério para identificar o anocalendário dos depósitos bancários a data dos lançamentos da CPMF que constam nos próprios extratos, caberia à Autuada, discordando do critério adotado pela fiscalização, identificar o ano de ocorrência das operações e não simplesmente alegar nulidade do lançamento fiscal por cerceamento de defesa. Se cerceamento houve, in casu, foi em relação ao Fisco, já que caberia à Contribuinte, desde do início do procedimento fiscal, identificar as operações relativas aos depósitos bancários apurados nas contas fiscalizadas, apresentando respectiva documentação comprobatória da origem, o que não logrou fazer no caso concreto. No ponto referente ao “Erro na Identificação do PeríodoBase”, afirma a Recorrente que a lei de regência manda considerar os rendimentos no mês em que auferidos ou recebidos e tributálos nesse mês, e não que os rendimentos integrem a base de cálculo do ajuste anual para tributação. Razão não assiste à Recorrente. Isto porque, analisandose a peça acusatória da fiscalização, verificase que os depósitos bancários de origem não comprovada foram considerados como rendimentos nos respectivos meses em que identificados nas contas bancárias. Ademais, não se deve olvidar que o fato gerador do IRPF, como se sabe, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. No que diz respeito à comprovação da origem dos depósitos, registrese, pela sua importância, que a Recorrente, em sua peça recursal, limitouse a dizer que apresentou em sua impugnação comprovação da origem dos rendimentos referente às contas corrente / poupança no Banco Bradesco de n°s 6.698.1428 e 6.698.7728. Deixou de comprovar a origem dos recursos depositados nas contascorrentes/poupança de n°s 0733322358 e 0769 257536/500 por, como dito acima, o auto de infração não determina com segurança e certeza os anos referentes aos depósitos. Se o julgador não acolhe a comprovação apresentada pela defesa, como ocorreu no julgado, concluise que todos os rendimentos decorrem de sua atividade de prestação de serviços de enfermagem. Como se vê, nada – ou praticamente nada – foi dito pela Recorrente em sua peça recursal em relação à efetiva comprovação da origem dos depósitos bancários. Compulsandose a impugnação apresentada, verificase, de igual modo, que a Contribuinte foi lacônica neste ponto, tendo se limitado a afirmar que as justificativas estão apresentadas nos Anexos V e VI da impugnação. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 254 7 Alisandose, pois bem, os susoditos Anexos – fls. 200 e 201 – verificase que estes se tratam de simples tabelas, nos quais estão relacionados 05 (cinco) depósitos referentes à conta nº 66981428 e 03 (três) da conta nº 66987722, ambas do Bradesco, em relação aos quais a Contribuinte esclarece, em linhas gerais, que se tratam de depósitos efetuados em decorrência de vários saques realizados em outra conta, tendo em vista que não precisou utilizar todo o dinheiro retirado. Ora, além de não apresentar quaisquer documentos hábeis a comprovar o quanto afirmado, a narrativa da Contribuinte chega a ser de difícil intelecção na prática. É o caso, por exemplo, do depósito de R$ 39.943,91, datado de 09/03/00, na conta 66981428. De acordo com a descrição fática da Contribuinte, ela teria efetuados saques anteriores em outra conta sua (não apresentou qualquer documento neste sentido), no valor, por exemplo, de R$ 50.0000,00, realizou despesas em decorrência da sua atividade como coordenadora de um grupo de enfermeiros (também não apresentou qualquer documento neste sentido) e, não tendo gasto todo o dinheiro sacado, efetuou o depósito, em cheque, da parcela não gasta. Deste simples exemplo, indagase: se a Contribuinte efetuou saques de uma outra conta bancária sua para pagar despesas hospitalares em decorrência da sua atividade como coordenadora de um grupo de enfermeiros, não tendo ela utilizado todos os recursos sacados, como ela fez o depósito em cheque do que sobrou, já que, em tese e a princípio, pela sua própria narrativa, ela estava com o dinheiro em espécie em mãos?! Como se vê, além de não estarem amparadas em documentos, as justificativas apresentadas pela Contribuinte não possuem uma coerência lógica em si, o que conduz ao entendimento de que não há reparos a serem feitos na decisão de piso, que concluiu pela procedência do lançamento fiscal. Feitos estes breves esclarecimentos iniciais, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de piso em consonância com aquelas vislumbradas por este Relator, adota se, como já dito, os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: Comprovação da origem dos depósitos bancários . Diante das arguições do impugnante, cabe aqui fazermos algumas considerações sobre o lançamento com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Deve ser esclarecido que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omisso de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício, por expressa disposição legal, se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 255 8 A Lei n° 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa, física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferida ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12. 000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000, 00 (oitenta mil reais). (...) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto Fl. 255DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 256 9 correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Assim, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção, provar que o fato presumido não existiu. Cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Ocorrida a situação fática, no caso depósitos bancários de origem não comprovada, evidenciada está a infração. Ao contribuinte incumbe demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. No que diz respeito à alegação de que não é possível identificar os anoscalendário dos depósitos efetuados na conta nº 0769 257536/500 é de se observar que, de fato, o extrato não especifica, em cada depósito, o ano a que se refere cada lançamento; mesmo assim, é possível confirmar o ano a que se referem os créditos questionados a partir da informação das datas da CPMF. Considerando que os extratos referemse ao período de 01/01/1998 a 30/12/2002 (ver informação no rodapé dos extratos), basta avançar ou retomar nas datas da CPMF para confirmar que todos os créditos lançados ocorreram em 2000 e 2001, conforme alocados pela autoridade fiscal. Portanto, não que se fazer reparos ao lançamento quanto a esse aspecto. Quanto ao fato de que parte dos depósitos era decorrente de sua atividade de intermediária na prestação de serviços de enfermagem por outros profissionais a terceiros e ainda relacionados a despesas assumidas por ela e que posteriormente lhe eram ressarcidas, a impugnante sequer especifica qual era o valor que repassava a outros profissionais e nem indica quais depósitos estão relacionados a despesas ressarcidas, que também não são por ela demonstradas. Meras alegações não afastam a presunção legal, porquanto desprovida de comprovação efetiva de sua materialização uma vez que não foram apresentados quaisquer documentos que respaldem sua argumentação. Só podem ser aceitos como provas de origem dos créditos bancários que favorecem ao autuado se comprovados por meio de documentação hábil e idônea. É um equívoco o raciocínio de que a informalidade dos negócios pode eximir a contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma Fl. 256DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 257 10 informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei, sem exceção. A forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes e não pode ser oposta à fazenda pública. No que se refere ao cheques devolvidos, constatase que, de fato, nos extratos da conta corrente há inúmeros deles, alguns em valores menores do que o estabelecido pela fiscalização para análise dos créditos no valor de R$ 500,00 e que portanto, com certeza, não se referem aos depósitos que foram lançados como omissão de rendimentos. Quanto aos demais não é possível fazer a vinculação a créditos que compuseram a base de cálculo do imposto lançado visto que não há qualquer correspondência de valores entre os mesmos. Como a contribuinte não efetuou nenhum detalhamento sobre a questão, e sendo dela o ônus da prova, entendo que não cabe a exclusão de qualquer depósito. A contribuinte solicita, alternativamente, que lhe dado tratamento tributário atribuído a empresa individual. Sobre o assunto cumpre transcrever o art. 150 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1° São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea “a”); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n° 4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea “b”); III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3°, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). (...) Como se vê, a equiparação a pessoa jurídica é possível quando se trata de firma individual ou pode ser admitida em função da atividade desenvolvida pela pessoa física. Caso a atividade se enquadre em alguma das hipóteses previstas nos incisos II e III do art. 150 acima transcrito (simplificando: venda de bens e/ou serviços com objetivo de lucro), considerase que a atividade é típica de pessoa jurídica e os rendimentos correspondentes devem ser tributados como de PJ. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 258 11 No entanto, no caso concreto, além de faltar, mais uma vez, a devida comprovação, a contribuinte simplesmente requer a equiparação a pessoa jurídica e sequer esclarece quais depósitos bancários representariam a respectiva receita auferida por ela. No que tange às contas 6.698.1428 e 66987728 mantidas junto ao Bradesco, verificase que a impugnante não juntou ao processo qualquer documentação comprobatória das justificativas elencadas nas planilhas às fls. 156/157. Também a argumentação da impugnante em que se aventam realidades fáticas que raramente se documentam formalmente, não procede e não satisfaz os preceitos da lei. A mesma conclusão vale para os depósitos que teriam como origem devolução de parte de saques efetuados na mesma conta corrente. Fazse necessário que o impugnante apresente provas irrefutáveis que permitam identificar o ingresso de um mesmo recurso mais de uma vez a fim de ser excluído do montante apurado. Se tal prova não existe, a justificativa não pode ser aceita, pois a presunção que permanece é a de que cada depósito representa rendimento novo. Ressaltese ainda a falta de verossimilhança de tal alegação, eis que não existe razão plausível para que uma pessoa, frequentemente, saque valores do banco, mantenha o numerário em seu poder para, depois, depositálo novamente. Assim, diante das considerações acima expendidas, entendo que a origem dos depósitos bancários elencados às fl. 156/157 permanecem sem comprovação nesta fase impugnatória, devendo ser mantida a tributação com base no art. 42 da Lei 9.430/96, conforme efetuado no presente lançamento. Considerando que não foram comprovadas as origens dos depósitos para os quais o contribuinte apresentou justificativas e que o somatório dos créditos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 supera o limite de R$80.000,00, dentro dos anoscalendário, não há que se falar em exclusão da tributação dos depósitos nos termos solicitados na impugnação. Por fim, quanto à solicitação de que a parcela tributada em um mês sirva de origem como recurso já tributado para o mês seguinte, e assim sucessivamente, esta é totalmente descabida. Para isso, deveria o contribuinte comprovar a saída dos recursos de suas contas bancárias e seu retomo, exatamente pelas razões já anteriormente expostas referentes à comprovação da origem dos depósitos mediante documentação hábil e idônea. Ademais, quando a Lei n° 9.430/96, nos parágrafos 1° e 4° do artigo 42, determina que os rendimentos sejam considerados auferidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que, tratandose de pessoa física, serão tributados no mês em que auferidos, não está o legislador impondo uma tributação definitiva, não sujeita ao ajuste anual. Na verdade, o diploma legal apenas pretende determinar qual é, para fins tributários, o regime de reconhecimento das receitas. Portanto, não sendo a Fl. 258DF CARF MF Processo nº 18471.000901/200452 Acórdão n.º 2402007.251 S2C4T2 Fl. 259 12 omissão de receitas aqui discutida, rendimento sujeito à tributação definitiva ou exclusiva em cada mês, esta deve, por determinação expressa do art. 10 da lei n° 8.134/90, regulamentado pelo art. 92 do Decreto n° 1.041/94 (RIR/94), integrar a base de cálculo do ajuste anual no ano em que foram considerados recebidos os rendimentos, independentemente do mês especifico em que foram auferidos os rendimentos omitidos. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 259DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902380/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 80 /2 01 4- 01 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14059.936. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.902380/201401 Acórdão n.º 3401005.815 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.935087/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 87 /2 00 9- 70 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.935087/200970 Acórdão n.º 1302003.336 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.935087/200970 Acórdão n.º 1302003.336 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.935087/200970 Acórdão n.º 1302003.336 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.935087/200970 Acórdão n.º 1302003.336 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900890/2009-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
Numero da decisão: 1001-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF Bauru para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF Bauru para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 249 1 248 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900890/200958 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.265 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria DCOMP Recorrente SENDI ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF Bauru para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 08 90 /2 00 9- 58 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10825.900890/200958 Acórdão n.º 1001001.265 S1C0T1 Fl. 250 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 41/46) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 36314.55328.310705.1.3.040017 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração 31/08/2005, data de vencimento e arrecadação 30/09/2005, código de receita 5993 (IRPJ Optantes pela Apuração com Base no Lucro Real Estimativa Mensal) e valor total de R$ 64.521,38, informado como origem do crédito, conforme art. 10 da IN SRF nº 600/2005, não podem ser utilizados em compensações que não tenham como crédito o saldo negativo do referido tributo ao final do período de apuração. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 13/18), a contribuinte alega, em síntese, que relativamente ao anocalendário de 2005, houve saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 100.357,13, informado em sua DIPJ, tendo se equivocado ao preencher a DCOMP informando crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo a setembro de 2005. No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 06/09/2010 (folha 51). Recurso voluntário apresentado em 02/10/2010 (folha 52). A recorrente, às folhas 52/61, alega, em síntese, o erro de preenchimento da DCOMP já alegado na manifestação de inconformidade, que vinculou a compensação ao pagamento por estimativa e não ao saldo negativo de IRPJ apurado. Argumenta que há crédito de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2005 para lastrear a referida compensação. Junta aos autos, para comprovação, os seguintes documentos: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10825.900890/200958 Acórdão n.º 1001001.265 S1C0T1 Fl. 251 3 Cita jurisprudência administrativa em casos supostamente semelhantes. Protesta por realização de sustentação oral perante o CARF.propugnandose pela intimação da data da sessão de julgamento a ser designada para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O Despacho Decisório emitido pela DRF Bauru (folha 07) apresenta entendimento ultrapassado quando afirma que foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10825.900890/200958 Acórdão n.º 1001001.265 S1C0T1 Fl. 252 4 Isto porque, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito da possibilidade de restituição ou compensação de pagamentos indevidos de estimativas, conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP em análise. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Isto posto, verificase que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas, aos processos pendentes de decisão administrativa. Tal entendimento é consolidado na Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRF que proferiu o Despacho Decisório em questão para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja o mérito analisado na íntegra naquela unidade de origem. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10825.900890/200958 Acórdão n.º 1001001.265 S1C0T1 Fl. 253 5 Esclareçase, por fim, que o requerimento de sustentação oral, no âmbito das Turmas Extraordinárias, segue o rito estabelecido no art. 61A, §§ 2º e 4º, do Anexo II do RICARF vigente, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF Bauru para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720070/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É de se rejeitar a alegação de nulidade do lançamento ou de cerceamento do direito de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento foram minuciosamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que é parte integrante do primeiro.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2012, 2013
PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
MULTA QUALIFICADA. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Mantém-se a aplicação da multa qualificada na autuação de IRRF na modalidade pagamento sem causa quando presentes quaisquer das circunstâncias previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF 108.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE DIRETORES DE S/A. CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI OU A ESTATUTOS.
Mantém-se a responsabilidade tributária solidária de diretores quando caracterizada a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei ou a estatutos.
Numero da decisão: 1201-002.922
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membrosdo colegiado: a) Por unanimidade, em manter o lançamento do IRRF. Votaram pelasconclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que mantinham o lançamento por outros fundamentos; b) Por qualidade, em manter a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que reduziam a multa para 75%; c) Por maioria, em manter a responsabilidade tributária dos diretores José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Vencidos os conselheirosLuis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira (Relator) e Alexandre Evaristo Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro LizandroRodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É de se rejeitar a alegação de nulidade do lançamento ou de cerceamento do direito de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento foram minuciosamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que é parte integrante do primeiro. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2012, 2013 PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Mantém-se a aplicação da multa qualificada na autuação de IRRF na modalidade pagamento sem causa quando presentes quaisquer das circunstâncias previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF 108. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE DIRETORES DE S/A. CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI OU A ESTATUTOS. Mantém-se a responsabilidade tributária solidária de diretores quando caracterizada a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei ou a estatutos.
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decisao_txt : Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membrosdo colegiado: a) Por unanimidade, em manter o lançamento do IRRF. Votaram pelasconclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que mantinham o lançamento por outros fundamentos; b) Por qualidade, em manter a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que reduziam a multa para 75%; c) Por maioria, em manter a responsabilidade tributária dos diretores José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Vencidos os conselheirosLuis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira (Relator) e Alexandre Evaristo Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro LizandroRodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente VIABAHIA CONCESSIONARIA DE RODOVIAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É de se rejeitar a alegação de nulidade do lançamento ou de cerceamento do direito de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento foram minuciosamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que é parte integrante do primeiro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2012, 2013 PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Mantémse a aplicação da multa qualificada na autuação de IRRF na modalidade pagamento sem causa quando presentes quaisquer das circunstâncias previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 70 /2 01 7- 12 Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 3 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE DIRETORES DE S/A. CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI OU A ESTATUTOS. Mantémse a responsabilidade tributária solidária de diretores quando caracterizada a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei ou a estatutos. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membrosdo colegiado: a) Por unanimidade, em manter o lançamento do IRRF. Votaram pelasconclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que mantinham o lançamento por outros fundamentos; b) Por qualidade, em manter a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), que reduziam a multa para 75%; c) Por maioria, em manter a responsabilidade tributária dos diretores José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Vencidos os conselheirosLuis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira (Relator) e Alexandre Evaristo Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro LizandroRodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente de autuação fiscal de IRRF por pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, anos de 2012 e 2013, valor global de R$ 16.574.995,21 com atribuição de responsabilidade solidária aos diretores da empresa. Informa o relatório do acórdão de primeira instância que a fiscalização solicitou informações acerca da contratação de serviços junto a empresas de consultoria Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 4 3 específicas por parte da ora recorrente, VIABAHIA CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS SA. As empresas contratadas foram AP Energy Engenharia e Montagem Ltda. (“AP ENERGY”) e Credencial Construtora Empreendimentos e Representações Ltda. EPP ME (“CREDENCIAL”). Concluiu a fiscalização que a ora recorrente teria simulado a contratação das referidas prestadoras por se tratarem de empresas inexistentes de fato, bem como por não ter sido detectada a efetiva prestação dos serviços que deram causa aos pagamentos. Informa o TVF que: 5.2.4. De acordo com os fatos e provas colhidas através da diligência conduzida por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil, no contribuinte CREDENCIAL, podemos comprovar que esta sociedade nunca teve existência de fato, e por isto os documentos fiscais emitidos por esta sociedade são considerados inidôneos. Durante este procedimento de diligência foram colhidas provas que comprovam de forma cabal a inexistência de fato da sociedade CREDENCIAL desde a sua constituição até o presente momento. Em 10/08/2016, foi formalizada uma Representação Fiscal – Baixa de Ofício, com base no inciso I, § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no inciso II, alíneas (a) e (e) do Artigo 29 da IN RFB 1.634 de 06/05/2016, pois restou caracterizada a sua INEXISTÊNCIA DE FATO com base na seguinte fundamentação: 1. A entidade não dispõe de patrimônio próprio e não possui capacidade operacional necessárias à realização do seu objeto, tal como previsto na alínea (a), do inciso II, do artigo 29, da IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016. 2. A CREDENCIAL não prestou serviços à VIABAHIA, comprovando, dessa forma, que as notas fiscais foram emitidas exclusivamente com o intuito de acobertar operações fictícias, e, portanto, são inidôneas, nos termos previstos no item 1, da alínea (e), do inciso II, do artigo 29, da IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016. (...) 5.2.5. Entre as provas colhidas que determinaram a lavratura da Representação para Baixa de Ofício, que dentre as fundamentações, acima citadas, a mais importante é a que aponta que a entidade não dispõe de patrimônio próprio e não possui capacidade operacional necessárias à realização do seu objeto (...) 5.2.17. Nenhum dos documentos apresentados pela VIABAHIA comprovam a prestação dos serviços, pois não foram apresentados um único documento produzido pela CREDENCIAL. Vale reforçar que a prova documental, neste caso, é elemento de fundamental importância para que a VIABAHIA demonstre que os valores recebidos são mesmo oriundos de serviços prestados. Contudo, apesar de reiteradas intimações, em momento algum foram apresentados documentos idôneos capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços. Nesse sentido, após vários questionamentos, constatamos que a CREDENCIAL não possui mão de obra e nem bens móveis ou imóveis necessários à efetiva execução dos trabalhos, denotando que a mesma não tinha capacidade operacional para prestar os serviços discriminados nas notas fiscais apresentadas. (...) 5.3.4. De acordo com os fatos e provas colhidas através da diligência conduzida por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil, no contribuinte AP ENERGY, podemos comprovar que esta sociedade nunca teve existência de fato, e por isto os documentos fiscais emitidos por esta sociedade são considerados inidôneos. Durante este procedimento de diligência foram colhidas provas que Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 5 4 comprovam de forma cabal a inexistência de fato da sociedade AP ENERGY desde a sua constituição até o presente momento. Em 20/06/2016, foi formalizada uma Representação Fiscal – Baixa de Ofício, com base no inciso I, § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no inciso II, alíneas (a), (b) item 1, e (e) itens 1 e 2 do Artigo 29 da IN RFB 1.634 de 06/05/2016, pois restou caracterizada a sua INEXISTÊNCIA DE FATO com base na seguinte fundamentação: 1. A entidade não dispõe de patrimônio próprio e não possui capacidade operacional necessárias à realização do seu objeto, tal como previsto na alínea (a), do inciso II, do artigo 29, da IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016. 2. A sociedade não foi localizada no endereço constante do CNPJ, e seu representante legal no CNPJ também não foi localizado, tal como previsto na alínea (b) e item 1, do inciso II, do artigo 29, da IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016. 3. A AP ENERGY não prestou serviços à VIABAHIA, comprovando, dessa forma, que as notas fiscais foram emitidas exclusivamente com o intuito de acobertar operações fictícias, ou com intuito de acobertar os seus reais beneficiários, e, portanto, são inidôneas, nos termos previstos no item 1 e 2, da alínea (e), do inciso II, do artigo 29, da IN RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016. Contra a autuação, interpuseram Impugnação os ora recorrentes, as quais foram julgadas improcedentes, em acórdão assim ementado pela DRJ/Brasília: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2012, 2013 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É de se rejeitar a alegação de nulidade do lançamento ou de cerceamento do direito de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento foram minuciosamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal que é parte integrante do primeiro. A condução das investigações pela autoridade fiscal é de exclusiva competência desta, a quem cabe efetuar as verificações e solicitar as comprovações que considerar necessárias, com vistas ao estabelecimento da verdade material. Pautouse a autoridade lançadora nos estritos limites das normas legais, em especial, o artigo 142 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 6 5 ainda que esse pagamento resulte em redução do lucro líquido da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa Selic como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com excesso de poderes e infração ao contrato social, configurase a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Contra a decisão de primeira instância, interpuseram Recurso Voluntário, além da VIABAHIA CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS SA, seus diretores, responsáveis tributários solidários, os Srs. José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Em síntese, alega a recorrente VIABAHIA CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS SA que: A autuação fiscal é nula por vício de motivação por terse baseado em presunção de irregularidade nos pagamentos, em vez de provas efetivas. Tal presunção teria tido como base a suposta inexistência de fato das empresas CREDENCIAL e AP ENERGY, bem como depoimentos de réus e decisões em ações penais sequer juntadas aos autos caracterizando assim também cerceamento de direito de defesa , premissas estas também que não teriam relação direta com as operações discutidas neste processo; A declaração da inexistência de fato e baixa de ofício do CNPJ das empresas CREDENCIAL e AP ENERGY ocorreram apenas em 2016, ou seja, três anos após as operações objeto da autuação (fatos geradores de 2012 e 2013), não podendo ser aplicada retroativamente. Que as empresas contratadas CREDENCIAL e AP ENERGY existiam à época dos pagamentos efetuados e os seus respectivos serviços, de fato prestados; Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 7 6 Que não há maiores informações neste processo sobre o andamento das ações penais que abordaram o caso das empresas CREDENCIAL e AP ENERGY; Que faltou à autuação fiscal o fundamento que lhe seria legalmente exigido, qual seja, não ser identificado ou o beneficiário ou o motivo do pagamento, havendo, portanto, vício na capitulação legal da infração; Que, ainda que fossem ilícitas as operações da recorrente envolvendo as empresas CREDENCIAL e AP ENERGY suposição meramente argumentativa , o art. 118 do CTN determina que o fato gerador deve ser interpretado abstraindose da validade jurídica dos atos praticados; Que as irregularidades envolvendo as empresas CREDENCIAL e AP ENERGY não podem servir para justificar a autuação da Recorrente, seja por terem sido constatadas anos depois das contratações, seja por não possuírem relação direta com o lançamento efetuado; Que a recorrente não tem qualquer ingerência sobre as obrigações fiscais das empresas que contrata e, neste caso, o máximo que poderia fazer para comprovar a regularidade das operações, era manter, como fez, o registro das operações e o arquivamento dos documentos correspondentes; Que o acórdão recorrido equivocouse ao fundamentar sua decisão de manter o lançamento por falta de comprovação documental das operações; Que não seria cabível a multa de 150%, mas, na pior das hipóteses, de 75%, pois o que se visa punir neste tipo de autuação é a falta de retenção do Imposto de Renda na Fonte e não a omissão do beneficiário ou da causa; Que não é cabível a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Os responsáveis tributários os Srs. José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto igualmente apresentaram Recursos Voluntários, em tudo idênticos, nos quais alegam, em síntese, que: Que a atribuição de responsabilidade é nula por vício de motivação; Que houve falha da Fiscalização no enquadramento legal da responsabilidade tributária, indicada no TVF como a do art. 135, III, do CTN, enquanto o Auto de Infração, no seu respectivo demonstrativo, indica art. 124, II. Que a confusão quanto à capitulação legal demonstra a inadequação do termo de sujeição passiva lavrado; Que não houve demonstração, na autuação fiscal, de qualquer ato que ensejasse atitude dolosa dos dirigentes ou com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto social da empresa, tendose valido ainda de fundamentação genérica ao referirse aos administradores em conjunto sem especificar quais atos praticaram cada um dos diretores; Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 8 7 Que não há como responsabilizar os recorrentes enquanto diretores da VIABAHIA por débitos desta sociedade sem a demonstração cabal de terem agido com excesso de poderes ou infração à lei; Que os recorrentes estariam sendo responsabilizados pelo suposto descumprimento da legislação tributária por parte da pessoa jurídica, apenas porque, à época dos fatos geradores, integravam a administração da VIABAHIA e por terem assinado contratos e/ou liberado pagamentos. Não teria sido demonstrado, contudo, no que tais atos extrapolaram suas atividades cotidianas ou mesmo que tenham agido com dolo; Que a responsabilidade do art. 135, III, do CTN é subsidiária e não solidária, como enquadrado na autuação fiscal; Que, como diretores da VIABAHIA, não possuíam competência estatutária para celebrarem contratos de valores acima de R$ 1 milhão, como os firmados com as empresas CREDENCIAL e AP ENERGY, cabendo tais deliberações ao Conselho de Administração da sociedade. Que as negociações destes contratos couberam à Assembleia e não aos diretores; a estes, coubelhes apenas assinar os documentos; Que denúncia criminal resultante da Operação Lava Jato, em seus termos, aponta que a VIABAHIA teria sido utilizada como empresa veículo para repasse de valores à CREDENCIAL a qual, posteriormente, repassava tais importâncias para pagar propinas a José Dirceu e a seu grupo, mas que tais operações teriam sido arquitetadas por membro do Conselho de Administração da empresa à época, o Sr. Francisco Corrales Kindelán; Que a Operação Lava Jato em nenhum momento teria citado os diretores como integrantes do esquema, tendose restringido a mencionar o referido membro do conselho de administração como envolvido; Que tais fatos descritos em denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, aliados à falta de autonomia dos diretores da VIABAHIA demonstrada nos termos do estatuto da sociedade, comprovam que os diretores não foram os responsáveis por tais transações, cabendolhes apenas a parte burocrática de representar a companhia assinando papéis, o que fizeram de boafé. A boafé dos recorrentes também se caracterizaria pelo fato de as empresas beneficiárias dos pagamentos CREDENCIAL e AP ENERGY encontraremse regulares perante o cadastro do CNPJ à época, não lhes sendo exigíveis, enquanto diretores com poderes limitados, maiores diligências neste caso além desta. Agindo dentro dos limites fixados nos estatutos, não podem os diretores serem responsabilizados por passivos e obrigações das companhias. Contrarrazões apresentadas pela PGFN Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 9 8 Às fls. 2966 e ss., a d. PGFN expõe suas contrarrazões, alegando, em síntese: Que não há vício de motivação na autuação fiscal, dado que as alegações dos recorrentes tratam de discordância em relação à valoração feita pela fiscalização ao arcabouço probatório juntado aos autos, não se tratando de matéria preliminar, mas sim própria do mérito da lide; Que não restou caracterizado cerceamento de direito de defesa, pois as provas emprestadas de ações criminais foram trazidas aos autos; foram os trechos dos depoimentos e a decisão devidamente transcritos e, ainda, todos os documentos a que fazem referência o TVF se encontram disponíveis ao público via internet; Que não há nulidade quanto à capitulação legal referente ao art. 61 da Lei 8.981/95, cabendo tal alegação ser analisada com o mérito da questão; Que a CREDENCIAL não prestou serviços à recorrente, fato este que pode ser aferido pelos depoimentos oriundos da ação criminal resultado da Operação Lava Jato; A ação fiscal também reuniu elementos no sentido da inexistência de condições materiais por parte da CREDENCIAL que viabilizassem a prestação dos serviços contratados. Assim, devem ser reputados como sem causa os pagamentos efetuados nas operações em questão; A AP ENERGY, outra empresa para a qual a recorrente também fez pagamentos os quais foram igualmente objeto da autuação de IRRF, também era inexistente de fato. A constatação motivou sua baixa de ofício e, consequentemente, tornou inidôneas as notas fiscais emitidas pela AP ENERGY. Que os responsáveis tributários assinaram os contratos e determinaram os pagamentos respectivos, não restando dúvida de que participaram diretamente das operações ilícitas, de forma a se aplicar a disposição do art. 135, III, do CTN; Que, no caso concreto, os responsáveis tributários, na condição de administradores, não poderiam deixar de perceber que os serviços contratados não foram prestados. Não obstante isto, mantiveramse inertes, permitindo a continuidade do esquema criminoso, o que caracteriza as suas responsabilidades; Que, da disposição estatutária que limita em R$ 1 milhão a alçada de diretores para celebrar contratos, concluise tratarse apenas de uma necessidade de aprovação do Conselho de Administração, não se prestando a provar a alegação dos recorrentes de carecerem de competência para praticar os atos que ensejaram a responsabilização tributária; No mais, requer seja mantida na íntegra a autuação fiscal bem como a atribuição de responsabilidade solidária aos diretores da VIABAHIA CONCESSIONÁRIAS SA. É o relatório. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator. Admissibilidade Os recursos preenchem seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles deve ser conhecido. Serão apreciadas primeiramente as preliminares de nulidade arguídas pela recorrente VIABAHIA CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS SA. Tendo em vista que os responsáveis tributários questionaram em seus recursos apenas as atribuições de suas responsabilidades, as preliminares por eles arguídas serão enfrentadas após o exame do mérito do Recurso Voluntário interposto pela VIABAHIA. Recurso Voluntário interposto por VIABAHIA C. R. SA. Preliminar de nulidade Alega a recorrente vício de motivação no lançamento por estar a autuação fiscal supostamente baseada em presunções de que as empresas beneficiárias de seus pagamentos (CREDENCIAL e AP ENERGY) não existiriam de fato. Não há nulidade na autuação fiscal, pois esta atende todos os requisitos formais previstos nos art. 10 e 11 do Decreto 70.235/72, bem como materiais, pois a acusação fiscal é clara, bem como a descrição dos fatos subsomese, em tese, ao enquadramento legal adotado na autuação (art. 61 da Lei 8.981/95), tendo ainda se feito acompanhar de documentos passíveis de comprovar a infração constatada. Assim, as questões suscitadas como preliminares de nulidade devem ser analisadas com o mérito. Rejeitada a preliminar de nulidade, passo a analisar o mérito. Mérito Da autuação por IRRF na modalidade pagamento sem causa Alega, em síntese, a recorrente que os pagamentos por ela efetuados não poderiam ser reputados sem causa, dado ter apresentados todos os documentos pertinentes hábeis a comprovarem as operações. Que não estariam presentes todos os requisitos para a aplicação do art. 61 da Lei 8.981/1995 e que a autuação seria nula por cerceamento de direito de defesa. Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 11 10 Apurações feitas no âmbito da Operação Lava Jato, contudo, confirmaram que a recorrente VIABAHIA efetuou pagamentos às empresas inexistentes de fato CREDENCIAL e AP ENERGY, constituídas para recolher propinas de empresas públicas e congêneres para serem posteriormente repassadas a agentes públicos. Os serviços não eram prestados, conforme informam os depoimentos prestados, reproduzidos no Termo de Verificação Fiscal. No caso da CREDENCIAL, os documentos juntados aos autos apontam alguma contraprestação de serviços, mas por diversas empresas diferentes. No caso da AP ENERGY, observase que os serviços contratados tratam de levantamento topográfico planialtimétrico e cadastral da BR324 e BR116, bem como de estudos para propor "melhorias" para o sistema viário (TVF, fls. 1944). Este contrato serviu para justificar o pagamento pela recorrente de R$ 4.155.281,43 (fls. 1.956). A própria AP ENERGY acabou por confirmar, indiretamente, não ter prestado os referidos serviços topográficos à VIABAHIA, como se observa no TVF às fls. 1945. Diligências efetuadas no curso do procedimento fiscal também confirmaram a inexistência de fato das empresas AP ENERGY e CREDENCIAL em linha dos depoimentos colhidos no âmbito da operação Lava Jato. Em razão disto, tiveram seus registros no CNPJ baixados de ofício, tendo sido, por consequência, reputados inidôneas as notas e documentos fiscais emitidos por tais empresas. Diante desta constatação, onde os documentos que comprovariam diretamente a prestação dos serviços são reputados inidôneos, cabe à fiscalizada o ônus de apresentar provas indiretas (indícios) da real prestação dos serviços contratados, o que não foi feito em momento algum do processo. A respeito da inversão do ônus da prova nestes casos, cumpre citar o que dispõe a Portaria MF nº 187/1993, com ênfase para seu art. 4º: Art. 1º Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, no efetivo exercício de suas atribuições de fiscalização e lançamento de tributos e contribuições devidos à Fazenda Nacional, deverão, sempre que encontrarem documentos com indícios de falsidade material ou ideológica apurar, em procedimento administrativo sumário, a inidoneidade desses documentos. (...) Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 12 11 I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. É irrelevante o fato de a declaração de inidoneidade terse dado 3 anos após a ocorrências das operações, pois seus efeitos retroagem à data até a qual as investigações colheram indícios configuradores de tal situação (parágrafo único do art. 3º retromencionado). Ou seja, ainda sim, é aplicável a inversão do ônus da prova, como feito pela fiscalização. Quanto aos depoimentos emprestados da Operação Lava Jato, temse que a não juntada dos respectivos termos em apartado, mas apenas a transcrição de seus conteúdos no TVF, não configuraram cerceamento de direito de defesa, sobretudo também porque os documentos em questão encontramse amplamente disponibilizados pela Justiça ao público na rede mundial de computadores1. 1 "O Pedido de Busca e Apreensão Criminal n. 502219277.2016.4.04.7000 pode ser consultado no sítio eletrônico da Justiça Federal no Estado do Paraná . (https://www.jfpr.jus.br/). Basta preencher o campo processo e a chave eletrônica. A chave eletrônica é facilmente encontrada no sítio que o Ministério Público Federal mantém sobre a Lava Jato, o link com a informação é http://www.mpf.mp.br/pr/saladeimprensa/noticiaspr/lavajato mirafornecedorasdetubosparaapetrobras, bastando, para tanto, inserir o número do processo indicado no TVF na ferramenta de pesquisas Google, como fez esta subscritora. A decisão que determinou a busca e apreensão é a primeiro decisão proferida no feito. Corresponde ao evento sequência n. 3 “Decisão/Despacho de Expediente deferindo pedido”, datando de 19/05/2016. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 13 12 Assim, diante do farto lastro probatório constante dos autos acerca da inexistência de fato das empresas CREDENCIAL e AP ENERGY, que por vezes ainda aponta para a não efetiva prestação dos serviços informados pela recorrente como contrapartida dos pagamentos por ela efetuados e, por fim, por não ter sido a recorrente capaz de reunir indícios outros da real prestação destes serviços na forma do contratado, correta, portanto, a autuação pela fiscalização de IRRF na modalidade pagamento sem causa. Do pedido de abatimento do IRRF retido a 1,5% sobre a cobrança de 35% sobre os mesmos pagamentos Requer a recorrente o abatimento do valor que reteve de 1,5% sobre os pagamentos efetuados à CREDENCIAL e AP ENERGY, os quais foram tributados a 35% sobre base reajustada. O pleito não é cabível por encontrar óbice na própria lei de regência da tributação de IRRF sobre pagamentos sem causa, que expressamente prescreve a tributação como definitiva tomando por ponto de partida o valor líquido da operação, ou seja, já deduzidas, inclusive, as retenções legais. Lei 8.981/95 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (grifos acrescidos) A Ação Penal Nº 503088380.2016.4.04.7000 também está disponível para consulta no já mencionado sítio da JFPR, mediante uso da ferramenta de “consulta processual”, inserindo o número da ação indicado no TVF. A sentença é o evento de n. 368 “Sentença com Resolução de Mérito – Condenatória”. Já o Termo de Colaboração n. 4 de Augusto de Ribeiro Mendonça Neto consta Ação Penal n. 2012331 04.2015.4.04.7000), evento n. 1203 e também da Ação Penal n. 501233104.2015.4.04.7000/PR, dentre outras ações penais em que figurou como réu. Texto transcrito das contrarrazões da PGFN." (Texto transcrito das contrarrazões da PGFN). Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 14 13 Assim, não deve ser acolhido o pleito da recorrente por ter o texto legal esgotado a regulação sobre a apuração da base de cálculo não deixando, portanto, espaço para outras interpretações e por não prever a possibilidade de abatimento do IRRF de 1,5% previamente retido nos pagamentos. Da Multa Qualificada Requer a recorrente o afastamento da multa qualificada sob o fundamento que a sua aplicação feriu a súmulas CARF nº 14 ("a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo") e nº 25 (a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502/64). Entende que a autuação se deu por base em presunção e alegações circunstanciais de irregularidade, bem como aplicação retroativa de baixa de ofício do CNPJ das empresas que contratou. Assim, não estariam comprovadas qualquer hipótese de fraude, sonegação ou conluio. Não assiste razão à recorrente. Os depoimentos tomados no âmbito da Operação Lava Jato complementam as diligências efetuadas pela Fiscalização no sentido de elucidarem a verdadeira finalidade dos pagamentos sem causa efetuados pela recorrente, qual seja: pagar propina a agentes públicos. Assim, o conluio está caracterizado, pois tais operações, comprovadamente fraudulentas, permitiram os reais beneficiários a ocultarem estes recursos e, na sequência, a evadirem a tributação. Assim, correta a aplicação da multa qualificada nos termos dos artigos 72 e 73 da Lei 4.502/64. Dos juros SELIC sobre a multa de ofício. Questiona a recorrente a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Tratase de questão de direito recentemente sumulada pelo CARF em 2 de abril de 2019, pela de número 108, cuja redação reproduzo a seguir: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 15 14 Assim, por se tratar de questão sumulada, julgo improcedente a alegação de que a multa de ofício não deve ser acrescida de juros Selic a partir da data de seu vencimento. Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários Interpuseram Recursos Voluntários, de idênticos teores, os responsáveis tributários, diretores da VIABAHIA, os Srs. José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Assim, os recursos serão apreciados em conjunto. Preliminar de nulidade Alegam os recorrentes a nulidade por vício de motivação do ato que lhes atribuiu responsabilidade tributária, dado a autuação terse limitado a indicar os diretores à época sem, contudo, especificar quais os atos por eles praticados, assim como a participação de cada um deles nestes tais fatos. Não assiste razão aos recorrentes. A atribuição de responsabilidade aos diretores foi motivada pelo fato de estes terem assinado os contratos fraudulentos e autorizado os pagamentos sem causa cuja finalidade era remeter propina a agentes públicos. Logo, não se pode dizer serem tais atos nulos por falta de motivação. Houve erro material na indicação do art. 124, I, no demonstrativo do Auto de Infração. O TVF, contudo, descreveu os fatos e indicou corretamente a responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN, não tendo havido, portanto, prejuízo à defesa. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento quanto à motivação da sujeição passiva. Passo a analisar o mérito. Mérito Alegam os recorrentes que não agiram, na condição de diretores, com dolo na assinatura e na liberação dos pagamentos sem causa, não se podendo, assim, serem responsabilizados na forma do art. 135, III, do CTN. Assiste razão aos recorrentes. As investigações levadas a efeito pela Operação Lava Jato, como se observa dos presentes autos, concluíram que a VIABAHIA efetuou pagamentos vultosos por contratos firmados com empresas fictícias de modo a viabilizar o repasse de vantagens indevidas a agentes políticos do primeiro escalão da República. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 16 15 As operações da VIABAHIA eram apenas parte de um esquema maior, envolvendo diversas outras empresas e, neste caso em específico, uma concessionária de serviço público, cujas receitas dependem do faturamento com a cobrança de pedágios, cujo preço é também regulado pelo Poder Público. As empresas AP ENERGY e CREDENCIAL receberam pagamentos irregulares não apenas da VIABAHIA, mas ao cabo oriundos também da Petrobras e de construtoras indiciadas na Operação Lava Jato, o que dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos. A apuração de tais fatos pela instância criminal resultou na acusação do Sr. Francisco Corrales Kindelán, o qual presidia as reuniões do Conselho de Administração da VIABAHIA. Quanto aos diretores da empresa, os fatos criminosos não foram a eles imputados sequer a título de indiciamento. Assim, se do processo criminal não resultou qualquer imputação aos diretores da VIABAHIA, não pode a instância administrativa, reexaminando os mesmos fatos e sem dispor de novas provas, concluir diversamente, isto é, no sentido de que os diretores da VIABAHIA tenham colaborado com o tal esquema, sob pena de vir a atribuirlhes, por via de consequência, a participação ou mesmo a coautoria nos tais crimes. Acolher, portanto, a tese da Fazenda Nacional, de que os recorrentes se omitiram ao assinar os tais contratos, implicaria reconhecer, ao menos indiciariamente, os seus concursos no esquema criminoso, desafiando a conclusão que se extrai dos resultados oriundos da instância penal. A dimensão dos fatos aqui expostos também permite facilmente concluir que os contratos com as empresas AP ENERGY e CREDENCIAL não foram celebrados por iniciativa dos diretores da VIABAHIA, mormente ainda por terem as investigações e interrogatórios judiciais apontado tratarse de crimes os quais foram imputados ao presidente das reuniões do Conselho de Administração daquela SA. Quanto ao fato de os diretores não terem constatado que os tais serviços de levantamento topográfico e congêneres nas rodovias não foram efetivamente prestados pelas empresas AP ENERGY e CREDENCIAL, tal não caracteriza, da parte deles, nem excesso de poderes, nem a infração à lei nem a estatuto da SA, requisitos necessários para a responsabilização tributária prevista no art. 135, III, do CTN. Se muito, poderia caracterizar uma eventual culpa no exercício das funções de diretor, nos termos da Lei das SA, a qual não se prestaria para sustentar igualmente a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN. A subordinação de fato dos diretores da VIABAHIA restou também caracterizada, não apenas por estes não possuírem competência estatutária para contratarem serviços acima de R$ 1 milhão sem autorização do Conselho de Administração, mas principalmente por se tratar a SA de uma concessionária de serviços públicos num contexto de crimes de autoria de agentes políticos do primeiro escalão. Embora seja comum a atribuição de responsabilidade tributária aos diretores das sociedades anônimas por pagamentos sem causa de fundo criminoso, no caso dos autos as circunstâncias apontam em sentido de que a solidariedade aplicada no lançamento deveria ter sido dirigida ao Sr. Francisco Corrales Kindelán, membro do Conselho de Administração. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 17 16 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário da VIABAHIA CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS SA e dar provimento aos Recursos Voluntários dos Srs. José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto, excluindo as suas responsabilidades tributárias. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor Divirjo do relator apenas para negar provimento aos recursos e manter a responsabilidade tributária solidária dos diretores José Carlos Nava Fernandes, Otávio Platzeck Schaer e Pedro Achkar Pinto. Retomo os itens destacados nos Recursos Voluntários destes para justificar porque devese manter a responsabilidade solidária das três pessoas físicas. Como aqueles recursos trazem termos similares, e como os atos praticados são semelhantes (autorização dos pagamentos, responsabilidade pela tomada de decisão na empresa como diretor ou presidente no período da autuação e responsabilidade pela assinatura dos contratos para esta última função concorreram apenas José Carlos Nava Fernandes e Pedro Achcar Pinto) as justificativas serão apresentadas uma só vez, valendo para os três. Concordo e adiro as razões da decisão de primeira instância, quando afasta os apelos por nulidade por alegada deficiência no enquadramento legal e na motivação da responsabilização e afasta apelo pela inexistência da responsabilidade tributária dos responsáveis pessoas físicas segundo qualquer dos enquadramento legais apontados (art. 124, II e art. 135, III, do CTN). Não há nulidade no auto de infração quando este imputa a responsabilidade aos recorrentes citados. Ou seja, a motivação é clara, logo não houve cerceamento do direito de defesa, e a autoridade autuante é competente (art. 59 do Decreto 70235/72). A motivação vem representada pelos atos dos responsáveis tributários descritos no corpo de todo o auto de infração, e resumidos no item com o título DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS (efl. 1908). Adicionalmente, o Termo de Verificação fiscal (efls. 1916/1965) traz a descrição das infrações à lei praticadas ( acertos e pagamentos simulados, inclusive com transcrição de confissão da VIABAHIA em resposta a questionamento a ela dirigida, nominando os Recorrentes e suas respectivas responsabilidades na celebração de contratos fictícios e autorização de pagamentos sem causa) e traz item Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 18 17 específico com o título "DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA" com a motivação da responsabilização. Por fim cada pessoa física responsável recebeu documento com o título TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O objetivo do envio foi para que pudessem exercer amplamente o direito de defesa, segundo o Termo de Verificação fiscal. A solidariedade destacada no enquadramento legal (art. 124, inciso II do CTN) denominada solidariedade de direito, somente ocorre, como o próprio dispositivo prescreve, nos casos previstos em lei, ou seja, decorre de disposição legal expressa. Nestes casos, sejam os responsáveis os "contribuintes originários” ou não, é a lei que lhe imputará a responsabilidade, subsidiária ou concorrente. E é o próprio CTN que descreve a hipótese de responsabilidade das pessoas físicas caracterizada nestes autos em seu art. 135, III, qual seja, a responsabilidade concorrente (com a autuada) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Nesta hipótese, somente deverseia falar em "transferência da responsabilidade do contribuinte para terceiro", como quer os recorrentes pessoas físicas, se o representado (VIABAHIA), assim como o Fisco (no plano público), for vítima da ilicitude praticada. Neste caso a única vítima foi o erário público (Fisco). Por aderir e concordar com os termos da decisão da DRJ que confirmou a responsabilidade solidária, reproduzoos a seguir. DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS Esclareçase de plano que os argumentos de defesa similares apresentados pelos responsáveis solidários Impugnantes serão apreciados em conjunto. Da alegação de nulidade Nas impugnações são invocadas circunstâncias envolvendo a disposição legal infringida que, na visão dos Impugnantes, eivam de nulidade o ato administrativo. Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, verbis: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Ademais, prescreve o citado Decreto que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 19 18 (...) Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Antes disso, não há que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Após a ciência do lançamento, os contribuintes tem o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentar, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Especificamente quanto à motivação e ao enquadramento legal dos responsáveis, verificase no DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS do Auto de Infração (fl. 1908) o que segue: (...) Ou seja, não há que se falar em ausência de motivação ou de enquadramento legal para requerer a anulação da Responsabilização Tributária. Desta feita, uma vez não configurada a nulidade ou mesmo o cerceamento do direito de defesa dos Impugnantes, rejeito as alegações de nulidade argüidas pelos Impugnantes. Do mérito Da Sujeição Passiva e da Efetiva Responsabilidade Tributária Alegam os Impugnantes que no presente caso não se aplicariam nem as hipóteses do art. 124, inciso II nem do art. 135, inciso III do CTN. Inicialmente cabe ressaltar que a responsabilização solidária dos administradores da pessoa jurídica se insere no tema das garantias do crédito tributário e visa, desde logo, carrear as provas necessárias para caracterizar a responsabilidade de terceiros, assegurandolhes a apresentação de suas razões de impugnação e, por conseguinte, o exercício do direito constitucional da ampla defesa no processo administrativo. Neste aspecto, convém destacar partes dos achados da fiscalização para esclarecer a questão (fl. 1961 a 1962). Em resposta a questionamento da Autoridade Fiscal, a respeito dos responsáveis pela contratação dos prestadores de serviços CREDENCIAL CONSTRUTORA EMPREENDIMENTOS E REPRESENTAÇÕES LTDA – EPP – CNPJ: 06.227.244/000198 e AP ENERGY ENGENHARIA E MONTAGEM LTDA ME – CNPJ: 00.474.381/000140, a Fiscalizada informou: Resposta: Em relação à CREDENCIAL CONSTRUTORA EMPREENDIMENTOS E REPRESENTAÇÕES LIMITADA – EPP, os diretores da Viabahia que assinaram o contrato foram José Carlos Navas Fernandes (CPF nº 935.086.38804) e Pedro Achkar de Mendonca Pinto (CPF nº 016.438.62707) e o diretor que autorizou os pagamentos foi Pedro Achkar de Mendonca Pinto (CPF nº 016.438.62707). No que se refere à AP ENERGY ENGENHARIA E MONTAGENS LIMITADA – ME, os diretores da Viabahia de assinar o contrato foram José Carlos Navas Fernandes (CPF nº 935.086.38804) e Otavio Platzeck Schaer (CPF nº 881.756.6985) e os diretores que autorizar a liberação dos pagamentos foram Otavio Platzeck Schaer (CPF nº 881.756.6985) e Pedro Achkar de Mendonca Pinto (CPF nº 016.438.62707) e José Carlos Navas Fernandes (CPF nº 935.086.388 04). Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 20 19 E a Autoridade Fiscal, tendo em vista as ações ilícitas praticadas pelo sujeito passivo descritas naquele TVF, constituiu a sujeição passiva solidária contra os contribuintes, abaixo indicados, relativamente aos fatos geradores apurados nos anoscalendário de 2012 e 2013: 8.3.1. PEDRO ACHKAR DE MENDONÇA PINTO, CPF nº 016.438.62707, foi PRESIDENTE eleito da sociedade de 06/06/2011 a 29/05/2015. Atuava na condição de administrador da VIABAHIA, responsável pela tomada de decisões na empresa conforme descrito no Estatuto Social na época dos fatos geradores aqui narrados, e foi o responsável pela celebração dos contratos (assinando pela empresa), e pela liberação dos pagamentos relativos a estes contratos com as sociedades inexistentes de fato CREDENCIAL e AP ENERGY. 8.3.2. JOSÉ CARLOS NAVAS FERNANDES, CPF nº 935.086.38804, foi DIRETOR eleito da sociedade de 06/06/2011 a 29/05/2015. Atuava na condição de administrador da VIABAHIA, responsável pela tomada de decisões na empresa conforme descrito no Estatuto Social na época dos fatos geradores aqui narrados, e foi o responsável pela celebração dos contratos (assinando pela empresa) com as sociedades inexistentes de fato CREDENCIAL e AP ENERGY, e pela liberação dos pagamentos relativos a estes contratos com a sociedade inexistente de fato AP ENERGY. 8.3.3. OTÁVIO PLATZECK SHAER, CPF nº 881.756.69853, foi DIRETOR eleito da sociedade de 06/06/2011 a 29/05/2015. Atuava na condição de administrador da VIABAHIA, responsável pela tomada de decisões na empresa conforme descrito no Estatuto Social na época dos fatos geradores aqui narrados, e foi o responsável pela liberação dos pagamentos relativos a ao contrato com a sociedade inexistente de fato AP ENERGY. No presente caso, a Autoridade Fiscal fundamentou a responsabilização solidária, no artigo 124, inciso II, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional) O citado dispositivo legal estatui, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) (grifos acrescidos) É sabido que em uma relação jurídica tributária, podemos ter mais de uma pessoa no polo passivo, sendo que entre elas poderá haver uma situação de solidariedade, quando o sujeito ativo tem a faculdade de cobrar a totalidade da dívida diretamente de qualquer um dos coobrigados solidários. A solidariedade pode darse entre pessoas que se encontrem na condição de contribuintes ou responsáveis. A solidariedade de que trata o inciso II do art. 124 do CTN, a denominada solidariedade de direito, somente ocorre nos casos previstos em lei, ou seja, decorre de disposição legal expressa. Observese que o Termo de Verificação Fiscal de folhas 1916 a 1964 faz parte do Auto de Infração e nele a Autoridade Fiscal, aponta também Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 21 20 como fundamento para a responsabilização solidária de terceiros, o art. 135, III do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (...) (grifos acrescidos) Em que pese o caput desse artigo mencionar "pessoalmente responsáveis", trata este artigo de responsabilidade solidária, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que, tomando por base a jurisprudência do STJ, assim concluiu, pois observou que, apesar de o Superior Tribunal de Justiça tratar a responsabilidade como subsidiária, ele aceita a execução concomitante da pessoa jurídica e dos sócios. Nesse sentido, destaco as seguintes conclusões da douta Procuradoria no R. Parecer: PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 22 21 jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; (...) Verificase no caso sob exame, que restou fartamente demonstrado pela Fiscalização a vontade e consciência dos Impugnantes na prática dos aludidos acertos e pagamentos, inclusive com transcrição de confissão da VIABAHIA em resposta a questionamento a ela dirigida, nominando os Impugnantes e suas respectivas responsabilidades na celebração de contratos fictícios e autorização de pagamentos sem causa. Os fatos relatados pela Fiscalização deixam clara a participação de cada responsável nos atos praticados com infração à Lei, em ações que participaram, anuíram e/ou se beneficiaram ativamente, sendo determinada pelo CTN sua responsabilização solidária. Portanto, conforme restou demonstrada pela Fiscalização a participação nos atos com infração à lei, não há razão em acatar os argumento dos Impugnantes. O mesmo se diga quanto à responsabilização solidária pelas multas decorrentes da autuação. Os responsáveis solidários recorrentes trouxeram também questões que nomearam de "V. OUTROS ASPECTOS ESPECÍFICOS QUANTO À INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ORA RECORRENTE.", assim resumidos no Relatório deste Acórdão: Que, como diretores da VIABAHIA, não possuíam competência estatutária para celebrarem contratos de valores acima de R$ 1 milhão, como os firmados com as empresas CREDENCIAL e AP ENERGY, cabendo tais deliberações ao Conselho de Administração da sociedade. Que as negociações destes contratos couberam ao Conselho de Administração e não aos diretores; a estes, coubelhes apenas assinar os documentos; Que denúncia criminal resultante da Operação Lava Jato, em seus termos, aponta que a VIABAHIA teria sido utilizada como empresa veículo para repasse de valores à CREDENCIAL a qual, posteriormente, repassava tais importâncias para pagar propinas a José Dirceu e a seu grupo, mas que tais operações teriam sido arquitetadas por membro do Conselho de Administração da empresa à época, o Sr. Francisco Corrales Kindelán; Que a Operação Lava Jato em nenhum momento teria citado os diretores como integrantes do esquema, tendose restringido a mencionar o referido membro do conselho de administração como envolvido; Que tais fatos descritos em denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, aliados à falta de autonomia dos diretores da VIABAHIA demonstrada nos termos do estatuto da sociedade, comprovam que os diretores não foram os responsáveis por tais Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 23 22 transações, cabendolhes apenas a parte burocrática de representar a companhia assinando papéis, o que fizeram de boafé. A boafé dos recorrentes também se caracterizaria pelo fato de as empresas beneficiárias dos pagamentos CREDENCIAL e AP ENERGY encontraremse regulares perante o cadastro do CNPJ à época, não lhes sendo exigíveis, enquanto diretores com poderes limitados, maiores diligências neste caso além desta. Agindo dentro dos limites fixados nos estatutos, não podem os diretores serem responsabilizados por passivos e obrigações das companhias. Não me parece crível que diretores de uma companhia concessionária, e mesmo seu presidente, reconheçamse como simples cumpridores de ordens e acreditem que não lhes seja exigido, enquanto diretores, maiores diligências fora da checagem da regularidade cadastral da empresa que administram. Nos contratos anexados aos autos (efls. 1790/1835) as únicas assinaturas apostas são dos Srs. José Carlos Nava Fernandes e Pedro Achkar Pinto. Os pagamentos das operações simuladas foram autorizados pelos três responsabilizados. A gestão das atividades da companhia no período, que incluía a medição dos serviços que não existiram, contratados com empresas que a fiscalização sequer localizou, são dos três administradores (e fls. 1836/1892). O fato é que possuíam competência estatutária para celebrarem (sozinhos) contratos. Mas que, para aqueles contratos de valores acima de R$ 1 milhão, como os firmados com as empresas CREDENCIAL e AP ENERGY, precisavam de uma autorização do Conselho de Administração da sociedade. Porém tal autorização não os obrigava a cometer ilicitudes, somente traria mais sujeitos que poderiam eventualmente figurar como responsáveis pelo tributo lançado nestes autos. A propósito, o membro do Conselho de Administração da empresa à época, o Sr. Francisco Corrales Kindelán, figurou como um dos investigados sujeitos a Pedido de Medidas Cautelares pelo Ministério Público (Busca e Apreensão Criminal, Prisão Preventiva, Prisão Temporária, Condução Coercitiva e Bloqueio de Ativos) nos autos da Ação Penal nº 5003917 17.2015.4.04.7000, como noticia os recorrentes. Tal fato só comprova que diligências na esfera penal foram lá necessárias para se perquirir por provas para futura(s) denúncia(s) de crimes como corrupção e lavagem de capitais (o que se deduz da transcrição da peça penal transcrita parcialmente no recurso administrativo, efl. 2923), tendo como um dos investigados o membro do conselho de administração citado. O mesmo não se pode dizer dos responsáveis solidários destes autos administrativos, cujas provas fazemse aqui suficientes para futura denúncia de crime contra a ordem tributária. Isto se se confirmar os lançamentos efetuados na esfera administrativa, conforme preceitua o art. 83 da Lei 9.430/96: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Neste sentido o Termo de Verificação reporta: Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 15956.720070/201712 Acórdão n.º 1201002.922 S1C2T1 Fl. 24 23 "Identificada a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, e IV, e artigo 2º, inciso I, da Lei 8.137/90, os fatos foram relatados na Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP contida no processo 15956.720071/201767 (apenso a este no momento)." Pelo exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários, mantendo as responsabilidades solidárias. Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 3044DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.003302/2008-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 2002-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.003302/200850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.041 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente ALUIZIO ALVES AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 33 02 /2 00 8- 50 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10280.003302/200850 Acórdão n.º 2002001.041 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 41/42) contra decisão de primeira instância (fls. 34/37), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação, protocolizada em 08 de julho de 2008, em resistência a Notificação de Lançamento, fls. 14/16, lavrada em face do Interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF exercício 2006, anocalendário 2005, no qual foi apurada a seguinte infração: Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 2.115,00 da fonte pagadora SEIV Sistema Especializado em Inspeção Veicular Ltda. Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 2.345,27 compreendendo o principal, a multa de mora e os juros de mora calculados até 30/05/2008. Em sua impugnação, fls. 01/03, o Interessado, alega, em síntese, que: Teve sérios problemas com a sua fonte pagadora, empresa SEIV Sistema Especializado em Inspeção Veicular Ltda, que atrasava os salários e/ou pagava a menor. A partir de maio de 2003 deixou de processar os contracheques e “Cédula C”. “Passou a pagar seus funcionários através de ordens judiciais" e “recibos individuais”, “quando pressionados". Fez sua Declaração independente dos documentos da fonte pagadora, com ajuda de profissionais da área contábil. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: QUESTÃO DE FATO. PROVAS. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10280.003302/200850 Acórdão n.º 2002001.041 S2C0T2 Fl. 4 3 Para desconstituir a pretensão do Fisco e' imprescindível que as alegações contrárias ao lançamento venham acompanhadas de provas consistentes, sendo insuficiente alegações de natureza não tributária. DIREITO TRIBUTÁRIO. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMAS. .IULGADOR ADMINISTRATIVO. LEGALIDADE. IRPF. MULTAS. JUROS. O julgador administrativo não possui competência para, em nome de valores subjetivos, afastar normas válidas. Seus atos são fundamentados na legislação tributária. Examina, sob a ótica da legalidade, as provas existentes nos autos e decide se o lançamento do imposto, da multa e dos juros está em consonância com o sistema tributário nacional. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 30/06/2010 (fl. 40); Recurso Voluntário protocolado em 16/07/2010 (fl. 41), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Relata o Sr. AFRF que: Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ *********2. 115,00, indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente a diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes. A r. decisão revisanda, entendeu que: No caso concreto o contribuinte declarou ter sofrido a reten3ção de IRRF no valor de R$ 2.115,00 no entanto, a fonte pagadora não transmitiu DIRF , fl. 26, para lastrear a compensação de IRRF declarada. Deveria, então o impugnante carrear aos autos outros elementos de prova, já que também Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10280.003302/200850 Acórdão n.º 2002001.041 S2C0T2 Fl. 5 4 alega não ter recebido a “Cédula C”, tais como todos contracheques do anocalendário 2005 ou os comprovantes do “recolhimento dos encargos fiscais” como consta no Termo de Audiência”, fl. 12. No entanto, o único indício de que o interessado sofreu a referida retenção e' a planilha de fl. 10, mas não e' elemento suficiente de prova, pois não se sabe quem fez e tampouco a mesma está vinculada a outros elementos de prova, por exemplo, se for o caso, Alvará de Levantamento Judicial, DARF de recolhimento, planilha de cálculos homologada pelo judiciário, etc. Os documentos anexados aos autos pelo impugnante demonstram uma relação conturbada com a fonte pagadora, mas não comprovam que o contribuinte sofreu a retenção de Imposto de Renda, durante o ano calendário de 2005, no valor de R$ 2.115,00 portanto, não tem como restabelecer a compensação de IRRF glosada se não há, nos autos, prova suficiente de que tal fato ocorreu. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Alega o contribuinte, que por orientações erradas chegou a passar informações em desacordo com os seus proventos recebidos, e conforme o assunto em pauta é o imposto sobre a renda de pessoa física IRPF, isto é o imposto sempre calculado sobre o valor recebido, logo não poderia ser penalizado em pagar imposto de valores ainda não recebidos, conforme consta no processo trabalhista. O IRPF, tem como forma de lançamento ou de autolançamento, a cargo do próprio contribuinte, sujeito à verificação posterior pela autoridade fiscal. Por isso, o lançamento feito pelo contribuinte (declaração) só assume caráter definitivo para o fim de eximir o devedor, sujeito passivo da obrigação tributária, depois da concordância expressa da autoridade fiscal. A r. decisão de origem, assim concluiu: “Diante da insuficiência de provas, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário consubstanciado na Notificação de lançamento de fls.14/16.” Em sede de recurso voluntário o recorrente carreou aos autos, cópias das folhas do processo trabalhista, em face do seu empregador; ocorre que nos aludidos documentos não há nada que lhe socorre, eis que o ônus da prova é do recorrente, senão vejamos: “Ônus da prova cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado este direito de lançar do fisco cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente”. Ressalvo que nestes autos, foi carreada uma planilha às fls. 10, que tampouco é elemento suficiente de prova, eis que não se sabe por quem foi elaborada, como tampouco está vinculada a outros elementos de prova. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10280.003302/200850 Acórdão n.º 2002001.041 S2C0T2 Fl. 6 5 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720316/2017-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 20 31 6/ 20 17 -0 6 Fl. 4449DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.450 2 Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0964.375 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, proferido em 28 de agosto de 2017, mediante o qual foi julgada procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo contra autuação lavrada contra si para a constituição de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, e IRRF sobre Pagamentos sem Causa ou a Beneficiários não identificados. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2012 PRESTAÇÃO SERVIÇOS PJ. IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA. A despesa de prestação de serviços para ser dedutível tem que ser comprovada a efetividade na prestação destes serviços de uma pessoa jurídica para outra. É cabível a tributação do IRRF para pagamento efetuado sem causa comprovada. Não há previsão legal para abater do valor do IRRF sobre pagamento sem causa os valores retidos de IR à alíquota de 1,5%. SERVIÇO DE MONITORAMENTO DA BIOTA MARINHA. O serviço de monitoramento da Biota Marinha é exigência do Ministério do Meio Ambiente em contratos cujo objeto é a aquisição de dados sísmicos e tem que ser desenvolvido por especialista no assunto. DESPESAS COM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE BENS Despesas com despachos aduaneiros devem ser comprovadas através de notas fiscais dos serviços emitidos pelo despachante aduaneiro e descrição dos serviços efetivamente desenvolvidos. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. DEDUÇÃO ESTIMATIVA ANTERIOR. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente. Na sistemática de apuração através de Balancetes de Redução e Suspensão é necessário a dedução, no cálculo da estimativa mensal, do valor das estimativas devidas em meses anteriores. Fl. 4450DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.451 3 INSUMOS. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE Considerase insumo tudo aquilo que compõe o produto ou é consumido no seu processo de produção ou fabricação. No que concerne ao serviço, considerase insumo todo aquele que for aplicado ou consumido na produção e fabricação do produto, configurando elemento necessário ou relevante da atividade da qual decorre a receita ou faturamento. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÁQUINA DE CLIMATIZAÇÃO. Podem gerar crédito a ser descontado na apuração da Cofins as despesas com locação de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, independentemente de serem utilizados diretamente no seu processo produtivo. MÚTUOS. DESPESAS DE JUROS. LIMITE ACEITÁVEL. O limite aceitável das despesas de juros é a despesa usual necessária a manutenção da fonte produtiva. Os valores dos juros em empréstimos concedidos devem ser suficientes aos pagamentos dos juros em empréstimos obtidos. DIFERENÇA DE ESTIMATIVA. LANÇAMENTO. NÃO CABIMENTO Não é cabível lançamento da diferença dos valores apurados de estimativa mensalmente, a diferença apurada serve de base de cálculo tão somente para lançamento da multa isolada do valor do tributo não recolhido. O colegiado recorrido acordou em, verbis: (...) julgar procedente em parte a impugnação, cancelando os seguintes valores: IRRF R$3.575.741,58 Multa Isolada de IRPJ R$720.265,31, Multa Isolada de CSLL R$319.778,79, Cofins R$228.732,60; Pis R$47.689,92. IRPJ R$1.529.989,23; CSLL R$793.611,73. Ficam mantidos, conforme demonstrativos inclusos no voto: · reduções de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSLL) para R$1.063.024,03 registros realizados no eSAPLI; · multa isolada de IRPJ (AI IRPJ), no importe de R$ 44.729,31; · multa isolada de CSLL (AI CSLL), no valor de R$ 77.027,08; · lançamento de IRRF no valor de R$ 3.029.491,39; · lançamento de PIS no valor de R$ 164.951,39; · lançamento de Cofins no valor de R$ 744.979,10 São as seguintes as infrações apuradas: IRPJ/CSLL, referente a: a) Glosa de Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Necessárias; b) Custo dos Bens Vendidos e/ou Serviços Prestados – Custos Não Comprovados; c) Despesas Financeira e/ou Variações Monetárias Passiva – Despesas Financeiras Não Dedutíveis; d) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Insuficiência de Fl. 4451DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.452 4 Recolhimento; e) Multa ou Juros Isolados – Falta de Recolhimento do IRPJ Sobre Base de Cálculo Estimada. IRRF, referente a: a) Imposto de Renda na Fonte – IRRF Sobre Pagamentos a Beneficiários não Identificados/Pagamentos sem Causa PIS/COFINS, referente a: a) Insuficiência de Recolhimento do PIS e da COFINS O total do crédito tributário lançado alcançou R$ 23.595.252,85. O acórdão recorrido registra que não houve instauração do litígio relativamente a algumas infrações apuradas, verbis: Não houve instauração de litígio sobre as glosas referentes às despesas operacionais, gastos com SR.COSME FRANCISCO PERUZZOLO, SR. EDUARDO LOPES FARIA e EMPRESA GEORADAR LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS S/A, assim como sobre o lançamento de IOF Imposto Operações Financeiras lançados. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito lançado, a 2ª Turma da DRJ/JFA recorreu de ofício a este CARF, nos termos da Portaria MF nº 63/2017. Cientificada do acórdão recorrido em 11/10/2017 (AR fls. 4285), a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 4299/4361), em 10/11/2017 (Termo de Solicitação de Juntada fls; 4296), na qual sustenta, em síntese: a) que a autoridade fiscal apresenta um rol de empresas que, em sua análise, entende que estaria constituída uma “engrenagem” cujo objetivo final era a redução do pagamento dos tributos, a saber: a) Oceangeo Tecnologia de Exploração de Reservatórios do Brasil S/A; b) Georadar Levantamentos Geofísicos S/A; c) Geodata Serviços Offshore S/A; d) Geonavegação S/A; e) CEMAF Participações e Administração de Bens Ltda; f) MVASCON Consultoria e Projetos Ltda – EPP; g) MAGNACONSULT Consultoria e Participações Ltda – ME. a.1) que refuta com veemência a afirmação fiscal, contida no TVF, quanto à execução dos serviços contratados junto a empresas ligadas, objeto da glosa, no sentido de que: "Esse comportamento fica patente pela execução de serviços prestados com exclusividade na pessoa de seus sócios, pelas empresas contratadas, e que por sua vez são sócios, ou exercem funções de diretoria ou presidência das contratantes, dando assim a aparência de serviços técnicos desenvolvidos/prestados por uma empresa especializada, quando na realidade foram desenvolvidos por eles próprios ou não, servindo se apenas da emissão de notas fiscais, com registro em custos/despesas, e por sua vez provocando redução do lucro e geração de prejuízos e bases negativas de CSLL". a.2) que algumas das empresas citadas efetivamente pertenciam a um mesmo grupo econômico (outras não), o que não significa que os serviços não foram prestados e que serviram apenas para emissão de notas fiscais para redução do lucro e geração de prejuízos e bases negativas de CSLL. Fl. 4452DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.453 5 a.3) A criação de um grupo econômico não tem nenhuma irregularidade e que neste caso, o grupo econômico existia para que houvesse separação de atividades e que é comum na atividade empresarial a divisão de negócios, seja dentro da mesma estrutura jurídica, seja criando outras estruturas jurídicas (diversos CNPJ´s), como é o caso dos autos; a.4) que os serviço prestados pelas contratadas gerava custo/despesa para a recorrente, mas gerava Receita Tributável na prestadora de serviços; a.5) que a autoridade fiscal entendeu que todos os serviços prestados por essas empresas à fiscalizada não ocorreram, servindo as mesmas apenas para emissão de notas com registro em custos/despesas, provocando redução do lucro e concluiu isso apenas pelo fato das empresas possuírem alguma relação, seja através de sócios em comum, ou através de atividades desenvolvidas por mais de uma pessoa em mais de uma empresa; a.6) que, "se essas empresas foram utilizadas apenas para os fins expostos acima, por qual motivo não houve a qualificação da multa?" e que "a afirmação do auditor é grave e deveria ser provada.” a.7) que, a empresa GeoRXT era a controladora direta da Oceangeo Brasil e que, não há dúvidas de que nas empresas Oceangeo, Georadar, Geodata e Geonavegação faziam parte de um mesmo grupo econômico; e que, quanto à empresa CEMAF (apenas seu sócio, também participava do grupo Georadar); e que as empresas MVASCON e MAGNACONSULT não fazem parte deste grupo econômico. b) quanto à glosa de custos referente gastos com a empresa CEMAF: b.1) que, intimada a apresentar esclarecimentos sobre os serviços prestados pela CEMAF, que totalizaram R$ 4.273.214,55, apresentou as notas fiscais dos serviços prestados, o contrato firmado com o prestador dos serviços, comprovantes de pagamento, e esclareceu que a classificação contábil utilizada não era a mais adequada, tendo em vista tratarse de representação comercial, e que o serviço não foi prestado com pessoalidade e sim pela estrutura jurídica da empresa contratada; b.2) que a autoridade fiscal constatou, através do LALUR da empresa fiscalizada a Adição do valor de R$ 2.504.433,85, a título de Comissão sobre a Receita Cemaf Contrato Holanda (empresa GEORXT BV) e que todos os pagamentos devidos a CEMAF, sejam com a empresa OCEANGEO, quer seja com a empresa GEORXT BV HOLANDA, foram efetuados pela empresa fiscalizada OCEANGEO; b.3) que, "se, como afirmou o auditor, as empresas serviram apenas para emissão de notas com o intuito de reduzir o lucro tributável, por qual motivo a empresa adicionaria o valor de R$ 2.504.433,85?"; b.4) que foram apresentados os Boletins de Medição elaborados pela CEMAF e entregues a Oceangeo e ora reapresentados na impugnação; Fl. 4453DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.454 6 b.5) que a contratação das empresas Magnabosco e Mvascon pela empresa CEMAF, objeto de observação pela fiscalização no TVF, não tem qualquer relação com o procedimento de fiscalização; b.6) que a ligação do sócio da CEMAF, Sr. Celso Carvalho Magalhães com a empresa GEORADAR, da qual era diretor, não faz qualquer sentido e não é prova de que o serviço não foi prestado; b.7) que a autoridade fiscal concluiu que os serviços não foram prestados simplesmente porque existe algum tipo de relação entre as empresas listadas; b.8) que tanto a recorrente como a contratada (CEMAF) apresentaram todos os elementos solicitados pela fiscalização e que não sabe quais documentos adicionais mais seriam necessários; b.9) que não faz sentido a conclusão da DRJ de que "a autuada efetuou pagamentos por serviços duplicados, visto que não há comprovação de nenhuma das empresas envolvidas, contratada e terceirizadas, dos serviços prestados. Assim, podese concluir, que as empresas, incluindo a CEMAF, desenvolveram ao longo do tempo serviços de mesma natureza, como bem disse a autoridade autuante"; b.10) que os serviços realizados pela CEMAF, foram exaustivamente explicados, e compreendiam: Manter para a OceanGeo Brasil informações completas e adequadas de projetos relevantes e possíveis contratos. Manter informações e acompanhar a elaboração, conforme a demanda, de todas as licenças, aprovações, qualificações ou quaisquer outras formalidades ou aprovações de qualquer natureza que poderiam ser objeto de exigência para a participação da companhia em licitações, fechamentos e operações dos contratos. Acompanhar com diligência e prontidão sempre que requerido e com outros representantes e/ou contratados, que a OceanGeo Brasil necessitasse indicar para os serviços necessários para manter a empresa regular, apta e pronta para participar das licitações e contratações. Informar e prestar assistência na elaboração de propostas, licitações para projetos futuros, bem como prestar assistência e acompanhar negociações até a assinatura do contrato. Além disso, após a contratação, a CEMAF se obrigava a acompanhar todas as condições e restrições do contrato. Fl. 4454DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.455 7 b.11) que não entende a afirmação da autoridade julgadora de que os serviços desenvolvidos pela OceanGeo e pela CEMAF são de mesma natureza, pois os serviços contratados pela Petrobrás à OceanGeo estão minuciosamente detalhados no contrato celebrado, enquanto que os serviços da CEMAF para a Oceangeo também estão definidos em contrato celebrado entre essas partes. b.12) que a empresa não utilizou a emissão das notas fiscais emitidas para redução dos tributos; do total de notas emitidas pela CEMAF, no valor de R$ 4.273.256,66, apenas R$ 1.768.822,81 foram deduzidos da apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido e a diferença de R$ 2.504.433,85 foi adicionada, por se referir a despesa efetiva da GEORXT BV; b.13) No intuito de complementar as informações, anexou ao Recurso Voluntário Ata da Reunião do Conselho Fiscal da GEORXT BV, original e traduzida, em que consta, expressamente que o Conselho de Administração propõe ao Conselho Fiscal que o contrato existente entre a RXT RIO (atual Oceangeo) e CEMAF deve ser rescindido após a prorrogação do novo contrato com a Petrobrás;. b.14) que este documento demonstra, mais uma vez, a validade do contrato celebrado com a CEMAF, corroborando os serviços prestados, apenas rescindindo para o futuro, quando não mais seriam necessários os serviços executados por aquela empresa; b.15) que apresenta, também, em anexo ao recurso, diversos comprovantes de mensagens eletrônicas realizadas no período de 2009 a 2012, demonstrando todo o fluxo de comunicações existentes, para corroborar a prestação de serviços ao longo dos anos; b.16) que quanto a exigência de IRRF, o beneficiário está devidamente identificado (CEMAF) e a causa devidamente comprovada, estabelecida em contrato celebrado entre as partes que estabelece o direito da contratada à uma taxa de 5,5% da Receita auferida nos contratos com a Petrobrás, devidas a partir do pagamento realizado pela Petrobrás; b.17) que não houve questionamento quanto a validade jurídica do contrato assinado entre a OceanGeo e CEMAF e que a fiscalização apenas questionou a comprovação da efetividade do serviço; b.18) que o tipo de serviço contratado era a Representação Comercial a ser exercida pela CEMAF, em particular na prospecção de novos clientes; que o serviço prosperou, pois a Petrobrás assinou contrato com a OceanGeo, ou seja, o objeto do contrato foi cumprido e, consequentemente, a causa do pagamento materializada; b.19) que apesar da autoridade julgadora em seu voto afirmar que não há descrição das atividades a serem exercidas pela CEMAF, o objeto do contrato é muito claro, ou seja, “nomeação da CEMAF, exclusivamente, para atuar como sua representante comercial na intermediação de dois novos Fl. 4455DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.456 8 contratos a serem firmados com a Petróleo Brasileiro S/A (ou suas afiliadas) (Petrobras), para fins de prestação de serviços de aquisição de dados sísmicos 3D, por cabo de fundo (OBC) na Bacia de Campos, bem como para um contrato de prestação de serviços de afretamento de embarcações sísmicas adequadas para levantamento de dados de geofísica na Bacia de Campos (os novos Contratos Petrobras)”, conforme contrato às folhas 1.704 a 1.709; c) quanto à glosa de custos referente gastos com a empresa GEODATA: c.1) que o tipo de contratação realizado pela Petrobrás com fornecedores, de atividades eminentemente técnicas especializadas, demandam um processo longo de negociações e de alto custo, seja para a contratante (Petrobras), seja para os contratados e que os fornecedores, dependendo de sua capacidade financeira, podem ter toda sua estrutura preparada para a realização dos serviços, ou pode ter parte dessa estrutura terceirizada; c.2) o órgão regulador determina um monitoramento da biota marinha, para fins de prevenir danos ambientais (objeto do contrato da empresa Geodata) e que, pelas particularidades desse serviço e altos custos envolvidos, as tratativas para contratação também demandam tempo, iniciando se, por isto, a contratação antes do efetivo início dos serviços; c.3) que a DRJ reconheceu a efetiva prestação dos serviços, porém, tendo em vista que o contrato com a Petrobras foi firmado em 02/2012 e que os navios para início das atividades só deram entrada efetiva no país em 06/03/2012, após seu desembaraço aduaneiro, seria impossível, no entender da decisão recorrida, a execução do objeto do contrato entre a Geodata e a autuada antes desta data. c.4) que, assim, os valores relativos as competências janeiro e fevereiro, pagamentos em fevereiro e março, foram considerados indedutíveis, enquanto que os demais períodos foram aceitos pela autoridade julgadora, tendo em vista a efetiva prestação dos serviços; c.5) que, com relação aos períodos mantidos (janeiro e fevereiro), é importante frisar que, conforme contrato assinado entre a Oceangeo e a Geodata, parte do preço contratado diz respeito aos custos de mobilização, devidos quando da assinatura do contrato, mas esta parcela também foi considerada indedutível pela DRJ; c.6) que o contrato assinado previa uma verba de mobilização de R$ 250.000,00 e que tal verba é o custo inicial para que os serviços possam ser devidamente prestados, e, naturalmente, se é de mobilização, é a fase anterior ao do efetivo serviço; e estava devidamente contratado, c.7) que não há que se falar em reembolso ou indenização por parte da Oceangeo para a Geodata. Os valores fazem parte do custo do contrato e estavam devidamente negociados (precificados); c.8) que na eventualidade de se entender de forma diferente, de que a despesa ainda não estava incorrida naquele momento, o que se poderia Fl. 4456DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.457 9 questionar é que os valores pagos até então deveriam ter sido ativados (como despesa antecipada) para posterior alocação ao resultado quando do início da prestação de serviços por parte da Oceangeo; c.9) que, entende que esse não é o melhor modelo contábil, uma vez que a contratada Georadar já incorreu em custos iniciais contratuais e os colocou a disposição da contratante (Oceangeo); e que, de qualquer forma, mesmo que tivessem sido ativados, seriam apropriados ao resultado do mesmo exercício fiscal (2012); c.10) que, portanto, esses gastos referentes a janeiro e fevereiro, também devem ser aceitos por este órgão de julgamento, uma vez que fazem parte do serviço contratado e devidamente comprovada a sua efetividade; c.11) que, quanto ao IRRF, tanto o beneficiário quanto a causa estão comprovadas, conforme o contrato; c.12) que ainda que se entendesse que o serviço não estaria comprovado não seria motivo para a tributação do IRRF, não sendo este o espírito da norma, que teria que ser alterada para determinar que toda despesa considerada indedutível sofresse como consequência a tributação do IRRFonte; d) quanto à glosa de custos referente gastos com a empresa GEONAVEGAÇÃO: d.1) que a fiscalização glosou despesas realizadas por falta de comprovação da efetividade dos serviços e que o pagamento realizado no mês de janeiro de 2012, só poderia tratarse de reembolso de despesas realizadas antes do navio ser liberado pela aduana brasileira (admissão temporária) que só ocorreu em 06/03/2012; d.2) que neste caso aplicamse os mesmos argumentos trazidos quanto à contratação da empresa Geodata, ou seja, um contrato dessa magnitude envolve custos elevados e programação rígida dos trabalhos, para que os serviços possam ser prestados a contratante dentro do prazo estipulado contratualmente; d.3) que para que isso ocorra, gastos iniciais são incorridos e a contratada precifica seus serviços considerando todos os seus gastos; sendo seu preço aceito pela contratante (Oceangeo), não há que se falar em reembolso ou indenização, é apenas parte do preço; d.4) que, o que se pode questionar é se o valor pago antes deveria ter sido lançado momentaneamente como despesa antecipada para depois registro como despesa, mas, considerando que os valores estariam dentro do mesmo exercício fiscal, não houve nenhum prejuízo ao fisco; d.5) que a DRJ entendeu que os serviços não foram comprovados por relatórios emitidos pela empresa contratada à contratante para fins de cobrança; Fl. 4457DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.458 10 d.6) que, embora tenha entendido que os serviços estavam devidamente comprovados com a documentação apresentada e, considerando a decisão recorrida, trouxe aos autos, junto ao recurso, alguns Boletins de Medição em que são prestados contas sobre os serviços realizados e os valores devidos e que foram elaborados de acordo com o que previa o contrato e as notas fiscais emitidas coincidem com essas medições; d.7) que, devido ao longo tempo transcorrido, nem todos os boletins de medição foram localizados, mas pela própria elaboração daqueles que estão sendo apresentados, é possível a esse órgão recursal criar a convicção de que as despesas incorridas e pagas têm total relação com o previsto no contrato celebrado com a Geonavegação; d.8) que quanto a exigência do IRRF, estando devidamente identificado o beneficiário e comprovada a causa, a autuação não pode prosperar; e) quanto à glosa de despesas referente gastos com importação e exportação de bens/produtos: e.1) que foi objeto de lançamento por parte da fiscalização foi o total das despesas com importação e exportação de bens, contratados com a empresa MSLogística Aduaneira Ltda; e.2) que a fundamentação utilizada pelo auditor e o encadeamento lógico por ele utilizado e demonstram total incoerência, pois: a) Não existe dúvidas de que, não havendo cobertura cambial, não há que se falar em pagamento, e consequentemente em dedutibilidade da despesa vinculada a esse pagamento. Portanto, esta conclusão está correta; b) Porém, ocorre que os valores lançados como despesa pela empresa, em nada tem relação como o pagamento dos bens que foram importados, via admissão temporária; c) Os pagamentos que foram realizados se referem as demais despesas/encargos necessárias a operacionalização das importações, que não tem relação com o custo de aquisição dos bens; e.3) que, "como exemplo ao item “c” acima, na resposta ao Termo de Intimação 002 entregue a fiscalização, apresentamos os arquivos MS LOGISTICA 73 – DI 1203948931 e MS LOGISTICA 73 (que reapresentamos nesta Impugnação) (todos os documentos apresentados na resposta referentes a essa despesa estão acostados as folhas 287 a 940). Analisando esses arquivos, verificase que o valor dos bens importados (por admissão temporária) totalizam R$ 37.707.852,55. Esse valor não foi pago, nem reconhecido como despesa. O valor pago pelos serviços a MS Logística Aduaneira Ltda foi de R$ 173.761,69, conforme própria tabela incluída no TVF pelo auditor". Fl. 4458DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.459 11 e.4) que, não faz o menor sentido a glosa “haja vista que os custos pela sua aquisição com os fornecedores já foram quitados pela empresa ligada no exterior”. f) quanto à glosa de despesas referente gastos COM A EMPRESA MVASCON CONSULTORIA E PROJETOS LTDA EPP; f.1) que a autoridade fiscal incluiu, equivocadamente, no seu TVF, a empresa MVASCON como participante do mesmo grupo econômico da recorrente, tendo como motivação para suas conclusões, o fato de ter localizado, através da CEMAF, gastos dessa empresa com a MVASCON, que o domicílio fiscal é o mesmo de Roberta de Lima Vasconcellos, sendo esta diretora financeira atual da Oceangeo, estranhando ainda, que sua qualificação profissional é a de ARQUITETA; f.2) que, de forma alguma a MVASCON pertence ou pertenceu ao Grupo Econômico Georadar, e que Roberta Vasconcellos prestava serviços a Oceangeo através de sua empresa Mvascon, e como pode ser observado pela DIPJ 2013, anocalendário 2012, prestava serviços para diversas outras empresas; f.3) que a comprovação de que a Sra. Roberta Vasconcelos participava como representante da empresa nas reuniões com a Petrobrás, questionada pela fiscalização no TVF, consta às folhas 1739 a 1773, Ata de reunião entre a Petrobrás e as empresas RXT (atual Ocenangeo)/GEORXT, que já havia sido apresentada onde consta a assinatura da Roberta Vasconcellos como testemunha; f.4) que o Grupo Georadar era composto de diversas empresas e entre elas não fazia parte a CEMAF (que tinha como sócio um dos sócios do grupo econômico, mas que não pertencia juridicamente ao mesmo grupo, haja vista que esse grupo possui diversos outros sócios que não fazem parte CEMAF) e nem fazia parte a MVASCON; f.5) que trouxe ao autos, em anexo ao recurso, os seguintes documentos, verbis: Anexamos a ATA DE REUNIÃO PETROBRÁS 06/01/2012, onde consta a assinatura da senhora ROBERTA VASCONCELLOS. O mesmo acontece à folha 2090. Apresentamos, também, cópias de mensagens eletrônicas (e mails), em que a Senhora Roberta Vasconcellos é a signatária (endereço eletrônico roberta@georadar.com.br), cujo objeto era a Proposta GEORXT # Documentos Postados Petronect. Anexamos, também arquivos elaborados pela Petrobrás (Relatório da Sala de Colaboração – Petronect, Ata de Reunião, Planilha de Preços Unitários) em que todos são assinados pela Senhora Roberta Vasconcellos, sócia da empresa MVASCON Consultoria e Projetos Ltda – EPP, comprovando a efetiva prestação dos serviços questionadas neste Auto de Infração e mantido pelo órgão julgador sob Fl. 4459DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.460 12 a alegação de não ter sido apresentado documentos que alterassem a conclusão da autoridade julgadora. f.6) que, quanto ao IRRF, mais uma vez, o beneficiário está identificado e os serviços efetivamente comprovados; f.7) que, ad argumentandum, ainda que os serviços não estivessem comprovados não seria causa para a tributação pelo IRRF, pois o simples fato da despesa ser considerada indedutível não é base para a tributação do IRRF; g) que, quanto ao cálculo do IRPJ devido por estimativa, apurado em face das glosas, com exceção das glosas não discutidas pela recorrente, ficou comprovado que todas as despesas foram incorridas e são dedutíveis e, consequentemente, não há que se falar em Imposto Devido por Estimativa, uma vez que, mesmo com os ajustes desses três itens, a empresa continua apurando prejuízo fiscal no período; g.1) que a autoridade fiscal incorreu em alguns erros na apuração da multa isolada, verbis: a) Quando recalculou o Lucro Real (chamado por ele de Lucro Real Ajustado), deixou de proceder a compensação de 30% do lucro real com prejuízos fiscais de períodos anteriores. b) Apesar da autoridade julgadora ter afirmado que fica subentendido, pela tabela apresentada pela autoridade fiscal, que, por se referir a Lucro Real Ajustado (por ser lucro ser seria após a compensação de prejuízos), uma simples conta matemática demonstra que essa compensação não foi realizada. Apenas como exemplo, analisemos o mês de Abril de 2012, em que o Lucro real Declarado foi de R$ 1.511.451,79 e as despesas glosadas de R$ 2.509.196,40 (valores acumulados até abril). Esse resultado negativo com a glosa da despesa totaliza R$ 997.744,61, exatamente o valor informado pelo auditor fiscal. Ou seja, não foi feita qualquer compensação. c) Quando do cálculo da estimativa de cada mês, deixou de considerar o IR Estimado do mês anterior, fazendo com que a multa fosse calculada sobre a mesma base mais de uma vez. Neste sentido, vejamos o que dispõe o Manual de Ajuda da DIPJ 2013, ano calendário 2012 (reproduzimos, as principais partes, excluindo os exemplos e os itens não aplicáveis ao caso concreto, a ajuda de preenchimento da Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa): [...]g.2) que, portanto, ao se calcular o Imposto Devido por Estimativa a Recolher (Linha 13), devese deduzir, antes, o Imposto Devido Por Estimativa de Meses Anteriores (Linha 11/07) e o Imposto de Renda Retido na Fonte, não aproveitado, ainda, em meses anteriores (Linha 11/08). g.3) que a autoridade fiscal não deduziu o Imposto Devido por Estimativa de Meses Anteriores, e sequer o Imposto de Renda Retido na Fonte, não aproveitado; Fl. 4460DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.461 13 g.4) que na planilha elaborada pelo auditor, nos meses de setembro, outubro e novembro, parcela do IRRF não foi aproveitada, porque o IR Estimado foi menor do que o IRRF e essa diferença pode e deve ser utilizada nos meses subsequentes; g.5) que conforme cálculos que demonstra em tabelas, refazendo a tabela elaborada pelo auditor, compensando 30% a título de prejuízos fiscais de períodos anteriores, deduzindo o Imposto Devido por Estimativa de Meses Anteriores e deduzindo o Imposto de Renda Retido na Fonte não aproveitado nos outros meses, e ainda, considerando as despesas já acatadas pela DRJ, ainda que não fosse acatada nenhuma outra despesas por este órgão, a multa isolada a ser cobrada seria de R$ 29.559,24 referente ao período de apuração maio de 2012; g.6) que, quanto à multa isolada pelo não recolhimento de estimativas da CSLL, usando os mesmos critérios do IRPJ, ainda que não fosse acatada nenhuma outra despesas por este órgão, a multa isolada a ser cobrada seria de R$ 5.657,99 referente ao período de apuração de abril e de R$ 36.156,60, referente ao mês de maio de 2012; h) que, com relação a glosa do aproveitamento de créditos de PIS/COFINS no Regime NãoCumulativo, aplicação das normas previstas em lei depende da atividade exercida pela empresa; h.1) que, com relação à glosa dos créditos relativos aos custos incorrido contra as empresas do mesmo grupo econômico (Geonavegação e Geodata), reitera os argumentos relativos ao IRPJ, no sentido de que " as empresas faziam parte do Grupo Econômico, prestaram os serviços para os quais foram contratadas e, conforme contratoassinado, concluise, claramente, que são despensas essenciais a prestação de serviços da contratante, sem os quais os serviços não poderiam/seriam realizados"; h.2) que, com relação às demais glosas de insumos, pelo entendimento fiscal de que os mesmos não seriam insumos diretos para a prestação de serviços da sua atividade, reitera suas explicações dadas à fiscalização durante o procedimento fiscal e aponta que a autoridade fiscal apenas elenca uma quantidade enorme de notas, que em seu entendimento não são passíveis de creditamento, sem explicar os motivos da glosa, discorrendo de forma genérica dos conceitos de insumo e creditamento; h.3) que bastaria à autoridade fiscal "analisar, com detalhes, todas as obrigações constantes do contrato assinado com a Petrobras para entender que todos esses gastos são inerentes a prestação dos serviços. Sem eles o serviço não pode ser prestado. Vide, apenas como exemplo, cópia do Anexo V e adendos do Contrato Petrobrás nº 2010.0073574.12.2, as folhas 2012 a 2058 do processo administrativo. Constam ali, obrigações, entre outras, de obrigatoriedade quanto ao uso Equipamentos de Proteção individual e Coletiva (uniformes específicos), Segurança Industrial, Saúde Ocupacional e Proteção ao Meio Ambiente, PCMSO, etc. O rol de obrigações da contratada é extenso e constam dos contratos assinados"; Fl. 4461DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.462 14 h.4) que a autoridade julgadora de primeiro grau, embora tenha acatado alguns créditos, cometeu alguns equívocos, apontando, verbis: Primeiro, como citado em seu voto, os valores constantes da planilha foram obtidos por amostragem. Essa técnica poderia ter sido realizada se as glosas tivessem sido mantidas. Porém, como as glosas foram consideradas improcedentes, todas as notas relacionadas a mesma matéria deveriam ter sido consideradas. [...] Não existe motivo algum para terem sido acatadas algumas notas fiscais e outras, referentes a mesma matéria, porém, de períodos diferentes, não. Acreditamos que tenha sido apenas um equívoco de transcrição em função do grande número de documentos. Também deixaram de ser consideradas as notas fiscais da empresa Geodata em que a autoridade julgadora já comprovou que houve a efetiva prestação de serviços e de que eram insumos ao serviço prestado pela Recorrente. Os valores foram de R$ 250.000,00 de abril a dezembro de 2012. i) que, com relação às glosas de despesas financeiras, o auditor fiscal não levou em conta os valores contabilizados a título de Variações Cambiais Ativas, ignorando a resposta apresentada no curso da fiscalização, simplesmente glosou o que ele entendeu ser um valor superior ao aceitável; i.1) que reapresenta questionamentos trazidos na impugnação, não enfrentados pela autoridade julgadora: "Afinal, as variações cambiais ativas são receitas financeiras ou não, como previsto na norma legal acima descrita? O que é limite aceitável de despesas de juros? Qual a matriz legal que o define?" Ao final requer, verbis: Por todo exposto, é a presente para requerer: a) Que a decisão de primeira instância que reduziu o valor do IRRF, do PIS e da COFINS e a improcedência da glosa das despesas com a Geodata seja mantida, não sendo aceito o Recurso de Ofício; b) Seja julgada procedente o presente Recurso Voluntário, para que sejam desconsideradas as glosas de custos e despesas determinadas pelo r. auditorfiscal para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referentes ao ano calendário de 2012; ii) Seja julgada procedente o presente Recurso Voluntário, para que sejam desconsiderados os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte; iii) Seja julgada procedente o presente Recurso Voluntário, para que sejam desconsideradas as Multas Isoladas por Falta de Pagamento das Estimativas Mensais de IRPJ e CSLL iv) Seja julgada procedente o presente Recurso Voluntário, para que sejam desconsideradas as glosas de créditos de PIS/COFINS determinadas pelo r. auditorfiscal para fins de determinação das bases de cálculo desses tributos, referentes ao ano calendário de 2012. É o relatório. Fl. 4462DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.463 15 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator A recorrente discute em seu recurso apenas as matérias fáticas em face das exigências constituídas nos autos de infração lavrados. Como relatado, as glosas de custos e despesas efetuadas pela fiscalização tem como pressuposto, na sua maioria, a existência de vínculo, dentro de um mesmo grupo econômico, entre a empresa contratante Oceangeo, ora recorrente, e as empresas contratadas, além de ter sido considerada não comprovada a efetiva prestação de serviços pelas empresas contratadas. Os custos e despesas examinados se referem à prestação de serviços contratados pela empresa OceanGeo junto à Petrobrás de levantamentos em atividades sísmicas, e também qualificada como responsável pela entrada no pais (admissão temporária) dos bens e produtos pertencentes a outra empresa do grupo, GEORXT BV, inclusive sua mão de obra estrangeira, e manutenção dos equipamentos, e com isso autorizada a proceder sua importação e no final a sua exportação. De outra parte, a empresa GEORXT BV, situada no exterior e pertencente ao mesmo grupo econômico (Georadar) assinou contrato, na mesma data, com a Petrobrás tendo como objeto o afretamento das embarcações Sanco Star, para fins de atividades sísmicas e Ocean Europe como embarcação de apoio às atividades sísmicas. A par das glosas de custos e despesas efetuadas que impactaram diretamente nos lançamentos IRPJ, CSLL, IRRF, além do PIS e da Cofins, a fiscalização examinou os créditos de PIS e da Cofins aproveitados pela empresa Oceangeo, ora recorrente, sobre a aquisição de insumos e contratações de serviços por ela realizados e efetuou a glosa de grande parte destes créditos. A apuração da autoridade fiscal, em face dos elementos fornecidos pela contribuinte (planilha e notas fiscais), tomou por base as orientações contidas na Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de Agosto de 2016, que por sua vez, adota os conceitos de insumos para fins de creditamento do PIS e da Cofins, no regime não cumulativo, extraídos das IN's.SRF. nº 358/2003 e 404/2004. Depois de transcrever excertos da referida Solução de Divergência, a autoridade fiscal passa a análise dos elementos fornecidos pela empresa e a descrever os critérios adotados para as glosas, verbis: [...] Feitas essas observações, passaremos a analise dos créditos da Cofins e do Pis da nãocumulatividade, onde para fins de identificação criamos dois grupos, ou seja, o primeiro grupo será formado pelos valores em função das glosas de custos/despesas efetuadas, e o segundo grupo denominado de glosa dos insumos será em função da interpretação da legislação correlata que permite ou não o creditamento de insumos, mas que, em ambos os casos os valores a serem alterados fazem referencia as planilhas apresentadas pela empresa fiscalizada em atendimento ao termo de intimação fiscal nº 0003 para apuração dos créditos a descontar. Fl. 4463DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.464 16 1) primeiro grupo – glosas de custos/despesas efetuadas. Decorrente das glosas de custos e despesas efetuadas no decorrer da fiscalização e elencadas nos itens anteriores, que por conseqüência provocarão alterações nos valores constantes dos demonstrativos de créditos da não cumulatividade das contribuições do Pis e da Cofins apresentados pela empresa fiscalizada, onde apontamos de forma resumida os seguintes valores: [tabela omitida] 2) segundo grupo – glosa dos insumos. Com base na sistemática de identificação dos créditos a serem utilizados na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins da não cumulatividade, levamos em consideração a relação direta e imediata do insumo utilizado com a prestação do serviço pela fiscalizada (SD/Cosit/07/2016). No caso da empresa fiscalizada, temos como OBJETO à prestação de serviços de levantamento sísmico na bacia de Campos, serviços esses prestados no interior da embarcação Sanco Star e com apoio da embarcação Ocean Europe, conforme contrato firmado com a Petrobrás. Da analise das planilhas apresentadas pela empresa fiscalizada verificamos o registro de valores classificados como insumos aplicados na composição dos créditos da Cofins e do Pis da não cumulatividade no decorrer do ano de 2012, que com base na legislação do imposto de renda seriam dedutíveis como custos/despesas necessárias na formação do resultado, entretanto pela ótica da legislação pertinente a Cofins e ao Pis da não cumulatividade, subsidiada pela Solução de Divergência Cosit 07/2016, entende essa fiscalização que esses gastos não guardam uma relação intrínseca e direta com os serviços prestados pela fiscalizada. Para fins de detalhamento dos valores utilizados como insumos na composição dos créditos apontados pela fiscalizada, e que ainda necessitavam de melhores esclarecimentos e identificação da descrição dos serviços, intimamos a fiscalizada a apresentar as notas fiscais correspondentes conforme especificação constantes daquela intimação, e que em atendimento a empresa OCEANGEO providenciou sua apresentação. De posse dessas notas fiscais, procedemos a analise da descrição dos serviços, onde verificamos trataremse de serviços diversos do objeto da fiscalizada, e por sua vez não guardam uma relação intrínseca e direta com os serviços pelos quais a fiscalizada teria sido contratada. Decorrente dessa analise relacionamos abaixo as notas fiscais para as quais procedemos as suas glosas da composição dos créditos da não cumulatividade do Pis e da Cofins, oriundos de serviços prestados ou de mercadorias adquiridas e utilizados como Insumos na composição desses créditos, a saber: [...] A decisão de primeiro grau adotando critério semelhante ao adotado pela autoridade lançadora, e observando, ainda, as orientações contidas nas IN's SRF. nºs 247/2002 (com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003) e 404/2004, cancelou parcialmente a glosa de créditos sobre custos de locação de bens e de afretamentos (destes, apenas aqueles que entendeu diretamente relacionados à prestação dos serviços de sísmica, que é a atividade fim do contrato com a Petrobrás). Fl. 4464DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.465 17 A recorrente, por sua vez, alega que, com relação a glosa do aproveitamento de créditos de PIS/COFINS no Regime NãoCumulativo, a aplicação das normas previstas em lei depende da atividade exercida pela empresa. Defende que, com relação à glosa dos créditos relativos aos custos incorridos contra as empresas do mesmo grupo econômico (Geonavegação e Geodata), reitera os argumentos relativos ao IRPJ, no sentido de que " as empresas faziam parte do Grupo Econômico, prestaram os serviços para os quais foram contratadas e, conforme contrato assinado, concluise, claramente, que são despesas essenciais a prestação de serviços da contratante, sem os quais os serviços não poderiam/seriam realizados". Sustenta que, com relação às demais glosas de créditos sobre insumo, sob o fundamento de que os mesmos não seriam insumos diretos para a prestação de serviços da sua atividade, reitera as explicações dadas à fiscalização durante o procedimento fiscal e aponta que a autoridade fiscal apenas elenca uma quantidade enorme de notas, que em seu entendimento não são passíveis de creditamento, sem explicar os motivos da glosa, discorrendo de forma genérica dos conceitos de insumo e creditamento. Afirma que bastaria à autoridade fiscal analisar todas as obrigações constantes do contrato assinado com a Petrobras para entender que esses gastos são inerentes a prestação dos serviços e que sem eles o serviço não pode ser prestado. Por fim, alega que a autoridade julgadora de primeiro grau, embora tenha acatado alguns créditos, cometeu alguns equívocos, apontando, verbis: Primeiro, como citado em seu voto, os valores constantes da planilha foram obtidos por amostragem. Essa técnica poderia ter sido realizada se as glosas tivessem sido mantidas. Porém, como as glosas foram consideradas improcedentes, todas as notas relacionadas a mesma matéria deveriam ter sido consideradas. [...] Não existe motivo algum para terem sido acatadas algumas notas fiscais e outras, referentes a mesma matéria, porém, de períodos diferentes, não. Acreditamos que tenha sido apenas um equívoco de transcrição em função do grande número de documentos. Também deixaram de ser consideradas as notas fiscais da empresa Geodata em que a autoridade julgadora já comprovou que houve a efetiva prestação de serviços e de que eram insumos ao serviço prestado pela Recorrente. Os valores foram de R$ 250.000,00 de abril a dezembro de 2012. Examinando os elementos dos autos e tendo em conta a recente mudança de entendimento por parte da própria RFB quanto à abrangência do conceito de insumo para fins de tomada de créditos do PIS e da Cofins, em face do acórdão do STJ no Resp. nº 1.221.170/PR, proferido em 22 de fevereiro de 2018, na sistemática de recursos repetitivos, entendo que o processo não se encontra em condições de ser julgado neste momento. Explico. O acórdão do Resp nº 1221.170/PR traz a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO Fl. 4465DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.466 18 DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Com efeito, o entendimento restritivo ao conceito de insumos adotado pela RFB nas IN's. SRF. nº 247/2002 (com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003) e 404/2004, afastado pelo STJ, no recurso especial referido, deu ensejo ao Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, nos termos sintetizado na seguinte ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição Fl. 4466DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.467 19 do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Além da nova definição quanto à abrangência do conceito de insumo, referido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelecida pelo STJ no Resp. nº 1.221.170/PR, cuja observância é obrigatória e vinculante não apenas para os membros do CARF1, mas também para a própria RFB2, e o fato do lançamento ter sido realizado sob a égide do entendimento contido nas IN.SRF nº 247/2002 e 404/2004 e na Solução de Divergência Cosit nº 07/2016, não é possível, a partir dos elementos dos autos (planilhas de glosas constantes do TVF fls. 2910 a 2915 e Notas Fiscais fls. 2535 a 2836), identificar, à luz dos critérios da essencialidade e da relevância, com raras exceções, se os produtos e serviços adquiridos foram utilizados de forma direta ou indireta na prestação dos serviços executados pela contribuinte, de forma a lhe permitir o aproveitamento do crédito de PIS e da Cofins. 1 art. 62, § 2ºdo Anexo II do RICARF 2 art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, exarada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos termos do art. 3º da referida Portaria Conjunta Fl. 4467DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.468 20 As notas fiscais anexadas aos autos de forma desordenada (fls. 2535/2836), apenas identificam os prestadores dos serviços ou fornecedores de produtos e fazem uma descrição dos mesmos, com maior ou menor detalhamento, mas não trazem qualquer informação sobre onde e como foram aplicados no processo de prestação de serviços da contribuinte. De outra parte, a planilha constante do TVF apenas indica, na coluna "Observações", a espécie de produto ou serviço adquirido. A recorrente, por sua vez, defende que os gastos com produtos e serviços que deram ensejo aos créditos glosados são todos inerentes ao seu processo de prestação dos serviços contratados com a Petrobrás. E, afirma que bastaria à autoridade fiscal analisar, com detalhes, todas as obrigações constantes do contrato assinado com a Petrobras para compreender que todos esses gastos são inerentes a prestação dos serviços e que sem eles o serviço não poderia ser prestado. Traz, como exemplo, cópia do Anexo V e adendos do Contrato Petrobrás nº 2010.0073574.12.2, (fls. 2012 a 2058) onde constam, entre outras exigências contratuais, a obrigatoriedade quanto ao uso Equipamentos de Proteção individual e Coletiva (uniformes específicos), Segurança Industrial, Saúde Ocupacional e Proteção ao Meio Ambiente, PCMSO, etc e assinala que o rol de obrigações da contratada é extenso e constam dos contratos assinados. Não obstante, tampouco a recorrente trouxe aos autos, de forma específica quanto à cada item das planilhas de glosas constantes do TVF, sobre onde e como foram aplicados os produtos e serviços referidos no seu processo de prestação de serviços à Petrobrás. Diante deste quadro e à luz do novo entendimento quanto à abrangência do conceito de insumo fixado no Resp. nº 1.221.170 e no PN.Cosit /RFB nº 05/2018, entendo ser imprescindível a conversão do presente julgamento em diligência para que tanto a contribuinte quanto a autoridade lançadora se manifestem, sobre os pontos acima referidos, na perspectiva do novel entendimento. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que seja designada autoridade fiscal para: a) intimar a interessada a identificar, de forma individualizada, onde e como os produtos e serviços especificados nas planilhas constantes às fls. 61/68 do TVF (fls. 2910/2915 dos autos), foram aplicados no seu processo de prestação de serviços à Petrobrás, apresentando os elementos de que dispuser para comprovar sua destinação, tais como planilhas de centro de custos, contas contábeis, etc; b) analisar, a partir das informações e elementos fornecidos pelo sujeito passivo e, à luz dos critérios da essencialidade e da relevância fixados no Resp. nº 1221.170 e do PN. Cosit/RFB nº 05/2018, se os produtos e serviços referidos foram utilizados de forma direta ou indireta na prestação dos serviços executados pela contribuinte, de forma a lhe permitir o aproveitamento do crédito de PIS e da Cofins. Fl. 4468DF CARF MF Processo nº 12448.720316/201706 Resolução nº 1302000.757 S1C3T2 Fl. 4.469 21 c) Elaborar planilhas dos dados analisados, contendo conclusão quanto a cada um dos itens indicados na planilha constante do TVF e, se for o caso, o cálculo do impacto de eventuais reconhecimentos de novos créditos na apuração dos valores de PIS e Cofins devidos no período objeto do lançamento. d) Elaborar relatório conclusivo, do qual deverá ser dada ciência à recorrente para que esta, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Esgotado o prazo para manifestação, os autos devem ser devolvidos a este colegiado para continuidade do julgamento. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 4469DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720756/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.588
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 56 /2 01 5- 24 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201524 Acórdão n.º 3302006.588 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.632. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201524 Acórdão n.º 3302006.588 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201524 Acórdão n.º 3302006.588 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201524 Acórdão n.º 3302006.588 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201524 Acórdão n.º 3302006.588 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000537/2010-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-000.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 05 37 /2 01 0- 90 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10665.000537/201090 Acórdão n.º 2002000.993 S2C0T2 Fl. 214 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 20/24) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008 (efls. 26/32), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação acompanhada de documentos ratificando a dedução declarada (efls. 02/16). Os autos foram encaminhados à fiscalização em cumprimento ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.061/10 e a interessada foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas e a utilização dos serviços médicos (efls. 70). O lançamento foi revisto através de Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, restando mantida a infração apurada (efls. 129/131). A contribuinte apresentou contestação à Revisão do Lançamento (efls. 135/140) e o processo foi encaminhado para julgamento. A Impugnação foi considerada procedente em parte pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 156/166): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. MULTA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa e os juros de mora, nos moldes da legislação que a instituiu. Cientificada do acórdão de primeira instância em 01/10/2015 (efls. 169), a contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 29/10/2015 (efls. 170/192) com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10665.000537/201090 Acórdão n.º 2002000.993 S2C0T2 Fl. 215 3 Apresenta resumo dos fatos processuais. Afirma que oportunamente carreou aos autos os recibos fornecidos pelos prestadores e as declarações dos referidos profissionais, inclusive com reconhecimento de firma em suas assinaturas, fazendo prova robusta dos pagamentos efetuados e dos serviços prestados. Alega que os comprovantes de pagamento são especificados e comprovam, de modo inequívoco, a indicação do nome, endereço e número de CPF/CNPJ dos prestadores. Assevera que não há norma legal exigindo a emissão de cheques para comprovar os pagamentos efetivados com recursos que encontram em seu poder e não depositados em conta bancária. Sustenta que não há nos autos qualquer alegação no sentido de que os documentos comprobatórios apresentados se encontram viciados. Muito ao contrário, a autoridade lançadora se limitou a aduzir que a recorrente possui histórico de elevadas despesas médicas deduzidas, como se tal fato pudesse servir de fundamento à glosa das despesas médicas efetivamente comprovadas. Discorre sobre o princípio da legalidade e defende que a melhor interpretação a ser dada ao disposto no artigo 73 do RIR/99 é a de que cabe à autoridade lançadora verificar apenas e tão somente se o contribuinte preencheu os requisitos legais aptos a comprovar o efetivo pagamento e a respectiva fruição pelos serviços prestados. Expõe que não lhe é dada a faculdade de agir por juízo de valor próprio, como ocorreu na situação em apreço. Expõe que o feito fiscal teve como sustentáculo apenas presunção, divorciada da realidade fática havida. Aduz que estão ausentes todos os pressupostos legais para uma perfeita caracterização do crédito tributário, o que evidencia o cerceamento de defesa, a quebra do contraditório, e, principalmente, a presunção fiscal, porquanto não foram observadas as normas tributárias aplicáveis ao caso concreto. Alega que não houve por parte do Fisco prova de que os pagamentos não tenham sido realizados aos prestadores ou de que os recibos ou declarações são falsos. Defende que todo e qualquer fato invocado pelo titular do direito de exigir tributo, que não constitui prova cabal do fato típico previsto na lei, pode ser útil, quando muito, como indício. Sendo assim, a teor do que dispõe o artigo 112 do CTN, jamais tem como, por si só, amparar a cobrança de imposto. Aponta o caráter confiscatório da multa aplicada. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10665.000537/201090 Acórdão n.º 2002000.993 S2C0T2 Fl. 216 4 Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal glosou integralmente as despesas médicas informadas na declaração em exame por falta de comprovação (efls. 23, 30). Os autos foram encaminhados para a Revisão de Ofício e a contribuinte foi intimada a comprovar, além da utilização dos serviços médicos, o efetivo pagamento das despesas através de cópias de cheques, comprovantes de transferência ou depósito e extratos bancários com saques ou compensação de chegues em datas e valores compatíveis com os recibos apresentados (efls. 70). A autoridade revisora manteve a infração apurada por não ter a interessada apresentado a documentação solicitada, limitandose a declarar que os pagamentos foram efetuados em dinheiro (efls. 129/130). O Colegiado a quo manteve parcialmente o lançamento revisto, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 156/166). Cumpre ressaltar, inicialmente, que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados na Notificação de Lançamento e no Termo Circunstanciado, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Também não merece ser acolhida a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, uma vez que esta teve pleno conhecimento dos fatos que deram origem à notificação e que lhe foram concedidas diversas oportunidades para apresentar documentos e esclarecimentos a fim de elidir a tributação contestada. Cabe esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10665.000537/201090 Acórdão n.º 2002000.993 S2C0T2 Fl. 217 5 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta bancária e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10665.000537/201090 Acórdão n.º 2002000.993 S2C0T2 Fl. 218 6 Quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, devese esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. É nesse sentido a Súmula nº 02 do CARF, de observância obrigatória por seus conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13934.720027/2012-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 112 1 111 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13934.720027/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.943 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente PAULO GERMANO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 4. 72 00 27 /2 01 2- 75 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 113 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 19/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.282,48 para saldo de imposto a pagar de R$2.186,48. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$17.520,00, consignando que o contribuinte teria pago a pensão por liberalidade, não encontrando amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ressalta que a homologação do acordo judicial ocorreu em 29/4/2010, sendo o valor dedutível da base de cálculo do IRPF somente a partir dessa data. Impugnação Cientificada ao contribuinte (fl.43), a NL foi objeto de impugnação, em 19/6/2012, às fls. 2/22 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: a) somente recebeu a notificação no dia 14/6/2012, pois reside em um sítio longe da cidade e os Correios não entregaram o documento solicitando sua manifestação; b) efetivamente pagou a pensão durante o ano inteiro, conforme comprovam os recibos que anexa e as declarações de pessoas ligadas à família, pois a Sra.Sonia não tinha nenhuma fonte de renda e, já de idade, não conseguia trabalho para se sustentar; c) “[...] Tanto é verdade que em suas declarações apresentadas à Receita Federal, declarou de onde provinha a sua fonte de renda (Sonia Maria Garcia de Azevedo CPF Nº 825.184.759 15)”; d) na Escritura Pública de Declaração anexa, lavrada na Comarca de Ivaiporã, consta que a pensão alimentícia estava sendo paga desde o início da separação, reconhecendo que a Sra. Sonia não tinha condições de sobrevivência e seria desumano, de sua parte, “deixála à míngua”; e) a homologação da separação judicial ocorreu em abril de 2009 e só foi homologado porque a separação já estava concretizada há mais de dois anos, porém o pagamento da pensão já estava ocorrendo, comprovadamente, conforme testemunhas, recibos e pela Escritura; f) caso a Receita Federal não venha a acatar seu pedido totalmente, não reconhecendo o pagamento durante todo o ano Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 114 3 de 2009, solicita que seja reconhecido o pagamento feito a partir de abril, data da homologação da separação judicial; ... A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 87/91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. DATA DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DO ACORDO. EFEITO. No caso de acordo homologado judicialmente, somente a pensão alimentícia paga após a data da homologação é passível de dedução da base de cálculo. PENSÃO ALIMENTÍCIA PAGA POR LIBERALIDADE. INDEDUTÍVEL. As pensões pagas por liberalidade são indedutíveis, por falta de previsão legal. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 26/4/2016 (fl. 99), o contribuinte, em 24/5/2016 (fl. 105), apresentou recurso voluntário, às fls. 105/108, no qual alega, em apertado resumo, que: estaria amplamente demonstrado e provado por documentos que a pensão alimentícia foi paga. a decisão recorrida teria reconhecido o efetivo pagamento da pensão. a escritura pública lavrada consignaria que a pensão estaria sendo paga desde a separação, em 2002 a legislação civil imporia a obrigação legal do pagamento da pensão alimentícia, independentemente de homologação judicial. o valor exigido estaria prescrito. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 115 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Prescrição Quanto à prescrição suscitada, nos termos do caput do art. 174 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir, do devedor, a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Assim, havendo impugnação (como no caso em tela), fica postergado o começo da fruição do prazo prescricional até a decisão do último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. Como se considera constituído o crédito em tela na data de ciência da autuação (fl.43), e a apresentação da impugnação, em 19/6/2012, e do recurso, em 24/5/2016, suspende a exigibilidade do crédito tributário, ex vi do disposto no art. 151, inciso III, do CTN e, conseqüentemente, a fluência do prazo prescricional, que só começa a fluir depois de decidido o último recurso administrativo, totalmente impertinente a alegação do Contribuinte. Também não há que se falar na denominada prescrição intercorrente, matéria já sumulada neste CARF e de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito O litígio recai sobre a dedução de pensão alimentícia, informada pelo sujeito passivo, no montante de R$17.520,00. A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 116 5 Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A decisão recorrida consigna que a pensão declarada não encontraria respaldo em acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, conforme trecho a seguir reproduzido: 9. Em sua defesa, o contribuinte afirma que a homologação ocorreu em 29/4/2009, como de fato consta do Termo de Audiência de Ratificação carreado às fls. 8 e 9 dos autos. Acontece, porém, conforme Ofício nº 220/2011 (fl. 79), de 5/12/2011, emitido pela Juíza de Direito da Comarca de Ivaiporã em resposta ao Ofício Safis/DRF/MGA/PR nº 536/2011 (fl. 78), a data correta da homologação é 29/4/2010, nestes termos: Em atendimento ao ofício n. 536/2011, dessa Delegacia, cuja cópia segue anexa, informo Vossa Senhoria que, consultando os autos do Divórcio Consensual n.100/2010, requerido por Paulo Germano de Azevedo e Sônia Maria Garcia de Azevedo, verifiquei que a homologação do pedido deuse em 29 de abril de 2010, tendo constado 29 de abril de 2009 por equívoco da serventia. (grifo no original) 10. Portanto, apenas os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia à Sonia Maria Garcia de Azevedo após a data de 29/4/2010 são passíveis de dedução da base de cálculo do IRPF. 11. Cabe esclarecer que a Escritura Pública Declaratória de fl. 7 não se constitui em documento hábil para comprovação da procedência da dedução na DAA, eis que, conforme legislação antes colacionada, tão somente as importâncias pagas a título de pensão alimentícia previstas em escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), a seguir transcrito, são passíveis de dedução: Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.(Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). 12. Desta forma, concluise que eventuais pagamentos realizados a título de pensão alimentícia em 2009, sem Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13934.720027/201275 Acórdão n.º 2002000.943 S2C0T2 Fl. 117 6 previsão em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, mesmo na hipótese de comprovação do efetivo repasse dos valores, não são passíveis de dedução na DAA por falta de previsão legal, sendo considerados pagamentos por liberalidade, conforme orientação constante do Manual de Perguntas e Respostas – IRPF 2010/Anocalendário 20091: 338 — As pensões pagas por liberalidade, ou seja, sem decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis? As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente alega que os pagamentos estariam comprovados, sendo de serem acatados. Do exame dos autos, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto porque, repisese, a pensão dedutível é aquela prevista em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). A escritura pública de declaração, datada de 2010 e anexa à fl. 7, não se presta a respaldar a dedução em tela. Tratase de documento que expressa somente a vontade dos declarantes, não se confundindo com a escritura pública resultante de separação consensual, a que faz referência a legislação tributária. Por seu turno, conforme apontam a autuação e a decisão recorrida, o acordo de fls. 64/66 data de abril de 2010, tendo sido homologado judicialmente em 29/4/2010 (fls.79/80), não podendo ser invocado para justificar os pagamentos efetuados em 2009, em exame nestes autos. Dessa forma, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
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