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Numero do processo: 16682.900784/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Nos termos do art. 170 do CTN, são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1302-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Maria Lucia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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REQUISITOS. Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Maria Lucia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 07 84 /2 01 5- 71 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16682.900784/201571 Acórdão n.º 1302003.106 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso de voluntário interposto face ao Acórdão nr. 11.51.331, de 28/10/2015, da 3a. Turma da DRJ em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade. Reconheceuse direito creditório no valor de R$53.505.038,36, registrandose a seguintes ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO ORIGINÁRIO DE PROCESSO EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil confere certeza e liquidez ao crédito a partir da data da Declaração, desde que haja ulterior homologação da compensação. Entretanto, não ocorrendo a homologação, considerase que o crédito nunca fora extinto, particularidade inerente à condição resolutória. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Destacamse os seguintes fatos e fundamentos do relatório do acórdão recorrido: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP n° 16368.96719.010811.1.3.022030 (PER/DCOMP com demonstrativo de crédito), requereu compensação de débitos próprios que especifica com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2010, no valor original de R$59.362.570,10. A DEMAC RIO DE JANEIRO, por meio do despacho decisório eletrônico n° 100634363, indicou insuficiência de crédito reconhecido no procedimento (R$0,00), e não homologou as compensações declaradas. De acordo com o a análise do crédito, não foram reconhecidas as parcelas relativas a "Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores" e "Demais Estimativas Compensadas", consoante quadros a seguir anexados retirados da análise do crédito: Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores, com Processo Administrativo, Processo Judicial ou DCOMP Periodo de apuração da estimativa ecrnp?rs2(ia N° do ProcessoJW0 da DCOMP Valar da Estimativa campe risada PErVDCOMP Valor confirmado Valor não confirmado Justificativa JUL/2010 40772.31941,310810.1.3.038079 37.420,894,85 30,357,541,23 7,063.353,62 DCOMP homologada aa olalme Its JULy2010 31708.97005.310 810.1.3.028937 110.375209,76 107.090.547,92 3,284.661,84 DCOMP homologada ua'cl al mente 3UL/2D10 2709S.7S071.310810.1.3.0361S2 3,900,652,84 2,831.552,57 1.069.130,27 DCOMP homotogada parcialmente Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16682.900784/201571 Acórdão n.º 1302003.106 S1C3T2 Fl. 4 3 3UL/2010 12109 ,t> 1982.310 810.1.3.03 1,217279,63 0,00 1.217.279,63 DCOMP nSo homologada Tota i lb¿ U l t X ñ / , 0 8 140.279.641,72 12,634.425,36 Demais Estimativas Compensadas Período í f apuração da estimad va COTÍ J3Dv N FL do Processo/H0 da DCOMP Vabr da estimativa compensada PER/DCOMP Valar confirmado Vítor nio confirmado Justificativa 1UL/2G10 29741,11074.310810.1.3.045531 160.BS2.770,07 3. OÍS, 842,98 1S 7.835.927,09 DCOMP homologada jaó al mente Total 1GD.B52.770..07 3.31fi.R42, í )B .57. 53 5.927,33 Ainda, de acordo com o Relatório Fiscal de Análise da DCOMP constante nos autos, os processos acima relacionados encontravamse em discussão, na esfera administrativa. A recorrente foi intimada da decisão da DRJ, em 03/12/2015 (fl. 238) e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 30/12/2015 (fls. 295/312). Em suas razões a recorrente sustenta, em síntese, que: a) o ajuste feito na base de cálculo do IRPJ devido no anocalendário de 2010, em decorrência da discussão administrativa, não pode ser considerado nesse momento para alterar as informações contempladas na sua DIPJ/2011, porque já estão em discussão em outros processos administrativos, de modo que ou serão definitivamente considerados extintos por compensação, caso sagrese vencedora nas discussões, ou serão integralmente pagos, acrescidos de multa e juros, caso o desfecho não lhe seja favorável; b) que ao considerar neste os efeitos das supostas não homologações de compensações de outros processos, com a cobrança do saldo devedor relativo ao PER/DCOMP n° 16368.96719.010811.1.3.022030, redundará numa "odiosa" cobrança em duplicidade (bis in idem), pois qualquer que seja o desfecho daqueles processos administrativos a extinção das estimativas será confirmada, em afronta, inclusive, ao art. 151,III, do CTN, art. 56 do Decreto n° 70.235/72 e art. 74 da Lei n° 9.430/96; c) existe dispositivo legal que determina a suspensão da exigibilidade dos valores em discussão nos processos mencionados (art. 151, III, do CTN), faz valer as informações prestadas por ela em DIPJ/2011, bem como o saldo negativo até que haja alguma decisão definitiva contrária; d) que sem a decisão final transitada em julgado (aperfeiçoamento da condição resolutória) não é possível considerar que a estimativa não foi paga, entendimento endossado pela Jurisprudência Administrativa colacionada (Da confirmação do non bis in idem e da violação à causa suspensiva da exigibilidade); Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço o recurso voluntário, à vista da interposição intempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Como visto, concluiuse que não haveria crédito disponível de saldo negativo de IRPJ, a ser utilizado pela Recorrente nas compensações em questão, sob a alegação de que parte das estimativas que formam esse saldo negativo, e que teriam sido extintas por Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16682.900784/201571 Acórdão n.º 1302003.106 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, no valor de R$ 326.979.378,40, não puderam ser confirmadas pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações ("SCC"). O PER/DCOMP em questão se refere a compensação de créditos de saldo negativo de IRPJ apurado ao final do ano calendário de 2010 com débitos da Recorrente de IRPJ referentes a janeiro e abril de 2011, o qual não foi homologado pelo r. despacho decisório sob o equivocado entendimento de que não teria sido comprovada a existência do crédito no montante pleiteado, uma vez que os PER/DCOMPs n°s 40772.31941.310810.1.3.038079, 31708.97005.310810.1.3.028937, 27098.78071.310810.1.3.036152, 29741.11074.310810.1.3.045531 e 12109.91982.310810.1.3.032972 utilizados para quitar estimativas de 2010. A recorrente sustenta que: a) os débitos em questão (supostamente não quitados por estimativas extintas por compensação) já estão em discussão em outros processos administrativos, de modo que ou serão definitivamente considerados extintos por compensação, caso a Recorrente sagrese vencedora naqueles processos, ou serão integralmente pagos, acrescidos de multa e juros, caso o desfecho não seja favorável à Recorrente, assim como ocorreu no Processo n° 16682.900.196/201456, onde, em razão do pagamento do processo, a estimativa de julho/2010 no valor de R$ 13.212.541,25 foi confirmada, Assim, de uma forma ou de outra, essas estimativas que compõem o saldo negativo de 2010 terão sua extinção confirmada seja por decisão final nos respectivos processos administrativos (que convalidarão a extinção por compensação), seja em razão do pagamento das estimativas pela Recorrente, caso ao final seja assim determinado nos processos administrativos, de modo que considerar, nesses autos, os efeitos das supostas não homologações, redundará numa cobrança em duplicidade (bis in idem), pois qualquer que seja o desfecho daqueles processos administrativos a extinção das estimativas será confirmada.; e b) existência de causa suspensiva da exigibilidade desses valores de IRPJ em discussão nos Processos Administrativos n°s 16682.720043/201346, 16682.901706/201321, 16682.900195/201410, 16682.900197/201409 e 16682.901411/201436, o que faz valer as informações prestadas em DIPJ pela Recorrente, bem como o crédito de saldo negativo de IRPJ/2010, até que haja alguma decisão definitiva contrária, ensejando o indeferimento do PER/DCOMP n° 16368.96719.010811.1.3.022030 com base nesses processos, razão pela qual a exigência desses supostos débitos de IRPJ afronta ao artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional ("CTN"), tendo em vista que, até a prolação de decisão definitiva, que julgue a procedência do ajuste de IRPJ do ano de 2010, estão perfeitas e intactas as informações prestadas pela Recorrente na DIPJ entregue, sendo válido o saldo negativo apurado e utilizado nos procedimentos de compensação. Na forma relatada, o acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, reconhecendo seu direito creditório no montante de RS 53.505.038,36, em razão de ter verificado decisão homologatória do crédito discutido nos autos do Processo Administrativo n° 16682.720043/201346 (PER/DCOMP n° 40772.31941.310810.1.3.038079). Por outro lado, o acórdão recorrido não acolheu as demais DCOMPs, registrando o entendimento de que, pelo fato de as declarações de compensação das estimativas de 2010 não terem sido homologados por decisão definitiva, impediria a apuração do crédito de Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16682.900784/201571 Acórdão n.º 1302003.106 S1C3T2 Fl. 6 5 saldo negativo de IRPJ no referido período, sendo tal apuração possível somente no momento de prolação de tais decisões. Em suas razões a recorrente entende que o acórdão recorrido viola as regras básicas do instituto da compensação, delineadas pelo art. 170 do CTN e pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96. Além disso, o acórdão despreza as regras de suspensão da exigibilidade delineadas pelos arts. 151, III do CTN e pelo próprio art. 74 da Lei n° 9.430/96. Salienta, ainda, que o entendimento propalado pelo v, acórdão redunda num manifesto bis in idem. Frisa que, uma vez regularmente realizada a compensação, os débitos no caso estimativa de IRPJ 2010 seriam considerados extintos, sob condição. E essa condição seria que houvesse decisão não homologatória transitada em julgado. Do contrário não poderia ser considerado que não houve a extinção do débito. Sendo assim, sustenta que as estimativas de 2010 estariam extintas pela compensação, sendo obrigatório o reconhecimento de tais valores como componentes da base negativa de IRPJ 2010. Nesse sentido, citou a seguinte ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes: "CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. COMPENSAÇÃO A MAIOR. A compensação regularmente processada extingue o crédito. Caracteriza indébito tributário a compensação efetuada em valor superior ao crédito tributário devido (declarado + lançado), apurado de ofício. Recurso provido em parte". (Recurso Voluntário 128.007, Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, Rei. Walber José da Silva, julgado em 08/11/2006, DOU em 15/05/2007, p. 28 Destacamos) Como visto, não havia decisão final transitada em julgado não homologatória das compensações declaradas nos autos dos Processos Administrativos n°s 16682.901706/201321, 16682.900195/201410, 16682.900197/201409 e 16682.901411/201436, tendo sido proferida decisão homologatória apenas nos autos do Processo Administrativo n° 16682.720043/201346, no sentido de reconhecer o direito creditório da Recorrente ao montante de RS 50.634.914,02, sendo que, somente em relação a tal montante, foi reconhecido o direito creditório da Recorrente pelo acórdão recorrido. Assim, os demais processos estariam aguardando julgamento da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário apresentadas contra despachos decisórios que não homologaram integralmente ou homologaram parcialmente as compensações realizadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro ("DRJ/RJ1"). No caso das estimativas compensadas do período de apuração de 2010, no valor de R$ 326.979.378,40, verificase que a exclusão da importância supostamente não confirmada do saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente configura bis in idem, na medida que esse valor estará sendo duplamente exigido, tanto nos presentes autos, como nos autos dos Processos Administrativos n°s 16682.720043/201346, 16682.901706/201321, 16682.900195/201410, 16682.900197/201409 e 16682.901411/201436, ou eventuais processos judiciais deles decorrentes. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16682.900784/201571 Acórdão n.º 1302003.106 S1C3T2 Fl. 7 6 Nesse sentido, ainda que exista no futuro uma decisão final transitada em julgado a respeito do tema, referidos débitos de estimativa de 2010 serão cobrados por via própria, ou seja, nos autos dos Processos Administrativos n°s 16682.720043/201346. 16682.901706/201321, 16682.900195/201410, 16682.900197/201409 e 16682.901411/201436 já em trâmite. À vista desses fundamentos, entendo que havendo exigência pela via própria, em caso de decisão final transitada em julgado, em desfavor da Recorrente, caberá lhe pagar os débitos de estimativa de 2010 lá exigidos. Ou seja, o pagamento do débito perfectibilizará o direito de crédito saldo negativo no ano calendário de 2010. Por esse motivo, entendo que assiste razão à recorrente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721299/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 99 /2 01 3- 01 Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 4 3 pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 5 4 frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 6 5 respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.427, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 7 6 Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 8 7 b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 9 8 Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 10 9 acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 11 10 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 12 11 pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 13 12 No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 14 13 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10835.721299/201301 Acórdão n.º 3201004.318 S3C2T1 Fl. 15 14 a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904952/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.894
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 52 /2 01 2- 11 Fl. 251DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.845, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10882.904952/201211 Acórdão n.º 3402005.894 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 253DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.970909/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição nãocumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 70 90 9/ 20 09 -0 1 Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de restituição e não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, alegando que haviam ocorrido meros equívocos no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada, e que deveria ser observado o princípio da verdade material, conforme jurisprudência correlata. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que apenas os créditos líquidos e certos eram passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, arguiu a sua tempestividade e requereu a reforma da decisão de piso, por contrariar o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e os princípios da verdade material, ampla defesa e legalidade, dada a efetiva existência do crédito pleiteado, conforme cálculos e documentos carreados aos autos. É o relatório. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.965, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 15374.964566/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.965): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tempestividade A Recorrente sustenta a tempestividade do recurso, nos seguintes termos: Em 03.07.2015, foi certificada nos presentes autos, equivocadamente, a ciência eletrônica da Requerente dos termos do Acórdão acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada, por decurso de prazo de 15 dias contados da disponibilização do documento na sua Caixa Postal do eCAC. Ocorre que, conforme exigência constante do art. 23, III, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, intimação por meio eletrônico depende, necessariamente, de que o contribuinte tenha realizado a efetiva e expressa opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mediante envio, à RFB, de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendo, portanto, inválida a intimação eletrônica realizada no presente feito em 03.07.2015. Isto porque, em 03.07.2015 (data da certidão de ciência eletrônica nos presentes autos), a ora Requerente ainda não havia feito a opção pelo DTE, conforme se verifica do Termo de Opção/Autorização em anexo, datado de 22.10.2015 (Doc. 01). Cumpre registrar que esse equívoco da RFB em realizar/considerar a intimação eletrônica de decisão administrativa sem que o contribuinte tivesse feito opção pelo DTE vinha ocorrendo de forma reiterada, o que forçou a Requerente a ajuizar, em 17.12.2014, ação declaratória para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que autorizasse a União Federal a proceder intimações/ciências de atos/decisões processuais por meio eletrônico, eis que inexistente autorização/opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e dos §§ 1º e 2º, do artigo 4º, da Portaria SRF nº 259/2006, devendo serem as intimações/cientificações dos atos/termos processuais realizados tão somente de forma pessoal ou via postal, enquanto não realizada a aludida opção/autorização mediante Termo de opção ao DTE (Doc. 02). Assim, em 27.01.2015, foi proferida decisão liminar, em sede de Agravo de Instrumento (processo nº 000040349.2015.4.02.0000), assegurando o direito da ora Requerente de não ser intimada de decisões administrativas por meio eletrônico (DTE) até a realização da opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (Doc. 03), o que, frisese, só ocorreu em 22.10.2015 (v. doc. 3). Em manifestação sobre a questão, no despacho de efls. 365 a 370, a DICAT DEMACRJO: Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 5 4 6. Argumenta o contribuinte que a sua opção ao DTE foi efetivada no dia 22/10/2015, mediante certificação digital no Portal e–CAC, bem assim que tivera acesso à intimação/ciência n° 969/2015 e documentos instrutivos, à fl. 192, somente no dia 20/02/2017, aproximadamente 16 (dezesseis) meses depois da disponibilização do documento. No comunicado denominado “Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo”, o contribuinte foi considerado cientificado no dia 03/7/2015, 15 (quinze) dias contados a partir da data de disponibilização dos documentos na sua caixa postal, conforme documento à fl. 195, data que, de fato, é anterior à sua adesão ao DTE, lapso temporal que “espelha” o cerne da discussão, que compreende basicamente as consequências advindas do fato de a opção ao DTE ter sido efetivada em data posterior à data de “postagem” (disponibilização) da comunicação/intimação. (..) 11. No momento em que a correspondência/mensagem é aberta, considerase perfeita a intimação realizada mediante envio de documento digital à caixa postal de contribuinte, porque dada a ciência do teor da intimação e dos documentos instrutivos. Nesse sentido, encontrase a jurisprudência, há muito, sedimentada no que se refere ao reconhecimento da validade de correspondência, considerando requisitos indispensáveis ao aperfeiçoamento da ciência que a intimação tenha sido (i) enviada ao endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do contribuinte e (ii) assinada por funcionário da empresa, o que torna irrelevante o fato de o documento recebido ter sido ou não entregue ao responsável por sua análise, sendo bastante e suficiente que tenha sido entregue no endereço certo e recebido por pessoa autorizada a fazêlo. 12. Por essa razão, e respeitadas as devidas peculiaridades de cada modalidade de intimação, não seria razoável aceitar a alegação do contribuinte de que somente teve efetivamente acesso ao documento no dia 20/02/2017, quando tomou ciência dos documentos digitais relativos à cobrança amigável pelo eCAC, situação que se assemelharia à hipótese (remota) na qual um contribuinte recebe uma correspondência em sua residência ou estabelecimento comercial, assina o aviso de recebimento (AR) e decide não abrir o envelope, simplesmente porque acredita ser uma faculdade/liberalidade fazêlo apenas quando lhe for conveniente, bem assim que a data de ciência da intimação seria a data de abertura do envelope, em vez da data de recebimento da correspondência. 13. Faz tanto sentido a assertiva anterior que, mediante consulta ao sistema CXPOSTALRFB, constatamos que a primeira leitura da “comunicação simples” ora discutida foi realizada no dia 24/6/2016, existindo 62 (sessenta e duas) outras mensagens (comunicação simples/ato oficial) efetivamente “lidas” pela TAESA de 22/10/2015 até 17/02/2017, período compreendido entre a data de adesão ao DTE e o dia anterior à (suposta) ciência do acórdão combatido. 14. Em que pese a implementação da condição estabelecida pelo Relator do agravo de instrumento, mediante adesão ao DTE no dia 22/10/2015, data a partir da qual (i) a intimação tornouse válida, eficaz e exequível e (ii) passou a ser obrigatório o cumprimento do compromisso assumido no termo de opção, mais precisamente o acesso regular da sua caixa postal com a correspondente ciência de comunicações/ato oficial que porventura tenham sido enviados pela RFB, constata se que a TAESA “renunciou” ao seu direito de defesa, seja no tocante à apresentação de recurso contra o Acórdão n° 1449.935, de 24/4/2014, ou ainda, apenas por amor ao debate, à reclamação da nulidade da intimação, decidindo agir tão somente quando julgou ser mais “conveniente”, precisamente 16 (dezesseis) meses depois de ter formalizado o termo de opção pelo DTE. Em suma, para a DICAT, desde 22/10/2015, data da efetiva opção pelo DTE, o contribuinte deveria ter regularmente acessado a comunicação/intimação discutida que fora enviada para a caixa postal correspondente à sua disposição Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 6 5 no Portal eCAC, praticando, ato contínuo, os atos de defesa pertinentes, mas preferiu, entretanto, manterse “inerte” até o dia 20/02/2017. Todavia, a prescrição do art. 23, III, § 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, é clara de que a adesão ao DTE depende de expresso consentimento do sujeito passivo. A empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico somente em 22/10/2015 e tomou ciência do Acórdão de Julgamento apenas em 20/02/2017, quando acessou eletronicamente os autos do presente processo em razão da mensagem enviada para a caixa postal para a intimação da cobrança amigável. Concordo com a Recorrente no sentido de que a ciência certificada nos autos em 03/07/2015 não operou efeitos, eis que anterior à efetiva opção pelo DTE em 22/10/2015. A unidade de origem deveria ter intimado o contribuinte de outra forma prescrita no art. 23 diante de sua falta de opção pelo DTE ou, após a opção, deveria têlo cientificado novamente. A administração tributária se manteve inerte diante desse lapso cometido. Dessa forma, entendo como plausível que se tenha como data da intimação da decisão de piso, a data de acesso aos autos, nos termos do art. 23, § 2°, III, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, voto pela tempestividade do recurso voluntário, motivo pelo qual analisoo a seguir. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente pleiteia a compensação de pagamento indevido de PIS, não cumulativo, referente ao fato gerador de 31/08/2004, no valor de R$ 39.937,14 (e DCOMP nº 08629.35740.300507.1.3.044200). O despacho decisório indicou que o DARF relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Em impugnação, a empresa alegou ter havido erros no preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade, com as seguintes razões: a A Recorrente deveria ter retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP; b A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório não confere reforma do ato administrativo, pois no momento de sua expedição, a motivação estava correta. Neste sentido, a contribuinte anexou à peça recursal a DCTF retificadora, alterada em 17/11/2009, e fora cientificada do despacho decisório em 21/10/2009; c Não houve prova do suposto recolhimento a maior. Em defesa, não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido; Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 7 6 d Não basta a retificação da DCTF, deveriam ser apresentados os livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor, além da documentação probatória pertinente. De fato, a restituição ou compensação demanda suporte documental mínimo comprobatório dos direitos creditórios requeridos, para atestar a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN. Dessa forma, o contribuinte deve comprovar a efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais foram realizados os recolhimentos a maior. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito (art. 373, CPC/2015), consequentemente, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. A prova a favor do contribuinte perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, deve estar calcada em documentos fiscais hábeis e idôneos. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através do DARF, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais incidiram o tributo e, através de outros documentos. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente anexou os documentos que entende comprovarem seu direito ao creditamento, decorrente de PIS pago indevidamente na sistemática nãocumulativa, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. E, tece as seguintes justificativas: (i) A Recorrente é sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e, em 2000, celebrou com a União, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, o Contrato de Concessão nº 040/2000, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão TaquaruçuAssis, pelo prazo de 30 (trinta) anos. (ii) As suas receitas decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, são tributadas pelo PIS e COFINS no regime cumulativo, nos termos do art. 10, da Lei nº 10.833/2003; (iii) Apurou e recolheu o PIS na sistemática nãocumulativa (código de receita nº 6912), calculado sobre suas receitas decorrentes dos serviços de transmissão de energia elétrica, de 2004 até 2006; (iv) Por intermédio da Lei nº 11.196/2005, da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 e da Nota Técnica de nº 224/2006 SFF/ANEEL, a empresa recompôs a base imponível do PIS, do mês de agosto de 2004, apurando, com base no regime cumulativo, o débito a pagar no valor de R$ 39.894,73, nascendo aí o pagamento indevido a título de PIS não cumulativo (código 6912) no valor total de R$ 111.576,654 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51), recolhidos nas datas de 15/09/2004 e 10/06/2005, respectivamente; (v) Resume a apuração correta da contribuição para o PIS, calculada com base no regime cumulativo (para a receita da atividade) e nãocumulativo (para as receitas financeiras), após a recomposição de sua base imponível para o mês de agosto de 2004, dessa forma: Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 8 7 Adiante acrescenta: Como o regime de PIS/COFINS a que se submete a receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica auferido pela Recorrente é o cumulativo, conforme esclarecido acima, foi necessário retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 para declarar somente o débito de PIS cumulativo (código 8109) e não mais o débito de PIS com base no regime nãocumulativo (código 6912). Para tanto, a Recorrente procedeu à retificação dessa DCTF em 12.07.2007, ou seja, bem antes da ciência do Despacho Decisório (em 21.10.2009). Nessa DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004 (recibo nº 26.443.892.6560 doc. 10), a Recorrente já declarava o débito do PIS cumulativo (código 8109) do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14, bem como a sua quitação através de compensação (PER/DCOMP nº 38114.19893.300507.1.3.046124). Nesse documento não foi declarado nenhum valor de débito de PIS pelo regime não cumulativo (código 6912), seja porque as receitas de sua operação não mais se enquadravam nesse regime, seja porque as demais receitas auferidas no período eram de natureza financeira e sujeitavamse à alíquota zero por força do Decreto nº 5.164/2004, conforme se pode notar pelo DACON retificador (doc. 11) e pela DIPJ 2005, retificadora, página 36 (doc. 12). Esses foram os motivos que tornaram indevidos todos os pagamentos de PIS (código 6912) efetuados por meio de DARF, do período de apuração agosto de 2004. Ocorre que a Recorrente quando do preenchimento da DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, apresentada em 12.07.2007, não demonstrou os créditos de PIS nãocumulativo, eis que não devia nenhum débito desta contribuição neste regime. Mas certo que a Receita Federal do Brasil – RFB mantinha em seus cofres o valor desta contribuição outrora recolhido, indevidamente, pela Recorrente, via DARF, no valor total de R$ 111.576,65 (incluído principal, juros e multa). Reiterese que o pagamento do PIS no regime nãocumulativo (cod. 6912) foi feito indevidamente e não a maior. Logo, os DARF´s recolhidos inapropriadamente, a rigor, não precisariam ter sido indicados em DCTF, pois desvinculados de qualquer débito e impropriamente recolhidos. Desta feita, de pronto, revelam crédito a favor do contribuinte. Esta foi a situação exteriorizada através da retificação tempestiva da DCTF de 12.07.2007, mas, no entanto, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização. Por essa razão, no momento em que a Recorrente teve seu pedido de compensação denegado (objeto do Despacho Decisório nº 848597880), visando uma forma de a RFB ‘enxergar’ o crédito fiscal a seu favor, foi que a Recorrente optou por retificar novamente a DCTF do 3º trimestre de 2004 (em 17.11.2009 – recibo 10.95.50.79.0608 – doc. 13), ratificando os créditos de PIS cumulativo (8109) e incluindo como débito a título de PIS nãocumulativo do mês de agosto de 2004 o valor simbólico de R$ 0,016 para viabilizar a vinculação dos pagamentos, realizados, via DARF, com o código de receita nº 6912, no valor total de R$ 111.576,65 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51, respectivamente – v. doc. 7). Frisese que o crédito requerido consta (e já constava anteriormente ao citado Despacho Decisório) evidenciado também no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON retificador (v. doc. 11) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 retificadora (v. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 9 8 doc. 12), nos quais foram indicados: i) a base de cálculo do PIS do mês de agosto de 2004; ii) o valor a pagar com incidência cumulativa (R$ 39.937,14); iii) o valor a pagar com incidência nãocumulativa (R$ 0,00). (...) O crédito relativamente ao pagamento indevido do PIS não foi reconhecido com a apresentação tempestiva da DCTF retificadora em 12.07.2007 e, por essa razão, em 17.11.2009, a contribuinte apresentou uma nova declaração retificadora, tentando deixar claro para a autoridade fiscal o indébito fiscal. Então, em seu recurso voluntário, objetivando comprovar as suas alegações, anexou: Contrato de concessão nº 040/2000 DARFs PIS (código 6912) 08/2004 R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 DOC. 8 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.01.0001 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Ago/2004 DCTF 3º TRIM/04 RETIFICADORA Nº 26.44.38.92.6560 DACON RETIFICADOR 3º TRIMESTRE DE 2004 DIPJ 2005, RETIFICADORA, PÁGINA 36 DCTF RETIFICADORA Nº 10.95.50.79.0608 DIPJ 2005, ORIGINAL, PÁGINA 36 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.02.0001 (PIS) LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 1.2.1.01.0035 Anteriormente, em manifestação de inconformidade, juntou: A DCTF retificadora de 17/11/2009 com o intuito de exteriorizar o crédito fiscal A primeira DCTF retificadora processada pela Receita Federal do Brasil em 12/07/2007 os DARFs de R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 (comprobatórios dos recolhimentos indevidos de PIS nãocumulativo código 6912) do mês de agosto de 2004 o DACON retificador do 3º trimestre de 2004, e a DIPJ 2005, retificadora Diante disso, a interessada não mais se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Logo, entendo que deve ser analisada a legitimidade de seu crédito. Com isso, assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 10 9 O indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “constitui” o direito de crédito. Logo, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove documentalmente o seu crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido. 3802003.956, 2ª Turma Especial: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 11 10 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Por conseguinte, é necessária a realização de diligência para que a autoridade fiscal proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito de PIS, nãocumulativo, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. Para tanto: a) Analise a documentação acostada nas efls. 566 a 625 e 631 a 657, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado nas efls. 394 a 397, para se aferir Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 15374.970909/200901 Resolução nº 3301000.976 S3C3T1 Fl. 12 11 a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista ao Recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902717/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.538
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045323. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 7/ 20 12 -6 1 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201261 Resolução nº 3402001.538 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201261 Resolução nº 3402001.538 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201261 Resolução nº 3402001.538 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201261 Resolução nº 3402001.538 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201261 Resolução nº 3402001.538 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724617/2012-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 46 17 /2 01 2- 92 Fl. 116DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, anocalendário de 2010, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 720,42. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Recife de f. 89/94. Cientificado, a interessado apresentou recurso voluntário de f. 100/111. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10380.724617/201292 Acórdão n.º 2001000.474 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 118DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10380.724617/201292 Acórdão n.º 2001000.474 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000526/2006-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.000526/200674 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.516 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS SEMIACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 26 /2 00 6- 74 Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de COFINS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno. O recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi apreciado pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3801005.222, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. (...) Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Os acórdãos paradigmas de nº 3302002.025, nº 3302 01.166 e nº 220100.081 não admitem direito a crédito pelos valores das despesas com fretes contratados para transferência de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, diferentemente do acórdão recorrido, que vê tais serviços como insumos. O Presidente da 1ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão de recurso voluntário, do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, apresentando contrarrazões. Inicia pleiteando que não se conheça do recurso especial do Procurador, pois não haveria similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, pois neste estarseia tratando de frete para transferência de produtos semielaborados e naqueles de produtos acabados. No mérito, afirma que o fisco está a utilizar de conceito de insumo ligado à tributação do IPI, excessivamente restritiva no tocante ao PIS e Cofins que visam a abranger os custos e encargos imprescindíveis e essenciais para a consecução da atividade empresarial causando um alargamento da interpretação fiscal. Tal interpretação seria prestigiada pela doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. No caso concreto, se trata de peças Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 4 3 automotivas que são transportadas entre São Paulo e Camaçari na Bahia, para ali agregar outros componentes, finalizando sua produção. Em vista disso, haveria que se considerar o frete como despesa de insumo para o produto final. Recurso especial da contribuinte Na mesma data em que apresentou contrarrazões, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência. Todavia, nos termos do despacho de admissibilidade do Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao recurso especial. Inconformada, a contribuinte apresentou agravo ao despacho que negou seguimento a seu recurso especial de divergência relativamente às mesmas matérias recorridas. Em novo despacho, agora pelo Presidente do CARF, houve rejeição do agravo. É o relatório. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.514, de 17/10/2018, proferido no julgamento do processo 10830.000525/200620, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.514): "O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento No tocante ao conhecimento do recurso há que se realizar análise preliminar em face de alegada não similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, aduzido pela contribuinte em suas contrarrazões. A diferença, no entender da contribuinte residiria no fato de os paradigmas tratarem de produtos acabados e no caso do recorrido estarseia tratando de produtos semi elaborados, insumos sujeitos a processo produtivo final no destino. Os paradigmas sob análise seriam os de nº 3302002.025 e nº 330201.166, admitidos no despacho de admissibilidade, pela regra do § 7º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. De início, há que se reconhecer que os julgados são definidos pelos seus dispositivos e não pelas razões de decidir postas no voto condutor. Justamente, o que está explicitado na parte dispositiva dos acórdãos é que faz a coisa julgada. No tocante à matéria aqui em litígio, o acórdão nº 3302002.025 tinha a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (...) 3 por maioria de votos, para negar o direito ao crédito nas despesas com fretes entre estabelecimentos da recorrente; (...) Até aqui não há referência quanto a se tratar de produtos acabados ou não. A ementa, por sua vez dispunha: CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 6 5 Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (Negritei) Nesse ponto é que se centrou o Procurador para firmar a similitude fática. Contudo, ao observarmos o relatório do acórdão, encontramos a seguinte passagem: Entende a ora Impugnante que o direito aos créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS decorrentes das despesas com fretes, quando da transferência de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica encontra amparo no ordenamento jurídico, em vista da sistemática da nãocumulatividade, adotada para a Cofins e para a Contribuição ao PIS para impedir a “incidência em cascata” de tributos. Segundo a impugnante, a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais se faz necessária para otimizar a logística de circulação de bens destinados à revenda e, portanto, o frete contratado pela Perdigão, por exemplo, é despesa indireta da subsequente venda e não poderia o direito ao crédito ser vedado quando de sua passagem por mais de um estabelecimento industrial, dentro da cadeia de vendas. (Negritei.) Aqui se observa, que realmente aquele acórdão tratava de produtos acabados e mais, no voto vencedor quanto a esta matéria estava transcrito: O frete é um serviço que, em regra, não ocorre durante o processo de industrialização, uma vez que a movimentação durante o ciclo é efetuada pela própria empresa. O frete entre estabelecimentos não diz respeito ao ciclo de produção e a legislação, conforme já ressaltada pelas instâncias pretéritas, somente admite o crédito relativo ao frete na operação de venda. As alegações da Interessada quanto às normas da Anvisa já foram analisadas em itens anteriores e raciocínio semelhante aplicase neste caso, destacandose que seria especial em relação ao processo de produção da Interessada a refrigeração, por exemplo, e não o frete propriamente dito. Vale dizer, é possível entender que a manutenção dos produtos em temperaturas baixas ou em outro estado exigido pela legislação represente etapa da produção, mas não é essa a despesa que a Interessada alegou gerar o direito de crédito e, sim, o transporte. No caso, a refrigeração tornaria o transporte possível, que não é um procedimento da produção. Portanto, não se admite, neste caso, que o frete seja considerado insumo utilizado na produção. O sujeito passivo daquele processo industrializava produtos alimentícios sujeitos ao transporte refrigerado, ficando evidenciado que se tratava de produto acabado, para o qual o Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 7 6 transporte ente estabelecimentos não visava à produção, mas à logística de circulação dos bens para revenda. No segundo acórdão admitido, de nº 330201.166, está indicado no relatório: Constatouse também que a empresa calculou créditos sobre valores escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas". Esses fretes referemse à transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes, caracterizando fretes não vinculados a operações de venda e, portanto, não geram créditos, por falta de previsão legal. Sendo assim, essa parcela foi glosada pela Fiscalização. (Negritei.) A ementa do paradigma, no tocante a matéria, dispunha: CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda Recurso Voluntário Negado. (Negritei.) Já no voto se pode observar o seguinte entendimento: Tais gastos não têm amparo legal para o seu creditamento, por absoluta falta de previsão legal, eis que os fretes em apreço são despesas realizadas após a fase de produção, portanto não geram crédito visto que, conforme dispõe a lei, para que o frete gere direito ao creditamento é necessário que esse serviço seja utilizado como insumo ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou, ainda, se a despesa estiver ressalvada na relação taxativa de bens e serviços que geram direito ao crédito, o que não é o caso. (Negritei.) Aqui, mais uma vez, tratase de produto acabado. Ocorre ainda que o representante da contribuinte afirmou em sede de manifestação de inconformidade: 52. Ocorre que, o que se verifica, na realidade, não é a mera transferência de produtos entre estabelecimentos, mas, sim, de operação da seguinte forma concebida: o estabelecimento da Requerente, localizado em São Paulo, remete peças automotivas denominadas de "eixos traseiros", soldados e pintados, para seu outro estabelecimento, localizado em CamaçariBA, sendo que neste local serão agregados diversos outros componentes para finalização da industrialização do referido "eixo traseiro", transformandoo em "módulo de suspensão", produto final este que será vendido para a empresa automobilística "Ford", (doc. 06) 53. Como se vê, o frete realizado entre os estabelecimentos de São Paulo e Camaçari na realidade transfere de São Paulo um produto semielaborado ("eixo traseiro"), o qual será utilizado como Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 8 7 INSUMO no próximo estabelecimento da cadeia da Requerente, tendo sua industrialização finalizada com a agregação de diversos outros componentes àquele produto em Camaçari, local este onde efetivamente se tem o produto acabado ("módulo de suspensão"), sendo que nesta etapa é que se tem o produto finalizado e que será repassado ao consumidor final. 54. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Requerente para composição de seu saldo credor de COFINS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Requerente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. (Negritos do original, sublinhei.) Tais afirmações não foram contraditadas em momento posterior, em qualquer decisão, logo, admitese neste processo que seja esse o processo produtivo até a obtenção do produto a ser vendido. Dessa forma, não há como paragonar os acórdãos que tratam de fretes de produtos acabados com o aresto recorrido que se estabeleceu na análise de fretes dos insumos de produção entre estabelecimentos da contribuinte. Além disso, na própria discussão da matéria de direito, o Procurador afirma: Com efeito, o frete de mercadorias é um serviço utilizado na distribuição/reorganização das mercadorias, e não na produção delas. Por isso os referidos fretes não podem ser considerados insumos e gerar créditos com base no inciso II do artigo 3º das Leis 10637/02 e 10833/03. Os custos de distribuição de mercadorias não se subsumem ao conceito de insumo utilizado no processo produtivo. Ora, se o conceito de insumos utilizados na produção envolvesse também os custos de distribuição da mercadoria, seria completamente desnecessária a previsão do inciso IX, que menciona custos específicos desta etapa, razão pela qual, repitase, o frete usado para a distribuição das mercadorias não está inserido na hipótese do inciso II. Tratandose, então, do inciso IX, mister registrar que ele também não alcança o valor do frete contratado para a realização de transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores, já que tais custos não integram a operação de venda a ser realizada posteriormente. Apenas daria direito ao crédito o frete contratado para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes. (Negritei.) Essas passagens evidenciam que o Procurador encarava os produtos como mercadorias a serem distribuídas, ou seja produtos acabados. Além disso, tratando a seguir de conclusões da Solução de Divergência COSIT nº 11, de 2007, pacificando a matéria, transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Cofins Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10830.000526/200674 Acórdão n.º 9303007.516 CSRFT3 Fl. 9 8 Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. (Destaquei.) Logo, os argumentos utilizados para sustentar a divergência, igualmente se apóiam em situação fática distinta daquela do recorrido. Tendo em vista essas observações, entendo que assiste razão à contribuinte, quando não vê similitude fática entre os acórdão paradigmas e o acórdão a quo. Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000443/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório da Resolução nº 20100.776, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 02 de outubro de 2008: Tratase de Autos de Infração relativos à Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) lavrados em razão do suposto não recolhimento de valores devidos na sistemática cumulativa e não cumulativa. A fundamentação fatica do auto de infração encontrase as fls. 82/85 — Vol. I. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 44 3/ 20 06 -1 3 Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 3 2 Conforme constatado do Termo de Verificação Fiscal II (fls. 78/85), a fiscalização teve origem na diligência derivada do processo administrativo nº 70768.010268/9936, relativo ao processo n° 99.001.20159, da 17 a Vara Federal, no qual a Recorrente discute a inconstitucionalidade das alterações trazidas pela Lei IV 9.718/98 ao ordenamento jurídico. Terminada a auditoria fiscal foram lavrados autos de infração por tributo e período, tendose formado um processo administrativo para a constituição dos valores vinculados ao processo judicial e outro processo (o ora analisado) para a exigência dos demais valores. O Termo de Verificação Fiscal (t1s. 78/85) consignou, para o período que importa neste auto de infração que: "(..) Após análise comparativa entre os mapas demonstrativos de bases de cálculo do PIS e da Cofins, para o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2005 e contribuições devidas, com as páginas dos balancetes (Demonstração de Resultado) para o grupo de contas 311 e 312, para o mesmo período e as DCTF apresentadas, identificadoras das contribuições devidas, surgiram as seguintes inconsistências: comparandose as bases de cálculo (receitas operacionais) dos balancetes com os mapas demonstrativos, verificamos que os valores informados nos mapas demonstrativos são superiores; comparandose os valores devidos de contribuições (PIS e Co fins) nas DCTF com os mapas demonstrativos, verificamos que os valores informados nas DCTF são inferiores; Para o ano calendário de 2003, a intimada tem a informar que o recolhimento em separado do PIS cumulativo e do PIS não cumulativo só ocorreu a partir da competência abr/2003, por isso para o período jan/03 a mar/03 todo o valor devido de PIS foi informado como PIS cumulativo. No período de mai/03 a set/03 ocorreu erro no preenchimento da DCTF, sendo todo o valor informado como PIS cumulativo. Para o período de out/03 a dez/2003 ocorreu erro no preenchimento da DCTF, não sendo informado todo o débito. No caso da Cofins, a intimada tem a informar que ocorreram erros no preenchimento da DCTF, não sendo informado todo o débito. Dessa forma a intimada vem solicitar a esta fiscalização a possibilidade de alterar as DCTF de modo que as diferenças apontadas possam ser sanadas; Diante do exposto, e considerando que a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contábil que comprove a alegação acima citada, inclusive o fato de estar sob procedimento de oficio, onde não cabe a retificação das DCTF apresentadas, providência utilizada em procedimento espontâneo, procedemos à tributação das diferenças de contribuição para o PIS e para a Cofins; Para o ano calendário de 2004, a intimada verificou que quando do envio das bases de cálculo não .foram considerada.s. as últimas apurações. As diferenças apontadas pela fiscalização quando do primeiro levantamento, se reduziram a diferenças que ocorreram por preenchimento incorreto das DCTF. Dessa .forma, solicitou a Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 4 3 possibilidade de alterar as DCTF de modo que as diferenças apontadas possam ser sanadas; Diante do exposto, e considerando que a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contábil que comprove a alegação acima citada, inclusive o fato de estar sob procedimento de oficio, onde não cabe a retificação das DCTF apresentadas, providência utilizada em procedimento espontâneo, procedemos à tributação das diferenças de contribuição para o PIS e para a Cofins; Considerando que a empresa fiscalizada possui liminar em mandado de segurança relativa ao processo no 99.001.20159 da 17a Vara Federal, sobre o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, para o período de janeiro de 1999 a fevereiro de 2003, e que para esse período foram encontrados remanescentes de contribuição devida, procedemos ao lançamento da seguinte forma: de fevereiro de 1999 até fevereiro de 2003, lançamento com exigibilidade suspensa, sem multa de oficio, cobrando apenas contribuição devida e juros de mora (lançamento com fins decadenciais); de março de 2003 até dezembro de 2004, no caso da Cofins, e de março de 2003 a setembro de 2004, no caso do PIS, normal, ou seja, cobrado contribuição devida, multa de oficio de 75% e juros de mora." (destaquei» Inconformada, a Recorrente apresentou suas razões de impugnação às fls. 132/150, alegando, em síntese, que: Ocorreu a nulidade absoluta das autuações fiscais ora impugnadas, devido a ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, inclusive porque apenas consta dos autos o "Temo de Verificação Fiscal II", não constando dos autos o "Termo de Verificação Fiscal I", do qual, supõese, deva constar a adequada explanação dos procedimentos de conferência da documentação e dos esclarecimentos apresentados no curso da fiscalização, com a indicação dos reais motivos pelos quais os documentos não teriam sido aceitos. Houve falha no preenchimento das declarações, mas desta falha não resultou recolhimento de tributo a menor. Ao se limitar a simples constatação das diferenças baseadas em demonstrativos equivocados cuja substituição fora requerida, a Fiscalização deixou de verificar a origem e a natureza dos respectivos montantes que, dependendo da situação, podem caracterizar recursos não tributados (isentos ou excluídos da base por lei) ou, se tributados, pelo regime cumulativo ou nãocumulativo, gerando, assim, exações de diferentes formas e valores. No que respeita a contribuição ao PIS dos meses de maio a setembro/2003, a Recorrente informou a fiscalização que os valores devidos pelas duas sistemáticas a que estão submetidas suas receitas — cumulativa e não cumulativa — haviam sido declarados em DCTF conjuntamente, na ficha atinente à sistemática cumulativa, transparecendo com isso que o valor apurado conforme a sistemática não cumulativa não teria sido declarado e tampouco recolhido. Logo, a Recorrente informou a Fiscalização do erro, tendo sido apresentando, inclusive, o demonstrativo do cálculo adotado para a Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 5 4 apuração da contribuição ao PIS pelos dois sistemas, o qual demonstra que a soma do total devido pelo regime cumulativo com o total devido pelo regime nãocumulativo corresponde, exatamente, ao valor constante das fichas DCTF apresentadas. Registra a Recorrente que o total do montante devido conforme ambas as sistemáticas de apuração foi integralmente recolhido e que o Agente Fiscal desconsiderou os esclarecimentos prestados e, sob o fundamento de que havia se iniciado o procedimento de oficio, condição que impossibilitava a retificação das declarações, autuou a Recorrente concluindo que não foi realizado o recolhimento da diferença devida pelo regime nãocumulativo. Para exemplificar a Recorrente esclarece que constou da DCTF do mês de maio/2003 (ficha de PISsistemática cumulativa) que o valor do débito apurado totalizava R$10.395.011,77, não tendo sido apresentada a ficha atinente As receitas sujeitas A sistemática não cumulativa (conforme indicado pela fiscalização no "Termo Verificação fiscal II"). Já no mapa demonstrativo fornecido pela Recorrente o valor do PIS totaliza R$ 9.035.596,14 e aquele apurado para as receitas vinculadas A sistemática não cumulativa, R$ 1.359.415,63 (que é justamente o que exige a autuação). Ora, a soma dos dois montantes totaliza, exatamente, o montante de R$ 10.395.011,77. Tal raciocínio e o cálculo demonstrados para o mês de maio são igualmente aplicáveis aos meses de junho a setembro. No que se refere ao PIS apurado pelo regime nãocumulativo dos meses de outubro a dezembro/2003, a Fiscalização decidiu exigir diferenças constatadas a partir da confrontação dos montantes de base e tributo apurados em demonstrativo elaborado e disponibilizado pela Impugnante com os valores informados em DCTF nas fichas de apuração da contribuição calculada segundo as regras da não cumulatividade; Em razão de constar do demonstrativo fornecido pela Recorrente à Fiscalização valores do PIS apurado pela sistemática não cumulativa superiores aos informados nas DCTF, assumiu a Fiscalização que a diferença, como deixou de ser declarada, também não teria sido paga. Todavia, conforme atestam os DARFs anexos e as relações "compensação de pagamento indevido ou maior" ou de "outras compensações e deduções" listadas nas DCTF, os valores que a Fiscalização exige foram todos satisfeitos, motivo pelo qual essa parcela do credito ora impugnado encontrase extinta, nos termos do art. 156 do CTN. Importante registrar, que os valores exigidos no lançamento de oficio foram todos eles adimplidos antes do inicio da Fiscalização, motivo pelo qual não há que imaginar que a Impugnante esteja obrigada a recolher a multa de oficio imposta pelos AIIMs impugnados. Para exemplificar a Recorrente esclareceu o procedimento adotado no mês de outubro/2003, em que apresentou planilha informando que teria R$ 1.030.704,86 de PIS a recolher, apurados de acordo com as regras da sistemática não cumulativa. Já na DCTF está indicado que o valor devido seria apenas R$ 731.427,70, sendo assim a Fiscalização imaginou que a diferença entre ambos os valores (ou seja, R$ 299.277,16) não teria sido recolhida, razão pela qual a exigiu na Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 6 5 autuação. No entanto, com se verifica dos documentos ora anexados, o montante exato de R$ 1.030.704,86 foi pago na data de seu vencimento. No que respeita As supostas diferenças da contribuição ao PIS atinentes aos meses de janeiro a setembro/2004, tratase, apenas e tão somente, de falhas formais havidas quando do preenchimento das DCTF, sem originar, contudo, qualquer recolhimento a menor do tributo de que se cuida. A Recorrente, por entender, inicialmente, que as receitas de multas e juros cobrados em razão do inadimplemento dos usuários estariam sujeitas A sistemática de apuração não cumulativa da contribuição ao PIS, assim procedeu. Da mesma forma, no que respeita As receitas de serviços de "portas de acesso", isto 6, decorrentes de funcionalidades complementares, inclusive o suporte provido para a viabilização de conexões à intemet, entendeu a Recorrente, em um primeiro momento, que se sujeitariam à sistemática de apuração não cumulativa, pois não seriam propriamente decorrentes da "prestação de serviços de telecomunicações". Quanto a receitas de multas e juros decorrentes de inadimplemento, a Recorrente formulou consulta A Secretaria da Receita Federal, a qual lhe foi respondida no sentido de que permaneceriam sujeitas A apuração conforme a sistemática cumulativa, por terem a mesma natureza das receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações. Já no que tange As receitas de "portas de acesso", no oficio n° 113/2006, enviado em 27/04/2006 pelo Sr. Superintendente Executivo da ANATEL ao Sr. Secretário Executivo do CONFAZ, a referida agência em resposta à consulta que lhe fora formulada pelo CONFAZ, esclarece tratarse de serviços de telecomunicação. Deste modo, tratandose de serviços de telecomunicação conforme manifestação exarada pelo órgão competente, as receitas dai decorrentes sujeitamse A. contribuição ao PIS apurada conforme a sistemática cumulativa, nos termos do art. 8 0, VIII, da Lei n° 10.637/2002; Por estas razões, os demonstrativos apresentados pela impugnante fiscalização consideraram tais receitas como sujeitas A apuração do PIS conforme a sistemática cumulativa, por ser este o entendimento oficial vigente. Todavia, as DCTF anteriormente apresentadas haviam considerado estas mesmas receitas corno sujeitas à sistemática não cumulativa, o que gerou a autuação. No que respeita aos valores indicados no demonstrativo de "composição da diferença" como "DARF PIS cumulativo" e "DARF COFINS Cumulativo" (incorreção no período de apuração e na DCTF), a Recorrente registra que os mesmos foram recolhidos e indicados em DARF no "período de apuração" como débitos do mês de fevereiro/2004, mas que, no entanto, como se vê da planilha, dizem respeito ao PIS/COFINS devido no mês de janeiro. A Recorrente informa já ter solicitado as retificações dos documentos de arrecadação. Quanto A Cofins de fevereiro a junho, novembro e dezembro/2004, a Fiscalização somou os valores de contribuição indicados no campo "Cofins cumulativo a pagar" da parte que trata da "base de cálculo regime cumulativo", com o subitem "DARF" da "Composição de Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 7 6 pagamento" do trecho a respeito da "base de cálculo regime não cumulativo", ambos indicados no demonstrativo preparado e entregue A. Fiscalização pela Recorrente. Comparou este valor com os montantes informados como "débito apurado" nas fichas das DCTF da COFINS calculada segundo as regras da cumulatividade apresentadas nos períodos (valores listados no "Termo de Verificação Fiscal II). A comparação resultou em diferença de Cofins, correspondente ao valor do pagamento feito da contribuição pelo regime nãocumulativo. De fato a totalidade da Cofins indicada na "composição do pagamento", subitem "DARF", foi integralmente recolhida, conforme verificase dos DARF anexos, que indicam cada um dos períodos lançados de oficio pela Fiscalização. Em relação ao mês de julho/2004, a Recorrente registra que a diferença entre o valor que apurou em planilha e o valor declarado em DCTF tem origem na não consideração do pagamento da COFINS conforme sistemática não cumulativa do período, efetuada via DARF e em pedidos de compensações apresentados em relação a parte da Cofins conforme sistemática cumulativa, não informados na DCTF. De fato, somandose o valor do DARF (R$ 159.774,42) com os valores dos pleitos de compensação apresentados e não informados em DCTF (R$ 2.300.373,26), apurase a diferença lançada na autuação, no total de R$ 2.460.147,68. Portanto, demonstrada a extinção do crédito tributário atinente à suposta diferença, impõese o cancelamento da autuação fiscal também nesta parte. Por fim, para o mês de agosto, a fiscalização examinou o valor indicado na planilha como devido a titulo de Cofins, sistemática cumulativa, e o constante da DCTF apresentada, apurando diferença a maior constante da planilha que não estava indicada em DCTF, lançando a diferença. Tal valor, assim como explicitado para o PIS no item "a", decorre da mudança de apuração das receitas de multa e juros de clientes em atraso e de portas de acesso da sistemática nãocumulativa para a cumulativa, sem originar recolhimento a menor, corno se vê do demonstrativo de apuração das bases de Cofins para 2004. Dessa maneira, tal parcela da exação deve ser igualmente cancelada. Após a analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Quarta Turma de Julgamento da Delegacia do Rio de Janeiro II (fls. 902/918 — Vol. V) proferiu o acórdão n° 13 14.801, por meio do qual entendeu por bem cancelar parcialmente o auto de infração em análise, in verbis : "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/03/2003 a 31/12/2004 NULIDADE. AMPLA DEFESA. Uma vez perfeitamente identificado no auto de infração que foram garantidos ao autuado todos os direitos para o exercício de sua defesa, não se tem configurada qualquer afronta aos princípios da ampla defesa ou do contraditório. DEVER DE PROVAR. BASE DE CÁLCULO INFORMADA. DESCONSIDERAÇÃO. Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 8 7 Somente se inviabiliza a base de cálculo informada pelo autuado, para substituila por um montante mais gravoso, mediante a apresentação de provas efetivas que explicitem a origem da diferença. RECOLHIMENTO COMPROVADO. Não deve prosperar o lançamento de oficio motivado por fm/ta ou insuficiência de recolhimento, quando restar comprovada a efetivação do pagamento dentro do prazo legalmente previsto para o seu vencimento. FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência de recolhimento apurada em procedimento .fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DIVIDA. As declarações de compensação (Dcomp) entregues a SRF a partir de 31/10/2003, constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2003 a 30/09/2004 NULIDADE. AMPLA DEFESA. Uma vez perfeitamente identificado no auto de infração que foram garantidos ao autuado todos os direitos para o exercício de sua defesa, não se tem configurada qualquer afronta aos princípios da ampla defesa ou do contraditório. DEVER DE PROVAR. BASE DE CALCULO INFORMADA. DESCONSIDERAÇÃO. Somente se inviabiliza a base de cálculo informada pelo autuado, para substituila por um montante mais gravoso, mediante a apresentação de provas efetivas que explicitem a origem da diferença. RECOLHIMENTO COMPROVADO. Não deve prosperar o lançamento de oficio motivado por falta ou insuficiência de recolhimento, quando restar comprovada a efetivação do pagamento dentro do prazo legalmente previsto para o seu vencimento. FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência c/c recolhimento apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DIVIDA. As declarações de compensação (Dcomp) entregues a SRF a partir de 31/10/2003, constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente a exigência dos débitos indevidamente compensados." Em resumo, a decisão de primeira instancia administrativa concluiu que a fiscalização não logrou comprovar a ocorrência das infrações, Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 9 8 razão pela qual devem ser consideradas corno efetivas as informações apresentadas pela Recorrente, a saber: "Em nosso caso, não há qualquer elemento apresentado pela fiscalização que nos leve a desconsiderar os valores do PIS cumulativo e não cumulativo constantes das colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Cálculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" 51) como verdadeiros. A simples declaração do fiscal autuante de que "a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contábil que comprove sua alegação", confrontada com o fato de que os valores considerados como devidos do PIS não cumulativo são exatamente aqueles constantes no citado Demonstrativo, bem como nas planilhas de folhas 52/55, sem trazer aos autos elementos documentais, ou mesmo demonstrativos, que infirmem a alegação da impugnante, não nos permite atestar a inviabilidade dos valores apresentados pelo interessado no curso da ação. Por conseguinte, a mingua de instrução primária que dê os contornos materiais que levaram a fiscalização a impugnar os valores trazidos pelo contribuinte, no curso da ação fiscal, apresentase sem sustentação a imposição sob exame. Além do mais, em se tratando de atividade vinculada, a teor do art. 142 do CTN, deve o lançamento fundarse na certeza da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, vale dizer, tal ocorrência deve restar devidamente comprovada, excetuados unicamente os casos em que autorize a lei sua presunção." A par deste fato, a decisão administrativa de primeira instância analisou cada período especificamente apresentando suas conclusões de forma individual. "(..) Sendo assim, em relação aos lançamentos de PIS relativos aos períodos de 05/2003 a 09/2003, estes devem ser exonerados. Quanto aos períodos 10/2003, 11/2003 e 12/2003, além das considerações feitas acima, temse, ainda, que os valores constantes da planilha de folha 51, nas colunas "DCTF CUMULATIVA" e "DCTF NÃO CUMULATIVA", ao que parece, .foram retirados da DCTF apresentada em 06/04/2005, que consta como cancelada, uma vez que foi substituida pela apresentada em 17/10/2005, ou seja, antes do inicio do procedimento fiscal. Tendo em vista que os valores lançados foram obtidos, justamente, pela diferença entre o valor informado na co/tina "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" e a coluna "DCTF NÃO CUMULATIVA", que não espelha a realidade, uma vez que os valores corretos são aqueles constantes da DCTF apresentada em 17/10/2005 (fls. 834/840), que coincidem com os valores das colunas acima descritas, o lançamento deve ser exonerado na forma da planilha abaixo. Acrescentese, ainda, que em relação a estes períodos haviam sido efetuados os pagamentos Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 10 9 constantes de folhas 828/833, todos anteriores ao inicio do procedimento .fiscal que não foram considerados pelo fiscal autuante. Portanto, por todos estes motivos, os lançamentos de PIS relativos aos períodos 10/2003 a 12/2003, também devem ser exonerados. Em relação ao ano de 2004, o interessado argumenta que as diferenças da contribuição atinentes aos meses de janeiro a setembro/2004, tratamse, apenas e tão somente, de falhas formais havidas quando do preenchimento das DCTF, sem originar, contudo, qualquer recolhimento a menor do tributo de que se cuida. Passemos a examinar primeiramente os períodos para os quais os recolhimentos encontrados no Sistema Sinal7 (fls. 828/833) são iguais ou superiores aos valores informados como devidos tanto em DCTF, quanto durante o curso da ação fiscal. Em relação aos períodos de 02/2004, 03/2004, 06/2004, 07/2004 e 08/2004, verificase estar correto o impugnante, uma vez que os somatórios dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo relativos a tais períodos (fls. 828/833) são iguais ou superiores aos somatórios dos valores do PIS cumulativo e não cumulativo declarados em DCTF, que por sua vez, são superiores aos valores informados no curso da ação fiscal. Portanto, tais valores devem ser exonerados integralmente. Quanto aos períodos de 01/2004, 05/2004 e 09/2004 temse que os somatórios dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo são inferiores aos valores informados como devidos no curso da ação fiscal. Verificase que na DIRPJ Ano Calendário 2004, apresentada ern 29/12/2005, (lls.841/853) os valores informados da contribuição para o PIS/Pasep tanto incidência cumulativa, como não cumulativa, estão em conformidade com os informados no Demonstrativo de .fl. 58, nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA". Cabe registrar, ainda, o fato de que as planilhas de fis. 59/62 intituladas "Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep anocalendário 2004" confirmam os valores informados nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Cálculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" (fl. 58). Sendo assim, por tais motivos e pela mesma fundamentação consignada acima, no que tange ao dever de provar do fisco, tomamse por verdadeiros os valores informados nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Cálculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" (li. 58), de forma que devem ser parcialmente exonerados os lançamentos referentes aos períodos 01/2004, 05/2004 e 09/2004, na forma da planilha abaixo. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 11 10 Quanto ao mês abril/2004, uma vez que o somatório dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo (fls. 828 e 833) é superior ao somatório dos valores do PIS cumulativo e não cumulativo, informados no curso da ação fiscal deve ser integralmente exonerado na forma da planilha abaixo. Passo, a examinar agora, de forma individualizada os períodos lançados, em relação à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Cofins. Quanto ao período 03/2003 a interessada efetuou os pagamentos encontrados no Sistema Sinal7 (fls. 854, 856 e 858), em valor superior ao declarado em DCTF, sendo assim, o fiscal autuante deveria têlos considerado ao apurar o valor a ser lançado, o que não foi feito. Portanto, levandose em conta tais pagamentos, e considerandose como devido o valor da Cofins informado no curso da ação fiscal, o período 03/2003 deve ser parcialmente exonerado na forma da planilha abaixo. Em relação aos períodos 10/2003, 11/2003 e 12/2003, da mesma forma que ocorreu com o PIS, temse que os valores constantes da planilha de folha 51, nas colunas "DCTF CUMULATIVA" e "DCTF NÃO CUMULATIVA", ao que parece, foram retirados da DCTF apresentada em 06/04/2005, que consta como cancelada, uma vez que foi substituida pela apresentada em 17/10/2005, ou seja, antes do inicio do procedimento Tendo em vista que os valores lançados foram obtidos, justamente, pela diferença entre o valor informado na coluna "PLANILHA CUMULATIVA" e a coluna "DCTF CUMULATIVA", que não espelha a realidade, uma vez que os valores corretos são aqueles constantes da DCTF apresentada em 17/10/2005 (fls. 864/866), que coincidem com os valores da coluna "PLANILHA CUMULATIVA", o lançamento deve ser exonerado na forma da planilha abaixo. Quanto aos períodos 07/2003, 08/2003 e 09/2003, temse que o próprio impugnante confirma ter cometido erros no preenchimento da fichas da DCTF, declarando a menor o que havia apurado. Em relação a tais períodos não foram encontrados recolhimentos que pudessem infirmar o lançamento, como ocorreu com o mês 03/2003. Ademais, há que se considerar que a responsabilidade por infrações legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, como define o art. 136 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção c io agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sendo assim, devem se mantidos integralmente os lançamentos referentes a 07/2003, 08/2003 e 09/2003, uma vez que os valores declarados em DCTF são inferiores aos informados no curso da ação fiscal pela própria impugnante. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 12 11 No que diz respeito ao lançamento da Cofins relativa ao ano de 2004, a argumentação do contribuinte é de que a Fiscalização somou os valores de contribuição indicados no campo "Cofins cumulativo a pagar", da parte que trata da "base de cálculo regime cumulativo", com o subitem "DARE" da "Composição de pagamento" cio trecho a respeito da "base de calculo regime não cumulativo", ambos indicados no demonstrativo preparado e entregue à Fiscalização pela Impugnante (doc. 29). Isso feito, comparou o valor da soma com os montantes informados como "débito apurado" nas fichas das DCTF da Cofins calculada segundo as regras da cumulatividade apresentadas nos períodos (valores listados no "Termo de Verificação Fiscal II"). Prossegue afirmando que a comparação resultou em diferença de Cofins, correspondente ao valor do pagamento feito da contribuição pelo regime não cumulativo e que a totalidade da indicada na composição de pagamento" subitem "Darf", fora integralmente recolhida por ele. Para o ano de 2004, em relação aos períodos de março, abril, maio, junho, novembro e dezembro, o somatório dos débitos da Cofins cumulativa com a Cofins não cumulativa declarados em DCTF idêntico ao valor informado como devido no curso c/a ação fiscal como Cofins cumulativa. Sendo assim, considerandose como verdadeiros os valores informados no curso da ação fiscal, e o que o valor total informado como devido em DCTF é idêntico ao informado no curso da ação fiscal, não tendo sido efetuada, portanto, declaração a menor do total, devem ser exonerados integralmente tais períodos. Quanto ao período de julho/2004 a impugnante argumenta que a diferença entre o valor que apurou em planilha e o valor declarado em DCTF tem origem na não consideração do pagamento da COFINS conforme sistemática não cumulativa do período, efetuada via DARF, e em pedidos de compensações apresentados em relação a parte da Cofins conforme sistemática cumulativa, não informados na DCTF. Alega, ainda, que se for somado o valor do DARF (R$ 159.774,42) Com os valores dos pleitos de compensação apresentados e não informados em DCTF (R$ 2.300.373,26), apurase a diferença lançada na autuação, no total de R$ 2.460.147,68. Primeiramente, em relação ao recolhimento do valor de R$ 159.774,42 ql. 786) no código 5856, assiste razão ao impugnante no sentido de que deveria ter sido considerado pela fiscalização quando da autuação, o que passa a ser feito neste momento. Quanto à alegação da existência de pedidos de compensação apresentados a Secretaria da Receita Federal mas não informados em DCTF, verificase, de inicio, que as declarações de compensação que se encontram às folhas 790, 795, 797, 803, 806 e 809 foram apresentadas a SRF antes do inicio do procedimento fiscal. Além disto, verificase, também, que o somatório dos valores ali declarados, respectivamente, de R$ 75.767,15, R$ 137.758,46, R$ 1.247.379,77, R$ 1.123.861,40, R$ 951.475,00 e R$ 394.544,51, perfaz um total de R$ 3.930.786,29, enquanto que o valor informado na DCTF, apresentada em 20/11/2005, como crédito vinculado Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 13 12 compensação de pagamento indevido ou a maior (fl. 884) é de R$ 1.630.413,03. A diferença entre tais montantes é de R$ 2.300.373,26, e tal montante, juntamente com os R$ 159.774,42, relativo ao pagamento efetuado em 13/08/2004 (fl. 786) e não considerado pela .fiscalização equivalem, justamente, ao valor que foi lançado. Temse no presente caso que, a época do lançamento, já estava em vigor a nova redação dada pela Lei n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ao artigo 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, no qual foi acrescido o § 2", nos seguintes termos: § 2º. A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Mas se mesmo diante do acima disposto existiam dúvidas em relação a condição de confissão de divida que caracterizava os débitos informados em declaração de compensação, com o advento do artigo 17 da Medida Provisória (MP) n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, também de 2003, que dentre outras alterações incluiu o parágrafo 6" no art 74 da Lei 9.430/96, tais dúvidas foram completamente dissipadas, sendo confirmado que tal declaração se constitui em instrumento de confissão de divida e dai a desnecessidade de lançamento de oficio para a exigência dos valores que tiveram a compensação solicitada. 0 citado parágrafo diz o seguinte, in verbis: § 6" A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, considerando tais dispositivos, entendese que as declarações de compensação formalizadas pelo contribuinte em 2004 extinguiram os débitos nele informados, sob condição resolutória da posterior verifica cão do procedimento por ele efetuado, pela autoridade Desta forma, apesar da efetiva ausência de declaração em DCTF para os valores de COFINS compensados, entendo incabível o lançamento relativo ao período de apuração 07/2004, em razão da extinção expressamente prevista na alteração legal acima citada, cabendo a constituição do crédito eventualmente apurado somente na hipótese de nãohomologação da compensação informada, ou homologação parcial. Por fim, em relação ao 1776S de agosto/2004, a impugnante afirma que a fiscalização lançou a diferença entre o valor indicado na coluna "PLANILHA CUMULATIVA" (fl. 58) e o constante da DCTF apresentada, mas que tal montante não poderia ser exigido, dado que a diferença, decorre da mudança de apuração das receitas de multa e juros de clientes em atraso e de portas de acesso da sistemática nãocumulativa para a cumulativa, sem originar recolhimento a menor. Não merece acolhida tal argumentação, uma vez que em relação a tal período não foi declarado qualquer débito de Cofins não cumulativa em DCTF e o valor do débito declarado como Cofins cumulativa é inferior ao valor informado no curso da ação fiscal, pela própria impugnante. Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 14 13 Além disto, não foram encontrados recolhimentos que pudessem infirmar o lançamento. Sendo assim, deve ser mantido integralmente o lançamento referente ao período de agosto/2004." Pelo valor cancelado os autos foram enviados a este Egrégio Conselho por Recurso de Oficio. Em virtude do quantum mantido nos autos, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário as fls. 921/935 — Vol. V, por meio do qual (i) reiterou suas alegações de nulidade do auto de infração, (ii) requereu a manutenção da decisão na parte em que exonerou o contribuinte e (iii) em relação aos demais valores mantidos na exigência fiscal, esclareceu a Recorrente que foram devidamente recolhidos, apresentou guias DARF. É o relatório. Na resolução da qual foi retirado o relato acima restou decidido por unanimidade de votos o seguinte: Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem os documentos apresentados pela Recorrente com seus recursos (Impugnação e Voluntário) e verifiquem os pagamentos realizados. Para tanto, deverá o Agente Fiscal elaborar planilha explicativa e demonstrativa de todos os pagamentos trazidos pela contribuinte (se por meio de DARF ou processo de compensação/Dcomp), indicando a sua localização (fls. do processo), bem como a situação atual das compensações (se deferidas/ homologadas/ não declaradas) e a existência de saldo a recolher. Registrase que, a autoridade administrativa deverá realizar urna segunda planilha, indicando apenas os débitos atualmente extintos, relacionando a extinção com a forma de pagamento (Guias DARF ou compensação) e o respectivo documento comprobatório. A resposta à diligência determinada pelo CARF, foi encartada aos autos às efls 2740 e seguintes. Devidamente intimada a recorrente apresentou sua manifestação às efls 2749 a 2756 onde afirmou que a fiscalização reconheceu a existência de pagamentos, segundo ela, anteriores à ação fiscal, demonstrados por meio de DARF´s acostados aos autos. Passo seguinte o processo retornou ao E. CARF para julgamento sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles tomo conhecimento. I Preliminar do Recurso Voluntário Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 15 14 A recorrente insurgindose contra a r. decisão de piso traz em sua peça recursal alegações relacionadas a nulidade das autuações por ausência de motivação e consequente cerceamento de defesa e, no mérito, a insubsistência da autuação por ter comprovado que as exações eram improcedentes, pois embora tenha cometido erros formais no preenchimento das DCTF´s, as diferenças lançadas de ofício foram pagas ou compensadas com outros créditos tributários da recorrente. Quanto a preliminar de nulidade entendo que razão não assiste à recorrente. Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Verifica se que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. A seqüência de atos processuais demonstra que não existe o reclamado “Termo de Verificação Fiscal I”, sendo que o “Termo de Verificação Fiscal II” foi suficiente para esclarecer e descrever todo o procedimento investigatório que culminou na lavratura dos autos de infração. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Desta forma, afasto as alegações de nulidade feitas pela recorrente. II Demais questões relacionadas ao mérito Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 16 15 No mérito a recorrente alega a insubsistência da autuação por ter comprovado que as exações eram improcedentes, pois embora tenha cometido erros formais no preenchimento das DCTF´s, as diferenças lançadas de ofício foram pagas ou compensadas com outros créditos tributários da recorrente A resolução da presente demanda é complexa face a necessidade de análise e numerosos períodos, além de grande quantidade de documentos, notadamente, as DCTF's, declarações de compensações e comprovantes de pagamentos de tributos. Tal complexidade foi atestada inclusive pela I. Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora da resolução nº 20100776, observese: Conforme relatado tratase de processo complexo, que envolve vários períodos e esclarecimentos específicos. A questão probatória também se faz bastante relevante, tendo sido inclusive por esta razão que os julgadores administrativos de primeira instancia cancelaram a maior parte do auto de infração. Ocorre que os documentos acostados ao processo — mesmo com todos os seus volumes não são suficientes para que esta julgadora conclua pela manutenção ou pelo cancelamento do auto de infração. E que a principal alegação da Recorrente é pela impossibilidade de manutenção da exigência em razão da extinção do crédito tributário ocorrida pelo pagamento. É exatamente neste ponto que discordo da decisão recorrida. Não vejo valores totalmente extintos e, em virtude deste fato, preciso de esclarecimentos da administração pública. Vários débitos foram extintos em razão de procedimentos de compensação, sobre os quais não há informação de deferimento ou homologação. A titulo de ilustração, nas competências de maio a agosto de 2003, as quais foram devidamente canceladas, a Recorrente, sistematicamente, recolheu por meio de guia DARF apenas R$ 10,00, tendo compensado: R$9.980.865,78 em maio/03 — fls.184 — R$10.189.111,75 em junho/03 — fls. 189; R$8.926.865,32 em julho/03 — fls. 192; R$11.506.259,18 em agosto/03 — fls. 195. Sem mencionar que os processos de compensação citados na DCTF do período de 3' Trimestre/04, As fls.885/901 — Vol. V — (13708.001805/200497, 13708.001806/200431; 13708.001807/200486, 13708.001808/2004 21) — já foram julgados nesta mesma Primeira Câmara, tendo sido indeferidos, por maioria, os pedidos de restituição — documentos que ora anexo aos autos. Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem os documentos apresentados pela Recorrente com seus recursos (Impugnação e Voluntário) e verifiquem os pagamentos realizados. Para tanto, deverá o Agente Fiscal elaborar planilha explicativa e demonstrativa de todos os pagamentos trazidos pela contribuinte (se por meio de DARF ou processo de compensação/Dcomp), indicando a sua localização (fls. do processo), bem corno a situação atual das compensações (se deferidas/ homologadas/ não declaradas) e a existência de saldo a recolher. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 17 16 Pois bem. O termo de encerramento de diligência já mencionado no presente voto, trouxe respostas aos questionamentos feitos na resolução, juntando ao processo planilhas “PIS Pago ou Compensado”, “PIS Suspenso ou em Aberto”, “Cofins Paga ou Compensada”, “Cofins Suspensa ou em Aberto” que junto com a planilha “Valores Declarados nas DCTF's”, permitiram separar os tipos de situação em que se encontram os débitos, sendo esses valores consolidados na planilha “Consolidação dos Valores de PIS e COFINS”. Entendo que nas planilhas trazidas e juntadas aos autos com a resposta a diligência, demonstraram as compensações alegadas pela recorrente e confirmadas no acórdão da DRJ. Ressaltase que no decorrer da diligência a autoridade fiscal encontrou substancial valores pagos a titulo de COFINS, o objeto da autuação, que não estavam alocados em DCTF's. Abaixo colaciono a conclusão apontada pela autoridade fiscal e a planilha que aponta os valores dos DARF's mencionados (efls. 2741/2742), vejamos: Por último, o contribuinte apresentou diversos comprovantes de pagamento (realizados antes da abertura da ação fiscal), sendo que em sua maioria, eles já estavam alocados nos valores declarados nas respectivas DCTF's, conforme demonstrado na planilha “Valores Declarados nas DCTF's”. Porém, além desses comprovantes, o contribuinte apresentou outros que não estavam alocados às DCTF's, e se encontram detalhados na planilha “Darf's Apresentados pelo Contribuinte”. Todos esses pagamentos referemse a Cofins (cód. 2172) e seus valores que se encontram com saldo disponível (sem alocação) estão informados na planilha a seguir, inclusive com a localização desses pagamentos dentro do processo: Como se vê, em que pese não alocados, a conclusão é de que existem créditos em favor da recorrente, ressaltase, recolhidos em momento anterior ao inicio da ação fiscal que ensejou a autuação guerreada, sendo portanto inegável o direito à compensação pleiteada pela contribuinte. Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 18 17 Pois bem. Em uma análise apressada das conclusões da diligência acima transcritas, poderia se dizer que a contribuinte recorrente possui créditos a serem compensados, devendo haver somente o encontro de contas e abatimentos dos valores encontrados de débitos e créditos. No entanto, entendo que no presente caso, a autoridade que realizou o lançamento, para chegar ao real valor de crédito (negativo ou positivo), deve levar em contam as questões relacionadas à denúncia espontânea, tratadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no nº 1.149.022/SP, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (do antigo CPC), observese: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 18471.000443/200613 Resolução nº 3302000.918 S3C3T2 Fl. 19 18 Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Do que se infere da decisão supra citada, é que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito e, quando o contribuinte realizar o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal. Desta forma, quando do lançamento devemos observar o seguinte: i) DCTF anterior ao pagamento, não cabe denúncia espontânea; ii) DCTF posterior ao pagamento, cabe denúncia espontânea; iii) pagamento a ser imputado ao valor lançado, cabe denúncia espontânea. Assim, considerando todo o arrazoado acima exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal realize a imputação dos saldos disponíveis de DARFs de Cofins, primeiramente, aos saldos declarados/confessados em aberto e, remanescendo saldo disponível, alocar aos valores lançados no AI e mantidos pela decisão de DRJ, observando o cabimento da denúncia espontânea. Ao final, elaborar relatório conclusivo discriminando os saldos devedores a serem mantidos, facultando ao recorrente o prazo de trinta dias para manifestação, conforme artigo 35 do Decreto 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910547/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 47 /2 01 5- 51 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.454. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910547/201551 Acórdão n.º 3301005.261 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910492/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 92 /2 01 5- 80 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06055.927. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910492/201580 Acórdão n.º 3301005.257 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
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