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Numero do processo: 10855.901983/2008-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 83 /2 00 8- 61 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.61) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 39407.96708.200904.1.3.041438, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadros demonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (c6d: 2372), período de apuração: 4° trimestre de 2003, efetuado em 30/01/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.723, de 26 de novembro de 2010 (fls.60/63). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.60): Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901983/200861 Acórdão n.º 1802002.396 S1TE02 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/01/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 07/01/2011, fl.66, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 24/01/2011, fls.67/68, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da Lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 4º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 10/2003, 11/2003 e 12/2003 (fls.69/97). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, decidiu pela conversão do julgamento em diligência mediante a Resolução nº 1802000.244, de 09 de julho de 2013. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, após cientificar a pessoa jurídica do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 22/08/2013(anexo) lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 004, em 12/08/2014, com o seguinte teor: No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil e com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a apresentar, no endereço constante no cabeçalho do termo, no prazo de 20 dias, o que se discrimina abaixo. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 1) Após ciência do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, a empresa fiscalizada, acima citada, protocolou, em 03/07/2014, no SEFIS/DRF/Sorocaba, pedido de prorrogação de prazo para entrega da documentação exigida. Não houve delimitação do prazo para entrega, por parte da solicitante,devendo ser lembrado que tais documentos estão sendo solicitados desde a abertura desta diligência, em agosto de 2013. Assim, fica o sujeito passivo intimado a entregar a documentação exaustivamente citada nos termos de intimação 01, 02, 03 e no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, NO PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS A CONTAR DA CIÊNCIA DESTE TERMO DE INTIMAÇÃO. A não apresentação implicará na devolução, ao CARF, dos processos PER/DCOMP, no estado em que se encontram. O contribuinte teve ciência eletrônica do mencionado Termo de Intimação Fiscal nº 004 em 27/08/2014. Transcorrido o prazo acima sem a manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguir o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 39407.96708.200904.1.3.041438 (fls.1/2), transmitido em 20/09/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 3.089,71, código 2372, relativa ao 2º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 5.117,36, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 31/12/2003, Valor: R$ 11.285,13). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 11.285,13) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): ... Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901983/200861 Acórdão n.º 1802002.396 S1TE02 Fl. 4 5 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 5.117,36, relativo ao quarto trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 33.855,39 para R$ 18.503,31, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/58 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 4° trimestre de 2003, o montante de R$ 33.855,39, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13, em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informando que a CSLL devida no 4º trimestre de 2003 seria no montante de R$ 18.503,31, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 6.167,77, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp, 1ª quota, no valor de R$ 5.117,36 (R$ 11.285,13 menos R$ 6.167.77). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.74) que, no 4º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 1.713.268,67 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% em relação à atividade “industrialização por encomenda” (R$ 852.893,75 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 852.893,75 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta: R$ 852.893,75, apurou CSLL no valor de R$ 24.563,34 (852.893,75 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 9.211,25 (852.893,75 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 15.352,09 (24.563,34 9.211,25) em três quotas de R$ 5.117,36, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 4º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13, em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Este colegiado, no sentido de elucidar os fatos decidiu pela conversão do julgamento em diligência mediante a Resolução nº 1802000.244, de 09 de julho de 2013, da qual transcrevo a seguinte parte do voto condutor da mencionada Resolução, verbis: ... Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 4° trimestre/2003; DARFs relativos ao 4° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do quarto trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado quarto trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... Apesar das reiteradas intimações feitas, o contribuinte não atendeu ao solicitado pela autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP, conforme explicitado no Despacho de Encaminhamento (anexo) que a seguir transcrevo: (...) Conforme a Resolução nr. 1802000.244 do CARF, lavramos, em 29/05/2014, a Informação Fiscal, anexa ao presente processo. Demos ciência a interessada para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de trinta dias. Em 03/07/2014, a interessada, através de seu procurador, apresentou pedido de prorrogação de prazo, sem estabelecer qual seria este prazo e quais livros, documentos ou arquivos seriam entregues. Lavramos o termo de intimação nº 004, cuja ciência ocorreu em 27/08/2014. Neste termo foi estabelecido o prazo de dez dias para a entrega da documentação exaustivamente citada nos termos de intimação 01, 02 e 03, bem como na citada Informação Fiscal. Foi destacado que a não apresentação implicaria na devolução, ao CARF, do presente processo, no estado em que se encontrava. Mais uma vez a interessada não apresentou qualquer livro, documento ou arquivo. Assim, PROPONHO o retorno do presente processo ao CARF. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901983/200861 Acórdão n.º 1802002.396 S1TE02 Fl. 5 7 ... Como se vê, a Recorrente apresentou PER/DCOMP no qual sustenta crédito a título de CSLL paga a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o exato valor do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência do pagamento a maior da CSLL no ano calendário de 2003. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 20/09/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 18/07/2008, (fl.03), e apresentou a manifestação de inconformidade em 11/08/2008 (fls.06/10). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10980.016660/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
RECURSO DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Não se amolda às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas, versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a mera apreensão de títulos de crédito em poder do contribuinte, devendo o Fisco, neste caso, comprovar a efetiva materialidade tributável das parcelas alegadamente omitidas, Recurso de Ofício ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 1301-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Dourada Corretora de Câmbio Ltda ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE. Não se amolda às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas, versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a mera apreensão de títulos de crédito em poder do contribuinte, devendo o Fisco, neste caso, comprovar a efetiva materialidade tributável das parcelas alegadamente omitidas, Recurso de Ofício ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 66 60 /2 00 8- 35 Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de análise de Recurso de Ofício. Com efeito, esta Turma Julgadora, em decisão de minha relatoria proferiu o acórdão de folhas 2.434 a 2.444, dando parcial provimento ao Recurso Voluntário. Este enfrentamento tem, portanto, a finalidade de suprir a omissão na apreciação por esta Câmara, passando à análise material do Recurso de Ofício. Para os fins de nortear a pretendida apreciação, reproduzo abaixo o relatório que fiz por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário. [...] Versa o processo administrativo em análise, acerca de autos infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 1571 1583), à Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 1.584 1.595), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 1.596 1.607), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 1.608 1.618). Os referidos autos de infração decorreu das constatações inseridas no âmbito do Termo de Verificação e Encerramento (fls. 1.619 1.644), no qual se detalhou os fatos e circunstâncias relevantes, bem como os fundamentos pelos quais a Fiscalização se convenceu da prática do cometimento de infrações fiscais. Verificase que a fiscal em comento foi deflagrada pelo recebimento de Ofício (fls. 15 06), pelo qual o Poder Judiciário comunicava a existência de indícios da prática de ilícitos fiscais, o compartilhamento das provas colhidas nos autos criminais e encaminhava diversos documentos, incluindo cópia do recebimento da Denúncia, e de depoimentos colhidos na fase inquisitorial. A Fiscalização solicitou e obteve vistas e cópia dos autos da Ação Penal e após diversas intimações para a prestação de esclarecimentos, e os correspondentes pronunciamentos por parte da fiscalizada, o Fisco se convenceu da prática das infrações assim descritas no campo próprio do auto de infração: I – OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS: Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 3 3 2 – OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS: 3 – OMISSAÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE; 4 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADAS AO LUCRO LÍQUIDO: 5 – ADIÇOES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LICRO INFLACIONÁRIO REALIZADO – REALIZAÇÃO MÍNIMA. Devidamente cientificada do lançamento (fl. 1.578), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.6621.695), alegando em síntese, a nulidade do auto de infração pela utilização de provas ilícitas, consistentes em interceptações telefônicas, aduzindo para tanto que a fiscalização teve acesso a reproduções de trechos de interceptações telefônicas o que jamais foi autorizado pelo Poder Judiciário, e que tal fato tornaria nulas as provas e todo o procedimento, porquanto as conclusões da fiscalização estariam todas construídas a partir desses elementos de prova ilícita. Sustentou ainda a ausência de provas dos atos afirmados pela fiscalização — Autuação com base em indícios e presunções — ofensas à estrita legalidade e defendeu que o lançamento se baseia, quando muito, em indícios e provas indiretas, acrescentando que não foram realizadas diligências perante os emitentes das notas promissórias ou dos cheques apreendidos. tendentes a averiguar o motivo pelo qual os documentos se encontravam em sua posse. Apontou o que seriam contradições no Termo de Verificação Fiscal, e afirmou que a conclusão de que as contas TORAN seriam de sua titularidade e que o sr. Nabi agiria sob o manto da pessoa jurídica, careceria de qualquer embasamento probatório, porquanto a fiscalização baseouse unicamente em dois documentos, o laudo da perícia técnica da Policia Federal de folhas 138 a 148 e o documento chamado 'Contact 0563' de folha 830. Seguiu arrazoando a ausência de provas de que seja responsável pelas aludidas contas adicionando que as provas estão a indicar que os valores nelas depositados pertenciam a terceiros e que ainda que restasse provada sua responsabilidade sobre as contas, a jurisprudência tanto judicial quanto administrativa — seria pacífica no sentido de ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, a teor da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Afirmou ainda, no tocante à glosa de Omissão de Receitas — Apreensão de cheques, Notas Promissórias e Dinheiro em Espécie (TIFs OS a 12)— Item 5.2 do TVF, que a fiscalização concluiu ter havido omissão de receitas pela pessoa jurídica, em razão da apreensão de cheques, notas promissórias e dinheiro em espécie em seu estabelecimento, qualificando como contraditória tal conclusão, argumentando que, ao mesmo tempo em que se afirma que a recorrente teria realizado operações de empréstimo de dinheiro e remessa de Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 dinheiro de clientes ao exterior, concluiu que os valores integrais das notas promissórias, cheques e dinheiro em espécie encontrados em sua sede seriam receitas próprias. Afirmou ser evidente a nulidade do auto de infração, seja pelo equívoco na eleição do sujeito passivo, seja por não terem sido realizadas diligências junto aos emitentes dos cheques e notas promissórias para averiguar sua origem, e também se os valores respectivos realmente representavam receita sua. Adicionando que tal apreensão representa mero indício, insuficiente para ensejar sua autuação. Quanto aos cheques apreendidos, afirmou que estes não representavam recebíveis seus, mas que a fiscalização entendeu o contrário, chegando a concluir que um cheque de dez mil euros, sem assinatura do emitente, representaria receita sua, enfatizando que caberia à fiscalização diligenciar junto aos emitentes dos cheques para certificarse a que título lhe foram entregues, o que não ocorreu, tornando inafastável a conclusão de que a autuação se assenta em meros indícios. Afirmou, no mais, que os cheques foram entregues em confiança ao Sr. Nabi Mellen pelos respectivos credores e serviam como forma de garantia dada pelos emitentes a terceiros, em negociações muitas vezes intermediadas pelo Sr. Nabi, como sinal de que os cheques não representavam recebíveis, aduzindo que não haviam sido depositados, apesar de muitos apresentarem datas de emissão bastante antigas e que muitos dos cheques considerados como receitas omitidas já estavam prescritos. Quanto às Notas Promissórias apreendidas, reitera a alegação de que o Fisco deveria diligenciar em face dos emitentes das notas promissórias. Argumentou que a nota promissória representa mera promessa de pagamento e que sua posse não induz à conclusão de que seu titular tenha disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores nela representados. Aduziu que foi considerada omissão de receita nota promissória que sequer foi assinada pelo suposto devedor. Na sequência, teceu considerações individualizadas a diversas notas promissórias, concluindo que nenhuma delas foi sacada em seu favor e que muitas foram sacadas há mais de cinco anos da data da lavratura do auto de infração, o que implicaria a decadência do direito do respectivo lançamento bem como se teria relacionado notas promissórias em duplicidade e algumas que sequer foram assinadas pelos emitentes, ou que não apresentam o nome do devedor ou do credor, ou a data do vencimento não havendo prova do pagamento das notas promissórias, a evidenciar que a recorrente ou seus sócios não tiveram disponibilidade econômica ou jurídica dos valores nelas estampados. Quanto ao dinheiro apreendido, afirmou que o fato de ter sido apreendido dinheiro em sua sede e nas residências de familiares de seus sócios não representa prova de omissão de receita, enfatizando que valores encontrados em outros locais que não sua sede não podem levar à conclusão de que se trata de receita omitida da pessoa jurídica, reconhecendo que os valores pertencentes aos familiares e o saldo que estava contabilizado não foram considerados receita omitida, mas reclama que valores comprovadamente pertencentes a Luiz Fernando Araújo Costa o foram, argumentando também Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 4 5 que as importâncias de R$ 554.125,00 e R$ 493.416,24 se referem a cheques, mas foram consideradas, equivocadamente, como dinheiro apreendido. Em relação à considerada omissão de receita decorrente de “Pagamento não contabilizado”, sustentou a recorrente, reportandose ao documento que constou do item E do TVF 008, que se trata de possível cópia de email apócrifo no qual, embora se faça referência a um Sr. Nabi, a dita operação não teria envolvido a impugnante nem seu representante legal. Tratando da glosa atinente à “capitalização da reserva de reavaliação”, a recorrente contestou o entendimento da fiscalização e discorreu sobre alterações sofridas pela legislação de regência, que implicariam diferimento da tributação. Por fim, quanto à “realização mínima do lucro inflacionário”, sustentou que o auto de infração aponta corno base legal apenas o RIR, que seria um decreto, e não lei em sentido estrito. Também suscita a decadência, afirmando que o art. 8º da Lei nº 9.065/95 prevê a realização mensal do lucro inflacionário, afirmando que o lucro inflacionário não se subsume ao conceito de renda, descrito no art. 43 do CTN. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.762 a 1.781, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto, no tocante às alegadas nulidades, que o mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas, como se deu no caso concreto. Em suma, a DRJ em Curitiba/PR, manteve em parte o auto de infração, afastando os casos pontuais de duplicidade, falta de assinatura dos títulos e demais questões formais que se verificou. Ciente da decisão parcialmente desfavorável (fl. 1.792), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.793 – 1.820), insistindo na nulidade da autuação, porquanto lastreada em provas ilícitas, já que a Fiscalização teve acesso às interceptações telefônicas, reputando que a autuação careceria de motivação. Reiterou que não haveria provas de que a recorrente seria responsável pelas indicadas contas mantidas no exterior e que os depoimentos dos sócios e responsáveis seriam igualmente imprestáveis para tais conclusões, eis que derivados das provas obtidas de maneira nula. Insistiu que o laudo técnico emitido pela Polícia Federal (fls. 138 – 148), não seria conclusivo para embasar a autuação, afirmando ainda, haver claro erro na identificação do sujeito passivo, pois não se teria demonstrado que os valores glosados pertenciam à Dourada, de sorte que não havendo prova da titularidade dos recursos, não seria aplicável a presunção constante no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Quanto aos cheques, duplicatas e dinheiro em espécie apreendidos, reiterou os argumentos já relatados, inclusive fazendo detida refutação de modo individualizado para cada título glosado. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida e a improcedência dos lançamentos. [...] O Acórdão proferido por este Colegiado (fls. 2.434 a 2.444), apreciando tão somente o Recurso Voluntário, ficou assim ementado: [...] PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. O mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ABERTA NO EXTERIOR EM NOME DE OFF SHORE. A instituição financeira nacional que realize em suas dependências e com sua estrutura operacional – operações financeiras clandestinas mediante conta aberta por seus diretores em banco no exterior em nome de empresa off shore, responde pelo movimento dessa conta, devendo comprovar a origem dos recursos nela depositados, sob pena de caracterizarem receitas omitidas por força de presunção legal expressa. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.OMISSÃO DE RECEITAS.NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie não caracteriza omissão de receitas. [...] Remanesce agora, como já anotado alhures, o enfretamento da parcela exonerada pela DRJ, que compreendeu alguns títulos de crédito por imperfeições formais. É o relatório. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e regimentais. Admitoo para julgamento. A questão da omissão no enfretamento do Recurso de Ofício, se não se justifica, ao menos se compreende pela extensão e alcance do que foi decidido no Recurso Voluntário. Verificase que a parcela exonerada pela decisão recorrida, objeto do Recurso de Ofício aqui apreciado, se deu no tópico atienente à imputação de omissão de receitas apuradas com base em títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos no estabelecimento da contribuinte ou em posse dos seus sócios, não em relação à imputação propriamente dita, mas sim no tocante aos títulos apreendidos que não conteriam assinaturas dos sacados, data de vencimento ou outros defeitos formais. A decisão que apreciou o Recurso Voluntário, por seu turno, entendeu que toda e qualquer apreensão contida naquele item da autuação seria indevida, logo, abarcou também o objeto que havia sido exonerado pela decisão da DRJ. Confirase o que dispôsse na apreciação do Recurso Voluntário: [...] Na ordem dos argumentos veiculados pela recorrente, convém o enfretamento da parcela da autuação relacionada à apreensão dos cheques na sede da recorrente, em relação aos quais, entende a contribuinte ser igualmente nula a autuação, situação que pelos mesmo argumentos, afasto por completo, e em relação aos quais, falo dos cheques, a decisão recorrida julgou improcedente a autuação em relação aos títulos que não estavam assinados, excluindo da autuação a importância de R$ 35.270,10, lançada no mês de janeiro de 2005. Assenta a recorrente, na mesma ordem das ideias invocadas na impugnação, que os cheques apreendidos não se traduzem em omissão de receitas, porquanto a mera posse do título de crédito não representa a titularidade da disponibilidade econômica, cumprindo ao fisco diligenciar perante cada emitente e verificar origem dos títulos em questão. Abstraindo, neste momento, as considerações casuísticas de cada título de crédito apreendido, e sem prejuízo de considerar devidamente comprovada a titularidade da recorrente em relação às contas bancárias mantidas no exterior, entendo que a parcela da autuação atinente aos títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos merece ser cancelada. Muito embora se depreenda do presente processo que a recorrente atuou de forma duvidosa no desempenho de suas atividades, não se pode perder de vista que o presente processo versa autuação por omissão de receitas, estas Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 consideradas, no tópico em análise, pela mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie na sede da empresa recorrente. Ora, sabidamente tais apreensões não indicam, por si só, ter havido omissão de receita tributável, e em situação oposta aos depósitos bancários de origem não comprovada, analisados no item precedente, não se tem para a hipótese de apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie, qualquer presunção legal que desobrigue o fisco de comprovar a materialidade tributável da receita considerada omitida. Reafirmo, portanto, que a independer da análise casuística de cada título de crédito (cheques ou duplicatas), e mesmo de sua natureza jurídica de “ordem de pagamento a vista” ou cártula representativa de conteúdo econômico, é fato que a fiscalização não demonstrou (i) que tais títulos representam receita da recorrente (ii) e que representando receita não foram oferecidos à tributação. Seguramente a obrigação tributária está adstrita à legalidade, e ausentes os elementos capazes de indicar que a recorrente auferiu aquelas receitas e que as omitiu, não se pode considerar que a mera posse, por ocasião da apreensão, de títulos cambiários induza à presunção de disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores neles representados, estando correta a contribuinte ao concluir que os princípios que regem o direito cambiário em nada interferem nessa conclusão. Assento em conclusão, portanto, que a despeito de a recorrente explorar as atividades de intermediação de operações de câmbio e outras expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (alínea "s” da Cláusula Terceira do Contrato Social, reproduzido fl. 1.483) e mesmo de manter, comprovadamente, atividades no mercado clandestino de moeda estrangeira (principalmente na modalidade "Cabo”) conforme depoimentos pessoais acostados às folhas 103 a 137, a fiscalização não está autorizada (por lei) a presumir que a posse de títulos de crédito e dinheiro em espécie implique na omissão de receitas. Nem mesmo a considerada atividade de empréstimo de dinheiro, que a recorrente não afasta a constatação de tal prática que fora confessada pelo próprio Sr. Nabi Kernmel Mellem (fls. 111) e corroborada pelo sócio Rafael Augusto Formighieri Mellen (fls. 119) autorizam esta presunção. Por certo não se desconhece que a decisão recorrida ao fundamentar a prevalência de tais glosas o fez de forma a apresentar os fundamentos que resultariam na omissão de receitas, no entanto, data maxima venia, daquele órgão julgador, não me parece suficiente, para indicação de omissão de receitas, elucubrar que não seria crível que a recorrente tivesse em seu poder tantos títulos sem qualquer conteúdo econômico. Ainda que não seja crível, como de fato não é, a circunstância de tais títulos terem conteúdo econômico e serem oponíveis ao sacado, não é fato que por si só indique que tais valores (i) eram receita da recorrente e (ii) que estas receitas são tributáveis e foram omitidas. [...] Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301001.645 S1C3T1 Fl. 6 9 Tratandose de omissão de receita, portanto, não me parece indício suficiente a existência de títulos de crédito em favor da contribuinte, de sorte que, por carecer de comprovação da materialidade tributável, deve ser reformada a decisão recorrida para os fins de afastar a glosa que contemple omissão de receitas com base em títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos. [...] Ora, se a decisão da DRJ reconheceu que haveria omissão de receitas indicadas por tais elementos apreendidos, afastando apenas aqueles que apresentavam imperfeições formais, e a conclusão desta Turma foi de que todo o item era improcedente, a fortiori o eram, improcedentes, aqueles que a DRJ afastou, impondose assim o desprovimento do Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13971.720638/2011-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NOS DADOS DO SIPT. INOCORRÊNCIA.
Sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado, legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas.
Nesse caso, descabe a argüição de cerceamento de direito de defesa, uma vez que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
A falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito dá ensejo à improcedência da infração imputada ao interessado.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS.
Quando a averbação de Termo de Preservação de Floresta com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições típicas daquelas previstas para a reserva legal, caracteriza-se como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável.
MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NOS DADOS DO SIPT. INOCORRÊNCIA. Sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado, legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas. Nesse caso, descabe a argüição de cerceamento de direito de defesa, uma vez que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito dá ensejo à improcedência da infração imputada ao interessado. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS. Quando a averbação de Termo de Preservação de Floresta com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições típicas daquelas previstas para a reserva legal, caracterizase como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 38 /2 01 1- 96 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 208 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas na Declaração do ITR DITR/2008, no valor total de R$ 625.324,11, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal –NIRF 1.004.121 4, denominado: Fazenda Guaricanas II, localizado no município de Blumenau SC, com Área Total – ATI de 664,8ha, conforme Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 209 3 Notificação de Lançamento NL, fls. 02 a 07, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03, 04 e 07. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2007 e 2008, especialmente a Área de Preservação Permanente –APP, Área de Reserva Legal – ARL e o Valor da Terra Nua – VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, sendolhe informado, inclusive, os valores por hectare dos diversos tipos de terra do município, constantes da tabela Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT: Campo ou Reflorestamento, Mista Mecanizável, Não Mecanizável e Várzea não sistematizada. 3. Com a carta de fls. 13 e 14 foi apresentada a documentação de fls. 15 a 48, composta por: documentos da empresa; procuração; Laudo Técnico e seus anexos; certidões de matrículas do imóvel; entre outros. 4. Na carta, além da relação dos documentos encaminhados, foi explicado que o VTN é aquele informado na DITR e que os valores do Termo de Intimação não guardariam qualquer relação com o imóvel, desprezando suas características e peculiaridades. Especificamente a algumas matrículas e ao ADA/2007 requereu concessão de 15 dias para sua entrega, diante da necessidade de obtêlos junto ao registro de imóveis e ao IBAMA. 5. Posteriormente, com a carta de fl. 49, foram encaminhados os documentos de fls. 50 a 54, os quais são: procuração, certidões de matrículas do imóvel, Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária –INCRA e ADA/2008. 6. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal tratou da análise dos documentos encaminhados pelo sujeito passivo e explicou, entre outros assuntos, o seguinte: Da APP e ARL não houve comprovação das dimensões declaradas, sendo ajustadas conforme atestado no laudo técnico e nas averbações das matrículas do imóvel, respectivamente. Quanto ao VTN, tendo em vista a não apresentação do laudo de avaliação, foi calculado com base na tabela do SIPT, sendo utilizado o menor preço por hectare informado no Termo de Intimação. 7. Procedidas as mencionadas alterações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi apurado o crédito tributário e lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 26/04/2011, fl. 55. 8. A interessada solicitou cópia de documentos em 13/05/2011, fls. 57 a 64, e protocolou impugnação em 26/05/2011, fls. 66 a 87, na qual argumentou, em resumo, o seguinte: a) Em Dos Fatos explanou das questões até aqui conhecidas, destacou as razões do lançamento constantes da Descrição da Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 210 4 NL e registrou que foram expedidas duas NL abrangendo os exercícios de 2007 a 2008, nos quais foram apontados os mesmos motivos para a autuação. b) Em Dos fundamentos jurídicos, apresentou sua discordância sob 13 itens (letras A a M). No primeiro item, A – Julgados da DRJ de Campo Grande sobre o imóvel da empresa, mencionou que em relação ao mesmo imóvel sob análise já foram expedidas outras quatro NL, que se referem aos anos de 2003 a 2006 e que nos respectivos processos foram proferidos acórdãos aceitando vários fundamentos que também estariam sendo defendidos nesta impugnação. Tais precedentes, se aplicados neste caso concreto, reduziriam, substancialmente, o lançamento impugnado, mas, que haveria outros fundamentos que comprovam a improcedência da NL em pauta. 9. Neste aspecto, tendo em vista que os itens abordados nas impugnações anteriores são os mesmos aqui apresentados, cuja essência visa anular e/ou cancelar a NL, na seqüencia serão reproduzidos trechos dos argumentos da impugnação constante do Acórdão 0421.552 desta DRJ, de 20/08/2010, relativamente ao exercício 2006 e de lavratura deste mesmo relator: Em A – Nulidade da Notificação Fiscal, alegou cerceamento do direito de defesa com o argumento de ausência de base legal na NL e de elementos indispensáveis à exata compreensão da exigência, bem como questionou a alteração do VTN com base no SIPT, por se tratar de sistema de acesso restrito apenas a servidores da Receita Federal, e que nem a base de cálculo foi indicada pela fiscalização, pois, a NL apontou apenas o VTN já calculado, não sendo informado qual seria o valor por hectare arbitrado para o imóvel, bem como observou que o lançamento deve necessariamente determinar a matéria tributável. B – Caberia ao Fisco comprovar que seria incorreta a declaração de ITR apresentada pela impugnante. Discordou de que a contribuinte deveria ter comprovado os dados glosados, afirmando que, na realidade, a fiscalização é quem deveria ter comprovado eventual incorreção das declarações. Alongouse nesta questão destacando, inclusive, a base legal que dispensa a prévia comprovação das áreas isentas declaradas e finalizou este item afirmando que a NL deve ser cancelada, haja vista que o Fisco não comprovou a ocorrência de qualquer fato gerador em relação à impugnante. C – A declaração do ITR não depende de comprovação. Neste item, praticamente, reiterou as razões constantes do item anterior. Na seqüência dos 10 itens, reproduzindo pareceres doutrinários e jurisprudência que tratam de assunto similar, a impugnante prosseguiu em sua discordância afirmando que não houve questionamento, por parte do Fisco, da existência da APP e AUL ou VTN do imóvel, resumindose o lançamento na ausência de comprovação por parte da interessada, não sendo nem mesmo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 211 5 alegado que seriam improcedentes as informações constantes na declaração, sendo flagrante a insubsistência da NL. D – O Fisco não questionou em nenhum momento a existência da área de reserva legal e ou o VTN do imóvel. Em resumos disse que a Fiscalização sustentou que a impugnante não comprovou a ARL e o VTN constantes da DITR, mas, nunca defendeu que seriam falsas ou improcedentes as informações declaradas pela empresa. E – A averbação no Registro de Imóveis não é condição à isenção. Como o título indica, questionou a exigência da averbação da ARL e, entre outros argumentos, reiterou a não necessidade de prévia comprovação da declaração. F – A Área de Reserva Legal é aquela indicada no laudo técnico. Aqui tratou das áreas atestadas no laudo e que, independentemente de qualquer averbação, toda a ARL existente no imóvel deve ser considerada isenta do ITR e, sob este aspecto, a NL merece ser cancelada. G – Não há justificativa legal para arbitramento do VTN. Entre outros argumentos disse que a alegada ausência de laudo comprovando o VTN declarado não poderia justificar o arbitramento. H – O VTN é aquele declarado pela contribuinte. Acrescentou que o VTN do imóvel é exatamente aquele declarado e que não sabe como foi apurado o VTN arbitrado, exageradamente elevado, e que, seguramente, não é compatível com as características e particularidades do imóvel da impugnante, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como consta do laudo técnico. Na seqüencia, sob títulos específicos, alegando, entre outros, inconstitucionalidade, questionou Da progressividade das alíquotas, Inconstitucionalidade da multa e, a utilização da Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) para cálculo dos juros de mora. 10. Em III – Do requerimento, relativo à impugnação autuada neste processo, exercício 2007, requereu: a) Preliminarmente, o agrupamento dos processos decorrentes das NL em pauta, para que as respectivas impugnações sejam julgadas em conjunto. b) No mérito, seja julgada procedente a impugnação, para proclamar: I) a nulidade da NL, em virtude do vício apontado, ou; II) – cancelar, integralmente, ou; III) excluir, do montante exigido, os valores relativos: ao VTN arbitrado, à ARL, à progressividade da alíquota, à multa cominada e, à taxa SELIC.” Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 212 6 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 120/133, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 03/02/2012 (fl. 136), a interessada, representada por seu advogado (fl. 58), interpôs recurso voluntário de fls. 137/167, em 05/03/2012, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Conforme Resolução 2801000.245, às fls. 171/175, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência para que a autoridade competente anexasse aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Em cumprimento, foram carreadas aos autos as telas de fls. 179/180, referentes aos municípios de Apiuna e Blumenau. Cientificada do procedimento de diligência, a Interessada manifestouse, às fls. 194/197, no sentido de que o imóvel localizase no município de Ascurra, não servindo os Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 213 7 dados dos extratos de VTN dos municípios de Apiuna e Blumenau para o arbitramento do imóvel em apreço. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Contribuinte arguiu na impugnação e reiterou no recurso a nulidade do lançamento por alegado cerceamento do direito de defesa que estaria caracterizado pela insuficiência na fundamentação da exigência. A alegação, todavia, não merecer prosperar, mormente considerando que é legítimo o arbitramento efetuado pelo fisco com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não apresente laudo técnico que comprove o VTN declarado. Assim, considerando que os critérios adotados pelo fisco estão previstos na própria legislação que rege a matéria, concluise que o auto de infração expôs com clareza as razões que levaram à autuação e os fundamentos da exigência, tanto que a defesa não encontrou nenhuma dificuldade para articular suas razões, tendo identificado com precisão as infrações imputadas e compreendido o fundamento legal da exigência. Em que pese a Recorrente não ter apresentado laudo de avaliação que comprovasse o valor de terra nua declarado, verificase, em decorrência do procedimento de diligência, que o arbitramento não se baseou nas informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, para o município de localização do imóvel, haja vista que o imóvel rural em tela está localizado no município de Ascurra/SC, conforme as matrículas do imóvel (1920, 1921, 1922 e 1923) anexadas às fls. 36/48, conquanto o arbitramento utilizou as informações disponíveis no SIPT para o município de Blumenau, conforme se deduz do pronunciamento da autoridade fiscal responsável pela realização da diligência, à fl. 204: Tratase o presente processo decorrente de Malha ITRExercício de 2008, em cujo julgamento o CARF converteu em diligência para que fosse juntado extrato comprovando o valor SIPT aplicado. Importante ressaltar que o Sistema SIPT é alimentado através de dados fornecidos anualmente pela Secretaria de Agricultura do Estado de Santa Catarina, em conformidade com a legislação do ITR vigente.Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte rebelase com o fato de ter se anexado o Extrato do valor SIPT referente ao município de Blumenau alegando que o imóvel se localiza no município de Ascurra, não se atentando que o próprio contribuinte informou na DITR do Exercício de 2008 que o imóvel se localiza no Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 214 8 município de Blumenau, conforme pode ser verificado nos autos do processo onde encontrase apensada cópia da DITR. Assim sendo, tendo sido cumprida a Diligência solicitada pela autoridade julgadora, encaminhese o presente processo a SACAT/Blumenau/SC. Portanto, ante a falta dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. No que tange às alterações procedidas em relação às áreas de preservação permanente (de 317,7 ha para 83,4 ha) e de reserva legal (de 144,4 ha para 97,7 ha) da incidência do ITR, a fiscalização indicou os seguintes motivos: Segundo Laudo Técnico apresentado pelo próprio contribuinte, a área de preservação permanente é de 83,4 hectares, sendo glosado o valor acima deste. Verificandose as matriculas, foi constatado que só se encontra averbado o valor ora mantido de 97,7 hectares, sendo glosado o que ultrapassa tal valor; Ressaltese que consta, a fl. 54, Ato Declaratório Ambiental – ADA, referente ao Exercício 2008, protocolado em 22/09/2008, com o registro de 317,17 ha de área de preservação permanente e 144,4 de área de reserva legal. O laudo técnico apresentado pela Contribuinte (fls. 21/34) apresenta 227,8 ha de reserva legal averbada e 83,4 de área de preservação permanente. As matrículas do imóvel (1920, 1921, 1922 e 1923) anexadas às fls. 36/48 comprovam as seguintes averbações: MATRÍCULA: 1921 AV11921 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV73360, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Preservação de Floresta, assinado em 14.07.1980, declarado perante a autoridade floresta! deste Estado, para efeito de manutenção de vegetação de uma área de 73,37 hectares, sendo 24,27ha do terreno matriculado sob n° 3361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC e 49,10 ha do imóvel objeto da presente matrícula, não inferior a 20% do total das duas propriedades e compreendida nos limites indicados pela planta apresentada, fica gravada na condição de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do I.B.D.F. MATRÍCULA: 1922 AV11922 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV94372, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, assinado em 18.01.1988, declarado perante a autoridade florestal, que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 14.180 hectares, não inferior a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 215 9 20% do total da propriedade compreendida nos limites indicados no próprio Termo, fica gravada como de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do IBDF, comprometendose por si, seus herdeiros e sucessores, a fazer o presente grave valioso". MATRICULA: 1923 AV11923 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV73361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Preservação de Floresta, assinado em 14/07.1980, declarado perante a autoridade florestal deste Estado por Cristais Hering S.A., que para efeito de manutenção de vegetação que uma área de 73,37 hectares, sendo 24,27ha do terreno objeto desta matrícula e 49,10 ha do terreno matriculado sob n° 3360, livro 02, do RI de Indaial/SC, não inferior a 20% do total das duas propriedades; e compreendida nos limites indicados pela planta apresentada, fica gravada na condição de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do I.B.D.F. AV31923 Certifico, que continua em vigor o constante da averbação AV183361, livro 02, do RI da Comarca de Indaial/SC, ou seja: "Termo de Compromisso de Manutenção Floresta, assinado em 18.01.1988, a Karsten S.A., declarou perante a Autoridade Florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 56,85 hectares, não inferior a 20% do total da propriedade.compreendida nos limites indicados no próprio termo, fica gravada como de preservação permanente, não podendo nela ser feita qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do IBDF, comprometendose, por si, seus herdeiros ou sucessores, a fazer o presente gravame sempre bom, firme e valioso. Verificase que, antes da ocorrência do fato gerador, foram devidamente averbados na matrícula do imóvel os Termos de Preservação da Floresta, imputando restrições típicas de reserva legal ao montante da área averbada, correspondente a 217,77 ha. Nestas circunstâncias, a área de 120,07 ha (diferença entre 217,77 ha 97,7 ha já considerado pela fiscalização) deve ser considerada como de utilização limitada, passível de exclusão da área total tributável pelo ITR, levandose em conta que tal parcela consta consignada no ADA como área de interesse ambiental, ainda que não seja a título de reserva legal. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. A cobrança dos juros de mora, da mesma forma, está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, considerase acertada a sua cobrança.. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13971.720638/201196 Acórdão n.º 2801003.800 S2TE01 Fl. 216 10 No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, é oportuno citar a Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de 120,07 ha de área de utilização limitada e restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 15586.000853/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
Numero da decisão: 2301-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Mendes Melo Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 53 /2 00 8- 41 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Mendes Melo Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para reconhecer a decadência dos créditos tributários referentes às competências de dezembro/2001 a outubro/2007. Narra o relatório fiscal que a ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S.A. tomou serviços de uma cooperativa sem recolher a contribuição previdenciária: “3. Na opera ciona1ização das suas atividades, a empresa tomou os serviços de trabalhadores cooperados, intermediados pela COOPMET Cooperativa dos Prestadores de Serviços de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, CNPJ 02.778.8671000106, em competências compreendidas no período de 12/2001 a 1012007, não recolhendo a devida contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas pela cooperativa” (f. 01) Foi apresentada impugnação e o contribuinte juntou aos autos diversas guias de recolhimento referentes ao período autuado. Por essa razão, a autoridade fiscal retificou o auto de infração, para excluir os valores cujos recolhimentos foram comprovados. O acórdão da primeira instância reconheceu a decadência das competências de 12/2001 a 11/2003, com a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. Devidamente intimado da decisão (fls. 904), o contribuinte não apresentou recurso. Dessa forma, os autos foram enviados para análise e julgamento do recurso de ofício por este Conselho. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15586.000853/200841 Acórdão n.º 2301004.149 S2C3T1 Fl. 975 3 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15586.000853/200841 Acórdão n.º 2301004.149 S2C3T1 Fl. 976 5 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a decisão recorrida aplicou o prazo previsto no artigo 150, § 4º, do CTN tendo em vista a verificação de que houve pagamento antecipado, nos seguintes termos: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 12. No caso em tela, embora à época da ação fiscal a autoridade lançadora não tenha considerado os recolhimentos destinados às contribuições ora apuradas, durante a diligência fiscal constatou que a empresa havia efetuado recolhimentos parciais relativos a estes fatos geradores, tanto que a autoridade fiscal emitiu as planilhas de fls. 392/410, retificando o lançamento, portanto, presente a antecipação parcial do pagamento, como entende o referido Parecer. 13. Considerando a vinculação das DRJ ao Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, supracitado, entendese que a este caso se aplica a regra de fluência contida no artigo 150, § 4° do CTN. Portanto, considerando que a Defendente foi autuada em 29/12/2008, as competências 12/2001 a 11/2003 foram alcançadas pela decadência e devem ser excluídas do lançamento, conforme DADR, em anexo. A decisão a quo está em consonância com a Súmula 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendose como decadentes as competências de 12/2001 a 11/2003. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10980.009895/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 09 89 5/ 20 09 -5 1 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10980.009895/200951 Resolução nº 1401000.248 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Por bem demonstrar os fatos em discussão neste processo, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in litteris: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 4149) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 52 59), mediante os quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 1.280.322,90, incluindo juros moratórios calculados até 30/10/2009, conforme discriminado nos Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário do Processo espelhados às fls. 0102. Duas são as infrações atribuídas à contribuinte. A primeira consiste na falta de recolhimento ou confissão, mediante declaração em DCTF, dos saldos a pagar resultantes dos ajustes anuais de sua DIPJ/2007 espelhados na Ficha 12A (IRPJ), reproduzida às fls. 27; e Ficha 17 (CSLL), reproduzida às fls. 30, cabendo esclarecer que a fiscalização informa haver lançado o valor já deduzido das estimativas recolhidas, uma vez que a contribuinte não adotara tal providência em sua DIPJ. A Segunda infração consiste na falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de ambas as exações, nos anos calendário 2005 e 2006, conforme demonstrativos de fls. 3839 (IRPJ) e 40 (CSLL) razão pela qual foi lançada a multa de oficio isolada respectiva. Os fundamentos legais das exações lançadas se encontram transcritos no campo próprio do respectivo auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 25/11/2009 (fls. 65), e apresentou tempestivamente, em 18/12/2009, a impugnação de fls. 6768, alegando que o lançamento tem base em suas DIPJ, mas que as informações das DIPJ foram retificadas e que se faz necessária revisão da totalidade dos valores lançados, modificando e/ou anulando este, haja vista que erros podem acontecer, inclusive por parte da Receita Federal do Brasil, como no caso do lançamento, uma vez que a autuante teria deixado de incluir em sua planilha valores recolhidos pela empresa relativos aos meses de fevereiro e março de 2006. Intentando demonstrar o alegado, elabora quadro demonstrativo dos valores que teria recolhido. Pleiteia modificação e/ou anulação do lançamento com base nos seguintes documentos retificados que afirma trazer à colação: (i) LALUR que teria dado base a suspensão das estimativas do IRPJ e CSLL; DARF dos recolhimentos efetuados; (ii) 1ª alteração contratual e (iii) procuração. Colocase à disposição para atender eventual diligência e também quanto ao encaminhamento de outros documentos eventualmente considerados necessários. Foram juntados os documentos de fls. 69205. Posteriormente, foram juntados os documentos de fls. 207231. É o relatório. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10980.009895/200951 Resolução nº 1401000.248 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. É entendimento corrente no âmbito do processo administrativo federal o princípio da verdade real, ainda que apurada por documentos juntados aos autos no curso do processo. Entendo, assim, deva o presente feito ser baixado em diligência, com o objetivo de que seja verificada documentação apresentada pelo Recorrente, mediante a devida conferência junto aos livros fiscais apresentados, em especial o livro diário, apresentandose parecer conclusivo acerca da matéria em litígio. Após a notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, que retornem os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10675.906302/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 30 2/ 20 09 -5 1 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906302/200951 Resolução nº 9303000.049 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917788/2011-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 88 /2 01 1- 37 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917788/201137, contra o acórdão nº 0948.364, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917788/201137 Acórdão n.º 3801004.432 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13900.001088/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS
O direito suas deduções condiciona-se à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99).
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COM TITULAR E DEPENDENTES
Somente podem ser aceitas como dedutíveis, as despesas médicas referentes ao contribuinte e seus dependentes declarados.
DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI
À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.052,85, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COM TITULAR E DEPENDENTES Somente podem ser aceitas como dedutíveis, as despesas médicas referentes ao contribuinte e seus dependentes declarados. DEDUÇÃO DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI À míngua de comprovação através de documentação hábil e idônea, das despesas efetivamente realizadas, devida é a glosa fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.052,85, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 00 10 88 /2 00 8- 41 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 113 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (21/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 3/5), referente ao ano calendário de 2004, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 15.148,66, já incluídos juros de mora e multa de oficio. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4 e 4 vso.), consta que o contribuinte não atendeu A intimação e, portanto, não comprovou a legitimidade das deduções a titulo de Previdência Priva / FAPI, Despesas Médicas e(sic). Lavrada a Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 01, na qual alega que recebeu, em 08/09/2008, intimação para apresentação dos comprovantes de contribuição à previdência privada e FAPI, despesas médicas e decisão judicial ou acordo homologado judicialmente referente à prestação alimentícia (para os anos calendário de 2004 e 2005). De todos os documentos exigidos, não possuía de imediato o Acordo Homologado Judicialmente, razão pela qual aguardou a chegada do documento, requerido no órgão competente, para só então efetuar a apresentação de todos. No entanto, em 13/11/2008, recebeu as notificações de lançamentos, forçando lhe A apresentação da impugnação. E o relatório. Passo adiante, em 11 de fevereiro de 2010, através do Acórdão 1738.273, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (SPII), entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 114 3 0 direito As suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 10/03/2010 (fl. 69), o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2010 (fls. 73 a 78 e documentos), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares suscitadas pelo contribuinte/recorrente. Apesar do julgamento da DRJ mencionar questões atinentes a pensão alimentícia, na página 04 dos presentes autos, se verifica que a autuação fiscal se deu em razão da fiscalização haver considerado indevida a dedução à título de despesas médicas no montante de R$ 22.683,35 e dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, esta, no montante de R$ 2.141,37, sendo este o limite de análise do presente processo. DEDUÇÕES INDEVIDAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA E DESPESAS MÉDICAS a) DAS DESPESAS MÉDICAS NÃO ACEITAS O ora recorrente declarou à título despesas médicas o valor de R$ 22.683,35. Nesta esteira, no tópico despesas médicas, a DRJ entendeu que o contribuinte não se desincumbiu do mister que lhe recaía sob os ombros, que era o de comprovar a efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, mantendo integralmente referidas glosas atinentes aos profissionais mencionados, findando por mencionar que, verbis: “Esclarecido o ônus da prova e a forma de comprovação das despesas,cumpre consignar que, para nenhum dos recibos apresentados, emitidos por Maria Helena Piovesan (fls. 20/22), Fábio Zan de Campos (fls. 21/32), Virginia Rezende de Siqueira (fls.33/34), Antônio Wilson de Alencar Ferreira (fls. 35/37) e Scheilla de Mesquita Campoy (fls.38/48), há prova do efetivo pagamento ou da efetiva prestação de serviços.” Desde o início do procedimento fiscal, foi o contribuinte intimado, na ocasião para apresentar provas da efetividade dos serviços prestados, bem como do efetivo desembolso, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 115 4 tais como cópia de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques coincidentes em datas e valores com a prestação dos serviços, entre outros, se limitando o contribuinte ora recorrente a apresentar recibos dos prestadores que em alguns casos nem sequer cumpriam os requisitos formais exigidos em Lei, tais como os recibos de fls. 33/37, nos quais consta a ausência de endereço, especificação dos serviços realizados e beneficiário dos tratamentos. No processo administrativo fiscal, em especial quanto as comprovações de deduções de despesas médicas é o contribuinte quem deve comprovar perante a Autoridade Fiscal, por documentação idônea e inequívoca, a realização de tais despesas, bem como da efetividade dos pagamentos. Ademais as exigências fiscais têm em todos os casos embasamento legal constante do art. 8° da Lei n 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim determina, in verbis: “Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos,aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados a cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem Como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV omissis; V omissis” Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 116 5 Ora, o normativo legal acima é por demais claro e aplicável a todos os contribuintes, devendo ser seguido in litteris por todos aqueles que, a exemplo do recorrente, pretenderem efetuar deduções de despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda a ser recolhido a Receita Federal do Brasil, prevendo inclusive o inciso III, de forma alternativa, que na ausência da documentação exigida, a possibilidade de ser apresentada indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Este procedimento não foi observado pelo contribuinte, que não comprovou perante a Autoridade Fiscal o efetivo pagamento, tampouco a efetiva realização de tais procedimentos. Por esta razão, a fim de explicitar perante a Autoridade Fiscal, que já havia apontado as falhas desde os primórdios do processo, caberia ao contribuinte comprovar de forma esmiuçada e através de documentos hábeis e inequívocos, o efetivo desembolso e a efetiva realização de tais procedimentos, que presumemse serem importantes, até mesmo pelos valores envolvidos. Desta forma, a míngua do cumprimento pelo recorrente dos requisitos legais constantes do art. 8° da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, entende este Relator, por devidas e corretas as glosas referentes as deduções de despesas médicas, eis que efetivamente não comprovados seu efetivo pagamento pelo contribuinte tampouco a efetiva prestação dos serviços, devendo portanto ser mantidas as glosas referidas. b) DAS DESPESAS MÉDICAS ACEITAS Especificamente quanto ao documento colacionado aos autos à fl. 93 (Declaração da UNIMED), verificase que se refere a despesas havidas no ano calendário em análise, que contudo menciona como beneficiárias, MARIA ADELAIDE C.V. LINO, MARIANA DE C. VELOSO LINO, RITA MONTEIRO LIMA e TELMA PINTO. Quanto ao documento de fl. 94 (BRADESCO SAÚDE) verificase que se referem a despesas havidas no ano calendário em análise, que contudo menciona como beneficiárias, MARIA ADELAIDE C.V. LINO e MARIANA DE C. VELOSO LINO e RITA MONTEIRO LIMA. Da análise da DIRPF do recorrente, não existe qualquer menção à dependente, não sendo possível a este Colegiado aferir se, tratase de uma falha da Declaração apresentada ou se a filha estaria declarada como dependente na DIRPF de sua genitora, que igualmente não está juntada aos autos. Desta forma, de acordo com o regramento fiscal, somente podem ser considerados como dedutíveis despesas médicas havidas com o contribuinte e seus dependentes,e no presente caso, como inexistem dependentes declarados, somente podem ser aceitas as despesas médicas havidas com o recorrente, devendo no caso do documento de fl. 93 e 94, ser restabelecida despesas médicas no valor de R$ 216,00 referentes ao plano de saúde (UNIMED) e de R$ 836,85 (BRADESCO SAÚDE) Quanto a dedução referente a Previdência Privada/FAPI, o recorrente apesar de expressamente mencionar a juntada do documento comprobatório (APLUB) apto a enfrentar a glosa fiscal, não o colaciona aos autos, devendo, pois, por esta razão, ser mantida a glosa fiscal neste sentido. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13900.001088/200841 Acórdão n.º 2801002.379 S2TE01 Fl. 117 6 Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.052,85. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 15375.005027/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.339
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2005
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n.º 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 75 .0 05 02 7/ 20 09 -5 4 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 674 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.758.3625, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. De acordo com o Relatório Fiscal a fl. 13, o presente Auto de Infração foi lavrado em decorrência de infringência ao art. 32, IV e §5° da Lei 8212/91 c/c o artigo 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, em razão de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, calculada por competência, respeitado o limite mensal conforme o número de segurados da empresa, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 28/37. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias dos segurados empregados, segurados contribuintes individuais pessoas físicas transportadores autônomos, retiradas pro labore dos diretores, comercialização de produtos rurais (leite) e reclamatórias trabalhistas, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 675 3 Inconformado com a autuação, o Sujeito Passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 241/324. A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.401.4/0260/2005, a fls. 459/471, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/11/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 473. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 479/561, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Impossibilidade do desmembramento do presente auto de infração a obrigação principal; · Obrigatoriedade da lavratura de apenas um auto para cada tipo de infração; · Inaplicabilidade da multa em decorrência do recolhimento do tributo; · Que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória; · Inexistência de contribuições devidas ou declaradas – inocorrência de infração; · Os Autos de Infração 357583825 e 358583841 foram lavrados com base no mesmo artigo 32, IV da Lei 8.212/91; · Ilegalidade do mínimo adotado como mínimo da multa; · Limitação por competência do valor da multa; · Decadência da Obrigação Principal; · Que é indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa; Considerando que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, e que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, o julgamento do feito houvese por convertido em diligência fiscal, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833, conforme Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 676 4 Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, aviando revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tendo em vista o teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O Sujeito Passivo houvese por cientificado do resultado da Diligência Fiscal acima referida em 14/03/2014, conforme documento a fl. 669, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/11/2005. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 14/12/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DA FUNDAMENTAÇÃO E MÉRITO Cumpre destacar, inicialmente, que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Em virtude da flagrante relação de prejudicialidade existente entre os fundamentos de fato e de direitos inerentes ao vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833. A Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, foi clara e expressa ao determinar que: “A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Fl. 676DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005027/200954 Resolução nº 2302000.339 S2C3T2 Fl. 677 5 Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada aos presentes autos a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 10665.000194/201063, em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833, sendo negligenciada a determinação expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618. Não supre a Decisão Administrativa definitiva referente à NFLD n° 35.758.383 3 o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, uma vez que este não informa quais foram efetivamente os fatos geradores mantidos no lançamento objeto da NFLD acima citada. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302000.194, de 21 de novembro de 2012, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao lançamento veiculado por intermédio da NFLD n° 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos assinalados nos parágrafos anteriores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722756/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 2201-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê- Leão) do Auto de Infração.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. INTIMAÇÃO FISCAL. CONTRIBUINTE DE OUTRA JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 27. “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. IRPF. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quanto o crédito bancário tiver sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, não é lícito à fiscalização simplesmente presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deve a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 56 /2 01 2- 83 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CTN. ART. 112. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o art. 112 do CTN quando o conjunto probatório é sólido e suficiente para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 256/261, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 220/252 e dos demonstrativos de fls. 253/255, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 11.695.207,53, calculado até 30/11/2012. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitas ao carnêleão; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: DAS PRELIMINARES: 1. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO A autoridade fiscal, em seu procedimento, quebrou o sigilo bancário do fiscalizado de forma ilegal, ferindo nossa Carta Magna, ao intimar o fiscalizado a apresentar os documentos. No Termo de Início de Fiscalização, a autoridade lançadora intimou o contribuinte apresentar os extratos de movimentação bancária do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 das contas correntes e aplicações financeiras (inclusive caderneta de poupança) mantidas pelo fiscalizado na qualidade de titular e cotitular, nas instituições financeiras: Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A. e Banco Bradesco S.A., com base nos artigos 844, 904, 911 e 927 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Os artigos citados em nenhum momento autorizam o agente fiscal intimar o contribuinte entregar seus extratos bancários. A intimação realizada com base nos artigos mencionados é nula, pois a exigência é ilegal. A fiscalização feriu o princípio da legalidade. A tutela da liberdade, da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados constitui garantia assegurada às pessoas físicas e jurídicas, pelo que a invasão da base de dados e informações, sem prévia autorização judicial, pela Receita Federal, configura agressão aos direitos e garantias mencionados. No caso presente é mais terrível, pois a quebra se deu com ameaça de arbitramento dos rendimentos conforme previsto no art. 845, assim como da aplicação da multa agravada, conforme previsto no artigo 959, todos do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. Os artigos 844 e 927 tratam da obrigação do fiscalizado de prestar esclarecimentos ou informações, nunca de apresentar os extratos bancários. A matéria relativa ao sigilo de dados e operações financeiras possui estatura constitucional inserta no rol das garantias individuais, de modo que a sua flexibilização excepcional só pode ocorrer mediante ordem judicial. Cita acórdão do STF no Recurso Extraordinário 389.808. Em virtude do exposto, requer que todos os dados fornecidos pelo fiscalizado sob ameaça de aplicação de penalidades agravadas deve ser extirpada do processo pois fere o que STF já decidiu, sendo, portanto, prova obtida de forma ilícita que não pode ser utilizada para exigência de tributo. Assim, todos os documentos bancários fornecidos pelo fiscalizado devem ser desconsiderados e qualquer exação com base nos mesmos considerada nula. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2. DA INTIMAÇÃO SEM MPFD A autoridade fiscal informa no Termo de Verificação Fiscal que intimou o Sr. Jose Luciano Franco Rezende, conforme Intimação lavrada em 20/09/2012. À leitura deste Termo de Intimação, notamos as seguintes irregularidades: não existe no Termo de Intimação menção da MPFD vinculada e do código de acesso ao sítio da RFB para ciência do contribuinte, conforme previsto no parágrafo único do artigo 4º da Portaria RFB 3014/11; quebra do sigilo fiscal do intimado, com verificação de sua DAA do exercício de 2008, ano calendário de 2007, sem MPF D devidamente emitida, o que constitui infração administrativa gravíssima; o intimado não pertence a área de competência da autoridade fiscal, ferindo portanto o artigo 6º, § 1º da Portaria RFB 3014/11. A intimação lavrada pela autoridade fiscal é totalmente nula por ser ela incompetente para tal ato, conforme legislação de regência. Este fato contaminou todo o procedimento fiscal, conforme artigo 59 do Decreto 70.235/72. Em virtude do exposto, requer que seja cancelada a exação consubstanciada no Auto de Infração. 3. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA O fiscalizado não teve em nenhum momento, dentro do prazo da impugnação, acesso ao processo. A AFRFB intimou contribuintes sem MPFD, e obteve informações que expõe em seu Termo de Verificação Fiscal sem dar ciência ao fiscalizado. Em virtude deste fato, requer o cancelamento da exação. Caso seja negado o pleito, requer também abertura de novo prazo para impugnação e cópia do processo administrativo para ciência de todos os fatos lá relatados. DO MÉRITO: 1. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS CRÉDITOS EM CONTA PROVENIENTES DE PESSOA FÍSICA: A presunção de omissão de receita oriunda dos créditos bancários, na conta do impugnante, foi qualificada pela AFRFB nos seguintes itens: desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda; os créditos na conta bancária do impugnante tiveram como origem remessas por TED do Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A desconsideração da operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo e Duaril Participações Ltda deuse porque os Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 4 5 contratos de mútuos foram desconsiderados, pelos motivos a seguir: Nenhum dos contratos apresentados possui comprovação de registro público; Estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo: a) não houve comprovação da restituição de valores mutuados; b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado; c) não pode ser aceita a realização aparentemente dissimulada de negócios jurídicos, os quais devem ser considerados em face do disposto no art. 116, § único do CTN; d) não comprovada a efetiva transferência entre o suposto mutuante e mutuário e o motivo pelo qual veio este recurso para o seu patrimônio. Os argumentos da AFRFB não podem ser aceitos por ferir a legislação vigente, como veremos a seguir. Alega a fiscalização que os contratos de mútuos não possuem registros públicos. Os artigos 127 e 129 da Lei de Registros Públicos tratam da matéria em questão (cita doutrina); o artigo 129 da LRP relaciona os documentos que estão sujeitos a registro no Registro de Títulos e Documentos para surtir efeitos em relação a terceiros, entre os quais não está relacionado o Contrato de Mútuo. A AFRFB invocou, para desconsiderar os contratos de mútuo, o artigo 221 do Código Civil; a LRP é lei especial a que devemos nos ater para ver a obrigatoriedade dos registros. A segunda alegação da AFRFB é que estão ausentes elementos caracterizadores de mútuo, tais como: (a) não houve comprovação da restituição do mútuo (art. 586 do CC) e (b) não houve comprovação de estabelecimento de cobrança de juros compatíveis com o mercado (art. 591 do CC). A falta de cumprimento dos artigos não descaracteriza o mútuo. O preceito do artigo 591 não determina a exigência de juros tout court, as partes podem ou não pactuálos. O fato de não devolver o mútuo e a falta de cobrança de juros não pode descaracterizar a existência dos mesmos, não tem base legal para isto. Para embasar a descaraterização do mútuo a AFRFB se apoiou, também, no parágrafo único do artigo 116 do CTN. Da simples leitura do texto deste dispositivo legal, depreendese que não é completo em si, que não possui todos os elementos necessários para sua aplicação; tal dispositivo não pode ser aplicado até que adquira sua eficácia técnica (cita doutrina). O parágrafo único do art. 116 do CTN prevê que a competência para desconsiderar será exercida "observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária"; isso significa que, enquanto não for devidamente editada a lei ordinária dispondo a respeito, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 faltará um elemento essencial à aplicabilidade do parágrafo examinado, sendo ilegal o ato administrativo fiscal que, nesse interregno, pretender nele apoiarse. A eventual omissão do legislador não pode ser "superada" pelo agente fiscal, que deve limitarse a aplicar a lei de ofício e não "corrigir" a lei, preenchendo suas eventuais lacunas. Como podemos concluir, a autoridade fiscal feriu o principio da legalidade restrita ao desconsiderar a existência dos mútuos com base em normas legais não aplicáveis ao fato. A AFRFB exigiu o imposto de renda referente aos valores transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar Fazenda Santa Marta da Boa Vista. O depositante dos valores está identificado, que é o Sr. Jose Luciano Franco Rezende. A origem dos recursos depositados está comprovada pela venda da fazenda. Os depósitos bancários de origem não comprovada podem ser presumidos como rendimentos omitidos, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, em tese, os três créditos em discussão poderiam ter sido imputados ao recorrente como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que esta infração não foi imputada ao recorrente, mas foralhe uma omissão de rendimentos percebidos de pessoa física, pois a autoridade fiscal conhecia o depositante e necessariamente deveria ter investigado a origem da operação junto ao fiscalizado (como o fez), e junto à depositante (como não fez), para esclarecimento da operação. Se a autoridade fiscal tivesse intimado a apresentar a escritura, tudo estaria esclarecido. Mas açodadamente tributou sem obedecer o princípio da investigação. Os valores creditados na conta do fiscalizado nada mais são que um dinheiro da venda da fazenda que deveria ter sido depositado na conta da vendedora, empresa, e não foi. Este procedimento não pode ser fato gerador do imposto de renda no fiscalizado. A verdade real deveria ser pesquisada pela fiscalização. Do ônus investigatório não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Cita julgados do Carf. Houve exigência de duas penalidades utilizando a mesma base de cálculo, uma de 50% e outra de 75%. A jurisprudência administrativa afirma ser incabível a aplicação em duplicidade da multa de ofício vinculada ao imposto e a multa isolada do carnêleão. A infração do possível não recolhimento do carnê leão sobre os rendimentos percebidos de pessoa física, apenada com multa isolada de 75% (sic), foi absorvida pela conduta de não ofertar (na opinião da fiscalização) esses rendimentos à tributação no ajuste anual, pois essa última conduta também é apenada com multa de ofício de 75%. Há, na espécie, bis in idem. Cita jurisprudência administrativa. Pelo que foi exposto, requer à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico do imposto exigido, assim como da multa isolada aplicada por total falta de base legal. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 5 7 2. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA No caso presente, a AFRFB não fez nenhuma investigação nas pessoas jurídicas para constatar a verdade real. Assim, reiteramos todos os nossos argumentos legais elencados quando discorremos no caso de pessoa física identificada anteriormente. Do ônus investigatório acima não se desincumbiu a autoridade fiscal, que tinha a obrigação de perscrutar a ocorrência do fato gerador. Apenas poderia utilizar a presunção legal de que depósitos de origem não comprovada são rendimentos omitidos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, caso não conhecesse o depositante, situação não ocorrida. Por tudo que foi exposto, requeremos à autoridade julgadora, com base na legislação vigente, o cancelamento da exação neste tópico. 3. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA No Termo de Verificação, a AFRFB afirma o seguinte: "Os créditos em que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas, foram considerados como "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA", porque não é possível afirmar se o nome é um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa física." A afirmação da AFRFB é totalmente contraditória: em um momento afirma que os históricos dos lançamentos indicam aparentemente tratarse de remessas efetuadas por pessoas físicas e assim, porque não é possível afirmar se o nome de um nome fantasia de uma pessoa jurídica ou um nome de pessoa jurídica. Pela afirmação da AFRFB, ela não tinha condição de afirmar que se tratava de pagamento de pessoa física ou de pessoa jurídica em uma investigação. Para a consecução de seus objetivos fiscais, a Administração tributária tem o dever de investigar as atividades dos particulares de modo a identificar aquelas que guardam relação com as normas tributárias e, em sendo o caso, proceder ao lançamento do crédito. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais; deve fiscalizar em busca da verdade material, deve apurar e lançar com base na verdade material. O princípio da verdade material governa o procedimento e o processo administrativo; no processo administrativo tributário, a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material. A AFRFB não foi diligente com o objetivo de apurar a verdade material obrigatória para a constituição do crédito tributário. O Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 lançamento está em possível ocorrência do fato gerador e não da prova efetiva de seu fato. O simples crédito bancário é apenas indício. O dever de investigação é do agente fiscal. Com o final das investigações a autoridade fiscal tem todos os elementos para intimar o fiscalizado, em obediência o art. 42 da Lei n° 9.430/96, e apurar a verdade material. A movimentação financeira é o procedimento inicial de análise e não o final, é a partir dela que a auditoria fiscal deve executar os exames pertinentes e as diligências necessárias para atingir o fim colimado. No quadro normativo constante da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento exige (art. 142 do CTN). Cita doutrina. O Artigo 112 do CTN estabelece situações em que a legislação tributária deve sempre ser interpretada em favor do sujeito passivo acusado de cometer infrações à legislação tributária. Outro fato não menos importante que deixou de ser observado pela AFRFB trata da exclusão da base de cálculo dos valores dos rendimentos tributados em sua DAA. O valor de R$ 1.901.725,05 é muito inferior ao valor declarado pelo impugnante em sua DAA do exercício de 2008, anocalendário de 2007, informada nos rendimentos da atividade rural, no valor de R$ 3.040.353,06. O Banco Bradesco, agência 0266, conta 15.5837, fica em São Miguel do Araguaia, GO, onde estão localizadas as fazendas do fiscalizado; esta conta serve somente para albergar toda a movimentação de sua receita rural. Não se pode deixar de constatar que todas as receitas da atividade rural transitaram pela referida conta bancária. Assim, onde estariam valores depositados que não fossem originários da receita da atividade rural? A AFRFB não conseguiu demonstrar este fato. Cita jurisprudência administrativa. 4. DATA DE CONSTITUIÇÃO E DATA DE INÍCIO DE ATIVIDADE A autoridade fiscal desconsiderou os empréstimos realizados pela empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda no valor de R$16.000.000,00 pelos seguintes fatos: l. por ferir o artigo 1.150 do CC/2002, em virtude da data de constituição ser de 19/07/2007 e data de início de atividade 17/06/2007; 2. por ferir o artigo 977 do CC/2002, pois em vários instrumentos de contrato de mútuo apresentados a esta fiscalização é afirmado que Durval Sanches Galo e Arilda Camargo Sanches são casados sob o regime de comunhão total de bens; 3. as quatro notas promissórias em que Durval Sanches Galo promete efetuar pagamentos a Duaril Participações Ltda têm o dia 17/06/2007 como data de emissão, sendo que esta data é a da assinatura da constituição da empresa constante em seu contrato social, anteriormente à data de constituição dessa Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 6 9 empresa que é de 19/07/2007 – afirma a autoridade fiscal que as notas promissórias foram firmadas por uma pessoa jurídica que não existia legalmente; 4. uma vez que o fiscalizado é sócio majoritário da referida empresa, a fiscalização efetuou a intimação da mesma, a qual foi subscrita por seu procurador, no sentido de apresentação de documentos; 5. as notas promissórias não foram registradas em cartório; 6. a empresa não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades. Nenhuma afirmação da fiscalização merece fé por ferir o princípio da legalidade, como veremos a seguir. 1. Afirma a ilustre AFRFB que a empresa feriu o artigo 1.150 do CC/2002 (“O empresário e a sociedade empresária vinculamse ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária.”). A empresa foi devidamente registrada no órgão competente. Entre a data da assinatura do contrato (17/06/2007) e o seu registro pela JUCESP (19/07/2007) temos 33 dias, logo o contrato social foi protocolado para registro dentro do prazo de 30 dias. Transcreve o art. 1.151 do CC/2002 e o art. 36 da Lei nº 8.934/94 para afirmar que, apesar do registro/data da constituição ter sido em 19/07/2007, a sua validade retroage a 17/06/2007, sendo, portanto, totalmente infundadas as afirmações da AFRFB. 2. O contrato ter marido e mulher em regime de comunhão de bens é matéria de direito comercial e civil estranha à autoridade fiscal para desclassificála. 3. A empresa, na data das assinaturas das notas promissórias, era uma pessoa jurídica existente, conforme já foi esclarecido acima. 4. Intimar o fiscalizado, por ser o sócio majoritário da empresa, a entregar documentos desta sem emissão de MPFD fere frontalmente a legislação de regência, sendo, portanto totalmente nula tal intimação e seus efeitos. 5. O registro das notas promissórias há muito não é obrigatório. 6. A afirmação da AFRFB de que a Duaril Participações e Empreendimentos Ltda não possui instalações próprias e nunca exerceu atividades não se coaduna com declaração do sr. Carlos Alberto Bonini citada no TVF e não tem nenhum embasamento jurídico. Se houvesse constatado esta premissa, a autoridade fiscal deveria protocolizar Representação para Baixa de Ofício Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 do CNPJ; tal procedimento não foi adotado e por este motivo é totalmente descabida a conclusão da AFRFB sobre este fato. Pelo exposto, o impugnante requer: a) prorrogação do prazo da impugnação em virtude de não ter tido acesso à cópia do processo fiscal até a data limite; b) apresentação de peça impugnatória complementar; c) receber e processar a presente impugnação administrativa e anexos, na expectativa de que a final seja conhecida e provida, com a declaração de insubsistência do Termo de Verificação Fiscal e da exação fiscal pelos fatos e direitos elencados na peça exordial; protesta ainda, com base no Art. 38 da Lei 9.784/99, pela inclusão de novos documentos de prova material antes da decisão a ser prolatada. A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Tendo o próprio contribuinte apresentado os extratos bancários, não se vislumbra quebra de sigilo bancário. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal estabelecendo efeito vinculante e/ou aplicação “erga omnes” em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. Preliminar afastada. PRELIMINAR. NULIDADE. Não constatada a ocorrência das irregularidades, incorreções ou omissões previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não ficou configurada nulidade. Preliminar afastada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Preliminar afastada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, devem ser mantidos no cálculo do imposto de renda pessoa física os rendimentos tributáveis cuja omissão foi constatada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 7 11 A Lei nº 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. Por se tratarem de penalidades aplicáveis pelo cometimento de infrações distintas, justificase a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 26/06/2013 (fl. 416), Durval Sanches Galo apresenta Recurso Voluntário em 24/07/2013 (fls. 417 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. Quanto à alegada quebra ilegal do sigilo bancário, verifico, pois, que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal, conforme se observa do Termo de Início de Ação Fiscal às fls. 17/18, com ciência à fl. 19 e Intimação às fls. 103/105, com ciência à fl. 106. Com efeito, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Sobre a arguição de ilegitimidade no uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, impende esclarecer que essa questão foi objeto de Súmula deste Conselho. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As decisões judiciais carreadas pela defesa, especificamente o Acórdão do Recurso Extraordinário n° 389.808 do STF, sem caráter erga omnes, não vinculam os julgadores dos processos administrativos fiscais. Portanto, válida a intimação e o uso de informações sobre movimentação financeira para a constituição do crédito tributário. Em relação à alegada nulidade do procedimento fiscal, em razão da ausência do MPFD para o Sr. José Luciano Franco Rezende, assim como quebra ilegal do sigilo fiscal do intimado e, principalmente, pelo fato de o contribuinte não pertence à área de competência da autoridade fiscal, penso que não há como acolhêlos. Pelo que consta dos autos, não ocorreu qualquer irregularidade no procedimento investigatório em questão. Com efeito, nada há que obste a fiscalização de verificar a regularidade dos rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos, de tributação exclusiva ou definitiva. Ao contrário, tem a fiscalização o dever de averiguar se os rendimentos declarados estão ancorados em documentação hábil e idônea, podendo para tanto intimar o contribuinte ou pessoas correlacionadas, sem que seja necessária qualquer formalidade para tanto. De acordo com a legislação vigente (reproduzida nos arts. 927 e 928 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999), todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pela fiscalização no exercício de suas funções, não podendo eximirse de fornecer as informações ou esclarecimentos solicitados. Na verdade, o propósito da presente ação fiscal, consoante disposto no MPF regularmente emitido, foi verificar a regularidade do Imposto de Renda Pessoa Física, no ano calendário 2007, sem qualquer restrição. Para analisar adequadamente a natureza econômica e jurídica dos recursos ingressados nas contas fiscalizadas, deve o fisco ter acesso à totalidade dos extratos bancários, e não apenas a parte que o interessado entenda como necessária, bem como a outros documentos que no curso da fase investigatória se mostrem relevantes para o cumprimento do trabalho fiscal. Além do mais, eventual omissão do Mandado de Procedimento Fiscal, não se mostra suficiente para invalidar ato praticado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência é derivada diretamente da lei, cabendo a ele, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do CTN, ou seja, as espécies normativas hierarquicamente inferiores, como a Portaria SRF nº 1.265/1999 substituída pela Portaria SRF nº 3.007/2001, não poderiam restringir ou modificar a ação da autoridade fiscal, seja mediante critérios temporais, territoriais ou de qualquer outra natureza. Portanto, o MPF é procedimento de controle interno da fiscalização e a não existência deste não torna nulo o lançamento. As intimações feitas ao longo de todo o procedimento fiscal tiveram como objetivo averiguar o correto cumprimento das obrigações Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 8 13 tributárias por parte do contribuinte, não se caracterizando, assim, o alegado vício no procedimento fiscal. Em relação à alegação de que o contribuinte intimado não pertence à área de competência da autoridade fiscal, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado por este Conselho, consoante se infere da leitura da Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Dessarte, rejeitase a nulidade arguida. No que tange à alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da não disponibilização da documentação que alicerçou o lançamento, constato, pois, que o argumento é estéril e não merece acolhimento. Diferentemente do que alega o contribuinte, a autoridade autuante, convencida da materialidade e autoria da infração, pelas provas do procedimento fiscal, poderia ter encerrado este, sem qualquer pecha de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, quer por violação dos princípios da ampla defesa ou do contraditório. Ora, esses princípios constitucionais vigoram, inegavelmente, no âmbito do processo administrativo fiscal. Porém, na fase da autuação, ainda não se tem o processo administrativo fiscal, a lide instaurada, que somente vem a lume quando da Impugnação do lançamento. Com efeito, o contribuinte, para instrumentalizar sua Impugnação e seu Recurso Voluntário, teve acesso aos autos, quando arrostou toda a sua inconformidade. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado, não há que se cogitar cerceamento de seu direito de defesa. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal considerou os créditos aportados na conta corrente do recorrente no valor de R$ 13.082.509,83 (R$ 12.100.000,00 10/07/2007; R$ 500.000,00 16/07/2007 e R$ 482.509,83 16/07/2007) como rendimentos omitidos de pessoa física. A autuante também lavrou a multa isolada decorrente de falta de recolhimento de IRPF devido a título de CarneLeão. Por sua vez, alega o recorrente que os créditos recebidos em sua conta referemse à operação de empréstimo entre Durval Sanches Galo, ora recorrente, e Duaril Participações e Empreendimento Ltda., uma vez que os valores são provenientes da venda de uma fazenda da empresa de sua propriedade. Assevera, ainda, que “... os valores foram transferidos pelo Sr. Jose Luciano Franco Rezende ao fiscalizado, com autorização da empresa Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. Tais valores tem origem na venda da fazenda que passou a se denominar FAZENDA SANTA MARTA DA BÔA VISTA, conforme escrituras públicas de compra e venda, no valor de R$ 1.876.990,00 , livro 107, fls. 127/128 e no valor de R$29.113.010,00, livro 107, fls.129/131, no Cartório de Registro de Imóveis Tabelionato Primeiro de Notas, conforme documento em anexo que tinha como proprietária, também, a DUARIL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA.”. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 De pronto, analisando as peças constantes dos autos, penso que assiste razão ao recorrente. De fato, os créditos aportados na conta bancária do contribuinte referemse à venda de uma fazenda da Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. para José Luciano Franco Rezende (fls. 175/176). Para justificar a entrada do recurso em sua conta pessoal, já que a pessoa jurídica não possuía conta bancária, o recorrente considerou que estes lhe foram emprestados pela pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., empresa da qual o autuado é sócio majoritário, apresentando, para tanto, contrato de mútuo firmado entre ele e a empresa. Intimado pela fiscalização, José Luciano Franco Rezende apresentou esclarecimentos e documentos relativos à operação de compra da fazenda, bem como os comprovantes de depósitos na conta do autuado. De posse de todos os documentos coligidos na ação fiscal, entendeu a autoridade lançadora que o recorrente não fez prova do contrato de mútuo, em razão da ausência dos seguintes elementos: registro público, comprovação da restituição de valores mutuados, ausência de registro na contabilidade e falta de cobrança de juros compatíveis com o mercado. Ora, penso que a questão tratada pela fiscalização não pode se restringir, essencialmente, à formalidade do contrato de mútuo. A bem da verdade, o valor depositado na conta do recorrente referese à venda de uma fazenda da pessoa jurídica Duaril Participações e Empreendimentos Ltda., conforme documentos coligidos pela fiscalização, especialmente a contabilidade da empresa, que registra o imóvel rural no valor de R$ 32.500.000,00 (fl. 201). Entendimento semelhante teve a autoridade recorrida quando consignou em sue voto que “A venda da fazenda pela Duaril Participações e Empreendimentos Ltda. ao Sr. Jose Luciano Franco Rezende e os valores correspondentes guardam coerência com os documentos acostados aos autos e com os depósitos bancários em discussão...”. Nesse caso, como o crédito bancário teve sua origem conhecida, a partir da figura do depositante, penso que não é lícito à fiscalização presumilos como rendimento omitido de pessoa física. Para caracterizálo como tal, deveria a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme determina as Leis nº 7.713/1988 e 8.134/1990. Com efeito, é imprescindível que se faça uma análise dos documentos e informações coligidas aos autos, para que se conclua pelo cabimento ou não de determinado enquadramento fiscal. Nesse sentido, deve a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, já que no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Assim, como bem preleciona Vitor Hugo Mota de Menezes1, o princípio da verdade material deve ser buscado no processo, desprezandose as presunções tributárias, ficções legais, arbitramentos ou outros procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a verdade objetiva, devendo a autoridade administrativa promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material. Nesta mesma linha, deve ser invocado o voto pelo i. Conselheiro Naury Fragoso Tanaka proferido no Acórdão nº 10247.457 e acolhido por unanimidade por este Conselho: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei 1 MENEZES, Vitor Hugo Mota de. Teoria geral do processo administrativo tributário. In: ANDRADE, Roberta Ferreira de (coord.). Direito processual tributário. Manaus: Fiscal Amazonas, 2002. p. 22. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 9 15 permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto 70.235/1972, verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Consolidouse, nesse sentido, a jurisprudência deste Conselho. Vejase: OMISSÃO DE RECEITAS ATIVIDADE RURAL Não havendo consonância entre o pressuposto fático da autuação e a materialidade dos fatos, é de se cancelar o lançamento de oficio. (Acórdão nº 10422.718 Processo n° 10380.010406/200469) IRPJ. OMISSÃO DE COMPRAS. INFORMAÇÃO DE TERCEIROS A omissão de receita, em todos os casos, não dispensa a prova de sua ocorrência. Indícios colhidos junto a terceiros demandam maior aprofundamento da ação fiscal no sentido de levar ao julgador a convicção de que o ilícito fiscal realmente ocorreu. Recurso de ofício a que se nega provimento. (Acórdão n° 10322476 Processo nº 13807.013368/9917) Assim, em função dos documentos, informações e diligências constantes dos autos, dando conta que a origem dos depósitos na conta do autuado era de fato da venda de uma fazenda, não tem sentido considerar o valor recebido pelo contribuinte como rendimento auferido de pessoa física. Com efeito, o lançamento respaldado em legislação específica não comporta presunção. Isso posto, deve ser afastado o item 2 do Auto de Infração. Em razão do provimento do recurso relativo aos rendimentos recebido de pessoa física, deve ser também afastado o item 4 do Auto de Infração, qual seja, multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica No que tange aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, penso que o lançamento perpetrado pela autoridade lançadora está correto e não carece de reparo. Na Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 verdade, a autoridade fiscal identificou os depositantes e, consequentemente, foi aplicada à espécie a legislação específica prevista na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. Na verdade, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal e não apresentou qualquer prova que pudesse desconstituir o lançamento. Nesse caso, para afastar a autuação, caberia ao autuado a produção de prova em contrário, ou seja, provar que o valor recebido não é decorrente de rendimento omitido. Ante a esses argumentos, entendo que a exigência tributária, nesta parte, deve ser mantida. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega o recorrente que os depósitos bancários são oriundos de receita de atividade rural, uma vez que os valores transitaram por suas contas bancárias. Assevera ainda que “... declarou como receita tributável de atividade agrícola no ano calendário de 2007, a importância de R$ 3.040.353,06, muito superior ao valor apurado pela fiscalização”. No que tange à alegação supra, cumpre esclarecer que a comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, significa dizer que o contribuinte deve apresentar documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Assim, deve o recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722756/201283 Acórdão n.º 2201002.502 S2C2T1 Fl. 10 17 (atividade rural) a comprovar vários créditos em conta. Como abordado neste voto, o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre o contribuinte. Ainda há de se levar em conta que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Ademais, compulsandose a Declaração de Ajuste, fls. 04/16, verificase que o contribuinte obteve outros rendimentos que não da atividade rural. Esclareçase ainda que o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Notese que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 referese à comprovação da origem dos depósitos de forma individualizada. Não se trata, portanto, de se apontar possíveis fontes que dariam lastro aos depósitos, é preciso demonstrar a origem imediata dos créditos, isto é, de onde saíram os recursos depositados. Ressaltese que o fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula os autos. No momento em que se invoca o princípio da verdade material, não significa dizer que o dever do ônus probandi é do fisco, pois, como o ônus da prova afeta tanto o fisco como o sujeito passivo, não cabe a qualquer das partes manteremse passiva, apenas alegando fatos que as favorecem sem carrear provas que as sustentem. Com efeito, o recorrente fundamentou sua peça recursal, basicamente, em questões de direito, não se manifestando quanto às questões de fato, deixando de apresentar, nessa fase, as provas da origem dos recursos dos depósitos em suas contas correntes. Por fim, inexistindo dúvida sobre a matéria, incabível se falar nas disposições contidas no art. 112 do CTN. Nessas condições penso que, neste ponto, não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os itens 2 (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) e 4 (Multa Isolada do Carnê Leão) do Auto de Infração. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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