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Numero do processo: 10850.907660/2011-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 76 60 /2 01 1- 27 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Acórdão n.º 3803006.779 S3TE03 Fl. 355 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, deverseia considerar que ele já havia sido quase totalmente utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 13818.69280.151208.1.3.047708, conforme demonstrava o cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Acórdão n.º 3803006.779 S3TE03 Fl. 356 3 Foi apensado ao presente o processo nº 10850.722871/201434, que cuida da Declaração de Compensação do crédito controvertido nestes autos. Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Acórdão n.º 3803006.779 S3TE03 Fl. 357 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor recolhido e o crédito pleiteado neste processo decorriam da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Destaquese que referido crédito já foi quase totalmente utilizado na Declaração de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (fls. 326 a 328), declaração essa controvertida no âmbito do processo administrativo nº 10850.722871/201434, processo esse apensado ao presente processo. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907660/201127 Acórdão n.º 3803006.779 S3TE03 Fl. 358 5 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903077/2010-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto.
Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus - ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1).
Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403-003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014).
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus - ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403-003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 30 77 /2 01 0- 82 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase, na origem, de Pedido de Ressarcimento (fls. 79/91) que indica como crédito valores de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2007. A análise do direito pleiteado pelo contribuinte foi feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Uberlândia/MG (DRF) por meio de Informação Fiscal (fls. 93/97), na qual se esclarece o seguinte: “Após analise dos elementos apresentados em resposta ao Termo acima, verificamos que as Notas Fiscais relacionadas na apuração do crédito, ora em análise, referemse a aquisições de insumos isentos do IPI. Diante deste fato, por meio do Termo de Intimação nQ 001, de 26/01/2011, a interessada foi intimada a informar a esta fiscalização qual a base legal que fundamenta o presente pedido de ressarcimento. Nos termos informados pela interessada, em resposta a esse termo, o embasamento legal desse pedido é: “A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002, são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999; nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) e nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de 1988; e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/11/98, no período de abril a dezembro de 2007 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas. Por outro lado, a empresa se beneficia da modalidade de Suspensão do IPI nas saídas dos produtos industrializados (garrafas de plástico) destinados a estabelecimento que se dedique à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI identificados no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002 (com a redação dada pela Lei n° 10.684/2003), e por conta disso Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.903077/201082 Acórdão n.º 3403003.242 S3C4T3 Fl. 164 3 gerando os saldos credores registrados em seu Livro de Registro de Apuração do IPI. Ademais, os pedidos de ressarcimento atendem o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e legislação complementar' Dessa forma, fica explicado do porquê a empresa, embora tenha adquirido os insumos isentos do IPI (conforme se verifica na amostra de Notas Fiscais, apensadas ao final desta informação) e, portanto, sem destaque desse imposto, ter informado no PER, em c mp. ,roprio, "valor de IPI destacado", montante equivalente a 15% do valor da Nota Fiscal. (...) Dos dispositivos legais acima transcritos, é forçoso concluir que se o interessado não tiver pago o imposto na aquisição do insumo, vale dizer, arcado com o ônus do tributo, não há possibilidade de efetuar o crédito desse valor na sua escrita fiscal. Cabe, ainda, ressaltar que a Constituição proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o § 6o do art. 150 da Carta Magna, e não existe lei que ampare os créditos pretendidos. Conseqüentemente, restam ilegítimos os créditos do IPI sobre as aquisições de insumos que não sofreram a cobrança desse tributo. (...) Conseqüentemente, além do fato da interessada não estar amparada em lei, nem em decisão judicial em ação da qual seja parte, tampouco a jurisprudência por ela invocada, que outrora favorecia a tese alegada, se manteve ao longo do tempo. No caso da jurisprudência administrativa, pode ser mencionada, inclusive, a recente Súmula nº 18 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda, aprovada pelo Pleno, conforme Portaria n° 52, de 21 de dezembro de 2010, do Presidente do Carf, publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2010, página 87, transcrita a seguir: Súmula CARF na 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." À vista disso, opinamos pela glosa integral do valor ora pleiteado. Acatando a opinião contida na Informação Fiscal, a compensação foi indeferida por meio de Despacho Decisório (fl. 36), ao fundamento de que “O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. – Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/35) alegando, em síntese, o seguinte 1) que o Despacho Decisório não possui as características indispensáveis às decisões que envolvem a exigência o crédito tributário, sobretudo a motivação que é fundamental pressuposto de fato e de direito para a validade do ato administrativo; 2) que por força do princípio constitucional da nãocumulatividade “todos os materiais/produtos utilizados no processo produtivo, estejam eles ligados intrínseca ou extrinsecamente à composição material do bem produzido, gerarão o direito ao crédito fiscal de IPI”, de maneira que o direito de crédito adviria de toda e qualquer operação de aquisição de mercadorias; 3) que os produtos adquiridos saíram da Zona Franca de Manaus sob ISENÇÃO, e a alíquota aplicada no cálculo dos créditos é aquela que seria devida se os produtos não fossem Isentos de IPI, e que a isenção na operação anterior não inibe o aproveitamento do crédito (presumido) para compensação com o montante devido nas operações seguintes, conforme entendimento firmado pelo STF no RE 212.484. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0941.575, de 30 de outubro de 2012 (fls. 105/119), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo integralmente a decisão que recusou ao contribuinte o direito de crédito, conforme o seguinte entendimento sintetizado na sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório e nos anexos que o acompanham, com absoluta clareza, os fatos e motivos que ensejaram o não reconhecimento do direito creditório e a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal é de se rejeitar a preliminar argüida, por lotai falta de fundamento. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IPI. O principio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.903077/201082 Acórdão n.º 3403003.242 S3C4T3 Fl. 165 5 porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 125/144), no qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade, explicando que as aquisições com isenção não podem receber o mesmo tratamento de aquisições com alíquota zero, de maneira que não se poderia transportar para o caso da isenção o entendimento aplicado para a alíquota zero, além de que, o próprio STF teria reconhecido o direito de crédito no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.484. além de também haver decisões neste mesmo sentido do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, bem como deste Conselho (Acórdão 20316.485, Rel. Marcelo Marcondes Meyer Kozlowski, j. 07/03/2008; Acórdão 20174.051, Rel. Cons. Luíza Helena Galante Moraes, j. 18/10/2000). Explica que “Nesse contexto, em não se admitindo o crédito pelos adquirentes sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus sob o regime de isenção, estará se impondo um mero sistema de diferimento do imposto, apenas projetando no tempo o recolhimento do tributo. Se assim fosse, não haveria razão para se produzir tão longe do mercado consumidor, isto é, se ao final da cadeia produtiva resultasse na mesma carga tributária de forma a anular o incentivo então almejado”, e que, “Portanto, ao isentar do imposto a saída de produto industrializado na Zona Franca de Manaus, para não se chegar à inocuidade do benefício, devese admitir o crédito do imposto então dispensado sob pena de transformar a isenção em simples diferimento, o que anularia a isenção concedida, aí sim com infração ao princípio da nãocumulatividade do IPI estatuído constitucionalmente”. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 30/11/2012 (fl. 125), dentro do prazo de 30 dias contado da data da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 07/11/2012 (fl. 122). Por ser tempestivo e conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso voluntário. No mérito, tratase de decidir se deve ser reconhecido ou não o direito de crédito de IPI nas operações de aquisição de matériaprima sujeitas à isenção do mesmo imposto. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 É perfeitamente compreensível a perplexidade do contribuinte, cujo recurso voluntário lança mão da citação de precedente do STF em favor de sua tese, bem como de precedentes deste Conselho no mesmo sentido. Ocorre que houve a inversão do referido entendimento do STF. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas, conforme revela a ementa do julgado que o recorrente cita: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Recurso não conhecido. (RE 212484, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 05/03/1998, DJ 27111998 PP00022 EMENT VOL0193304 PP00725 RTJ VOL0016702 PP00698) O entendimento pelo reconhecimento do direito de crédito chegou a ser aplicado também às operação de aquisição sujeitas à alíquota zero, conforme relva o seguinte julgado do STF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. A isenção e a alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido. (RE 350446, Relator(a): Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2002, DJ 06062003 PP00032 EMENT VOL 0211304 PP00680) Ocorre que este entendimento foi posteriormente alterado pelo STF, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições sujeitas à alíquota zero ou não tributadas: EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (RE 370682, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.903077/201082 Acórdão n.º 3403003.242 S3C4T3 Fl. 166 7 25/06/2007, DJe165 DIVULG 18122007 PUBLIC 19122007 DJ 19122007 PP00024 EMENT VOL0230403 PP00392) Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (RE 370682 ED, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2010, DJe220 DIVULG 16112010 PUBLIC 17112010 EMENT VOL0243201 PP00015) Este novo entendimento, de que não assistiria direito de crédito, em relação especificamente às aquisições isentas, foi firmado pelo Plenário do STF no seguinte julgado: IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 566819, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010, DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00445) Neste julgamento o STF, em sua nova composição de Ministros, concluiu expressamente (1) pela superação do entendimento anteriormente firmado, (2) que deve haver o mesmo tratamento para as aquisições isentas, não tributadas e tributadas com alíquota zero, e, por fim, (2) que não haveria direito de crédito em nenhuma destas situações. Cumpre verificar que, no julgamento dos embargos de declaração neste mesmo caso, o Ministro Marco Aurélio ressalvou a possibilidade de o STF vir a entender diferente no que se refere à situação envolvendo a Zona Franca de Manaus: IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO – ABRANGÊNCIA. No julgamento deste recurso extraordinário, não se fez em jogo situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –, quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante a admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber. (RE 566819 ED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/08/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 205 DIVULG 15102013 PUBLIC 16102013) Explicou o Ministro Marco Aurélio, neste julgamento, que já no acórdão anterior tinha feito esclarecimento de que “estamos a examinar a isenção sob o critério Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 objetivo. Não estamos a tratar de situações peculiares, muito menos em que haja norma prevendo o creditamento, no caso de isenção”. O STF, como visto, entendeu existir Repercussão Geral especificamente quanto à questão jurídica da aquisição da Zona Franca de Manaus – ZFM, o que foi classificado como Tema 322, vinculado ao RE 592.891, o qual ainda aguarda julgamento. O acórdão que reconheceu a existência da repercussão geral tem a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 592891 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 21/10/2010, DJe226 DIVULG 24112010 PUBLIC 25112010 EMENT VOL0243802 PP00339 ) No seu relatório o acórdão narra o seguinte: O Tribunal Regional Federal da 3* Região, ao dar provimento à Apelação em Mandado de Segurança nº1999.61.00.0144900, concluiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrentes da aquisição de insumos, matériaprima e material de embalagem, sob o regime de isenção, adquiridos na Zona Franca de Manaus, ante o princípio da não cumulatividade. Nesse sentido, assentou ter a isenção conferida a produtos oriundos de zonas de livre comércio a natureza de "incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior", o que viabiliza o direito ao creditamento. Proclamou ter a desoneração em tela objetivos de desenvolvimento regional e obtenção de preço final mais competitivo. Não admitir o creditamento na aquisição de insumos isentos acabaria por frustrar tais objetivos. (...) No extraordinário interposto com alegada base na alínea "a" do permissivo constitucional a União articula com a ofensa aos artigos 43, § 1°, inciso II, e § 2o, inciso III, e 153, § 3o, inciso II, da Carta Federal. Assevera não se mostrar possível o creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero. Nesse sentido, alude ao voto proferido por Vossa Excelência no julgamento do Recurso Extraordinário n° 353.657/PR. Salienta que a previsão constitucional, no tocante a incentivos regionais, depende de lei, não podendo ser apontada do Diploma Maior, como fundamento para viabilizar o creditamento em tela. Como visto, no Recurso Extraordinário submetido à repercussão geral a possibilidade do crédito é travada em patamar constitucional, pretendendose extrair dos arts. Constitucionais que tratam dos benefícios fiscais regionais e setoriais a autorização para excepcionar a regra, a qual seria, por aplicação do princípio da nãocumulatividade, a impassibilidade do crédito nas aquisições sujeitas à isenção, alíquota zero ou nãotributadas. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.903077/201082 Acórdão n.º 3403003.242 S3C4T3 Fl. 167 9 Mas a premissa deste caso de Repercussão Geral apenas reforça que, por aplicação do princípio da nãocumulatividade, em si mesmo considerado, não assiste direito de crédito nas aquisições sujeitas à isenção, alíquota zero ou nãotributadas. Entendo que este Tribunal Administrativo não tem competência para, em nome do sopesamento dos referidos dispositivos da Constituição, dar prevalência à aplicação de um deles, recusando a aplicação segura que o mesmo STF já imprimiu ao princípio da não cumulatividade do IPI. Mesmo porque, como se sabe, este Tribunal Administrativo não tem competência para analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Entendo, pois, que a conjuntura dos fatos exige a aplicação ao presente caso do entendimento firmado pelo STF no RE 566.819. É neste mesmo sentido, aliás, o entendimento desta Turma em julgamento recente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690170/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito valores de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) cujo recolhimento indevido aconteceu em 11/10/2006 (fls. 1/3). A compensação foi recusada por meio da emissão de Despacho Decisório Eletrônico (fl. 4), sob o fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 8/19) alegando, em síntese, que a decisão de nãohomologação da DCOMP baseouse exclusivamente na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 17 0/ 20 09 -1 2 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.690170/200912 Resolução nº 3403000.576 S3C4T3 Fl. 170 2 informação existente na DCTF, deixando de apreciar em substância o fato de que o contribuinte recolheu indevidamente o tributo, em razão de que desde de janeiro de 2006 deixou de haver a incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, nos termos do art. 2º, § 1ºA, da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 11.452/2007, o qual prevê que “A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia”. Para fazer prova da operação, juntou cópia dos contratos celebrados e dos invoices que demonstram o pagamento realizado sob tal título. Argumenta que embora a DCTF contenha erro formal, o erro de preenchimento não pode prejudicar o direito à restituição dos valores indevidamente pagos, tal como demonstrado, protesto pela aplicação do princípio da verdade material. A Delegacia da Receita Federal de São Paulo/SP1 (DRJ), por meio do Acórdão nº 1632.152, de 16 de junho de 2011 (fls. 64/70), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 11/10/2006 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que por conta da vinculação total de pagamento a debito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OI! A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente previstas, devem sei apresentadas no prazo para Impugnação/Manifestação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores cm razão da inexistência de previsão legal para intimação cm endereço diverso do domicílio do sujeito passivo. SUSTENTAÇÃO ORAL EM SESSÃO DE JULGAMENTO INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO QUE REGE C PROCESSO ADMINISTRATIVO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, tendo em vista a falta de previsão na legislação pertinente, em especial o Decreto n" 70.235/72 e a Portaria MF n° 58/2006. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.690170/200912 Resolução nº 3403000.576 S3C4T3 Fl. 171 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 73/167) no qual reitera os mesmos fundamentos de sua impugnação, acrescentando pedido de anulação da decisão da DRJ, por violação da ampla defesa e do contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 19/08/2011 (fl. 73), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 22/07/2011 (fl. 72 ). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, o recorrente sustenta que promoveu o recolhimento indevido de CIDERoyalties em relação a pagamentos que corresponderiam a “remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador”, sem transferência de tecnologia, na forma do art. 2º, § 1ºA, da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 11.452/2007. Com a impugnação foram apresentados os seguintes documentos: a) uma espécie de fatura que resume a composição do pagamento, entitulada “planilha de custo real”, na qual consta a descrição “SOFTWARE (Manutenção de software, Mainframe, Licença de Uso, Etc...)”, b) o contrato de câmbio no mesmo valor, que indica como descrição da operação “SERVIÇOS DIVERSOS – EXP/IMP DE SERVIÇOS – SOFTWARE”; c) “invoice” no mesmo valor total, que descreve os valores como “Services for Sao Paolo”, desdobrandoos entre “consulting” e “travel costs”; d) demonstrativo extraído da contabilidade com os valores recolhidos de CIDE; e) cópia do Livro Razão, da conta correspondente à CIDE, e um demonstrativo dos recolhimentos que seriam indevido. A DRJ, por sua vez, tratou das provas da seguinte forma: 8.3. No caso vertente, é de se observar que o Contribuinte não efetuou as retificações que sustenta pertinentes por meio do veiculo apropriado para tal fim DCTF retificadora, mormente no tocante à CIDE, consoante pesquisas realizadas junto aos sistemas informatizados à disposição da RFB, fls.. 57/9. Ademais, a mera menção da ocorrência de equívoco no preenchimento de indigitada Declaração, neste Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.690170/200912 Resolução nº 3403000.576 S3C4T3 Fl. 172 4 momento do rito processual, não é suficiente para fazer prova em favor da Insurgente. 8.4. Erigindo a tese de que o recolhimento da CIDE, a partir de janeiro de 2006, não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, com respaldo no art. 2o, § 1°A, da Lei n° 10.168/00 c/c art. 21 da lei n° 11.452/07, acosta documentos, 36 a 41, com os quais comprova a existência de transferências financeiras para o exterior, cuja origem leria sido, consoante planilha de custo real (lis. 36), serviços de "manutenção de software, mainfraime, licença de uso, etc.". 8.5. Contudo, não restou cabalmente comprovado nos autos que a transação em tela referirseia à remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador e, muito menos, que não teria havido a transferência da correspondente tecnologia, condições reclamadas pela mencionada legislação isentiva. 8.6. Os documentos juntados comprovam, tão somente, operação de remessa de divisas para o exterior efetivada por intermédio do HSBC Bank Brasil S. A. Banco Múltiplo, da Manifestante para a empresa Voith Solutions GMBH, sediada na Alemanha. 8.7. Diante do exposto, insta ressaltar e reafirmar que a DCTF encerra instrumento de confissão de dívida c constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que tenha havido provocação do Sujeito Passivo c sem que haja firme respaldado c efetiva comprovação da ocorrência de equívocos, alterar, exofjicio, as informações prestadas pelo Contribuinte. Desta sorte, revelase absolutamente imprescindível a comprovação documental completa e inconteste do quanto aduzido. O presente caso deve ser apreciado com especial atenção em relação ao seu itinerário processual, mais especificamente quanto à dinâmica de produção das provas. Sabese que nos pedidos de restituição o ônus da prova é do contribuinte, pois a ele cabe demonstrar a existência do indébito que alega. É situação diferente dos casos de lançamento, em que o ônus da prova é da Administração, a quem cabe verificar e apresentar a motivação fática e os fundamentos legais para dar amparo à exigência. Ocorre que o presente caso está inserido em um contexto peculiar, que não pode ser ignorado. Como visto acima, a DRJ limitouse a dizer que não haveria prova suficiente do enquadramento da operação demonstrada pelo contribuinte na isenção prevista no do art. 2º, § 1ºA, da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 11.452/2007. Notese, porém, que a manifestação de inconformidade foi a primeira e única oportunidade que o contribuinte teve de demonstrar o seu indébito. Isto porque a sua alegação de indébito foi julgada por Despacho Decisório Eletrônico (DDE), sem que tenha havido qualquer procedimento humano de fiscalização, em Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.690170/200912 Resolução nº 3403000.576 S3C4T3 Fl. 173 5 que o contribuinte tivesse a oportunidade de apresentar as provas e informações que dariam amparo ao indébito. Isso é agravado pelo fato de que, atualmente, os pedidos de restituição são apresentados por programa eletrônico, transmitindose para o Fisco exclusivamente dados, sem a possibilidade de apresentarse nem documentos, nem arrazoados. Ou seja, o contribuinte transmite as informações e aguarda a oportunidade de apresentar as provas. No presente caso, contudo, não houve intimação do contribuinte antes da decisão do seu pedido. A decisão aconteceu baseada exclusivamente no cruzamento informatizado de dados. O contribuinte, por sua vez, na primeira oportunidade que teve – a interposição de defesa na fase contenciosa, com fundamento no PAF –, apresentou as provas que lhe pareceram cabíveis. Este atropelo, que decorre de se haver ceifado a fase de fiscalização prévia à decisão, faz perder um momento precioso de esclarecimento dos fatos, que permitiria estabelecer a comunicação inteligente e dinâmica entre o Fisco e o contribuinte. Acrescentese que no recurso voluntário o contribuinte esclarece que o código 48110, que ele declara no campo específico do Contrato de Câmbio que trata da natureza da operação, é classificada pelo Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais da seguinte forma: Com isto sugere que a licença de programa de computador estaria amparada neste código, além de que, apenas os outros códigos envolveriam a transferência de tecnologia. Entendo, enfim, que os documentos e informações apresentados pelo contribuinte, embora não sejam suficiente, geram indícios que devem ser aferidos em diligência, tendo em conta a já mencionada conjuntura da produção de provas. Diante deste contexto e por tais razões, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem (1) intime o contribuinte para apresentar os Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.690170/200912 Resolução nº 3403000.576 S3C4T3 Fl. 174 6 contratos, acordos ou outros instrumentos que dão suporte às operações objeto do presente pedido, os quais devem esclarecer categoricamente se se trata de aquisição de licença ou de prestação de serviço, ou esclareça a respeito, (2) bem como que o contribuinte descreva qual a licença de software é objeto das operações, ou qual a utilidade ou o serviço que foi realizado especificamente em relação aos fatos geradores alcançados por este pedido, apresentando os documentos que comprovem suas características e natureza, (3) que explique comprove a não existência de transferência de tecnologia, (4) assegurandose à Delegacia que promova qualquer diligência que venha a entender necessária, devendo ao final lavrar relatório da diligência, dizendo da configuração ou não da hipótese do art. 2º, § 1ºA, da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 11.452/2007, intimando o contribuinte para, querendo, manifestarse a respeito do relatório da diligência no prazo de 15 (quinze) dias, devolvendose então os autos a este Conselho, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10611.720432/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010
DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS.
A imposição de Direito Antidumping sobre altofalantes próprios para máquina de processamento de dados, originário da República Popular da China, na alíquota específica de US$ 2,35 por quilograma, tem amparo na Lei nº 9.019/1995, regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009, e na Resolução Camex nº 66/2007, mas há exclusão expressa dos altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.298
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardini, OAB/DF nº. 41.765.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS. A imposição de Direito Antidumping sobre altofalantes próprios para máquina de processamento de dados, originário da República Popular da China, na alíquota específica de US$ 2,35 por quilograma, tem amparo na Lei nº 9.019/1995, regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009, e na Resolução Camex nº 66/2007, mas há exclusão expressa dos altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardini, OAB/DF nº. 41.765. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MULTILASER INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS. A imposição de Direito Antidumping sobre altofalantes próprios para máquina de processamento de dados, originário da República Popular da China, na alíquota específica de US$ 2,35 por quilograma, tem amparo na Lei nº 9.019/1995, regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009, e na Resolução Camex nº 66/2007, mas há exclusão expressa dos altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Francisco Carlos Rosas Giardini, OAB/DF nº. 41.765. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 04 32 /2 01 1- 67 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 822 2 Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (fls. 693 e seguintes) , in verbis: A empresa foi selecionada pela Seção de Pesquisa Fiscal Aduaneiro Sapel, da IRFBHE, como resultado da linha de pesquisa “Direitos Comerciais” desenvolvida por aquela Seção, visando identificar irregularidades referente ao antidumping, tais como a utilização de código NCM intencionalmente incorreto, objetivando o não recolhimento dos direitos antidumping incidentes sobre as mercadorias se elas estivessem no código correto, ou, simplesmente, a falta de recolhimento dos direitos antidumping, nos casos em que a classificação fiscal utilizada fosse a correta. Os produtos investigados, importados pela empresa, da República Popular da China, objeto das Declarações de Importação (DI), discriminadas às fls. 44 a 48, registradas no período de 02.01.2009 a 28.12.2010, constantes dos Demonstrativos de fls. 03 a 41, foram altofalantes. Há que ressaltar que há dois Autos de Infração (AI), lavrados pela fiscalização da mesma Inspetoria (IRFBHE), contra a mesma empresa, tratando ambos de altofalantes, próprios para uso em máquinas de processamento de dados, porém com infrações diferentes, a saber: 1) AI objeto do presente processo, nº 10611.720432/201167, do qual constam as mesmas DI que fazem parte do outro processo. Essas DI, que constam também do outro processo, cobrem a importação de bens reclassificados pela autoridade lançadora. Todavia, o presente AI abrange também, os mesmos tipos de bens, importados através de outras DI, nas quais eles foram corretamente classificados pelo importador. O presente AI foi lavrado para a cobrança dos direitos antidumping incidentes sobre a totalidade dos bens mencionados, acrescidos da multa de ofício de 75%. 2) AI objeto do processo nº 10611.720363/201191, do qual consta parte das DI abrangidos pelo presente processo. O lançamento constante desse AI versa sobre a reclassificação dos produtos importados para a cobrança de multa administrativa ao controle das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias (falta de licenciamento), ao amparo do artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, c/c artigos 550, 706, inciso I, alínea “a”, e 707 do Decreto nº 6.759, de 2009, Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 823 3 levando em consideração as disposições do ADN Cosit nº 12, de 1997, e multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (classificação incorreta). nos termos do artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003, e Decreto nº 6.759, de 2009 1. Esse processo também se encontra nesta DRJRecife. O lançamento, objeto do presente Auto de Infração, às fls. 42 a 49 do processo digital, deuse para a cobrança do direito antidumping, no valor de US$ 2,35 por quilograma, relativamente às mercadorias importadas através das DI selecionadas, nos termos da Resolução Camex nº 66, de 2007, que estabeleceu a aplicação definitiva desses direitos sobre os produtos nela discriminados, acrescido da multa de ofício de 75%. Embasaram, ainda, o lançamento, os artigos 69, 70, 72, 75 a 77, 90, 96, 114 a 123, 249, 253, 259, 638, 717 a 789 do Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), artigo 54 do Decreto lei nº 37, de 1966, Lei nº 9.019, de 1995 e Lei nº 10.833, de 2003 (fls.49 do processo digital) O crédito tributário totalizou R$ 6.159.378,81 (seis milhões, cento e cinquenta e nove mil, trezentos e setenta e oito reais e oitenta e um centavos), assim distribuído: Direitos antidumping R$ 3.229.021,28 (três milhões, duzentos e vinte e nove mil, vinte e um reais e vinte e oito centavos) Juros de mora (calculadosaté 31.03.2011) R$ 508.591,58 (quinhentos e oito mil, quinhentos e noventa e um reais e cinquenta e oito centavos) Multa proporcional (75%) R$ 2.421.765,96 (dois milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e sessenta e cinco reais e noventa e seis centavos) O Relatório de Fiscalização, parte integrante do Auto de Infração, às fls. 51 a 110, discorreu detalhadamente sobre o lançamento, do qual destacamse alguns tópicos: 1) Apresentou dois quadros, listando, no primeiro, às fls. 52 e 53, as DI e respectivas Adições, onde se deu o erro de classificação fiscal: o importador classificou os altofalantes no código NCM 8518.40.00 quando a classificação correta seria no código 8518.21.00, e, no segundo, as DI e respectivas Adições, onde não se deu erro na classificação tarifária dos bens (foram corretamente classificados no código NCM 8518.21.00). 2) Conceituou “Dumping” e “Direitos antidumping” (fl.63, subitem 3.6 do Relatório Fiscal). 3) As Resoluções Camex nºs 25 e 66, de 2007, estabeleceram, respectivamente, a aplicação de direito antidumping provisório (US$2,75 p/quilograma) e definitivo (US$ 2,35 p/quilograma) para as importações brasileiras originadas da China, de altofalantes classificados nos códigos NCM 8518.21.00 ou 8518.22.00 (fl.64) 2. 4) Em relação aos bens importados, objeto do presente AI, o contribuinte protocolizou diversos processos de consulta sobre a sua classificação fiscal, discriminados no quadro de fls. 71 e 72. Todas essas consultas foram declaradas ineficazes, por descumprimento da legislação que rege o processo de consulta; foi, ainda, feita uma consulta sobre interpretação de legislação, também voltada para a matéria sob análise, julgada novamente ineficaz (fl.72). 5) Descreve, de maneira geral, os altofalantes, os seus principais tipos, a sua utilização e o seu funcionamento (fls.73 e 74, item 5 do Relatório Fiscal); em seguida, discorre especificamente sobre os altofalantes importados pela Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 824 4 Multilaser, a serem utilizados em computadores (máquinas automáticas para processamento de dados), e não em notebooks (para estes os altofalantes são internos, produzidos com eles); apresenta fotos de vários dos modelos importados, identificados pelo código Multilaser declarado na descrição das mercadorias nas DI, acrescentando informações obtidas no sítio eletrônico do importador, confirmadas através de catálogos e documentação apresentados pela empresa (fls.74 a 92, subitem 5.1 do Relatório Fiscal). 6) Ressalta que, fora do período abrangido pela fiscalização, os mesmo bens, e mais alguns modelos, com variações em suas dimensões, quantidade de altofalantes, potência, etc, foram importados pela empresa e classificados corretamente, inclusive com inclusão no destaque 001 produtos sujeitos aos direitos antidumping e consequente exigência de licenciamento não automático (fl.93, subitem 5.2). 7) Esclarece que foram excluídos do presente AI alguns modelos de altofalantes, que constavam inicialmente na investigação, por serem bens destinados ao uso em aparelhos de áudio e vídeo (“home theaters”, modelos SP070, SP087, SP088, SP00007ML, AR5515, SP5.1046PRBIVML, SP5.1047PTBIVML) e não em computadores. 8) Discorre sobre a classificação fiscal (fls. 95 a 98), dizendo que o importador, de abril de 2009 a julho de 2010 classificou os altofalantes no código NCM 8518.40.00, como amplificadores elétricos de audiofrequência, mas que, na verdade, os bens se caracterizavam como caixas acústicas com altofalantes onde, apenas em uma delas, havia também um amplificador de audiofrequência; apresenta duas Soluções de Divergência, prolatadas pela Coana, em junho e setembro de 2009, sobre a classificação de produto similar, de outro fabricante, destinado a computador, (inclusive altofalantes combinados com amplificadores de audiofrequência), às fls. 454 a 463 e 464 a 471 dos autos digitais. 9) Faz um resumo histórico da investigação do dumping relativamente aos altofalantes, procedentes da China, classificados nos códigos NCM 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.00, iniciada em setembro de 2006, e da edição e publicação da Resolução Camex nº 66, de 11.12.2007 (fls 99 a 104). 10) Finalmente, trata das infrações apuradas no presente AI (fls.104 a 108): 1) falta de recolhimento dos direitos antidumping, ao amparo do artigo 788 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA), com base na Lei nº 9.019, de 1995 (transcreve o artigo 788 do RA); e 2) multa pela falta de recolhimento desses direitos, capitulada no artigo 717 do RA/2009, com base no artigo 73 da Lei nº 10.833, de 2003 (reproduz o teor do artigo717 do RA/2009). Fazem parte integrante do AI, além dos Demonstrativos de Apuração do Direito Antidumping, dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, às fls. 03 a 41. O Relatório Fiscal, às fls. 41 a 110, os extratos das DI e os demais documentos relativos às importações sob litígio. DA IMPUGNAÇÃO Intimado, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a sua impugnação, recebida pela IRF BHE em 01.06.2011, às fls. 596 a 627, argumentando, em resumo3: 1. Revisão da classificação fiscal. Impossibilidade Depois de efetuado o desembaraço aduaneiro, não pode a administração proceder a revisão da classificação fiscal do bem, porque o seu desembaraço Fl. 824DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 825 5 corresponde à sua efetiva entrega ao importador, e é o último ato do despacho aduaneiro, donde se conclui que o processo aduaneiro se deu com exatidão e cumprimento de todas as exigências previstas na legislação que rege a matéria. Portanto, a exigência de multas, em decorrência de suposto equívoco na classificação fiscal das mercadorias importadas, em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, configura “mudança de critério jurídico adotado pelo fisco”, o que contraria o artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN) e vem sendo rechaçado pela doutrina e pela jurisprudência nacionais (transcreve diversas ementas de julgados às fls. 618 a 622). 2. Classificação de amplificadores Os bens importados são caixas de som formadas por um amplificador elétrico de audiofrequência e por altofalantes. O conjunto tem duas funções: amplificar o som e reproduzilo, e deverá ser classificado como altofalante ou amplificador, conforme a norma que rege a matéria. Cita as NESH e suas considerações aos Capítulos 84 e 85, dizendo que os produtos classificados nesses Capítulos que possuírem mais de uma função, alternativa ou complementar, devem classificarse de acordo com a função principal que caracteriza o conjunto (RGI nº 1, Nota 3 da Seção XVI). Em seguida aborda as disposições da RGI 3c), combinadas com a RGI 1: produtos em que as funções desempenhadas sejam igualmente importantes, sendo impossível identificar a principal, classificamse na Posição situada em ultimo lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Resume assim a sua análise, em termos de Subposição: se possível a identificação da função principal do bem (que ele alega ser a do amplificador), ele se classifica na Subposição dessa função (8518.4), e na hipótese de não reconhecimento da função principal, o produto vai para a Subposição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de abarcar a mercadoria (RGI nº 3 c), combinada com RGI nº 6), o que levaria o produto para a mesma Subposição (8518.4). Todavia, a fiscalização entendeu que a função mais importante é a de altofalante, razão de ter indicado a Subposição 8518.2 para o enquadramento do produto. As NESH, ao tratarem dos aparelhos elétricos de amplificação de som, da Posição 8518, afirmam: “A presente posição compreende também os aparelhos de amplificação de som que se compõem de microfones, amplificadores de audiofrequência e de altofalantes....” É de se concluir que aos altofalantes, por vezes, são incorporados amplificadores, e os amplificadores também podem ser compostos por altofalantes (fl.602). Menciona o laudo técnico encomendado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), o qual concluiu, no primeiro teste: “Detecção da Capacidade do Amplificador”, no primeiro ensaio: “...foi observado ganho de amplificação em todos os dispositivos de prova, de acordo com as especificações do fabricante...”; no segundo ensaio: “....foi detectado o áudio neste ensaio, indicando que as caixas de som dos dispositivos de prova funcionam sem o amplificador, porém com potência sonora inferior...”; e no terceiro ensaio: “...e desconectando eletricamente Fl. 825DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 826 6 o circuito de amplificação, foi observada a não existência de som nas caixas de som do conjunto dos dispositivos de prova.”. No segundo teste: “Qualidade do Som”, foi verificado que: quando da utilização do dispositivo de prova completo, “...a qualidade de som, demonstrada pela maior quantidade de faixas de freqüência observadas no analisador de espectro, é superior” (fls.605 a 607). 3. Inaplicabilidade dos direitos antidumping Transcreve os artigos 1º e 2º da Resolução Camex nº 66/2007 (fl.608) e conclui que o direito antidumping é devido, em regra, sobre a importação de altofalantes em geral, ficando a salvo da incidência alguns altofalantes específicos, mencionados no artigo 2º dessa norma, a saber: “Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança... e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres” (Grifos acrescentados pela relatora). Alega que os equipamentos importados não estão dentro do escopo da Resolução mencionada e que a própria autoridade lançadora excluiu da autuação alguns modelos de altofalantes porque se destinavam ao uso em aparelhos de áudio e vídeo (os home theaters”), concordando, portanto, que os equipamentos destinados a esse uso estão excluídos da aplicação do direito antidumping. É o que ocorre com as caixas de som importadas pela empresa, o que é corroborado pelo laudo técnico do IFCE: elas podem ser utilizadas diretamente em diversos dispositivos de áudio e vídeo, tais como MP4, Ipods, DVD players, televisões portáteis, etc, possuindo, tal qual os “home theaters”, saídas P2, que permitem a conexão dos dispositivos de áudio e vídeo aos equipamentos importados (descreve o método adotado pelos técnicos autores do laudo do IFCE e a sua conclusão, às fls.610 e 611). Afirma que a autoridade lançadora entendeu que os equipamentos destinavamse exclusivamente ao uso em computadores (fl. 612), o que não é verdade, pois, inclusive, em alguns casos as mercadorias possuem número de caixa, peso e potência incompatíveis com a utilização em computadores (fl.613). Comprovado que os equipamentos importados são equivalente aos “home theaters”, que foram excluídos pela fiscalização, fica demonstrado que “...a autoridade administrativa desconhece os avanços tecnológicos ou cometeu um erro ao afirmar que as caixas de som importadas pela impugnante não são destinadas aos aparelhos de áudio e vídeo”. Ainda que os produtos em questão fossem utilizados em computadores em geral, aí incluídos os notebooks e netbooks, a fiscalização entendeu que os altofalantes utilizados em computadores não estavam excluídos do direito antidumping, estando, tão somente, excluídos os altofalantes utilizados internamente nos notebooks (a Resolução Camex nº 66/2007, em seu artigo 2º exclusão de bens do direito antidumping, cita expressamente os notebooks, mas nada dispõe sobre altofalantes internos). Todavia, há, ainda, que salientar que a Resolução referida, em seu artigo 2º, não apresenta qualquer ressalva quanto aos altofalantes acoplados aos notebooks por conexão externa (fl.614). Fl. 826DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 827 7 Alega que está sendo descumprido o artigo 112 do CTN (interpretação da lei tributária que define infrações da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida). Argumenta que as Soluções de Divergência apresentadas no Relatório Fiscal para justificar o enquadramento dos produtos no código NCM 8518.21.00 só podem ser interpretadas relativamente às mercadorias a que dizem respeito, não sendo admissível a extensão de seu entendimento a outros produtos; e cita a Solução de Consulta nº 114, de 2007, que enquadra kits de caixas acústicas na NCM 8518.50.00 (fls.623 e 624). Sobre as 39 (trinta e nove) Consultas formuladas pela empresa à RFB, argumenta que nenhuma delas foi respondida e que todas foram declaradas ineficazes, e que é um absurdo a Receita se negar a responder consultas formuladas pelo contribuinte e, posteriormente, lavrar AI sobre a questão, sem qualquer fundamentação legal plausível. 4. Perícia. Requer a realização de perícia, na forma do artigo 16, inciso IV, e artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para tal apresentando os motivos, indicando assistente técnico e formulando os quesitos a serem respondidos, à fl. 626. Por todo o exposto, requer o acolhimento da impugnação e o julgamento improcedente da autuação fiscal e, subsidiariamente, a conversão do feito em diligência para a elaboração do estudo técnico solicitado. A ementa do acórdão da DRJ é a seguinte: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 Classificação de Mercadorias na NCM/TEC. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nºs 1 e 6 da Nomenclatura do Mercosul (NCM) são o suporte legal para a classificação de Altofalante montado em seu receptáculo, em diversos modelos, tamanhos e potências, próprio para uso em máquina de processamento de dados, apresentandose um único altofalante por receptáculo, na Subposição 8518.21.00 da NCM/TEC vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 Desclassificação de Mercadoria. Direito Antidumping. A imposição de Direito Antidumping sobre Altofalante próprio para máquina de processamento de dados, originário da República Popular da China, na alíquota específica de US$ 2,35 por quilograma, tem amparo na Lei nº 9.019, de 1995, regulamentada pelo Decreto nº 6.759, de 2009, e na Resolução Camex nº 66, de 2007. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 Revisão Aduaneira. O reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador e a decorrente reclassificação dos produtos importados, em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações, não se caracteriza como alteração nos Fl. 827DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 828 8 critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2009 a 28/12/2010 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O lançamento no presente PAF engloba diretos antidumping sobre altofalantes próprios para máquina de processamento de dados, originário da República Popular da China, sendo que as mercadorias foram descritas nas adições das DIs analisadas como “Amplificadores elétricos de audiofreqüência”. A decisão recorrida traz as seguintes imagens das mercadorias: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 829 9 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 830 10 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 831 11 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 832 12 Assim está descrita a questão da classificação na decisão a quo: As Subposições de primeiro nível da NCM/2007 utilizadas pelo importador para a classificação das mercadorias no presente processo foram: 8518.40.00 “Amplificadores elétricos de audiofreqüência”, sem desdobramentos internacionais (em Subposição de segundo nível) ou regionais (em Item e Subitem); e. 8518.2 “Altofalantes, mesmo montados nos seus receptáculos”, desdobrada em Subposição de segundo nível, 8518.21.00 “Altofalante único montado no seu receptáculo”, sem desdobramentos regionais. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 833 13 A autoridade lançadora, por sua vez, considerou correto o segundo código por ele utilizado, 8518.21.00, e somente alterou o primeiro código 8518.40.00 para: 8518.2 “Altofalantes, mesmo montados nos seus receptáculos”, desdobrada em Subposição de segundo nível, 8518.21.00 “Altofalante único montado no seu receptáculo”, sem desdobramentos regionais. E essa foi exatamente a razão do lançamento da multa administrativa ao controle das importações e da multa de classificação incorreta, objeto do AI que faz parte do outro processo, nº 10611.720363/200191, de interesse da empresa, que tratou exclusivamente dos produtos classificados, segundo a autoridade lançadora, incorretamente na NCM. Então, como se pode observar neste processo, o próprio contribuinte classificou parte dos produtos que importa na Subposição proposta pela autoridade lançadora, 8518.21.00. Inclusive, foi bem observado pela fiscalização, no Relatório Fiscal, que, fora do período abrangido pela fiscalização, os mesmo bens, e mais alguns modelos, com variações em suas dimensões, quantidade de altofalantes, potência, etc, foram importados pela empresa e classificados corretamente, com inclusão no destaque 001 produtos sujeitos aos direitos antidumping e consequente exigência de licenciamento não automático (fl.93, subitem 5.2), ou seja, com o pagamento dos direitos antidumping. Transcrevo abaixo as NESH da posição 8518: “A presente posição compreende os microfones, os altofalantes, os fones de ouvido (auscultadores) e os amplificadores elétricos de audiofreqüência de quaisquer tipos, apresentados isoladamente, sem considerarse o uso particular para o qual alguns deles são concebidos (microfones e fones de ouvido (auscultadores) para aparelhos telefônicos e altofalantes para aparelhos de rádio, por exemplo). Classificamse também aqui os aparelhos elétricos de amplificação do som. A MICROFONES E SEUS SUPORTES (...) B ALTOFALANTES, MESMO MONTADOS NOS SEUS RECEPTÁCULOS Os altofalantes têm uma função inversa à dos microfones. São aparelhos que reproduzem o som por transformações dos impulsos ou oscilações elétricos em vibrações mecânicas e as difundem comunicando essas vibrações à massa do ar ambiente. Distinguemse especialmente: 1) Os altofalantes eletromagnéticos ou eletrodinâmicos. Os primeiros caracterizamse por ser fixa a bobina percorrida pelos impulsos elétricos de baixa freqüência, enquanto que nos segundos ela é móvel. Os altofalantes eletromagnéticos possuem uma lâmina ou uma placa de ferro doce colocada entre os polos de um ímã permanente, cujas peças polares são equipadas de bobinas aonde chegam os impulsos elétricos a transformar em som; as variações provocadas pelos impulsos elétricos no campo do ímã fazem vibrar a placa que ataca o ar, quer diretamente, quer por intermédio de um diafragma. Os altofalantes eletrodinâmicos são constituídos essencialmente de uma bobina cujo enrolamento recebe os impulsos elétricos e é móvel no Fl. 833DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 834 14 campo de um eletroímã (altofalantes de excitação), ou de um ímã permanente (altofalantes de ímã permanente). A bobina é solidária a um diafragma. 2) Os altofalantes piezoelétricos, que se baseiam na propriedade que possuem certos cristais naturais ou artificiais de vibrar na própria massa quando submetidos a impulsos elétricos; uma das matérias conhecidas que tem esta propriedade é o quartzo ou cristal de rocha; estes aparelhos denominamse, geralmente, “altofalantes a cristal”. 3) Os altofalantes eletrostáticos (também denominados “altofalantes de condensadores”), que utilizam as reações eletrostáticas entre duas placas (ou eletrodos), das quais uma serve de diafragma. Às vezes, aos altofalantes incorporamse transformadores de adaptação e amplificadores. Geralmente, os sinais elétricos de entrada recebidos pelos altofalante são transmitidos numa forma analógica mesmo se,às vezes, o sinal de entrada seja digital. (parágrafo alterado em 30/09/2012 – IN RFB 1.072/2010) Neste caso, os altofalantes integram conversores digitalanalógicos e amplificadores, sendo as vibrações mecânicas comunicadas ao ar. Conforme o uso a que se destinam, os altofalantes podem ser montados em caixilhos ou armações de formas variadas, geralmente com características acústicas podendo mesmo consistir em móveis. Estes conjuntos classificamse aqui desde que a função principal que os caracteriza seja a de altofalante. Quanto aos caixilhos ou armações apresentados isoladamente, classificam se também nesta posição desde que sejam reconhecíveis como principalmente concebidos para montagem de altofalantes, exceto o caso dos móveis, na acepção do Capítulo 94, que possam ser preparados para, além do seu uso normal, receber um altofalante. Esta posição compreende os altofalantes concebidos para serem conectados a uma máquina automática para processamento de dados, quando apresentados isoladamente. (...) D. AMPLIFICADORES ELÉTRICOS DE AUDIOFREQÜÊNCIA Os amplificadores desta espécie utilizamse para amplificação de sinais elétricos emitidos nas freqüências perceptíveis pelo ouvido humano. O funcionamento da maior parte destes aparelhos baseiase em “transistores” ou em circuitos integrados, mas alguns utilizam ainda válvulas termoiônicas. A corrente de alta tensão é geralmente fornecida por um bloco de alimentação incorporado, alimentado pela rede pública, ou, no caso particular dos amplificadores portáteis, por uma bateria de acumuladores ou ainda por pilhas elétricas. Nos amplificadores elétricos de audiofreqüência, os sinais de entrada podem ser provenientes de um microfone, de um fonocaptor, de um leitor de fita magnética, de um aparelho de rádio, de um leitor de trilhas sonoras cinematográficas, ou de qualquer outra fonte de sinais elétricos de audiofreqüência. Em geral, o amplificador alimenta um altofalante, mas nem sempre é assim. Os préamplificadores conectamse a um outro amplificador ou incorporamse a ele. Os amplificadores de audiofreqüência podem ser equipados de um dispositivo regulador de volume para controlar a amplificação e possuem Fl. 834DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 835 15 freqüentemente dispositivos reguladores (grave, agudo, etc.) que permitem fazer variar a resposta de freqüência do amplificador. (grifamos) Como mencionado na decisão recorrida: Como fica claro nas explicações das NESH, os altofalantes têm função própria, diferente da dos amplificadores. Os altofalantes são aparelhos que reproduzem o som por transformações dos impulsos ou oscilações elétricos em vibrações mecânicas e as difundem comunicando essas vibrações à massa do ar ambiente. Reproduzir e difundir o som são funções próprias dos altofalantes, enquanto amplificar os sinais elétricos é a função específica dos amplificadores. Como explicam as NESH, os amplificadores podem ou NÃO alimentar altofalantes (ou ser a eles incorporados) e, se isso acontecer, as duas funções serão complementares, ou seja, o altofalante reproduzirá e difundirá as vibrações e o amplificador as aumentará, mas a função de cada um permanecerá intacta e própria, jamais se confundido com a função do outro equipamento. Foi por essa razão que o SH alocou os aparelhos em Subposições diferentes. Podese afirmar que isolados, cada aparelho segue a sua Subposição, e juntos, formando um conjunto, sem dúvida alguma, classificarseiam em altofalantes, porque, nesse caso, sim, aplicarseia a Nota 3 da Seção XVI, porquanto as funções seriam complementares, mas a função principal seria a de reproduzir e difundir o som e nunca a de apenas ampliálo. Vejamos o que diz a Nota 3 da Seção XVI: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Após a análise da classificação fiscal, é importante frisar que A Resolução Camex nº 25, de 27.06.2007, publicada em 29.06.2007, estabeleceu a aplicação de direito antidumping provisório, por um período de seis meses, para as importações brasileiras originárias da China, de altofalantes classificados na NCM 8150.21.00 ou 8150.22.00, a ser recolhido na forma de alíquota específica fixa de US$ 2,75 por quilograma. Antes de transcorrido os seis meses, a Resolução Camex nº 66/2007, de 13.12.2007, estabeleceu a aplicação definitiva de direito antidumping, no valor de US$ 2,35 por quilograma, cessando, portanto a aplicação do direito provisório, verbis: RESOLUÇÃO Nº 66, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007. O CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, conforme o deliberado na reunião realizada no dia 11 de dezembro de 2007, com fundamento no inciso XV do art. 2º do Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003, e tendo em vista o que consta nos autos do processo MDIC/SECEXRJ 52500.016460/200616, RESOLVE: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10611.720432/201167 Acórdão n.º 3202001.298 S3C2T2 Fl. 836 16 Art. 1º Encerrar a investigação com a fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por quilograma). Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. (grifamos) Vêse, no entanto, que houve exclusão expressa dos altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 836DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 35226.001322/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/2005
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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SÃO PEDRO DO PIAUÍ PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/2005 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 13 22 /2 00 6- 18 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35226.001322/200618 Acórdão n.º 9202003.451 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0388, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0362, que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, para reconhecer a decadência pela regra expressa no I, Art. 173 do CTN, e para excluir do lançamento o levantamento relativo à caracterização de segurado empregado, por existência de vício material, já que não restaram configurados os elementos caracterizadores da relação empregatícia, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a .31/01/2005 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS, AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 17.3, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 173, Ido CTN, parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. As pessoas jurídicas de direito público configuramse como o Sujeito Passivo da obrigação tributária principal, na qualidade de contribuinte, inexistindo responsabilidade do dirigente do órgão da administração pública pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. ÓRGÃO PÚBLICO. LANÇAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE, O lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais não tem o condão de estabelecer vínculo empregatício com a administração pública. Os efeitos são meramente tributários não se irradiando sobre a esfera administrativa do ente público. ÓRGÃOS PÚBLICOS.. SERVIDORES NÃO AMPARADOS POR RPPS. São segurados obrigatórios do RGPS as pessoas fisicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural a órgão público, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, q ando não amparadas por Regime Próprio de Previdência Social. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 DESCARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, SERVIÇOS PRESTADOS DE FORMA EVENTUAL. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a caracterização de segurados contribuintes individuais corno segurados empregados quando os serviços por eles prestados não se revestirem dos atributos caracterizadores da não eventualidade. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO, SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO, É do segurado contribuinte individual o ônus de informar à empresa contratante a condição de prestar serviços a mais de uma empresa, com vistas a não sofrer desconto da contribuição previdenciária a seu cargo acima do limite máximo do Salário de Contribuição. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS, ALíQUOTA MÍNIMA. 8%, É de 8% a aliquota mínima da contribuição dos segurados empregados, urna vez que a CPMF foi definitivamente extinta, não persistindo mais os motivos que ensejaram o desconto nos Salários de Contribuição até 3 salários mínimos SALÁRIO FAMÍLIA, NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGÍVEIS., GLOSA DE DEDUÇÕES.. POSSIBILIDADE. Estando o pagamento do salário família condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade, e de comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade, a não apresentação de tal documentação importa na glosa das deduções operadas a título de salário família. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDA.M os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator, Os Conselheiros Edgar Silva Vida!, Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago Davila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 40 do CTN. Quanto à preliminar da natureza do vicio, por maioria de votos, nos termos do voto cio relator, foi reconhecido o vício material do lançamento,. Vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Leôncio Nobre de Medeiros que entenderam ser caso de vício formal. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35226.001322/200618 Acórdão n.º 9202003.451 CSRFT2 Fl. 4 5 Quanto aos efeitos do vicio, por maioria de votos, foi anulado o levantamento referente à caracterização de empregado. Vencidos os Conselheiros Thiago D'Avila Melo Fernandes e Adindo da Costa e Silva que entenderam por dar provimento Esclarecendo a questão, o litígio versa sobre a existência de vício, ou não, e, caso exista, sua tipificação, formal ou material. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. A primeira divergência referese a inexistência de nulidade, pois conforme acórdãos paradigmas CSRF/0105.716 e 10422.759 se o sujeito passivo compreende a imputação que lhe é feita e se rebate seus argumentos, não há vício no lançamento, ao contrário do que define a decisão recorrida; 2. A segunda divergência referese a tipificação do vício, já que os acórdãos paradigmas 20309.332 e 105.13.892 decidiram que os vício na descrição do fato gerador configurase como formal diversamente do acórdão recorrido, que caracterizou o vício como material; 3. Solicita, por fim, acolhimento e provimento do recurso. Por despacho, deuse seguimento total ao recurso especial. O sujeito passivo – apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões, nem recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Primeiramente, quanto à admissibilidade há questão a ser analisada. O recurso especial à CSRF possui regras para seu processamento, contidas no Regimento Interno do CARF (RICARF). Para análise do pleito da parte é obrigatória que as decisões tenham divergido em mesmas situações fáticas e/ou jurídicas, ou ao menos semelhantes. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF Pois bem, em síntese, a decisão recorrida anulou parte do lançamento por não restarem configurados os requisitos da relação empregatícia, com a conseqüente análise da tipificação do vício, concluído por sêlo material. Na primeira divergência – se o vício em questão pode acarretar a nulidade do lançamento – a recorrente, PGFN, apresenta dois paradigmas: 0105.716 e 10422.759. O paradigma 0105.716 trata de IRPJ e os vícios existentes diferem, em muito, do contido na decisão recorrida, nos seguintes termos: “Do relatado, verificamse algumas irregularidades na condução do processo, eis que não foi dada ciência do Termo de Diligência à recorrente e também à fiscalização descumpriu o procedimento administrativo previsto na IN SRF 94/97 que prevê a oitiva da contribuinte antes da lavratura do auto de infração. Ocorre, contudo, que a contribuinte, após se insurgir quanto ao cerceamento de defesa, passou se defender da acusação formulada, tanto em primeira, quanto em segunda instância. Na impugnação, às fls 5 a 10, nos tópicos (b) Antecedentes e (c) IPC x BTNF, a recorrente se defende da acusação da utilização do IPC como índice inadequado para correção do balanço e do saldo de prejuízos fiscais.” Da leitura do trecho do voto verificase que o vício analisado referese a situação distinta. Não há na decisão recorrida análise sobre os pontos transcritos acima, tornando tarefa impossível a demonstração e comparação de divergência entre as decisões. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35226.001322/200618 Acórdão n.º 9202003.451 CSRFT2 Fl. 5 7 Por tal motivo, voto em não conhecer do recurso, nesta questão, com base nesse paradigma. Já em relação ao paradigma 10422.759, a decisão afirma que não houve vício, pois “houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas”, relativamente ao lançamento de IRPF. Na análise do paradigma, prolixo, não conseguimos identificar qual o vício analisado, pois vários são citados, referentes ao Art. 10 do Decreto 70.235/1972, e a recorrente afirma que o sujeito passivo deveria demonstrar “falta de conhecimento” sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Com todo respeito, novamente discordamos da recorrente. Só podemos comparar se houve, ou não, vício no lançamento se este for, no mínimo, semelhante ao analisado na decisão recorrida, assim como deve ser – devida e analiticamente – demonstrada a divergência, como determina o RICARF.. Por tal motivo, também, voto em não conhecer do recurso, nesta questão, com base nesse paradigma. Assim, não conhecemos do recurso quanto à existência, ou não de vício, mantendose a decisão recorrida pela existência de vício. Agora, na análise da segunda divergência, devemos analisar se o vício existente é material, como define a decisão recorrida, ou formal, como pleiteia a recorrente. Para tanto, a recorrente apresenta os acórdãos paradigmas 20309.332 e 105.13.892. O primeiro paradigma, 20309.332 trata de análise sobre imunidade de COFINS e chegou à conclusão de que ocorreu “vício de forma na constituição do crédito tributário, defeito insanável do ato jurídico, que deve ser declarada a qualquer tempo, independentemente de argüição, voto pela nulidade do processo ab initio”. O defeito citado, ocorreu, segundo o acórdão, pelo lançamento ter sido efetuado no artigo 32 da Lei n° 9.430/96, que não diz respeito à COFINS. Ora, claro está que a decisão paradigma analisada não possui relação alguma com caracterização de vínculo empregatício e seus requisitos exigidos, para tanto, pela legislação. Assim sendo, não conheço do recurso, quanto a este paradigma. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Quanto ao paradigma, 105.13.892, sem mais me estender na questão, este referese a IRPJ, também matéria distinta da caracterização de vínculo empregatício e seus requisitos exigidos, para tanto, pela legislação. Para que pudéssemos analisar a divergência, a parte deveria ter trazido aos autos decisão que conceituasse a imperfeição na caracterização de segurado empregado como vício formal. Como não o fez, também não conheço do recurso com base nesse paradigma. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso da nobre PGFN,. nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 535DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908796/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 96 /2 01 2- 04 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908796/201204 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito. A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908796/201204 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908796/201204 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 5 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10880.694464/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 323 1 322 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.694464/200913 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.495 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de maio/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 46 4/ 20 09 -1 3 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 324 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 325 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 326 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 327 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 328 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 329 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 330 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 330DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 331 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 332 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 333 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 334 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 335 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 336 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694464/200913 Resolução nº 3302000.495 S3C3T2 Fl. 337 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 19515.001393/2004-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/01/1999 a 31/01/1999, 11/09/1999 a 20/09/1999
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do Auditor-Fiscal de efetuar o lançamento de ofício.
PAGAMENTO REALIZADO COM O CNPJ DA SOCIEDADE CINDIDA. POSSIBILIDADE DURANTE O PROCESSO DE CISÃO.
Feito o pagamento de valores pela sociedade cindida durante o processo de cisão os valores devem ser devidamente considerados sob pena de enriquecimento ilícito do Estado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negou-se a preliminar nulidade levantada de ofício pelo relator, por vício no MPF. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martínez López e Sidney Eduardo Stahl. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a nulidade, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF 234336.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.215 1 1.214 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001393/200439 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.468 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente EDITORA ABRIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/01/1999 a 31/01/1999, 11/09/1999 a 20/09/1999 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. PAGAMENTO REALIZADO COM O CNPJ DA SOCIEDADE CINDIDA. POSSIBILIDADE DURANTE O PROCESSO DE CISÃO. Feito o pagamento de valores pela sociedade cindida durante o processo de cisão os valores devem ser devidamente considerados sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negouse a preliminar nulidade levantada de ofício pelo relator, por vício no MPF. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martínez López e Sidney Eduardo Stahl. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a nulidade, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. No mérito, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF 234336. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 93 /2 00 4- 39 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.216 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.217 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 268/269, lavrado em 15/07/2004, com ciência da contribuinte 30/07/2004, totalizando o crédito tributário de R$ 12.376,42. De acordo com a descrição dos fatos de fl. 269 e o termo de verificação fiscal de fls. 257/264, houve falta de recolhimento de IPI, cumulada com falta de declaração do imposto na DCTF, no 1° decêndio de janeiro de 1999 e no 2° decêndio de setembro de 1999. Segundo consta, a empresa fiscalizada, Editora Abril S/A., recebeu parcela do seu patrimônio da empresa Abril S/A em decorrência de processo de cisão; que, não obstante a existência de lançamentos de provisão e pagamento de tributos federais na contabilidade da Editora Abril S/A, a empresa fiscalizada não possui comprovantes de quitação de janeiro a outubro de 1999; e que a referida Editora Abril S/A alega que suas obrigações foram pagas com a utilização do CNPJ da empresa Abril S/A, o que não é admitido pela legislação. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 56/84, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O crédito exigido em relação à janeiro de 1999 foi definitivamente fulminado pela decadência, pois foi cientificada do lançamento em 30/07/2004, após transcorrido mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador; 2. Que os créditos tributários relativos aos fatos geradores de janeiro e setembro de 1999 foram extintos por força de pagamentos; que em razão de cisão parcial, parcela do patrimônio da empresa Abril S/A (CNPJ 44.597.052/000162) foi vertido para a impugnante Editora Abril S/A; que havia necessidade de submeter os atos de cisão ao Ministério das Comunicações; que os seus negócios não podiam sofrer descontinuidade, sob pena de prejuízos comerciais irreparáveis; que não havia possibilidade dos recolhimentos serem feitos em nome da Editora Abril S/A, até porque a cisão poderia ser rejeitada a posteriori; que sequer tinha o registro de CNPJ/MF em seu nome, não podendo a Editora Abril S/A recolher os tributos e nem poderia formular consulta junto à Superintendência da Receita Federal visando dirimir a questão; que, como a consulta seria declarada ineficaz de plano, encaminhou correspondência ao Secretário Adjunto da Receita Federal, sem ser atendida; que a falta da impugnante, admitida apenas a titulo de argumentação, não poderia relacionarse ao crédito tributário, mas apenas às obrigações acessórias; que a Autoridade Fiscal utilizase de presunção, sem qualquer fundamento legal; que a Autoridade faz menção a diversos dispositivos do CTN sem demonstrar a pertinência dos mesmos em relação ao lançamento efetuado; que os recolhimentos referentes ao período de janeiro a outubro de 1999 extinguiram as obrigações tributárias Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.218 4 correspondentes, motivo pelo qual deve ser invalidado o lançamento lavrado contra a Impugnante no que tange aos fatos geradores compreendidos entre janeiro e outubro de 1999; 3. O único equivoco que poderia ser imputado à autuada é o de não ter retificado, após sua regularização societária, as DCTFs referentes ao ano de 1999, mas tal equivoco não poderia acarretar penalidade de tamanha proporção; 4. Em vista da decadência, deixa de tecer outras considerações sobre o IPI referente a janeiro de 1999, mas em relação a setembro, o débito foi recolhido, em nome da empresa Abril S/A, conforme documento de fl. 727; 5. Houve irregularidade formal no procedimento fiscal, sendo descumprido o art. 13, § 2°, da Portaria 3.007/2001, o qual obriga o agente fiscal responsável pelo procedimento fornecer ao sujeito passivo fiscalizado o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação; o contribuinte foi intimado uma única vez mediante um único Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, no qual foram enumeradas todas as prorrogações da fiscalização, tendo o contribuinte tomando conhecimento das prorrogações em 06.04.2004 através do Mandado de Procedimento Complementar de fl. 05. Por fim, requereu a reunião do presente processo com os processos relativos aos lançamentos de PIS, COFINS, IOF, IRRF e IRPJ e CSLL, porque todos eles decorreram do mesmo trabalho de auditoria fiscal e versam sobre o mesmo fato. Requereu ainda, o cancelamento ou a anulação do lançamento fiscal. A DRJ julgou improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/01/1999 a 31/01/1999, 11/09/1999 a 20/09/1999 LANÇAMENTO. PROCEDIMENTO FISCAL. Descabe a argüição de irregularidade do lançamento relacionada ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, assim como ao Mandado de Procedimento Fiscal Complementar e ao correlacionado Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, porquanto a expedição dos mesmos constituemse em meros atos de controle administrativo, não maculando a atividade fiscal do próprio Estado, que é atribuída por lei àqueles servidores que detêm a competência para promover o lançamento tributário. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. CISÃO. Contribuintes são as pessoas que realizam o fato descrito na regra matriz de incidência tributária e nem mesmo é necessário que a pessoa jurídica esteja regularmente constituída para que possa estar enquadrada como sujeito Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.219 5 passivo da obrigação tributária, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. O recolhimento do tributo compete pessoa que praticou o fato descrito na regra matriz de incidência tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresenta o presente recurso voluntário apontando em síntese os mesmos argumentos da impugnação. É o que importa relatar. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.220 6 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Verificandose o MPF Mandado de Procedimento Fiscal n.º 8.1.90.002002 030976 e as suas complementações constatei que a fiscalização recebera a atribuição para apurar expressamente o IRRF, o IRPJ, PIS e COFINS não o IPI Imposto Sobre Produtos Industrializados. Apesar de uma parte das Turmas do Conselho se posicionarem no sentido de que eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é “mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público”, ouso dela discordar. A competência do auditorfiscal no procedimento de fiscalização está sob a égide preliminar do artigo 37 da Constituição Federal, assim expresso: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...) Esse artigo nos remete ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente seu parágrafo único, com a seguinte redação: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destaquei) Essa atividade é em decorrência do princípio da legalidade expresso no artigo 34 da Constituição Federal e do disposto no Código Tributário Nacional, plenamente vinculada. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.221 7 Não poderia deixar de ser. Ante a vinculação dos atos administrativos, a autoridade competente deve agir atendose aos limites impostos pela norma, no dizer de Hely Lopes Meireles1: Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pelo Poder Público para a validade da atividade administrativa. Desatendido qualquer requisito, comprometese a eficácia do ato praticado, tornandose passível de anulação pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim o requerer o interessado. Conforme ensina Lourival Vilanova2 “o direito é o instrumento do Estado para realizar seus fins”. A norma estabelece também que o lançamento realizado pela autoridade deve ocorrer no limite de sua competência e a competência do auditorfiscal está expressa no artigo 6º da Lei n.º 10.593/2002, com a redação modificada pela Lei 11.457/2007, assim expresso (sem grifos no original): “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; 1 Hely Lopes Meirelles, Direito administrativo brasileiro, 19ª Edição, Malheiros Editores, p.150. 2 Lourival Vilanova, Relação jurídica de direito público, RDP 74, p. 47. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.222 8 Como se vê, novamente a norma se refere a definição legal, vinculando o ato do Auditor. Como se sabe, com a edição do Decreto autorizador e da Portaria SRF 1.265, de 22 de novembro de 1999, foram alteradas as normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os procedimentos de oficio passaram a demandar prévia emissão de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Esta portaria estabeleceu ainda diversas regras relacionadas à emissão do MPF, tais como as situações em que o MPF poderia ser emitido depois de iniciado o procedimento fiscal (art. 5o), os casos em que era prescindível (art. 11) e a obrigatoriedade de notificação ao contribuinte quando do inicio da ação fiscal (art. 42). Essa vinculação junto a Receita Federal do Brasil está expressa, ainda, na Portaria RFB n.º 11.371, de 12 de dezembro de 2007, que tomo aqui como ato normativo expedido pela autoridade administrativa, expresso no artigo 100 do Código Tributário Nacional, cito alguns de seus artigos, sublinhando o que pretendo destacar: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). ... Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.223 9 declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 5º O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 6º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o MPFF deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, conforme modelo aprovado por esta Portaria, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. § 7º O disposto no § 1º não se aplica no caso de procedimento fiscal destinado a constatar a correta aplicação da legislação de comércio exterior que possa resultar tão somente em apreensão de bens ou mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigência de multas ou direitos comerciais, hipótese em que o MPFF poderá indicar apenas a descrição sumária das verificações a serem efetuadas. ... Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Posteriormente a Portaria RFB n.º 3.014, de 29 de junho de 2011, que revogou a Portaria RFB n.º 11.371/2007, estabeleceu que: Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.224 10 (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I – Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPF F), para instauração de procedimento de fiscalização; e II – Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. E ainda: Art. 6º O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Superintendente da Receita Federal do Brasil; IV Delegado da Receita Federal do Brasil; V InspetorChefe da Receita Federal do Brasil; VI CorregedorGeral; VII CoordenadorGeral de Pesquisa e Investigação; ou VIII CoordenadorGeral de Programação e Estudos. § 1º As autoridades indicadas nos incisos IV e V somente poderão emitir MPF no âmbito de suas respectivas áreas de competência. § 2º As autoridades indicadas nos incisos VI, VII e VIII e o Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária somente poderão emitir MPFD. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.225 11 Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do responsável pela equipe a que está vinculado o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil referido no inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade emitente e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria. Corroborando o entendimento a respeito da necessidade de emissão prévia de MPF que contemple todos os elementos dessa delegação de competência para fins de validação do procedimento fiscal, cabe transcrever o artigo 20 da Portaria SRF 3.007, de 26 de novembro de 2001, que substituiu a Portaria 1.265/99: Art. 20. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 22 do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento, fiscal em si. Esse procedimento decorre da necessidade de instrução dos autos de infração expresso na artigo 9º do Decreto 70.235, que rege o processo administrativo fiscal e que determina que os elementos de prova — e decorrentes do MPF — devem instruir o próprio auto, assim expresso: Art. 9º. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Registrese que como o procedimento fiscal iniciase, em face do disposto no Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.226 12 artigo 7º do Decreto 70.235/1972, do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto o MPF já faz parte integrante e obrigatória do procedimento de lançamento, sem o qual, haverá nulidade. O MPF é, portanto, um ato administrativo capaz de dar início ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da fiscalização. É, pois, ato preparatório e indispensável à produção dos atos subseqüentes, entre eles o lançamento. Vêse que toda a conduta do auditor fiscal é delimitada pelo MPF, cabendo lhe apenas cumprir o ordenado, sendo que todos esses pressupostos de validade são cumulativos e obrigatórios, dado o princípio da legalidade. Em verdade, o MPF é um ato formal por meio do qual a Administração Tributária estabelece os limites em que determinada ação fiscal será executada, condição indispensável para a plena validade e legitimidade do lançamento fiscal, no exercício da competência fiscal atribuída pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional. Tal documento, aliás, nasceu com o objetivo principal de ordenar o exercício das atividades da fiscalização na busca dos resultados programados pela administração tributária, para que critérios objetivos e atos regrados dos gestores da administração tributária, medida essa de cunho organizacional imprescindível para que sejam observados os demais princípios e diretrizes que norteiam a gestão da res publica substituíssem a liberalidade, a conveniência e outros critérios pessoais dos agentes do Fisco. Aliás, conforme ensina o Professor José Antônio Minatel (Processo Administrativo Fiscal Vol. VI – Ed. Dialética), MANDADO traduz uma determinação de fazer, uma ordem exteriorizada por autoridade hierarquicamente superior a um subordinado. Assim, o instrumento criado tem como missão transmitir uma ordem do mandante ao mandatário para execução de atividade determinada, identificada pela locução procedimento fiscal, assim entendida a prática de atos administrativos voltados pata a finalidade específica de cumprimento das obrigações tributárias. Se assim é, entender que o MPF é um mero instrumento de controle interno do fisco nada mais é que desconsiderar o objetivo inicial deste documento criado pelo Poder Executivo, desnaturando sua aplicação. Aliás, quando um auto de infração é lavrado com um objeto maior que o inicialmente autorizado no MPF, o que se tem é a insubordinação do fiscal ante à ordem de seu superior hierárquico. E não se diga que tal entendimento levaria à impossibilidade de a fiscalização lavrar autos de outros tributos não contidos no MPF, visto que a própria legislação prevê a possibilidade de o fiscal solicitar MPF complementar. Na medida em que há meios de cobrar posteriormente tributos não previstos inicialmente no MPF original, não se pode conceber a prática de tornar desimportante os termos e limites postos por um documento que foi criado com o objetivo precípuo de dar segurança jurídica ao Fisco e ao contribuinte. É expresso na norma que a vinculação estará na dependência de ato circunstanciado e especial, emanado de superior hierárquico, que confira tal poder ao auditorfiscal. Evidenciase isso em decorrência do disposto na Portaria MF n.º 203, de 14 de maio de 2012, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.227 13 – RFB em face da competência delegada pelo Decreto n.º 7.696, de 6 de março de 2012, no qual se especificam as autoridades competentes autorizar os atos mediante expedição de Mandado de Procedimento Fiscal.3 O MPF é assim ato autorizado por superior hierárquico sem o qual os posteriores serão nulos. A nulidade decorre do disposto no artigo 594 do Decreto n.º 70.235 porque a emanação de MPF de modo irregular, quer seja por ser incompleto quanto aos seus elementos, quer seja inespecífico não torna o auditor competente para realizar o ato. A indicação da autoridade, qual o tributo e qual o período fiscalizado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, como previsto em portaria, é norma garantidora da liberdade do Auditor Fiscal atuar. Caso ele verifique irregularidade fora dos limites autorizados nada obsta que ele represente ao seu superior para que amplie os poderes inicialmente conferidos. Está na norma. Expõe o Prof. Doutor Eurico Marcos Diniz de Santi5 uma preciosa lição: Quando o art. 142 dispõe em seu parágrafo único que a “atividade de lançamento é vinculada e obrigatória”, prescreve como devem ser arranjados os pressupostos do suporte fáctico do atonorma de lançamento. Nos atos administrativos vinculados existe prévia e objetiva tipificação legal do único comportamento possível da administração em face de dado fato jurídico. Anteriormente, no mesmo livro6, expõe o ilustre doutrinador: O atonorma para ingressar no ordenamento jurídico como norma válida requer fato administrativo suficiente, que a seu turno pressupõe: (i) a autoridade competente, (ii) a publicidade ou formalização normativamente prevista, (iii) a ocorrência do motivo do ato e (iv) o procedimento previsto em lei. Neste sentido, procedimento é o fato jurídico que se configura com a ordenação da série de atos e fatos jurídicos que corroboram, de forma sucessiva ou instantânea, seqüencial ou não, na formação do suporte fáctico do fato jurídico suficiente para a edição do atonorma administrativo. Procedimento é o fato jurídico que ordena a prática de atos de criação e aplicação do direito, na produção de atos administrativos, judiciais ou legislativos. É a forma que o direito encontrou para controlar o “processo” de criação do direito no exercício das respectivas funções estatais. Tenho, ainda, que lembrar o que aponta o Professor Celso Antônio Bandeira 3 Arts. 291, 294, 300, 302, 305 e 306. 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 5 Lançamento Tributário, 1996 Ed. Max Limonad, p. 142. 6 págs. 129 e 130. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.228 14 de Mello7 com relação aos procedimentos administrativos: Nos procedimentos administrativos, os atos previstos como anteriores são condições indispensáveis à produção dos subseqüentes, de tal modo que estes últimos não podem validamente ser expedidos sem antes completarse a fase precedente. Além disso, o vício jurídico de um ato anterior contamina o posterior, na medida que haja entre ambos um relacionamento lógico incindível. Acerca do MPF, são importantes as lições de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martinez López8: A eleição de um servidor específico para essa função tem por finalidade proteger o contribuinte, assegurandolhe o direito de ser fiscalizado apenas por quem a lei atribua o dever se sigilo das informações obtidas em razão do exercício dessa atividade, e que atue de forma exclusiva e imparcial, sem influências estranhas ao interesse público.” Com o objetivo de delegar competência para o Auditor Fiscal agir em nome da Fazenda Pública foi criado o MPF Mandado de Procedimento Fiscal que, como o próprio nome já diz, é ele que confere o mandado (exercício da ordem de mandar) e dá a competência para agir em nome do Fisco. Esse instrumento foi criado pela própria Administração Tributária como uma forma de legitimar e melhor controlar as ações dos seus agentes e a legalidade dos respectivos atos. O MPF estabelece mais que o limite de atuação do fiscal; estabelece o limite da responsabilidade de colaboração do contribuinte no procedimento de fiscalização, mesmo porque antes da ciência do MPF não pode ser o contribuinte compelido a colaborar com a fiscalização, salvo por intermédio das obrigações acessórias legalmente instituídas. E longe de ser mero ato de controle interno, o MPF é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção dos atos subseqüentes, entre ele e o lançamento. É a própria administração que estabeleceu o procedimento, seu mecanismo, procedimentalização e hierarquia. Determinou, também, como modificálo (artigo. 9º). Se não fosse vinculatório para nada serviria. Bastaria ao fiscal informar um protocolo ao contribuinte a fim de que averiguasse a inexistência de fraude. Mas não é somente esse o requisito que a norma lhe impõe. Expressa o próprio executivo, na mensagem de veto n.º 11/2001 ao o Projeto de Lei n.º 112, de 2000 (n.º 3.756/2000 na Câmara dos Deputados, que buscava permitir que a Receita Federal utilizasse informações referentes à CPMF, para verificação da existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições), que pretendeu alterar o artigo 11 da Lei 7 Elementos de Direito Administrativo, 1ª Ed., 5ª Tiragem, Editora Revista dos Tribunais, 1986, pág. 72. 8 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, Dialética, 2004, pp. 107 a 112. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.229 15 n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996 (Lei 10.174/20019), do seguinte modo: Preliminarmente, cumpre afirmar que a atuação da Secretaria da Receita Federal é pautada sob os princípios constitucionais e éticos impostos ao Poder Público e a seus agentes, em especial os da impessoalidade, da moralidade, da legalidade e, no caso específico, dos sigilos funcional e fiscal, o que garante a preservação integral da privacidade dos contribuintes. Ademais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, por meio da Portaria SRF no 1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios passou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Ressaltese, por oportuno, que o MPF é outorgado pelos chefes das unidades da SRF, não sendo, assim, uma iniciativa pessoal do agente encarregado de sua execução, sendo sua instituição um marco histórico na relação entre a Administração Tributária Federal e os contribuintes. Sublinhei o entendimento claro acerca do MPF porque qualquer alteração implica na necessidade de informarse o fiscalizado e, consequentemente, de ampliação dos poderes hierarquicamente ordenados. Como procedimento é obrigatório dentro de seus limites para a administração, quer seja previsto em Lei, Instrução Normativa, Portaria ou qualquer outra norma, obriga a administração ante a impossibilidade de ser ato meramente discricionário. É inegável que existe para o contribuinte um dever de pagar tributos. Todavia, a cobrança de tributos em um Estado Democrático de Direito deverá respeitar e obedecer aos Magnos princípios estabelecidos constitucionalmente para que seja preservada a ordem jurídica. No sentido de realizar os desígnios constitucionais, o nosso ordenamento jurídico não aceita qualquer cobrança ou imposição de penalidade sem que sejam cumpridas todas as exigências e procedimentos previstos na legislação tributária, lei e atos reguladores infralegais, salvo quando manifestamente ilegais. Na fixação de regras procedimentais são relevantes as normas da legislação tributária, mesmo quando decorrente de normativos hierarquicamente abaixo da Lei, pois essas normas são complementares das leis tributárias de acordo com os artigos 96 e 100 do CTN. Disciplinando os poderes da administração tributária e, especificamente da 9 “Art. 11. (…) § 3º. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente observado o disposto no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (NR) Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.230 16 fiscalização, o artigo 194 do Código Tributário Nacional, dispõe que: “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive as que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. (...) Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.” Enfim, as normas infralegais podem criar regras com vistas a exigir a necessidade de mandato de representação específico para a prática de atos e início de procedimentos fiscais. Quando colocada em portaria a exigência de autorização expressa para que o agente fiscal possa atuar ou praticar determinado ato, a falta dessa autorização transforma a competência geral em incompetência específica para atuar no caso concreto. Todavia, não lhe retira a competência geral que permanecerá apta a ser exercida em outro caso para qual tenha havido a regular indicação e autorização. O agente público só poderá agir nos específicos termos do mandato que lhe for conferido. Se um agente público/fiscal pratica ato sem autorização expressa do seu superior hierárquico estará ele agindo sem competência no caso concreto, portanto, quaisquer atos por ele executados serão nulos. O MPF constitui, por um lado, um direito do contribuinte de não ser invadido sem limites e sem controle por parte do fiscal. Esse, o fiscal, será limitado e controlado, por certo período de tempo e com objetivos claros e concisos, respondendo, ainda, o seu superior, que emanar a ordem solidariamente com ele. Constitui, ainda, um dever do contribuinte, porque lhe especifica o limite do seu dever de colaboração, com base no artigo 142 ou 149 do Código Tributário. É a própria concreção, a solidificação do Princípio da Segurança Jurídica. A segurança jurídica é entendida como sendo um conceito ou um princípio jurídico que se ramifica em duas partes, uma de natureza objetiva e outra de natureza subjetiva. A primeira, de natureza objetiva, é aquela que envolve a questão dos limites à retroatividade dos atos do Estado até mesmo quando estes se qualifiquem como atos legislativos. Diz respeito, portanto, à proteção ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada expressa no art. 5°, inciso XXXVI. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.231 17 A outra, de natureza subjetiva, concerne à proteção à confiança das pessoas no pertinente aos atos, procedimentos e condutas do Estado, nos mais diferentes aspectos de sua atuação O princípio da proteção da confiança, conforme aprendi, direcionase para o futuro (previsibilidade, imutabilidade das situações etc.). Relacionase com o ambiente de direito seguro. Por isso, tenho que o contribuinte precisa saber antecipadamente o que dele se deseja. O princípio da proteção da confiança não se destina a impedir o exercício de qualquer função, mas serve para substanciar outros dois princípios, o da segurança jurídica e o da publicidade. O MPF é o instrumento que “dita as regras do jogo”. É ele que protege a relação entre o contribuinte e o Estado no procedimento de fiscalização. É preciso analisar, entretanto, as modificações apontadas pela Portaria RFB n.º 3.014, de 29 de junho de 2011 que flexibilizou os procedimentos contidos no MPF. Trouxe a referida Portaria a seguinte redação, ampliando o que antes houvera em termos de determinações quanto ao MPF, a saber: Art. 7º. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria. § 2º O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil poderá examinar livros e documentos referentes a períodos não consignados no MPFF, quando necessário para verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período em exame, ou deles seja decorrente. (...) Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Lembremonos que anteriormente à alteração a norma não previa expressamente que fossem incluídas as “verificações obrigatórias”10, conforme termo usado 10 Conforme a RFB as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo são chamadas “verificações obrigatórias”. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.232 18 pela própria RFB nos limites outorgados pelo MPF. Conforme expus anteriormente o MPF está inserido no ato de lançamento por ser parte do procedimento de lançamento. E o Lançamento, por sua vez, — sem adentrar às minúcias de sua natureza que não é objeto da presente discussão — está contornado pelas regras gerais que regem as relações entre os contribuintes e a administração. Assim, o MPF, se reveste, igualmente, dos característicos de ato vinculado e obrigatório. O lançamento é fruto da implicação das determinações legais, iniciando daquela que escolhe e define o tipo, antecedente e consequente, até as regras que implicarão na expedição da norma individual e concreta. O MPF é parte inseparável — quando exigido — do ato administrativo de lançamento e quando se diz que a atividade da administração é plenamente vinculada se estabelece que seus atos são igualmente vinculados. Só para relembrar, sem querer ser repetitivo, atos vinculados são os que a administração pratica sem margem alguma de liberdade, aqueles para os quais a Lei especificou o único e possível comportamento. Assim, o MPF não podia emitir determinações que saiam ou extrapolem o seu objeto principal, ou seja, o MPF que determina, por ex., fiscalizar IR não poderá para cumprir as chamadas “verificações obrigatórias” fiscalizar o PIS ou a COFINS, por implicar em uma determinação que suprimiria a anterior específica, um mandamento que fere o objeto central vinculado. E nem pode a legislação infralegal determinar que o titular de um mandado específico tem o pode ampliálo livremente. Isso feriria a legalidade e se constituiria em norma em branco, o que é defeso para a administração nos atos vinculados. Por isso, não podia o agente por conta das “verificações obrigatórias” alargar o objeto da ordem – que consistia em fiscalizar IR e não o PIS ou a COFINS – sob pena de tornar a limitação inexistente. A licença específica deve ser mantida em nome da publicidade, legalidade e moralidade a fim de evitar que o Mandado de Procedimento Fiscal se torne uma ‘carta branca’. Desse modo, o MPF deveria se ater aos seus limites expressos não sendo permitido ao agente delegado ampliar os limites para alcançar no auto ou notificação de lançamento períodos posteriores ou outros tributos não originalmente incluídos no MPF. A Portaria RFB n.º 3.014, de 29 de junho de 2011 trouxe, diferentemente das portarias anteriores que regulavam o MPF, a expressa autorização de que fosse incluído no MPF o direito do auditor verificar a correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo e a autorização de que ele, com base nos mesmos elementos de prova das infrações apuradas incluir automaticamente no procedimento de fiscalização as infrações a normas de outros tributos. Pareceme claro que essa primeira determinação surgiu para suprir a lacuna anteriormente existente na qual o inclusão das chamadas “verificações obrigatórias” não estava autorizada — e portanto era defeso ao auditorfiscal ou seu superior incluílas no MPF — e a segunda modificação para que se possa cumprir com menor custo burocrático as determinações da função administrativa vinculada que implicarão no lançamento. Vêse que o termo usado na Portaria é “podendo” e não “deve” ante a outorga de competência aqui já discutida. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.233 19 Evidente, desse modo, que anteriormente a 1º de agosto de 2011, data de entrada em vigor da Portaria RFB n.º 3.014/2011 o MPF não poderia sequer autorizar a inclusão das “verificações obrigatórias” genericamente expressas. A partir dessa data, permitir o exame da correspondência entre os valores declarados e a escrituração do contribuinte é admissível, porém, isso novamente não é uma ‘carta em branco’, mas uma autorização dada nesses exatos limites, de maneira que, se o fiscal precisar de elementos outros que o mero comparativo entre valores declarados e escrituração contábil, deve pedir a ampliação do MPF. Assim, estarão necessariamente fora da competência qualquer procedimento que implique em arbitramento, por ex., salvo se o auditor requerer (e lhe for autorizada) a inclusão desses poderes no MPF e cientificar o contribuinte do alargamento. Quanto a segunda alteração, de se autuar outros tributos não expressamente constantes do MPF com base nas mesmas provas da infração inicialmente fiscalizada, é preciso tomar muito cuidado para se estabelecer o prazo da espontaneidade, porque essa somente pode ser tida como suprida quando da efetiva notificação de uma eventual ampliação do MPF ou da efetiva cientificação do lançamento. Nesses casos ampliar os poderes delegados ao auditor fiscal pode ser mais profícuo, porque mais célere que o lançamento. Outra questão é que a ampliação não poderá buscar outros elementos de prova, somente aqueles que deram azo às infrações anteriormente averiguadas no procedimento fiscalizatório. Nesse sentido, antes de 1º de agosto de 2011 o MPF deveria ser detalhado e qualquer irregularidade na sua emissão ou prorrogação implicaria em nulidade do auto. A partir dessa data pode conter determinações de comparar os valores declarados e escrituração contábil no período determinado para constituição dos elementos do lançamento, seja qual for o tributo fiscalizado e de se autuar outros tributos com base nos mesmos elementos de prova colhidos para o lançamento original. Existindo qualquer outro elemento necessário ao lançamento, entretanto, somente se suprirá uma eventual nulidade do MPF pela sua ampliação. No mais, havendo qualquer irregularidade no MPF a consequência é a nulidade do auto de infração dele decorrente. Nesse sentido, preliminarmente, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário por entender que o auditor autuante não possuía poderes para proceder a fiscalização do IPI. Superada essa questão, no mérito, tenho que não se pode ignorar a existência de pagamentos feitos pela Abril S/A antes de concluída a aprovação de sua cisão parcial. De fato tem razão a Recorrente em apontar que o seu erro foi o de não retificar a DCTF para que se pudesse demonstrar com clareza que o pagamento do IPI foi realizado pela Abril S/A e não pela Recorrente, Editora Abril S/A.. Permitir a manutenção do auto sem que seja apurado o real valor devido, descontandose o montante pago pela Abril S/A é enriquecimento sem causa do Estado e esse Conselho não pode pactuar com tal opção. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.234 20 Assim, com base no princípio da verdade material tenho que o lançamento deve ser cancelado até o limite do IPI efetivamente pago pela Abril S/A no período autuado conforme as oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Teresa Martínez López11,: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil da Abril S/A e da Recorrente, efetuar os cálculos e cancelar o lançamento o valor apurado pago pela Abril S/A. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela interessada para cancelar o auto até o limite dos valores efetivamente pagos pela Abril S/A. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator 11 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.235 21 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O presente voto vencedor restringese a parte do voto do relator quanto a entender nulo o lançamento em face de irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. No recurso voluntário o contribuinte defende a nulidade do lançamento em razão da falta de ciência ao contribuinte a respeito das inúmeras prorrogações do MPF de fiscalização nos termos do que determinava o § 2º do art. 13 da Portaria SRF nº 3007/2001. Porém, o relator entendeu nulo o lançamento também porque o auditor autuante não possuía poderes para proceder a fiscalização do IPI, ou seja, que o tributo IPI não estava autorizado no referido MPF de fiscalização. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, não concordo com a nulidade do lançamento, pelas razões a seguir expostas. Entendo que o auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 os prérequisitos necessários ao auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.236 22 No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Do seu exame, verificamos que nele estão demonstradas as infrações imputadas à recorrente, a fundamentação da exigência do imposto e das cominações legais, bem como consta com clareza a descrição dos fatos e o enquadramento legal. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor Fiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração. No caso o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Somente para destacar, o IPI objeto do presente lançamento está consubstanciado no MPF, fl. 1, no item “Verificações Obrigatórias” o qual determina a “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados, pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos”. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, ainda que comprovadas devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime nas duas ementas citadas abaixo: Assunto: Ausência de autorização no MPF Mandado de Procedimento Fiscal MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.001393/200439 Acórdão n.º 3301002.468 S3C3T1 Fl. 1.237 23 (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão nº 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Grifei) Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 10120.002508/200391, Sessão de 11/11/1998, Acórdão nº 01 06.085. Relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho). Portanto, voto por afastar esta preliminar de nulidade do lançamento. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11020.912307/2012-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/07/2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 07 /2 01 2- 85 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912307/201285 Acórdão n.º 3802003.786 S3TE02 Fl. 86 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912307/201285 Acórdão n.º 3802003.786 S3TE02 Fl. 87 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10945.720682/2011-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO.
A Impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A impugnação que não observa esses ditames não instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VIA POSTAL. VALIDADE DO RECEBIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência. (Súmula CARF nº 9).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. A Impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A impugnação que não observa esses ditames não instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VIA POSTAL. VALIDADE DO RECEBIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência. (Súmula CARF nº 9). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 82 /2 01 1- 25 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 687 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 664), complementandoo ao final: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência do crédito tributário no valor total de R$ 262.890,93 (composto de R$ 122.726,17 de imposto de renda pessoa física, R$ 100.651,98 de multa e R$ 39.512,78 de juros de mora). Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, a exigência é decorrente da constatação das seguintes infrações: • Omissão de rendimentos tributáveis provenientes de atividade rural no ano calendário de 2005, no montante de R$ 46.849,08. Esse valor corresponde a 50% do resultado tributável da atividade desenvolvida pelo contribuinte em condomínio com o seu irmão João Pedro Rachow. O resultado tributável foi arbitrado à razão de 20% da receita bruta, nos termos do artigo 60 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99. • Omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto nos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, nos montantes de R$ 119.037,40, R$ 154.373,76 e R$ 214.984,67, respectivamente. Esses valores foram apurados por meio de Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, no qual foram computadas apenas 50% das receitas e despesas relativas à atividade rural, pois a exploração dessa atividade é feita em condomínio entre o contribuinte e seu irmão João Pedro Rachow. Observouse também que o contribuinte é casado no regime de comunhão universal de bens com Rosane Bohnen Rachow, por isso a tributação dos rendimentos apurados a partir da variação patrimonial a descoberto foi feita em separado, na proporção de 50% para cada cônjuge. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 12/09/2011 (conforme AR de fls. 563) e apresentou impugnação em 27/10/2011, com as alegações a seguir sintetizadas: Preliminarmente, alega que a impugnação é tempestiva, pois só tomou ciência do auto de infração no dia 30/09/2011, conforme comprova a inclusa cópia do comprovante de entrega dos correios. Ainda em preliminar, requer o julgamento conjunto do presente caso com os processos nºs 10945.720679/201110, Fl. 687DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 688 3 10945.720680/201136 e 10945.720681/201181, pois se trata de processos que envolvem as atividades agrícolas do mesmo conjunto familiar. No mérito, alega que a autoridade fiscal não levou em consideração que os imóveis rurais explorados pelo contribuinte e pelo seu irmão João Pedro Rachow são de propriedade comum entre eles e os respectivos cônjuges, o que faz com que cada contribuinte deva ser tributado na proporção de 25%, e não 50% como foi feito no auto de infração. Com base na referida alegação, defende que o imposto de renda referente ao resultado da atividade rural do ano calendário de 2005 seja reduzido para R$ 715,74, ajustandose, por conseguinte, as multas e os juros de mora correspondentes. Em relação ao acréscimo patrimonial do ano calendário de 2006, apresenta documentos que não haviam sido apresentados e alguns esclarecimentos, confeccionando um novo demonstrativo mensal de fluxo de caixa do condomínio, o qual resulta em acréscimo patrimonial de R$ 360.451,77 a ser rateado entre os quatro condôminos. Igualmente, em relação ao acréscimo patrimonial do ano calendário de 2007, apresenta documentos/esclarecimentos e confecciona demonstrativo mensal de fluxo de caixa do condomínio, apontando acréscimo patrimonial de R$ 74.317,71 a ser rateado entre os quatro condôminos. Da mesma forma, quanto ao acréscimo patrimonial do ano calendário de 2008, apresenta documentos/esclarecimentos elabora demonstrativo mensal de fluxo de caixa do condomínio no qual se apura acréscimo patrimonial de R$ 258.869,46 a ser rateado entre os quatro condôminos. Alega que todos os valores apurados a partir de variação patrimonial a descoberto devem ser tributados como receita bruta de atividade rural, sujeitandose ao arbitramento da base de cálculo à razão de 20%, conforme previsto no art. 60, § 2º, do Decreto nº 3000/99, haja vista que todos os seus rendimentos são provenientes da atividade rural. Solicita a compensação do recolhimento feito a título de IRPF do ano calendário de 2006, bem como dos valores recolhidos a título de multa por atraso na entrega das declarações referentes aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu o acatamento do demonstrativo de fluxo de caixa apresentado e a tributação do resultado na forma de rendimentos provenientes de atividade rural, apurandose assim valores justos e condizentes com sua atividade. A Delegacia da Receita Federal de origem observou que a impugnação é intempestiva, mas encaminhou o processo a esta Fl. 688DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 689 4 Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação da alegação de tempestividade (despacho de fls. 663). Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância, para ao final concluir pelo não conhecimento da Impugnação, em face da intempestividade: A correspondência contendo o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, devidamente identificada com o nº RM946074640BR, foi encaminhada para o endereço “Av. Principal S/N / Bairro: Vila Margarida – Zona Rural / Cidade: Marechal Candido Rondon – PR”, que é o domicílio tributário informado nas Declarações de Ajuste Anual de IRPF apresentadas pelo contribuinte. O Aviso de Recepção – AR de fls. 563, no qual consta a assinatura do contribuinte (Sr. Aldair José Rachow), comprova que a referida correspondência foi entregue no endereço do destinatário no dia 12/9/2011. Portanto, nos termos do Decreto 70.235/72, devese considerar que o contribuinte foi intimado da exigência no dia 12/9/2011, iniciandose nessa data a contagem do prazo para apresentação de impugnação. Como o prazo em questão é de trinta dias, é certo concluir que o mesmo encerrouse no dia 13/10/2011, sendo evidentemente intempestiva a impugnação apresentada no dia 27/10/2011. Refutou a alegação sobre a tempestividade, apresentada pelo interessado, de que só teria recebido o Auto de Infração em 30/09/2011, esclarecendo que o documento apresentado, uma consulta ao sítio eletrônico dos Correios, que se refere ao rastreamento do objeto, informa a data em que os dados foram alimentados no sistema da empresa, e não a data do efetivo recebimento. Disse não ter dúvidas de que a data correta é aquela consignada, de forma clara, no Aviso de Recebimento. Não conhecida a Impugnação e, portanto, mantido o lançamento, dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado através de seu Procurador constituído, que pessoalmente recebeu o documento, em 04/04/2012, conforme fl. 669, e apresentou recurso voluntário em 04/05/2012, conforme protocolo na fl. 671. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: Diz que a lide instaurada, primeiramente, reside na questão da tempestividade da impugnação, afirmando que só recebeu a correspondência contendo o Auto de Infração no dia 30/09/2012. Explica que não preencheu "de próprio punho" a data que consta do AR (12/09/2012), que foi preenchida posteriormente pela funcionária dos Correios, sem sua presença. Completa que o contribuinte não tinha certeza sobre a data do recebimento, e que procurou a Receita Federal, que não soube informarlhe. O Procurador, então, conseguiu no sítio eletrônico dos Correios rastrear o objeto e verificar a data de 30/09/2012. Assim, a impugnação apresentada em 27/10/2012 é tempestiva. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 690 5 Eventualmente, entende que "ainda que passados alguns dias", existe uma "tributação abusiva" e fala de confisco, nos termos da Constituição Federal. Assim, REQUER que seja recebido seu recurso para darlhe provimento, declarando tempestiva a impugnação proposta e determinando o julgamento de seu mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, como se procurou demonstrar no Relatório, a controvérsia que chega a esta instância recursal reside basicamente na tempestividade/intempestividade da Impugnação. Destaco que em procedimentos fiscais correlatos, foram realizados lançamentos de ofício neste contribuinte e em seu irmão, sócio nas atividades rurais e co proprietário de imóveis, e também nas esposas de ambos, considerandose o regime de casamento. Conforme consta no sítio eletrônico do CARF, o processo 10945.720679/201110, em nome da contribuinte ROSANE BOHNEN RACHOW , esposa do aqui Recorrente, foi julgado em 22 de janeiro de 2014, na 2ª Turma Especial da Segunda Seção. O recurso versou sobre a mesma questão e teve a seguinte solução, nos termos do Voto do ilustre Relator, que transcrevo em parte (Acórdão 2802002.670): Conforme observou a decisão recorrida, a correspondência contendo o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal foi encaminhada para o endereço “Av. Principal S/N / Bairro: Vila Margarida – Zona Rural / Cidade: Marechal Candido Rondon – PR”, que é o domicílio tributário informado nas Declarações de Ajuste Anual de IRPF apresentadas pela contribuinte. O Aviso de Recepção – AR de fls. 589, no qual consta a assinatura do cônjuge da contribuinte (Sr. Aldair José Rachow), comprova que a referida correspondência foi entregue no endereço da destinatária no dia 12/9/2011. [...] Outra alegação da recorrente referese ao fato de que só teria tomado ciência do auto de infração no dia 30/09/2011, conforme relatório impresso em razão de consulta feita no sitio dos Correios (fls. 617/618). [...] Fl. 690DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 691 6 Do exame desse relatório juntado pelo contribuinte aos autos, observase que dele não constou a data de 12/09/2011 que se encontra estampada pelo carimbo da unidade dos Correios de destino no Aviso de Recebimento às fls. 589. Tal fato, sem dúvida, leva ao convencimento de que a decisão recorrida se pronunciou acertadamente ao observar que a data de 30/09/2011, na verdade, “não corresponde ao momento em que a entrega do objeto foi efetuada, mas tão somente ao momento em que o fato foi registrado no sistema dos Correios”. [...] Portanto, nos termos do Decreto 70.235, de 1972, fica comprovado nos autos que a contribuinte foi intimada da exigência no dia 12/09/2011, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo para apresentação de impugnação. Como o prazo em questão é de trinta dias, é certo concluir que o mesmo se encerrou no dia 13/10/2011, sendo evidentemente intempestiva a impugnação apresentada no dia 27/10/2011. Bem, outra sorte não se pode dar a este recurso. O expediente foi entregue no endereço Avenida Principal, s/n, Vila Margarida, Zona Rural, Marechal Cândido Rondon/PR, CEP: 85.974000, que é domicílio tributário eleito do contribuinte, como consta de suas DIRPF. Vale então transcrever a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No Aviso de Recebimento, cuja cópia consta da folha 563, está clara a assinatura do recebedor, que foi o próprio Aldair Rachow e a data de 12/09/2011, manuscrita e também no carimbo dos Correios. Não me parece verossímil a alegação de que a funcionária dos Correios induziu o contribuinte a assinar sem data e, posteriormente, na ausência deste, colocou a data de 12/09/2011, quando o expediente teria sido entregue, de fato, no dia 30/09/2011. Já assentou o Julgador a quo que a data de 30/09/2011, que consta na pesquisa eletrônica que o contribuinte anexa visando a fazer prova de seu direito referese ao momento de alimentação da informação no sistema dos Correios e não à data da entrega, como aliás se pode ler no topo da página de pesquisa. Cientificado então em 12/09/2011, a Impugnação protocolizada em 27/10/2011(fl. 566) é claramente intempestiva, uma vez que apresentada em prazo superior aos trinta dias prescritos no Decreto nº 70.235, de 1972, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento (arts. 14 e 15). Acertada, portanto, a decisão de 1ª instância. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10945.720682/201125 Acórdão n.º 2801003.844 S2TE01 Fl. 692 7 O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Não se pode, então, para que o processo, definido como o método empregado pelo Estado para a solução dos litígios, não se torne arbitrário, desconsiderar "uns poucos dias", que sejam. Quanto à alegação de cobrança abusiva e confisco, apenas por amor ao debate, registro ao Recorrente que o princípio da vedação de tributo confiscatório não é um preceito matemático, envolve conceito jurídico indeterminado, é critério informador da atividade do legislador e do Poder Judiciário, a quem caberia reconhecer eventual inconstitucionalidade de tributo, a pretexto dele ser confiscatório, quando o contribuinte demonstra que teve sua atividade inviabilizada ou gravemente penalizada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Pelo exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 692DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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