Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.005508/2003-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/11/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS.
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados
da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto ri'
70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o
dia do início e incluindo-se o do vencimento.
Recurso não conhecido, por intempestivo.
Numero da decisão: 201-80.942
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antônio Ricardo Accioly Campos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200802
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto ri' 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10980.005508/2003-12
conteudo_id_s : 5586584
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 201-80.942
nome_arquivo_s : Decisao_10980005508200312.pdf
nome_relator_s : Antônio Ricardo Accioly Campos
nome_arquivo_pdf_s : 10980005508200312_5586584.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
id : 6364224
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416322322432
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T18:12:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T18:12:17Z; Last-Modified: 2009-08-03T18:12:17Z; dcterms:modified: 2009-08-03T18:12:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T18:12:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T18:12:17Z; meta:save-date: 2009-08-03T18:12:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T18:12:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T18:12:17Z; created: 2009-08-03T18:12:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-03T18:12:17Z; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T18:12:17Z | Conteúdo => 1 1 is . ' L1F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Br CCO2/C01 uniu, _IP O 12c20g.6i_ Fls. 475 Smo Ama 11tat: Mapa 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'P.] PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10980.005508/2003-12 Recurso n° 138.675 Voluntário wos Matéria PIS/Pasep Acórdão n° 201-80.942o o .10° ocCti,e1 1 Sessão de 14 de fevereiro de 2008 ts,sürfri oso O es Recorrente SAVANA VEÍCULOS LTDA. Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto ri' 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. II . i " :SE ii MARIA COELHO MARQU S :. Presidente x t . t ....„-,_..„:„ \- •• .. c-...---- NTÔNIO RICARDO ACCIOLtCAMPOS lator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 10980.005508/2003-12 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO 02:3INP.L CCO2/C01Acórdão n.° 201-80.942 Fls. 476 Brasilia, 4g/ 491/ SIvio Siçgaafeoss that Soe 91745 Relatório Com vistas a uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 397/419. A DRJ em Curitiba - PR, não conhecendo do recurso, julgou o lançamento procedente para manter o crédito tributário no valor de R$ 14.838,54, a titulo de PIS, bem como a respectiva multa lançada de oficio e juros moratórios. Inconformada, a interessada recorre a este Conselho (fls. 427/448), reiterando as razões da peça impugnatória. É o Relatório. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10980.005508/2003-12 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C0 I Acórdão s.° 201-80.942 Fls. 477 Brasitia. y l_: Silvio 5ír04-sbosa Mal: S..a pra 91745 Voto Conselheiro ANTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (Acórdão ri 2 06- 12.863) em 24/01/2007, conforme AR de fl. 424. Apresentou recurso a este Conselho em 26/02/2007, conforme carimbo de recebimento à fl. 427. Analisando o art. 33 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do prazo para apresentação de recurso contra a decisão de primeira instância, tem-se: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". A contagem do prazo seguir as regras estabelecidas no art. 5 2 do mesmo diploma legal, verbis: "Art. 50 Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Sendo 24/01/2007 uma quarta-feira, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário se iniciou na quinta-feira, dia 25/01/2007 e foi encerrada sexta-feira, dia 23/02/2007. Logo, se o recurso foi interposto em data posterior (26/02/2007) ao termo final, a decisão a quo já se tomara definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n2 70.235/72, que assim, estabelece: "Art. 42. São definitivas as decisões: I- de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ". Em face do exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. \—\" tk• NTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS \ Page 1 _0058700.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730652/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 39, inc. XXXIII do Decreto 3000/99, são isentos de imposto de renda os rendimentos recebidos de aposentadoria por invalidez em decorrência de acidente de trabalho. No caso dos autos a carta de concessão do benefício de 11/05/2014 define como início da vigência a data de 01/05/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar os rendimentos de aposentadoria decorrentes de invalidez por acidente de trabalho, recebidos a partir de 01/05/2009, como isentos de Imposto de Renda.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 39, inc. XXXIII do Decreto 3000/99, são isentos de imposto de renda os rendimentos recebidos de aposentadoria por invalidez em decorrência de acidente de trabalho. No caso dos autos a carta de concessão do benefício de 11/05/2014 define como início da vigência a data de 01/05/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.730652/2014-56
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5617232
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.428
nome_arquivo_s : Decisao_10580730652201456.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA CLECI COTI MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 10580730652201456_5617232.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar os rendimentos de aposentadoria decorrentes de invalidez por acidente de trabalho, recebidos a partir de 01/05/2009, como isentos de Imposto de Renda. Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6459618
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416361119744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.730652/201456 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.428 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANAMÉLIA COSTA GRAMACHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 39, inc. XXXIII do Decreto 3000/99, são isentos de imposto de renda os rendimentos recebidos de aposentadoria por invalidez em decorrência de acidente de trabalho. No caso dos autos a carta de concessão do benefício de 11/05/2014 define como início da vigência a data de 01/05/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 06 52 /2 01 4- 56 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para considerar os rendimentos de aposentadoria decorrentes de invalidez por acidente de trabalho, recebidos a partir de 01/05/2009, como isentos de Imposto de Renda. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 10580.730652/201456 Acórdão n.º 2401004.428 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 20/05/2015 em face do acórdão 1667.300 22ª Turma da DRJ/SPO que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para o crédito tributário de IRPF objeto deste processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 17/04/2015. O auto de infração decorreu de declaração retificadora na qual, a contribuinte, aposentada em 07/05/2014, com efeitos retroativos a 01/05/2009, teria considerado os rendimentos recebidos no ano calendário 2009 como isentos em decorrência do art. 39, inc. XXXIII do Decreto 3000/99(RIR), a seguir transcrito. XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); O julgador a quo, com base na decisão judicial que concedeu o benefício de auxílio acidente somente a partir de 11/11/2010, considerou improcedente a impugnação da recorrente. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Muito embora a decisão a quo tenha observado a data do início do benefício relativo à incapacidade (auxílioacidente), não encontrei informação nesse mesmo processo a respeito da data da concessão da aposentadoria por invalidez. A mesma decisão que concede o benefício a partir de 11/11/2010, também condena o INSS ao pagamento de todas as parcelas em atraso até 29/06/2009. Adicionalmente, o cartão CERTIDÃO PIS/PASEP/FGTS efl 12 contém a informação de que a aposentadoria teria sido requerida em 07/05/2015, e início benefício em 01/05/2009. O documento fora emitido em 11/05/2014. Observo contudo, que o documento à efl. 13, Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício deixa claro que a vigência da aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho número 606.098.1457, é a partir de 01/05/2009. Art. 39, inc. XXXIII do Dec. 3000/99 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Desta forma entendo que os rendimentos de aposentadoria decorrentes de invalidez por acidente de trabalho, a partir de 01/05/2009, devem ser reconhecidos como isentos de Imposto de Renda em atendimento ao inc. XXXIII do art. 39 do Decreto 3000/99(RIR). É como voto. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721091/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DESISTÊNCIA DA AÇÃO - EFEITOS
A desistência da ação, após a defesa, é ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269. Assim, o conteúdo decisório faz lei entre as partes.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso ao acatar a prejudicial de desistência da ação, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Antonio Bezerra Neto que davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESISTÊNCIA DA AÇÃO - EFEITOS A desistência da ação, após a defesa, é ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269. Assim, o conteúdo decisório faz lei entre as partes. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16682.721091/2011-90
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5607041
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.579
nome_arquivo_s : Decisao_16682721091201190.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 16682721091201190_5607041.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso ao acatar a prejudicial de desistência da ação, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Antonio Bezerra Neto que davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6429604
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416641089536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.603 1 1.602 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721091/201190 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.579 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2016 Matéria IRPJ. Lucros auferidos no exterior. Tributação pelo método da equivalência patrimonial. Recorrente LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DESISTÊNCIA DA AÇÃO EFEITOS A desistência da ação, após a defesa, é ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269. Assim, o conteúdo decisório faz lei entre as partes. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso ao acatar a prejudicial de desistência da ação, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Antonio Bezerra Neto que davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 91 /2 01 1- 90 Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.604 2 Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, com exceção das referências contidas nos trechos transcritos, as quais podem dizer respeito à numeração do processo em papel antes de digitalizado. Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Demac/RJ, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2008, totalizaram o valor de R$ 186.584.858,07. A autuação foi motivada pela não computação dos lucros auferidos no exterior nas bases de cálculo daqueles tributos. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: O Termo de Verificação Fiscal informa que: nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, a Interessada possuía participação societária no exterior de 99,99%, em 2006, e de 100%, em 2007 e 2008, nas empresas LIR ENERGY LIMITED (LIR) e LIGHT OVERSEAS INVESTIMENTS LIMITED (LOI), fls.593/802 e fls.803/804; conforme determinam os artigos 25 a 27 da Lei 9.249/95, artigos 15 e 16 da Lei 9.430/96 e artigo 1º. da Lei 9.532/97, com a alteração prevista no artigo 74 da Medida Provisória 2.15834/2001, os lucros auferidos no exterior disponibilizados por intermédio de controladas ou coligadas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real, sendo que, para fins de tributação no Brasil, deve se considerar que os lucros serão disponibilizados na data do balanço no qual forem apurados pela investida (artigo 1º. da Lei 9.532/97 e artigo 74 da Medida Provisória 2.158/2001); Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.605 3 intimada a informar se havia tributado no Brasil, pelo Lucro Real (CSLL e IRPJ), os lucros daquelas controladas, a Interessada demonstrou que procedeu tributando, por empresa no exterior, o resultado conforme o método de equivalência patrimonial, MEP; a Interessada calculou a equivalência patrimonial, dividindo os cálculos em lucros no exterior e variação cambial e lançou estes valores em contas de despesas; nos casos em que, por empresa no exterior, o resultado decorrente da soma da rubrica contábil “Lucro no Exterior” com a rubrica contábil “Variação cambial” foi negativo, a Interessada eliminou o resultado negativo no LALUR e Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, não se deduzindo deste valor negativo para fins tributários; nos casos em que, por empresa no exterior, o resultado decorrente da soma da rubrica contábil “Lucro no Exterior” com a rubrica contábil “Variação cambial” foi positivo, a Interessada não efetuou nenhum ajuste no LALUR e Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, tributando, por conseqüência este resultado; os lançamentos do MEP das duas controladas compuseram o lucro líquido do período, o qual serviu de base para as adições e exclusões exigidas para a apuração do IRPJ e CSLL; ocorre que, ao adotar esta sistemática, a Interessada reduziu indevidamente os lucros que deveriam ter sido tributados no Brasil, conforme impõem os dispositivos anteriormente mencionados; a Interessada deveria ter tributado os lucros auferidos no exterior disponibilizados pelas controladas LIR e LOI em dólares americanos, com a taxa de conversão em 31/12, não se levando em conta a contrapartida de variações cambiais e outros ajustes; assim, foram lançadas as diferenças entre os valores que deveriam ter sido tributados nos moldes da legislação acima mencionada, que constam nas tabelas 2 e 3, e os valores que foram tributados pela Interessada com base no MEP, que constam nas tabelas 4, 5, 6, 7 e 8; as diferenças estão demonstradas nas tabelas 9 e 10, do presente termo; quanto à CSLL, conforme artigo 21 da Medida Provisória 2.15835/2001, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei n° 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n° 9.430, de 1996, e o art. 1o da Lei n° 9.532, de 1997. quanto à escrituração, a Interessada foi intimada a efetuar no LALUR e Livro de Demonstração da Base de Cálculo da CSLL, na PARTE A e na PARTE B, todos os ajustes necessários para que fossem registrados os valores apurados decorrentes do aumento da base de cálculo do IRPJ e CSLL e compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como outros que sejam pertinentes. A Interessada tomou ciência do lançamento em 08122011, e apresentou impugnação em 09012012, bem como, posterior petição, (doc.02), alegando que: em 20022003, impetrou o Mandado de Segurança 2003.51.01.0055148 para que fosse reconhecido o seu direito de não ser compelida a recolher o IRPJ e a Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.606 4 CSL sobre os lucros acumulados pelas empresas LIR Energy Limited (LIR) e Light Overseas Investments Limited (LOI), ambas controladas sediadas no exterior, bem como sobre os futuros lucros que seriam acumulados por essas empresas, enquanto os mesmos não fossem disponibilizados à sua controladora, tendo em vista as inconstitucionalidades e ilegalidades do artigo 74, parágrafo único da Medida Provisória 2.15835/01, (doc 6); o Mandado de Segurança também objetivava resguardar o direito de não ser compelida a recolher o IRPJ e a CSL sobre os valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial concernentes ao investimento detido na LIR e na LOI, incluindo a variação cambial de tais investimentos, afastando assim a aplicação do artigo 7º., § 1º., da INSRF 213/02 para os períodosbase até 2002 e posteriores; em 24.02.2003, o Juiz Federal da 19ª Vara Federal/RJ houve por bem conceder a medida liminar no Mandado de Segurança, tendo suspendido a exigibilidade dos créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSL (doc 7); no entanto, em 12.08.2003., foi proferida sentença denegando a segurança e acatando o posicionamento da Fazenda Nacional (doc 8); contra tal decisão, opôs Embargos de Declaração em 11092003, para que fosse suprida a omissão presente em tal sentença, uma vez que não havia sido feita menção à aplicação da IN 213/02, (doc 9); em 16092003, foi proferida decisão acolhendo os Embargos de Declaração para que fosse sanada tal omissão fazendose pronúncia acerca da legalidade de tal ato normativo, (doc 10); em 09102003, interpôs Recurso de Apelação (doc 11), que foi recebido em seus efeitos devolutivo e suspensivo (doc 12), tendo sido os autos do referido processo encaminhados ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região; contudo, antes que o Mandado de Segurança fosse julgado em sede de segunda instância, foi editada a Lei 11.941, de 27052009, que trouxe a possibilidade de os contribuintes quitarem seus débitos por meio de Programa de Parcelamento com a utilização dos benefícios previstos; assim, em 23022010, apresentou petição requerendo a desistência e a renúncia parciais das alegações de direitos sobre as quais se fundamentava a referida ação, para desistir do Mandado de Segurança apenas no tocante à discussão referente a não tributação pelo IRPJ e pela CSL dos lucros auferidos no exterior enquanto ainda não efetivamente disponibilizados por suas controladas no exterior (doc 13); em 19052010, foi proferida decisão que acatou entendimento da Fazenda Nacional e não homologou o pedido de desistência parcial formulado pela Requerente, concedendo prazo de 10 dias para que procedesse com a desistência integral, (doc 17); objetivando se beneficiar dos benefícios da Lei 11.941/2009, em 2805 2010, apresentou petição de desistência integral do Mandado de Segurança, (doc 19), e, em 21062010, foi proferida decisão que homologou o pedido de desistência integral, (doc 20), tendo sido em 30112010, os autos do Mandado de Segurança arquivados (doc 21); portanto, até 21062010, discutia nos autos do Mandado de Segurança se deveria utilizar o método de equivalência patrimonial para tributar os lucros Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.607 5 auferidos no exterior pela LIR e pela LOI e se em tal método deveria ser incluída a variação cambial; por conta disso, até então, não havia recolhido valor algum a título de IRPJ e CSLL em relação aos anos desde 2002 sobre os lucros auferidos no exterior, uma vez que, por conta da referida ação mandamental, declarava tais impostos como tendo sua exigibilidade suspensa; pelo mesmo motivo, desde 2002, apenas controlava no seu LALUR a adição dos lucros auferidos no exterior, sem considerar a inclusão da variação cambial em seu cálculo; desta forma, nos anos de 2006, 2007 e 2008, o LALUR apresenta um lucro tributável nos valores de R$218.330.257,42, R$180.755.394,77 e R$207.863.056,02; para comprovar o registro de tais valores, junta os balancetes anuais da LOI LIGHT OVERSEAS INVESTMENTS LIMITED e da LIR ENERGY LIMITED que apresentam numericamente os resultados de seus investimentos no exterior, (doc. 22); após a desistência integral do Mandado de Segurança, procedeu a uma nova apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL desde 2002, ajustando as bases de prejuízo fiscal acumulado e base negativa de CSL de forma correspondente, com a aplicação literal do disposto no artigo 74 da MP n° 2.1583501 e no artigo 7º da IN 213/02, uma vez que, a decisão judicial transitada em julgado no âmbito do Mandado de Segurança não lhe autorizou a excluir a variação cambial dos resultado de equivalência patrimonial, posto que não poderia se recusar a acatar tal decisão nem a Fiscalização exigir procedimento contrário; nesses termos, os resultados auferidos no exterior serão reconhecidos pela equivalência patrimonial com a inclusão da variação cambial e serão tributados no Brasil quando forem positivos; quando forem negativos, embora contabilmente reconhecidos pela sociedade brasileira, os resultados de equivalência patrimonial serão adicionados no cálculo do lucro real e da base da CSLL; nos anos de 2006, 2007 e 2008, a aplicação do método de equivalência patrimonial, compreendendo a variação cambial do período, fez com que os investimentos na LIR e LOI apresentassem resultados nos valores de R$43.363.034,13 (receita), R$117.607.680,55 (despesa) e R$ 564.210.477,96 (receita) respectivamente; estes valores foram apurados pela subtração entre: (i) R$3.678.024,34, R$382.139.721,52 e R$12.838.170,01 (total de perdas por equivalência patrimonial) e R$47.041.058,47, R$ 264.532.040,97 e R$577.048.647,97 (total de ganhos por equivalência patrimonial), valores esses presentes na Ficha 09 das DIPJs referentes aos anoscalendário de 2006 na linha 10 e na linha 01 (lucro líquido antes do IRPJ), 2007 na linha 10 e linha 32 e 2008 linha 13 e linha 01 (lucro Líquido antes do IRPJ) e mais didaticamente nos razões dos respectivos anos (docs. 23 a 25) respectivamente; dessa forma, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSL, adicionou, no ano de 2007 os resultados negativos, no valor de R$117.607.680,55 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.608 6 recompondo assim os efeitos do reconhecimento contábil de tais despesas no Lucro Líquido; ao mesmo tempo, para os resultados positivos anuais, nada procedeu, visto que tais valores já estavam compondo o Lucro Líquido, os quais, portanto, foram oferecidos a tributação; para o ano de 2007, a diferença entre os valores em questão, de R$117.607.680,55, corresponde ao resultado negativo dos investimentos no exterior, LIR e LOI (R$ 85.921.850,63 + R$ 31.685.829,92), e foi adicionada no cálculo do Lucro Real, posto que negativa; já para os anos de 2006 e 2008, somente para a empresa LIR, apurou resultado positivo no valor de R$47.041.058,47 no ano de 2006, e R$ 577.048.647,97 no ano de 2008; os referidos valores foram devidamente tributados, uma vez que já estavam efetivamente reconhecidos em seus livros; para LOI, nestes mesmos anos, foram registrados resultados negativos (R$3.678.024,34, em 2006 e R$12.838.170,01, em 2008), que também foram devidamente adicionados para que pudessem ser submetidos à tributação; assim, a aplicação literal da IN 213/02 resultou na apuração de um resultado de equivalência patrimonial negativo (despesa) no ano de 2007, no valor de R$ 117.607.680,55, sendo tal valor adicionado na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; no mesmo sentido, para os anos 2006 e 2008, têmse resultados de equivalência patrimonial positivos nos valores de R$47.041.058,47 e R$577.048.647,97, respectivamente; em outras palavras, o procedimento adotado foi de, em cada um dos períodos desde 2002, ao registrar resultados positivos de equivalência patrimonial de investimentos no exterior, oferecêlos à tributação (sem qualquer ajuste na apuração do Lucro Real, posto que esses valores já se encontram reconhecidos no próprio Lucro Líquido, tal como ocorrido em 2006 e 2008), ao passo que, quando os resultados dos investimentos no exterior foram negativos e, portanto, impactaram o Lucro Líquido para menor, teve por procedimento adicionar tais valores na apuração do Lucro Real, o que foi feito para o ano de 2007; notase, portanto, que adotando o procedimento de reconhecer os resultados de equivalência patrimonial como previsto literalmente na IN 213/02, (tal IN previu, literalmente, a tributação da variação cambial dos lucros auferidos por coligadas e controladas no exterior), apurou uma carga tributária maior se comparada com a não inclusão da variação cambial em seus resultados, conforme Doc 31, em outras palavras, em nenhum momento lesou o Fisco; desta forma, após a desistência total da medida judicial, efetivamente tributou os resultados auferidos no exterior, devidamente reconhecidos pelo Método da Equivalência Patrimonial, conforme previsto expressa e literalmente na IN213/02 tendo, para tanto, recomposto todas as bases de cálculo a partir de 2002, o que impactou significativamente o seu saldo de prejuízos fiscais acumulados; a Fazenda Nacional e o próprio Juízo assumiram tal posição no Mandado de Segurança, obrigando que a totalidade dos resultados de equivalência patrimonial fosse reconhecida como tributável no Brasil; Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.609 7 os resultados de equivalência patrimonial incluíram os lucros auferidos no exterior, o patrimônio líquido da sociedade coligada ou controlada e a variação cambial de tais valores; o entendimento da Fiscalização que o resultado de equivalência patrimonial, levandose em conta a variação cambial do período, não deveria ser considerado para fins de tributação no Brasil, mas apenas o lucro auferido no exterior, contraria posicionamentos firmados ao longo de todo o processo judicial pela Fazenda Nacional e até mesmo em manifestações da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de contrariar os termos da decisão judicial que denegou a segurança; a Fiscalização interpretou de forma restritiva e casuística o artigo 7º., § único da IN 213/02, uma vez que reconheceu o procedimento adotado (pela Interessada), somente para o investimento na LIR no ano de 2008, porque, neste período, gerou um recolhimento de tributos substancialmente mais elevado, restando claro que objetivou autuar apenas os anos nos quais a tributação seria mais vantajosa; da mesma forma, não se pode tratar os lucros auferidos pelas empresas LIR e LOI de forma distinta, tendo em vista que foi adotado na escrituração o mesmo procedimento para ambas, sendo que os resultados de equivalência não são divisíveis por sociedades, mas um único componente para todas as sociedades do exterior; o artigo 7º. da IN 213/02 trata também da tributação da variação cambial como elemento integrante do conceito de resultado de equivalência patrimonial; assim, lucros e variação cambial devem necessariamente compor a tributação no Brasil para fins de IRPJ e CSL, tal como apurado na sua escrituração; portanto, está equivocada a Fiscalização quando afirmou que o artigo 7º. da IN 213/02, que dispõe sobre a aplicação do método de equivalência patrimonial, não tratou de tributação da variação cambial, mas tão somente dos lucros auferidos no exterior; se não houve equívoco da Fiscalização, houve mudança de critério jurídico, uma vez que a orientação oficial da própria Receita Federal fundamentase na MP 2.15835/01 e na IN 213/02, ocorrendo, pois, violação ao artigo 146 do CTN; ainda que assim não se entenda, para o ano de 2008, a própria Fiscalização reconheceu que o procedimento adotado pela Interessada no que se refere à LIR, no que tange à aplicação do método de equivalência patrimonial, ocorreu um resultado positivo de R$577.048.647,97, cuja tributação restou por ser muito superior ao devido, no entendimento do Fisco; assim, possui direito a um crédito tributário que corresponde à diferença entre a aplicação do método de equivalência patrimonial (adotado pela Interessada) e a aplicação do método pelo Lucro do Exterior (adotado pelo Fisco); se para o ano de 2008, a aplicação do método adotado pela Interessada para a empresa LIR gerou um resultado positivo de R$577.048.647,97, que não foi questionado pela Fiscalização por ser mais vantajoso, para este mesmo período, deverseia aplicar o mesmo método adotado pelo Fisco para os demais períodos, o que geraria um resultado positivo de R$138.552.519,17, ou seja, muito inferior ao realmente apurado pela Interessada; neste sentido, possui um crédito tributário sobre uma base de cálculo de R$438.496.128,80 que atualizado, supera o valor autuado; Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.610 8 não é justo que seja apenada com a excessiva multa de 75% do principal, uma vez que simplesmente adotou um procedimento exigido pela Fazenda Nacional e decidido nos autos do Mandado de Segurança; na forma aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, da CF; declarou os valores auferidos no exterior, mantendo apenas a sua tributação suspensa por conta da discussão judicial, não podendo ser penalizada pela aplicação de multa por conta de não ter recolhido suposto tributo que se encontrava em discussão judicial; cumpriu literalmente disposição expressa em ato normativo administrativo, no caso, a IN 213/02, devendo ser aplicado o parágrafo único do artigo 100 do CTN, que exclui a imposição de qualquer penalidade e de juros de mora; inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, conforme jurisprudência do STJ; impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício; posterior juntada de novos documentos e/ou realização de diligências. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1243.984, de 16 de fevereiro de 2012, por meio do qual decidiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DA CONTROLADORA. Os lucros auferidos no exterior disponibilizados por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro líquido da controladora para determinação do lucro real, sendo que, para fins de tributação no Brasil, devese considerar que os lucros serão disponibilizados na data do balanço no qual forem apurados pela investida. (Artigo 25 da Lei 9.249/95, e artigo 74 da Medida Provisória 2.15834/2001). RESULTADO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM CONTROLADA NO EXTERIOR. RECONHECIMENTO DE LUCROS PELA CONTROLADORA. REGRAS AUTÔNOMAS. A apuração do resultado da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, não se confunde com a tributação dos lucros auferidos por controladas, no exterior. (Parágrafo 6º., do artigo 25, da Lei nº.9.249/95) Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.611 9 JUROS DE MORA. É legítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa Selic, nos termos do artigo 5º, parágrafo 3º, da Lei 9.430 de 1996, pois não representa ofensa ao disposto no parágrafo 1º., do artigo 161, do CTN. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repetiu os argumentos deduzidos na impugnação. Em resumo, acrescentou que a decisão recorrida se furtou a analisar a regra que deveria ser aplicada e seguida pela empresa (a que prevê a tributação apenas dos lucros no exterior ou a que determina a tributação de todo o resultado da equivalência patrimonial), sequer mencionando a existência do mandado de segurança. Nesse sentido, replica os seguintes aspectos contidos na impugnação como motivos para a reforma da decisão recorrida: (i) o resultado da equivalência patrimonial vai além do lucro ou prejuízo da controlada ou coligada, tendo esse posicionamento sido deixado claro em sua petição juntada aos autos do mandado de segurança; (ii) o artigo 7º, “caput” e § 1º, da IN/SRF nº 213/02, sem base legal, previu literalmente a tributação da variação cambial dos investimentos auferidos por coligadas ou controladas no exterior; (iii) a aplicação literal do citado comando da IN/SRF nº 213/02 é dever funcional das autoridades fiscais; (iv) o procedimento das autoridades fiscais é divergente do posicionamento da Fazenda Nacional sustentado nos autos do mandado de segurança do presente caso e de outro caso recentemente julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ); (v) não se pode exigir comportamento oposto ao decidido em decisão judicial transitada em julgado; (vi) o procedimento adotado pela empresa resultou em clara vantagem para o Fisco (equivalente a R$ 91.816.926,36), se computados os montantes devidos a título de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJ originais e retificadoras dos anos de 2002 a 2008, e considerado, ainda, que seus prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL foram drasticamente reduzidos; e (vii) a mudança de critério jurídico adotado pela fiscalização configura ofensa aos artigos 3º, 142 e 146 do CTN. Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que: (i) inexiste decisão transitada em julgado a favor da recorrente nos autos do mandado de segurança autorizando a inclusão da variação cambial na tributação dos lucros auferidos por suas controladas no exterior; (ii) a variação cambial de investimentos em pessoas jurídicas coligadas e controladas no exterior não se sujeita à tributação do IRPJ e CSLL; e (iii) devese manter a aplicação da multa de ofício e a incidência dos juros à taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.612 10 Para melhor compreensão do procedimento utilizado pela fiscalização, vale a pena reproduzir as tabelas explicitadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1091 a 1107), as quais detalham os valores que serviram de base para o lançamento. A recorrente apurou os seguintes valores a título de lucros auferidos no exterior por suas controladas: Controlada: LIR Ano Lucros atribuídos à recorrente (R$) 2006 189.054.860,31 2007 156.450.607,29 2008 138.552.519,17 Controlada: LOI Ano Lucros atribuídos à recorrente (R$) 2006 29.253.564,08 2007 24.304.787,49 2008 4.187.043,27 Contudo, não ofereceu esses valores à tributação enquanto discutia, em sede judicial, a constitucionalidade da regra que determina que se tribute como lucro da empresa residente um valor equiparado ao lucro apurado pela controlada no exterior (artigo 74 da Medida Provisória MP nº 2.15835/01) e a legalidade da regra que determina que se tribute o resultado positivo da equivalência patrimonial (artigo 7º da Instrução Normativa IN SRF nº 213/02). Com o advento da possibilidade de parcelar seus débitos tributários, na conformidade da Lei nº 11.941/09, desistiu da discussão judicial e procedeu segundo a sistemática definida no artigo 7º da IN/SRF nº 213/02, qual seja, tributou o resultado positivo da equivalência patrimonial da seguinte maneira: Controlada: LIR Ano Resultado da eq.patrimonial (R$) 2006 47.041.058,47 2007 () 85.921.850,63 2008 577.048.647,97 Controlada: LOI Ano Resultado da eq.patrimonial (R$) 2006 () 3.678.024,34 2007 () 31.685.829,92 2008 () 12.836.170,01 Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.613 11 Portanto, considerando que o resultado da equivalência patrimonial já estava embutido no lucro líquido apurado pela recorrente, quando verificou que o resultado de uma das controladas era negativo, o correspondente valor foi adicionado para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isso, naturalmente, se fez por conta do que dispõe o artigo 1º, § 5º, da mesma IN/SRF, vale dizer, os resultados devem ser computados de forma individualizada, vedada a consolidação. A fiscalização, no entanto, entendeu que a regra a ser aplicada é a prevista nos comandos legais, sem a contemplação da equivalência patrimonial, isto é, com um escopo menor que a Instrução Normativa, somente alcançando o lucro da empresa residente num valor equiparado ao lucro apurado pelas controladas no exterior. Considerou, então, que o correto seria tributar os valores inicialmente apurados pela recorrente. Por isso, constatou as seguintes diferenças que formaram a base da autuação: Controlada: LIR (valores em R$) Ano Valor que deveria ser tributado Valor que foi tributado Diferença não tributada 2006 189.054.860,31 47.041.058,47 142.013.801,84 2007 156.450.607,29 ZERO 156.450.607,29 2008 138.552.519,17 577.048.647,97 ZERO Controlada: LOI (valores em R$) Ano Valor que deveria ser tributado Valor que foi tributado Diferença não tributada 2006 29.253.564,08 ZERO 29.253.564,08 2007 24.304.787,49 ZERO 24.304.787,49 2008 4.187.043,27 ZERO 4.187.043,27 Delineado esse quadro, há que se enfrentar as questões de direito suscitadas. Primeiramente, devese verificar a pertinência do quanto alegado pela recorrente no que diz respeito ao que havia sido decidido nos autos do citado mandado de segurança. Nesse sentido, considera que o procedimento contido no artigo 7º da IN/SRF nº 213/02 (tributação do resultado da equivalência patrimonial incluindo a variação cambial), apesar de considerálo ilegal, deveria ser observado porque houve decisão transitada em julgado. Sustenta, assim, que tal procedimento não poderia ser questionado pelas autoridades fiscais. TOTAL ADICIONADO (R$) 2006 3.678.024,34 2007 117.607.680,55 à (85.921.850,63 + 31.685.829,92) 2008 12.836.170,01 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.614 12 Contudo, como relatado, a recorrente renunciou à discussão do direito material contestado (a ilegalidade daquele procedimento) para aderir ao parcelamento da Lei nº 11.491/09. Sobre isso, foi feliz a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões. Confirase: Para aderir ao parcelamento "Novo Refis", a autuada desistiu totalmente do MS impetrado e renunciou expressamente o direito alegado nos autos do processo judicial, tendo sido a demanda extinta com resolução de mérito, nos termos do art. 269, inc. V do CPC verbis: CPC "Art. 269. Haverá resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) ‑ quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973)" Quais os efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial que homologou a renúncia do contribuinte ao pleiteado no mandado de segurança? A renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação é ato unilateral com que o autor dispõe do direito subjetivo material que afirmara ter, importando a extinção da própria relação de direito material que dava causa à demanda, consubstanciando instituto bem mais amplo que a desistência da ação, que opera tãosomente a extinção do processo sem resolução do mérito, permanecendo íntegro o direito material, que poderá ser objeto de nova ação a posteriori. A doutrina acerca da renúncia ao direito em que se funda a ação assenta, in verbis: "A parte pode renunciar à ação, figura que recebe o nome de 'desistência', ou renunciar ao 'próprio direito material', objeto mediato do pedido. Nessa hipótese, a manifestação não é meramente formal, senão atinge a própria pretensão, abdicando a parte do direito que lhe pertence para não mais reclamálo. Operase, assim, a extinção com julgamento de mérito porque a parte que renuncia despojase de seu direito material e a eficácia da coisa julgada material é plena, sendo defeso discutir novamente em juízo acerca daquela pretensão. (...)." (Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro, Forense, 2001, p. 420/421 2. Assim, o efeito da imutabilidade do manto da coisa julgada que acoberta a decisão de renúncia ao direito que se funda ação é tão somente no sentido de não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou, não tendo o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se renunciou. Isto porque a decisão de extinção da ação com resolução do mérito e renúncia ao direito é ato unilateral (no caso, da contribuinte), não tendo o condão de impedir que a Fiscalização exerça o seu direito (dever) de efetuar o lançamento fiscal nos moldes da legislação em vigor. A renúncia é ato dispositivo da recorrente com fim de viabilizar adesão ao parcelamento, e não imposição do Fisco. Diante do exposto, a decisão transitada em julgado proferida no MS 2003.51.01.0055148 não salvaguarda o procedimento da autuada de incluir a variação cambial (negativa) na tributação do IRPJ e CSLL, mas tem como efeito impedir nova demanda judicial acerca do direito subjetivo que se renunciou. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.615 13 Em suma, o contribuinte não pode mais levar ao Judiciário qualquer litígio a respeito da possibilidade ou não de apuração dos lucros no exterior em consonância com a IN SRF 213/2002. Portanto, com a renúncia, a recorrente não pode mais discutir a legalidade do procedimento contido na IN/SRF nº 213/02. Entretanto, isso não quer dizer que o procedimento fosse legal e, muito menos, que o mérito da decisão proferida tenha alcançado essa questão. O efeito da coisa julgada é meramente o de impedir nova discussão sobre a matéria. Não se enunciou uma norma individual e concreta, para a empresa, no sentido de ela seguir os ditames daquela IN/SRF. Nem mesmo, de ela obedecer ao artigo 74 da MP nº 2.15835/01. Permaneceram, apenas, as correspondentes determinações, como normas gerais e abstratas, dirigidas erga omnes. Futuros pronunciamentos judiciais e administrativos acerca dessas normas se aplicam, normalmente, à recorrente. Nada obstante, a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial com base nas regras contidas na IN/SRF nº 213/02, de fato, extrapola a previsão legal contida no artigo 25 da Lei nº 9.249/95. Isso porque a redação deste último dispositivo somente permite que a tributação em bases universais alcance o lucro da empresa residente num valor equiparado ao lucro apurado pela controlada no exterior. E é importante que isso fique bem claro. A lei brasileira tributa uma renda ficta da própria empresa brasileira (residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa brasileira e, sopesando o fato de que ela possui participação societária (é controladora, de acordo com a constitucionalidade declarada pelo STF na ADI nº 2.588) em uma empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade de renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa do exterior. A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso o STF (que aliás já se manifestou na ADI nº 2.588), à luz dos princípios constitucionais envolvidos (igualdade, capacidade contributiva, praticabilidade, etc.). Nem se pode estranhar que seja assim, afinal, em várias situações a legislação do imposto de renda tributa algo que não é necessariamente renda. Basta ver as margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda (modelo SHS – Schanz/Haig/Simons) da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do CTN na positivação do seu artigo 43. Nada obstante, não há permissão legal para que a tributação do lucro da empresa residente ultrapasse a medida prevista na lei, qual seja, o valor equivalente ao lucro apurado pela controlada no exterior. Como bem apontado pela autoridade fiscal, o método da equivalência patrimonial, além dos lucros da investida, inclui outros itens de receita e despesa, notadamente a variação cambial, que contribuem para a apuração do resultado. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.616 14 Segundo esse método, que é aplicável aos investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas, o acréscimo patrimonial está sujeito à tributação na sociedade investida na medida em que é contabilizado. O registro desse acréscimo é concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora, porém, em atendimento a uma medida de política fiscal consoante com a técnica de integração para alívio da bitributação econômica, o legislador deixa de tributar tal acréscimo até mesmo quando ocorre a realização do investimento. Daí, então, a ilegalidade do artigo 7º da Instrução Normativa, na parte que extrapola a permissão legal para a tributação de um valor equivalente ao lucro apurado pela controlada no exterior, quando determina que os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial devem ser considerados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse é, inclusive, o entendimento já manifestado pelo STJ, em 05/04/2011, no julgado do REsp nº 1.211.882RJ. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. PRAZO. CONTAGEM. CIÊNCIA DA DECISÃO MEDIANTE CARGA DOS AUTOS. OBSERVÂNCIA DO ART. 184 E §§, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. EMPRESAS CONTROLADAS E COLIGADAS SITUADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE NAQUILO QUE EXCEDE A PROPORÇÃO A QUE FAZ JUS A EMPRESA INVESTIDORA NO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA INVESTIDA. ILEGALIDADE DO ART. 7º, §1º, DA IN/SRF N. 213/2002. (...) 3. É ilícita a tributação, a título de IRPJ e CSLL, pelo resultado positivo da equivalência patrimonial, registrado na contabilidade da empresa brasileira (empresa investidora), referente ao investimento existente em empresa controlada ou coligada no exterior (empresa investida), previsto no art. 7º, §1º, da Instrução Normativa SRF n. 213/2002, somente no que exceder a proporção a que faz jus a empresa investidora no lucro auferido pela empresa investida, na forma do art. 1º, §4º, da Instrução Normativa SRF n. 213, de 7 de outubro de 2002. 4. Muito embora a tributação de todo o resultado positivo da equivalência patrimonial fosse em tese possível, ela foi vedada pelo disposto no art. 23, caput e parágrafo único, do DecretoLei n. 1.598/77, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e pelo art. 2º, §1º, "c", 4, da Lei n. 7.689/88, para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mediante artifício contábil que elimina o impacto do resultado da equivalência patrimonial na determinação do lucro real (base de cálculo do IRPJ) e na apuração da base de cálculo da CSLL, não tendo essa legislação sido revogada pelo art. 25, da Lei n. 9.249/95, nem pelo art. 1º, Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.617 15 da Medida Provisória n. 1.602, de 1997 (convertida na Lei n. 9.532/97), nem pelo art. 21, da Medida Provisória n. 1.8587, de 29, de julho de 1999, nem pelo art. 35, Medida Provisória n. 1.99115, de 10 de março de 2000, ou pelo art. 74, da Medida Provisória n. 2.15834, de 2001 (edições anteriores da atual Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001). 5. Recurso especial não provido. Portanto, não restam dúvidas de que os valores tributáveis são aqueles obtidos segundo os estritos limites contidos na lei ao invés daqueles que se obteve seguindo a orientação da Instrução Normativa. A própria recorrente não contesta isso. Por outro lado, também não há questionamento quanto à fidelidade dos valores informados pela recorrente como lucros auferidos no exterior. Afinal, a fiscalização os utilizou para apurar as diferenças que serviram de base para a autuação. Destarte, a discussão se resume a aferir se a recorrente agiu dentro da literalidade do ato normativo reputado como ilegal. Isso porque o § único do artigo 100 do CTN exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora quando são observadas as chamadas normas complementares de lei, dentre as quais, as instruções normativas se incluem na categoria dos atos administrativos expedidos por autoridades administrativas. Veja se: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Pois bem. Diante de todo o contexto narrado, verifico que a recorrente, apesar de ter se beneficiado em alguns dos períodos considerados, agiu dentro da literalidade da Instrução Normativa. Confirase o conteúdo do seu artigo 7º: Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.618 16 § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. (...) Com efeito, segundo o relatado, quando a recorrente apurou resultado positivo da equivalência patrimonial, procedeu na conformidade do § 1º, ou seja, mantendo tributável o valor apurado que já estava inserido no lucro líquido. Por sua vez, quando apurou resultado negativo, adicionou o correspondente valor ao lucro líquido, deixando de reduzir o valor tributável e, assim, procedendo na conformidade do § 2º. Nesse sentido, não se pode aderir ao raciocínio contido nas contrarrazões da Fazenda Nacional (inspirado no entendimento do já mencionado julgado do STJ), segundo o qual a Instrução Normativa é legal na parte que “consiste na tributação somente dos lucros, sem incluir a variação cambial positiva ou negativa” (fls. 1577), para defender que só se deveria têla seguido no limite do quanto dispusesse em consonância com os comandos legais. Afinal, tratase de um ato normativo expedido pela Receita Federal com força de norma complementar atribuída pelo artigo 100, I, do CTN. Se uma parte desse ato normativo é ilegal, a sua observância exclui penalidades (exvi do § único do mesmo artigo). Há, portanto, que se afastar as multas e juros de mora aplicados. Quanto à diferença de R$ 438.496.128,80, no ano de 2008, entre o valor que foi tributado como resultado positivo da equivalência patrimonial apurado na controlada “LIR” (R$ 577.048.647,97) e o valor que deveria ser tributado relativamente a essa mesma controlada (R$ 138.552.519,17), a recorrente alega que tem direito ao correspondente crédito tributário justamente porque, neste caso, a fiscalização reconheceu o procedimento adotado pela recorrente. Acrescenta que tal crédito, se atualizado, superaria em muito o valor autuado. Deveras, se o resultado positivo da equivalência patrimonial apurado na controlada “LIR” já havia sido computado no lucro líquido e o mesmo não foi excluído para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no correspondente anocalendário, pelo fato de a empresa ter observado o que dispunha o artigo 7º da IN/SRF nº 213/02, ela deve ter direito ao crédito tributário correspondente à diferença mencionada. Assim, constatado que houve a espontânea tributação indevida sobre os R$ 438.496.128,80 em excesso oferecidos à tributação no anocalendário de 2008, os correspondentes tributos deveriam ter sido deduzidos dos valores apurados no auto de infração relativamente à tributação devida no próprio ano e nos anos antecedentes. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.619 17 Não há nos autos qualquer evidência de que a fiscalização tenha seguido esse caminho. A DRJ não enfrentou essa questão argumentando que qualquer crédito que a interessada entenda possuir deve ser pleiteado por instrumento próprio (fls. 1477). Todavia, tratase de constatar a existência de crédito a favor do contribuinte como decorrência dos mesmos fatos que serviram de base para a autuação. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) deduzir dos valores apurados no auto de infração os tributos incidentes sobre os R$ 438.496.128,80 relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial oferecidos em excesso à tributação no anocalendário de 2008; e (ii) se ainda resultar crédito tributário, exonerar as multas e juros de mora correspondentes. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado Antes de me debruçar sobre questões de técnica jurídica, sempre, na condição de julgador, busco me colocar na posição de cada um dos réus. No caso em apreço, a União pleiteia aplicar uma disciplina contra a qual, por meio da Secretaria da Receita Federal, regulamentou de forma diversa e que, mediante da Procuradoria da Fazenda Nacional, guerreou contra o particular. Já o contribuinte combateu a posição adotada pela Fazenda e sucumbiu pela desistência e renúncia ao seu direito. Pois bem, teria então a União a faculdade de exigir comportamento diversos por parte do contribuinte? Teria a União a faculdade de exigir discricionariamente a tributação de forma diversa daquela que havia disciplinado e combatido judicialmente? Da parte do contribuinte, que disciplina deveria adotar para apurar a obrigação tributária? Aquela que havia entendido inicialmente como a legal, mas que desistiu no curso da ação judicial com o aval da própria União? Ou aquela estampada na regulamentação da Receita Federal e posteriormente defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional? Ora, não é razoável que a Fazenda tenha ao seu dispor duas formas de tributação sobre a mesma matéria para lançar mão daquela que resultar em cada ocasião do valor mais elevado a ser arrecadado. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.620 18 Isso, por si só, já seria suficiente para orientar o meu voto, mas passemos às questões técnicas. Nos termos do art. 267 do Código de Processo Civil, vigente na época: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (...) VIII quando o autor desistir da ação; Se nos baseássemos neste dispositivo isolado, não haveria discordância em relação ao posicionamento adotado pelo ilustre relator. Afinal, a sentença não teria o condão de resolver o mérito em disputa. Nada obstante, os dispositivos legais não podem ser interpretados de forma insular. O disposto acima deve ser compreendido em cotejo o § 4º do mesmo dispositivo e com o art. 269. Comecemos pelo referido parágrafo: § 4º Depois de decorrido o prazo para a resposta, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. Da leitura do referido dispositivo, podemos concluir que a desistência sem resolução de mérito é aquela manifestada antes da resposta do réu. A decisão judicial que formaliza essa desistência não tem o condão de resolver o mérito, ou seja, só faz coisa julgada formal. Encerra o processo, mas são extingue a lide. Não há direito positivado a vincular qualquer das partes e nova demanda com o mesmo objeto pode ser proposta em novo processo. É diferente, porém, no caso de já haver resposta do réu, mas de que forma? No Resp 1267995, o STJ assim se posicionou: "1. Segundo a dicção do art. 267, § 4º, do CPC, após o oferecimento da resposta, é defeso ao autor desistir da ação sem o consentimento do réu. Essa regra impositiva decorre da bilateralidade formada no processo, assistindo igualmente ao réu o direito de solucionar o conflito". (nossos destaques) Isso é necessário justamente pelo fato de a sentença, nessa segunda hipótese, resolver a lide quanto ao mérito, que transita em julgado materialmente e vincula as duas partes. Diferentemente do que alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, a renúncia não é ato unilateral. Seus efeitos são bilaterais justamente porque só são produzidos com a concordância do réu, no caso, da União representada pela própria PFN. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/201190 Acórdão n.º 1401001.579 S1C4T1 Fl. 1.621 19 A desistência é, pois, um ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Pelo contrário. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269: Art. 269. Haverá resolução de mérito: I quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor; II quando o réu reconhecer a procedência do pedido; III quando as partes transigirem; IV quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; V quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. As hipóteses acima resolvem o mérito da ação, estão submetidas ao mesmo regime jurídico, qual seja, o de que o conteúdo decisório faz lei entre as partes. Quando o autor renuncia ao direito em que se funda uma ação em que a outra parte guerreava a posição oposta, significa que o réu ganhou a ação. É equivalente ao juiz rejeitar o pedido do autor. A sentença judicial de mérito faz coisa julgada material. No caso específico aqui analisado, fixouse o poder de o Fisco exigir a tributação nos termos da sua Instrução Normativa IN 213/02 (reconhecimento da variação cambial) e o dever de o particular apurar a obrigação tributária nos termos da mesma normativa. É evidente que isso não significa que o Fisco possui a faculdade para alterar seu entendimento para o caso concreto ao seu talante; até porque a atividade de lançamento é vinculada, vinculação esta adstrita na presente hipótese à norma fixada pela decisão judicial. Uma vez que o sujeito passivo apurou o valor devido conforme o art. 7º da Instrução Normativa nº 213/02, o qual havia sido fixado como o direito a ser aplicado para as partes por meio de sentença de mérito transitada em julgado, não há como a autoridade fiscal se insurgir sob o pretexto de considerar equivocada a regulação promovida pelo ato normativo. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
score : 1.0
Numero do processo: 11968.001177/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 08/01/2009 a 29/03/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 08/01/2009 a 29/03/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11968.001177/2009-68
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589684
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.639
nome_arquivo_s : Decisao_11968001177200968.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 11968001177200968_5589684.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377677
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416714489856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 205 1 204 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11968.001177/200968 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.639 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/01/2009 a 29/03/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 11 77 /2 00 9- 68 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 206 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.872, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 207 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 208 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 209 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 210 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 211 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 212 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/200968 Acórdão n.º 9303003.639 CSRF‐T3 Fl. 213 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001308/2001-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164).
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embargos Acolhidos
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13005.001308/2001-63
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5602514
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jun 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.884
nome_arquivo_s : Decisao_13005001308200163.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 13005001308200163_5602514.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente Demes Brito- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
dt_sessao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6417913
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416739655680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 891 1 890 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.001308/200163 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303003.884 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Embargante COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 13 08 /2 00 1- 63 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/200163 Acórdão n.º 9303003.884 CSRFT3 Fl. 892 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Em sessão de julgamento realizada em 2 de fevereiro de 2010, esta 3ª Turma da Câmara Superior julgou o recurso especial interposto por COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA, exarando o Acórdão nº 9303000.707, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure’, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. A Autoridade Administrativa incumbida da execução do acórdão vem agora aos autos para interpor embargos de declaração, fl. 884, acusando a decisão de conter o vício de omissão acerca da matéria relativa à correção monetária do valor ressarcido, com base na taxa Selic. Conclui, requerendo sejam conhecidos e providos os embargos, para o fim de sanar a omissão ora apontada e esclarecer em quais pontos a União foi sucumbente, para viabilizar a adequada liquidação e execução do acórdão. É o relatório Voto Fl. 892DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/200163 Acórdão n.º 9303003.884 CSRFT3 Fl. 893 3 Demes Brito Conselheiro Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A embargante aponta vício de omissão e obscuridade no acórdão, pois, esta 3º Câmara Superior, ao proferi o acórdão não se manifestou quanto a correção monetária do crédito de IPI (ressarcimento) Taxa Selic. Com efeito, nos autos do REsp nº 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja controvérsia foi submetida ao rito previsto no artigo 543C do CPC, cuja ementa transcrevese abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 893DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/200163 Acórdão n.º 9303003.884 CSRFT3 Fl. 894 4 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ Fl. 894DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/200163 Acórdão n.º 9303003.884 CSRFT3 Fl. 895 5 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/200163 Acórdão n.º 9303003.884 CSRFT3 Fl. 896 6 O artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) dispõe que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.e Neste sentido, acolho os embargos de declaração opostos pela Unidade Preparadora (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SANTA CRUZ DO SUL – RS), para rerratificar o acórdão embargado, incluindose a Taxa Selic sobre parcela deferida pelo CARF, a partir da data do protocolo. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 896DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720534/2012-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/10/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12266.720534/2012-66
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591895
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.728
nome_arquivo_s : Decisao_12266720534201266.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 12266720534201266_5591895.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6385574
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416982925312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 337 1 336 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12266.720534/201266 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.728 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 05 34 /2 01 2- 66 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 338 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.855. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 339 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 340 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 341 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 342 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 343 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 344 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 344DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 345 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 346 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 347 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/201266 Acórdão n.º 9303003.728 CSRF‐T3 Fl. 348 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 348DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000466/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA
A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL
Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. Recurso Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.000466/2010-13
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5614924
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.708
nome_arquivo_s : Decisao_19515000466201013.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 19515000466201013_5614924.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6454871
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417040596992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 408 1 407 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000466/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.708 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS MULTA DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente SPDM ASSOCIAÇÃO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 66 /2 01 0- 13 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. Relatório Tratase de AI Auto de Infração Debcad n° 37.239.7255, lavrado em 04/03/2010, por infração ao art. 32, IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, combinado com o art. 225, IV, §4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, abrangendo o período de 01/2006 a 13/2007. O Relatório Fiscal (fl. 21) informa, em síntese, que: A empresa apresentou GFIP com incorreções ou omissões, tendo informado FPAS 639, como entidade filantrópica, com gozo de isenção de contribuição previdenciária, mesmo tendo recebido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 21.404/001/2006, de 11/08/2006, com efeitos a partir de 01/07/1998; A empresa protocolou recurso contra o Ato Cancelatório mencionado, o qual recebeu o n° 35464.003247/200617, que se encontra na Quarta Câmara de Julgamento, ainda pendente de julgamento, razão pela qual o presente Auto de Infração deverá ficar sobrestado, até que o recurso da empresa seja julgado. Foi aplicada a multa no valor de R$ 1.834.027,00 (um milhão, oitocentos e trinta e quatro mil e vinte e sete reais), de acordo com o disposto no art. 32, inciso IV, §5° e artigos 284, inciso II, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, conforme demonstrado nas planilhas gravadas em CD e anexas ao presente: Planilha I Valores não declarados em GFIP (declarados com FPAS 639, quando o correto seria FPAS 515); Planilha II Cálculo da Multa CFL68 Legislação vigente à época dos fatos geradores Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 409 3 Planilha III Comparativo das Multas mais benéficas.o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 05, e anexo de fls. 08. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 19, não foram observadas circunstâncias agravantes nem atenuantes, porém para efeito de julgamento informa que foram emitidos contra a empresa os Autos de Infração n° 35.566.5930 e n° 35.566.5948, CFL 68 e 91, respectivamente, tendo sido julgamentos procedentes e extintos por pagamento em 20/06/2006. Informa ainda o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que o presente Auto de Infração será atualizado pela SELIC, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF 10, de 14/11/2008. A empresa foi cientificada do Auto de Infração por via postal, em 11/03/2010, fls. 60, e apresentou impugnação tempestiva, fls. 63/76, acompanhado de Procuração, fls. 77, e cópias dos seguintes documentos: Estatuto Social e Ata de Assembleia Geral, Auto de Infração e anexos, extrato do recebimento de correspondência, certidões de declaração de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal e de Assistência Social, peças do processo administrativo referente ao ato cancelatório de isenção e demonstrativos de parcelamento de débitos previdenciários, fls. 78/ 166. Em sua impugnação, a recorrente alega que: a mesma não merece prosperar, na medida em que foi lavrada em desacordo com o art. 55 da Lei n° 8.212/91, art. 14 do CTN, e o art. 195, §7°, do Texto Constitucional, em flagrante desrespeito ao princípio da estrita legalidade. A Impugnante é associação civil, sem fins lucrativos, de natureza filantrópica, mantenedora do Hospital São Paulo e de outros hospitais, possibilitando a disponibilização de leitos e serviços hospitalares ao Sistema Único de Saúde SUS, conforme se verifica do seu estatuto social. Foi declarada de Utilidade Pública Federal, por meio do Decreto do Poder Executivo Federal, publicado no DOU em 23/03/ 1966, sendo, assim, reconhecida sua natureza filantrópica, conforme certidão emitida pelo Ministério da Justiça. Sua natureza filantrópica também foi reconhecida no âmbito estadual, pelo Decreto n° 40.103, de 17/05/62, conforme certidão emitida pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, e no âmbito municipal, conforme Certificado de Inscrição n° 467/2002, emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo COMASSP. Em virtude de prestar serviços gratuitos de apoio à saúde pública, foilhe conferido, pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, nos termos da Resolução CNAS n° 143/06, em anexo. A Impugnante caracterizase como entidade sem fins lucrativos e beneficente de assistência social, atendendo a todos os requisitos legais para fazer jus à imunidade tributária estampada no art. 195, §7°, da Constituição Federal. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Diante do infundado Ato Cancelatório de Isenção exarado, a Impugnante, em 18/09/2006, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, com efeito suspensivo, sob o fundamento de que a contribuinte, uma vez que é entidade imune às contribuições sociais indicadas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, bem como a suposta inadimplência à época dos fatos não pode acarretar o cancelamento da isenção conferida, até porque o preceito lega que dispõe nesse sentido encontrase com a sua eficácia suspensa em virtude ar deferida em ADIN n° 2.0285, concedida pelo STF. Por ocasião do recurso interposto, demonstrouse à exaustão que o instituto jurídico previsto no art. 195, §7°, da Constituição Federal se reporta a uma verdadeira imunidade tributária, equivocadamente tratada como hipótese de isenção. A doutrina pacificou o entendimento de que o legislador constituinte equivocouse ao denominar de “isenção” o que se trata de verdadeira imunidade. (transcreve doutrina). Em sendo imunidade, foi retirada a possibilidade de atuação do legislador infraconstitucional à instituição de contribuições sociais de sociedades beneficentes de assistência social. Registrese que a imunidade é uma limitação ao poder de tributar do ente político, ou seja, o legislador não pode instituir tributos sobre o que é imune. O STF, em julgamento de Recurso Extraordinário em Mandado de Segurança, reconheceu definitivamente que se trata de imunidade tributária o contido no art. 195, §7°, da Carta Magna, conforme transcrição de trechos do voto. Não há que se falar em cancelamento de isenção, e consequentemente, em autuação fiscal pela aplicação da multa de oficio por suposta indicação de código FPAS incorreto, pois, uma vez sendo imune, a ora Impugnante obrigatoriamente deveria indicar o FPAS 639, referente às entidades beneficentes de assistência social “isentas” ao recolhimento de contribuições previdenciárias, e não o código FPAS 515, utilizado por entidades de saúde não reconhecidas como beneficentes de assistência social, como equivocadamente faz crer o Sr. Auditor Fiscal. Aduz a recorrente que de acordo com o disposto no art. 206, §8°, IV, do Decreto n° 3.048/99, uma vez apresentado recurso voluntário, interposto tempestivamente contra o ato cancelatório de “isenção”, o ato exarado terá seus efeitos suspensos até decisão final a ser proferida pelo atual CARF, não havendo que se falar em recolhimento das contribuições ao INSS, tampouco em indicação em GFIP de dados ou códigos identificadores de empresas não albergadas pela isenção, e até mesmo de autuações fiscais pelo não recolhimento das contribuições então inexigíveis. Frisa que, ao declarar as GFIP°s das competências 01/2006 a 12/2006, utilizou do código FPAS 639 acertadamente, uma vez que é o característico de entidades que estejam em gozo de “isenção” das contribuições previdenciárias. E assim procedeu acertadamente, pois mesmo diante do ato cancelatório de isenção, há pendência de julgamento de recurso voluntário com efeito suspensivo, que impede que a associação lance referidos valores sob o código FPAS 515, referente às prestadoras de serviços de saúde sem o gozo de referido beneficio. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 410 5 Assim, na vigência de norma ou situação que determine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário é ilegítima a aplicação de qualquer norma penal, ainda que a penalidade seja a multa de ofício ora impugnada. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. ISENÇÃO. ATO DELCARATÓRIO Somente ficam isentas das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei n° 12.101, de 27/11/2009, as entidades beneficentes de assistência social que cumpriam, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Não anulado ou revogado, o ato cancelatório de isenção regularmente declarado permanece produzindo efeitos, sujeitando o contribuinte à incidência das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, e informação das referidas contribuições em GFIP. RECURSO. EFEITO SUSPENSIVO. O recurso interposto perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) contra o Ato Cancelatório de Isenção suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN, mas não afasta a obrigatoriedade da entidade em declarar o código FPAS correspondente a empresas não isentas de contribuições previdenciárias, assim como a legitimidade do lançamento tributário, realizado de forma a prevenir a decadência. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇAO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A contribuinte foi cientificada do Acórdão 1626.820 12ª Turma da DRJ/SP1 em 27/12/2010, mediante Aviso de Recebimento ( fl. 211). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Sobreveio recurso voluntário em 24/01/2011 (fls. 216/240). Juntou documentos: Procuração, Estatuto e Ata Eleição Diretoria, Intimação Fiscal e Acórdão 1ª Instância, Embargos de Declaração e certidão referente ao processo do Ato Cancelatório, Certidão CEBAS, decisões execuções fiscais, certidões de regularidade fiscal, ADI 2028 MC/DF (fls. 241/339). Em suas razões, reforça os argumentos da impugnação, acrescendo que o art. 55 da lei nº 8212/91 foi revogado pela Lei nº 12.101/09 e que a recorrente atende a todos os requisitos impostos pela novel legislação. Sobre a multa, a recorrente alega: Assim, a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal não pode prevalecer, pois a exigibilidade da contribuição social em referência se encontra suspensa em virtude da pendência de decisão definitiva nos autos do processo em que se discute o ato cancelatório de isenção, não havendo que se falar em mora do contribuinte ou aplicação de quaisquer outras penalidades, nos termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Destacase que a recorrente, ao declarar as GFIPS das competências 01/2006 a 12/2006, utilizou do código FPAS 639 acertadamente, uma vez que é o característico de entidades que estejam em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...] Em 16/05/2016, a autuada apresenta nova manifestação com síntese dos fatos, insurgindose quanto a aplicação da multa e que: [...] A decisão recorrida não levou em consideração o fato de o Ato Cancelatório estar sub examem perante instância administrativa, o que, de acordo com o artigo 151, III, do CTN, acarreta o efeito suspensivo do ato, e entendeu que seus efeitos deveriam imperar concretamente por ocasião da apresentação das GFIPS indicadas no AI, relativas a competências/exercícios enquanto ainda em trâmite, sem decisão definitiva, o Processo Administrativo Fiscal que impugnou o Ato Cancelatório. [...] que o Ato Cancelatório de Isenção é de 11/08/2006 com efeitos retroagindo até 01/07/1998; que a lavratura do Auto de Infração ocorreu para prevenir a decadência; que acerca da matéria existe legislação superveniente ao lançamento, que deverá ser observada; que por força do art. 50, do Decreto nº 8.242/14, os processos que tratam de isenção deverão ser encaminhados à unidade competente para verificar o atendimento dos requisitos , na forma do art. 32, da Lei 12.101/09, à época do fato gerador. que de acordo com o atual art. 32 da Lei 12.101/09, à época da lançamento, a recorrente preenchia todos os requisitos legais vigentes à época dos fatos geradores. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 411 7 que a lavratura do Auto de Infração observou lei anterior, a qual foi revogada (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91) e isso acarreta em erro de procedimento vicio formal; que para créditos constituídos após edição da Lei nº 12.101/09 deve ser observado aquele rito formal, em consonância com o §1º do art. 144, CTN; que houve erro de procedimento ao lavrar o AI uma vez que a autoridade lançadora, mesmo sob a égide da Lei 12.101/09, adotou procedimento de legislação ultrapassada. que em 2006 estavam regularizados os débitos e era portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; que há época do lançamento 04.03.2010, o § 6º, do art. 55, da Lei 8.212/91 já estava revogada e que a matéria em questão era regida pela Lei 12.101/09, especialmente o art. 31.que no ano de 2010 já era detentora do CEBAS, atendendo o disposto no art. 31, da Lei 12.101/09. que ser portadora do CEBAS significa dizer que todos os requisitos e exigências legais para usufruir a isenção estão preenchidos; que sendo a recorrente portadora do CEBAS na ocasião da ação fiscal, cumprindo o que se refere no art. 31, da Lei 12.101/09, nada mais justo e legal do que ser aplicado ao caso o art. 106, II "a" e "b" do CTN, para cancelar as exigências lançadas. que a multa de mora não poderá prevalecer pois a exigibilidade das contribuições previdenciárias se encontravam suspensas em virtude de pendência de decisão administrativa nos autos do processo em que se discutia o Ato Cancelatório de Isenção. Por fim, entende que referente ao presente lançamento é "cogente a aplicação do disposto no artigo 49 da Lei 13.097, de 19.01.2015, que ANISTIOU as multas aplicadas com base no artigo 32A, da Lei 89.212/91 ( com a redação que lhe deu a Lei 11.941/2009)". É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso preenche os pressupostos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. O lançamento em questão, referente ao AI nº 37.239.7255, trata de descumprimento de obrigação acessória, detalhado assim (fl.22): RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA Aplicamos a multa de R$ 1.834.027,08 (Hum Milhão Oitocentos e Trinta e Quatro Mil e Vinte e Sete Reais e Oito Centavos) estabelecida pela Lei n° 8.212, de 24/07/1991,art. 32A Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 "caput", inciso II e §§ 2° e 3°, incluídos pela Lei 11.941/2009, de 27/05/2009, com valores fixados pela Portaria Interministerial MPS/MF 350 de 30/12/2009, publicada no DOU em 31/12/2009, respeitado o disposto no art.106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 CTN, uma vez que a multa aplicada com base na legislação vigente a época resultaria em valor superior, conforme demonstrado nas planilhas gravadas em CD e anexas ao presente : Planilha I Valores Não Declarados em GFIP( Declarados com FPAS 639 quando o correto seria FPAS 515) Planilha II Calculo da Multa CFL68 Legislação a época dos fatos geradores. Planilha III Comparativo de multas mais benéficas. Não foram observadas circunstâncias agravantes e nem atenuantes. Informamos para efeito de julgamento, que contra a empresa foram emitidos, em 31/05/2006, os Autos de Infração 35.566.5930 e 35.566.5948 CFL 68 e 91 respectivamente, referentes a não inclusão de contribuintes individuais em GFIP, tendo sido os débitos julgados procedentes e extintos por pagamento em 20/06/2006.(grifei) [...] Conforme se depreende da análise dos autos, não consta informação de que a GFIP não tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para entrega, uma vez que, de acordo com o relatório fiscal, a autuação ocorreu porque o contribuinte informou em GFIP, durante todas as competências (01/2006 à 13/2007) código incorreto (declarados com FPAS 639 quando o correto seria FPAS 515). Portanto, resta incontroverso, inclusive ratificado pelo Fisco que a autuada entregou as GFIP nos períodos mencionados. Ou seja, a aplicação da multa se deu pela declaração supostamente incorreta da condição de imune da autuada (código FPAS) na GFIP. Todavia, imperioso informar que nos processos de exigência das contribuições, ora apensados (19515.000467/201068, 10515.000463/201080 e 19515.000469/201057), entendeu esta Relatora que o Fisco não teria apontado quais os requisitos que, por não terem sido cumpridos, acarretariam na perda da imunidade da recorrente, por isso aqueles lançamentos foram declarados nulos por vicio formal. Assim, ante a ausência de demonstração de requisitos que ensejariam a perda do benefício fiscal nos processos principais, a aplicação de multa em razão da declaração incorreta da condição de imune também não pode prosperar, devendo também ser declarado nulo pelo mesmo motivo, qual seja a ocorrência de vício formal. Entendo que neste caso em concreto, o lançamento para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele lavrado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos geradores. É que fora de dúvida se a obrigação principal não prospera não há de se exigir a multa por descumprimento da obrigação acessória. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 412 9 Nesse sentido, colaciono excertos das razões de decidir contidas no Acórdão 2402004.740, do processo 10805.722297/201206, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, julgado em 09.12.2015. [...] Esta lavratura referese apenas às competências 01 a 04/2008 e diz respeito à falta de declaração na GFIP das contribuições patronais sobre remuneração declarada, sobre a remuneração não declarada e sobre os pagamentos feitos a cooperativas de trabalho, estes não declarados. O entendimento prevalente no CARF é que o lançamento para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele lavrado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos gerados. É que fora de dúvida se a obrigação principal não prospera não há de se exigir a multa por descumprimento da obrigação acessória. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. [...] (grifei) Não é outro entendimento esposado no julgamento do processo 16327.721796/201156, Acórdão 2401003.890, de 11.02.15, o qual transcrevo partícula da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 [...] OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicandose a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, estão decaídas as competências de março a maio de 2006. Em relação à competência remanescente, referente ao mês dezembro, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. (grifos do original) No mesmo rumo, o já referido Acórdão 2402004.740, do processo 10805.722297/201206, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, julgado em 09.12.2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 [...] ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2008 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. NULIDADE DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS CONTRIBUIÇÕES APURADAS. Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das contribuições na GFIP. (destaquei) [...] Não é diferente o entendimento de que a obrigação principal segue a acessória no âmbito do Poder Judiciário, vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.019.004 ES (2007/03084179) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FUNDACAO NOVO MILENIO ADVOGADO : JOSMAR DE SOUZA PAGOTTO E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PROCURADOR : RAFAEL INDUZZI DREWS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. ICMS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. (LEASING ). NÃO INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ICMS. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DO DOMÍNIO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO DE ARRENDAMENTO. SÚMULA 293 DO STJ. BOAFÉ NA CELEBRAÇÃO DE CONTRATO. ADMISSIBILIDADE. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA N.º 284 DO STF. [...] 6. Deveras, permanecendo incólume a natureza da operação efetuada no caso sub judice como arrendamento mercantil, sujeita, portanto, à incidência do ISS, nos termos da Súmula n.º 138/STJ, não subsiste a multa imposta com fundamento em regulamento sobre o ICMS, consoante o princípio de que a obrigação acessória segue o destino da principal, restando ao erário a apenação a outro título, mercê de insindicável a afirmação da instância a quo de que houve infração fiscal (grifei) [...] Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 413 11 Dessa forma, em se tratando o presente Auto de Infração de obrigação acessória conexa com os autos de infração principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa em discussão no presente processo, tendo em vista a acessoriedade do lançamento efetuado. Todavia, ainda que não seja acolhido o entendimento desta Relatora quanto ao exposto acima, de que o acessório acompanha o principal, no caso em comento há regramento recente anistiando as infrações elencadas no art. 32A"caput", inciso II e §§ 2° e 3°, incluídos pela Lei 11.941/2009 Tratase da Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015. A nova legislação introduzida no ordenamento jurídico, em seu artigo 49, abaixo reproduzido, dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Sobre o assunto, há decisões nesse sentido. Abaixo, ementa colacionada referente ao Acórdão 2803004.218 3ª Turma Especial, de 12.03.2013, Redator Designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Do acórdão supracitado, destaco excertos das razões de decidir contidas no voto vencedor. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devendo ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado Portanto, a multa aplicada no Auto de Infração Debcad 37.239.7255, que teve como fundamento a aplicação da multa prevista no art. 32A, "caput", inciso II e parágrafos 2º e 3º, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para excluir a penalidade imposta seja porque as infrações principais foram anulados por vício formal, seja por força de anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 414 13 Declaração de Voto É oportuno que sejam esclarecidos meus fundamentos para suscitar uma questão prejudicial ao exame de mérito do recurso voluntário, quando na sessão de julgamento fui vencido, conforme trecho a seguir transcrito: Acórdão 2301004.707 Informações Adicionais: Acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro Em pesquisa ao processo citado no relatório nº 35464.003247/200617, onde se discutem os fundamentos acerca do direito à imunidade de contribuições previdenciárias, constatei que em 10/06/2010 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção havia julgado o recurso voluntário através do acórdão nº 240200.931, negandolhe provimento. O fundamento do cancelamento da imunidade é o mesmo adotado para o presente processo de lançamento tributário. Em julgamento dos embargos de declaração opostos, a turma entendeu que não sendo a decisão definitiva deveria, em cumprimento ao artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e ao artigo 234 da IN nº 971/2009, retornar o processo para que a origem o juntasse aos processos instaurados para a constituição dos créditos tributários. Um deles é o presente processo sob exame: Art. 234 (...) 2º Em caso de tramitação simultânea de processo de cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos retornarem à Fiscalização, para fins de aplicação, relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e II deste artigo. Como se vê, o acórdão nº 240200.931 foi proferido antes do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010; portanto, cumpriu o procedimento vigente à época. Assim, conforme artigo 6º, §6º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, existe conexão e prejudicialidade para que o presente processo de obrigação principal seja julgado por esta turma; sendo correto que todos sejam movimentados para a Segunda Turma da Quarta Câmara que além da prevenção por distribuição em momento anterior, lá se encontra o processo principal que, inclusive, já fora julgado no mérito: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. As disposições no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN nº 971/2009 têm por finalidade a reunião dos fundamentos a serem examinados para exame dos processos de lançamento da obrigação principal, já que fora extinto o procedimento anterior, onde antes era necessário um ato cancelatório. Com os processos apensos seria viável o exame do cumprimento ou não dos requisitos que estão consignados tanto no processo de ato cancelatório quanto os de lançamento tributário. Porém, uma vez entendendo a turma que não haveria vinculação ou conexão entre os processos, o presente processo teve que ser examinado apenas com os documentos que constavam em seus autos, daí resultando em vício formal, o que a meu ver seria superado com o cumprimento do disposto no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN nº 971/2009. Ressaltase que o mérito já havia sido julgado pela turma na qual tramita o processo de cancelamento da imunidade. Em síntese, independentemente do que se entenda quanto ao mérito, ou seja, quanto ao requisito que teria sido descumprido pelo recorrente, o atual procedimento não Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/201013 Acórdão n.º 2301004.708 S2C3T1 Fl. 415 15 determinou que os processos de ato cancelatório de imunidade/isenção em tramitação sejam extintos, mas apenas que retornem à origem para que sejam juntados aos processos de lançamento tributário, o que propicia um maior conjunto probatório. E quanto ao RICARF, há norma expressa no sentido de que todos esses processos devem ser julgados pela turma onde tramita o processo principal ou à qual tenha sido distribuído o primeiro processo. Diante do exposto, declaro meu voto pela prejudicialidade e remessa do presente processo à Segunda Turma da Quarta Câmara. É como voto. Júlio César Vieira Gomes Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000103/2002-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13975.000103/2002-74
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596947
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.892
nome_arquivo_s : Decisao_13975000103200274.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13975000103200274_5596947.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6403706
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417115045888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2135; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 199 1 198 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13975.000103/200274 Recurso nº 517.831 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.892 – 3ª Turma Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente COMERCIAL F. TOMIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 03 /2 00 2- 74 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380301.924, de 1° de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A não confirmação das compensações informadas em Declaração de Contribuições e Tributos Federais enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência dos débitos inadimplidos. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AÇÃO JUDICIAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste possibilidade de efetuar a compensação de débitos da contribuição com direito creditório emanado de ação judicial antes do trânsito em julgado da decisão que os reconheceu. O recurso teve seguimento, nos termos do Despacho nº 330000.513, fls. 184 a 187, quanto à possibilidade da compensação e créditos com origem em decisão judicial, antes do trânsito em julgado destas decisões. Em sua peça recursal, o contribuinte reclama contra a aplicação retroativa do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, insistindo em que seu procedimento foi compatível com a situação, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso às fls. 189 a 195. Em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Joel Miyazaki, os autos foram redistribuídos no âmbito da 3ª Turma da CSRF. É o relatório. Voto Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000103/200274 Acórdão n.º 9303003.892 CSRFT3 Fl. 200 3 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Compulsando o voto condutor da decisão recorrida, constatase o recurso voluntário não mereceu provimento sob a consideração de que os créditos judicialmente reconhecidos não se revestiam dos atributos de liquidez e certeza, posto que opostos em compensação antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. Confirase, fls. 122, com grifos na transcrição: [...] Na ação judicial n° 98.20.018994, verifiquei que a parte interessada figurando como litisconsorte, buscou o reconhecimento da inconstitucionalidade dos decretosleis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, na apuração da contribuição PIS, com vistas ao direito de compensar os valores recolhidos indevidamente, após amortização da exigência restabelecida nos moldes da Lei Complementar n° 07, de 1970. Nada obstante, a referida ação só foi ajuizada em 16/04/1998, após o vencimento dos débitos lançados, em 15/05/1997, 15/06/1997 e 15/07/1997. A compensação tributária, não se olvide, está sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente tributante. Impossível, destarte, em virtude de óbice legal, o uso de compensação mediante o aproveitamento de valores, objeto de cotejo judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, como forma de extinção do crédito tributário. Com a discussão submetida ao exame do Poder Judiciário, veiculada pela ação ordinária trazida na peça de impugnação, somente terseá créditos líquidos e certos, passíveis de compensação pela parte interessada, quando a sentença que resolver o mérito da lide adquirir contornos de definitividade. Ressaltase que não se está aqui a negar o direito reconhecido pelo Judiciário em ação própria mas sim a questionar o momento do exercício deste direito. O fato de a ação vir a transitar em julgado posteriormente em absoluto altera a constatação de que o contribuinte realizou indevidamente compensações anteriores a esta data (trânsito em julgado da ação), ferindo o disposto na legislação de regência da matéria. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou dois acórdãos paradigmas: Acórdão nº 180200.053 e Acórdão nº 20219.567. Transcrevo as respectivas ementas: Acórdão nº 180200.053 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 Ementa: FINSOCIAL Utilização de Crédito Art. 170A do CTN Inaplicabilidade Confronto com o princípio constitucional da irretroatividade. Plenária do STF, no julgamento do RE n° 150.764/PE declarou a inconstitucionalidade do art. 9° da Lei 7.689, de 15.12.88, do art. 7° da Lei 7.787,de 30.06.89, do art. 1. da Lei 7.894, de 24.11.89 e do art. 1. da Lei 8.147, de 28.12.90 Efeitos erga omnes e vinculantes a decisão do STF edição das Medidas Provisórias n° 1.175/95 e n° 1.973/99 existência de decisão judicial transitada em julgado. ADI n° 1.9767/ DF, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei n° 10.522/2002, que alterou o § 2° do art. 33 do Decreto 70.235/72 exigência de depósito de 30% ou arrolamentos de bens. Recurso Provido." Acórdão nº 20219.567 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL, ART. 170A. O disposto no 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. Não se conhece de matéria estranha ao objeto do litígio. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via judicial. Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA. Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3, DO 2° CC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000103/200274 Acórdão n.º 9303003.892 CSRFT3 Fl. 201 5 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso Negado" Os acórdãos indicados como paradigma da divergência decidiram ambos pela inaplicabilidade retroativa da norma do art. 170A, inserta no CTN pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. A argüição da divergências, conforme fundamentada pelo sujeito passivo, requer algumas observações. Primeiro, há que se considerar que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá, portanto, caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Conforme visto, a decisão recorrida jamais cogitou da aplicação retroativa da norma do art. 170A do CTN. Como o próprio recorrente reconheceu em sua peça recursal (fls. 142), o voto condutor da decisão recorrida asseverou que a exigência de liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação prescinde dos ditames do art. 170A, pois é a eles anterior. Deste modo, não se pode, pois, alegar interpretação divergente na aplicação do art. 170A do CTN, quando o aresto recorrido efetivamente não o aplicou. Logo, em se tratando de recurso que não se reveste de condição essencial à caracterização da divergência nos termos em que conceituada, não se justifica a abertura da via especial à recorrente. Com essas considerações, não conheço do recurso especial do contribuinte em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 19/05/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720099/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2008, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.720099/2012-30
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584402
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.958
nome_arquivo_s : Decisao_19515720099201230.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19515720099201230_5584402.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6354238
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417276526592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720099/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria IRRF Recorrente CONECTA TELECOMUNICAÇÕES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário de 2007 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 46.177,39. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 99 /2 01 2- 30 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 De acordo com a autoridade fiscal: O lançamento decorreu da falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre trabalho assalariado; sobre trabalho sem vínculo de emprego, e sobre aluguéis e royalties pagos à pessoa física, nos anoscalendário de 2007 e 2009, constatada no cruzamento dos valores informados em DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e os valores recolhidos mediante DARF ou informados em DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Em função da não localização da contribuinte no endereço informado à RFB, a fiscalização a intimou por edital e também os dois sóciosadministradores, via postal, a prestarem esclarecimentos e apresentarem o contrato social e alterações que comprovassem, inclusive, o novo domicílio da empresa e a regularização do endereço junto ao cadastro da RFB. Ambos os sócios esclareceram que a empresa não mais se encontrava no endereço indicado, não tendo, ainda, se estabelecido em outro lugar. Com base nos artigos 124 e 135 da Lei nº 5.172, de 1966, a Fiscalização lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária dos sóciosadministradores, sob o argumento de que “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar em seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes. Em face da constatação de que a contribuinte não recolheu e também não declarou em DCTF os valores devidos de IRRF informados em DIRF, a Fiscalização lavrou auto de infração, Representação Fiscal para Fins Penais e Representação Fiscal para Inaptidão do CPNJ. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em sua petição, a Impugnante suscitou as seguintes preliminares: Elisão da presunção de que a empresa foi irregularmente dissolvida – Alteração de endereço solicitada na JUCESP e na RFB. A contribuinte alega que solicitou alteração de endereço da Av. Angélica, 2.510, 9º Andar, Bairro de Higienópolis, São Paulo, para a Rua Coronel José Eusébio, 145, sala 15, Bairro da Consolação, São Paulo, e contesta a responsabilização solidária dos sóciosadministradores da empresa. A autuada informa que não se ocultou da fiscalização, apenas foi despejada do imóvel anteriormente ocupado, por força de decisão judicial, e que a presunção de dissolução irregular teria preterido o seu direito de defesa no tocante à multa de mora. Elisão da presunção de que a empresa foi irregularmente dissolvida – Apresentação de prova incontestável: A contribuinte defende que não há previsão legal de dissolução de sociedade por alteração de endereço em razão de despejo por Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720099/201230 Acórdão n.º 2201002.958 S2C2T1 Fl. 3 3 falta de pagamento e apresenta como prova inequívoca, segundo ela, “Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral da Receita Federal do Brasil extraído do sítio público em 15.03.2012, apontando que a empresa encontravase ATIVA”. A autuada alega que houve “cerceamento de defesa da multa aplicada que não poderia ser aplicada com base em dissolução irregular”. Citação por Edital nula – Contrariedade à Lei Federal. A contribuinte informa que no dia 12/01/2012 foi emitido Termo de Solicitação de Comparecimento com ciência via postal para os administradores domiciliados na Rua Ceará, 247, Ap. 81, São Paulo e que, em resposta, os sócios teriam esclarecido que a empresa não se encontrava mais na Av. Angélica, pois estava sem local ainda definido para o estabelecimento. Assim, a autuada alega que a cientificação por edital seria ilegal, pois a RFB não intentou todos os meios para dar ciência à contribuinte, e que seria necessária nova intimação, sob pena de cerceamento de defesa. No mérito, alega: Débito declarado em DCTF. Multa reduzida para 20%. A contribuinte alega que os débitos de IRRF lançados mediante auto de infração já teriam sido declarados em DCTF e que, de acordo com decisões da própria Delegacia de Julgamento, a multa deveria ser reduzida de 75% para o percentual máximo de 20%. Entende que a fiscalização deveria ter aplicado o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata de tal limite da multa de mora. Disposição expressa de Lei sobre a data de Aplicação dos Juros A Impugnante argumenta que, de acordo com a legislação vigente, os juros devem ser computados a partir do 1º dia do mês susbsequente ao do vencimento, sendo que a Fiscalização teria aplicado no mês do vencimento. A 3ª Turma da DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: DÉBITOS DE IRRF NÃO PAGOS OU NÃO DECLARADOS EM DCTF É correto o lançamento mediante auto de infração dos valores de IRRF informados em DIRF e não pagos ou não declarados em DCTF, sobre os quais devem incidir multa de ofício e juros. INTIMAÇÃO POR EDITAL Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte teve ciência de todos os atos, inclusive recebendo cópia integral do processo, e oportunidade para se manifestar e apresentar elementos de prova. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, incidirão juros de mora calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de primeira instância em 29/08/2014 (fl. 166), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 02/10/2014 (fls. 169/185), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pela contribuinte. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, a suplicante tomou ciência da decisão de primeira instância em 29/08/2014, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl. 166. Considerando que 29/08/2014 foi uma sextafeira, dia de expediente normal na repartição, o primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau foi dia 01/09/2014, uma segundafeira, sendo que nesse caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 30/09/2014, uma terçafeira. Ocorre que o recurso foi apresentado em 02/10/2014, fls. 169/185, após ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720099/201230 Acórdão n.º 2201002.958 S2C2T1 Fl. 4 5 I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ressaltese que a correspondência foi entregue no endereço eleito pela contribuinte, qual seja, Rua Coronel José Eusébio n° 145, sala 15, Bairro da Consolação, São Paulo/SP CEP: 01239030. Isso posto, não deve ser conhecido o recurso voluntário. Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722735/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/01/2009 a 17/10/2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO.
O auto de infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO.
Com relação ao responsável solidário, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extingui-se o direito de o interessado omisso fazê-lo em outro momento processual.
Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados.
IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA.
A modalidade de importação denominada para revenda a encomendante predeterminado, de que trata o art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, não admite adiantamento de recursos ao importador. Declarada pelo importador, na DI, que se cuida dessa modalidade, quando na realidade se provou que se trata de importação por conta e ordem de terceiro, resta configurada a infração do art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.544, de 1976.
IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/01/2009 a 17/10/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. O auto de infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO. Com relação ao responsável solidário, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extingui-se o direito de o interessado omisso fazê-lo em outro momento processual. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. A modalidade de importação denominada para revenda a encomendante predeterminado, de que trata o art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, não admite adiantamento de recursos ao importador. Declarada pelo importador, na DI, que se cuida dessa modalidade, quando na realidade se provou que se trata de importação por conta e ordem de terceiro, resta configurada a infração do art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.544, de 1976. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.722735/2013-22
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5614480
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.095
nome_arquivo_s : Decisao_12466722735201322.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 12466722735201322_5614480.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6452574
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417325809664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 4.033 1 4.032 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722735/201322 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.095 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria MULTA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/01/2009 a 17/10/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. O auto de infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO. Com relação ao responsável solidário, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extinguise o direito de o interessado omisso fazêlo em outro momento processual. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. A modalidade de importação denominada “para revenda a encomendante predeterminado”, de que trata o art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, não admite adiantamento de recursos ao importador. Declarada pelo importador, na DI, que se cuida dessa modalidade, quando na realidade se provou que se trata de importação por conta e ordem de terceiro, resta configurada a infração do art. 23, V, do Decretolei nº 1.544, de 1976. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 27 35 /2 01 3- 22 Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal, no qual as autoridades Aduaneiras, por meio de Auto de Infração (fls. 01 a 64 e documentos anexados), constituíram crédito tributário em face do contribuinte (importador) AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. (doravante denominada de AST), inscrito no CNPJ nº 32.393.589/000121, sendo ainda considerado na autuação, como responsável solidário (adquirente das mercadorias) o contribuinte ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA (doravante denominada de ENDO MEDICAL), inscrito no CNPJ nº 04.713.666/000148. A Autuação contempla dois tipos de infração que indica como sendo praticados pelo contribuinte e responsável em tela: a Interposição Fraudulenta e a Falsidade Ideológica em operações de comércio exterior. Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.034 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 0829.791, prolatada pela 7ª Turma da DRJ em Fortaleza (CE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 5.892/5.920): "(...) O Auto de Infração Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, expõem as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram, em apertada síntese, que: 1. O procedimento fiscal em questão foi iniciado em 14/08/2012, com diligência no estabelecimento da empresa, quando, na forma do TERMO DE DILIGÊNCIA RETENÇÃO DE DOCUMENTOS E INTIMAÇÃO 201200282001 (fls. 85 a 88), foram retidos diversos documentos e a empresa intimada, para, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar outros elementos e prestar esclarecimentos. A intimação foi prorrogada em 03/09/2012 para atendimento até o dia 10/09/2012, quando foi atendida apenas parcialmente (fl. 89 a 112). 2. Que na verificação dos documentos retidos e apresentados, foram identificados diversos indícios que motivaram o Relatório SEFIA 20110028201, com a proposta, acatada, de inclusão da empresa em procedimentos especiais de fiscalização nos termos da IN 228/2002 (fls. 113 a 115). A empresa foi incluída em procedimentos especiais de fiscalização em 05/10/2012, conforme constou no TERMO DE INICIO DE AÇÃO FISCAL E INTIMAÇÃO SEFIA2012000433001 (fls. 116 e 117). A intimação constante do Termo de Início passou a ser atendida de forma parcial, com diversas prorrogações e até a data DA AUTUAÇÃO não restou atendida de forma completa, inclusive no que se refere à comprovação da sua condição financeira para atuar no comércio exterior. 3. Que nos procedimentos, de que trata o Auto de Infração, essa mesma empresa registrou e desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DIs relacionadas (fls. 377 a 380), simulando ser operação para encomendante prédeterminado, entretanto restou provado que as importações foram por conta e ordem de terceiros, a adquirente adiantou praticamente todos os valores para que a AST fizesse frente aos pagamentos dos impostos, cambio e demais despesas. Em todas as operações de importação, representadas pelas DIs que seguem relacionadas, a empresa adquirente, ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA – CNPJ 04.713.666/000148, com sede na cidade do Rio de Janeiro/RJ, também identificada como ENDO RIO, comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, diretamente das exportadoras relacionadas. 4. Que a ENDO RIO (REAL IMPORTADORA) foi a que acertou as condições do contrato de compra e venda, preços efetivos, formas de pagamento etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes intentam ocultar. Acertadas as condições, as mercadorias foram embarcadas consignadas à AST (revestida da qualidade de IMPORTADORA), que registrou Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 as DIs obedecendo aos valores constantes nas faturas internacionais apresentadas. Não há que se falar de compra e venda por intermédio da AST, o fato é que a ENDO RIO compra as mercadorias no exterior, por sua conta e ordem, sendo a atividade da AST, unicamente, a prestação de serviços para a nacionalização das mercadorias. Assim, não é paga pela venda das mercadorias, mas recebe adiantamentos para cumprir com os gastos necessários para o desembaraço das mercadorias e pagamento do câmbio ao exterior. 5. Que nas próprias faturas internacionais apresentadas no despacho aduaneiro, há inscrições que demonstram de forma muito clara que a compra das mercadorias foi efetuada pela ENDO RIO (vide relação das faturas e inscrição do nome da ENDO RIO às fls. 06 a 11). 6. Que essa prática de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documento com falsidade ideológica. Essas duas infrações motivam a proposição da pena de perdimento, nestes casos, vez que as mercadorias já foram encaminhadas a consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. As mercadorias envolvidas foram declaradas como compradas pela AST das empresas exportadoras, na seqüência esses bens foram nacionalizados pela AST, com recursos adiantados pela real adquirente. 7. Relaciona a Fiscalização as Declarações de Importação envolvidas neste procedimento (relação às fls. 12 a 17), destacando que as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e saída, que são praticamente iguais, sendo estes, conforme afirma, indícios claros de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST, sendo a sua atuação a prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (REAL IMPORTADORA), a ENDO RIO. 8. Demonstra a ocorrência de depósitos que sempre acontecem em datas próximas ao registro da DI e ao pagamento ao exterior, que configuram adiantamentos feitos para cobrir as despesas com os impostos, aquelas pagas nas manipulações iniciais das mercadorias e do câmbio ao exterior (v. relação de pagamentos às fls. 18 a 23). 9. Aponta a autuação falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional, o que, conforme afirma, é evidenciado por necessitar de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por encomenda e conta e risco próprio. Além disso, frisa o seguinte fato: o procedimento adotado no aumento do Capital Social feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.035 5 Tal aumento – assevera a autuação – que a AST justificou como sendo com aquisição de imóvel rural, foi feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 135). No entanto, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa, pois o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 125 a 128), e esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades; em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 129 a 131), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e o saldo dessa reserva de reavaliação foi, no mesmo ano, utilizado para aumentar o Capital da empresa. Assim temos que o Aumento do Capital, que seguiu formalizado na 21a Alteração do Contrato Social, foi feito de forma gráfica e SIMULADA, sem afetar a situação financeira da empresa (fls. 136 a 138). 10. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por ordenamento constitucional, é um tributo de incidência não cumulativa, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (CF/88, art. 153, § 3o, inciso II). Os adquirentes de mercadoria estrangeira, no caso da importação, realizada por sua conta e ordem, por meio de pessoa jurídica importadora, são estabelecimentos equiparados a industrial, cujas empresas estão obrigadas a todos os procedimentos de registro e apuração, inclusive as acessórias, próprias desse imposto (Regulamento do IPI Decreto no 4.544/02 Art. 9o Inciso IX). O mesmo ocorre com os estabelecimentos que adquirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda, nos termos da Lei 11.281/06, Art. 13. A hipótese de o adquirente ou o encomendante da mercadoria permanecer oculto, não se apresentando à fiscalização nos termos da IN SRF no 225/02 ou da IN SRF no 634/06, embora se configurando como uma fraude tendente a não caracterizar a ocorrência do fato gerador, não afasta sua condição de contribuinte do IPI. 11. Enumera, ao final, constatações que – conforme afirma –, além de reforçar os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e fundamentam a autuação, tanto no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta como da infração identificada na utilização de documento ideologicamente falso: a) As mercadorias envolvidas nos processos em comento, que tem itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, esse indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise. b) Assim, considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, se torna evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços e Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 nacionalização de mercadorias não demonstrando estrutura suficiente para administrar esses procedimentos. c) As importações em questão foram registradas pela AST nas sistemáticas de importação para encomendante prédeterminado, as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa ENDO RIO. d) As datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e da venda, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias simplesmente passaram pela importadora e foram repassadas para a compradora. e) Destacamos as Faturas Internacionais que indicam de forma clara, no endereçamento “Sold To – ENDOMEDICAL NORDESTE COMERCIAL LTDA”, e no quadro “Your Order Number” o número do pedido feito pela ENDO RIO, conforme o quadro das folhas 07 a 11. f) Nos registros contábeis da empresa AST, constaram praticamente todos os adiantamentos feitos pela empresa ENDO RIO. Os pagamentos estão relacionados no quadro das folhas 18 a 23. g) Em todo esse esquema montado, destacase a participação da empresa AST, que, por não ter condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio ou encomenda (fls. 23 a 27), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP. Com base nos fatos narrados, foi lavrado o Auto de Infração ora em exame, do qual os impugnantes, conforme se verifica à fl. 3876, apresentaram impugnações tempestivas. Foi ainda lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada nos autos do processo administrativo nº 12466.722734/201388. As Impugnações O contribuinte AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. apresentou sua impugnação às fls. 3759 a 3765, e anexos, na qual alega, em apertado resumo: 1. Sob o título “Da capacidade financeira da empresa autuada e da inexistência de interposição fraudulenta”, aduz que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos e cinqüenta e cinco mil reais) desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 129/131 e a 21.ª Alteração Contratual; e que é impossível sustentar a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização. 2. Que não existiu nenhuma adulteração ou falsificação; que não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; e que portanto houve violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que, sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impede a fiscalização que a requerida promova sua defesa de forma ampla. 3. Que se cuida de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional, e que não atuou com dolo. Por tudo o que expõe, requer seja declarado insubsistente, por nulo, o Auto de Infração. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.036 7 O contribuinte ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA., autuado na qualidade de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO, apresentou sua impugnação, às fls. 3783 a 3832, e anexos, na qual alega, em resumo: 1. Que é empresa constituída há mais de dez anos; sediada no Rio de Janeiro; que atua no ramo de “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios”; que tais operações e mercadorias são isentas do IPI e do ICMS. 2. Que a Impugnante formalizou, em 26.10.2006, com a empresa AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 32.393.589/000121 e com sede no Espírito Santo, contrato de importação por encomenda, tendo sido rigorosamente cumpridas todas as regras previstas na legislação, especialmente no que tange à prévia habilitação no RADAR, prévia vinculação dos CNPJs perante a autoridade aduaneira de jurisdição da Impugnante, recolhimento dos tributos, informação à aduana da existência de cliente pré determinado, etc. 3. Que sob a vigência deste contrato, a empresa AST, no período de 01/2009 à 12/2011, comprou no exterior e revendeu para a Impugnante as mercadorias descritas nas 173 Declarações de Importação abaixo relacionadas (objeto dos autos), todas devidamente desembaraçadas após passar pela fiscalização, inclusive pertinente ao canal vermelho de parametrização (realização da análise documental e da verificação física da mercadoria). 4. Que a Impugnante optou por comercializar no Brasil, instrumentos e materiais, para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios, também IMPORTADOS, sendo que por não ter experiência em comércio internacional, optou por encomendar a importação destas mercadorias de outra empresa, a AST, que tinha credibilidade reconhecida no mercado; que após receber o pedido de compra (encomenda), a AST comprou as mercadorias no exterior (câmbio a prazo, conforme foi possível verificar na autuação) e as revendeu para a Impugnante, após a nacionalização. 5. Que o Termo de Intimação recebido pela Impugnante, que requisitou informações contábeis, fiscais, financeiras, operacionais e comerciais relativas aos últimos cinco anos de atividade (2009 a 2012), estabeleceu que seria considerado como atendido, no prazo de 20 dias, na data de recebimento dos documentos pela Alfândega do Porto de Vitória, o que se afigurou ilegal, por contrariar o enunciado no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 19, de 26/05/97, cujo fundamento de validade está no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria n.° 12/1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, que considera atendido o prazo dos expedientes enviados à Secretaria da Receita Federal, na data da postagem; que requereu a dilação do citado prazo, por Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 exíguo; que a Impugnante, em marco de 2013. questionou formalmente os AuditoresFiscais se teria sido observado o enunciado no artigo 6o, §§ 4o, 5o e 6o, da Portaria RFB n° 3.014/11. tendo em vista não se submeter, diretamente, à jurisdição da Alfândega de Vitória; que não obteve resposta e reiterou o requerimento; que este último também não foi respondido. 6. Argumenta que os documentos solicitados têm por objeto tudo o que foi comprado e revendido pela Impugnante durante cinco anos, ou seja, tratase de um volume imenso de documentos (dezenas de caixas), e que embora a legislação prescreva ser da competência da Receita Federal do Rio de Janeiro, a Alfândega de Vitória, de forma abusiva, ilegal e sem razoabilidade (considerando o alto custo com transporte aéreo), solicitou fossem entregues no Estado do Espírito Santo. Que em função disso, enviou nova petição indagando se os documentos deveriam ser entregues em Vitória ou no Rio de Janeiro;e que tais petições não foram respondidas. 7. Que foi aplicada a penalidade mais violenta existente no ordenamento jurídico brasileiro, qual seja, de perdimento de bens, com acusação criminal, em razão das importações terem sido declaradas como sendo POR ENCOMENDA e o fisco ter entendido que o mero adiantamento das despesas que incorrem no despacho de importação, pela encomendante (no caso, Impugnante), caracteriza IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. 8. Que não ocorreu qualquer irregularidade no que tange ao recolhimento dos tributos bem como mínima fuga ao controle aduaneiro (já que ambas estão habilitadas no RADAR, informaram a existência da relação jurídica existente entre as empresa ao fisco e se submeteram regularmente à legislação tributária e controle aduaneiro), sendo que a AST passou a exigir o adiantamento das despesas da Impugnante, como alternativa equivocada para a GARANTIA prevista na Cláusula 5.1, do Contrato de Importação, cujo conteúdo sempre foi de conhecimento do fisco. 9. Que EM NENHUM MOMENTO a Importadora exigiu o pagamento antecipado das mercadorias pela Impugnante, o que poderia caracterizar a modalidade por conta e ordem, na forma do artigo 5o, da IN n.° 225/2002.E que TODOS OS PAGAMENTOS foram feitos pela Impugnante após a emissão da Nota Fiscal de venda pela importadora AST, nos exatos termos da modalidade IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. 10. Que em nenhum momento foi lavrado o Auto de Perdimento das mercadorias, bem como a Impugnante também não foi intimada para que fossem apresentadas as mercadorias (algumas em estoque) no intuito de viabilizar a execução da pena de perdimento ou. minimamente, possibilitar a lavratura do Auto de Multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. 11. Que novamente de forma ILEGAL, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil José Henrique Mauri (Matrícula Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.037 9 18699) e Adriano Lima Correa (Matrícula 19636), optaram por enviar à Impugnante apenas o Auto de Infração e o Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, razão pela qual, até o presente momento, a Impugnante não teve acesso aos anexos contendo os diversos documentos mencionados na autuação e que fundamentaram sua lavratura. 12. Que há nulidade do procedimento fiscal em virtude da incompetência da Alfândega do Porto de Vitória. Para sustentar a tese, invoca o artigo 6º, §§ 4o, 5o e 6o, da Portaria RFB n° 3.014/11. Isto porque, conforme alega, não houve prévia autorização do CoordenadorGeral de Fiscalização ou do CoordenadorGeral de Administração Aduaneira, precedida de manifestação da Superintendência que jurisdiciona a Impugnante, razão pela qual O AUTO DE INFRAÇÃO PADECE DE INSANÁVEL NULIDADE, a teor do que prescreve o artigo 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72, combinado com artigo 53, da Lei n.° 9.784/99. 13. Que há nulidade do procedimento em razão da ausência de participação da Impugnante no procedimento de fiscalização pois, conforme alega, todo o processo de fiscalização foi conduzido sem permitir que fossem prestados as informações e documentos pertinentes (na medida em que ignorou as duas petições protocolizadas questionando o cumprimento da regra de competência tópico II. 1, desta impugnação), optando por incluir a referida empresa na condição de corresponsável, apenas quando da lavratura do Auto de Infração. E que, além disso, após a lavratura do Auto de Infração, não foi entregue à Impugnante a cópia dos documentos que fundamentaram a autuação, o que por si só já exige o cancelamento da autuação diante do cerceamento do direito de defesa. 14. No mérito, alega nulidade da autuação por pela não Ocorrência da Ocultação da Real Adquirente, da Sonegação de Tributos ou Evasão ao Controle Aduaneiro. Nessa linha, afirma que a suposta infração praticada não pode ser apenada com a multa em pauta, por não haver sido comprovado o elemento dolo, que, conforme alega, é essencial para a tipificação da infração. E conclui ao afirmar que Inexiste infração quando o ato é praticado com boafé, e que este é o caso dos autos. Afirma, ainda, que: “Não existe nos autos, qualquer PROVA, ainda que indiciária, de que a Impugnante optou conscientemente pela modalidade POR ENCOMENDA com intuito fraudulento ou que poderia obter, sequer minimamente, qualquer vantagem com isto”. 15. Assevera ainda, no que tange ao mérito de sua defesa, que a Impugnante e a importadora regularmente obtiveram prévia habilitação no RADAR, se submetendo, assim, ao controle aduaneiro; que a Impugnante e a importadora regularmente celebraram um contrato de importação para cliente pré determinado, sob a modalidade por encomenda, sendo que a Impugnante, nos exatos da legislação, apresentou cópia deste contrato à Alfândega de sua jurisdição; que Todas as Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Declarações de Importação foram registradas pela importadora, com a informação incontroversa de que se tratava de uma importação para cliente prédeterminada (no caso, a Impugnante); que no caso dos autos, se afigurou irrelevante, para fins tributários e aduaneiros, a classificação das importações nas modalidades por conta e ordem ou por encomenda, principalmente considerando a isenção do IPI e do ICMS; que o único fato caracterizado como irregular e que está comprovado nos autos consiste no recebimento do adiantamento, pela importadora, das despesas pertinentes ao despacho aduaneiro, operacionalizada pela importadora a título de garantia, na forma da cláusula 5.1, do Contrato de Importação por Encomenda devidamente analisado e aceito pela Alfândega do Rio de Janeiro, por força do artigo 2o, da IN 634/2006 (vide página 40 da Impugnação – fl. 3818 do eprocesso). 16. Que, em relação aos pagamentos efetuados pela Impugnante, conforme se denota dos autos, de forma inteligente a importadora, aparentemente, vendia à vista no mercado interno, mas pagava o fornecedor internacional a prazo. E considerando se tratarem de relações jurídicas independentes, esta sistemática não altera o fato de que em momento algum a Impugnante pagou pela compra das mercadorias ANTES da importadora emitir a nota fiscal de venda, para o fim de restar caracterizada a antecipação dos recursos utilizados para a importação, na forma do artigo 5o, da IN n.° 225/2002. E que a ocorrência de quaisquer vantagens e infrações dolosas são meras ilações que constaram da autuação fiscal. Que o fato, no máximo, poderia ser caracterizado como erro das empresas no que tange à modalidade de importação (declarando ser por encomenda quando deveriam têlo feito ser por conta e ordem), o que, em hipótese alguma, pode ser qualificada como Interposição Fraudulenta; e que nessa hipótese, no máximo, poderia, em tese, ser objeto da PENA DE MULTA, pela suposta cessão, pela Importadora, de seu nome, para que a Adquirente adquirir mercadorias no exterior, prevista no artigo 33, da Lei n.° 11.488/2007 (multa de 10% sobre o valor da operação acobertada). 17. Por derradeiro, frisa a complexidade da legislação em relação ao tema ora abordado e, invocando, em síntese, os preceitos e princípios constitucionais da Proporcionalidade e do Interesse Público, requer seja julgado o Auto de Infração improcedente. É o breve relato do essencial. Da ciência da decisão DRJ e dos Recursos 1) A recorrente AST, foi cientificada da referida decisão da DRJ em 20/05/2014 (fl. 3.982), apresentou em 03/06/2014 (fl. 3.983 e 3.995/3.996) o Recurso Voluntário de fls. 3.984/3.993. 2) A empresa ENDO MEDICAL, foi intimada do referido acórdão, conforme consta da Intimação nº 108/14 (fl. 3.974) e Termo de ciência módulo eCAC às fl. 3.981. Em 09/07/2014, a Alfândega de Vitória (ES), efetuou o Despacho referente ao "Termo de Perempção" à fl. 4.000, conforme texto abaixo reproduzido (grifouse): Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.038 11 "Ref.: Termo de Perempção Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art.33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente" (...). Assim, transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias e não tendo o interessado (ENDO MEDICAL, responsável solidário) apresentado recurso voluntário da decisão da autoridade de primeira instância, declarouse a perempção na forma do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto a Recorrente AST, que apresentou seu recurso voluntário, reiterando os argumentos expendidos na impugnação, e ainda resumidamente, aduz o que segue: (i) seja atribuído o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de infração, até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; (ii) reformar o acórdão guerreado para anular o auto de infração de nº. 0727600/00504/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”, argumentando sobre os seguintes aspectos: a) da inexistência de adiantamentos para importação; b) da capacidade financeira da empresa autuada e da inexistência de interposição fraudulenta; c) da inexistência de adulteração ou falsificação; d) da inexistência do dolo nas operações da empresa: (iii) considerando que no presente caso as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas, pelo contrato entre as partes, pela inexistência de pagamento antecipado, e ainda pela existência de capacidade financeira da empresa, que fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação de documentos afirmada, requerse a reforma do acórdão proferido e anular o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Dos recursos voluntários Consta dos autos que, com relação ao responsável solidário ENDO MEDICAL, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extinguindose o direito de o interessado omisso fazêlo em outro momento processual. Posto isto, passase ao exame do recurso voluntário apresentado pela AST. Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Tratase de auto de infração lavrado em 07/08/13, cuja descrição dos fatos seriam em resumo: i) interposição fraudulenta de terceiros, descrita no tópico “INFRAÇÃO I” (fl. 56), e ii) "mercadoria estrangeira, se qualquer documento necessário ao embarque ou desembaraço foi falsificado ou adulterado", conforme o Decreto 6.759/09, em seu artigo 689, VI, descrita no tópico “INFRAÇÃO II” (fl. 61). Da admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente (AST) foi cientificada da referida decisão da DRJ em 20/05/2014 (fl. 3.982), apresentou em 03/06/2014 (fl. 3.983 e 3.995/3.996) o Recurso Voluntário de fls. 3.984/3.993, tempestivo, portanto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Da análise do Recurso Voluntário Primeiramente, há que se registrar que a AST, em seu recurso voluntário, repisa que renova os argumentos expostos na sua impugnação, os quais, no Voto da decisão a quo em sede de Preliminares, foram todas muito bem analisadas uma a uma e devidamente rebatidas pela DRJ, a qual, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, adoto como fundamentos e razões de decidir. A seguir veremos os tópicos abordados (fls. 3.938 a 3.954): (i) Quanto a Representação Fiscal para Fins Penais, que foi formalizada nos autos do processo administrativo fiscal nº 12466.722734/201388. Conclusão: há que se consignar que o presente julgamento não aborda, por lhe falecer competência legal, quaisquer aspectos da referida Representação, sendo tal apreciação, da competência do Ministério Público Federal. No âmbito deste CARF, tal matéria já se encontra Sumulada: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (ii) de nulidade da autuação por ausência de competência da Alfândega do Porto de Vitória e da Portaria RFB nº 3.014/2011, do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). Conclusão: a dita argüição de nulidade restou baseada numa suposta lavratura indevida de Auto de Infração por AuditoresFiscais da Alfândega do Porto de Vitória, e que carece de fundamento à luz das leis vigentes, em virtude de as Autoridades Aduaneiras autuantes, além de devidamente identificadas, possuírem atribuição legal para efetuar o lançamento. Tratase também de matéria já sumulada neste CARF: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (iii) de nulidade do procedimento fiscal em razão de cerceamento do direito de defesa, em face do não fornecimento dos documentos acostados à autuação. Conclusão: por não vislumbrar, na espécie, ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório. As Recorrentes foram intimadas e as matérias foram todas apontadas e contestadas pela Recorrente, rejeitandose, portanto, a preliminar argüida. (iv) de nulidade do procedimento em razão da ausência de participação da Recorrente (ou por ausência de oportunidade de manifestação dos autuados antes da lavratura Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.039 13 do Auto de Infração, isto é, ao longo da ação de fiscalização) da fiscalização para moldar/caracterizar as supostas ocorrências das infrações citadas, fez uso ostensivo de presunções diversas no intuito de vincular informações desconexas relativas às operações aduaneiras e fiscais, para ao final, em equívoco, atingir conclusão desarrazoada. Conclusão: Rejeitado a aduzida preliminar de nulidade da autuação, por cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa. Eis que, em última análise, tal direito está sendo exercido pelas peças impugnatórias à autuação, e demais eventuais recursos. (v) nulidade do procedimento fiscal em razão de não atendimento a petições relacionadas ao local de entrega da documentação requisitada; e em face da não lavratura de Auto de Infração de perdimento das mercadorias. Conclusão: É que a Lei nº 12.350, de 2010, ao atribuir nova redação ao § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, previu que a pena a ser aplicada na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros (infração prevista no inciso V, do mesmo artigo 23), é multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, não mais sendo necessário, portanto, a busca pela apreensão para, somente após a sua impossibilidade, CONVERTERSE a pena de perdimento em pena de multa, como se procedia anteriormente a tal alteração da lei. Da alegada nulidade do auto de Infração Pela leitura dos autos, constatase que o Fisco não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. A luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966, restando comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Como se sabe, no âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, e a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Por fim, o auto de infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos ditames do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Rejeitase, portanto, todas as preliminares de nulidade. Quanto ao MÉRITO Em apertada síntese, as razões para a manutenção do lançamento pelo Acórdão recorrido, tiveram como pilares que a) teria havido adiantamento de pagamento da ENDO MEDICAL para a Recorrente; e b) apurada a incapacidade financeira da AST, que seria a prova de que a importação teria se dado em afronta à legislação aduaneira. Em seu recurso a Recorrente alega que, "(...) Como já exposto a empresa recorrente realizou as importações das mercadorias em absoluta harmonia com a legislação, realizandoas na modalidade por encomenda, pela qual as adquiriu para posterior revenda à empresa ENDO MEDICAL (cliente predeterminado). Há contrato de importação por encomenda entre a importadora e o cliente predeterminado (fls. 3.858/3.862), que foi efetivamente submetido à apreciação da RFB, assim como as informações de cada importação realizada constantes nas respectivas DI´s, há a habilitação no RADAR de ambas as empresas envolvidas na importação, houve regularização dos tributos, e todas as demais exigências legislativas pertinentes à importação". Contudo, mesmo com todo os documentos aduaneiros e fiscais entregues à fiscalização e os já existentes no acervo da RFB, a Recorrente não obteve sucesso na comprovação das irregularidades apuradas pelo Fisco, ficando concluído que teria havido fraude nas operações e o cometimento da infração de interposição fraudulenta de terceiros. Da legislação e conceitos aduaneiros nas operações de importação. Inicialmente, cabe salientar que a lei e a legislação aduaneira vigente admitem a atuação dos importadores em três diferentes modalidades de operações, a saber: 1.Importação Direta; 2. Importação por Conta e Ordem de Terceiros; e 3.Importação para Revenda a Encomendante Prédeterminado. Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.040 15 Nesse caminho para melhor esclarecer os fatos, reproduzo um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta, elaborado pelo Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no Acórdão nº 3201001.852, de 28/01/2015: O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei nº 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior, o Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex, módulo de Importação em janeiro de 1997. A partir deste Sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresa interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações, existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art.23.Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº10.637,de30.12.2002). § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas: a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.041 17 Aqui tem os um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecido pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do Decreto Lei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa.Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Da ANÁLISE do CASO sob exame Dos adiantamentos para operações de importação Consta dos presentes autos, que a empresa AST promoveu a importação de mercadorias (são 173 DIs relacionadas na planilha fls. 377/380), declarando, em todas elas, tratarse de importação para revenda a encomendante predeterminado, sendo este encomendante a ENDO MEDICAL. A previsão legal da importação "para revenda a encomendante predeterminado", tem como base a Lei n° 11.281, de 20/02/2006, que submete esta modalidade de operação à regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (grifouse): Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1º A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2º A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3º Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007) Assim, a IN SRF n° 634, de 24/03/2006, cuidou de regulamentar as importações "para revenda a encomendante predeterminado", (grifamos): Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. (...). Como se vê, em apertada síntese, podese dizer que na importação por "conta e ordem de terceiro", a empresa importadora atua, tão somente, como uma "prestadora de serviços", já que a operação é realizada com recursos do adquirente. Apenas e tão somente na modalidade de importação “por conta e ordem” é que se admite adiantamentos de recursos do real adquirente à empresa importadora, ou o pagamento direto pelo real adquirente. Portanto, temos que a principal diferença entre a (i) importação “por conta e ordem” e as outras duas modalidades de importação existentes, quais sejam: a (ii) importação "direta" e a (iii) importação "para revenda a encomendante predeterminado" é exatamente a origem dos recursos para a realização da operação. Nestas duas modalidades (ii e iii), não se admite nem adiantamentos nem o pagamento das mercadorias por quem não figure na operação como o importador. No entanto a recorrente, afirma em seu recurso que, "(...) importou mercadorias para a empresa ENDO MEDICAL na modalidade “por encomenda”, e essa relação jurídica era regulada pelo contrato de importação firmado entre as partes e previamente submetido à apreciação da fiscalização aduaneira, conforme se verifica as fls. 3.858/3.862". Aduz nunca ter efetuado adiantamentos para pagamento antecipado de mercadorias. Que todos os valores transferidos à recorrente pela ENDO MEDICAL eram realizados exclusivamente após a emissão de nota fiscal de compra e venda, com a mercadoria já desembaraçada. Portanto, reafirma que nunca recebeu pagamentos adiantados da empresa ENDO MEDICAL, tratandose apenas de aquisição de produtos encomendados para posterior venda àquela empresa. Por outro giro, o Fisco, em seu Relatório Fiscal (fls. 5/64), conclui que a Recorrente registrou e desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas por DIs (fls. 377 a 380), simulando ser operação para encomendante pré determinado. E que restou comprovado nos autos que as importações foram por conta e ordem de terceiros, e a adquirente (ENDO MEDICAL) adiantou praticamente todos os valores para que a AST fizesse frente aos pagamentos dos impostos, cambio e demais despesas. Arremata a fiscalização afirmando que a ENDO MEDICAL, que é a real adquirente, foi quem acertou as condições do contrato de compra e venda, preços efetivos, formas de pagamento etc., que representa a operação real, sendo aquela que os intervenientes intentam ocultar. E que, acertadas as condições, as mercadorias foram embarcadas e Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.042 19 consignadas à AST (revestida da qualidade de IMPORTADORA), que registrou as DI’s obedecendo aos valores constantes nas faturas internacionais apresentadas. Verificase nos autos que foi elaborado pelo Fisco, um quadro demonstrativo (parte reproduzido abaixo), com as Faturas Internacionais que indicam de forma clara, no endereçamento “Sold To – ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA”, e no quadro “Your Order Number” o número do pedido feito pela ENDO RIO, conforme quadro de folhas 07/11. Dados que constaram na Fatura Internacional 09/00698025 16/01/09 1497386 BARD INTERNATIONAL INC 3657 END081808RIOA Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00698653 16/01/09 1566532 BARD INTERNATIONAL INC 3745 END082208RIOC Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00700127 16/01/09 1564799 BARD INTERNATIONAL INC 3760 END031108 Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00757943 19/01/09 1572744 BARD INTERNATIONAL INC 3769 END280308 Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00823865 20/01/09 1557149 BARD INTERNATIONAL INC 3773 END241008B Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00824144 20/01/09 1557147 BARD INTERNATIONAL INC 3759 END241008 Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/00951090 22/01/09 1591301 BARD INTERNATIONAL INC 3774 END082308RIOB Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/01006984 23/01/09 1497468 BARD INTERNATIONAL INC 3762 END082308NEA Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/01007050 23/01/09 1497402 BARD INTERNATIONAL INC 3770 END081808RIOB Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA 09/01007115 23/01/09 1570189 BARD INTERNATIONAL INC 3771 END311008B Sold To ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA Observese que nas faturas comerciais (invoices) acima, consta no endereçamento ou número da fatura, que a destinatária (adquirente) das mercadorias foi a ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA, donde se conclui que as mercadorias envolvidas foram declaradas como compradas pela AST das empresas exportadoras, na seqüência esses bens foram nacionalizados pela AST, com recursos adiantados pela real adquirente que se trata da ENDO MEDICAL. Conclui o Fisco que, com esse procedimento apresentado nos despachos de importação, teve como intuito manter oculta a verdadeira importadora, uma vez que não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho, e é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documento com falsidade ideológica. Essas duas infrações, por si só, já motivam a propositura da pena de perdimento, nestes casos, vez que as mercadorias já foram encaminhadas a consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. Dos adiantamentos dos recursos Em outra parte de seu recurso, aduz a recorrente que "(...) Ainda no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pelo Il. Auditor. E o que é pior, diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o Il. Auditor presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta “comissão” na diferença apurada". Em relação a este tópico, consta às fls. 12/17 do Relatório de Fiscalização, um demonstrativo onde se encontra relacionadas todas as Declarações de Importação envolvidas neste procedimento, visualizando os seguintes dados: datas de desembaraço, datas de emissão das notas fiscais de entradas e da nota fiscal de saída. Visualizando tal demonstrativo, percebese que são praticamente mesma a data de emissão das NF de Entrada e de Saídas, sendo isso, como bem abordado pelo Fisco, indícios claros de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega, qual seja a AST. A fim de ficar evidente os adiantamentos feitos pela ENDO MEDICAL, o Fisco elaborou um quadro demonstrativo às fls. 18/23, e chamou a atenção para o fato de que Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 as datas de registro das notas fiscais das saídas e dos contratos de câmbio, comparadas com as datas dos pagamentos, evidencia que depósitos sempre acontecem em datas próximas ao registro da DI e ao pagamento ao exterior. Conclui a fiscalização que esses adiantamentos eram feitos para cobrir as despesas com os impostos e demais despesas de importação. A fim de comprovar tais informações, a fiscalização informa que em relação a cada DI, apresenta cópias de folhas de extrato do Razão Contábil com Contrapartida da conta sintética Bancos conta Movimento, obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL – SPED, onde constaram praticamente todos os adiantamentos e demais pagamentos efetuados. Por fim, salientase que na Decisão a quo, ficou consignado, que a ENDO MEDICAL, alega em sua impugnação, que (fl. 3.967) grifouse: "(...) Por derradeiro, aprecio a alegação da defesa de que se cuidou de mero “erro” por parte da empresa AST, que por engano teria declarado nas DI que a operação era por encomenda, quando na verdade era por conta e ordem. Manifestamente improcedente. A uma, porque um engano até poderia ocorrer em uma DI, dentre um conjunto de dezenas, mas não em todas as 173. A duas, porque, aspecto interessante a ser mencionado, é que as importações da AST eram assessoradas por cerca de oito (08) despachantes aduaneiros" (...). Por outro lado, em sede de Recurso Voluntário, no item "II" letra (a) à fl. 3.987, a AST sustenta que, "(...) A recorrente importou mercadorias para a empresa ENDO MEDICAL na modalidade “por encomenda”, e essa relação jurídica era regulada pelo contrato de importação firmado entre as partes e previamente submetido à apreciação da fiscalização aduaneira, conforme se verifica as fls. 3.858/3.862" (grifamos). É fato que neste caso há uma evidente contradição de alegação entre a AST e a ENDO MEDICAL, o que evidencia um agravante neste contexto. Da capacidade financeira da AST Alega a Recorrente que o conjunto probatório dos autos demonstra o oposto do que foi alegado pela fiscalização e confirmado pelo acórdão. Pela documentação já juntada às fls. 80/84 e 129/131, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00, desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 129/131 e a 21ª Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme documento de fls. 135/138. Sobre esse procedimento de aumento de capital social da empresa, tanto a fiscalização como na decisão recorrida, deixou bem claro que a intenção da AST nessa operação foi a de simulação. Vejase o trecho abaixo reproduzido (fl. 3.965): Outra prova indiciária é a simulação havida quando do aumento do capital social da empresa AST, a que figura como importadora. Provou a Fiscalização que a AST adquiriu, com recursos próprios, um “imóvel rural em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 125 a 128). Esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades da AST. Em seguida, o mesmo imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 129 a 131), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e o saldo dessa reserva de reavaliação Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.043 21 foi, no mesmo ano, utilizado para aumentar o Capital da empresa. Assim temse que o Aumento do Capital, que seguiu formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma SIMULADA, sem afetar a situação financeira da empresa”. Ora, uma empresa que tenha capacidade financeira para promover a importação de alguns milhões de dólares ao ano, não realizaria decerto esse tipo de operação –claramente simulada – para promover o aumento de seu capital social. Verificase que, após intimação do Fisco para devidos esclarecimentos e informações (fls. 132/134), em sua resposta, a AST emitiu uma Nota Explicativa, afirmando que esse aumento de Capital, é justificado como sendo com aquisição de imóvel rural, e que foi feito para demonstrar capacidade operacional de pagamentos, objetivando renovação de cadastros em bancos e inclusive junto a RFB (doc. fls. 135). Vejase: 1º O aumento de Capital mencionado deuse através da aquisição de um Sítio com 56 hectares, tendo como objetivo a renovação de cadastros, como o da Receita Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar aos seus fornecedores e colaboradores a capacidade de pagamento da empresa. Posto isto, pode se concluir que o referido Aumento do Capital, que se encontra contabilizado e que segue formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi elaborado de forma gráfica, sem afetar a situação financeira da empresa. Da alegada inexistência de interposição fraudulenta. Argumenta a AST que, tratandose a maioria das importações realizadas na modalidade importação por encomenda, a estratégia para sustentar a tese da interposição fraudulenta, seria o de desvirtuar a modalidade de importação realizada, trazendoas para a modalidade conta e ordem de terceiros, e após, assim, criar a falsa idéia de fraude na documentação apresentada. Neste tópico, é importante considerar que o contribuinte ENDO MEDICAL, autuado na qualidade de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO, quando apresentou sua impugnação, às fls. 3.783 a 3.832 (reproduzida pela DRJ), alega, dentre outras situações, resumidamente que, "(...) a Impugnante e a importadora regularmente obtiveram um contrato de importação para cliente prédeterminado, sob a modalidade por encomenda, sendo que a Impugnante, nos exatos da legislação, apresentou cópia deste contrato à Alfândega de sua jurisdição; que Todas as Declarações de Importação foram registradas pela importadora, com a informação incontroversa de que se tratava de uma importação para cliente prédeterminada (no caso, a Impugnante); que no caso dos autos, se afigurou irrelevante, para fins tributários e aduaneiros, a classificação das importações nas modalidades por conta e ordem ou por encomenda, principalmente considerando a isenção do IPI e do ICMS; que o único fato caracterizado como irregular e que está comprovado nos autos consiste no recebimento do adiantamento, pela importadora, das despesas pertinentes ao despacho aduaneiro, operacionalizada pela importadora a título de garantia, na forma da cláusula 5.1, do Contrato de Importação por Encomenda devidamente analisado e aceito pela Alfândega do Rio de Janeiro, por força do artigo 2º, da IN 634/2006 (vide página 40 da Impugnação fl. 3.818 do eprocesso). "(...) que, em relação aos pagamentos efetuados pela Impugnante, conforme se denota dos autos, de forma inteligente a importadora, aparentemente, vendia à vista no mercado interno, mas pagava o fornecedor internacional a prazo. E considerando se tratarem de relações jurídicas independentes, esta sistemática não altera o fato de que em momento algum a Impugnante pagou pela compra das mercadorias ANTES da importadora emitir a nota fiscal de venda, para o fim Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 de restar caracterizada a antecipação dos recursos utilizados para a importação, na forma do artigo 5º, da IN n.° 225/2002. E que a ocorrência de quaisquer vantagens e infrações dolosas são meras ilações que constaram da autuação fiscal. Que o fato, no máximo, poderia ser caracterizado como erro das empresas no que tange à modalidade de importação (declarando ser por encomenda quando deveriam têlo feito ser por conta e ordem (fl. 3.829), o que, em hipótese alguma, pode ser qualificada como Interposição Fraudulenta; e que nessa hipótese, no máximo, poderia, em tese, ser objeto da PENA DE MULTA, pela suposta cessão, pela Importadora, de seu nome, para que a Adquirente adquirir mercadorias no exterior, prevista no artigo 33, da Lei n.° 11.488/2007 (multa de 10% sobre o valor da operação acobertada)". Pois bem. Como muito bem apontou a ENDO MEDICAL, o cerne da lide diz respeito à existência ou não da interposição fraudulenta de pessoas havida por ocasião das importações efetuadas pela empresa AST, nos anos de 2009 a 2012, mormente em relação às DI’s constantes da tabela contida às fls. 377/380. Da situação em concreto Repisese que nesta fase não houve interposição de Recurso Voluntário por parte da ENDO MEDICAL (Sujeição Passiva à fl. 4). De um lado, a fiscalização aduaneira, depois de encerrado os trabalhos do procedimento fiscal e concluir que houve dano ao erário por ter sido considerado interposição fraudulenta em operações de comércio exterior relativamente às operações de importação realizadas pela autuada durante os anos de 20092012, aplicou a conversão do perdimento em multa equivalente a 100% do valor aduaneiro em relação àquelas mercadorias não localizadas, consumidas ou revendidas, com fulcro no inciso V, § 1º, 2º e 3º, do artigo 23 do DecretoLei 1.455/1976, com nova redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Do outro lado, a autuada, ainda por ocasião da impugnação e repisando em sede recurso voluntário, sustenta a tese de que não há nos autos qualquer prova da interposição fraudulenta; que a fiscalização baseouse em meros indícios e em presunção; que comprovou através de documentos apresentados e sua contabilidade, a efetiva e verdadeira origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos financeiros utilizados nas importações das referidas mercadorias. Desta forma, para o deslinde do caso, serão analisados os argumentos de ambas as partes e todo o conjunto probatório juntado aos autos, que devem ser interpretados à luz das normas que regem a matéria. Será verificada a aplicação, na situação em concreto, da interposição fraudulenta na forma tipificada, cabendo a aplicação da pena de perdimento das mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23, V, do Decreto Lei nº 1.455/76, com nova redação dada pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010. Feitas as devidas considerações, passo a analisar, à luz dos elementos inseridos nos autos, a situação concreta. A legislação que trata da matéria (art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976), estabelece que: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.044 23 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (grifei) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) A redação do § 3º, acima citado, com alteração trazida pela Lei nº 12.350/2010, passou a ser: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Do retromencionado art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, tipificase como dano ao erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sendo punido com o perdimento das mercadorias. Quando referidas mercadorias não forem localizadas ou tiverem sido consumidas, o perdimento se converterá em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. A inserção desta norma no ordenamento jurídico teve como objetivo evitar práticas reiteradas de fraudes, em que empresas, com fins exclusivos de sonegação e de blindagem contra possíveis ações fiscalizatórias, operavam no comércio exterior através de terceiras pessoas indevidamente interpostas, normalmente constituídas com o objetivo único de se fazer aparecer na condição de real importadora e/ou exportadora, não possuindo bens capazes de suportar uma eventual execução fiscal, ficando o patrimônio da real operadora no comércio exterior totalmente resguardado, fatos que, sem dúvida, ocasionam grandes prejuízos ao Erário. Assim, podese conceituar a interposição fraudulenta como uma espécie de fraude ou de simulação que se configura quando uma pessoa física ou jurídica, de forma indevida, apresentase como responsável por uma operação comercial, interpondose entre Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 determinada parte (o Fisco) e a outra (o verdadeiro sujeito passivo responsável pela operação de comércio exterior), obtendose vantagens ilícitas em detrimento do erário. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJj e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Há duas espécies de interposição. A primeira, a comprovada, que se dá pela ocultação comprovadamente constatada por meio de provas diretas. A segunda, a presumida, que ocorre pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas transações internacionais, o que indica, por presunção de lei, a existência de um verdadeiro responsável oculto, admitindose, por óbvio, prova em contrário. Nessa esteira, podese asseverar que no País está consagrado como sistema de valoração da prova, o do livre convencimento motivado, que está posto no art. 131 do CPC, in verbis: Art.131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Na seara administrativa, especificamente, no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF), o princípio do livre convencimento está assentado nos artigos 29 e 31 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso dos presentes autos, a empresa AST promoveu a importação de mercadorias (em 173 DI), declarando, em todas elas, tratarse de importação para revenda a encomendante predeterminado, sendo este encomendante a empresa ENDO MEDICAL. Com já visto, na modalidade declarada como sendo importação para revenda a encomendante predeterminado, não há espaço para quaisquer adiantamentos de recursos por parte do encomendante (ENDO MEDICAL) para o importador (a AST). Isso porque, nessa modalidade, da mesma forma como se verifica na importação “direta” ou Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.045 25 convencional, a origem dos recursos para a promoção das operações de importação devem ser exclusivamente do importador (no caso, da AST). Examinandose o Relatório de Fiscalização, o Fisco aponta que a ENDO MEDICAL sempre realizava adiantamentos de recursos para a contacorrente da empresa AST, em datas e montantes muito próximos aos das operações de importação. Isso, constitui prova que a empresa ENDO MEDICAL atuava como real adquirente e não simples encomendante das mercadorias importadas, suportando, ela, todos os custos das importações (fechamento de câmbio, tributos incidentes na importação, despesas com despacho), com tal procedimento restou configurada a infração denominada interposição fraudulenta de terceiros, nos termos da legislação que rege a matéria. Vejamos o art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro. Art. 689.Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no10.637, de 2002, art. 59): XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Ainda nessa linha, insiste o Fisco que nos registros contábeis da empresa AST, constaram praticamente todos os adiantamentos feitos pela empresa ENDO RIO. Assim para demonstrar os adiantamentos feitos pela ENDO RIO, foi elaborado pela fiscalização um quadro demonstrativo/planilhas de fls. 18 a 23, em relação a cada DI, e a fiscalização apresentou cópias de folhas de extrato do Razão Contábil com Contrapartida da conta sintética – BANCOS CONTA MOVIMENTO (obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL – SPED), onde constaram praticamente todos os adiantamentos e demais pagamentos efetuados. Conforme apurou o Fisco em seu Relatório Fiscal (fl. 18), onde informa que "Na contabilidade da AST os valores estão identificados como pagamento das notas fiscais e antecipações referentes aos processos relacionados com cada importação, na relação das DI’s essa referência consta como processo AST". Conclui ainda o Fisco que as antecipações feitas pela empresa ENDO RIO, que aconteceram a cada processo, foram normalmente em parcelas depositadas diretamente em conta corrente da AST e alguns pagamentos através da quitação de duplicata. Ressaltese que a empresa ENDO RIO não atendeu à intimação da fiscalização a fim de explicar o assunto, assim comprovouse os valores adiantados através dos registros contábeis da AST, obtidos, como dito, através do SPED. Repisandose, a Lei nº 11.281, de 20/02/06, em seu art. 11, criou a figura do “encomendante predeterminado” nas importações, submetendo esta modalidade de operação à regulamentação da Secretaria da Receita Federal. A RFB, através da IN SRF nº 634 de 24/03/06, cuidou de regulamentar a importação “para revenda a encomendante predeterminado”: Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Como ficou comprovado nos autos, os adiantamentos de recursos destacados na contabilidade, com base no § 2º, do art. 11, da Lei nº 11.281 e da IN SRF nº 634/06, presumese que as importações foram efetuadas na modalidade por conta e ordem de terceiros. É cediço que na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de um mandatário. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam (ou deveriam se originar) os recursos financeiros. No caso, vejase o que dispõe o DecretoLei nº 1.455/76, V, com alterações promovidas pela MP nº 66/02 convertida na Lei nº. 10.637/02: Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º (...g.n). Quanto a capacidade financeira da AST Quanto a falta de capacidade financeira da AST para atuar no comércio internacional, isso fica evidente, no momento em que necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por encomenda e conta e risco próprio. E ainda, pela forma adotada no aumento do seu Capital Social feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00, sendo que tal foi justificado como sendo pela aquisição de imóvel rural e com o fim de demonstrar capacidade de pagamento (declaração à fl. 135). Vejase reprodução abaixo: 1º O aumento de Capital mencionado deuse através da aquisição de um Sítio com 56 hectares, tendo como objetivo a renovação de cadastros, como o da Receita Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar aos seus fornecedores e colaboradores a capacidade de pagamento da empresa. Notese que esse aumento de Capital Social não alterou a condição financeira da empresa, uma vez que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 125 a 128), e como foi pago diminuiu suas disponibilidades. Na sequência, o imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 129 a 131), emitido em Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.046 27 17/04/2006, sendo que o saldo (resultado) dessa Reserva de reavaliação foi, no mesmo ano, utilizado para aumentar o Capital da empresa. Assim, podemos avaliar que o aumento do Capital, que seguiu formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma gráfica e simulada, sem afetar a situação financeira da empresa (fls. 136 a 138). Na mesma linha, foi apresentado pela fiscalização um demonstrativo da evolução patrimonial da AST (fls. 24/26), com base nas principais rubricas contábeis, sendo que os valores apurados pelo Fisco, foram aqueles que constaram nas DIPJ’s apresentadas e balancete de janeiro a julho de 2012, onde fica demonstrado, várias evidências que efetivamente a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, e que precisa dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos e assim passou a simular as operações que tinha que registrar como sendo por conta e risco próprio e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. O FUNDAP Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, foi criado pelo estado do Espírito Santo (ES) em 1.970, com o objetivo atrair, para os portos do estado, empresas e operações de comércio exterior e assim promover seu desenvolvimento econômico e social, ganhando expressividade a partir dos anos 1.990, com a abertura do país às importações de mercadorias estrangeiras, principalmente veículos, a partir do Plano Real em 1.994. Tratase de um benefício concedido às empresas de comércio exterior que estabelecem seu domicílio fiscal no estado e são autorizadas pelo BANDES – Banco de Desenvolvimento do ES a operar no sistema dentro de certos limites operacionais, pelo qual, essas empresas, chamadas “FUNDAPEANAS” obtém, para os despachos de importação que promovem no ES, postergação do prazo no pagamento do ICMS incidente nas importações e financiamento de longo prazo, concedido pelo mesmo BANDES, no valor de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos de 1% ao ano, carência de 5 anos e mais 20 de prazo de amortização, com opção de recompra da dívida, em leilões realizados periodicamente por este banco, nos quais os contratos são liquidados por cerca de 10% do saldo devedor. A AST, como visto, é uma empresa "FUNDAPEANA", e como tal, tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo Estado do Espírito Santo/ES, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. Já a ENDO MEDICAL, é a empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou os pedidos de compra. As constatações deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como demonstraram que os impostos e demais despesas foram suportados pela ENDO MEDICAL, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento do câmbio. Em resumo, todo esses procedimentos montado, destacase a participação da empresa AST, que, por não ter condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio ou encomenda (Relatório de fls. 23 a 27), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP. Desta forma, fica demonstrada a pratica da Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação das mercadorias em questão, cabendo a aplicação da pena de perdimento das Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, e de acordo com o mesmo artigo em seu § 3º, como esta evidente que os bens foram remetidos a consumo, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Da alegada inexistência de adulteração ou falsificação Alega a AST que esse tema tampouco merece maiores divagações, senão a reafirmação de que em nenhuma hipótese das movimentações da empresa houve a falsificação de documentos, tampouco adulteração. Não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado. Que a recorrente importa mercadorias em razão da encomenda realizada pela ENDO MEDICAL, e não há o que se falar em adulteração e falsificação de documentos, repisando que tampouco em interposição fraudulenta. Por outro lado, consta do relatório da fiscalização, que fica caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, sendo que elas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, como ficou evidente, assim como a AST não atua na comercialização dessas mercadorias, simplesmente presta serviços na nacionalização dos bens. E mais, conforme demonstrando na descrição dos fatos (infração 001, à fl. 56 e sgs), as operações de importação em questão são simuladas, pois omitem a real compradora das mercadorias (real importadora), e demonstram operações por encomenda e conta e risco próprio, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Tais irregularidade foi constatada nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão, BL, Packing List e Fatura internacional, declarando como importadora a AST, documentos identificados como ideologicamente falsos. Posto isto, restou claro que na autuação à que se impôs a penalidade de multa pela interposição fraudulenta de terceiros, foi cometida com falsidade ideológica. O conceito de falsidade ideológica remonta ao tipo penal previsto no art. 299 (do Código Penal Brasileiro, DecretoLei nº 2.848, de 1940): Art. 299 “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”. No presente caso, foi apontada pelo Fisco, que quando da elaboração de todas as DI (Declarações de Importação), quando nelas se inseriu declaração diversa da que devia ser escrita, isto é, que a importação foi “por encomenda”, quando na realidade o foi “por conta e ordem de terceiro”, ficou caracterizada a falsidade ideológica nos documentos fiscais (faturas comerciais). Da alegada inexistência do dolo nas operações da empresa Alega em seu recurso que não há razão para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos (a empresa surgiu em 25.01.1991), no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/201322 Acórdão n.º 3402003.095 S3C4T2 Fl. 4.047 29 aventureira, ou mesmo com ilegalidades, conforme o rigor imposto pela fiscalização (procedimento da IN SRF nº 228/02), no esforço de gerar sua criminalização. Ocorre que ficou constatados no Relatório da Fiscalização, elementos que comprovam a prática de declarações inexatas, que foram frutos de ações praticadas, com dolo, pelos importadores e demais comerciantes envolvidos, que, intencionalmente, promoveram modificações de características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. Elementos básicos, dessas importações, foram alterados intencionalmente em todos os processos, para, além de manter ocultos, afastar os demais envolvidos da condição de adquirentes por conta e ordem. Como já dito, foi apontada pelo Fisco, que quando da elaboração de todas as DI, se inseriu declaração diversa da que devia ser escrita, isto é, que a importação foi “por encomenda”, quando na realidade o foi “por conta e ordem de terceiro”. Não se trata apenas de equívoco na definição da modalidade de importação, mas de documentos que instruem os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos de comprovação do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveria estar registrada em todos esses documentos. Ou seja, os documentos apresentados ao Fisco registram operação de importação por conta e risco da AST, já as constatações e verificações constatadas pela fiscalização, que estão sendo apresentados como provas (faturas), demonstraram que o comprador das mercadorias no exterior, a ENDO MEDICAL, ficou oculto em todos os procedimentos. Desta forma, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, por um terceiro, sem que seja consignada a identificação na DI e nos documentos de instrução, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Do efeito suspensivo do crédito lançado Em seu recurso, sustenta a Recorrente que seja atribuído ao presente recurso o efeito suspensivo do Auto de Infração, tal como a exigibilidade da multa aplicada, até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa. Com espeque no art. 151, III, do Código Tributário Nacional, fica determinado a SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE dos créditos tributários em discussão até o julgamento definitivo do recurso interposto na via administrativa. Conclusão Destarte, com base nos elementos probatórios contidos nos autos, VOTO no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, para: I – Preliminarmente, para REJEITAR a arguição de nulidade; Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 II – No mérito, JULGAR IMPROCEDENTE o recurso, restando, assim, legítima a constituição da exação em comento, restando escorreita a subsunção dos fatos à norma aplicada e a sujeição passiva da autuada ENDO MEDICAL. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
