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Numero do processo: 11128.006322/99-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Retificado
Numero da decisão: 3402-006.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada.
(assinado digitalmente)
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RodrigoMineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de SáPittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro SousaBispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Retificado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada. (assinado digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 22 /9 9- 19 Fl. 8749DF CARF MF 2 Tratase de embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do artigo 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 310200.669 (fls. 8574 a 8594), da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, proferido em sessão de 25/05/2010, cuja Ementa abaixo se transcreve em sua integralidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO ANTES DO PRAZO' CINCO ANOS. INOCORRÊNCIA 0 termo inicial do prazo caducidade do direito lançar o crédito tributário suspenso pela aplicação do regime aduaneiro drawback, modalidade suspensão, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte ao ano em que ocorreu o seu vencimento e término no final do quinto ano seguinte (art. 173, I, do CTN, c/c o art. 319 do Regulamento Aduaneiro de 1985). Inexiste decadência do crédito tributário se o sujeito passivo é cientificado do lançamento antes de expirado o prazo de 5 (cinco) anos, contado de acordo com o critério estabelecido precedentemente. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/03/1993 a 12/03/1998 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. COMPROVAÇÃO. REGISTRO EXPORTAÇÃO. ERRO FORMAL DE PREENCHIMENTO. Uma vez sanados os erros formais de preenchimento da documentação comprobatória do cumprimento do compromisso de exportar, deve ser considerado como cumprido o regime de Drawback. Crédito tributário parcialmente mantido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Transcrevo o dispositivo da decisão embargada: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Eufrasio e Nanci Gama, que a acatavam. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter integralmente o lançamento quanto aos Atos Concessórios de n's 00495/0054 e 00496001; e parcialmente, quanto à fração dos seguintes atos concessórios correspondente as RE indicadas entre parênteses: AC 194392/0000246 (RE 93/0444090001, 93/0444090002 e 93/0884990001); AC 1943 93/0000303 (RE 93/0675576002, 93/0675576003 e 93/0675576004); e AC 494/0000078 (RE 95/0025297001 e 95/0485397001). Vencidos os conselheiros José Fernandes do Fl. 8750DF CARF MF Processo nº 11128.006322/9919 Acórdão n.º 3402006.755 S3C4T2 Fl. 8.750 3 Nascimento (Relator) e Luis Marcelo Guerra de Castro, que também mantinham a fração do lançamento relativamente as RE indicadas entre parênteses, atreladas aos seguintes atos concess6rios: AC 494/0000078 (RE 95/0025297001 e 95/0485397001) e AC 494/0000132 (96/0186585001). Designada a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena para redigir o voto vencedor. Em segunda votação, a conselheira Nanci Gama aderiu à corrente vencedora. A Conselheira Maria Regina Godinho declarouse impedida de votar". O referido Acórdão foi objeto de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 8597 a 8599), regularmente admitidos e acolhidos, os quais resultaram no Acórdão de Embargos no 3102002.370, de 25/02/2015 (fls. 8627 a 8637), que retificou aquela decisão, dandoa nova redação para o dispositivo do Voto Vencedor e para o Acórdão, deixando este último com os seguintes termos: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência, vencidos os Conselheiros Elias Eufrásio de Nanci Gama, que a acatavam. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir o crédito tributário correspondente aos Atos Concessórios nºs 00495/0054 e 00496/001 e manter o crédito tributário correspondente à fração dos seguintes Atos Concessórios correspondentes às RE indicadas entre parênteses: AC 194392/0000246 (RE 93/0444090001, RE 93/0444090002 e 93/0884990001); AC 194393/0000303 (RE 93/0675576002, 93/0675576003 e 93/0675576004); AC 494/ 0000078 (RE 95/0025297001 e 95/0485397001) e AC 494/ 0000132 (96/0186585001). Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento (Relator) e Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinham o lançamento quanto aos Atos Concessórios de nºs 00495/ 0054 e 00496/001." A embargante alega a ocorrência do vício de omissão no Acórdão embargado quanto à exclusão do lançamento tributário em relação a Atos Concessórios objeto de autuação. Nesse sentido, requer que seja sanada a omissão do dispositivo do Acórdão embargado, para que dele conste também o cancelamento da autuação em relação a esses Atos. Destacase que o presente processo trata de Autos de Infração lavrados para exigência de II e IPI, por descumprimento de regime de drawback objeto dos seguintes Atos Concessórios (ACs): Nº Ato Concessório Termo Final AC 194392/0000246 02/11/1994 194393/0000230 08/03/1995 194393/0000303 20/03/1995 194393/0000575 03/12/1994 194393/0000850 04/02/1995 194393/0000990 10/03/1995 494/0000035 16/02/1995 494/0000043 16/02/1995 Fl. 8751DF CARF MF 4 494/0000060 08/03/1995 494/0000078 25/03/1996 494/0000132 21/06/1996 42794/00191 19/03/1998 00495/00054 26/08/1997 00496/00014 22/07/1998 Segundo a alegação fiscal, o regime de drawback suspensão teria sido descumprido pelo sujeito passivo pela ausência de comprovação dos requisitos formais relacionados à exportação, pela ausência do código específico para o regime de drawback (81101) e a falta do número do Ato Concessório do regime nos registros de exportação. Também foram apurados que a empresa utilizou, para fins de adimplemento do regime, Registros de Exportação vencidos, ou seja, com prazo de validade expirado sem que fossem vinculados a um determinado Despacho Aduaneiro de Exportação (DDE), além de Res de outros contribuintes, e de exportações ocorridas antes da importação de insumos pelo regime de Drawback. O lançamento foi integralmente mantido pela DRJ São Paulo II, por meio do Acórdão n° 1721.551. Os embargos foram admitidos pelo antigo Presidente desta turma julgadora (Despacho de Admissibilidade às fls.8737 a 8742). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes Os Embargos de Declaração são tempestivos, conforme demonstrado no Despacho de Admissibilidade, e atendem os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. O sujeito passivo alega que o Acórdão 310200.669 foi omisso, quanto à exclusão do lançamento tributário em relação a Atos Concessórios objeto de autuação. Segundo seu entendimento, o Acórdão nº 310200.669, mesmo após a alteração realizada pelo Acórdão nº 3102002.370, continuou omisso sobre a exclusão, por unanimidade, do lançamento tributário em relação aos demais Atos Concessórios objeto de autuação, quais sejam: ACs nº 194393/0000230, 194393/0000575, 194393/0000850, 194393/0000990, 494/0000035, 494/0000043, 494/0000060 e 42794/00191. A decisão embargada, já retificada pelo Acórdão 3102002.370, assim decidiu expressamente: Fl. 8752DF CARF MF Processo nº 11128.006322/9919 Acórdão n.º 3402006.755 S3C4T2 Fl. 8.751 5 (i) Por maioria dos votos: cancelou o lançamento em relação aos REs relativos aos Atos Concessórios nº 00495/0054 e 004960001, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro; (ii) Por unanimidade dos votos: cancelou integralmente a autuação em relação aos demais Atos Concessórios, com exceção apenas dos Atos Concessórios nº 194392/0000246, 1943 93/00000303, 494/0000078 e 494/00000132, que foram parcialmente cancelados, para manutenção da autuação em relação aos seguinte Registros de Exportação: Constatase que o fundamento do voto vencido da decisão embargada “Dos RE com código da operação errado e sem anotação do ato concessório. Inicialmente, cabe fazer uma rápida digressão acerca da evolução histórica da legislação aduaneira que disciplina a questões atinentes aos elementos probatórios destinados à comprovação do compromisso de exportar assumido no âmbito do regime drawback suspensivo, com especial destaque para os requisitos que deve conter o RE, com vista a servir de elemento adequado de prova do regime em apreço. Levando em conta o período de ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados (II e IPI) na presente autuação, compreendido entre 31/03/1993 e 12/03/1998, temse uma data que é considerada um divisor em matéria de requisitos do RE, para que seja admitido como elemento adequado de prova do compromisso de exportar do citado regime. Refirome ao dia 12/06/1997, data da vigência da Portaria Secex n° 4, de 11 de junho de 1997. [...] Assim, em relação aos Atos Concessórios, cuja comprovação foi formalizada antes de 12/06/1997, o Comprovante de Exportação, devidamente autenticado pela autoridade aduaneira competente da RFB, era o documento indicado como meio de prova hábil e idôneo do compromisso de exportação atinente ao regime em destaque. Fl. 8753DF CARF MF 6 É oportuno enfatizar novamente que, até a referida data, não existia na legislação aduaneira a exigência de que o RE, para ser aceito como meio de prova do compromisso de exportação consignado no AC, contivesse o código atribuído a operação do drawback suspensivo, bem como anotação do número do ato concessório. [...] Logo, por falta de previsão legal, por si só, as falhas apresentadas nos RE, consistentes no código da operação errado e na ausência de anotação do AC, não eram suficientes para desqualificar o dito documento, para fins de comprovação do regime em tela. No presente procedimento fiscal, apenas os Atos Concessórios de n's 00495/0054 e 004960014 tiveram comprovação formalizada, perante o Órgão habilitado pela Secex, após 12/06/1997. Consequentemente, em relação a esses AC, somente os RE, contendo o código da operação correto e com a anotação do AC, poderão ser aceitos como prova hábil e idônea do respectivo compromisso de exportar.” Já o voto vencedor não fez qualquer distinção em relação a RE’s anteriores a 12/06/1997, considerando que as retificações posteriores efetuadas pelo sujeito passivo seriam hábeis para comprovar as exportações. Transcrevo excerto do voto vencedor: “Peço licença para discordar parcialmente das doutas razões expostas pelo ilustre relator, porquanto entendo que a irresignação do Contribuinte merece provimento para afastar as apontadas irregularidades de prova de cumprimento do regime de Drawback por erro na informação do código da operação de exportação nos RE (código 81101) e por falta de averbação do número do Ato Concessório (AC) nos RE. [...] Para fazer prova da exportação compromissada no regime de Drawback Suspensão, entendo que cabe ao Contribuinte colacionar todo tipo de prova que obtiver a seu favor, observados os termos da lei, em sentido estrito. Ressalto que o Contribuinte regularizou, por iniciativa própria, os erros de preenchimento dos RE e de indicação dos atos concessórios, ainda que após o embarque da mercadoria e a averbação do Despacho Aduaneiro de Exportação (DDE). 0 Secex anuiu, depois, com tais retificações. Ao assim proceder, deixou os documentos em consonância com o disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro de 2005, que regula os requisitos de comprovação do regime aduaneiro especial.” Claro está que a turma julgadora decidiu pela exoneração do lançamento em relação aos demais Atos Concessórios objeto de autuação, cujo fundamento foi a irregularidade formal nos RE’s (código de exportação errado e ausência de vinculação do Ato Concessório), quais sejam: ACs nº 194393/0000230, 194393/0000575, 194393/0000850, 1943 93/0000990, 494/0000035, 494/0000043, 494/0000060 e 42794/00191. Apenas em relação aos AC’s 00495/0054 e 004960014 o provimento foi por maioria, por entender alguns conselheiros que a vinculação seria prevista para fatos posteriores a 12/06/1997, data da Fl. 8754DF CARF MF Processo nº 11128.006322/9919 Acórdão n.º 3402006.755 S3C4T2 Fl. 8.752 7 vigência da Portaria Secex n° 4, de 11 de junho de 1997, posição rejeitada pela maioria do colegiado. Diante do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada. O Acórdão passa ter a seguinte redação: “Acordam os membros do Colegiado: (i) por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência, vencidos os Conselheiros Elias Eufrásio e Nanci Gama, que a acatavam; no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir o crédito tributário correspondente aos Atos Concessórios nºs 00495/00054 e 00496/00014. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento (Relator) e Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinham o lançamento quanto aos Atos Concessórios de nºs 00495/00054 e 00496/00014. (ii) por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário correspondente aos Atos Concessórios nºs 194393/0000230, 194393/0000575, 1943 93/0000850, 194393/0000990, 494/0000035, 494/0000043, 4 94/0000060, 42794/00191; em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário correspondente à fração dos seguintes Atos Concessórios correspondentes às RE indicadas entre parênteses: AC 194392/0000246 (RE 93/0444090001, RE 93/0444090002 e 93/0884990001); AC 194393/0000303 (RE 93/0675576002, 93/0675576003 e 93/0675576004) ; AC 494/0000078 (RE 95/0025297001 e 95/0485397001) e AC 494/0000132 (96/0186585001). É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 8755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.721342/2016-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 08/03/2016
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/03/2016 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 13 42 /2 01 6- 89 Fl. 303DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.330 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721342/2016-89 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Procedente em Parte. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 304DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.330 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721342/2016-89 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 305DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.330 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721342/2016-89 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003292/2001-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000
JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não incide juros de mora sobre parcelas de valores depositados judicialmente tempestivos, mantém-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas.
Numero da decisão: 9303-009.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-01T14:37:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-01T14:37:19Z; Last-Modified: 2019-08-01T14:37:19Z; dcterms:modified: 2019-08-01T14:37:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-01T14:37:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-01T14:37:19Z; meta:save-date: 2019-08-01T14:37:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-01T14:37:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-01T14:37:19Z; created: 2019-08-01T14:37:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-08-01T14:37:19Z; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-01T14:37:19Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10410.003292/2001-53 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-009.216 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 18 de julho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA SERRA GRANDE S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000 JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Não incide juros de mora sobre parcelas de valores depositados judicialmente tempestivos, mantém-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403-002.770, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 32 92 /2 00 1- 53 Fl. 400DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 por unanimidade de votos, não conheceu o recurso voluntário quanto à matéria submetida ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, deu provimento parcial para excluir os juros de mora em relação à parcela do crédito tributário coberta por depósitos judiciais, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. VIABILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (Súmula CARF nº 48). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, das provas não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000 Fl. 401DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. POSSIBILIDADE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, quando não existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5)” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando contradição entre a decisão e seus fundamentos, sendo apreciados pela turma a quo, que consignou no acórdão 3403-002.986 a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONCLUSÃO DO VOTO. RESULTADO DO JULGAMENTO. CONTRADIÇÃO INTERNA. O vício de contradição que enseja a abertura da via recursal dos declaratórios refere-se à diferença entre o fundamento condutor do decisum e o resultado do julgamento e deve ser sempre constatável na própria decisão embargada. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte que afastou a exigência dos juros de mora sobre os valores correspondentes aos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte, trazendo, entre outros, que se o valor não foi depositado integralmente, segundo as normas tributárias vigentes, é inquestionável a aplicação pela autoridade fiscal de juros de mora sobre todo o tributo lançado. Fl. 402DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que interpretando a Súmula CARF 5, o depósito do valor do crédito exclui o acréscimo dos juros de mora até a força do montante depositado, devendo ser cancelado o acréscimo de juros sobre a parcela depositada. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecê-lo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à lide trazida em recurso, recordo que essa turma já apreciou essa matéria – o que, peço licença para citar o acórdão 9303-007.539, que consignou a seguinte ementa através do voto vencedor do ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, exclui-se do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. ” O que, nesse sentido, trouxe o ilustre conselheiro: “[...] Tendo em vista a existência dos depósitos mensais, adoto a razão de decidir do acórdão recorrido, pois não vejo infração à Súmula CARF nº 5 neste caso. Fl. 403DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 Diante das considerações expressas no presente voto, sobre os efeitos dos depósitos judiciais e extrajudiciais, é de se concluir que, no lançamento destinado a prevenir a decadência de crédito tributário com exigibilidade suspensa por depósitos judiciais, além de não ser cabível o lançamento da multa de oficio, também os juros de mora não podem ser exigidos. Esse entendimento é corroborado pelo ensinamento de Sacha Calmon Navarro Coelho (Curso de Direito Tributário Brasileiro, 6ª ed., 2001, Ed. Forense, pág. 682): "A mora, por outro lado, não prospera porque o depósito integral do crédito elide a aplicação dos juros pela demora de pagar, bem como das penalidades dirigidas a sancionar o inadimplemento da obrigação tributária na data fixada bem como das penalidades dirigidas a sancionar 0 inadimplemento da obrigação tributária na data fixada em lei. Como os depósitos são administrados pelo Poder Público, a ele incumbe prover a sua atualização monetária. O depósito, dependendo do desfecho da lide, resolve-se em devolução (vitória do sujeito passivo da obrigação tributária) ou em conversão em renda (vitória do sujeito ativo da obrigação). ” Assim sendo, de acordo com o inciso II do art. 151 do CTN, somente o depósito do montante integral do crédito tributário é capaz de suspender a exigibilidade. Destaque-se que, por montante integral, deve ser entendido o valor igual ao crédito tributário devido na data do depósito, ou seja, caso realizado posteriormente à data de vencimento do tributo, inclui o principal mais os encargos legais cabíveis. Dessa forma, acaso depositado integralmente, se transformado em pagamento definitivo, extingue o débito. Corroborando esse entendimento, no mesmo sentido votou o conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303002.749, de 21/01/2014, quando assim se manifestou; O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. A Lei nº 6.830, de 1980, assim dispõe: Fl. 404DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 “Art.9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...) §4º.Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Assim, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. (...) (Negritei.)” Frise-se também o que restou decidido, por unanimidade, através do acórdão 9303-003.326, de relatoria do nobre ex-conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que consignou a seguinte ementa: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendo-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 405DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.216 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10410.003292/2001-53 Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 13646.000133/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos Embargos em diligência, para que a Unidade de Origem demonstre documentalmente a assertiva de que houve o aproveitamento de créditos das Contribuições, em duplicidade, nas aquisições de bens e serviços dos fornecedores Tech Data Brasil Ltda., Ingram Micro Brasil Ltda., Centrifugal Fans Mnuf., e Mil Impl. p/ Transportes, bem como nas parcelas de depreciação desses ativos; e elabore Relatório da Diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos Embargos em diligência, para que a Unidade de Origem demonstre documentalmente a assertiva de que houve o aproveitamento de créditos das Contribuições, em duplicidade, nas aquisições de bens e serviços dos fornecedores Tech Data Brasil Ltda., Ingram Micro Brasil Ltda., Centrifugal Fans Mnuf., e Mil Impl. p/ Transportes, bem como nas parcelas de depreciação desses ativos; e elabore Relatório da Diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela contribuinte, em face do Acórdão 3201-003.575, prolatado por esta Turma na sessão de 20/03/2018, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração sustentando contradição, omissão, erro de premissa e inovação no acórdão, e aponta para os seguintes vícios: (i) contradição - foi reconhecido o crédito em relação a alguns insumos e não reconhecido em relação a outros; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 46 .0 00 13 3/ 20 10 -1 2 Fl. 1031DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.248 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13646.000133/2010-12 (ii) contradição, omissão e inovação, relacionada aos créditos com bens/serviços alocados no centro de pesquisas; (iii) omissão no enfretamento das glosas de crédito relacionados a investimentos ativados, cuja afirmação da fiscalização houve o aproveitamento em duplicidade; (iv) contradição, erro de premissa e omissão - itens não consumidos no processo produtivo; (v) omissão - crédito sobre bens ativáveis. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Turma entendeu que os vícios apontados nos itens (i), (ii), (iv) e (v) caracterizam-se mero inconformismo da embargante, vez que expressamente enfrentado no acórdão embargado; assim, rejeitou-os. Reconhecido, contudo, ausência de enfrentamento de matéria de defesa trazida pela contribuinte quanto ao vício suscitado no item (iii). A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão nº 3201-003.575 e interpôs embargos de declaração que foram rejeitados em despacho do Presidente da Turma (fls. 955/959). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos em parte os embargos, nos termos do relatado linhas acima, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Com razão a recorrente no tocante à omissão suscitada; o acórdão embargado não julgou a matéria. Consta de sua impugnação e repisado em recurso voluntário seu inconformismo quanto à glosa de créditos da não cumulatividade de PIS e Cofins de algumas das despesas (não todas), que a autoridade fiscal constatou a apropriação em duplicidade. Para esclarecer os fatos e delimitar o litígio convém transcrever excertos das peças. As despesas glosadas referem-se a "Investimentos Ativados", que constam do item "5" do "Crédito Extemporâneo I" e do item "3" do "Crédito Extemporâneo II" do Relatório Fl. 1032DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.248 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13646.000133/2010-12 Fiscal. A fiscalização assevera ter constatado que o contribuinte apurou crédito sobre bens e serviços nas contas "13210001 — Obras" e "13201005 — Máquinas e Equipamentos" e explicitou a incorreção na tomada de créditos (fls. 36/41 e 83/88): Nessas contas são registrados os investimentos em obras e máquinas e equipamentos que contribuem para o resultado de vários exercícios, depois de imobilizados. Como imobilizados, geram créditos incidentes somente sobre os encargos de depreciação. Portanto, não podem gerar créditos no momento da aquisição, pois não representam despesas do exercício. Como exposto, o contribuinte apurou crédito sobre o mesmo bem ou serviço duas vezes, no momento da aquisição e nos encargos de depreciação, contrariando as disposições legais que preveem a apuração de créditos sobre itens do imobilizado unicamente nos encargos de depreciação. Assim, o crédito apurado sobre os itens a seguir será glosado. (...) A CBMM reconheceu em sua impugnação o equívoco no aproveitamento de crédito em duplicidade (na aquisição e nas quotas de depreciação), conformando-se em parte com as glosas. Contudo irresignou-se em relação às glosas lançadas na conta "13201005 — Máquinas e Equipamentos", somente nas aquisições de alguns fornecedores, que alega não ter aproveitado créditos com base nas quotas de depreciação (fl. 135): Não houve impugnação em relação a parte dessa glosa, eis que, por equívoco, a impugnante realmente havia adotado o procedimento acima descrito. Contudo, não foi o que ocorreu em relação aos gastos lançados na conta 13201005 — Máquinas e Equipamentos, especificamente no caso das aquisições junto aos seguintes fornecedores: Tech Data Brasil Ltda., Ingram Micro Brasil Ltda., Centrifugal Fans Mnuf., e Mil Impl. p/ Transportes. `De fato, a impugnante não poderia tomar créditos com base nos valores das respectivas aquisições. Mas não procede a alegação de que eles estariam sendo aproveitados também com base nas quotas de depreciação. Assim, considerando que o próprio Fisco reconhece que tais bens podem ser ativados, a glosa deve ser reformada a,fim de que se admita a possibilidade de aproveitamento dos créditos com base nas quotas de depreciação. Após delimitar o litígios pontuando exatamente sobre quais aquisições a então impugnante contestou as glosas, a DRJ manteve a autuação nos seguintes termos (fl. 204): Entretanto, a impugnante faz apenas alegações, não trazendo qualquer elemento de prova capaz de infirmar a constatação da autoridade autuante de que o crédito já foi aproveitado. Assim, não há como dar razão à defendente, tampouco admitir o aproveitamento dos créditos com base nas quotas de depreciação, conforme solicitado. No recurso voluntário a matéria foi arguida no item "2.2.5 - Investimentos Ativados" - folhas 304/306 - reprisando os mesmos argumentos de impugnação e contestou a decisão recorrida que se firmou ante a falta de comprovação das alegações para manter as glosas efetuada pelo Fisco. Fl. 1033DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.248 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13646.000133/2010-12 E foi além, ao argumentar que a DRJ exigiu-lhe uma prova negativa, e o ônus da comprovação da alegada duplicidade no aproveitamento de créditos competia à fiscalização. Veja-se excertos: (...) A esse respeito, o acórdão nada acrescentou a não ser a lacônica afirmação de que as informações constantes da planilha juntada pela recorrente aos autos não estavam acompanhadas de documentos que as respaldassem. Ora, o ônus de desconstituir a alegação da recorrente de que apenas reconheceu tais dispêndios no momento da sua aquisição era da fiscalização. Aos autos foi acostada planilha que demonstra o registro de que tais valores não foram creditados sobre quotas de depreciação. Exigir da recorrente uma prova desse jaez equivale a exigir que o contribuinte produza perante as autoridades fiscais a chamada prova negativa, o que não é admitido em direito. (...) Não obstante esteja certa de que a exigência manifestada pelo acórdão recorrido é despropositada, a recorrente pede vênia para acostar aos autos novas provas, consistentes em cópias de imagens tiradas dos seus sistemas, das quais pode ser visto que não foi computado nenhum registro a título de depreciação referente aos dispêndios em tela (doc. 1). Observe-se que, quando não há depreciação não ocorre nenhum lançamento e o sistema lança uma observação "Não existem depreciações". Ao revés, quando a depreciação é registrada, o sistema indica os respectivos valores no campo "Depreciações lançadas/planejadas", como se pode ver, a título ilustrativo, pelos documentos ora juntados (vide doc. 01). Embargada a decisão recorrida, na matéria a CBMM aduz que o item "4. “INVESTIMENTOS ATIVADOS: OBRAS, MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS”, não fez qualquer ponderação sobre o assunto. Pois bem, o relato acima demonstra a omissão do acórdão embargado que não enfrentou a matéria. O litígio trata de auto de infração para o reajustamento dos créditos tomados indevidamente pela contribuinte. O ponto em debate diz com a divergência entre os créditos aproveitados pela contribuinte na apuração das Contribuições devidas quanto a aquisições de itens ativáveis e nos encargos de depreciação desses mesmos itens. A contribuinte somente contestou a duplicidade na tomada de créditos das pessoas jurídicas Tech Data Brasil Ltda., Ingram Micro Brasil Ltda., Centrifugal Fans Mnuf., e Mil Impl. p/ Transportes. A fiscalização apresentou a relação das glosas discriminado as informações nos quadros de folha 41, para os "Créditos Extemporâneos I, de 2005" e de folha 86, para os Créditos Extemporâneos II, de 2005", reproduzidos: Fl. 1034DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.248 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13646.000133/2010-12 Constam dos autos intimações ao contribuinte para a apresentação dos registros contábeis e demais dados para a análise e confronto com os créditos consignados no Dacon. Portanto, é de se presumir que a fiscalização obteve as informações necessárias para se chegar à conclusão do aproveitamento de créditos em duplicidade. Todavia, os dois quadros acima tão-somente revelam o valor de PIS e de Cofins calculado, provavelmente, sobre o valor de aquisição do bem ou do serviço. A contribuinte, por sua feita afirma a inocorrência do aproveitamento de crédito em duplicidade exclusivamente em relação a quatro pessoas jurídicas. Verifica-se que a autoridade fiscal não colacionou aos autos os lançamentos contábeis que indubitavelmente demonstrasse o aproveitamento de crédito na aquisição do bem/serviço e também sobre os encargos de depreciação. Dessa forma, impende à solução do litígio na matéria que a autoridade fiscal demonstre documentalmente a acusação de créditos tomados em duplicidade. Conclusão Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, voto para a conversão do presente julgamento em diligência para que a unidade de origem: 1. Demonstre documentalmemte a assertiva de que houve o aproveitamento em duplicidade de créditos das Contribuições não cumulativas tanto na aquisição de bens e serviços, dos fornecedores Tech Data Brasil Ltda., Ingram Micro Brasil Ltda., Centrifugal Fans Mnuf., e Mil Impl. p/ Transportes, bem como nas parcelas de depreciação desses ativos; 2. Elabore relatório conclusivo e dê ciência ao contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente sua manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 1035DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.248 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13646.000133/2010-12 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008040/2006-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.749
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal de 179,0 hectares, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
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Numero do processo: 10980.726895/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE ACOLHIMENTO.
Existindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas e, portanto, é legítima a equiparação prevista no DL. nº 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao PIS e à COFINS. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este (Clube Atlético Paranaense) não se transmite àquela (SCPs). Logo, uma vez mantidas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs, não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao Clube Atlético Paraense.
EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE TERCEIROS.
Como acréscimo patrimonial, enquanto o patrimônio corresponde à universalidade de direitos e obrigações do sujeito, não é possível, a título de tributação da renda, se alcançar valores que não pertencem à titularidade do sujeito passivo. Logo, devem ser excluídos da presente autuação os valores comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, mas repassados a terceiros.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas e, portanto, é legítima a equiparação prevista no DL. nº 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao PIS e à COFINS. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este (Clube Atlético Paranaense) não se transmite àquela (SCPs). Logo, uma vez mantidas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs, não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao Clube Atlético Paraense.
EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE TERCEIROS.
Como acréscimo patrimonial, enquanto o patrimônio corresponde à universalidade de direitos e obrigações do sujeito, não é possível, a título de tributação da renda, se alcançar valores que não pertencem à titularidade do sujeito passivo. Logo, devem ser excluídos da presente autuação os valores comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, mas repassados a terceiros.
Numero da decisão: 1201-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração para sanar obscuridade quanto aos itens I e II, sem efeitos infringentes; acolher os embargos quanto ao item III, com efeitos infringentes; e acolher os embargos para sanar o erro de fato quanto ao item IV, todos conforme o voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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HIPÓTESES DE ACOLHIMENTO. Existindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas e, portanto, é legítima a equiparação prevista no DL. nº 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao PIS e à COFINS. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este (Clube Atlético Paranaense) não se transmite àquela (SCPs). Logo, uma vez mantidas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs, não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao Clube Atlético Paraense. EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE TERCEIROS. 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Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 95 /2 01 1- 34 Fl. 4483DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este (Clube Atlético Paranaense) não se transmite àquela (SCPs). Logo, uma vez mantidas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs, não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao Clube Atlético Paraense. EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE TERCEIROS. Como acréscimo patrimonial, enquanto o patrimônio corresponde à universalidade de direitos e obrigações do sujeito, não é possível, a título de tributação da renda, se alcançar valores que não pertencem à titularidade do sujeito passivo. Logo, devem ser excluídos da presente autuação os valores comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, mas repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração para sanar obscuridade quanto aos itens I e II, sem efeitos infringentes; acolher os embargos quanto ao item III, com efeitos infringentes; e acolher os embargos para sanar o erro de fato quanto ao item IV, todos conforme o voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratam-se de Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte (e- fls. 4417/4425) em face do r. Acórdão nº 1201-001.676 (e-fls. 4330/4361), exarado na sessão de 16 de maio de 2018. 2. Esta c. Turma, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício e em deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação relativa ao Clube Atlético Paranaense, mantendo a autuação das SCPs até o período não atingido pela decadência, vale dizer, a partir de agosto de 2006, compensando-se os créditos de PIS e COFINS comprovados nos autos. Fl. 4484DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 3. Na ocasião foram vencidos a Conselheira Eva Maria Los (Relatora) e os Conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que davam provimento parcial ao Recurso de Ofício, para confirmar a autuação relativa ao Clube Atlético Paranaense e parcial provimento, em menor extensão, ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer o direito aos créditos de PIS e COFINS comprovados nos autos. Restaram vencidos, ainda, os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva, que davam integral provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães foi designado para redigir o voto vencedor. 4. A questão de fundo remete a autos de autos de infração lavrados por falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativo ao período de 01/2005 a 12/2009. 5. O lançamento teve por base o entendimento da douta autoridade fiscal de que a contribuinte não gozaria da isenção do IRPJ, da CSLL (lançamentos fiscais constantes do processo nº 10980.726897/2011-23), da COFINS e do PIS/Faturamento, tendo em vista a revogação do artigo 30 da Lei n° 4.506/64 por meio do artigo 18 da Lei n° 9.532/1997, somado ao não enquadramento do Clube na isenção estabelecida, concomitantemente, pelo artigo 15 deste mesmo ato legal (IRPJ e CSLL) e pelos artigos 13 e 14 da Medida Provisória n° 2.158-35/ 2001 (COFINS e PIS/Faturamento). 6. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA julgou a impugnação apresentada procedente em parte, excluindo da exigência todas as parcelas de contribuição relacionadas à obtenção de receitas tidas como próprias do clube e acolhendo a prejudicial de decadência em relação à contribuição mantida relativa às receitas das sociedades em conta de participação (01/2005). Do acórdão, recorreu-se de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. 7. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 4045/4133) em 11/06/2012 (AR de 11/05/2012, e-fl. 4040). 8. Por fim, o Acórdão embargado restou assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, contudo, em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Fl. 4485DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O sócio ostensivo exerce a atividade constitutiva do objeto social, e a exerce em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela. NEGOCIAÇÃO DE ATLETA. VANTAGEM ECONÔMICA. CLÁUSULA PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em natureza indenizatória do valor recebido pela negociação do atleta quando as circunstâncias expõem a remuneração decorrente da operação mercantil. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITOS. Do valor devido de PIS apurado pela aplicação do percentual legal, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação aos custos e despesas autorizados pela legislação, mediante a aplicação da mesma alíquota. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O sócio ostensivo exerce a atividade constitutiva do objeto social, e a exerce em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela. NEGOCIAÇÃO DE ATLETA. VANTAGEM ECONÔMICA. CLÁUSULA PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em natureza indenizatória do valor recebido pela negociação do atleta quando as circunstâncias expõem a remuneração decorrente da operação mercantil. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITOS. Do valor devido de PIS apurado pela aplicação do percentual legal, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação aos custos e despesas autorizados pela legislação, mediante a aplicação da mesma alíquota. Fl. 4486DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INTIMAÇÕES. PROCURADORES. Cabe negar o pleito dada a inexistência de previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS. LANÇAMENTO. EFEITOS. É descabido o lançamento de PIS e Cofins com base na não cumulatividade em relação às associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas.” 9. Os Embargos foram opostos e admitidos em parte pela r. presidência (e- fls. 4474/4481), “no que se refere ao primeiro item — “omissão do v. acórdão quanto à inaplicabilidade da equiparação prevista no DL. 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao Pis e à Cofins”, ao segundo item — “omissão do v. acórdão sobre a isenção em relação às parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao CAP”, ao quinto item — “erro material e omissão quanto aos valores repassados a terceiro não sócio das SCPs” (na parte relativa à omissão) e ao sexto item — “omissão, contradição e erro material quanto aos créditos de R$ 8.580,00 e R$ 39.520,00 reconhecidos pela Ilma. Relatora, mas ignorados na conclusão do seu voto e na parte dispositiva””. 10. Na parte rejeitada (terceiro, quarto e sétimo itens – “omissão quanto à expressa definição legal da natureza jurídica de “cláusula penal” (indenização) dos valores recebidos pelas SCPs – art. 28 da Lei Pelé”; “obscuridade e contradição quanto à regra de imunidade das receitas de exportação”; e “omissão sobre a decadência dos lançamentos de 08/2006 em face das antecipações de Pis e Cofins feitas pelo Embargante”, respectivamente), o I. Presidente registrou que o despacho é definitivo, nos termos dos arts. 65, § 3º, e 66, § 1º, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF/2015), com a redação dada àquele primeiro dispositivo pela Portaria MF nº 39, de 2016. É o relatório. Voto Fl. 4487DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 11. Diante da delimitação dos pontos omissos, contraditórios e/ou obscuros constantes do despacho de admissibilidade desta r. Presidência, cumpre aqui analisá-los item a item. I. “Omissão do v. acórdão quanto à inaplicabilidade da equiparação prevista no DL. 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao Pis e à Cofins” (item 1, constante dos Embargos de Declaração e do Juízo de Admissibilidade) 12. Acerca desse tópico, assim e manifestou a r. decisão embargada (destaques do original): Relatório (...). 8. O Recurso pugna pelas seguintes questões: (...). 4) amplia, indevidamente, ao arrepio da lei e por analogia, a equiparação das SCPs a pessoas jurídicas, para fins de cobrança de COFINS e de PIS, contrariando os limites do disposto no artigo 7º do Decreto-Lei nº 2.303/86, que apenas se refere ao IRPJ, art. 148 do RIR, violando-o aos arts. 97 e 108 do CTN; e as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, base legal da autuação, nada dispõem sobre equiparação; [...]. 5) equipara, ilegalmente, a SCP a pessoa jurídica para fins de incidência tributária, sendo que é mero contrato de parceria, e desconsidera a ilegalidade originária e/ou a revogação do art. 7º do Decreto-Lei nº 2.303/86 pelo novo Código Civil de 2002; da aplicação do regime jurídico do sócio ostensivo; (...). Voto Vencido (...). 3.3 SCP’S. TRIBUTAÇÃO PELO PIS E COFINS. 36. No caso, como já esclarecido, as SCP’s, entendendo-se isentas ou imunes, não exerceram qualquer opção pelo lucro presumido que as autorizasse à incidência cumulativa do PIS e Cofins. 37. O regime geral a ser aplicado às pessoa jurídicas é o do lucro real, no qual PIS e Cofins são pelo regime da não-cumulatividade, regidos pelo art. 4º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 5º da Lei nº 10.833, de 2003, que determinam que são contribuintes as pessoas jurídicas que tenham faturamento mensal e que se não se encontrem expressamente excluídas dessa modalidade pelas normas de regência. 38. Também, o art. 148 do RIR, de 1999, determina que as sociedades em conta de participação – SCP são equiparadas pelo imposto de renda às pessoas jurídicas. Fl. 4488DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 13. Quando do despacho de admissibilidade, a r. Presidência entendeu que: “a decisão embargada que o art. 148 do RIR, de 1999, determina que as sociedades em conta de participação – SCP são equiparadas pelo imposto de renda às pessoas jurídicas. Porém, não se manifestou, aquela decisão, explicitamente, a respeito da suposta inaplicabilidade dessa mesma equiparação para fins de Pis e Cofins, como alegado pela Embargante". 14. Em que pese a r. decisão embargada não tenha cuidado de desenvolver com maior profundidade seu raciocínio quanto à aplicabilidade da equiparação prevista no DL. 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao Pis e à Cofins, considero que a próprio sentido da ratio decidendi é claro e, portanto, no máximo, estamos diante de potencial obscuridade. No mais, insta consignar que o julgador não é obrigado a apreciar cada um dos argumentos apresentados pelo contribuinte quando apenas parte deles é suficiente para fundamentar a decisão. 15. Dito isso, partindo do que foi decido por maioria de votos, bem como da própria ementa e teor do r. acórdão - inclusive em alusão ao decidido nos lançamentos de IRPJ e CSLL-, não há dúvidas de que a C. Turma equiparou as sociedade em conta de participação (SCP) às pessoas jurídicas tanto para os efeitos da legislação do imposto de renda como para efeitos da legislação do PIS e da COFINS. 16. Ainda assim, para que não restem dúvidas quanto ao enfrentamento do tema, transcrevo, para além da manifestação constante da r. decisão embargada (excertos supra), os fundamentos constantes da r. decisão da DRJ (e-fls. 4010/4030), verbis: “Conforme dispõem o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, em relação à Cofins cumulativa, e o art. 2º, inciso I, da Lei nº 9.715/1998, em relação ao PIS/Pasep (cumulativo) incidente sobre o faturamento, são contribuintes das referidas exações as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda. Por sua vez, consoante dispõe o art. 4º da Lei nº 10.637, de 2002 e o art. 5º da Lei nº 10.833, de 2003 (relativos ao PIS/Pasep não cumulativo e à Cofins não cumulativa), são contribuintes as pessoas jurídicas que tenham faturamento mensal e que se não se encontrem expressamente excluídas dessa modalidade pelas normas de regência. Não bastasse isso, vê-se que o art. 148 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, deixa claro que as sociedades em conta de participação – SCP são equiparadas pelo imposto de renda às pessoas jurídicas. Em suma, seja pela modalidade cumulativa ou pela modalidade não cumulativa as aludidas sociedade são contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins.” (grifos nossos) - adicionalmente, ver citação complementar constante do item 31 do presente voto 17. Vejam que, o r. voto condutor da DRJ faz menção ao artigo 148 do RIR/99 (art. 70 do Decreto-Lei n° 2.303/86) para demonstrar que a equiparação das SCPs às pessoas jurídicas para os efeitos da legislação do imposto de renda também o é, por decorrência e menção expressa, para fins do PIS e da COFINS. Fl. 4489DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 18. Bem elucidativas também, são as explicações constante do r. Acórdão nº 1402-002.182, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, quando do julgamento das exigências de IRPJ e CSLL, verbis: “No mérito, o primeiro fato digno de realce é que a tributação envolveu o lucro das SCP e não o resultado individual de cada um dos sócios. A segunda questão relevante consiste em não se poder olvidar que, por força do art. 111, do CTN; a legislação que trata de isenção deve ser interpretada literalmente. Sob essa ótica, ainda que por hipótese se pudesse acatar a isenção do CAP por força do art. 15, da Lei nº 9.532/97, tal benefício jamais pode ser estendido às SCPs simplesmente pelo fato do clube ser o sócio ostensivo delas. O art. 994 do Código Civil já estabelece a distinção entre o patrimônio da SCP e o do sócio ostensivo. Já a legislação do imposto de renda estabelece que as SCPs ainda que desprovidas de personalidade jurídica, equiparam-se a qualquer outro sujeito passivo para efeito de tributação (Decreto nº 2.4303/86): “Art. 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas, para os efeitos da legislação do imposto de renda, as sociedades em conta de participação. Parágrafo único. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” Assim, o dispositivo supra transcrito está em perfeita consonância com o Código Civil, não havendo que se falar em revogação. Quanto à sistemática de apuração do resultado, a legislação estabelece que a exigência tributária sobre a SCP deve ser formalizada em nome do sócio ostensivo (IN/SRF nº 179/87): “Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. [...]” Sendo assim, não resta dúvida de que os lucros apurados pela SCPs não se confundem com os resultados do CAP e devem ser tributados, não se lhes aplicando o regime jurídico do sócio ostensivo independentemente de se considerar que o clube goze de isenção.” (grifos nossos) 19. Por mais que esta relatoria não concorde com tal posicionamento e seja extremamente sensível às razões trazidas pela ora Embargante em seu Recurso Voluntário (especialmente às e-fls. 4083/4089) e nas próprias razões recursais (e-fls. 4417/4418), considero que a questão encontra-se superada e os Embargos de Declaração não podem servir à rediscussão da matéria aqui em pauta. 20. Dito de outra forma, ainda que considere frágeis os fundamentos trazidos pela r. acórdão embargado para fins de manter a atuação de PIS e COFINS com relação às receitas das SCPs, os Embargos de Declaração não são a via recursal adequada para superar esse inconformismo. Fl. 4490DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 21. Assim, com relação a esse item, merecem os presentes embargos serem acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar potencial obscuridade e, portanto, considerar aplicável a equiparação prevista DL. nº 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao Pis e à Cofins, especialmente nos termos dos itens 16, 18 e até 29 (correlato, conforme se verificará a seguir) do presente voto. II. “Omissão do v. acórdão sobre a isenção em relação às parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao CAP” (item 2, constante dos Embargos de Declaração e do Juízo de Admissibilidade) 22. Sobre esse tópico, aliás, diretamente relacionado ao racional do item anterior, assim se exprimiu a decisão embargada (destaques do original): Relatório (...). 8. O Recurso pugna pelas seguintes questões: (...). 7) no mínimo, deveria ter sido reconhecida a isenção quanto ao resultado próprio do Recorrente das atividades das SCPs, isto é, quanto à parcela dos resultados da SCP´s cabível ao Recorrente; (...). Voto Vencido (...). 29. A Recorrente requereu ainda que seja reconhecida a isenção quanto ao resultado próprio do Recorrente das atividades das SCP`s, isto é, quanto à parcela do resultados da SCP's cabível ao Recorrente, contudo a conclusão deste voto é que não há isenção para o CAP, portanto, o pleito não se aplica. (...). Voto Vencedor (...). Apesar de bem fundamentada a exposição da ilustre relatora, peço vênia para dela divergir somente quanto à exigência de PIS e Cofins sobre as receitas próprias do Clube Atlético Paranaense. Adoto, por comungar da mesma opinião, as razões expostas no voto condutor da decisão de 1ª instância do processo conexo de IRPJ e CSLL (10980.726897/2011-23), proferido no Acórdão nº 06-35.951, de 15 de março de 2012, pela DRJ/CURITIBA/PR, que considerou que os clubes de futebol constituídos sob a forma de Associação Civil sem fins lucrativos têm direito à isenção do IRPJ e da CSLL. Abaixo trago a colação excertos do voto do relator: (...). Fl. 4491DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 (...). De fato, a autoridade lançadora entendeu que, em razão de seu enquadramento equivocado como associação sem fins lucrativos, a autuada desfrutou indevidamente do benefício de recolher a Contribuição ao PIS com base na folha de pagamentos, bem como da isenção de COFINS conferida às receitas daquelas associações, ambas por meio da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, promovendo as exigências consoante a sistemática não cumulativa instituída pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em tais circunstâncias, as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS, com base nas receitas operacionais da autuada, não subsistem em razão do disposto na Medida Provisória nº 2.158-35/2001: (...). 23. De acordo com o despacho de admissibilidade, como o voto vencido manteve a exigência de PIS e COFINS sobre as receitas próprias do CAP, deveria o voto vencedor, ao considerar tais valores isentos, se manifestar acerca da isenção em relação às parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao CAP. Nesse esteira, considerou patente a omissão apontada. 24. Em análise das razões de decidir constante do r. acórdão embargado, considero não haver efetiva omissão, mas, no máximo, potencial obscuridade. Explico, se o voto vencedor acompanhou a relatora para fins de manter as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs e isentou as receitas próprias da CAP, sendo certo que as sociedades em conta de participação têm o clube como sócio ostensivo, por decorrência lógica não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao CAP. 25. Frise-se, no presente caso temos duas situações fáticas: (i) receitas obtidas pelo CAP em suas operações próprias – reconhecida, por maioria de votos, a isenção de PIS/COFINS; e (ii) receitas obtidas em razão de operações de sociedades em conta de participação que têm o clube como sócio ostensivo - mantida a exigência, por maioria de votos. 26. Na medida em que as receitas das SCPs não foram consideradas isentas, como segregar eventual parcela dessas receitas das SCPs cabíveis ao CAP? Não há, salvo se o Recurso Voluntário da contribuinte tivesse sido provido, o que não ocorreu. 27. A ora Embargante faz alusão ao item X-D do Recurso Voluntário para dizer que “ao menos a parcela das receitas das SCPs cabível contratualmente ao CAP deveria ser reconhecida como isenta”. Na prática, essas receitas são justamente as consideradas tributáveis pelo r. acórdão. À título exemplificativo, se o voto vencedor considerasse isentas tais receitas, a decisão seria claramente contraditória. 28. Novamente, ainda que esta relatoria não concorde a manutenção das exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs (e, portanto, restaria vencida), não podemos olvidar que a r. decisão embargada tem como premissa dois aspectos: (i) a exigência Fl. 4492DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 tributária envolve as receitas das SCPs e não o resultado individual de cada um dos sócios; e (ii) o benefício da isenção do CAP não pode ser estendidos às SCPs simplesmente pelo fato do clube ser sócio ostensivo delas. 29. Nesse sentido, os fundamentos constantes da decisão da DRJ (e-fls. 4010/4030) que em cotejo com a própria ementa da r. decisão embargada (item 8), deixam claro que: (i) na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas; (ii) como a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela. Confira-se: “Das Sociedades em Conta de Participação – da sujeição passiva As sociedades em conta de participação estão hoje reguladas pelos arts. 991 a 996 da Lei nº 10.406, de 2002 – Código Civil Brasileiro. Os aludidos dispositivos estabelecem: “Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão somente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.” As sociedades em conta de participação não têm personalidade jurídica, embora sejam equiparadas pela legislação do Imposto de Renda às pessoas jurídicas e nestas sociedades, somente o sócio ostensivo exerce a atividade constitutiva do objeto social, e a exerce em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. Os demais sócios, denominados sócios ocultos, obrigam-se exclusivamente perante o sócio ostensivo e participam dos resultados correspondentes. Nos termos dos arts. 996 e 1.007, do Código Civil, os sócios, tanto o ostensivo como os ocultos, participam dos lucros ou perdas, na proporção das respectivas quotas. Conforme dispõem o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 (...)” - citação constante do item 18 deste voto. 30. Assim sendo, resta evidente que as exatas razões de decidir para manter a exigência do PIS/COFINS sobre as receitas das SCPs sevem para manter a parcela das receitas das SCPs cabível contratualmente ao CAP. Fl. 4493DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 31. Com efeito, diante da falta deste raciocínio expresso, merecem os presentes embargos serem acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar potencial obscuridade e, portanto, deixar claro que as receitas das SCPs em geral sofrem a incidência de PIS e COFINS, especialmente nos termos dos itens 16, 18, 29 e 30 do presente voto. III. “Erro material e omissão quanto aos valores repassados a terceiro não sócio das SCPs” (na parte relativa à omissão) (item 5, constante dos Embargos de Declaração e do Juízo de Admissibilidade) 32. Quanto à esse item, assim se externou a decisão embargada em seu Relatório (destaques do original): Relatório “(...). 8. O Recurso pugna pelas seguintes questões: (...). 9) quanto à SCP nº 2, contratante do atleta Fernando Luiz Rosa, e à SCP nº 4, contratante do atleta Guilherme Alvim Marinato, se mantida a autuação, deve ela recair sobre a parcela que efetivamente caberia às SCPs, qual seja, 80% (oitenta por cento) do valor recebido a título de indenização, eis que os 20% (vinte por cento) restantes pertencem a terceiro não sócio; (...); (...) g. págs. 4.256/4.262, TED para Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues, integrante das 4 SCP , R$730.514,00, em 14/12/2011; carta do CAP para CEF, em 14/12/2011, para pagamento de R$1.095.771,00 para PSTC e R$730.5614,00 para Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues; demonstrativo venda atletas Fernando Luiz Rosa, quitação de saldo em 14/12/2011 a PSTC e MAARS; Instrumento Particular de Quitação e Recibo de Pagamento; Recibo do sócio Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues, referente cessão de uso de camarote, 23/02/2010; comprovante de transferência de R$1.017.715,00 para Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues, pelo CAP em 15/12/2011; Explicação: nenhum dos pagamentos dá direito a créditos de PIS ou Cofins são acertos internos da SCP.” 33. Conforme o item XII do Recurso Voluntário (e-fls. 4111/4114), nos contratos das SCPs n° 2 e n° 4 (Cláusula 2º, § 2°) consta expressamente que terceiro não sócio era detentor de 20% do valor recebido por transferência de jogadores, e à SCP pertenciam os 80% restantes. 34. De fato, o r. acórdão embargado foi omisso quanto ao fato de que aqueles 20% do valor não eram receita da SCP, não podendo compor as bases de cálculo dos tributos cobrados. 35. Nota-se que, há prova de que o CAP efetivamente transferiu a parcela que cabia ao terceiro não sócio (e-fls. 4113/4114): Fl. 4494DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 - SCP n° 2 (demonstrativo de f. 2.845 do PAF), atleta Fernando Luiz Rosa, cuja tributação foi considerada no 1° Trimestre de 2005 e no 4° trimestre de 2007: • transferência bancária (TED) de R$ 5.113.220,51, realizada em 02/08/2005 (f. 400 destes autos); • transferência bancária (TED) de R$ 730.514,00, realizada em 14/12/2011 (Doc. 118- 122). - SCP n° 4 (demonstrativo de f. 2.847 do PAF), contratante do atleta Guilherme Alvim Marinato, cuja tributação foi considerada no 3° Trimestre de 2007: • pagamento mediante compensação de R$ 13.200,00 (folhas 1.182-1.183); • pagamento mediante compensação de R$ 14.400,00 (Doc. 123), realizado em 23/02/2010; • transferência bancária (TED) de R$ 1.017.715,00, realizada em 15/12/2011 (Doc. 124). 36. Adicionalmente, a ora Embargante esclareceu que o Sr. Marcos Aurélio, terceiro não sócio, pagou o IRPF devido, conforme comprovam o Demonstrativo e o DARFs anexos (Docs. 82 e 82-A). 37. Diante de tais circunstância fático-probatórias, considero que tais valores não perfazem receita da SCP, mas meros ingressos que comprovadamente foram repassados a terceiro não sócio, Marco Aurélio de Abreu Rodrigues e Silva, que, ao contrário do que foi registrado no referido parágrafo 46, letra “g” do r. acórdão embargado, não era sócio das SCPs nº 2 e nº 4. 38. Sobre o tema bem se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no r. Acórdão nº 9101-003.648. Confira-se: “Relativamente à exclusão de valores de terceiros da tributação, sustenta a recorrente que 20 % dos valores recebidos a título de indenização pelas rescisões dos contratos de atletas não pertenciam às duas SCP's que os teriam recebido originalmente, sendo repassados a terceiros, como descrito às e-fls. 4740-4745, às quais se remete para uma leitura mais completa. Entendo acertada a não tributação de valores recebidos em nome de terceiros para o seu repasse, porque, somando-se as funções das bases de cálculo dos tributos ao conceito de renda, considera-se como base do imposto em questão a medida do acréscimo patrimonial auferido por uma entidade a partir dos incrementos e decréscimos verificados num dado período de tempo. Como acréscimo patrimonial, enquanto o patrimônio corresponde à universalidade de direitos e obrigações do sujeito, não é possível, a título de tributação da renda, se alcançar valores que não pertencem à titularidade do sujeito passivo. Daí porque compreendo que devam ser excluídos, da presente autuação, valores comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, mas repassados a terceiros. Do contrário, certamente se estará alcançando materialidade estranha ao campo de competência constitucionalmente delimitado para a tributação da renda.” Fl. 4495DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 39. Nesta parte, o referido acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2009 EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE TERCEIROS. Como acréscimo patrimonial, enquanto o patrimônio corresponde à universalidade de direitos e obrigações do sujeito, não é possível, a título de tributação da renda, se alcançar valores que não pertencem à titularidade do sujeito passivo. Daí porque compreendo que devam ser excluídos, da presente autuação, valores comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, mas repassados a terceiros. 40. Em consonância com o decido pela Colenda 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendo que os repasses aqui discutidos tratam-se de meros ingressos na contabilidade das SCPs, repassados a terceiro não sócio, que não poderiam sofrer tributação por não configurarem receitas próprias e, portanto, devem ser excluídos da exigência fiscal. 41. Do exposto, nesse item, merecem os presentes embargos serem acolhidos, com efeitos infringentes, para que sejam devidamente excluídas as receitas de terceiro não sócio. IV. “Omissão, contradição e erro material quanto aos créditos de R$ 8.580,00 e R$ 39.520,00 reconhecidos pela Ilma. Relatora, mas ignorados na conclusão do seu voto e na parte dispositiva” (item 6, constante dos Embargos de Declaração e do Juízo de Admissibilidade) 42. Por fim, acerca desse item, assim constou da decisão embargada: 3.4.1 Créditos de PIS e Cofins (...). 46. Dos documentos citados no parágrafo anterior, cabe analisar se os de págs. 4.232/4.262, dão direito a créditos de PIS e/ou Cofins, nos termos da legislação que se transcreveu. (...). c. pág. 4.238, Nota Fiscal de Prestação de Serviços 078, ao CAP , de IFC de 25/08/2009, Intermediação de transferência do atleta Fernando Luiz Roza (com retenção de PIS/Cofins 3,65% (4,65% - 1% CSLL) - R$ 390.000,00 (não consta comprovante de pagamento); pág. 4.239, Nota Fiscal de Prestação de Serviços 077, ao CAP, de IFC de 25/08/2009, 1º Parcela Intermediação de transferência do atleta Michel Fernandes Bastos (com retenção de PIS/Cofins 3,65% (4,65% - 1% CSLL) - R$130.000,00 (não consta comprovante de pagamento); pág. 4.240, TED do CAP para IFC, em , ref NF 077 e 078, R$ 488.020,00; Explicação: este jogador foi objeto da SCP nº 2 (2º operação), pág. 2.845 e o período de apuração não foi atingido pela decadência - dá direito a crédito de 1,65% de PIS (R$ 8.580,00) e 7,6% de Cofins (R$ 39.520,00), em 08/2009; (...) Fl. 4496DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-003.094 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.726895/2011-34 Exigências mantidas. 60. PIS: (...); e se deduzem os créditos das SCP reconhecidos de R$ 6.669,42, que foram aproveitados nos meses de 08/2006 e 08/2007, restando mantida a exigência total de PIS (CAP + SCP´s) de R$ 2.755.580,26. 61. Cofins: (...); e se deduzem os créditos das SCP reconhecidos de R$ 30.719,74, que foram aproveitados nos meses de 08/2006 e 08/2007, restando mantida a exigência total de Cofins (CAP + SCP´s) de R$ 14.599.764,47. (grifos nossos) 43. Como visto, entendeu a r. decisão embargada pela existência de direito a crédito de 1,65% de PIS (R$ 8.580,00) e 7,6% de Cofins (R$ 39.520,00), em 08/2009. Porém, os referidos valores não foram considerados quando do cálculo das exigências mantidas. 44. Diante do patente erro de fato, acolho os presentes embargos para que tais valores sejam considerados quando do cálculo (recálculo) das exigências mantidas pela douta DRF responsável. Conclusão 45. Diante do exposto, devem os presentes Embargos de Declaração serem acolhidos: sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade quanto aos itens I e II; com efeitos infringentes, para sanar a omissão quanto ao item III; para sanar o erro de fato quanto ao item IV, todos conforme o voto desta relatoria. É como voto. (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 4497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904164/2009-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar os valores informados em cópia de Lalur anexa aos autos.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar os valores informados em cópia de Lalur anexa aos autos. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 34/39) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 05, que não homologou a DCOMP 41140.24277.310308.1.3.04-6618, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 32.726,83 com origem no DARF de período de apuração 31/03/2007, código de receita 6012 - CSLL - DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL - BALANÇO TRIMESTRAL, valor total do DARF R$ 43.913,21 e data de arrecadação 29/06/2007, tendo em vista o pagamento ter sido integralmente utilizado para quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade (folhas 02/04), a contribuinte, em síntese, alega ter cometido equívoco na informação do valor do débito informado em DCTF e DIPJ, tendo efetuado as devidas retificações. No acórdão a quo, a não homologação foi mantida, tendo em vista não haver comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 06/02/2014 (folha 44). Recurso voluntário apresentado em 10/03/2014 (folha 45). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 16 4/ 20 09 -1 0 Fl. 131DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.132 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904164/2009-10 A recorrente às folhas 46/59, ratifica e detalha suas alegações, informando ter efetuado pagamentos a maior de CSLL relativa ao 1º trimestre de 2007 no valor total de R$ 98.216,26, correspondente à diferença entre os recolhimentos de R$ 129.118,53, em três quotas no valor original de R$ 43.039,51, e o débito de R$ 30.938,04 dividido em três quotas de R$ 10.300,76. Na DCOMP em questão, o crédito informado de R$ 32.726,83 se refere ao DARF recolhido em 31/05/2007 no montante de R$ 43.913,21 (folha 109), o qual, frente ao débito informado de R$ 10.300,76, teria gerado crédito no montante de R$ 33.612,45. Alega, ainda, que pelo princípio do impulso oficial no processo administrativo, seria dever do julgador diligenciar provas, tendo havido cerceamento de seu direito de defesa. Pleiteia pela possibilidade de juntada de documentos em grau de recurso pelo princípio da verdade material. Pede, ao final, pela conversão do julgamento em diligência, pela realização de perícia contábil e pela nulidade da decisão de primeiro grau ou por sua reforma. Anexa, às folhas 63/118, Lalur 2007, DIPJ 2008/2007 original, comprovantes de arrecadação dos três DARF mencionados e DCTF de junho/2007 original. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. As informações constantes do Lalur apresentado, em relação ao 1º trimestre de 2007, são coerentes com as informações prestadas na DIPJ e com as alegações da recorrente. Resta, contudo, confirmar a veracidade dos valores consignados no Lalur. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam verificados, pela unidade de origem, os valores informados na cópia de Lalur (Parte A) relativos ao 1º trimestre de 2007, à folha 65, produzindo relatório fiscal conclusivo que ateste ou não a veracidade de tais valores em face da documentação contábil e fiscal a ser examinada pela autoridade fiscal, a seu critério. A recorrente deve ser cientificada da presente resolução e do relatório fiscal conclusivo, para que, caso entenda necessário, adicione manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua ciência. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000518/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade da RFB de origem esclareça se o contribuinte resgatou o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste 2004, no valor de R$4.555,67 (fls. 3/6). Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada e do seu resultado, concedendo-lhe o prazo de 30 dias para, querendo, manifestar-se em relação à informação fiscal produzida.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade da RFB de origem esclareça se o contribuinte resgatou o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste 2004, no valor de R$4.555,67 (fls. 3/6). Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada e do seu resultado, concedendo-lhe o prazo de 30 dias para, querendo, manifestar-se em relação à informação fiscal produzida. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 51 8/ 20 09 -1 1 Fl. 91DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da DRJ/SP2, que considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls.74/77): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA INCONTROVERSA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS Consideram-se não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidando-se administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 9.532/1997. ESPONTANEIDADE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. O início do procedimento fiscal, determinado pela ciência do primeiro ato praticado pela Autoridade Fiscal Autuante, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação da Declaração de Ajuste Anual relacionada ao procedimento instaurado. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 44/51, relativo ao ano-calendário 2003, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apontou as infrações de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício e deduções indevidas de despesas médicas e com instrução. A autuação exige do contribuinte imposto suplementar no montante de R$4.867,34, acompanhado da multa de ofício de 75% e dos juros e mora aplicáveis. Cientificado da exigência fiscal em 16/12/2009 (fl.45), o contribuinte impugnou-a em 15/1/2010 (fls. 55/71). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 15/4/2010 (fl. 82), o recorrente apresentou recurso voluntário em 17/5/2010 (fls. 83/87), em que se insurge contra os cálculos consignados no auto de infração. Alega que o auditor fiscal autuante teria admitido equívoco na autuação, por ter considerado que o contribuinte resgatara o saldo de imposto a restituir de R$4.555,67, o que, segundo aduz, não teria ocorrido. Fl. 92DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2002-000.110 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16045.000518/2009-11 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O recorrente não contesta as infrações a ele atribuídas, limitando-se a questionar os cálculos efetuados na autuação, alegando que não recebeu o saldo de imposto a restituir apurado na declaração objeto da autuação. Na apreciação da impugnação, o colegiado de primeira instância registrou: O impugnante ao tentar fazer a declaração retificadora, considerando os valores lançados pela fiscalização, chegou em um saldo do imposto a pagar de R$ 311,67 que somados ao imposto que declarou indevidamente como a restituir em sua declaração original, de R$ 4.555,67, fls. 03, somam os mesmos R$ 4.867,34 que se cobra de imposto no presente auto de infração, acrescidos de multa e juros em face das infrações detectadas pela fiscalização. De fato, no demonstrativo de apuração (fl.68), a autoridade autuante considerou o imposto pago no valor de R$4.450,37, decorrente da diferença entre o IRRF declarado pelo contribuinte, de R$9.006,04, e o saldo de imposto a restituir apurado na declaração objeto do auto de infração, de R$4.555,67 (fl.4). Observo que a decisão recorrida não se debruçou sobre se a restituição teria sido ou não resgatada pelo contribuinte. Não obstante, verifico que o extrato juntado à fl. 84 e a consulta de fl. 85 indicariam que a restituição relativa ao exercício 2004 não teria sido disponibilizada ao contribuinte. Diante desses documentos, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade da RFB de origem esclareça se o contribuinte resgatou o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste 2004 (fls. 3/6), no valor de R$4.555,67. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada e do seu resultado, concedendo-lhe o prazo de 30 dias para, querendo, manifestar-se em relação à informação fiscal produzida. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000419/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 23/09/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. 4820.10.00.
A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Preclusa, por ausência de impugnação expressa, a matéria sobre a revogação da multa em questão.
Numero da decisão: 3401-006.617
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/09/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. 4820.10.00. A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Preclusa, por ausência de impugnação expressa, a matéria sobre a revogação da multa em questão.
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AGENDAS. 4820.10.00. A inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), critério para a alteração de posição, nos termos da décima segunda nota da posição 4820, das considerações gerais dos capítulos 48 e 49 e das notas da posição 4911 da NCM. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Preclusa, por ausência de impugnação expressa, a matéria sobre a revogação da multa em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 04 19 /2 00 9- 14 Fl. 155DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.617 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.000419/2009-14 1.1. Trata-se de auto de Infração para aplicação de multa por falta de lançamento de IPI na nota fiscal no valor total de R$ 22.447,61, com fulcro no então vigente Art. 80 da Lei nº 4.502/1964. 1.2. Para tanto, narra o auto de infração que o “contribuinte classificou as agendas e os blocos que produziu no código 4911.10.90, aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. Abaixo transcrevemos o texto da TIPI relativo ao capítulo 49, da posição 4911, detalhando até o código 4911.10.90”. 1.2.1. Entretanto, “a amostra apresentada acima permite a conclusão de que se trata de um bloco de folhas personalizadas, pautado, sem formulários, porém claramente destinado a apontamentos, com as folhas presas por uma espiral” bem como “a amostra apresentada acima permite a conclusão de que se trata de uma agenda personalizada, destinada a anotações com, impressão dos dias, semanas e meses”. 1.2.2. Portanto, “os BLOCOS, compreendidos os blocos de anotações, de notas fiscais, de cupons, de pesquisa, de próxima consulta, etc e as AGENDAS, inclusive as agendas telefônicas, que o contribuinte produziu nos períodos em tela classificam-se na posição 4820.10.00 e são tributados à alíquota de 15% e permaneceram com esta alíquota durante todos estes períodos”. 1.3. Intimada, a Recorrente interpõe Impugnação em que argumenta, em síntese: 1.3.1. “A Lei n° 11.488/2007 revogou o inciso I que fundamentou o lançamento em debate”; 1.3.2. As agendas e blocos produzidos são destinados a ações promocionais, não sendo destinados ao consumo, logo a classificação correta na NCM é 4911.10.90. 1.4. A DRJ de Belém manteve a autuação, vez que: 1.4.1. “A nova redação atribuída ao art. 80 da Lei nº 4.502/1964, pela Lei nº 11.488/2007 aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 15/06/2007, não alterou o fundamento do lançamento fiscal sob análise, vez que preservou o mesmo tratamento conferido à espécie”; 1.4.2. “O texto da posição 4911 (utilizada pelo sujeito passivo para blocos, agendas e calendários) determina que ali se classificam “Outros impressos, incluídas as estampas, gravuras e fotografias”. A subposição 4911.10 destina-se a “impressos publicitários, comerciais e semelhantes”. Constata-se, de plano, como decorrência das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI/SH n° 1 e 6 que agendas, blocos e calendários não podem ser classificados no código NCM pretendido pelo sujeito passivo, haja vista a flagrante incompatibilidade de tal pretensão, posto que tais produtos não representam impressos publicitários, catálogos ou semelhantes”; 1.4.3. “Exclusivamente quando os dizeres e ilustrações não tenham um caráter acessório em relação ao emprego e uso original da obra de papel é que o produto deverá ser classificado no Capítulo 49 da TIPI” o que não ocorre no presente Fl. 156DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.617 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.000419/2009-14 caso, vez que “a impressão de logomarcas, timbres, dizeres, iniciais, endereços, cabeçalhos e referências, v.g., não são suficientes para dar um caráter essencial a eles, uma vez que, sem a impressão de tais dizeres e ilustrações, ainda assim restariam os mesmos produtos (agendas e blocos)”; 1.5. Irresignada, a Recorrente busca guarida neste Conselho repetindo apenas a tese acerca da correção da classificação fiscal. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. A Fiscalização (acompanhada pela DRJ) afirma que as AGENDAS E OS BLOCOS produzidos pela Recorrente classificam-se no subitem 4820.10.00 por ser mais específico que o subitem 4911.10.00, adotado pela última (Recorrente). 2.1.1. De outro lado, a Recorrente argumenta que as agendas, blocos e calendários produzidos por si produzidos são destinados a ações promocionais e não ao consumo, logo a classificação correta na NCM é 4911.10.90. 2.1.2. Pois bem, a Primeira Regra de Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RG1) dispõe (dentre outras coisas) que “a classificação [de uma mercadoria] é determinada pelos textos das posições E das notas de seção E de capítulo. Em assim sendo, não basta observar o quanto escrito no texto da posição, o interprete deve sempre se atentar ao texto das notas de seção e de capítulo. Com o sobredito se quer dizer que, casos há em que a posição descreve determinada mercadoria e as notas de seção ou de capítulo incluem ou excluem daquela posição outras com alguma especificidade. 2.1.3. Como bem apontado pela fiscalização, a posição 4820 e o subitem 4820.10.00 da NCM descrevem agendas e blocos de nota 1 : Fl. 157DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.617 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.000419/2009-14 2.1.4. A Décima Segunda Nota de Posição e as considerações gerais do Capítulo 48 estabelecem que se classificam no Capítulo 49 apenas as mercadorias que alterem o seu destino inicial pela inclusão de razão social, marca desenho, dizeres ou ilustrações: 12.- Com exclusão dos artigos das posições 48.14 e 48.21, o papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório, relativamente à sua utilização original, incluem-se no Capítulo 49. Considerações Gerais Papéis Coloridos ou Impressos Incluem-se neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificar-lhes o destino inicial nem os faça serem considerados artigos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 12 deste Capítulo). 2.1.6. De forma ainda mais contundente as notas da posição 4820 determinam que ainda que contenham ilustrações “bastante importantes”, os artigos permanecem nesta posição desde que “as impressões e ilustrações tenham um caráter acessório a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram (...) nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). 2.1.7. As notas da posição 4911 repetem o quanto descrito acima ao determinar - por duas vezes - que são excluídas da posição as impressões que apresentem um caráter acessório em relação à utilização inicial: Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são destinados a escrita ou a datilografia classificam-se no Capítulo 48 (ver Nota 12 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Também se excluem desta posição: b) Os artigos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 e os produtos de papel impresso do Capítulo 48 nos quais a impressão de caracteres ou de estampas tenham apenas uma importância secundária relativamente ao seu emprego principal. 2.1.8. Retornando ao caso concreto; como constatado pela fiscalização e não contestado pela Recorrente, os blocos e agendas, em verdade, são “agenda personalizada, destinada a anotações com, impressão dos dias, semanas e meses”. Desta forma, a inscrição ou impressão de material publicitário não alterou a utilização inicial da agenda ou dos blocos (anotações), e consequentemente, não alterou a classificação fiscal, que permanece 4820.10.00, com alíquota de 15%. 2.1.9. Idêntica conclusão chegou por unanimidade a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção em Acórdão de Relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz: Fl. 158DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.617 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.000419/2009-14 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AGENDAS. BLOCOS. CALENDÁRIOS. CAPAS E PASTAS. ESSENCIALIDADE DA IMPRESSÃO. Pela leitura das Notas explicativas do Capítulo 49 do Sistema Harmonizado, fica ratificada a distinção que os próprios títulos dos Capítulos 48 e 49 evidenciam, vale dizer, os produtos das indústrias gráficas são classificados de acordo com a função para que foram impressos. Assim, aqueles cuja função precípua é veicular determinado conteúdo impresso ou ilustrado encontram-se no Capítulo 49, enquanto aqueles que se limitam ou são compostos essencialmente de papel, sendo secundários ou eventuais conteúdos impressos, ficam adstritos aos Capítulo 48. Assim, agendas, blocos e pastas, mesmo que personalizados com logomarcas de clientes, classificam-se na posição 4820 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral n. 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado. 2.2. Por fim, em sede de Recurso Voluntário a Recorrente deixa de apresentar tese acerca REVOGAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO pela Lei 11.488/2007. Logo, tendo em vista que o Recurso devolve a este Conselho a matéria impugnada (art. 65 Decreto 7.574/2011 e art. 1013 do NCPC), ocorreu preclusão temporal neste ponto. Dispositivo: 3.1. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000039/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.205
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-18T14:18:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-18T14:18:00Z; Last-Modified: 2019-09-18T14:18:00Z; dcterms:modified: 2019-09-18T14:18:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-18T14:18:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-18T14:18:00Z; meta:save-date: 2019-09-18T14:18:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-18T14:18:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-18T14:18:00Z; created: 2019-09-18T14:18:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-09-18T14:18:00Z; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-18T14:18:00Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16366.000039/2010-06 Recurso Voluntário Resolução nº 3301-001.205 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2019 Assunto PIS/COFINS - CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE Recorrente CONFEPAR AGRO-INDUSTRIAL COOPERATIVA CENTRAL Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 assinado digitalmente Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER , de créditos de contribuição não cumulativa, transmitida eletronicamente pelo Sistema PER/DCOMP, disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal na Internet, que não restou integralmente deferido pela DRF de origem. A requerente, não se conformando com o resultado, apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente, nos termos do Acórdão nº 14- 069.792. Irresignado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: DA SUSPENSÃO - Demonstrar-se-á neste texto que o contribuinte possui direito ao cumprimento dos ditames constitucionais da não-cumulatividade, especialmente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes do sistema de suspensão. DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 00 03 9/ 20 10 -0 6 Fl. 481DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 - descreve legislação, jurisprudência e doutrina que tratam do sistema da não- cumulatividade para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS DO REGIME DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS/COFINS NO CASO DE VENDAS COM SUSPENSÃO - as vendas efetuadas com suspensão, isenção ou alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS não impediam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações. DA QUESTÃO TEMPORAL - Assim, não se pode delimitar o prazo de vigência de uma lei benéfica ao contribuinte com base neste dispositivo. A lei 10.925/2004 entrou em vigor, conforme seu artigo 18, na data de sua publicação, ou seja, 26/07/2004. Percebe-se que, pela leitura do parágrafo referido, os "termos" e "condições" serão estabelecidos pela Secretaria da receita Federal. Em momento algum se diz que cabe a esta determinara a data de vigência da lei. IGUALDADE TRIBUTÁRIA - IN da SRF não tem força de Lei. Não pode portanto, limitar o aproveitamento de crédito dos contribuintes DO CRÉDITO PRESUMIDO - Foi desconsiderado pelo senhor Auditor Fiscal a necessidade imperiosa de refazer o cálculo do crédito presumido, uma vez que foi a base de cálculo elevada, deve-se aumentar a o valor do crédito presumido, no caso do indeferimento da concessão dos créditos vinculados às operações com suspensão. DO RATEIO DOS CRÉDITOS - Neste ponto, também a ser analisado no caso de indeferimento da concessão dos créditos vinculados à suspensão, deve haver a correta distribuição dos créditos. Se reformada a decisão, este pedido perde seu objeto, mas uma vez não ocorrendo o deferimento do requerido previamente apresentado neste recurso, esta distribuição deve ser corretamente observada, pois não há falar diretamente em proporcionalidade, como considerado. DA AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS - defende que a interpretação restritiva do conceito de insumos deve ser ampliada, para se coadunar com a vontade da legislação. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3301- 001.188, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16366.000020/2010-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 482DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301-001.188): “8.O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, sendo tempestivo dele, portanto, tomo conhecimento. 9.Na origem, a controvérsia originou-se da análise dos créditos pleiteados de PIS/PASEP não-cumulativo, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 ). 10.A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada. 11.Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na atividade da recorrente, inclusive industrialização. 12.Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa da contribuição ao PIS./PASEP. 13.A Recorrente pleiteia todos créditos por entendê-los como essenciais para sua atividade. 14.Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 15.O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. 16.Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é mais amplo do que o adotado pela Fiscalização. 17.Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da não- cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. 18.Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. 19.Portanto, a contenda no presente caso gira em torno da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/PASEP, na sistemática da não cumulatividade. DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE Fl. 483DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 20.De acordo com o Estatuto Social da recorrente, ás fls. 159/208 dos autos digitais, suas atividades são : Art. 2° - A CONFEPAR tem como objetivo atuar no ramo industrial e comercial de alimentos em complemento às atividades desenvolvidas por suas filiadas, proporcionando seu desenvolvimento sócio-econômico e por conseqüência de seus cooperados. Art. 3° - No cumprimento de seus objetivos a CONFEPAR, que não tem finalidade lucrativa própria, terá como política gerar a prática de ajuda mútua, voltada ao desenvolvimento agro-industrial e prestação de serviços, bem como buscar a agregação de valores ao produto repassado pelas suas filiadas, desenvolvendo para tanto as seguintes estratégias: a) receber, industrializar e comercializar a matéria prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados, na qualidade exigida pelo mercado nos volumes programados e negociados; b) estabelecer parcerias, ou associar-se com empresas cooperativas ou não, adquirindo ou prestando serviços compatíveis com as suas atividades ou instalações industriais, mediante aprovação de Assembléia Geral, respeitando a legislação vigente; c) atuar na exportação ou importação de produtos que tenham direta nu indiretamente relação com suas atividades, no interesse das filiadas; d) manter, dentro de suas condições financeiras, centros de pesquisas, laboratórios, usinas piloto, buscando dessa forma o lançamento de produtos e o constante aprimoramento da qualidade e dos processos industriais, podendo para a consecução destes objetivos, contratar serviços ou estabelecer parcerias com outras empresas cooperativas ou não; e) representar suas filiadas nas negociações por recursos perante entidades públicas ou privadas e em ações de caráter coletivo na defesa de seus interesses e de seus associados, mediante apresentação de mandato específico; f) prestar serviços de transformação e beneficiamento da produção das cooperativas filiadas, e vendas específicas que venham a ser determinadas e disciplinadas pelo Conselho de Administração, nos mercados nacionais e internacionais; g) fomentar a atividade de produção leiteira, mediante o aprimoramento do plantei, através da aquisição de matrizes e seu repasse aos produtores vinculados às suas filiadas, desde que os referidos produtores atendam a todas as exigências e condições impostas pela área técnica. Parágrafo Único: Para melhor realização dos objetivos a CONFEPAR poderá adquirir produtos, desde que não seja na mesma área de atuação de suas Filiadas, ressalvados os casos autorizados pelas filiadas envolvidas, ou prestar serviços a terceiros para suprir capacidade ociosa ou cumprimento de contratos. 21.O Termo de Informação Fiscal, ás fls. 9/37 dos autos digitais também descrevem as atividades da recorrente : 12. Em seu estatuto social de fls. 48, informa ser “Sociedade Cooperativa de Produção”, que “receber, industrializar e comercializar a matéria-prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados”. Fl. 484DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 13. As cooperativas associadas à requerente, durante o período em análise, encontram-se registradas nas Fichas de Matrículas de Associadas, juntadas às fls. 52. 14. A interessada tem por atividade econômica a fabricação de laticínios (Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE nº 1052-0-00), conforme informação constante de sistema CNPJ (fls. 53). 15. A descrição do processo produtivo encontra-se na mesma declaração, onde são informados também os produtos fabricados e comercializados pela empresa (fls. 50): ## Leite cru refrigerado padronizado (NCM nº 0401.20.90); ## Leite Pasteurizado (NCM nº 0401.20.90); ## Queijo Muçarela e Prato (NCM nº 0406.10.10 e 0406.90.20); ## Leite em pó (NCM nº 0402.21.10 ou 0402.21.20); ## Soro de leite em pó (NCM nº 0404.10.00); ## Leitelho em pó (NCM nº 0403.90.00); ## Bebida Láctea (NCM nº 0404.90.00); ## Leite UHT (NCM nº 0401.10.10 ou 0401.20.10); ## Creme de leite (NCM nº 0401.30.29); ## Manteiga (NCM nº 0405.10.00) e ## Leite concentrado (NCM nº 0402.91.00). O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 22.Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 23.Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 24.Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 25.Por ser o órgão governamental incunbido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de Fl. 485DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximou-se do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 26.Consideram-se, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 27.Mais tarde, evoluiu-se no estudo do conceito de insumo, adotando-se a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparando-o ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 28.Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verifica-se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendo-se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria contra os valores pagos/compensados na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 29.Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 30.Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 31.Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. Fl. 486DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 32.Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : - pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná-lo viável. - essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. - possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 33.Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 34.Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Fl. 487DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 35.Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 36.Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostram-se relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não- cumulatividade no que tange aos impostos, a não-cumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de não-cumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem Fl. 488DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressalta-se, ainda, que a não-cumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividade-fim de determinado prestador de serviço. (...) Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º - O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá-los (pertinência ao processo produtivo); 2º - A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º - Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Veja-se, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou Fl. 489DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizei-me com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual - EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revela-se mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convenci-me - pedindo vênia aos que pensam em contrário - da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustar-se ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) Fl. 490DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 37.No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38.Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Fl. 491DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.205 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.000039/2010-06 39.Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep. Conclusão 40.Por todo o exposto, e diante da nova interpretação dada ao conceito de insumos, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. 41.Deve ser dada ciência á recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. 42.Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Deve ser dada ciência à recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 492DF CARF MF
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