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Numero do processo: 10865.002062/2002-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-003.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito em litígio em face da desistência pela opção do contribuinte pelo parcelamento da Lei no. 11.941/2009. Votou pelas conclusões a Conselheira Patricia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Interessado WALTER LÙCIO PECCININI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito em litígio em face da desistência pela opção do contribuinte pelo parcelamento da Lei no. 11.941/2009. Votou pelas conclusões a Conselheira Patricia da Silva. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 62 /2 00 2- 18 Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.051 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201001.810, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de setembro de 2012 (efls. 1906 a 1917). Ali, por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar de nulidade e, no mérito, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admitese a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.052 3 Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóveis, a inclusão de gastos com reforma no custo de aquisição deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE O não atendimento às intimações da fiscalização, quando a omissão não representar embaraço à apuração da infração e à lavratura do auto de infração, não pode ensejar o agravamento da multa de ofício lançada. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários os valores especificados no voto do Relator, bem como desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 09/11/2012 (efl. 1919) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 22/11/2012 (e fl. 1936), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1920 a 1935). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 27/04/2006, no Acórdão 10421.564, de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela 2a. Câmara do mesmo Conselho, através do Acórdão 10246.539, prolatado em 22 de março de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas, visto que adotados como paradigmas, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão 10421.564 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo legislativo gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em contrário do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.053 4 informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº. 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOAS FISICAS FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA Constatada a existência, entre os depósitos bancários, de valores relativos a rendimentos recebidos de pessoa física, devem estes ser tributados em separado, mediante a aplicação da legislação pertinente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a falta de apresentação de Declarações de Ajuste Anual, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados e nem declarados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.054 5 fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deve ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao exercício de 1999, argüida pelo Relator, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo e, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade por quebra de sigilo bancário. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa qualificada aplicada no percentual de 225% para multa normal agravada no percentual de 112,5%, bem como excluir da exigência a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Acórdão 10246.539 IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO DE DEFESA O direito de defesa no processo administrativo fiscal é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação, e, posteriormente, com o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, nos prazos estabelecidos pelos arts. 15 e 33 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Durante a ação Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.055 6 fiscal, destinada a verificar a regularidade da situação fiscal do contribuinte, inexiste litígio que enseje alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal. IRPF MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Comprovado o evidente intuito de fraude mediante ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 72) justifica se a aplicação da multa qualificada, tipificada no inc. II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO ALEGAÇÃO DE CONFISCO E DE INCONSTITUCIONALIDADE IMPROCEDÊNCIA A multa de ofício nos casos de falta de pagamento do imposto e de declaração inexata tem previsão legal específica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, inc. I). Pressupõese, portanto, que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que cuida do controle a posteriori, a lei não pode deixar de ser aplicada se estiver em vigor e nem comporta discricionariedade, tendo em vista que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória e a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN, arts. 136 e 142). A apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei compete exclusivamente ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação na via administrativa pelo Conselho de Contribuintes (Regimento Interno, art. 22A). AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo de intimação da autoridade fiscal, é cabível o agravamento da multa, com amparo no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.056 7 Decisão: Por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de decadência, por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas, e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ezio Giobatta Bernardinis. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Entende como desnecessário, para fins de aplicação da penalidade agravada, o efetivo “prejuízo” à Administração Tributária (que define como não sendo elemento do tipo), até mesmo porque a norma presume esse prejuízo pelo descumprimento do dever de colaboração do contribuinte com o Fisco. Aliás, esse “efetivo prejuízo” pode mesmo ser traduzido na contingência da fiscalização, diante da inércia do contribuinte e mesmo reiteradamente intimado, a proceder às Requisições de Movimentação Financeira; b) Cediço que a autoridade tributária não fica engessada pela inércia do contribuinte e, se não há a possibilidade de obter as informações necessárias à constituição do crédito tributário, nos casos nos quais realmente se revele imprescindível a participação do contribuinte, o ordenamento jurídico mune o Fisco com outros instrumentos, como a possibilidade de arbitramento, com a inversão do ônus da prova em virtude de presunções legais; c) Na lógica desenvolvida no aresto impugnado, a norma sancionadora de agravamento revelarseia inútil, pois o ordenamento jurídico sempre outorgou vias alternativas ao Fisco quando prostrado diante da falta de cooperação pelo contribuinte. A norma em questão. segue a Fazenda Nacional, visa punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, em violação, assim ao disposto nos arts. 194 e 195 do Código Tributário Nacional, afrontando o vergastado o princípio da isonomia em relação aos contribuintes que colaboram com a atividade da fiscalização; d) Ressalta, por fim, a inexistência de qualquer caso de força maior que pudesse ter impedido o contribuinte de atender as intimações no caso em questão, sustentando que Desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. Requer, assim, que seja conhecido e provido o recurso, para reformar o respeitável acórdão recorrido, mantendo a multa em seu percentual agravado. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 1944 a 1950. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 09/12/2013 (efl. 1954), a contribuinte apresentou correspondência de efls. 1956/1957 onde alega ter parcelado todos os débitos de principal devidos já incontroversos no presente processo, no âmbito do parcelamento de que trata de que trata a Lei no. 11.941, de 27 de maio de 2009, acompanhada tal correspondência de comprovantes de pagamentos de parcelas de e fls. 1964 a 2037, tendo sido posteriormente anexado pedido de cancelamento de arrolamento de bens de efls. 2039 a 2042. É o relatório. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.057 8 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade.. Ainda quanto ao referido conhecimento, faço notar que dentre as razões de decidir constantes do 1o. paradigma apontado pela recorrente (Acórdão 10421.564) encontra se expressamente elencada como evidência caracterizadora da subsunção da situação fática à hipótese de sanção agravada a não apresentação de extratos de conta bancária (vide excerto de efl. 1925), daí resultando a caracterização de divergência em relação ao critério jurídico adotado pelo recorrido, assim resumido (vide efl. 1917): "(...) No caso, como se viu acima, a intimação não atendida era para apresentas extratos bancários e informações sobre a movimentação financeira, quando há lei prevendo procedimentos específico, inclusive com restrições, para a requisição dessas informações por parte do Fisco diretamente às instituições financeiras. Refirome à Lei Complementar nº 105, de 2001. Assim, não se pode dizer que o não atendimento à intimação neste caso tenha sido uma afronta ou que tenha causado embaraço à ação fiscal. Logo, não se justifica o agravamento da multa de ofício (g.n.) Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Previamente à análise de mérito, entendo que deva ser considerado o expediente de efl. 1956/1957, onde o contribuinte afirma que: "(...) O contribuinte aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/09, na Modalidade Débitos Administrados pela RFB não parcelados anteriormente, para o fim da inclusão de parte do montante lançado através de autuação fiscal, com processo administrativo n° 10865.002062/200218. O montante parcelado foi desmembrado do processo administrativo 10865.002062/200218 e incluído em novo processo, instaurado em 2011 para esse fim específico, o qual recebeu a numeração 10865.000772/201196. (...)" Destarte, com fulcro no art. 13, da Portaria PGFN/RFB no. 06, de 22 de julho de 2009, que regulamentou o parcelamento em questão e, ainda, consoante o disposto no art. 78, § 3o. do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015, resta caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão administrativa e a renúncia a qualquer direito sobre o qual se fundou o provimento parcial a Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.058 9 quo, inclusive quanto à parcela que permanece em litígio (redução do percentual de multa incidente sobre o principal parcelado, ou seja, a caracterização ou não do agravamento), verbis: Portaria PGFN/RFB no. 06/2009 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) RICARF Art. 78. (...) (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, com base no acima disposto, de se declarar a definitividade do crédito tributário relativo à parcela que permanece em litígio (diferença de 37,5% sobre os valores de principal remanescentes, ainda não exonerados, conforme muito bem demonstrado por demonstrativo de efls. 2045/2046) devendo os débitos do contribuinte ainda não exonerados, obedecer exatamente os critérios adotados pela autoridade lançadora, tanto quanto ao cálculo de principal devido como das multas (estas últimas que permaneciam ainda em litígio antes da mencionada desistência/renúncia), sem prejuízo de eventuais benefícios posteriormente aplicáveis por conta da norma regulamentadora do parcelamento em questão. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do agravamento sobre o montante do principal de crédito tributário remanescente, não exonerado pela decisão a quo . É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202003.944 CSRFT2 Fl. 2.059 10 Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 18470.731565/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO
Comprovada a existência de despesa odontológica mediante recibo e declaração do prestador do serviço na qual é especificado que o contribuinte, além de pagador, é o tomador dos serviços, cancela-se a glosa anteriormente efetuada.
Numero da decisão: 2301-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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COMPROVAÇÃO Comprovada a existência de despesa odontológica mediante recibo e declaração do prestador do serviço na qual é especificado que o contribuinte, além de pagador, é o tomador dos serviços, cancelase a glosa anteriormente efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1262.451, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (fls. 42 a 49 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido: Contra o contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 4 a 11), anocalendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 15 65 /2 01 1- 22 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 2008, para apurar imposto suplementar de R$6376,19 acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: dedução indevida de dependente no valor de R$4967,64, dedução indevida de despesas médicas no valor de R$7880,55, dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$16.600,00, dedução indevida com instrução no valor de R$5184,58. O interessado alega que não foram consideradas as despesas declaradas relativas aos pagamentos a Dentistas 24hs. Ltda e Instituto Bras. De Des. Pess. e Empresarial, conforme fl.2. Menciona que as outras despesas não podem ser comprovadas por motivo de extravio da documentação e pelo fato de seu contador ter falecido. À fl. 25 foram expedidos o Termo Circunstanciado e o Despacho Decisório que mantiveram a notificação. Cientificado em 3 de julho de 2013 (fl.51) o interessado apresentou em 05 de agosto de 2013 , fora do prazo de trinta dias) a manifestação de fl.35. Alega que o recibo relativo ao dentista 24h, que foi glosado por não ser nota fiscal e por não identificar o beneficiário, deve ser considerado. Sustenta que seu nome está mencionado no documento com tendo pago a quantia de R$4020,00 e logo ele foi o beneficiário do serviço. Menciona que esse mesmo tipo de documento foi aceito em ano diverso da presente lide e que o dentista emite tanto recibo de PF quanto PJ. Com relação a despesa com instrução afirma que efetuou gasto com curso relativo a vendas e liderança, que consta como formação técnica em vendas , segundo orientação do Plantão Fiscal. A DRJ julgou improcedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES As deduções são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO. A responsabilidade pelo conteúdo das declarações de ajuste anual apresentadas pertence exclusivamente ao Contribuinte, sujeito passivo de todas as obrigações tributárias decorrentes, mesmo que um terceiro tenha sido contratado para confeccionar e enviar as declarações. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.731565/201122 Acórdão n.º 2301004.620 S2C3T1 Fl. 63 3 A ciência dessa decisão ocorreu em 11/02/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 51). Em 19/02/2014, foi apresentado recurso voluntário (fl. 54), que ataca, tão somente a despesa glosada com serviços odontológicos prestados por DENTISTAS 24 HORAS LTDA., CNPJ 00.089.312/000113, afirmando ter sido o tomador dos serviços, prestados pelo Dr. Jorge Serra Borges, bem como seu pagador. Juntou declaração prestada pelos referidos sociedade empresária e odontólogo, afirmando que o contribuinte (fl. 56): “REALIZOU COMO PACIENTE um tratamento dentário em minha clínica, na data inicial de 15 de março de 2008, assim percorrendo o período de 180 dias e terminando em 19 de outubro de 2008, PAGANDO o valor de R$ 4.020,00(QUATRO MIL E VINTE REAIS), conforme o recibo assinado e carimbado”. (Grifos no original.) O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 72). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Registro que o recurso voluntário trata tãosomente somente a despesa glosada com serviços odontológicos prestados por DENTISTAS 24 HORAS LTDA., CNPJ 00.089.312/000113, no valor de R$4.020,00. Em relação às demais matérias, por conseguinte, ocorreu a preclusão do direito de recorrer. Como corretamente referenciou o acórdão recorrido, a legislação que trata do tema são os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), o art. 8º da Lei 9.250, de 1995 e a Instrução Normativa SRF 15, de 2001, arts. 43 e 46. Desses, transcrevo o artigo 73 do RIR 99 e o art. 8º da Lei 9.250, de 1995: Artigo 73 do RIR 99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Art. 8º da lei 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Entendo que a declaração juntada aos autos por ocasião do recurso voluntário, que complementa o recibo juntado aos autos à fl. 18, especificando ter sido o próprio contribuinte o tomador dos serviços odontológicos, faz com que estejam atendidos os requisitos legislativos que permitem a dedução do pagamento de R$4.020,00 a DENTISTAS 24 HORAS LTDA., CNPJ 00.089.312/000113. Voto, portanto, por DAR provimento ao recurso, para cancelar a glosa no valor de R$4.020,00, referente ao pagamento a DENTISTAS 24 HORAS LTDA., CNPJ 00.089.312/000113. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11128.007972/2008-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/07/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 72 /2 00 8- 71 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 223 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.289, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 224 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 225 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 226 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 227 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 228 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 229 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007972/200871 Acórdão n.º 9303003.634 CSRF‐T3 Fl. 230 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722580/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal.
Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF.
Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT/GILRAT).
A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Ato Declaratório PGFN nº 11/2011.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM CRÉDITOS DE OUTROS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com crédito de outros tributos, conforme parágrafo único do art. 26 da Lei 11.457/2007.
RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS PELA TOMADORA DE SERVIÇO ENTRE ESTABELECIMENTOS DISTINTOS. PERÍODO ANTERIOR À LEI 11.941/2009. IMPOSSIBILIDADE.
O § 1º art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98, vedava a compensação de créditos do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção de 11% sobre a nota fiscal de serviços com débitos de outro estabelecimento.
No período do lançamento não se aplica a legislação posterior que passou a autorizar este procedimento, introduzida pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Amílcar Teixeira Barca Júnior, em relação à matéria compensação de contribuições entre estabelecimentos distintos.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT/GILRAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Ato Declaratório PGFN nº 11/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 80 /2 01 2- 60 Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM CRÉDITOS DE OUTROS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com crédito de outros tributos, conforme parágrafo único do art. 26 da Lei 11.457/2007. RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS PELA TOMADORA DE SERVIÇO ENTRE ESTABELECIMENTOS DISTINTOS. PERÍODO ANTERIOR À LEI 11.941/2009. IMPOSSIBILIDADE. O § 1º art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98, vedava a compensação de créditos do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção de 11% sobre a nota fiscal de serviços com débitos de outro estabelecimento. No período do lançamento não se aplica a legislação posterior que passou a autorizar este procedimento, introduzida pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Amílcar Teixeira Barca Júnior, em relação à matéria compensação de contribuições entre estabelecimentos distintos. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.424 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1533.373 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação ao Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad nº 37.028.4399, referente à exigência de contribuição previdenciária patronal destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e de crédito tributário decorrente de glosa de compensação indevida. Os fundamentos fáticojurídicos que ensejaram a lavratura do auto de infração, de acordo com o relatório fiscal de fls. 12911301, são os seguintes: a) diferença de alíquota da contribuição destinada ao SAT/GILRAT, correspondente a 2%, atribuída em função da reclassificação do grau de risco da atividade empresarial. Para fins de enquadramento do grau de risco, a autuada considerou que sua atividade preponderante é desenvolvimento de programas de computador sob encomenda (Código CNAE 62.01500), correspondente ao grau de risco 1 e à alíquota SAT de 1%, ao passo que a fiscalização entendeu que a atividade preponderante da empresa é o teleatendimento (Código CNAE 82.20200), sujeita à alíquota SAT de 3%, assim entendida a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, considerados os estabelecimentos 0001 e 0002, conforme demonstrado na planilha de fls. 1201190. b) glosa de compensação indevida: i) na competência 08/2008, uma vez que a Declaração de Compensação apresentada pela autuada, referente à compensação de créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte com débitos de contribuições previdenciárias, foi considerada inválida pela Receita Federal, conforme decisão proferida no processo nº 13899.000187/200972; e ii) na competência 03/2008, por falta de Declaração de Compensação ou pagamento ou recolhimento indevido ou a maior; iii) nas competências 09/2007 a 09/2008, nas quais foram compensados indevidamente valores retidos sobre notas fiscais de serviços, com débitos apurados em estabelecimento distinto do que emitiu as notas fiscais de serviços, além de não haver o destaque da contribuição retida nas notas fiscais. A autuada apresentou impugnação, contendo os seguintes pontos controvertidos: a) alega que não ficou demonstrado que o CNPJ matriz (0001) executa a atividade de teleatendimento, e afirma que a atividade do CNPJ filial (0002) é de promoção e venda de cartões de crédito do Banco do Brasil, ou seja, a atividade desenvolvida é de cobrança e promoção de vendas; b) a multa deve ser limitada a 20%, por ser mais benéfica; c) informa que regularizou (pagou/parcelou) as competências 03/2008 e 08/2008; d) alega que a Lei 11.941/2009 permite que estabelecimentos da mesma empresa efetuem compensações utilizandose de créditos de outro estabelecimento. Pediu o cancelamento do crédito tributário. Nos termos do Acórdão n.º 1533.373, fls. 13421354, a DRJ julgou a impugnação improcedente, com base nos seguintes fundamentos: a) os documentos juntados aos autos demonstram que a atividade preponderante da autuada corresponde ao grau de risco com alíquota do GILRAT de 3%; b) a afirmação de que houve pagamento da competência 03/2008 não se confirma em consulta aos bancos de dados de arrecadação da Receita Federal e Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 o valor lançado na competência 08/2008 não foi incluído em parcelamento; c) as compensações relativas ao período de 09/2007 a 09/2008 ocorreram na vigência da Lei 9.711/98, a qual somente permitia a compensação do valor retido pelo estabelecimento que gerou o crédito; d) a multa de 20% é aplicada apenas para as contribuições pagas em atraso e não incluídas em auto de infração. O sujeito passivo foi intimado do auto de infração em 08 de dezembro de 2012, fl. 1288, e teve ciência da decisão de primeira instância em 09 de outubro de 2013, fls. 13551356. Em 08/11/2013, a autuada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, fls. 13571383, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega decadência das compensações/contribuições do período de setembro, outubro e novembro de 2007. Alega, também, a invalidade do lançamento, por cerceamento de defesa, uma vez que nele não constaram os motivos da reclassificação do grau de risco do estabelecimento matriz, de 1 para 3, destacando que não foi realizada a análise profissiográfica das atividades desenvolvidas pelos empregados. No mérito, sustenta que o grau de risco, para fins de definição da alíquota da contribuição destinada ao GILRAT, deve ser apurado por estabelecimento, prevalecendo a atividade preponderante somente nas hipóteses em que a empresa possui um único CNPJ, conforme entendimento pacificado na Súmula 351 do STJ, e Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011. Alega que a identificação do código de ocupação (CBO) dos prestadores de serviços não faz prova da atividade preponderante do período, o que depende da relação entre a folha de pagamento e a remuneração prevista em cada contrato firmado pela empresa, de forma a se identificar qual o exato número de funcionários alocados em cada uma das funções/atividades previstas em contrato, e, por fim, apurar o grau de risco com base em estudo de profissiografia ocupacional daquela atividade. Assevera que a fiscalização desconsiderou a variação de atividades desenvolvidas pela empresa, para fins de apuração do grau de risco. Quanto às compensações nas competências 03/2008 e 08/2008, argumenta que houve compensação de indébito originário de imposto de renda retido na fonte, devidamente demonstrado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), sendo que a Lei 10.637/2002 permite a compensação de tributos de espécies diferentes. Quanto às compensações realizadas nas competências 09/2007 a 09/2008, ressalta que não há discussão quanto à existência ou validade do crédito utilizado na compensação e que a legislação atual permite a compensação em estabelecimento diferente daquele que gerou o crédito. Pede a realização de diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) identificar com exatidão qual a atividade preponderante em cada um dos períodos fiscalizados; b) realizar estudo de Profissiografia Ocupacional, para cada uma das atividades preponderantes identificadas; c) identificar qual o exato montante dos tributos retidos pelas fontes pagadoras, o montante de IRRF utilizado pelo contribuinte no decorrer da sua apuração de IRPJ e CSLL e, por fim, qual o saldo de crédito que o contribuinte poderia utilizar para quitação de outros tributos. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.425 5 Pede, ao final, que seja reconhecida a nulidade do lançamento ou que seja cancelado o crédito tributário lançado. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Invalidade do Lançamento Os motivos da reclassificação do grau de risco do estabelecimento 06.936.483/000117 constam do relatório fiscal de forma minuciosa, item 3, tendo sido adotada a atividade preponderante da empresa, assim entendida a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, com base na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). O fato de a Recorrente discordar da adoção da CBO como fonte para classificação de sua atividade preponderante, por entender ser necessária a análise profissiográfica das atividades desenvolvidas pelos empregados, não implica omissão ou obscuridade do relatório fiscal, mas discordância quanto ao critério de identificação da alíquota aplicável, matéria que tem natureza de mérito e será analisada em tópico pertinente deste voto. O relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe permitir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada. Decadência I) Compensação Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.426 7 É de cinco anos o prazo para a Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício decorrente de glosa de compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação, conforme determinar o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, na redação da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03, decorrente da conversão da MP 135/03. A Recorrente tomou ciência do lançamento em 08 de dezembro de 2012. O lançamento trata da glosa das compensação declarada no período de 09/2007 a 09/2008 (levantamento GL1 Glosa Compensação Retenção) e 03/2008 e 08/2008 (Levantamento GC1 Glosa Compensação não Retenção). Portanto, estão atingidas pela decadência as glosas de compensação realizadas no período de 09/2007 a 11/2007 (doc. fls. 12101212), cujo lançamento foi aperfeiçoado após transcorrido o prazo de cinco anos contado da data da declaração da compensação na GFIP. II) Contribuição ao GILRAT O Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 foi afastado por inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de modo que o regime de decadência das contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional (CTN). Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo do prazo decadencial, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, que, por força do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/20151, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. O lançamento, no caso, se aperfeiçoou em 08 de dezembro de 2012, com a ciência do sujeito passivo comprovada nos autos. Assim, não há dúvida quanto ao direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário posterior à competência 12/2007, inclusive, pois não seria atingida pela regra do art. 150, § 4o, do CTN. Ao período anterior (08/2007 a 11/2007 levantamento DR1Diferença de RAT Estabelecimento 0002), dáse o seguinte tratamento: a) competências 08/2007 e 09/2007: conforme relação de pagamentos às fls. 1269, nessas competências existem pagamentos parciais, feitos em Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS), código 2100, na rubrica "INSS" ou seja, também destinados ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao GILRAT, o que atrai a regra do art. 150, § 4º do CTN, e leva ao reconhecimento da extinção do crédito tributário deste período, em razão da decadência, nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN), considerando que o lançamento somente poderia ter sido realizado até 31/08/2012 e 30/09/2012, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, mas a ciência ao lançamento ocorreu após isso, em 08 de dezembro de 2012. b) competências 10/2007 e 11/2007: conforme relação de pagamentos às fls. 1269, nessas competências existem recolhimentos feitos em Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS) na rubrica "Terceiros", e, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 99, o recolhimento parcial a ser considerado, para fins de contagem do prazo decadencial, é o vinculado ao fato gerador, independentemente de sua destinação. Além disso, há pagamento antecipado em razão de compensação homologada por decurso de prazo, conforme fundamentado neste voto, no item "I) Compensação". Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do 1 art. 62 ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.427 9 fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Logo, cabe reconhecer a extinção do crédito tributário das competências 10/2007 e 11/2007, em razão da decadência, nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN), considerando que o lançamento somente poderia ter sido realizado até 31/10/2012 e 30/11/2012, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, mas a ciência ao lançamento ocorreu após isso, em 08 de dezembro de 2012. Em síntese, estão extintas pela decadência: a) as glosas de compensação das competências 09/2007 a 11/2007, do Levantamento GL1 Glosa Compensação Retenção, e b) as contribuições ao GILRAT das competências 08/2007 e 11/2007, do Levantamento DR1 Diferença de RAT Estabelecimento 0002. Alíquota SAT. Grau de Risco da Atividade Empresarial. Apuração por Estabelecimento. Ato Declaratório PGFN nº 11/2011 À Recorrente cabe recolher o adicional sobre a contribuição destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS, em regra, 20%), destinado ao financiamento da aposentadoria especial e ao financiamento da aposentadoria por invalidez e auxíliodoença, denominado SAT (Seguro de Acidente do Trabalho) ou RAT (Riscos Ambientas do Trabalho), cujas alíquotas estão estabelecidas no inciso II do art. 22 da Lei 8.212/91: Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A definição de atividade preponderante é dada pelo art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, como sendo "a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos" (§ 4º). Esse mesmo dispositivo atribui à empresa a obrigação de realizar o auto enquadramento (§ 5º), que fica sujeito à verificação do Fisco, cabendo, a este último, realizar o lançamento de ofício em caso de autoenquadramento em alíquota incorreta (§ 6º): Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 RPS/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) § 6º Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Entretanto, o entendimento que deve prevalecer neste Conselho, é no sentido de que, quando a empresa possui mais de um estabelecimento, o grau de risco da atividade empresarial, para fins de definição da alíquota da contribuição destinada ao SAT, deve ser apurado por estabelecimento, nos termos do Parecer PGFN/CRJ nº 2120/2011, que fundamenta Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.428 11 o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, com efeito vinculante perante este órgão julgador, conforme dispõe a alínea "c" do inciso II do § 1º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/20152. Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011: Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. O citado Parecer encontra suporte na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que culminou no Enunciado da Súmula nº 351: A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro Os precedentes do STJ têm por fundamento a ausência de autorização na Lei 8.212/91 para se incluir na base de cálculo do tributo a remuneração de todos os empregados da empresa, independentemente da diversidade dos riscos de acidentes, inerentes à função e ao local onde são desenvolvidas as atividades. As referidas decisão judiciais não afastam o critério de determinação da atividade preponderante como sendo aquela com maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, tendo sido alterada tão somente a abrangência da base de cálculo, que fica delimitada à verificação da atividade preponderante por estabelecimento. Ao contrário do pretendido pela Recorrente, não encontra fundamento, nem na legislação, nem na jurisprudência, a adoção da atividade economicamente mais relevante como atividade preponderante. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; ... Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Portanto, na espécie, para definição do grau de risco, e, por conseguinte, da alíquota do adicional do SAT, deve ser apurada a atividade preponderante em cada estabelecimento da Recorrente, assim considerada aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. A Recorrente possui dois estabelecimentos (0001 e 0002). De acordo com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, fls. 6667, o estabelecimento 0001 tem por atividade econômica principal o teleatendimento, correspondente ao código CNAE 82.20200, alíquota SAT de 3%, exercendo, secundariamente, atividades de desenvolvimento de programas de comutador sob encomenda e consultoria em tecnologia da informação, e o estabelecimento 0002 tem por atividade principal o desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, correspondente ao código CNAE 62.01500, e alíquota SAT de 1%, e por atividades secundárias, consultoria em tecnologia da informação e comércio varejista especializado de equipamentos e suprimento de informática. De acordo com o relatório fiscal, nas GFIPs a Recorrente enquadrou ambos os estabelecimentos na atividade de desenvolvimento de programas de computador sob encomenda (Código CNAE 62.01500). A fiscalização demonstrou, com base na folha de pagamento, fls. 1201190, que, de fato, no período do lançamento, o estabelecimento 0001 contava apenas com analistas de sistemas em seu quadro de funcionários. Já o estabelecimento 0002 contava com profissionais alocados em diversas funções, sendo que o maior número ocupava a função de operador da Central de Atendimento do Banco do Brasil, via sistema informatizado, conforme contratos de fls. 68119. A prova das atividades exercidas pelos trabalhadores é ampla, inexistindo, na legislação, a exigência de prova específica com base no perfil profissiográfico do trabalhador. Assim, a atividade preponderante dos estabelecimentos 0001 e 0002 está suficientemente comprovada pelas declarações prestadas pela própria Recorrente em suas folhas de pagamento e contratos de prestação de serviços, cuja eficácia probatória não foi infirmada pela Recorrente. Em suma, ficou demonstrado que o estabelecimento 0001 teve por atividade preponderante o desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, correspondente ao código CNAE 62.01500, e alíquota SAT de 1%, e que o estabelecimento 0002 teve por atividade preponderante o teleatendimento, correspondente ao código CNAE 82.20200, alíquota SAT de 3%. Portanto, o lançamento deve ser revisto nessa parte, alterandose a alíquota SAT do estabelecimento 0001 de 3% para 1% (Levantamentos DR, DR1 e DR2). Compensação de Débitos de Contribuições Previdenciárias com Créditos de Outros Tributos. Impossibilidade Houve glosa de compensação nas competências 03/2008 e 08/2008 (Levantamento GC1 Glosa Compensação não Retenção), que, segundo a Recorrente, decorre de indébito de imposto de renda retido na fonte, devidamente demonstrado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), conforme autorizado pela Lei 10.637/2002. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.429 13 A Lei 10.637/2002 alterou o art. 74 da Lei 9.430/96, permitindo a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) Esse dispositivo, todavia, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b, e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/913, as quais abarcam as contribuições aqui tratadas, por haver expressa vedação, veiculada pelo parágrafo único do art. 26 da Lei 11.457/2007: Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2o desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2o desta Lei. (g.n.) Essa é a posição do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. CRÉDITOS DE TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA ANTIGA RECEITA FEDERAL COM DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VEDAÇÃO LEGAL. ART. 26 DA LEI 11.457/07. PRECEDENTES. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que, muito embora a Lei 11.457/2007 tenha atribuído à Secretaria da Receita Federal do Brasil a administração das contribuições previdenciárias preconizadas nas alíneas a, b, e c do parágrafo 3 Lei 8.212/91: Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: ... Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 14 único do art. 11 da Lei 8.212/91 (art. 2°), ela, em seu art. 26, veda expressamente o procedimento previsto no art. 74 da Lei 9.430/96 para fins de compensação de débitos de contribuições previdenciárias. Agravo regimental não provido. (AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 416.630RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/03/2015) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE HORASEXTRAS. INCIDÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS QUANDO EFETUADOS NA FORMA DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/96. VEDAÇÃO. SÚMULA N. 83/STJ. INCIDÊNCIA. I Esta Corte, ao julgar o Recurso Especial n. 1.358.281/SP, submetido ao rito do art. 543C, firmou entendimento segundo o qual incide contribuição previdenciária sobre horasextras. II É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual há vedação expressa, prevista no art. 26 da Lei n. 11.457/07, de compensação de débitos de contribuições previdenciárias quando efetuados na forma do art. 74 da Lei n. 9.430/96. (g.n.) ... V Agravo Regimental improvido. (AgRg no Recurso Especial nº 1.383.006RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, Dje 17/08/2015). Portanto, mantenho o lançamento relativo à glosa de compensações nas competências 03/2008 e 08/2008. Compensação de Contribuições Retidas pelas Tomadoras de Serviço entre Estabelecimentos Distintos. Período Anterior à Lei 11.941/2009. Impossibilidade Nas competências 09/2007 a 09/2008, a Recorrente declarou, em GFIP, a compensação da contribuição retida e recolhida pela tomadora de serviços, correspondente a 11% do valor das notas fiscais emitidas pelo estabelecimento matriz (0001), com os débitos apurados no estabelecimento filial (0002). O procedimento de compensação, no momento da opção da Recorrente, estava estabelecido no § 1º art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98, o qual restringia o uso dessa espécie de extinção do crédito tributário ao estabelecimento que sofreu a retenção, oportunizando ao contribuinte solicitar a restituição, na impossibilidade de aproveitamento integral do crédito pelo mesmo estabelecimento, conforme § 2º do mesmo dispositivo legal: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.430 15 temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). ... Em 27 de maio de 2009, a Lei 11.941/2009 alterou a redação do § 1º do art. 31 da Lei 8.212/91, passando a permitir a compensação do valor retido por qualquer estabelecimento da empresa prestadora do serviço: art. 31... § 1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A Recorrente entende que o novo dispositivo legal teria o condão de chancelar o procedimento por ela adotado, que era contrário à lei vigente à época da compensação. A solução da controvérsia passa pela análise da vigência da lei processual no tempo, uma vez que o § 1º do art. 31 da Lei 8.212/91 veicula norma processual ao determinar o procedimento de compensação a ser adotado nos casos de retenção de 11% sobre a nota fiscal de serviço. A lei processual no tempo é regida pelos princípios da imediatividade e da irretroatividade da norma processual. Pela imediatividade entendese que, uma vez publicada, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros, a partir de então. O princípio da irretroatividade da lei processual impede que a norma processual nova alcance ato processual já praticado pela lei antiga, salvo no processo penal, para beneficiar o réu. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 16 Cabe indagar se no caso caberia aplicar a lei nova, considerando que o processo administrativo tributário não está definitivamente julgado. Entendo que não, pois na análise da retroatividade da lei processual, os atos consumados antes da inovação legislativa não sofrem os efeitos desta, em atenção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, incidindo sobre ele a preclusão consumativa, a não ser que a lei expressamente determine a retroatividade. Na espécie, a declaração de compensação não está pendente, tendo sido consumada no momento da entrega da GFIP pelo contribuinte; os atos que sucederam à declaração de compensação, incluindo o presente lançamento tributário, embora dela decorram, com ela não se confundem. A solução aqui adotada prestigia a teoria dos atos processuais isolados, largamente utilizada pelos Tribunais Superiores, e, a título de exemplo, colaciono abaixo a ementa do acórdão do STJ, que, com fundamento nessa teoria, decidiu que não alcançariam as execuções fiscais em curso de qualquer valor, ajuizadas antes da norma trazida pela Lei nº 12.514/11, que proibiu a execução de dívidas referentes a anuidades profissionais inferiores a quatro vezes o valor cobrado anualmente: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ART. 8º DA LEI 12.514/2011. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES EM TRÂMITE. NORMA PROCESSUAL. ART. 1.211 DO CPC. “TEORIA DOS ATOS PROCESSUAIS ISOLADOS”. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. 1. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. É inaplicável o art. 8º da Lei nº 12.514/11 (“Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente”) às execuções propostas antes de sua entrada em vigor. 3. O Art. 1.211 do CPC dispõe: “Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes”. Pela leitura do referido dispositivo concluise que, em regra, a norma de natureza processual tem aplicação imediata aos processos em curso. 4. Ocorre que, por mais que a lei processual seja aplicada imediatamente aos processos pendentes, devese ter conhecimento que o processo é constituído por inúmeros atos. Tal entendimento nos leva à chamada “Teoria dos Atos Processuais Isolados”, em que cada ato deve ser considerado separadamente dos demais para o fim de se determinar qual a lei que o rege, recaindo sobre ele a preclusão consumativa, ou seja, a lei que rege o ato processual é aquela em vigor no momento em que ele é praticado. Seria a aplicação do Princípio Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 19515.722580/201260 Acórdão n.º 2301004.512 S2C3T1 Fl. 1.431 17 tempus regit actum. Com base neste princípio, temos que a lei processual atinge o processo no estágio em que ele se encontra, onde a incidência da lei nova não gera prejuízo algum às parte, respeitandose a eficácia do ato processual já praticado. Dessa forma, a publicação e entrada em vigor de nova lei só atingem os atos ainda por praticar, no caso, os processos futuros, não sendo possível falar em retroatividade da nova norma, visto que os atos anteriores de processos em curso não serão atingidos. 5. Para que a nova lei produza efeitos retroativos é necessária a previsão expressa nesse sentido. O art. 8º da Lei nº 12.514/11, que trata das contribuições devidas aos conselhos profissionais em geral, determina que “Os Conselhos não executarão judicialmente dívidas referentes a anuidades inferiores a 4 (quatro) vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente”. O referido dispositivo legal somente faz referência às execuções que serão propostas no futuro pelos conselhos profissionais, não estabelecendo critérios acerca das execuções já em curso no momento de entrada em vigor da nova lei. Dessa forma, como a Lei nº 12.514/11 entrou em vigor na data de sua publicação (31.10.2011), e a execução fiscal em análise foi ajuizada em 15.9.2010, este ato processual (de propositura da demanda) não pode ser atingido por nova lei que impõe limitação de anuidades para o ajuizamento da execução fiscal. (g.n.) 6. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1404796/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2014, DJe 09/04/2014) Portanto, a declaração de compensação, considerada separadamente dos demais atos do processo, restou consumada com a entrega da GFIP, de modo que a validade e a eficácia daquele ato deve ser analisada à luz da legislação de regência, a qual, conforme visto, restringia a adoção da via da compensação apenas para os débitos do mesmo estabelecimento que sofreu a retenção da contribuição de 11% incidente sobre a nota fiscal de serviço. Ao compensar os valores retidos do estabelecimento 0001 com os débitos do estabelecimento 0002, a Recorrente agiu em desacordo com o § 1º do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, vigente à época, o que constitui elemento suficiente para não se homologar a compensação e se exigir o correspondente crédito tributário, nos termos do presente lançamento. À Recorrente cabia se socorrer da via da restituição para pleitear o indébito excedente, conforme expressa disposição do § 2º do art. 31 da Lei 8.21291. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 18 Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: I) excluir o crédito tributário extinto pela decadência, quais sejam: (a) as glosas de compensação das competências 09/2007 a 11/2007, do Levantamento GL1 Glosa Compensação Retenção, e (b) as contribuições ao GILRAT das competências 08/2007 e 09/2007, do Levantamento DR1Diferença de RAT Estabelecimento 0002; e II) reduzir a alíquota SAT do estabelecimento 0001 de 3% para 1% (Levantamentos DR, DR1 e DR2). Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000944/2004-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
RECURSO.TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA. EDITAL.
O contribuinte informou nos autos seu correto endereço, conforme registrado por Auditor Fiscal. O encaminhamento de intimação pelo método postal, posteriormente a esse registro, para endereço diverso, que foi devolvida ao remetente, não autoriza que se faça a ciência por edital, uma vez que a alegada tentativa pelo método postal esteve viciada. (Artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972)
Neste caso, considerar-se-á como data da ciência do acórdão recorrido, a data da apresentação do recurso.
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp nº 1134665/SP). Jurisprudência do STF com repercussão geral (RE nº 601.314).
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado, não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que reconheceu a decadência de ofício.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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CIÊNCIA. EDITAL. O contribuinte informou nos autos seu correto endereço, conforme registrado por Auditor Fiscal. O encaminhamento de intimação pelo método postal, posteriormente a esse registro, para endereço diverso, que foi devolvida ao remetente, não autoriza que se faça a ciência por edital, uma vez que a alegada tentativa pelo método postal esteve viciada. (Artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972) Neste caso, considerarseá como data da ciência do acórdão recorrido, a data da apresentação do recurso. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp nº 1134665/SP). Jurisprudência do STF com repercussão geral (RE nº 601.314). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 44 /2 00 4- 47 Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.773 2 O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 35. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado, não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que reconheceu a decadência de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.774 3 Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde foi exigido o montante de R$ 581.939,96 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. A lavratura deuse em 06/05/2004 (fl. 237), aperfeiçoandose o lançamento com a ciência do contribuinte em 11/05/2004 (fl. 242). Na "descrição dos fatos" narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que apurou omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, diminuídos dos valores estornados, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea. No Termo de Verificação Fiscal que acompanha a autuação (fl. 227), esclareceu o Auditor Fiscal mais que: a) Com fundamento no indício de interposição de pessoa movimentação financeira superior a dez vezes a renda declarada ou o limite de isenção para o caso presente de contribuinte omisso e no de CPF cancelado, que era a situação cadastral do contribuinte à época, solicitamos a emissão das Requisições de Movimentação Financeiras; b) Tendo sido analisados os extratos recebidos, emitimos o terno de intimação número 002, fls. 26 a 29, intimando o senhor Mylton a comprovar a origem dos depósitos bancários discriminados individualmente; c) Tendo sido regularmente intimado e reintimado a justificar a origem dos recursos creditados nas contas bancárias, através do Termo de Início e do Termo de Intimação número 002, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos ou elementos comprovando, documentalmente, a origem dos recursos identificados na análise dos extratos bancários recebidos; d) Diante dos fatos expostos, não havendo sido apresentada a comprovação da origem dos créditos presentes nos anexos mencionados, esses valores devem ser tributados segundo o disposto no artigo 42 e seus parágrafos, da lei 9.430/96, com as alterações determinadas no artigo 4º da lei 9.481/97, consolidado no artigo 849 do RIR 99, considerados assim, omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, efetuados em conta corrente. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou Impugnação (fl. 246) à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) onde alegou, em suma, que: haveria inexigibilidade de comprovação de movimentação bancária; utilização de movimentações bancárias para dar substância a autuação fiscal configura ofensa à Constituição; existência de sigilo dos dados bancários; impossibilidade de lançamento tributário fundado em depósitos bancários; na realidade teve prejuízos em aplicações em bolsas de valores, naquele ano; anexação de documentos comprobatórios de suas operações financeiras. Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.775 4 Ao julgar a manifestação do contribuinte, a DRJ II em São Paulo/SP, dispôs, resumindo, que: a) A requisição de informações sobre movimentação financeira efetuada junto às instituições financeiras, com observância das normas de regência e ao amparo da lei, não está sujeita à prévia autorização judicial. b) As informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, a par de amparada legalmente (Lei Complementar n° 105/2001; Decreto n° 3.724/2001; Lei n° 5.172/1966, art. 197, inciso II; Decreto n° 3.000/1999, art. 918), não implicam quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. c) Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de Ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas e hábeis é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. d) Os depósitos/créditos, comprovadamente, decorrentes de operações realizadas em Bolsas, devem ser tributados segundo as normas específicas aplicáveis aos ganhos em renda variável. Assim, reputouse procedente em parte o Lançamento, uma vez que, especificamente em relação à alínea d), acima, entendeu o Julgador de 1ª instância, ao analisar a documentação acostada aos autos pelo Impugnante, que parte dos depósitos de fato era oriunda de operações de corretagem de ações em bolsas de valores e "somente as operações de créditos/depósitos em que restaram, inequivocamente, demonstradas, com base nas notas de corretagem apresentadas, que têm origem em operações realizadas em Bolsa, cabem ser excluídas da tributação levada a efeito com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996". Decidiuse alterar o imposto devido para R$ 377.492,07, conforme planilha de folhas 604/5. Discutese nos autos administrativos e judiciais se e quando o contribuinte foi intimado dessa decisão, para fins de apreciação da tempestividade do recurso ao CARF. Não registrando pagamento ou recurso, a Receita Federal encaminhou o crédito para inscrição em Dívida Ativa da União. O contribuinte, vindo a saber da execução fiscal em andamento, apresentou em 10/06/2010 um recurso ao CARF, protocolado na PFN 3ª Região/SP, com cópia na folha 663 e seguintes. Houve ainda impetração de Mandado de Segurança, contra o Presidente do CARF, para que "fosse compelido a julgar o recurso voluntário interposto".(fl. 632) Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.776 5 Após negar a medida liminar, o Juiz Federal competente decidiu em sentença "conceder a segurança para garantir ao impetrante a análise conclusiva do processo administrativo fiscal nº 19515.000944/200447"(fl. 652). Foram rejeitados embargos de ambas as partes e, feita apelação pela União, o TRF 3ª Região/SP, "negoulhe seguimento" (fl. 1872). Prevalece então a determinação para que o CARF analise o recurso do contribuinte, restando estabelecido, como grifa a PFN na folha 2770 que: "O TRF 3 negou seguimento à Apelação (fls. 795/800) e à remessa oficial e manteve a sentença de 1º grau, restando consignado que “...a questão da intempestividade do recurso administrativo deve ser apreciada, decidida e comunicada ao contribuinte no âmbito administrativo, não cabendo a esta corte decidir a respeito de sua ocorrência.” No recurso que deve ser analisado, com cópia na folha 663 e seguintes, em resumo, o recorrente assim expõe suas razões: 1 preliminarmente, nunca foi intimado da decisão de 1ª instância, sendo que a intimação com a mesma foi encaminhada para o endereço errado. Requer a nulidade do processo administrativo "desde a data em que foi proferida a decisão" e "dáse por intimado da referida decisão." Está demonstrada a tempestividade de seu recurso. 2 não existe obrigatoriedade quanto à conservação de documentos que possam comprovar a movimentação bancária, pelo contrário, direitos constitucionais asseguram o sigilo dos dados. 3 a requisição de informações sobre movimentação financeira do contribuinte requer prévia autorização judicial. 4 no exercício de 1998 teve grandes prejuízos em suas aplicações em bolsas de valores, o que resultou saldo negativo no final do exercício, de modo que inexistiam valores tributáveis. O Recorrente juntou também aos autos cópias das petições iniciais das ações judiciais que lhe são movidas pela Patente Corretora, pela Banespa Corretora e pelo Banco Banespa, objetivando a cobrança de saldos devedores decorrentes dos pesados prejuízos sofridos no exercício de 1998, o que de forma cabal demonstra o equívoco do auto de infração 5 O Recorrente apresentou, ainda, as cópias (todas simples, sem autenticação as únicas disponíveis) dos documentos comprobatórios de suas operações financeiras das quais resultaram os prejuízos no exercício de 1998. Portanto, resta claro que o Recorrente comprovou, efetivamente, a origem dos depósitos bancários existentes em suas contas. 6 Tal documentação não pode ser simplesmente ignorada pela fiscalização, sob o argumento de que o Recorrente não teria traçado detalhadamente a correspondência entre os depósitos/créditos existentes e cada um dos documentos apresentados na impugnação. 7 Quanto às "demais infrações apuradas" seriam relativas a suposta falta/atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999/ano calendário de 1998 que não estaria sendo exigida no presente auto de infração. 8 A multa no percentual de 75% da infração é confiscatória. Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.777 6 PEDE a improcedência do lançamento e o cancelamento do auto de infração combatido. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) Considerando a decisão judicial relatada, importante esclarecer o seguinte: em 15 de dezembro de 2015 o contribuinte endereçou missiva ao Juiz Federal competente reclamando que mesmo após a concessão da segurança pleiteada, não havia se dado o julgamento administrativo. Oficiado o Presidente do CARF, conforme folha 2.750, a resposta indicou que o processo administrativo seria incluído no lote de processos a serem sorteados eletronicamente nas próximas sessões públicas de julgamento, previstas para 25 a 29 de janeiro de 2016. É que não se pode, conforme disposição regimental, distribuir processos aos conselheiros relatores de forma individualizada e sem que seja efetuado o sorteio eletrônico durante sessão pública de julgamento. Distribuído o processo ao relator, ele deve analisálo e indicálo para pauta de julgamentos, onde será apresentado o relatório e o voto e submetido a apreciação do colegiado. Não disse o Presidente que "o processo seria julgado em 25 a 29 de janeiro", como entendeu o contribuinte, conforme demonstra sua manifestação na folha 2.764/5. O processo foi incluído em lote, sorteado e distribuído a este relator em 18 de fevereiro de 2016, juntamente com outros 27 processos. Conforme Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09 de junho de 2015, o conselheiro relator tem até seis meses, contados da data do sorteio, para incluir o processo em pauta. Quando alertado da situação de exceção destes autos em virtude da medida judicial, em 15 de março de 2016, pela Secretaria competente, e já estando a pauta do mês seguinte pronta, o processo foi então incluído na pauta do mês de maio de 2016. PRELIMINARES Tempestividade do recurso. Em relação à tempestividade do recurso, observo que após ser proferida a decisão de 1ª instância, expediuse a Intimação de folha 609, a fim de que o contribuinte fosse cientificado daquele acórdão, do qual teria a faculdade de recorrer, no prazo de 30 dias. O endereço indicado foi na Rua Aureliano Coutinho, 355, ap. 501, Higienópolis/SP. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.778 7 A correspondência não foi entregue e foi então feito o Edital nº 033/2009, com o mesmo objetivo de ciência, fundado no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Transcorrido o prazo legal, em março de 2009 (fl. 613), reputouse ciente o contribuinte e, não sendo constata a apresentação de recurso, os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Somente ao tomar ciência da execução fiscal contra si, em 10/06/2010, ou seja, mais de um ano após a desafixação do Edital, é que o contribuinte apresentou seu recurso, protocolizado na própria PFN/SP (fl. 663). Ocorre que assiste razão ao recorrente em suas alegações no que tange à tempestividade e ao vício na intimação. Ainda na fase preliminar do lançamento, várias correspondências enviadas ao endereço acima especificado foram devolvidas ao remetente, tendo se valido a Receita Federal de Editais. Porém, no Termo de Comparecimento de folha 39, registrou o Auditor Fiscal que o endereço correto do contribuinte era Rua Iperoig, 554, apto 542, São Paulo. Ou seja, foi informado à Receita Federal o correto endereço do contribuinte. Nesse endereço, na Rua Iperoig, aliás, deuse a ciência do Auto de Infração (AR na folha 2.153) e foi o que o contribuinte indicou na sua qualificação ao apresentar a Impugnação (fl. 246). Portanto, estava ciente a Receita Federal do correto endereço do contribuinte e, enviando a intimação para ciência do Acórdão de 1ª instância para endereço diverso, incorreu em falha, deixando de observar os autos, e não se autoriza que a ciência tenha se dado por edital, nessa situação. Enfim, entendo que deva ser tomada como data da ciência a data da apresentação do recurso voluntário e, dessa feita, o mesmo é tempestivo. Sigilo bancário e aplicação da lei no tempo. De início, como o lançamento foi efetuado a partir de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF, fls. 48 e seguintes) na justificativa para a emissão da RMF, consta que (TVF, fl. 229): Com fundamento no indício de interposição de pessoa movimentação financeira superior a dez vezes a renda declarada ou o limite de isenção para o caso presente de contribuinte omisso e no de CPF cancelado, que era a situação cadastral do contribuinte à época, solicitamos a emissão das Requisições de Movimentação Financeiras números..., que foram encaminhadas às instituições financeiras que haviam informado ter retido CPMF em nome do senhor Mylton. Em atendimento às intimações foramnos encaminhados os extratos bancários solicitados. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.779 8 de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.780 9 Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Outrossim, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Em 24/02/2016, assim decidiu a Suprema Corte, ao julgar o RE nº 601.314, com repercussão geral do tema sobre o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.781 10 Superadas essas preliminares, passemos ao mérito. MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O contribuinte alega primeiro que não seria obrigado a guardar documentos que subsidiassem sua movimentação bancária, para, se intimado, apresentálos ao Fisco. No mais, limitase a repetir seus argumentos da impugnação, no sentido de que não é possível a autuação com base apenas nos depósitos bancários, sem que o Fisco demonstre a existência de renda, no conceito dado pelo artigo 43 do CTN, e que no ano em questão, tendo realizado operações em bolsas de valores (mercado de capitais), acabou por acumular prejuízos e, inclusive, foi acionado judicialmente para pagamento de dívidas. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.782 11 interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (sublinhei) Quanto a não ser obrigado a guardar e apresentar documentação comprobatória de sua movimentação bancária, para fins de apuração de imposto, quando requisitado pela Autoridade Fiscal, o caput do dispositivo acima transcrito é claro: "comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos". Ora, se não estivesse obrigado a guardar documentos relativos à origem dos depósitos em suas contas bancárias, que sentido teria o dispositivo de lei? Foram constatados créditos em suas contas bancárias que importam em mais de dois milhões de reais em 1998 (TVF, fl. 233/234) sendo que o contribuinte apresentou, para aquele ano, declaração de ajuste anual do imposto de renda com um rendimento total de R$ 13.300,00 (fl. 44). Quanto à matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. A jurisprudência da CSRF deste CARF não é outra. Vejamos: Acórdão nº 9202003.823– 2ª Turma Sessão de 08 de março de 2016 Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.783 12 Assim, os extratos bancários constantes dos autos são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. O contribuinte quer que seja desconsiderada essa análise individualizada para que acolha o argumento geral que tendo realizado operações no mercado de capital, enfim teve "prejuízos" e acumulou dívidas. Mas, primeiro, temos o expresso comando legal para a análise individualizada dos depósitos e correto o entendimento da Autoridade recorrida (fl. 602): É preciso que o contribuinte demonstre a correspondência entre cada depósito/crédito relacionado pela fiscalização no anexo RC de fls. 218/222 com cada um dos documentos apresentados na impugnação; não bastando, simplesmente, proceder à sua juntada, como fez o impugnante. Dentre a documentação anexada na impugnação (fls. 258/399 e 402/585), somente as notas de corretagem, cujos valores dos saldos líquidos lançados a crédito guardam a necessária coincidência de datas e valores com os créditos/depósitos relacionados na planilha intitulada “Créditos em Conta Corrente 1998” (anexo RC de fls. 218/222), foram admitidas como provas hábeis para efeito de comprovação da origem de recursos. Nada de novo apontado no recurso, em relação a específicos depósitos, este entendimento deve prevalecer. Segundo, não é foco da lei tributária os gastos ou prejuízos que o contribuinte venha a ter em suas operações financeiras ou comerciais. Se gastou mais do que ganhou ou aplicou mal seu dinheiro e terminou o período com dívidas, não é objeto da presunção legal estabelecida no dispositivo em comento. Observamse os ingressos na conta bancária de sua titularidade. Assim, a documentação que foi trazida a estes autos já foi analisada e, em relação aos depósitos que se comprovou relação com a atividade de compra e venda de ações, os valores já foram devidamente excluídos, não sendo apresentado, em sede recursal, nenhum documento novo ou indicação individual nova entre documento e depósito considerado. Conforme já disse a DRJ (fl. 602): Assim, somente as operações de créditos/depósitos em que restaram, inequivocamente, demonstradas, com base nas notas de corretagem apresentadas, que têm origem em operações realizadas em Bolsa, cabem ser excluídas da tributação levada a efeito com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.784 13 DA MULTA DE OFÍCIO. 75%. Por fim, o Contribuinte questiona a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, atribuindolhe efeitos de "confisco". Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada em dispositivo de lei e tem natureza objetiva, independente de demonstração de culpa ou dolo, quando, neste último caso, seria aplicada a multa qualificada, prevista no mesmo dispositivo legal. Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Existe ainda um questionamento em relação a "demais infrações apuradas". No Auto de Infração objeto deste processo existe uma única infração capitulada, qual seja, a "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários", como se observa do documento na folha 238 e seguintes. Já havia esclarecido a DRJ que: Consoante folha 9 do Termo de Verificação (fl. 232), “Demais Infrações Apuradas” dizem respeito à falta/atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, exercício 1999/anocalendário 1998. Em face do disposto na Nota Conjunta Cofis/Cosar n° 2001/00003, de 30/07/2001, a autoridade fiscal informa que está encaminhando Representação Fiscal para que seja apurada e lançada a multa complementar por falta/atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999. Tendo em vista que a multa por falta/atraso na entrega da declaração não está sendo exigida por meio do presente Auto de Infração, descabe apreciar questionamento a respeito apresentado pelo contribuinte, por falta de objeto.(grifei) Isso porque a declaração anual de rendimentos do exercício de 1999, ano calendário de 1998, do contribuinte, conforme cópia que encontrase anexada na folha 44, só foi apresentada em 10/09/2002, evidentemente em atraso. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 19515.000944/200447 Acórdão n.º 2202003.390 S2C2T2 Fl. 2.785 14 A apresentação anual de declaração de rendimentos é obrigação acessória estabelecida em lei e regulamentada por atos da Receita Federal, e a inobservância das normas enseja a aplicação de multa, conforme artigo 113, §§ 2º e 3º do CTN. Mas como muito bem esclareceu o Julgador recorrido, estes autos não ensejam a exigência de tal penalidade e, portanto, tal não deve ser aqui discutido. CONCLUSÃO Pelo todo acima exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 10283.002212/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/01/2005, 20/01/2005, 14/02/2005
Ementa:
OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO EXPORTADOR. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ELEMENTOS NOVOS. INADEQUAÇÃO DA SANÇÃO.
A insuficiência de provas para a configuração da infração de ocultação do real vendedor na importação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões, mormente quando há informações oficiais supervenientes de que os documentos com indícios de falsidade foram legitimamente emitidos pelo exportador.
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3402-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/01/2005, 20/01/2005, 14/02/2005 Ementa: OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO EXPORTADOR. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ELEMENTOS NOVOS. INADEQUAÇÃO DA SANÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração de ocultação do real vendedor na importação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões, mormente quando há informações oficiais supervenientes de que os documentos com indícios de falsidade foram legitimamente emitidos pelo exportador. Recurso de Ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 22 12 /2 00 7- 31 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou a impugnação procedente para exonerar integralmente o crédito tributário exigido. Trata o presente processo de auto de infração, no valor total de R$1.903.280,03, para a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação (DI) nºs 04/13166117, 05/00662651 (adição 002), e 05/01372452, pela impossibilidade de suas apreensões, conforme disposto no art. 23, inciso V e §3º do DecretoLei nº 1.455/76, nas redações dadas pela Lei nº 10.637/2002, tendo em vista os fatos e fundamentos abaixo, descritos pela fiscalização: (...) DOS FATOS 1. Em 10/01/2005, a empresa Amazon Jungle Cruise Navegação e Turismo Ltda ingressou com um pedido de retificação da Declaração de Importação DI n. 05/04529085, junto à Alfândega do Porto de Manaus. Tal pedido, constante do processo administrativo 10283.002643/200535, teve por escopo alterar o campo da referida DI relativo ao exportador. 2. Para tanto, o importador anexou ao citado processo diversos elementos, dentre eles, a fatura comercial FV0503093, cuja cópia consta às fls 2728. 3. A DI objeto de pedido de retificação teve como canal de conferência aduaneira o "vermelho", conforme doc. fls 59. 4. O canal "vermelho" pressupõe, entre outras medidas, uma conferência aduaneira e documental, ou seja, a análise de todos os documentos que devem instruir o despacho aduaneiro, entre eles, a fatura comercial. De tais documentos, extraemse cópias para fins de arquivamento no órgão aduaneiro. 5. Ocorre que quando o importador anexou ao processo 10283.002643/200535 a pretensa fatura comercial correta, deixou registrado inquestionavelmente a existência de duas faturas de mesmo conteúdo: a primeira delas, às fls 2930, instruiu o despacho aduaneiro consignando como exportador a empresa francesa EUROPARTS; a segunda, às fls. 2728, instruiu o pedido de retificação revelando como exportador a empresa espanhola ESTABLECIMIENTOS ALVAREZ MALLORCA S.A. 7. Em resposta, fls 2526, a Aduana Francesa forneceu informações altissonantes relativas as operações de exportação efetuadas pela empresa francesa EUROPARTS ao Brasil, e em especial relativa à empresa autuada, nos seguintes termos: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10283.002212/200731 Acórdão n.º 3402003.004 S3C4T2 Fl. 464 3 a. "a empresa Amazon Jungle Cruise foi um cliente da Europarts uma vez em 2004 (venda de motores de barco)"; b. "Nenhuma venda foi cadastrada para o Brasil em 2005"; 8. Diante das constatações, instaurouse procedimento de fiscalização, fls 1718, visando a aplicação da pena de perdimento de mercadorias, tendo em vista que, nos sistemas informatizados da Receita Federal, em especial o SISCOMEX, há o registro como exportador de produtos para a empresa Amazon Jungle Cruise Navegação e Turismo Ltda, em diversas ocasiões, o estabelecimento francês EUROPARTS, conforme doc fls 21, contradizendo soberbamente as informações oficiais do governo francês. 9. De posse das informações a respeito das Declarações de Importação (DI) em que figurou a empresa francesa EUROPARTS como exportadora, fls 21, lavrouse Termo de Intimação para apresentação das mercadorias relativas a essas declarações, conforme doc fls 2223, para fim de aplicação da pena de perdimento prevista na norma de regência. 10. Contudo, fezse mister excluir da pretensão aduaneira a Declaração de Importação n. 05/00662651, adição 001, cuja fatura comercial revela a venda de motores de barco em 2004, identificandose desta forma com a informação da Aduana Francesa, conforme fls 25 e 32. 11. Houve ainda a exclusão da DI 05/04529085, objeto de auto de infração próprio. 11. Contudo, diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias das referidas declarações, em razão de seu estado de consumo declarado pelo próprio importador às fls 24, recorreuse a conversão da referida pena em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme legislação vigente. (...) 5. Por seu turno, o artigo 493 do Regulamento Aduaneiro esclarece: Art. 493 A declaração de importação será instruída com: II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador. 6. A fatura comercial, por sua vez, deverá conter uma série de indicações legais, dentre elas: nome e endereço completos do exportador, consoante inciso I do artigo 497 do Regulamento Aduaneiro. 7. Destarte, a fatura comercial é indispensável ao processamento do Despacho de Importação e consequentemente ao desembaraço das mercadorias importadas. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 8. No caso, as faturas apresentadas pelo importador, fls 41,89,102,112 com vista ao desembaraço das mercadorias indicam como exportador a empresa francesa EUROPARTS e descrevem diversos produtos. Contudo, a informação prestada pelas autoridades francesas, fls 2526, dá conta de apenas uma exportação de motores de 'barco da empresa francesa para o Brasil em 2004, cuja DI e fatura estão acostadas às fls 3189. Com exceção dessa Declaração de Importaçãoadição 001, respaldada pela fatura que contempla os motores a que se refere a aduana francesa, fls 39, nada mais pode ser entendido como exportação da referida empresa francesa para o Brasil. 9. Destarte, as faturas às fls 41,89,102,11 não revelam pois o verdadeiro exportador. Este foi ocultado por meio de documentos tidos como falsos, pois revelam fatos que não correspondem com a verdade, no que toca em especial a identidade do real vendedor estrangeiro. 10. Os fatos aqui descritos revelam a prestação de informações não fidedignas no despacho aduaneiro, prejudicando os controles aduaneiros, acarretando a incidência da pena de perdimento da mercadoria, conforme inteligência do artigo 23, V e parágrafo 1º do DecretoLei 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de| terceiros.(Incluido pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002): § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluido pela Lei n° 10.637, dei 30.12.2002) 11. A intenção da ocultação do real vendedor transpareceu pela introdução de faturas que não revelam seu verdadeiro exportador, escamoteando a origem ou procedência das mercadorias importadas, que na técnica do direito fiscal é entendida como fraude de origem. Nas palavras de Plácido e Silva, in Vocabulário Jurídico, tal fraude considerase como "incultação de falsa procedência da mercadoria". 12. Poderseia dizer tranquilamente que por meio de um artifício enganoso, qual seja o falseamento de um documento indispensável ao desembaraço aduaneiro, a empresa introduziu um exportador fictício, já que o próprio Estado nacional, no qual tem domicílio a empresa vendedora e de onde as faturas revelam que teriam saído as mercadorias, taxativamente negou a existência de outras exportações, a exceção das específicas vendas de motores de barco, conforme acima demonstrado. (...) 16. Com efeito, não tendo o contribuinte apresentado as mercadorias, conforme intimação às fls 2223, mas ter apresentado declaração de que elas já teriam sido consumidas, fls 24, ao fisco não resta outra medida senão converter a pena de Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10283.002212/200731 Acórdão n.º 3402003.004 S3C4T2 Fl. 465 5 perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, nos termos da legislação acima. (...) A contribuinte foi cientificada e apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) Seguindo em sua defesa, a Amazon afirma que as DI nº 04/13166117, 05/00662651 (adição 002) correspondem às faturas da Europarts datadas de outubro e novembro de 2004, logo, não poderiam figurar como exportações de 2005. Quanto a DI nº 05/01372452, alega que a Europarts teria realizado a exportação diretamente do fabricante Shottel, justificando assim a falta de registro junto a Aduana Francesa. O impugnante alega ainda, que: i) “não se trata de ocultação de documento, fraude ou simulação, nem mesmo "mentira" do Estado Francês. O que se vê no caso sob exame é apenas um equívoco de análise documental e de datas que apenas necessitam melhor interpretação e entendimento”. (fl. 187); ii) “o sr. Auditor Fiscal partiu de uma premissa equivocada quando percebeu erro naquela primeira DI, acerca dos utensílios de copa e cozinha, cuja exportação foi realizada pelo estabelecimento Alvarez Mallorca, mas que erroneamente foi atribuído à EUROPARTS, erro este tanto reconhecido, que tentada a retificação da DI neste aspecto. O fato de haver erro na DI dos utensílios de cozinha não significa que houve fraude nas DI's acerca das hélices, cabos, propulsores, painéis e demais equipamentos navais exportados por EUROPARTS, repetindose que esta mesma EUROPARTS já havia exportado os motores CATERPILLAR.” (fl. 187); iii) “não apresenta nenhum elemento ou fundamento fático ou jurídico que dê sustentação a assertiva da Fiscalização de que houve intenção de burlar o Fisco, estando tal afirmativa amparada tão somente em mera opinião e presunção de irregularidade, aviltando os princípios do contraditório e da busca da verdade material”. (fl. 189); iv) A autuação de que foi alvo revelase destituída de motivação, um dos requisitos intrínsecos ao lançamento administrativo, de modo que, não há dúvidas que eventual incorreção apontada não acarretou nenhum prejuízo ao Erário.” (fl. 191); v) "a fixação de um valor tão elevado sem que estejam presentes os motivos autorizadores da imposição, caracteriza enriquecimento sem causa, violando o princípio da moralidade administrativa inserto no art. 37 da Constituição Federal, além de contrariar a proibição constitucional estatuída no art. 150, IV, que veda expressamente a possibilidade da União, Estados, Fl. 467DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Distrito Federal e Municípios, "utilizarem tributo com efeito de confisco", abrangendo, outrossim, as obrigações acessórias, por óbvio”. (fl. 192) (...) O processo foi baixado em diligência para que a unidade de origem juntasse documentos e informações adicionais consideradas necessárias à formação do convicção dos julgadores. Atendendo a citada Resolução nº 1.126, a interessada trouxe aos autos uma tradução juramentada das informações prestadas pela Aduana Francesa. Em sua manifestação relativamente aos documentos juntados aos autos em função da diligência, a autuada aduziu os seguintes comentários: (...) As informações francesas confirmam a faturas, porém faz observação sobre uma delas de n° 021104 de 24/11/2004 no valor de 800 €. Dita fatura referese a 08 amortecedores antivibração dos motores exportados igualmente por EUROPARTS para AMAZON JUNGLE. Tal fatura tem DI 04/13166117 datada de 24/12/2004 e foi corretamente internada e desembaraçada pela Secretaria da Receita Federal conforme documentos anexados na defesa/impugnação já apresentada, que ora juntamos para facilitar a verificação. De qualquer forma, o procedimento está correto quanto à exportação por EUROPARTS com AMAZON JUNGLE, tendo o objeto da fatura ingressado correta e legalmente em nosso território. A informação prestada pela França confirma o pagamento efetivo de todas as faturas par. 2o , confirmando bom crédito da AMAZON JUNGIE CRUISE NA VEGAÇÃO E TURISMO ITDA par. 3 ° . No tocante às faturas 4001004 e 5001004. cuja informação francesa é de que foram "repetidas", há que se esclarecer que estas foram reenviadas porque os equipamentos não foram embarcados até 28/01/2005 em razão da demora da fabricação. As faturas foram reenviadas para que a documentação aduaneira fosse coerente em termos de datas. Não houve duplo faturamento; apenas mudou a data da fatura. Ditas informações estão reconhecidas em ATESTADO DE HONRA prestado pela EUROPARTS em 21/05/2007, estando referido atestado devidamente traduzido anexado à defesa, mas que ora vai anexo para facilitar a verificação. Portanto, a sugestão da ADUANA FRANCESA, de que a EUROPARTS DECLARE SOB HONRA A REGULARIDADE DA SEGUNDA EMISSÃO E DA MUDANÇA DE DATA, está desde muito cumprida porque já anexado tal documento (ATESTADO DE HONRA) à defesa apresentada por AMAZON JUNGLE. Por fim, a ADUANA FRANCESA reconhece e confirma exportação por EUROPARTS à AMAZON JUNGLE, diretamente Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10283.002212/200731 Acórdão n.º 3402003.004 S3C4T2 Fl. 466 7 de FRANKFURT, dos propulsores de dupla hélice, não havendo irregularidade alguma no procedimento, mas sim margem comercial da exportadora, o que é efetivamente lícito. Assim, Senhor Auditor, concluise que as informações prestadas pela DIREÇÃO NACIONAL DE INFORMAÇÕES E INVESTIGAÇÕES ADUANEIRAS DE PARIS corroboram com a defesa apresentada por AMAZON JUNGLE; confirmam os negócios havidos com empresa francesa EUROPARTS, bem como atestam a licitude e correção em todos os procedimentos, restando nesta manifestação esclarecidos os pequenos detalhes que faltavam. (...) O julgamento foi novamente convertido em diligência para que a Unidade de origem juntasse ao processo nova tradução juramentada do documento das fls. 362/363, da Aduana Francesa. Mediante o Acórdão nº 0828.771 2ª Turma da DRJ/FOR, de 20 de fevereiro de 2014, foi julgada procedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/01/2005, 20/01/2005, 14/02/2005 OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO EXPORTADOR. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. A insuficiência de provas para sustentar a acusação de ocultação do real exportador na operação de comércio exterior resulta na procedência da impugnação. A falsidade detectada na fatura comercial que instruiu uma determinada Declaração de Importação não se estende às faturas comerciais apresentadas pelo autuado ao instruir outros procedimentos de importação, pelo simples fato de se referirem ao mesmo exportador. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, e o recurso de ofício deve ser conhecido. Conforme se depreende dos autos, as provas que sustentam o cometimento da infração pela autuada, de ocultação do real vendedor mediante fraude ou simulação, em relação às DI´s nºs 04/13166117 (fatura comercial nº 021104, de 24/11/2004), 05/00662651 adição 002 (fatura comercial nº 2001004, de 26/10/2004), e 05/01372452 (faturas comerciais nºs 4001004 e 5001004, de 05/01/2005), restringese: i) à falsidade da fatura comercial nº FVO503093, que instruiu a DI nº 05/04529085, mas não é objeto do presente processo; e ii) às informações da Aduana Francesa (fls. 26/27), de 06/11/2006, que seguem abaixo: Prezado Senhor coordenador Geral, O pedido de cooperação tinha por fim verificar a autenticidade da fatura FVOS 03093 emitida pela EUROPARTS, empresa francesa localizada na cidade de Caissarges (França). As investigações feitas na empresa francesa, permitiram fazer as observações seguintes: 1 A empresa Amazon Jungle Cruise foi um cliente da EUROPARTS uma vez em 2004 (venda de motores de barco). 2 Nenhuma venda foi cadastrada para o Brasil en 2005. 3 Os produtos listados na fatura suspeita, não correspondem à atividade da Europarts. 4– O modelo de fatura é diferente do que utiliza a EUROPARTS. 5 A empresa espanhola Alvarez não tem relações comerciais com a Europarts. É posivel concluir do que a fatura suspeita é um documento falso, e que não está relacionado com uma exportação da França. (...) O julgador de primeira instância entendeu que a prova coletada pela fiscalização não era suficiente para a caracterização da infração relativamente às DI´s nºs 04/13166117, 05/00662651 (adição 002) e 05/01372452, tendo em vista, em síntese, que: (...) a informação repassada pela Aduana francesa (...) i) versa exclusivamente acerca da fatura comercial que instruiu a DI nº 05/04529085, e ii) revela simplesmente que a Europarts realizou somente uma venda para a autuada (motores de barco), mas não deixa claro se referida venda se deu com todos os acessórios, que geralmente acompanham o equipamento principal, quando se trata de Bens de Capital, ou se a mercadoria foi enviada de forma fracionada ou não, procedimento que ocorre corriqueiramente nas aquisições internacionais. Ocorre que, como se observa às fls 40, 90, 103 e 113, todas as faturas que instruíram as DI consideradas na autuação, além de Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10283.002212/200731 Acórdão n.º 3402003.004 S3C4T2 Fl. 467 9 se referirem às faturas proformas emitidas em 2004, descrevem mercadorias que servem normalmente como acessórios do motor principal (amortecedor do motor, propulsor, hélices, etc), podendo, então, como sustenta a impugnante, referirse à única venda realizada pela Europarts. Ora, de modo geral, recai sobre a fiscalização o ônus de comprovar a acusação de irregularidade dos procedimentos de importação considerados na autuação, in casu, a pretensão fiscal estendeu a falsidade porventura detectada na fatura referente à DI nº 05/04529085 às demais DI relativas ao mesmo exportador, com base somente na declaração prestada pelas autoridades francesas de que aquela fatura seria falsa. Todavia, considero tal fundamento insuficiente para sustentar a acusação, uma vez que a falsidade da fatura que instruiu a DI nº 05/04529085, que não é objeto de análise desse processo, ainda que comprovada, não torna, também, falsa todas as demais faturas comerciais apresentadas pelo autuado ao instruir outros procedimentos de importação relativos ao mesmo exportador. Nada impede que as demais faturas sejam verdadeiras, e não será a declaração das Autoridades Francesas, por si só, referente exclusivamente a uma DI estranha a autuação, que as tornarão falsas, até porque, como se observa nas figuras abaixo, o modelo de fatura que instruiu os despachos considerados nesse lançamento é completamente distinto do modelo apontado como falso pelas Autoridades Francesas. (...) Além disso, considerando as informações supervenientes da Aduana Francesa (fls. 421/425), entendeu a Turma da DRJ, que elas revelariam uma efetiva negociação entre a autuada e o exportador francês: (...) Ademais, ainda que não se entendesse frágil a fundamentação fiscal posta do Auto de Infração no tocante aos elementos de prova, no decorrer do julgamento administrativo, como resultado da Resolução nº 1.126, sobrevieram informações, por parte da Aduana Francesa (fls. 421/425), que revelam a ocorrência de uma efetiva negociação entre a autuada e aquele apontado como falso exportador, fato que vai ao encontro do defendido pela impugnante e sepulta a acusação fiscal de ocultação do real exportador. (...) Em sede de recurso de ofício, importa verificar se restou comprovado nos presentes autos a falsidade em relação ao exportador das faturas comerciais nºs 021104 (DI 04/13166117), 2001004 (DI 05/00662651 adição 002) e nºs 4001004 e 5001004 (ambas relativas à DI 05/01372452). Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 A falsidade da fatura nº FV0503093 não torna ilegítimas as demais faturas emitidas pelo exportador, conforme assentado na decisão recorrida, mormente quando o layout da fatura nº FV0503093 é completamente diferente do layout das outras faturas. Esse fato, por si só, poderia ser apenas um indício para se instaurar uma ação fiscal para apurar, coletando as provas pertinentes, eventual falsidade dos documentos que instruíram as demais importações da autuada, em especial, com o referido exportador. Também a afirmação da Aduana Francesa de que a autuada "foi um cliente da EUROPARTS uma vez em 2004 (venda de motores de barco)" e de que "Nenhuma venda foi cadastrada para o Brasil en 2005" não é suficiente para a conclusão da fiscalização de que teria havido somente uma importação da autuada desse exportador em 2004 de motores de barco, sendo ilegítimas as demais, eis que a uma venda poderia, por hipótese, corresponder a várias importações. As importações objeto das DI´s nºs 04/13166117 (fatura comercial nº 021104, de 24/11/2004) e 05/00662651adição 002 (fatura comercial nº 2001004, de 26/10/2004), foram instruídas com faturas comerciais emitidas no ano de 2004 e todas trazem bens que poderiam, em tese, se enquadrar como motores de embarcações e suas partes, peças e acessórios. Quanto às faturas comerciais nºs 4001004 e 5001004, que foram emitidas em 05/01/2005, que instruíram a DI nº 05/01372452, elas se referem a faturas proformas do ano de 2004, de forma que a venda pode ter se efetivado ainda em 2004. Também as informações posteriores da Aduana Francesa, mais detalhadas que as primeiras, revelam que houve mais de uma importação da autuada com o referido exportador, bem como que as faturas comerciais e as proformas são autênticas e correspondem às cópias mantidas pela Europarts. No entanto, a Aduana Francesa fez ressalvas de que duas das faturas foram reeditadas e de que, para uma delas, os bens não foram objeto de envio ao Brasil, o que não foi objeto de investigação pela fiscalização, pois se tratam de informações posteriores à autuação. Não obstante isso, o fato é que os esclarecimentos supervenientes da Aduana Francesa tornam improcedente o motivo determinante do auto de infração, qual seja, de que as faturas comerciais não teriam sido emitidas pelo exportador Europarts e de que o real vendedor teria sido ocultado por fraude ou simulação. Por certo, não pode subsistir um ato administrativo com a improcedência do seu motivo determinante, em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Desta forma, diante da ausência de prova cabal de falsidade das faturas comerciais quanto ao exportador no presente processo, cujo ônus de produção seria da fiscalização autuante, bem como da constatação de que houve negociações com o exportador relativamente às importações sob estudo, correta foi a decisão recorrida ao julgar procedente a impugnação da contribuinte. Assim, pelo acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10283.002212/200731 Acórdão n.º 3402003.004 S3C4T2 Fl. 468 11 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12448.724932/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado.
MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. NÃO HÁ LANÇAMENTO FISCAL.
Não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEPÓSITO JUDICIAL. Não é possível a compensação de valores que se encontrem “sub judice” e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. NÃO HÁ LANÇAMENTO FISCAL. Não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 32 /2 01 4- 85 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 07/09, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2011, anocalendário de 2010, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da compensação indevida de IRRF no valor de R$63.318,08. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apontados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/06/2015 (fls. 39), o interessado interpôs, em 16/07/2015, o recurso de fls. 42/45. Nas razões recursais aduz que: 1. é aposentado pelo BNDES (FAPES) e INSS e que em função de lhe ter sido diagnosticada doença oftalmológica grave é portador de moléstia grave, sendo seus proventos isentos da tributação do imposto de renda; 2. quanto aos depósitos de IRRF realizados na Caixa Econômica Federal (CEF) por decisão judicial resultante do Processo Cautelar n° 200151010111763 8a Vara Federal Cível do Rio de Janeiro, o Recorrente, na qualidade de Aderente à Ação, requereu em 27 de maio de 2014 ao Juízo da referida Vara Federal a transformação em renda da União de todos os depósitos judiciais realizados em seu nome (CEF Agência n° 0625). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.724932/201485 Acórdão n.º 2402005.081 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA COMPENSAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL O Recorrente na peça de recursal informa que existe ação judicial envolvendo o imposto de renda retido na fonte (Processo Cautelar n° 200151010111763 8a Vara Federal Cível do Rio de Janeiro). Nessa mesma peça recursal informa também que: “II.3 Tendo em vista Certidão recente (passada em 10/03/2015, e que constitui o Anexo "09" deste Recurso) obtida junto ao Juízo da 8a Vara Federal/RJ, constatase que tal requerimento encontrase atualmente, após transitado em julgado, em fase de execução, como registra o Despacho de fls. 503/504, alíneas (d) e (e) do Processo. Constatase pois que muito em breve os depósitos de IRRF feitos em nome do Recorrente, estarão transformados em renda da União, ficando atendida a Preliminar II. 1 acima”. Extraíse do documento de fl. 17 (Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte) que os valores de R$279.364,34, com R$63.318,08 de IRRF, foram depositados judicialmente em razão do processo nº 2000151010111763 (8ª Vara Federal do Rio de Janeiro), sendo que esses valores encontramse “sub judice” e inexiste qualquer prova judicial de que tais valores tenham sido convertidos em renda. Percebese, então, que ainda os valores não foram convertidos em renda, pois não houve o trânsito em julgado da decisão, sendo que somente após a ação judicial transitar em julgado (Processo Cautelar n° 200151010111763) é que se saberá se tais rendimentos serão tributáveis ou não. Como o Recorrente informou o IRRF, anocalendário 2010, dos prováveis rendimentos do Processo Cautelar n° 200151010111763, a glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$63.318,08 deverá ser mantida. DA MOLÉSTIA GRAVE Cumpre esclarecer que não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF. Logo, essas alegações do Recorrente de que é portador de moléstia grave são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer reforma da decisão de primeira instância, e, com isso, é forçoso afirmar que não há como acatar a pretensão do Recorrente, devendo ser mantida a infração apontada pelo Fisco. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16327.001473/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.643
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que entendeu desnecessária a diligência.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Luis Eduardo Pereira Almada Nedir, OAB nº 234.718/SP.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que entendeu desnecessária a diligência. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Luis Eduardo Pereira Almada Nedir, OAB nº 234.718/SP. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 47 3/ 20 09 -2 8 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 567 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1625.898 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.265.7133 (parte empresa). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, incidentes sobre pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados — PLR, e Vale Transporte, em desacordo com a legislação específica., nas competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório da decisão de primeira instância: • Na auditoria fiscal realizada, foram solicitados, através de Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, e Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD"s, documentos e esclarecimentos acerca do pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e do Vale Transporte (VT). Pela documentação e esclarecimentos prestados, concluiuse que tanto o pagamento da PLR quanto do Vale Transporte foram feitos em desacordo com a legislação pertinente; • No tópico "3 — Acordos Celebrados com os Empregados", foram transcritos trechos das convenções coletivas apresentadas pelo Contribuinte, a saber: Convenção Coletiva de Trabalho Específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização em 2003, assinada em 29/12/2003; Convenção Coletiva de Trabalho Específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização em 2004, assinada em 10/01/2005; • No tópico "4 — Do Direito" está apresentada legislação que trata do pagamento de participação nos lucros e resultados (item 4. 1), sobre o fornecimento de vale transporte (item 4.2), e sobre remuneração e incidência de contribuição previdenciária (item 4.3); • Já o tópico "5 — Pontos que Motivaram o Lançamento do Crédito Tributário" relaciona, para os pagamentos a título de PLR e vale transporte, os aspectos em desacordo com a legislação, e que motivaram o presente lançamento de crédito: Fl. 580DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 568 3 Dos Acordos Firmados e a Legislação Da data de assinatura das Convenções As datas de assinatura das Convenções apresentadas indicam que não foi cumprido o previsto no inciso II, parágrafo 1% do artigo 2° da Lei n° 10101/2000. Sendo a data de assinatura posterior ao período de referência (janeiro a dezembro de cada ano), as regras estabelecidas não eram de conhecimento dos empregados previamente. Eles não tinham conhecimento das regras antes do período, qual seja, em no máximo dezembro/2002, 2003, e 2004, para PLR de 2003, 2004 e 2005, respectivamente; Das regras estabelecidas O critério adotado pelas Convenções é de tempo de vínculo (trabalhando ou em licença, independente do motivo) na empresa. Tratase, portanto, de pagamento de gratificação por tempo de serviço, e não de uma participação nos lucros ou resultados; Dos valores convencionados Foram estipuladas pelas Convenções 2 parcelas, sendo a primeira de caráter obrigatório, respeitandose a proporcionalidade de tempo de serviço. Esta primeira parcela não está associada a parâmetro, seja de produtividade, seja de lucro, conforme na cláusula segunda "independentemente da apuração do do exercício encerrado em 3112 2003 e 31122004"; O valor da segunda parcela, tanto da PLR de 2003 quanto da PLR de 2004, foi pactuado em 40% do saláriobase resultante da Convenção Coletiva de trabalho correspondente, acrescido de um valor fixo, limitado a um valor máximo, conforme item 5.1.1.3 do Relatório Fiscal. Na PLR de 2004 diversos empregados receberam acima do limite máximo; Das condições para pagamento das parcelas No tocante às condições para pagamento das parcelas não há nenhuma determinação incentivadora da produtividade, como dispõe o artigo 1° da Lei n° 10101/2000, apenas é necessário trabalhar na empresa e manter o vínculo no último dia do respectivo ano; Quanto à 1' parcela (cláusula segunda), com valor fixo proporcional ao número de meses com vínculo, ela é obrigatória independente de qualquer acontecimento, ou seja, sem relação com metas ou objetivos; Existe uma contradição quanto às parcelas pactuadas na Convenção do ano de 2004: a cláusula primeira diz que o valor da PLR é composto de 2 parcelas, mas no parágrafo 1° da cláusula terceira diz que no pagamento da segunda parcela será deduzido o valor da primeira, o que representaria um adiantamento, não previsto na cláusula primeira; Quanto à 2° parcela (cláusula terceira) existe a condição de lucro líquido, sem qualquer parâmetro, e com limitações que não se Fl. 581DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 569 4 enquadram no conceito de regras claras e objetivas, determinado no parágrafo 1°, artigo 2% da Lei n° 10101/2000, como exposto no item 5.1.1.4 do Relatório Fiscal; Os pagamentos ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro, agosto e dezembro de 2004. Nos demais meses, os pagamentos referemse a demitidos; Dos pagamentos efetuado s O Contribuinte informou que os valores pagos no V semestre referemse à liquidação da PLR referente ao ano anterior, e os pagamentos do 2° semestre referemse a adiantamento da PLR referente ao ano em curso; Também foi informado que quando o empregado não atingia as metas estabelecidas no programa próprio (que não são claras e objetivas, e que não foram comprovadas na fiscalização), a o o valor estipulado na Convenção Coletiva de PLR, ou empregado não deixa de receber valor a título de PLR, o que torna o pagamento uma gratificação ou bonificação; Entretanto, o que foi verificado foi o pagamento da la parcela prevista na CCT em janeiro de cada ano, e logo em fevereiro pagase o valor do acordo próprio. Ou seja,não foram cumpridas as determinações da Lei n° 10101/2000 quanto ao intervalo entre o pagamento de parcelas, qual seja, 6 meses; Da coincidência do Acordo Coletivo de Trabalho com o Acordo de PLR O item 5.2 do Relatório Fiscal apresenta o resultado da análise dos acordos coletivos de trabalho, e de pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR), tendo sido constatado que os valores estipulados para pagamento de PLR estão vinculados aos aumentos salariais concedidos; Do Pagamento de Vale Transporte e a Legislação O Contribuinte forneceu em moeda corrente, juntamente com o pagamento dos salários mensais, os valores correspondentes ao gasto com deslocamento de residênciatrabalho e viceversa de seus empregados, fato não previsto na legislação. No entanto, deveria adquirir os ValesTransporte necessários aos deslocamentos dos trabalhadores no percurso residênciatrabalho e viceversa, conforme definido no artigo 4° da Lei n° 7418/85; • O tópico "7 — Do Valor Apurado' apresenta como os valores objeto deste AI constam nas Folhas de Pagamento: código, descrição, provento/desconto; Em relação ao cálculo das multas, informa o Relatório da decisão de primeira instância que foi feito um cálculo comparativo de multas considerandose as alterações Fl. 582DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 570 5 advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: • Tendo em vista que MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, alterou a Lei n° 8212/91 quanto aos cálculos das multas previstos no parágrafo 5° do artigo 32 e no inciso II do artigo 35, foi feita a comparação da situação anterior com a nova sistemática imposta pela MP 449, para fins de constatar qual a norma mais benéfica ao Contribuinte, e, conseqüentemente, de eventual retroação nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN; De acordo com a multa a ser aplicada, os valores foram lançados com os códigos PL e 111,1 (Participação nos Lucros), e VT e VT1 (Vale Transporte), sendo que os levantamentos PL1 e VTl correspondem ao período no qual a aplicação da multa conforme a Lei n° 11941/2009 é mais benéfica; O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 31.12.2009, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Preliminarmente : Da Decadência (ii) Do Mérito. Da Natureza Jurídica do Plano de Participação nos Lucros e Resultados e a Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Tais Valores (iii) Da Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Verbas Pagas de ValeTransporte em Dinheiro (iv) Da Ausência de CoResponsabilidade dos Administradores pelos Débitos Lançados A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1625.898 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucional idade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Fl. 583DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 571 6 Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação n resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, in de contribuição. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de vale transporte, em desacordo com a Lei n.° 7.418/85 e o Decreto n.° 95.247/87 (artigo 28, parágrafo 9 °, alínea Y' da Lei n.° 8.212/91). CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo "Relatório de Vínculos" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito Fl. 584DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 572 7 passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 11° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, considerar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Encaminhese à Delegacia de jurisdição do Contribuinte, para cientificálo deste Acórdão, fornecendolhe cópia, e intimálo para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, nos ternos dos artigos 25, inciso II (redação dada pela Lei n.° 11.941, de 27/05/2009), e 33 do Decreto n.° 70.235/72. Observase que a decisão de primeira instância adotou o critério decadencial do art. 173, I, CTN, de forma a que não houve o reconhecimento de decadência. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Da Decadência aplicação do critério do art. 150, § 4º, CTN (ii) Do Mérito. Da Natureza Jurídica do Plano de Participação nos Lucros e Resultados e a Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Tais Valores (iii) Da Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Verbas Pagas de ValeTransporte em Dinheiro (iv) Da ilegalidade da aplicação das multas Impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações (v) Da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício Fl. 585DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 573 8 Ainda, a Recorrente atravessou petição nos autos, anexando cópias de Guias de Recolhimentos GPS de janeiro a dezembro de 2004, às fls. 363 a 426, requerendo a aplicação decadencial do art. 150, § 4º, CTN, bem como da Súmula CARF 99 e do entendimento do STJ no REsp 973.733. Conforme o protocolo do CARF de 09.12.2015, às fls. 548, o contribuinte atravessa Petição nos autos, informando que os débitos relativos à competência 12/2004 foram quitados e requerendo desistência parcial do Recurso Voluntário apenas para a competência 12/2004, permanecendo a discussão administrativa em relação à decadência das demais competências. O contribuinte anexou, às fls. 559, a cópia da GPS, competência 12/2004: ITAÚ SEGUROS S/A, sucessora por incorporação de UNIBANCO SEGUROS S/A, sediada na Avenida Eusébio Matoso, 891,20° andar, São Paulo/SP, inscrita no CNPJ na 61.557.039/000107, vem, por seu advogado (doc. 01), informar que os débitos relativos à PLR da competência do mês de dezembro de 2004 foram devidamente quitados, conforme comprovante anexo de pagamento (doc. 02). Por essa razão, a Recorrente desiste parcialmente do Recurso Voluntário interposto e renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta o DEBCAD na 37.265.7133, especificamente quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR no mês de dezembro de 2004, devendo permanecer a discussão administrativa em relação à decadência das demais competências e quanto à não tributação das parcelas pagas nos autos a título de valetransporte. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 574 9 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1625.898 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.265.7133 (parte empresa). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, incidentes sobre pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados — PLR, e Vale Transporte, em desacordo com a legislação específica., nas competências 01/2004 a 12/2004. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 31.12.2009, às fls. 01. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1625.898 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP. Observase que a decisão de primeira instância adotou o critério decadencial do art. 173, I, CTN, de forma a que não houve o reconhecimento de decadência. Ainda, a Recorrente atravessou petição nos autos, anexando cópias de Guias de Recolhimentos GPS de janeiro a dezembro de 2004, às fls. 363 a 426, requerendo a aplicação decadencial do art. 150, § 4º, CTN, bem como da Súmula CARF 99 e do entendimento do STJ no REsp 973.733. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 575 10 Conforme o protocolo do CARF de 09.12.2015, às fls. 548, o contribuinte atravessa Petição nos autos, informando que os débitos relativos à competência 12/2004 foram quitados e requerendo desistência parcial do Recurso Voluntário apenas para a competência 12/2004, permanecendo a discussão administrativa em relação à decadência das demais competências. O contribuinte anexou, às fls. 559, a cópia da GPS, competência 12/2004: ITAÚ SEGUROS S/A, sucessora por incorporação de UNIBANCO SEGUROS S/A, sediada na Avenida Eusébio Matoso, 891,20° andar, São Paulo/SP, inscrita no CNPJ na 61.557.039/000107, vem, por seu advogado (doc. 01), informar que os débitos relativos à PLR da competência do mês de dezembro de 2004 foram devidamente quitados, conforme comprovante anexo de pagamento (doc. 02). Por essa razão, a Recorrente desiste parcialmente do Recurso Voluntário interposto e renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta o DEBCAD na 37.265.7133, especificamente quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR no mês de dezembro de 2004, devendo permanecer a discussão administrativa em relação à decadência das demais competências e quanto à não tributação das parcelas pagas nos autos a título de valetransporte. Da necessidade de verificação de recolhimentos No Relatório Fiscal Discriminativo de Débito DD, às fls. 05 a 08, não aparece nenhum recolhimento feito pelo contribuinte que tenha sido considerado como crédito pela Auditoria Fiscal. Desta forma, apenas se verificam recolhimentos feitos pelo contribuinte conforme anexadas as cópias de Guias de Recolhimentos GPS de janeiro a dezembro de 2004, às fls. 363 a 426. Outrossim, o contribuinte também anexou, às fls. 559, a cópia da GPS, competência 12/2004. Desta forma, para efeitos de apreciação da preliminar de decadência, em relação aos efeitos do art. 150, § 4º, CTN, a fim de que esta Colenda Turma possa se posicionar, faz necessário o envio dos autos para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente confirme os recolhimentos relacionados pela Recorrente nos autos, de forma a se informar: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2004 a 12/2004; (b) em relação ao Recolhimento feito na competência 12/2004, com cópia da GPS às fls. 559, se este recolhimento é suficiente para afastar a tributação incidente na competência 12/2004. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001473/200928 Resolução nº 2202000.643 S2C2T2 Fl. 576 11 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte verifique e informe conclusivamente a este E. Conselho, observandose a abertura de prazo de 30 dias para Manifestação do contribuinte, com vistas ao contraditório e à ampla defesa: (i) se nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, em quais competências, entre 01/2004 a 12/2004, há o registro de recolhimentos relativos à contribuição social previdenciária feitos pela Recorrente. (ii) se, em relação ao recolhimento feito na competência 12/2004, com cópia da GPS às fls. 559, este recolhimento é suficiente para afastar a tributação incidente na competência 12/2004. (iii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 589DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 12448.720167/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes RELATÓRIO Em nome do contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF) referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009, tendo sido apurado IR suplementar no valor de R$ 2.192,51, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Conforme descrição dos fatos, foi constatada a seguinte infração: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 20 16 7/ 20 12 -6 2 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.720167/201262 Resolução nº 2301000.609 S2C3T1 Fl. 43 2 * Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Fundação Petrobrás de Seguridade Social, no valor de R$ 84.066,62. O contribuinte apresentou impugnação em 05/01/2012 (fl. 02), alegando, resumidamente, que embora tenha declarado que era isento durante todo ano de 2009, reconhece que a isenção somente alcança o mês de dezembro, mês em que ocorreu o problema de saúde. A Turma de Primeira instância julgou improcedente a impugnação, utilizando como fundamentos da decisão, os excertos abaixo: Ocorre que o laudo médico oficial emitido pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social é datado de 22/06/2011 (fl. 16) e, embora mencione que o processo foi instruído com laudo de tomografia computadorizada de crânio emitida pelo Nortecor Hospital datado de 22/12/2009, não é conclusivo acerca da data em que tenha sido contraída a doença e, portanto, não é hábil para concessão de isenção relativa ao imposto de renda do ano calendário 2009. Ressalto ainda que não foram apresentados documentos que atestem que os rendimentos considerados omitidos são proventos de aposentadoria ou pensão. O contribuinte foi cientificado do Acórdão 1247.955 20ª Turma da DRJ/RJ1, em 23/05/2014, conforme Aviso de Recebimento AR ( fl. 33). Em 05/06/2014 o contribuinte apresentou manifestação manuscrita, postulando tão somente a juntada de laudo médico expedido pelo SUS. É o relatório. VOTO A presente manifestação, a qual acolho como recurso voluntário, possui os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merece ser conhecida. Cingese a controvérsia acerca da isenção do Imposto de Renda relativa ao período de dezembro de 2009. O próprio contribuinte em sua impugnação reconheceu que a isenção alcançaria somente o mês de dezembro de 2009, data em que se deu o surgimento da doença. O deferimento do benefício pleiteado deverá atender os requisitos do artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Fl. 43DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.720167/201262 Resolução nº 2301000.609 S2C3T1 Fl. 44 3 Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No que se refere a natureza dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, não há documentos nos autos que atestem que os rendimentos são provenientes de aposentaria, reforma ou pensão. Quanto segundo requisito, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, verificase que documentos acostados ao feito (fls.16/18), bem como o documento de fl.37 atestam o contribuinte foi acometido de grave doença no período o qual pleiteia isenção. O Laudo Médico de fl. 37, trazido emitido pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, da Prefeitura do Rio de Janeiro, assinado pelo Dr. João Luiz D'Amato, CRM 816272, datado de 03/06/2014 informa que o contribuinte sofreu em 19/12/2009, acidente Fl. 44DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.720167/201262 Resolução nº 2301000.609 S2C3T1 Fl. 45 4 vascular encefálico isquêmico e apresentando seqüela de epilepsia, resultando na restrição de movimentos e locomoção, CID I64 e I10. Consta no documento de fl. 16, fornecido pela Gerência Executiva do INSS, assinado pelo Perito Médico Previdenciário Dr. Norival das Santos Silva, no qual traz a ratificação que o contribuinte é portador de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda, desde 22/12/2009. Assim, visto que no presente processo não há prova que os rendimentos percebidos sejam de aposentadoria, reforma ou pensão, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que o contribuinte junte aos autos: Comprovante de que os rendimentos auferidos na data do fato gerador são provenientes de aposentadoria, pensão ou reforma. Ante ao exposto, converto o feito em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil intime o contribuinte a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, o documento acima referido. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 45DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10166.729695/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos Recursos em diligência, nos termos do voto do Relator.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva..
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos Recursos em diligência, nos termos do voto do Relator. Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva..
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos Recursos em diligência, nos termos do voto do Relator. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 29 69 5/ 20 13 -0 7 Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.359 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009. Data da lavratura dos Autos de Infração: 08/11/2013. Data da Ciência dos Autos de Infração: 12/11/2013. Temse em pauta Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.013.9760, 51.013.9779 e 51.013.9787 consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo de segurados obrigatórios do RGPS, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, assim como Contribuições Sociais a cargos da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 47/69. Informa a Autoridade Lançadora que as obrigações tributárias principais inadimplidas decorreram de: · Segurados encontrados na DIRF que não constam das folhas de pagamento e das GFIPs, · Plano educacional pago para os filhos dos empregados da empresa, · Abonos extraordinários/único pagos em folha de pagamento sem cobertura legal; · Valores não declarados nem recolhidos decorrentes de reenquadramento de algumas rubricas de incidência previdenciária, tais como assistência educacional a dependentes dos trabalhadores; Integram, ainda, o presente lançamento os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 51.013.9744, CFL 30, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço nos padrões e normas estabelecidos pelo INSS, assim como o AIOA nº 51.013.9752, CFL 59, lavrado em razão do descumprimento da obrigação acessória da empresa de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço. CFL 30 Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.360 3 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1417/2252. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1050.308 10ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 2256/2272, julgando procedente em parte o lançamento, retificando o Crédito Tributário na forma abaixo transcrita, e recorrendo de ofício de sua decisão. Acórdão nº 1050.308 10ª Turma da DRJ/RPO “IV Das retificações dos lançamentos fiscais: Consoante acima deduzido, há que se promover a retificação do lançamento fiscal efetuado através do levantamento “FP – Folha de Pagamento”, na competência 01/2009 pela exclusão do valor lançado por basedecálculo da contribuição de contribuintes individuais (03 BC C. Ind/Adm/Aut) no importe de R$ 527.330,18, este por nulidade do lançamento (já que se referem a valores pagos nas competências 11 e 12/2009), bem como, na competência 12/2009, pela exclusão do valor lançado por basedecálculo da contribuição de segurados empregados (01 SC Empreg/avulso) no importe de R$ 2.572.197,39, este por improcedência (já que os valores revelamse declarados na competência 13/2009), isto nos AutosdeInfração AI/DEBCAD nºs 51.013.9760 (constitutivo da contribuição patronal) e 51.013.9787 (constitutivo da contribuição de ‘terceiros’), este último apenas na competência 12/2009 (já que os valores lançados na competência 01/2009 se referem a pagamentos a contribuintes individuais, sem incidência sobre a contribuição de ‘terceiros’). No que tange à contribuição dos segurados, materializada no AI/DEBCAD nº 51.013.9770, no que pertinente à nulidade conferida ao lançamento de R$ 527.330,18 por basedecálculo (01/2009) não há a repercussão nestes autos, posto que os valores dos segurados contribuintes individuais aqui efetivamente estão constituídas nas competências corretas (R$ 1.770,35 na competência 11/2009 e R$ 6.373,39 na competência 12/2009), consoante anexo de Discriminativo do Débito (DD) específico, conjugado com a planilha específica da Auditoria (Anexo 26 – Folha X GFIP). Já no que pertine às contribuições lançadas na competência 12/2009 e 13/2009 como complementares aos valores retidos dos segurados empregados, há que se promover a exclusão do levantamento Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.361 4 materializado no papel de trabalho “F2Folha Desc Segurados”, apenas no que tange aos valores lançados sob a rubrica 11 – Segurados, no importe de R$ 1.857,62 (12/2009) e R$ 33,19 (13/2009)”. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05/06/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2274. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2277/2297, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que o abono pago pela Recorrente aos seus trabalhadores atende perfeitamente ao disposto no art. 28, § 9°, ‘e’, item 7, da Lei nº 8.212/91; · Que não incide contribuição previdenciária sobre os valores desembolsados pela Recorrente a título de assistência educacional dos dependentes de seus trabalhadores; · Que não incide Contribuições Previdenciárias sobre o Aviso Prévio Indenizado; Ao fim, requer o cancelamento integral da exigência fiscal; Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.362 5 Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 2. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/06/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 07/07/20140, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DO RECURSO DE OFÍCIO Consta dos autos que parte dos valores lançados nas competências 01/2009 e 11/2009 se referem às contribuições devidas por conta de pagamentos efetuados a título de abono. Com relação aos valores lançados na competência 01/2009, o contribuinte alega em sua impugnação que parte deles, no montante de R$ 366.037,42 se referia, de fato, aos tais abonos pagos, mas na competência 11/2009, enquanto que outra parcela (R$ 161.292,76), dizia tratarse de antecipação do pagamento de 13º salário. O Órgão Julgador de 1ª Instância verificou que, de fato, no anexo 26 do Relatório Fiscal encontrase a planilha que apura a contribuição dos contribuintes individuais (Folha X GFIP) e nela observase tratarse dos pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais ‘categoria 5 – Contribuinte Individual Diretor não empregado’. Argumenta, todavia, que tais pagamentos encontramse identificados, pela fiscalização, nos meses 11/2009 (R$ 366.037,42) e 12/2009 (R$ 161.292,76), e que foram inadvertidamente lançados na competência 01/2009. Ocorre que, do vasto conjunto de planilhas acostados aos autos, não teve êxito este Relator em concluir se os valores a que se refere o parágrafo anterior foram, de fato, equivocadamente lançados na competência janeiro/2009. Por tal razão, pugnamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que a Autoridade Lançadora se manifeste, de maneira conclusiva, a respeito da exclusão promovida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, em especial, se os pagamentos referentes às competências 11/2009 (R$ 366.037,42) e 12/2009 (R$ 161.292,76), e que foram inadvertidamente lançados na competência 01/2009. Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.363 6 De outro giro, consta dos autos que a empresa enviou os dados da competência 13/2009, somados com os dados da competência 12/2009, o que obrigou a Fiscalização a separar manualmente os dados em vários anexos: · ANEXO 27 Apuração das contribuições dos empregados (FOLHA x GFIP) Mês 12: Contém apenas os fatos geradores relativos à competência 12/2009. · ANEXO 28 Apuração das contribuições dos empregados (FOLHA x GFIP) Mês 13: Contém apenas os fatos geradores relativos à competência 13/2009. · ANEXO 29 Apuração das contribuições dos empregados (FOLHA x GFIP) : Contém apenas os fatos geradores relativos às competência de 01/2009 a 11/2009. O Órgão Julgador de 1ª Instância procedeu à exclusão do lançamento fiscal referente aos valores lançados na competência 12/2009, levantamento ‘FP – folha de pagamento’, no valor de R$ 2.572.197,39 , em razão de os valores considerados como declarados ‘a menor’ em 12/2009 (e por isso lançados), corresponderem, em seu entender, integralmente aos valores declarados ‘a maior’ na competência 13/2009, e por isso não lançados. Mais uma vez, não obteve êxito este subscritor em alcançar a mesma conclusão a que chegou a DRJ/RPO. Aliás, o exame dos relatórios e anexos dos autos restou inconclusivo a esse respeito, motivo pelo qual ratificamos a conversão do julgamento do Recurso de Ofício em Diligência Fiscal, para que a Autoridade Lançadora se manifeste, também, de maneira conclusiva, a respeito da exclusão promovida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, em especial, se os valores considerados como declarados ‘a menor’ em 12/2009 (e por isso lançados), correspondem integralmente aos valores declarados ‘a maior’ na competência 13/2009. Para que não restem dúvidas, a diligência fiscal ora requestada deve ser cumprida com o relato conclusivo da Autoridade Lançadora a respeito de ambas as exclusões de lançamentos realizadas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Por derradeiro, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser intimado o Sujeito Passivo para que tome ciência do resultado e conteúdo da diligência fiscal ora requestada, e lhe seja concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento dos Recursos em DILIGÊNCIA, nos termos formulados nos parágrafos acima. Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10166.729695/201307 Resolução nº 2401000.470 S2C4T1 Fl. 2.364 7 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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