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Numero do processo: 10940.900865/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do Despacho Decisório da DRF, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado.
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RESSARCIMENTO Recorrente SILER INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 65 /2 00 6- 13 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900865/200613 Acórdão n.º 3202000.945 S3C2T2 Fl. 127 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, anular o processo a partir do Despacho Decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ/RPO, verbis: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI, referente ao 2° trimestre de 2003, no valor de R$ 12.949,99, com fundamento no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. A autoridade administrativa, com suporte em análise efetuada por sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal, denominado SCC, homologou parcialmente a compensação pleiteada no PER/DCOMP 09071.37299.141003.1.3.011583, tendo efetuado a glosa do IPI, no valor de R$ 10.664,54 referente a notas fiscais da empresa OPP QUÍMICA S/A, CNPJ N° 16.313.363/001270, uma vez que referida empresa foi baixada por incorporação. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade às fls. 03, alegando, em síntese, que o crédito pretendido é legítimo, pois o débito do imposto foi escriturado pela empresa incorporada, apresentando cópias de livros e documentos fiscais. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900865/200613 Acórdão n.º 3202000.945 S3C2T2 Fl. 128 3 Em sua decisão, a DRJ/RPO, por unanimidade, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão foi assim formulada: EXTINÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA: A emissão de documentos fiscais por empresa incorporada, após a data de incorporação, não possui aptidão para conferir direitos creditórios. Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Entendo que o Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o ressarcimento realizado pela Recorrente não traz qualquer fundamentação para o seu indeferimento. Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito ao ressarcimento, mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRF que denegou o pedido do contribuinte. Está, portanto, plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Adoto a fundamentação do conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, a seguir descrita, em decisões anteriores. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900865/200613 Acórdão n.º 3202000.945 S3C2T2 Fl. 129 4 bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o objeto de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. O Despacho Decisório, ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, não homologar a compensação declarada, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Em vista de tudo o que foi exposto, e diante do cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF, voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico, inclusive. O processo deverá retornar a DRF competente para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900865/200613 Acórdão n.º 3202000.945 S3C2T2 Fl. 130 5 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000390/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 28/02/1995
NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL.
É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
Numero da decisão: 2301-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 28/02/1995 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 298 1 297 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000390/200874 Recurso nº 170.527 Voluntário Acórdão nº 2301003.594 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CARAÍBA METAS S.A. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 28/02/1995 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso por qualquer regra determinada no CTN ocorreu a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 90 /2 00 8- 74 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000390/200874 Acórdão n.º 2301003.594 S2C3T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 0198, apresentado contra decisão de primeira instância administrativa, fls. 0187, que decidiu pela procedência do lançamento, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. DECADÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. 0 contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do artigo 31 da Lei 8.212/91. 0 prazo para constituição de novo crédito, substitutivo de anterior declarado nulo pelo CRPS, é de 10 anos contados a partir da data da decisão de anulação (Art. 45, ll da Lei 8.212/91). A constitucionalidade de dispositivos legais não se discute no Processo Administrativo Fiscal. LANÇAMENTO PROCEDENTE Para esclarecimento, o litígio em questão é oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, e constituise em contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, fls 077, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviço, devido ao instituto da solidariedade. Por fim, o RF informa que o lançamento é substitutivo a lavrado em 18/12/1998 e julgado nulo pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em 22/09/2003. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 30/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0163, acompanhada de anexos, argumentando, em síntese, que: 1. Tratase de lançamento substitutivo a originário declarado nulo devido a – segundo o CRPS – a fiscalização não demonstrou a ocorrência da cessão de mão de obra em Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 cada um dos contratos de prestação de serviços, limitandose a produzir relatório fiscal genérico e não motivado; 2. A regra decadencial a ser aplicada deve ser a determinada no Art. 150 do CTN; 3. Não se aplica ao caso presente o conceito de cessão de mão de obra; 4. A solicitação de documentos relativos a 1995 – extrapola qualquer prazo decadencial; 5. Os serviços de transporte não podem ser caracterizados como cessão de mão de obra/ 6. Ante o exposto, solicita o provimento de seu recurso. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0198, acompanhado de anexos, onde reitera, em síntese, os motivos já apresentados em sua defesa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara do CARF, analisou a questão, fls. 0218, e decidiu converter o julgamento em diligência, para, em síntese, que fosse anexada a decisão que anulou o lançamento original, a fim de definir os efeitos na regar decadencial a ser aplicada. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari anexou as decisões, fls. 0230. O sujeito passivo foi devidamente intimado e apresentou seus argumentos, fls. 0246, pleiteando, em síntese, a decisão pela decadência do crédito lançado, devido a definição do vício como material, conforme decisões reiteradas e citadas, já proferidas pela CARF, em processos em que figura por idênticos motivos É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000390/200874 Acórdão n.º 2301003.594 S2C3T1 Fl. 300 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Na época dos fatos, estava em vigor o Art. 45, da Lei 8.212/1991, que determinava que o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias era de dez anos. Com a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo citado, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cabe a este colegiado definir qual regra decadencial, expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso. Para esclarecimento, conforme RF, fls. 077, o lançamento em questão substitui o lançamento 32.615.8618 (anulado pela decisão 02/02282/2003, de 22/09/2003, fls. 079). Ressaltese que, em resposta a diligência efetuada foram anexadas as devidas decisões do CRPS, que não definiram o tipo de vício existente no lançamento, fls. 0232, consignado que: Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5°, da CF/88. Portanto, .entendo que o melhor desfecho para a NFLD em 'pauta, é apontar, sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mão deobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decádencial — Inciso II, do Art. 173, do CTN. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Acórdão no 04/02335 /2002, da 4ª CaJ/CRPS, fls. 286. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Pois bem, o motivo da nulidade do lançamento originário foi a falta de clareza na descrição do fato gerador, pois não há a caracterização da cessão de mão de obra, nos seguintes termos: “0 INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou serviços. Só quando está CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. 0 INSS não conseguiu sair do campo da suposição — tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços.” Para a definição da regra decadencial a ser aplicada, devemos, primeiro definir o vício que anulou os lançamentos originais. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000390/200874 Acórdão n.º 2301003.594 S2C3T1 Fl. 301 7 No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração clara da ocorrência da cessão de mão de obra, descrição obrigatória para a configuração da solidariedade, prejudicando o direito de defesa da recorrente. Com a decisão do vício como material, a decadência deve ser decretada por qualquer regra presente no CTN (Art. 150 ou 173), pois o prazo continuou a fluir e como a ciência do lançamento ocorreu em 30/12/2005, fls. 001, e as competências em questão referem se ao período de 01/1994 a 02/1995, ocorreu a decadência. Portanto, por qualquer regra decadencial, aplicáveis ao caso § 4º, Art. 150 do CTN ou I, Art. 173 do CTN) as contribuições lançadas estão alcançadas pela decadência. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000390/200874 Acórdão n.º 2301003.594 S2C3T1 Fl. 302 9 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904467/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
IPI. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
O art. 11 da Lei n.º 9.779/99, autoriza o creditamento das aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, mas desde que comprovado que esses foram efetivamente aplicados na operação de industrialização.
Numero da decisão: 3803-004.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. O art. 11 da Lei n.º 9.779/99, autoriza o creditamento das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, mas desde que comprovado que esses foram efetivamente aplicados na operação de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 44 67 /2 00 9- 51 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10865.904467/200951 Acórdão n.º 3803004.713 S3TE03 Fl. 77 2 Cuidase de recurso voluntário contra o despacho que não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP n° 03333.00322.150905.1.3.016401, n° 37831.02778.141005.1.3.014880 e n° 01735.62926.111105.1.3.013661, correspondente ao 1° trimestrecalendário de 2005. Importante mencionar que foram homologadas as PER/DCOMP n° 37427.28181.150705.1.07.010493, n° 04527.94572.150705.1.3.011080, n° 21708.05500.150805.1.3.010019 e n° 40135.60453.150905.1.3.018715. Cumpre ainda comentar que a empresa possui como objeto social as atividades de industrialização, comercialização, importação e exportação de produtos para a indústria cerâmica, curtume e outras. O despacho decisório está anexo às fls. 21 e dele se extrai que o débito em discussão se refere a R$ 40.479,60 (principal), R$ 8.095,90 (multa) e R$ 17.706,46 (juros), cujos valores originais estão mencionados no demonstrativo anexo à fl. 23. Cumpre esclarecer também que às fls. 24/27, estão anexos demonstrativos dos valores referentes a cada processo de cobrança vinculado ao presente PAF, são eles: 10865905.307/200929; 10865905.007/200940; 10865905.308/200973; 10865 905.309/200918 e 10865905.310/200942. Já às fls. 30/31 o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade, sob o argumento de que “o crédito é proveniente da devolução de venda efetuada pelo contribuinte, o qual gerou tal crédito. Tal devolução em si, cancela o IPI que foi debitado quando da realização da operação de venda do produto, voltando assim ao crédito original de R$ 47.511,00 que, o contribuinte teria proveniente das "entradas de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização" Já às fls. 47/49, sobreveio o acórdão n.º 1433.079 – 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, no sentido de que não cabe o pedido de ressarcimento dos créditos de IPI relacionados a valores atinentes a devolução de vendas, visto que neste caso não há que se falar em utilização de insumos para a industrialização. Veja a ementa do acordo em questão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS NAO RESSARCÍVEIS. RESSARCIMENTO NÃO ADMITIDO PARA OS CRÉDITOS CONCERNENTES A DEVOLUÇÕES DE VENDAS. AUSÊNCIA DE EMPREGO DE INSUMOS NO PROCESSO INDUSTRIAL. São insuscetíveis de ressarcimento, ou seja, não ressarcíveis, os créditos do imposto destacado em notas fiscais com CFOP correspondente a devoluções de vendas, vale dizer, uma situação que não implica o emprego de insumos na industrialização. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10865.904467/200951 Acórdão n.º 3803004.713 S3TE03 Fl. 78 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os julgadores de piso negaram provimento ao pedido, sob o fundamento de que o art. 11 da Lei nº 9.779/99, bem como as Leis nº 9.363/96 e n.º 10.276/2001 não autorizam a Fazenda Nacional a ressarcir todos os créditos lançados na escrita fiscal do contribuinte, mas somente os créditos citados nestas leis, jamais créditos referentes a tributo destacado em nota fiscal relacionado a devolução de vendas. Assim, à fl. 50 a Delegacia da Receita Federal enviou ao contribuinte intimação via AR (Aviso de Recebimento), anexo à fl. 53, informando do acórdão em questão e esclarecendo que cabia recurso da decisão no prazo de 30 (trinta) dias, ficando o mesmo intimado a recolher o débito referente ao DARF, anexo à fl. 51, correspondente ao processo de cobrança n.º 10865.905.312/200931, nos valores de R$ 6.175,59 e R$ 4.689,33. Entretanto, chamase a atenção de que o PAF em discussão possui número nº 10865.904467/200951. A partir da análise do AR em exame, verificase que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeiro grau em 27.05.2011, conforme se observa à fl. 53. Ocorre que ao invés de apresentar Recurso Voluntário contra a decisão, o interessado optou por efetuar o pagamento dos débitos vinculados ao processo de cobrança n.º 10865.905.312/200931, conforme consta na informação fiscal à fl. 55, razão pela qual foi proposto o envio dos autos para o Arquivo Geral em 22.08.2011. Entretanto, foi verificado o “erro”, por parte da Fazenda Nacional, no tocante ao objeto da controversa e por isso foi enviado ao contribuinte nova intimação, consoante se verifica à fl. 56, sendo que em razão desta nova intimação o contribuinte foi cientificado de que teria novo prazo de 30 (trinta) dias para interpor Recurso Voluntário, tanto é que assim procedeu e recorreu em 19.09.2011. Vale mencionar ainda que o contribuinte ficou intimado a recolher débitos dos DARFs correspondentes aos processos de cobrança n° 10865.905310/200942 e n° 10865.905311/200997. A intimação 108.65/2011, anexa à fl. 57 foi novamente juntada, embora já tivesse sido anexada anteriormente à fl. 50. Já às fls. 61/65 o contribuinte apresentou o recurso voluntário, sob o argumento de que o crédito reclamado é o mesmo crédito referente a aquisição de matérias primas, cuja operação de entrada no estabelecimento, veio somente a zerar o débito que teve quando da venda dessas matériasprimas, voltando assim a sua situação original, ou seja, crédito de IPI relativo a matérias primas utilizadas no seu processo de industrialização. Destaca que venda das matériasprimas não se concretizou, visto que empresa compradora não as aceitou e juntou a nota fiscal de venda à fl. 67. Neste passo, uma vez não concluída a venda, a recorrente emitiu na Nota Fiscal nº 114, denominada nota fiscal de entrada, conforme se comprova à fl. 68. O contribuinte também juntou à fl. 70 e 72 Registro de Entradas e à fl. 71, nota fiscal n.º 145, por ele emitida, para demonstrar a operação de industrialização. Ainda no intuito de demonstrar o seu direito creditório, afirma que o mesmo tipo de mercadoria devolvida é utilizadas no seu processo de industrialização, tanto é que a Nota Fiscal n.º 133, emitida em 20/12/05 e anexa à fl. 69, comprova a operação de importação Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10865.904467/200951 Acórdão n.º 3803004.713 S3TE03 Fl. 79 4 realizada para a Empresa Gardênia Química S.A, estabelecida na Espanha. O contribuinte ressalta que nesta nota fiscal foi inserida o CFOP é 3.101, ou seja, referese a operação de “compra para industrialização”. Alerta que no Livro de Registro de Entradas anexa à fl 70 esta Nota fiscal foi escriturada. Cumpre trazer ao conhecimento dos demais julgadores, que a informação fiscal contida à fl. 74 e seguintes, esclarece a RFB deixou de enviar, por meio da intimação n.º 582/2001, o DARF referentes aos débitos cadastrados nos processos de cobrança 10865 905.310/200942 e 10865905.311/200997, mas encaminhou ao contribuinte somente os débitos correspondentes ao processo de cobrança 10865.905312/200931, sendo inclusive recolhido o débito referente a este último processo. Por fim, às fl. 74/75 consta relatório fiscal dando conta de que o presente PAF referese ao crédito pleiteado e que a este estão vinculados os processos n.º 10865.905310/200942, 10865.905311/200997 e 10865.905312/200931. Esclarece também que foi encaminhado ao contribuinte somente uma guia DARF correspondente ao processo de cobrança n.º 10865.905312/200931, para pagamento, deixando de ser enviados as DARFs dos débitos referentes aos processos n.º 10865905.310/200942 e 10865905.311/200997. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Da Tempestividade Conforme visto no relatório, o contribuinte apresentou 7 (sete) PER/DCOMP referente ao 1º trimestre de 2005, sendo que destes 3 (três) não foram homologados e 4 (quatro) homologados. À fl. 50 há a informação de que a Delegacia da Receita Federal enviou ao contribuinte intimação via AR (Aviso de Recebimento), anexo à fl. 53, esclarecendo que teria o prazo de 30 (trinta) dias para recorrer ao CARF. Entretanto, o ponto crucial é que esta intimação não abrangeu a integralidade do débito, ou seja, o contribuinte foi induzido a erro pela RFB, principalmente porque a primeira intimação se referiu somente ao processo de cobrança n.º 10865.905.312/200931, enquanto que o correto seria ter intimado o sujeito passivo a recolher ou recorrer da integralidade do débito, isto é, também dos valores correspondentes nos processos de cobrança 10865905.310/200942 e 10865905.311/200997. É verdade que no caso em exame foi criado uma situação processual “sui generis”, já que o acórdão indeferiu a homologação do crédito por entender que devolução de venda não tem o condão de gerar créditos de IPI. Entretanto, o contribuinte recolhe parte do débito, ou seja, débito referente ao PAF n.º 10865.905.312/200931. Consequentemente, em relação a outra parte apresenta Recurso Voluntário, ou seja, débitos correspondentes aos PAFs n.º 10865905.310/200942 e 10865905.311/2009 97, compreendo que o contribuinte foi induzido a erro por parte da intimação errônea Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10865.904467/200951 Acórdão n.º 3803004.713 S3TE03 Fl. 80 5 promovida pela Fazenda Nacional, razão pela qual acolho o recurso voluntário interposto como tempestivo. Do Mérito Já em relação ao mérito, noto que o contribuinte pretende créditos em relação a matériasprimas devolvidas referente a Nota Fiscal n.º 114 e anexa à fl. 68, ou seja, resicol, medio ligante 88, ligante 2688, ligante 4788, médio 75, resicol C2 e LG 3046, sob o argumento de que estas matériasprimas foram utilizadas em seu processo produtivo. Com o objetivo de demonstrar que utiliza estes produtos para realizar a operação de industrialização, juntou as Notas Fiscais n.º 133 e 145, anexas às fls. 69 e 71. Ora, é evidente que 11 da Lei n.º 9.779/99, autoriza o creditamento do IPI em relação as aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. Contudo, alertase que neste dispositivo há a necessidade de que a matéria prima seja aplicada no processo industrial. Entretanto, no caso em exame, “data vênia”, o entendimento apresentado pelo contribuinte, compreendo que não restou demonstrado que os produtos descritos na nota fiscal 114, ou seja, da nota fiscal de entrada dos produtos devolvidos, foram efetivamente aplicados no processo de industrialização, principalmente porque consta no contrato social da recorrente que esta possui por finalidade, além da industrialização, também a comercialização de produtos para a indústria cerâmica. Assim, os produtos em exame podem ter sido industrializados, mas também poder ter sido comercializados, dado o objeto social da interessada. Logo, na hipótese de comercialização não há que se falar em processo de industrialização por parte do recorrente e por conta disso este também não teria direito ao creditamento do IPI, cujo permissivo legal é para matériaprima adquirida para ser aplicada no processo industrial. Conseqüentemente, em face de o recorrente não ter demonstrado que os produtos descritos na nota fiscal de entrada de mercadoria proveniente da devolução, foram aplicados na operação de industrialização, compreendo que não deve ser reconhecido o crédito pleiteado por falta de previsão legal. Ante o exposto, mas nego provimento do recurso. Este é o voto. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10865.904467/200951 Acórdão n.º 3803004.713 S3TE03 Fl. 81 6 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.003111/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO
Tendo sido a primeira fiscalização encerrada sem exame, a segunda fiscalização sobre o mesmo período não é um mero prosseguimento daquela, tratando-se de uma nova. A segunda Fiscalização foi iniciada sem que tenha havido ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil, como exigido por lei, indicando o motivo para a nova Fiscalização. Tendo em vista que o art. 906 do RIR/99, legislação específica, dispõe que a autorização expressa é um requisito para a existência da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade substancial da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 dela não dispor expressamente. Trata-se de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer. Não obstante o lançamento estar formalmente perfeito, não há o que ser sanado. Por sua vez, insanável a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que lhe deu causa, vez que não há como se obter uma autorização retroativa para o início do procedimento de fiscalização.
Numero da decisão: 1201-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, para declarar a nulidade do lançamento por vício substancial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator) que declarava a nulidade do lançamento por vício formal e Carlos Mozart Barreto Vianna, que não admitia nulidade no lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Almeida Blanco.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
(documento assinado digitalmente)
André Almeida Blanco Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO Tendo sido a primeira fiscalização encerrada sem exame, a segunda fiscalização sobre o mesmo período não é um mero prosseguimento daquela, tratando-se de uma nova. A segunda Fiscalização foi iniciada sem que tenha havido ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil, como exigido por lei, indicando o motivo para a nova Fiscalização. Tendo em vista que o art. 906 do RIR/99, legislação específica, dispõe que a autorização expressa é um requisito para a existência da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade substancial da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 dela não dispor expressamente. Trata-se de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer. Não obstante o lançamento estar formalmente perfeito, não há o que ser sanado. Por sua vez, insanável a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que lhe deu causa, vez que não há como se obter uma autorização retroativa para o início do procedimento de fiscalização.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO Tendo sido a primeira fiscalização encerrada sem exame, a segunda fiscalização sobre o mesmo período não é um mero prosseguimento daquela, tratandose de uma nova. A segunda Fiscalização foi iniciada sem que tenha havido ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil, como exigido por lei, indicando o motivo para a nova Fiscalização. Tendo em vista que o art. 906 do RIR/99, legislação específica, dispõe que a autorização expressa é um requisito para a existência da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade substancial da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 dela não dispor expressamente. Tratase de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer. Não obstante o lançamento estar formalmente perfeito, não há o que ser sanado. Por sua vez, insanável a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que lhe deu causa, vez que não há como se obter uma autorização retroativa para o início do procedimento de fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, para declarar a nulidade do lançamento por vício substancial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator) que declarava a nulidade do 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 31 11 /2 00 6- 41 Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 lançamento por vício formal e Carlos Mozart Barreto Vianna, que não admitia nulidade no lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Almeida Blanco. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator (documento assinado digitalmente) André Almeida Blanco – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1511.926, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Salvador – BA. Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, tomo de empréstimo o relatório contido na Resolução nº 120200053, exarada pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fl. 591 e ss.): Trata o presente processo de Autos de Infração que pretendem a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 1.220.951,60 (um milhão duzentos e vinte mil novecentos e cinqüenta e um reais e sessenta centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$ 140.057,02 (cento e quarenta mil cinqüenta e sete reais e dois centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 389.047,33 (trezentos e oitenta e nove mil quarenta e sete reais e trinta e três centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$ 84.293,56 (oitenta e quatro mil duzentos e noventa e três reais e cinqüenta e seis centavos), acrescidos de multa de oficio agravada e dos juros de mora, totalizando R$ 5.076.717,32 (cinco milhões setenta e seis mil setecentos e dezessete reais e trinta e dois centavos). De acordo com a "descrição dos fatos", de fls. 06 e 07, foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2002, com base no artigo 530, inciso VI, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), tendo em vista que a contribuinte não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, 2 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir ou totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A base de cálculo do Lucro Arbitrado foram os valores das receitas correspondentes aos depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido capitulados no enquadramento legal os artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e os artigos 532 e 537 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 31 a 34) constam as seguintes informações: a ação fiscal em foco teve como objetivo verificar o cumprimento das obrigações tributárias referentes aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, no anocalendário de 2002; através do Termo de Inicio de Ação Fiscal de 21/03/2005, a contribuinte foi intimada a apresentar: a comprovação da entrega da DIPJ/2003, relativa ao anocalendário de 2002; os livros Diário, Razão e Lalur, do período de janeiro de 2000 a dezembro de 2004; o ato constitutivo e suas alterações, uma declaração informando da existência de ação judicial referente a tributos e contribuições administrados pela SRF e o preenchimento de planilhas com informações sobre bases de cálculo das contribuições devidas; tendo em vista que o sujeito passivo não atendeu o Termo de Inicio de Ação Fiscal, foi reintimado, em maio de 2005, a apresentar os elementos solicitados no referido termo; a contribuinte também não atendeu o termo de reintimação. Desta forma, foi reintimado, em julho de 2005, a apresentar, além dos elementos descritos nos termos anteriores, os extratos bancários das suas contas mantidas junto a instituições financeiras; uma vez que a contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações emitidas pela fiscalização, inclusive a que requereu os seus extratos bancários, não restou alternativa à autoridade fiscal, senão a de requerer junto às instituições financeiras os extratos bancários referentes à movimentação financeira do anocalendário de 2002; desta forma, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, para as seguintes instituições financeiras: BANCO PINE S/A; BANCO RURAL S/A; BRADESCO S/A; BANCO CAPITAL S/A; BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BANCO DO BRASIL S/A, procedimento este baseado na Lei nº 9.430, de 1996, art. 33; Lei n° 9.311, de 1996, §§ 2° e 3° do art. 3 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 11; Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 2001; de posse dos extratos bancários das contas de depósito do sujeito passivo, a fiscalização procedeu à conciliação entre estas. Após a exclusão dos valores sobre os quais foi possível a constatação de que eram apenas transferências entre as contas da mesma titularidade da contribuinte ou operações de empréstimos, elaborouse o ANEXO 1, anexado ao Termo de Intimação Fiscal n° 05, emitido em 28/11/2005; através do Termo de Fiscalização n ° 05, a fiscalizada foi intimada a comprovar as origens dos recursos que justificassem os valores creditados nas suas contas de depósito, cujos bancos e respectivas contas foram relacionados no referido ANEXO 1. A contribuinte também não respondeu a mais este termo; buscando dar amplo direito de defesa ao sujeito passivo, a fiscalização emitiu dois termos de reintimação, em 22/12/2005 e em 13/02/2006, com o teor do Termo de Intimação n° 05. Também não houve resposta; destarte, considerando que a contribuinte não comprovou a origem dos recursos que justificassem os valores creditados nas suas contas de depósito, mantidas nas instituições financeiras acima citadas, ficou constatada a omissão de receitas, de acordo com o artigo 42 da Lei n° Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; para atender ao § 1 ° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e para a correta apuração dos impostos e contribuições devidos, elaboramos o DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS, o qual relaciona os valores dos créditos não comprovados nas contas do sujeito passivo, classificados em ordem crescente de data; a contribuinte foi reiteradamente intimada. Foram cinco termos de intimação, para apresentar os livros contábeis, o recibo de entrega da declaração do anocalendário de 2002, entre outros documentos. Entretanto, não se manifestou nem prestou nenhum esclarecimento; cabe o esclarecimento de que, no decorrer da fiscalização, constatouse que o sujeito passivo foi submetido a procedimento fiscal amparado pelo MPF nº 05.1.01.002004000370, através do qual apresentou os seguintes livros e documentos: Livro Diário dos anos de 1999, 2000 e 2001; Livro Razão de 1999; Livro de Apuração do ISS, escriturado até junho de 2002; Balancetes de verificação do anocalendário de 1999; Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de ocorrências; Contrato Social e Alterações; Inventário e cópias de quatro contratos de prestação de serviços. A época, a contribuinte justificou a não apresentação do Livro Diário do anocalendário 4 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 2002, haja vista que este estava de posse do Poder Judiciário, uma vez que a empresa estava em processo de concordata; quanto ao Livro Razão do anocalendário de 2002, mesmo após várias intimações, a fiscalizada não o apresentou, bem como não houve a entrega da DIPJ — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, ano calendário de 2002, exercício de 2003; desta forma, a fiscalização obrigouse a promover o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base no inciso VI do artigo 530 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999); o Lucro Arbitrado foi apurado com base na receita bruta conhecida, com base nos artigos 532 e 537 do RIR/1999; tendo em vista que a contribuinte não justificou a origem dos recursos depositados e suas contas de depósito, não sendo possível, portanto, identificar de qual atividade houve a omissão de receita, foi utilizado o percentual de 38,4% para a apuração do lucro arbitrado; foi apurada de forma reflexa, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referente aos anoscalendário de 2002, tendo em vista a constatação de omissão de receita, em conformidade com o artigo 24 da Lei n° 9.249, de 1995; foram apurados a Contribuição para o Programa de Integração Social e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, de forma reflexa, em conformidade com o artigo 91 do Decreto e 4.524, de 2002, tendo em vista que foi constatada a omissão de receita por parte da contribuinte; tendo em vista que a contribuinte, mesmo após reiteradas intimações, não apresentou todos os elementos e não prestou os esclarecimentos solicitados, essenciais correta apuração dos tributos e contribuições do anocalendário de 2002, configurando assim embaraço à fiscalização, foi aplicada multa de 112,50%, em conformidade com a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de 1996, art. 44, inciso I, § 2º; em razão da infração apurada, verificouse insuficiência nos recolhimentos referentes ao IRPJ, CSLL, Cofins e Pis, referentes ao anocalendário de 2002, conforme demonstrado no presente Auto de Infração. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 05/04/2006, impugnandoos em 04/05/2006, por seu procurador, devidamente constituído (Instrumento de Mandato às fls. 5), sob os argumentos expostos a seguir: a EMPAV foi intimada por preposto da Delegacia da Receita Federal em Salvador, em 17/02/2004 (cópia anexa), sendo que 5 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 entre os itens solicitados estavam: livros Diário e Razão e extratos bancários de todas as contas, período de janeiro a dezembro de 2002; através de carta datada de 18/03/2004, protocolada na DRF/Salvador em 19/03/2004 (cópia anexa), foram entregues os documentos e extratos citados e esclarecidos fatos que impediam a empresa de apresentar alguns livros. Como fato principal, foi informado que a EMPAV está em processo de concordata desde 01/07/2002, por isso o Livro Diário de 2002 encontrase em poder do Juiz, conforme certidão anexa à referida carta; em face do acima exposto, não foi possível atender às intimações posteriores, solicitando esclarecimentos quanto à origem de depósitos bancários, uma vez que os documentos necessários para tais esclarecimentos encontramse em poder dessa Delegacia. Este fato foi comunicado por diversas vezes aos prepostos que ligaram cobrando tal atendimento; a fim de demonstrar que nunca houve a omissão no registro dos valores depositados em conta bancária, está anexando à presente cópia do Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado, apurado em 01/07/2002, que registra receitas no montante de R$ 15.742.142,28 e contas a receber no montante de R$ 7.607.421,32, valores estes superiores ao montante levantado junto aos bancos e utilizado para base de cálculo de arbitramento; por todo o exposto, é que a impugnante espera que se aprecie o caso e julgue improcedente o lançamento, cancelando a exigência tributária e mande que a documentação retida nesta Delegacia seja liberada para que a contribuinte conclua o termino do registro do exercício de 2002 e apresente a sua DIPJ apurando corretamente, se houver, o imposto devido, com o que estará praticando ato da mais inteira e inescusável justiça. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 338 a 348) negou provimento a defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente no decorrer do Ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 6 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido – CSLL Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. Aplicase a multa de oficio agravada quando a contribuinte não presta os esclarecimentos solicitados por meio de reiteradas intimações fiscais. Dentre os fundamentos da referida decisão, cabe destacar: que o lançamento foi realizado pelo lucro arbitrado, pois a impugnante deixou de apresentar o Livro Razão com escrituração referente ao anocalendário de 2002, a despeito de ter sido reiteradamente intimada por período aproximado de 12 meses. Considerou como receita conhecida, aquela representada pelos depósitos bancários efetuados em contascorrentes de titularidade da contribuinte. que a despeito da impugnante alegar que os documentos e extratos encontravamse na posse da DRF, tal fato se refere a fiscalização anterior, não restando comprovado pela carta anexada (fiscalização anterior) a entrega de documentos relativos ao anocalendário de 2002, que pudessem impedir a contribuinte de comprovar a origem dos depósitos e apresentar o Livro Razão de 2002. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do julgamento de primeira instancia em 08/01/2007, por meio de ciência postal, conforme AR de folha 352, a interessada ingressou, em 07/02/2007, com recurso voluntário de fls. 353/369 e documentação anexa, alegando, em síntese: 1 Que a recorrente foi alvo de fiscalização anterior, quando apresentou diversos livros e documentos (anexo II e III). Ao ser aberta nova fiscalização informou ao Auditor Fiscal que os documentos já haviam sido entregues em fiscalização anterior e se encontravam em poder da Receita Federal. 2 Cerceamento do direito de defesa, por retenção de documento. 7 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em razão da retenção dos documentos ficou impossibilitada de elaborar sua defesa, juntando anexos II, III, IV e V que revelam que os documentos foram entregues ao fisco no decorrer do ano de 2004 e que só foram restituídos após o julgamento de primeira instancia. 3 Nulidade do auto de infração da nova fiscalização. Que foi alvo de duas fiscalizações de imposto de renda sobre o mesmo período de apuração (anocalendário de 2002) sem haver ordem escrita para segunda fiscalização, conforme determina do art. 906 do RIR. 4 Arbitramento sem previsão legal. Que não é possível a utilização de presunção legal de omissão de receita como receita bruta conhecida para fins de tributação pelo lucro arbitrado, até por restar consignada a presunção legal no art. 287 do RIR, que pertence ao subtítulo III — Lucro Real. Como não era a receita conhecida, o fisco deveria ter adotado a tributação recomendada por um dos incisos do art. 535. 5 Não se pode exigir a exibição de documento quando esta deficiência é a motivação do arbitramento. Que não se pode tributar valores por falta de exibição de certos documentos, como a comprovação de origem de depósitos bancários, quando exatamente esta inexistência ou a sua ausência em boa ordem foi a motivação do arbitramento. Conclui que só cabe lançamento por omissão de receitas por presunção legal quando tributado pelo lucro real. 6 Da aplicação injustificável da multa agravada em 50%. Impossível a aplicação de multa agravada pela falta de apresentação de documento que estava retido no próprio fisco, como demonstrado pelos anexos II, III, IV e V. 7 Percentual de presunção do lucro arbitrado de 38,4%. Que a aplicação de maior percentual só se faz presente na hipótese de atividade diversificada, o que não é o caso da recorrente, conforme se constata pelos contratos e notas fiscais relativos ao ano de 2002, que estavam na sede da Receita Federal. Pelos contratos e notasfiscais a atividade da recorrente é de empreitada total, ou seja, com aplicação de materiais. Faz juntada dos contratos e amostragem de notas fiscais, requerendo diligência na totalidade de notasfiscais emitidas. Se mantido o lançamento, que seja no percentual de 9,6%, conforme orientação do ADN Cosit 6/97. 8 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 8 Abuso na aplicação do art. 42 da lei 9.430 (depósito bancário). Diversos valores foram considerados como omissão de receita, quando, se tratava de mera transferência bancária, motivo que faz juntada do demonstrativo elaborado pelo Auditor Fiscal autuante e anexa folha do livro Razão, que só agora foi devolvido, demonstrando as transferências entre bancos ou agências do mesmo titular, bem como transferências para conta de empréstimo do Bradesco. 9 Receita que tiveram retenção de fonte. Junta anexo XI, referente a receitas recebidas pela recorrente, pagas por órgão público federal com retenção de imposto de renda e contribuições, requerendo diligência nos sistemas da Receita Federal para fins de identificar retenções de fonte não consideradas na autuação. 10 Valores confessados na DCTF. Requer a dedução de valores de PIS e COFINS objeto de confissão de divida em DCTF, conforme anexo XX. 11 Pedido: De todo exposto, requer a Recorrente que a autoridade julgadora determine o arquivamento do auto de infração em razão das argumentações preliminares, ou, por absurdo, caso mantenha a tributação que tome as seguintes providências: 1 anule o acórdão da Delegacia de Julgamento em Salvador, por supressão de instância face a retenção de documentos pela fiscalização; 2 que se pronuncie em sua decisão sobre o reexame de fiscalização sem autorização expressa; 3 que faça constar de sua decisão se a receita bruta para arbitramento era ou não conhecida; 4 indique a base legal para utilizar omissão de receita, apurada por presunção legal, como receita conhecida para efeito de arbitramento; 5 que determine diligencia para que a Recorrente possa melhor provar aquilo que alega quanto aos depósitos bancários, uma vez que só nos dias 2 e 5 de fevereiro de 2007 obteve a devolução dos documentos retidos indevidamente pelo fisco; 6 que determine diligencia nos sistemas da Secretaria da Receita Federal para deduzir os valores que foram retidos quando do pagamento efetuado por órgão público federal, em atendimento ao art. 64 da Lei 9.430. 9 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Levados os autos à apreciação da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, o órgão resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Isto posto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Delegacia a que está submetido o contribuinte se manifeste sobre as citadas alegações da recorrente e informe, examinando a escrituração e respectivos documentos que lhe dão suporte: a) se são autênticos os anexos I, II, III, IV juntados pela recorrente, confirmando que documentos contábeis fiscais da fiscalizada, relativos ao ano calendário de 2002, encontravam se na posse da Receita Federal. b) caso os documentos contábeis fiscais da recorrente, relativos ao ano calendário de 2002, não se encontrassem na posse da Receita Federal: b.1) qual a atividade da recorrente no período fiscalizado. b.2) se os documentos apresentados pela recorrente quanto as alegações de transferência bancária entre bancos ou agência do mesmo titular, bem como transferências para conta de empréstimo do Bradesco comprovam a origem dos recursos creditados objeto de lançamento. b.3) se há, dentre os créditos tributários lançados, receitas recebidas pela recorrente, pagas por órgão público federal com retenção de imposto de renda e contribuições. b.4) se há, dentre os créditos tributários lançados, valores confessados na DCTF. Seja elaborado relatório a respeito das informações acima solicitadas, bem como outras que entenda pertinente em face das alegações apresentadas pela recorrente. Deverá ser dada ciência à contribuinte, reabrindose o prazo para eventuais aditamentos ao recurso, devendo os autos retornar a esta 1° Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais —CARF. Realizada a diligência, a autoridade local elaborou relatório contendo, entre outras, as seguintes informações: (fl. 696 e ss.): Preliminarmente esclarecese que, visando elucidar fatos ocorridos neste procedimento fiscal, este processo foi encaminhado ao Auditor—Fiscal da Receita Federal do Brasil, Aristóteles M. Sampaio de Oliveira Pinto, para que o mesmo informasse em que circunstâncias foram devolvidos os documentos relacionados no Termo de Devolução de Documentos, constante nas páginas 384 e 385 dos autos. Também cabe esclarecer que o sujeito passivo foi intimado a apresentar as Notas Fiscais de Saída, emitidas pelo mesmo, 10 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 relativas aos serviços prestados no anocalendário de 2002 e os Livros RAZÃO e DIÁRIO daquele ano. Inicialmente o contribuinte solicitou prorrogação, por 10 (dez) dias, do prazo estipulado para a entrega dos documentos. O prazo foi prorrogado por 05 (cinco) dias, tendo em vista que os documentos solicitados já estavam de posse do mesmo e não necessitavam de elaboração. Em 25/02/2011, fls. 613, os documentos foram entregues parcialmente. Em 01/03/2011, foi entregue o livro RAZÃO que restava, do período de janeiro a junho de 2002. O livro DIÁRIO de janeiro a junho de 2002 não foi entregue, uma vez que, segundo o contribuinte, ainda continua de posse do judiciário. Feitos estes esclarecimentos preliminares, passamos a responder os quesitos elaborados pelo CARF. Inicialmente, em face dos fatos relatados nos autos e das alegações do sujeito passivo, discorreremos sobre os fatos mais relevantes ocorridos neste procedimento de fiscalização. 1. Quanta à alegação do sujeito passivo de "Nulidade do Auto de Infração da nova fiscalização": Esta alegação não procede, conforme poderemos constatar, diante dos fatos a seguir relatados. Analisando a documentação pertinente a este procedimento de fiscalização, constatamos que, na realidade, o procedimento iniciado com o MPF n° 2004000370 representou o mesmo procedimento encerrado com o MPF n° 2004006830, e não um reexame sem a devida autorização. Verificando os sistema de controle dos procedimentos fiscais no âmbito da RFB — Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatamos que o MPF n° 2004000370, iniciado por duas AuditorasFiscais e posteriormente repassado para outro AuditorFiscal, foi encerrado por decurso de prazo em 10/10/2004, conforme documento de fls. 616. Neste caso, conforme prevê a norma que regulamenta os procedimentos fiscais no âmbito da RFB, transcrita abaixo, o procedimento fiscal em andamento deve ser repassado para outro Auditor Fiscal, com outro número de MPF. Fato ocorrido com o MPF n° 2004006830. "Portaria SRF n° 3007, de 26 de novembro de 2001, alterada pela Portarias SRF n° 1.238/2002 e 1.468/2003:" (...) Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. 11 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias para procedimentos de diligencia. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.468, de 06/10/2003) § 1º A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.468, de 06/10/2003) Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. .... Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. (...) Fica esclarecido, portanto, que o procedimento fiscal iniciado com o MPF nº 2004000370, por força do decurso de prazo, prosseguiu com o MPF n° 2004006831 e, por força da legislação acima transcrita, foi alocado para outro Auditor Fiscal. Por conseguinte, resta claro que o ocorrido nesta fiscalização, foi um equivoco. Por uma questão de solução de continuidade, o AuditorFiscal ao qual foi designado o MPF n° 2004006831, entendeu que se tratava de um novo procedimento de fiscalização, quando na realidade não o era. Assim, emitiu um novo Termo de Inicio de Fiscalização, levando o sujeito passivo a entender que estava sob novo procedimento de fiscalização. Destarte, smj, não há que se falar em necessidade de autorização de reexame de período já fiscalizado, previsto no RIR/99, uma vez que a denominação do termo de intimação utilizado para dar continuidade ao procedimento de fiscalização não tem o condão de alterar a natureza jurídica do procedimento fiscal, que foi o de continuidade de um procedimento já iniciado, encerrado por questões meramente de controle administrativo. 12 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (...) Feito estes esclarecimentos preliminares, que foram necessários em face dos fatos ocorridos neste procedimento de fiscalização, passaremos a responder os quesitos elaborados pelo CARF. Após a análise dos documentos que foram colocados à disposição desta diligencia, apresentamos as seguintes respostas aos questionamentos levantados pela autoridade julgadora: a) Se são autênticos os anexos I, II, III, IV juntados pela recorrente, confirmando que documentos contábeis fiscais da fiscalizada, relativos ao anocalendário de 2002, encontravam se de posse da Receita Federal. Sim, os documentos constantes nos anexos I, II, III e IV são autênticos. Cabe esclarecer que os documentos constantes nos anexos mencionados estão apensos ao processo nas fls. 374 a 385 e correspondem a Termos de Intimação, protocolo de entrega de documentos e Termo de devolução de Documentos. Em que pese a autoridade julgadora tenha condicionado a necessidade de resposta dos itens relacionados na letra "b" à negativa ao quesito da letra "a", por economia processual e tendo em vista os novos elementos que agora foram juntados ao processo, também responderemos estes quesitos, conforme a seguir relatado: (...) Intimada a se manifestar, a recorrente apresentou contrarrazões ao relatório de diligência aduzindo, em síntese, o seguinte (fl. 713 e ss.): É de notar que os quesitos formulados o foram por construção objetiva e de boa sintonia na solução da lide, cujo cerne é aclara questões cruciais da demanda. Todavia, por zelo, mas em desobediência ao determinado pelo d. Conselho, a autoridade preparadora estendeuse na diligência invadindo outros campos. (...) A rigor a diligência se exauri com a resposta da primeira pergunta, posto que positiva, uma vez que resolve o cerne da questão, qual seja: se são autênticos os anexos de I a IV, juntados pela Recorrente em seu recurso e se os documentos fiscais e contábeis estavam de posse na Receita Federal no curso da ação fiscal? No relatório de Diligência fiscal, em relação à primeira parte da pergunta, a resposta foi POSITIVA e nos seguintes termos: "Sim, os documentos constantes nos anexos I, II, III e IV são 13 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 autênticos". Fato que denota o rigor da legitimidade das provas apresentadas juntada ao recurso. (...) Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Reexame de Período já Fiscalizado Afirma a recorrente, entre outras ciosas, ser nulo o lançamento tendo em vista não ter havido ordem do Delegado da Receita Federal para reexame de período já fiscalizado, a teor do disposto no art. 906 do RIR/99, que assim estabelece: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº3.470, de 1958, art. 34). Sobre o assunto a autoridade que realizou a diligência, apesar de não haver sido provocada para tanto, se manifestou afirmando que a fiscalização do anocalendário de 2002 encontra amparo no MPF n° 2004006830. Diz que tal fiscalização é mero prosseguimento daquela amparada no MPF n° 2004000370, que também teve por objeto o anocalendário de 2002, e não nova fiscalização. Pois bem, pelo exame do documento de fl. 616 concluise que a fiscalização amparada no MPF n° 2004000370 foi “ENCERRADA SEM EXAME”. Isso posto, ao contrário do afirmado pela autoridade diligenciante, a fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração ora contestado não é mero prosseguimento da auditoria anterior sobre o mesmo período, mas nova fiscalização. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade, por vício formal, do lançamento sob exame. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto 14 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Conselheiro André Almeida Blanco, Redator designado. Conforme bem relatado e observado no Voto do ilustre Relator, do exame das fls. 616 concluise que a fiscalização amparada no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 2004000370 foi “ENCERRADA SEM EXAME”. Com isso, a Fiscalização que culminou com a lavratura do Auto de Infração discutido não é mero prosseguimento da Fiscalização anterior sobre o mesmo período, tratandose de uma nova Fiscalização. O procedimento de Fiscalização teve início com a lavratura do novo Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do que dispõe a Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº. 70.235/72) e que, em seu art. 7º, determina: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; A competência para a Fiscalização é dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, nos termos do previsto no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que dispõe: Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes. Dessa forma, concluise que o AuditorFiscal autuante era competente para realizar a Fiscalização em comento, nos termos da norma citada. Ocorre que prevê o art. 906 do RIR/99 que: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. No entanto, a Fiscalização foi iniciada, levando à final lavratura do Auto de Infração em análise sem que tenha havido ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil, como exigido pela lei. Ressaltese que referida ordem não é aquela consubstanciada no próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), mas sim uma ordem específica, apta a justificar o novo exame pela Fiscalização. Há a necessidade de que a ordem indique o motivo para a nova Fiscalização (p. ex. requisição do Ministério Público, comprovada fraude ou falta funcional da autoridade que efetuou a primeira Fiscalização, etc.), não podendo ser o mesmo motivo que originou a fiscalização pretérita. 15 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Tendo em vista que o citado art. 906, legislação específica relativa ao Imposto de Renda, dispõe que a autorização expressa é um REQUISITO PARA A EXISTÊNCIA da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 não dela dispor expressamente. Prevê referida norma que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tratase de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer. No caso em exame, é exigida a solenidade de autorização expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil, o que foi preterido pela Fiscalização. Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, ao tratar sobre o negócio nulo, ensinam que o mesmo é aquele que “não pode produzir nenhum efeito jurídico. Caso tenha produzido efeitos no mundo fático, o reconhecimento judicial dessa nulidade retira esses efeitos, pois esse reconhecimento tem eficácia ex tunc, isto é, retroativa, retroagindo à data da celebração do negócio nulo”.1 Assim, tendo em vista que o Regulamento do Imposto de Renda considera essencial para a validade do ato a ordem expressa do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, sendo essa uma solenidade essencial para a validade do ato, nulo o MPF e o lançamento do mesmo decorrente por sua ausência. Há que se ressaltar, aqui, que a nulidade em referência não é do “lançamento fiscal”, mas sim do Mandado de Procedimento Fiscal, o qual deu início ao procedimento que ocasionou no ato de lançamento. Além disso, tratase que questão de ato nulo e não anulável, vez que a norma de regência dispõe expressamente ser impossível o início da Fiscalização sem a autorização específica. Além disso, o art. 166 do Código Civil, aplicado analogicamente, dispõe que é nulo o negócio jurídico quando preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para sua validade. Pelas razões acima, inaplicável no caso o art. 173, inc. II do Código Tributário Nacional que dispõe: 1 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código civil comentado. 9. ed. São Paulo: RT. P. 435. 16 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. O artigo citado trata de ato anulável, o que não é o caso dos autos, vez que a matéria é de nulidade. Nas palavras de Alfredo Augusto Becker, “a sentença que decreta a nulidade desconstitui o ato jurídico nulo e apaga a sua existência jurídica pretérita e não atinge a sua eficácia (efeitos jurídicos), pela simples razão de que o ato jurídico nulo nunca chegou a ter eficácia”. 2 Dessa maneira, se com o reconhecimento da nulidade apagouse a “existência jurídica pretérita”, não há que se imaginar que a decisão que decreta a nulidade irá constituir um marco inicial para a contagem de novo prazo decadencial. De Plácido e Silva, também tratando sobre a questão atinente à nulidade, ensina que: “Nulidade, pois, em realidade, no sentido técnicojurídico, quer exprimir inexistência, visto que o ato ineficaz, ou sem valia, é tido como não tendo existência legal. Faltalhe a força vital, para que possa, validamente, procedentemente, produzir os efeitos jurídicos desejados. A rigor, a nulidade mostra vício mortal, em virtude do que o ato não somente se apresenta como ineficaz ou inválido, como se mostra como não tendo vindo.3 Além disso, a norma faz menção ao “lançamento”. Ocorre que o lançamento não possui nenhum vício formal. Os requisitos do lançamento, no presente caso, são aqueles previstos no art. 10 do Decreto 70.235/72 que dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; 2 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 4. ed. São Paulo: Noeses, 2007. P. 489. 3 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. V. III. Rio de Janeiro e São Paulo: Forense, 1963, p. 1.074. 17 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Vejam que todos os requisitos acima foram devidamente observados no lançamento, conforme se comprova de análise das fls. 05/32 dos autos. Por outro lado, viciado está o procedimento fiscal, o qual não poderia ter sido iniciado. Assim sendo, não é aplicável no presente caso o art. 173, inc. II do Código Tributário Nacional ao caso em análise, uma vez que nulo é o Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista ter sido lavrado sem a autorização prévia e específica do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Mesmo que se tratasse aqui de nulidade do lançamento, também não seria aplicável a regra do art. 173, inc. II do Código Tributário Nacional, vez que a norma trata de atos anuláveis e não de atos nulos. Conforme lições de José Souto Maior Borges: “O lançamento nulo, em consequência da gravidade respectiva, é, pela doutrina, eventualmente equiparado a um lançamento inexistente. Essa inexistência caracterizarseia pela irrelevância jurídica do lançamento nulo. Consideramse como nulidade hipóteses em que a autoridade competente deverá declarar que o ato submetido à sua apreciação é inválido e, consequentemente, ineficaz, projetandose os efeitos dessa declaração no passado, ou seja, até o momento da introdução desse ato no ordenamento jurídico. (...) Sem embargo, a nulidade, assim caracterizada, colocase num terreno fronteiriço da simples anulabilidade. A anulabilidade implica a impugnabilidade do lançamento. Anulável será o lançamento quando seus vícios deverão ser impugnados como condição sine qua non para que a autoridade administrativa competente o anule.4 Há que se ressaltar, também, as lições de Hugo de Brito Machado, para quem a reabertura do prazo decadencial prevista na norma em questão é para fins de correção do vício formal. Em suas palavras, “a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”.5 Ou seja, se o lançamento esta formalmente perfeito, não há o que ser sanado. Por sua vez, insanável a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que lhe deu causa, vez que não há como se obter uma autorização retroativa para o início do procedimento de fiscalização. 4 BORGES, José Souto Maior. Lançamento tributário. 2. Ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 247. 5 MACHADO, Hugo de Brito. Aspectos do direito de defesa no processo administrativo tributário. RDDT 175/106, abr/2010. 18 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Diante do exposto, acompanho o ilustre Relator quanto ao provimento do recurso em exame, divergindo quanto ao fundamento de direito, para declarar a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal e dos atos que se seguiram por vício substancial. Conselheiro André Almeida Blanco, Redator designado 19 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUE IROZ
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Numero do processo: 10830.007237/00-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1988 a 30/11/1995
PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 05/10/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontra-se o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre novembro e agosto de 1990, não tendo, paralelamente, sido atingidos pela prescrição os períodos de setembro de 1990 a setembro de 1995.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação relativa ao período de novembro de 1988 a agosto de 1990.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1988 a 30/11/1995 PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 05/10/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontra-se o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre novembro e agosto de 1990, não tendo, paralelamente, sido atingidos pela prescrição os períodos de setembro de 1990 a setembro de 1995. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 662 1 661 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.007237/0067 Recurso nº 252.304 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.422 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2013 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO DE PATOLOGIA CLÍNICA E PESQUISA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1988 a 30/11/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 05/10/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontrase o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre novembro e agosto de 1990, não tendo, paralelamente, sido atingidos pela prescrição os períodos de setembro de 1990 a setembro de 1995. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 37 /0 0- 67 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação relativa ao período de novembro de 1988 a agosto de 1990. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de número 280200.032, proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 05/10/2000, restituição/compensação de valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre novembro de 1988 e novembro de 1995 e, quanto ao direito de crédito em si, a Turma negou o mesmo no que se refere aos períodos de outubro e novembro de 1995, pelo fato de não ter sido questionado esses períodos nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário. Para tanto, a Segunda Turma Especial considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. O acórdão recorrido restou assim ementado: “PIS. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS NºS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À RESTITUIÇÃO E À COMPENSAÇÃO. Quando se pleiteia direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, o prazo de 5 (cinco) anos é contado da data da publicação da Resolução SF nº 49, ocorrida em 10/10/1995. É viável o pedido apresentado antes de 10/10/2000. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 11 DO SEGUNDO CONSELHO. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10830.007237/0067 Acórdão n.º 9303002.422 CSRFT3 Fl. 663 3 Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp nº 144.708RS e Súmula 11 do 2º CC), sendo a alíquota de 0,75%. Em relação aos fatos geradores ocorridos até fevereiro de 1996, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido nos termos da LC nº 7/70. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando contrariedade ao artigo 168 e 165, ambos do CTN, e, ainda, com base nos acórdãos utilizados como paradigmas, quais seja, os de números 20310.874 e 930300.080, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN. O acórdão paradigma de nº 20310.874 restouse assim ementado: “PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente prescreve em cinco (5) anos contados da extinção do crédito tributário caracterizada pelo pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, c/c art. 150, §1º, do Código Tributário Nacional. Recurso negado. D.O.U. de 12/03/2007, Seção 1, pág. 89. Terceira Câmara do Segundo Conselho. Processo nº: 10930.004926/200205. Recurso nº: 126.165.” A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em despacho de fls. 254/256, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, por meio de carta com aviso de recebimento, o contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso especial nem, tampouco, interpôs recurso especial quanto à parte do acórdão a quo que negou provimento ao seu recurso voluntário, tendo, entretanto, se resumido em apresentar um pedido de prorrogação de prazo “por mais de quarenta dias” a contar da data do protocolo do pedido em 27/03/2012, “devido à alteração de endereço da Receita Federal de Campinas”. O contribuinte também não apresentou qualquer manifestação após o referido pedido de prorrogação. É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Vejase que o acórdão a quo negou o crédito, por outras razões que não a decadência, relativos aos períodos de outubro e novembro de 1995. Não tendo o contribuinte questionado esses períodos, a discussão sobre os mesmos se encerrou, restando em aberto, apenas, a questão afeta à prescrição do pedido de restituição protocolado em 05/10/2000 para períodos compreendidos entre novembro de 1988 e setembro de 1995, a qual foi questionada pela Fazenda Nacional. Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10830.007237/0067 Acórdão n.º 9303002.422 CSRFT3 Fl. 664 5 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado pelo contribuinte em 05/10/2000, no que se refere apenas aos valores de PIS relativos ao período de novembro de 1988 a agosto de 1990. Nanci Gama Relatora Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.100121/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORCIONALIDADE. FALTA DE RAZOABILIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORCIONALIDADE. FALTA DE RAZOABILIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORCIONALIDADE. FALTA DE RAZOABILIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 10 01 21 /2 00 9- 72 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.100121/200972 Acórdão n.º 2801003.315 S2TE01 Fl. 140 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 18.221,44. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de dependente e despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: “3.1 Gastou considerável soma na realização de tratamento fisioterápico por ter sofrido no mês de dezembro de 2003 acidente doméstico que provocou inflamações no nervo ciático da perna direita, ocasionandolhe fortes dores e dificuldades de locomoção, sendo obrigado a contratar inúmeros serviços médicos. 3.2 É de se ver da documentação anexa que, sobre a totalidade dos valores tidos pelo impugnante como desembolsados, existem recibos que comprovam seu recebimento pelos prestadores de serviços. E mais, após instado pela própria Receita Federal a apresentar declaração dos prestadores que o pagamento foi realizado, logrou êxito em recolher declaração de três dos quatro prestadores de serviços médicos impugnados, os quais informam textualmente i) terem sido prestados os serviços; ii) terem recebido pelos serviços; e iii) que o pagamento deuse através de dinheiro. 3.2.1 Quanto à fisioterapeuta Leni Mara dos Santos, não foi possível obter a declaração pois esta mudouse para endereço desconhecido do Impugnante. 3.3 Entretanto, entendeu a Fazenda Pública que havia irregularidades nas notas apresentadas e, assim, simplesmente as desprezou, tanto quanto com as declarações firmadas. Mas ora, não pode a autoridade exigir que o contribuinte avalie a regularidade das notas que lhe são fornecidas, pois estaria exigindo dele o exercício de competência que lhe é exclusiva e, portanto, indelegável. É impossível para o cidadão comum avaliar os recibos que lhe são apresentados. A aparente regularidade desses documentos já é suficiente. E mais, exigir que o contribuinte faça os pagamentos em cheque é então de um absurdo sem tamanho, pois não há na lei nenhuma determinação de que tais pagamentos não possam ocorrer em dinheiro! Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.100121/200972 Acórdão n.º 2801003.315 S2TE01 Fl. 141 3 3.4 Assim, fato é que os recibos utilizados pelo contribuinte para realizar as deduções cabíveis preenchem todos os requisitos exigidos pela Lei, quais sejam, nome, endereço e CPF do prestador de serviços que o emitiu. 3.5 Às fls. 07 a 16 o contribuinte insurgese contra a aplicação da multa de mora. Alega que a mesma é desproporcional e, por consequência, confiscatória. Salienta ainda a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa.” A 9ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 55/60, que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. O direito à dedução das despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. MULTA DE MORA CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício aplicada no percentual de 75% está prevista no artigo 44, inciso I e § 3 o , da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Regularmente cientificado daquele acórdão em 12/05/2011 (fl. 66), o interessado, representado por seu advogado (fl. 84), interpôs recurso voluntário de fls. 68/83, em 13/06/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução nº 2801000194 (fls. 88/91), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse juntada aos autos a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 97/138, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.100121/200972 Acórdão n.º 2801003.315 S2TE01 Fl. 142 4 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa da dedução de despesas médicas. A referida glosa foi assim fundamentada pela autoridade fiscal: “Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa ao valor de R$ ********27.670,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8º, inciso II, alínea 'a', e §§.2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Falta de comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços ao titular e/ou seus dependentes legais, dos valores a seguir relacionados: EDIVAR BATISTA DE OLIVEIRA, CNPJ/CPF: 991.275.98691, R$ 5100,00 TÂNIA MARIA SEKI, CNPJ/CPF: 215.704.91852, R$ 6570,00 LENI MARA DOS SANTOS, CNPJ/CPF: 098.690.43844, R$ 3000,00 CRISTIANE ABADIA BORGES FARIA, CNPJ/CPF: 223.830.11860, R$ 13000,00’ Considerando que não se encontrava nos autos a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços mencionada pela fiscalização, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse juntada aos autos a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas. Em atendimento, foi juntado, às fls. 97/137, o dossiê com os documentos apresentados pelo contribuinte em data de 20/03/2009 e 15/05/2009, para fazer face ao Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.100121/200972 Acórdão n.º 2801003.315 S2TE01 Fl. 143 5 atendimento da Intimação Fiscal de Malha PF, de 09/03/2009, com recepção (AR) em 13/03/2009, bem como a Termo de Intimação Fiscal datado de 29/04/2009 (fl. 103), com AR em 15/05/2009 (fl. 104), que solicitou a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas referentes aos profissionais Edivar Batista de Oliveira, Tânia Maria Seki, Leni Mara dos Santos e Cristiane Abadia Borges Faria. Por sua vez, o interessado, desde a fase impugnatória, requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos correspondentes pagamentos. No caso sob exame, como o recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela autoridade lançadora, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.100121/200972 Acórdão n.º 2801003.315 S2TE01 Fl. 144 6 Quanto à penalidade aplicada, é de se esclarecer que está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Em relação à reclamada incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, observase que se trata de matéria estranha ao presente litígio, haja vista que tal cobrança não consta do lançamento em apreço. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11030.902180/2012-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 80 /2 01 2- 77 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902180/201277 Acórdão n.º 3803005.275 S3TE03 Fl. 72 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em dezembro de 2003, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 4.218,74. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902180/201277 Acórdão n.º 3803005.275 S3TE03 Fl. 73 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902180/201277 Acórdão n.º 3803005.275 S3TE03 Fl. 74 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902180/201277 Acórdão n.º 3803005.275 S3TE03 Fl. 75 5 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10715.001883/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA IMPUGNAÇÃO.
Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da impugnação e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância.
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REGISTRO. TRANSPORTADOR. DATA DO EMBARQUE DA MERCADORIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, quando o transportador descumpre a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no Siscomex, no prazo e condições estabelecidos pela RFB. Na contagem desse prazo, excluise o dia de início e incluise o de vencimento, conforme o caput do art. 210 do CTN, não sendo de aplicar, porém, a regra encartada em seu parágrafo único. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA IMPUGNAÇÃO. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da impugnação e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 18 83 /2 01 0- 52 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 90.000,00, com origem em transportes de carga realizados em setembro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 90.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em agosto de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/000129/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação As fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes as mercadorias embarcadas em 07.09.2006, 22.09.2006 e 28.09.2006 foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.001883/201052 Acórdão n.º 3202000.990 S3C2T2 Fl. 169 3 especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes As mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente, em 18.02.2011, a autuada comparece aos autos, às fls. 44 a 50, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n° 1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplica se imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto a aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (..) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001252/201114. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 25.374, de 29/07/2011 (fls. 66/73), em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 80/112, por meio do qual sustenta, em síntese, depois de defender a sua tempestividade e de relatar os fatos: A multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Não há provas do cometimento da infração. Não se tendo juntado cópias de telas do Siscomex, restam apenas alegações sem comprovação. Houve erro grosseiro da fiscalização ao considerar o voo AF/442, ocorrido em 30/09/2006, como de exportação. Não existe prova de que o registro efetuado pela Recorrente se deu a destempo. Segundo art. 46 da IN nº 28, de 1994, a averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira do embarque. Ou seja, depreendese do referido dispositivo que a planilha de embarques que acompanha o auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. Quando ocorre retificação da data do embarque, é esta data que é considerada pela Receita, não a do efetivo registro. O auto de infração apresenta uma lista de datas de informação de embarque que não é correta porque o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Frisese ainda que até o ano de 2008 o sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO registrava alterações aos registros tempestivamente realizados como novos registros. Assim, caso fosse verificado, por exemplo, divergência de peso que impossibilitasse a averbação automática, as companhias aéreas tinham que excluir a informação equivocada, apagála do Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.001883/201052 Acórdão n.º 3202000.990 S3C2T2 Fl. 170 5 sistema e, em seguida, incluir a informação correta. Todavia, tal alteração somente era possível com a intervenção da fiscalização, nos termos do que dispõe o art. 49 da IN n° 28, de 1994. Para efeitos de contagem de prazo, portanto, e por defeito no sistema, levavase em conta a data da inserção da informação correta. Ou seja, a empresa aérea poderia até ter inserido a informação no prazo e com base no AWB, mas, em face de informação divergente da DDE, apenas a data da retificação ficava registrada. Daí porque não há como se considerar as informações constantes do auto de infração impugnado como corretas para fins de afirmação de que o registro se deu a destempo, porque o sistema era falho em guardar a data do primeiro registro efetuado pela Recorrente. Este fato foi objeto inclusive de análises da própria Receita Federal em várias Soluções de Consulta (Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT/N° 215, de 16 de agosto de 2004). Apenas o SERPRO pode confirmar as datas em que efetuados os registros. Reitera o pedido para essa providência seja realizada. É fato frequente nos dias de hoje, e ainda mais frequente em anos anteriores, que as companhias tentem acessar o SISCOMEX e não obtenham êxito, tendo que aguardar o sistema retornar ao seu status regular após diversas horas ou mesmo dias. A constatação da infração não leva em consideração as indisponibi1idades do sistema e sequer as aponta. Considera o mundo ideal em que o SISCOMEX está à disposição ininterruptamente. Por esta razão todas as empresas de aviação, bem como os agentes de carga, sem exceção, consideram injusta a aplicação da multa pelo atraso na inserção de dados no sistema, eis que não podem ser responsabilizadas por fato alheio às suas vontades. Visando comprovar o alegado, a Recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, razão pela qual é absurda a imposição de multa à Recorrente considerandose as diversas falhas do Siscomex (referente a datas dos anos de 2002 a 2005). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). As obrigações acessórias previstas no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 têm por finalidade auxiliar o controle de conferência e estatístico da exportação. A inobservância daqueles prazos somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadação do Fisco. Tal ocorre, por exemplo, quando a averbação é corrigida para enquadrar a remessa em regime especial tributário (drawback). De fato, é o exportador, e não o Fisco, o maior interessado na averbação, pois o fechamento do câmbio e o consequente recebimento das receitas de exportação só se dão com a conclusão desta formalidade. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação encerrase com a autorização para o embarque da mercadoria, na forma do artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, dispõe que é vedado ao Estado impor aos administrados obrigações e sanções em medida desnecessária ao atendimento do interesse público. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Vale ressaltar, por fim, que a Receita Federal possui diversas soluções de consulta afirmando que a multa por embaraço à fiscalização somente pode ser aplicada quando restar comprovado o impedimento ou o embaraço à atividade fiscal, conforme soluções transcritas no Recurso, o que não ocorre no caso em exame. Há uma absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa pela alegada infração da Recorrente. A Receita Federal vem aplicando multas à Recorrente por praticamente todos os voos realizados nos anos de 2004 a 2009. A Recorrente presta informação completa em relação a todos os AWBs voados. Isto sugere que o atraso era decorrente de questões operacionais (falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa. É importante lembrar que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria. A obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da Instrução Normativa 28/94 é complexa. A intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques. A multa prevista no DecretoLei n° 37/66 não foi concebida considerandose a prática do negócio de exportação aérea. Ela é uma multa única para situações totalmente diversas. Quanto mais AWBs embarcados, mais chances de atrasos existem por força da lei universal e inafastável da estatística. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente principia as suas razões de defesa com a alegação de que nulo é o lançamento, ao fundamento de que a multa aplicada não corresponde à infração praticada, o que cerceou o seu direito de defesa. Acresce também que não haveria provas do cometimento da infração. O equívoco, em ambos os casos, é evidente. Primeiro, porque basta verificar o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar, acostado à fl. 3 dos autos, para constatar que a fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, não alínea “c” do mesmo dispositivo. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.001883/201052 Acórdão n.º 3202000.990 S3C2T2 Fl. 171 7 e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga Portanto, enquadramento incorreto não há. Segundo, porque que os dados que embasaram o lançamento foram extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema informatizado que reflete, num único ambiente, todas as informações relativas ao comércio exterior e no qual é exercido o controle governamental brasileiro, a partir inclusive, impende ressaltar, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregos ou representantes legais. Se alguma delas está incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Contudo, nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas na planilha de fls. 11/12. Pelo mesmo motivo, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas com algumas que se teriam verificado inclusive em anos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. No mérito, a questão litigiosa já foi inúmeras vezes apreciada por esta Turma – a multa pelo não registro no Siscomex, no prazo assinalado na legislação aduaneira, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Em julgamento recente, expus o entendimento de que o prazo que deveria regrar a obrigação do transportador era o estabelecido na legislação vigente na data do embarque, independentemente de sua ampliação por legislação superveniente. Depois de meditar sobre o assunto com maior detença, cheguei à conclusão de que, de fato, é de se aplicar a tese da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, tal como, aliás, já foi feito pela instância de piso, que excluiu da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 (sete) dias. De conseguinte, deve ser mantida a autuação quanto aos demais embarques mencionados na decisão recorrida, visto que ultrapassado o prazo estabelecido para o registro. Como não constou da impugnação, não cabe apreciar a alegação de que fiscalização teria laborado em equívoco em relação ao voo AF/442, ocorrido em 30/09/2006. É cediço, a impugnação estabelece os limites do litígio. O recurso voluntário deve aterse às questões processuais e de mérito decididas pela instância de piso, não cabendo ofertar, neste recurso, matéria nova, porquanto resultaria em supressão de instância. Na contagem dos prazos, a decisão recorrida acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN, que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada. Tratase de regra Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. O nosso entendimento, como se vê, é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT n.º 215, de 2004. Contudo, além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/voo, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 15.000,00. O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes (Súmula CARF n.º 2). Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração adicional. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910095/2011-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 95 /2 01 1- 16 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 35, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910095/201116 Acórdão n.º 3802002.222 S3TE02 Fl. 47 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 33), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 35). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000732/2001-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES - Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES - Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria dos votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 32 /2 00 1- 53 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 3 2 Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 24 de janeiro de 2008 a Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 10196.537, deu provimento ao recurso voluntário de Plus Serviços e Cobranças Ltda., cancelando o lançamento litigado, em decisão assim ementada: IRPJ — DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL NULIDADE A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Recurso Provido. Tempestivamente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial entre Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, em relação à. possibilidade de nulidade do auto de infração no caso de erro na apuração da matéria tributável. A Recorrente apresenta à lide transcrição das ementas dos Acórdãos paradigmas 10320451, 10319105 e 10514302, cujas ementas, no que interessa ao especial, estão assim redigidas: Acórdão 10320451 "Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. Acórdão 10319105 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Provada a ocorrência de erro na determinação da matéria tributável, é de se excluir da tributação os correspondentes valores. Acórdão 10514302 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALÊNCIA DA NORMA ESPECIFICA SOBRE A NORMA GENÉRICA . AUTO DE INFRAÇÃO EXIGINDO TRIBUTO JÁ INCLUÍDO NO Fl. 959DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 4 3 REFIS. OPÇÃO PELO REFIS DURANTE PROCESSO FISCALIZATÓRIO. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO . APLICAÇÃO DE JUROS PARAMETRADOS PELA TAXA SELIC EM PERÍODO POSTERIOR .À OPÇÃO PELO REEIS – Estando a empresa sob fiscalização e tendo optado pela inclusão do crédito tributário no Refis, ao final do prazo de opção, é de se reconhecer a prevalência da norma específica instituidora do Refis, garantindose a opção. Readquire a espontaneidade o contribuinte, após decorridos sessenta dias de intimação escrita (§ 2°, Art. 7°, do Dec. 70.235/72), não tendo havido em tal tempo o encerramento da ação fiscal nem a lavratura de novo ato escrito pela autoridade fiscalizadora, reputandose espontâneo o procedimento de parcelamento realizado durante a ação fiscal. Advindo a formalização posterior, decorridos oito meses da opção pelo Refis, de exigência de idêntico valor, pela via do auto de infração, deve ser respeitada a multa de 20% adotada pelo Comitê Gestor na consolidação do débito, mercê da espontaneidade readquirida, e também os juros parametrados pela variação da TJLP a partir da data da opção, afastado o cálculo da fiscalização com adoção da Taxa Selic. Não é de se declarar nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, apesar de despiciendo, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte, não podendo, porém, gerar qualquer efeito jurídico além daqueles decorrentes da própria legislação instituidora e reguladora do Refis. Recurso conhecido e parcialmente provido. O Presidente da Primeira Câmara comparou as ementas e considerou que a divergência estava configurada pelo fato de o recorrido entender que o erro na delimitação da matéria tributável é caso de nulidade do auto de infração, enquanto os paradigmas têm entendimento no sentido de que seria o caso de excluir os valores decorrentes do erro na determinação da matéria tributável. Ciente do recurso, a interessada apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Inicialmente, é preciso estabelecer os contornos fáticos dos casos confrontados, para precisar se houve divergência de interpretações. Os acórdãos 10320451 e 10319105 originaramse de recurso de ofício em que a exigência foi reduzida em primeira instância por ter sido comprovado, ou mediante diligência, ou pelos documentos juntados à impugnação (cópia dos Livros Caixa e dos documentos), que a autoridade lançadora cometeu erros na apuração da matéria tributável. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 5 4 Tais acórdãos não se prestam para comparação com o recorrido, que trata de situação totalmente distinta. De fato, no presente processo (Acórdão 10196.537, recorrido) a fiscalização, em procedimento de revisão da declaração do ano calendário de 1996 (Malha) levado a efeito em 2001, constatou a compensação integral de prejuízos, sem respeitar o limite legal. Intimado a explicar o fato, o contribuinte informou que assim procedeu ao abrigo de liminar concedida pelo Poder Judiciário, e que em 1998, quando a liminar foi cassada, calculou os tributos devidos e os incluiu no Refis. A fiscalização apurou que o contribuinte utilizou uma metodologia errônea nos cálculos para fins de inclusão dos débitos no REFIS, e que os valores informados não guardam, necessariamente, coerência com aqueles decorrentes da apuração anual do IRPJ no anocalendário 1996. O auditor fiscal encarregado da Malha assentou que seria lícito ao contribuinte solicitar a revisão dos débitos consolidados em sua declaração no REFIS, retificando a forma pela qual chegou aos valores dos débitos incluídos, provando que incluiu valores já corrigidos e solicitando o recálculo do débito consolidado. Aduziu que poderia ocorrer a redução do valor dos débitos, mas ponderou que mesmo que a SRF detecte eventuais diferenças à época de um eventual pedido de revisão do REFIS, se for constatado que caberia a cobrança de valores adicionais devidos à compensação acima dos 30% para o ano de 1996, estes débitos já poderiam estar abrangidos pelo instituto da decadência, impossibilitando a cobrança dos mesmos. Concluiu, afinal, que “mesmo vislumbrando que a intenção do contribuinte foi a de incluir no REFIS os débitos de IRPJ e CSLL apurados em decorrência da compensação a maior da BC negativa da CSLL e do Prejuízo Fiscal, não há como negar que é possível, no futuro, mesmo que judicialmente, ocorrer o pedido de revisão do REFIS, haja vista, repetindo, que os débitos informados estão em desacordo com as instruções do REFIS.”. Tomado de “incertezas quanto à liberação da declaração DIRPJ/97”, optou pela lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL para garantir o crédito tributário, e ainda, proporcionar a oportunidade ao contribuinte de rever sua metodologia adequandoa ao que dispõe a legislação do REFIS. Como visto, no caso específico, ao lavrar o auto de infração a autoridade fiscal sabia, com certeza, que parte do crédito tributário que estava lançando era indevido, por já estar sendo pago no Refis. Essa situação em nada se assemelha aos casos julgados pela Terceira Câmara, em que o crédito foi lançado a maior por erro cometido pelo autuante na apuração da matéria tributável, e a exoneração de parte do crédito decorreu exclusivamente de prova. O julgado no presente processo nada tem a ver com matéria de prova, mas apenas com erro na apuração do valor incluído no REFIS. O Acórdão 10514302 envolve lançamento de crédito incluído no Refis, tal como no presente processo, e, diferentemente, não cancelou o lançamento. Assim, aparentemente, haveria dissídio jurisprudencial. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 6 5 A questão posta à apreciação da Quinta Câmara envolvia autos de infração lavrados relativamente a tributos que, no curso do procedimento fiscal, foram incluídos no Refis com multa de 20%, e a autoridade fiscal fez o lançamento exigindo novamente o tributo e fazendo incidir sobre ele a multa de 75%, fazendo a ressalva de que "quando da execução do acórdão, atentese que o contribuinte em epígrafe aderiu ao REFIS (...) fez adicionar aos valores originalmente devidos a multa de mora, limitada ao patamar de 20% .” O voto condutor do Acórdão 10514302 assentou que o lançamento era desnecessário, porque o débito já estava confessado, e se a discordância do autuante fosse quanto à multa, poderia têla lançado isoladamente. Limitouse, assim, a decidir quanto à multa. A Câmara entendeu que, embora despiciendo, não seria nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte. Como se vê, também esse caso não se presta para caracterizar o dissídio, pois não envolve qualquer incerteza quanto à determinação da matéria tributável. A autoridade cumpriu todos os requisitos intrínsecos do lançamento previstos no art. 142 do CTN, determinou a matéria tributável, calculou o tributo e aplicou a multa julgada devida, e destacou que na execução deverseia observar o valor incluído no Refis. Não há controvérsia quanto à matéria tributável e ao valor do principal. No acórdão recorrido, ao contrário, a autoridade fiscal omitiuse de determinar a matéria tributável, deixando de cumprir requisito essencial do lançamento. O autuante admite incerteza quanto à suficiência do principal incluído no Refis, mas não o apura. Esse fato foi que justificou a decisão da Primeira Câmara, de cancelar o lançamento. Assim, entendo não configurada a divergência de interpretações, pois os posicionamentos diferentes estão justificados pelas especificidades dos casos. Isto posto, não conheço do recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI
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