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6364224 #
Numero do processo: 10980.005508/2003-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto ri' 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo.
Numero da decisão: 201-80.942
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antônio Ricardo Accioly Campos

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' L1F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Br CCO2/C01 uniu, _IP O 12c20g.6i_ Fls. 475 Smo Ama 11tat: Mapa 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'P.] PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10980.005508/2003-12 Recurso n° 138.675 Voluntário wos Matéria PIS/Pasep Acórdão n° 201-80.942o o .10° ocCti,e1 1 Sessão de 14 de fevereiro de 2008 ts,sürfri oso O es Recorrente SAVANA VEÍCULOS LTDA. Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, a teor do art. 33 do Decreto ri' 70.235/72. Os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Recurso não conhecido, por intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. II . i " :SE ii MARIA COELHO MARQU S :. Presidente x t . t ....„-,_..„:„ \- •• .. c-...---- NTÔNIO RICARDO ACCIOLtCAMPOS lator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 10980.005508/2003-12 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO 02:3INP.L CCO2/C01Acórdão n.° 201-80.942 Fls. 476 Brasilia, 4g/ 491/ SIvio Siçgaafeoss that Soe 91745 Relatório Com vistas a uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 397/419. A DRJ em Curitiba - PR, não conhecendo do recurso, julgou o lançamento procedente para manter o crédito tributário no valor de R$ 14.838,54, a titulo de PIS, bem como a respectiva multa lançada de oficio e juros moratórios. Inconformada, a interessada recorre a este Conselho (fls. 427/448), reiterando as razões da peça impugnatória. É o Relatório. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10980.005508/2003-12 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C0 I Acórdão s.° 201-80.942 Fls. 477 Brasitia. y l_: Silvio 5ír04-sbosa Mal: S..a pra 91745 Voto Conselheiro ANTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS, Relator A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (Acórdão ri 2 06- 12.863) em 24/01/2007, conforme AR de fl. 424. Apresentou recurso a este Conselho em 26/02/2007, conforme carimbo de recebimento à fl. 427. Analisando o art. 33 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do prazo para apresentação de recurso contra a decisão de primeira instância, tem-se: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". A contagem do prazo seguir as regras estabelecidas no art. 5 2 do mesmo diploma legal, verbis: "Art. 50 Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Sendo 24/01/2007 uma quarta-feira, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário se iniciou na quinta-feira, dia 25/01/2007 e foi encerrada sexta-feira, dia 23/02/2007. Logo, se o recurso foi interposto em data posterior (26/02/2007) ao termo final, a decisão a quo já se tomara definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n2 70.235/72, que assim, estabelece: "Art. 42. São definitivas as decisões: I- de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ". Em face do exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. \—\" tk• NTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS \ Page 1 _0058700.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1

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6459618 #
Numero do processo: 10580.730652/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Conforme art. 39, inc. XXXIII do Decreto 3000/99, são isentos de imposto de renda os rendimentos recebidos de aposentadoria por invalidez em decorrência de acidente de trabalho. No caso dos autos a carta de concessão do benefício de 11/05/2014 define como início da vigência a data de 01/05/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para considerar os rendimentos de aposentadoria decorrentes de invalidez por acidente de trabalho, recebidos a partir de 01/05/2009, como isentos de Imposto de Renda. Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento  parcial,  para  considerar  os  rendimentos  de  aposentadoria  decorrentes  de  invalidez  por  acidente  de  trabalho,  recebidos  a  partir de 01/05/2009, como isentos de Imposto de Renda.    Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente      Maria Cleci Coti Martins ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson  Alex  Friess,  Rayd  Santana Ferreira.  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 10580.730652/2014­56  Acórdão n.º 2401­004.428  S2­C4T1  Fl. 3          3    Relatório  Recurso voluntário interposto em 20/05/2015 em face do acórdão 16­67.300 ­  22ª  Turma  da DRJ/SPO  que  considerou  improcedente  a  impugnação  da  contribuinte  para  o  crédito  tributário  de  IRPF  objeto  deste  processo.  A  ciência  à  decisão  recorrida  deu­se  em  17/04/2015.  O auto de infração decorreu de declaração retificadora na qual, a contribuinte,  aposentada  em  07/05/2014,  com  efeitos  retroativos  a  01/05/2009,  teria  considerado  os  rendimentos  recebidos  no  ano  calendário  2009  como  isentos  em decorrência  do  art.  39,  inc.  XXXIII do Decreto 3000/99(RIR), a seguir transcrito.  XXXIII ­ os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma,  desde  que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a  doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,  art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);  O julgador a quo, com base na decisão judicial que concedeu o benefício de  auxílio  acidente  somente  a  partir  de  11/11/2010,  considerou  improcedente  a  impugnação  da  recorrente.   É o relatório.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI     4    Voto             Conselheira Maria Cleci Coti Martins ­ Relatora  O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço.  Muito embora a decisão a quo tenha observado a data do início do benefício  relativo à  incapacidade  (auxílio­acidente), não encontrei  informação nesse mesmo processo a  respeito da data da concessão da aposentadoria por invalidez. A mesma decisão que concede o  benefício a partir de 11/11/2010, também condena o INSS ao pagamento de todas as parcelas  em  atraso  até  29/06/2009.  Adicionalmente,  o  cartão  CERTIDÃO  PIS/PASEP/FGTS  efl  12  contém  a  informação  de  que  a  aposentadoria  teria  sido  requerida  em  07/05/2015,  e  início  benefício em 01/05/2009. O documento fora emitido em 11/05/2014.  Observo contudo, que o documento à efl. 13, Carta de Concessão/Memória  de Cálculo do Benefício deixa claro que a vigência da aposentadoria por invalidez decorrente  de acidente de trabalho número 606.098.145­7, é a partir de 01/05/2009.   Art. 39, inc. XXXIII do Dec. 3000/99  §  5º  As  isenções  a  que  se  referem  os  incisos  XXXI  e  XXXIII  aplicam­se aos rendimentos recebidos a partir:  I ­ do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão;  II  ­  do  mês  da  emissão  do  laudo  pericial  ou  do  parecer  que  reconhecer  a  moléstia,  se  esta  for  contraída  após  a  aposentadoria, reforma ou pensão;  III ­ da data em que a doença foi contraída, quando identificada  no laudo pericial.  Desta  forma  entendo  que  os  rendimentos  de  aposentadoria  decorrentes  de  invalidez  por  acidente  de  trabalho,  a  partir  de  01/05/2009,  devem  ser  reconhecidos  como  isentos  de  Imposto  de  Renda  em  atendimento  ao  inc.  XXXIII  do  art.  39  do  Decreto  3000/99(RIR).  É como voto.  Maria Cleci Coti Martins.                              Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI

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6429604 #
Numero do processo: 16682.721091/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESISTÊNCIA DA AÇÃO - EFEITOS A desistência da ação, após a defesa, é ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269. Assim, o conteúdo decisório faz lei entre as partes. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso ao acatar a prejudicial de desistência da ação, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Antonio Bezerra Neto que davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESISTÊNCIA DA AÇÃO - EFEITOS A desistência da ação, após a defesa, é ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269. Assim, o conteúdo decisório faz lei entre as partes. Recurso Voluntário Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso ao acatar a prejudicial de desistência da ação, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Antonio Bezerra Neto que davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.604          2   Documento assinado digitalmente.  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Redator Designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Guilherme  Adolfo  dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos  de  Aguiar  Villas  Boas,  Fernando  Luiz  Gomes  de Mattos,  Aurora  Tomazini  de  Carvalho  e  Antonio Bezerra Neto.     Relatório    Inicialmente,  esclareço  que  todas  as  indicações  de  folhas  inseridas  neste  relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema e­Processo, com  exceção  das  referências  contidas  nos  trechos  transcritos,  as  quais  podem  dizer  respeito  à  numeração do processo em papel antes de digitalizado.  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  proferido  pela  DRJ/Rio  de  Janeiro I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados.  Os créditos tributários lançados, no âmbito da Demac/RJ, referentes ao IRPJ  e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes  aos  anos­calendário de 2006 a  2008, totalizaram o valor de R$ 186.584.858,07. A autuação foi motivada pela não computação  dos lucros auferidos no exterior nas bases de cálculo daqueles tributos.  Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso:    O Termo de Verificação Fiscal informa que:  ­  nos  anos­calendário  de  2006,  2007  e  2008,  a  Interessada  possuía  participação societária no exterior de 99,99%, em 2006, e de 100%, em 2007 e 2008,  nas  empresas  LIR  ENERGY  LIMITED  (LIR)  e  LIGHT  OVERSEAS  INVESTIMENTS LIMITED (LOI), fls.593/802 e fls.803/804;  ­ conforme determinam os artigos 25 a 27 da Lei 9.249/95, artigos 15 e 16 da  Lei 9.430/96 e artigo 1º. da Lei 9.532/97, com a alteração prevista no artigo 74 da  Medida Provisória 2.158­34/2001,  os  lucros  auferidos  no  exterior  disponibilizados  por intermédio de controladas ou coligadas devem ser adicionados ao lucro líquido  para determinação do lucro real, sendo que, para fins de tributação no Brasil, deve­ se considerar que os lucros serão disponibilizados na data do balanço no qual forem  apurados pela investida (artigo 1º. da Lei 9.532/97 e artigo 74 da Medida Provisória  2.158/2001);  Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.605          3 ­ intimada a informar se havia tributado no Brasil, pelo Lucro Real (CSLL e  IRPJ),  os  lucros  daquelas  controladas,  a  Interessada  demonstrou  que  procedeu  tributando, por empresa no exterior, o resultado conforme o método de equivalência  patrimonial, MEP;  ­ a Interessada calculou a equivalência patrimonial, dividindo os cálculos em  lucros no exterior e variação cambial e lançou estes valores em contas de despesas;  ­ nos casos em que, por empresa no exterior, o resultado decorrente da soma  da rubrica contábil “Lucro no Exterior” com a rubrica contábil “Variação cambial”  foi  negativo,  a  Interessada  eliminou  o  resultado  negativo  no  LALUR  e  Livro  de  Apuração da Base de Cálculo da CSLL, não se deduzindo deste valor negativo para  fins tributários;  ­ nos casos em que, por empresa no exterior, o resultado decorrente da soma  da rubrica contábil “Lucro no Exterior” com a rubrica contábil “Variação cambial”  foi  positivo,  a  Interessada  não  efetuou  nenhum  ajuste  no  LALUR  e  Livro  de  Apuração da Base de Cálculo da CSLL, tributando, por conseqüência este resultado;  ­ os  lançamentos do MEP das duas controladas compuseram o  lucro  líquido  do  período,  o  qual  serviu  de  base  para  as  adições  e  exclusões  exigidas  para  a  apuração do IRPJ e CSLL;  ­ ocorre que, ao adotar esta sistemática, a Interessada reduziu indevidamente  os  lucros  que  deveriam  ter  sido  tributados  no  Brasil,  conforme  impõem  os  dispositivos anteriormente mencionados;  ­  a  Interessada  deveria  ter  tributado  os  lucros  auferidos  no  exterior  disponibilizados pelas controladas LIR e LOI em dólares americanos, com a taxa de  conversão em 31/12, não se levando em conta a contrapartida de variações cambiais  e outros ajustes;  ­ assim, foram lançadas as diferenças entre os valores que deveriam ter sido  tributados nos moldes da legislação acima mencionada, que constam nas tabelas 2 e  3,  e  os  valores  que  foram  tributados  pela  Interessada  com  base  no  MEP,  que  constam nas tabelas 4, 5, 6, 7 e 8;  ­ as diferenças estão demonstradas nas tabelas 9 e 10, do presente termo;   ­ quanto à CSLL, conforme artigo 21 da Medida Provisória 2.158­35/2001, os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  sujeitam­se  à  incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os  arts. 25 a 27 da Lei n° 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n° 9.430, de 1996, e o  art. 1o da Lei n° 9.532, de 1997.  ­  quanto  à  escrituração,  a  Interessada  foi  intimada  a  efetuar  no  LALUR  e  Livro de Demonstração da Base de Cálculo da CSLL, na PARTE A e na PARTE B,  todos  os  ajustes  necessários  para  que  fossem  registrados  os  valores  apurados  decorrentes  do  aumento  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL  e  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  de  períodos  anteriores,  bem  como  outros que sejam pertinentes.  A  Interessada  tomou  ciência  do  lançamento  em  08­12­2011,  e  apresentou  impugnação em 09­01­2012, bem como, posterior petição, (doc.02), alegando que:  ­  em  20­02­2003,  impetrou  o Mandado  de  Segurança  2003.51.01.005514­8  para que fosse reconhecido o seu direito de não ser compelida a recolher o IRPJ e a  Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.606          4 CSL sobre os lucros acumulados pelas empresas LIR Energy Limited (LIR) e Light  Overseas  Investments Limited (LOI), ambas controladas sediadas no exterior, bem  como sobre os futuros lucros que seriam acumulados por essas empresas, enquanto  os  mesmos  não  fossem  disponibilizados  à  sua  controladora,  tendo  em  vista  as  inconstitucionalidades  e  ilegalidades  do  artigo  74,  parágrafo  único  da  Medida  Provisória 2.158­35/01, (doc 6);  ­ o Mandado de Segurança também objetivava resguardar o direito de não ser  compelida  a  recolher o  IRPJ  e  a CSL  sobre os valores  relativos  aos  resultados de  equivalência  patrimonial  concernentes  ao  investimento  detido  na  LIR  e  na  LOI,  incluindo a variação cambial de tais investimentos, afastando assim a aplicação do  artigo 7º., § 1º., da INSRF 213/02 para os períodos­base até 2002 e posteriores;  ­  em  24.02.2003,  o  Juiz  Federal  da  19ª  Vara  Federal/RJ  houve  por  bem  conceder  a  medida  liminar  no  Mandado  de  Segurança,  tendo  suspendido  a  exigibilidade dos créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSL (doc 7);  ­ no entanto, em 12.08.2003., foi proferida sentença denegando a segurança e  acatando o posicionamento da Fazenda Nacional (doc 8);  ­ contra tal decisão, opôs Embargos de Declaração em 11­09­2003, para que  fosse suprida a omissão presente em tal sentença, uma vez que não havia sido feita  menção à aplicação da IN 213/02, (doc 9);  ­ em 16­09­2003, foi proferida decisão acolhendo os Embargos de Declaração  para que fosse sanada tal omissão fazendo­se pronúncia acerca da legalidade de tal  ato normativo, (doc 10);  ­ em 09­10­2003, interpôs Recurso de Apelação (doc 11), que foi recebido em  seus  efeitos  devolutivo  e  suspensivo  (doc  12),  tendo  sido  os  autos  do  referido  processo encaminhados ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região;  ­  contudo,  antes  que  o  Mandado  de  Segurança  fosse  julgado  em  sede  de  segunda  instância,  foi  editada  a  Lei  11.941,  de  27­05­2009,  que  trouxe  a  possibilidade  de  os  contribuintes  quitarem  seus  débitos  por meio  de  Programa  de  Parcelamento com a utilização dos benefícios previstos;  ­  assim,  em  23­02­2010,  apresentou  petição  requerendo  a  desistência  e  a  renúncia parciais das alegações de direitos sobre as quais se fundamentava a referida  ação, para desistir do Mandado de Segurança apenas no tocante à discussão referente  a  não  tributação  pelo  IRPJ  e  pela  CSL  dos  lucros  auferidos  no  exterior  enquanto  ainda não efetivamente disponibilizados por suas controladas no exterior (doc 13);  ­ em 19­05­2010, foi proferida decisão que acatou entendimento da Fazenda  Nacional  e  não  homologou  o  pedido  de  desistência  parcial  formulado  pela  Requerente,  concedendo  prazo  de  10  dias  para  que  procedesse  com  a  desistência  integral, (doc 17);  ­  objetivando  se  beneficiar  dos  benefícios  da  Lei  11.941/2009,  em  28­05­ 2010,  apresentou  petição  de  desistência  integral  do Mandado  de  Segurança,  (doc  19), e, em 21­06­2010, foi proferida decisão que homologou o pedido de desistência  integral,  (doc 20),  tendo  sido  em 30­11­2010, os  autos do Mandado de Segurança  arquivados (doc 21);  ­ portanto,  até 21­06­2010, discutia nos  autos do Mandado de Segurança  se  deveria  utilizar  o  método  de  equivalência  patrimonial  para  tributar  os  lucros  Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.607          5 auferidos no exterior pela LIR e pela LOI e se em tal método deveria ser incluída a  variação cambial;   ­ por conta disso, até então, não havia recolhido valor algum a título de IRPJ e  CSLL em relação aos anos desde 2002 sobre os  lucros auferidos no exterior, uma  vez  que,  por  conta  da  referida  ação  mandamental,  declarava  tais  impostos  como  tendo sua exigibilidade suspensa;  ­ pelo mesmo motivo, desde 2002, apenas controlava no seu LALUR a adição  dos lucros auferidos no exterior, sem considerar a inclusão da variação cambial em  seu cálculo;  ­ desta forma, nos anos de 2006, 2007 e 2008, o LALUR apresenta um lucro  tributável  nos  valores  de  R$218.330.257,42,  R$180.755.394,77  e  R$207.863.056,02;  ­ para comprovar o registro de tais valores, junta os balancetes anuais da LOI  LIGHT  OVERSEAS  INVESTMENTS  LIMITED  e  da  LIR  ENERGY  LIMITED  que  apresentam  numericamente  os  resultados  de  seus  investimentos  no  exterior,  (doc. 22);  ­ após a desistência integral do Mandado de Segurança, procedeu a uma nova  apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL desde 2002, ajustando as bases de  prejuízo fiscal acumulado e base negativa de CSL de forma correspondente, com a  aplicação literal do disposto no artigo 74 da MP n° 2.158­35­01 e no artigo 7º da IN  213/02,  uma  vez  que,  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  no  âmbito  do  Mandado de Segurança não lhe autorizou a excluir a variação cambial dos resultado  de  equivalência patrimonial,  posto  que  não  poderia  se  recusar  a  acatar  tal  decisão  nem a Fiscalização exigir procedimento contrário;  ­ nesses  termos, os  resultados  auferidos no  exterior  serão  reconhecidos pela  equivalência patrimonial com a inclusão da variação cambial e serão tributados no  Brasil quando forem positivos;  ­ quando forem negativos, embora contabilmente reconhecidos pela sociedade  brasileira, os resultados de equivalência patrimonial serão adicionados no cálculo do  lucro real e da base da CSLL;  ­  nos  anos  de  2006,  2007  e  2008,  a  aplicação  do  método  de  equivalência  patrimonial,  compreendendo  a  variação  cambial  do  período,  fez  com  que  os  investimentos  na  LIR  e  LOI  apresentassem  resultados  nos  valores  de  R$43.363.034,13  (receita),  R$117.607.680,55  (despesa)  e  R$  564.210.477,96  (receita) respectivamente;  ­  estes  valores  foram  apurados  pela  subtração  entre:  (i)  R$3.678.024,34,  R$382.139.721,52 e R$12.838.170,01 (total de perdas por equivalência patrimonial)  e  R$47.041.058,47,  R$  264.532.040,97  e  R$577.048.647,97  (total  de  ganhos  por  equivalência patrimonial), valores esses presentes na Ficha 09 das DIPJs referentes  aos anos­calendário de 2006 na linha 10 e na linha 01 (lucro líquido antes do IRPJ),  2007 na linha 10 e linha 32 e 2008 linha 13 e linha 01 (lucro Líquido antes do IRPJ)  e  mais  didaticamente  nos  razões  dos  respectivos  anos  (docs.  23  a  25)  respectivamente;  ­  dessa  forma,  na  apuração  do  Lucro  Real  e  da  Base  de  Cálculo  da  CSL,  adicionou, no ano de 2007 os  resultados negativos, no valor de R$117.607.680,55  Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.608          6 recompondo assim os efeitos do reconhecimento contábil de tais despesas no Lucro  Líquido;  ­ ao mesmo tempo, para os resultados positivos anuais, nada procedeu, visto  que  tais  valores  já  estavam compondo o Lucro Líquido,  os  quais,  portanto,  foram  oferecidos a tributação;  ­  para  o  ano  de  2007,  a  diferença  entre  os  valores  em  questão,  de  R$117.607.680,55, corresponde ao resultado negativo dos investimentos no exterior,  LIR e LOI (R$ 85.921.850,63 + R$ 31.685.829,92), e foi adicionada no cálculo do  Lucro Real, posto que negativa;  ­  já  para  os  anos  de  2006  e  2008,  somente  para  a  empresa  LIR,  apurou  resultado  positivo  no  valor  de  R$47.041.058,47  no  ano  de  2006,  e  R$  577.048.647,97 no ano de 2008;  ­ os referidos valores foram devidamente tributados, uma vez que já estavam  efetivamente reconhecidos em seus livros;  ­  para  LOI,  nestes  mesmos  anos,  foram  registrados  resultados  negativos  (R$3.678.024,34,  em  2006  e  R$12.838.170,01,  em  2008),  que  também  foram  devidamente adicionados para que pudessem ser submetidos à tributação;  ­ assim, a aplicação literal da IN 213/02 resultou na apuração de um resultado  de  equivalência  patrimonial  negativo  (despesa)  no  ano  de  2007,  no  valor  de  R$  117.607.680,55, sendo tal valor adicionado na apuração do Lucro Real e da Base de  Cálculo da CSLL;  ­  no  mesmo  sentido,  para  os  anos  2006  e  2008,  têm­se  resultados  de  equivalência  patrimonial  positivos  nos  valores  de  R$47.041.058,47  e  R$577.048.647,97, respectivamente;  ­  em  outras  palavras,  o  procedimento  adotado  foi  de,  em  cada  um  dos  períodos desde 2002, ao registrar resultados positivos de equivalência patrimonial de  investimentos no exterior, oferecê­los à tributação (sem qualquer ajuste na apuração  do  Lucro  Real,  posto  que  esses  valores  já  se  encontram  reconhecidos  no  próprio  Lucro  Líquido,  tal  como  ocorrido  em  2006  e  2008),  ao  passo  que,  quando  os  resultados dos investimentos no exterior foram negativos e, portanto, impactaram o  Lucro Líquido para menor, teve por procedimento adicionar tais valores na apuração  do Lucro Real, o que foi feito para o ano de 2007;  ­ nota­se, portanto, que adotando o procedimento de reconhecer os resultados  de equivalência patrimonial como previsto literalmente na IN 213/02, (tal IN previu,  literalmente, a  tributação da variação cambial dos  lucros auferidos por coligadas e  controladas no exterior), apurou uma carga tributária maior se comparada com a não  inclusão  da  variação  cambial  em  seus  resultados,  conforme  Doc  31,  em  outras  palavras, em nenhum momento lesou o Fisco;  ­  desta  forma,  após  a  desistência  total  da  medida  judicial,  efetivamente  tributou os resultados auferidos no exterior, devidamente reconhecidos pelo Método  da Equivalência Patrimonial, conforme previsto expressa e literalmente na IN213/02  tendo,  para  tanto,  recomposto  todas  as  bases  de  cálculo  a  partir  de  2002,  o  que  impactou significativamente o seu saldo de prejuízos fiscais acumulados;  ­ a Fazenda Nacional e o próprio Juízo assumiram tal posição no Mandado de  Segurança,  obrigando  que  a  totalidade  dos  resultados  de  equivalência  patrimonial  fosse reconhecida como tributável no Brasil;  Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.609          7 ­ os  resultados de equivalência patrimonial  incluíram os  lucros auferidos no  exterior,  o  patrimônio  líquido  da  sociedade  coligada  ou  controlada  e  a  variação  cambial de tais valores;  ­ o entendimento da Fiscalização que o resultado de equivalência patrimonial,  levando­se  em  conta  a  variação  cambial  do  período,  não  deveria  ser  considerado  para fins de tributação no Brasil, mas apenas o lucro auferido no exterior, contraria  posicionamentos  firmados  ao  longo  de  todo  o  processo  judicial  pela  Fazenda  Nacional e até mesmo em manifestações da própria Secretaria da Receita Federal do  Brasil, além de contrariar os termos da decisão judicial que denegou a segurança;  ­ a Fiscalização interpretou de forma restritiva e casuística o artigo 7º., § único  da IN 213/02, uma vez que reconheceu o procedimento adotado (pela Interessada),  somente para o investimento na LIR no ano de 2008, porque, neste período, gerou  um  recolhimento  de  tributos  substancialmente  mais  elevado,  restando  claro  que  objetivou autuar apenas os anos nos quais a tributação seria mais vantajosa;  ­ da mesma forma, não se pode tratar os lucros auferidos pelas empresas LIR  e LOI de  forma distinta,  tendo em vista que  foi  adotado na  escrituração o mesmo  procedimento  para  ambas,  sendo  que  os  resultados  de  equivalência  não  são  divisíveis  por  sociedades, mas  um  único  componente  para  todas  as  sociedades  do  exterior;  ­  o  artigo  7º.  da  IN 213/02  trata  também da  tributação  da  variação  cambial  como elemento integrante do conceito de resultado de equivalência patrimonial;  ­  assim,  lucros  e  variação  cambial  devem  necessariamente  compor  a  tributação no Brasil para fins de IRPJ e CSL, tal como apurado na sua escrituração;  ­ portanto, está equivocada a Fiscalização quando afirmou que o artigo 7º. da  IN 213/02, que dispõe sobre a aplicação do método de equivalência patrimonial, não  tratou de tributação da variação cambial, mas  tão somente dos  lucros auferidos no  exterior;  ­ se não houve equívoco da Fiscalização, houve mudança de critério jurídico,  uma vez que a orientação oficial da própria Receita Federal  fundamenta­se na MP  2.158­35/01 e na IN 213/02, ocorrendo, pois, violação ao artigo 146 do CTN;  ­ ainda que assim não se entenda, para o ano de 2008, a própria Fiscalização  reconheceu que o procedimento adotado pela Interessada no que se refere à LIR, no  que tange à aplicação do método de equivalência patrimonial, ocorreu um resultado  positivo  de  R$577.048.647,97,  cuja  tributação  restou  por  ser  muito  superior  ao  devido, no entendimento do Fisco;  ­  assim,  possui  direito  a  um  crédito  tributário  que  corresponde  à  diferença  entre a aplicação do método de equivalência patrimonial (adotado pela Interessada) e  a aplicação do método pelo Lucro do Exterior (adotado pelo Fisco);  ­ se para o ano de 2008, a aplicação do método adotado pela Interessada para  a  empresa  LIR  gerou  um  resultado  positivo  de  R$577.048.647,97,  que  não  foi  questionado  pela  Fiscalização  por  ser  mais  vantajoso,  para  este  mesmo  período,  dever­se­ia aplicar o mesmo método adotado pelo Fisco para os demais períodos, o  que geraria um resultado positivo de R$138.552.519,17, ou seja, muito  inferior ao  realmente apurado pela Interessada;  ­  neste  sentido,  possui  um  crédito  tributário  sobre  uma  base  de  cálculo  de  R$438.496.128,80 que atualizado, supera o valor autuado;  Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.610          8 ­ não  é  justo que  seja  apenada com a excessiva multa de 75% do principal,  uma vez que simplesmente adotou um procedimento exigido pela Fazenda Nacional  e decidido nos autos do Mandado de Segurança;  ­  na  forma  aplicada,  a  multa  configura  uma  situação  abusiva,  extorsiva,  expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, da CF;  ­ declarou os valores auferidos no exterior, mantendo apenas a sua tributação  suspensa por conta da discussão judicial, não podendo ser penalizada pela aplicação  de  multa  por  conta  de  não  ter  recolhido  suposto  tributo  que  se  encontrava  em  discussão judicial;  ­ cumpriu  literalmente disposição expressa em ato normativo administrativo,  no caso, a IN 213/02, devendo ser aplicado o parágrafo único do artigo 100 do CTN,  que exclui a imposição de qualquer penalidade e de juros de mora;  ­  inaplicabilidade  da  taxa  SELIC  aos  créditos  tributários,  conforme  jurisprudência do STJ;  ­ impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício;  ­ posterior juntada de novos documentos e/ou realização de diligências.    Ao  apreciar  a  impugnação  apresentada,  a  8ª  Turma  da  já  mencionada  DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 12­43.984, de 16 de fevereiro de 2012, por meio do  qual decidiu pela procedência total dos lançamentos efetuados.  Assim figurou a ementa do referido julgado:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  LUCROS  DE  CONTROLADAS  NO  EXTERIOR.  TRIBUTAÇÃO  DA  CONTROLADORA.  Os  lucros  auferidos  no  exterior  disponibilizados  por  intermédio  de  controladas  devem ser adicionados ao lucro líquido da controladora para determinação do lucro  real, sendo que, para fins de tributação no Brasil, deve­se considerar que os lucros  serão disponibilizados na data do balanço no qual forem apurados pela investida.  (Artigo 25 da Lei 9.249/95, e artigo 74 da Medida Provisória 2.158­34/2001).  RESULTADO  DE  PARTICIPAÇÃO  SOCIETÁRIA  EM  CONTROLADA  NO  EXTERIOR.  RECONHECIMENTO  DE  LUCROS  PELA  CONTROLADORA.  REGRAS AUTÔNOMAS.  A apuração do resultado da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da  equivalência patrimonial, não se confunde com a tributação dos lucros auferidos por  controladas, no exterior.  (Parágrafo 6º., do artigo 25, da Lei nº.9.249/95)  Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.611          9 JUROS DE MORA.  É  legítima  a  cobrança  de  juros  de  mora  calculados  com  base  na  taxa  Selic,  nos  termos do artigo 5º, parágrafo 3º, da Lei 9.430 de 1996, pois não representa ofensa  ao disposto no parágrafo 1º., do artigo 161, do CTN.    Inconformada,  a  empresa  autuada  apresentou  recurso  voluntário  no  qual,  essencialmente, repetiu os argumentos deduzidos na impugnação. Em resumo, acrescentou que  a decisão recorrida se furtou a analisar a regra que deveria ser aplicada e seguida pela empresa  (a que prevê a tributação apenas dos lucros no exterior ou a que determina a tributação de todo  o  resultado  da  equivalência  patrimonial),  sequer  mencionando  a  existência  do  mandado  de  segurança. Nesse sentido, replica os seguintes aspectos contidos na impugnação como motivos  para  a  reforma da decisão  recorrida:  (i)  o  resultado da  equivalência patrimonial  vai  além do  lucro ou prejuízo da controlada ou coligada, tendo esse posicionamento sido deixado claro em  sua  petição  juntada  aos  autos  do mandado  de  segurança;  (ii)  o  artigo  7º,  “caput”  e  §  1º,  da  IN/SRF  nº  213/02,  sem  base  legal,  previu  literalmente  a  tributação  da  variação  cambial  dos  investimentos  auferidos  por  coligadas  ou  controladas  no  exterior;  (iii)  a  aplicação  literal  do  citado  comando  da  IN/SRF  nº  213/02  é  dever  funcional  das  autoridades  fiscais;  (iv)  o  procedimento  das  autoridades  fiscais  é  divergente  do  posicionamento  da  Fazenda  Nacional  sustentado nos autos do mandado de segurança do presente caso e de outro caso recentemente  julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ); (v) não se pode exigir comportamento oposto ao  decidido em decisão judicial transitada em julgado; (vi) o procedimento adotado pela empresa  resultou em clara vantagem para o Fisco (equivalente a R$ 91.816.926,36), se computados os  montantes  devidos  a  título  de  IRPJ  e CSLL  apurados  nas DIPJ  originais  e  retificadoras  dos  anos  de  2002  a  2008,  e  considerado,  ainda,  que  seus  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  da  CSLL  foram  drasticamente  reduzidos;  e  (vii)  a  mudança  de  critério  jurídico  adotado  pela  fiscalização configura ofensa aos artigos 3º, 142 e 146 do CTN.  Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que: (i) inexiste decisão  transitada em julgado a favor da recorrente nos autos do mandado de segurança autorizando a  inclusão  da  variação  cambial  na  tributação  dos  lucros  auferidos  por  suas  controladas  no  exterior; (ii) a variação cambial de investimentos em pessoas jurídicas coligadas e controladas  no exterior não se sujeita à  tributação do IRPJ e CSLL; e (iii) deve­se manter a aplicação da  multa de ofício e a incidência dos juros à taxa SELIC.    É o relatório.    Voto Vencido    Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator     Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.612          10 Para melhor compreensão do procedimento utilizado pela fiscalização, vale a  pena reproduzir as  tabelas explicitadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1091 a 1107), as  quais detalham os valores que serviram de base para o lançamento.  A  recorrente  apurou  os  seguintes  valores  a  título  de  lucros  auferidos  no  exterior por suas controladas:    Controlada: LIR  Ano  Lucros atribuídos à recorrente (R$)  2006  189.054.860,31  2007  156.450.607,29  2008  138.552.519,17    Controlada: LOI  Ano  Lucros atribuídos à recorrente (R$)  2006  29.253.564,08  2007  24.304.787,49  2008  4.187.043,27    Contudo, não ofereceu esses valores à tributação enquanto discutia, em sede  judicial,  a  constitucionalidade  da  regra que  determina que  se  tribute  como  lucro  da  empresa  residente  um  valor  equiparado  ao  lucro  apurado  pela  controlada  no  exterior  (artigo  74  da  Medida Provisória ­ MP ­ nº 2.158­35/01) e a legalidade da regra que determina que se tribute  o resultado positivo da equivalência patrimonial (artigo 7º da Instrução Normativa ­ IN ­ SRF  nº 213/02).  Com  o  advento  da  possibilidade  de  parcelar  seus  débitos  tributários,  na  conformidade  da  Lei  nº  11.941/09,  desistiu  da  discussão  judicial  e  procedeu  segundo  a  sistemática definida no artigo 7º da IN/SRF nº 213/02, qual seja, tributou o resultado positivo  da equivalência patrimonial da seguinte maneira:    Controlada: LIR  Ano  Resultado da eq.patrimonial (R$)  2006  47.041.058,47  2007  (­) 85.921.850,63  2008  577.048.647,97            Controlada: LOI  Ano  Resultado da eq.patrimonial (R$)  2006  (­) 3.678.024,34  2007  (­) 31.685.829,92  2008  (­) 12.836.170,01  Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.613          11   Portanto, considerando que o resultado da equivalência patrimonial já estava  embutido no  lucro  líquido apurado pela  recorrente, quando verificou que o resultado de uma  das controladas era negativo, o correspondente valor foi adicionado para  fins de apuração do  lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isso, naturalmente, se fez por conta do que dispõe o  artigo 1º, § 5º, da mesma  IN/SRF, vale dizer, os  resultados devem ser computados de forma  individualizada, vedada a consolidação.  A  fiscalização, no  entanto,  entendeu que  a  regra a  ser  aplicada  é  a prevista  nos comandos legais, sem a contemplação da equivalência patrimonial, isto é, com um escopo  menor que a Instrução Normativa, somente alcançando o lucro da empresa residente num valor  equiparado  ao  lucro  apurado  pelas  controladas  no  exterior. Considerou,  então,  que o  correto  seria tributar os valores inicialmente apurados pela recorrente. Por isso, constatou as seguintes  diferenças que formaram a base da autuação:    Controlada: LIR (valores em R$)  Ano  Valor que deveria ser tributado  Valor que foi tributado  Diferença não tributada  2006  189.054.860,31  47.041.058,47  142.013.801,84  2007  156.450.607,29  ZERO  156.450.607,29  2008  138.552.519,17  577.048.647,97  ZERO    Controlada: LOI (valores em R$)  Ano  Valor que deveria ser tributado  Valor que foi tributado  Diferença não tributada  2006  29.253.564,08  ZERO  29.253.564,08  2007  24.304.787,49  ZERO  24.304.787,49  2008  4.187.043,27  ZERO  4.187.043,27    Delineado esse quadro, há que se enfrentar as questões de direito suscitadas.      Primeiramente,  deve­se  verificar  a  pertinência  do  quanto  alegado  pela  recorrente  no  que  diz  respeito  ao  que  havia  sido  decidido  nos  autos  do  citado mandado  de  segurança. Nesse  sentido,  considera  que  o  procedimento  contido  no  artigo  7º  da  IN/SRF  nº  213/02  (tributação  do  resultado  da  equivalência  patrimonial  incluindo  a  variação  cambial),  apesar  de  considerá­lo  ilegal,  deveria  ser  observado  porque  houve  decisão  transitada  em  julgado. Sustenta, assim, que  tal procedimento não poderia ser questionado pelas autoridades  fiscais.     TOTAL ADICIONADO (R$)    2006  3.678.024,34    2007  117.607.680,55  à (85.921.850,63 + 31.685.829,92)  2008  12.836.170,01    Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.614          12 Contudo,  como  relatado,  a  recorrente  renunciou  à  discussão  do  direito  material contestado (a ilegalidade daquele procedimento) para aderir ao parcelamento da Lei nº  11.491/09. Sobre isso, foi feliz a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões. Confira­se:     Para  aderir  ao  parcelamento  "Novo Refis",  a  autuada  desistiu  totalmente  do  MS impetrado e renunciou expressamente o direito alegado nos autos do processo  judicial,  tendo  sido  a  demanda  extinta  com  resolução  de mérito,  nos  termos  do  art. 269, inc. V do CPC verbis:  CPC   "Art. 269. Haverá resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005)  ‑  quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. (Redação dada  pela Lei nº 5.925, de 1973)"  Quais os efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial que homologou a  renúncia do contribuinte ao pleiteado no mandado de segurança?  A renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação é ato unilateral com que o  autor dispõe do direito subjetivo material que afirmara ter, importando a extinção da  própria  relação  de  direito  material  que  dava  causa  à  demanda,  consubstanciando  instituto  bem  mais  amplo  que  a  desistência  da  ação,  que  opera  tão­somente  a  extinção  do  processo  sem  resolução  do  mérito,  permanecendo  íntegro  o  direito  material, que poderá ser objeto de nova ação a posteriori.   A doutrina acerca da renúncia ao direito em que se  funda a ação assenta,  in  verbis: "A parte pode renunciar à ação, figura que recebe o nome de 'desistência', ou  renunciar ao 'próprio direito material', objeto mediato do pedido. Nessa hipótese, a  manifestação  não  é  meramente  formal,  senão  atinge  a  própria  pretensão,  abdicando  a  parte  do  direito  que  lhe  pertence  para  não  mais  reclamá­lo.  Opera­se,  assim,  a  extinção  com  julgamento  de  mérito  porque  a  parte  que  renuncia  despoja­se  de  seu  direito  material  e  a  eficácia  da  coisa  julgada  material  é  plena,  sendo  defeso  discutir  novamente  em  juízo  acerca  daquela  pretensão. (...)." (Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro, Forense, 2001,  p. 420/421 2.  Assim,  o  efeito  da  imutabilidade  do manto  da  coisa  julgada  que  acoberta  a  decisão de  renúncia ao direito que se  funda ação é  tão  somente no sentido de não  mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou, não  tendo o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se  renunciou.  Isto  porque  a  decisão  de  extinção  da  ação  com  resolução  do mérito  e  renúncia ao direito é ato unilateral (no caso, da contribuinte), não tendo o condão de  impedir  que  a  Fiscalização  exerça  o  seu  direito  (dever)  de  efetuar  o  lançamento  fiscal nos moldes da legislação em vigor. A renúncia é ato dispositivo da recorrente  com fim de viabilizar adesão ao parcelamento, e não imposição do Fisco.  Diante  do  exposto,  a  decisão  transitada  em  julgado  proferida  no  MS  2003.51.01.005514­8  não  salvaguarda  o  procedimento  da  autuada  de  incluir  a  variação  cambial  (negativa)  na  tributação  do  IRPJ  e CSLL, mas  tem  como  efeito  impedir nova demanda judicial acerca do direito subjetivo que se renunciou.  Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.615          13 Em suma, o contribuinte não pode mais levar ao Judiciário qualquer litígio a  respeito da possibilidade ou não de apuração dos lucros no exterior em consonância  com a IN SRF 213/2002.    Portanto, com a renúncia, a recorrente não pode mais discutir a legalidade do  procedimento contido na IN/SRF nº 213/02. Entretanto, isso não quer dizer que o procedimento  fosse legal e, muito menos, que o mérito da decisão proferida tenha alcançado essa questão. O  efeito  da  coisa  julgada  é  meramente  o  de  impedir  nova  discussão  sobre  a  matéria.  Não  se  enunciou uma norma individual e concreta, para a empresa, no sentido de ela seguir os ditames  daquela  IN/SRF.  Nem  mesmo,  de  ela  obedecer  ao  artigo  74  da  MP  nº  2.158­35/01.  Permaneceram,  apenas,  as  correspondentes  determinações,  como  normas  gerais  e  abstratas,  dirigidas  erga  omnes.  Futuros  pronunciamentos  judiciais  e  administrativos  acerca  dessas  normas se aplicam, normalmente, à recorrente.  Nada obstante, a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial  com base nas regras contidas na IN/SRF nº 213/02, de fato, extrapola a previsão legal contida  no  artigo  25  da  Lei  nº  9.249/95.  Isso  porque  a  redação  deste  último  dispositivo  somente  permite que a tributação em bases universais alcance o lucro da empresa residente num valor  equiparado ao lucro apurado pela controlada no exterior.   E é importante que isso fique bem claro.   A  lei  brasileira  tributa  uma  renda  ficta  da  própria  empresa  brasileira  (residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa brasileira e, sopesando o fato de que  ela  possui  participação  societária  (é  controladora,  de  acordo  com  a  constitucionalidade  declarada pelo STF na ADI nº 2.588) em uma empresa que apurou lucro no exterior, assume  que há disponibilidade de renda e determina que se  tribute como lucro da empresa brasileira  um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa do exterior.  A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma  decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso o STF (que  aliás  já  se  manifestou  na  ADI  nº  2.588),  à  luz  dos  princípios  constitucionais  envolvidos  (igualdade,  capacidade  contributiva,  praticabilidade,  etc.).  Nem  se  pode  estranhar  que  seja  assim,  afinal,  em  várias  situações  a  legislação  do  imposto  de  renda  tributa  algo  que  não  é  necessariamente  renda.  Basta  ver  as  margens  predeterminadas  do  controle  dos  preços  de  transferência.  Aliás,  as  próprias  adições  e  exclusões  ao  lucro  líquido,  que  o  legislador  arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro  real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. A bem da verdade, nem mesmo o lucro  líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda (modelo SHS –  Schanz/Haig/Simons) da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do CTN  na positivação do seu artigo 43.  Nada  obstante,  não  há  permissão  legal  para  que  a  tributação  do  lucro  da  empresa residente ultrapasse a medida prevista na lei, qual seja, o valor equivalente ao  lucro  apurado pela controlada no exterior.  Como  bem  apontado  pela  autoridade  fiscal,  o  método  da  equivalência  patrimonial, além dos lucros da investida, inclui outros itens de receita e despesa, notadamente  a variação cambial, que contribuem para a apuração do resultado.   Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.616          14 Segundo  esse  método,  que  é  aplicável  aos  investimentos  relevantes  em  sociedades  controladas  e  coligadas,  o  acréscimo  patrimonial  está  sujeito  à  tributação  na  sociedade  investida  na  medida  em  que  é  contabilizado.  O  registro  desse  acréscimo  é  concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora, porém, em atendimento  a  uma  medida  de  política  fiscal  consoante  com  a  técnica  de  integração  para  alívio  da  bitributação econômica, o legislador deixa de tributar tal acréscimo até mesmo quando ocorre a  realização do investimento.  Daí,  então,  a  ilegalidade  do  artigo  7º  da  Instrução Normativa,  na  parte  que  extrapola  a permissão  legal para  a  tributação de  um valor  equivalente  ao  lucro  apurado pela  controlada  no  exterior,  quando  determina  que  os  valores  relativos  ao  resultado  positivo  da  equivalência patrimonial devem ser considerados para fins de determinação do lucro real e da  base de cálculo da CSLL.  Esse  é,  inclusive,  o  entendimento  já manifestado pelo STJ,  em 05/04/2011,  no julgado do REsp nº 1.211.882­RJ. Confira­se:    PROCESSUAL  CIVIL.  PRAZO.  CONTAGEM.  CIÊNCIA  DA  DECISÃO MEDIANTE CARGA DOS  AUTOS.  OBSERVÂNCIA  DO  ART.  184  E  §§,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL.  EMPRESAS  CONTROLADAS  E  COLIGADAS  SITUADAS  NO  EXTERIOR.  TRIBUTAÇÃO  DO  RESULTADO  POSITIVO  DA  EQUIVALÊNCIA  PATRIMONIAL.  IMPOSSIBILIDADE  NAQUILO QUE EXCEDE A PROPORÇÃO A QUE FAZ JUS A  EMPRESA  INVESTIDORA  NO  LUCRO  AUFERIDO  PELA  EMPRESA  INVESTIDA.  ILEGALIDADE DO  ART.  7º,  §1º,  DA  IN/SRF N. 213/2002.  (...)  3. É ilícita a tributação, a título de IRPJ e CSLL, pelo resultado  positivo  da  equivalência  patrimonial,  registrado  na  contabilidade  da  empresa  brasileira  (empresa  investidora),  referente  ao  investimento  existente  em  empresa  controlada  ou  coligada no exterior (empresa investida), previsto no art. 7º, §1º,  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  213/2002,  somente  no  que  exceder  a  proporção  a  que  faz  jus  a  empresa  investidora  no  lucro auferido pela empresa investida, na forma do art. 1º, §4º,  da Instrução Normativa SRF n. 213, de 7 de outubro de 2002.  4.  Muito  embora  a  tributação  de  todo  o  resultado  positivo  da  equivalência  patrimonial  fosse  em  tese  possível,  ela  foi  vedada  pelo disposto no art. 23, caput e parágrafo único, do Decreto­Lei  n. 1.598/77, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ,  e pelo art. 2º, §1º, "c", 4, da Lei n. 7.689/88, para a Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL, mediante artifício contábil  que elimina o impacto do resultado da equivalência patrimonial  na  determinação do  lucro  real  (base  de  cálculo  do  IRPJ)  e  na  apuração da base de cálculo da CSLL, não tendo essa legislação  sido revogada pelo art. 25, da Lei n. 9.249/95, nem pelo art. 1º,  Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.617          15 da Medida  Provisória  n.  1.602,  de  1997  (convertida  na  Lei  n.  9.532/97), nem pelo art. 21, da Medida Provisória n. 1.858­7, de  29,  de  julho  de  1999,  nem  pelo  art.  35,  Medida  Provisória  n.  1.991­15, de 10 de março de 2000, ou pelo art. 74, da Medida  Provisória  n.  2.158­34,  de  2001  (edições  anteriores  da  atual  Medida Provisória n. 2.158­35, de 24 de agosto de 2001).  5. Recurso especial não provido.    Portanto,  não  restam  dúvidas  de  que  os  valores  tributáveis  são  aqueles  obtidos segundo os estritos limites contidos na lei ao invés daqueles que se obteve seguindo a  orientação da Instrução Normativa. A própria recorrente não contesta isso.   Por  outro  lado,  também  não  há  questionamento  quanto  à  fidelidade  dos  valores informados pela recorrente como lucros auferidos no exterior. Afinal, a fiscalização os  utilizou para apurar as diferenças que serviram de base para a autuação.  Destarte,  a  discussão  se  resume  a  aferir  se  a  recorrente  agiu  dentro  da  literalidade  do  ato  normativo  reputado  como  ilegal.  Isso  porque  o  §  único  do  artigo  100  do  CTN exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora quando são observadas  as  chamadas  normas  complementares  de  lei,  dentre  as  quais,  as  instruções  normativas  se  incluem na categoria dos atos administrativos expedidos por autoridades administrativas. Veja­ se:    Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  (...)  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.    Pois bem. Diante de todo o contexto narrado, verifico que a recorrente, apesar  de  ter  se  beneficiado  em  alguns  dos  períodos  considerados,  agiu  dentro  da  literalidade  da  Instrução Normativa. Confira­se o conteúdo do seu artigo 7º:    Art.  7º  A  contrapartida  do  ajuste  do  valor  do  investimento  no  exterior  em  filial,  sucursal,  controlada  ou  coligada,  avaliado  pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a  legislação  comercial  e  fiscal  brasileira,  deverá  ser  registrada  para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil.  Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.618          16 § 1º Os  valores  relativos ao  resultado positivo da  equivalência  patrimonial,  não  tributados  no  transcorrer  do  ano­calendário,  deverão  ser  considerados  no  balanço  levantado  em  31  de  dezembro do ano­calendário para fins de determinação do lucro  real e da base de cálculo da CSLL.  § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método  da  equivalência  patrimonial  deverão  ser  adicionados  para  fins  de determinação do lucro real  trimestral ou anual e da base de  cálculo  da  CSLL,  inclusive  no  levantamento  dos  balanços  de  suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL.  (...)    Com  efeito,  segundo  o  relatado,  quando  a  recorrente  apurou  resultado  positivo  da  equivalência  patrimonial,  procedeu  na  conformidade  do  §  1º,  ou  seja, mantendo  tributável o valor apurado que já estava inserido no lucro líquido. Por sua vez, quando apurou  resultado negativo, adicionou o correspondente valor ao  lucro  líquido, deixando de  reduzir o  valor tributável e, assim, procedendo na conformidade do § 2º.   Nesse sentido, não se pode aderir ao raciocínio contido nas contrarrazões da  Fazenda Nacional  (inspirado no entendimento do  já mencionado  julgado do STJ), segundo o  qual  a  Instrução Normativa  é  legal  na  parte  que  “consiste na  tributação  somente  dos  lucros,  sem  incluir  a  variação  cambial  positiva  ou  negativa”  (fls.  1577),  para  defender  que  só  se  deveria tê­la seguido no limite do quanto dispusesse em consonância com os comandos legais.  Afinal,  trata­se  de  um  ato  normativo  expedido  pela  Receita  Federal  com  força  de  norma  complementar atribuída pelo artigo 100, I, do CTN. Se uma parte desse ato normativo é ilegal,  a sua observância exclui penalidades (ex­vi do § único do mesmo artigo).  Há, portanto, que se afastar as multas e juros de mora aplicados.  Quanto à diferença de R$ 438.496.128,80, no ano de 2008, entre o valor que  foi tributado como resultado positivo da equivalência patrimonial apurado na controlada “LIR”  (R$ 577.048.647,97) e o valor que deveria ser tributado relativamente a essa mesma controlada  (R$ 138.552.519,17),  a  recorrente  alega  que  tem direito  ao  correspondente  crédito  tributário  justamente  porque,  neste  caso,  a  fiscalização  reconheceu  o  procedimento  adotado  pela  recorrente. Acrescenta que tal crédito, se atualizado, superaria em muito o valor autuado.  Deveras,  se  o  resultado  positivo  da  equivalência  patrimonial  apurado  na  controlada “LIR” já havia sido computado no lucro líquido e o mesmo não foi excluído para a  apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no correspondente ano­calendário, pelo  fato de a empresa ter observado o que dispunha o artigo 7º da IN/SRF nº 213/02, ela deve ter  direito ao crédito tributário correspondente à diferença mencionada.   Assim,  constatado que houve a  espontânea  tributação  indevida  sobre os R$  438.496.128,80  em  excesso  oferecidos  à  tributação  no  ano­calendário  de  2008,  os  correspondentes tributos deveriam ter sido deduzidos dos valores apurados no auto de infração  relativamente à tributação devida no próprio ano e nos anos antecedentes.  Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.619          17 Não há nos autos qualquer evidência de que a fiscalização tenha seguido esse  caminho.  A  DRJ  não  enfrentou  essa  questão  argumentando  que  qualquer  crédito  que  a  interessada  entenda  possuir  deve  ser  pleiteado  por  instrumento  próprio  (fls.  1477).  Todavia,  trata­se  de  constatar  a  existência  de  crédito  a  favor  do  contribuinte  como  decorrência  dos  mesmos fatos que serviram de base para a autuação.  Pelo  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para:  (i)  deduzir  dos  valores  apurados  no  auto  de  infração  os  tributos  incidentes  sobre  os  R$  438.496.128,80  relativos  ao  resultado  positivo  da  equivalência  patrimonial  oferecidos  em  excesso  à  tributação  no  ano­calendário  de  2008;  e  (ii)  se  ainda  resultar crédito tributário, exonerar as multas e juros de mora correspondentes.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator    Voto Vencedor    Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado  Antes de me debruçar sobre questões de técnica jurídica, sempre, na condição  de julgador, busco me colocar na posição de cada um dos réus.   No caso em apreço, a União pleiteia aplicar uma disciplina contra a qual, por  meio  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  regulamentou  de  forma  diversa  e  que,  mediante  da  Procuradoria da Fazenda Nacional, guerreou contra o particular.  Já o contribuinte combateu a posição adotada pela Fazenda e sucumbiu pela  desistência e renúncia ao seu direito.   Pois bem, teria então a União a faculdade de exigir comportamento diversos  por parte do contribuinte? Teria a União a faculdade de exigir discricionariamente a tributação  de forma diversa daquela que havia disciplinado e combatido judicialmente?  Da  parte  do  contribuinte,  que  disciplina  deveria  adotar  para  apurar  a  obrigação tributária? Aquela que havia entendido inicialmente como a legal, mas que desistiu  no  curso  da  ação  judicial  com  o  aval  da  própria  União?  Ou  aquela  estampada  na  regulamentação da Receita Federal e posteriormente defendida pela Procuradoria da Fazenda  Nacional?   Ora,  não  é  razoável  que  a  Fazenda  tenha  ao  seu  dispor  duas  formas  de  tributação  sobre  a mesma matéria  para  lançar mão daquela  que  resultar  em  cada  ocasião  do  valor mais elevado a ser arrecadado.  Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.620          18 Isso, por si só, já seria suficiente para orientar o meu voto, mas passemos às  questões técnicas.  Nos termos do art. 267 do Código de Processo Civil, vigente na época:    Art. 267. Extingue­se o processo, sem resolução de mérito:    (...)  VIII ­ quando o autor desistir da ação;    Se  nos  baseássemos  neste  dispositivo  isolado,  não  haveria  discordância  em  relação ao posicionamento adotado pelo ilustre relator. Afinal, a sentença não teria o condão de  resolver o mérito em disputa.  Nada obstante, os dispositivos  legais não podem ser  interpretados de  forma  insular. O disposto acima deve ser compreendido em cotejo o § 4º do mesmo dispositivo e com  o art. 269. Comecemos pelo referido parágrafo:  § 4º Depois de decorrido o prazo para a  resposta, o autor não  poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação.    Da  leitura  do  referido  dispositivo,  podemos  concluir  que  a  desistência  sem  resolução  de  mérito  é  aquela  manifestada  antes  da  resposta  do  réu.  A  decisão  judicial  que  formaliza essa desistência não tem o condão de resolver o mérito, ou seja, só faz coisa julgada  formal.  Encerra  o  processo,  mas  são  extingue  a  lide.  Não  há  direito  positivado  a  vincular  qualquer das partes e nova demanda com o mesmo objeto pode ser proposta em novo processo.    É diferente, porém, no caso de já haver resposta do réu, mas de que forma?  No Resp 1267995, o STJ assim se posicionou:  "1.  Segundo  a  dicção  do  art.  267,  §  4º,  do  CPC,  após  o  oferecimento da resposta, é defeso ao autor desistir da ação sem  o  consentimento  do  réu.  Essa  regra  impositiva  decorre  da  bilateralidade  formada  no  processo,  assistindo  igualmente  ao  réu o direito de solucionar o conflito". (nossos destaques)    Isso é necessário justamente pelo fato de a sentença, nessa segunda hipótese,  resolver  a  lide  quanto  ao  mérito,  que  transita  em  julgado  materialmente  e  vincula  as  duas  partes.  Diferentemente do que alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, a renúncia  não  é  ato  unilateral.  Seus  efeitos  são  bilaterais  justamente  porque  só  são  produzidos  com  a  concordância do réu, no caso, da União representada pela própria PFN.  Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 1401­001.579  S1­C4T1  Fl. 1.621          19 A desistência é, pois, um ato bilateral sacramentado pela autoridade judicial  que resolve a lide e torna imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de ação  sem resolução de mérito. Pelo contrário. Haverá uma efetiva renúncia ao direito em que a ação  se esteia e o dispositivo da codificação processual que abarca essa hipótese é o art. 269:  Art. 269. Haverá resolução de mérito:   I ­ quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;   II ­ quando o réu reconhecer a procedência do pedido;   III ­ quando as partes transigirem;     IV ­ quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição;   V  ­  quando  o  autor  renunciar  ao  direito  sobre  que  se  funda  a  ação.      As hipóteses acima resolvem o mérito da ação, estão submetidas ao mesmo  regime jurídico, qual seja, o de que o conteúdo decisório faz lei entre as partes.  Quando o autor renuncia ao direito em que se funda uma ação em que a outra  parte  guerreava  a  posição  oposta,  significa  que  o  réu  ganhou  a  ação.  É  equivalente  ao  juiz  rejeitar o pedido do autor. A sentença judicial de mérito faz coisa julgada material.  No  caso  específico  aqui  analisado,  fixou­se  o  poder  de  o  Fisco  exigir  a  tributação  nos  termos  da  sua  Instrução  Normativa  IN  213/02  (reconhecimento  da  variação  cambial)  e  o  dever  de  o  particular  apurar  a  obrigação  tributária  nos  termos  da  mesma  normativa. É evidente que  isso não  significa que o Fisco possui  a  faculdade para  alterar  seu  entendimento  para  o  caso  concreto  ao  seu  talante;  até  porque  a  atividade  de  lançamento  é  vinculada, vinculação esta adstrita na presente hipótese à norma fixada pela decisão judicial.  Uma vez que o sujeito passivo apurou o valor devido conforme o art. 7º da  Instrução Normativa nº 213/02, o qual havia sido fixado como o direito a ser aplicado para as  partes por meio de sentença de mérito transitada em julgado, não há como a autoridade fiscal  se insurgir sob o pretexto de considerar equivocada a regulação promovida pelo ato normativo.    Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Documento assinado digitalmente.  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Redator Designado                Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO

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Numero do processo: 11968.001177/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 08/01/2009 a 29/03/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 206          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­004.872,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa em comento.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.551, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/2010­15, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.551):  "O  recurso  é  tempestivo e,  ao contrário do alegado pelo  sujeito passivo em  suas contrarrazões, atende aos demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por  isso, ser  admitido.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 207          3 De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações  previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo  ou  aéreo. O  dispositivo  legal  interpretado  é,  absolutamente,  idêntico, mas  os  resultados  dos  julgamentos  foram  distintos.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se  ainda  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.   Importante  frisar  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma  matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei  12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do  Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.   Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 208          4 Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.  O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 209          5 Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência  e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações positivas  (fazer  ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas no  interesse  fiscalização das operações de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 210          6 natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No âmbito da  legislação aduaneira, em consonância com  o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades  de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea  da  infração.  São  dessa modalidade  as  infrações  que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão de desfazer  ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade toda infração que tem o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do  tipo  é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 211          7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De modo geral,  se admitida a denúncia  espontânea para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais  no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.                                                              6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 212          8 Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001177/2009­68  Acórdão n.º 9303­003.639  CSRF‐T3  Fl. 213          9 Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 13005.001308/2001-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente Demes Brito- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/2001­63  Acórdão n.º 9303­003.884  CSRF­T3  Fl. 892          2 Carlos Alberto Freitas Barreto­ Presidente   Demes Brito­ Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto,  Henrique  Pinheiro  Torres,Tatiana  Midori  Miyiana,  Demes  Brito  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos,  Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.  Relatório  Em sessão de julgamento realizada em 2 de fevereiro de 2010, esta 3ª Turma  da  Câmara  Superior  julgou  o  recurso  especial  interposto  por  COOPERATIVA  DOS  SUINOCULTORES  DE  ENCANTADO  LTDA,  exarando  o  Acórdão  nº  9303­000.707,  em  decisão assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  IPI  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  AQUISIÇÕES  DE  NÃO  CONTRIBUINTES.  O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de  fórmula  estabelecida  pela  lei,  a  qual  considera  que  é  possível  ter  havido  sucessivas  incidências  das  duas  contribuições,  mas  que,  por  se  tratar  de  presunção “juris et de jure’, não exige nem admite prova ou contraprova de  incidências  ou  não  incidências,  seja  pelo Fisco,  seja  pelo  contribuinte. Os  valores  correspondentes  às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagem de  não  contribuintes  do PIS  e  da  Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do  crédito  presumido  de  que  trata  a  Lei  n°  9.363/96.  Não  cabe  ao  intérprete  fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.  Recurso Especial do Contribuinte Provido.  A Autoridade Administrativa incumbida da execução do acórdão vem agora  aos autos para interpor embargos de declaração, fl. 884, acusando a decisão de conter o vício  de omissão acerca da matéria  relativa à correção monetária do valor  ressarcido, com base na  taxa Selic.  Conclui, requerendo sejam conhecidos e providos os embargos, para o fim de  sanar  a  omissão  ora  apontada  e  esclarecer  em  quais  pontos  a  União  foi  sucumbente,  para  viabilizar a adequada liquidação e execução do acórdão.  É o relatório     Voto             Fl. 892DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/2001­63  Acórdão n.º 9303­003.884  CSRF­T3  Fl. 893          3 Demes Brito ­ Conselheiro Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele conheço.  A embargante aponta vício de omissão e obscuridade no acórdão, pois, esta  3º Câmara Superior,  ao proferi o acórdão não se manifestou quanto a correção monetária do  crédito de IPI (ressarcimento) Taxa Selic.   Com efeito, nos autos do REsp nº 993.164­MG, de relatoria do Ministro Luiz  Fux,  cuja  controvérsia  foi  submetida  ao  rito  previsto  no  artigo  543­C  do CPC,  cuja  ementa  transcreve­se abaixo:    PROCESSUAL CIVIL.  RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  FORNECEDORES  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  535,  DO  CPC.  INOCORRÊNCIA.   1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter  sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se aos limites do texto legal.   2. A Lei 9.363/96  instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do  valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições  de  que  tratam  as  Leis  Complementares  nos  sete,  de  sete  de  setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991,  incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo. Parágrafo  único. O disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de  venda a  empresa  comercial  exportadora  com o  fim  específico de exportação para o exterior.”.   3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro  de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do  disposto  nesta  Lei,  inclusive  quanto  aos  requisitos  e  periodicidade  para  apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à  definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios  dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador".   Fl. 893DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/2001­63  Acórdão n.º 9303­003.884  CSRF­T3  Fl. 894          4 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a  Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido  instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).   5.  Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa  23/97  (revogada,  sem  interrupção  de  sua  força  normativa,  pela  Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º  Fará  jus  ao  crédito presumido a que se  refere o artigo anterior à empresa produtora e  exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido  aplica­se  inclusive:  I  ¬ Quando  o  produto  fabricado  goze  do  benefício  da  alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim  específico  de  exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12 de abril  de 1990, utilizados  como matéria­prima, produto  intermediário  ou  embalagem,  na  produção  bens  exportados,  será  calculado,  exclusivamente,  em  relação  às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”.   6.  Com  efeito,  o  §  2º,  do  artigo  2º,  da  Instrução  Normativa  SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no  mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  PIS/PASEP e à COFINS.   7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos  secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma  exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­se­ ão  de  ilegalidade  e não  de  inconstitucionalidade  (Precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal:  ADI  531  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro  Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).   8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que  extrapolou  os  limites  impostos  pela  Lei  9.363/96,  ao  excluir,  da  base  de  cálculo  do  benefício  do  crédito  presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria­prima e  de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela  COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.06.2009,  DJe  25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008;  REsp  767.617/CE,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  Fl. 894DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/2001­63  Acórdão n.º 9303­003.884  CSRF­T3  Fl. 895          5 24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).   9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor  exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o  Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não  fez  restrição  às  aquisições  de  produtos  rurais";  e  (iii)  "a  base  de  cálculo  do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN).   10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a  cláusula  de  reserva  de  plenário  (CF,  artigo  97)  a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência, no todo ou em parte."   11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula  de  reserva de plenário não abrange os atos normativos  secundários do Poder  Público,  uma  vez  não  estabelecido  confronto  direto  com  a  Constituição,  razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.   12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação  do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza  referido  crédito  como  escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência  de  correção  monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do  artigo  543­C,  do CPC: REsp  1035847/RS,  Rel. Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).   13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de  Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação  da  Taxa  SELIC  (a  partir  de  janeiro  de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).   14.  Igualmente,  a  apontada  ofensa  ao  artigo  535,  do  CPC,  não  restou  configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronuncia­se de forma clara e  suficiente  sobre  a  questão  posta  nos  autos.  Saliente­se,  ademais,  que  o  magistrado  não  está  obrigado a  rebater,  um a  um,  os  argumentos  trazidos  pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para  embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos.   15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência  de  correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.   16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.   17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.               Fl. 895DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13005.001308/2001­63  Acórdão n.º 9303­003.884  CSRF­T3  Fl. 896          6 O artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de  22 de  junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) dispõe  que:    As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543B  e  543C  da  Lei  n°  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de  Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.e    Neste  sentido,  acolho  os  embargos  de  declaração  opostos  pela  Unidade  Preparadora (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SANTA CRUZ DO  SUL  –  RS),  para  rerratificar  o  acórdão  embargado,  incluindo­se  a  Taxa  Selic  sobre  parcela  deferida pelo CARF, a partir da data do protocolo.   É como voto é como penso.   Demes Brito                                         Fl. 896DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por DEMES BRITO

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Numero do processo: 12266.720534/2012-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 338          2 Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário,  nos termos do Acórdão 3801­004.855. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado  a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento.   Após  tomar  ciência  do  mencionado  acórdão,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei  12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.552, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/2006­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.552):  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e  paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL  37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 339          3 Lei  12.350,  de  20/12/2010).  Além  disso,  ambos  citaram  expressamente  as  alterações  promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata  da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos  confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à  possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não  há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial.  A  matéria  devolvida  a  este  Colegiado  cinge­se,  exclusivamente,  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea,  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre  veículo ou carga nele transportada.  Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o  cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental  de  prestar  informação.  Aplicando­se  o  entendimento  defendido  pela  Recorrente,  os  prazos  estipulados  pela  legislação  aduaneira,  para  prestar  informações  à  RFB,  poderiam  ser  descumpridos pelo  sujeito passivo  sem punição,  tendo como única condição que  a prestação  das  informações  seja  efetuada  antes  do  início  de  ação  fiscal.  Ou  seja,  os  prazos  para  a  apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos  fatais, como é a regra na legislação tributária.   Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar­se à solução do  presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802­ 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "O  Recorrente  alega  ainda  que  as  informações  sobre  o  embarque  foram  prestadas  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em  razão da caracterização da denúncia espontânea:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com a infração.  A aplicabilidade da denúncia  espontânea às “obrigações  acessórias”  é  sustentada  por  parte  da  doutrina  com  base  na  expressão “se  for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do  CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito  Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho:  'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido,  resta  induvidoso  que  a  exclusão  da  responsabilidade  tanto  se  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 340          4 refere  a  infrações  das  quais  decorra  o  não  pagamento  do  tributo  como  a  infrações  meramente  formais,  vale  dizer,  infrações  das  quais  não  decorra  o  não  pagamento  do  tributo.  Inadimplemento  de  obrigações  tributárias  meramente acessórias' 1.  'A  expressão  ‘se  for  o  caso’  explica­se  em  face  de  que  algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136).  Outras  infrações,  porém,  de  um modo  ou  de  outro,  resultam  em  falta  de  pagamento.  Em  relação  a  estas  é  que  o  Código  reclama o pagamento' 2.  'Se  quisesse  excluir  uma  ou  outra,  teria  adjetivado  a  palavra  infração  ou  teria  dito  que  a  denúncia  espontânea  elidiria  a  responsabilidade  pela  prática  de  infração  à  obrigação principal  excluindo a  assessória,  ou vice­versa.  Ora,  onde  o  legislador  não  distingue  não  é  lícito  ao  intérprete  distinguir  segundo  cediço  princípio  de  hermenêutica' 3  Essa  interpretação,  porém,  não  foi  acolhida  pela  Jurisprudência,  consoante  se  depreende  dos  seguintes  julgados  do Superior Tribunal de Justiça:  'TRIBUTÁRIO.  MULTA MORATÓRIA.  ART.  138  DO  CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS.  1.  O  STJ  possui  entendimento  de  que  a  denúncia  espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente  do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os  efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos  EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin.  DJe 10/05/2013).'  (...)  A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais,  conforme Súmula CARF nº  49:  'A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na                                                              1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss.  2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437.  3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995,  p. 105­106.  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 341          5 entrega de declaração',  que  foi  fruto de  reiterados  julgados do  Câmara Superior de Recursos Fiscais (...).  A  discussão,  entretanto,  foi  reaberta  em  face  da  nova  redação  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37/1966,  decorrente  do  art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da  mercadoria;  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação  dada  pela Lei nº 12.350, de 2010).   (...)  De  fato,  a  Lei  nº  12.350/2010  resultou  da  conversão  da  Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de  motivos  desta,  seu  objetivo  foi  'deixar  claro'  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  aplica­se  a  todas  as  penalidades  pecuniárias,  inclusive  multas  isoladas  vinculadas  ao  descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende  da leitura da exposição de motivos:  '40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade  do  instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento  doutrinário  claro  sobre  sua  natureza.  [...]  43. Fundamentalmente,  o Linha Azul é um procedimento  simplificado  que  propicia  às  empresas  habilitadas  um  menor percentual de seleção para os canais de verificação  amarelo  e  vermelho  e  conferência  aduaneira  das  declarações  selecionadas  realizada  prioritariamente,  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 342          6 inclusive  com  compromisso  de  tempo máximo  para  essa  conferência  estipulado.  Esse  procedimento  segue  a  orientação  internacional  de  Operadores  Econômicos  Autorizados  OEA,  ou  seja,  de  credenciamento  de  operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio  exterior com menores entraves burocráticos.  44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha  Azul  inclui  a  realização,  previamente  à  adesão,  de  uma  auditoria de controles  internos para autoavaliação de seus  controles  e  procedimentos  aduaneiros,  referente,  no  mínimo,  aos  quatro  últimos  semestres  civis.  O  objetivo  dessa  autoavaliação  é  induzir  a  empresa  a  verificar  o  cumprimento  da  legislação  aduaneira  (controles  administrativos  e  fiscais),  com  reflexo  na  garantia  da  regularidade  dos  registros  aduaneiros  e  do  recolhimento  dos  tributos devidos. Exige­se,  sempre que a auditoria de  controles  internos  aponte  irregularidades,  que  sejam  apresentados  documentos  que  comprovem  o  seu  saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a  sua solução.  45.  No  caso  específico,  o  que  se  tem  verificado  é  que,  durante  o  processo  de  auditoria,  as  empresas  têm  constatado  reiterados erros  em declarações de  importação  registradas  e  desembaraçadas  no  canal  verde  de  conferência e, como forma de sanear a irregularidade para  cumprimento  do  programa,  apresentado  a  relação  desses  erros  na  unidade  de  jurisdição  e  adotado  as  respectivas  providências para a retificação das declarações aduaneiras.  46.  Todavia,  ao  adotar  essa  providência,  mesmo  que  a  empresa  não  tenha  que  recolher  quaisquer  tributos,  ela  pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (multa  isolada),  disciplinada  no  art.  711  do  Regulamento  Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais  erros e adotado as providências para a sua regularização, o  que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul.  47.  A  proposta  de  alteração  objetiva  deixar  claro  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas  isoladas, pois nos parece  incoerente haver a possibilidade  de  se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea  para  penalidades vinculadas ao não­pagamento de tributo, que é  a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória.'  (EMI  nº  111/MF/MP/ME/MCT/  MDIC/MT).  Todavia,  cumpre  considerar  que,  nas  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais,  o  sujeito  passivo  está  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 343          7 vinculado  a  um  fazer  ou  não­fazer,  sem  expressão  econômica,  destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4.  Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção  de  escrituração  fiscal  regular,  da  descrição  adequada  do  bem  importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal,  bem  como  da  apresentação  de  informações  para  a  Fazenda  Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em  razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966,  deve­se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com  a  denúncia  espontânea,  como  é  o  caso  das  infrações  caracterizadas  pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Essa  importante  distinção  foi  evidenciada  em  voto  do  eminente  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  no  Acórdão 3102­00.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse fiscalização das operações de comércio exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia espontânea, é condição necessária que a infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação  à  fiscalização  pelo  infrator.  Em  outras  palavras,  é  requisito  essencial  da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir determinado  tipo de  infração do alcance do efeito  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme                                                              4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277­349.  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 344          8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art.  102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação espontânea da  infração. São dessa modalidade  as  infrações que  têm por objeto as condutas extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais  tipos de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão  de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade  toda  infração que  tem o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  da  tipificação da infração.  São dessa última modalidade todas as infrações que têm no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja  que,  na  hipótese  da  infração  em  apreço,  o  núcleo  do  tipo  é deixar de prestar  informação  sobre  a  carga no prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória. Nesta  última hipótese, se a informação for prestada antes do início  do  procedimento  fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que o mesmo  fato  configurasse  a  denúncia  espontânea  da  correspondente  infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite apenas para argumentar, o cometimento da infração,  em  hipótese  alguma,  resultaria  na  cobrança  da  multa  sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a multa  aplicada seria  sempre  inexigível,  em  face  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 345          9 da  exclusão  da  responsabilidade  do  infrator  pela  denúncia  espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso  jurídico, uma espécie de  revogação  da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade  punitiva para a prática de infração desse jaez.  Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações  caracterizadas pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138  do CTN  e  art. 102  do Decreto­Lei  n°  37/1966)  não alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os  tributos a fazê­lo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas  pelo fisco, que recebe o que deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do  contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo  das obrigações  tributárias. Porém,  a  responsabilidade pelo  cometimento das  infrações  restará  afastada  apenas  com  o  reconhecimento  e  cumprimento  da  obrigação,  preservando  assim  a  higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência.  De  fato,  a  jurisprudência  dominante  em  nossos  tribunais  não  admite  a  configuração  da  denúncia  espontânea  ante  a  prática  de  determinados  atos,  que  representam                                                              5  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 346          10 infrações à  legislação  tributária. Várias são as decisões no sentido da  inaplicabilidade do art.  138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.  Vejamos:   “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INAPLICABILIDADE.  1.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do  descumprimento  de  obrigação  acessória.”  (STJ,  2ª  T.  AgRg no  Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09)  No  mesmo  sentido  do  entendimento  ora  defendido,  manifestou­se  recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da  ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 347          11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF  da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 ­ A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia,  não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida  antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010.  A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica,  muito  mais  do  que  pela  questão  tributário­financeira,  pela  questão  da  defesa  do  Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração  tributária prioriza a arrecadação de  tributos e  não  enfatiza  as  razões  dos  controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário,  mas essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao  fazer  o  julgamento,  especialmente  por  que  não  há  tantos  julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros delitos  que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta  de pagamento de impostos.  Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de  aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV,  alínea  "e",  do  DL  37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais  é  aplicada,  tais  como:  atraso na prestação de  informações  sobre  mercadoria  embarcada,  sobre  atracação  de  embarcação,  sobre  vinculação  de  manifesto  de  carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  e  diante  de  recurso  do  contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado  que  deve  ser  aplicado  aos  demais  processos  vinculados  ao  julgamento  deste,  na  sistemática  prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos).  À  luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada."    Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720534/2012­66  Acórdão n.º 9303­003.728  CSRF‐T3  Fl. 348          12 considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa  pelo  atraso  na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 348DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 19515.000466/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 408          1 407  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.000466/2010­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.708  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de junho de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ MULTA DESCUMPRIMENTO  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  Recorrente  SPDM ­ ASSOCIAÇÃO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA  MEDICINA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  CFL  78  ANISTIA  DADA  PELA  LEI  13.097/2015  ART  49  DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA  A  multa  aplicada  no  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória,  CFL  78,  período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na  aplicação  da  multa  prevista  no  art.  32­A,  Lei  n.  8.212,  de  24/07/1991,  na  redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da  Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.  AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  INFORMAÇÃO  INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  NULIFICADA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL  Sendo  declarada  a  nulidade  do  crédito  relativo  à  exigência  da  obrigação  principal,  deve  seguir  a  mesma  sorte  o  Auto  de  Infração  da  Obrigação  Acessória. Desta  forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação  acessória  conexa  com  os  autos  de  infração  de  obrigação  principal,  outra  conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja  julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo,  pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento.  Recurso Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 66 /2 01 0- 13 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento  da  questão  de  ordem  suscitada  pelo  Conselheiro  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  não  solicitar  a  vinculação  do  presente  processo  ao  processo  relativo  ao  ato  cancelatório  de  isenção,  e  não  remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, dar  provimento ao  recurso voluntário para anular o  lançamento por vício  formal; acompanharem  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Andrea  Brose  Adolfo  e  João  Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202.  (Assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Alice  Grecchi,  Amilcar  Barca  Texeira  Junior,  Fabio  Piovesan  Bozza,  Andrea  Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves,  Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil  de  Araujo Nogueira.    Relatório  Trata­se  de  AI  ­  Auto  de  Infração  Debcad  n°  37.239.725­5,  lavrado  em  04/03/2010, por infração ao art. 32, IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n°  9.528/97, combinado com o art. 225,  IV, §4°, do Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, abrangendo o período de 01/2006 a 13/2007.  O Relatório Fiscal (fl. 21) informa, em síntese, que:  ­ A empresa apresentou GFIP com incorreções ou omissões, tendo informado  FPAS  639,  como  entidade  filantrópica,  com  gozo  de  isenção  de  contribuição  previdenciária,  mesmo  tendo  recebido  Ato  Cancelatório  de  Isenção  de  Contribuições  Previdenciárias  n°  21.404/001/2006, de 11/08/2006, com efeitos a partir de 01/07/1998;  ­  A  empresa  protocolou  recurso  contra  o  Ato  Cancelatório  mencionado,  o  qual recebeu o n° 35464.003247/2006­17, que se encontra na Quarta Câmara de Julgamento,  ainda  pendente  de  julgamento,  razão  pela  qual  o  presente  Auto  de  Infração  deverá  ficar  sobrestado, até que o recurso da empresa seja julgado.  Foi aplicada a multa no valor de R$ 1.834.027,00 (um milhão, oitocentos e  trinta e quatro mil e vinte e sete reais), de acordo com o disposto no art. 32, inciso IV, §5° e  artigos  284,  inciso  II,  e  373  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/99,  conforme  demonstrado  nas  planilhas  gravadas  em  CD  e  anexas  ao  presente:  ­ Planilha  I  ­ Valores não declarados em GFIP  (declarados com FPAS 639,  quando o correto seria FPAS 515);  ­ Planilha II ­ Cálculo da Multa CFL68 ­ Legislação vigente à época dos fatos  geradores  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 409          3 ­ Planilha III ­ Comparativo das Multas mais benéficas.o Relatório Fiscal da  Aplicação da Multa, fls. 05, e anexo de fls. 08.  De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 19, não foram  observadas circunstâncias agravantes nem atenuantes, porém para efeito de julgamento informa  que foram emitidos contra a empresa os Autos de Infração n° 35.566.593­0 e n° 35.566.594­8,  CFL 68 e 91, respectivamente,  tendo sido julgamentos procedentes e extintos por pagamento  em 20/06/2006.  Informa ainda o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que o presente Auto  de Infração será atualizado pela SELIC, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF 10,  de 14/11/2008.  A  empresa  foi  cientificada  do  Auto  de  Infração  por  via  postal,  em  11/03/2010,  fls.  60,  e  apresentou  impugnação  tempestiva,  fls.  63/76,  acompanhado  de  Procuração,  fls. 77, e cópias dos seguintes documentos: Estatuto Social e Ata de Assembleia  Geral,  Auto  de  Infração  e  anexos,  extrato  do  recebimento  de  correspondência,  certidões  de  declaração de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal e de Assistência Social, peças do  processo  administrativo  referente  ao  ato  cancelatório  de  isenção  e  demonstrativos  de  parcelamento de débitos previdenciários, fls. 78/ 166.  Em sua impugnação, a recorrente alega que:  ­ a mesma não merece prosperar, na medida em que foi lavrada em desacordo  com o art. 55 da Lei n° 8.212/91, art. 14 do CTN, e o art. 195, §7°, do Texto Constitucional,  em flagrante desrespeito ao princípio da estrita legalidade.   ­  A  Impugnante  é  associação  civil,  sem  fins  lucrativos,  de  natureza  filantrópica,  mantenedora  do  Hospital  São  Paulo  e  de  outros  hospitais,  possibilitando  a  disponibilização de leitos e serviços hospitalares ao Sistema Único de Saúde ­ SUS, conforme  se verifica do seu estatuto social.   ­ Foi declarada de Utilidade Pública Federal, por meio do Decreto do Poder  Executivo Federal, publicado no DOU em 23/03/ 1966, sendo, assim, reconhecida sua natureza  filantrópica, conforme certidão emitida pelo Ministério da Justiça.   ­ Sua natureza filantrópica também foi reconhecida no âmbito estadual, pelo  Decreto  n°  40.103,  de  17/05/62,  conforme  certidão  emitida  pela  Secretaria  da  Justiça  e  da  Defesa da Cidadania, e no âmbito municipal, conforme Certificado de Inscrição n° 467/2002,  emitido pelo Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo ­ COMAS­SP.  ­ Em virtude de prestar  serviços  gratuitos de  apoio  à  saúde pública,  foi­lhe  conferido, pelo Conselho Nacional de Assistência Social  ­ CNAS, o Certificado de Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social  ­  CEAS,  nos  termos  da Resolução  CNAS  n°  143/06,  em  anexo.   ­  A  Impugnante  caracteriza­se  como  entidade  sem  fins  lucrativos  e  beneficente  de  assistência  social,  atendendo  a  todos  os  requisitos  legais  para  fazer  jus  à  imunidade tributária estampada no art. 195, §7°, da Constituição Federal.  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4  ­ Diante do infundado Ato Cancelatório de Isenção exarado, a  Impugnante,  em 18/09/2006,  interpôs  recurso  voluntário  ao Conselho  de Recursos  da Previdência Social,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  com  efeito  suspensivo,  sob  o  fundamento  de  que  a  contribuinte,  uma  vez  que  é  entidade  imune  às  contribuições  sociais  indicadas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, bem como a suposta inadimplência à época  dos fatos não pode acarretar o cancelamento da isenção conferida, até porque o preceito lega  que dispõe nesse  sentido encontra­se com a  sua eficácia  suspensa em virtude ar deferida em  ADIN n° 2.028­5, concedida pelo STF.   ­ Por ocasião do recurso interposto, demonstrou­se à exaustão que o instituto  jurídico  previsto  no  art.  195,  §7°,  da  Constituição  Federal  se  reporta  a  uma  verdadeira  imunidade tributária, equivocadamente tratada como hipótese de isenção.  ­  A  doutrina  pacificou  o  entendimento  de  que  o  legislador  constituinte  equivocou­se ao denominar de “isenção” o que se  trata de verdadeira  imunidade.  (transcreve  doutrina).  ­ Em sendo  imunidade,  foi  retirada a possibilidade de atuação do  legislador  infraconstitucional  à  instituição  de  contribuições  sociais  de  sociedades  beneficentes  de  assistência  social. Registre­se que  a  imunidade  é uma  limitação ao poder de  tributar do  ente  político, ou seja, o legislador não pode instituir tributos sobre o que é imune.  ­  O  STF,  em  julgamento  de  Recurso  Extraordinário  em  Mandado  de  Segurança,  reconheceu definitivamente que se  trata de  imunidade  tributária o contido no  art.  195, §7°, da Carta Magna, conforme transcrição de trechos do voto.   ­ Não há que se falar em cancelamento de isenção, e consequentemente, em  autuação  fiscal  pela  aplicação  da  multa  de  oficio  por  suposta  indicação  de  código  FPAS  incorreto,  pois,  uma  vez  sendo  imune,  a  ora  Impugnante  obrigatoriamente  deveria  indicar  o  FPAS 639, referente às entidades beneficentes de assistência social “isentas” ao recolhimento  de contribuições previdenciárias, e não o código FPAS 515, utilizado por entidades de saúde  não  reconhecidas  como beneficentes de  assistência  social,  como equivocadamente  faz  crer o  Sr. Auditor Fiscal.  Aduz  a  recorrente  que  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  206,  §8°,  IV,  do  Decreto  n°  3.048/99,  uma  vez  apresentado  recurso  voluntário,  interposto  tempestivamente  contra o  ato  cancelatório de  “isenção”, o  ato  exarado  terá  seus  efeitos  suspensos  até decisão  final  a  ser  proferida  pelo  atual  CARF,  não  havendo  que  se  falar  em  recolhimento  das  contribuições ao INSS, tampouco em indicação em GFIP de dados ou códigos identificadores  de  empresas  não  albergadas  pela  isenção,  e  até  mesmo  de  autuações  fiscais  pelo  não  recolhimento das contribuições então inexigíveis.  Frisa  que,  ao  declarar  as  GFIP°s  das  competências  01/2006  a  12/2006,  utilizou do código FPAS 639 acertadamente, uma vez que é o característico de entidades que  estejam em gozo de “isenção” das contribuições previdenciárias.  E assim procedeu acertadamente, pois mesmo diante do ato cancelatório de  isenção, há pendência de julgamento de recurso voluntário com efeito suspensivo, que impede  que a associação  lance referidos valores sob o código FPAS 515,  referente às prestadoras de  serviços de saúde sem o gozo de referido beneficio.  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 410          5 Assim,  na  vigência  de  norma  ou  situação  que  determine  a  suspensão  da  exigibilidade do crédito tributário é ilegítima a aplicação de qualquer norma penal, ainda que a  penalidade seja a multa de ofício ora impugnada.  A  Turma  de  Primeira  Instância  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada, restando a decisão assim ementada:  GFIP.  APRESENTAÇÃO  COM  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS  AS CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS.  Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias  constitui infração à legislação previdenciária.  ISENÇÃO. ATO DELCARATÓRIO  Somente ficam isentas das contribuições de que tratam os artigos  22 e 23 da Lei n° 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei  n°  12.101,  de  27/11/2009,  as  entidades  beneficentes  de  assistência social que cumpriam, cumulativamente, os requisitos  previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91.  Não  anulado  ou  revogado,  o  ato  cancelatório  de  isenção  regularmente  declarado  permanece  produzindo  efeitos,  sujeitando o contribuinte à incidência das contribuições sociais  de  que  tratam  os  artigos  22  e  23  da  Lei  n°  8.212/91,  e  informação das referidas contribuições em GFIP.  RECURSO. EFEITO SUSPENSIVO.  O  recurso  interposto  perante  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) contra o Ato Cancelatório de Isenção  suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art.  151, III, do CTN, mas não afasta a obrigatoriedade da entidade  em  declarar  o  código  FPAS  correspondente  a  empresas  não  isentas  de  contribuições  previdenciárias,  assim  como  a  legitimidade  do  lançamento  tributário,  realizado  de  forma  a  prevenir a decadência.  CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.  No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  de  lei  ou  decreto  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇAO.  Pertence  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  ­  DERAT  jurisdicionante  do  contribuinte  a  competência  para  intimação de  acórdão  emitido  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  A  contribuinte  foi  cientificada  do  Acórdão  16­26.820  ­  12ª  Turma  da  DRJ/SP1 em 27/12/2010, mediante Aviso de Recebimento ( fl. 211).  Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 Sobreveio  recurso  voluntário  em  24/01/2011  (fls.  216/240).  Juntou  documentos:  Procuração,  Estatuto  e  Ata  Eleição  Diretoria,  Intimação  Fiscal  e  Acórdão  1ª  Instância,  Embargos  de  Declaração  e  certidão  referente  ao  processo  do  Ato  Cancelatório,  Certidão  CEBAS,  decisões  execuções  fiscais,  certidões  de  regularidade  fiscal,  ADI  2028  MC/DF (fls. 241/339).  Em suas razões, reforça os argumentos da impugnação, acrescendo que o art.  55 da lei nº 8212/91 foi revogado pela Lei nº 12.101/09 e que a recorrente atende a todos os  requisitos impostos pela novel legislação.  Sobre a multa, a recorrente alega:  Assim,  a  multa  de  ofício  aplicada  pela  autoridade  fiscal  não  pode prevalecer, pois a exigibilidade da contribuição social em  referência  se  encontra  suspensa  em  virtude  da  pendência  de  decisão definitiva nos autos do processo em que se discute o ato  cancelatório de isenção, não havendo que se  falar em mora do  contribuinte ou aplicação de quaisquer outras penalidades, nos  termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional.  Destaca­se  que  a  recorrente,  ao  declarar  as  GFIPS  das  competências 01/2006 a 12/2006, utilizou do ­código FPAS 639  acertadamente, uma vez que é o característico de entidades que  estejam em gozo de isenção das contribuições previdenciárias.  [...]  Em  16/05/2016,  a  autuada  apresenta  nova  manifestação  com  síntese  dos  fatos, insurgindo­se quanto a aplicação da multa e que:   [...]  A decisão recorrida não levou em consideração o fato de o Ato  Cancelatório  estar  sub  examem  perante  instância  administrativa, o que, de acordo com o artigo 151, III, do CTN,  acarreta o efeito suspensivo do ato, e entendeu que seus efeitos  deveriam  imperar  concretamente  por  ocasião  da  apresentação  das GFIPS indicadas no AI, relativas a competências/exercícios  enquanto  ainda  em  trâmite,  sem  decisão  definitiva,  o Processo  Administrativo Fiscal que impugnou o Ato Cancelatório.  [...]  ­ que o Ato Cancelatório de Isenção é de 11/08/2006 com efeitos retroagindo  até 01/07/1998;  ­ que a lavratura do Auto de Infração ocorreu para prevenir a decadência;  ­  que  acerca da matéria  existe  legislação  superveniente  ao  lançamento,  que  deverá ser observada;  ­ que por força do art. 50, do Decreto nº 8.242/14, os processos que tratam de  isenção  deverão  ser  encaminhados  à  unidade  competente  para  verificar  o  atendimento  dos  requisitos , na forma do art. 32, da Lei 12.101/09, à época do fato gerador.  ­ que de acordo com o atual art. 32 da Lei 12.101/09, à época da lançamento,  a recorrente preenchia todos os requisitos legais vigentes à época dos fatos geradores.  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 411          7 ­  que  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  observou  lei  anterior,  a  qual  foi  revogada (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91) e  isso acarreta em erro de procedimento ­ vicio formal;  ­  que  para  créditos  constituídos  após  edição  da  Lei  nº  12.101/09  deve  ser  observado aquele rito formal, em consonância com o §1º do art. 144, CTN;  ­ que houve erro de procedimento ao  lavrar o AI uma vez que a autoridade  lançadora,  mesmo  sob  a  égide  da  Lei  12.101/09,  adotou  procedimento  de  legislação  ultrapassada.  ­ que em 2006 estavam regularizados os débitos e era portadora do CEBAS ­  Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social;  ­ que há época do lançamento ­ 04.03.2010, o § 6º, do art. 55, da Lei 8.212/91  já estava revogada e que a matéria em questão era regida pela Lei 12.101/09, especialmente o  art. 31.que no ano de 2010 já era detentora do CEBAS, atendendo o disposto no art. 31, da Lei  12.101/09.  ­  que  ser  portadora  do  CEBAS  significa  dizer  que  todos  os  requisitos  e  exigências legais para usufruir a isenção estão preenchidos;  ­  que  sendo  a  recorrente  portadora  do  CEBAS  na  ocasião  da  ação  fiscal,  cumprindo  o  que  se  refere  no  art.  31,  da  Lei  12.101/09,  nada mais  justo  e  legal  do  que  ser  aplicado ao caso o art. 106, II "a" e "b" do CTN, para cancelar as exigências lançadas.  ­  que  a  multa  de  mora  não  poderá  prevalecer  pois  a  exigibilidade  das  contribuições  previdenciárias  se  encontravam  suspensas  em  virtude  de  pendência  de  decisão  administrativa nos autos do processo em que se discutia o Ato Cancelatório de Isenção.  Por fim, entende que referente ao presente lançamento é "cogente a aplicação  do disposto no artigo 49 da Lei 13.097, de 19.01.2015, que ANISTIOU as multas aplicadas  com base no artigo 32­A, da Lei 89.212/91 ( com a redação que lhe deu a Lei 11.941/2009)".  É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  O presente  recurso preenche os pressupostos de admissibilidade do Decreto  70.235/72, merecendo ser conhecido.  O  lançamento  em  questão,  referente  ao  AI  nº  37.239.725­5,  trata  de  descumprimento de obrigação acessória, detalhado assim (fl.22):  RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA  Aplicamos a multa de R$ 1.834.027,08 (Hum Milhão Oitocentos  e  Trinta  e  Quatro  Mil  e  Vinte  e  Sete  Reais  e  Oito  Centavos)  estabelecida  pela  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991,art.  32­A  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 "caput", inciso II e §§ 2° e 3°, incluídos pela Lei 11.941/2009,  de  27/05/2009,  com  valores  fixados  pela  Portaria  Interministerial MPS/MF 350 de 30/12/2009, publicada no DOU  em 31/12/2009, respeitado o disposto no art.106, inciso II, alínea  "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 ­ CTN, uma vez que a multa  aplicada com base na  legislação vigente a época  resultaria  em  valor  superior,  conforme  demonstrado  nas  planilhas  gravadas  em CD e anexas ao presente :  Planilha I­ Valores Não Declarados em GFIP( Declarados com  FPAS 639 quando o correto seria FPAS 515)  Planilha  II­  Calculo  da Multa  CFL68  Legislação  a  época  dos  fatos geradores.  Planilha III­­ Comparativo de multas mais benéficas.  Não  foram  observadas  circunstâncias  agravantes  e  nem  atenuantes.  Informamos  para  efeito  de  julgamento,  que  contra  a  empresa  foram  emitidos,  em  31/05/2006,  os  Autos  de  Infração  35.566.593­­0  e  35.566.594­8  CFL  68  e  91  respectivamente,  referentes a não inclusão de contribuintes individuais em GFIP,  tendo  sido  os  débitos  julgados  procedentes  e  extintos  por  pagamento em 20/06/2006.(grifei)  [...]  Conforme se depreende da análise dos autos, não consta informação de que a  GFIP não tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para entrega,  uma  vez  que,  de  acordo  com  o  relatório  fiscal,  a  autuação  ocorreu  porque  o  contribuinte  informou  em  GFIP,  durante  todas  as  competências  (01/2006  à  13/2007)  código  incorreto  (declarados com FPAS 639 quando o correto seria FPAS 515).  Portanto,  resta  incontroverso,  inclusive  ratificado  pelo  Fisco  que  a  autuada  entregou  as  GFIP  nos  períodos  mencionados.  Ou  seja,  a  aplicação  da  multa  se  deu  pela  declaração supostamente incorreta da condição de imune da autuada (código FPAS) na GFIP.   Todavia,  imperioso  informar  que  nos  processos  de  exigência  das  contribuições,  ora  apensados  (19515.000467/2010­68,  10515.000463/2010­80  e  19515.000469/2010­57),  entendeu  esta  Relatora  que  o  Fisco  não  teria  apontado  quais  os  requisitos  que,  por  não  terem  sido  cumpridos,  acarretariam  na  perda  da  imunidade  da  recorrente, por isso aqueles lançamentos foram declarados nulos por vicio formal.  Assim, ante a ausência de demonstração de requisitos que ensejariam a perda  do  benefício  fiscal  nos  processos  principais,  a  aplicação  de  multa  em  razão  da  declaração  incorreta da  condição de  imune  também não pode prosperar,  devendo  também ser declarado  nulo pelo mesmo motivo, qual seja a ocorrência de vício formal.  Entendo que neste caso em concreto, o  lançamento para aplicação de multa  por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele  lavrado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos geradores. É que fora de  dúvida se a obrigação principal não prospera não há de se exigir a multa por descumprimento  da obrigação acessória.  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 412          9 Nesse sentido, colaciono excertos das razões de decidir contidas no Acórdão  2402004.740, do processo 10805.722297/2012­06, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira  de Araújo, julgado em 09.12.2015.  [...]   Esta lavratura refere­se apenas às competências 01 a 04/2008 e  diz  respeito  à  falta  de  declaração  na  GFIP  das  contribuições  patronais  sobre  remuneração  declarada,  sobre  a  remuneração  não  declarada  e  sobre  os  pagamentos  feitos  a  cooperativas  de  trabalho, estes não declarados.  O entendimento prevalente no CARF é que o lançamento para  aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória  relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele lavrado para  exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos gerados.  É que fora de dúvida se a obrigação principal não prospera não  há  de  se  exigir  a  multa  por  descumprimento  da  obrigação  acessória.   Assim,  os  resultados  dos  julgamentos  das  lavraturas  para  cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente  nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos  fatos geradores correspondentes na GFIP.  [...] (grifei)  Não  é  outro  entendimento  esposado  no  julgamento  do  processo  16327.721796/201156,  Acórdão  2401003.890,  de  11.02.15,  o  qual  transcrevo  partícula  da  ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/03/2006  a  31/05/2006,  01/12/2006  a  31/12/2006  [...]  OMISSÃO  DE  FATO  GERADOR  EM  GFIP.  PREJUDICIALIDADE.  JULGAMENTO  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  Aplicando­se a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do  CTN, estão decaídas as competências de março a maio de 2006.  Em  relação  à  competência  remanescente,  referente  ao  mês  dezembro, excluo a multa aplicada diante da improcedência da  autuação  referente  à  obrigação  principal.  Recurso  de  Ofício  Negado e Recurso Voluntário Provido. (grifos do original)  No  mesmo  rumo,  o  já  referido  Acórdão  2402004.740,  do  processo  10805.722297/2012­06,  de  relatoria  do  Conselheiro  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  julgado  em  09.12.2015.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008   Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 [...]  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2008   PROCESSOS CONEXOS.   AUTUAÇÃO  DECORRENTE  DO  DESCUMPRIMENTO  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  NULIFICADA.  NULIDADE  DA  OBRIGAÇÃO  DE  DECLARAR  AS  CONTRIBUIÇÕES  APURADAS.  Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da  obrigação  principal,  deve  seguir  o mesmo  destino  a  lavratura  decorrente  da  falta  de  declaração das contribuições na GFIP. (destaquei)  [...]  Não  é  diferente  o  entendimento  de  que  a  obrigação  principal  segue  a  acessória no âmbito do Poder Judiciário, vejamos:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.019.004 ­ ES (2007/0308417­9)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX   RECORRENTE : FUNDACAO NOVO MILENIO  ADVOGADO : JOSMAR DE SOUZA PAGOTTO E OUTRO(S)   RECORRIDO : ESTADO DO ESPÍRITO SANTO  PROCURADOR : RAFAEL INDUZZI DREWS E OUTRO(S)  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  ARRENDAMENTO  MERCANTIL.  (LEASING  ).  NÃO  INCIDÊNCIA.  INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ICMS. AUSÊNCIA  DE  TRANSFERÊNCIA  DO  DOMÍNIO.  ANTECIPAÇÃO  DO  PAGAMENTO  DO  VALOR  RESIDUAL  GARANTIDO  (VGR).  NÃO  DESCARACTERIZAÇÃO  DO  CONTRATO  DE  ARRENDAMENTO.  SÚMULA  293  DO  STJ.  BOA­FÉ  NA  CELEBRAÇÃO  DE  CONTRATO.  ADMISSIBILIDADE.  DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA  N.º 284 DO STF.  [...]  6.  Deveras,  permanecendo  incólume  a  natureza  da  operação  efetuada  no  caso  sub  judice  como  arrendamento  mercantil,  sujeita, portanto, à incidência do ISS, nos termos da Súmula n.º  138/STJ,  não  subsiste  a  multa  imposta  com  fundamento  em  regulamento  sobre  o  ICMS,  consoante  o  princípio  de  que  a  obrigação acessória  segue o  destino  da  principal,  restando ao  erário  a  apenação  a  outro  título,  mercê  de  insindicável  a  afirmação  da  instância  a  quo  de  que  houve  infração  fiscal  (grifei)  [...]  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 413          11 Dessa  forma,  em  se  tratando  o  presente  Auto  de  Infração  de  obrigação  acessória  conexa  com  os  autos  de  infração  principal,  outra  conclusão  não  pode  ser  adotada,  senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa em  discussão no presente processo, tendo em vista a acessoriedade do lançamento efetuado.  Todavia, ainda que não seja acolhido o entendimento desta Relatora quanto  ao  exposto  acima,  de  que  o  acessório  acompanha  o  principal,  no  caso  em  comento  há  regramento recente anistiando as infrações elencadas no art. 32­A"caput", inciso II e §§ 2° e  3°, incluídos pela Lei 11.941/2009  Trata­se  da  Lei  13.097/2015,  publicada  no  DOU  em  20.01.2015.  A  nova  legislação  introduzida  no  ordenamento  jurídico,  em  seu  artigo  49,  abaixo  reproduzido,  dá  expressa anistia as multas previstas no artigo 32­A, da Lei 8.212/91.  Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32­A da Lei  no  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  lançadas  até  a  publicação  desta  Lei,  desde  que  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991,  tenha  sido  apresentada  até  o  último  dia  do  mês  subsequente  ao  previsto para a entrega.  Sobre  o  assunto,  há  decisões  nesse  sentido.  Abaixo,  ementa  colacionada  referente ao Acórdão 28­03­004.218 ­ 3ª Turma Especial, de 12.03.2013, Redator Designado  Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  MULTA  POR  ENTREGA  DE  GFIP  COM  INFORMAÇÕES  INCORRETAS  OU  COM  OMISSÃO.  LEI  13.097/2015.  APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO  A  Lei  13.097/2015  deve  ser  aplicada  ao  caso  contrato,  cominando  a  anistia  ali  prevista  como  remissão,  extinguindo  o  crédito  tributário  da  obrigação  acessória,  nos  termos  do  art.  156, IV, do CTN.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado  Do acórdão  supracitado, destaco  excertos  das  razões de decidir  contidas no  voto vencedor.  Desta  feita,  observa­se  que  a  “anistia”  trazida  pela  Lei  13.097/2015  atinge  as  infrações  de  não  entrega  de  GFIP  no  prazo  correto,  desde  que  entregue  no  mês  subsequente  e  a  entrega  de  GFIP  com  incorreções  ou  omissões,  não  necessitando,  neste  segundo  caso,  qualquer  entrega  posterior,  pois não há na  lei  em questão a  exigência para a  entrega com  correções.  Assim,  entendo  que  a  anistia  trazida  pelo  artigo  49  da  Lei  13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão,  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória  em comento.  Destaco,  outrossim,  que  a  norma  tributária  não  há  de  trazer  palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por  entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não  há  qualquer  condição,  devendo  ser  de  imediato  aplicado  os  termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário  lançado  Portanto,  a multa  aplicada  no Auto  de  Infração Debcad  37.239.725­5,  que  teve  como  fundamento  a  aplicação  da  multa  prevista  no  art.  32­A,  "caput",  inciso  II  e  parágrafos 2º e 3º, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se  amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015.  Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para  excluir  a  penalidade  imposta  seja  porque  as  infrações  principais  foram  anulados  por  vício  formal, seja por força de anistia conferida pela Lei nº 13.097/2015.  (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora                                          Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 414          13 Declaração de Voto  É  oportuno  que  sejam  esclarecidos  meus  fundamentos  para  suscitar  uma  questão prejudicial ao exame de mérito do recurso voluntário, quando na sessão de julgamento  fui vencido, conforme trecho a seguir transcrito:  Acórdão  2301­004.707  Informações  Adicionais:  Acordam  os  membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento  da  questão  de  ordem  suscitada  pelo  Conselheiro  Julio  Cesar  Vieira Gomes,  não  solicitar  a  vinculação  do  presente  processo  ao  processo  relativo  ao  ato  cancelatório  de  isenção,  e  não  remeter o presente processo para ser julgado com o outro  Em pesquisa ao processo citado no relatório nº 35464.003247/2006­17, onde  se  discutem  os  fundamentos  acerca  do  direito  à  imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  constatei que em 10/06/2010 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção havia julgado o  recurso voluntário através do acórdão nº 2402­00.931, negando­lhe provimento. O fundamento  do  cancelamento  da  imunidade  é  o mesmo  adotado  para  o  presente  processo  de  lançamento  tributário.  Em  julgamento dos  embargos de declaração opostos,  a  turma entendeu que  não sendo a decisão definitiva deveria, em cumprimento ao artigo 45 do Decreto nº 7.237, de  20/07/2010 e ao artigo 234 da IN nº 971/2009, retornar o processo para que a origem o juntasse  aos processos  instaurados para a  constituição dos  créditos  tributários. Um deles  é o presente  processo sob exame:  Art. 234 (...)  2º  Em  caso  de  tramitação  simultânea  de  processo  de  cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito  pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos  retornarem  à  Fiscalização,  para  fins  de  aplicação,  relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e  II deste artigo.  Como  se  vê,  o  acórdão  nº  2402­00.931  foi  proferido  antes  do  Decreto  nº  7.237, de 20/07/2010; portanto, cumpriu o procedimento vigente à época.  Assim,  conforme  artigo  6º,  §6º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  09/06/2015,  existe  conexão  e  prejudicialidade  para  que  o  presente  processo  de  obrigação  principal  seja  julgado  por  esta  turma;  sendo  correto  que  todos  sejam  movimentados  para  a  Segunda  Turma  da  Quarta  Câmara  que  além  da  prevenção  por  distribuição  em  momento  anterior, lá se encontra o processo principal que, inclusive, já fora julgado no mérito:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:  § 1º Os processos podem ser vinculados por:  I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     14 em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;  II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e   III  ­  reflexo,  constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de  prova, mas referentes a tributos distintos.  § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,  ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão.  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender  estar  prevento,  e  a  decisão  será  proferida  por  despacho do Presidente da Câmara ou  da  Seção  de Julgamento, conforme a localização do processo.  §  4º  Nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  II  e  III  do  §  1º,  se  o  processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  preparadora,  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  ao  processo principal.  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado  deverá converter o julgamento em diligência para determinar a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal.  § 6º Na hipótese prevista no § 4º,  se não houver  recurso a  ser  apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade  preparadora  deverá  devolver  ao  colegiado  o  processo  convertido  em  diligência,  juntamente  com  as  informações  constantes  do  processo  principal  necessárias  para  a  continuidade do julgamento do processo sobrestado.  As disposições no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234  da  IN  nº  971/2009  têm  por  finalidade  a  reunião  dos  fundamentos  a  serem  examinados  para  exame dos processos de lançamento da obrigação principal, já que fora extinto o procedimento  anterior, onde antes era necessário um ato cancelatório. Com os processos apensos seria viável  o exame do cumprimento ou não dos requisitos que estão consignados tanto no processo de ato  cancelatório quanto os de lançamento tributário.  Porém, uma vez entendendo a turma que não haveria vinculação ou conexão  entre os processos, o presente processo teve que ser examinado apenas com os documentos que  constavam em seus autos, daí resultando em vício formal, o que a meu ver seria superado com  o cumprimento do disposto no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN  nº  971/2009.  Ressalta­se  que  o  mérito  já  havia  sido  julgado  pela  turma  na  qual  tramita  o  processo de cancelamento da imunidade.  Em síntese, independentemente do que se entenda quanto ao mérito, ou seja,  quanto  ao  requisito  que  teria  sido  descumprido  pelo  recorrente,  o  atual  procedimento  não  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000466/2010­13  Acórdão n.º 2301­004.708  S2­C3T1  Fl. 415          15 determinou que  os  processos  de  ato  cancelatório  de  imunidade/isenção  em  tramitação  sejam  extintos,  mas  apenas  que  retornem  à  origem  para  que  sejam  juntados  aos  processos  de  lançamento tributário, o que propicia um maior conjunto probatório. E quanto ao RICARF, há  norma expressa no sentido de que todos esses processos devem ser  julgados pela turma onde  tramita o processo principal ou à qual tenha sido distribuído o primeiro processo.  Diante  do  exposto,  declaro  meu  voto  pela  prejudicialidade  e  remessa  do  presente processo à Segunda Turma da Quarta Câmara.  É como voto.  Júlio César Vieira Gomes      Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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6403706 #
Numero do processo: 13975.000103/2002-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2 Relatório  Trata­se de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art.  67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3803­01.924, de 1° de  setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF.  A  não  confirmação  das  compensações  informadas  em  Declaração  de  Contribuições  e  Tributos  Federais  enseja  a  lavratura  de  auto  de  infração  para  formalização  da  exigência  dos débitos inadimplidos.  MULTA  APLICÁVEL  NA  COBRANÇA  DE  DÉBITOS  DECLARADOS.  Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa  de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997  AÇÃO  JUDICIAL.  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO  ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  possibilidade  de  efetuar  a  compensação  de  débitos  da  contribuição  com  direito  creditório  emanado  de  ação  judicial  antes do trânsito em julgado da decisão que os reconheceu.  O recurso teve seguimento, nos termos do Despacho nº 3300­00.513, fls. 184  a 187, quanto à possibilidade da compensação e créditos com origem em decisão judicial, antes  do trânsito em julgado destas decisões.  Em sua peça recursal, o contribuinte reclama contra a aplicação retroativa do  art.  170­A  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  insistindo em que seu procedimento foi compatível com a situação, tendo em vista a declaração  de inconstitucionalidade do Decreto­Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto­Lei nº  2.449, de 21 de julho de 1988.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso às fls. 189 a 195.  Em  face  da  renúncia  ao  mandato  do  Conselheiro  Joel  Miyazaki,  os  autos  foram redistribuídos no âmbito da 3ª Turma da CSRF.  É o relatório.  Voto             Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000103/2002­74  Acórdão n.º 9303­003.892  CSRF­T3  Fl. 200          3 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator  O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  restando  contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade,  prerrogativa,  em  última  análise,  da  composição  plenária  da  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não  estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos.  Compulsando  o  voto  condutor  da  decisão  recorrida,  constata­se  o  recurso  voluntário  não  mereceu  provimento  sob  a  consideração  de  que  os  créditos  judicialmente  reconhecidos  não  se  revestiam  dos  atributos  de  liquidez  e  certeza,  posto  que  opostos  em  compensação  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  sentença. Confira­se,  fls.  122,  com  grifos na transcrição:  [...]  Na  ação  judicial  n°  98.20.018994,  verifiquei  que  a  parte  interessada  figurando  como  litisconsorte,  buscou  o  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  dos  decretos­leis  n°s.  2.445 e 2.449, ambos de 1988, na apuração da contribuição PIS,  com  vistas  ao  direito  de  compensar  os  valores  recolhidos  indevidamente, após amortização da exigência restabelecida nos  moldes da Lei Complementar n° 07, de 1970. Nada obstante, a  referida ação só foi ajuizada em 16/04/1998, após o vencimento  dos débitos lançados, em 15/05/1997, 15/06/1997 e 15/07/1997.  A  compensação  tributária,  não  se  olvide,  está  sujeita  aos  princípios  de  liquidez  e  certeza  a  serem  aferidos  pelo  ente  tributante. Impossível, destarte, em virtude de óbice legal, o uso  de  compensação mediante  o  aproveitamento  de  valores,  objeto  de  cotejo  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão,  como  forma  de  extinção  do  crédito  tributário.  Com  a  discussão  submetida  ao  exame  do  Poder Judiciário, veiculada pela ação ordinária trazida na peça  de  impugnação,  somente  ter­se­á  créditos  líquidos  e  certos,  passíveis  de  compensação  pela  parte  interessada,  quando  a  sentença  que  resolver  o  mérito  da  lide  adquirir  contornos  de  definitividade.  Ressalta­se que não se está aqui a negar o direito  reconhecido  pelo  Judiciário  em  ação  própria  mas  sim  a  questionar  o  momento  do  exercício  deste  direito.  O  fato  de  a  ação  vir  a  transitar  em  julgado  posteriormente  em  absoluto  altera  a  constatação  de  que  o  contribuinte  realizou  indevidamente  compensações  anteriores  a  esta  data  (trânsito  em  julgado  da  ação), ferindo o disposto na legislação de regência da matéria.  Para  comprovar  a  divergência,  a  recorrente  apresentou  dois  acórdãos  paradigmas:  Acórdão  nº  1802­00.053  e  Acórdão  nº  202­19.567.  Transcrevo  as  respectivas  ementas:  Acórdão nº 1802­00.053  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 Assunto: Normas de Administração Tributária  Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991  Ementa: FINSOCIAL Utilização de Crédito  ­ Art. 170­A do CTN Inaplicabilidade Confronto com o princípio  constitucional da irretroatividade.  ­ Plenária do STF, no julgamento do RE n° 150.764/PE declarou  a inconstitucionalidade do art. 9° da Lei 7.689, de 15.12.88, do  art.  7°  da  Lei  7.787,de  30.06.89,  do  art.  1.  da  Lei  7.894,  de  24.11.89 e do art. 1. da Lei 8.147, de 28.12.90  ­ Efeitos erga omnes e vinculantes a decisão do STF edição das  Medidas  Provisórias  n°  1.175/95  e  n°  1.973/99  existência  de  decisão judicial transitada em julgado.  ­ ADI n° 1.9767/ DF, o STF declarou a inconstitucionalidade do  art. 32 da Lei n° 10.522/2002, que alterou o § 2° do art. 33 do  Decreto  70.235/72  exigência  de  depósito  de  30%  ou  arrolamentos de bens.  Recurso Provido."  Acórdão nº 202­19.567  "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002  COMPENSAÇÃO  COM  BASE  EM  PROVIMENTO  JUDICIAL,  ART. 170­A.  O  disposto  no  170­A  do  CTN,  acrescentado  pela  Lei  Complementar  n°  104,  de  10  de  janeiro  de  2001,  que  veda  a  compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do  trânsito  em  julgado  da  sentença,  somente  é  aplicável  a  pagamentos  indevidos  realizados  após  a  vigência  desse  dispositivo, em face das regras do direito intertemporal.  NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO.  Não se conhece de matéria estranha ao objeto do litígio.  RENÚNCIA ADMINISTRATIVA.  Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via  judicial. Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes.  CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA.  Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art.  61 da Lei n° 9.430/96.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3, DO 2° CC.  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000103/2002­74  Acórdão n.º 9303­003.892  CSRF­T3  Fl. 201          5 base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia Selic para títulos federais.  Recurso Negado"  Os acórdãos indicados como paradigma da divergência decidiram ambos pela  inaplicabilidade retroativa da norma do art. 170­A, inserta no CTN pela Lei Complementar nº  104, de 10 de janeiro de 2001.  A  argüição  da  divergências,  conforme  fundamentada  pelo  sujeito  passivo,  requer  algumas  observações.  Primeiro,  há  que  se  considerar  que  o  dissídio  jurisprudencial  consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o  que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a  espécies  semelhantes  na  configuração  dos  fatos  embasadores  da  questão  jurídica  posta  em  debate.  Não  haverá,  portanto,  caracterização  de  divergência  se  os  acórdãos  paragonados  ­  recorrido  e paradigmas  ­  não  tiverem apreciado  a mesma questão objeto do  recurso  especial  interposto.  Conforme visto, a decisão recorrida jamais cogitou da aplicação retroativa da  norma do art. 170­A do CTN. Como o próprio recorrente reconheceu em sua peça recursal (fls.  142), o voto condutor da decisão recorrida asseverou que a exigência de liquidez e certeza dos  créditos opostos em compensação prescinde dos ditames do art. 170­A, pois é a eles anterior.  Deste modo, não se pode, pois, alegar interpretação divergente na aplicação do art. 170­A do  CTN, quando o aresto recorrido efetivamente não o aplicou. Logo, em se tratando de recurso  que não se  reveste de condição essencial à caracterização da divergência nos  termos em que  conceituada, não se justifica a abertura da via especial à recorrente.  Com  essas  considerações,  não  conheço  do  recurso  especial  do  contribuinte  em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial.  Sala de sessões, em 19/05/2016  Gilson Macedo Rosenburg Filho                                Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6354238 #
Numero do processo: 19515.720099/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2008, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720099/2012­30  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.958  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de março de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  CONECTA TELECOMUNICAÇÕES S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2008, 2010  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  o recurso, por intempestivo.                Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente Substituto e Relator.      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente  Substituto),  Carlos  Henrique  de Oliveira  (Suplente  convocado),  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos  (Suplente  convocada), Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia  Lustosa da Cruz.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a Renda Retido na Fonte (IRRF), anos­calendário de 2007 e 2009, consubstanciado no Auto de  Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 46.177,39.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 99 /2 01 2- 30 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 De acordo com a autoridade fiscal:  O lançamento decorreu da falta de recolhimento do Imposto de  Renda  Retido  na  Fonte  –  IRRF  sobre  trabalho  assalariado;  sobre  trabalho  sem  vínculo  de  emprego,  e  sobre  aluguéis  e  royalties  pagos  à pessoa  física,  nos  anos­calendário  de  2007 e  2009,  constatada  no  cruzamento  dos  valores  informados  em  DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e os  valores  recolhidos mediante DARF  ou  informados  em DCTF  –  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais.  Em  função  da  não  localização  da  contribuinte  no  endereço  informado à RFB, a fiscalização a intimou por edital e  também  os  dois  sócios­administradores,  via  postal,  a  prestarem  esclarecimentos  e  apresentarem  o  contrato  social  e  alterações  que  comprovassem,  inclusive, o novo domicílio da empresa  e a  regularização do endereço junto ao cadastro da RFB. Ambos os  sócios  esclareceram que a  empresa não mais  se  encontrava no  endereço  indicado,  não  tendo,  ainda,  se  estabelecido  em  outro  lugar.  Com  base  nos  artigos  124  e  135  da  Lei  nº  5.172,  de  1966,  a  Fiscalização  lavrou  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  dos  sócios­administradores,  sob  o  argumento  de  que  “Presume­se  dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar em  seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes.  Em  face  da  constatação  de  que  a  contribuinte  não  recolheu  e  também  não  declarou  em  DCTF  os  valores  devidos  de  IRRF  informados  em  DIRF,  a  Fiscalização  lavrou  auto  de  infração,  Representação Fiscal para Fins Penais e Representação Fiscal  para Inaptidão do CPNJ.  Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  Em  sua  petição,  a  Impugnante  suscitou  as  seguintes  preliminares:  Elisão  da  presunção  de  que  a  empresa  foi  irregularmente  dissolvida – Alteração de endereço solicitada na JUCESP e na  RFB.  A contribuinte alega que solicitou alteração de endereço da Av.  Angélica,  2.510,  9º  Andar,  Bairro  de Higienópolis,  São  Paulo,  para  a  Rua  Coronel  José  Eusébio,  145,  sala  15,  Bairro  da  Consolação, São Paulo, e contesta a responsabilização solidária  dos sóciosadministradores da empresa.  A autuada informa que não se ocultou da fiscalização, apenas foi  despejada  do  imóvel  anteriormente  ocupado,  por  força  de  decisão judicial, e que a presunção de dissolução irregular teria  preterido o seu direito de defesa no tocante à multa de mora.  Elisão  da  presunção  de  que  a  empresa  foi  irregularmente  dissolvida – Apresentação de prova incontestável:  A contribuinte defende que não há previsão legal de dissolução  de sociedade por alteração de endereço em razão de despejo por  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720099/2012­30  Acórdão n.º 2201­002.958  S2­C2T1  Fl. 3          3 falta de pagamento e apresenta como prova inequívoca, segundo  ela,  “Comprovante  de  Inscrição  e  de  Situação  Cadastral  da  Receita  Federal  do  Brasil  extraído  do  sítio  público  em  15.03.2012, apontando que a empresa encontrava­se ATIVA”.  A  autuada  alega  que  houve  “cerceamento  de  defesa  da  multa  aplicada que não poderia ser aplicada com base em dissolução  irregular”.  Citação por Edital nula – Contrariedade à Lei Federal.  A contribuinte informa que no dia 12/01/2012 foi emitido Termo  de Solicitação de Comparecimento com ciência via postal para  os administradores domiciliados na Rua Ceará, 247, Ap. 81, São  Paulo  e  que,  em  resposta,  os  sócios  teriam  esclarecido  que  a  empresa  não  se  encontrava  mais  na  Av.  Angélica,  pois  estava  sem  local  ainda  definido  para  o  estabelecimento.  Assim,  a  autuada alega que a cientificação por edital seria ilegal, pois a  RFB  não  intentou  todos  os  meios  para  dar  ciência  à  contribuinte, e que seria necessária nova intimação, sob pena de  cerceamento de defesa.  No mérito, alega:   Débito declarado em DCTF. Multa reduzida para 20%.  A contribuinte alega que os débitos de IRRF lançados mediante  auto de  infração  já  teriam sido declarados em DCTF e que, de  acordo  com  decisões  da  própria  Delegacia  de  Julgamento,  a  multa deveria ser reduzida de 75% para o percentual máximo de  20%. Entende que a fiscalização deveria ter aplicado o artigo 61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  que  trata  de  tal  limite  da  multa  de  mora.  Disposição expressa de Lei sobre a data de Aplicação dos Juros  A  Impugnante  argumenta  que,  de  acordo  com  a  legislação  vigente, os juros devem ser computados a partir do 1º dia do mês  susbsequente ao do  vencimento,  sendo que a Fiscalização  teria  aplicado no mês do vencimento.  A  3ª  Turma  da  DRJ  em  Florianópolis  (SC)  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas:  DÉBITOS DE IRRF NÃO PAGOS OU NÃO DECLARADOS EM DCTF  É correto o lançamento mediante auto de infração dos valores de  IRRF  informados em DIRF e não pagos ou não declarados  em  DCTF, sobre os quais devem incidir multa de ofício e juros.  INTIMAÇÃO POR EDITAL  Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do  artigo  23  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  quando  o  sujeito  passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro  fiscal, a intimação poderá ser feita por edital.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 CERCEAMENTO DE DEFESA  Não há cerceamento do direito de defesa quando a contribuinte  teve ciência de todos os atos, inclusive recebendo cópia integral  do  processo,  e  oportunidade  para  se  manifestar  e  apresentar  elementos de prova.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC  Sobre  os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  do  Brasil,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1997, incidirão juros de mora calculados a partir do  primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  Impugnação Improcedente  Intimada da decisão de primeira instância em 29/08/2014 (fl. 166), a autuada  apresenta Recurso Voluntário  em  02/10/2014  (fls.  169/185),  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos argumentos defendidos em sua impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator    De  início,  cumpre  aferir  a  tempestividade  do  apelo  apresentado  pela  contribuinte.  O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, a suplicante tomou ciência da decisão de primeira  instância  em  29/08/2014,  conforme Aviso  de Recebimento  (AR),  fl.  166. Considerando  que  29/08/2014 foi uma sexta­feira, dia de expediente normal na repartição, o primeiro dia útil após  a ciência da decisão de primeiro grau foi dia 01/09/2014, uma segunda­feira, sendo que nesse  caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 30/09/2014, uma terça­feira. Ocorre que  o recurso foi apresentado em 02/10/2014, fls. 169/185, após ultrapassado o prazo de 30 dias do  recebimento da decisão de primeira instância.  É  forçoso  concluir,  portanto,  pela  intempestividade  do  recurso  o  que  torna  definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do  art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.720099/2012­30  Acórdão n.º 2201­002.958  S2­C2T1  Fl. 4          5 I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Ressalte­se  que  a  correspondência  foi  entregue  no  endereço  eleito  pela  contribuinte, qual seja, Rua Coronel José Eusébio n° 145, sala 15, Bairro da Consolação, São  Paulo/SP CEP: 01239­030.  Isso posto, não deve ser conhecido o recurso voluntário.    Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 12466.722735/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/01/2009 a 17/10/2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ARGUIÇÃO DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. O auto de infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO. Com relação ao responsável solidário, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extingui-se o direito de o interessado omisso fazê-lo em outro momento processual. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. A modalidade de importação denominada “para revenda a encomendante predeterminado”, de que trata o art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, não admite adiantamento de recursos ao importador. Declarada pelo importador, na DI, que se cuida dessa modalidade, quando na realidade se provou que se trata de importação por conta e ordem de terceiro, resta configurada a infração do art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.544, de 1976. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 4.033          1 4.032  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12466.722735/2013­22  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­003.095  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de junho de 2016  Matéria  MULTA ­ CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO  Recorrente  AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 16/01/2009 a 17/10/2011  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  MOTIVAÇÃO.  ARGUIÇÃO  DE  OFENSA AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO.  O  auto  de  infração  deve­se  ter  como  premissa  indelével  a  necessidade  de  atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo  fiscal,  requisitos  estes  expressamente  determinados  pelo  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  e  artigos  10  e  11  do  Decreto  nº  70.235/72.  Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos  fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar  em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório.   SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE RECURSO.   Com  relação  ao  responsável  solidário,  transcorreu  e  se  esgotou,  sem  manifestação, o prazo  legal para a apresentação de seu recurso voluntário e  documentação  probatória  pertinente,  extingui­se  o  direito  de  o  interessado  omisso fazê­lo em outro momento processual.  Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva  apresentada  por  qualquer  um  deles,  não  versando  exclusivamente  sobre  o  vínculo  de  responsabilidade,  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  em relação a todos os autuados.  IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA  DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA.   A  modalidade  de  importação  denominada  “para  revenda  a  encomendante  predeterminado”, de que trata o art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, não admite  adiantamento de recursos ao  importador. Declarada pelo  importador, na DI,  que se cuida dessa modalidade, quando na realidade se provou que se trata de  importação por conta e ordem de terceiro, resta configurada a infração do art.  23, V, do Decreto­lei nº 1.544, de 1976.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 27 35 /2 01 3- 22 Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA  EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.  Não  sendo  possível  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  em  razão  das  mercadorias  já  terem  sido  dadas  a  consumo  ou  por  qualquer  outro motivo,  cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no  art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  NA  IMPORTAÇÃO.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  Responde  pela  infração,  conjunta  ou  isoladamente,  quem  quer  que,  de  qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o  adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Antônio  Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo  Deligne,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.  Relatório  Trata­se  de  Processo  Administrativo  Fiscal,  no  qual  as  autoridades  Aduaneiras, por meio de Auto de Infração (fls. 01 a 64 e documentos anexados), constituíram  crédito tributário em face do contribuinte (importador) AST COMÉRCIO INTERNACIONAL  LTDA.  (doravante  denominada  de  AST),  inscrito  no  CNPJ  nº  32.393.589/0001­21,  sendo  ainda  considerado  na  autuação,  como  responsável  solidário  (adquirente  das  mercadorias)  o  contribuinte ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA (doravante denominada de ENDO  MEDICAL), inscrito no CNPJ nº 04.713.666/0001­48.  A  Autuação  contempla  dois  tipos  de  infração  que  indica  como  sendo  praticados  pelo  contribuinte  e  responsável  em  tela:  a  Interposição  Fraudulenta  e  a  Falsidade  Ideológica em operações de comércio exterior.   Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.034          3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de  nº 08­29.791, prolatada  pela 7ª Turma da DRJ em Fortaleza  (CE),  a  seguir  transcrito na  sua  integralidade (fls. 5.892/5.920):  "(...) O Auto de Infração   Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o  processo,  expõem  as  Autoridades  Aduaneiras  que  a  subscreveram, em apertada síntese, que:  1. O procedimento fiscal em questão foi iniciado em 14/08/2012,  com  diligência  no  estabelecimento  da  empresa,  quando,  na  forma  do  TERMO  DE  DILIGÊNCIA  RETENÇÃO  DE  DOCUMENTOS E INTIMAÇÃO 2012­00282­001 (fls. 85 a 88),  foram retidos diversos documentos e a empresa intimada, para,  no  prazo  de  20  (vinte)  dias,  apresentar  outros  elementos  e  prestar  esclarecimentos.  A  intimação  foi  prorrogada  em  03/09/2012 para atendimento  até  o dia 10/09/2012, quando  foi  atendida apenas parcialmente (fl. 89 a 112).  2.  Que  na  verificação  dos  documentos  retidos  e  apresentados,  foram identificados diversos indícios que motivaram o Relatório  SEFIA 2011­00282­01, com a proposta, acatada, de inclusão da  empresa em procedimentos especiais de fiscalização nos termos  da  IN  228/2002  (fls.  113  a  115).  A  empresa  foi  incluída  em  procedimentos  especiais  de  fiscalização  em  05/10/2012,  conforme constou no TERMO DE INICIO DE AÇÃO FISCAL E  INTIMAÇÃO  SEFIA­2012­000433­001  (fls.  116  e  117).  A  intimação constante do Termo de Início passou a ser atendida de  forma  parcial,  com  diversas  prorrogações  e  até  a  data  DA  AUTUAÇÃO  não  restou  atendida  de  forma  completa,  inclusive  no que se refere à comprovação da sua condição financeira para  atuar no comércio exterior.  3. Que nos procedimentos, de que trata o Auto de Infração, essa  mesma empresa registrou e desembaraçou diversas mercadorias,  acobertadas pelas DIs relacionadas (fls. 377 a 380), simulando  ser  operação  para  encomendante  pré­determinado,  entretanto  restou provado que as importações foram por conta e ordem de  terceiros,  a  adquirente  adiantou  praticamente  todos  os  valores  para  que  a  AST  fizesse  frente  aos  pagamentos  dos  impostos,  cambio  e  demais  despesas.  Em  todas  as  operações  de  importação, representadas pelas DIs que seguem relacionadas, a  empresa adquirente, ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  –  CNPJ  04.713.666/0001­48,  com  sede  na  cidade  do  Rio  de  Janeiro/RJ, também identificada como ENDO RIO, comprou por  sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, diretamente das  exportadoras relacionadas.  4. Que a ENDO RIO (REAL IMPORTADORA) foi a que acertou  as  condições  do  contrato  de  compra  e  venda,  preços  efetivos,  formas  de  pagamento  etc.,  que  representa  a  operação  real,  aquela  que  os  intervenientes  intentam  ocultar.  Acertadas  as  condições,  as  mercadorias  foram  embarcadas  consignadas  à  AST (revestida da qualidade de IMPORTADORA), que registrou  Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 as  DIs  obedecendo  aos  valores  constantes  nas  faturas  internacionais  apresentadas.  Não  há  que  se  falar  de  compra  e  venda por intermédio da AST, o fato é que a ENDO RIO compra  as  mercadorias  no  exterior,  por  sua  conta  e  ordem,  sendo  a  atividade  da  AST,  unicamente,  a  prestação  de  serviços  para  a  nacionalização das mercadorias. Assim, não é paga pela venda  das mercadorias, mas  recebe  adiantamentos  para  cumprir  com  os  gastos  necessários  para  o  desembaraço  das  mercadorias  e  pagamento do câmbio ao exterior.  5.  Que  nas  próprias  faturas  internacionais  apresentadas  no  despacho  aduaneiro,  há  inscrições  que  demonstram  de  forma  muito  clara  que  a  compra  das  mercadorias  foi  efetuada  pela  ENDO  RIO  (vide  relação  das  faturas  e  inscrição  do  nome  da  ENDO RIO às fls. 06 a 11).  6. Que essa prática de simulação na sistemática da operação de  importação,  com  intuito  de  manter  oculta  a  verdadeira  importadora  (não  constou na DI  ou  qualquer  outro  documento  apresentado  no  despacho),  é  infração  identificada  como  interposição  fraudulenta  de  terceiros,  além  da  evidente  utilização  de  documento  com  falsidade  ideológica.  Essas  duas  infrações motivam a proposição da pena de perdimento,  nestes  casos,  vez  que  as  mercadorias  já  foram  encaminhadas  a  consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro  das mercadorias.  As mercadorias  envolvidas  foram  declaradas  como  compradas  pela  AST  das  empresas  exportadoras,  na  seqüência  esses  bens  foram  nacionalizados  pela  AST,  com  recursos adiantados pela real adquirente.  7.  Relaciona  a  Fiscalização  as  Declarações  de  Importação  envolvidas  neste  procedimento  (relação  às  fls.  12  a  17),  destacando  que  as  datas  de  desembaraço,  das  notas  fiscais  de  entradas  e  saída,  que  são  praticamente  iguais,  sendo  estes,  conforme afirma, indícios claros de que as mercadorias, quando  internadas,  já  tinham endereço certo para entrega e que nunca  foram compradas ou vendidas pela AST, sendo a sua atuação a  prestação  de  serviços  na  internação,  nacionalização  e  encaminhamento  das  mercadorias  à  verdadeira  compradora  (REAL IMPORTADORA), a ENDO RIO.  8. Demonstra a ocorrência de depósitos que sempre acontecem  em  datas  próximas  ao  registro  da  DI  e  ao  pagamento  ao  exterior,  que  configuram  adiantamentos  feitos  para  cobrir  as  despesas  com  os  impostos,  aquelas  pagas  nas  manipulações  iniciais das mercadorias e do câmbio ao exterior (v. relação de  pagamentos às fls. 18 a 23).  9. Aponta a autuação falta de condição financeira da AST para  atuar  no  comércio  internacional,  o  que,  conforme  afirma,  é  evidenciado  por  necessitar  de  adiantamentos  dos  adquirentes  para  cumprir  com  os  compromissos  de  nacionalização  de  importações que registra como sendo por encomenda e conta e  risco próprio. Além disso, frisa o seguinte fato: o procedimento  adotado  no  aumento  do  Capital  Social  feito  em  2006,  quando  passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00.  Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.035          5 Tal aumento – assevera a autuação – que a AST justificou como  sendo com aquisição de imóvel rural,  foi  feito para demonstrar  capacidade de pagamento  (fls.  135). No entanto,  o aumento de  Capital  mencionado  não  altera  a  condição  financeira  da  empresa,  pois  o  imóvel  foi  comprado  pela  própria  AST,  em  24/05/2006,  por  R$  87.360,00  (fls.  125  a  128),  e  esse  valor  naturalmente  foi pago e diminuiu o  saldo das disponibilidades;  em  seguida, o mesmo  Imóvel  foi  reavaliado em R$ 655.000,00,  com base em Laudo (fls. 129 a 131),  emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e  o  saldo  dessa  reserva  de  reavaliação  foi,  no  mesmo  ano,  utilizado para aumentar o Capital da empresa. Assim temos que  o Aumento do Capital, que seguiu formalizado na 21a Alteração  do Contrato Social, foi feito de forma gráfica e SIMULADA, sem  afetar a situação financeira da empresa (fls. 136 a 138).  10.  O  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  por  ordenamento  constitucional,  é  um  tributo  de  incidência  não­ cumulativa, compensando­se o que for devido em cada operação  com o montante cobrado nas anteriores  (CF/88, art. 153, § 3o,  inciso II). Os adquirentes de mercadoria estrangeira, no caso da  importação,  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  meio  de  pessoa  jurídica  importadora,  são  estabelecimentos  equiparados  a  industrial,  cujas  empresas  estão  obrigadas  a  todos  os  procedimentos  de  registro  e  apuração,  inclusive  as  acessórias,  próprias  desse  imposto  (Regulamento  do  IPI  Decreto  no  4.544/02  Art.  9o  Inciso  IX).  O  mesmo  ocorre  com  os  estabelecimentos  que  adquirem  produtos  de  procedência  estrangeira,  importados  por  encomenda,  nos  termos  da  Lei  11.281/06,  Art.  13.  A  hipótese  de  o  adquirente  ou  o  encomendante  da  mercadoria  permanecer  oculto,  não  se  apresentando à fiscalização nos termos da IN SRF no 225/02 ou  da IN SRF no 634/06, embora se configurando como uma fraude  tendente  a  não  caracterizar  a  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta sua condição de contribuinte do IPI.  11.  Enumera,  ao  final,  constatações  que  –  conforme  afirma  –,  além  de  reforçar  os  demais  indícios  e  provas,  sustentam  os  entendimentos  fiscais  e  fundamentam  a  autuação,  tanto  no  que  refere  à  prática  da  infração  identificada  como  Interposição  Fraudulenta  como  da  infração  identificada  na  utilização  de  documento ideologicamente falso: a) As mercadorias envolvidas  nos  processos  em  comento,  que  tem  itens  muito  específicos,  necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a  comercialização,  incoerente  com  a  atividade  da  empresa  importadora,  agindo  por  conta  e  risco  próprio,  pois  em  sua  estrutura  não  tem  departamento  de  compra  e/ou  venda,  e  por  esse  motivo  não  tem  estrutura  suficiente  para  atuar  na  forma  simulada, esse indício de que a AST atua por conta e ordem de  terceiros foi comprovado com a identificação de quem comprou  e  quem  arcou  com  os  custos  das  importações  em  análise.  b)  Assim,  considerando  as  especialidades  das  mercadorias  envolvidas,  se  torna evidente que a  compra no exterior não  foi  feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços e  Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 nacionalização  de  mercadorias  não  demonstrando  estrutura  suficiente  para  administrar  esses  procedimentos.  c)  As  importações  em  questão  foram  registradas  pela  AST  nas  sistemáticas de importação para encomendante prédeterminado,  as  notas  fiscais  de  venda  registraram  como  adquirente  a  empresa  ENDO  RIO.  d)  As  datas  de  registro,  desembaraço,  entrada  das  mercadorias  na  AST  e  da  venda,  são  muito  próximas,  o  que  demonstra  que  as  mercadorias  simplesmente  passaram  pela  importadora  e  foram  repassadas  para  a  compradora.  e)  Destacamos  as  Faturas  Internacionais  que  indicam  de  forma  clara,  no  endereçamento  “Sold  To  –  ENDOMEDICAL  NORDESTE  COMERCIAL  LTDA”,  e  no  quadro  “Your  Order  Number”  o  número  do  pedido  feito  pela  ENDO  RIO,  conforme  o  quadro  das  folhas  07  a  11.  f)  Nos  registros  contábeis  da  empresa  AST,  constaram  praticamente  todos  os  adiantamentos  feitos  pela  empresa  ENDO  RIO.  Os  pagamentos estão relacionados no quadro das folhas 18 a 23. g)  Em  todo  esse  esquema  montado,  destaca­se  a  participação  da  empresa AST, que, por não ter condições de operar no comércio  exterior por conta e risco próprio ou encomenda (fls. 23 a 27),  optou  pelo  procedimento  irregular  para  continuar  se  aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP.  Com base nos fatos narrados, foi lavrado o Auto de Infração ora  em  exame,  do  qual  os  impugnantes,  conforme  se  verifica  à  fl.  3876, apresentaram impugnações tempestivas. Foi ainda lavrada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  formalizada  nos  autos  do processo administrativo nº 12466.722734/2013­88.  As Impugnações  O  contribuinte  AST  COMÉRCIO  INTERNACIONAL  LTDA.  apresentou  sua  impugnação  às  fls.  3759  a  3765,  e  anexos,  na  qual alega, em apertado resumo:  1. Sob o título “Da capacidade financeira da empresa autuada e  da  inexistência  de  interposição  fraudulenta”,  aduz  que  a  empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos  e  cinqüenta  e  cinco  mil  reais)  desde  25.10.2006,  conforme  demonstra  o  Laudo  de  fls.  129/131  e  a  21.ª  Alteração  Contratual;  e  que  é  impossível  sustentar  a  acusação  da  incapacidade  financeira  da  recorrente,  o  que  culmina  na  impossibilidade  de  atribuir  a  ela,  a  infração  de  interposição  fraudulenta apontada pela fiscalização.  2. Que não existiu nenhuma adulteração ou falsificação; que não  há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido  falsificado  ou  adulterado;  e  que  portanto  houve  violação  ao  princípio  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  já  que,  sem  apontar  especificadamente  qual  documentação  foi  alterada  ou  falsificada,  impede a fiscalização que a requerida promova sua  defesa de forma ampla.  3.  Que  se  cuida  de  empresa  sólida,  cumpridora  de  suas  obrigações,  que  sempre atuou no mercado nacional,  e que não  atuou  com  dolo.  Por  tudo  o  que  expõe,  requer  seja  declarado  insubsistente, por nulo, o Auto de Infração.  Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.036          7 O  contribuinte  ENDO  MEDICAL  RIO  COMERCIAL  LTDA.,  autuado  na  qualidade  de  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO,  apresentou  sua  impugnação,  às  fls.  3783  a  3832,  e  anexos,  na  qual alega, em resumo:  1. Que é  empresa  constituída há mais de dez anos;  sediada no  Rio  de  Janeiro;  que  atua  no  ramo  de  “comércio  atacadista  de  instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar  e de laboratórios”;  que tais operações e mercadorias são isentas do IPI e do ICMS.  2. Que a Impugnante formalizou, em 26.10.2006, com a empresa  AST  COMÉRCIO  INTERNACIONAL  LTDA,  inscrita  no  CNPJ/MF sob o n° 32.393.589/0001­21 e com sede no Espírito  Santo,  contrato  de  importação  por  encomenda,  tendo  sido  rigorosamente  cumpridas  todas  as  regras  previstas  na  legislação,  especialmente no que  tange à prévia habilitação no  RADAR,  prévia  vinculação  dos  CNPJs  perante  a  autoridade  aduaneira  de  jurisdição  da  Impugnante,  recolhimento  dos  tributos,  informação  à  aduana  da  existência  de  cliente  pré­ determinado, etc.  3. Que sob a vigência deste contrato, a empresa AST, no período  de  01/2009 à  12/2011,  comprou no  exterior  e  revendeu  para a  Impugnante  as  mercadorias  descritas  nas  173  Declarações  de  Importação  abaixo  relacionadas  (objeto  dos  autos),  todas  devidamente  desembaraçadas  após  passar  pela  fiscalização,  inclusive  pertinente  ao  canal  vermelho  de  parametrização  (realização  da  análise  documental  e  da  verificação  física  da  mercadoria).  4.  Que  a  Impugnante  optou  por  comercializar  no  Brasil,  instrumentos e materiais, para uso médico, cirúrgico, hospitalar  e  de  laboratórios,  também  IMPORTADOS,  sendo  que  por  não  ter  experiência  em  comércio  internacional,  optou  por  encomendar a importação destas mercadorias de outra empresa,  a  AST,  que  tinha  credibilidade  reconhecida  no  mercado;  que  após receber o pedido de compra (encomenda), a AST comprou  as  mercadorias  no  exterior  (câmbio  a  prazo,  conforme  foi  possível  verificar  na  autuação)  e  as  revendeu  para  a  Impugnante, após a nacionalização.  5.  Que  o  Termo  de  Intimação  recebido  pela  Impugnante,  que  requisitou  informações  contábeis,  fiscais,  financeiras,  operacionais  e  comerciais  relativas  aos  últimos  cinco  anos  de  atividade  (2009  a  2012),  estabeleceu  que  seria  considerado  como atendido, no prazo de 20 dias, na data de recebimento dos  documentos  pela  Alfândega  do  Porto  de  Vitória,  o  que  se  afigurou ilegal, por contrariar o enunciado no Ato Declaratório  Normativo  COSIT  n.°  19,  de  26/05/97,  cujo  fundamento  de  validade está no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria  n.°  12/1982,  do  Ministério  Extraordinário  para  a  Desburocratização,  que  considera  atendido  o  prazo  dos  expedientes  enviados  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  na  data  da  postagem;  que  requereu  a  dilação  do  citado  prazo,  por  Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 exíguo;  que  a  Impugnante,  em  marco  de  2013.  questionou  formalmente  os  Auditores­Fiscais  se  teria  sido  observado  o  enunciado  no  artigo  6o,  §§  4o,  5o  e  6o,  da  Portaria  RFB  n°  3.014/11.  tendo  em  vista  não  se  submeter,  diretamente,  à  jurisdição  da  Alfândega  de  Vitória;  que  não  obteve  resposta  e  reiterou  o  requerimento;  que  este  último  também  não  foi  respondido.  6. Argumenta que os documentos solicitados têm por objeto tudo  o que foi comprado e revendido pela Impugnante durante cinco  anos,  ou  seja,  trata­se  de  um  volume  imenso  de  documentos  (dezenas de caixas), e que embora a legislação prescreva ser da  competência da Receita Federal do Rio de Janeiro, a Alfândega  de  Vitória,  de  forma  abusiva,  ilegal  e  sem  razoabilidade  (considerando  o  alto  custo  com  transporte  aéreo),  solicitou  fossem  entregues  no  Estado  do  Espírito  Santo. Que  em  função  disso,  enviou  nova  petição  indagando  se  os  documentos  deveriam  ser  entregues  em Vitória  ou  no Rio  de  Janeiro;e  que  tais petições não foram respondidas.  7.  Que  foi  aplicada  a  penalidade  mais  violenta  existente  no  ordenamento  jurídico  brasileiro,  qual  seja,  de  perdimento  de  bens,  com acusação  criminal,  em  razão  das  importações  terem  sido  declaradas  como  sendo  POR  ENCOMENDA  e  o  fisco  ter  entendido que o mero adiantamento das despesas que incorrem  no  despacho  de  importação,  pela  encomendante  (no  caso,  Impugnante),  caracteriza  IMPORTAÇÃO  POR  CONTA  E  ORDEM.  8.  Que  não  ocorreu  qualquer  irregularidade  no  que  tange  ao  recolhimento  dos  tributos  bem  como  mínima  fuga  ao  controle  aduaneiro  (já  que  ambas  estão  habilitadas  no  RADAR,  informaram  a  existência  da  relação  jurídica  existente  entre  as  empresa  ao  fisco  e  se  submeteram  regularmente  à  legislação  tributária  e  controle  aduaneiro),  sendo  que  a  AST  passou  a  exigir  o  adiantamento  das  despesas  da  Impugnante,  como  alternativa equivocada para a GARANTIA prevista na Cláusula  5.1,  do  Contrato  de  Importação,  cujo  conteúdo  sempre  foi  de  conhecimento do fisco.  9.  Que  EM  NENHUM  MOMENTO  a  Importadora  exigiu  o  pagamento antecipado das mercadorias pela Impugnante, o que  poderia caracterizar a modalidade por conta e ordem, na forma  do  artigo  5o,  da  IN  n.°  225/2002.E  que  TODOS  OS  PAGAMENTOS foram feitos pela Impugnante após a emissão da  Nota Fiscal de venda pela  importadora AST, nos exatos  termos  da modalidade IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA.  10. Que em nenhum momento foi lavrado o Auto de Perdimento  das  mercadorias,  bem  como  a  Impugnante  também  não  foi  intimada  para  que  fossem  apresentadas  as  mercadorias  (algumas  em  estoque)  no  intuito  de  viabilizar  a  execução  da  pena de perdimento ou.  minimamente,  possibilitar  a  lavratura  do  Auto  de  Multa  equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias.  11. Que  novamente  de  forma  ILEGAL,  os Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  José  Henrique  Mauri  (Matrícula  Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.037          9 18699) e Adriano Lima Correa (Matrícula 19636), optaram por  enviar  à  Impugnante  apenas  o Auto  de  Infração  e  o  Termo  de  Descrição  dos Fatos  e Enquadramento Legal,  razão  pela  qual,  até  o  presente  momento,  a  Impugnante  não  teve  acesso  aos  anexos  contendo  os  diversos  documentos  mencionados  na  autuação e que fundamentaram sua lavratura.  12.  Que  há  nulidade  do  procedimento  fiscal  em  virtude  da  incompetência da Alfândega do Porto de Vitória. Para sustentar  a  tese,  invoca o artigo 6º,  §§ 4o, 5o e 6o, da Portaria RFB n°  3.014/11.  Isto  porque,  conforme  alega,  não  houve  prévia  autorização  do  Coordenador­Geral  de  Fiscalização  ou  do  Coordenador­Geral  de Administração Aduaneira,  precedida  de  manifestação  da  Superintendência  que  jurisdiciona  a  Impugnante, razão pela qual O AUTO DE INFRAÇÃO PADECE  DE INSANÁVEL NULIDADE, a  teor do que prescreve o artigo  59,  incisos  I  e  II,  do  Decreto  n.°  70.235/72,  combinado  com  artigo 53, da Lei n.° 9.784/99.  13. Que há nulidade do procedimento em razão da ausência de  participação  da  Impugnante  no  procedimento  de  fiscalização  pois,  conforme  alega,  todo  o  processo  de  fiscalização  foi  conduzido  sem permitir que  fossem  prestados  as  informações  e  documentos  pertinentes  (na  medida  em  que  ignorou  as  duas  petições  protocolizadas  questionando  o  cumprimento  da  regra  de  competência  ­  tópico  II.  1,  desta  impugnação),  optando  por  incluir  a  referida  empresa  na  condição  de  co­rresponsável,  apenas  quando  da  lavratura  do  Auto  de  Infração.  E  que,  além  disso, após a lavratura do Auto de Infração, não foi entregue à  Impugnante  a  cópia  dos  documentos  que  fundamentaram  a  autuação, o que por si só já exige o cancelamento da autuação  diante do cerceamento do direito de defesa.  14.  No  mérito,  alega  nulidade  da  autuação  por  pela  não  Ocorrência da Ocultação da Real Adquirente, da Sonegação de  Tributos ou Evasão ao Controle Aduaneiro. Nessa linha, afirma  que a  suposta  infração praticada não pode  ser apenada com a  multa  em  pauta,  por  não  haver  sido  comprovado  o  elemento  dolo,  que,  conforme  alega,  é  essencial  para  a  tipificação  da  infração.  E  conclui  ao  afirmar  que  Inexiste  infração  quando  o  ato  é  praticado  com  boa­fé,  e  que  este  é  o  caso  dos  autos.  Afirma,  ainda,  que:  “Não  existe  nos  autos,  qualquer  PROVA,  ainda  que  indiciária,  de  que  a  Impugnante  optou  conscientemente  pela  modalidade  POR  ENCOMENDA  com  intuito  fraudulento  ou  que  poderia  obter,  sequer minimamente,  qualquer vantagem com isto”.  15. Assevera ainda, no que tange ao mérito de sua defesa, que a  Impugnante  e  a  importadora  regularmente  obtiveram  prévia  habilitação  no  RADAR,  se  submetendo,  assim,  ao  controle  aduaneiro;  que  a  Impugnante  e  a  importadora  regularmente  celebraram  um  contrato  de  importação  para  cliente  pré­ determinado,  sob  a  modalidade  por  encomenda,  sendo  que  a  Impugnante,  nos  exatos  da  legislação,  apresentou  cópia  deste  contrato  à  Alfândega  de  sua  jurisdição;  que  Todas  as  Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     10 Declarações de Importação foram registradas pela importadora,  com  a  informação  incontroversa  de  que  se  tratava  de  uma  importação  para  cliente  pré­determinada  (no  caso,  a  Impugnante);  que  no  caso  dos  autos,  se  afigurou  irrelevante,  para  fins  tributários  e  aduaneiros,  a  classificação  das  importações  nas  modalidades  por  conta  e  ordem  ou  por  encomenda, principalmente considerando a isenção do IPI e do  ICMS; que o único fato caracterizado como irregular e que está  comprovado nos autos consiste no recebimento do adiantamento,  pela  importadora,  das  despesas  pertinentes  ao  despacho  aduaneiro,  operacionalizada  pela  importadora  a  título  de  garantia, na  forma da cláusula 5.1, do Contrato de Importação  por Encomenda devidamente analisado e aceito pela Alfândega  do Rio de Janeiro, por força do artigo 2o, da IN 634/2006 (vide  página 40 da Impugnação – fl. 3818 do e­processo).  16. Que, em relação aos pagamentos efetuados pela Impugnante,  conforme  se  denota  dos  autos,  de  forma  inteligente  a  importadora, aparentemente, vendia à vista no mercado interno,  mas pagava o fornecedor internacional a prazo. E considerando  se tratarem de relações jurídicas independentes, esta sistemática  não altera o fato de que em momento algum a Impugnante pagou  pela  compra  das mercadorias ANTES  da  importadora  emitir  a  nota  fiscal  de  venda,  para  o  fim  de  restar  caracterizada  a  antecipação dos recursos utilizados para a importação, na forma  do  artigo  5o,  da  IN  n.°  225/2002.  E  que  a  ocorrência  de  quaisquer vantagens e  infrações dolosas  são meras  ilações que  constaram da autuação  fiscal. Que o  fato,  no máximo,  poderia  ser  caracterizado  como  erro  das  empresas  no  que  tange  à  modalidade  de  importação  (declarando  ser  por  encomenda  quando deveriam  tê­lo  feito  ser por  conta  e  ordem),  o  que,  em  hipótese  alguma,  pode  ser  qualificada  como  Interposição  Fraudulenta; e que nessa hipótese, no máximo, poderia, em tese,  ser  objeto  da  PENA  DE  MULTA,  pela  suposta  cessão,  pela  Importadora,  de  seu  nome,  para  que  a  Adquirente  adquirir  mercadorias  no  exterior,  prevista  no  artigo  33,  da  Lei  n.°  11.488/2007  (multa  de  10%  sobre  o  valor  da  operação  acobertada).  17.  Por  derradeiro,  frisa  a  complexidade  da  legislação  em  relação  ao  tema  ora  abordado  e,  invocando,  em  síntese,  os  preceitos e princípios constitucionais da Proporcionalidade e do  Interesse  Público,  requer  seja  julgado  o  Auto  de  Infração  improcedente.  É o breve relato do essencial.   Da ciência da decisão DRJ e dos Recursos   1)  A  recorrente  AST,  foi  cientificada  da  referida  decisão  da  DRJ  em  20/05/2014  (fl.  3.982),  apresentou  em  03/06/2014  (fl.  3.983  e  3.995/3.996)  o  Recurso  Voluntário de fls. 3.984/3.993.  2)  A  empresa  ENDO  MEDICAL,  foi  intimada  do  referido  acórdão,  conforme consta da Intimação nº 108/14 (fl. 3.974) e Termo de ciência ­ módulo e­CAC às fl.  3.981. Em 09/07/2014, a Alfândega de Vitória (ES), efetuou o Despacho referente ao "Termo  de Perempção" à fl. 4.000, conforme texto abaixo reproduzido (grifou­se):  Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.038          11 "Ref.: Termo de Perempção   Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto  nº 70.235/1972, art.33) e não  tendo o  interessado apresentado  recurso  à  instância  superior  da  decisão  da  autoridade  de  primeira instância,  lavra­se este  termo de perempção na forma  da legislação vigente" (...).  Assim,  transcorrido  o  prazo  regulamentar  de  30  (trinta)  dias  e  não  tendo o  interessado  (ENDO  MEDICAL,  responsável  solidário)  apresentado  recurso  voluntário  da  decisão da autoridade de primeira  instância, declarou­se a perempção na  forma do art. 33 do  Decreto nº 70.235, de 1972.  Quanto a Recorrente AST, que apresentou seu recurso voluntário, reiterando  os argumentos expendidos na impugnação, e ainda resumidamente, aduz o que segue:  (i)  seja  atribuído  o  efeito  suspensivo,  suspendendo  os  efeitos  das  consequências da lavratura do auto de infração, até o trânsito em julgado da respectiva decisão  final administrativa;  (ii)  reformar  o  acórdão  guerreado  para  anular  o  auto  de  infração  de  nº.  0727600/00504/13,  em  razão  de  que  este  se  encontra  baseado  em  presunções  fáticas  inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações  capituladas como “INFRAÇÕES I e II”, argumentando sobre os seguintes aspectos:  a)  da  inexistência  de  adiantamentos  para  importação;  b)  da  capacidade  financeira da empresa autuada e da inexistência de interposição fraudulenta; c) da inexistência  de adulteração ou falsificação; d) da inexistência do dolo nas operações da empresa:  (iii)  considerando  que  no  presente  caso  as  presunções  adotadas  pela  fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas, pelo contrato  entre  as  partes,  pela  inexistência  de  pagamento  antecipado,  e  ainda  pela  existência  de  capacidade financeira da empresa, que fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação  de documentos afirmada, requer­se a reforma do acórdão proferido e anular o auto de infração.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator  Dos recursos voluntários  Consta  dos  autos  que,  com  relação  ao  responsável  solidário  ENDO  MEDICAL, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de  seu  recurso  voluntário  e  documentação  probatória  pertinente,  extinguindo­se  o  direito  de  o  interessado omisso fazê­lo em outro momento processual.  Posto isto, passa­se ao exame do recurso voluntário apresentado pela AST.  Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     12 Trata­se de  auto  de  infração  lavrado  em 07/08/13,  cuja  descrição  dos  fatos  seriam em resumo: i) interposição fraudulenta de terceiros, descrita no tópico “INFRAÇÃO I”  (fl.  56),  e  ii)    "mercadoria  estrangeira,  se  qualquer  documento  necessário  ao  embarque  ou  desembaraço foi falsificado ou adulterado", conforme o Decreto 6.759/09, em seu artigo 689,  VI, descrita no tópico “INFRAÇÃO II” (fl. 61).  Da admissibilidade do Recurso Voluntário  A  recorrente  (AST)  foi  cientificada  da  referida  decisão  da  DRJ  em  20/05/2014  (fl.  3.982),  apresentou  em  03/06/2014  (fl.  3.983  e  3.995/3.996)  o  Recurso  Voluntário de fls. 3.984/3.993, tempestivo, portanto. Assim, presentes os demais requisitos de  admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido.  Da análise do Recurso Voluntário  Primeiramente,  há  que  se  registrar  que  a AST,  em  seu  recurso  voluntário,  repisa que renova os argumentos expostos na sua impugnação, os quais, no Voto da decisão a  quo  em  sede  de  Preliminares,  foram  todas muito  bem  analisadas  uma  a  uma  e  devidamente  rebatidas  pela  DRJ,  a  qual,  nos  termos  do  art.  50,  §1º  da  Lei  nº  9.784/99,  adoto  como  fundamentos e razões de decidir. A seguir veremos os tópicos abordados (fls. 3.938 a 3.954):   (i) Quanto a Representação Fiscal para Fins Penais, que foi formalizada nos  autos do processo administrativo fiscal nº 12466.722734/2013­88.   Conclusão: há que se consignar que o presente  julgamento não aborda, por  lhe  falecer  competência  legal,  quaisquer  aspectos  da  referida  Representação,  sendo  tal  apreciação, da competência do Ministério Público Federal. No âmbito deste CARF, tal matéria  já se encontra Sumulada:  Súmula  CARF  nº  28:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  (ii)  de  nulidade  da  autuação  por  ausência  de  competência  da Alfândega  do  Porto de Vitória e da Portaria RFB nº 3.014/2011, do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).   Conclusão:  a  dita  argüição  de  nulidade  restou  baseada  numa  suposta  lavratura indevida de Auto de Infração por Auditores­Fiscais da Alfândega do Porto de Vitória,  e que carece de fundamento à luz das leis vigentes, em virtude de as Autoridades Aduaneiras  autuantes,  além  de  devidamente  identificadas,  possuírem  atribuição  legal  para  efetuar  o  lançamento. Trata­se também de matéria já sumulada neste CARF:  Súmula  CARF  nº  27:  É  valido  o  lançamento  formalizado  por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  jurisdição  diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.   (iii) de nulidade do procedimento fiscal em razão de cerceamento do direito  de defesa, em face do não fornecimento dos documentos acostados à autuação.   Conclusão: por não vislumbrar, na espécie, ofensa ao direito à ampla defesa  e  ao  contraditório.  As  Recorrentes  foram  intimadas  e  as  matérias  foram  todas  apontadas  e  contestadas pela Recorrente, rejeitando­se, portanto, a preliminar argüida.  (iv)  de  nulidade  do  procedimento  em  razão  da  ausência  de  participação  da  Recorrente (ou por ausência de oportunidade de manifestação dos autuados antes da lavratura  Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.039          13 do  Auto  de  Infração,  isto  é,  ao  longo  da  ação  de  fiscalização)  da  fiscalização  para  moldar/caracterizar  as  supostas  ocorrências  das  infrações  citadas,  fez  uso  ostensivo  de  presunções  diversas  no  intuito  de  vincular  informações  desconexas  relativas  às  operações  aduaneiras e fiscais, para ao final, em equívoco, atingir conclusão desarrazoada.   Conclusão:  Rejeitado  a  aduzida  preliminar  de  nulidade  da  autuação,  por  cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa. Eis que, em última análise, tal direito  está sendo exercido pelas peças impugnatórias à autuação, e demais eventuais recursos.  (v) nulidade do procedimento fiscal em razão de não atendimento a petições  relacionadas ao  local de entrega da documentação requisitada; e em face da não  lavratura de  Auto de Infração de perdimento das mercadorias.   Conclusão: É que a Lei nº 12.350, de 2010, ao atribuir nova redação ao § 3º  do art. 23 do Decreto­lei  nº 1.455, de 1976, previu que a pena  a ser  aplicada na hipótese de  interposição  fraudulenta  de  terceiros  (infração  prevista  no  inciso V,  do mesmo  artigo  23),  é  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da mercadoria,  não mais  sendo  necessário,  portanto,  a  busca pela apreensão para, somente após a sua impossibilidade, CONVERTER­SE a pena de  perdimento em pena de multa, como se procedia anteriormente a tal alteração da lei.  Da alegada nulidade do auto de Infração  Pela  leitura  dos  autos,  constata­se  que  o  Fisco  não  só  descreveu  de  forma  suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu  importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e  as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão  da  autuação.  Ou  seja,  não  verifico  uma  dúvida  sequer  relativa  aos  fatos  narrados  pela  fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado.   A  luz  do  art.  95,  do Decreto­lei  nº  37,  de  1966,  restando  comprovado  que  outra pessoa participou  ou  se beneficiou da  infração, o Fisco não pode  escolher  apenas uma  delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei  e  tem  como  objetivo  proporcionar  maior  segurança  aos  interesses  públicos,  inclusive  no  tocante à eficácia da norma punitiva.  Apenas  para  um  melhor  esclarecimento  sobre  o  assunto,  transcreve­se  o  dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto  nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º (...).  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     14 Como se sabe, no âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa  RFB nº  1.169,  de  2011,  e  a  Instrução Normativa SRF nº  228,  de  2002,  foram  editadas  para  disciplinar  os  procedimentos  de  fiscalização  aduaneira  visando  a  verificação  de  eventuais  operações  no  comércio  internacional  realizadas  com  indícios  de  interposição  fraudulenta  de  terceiros.  Por  conseguinte,  considera­se  nulo  o  ato,  se  praticado  por  pessoa  incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das  situações,  pois  não  se  põe  em  dúvida  a  competência  do  autor,  nem  há  que  se  falar  em  preterição  do  direito  de  defesa,  vez  que  os  fatos  apurados  foram descritos  com o  respectivo  enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defender­se  plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos.   Por  fim,  o  auto  de  infração  deve­se  ter  como  premissa  indelével  a  necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo  fiscal,  requisitos  estes  expressamente  determinados  pelo  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72.  Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram  cumpridos  tais  requisitos  legais,  não  se  enquadrando,  portanto,  em  nenhum  dos  ditames  do  citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72.   Rejeita­se, portanto, todas as preliminares de nulidade.  Quanto ao MÉRITO  Em  apertada  síntese,  as  razões  para  a  manutenção  do  lançamento  pelo  Acórdão  recorrido,  tiveram  como pilares  que a)  teria havido  adiantamento  de pagamento  da  ENDO MEDICAL  para  a  Recorrente;  e b)  apurada  a  incapacidade  financeira  da AST,  que  seria a prova de que a importação teria se dado em afronta à legislação aduaneira.  Em  seu  recurso  a  Recorrente  alega  que,  "(...)  Como  já  exposto  a  empresa  recorrente  realizou  as  importações  das  mercadorias  em  absoluta  harmonia  com  a  legislação,  realizando­as na modalidade por encomenda, pela qual as adquiriu para posterior revenda à empresa  ENDO MEDICAL (cliente predeterminado).  Há  contrato  de  importação  por  encomenda  entre  a  importadora  e  o  cliente  predeterminado (fls. 3.858/3.862), que foi efetivamente submetido à apreciação da RFB, assim como as  informações  de  cada  importação  realizada  constantes  nas  respectivas  DI´s,  há  a  habilitação  no  RADAR de ambas as empresas envolvidas na importação, houve regularização dos tributos, e todas as  demais exigências legislativas pertinentes à importação".  Contudo, mesmo  com  todo  os  documentos  aduaneiros  e  fiscais  entregues  à  fiscalização  e  os  já  existentes  no  acervo  da  RFB,  a  Recorrente  não  obteve  sucesso  na  comprovação  das  irregularidades  apuradas  pelo  Fisco,  ficando  concluído  que  teria  havido  fraude nas operações e o cometimento da infração de interposição fraudulenta de terceiros.  Da legislação e conceitos aduaneiros nas operações de importação.  Inicialmente,  cabe  salientar  que  a  lei  e  a  legislação  aduaneira  vigente  admitem  a  atuação  dos  importadores  em  três  diferentes modalidades  de  operações,  a  saber:  1.Importação  Direta;  2.  Importação  por  Conta  e  Ordem  de  Terceiros;  e  3.Importação  para  Revenda a Encomendante Pré­determinado.  Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.040          15 Nesse  caminho  para melhor  esclarecer  os  fatos,  reproduzo  um  breve  relato  sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a  ocultação  de  intervenientes  e  a  interposição  fraudulenta,  elaborado  pelo  Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no Acórdão nº 3201­001.852, de 28/01/2015:   O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade  internacional  busca  de  forma  incessante  o  controle  das mercadorias  importadas,  de  forma  a  garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias.   Desde  da  edição  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  o  Brasil  busca  coibir  as  irregularidades  na  importação.  Este  diploma  legal,  determinava  a  conferência  física  e  documental  da  totalidade  das  mercadorias  importadas.  Com  o  crescimento  da  economia  nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das  operações  de  comércio  exterior,  o  Estado  Brasileiro,  decidiu modificar  os  controles  que  até  então  vinha  exercendo  sobre  a  importação,  desenvolvendo  controles  específicos  que  se  adequassem ao incremento das operações na área aduaneira.   A  solução  veio  com  a  entrada  em  produção  do  Siscomex,  módulo  de  Importação em janeiro de 1997. A partir deste Sistema, os controles de despacho aduaneiro de  importação  passaram  a  utilizar  canais  de  conferência,  que  determinaram  níveis  diferentes  de  controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência  documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de  conferência.   Ao  modernizar  o  seu  sistema  de  controle  aduaneiro  o  País  flexibilizou  o  controle  individual  das  mercadorias  importadas,  mas,  dai  nasceu  a  necessidade  de  também  trabalhar  o  controle  em  nível  de  operadores  de  comércio  exterior.  A  partir  desta  premissa  foram  definidos  controles  aduaneiros  em  dois  momentos  distintos.  O  primeiro,  anterior  a  operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresa interessada em  operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a  idoneidade daquelas empresas que  pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF  nº 228/2002.   Apesar  deste  controle  ser  preferencialmente  em  momento  anterior  as  operações, existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para  coibir  estas  irregularidades  a Fiscalização Aduaneira  também atua  em momento posterior ao  desembaraço  aduaneiro,  buscando  identificar  irregularidades  nas  operações  realizadas.  O  caminho  adotado  vem  sendo  o  de  confirmar  a  idoneidade  das  empresas  envolvidas  nas  operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou  a  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  configura,  por  força  legal,  dano  ao  erário,  punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V,  do DecretoLei nº 1.455/76.   "Art.23.Consideram­se dano ao Erário as infrações relativas às  mercadorias: ...   V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros.  (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002).  Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     16  §  1º  O  dano  ao  erário  decorrente  das  infrações  previstas  no  caput  deste  artigo  será  punido  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias. (Incluído pela Lei nº10.637,de30.12.2002).   §  2º  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior  a  não  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados.  (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002).   §  3º As  infrações  previstas  no  caput  serão  punidas  com multa  equivalente ao  valor  aduaneiro da mercadoria,  na  importação,  ou  ao  preço  constante  da  respectiva  nota  fiscal  ou  documento  equivalente,  na  exportação,  quando  a  mercadoria  não  for  localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o  rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).  O  art.  23  do  Decreto­Lei  nº  1.455/76  trata  de  duas  situações  distintas:  a  primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela  operação, mediante  fraude  ou  simulação  e  outra  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros  que  pode  ser  comprovada  ou  presumida  nos  termos  previstos  no  art.  22,  §  2º,  do  Decretolei  nº  1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a  aplicação da penalidade de perdimento.   Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos,  utilizados  na  operação  de  comércio  exterior,  afastaria  a  aplicação  de  penalidades.  Tal  argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23,  inciso V do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da  mercadoria,  ocorre  quando  a  informação  sobre  os  reais  responsáveis  pela  operação  de  importação  é  deliberadamente  ocultada  dos  controles  fiscais  e  alfandegários,  por  meio  de  fraude  ou  simulação.  A  partir  da  determinação  legal  é  inconteste  que  se  a  Fiscalização  Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos  fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria.   A  comprovação  da  origem  dos  recursos  afasta  a  presunção  da  interposição  fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que  trata da ocultação dos  reais  intervenientes na operação de  importação. Quando a origem dos  recursos não esta comprovada presume­se a interposição fraudulenta, quando comprovada nos  autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação,  para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do Decreto  Lei  nº  1.455/76.  É  mister  salientar,  que  não  são  todas  as  operações  por  conta  e  ordem  de  terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.158­35/01  estabeleceu  a  possibilidade de  pessoas  jurídicas  importadoras  atuarem  em nome de  terceiros  por  conta  e  ordem  destes.  Os  procedimentos  a  serem  seguidos  nestas  operações  estão  atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02.   Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros,  fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada  quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do  conhecimento  dos  órgãos  de  controle  aduaneiro,  visto  que,  o  fato  de  não  seguir  as  determinações  normativas  para  as  importações  por  conta  e  ordem,  acarretam  prejuízo  aos  controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena  de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida,  visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser  aplicada.  Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.041          17  Aqui  tem os um empecilho ao cumprimento da norma,  já que impedida de  aplicar  o  perdimento,  se  não  existir  outra  pena  possível,  equivaleria  a  uma  ausência  de  punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos,  diante da não aplicação da pena aos infratores.  Tal fato não ficou desconhecido pelo legislador, que de forma lúcida, criou a  possibilidade da  conversão da pena de perdimento  em multa,  no valor de 100% do valor da  mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do Decreto Lei nº 1.455/76.  Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da  aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais  adquirentes  da  operação  de  importação,  bem  como  a  conversão  da  pena  de  perdimento  em  multa.Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº  9303­001.632, 3201­00.837 e 3102­00.792.  Da ANÁLISE do CASO sob exame  Dos adiantamentos para operações de importação  Consta dos presentes autos, que a empresa AST promoveu a importação de  mercadorias (são 173 DIs ­ relacionadas na planilha fls. 377/380), declarando, em todas elas,  tratar­se  de  importação  para  revenda  a  encomendante  predeterminado,  sendo  este  encomendante a ENDO MEDICAL.  A  previsão  legal  da  importação  "para  revenda  a  encomendante  predeterminado", tem como base a Lei n° 11.281, de 20/02/2006, que submete esta modalidade  de operação à regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (grifou­se):  Art.  11.  A  importação  promovida  por  pessoa  jurídica  importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda  a encomendante predeterminado não configura importação por  conta e ordem de terceiros.  § 1º A Secretaria da Receita Federal:  I  ­  estabelecerá  os  requisitos  e  condições  para  a  atuação  de  pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e  II  ­ poderá exigir prestação de garantia como condição para a  entrega de   mercadorias  quando  o  valor  das  importações  for  incompatível  com  o  capital  social  ou  o  patrimônio  líquido  do  importador ou do encomendante.  § 2º A operação de  comércio  exterior  realizada em desacordo  com  os  requisitos  e  condições  estabelecidos  na  forma  do  §  1º  deste  artigo  presume­se  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  para  fins  de  aplicação  do  disposto  nos  arts.  77  a  81  da  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001.  § 3º Considera­se promovida na  forma do caput deste artigo a  importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica  importadora,  participando  ou  não  o  encomendante  das  operações  comerciais  relativas  à  aquisição  dos  produtos  no  Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     18 exterior.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.452,  de  27  de  fevereiro  de  2007)  Assim,  a  IN  SRF  n°  634,  de  24/03/2006,  cuidou  de  regulamentar  as  importações "para revenda a encomendante predeterminado", (grifamos):  Art.  1º  O  controle  aduaneiro  relativo  à  atuação  de  pessoa  jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para  revenda  a  encomendante  predeterminado  será  exercido  conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa.  Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda  a  operação  realizada  com  recursos  do  encomendante,  ainda  que parcialmente.  (...).  Como se vê, em apertada síntese, pode­se dizer que na importação por "conta  e  ordem  de  terceiro",  a  empresa  importadora  atua,  tão  somente,  como  uma  "prestadora  de  serviços", já que a operação é realizada com recursos do adquirente.  Apenas e  tão  somente na modalidade de  importação “por conta  e ordem” é  que  se  admite adiantamentos  de  recursos  do  real  adquirente  à  empresa  importadora,  ou  o  pagamento direto pelo real adquirente.    Portanto,  temos  que  a  principal  diferença  entre  a  (i)  importação  “por  conta  e  ordem”  e  as  outras  duas modalidades  de  importação  existentes,  quais  sejam:  a  (ii)  importação "direta" e a (iii) importação "para revenda a encomendante predeterminado" é  exatamente a origem dos recursos para a realização da operação. Nestas duas modalidades  (ii e  iii), não se admite nem adiantamentos nem o pagamento das mercadorias por quem não  figure na operação como o importador.  No entanto a recorrente, afirma em seu recurso que, "(...) importou mercadorias  para  a  empresa  ENDO  MEDICAL  na  modalidade  “por  encomenda”,  e  essa  relação  jurídica  era  regulada pelo contrato de importação firmado entre as partes e previamente submetido à apreciação  da fiscalização aduaneira, conforme se verifica as fls. 3.858/3.862".    Aduz  nunca  ter  efetuado  adiantamentos  para  pagamento  antecipado  de  mercadorias.  Que  todos  os  valores  transferidos  à  recorrente  pela  ENDO MEDICAL  eram  realizados exclusivamente após a emissão de nota fiscal de compra e venda, com a mercadoria  já  desembaraçada.  Portanto,  reafirma  que  nunca  recebeu  pagamentos  adiantados  da  empresa  ENDO MEDICAL, tratando­se apenas de aquisição de produtos encomendados para posterior  venda àquela empresa.  Por  outro  giro,  o  Fisco,  em  seu  Relatório  Fiscal  (fls.  5/64),  conclui  que  a  Recorrente  registrou  e  desembaraçou  diversas  mercadorias,  acobertadas  por  DIs  (fls.  377  a  380), simulando ser operação para encomendante pré determinado. E que restou comprovado  nos  autos  que  as  importações  foram  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  e  a  adquirente  (ENDO  MEDICAL)  adiantou  praticamente  todos  os  valores  para  que  a  AST  fizesse  frente  aos  pagamentos dos impostos, cambio e demais despesas.  Arremata  a  fiscalização  afirmando  que  a ENDO MEDICAL,  que  é  a  real  adquirente,  foi  quem  acertou  as  condições  do  contrato  de  compra  e  venda,  preços  efetivos,  formas de pagamento etc., que representa a operação real, sendo aquela que os intervenientes  intentam  ocultar.  E  que,  acertadas  as  condições,  as  mercadorias  foram  embarcadas  e  Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.042          19 consignadas  à  AST  (revestida  da  qualidade  de  IMPORTADORA),  que  registrou  as  DI’s  obedecendo aos valores constantes nas faturas internacionais apresentadas.  Verifica­se nos autos que foi elaborado pelo Fisco, um quadro demonstrativo  (parte  reproduzido  abaixo),  com  as  Faturas  Internacionais  que  indicam  de  forma  clara,  no  endereçamento “Sold To – ENDO MEDICAL RIO COMERCIAL LTDA”, e no quadro “Your  Order Number” o número do pedido feito pela ENDO RIO, conforme quadro de folhas 07/11.        Dados que constaram na Fatura Internacional  09/0069802­5 16/01/09 1497386 BARD INTERNATIONAL INC 3657 END­08­18­08RIO­A Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0069865­3 16/01/09 1566532 BARD INTERNATIONAL INC 3745 END­08­22­08­RIO­C Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0070012­7 16/01/09 1564799 BARD INTERNATIONAL INC 3760 END­03­11­08 Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0075794­3 19/01/09 1572744 BARD INTERNATIONAL INC 3769 END­28­03­08 Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0082386­5 20/01/09 1557149 BARD INTERNATIONAL INC 3773 END­24­10­08­B Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0082414­4 20/01/09 1557147 BARD INTERNATIONAL INC 3759 END­24­10­08 Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0095109­0 22/01/09 1591301 BARD INTERNATIONAL INC 3774 END­08­23­08­RIO­B Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0100698­4 23/01/09 1497468 BARD INTERNATIONAL INC 3762 END­08­23­08NE­A Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0100705­0 23/01/09 1497402 BARD INTERNATIONAL INC 3770 END­08­18­08RIO­B Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA  09/0100711­5 23/01/09 1570189 BARD INTERNATIONAL INC 3771 END­31­10­08­B Sold To ­ ENDOMEDICAL RIO COMERCIAL LTDA    Observe­se  que  nas  faturas  comerciais  (invoices)  acima,  consta  no  endereçamento  ou  número  da  fatura,  que  a  destinatária  (adquirente)  das  mercadorias  foi  a  ENDO  MEDICAL  RIO  COMERCIAL  LTDA,  donde  se  conclui  que  as  mercadorias  envolvidas  foram  declaradas  como  compradas  pela  AST  das  empresas  exportadoras,  na  seqüência  esses  bens  foram  nacionalizados  pela  AST,  com  recursos  adiantados  pela  real  adquirente que se trata da ENDO MEDICAL.  Conclui o Fisco que, com esse procedimento apresentado nos despachos de  importação,  teve  como  intuito  manter  oculta  a  verdadeira  importadora,  uma  vez  que  não  constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho, e é infração identificada  como  interposição  fraudulenta  de  terceiros,  além  da  evidente  utilização  de  documento  com  falsidade  ideológica.  Essas  duas  infrações,  por  si  só,  já  motivam  a  propositura  da  pena  de  perdimento, nestes casos, vez que as mercadorias  já  foram encaminhadas  a consumo, a pena  passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias.  Dos adiantamentos dos recursos  Em  outra  parte  de  seu  recurso,  aduz  a  recorrente  que  "(...)  Ainda  no  que  se  refere aos cálculos realizados entre os valores de  importação, notas fiscais de entrada e de saída de  mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constata­se que os valores não se  conjugam como afirmado pelo Il. Auditor. E o que é pior, diante da falta de correlação ou semelhança  entre os valores, o Il. Auditor presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de  existir uma suposta “comissão” na diferença apurada".  Em relação a  este  tópico,  consta às  fls.  12/17 do Relatório de Fiscalização,  um  demonstrativo  onde  se  encontra  relacionadas  todas  as  Declarações  de  Importação  envolvidas neste procedimento, visualizando os seguintes dados: datas de desembaraço, datas  de emissão das notas fiscais de entradas e da nota fiscal de saída.  Visualizando  tal  demonstrativo,  percebe­se  que  são  praticamente  mesma  a  data de emissão das NF de Entrada e de Saídas,  sendo  isso, como bem abordado pelo Fisco,  indícios  claros  de  que  as  mercadorias,  quando  internadas,  já  tinham  endereço  certo  para  entrega, qual seja a AST.  A  fim  de  ficar  evidente  os  adiantamentos  feitos  pela ENDO MEDICAL,  o  Fisco elaborou um quadro demonstrativo às fls. 18/23, e chamou a atenção para o fato de que  Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     20 as datas de registro das notas fiscais das saídas e dos contratos de câmbio, comparadas com  as datas dos pagamentos, evidencia que depósitos sempre acontecem em datas próximas ao  registro da DI e ao pagamento ao exterior. Conclui a fiscalização que esses adiantamentos eram  feitos para cobrir as despesas com os impostos e demais despesas de importação.  A fim de comprovar tais informações, a fiscalização informa que em relação  a cada DI, apresenta cópias de folhas de extrato do Razão Contábil com Contrapartida da conta  sintética  ­  Bancos  conta  Movimento,  obtidos  através  do  SISTEMA  PÚBLICO  DE  ESCRITURAÇÃO DIGITAL – SPED, onde constaram praticamente todos os adiantamentos e  demais pagamentos efetuados.  Por  fim,  salienta­se  que  na Decisão a quo,  ficou  consignado,  que  a ENDO  MEDICAL, alega em sua impugnação, que (fl. 3.967) ­ grifou­se:  "(...)  Por  derradeiro,  aprecio  a  alegação  da  defesa  de  que  se  cuidou  de  mero  “erro”  por  parte  da  empresa  AST,  que  por  engano  teria  declarado  nas  DI  que  a  operação  era  por  encomenda, quando na verdade era por conta e ordem.  Manifestamente  improcedente.  A  uma,  porque  um  engano  até  poderia ocorrer em uma DI, dentre um conjunto de dezenas, mas  não em todas as 173. A duas, porque, aspecto interessante a ser  mencionado,  é  que  as  importações  da  AST  eram  assessoradas  por cerca de oito (08) despachantes aduaneiros" (...).  Por outro lado, em sede de Recurso Voluntário, no item "II"  letra (a)  ­ à fl.  3.987,  a  AST  sustenta  que,  "(...)  A  recorrente  importou  mercadorias  para  a  empresa  ENDO  MEDICAL na modalidade “por  encomenda”,  e essa  relação  jurídica era  regulada pelo  contrato de  importação firmado entre as partes e previamente submetido à apreciação da fiscalização aduaneira,  conforme se verifica as fls. 3.858/3.862" (grifamos).  É fato que neste caso há uma evidente contradição de alegação entre a AST e  a ENDO MEDICAL, o que evidencia um agravante neste contexto.  Da capacidade financeira da AST   Alega a Recorrente que o conjunto probatório dos autos demonstra o oposto  do que foi alegado pela fiscalização e confirmado pelo acórdão. Pela documentação já juntada  às fls. 80/84 e 129/131, observa­se que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00,  desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 129/131 e a 21ª Alteração Contratual,  sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme  documento de fls. 135/138.  Sobre  esse  procedimento  de  aumento  de  capital  social  da  empresa,  tanto  a  fiscalização  como  na  decisão  recorrida,  deixou  bem  claro  que  a  intenção  da  AST  nessa  operação foi a de simulação. Veja­se o trecho abaixo reproduzido (fl. 3.965):  Outra prova indiciária é a simulação havida quando do aumento  do  capital  social  da  empresa  AST,  a  que  figura  como  importadora.  Provou  a  Fiscalização  que  a  AST  adquiriu,  com  recursos  próprios,  um  “imóvel  rural  em  24/05/2006,  por  R$  87.360,00  (fls.  125  a  128).  Esse  valor  naturalmente  foi  pago  e  diminuiu  o  saldo  das  disponibilidades  da  AST.  Em  seguida,  o  mesmo  imóvel  foi  reavaliado  em  R$  655.000,00,  com  base  em  Laudo  (fls.  129  a  131),  emitido  em  17/04/2006,  que  sequer  foi  registrado em cartório,  e o  saldo dessa  reserva de  reavaliação  Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.043          21 foi,  no  mesmo  ano,  utilizado  para  aumentar  o  Capital  da  empresa.  Assim  tem­se  que  o  Aumento  do  Capital,  que  seguiu  formalizado  na  21ª  Alteração  do  Contrato  Social,  foi  feito  de  forma  SIMULADA,  sem  afetar  a  situação  financeira  da  empresa”. Ora,  uma  empresa  que  tenha  capacidade  financeira  para  promover  a  importação  de  alguns  milhões  de  dólares  ao  ano,  não  realizaria  decerto  esse  tipo  de  operação  –claramente  simulada – para promover o aumento de seu capital social.  Verifica­se  que,  após  intimação  do  Fisco  para  devidos  esclarecimentos  e  informações  (fls. 132/134),  em sua  resposta,  a AST  emitiu uma Nota Explicativa, afirmando  que esse aumento de Capital, é justificado como sendo com aquisição de imóvel rural, e que foi  feito  para  demonstrar  capacidade  operacional  de  pagamentos,  objetivando  renovação  de  cadastros em bancos e inclusive junto a RFB (doc. fls. 135). Veja­se:  1º  ­ O aumento de Capital mencionado deu­se através da aquisição de um  Sítio  com  56  hectares,  tendo  como  objetivo  a  renovação  de  cadastros,  como  o  da  Receita  Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar aos seus fornecedores e colaboradores a  capacidade de pagamento da empresa.  Posto  isto,  pode  se  concluir  que  o  referido  Aumento  do  Capital,  que  se  encontra  contabilizado  e  que  segue  formalizado  na  21ª  Alteração  do  Contrato  Social,  foi  elaborado de forma gráfica, sem afetar a situação financeira da empresa.  Da alegada inexistência de interposição fraudulenta.  Argumenta a AST que,  tratando­se a maioria das importações realizadas na  modalidade  importação  por  encomenda,  a  estratégia  para  sustentar  a  tese  da  interposição  fraudulenta, seria o de desvirtuar a modalidade de importação realizada,  trazendo­as para a  modalidade  conta  e  ordem  de  terceiros,  e  após,  assim,  criar  a  falsa  idéia  de  fraude  na  documentação apresentada.  Neste tópico, é importante considerar que o contribuinte ENDO MEDICAL,  autuado na qualidade de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO, quando apresentou sua impugnação,  às  fls.  3.783  a  3.832  (reproduzida  pela DRJ),  alega,  dentre  outras  situações,  resumidamente  que,  "(...)  a  Impugnante  e  a  importadora  regularmente  obtiveram  um  contrato  de  importação  para  cliente pré­determinado,  sob a modalidade por  encomenda,  sendo que a  Impugnante,  nos  exatos da  legislação, apresentou cópia deste contrato à Alfândega de sua jurisdição; que Todas as Declarações  de Importação foram registradas pela importadora, com a informação incontroversa de que se tratava  de uma importação para cliente pré­determinada (no caso, a Impugnante); que no caso dos autos, se  afigurou  irrelevante,  para  fins  tributários  e  aduaneiros,  a  classificação  das  importações  nas  modalidades por conta e ordem ou por encomenda, principalmente considerando a isenção do IPI e do  ICMS; que o único fato caracterizado como irregular e que está comprovado nos autos consiste no  recebimento  do  adiantamento,  pela  importadora,  das  despesas  pertinentes  ao  despacho  aduaneiro,  operacionalizada  pela  importadora  a  título  de  garantia,  na  forma  da  cláusula  5.1,  do  Contrato  de  Importação  por  Encomenda  devidamente  analisado  e  aceito  pela  Alfândega  do  Rio  de  Janeiro,  por  força do artigo 2º, da IN 634/2006 (vide página 40 da Impugnação ­ fl. 3.818 do e­processo).  "(...)  que,  em  relação  aos  pagamentos  efetuados  pela  Impugnante,  conforme  se  denota  dos  autos,  de  forma  inteligente  a  importadora,  aparentemente,  vendia  à  vista  no  mercado  interno, mas  pagava  o  fornecedor  internacional  a  prazo.  E  considerando  se  tratarem  de  relações  jurídicas  independentes,  esta  sistemática não altera o  fato de que  em momento algum a  Impugnante  pagou pela compra das mercadorias ANTES da importadora emitir a nota fiscal de venda, para o fim  Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     22 de restar caracterizada a antecipação dos recursos utilizados para a importação, na forma do artigo  5º,  da  IN  n.°  225/2002.  E  que  a  ocorrência  de  quaisquer  vantagens  e  infrações  dolosas  são meras  ilações  que  constaram da autuação  fiscal. Que o  fato,  no máximo,  poderia  ser  caracterizado  como  erro das empresas no que tange à modalidade de importação (declarando ser por encomenda quando  deveriam tê­lo feito ser por conta e ordem (fl. 3.829), o que, em hipótese alguma, pode ser qualificada  como  Interposição Fraudulenta;  e  que  nessa  hipótese,  no máximo,  poderia,  em  tese,  ser  objeto  da  PENA  DE  MULTA,  pela  suposta  cessão,  pela  Importadora,  de  seu  nome,  para  que  a  Adquirente  adquirir mercadorias no exterior, prevista no artigo 33, da Lei n.° 11.488/2007 (multa de 10% sobre o  valor da operação acobertada)".  Pois bem. Como muito bem apontou a ENDO MEDICAL, o cerne da lide diz  respeito  à  existência  ou  não  da  interposição  fraudulenta  de  pessoas  havida  por  ocasião  das  importações efetuadas pela empresa AST, nos anos de 2009 a 2012, mormente em relação às  DI’s constantes da tabela contida às fls. 377/380.  Da situação em concreto  Repise­se que nesta  fase não houve  interposição de Recurso Voluntário por  parte da ENDO MEDICAL (Sujeição Passiva à fl. 4).   De  um  lado,  a  fiscalização  aduaneira,  depois  de  encerrado  os  trabalhos  do  procedimento fiscal e concluir que houve dano ao erário por ter sido considerado interposição  fraudulenta  em  operações  de  comércio  exterior  relativamente  às  operações  de  importação  realizadas pela autuada durante os anos de 2009­2012, aplicou a conversão do perdimento em  multa equivalente a 100% do valor aduaneiro em relação àquelas mercadorias não localizadas,  consumidas ou revendidas, com fulcro no inciso V, § 1º, 2º e 3º, do artigo 23 do Decreto­Lei  1.455/1976, com nova redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002.  Do outro  lado, a autuada, ainda por ocasião da  impugnação e  repisando em  sede recurso voluntário, sustenta a tese de que não há nos autos qualquer prova da interposição  fraudulenta; que a fiscalização baseou­se em meros indícios e em presunção; que comprovou  através  de  documentos  apresentados  e  sua  contabilidade,  a  efetiva  e  verdadeira  origem,  a  disponibilidade  e  a  transferência  dos  recursos  financeiros  utilizados  nas  importações  das  referidas mercadorias.  Desta  forma,  para  o  deslinde  do  caso,  serão  analisados  os  argumentos  de  ambas as partes e todo o conjunto probatório juntado aos autos, que devem ser interpretados à  luz das normas que regem a matéria. Será verificada a aplicação, na situação em concreto, da  interposição  fraudulenta na  forma  tipificada, cabendo a aplicação da pena de perdimento das  mercadorias,  consoante  o  disposto  no  art.  689,  inciso  XXII,  do  Regulamento  Aduaneiro  (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23,  V, do Decreto Lei nº 1.455/76, com nova redação dada pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010.  Feitas  as  devidas  considerações,  passo  a  analisar,  à  luz  dos  elementos  inseridos nos autos, a situação concreta.  A legislação que trata da matéria (art. 23 do Decreto­lei nº 1.455, de 1976),  estabelece que:  Art 23. Consideram­se dano ao Erário as infrações relativas às  mercadorias:  (...)  Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.044          23 V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)  §  1º  O  dano  ao  erário  decorrente  das  infrações  previstas  no  caput  deste  artigo  será  punido  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)  §  2º  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior  a  não­comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (grifei)  § 3º A pena prevista no § 1º converte­se em multa equivalente ao  valor aduaneiro da mercadoria que não seja  localizada ou que  tenha  sido  consumida.(Incluído  pela  Lei  nº  10.637,  de  30.12.2002)  (...)  A  redação  do  §  3º,  acima  citado,  com  alteração  trazida  pela  Lei  nº  12.350/2010, passou a ser:  §  3º  As  infrações  previstas  no  caput  serão  punidas  com multa  equivalente ao  valor  aduaneiro da mercadoria,  na  importação,  ou  ao  preço  constante  da  respectiva  nota  fiscal  ou  documento  equivalente,  na  exportação,  quando  a  mercadoria  não  for  localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o  rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6  de março de 1972.  Do  retromencionado  art.  23  do  Decreto­lei  nº  1.455,  de  1976,  tipifica­se  como  dano  ao  erário  as  infrações  relativas  às  mercadorias  estrangeiras  ou  nacionais,  na  importação ou na  exportação, na hipótese de ocultação do  sujeito passivo, do  real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação,  mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição fraudulenta de terceiros, sendo punido com o perdimento das mercadorias.   Quando  referidas  mercadorias  não  forem  localizadas  ou  tiverem  sido  consumidas, o perdimento se converterá em multa equivalente ao seu valor aduaneiro.  A  inserção desta norma no ordenamento  jurídico  teve como objetivo  evitar  práticas  reiteradas  de  fraudes,  em  que  empresas,  com  fins  exclusivos  de  sonegação  e  de  blindagem  contra  possíveis  ações  fiscalizatórias,  operavam  no  comércio  exterior  através  de  terceiras pessoas indevidamente interpostas, normalmente constituídas com o objetivo único de  se  fazer  aparecer  na  condição  de  real  importadora  e/ou  exportadora,  não  possuindo  bens  capazes de suportar uma eventual execução fiscal, ficando o patrimônio da real operadora no  comércio exterior totalmente resguardado, fatos que, sem dúvida, ocasionam grandes prejuízos  ao Erário.  Assim, pode­se conceituar a  interposição  fraudulenta  como uma espécie de  fraude  ou  de  simulação  que  se  configura  quando  uma  pessoa  física  ou  jurídica,  de  forma  indevida,  apresenta­se  como  responsável  por  uma  operação  comercial,  interpondo­se  entre  Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     24 determinada parte (o Fisco) e a outra (o verdadeiro sujeito passivo responsável pela operação  de comércio exterior), obtendo­se vantagens ilícitas em detrimento do erário.  Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real  adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Trata­se  de  regra  de  especial  relevância,  à  medida  que  a  ocultação  dos  sujeitos  envolvidos  nas  operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução  indevida  dos  tributos  incidentes  da  importação  (IPI,  II,  PIS/Pasep,  Cofins,  ICMS),  do  IPI  devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJj e da CSLL.   É  evidente,  portanto,  que o dispositivo,  ao pressupor a ocultação  ilícita,  se  refere à simulação fraudulenta.  Há duas espécies de interposição. A primeira, a comprovada, que se dá pela  ocultação comprovadamente constatada por meio de provas diretas.   A  segunda,  a  presumida,  que  ocorre  pela  não  comprovação  da  origem,  disponibilidade e  transferência dos  recursos empregados nas  transações  internacionais, o que  indica, por presunção de lei, a existência de um verdadeiro responsável oculto, admitindo­se,  por óbvio, prova em contrário.  Nessa esteira, pode­se asseverar que no País está consagrado como sistema  de valoração da prova, o do livre convencimento motivado, que está posto no art. 131 do CPC,  in verbis:  Art.131.  O  juiz  apreciará  livremente  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos  autos,  ainda  que  não  alegados  pelas  partes;  mas  deverá  indicar,  na  sentença,  os  motivos que lhe formaram o convencimento. (Redação dada pela  Lei nº 5.925, de 1973)  Na  seara  administrativa,  especificamente,  no  âmbito  do  processo  administrativo fiscal (PAF), o princípio do livre convencimento está assentado nos artigos 29 e  31 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis:  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.  (...)  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  No  caso  dos  presentes  autos,  a  empresa AST  promoveu  a  importação  de  mercadorias  (em  173 DI),  declarando,  em  todas  elas,  tratar­se  de  importação  para  revenda  a  encomendante predeterminado, sendo este encomendante a empresa ENDO MEDICAL.  Com  já  visto,  na  modalidade  declarada  como  sendo  importação  para  revenda a encomendante predeterminado, não há espaço para quaisquer adiantamentos de  recursos  por  parte  do  encomendante  (ENDO MEDICAL)  para  o  importador  (a  AST).  Isso  porque,  nessa  modalidade,  da  mesma  forma  como  se  verifica  na  importação  “direta”  ou  Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.045          25 convencional,  a origem dos  recursos  para  a promoção das operações de  importação devem  ser exclusivamente do importador (no caso, da AST).  Examinando­se  o  Relatório  de  Fiscalização,  o  Fisco  aponta  que  a  ENDO  MEDICAL  sempre  realizava  adiantamentos  de  recursos  para  a  conta­corrente  da  empresa  AST, em datas e montantes muito próximos aos das operações de importação.  Isso, constitui  prova  que  a  empresa  ENDO  MEDICAL  atuava  como  real  adquirente  e  não  simples  encomendante das mercadorias  importadas,  suportando,  ela,  todos os  custos das  importações  (fechamento de  câmbio,  tributos  incidentes na  importação, despesas  com despacho),  com  tal  procedimento  restou  configurada  a  infração  denominada  interposição  fraudulenta  de  terceiros, nos termos da legislação que rege a matéria.   Vejamos o art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro.   Art.  689.Aplica­se  a  pena  de  perdimento  da  mercadoria  nas  seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto­ Lei nº 37, de 1966, art. 105; e Decreto­Lei nº 1.455, de 1976, art.  23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no10.637, de  2002, art. 59):  XXII ­ estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação, mediante  fraude  ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.  Ainda  nessa  linha,  insiste  o  Fisco  que  nos  registros  contábeis  da  empresa  AST, constaram praticamente todos os adiantamentos feitos pela empresa ENDO RIO. Assim  para demonstrar os adiantamentos feitos pela ENDO RIO, foi elaborado pela fiscalização um  quadro  demonstrativo/planilhas  de  fls.  18  a  23,  em  relação  a  cada  DI,  e  a  fiscalização  apresentou cópias de folhas de extrato do Razão Contábil com Contrapartida da conta sintética  –  BANCOS  CONTA  MOVIMENTO  ­  (obtidos  através  do  SISTEMA  PÚBLICO  DE  ESCRITURAÇÃO DIGITAL – SPED), onde constaram praticamente todos os adiantamentos e  demais pagamentos efetuados.  Conforme apurou o Fisco em seu Relatório Fiscal (fl. 18), onde informa que  "Na contabilidade da AST os valores estão identificados como pagamento das notas fiscais e  antecipações referentes aos processos relacionados com cada importação, na relação das DI’s  essa referência consta como processo AST".  Conclui ainda o Fisco que as antecipações feitas pela empresa ENDO RIO,  que aconteceram a cada processo, foram normalmente em parcelas depositadas diretamente em  conta corrente da AST e alguns pagamentos através da quitação de duplicata. Ressalte­se que a  empresa ENDO RIO não atendeu à  intimação da  fiscalização  a  fim de  explicar o  assunto,  assim  comprovou­se  os  valores  adiantados  através  dos  registros  contábeis  da AST,  obtidos,  como dito, através do SPED.   Repisando­se, a Lei nº 11.281, de 20/02/06, em seu art. 11, criou a figura do  “encomendante predeterminado” nas importações, submetendo esta modalidade de operação à  regulamentação da Secretaria da Receita Federal.  A RFB,  através  da  IN  SRF  nº  634  de  24/03/06,  cuidou  de  regulamentar  a  importação “para revenda a encomendante predeterminado”:  Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     26 Art.  1º  O  controle  aduaneiro  relativo  à  atuação  de  pessoa  jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para  revenda  a  encomendante  predeterminado  será  exercido  conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa.  Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda  a  operação  realizada  com  recursos  do  encomendante,  ainda  que parcialmente.  Como ficou comprovado nos autos, os adiantamentos de recursos destacados  na  contabilidade,  com  base  no  §  2º,  do  art.  11,  da  Lei  nº  11.281  e  da  IN  SRF  nº  634/06,  presume­se  que  as  importações  foram  efetuadas  na  modalidade  por  conta  e  ordem  de  terceiros.  É cediço que na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa  importadora  possa  abranger  desde  a  simples  execução  do  despacho  de  importação  até  a  intermediação  da  negociação  no  exterior,  contratação  do  transporte,  seguro,  entre  outros,  o  promotor  da  operação  é  o  adquirente.  Este  é  o  mandante  da  importação,  aquele  que  efetivamente  faz vir  a mercadoria de outro país,  em  razão da  compra  internacional;  embora,  nesse  caso,  o  faça  por  via  de  um  mandatário.  Além  disso,  é  o  adquirente  que  pactua  a  compra  internacional  e  dispõe  de  capacidade  econômica  para  o  pagamento,  pela  via  cambial,  da  importação,  pois  é  deste  que  se  originam  (ou  deveriam  se  originar)  os  recursos financeiros.  No caso, veja­se o que dispõe o Decreto­Lei nº 1.455/76, V, com alterações  promovidas pela MP nº 66/02 convertida na Lei nº. 10.637/02:  Art. 23 Consideram­se dano ao Erário as infrações relativas às  mercadorias:  V ­ estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação, mediante  fraude  ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.  § 1º (...g.n).  Quanto a capacidade financeira da AST  Quanto  a  falta  de  capacidade  financeira  da  AST  para  atuar  no  comércio  internacional,  isso  fica  evidente,  no  momento  em  que  necessita  de  adiantamentos  dos  adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra  como sendo por encomenda e conta e risco próprio. E ainda, pela forma adotada no aumento do  seu Capital Social feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00, sendo  que tal foi  justificado como sendo pela aquisição de imóvel rural e com o fim de demonstrar  capacidade de pagamento (declaração à fl. 135). Veja­se reprodução abaixo:  1º  ­ O aumento de Capital mencionado deu­se através da aquisição de um  Sítio  com  56  hectares,  tendo  como  objetivo  a  renovação  de  cadastros,  como  o  da  Receita  Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar aos seus fornecedores e colaboradores a  capacidade de pagamento da empresa.  Note­se que esse aumento de Capital Social não alterou a condição financeira  da  empresa,  uma vez que o  imóvel  foi  comprado pela própria AST,  em 24/05/2006, por R$  87.360,00 (fls. 125 a 128), e como foi pago diminuiu suas disponibilidades. Na sequência, o  imóvel  foi  reavaliado  em R$  655.000,00,  com  base  em Laudo  (fls.  129  a  131),  emitido  em  Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.046          27 17/04/2006,  sendo que o  saldo  (resultado) dessa Reserva de  reavaliação  foi,  no mesmo  ano,  utilizado  para  aumentar  o  Capital  da  empresa.  Assim,  podemos  avaliar  que  o  aumento  do  Capital, que seguiu formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma gráfica  e simulada, sem afetar a situação financeira da empresa (fls. 136 a 138).  Na  mesma  linha,  foi  apresentado  pela  fiscalização  um  demonstrativo  da  evolução patrimonial  da AST  (fls.  24/26),  com base nas principais  rubricas  contábeis,  sendo  que os valores  apurados pelo Fisco,  foram aqueles que constaram nas DIPJ’s  apresentadas  e  balancete  de  janeiro  a  julho  de  2012,  onde  fica  demonstrado,  várias  evidências  que  efetivamente a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, e  que precisa dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de  terceiros, mas em todos os procedimentos e assim passou a simular as operações que tinha que  registrar  como  sendo  por  conta  e  risco  próprio  e  para  encomendante,  para  poder  continuar  recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP.  O FUNDAP ­ Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, foi  criado pelo estado do Espírito Santo (ES) em 1.970, com o objetivo atrair, para os portos do  estado,  empresas  e  operações  de  comércio  exterior  e  assim  promover  seu  desenvolvimento  econômico e social, ganhando expressividade a partir dos anos 1.990, com a abertura do país às  importações de mercadorias estrangeiras, principalmente veículos,  a partir do Plano Real  em  1.994.  Trata­se  de  um  benefício  concedido  às  empresas  de  comércio  exterior  que  estabelecem  seu  domicílio  fiscal  no  estado  e  são  autorizadas  pelo  BANDES  –  Banco  de  Desenvolvimento do ES a operar no sistema dentro de certos limites operacionais, pelo qual,  essas  empresas,  chamadas  “FUNDAPEANAS” obtém, para os despachos de  importação que  promovem no ES, postergação do prazo no pagamento do ICMS incidente nas importações e  financiamento de longo prazo, concedido pelo mesmo BANDES, no valor de cerca de 70% do  ICMS  recolhido,  com  juros  fixos  de  1%  ao  ano,  carência  de  5  anos  e mais  20  de  prazo  de  amortização, com opção de recompra da dívida, em leilões realizados periodicamente por este  banco, nos quais os contratos são liquidados por cerca de 10% do saldo devedor.  A  AST,  como  visto,  é  uma  empresa  "FUNDAPEANA",  e  como  tal,  tem  como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo  Estado  do Espírito  Santo/ES,  prestando  serviços  para  empresas  interessadas  em  nacionalizar  mercadorias importadas. Já a ENDO MEDICAL, é a empresa compradora das mercadorias no  exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou os pedidos de compra.  As  constatações  deram  conta  de  que  as mercadorias  não  foram  compradas  pela AST,  assim  como  demonstraram  que  os  impostos  e  demais  despesas  foram  suportados  pela ENDO MEDICAL, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as  obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento do câmbio.  Em resumo, todo esses procedimentos montado, destaca­se a participação da  empresa AST,  que,  por  não  ter  condições  de  operar  no  comércio  exterior  por  conta  e  risco  próprio  ou  encomenda  (Relatório  de  fls.  23  a  27),  optou  pelo  procedimento  irregular  para  continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP.  Desta forma, fica demonstrada a pratica da Interposição Fraudulenta, com a  ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações  de  importação  das mercadorias  em questão,  cabendo  a  aplicação da pena de perdimento das  Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     28 mercadorias,  consoante  o  disposto  no  art.  689,  inciso  XXII,  do  Regulamento  Aduaneiro  (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23  do Decreto Lei nº 1.455/76, e de acordo com o mesmo artigo em seu § 3º, como esta evidente  que os bens foram remetidos a consumo, aplica­se a multa equivalente ao valor aduaneiro das  mercadorias.  Da alegada inexistência de adulteração ou falsificação  Alega a AST que esse  tema  tampouco merece maiores divagações,  senão a  reafirmação de que em nenhuma hipótese das movimentações da empresa houve a falsificação  de  documentos,  tampouco  adulteração.  Não  há  nos  autos  sequer  o  apontamento  de  qual  documento teria sido falsificado ou adulterado.  Que a recorrente importa mercadorias em razão da encomenda realizada pela  ENDO MEDICAL,  e  não  há  o  que  se  falar  em  adulteração  e  falsificação  de  documentos,  repisando que tampouco em interposição fraudulenta.  Por  outro  lado,  consta do  relatório  da  fiscalização,  que  fica  caracterizada  a  falsidade  ideológica  nas  faturas  comerciais  apresentadas  à  RFB  para  nacionalização  das  mercadorias, sendo que elas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas  indicado não o é de fato, como ficou evidente, assim como a AST não atua na comercialização  dessas mercadorias, simplesmente presta serviços na nacionalização dos bens.   E mais, conforme demonstrando na descrição dos fatos (infração 001, à fl. 56  e sgs), as operações de importação em questão são simuladas, pois omitem a real compradora  das mercadorias  (real  importadora),  e demonstram operações por  encomenda e  conta e  risco  próprio, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Tais irregularidade  foi  constatada  nos  documentos  apresentados,  acobertando  as  mercadorias  em  questão,  BL,  Packing  List  e  Fatura  internacional,  declarando  como  importadora  a  AST,  documentos  identificados como ideologicamente falsos.  Posto isto, restou claro que na autuação à que se impôs a penalidade de multa  pela interposição  fraudulenta de  terceiros,  foi cometida com falsidade  ideológica. O conceito  de falsidade ideológica remonta ao tipo penal previsto no art. 299 (do Código Penal Brasileiro,  Decreto­Lei nº 2.848, de 1940):  Art.  299  “Omitir,  em  documento  público  ou  particular,  declaração  que  dele  devia  constar,  ou  nele  inserir  ou  fazer  inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com  o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade  sobre fato juridicamente relevante”.  No  presente  caso,  foi  apontada  pelo  Fisco,  que  quando  da  elaboração  de  todas  as DI  (Declarações  de  Importação),  quando nelas  se  inseriu  declaração  diversa da  que  devia ser escrita, isto é, que a importação foi “por encomenda”, quando na realidade o foi “por  conta e ordem de terceiro”, ficou caracterizada a falsidade ideológica nos documentos fiscais  (faturas comerciais).  Da alegada inexistência do dolo nas operações da empresa  Alega em seu recurso que não há razão para ignorar toda conduta meritória,  abonada  pela  seriedade  evidente  e  pela  manutenção,  por  anos  (a  empresa  surgiu  em  25.01.1991),  no  acirrado  mercado  de  importação,  para  subitamente  tratá­la  como  empresa  Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.722735/2013­22  Acórdão n.º 3402­003.095  S3­C4T2  Fl. 4.047          29 aventureira,  ou  mesmo  com  ilegalidades,  conforme  o  rigor  imposto  pela  fiscalização  (procedimento da IN SRF nº 228/02), no esforço de gerar sua criminalização.  Ocorre  que  ficou  constatados  no  Relatório  da  Fiscalização,  elementos  que  comprovam a prática de declarações inexatas, que foram frutos de ações praticadas, com dolo,  pelos  importadores  e  demais  comerciantes  envolvidos,  que,  intencionalmente,  promoveram  modificações  de  características  essenciais  da  operação  de  importação,  de  modo  a  ocultar  a  participação  do  real  importador.  Elementos  básicos,  dessas  importações,  foram  alterados  intencionalmente  em  todos  os  processos,  para,  além  de  manter  ocultos,  afastar  os  demais  envolvidos da condição de adquirentes por conta e ordem.  Como já dito, foi apontada pelo Fisco, que quando da elaboração de todas as  DI,  se  inseriu  declaração  diversa  da  que  devia  ser  escrita,  isto  é,  que  a  importação  foi  “por  encomenda”, quando na realidade o foi “por conta e ordem de terceiro”.  Não se trata apenas de equívoco na definição da modalidade de importação,  mas  de  documentos  que  instruem  os  despachos  aduaneiros  de  importação,  quais  sejam  as  faturas  comerciais  e  documentos  de  comprovação  do  transporte  internacional,  pois  quem  comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real  importador obrigatoriamente deveria estar registrada em todos esses documentos.  Ou  seja,  os  documentos  apresentados  ao  Fisco  registram  operação  de  importação  por  conta  e  risco  da  AST,  já  as  constatações  e  verificações  constatadas  pela  fiscalização,  que  estão  sendo  apresentados  como  provas  (faturas),  demonstraram  que  o  comprador  das  mercadorias  no  exterior,  a  ENDO  MEDICAL,  ficou  oculto  em  todos  os  procedimentos.  Desta  forma,  caso  a  importação  deixe  de  ser  efetivamente  negociada  entre  importador e exportador, por um terceiro, sem que seja consignada a identificação na DI e nos  documentos de  instrução,  resta  evidenciada a ocorrência enquadrada  como ocultação do  real  responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta.  Do efeito suspensivo do crédito lançado  Em seu recurso, sustenta a Recorrente que seja atribuído ao presente recurso  o  efeito  suspensivo  do Auto  de  Infração,  tal  como  a  exigibilidade  da multa  aplicada,  até  o  trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa.  Com  espeque  no  art.  151,  III,  do  Código Tributário Nacional,  fica  determinado a SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE dos créditos tributários em discussão até o  julgamento definitivo do recurso interposto na via administrativa.  Conclusão   Destarte, com base nos elementos probatórios contidos nos autos, VOTO no  sentido de conhecer do Recurso Voluntário, para:  I – Preliminarmente, para REJEITAR a arguição de nulidade;  Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     30 II  –  No  mérito,  JULGAR  IMPROCEDENTE  o  recurso,  restando,  assim,  legítima  a  constituição  da  exação  em  comento,  restando  escorreita  a  subsunção  dos  fatos  à  norma aplicada e a sujeição passiva da autuada ENDO MEDICAL.       (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator                                    Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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