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Numero do processo: 10120.008585/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DENEGAÇÃO.
Busca-se no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos, devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador.
Não vislumbra-se ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa.
INSUMOS ADQUIRIDOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADAS, ISENTOS E UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS.
A aquisição de insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 30/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DENEGAÇÃO. Busca-se no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos, devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Não vislumbra-se ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. INSUMOS ADQUIRIDOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADAS, ISENTOS E UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. A aquisição de insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DENEGAÇÃO. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos, devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Não vislumbrase ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. INSUMOS ADQUIRIDOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADAS, ISENTOS E UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. A aquisição de insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 85 85 /2 00 2- 73 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito, por bem descrever os fatos. Em exame a Declaração de Compensação de fl. 01, formalizada em 06/11/2002, para compensar débitos relativos ao PIS e à Cofins, PA’s 07 a 09/2002, do estabelecimento matriz, no montante de R$ 160.450,50, tendo por lastro créditos originários do Pedido de Ressarcimento de IPI formalizado à fl. 02, de saldo credor do IPI acumulado no 3º trimestre de 2002, pela matriz, no valor de R$ 129.555,34, bem como, do Pedido de Ressarcimento de fls. 03, de créditos do estabelecimento filial 01.121.175/000896, no valor de R$ 30.895,18, também relativo ao saldo do 3º trimestre/2002, pleiteado no processo 12155.000197/200272 (fl. 04), com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o Relatório de Fiscal de fls. 90/91, do qual se extraiu, em síntese: => “Intimei o contribuinte a apresentar demonstrativo contendo as notas fiscais do 3º trimestre 2002, número da nota fiscal, valor total da nota fiscal, valor do IPI destacado, sendo o mesmo entregue em 06.06.2005 (fls. 74 a 76), junto com a nova relação constando os produtos fabricados e os insumos utilizados para a produção dos mesmos (fls. 64 a 70)”; => “Devido a erro de escrituração do livro de registro de IPI, incluindo produtos com alíquota zero e falta de estorno de crédito de IPI que foi glosado relativo ao 4º trimestre de 1999 no processo nº 10120.000199/0081, elaborei demonstrativo do saldo acumulado de IPI do 4º trimestre de 1999 ao 4º trimestre de 2000 (fls. 88 a 89), com base no livro de registro de IPI relativos as saídas de produtos tributados e planilhas entregues pelo contribuinte relativos aos créditos, detalhando trimestre por trimestre, os valores solicitados e concedidos, o saldo credor do trimestre, bem como informando os números dos processos de ressarcimento de IPI relativos a cada trimestre”; Diante dos fatos acime expostos e depois da análise, por amostragem, das notas fiscais constantes do demonstrativo de fls. 74 a 76, objeto do pedido de ressarcimento, opinou a autoridade fiscal pelo deferimento parcial do saldo credor solicitado em ressarcimento no valor de R$ 126.854,89, conforme demonstrativo a seguir: Fl. 476DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 4 3 Saldo anterior conforme demonstrativo de fls. 88 e 89 R$ 29.805,08 Valor do Crédito de IPI, conforme planilha de fls. 74 a 76 R$ 109.068,29 Débito de IPI decorrente da saída de produtos tributados (fls. 77 a 87) R$ (12.018,48) Crédito de IPI com direito a ressarcimento R$ 126.854,89 A Delegacia da Receita Federal de Goiânia por meio do Despacho Decisório Nº 1.277, de 11/10/2007, fls. 135/140, resolveu, tomando por base o mencionado no Relatório Fiscal, deferir em parte o pedido de ressarcimento de fl. 02, reconhecendo o direito creditório de R$ 126.854,89, e, homologar parcialmente as compensações declaradas pela requerente à fl. 01, até o montante do crédito reconhecido, e, por consequência, não homologar a compensação no valor de R$ 2.494,41. Mencionou se, ainda, no Despacho Decisório, a constatação da transmissão de diversas DCOMPs eletrônicas vinculadas ao crédito do trimestre a que se refere o pleito (3º/2002), que por extrapolarem o valor do crédito solicitado em ressarcimento no presente processo (R$ 129.555,34), deveriam ser encaminhadas imediatamente à PFN para inscrição em DAU. Operacionalizada a compensação e cientificado do Despacho Decisório em 21/11/2007 ( fls.176/177), apresentou o contribuinte, em 11/12/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 252/259, por intermédio da qual, em síntese: 1º) alega erro de escrituração no RAIPI relativo ao 3º trimestre/2002 anexado ao processo de compensação, no qual consta saldo credor no valor de R$ 129.555,34 quando o correto seria R$ 193.199,56, cf. cópia anexa às fls. 263/282; 2º) esclarece que, para compensar o valor informado na DCOMP (R$ 160.450,50), utilizou os créditos da matriz (processo nº 10120.008585/200273, valor R$ 129.555,34) e da filial 01.121.175/000896 (processo nº 12155.000197/200272, valor R$ 30.895,16); 3º) menciona que: “buscando a compreensão dos motivos e, consequentemente, as provas que fundamentem o lançamento do suposto crédito tributário, verificase que no Despacho Decisório em tela, em nenhum momento, seja na descrição da ocorrência, seja em demonstrativos, revelanos tal entendimento, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa, assegurado ao sujeito passivo pela Constituição Federal de 1988, (...)”; 4º) assegura que a compensação do valor devido com crédito líquido e certo é uma modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, inciso II) e que o artigo 2º da IN 33 de 04 de março de 1999, concede ao sujeito passivo, após cada trimestre calendário, que apurar saldo credor do IPI, utilizálo para ressarcimento ou compensação; 5º) pondera que o pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria de votos, reconheceu o direito de creditarse do IPI na aquisição de insumos adquiridos com isenção do imposto (como se devido fosse), para emprego na fabricação de produtos tributados; Por fim, requer a acolhida da presente manifestação para reconhecimento integral do direito creditório e homologação total da compensação declarada, uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento. Em decorrência da observância, posteriormente à prolação do despacho decisório, da transmissão de PER/DCOMPs vinculados ao mesmo crédito pleiteado nos autos, cf. relação fls. 178, foi proferido novo Despacho Decisório (Nº 17, de 18/01/2008, fls. 289/293), o de Nº 1.277, de 11/10/2007 (fls. 135/140), para incluir as respectivas DCOMPs eletrônicas no rol dos débitos compensados. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 5 4 De se registrar que o Despacho Decisório Nº 17/2008 (o segundo proferido) foi posteriormente tornado sem efeito (em razão, dentre outras, da constatação de entrega de PER/DCOMP retificador no qual se alterou o crédito utilizado em algumas DCOMPs para o 3º trimestre/2003) pelo terceiro Despacho Decisório, o de Nº 592 (fls. 354/360), proferido em 07/07/2008, o qual: · ratificou o deferimento parcial do direito creditório relativo ao 3º trimestre/2002, no valor de R$ 126.854,89, apurado pela matriz, nos termos do Relatório de Diligência de fls. 90/91; · não conheceu do Pedido de Ressarcimento a que se refere a cópia de fls. ¾, originário do processo nº 12155.000197/200272, pelo fato de o titular daquele crédito ser outro estabelecimento industrial da interessada, situado no estado do Pará, não pertencente à jurisdição da DRF/Goiânia/GO, restando a ser analisado no presente processo o crédito pleiteado de R$ 129.555,34, relativo à matriz; · ratificou a homologação parcial da compensação declarada à fl. 01, até o limite do crédito reconhecido, e a consequente não homologação do valor de R$ 2.494,41; · indeferiu o pedido de ressarcimento a que se refere o PERResidual (fls. 129/130), também relativo ao trimestre sob análise (3º/2002), por inexistência de crédito residual a ser deferido e, por consequência, a não homologação da DCOMP eletrônica de fls. 233/236 (nº ...7540) fundada no referido PERResidual; · ressalvou o direito de o contribuinte apresentar nova manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias. Cientificado do Despacho Decisório Nº 592/2008 (o terceiro proferido) em 17/07/2008(fls. 375 e 379) e oportunizado a se manifestar o contribuinte não se pronunciou. Às fls. 383 encontrase juntado o comprovante de recolhimento do valor de R$ 2.494,41 e acréscimos, relativo à parcela não homologada da compensação declarada à fl. 02. Intimada do acórdão supra em 02.04.2009, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.05.2009. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Verdade Material. Da Ampla Defesa e do Contraditório Fl. 478DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 6 5 Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos. Isto devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Com base no princípio da verdade material, diante da existência de fatos imponíveis não declarados voluntariamente pelo contribuinte, cabe à Fazenda Pública diligenciar para descobrilos e provar a sua existência real. O princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente, pelo julgador. Importa saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Ante os fatos constantes dos autos, não vislumbro qualquer ofensa ao contraditório e ampla defesa, pois todos os despachos decisórios proferidos no presente processo foram devidamente fundamentados. Ademais, a Recorrente, em face das decisões foi chamada se manifestar, sem que houvesse qualquer empecilho que lhe tolhesse esse direito. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tãosomente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. Face ao exposto, neste tópico mantenho a decisão proferida pela improcedência de cerceamento de defesa. Do crédito de IPI decorrentes de aquisições isentas No que tange a aquisição de insumos adquiridos sujeitos à alíquota zero ou não tributados e utilizados na fabricação de produtos tributados, o Superior Tribunal de Justiça se pronunciou sobre o tema, no regime do artigo 543C do CPC, declarando não haver violação ao princípio da nãocumulatividade, in verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 7 6 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 8 7 Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX.” No mesmo sentido, o E. Supremo Tribunal Federal já se pronunciou através do RE nº 566.819: “Ementa IPI.CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO.INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI.CRÉDITO.DIFERÊNÇA.INSUMO ALÍQUOTA. A prática da alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial, não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Assim, se houvesse no presente caso, quaisquer valores referentes a créditos de IPI provenientes de insumos isentos, o que se admite apenas por argumentação, estes deveriam ser postos à tributação, aplicandose integralmente as citadas decisões do STJ e do STF. Ademais, quanto às demais discussões, compartilho da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, nos seguintes termos: “ Partindose a seguir para a análise do direito creditório, é de se registrar, por oportuno, que, não obstante alegue a interessada, na manifestação de inconformidade, que o saldo credor acumulado ao final do 3º trimestre/2002 monta em R$ 193.199,56 – cf. RAIPI que anexa às fls. 263/282 (o qual, frise se, já se encontrava juntado às fls. 77/86 dos autos, antes, portanto, da elaboração do Relatório Fiscal), registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás em 23/07/2004 , e não R$ 129.555,34 (conforme consta no RAIPI originalmente anexado às fls. 17/36 do presente pedido), o fato é que a apuração levada a efeito pela autoridade fiscal em procedimento de diligência concluiu pela procedência do saldo credor, ao final do trimestre 3º/2002, na ordem de R$ 126.854,89. Frisese que, no procedimento de verificação, depois de intimada a discriminar as notas fiscais que deram origem ao crédito do terceiro trimestre/2002 (cf. Relatório Fiscal fls. 90), a requerente apresentou, em 06/06/2005 (portanto, em data posterior ao RAIPI de fls. 77/86, no qual alega a requerente constar o valor correto do saldo credor do trimestre), a planilha de fls. 74/76, discriminando o número da nota fiscal, a data da entrada, o fornecedor e respectivo CNPJ, o valor total da nota e o valor destacado do IPI. Citada planilha serviu de base para apuração do crédito em apreço, conforme trecho extraído do Relatório de fls. 90/91, a seguir transcrito: “Devido a erro de escrituração do livro de registro de IPI, incluindo produtos com alíquota zero e falta de estorno de crédito de IPI que foi glosado relativo ao 4º trimestre de 1999 no Fl. 481DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 9 8 processo nº 10120.000199/0081, elaborei demonstrativo do saldo acumulado de IPI no 4º trimestre de 1999 ao 4º trimestre de 2002 (fls. 88 a 89), com base no livro de registro de IPI relativos às saídas de produtos tributados e planilhas entregues pelo contribuinte relativos aos créditos, detalhando trimestre por trimestre, bem como informando os números dos processos de ressarcimento de IPI relativos a cada trimestre”. (grifo e negrito acrescidos) Verificase, pois, que a autoridade fiscal, partindo do valor do IPI sobre as aquisições com direito ao crédito, no montante de R$ 109.068,29, consignado, repisese, nas planilhas elaboradas pela própria requerente, adicionando a este o saldo credor advindo do trimestre anterior (que não fora utilizado sob a forma de ressarcimento/compensação) e deduzindo desse somatório o valor total do débito de IPI decorrente de saídas tributadas no trimestre sob análise, constante do Livro de Apuração do IPI – RAIPI, às fls. 77/87, no valor de R$ 12.018,48, apurou o crédito de IPI com direito ao ressarcimento no valor de R$ 126.854,89 (fls. 89 e 91). Em síntese: Saldo anterior conforme demonstrativo de fls. 88 e 89 R$ 29.805,08 Valor do Crédito de IPI, conforme planilha de fls. 74 a 76 R$ 109.068,29 Débito de IPI decorrente da saída de produtos tributados (fls. 77 a 87) R$ (12.018,48) Crédito de IPI com direito a ressarcimento R$ 126.854,89 Desse modo, tendose em conta que a apuração do saldo credor do 3º trimestre/2002 passível de utilização sob a forma de ressarcimento/compensação tomou por base as informações prestadas pela requerente na planilha de fls. 74/76 e no RAIPI apresentado (fls. 77/87), posese inferir que a diferença entre o valor solicitado (R$ 129.555,64) e o deferido (R$ 126.854,89) decorre da glosa de créditos de trimestres anteriores (pleiteados em outros processos), que refletiram no saldo credor acumulado ao final do 3º trimestre/2002 em razão da transferência de saldos credores daqueles trimestres ( a partir do 4º/1999) para os seguintes, conforme demonstrativo de fls. 88/89. De se concluir, pois, que no trimestre de que cuida o presente processo (3º/2002) não houve qualquer glosa de créditos (repisese, todos os créditos decorrentes das notas fiscais relativas às aquisições do 3º trimestre/2002 informados pela requerente na planilha de fls. 74/76 foram considerados na apuração do saldo credor do referido trimestre). Tomase por prejudicadas, então, as questões atinentes ao creditamento do IPI na aquisição de insumos adquiridos com isenção do imposto (como se devido fosse), para fabricação de produtos tributados, tratadas no julgado do Supremo Tribunal Federal trazido à colação, pela requerente, assim como qualquer outro tema atinente ao crédito suscitado pela reclamante. E quanto ao PER residual transmitido em 10/08/2007 (fls. 129/130), também relativo ao trimestre sob análise (3º/2002), é de registrar que, dado o indeferimento do pedido por meio do Despacho Decisório Nº 592/2008 (o terceiro proferido), Fl. 482DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.008585/200273 Acórdão n.º 3302002.525 S3C3T2 Fl. 10 9 devidamente cientificado em 17/07/2008 (fls. 375 e 379) e, considerandose o fato de que a pleiteante, não obstante tenha sido oportunizada a se manifestar sobre o mesmo, não usufruiu o seu direito de apresentar suas razões de defesa, há que se considerar não instaurado o litígio, tratandose, pois, de matéria definitiva, que não cabe ser apreciada por esta DRJ, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). Da mesma forma, e pelos mesmos motivos é de se considerar a não instauração de litígio quanto a não homologação da DCOMP eletrônica de fls. 233/236 (nº ..7540) lastreada no referido PERResidual.” Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 15504.017473/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida.
AUTO DE INFRAÇÃO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE.
Conforme Súmula nº 435, do STJ, presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, o que permite a responsabilidade do sócio-gerente nos termos do art. 135, inciso III, do CTN.
Numero da decisão: 3401-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos interpostos por Willian da Silva e Juvenil Filho, em face da intempestividade. No tocante ao recurso interposto por Viviane Angélica Ferreira, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencidos os Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori, que davam provimento, inclusive para afastar a responsabilidade tributária do sócio Willian da Silva. Presidiu o julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Fizeram sustentação os advogados Viviane Angélica Ferreira Zica OAB/MG 64.145 e Helio Lopes OAB/MG 98.881.
ROBSON JOSÉ BAYERL- Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira, Bernardo Leite de Queiroz Lima e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. AUTO DE INFRAÇÃO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE. Conforme Súmula nº 435, do STJ, “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes”, o que permite a responsabilidade do sóciogerente nos termos do art. 135, inciso III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos interpostos por Willian da Silva e Juvenil Filho, em face da intempestividade. No tocante ao recurso interposto por Viviane Angélica Ferreira, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso, vencidos os Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori, que davam provimento, inclusive para afastar a responsabilidade tributária do sócio Willian da Silva. Presidiu o julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Fizeram sustentação os advogados Viviane Angélica Ferreira Zica OAB/MG 64.145 e Helio Lopes OAB/MG 98.881. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 74 73 /2 00 9- 99 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 2 ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira, Bernardo Leite de Queiroz Lima e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Por tratarse de retorno de diligência, pedese vênia para repetir o relatório apresentado na primeira análise. “Trata o presente processo de auto de infração (fls.02/06), lavrado em 06/11/2009 (fl.10), exigido o PIS não recolhido nos meses de março, novembro e dezembro de 2006, devido pela pessoa jurídica da qual a Autuada era responsável. Segundo consta no termo de verificação fiscal (fls.11/12), a fiscalização constatou divergência entre o valor apurado e valor declarado. Após intimação para esclarecimento, a Contribuinte informou que a divergência se deu em razão de equívocos. Como a sociedade foi dissolvida pela OAB/MG, segundo a autoridade fiscal de modo irregular, o auto de infração foi lavrado contra a sóciaadministradora da época dos fatos geradores, Viviane Angélica Ferreira Zica. Também foram incluídos no pólo passivo da obrigação o administrador Willian Pires da Silva e o sóciooculto Juvenil Alves Ferreira Filho. O Sóciooculto apresentou Impugnação às fls.125/155. A Autuada, sóciaadministradora, apresentou Impugnação às fls. 208/254. O administrador Willian Pires da Silva apresentou Impugnação às fls.293/312. A DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu todas as Impugnações e manteve o lançamento em sua integralidade, ao prolatar acórdão (fls. 352/408) com as seguinte ementa: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15504.017473/200999 Acórdão n.º 3401002.784 S3C4T1 Fl. 594 3 “RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, respondem tanto aqueles que seu estatuto designar como o sóciogerente de fato. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DAS SOCIEDADES. A dissolução irregular de sociedades constitui infração de lei capaz de responsabilizar seus representantes pelos tributos devidos à fazenda pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Autuada, Viviane Angélica Ferreira Zica, foi intimada do acórdão da DRJ em 20/03/2012 (fl. 413) e interpôs Recurso Voluntário via correios (fls. 415/489)”. Pela cópia do envelope juntada aos autos (fls. 430/431) não é possível identificar a data da postagem do Recurso”. Como pela cópia do envelope juntada aos autos não era possível identificar a data da postagem o recurso de Viviane Angélica Ferreira Zica e também não estavam presentes a intimação e o Recurso Voluntário dos demais responsáveis, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 540/542), a fim de confirmar a intimação de Willian Pires da Silva e Juvenil Alves Ferreira Filho, bem como de esclarecer em qual data foi postado o recurso de Viviane Angélica Ferreira Zica. Na diligência, foi esclarecido que o recurso de Viviane Zica foi postado em 19/04/2012 (fl.555). Também foi notado que os demais sócios não haviam sido intimados, motivo pelo qual o Sr. Willian da Silva foi intimado somente em 24/05/2013 (fl. 586) e interpôs recurso voluntário por Correios em 26/06/2013 (fls.558/570), enquanto o Sr. Juvenil Filho foi intimado somente em 27/05/2013 (fls.556/557), interpondo recurso voluntário em 28/06/2013 (fls. 578/590). Em seu recurso voluntário, Viviane Zica que alega fez as alegações resumidas abaixo: As alegações da Recorrente podem ser resumidas da seguinte forma: 1 A sociedade foi extinta de ofício pela OAB/MG; 2 Apesar de constar formalmente como administradora, a Recorrente jamais administrou de fato ou praticou qualquer ato de gestão da sociedade; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 4 3 O verdadeiro sócio administrador da sociedade era o Sr. Juvenil Alves Ferreira Filho, sócio oculto. Em decisões judiciais e audiências de oitiva de testemunhas perante a Justiça do Trabalho, esse fato ficou claro. 4 Como os atos judiciais ocorreram após a Impugnação, somente agora foi possível juntar tais documentos; 5 No contrato social, todos os advogados figuram como sócios, de modo que não poderiam ser considerados empregados e, por isso, não incide o PIS exigido; 6 O Fisco não pode tratar como verdadeiro somente o que foi declarado pelos sócios administradores e descartar as declarações dos demais signatários do contrato de que eram sócios e não funcionários; 7 Para ser responsabilizada, não basta que a Recorrente tenha sido sócia administradora, também é preciso demonstrar que ela administrou com dolo; 8 Outros advogados que constam no contrato social como sócios e assinaram o documento de abertura de conta corrente, bem como procuração outorgando poderes da empresa a outrem, foram considerados, pelo Fisco, empregados e não sócios. Assim, esses documentos não podem ser usados como prova de que a Recorrente era sócia administradora, pois, se ela era, os demais advogados considerados funcionários também são; 9 A Recorrente constava formalmente como responsável pela sociedade perante o CNPJ. Por essa razão, ela era a única que poderia assinar os documentos contábeis, mas isso não prova que ela praticava atos de gestão, pois cumpria apenas as formalidades. Quem realmente era o administrador de fato era o Sr. Juvenil Alves Ferreira Filho; 10 A dissolução da sociedade não foi irregular, haja vista que a OAB/MG dissolveu a sociedade de ofício, sem qualquer ato praticado pela Recorrente; 11 Todos os advogados sócios foram fazendo sua retirada unilateral perante a OAB/MG, sem assinarem a 12a alteração contratual. Assim, muito embora a Recorrente e o sócio restante tivessem a vontade de dissolver a sociedade regularmente perante a Receita Federal, isso não foi possível em razão da falta da assinatura dos demais sócios na 12a alteração contratual; 12 A Recorrente não pode ser responsabilizada, pois não agiu nem com culpa nem com dolo na dissolução da empresa; 13 O verdadeiro dono do escritório era o advogado Juvenil Alves Ferreira Filho, contudo, como ele já tinha outro escritório em Belo Horizonte, Juvenil Alves Advogados Associados, não poderia figurar como sócio de um novo escritório na mesma base territorial, por vedação da OAB. Por esse motivo, na nova sociedade, Ferreira e Advogados Associados, Juvenil Alves Ferreira Filho colocou a Recorrente, sua irmã, com cotas, para que pudesse ter mais controle; Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15504.017473/200999 Acórdão n.º 3401002.784 S3C4T1 Fl. 595 5 14 Em declaração firmada em 30/08/2009, e de conhecimento dos auditores fiscais, o Sr. Juvenil Alves reconhece que era sócio de fato e gestor da sociedade; 15 A Recorrente não pode ser responsabilizada porque não exercia a gerencia de fato; Willian Pires da Silva pediu a exclusão da sua responsabilidade e o Sr. Juvenil Alves Ferreira Filho pediu a nulidade do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os recursos do Sr. Willian da Silva e do Sr. Juvenil Filho são intempestivos, não merecendo serem conhecidos. O Sr. Willian da Silva foi intimado em 24/05/2013 (fl. 586) e interpôs recurso voluntário por correios em 26/06/2013 (fls.558/570), enquanto o Sr. Juvenil Filho foi intimado em 27/05/2013 (fls.556/557), interpondo recurso voluntário em 28/06/2013 (fls. 578/590). O art. 33, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, dispõe que o prazo para interpor Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias, senão, vejase: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Como os dois recursos foram interpostos depois de ultrapassado o prazo de trinta dias, são intempestivos e, portanto, não preenchem o requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Quanto ao Recurso da Sra. Viviane Angélica, ele é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela dele tomo conhecimento. Foi encontrada divergência entre o valor escriturado e valor pago do PIS referente aos meses de março, novembro e dezembro de 2006 da pessoa jurídica Ferreira Adv Associados. Todavia, como a autoridade fiscal entendeu que houve extinção irregular da pessoa jurídica, lavrou o auto de infração contra a sócia administradora, Viviane Angélica Ferreira Zica, além de termos de responsabilidade contra os sócios Willian Pires da Silva e Juvenil Alves Ferreira Filho. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 6 Desse modo, o cerne da questão consiste em saber: se houve a extinção irregular da pessoa jurídica e qual a responsabilidade de cada sócio. 1. Da extinção irregular da pessoa jurídica Nos autos está incontroverso que a pessoa jurídica consiste em sociedade de advogados, a qual foi dissolvida pela OAB/MG, mas os sócios não informaram a Receita Federal do Brasil acerca da extinção. A Recorrente alega que a comunicação da dissolução não foi feita em razão de divergência dos sócios quanto à alteração do contrato social. Todavia, o fato alegado, além de não estar provado, é irrelevante para julgar se a extinção foi irregular ou não. Em relação à extinção de pessoa jurídica sem informação aos órgãos competentes, a Súmula nº 435 do STJ dispõe o seguinte: “Súmula 435 Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. Portanto está clara a extinção irregular da pessoa jurídica. 2. Da responsabilidade de Viviane Angélica Ferreira Zica e de Juvenil Alves Ferreira Filho Nos autos está incontroverso que a Sra. Viviane Angélica Ferreira constava no contrato social como sócia administradora e que praticava atos de gerência ao assinar documentos contábeis. Portanto, ainda que não administrasse a empresa, seus atos gerenciais são assumidos até mesmo nos seus argumentos. Quanto às provas testemunhais apresentadas perante a Justiça Trabalhista, além de não se vincularem as decisões administrativas, não são suficientes para afastar os documentos carreados nos autos que demonstram que a Sra. Viviane Angélica Ferreira Zica era sócia e administradora da sociedade, senão, vejamos: O nome da sociedade era “Ferreira e Advogados Associados”, sendo “Ferreira” um dos sobrenomes da Recorrente. O §1º, do art. 16, da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia), assim estabelece: Art. 16. Não são admitidas a registro, nem podem funcionar, as sociedades de advogados que apresentem forma ou características mercantis, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam sócio não inscrito como advogado ou totalmente proibido de advogar. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15504.017473/200999 Acórdão n.º 3401002.784 S3C4T1 Fl. 596 7 § 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo. (grifo nosso) Além disso, na fl. 103, onde está presente a consolidação do contrato social, o nome da Recorrente é o primeiro que figura como sócio, além de ela ter a maior número de quotas da sociedade, conforme demonstra a fl. 108. Por fim, ainda na fl. 109, a cláusula oitava da consolidação do contrato social é clara ao afirmar que: “A administração da sociedade será exercida pelas quotistas VIVIANE ANGÉLICA FERREIRA ZICA E WILLIAN PIRES DA SILVA, em conjunto ou isoladamente, sendolhes conferidos todos os poderes de representação da sociedade em órgãos públicos, instituições bancárias e quaisquer outros que se fizerem necessários”. Se não bastasse, nas suas alegações a Recorrente assume que assinava os documentos contábeis. Assim, levando em consideração os fatos narrados acima e que a Recorrente é uma advogada, portanto com conhecimento suficiente para saber das consequências de figurar como sócia administradora em um contrato social e, ainda, tendo discernimento para saber a responsabilidade dos documentos que assinou, é correta a sua responsabilização conforme previsão do art. 135, inciso III, do CTN. Ex positis, não conheço dos recursos voluntários interpostos pelos Sr. Willian Pires da Silva e pelo Sr. Juvenil Alves Ferreira Filho. Quanto ao recurso voluntário interposto pela Sra. Viviane Angélica Ferreira Zica, conheço e nego provimento, mantendo o acórdão da DRJ. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 8 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10480.914163/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 63 /2 00 9- 16 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914163/200916 Acórdão n.º 3801004.677 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.006035/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA. VERBAS DE REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES, ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA. ENTENDIMENTO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
Quanto à composição da Receita destaca-se que no agenciamento de mão-de-obra, a despeito das notas fiscais emitidas pela autuada serem compostas pelas verbas de remuneração de trabalhadores, encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, reembolso de despesas e por último o valor cobrado pela prestação de serviços (intermediação), a qual se denomina Taxa de Agenciamento (comissão), a receita bruta a ser considerada nessa modalidade são todos os valores descritos na Nota Fiscal, e não apenas a comissão, visto o entendimento do STJ que vincula essa Corte nos termos do artigo 62-A do RICARF.
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, II, C, DO CTN. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada prevista no inciso IV foi revogada pela Lei n° 11.488/2007, e por esta razão não há mais previsão legal para sua aplicação. Aplica-se o art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, que impõe a aplicação da lei mais benigna para o contribuinte, tornando insubsistente a multa isolada.
A concomitância da multa isolada com a multa de ofício é matéria já enfrentada por essa Corte, tendo como decisão remansosa a exclusão da multa isolada por critério de concomitância e aplicação do princípio da consunção emprestado do Direito Penal.
MULTA CONFISCATÓRIA. SUMULA 2 DO CARF.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para: (i) excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 2.943,65 para o ano de 2001, e de R$ 13.360,71 para o ano de 2002; (ii) deduzir do IRPJ mantido o valor do IRRF apurado nas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, e (iii) afastar a exigência da multa isolada, vencida neste ponto a conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA. VERBAS DE REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES, ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA. ENTENDIMENTO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Quanto à composição da Receita destaca-se que no agenciamento de mão-de-obra, a despeito das notas fiscais emitidas pela autuada serem compostas pelas verbas de remuneração de trabalhadores, encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, reembolso de despesas e por último o valor cobrado pela prestação de serviços (intermediação), a qual se denomina Taxa de Agenciamento (comissão), a receita bruta a ser considerada nessa modalidade são todos os valores descritos na Nota Fiscal, e não apenas a comissão, visto o entendimento do STJ que vincula essa Corte nos termos do artigo 62-A do RICARF. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, II, C, DO CTN. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada prevista no inciso IV foi revogada pela Lei n° 11.488/2007, e por esta razão não há mais previsão legal para sua aplicação. Aplica-se o art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, que impõe a aplicação da lei mais benigna para o contribuinte, tornando insubsistente a multa isolada. A concomitância da multa isolada com a multa de ofício é matéria já enfrentada por essa Corte, tendo como decisão remansosa a exclusão da multa isolada por critério de concomitância e aplicação do princípio da consunção emprestado do Direito Penal. MULTA CONFISCATÓRIA. SUMULA 2 DO CARF. Recurso conhecido e parcialmente provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA. VERBAS DE REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES, ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA. ENTENDIMENTO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Quanto à composição da Receita destacase que no agenciamento de mãode obra, a despeito das notas fiscais emitidas pela autuada serem compostas pelas verbas de remuneração de trabalhadores, encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, reembolso de despesas e por último o valor cobrado pela prestação de serviços (intermediação), a qual se denomina Taxa de Agenciamento (comissão), a receita bruta a ser considerada nessa modalidade são todos os valores descritos na Nota Fiscal, e não apenas a comissão, visto o entendimento do STJ que vincula essa Corte nos termos do artigo 62A do RICARF. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, II, “C”, DO CTN. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada prevista no inciso IV foi revogada pela Lei n° 11.488/2007, e por esta razão não há mais previsão legal para sua aplicação. Aplicase o art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, que impõe a aplicação da lei mais benigna para o contribuinte, tornando insubsistente a multa isolada. A concomitância da multa isolada com a multa de ofício é matéria já enfrentada por essa Corte, tendo como decisão remansosa a exclusão da multa isolada por critério de concomitância e aplicação do princípio da consunção emprestado do Direito Penal. MULTA CONFISCATÓRIA. SUMULA 2 DO CARF. Recurso conhecido e parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 35 /2 00 4- 17 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 728 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para: (i) excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 2.943,65 para o ano de 2001, e de R$ 13.360,71 para o ano de 2002; (ii) deduzir do IRPJ mantido o valor do IRRF apurado nas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, e (iii) afastar a exigência da multa isolada, vencida neste ponto a conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização em 28/06/2004, que cobra IRPJ dos anos calendários de 2000 (1°, 2°, 3° e 4° trimestres) e de 2001, em razão de ter o contribuinte apresentado DIPJ de 2001 zerada, bem como multa isolada por falta de pagamento de estimativas mensais nos meses relativos aos anos de 2001 e 2002. Contudo, segundo a fiscalização há informações obtidas junto ao fisco municipal da cidade do Recife, existentes nas declarações prestadas ao fisco municipal (Declaração de Serviços DS) 3 informadas pela empresa, mostrando que a mesma apresentou movimentação de vendas de serviços neste ano e nos anos seguintes. Em 03/05/2004, já no curso da fiscalização, a empresa envia a SRF nova declaração DIPJ/2001 (Retificadora), declarada com base no Lucro Real Trimestral, com valores de receitas compatíveis com os escriturados em seus livros: Diário, Razão, Balancetes. Os valores de receita foram apurados e tributados em lançamento de ofício, visto não terem sido declarados e nem pagos anteriormente, sob a incidência de multa de ofício de 75%. Quanto ao IRPJ do anocalendário de 2001, o contribuinte declarou o IRPJ devido por estimativa mensal com base nas Receitas Brutas e Acréscimos, porém, sem o Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 729 3 preenchimento dos valores da ficha 11 da DIPJ necessários ao cálculo das estimativas mensais e sem efetuar os pagamentos das estimativas devidas. A falta do pagamento do IRPJ devido mensalmente por estimativa submeteu a empresa à cobrança da multa de 75 % sobre o valor desse imposto que deixou de ser pago, nos termos de que trata o inciso IV do parágrafo 10 do artigo 44 da Lei 9.430/1997, cobrado pela fiscalização, estando os seus valores apurados e demonstrados no "Demonstrativo de Apuração do IRPJ, da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal, do Ano Calendário de 2001", juntado aos autos. No ano calendário ainda de 2001, a empresa apurou imposto de renda sobre o lucro real a pagar — IRPJ (anual) de R$ 9.931,21 (Base Tributável — Lucro Real de R$ 66.208,06); sendo que, não pagou nem declarou em suas DCTF (Declaração de Débitos e Créditos dos Tributos Federais), sendo cobrado também de ofício esse valor pela fiscalização. Quanto ao ano calendário de 2002, a empresa também apresentou declaração DIPJ com a forma e tributação do IRPJ pelo Lucro Real Anual, tendo informado a apuração do IRPJ devido por estimativa mensal com base nas Receitas Brutas e Acréscimos, porém, novamente, sem preencher os valores da ficha 11 da DIPJ não efetuou pagamentos das estimativas mensais devidas. Com isso, a fiscalização cobrou da empresa multa isolada de 75% sobre o valor da estimativa mensal devida e não paga. A título de observação, no ano calendário de 2002, a empresa informou na ficha 12A da DIPJ/2003, que apura o IRPJ sobre o Lucro Real — Anual, um Imposto devido de R$ 5.643,92, que compensado com IRFonte de R$ 10.317,80 resultou num Imposto a Restituir de R$ 4.673,8812. Há manifestação nos autos do contribuinte de os débitos foram incluídos no PAES, tendo ocorrido a sua liquidação. Vejamos: Acontece que, após uma verificação minuciosa do que efetivamente tinha acontecido, a Requerente pôde observar que está sendo compelida, através do pretenso Auto de Infração, a efetuar recolhimento de tributo que já está sendo objeto do PARCELAMENTO ESPECIAL — PAES, que engloba os tributos que tenham o fato gerador ocorrido até fevereiro de 2003. Nestas condições, só resta ao contribuinte requerer que V Exa. se digne de tomar as providências necessárias, com vistas a excluir as parcelas constantes no presente Auto de Infração que já estão sendo objeto do PAES. A DRF analisou a informação apresentada pelo contribuinte, informando nos autos que: Tendo em vista o Despacho do SECAT de f1.672, que solicita manifestação deste setor de parcelamento quanto ao requerimento do contribuinte, de f1.670, informamos que, após as devidas consultas aos sistemas, constatamos as seguintes ocorrências: Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 730 4 a) O contribuinte foi autuado e, conforme fl. 604, tomou ciência do Auto de Infração em 28/06/2004. O impugnou administrativamente em 28/07/2004, conforme fls. 608 a 633. b) Em 22/09/2004, o contribuinte apresentou um requerimento onde questiona o motivo da cobrança de tais débitos, já que, como os mesmos têm fato gerador ocorrido até fevereiro de 2003, fls.604 a 607, já estão sendo objeto de parcelamento especial — PAES, o qual fez adesão. c) Confirmamos junto ao sistema PAES que o contribuinte fez adesão ao parcelamento especial em 28/08/2003, e a atual situação da sua conta é ENCERRADA POR LIQUIDAÇÃO. d) Quanto aos débitos que fizeram parte de sua consolidação, observasse, à fl. 679 ,que o tributo objeto desse Auto — IRPJ não fez parte. Observamos que os débitos que o contribuinte alega fazer parte do PAES não foram e não podem ser incluídos na consolidação do mesmo, pois não foram confessados até 28/11/2003, descumprindo, portanto, o que determina a legislação do PAES, que, para que os débitos façam parte da consolidação do Parcelamento Especial, precisam estar devidamente constituídos até 28/11/2003, ou em declaração específica, ou, caso desobrigado desta, em declaração PGDPAES, conforme preceitua a Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 03 de 01 de setembro de 2003, transcrita abaixo: (...) Diante do exposto acima, propomos o encaminhamento do presente processo ao SECAT, para que seja dada ao mesmo o devido prosseguimento. Devidamente impugnado, alegou a contribuinte que: A contribuinte inicia afirmando ter como objetivo social o agenciamento de mãodeobra e que, ao proceder ao lançamento em lide, a autoridade fiscal havia levado "em consideração os valores que foram declarados como receita bruta pela impugnante, mas que na prática não condiz com sua realidade." A sua inconformidade referese ao fato de que os valores de receita bruta considerados para efeito de cálculo das estimativas do IRPJ em alguns meses não seriam condizentes com o somatório das notas fiscais por ela emitidas; que o valor da multa isolada aplicada seria exorbitantemente superior ao valor do tributo principal efetivamente devido e que o valor principal já havia sido acrescido de multa de 75%. Alega, ainda, que por ser agenciadora de mão de obra temporária, as suas receitas seriam decorrentes exclusivamente das taxas de agenciamento, concluindo estarem errados todos os valores computados como sendo sua receita bruta. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 731 5 Argúi que os valores referentes ao pagamento dos salários e respectivos encargos sociais, que seriam repassados pelas empresas tomadoras, não constituiriam receita da empresa de trabalho temporário, e que seriam meras entradas, pertencentes a terceiros, que transitariam momentaneamente por sua contabilidade. Afirma que as notas fiscais por ela emitidas seriam compostas das seguintes verbas: Remunerações dos trabalhadores temporários; Encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores temporários; Reembolso das despesas e Valor cobrado pela prestação de serviços (taxa de agenciamento). Assim, a sua receita bruta seria composta exclusivamente pelas suas taxas de agenciamento, o que não havia sido levado em conta pela autoridade fiscal. Aduz que ainda que considerasse que a base de cálculo fosse compreendida pelo somatório dos valores brutos de suas notas fiscais, o lançamento ainda estaria errado por ter a autoridade fiscal tomado por fundamento uma base de cálculo inexistente a qual em algumas competências seria superior ao somatório dos valores brutos das notas fiscais emitidas, conforme faz querer provar através de planilha por ela elaborada. Argumenta ser impossível a aplicação de multa sobre as antecipações que não haviam sido efetuadas por superar o valor do tributo principal e por ter aplicado multa sobre o valor do IRPJ efetivamente devido, por constituir dupla imposição tributária sobre o mesmo fato gerador. Diz que não foi levada em consideração, pelo autuante, nenhuma retenção do Imposto de Renda sofrida pela impugnante, nos termos do art. 649 e 650 do RIR 1 1999, já que sua atividade é de locação de mão de obra. Deve a base de cálculo apurada ser abatida de todos os valores que foram retidos pelos tomadores de serviços. Novamente afirma que por atuar no ramo da intermediação de mãodeobra temporária, não teria suas relações regidas pela Lei Geral (CLT), mas sim pela legislação especial, qual seja, a Lei n° 6.019/1974, regulamentada pelo Decreto n° 73.841/1974, reafirmando que a receita bruta para fins de determinar as antecipações do IRPJ consistiria apenas do valor que realmente representaria a remuneração pela prestação de serviços, ou seja, da taxa ou comissão de agenciamento, citando jurisprudência Esclarece que não está querendo se eximir do recolhimento das estimativas do IRPJ, mas sim recolher a de forma correta, e que "a tributação da forma que foi imposta à impugnante não representa a essência do IRPJ. Isto porque, o que está havendo é uma flagrante violação ao conceito jurídico de `faturamento/receita', onde o Fisco Federal está exigindo das empresas agenciadoras de mão de obra temporária além do que deveria, posto que a receita bruta utilizada para determinar o Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 732 6 quantum a ser recolhido mensalmente a título de antecipações do IRPJ está sendo calculada não só sobre a taxa de agenciamento — como preceitua o artigo 9° do Decretolei n° 406/68 mas também, sobre os encargos sociais e as remunerações concernentes aos terceiros/trabalhadores temporários." O que feriria os princípios básicos que norteiam o Direito Tributário, e que são assegurados constitucionalmente como o Princípio da Capacidade Contributiva, o Princípio da Isonomia, o Princípio da Legalidade e o Princípio da Vedação ao Confisco. Em seguida discorre sobre a natureza jurídica das empresas agenciadoras de mãodeobra temporária; as diferenças entre as atividades de terceirização de serviços e o agenciamento de mãodeobra temporária. Alega que por expressa determinação contratual (em vista de que os inúmeros tomadores de seus serviços exigem que os trabalhadores alocados nas suas dependências recebam vale transporte, ticket refeição, cestas básicas, planos de saúde, etc), adquire os valesrefeição, vales transporte, cestas básicas e planos de saúde e entrega aos trabalhadores que estão prestando os serviços a diversas outras empresas, daí resultando que emite uma nota fiscal de "reembolso de despesas de alimentação, saúde,etc" com vistas a ser ressarcida dos gastos que teve ao adquirilos. Dessa forma, conclui que o reembolso de despesas não constituiria sua receita, muito menos prestação de serviço e que tal procedimento estaria fundado na Instrução Normativa SRF n° 306/2003. Conclui requerendo a improcedência do lançamento e a realização de perícia contábil nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 para provar todo o alegado indicando o nome do contador Manuel de Freitas Cavalcante para atuar como perito e formulando os quesitos elencados à f1.33. A DRJ de Recife manteve o lançamento em parte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2001, 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DEVIDO COM BASE EM ESTIMATIVAS MENSAIS. É devida multa de oficio lançada isoladamente, quando constatado que a contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do IRPJ sobre a base estimada. Esta multa não se confunde com a multa de oficio aplicada sobre o imposto não recolhido no final de seu período de apuração, pois tais penalidades incidem sobre bases de cálculo distintas, associadas, assim, a condutas diferentes. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 733 7 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CUSTOS. MÃODE OBRA. Para fins de obtenção da base de cálculo da estimativa do IRPJ, não se excluem da receita de venda de prestação de serviço de locação de mãodeobra os custos salariais, trabalhistas ou previdenciários, ao encargo da empresa prestadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PERÍCIA CONTÁBIL. Descabe perícia quando as informações necessárias à fundamentação da autuação encontramse nos autos e os termos processuais forem confeccionados em estrita observância da legislação aplicável. APRESENTAÇÃO DE PROVA. O momento oportunizado pela legislação para apresentação de prova no processo administrativo fiscal é quando da apresentação da impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECISÃO JUDICIAL. A sentença judicial faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, e tão somente em relação ao fato a que a decisão se refere, não possuindo efeito erga omnes. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. MULTA ISOLADA.RETROAÇÃO DE LEGISLAÇÃO MENOS GRAVOSA. Aplicase ao fato pretérito, objeto de processo ainda não definitivamente julgado, a legislação que imponha penalidade menos gravosa do que a prevista na legislação vigente ao tempo da sua prática. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão proferida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/09/2009, alegando em síntese que: Fl. 978DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 734 8 Primeiramente, a Recorrente aponta que houve erro quanto ao valor indicado no demonstrativo do Auto de Infração, pois conforme apontada por petição, parte dos valores ali apontados como débitos, foram objeto de PARCELAMENTO ESPECIAL PAES, e que este englobou tributos que tinham fato gerador ocorrido até fevereiro de 2003. Ainda sobre o assunto, quando do indeferimento do pedido de perícia, restou prejudicado o direito de defesa do contribuinte, que acabou por ser cerceado. Isto se deve pelo fato de que o fiscal incorreu em diversas irregularidades, quais sejam: o fiscal apurou as estimativas do CSLL incidente sobre a receita bruta, compreendendo o somatório dos valores brutos das notas fiscais, entretanto, em algumas competências o efetivo somatório das notas fiscais emitida pela Recorrente NÃO correspondem com os valores expressos no Auto de Infração; não foi levado em consideração os valores que foram retidos pelos tomadores de serviços da Recorrente, tal como previsto nos arts. 649 e 650 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999; por último o valor utilizado como receita bruta para fins de determinação das antecipações mensais não condiz com a natureza jurídica da atividade exercida pela Recorrente. Conforme já demonstrado na Impugnação, os valores computados como sendo sua receita bruta foram indicados de forma incorreta, uma vez que a atividade da Recorrente é de uma empresa agenciadora de mãodeobra. Por expressa determinação legal, a Recorrente é obrigada a faturar em seu nome os valores que imediatamente serão repassados para os trabalhadores, bem como os encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre a mencionada remuneração. Dessa forma, concluise que as notas fiscais que são emitidas pela Recorrente, será composta pelas seguintes verbas: remuneração de trabalhadores, encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, reembolso de despesas e por último o valor cobrado pela prestação de serviços [intermediação), a qual se denomina Taxa de Agenciamento (comissão). Diante disso, verificase claramente que a receita bruta da Recorrente não pode ser apurada pelo simples somatório dos valores brutos das suas notas fiscais, sob pena de se está incluindo valores que não pertencem a Recorrente e sim aos trabalhadores e ao próprio fisco e os valores que não são decorrentes da afetiva prestação de serviços, mas sim apenas a recomposição do patrimônio da Recorrente por ter suportado despesas alheias. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 735 9 A Recorrente exerce a atividade de agenciamento de mãode obra, que por expressa determinação legal são aquelas empresas urbanas cuja atividade consiste em colocar a disposição de outras empresas, trabalhadores, devidamente qualificados, remunerados e assistidos por elas. Diante disso, a Recorrente a agencia um trabalhador que se alegue ao perfil da empresa tomadora de serviços e estipula a quantia que equivalerá à remuneração desse empregado e consequentemente, os encargos sociais e trabalhistas incidente sobre a remuneração. Sendo assim, a Impugnante através de um contrato por escrito, estabelece o valor do salário e dos encargos sociais, e determina o valor do seu serviço, ou seja, o preço cobrado para efetuar o agenciamento e a assistência ao trabalhador, durante o período em que está prestando serviços. Diante disso, verificase que a receita bruta para fins de determinação do IRPJ não deve ser compreendida pelo somatório dos valores brutos das notas fiscais, mas sim sobre os valores pagos a título de Taxa de Agenciamento. Vale ressaltar de que, quando da apresentação da Impugnação, foi juntada planilha a fim de demonstrar os reais valores devidos a título de estimativa do IRPJ, concluindose que a ora Recorrente comprovou o que alegou, diferente do que foi expresso no acórdão ora recorrido. Reiterando os termos da Impugnação, a Recorrente esclarece que quando da instituição do IRPJ para incidir sobre a receita proveniente da prestação de serviços de qualquer natureza, apenas autorizou a incidência do IRPJ sobre a remuneração recebida em face da prestação, não se permitindo que se tribute algo que juridicamente não seja serviço. O reembolso de despesas, as remunerações dos trabalhadores e os encargos sociais não devem ser tomados como "prestação de serviços", dado o fato que empresa agenciadora apenas está sendo restituída de uma despesa e nos demais casos, por agir como mera repassadora desses valores aos trabalhadores. Na decisão ora combatida, a Recorrente está sendo tratada como uma empresa de terceirização de serviços, o que não pode ser concebido, uma vez que a natureza jurídica das atividades de agenciamento de mãodeobra e das terceirizações de serviços são totalmente distintas entre si, conforme demonstrado exaustivamente na peça impugnatória. Vale ressaltar que foram transcritas diversas decisões proferidas por este egrégio Conselho, que entendem que a base de cálculo dos tributos das empresas que auferem receitas comissionadas, devem se restringir exclusivamente ao valor da comissão, e não sobre o valor bruto da fatura. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 736 10 A petição, datada de 22.09.2004, que a Recorrente está sendo compelida a pagar tributos que foram objetos do PARCELAMENTO ESPECIAL PAES, que inclusive encontra se devidamente quitado, e que tal procedimento englobou todos os tributos pagos que tiveram fato gerador ocorridos até fevereiro de 2003. Em nenhum momento quando da prolatação do Acórdão n° 11 26.624 da 3° Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Recife, este levou em consideração os argumentos trazidos pelos petitórios mencionados acima, principalmente no que se refere aos débitos incluídos em parcelamento já quitado. Dessa forma, requer a Recorrente que seja realizada as devidas diligências quanto ao que foi solicitado no decorrer do processo, o que demonstra claramente a necessidade da perícia requerida nos autos. Quanto à multa isolada, alega que a aplicação do previsto no inciso IV, terminou por revogar a multa isolada e por esta razão não há mais previsão legal para sua aplicação. Levandose em consideração a disposição contida no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional e tendo em vista que não houve o julgamento definitivo da questão, deverá ser aplicada a lei mais benigna para o contribuinte, o que implica na insubsistência da multa isolada. Dessa forma, requer o contribuinte que seja devidamente excluída a multa aplicada isoladamente, por faltarlhe previsão legal. Por fim, alega a tese da multa confiscatória, afirmando que o patamar de 50% cobrado é exorbitante e inconstitucional. Requereu o provimento ao Recurso. Em sessão de julgamento dessa Colenda Turma, este mesmo relator entendeu por bem baixar os autos em diligência, conforme voto abaixo transcrito: O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Primeiramente, cumpre destacar que a suspensão do crédito tributário decorre do artigo 151, inciso III, do CTN. Por isso, a interposição do Recurso já atendeu ao pleito do contribuinte. Quanto à baixa em diligência, entendo que a mesma é necessária, visto que a despeito de constar na decisão da DRJ que todas as informações encontravamse nos autos, entendo que não, considerando algumas informações trazidas nos autos no decorrer do trâmite processual, que precisam ser melhor esclarecidas e analisadas. São elas: o fiscal apurou as estimativas do IRPJ incidente sobre a receita bruta, compreendendo o somatório dos valores brutos das notas fiscais, entretanto, em algumas competências o efetivo somatório Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 737 11 das notas fiscais emitida pela Recorrente NÃO correspondem com os valores expressos no Auto de Infração; não foi levado em consideração os valores que foram retidos pelos tomadores de serviços da Recorrente, tal como previsto nos arts. 649 e 650 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999; a Recorrente foi compelida a pagar tributos que foram objetos do PARCELAMENTO ESPECIAL PAES, que inclusive encontrase devidamente quitado, e que tal procedimento englobou todos os tributos pagos que tiveram fato gerador ocorridos até fevereiro de 2003. Em nenhum momento quando da prolatação do Acórdão n° 11 26.624 da 3° Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Recife, este levou em consideração os argumentos trazidos pelos petitórios mencionados acima, principalmente no que se refere aos débitos incluídos em parcelamento já quitado. Com isso, para que esse julgador tenha total segurança na prolação de sua decisão, especificamente quanto à matéria de fundo, que pode ser afetada por informações a serem trazidas pela fiscalização, entendo pela baixa em diligência, para que a DRF: Verifique se as estimativas do IRPJ incidentes sobre a Receita Bruta apurada pela fiscalização é idêntica àquela informada pelo contribuinte em sua declaração retificadora e na sua contabilidade, considerando as informações dos livros fiscais de prestação de serviços entregues aos Municípios de Recife e Salvador. Se não for, deverá a fiscalização apresentar eventuais diferenças, através de planilha comparativa, apontando o impacto no tributo cobrado; Aponte se houve retenção pelos tomadores de serviços de IRPJ incidente na prestação de serviços da atividade de cessão de mãodeobra temporária, apontando eventuais valores, devendo ainda a fiscalizar realizar planilha subtraindo esses valores retidos do valor cobrado nos presentes autos, para fins de apuração do tributo objeto do lançamento, caso o contribuinte não tenha somado esse valor como saldo negativo e não tenha compensado com outros tributos; Verifique se houve pagamento integral do débito objeto desse lançamento no PAES (Programa de Parcelamento Especial), e caso positivo, deverá apresentar as informações pertinentes quanto ao pagamento; Por fim, caso essa diligência não apure pagamento integral quanto ao débito ora lançado, que informe eventual saldo devedor, se integral ou parcial, devendo os autos retornar para julgamento por essa Corte. (...) Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 738 12 Por fim, a despeito do Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo n° 19.647.006036/200461, que trata da incidência da CSLL sobre os mesmos períodosbase, ter sido julgado parcialmente procedente, fato é que não há nestes petição do contribuinte informando que se enganou quanto à inclusão do débito no parcelamento, como fez no referido processo ora mencionado. Com isso, a dúvida persiste e deve ser sanada pela DRF. Isso porque, se os valores objeto da presente lide foram quitados, há interferência direta sim no Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, seja para declarar que houve a quitação do débito, seja para não conhecêlo pelo menos em parte, pois o interesse de agir ficará prejudicado. Nestes termos, entendo pela necessidade da baixa dos autos em diligência, como apontado acima. Em procedimento de diligência a fiscalização apresentou o seguinte Relatório: Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 739 13 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 740 14 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 741 15 Este é o Relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Primeiramente, quanto à questão do erro apontado pela Recorrente quanto ao valor indicado no demonstrativo do Auto de Infração, em razão de parte dos valores terem sido objeto de parcelamento especial, conforme demonstrado na diligência os tributos pagos são diversos dos débitos objeto de lançamento ora analisado. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 742 16 Se houve algum erro, como bem demonstrado no relatório de diligência fiscal, o mesmo foi corrigido, acolhendo o disposto nas planilhas de fls. 828 e 829, devendo ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às diferenças apontadas, devendo ser adotado o disposto no livro do ISS quando se aponta diferenças de registros de valores. Quanto à questão da Receita auferida pela empresa, cumpre destacar que no agenciamento de mãodeobra, a despeito das notas fiscais emitidas pela autuada serem compostas pelas verbas de remuneração de trabalhadores, encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, reembolso de despesas e por último o valor cobrado pela prestação de serviços (intermediação), a qual se denomina Taxa de Agenciamento (comissão), não podemos aceitar que a receita bruta a ser considerada nessa modalidade seja apenas a comissão, visto o entendimento do STJ que vincula essa Corte nos termos do artigo 62A do RICARF: EMENTA 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários. 5. A exclusão da despesa consistente na remuneração de empregados e respectivos encargos da base de cálculo do ISS, impõe perquirir a natureza das atividades desenvolvidas pela empresa prestadora de serviços. Isto porque as empresas agenciadoras de mãodeobra, em que o agenciador atua para o encontro das partes, quais sejam, o contratante da mãodeobra e o trabalhador, que é recrutado pela prestadora na estrita medida das necessidades dos clientes, dos serviços que a eles prestam, e ainda, segundo as especificações deles recebidas, caracterizamse pelo exercício de intermediação, sendo essa a sua atividadefim. 6. Consectariamente, nos termos da Lei 6.019, de 3 de janeiro de 1974, se a atividade de prestação de serviço de mãodeobra temporária é prestada através de pessoal contratado pelas empresas de recrutamento, resta afastada a figura da Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 743 17 intermediação, considerandose a mãodeobra empregada na prestação do serviço contratado como custo do serviço, despesa não dedutível da base de cálculo do ISS. "Art. 4º Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos. (...) Art. 11 O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei. (...) Art. 15 A Fiscalização do Trabalho poderá exigir da empresa tomadora ou cliente a apresentação do contrato firmado com a empresa de trabalho temporário, e, desta última o contrato firmado com o trabalhador, bem como a comprovação do respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. Art. 16 No caso de falência da empresa de trabalho temporário, a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, no tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela remuneração e indenização previstas nesta Lei. (...) Art. 19 Competirá à Justiça do Trabalho dirimir os litígios entre as empresas de serviço temporário e seus trabalhadores." 7. Nesse diapasão, o enquadramento legal tributário faz mister o exame das circunstâncias fáticas do trabalho prestado, delineadas pela instância ordinária, para que se possa concluir pela forma de tributação. 8. In casu, na própria petição inicial, a empresa recorrida procede ao seu enquadramento legal, in verbis: "Como demonstra seu contrato social (documento anexo), a Impetrante tem como objetivo societário a locação de mãodeobra temporária, na forma da Lei nº 6.019/74. Em contraprestação a essa terceirização, conforme cópia exemplificativa de contrato em anexo (documento anexo), as empresas contratantes ou tomadoras de seus serviços realizam o pagamento da remuneração do trabalhador terceirizado e o pagamento do spread da Impetrante, qual seja, a chamada taxa de administração, conforme cópia exemplificativa de nota fiscal em anexo (documento anexo). Entretanto, por inconveniência contábil e exigência ilegal do Fisco, está "autorizada" a somente emitir uma nota fiscal para receber os seus serviços, onde a taxa de administração, despesas e remuneração do terceirizado são pagas de forma conjunta." 9. O Tribunal a quo, a seu turno, assentou que: "Para melhor esclarecer a questão fazse necessário definir a relação jurídica e as partes envolvidas. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 744 18 11. Verificase, pois, que existe a empresa tomadora do serviço de mãodeobra, a empresa prestadora agenciadora do serviço de mãodeobra e o trabalhador que irá prestar o serviço. 12. Em decorrência disso, existe também um contrato entre a empresa tomadora do serviço e a empresa agenciadora, bem como entre a empresa agenciadora e trabalhador. Nesse sentido, a empresa agenciadora, no caso a apelada, irá determinar ao trabalhador que execute um determinado trabalho, sendo que ele será remunerado pela execução da tarefa. Dessa forma, a empresa agenciadora de mãodeobra recebe a taxa de administração e o reembolso do valor concernente à remuneração do trabalhador, da empresa tomadora do serviço. 13. Assim, o único serviço que a empresa agenciadora de mão deobra presta é o de indicar uma pessoa (trabalhador) para a execução do trabalho e a remuneração bruta é o pagamento que recebe (taxa de administração)." 10. Com efeito, verificase que o Tribunal incorreu em inegável equívoco hermenêutico, porquanto atribuiu, à empresa agenciadora de mãodeobra temporária regida pela Lei 6.019/74, a condição de intermediadora de mãodeobra, quando a referida lei estabelece, in verbis: "Art. 4º Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos. (...) Art. 11 – O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei. (...) Art. 15 A Fiscalização do Trabalho poderá exigir da empresa tomadora ou cliente a apresentação do contrato firmado com a empresa de trabalho temporário, e, desta última o contrato firmado com o trabalhador, bem como a comprovação do respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. Art. 16 No caso de falência da empresa de trabalho temporário, a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, no tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela remuneração e indenização previstas nesta Lei. (...) Art. 19 Competirá à Justiça do Trabalho dirimir os litígios entre as empresas de serviço temporário e seus trabalhadores." 11. Destarte, a empresa recorrida encarta prestações de serviços tendentes ao pagamento de salários, previdência social e demais encargos trabalhistas, sendo, portanto, devida a incidência do ISS sobre a prestação de serviços, e não apenas sobre a taxa de agenciamento. 12. Recurso especial do Município provido, reconhecendose a incidência do ISS sobre a taxa de agenciamento e as Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19647.006035/200417 Acórdão n.º 1201001.036 S1C2T1 Fl. 745 19 importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores contratados pelas prestadoras de serviços de fornecimento de mãodeobra temporária (Lei 6.019/74). (REsp 1138205 PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Quanto ao IRFonte, acolho o informado nas DIRFs, devendo ser adotada a planilha que apontou a diferença de R$ 9.049,63 (diferença devida), visto que as fontes pagadoras declararam esse valor ao fisco federal como retido da contribuinte. Por fim, quanto à multa isolada prevista no inciso IV, terminou por ser revogada pela Lei n° 11.488/2007, e por esta razão não há mais previsão legal para sua aplicação, acolho a aplicação do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, que impõe a aplicação da lei mais benigna para o contribuinte, tornando insubsistente a multa isolada. Ademais, destacase ainda que a concomitância da multa isolada com a multa de ofício é matéria já enfrentada por essa Corte, tendo como decisão remansosa a exclusão da multa isolada por critério de concomitância e aplicação do princípio da consunção emprestado do Direito Penal. Quanto à multa confiscatória, não cabe a essa Corte afastar lei por critério de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito DOULHE parcial provimento, para reconhecer como correta a apuração do tributo com base na diligência, que reduziu o lançamento em razão de diferenças e a diferença do IRFonte que fora lançado e retido, bem como acolher a exclusão da multa isolada nos termos do artigo 106, II, “c”, do CTN. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10945.000951/2008-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 09 51 /2 00 8- 38 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 13 3 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob. o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, a qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como o presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadradada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impresso em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. Tendo em vista que em preliminar, a recorrente informou que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem informasse o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais e eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 14 4 Em atendimento à diligência, a Delegacia de origem após juntar cópia da petição inicial argumentou que os créditos tributários em discussão na Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR referemse àqueles oriundos tãosomente das Declarações de Compensação nº 31712.38227.220405.1.3.013639 e nº 40181.76436.120505.1.3.016656, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento nº 03659.70301.140105.1.1.010288, cujo crédito não foi reconhecido no montante apurado pelo interessado. Em razão disso, foi emitido o Despacho Decisório nº 808243504, o qual é o objeto da Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR. Alegou, ainda, que os créditos tributários em cobrança administrativa pelos Processos Administrativos Fiscais (PAF) nº 10945.000941/200801, nº 10945.000944/200836, nº 10945.000946/200825, nº 10945.000948/200814, nº 10945.000949/200869, nº 10945.000950/200893, nº 10945.000951/200838, nº 10945.000952/200882 e nº 10945.000953/200827, os quais se encontram no CARF para julgamento, não se vinculam à Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR, a qual está vinculada tãosomente ao PAF nº 10945.901516/200822. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado após o prazo que lhe foi concedido. A recorrente apresentou cópia da petição inicial, dos depósitos judiciais e do andamento processual. Em relação à referida ação judicial, esclareceu que não há decisões relevantes a serem apresentadas. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo e atenda aos demais pressupostos recursais, dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esta matéria foi objeto de diligência fiscal. Em que pese o entendimento divergente da Delegacia de origem, concordase com a tese da interessada de que esta matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de ressarcimento de IPI. Do exame da petição inicial, constatase que a interessada em seu pedido requer que sejam declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo, inclusive, discriminou os PER/DCOMP e respectivos períodos de apuração. Assim sendo, as compensações objeto deste litígio administrativo foram contestadas judicialmente. Pertinente é a colocação de Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato Correia de Almeida e Eduardo Talamini sobre o pedido na petição inicial in Curso Avançado de Processo Civil V. I. 8 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o provimento jurisdicional que o autor espera ter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor pretende seja dada à situação reclamada. É para alcançar o que consta do pedido que o autor vem a juízo. Já se disse que o pedido é o modelo de sentença que se aguarda, pois representa o desejo de ver atuar a lei sobre a situação jurídica reclamada.(grifouse) Deste modo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 16 6 indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 17 7 Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Acórdão n.º 3801004.637 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.912709/2012-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 12 70 9/ 20 12 -7 5 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 80 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 48/50 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 40/44) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 21/06/2010, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet o PER Pedido de Restituição nº 23076.08275.210610.1.2.043066 (e fls. 35/37), demandando: direito créditório contra o fisco: R$ 3.548,50 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2009, código de receita 2089, data de arrecadação 31/08/2009, valor original do recolhimento – DARF R$ 144.932,85 (2ª quota). Em 05/12/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, pela DRF/Porto Alegre, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 3.548,50 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, indefiro o pedido de restituição. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). (...) Ciente dessa decisão em 17/12/2012 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 38), a contribuinte, em 21/12/2012, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/07, cujas razões, em resumo, são as seguintes: que o direito creditório pleiteado nos autos relativo ao IRPJ seria líquido e certo, pois teria decorrido de pagamento indevido ou maior; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 81 3 que, na apuração do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, teria apurado débito a pagar o valor de R$ 419.848,13 para pagamento em 3 (três) quotas iguais de R$ 139.949,38; que, entretanto, antes disso, teria confessado na DCTF débito do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009 o valor de R$ 430.493,64, e que teria, inclusive, efetuado pagamento desse valor em 3 (três) quotas de R$ 143.497,88; que, diante disso, alega estaria configurado o erro de fato, quanto ao valor do débito do IRPJ confessado a maior na DCTF, e que, também, teria implicado pagamento indevido ou a maior; que, nos presentes autos, o crédito pleiteado do IRPJ diz respeito apenas ao pagamento indevido ou maior do IRPJ do 2º trimestre/2009, quanto à 2ª quota, ou seja, o valor de R$ 3.548,50 (valor original). que, ademais, em 20/12/2012 (data posterior à ciência do despacho decisório que denegara o direito creditório pleiteado), apresentou DCTF retificadora, reduzindo o débito informado na DCTF primitiva, no sentido de justificar o crédito pleiteado (efls. 08/30). A 4ª Turma da DRJ/Brasília, enfrentanto o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 17/10/2013 (efls.40/44), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 82 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 25/10/2013 por AR (efl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.48/50, em 14/11/2013, juntando ainda documentos de efls. 51/53 e 56/71, reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar o IRPJ devido no PA 2º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo do IRPJ (lucro presumido) foi apurada a partir dos valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, a contribuinte foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010) – efl. 53; que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, fica claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração do IRPJ devido; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do pedido de restituição do pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA 2º (segundo) trimestre/2009, relativo à 2ª (segunda) quota. Direito creditório pleiteado do IRPJ, relativo a suposto pagamento a maior de R$ 3.548,50 (valor original) atinente à 2ª (segunda) quota do PA 2º (segundo) trimestre/2009. A recorrente alega que na DCTF primitiva, por equívoco ou erro de fato, confessou e recolheu valor a maior o IRPJ do PA 2º (segundo) trimestre/2009 em relação ao valor do débito a pagar, apurado e informado na DIPJ; porém, tal argumento não restou acatado na instância a quo, pois a contribuinte deixara de produzir prova do alegado erro de fato. Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência de erro de fato. A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primititiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadara, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 2º trimestre/2009; c) sequer consta cópia dos DARF de pagamento das três quotas do IRPJ do 2º trimestre/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva, quanto ao PA 2º (segundo) trimestre/2009;. d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2009;. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 84 6 e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA7SEORT/COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/2012 86, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912709/201275 Resolução nº 1802000.586 S1TE02 Fl. 85 7 c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 15165.001176/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS/COFINS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-IMPORTAÇÃO. RE Nº 559.937 TRANSITADO EM JULGADO. REPRODUÇÃO DO JULGAMENTO JUDICIAL.
O STF reconheceu no RE nº 559.937 a inconstitucionalidade da expressão acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. O entendimento do Tribunal deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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JULGAMENTO DEFINITIVO. Aplicase ao julgamento no CARF o mesmo entendimento contido em decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, por determinação de regra contida no Art. 62A do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS/COFINS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PISIMPORTAÇÃO. RE Nº 559.937 TRANSITADO EM JULGADO. REPRODUÇÃO DO JULGAMENTO JUDICIAL. O STF reconheceu no RE nº 559.937 a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. O entendimento do Tribunal deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 11 76 /2 01 1- 34 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 336 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0728.956 1 ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 23 de maio de 2012. Na origem, a interessada registrou Declarações de Importação emitidas para amparar a importação de mercadorias estrangeiras, recolhendo as contribuições Cofins importação. Posteriormente, em 27/04/2011, protocolou pedido Retificação das DI e de Petição de Restituição dos valores recolhidos sob o argumento de que a base de cálculo determinada pela Lei nº 10.865/2004 é inconstitucional. Após o protocolo do pedido de restituição de fls. 01 a 04 a requerente transmitiu Declarações de Compensação Eletrônicas PER/DCOMP utilizando a totalidade do crédito requerido, tratase das DCOMP n° 41182.37184.110511.1.7.040816 e 28635.35499.120511.1.3.046518. A unidade competente proferiu o Despacho Decisório indeferindo o pedido sob o fundamento de que não cabe ao Poder Executivo declarar inconstitucionalidade de lei, tão pouco negarlhe aplicação e que tal "falta de legitimidade"' está retratada no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Que o pleito contraria o disposto no art. 7º, caput, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 ao qual encontrase vinculada. Cientificada do indeferimento a interessada a apresentou “manifestação de inconformidade”, na qual alega, em síntese, que o artigo 7º da Lei nº 10.865/04 é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o artigo 149 da Constituição Federal e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994. Defende, assim, que há ofensa ao disposto no artigo 110 da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional, por alteração de conceito de “valor aduaneiro”, bem como ofensa ao artigo 149, §2º, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 337 3 Requereu fosse provida a manifestação de inconformidade e reformada a decisão que indeferiu seu pedido de restituição, bem como a homologação da compensação vinculada ao presente processo. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2010 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em 19/06/2012 (AR de efl. 314), por meio do Comunicado nº 65/2012 SARAC/ALF /ITJ a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 0728.956 1 ª Turma da DRJ/FNS e, em 20/07/2012, apresenta o seu Recurso Voluntário onde reprisa os argumentos de defesa anteriormente apresentados, por intermédio dos itens e sub itens a seguir dispostos: I DOS FATOS II DO DIREITO II.1. QUESTÃO PASSÍVEL DE JULGAMENTO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Neste sub item esclarece que não se deduziu em sua Manifestação de Inconformidade a inaplicabilidade do art. 7º, I da Lei nº !0.865/2004 em razão de sua flagrante inconstitucionalidade, o que se pretende ver reconhecido, é a real base de cálculo da Cofins Importação, tal qual previsto na Constituição Federal, pois cabe ao administrador aplicar a legislação de acordo com a Lei Maior. Afirma que cabe à administração interpretar o art. 7º, I da Lei nº !0.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base de cálculo da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e às Contribuições Sociais destinadas ao PIS e à COFINS, concluindo que a base de cálculo é apenas o valor aduaneiro, posto que esta é a exegese do Art. 149,§2º,III, alínea “a” da Constituição Federal,e neste contexto, o Ato Administrativo nascerá legal, repousando no berço da Constitucionalidade e legalidade, sem haver o pronunciamento da inconstitucionalidade levantada. Em face disto, a apreciação da constitucionalidade,que configura a legalidade elevada ao mais alto grau, impõese como dever de ofício aos agentes públicos que tenham incluída em sua competência a apreciação e a decisão de postulações e requerimentos fundados em normas legais. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 338 4 II.2. A EXEGESE DO ART. 7º, I DA LEI Nº !0.865/2004 SOB A LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL; Aqui aduz que o indeferimento do pedido de restituição não pode prevalecer, pois existe ilegalidade da cobrança em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo dos PIS/COFINS prevista no art. 7º, I da Lei nº !0.865/2004, quando esta alarga a base de cálculo da COFINS. Tece considerações para demonstrar a inconstitucionalidade, citando os conceitos de valor aduaneiro existente no Art. 1º do GATT e no art. 75 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e colaciona jurisprudência do TRF4.Acrescenta que a Lei nº !0.865/2004 fere o art. 110 do CTN quandoaltera definição do Valor Aduaneiro. III DO PEDIDO Pede que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida e deferindose o pedido de restituição e homologando a compensação vinculada ao pedido de restituição. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado com observância do prazo previsto no art. artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e das regras de competência previstas nos artigos 1º e 4º do Anexo II da Portaria MF nº. 256, de 22/06/2009, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele devese tomar conhecimento. Da análise dos autos, constatase que a lide diz respeito à exclusão do ICMS e do PIS/COFINS da base de cálculo da COFINS importação, sob o argumento de ser inconstitucional o art. 7º, I da Lei nº !0.865/2004, quando esta alarga a base de cálculo da COFINS.para além do “Valor Aduaneiro”. Não obstante a recorrente defenda que os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade são passíveis de julgamento pela via administrativa, posto que, segundo afirma, tais visavam apenas uma interpretação da legislação de acordo com a Lei Maior. e não a declaração de inconstitucionalidade pela autoridade Julgadora da Administração Pública Federal, constatase, ao contrário, que contribuinte, tal como se deu na petição de restituição, efetivamente ali alegou a inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004, visando afastar a parte do dispositivo que diz "...acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei", exatamente como consta sob análise no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937. Os mesmos argumentos de inconstitucionalidade são apresentados no presente recurso voluntário. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 339 5 Sabese, porém, que o processo administrativo fiscal não se presta à discussão acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de leis emanadas e regularmente editadas pelo Congresso Nacional, porque a autoridade administrativa não tem competência para tanto, pois encontrase estritamente vinculada aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, de modo que a apreciação de tais matérias são de exclusiva atribuição do Poder Judiciário, que detém a palavra final sobre o assunto, nos termos do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Ainda, a esse respeito, cabe ressaltar a expressa vedação constante no Art.26 A, caput, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), segundo o qual, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por outro lado, o artigo 7° da Portaria MF n° 258/2001 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. No mesmo sentido, o entendimento referendado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a publicação, no Diário Oficial da União de 12 de janeiro de 2011, da seguinte súmula, que se transcreve, para maior clareza: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, não se trata de interpretação de lei em conformidade com a Constituição, mas, sim, da efetiva aplicação da lei, posto que o dispositivo do art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004, ora questionado, expressamente prevê a inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e o valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/Cofins Importação. Assim, tanto a autoridade Administrativa, por meio do Despacho decisório, quanto a decisão de 1ª instância cuidaram da devida aplicação da legislação tributária atinente aos fatos. Em sendo assim, é de se concluir que, em estando vigente a legislação questionada ao tempo em que foi prolatada a decisão adotada pela autoridade de primeira instância, sobre a mesma não se encontraria incorreção. Cabe esclarecer que tal qual se dá com as normas do Processo Administrativo Fiscal já acima citadas (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972), também a norma do Regimento Interno do Carf RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), consubstanciada na disposição do caput do artigo 62, da mesma forma como disposto na Súmula Carf nº 2, veda ao Carf a possibilidade de, originalmente, reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou decreto com o fim de afastar a aplicação da norma ao caso concreto. Contudo, o parágrafo único do mencionado artigo 62 do RICARF (Portaria MF nº 586/2010) estabelece a exceção para o caso em que a lei, tratado ou ato normativo já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 340 6 Federal e, também, o artigo 62A1 do RICARF estabelece que no caso de existir decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, sobre a mesma matéria em litígio administrativo devese aplicar o entendimento do Tribunal, cuja decisão deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do presente processo, pois como é sabido, esta questão atinente à análise de inconstitucionalidade da art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004 em face da inclusão do ICMS e do PIS/COFINS da base de cálculo da PIS/COFINS importação encontravase sob repercussão geral reconhecida no STF por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.607. E que, em julgamento retomado e finalizado em 20/03/13, o Plenário do STF, por unanimidade, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937 interposto pela Fazenda nacional e declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/2004, a qual dispõe "...acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei", in verbis: “Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, e, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, determinou a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Dias Toffoli. Em seguida, o Tribunal rejeitou questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 20.03.2013.” 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº 586/2010) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 341 7 Nos termos do voto da relatora, Ministra Ellen Gracie, proferido em 20/10/2010 e na sessão de 20/03/2013 acompanhado pelos demais Ministros, a Lei nº 10.865/2004 extrapolou a norma do art. 149, § 2º, III, "a", da CF, ao determinar que o PIS e a Cofins incidentes sobre a importação fossem calculados não apenas sobre o valor aduaneiro, mas também sobre o valor do ICMS e das próprias contribuições. A PGFN, entretanto, ingressou com Embargos de Declaração para solicitar a modulação dos efeitos dessa decisão, a fim de que a inconstitucionalidade declarada tivesse efeitos apenas a partir do julgamento de referido RE, exceto para aqueles que já tivessem ajuizado ação até a data daquele julgamento. Os embargos foram julgados pelo o plenário em 17/09/2014, que não os acolheu, consoante a ementa que a seguir se transcreve: “EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos.” O inteiro teor do Acórdão dos Embargos ao RE 559.937 foi publicado no DJE 14/10/2014 ATA Nº 149/2014. DJE nº 200, divulgado em 13/10/2014, sem que tenha havido qualquer outro recurso. Desta feita, o mencionado o Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937 transitou em julgado na data de 24 de outubro de 2014. Portanto, em aplicação à regra contida nos artigos 62 e 62A, deve este colegiado adotar o mesmo entendimento proferido no Julgamento do RE 559.937, transitada em julgado em 24/10/2014, cuja decisão foi acima transcrita. CONCLUSÃO Com base na fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório decorrente da exclusão do ICMs e das próprias contribuições da base de cálculo do PIS/COFINS Importação, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001176/201134 Acórdão n.º 3302002.765 S3C3T2 Fl. 342 8 cuja valoração será apurada pela unidade de origem, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 342DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13707.004682/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA . AUSÊNCIA DE OMISSÃO.
Em face da documentação juntada pelo contribuinte, resta comprovada a ausência de omissão de rendimentos, uma vez que o valor apontado se referia a rendimentos isentos e não-tributáveis.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRPF. RECONHECIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DE VALORES A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
Deve ser mantida a compensação indevida quando o contribuinte reconhece que não deveria ter compensado valores. Possibilidade de dedução de valores a título de honorários advocatícios em reclamatória trabalhista. Documentação idônea.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração omissão de rendimentos e acatar a exclusão dos honorários advocatícios, no valor de R$ 23.562,34, da base cálculo do lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada que davam provimento parcial ao recurso em menor extensão.
Assinado digitalmente
TÂNIA MARA PASCHOALIN - Presidente.
Assinado digitalmente
FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA . AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Em face da documentação juntada pelo contribuinte, resta comprovada a ausência de omissão de rendimentos, uma vez que o valor apontado se referia a rendimentos isentos e não-tributáveis. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRPF. RECONHECIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DE VALORES A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Deve ser mantida a compensação indevida quando o contribuinte reconhece que não deveria ter compensado valores. Possibilidade de dedução de valores a título de honorários advocatícios em reclamatória trabalhista. Documentação idônea. Recurso voluntário provido em parte.
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DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA . AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Em face da documentação juntada pelo contribuinte, resta comprovada a ausência de omissão de rendimentos, uma vez que o valor apontado se referia a rendimentos isentos e nãotributáveis. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRPF. RECONHECIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DE VALORES A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Deve ser mantida a compensação indevida quando o contribuinte reconhece que não deveria ter compensado valores. Possibilidade de dedução de valores a título de honorários advocatícios em reclamatória trabalhista. Documentação idônea. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração omissão de rendimentos e acatar a exclusão dos honorários advocatícios, no valor de R$ 23.562,34, da base cálculo do lançamento, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada que davam provimento parcial ao recurso em menor extensão. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 46 82 /2 00 8- 80 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 13707.004682/200880 Acórdão n.º 2801003.847 S2TE01 Fl. 56 2 Assinado digitalmente FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ2 (acórdão nº 1335.542), em processo administrativo envolvendo o contribuinte Valerio Tito Gama. O acórdão em questão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. É de se manter a omissão de rendimentos quando não comprovado o pagamento de honorários advocatícios. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O imposto retido na fonte pode ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. É ônus do Contribuinte juntar a sua impugnação as provas de suas alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo foi instaurado a partir da lavratura de auto de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. De acordo com a autuação, foi reconhecida a omissão de rendimentos de trabalho no valor de R$1.740,55, relativamente a valores pagos pelas pessoas jurídicas Fundação Petrobrás de Seguridade Social. Ainda, foi apontada compensação de indevida de imposto de renda retido na fonte, relativo à fonte pagadora Petróleos Brasileiros S/A – Petrobrás, no valor de R$ 21.598,81. Desta forma, foi apurado imposto suplementar no valor de R$12.434,26. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 13707.004682/200880 Acórdão n.º 2801003.847 S2TE01 Fl. 57 3 O contribuinte ofertou impugnação, limitandose a esclarecer que os rendimentos declarados estavam de acordo com os valores efetivamente pagos pela fonte pagadora. Alegou que a quantia de R$ 78.541,13 foi recebida nos autos de uma Reclamatória Trabalhista. Desta forma, aduz ter tributado o montante recebido, não considerando no cálculo os valores referentes ao pagamento de honorários advocatícios. Ressaltese que não foram juntados documentos quando do oferecimento da impugnação. Ademais, o contribuinte não apresentou esclarecimentos relativamente à omissão de rendimentos do trabalho apontada no auto de lançamento. Foram os autos remetidos à 6ª Turma da DRJ/RJ2, oportunidade em que a impugnação foi julgada improcedente. O entendimento da Turma, em suma, foi de que o impugnante não trouxe aos autos nenhuma documentação capaz de amparar suas alegações. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 41 e seguintes), alegando questões distintas daquelas trazidas na impugnação: referente à omissão de rendimentos do trabalho, alega que tal valor foi retificado e junta documentação para comprovação. Em relação ao valor glosado por compensação indevida, o recorrente apresenta novos fatos e valores, requerendo sejam feitas alterações na declaração anual apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. A omissão de rendimentos A questão posta nestes autos diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda. Em sua impugnação, o contribuinte não apresentou argumentos relativos à omissão de rendimentos. Em relação à glosa de compensação indevida, alegou que recebeu valores de uma reclamatória trabalhista, tendo tributado o montante recebido, descontado o valor de R$ 21.598,81 a título de honorários advocatícios. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos dados e tentou, praticamente, refazer a sua declaração de ajuste anual, visto que apresentou valores e informações totalmente distintos dos constantes da impugnação. O auto de lançamento apontou o valor de R$ 1.740,55 relativo à omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Fundação Petrobrás de Seguridade Social. O recorrente alega que não houve tal omissão, visto que teria declarado o valor de R$ 8.856,95, e a quantia glosada estaria dentro deste valor. Juntou documentos que comprovariam uma retificação dos valores e requereu fosse transferido o valor de R$ 8.856,95 do quadro Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 13707.004682/200880 Acórdão n.º 2801003.847 S2TE01 Fl. 58 4 “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo titular” para o quadro “rendimentos isentos e nãotributáveis”. A análise dos documentos trazidos pelo contribuinte (fl. 48) permite chegar à conclusão por ele adotada. Isso porque o valor em questão efetivamente havia sido declarado por equívoco pela fonte pagadora como sendo em rendimentos tributáveis (fl. 47 dos autos). No entanto, o documento de fl. 48 retifica o anteriormente apresentado. Faz sentido a alegação do recorrente. O valor dos rendimentos supostamente omitidos, em verdade, diz respeito a rendimentos isentos e não tributáveis, motivo pelo qual dou provimento, neste particular, ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. A compensação indevida no valor de R$ 21.598,81 Em relação à compensação indevida de imposto de renda, entendo que a glosa também merece ser mantida. Isso porque o próprio contribuinte reconhece, em seu recurso voluntário, que a compensação se deu de forma indevida, reconhecendo, portanto, a correção da glosa. Postula, no entanto, seja utilizado um determinado valor (R$ 44.106,36) como tendo sido pago a título de honorários advocatícios nos autos de ação reclamatória trabalhista. E, nesse particular, entendo assistir razão ao contribuinte. À fl. 50 dos autos, consta documento de prestação de contas do advogado responsável pelo patrocínio da ação reclamatória trabalhista. Ali, consta exatamente o valor apontado pelo contribuinte em seu recurso voluntário, o que sustenta a sua pretensão de dedução. Com os documentos juntados aos autos, é possível analisar que o recorrente efetuou o pagamento de R$ 44.106,35 a título de honorários advocatícios. Diante desta nova informação, o recorrente solicita que seja desconsiderado o valor apresentado em sua declaração e que esta nova quantia seja alocada no quadro “pagamentos e doações efetuados”. Entendo que, muito embora não tenha sido apresentado recibo ou nota fiscal por parte do advogado (fl. 50), o documento em questão é idôneo para comprovar o pagamento a título de honorários por força de ação reclamatória trabalhista. No entanto, entendo que somente parte do valor objeto da prestação de contas pode ser utilizado para fins de dedução, a saber: R$ 23.562,34. O restante dos valores, pelo que se depreende do recibo de prestação de contas, diz respeito a outro alvará anterior. Logo, por não haver vinculação ao recebimento de fl. 49, não vejo como se possa utilizar o restante do valor para fins de dedução. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração omissão de rendimentos e acatar a exclusão dos honorários advocatícios, no valor de R$ 23.562,34, da base cálculo do lançamento. Assinado digitalmente Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 13707.004682/200880 Acórdão n.º 2801003.847 S2TE01 Fl. 59 5 Flavio Araujo Rodrigues Torres Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES
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Numero do processo: 10980.926599/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
Numero da decisão: 3802-003.925
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 65 99 /2 00 9- 17 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 29/32 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 14/03/2003, que a interessada buscava compensar com débito IRPJ vencido em 31/10/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/08/2011 (fls. 35). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2011, o recurso voluntário de fls. 36/39, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926599/200917 Acórdão n.º 3802003.925 S3TE02 Fl. 44 3 O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926599/200917 Acórdão n.º 3802003.925 S3TE02 Fl. 45 5 Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Digno de nota o entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11/03/2013, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 02/07/2013, segundo o qual nova interpretação assumida pela Fazenda Nacional também deverá ser seguida pelas autoridades julgadoras no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento/DRJ quanto aos processos que estejam aguardando julgamento na primeira instância administrativa, em cumprimento ao disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vale lembrar, no entanto, que quando proferido o julgado de primeira instância referido Parecer ainda não tinha sido editado. Assim, não obstante a legitimidade do direito aduzido pela reclamante em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, e: a) considerando que não foi acostada aos autos nenhuma documentação comprobatória do direito reclamado; b) considerando, ainda, que não consta do processo comprovação de que o sujeito passivo não pleiteia o mesmo crédito mediante ação judicial; voto para dar parcial provimento ao recurso para que a primeira instância de julgamento, considerando a inconstitucionalidade da norma em evidência, se manifeste sobre a materialidade do direito reclamado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 15578.000048/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1992
AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE
Transitado em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumpri-la nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento de ordem judicial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento..
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 29/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE Transitado em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumprila nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 29/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 00 48 /2 00 7- 35 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15578.000048/200735 Acórdão n.º 3302002.213 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito. Tratase o presente processo de Pedido de Restituição – fls. 13/14, PER/DCOMP nº 00154.72637.140706.1.2.546868, no valor de R$ 141.591,35, com data de transmissão 17/07/2006, oriundo de recolhimento da contribuição para o FINSOCIAL, postulado em Ação Judicial Transitada em Julgado – 11/03/2004, com pedido de Habilitação do Crédito Deferido no processo administrativo nº 11543.002371/200528. (fl. 03/5) Através do despacho decisório de fl. 482, que teve como base o Parecer SEORT/DRFVitória/RJ nº 1.176/2010 (fls.479/482), a autoridade fiscal Deferiu Parcialmente o pedido, reconhecendo o direito creditório de R$ 24.408,04, atualizado até 31/12/1995, relativo aos valores pagos indevidamente de Finsocial, no período de janeiro de 1990 a março de 1992, determinados pela Ação Judicial nº 95.00002400. Cientificada da decisão em 11/06/2010 (fl.484), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/07/2010, alegando em síntese que: 1 O parecer SEORT que fundamentou o Despacho Decisório recorrido parte de premissas equivocadas, logo não seria surpresa, chegar também a conclusões equivocadas; 2 Citado ato administrativo se mostra totalmente arbitrário, vez que apresenta patente violação a coisa julgada, já que desafiou decisão judicial oriunda de processo transitado em julgado; 3 Com efeito, por não possibilitar ao recorrente o gozo do que já reconhecido em juízo, ou seja, o direito de restituição dos créditos os quais foram pagos indevidamente à Administração Pública. Destarte, não cabe a Administração Pública envolverse no que já foi pacificado em processo judicial, ao revés, deve proceder de forma a cumprir as determinações oriundas do que já restou decidido em decisão irrecorrível; 4 É defeso à Receita Federal fazer ressalvas no tocante à minoração de créditos já reconhecidos judicialmente, devendo a mesma possibilitar a restituição de crédito em sua integralidade, conforme lhe foi solicitado por meio do citado Pedido Eletrônico de Restituição; 5 Não se restringindo a tais fatos, devese observar ainda o fato do Parecer SEORT apontar como justificativa do não reconhecimento da restituição requerida administrativamente, na sua forma integral, a não observância por parte do Peticionante da solicitação de apresentação de todos os livros contábeis, por afirmar que somente os mesmos podem figurar como provas hábeis ao recolhimento do FINSOCIAL; 6 Ora, tal alegação é de um todo incabível pelo fato não só de tal questão ter sido superada em processo judicial, como também e notadamente pela apresentação dos DARF´s apresentados pela parte e que comprovam cabalmente o recolhimento da malsina exação em comento; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15578.000048/200735 Acórdão n.º 3302002.213 S3C3T2 Fl. 4 3 7 Tais documentos de arrecadação são efetivamente provas hábeis capazes de, por si só, configurar o recolhimento e basear a administração pública para a devolução do que foi recolhido, em favor dela, inconstitucionalmente. É fato que os dados por eles disponibilizados são suficientes para que seja possível chegar de forma segura ao montante repassado ao Estado; noutras palavras, cabe agora à administração, via cálculo aritmético, quantificar o valor a ser devolvido ao contribuinte; 8 Mostrase patente o direito pleiteado pelo Requerente, vez que o mesmo se valeu não só da decisão judicial transitada em julgado, mas também da apresentação dos DARF´s, que são as devidas comprovações de pagamento e consistem em documentos hábeis à comprovação de que de fato houve por parte do Contribuinte os recolhimentos de valores em questão; 9 Ademais, corrobora o que o Peticionante afirma os próprios precedentes e entendimento da Administração Pública, sendo que o direito pleiteado pelo ora Requerente já se encontra mais que pacificado junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 10 Se o contribuinte juntou, comprovou a existência dos créditos, colacionou todas as provas hábeis, quais sema, todos os DARF´s comprovantes dos pagamentos, que configuram a liquidez e certeza do crédito exigido para a compensação/restituição, não há porque seu pleito ser indeferido; 11 Diante de todo o exposto, percebese que o direito demonstrado pelo Requerente merece guarida e, logo deve ser acolhido como forma de proporcionar fiel cumprimento ao que foi decidido em processo judicial, de forma, inclusive, a não violar e acompanhar os precedentes provenientes e próprios do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vez que não restam dúvidas quanto a necessidade de acolhimento das pretensões apresentadas; 12 Mediante o exposto, restando demonstrado que o Contribuinte sofreu restrições quanto ao seu Pedido de Restituição de crédito o qual foi, inclusive, reconhecido em juízo, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório e, consequentemente, considerar o pedido de compensação constante no Pedido Eletrônico de Restituição nº 00154.72637.140706.1.2.546868 em sua forma integral, nos moldes em que formulado. Junto com a manifestação de inconformidade foi apresentada procuração e documentos de identidade. Os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ, por unanimidade de votos, decidiram indeferir a solicitação. Intimada do acórdão supra em 22/09/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19/10/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 702DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15578.000048/200735 Acórdão n.º 3302002.213 S3C3T2 Fl. 5 4 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de pedido de restituição apresentado pela Recorrente requerendo a restituição de valores pagos a maior a título de FINSOCIAL, conforme reconhecido judicialmente no processo nº 95.00002400, com decisão transitada em julgado, onde restou reconhecido o direito da Recorrente de restituir o montante pago a maior a título da referida contribuição. Entendo assistir razão ao Recorrente. Vejamos. De início esclarecemos que é na parte dispositiva da sentença que se encontrará o conteúdo decisório do magistrado, é sobre este conteúdo que incide a autoridade da coisa julgada. Assim, é o dispositivo da sentença que gera coisa julgada. A decisão finda com o dispositivo, que é o momento em que o magistrado acolhe ou rejeita, no todo ou em parte, o pedido do autor, ao mesmo tempo em que, acolhendo o aponta o que deve ser feito para que o direito postulado se efetivado. A fundamentação, muito embora seja necessária, para dimensionar o alcance e a compreensão do dispositivo, não faz coisa julgada. No presente caso, o juiz ao declarar a procedência dos pedidos formulados pelo ora Recorrente na ação judicial nº 95.00002400, acatou os pedidos expostos na inicial, declarando, portanto, a inconstitucionalidade da legislação que majorou as alíquotas do Finsocial e, consequentemente, condenando a Fazenda Nacional a restituir os valores recolhidos a maior no período compreendido na exordial, conforme comprovantes de recolhimentos, quais sejam, os DARF´s, juntados às fls. 15/27, 31/104 e 115/122, dos autos judiciais. Veja que a decisão judicial é clara ao esclarecer que o Recorrente faz jus àqueles valores, constantes naquelas DARF´s juntados na ação judicial, com correção monetária e juros a partir do trânsito em julgado. Portanto, não cabe à autoridade administrativa delimitar o que foi determinado na referida decisão judicial, sob pena de descumprimento de ordem judicial. A compensação deve se a ter ao que foi decidido na ação judicial. Se a decisão foi inteiramente procedente, acolhendo todos os argumentos expostos pelo ora Recorrente, esta terá o direito de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, nos exatos termos determinados na decisão, ou seja, no período compreendido entre set/1989 a abril/1992. Portanto, o direito aos créditos já foram reconhecidos e homologados judicialmente devendo os mesmos serem restituídos nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Cabe à i. autoridade fiscal, nessa fase, apenas quantificar o montante a ser restituído e, não discutir o direito à restituição, fase esta já encerrada nos autos judiciais. Veja que, o Recorrente juntou aos presentes autos todas as DARF´s demonstrando os recolhimentos indevidos, assim como o fez nos autos judiciais, os quais certamente, comprovam tais recolhimentos, sendo estas, documentos hábeis e idôneos para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil possa quantificar o valor devido a ser restituído. Por todo exposto, conheço do recurso e, doulhe provimento, para garantir ao Recorrente a restituição nos exatos termos determinados na ação judicial, devendo os cálculos Fl. 703DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15578.000048/200735 Acórdão n.º 3302002.213 S3C3T2 Fl. 6 5 serem elaborados com base nas DARF´s juntadas aos autos, as quais comprovam os recolhimentos a maior a título de FINSOCIAL. É como voto, Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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