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Numero do processo: 13749.720172/2011-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 72 /2 01 1- 62 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de julho do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.09.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.917, de 27.02.2013, fls. 1921: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de julho do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.09.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720172/201162 Acórdão n.º 1801001.666 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 12896.000311/2008-86
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
Nulidade. Decisão Proferida com Cerceamento do Direito de Defesa:
Por caracterizar cerceamento do direito de defesa, são nulas as decisões motivadas em legislação já revogada não aplicável ao caso e que deixam de apreciar a totalidade das alegações da defesa .
Numero da decisão: 1801-001.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para proferir nova decisão, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DECISÃO PROFERIDA COM CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: Por caracterizar cerceamento do direito de defesa, são nulas as decisões motivadas em legislação já revogada não aplicável ao caso e que deixam de apreciar a totalidade das alegações da defesa . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para proferir nova decisão, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 6. 00 03 11 /2 00 8- 86 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão do Simples Nacional. A empresa interessada foi excluída da sistemática do Simples Nacional, pelo Ato Declaratório Executivo n º204793, de 22/08/2008, por possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, com efeitos a partir de 01/01/2009. Cientificada do ato, apresentou contestação alegando que teria efetuado o pagamento dos débitos referentes ao tributo Simples e dos débitos de divergência das competências de 01/2007 e 02/2007. Os demais débitos teriam sido incluídos em parcelamento efetuado em 27/07/2007. A unidade de jurisdição da interessada analisou o pleito e consignou que, os débitos referentes ao tributo Simples do período de apuração de 01/2007 a 05/2007 se encontravam extintos por pagamento efetuado em 30/09/2008. Da mesma forma, os débitos de divergências GFIP x GPS referentes às competências de 01/2007 e 02/2007 teriam sido sanados por pagamento. Contudo, quanto às divergência relativas às competências de 06/2005 a 13/2006, que o contribuinte afirmara ter incluído em parcelamento de que trata o art. 79 da Lei Complementar n° 123/2006, explicou a autoridade que referidos débitos não seriam passíveis de parcelamento, de acordo com o § 1o. do artigo 38 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, já que provenientes de retenção de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais e, assim, o parcelamento solicitado seria indevido, razão pela qual foi mantida a exclusão. Notificada, apresentou impugnação considerada tempestiva, na qual observou que, na ocasião em que efetuou a opção pelo Simples Nacional e solicitou o parcelamento dos débitos previdenciários, em 27/07/2007, com pagamento da primeira parcela no valor de R$ 100,00, vigorava o texto original do artigo 79 da Lei Complementar n º 123, de 2006, que permitia o parcelamento de quaisquer débitos, inclusive de contribuições sociais descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais. Assim, as alterações promovidas em 15/08/2007 no artigo 79 da Lei Complementar n º 123/2006, não poderiam retroagir para alcançar fatos pretéritos já consumados. Aduziu, também, que o § 1o. do artigo 38 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, que veda o parcelamento de contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, não poderia se opor ao art. 79 da Lei Complementar n° 123/2006, pois este último seria diploma legal hierarquicamente superior. Afirmou que, nesse contexto, não haveria dúvida de que o parcelamento das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados e dos contribuintes individuais seriam parceláveis até 14/08/2007, quando vigeu a redação original do art. 79 da Lei Complementar n° 123/2006, em observância ao principio da legalidade e da segurança jurídica. A Turma Julgadora de 1a. instância, ao apreciar a impugnação, assinalou que os incisos XV e XVI do artigo 9o. da Lei n º 9.317, de 1996, que regulamentou o Simples Federal, determinaria a exclusão dessa sistemática, de empresas que possuíssem débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não estivesse suspensa, ou cujo titular ou sócio que participasse de seu capital com mais de 10 % (dez por cento), estivesse inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, sem exigibilidade suspensa. Nessas condições, as pesquisas constantes dos autos demonstrariam a existência de débitos em aberto, cujo parcelamento alegado, seria vedado, razão que justificou a manutenção da exclusão e o indeferimento do pleito da empresa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12896.000311/200886 Acórdão n.º 1801001.529 S1TE01 Fl. 3 3 Notificada da decisão, em 27/06/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 103 (processo digital), apresentou a interessada, em 26/07/2011, recurso voluntário. Em sua defesa argumenta que passou por um período de dificuldades financeiras que impediram o cumprimento pontual de suas obrigações, mas que até o momento, já havia desembolsado considerável quantia para saldar seus débitos, não tendo sido possível quitar a totalidade, razão que motivou o pedido de parcelamento de parte deles. Assinala que a Lei que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Peque Porte não deixou claro quais tributos e contribuições poderiam ser parcelados para estar em consonância com o objetivo final do simples nacional, sendo este objetivo claramente demonstrado posteriormente no advento da Medida Provisório 449 de 2008 e a Lei n°. 11.941 de 27 de maio de 2009 que contempla todos os tipos de tributos e contribuições em parcelamentos, pois o artigo 38 da Lei 8.212 foi revogado pela Lei 11.941 Alega que desde que requereu o parcelamento dos débitos, inclusive das contribuições previdenciárias, vem efetuando o pagamento das parcelas em dia, e que aproximadamente 81,29% dos débitos previdenciários já se encontravam quitados. Aduz que o motivo do indeferimento do pleito pela Turma Julgadora de 1a. instância não teria ficado claro, já que o dispositivo mencionado havia sido revogado, e haveria nova legislação a regulamentar o Simples Nacional. Pede pelo deferimento de sua solicitação de permanecer no Simples Federal e, alternativamente, que os efeitos da exclusão sejam implementados em exercício posterior ao julgamento do recurso, em observância ao princípio da ampla defesa, evitandose, assim, a falência da empresa. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente Como se depreende do relato tratase de empresa excluída da sistemática do Simples Nacional, em vista da existência de débitos para com a Fazenda Nacional sem exigibilidade suspensa. O Simples Nacional foi instituído pela Lei Complementar n º 123, de 2006, que revogou expressamente a Lei n º 9.317, de 1996, que havia instituído o Simples Federal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A Turma Julgadora de 1a. instância, ao apreciar o pedido de permanência no Simples Nacional, indeferiuo, e fundamentou o indeferimento nas disposições já revogadas da Lei n º 9.317, de 1996, que havia instituído o Simples Federal. Além disso, algumas das alegações de defesa da parte interessada não foram devidamente apreciadas naquela julgamento, como a que suscita a alteração legislativa promovida no artigo 79 da Lei Complementar n º 123, de 2006, posteriormente à formalização do parcelamento e, em especial, a afirmação da requerente de que continua pagando pontualmente o parcelamento que se disse ser vedado. Tais fatos caracterizam preterição do direito de defesa da parte pois restou prejudicado o conhecimento e a apreciação da totalidade de suas alegações de inconformidade. O artigo 59 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF, assim dispõe: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... (*) Destaques acrescidos Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, declarar nula a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância, e determinar que seja proferida nova decisão na qual deverão ser apreciadas todas as alegações de defesa da empresa interessada. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.006370/2008-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PLR - REGRAS CLARAS E OBJETIVAS - REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 - LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES
A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dando-lhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir do lançamento efetuado os pagamentos feitos a segurados a título de PLR que estão em conformidade com a legislação no tocante à periodicidade, conforme o disposto no art. 3º, § 2º da Lei 10.101/2000 ( no primeiro pagamento de cada semestre civil) (ii) recalcular o valor da multa com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32-A da Lei 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu pela tributação dos valores que extrapolaram o limite do acordo (150%).
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 63 70 /2 00 8- 44 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir do lançamento efetuado os pagamentos feitos a segurados a título de PLR que estão em conformidade com a legislação no tocante à periodicidade, conforme o disposto no art. 3º, § 2º da Lei 10.101/2000 ( no primeiro pagamento de cada semestre civil) (ii) recalcular o valor da multa com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32A da Lei 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu pela tributação dos valores que extrapolaram o limite do acordo (150%). Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 129 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 127 a 128, com Anexo às fls. 129 a 148, apresentado contra Acórdão nº 1622.765 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.200.1777, no montante de R$ 82.280,65. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de declarar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" como parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias como discriminado na coluna "Pagto PLR" do Anexo A constante do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833).no período de 02/2004 a 11/2005. Observa ainda o relatório Fiscal, às fls. 21, que esses valores estão discriminados na coluna "DIFERENÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO" do Anexo “A” constante do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n° 19515.006372/200833). A multa a ser aplicada é a prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, e nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991; combinados com o art. 284, inciso II, e com o art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, correspondendo a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada em GFIP, limitada ao produto do multiplicador previsto no inciso I, art. 284, do RPS, pelo valor mínimo da multa previsto no caput, art. 283, do RPS, em função do número de segurados da empresa. O valor mínimo da multa prevista no art. 283, caput, do RPS, foi atualizado pelo inciso V, art. 8º, da Portaria Interministerial MPS/MF N o 77, de 11 de Março de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 12 de Março de 2008, seção 1, página 42, perfazendo o montante de R$ 1.254,89. Para efeito do cálculo do limite máximo da multa por competência, constatouse que a empresa enquadrase na faixa de 50 a 100 segurados para todo o período da autuação. Foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, com ciência da Recorrente em 08.07.2008, sendo apresentado também o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.00200804.1015. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Cálculo da Multa Aplicada, às fls. 08, é de 02/2004 a 12/2005. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 15.10.2008, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrida, conforme o Acórdão nº 1622.765 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. SOBRESTAMENTO IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O cálculo para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação vigente à época da infração com os termos da Lei n.° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterou os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Inicialmente, devese destacar que a autuação lavrada tem como fundamento alegada omissão de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a serem lançados na GFIP, decorrente da imposição, pelo Agente Fiscal, de natureza salarial a pagamentos efetuados aos empregados a titulo de participação nos lucros e resultados, conforme consta do objeto do Auto de Infração n° 37.167.0977, lavrado pela autoridade fiscalizadora, impondose, em decorrência, a correspondente multa Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 130 5 Certo é, todavia, que com a publicação da Lei n° 11.941/2009, diversas modificações ocorreram quanto aos valores das multas previstas na Lei n° 8.212/91. Destacase que a alteração do artigo 32A, gerou significativas modificações nos valores relacionados às multas, pelo que requer a Recorrente, desde já, sua imediata aplicação ao presente processo, admitindose, por argumento, a hipótese de manutenção da autuação inicial. Ademais, referido auto de infração decorre da alegada omissão de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a serem lançados na GFIP, em razão da imposição, pelo Agente Fiscal, de natureza salarial a pagamentos efetuados aos empregados a título de participação nos lucros e resultados, conforme consta do objeto do Auto de Infração n°37.167.0977, lavrado pela autoridade fiscalizadora. Dessa forma, tendo em vista que o presente auto de infração possui intrínseca relação com as disposições do Auto de Infração n° 37.167.0977, já que dele decorre o objeto principal deste auto e que há o risco de ocorrerem decisões conflitantes, requer seja a análise da presente sobrestada até que haja decisão final quanto ao recurso / apresentada naquele Auto de Infração n° 37.167.0977, ou que àquela seja apensada, a fim de que as decisões sejam uniformes. Indiscutível, assim, que o presente auto de infração possui fundamentação em idêntica origem do Auto de Infração n° 37.167.0977, daí o porquê de serem os recursos correlatos, sendo certo que o recurso apresentado naquele auto de infração vale, e aqui é referenciado, quanto aos seus argumentos, documentos e disposições. Face ao exposto, espera a Recorrente seja acolhido o presente recurso, determinandose o sobrestamento do feito até decisão final do Auto de Infração n° 37.167.0977, que demonstrará sua total improcedência, ou, então e alternativamente, seja a multa imposta reduzida, observandose as disposições impostas pela Lei n° 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Na Sessão de Julgamento em 12.05.2011, esta Colenda Turma decidiu por baixar o processo em Diligência para fins de saneamento do processo, conforme a Resolução 2403000.017: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AIOP disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, os fatos geradores das contribuições sociais Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 previdenciárias com a discriminação: (a) dos valores relacionados à participação nos lucros ou resultados – PLR recebidos pelos segurados empregados da Recorrente; (b) dos segurados empregados que receberam o PLR e foram considerados na base de cálculo. Após, deve ser dado ciência à Recorrente para que a mesmo possa se manifestar com vistas ao contraditório e à ampla defesa. A Diligência Fiscal retornou a este Conselho nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução no 2403.000.017 da 4a Camara / 3a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), as fls 153 a 160 do Processo 19515.006374/200822, procedeuse à diligência conforme MPF 08.1.90.00201201662 3: 1. Em 02/05/2012 foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo), comunicando a sociedade o inicio de diligência fiscal para atender a resolução do CARF. 2. Foram anexados ao TIPF: a. Mandado de Procedimento Fiscal; b. Resolução do CARF de n°: 2403000.019 —fls. 153 a 160; c. Relatório Fiscal Complementar, contendo no "Anexo A", a discriminação dos valores relacionados a participação nos lucros ou resultados — PLR recebidos pelos segurados empregados da sociedade. Esse anexo contém, também, o cálculo das contribuições que deveriam ser retidas dos segurados, caso a sociedade considerasse o PLR como base de cálculo para as contribuições previdenciarias; d. Cópia do recibo de arquivos entregues ao contribuinte em 15 de outubro de 2008, que demonstra que o "Anexo A" já havia sido entregue ao contribuinte (o código identificador do relatório 6: b95cff051e289de2152f30dc9a4c41af). 3. Em 08/05/2012 foi lavrado o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 11/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo). A Recorrente devidamente cientificada, assim se manifestou acerca da Diligência: Vale destacar, assim, que o auto de infração original, lavrado pela Autoridade Fiscal, é nulo, já que não preenche os requisitos formais para sua validade, fato esse reconhecido pelo CARF — Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, que determinou a conversão do processo em diligência. Diante disso, considerando tratarse de vicio insanável (inclusive por se tratar de inovação em auto de, infração já Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 131 7 lavrado), inadmissível a complementação do auto de infração original, especialmente diante da prescrição que atinge referidas obrigações em discussão. Caso não seja esse o entendimento desse I. CARF — Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, o que se admite apenas por cautela, a Recorrente, nesse ato, reitera integramente os termos do recurso administrativo apresentado, requerendo, assim, seja acolhido o recurso interposto, pelos seus próprios fundamentos. Por fim, reitera a Recorrente que, com a publicação da Lei n° 11.941/2009, houve diversas modificações na anterior legislação, principalmente no tocante aos valores das multas previstas na Lei n° 8.212/91, razão pela qual, nesse sentido, devese observar a redação do artigo 32A, aplicandose, se devido, o valor da multa definida em referido dispositivo legal. É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 96 DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 127 a 128, com Anexo às fls. 129 a 148, apresentado contra Acórdão nº 1622.765 – 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.200.1777, no montante de R$ 82.280,65. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de declarar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" como parte dos fatos geradores de contribuições previdenciárias como discriminado na Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 132 9 coluna "Pagto PLR" do Anexo A constante do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833).no período de 02/2004 a 11/2005. Ademais, a Diligência Fiscal retornou a este Conselho nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução no 2403.000.019 da 4a Camara / 3a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), as fls 153 a 160 do Processo 19515.006374/200822, procedeuse à diligência conforme MPF 08.1.90.00201201662 3: 1. Em 02/05/2012 foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo), comunicando a sociedade o inicio de diligência fiscal para atender a resolução do CARF. 2. Foram anexados ao TIPF: a. Mandado de Procedimento Fiscal; b. Resolução do CARF de n°: 2403000.019 —fls. 153 a 160; c. Relatório Fiscal Complementar, contendo no "Anexo A", a discriminação dos valores relacionados a participação nos lucros ou resultados — PLR recebidos pelos segurados empregados da sociedade. Esse anexo contém, também, o cálculo das contribuições que deveriam ser retidas dos segurados, caso a sociedade considerasse o PLR como base de cálculo para as contribuições previdenciarias; d. Cópia do recibo de arquivos entregues ao contribuinte em 15 de outubro de 2008, que demonstra que o "Anexo A" já havia sido entregue ao contribuinte (o código identificador do relatório 6: b95cff051e289de2152f30dc9a4c41af). 3. Em 08/05/2012 foi lavrado o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (com ciência do contribuinte em 11/05/2012, conforme Aviso de Recebimento anexo). Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.127.1142 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 133 11 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. REPLEG Relatório de Representantes Legais, que identifica os sóciosgerentes / administradores da empresa e seus respectivos períodos de gestão; c. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; d. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 134 13 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DO MÉRITO. (i) Inicialmente, devese destacar que a autuação lavrada tem como fundamento alegada omissão de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a serem lançados na GFIP, decorrente da imposição, pelo Agente Fiscal, de natureza salarial a pagamentos efetuados aos empregados a titulo de participação nos lucros e resultados, conforme consta do objeto do Auto de Infração n° 37.167.0977, lavrado pela autoridade fiscalizadora, impondose, em decorrência, a correspondente multa Certo é, todavia, que com a publicação da Lei n° 11.941/2009, diversas modificações ocorreram quanto aos valores das multas previstas na Lei n° 8.212/91. Destacase que a alteração do artigo 32A, gerou significativas modificações nos valores relacionados às multas, pelo que requer a Recorrente, desde já, sua imediata aplicação ao presente processo, admitindose, por argumento, a hipótese de manutenção da autuação inicial. Ademais, referido auto de infração decorre da alegada omissão de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a serem lançados na GFIP, em razão da imposição, pelo Agente Fiscal, de natureza salarial a pagamentos efetuados aos empregados a título de participação nos lucros e resultados, conforme consta do objeto do Auto de Infração n°37.167.0977, lavrado pela autoridade fiscalizadora. Dessa forma, tendo em vista que o presente auto de infração possui intrínseca relação com as disposições do Auto de Infração n° 37.167.0977, já que dele decorre o objeto principal deste auto e que há o risco de ocorrerem decisões conflitantes, requer seja a análise da presente sobrestada até que haja decisão final quanto ao recurso / apresentada naquele Auto de Infração n° 37.167.0977, ou que àquela seja apensada, a fim de que as decisões sejam uniformes. Indiscutível, assim, que o presente auto de infração possui fundamentação em idêntica origem do Auto de Infração n° 37.167.0977, daí o porquê de serem os recursos correlatos, sendo certo que o recurso apresentado naquele auto de infração vale, e aqui é referenciado, quanto aos seus argumentos, documentos e disposições. Face ao exposto, espera a Recorrente seja acolhido o presente recurso, determinandose o sobrestamento do feito até decisão Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 final do Auto de Infração n° 37.167.0977, que demonstrará sua total improcedência, ou, então e alternativamente, seja a multa imposta reduzida, observandose as disposições impostas pela Lei n° 11.941/2009. Analisemos. Este item (i) questiona o sobrestar o processo até o julgamento do AIOP nº 37.167.0977. Ou seja, neste ponto, a Recorrente em sede de Recurso Voluntário não combate a decisão da instância “a quo”, de modo que não há o que se manifestar a respeito da decisão de primeira instância. Quanto ao pedido de sobrestamento para que se aguarde o julgamento do AIOP nº 37.167.0977, anotese este processo não foi distribuído a este Relator. Outrossim, em função de que na presente Sessão de Julgamento estarmos julgando o processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985, referente às contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a Terceiros, especificamente para as seguintes entidades:Salário Educação 2,5%, INCRA 0,20%, SENAC 1,00%, SESC 1,50% e SEBRAE 0,60%, totalizando 5,80%, devemos nos ater a decisões não divergentes nestes processos. Daí, portanto, transcrevo abaixo trechos do Acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário no processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. Processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. (viii) Da "ausência" de metas claras e objetivas Tirante o fato de não se saber de onde o Sr. Auditor Fiscal concluiu pelo descumprimento do tema — não se sabe de que lei está falando e nem o que entendeu como regras claras e objetivas..., bem como o que para ele representa direito substantivo e regras adjetivas..., cumpre ressaltar a plena observância por parte da aqui Recorrente quanto àquilo que a lei determina como estipulação de metas claras e objetivas, e que de modo prévio, aos seus empregados. Analisemos. A questão central é se definir se há ou não regras claras e objetivas, posto que um dos fundamentos para a autuação fiscal é a hipótese de ausência dessas regras assim delimitas pelo art. 28, § 9º, j, Lei 8.212/1991 c/c art. 2º, § 1°, Lei 10101/2000. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a Terceiros, especificamente para as seguintes entidades:Salário Educação 2,5%, INCRA Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 135 15 0,20%, SENAC 1,00%, SESC 1,50% e SEBRAE 0,60%, totalizando 5,80%, no período 02/2004 a 12/2005. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 18 a 31, o fatos gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento aos empregados de 'Participação nos lucros ou resultados da empresa PLRE', sem atender a todos os requisitos previstos pelos artigos 1°, 2° e 3° da Lei 10.101 de 19/12/2000, o que impossibilitou afastar tais pagamentos da base de incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do disposto no § 9°, j, do artigo 28 da Lei 8.212/91: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j A participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica. (gn) Lei 10.101/2000 Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 li programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores." (..) Art 3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1° Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (g n) Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 31, destacamse, a seguir, os pontos que esta fiscalização entendeu não estarem de acordo com as exigências previstas na Lei 10.101/2000: 6.4. Regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas: dos Acordos Coletivos não constam as metas a serem atingidas. Sejam quais forem as metas, deveriam estar claramente expressas. Mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Dos Acordos Coletivos também não constam as formas de apuração dos resultados referentes às metas inicialmente definidas, uma vez que também não existem metas a serem atingidas. 6.4.1. Diz o acordo referente a 2004: Cláusula 1° Fundamento Legal As partes assinam este acordo tendo por base as disposições da lei n° 10.101 de 19 de dezembro de 2000, especialmente o artigo 2º Cláusula 2º Participação nos resultados A Hay e os seus empregados estabeleceram um Programa de Metas para o ano fiscal de 2004 (01.10.03 a 30.09.04), ao qual fica subordinado o pagamento a título de participação no resultado. Os empregados e a Hay pactuam o seguinte programa de metas para 2004: a) Para Consultores e Gerentes a.1) metas individuais e coletivas pactuadas no início do exercício; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 136 17 a.2) resultado operacional da Hay b) Para Equipe de Informações b.1) de meta individual; b.2) das metas da área envolvendo o negócio; b.3) resultado operacional da Hay c) Para os demais empregados c.1) resultado operacional. 6.4.2.Diz o acordo referente a 2005: CLÁUSULA PRIMEIRA: DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL o presente acordo tem como fundamento legal as disposições contidas no artigo 7°, incisos XI e XXVI, da Constituição Federal e na Lei n° 1 0.101/00, que ficam fazendo parte integrante deste Acordo para todos os efeitos. CLÁUSULA SEGUNDA: DOS EMPREGADOS ABRANGIDOS Farão jus ao Programa de Participação nos Resultados (PPR), de que trata este acordo, todos os EMPREGADOS que mantiverem seus contratos de trabalho vigentes em setembro/2005. Além disso devem ser respeitadas, pelos elegíveis, as condições de elegibilidade contidas no presente instrumento, ressalvadas as disposições contidas nos parágrafos abaixo dessa cláusula CLÁUSULA TERCEIRA: DO PROGRAMA DE METAS A EMPRESA, a COMISSÃO DE EMPREGADOS e o SINDICATO, a fim de disciplinarem os mecanismos que servirão de base global ao presente instrumento, nos exatos termos do que dispõe o artigo 2°, da lei 10.101/00, evidenciam que o Programa de Participação nos Resultados (PPR), previsto neste instrumento, está vinculado ao atingimento integral das metas previstas nesse acordo, as quais subordinamse ao período de apuração compreendido entre 01.10.2004. a 30.09.2005. Parágrafo Primeiro: O resultado obtido no decorrer do período de apuração (01.10.2004 a 30.09.2005),ratificado e validado pelos relatórios de auditoria nos resultados, elaborado por empresa de auditoria independente, destinará, para efeito de apuração de metas e resultados deste programa, a seguinte sistemática/resultados, observada a função de cada empregado, conforme documentos a ser entregue ao mesmo que, rubricado e ratificado pelas PARTES, passa a fazer parte integrante do presente Instrumento: A) PARA CONSULTORES, GERENTES E DIRETORES: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 a.1)metas individuais e coletivas pactuadas no início do exercício; a.2) resultado operacional da Hay B) PARA EQUIPE DE INFORMAÇÕES: b.1)de meta individual; b.2) das metas da área envolvendo o negócio; b.3) resultado operacional da Hay C) PARA OS DEMAIS EMPREGADOS: c.1) resultado operacional CLÁUSULA QUARTA: QUANTO AO VALOR A SER DISTRIBUÍDO Uma vez cumpridas as metas estabelecidas, nesse instrumento, o valor do PPR (Programa de Participação nos Resultados) será calculado de acordo com o salário e a função de cada empregado, que será avaliado por seu desempenho de acordo com as metas anteriormente acordadas. Parágrafo único: Os valores poderão variar de 0% a 150% (cento e cinqüenta por cento) dos alvos acima (metas), em função dos resultados obtidos. 6.5. Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente: confrontandose os "Acordos para Programa de Participação nos Resultados" com os pagamentos efetuados, vistos nas folhas de pagamento entregues pela sociedade, as datas dos referidos acordos são posteriores aos pagamentos efetuados a título de PLR (ou PPR), indicando que, se houve uma negociação entre a comissão e a empresa, o fato já estaria consumado. As metas referemse ao ano fiscal (até setembro), enquanto os acordos foram assinados em novembro ou dezembro: 6.5.1. O "Acordo para Programa de Participação nos Resultados" referente ao ano fiscal de 2004 (01.10.03 a 30.09.04) apresenta a data de 02/12/2004, mas seu registro no sindicato não apresenta data; 6.5.2.0 "Acordo para Programa de Participação nos Resultados" referente ao o ano fiscal de 2005 (01.10.04 a 30.09.05) apresenta a data de 01/11/2005, mas seu registro no sindicato não apresenta data. 6.5.3.Diz Sérgio Pinto Martins i , em seu livro "Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas" (Editora Atlas, ano 2.000), tratando da MP n° 794, de 29/12/1994 e reedições antes de sua conversão na Lei n° 10.101, de 18/12/2000. O texto da lei não alterou o texto da MP: "O próprio inciso II do §10 do art. 2' da medida provisória fala em programas de metas, resultados e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 137 19 serem previstos nos sistemas de negociação. Na verdade, o texto legal prevê que os resultados devam ser ajustados previamente antes de ser distribuídos." 6.6. As datas do efetivo pagamento não são as mesmas constantes dos Acordos Coletivos: como pode ser observado nas folhas de pagamento entregues pela sociedade e constantes do Anexo A do AI de DEBCAD n. 37.167.0977 (Processo n. 19515.006372/200833): 6.6.1.0 acordo referente a 2004 não cita data de pagamento: Parágrafo Terceiro O pagamento será efetuado com base no salário vigente de setembro de 2004, após a conclusão dos relatórios de auditoria nos resultados da Hay que compreende o período de outubro a setembro de cada ano, a responsabilidade pela elaboração deste relatório será de uma empresa de auditoria independente. Anotese que o posicionamento da fiscalização é claro ao considerar nos Acordos Coletivos para os exercícios de 2004 e 2005 a falta de regras claras e objetivas: Regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas: dos Acordos Coletivos não constam as metas a serem atingidas. Sejam quais forem as metas, deveriam estar claramente expressas. Mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Dos Acordos Coletivos também não constam as formas de apuração dos resultados referentes às metas inicialmente definidas, uma vez que também não existem metas a serem atingidas. Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que: “ a Lei 10.101/2000 – assim como a MP 794/1994 e suas reedições não trazem regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. De modo que reportome a excertos do voto condutor do Acórdão 20501.331, da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de 05/11/2008, da relatoria da Conselheira Liege Lacroix: (...) Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei 10.101/2000 acima transcritos. (...)Não há nenhuma restrição na lei pra que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.” Portanto, com fundamento na jurisprudência do CARF acima explicitada, considero que na aferição dos requisitos previstos no § 9°, j, do artigo 28 da Lei 8.212/1991 c/c artigo 2°, § 1º, Lei 10.101/2000, evidenciase regras claras e objetivas instrumentalizadas nos Acordos Coletivos de 2004 e 2005. Diante do exposto, dou provimento à alegação da Recorrente no sentido de que evidenciase a presença de regras claras e objetivas e, de qualquer forma, afasto a fundamentação da autuação no tocante à falta de regras claras e objetivas. Para efeitos explicativos, do lançamento efetuado de desconsideração dos pagamentos efetuados a título de PLR no sentido de se incidir contribuição social previdenciária, após se afastar a fundamentação da AuditoriaFiscal no tocante à ausência de regras claras e precisas para o pagamento da PLR, restou ainda analisar apenas o fundamento do não atendimento da periodicidade para que afaste, ou não, a tributação nesses pagamentos efetuados a título de PLR. Processo nº 19515.006373/200888 referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.167.0985. (ix) DO ALEGADO DESRESPEITO TEMPORAL QUANTO AOS PAGAMENTOS / ADIANTAMENTOS DA PARTICIPAÇÃO inconstitucionalidade Em relação às alegações de inconstitucionalidade, estas já foram analisadas no tópico (A). Em relação à questão da periodicidade, o art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000 dispõe que o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa não pode ocorrer em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 138 21 §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. O posicionamento da AuditoriaFiscal foi no sentido de que houve o descumprimento do requisito da periodicidade: 6.7. Periodicidade dos pagamentos: O adiantamento ou pagamento a titulo de participação nos lucros poderá ocorrer no máximo duas vezes no ano civil, no mesmo ou em distinto semestre civil. 6.7.Diz Sérgio Pinto Martins, em seu livro "Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas" já citado anteriormente: "12. SEMESTRALIDADE Dispõe o §2° do art. 3° da medida provisória que é vedado pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A determinação da norma é alternativa, no sentido de ser uma coisa ou outra." Pela folha de pagamento entregue pela empresa, verificase, conforme tabela abaixo, que alguns funcionários receberam o pagamento em periodicidade superior a duas vezes no mesmo ano civil Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 30.) aponta no sentido de que: “Exige a lei que a PLR deve ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil. Decisões Administrativas são no sentido de que somente a(s) parcela(s) que exceder(em) a estes limites deverá(ão) ser objeto de lançamento, não incidindo, portanto, sobre todas as parcelas. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Com enxertos do Acórdão 20601.025, da 6ª Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, de 02.07.2008, de relatoria da Conselheira Ana Maria Bandeira: “Assim, acreditamos que há pagamento em acordo com a legislação, como também há pagamentos em desacordo com a legislação. Portanto, os pagamentos que estão em conformidade com a legislação devem ser excluídos do lançamento”. Desta forma, seguindo a jurisprudência do CARF, há que se considerar como válidos os pagamentos efetuados a título de PLR que estão em conformidade com a legislação, no que se estabelece como critério se considerar válido o primeiro pagamento de cada semestre civil. Diante do exposto, adotando o posicionamento do CARF nesta questão, dou provimento parcial às alegações da Recorrente para se excluir do lançamento efetuado os pagamentos da PLR que estão em conformidade com a legislação no tocante à periodicidade, conforme o disposto no o art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000 (no primeiro pagamento de cada semestre civil). Voltemos então ao presente processo nº 19515.006370/200844, referente ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.200.1777. DA MULTA APLICADA. Analisemos. Em relação ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.006370/200844 Acórdão n.º 2403001.828 S2C4T3 Fl. 139 23 II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.231.4023, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para: (i) se excluir do lançamento efetuado os pagamentos feitos a segurados a título de PLR que estão em conformidade com a legislação no tocante à periodicidade, conforme o disposto no o art. 3o, § 2o Lei 10.101/2000 ( no primeiro pagamento de cada semestre civil); (ii) se recalcular o valor da multa se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16004.720337/2011-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO- INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - MULTA ISOLADA - NÃO ATENDIMENTO DE REQUISITOS - AFASTAMENTO DE INCIDÊNCIA.
Na hipótese de compensação indevida, apenas quando se comprove os requisitos legais, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto ora no art. 44, I, § 1º, Lei 9430/1996, ora no art. 89, § 10, Lei 8212/1991, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por via reflexa, a não comprovação dos requisitos legais, obsta a aplicação da multa isolada, acarretando o afastamento de sua incidência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos afastar a incidência da multa isolada. 2) Por maioria de votos, em negar provimento na questão dos juros, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. Acompanhou o julgamento a Dra. Shirley Fernandes Marcon Chalita- OAB/SP Nº 171294. Ausente justificadamente o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NO LANÇAMENTO- INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - MULTA ISOLADA - NÃO ATENDIMENTO DE REQUISITOS - AFASTAMENTO DE INCIDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, apenas quando se comprove os requisitos legais, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto ora no art. 44, I, § 1º, Lei 9430/1996, ora no art. 89, § 10, Lei 8212/1991, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por via reflexa, a não comprovação dos requisitos legais, obsta a aplicação da multa isolada, acarretando o afastamento de sua incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos afastar a incidência da multa isolada. 2) Por maioria de votos, em negar provimento na questão dos juros, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. Acompanhou o julgamento a Dra. Shirley Fernandes Marcon Chalita- OAB/SP Nº 171294. Ausente justificadamente o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA MULTA ISOLADA NÃO ATENDIMENTO DE REQUISITOS AFASTAMENTO DE INCIDÊNCIA. Na hipótese de compensação indevida, apenas quando se comprove os requisitos legais, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto ora no art. 44, I, § 1º, Lei 9430/1996, ora no art. 89, § 10, Lei 8212/1991, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por via reflexa, a não comprovação dos requisitos legais, obsta a aplicação da multa isolada, acarretando o afastamento de sua incidência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 37 /2 01 1- 06 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos afastar a incidência da multa isolada. 2) Por maioria de votos, em negar provimento na questão dos juros, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. Acompanhou o julgamento a Dra. Shirley Fernandes Marcon Chalita OAB/SP Nº 171294. Ausente justificadamente o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 213 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, Acórdão nº 1436.006 9ª Turma, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 50.008.8365, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 2.607.890,98. A partir do relatório da decisão de primeira instância, às fls. 165: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado (DEBCAD nº 50.008.8365), consolidado em 23/08/2011, no valor de R$ 1.397.278,73, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, devidas em razão da glosa de compensações indevidas, cumuladas com multa isolada no percentual de 150% por falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo. Conforme Relatório Fiscal, a empresa autuada, intimada por duas vezes a apresentar os documentos e comprovantes que justificassem as compensações efetuadas, limitouse a responder que tais compensações foram motivadas por erro de preenchimento. Em decorrência, foi lavrado o Auto de Infração, bem como aplicada a multa qualificada, uma vez que a empresa declarou valores a compensar a partir de créditos inexistentes. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 06, é de 01/2010 a 03/2011. A Recorrente teve ciência do AIOP em 08.2011, conforme Aviso de recebimento AR. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Os fatos geradores das contribuições lançadas foram declarados em GFIP pela impugnante, não podendo ser aceita a afirmação de que ela teve a intenção de impedir que a RFB tivesse conhecimento de tais fatos. A multa isolada ora é fundamentada no artigo 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96 (Relatório Fiscal do Auto de Infração), ora no artigo 89, §10 da Lei nº 8.212/91 (Fundamentos Legais do Débito), ou seja, ora se fundamenta nas figuras do dolo, fraude e conluio, ora na figura da falsidade. Tais figuras são distintas, sendo impossível a impugnante praticar, ao mesmo tempo, todas elas. Como já restou pacificado nas Cortes Administrativas, a aplicação de multa qualificada, por possuir natureza penal, Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 exige a comprovação de conduta dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, o que não houve no presente caso. Ao ser indagada sobre a compensação por ela declarada, a impugnante informou que houve erro no preenchimento das declarações, afastando assim a vontade e a consciência necessárias para a configuração do dolo, de modo que não se pode falar em falsidade. A aplicação da multa isolada é equivocada, uma vez que todos os valores exigidos foram declarados em GFIP e, ainda que a compensação tenha sido repelida, constituem confissão de dívida, passíveis de cobrança administrativa ou judicial. A aplicação de multa em percentual elevado ofende o artigo 2º da Lei nº 9.784/99, que veda sanções em medida superior à necessária ao atendimento do interesse público. O artigo 142 do CTN prevê que cabe à autoridade, se for o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a lei não impõe que a autoridade aplique a multa, mas apenas proponha tal aplicação que, ao depois, deverá ser dosada de acordo com a conduta do sujeito passivo. Inexiste previsão legal para a aplicação de juros sobre a multa. A intenção do legislador ao se referir a “débitos” no artigo 61, §3º da Lei nº 9.430/96 foi a de refletir apenas o valor principal da obrigação inadimplida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, emitiu o Acórdão nº 1436.006 9ª Turma, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. As contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. A compensação indevida, com falsidade na declaração, sujeita o contribuinte à multa isolada de 150%. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 214 5 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: (i) não houve a necessária individualização da conduta apta a ensejar a imposição da sanção qualificada. Ora a fundamentação legal que objetiva sustentar a multa se baseia no art. 4ão legal que objetiva sustentar a multa se baseia no art. 44, I, § 1º, Lei 9430/1996 (cf. Relatório Fiscal), ora vem fundamentada no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 (cf. Fundamentos Legais do Débito). Ou seja, ora a autoridade lançadora se socorre das figuras de dolo, fraude e do conluio, ora se socorre da falsidade. E assim é que, face à dúvida instaurada sobre a conduta supostamente praticada – se sonegação, fraude ou conluio (art. 71, 72 e 73, Lei 4502/1964) ou falsificação (art. 89, lei 8212/1991), nesta sede recursal, insiste a Recorrente na não aplicação da referida multa in casu. (ii) Inexistência de previsão legal para cobrança de juros de mora sobre a multa Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 208. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado (DEBCAD nº 50.008.8365), consolidado em 23/08/2011, no valor de R$ 1.397.278,73, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, devidas em razão da glosa de compensações indevidas, cumuladas com multa isolada no percentual de 150% por falsidade das declarações apresentadas pelo sujeito passivo. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 51.002.6990 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da AIOP nº 50.008.8365) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 215 7 I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: (a) IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; (b) DD Discriminativo do Débito, que apresenta em cada competência os respectivos salários de contribuição, as alíquotas aplicadas, os valores devidos separados por rubrica, os eventuais créditos gerados por recolhimentos ou deduções e o saldo devido, com todos os valores em moeda originária; (c) FLD Fundamentos Legais do Débito, que identifica a legislação pertinente às contribuições devidas e aos seus respectivos prazos para recolhimento, bem como aos acréscimos legais; (d) VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; (e) Relatório Fiscal Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 216 9 Analisandose o AIOP nº 50.008.8365, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) não houve a necessária individualização da conduta apta a ensejar a imposição da sanção qualificada. Ora a fundamentação legal que objetiva sustentar a multa se baseia no art. 4ão legal que objetiva sustentar a multa se baseia no art. 44, I, § 1º, Lei 9430/1996 (cf. Relatório Fiscal), ora vem fundamentada no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 (cf. Fundamentos Legais do Débito). Ou seja, ora a autoridade lançadora se socorre das figuras de dolo, fraude e do conluio, ora se socorre da falsidade. E assim é que, face à dúvida instaurada sobre a conduta supostamente praticada – se sonegação, fraude ou conluio (art. 71, 72 e 73, Lei 4502/1964) ou falsificação (art. 89, lei 8212/1991), nesta sede recursal, insiste a Recorrente na não aplicação da referida multa in casu. Analisemos. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, observadas as seguintes condições, conforme art. 201, 229 e 780 da Instrução Normativa INSS nº 100/2003: Art. 201. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência. Art. 229. Quando a empresa estiver com atividade encerrada, terão legitimidade para pleitear a restituição os sócios que detêm o direito ao crédito ou a empresa sucessora, conforme determinado no ato de dissolução ou de sucessão, respectivamente. Parágrafo único. Poderão também efetuar a compensação de créditos as empresa que resultarem das situações previstas no art. 780. Art. 780. A empresa que resultar de fusão, transformação, incorporação ou cisão é responsável pelo pagamento das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, devidas pelas empresas fusionadas, transformadas, incorporadas ou cindidas, até a data do ato da fusão, da transformação, da incorporação ou da cisão. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 217 11 Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. (i.1) Da multa isolada por falsificação – art. 89, § 10, Lei 8.212/1991 O Relatório Fundamentos Legais do Débito, às fls. 11, aponta para as competências 06/2010 a 09/2010, 01/2011 e 03/2011 aponta como base legal para a multa isolada por falsidade de declaração o art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Já o Relatório Fiscal, às fls. 98, em relação à multa isolada, aponta: 3 Como constou no item anterior a empresa foi,tanto na diligência quando nesta fiscalização, intimada a apresentar “documentos e comprovantes que justifiquem as compensações efetuadas”. Em resposta, nas duas ocasiões, a empresa se limitou a responder que as compensações efetuadas foram motivadas por erros de preenchimento. O fato é que a empresa não tinha créditos a compensar e é diante da não apresentação destes documentos, comprobatórios da existência do crédito, que este Auto de Infração está sendo lavrado. 4 – A multa está sendo qualificada, nos termos do, abaixo transcrito, parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9430/1996, uma vez que, conforme telas anexas do aplicativo CCORGFIP, a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores. Observamos ainda que a empresa tenha sido, por duas vezes (uma na diligência e outra na fiscalização), intimada a apresentar “documentos e comprovantes que justifiquem as compensações efetuadas”, não o fez. Em relação à multa isolada, assim se manifestou a decisão de primeira instância, às fls. 167: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 No presente caso, o contribuinte, intimado por duas vezes a apresentar os documentos e comprovantes que justificassem as compensações efetuadas, limitouse a responder que tais compensações foram motivadas por erro de preenchimento. Portanto, o próprio contribuinte reconheceu a inexistência dos créditos informados nas declarações por ele apresentadas. Por outro lado, o contribuinte apresentou declarações com tais informações inverídicas nos meses de 06/2010 a 09/2010, 01/2011 e 03/2011, o que configura uma prática reiterada a demonstrar fortemente a sua intenção em recolher indevidamente menos tributos (conduta dolosa), bem como afasta a justificativa por ele apresentada de erro de preenchimento nas declarações. Assim sendo, deve ser mantida a multa isolada aplicada no percentual de 150%, com fundamento no artigo 89, §§ 9º e 10º da Lei nº 8.212/91. Neste ponto, exsurge uma incongruência entre a fundamentação legal para a imposição da multa isolada nas medida em que, conforme já apontado pela Recorrente, a Auditoria ora utiliza uma fundamentação no Relatório Fiscal, ora utiliza outra fundamentação no Relatório Fundamentos Legais do Débito. Verifiquemos então se atendidos os pressupostos para a imposição da multa isolada. (i.1.1) em relação à fundamentação disposta no Relatório Fundamentos legais do Débito Para o deslinde da questão, devemos observar a redação do art. 89, § 10, Lei 8.212/1991 posto que utilizado como amparo legal para a autuação fiscal no Relatório Fundamentos Legais do Débito, às fls. 11: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ora, o art. 89, § 10, Lei 8.212/1991 exige que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. O Relatório Fiscal informa que a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 218 13 Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores, conforme se depreende do tópico 4 do Relatório Fiscal, às fls. 98: A multa está sendo qualificada, nos termos do, abaixo transcrito, parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9430/1996, uma vez que, conforme telas anexas do aplicativo CCORGFIP, a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores. Portanto, não vislumbro que o Relatório Fiscal tenha feito a comprovação expressa da falsidade da declaração, com fulcro no art. 89, § 10, Lei 8.212/1991, posto não haver nenhuma referência neste sentido, conforme se depreende do tópico 4 do Relatório Fiscal, às fls. 98 (i.1.1.2) em relação à fundamentação disposta no Relatório Fiscal O Relatório Fiscal afirma que a multa está sendo qualificada, nos termos do, abaixo transcrito, parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9430/1996, uma vez que, conforme telas anexas do aplicativo CCORGFIP, a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores: Lei 9430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei 4502/1964 – Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ora, o art. 44, Lei 9430/1996 c/c art. 71, 72, 73 da Lei 4502/1964 exige que se comprove expressamente a sonegação, fraude ou conluio. O Relatório Fiscal informa que a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores, conforme se depreende do tópico 4 do Relatório Fiscal, às fls. 98: A multa está sendo qualificada, nos termos do, abaixo transcrito, parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9430/1996, uma vez que, conforme telas anexas do aplicativo CCORGFIP, a empresa declara valores a compensar a partir de créditos inexistentes, o que evidencia a intenção, a vontade de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha conhecimento dos fatos geradores. Portanto, não vislumbro que o Relatório Fiscal tenha feito a comprovação expressa da sonegação, fraude ou conluio, com fulcro no art. 44, Lei 9430/1996 c/c art. 71, 72, 73 da Lei 4502/1964, posto não haver nenhuma referência neste sentido, conforme se depreende dos tópicos 3 e 4 do Relatório Fiscal, às fls. 98. Diante do exposto, entendo que não foram atendidos os pressupostos para a imposição da multa isolada, o que enseja que se afaste a incidência da multa isolada. (ii) Inexistência de previsão legal para cobrança de juros de mora sobre a multa Inexiste previsão legal para a aplicação de juros sobre a multa. A intenção do legislador ao se referir a “débitos” no artigo 61, §3º da Lei nº 9.430/96 foi a de refletir apenas o valor principal da obrigação inadimplida. Analisemos. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720337/201106 Acórdão n.º 2403002.039 S2C4T3 Fl. 219 15 Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo Recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência de juros de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 61, §3º, Lei 9430/1996 c/c art. 5º, §3º – Lei 9430/1996: Art. 35 – Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 61 – Lei 9430/1996: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º, §3º – Lei 9430/1996: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Ou seja, ao contrário da argumentação da Recorrente, a autuação fiscal encontra fundamentação no art. 35 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 61, §3º, Lei 9430/1996 c/c art. 5º, §3º – Lei 9430/1996 para a utilização dos juros de mora. Neste sentido, ainda há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente em relação aos juros de mora. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se afastar a incidência da multa isolada. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13748.000028/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 00 28 /2 00 9- 00 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000028/200900 Acórdão n.º 2102002.640 S2C1T2 Fl. 110 2 Relatório Contra NILO SERGIO TEIXEIRA DE CARVALHO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 26.398,43, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/11/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 46.603,69. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0424.517, de 18/05/2011, fls. 82/89. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/06/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 92, o contribuinte apresentou, em 18/07/2011, recurso voluntário, fls. 93/101, onde alega, em apertada síntese, que os recibos emitidos pelos profissionais prestadores dos serviços são suficientes para comprovar as despesas médicas. Em despacho, fls. 108, a autoridade que jurisdiciona o contribuinte atesta a tempestividade do recurso, com base na Portaria MF nº 23, de 18 de janeiro de 2011, que suspende, de 11/01/2011 a 31/07/2011, o prazo para a prática de atos processuais no âmbito da RFB pelos sujeitos passivos domiciliados no município de Petrópolis/RJ. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000028/200900 Acórdão n.º 2102002.640 S2C1T2 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sua Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 2005, exercício 2006, o contribuinte pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 48.740,80, conforme a seguir discriminado: Nome/Razão Social Valor em Reais Ricardo Simoni 8.000,00 Rosa Maria Dias Fernandes 10.000,00 Juliana da Costa Nideck 3.000,00 Berenice Machado Froes 13.000,00 Maria Carolina Guerra Silveira 2.300,00 Alessandro Ângelo Montuori 10.000,00 Unimed Petrópolis Cooperativa de Trabalho Médico 2.440,80 No lançamento, o contribuinte teve as despesas acima glosadas, sendo acolhida apenas em parte as despesas com a Unimed, no valor de R$ 2.137,11. A autoridade de primeira instância manteve integralmente o lançamento, sendo relevante destacar trecho do voto condutor do acórdão recorrido: Comumente argumentase que o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço é prestado por pessoa física, é documento suficiente para comprovar despesas médicas e possibilitar o aproveitamento da corresponde dedução. Entretanto, ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções de despesas médicas que tenham valor expressivo, individualmente ou em conjunto. É sabido que, em regra, os tratamentos de saúde mais onerosos correspondem a tratamentos mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presumese que, nesses casos, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000028/200900 Acórdão n.º 2102002.640 S2C1T2 Fl. 112 4 em regra, é viável, e passível a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento. Contrario sensu, salvo situações comprovadas, os recibos de pagamentos emitidos com todos os requisitos do art. 8º, §2º da Lei 8.250/95, e notas fiscais igualmente emitidas regularmente são suficientes para comprovar as despesas de pequena monta, notadamente quando compatíveis com a natureza do serviço prestado, considerando que, nesses casos, a prova suplementar é de difícil, e até mesmo impossível produção para o contribuinte, e também porque os tratamentos de menor valor, em regra, correspondem a serviços de menor complexidade, que, por isso, em regra, dispensam exames complementares. Assim, exceto pelo ressalvado no parágrafo precedente, é licito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios adicionais das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. De modo similar, sendo a atividade do julgador administrativo pautada pelo livre convencimento motivado, ao teor do disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72 e 131 do Código de Processo Cível, dependerá a decisão do processo da apreciação da prova trazida pelo contribuinte, obedecidos os parâmetros há pouco revelados. Salientese, que, em qualquer situação, os documentos devem atender aos requisitos legais e permitir identificar com clareza quem fez o pagamento, quem recebeu, a data em que tal fato se deu, e a que se refere o pagamento. Assim, documentos rasurados, incompletamente preenchidos, total ou parcialmente ilegíveis têm sua força probatória consideravelmente reduzida, se não fulminada, exigindo, com mais razão, apresentação de elementos adicionais que confirmem os fatos que neles supostamente estaria registrados. Por fim, há de se lembrar que a revisão a ser efetuada na instância julgadora administrativa, quando suficientemente comprovadas as despesas dedutíveis, está limitada às deduções que foram declaradas pelo contribuinte anteriormente ao início do procedimento de ofício ou do lançamento, dos quais tenha sido cientificado, à vista do disposto no § 4º, art. 63, do Decreto Lei 5.844/43. Andou bem a autoridade julgadora de primeira instância na análise do contexto em que se verifica a grande maioria dos processos que tratam da glosa de despesas médicas, demonstrando de forma objetiva as razões porque os gastos com despesas médicas de valores exagerados não podem ser acolhidos como dedução da base de cálculo do IRPF mediante a apresentação de simples recibos. No recurso, o contribuinte insiste na tese de que os recibos apresentados, emitidos pelos profissionais prestadores dos serviços, são suficientes para comprovar as despesas médicas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000028/200900 Acórdão n.º 2102002.640 S2C1T2 Fl. 113 5 Veja que o contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano calendário 2005, exercício 2006, fls. 74/77, pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 48.740,80, que corresponde a 40% dos rendimentos tributáveis líquidos (rendimentos tributáveis menos previdência oficial e imposto de renda retido na fonte), que foram de R$ 124.111,45. Ou seja, os gastos com despesas médicas foram exagerados, fato que justifica a exigência da comprovação do efetivo pagamento, sendo certo que o comprometimento da ordem de 40% dos rendimentos recebidos pelo recorrente com despesas médicas, somente se justificaria caso restasse comprovado que o contribuinte ou algum de seus dependentes padecessem de grave doença, o que em nenhum momento ficou demonstrado nos autos. Nestes termos, considerando que o contribuinte não trouxe aos autos documentos, que demonstrem a efetividade dos pagamentos dos valores consignados nos recibos, devese manter a autuação. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720219/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 21 9/ 20 11 -5 0 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15540.720219/201150 Resolução nº 2301000.368 S2C3T1 Fl. 508 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com os Autos de Infração (AI) nº 37.105.8058, 37.105.8066 e 37.105.8040, lavrados em 31/08/2011, que constituíram créditos tributários equivalentes, respectivamente, a contribuição previdenciária, a contribuição de terceiros, bem como equivalente à penalidade por apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com créditos tributários de R$ 129.945,68, R$ 29.890,67 e R$ 15.244,30. A fiscalização apontou que o contribuinte informou em sua GFIP que era optante pelo SIMPLES, o que contrariou os dados obtidos nos sistemas que controlam a Simples Nacional. Não tendo sido recolhidas as contribuições no período lançado por ter a fiscalizada entendido ser optante pelo Simples, a fiscalização realizou o lançamento. Após tomar ciência pessoal da autuação em 06/09/2011, fls. 3, 18 e 28, a recorrente apresentou impugnações, fls. 124/442 , na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 13ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 337/346, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/03/2012, fls. 462. O recurso voluntário, apresentado em 09/04/2012, fls. 212/220, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Requer a aplicação da multa mais benéfica. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. Alega que fez a opção pelo SIMPLES e nunca foi notificada de sua exclusão. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15540.720219/201150 Resolução nº 2301000.368 S2C3T1 Fl. 509 3 É o relatório. Voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Argumentos relativos ao SIMPLES A recorrente alegou que optou pelo SIMPLES e nunca foi notificada de sua exclusão. De fato, não constam dos autos, especialmente do relatório fiscal e seus anexos, a referida notificação ou a referência ao número do processo em que a exclusão foi feita. O Acórdão a quo assim se manifestou sobre o assunto: 9.12. A empresa nunca esteve no SIMPLES, conforme se observa às fls. 449 (histórico), visto que efetuou opção em 10/07/2007 e a mesma foi indeferida em 01/10/2007. 9.13. Além do mais, as suas DIPJ dos exercícios de 2008 a 2010 estão na modalidade do lucro presumido e a de 2011 do lucro real, o que, por si só, já é incompatível com a inscrição no SIMPLES. Há mais: ao se consultar as informações das DIPJ, verificase que a empresa declarase como não participante do SIMPLES. Como o art. 39 da Lei Complementar (LC) 123/2006 determina a existência de um contencioso administrativo para o caso de indeferimento de opção do SIMPLES, e o referido contencioso exige a obediência do contraditório e ampla defesa, não temos como prosseguir no julgamento sem apurar se houve a cientificação do sujeito passivo do indeferimento de sua opção e se foi oferecida oportunidade para sua defesa. Acrescentamos que a comunicação de exclusão está prevista no art. 4º, §3º da Resolução CGSN Nº 15/2007, bem como seus efeitos constam do art. 6º da mesma norma, variando segundo a hipótese de exclusão. Assim, conhecer como e quando foi feita a comunicação da exclusão é crucial para o presente caso. Dessa forma, votamos por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora junte aos autos cópia do processo administrativo no qual foi discutido o indeferimento da opção ou cópia de documentos que comprovem que a recorrente foi intimada da referida exclusão ou do indeferimento da opção. Após cumprida a diligência, a recorrente deve ser intimada a apresentar manifestação em trinta dias, de acordo com o art. 35, parágrafo único do Decreto 7.574/2011. Por fim, retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15540.720219/201150 Resolução nº 2301000.368 S2C3T1 Fl. 510 4 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000280/2002-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997, 1998
IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE AUXÍLIO GABINETE DESTINADAS AO CUSTEIO DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA.
As verbas concedidas aos parlamentares, a título de auxílio gabinete, destinadas ao custeio do exercício da atividade parlamentar, não estão sujeitas à incidência do imposto de renda pessoa física, uma vez não se caracterizarem como renda, mas, sim, em recursos para o trabalho e não pelo trabalho, salvo na hipótese em que a fiscalização lograr comprovar que o parlamentar utilizou referidos valores em benefício próprio, não relacionado à sua atividade, o que não se vislumbra no caso vertente.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 07/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NÃO INCIDÊNCIA. As verbas concedidas aos parlamentares, a título de auxílio gabinete, destinadas ao custeio do exercício da atividade parlamentar, não estão sujeitas à incidência do imposto de renda pessoa física, uma vez não se caracterizarem como renda, mas, sim, em recursos para o trabalho e não pelo trabalho, salvo na hipótese em que a fiscalização lograr comprovar que o parlamentar utilizou referidos valores em benefício próprio, não relacionado à sua atividade, o que não se vislumbra no caso vertente. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 80 /2 00 2- 54 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório VANDERLEI MACRIS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/07/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP), em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, mais precisamente de 05/1997 a 12/1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 37/41, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 6a Turma da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão nº 8.380/2004, às fls. 85/98, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 6a Câmara, em 06/03/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 106 16.799, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPETÊNCIA DA UNIÃO FEDERAL Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável. A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000280/200254 Acórdão n.º 9202002.523 CSRFT2 Fl. 9 3 Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM. Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem corno estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. As verbas recebidas por parlamentar como auxilio de gabinete e hospedagem estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de s MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de oficio quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. JUROS SELIC segundo a Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa .referencial Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Recurso voluntário parcialmente provido.” O contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 239/265, com arrimo no artigo 67 do RICARF, contra parte do Acórdão ora guerreado, mais precisamente em relação à natureza indenizatória das verbas de gabinete, independentemente da prestação de contas, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigma o Acórdão nº 10248.798, de maneira a comprovar a divergência pretendida, sobretudo quanto à destinação de tais verbas, ou seja, para o trabalho e não pelo trabalho, de maneira a lhe conferir caráter não remuneratório. Levado, o Recurso Especial de Divergência do contribuinte à análise da observância dos pressupostos de admissibilidade, o nobre Presidente da 2ª Câmara da 2aSJ do CARF, vislumbrou a divergência arguida, dando seguimento ao recurso do autuado, nos termos do Despacho nº 220000.332/2010, às fls. 288/290, tendo a Fazenda Nacional apresentado suas contrarrazões, às fls. 293/294, requerendo o improvimento do recurso, com a consequente manutenção do Acórdão atacado. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivos e acatadas pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF as divergências suscitadas, conheço dos Recursos Especiais da Procuradoria e do Contribuinte e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrado Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP), em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, mais precisamente de 05/1997 a 12/1998. Por sua vez, a Câmara recorrida entendeu por bem rechaçar em parte a exigência fiscal, excluindo a multa de ofício, utilizando como fundamento ao decisum o fato de o contribuinte ter agido de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, ensejando a interposição dos recursos especiais da Procuradoria e do Contribuinte. De um lado, a Fazenda Nacional pretende seja reformado o decisum em vergasta, alegando ter contrariado a jurisprudência administrativa a respeito do tema, representada pelo Acórdão n° 10247.268, ora adotado como paradigma, o qual impõe que a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, é causa para aplicação da multa de ofício, independentemente da intenção do agente, ao contrário do que restou assentado pelo decisório recorrido, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que a eventual informação incorreta prestada pela fonte pagadora não tem o condão de macular o lançamento fiscal, cabendo ao contribuinte, a princípio, requerer o ressarcimento em face da empresa, sobretudo por inexistir dispositivo legal dispensando a aplicação da multa de ofício, não podendo a Câmara recorrida assim proceder, sob pena de afronta ao artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. De outra banda, o contribuinte, igualmente, se opõe ao decisório combatido, mais precisamente em relação à natureza indenizatória das verbas de gabinete, independentemente da prestação de contas, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigma o Acórdão nº 10248.798, de maneira a comprovar a divergência pretendida, notadamente quanto à destinação de tais verbas, ou seja, para o trabalho e não pelo trabalho, de maneira a lhe conferir caráter não remuneratório. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias propriamente ditas, impende explicitar que analisaremos primeiramente as razões recursais suscitadas pelo contribuinte, por se referir à própria procedência do lançamento (principal), de maneira que, uma vez acolhida a sua pretensão, automaticamente, cai por terra o requerimento da Fazenda Nacional (acessório – multa de ofício). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000280/200254 Acórdão n.º 9202002.523 CSRFT2 Fl. 10 5 Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão do Contribuintemerece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresenta se em descompasso com a jurisprudência deste Colegiado, como passaremos a demonstrar. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, decidindo pela não incidência do imposto de renda sobre as importâncias pagas a título de auxílio gabinete, conforme se extrai do decisum da lavra do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, exarado nos autos do processo nº 19515.000482/200204, Acórdão nº 920200053 (Sessão de 17/08/2009),o qual peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Ementa: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Fisica IRPF VERBA GABINETE. IMPOSTO DE RENDA. VALORES UTILIZADOS NO EXERCICIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a titulo de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituirem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a Fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade Parlamentar. Recurso especial negado VOTO: [...]Sem entrar no mérito político da decisão da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de aprovar a Resolução 783, de 1997, cujo artigo 11 prevê a instituição do denominado “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem” destinado a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, hospedagens, combustível, lubrificantes, extração de cópias reprográficas, expedição de cartas e telegramas, assinaturas de jornais e revistas, fornecimento de materiais de escritório, impressão de livretos e tablóides parlamentares, periódicos e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares”, cabe perquirir se a referida verba tinha natureza indenizatória ou remuneratória. Em regra, nas verbas de natureza indenizatória, a fonte que alcança os recursos necessários ao seu adimplemento exige prestação de contas. No caso dos autos, entretanto, no período em questão, apesar da Assembléia Legislativa mencionar que tais verbas destinavamse ao pagamento das despesas inerentes ao exercício do mandado de Deputado Estadual (art. 11, § 2°, I Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 a VII da Resolução 783, de 01 de julho de 1997), não exigia prestação de contas, exigência que somente iniciou a fazer a partir da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de 2001, cujos artigos 1° e 2°, assim dispõem: [...] Questão a ser enfrentada diz respeito à natureza jurídica do citado “auxílio” antes da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de 2001, em que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo não exigia a devida comprovação das despesas. O fato da fonte que aporta os recursos não exigir a comprovação das despesas seria suficiente para mudar a natureza jurídica dos valores correspondentes? Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. [...] Tenho que as “verbas de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. Nas palavras de Luigi Vittorio Berliri, citado por Roque AntonioCarrazza, em sua Obra Imposto sobre a Renda, 2a. Edição, Ed. Malheiros, 2006, pág. 37, “A renda tributável não pode ser constituída senão por uma nova riqueza, produzida do capital, do trabalho ou de um e outro conjuntamente, e que seja destacada de uma causa produtiva, conquistando uma autonomia própria e uma aptidão própria e independentemente para produzir concretamente outra riqueza.” Dito de outro modo, segundo o autor citado, “renda e proventos de qualquer natureza são acréscimo patrimoniais experimentados pelo contribuinte ao longo de um determinado Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000280/200254 Acórdão n.º 9202002.523 CSRFT2 Fl. 11 7 período de tempo. Ou, se preferirmos, são o resultado positivo de uma subtração que tem por diminuendo os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte entre dois marcos temporais, e por subtraendo o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afirmam permitem fazer.” No exame do caso concreto ainda se pode considerar as disposições do artigo 11, § 2°, I a VII, da Resolução 783, de 1997, que instituiu a citada “verba de gabinete”, “in verbis”: Art. 11 – Ficam instituídos os AuxíliosEncargos gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UPFs., destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos gabinetes, previstos nos artigos, 1°, inciso I, alínea “I” e 8° da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. [...] § 2° Em razão da instituição do Auxílio de que trata o artigo 11, ficam cessados: I – fornecimento de combustível e lubrificantes; II – reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânicas, inclusive com troca de peças e componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; III impressão de livretos e tablóides parlamentares; IV – extração de cópias reprográficas; V – expedição de cartas e telegramas; VI – expedição de cartas e telegramas; VI – fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII – assinaturas de jornais e periódicos. Pelo que se depreende da norma ora transcrita, as despesas acima referidas são necessárias para que o parlamentar possa desempenhar o seu mandato. Assim, têm natureza indenizatória. Não é pelo fato da Casa Legislativa editar norma prevendo que o reembolso das referidas despesas seria feito, mensalmente, mediante valor fixo, que tais rubricas transportarseão do campo da indenização para a esfera da remuneração. Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.[...]” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Na esteira desse entendimento, uma vez firmado o posicionamento deste Egrégio Conselho, no sentido da não incidência do imposto de renda sobre as verbas sub examine, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, impondo seja restabelecida a ordem legal neste sentido, reformando o Acórdão recorrido, reconhecendo a improcedência do feito em sua plenitude. Partindo dessas premissas, acolhendose o pleito do contribuinte, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas em comento (de gabinete), não há como prosperar o insurgimento da Procuradoria, relativamente à aplicabilidade da multa de ofício. Em face do referido tema já foi aprovado pelo CARF: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10510.003063/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 03 06 3/ 20 06 -1 5 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente o Despacho Decisório n° 410 DRF/AJU, de 18 de junho de 2010 (fls. 75/80), homologou apenas parcialmente a compensação objeto da Declaração de Compensação (fl. 19), na qual a interessada requer a compensação de débito de estimativa do IRPJ do período de setembro de 2004 com crédito relativo a antecipações do IRPJ do exercício de 1998 (anocalendário de 1997), no valor original de R$ 21.023,20, o qual, atualizado até a data da compensação, representaria um montante de R$ 48.752,80 (fl. 58). O citado Despacho Decisório apresenta os seguintes fundamentos: embora a interessada tenha informado, na declaração de compensação de fl. 19 que o direito creditório decorre de pagamentos de estimativas do IRPJ do anocalendário de 1997, parceladas através do Processo n° 10510.200023/200377, a análise será focada na existência ou não de saldo negativo de IRPJ do exercício de 1998, pois as estimativas, por representarem antecipações, só podem gerar saldo negativo caso superem o imposto devido no ajuste do período de apuração, assim como ocorre com o imposto de renda na fonte e as demais deduções do imposto devido; a demonstração do saldo negativo, constante da ficha 08 da DIPJ/1998, apresenta a seguinte situação: IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO REAL 1. ALÍQUOTA DE 15% 121.637,08 2. ADICIONAL 57.091,38 DEDUÇÕES 06. () VALETRANSPORTE 4.227,51 15 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 1.957,79 17. () IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA 214.059,64 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 41.516,48 a presente análise se limitará aos valores de retenção na fonte e aos pagamentos do IR por estimativa; no tocante as retenções na fonte, em conformidade com os extratos das DIRF em que a interessada aparece como beneficiária dos rendimentos (fl. 71), temse a confirmação do montante declarado; em relação as estimativas, não obstante a interessada ter levado ao ajuste anual o total dos valores apurados na ficha 09 da DIPJ/1998, seguindo as instruções de preenchimento de tal declaração (fl. 72), o valor efetivamente pago montou em R$142.835,82, sendo Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 4 3 R$138.742,12 mediante recolhimento em DARF e R$ 4.093,70 através de compensação com saldo negativo de períodos anteriores. Do demonstrativo apresentado à fl. 77, notase que as estimativas efetivamente pagas se limitaram ao imposto apurado à aliquota de 15%, desconsiderandose os valores relativos aos adicionais devidos; considerandose o exposto, a recomposição da ficha 08 da DIPJ/1998 apresenta a seguinte situação: IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO REAL 1. A ALÍQUOTA DE 15% 121.637,08 2. ADICIONAL 57.091,38 DEDUÇÕES 06. () VALETRANSPORTE 4.227,51 15 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 1.957,79 17. () IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA 142.835,82 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 29.707,34 como o saldo do imposto de renda a pagar, de R$ 29.707,34, foi liquidado por meio do recolhimento constante do extrato de fl. 69, mostrase evidente que as estimativas pagas através do Processo n° 10510.200023/200377 estão excedendo o saldo do imposto a pagar apurado no ajuste anual do anocalendário de 1997, restando configurado o direito da interessada à restituição dos valores originais das estimativas parceladas, no total de R$ 21.023,20, conforme extratos de fls. 61/63, não como pagamentos indevidos, mas como saldo negativo; o saldo negativo ora reconhecido não se encontra consignado na DIPJ/1998 em razão de os pagamentos correspondentes terem sido realizados no período de 23/04/2003 a 31/03/2008, quando a citada declaração já não podia ser mais retificada, em função do transcurso do prazo prescricional; embora tenha havido o reconhecimento integral do direito creditório apresentado na DCOMP, este se mostrou insuficiente para liquidar o débito compensado, em razão de a interessada ter feito o encontro de contas tomando por base a data de vencimento do débito, e não a data da entrega da declaração de compensação, segundo estabelecia o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, regra esta mantida no art. 36 da Instrução Normativa Receita Federal do Brasil n° 900, de 30/12/2008; em função de todo o exposto, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada, remanescendo para cobrança um saldo devedor no valor original de R$12.367,49. Cientificada do Despacho Decisório em 30/06/2010 (fl. 83), a interessada apresentou, em 30/07/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 84/94), acompanhada dos documentos de (fls. 95/112), com as seguintes alegações, em síntese: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 5 4 BREVE RELATO DOS FATOS: • a autoridade fiscal proferiu despacho decisório deferindo parcialmente o pedido de compensação sob análise e homologando apenas parte das compensações declaradas, apesar de inexistirem quaisquer divergências entre o valor informado no PER/DCOMP e o valor informado na DIPJ; • o motivo do indeferimento foi o fato de a requerente haver parcelado parte dos valores devidos a titulo de estimativa de IRPJ, conforme extratos anexados (fls. 61/63), apesar de o aludido parcelamento encontrarse integralmente quitado; DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DE ANTECIPAÇÕES: • de acordo com a ficha 8 da DIPJ/1998, a sociedade apurou no ano calendário de 1997 imposto sobre o lucro real no montante de R$178.728,46 e realizou recolhimentos de antecipações no montante de R$214.059,64, o que enseja o ressarcimento ou a compensação dos valores remanescentes, em relação ao IRPJ devido na declaração de ajuste anual, no montante de R$41.516,48; • o próprio julgador em seu parecer declara que a requerente possui crédito relativamente ao ano de 1997, oriundo do recolhimento por estimativa, bem como que referido crédito encontrase consolidado na apuração feita na DIPJ (transcreve trecho do despacho decisório); • como a requerente vinha calculando as antecipações tendo por base o percentual de 15%, sem o adicional de 10%, a principio não poderia aproveitar essas diferenças na compensação com períodos posteriores, no entanto, ao ser notificado da existência da aludida diferença, sequer impugnou a notificação, reconhecendo a procedência das parcelas de adicional do IRPJ incidentes sobre as antecipações de 1997, e procedeu ao seu parcelamento, que foi integralmente quitado. Assim, a contribuinte mantém o direito de compensar/restituir tais valores; • o valor da diferença de estimativa, apesar de haver sido parcelado, deverá ser aceito por este órgão administrativo, dado que o aludido parcelamento foi integralmente quitado, pois, segundo o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes, compete exclusivamente à unidade de origem da RFB verificar e calcular os valores a serem compensados e os já compensados (transcreve ementas); • a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, em seu art. 26, caput, combinado com o art. 74, dispõe que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele órgão, não havendo razão para que seus pedidos sejam indeferidos; • o pedido de ressarcimento e os pedidos de compensação, é de suma importância salientar, foram realizados dentro do prazo de cinco anos, na forma prescrita pelo art. 174, c/c os arts. 165, I, e 168, II, do CTN; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 6 5 DA REALIZAÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL — IMPORTÂNCIA PARA O DESLINDE DA QUESTÃO: • o direito à prova, também aplicável aos processos tramitados na esfera administrativa, revela uma proteção à parte litigante, na medida em que disponibiliza a oportunidade de demonstrar que os fatos alegados pela requerente são verossímeis e devem ser considerados para elidir a cobrança tributária, não se podendo admitir que, em um processo administrativo cujo objeto da controvérsia seja uma compensação de créditos e débitos, não seja realizada a prova pericial, assegurando à empresa o devido tramite do processo legal, assim como preceitua o art. 5º, LV, da Constituição Federal; • assim, para que seja conferido A. requerente a plena defesa que lhe outorga a constituição (art. 5º, LV), requer a realização de perícia contábil, em que reste patente a existência de crédito tributário relativo a saldo negativo de imposto de renda. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, formalizada após a data de vencimento dos débitos correspondentes, estes sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Ainda irresignada com a decisão, da qual tomou ciência em 20/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/02/2011, onde repisa as argumentações oriundas da manifestação de conformidade acrescida de novos argumentos. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Requerente reitera seu pedido para que seja realizada prova contábil. Embora a prova pericial esteja prevista no Processo Administrativo Fiscal (PAF), e constantemente concedida, mesmo que no Recurso Voluntário, no presente caso apresentase desnecessária, eis que o crédito apontado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, tendo se dado a homologação da compensação parcial em função do momento em que foi formalizado o pedido. No mérito tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ em Salvador (BA) que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação do débito tributário informado na declaração de compensação objeto do presente processo. A DRF reconheceu integralmente o direito creditório apresentado na DCOMP, no entanto, alegou que tal crédito seria insuficiente para compensar o débito compensado. A Recorrente, alega, basicamente, que o motivo do indeferimento foi o fato de a requerente haver parcelado valores devidos a título de estimativa, apesar de tal parcelamento encontrarse integralmente quitado. A despeito da alegação da Recorrente, o despacho decisório aponta a razão da homologação apenas parcial da compensação pleiteada, como se depreende da leitura de sua conclusão (fl. 78): “Convém registrar que, embora tenha havido o reconhecimento integral do direito creditório apresentado na DCOMP, este se mostrou insuficiente para liquidar o débito compensado, em razão de o interessado ter feito o encontro de contas tomando por base a data de vencimento do débito e não a data de entrega da declaração de compensação, segundo estabelecia o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, regra esta mantida no art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008. Assim, o crédito apontado na DCOMP objeto deste processo não foi questionado pela autoridade administrativa que, ao contrário, reconheceuo integralmente, no montante original de R$ 21.023,20, crédito este oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado na declaração de ajuste do exercício de 1998, com fato gerador em 31/12/1997, e, conseqüentemente, com atualização moratória a partir de janeiro de 1998, na forma solicitada pela Recorrente. Reza o ato normativo citado no despacho decisório: “Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 8 7 1° A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.” Já os citados arts. 52 e 53 rezam o seguinte: “Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) Art. 53. Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem como os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1° de janeiro de 1996, quantificados em Unidade Fiscal de Referência (Ufir), deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em 1° de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. § 1° O valor resultante da conversão referida no caput constituirá a base de cálculo dos juros de que trata o art. 52. § 2º O imposto a restituir, apurado em declaração de rendimentos, que tenha sido colocado a disposição do sujeito passivo anteriormente a 1° de janeiro de 1996, deverá ter o seu valor devidamente convertido em reais, nos termos do caput, não se sujeitando à incidência dos juros previstos no art. 52. Nesta lide a Recorrente possuía um saldo de IRPJ, relativo ao ajuste do exercício de 1998, passível de restituição, no montante de R$ 21.023,20, o qual, com os acréscimos moratórios, calculados de jan/1998 até out/2004, mês em que se deu o vencimento do débito que pretendia compensar, montou em R$ 48.752,80. Esse saldo seria suficiente para compensar os débitos pleiteados, caso a Recorrente houvesse protocolado sua Declaração de Compensação até a data de vencimento dos débitos apresentados, como assim não o fez, foi instaurada a presente lide. Mesmo após o vencimento a Contribuinte não considerou no encontro de contas o acréscimo da multa moratória sobre os débitos, entendendo estar desobrigada desta rubrica por força do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Resolução nº 1802000.271 S1TE02 Fl. 9 8 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Assim, em síntese, de um lado a Recorrente entende que deve ter sua compensação homologada, eis que não deve incidir a multa moratória por conta do instituto da denúncia espontânea, prescrito no CTN, art. 138. Por outro lado a DRF de Aracajú e a DRJ em Salvador entenderam que a DCOMP protocolada após o vencimento do tributo enseja o acréscimo da multa moratória, tornando o saldo do crédito insuficiente. Considerando a lide, os elementos trazidos ao processo e as matérias semelhantes já julgadas por essa Turma, com a mesma composição que temos hoje, para uma perfeita convicção dos julgadores necessário se faz a juntada ao presente processo da DCTF referente ao débito que está sendo compensado. Isto porque com o advento da Súmula 360, de 27/08/2008, a maioria da Turma tem decidido conforme o momento da apresentação da DCTF. Senão vejamos o que diz a súmula: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência fiscal para a DRF de Aracajú, para que seja juntada a DCTF original e eventuais retificações do débito de IRPJ, competência de setembro/2004 e, posteriormente, retorne os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13971.903648/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto por ser intempestivo.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto por ser intempestivo. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 36 48 /2 00 8- 60 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs (fls.13/33), transmitidas em 07/10/2008, pelas quais se pretende o ressarcimento do IPI do terceiro trimestre de 2008, do PIS e da COFINS de agosto de 2004, supostamente pagos de forma indevida ou a maior, para compensar débitos do PIS, da COFINS e do IRPJ. O direito creditório não foi reconhecido, porque a delegacia de origem, apensar de ter encontrado os pagamentos indicados, constatou que eles foram integralmente utilizados para quitação de outros débitos (fl. 2). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.3/5), informando que as PER/DCOMPs analisadas no despacho decisório estavam com erro de preenchimento, que tentou retificar, mas o sistema não aceitou porque elas já haviam sido analisadas. Assim, justificou os erros e pediu o reconhecimento do crédito. A DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls. 63/65) com a seguinte ementa: “RETIFICAÇÃO DA DCOMP DEPOIS DA PROLAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE A retificação da DCOMP só é possível enquanto houver pendência de decisão administrativa, não podendo ser acatada em sede de julgamento administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 05/09/2011 (fl.69) e interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2011 (fls.71/76), discorrendo sobre o instituto da compensação e acerca da inaplicabilidade, ao seu caso, do art. 57, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 600, de 30 dezembro de 2005. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ e o reconhecimento das PER/DCOMPs retificadoras. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13971.903648/200860 Acórdão n.º 3401002.349 S3C4T1 Fl. 96 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 05/09/2011 (fls.69) e interpôs Recurso Voluntário somente no dia 06/10/2011 (fls.71/76). O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, dispõe que o prazo para interpor Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias, senão, vejase: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Como a Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ no dia 05 de setembro de 2011, segundafeira, seu prazo para interpor o Recurso Voluntário venceu no dia 05 de outubro de 2011, quartafeira. Como o recurso foi interposto somente no dia 06 de outubro de 2011 é intempestivo e, portanto, não preencheu o requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Ex positis, não conheço do Recurso Voluntário interposto. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.721306/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN para ser apurado o prazo decadencial. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, do referido diploma legal., nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o preconizado no artigo 62A do Regimento Interno do CARF.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA INOVAÇÃO NO RECURSO
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
ENTIDADE COM PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA. CUMPRIMENTO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social deve cumprir cumulativamente as exigências contidas na norma legal vigente à época dos fatos geradores, mais precisamente o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, para usufruir a isenção patronal das contribuições previdenciárias prevista no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para reconhecer a homologação tácita do crédito, com base no disposto pelo artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional, excluindo do lançamento as competências até 09/2006, inclusive, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que entendeu aplicar-se o artigo 173, I do Código Tributário Nacional.
Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.144.436-5, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix éThomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leo Meirelles Do Amaral, Fabio Pallaretti Calcini, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN para ser apurado o prazo decadencial. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°, do referido diploma legal., nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o preconizado no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA INOVAÇÃO NO RECURSO Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 06 /2 01 1- 92 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ENTIDADE COM PERSONALIDADE JURÍDICA PRÓPRIA. CUMPRIMENTO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social deve cumprir cumulativamente as exigências contidas na norma legal vigente à época dos fatos geradores, mais precisamente o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, para usufruir a isenção patronal das contribuições previdenciárias prevista no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por maioria de votos, darlhe provimento parcial para reconhecer a homologação tácita do crédito, com base no disposto pelo artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional, excluindo do lançamento as competências até 09/2006, inclusive, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, que entendeu aplicarse o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.144.4365, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix éThomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leo Meirelles Do Amaral, Fabio Pallaretti Calcini, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 469 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF referese ao Auto de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD 37.144.4349, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 17/10/2011, relativo às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas através das folhas de pagamento, informações prestadas em GFIP e lançamentos contábeis efetuados pela autuada, no período de 01/2006 a 12/2007. Fazem parte deste processo, também: O Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 37.144.4357, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, referente ao mesmo fato gerador e igual período e, O Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.144.4365, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2006 a 12/2007, o FPAS 639, relativo à entidade isenta da cota patronal da contribuição previdenciária, quando não possuía o benefício legal. O relatório fiscal de fls. 335/350, traz que a autuada foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS) e o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem como o Título de Utilidade Pública Federal, para confirmar a alegada isenção das contribuições previdenciárias. Entretanto, os documentos apresentados se referiam a outro CNPJ 33.651.803/000165, em nome da Cruz Vermelha Brasileira, sediada no Rio de Janeiro. Aduz o relatório que a autuada possuía o CNPJ 33.651.803/000246, filial da empresa possuidora do CEAS. Todavia, após deliberação de Assembléia Geral, constante de ata anexa aos autos, a filial foi baixada e cadastrou novo CNPJ 07.127.753/000101, com a razão social CRUZ VERMELHA BRASILEIRA – FILIAL SÃO PAULO, desde 26/10/2004, não estando mais ao abrigo daqueles títulos alheios. Na peça de defesa, o contribuinte argúi: Que o Relatório Fiscal deveria ser julgado insubsistente, tendo em vista que estaria desprezando, entre outros fundamentos legais, o artigo 150, inciso VI da Constituição Federal, segundo o qual estaria vedado “instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das Fl. 470DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei”; Que não há qualquer referência ao fato de que a Sociedade Nacional Cruz Vermelha Brasileira teria sido instituída por Lei aprovada pelo Congresso Nacional, promulgada pelo Decreto n.º 2.380, de 31/12/1910, destacando o seu artigo 1º, parágrafos 3º e 4º, referentes à individualidade jurídica, organização federativa e isenção de taxas e contribuições de associações organizadas conforme a Lei n.º 173, de 10/09/1893; Faz menção, então, ao Decreto n.º 9.620, de 13/06/1912, ressaltando os seguintes pontos, relativos à Sociedade Cruz Vermelha Brasileira: I) confirmação da existência de uma única Sociedade Nacional, conforme estabelecido nas Convenções de Genebra de 1864 e 1906, às quais o Brasil aderiu; II) declaração de caráter nacional da sociedade, sem prejuízo da existência de diversas “associações”, subordinadas a um órgão central; III) seu reconhecimento como de utilidade pública internacional. E informa, ainda, que o Relatório Fiscal não teria feito qualquer referência ao Decreto n.º 23.482, de 21/11/1933, o qual detalharia a organização federativa das “associações” de Cruz Vermelha, que passaram a se intitular “filiais”. Para ela, o lapso fundamental contido no presente Auto de Infração é o de que não se trataria de direito a isenção, que deve ser periodicamente apreciada, mas, sim, de imunidade, o que significa que se encontra fora do âmbito tributário. Afirma que as isenções tributárias se constituiriam num verdadeiro favor legal, que poderia ser revogado pelo legislador infraconstitucional a qualquer momento, enquanto que a imunidade somente poderia ser apreciada dentro da competência legislativa constitucional. Salienta que, no caso específico da Sociedade Nacional Cruz Vermelha Brasileira e de suas Associações Afiliadas, a Lei n.º 2.380, especificamente, teria excluído a entidade de “contribuições de qualquer natureza” e não apenas de impostos, o que significaria que o tributo objeto do presente Auto de Infração estaria excluído. Registra, ainda, que a imunidade concedida às entidades assistenciais, como as da Cruz Vermelha Brasileira, teria sido mantida na Emenda Constitucional n.º 18, de 01/12/1965 (artigo 2º, inciso IV, letra “c”), na Constituição de 1967 (artigo 20, inciso III, letra “c”), na Emenda Constitucional n.º 1, de 17/10/1969, assim como na Carta Magna vigente, em seu artigo 150, inciso IV, letra “c”, transcrito no artigo 9º, inciso IV, letra “c” do CTN. Passa, então, a tratar de alterações introduzidas nos Estatutos Sociais da Cruz Vermelha Brasileira, aprovadas pelo Decreto n.º 4.948, de 07/01/2004, afirmando que estes foram aprovados por setores da Advocacia Geral da União no Ministério da Saúde e na Casa Civil da Presidência da República, conforme determina o DecretoLei n.º 426, de 21/01/1969. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 470 5 Sustenta que o ponto fundamental que induziu a presente autuação fiscal a erro se encontra no reforço e detalhamento dado, pelos atuais Estatutos Sociais da Cruz Vermelha, ao artigo 1º da Lei n.º 2.380, de 1910, que estabeleceu a individualidade jurídica das Associações, ratificada pelo Decreto n.º 23.482, de 1933, mantido, entretanto, o “caráter de uma única Sociedade Nacional”. Transcreve, em seguida, o artigo 23, inciso I dos Estatutos da Cruz Vermelha Brasileira, que dispõe que “cada filial tem patrimônio próprio e vida e administração locais... sem quebra, entretanto, da organização federativa à que fica subordinada, sem prejuízo de ser uma associação civil de personalidade jurídica própria...”. E ressalta a subordinação federativa das “Filiais” ao Órgão Central, mencionando seu poder de intervenção nas mesmas. Destaca que a legislação que rege a Cruz Vermelha Brasileira há 111 (cento e onze) anos continua a mesma e, conseqüentemente, a imunidade tributária que lhe teria sido atribuída por lei. Que o estatuto da Cruz Vermelha Brasileira e o seu (Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado de São Paulo) mostra que, ressalvadas as adaptações específicas das Filiais, ambos são idênticos, tanto no que se refere à “Constituição e Princípios”, como quanto ao “Caráter Nacional e Internacional” e suas “Finalidades”. Que não consta do Relatório Fiscal qualquer referência quanto ao não cumprimento das finalidades sociais e demais dispositivos legais aplicáveis á Cruz Vermelha. Que o cumprimento de suas finalidades sociais causa a insubsistência do Auto de Infração. Transcreve, então, os artigos 1º e 2º da Lei n.º 3.577, de 04/07/1959, destacando que, não bastasse a imunidade concedida pela Lei n.º 2.380, de 1910, teria, desde 04/07/1959, o direito adquirido de recolher apenas a parte devida pelos empregados de conformidade com o estabelecido na legislação previdenciária, fazendo menção, em seguida, ao princípio da irretroatividade da lei. Que em decorrência da alegada inconstitucionalidade praticada, seriam nulos os “Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal”, o “Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória” e as “Representações Fiscais Expedidas”, que careceriam de validade até decisão definitiva a ser proferida sobre o objeto deste processo. Por fim, requer a declaração de improcedência e o arquivamento do presente Auto de Infração. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Após o exame da impugnação, Acórdão de fls. 429/447, julgou o lançamento procedente. Inconformada a recorrente apresentou recurso voluntário, arguindo em síntese: a) que os autos de infração relativos aos exercícios de 2006 e 2007 são nulos por falta de atendimento de formalidade indispensável para sua validade, qual seja o cancelamento da isenção; b) a fiscalização não obedeceu ao devido processo legal, ou seja, se as autoridades tivessem entendido que devia ser cancelada a isenção então a entidade deveria ter sido comunicada e lhe dado prazo para apresentar sua defesa, de acordo com o artigo 305 da IN 03/2005; c) não há provas nos autos de que a recorrente tenha sido intimada do cancelamento da isenção; d) que somente após a tramitação do processo administrativo em que fosse ratificado o cancelamento da isenção, é que a entidade poderia ser acusada de infringir as disposições da legislação previdenciária; e) no mérito diz que a decisão confunde imunidade com isenção, que as associações de Cruz Vermelha no Brasil são imunes por força do Decreto n.º 2.380, de 31/12/1910, que as criou; f) que não é uma pessoa jurídica qualquer, mas integrante do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, a maior organização de cunho social do mundo, à que o Brasil aderiu através das Convenções de Genebra, obrigandose a outorgar condições favoráveis a sua sustentabilidade; g) que o acórdão recorrido se prende à isenção e não a imunidade, não atentando que uma lei ordinária não pode regular a limitação imposta pelo artigo 150, inciso III , letra “c” da Constituição Federal; h) discorre sobre imunidade e diz que a entidade para ser imune deve obedecer o disposto no artigo 14 do CTN; i) que pelo Decreto n.º 9620, de 13 de junho de 1912, tem se a existência de uma única Sociedade Nacional conforme estabelecido nas Convenções de Genebra de 18964 e de 1906, às quais o Brasil aderiu e cujas normas se obrigou a cumprir e o seu reconhecimento como de utilidade pública internacional; j) por fim, afirma possuir direito adquirido a imunidade tributária. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 471 7 Requer o acolhimento da preliminar argüida, ou alternativamente, requer o provimento do recurso, a improcedência e o arquivamento dos autos de infração. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar Antes de entrar no mérito do julgamento, analiso, de ofício, por ser matéria de ordem pública, a decadência. O auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 17/10/2011, compreendendo o período de 01/2006 a 12/2007. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 472 9 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Frente às duas normas expostas no Código Tributário Nacional para tratar da decadência, é de se ver que a aplicação de uma ou outra tem a ver com o início da contagem do prazo. O artigo 173, fixa a data da contagem, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva decisão que tenha anulado, por vício formal, o lançamento realizado anteriormente. Já o artigo 150§4º, fixa o início da contagem na ocorrência do fato gerador. Quanto à esta questão, dirimindo as dúvidas, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo da interpretação das leis federais consolidou o entendimento de que a regra de que o artigo 150§4º, vai ser utilizado quando o sujeito passivo tiver realizado pagamentos antecipados, desde que não comprovados o dolo, a fraude, ou a simulação. Nos demais casos, prevalece o disposto pelo artigo 173, do Código Tributário Nacional. Transcrevo a seguir a Ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12/08/2009, relator o Ministro Luiz Fux, que trata do tema: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 473 11 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Conforme consta acima, a decisão do REsp nº 973.733/SC foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não cabem maiores digressões a respeito do assunto, devendo no caso em tela, onde os lançamentos referemse à cota patronal das contribuições previdenciárias e àquelas arrecadadas para as terceiras entidades e cujas contribuições relativas à cota do segurado empregado se mostrarem recolhidas, ser aplicado o disposto no artigo 150,§ 4º, do Código Tributário Nacional, que tem como marco inicial para a contagem da decadência, a ocorrência do fato gerador, salientandose ainda, a ausência de provas nos autos quanto à existência de dolo, fraude ou simulação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destaco, por oportuno que o pagamento a que se refere o Superior Tribunal de Justiça, no caso do REsp nº 973.733/SC, deve ser entendido como qualquer recolhimento do tributo referente ao período lançado, não precisando estar, necessariamente, relacionado com a contribuição devida. Assim, para os Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 37.144.4349 e DEBCAD 37.144.4357, encontramse homologados tacitamente, os valores relativos à competências até 09/2006, inclusive. Apenas para corroborar o entendimento esposado, reproduzo a seguir julgados que traduzem o entendimento da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 474 13 julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II) O STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Quanto ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.144.4365, também constante deste processo, justamente por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, não havendo competências decadentes. Do Mérito Preliminarmente, é de se ver que compulsando a impugnação aos Autos de Infração em julgamento, verificamos que as alegações trazidas na peça recursal inovam o Processo Administrativo Fiscal em questão. Tais matérias não foram discutidas pelo impugnante em sede de defesa administrativa. O Processo Administrativo Fiscal encontrase regulado pelo Decreto nº 70.235/72, que no seu artigo 16, inciso III, traz que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a sua defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, enquanto o art. 17, do mesmo diploma legal, traz que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Seguem as transcrições: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições do art. 17 do Dec. nº 70.235/72, se coadunam com o princípio processual da impugnação específica tratado no art. 302 do Código de Processo Civil: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Pelo exposto, deve o impugnante, na sua peça de defesa, trazer todas as razões e alegações que achar pertinentes e convincentes, bem como juntar as provas com as quais pretende chancelar o seu direito, porque a matéria específica não expressamente impugnada será tida como verdadeira, precluindo o ensejo de posterior impugnação, ou seja, não mais poderá ser alegada em fase de recurso. Ainda, fazendo referência ao artigo 473 do Código de Processo Civil, que subsidiariamente deve ser aplicado ao processo administrativo tributário, temse que não serão mais discutidas as matérias já decididas no curso do processo ou a cujo respeito já se operou a preclusão. Corrobora também a questão, o fato de que o recurso voluntário interposto pela parte visa a reforma de decisão exarada a respeito das questões debatidas por ora da defesa. O contribuinte busca reformar a decisão que lhe foi desfavorável para aquelas razões até então debatidas. É inerente à sede recursal a existência de uma decisão a quo, a ser reexaminada, não fazendo sentido o órgão julgador de segunda instância se manifestar em questões inovadoras não apreciadas pela decisão recorrida. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 475 15 Portanto, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Destarte, a matéria abordada na preliminar do recurso não poderá ser conhecida por este Colegiado. Quanto ao mérito, a questão se consubstancia na falta da titulação em nome da recorrente para viabilizar o benefício da isenção patronal da contribuição previdenciária. A seguir, entendo necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio, em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 04/07/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, e às entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei n. 3.577/59 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social (CNSS) a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse, assim, filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, que: a) estivessem registradas no CNSS; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. O DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977,, revogou a Lei n.º 3.577/59, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: o Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; o Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: o de declaração de utilidade pública; o de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30/11/1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendessem aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/7/1991. Dessa forma, os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55, com a seguinte redação original: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme depreendese do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/07/1994, na forma do Decreto n.º 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. É de se ver que no presente caso, a recorrente não possuía direito adquirido anteriormente à Constituição de 1988, mesmo porque foi fundada posteriormente – conforme estatuto social. Por meio da Lei n ° 8.909 de 6/7/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) – criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993 –, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADI 2.0285/1999, aplicandose, assim, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda à Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 476 17 Constituição nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, por meio do qual, a existência de débito passou a ser motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. O art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, como segue: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Como regra de transição, a Lei n º 12.101 dispõe em seu artigo 35 que os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e, ainda, não julgados até a data de publicação dessa Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101. Desse modo, para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n. 12.101 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212/91. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. A par de todo o histórico da isenção no direito brasileiro é de se ver que não pode prosperar a alegação da recorrente de que por ter sido estabelecido em uma das normas de instituição das associações da Cruz Vermelha, mais precisamente o Decreto n.º 2380, de 31/12/1910, elas não estariam sujeitas a contribuição de qualquer espécie, sem necessidade de cumprir a legislação do país em que está sediada De acordo com os elementos constantes dos autos, a recorrente era juridicamente uma filial (CNPJ 33.651.803/000246) da Cruz Vermelha Brasileira, a qual detinha o Certificado e o Registro junto ao CNAS de Entidade Beneficente de Assistência Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 477 19 Social, documentos necessários por lei, para poder gozar da isenção patronal das contribuições previdenciárias. Entretanto, em 22/06/2004, foi deliberado a baixa das filiais da Cruz Vermelha Brasileira, com a conseqüente baixa do CNPJ 33.651.803/000246, no Ministério da Fazenda, porque tais filiais sediadas nas capitais dos Estados, no caso São Paulo, haviam sido indevidamente inscritas como se fossem filiais de uma empresa comercial e a baixa permitiria a aprovação dos Estatutos Sociais, sendo expedidos Diplomas de Credenciamento, a fim de poderem regularizar suas existências como pessoas jurídicas independentes que são, perante as repartições competentes autorizadas a utilizar as denominações sociais de“Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado de São Paulo”. Assim, após estas deliberações, houve a baixa da empresa filial CNPJ 33.651.803/000246 em 28/07/2004, e o cadastramento sob CNPJ 07.127.753/000101, razão social Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado de São Paulo, datado de 26/10/2004, conforme documentos que se encontram anexos aos autos. Desde esta data, a recorrente vem utilizando os Certificados Beneficentes solicitados em nome da Cruz Vermelha Brasileira – CNPJ 33.651.803/000165, porque inexiste Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS) expedido pelo CNAS, bem como do Título de Utilidade Pública Federal no CNPJ da recorrente. O fato das associações da Cruz Vermelha terem sido tidas, por ora de sua criação, como isentas, não desobriga a recorrente, entidade com personalidade jurídica própria e CNPJ distinto da Cruz Vermelha Brasileira, de observar e cumprir a legislação pátria aplicável à questão da isenção. Ao não apresentar a titularidade necessária e suportada pela legislação vigente para usufruir da isenção patronal das contribuições previdenciárias, a recorrente sujeitouse a autuação relativa às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2006 a 12/2007, bem como sujeitouse à lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória por ter informado em GFIP o FPAS 639, relativo à entidade isenta, quando não o era. No que se refere a aplicabilidade do artigo 14 do Código Tributário Nacional em contrapartida ao artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, é necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Prova disso está no texto de DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195da Constituição da República, nos seguintes termos: "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a ADIN n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, constatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 478 21 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. A respeito do tema, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como segue: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 479 23 beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 480 25 O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado pela Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 481 27 Recurso Especial do Contribuinte Negado. O entendimento aqui esposado também se aplica ao Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 37144.4357 relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades. Também, de acordo com o explanado, considerase pertinente a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, já que a recorrente informou nas GFIP’s do período de 01/2006 a 12/2007, incorretamente o FPAS 639, relativo à entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, quando deveria ter informado o FPAS 5150 para a atividade Hospital e 5740, para a atividade Escola Centro Formador. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao informar o FPAS de entidade isenta, quando não o era, a recorrente prestou informação incorreta , alterando a base de cálculo da contribuições previdenciárias devidas, infringindo o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 482 29 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Quanto a aplicação de multa nos autos de infração de omissão de fatos geradores em GFIP, entendo, que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial devendo ser excluídas dos lançamentos referentes aos AIOP’s DEBCAD’s 37.144.4349, e 37.144.4357, as competências até 09/2006, inclusive esta e a multa aplicada no AIOA DEBCAD 37144.4365, deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.721306/201192 Acórdão n.º 2302002.646 S2C3T2 Fl. 483 31 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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