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Numero do processo: 10980.723605/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a declaração não seja prestada, por quem de Direito, no prazo e na forma da legislação tributária, bem como nos casos em que reste comprovada omissão, por quem de Direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelo Contribuinte a estabelecimentos de ensino, desde que devidamente comprovados, observados os limites previstos na Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator.
.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a declaração não seja prestada, por quem de Direito, no prazo e na forma da legislação tributária, bem como nos casos em que reste comprovada omissão, por quem de Direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelo Contribuinte a estabelecimentos de ensino, desde que devidamente comprovados, observados os limites previstos na Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. . André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 05 /2 01 2- 81 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.723605/201281 Acórdão n.º 2401004.276 S2‐C4T1 Fl. 80 3 Relatório Exercício: 2009. Data da Notificação de Lançamento: 18/06/2012. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 02/07/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou procedente em parte a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2009/421850261634157, a fls. 41/52, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2009, anocalendário de 2008, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça do Trabalho e deduções indevidas. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, foram apuradas as seguintes infrações: · Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 366.191,48, ajuizada em face do Banco Banestado S.A – Funbeb – Fundo de Pensão Multipatrocinado (Processo n. 02024199509309009). · Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física – Alugueis e Outros, no valor de R$ 4.680,00 recebidos de Maria Eva Flores. · Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 5.978,90, por falta de comprovação. · Dedução Indevida com Despesa de Instrução, no valor de R$ 2.592,29 por falta de comprovação. · Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 500,00, recebidos pela Dependente Krissie Anne de Boregas Garcia, relacionado à fonte pagadora MCY Academia Ltda. · Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 11.922,76 por falta de comprovação. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 02/03. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1262.301 7ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 65/72, julgando procedente em parte o lançamento em litigio, para : · Afastar a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista, bem como para excluir o IRRF que incidiu sobre os rendimentos correlatos já declarados no exercício de 2008; · Afastar a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física – Alugueis e Outros; · Afastar a glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas; · Manter a Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi (R$ 11.922,76), por falta de contestação na impugnação; · Manter a Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício (R$ 500,00), por falta de contestação na impugnação; · Manter a glosa de dedução indevida com despesas de instrução, em razão da carência de comprovação das despesas, eis que nos boletos a fls. 13/17 não consta a autenticação de pagamento; O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/01/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 74. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 75/76, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Quanto à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista, alega ter recebido no ano de 2007, o valor de R$ 372.776,93 (fls. 10/11) e ter declarado tal valor na DAA de 2008. Como o Banco Itaú não declarou tal valor em 2007 e nem informou o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, o Recorrente teve que pagar o valor de R$ 87.883,88 de IRPF em 8 quotas; · Aduz que em 2008, o Banco Itaú informou o valor pago de R$ 366.191,48 e enviou o Comprovante do Pagamento e também o valor do Imposto de Renda retido na Fonte, no valor de R$ 100.153,83 (fl. 12); · Pondera que, como já havia declarado tal recebimento de 2007 na DAA de 2008 e pago o Imposto de Renda devido, em 8 parcelas, não o declarou na DAA de 2009 e pediu a restituição do Imposto retido na Fonte, pois se declarasse esse valor novamente, estaria pagando Imposto de Renda 2 vezes, ou seja, R$ 87.883,88 (pago em 8 quotas) e o valor que o Itaú reteve na fonte sobre o valor pago pela decisão trabalhista (R$ 100.153,83); Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.723605/201281 Acórdão n.º 2401004.276 S2‐C4T1 Fl. 81 5 · Sobre os valores de Despesas com Instrução que foram glosados, no valor de R$ 2.592,29 alega possuir os ticketes que comprovam esses pagamentos e além de estar providenciando junto a PUC, uma Declaração que comprova esses pagamentos; Ao fim, requer a improcedência do débito fiscal reclamado. É o que importa relatar. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/01/2014. Havendo sido o Recurso protocolizado em 14/02/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Quanto à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista, o Recorrente alega ter recebido no ano de 2007, o valor de R$ 372.776,93 (fls. 10/11) e ter declarado tal valor na DAA de 2008. Como o Banco Itaú não declarou tal valor em 2007 e nem informou o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, o Recorrente teve que pagar o valor de R$ 87.883,88 de IRPF, em 8 quotas; Aduz que em 2008, o Banco Itaú informou o valor pago de R$ 366.191,48 e enviou o Comprovante do Pagamento e também o valor do Imposto de Renda retido na Fonte, no valor de R$ 100.153,83 (fl. 12) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.723605/201281 Acórdão n.º 2401004.276 S2‐C4T1 Fl. 82 7 Pondera que, como já havia declarado tal recebimento de 2007 na DAA de 2008 e pago o Imposto de Renda devido, em 8 parcelas, não o declarou na DAA de 2009 e pediu a restituição do Imposto retido na Fonte, pois se declarasse esse valor novamente, estaria pagando Imposto de Renda 2 vezes, ou seja, R$ 87.883,88 (pago em 8 quotas) e o valor que o Itaú reteve na fonte sobre o valor pago pela decisão trabalhista (R$ 100.153,83); Em razão de um a prática reprovável do Banco Itaú, da qual é useiro e vezeiro, consistente na declaração em atraso ao Fisco dos valores pagos a seus (ex)empregados, em razão de demandas judiciais de âmbito trabalhista, o Recorrente teve recolher aos cofres públicos, por duas vezes, de boafé, o Imposto de Renda incidente sobre rendimentos obtidos em ação trabalhista, sendo a primeira no exercício de 2008 – ano calendário 2007, no valor de R$ 87.883,88 , pago em 8 quotas, e a outra, retida pelo Banco Itaú, no valor de R$ 100.153,83 , recolhida em atraso pelo Banco Itaú no exercício de 2009, ano calendário 2008. Ora, se há alguém que tenha operado em ofensa aos comandos legais, esse alguém não foi o Recorrente, mas, sim, o Banco Itaú, que deveria, por força de lei, ter declarado o valor pago ao Recorrente em virtude de processo judicial trabalhista no exercício de 2008 (anocalendário 2007) e nesse mesmo exercício ter recolhido à RFB o montante correspondente retido na fonte. O Recorrente, ao seguir os comandos da legislação do Imposto de Renda, declarou os valores auferidos na demanda judicial trabalhista no exato exercício em que eles foram efetivamente percebidos – regime de caixa (2008, anocalendário 2007), tendo que recolher em oito parcelas o Imposto de Renda incidente sobre tal rendimento tributável, uma vez que o belezinha do Banco Itaú não houvera prestado a devida declaração ao Leão, no prazo e na forma prevista na Legislação Tributária. Inexiste, pois, qualquer débito relativo ao Imposto de Renda do exercício 2008, anocalendário 2007, uma vez que o Contribuinte honrou prontamente com os valores que deveriam ter sido supridos pela retenção na fonte realizada pelo Banco Itaú. Quanto ao exercício 2009, anocalendário 2008, no que se refere aos valores auferidos na demanda judicial trabalhista em questão, inexiste débito igualmente, mas, sim, um excesso de recolhimento em favor do Recorrente, uma vez que o Banco Itaú recolheu em atraso, em nome do Recorrente, um montante que lhe havia sido retido na fonte no ano base de 2007. Ora ... Excluir da declaração do exercício 2009, anocalendário 2008, o valor retido na fonte pelo Banco Itaú em favor do Recorrente apenas agravará a injustiça, haja vista que o Notificado sequer poderá requerer a repetição do indébito, eis que prescrita. Notese que na Declaração de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – ano base 2007 do Banco Itaú, não foi prestada a declaração do total dos rendimentos tributáveis pagos ao Recorrente em 2007, assim como o Imposto de Renda Retido na Fonte nesse exercício, evento que só foi informado, com atraso, no ano seguinte. Das provas dos autos exsurge, igualmente, flagrante omissão em relação a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória no exercício Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 de 2008 pela fonte pagadora, qual seja, o total dos rendimentos tributáveis pagos ao Recorrente em 2007, assim como o Imposto de Renda Retido na Fonte nesse exercício. Tais ocorrências autorizam a administração tributária a rever de ofício o lançamento efetuado, a teor dos incisos II e IV do art. 149 do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Por todo o exposto, em virtude de o Recorrente, sem culpa alguma que lhe possa ser atribuída, ter recolhido aos cofres públicos valor superior àquele efetivamente devido, e em razão determinante de o Banco Itaú não ter prestado declarações obrigatórias, no prazo e na forma da Legislação Tributária, voto no sentido de que a Fazenda Nacional reveja de oficio o lançamento em litígio, levando em consideração todos os recolhimentos realizados pelo Recorrente e os valores retidos pelo Banco Itaú, relacionados com os Rendimentos Recebidos pelo Recorrente decorrentes da Ação Judicial Trabalhista objeto Processo nº 020241995093 09009. 2.2. DAS DESPESAS COM INSTRUÇÃO Colhemos dos termos plasmados no Acórdão nº 1262.301 7ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 65/72, que o pleito requerido pelo Recorrente não obteve o êxito pretendido em Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.723605/201281 Acórdão n.º 2401004.276 S2‐C4T1 Fl. 83 9 razão de haver restado demonstrado o efetivo pagamento das mensalidades escolares por parte do contribuinte: Acórdão nº 1262.301 7ª Turma da DRJ/RJ1 “Do exame dos documentos acostados aos autos, verificase que os boletos de pagamento de fls. 13/17 referemse, de fato, a mensalidades devidas à PUCPR, no valor de R$ 4.332,00, para o dependente Krissie Anne de Boregas Garcia referente ao Curso de Licenciatura em Educação Física. Não podem, contudo, ser aceitos, uma vez que não estão autenticados pela instituição bancária e não há outra prova nos autos que confirme o pagamento das mensalidades por parte do contribuinte”. Em grau de Recurso Voluntário, o Recorrente alega possuir os ticketes que comprovam esses pagamentos e além de estar providenciando junto a PUC, uma Declaração que comprova esses pagamentos. Ocorre, todavia, que a defesa oferecida pelo Recorrente não ousa ultrapassar o limite das meras alegações verbais, não estando escoradas por qualquer elemento idôneo de prova, permanecendo a atividade probatória em debate no mesmo estágio em que se encontrava antes. Nada de novo houvese por produzido. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Impugnação e agora, em grau de Recurso Voluntário, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador a quo para o não acatamento de suas pretensões de defesa, tampouco desobstruir o óbice probatório apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações filosóficas ou principiológicas, tampouco com argumentações de fatos e de ações desprovidas de esteio em indício de prova material idônea. Como é cediço, no Processo Administrativo Fiscal a voz de defesa do sujeito passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais, falando ao vácuo as alegações recursais não acompanhadas pelos indícios de prova material que lhes forneçam o devido esteio probatório. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio Por tais razões, nesse específico particular, negamos provimento ao Recurso Voluntário. 3. CONCLUSÃO: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, que a Fazenda Nacional reveja de oficio o lançamento em litígio, levando em consideração todos os recolhimentos realizados pelo Recorrente e os valores retidos pelo Banco Itaú, relacionados com os Rendimentos Recebidos pelo Recorrente decorrentes da Ação Judicial Trabalhista objeto Processo nº 020241995093 09009. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13629.000280/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre o indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional, pelo fato de que havia o débito previdenciário, Debcad nº 36.927.6558, no valor total de R$12.468,93, com a exigibilidade não suspensa, na data do processamento do pedido, em 31/01/2011 (LC Nº 123/2006, art. 17, inc. V). O pedido de inclusão foi formalizado em 03/01/2011. Termo de Indeferimento, de 15/02/2011, fl. 7 O recorrente impugnou o indeferimento, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .0 00 28 0/ 20 11 -8 1 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 3 2 "Venho através deste contestar o processo de exclusão da empresa GUIMARÃES E SA COM. E IND. DE MÁRMORES GRANITOS E PEDRAS DECORATIVAS LTDA, uma vez que os débitos constantes no relatório de pendências à opção pelo Simples Nacional exceto os de exigibilidade suspensa foram quitados, (até dia 31 de Janeiro de 2011), dentro do prazo estipulado." Destarte, o débito não quitado de natureza previdenciária de n° 36.92.75.558, permanece identificado pela Receita Federal do Brasil como de impedimento para a adesão ao Simples Nacional, porém este encontrarse em exigibilidade suspensa conforme informado pela Receita Federal do Brasil no dia 15 de Fevereiro de 2011, no protocolo n° 06.1.11.009. Outrossim, informo que a empresa supra, possui inclusão do parcelamento da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, no qual incluiu o referido débito podendo este ser verificado no Recibo de Inclusão da Totalidade dos Débitos n° 0008.1999.8975.7876, "O sujeito passivo acima indicado declarou que após consulta dos débitos, inclusive os inscritos em divida ativa da União, irá incluir no parcelamento da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a totalidade dos débitos constituídos que atendam aos requisitos previstos na referida lei...", como segue em anexo o Recibo de Inclusão da Totalidade dos Débitos: Pesquisa realizada no dia 19 de Janeiro de 2011. A recorrente instruiu sua impugnação com os seguintes documentos: a) Relatório de Pendências à Opção pelo Simples Nacional, emitido em 14/02/2011, fl. 18, no qual constava em aberto o referido débito previdenciário, Debcad nº 36.927.6558. Não há informação individualizada sobre quais débitos estariam contidos nesse Debcad; b) o Relatório de Pendências à Opção pelo Simples Nacional emitido anteriormente, em 08/02/2011, no qual, além do referido Debcad, estavam listados 13 (treze) débitos, individualizados por competência (05/2007, 04/2008, 07/2008, 02/2010, 03/2010, 04/2010, 05/2010, 06/2010, 07;2010, 08/2010, 09/2010, 10/2010 e 11/2010). Juntou os Darfs que indicam o pagamento dessas competências, os quais foram pagos entre os dias 28 e 31 de janeiro de 2011; c) Recibo de Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento da lei nº 11.941/2009, emitido em 02/06/2010, fl. 39. d) Informação Prévia do Contribuinte para Tirar CND, de 19/01/2011, fl. 41, o qual contempla a seguinte informação: "Obs.: contribuinte optante pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no âmbito da RFB. Eventuais 'Div. GFIP' e débitos exibidos neste relatório, abrangidos pela opção deste parcelamento e com manifestação pela inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 003/2010, estão com a exigibilidade suspensa." Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 4 3 e) Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, de 08/11/2011,fl. 50, na qual consta que a recorrente possuía débitos de natureza previdenciária com a RFB, cuja exigibilidade não estava suspensa; Pendências Identificadas após Processamento Final da Solicitação em 13/02/2011: Pendências Fiscais (Débitos) Receita: Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Pendência não liberada. ..... Detalhamento dos Débitos da RFB/PGFN da Solicitação de Opção: Pendências Fiscais (Débitos): Estabelecimento: 21.435.821/000120 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inc. V Lista de Débitos: Débito 36 927 6558 Diante do não acolhimento de sua impugnação, a recorrente requereu a Revisão do Parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Em seu trabalho de revisão a DRF em Coronel Fabriciano (MG), registrou o seguinte parecer, em 07/02/2012: O interessado apresentou pedido de revisão do parcelamento com base na Lei nº 11.941/2009, solicitando consolidação manual do mesmo. Alega que não foi possível efetuar a consolidação através da internet por constar no sistema a situação de 'em consolidação'. Juntou ao seu pedido os documentos de identificação da empresa, várias telas do eCac com informações da simulação da consolidação e alguns DARFs pagos. As modalidades do parcelamento da Lei 11.941/2009 que se encontram na situação 'em consolidação' são: débitos previdenciários e demais débitos. Estas é que serão analisadas neste processo. Foram feitas pesquisas nos sistemas informatizados e constatamos que na modalidade débitos previdenciários a parcela vencida em janeiro/2011 estava em atraso na época da consolidação, cujo prazo do final do parcelamento era 29/07/2011. Entre os documentos apresentados pelo próprio contribuinte e juntado à fl. 9 deste processo consta uma tela com este alerta quando da simulação da consolidação: "Atenção: É necessária a quitação de todas as antecipações devidas, na forma do inciso II § 1o do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, para que seja possível concluir a consolidação. O procedimento prosseguirá como SIMULAÇÃO até que sejam satisfeitas as condições para a consolidação." Como o contribuinte não pagou a parcela em atraso, não foi possível fazer a consolidação do parcelamento. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 5 4 Diz a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009: 'Art.15. Após a formalização do requerimento de adesão aos parcelamentos, será divulgado, por meio de ato conjunto e nos sítios da PGFN e da RFB na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento. (...) § 1" Somente poderá ser realizada a consolidação dos débitos do sujeito passivo que tiver cumprido as seguintes condições: II efetuado o pagamento de todas as prestações previstas no § 1o do art. 3o e no § 10 do art. 9o. § 3o O sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos previstos nesta Portaria que não apresentar as informações necessárias à consolidação, no prazo estipulado em ato conjunto referido no caput, terá o pedido de parcelamento cancelado, sem o restabelecimento dos parcelamentos rescindidos, em decorrência do requerimento efetuado.' Quanto à modalidade demais débitos, os requisitos para consolidação também não foram satisfeitos. De acordo com art. 10 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 2011, a conclusão da consolidação só seria efetivada se o sujeito passivo tivesse efetuado o pagamento das parcelas em atraso em até três dias úteis antes do término do prazo fixado para prestar informações. No momento da consolidação, o interessado tinha duas parcelas em atraso: meses de abril e junho de 2011. Ele teria que pagar essas parcelas até o dia 24/07/2011, já que seu prazo para negociação encerraria no dia 27/07/2011. Mas só pagou estas parcelas no dia 27/07/2011, impossibilitando que prestasse as informações necessárias à consolidação: Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 3 de fevereiro de 2011: 'Art. 10. A conclusão da consolidação de modalidade somente será efetivada se o sujeito passivo tiver efetuado, em até 3 (três) dias úteis antes do término do prazo fixado no art. 1o para prestar informações, o pagamento: I de todas as prestações devidas na forma dos incisos I e II do § 1o do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, quando se tratar de modalidade de parcelamento;' Ante o exposto, proponho indeferimento do pedido do contribuinte, e que os pedidos de parcelamento sejam cancelados no sistema. Como última providência para se verificar se o parcelamento do Debcad nº 36.927.6658 estava em dia, no último dia útil de janeiro de 2011, o processo foi enviado à SACAT, que emitiu o seguinte parecer: O referido parcelamento foi cancelado porque o interessado não havia prestado informações necessárias à consolidação. Protocolou pedido de revisão, mas este foi indeferido, conforme cópia do despacho juntada às fls. 56 a 58. Desta forma, o Debcad 36.927.6558 não foi parcelado na Lei 11.941/2009. Está hoje em cobrança pela PGFN. Diante do exposto, proponho que o processo seja encaminhado à SAORT/DRF/CFN para prosseguimento. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 6 5 O pedido de revisão, portanto, foi indeferido em 07/02/2012 (fl.66). A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 28/11/2013, conforme AR, fl. 74. O recurso voluntário foi postado nos correios em 27/12/2013, fl. 81. Juntaramse procuração, fl. 78, e contrato social, fl. 17 que comprovam a regularidade processual. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fatos e fundamentos: Trata o presente processo de impugnação contra o Termo de Indeferimento relativo ao pedido de inclusão ao Simples Nacional, a partir de 01/01/2011, tendo em vista o contribuinte possuir débito junto a Receita Federal do Brasil, de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa, conforme Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17°, V (Débito: 369276558). Inconformado, o interessado alega que o débito previdenciário 369276558 foi incluído no parcelamento da Lei n° 11.941/2009. ..... O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional têm como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n° 123/2006, que assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Segundo ainda o art. 7°, § 1° e 1°A, da Resolução CGSN n° 4/2007, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até o último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção e que eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional poderão ser regularizadas dentro deste prazo. Art. 7o A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3°deste artigo e observado o disposto no § 3° § 1°A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN n°56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN n° 56, de 23 de março de 2009) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 7 6 Pelo que se verifica nos autos, o interessado apresentou na DRF/Cel. Fabriciano MG um pedido de revisão do parcelamento com base na Lei n° 11.941/2009, no qual solicitou a consolidação manual do parcelamento, uma vez que não conseguiu realizar pela internet. Com base nas Portarias Conjunta PGFN/RFB n° 06, de 2009 e 02, de 2011, o pedido foi indeferido porque o contribuinte estava com parcelas do parcelamento não pagas e não efetuou os pagamentos dentro do prazo estabelecido. Assim, os pedidos de parcelamento pela Lei n° 11.941/2009 foram cancelados no sistema, conforme Despacho Decisório DRF/CFN/Sacat n° 24, de 01 de março de 2012, e o débito que ensejou a não inclusão no Simples Nacional não chegou a ser incluído no parcelamento. Dessa forma, como o débito não foi regularizado antes do dia 31/01/2011, último dia para a regularização da pendência fiscal para que a opção pelo Simples Nacional produzisse efeito a partir de 01/01/2011, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. É o relatório Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Voto A recorrente está regularmente representada e diante da tempestividade, conheço do recurso. Inicialmente, é importante listar, em ordem cronológica crescente, os fatos relevantes cuja análise é necessária para se concluir sobre o pedido de opção pelo Simples Nacional,. em questão: 12/12/2009 fl. 40 Deferimento da Adesão ao Parcelamento na RFB de débitos previdenciários não parcelados anteriormente. 02/06/2010 fl. 39 Recibo de Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento da Lei nº 11.941/2009, inclusive os débitos incluídos em dívida ativa, como é o caso do DEBCAD nº 36.927.6558, em questão. 03/01/2011 fl. 51 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária e outro de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa. Para o deferimento, em 31/01/2011, do pedido de opção pelo Simples, havia a necessidade de regularização desses débitos. 19/01/2011 fl. 41 Informação Prévia do Contribuinte para Tirar CND. A totalidade dos débitos foram incluídos nesse parcelamento e passaram para a situação, exigibilidade suspensa. O débito previdenciário em questão estava indicado da seguinte forma, nesse informativo: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 8 7 DÉBITO: 369276558 FASE: 000520 INSCRIÇÃO DE CRÉDITO EM DÍVIDA ATIVA. 08/11/2011 fl. 52 Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional. Detalhamento dos Débitos da RFB/PGFN da Solicitação de Opção. Pendências Fiscais. Débito com a SRF cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inc. V. Lista de Débitos: Débito 36.927.6558. 07/02/2012 fl. 64 Revisão de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 Solicitação de Consolidação Manual de Débitos (sistema não permitiu a consolidação eletrônica; apresentava a mensagem: "em consolidação"). A DRF informou que na modalidade: débitos previdenciários, havia parcela vencida em janeiro/2011, não paga até a data do processamento do pedido de opção pelo Simples. A DRF não juntou documento que comprovasse essa situação de irregularidade, nem mesmo que foi dado ciência à recorrente, na data do pedido de opção pelo Simples. 15/02/2011 Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional Motivo: existência de débito não pago até 31/01/2011 de natureza previdenciária, DEBCAD nº 36.9327.6558. 16/02/2011 Contestação ao Indeferimento do Pedido de opção pelo Simples Nacional. Alegações da recorrente: todos os débitos foram quitados até 31/01/2011, exceto os débitos que estavam com a exigibilidade suspensa. O débito previdenciário Debcad nº 36.927.6558 estava com a exigibilidade suspensa, conforme consulta realizada, em 19/01/2011, portanto, previamente ao pedido de opção pelo Simples. Esse débito havia sido incluído em parcelamento, conforme Lei nº 11.941/2009. 02/03/2012 Parecer da SACAT sobre o parcelamento do Debcad nº 36.927.6558, nos termos da Lei nº 11.941;2009, para confirmar se o pagamento das parcelas estava em dia no último dia de janeiro de 2011. Parecer da SACAT: esse parcelamento foi cancelado porque o interessado não havia prestado informações necessárias à consolidação. Protocolou pedido de revisão, mas este foi indeferido, conforme cópia do despacho juntada às fls. 56 a 58. Desta forma, o Debcad 36.927.6658 não foi parcelado na Lei nº 11.941/2009. Está hoje em cobrança na PGFN. Mesmo diante desses fatos ordenados e dos respectivos documentos nos autos, ainda há uma questão a ser dirimida e sobre a qual não encontramos elementos nos autos que permitissem certificar, o que de fato teria motivado a não inclusão do débito previdenciário DEBCAD nº 36.927.6558, no parcelamento deferido em favor da recorrente, em 12/12/2009 (Lei nº 11.941/2009). Nos termos do referido parecer de 07/12/2012 da DRF, nos procedimentos de Revisão de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 (fl. 64), em que a recorrente teria solicitado a Consolidação Manual de Débitos, pelo fato de o sistema não permitir a consolidação Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13629.000280/201181 Resolução nº 1302000.420 S1C3T2 Fl. 9 8 eletrônica, em que teria apresentado a mensagem: "em consolidação", a DRF informou que na modalidade: débitos previdenciários, havia parcela vencida em janeiro/2011, não paga até a data do processamento do pedido de opção pelo Simples. Esse parecer também registrou que o próprio contribuinte teria juntado à fl. 9 do processo de revisão de parcelamento, uma tela com o seguinte alerta, quando da simulação da consolidação: "Atenção: É necessária a quitação de todas as antecipações devidas, na forma do inciso II § 1o do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, para que seja possível concluir a consolidação. O procedimento prosseguirá como SIMULAÇÃO até que sejam satisfeitas as condições para a consolidação." Como última providência para se verificar se o parcelamento do Debcad nº 36.927.6558 estava em dia, no último dia útil de janeiro de 2011, o processo foi enviado à SACAT, que emitiu o seguinte parecer: O referido parcelamento foi cancelado porque o interessado não havia prestado informações necessárias à consolidação. Protocolou pedido de revisão, mas este foi indeferido, conforme cópia do despacho juntada às fls. 56 a 58. Desta forma, o Debcad 36.927.6658 não foi parcelado na Lei 11.941/2009. Está hoje em cobrança pela PGFN. Todavia, não há nos autos documento que possa demonstrar essas conclusões da fiscalização. Para a certeza da situação, é necessária a apresentação de informativo do sistema da RFB que discrimine os valores dos débitos que teriam sido reunidos no referido DEBCAD nº 36.927.6558; qual teria sido o valor não pago que teria impedido a inclusão desse DEBCAD na referida consolidação de débitos para fins do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009; quais seriam as ditas informações não prestadas pela recorrente, relativas ao DEBCAD nº 36.927.6558. Mesmo diante do pedido de consolidação manual e da informação da recorrente, no referido pedido de revisão de parcelamento, de que não teria sido possível concretizar a consolidação de débitos no sistema da RFB, a fiscalização não correlacionou os comprovantes de pagamentos (DAS, fls. 24/38) efetuados entre 28 e 31/01/2011 com o objetivo de analisar se tais pagamentos se referiam aos valores não reconhecidos como quitados pelo sistema da RFB. Pelo exposto voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que retornem os autos à DRF que deverá verificar se os comprovantes de pagamentos (DAS, fls. 24/38) teriam quitado o débito que obstou o deferimento da opção pelo Simples Nacional. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 16682.720859/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. DESPESAS. REPACTO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA FECHADA COMPLEMENTAR. INDEDUTIBILIDADE. ART. 299 , DO RIR/99.
São indedutíveis as despesas decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão a Plano de Repactuação do Regulamento do Plano Petros relativo a assistidos (funcionários novos), pela ausência do requisito da necessidade, exigido pelo art. 299, do RIR199.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O lançamento decorrente tem a mesma sorte do principal, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos.
Numero da decisão: 1301-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Marcos Paulo Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo fará declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 02/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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FECHADA Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. DESPESAS. REPACTO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA FECHADA COMPLEMENTAR. INDEDUTIBILIDADE. ART. 299 , DO RIR/99. São indedutíveis as despesas decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão a Plano de Repactuação do Regulamento do Plano Petros relativo a assistidos (funcionários novos), pela ausência do requisito da necessidade, exigido pelo art. 299, do RIR199. CSLL. DECORRÊNCIA. O lançamento decorrente tem a mesma sorte do principal, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Marcos Paulo Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo fará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 59 /2 01 3- 70 Fl. 12443DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 02/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 12444DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.444 3 Relatório Trata o presente processo do auto de infração de fls. 12.259 a 12.271, lavrado pela DEMAC/RJO, no qual consta a exigência de: • imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), cód. 2917, no valor de R$ 35.057.386,28, com multa de ofício e juros de mora; e • contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), cód 2973, no valor de R$ 12.620.659,06, com multa de ofício e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 12.260, e do termo de verificação fiscal de fls. 12.240 a 12.258, os lançamentos se devem a falta de adição ao lucro líquido do exercício, para a determinação do lucro real, de despesa considerada indedutível, consistente em pagamento efetuado a Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS, relativo a repactuação do Regulamento do Plano de Previdência Complementar Petros2, para fins de repasse a empregados da Recorrida. Segundo a autuação, a autuada transferiu a quantia aos participantes ativos do plano, que assegura a todos os participantes uma complementação do benefício concedido pela Previdência Social. O repasse decorreu do “Acordo de Obrigações Recíprocas” (entre a Petrobrás e a Petros), que teve finalidade de: apaziguar as relações entre as partes, dar fim a ações judiciais com diversos pleitos dos empregados e assistidos, relacionados ao plano Petros, solucionar o equilíbrio do Plano Petros e ajustar o regulamento do plano Petros e o cálculo dos benefícios de aposentadoria e pensões. Tal despesa não se enquadraria no conceito de contribuição para plano de previdência complementar, por não atender ao rateio paritário entre patrocinador e participante, conforme art. 202 da Constituição Federal, Emenda Constitucional nº 20/1998 e Lei Complementar nº 109/2001. A quantia repassada não seria dedutível, porque foi repassada por mera liberalidade, possuiria caráter de espontaneidade e de gratuidade, posto que não era compulsória nem imposta por lei e não era relacionada às atividades normais da empresa, tendo em vista trataremse de despesas com custo de serviço passado, com base nos artigos 299 e 365 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99). A autuação apresenta como fundamento legal os artigos 3º da Lei nº 9.249/95; 202, § 3º da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/1998; 247, 249, I, 299 e 361 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99); 19, II, 21 e 69 da Lei Complementar nº 109/2001; e 11 da Lei nº 9.532/1997; bem como no item 17 da Solução de Divergência COSIT nº 27, de 20 de dezembro de 2011. Fl. 12445DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 4 Na apuração dos tributos devidos não foram aproveitados o saldo credor de IRPJ e a base de cálculo negativa de CSLL apurados pela contribuinte no período tendo em vista que os mesmos foram objeto de pedido de restituição e/ou compensação específicos. Cientificada pessoalmente em 28/06/2013, por meio de procuradora regularmente constituída, conforme assinaturas apostas as fls. 12.258, 12.259 e 12.266, a interessada apresentou em 24/07/2013, conforme termo de solicitação de juntada de fl. 12.285, impugnação de fls. 12.286 a 12.307, acompanhada dos documentos de fls. 12.308 a 12.381, nas quais, alega, em apertada síntese, que: 1) assumiu o valor de R$ 140.229.545,14 referente ao serviço passado dos empregados novos, admitidos entre agosto de 2002 e 29/08/2007, que passariam a contar com o plano Petros 2, sendo certo que o referido montante foi deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base em extensa negociação realizada entre representantes dos empregados e a impugnante, que resultou na assinatura de Acordo de Obrigações Recíprocas, homologado pela Justiça Estadual Fluminense em 25/08/2008, e no termo de compromisso financeiro, assinado em 23/10/2008; 2) o pagamento efetuado a título de contribuição a plano de previdência privada, objeto de dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi realizado sem violação ao § 3º, do art. 202, da Constituição Federal, na medida que a despesa assumida pela impugnante não possui natureza de contribuição normal, sendo, na verdade, uma contribuição extraordinária ao plano Petros 2, razão pela qual não se sujeita a vedação prevista no texto constitucional; 3) a autuação estaria portanto calcada em três pontos principais: contribuição normal ao plano de previdência privada, ausência de contribuição dos participantes/funcionários (desrespeito à paridade) e caráter não usual ou não normal das despesas para a atividade econômica desenvolvida pela impugnante; 4) a não violação aos artigos 19, inciso II, 21 e 69, da Lei Complementar nº 109/2001, tendo em vista tratarse a contribuição efetuada de despesas assumidas para cobrir o serviço passado, sendo consideradas pela Lei como contribuição extraordinária para o plano de previdência privada, razão pela qual não há que se falar em paridade de contribuições entre patrocinador e assistido e nem em deduções do IRPJ e CSLL fora dos limites legais; 5) o pagamento efetuado se classificaria como despesas operacionais, nos termos do art. 299, do RIR/99, na medida que atendidos os requisitos necessários para a permissão de dedutibilidade: registro contábil da despesa não poder ser “custo operacional”, ausência de liberalidade na feitura da despesa, e necessidade da mesma à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora; 6) o não cabimento da multa e dos juros, cobrança acessória aos tributos lançados; Por fim, requer que seja acolhida sua impugnação, para o fim de serem desconstituídos os créditos tributários, e a exigência fiscal cancelada, reconhecendose o caráter dedutível da despesa atinente ao custo de serviço passado. A DRJ/RIO DE JANEIRO I, analisando a matéria julgou improcedente a impugnação (Acórdão 1260.181, de 08 de outubro de 2013), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 12446DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.445 5 Ano calendário: 2008 DESPESAS. REPACTO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA FECHADA COMPLEMENTAR. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão a Plano de Repactuação do Regulamento do Plano Petros relativo a assistidos, pela ausência do requisito da necessidade, exigido pelo art. 299, do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. É o relatório. Fl. 12447DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do relatório que o presente processo trata de auto de infração pelo qual se exige recolhimento do IRPJ e CSLL, mais multa e juros de mora, decorrentes de despesas consideradas não dedutíveis do lucro real, porque não se caracterizam como normais e usuais ou necessárias à manutenção da fonte produtora. Segundo o Termo de Verificação Fiscal a PETROBRAS assumiu o custo do serviço passado das contribuições ao Plano Petros 2, referente ao período de agosto de 2002 até o dia 29/08/2007, lapso temporal em que foram admitidos empregados/participantes que ficaram sem plano de previdência privada (equivalente a 40% do total de seus empregados). Conforme assinalado no voto de primeira instância, esta matéria já foi apreciada no processo nº 12897.000088/200948 (também da PETROBRAS), tendo sido proferido o Acórdão nº 110200.355, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da 1a. Seção, no qual, por unanimidade, deu provimento ao recurso de ofício, cuja ementa segue transcrita: “PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO SUCINTA. A sucinta fundamentação da decisão não pode ser equiparada à ausência de motivação. IRPJ. DESPESAS. REPACTO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA FECHADA COMPLEMENTAR. INDEDUTIBILIDADE. ART. 299, DO RIR/99. São indedutíveis as despesas decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão a Plano de Repactuação do Regulamento do Plano Petros relativo a assistidos (exfuncionários), pela ausência do requisito da necessidade, exigido pelo art. 299, do RIR/99. CSLL. DECORRÊNCIA. O lançamento decorrente tem a mesma sorte do principal, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos.” De se ressaltar, por oportuno, que da decisão acima citada foi interposto Recurso Especial do Contribuinte, o qual em recente sessão (01 de março de 2016), restou não conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9101002.247). No presente caso, a peça recursal repete as argumentações da inicial (impugnação), da qual, em especial, transcrevo os seguintes fragmentos: Ainda segundo o lançamento, a despesa assumida pela Recorrente e dirigida a Petros 2, a título de serviço passado, não pode ser dedutível "pelo fato de não haver contrapartida dos participantes/funcionários". Ocorre que não há que se falar em contrapartida de pagamentos por parte dos participantes/funcionários ou em paridade (para utilizar linguagem previdenciária) Fl. 12448DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.446 7 na medida em que a despesa assumida pela Recorrente não possui natureza de contribuição normal. O caso descrito nos autos, portanto, não se subsume ao texto constitucional, à norma do artigo 202, parágrafo 3o. da CF/1988, porque, repitase, não se tratou de contribuição normal ao Plano Petros (se configura como contribuição extraordinária ao plano de previdência privada). Outras matérias trazidas no bojo do recurso voluntário: Da não violação ao artigo 69 da LC 109/2001; dos artigos 247, 249, 299 e 361 do RIR/1999; artigo 3o. da Lei 9.249/1995, e Do não cabimento da Multa e dos Juros Pois bem. Da análise ao caso concreto valhome dos fundamentos expendidos no processo nº 12897.000088/200948, (também da PETROBRAS), acórdão nº 110200.355, da Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, a qual peço vênia, para, a meu modo, abordar as razões de decidir, cujas conclusões alinhome por entender que definem a melhor interpretação da matéria debatida, ressaltando que o citado acórdão paradigma teve como suporte os mesmos fundamentos fáticos e jurídicos destes autos. Nesta ordem, reproduzo os seguintes trechos: No mérito, cingese a discussão quanto à adequação dos pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão à "Repactuação do Regulamento do Plano PETROS" relativo a assistidos (ex funcionários), ao comando do art. 299, do RIR199, verbis: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n.° 4.506, de 1964, art. 47). § 1o. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n.° 4.506, de 1964, art. 47, §1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n.° 4.506, de 1964, art. 47, §2°). § 3° 0 disposto neste artigo aplicase também ás gratificações pagas aos empregados, seja qual for a destinação que tiverem." (grifos acrescidos) Consoante Estatuto Social acostado nas fls. 115/120 dos autos, o objeto da Recorrida está relacionado à pesquisa, lavra, refinação, processamento, comércio e transporte de petróleo, de seus derivados, de gás natural, e de outros hidrocarbonetos fluidos, enquanto a despesa cuja dedutibilidade está sendo avaliada relacionase a pagamentos de interesse e titularidade da PETROS, entidade de previdência fechada, que administra e executa planos de benefícios previdenciários. Fl. 12449DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 8 Se por um lado a necessidade da despesa em xeque mostrase patente em relação a PETROS, detentora de legitimo interesse de repactuação como forma de manutenção do equilíbrio financeiro do plano de previdência, de outro lado, não guarda a relação direta capaz de configurar a necessidade exigida pelo art. 299, do RIR/99 em relação à Recorrida, já que relativa a ex funcionários com os quais não possui mais vinculo jurídico. Registro que a mera expectativa de risco financeiro decorrente de eventual necessidade de cobrir futuros déficits e de viabilizar condições para oferecimento do Plano de Previdência não se caracterizam como provas da necessidade da despesa, até porquanto, na disciplina da Lei Complementar n° 109/2001, especificamente artigos 7°, 16 e 21, o resultado deficitário nos planos de previdência serão equacionados não apenas pelos patrocinadores, mas também por participantes e assistidos, verbis: "Art. 7' Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômicofinanceiro e atuarial. Parágrafo único. O órgão regulador e fiscalizador normatizará planos de benefícios nas modalidades de beneficio definido, contribuição definida e contribuição variável, bem como outras formas de planos de benefícios que reflitam a evolução técnica e possibilitem flexibilidade ao regime de previdência complementar." "Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o. Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. § 2o. facultativa a adesão aos planos a que se refere o caput deste artigo. § 3o. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos planos em extinção, assim considerados aqueles aos quais o acesso de novos participantes esteja vedado. "Art. 21. O resultado deficitário nos planos ou nas entidades fechadas será equacionado por patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção existente entre as suas contribuições, sem prejuízo de ação regressiva contra dirigentes ou terceiros que deram causa a dano ou prejuízo à entidade de previdência complementar. § 1" O equacionamento referido no caput poderá ser feito, dentre outras formas, por meio do aumento do valor das contribuições, instituição de contribuição adicional ou redução do valor dos benefícios a conceder, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador. § 2" A redução dos valores dos benefícios não se aplica aos assistidos, sendo cabível, nesse caso, a instituição de Fl. 12450DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.447 9 contribuição adicional para cobertura do acréscimo ocorrido em razão da revisão do plano. § 3' Na hipótese de retorno à entidade dos recursos equivalentes ao déficit previsto no caput deste artigo, em conseqüência de apuração de responsabilidade mediante ação judicial ou administrativa, os respectivos valores deverão ser aplicados necessariamente na redução proporcional das contribuições devidas ao plano ou em melhoria dos benefícios." (grifos acrescidos) Assim, apenas no efetivo enquadramento da despesa na hipótese do art. 21, da Lei Complementar 109/2001 é que tornaria possível a dedutibilidade, situação distinta da ora apreciada. Ademais, a dedutibilidade de despesas com contribuições previdenciárias sofrem limites legais, expressamente disciplinados no § 2°, da Lei n.° 9.430/96, cujo teor transcrevo a seguir, verbis: "Art. 11. As deduções relativas as contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei n" 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. § 1o. Aos resgates efetuados pelos quotistas de Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi aplicamse, também, as normas de incidência do imposto de renda de que trata o art. 33 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. § 2' Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei n° 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuracdo, a 20% (vinte por cento) do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. § 3' O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o § 22 deste artigo deverá ser adicionado ao lucro liquido para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido. Fl. 12451DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 10 § 4° O disposto neste artigo não elide a observância das normas do art. 7° da Lei n° 9.477, de 24 de julho de 1997. § 5' Excetuamse da condição de que trata o caput deste artigo os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social." Apesar de não se tratar de hipótese de despesas com contribuições de previdência privada de funcionários, a limitação imposta pela norma acima transcrita deixa clara a mens legis quanto à limitação para dedutibilidade de despesas desta natureza, o que corrobora a necessidade de afastar a dedutibilidade pretendida pela contribuinte. Como bem assinalado no voto condutor recorrido a decisão supramencionada apresenta apenas como diferencial em relação ao caso constante dos presentes autos, o seguinte: a despesa relativa a repactuação do regulamento do plano de previdência complementar não foram pagas para fins de repasse a exempregados da contribuinte/recorrente, mas aos seus empregados admitidos a partir de agosto de 2002, sendo instituído novo plano denominado Petros 2. No entanto tal diferença não traz influência alguma ao deslinde da presente lide, na medida que conforme afirmado pela própria contribuinte/recorrente, a contribuição foi efetuada em proveito de aproximadamente 40% de seus empregados, não estando, portanto, em conformidade com o disciplinado no art. 7º da Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997, que assim dispõe: “Art. 7º O empregador que instituir Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual, na forma estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, pode deduzir como despesas operacionais o valor das quotas do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI adquiridas, observado o disposto no art. 10 desta Lei, desde que o Plano atinja, no mínimo, cinqüenta por cento dos seus empregados.” (grifo acrescido) Assim, não podem tais despesas serem consideradas como despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na forma estabelecida pelo § 2°, da Lei n.° 9.430/96, sendo por isso, também consideradas como desnecessárias, razão pela qual não merece qualquer reparo a autuação. Corroborando com tal entendimento, colaciono o item 17, da Solução de Divergência Cosit nº 27, de 20 de dezembro de 2011, utilizada como fundamento da autuação, que retratou de maneira escorreita a situação que ora se apresenta: “Ademais, as cláusulas particulares de um edital ou leilão não alteram a natureza de uma despesa para fins tributários, vale dizer, inobstante uma cláusula negocial considerar tal ou qual ato como essencial à concretização do negócio, a natureza deste ato não pode ser transmutada via negociação particular, caso contrário estarseia instalando o caos jurídicotributário em nosso País; a evasão fiscal restaria institucionalizada via ajustes entre os particulares. Daí que a legislação tributária determina que “as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa”, sendo que “despesas a título de complementação de benefícios previdenciários aos funcionários da empresa” não se Fl. 12452DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.448 11 constituem em usuais ou normais para quaisquer atividades econômicas que se possam cogitar.” (grifo acrescentado) Além do mais, têmse que a paridade contributiva prevista no § 1o. do art. 6o. da Lei Complementar 108, de 2001 (CF, art. 202, § 3o.), não se restringe às contribuições normais a que se refere o inciso I do parágrafo único do art. 19 da LC 109, de 2001, devendo ser aplicada a toda e qualquer contribuição efetuada por patrocinador sujeito à disciplina da LC 108/2001, independentemente da classificação que lhe seja dada pela LC 109/2001. Por fim, reputo correta o entendimento da autoridade fiscal de que tal despesa tratase de um mero incentivo pecuniário, não constituindo contribuição para o plano de previdência complementar, concluindo que o pagamento decorreu de liberalidade “porque nem a lei nem o contrato de trabalho a obrigam a efetuálo”. Importa transcrever os seguintes trechos do TVF: "Destarte foi celebrado Termo de Transição em 12/09/2007 em face da Ação Civil Pública 009921170.2001.8.19.0001, que tramita à época perante o juízo da 18a. Vara Civil da Comarca do Rio de Janeiro. Não se diga, que por se tratar de ajuste acordado em sede judicial, a ele caberia a natureza de compulsoriedade, pois em verdade, a Ação Civil Pública mencionada acima, sequer foi objeto de sentença. A espontaneidade dos pagamentos realizados está demonstrada na própria natureza jurídica do negócio realizado, o qual representou acordo entre as partes (Acordo de Obrigações RecíprocasAOR)." Nessa linha, insta salientar que qualquer processo de renegociação do Plano Petros de previdência complementar que tivesse como objetivo o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade do mesmo, por óbvio, seria uma necessidade e um interesse da própria Petros, e não da Petrobrás, pelo menos não diretamente. O fato de a Petrobrás ter realizado o aporte de recursos necessários para o adimplemento de obrigações pela Petros não transforma o valor repassado em despesa operacional da Autuada. A Petrobrás assim o fez por entender ser esta a melhor opção dada as circunstâncias em que se encontravam as negociações para saneamento do Plano, apesar de não constituir sua obrigação. Do não cabimento da Multa e dos Juros Como último ponto de discordância a recorrente traz em sua peça de defesa o seguinte: "Pelas razões acima veiculadas, resta evidente o não cabimento dos juros e da multa, cobrança acessória, razão pela qual devem ser extirpados do lançamento fiscal." Aqui verificase que a defesa não traz nenhum fundamento e/ou argumentação sobre a matéria, simplesmente a menciona de forma genérica e singela. CSLL. DECORRÊNCIA. O lançamento decorrente tem a mesma sorte do principal, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. Do exposto conduzo meu voto por negar provimento ao recurso. Fl. 12453DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 12 (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 12454DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.449 13 Declaração de Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Em que pese a análise efetuado pelo Conselheiro Relator, penso que há algumas interpretações e aplicações do direito ao caso concreto que, data máxima vênia, comportariam resultado diverso daquele a que chegou o Relator. Tratase, em apertada síntese, de auto de infração pelo qual se exige recolhimento do IRPJ e CSLL, mais multa e juros de mora, decorrentes de despesas consideradas não dedutíveis do lucro real, porque não se caracterizam como normais e usuais ou necessárias à manutenção da fonte produtora. Segundo o Termo de Verificação Fiscal a PETROBRAS assumiu o custo do serviço passado das contribuições ao Plano Petros 2, referente ao período de agosto de 2002 até o dia 29/08/2007, lapso temporal em que foram admitidos empregados/participantes que ficaram sem plano de previdência privada (equivalente a 40% do total de seus empregados). O ilustre Relator, valendose dos fundamentos expendidos no processo nº 12897.000088/200948, (também da PETROBRAS), acórdão nº 110200.355, da Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, em cujas conclusões alinhouse, por entender que estas definem a melhor interpretação da matéria debatida, ressaltando que o citado acórdão paradigma teve como suporte os mesmos fundamentos fáticos e jurídicos destes autos. Ou seja, parte da premissa que o acórdão por ele tido como paradigma teria como suporte os mesmos fundamentos fáticos e jurídicos destes autos. Ocorre que não vejo como concordar com o relator, pois ainda não se tratm dos mesmos suportes, seja fáticos ou jurídicos. Vejase que a decisão utilizada como paradigma assim aduz: No mérito, cingese a discussão quanto à adequação dos pagamentos efetuados a titulo de incentivo financeiro à adesão à "Repactuação do Regulamento do Plano PETROS" relativo a assistidos (ex funcionários), ao comando do art. 299, do RIR199, [...]. Do excerto acima, observase que aquele processo tratava de eventual incentivo financeiro concedido pela recorrente à adesão à Repactuação do Regulamento do Plano Petros relativo à assistidos (exfuncionários). Ou seja, a despesa tida como indedutível dizia respeito à incentivo dado aos funcionários que já eram assistidos pelo Plano Petros e que precisavam concordar com uma eventual repactuação do Regulamento do referido plano. Aqui, diferentemente, tratase de despesa com serviço passado, que se referem aos novos assistidos, ou seja, aqueles empregados que passaram a fazer parte do plano após a sua repacutação. Percebese então que há total falta de similitude entre os fatos tratados naqueles autos e os sobre os quais ora nos debruçamos. Lá tratavase de incentivo pagos pela Fl. 12455DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 14 Recorrente à empregados já assistidos, enquanto aqui tratase serviços passados relativos a empregados que ingressavam no plano. Para facilitar minha linha de raciocínio, faço uma recapitulação dos fatos: Em 09/08/2002 o Plano PETROS foi fechado para ingresso de novos participantes1. A partir dessa data, a Recorrente começou a estudar alternativas para adequar o seu modelo de previdência de complementar à lei e, no ano de 2003, criou um Grupo de Trabalho (composto paritariamente por seus representantes e por membros da Federação Única dos Petroleiros FUP e dos sindicatos da categoria) para buscar alternativas e soluções para a questão. [...] Como resultado do Grupo de Trabalho e das negociações que foram mantidas com os representantes das categorias, [...] foi firmado o Acordo de Obrigações Recíprocas AOR e o Termo de ReRatificação com a PETROS e com as entidades representativas dos empregados da categoria com o objetivo de repactuar o Regulamento do Plano PETROS e equacionar diversas questões a ele atinentes, inclusive judiciais e trabalhistas. [...] Em fevereiro de 2007, mais de 58 mil participantes e assistidos (73% do total) ratificaram a Repactuação do Regulamento do Plano Petros, resultado que possibilitou o lançamento do Plano Petros 2 em julho de 2007. A essa altura a Recorrente contava com cerca de 22 mil empregados sem plano de previdência complementar, equivalente a 40% do total de seus empregados. [...]. Portanto, em resumo, aquele processo trata de incentivo dado a ex funcionários que eram assistidos pelo plano Petros antes de seu fechamento, enquanto aqui temos despesa que se relaciono com os funcionários que foram admitidos após dito fechamento e que, assim, encontravamse sem benefício de previdência complementar. Sob essas ordens de conclusões, entendo que o Ilustre Relator não poderia ter se valido dos fundamentos trazidos pelo acórdão nº 110200.355, da Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, uma vez que os fatos tratados naquele processo em nada se confundem com os deste processo. Ressalto ainda que o Relator reconhece a diferença fática por mim apontada, como pode ser verificado pelo excerto abaixo: Como bem assinalado no voto condutor recorrido a decisão supramencionada apresenta apenas como diferencial em relação ao caso constante dos presentes autos, o seguinte: a despesa relativa a repactuação do regulamento do plano de previdência complementar não foram pagas para fins de repasse a exempregados da contribuinte/recorrente, mas aos seus empregados admitidos a partir de agosto de 2002, sendo instituído novo plano denominado Petros 2. (grifos meus) Porém, reputa tal diferença fática como sendo irrelevante para a solução deste caso, pois no entendimento do Relator, ainda que tal diferença pudesse alterar o seu 1 Vide Regulamento do Plano Petros, aprovado pela Secretária de Previdência Complementar em 23/05/2006, através do Ofício 165/SPC/DETEC/CGAT. Fl. 12456DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.450 15 entendimento, o mesmo adota como fundamento para enquadrar a despesa realizada pela recorrente como sendo indedutível o art. 7° da Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997. No seu entendimento, como o plano PETROS 2 só atingia 40% (quarenta por cento) dos empregados da recorrente, o limite mínimo de 50% dos empregados não restaria atingido, razão pela qual a despesa não poderia ser considerada como dedutível. Veja excerto do voto do Relator, verbis: Como bem assinalado no voto condutor recorrido a decisão supramencionada apresenta apenas como diferencial em relação ao caso constante dos presentes autos, o seguinte: a despesa relativa a repactuação do regulamento do plano de previdência complementar não foram pagas para fins de repasse a exempregados da contribuinte/recorrente, mas aos seus empregados admitidos a partir de agosto de 2002, sendo instituído novo plano denominado Petros 2. No entanto tal diferença não traz influência alguma ao deslinde da presente lide, na medida que conforme afirmado pela própria contribuinte/recorrente, a contribuição foi efetuada em proveito de aproximadamente 40% de seus empregados, não estando, portanto, em conformidade com o disciplinado no art. 7º da Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997, que assim dispõe: “Art. 7º O empregador que instituir Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual, na forma estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, pode deduzir como despesas operacionais o valor das quotas do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI adquiridas, observado o disposto no art. 10 desta Lei, desde que o Plano atinja, no mínimo, cinqüenta por cento dos seus empregados.” (grifo acrescido) Assim, não podem tais despesas serem consideradas como despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na forma estabelecida pelo § 2°, da Lei n.° 9.430/96, sendo por isso, também consideradas como desnecessárias, razão pela qual não merece qualquer reparo a autuação. Ocorre que o Relator se confunde com os fatos trazidos pela recorrente e constantes dos autos! Como tentei estabelecer com os esclarecimentos fáticos acima reproduzidos, observase que o plano Petros 2 nunca foi oferecido a tão somente 40% da massa de trabalhadores como entendeu o Relator. O que efetivamente ocorreu é que o "Plano Petros 1" já havia sido oferecido a 60% destes trabalhadores, ou seja, àqueles que tinham sido admitidos antes do seu fechamento por determinação da autoridade reguladora. O que ocorreu em julho de 2007 é que o novo plano, após a repactuação, passa a ser também oferecido àqueles empregados que haviam sido recém admitidos e que, em razão de estar o Petros fechado, encontravamse sem acesso à Previdência Complementar. Desta forma, percebese que a fundamentação adotada no voto e acompanhada pela maioria dos membros desta Turma, à meu ver, não pode prosperar, haja vista que ao analisar mais detidamente os fatos, percebese que somando os trabalhadores que já participavam do Plano mais aqueles que se juntam após a repactuação, temse que o requisito de dedutibilidade da norma (50% dos trabalhadores) estaria perfeitamente atendido e Fl. 12457DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 16 cumprido pela recorrente, razão pela qual não posso concordar com sua adoção como fundamento de decidir. Feitas estas considerações preliminares, passo a analisar os fatos destes autos. Tratase, pois, de contribuição feita pela patrocinadora (empregador), ora recorrente, à plano de previdência complementar fechada, feita sem a contrapartida dos empregados. Em razão da dita não coparticipação paritária por parte destes últimos, entendeu a Fiscalização tratarse de despesa que não poderia ser enquadrada dentro das regras específicas que regem as previdências complementares e, desta forma, estaria sujeita à regra geral de dedutibilidade prevista no art. 299 do RIR/99. Desta forma, creio que crucial analisarmos se, de fato, as despesas destes autos, estariam fora das regras aplicáveis aos planos de previdência complementar, pois, caso contrário, em estando, as mesmas seriam dedutíveis por si só. Pela leitura dos documentos constantes destes autos, percebo que o valor que fora glosado pela fiscalização tratase de despesa assumida pela Recorrente, no montante de R$ 140.229.545,14, a título de serviços passados dos empregados novos, admitidos após o fechamento para novas adesões ao plano de previdência, ou seja, entre agosto de 2002 a agosto de 2007. Há que se ressaltar que o regime de previdência complementar é matéria constitucional, estando o mesmo contemplado pelo artigo 202 da Carta Magna: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. § 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado. § 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas entidades fechadas de previdência privada. Fl. 12458DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.451 17 § 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior aplicarseá, no que couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias de prestação de serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada. § 6º A lei complementar a que se refere o § 4° deste artigo estabelecerá os requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fechadas de previdência privada e disciplinará a inserção dos participantes nos colegiados e instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discussão e deliberação.(grifos meus) Portanto, percebese que a Constituição Federal trata especificamente da matéria relegando à Lei Complementar função disciplinadora do alcance dos seus termos. Ademais, a Constituição traz vedação expressa quanto à possibilidade das sociedades de economia mista fazerem aportes de recursos a entidades de previdência complementar, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado. Portanto, a vedação constitucional diz respeito aos aportes feitos por sociedades de economia mista que sejam classificadas como contribuições normais. Assim, creio que a solução deste litígio encontrase na adequada classificação do pagamento efetuado pela recorrente. Se este puder se classificado como contribuição normal, correta a glosa efetuada pela fiscalização, haja vista que o referido aporte foi feito pela patrocinadora sem qualquer aporte do segurado. Em suma, sendo contribuição normal, a mesma estaria vedada constitucionalmente, pois que a mesma excederia a do segurado. Desta forma, passo a analisar se o aporte feito pela Recorrente pode ser classificado como contribuição normal ou se, diferentemente, tratase de outro tipo de contribuição, do tipo extraordinária. Para tal, valhome dos conceitos trazidos pelas Leis Complementares n° 108 e 109 que regulamentaram a matéria, ressaltando que a LCP 109 traz conceitos genéricos enquanto a LCP 108 dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e outras entidades públicas e suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar. Nestes termos, o artigo 2° da LCP 108 preceitua que aplicarseão às entidades fechadas de previdência complementar mantidas/patrocinadas pelas sociedades de economia mista as regras e princípios gerais estabelecidos na LCP 109, ressalvadas as disposições específicas. Desta maneira, a menos que a LCP 108 traga conceitos específicos, devem ser adotados os conceitos da LCP 109. Art. 2o As regras e os princípios gerais estabelecidos na Lei Complementar que regula o caput do art. 202 da Constiuição Federal aplicamse às entidades reguladas por esta Lei Complementar, ressalvadas as disposições específicas. A LCP 108 assim define as contribuições destinadas à constituição de reservas dos planos de previdência complementar, verbis: Fl. 12459DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 18 Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classificamse em: I normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano; e II extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. Ou seja, há dois tipos de contribuições: as normais e as extraordinárias. Sendo que as últimas são aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades. Observase que não há qualquer vedação na LCP 108 quanto à possibilidade das sociedades de economia mista fazerem contribuições extraordinárias aos planos de previdência por ela patrocinados. Só há a mesma vedação constitucional quanto a contribuição normal do patrocinador para plano de benefícios, a qual, em hipótese alguma, poderá exceder a do participante (§ 1o do art. 6°). Portanto, entendo que na ausência de qualquer vedação expressa contida na LCP 108, pode o patrocinador, sociedade de economia mista, efetuar aportes/contribuições extraordinárias para o plano de benefícios por ele patrocinado/instituído. Ademais, se fossem proibidos tais aportes como seriam administrados e tratados eventuais custeios de déficits, serviço passado e outros a serem efetuados por patrocinadoras que se enquadrem na condição de ente público ou sociedade de economia mista? Sob essa ordem de considerações, entendo que não há qualquer impedimento para que as sociedades de economia efetuem contribuições extraordinárias para os planos por ela patrocinados. No caso destes autos, não se trata de contribuições extraordinárias para custeio de déficits, mas sim de serviço passado. o qual encontrase assim definido na Resolução CGPC n° 18, de 28 de março de 2006 No plano de benefícios oferecido por patrocinador, o critério de custeio poderá prever a separação dos encargos correspondentes ao período anterior à implantação do plano, denominado serviço passado, e ao período posterior à implantação do plano, denominado serviço futuro." Dessa forma, apesar da escassa doutrina a respeito, via de regra, entendese que os valores referentes ao período laboral anterior à adesão ao plano de benefícios podem ser uma obrigação tanto do participante, neste caso denominada “jóia”, como do patrocinador como é o caso dos autos , nomeada pelo termo “serviço passado”. O site da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar ABRAPP (http://docplayer.com.br/8594771Abrappassociacaobrasileira Fl. 12460DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16682.720859/201370 Acórdão n.º 1301002.042 S1C3T1 Fl. 12.452 19 dasentidadesfechadasdeprevidenciacomplementar.html) traz justamente esses conceitos, de forma muito clara: Serviço Passado: Considerase o tempo de serviço anterior à adesão ao sistema ou plano de previdência complementar. Quando da implantação de um novo plano, o empregador pode se responsabilizar pelo aporte relativo ao "serviço passado", correspondente ao valor atuarialmente calculado da série de contribuições que deveriam ter sido capitalizadas durante um período anterior à implementação do plano. Jóia: É o valor atuarialmente calculado, correspondente às contribuições passadas anteriores à filiação ao plano e não vertidas. Exatamente igual ao serviço passado, mas de responsabilidade do segurado, pelo fato do mesmo ingressar no plano posteriormente à sua criação. Como não há qualquer controvérsia nestes autos quanto a natureza jurídica dos valores pagos pela patrocinadora, ora recorrente, entendo que tais valores devam ser tratados como tendo sido feito a título de serviço passado. Neste mesmo sentido, observo também que, diferentemente das contribuições extraordinárias para custeio de déficits, não há qualquer restrição quanto à necessidade de paridade entre patrocinadora e patrocinados/assistidos na LCP 109. Nem poderia ser de outra forma, pois eventual contribuição dos patrocinados (empregados) a título de serviço passado, tratarseia de "jóia" e não de serviço passado propriamente dito. Ou seja, imaginar que eventual contribuição a título de serviço passado só poderia ser feita caso houvesse contribuição de igual valor pelo empregado, pareceme ferir a boa lógica jurídica. Ademais, a que se ressaltar que a repactuação do plano Petros, as contribuições normais e extraordinárias a serem feitas por empregadora e empregados, foram devidamente validadas e aprovadas pelo órgão regulador, o que, por si só, afasta a tese da Fiscalização no sentido de que as sociedades de economia mista não poderiam fazer aportes superiores àqueles efetuados por seus empregados. Por todas essas ordens de razões, por se tratar de contribuição extraordinária a título de serviço passado (e não de contribuição normal) entendo que a mesma poderia ser efetuada somente pela patrocinadora, mesmo essa sendo sociedade de economia mista, não havendo aqui que se falar em descumprimento das regras reguladoras dos planos de benefícios de previdência complementar previstas na Constituição de 1988, bem como nas LCPs 108 e 109. Ainda que se assim não fosse, entendo subsidiariamente que a validação pelo órgão regulador da repactuação do plano de previdência da complementar da recorrente PETROS, suas novas contribuições normais e extraordinárias não deixa dúvida quanto à legalidade das mesmas sob a égide de suas leis de regência, restando, pois, garantida constitucionalmente a dedutibilidade de tais aportes para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Por fim, consigno que no caso destes autos estamos diante de contribuição extraordinária para custeio de serviço passado, a qual não exige a paridade entre patrocinadora e patrocinados. Fl. 12461DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 20 Assim, conduzo o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente, a fim de manter como sendo dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL as despesas com contribuições extraordinárias para custeio de serviço passado de plano de previdência complementar. Entendo que tais despesas não se submetem a obrigação de paridade prevista para as contribuições normais. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Fl. 12462DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Numero do processo: 12466.003149/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 26/01/2005 a 22/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado.
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Embargos acolhidos em Parte sem efeitos infringentes.
Crédito Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para rerratificar o Acórdão Embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 26/01/2005 a 22/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Embargos acolhidos em Parte sem efeitos infringentes. Crédito Mantido em Parte.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Embargos acolhidos em Parte sem efeitos infringentes. Crédito Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para rerratificar o Acórdão Embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 49 /2 01 0- 32 Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de PARTS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, como real adquirente. Na sessão de 23/02/2016, esta turma proferiu o acórdão nº 3302003.057, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/01/2005 a 22/12/2005 DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei nº 37/1966. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/02/2006 a 23/08/2006 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. RECURSOS DE TERCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 4 3 infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, não cabendo benefício de ordem. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI Nº 11.488/2007, ARTIGO 33. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. A multa de 10% por cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de comércio exterior não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na infração punida com a multa lavrada (interposição fraudulenta na importação), o que levaria à aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, observando julgamento do STJ sob a sistemática de recursos repetitivos e as Súmulas CARF nº 72 e 101, os quais foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A Fazenda Nacional alegou omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na interposição fraudulenta, o que levaria à aplicação do artigo 173, inciso I do CTN e das Súmulas CARF nº 72 e 101. De fato, a DRJ entendeu que a ocorrência de fraude levaria o prazo decadencial para o artigo 173, I do CTN. Entretanto, este não é o posicionamento deste Conselho, nem da própria Receita Federal. A pena de perdimento decorrente do dano ao erário possui natureza administrativa, cujo bem tutelado não se restringe à arrecadação tributária, mas referese ao próprio controle aduaneiro, evitando a burla ao controle da habilitação para operar no comércio exterior, a blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante etc, e é aplicada ainda que não haja tributos devidos numa importação com interposição fraudulenta. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, as disposições do Decretolei n º 37/1966 são específicas em relação à Lei nº 5.172/1966. Observase que o DL nº 37/1966, publicado em 21/11/1966, posterior à Lei nº 5.172/1966, publicada em 27/10/1966, previu no artigo 139 o prazo decadencial de cinco anos a contar da data da infração para o direito de impor penalidade. Por sua vez, o Decretolei nº 2.472/1988 alterou a redação do artigo 138, adequando ao comando do artigo 173, inciso I e ao artigo 150, §4º do CTN, evidenciando a diferença entre os prazos decadenciais para constituição de crédito tributário e para imposição de penalidade. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. A Receita Federal reconheceu este entendimento com a edição da Solução de Consulta nº 32/2013, cuja ementa dispôs: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. PRAZO O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 4º, 113 e 173; Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 78 e 83; DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, arts. 94, 96, 138 e 139; Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, art. 704; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De outro lado, não houve declaração de inconstitucionalidade do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, mas, pelo contrário, o Superior Tribunal de Justiça afirmou a validade do artigo 139 nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.379.708CE, julgado em 05/12/2015, e nº 643.185SC, julgado em 15/03/2007, cuja ementa deste último transcrevese: EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 6 5 ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Destacase, ainda, que o HC nº 70.379/RS, julgado em 06/08/2009, ao tratar sob a incursão em crimes de descaminho, reafirmou a natureza administrativa da pena de perdimento, conforme ementa abaixo: EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS . 1. DESCAMINHO. PENA DE PERDIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO E ACESSÓRIOS. 2. ILEGITIMIDADE PASSIVA DE UMA DAS ACUSADAS. QUESTÕES DE FUNDO. VIA ANGUSTA. INCURSÃO FÁTICOPROBATÓRIA. COGNIÇÃO VEDADA. 3. ORDEM DENEGADA. 1. A pena de perdimento caracteriza sanção de natureza administrativa, que não obsta a perseguição do crime de descaminho, diante da omissão no recolhimento do imposto devido, que muitas vezes se revela superior ao preço da própria mercadoria. 2. Não é lícito a esta Corte Superior ingressar em questionamentos acerca de matéria de fundo da ação penal. Tais aspectos devem ser examinados na via ordinária, em que a dialética processual terá lugar com toda a amplitude que lhe é conatural. 3. Ordem denegada. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, o artigo 139 não traz nenhuma dissonância com o artigo 173 do CTN. Salientase, ainda, que este Conselho já se posicionou em diversos acórdãos sobre a matéria, a saber: Acórdão nº 3402002.989, de 17/03/2016: DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação. Acórdão nº 3202001.588: SUBFATURAMENTO. MULTAS ADMINISTRATIVAS.DECADÊNCIA. Tratandose de imposição de multa, previstas no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/ 01, para o II, e no art. 83, I, da Lei nº 4.502/1964., para o IPI, por se cuidarem de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial, na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco)anos tem seu curso iniciado na data da infração. Precedentes. Acórdão nº 3201001.884, de 25/02/2015: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Acórdão nº 3401002.807, de 11/11/2014: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003149/201032 Acórdão n.º 3302003.226 S3C3T2 Fl. 8 7 prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Acórdão nº 3403003.225, de 16/09/2014: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição fraudulenta de pessoa em operações de importação extinguese em cinco anos contados da data do registro da Declaração de Importação. Quanto à suposta inobservância das Súmulas nº 72 e nº 101, ressaltase que todos os paradigmas destas súmulas versaram sobre constituição de crédito tributário e não sobre imposição de penalidade aduaneira, restando, portanto, inaplicáveis a este processo. Diante do exposto, voto para acolher os embargos opostos, para sanar a omissão alegada, sem, contudo, aplicarlhes efeitos infringentes, ratificando o Acórdão nº 3302003.057. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 16327.003018/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 05/04/1998 a 26/12/1998
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O pagamento do tributo e dos juros de mora, antes do procedimento fiscal caracteriza a denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 da Lei 5172/1966.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
Suspendem a exigibilidade do crédito tributário o depósito do montante integral devido no processo. (art. 151, II, Lei 5.172/1966).No caso dos autos, não restou comprovado o depósito ou o pagamento do montante integral do crédito tributário ainda devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira Ausente o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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O pagamento do tributo e dos juros de mora, antes do procedimento fiscal caracteriza a denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 da Lei 5172/1966. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário o depósito do montante integral devido no processo. (art. 151, II, Lei 5.172/1966).No caso dos autos, não restou comprovado o depósito ou o pagamento do montante integral do crédito tributário ainda devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 30 18 /2 00 3- 71 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira Ausente o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.003018/200371 Acórdão n.º 2401004.406 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1634.766 10a. Turma da DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte. Resumindo, a autuação está descrita como segue: 1. Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme indicado no demonstrativo fls 50/56, em que consta que créditos tributários de IRRF foram informados em DCTF com exigibilidade suspensa devido a processo judicial. 2. Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata conforme Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (fl. 57) no qual não foi localizado pagamento tributário com código de receita 0473, vencimento em 07/12/1998, valor de R$ 424,34. 3. Falta de pagamento de multa de mora, conforme fl. 63, constando também do relatório a multa isolada de 75%, totalizando R$ 165.742,80. O valor total do crédito tributário principal lançado foi de R$ 1.707.189,86.(ver fl. 67/ efl. 48). Posteriormente, em 30/03/2009 (efl. 919), a DEINF/RFB/SÃO PAULO bloqueou créditos pagos pelo contribuinte por meio de DARF COD. 8998 (FLS. 847) relativos a este processo (R$ 260.418,48). O bloqueio fora feito para possibilitar a extinção por pagamento, daqueles débitos, com os benefícios da anistia consignada na MP 2.222/01. Na fl. 920 está o despacho daquela Delegacia: Que seja efetuado o bloqueio do pagamento de fl. 847, no valor acima (R$ 260.418,48), para que, assim, sejam extintos os débitos acima descritos por pagamento com base na anistia instituída pela MP 2.222/01. O julgador a quo esclareceu que, conforme a petição entregue às fls. 832/839, a contribuinte desistiu do litígio referente ao mandado de segurança no. 89.76639, a fim de usufruir dos benefícios da anistia instituída pela MP no. 2.222/01. A decisão recorrida está assim ementada. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A seguir transcrevo o dispositivo do Acórdão recorrido: Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido em parte, conforme demonstrativo do crédito tributário ao final do voto do relator. À Delegacia de origem para: 1) Corrigir as informações do sistema SIEF concernentes ao crédito tributário com código 3426, referente ao período de apuração 0108/1998, vencimento em 05/08/1998, no valor de R$10,19, o qual foi extinto pela revisão de ofício; 2) Alocar o pagamento de fls.606 e 929 ao crédito tributário com código 0473, referente ao período de apuração 0712/1998, vencimento em 07/12/1998, no valor de R$424,34; 3) Intimar a contribuinte para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo se a exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do CTN, ressalvado o direito de interpor, em igual prazo, recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.003018/200371 Acórdão n.º 2401004.406 S2C4T1 Fl. 4 5 O acórdão de impugnação exonerou grande parte do crédito tributário, remanescendo ainda os valores de R$ 268.286,44 (principal) e R$ 167.748,07 (multa de ofício). A ciência à decisão recorrida deuse em 16/04/2012, e a interposição do recurso voluntário ocorreu em 16/05/2012. O recorrente aduz as seguintes razões: 1. O lançamento referese à falta de recolhimento do IRRF, em virtude de não comprovação da suspensão de exigibilidade de valores relativos ao período base 1998. 2. O lançamento foi efetuado com base na DCTF apresentada pelo contribuinte. Reproduz o art. 5 do DecretoLei 2124/84, que, em seu parágrafo primeiro determina que o documento que formalizar o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Colaciona decisões judiciais sobre o assunto. Argumenta que, tendo feito a declaração em DCTF dos débitos tributários, incabível o lançamento de ofício. Cita decisões deste CARF. 3. Considera que, ainda que se entenda que a informação em DCTF não seria suficiente para constituir o crédito tributário e tornar incabível o lançamento de ofício, dever seia considerar o fato de que tais débitos foram objeto de depósitos judiciais, fato que também implica na constituição do crédito tributário,conforme jurisprudência do STJ. 4. Tanto pela informação na DCTF quanto nos depósitos judiciais efetuados, restou evidente que o lançamento dos débitos em discussão ocorreram antes da lavratura do Auto de Infração contestado, fato que o torna nulo e que deve ser cancelado sob pena de duplicidade de lançamento. 5. A recorrente deixou de proceder a retenção e o recolhimento do IRRF por conta das ações intentadas pelos clientes que contavam com causa suspensiva quando do fato gerador do tributo. Para comprovar, a recorrente acostou aos autos cópias das ações, bem como despachos que haviam sido proferidos e também as guias de depósitos judiciais que, por si só, possuem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, II do CTN. 6. Ademais, os depósitos judiciais realizados no bojo de demandas tributárias ficam vinculados ao juízo competente até o desfecho da ação, ou seja, o trânsito em julgado da sentença. Após o desfecho, os valores deverão ser convertidos em renda da União para liquidar o crédito tributário debatido ou, no caso de sentença favorável ao contribuinte, devolvido ao depositante. Colaciona decisões judiciais sobre o assunto. (art. 32, par. 2 da Lei 6.830/80). 7. Caso o lançamento tributário seja mantido, pugna pela exoneração da multa de ofício e dos juros de mora impostos. 8. Muito embora a decisão a quo tenha mitigado a multa de ofício, transformandoa em multa de mora, entende que no caso de denúncia espontânea tal multa também não é cabível. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 10. Entende que no caso de denúncia espontânea, descabe a exigência de multa de mora, pois é contrária ao art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.003018/200371 Acórdão n.º 2401004.406 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Esclareço que foram utilizadas as siglas <efl.> quando referenciada a numeração eletrônica do processo, e a sigla <fl.>, para se referir à numeração não eletrônica. Primeiramente há que se enfatizar que o acórdão vergastado já exonerou do lançamento os créditos fulminados pela decadência ou que comprovadamente teriam sido quitados. O contribuinte alega que os créditos tributários lançados referemse a valores já declarados em DCTF. Observo que o auto de infração à fl. 45 informa que teria sido lavrado em virtude de erros ou inconsistências verificadas nas DCTF´s dos anos 1997 e 1998. Na fl. 47 dos autos estão explicitados os códigos de receita com falta de recolhimento ou pagamento do principal. Assim, o procedimento que gerou o lançamento tributário referese à revisão interna de DCTF apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Na fl. 48(efl. 50), o contribuinte informou créditos tributários que estariam com a exigibilidade suspensa, o que não se confirmou no momento da revisão da DCTF. Assim, o lançamento é válido, pois ao se verificar que a informação sobre a quitação do crédito (no caso, a suspensão da exigibilidade do crédito) não se confirmou, incorreta a informação na DCTF, cabendo o lançamento de ofício, em conformidade com o art. 90 da MP 215835/2001. Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Muito embora se tenha tratado o lançamento tributário como na constância de medida judicial (MS, ação judicial, cautelares), tais medidas não foram propostas pelo contribuinte que está obrigado a reter na fonte o valor do IRF dos autores das ações judiciais. Desta forma, entendo que o autuado não está litigando judicialmente com a União sobre os créditos tributários lançados. Ao analisar o Parecer Normativo COSIT n. 1 de 2002, sobre a responsabilidade tributária no caso de não retenção por força de decisão judicial, concluiu o julgador de primeira instância de forma similar, conforme excerto de fl. 938(efl. 939), a seguir transcrito: No caso em tela, cuidase de hipótese diversa, uma vez que os provimentos judiciais aos quais remete a impugnante não impediram a retenção do imposto de renda, tanto assim que os valores foram efetivamente retidos, e depositados em conta judicial. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Tal entendimento também fora corroborado pelo ofício da Justiça Federal à fls. 641 aonde informa que os valores de IR deveriam ser depositados em conta judicial. Desta forma, o contribuinte deveria não mais recolher o IRF relativo às operações dos clientes à União, mas efetuar o depósito dos valores em conta judicial criada para esse fim. Assim, os depósitos judiciais feitos pelos clientes do contribuinte não o socorrem e, portanto, a exigibilidade dos créditos tributários lançados neste processo não estaria suspensa. Contudo, considerandose que o IRF é uma antecipação do IR, seria necessário analisar se os processos judiciais dos clientes do contribuinte se referem realmente aos créditos lançados, e se os valores lá consignados são os mesmos, ou estão incluídos no auto de infração, e ainda, se as decisões lá contidas beneficiam, de alguma forma, o autuado. Conforme o julgador a quo, não foram juntadas informações definitivas sobre as decisões nos processos judiciais constantes da tabela da efl. 942 (Documentação relativa aos Processos Judiciais), quais sejam: 97.00019470, 93.00039334, 93.00212931, 98.00024425, 96.03085723, 98.00201106, 98.00073060, 95.00001128, 98.00019243, 98.0000005161. Ademais, nenhuma atualização sobre os processos judiciais foi juntada ao processo por ocasião do recurso voluntário pelo contribuinte. Observo ainda que, em 20/06/1997, ocorreu a revogação da liminar no MS 97.00019470, impetrado pelo cliente da contribuinte e datado de 30/01/1997. A lavratura do auto de infração ocorreu em 17/06/2003. Tal liminar determinava que as instituições financeiras não descontassem ou retivessem valores de IRF e IOF nas operações em que a impetrante (clientes do autuado) seria o sujeito passivo. A partir de então, no caso dos valores discutidos naquele MS passaram a ser depositados em conta judicial. Desta forma, pelas informações constantes do processo, não se pode concluir pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário tanto em decorrência do depósito integral dos valores de IR pelos clientes da autuada nos processos judiciais mencionados, tampouco por ter ocorrido na constância de liminar em Mandado de Segurança favorável ao contribuinte. Conforme a tabela à fl. 938/940 do acórdão recorrido, o contribuinte teria justificado depósitos judiciais no valor de R$ 314.027,90. O crédito tributário remanescente do processo seria de R$ 436.034,51. Considerando que os tributos lançados decorrem de declaração incorreta em DCTF e que, à época do lançamento não existia qualquer medida judicial protetiva dos direitos do contribuinte, estaria justificado o lançamento dos juros de ofício e da multa de mora. Observo que a autoridade a quo exonerou a multa de ofício dos lançamentos mencionados pelo contribuinte como sendo espontâneos. Nesse sentido, também, a súmula CARF n. 5 a seguir transcrita. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Constatado pelo julgador a quo que o montante integral devido no processo não fora depositado por força de decisão judicial e tampouco pago, entendo que não assiste razão ao contribuinte, em consonância com o art. 151, II da Lei 5172/66 (CTN) Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... II o depósito do seu montante integral; Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.003018/200371 Acórdão n.º 2401004.406 S2C4T1 Fl. 6 9 ... Ainda, mesmo que houvesse medida judicial em andamento, favorável ao autuado, ainda assim, pelo entendimento consolidado deste Conselho, na Súmula CARF n.48, poderia o lançamento ter sido efetuado. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Corroboro o entendimento da autoridade a quo sobre a denuncia espontânea, na qual o contribuinte paga o tributo com atraso, antes do início do procedimento fiscal. Nesses casos, o que não ocorre é a multa de ofício, pois nenhum lançamento de ofício teria sido feito para que a multa fosse cobrada. Contudo, os juros de mora são sim devidos, conforme art. 138 da Lei 5.172/1966. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003386/2001-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. NÃO COMPROVAÇÃO DE CONTRARIEDADE DAS PROVAS.
Se o recurso especial interposto teve por fundamento "contrariedade à evidencia de prova", e a recorrente não demonstra a inidoneidade das provas em que se baseou a decisão recorrida, nem indica que provas dos autos foram contrariadas pela decisão recorrida, o recurso não preenche os requisitos de
admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do re1atório e voto que
integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. NÃO COMPROVAÇÃO DE CONTRARIEDADE DAS PROVAS. Se o recurso especial interposto teve por fundamento "contrariedade à evidencia de prova", e a recorrente não demonstra a inidoneidade das provas em que se baseou a decisão recorrida, nem indica que provas dos autos foram contrariadas pela decisão recorrida, o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegia conhecer do recurso, nos termos do re1atór0 e voto cp , por unanimidade de votos, em não integram o presente julgado, ALEXANDRE ANDRADE LIM.15, DA FONTE FILHO - Relatar. EDITADO EM: O 8 NOV 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. 2 Relatório Em face do Acórdão n° 105-15.769, proferido pela Egrégia Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 37.998/38.005, admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 5, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes, Em 2108.2001, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls, 391/408, por meio do qual foi constituído o crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor de R$ 2.025.563,25, já incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%, referente ao ano-calendário 1998. O lançamento tem origem (i) na omissão de receitas operacionais; e (ii) na glosa de despesas, em face da ausência de comprovação dos fretes subcontratados, sendo esta a matéria do recurso especial. Conforme Termo de Constatação dos Fatos, de fls. 385/390, o custo dos serviços prestados pela contribuinte é composto, em cerca de 78%, pela conta "CSV Prestação de Serviços Carga Líquida". Intimada a prestar esclarecimentos, a contribuinte apresentou listagem mensal, comprovando os valores das provisões de fretes, referentes a alguns dos valores elencados no anexo ao Termo de Intimação. Diante da parcial comprovação do saldo da citada conta, e considerando que a contribuinte não apresentou nenhum documento contábil de prova destes custos, a contribuinte foi novamente intimada a apresentar a comprovar a totalidade do valor declarado a titulo de custos, inclusive apresentar os seguintes documentos fiscais: Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga (CTRC), para serviços prestados fora do município; e Notas Fiscais de Serviços de Transporte, para serviços realizados no município. Em sua resposta, a contribuinte afirmou que os transportadores subcontratados estariam desobrigados a emitir CTRC. Em relação às notas fiscais, informou não possuir tais documentos. A autoridade fiscal afirmou que a alegação da contribuinte, de não possuir documentos fiscais, choca-se com uma das próprias cláusulas contratuais da fiscalizada, impondo-se, por extensão, a apresentação das Notas Fiscais de Serviços de Transporte, das subcontratadas que realizarem fretes dentro dos limites dos municípios, como elemento de prova da formação dos custos dos serviços vendidos. Conforme documentação de fls. 342/344, a fiscalizada esclareceu que, do valor de R$ 37.195.431,03, indicado como custos da prestação de serviços, R$ 1.833.598,04 refere-se aos custos correspondentes aos fretes subcontratados e realizados dentro dos limites dos municípios, portanto, passíveis de serem acobertados pela emissão de Notas Fiscais de Serviços de Transportes. Este último valor corresponde à matéria tributável do presente lançamento. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 37.978/37,993, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, para (i) determinar a dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL devidos, o valor correspondente ao PIS e à COFINS reflexos, sobre a mesma base e os respectivos juros de mora; e (ii) restabelecer a dedução de despesas com frete, sendo esta a matéria do presente recurso. Processo ri 15374003386/2001-20 Acórdão n.' 9101-00.684 CSRF-T1 Fl 2 Em suas razões, afirmou que não faz parte da acusação fiscal, como condição para a dedutibilidade, a existência de contrato de locação dos veículos utilizados pelos subcontratados. Além do que, os contratos existem, como se pode ver pelo Termo de Constatação dos Fatos (fis. 385/390)„ De outra parte, a discordância diz respeito à não aceitação dos documentos apresentados como capazes de justificar a dedutibilidade dos respectivos custos, circunstância que, igualmente, não motivou a glosa. Com efeito, a glosa dos custos havidos pela recorrente, através da tomada de serviços de terceiros, se deu apenas em relação aos fretes realizados no âmbito do próprio município, e foi motivada pela falta de comprovação dessas despesas através de nota fiscal, tudo consoante a Descrição dos Fatos que integra o Auto de Infração. Afirmou que a glosa das despesas decorreu (i) da inexistência de nota fiscal de prestação de serviços; (ii) da exigência da nota fiscal, prevista em cláusula contratual e não por força de lei. Não se questionou a necessidade, normalidade e usualidade das despesas deduzidas. É cediço que o contrato particular de prestação de serviços faz lei entre as partes, e a não observância de alguma de sua cláusulas só trará conseqüências fiscais se infringidas quaisquer disposições legais, o que não é o caso presente. No caso, existem contratos de prestação de serviços entre a recorrente e os subcontratados. Entendeu que a questão sob julgamento restringe-se a examinar se a inexistência das notas fiscais autoriza a glosa dos custos, caso em que, necessariamente deveria constar da peça acusatória o respectivo embasamento legal, o que não ocorreu. Afirmou que nota fiscal não é o único meio de prova dos custos incorridos. A recusa dos documentos apresentados pela recorrida deve ter por fundamento a inidoneidade dos mesmos, e não pelo simples fato de terem sido elaborados (alguns) pela própria interessada. Concluiu que a recorrente, através dos documentos trazidos, examinados em conjunto, logrou demonstrar de forma suficiente que as despesas deduzidas ocorreram efetivamente„ Em paralelo à existência dos contratos de prestação de serviços, em cada nota fiscal emitida pelo vendedor dos produtos transportados pela recorrente consta o número da placa do respectivo veículo transportador, os quais, confrontados com os documentos fornecidos pelos DETRANs, identificam os prestadores de serviços. Por sua vez, é possível identificar e correlacionar os beneficiários dos pagamentos com os proprietários dos veículos utilizados na prestação dos serviços contratados. À vista de todas as informações prestadas pela recorrente, entendeu ser razoável afirmar que, ainda na fase inquisitória, a fiscalização deveria realizar diligências junto aos subcontratados e só a partir daí ter condições de avaliar a idoneidade dos documentos apresentados. Por fim, afirmou que, no caso de transportes intermunicipais e interestaduais, cujos valores deduzidos é muito maior que aquele de que tratam os presentes autos, também não existia qualquer Nota Fiscal de Serviços, em vista do Ajuste SINIEF tf 0.3/2002. No entanto, tais gastos não foram objeto de glosa. Desta forma, afirmou que a glosa em questão não teve fundamento em elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, mas, ao contrário, foi embasada em presunção não abarcada por lei. 3 A Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial, de fls. 37.998/38,005. Em suas razões, afirmou que a contribuinte juntou aos autos relação de placas de veículos próprios, relação de receitas auferidas em um mesmo município, relação de fretes a pagar, notas fiscais emitidas contra os tomadores dos serviços (proprietário de mercadorias), extrato bancário e comprovante de depósito na conta dos subcontratados e, por fim, documentos extraídos dos Livros Contábeis e Fiscais de algumas subcontratadas. Em relação aos Livros Contábeis e Fiscais, afirmou que englobam tanto as prestações intennunicipais e interestaduais de transporte, quanto as intramunicipais, não discriminando os valores que correspondem a cada urna delas, razão pela qual concluiu que as cópias dos referidos livros não podem ser consideradas hábeis ao fim que ora se pretende. Alegou que a escrituração das despesas deve estar necessariamente esteada em documentos idôneos e capazes de demonstrar a sua existência, e não em documentos de autoria da própria recorrente, conforme entendimento manifestado pela DR.1 de origem. Afirmou que a contribuinte apenas apresentou documentos de confecção própria ou documentos de terceiros onde não consta a segregação dos valores relativos a frete intennunicipal ou intramunicipal, que não são hábeis a comprovar a efetividade e quantificar os serviços prestados. Os demais documentos acostados aos autos (notas fiscais emitidas pelo contratante/proprietário dos veículos; certificado de registro de veículos, entre outros) não levam a nenhuma conclusão, posto que estão intimamente ligados às planilhas criadas pela contribuinte. A autoridade fiscal não logrou comprovar se as despesas relativas aos serviços de transporte intramunicipal foram contabilizadas corretamente. Basta analisar as provas dos autos para se concluir que o fiscal agiu corretamente, e que tal despesa não poderia ser deduzida, ficando cabalmente demonstrado que a contribuinte omitiu receitas à tributação, sendo cabível o lançamento. Conforme entendimento manifestado pelo conselheiro relator (voto vencido por maioria), para todos os efeitos legais, a transportadora é a própria contribuinte. Os documentos apresentados pela contribuinte não possuem características de efetivos recibos, capazes de asseverar a efetiva prestação de serviços por terceiros. A decisão recorrida, portanto, segundo a recorrente, contrariou as provas constante nos autos. Acrescentou que o art. 223 do RIR/ 94 determina que a escrituração mantida com a observância das disposições legais faz prova em favor do contribuinte. No entanto, a jurisprudência do CARF é no sentido de que a norma em questão exige documentos emitidos por terceiros para fundamentar os registros contábeis, Afirmou que permitir que os registros contábeis sejam comprovados por listar formuladas unilateralmente pelo próprio contribuinte, além de contraditório, é contrário ao art. 223 do RIR/94. A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, às fls. 38,016/38,029. Em suas razões, afirmou que as despesas incorridas atendem aos requisitos de necessidade e usualidade, como também restaram comprovadas as despesas, por meio de vasta documentação constante nos autos (tais como os comprovantes de depósito em favor dos subcontratados), 4 É o relatório. Processo na 15374.00338612001-20 Acórdão n." 9101-00.684 CSRF-T1 Fl. 3 Afirmou que as planilhas apresentadas servem apenas para correlacionar os vários outros documentos apresentados, corroborando os lançamentos contábeis realizados e a sua usualidade ao tipo de atividade desenvolvida pela empresa. Os depósitos bancários são documentos hábeis a comprovar as despesas em questão. Os demais documentos apresentados (oriundos do Detran, vendedores das mercadorias transportadas, contabilidade de subcontratados, etc), analisados de forma conjunta, demonstram as operações que deram ensejo a tais despesas, restando claramente caracterizada a subcontratação A própria recorrente, do exame dos Livros contábeis e fiscais das subcontratadas, reconhece a existência das operações em questão, ressalvando apenas que não haveria a discriminação entre os valores em função dos transportes intramunicipais, intermuniciapais e interestaduais, Ressaltou que, na coluna 3 da "relação de fretes a Pagar", são descritos os destinos dos fretes prestados por subcontratados. A origem e o destino do frete são comprovados, de igual forma, através da análise da nota fiscal de compra ou de venda da proprietária da mercadoria transportada. A comprovação do efetivo pagamento de todos os serviços de transporte subcontratados englobaria, necessariamente, os serviços prestados dentro do mesmo município. Ademais, em momento algum a existência de tais operações foi questionada, seja pela fiscalização ou pela recorrente. Concluiu que o lançamento foi realizado com base em mera presunção, sem qualquer fundamento legal, razão pela qual requereu a manutenção da decisão recorrida, em todos os termos. 5 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO A Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fis, 37.998/38.005 A matéria sob exame refere-se à glosa de despesas no ano 1998, em face da ausência de comprovação da subcontratação de fretes. Conforme Termo de Constatação dos Fatos, de fls. 385/390, o custo dos serviços prestados pela contribuinte é composto, em cerca de 78%, pela conta "CSV Prestação de Serviços Carga Líquida". Dentre valores registrado nesta conta, no total de R$ 37.195.431,03, a parcela de R$ 1.833.598,04 corresponde ao frete intrarnunicipal, que foi objeto do lançamento, ante a ausência da apresentação das Notas Fiscais de Serviços de Transporte, como elemento de prova da formação dos custos dos serviços vendidos. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 37.978/37.993, restabeleceu a dedutibilidade dos referidos valores, por entender que: (i) conforme Termo de Constatação dos Fatos (fls. 385/390), a autoridade fiscal reconhece a subcontratação de frete, amparada em contrato de prestação de serviços. A glosa dos custos foi motivada (a) pela inexistência de nota fiscal de prestação de serviços; e (b) da sua exigência, mediante cláusula contratual. (ii) não foi questionada a necessidade, normalidade e usualidade das despesas deduzidas; (iii) existem contratos de prestação de serviços entre a recorrente e os subcontratados. A nota fiscal não é o único meio de prova dos custos incorridos. O fato de alguns dos documentos apresentados pela contribuinte terem sido por ela elaborados não foi motivo suficiente para que sejam desconsiderados nem para considerá-los inidôneos, (iv) os documentos constantes nos autos, examinados em conjunto, demonstram, de forma suficiente, que as despesas deduzidas ocorreram efetivamente. Em paralelo à existência dos contratos de prestação de serviços, em cada nota fiscal emitida pelo vendedor dos produtos transportados pela recorrente consta o número da placa do respectivo veiculo transportador, os quais, confrontados com os documentos fornecidos pelos DETRANs, identificam os prestadores de serviços. Por sua vez, é possível identificar e correlacionar os beneficiários dos pagamentos com os proprietários dos veículos utilizados na prestação dos serviços contratados. (v) afirmou que a glosa em questão não teve fundamento elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, mas, ao contrário, foi embasada em presunção não abarcada por lei. Portanto, a decisão recorrida, analisou um a um os elementos de prova apresentados pela contribuinte, tendo indicado as razões pelas quais concluiu pela comprovação da efetividade das despesas de subcontratação de frete, dentre as quais destaco aquelas indicadas no item (iv) acima. 6 Processo n 15374 003386/2001-20 Acórdão n 9101-00,684 CSRF-T1 Fl 4 Por outro lado, a recorrente não logrou comprovar a inidoneidade das provas em que se baseou a decisão recorrida para restabelecer as deduções realizadas pela contribuinte, nem indicou outros elementos que invalidariam as provas apresentadas, nem, ainda, demonstrou que prova constante dos autos foi contrariada pela decisão recorrida. Ademais, não houve contrariedade ao citado art. 22.3 do R1R194 (que dispõe que "a escrituração mantida com a observância das disposições legais faz prova em favor do contribuinte). Em que pese a contribuinte não haver apresentado as Notas Fiscais de Serviços, relativamente aos serviços subcontratados, trouxe aos autos outros provas hábeis a comprovar a efetividade das despesas. Desse modo, considerando que o recurso especial interposto teve por fundamento "contrariedade à evidencia de prova", que não restou demonstrada no presente caso, o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade. Voto, assim, por não conhecer o recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 31 de agosto de 2010. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Rela 7
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724524/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O pedido de desistência do recurso voluntário manifestada em petição nos autos configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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O pedido de desistência do recurso voluntário manifestada em petição nos autos configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 45 24 /2 01 1- 21 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1532.620, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, f. 96100, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2008, anocalendário 2007, em razão de glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.830,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento e pela ausência de discriminação, nos documentos apresentados, dos beneficiários do tratamento e das datas em que foi realizado. O sujeito passivo apresentou impugnação, juntando documentos visando à comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não especificam o beneficiário do tratamento e não comprovam o efetivo pagamento da despesa médica. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 17/07/2013, fls. 103. Em 13/08/2013 foi apresentado recurso, no qual a interessada reitera os argumentos apresentados na impugnação. Em 26/11/2013 a contribuinte requereu a desistência do recurso interposto em decorrência de pedido de parcelamento do crédito tributário de que trata o presente processo administrativo, nos moldes da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, fls. 132 e 133. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10580.724524/201121 Acórdão n.º 2301004.609 S2C3T1 Fl. 138 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Em conformidade com o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, homologo o pedido de desistência do recurso voluntário manifestado pelo sujeito passivo. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001966/2007-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/04/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.620
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 193 1 192 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.001966/200729 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.620 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/04/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 19 66 /2 00 7- 29 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 194 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101000.996, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 195 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 196 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 197 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 198 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 199 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 200 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001966/200729 Acórdão n.º 9303003.620 CSRF‐T3 Fl. 201 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.003542/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa: TÍTULOS DA ELETROBRÁS. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESTITUIÇÃO.
As debêntures da Eletrobrás emitidas em função dos empréstimos compulsórios criados na ordem constitucional anterior, já alcançadas pela prescrição, assim como as ações nominativas preferenciais em que as obrigações se converteram não podem ser utilizadas como forma de pagamento lato sensu (compensação ou dação em pagamento) de débitos tributários vencidos ou vincendos de contribuintes perante a Fazenda Pública.
DCOMP. AUSÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Ausente o direito creditório apontado no PER, deve ser negada a homologação da compensação apresentada por meio da respectiva DCOMP.
Numero da decisão: 1401-000.602
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: TÍTULOS DA ELETROBRÁS. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESTITUIÇÃO. As debêntures da Eletrobrás emitidas em função dos empréstimos compulsórios criados na ordem constitucional anterior, já alcançadas pela prescrição, assim como as ações nominativas preferenciais em que as obrigações se converteram não podem ser utilizadas como forma de pagamento lato sensu (compensação ou dação em pagamento) de débitos tributários vencidos ou vincendos de contribuintes perante a Fazenda Pública. DCOMP. AUSÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Ausente o direito creditório apontado no PER, deve ser negada a homologação da compensação apresentada por meio da respectiva DCOMP.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 Ementa: TÍTULOS DA ELETROBRÁS. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESTITUIÇÃO. As debêntures da Eletrobrás emitidas em função dos empréstimos compulsórios criados na ordem constitucional anterior, já alcançadas pela prescrição, assim como as ações nominativas preferenciais em que as obrigações se converteram não podem ser utilizadas como forma de pagamento lato sensu (compensação ou dação em pagamento) de débitos tributários vencidos ou vincendos de contribuintes perante a Fazenda Pública. DCOMP. AUSÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Ausente o direito creditório apontado no PER, deve ser negada a homologação da compensação apresentada por meio da respectiva DCOMP. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório A guisa de relatório, adoto a prefacial produzida pelo voto recorrido, a saber: Trata o presente processo do pedido de restituição de R$873.385,11, apresentado em 22/07/2004 (fl. 1), que seria relativo a titulo emitido pela Eletrobrds, no âmbito do Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, instituído pela Lei n° 4.156, de 1962. 2. Em 09/08/2004, a interessada apresentou Declaração de Compensação, com total de crédito utilizado, relativo ao pedido de restituição, de R$ 459.138,67 (fl. 112), sob a alegação de que, nos termos da Instrução Normativa SRF no 210, de 2002, poderia fazer a compensação por possuir pedido de restituição pendente de decisão administrativa (fl. 114/115). Em 04/10/2004, apresentou nova Declaração de Compensação (fl. 116) com total de crédito utilizado de R$ 9.071,33, sob as mesmas justificativas. 3. A DRF em Campinas (fls. 123/127), após afirmar que o Código Tributário Nacional, assim como as Leis n° 8.383, de 1991, e no 9.430, de 1996, com as alterações da Lei no 10.637, de 2002, apenas autorizam a compensação de tributos e contribuições que estejam sob a administração da Secretaria da Receita Federal, e que as "Obrigações da Eletrobrás", criadas pela Lei n° 4.156, de 1962, não seriam administradas pela SRF, não estando, pois, contempladas pela Instrução Normativa SRF no 460, de 2004, que trata de restituição e compensação de tributos e contribuições e outras receitas da União arrecadadas mediante Darf, concluiu que qualquer demanda administrativa quanto ao adimplemento das obrigações estabelecidas nas cártulas deverá ser efetuada perante a própria Eletrobras, à ordem de quem foi recolhido o "empréstimo compulsório". Termina por afirmar que por estar demonstrado que a Secretaria da Receita Federal não é o órgão competente para apreciar e decidir sobre o presente pleito, deixo de tomar conhecimento do Pedido de Restituição formulado as fls. 1, não apreciando, no mérito, as Declarações de Compensação apresentadas its fls. 112 a 118. 4. Cientificada em 23 de março de 2005 (fl. 132), a contribuinte apresentou, em 20/04/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 133/150, na qual alega, em síntese, que: 4.1. o despacho decisório é nulo, pois não observou o dever da administração de decidir, conforme Lei no 9.784, de 1999, e assegurado pela Constituição Federal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 4 4 4.2. não pode a Receita Federal deixar de tomar conhecimento das declarações de compensação, uma vez que não se pode aplicar retroativamente a Instrução Normativa SRF no 460, de 2004, já que à época do protocolo do processo estava em vigor a Instrução Normativa SRF no 210, de 2002, que não previa a possibilidade de não se tomar conhecimento do pedido; 4.3. empréstimo compulsório tem natureza tributária, conforme pacifica jurisprudência, inclusive relativa ao próprio empréstimo compulsório da Eletrobrás; 4.4. a responsabilização solidária da Unido está expressa no § 3° do art. 4° da Lei no 4.156, de 1962, sendo incompatível dizer que a Receita Federal não é responsável pela administração do tributo; 4.5. nas obrigações solidárias o credor pode exigir de qualquer um dos devedores a divida inteira; 4.6. é de competência da Receita Federal a restituição dos valores relativos ao empréstimo compulsório sob energia elétrica, pois, conforme Decreto n° 4.395, de 2002, e Portaria n° 55, de 1998, do Ministério da Fazenda — Regimento Interno do Conselho de Contribuintes —, cabe ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos cuja matéria objeto do litígio seja empréstimo compulsório, o que, por decorrência lógica, determina a competência das Delegacias da Receita Federal sobre a matéria; 4.7. o art. 15 da Instrução Normativa SRF no 460, de 2004, possibilita a restituição de receita não administrada pela Receita Federal, e, em que pese esse artigo falar em crédito recolhido mediante Darf, o simples fato de estar autorizando a restituição de créditos não administrados pela Receita Federal demonstra a fragilidade da argumentação em contrário; 5. Ao final, a interessada requer que seja decretada a nulidade da decisão, em face do não conhecimento do pedido formulado e que seja provida sua manifestação de inconformidade, reconhecendo seu direito A restituição e a homologação das declarações de compensação, mediante decisão que atenda aos requisitos previstos no art. 31 do Decreto no 70.235, de 1972, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, protestando, ainda, pela produção de provas por todos os meios admitidos. 6. Após a manifestação de inconformidade da contribuinte encontramse juntadas aos autos ainda duas declarações de compensação. A primeira, à fl. 151, protocolada em 18/03/2005, ou seja, ainda antes da ciência da decisão da DRF; e a segunda, A fl. 167, datada de 02/09/2005, posterior A própria manifestação de inconformidade da interessada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 5 5 Em análise da manifestação de inconformidade, a DRJ de Campinas rejeitou o pedido, tendo a decisão sido ementada da seguinte forma: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2004 Ementa: RESTITUIÇÃO. TÍTULO EMITIDO PELA ELETROBRÁS. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal não tem competência para apreciar pedido de restituição estribado em titulo emitido pela Eletrobrás. Embora a relação jurídica constituída quando da exigência de empréstimo compulsório seja tributária, a relação advinda de sua devolução não o é. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL X TÍTULO DE CRÉDITO DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. As disposições do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, mesmo com sua redação atual, não albergam a compensação de tributos administrados pela Receita Federal com valor relativo a titulo de credito decorrente de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, por não ser esse administrado pela Receita Federal. As disposições do caput do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, condicionam a interpretação de seus parágrafos, razão pela qual não se pode falar em declaração de compensação quando o indébito apontado referese a obrigações da Eletrobrás. Solicitação Indeferida Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário para este Conselho, aduzindo a reforma da decisão, com o conseqüente reconhecimento do suposto direito creditório e homologação das compensações postuladas. É este, em suma, o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação de débitos apresentados em DCOMP, tendo por lastro títulos emitidos pela Eletrobrás, relativos à restituição de empréstimos compulsórios instituídos pela lei nº 4.516/62. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 6 6 A União, com fulcro no permissivo da Constituição de 1946, instituiu o imposto sobre energia elétrica por meio da lei nº 4.156, de 28 de novembro de 1962, de forma restituível aos consumidores no prazo de dez anos1, objetivando formar o Fundo Federal de Eletrificação. Para fins de restituição do imposto cobrado, a lei adotou a seguinte sistemática: 1) a Eletrobrás criou títulos ao portador lastreados no imposto restituível; 2) O contribuinte do imposto guardava suas contas de energia elétrica devidamente pagas até alcançar o valor de cada título; 3) alcançando o valor, o contribuinte requeria a emissão de referido título pela Eletrobrás. Essa sistemática é a mesma das debêntures2, pelo que, apesar de a lei não ter expressamente indicado este mecanismo de formalização das obrigações, as mesmas passaram a ser assim denominadas. Rubens Requião explica que “as debêntures, também chamadas obrigações ao portador, são títulos de crédito causais, que representam frações do valor de contrato de mútuo, com privilégio geral sobre os bens sociais ou garantia real sobre determinados bens, obtidos pelas sociedades anônimas no mercado de capitais”3. O prazo de resgate dos títulos foi inicialmente fixado em 10 anos, mas sofreu alterações no corpo das legislações que se seguiram ao modelo inicial, sendo certo que, para fins de resgate das debêntures, a União colocouse como coresponsável pelo débito4.Ou seja, caso a Eletrobrás não tivesse fundos suficientes para efetuar o resgate das debêntures, o valor seria custeado pela União. 1 Art 4º Durante 5 (cinco) exercícios a partir de 1964, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12 % (doze por cento) ao ano, correspondente a 15 % (quinze por cento) no primeiro exercício e 20 % (vinte por cento) nos demais, sôbre o valor de suas contas. 2 Fábio Ulhoa explica que “normalmente o contrato de mútuo envolve dois sujeitos de direito: de um lado, aquele que necessita de dinheiro e o toma por empréstimo(devedor, mutuário), e, de outro, o que dispõe do dinheiro e o empresta (credor, mutuante). O contrato de mútuo é o instrumento em que se especificam valores, garantias, prazos e obrigações das partes, em geral. Agora, se quem precisa de dinheiro é uma sociedade anônima, ela pode valerse de um expediente específico de captação, que é a emissão de debêntures. Cada investidor, ao subscrever esse valor mobiliário, pagar à sociedade emissora o preço correspondente, está como que emprestando dinheiro a ela. No vencimento das debêntures, a companhia pagará o devido ao debenturista, como que devolvendo o dinheiro emprestado. Isto é, os titulares das debêntures postamse, perante a companhia emissora, do mesmo modo que o mutuante diante do mutuário, e viceversa. Os valores, as garantias, os prazos e as obrigações das partes são estabelecidos no certificado, quando houver, e na escritura de emissão”. COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. Direito de Empresa. Sociedades. Saraiva, São Paulo, 2008. 11 ed. p. 141. 3 REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. Saraiva, São Paulo, 1996. v. II. p. 85. 4 § 3º É assegurada a responsabilidade solidária da União, em qualquer hipótese, pelo valor nominal dos títulos de que trata êste artigo. (art. 4º da lei nº 4.156/62). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 7 7 Em 18 de agosto de 1966, a União editou a lei nº 5.0735 que, a par de prorrogar a cobrança do imposto, alargou o prazo de resgate das debêntures para 20 anos, contados de sua emissão. Com base nesta evolução legislativa, a Eletrobrás emitiu os seguintes títulos: Papel Série Emissão Vencimento Obrigações A, B, C 1965 Outubro/1970 Obrigações D, E, F, G 1966 Novembro/1973 Obrigações H, I, J, L 1967 Novembro de 1975 Obrigações M, N, O 1968 1988 Obrigações P, Q, R 1969 1989 Obrigações S, T, U 1970 1990 Obrigações V, X, Z 1971 1991 Obrigações AA, BB, CC 1972 1982 Obrigações DD, EE, FF, GG 1973 1993 Obrigações HH, II, JJ, LL 1974 1994 Cautelas 1975 1995 Cautelas 1976 1996 Cautelas 1977 1997 Após novas prorrogações, a matéria passou a ser regulamentada pelo decreto lei nº 1.512, de 29 de dezembro de 1976, com vigor a partir de 1977, que dispôs o seguinte: 1) o consumidor industrial deveria acumular o empréstimo compulsório no curso do ano e, no mês de janeiro, solicitar a emissão das debêntures com prazo de resgate de 20 anos6; 5 Art 2º A tomada de obrigações da Centrais Elétricas Brasileiras S. A. ELETROBRÁS instituída pelo art. 4º da Lei nº 4.156, de 28 de novembro de 1962, com a redação alterada pelo art. 5º da Lei nº 4.676, de 16 de junho de 1965, fica prorrogada até 31 de dezembro de 1973. Parágrafo único. A partir de 1º de janeiro de 1967, as obrigações a serem tomadas pelos consumidores de energia elétrica serão resgatáveis em 20 (vinte) anos, vencendo juros de 6% (seis por cento) ao ano sôbre o valor nominal atualizado, por ocasião do respectivo pagamento, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, aplicando se a mesma regra, por ocasião do resgate, para determinação do respectivo valor” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 8 8 2) possibilidade de, no vencimento do prazo de resgate, ou por deliberação antecipada da assembléia, converterse as debêntures em ações preferenciais nominativas do capital social da Eletrobrás7. Os créditos do empréstimo compulsório passaram, a partir desta data, a constituir crédito escritural, nominal e intransferível do contribuinte, identificado pelo Código de identificação do Contribuinte do Empréstimo Compulsório – CICE. Ainda, o empréstimo compulsório foi cobrado até o ano de 1993 (com títulos emitidos em janeiro de 1994). No que toca à sua possibilidade de conversão em ações da empresa, de fato, esta possibilidade existe. As debêntures são títulos representativos de uma dívida da empresa. Todavia, a debênture pode conter cláusula autorizando a sua conversão em ações da empresa, com o aumento do capital social desta. Assim, o credor passa de debenturista para a condição de acionista da empresa, cessando a relação original de crédito que se havia estabelecido. Fábio Ulhôa Coelho é didático ao ensinar: “As debêntures podem conter cláusula de conversibilidade em ações, hipótese em que a escritura de emissão deve especificar o momento (prazo ou época) em que o debenturista poderá exercer o direito à conversão, a espécie e a classe da ação em que elas são conversíveis e demais condições do ato (LSA, art. 57). Convertidas as ações de debêntures, seus titulares passam à condição de acionistas, ordinarialistas ou preferenciais, de acordo com as ações atribuídas na conversão. Outrossim, dáse o aumento do capital social (art. 166, III)”8. Diante dessa possibilidade, a Eletrobrás realizou três assembléias gerais extraordinárias, em que se deliberou a conversão dos créditos do empréstimo compulsório em ações: 6 Art. 2º O montante das contribuições de cada consumidor industrial, apurado sobre o consumo de energia elétrica verificado em cada exercício, constituirá, em primeiro de janeiro do ano seguinte, o seu crédito a título de empréstimo compulsório que será resgatado no prazo de 20 (vinte) anos e vencerá juros de 6% (seis por cento) ao ano. 7 Art. 3º No vencimento do empréstimo, ou antecipadamente, por decisão da Assembléia Geral da ELETROBRÁS, o crédito do consumidor poderá ser convertido em participação acionária, emitindo a ELETROBRÁS ações preferenciais nominativas de seu capital social. Parágrafo único. As ações de que trata este artigo terão as preferências e vantagens mencionadas no parágrafo 3º, do artigo 6º, da Lei número 3.890A, de 25 de abril de 1961, com a redação dada pelo artigo 7º do Decretolei nº 644, de 23 de junho de 1969 e conterão a cláusula de inalienabilidade até o vencimento do empréstimo, podendo a ELETROBRÁS, por decisão de sua Assembléia Geral, suspender essa restrição. Art. 4º A conversão prevista no artigo anterior, bem como a de que trata o parágrafo 10, do artigo 4º, da Lei nº 4.156, de 28 de novembro de 1962, será efetuada pelo valor corrigido do crédito ou do título, pagandose em dinheiro o saldo que não perfizer número inteiro de ação. 8 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. Direito de Empresa. Sociedades. Saraiva, São Paulo, 2008. 11 ed. p. 144. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 9 9 • AGE nº 72, de 20/04/1988, para os títulos emitidos entre1978 1985; • AGE nº 82, de 24/04/1990, para os títulos emitidos entre 1986 e 1987; • AGE nº 142, de 28/04/2005, para os títulos emitidos entre 1988 e 1994. Convertidas as debêntures em ações da Eletrobrás, os seus titulares passaram a ser acionistas da empresa, com direito inclusive à apuração de dividendos; e não mais credores debenturistas. Extinto o crédito da debênture, esvaise igualmente a responsabilidade da União, posto que a titularidade das ações da Eletrobrás substitui o direito de crédito em dinheiro do titular da debênture. Pois bem. Temos, assim, em princípio, duas espécies de créditos a serem observados: 1º) obrigações emitidas entre 1965 e 1977 2º) obrigações emitidas entre 1978 e 1994. Ressaltamos que, no caso de devolução do empréstimo compulsório por meio de conversão das debêntures em ações da Eletrobrás, a União mantémse responsável quanto a perdas e falta de integralidade do crédito devido. Nesta hipótese, caso a conversão do crédito em ações da Eletrobrás cause algum prejuízo ao contribuinte, a União mantémse co responsável pelo cumprimento da diferença. Vejamos, no entanto, a situação jurídica das obrigações em cada uma das situações. Obrigações Emitidas entre 1965 e 1987 É sabido que, no que toca às obrigações emitidas entre 1965 e 1977, muitos dos beneficiários das debêntures não realizaram o resgate dos valores que lhes eram devidos, assim como foram apuradas perdas em tais resgates. Ocorre que o prazo prescricional para demandar o recebimento das debêntures é de cinco anos, contados do seu vencimento. Assim, as obrigações emitidas entre os anos de 1965 e 1977, contados os prazos de seu resgate, já se encontram prescritas. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 10 10 Papel Série Emissão Vencimento Prescrição Obrigações A, B, C 1965 Out/70 1975 Obrigações D, E, F, G 1966 Nov/73 1978 Obrigações H, I, J, L 1967 Nov/75 1980 Obrigações M, N, O 1968 1988 1993 Obrigações P, Q, R 1969 1989 1994 Obrigações S, T, U 1970 1990 1995 Obrigações V, X, Z 1971 1991 1996 Obrigações AA, BB, CC 1972 1992 1997 Obrigações DD, EE, FF, GG 1973 1993 1998 Obrigações HH, II, JJ, LL 1974 1994 1999 Cautelas 1975 1995 2000 Cautelas 1976 1996 2001 Cautelas 1977 1997 2002 Da mesma forma, as obrigações emitidas entre 1978 e 1985 tiveram seu prazo de vencimento antecipado e foram convertidas em ações da Eletrobrás em 20 de abril de 1985, por força da Assembléia Geral Extraordinária nº 72; e as obrigações emitidas entre 1986 e 1987 tiveram seu prazo de vencimento antecipado para o dia 24 de abril de 1990, por meio da Assembléia Geral Extraordinária nº 82. Ressaltamos que, nestas conversões, levouse em consideração os contribuintes cadastrados no CICE, cujos títulos eram intransferíveis. Muitos deles, no entanto, reclamaram de perdas por vício na aplicação de correção monetária e juros. Com relação à questão, especificamente, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o seguinte entendimento: “No caso em pauta, tendo parte dos créditos dos empréstimos compulsórios sido constituídos no período entre 1978 e 1987 (contribuições de 1977 a 1986) e após 1988 (contribuições recolhidas a partir de 1987), devolvidos mediante a conversão em ações, deliberada nas Assembléias Gerais Extraordinárias da ELETROBRÁS, realizadas no período entre 1988 e 1990, antecipouse, com relação às parcelas convertidas, o marco inicial da contagem do prazo de prescrição para referidas datas, estando, já esgotados em 27/11/2001, data do ajuizamento da ação para reclamar da devolução. Observese que o dies a quo desse prazo é a data em que foi realizada a conversão, pois, desse momento em diante, a autora já detinha, em tese, o direito de requerer em juízo a correção monetária dos valores emprestados e posteriormente convertidos Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 11 11 em ações. As diferenças de correção monetária e juros dessas parcelas deveriam ter sido reclamadas nos 5 (cinco) anos imediatamente posteriores à conversão”. (Resp 767.975RS). Com isso, as eventuais perdas decorrentes de tais conversão não podem ser demandadas pelos titulares das ações. E mais: os titulares dos créditos do empréstimo compulsório cobrado no período de 1977 a 1987 são, hoje, titulares de ações da Eletrobrás; e não mais credores de créditos da empresa ou da União. Obrigações Emitidas entre 1988 e 1994 Quanto às obrigações emitidas entre 1988 e 1994, verificamos que o seu resgate e conversão em ações da Eletrobrás se deu por meio da Assembléia Geral Extraordinária nº 142, de 28 de abril de 2005. O direito referente a esta conversão mantémse inabalado, podendo o titular das obrigações demandar eventuais perdas na conversão até abril de 2010. Utilização de Debêntures Prescritas e Ações da Eletrobrás para Compensação com Créditos Tributários Diante de todo exposto, identificamos, para fins de debate acerca da possibilidade de compensação, créditos de duas naturezas: 1) Obrigações emitidas entre 1965 e 1977; 2) Ações preferenciais nominativas da Eletrobrás em decorrência da conversão das obrigações emitidas entre 1978 e 1994. Debêntures Prescritas Conforme já adiantado acima, as debêntures emitidas em razão dos empréstimos compulsórios, acrescidos de juros e correção monetária, encontramse prescritas. De igual modo, considerado o prazo prescricional de cinco anos para que os detentores de referidos direitos demandassem, em juízo, o recebimento integral dos valores devidos, nos termos da legislação aplicável, o direito que lhes cabia já se esvaiu. Resta saber se, ainda que prescritos, referidos títulos, conceituados de obrigação natural, poderiam ser objeto de compensação. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 12 12 Isso porque, segundo a teoria das obrigações, há que se diferençar entre o direito em si considerado, e os instrumentos de proteção e efetivação deste direito – questão esta, inclusive, tormentosa no próprio direito privado. Explicamos. A ordem jurídica, a par de consolidar liames obrigacionais entre as pessoas, sejam eles legais ou voluntários, fornece mecanismos de efetivação destas relações, de forma a assegurar o seu cumprimento. Assim, se a parte não cumpre com o liame modalizado que lhe atribuiu a relação jurídica, pode o seu credor valerse dos instrumentos próprios para assegurar a efetivação do objeto prestacional. Contudo, a inércia por parte do sujeito ativo do direito está sujeita a conseqüências. O decurso do tempo sem que o sujeito ativo demande o liame obrigacional pode ocasionar a extinção dos mecanismos de proteção do direito (prescrição) ou, até mesmo, a extinção do próprio direito em si considerado (decadência). Alguma parte da doutrina entende que a prescrição afeta os mecanismos de proteção do direito, mas não o direito em si9, que permanece latente na condição de obrigação natural. Assim, caso haja o adimplemento voluntário por parte do devedor, este se torna definitivo, reconhecendo a existência do direito, mas não a obligatio do devedor. Vejamos o entendimento de Caio Mário da Silva Pereira, in verbis: 9 A diferenciação entre a prescrição e a decadência, no que toca aos seus efeitos junto à relação jurídica, não encontra ampla aceitação junto à doutrina das obrigações. Caio Mário da Silva Pereira explica que “Pelo efeito do tempo, entretanto, aliado à inércia do sujeito, é o próprio direito que perece. (...) Observando apenas o aspecto pela ineficácia da tutela jurídica, comumente sustentam muitos autores que a praescriptio tem por efeito fulminar tãosomente a actio, deixando o direito intacto. (...) Se o direito é reconhecido, não deve ser desventido do poder da rem persequendi in iudicio. Com o perecimento da ação, extinguese efetivamente o próprio direito, pois, na verdade, e já o explicamos, a ação é um elemento externo do direito subjetivo que toma corpo à vista de qualquer lesão. O direito perde a faculdade de se fazer valer, e qualquer atentado o atinge até a essência, restando sem poder defensivo, porque não é direito sobrevivo; porque se extingue” p. 436 v.I Orlando Gomes, no mesmo sentido, afirma que “A prescrição é um dos modos de extinção dos créditos. Não interessa indagar se atinge o direito de crédito ou a ação que o assegura, tormentoso problema já examinado. Certo é que a pretensão do credor perde sua virtualidade pelo decurso do tempo fixado na lei. Isso significa que não pode exercêla, se o devedor se opuser. Extinguese, por conseguinte, o crédito, porque cessa a responsabilidade (‘obligatio’) do devedor”. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Forense, Rio de Janeiro, 1995. v. II. p. 127. Já J.M. Carvalho Santos diferencia com clareza um instituo do outro, mas conclui pelo mesmo efeito que a doutrina mais recente preceitua: A prescrição, segundo o autor, “pode definirse como sendo um mode de extinguir os direitos pela perda da ação que nos assegurava, devido à inércia do credor durante um decurso de tempo determinado pela lei e que só produz efeitos, em regra, quando invocada por quem dela se aproveita. A prescrição diz respeito à ação e só como conseqüência atinge o direito. Ou por outra: é preciso reconhecer que, embora a prescrição se refira à ação, em regra a extinção da ação e do direito são contemporâneos, porque um direito que se não pode fazer valer é ineficaz”. CARVALHO SANTOS, J. M. Código Civil Brasileiro Interpretado. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1964. v. III p 371/372 . Fl. 12DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 13 13 A obrigação natural é um tertium genus, entidade intermediária entre o mero dever de consciência e a obrigação juridicamente exigível, e por isso mesmo plantamna alguns (Planiol, Ripert et Boulanger) a meio caminho entre a moral e o direito. É mais do que um dever moral e menos do que uma obrigação civil. Ostenta elementos externos subjetivos e objetivos desta, e tem às vezes uma aparência do juris vinculum. Pode revestir, até, a materialidade formal de um título ou instrumento. Mas faltalhe o conteúdo, o elemento intrínseco; faltalhe o poder de exigibilidade, o que esmaece o vínculo, desvirtuandoo de sua qualidade essencial, que é o poder de garantia”10. Sem nos aprofundarmos mais no cerne da discussão, admitamos, por hipótese, que de fato o direito subsiste à ausência da actio. Restanos saber se, nesta hipótese, pode o crédito ser utilizado para fins de compensação. Estamos em que não. Da leitura do CTN, vemos que a lei pode “autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública” Exige, assim, a lei complementar, a própria existência do crédito, vencido ou vincendo, para que se possa realizar a compensação. Ou seja, pede a identificação do vínculo obrigacional com todos os seus elementos e dotado dos instrumentos de obligatio e actio que lhe são próprios. Ausente o direito de crédito, por se tratar de obrigação natural, não há como se realizar a compensação legal, salvo autorização expressa da lei ou a vontade das partes (sendo que esta hipótese é afastada de plano em matéria tributária). Acerca das obrigações desprovidas de ação, J.M. Carvalho Santos já dizia que “essas são as obrigações denominadas naturais, que desprovidas de ação, não são exigíveis e, como conseqüência, não podem ser compensáveis. Essa solução não comporta dúvida, em face do texto legal, que exige como requisito da compensação esteja a obrigação vencida, vale dizerse, tenha tido existência e seja, no momento, exigível, no número das quais não pode ser incluída a obrigação natural”11. De fato, em não havendo a exigibilidade da dívida, não se pode compelir o devedor ao seu pagamento, ainda que na forma de compensação. E, como já salientado, a 10 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Forense, Rio de Janeiro, 1995. v. II. p. 22. 11 CARVALHO SANTOS, J. M. Código Civil Brasileiro Interpretado. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1964. v. XIII. p. 254 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 14 14 compensação de dívidas com obrigação natural apenas é possível quando a lei expressamente a autorizar, ou quando o devedor voluntariamente a aceitar. Mas esta aceitação, como disse Caio Mário da Silva Pereira, decorre muito mais de sentimento moral do que de imposição jurídica. Esta, na obrigação natural, não existe. Desta feita, não há como se exigir, ainda que judicialmente, a aceitação de dívida prescrita como crédito para compensação com tributos vencidos ou vincendos. Clóvis Bevilacqua chega a expressamente a apontar, como requisito para compensação, que as dívidas opostas sejam “exigíveis, vencidas e líquidas”12. Pensar diferente seria o mesmo que restaurar a instrumentalidade da dívida prescrita, conferindo, à obrigação natural, os efeitos próprios das obrigações exigíveis – uma contradição em seus próprios termos. Assim, as debêntures emitidas pela Eletrobrás que já estejam prescritas não podem ser utilizadas como forma de compensação com créditos tributários vencidos ou vincendos, por não atendimento de requisito essencial para fruição do mecanismo extintivo da obrigação. 6.2. Ações Preferenciais Nominativas da Eletrobrás e sua Compensação com Créditos Tributários Da forma como já aditado acima, ao se promover a conversão das debêntures emitidas pela Eletrobrás entre 1978 e 1994 em ações preferenciais nominativas, cessou a co responsabilidade da União pela devolução do empréstimo compulsório, posto que o pagamento dos créditos se deu por meio da participação acionária na empresa de energia elétrica. Desta feita, os titulares do crédito que tiveram seus títulos convertidos em ações deixaram de ser credores de mútuo (ou da restituição do empréstimo compulsório) para se tornarem coproprietários da Eletrobrás, portadores de ações nominativas preferenciais. Ações nominativas “são aquelas, cuja propriedade se estabelece pela inscrição do nome do seu titular no livro de registro”13 da sociedade anônima. Já “ações preferenciais são aquelas que atribuem ao titular uma vantagem na distribuição dos lucros da sociedade entre os acionistas”14. Diante deste quadro, não vemos como as ações nominativas preferenciais da Eletrobrás possam ser utilizadas para pagamento de tributos. Para chegarmos a esta conclusão, cogitamos de duas hipóteses: 12 BEVILACQUA, Clóvis. Teoria das Obrigações. Rio, Rio de Janeiro, 1977, p. 132. 13 CARVALHO DE MENDONÇA, J.X. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. Freitas Bastos, São Paulo, 1958. v. III, p. 416. 14 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. Direito de Empresa. Sociedades. Saraiva, São Paulo, 2008. 11 ed. p. 102. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10830.003542/200457 Acórdão n.º 1401000.602 S1C4T1 Fl. 15 15 1ª) A compensação, que, como já sobejamente demonstrado, exige que o crédito seja oposto e recíproco entre credor e devedor. No presente caso, a Fazenda Pública possui um crédito tributário perante um contribuinte; mas este, em sendo titular de ações da Eletrobrás, não possui, por si só, direito de crédito oponível à Fazenda Pública. O titular de ações da Eletrobrás é acionista da empresa, uma sociedade anônima de capital misto; e não credor da União. 2ª) A dação em pagamento, pois, ainda que consideremos a titularidade das ações da Eletrobrás pelo contribuinte, não poderiam as mesmas ser dadas em pagamento de tributo, posto que ausente autorização legal para tanto. De fato, o art. 156, XI, do CTN, restringe a possibilidade de dação em pagamento aos bens imóveis. Ações de empresas não possuem o condão, pois, de livrarem o contribuinte do pagamento de créditos tributários por este mecanismo. Afastamos, assim, o entendimento de que as debêntures da Eletrobrás emitidas em função dos empréstimos compulsórios criados na ordem constitucional anterior, já alcançadas pela prescrição, assim como as ações nominativas preferenciais em que as obrigações se converteram possam ser utilizadas como forma de pagamento lato sensu (compensação ou dação em pagamento) de débitos tributários vencidos ou vincendos de contribuintes perante a Fazenda Pública. DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 15DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 11610.009813/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO
Tendo o contribuinte obtido provimento na esfera judicial relativamente ao direito à compensação de indébitos da contribuição para o PIS, cabe à autoridade administrativa a execução do que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário, nos exatos termos ali determinados.
Recurso Especial do Contribuinte provido
Numero da decisão: 9303-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para analisar o mérito do crédito. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para analisar o mérito do crédito. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO Tendo o contribuinte obtido provimento na esfera judicial relativamente ao direito à compensação de indébitos da contribuição para o PIS, cabe à autoridade administrativa a execução do que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário, nos exatos termos ali determinados. Recurso Especial do Contribuinte provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para analisar o mérito do crédito. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 98 13 /2 00 3- 54 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Unilever Brasil Ltda contra o Acórdão nº 20181.675, da antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que negou, por unanimidade de votos, provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, entendendo, em síntese, que, relativamente ao pedido de compensação apresentado em 10.7.2003 de supostos créditos contra a Fazenda de PIS em razão de recolhimentos indevidos efetuados no período de 07/89 a 09/95, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo STF, e amparados por decisão judicial, com débitos vincendos de tributos administrados pela SRF: · Seria aplicável a restrição prevista no artigo 170A do CTN à compensação em questão, sendo certo que, inobservada esta restrição, de fato não mereceria homologação a compensação realizada pela Recorrente; OU seja, nos termos da decisão, não haverseia que falar em homologação de compensação de créditos amparada por decisão judicial antes de seu trânsito em julgado; · Tais créditos em discussão se encontravam extintos pela decadência por ocasião do pedido de compensação apresentado em 10.7.2003. Para melhor elucidar, trago a ementa consignada pelo Colegiado naquele julgamento (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITANCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é da compensação, que, consubstanciando forma de extinção da obrigação tributária, é matéria examinável na esfera administrativa, eis que somente a autoridade administrativa (e não a judicial) detém competência, quer para homologar o lançamento do crédito compensado em declaração do contribuinte, extinguindo a obrigação tributária, quer para efetuar o lançamento de Fl. 350DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 311 3 eventuais diferenças, tenha a compensação sido determinada por ordem judicial ou administrativa (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN). PIS. RESTITUIÇAO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN para pedidos de restituição do PIS recolhido a maior com base nos Decretos Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e devido com base na Lei Complementar nº 7/70 contase a partir da data do ato que definitivamente reconheceu ao contribuinte o direito à restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, de 09/10/95, extinguindose, portanto, em 10/10/2000. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei n2 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5 2, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). Recurso voluntário negado. Para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer breve histórico do ocorrido: · Em 10.7.03, o sujeito passivo apresentou Declaração de Compensação, utilizando créditos de PIS, referentes aos períodos de apuração ocorridos entre julho de 1989 e setembro de 1995, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 decorrentes de discussão existente em Mandado de Segurança n° 1999.61.000300636, para compensar débito do mesmo tributo, referente ao mês de novembro de 2002; · Não obstante, tal pedido não foi homologado, apresentando o sujeito passivo manifestação de inconformidade; mas, posteriormente, recepcionou negativa na primeira instância administrativa sob a alegação, em síntese, de que a compensação em questão não poderia ser homologada já que não havia sido observado pela Recorrente o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional; · Desta feita, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, demonstrando a insubsistência das referidas decisões; · Apreciado o Recurso em sessão de julgamento de 4.12.08, o Colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário, entendendo ser aplicável a restrição prevista no artigo 170A do CTN à compensação em questão, sendo certo que, inobservada esta restrição, de fato não merecia homologação a compensação realizada pela Recorrente; bem como manifestando que referidos crédito estariam extintos pela decadência. Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, para se homologar integralmente a compensação formalizada em 10.7.03. Conforme leitura do Recurso Especial, importante destacar que o sujeito passivo traz, entre outros, que: · O direito à referida compensação decorre de Mandado de Segurança impetrado, com o fim de ter garantido seu direito à compensação dos valores do PIS recolhidos com base nos DecretosLei n°s 2.445/88 e 2.449/88, sem as ressalvas e limitações de quaisquer atos administrativos exarados pela autoridade administrativa; · A referida ação judicial foi julgada favoravelmente à Recorrente em primeira instância, sendolhe, desde aquele momento, permitida a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 312 5 · Após essa decisão, sobreveio o acórdão do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF), que entendeu pela extinção do processo, por falta de interesse de agir, sob a alegação de que não "(...) havia qualquer resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito de efetuar a compensação pela via administrativa (..)" – decisão esta atacada pela Recorrente via Recurso Especial; · A Recorrente ingressou com Ação Cautelar Inominada junto ao E. Superior Tribunal de Justiça, a qual recebeu o n° 11.781SP, e teve a respectiva liminar deferida "(..) para suspender os efeitos do acórdão impugnado até o derradeiro julgamento do Recurso Especial interposto (:.) ". · Por conseguinte, entende que prevalece em favor da Recorrente a decisão exarada em primeira instância judicial, a qual garantiu e reconheceu expressamente o direito imediato da Recorrente à compensação do crédito em questão. Quanto à discussão do art. 170A do CTN, traz a recorrente que: · O acórdão ora recorrido, ao entender pela aplicabilidade do artigo 170A, desprezou a regra temporal implícita em tal dispositivo, ou seja, o fato de que ele apenas poderia vir a ser aplicado após a sua integração no mundo jurídico, o que seu deu, segundo ao sujeito passivo, com a edição da Lei Complementar n° 104/2001; · O direito da Recorrente à compensação nasceu com a publicação da sentença proferida no Mandado de Segurança aqui tratado, isto é, em 21/08/2000, anteriormente à vigência do artigo 170A do CTN; · Dessa forma, considerando que a ação judicial individual da Recorrente foi distribuída em 29.6.99 e que a sentença reconhecendo e garantindo o direito à compensação é datada de 21.8.00, impossível se falar na aplicação da limitação trazida pelo artigo 170A do CTN. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Por fim, concluiu que merece reforma a decisão proferida pela 1ª Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pois há que ser homologada, até o limite dos respectivos créditos, a compensação amparada por decisão judicial que, além de reconhecer o crédito do sujeito passivo para com a União, também expressamente a autoriza antes de seu trânsito em julgado. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do despacho de fls. 292/293 apreciado pelo Presidente da Câmara, que, entre outros, após análise, traz que: · A matéria controvertida foi objeto de debate na instância a quo, de modo que restou atendido o requisito do prequestionamento; · Quanto à divergência interpretativa, procede o conflito assinalado pelo recorrente, considerando o exame do acórdão divergente n° 20218.535, onde o conflito foi mais aparente – onde se constatou que a interpretação emprestada a caso análogo ao destes autos foi no sentido de admitir a compensação antes do trânsito em julgado com ressalvas específicas, desde que houvesse autorização judicial. A Fazenda Nacional tomou conhecimento dos autos, apresentando Contrarrazões às fls. 296 a 301, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto e destacando, entre outros, não ser plausível de acolhimento, por desprovido de razoabilidade, o pleito do contribuinte, pelo que, razão está com o colegiado "a quo", devendo ser mantida, em sua integralidade, a decisão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, uma vez que, não bastasse, pois, o óbice do art. 170A do CTN, trazido com a Lei complementar nº 104/2001, os créditos alegados pelo contribuinte encontramse extintos pela decadência, vez que referentes aos períodos de apuração de 08/89 a 09/95, não havendo que se falar em compensação. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 313 7 O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso. O que concordo com a análise feita através do despacho de fls. 292/293 apreciado pelo Presidente da Câmara em exercício à época. Eis que efetivamente a matéria controvertida foi objeto de debate na instância a quo, de modo que restou atendido o requisito do prequestionamento. E, quanto à divergência interpretativa, procede o conflito assinalado pelo recorrente, considerando o exame do acórdão divergente n° 202 18.535, pois se constatou interpretação diferente – qual seja, de ser admitida a compensação antes do trânsito em julgado, desde que houvesse autorização judicial. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, pois tempestivo. Não obstante, antes de se iniciar a análise das matérias ventiladas no Recurso Especial do sujeito passivo, importante verificar o andamento das medidas propostas pelo sujeito passivo no âmbito do judiciário. Para tanto, importante lembrar que, após o sujeito passivo, por decorrência do Mandado de Segurança impetrado, ter obtido decisão favorável em 1ª instância, permitindo a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, recepcionou acórdão do E. TRF3, que entendeu pela extinção do processo, por falta de interesse de agir, sob a alegação de que não "[...] havia qualquer resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito de efetuar a compensação pela via administrativa [..]". O sujeito passivo interpôs Recurso Especial, ingressando também com Ação Cautelar Inominada junto ao E. Superior Tribunal de Justiça, a qual teve a Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 respectiva liminar deferida "[..] para suspender os efeitos do acórdão impugnado até o derradeiro julgamento do Recurso Especial interposto [...]” Para melhor compreensão, transcrevo essa decisão – republicada em 14.8.2006, por ter saído com incorreção (Grifos meus): “DECISÃO Cuidase de medida cautelar ajuizada por Unilever Brasil Ltda. com o propósito de atribuir efeito suspensivo a recurso especial interposto de acórdão do TRF da 3ª Região que, julgando apelação e remessa necessária em ação mandamental versando sobre pedido de compensação de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição para o PIS com base nos DecretosLei ns. 2.445 e 2.449/88, decretou a carência de ação, por falta de interesse de agir da impetrante. Eis a ementa do acórdão, in verbis: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – PIS – COMPENSAÇÃO – ART. 66, DA LEI Nº 8.383/91 – INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 21/97 – AUSÊNCIA DE INTERESSE. I. A IN 21/97 eliminou qualquer óbice para que o contribuinte realize a compensação de tributos de diferentes espécies mediante requerimento perante a SRF. II. Ausência de interesse de agir, tendo em vista que não há nos autos qualquer prova de resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito da autora de efetuar a compensação pela via administrativa. III. Remessa oficial provida. IV. Prejudicados a apelação e o recurso adesivo" (fl. 399). Opostos embargos de declaração com o fito de provocar o Regional a se manifestar acerca de eventuais omissões e contradições no julgado, em especial no tocante à parte que afirma inexistir prova de resistência do Fisco ao pedido formulado nos autos, foram eles rejeitados ao argumento de inexistência das irregularidades apontadas. Em defesa do fumus boni iuris, sustenta a requerente que o seu interesse de agir fora ressaltado pelo próprio Desembargador VicePresidente do Tribunal a quo, que, ao decidir sobre pedido de efeito suspensivo ao recurso especial enquanto não concluído o Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 314 9 juízo de admissibilidade na origem, justificou o deferimento do pleito na negativa do acórdão impugnado em se pronunciar sobre questões de fundamental importância para o deslinde da controvérsia, envolvendo o prazo prescricional e os índices de correção monetária aplicáveis na atualização dos valores a serem compensados. Quanto ao periculum in mora, decorreria da inscrição dos valores compensados (algo em torno de $123.000.000,00) em Dívida Ativa da União, bem assim do virtual cancelamento de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em favor da requerente, documento essencial ao desenvolvimento de suas atividades comerciais. É o breve relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça tem admitido o manuseio de ação cautelar, nos termos do art. 288 do seu Regimento Interno, para conferir efeito suspensivo a recursos desprovidos de tal eficácia. Tratase, todavia, de medida só deferível em caráter de extrema excepcionalidade, cabendo à parte demonstrar rigorosamente o dano de difícil ou incerta reparação a que estará sujeita em virtude de eventual demora na definição da lide. No caso em exame, quer me parecer que a Corte Regional incidiu mesmo em omissão ao se esquivar de promover um exame mais completo da questão relativa ao acolhimento da preliminar de falta de interesse de agir da impetrante, fundamento que levou à extinção do feito. Tal irregularidade, que subsistiu no julgamento dos embargos declaratórios aviados com o propósito de provocar a Corte a se manifestar expressamente sobre o tema, deu ensejo à interposição de recurso especial por alegada afronta aos arts. 128, 460 e 535 do CPC. A aparente falha do decisum foi bem anotada pelo Desembargador VicePresidente do Tribunal a quo, para quem o acórdão recorrido "... inobservou, porém – e aí sim, verifico existir resistência fazendária, e conseqüente interesse de agir da requerente – o como se efetuaria a compensação pretendida, qual seja, a que prazo prescricional – decenal ou qüinqüenal – e a que Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 índices de correção monetária – com ou sem reflexo dos expurgos inflacionários dos períodos envolvidos" (fls. 490/491). Mais a mais, não se pode descuidar do teor do comando expresso na Súmula n. 213/STJ, segundo o qual "o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária". Quanto ao periculum in mora, parecemme bastante razoáveis os argumentos apresentados pela autora com o intuito de demonstrar a urgente necessidade da medida acautelatória, tendo em vista o iminente cancelamento da CCPEN emitida a seu favor, sanção que poderá inviabilizar o pleno exercício de suas atividades comerciais. Ante o exposto, defiro a liminar para suspender os efeitos do acórdão impugnado até o derradeiro julgamento do recurso especial interposto. [...] Oficiese, dando ciência do inteiro teor da presente decisão, (a) ao Desembargador Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e (b) ao Juízo da 4ª Vara Federal de São Paulo (SP). Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 04 de agosto de 2006. MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Relator” Após várias movimentações, em 17.9.2010, foi emitida decisão monocrática pelo Ministro Mauro Campbell Marques – relator nos seguintes termos (Grifos meus): “Superior Tribunal de Justiça MEDIDA CAUTELAR Nº 11.781 SP (2006/01522669) RELATOR: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES REQUERENTE: UNILEVER BRASIL LTDA ADVOGADO: CARLOS ANTÔNIO DOS SANTOS E OUTRO(S) REQUERIDO: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: MARIA NELY BEZERRA DE OLIVEIRA EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO. INTERESSE PROCESSUAL. SUPERVENIENTE PERDA DO OBJETO. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 315 11 EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS. PRECEDENTES. DECISÃO Tratase de medida cautelar ajuizada por Unilever Brasil Ltda. almejando destrancar e conferir efeito suspensivo ao Recurso Especial n. 871.186/SP. O pedido liminar foi deferido. Contestação apresentada. Em 19.8.2010, o REsp n. 871.186/SP foi julgado nesta Corte. Transcrevo a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS. COMPENSAÇÃO. INTERESSE DE AGIR. EXISTÊNCIA. RECURSO REPETITIVO JULGADO. 1. Cinge a controvérsia sobre a existência ou não de interesse de agir na hipótese em que a ação ajuizada postula, além do reconhecimento do direito à compensação, a fixação judicial dos critérios a serem observados no procedimento compensatório. 2. Sobre o assunto, a Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.121.023/SP, mediante a sistemática prevista no art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou o entendimento no sentido de que mesmo com a edição da IN 21/97 pela SRF, remanesce o interesse de agir da recorrente, uma vez que notória a resistência do Fisco em proceder à compensação nos moldes pleiteados pelos contribuintes. 3. Recurso especial provido. É o relatório. Passo a decidir. Com a ocorrência do julgamento do recurso especial ao qual se pretendia atribuir efeito suspensivo, operouse a superveniente perda do objeto da medida cautelar, que deve ser extinta pela ausência de interesse processual. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO JULGADO – MEDIDA CAUTELAR – EFEITO SUSPENSIVO – JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL – PERDA DE OBJETO – PRECEDENTES DO STJ. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 1. O recurso especial ao qual os requerentes pretendem atribuir efeito suspensivo foi julgado, em definitivo, pelo STJ, restando prejudicada a medida cautelar em razão da perda de seu objeto. Precedentes. 2. Os embargantes, inconformados, buscam com a oposição destes embargos declaratórios ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com sua tese. Todavia, impossível dar efeitos infringentes aos aclaratórios sem a demonstração de qualquer vício ou teratologia. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EDcl na MC 15.782/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 19.8.2010) MEDIDA CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL JÁ JULGADO. PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO. 1. A medida cautelar, ajuizada para emprestar efeito suspensivo ao recurso especial, perde o objeto com o julgamento deste. 2. O efeito suspensivo de todo e qualquer recurso somente ostenta operância até o julgamento do próprio recurso, seja qual for a decisão posteriormente prolatada. Em caso de provimento do recurso, são os efeitos dessa decisão que passam a vigorar, em razão da substitutividade. Em caso contrário, ou seja, de improvimento, resta claro que a fumaça do bom direito não estava presente, porquanto a análise levada a efeito, no julgamento do recurso, é exauriente, prevalecendo, a toda evidência, sobre aquela perfunctória, própria das medidas de urgência. Ou seja, se o bom direito da parte não foi demonstrado em sede de cognição exauriente, não há como sustentar sua ocorrência em sede de cognição superficial. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg na MC 15.905/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 24.6.2010) MEDIDA CAUTELAR PREPARATÓRIA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS PROPOSITURA DA AÇÃO PRINCIPAL ANTES DA SENTENÇA PERDA DE OBJETO DA CAUTELAR EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO (ART. 267, INCISO IV, DO CPC) RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 316 13 I Ao propor a ação principal antes da sentença na medida cautelar de exibição de documentos, além de demonstrar que tais documentos não eram imprescindíveis para a propositura da ação de conhecimento, a parte passa a dispor do direito de requerer a exibição de tais documentos na forma dos artigos 355 e seguintes do CPC, tornandose sem utilidade e eficácia a cautelar preparatória. II A cautelar preparatória não possui autonomia para se perpetuar se a parte propõe a ação principal e nela lhe é facultado, por simples requerimento, pleitear a exibição de todos os documentos que entender necessários para o deslinde da causa, sejam os que anteriormente requereu na cautelar, ou novos documentos. Resta configurada a carência de ação, por perda de objeto. III Correto o entendimento de extinção da cautelar, com fulcro no art. 267, IV, do CPC, sem apreciação do mérito, pois não há razão para a existência de duas ações com semelhante objeto, prevalecendo a ação principal. IV Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 629.127/DF, Rel. Min. Massami Uyeda, Terceira Turma, DJe 12.4.2010) AGRAVO REGIMENTAL EM MEDIDA CAUTELAR. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. RECURSO JULGADO. PEDIDO PREJUDICADO. 1. Julgado o recurso especial a que se pretendia atribuir efeito suspensivo por meio de medida cautelar, julgase extinta a medida, por falta de objeto. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg na MC 16.401/MT, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 6.4.2010) Em relação aos honorários advocatícios, esta Corte assentou o entendimento de que em cautelar ajuizada para atribuir efeito suspensivo a recurso especial tal verba não é devida. Cito precedentes: PROCESSO CIVIL MEDIDA CAUTELAR PARA DAR EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL HONORÁRIOS. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 1. Extinta a cautelar por perda de objeto (julgamento do recurso especial), não são devidos honorários. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl na MC 6.270/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 17/05/2004 p. 161) AGRAVO REGIMENTAL EM MEDIDA CAUTELAR PRETENSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL PERDA DE OBJETO DA MEDIDA DE URGÊNCIA HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DESCABIMENTO PRECEDENTES AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Na linha de orientação deste Tribunal Superior, é descabido o arbitramento de honorários advocatícios quando se trata de medida cautelar com caráter manifestamente incidental, pois não há falar em vencedor e vencido, visto que a pretensão cautelar é tãosomente viabilizar provisoriamente a concessão de efeito suspensivo ao recurso principal. 2. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl na MC 7.292/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 03/10/2005 p. 117) Com essas considerações, JULGO EXTINTO o processo, sem a resolução do mérito, nos termos dos arts. 267, inc. VI, do Código de Processo Civil e 34, inc. XI, do RISTJ. Sem condenação em honorários advocatícios. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 17 de setembro de 2010. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES Relator” Em vista do exposto, importante trazer a decisão proferida no julgamento do referido Recurso Especial: “[...] RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Tratase de recurso especial interposto por Unilever Brasil Ltda., com fundamento na alínea "a" do inciso III do artigo Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 317 15 105 da Constituição Federal/1988, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região assim ementado (eSTJ fl. 369): PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA PIS – COMPENSAÇÃO –ART.66, DA LEI Nº 8.383/91– INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 21/97 – AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. A IN 21/97 eliminou qualquer óbice para que o contribuinte realize a compensação de tributos de diferentes espécies mediante requerimento perante a SRF. Ausência de interesse de agir, tendo em vista que não há nos autos qualquer prova de resistência ou violação por parte da Receita Federal ao direito da autora de efetuar a compensação pela via administrativa. Remessa oficial provida. Prejudicados a apelação e o recurso adesivo. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No recurso especial, a recorrente alega violação dos arts. 128, 460 e 535 do CPC. Afirma que o acórdão recorrido não apreciou os pedidos que foram levados a juízo, tais como: o direito de recálculo da contribuição ao PIS nos moldes da LC n. 07/70 ante a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88; o direito de compensar os créditos apurados dos últimos dez anos com débitos vincendos, e não dos últimos cinco anos; o direito à correção monetária nos termos requeridos pela recorrente. Sustenta que não há falar em ausência de interesse de agir, uma vez que houve pretensão resistida pela Fazenda quanto aos termos da compensação pleiteada. Apresentadas contrarrazões, pugnandose pela manutenção do acórdão recorrido. Juízo positivo de admissibilidade, subiram os autos a esta Corte. É o relatório. RECURSO ESPECIAL Nº 871.186 SP (2006/01626417) EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS. COMPENSAÇÃO. INTERESSE DE AGIR. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 EXISTÊNCIA. RECURSO REPETITIVO JULGADO. 1. Cinge a controvérsia sobre a existência ou não de interesse de agir na hipótese em que a ação ajuizada postula, além do reconhecimento do direito à compensação, a fixação judicial dos critérios a serem observados no procedimento compensatório. 2. Sobre o assunto, a Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.121.023/SP, mediante a sistemática prevista no art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou o entendimento no sentido de que mesmo com a edição da IN 21/97 pela SRF, remanesce o interesse de agir da recorrente, uma vez que notória a resistência do Fisco em proceder à compensação nos moldes pleiteados pelos contribuintes. 3. Recurso especial provido. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): A insurgência prospera. Cinge a controvérsia sobre a existência ou não de interesse de agir na hipótese em que a ação ajuizada postula, além do reconhecimento do direito à compensação, a fixação judicial dos critérios a serem observados no procedimento compensatório. Sobre o assunto, a Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.121.023/SP, mediante a sistemática prevista no art. 543C do CPC (recursos repetitivos) consolidou o entendimento no sentido de que mesmo com a edição da IN 21/97 pela SRF, remanesce o interesse de agir da recorrente, uma vez que notória a resistência do Fisco em proceder à compensação nos moldes pleiteados pelos contribuintes. A propósito, confirase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS. COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR QUANTO AOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM PARA QUE APRECIE O MÉRITO DA DEMANDA. PRECEDENTES STJ. 1. Discutese no presente recurso especial a existência ou não de interesse de agir na hipótese em que a ação ajuizada postula, além do reconhecimento do direito à compensação, a fixação judicial dos critérios a serem observados no procedimento compensatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 318 17 2. Na hipótese, o interesse de agir se caracteriza pelos entraves rotineiramente opostos pela Secretaria da Receita Federal àquele que postula a compensação tributária dos valores indevidamente recolhidos a maior a título de PIS, sem as exigências que são impostas pela legislação de regência, notadamente em relação ao critérios que envolvem o encontro de contas, à aplicação de expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária dos valores a serem repetidos, à incidência de juros moratórios e compensatórios, bem como à definição do prazo prescricional para o exercício do direito à compensação, considerando, em especial, o disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118/2005. Assim, é inegável a necessidade do contribuinte buscar tutela jurisdicional favorável, a fim de proteger seu direito de exercer o pleno exercício da compensação de que trata o art. 66 da Lei 8.383/91, sem que lhe fosse impingidos os limites previstos nas normas infralegais pela autoridade administrativa. 3. Sobre o tema, ambas as turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça consolidaram entendimento no sentido de que, mesmo com a edição da IN 21/97 pela SRF, remanesce o interesse de agir da recorrente, uma vez que notória a resistência do Fisco em proceder à compensação nos moldes pleiteados pelos contribuintes. Precedentes: REsp 1082750 / SP, Segunda Turma, rel. Ministra Eliana Calmon, DJe 17/11/2009; REsp 869442/SP, Segunda Turma, rel. Ministra Eliana Calmon, DJe 10/11/2008; REsp n. 728.860/SP, Segunda Turma, relator Ministro Castro Meira, DJ de 15.8.2005; REsp 744825/SP, Segunda Turma, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJ 13/03/2006; REsp 863591/SP, Primeira Turma, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 23/11/2006. 4. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.121.023/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 30.6.2010) Merece, portanto, reforma o acórdão recorrido. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial. Determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 aprecie o mérito da demanda, sob pena de inadmissível supressão de instância. É como voto.” Dessa forma, vêse que houve decisão pela reforma do acórdão recorrido, com provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo e, por conseguinte, retorno dos autos ao Tribunal de origem para que aprecie o mérito da demanda, sob pena de inadmissível supressão de instância. Em pesquisa ao TRF3 do processo de nº origem 1999.61.00.0300636 (processo nº 003006356.1999.403.6100), vêse que foram publicados os seguintes acórdãos: 1. Em relação à apreciação do Agravo Legal em Apelação Civil, houve decisão em 25/02/2011, negando provimento ao Agravo, com a seguinte decisão: · No caso não houve a aplicação retroativa ao feito das disposições da Lei Complementar nº 118/2005, como alegado pela impetrante, pois o entendimento desta Relatora quanto à contagem da prescrição quinquenal é anterior à LC 118/05, sendo que tal entendimento apenas foi confirmado com o advento da referida LC; · Foi configurada a prescrição parcial do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados em período superior ao quinquênio contado retroativamente da propositura da ação, eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de abril/89 e interposta a ação em 29/06/99. 2. Quanto à apreciação dos embargos apresentados pela Unilever por ocasião do julgamento do RE nº 566621/RS pelo STF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 319 19 O que, para as ações propostas antes de 09/06/2005, aplicarse ia o prazo prescricional decenal, foi proferido acórdão no seguinte sentido: · Considerando que a ação foi ajuizada em 29/06/99, aplicável o prazo prescricional decenal, contado retroativamente da data do ajuizamento da ação, motivo pelo qual a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação, eis que requeridos na inicial os pagamentos de outubro/89 a outubro/95 (período de apuração de julho/89 a setembro/95); · Para inclusão da correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91 e para estabelecer a taxa SELIC a partir de janeiro/96. Para melhor elucidar, segue parte do acórdão: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 003006356.1999.4.03.6100/SP EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EFEITO MODIFICATIVO PRESCRIÇÃO DECENAL ENTENDIMENTO RECENTE DO STF ACOLHIMENTO PARCIAL DOS EMBARGOS ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO. I Verifico a existência de erro material no voto do agravo legal às fls. 561vº, em decorrência de erro material no relatório da decisão monocrática às fls. 521. Equivocadamente constou no terceiro parágrafo de fls. 561vº "...eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de abril/89...", sendo que deve constar "...eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de outubro/89 (período de apuração de julho/89)" e também equivocadamente constou no relatório da decisão às fls. 521 "A pretensa compensação envolve as importâncias recolhidas no período de abril/89 a janeiro/96 (período de apuração de janeiro/89 a dezembro/95)", sendo que deve constar "A pretensa compensação envolve as importâncias recolhidas no período de outubro/89 a outubro/95 (período de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 apuração de julho/89 a setembro/95), conforme pedido na inicial às fls. 17". II Quanto ao prazo extintivo para se pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente, esta E. Terceira Turma adotava o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicavase o prazo quinquenal invariavelmente, contado retroativamente da data da propositura da ação ou do requerimento administrativo, conforme interpretação conferida aos art. 150, §§1º e 4º e art. 168, I, do Código Tributário Nacional. III O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566621/RS, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Assim, para as ações propostas antes de 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional decenal. IV Estando a decisão, anteriormente proferida, em divergência com a orientação atual da Turma e da Corte Superior, cabe o reexame da causa para adequação à jurisprudência consolidada e considerando a possibilidade de se atribuir aos embargos declaratórios efeito modificativo, como iterativamente vem decidindo esta Corte, o voto deve ser alterado para reconhecer que a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, com a aplicação da prescrição decenal. V "In casu", reconhecida a compensação dos recolhimentos a partir de outubro/89 (apuração em julho/89), em consequência, deverá ser provido parcialmente o recurso adesivo da impetrante para inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91 e manutenção da sentença para aplicação do IPC de março/90 e demais índices, constantes do Prov. 24/97. VI Outrossim, a análise da aplicação do IPC de fevereiro/89 restou prejudicada em razão do pedido para compensação a partir de outubro/89 (apuração em julho/89) e, portanto deve ser mantido o v. acórdão. VII Portanto, o resultado do v. acórdão de fls. 559/562 deve ser alterado para dar provimento parcial ao agravo legal para Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 320 21 reconhecer que a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, tendo como consequência, o provimento parcial do recurso adesivo da impetrante para a inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e de fevereiro/91. VIII Em decorrência do provimento parcial do agravo legal, o resultado da decisão de fls. 521/525, deve ser alterado para constar: "Ante o exposto, com fundamento no artigo 557, do Código de Processo Civil, conheço parcialmente da apelação da União Federal, negandolhe seguimento, dou provimento parcial à remessa oficial para excluir os juros de 1% ao mês a partir do recolhimento e dou provimento parcial ao recurso adesivo da impetrante para inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91 e para estabelecer a taxa SELIC a partir de janeiro/96." IX No que tange ao prequestionamento, destaco o entendimento corrente desta E. Turma no sentido de que o juízo não está obrigado a se pronunciar expressamente sobre todos os dispositivos legais citados pelas partes, pois a análise de um ou de alguns dos fundamentos jurídicos trazidos pode ser suficiente para solucionar a lide, tornando prejudicial a apreciação dos demais. X Reconhecida de ofício a existência de erro material e embargos de declaração parcialmente acolhidos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, reconhecer, de ofício, a existência de erro material e acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 08 de março de 2012. CECÍLIA MARCONDES Desembargadora Federal Relatora EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 003006356.1999.4.03.6100/SP Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 22 1999.61.00.0300636/SP RELATÓRIO Cuidase de embargos de declaração opostos por UNILEVER BRASIL LTDA em face do acórdão do agravo legal de fls. assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. ART. 557, § 1º, CPC. PIS. DL Nº 2445/88 E 2449/88. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN JÁ EXPLICITADA NA DECISÃO. PREJUDICADA A ANÁLISE DA APLICAÇÃO DO IPC, EM RAZÃO DO RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA PARCIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. I O prazo disposto no art. 168, I, CTN, mesmo no caso de tributo lançado por homologação, ou seja, quando o contribuinte recolhe o tributo sem o prévio exame da autoridade fiscal, contase a partir deste recolhimento, uma vez que o contribuinte não precisa esperar o esgotamento do qüinqüênio previsto no § 4º do art. 150 do CTN, concedido à Fazenda Pública para homologar a conduta do contribuinte ou lançar de ofício a eventual diferença apurada, para postular, administrativa ou judicialmente, o direito de compensar o tributo indevidamente recolhido. II No caso não houve a aplicação retroativa ao feito das disposições da Lei Complementar n. 118/2005, como alegado pela impetrante, pois o entendimento desta Relatora quanto à contagem da prescrição quinquenal é anterior à LC 118/05, sendo que tal entendimento apenas foi confirmado com o advento da referida LC. III Neste passo, examinando os autos, observo que configurada a prescrição parcial do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados em período superior ao quinquênio contado retroativamente da propositura da ação, eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de abril/89 e interposta a ação em 29/06/99. IV Outrossim, no presente feito não houve reforma da sentença para determinar que a compensação fosse efetuada a partir do trânsito em julgado, sendo mencionado na decisão agravada que o "mandamus" foi impetrado em período anterior à vigência da LC 104/2001, que acrescentou o art. 170A do CTN. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 321 23 V Também não tem cabimento a aplicação dos índices do IPC, pois tal matéria restou prejudicada com o reconhecimento da prescrição das parcelas anteriores a junho/94, o que resultou na aplicação somente da UFIR a partir de junho/94 a dezembro/95 e da aplicação exclusiva da taxa SELIC a partir de janeiro/96, nos termos já anteriormente explicitados na decisão agravada. VI Agravo legal improvido." Requer seja declarado por escrito o voto vencido proferido pelo Desembargador Federal Márcio Moraes que dava provimento ao agravo legal. Alega que o acórdão que negou provimento ao agravo legal interposto para aplicação do prazo de dez anos, afastando a prescrição parcial e consequente aplicação dos índices do IPC de fevereiro/89, abril/90, maio/90 e fevereiro/91, com o total provimento ao recurso adesivo da impetrante, foi omisso quanto aos princípios da irretroatividade (art. 150, III, a da Constituição Federal), que veda a cobrança de tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; e da justa indenização (artigos 5º, XXIV e 152, § 3º, ambos da Constituição Federal); e ainda, quanto ao direito de propriedade previsto no art. 5º, inciso XXII da Constituição Federal. Outrossim, objetiva a embargante com a oposição dos presentes embargos prequestionar as referidas matérias constitucionais, para efeito da Súmula 98 do STJ, permitindo o acesso às instâncias superiores. Às fls. 597 foi determinada a manifestação da União Federal, em razão dos embargos opostos. CECÍLIA MARCONDES Desembargadora Federal Relatora EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 003006356.1999.4.03.6100/SP VOTO Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 24 No tocante ao requerimento para a juntada do teor do voto vencido este já foi atendido e encontrase acostado às fls. 594/595 destes autos. Outrossim, verifico a existência de erro material no voto do agravo legal às fls. 561vº, em decorrência de erro material no relatório da decisão monocrática às fls. 521. Equivocadamente constou no terceiro parágrafo de fls. 561vº "...eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de abril/89...", sendo que deve constar "...eis que efetuados os pagamentos indevidos a partir de outubro/89 (período de apuração de julho/89)" e também equivocadamente constou no relatório da decisão às fls. 521 "A pretensa compensação envolve as importâncias recolhidas no período de abril/89 a janeiro/96 (período de apuração de janeiro/89 a dezembro/95)", sendo que deve constar "A pretensa compensação envolve as importâncias recolhidas no período de outubro/89 a outubro/95 (período de apuração de julho/89 a setembro/95), conforme pedido na inicial às fls. 17". Quanto ao prazo extintivo para se pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente, esta E. Terceira Turma adotava o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicavase o prazo quinquenal invariavelmente, contado retroativamente da data da propositura da ação ou do requerimento administrativo, conforme interpretação conferida aos art. 150, §§1º e 4º e art. 168, I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, no julgamento do REsp nº 1.002.932SP, o Superior Tribunal de Justiça, analisando a aplicação da Lei Complementar nº 118/2005, ressaltou o posicionamento de que, "tratandose de pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC n. 118/2005 (9/6/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos "cinco mais cinco", desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal, regra que se coaduna com o disposto no art. 2.028 do CC/2002. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 322 25 norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido". Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566621/RS, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Assim, para as ações propostas antes de 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional decenal. Nesse sentido: INFORMATIVO Nº 634 Prazo para repetição ou compensação de indébito tributário e art. 4º da LC 118/2005 5 É inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 ["Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional"; CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados"]. Esse o consenso do Plenário que, em conclusão de julgamento, desproveu, por maioria, recurso extraordinário interposto de decisão que reputara inconstitucional o citado preceito v. Informativo 585. Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 26 partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. Portanto, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, pelo Supremo Tribunal Federal, revi meu posicionamento, para reconhecer ser aplicável o prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para as ações propostas antes de 09/06/2005, tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional decenal para restituição do indébito tributário. Outrossim, recente julgado da 3ª Turma, nos termos desse novo entendimento: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. IRRF. FUNDO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. FUNDAÇÃO CESP. JANEIRO/89 A DEZEMBRO/95. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. PRECEDENTE DA SUPREMA CORTE. RECURSO DESPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal, acerca da controvérsia firmada em relação à aplicação da LC 118, de 09/02/2005, decidiu, no âmbito do RE 566.621, em regime de repercussão geral, que a regra de prescrição de cinco anos contada do pagamento antecipado, deve ser aplicada apenas às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, ou seja após a vacatio legis de 120 dias. As ações propostas antes de tal data, ou seja, até 08/06/2005, ficam sujeitas ao prazo de 5 anos de prescrição, mas contado a partir, não do pagamento antecipado, mas da homologação expressa ou da homologação tácita, sendo que esta última é considerada ocorrida após 5 anos do fato gerador, o que, na prática, significa 10 anos desde o fato gerador, caso não seja expressa a homologação do lançamento. 2. Na espécie, a ação foi ajuizada em 18/12/2009, ou seja, já na vigência da LC 118/2005, de modo que a prescrição de 5 anos é Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 323 27 contada a partir dos pagamentos antecipados, independentemente da data da homologação tácita ou expressa dos lançamentos, assim garantindo a repetição apenas para os valores recolhidos até 5 anos retroativamente à propositura da ação, a partir de 18/12/2004, estando prescritos os recolhidos em data anterior, tal como já havia constado da decisão agravada. 3. Agravo inominado desprovido. (Agravo legal em AC nº 2009.61.00.0270380, Rel. Des. Fed. Carlos Muta, Julg. 25/08/2011)." "In casu", considerando que a ação foi ajuizada em 29/06/99, aplicável o prazo prescricional decenal, contado retroativamente da data do ajuizamento da ação, motivo pelo qual a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação, eis que requeridos na inicial os pagamentos de outubro/89 a outubro/95 (período de apuração de julho/89 a setembro/95). No mesmo sentido, conforme julgado proferido por esta Turma no processo nº 2006.61.00.0274759, D.E. 18/4/2011 em voto prolatado pelo Des. Federal Carlos Muta: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. PIS/COFINS. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR. BASE DE CÁLCULO PARA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INOVAÇÃO DA CAUSA. INVIABILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. Caso em que a impetração apenas discutiu a invalidade da base de cálculo e da alíquota, previstas na Lei 9.718/98, para efeito de aplicarse o regime legal precedente (PIS: LC 7/70 com alterações da Lei 9715/98; e COFINS: LC 70/91), deduzindose fundamentos e razões consistentes com tal pedido, sem adentrar no exame de qualquer particularidade quanto à definição da base de cálculo, a partir do regime da legislação aplicável em decorrência da inconstitucionalidade propugnada. Por evidente que não poderia o contribuinte alterar o pedido depois da fase postulatória, especialmente em rito mandamental, e, muito menos, a PFN pretender que se discuta questão que não foi postulada, e, por isso mesmo, não decidida nos autos. A presente Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 28 controvérsia limitase à inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, e não à discussão de como deve ser composta a base de cálculo do PIS/COFINS para instituições financeiras no regime da LC 7/70 com alterações da Lei 9.715/98, e da LC 70/91. Tal matéria, se necessário, deve ensejar exame em nova ação, e não no contexto genérico da presente demanda, que se encerrou nos limites da proposição da inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 para cobrança do PIS/COFINS segundo a legislação precedente. Portanto, se tal discussão não veio aos autos, não pode ser objeto de omissão no julgamento, tal qual propugnado pelos embargos declaratórios da PFN à decisão monocrática proferida, a qual tampouco pode comportar reforma em agravo inominado à Turma, diante dos limites objetivos da causa, definidos na fase própria, e inalteráveis por interesse de qualquer das partes. Agravo inominado desprovido." Por estas razões, estando a decisão, anteriormente proferida, em divergência com a orientação atual da Turma e da Corte Superior, cabe o reexame da causa para adequação à jurisprudência consolidada e considerando a possibilidade de se atribuir aos embargos declaratórios efeito modificativo, como iterativamente vem decidindo esta Corte, o voto deve ser alterado para reconhecer que a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, com a aplicação da prescrição decenal. "In casu", reconhecida a compensação dos recolhimentos a partir de outubro/89 (apuração de julho/89), em consequência, deverá ser provido parcialmente o recurso adesivo da impetrante para inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91 e manutenção da sentença para aplicação do IPC de março/90 e demais índices, constantes do Prov. 24/97. Outrossim, a análise da aplicação do IPC de fevereiro/89 restou prejudicada em razão do pedido para compensação a partir de outubro/89 (apuração em julho/89) e, portanto deve ser mantido o v. acórdão. Portanto, o resultado do v. acórdão de fls. 559/562 deve ser alterado para dar provimento parcial ao agravo legal para reconhecer que a impetrante não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, tendo como Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.009813/200354 Acórdão n.º 9303003.491 CSRFT3 Fl. 324 29 consequência, o provimento parcial do recurso adesivo da impetrante para a inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e de fevereiro/91. Em decorrência do provimento parcial do agravo legal, o resultado da decisão de fls. 521/525, deve ser alterado para constar: "Ante o exposto, com fundamento no artigo 557, do Código de Processo Civil, conheço parcialmente da apelação da União Federal, negandolhe seguimento, dou provimento parcial à remessa oficial para excluir os juros de 1% ao mês a partir do recolhimento e dou provimento parcial ao recurso adesivo da impetrante para inclusão na correção monetária do IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91 e para estabelecer a taxa SELIC a partir de janeiro/96." No que tange ao prequestionamento, destaco o entendimento corrente desta E. Turma no sentido de que o juízo não está obrigado a se pronunciar expressamente sobre todos os dispositivos legais citados pelas partes, pois a análise de um ou de alguns dos fundamentos jurídicos trazidos pode ser suficiente para solucionar a lide, tornando prejudicial a apreciação dos demais. Nesse sentido: [...] Ante o exposto, reconheço de ofício a existência de erro material e acolho parcialmente os embargos, nos termos supramencionados. CECÍLIA MARCONDES Desembargadora Federal Relatora” Dessa forma e conforme pesquisa no sítio do TRF 3, vêse que, em 30.7.2012, houve decisão transitada em julgado, reconhecendo a compensação dos recolhimentos a partir de outubro/89 (apuração de julho/89), com observância da correção monetária pelo IPC de abril/90, maio/90 e fevereiro/91, e taxa SELIC a partir de janeiro/96. Em vista de todo o exposto, ainda que tenha admitido o Recurso Especial apresentado pelo contribuinte em sua integralidade, fica prejudicada a discussão administrativa acerca do limite temporal a ser ou não observado do art. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 30 170A do CTN, bem como da apreciação de ofício do prazo prescricional/decadencial a ser observado no presente caso. O que, por conseguinte, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, trazia entendimento pela inaplicabilidade do art. 170A do CTN no presente caso, da mesma forma manifestada em decisão transitada em julgado, determinando, assim, o retorno dos autos ao órgão de origem para que analise o mérito do crédito objeto do pedido de compensação ora em questão para que proceda a homologação da compensação nos exatos termos definidos pelo Judiciário. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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