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Numero do processo: 10830.015802/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:: EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO.
A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
Numero da decisão: 1301-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, para no mérito, NEGAR-LHES provimento.
assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitamente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, para no mérito, NEGARLHES provimento. assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitamente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 58 02 /2 00 9- 41 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 1301001.970 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos pela empresa acima identificada, tendo por objeto o acórdão 1301001.088, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 08 de novembro de 2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não há de se falar em nulidade, fundada em sua ausência, de lançamentos tributários decorrentes de infração apurada em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, previsto no citado instrumento, eis que nessa situação a norma regulamentar dispõe, de forma expressa, que os referidos tributos ou contribuições tidos como decorrentes são considerados incluídos no procedimento, independentemente de menção expressa. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. Na requisição de dados acerca da movimentação financeira do contribuinte, efetivada com fiel observância das disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, também de 2001, descabe falar em violação ou “quebra” de sigilo bancário, pois, no caso, há mera transferência do dever de sigilo, relativamente às informações transmitidas. No caso vertente, contudo, a discussão revelase despicienda, eis que os extratos bancários que serviram de suporte para os lançamentos tributários foram apresentados pela própria contribuinte no curso da ação fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ILIQUIDEZ. INOCORRÊNCIA. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. Inexistente hipótese autorizadora, descabe falar em arbitramento do lucro. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas e a forma de tributação requerida para as exações decorrentes, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há de se reduzir o percentual correspondente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Ausentes elementos capazes de confirmar, de forma inafastável, a conduta dolosa na prática da infração, os tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação regemse, no que diz respeito à decadência, pela regra estampada no parágrafo 4º do art. 150 do CTN . Assim, expirado o prazo ali previsto sem que a Administração Tributária tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. TAXA SELIC Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada de 150% para 75%, cancelar os lançamentos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até outubro de 2004 em razão de decadência. Cientificada em 14/08/2015 (sexta feira), o contribuinte interpôs os presentes embargos em 19/08/2015, alegando omissões no acórdão embargado consubstanciadas nas seguintes matérias: "2.1 ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ E CSLL: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DA IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELO LUCRO REAL FACE AO DISPOSTO NO ARTIGO 47 DA LEI 8.891/95; 2.2 MULTA DE OFÍCIO INDEVIDAMENTE AGRAVADA: OMISSÃO QUANTO AO DISPOSTO NAS SÚMULAS 14 E 25 DESTE COLENDO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO; 2.3 AUTUAÇÃO CENTRADA EM PROVA ILÍCITA: DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DA RESISTÊNCIA DA EMBARGANTE NA ENTREGA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS; 2.4 OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO SUSTENTAM A PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DO ART. 43 DO CTN E SÚMULA 182 DO EXTINTO TFR; 2.5 OMISSÃO QUANTO AOS FUNDAMENTOS DO RECURSO VOLUNTÁRIO: ERRO NA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA E DA NÃO EXCLUSÃO DE OPERAÇÕES IDENTIFICADAS NOS Os Embargos de Declaração foram admitidos, conforme despacho anexado aos autos. É o Relatório. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 1301001.970 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Alega a Embargante que o acórdão nº 1301001.088, prolatado por esta Turma Julgadora na sessão realizada em 08 de novembro de 2012, incorreu em omissões, notadamente, por não ter se pronunciado sobre temas relevantes apontados no recurso voluntário. Primeiramente, aponta omissão quanto a impossibilidade de apuração pelo lucro real face ao disposto no artigo 47, da Lei 8.981/95 e ao art. 142 do CTN, tendo demonstrado no recurso a existência de erro na metodologia inadequada utilizada pela fiscalização; segundo ponto abordado como omissão se relaciona a multa qualificada (150%) sob a alegação que o acórdão embargado se omitiu quanto a aplicação das Súmulas CARF 14 e 25; terceira omissão alegada diz respeito a prova ilícita, pois a peça recursal demonstra a imprestabilidade do lançamento realizado mediante a quebra de seu sigilo bancário; quarta omissão relacionase a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários, e por último aponta como quinta omissão o não enfrentamento no r.acórdão de fundamentos trazidos no recurso com relação a erro na apuração do PIS e da COFINS. Analisando as omissões apontadas frente as matérias analisadas no acórdão embargado resta claro, mas, de forma cristalina, que são absolutamente improcedentes os argumentos trazidos pela contribuinte/embargante, eis que patente a tentativa de rediscutir, pela via estreita dos embargos de declaração, matérias exaustivamente apreciadas no voto condutor do acórdão atacado. Neste particular, sirvome dos fragmentos deste voto condutor para demonstrar, primeiramente, que as matérias em referência foram exaustivamente apreciadas, tendo sido indicados fundamentos suficientes à solução da controvérsia (é pacífica na jurisprudência o entendimento de que a decisão não precisa, necessariamente, rebater todos os argumentos ventilados na peça de defesa, quando ela encontrase devidamente fundamentada), e, em segundo lugar, que a verdadeira intenção da embargante é ver reapreciadas as suas alegações, o que não é possível em sede de embargos. Assinala o acórdão embargado: ILICITUDE DA PROVA Argumenta a Recorrente que a prova que serviu de suporte para os lançamentos (depósitos bancários) foi, em razão da reserva de jurisdição sobre o sigilo bancário, obtida de forma ilícita. Diz, ainda, que não houve motivação para uso dos extratos, tendo sido inobservadas, assim, as regras fixadas pelo Decreto nº 3.724, de 2001. Em que pese terem havido investigações iniciais, anteriores à instauração do procedimento fiscal, em controles internos da Receita Federal relacionados à movimentação financeira da fiscalizada, os lançamentos tributários ora contestados, como destacam as autoridades autuantes (Termo de Verificação Fiscal – fls. 75), Fl. 926DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 tomaram por base extratos bancários fornecidos pela própria contribuinte no curso da ação fiscalizadora. Com efeito, em resposta ao solicitado por meio do Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte, depois de solicitar prorrogação do prazo alegando que o pedido de documentos junto às instituições financeiras estava demorando (fls. 148), apresentou os extratos requisitados pelas autoridades fiscais (fls. 151). Em tal circunstância, qual seja, em que o próprio fiscalizado apresenta, em atendimento à intimação, os extratos bancários, descabe falar em ilicitude da prova. Por decorrência, descabe, também, falar em violação ou inobservância de regras fixadas pelo Decreto nº 3.724, de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Sustenta a Recorrente que os depósitos bancários não podem servir de suporte à presunção legal de omissão de rendimentos. Alega que a conta bancária não contabilizada foi utilizada de forma transitória (o que levaria à conclusão de que os valores que por ela transitaram tiveram origem em contas contabilizadas). Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, créditos em conta corrente bancária cujas origens não sejam comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos são considerados, por presunção da lei, omissão de receitas. E mais, tratandose de presunção estabelecida pela lei, o ônus probatório é invertido, isto é, à autoridade fiscal cabe, apenas, demonstrar a ocorrência do fato indiciário (crédito bancário de origem não comprovada), sendo ônus do fiscalizado fazer prova de que o fato presumido (omissão de receitas) não ocorreu. Não merece guarida, portanto, a alegação da Recorrente de que os créditos apurados pela Fiscalização não poderiam servir de suporte para os lançamentos tributários. ... ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Diz a Recorrente que o crédito tributário constituído é ilíquido, uma vez que: i) houve erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (metodologia inadequada); ii) houve erro na apuração do PIS e da COFINS (tributação monofásica); iii) não foram excluídas determinadas operações identificadas nos extratos; e iv) não foi promovida a dedução da COFINS e do PIS lançados de ofício. Esclareçase que a contribuinte foi intimada a promover a reescrituração dos Livros Diário e Razão, de modo a fazer incluir neles os registros correspondentes à conta bancária não contabilizada. Em resposta, simplesmente alegou que “não foi possível conciliar documentos exigidos no termo de intimação da conta bancária exigida, visto que servia apenas e tão somente para alguns descontos de cobrança e cheques recebidos de terceiros para compensação.” Cuidaram também as autoridades fiscais de ressaltar que “a contabilidade do contribuinte, referente aos anos de 2004, 2005 e 2006, foi verificada como um todo, por amostragem, inclusive com a análise dos Livros auxiliares, não tendo sido constatadas outras irregularidades que não a falta da escrituração da movimentação financeira referente ao Banco Bradesco (folhas 114/137).” – Termo de Verificação Fiscal, fls. 79. À evidência, uma vez não identificados vícios ou deficiências capazes de impedir a aferição do lucro real apurado pelo contribuinte, mas, sim, mera ausência de registro da movimentação financeira de uma das contas bancárias de titularidade Fl. 927DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 1301001.970 S1C3T1 Fl. 14 7 do fiscalizado, o arbitramento do lucro, que, para a Recorrente, seria a forma a mais adequada para determinar a matéria tributável, mostrase impróprio. Nos termos do disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, “verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.”. Agiu bem, portanto, as autoridades responsáveis pelo procedimento fiscal, eis que, sendo o arbitramento do lucro medida extrema, sua adoção como forma de tributação exige que reste demonstrada a total impossibilidade de aferição e apuração do lucro real, o que não é o caso da situação versada no presente processo. No que diz respeito à alegação de que houve erro na apuração do PIS e da COFINS e de que não foram excluídas determinadas operações identificadas nos extratos, acolho, por entender que não são merecedoras de reparo, as considerações trazidas no voto condutor da decisão de primeiro grau, cujos fragmentos reproduzo a seguir. (...) Relativamente à pretensão de ver deduzida na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL a contribuição para o PIS e a COFINS lançadas, cabe destacar que, quando tratamos de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa, diante do fato de que, nesta situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, não cabe falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência, descabendo, assim, falarse em dedução. Em suma: pretende a contribuinte/embargante, por meio de embargos de declaração, redirecionar as suas argumentações para as disposições que cuidam do lançamento de ofício com base em presunção legal de omissão de receitas, justificando que o acórdão embargado teria sido omisso ao deixar de se pronunciar sobre temas relevantes apontados no recurso voluntário, o que, como visto acima, mostrase de toda forma em verdadeiro equívoco. Vejase, por exemplo, que uma das omissões apontadas diz respeito à qualificação da multa de ofício (150%) e, que da análise do voto condutor no acórdão embargado restou reduzida a 75%. Assim, pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de conhecer os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos para, no mérito, NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 19515.003493/2004-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia. Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-003.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 371 2 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyazaki, Rodrigo da Costa Possas, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Demes Brito. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional, fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, em face do acórdão n' 3402-00.237, exarado em 14/08/2009. A ementa dessa decisão, na parte objeto de recurso, está assim redigida: Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 PIS/COFINS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 40. PREVALÊNCIA. LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o E. STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. Recurso provido em parte. O acórdão recorrido afastou a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91 em virtude da edição da súmula vinculante n° 8 (STF), reconheceu a decadência parcial do lançamento com lastro no art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, menosprezando a existência ou não de recolhimento, ainda que parcial, para definir a incidência do dispositivo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 372 3 A decisão recorrida reconheceu a decadência para o período de 03/1999 a 11/1999, mantendo-se o lançamento somente quanto ao período de apuração: 12/1999. A Fazenda Nacional, pede a aplicação do art.173, do CTN. Aponta divergência em relação ao julgamento proferido nos acórdãos CSRF/02-03.270 e 3301- 00.359, cuja comprovação se faz pela juntada de seu inteiro teor, conforme documentos de fls. 234/243. Por meio do Despacho de nº 3400-00.571, sob o entendimento de terem sido observados os requisitos legais, o recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. fls. (208/245) foi admitido. Contrarrazões apresentadas pelo contribuinte onde alega que: “o recurso fazendário funda-se exclusivamente no fato de que não houve o recolhimento antecipado de PIS/COFINS no período da autuação, sendo que a decisão recorrida, em nenhum momento, atesta a ausência de pagamento.” Que, “ a análise de existência ou não do pagamento no presente momento implicaria em reexame de provas, o que é vedado em sede de recurso especial. Diante disso, a recorrida requer seja negado seguimento ao Recuso Especial interposto pela Fazenda.” É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ ADMISSIBILIDADE Do exame dos Acórdãos confrontados, verifica-se que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência quanto à questão da decadência. Presentes os pressupostos legais para admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA Cuida-se de autos de infração relativos a contribuição ao PIS e COFINS (Proc. 19515.003493/2004-99) 1 nos relativos aos períodos de apuração março a dezembro/1999, lavrado em 30/12/2004, sob acusação de falta de recolhimento das contribuições mencionadas. 1 Originalmente, o presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura de auto de infração de fls. 29 a 34, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS nos períodos 01/03/1999 a 31/12/1999. Posteriormente, em virtude do disposto no art. 2º da Portaria SRF n° 6.129, de 02/12/2005, foi juntado ao presente processo, por anexação, o de u° 19515.003495/2004-99, formalizado em decorrência da lavratura de Auto de Infração de fls. 111 a 116, referente à apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Cofins no período de 01/03/1999 a 31/12/1999. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 373 4 Referidas autuações, conforme pode se observar dos Termos de Verificação Fiscal constante dos Processos Administrativos em comento, tratam da suposta omissão de receitas, ou seja, de receitas não contabilizadas, o que, consequentemente, culminou no suposto recolhimento a menor dos valores devidos a titulo de Contribuição ao PIS e da COFINS. Com relação especificamente ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 374 5 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62-A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543-B e 543-C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62-A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifesto-me por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que havendo declaração, inexistência de acusação de dolo, como também pagamento parcial, há de se aplicar o artigo 150, § 4º do Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 375 6 Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando as condições anteriores, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. Quanto à decadência cabe registrar: - O contribuinte foi cientificado do lançamento (omissão de receitas) em 30/12/2004 e se refere ao período de 03/1999 a 12/1999. - A decisão recorrida, favorável ao contribuinte – aplicou o art. 150, § 4º do CTN – isto é, o início do prazo de 5 anos a contar do fato gerador. - A Fazenda Nacional – pede o início do pagamento – 5 anos pela regra do art. 173, I. Compulsando os autos, verifico que: - não houve imposição de multa qualificada. inexistência das figuras de: dolo, fraude ou simulação; - houve apresentação de DIPJ, com valores insuficientes; - Houve recolhimentos parciais, conforme Termo da Fiscalização: “ DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS)” Não sepreencheu, portanto, os requisitos necessários à aplicação da regra do artigo 173, I, doCTN (ausência de pagamento). Essa conclusão se verifica na interpretação dada pelo Recurso Representativo de Controvérsia, em trecho que cita o já mencionado Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, onde se afirma: “nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN.” Nos casos dos autos, em observância ao artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, tendo em vista a existência de pagamento/ declaração apresentada, como consequência é a aplicação do dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do CTN. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, de forma a manter a decisão recorrida. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 376 7 Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado. A discussão travada no Colegiado referia-se a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando o sujeito passivo não efetuou pagamento, mas entregou a DIPJ. A conselheira relatora original se baseou na ementa da decisão do Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux. Peço vênia à ilustre relatora, mas faço uma leitura diferente do Acórdão. Entendo que a Turma do Superior Tribunal de Justiça ao redigir o voto, teve o cuidado de ressaltar a questão de "declaração prévia do débito", pois caso houvesse declaração - DCTF ou Dcomp - não havia de se falar em lançamento, pois o crédito já estava constituído. E neste caso, estaríamos diante do instituto da prescrição e não decadência. No caso em questão, não estamos falando em DCTF, que tem o condão de constituir o crédito tributário e sim da DIPJ que não passa de mera declaração sem reflexos no campo da constituição do crédito tributário. Mas minha concepção independe a declaração apresentada, o que determina a utilização do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, é a existência de pagamento. Essa foi a decisão tomada pela maioria do Colegiado. Para fundamentar o mérito, socorro-me do brilhante voto do conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, no Acórdão nº 9303-002.090, de 11 de setembro de 2012, que tratou da matéria com sua habitual maestria: E minha resistência a ela decorre de o Ministro Fux não ter afirmado isso nem mesmo no segundo Resp indicado pela dra. Teresa e citado no representativo de controvérsia. Com efeito, mesmo no Resp nº 216.758, o que ele diz é que a existência de medida preparatória devidamente notificada ao sujeito passivo impõe a aplicação da regra do parágrafo único do art. 173, ou seja, o prazo começará a fluir dessa data de notificação. De fato, para o ministro, isso se dá mesmo que o prazo já se tenha iniciado segundo a regra do caput, isto é, quando a notificação ocorra depois do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que já poderia ter sido efetuado o lançamento, o que implica alargar o prazo decadencial. Mas nem no voto do Resp nº 216.758 nem no do representativo de controvérsia (Resp 973.733) há afirmação expressa de que: a) DCTF equivale à “medida preparatória” de que cuida o parágrafo do art. 173; b) havendo DCTF, o prazo decadencial conta-se da data do fato gerador, na forma do art. 150. Aliás, se aceitarmos a primeira condição (DCTF equivale a medida preparatória) ainda assim a implicação do voto do Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003493/2004-08 Acórdão n.º 9303-003.329 CSRF-T3 Fl. 377 8 ministro seria de que o prazo decadencial começaria a fluir a partir da data de entrega dessa DCTF, nunca da data do fato gerador. Não havendo no voto do ministro, a que estamos jungidos por força do art. 62-A, afirmação expressa nesse sentido, entendo que estamos livres para dar a interpretação que achemos correta à matéria. E, com a devida vênia, não entendo sequer que o prazo se conte da data de entrega da DCTF (ou qualquer outra a ela vinculada). Na verdade, para mim, com o devido respeito a quem entende diferente, a entrega da DCTF em nada afeta a contagem do prazo decadencial. Este se rege pela regra do caput do art. 173 quando não há pagamento. Este termo inicial – primeiro dia do exercício seguinte àquele em que já poderia ter sido efetuado o lançamento – retroage quando, antes de iniciado, a Administração tributária notifica o sujeito passivo de alguma medida preparatória. Só para enfatizar, o parágrafo único apenas atua em desfavor do Fisco; e assim o é exatamente porque ele, Fisco, já iniciou a constituição do crédito tributário. O entendimento contrário, esposado com base em doutrina do Professor Eurico Diniz de Santi, implica interrupção do prazo decadencial. A outra exceção a essa regra se dá apenas quando o auto de infração original está maculado de vício formal. Neste caso, embora a rigor o Codex estabeleça mesmo figura de interrupção do prazo decadencial – não há como negá-lo – essa interrupção apenas autoriza o Fisco a refazer o lançamento original suprimindo a causa de nulidade, não a fazer outro lançamento. Por isso, ausente o pagamento que leva o termo inicial a ser contado na forma do art. 150, não há como aplicá-lo. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala de sessões, 10/12/2015. Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 10280.001859/2001-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995,
20/12/1995
IPI. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. CRÉDITOS - ADMITIDOS PELO REGULAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
No caso de apuração de saldo credor escritura! do IPI, em face da compensação dos débitos do imposto com os créditos admitidos pelo Regulamento, considera-se efetuado o pagamento antecipado, fixando-se o termo inicial do prazo decadencial na data da ocorrência do fato gerador.
GLOSA DE CRÉDITOS. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE.
A glosa de créditos escriturados do IPI não corresponde à
constituição do crédito tributário e, assim, não se submete a
prazo decadencial.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/09/1996, 30/09/1996, 20/10/1996,
31/10/1996, 20/11/1996, 30/11/1996, 20/12/1996,
31/12/1996, 20/10/1998, 31/10/1998, 20/11/1998,
30/11/1998, 10/01/1999, 20/01/1999, 31/01/1999,
28/02/1999, 20/03/1999, 31/03/1999, 31/05/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. CRITÉRIOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Por se tratar de hipótese de erro de fato no lançamento sujeito a lançamento complementar, a apuração dos valores de glosas de créditos com base em notas fiscais, consideradas os únicos documentos idôneos para sua comprovação pela Fiscalização, não implica nulidade do lançamento, à vista das alegações de que os valores corretos, sistematicamente maiores do que os das notas,
seriam os dos recibos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995,
20/12/1995, 20/09/1996, 30/09/1996, 20/10/1996, 31/10/1996, 20/11/1996, 30/11/1996, 20/12/1996, 31/12/1996, 20/10/1998, 31/10/1998, 20/11/1998, 30/11/1998, 10/01/1999, 20/01/1999, 31/01/1999, 28/02/1999, 20/03/1999, 31/03/1999, 31/05/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.945
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência e o crédito presumido sobre os insumos adquiridos de pessoa fisica e transferidos para outro estabelecimento (EIDAI x EIDAI)
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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Sessão de 14 de fevereiro de 2008 Recorrente EIDAI DO BRASIL MADEIRAS S/A Recorrida DRJ em Recife - PE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 20/12/1995 IPI. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. CRÉDITOS - ADMITIDOS PELO REGULAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL No caso de apuração de saldo credor escritura! do IPI, em face da compensação dos débitos do imposto com os créditos admitidos pelo Regulamento, considera-se efetuado o pagamento antecipado, fixando-se o termo inicial do prazo decadencial na data da ocorrência do fato gerador. GLOSA DE CRÉDITOS. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. A glosa de créditos escriturados do IPI não corresponde à constituição do crédito tributário e, assim, não se submete a prazo decadencial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/09/1996, 30/09/1996, 20/10/1996, 31/10/1996, 20/11/1996, 30/11/1996, 20/12/1996, 31/12/1996, 20/10/1998, 31/10/1998, 20/11/1998, 30/11/1998, 10/01/1999, 20/01/1999, 31/01/1999, 28/02/1999, 20/03/1999, 31/03/1999, 31/05/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS DE 'PI. CRITÉRIOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. Por se tratar de hipótese de erro de fato no lançamento sujeito a lançamento complementar, a apuração dos valores de glosas de créditos com base em notas fiscais, consideradas os únicos documentos idôneos para sua ,74 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. • CONFERE COMO cmoint Processo n°• 10280.00~1-80 ccovcoiAcórdão n.° 201-80.945 Fls. 795 Suta wtoa Supe e1745 comprovação pela Fiscalização, não implica nulidade do lançamento, à vista das alegações de que os valores corretos, sistematicamente maiores do que os das notas, seriam os dos recibos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IP! Data do fato gerador: 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 20/12/1995, 20/09/1996, 30/09/1996, 20/10/1996, 31/10/1996, 20/11/1996, 30/11/1996, 20/12/1996, 31/12/1996, 20/10/1998, 31/10/1998, 20/11/1998, 30/11/1998, 10/01/1999, 20/01/1999, 31/01/1999, 28/02/1999, 20/03/1999, 31/03/1999, 31/05/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência e o crédito presumido sobre os insumos adquiridos de pessoa fisica e transferidos para outro estabelecimento (EIDAI x EIDAI). 4, • QM2ouu;a, ,s SE A MARIA COELHO MARQI4S • Presidente JO •' O FRANCISCO R- (tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 2 MI' - SECUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo e 10280.001859/2001-80 CONFERE COM O ORIGINAL CCOVCO • Acórdão n.• 20140.945 Brasied. /1 / Fls. 796 SSD ca Mat. Siam 91735 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 442 a 785) apresentado em 25 de janeiro de 2006 contra o Acórdão if 13.238, de 5 de setembro de 2005, da DRJ em Recife - PE (fls. 424 a 435), cientificado à interessada em 18 de dezembro de 2005 e que considerou procedente em parte auto de infração de IPI lavrado em 17 de maio de 2001, relativamente aos períodos de setembro de 1995 a maio de 1999, nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/09/1995 a 31/05/1999 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. É vedada a inclusão, na base de cálculo do beneficio, de valores referentes a insumos adquiridos perante pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/09/1995 a 31/05/1999 Ementa: PROVAS. APRESENTAÇÃO, MOMENTO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que o sujeito passivo possuir, segundo artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. DILIGÊNCIAS. SOLICITAÇÃO. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de diligências, ainda que se vise realizar pendas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção do julgador e conseqüente solução da controvérsia. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 30/09/1995 a 31/05/1999 Ementa: ARGÜIÇÃO DE hVCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações sobre inconstitucionalidade das normas, sendo tal tarefa ejeta ao Poder Judiciário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/09/1995 a 31/05/1999 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente em Parte". Segundo o auto de infração (fls. 7 e 14 a 26), a contribuinte registrou valores indevidos de crédito presumido de IPI. 4/-431(ki 3 • • MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONFERE COMO ORIGINAL CONTRIBUINTES Processo n° 10280.001859/2001-80 CCO2/C01 Acórdão n.° 20140.945 Brasilla, .4 / Fls. 797 Uno :acesa Ma . Srape 91745 A maior parte dos insumos dos anos de 1995 e 1996, relativos a madeiras em tora, teria sido adquirida de fornecedoras pessoas físicas (produtores rurais) ou transferida de outra filial da contribuinte, "responsável pela exploração da madeira em áreas florestais de propriedade ou de posse da empresa". Após comparação com os valores informados pela empresa, a Fiscalização concluiu que, "além das divergências nos valores relativos às compras de madeiras em tora, o contribuinte não excluiu as aquisições efetuadas de pessoas fisicas nem o valor da matéria-prima produzida por sua filial e transferida para a matriz, o que deveria ter sido providenciado, uma vez que não há a incidência de Cotins e/ou de PIS nestas operações e, portanto, ao efetuar a aquisição, a empresa não 'paga' estas contribuições, razão pela qual não pode ser ressarcida de um gasto que não teve". Foram elaborados novos demonstrativos do crédito presumido para os anos de 1995 a 1999. Ao final, a Fiscalização esclareceu que a contribuinte não adotou o sistema de - custos coordenados e integrados com a escrituração. Das fls. 15 a 26, para os anos de 1995 e 1996, constaram os demonstrativos de apuração das compras de madeira em tora, discriminando as aquisições de pessoas fisicas, de pessoas jurídicas e de outro estabelecimento da própria contribuinte. Constaram, ainda, para todos os períodos abrangidos pela ação fiscal, os demonstrativos ajustados de apuração do crédito presumido e os demonstrativos de recomposição da apuração do A relação das diferenças de ICMS constou das fls. 28 a 88 (1995) e 89 a 148 (1996). As memórias de cálculo do crédito presumido constaram das fls. 150 a 166 (1995), 167 a 180 (1996), 181 a 202 (1997), 203 a 226 (1998) e 227 a 234 (1999). No recurso a interessada justificou inicialmente a apresentação de dezenove - novos documentos, alegando que a necessidade de sua apresentação teria surgido apenas com o recurso e em face de a autoridade julgadora de primeira instância haver denegado o pedido de diligência. Tratou-se do seguinte: 1) arrolamento de bens (fls. 468 a 487); 2) andamento do Processo n2 10280.001407/2001-06 (fls. 488 a 491); 3) demonstração financeira (fls. 492 e 493); 4) demonstrativo de crédito presumido "suprimido pela Fiscalização" (fls. 494 e 495); 5) cópia da Instrução Normativa Sefa n2 20, de 1991 (fls. 496 a 499); 6) cópia do Decreto Estadual n2 4.676, de 2001 (fls. 500 a 502); 7) cópias de declarações de autoridades fazendárias estaduais (fis. 503 a 506); 8) arrolamento de bens anterior (fls. 507 a 520); 9) declaração do Imposto de Renda do ano de 1995 (fls. 521 a 542); 10) declaração do Imposto de Renda do ano de 1996 (fls. 543 a 572); 11) certidão do imóvel sede da empresa (fls. 573 a 575); 12) demonstração financeira do ano de 1995 (fls. 576 e 577); 13) exemplares de recibos de compras de madeiras (fls. 578 a 677); 14) demonstrativo de apuração do crédito presumido de 1995 (fls. 678 a 689); 15) demonstrativo de apuração do crédito presumido de 1996 (fls. 690 a 706); 16) cópias do livro de Apuração do IPI, de abril de 1995 a dezembro de 1996 (fls. 707 a 775); 17) estatuto em vigor da empresa (fls. 776 a 779); 18) ata 160 da Assembléia Geral Ordinária de 2005 (fls. 780 a 783); e 19) procuração (fls. 784 e 785). Quanto à decadência, reconhecida pelo Acórdão de primeira instância em relação aos períodos do terceiro decêndio de setembro ao segundo decêndio de dezembro de 1995, alegou que seus efeitos não deveriam resumir-se ao cancelamento dos valores lançados, 440tki 4 • MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO CR:SINAL Processo ne 10280.00185912001-80 CCO2JC01 Acórdão n.° 20140.945 &Seda, 74g, a /7001— Eis. 798 Silvio :posa Ma.: Sapo 91745 mas alcançar também "o direito de anular o crédito presumido do IPI já constituído pela Contribuinte (.)". A seguir, alegou que os valores das madeiras adquiridas de pessoas fisicas deveriam ser considerados na apuração, uma vez que a Lei ré' 9.363, de 1996, não teria distinguido as aquisições em relação aos fornecedores. Citou acórdão da CSRF e afirmou que deveria prevalecer o principio da estrita legalidade. Na seqüência, alegou que, sendo "improcedente a autuação sobre o crédito (de) IPI dos anos (de) 1995/1996, deveria ser (considerada) improcedente automaticamente também a autuação nos anos de 1997/1998/1999". Segundo a recorrente, a "autuação nos anos 1998/1999 foi devido unicamente à insuficiência do saldo de crédito do IPI a compensar com o IPI apurado em alguns meses nos referidos anos". Tratou a seguir de um suposto equivoco do Acórdão de primeira instância, _ consistente na desconsideração, sobre a recomposição dos saldos dos períodos seguintes, dos efeitos da decadência dos períodos do ano de 1995. Alegou ainda que, na hipótese de no ano de 1996 ser reconhecido apenas o direito ao crédito presumido em relação às aquisições de pessoas fisicas, "o saldo negativo do IPI a ser lançado deveria ter sido de apenas 12.5 15.016,52", nos termos do demonstrativo que apresentou. Passou a tratar das transferências de outro estabelecimento, alegando que se trataria de operações de compra e venda. Fez considerações a respeito da extração de madeiras na região amazônica, alegando que a nota fiscal, em regra, somente serviria como prova da venda e compra, da identificação do comprador, do local da operação e do pagamento do ICMS e não serviria, "salvo exceções, para saber as espécies de madeiras, seu volume, o seu preço exato e sobretudo, a pessoa do vendedor". Segundo a recorrente, a exploração de madeiras seria feita por grupos familiares, de amigos ou pela comunidade local, sendo pequeno o valor de cada venda. Ademais, o Fisco estadual emitiria "nota fiscal mediante recolhimento do ICMS à vista das madeiras extraídas antes de iniciar (o) transporte, documento esse em que contém os dados aproximados, mesmo porque não pode ser feita a cubagem no local (para determinar espécies de madeira, sua qualidade, volume, preço) mesmo porque só é possível fazer a cubagem com a presença da compradora (que mio está no local)". Ademais, o nome do vendedor poderia ser o do representante do grupo, do transportador ou até da própria compradora. A cubagem, então, seria efetuada "no local do destinatário ou na fábrica da compradora", pagando-se o preço e emitindo-se "recibo em que constam agora os dados exatos quanto ao vendedor, espécies, classificação, qualidade, preço, vendedor (.)". A seguir, seria pago o ICMS pela compradora, como substituto tributário, "restituindo ao vendedor, inclusive, o ICMS pago por ele na origem". 4°(jV • ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 10280.001859/2001-80 CONFERE COMO CRiG1NAL CCO2JC01 Acórdão o.' 20140.945 BrasIlia, 1_0 y 290e. Fls. 799 Sdvio‘parbasa Mat. Sapa 91745 Ressaltou, ademais, que haveria exceções às regras mencionadas, quando pessoas jurídicas adquirissem grandes quantidades, "pois, nestes casos, o representante da compradora pode(ria) deslocar-se ao local da exploração florestal e efetuar a cubagem no local de origem, pagando-se o preço, recolhendo o imposto devido (que é ônus da vendedora)". Dessa forma, as notas fiscais não seriam prova de que a madeira não fora adquirida de terceiros. As provas de que se tratou de vendas seriam as seguintes: as próprias notas fiscais indicam tratar-se de operações de venda; a emissão e o preenchimento das notas seriam de responsabilidade do Fisco estadual, de acordo com a IN Sefa n2 20, de 1991, arts. 1 2 e 22, III, e com o art. 346 do RICMS/PA, por se tratar de produto natural e de venda sem diferimento do ICMS; haveria declarações das próprias autoridades fiscais estaduais de que a emissão das notas fiscais "Eidai-Eidai" não significaria que a recorrente poderia não ser vendedora de madeiras nas declarações (anexo 7 da impugnação). Contestou a conclusão do Acórdão de primeira instância de que a expressão - "(...) podendo estar representando os verdadeiros vendedores ou produtores de madeiras (...)" retiraria a validade da prova, acusando-lhe de ser um sofisma, em razão de a expressão "podendo" representar a própria prova. Ademais, caberia à Fiscalização o ônus da prova em contrário. Criticou a conclusão do Acórdão de que, tratando-se de fornecedores pessoas fisicas, os valores não poderiam ser incluídos na apuração do crédito presumido, afirmando que as Instruções Normativas SRF IN 23 e 103, de 1997, seriam ilegais. Acrescentou às alegações as afirmações de que não teria área rural para exploração de madeira (conforme arrolamento de bens, anexos 1 e 8); não teria direito de exploração em área de terceiros (anexos 9 e 10); sendo empresa de capital estrangeiro, não poderia ter área rural (anexos 3 e 9); a filial situada em Breves somente serviria de "ponto de apoio para compras de madeiras e nada mais", não tendo a Fiscalização demonstrado que a filial exploraria projeto florestal e remeteria as madeiras extraídas para a matriz; e os recibos - seriam prova da real natureza das operações. Afirmou que todas as operações estariam acobertadas por recibos, que teriam sido utilizados pela própria Fiscalização para elaborar os demonstrativos de apuração do IPI. Dessa forma, tendo sido reconhecida a sua validade, deveriam ser "reconhecidos também os valores neles gravados". Os fundamentos da validade dos recibos seriam a sua indispensabilidade na compra de madeiras de pessoas fisicas, o reconhecimento de sua validade pelo Funrural (anexo 6), o seu conteúdo (especificação, qualidade, preço, comprador, vendedor, CPF, assinatura de• quem recebe o valor, etc.) (anexo 13) e o fato de virem acompanhados de romaneios e ordens de pagamento. Em razão de haver sido apresentada relação dos fornecedores, que poderiam somar mais de cinco mil ao ano, de acordo com o anexo 13 da impugnação, é que teria sido solicitada a realização de diligência. Tratou, na seqüência, do alegado reconhecimento da validade dos recibos pela Fiscalização, afirmando que os valores foram utilizados na sua apuração do crédito presumido 74W"' 6 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OR1G1NAL Processo n° 10280.00185912001-80 CCO2/C01 • Acórdão ri.° 20140.945 Brasilia, „f y o t too,- Fls. 800 59vb rol)sa Ma: Sane 91745 dos anos de 1995 e 1996 e também utilizados pela Fiscalização. Ademais, os valores teriam sido lançados no livro de Apuração do Assim, estariam demonstrados os fatos de que os valores adotados na apuração foram os dos recibos e de que a Fiscalização reconheceu a sua exatidão. Em complemento, afirmou que os valores (anexos 9 e 10 da impugnação) informados nas declarações do Imposto de Renda dos anos de 1995 e 1996, no item "custos de bens vendidos - compras de insumos" seriam diferentes, em razão de divergências quanto ao período abrangido pelo levantamento do ano de 1995 e de, no tocante ao ano de 1995, tratar-se de compras no mercado interno, "ao passo que na declaração de 1996, o valor abrange as compras no mercado interno e as importações". Em face das alegações, afirmou que haveria contradições nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização, uma vez que teria utilizado os recibos "quanto às compras de madeira, porém, para a exclusão das compras de madeiras da parte das pessoas físicas e daquelas adquiridas com a NF/Eidai-Eidai (..), utilizou (nos tinos de 1995/1996) apenas os valores das Notas - Fiscais do Produtor (.)". Segundo a recorrente, sequer haveria provas nos autos de que a Fiscalização tivesse utilizado os recibos na referida apuração. Assim, os demonstrativos elaborados pela Fiscalização seriam imprestáveis e o auto de infração seria nulo. Por fim, reiterou o pedido de diligência efetuado na impugnação, afirmando que a totalidade dos recibos seguramente ultrapassaria as vinte e cinco mil cópias. É o Relatório. , 7 Processo n° 10280.001859/2001-80 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão 8.° 201-80.945 CONFERE COM O CRIONL A F1s. 801 Bra.sIlia, gl (31., e-codg SitiO 541/Lsa Mat . Base 91745 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. No tocante aos documentos juntados ao recurso, verificam-se plenamente atendidas as condições do art. 16, § 4Q, b e c, do Decreto n2 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n2 9.532, de 1997. • As cópias da Instrução Normativa Sefa ri 2 20, de 1991 (fls. 496 a 499) e do Decreto Estadual n2 4.676, de 2001 (fls. 500 a 502) objetivaram demonstrar que a emissão de _ nota fiscal é efetuada pelo Fisco Estadual. As cópias de declarações de autoridades fazendárias estaduais (fls. 503 a 506), relativamente a determinadas notas fiscais, dão conta de que a "figuração" da recorrente como vendedora das madeiras seria "simbólica". As declarações do Imposto de Renda dos anos de 1995 (fls. 521 a 542) e de 1996 (fls. 543 a 572) contêm informações sobre os valores das compras de insumos e direitos a exploração florestal (o problema da exploração é que, em tese, a fornecedora poderia haver adquirido a madeira de terceiros). Os exemplares de recibos de compras de madeiras (fls. 578 a 677) trazem informações sobre os valores da transação, a quantidade de madeira e a referência à discriminação em romaneio ou a discrimicação no próprio recibo do objeto da operação. Em regra, trazem também o CPF do recebedor, com duas exceções, não havendo recibos emitidos por pessoas jurídicas. Nem os recibos nem os romaneios trazem informações sobre as notas fiscais a que se refeririam. Cópias das ordens de pagamento também foram juntadas. Além disso, juntaram-se cópias da demonstração financeira do ano de 1995 (fls. 576 e 577), do demonstrativo de apuração do crédito presumido de 1995 (fls. 678 a 689), do demonstrativo de apuração do crédito presumido de 1996 (fls. 690 a 706) e do livro de Apuração do IPI, de abril de 1995 a dezembro de 1996 (fls. 707 a 775). Quanto à decadência, a primeira instância considerou decaídos os períodos de apuração dos terceiros decêndios de setembro a novembro e o segundo decêndio de dezembro de 1995, pelo fato de o lançamento ter sido efetuado em 17 de maio de 2001. Aplicou o art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, por se tratar de lançamento de oficio. Assim, até o segundo decêndio de dezembro de 1995, o lançamento poderia ter ocorrido no próprio ano de 1995, iniciando-se o prazo decadencial no dia 1 2 de janeiro de 1996 e finalizando-se em 31 de dezembro de 2000. Entretanto, dispõem os arts. 124 e 129 do Regulamento do IPI: 46A-' . • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCP:FERE COM O ORVNAL • • Processo n° 10280.001859/2001-80 Brunia. _Ant e2 ittootie. CCO2/C01Acórdão n.° 201-80.945 Fls. 802 sibie St —asa MM: Sapa 21745 "Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de oficio da autoridade administrativa (Lei n° 5.172, de 1966, art. 150 e § 1°, Lei n°9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória n°66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considera-se pagamento: I - o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II - o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III - a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Art. 129. O direito de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados: I - da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei n" 5.172, de 1966, art. 150, § 4°); II - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei n° 5.172, de 1966, art. 173, inciso I); ou III - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (Lei n° 5.172, de 1966, art. 173, inciso II). Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notcação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei n° 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único)." (Destacaram-se os trechos em negrito) Conforme os dispositivos citados, havendo pagamento antecipado, o termo inicial do prazo de decadência é o dia do fato gerador, que no caso do IPI é o último dia do período de apuração do imposto. Ademais, considera-se pagamento o recolhimento do saldo devedor apurado no respectivo período de apuração ou a compensação dos débitos do imposto com os créditos, sem resultar saldo a recolher, nos casos de créditos admitidos pelo Regulamento. Os créditos admitidos pelo Regulamento são os especificados a partir do art. 164 (Ripi/2002), dentre eles o crédito presumido de IPI. Deve-se entender por "créditos admitidos" aquelas espécies de créditos previstas no Regulamento e não os créditos apurados nos termos do entendimento do Fisco. Vale dizer, ir 9 ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRBUINTES CCX1FERE COM O ORIGINAL Processo e 10280.001859/2001-80. , Acórdão n.• 201-80.945 Bosnia. „ir , 7, CC°21C°1Fls. 803 SiVIO rarat:53 Sapo 91745 quando o Regulamento fala em "créditos admitidos" refere-se às espécies de créditos admitidos em tese para compensação escriturai e não especificamente nos valores apurados. Assim, tratando-se de crédito previsto no Regulamento, ainda que com o montante de sua apuração não concorde a autoridade fiscal, configura-se a realização de pagamento antecipado, exceto nos casos de fraude, que também são excepcionados pelo art. 150, § 42, do CTN. No presente caso, portanto, tendo sido o lançamento realizado em 17 de maio de 2001, encontravam-se decaídos os períodos de apuração até o primeiro decêndio de maio de 1996. Ocorre que os períodos que resultaram em saldo devedor foram os quatro excluídos pelo Acórdão de primeira instância e outros períodos a partir do segundo decêndio de setembro de 1996. Dessa forma, decaíram somente os períodos já excluídos pela primeira instância. As alegações da recorrente de que a decadência deveria produzir efeitos sobre a possibilidade de glosa dos períodos anteriores aos cinco anos contados retroativamente da data de autuação não encontram respaldo legal. De fato, a decadência somente pode atingir os créditos passíveis de lançamento, o que, no caso do II'!, somente ocorre com a apuração de saldos devedores. Veja-se que o que ocorre nos períodos em que são apurados os créditos glosados nada tem a ver com a ocorrência do fato gerador do imposto, que gera débitos. A glosa dos créditos de TPI não representa constituição de crédito tributário da Fazenda Pública e, portanto, não está sujeita a lançamento. Corresponde a um ato de verificação de regularidade de escrituração, cujos efeitos se projetam para o Muro. Portanto, não há prazo legal para que o Fisco possa glosar os créditos indevidamente apurados pelo contribuinte do IPI. Dessa forma, não houve decadência em relação às glosas de créditos e nem em relação a outros períodos de apuração além dos já excluídos pelo Acórdão de primeira instância. Antes de adentrar o exame do mérito do recurso propriamente dito, é preciso esclarecer que, juntamente com o presente auto de infração, foi lavrado também auto de infração do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, que constaram do Processo Administrativo n2 10280.001407/2001-06. Naquele processo houve glosa da superavalição de compras e de prejuízos fiscais do IRPJ e bases de cálculo negativas de CSLL decorrentes daquela primeira glosa, além de exigência do IRPJ sobre juros sobre o capital próprio e estimação a maior do cálculo da isenção no âmbito da Sudam. No âmbito daquele processo foi realizada diligência proposta pelo relator e aprovada pela 81 Câmara do 1 2 Conselho de Contribuintes na Resolução n2 107-0.468, de 3 de 14Y, 10 . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO CR:r•PNAL Processo n° 10280.001859/2001-80 CCO2/C01 • Acórdão n.° 201-80.945 Braslha, & io o ce. Fls. 804 $2vio ..oss Mat.. Suipe 91745 março de 2003, com o objetivo de resolver o litígio em torno da documentação probatória da "valoração das mercadorias adquiridas", em que se opunham as notas fiscais e os recibos. Com o retomo da diligência, ocorreu o julgamento do Recurso nQ 129.356 (Acórdão ri2 107-08.941), tendo sido dado provimento por maioria em relação à questão das provas. O relator deu conta de que os nove pontos alegados pela recorrente como provas de que os recibos seriam documentos idôneos para demonstrar os valores das operações foram objeto da diligência. O primeiro deles referiu-se à alegação de que teriam sido reconhecidos como idôneos para efeito do Funrural, o que restou não comprovado, uma vez que os valores que serviram de base para o recolhimento da exação, conforme verificado na diligência, não conferiram com os valores escriturados. Segundo alegou a recorrente em sua resposta, as divergências decorreriam de uma diminuição indevida efetuada no demonstrativo elaborado pela Fiscalização no que diria respeito a adiantamentos. O Conselheiro-Relator concluiu que os valores ajustados seriam - próximos e que a documentação juntada aos autos pareceria fazer assistir razão à recorrente. O segundo ponto da diligência disse respeito à confirmação de que a amostra de recibos acostada aos autos coincidiria com o valor registrado na contabilidade a título de aquisição de madeiras e à averiguação de se tais recibos teriam elementos necessários a qualificá-los como documentos hábeis. Segundo o voto do Conselheiro-Relator, a Fiscalização confirmou que os valores dos recibos de janeiro de 1999 (amostra) corresponderiam aos escriturados, mas considerou que não seriam documentos hábeis e idôneos, por não existir previsão legal para tanto, "muito embora neles estejam presentes os elementos citados acima, tais como a identificaccio do vendedor, seu CPF/CNPJ", etc., o que levou a Câmara a considerá-los hábeis e idôneos para o fim de comprovar os valores escriturados. Ainda destacou o Relator, em seu voto, que o ponto de número 7 (relativo à confirmação de que a nota fiscal avulsa que acompanha a jangada de madeira cobriria diversos recibos de compra, enquanto que na relação de diferenças do ICMS eram levados em consideração apenas os valores das notas fiscais) não foi confirmado pela Fiscalização, por, segundo o Relator, haver preferido ater-se à manifestação da Sefa a respeito da pauta fiscal, questão de cujas conclusões discordou o Relator. Nesse contexto, quanto aos documentos de fls. 28 a 148, verifica-se que nas saídas de que consta a própria recorrente como fornecedor não há, sistematicamente, diferença de ICMS a recolher (exceto em um único caso com indicação de volume zero). No tocante aos demais pontos submetidos à diligência, que não foram discriminados em seu voto, afirmou o Relator que "o relatório de diligência confirmou as alegações expostas pela Recorrente". No julgamento do presente recurso não se tem à mão o teor da resolução, do relatório de diligência e da resposta da recorrente, relativamente ao processo de Imposto de :15 11 • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 10280.00185912001-80 CONFERE COM O ORsG.NAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -80.945 Brasil!a. ej YoDe- Fls. 805 $iofM ..bose Mat: Empe. 91745 Renda, mas é provável que os seis pontos adicionais analisados devem corresponder aos alegados no âmbito do presente processo. Do que observa dos documentos constantes do presente processo, verifica-se ainda que, no anexo 5 da impugnação, a recorrente relacionou as aquisições com base nos recibos, em vez de notas fiscais. Ademais, as notas fiscais que trazem a recorrente como fornecedor e comprador indicam a origem como sendo a Fazenda Piarim ou Rio Piarim, no Município de Portei., ou no Rio Aramã, no Município de Anajás. Em alguns casos, estas filiais constam como adquirentes. As considerações da Fiscalização de que as operações representariam apenas transferências de mercadorias entre os estabelecimentos da recorrente foram feitas à margem de qualquer tipo de demonstração. Não se constata, pelos documentos constantes dos autos, que a filial seria "responsável pela exploração da madeira em áreas florestais de propriedade ou de posse da empresa". Os documentos apresentados pela recorrente, relativamente à exploração florestal, reforçam as suas alegações, juntamente com as declarações do Fisco estadual. Portanto, o conjunto probatório ao menos indica serem razoáveis as alegações da recorrente no sentido de que as notas fiscais "Eidai-Eidai" referir-se-iam a operações de compra e venda. Entretanto, nos documentos apresentados no recurso pela interessada não se constatou uma única situação em que as operações de compra e venda relativas às notas fiscais "Eidai-Eidai" houvessem sido realizadas com outra pessoa jurídica. Ademais, conforme já esclarecido, não se apuraram diferenças relativas ao ICMS em relação a tais operações. Portanto, muito embora o que fora decidido no âmbito do Acórdão tf 107- 08.941 venha ao encontro das alegações da recorrente de que as notas "Eidai-Eidai" refiram-se a operações de compra e venda, os documentos constantes dos autos demonstram que se trataria apenas de compras de pessoas fisicas. Nesse contexto, a relevância da comprovação de que se tratou de operações de compra e venda somente existiria se houvesse direito ao crédito presumido na aquisição de insumos de pessoas fisicas. Nesse contexto, a transcrição dos fatos constatados no âmbito do recurso relativo ao IRPJ e à CSLL permite aos demais Conselheiros da Câmara que tenham o entendimento de que as aquisições de pessoas fisicas geram direito a crédito presumido concluírem pelo cabimento ou não da diligência. Ademais, para aqueles que entendem, como o presente Relator, que não geram direito de crédito, a realização da diligência é prescindível, em razão de que não há provas nos autos de haver, entre as operações relativas às notas fiscais "Eidai-Eidai", compras de pessoas jurídicas. Quanto ao suposto equívoco do Acórdão de primeira instância, consistente na desconsideração, sobre a recomposição dos saldos dos períodos seguintes, dos efeitos da 67 4 12 • MF • SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES Processo e 10280.001859/2001-80 CONFERE COM O CRLGINAL CCO2/C01 . Acórdão n.° 201430.945 Brasilit a f222,1tlis. 86 sosatÀtos. Mat. Sapo 91745 decadência dos períodos do ano de 1995, não se pode confundir o cancelamento dos débitos apurados com a recomposição dos saldos. A decadência, conforme admitida no Acórdão de primeira instância e no presente voto, atinge apenas os saldos devedores do imposto, que representam o crédito tributário. No presente caso, o aparecimento de saldos devedores deveu-se às glosas efetuadas anteriormente e seu cancelamento não tem efeito sobre as glosas de créditos efetuadas anteriormente e, por isso, não afeta o saldo de créditos. Quanto às alegações de nulidade do auto de infração, em face de alegadas contradições nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização, uma vez que teria utilizado os recibos "quanto às compras de madeira, porém, para a exclusão das compras de madeiras da parte das pessoas físicas e daquelas adquiridas com a 1VF/Eidai-Eidai (.), utilizou (nos anos de 1995/1996) apenas os valores das Notas Fiscais do Produtor (.)", o procedimento da Fiscalização é coerente, uma vez que as notas fiscais é que continham os valores das operações consideradas fontes ilegítimas do crédito presumido e, segundo a Fiscalização, seriam os documentos hábeis a demonstrar o direito. Os valores de apuração, além disso, sempre são extraídos da escrituração. Assim, se de fato eram os valores dos recibos superiores aos das notas fiscais e eram aqueles os escriturados, poder-se-ia concluir, no máximo, que teria ocorrido uma falha quanto à apuração dos valores totais que, ao final, acabaria beneficiando a contribuinte, não havendo, portanto, razão para considerar nula a apuração. Tratar-se-ia, no caso, de hipótese do art. 149, VIII ou IX, do Código Tributário Nacional (Lei rél 5.172, de 1966), que ensejaria a lavratura de auto de infração complementar, em procedimento de revisão de lançamento, sujeito, entretanto, ao prazo do parágrafo único do artigo citado e não de hipótese de nulidade. Quanto às aquisições de não contribuintes de PIS e Cofins, a questão, ao final, diz respeito a saber se as 114 da Secretaria da Receita Federal restringiram direito previsto em lei, relativamente às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas. Desde logo, devem-se afastar interpretações simplistas, baseadas em chavões do tipo "onde a lei não restringe, não cabe ao intérprete restringir", ou "a lei não contém palavras inúteis", pois a interpretação deve ser feita com base em critérios jurídicos e meios hábeis a definir os limites de sua aplicação. No caso do crédito presumido de IPI, que é incentivo fiscal, criado com uma finalidade específica (anular, ao menos em parte, o efeito indesejável da "exportação de tributos"), não se pode prescindir da interpretação teleol6gica. A lei, nesse caso, deve adequar-se ao fim que se propôs a atingir. Nesse contexto, não é possível admitir que se efetue ressarcimento sobre aquilo que não lhe sirva de causa, à vista de uma interpretação literal da lei. No caso do crédito presumido, só em aparência faltou ao texto legal a distinção valorativa entre aquisições efetuadas de contribuintes da Cofins e do PIS e de aquisições de não contribuintes, uma vez que o próprio dispositivo do art. l g refere-se a contribuições "incidentes sobre as respectivas aquisições". Ç27' ziÁ1 13 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo tf 10280.001859/2001-80 CONFERE COM O ORIGNAL CCO2/C01 Acórdão n.° 20140.945 Brasika. Fls. 807 Seee mbosa Mal: &o° 91745 Ademais, a valoração também somente aparenta estar ausente da disposição literal especifica do art. 22 da Lei n2 9.363, de 1996, uma vez que "matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" são os mencionados no artigo anterior. Por flui, o art. 5 2 da Lei determina que, se houver restituição ao fornecedor de valores relativos às contribuições pagas, ele deverá ser estornado pelo adquirente, o que implica ser completamente equivocada a tese de que, para a Lei ri 2 9.363, de 1996, a incidência das contribuições na aquisição seria irrelevante. No mais, adoto, em meu voto, os fundamentos do Acórdão n 2 201-77.932, do qual foi relatora a Conselheira Adriana Gomes Rêgo Gaivão: "Inicialmente, argumenta a recorrente que a exclusão, para efeito do cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos efetuadas a pessoas físicas foi indevida. Entretanto, discordo complemente deste seu entendimento. É que a Lei n2 9.363/96, em seu art. 1 2, é muita clara ao dispor. 'com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares rfs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições.' (negritei) Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido, deve-se observar que a lei fala em "incidentes sobre as respectivas aquisições", de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores, se, nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. A respeito deste assunto, e já contrapondo-se ao argumento da recorrente de que não pode haver interpretação restritiva neste caso, destaco o Parecer PGFN n2 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda: '21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa especifica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional.' E não é só a partir do art. 12 da Lei n2 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, nem tampouco em razão do que havia sido disposto pela MP n2 674/94, que foi revogado, porque, nos demais artigos da lei, também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: 4tur 14 ME - SEGUNDO CONSELHO PE CCAIIRMOINT8$ CONFERE COM O OR}64441,Processo n° 10280.001859/2001-80 CCO2/C01 • • Acórdão n.° 201-80.945 Broa _144_1_0 y 700Cf- Fls. aos Silviotqaboap Mat. Siape 91745 '24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5° da Lei n° 9.363, de 1996, in verbis: 'Art. 5° A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente.' 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do P1S/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 50, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei n°9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3° da multicitada Lei n°9.363, de 1996: 'Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.' (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o P1S/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei n° 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, 4,101 15 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n• 10280.001859/2001-80 CCO2/C01 • . Acórdão n.° 20140.945 &adia, y a "i=xv? F(3. 809 Silvio Mat Sapo 91745 o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei n°9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do P1S/PASEP e da COFINS.' A propósito, no tocante à exigência de apresentação de comprovantes do recolhimento das contribuições a que se referia a MP n 2 674/94, também convém trazer à tona palavras do parecer: '40. Outro argumento apresentado é no sentido de que, no sistema anterior, o incentivo seria condicionado à prova de que o fornecedor pagou o tributo, o que não ocorreria com a Lei n" 9.363, de 1996. Assim, como essa disposição não consta da referida Lei, estaria demonstrado que o novo sistema não condicionou a concessão do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insurno. 41. Ocorre que a alteração legislativa nada prova em favor dessa tese. Não é cabível dizer que, em vista da revogação de urna obrigação acessória (prova do pagamento de tributos pelo fornecedor), o incentivo não estaria condicionado ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumos. 42. Da revogação do antigo sistema é possível inferir apenas que o beneficiário do crédito presumido não precisará mais provar que o fornecedor do insumo pagou as referidas contribuições. Mas isso não quer dizer que o crédito presumido surge mesmo quando o fornecedor não pagou tais tributos. Uma coisa em nada tem a ver com a outra. 43. Inclusive, tal argumento cai diante do sistema de concessão e controle do crédito presumido fixado pela Lei n° 9.363, de 1996, fundamentado inteiramente na proposição de que o fornecedor do insumo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. 44. E a forma encontrada pelo legislador para conceder um crédito 'presumido' que reflita a média das 'incidências' do PIS/PASEP e da COFINS sobre os insumos que compõem o produto exportado, sem que o incentivo acarrete o enriquecimento sem causa do beneficiário foi, claramente, condicionar o aproveitamento do crédito ao pagamento das contribuições pelo fornecedor.' Ressalto que toda essa argumentação vale para os artigos 165 e 166 do PIPI/98 (artigos 179 a 184 do PIPI/2002), já que a matriz legal desses dispositivos é justamente a Lei n29.363/96." Ressalte-se, por fim, que é irrelevante a questão de que haveria equiparação das pessoas fisicas a jurídicas, em função da legislação do Imposto de Renda, uma vez que, de fato, não houve incidência das contribuições sociais nas operações. Ademais, seria completamente inoportuno discutir o enquadramento legal de outros contribuintes em sede de recurso relativo a lançamento de IPI, uma vez que tal matéria não está em discussão nos autos e este 22 Conselho de Contribuintes não seria competente para analisá-la. 77 sg9tk/ 16 . ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n• 10280.00185912001-80 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.945 erullio. „dr; aiiirr_im Ms. 810 SmoSf masa MãeSart 91745 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. NIO FRANCISCO sfWv1/4_, 17 Page 1 _0060500.PDF Page 1 _0060700.PDF Page 1 _0060900.PDF Page 1 _0061100.PDF Page 1 _0061300.PDF Page 1 _0061500.PDF Page 1 _0061700.PDF Page 1 _0061900.PDF Page 1 _0062100.PDF Page 1 _0062300.PDF Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062700.PDF Page 1 _0062900.PDF Page 1 _0063100.PDF Page 1 _0063300.PDF Page 1 _0063500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11543.002173/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/2003
PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL. Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, extingue-se após cinco anos contados da data de seu pagamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. A Conselheira Thais de Laurentiis Galcowicz apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Não se tratando de indébito lastreado em decisão judicial apropriada, o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, extinguese após cinco anos contados da data de seu pagamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. A Conselheira Thais de Laurentiis Galcowicz apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 21 73 /2 00 9- 98 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 927 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de importâncias pagas a título de COFINS, cujo pagamento indevido ou a maior da contribuição, segundo entendimento do contribuinte, possibilitou a apresentação das Declarações de Compensação 29518.53717.301009.1.7.040006 (fls. 385/388, vol. 2), com débitos do IRPJ – R$ 7.690.287,44, e CSLL – R$ 2.842.483,00, e 13597.58807.301009.1.3.049842 (fls. 475/478, vol. 3), igualmente com débitos do IRPJ – R$ 667.113,22 e CSLL – R$ 246.804,05. O pleito, formalizado em 25/09/2009, segundo a recorrente (Vol. 1 fls. 02/12), teve por fundamento o mandado de segurança preventivo nº 99.00057457 (cópia da inicial às fls. 281/304 do vol. 2), transitado em julgado em 12/8/2008 (fl. 320), "que declarou a inconstitucionalidade de ampliação da base de cálculo do PIS e da COIFNS, prevista pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98", e pediu, em resumo, a restituição de "todos os valores recolhidos a partir de agosto de 1999, com base na sistemática estabelecida pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, realizados indevidamente", aduzindo que o prazo para a restituição "se inicia com o trânsito em julgado da ação". Formulou o pedido em formulário papel (fl. 13/105), alegando que "o § 2º do art. 3º da IN SRF 900/2008 admite a utilização dos formulários nas hipóteses, como a presente, em que a restituição de crédito não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à RFB mediante a utilização do programa PER/DCOMP". Anexou ao seu pedido planilha demonstrativa dos valores "que pretende restituir" (R$ 15.069.403,65), mas consignou que "o presente pedido de restituição tem por objeto exclusivamente os valores indevidamente quitados por DARFs" (fl. 371), incluindo nos cálculos "os juros e multa eventualmente recolhidos em conjunto com o valor das contribuições a serem restituídas". Por meio do Despacho Decisório de fl. 488, a Delegada da DRF Vitória, em 17/03/2010, considerou não formulado o pedido de restituição e não homologou as compensações devido à prescrição que alcançou os pagamentos em que se baseia o crédito (CTN, art. 168, I), com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 714 (fls. 479/488), de 05 de março de 2010, onde concluiu em resumo que: “1) Não se trata de pedido de restituição de créditos reconhecidos judicialmente, pelos motivos abaixo listados: • Não há qualquer direito creditório reconhecido na citada ação judicial; • Não existe pedido de habilitação de créditos reconhecidos judicialmente; Fl. 931DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 928 3 • O próprio contribuinte informa não se tratar de crédito reconhecido por decisão judicial. 2) Inexiste qualquer direito creditório relativo aos pagamentos informados, pois todos os pagamentos encontramse prescritos pois foram efetuados em prazo superior a 5 anos da data de apresentação do pedido de restituição; 3) É indevido o meio de apresentação do pedido de restituição em formulário papel, pois a restrição ao pedido de pagamentos prescritos (prazo superior a 5 anos – art.168 CTN) não é considerada como impossibilidade para utilização do programa PER/DCOMP que justifique a apresentação em formulário papel.” Contra esse despacho decisório, o contribuinte manejou recurso hierárquico (fls. 498/515), em 20/05/2010, e manifestação de inconformidade (fls. 569/609), em 09/06/2010. A DRJ/RJ1, em 12/04/2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 671/680). Não resignada com o r. acórdão, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 690/743), no qual, em síntese, articula: em preliminar pede a nulidade da decisão recorrida por preterição ao seu direito de defesa, pois entende que o julgamento do recurso hierárquico interposto é prejudicial, uma vez que eventualmente venha a ser acolhido, novo despacho decisório deve ser proferido. Igualmente, entende nula a r. decisão por falta de apreciação do argumento de defesa no sentido específico de sua postulação que o prazo decadencial deve ter como dies a quo o "trânsito em julgado da ação própria", e não simplesmente com o pagamento; no mérito, reproduz o já manifestado, ou seja, que a interpretação das decisões anteriores interpretaram equivocadamente os arts. 165 e 168 do CTN, desconsiderando no caso concreto a existência do mandado de segurança e, principalmente, os efeitos do trânsito em julgado da decisão proferida pelo STF naquele, pois entende que "o prazo de cinco anos para pleitear a restituição tem início com o trânsito em julgado da ação própria, e não o mero pagamento"; aduz que a decisão transitada em julgado naquele mandamus reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, lhe garantiu o direito de apurar a base de cálculo da COFINS no período compreendido entre 09/1999 e 01/2004 nos termos da Lei Complementar 70/91 e que, "por decorrência, automaticamente, tornaramse indevidos os pagamentos de COFINS com base de cálculo ampliada". Em decorrência dessa assertiva, alega que o Fisco "não tem direito de exigir o crédito tributário" com a base de cálculo ampliada e que deve devolver os pagamentos efetuados com fundamento na norma declarada inconstitucional na ação mandamental, os quais só se tornaram indevidos com o trânsito em julgado do MS. Acresce que esse posicionamento já foi chancelado pela jurisprudência e positivado pela Lei 11.941/2009, que acresceu a alínea f ao § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, que reproduz, alem de julgados deste tribunal; afirma que "antes do trânsito em julgado do mandamus não era possível pleitear administrativamente a restituição/compensação", pois incidiria a concomitância a que alude a Súmula 01 do CARF; Fl. 932DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 929 4 igualmente, alega que antes do trânsito em julgado também não poderia pleitear judicialmente a restituição/compensação, transcrevendo ementa de julgado do STJ no sentido "de que a impetração do mandado de segurança interrompe o prazo para a propositura da ação de repetição do indébito"; averba que o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 foi revogado pelo art. 79 da Lei 11.941/2009, "praticamente atribuindo eficácia erga omnes à declaração de inconstitucionalidade"; postula que, eventualmente superados os argumentos anteriores, se aplique a tese dos cinco mais cinco, nos termos da jurisprudência do STJ; e, por fim, não sendo reconhecido o direito creditório da recorrente, em relação aos débitos compensados, pugna que não pode a administração exigir "estimativas" de IRPJ e CSLL que foram compensadas porque entende que as tais estimativas de IRPJ e CSLL, após o encerramento do anocalendário, deixa de existir, passando a ter lugar a apuração do tributo com base no critério anual. Para a recorrente, os recolhimentos das antecipações são exauridos por ocasião do anocalendário, ocasião em que o valor total recolhido será utilizado no encontro de contas com o IRPJ e da CSLL devidos segundo o critério anual, balizandose a cobrança pelo IRPJ e pela CSLL apurados em 31 de dezembro. Em 11/12/2014, por meio da Resolução 3202000.310, a então 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção (fls. 904/906), converteu o julgamento em diligência para que fosse juntado aos autos "cópia da decisão administrativa definitiva que apreciou o recurso hierárquico apresentado pela recorrente". De fls. 912/920, cópia do Despacho Decisório 91, da SRRF07/DISIT, de 14/05/2015, o qual não proveu o recurso hierárquico. Cientificado do mesmo, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Primeiramente afastase qualquer nulidade das r. decisões, pois não houve o mínimo prejuízo à defesa, o que se dessume das peças de insurgência. Ademais, este Colegiado, atendendo o pleito da recorrente em grau recursal, resolvendo aguardar a decisão do recurso hierárquico. Da mesma forma, não há que se falar em nulidade em relação à decadência, pois a r. decisão entendeu que o termo inicial de sua contagem é a data de pagamento, portanto fundamentando a decisão. Assim, descabida decretação de nulidade, pois não houve cerceio algum ao seu direito de defesa. Emerge do relatado que o contribuinte ajuizou mandado de segurança preventivo (cópia da inicial às fls. 281/304 do vol. 2) contra a ampliação da base imponível da COFINS (§ 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98), cujo pedido foi: Fl. 933DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 930 5 Foi deferida liminar (fl. 399) em 17/08/1999, nos seguintes termos: Fl. 934DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 931 6 Sobreveio sentença (fls. 402/413), em 03/03/2000, com o seguinte dispositivo: Da fundamentação dessa sentença (fl. 411), saliento o seguinte ponto: Aí reside o cerne da quaestio, e a partir do qual decido. A empresa ao formular seu pedido de repetição (R$ 15.069.403,65), e já saindo a compensar fração desse vultoso valor, parte de uma premissa jurídica equivocada. Como asseverado pelo próprio magistrado que concedeu a segurança, o objeto da ação mandamental é a emissão (um mandado) de uma ordem dirigida a uma autoridade coatora, não se prestando essa "via especialíssima" à declaração de inexistência de relação jurídica tributária e de inconstitucionalidade de normas legais. E a ordem foi dada, nos termos retrotranscritos. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 932 7 Portanto, o que a empresa obteve com a decisão que veio a transitar em julgado foi apenas uma decisão judicial de natureza mandamental sem qualquer efeito sobre a relação jurídica tributária propriamente dita. Mesmo com a ordem judicial para recolher a COFINS nos termos nos termos da LC 70/91 e Lei 9.715/98, respectivamente, a empresa, apesar de mover a máquina judiciária (embora tivesse sucumbido na apelação e remessa oficial), continuou a recolher nos moldes da Lei 9.718/98. Assim, não há falarse que o direito à repetição teria nascido com o trânsito do mandamus, pois este não tem natureza declaratória ou condenatória. Aliás, as citações que a recorrente faz de julgados deste colegiado, em especial a que fez menção a julgado do Presidente desta 3ª Seção, restou claro que o início do prazo decadencial tem como dies a quo o trânsito em julgado em ação declaratória, pois é esta que pode constituir ou desconstituir uma relação jurídica. Portanto, aqui já se afasta o pugnado no sentido de que o prazo decadencial começa a fluir do trânsito em julgado em qualquer espécie de ação judicial. No caso do writ of mandamus, não. Assim, sem reparos ao despacho decisório vestibular que entendeu que o pedido em questão não se trata de direito creditório reconhecido em ação judicial. Gizese que no formulário das PERDCOMP enviadas quando das compensações, no campo "Crédito Oriundo de Ação Judicial", a recorrente respondeu que "NÃO". O que deveria ter feito a recorrente, com base nessa decisão no MS, é ter ajuizado uma ação de repetição de indébito, de natureza condenatória, mas não o fez. Preferiu a recorrente, mais de ano após a definitividade daquele julgado, buscar diretamente a via administrativa, sem a mínima liquidez de um crédito postulado de R$ 15.069.403,65. E mais, o que ela busca neste processo é a restituição do valor integralmente pago, e não o crédito sobre a diferença entre o supostamente pago com base na Lei 9.718/98 com aquele que em tese deveria ser feito com arrimo no que o STF veio a decidir, ou seja, tomando como base imponível as receitas decorrentes das vendas de mercadoria, de mercadoria e serviços e de serviços de qualquer natureza. Tudo em tese, pois como dito, os valores são ilíquidos. E caso se tratasse de crédito oriundo de decisão judicial, deveria o contribuinte, anteriormente ao pedido em questão, submeterse à prévia habilitação do crédito, o que igualmente não foi feito. Assim, correto o entendimento das r. decisões que tomaram como termo inicial para a repetição, in casu, como sendo a data do eventual pagamento, incidindo, portanto, na hipótese, o art. 168, I, do CTN, pois não se trata de valor oriundo de decisão judicial em ação declaratória/condenatória (repetição de indébito). Nesse sentido, Parecer PGFN/CAT nº 1.538/1999, concluiu o seguinte sentido: ... III – o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, regese pelo art. 168 do CTN, extinguindose, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código Fl. 936DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 933 8 Nesses mesmos termos foi o entendimento vazado pela RFB no Ato Declaratório 96, de 26/11/1999. E nem se fale na tese dos 5 + 5 porque na data do protocolo do pedido judicial e administrativo já vigia a LC 118/2005, de acordo com a jurisprudência que veio a cristalizarse. Em resumo, sua incidência teve como marco inicial a data de 09/06/2005, ou seja 120 dias da publicação da LC 118 (EREsp 327.043/DF). Por isso, despropositado arguir tal tese. Nada obstante, ao fazêlo da forma que o fez, talvez buscando quitar, sob o manto da compensação, débitos milionários de pronto, a empresa deve se submeter a normatização da via administrativa. Como dito, a empresa não utilizou o programa PERDCOMP porque este limitava o pleito de repetição em cinco anos da data da quitação do débito (CTN 168), mas deveria têlo feito consoante determinava à época do protocolo do pedido administrativo a IN RFB 900/2008. O contribuinte alegou impossibilidade da utilização do programa PERDCOMP, para protocolar o feito em formuláriopapel. O art. 3º, § 1º, daquela IN determinava que o pedido de restituição deveria ser feito mediante o referido programa. O § 2º, excepcionava a utilização do mesmo. A impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, prevista no § 2º do artigo 3º da IN RFB nº 900 é caracterizada como a comprovada ausência de previsão da hipótese de restituição no aludido programa, ou a falha que impeça a geração do pedido eletrônico de restituição, conforme dispõe o artigo 98 da mesma IN. O parágrafo 5º do art. 98 da referida IN prescreve que não se considera como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, a restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, como é o caso. Assim, considerando que o "suposto" indébito ultrapassava os cinco anos do pagamento, o programa "travava" sua utilização. Dessa forma, injustificada a utilização do formulário papel. Foi por esse motivo que o despacho decisório local entendeu considerar o pedido em formulário papel como não formulado. Nesse sentido, determinava o §1º do art. 39 da IN RFB 900: Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. § 1º Também será considerada não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, de ressarcimento ou reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 98, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação ou formular o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso. Dessarte, sem reparos às vergastadas decisões. Por fim, descabe discussão acerca dos eventuais débitos compensados, por estranho ao objeto destes autos. Se assim entender a recorrente, deve fazêlo em procedimento próprio. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 934 9 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Com a devida vênia, ouso discordar do Ilustre Relator sobre a solução a ser dada ao presente processo, pelas razões a seguir expostas. Como consta do relatório, a Recorrente formalizou pedido de restituição de tributo pago indevidamente em 25/09/2009, com fundamento no Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00057457, cujo trânsito em julgado ocorrera em 12/8/2008. Por tal ação mandamental, o Poder Judiciário declarou, concreta e individualmente em relação à impetrante da ação, a inconstitucionalidade de ampliação da base de cálculo do PIS e da COIFNS, prevista pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Dessarte, a Contribuinte efetuou administrativamente seu pedido restituição de "todos os valores recolhidos a partir de agosto de 1999, com base na sistemática estabelecida pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, realizados indevidamente", aduzindo que o prazo para a restituição "se inicia com o trânsito em julgado da ação". Pois bem. Inicialmente, cumpre pontuar que tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 1 O direito dos contribuintes a reaver tributos indevidamente levados aos cofres públicos, porque inconstitucionais, tem fundamento na própria Constituição, especialmente no princípio da legalidade, uma vez que a aplicação equivocada do ordenamento jurídico é suficiente para justificar a restituição de tributos.2 Em nível infraconstitucional, os artigos 165 a 169 do Código Tributário Nacional fundamentam tal direito, sendo ainda editados atos normativo infralegais pela Receita Federal para viabilizálo. Porém, é certo que estes dispositivos de status infraconstitucional não podem restringir a garantia dada pela Carta Suprema aos contribuintes, de serem ressarcidos em caso de pagamento indevido de tributo. 1 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015, fls. 36. 54 e 55. 2 Ademais, os postulados da propriedade, igualdade, capacidade contributiva, equidade, justiça, segurança jurídica, moralidade, não confisco e responsabilidade civil do Estado por atos legislativos também lapidam o direito dos contribuintes a só serem tributados nos termos da Constituição. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 935 10 Como qualquer relação jurídica, a restituição de tributos inconstitucionais se baseia em uma norma geral e abstrata, a qual determina que, na hipótese de serem cobrados e pagos tributos com base em leis incompatíveis com os ditames da Constituição, os valores recolhidos ao Erário deverão ser devolvidos ao contribuinte lesado. Contudo, antes que efetivamente nasça o direito à devolução, um procedimento intermediário de reconhecimento da invalidade da lei tributária deverá ocorrer, qual seja, o controle de constitucionalidade da lei (seja o controle de constitucionalidade principal concentrado e abstrato ,3 seja o controle incidental difuso e concreto). 4 Uma vez concluído esse procedimento instrumental, restará devidamente declarada pela autoridade competente a inconstitucionalidade do ato normativo. Com isso, os pagamentos antes qualificados pelo direito como devidos passam a ser indevidos, concedendo aos contribuintes a possibilidade de acionar a máquina estatal para requerer a expedição de normas individuais e concretas determinando que, em face dos recolhimentos indevidos, o Estado deve, agora, efetuar a devolução desses montantes. Munido de manifestação judicial reconhecendo a invalidade do ato normativo, bem como que os pagamentos efetuados no passado foram indevidos, o contribuinte deverá manejar uma das vias postas à sua disposição pelo sistema jurídico para a efetivação da restituição de tributos indevidamente pagos: o processo administrativo ou o judicial. Por quaisquer dos dois caminhos o sujeito passivo da obrigação tributária poderá requerer a compensação ou repetição dos montantes inconstitucionalmente recolhidos ao Erário, tendo sempre o ônus de provar o recolhimento das quantias indevidas. Estabelecidas tais premissas, põese a primeira questão litigiosa do presente processo: seria o mandado de segurança em questão apto à declaração de inexistência de relação jurídica tributária e de inconstitucionalidade de normas legais (controle incidental – difuso e concreto de constitucionalidade), de modo a constituirse como título executivo extrajudicial para a restituição de tributos pelo contribuinte impetrante do mandamus? A meu ver, não há dúvidas que sim. A sentença proferida em sede de mandado de segurança tem cunho declaratório, cujo conteúdo não pode ser amesquinhado, sob pena de ilegitimamente diminuir se os efeitos da tutela jurisdicional proferida mediante instrumento tão caro ao ordenamento jurídico pátrio, alçado dentre as garantias fundamentais do artigo 5º da Constituição Federal. É, portanto, legítima a utilização da sentença do mandado de segurança que reconhece a inexistência de determinada relação jurídica/tributária em razão de inconstitucionalidade da norma instituidora da exação, como título judicial para requerer a restituição dos valores anteriores à sua impetração. 3 As principais características dessa espécie de fiscalização de validade dos atos normativos são a eficácia erga omnes, o efeito ex tunc e vinculante da decisão alcançada pelo STF em ação direta. Como consequência desses elementos, a declaração de inconstitucionalidade faz com que a lei sancionada saia do conjunto de normas válidas. Mas não é só. Em razão destes mesmos efeitos jurídicos, retrooperantes e gerais, é que se torna possível que qualquer contribuinte, pagador da obrigação imposta pela lei contrária à Constituição, possa se beneficiar da declaração de inconstitucionalidade para o pleito da restituição do que foi indevidamente recolhido a título de tributo. 4 Como regra, a decisão proferida por intermédio desse instrumento de averiguação de constitucionalidade dos atos normativos só atinge as partes envolvidas na causa, ou seja, a eficácia da norma para o caso concreto. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 936 11 Assim, se o contribuinte possui uma sentença mandamental declarando que o recolhimento de determinado tributo é inconstitucional, lógica e automaticamente5 está decidido que valores indevidamente recolhidos no passado a título desse mesmo tributo são “pagamentos indevidos”, ou quais devem necessariamente serem restituídos pelo Poder Público (artigo 165, inciso I do CTN). A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional evoluiu seu entendimento a este respeito, como se depreende do PARECER PGFN/CRJ n. 1177/2013, cuja ementa é a seguinte: Revisão do Parecer PGFN/CRJ/Nº 19/2011. Sentença de mandado de segurança, que reconhece a inexistência de relação jurídicotributária. Compensação de parcelas anteriores à propositura do writ. Possibilidade. Revogação do item 60 do Parecer ora referido. (grifei) Destaco os seguintes excertos do citado Parecer: “Após detido exame da doutrina e da jurisprudência atinente à matéria, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 19/2011 concluiu, em síntese, que a força executiva de uma sentença provém da natureza e do conteúdo da decisão, independentemente da denominação a ela atribuída, de tal maneira que gozará de eficácia executiva toda sentença tributária que, ao reconhecer a inexistência de relação jurídicotributária, contiver, mesmo que implicitamente, os elementos identificadores da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. 4. Nesse sentido, asseverou que, no campo tributário, além das ações condenatórias, gozam também de eficácia executiva as sentenças de procedência das ações de cunho declaratório ajuizadas após ocorrida a violação ao direito (no caso, o recolhimento indevido da exação pelo contribuinte), ainda que o objeto da demanda se limite a impedir a constituição de determinado crédito tributário futuro, na medida em que o direito à satisfação do crédito (restituição via precatório ou compensação) figura como consectário lógico das ações de tal natureza, não necessitando vir expresso na sentença ou no pedido da ação. (...) 13. Entretanto, em que pese todos os argumentos expostos nos itens 51 a 60 do Parecer PGFN/CRJ/Nº 19/2011 acerca da impossibilidade de compensação imediata dos créditos pretéritos à propositura do writ e, em 5 Haja vista que não há nesse caso quaisquer discussões sobre os efeitos da sentença (efeito era omnes ou vinculante), pois se trata de ação individual promovida pelo próprio contribuinte e, por óbvio, tampouco há qualquer questão relativa à modulação de efeitos da decisão, que no controle concentrado poderia impedir a qualificação dos pagamentos passados como indevidos. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 937 12 consequência, da necessidade de ajuizamento de nova ação para a satisfação de tais créditos, esta CoordenaçãoGeral evoluiu o seu entendimento, outrora conservador, pelas razões adiante delineadas. 14. É cediço que a atual postura da PGFN, quando da defesa da União em juízo, visa prestigiar, conjuntamente com os princípios da legalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, também os princípios constitucionais da efetividade, economia, razoabilidade, segurança jurídica e celeridade processual. 18. Com efeito, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 19/2011 sustentou ter eficácia executiva as sentenças declaratórias (tanto de ação declaratória como de ação mandamental) de demandas que contenham todos os elementos identificadores da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. 19. Quando o writ trouxer definição de certeza a respeito não apenas da existência da relação jurídica, mas também da exigibilidade da prestação devida, estará apto a reconhecer também direito creditório do contribuinte, independente de conter, na demanda, tal pleito expresso. 20. Logo, declarada judicialmente a inexistência da relação jurídicotributária e identificados todos os elementos da obrigação devida, sob o viés literal da legislação que rege o instituto da compensação (Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 , e CTN), deixa de existir óbice para o deferimento da compensação pela Administração Pública Tributária, já que o contribuinte estará amparado por decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inexigibilidade do tributo. (grifei) Aliás, não fosse assim, estarseia indo na contramão da função do direto processual em si. Com efeito, devemos lembrar que o processo é instrumento, e “como tal, é meio; e todo meio só é tal e se legitima, em função dos fins a que se destina”, de acordo com o ensinamento de Cândido Rangel Dinamarco. 6 E, como bem se sabe, a composição de conflitos é o fim a que se destina o processo, dando às pessoas que têm razão a tutela jurisdicional pleiteada. 7 Portanto, entendo que a sentença proferida na ação mandamental em apreço, transitada em julgado, é plenamente apta a garantir o direito da Recorrente à restituição dos tributos indevidamente recolhidos aos Cofres Públicos, desde que cumprido o prazo 6 DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. São Paulo: Malheiros, 2013, 15ª ed, p. 177. 7 DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. São Paulo: Malheiros, 2013, 15ª ed, p. 180. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 938 13 decadencial (para a restituição administrativa) ou prescricional (para a restituição pela via do Poder Judiciário) para tanto. A decadência do direito do contribuinte é configurada pela perda de sua legitimidade para repetir o indébito na esfera administrativa, em razão de decurso do período de tempo previsto em lei (cinco anos artigo 168, inciso I do CTN) como máximo para ser exercitado tal direito. In casu, a Recorrente optou pelo pleito administrativo de restituição/compensação dos valores e observou o prazo decadencial previsto pela legislação. Efetivamente. O trânsito em julgado da ação aconteceu em 12/08/2008, sendo este o preciso momento em que juridicamente os pagamentos até então entendidos como “devidos” passaram a ser qualificados como “indevidos” e, por conseguinte, passíveis de pedido de restituição. Antes de tal momento a Recorrente encontravase impedida de exercer seu direito ao pedido de compensação de tributos perante a Receita Federal. De fato, em sendo o caso do controle de constitucionalidade incidental, com sentença proferida no processo individual promovido pela Recorrente, devese atentar para o fato de que a propositura da ação interrompe a prescrição (artigo 219 do Código de Processo Civil de 1973, atualmente artigo 240 do Novo Código de Processo Civil), de modo que os valores recolhidos indevidamente nos últimos 5 (cinco) anos anteriores ao início do litígio judicial é que deverão ser restituídos. A jurisprudência do STJ é tranquila a esse respeito, conforme os julgamentos proferidos no REsp nº 1.181.834/RS e AgRg no REsp nº 1.181.970/SP, cujas ementas colaciono abaixo: PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. IMPETRAÇÃO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 168 DO CTN. INEXISTÊNCIA. 1. A impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional em relação à ação de repetição do indébito tributário, de modo que somente a partir do trânsito em julgado do mandamus inicia a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO – TERMO A QUO DA PRESCRIÇÃO – AJUIZAMENTO DA AÇÃO MANDAMENTAL. A impetração do mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional de modo que somente após o trânsito em julgado da decisão nele proferida é que voltará a fluir a prescrição da ação ordinária para a cobrança dos créditos Fl. 942DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 939 14 recolhidos indevidamente referentes ao quinquênio que antecedeu a propositura do writ. Agravo regimental improvido. Justamente em razão desta consolidada jurisprudência que o já citado PARECER PGFN/CRJ n. 1177/2013 conclui que: 23. Então, se a impetração do mandado de segurança possui o condão de interromper a fluência do prazo prescricional para a propositura da ação de repetição do indébito tributário, parece inócuo negar à parte o direito imediato à compensação das parcelas pretéritas ao ajuizamento do mandamus. 24. Ademais, como é sabido, ajuizada a ação de repetição do indébito, não poderá o Poder Judiciário decidir de modo diverso ao julgado anterior, que declarou a inexistência da relação jurídicotributária, à época, em litígio. 25. Portanto, submeter a matéria a um novo juízo de certificação antes de sua efetiva satisfatoriedade não apresenta muita utilidade prática, na medida em que o novo julgado apenas registrará o que já fora declarado na primeira ação, revestindo o da pretensão condenatória. Tendo sido o Mandado de Segurança Preventivo n. 99.00057457 protocolado em 13/08/1999, é certo então que todos os valores recolhidos indevidamente pelo contribuinte desde agosto de 1994 (cinco anos anteriores à impetração do writ) poderiam ser objeto de pedido de compensação administrativa. Ocorre que o presente caso possui uma particularidade: apesar de possuir decisão liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (fls 399), proferida em 17/08/1999, a Contribuinte permaneceu recolhendo a COFINS nos termos da Lei n. 9.718/98, ou seja, mediante a base de cálculo inconstitucional. Provavelmente por essa razão, quando do pedido de restituição de montantes indevidamente pagos a título de COFINS a ora Recorrente pleiteou tão somente os créditos referentes ao período de 1999 a 2003. Se os montantes datados de 1994 poderiam ser restituídos, não há dúvidas que aqueles compreendidos entre 1999 e 2003 tampouco restaram fulminados pela decadência. Por conseguinte, entendo que foi equivocado o despacho decisório (fls 912 a 920) que considerou o pedido de restituição como não formulado por ter a Recorrente utilizado o formulário em papel para o pleito da restituição do indébito. Não havia decadência do direito do contribuinte, portanto foi legítima a via utilizada para o pedido, nos moldes da IN SRF 900/2008.8 Não há dúvidas que os contribuinte devem observar as instruções normativas editadas pela Receita Federal para formalizar seus pedidos de restituição de tributos, porém eventuais erros formais e dificuldade operacionais nos sistema das Receita Federal, tão comuns e cotidianos diante da infinidade de situações distintas sobre a origem dos créditos tributários dos contribuintes, não podem servir de barreira ao direito à restituição de tributos inconstitucionais, sob pena de esvaziar completamente o instituto, pautado no mais caro princípio do Direito Tributário: a legalidade. Nesse sentido, lembro que o artigo 2º da Lei n. 8 Registro que a liquidação dos valores a serem restituídos seria o próximo passo e dever da Receita Federal, diante da informação da existência de tributos pagos indevidamente pelo sujeito passivo da obrigação tributária, que deveriam ser concedidos como crédito para a compensação pretendida, na exata extensão em que deferidos pela sentença judicial transitada em julgado. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11543.002173/200998 Acórdão n.º 3402003.081 S3C4T2 Fl. 940 15 9.784/1999 9 estabelece que a Administração Pública observará, entre outros princípios, o da razoabilidade, da moralidade e da eficiência. Assim, cumpre aos julgadores serem razoáveis ao avaliar o legítimo direito ao crédito dos contribuintes, levados indevidamente aos Cofres Públicos em razão de leis editadas em desconformidade com o texto constitucional. Por tudo quanto exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado com base na decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Preventivo n. 99.00057457. (assinado digitalmente) Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz 9 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 3/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Numero do processo: 11080.727134/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Somente é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 71 34 /2 01 4- 59 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 98 2 Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 19ª Turma da DRJ/RJO (Fls. 57), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado, contra Lançamento de Ofício nº 2012/129342220040520 relativo ao Exercício de 2012 Ano Calendário 2011 que resultou em crédito tributário no montante de R$ 7.817,59 , sendo R$ 4.050,15 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 3.037,61 de Multa de Ofício e de R$ 729,83 de Juros de Mora, calculados até 30/06/2014, conforme Notificação de Lançamento fls. 25/31. A Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados nos Demonstrativos de fls. 27/29, versando sobre as infrações de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Dedução Indevida de Despesas Médicas. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 07/07/2014 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 33, tendo protocolizado a impugnação de fls. 02/03 em 30/07/2014, onde consta: Com relação a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou Por Escritura Pública (fl. 27), com glosa no valor de R$ 19.150,00 o interessado afirmou: “A Escritura Pública de Divórcio deixa muito claro que estabelece um valor de Pensão Alimentícia Reajustável em comum acordo entre as partes. Por equívoco constou na mesma como tempo de duração o prazo de um ano, cuja falha foi imediatamente corrigida por nova Escritura Pública de Retificação e Ratificação que estabelece o tempo como sendo por prazo indeterminado.” Com relação a infração de Dedução Indevida de Despesas Médicas (fls. 28/29), com glosa no valor de R$ 2.200,00 o interessado questionou apenas o valor de R$ 450,00 , tendo afirmado: “As despesas hospitalares estão relacionadas a uma cirurgia de correção de pálpebras do próprio contribuinte cujos documentos lamentavelmente foram extraviados. Não restando alternativa senão a de recolher o tributo devido. Entretanto, com relação ao otorrino oftamologista, por óbvio que um cidadão idoso, com mais de 65 anos, acometido de rinite alérgica crônica necessita de várias consultas anuais devido às mudanças de Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 99 3 temperatura, do clima, pólen, poeira e outros agentes causadores de alergias” Vemos tratarse de impugnação parcial, sendo a parcela não impugnada no valor de R$ 1.750,00. (R$ 2.200,00 – R$ 450,00 = R$ 1.750,00). Desta forma, considerase incontroverso o Lançamento nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1.972, transcrito abaixo: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Segue abaixo o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido pertinente a Matéria Não Impugnada pelo contribuinte: Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados, fl. 24 77.956,48 2) Omissão de Rendimentos Apurada 0,00 3) Total das Deduções Declaradas, fl. 24 50.674,50 4) Glosas de Deduções Indevidas, fl. 28 (Não Impugnada/Mantida) 1.750,00 5) Previdência Oficial sobre o Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 29.031,98 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 831,78 8) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 9) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 10) Glosa de Dedução de Incentivo/ Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 11) Imposto Devido (RRA) 0,00 12) Total de Imposto Pago Declarado, (Ajuste Anual + RRA) 0,00 13) Glosa de Imposto Pago 0,00 14) IRRF sobre Infração e/ou CarnêLeão Pago 0,00 15) Saldo de Imposto a Pagar após 831,78 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 100 4 Alterações (789+10+1112+1314) 16) Saldo de Imposto a Pagar Declarado, fl. 24 636,19 17) Imposto já Restituído, fl. 30 0,00 18) Imposto Suplementar 195,59 Obs.: Valores em Reais Face aos cálculos contidos no Demonstrativo acima, restou incontroverso o valor de R$ 195,59 a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904) acrescido de Multa de Ofício (75%) e Juros Legais de acordo com a legislação vigente, pertinente a matéria não impugnada pelo contribuinte. Deve ser destacado à fl. 49, extrato do Termo de Transferência de Crédito Tributário, do presente processo para o processo administrativo nº 11080.727173/201456 no valor de R$ 195,59 além dos acréscimos legais. Igualmente deve ser destacado o extrato do presente processo à fl. 50, onde consta a citada transferência. O contribuinte em sua defesa anexou aos autos as cópias de documentos constantes das fls. 04/16 e 34/47. Passo adiante, a 19ª Turma da DRJ/RJO entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA. Somente pode ser deduzida a importância paga a título de Pensão Alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Decisão Judicial, de Acordo Homologado Judicialmente ou de Escritura Pública e desde que devidamente comprovada. PARTE DA INFRAÇÃO DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. (MATÉRIA NÃO IMPUGNADA) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. PARTE DA INFRAÇÃO DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Cientificado em 26/12/2014 (Fls. 70), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/01/2015 (fls. 72 a 76), argumentando em síntese: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 101 5 (...) Quanto ao valor de R$ 1.750,00, este teve o IRPF incidente sobre o mesmo regularmente quitado conforme acima demonstrado e documento anexo. Restando assim o valor de R$ 19.150,00, pagos a título de pensão alimentícia que conforme muito bem explicitado no documento de Impugnação apresentado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), conforme venerando Acórdão, o Recorrente teve rejeitados seus argumentos, embora claros, evidentes e perfeitamente legais, mas, mesmo assim, teve JULGADA IMPROCEDENTE a Impugnação, mantendo assim o crédito tributário constante da Notificação de Lançamento n.° 2012/129342220040520, sendo IRPF de R$ 4.050,15, de cujo valor deverá ser deduzido o montante de R$ 195,59 relativo a matéria não impugna e cujo recolhimento já foi efetuado conforme dito alhures. (...) Entretanto, como a situação física e mental da Outorgante e reciprocamente Outorgada NOELI agravouse acentuadamente, sua necessidade de ajuda financeira perdurou e, ao contrário, aumentou, por conseqüência necessitando de maior amparo financeiro, e dentro das possibilidades do Recorrente, e, embora tenha constado prazo determinado para finalizar os pagamentos, este foi lançado no documento pelo próprio Oficial Registrador, pois julgada uma situação normal entre casais capazes ao se divorciarem. Porém, agravandose o estado físico e mental da senhora NOELI, e constandose a necessidade de ser revista a durabilidade do pagamento de pensão, pois continuadamente sempre foi paga, as partes formalizaram NOVA ESCRITURA PÚBLICA de RETIFICAÇÃO e de RATIFICAÇÃO, no Estado do RGS, Município de Gravataí Serviço Notarial Raupp, Livro n° 79 B, de contratos, folhas 111, 11 lv, n.° geral 20.557, lavrada em 1708/2012, na qual consta o Divórcio do Recorrente e de Noeli Ferreira dos Reis, inscrita no CPF/MF sob n.° 981.861.75091. No documento RETIFICADO e RATIFICADO em questão, consta no item Oitavo Da Pensão Alimentícia: verbis: "[...] no qual constou, no item oitavo, erradamente, o prazo de pagamento da pensão alimentícia para, ela, outorgante e reciprocamente outorgada, como sendo de um ano, iniciado em 21 de janeiro de 2008, quando, na verdade, o correto é por prazo indeterminado". Portanto, para qualquer entendimento extraído do referido documento o mesmo RETIFICA o PRAZO DE VALIDADE para que passe a constar como PRAZO INDETERMINANDO e RATIFICA o pagamento da PENSÃO ALIMENTÍCIA, em valores reajustáveis de COMUM ACORDO entre os Outorgantes e reciprocamente Outorgados, cujo valor passou a oscilar em Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 102 6 maiores necessidades/face ao agravamento da situação física e mental da senhora NOELI, conforme já muito bem explicitado alhures. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Resta em litígio a Glosa do valor de R$ 19.150,00 indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução; e Glosa do valor de R$ 450,00, do beneficiário: Guindani – Clínica Médica S/S Ltda, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. No presente caso não assiste razão ao Recorrente. Em relação a Glosa de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, tendo o Recorrente juntado escrituras públicas (fls. 11/13 e 86/89 e fls. 15/16 e 90/93), observo ser correto o entendimento exarado pela DRJ em sua decisão: (...) Cabe ser destacado que o ano em lide é o de 2011, portanto, a cópia de Escritura Pública de Retificação e Ratificação de fls. 15/16 foi emitida em anocalendário posterior (2012), não podendo pois ser considerada na presente análise.. (...) Logo no anocalendário de 2011, o contribuinte não teria que pagar Pensão Alimentícia a sua excônjuge, sendo o pagamento ato de mera liberalidade do mesmo. Concordo com o entendimento desposado pela DRJ de que não há comprovação da obrigatoriedade de pagamento de Pensão Alimentícia no ano em lide, devendo ser mantida a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou Por Escritura Pública. Em relação a Glosa do valor de R$450,00, do beneficiário Guindani – Clínica Médica S/S Ltda, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, mesmo sendo alertado pela DRJ, o Recorrente não anexou aos autos documentação alguma que respaldasse a despesa médica em questão. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.727134/201459 Acórdão n.º 2201003.037 S2C2T1 Fl. 103 7 Razão pela qual deve ser mantida a glosa da dedução. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10380.723648/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 36 48 /2 01 3- 15 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.723648/201315 Acórdão n.º 2401004.347 S2C4T1 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0954.671 (fls. 44/49), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº .364, de 10 denovembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento n° 2012/693635150246445 de fls. 26/29 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 2.506,27 referente a imposto sobre a renda de pessoa física suplementar. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07) a fiscalização informa a glosa de R$ 24.182,32 correspondente à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos seguintes termos: Para demonstrar que não incorreu em omissão de receita, por ser portador de moléstia grave, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória (fls. 02/05), com os seguintes argumentos: a) Que o auditor fiscal desconsiderou o laudo emitido pelo médico particular que acompanha o paciente há mais de 20(vinte) anos e que atesta ser portador de moléstia grave b) Que no bojo do processo já constam diversos documentos hábeis a comprovar o acometimento de moléstia grave, entre eles, a comprovação de realização de cirurgia para tratar da doença de Parkinson. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 c) Apresenta Laudo Pericial nos moldes exigidos pela Secretaria da Receita Federal, bem como declaração emitida por serviço oficial, suprindo omissão indicada, e culminando com a regularidade dos procedimentos de declaração de imposto de renda. Para a DRJ/JFA (fls. 44/49) a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam: não constam nos autos documentos hábeis a demonstrar a condição do contribuinte de aposentado, reformado ou pensionista bem como sob sua condição de portador de moléstia grave. Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 18/11/2014 (A.R. fl. 52), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 55/64) em 24/11/2014, no qual alega, em síntese: a) Não ser razoável supor que o contribuinte era empregado da instituição BrasilPrev, considerando apenas informação constante em DIRF, eis que constam nos autos diversos documentos comprobatórios e que ora anexa, indicando que recebe seus benefícios de aposentadoria da entidade privada, que é a sua atividade fim; b) Destaca a preclusão e impertinência quanto ao questionamento de vínculo entre o Recorrente e a fonte pagadora, tendo em vista que o mérito reside na comprovação ou não do acometimento do contribuinte a moléstia grave, para o gozo das prerrogativas legais; c) Que desde o primeiro momento do processo de fiscalização deixou claro ser acometido da referida doença e fez constar diversos documentos comprobatórios que a comprovam. d) Ressalva a conduta de negativa de aceitabilidade de laudo particular emitidos pelo Dr. Francisco Cardoso, e do serviço médico oficial do município de TauáCe, Dr. José Ney Leal Petrola, sobre o argumento do último não ser servidor efetivo do Município; e) A fim de validar o vínculo, ressalta que o serviço público não se da somente mediante concurso, mas também através de contratação temporária e também direta na forma da Norma Operacional Básica do Sistema único de Saúde; f) Defende a busca pela verdade real por parte do julgador, princípio que norteia o procedimento administrativo tributário e as próprias decisões do Carf. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.723648/201315 Acórdão n.º 2401004.347 S2C4T1 Fl. 84 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Prevê o art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Assim, dois são os requisitos para a isenção do imposto de renda: que o contribuinte perceba rendimentos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, e que haja a comprovação da moléstia grave. No caso dos presentes autos, conforme relatado anteriormente, o ora recorrente alegar ser portador do mal de Parkinson e pleiteia a isenção para os rendimentos da fonte pagadora BRASILPREV. Para a verificação da moléstia grave antes do período a que se pleiteia a isenção, qual seja, anocalendário 2008, o recorrente apresenta laudo médico particular, datado de abril de 2012 (fls. 6 e 7) que atestam que o mesmo é portador da "doença de Parkinson" (CID 10 G 20) desde fevereiro de 1994. Este laudo é elaborado pelo Dr. José Ney Petrola, CRM 2299, e emitido em papel timbrado da Secretaria Municipal de Tauá/CE. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Posteriormente, o contribuinte obteve Laudo Médico emitido pelo Ministério da Fazenda (fl. 39), por junta médica presidida pelo Dr. Francisco Nobre de Oliveira CRIM 2974, que reconhece ser o contribuinte portador de doença especificada em lei como "DOENÇA DE PARKINSON" e faz menção desta ser "a partir de 05/06/2014", justamente a data de elaboração do Parecer Médico. Assim, entendo que o conjunto probatório trazido ao processo administrativo é suficiente para fazer crer, sem dúvidas, que o contribuinte é portador da moléstia grave desde período anterior ao anocalendário em que se discute a isenção (2011). Quanto ao segundo requisito, referente justamente a natureza do rendimento percebido, se este tratase de aposentadoria ou pensão. A omissão de rendimento foi percebida e objeto de lançamento pela autoridade fiscal porque a fonte pagadora BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A (CNPJ nº. 27.655.207/000131) informou em DIRF que o valor pago no montante de R$ 24.182,32 é tributável. Nestes termos, temse instaurada a controvérsia em saber a natureza desse pagamento e, assim, aplicar a isenção ou não caso possua a natureza de aposentadoria ou pensão. Ocorre que neste ponto específico, o contribuinte deixou de produzir quaisquer provas a respeito. Destacase que, aparentemente, tratase de prova de fácil apresentação e comprovação, bastando mostrar qual a relação jurídica entre o recorrente e a BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, para ser verificada a natureza do pagamento e, assim, aplicar ou não a isenção. Desse modo, por ausência de comprovação da natureza do pagamento, entendo que não cumprido um dos requisitos essenciais para a aplicação da isenção do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000677/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO.
Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO.
Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestar-se, solucionando-a.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS.
Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação.
Numero da decisão: 3401-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, em reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO. Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestar-se, solucionando-a. LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS. Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO. Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestarse, solucionandoa. LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS. Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, em reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 77 /2 00 9- 12 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 417 a 423)1 opostos pela Fazenda, em relação ao Acórdão nº 3401002.336 (fls. 407 a 410), no qual, por unanimidade, foi negado provimento ao recurso de ofício interposto: "AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO. NULIDADE. É nulo o auto de infração cujo enquadramento legal está incorreto e não contém a norma legal infringida, vez que essa falha é vício insanável." (Acórdão nº 3401002.336, Rel. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça, unânime, sessão de 25.jul.2013) (grifo nosso) Alega a embargante que o acórdão incidiu em omissão "ao deixar de analisar com a profundidade necessária a efetiva existência de prejuízo para o contribuinte, especialmente tendo em conta a robusta e contundente impugnação por ele apresentada", juntando jurisprudência do CARF. Requer ainda a embargante que fique "expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal), bem como para que se pronuncie adequadamente acerca do prejuízo sofrido pelo contribuinte" (a Fazenda entende que a nulidade foi por vício formal, à luz da doutrina de Leandro Paulsen, e de julgados do CARF). Os embargos foram admitidos (com ressalvas) pelo despacho de fls. 429 a 431, e o processo foi a mim sorteado para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 435 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 429 a 431, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas. Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissões, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, os embargos foram admitidos com ressalvas. Isso porque um dos argumentos para os quais se suscitou omissão (aprofundamento do debate a respeito da efetiva verificação da nulidade, discutindo quais os prejuízos à parte), conforme corretamente destacou o conselheiro designado para o exame de admissibilidade, não é atacável por embargos, por constituir rediscussão de mérito, sendo o remédio apropriado o recurso especial. Acordando com tal pressuposto, seguimos na análise da única omissão apontada objetivamente, a respeito da classificação do vício que ensejou a nulidade da autuação. Sobre tal omissão, entendeu o conselheiro designado para o exame de admissibilidade que "há omissão no julgado acerca da modalidade de nulidade atribuída, representando este tema um aspecto prático importante, consistente na possibilidade de aplicação da prerrogativa inserta no art. 173, II do Código Tributário Nacional, devendo constar tal informação na decisão e, com isso, evitar o cerceamento de defesa da Fazenda". Temos sustentado posicionamento diverso, bem esclarecido no julgamento de embargos semelhantes, no Acórdão no 3403003.139, sempre com acolhida unânime da turma: "A preocupação da Fazenda Nacional nitidamente se refere à aplicação do art. 173, II do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Assim, deseja, na prática, saber a Fazenda saber se seria possível a lavratura de outra autuação para exigência dos montantes afastados pela DRJ. A Fazenda indica em seu arrazoado uma sugestão de classificação dos vícios (em formais e materiais) proposta por Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Leandro Paulsen, sendo os formais os atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário, e os materiais os relativos à validade e à incidência da Lei. (...) Contudo, entendo que descabe ao CARF manifestarse sobre o tema, na linha do que já vem decidindo unanimemente esta turma: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO PELA NULIDADE. FUNDAMENTOS. CLASSIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.” (Acórdão no 3403002.512, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2013) Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestarse sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões pré concebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ou obscuridade ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF". (grifo nosso) Ou seja, além de não haver nenhuma obrigação de classificação dos vícios na legislação de regência (classificação essa, digase, doutrinária ou jurisprudencial, porque não há critério normativo explícito para a distinção), a manifestação deste colegiado em relação ao tema é, a nosso ver, absolutamente inócua, porque não vincula a apreciação das autoridades que julgarão eventual nova autuação sobre o tema sobre possível decadência. Em outras palavras, de nada adianta este colegiado reconhecer como formal eventual vício, levando a fiscalização a lavrar nova autuação, se os órgãos julgadores que analisarão tal autuação entenderem que o vício é material. A única utilidade de tal classificação, como se destacou no exame de admissibilidade, é procedimental, facilitando a evidenciação das providências a serem tomadas pela unidade local. E, em nome de tal facilitação, até estaríamos dispostos a seguir adiante em relação ao entendimento externado, classificando o vício, com a plena consciência de que poderíamos, caso entendêssemos como formal o vício, ensejar uma falsa expectativa à unidade local, que lavraria nova autuação que poderia ser afastada ainda na instância de piso, se esta discordasse de nossa classificação. Mas, para empreender tal análise, necessitamos de algo mais do que a sintética proposta de classificação de Leandro Paulsen, apresentada pela Fazenda, de fácil assimilação, mas de difícil aplicação ao caso concreto. Entendemos que um grande passo foi dado na uniformização dos critérios a serem considerados na classificação dos vícios no lançamento tributário com obra recentemente publicada, fruto da dissertação de mestrado do Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 436 5 conselheiro deste CARF Luís Eduardo Garrossino Barbieri, na qual são estabelecidos pressupostos teóricos de classificação dos vícios, seguidos de visão pragmática (Capítulo 6), com exemplos de julgamentos do STJ e do CARF.2 E, na citada obra, tenho dois indicadores claros de que o vício detectado no presente processo seria de ordem material. O primeiro é de que, no caso, é impossível lavrarse nova autuação sem investigação adicional, visto que a própria sistemática adotada terá que ser revista (para apuração não cumulativa, com base nas leis de regência, no 10.637/2002 e no 10.833/2003), e "o vício formal não admite investigações adicionais" (conforme entendimento endossado unanimemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão no 9202 002.731). O segundo, fruto de incrível e improvável coincidência, é que o autor da referida obra usa exatamente o acórdão embargado que estamos a discutir (Acórdão nº 3401002.336) como um dos exemplos da corrente que o considera vício material, à fl. 246. De qualquer modo, no presente caso não será necessário aprofundar conclusivamente o estudo destinado a identificar de qual vício se está a tratar, pois a demanda da Fazenda pela classificação do vício nos fez empreender leitura detalhada do acórdão embargado, fazendonos visualizar situação mais grave, e que seria inegavelmente ensejadora de embargos: a contradição entre a conclusão do voto e a ementa do acórdão embargado. A DRJ não anula a autuação por vício. Simplesmente cancela o lançamento, no mérito, como se percebe da conclusão do julgamento (fls. 392/393): "38. Portanto, se tencionava resguardar o crédito tributário da decadência, em vez de tentar adequar os lançamentos a uma sentença ainda não transitada em julgado, como afirma no termo anexo às fls. 121/126 do Volume 1, a autoridade fiscal deveria têlos realizado de acordo com a legislação em vigor à época, ou seja, pelo regime da nãocumulatividade instituído pelas leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Até porque a referida sentença, além de não ter produzido coisa julgada, visto que a reformou em parte a instância superior, se limitava a tratar da base de cálculo, sem entrar na questão do regime de apuração aplicável à empresa. 39. Assim, estando ambos os lançamentos em total desconformidade com a legislação de regência, é necessário, em homenagem ao princípio da legalidade, cancelálos integralmente." CONCLUSÃO 40. À vista do exposto, voto por julgar procedente a impugnação, e cancelar integralmente o crédito tributário lançado. 41. Reitero que a exoneração do crédito tributário em apreço só será definitiva após o julgamento do recurso de ofício ora interposto." (grifo nosso) 2 BARBIERI, Luís Eduardo Garrossino. Lançamento tributário: vícios e seus efeitos. Critérios para diferenciar os vícios formais dos vícios materiais. Novas Edições Acadêmicas, 2015. Disponível em: https://www.nea edicoes.com/catalog/details/store/us/book/9783639848373/lan%C3%A7amentotribut%C3%A1rio: v%C3%ADcioseseusefeitos?search=Abuso%20sexual%20em%20crian%C3%A7a. Acesso em 08.fev.2015. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 O CARF, por sua vez, anula o lançamento por vício, mas ao mesmo tempo diz confirmar o julgamento da DRJ, na íntegra, em flagrante contradição, como se atesta na conclusão do voto do relator (fls. 409/410): "Verificando o auto de infração, notase que os lançamentos tiveram como enquadramento legal os arts. 1o e 3o, da Lei Complementar nº 7/70, e os arts. 3o, 10, 22 e 51, do Decreto no 4.524/02. Ocorre que o acórdão do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente foi bem claro ao determinar que se aplicaria a Lei Complementar no 7/70 e 70/91 somente até os adventos das Medidas Provisórias no 66/2002 e 135/2003, convertidas, posteriormente e respectivamente, nas Lei no 10.637/02 e 10.833/03, (...) O período lançado é posterior ao advento das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, de modo que é indevido o lançamento com enquadramento legal na Lei Complementar nº 7/70, por expressa determinação judicial, bem como é indevido o enquadramento legal com base no Decreto nº 4.524/02, vez que essa norma regulamenta a cobrança e fiscalização do PIS e da COFINS apurados na forma das Leis Complementares nº 7/70 e 70/91. No presente caso, o erro no enquadramento legal deixou o auto de infração nulo porque, além de fundamentado em norma que não se aplica ao caso, deixou de apontar a legislação aplicável ao caso, de modo que está em desacordo com o art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que determina que o auto de infração deve conter a disposição infringida. Esse vício é insanável, porque corrigir o enquadramento legal seria inovar a fundamentação jurídica, o que gera o cerceamento de defesa. Portanto, devese manter o acórdão da DRJ em sua integralidade para cancelar o auto de infração. Ex positis, nego provimento ao Recurso de Ofício interposto, para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade." (grifo nosso) A conclusão externada no voto, assim, apresenta indiscutível contradição, atacável por embargos de declaração, sequer cogitados nos autos em relação ao tema. No entanto, tendo o colegiado verificado a contradição, não há como esquivarse de analisála, ainda que de ofício, em nome da verdade material. Entendeu o CARF que a decisão de piso, que cancelava, no mérito, a autuação, era correta? Ou entendeu o CARF que havia nulidade na ausência de indicação da disposição legal infringida e da pena aplicável (inciso IV do art. 10 do Decreto no 70.235/1972)?3 A nosso ver, o julgador entendeu ambas as coisas. Mas foi contraditório na forma de externar a conclusão, pois o mesmo Decreto no 70.235/1972, em seu art. 59, § 3o, estabelece que se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a 3 Não se está aqui a discutir se a ausência das informações referidas no inciso IV do art. 10 é ensejadora de nulidade. Isso porque a matéria já foi assim decidida pela turma, não sendo atacável pela via de embargos de declaração. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 437 7 nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Assim, diante da contradição detectada, há que se esclarecer qual o posicionamento adotado no acórdão embargado. E, havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (concordância integral com a DRJ, ocasionando cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação. E, diante de tal evidenciação, a ausência de classificação do vício, que a Fazenda entendia como omissão, revelase ainda mais insignificante no presente processo, visto que o que houve, de fato, foi o cancelamento, no mérito, da autuação (que guardaria, reconheçase, indiscutível relação com o vício material). Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, por reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. Rosaldo Trevisan Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
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(assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 03 57 3/ 20 08 -8 8 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 476 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 377/382 dos autos: Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASE indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 477 3 julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.8,41.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos "; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, nos cálculos.realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a alíquota de 5%; em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 478 4 legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e .1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680) ; b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.540066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. É o relatório. Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 479 5 Ato contínuo, nesta mesma decisão de fls. 377/382 dos autos, a então Relatora, Conselheira Andréa Medrado Darzé, entendeu por converter o julgamento do processo em diligência, com base nos seguintes fundamentos: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. . Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) —ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908. 1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 480 6 Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. Em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 387/404 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 405 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 406 dos autos). De outro norte, em atendimento à diligência constante do item (ii) supra, o contribuinte anexou aos autos cópia do processo nº 2007.34.00.0308022 (fl. 409 e seguintes). É o que havia de relevante para relatar. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 481 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 387/404 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 405 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 406 dos autos). Percebese, contudo, que não foi atendida a parte final da diligência solicitada, no sentido de identificar "se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte". Ocorre que, como destacou a então Relatora quando da conversão do julgamento em diligência, tal esclarecimento seria essencial para fins de se identificar se "foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado". Logo, apenas a juntada do AR aos presentes autos, sem a informação sobre o desfecho do caso (certificação sobre o transcurso do prazo para se manifestar, ou mesmo a apresentação de eventual manifestação e os atos decisórios subsequentes), não atende ao fim da diligência requerida, imprescindível à solução da presente demanda. Verificase, portanto, que o presente processo não se encontra devidamente instruído para fins de julgamento. Sendo assim, tendo em vista que tal diligência, anteriormente solicitada pela Conselheira Andrèa Medrado Darzé, não foi adequadamente atendida, e, no intuito de evitar quaisquer dúvidas adicionais, voto no sentido de que o presente julgamento seja convertido novamente em diligência para fins de que seja juntado aos presentes autos cópia integral do Processo Administrativo n° 14033.000196/200825. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10183.723840/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social.
ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO.
Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante.
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.
CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE.
É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição.
NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento.
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do Decreto-Lei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos.
Numero da decisão: 1301-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, ficando vencidos: os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator), quanto à exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A (designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha); o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, relativamente à multa qualificada e à incidência dos juros de mora sobre a referida multa; e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, no que tange às demais matérias. o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, relativamente à matéria principal, acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do Decreto-Lei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos.
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ÁGIO. TRANSFERÊNCIA Recorrente ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 38 40 /2 01 3- 20 Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.142 2 Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.143 3 patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, ficando vencidos: os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator), quanto à exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A (designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha); o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, relativamente à multa qualificada e à incidência dos juros de mora sobre a referida multa; e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, no que tange às demais matérias. o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, relativamente à matéria principal, acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.144 4 Relatório Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 15.957.249,86, incluindo acréscimos legais (fls. 2). O contribuinte foi cientificado em 24/9/2013 (fls. 2.259). A fiscalização apurou os seguintes fatos e infrações (fls. 29/51): I. Histórico societário da empresa · 6/10/1988 constituída com a denominação social de FERRONORTE S/A FERROVIAS NORTE BRASIL(doravante FERRONORTE). · 14/07/1998 – aprovado o Protocolo de Incorporações de Ações e Justificação, firmado em 10/04/1998, que tem por objeto a incorporação de todas as ações da FERRONORTE pela FERROPASA FERRONORTE PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127 (denominação social alterada em 05/04/2002 para BRASIL FERROVIAS S/A), constituída em 11/02/1998, convertendo a Companhia em sua subsidiária integral. · 15/12/1998 – a FERRONORTE deixou de ser subsidiária integral da FERROPASA FERRONORTE PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127 (BRASIL FERROVIAS S/A), que passou a ser sua controladora, proprietária de, no mínimo, 96% (noventa e seis por cento) das ações representativas do capital social da companhia. · 28/12/2007 – passa a ser controlada pela empresa NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, originada da cisão parcial da BRASIL FERROVIAS S/A em 28/12/2007. · 3/11/2008 a denominação social da companhia foi alterada para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S.A. · 15/10/2009 a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, então subsidiária integral da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000195, foi incorporada por esta, que passou a ser a controladora direta da companhia. · 11/02/2010 aprovada a incorporação pela companhia da parcela cindida do patrimônio da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000195, cujo capital pertencia integralmente à ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, (haja vista que a outra sócia, a empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, lhe cedeu, em 30/12/2009, a única quota de capital de que era possuidora). III. Origem do ágio Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.145 5 · Em 16/6/2006, a AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A (ALL LOGÍSTICA) adquire a Brasil Ferrovias S/A (BF) e a Novoeste (NO), em operação de incorporação de ações na qual essas empresas passaram a ser suas subsidiárias integrais. · O ágio total registrado na aquisição foi de R$ 2.496.807.000,00 (fls. 39). · Não houve nenhuma inversão financeira (pagamento em espécie) pela incorporação das ações, ocorrendo, pois, mera substituição de ações, recebendo os acionistas das empresas convertidas em subsidiárias integrais, novas ações de emissão da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160. IV. Da transferência do ágio · A amortização do ágio em comento, sob o ponto de vista fiscal, não seria vantajosa para a holding ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, já que suas despesas e receitas advêm, via de regra, de equivalência patrimonial, que são neutras tributariamente. · Em 3/12/2007, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160 (ALL) juntamente com a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 07.749.207/000102 (ALL Participações), adquiriram a empresa J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e integralizaram o capital social (ainda apenas subscrito), em moeda corrente, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), proporcionalmente à participação de cada uma, qual seja, 499 quotas da ALL e 1 quota da ALL Participações (quota esta posteriormente cedida para a ALL). · Na mesma data da aquisição, resolveram aumentar o capital social de R$ 500.00 (quinhentos reais) para R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), aumento subscrito e integralizado pela ALL, mediante a conferência dos seguintes bens: b1) totalidade das ações ordinárias e preferenciais da BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127; b2) totalidade das ações ordinárias e preferenciais da NOVOESTE BRASIL S/A, CNPJ n° 07.593.583/000150. · Em 28/12/2007, após a cisão parcial da BRASIL FERROVIAS, a FERRONORTE, passou a ser controlada pela NOVA BRASIL FERROVIAS. · Segundo a impugnante a cisão foi efetuada para separar a parte do investimento que não pertencia ao Grupo LAIF, acionista minoritário que ingressou com ação judicial com a ALL Logística. · Em 25/07/2008, a J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000191, incorporou, a valor patrimonial contábil, as empresas BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ n° 02.457.269/000127, NOVOESTE BRASIL S.A., CNPJ n° 07.593.583/000150 e NOVA FERROBAN S/A, CNPJ n° 04.004.203/000107. · Em 29/10/2008, as denominações sociais das companhias foram alteradas, passando de Ferrovias Bandeirantes S/A (FERROBAN S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A; de Ferrovia Novoeste S/A (NOVOESTE S/A) para ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA OESTE S/A e de Ferronorte S/A Ferrovias Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.146 6 Norte Brasil (FERRONORTE S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. · Em 5/11/2009, a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA (nova denominação social da J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) incorporou a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, com patrimônio líquido contábil de R$ 169.502.379,49 (cento e sessenta e nove milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta e nove centavos), igual ao investimento detido pela Incorporadora, cujo capital social permaneceu, pois, inalterado. · Em 30/11/2009, encerrando a operação, foi aprovada a cisão total da empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo vertidas as parcelas de seu patrimônio líquido cindido (valor contábil) para a ALL Malha Oeste, ALL Malha Paulista e ALL Malha Norte. No caso específico da ALL Malha Norte, o acervo líquido incorporado no valor de R$ 395.405.821,85 (trezentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos), correspondeu exclusivamente à participação que a cindida detinha em seu capital social, motivo porque não houve aumento do mesmo. · Assim, com a cisão total da Multimodal, o valor integral do ágio existente foi transferido para cada sociedade controlada, cabendo à ALL Malha Norte o montante de R$ 2.050.356.234,91 (dois bilhões, cinqüenta milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil, duzentos e trinta e quatro reais e noventa e um centavos). · A transferência do ágio da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICAS/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, para a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A,CNPJ n° 24.962.466/000136, com passagem pela empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA,CNPJ n° 09.085.491/000191, é totalmente descabida e inaceitável, pois tal operação somente seria possível em caso de fusão, cisão ou incorporação, com a conseqüente extinção das empresas fusionadas, cindidas ou incorporadas, o que não ocorreu no caso presente, O ágio em comento foi transferido em uma operação de aumento de capital, realizado pela ALL América Latina Logística S/A,na empresa Multimodal Participações Ltda (então denominada J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS EPARTICIPAÇÕES LTDA). · Ainda que fosse lícito o aproveitamento do ágio pela fiscalizada, tal operação não poderia ter sido engendrada porquanto a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕESLTDA, malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente com o propósito de possibilitar a dedução indevida das despesas com a amortização do ágio gerado na operação de incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. · A Multimodal foi constituída em 15/08/2007, sob a denominação social anterior de J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede na Rua Pamplona n° 818, 9° andar, conjunto 92, bairro Jardim Paulista. CEP 01.405001, São Paulo SP, e tendo como sócias as Sras. Adriana Vechies Salvini, CPF n° 270.566.92800, e Linéia Mathias, CPF n° 253.989.21835, ambas advogadas com inscrição na OAB/SP sob números 218549 e 212026. Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.147 7 · Quatro meses depois, as sócias pessoas físicas retiramse da sociedade e ingressam como novas sócias as empresas ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, aumentando o capital da então J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA para o elevado montante de R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), o qual foi totalmente subscrito e integralizado pela primeira, mediante a totalidade das ações ordinárias e preferenciais representativas do capital social da Brasil Ferrovias S/A., e da Novoeste Brasil S/A. Tal fato já começa a evidenciar a artificialidade e a falta propósito negocial da Multimodal. · Não parece nada razoável a uma empresa cujo objeto social é ser uma holding, participando de outras sociedades, subscrever um capital social tão ínfimo para a finalidade a que se destina. E como se não bastasse ainda não o integraliza. Curioso é que a integralização se deu somente quando da entrada das sócias ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, reais interessadas na criação da Multimodal. · Desde a sua criação até a entrada das pessoas jurídicas em tela na sociedade, a Multimodal permaneceu inativa, consoante pode atestar a DIPJ exercício 2008, ano calendário 2007. Não houve registro de qualquer despesa operacional, relacionada às suas atividades. Neste mesmo diapasão, nos anos seguintes, 2008 e 2009, já com o novo quadro societário, até a sua cisão total, não constam, nas respectivas DIPJs, registros de despesas comuns à qualquer empresa que de fato esteja operando no mercado, tais como: aluguel da sala comercial onde teria funcionado a empresa; remuneração de empregados, encargos sociais; propaganda e publicidade, etc. · Reforça a tese de que a Multimodal nunca de fato existiu, o fato de a referida empresa ter apresentado, desde a sua criação até a sua cisão total, uma única Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, na competência 09/2007, informando a ausência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ainda que tenha sido uma holding, nem sequer um único funcionário (uma secretária, por exemplo) laborou na empresa durante toda a sua existência ? · Em que pese a fiscalizada ter asseverado que a Multimodal foi adquirida com o fito de exercer a gestão de várias empresas do Grupo ALL, não parece razoável que tenha executado essa missão sem o necessário suporte técnico, operacional, administrativo e de recursos humanos, o que, necessariamente, geraria despesas de cunho operacional. · No que tange à movimentação financeira da Multimodal, conforme dados extraídos da DIMOF Declaração Informações sobre Movimentação Financeira e dos extratos bancários apresentados pelo sujeito passivo, constatamos que durante o ano de 2007, período em que figuravam como sócias da sociedade as Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies, a mesma, na prática, não existiu. Mais um fato que reforça o argumento de que a Multimodal foi, de forma premeditada, criada artificialmente para servir aos anseios do Grupo ALL e de que as sócias em tela, de fato, não possuíram nenhuma aspiração em seu objeto social. · Também nessa toada, no ano de 2008, em dezembro (justamente no mês em que houve o ingresso da ALL América Latina Logística S/A na sociedade), cumpre destacar que ocorreu, na citada conta bancária da empresa, uma única movimentação financeira no montante de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais). Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.148 8 · Cabe ressaltar, ainda, que tendo em vista o disposto no inciso II, do artigo 3º, da Instrução Normativa RFB n° 787/2007, as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, a partir de 01/01/2009, passaram a ser obrigadas a apresentar escrituração contábil digital ECD através do SPED. Consultando a DIPJ, anocalendário 2009, da fiscalizada, verificamos que esta é optante pela referida forma de tributação. No entanto, no SPED, a ECD não se encontra autenticada pelo competente órgão de registro. Ou seja, a Multimodal, no referido período, não possui escrita contábil regular. · O sujeito passivo deixou de comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a suposta gestão, pela Multimodal de operações de logística ferroviária, quer seja na área de transporte ferroviário de cargas, quer seja nas áreas de desenvolvimento de tecnologia ferroviária, e de equipamentos ferroviários na ALL MALHA NORTE, ALL MALHA PAULISTA, ALL MALHA OESTE, ALL CENTRO OESTE, ALL EQUIPAMENTOS, ALL TECNOLOGIA e FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES. Limitouse a apresentar o contrato social e suas alterações (primeira e segunda), laudo de avaliação contábil do patrimônio líquido e demonstrações contábeis, documentos estes que, tão somente, são insuficientes para a comprovação da efetiva gestão pela Multimodal das operações de logística ferroviária. Uma empresa que tem como missão executar supostas atividades de gestão de logística deveria possuir documentos pertinentes à esta atividade administrativa, tais como: relatórios gerenciais, projetos, indicadores de desempenho, inventários de materiais, planos de metas, etc. · As Sra Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini foram ou são responsáveis legais por 68 (sessenta e oito) e 83 (oitenta e três) empresas, respectivamente, dentre as quais se inclui a Multimodal, conforme comprovam os relatórios extraídos do sistema "CNPJ" que seguem anexos ao presente processo. Todas estas pessoas jurídicas têm em comum as seguintes características: em quase a sua totalidade, as pessoas físicas em comento figuram como sócias das empresas criadas por um curto espaço de tempo, geralmente em prazo inferior a um ano contado da data do ato constitutivo, transferindo a propriedade das empresas criadas para outras pessoas físicas e/ou jurídicas; várias das empresas sob enfoque foram constituídas no mesmo dia, possuindo números do CNPJ sequenciais; em regra, as razões sociais correspondem a uma seqüência inicial de seis letras, sendo as três primeiras variando aleatoriamente e as três últimas correspondendo às letras "S.P.E"; praticamente todas as empresas que tiveram como sócias as Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini possuem ou, o que é mais comum, tiveram sede exatamente no mesmo endereço constante do ato constitutivo da Multimodal, qual seja Rua Pamplona n° 818, 9° andar, conjunto 92. bairro Jardim Paulista. CEP 01.405001. São Paulo SP. · No que concerne especificamente ao endereço dos sócios a ser informado nos atos constitutivos das sociedades limitadas, cabe pontuar o disposto no Manual de Atos de Registro do referido tipo societário, aprovado pala Instrução Normativa n° 98/2003, do Departamento Nacional de Registro do Comércio DNRC, que estabelece que, em se tratando de sócio pessoa física, o endereço que obrigatoriamente deve constar no preâmbulo do contrato social é o residencial, o que não ocorreu no ato constitutivo da Multimodal. Foi informado no contrato social, como endereço das sócias, o mesmo logradouro da sede da empresa já citado anteriormente, o qual também consta como endereço sede de dezenas de outras empresas similares. Além disso, consultando as Declarações do Imposto dobre a Renda da Pessoa Física DIRPF das antigas sócias da Multimodal, referentes ao ano calendário 2007, constatamos que os endereços informados nestas são diferentes do verificado no ato constitutivo em tela. Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.149 9 · O Modus operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas. · É de causar espécie a enorme quantidade de empresas, com as mesmas peculiaridades, em nome das citadas advogadas, denota a existência de uma verdadeira 'indústria" e um comércio de "empresas de prateleira' que só existem no "papel", não existindo de fato e servindo tão somente a satisfazer aos interesses dos novos sócios adquirentes. · O fato de a Multimodal ter sido constituída pelas mesmas sócias pessoas físicas e ter tido, por ocasião da sua criação, a mesma sede das dezenas de empresas em debate demonstra com clareza solar que a mesma só existiu formalmente. Já foi criada com o objetivo de ser, em curto espaço de tempo, transferida para as novas sócias pessoas jurídicas. Até a retirada das Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini da sociedade, ficou apenas "esperando" o vultoso aporte de capital por parte ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A. a fim de unicamente atender aos interesses do Grupo ALL. · Por todo o exposto, foi exaustivamente demonstrado que a Multimodal não possuiu propósito negocial, tendo sido criada para servir de passagem para que o ágio, resultante incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A, chegasse ao patrimônio da fiscalizada e das outras empresas cindendas, de modo a permitir que os lucros destas fossem confrontados com a despesa dedutível decorrente da amortização do ágio. O objetivo, portanto, da criação da empresa em comento foi unicamente que a mesma funcionasse como "empresaveículo" para que o ágio chegasse ao patrimônio da sociedade operativa, reduzindo a sua carga tributária, através de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da citada despesa. Ademais, ocorreu um mau uso da personalidade jurídica da Multimodal para atingir um objetivo que não tem afinidade com a função institucional das sociedades empresárias, que é a exploração da atividade econômica. · A Multimodal Participações Ltda não possuía investimento adquirido com ágio na Fiscalizada, posto que, conforme demonstrado acima, este originouse da transferência indevida, em operação de aumento de capital, o que certifica que a amortização efetuada não se enquadra no dispositivo legal retro colacionado. · A empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresaveículo", sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculo dos referidos tributos. · Com efeito, tal operação engendrada pelas empresas do Grupo ALL materializa a conduta fraudulenta, prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida em foi uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL relativo aos anos de 2009 e 2010. Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.150 10 A empresa apresentou impugnação (fls. 2.282/2420), alegando em síntese que: a) O ágio como elemento contábil e societário surgiu para a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES em 03/12/2007. Não poderia o Sr. Agente Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu, repitase, em 2007, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 2007 e a ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (24/09/2013). b) Com base em jurisprudência administrativa pacífica não se pode duvidar que ocorreu a decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2007, e, conseqüentemente, o direito ao seu aproveitamento, ainda que em momento subsequente. c) As alterações societárias adotadas pela Impugnante e por seu Grupo, deramse de forma lícita e adequada para atingir seu objetivo final, qual seja: (i) viabilizar a administração de forma eficiente dos negócios da Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, em razão da complexidade operacional e societária decorrentes da aquisição dessas companhias, bem como (ii) a implementação do transporte multimodal (o que será demonstrado de forma mais aprofundada adiante). d) Todas as operações societárias que acarretaram no aproveitamento do ágio pela Impugnante foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes, motivo pelo qual não há como prevalecer a afirmação da Fiscalização de que tal estruturação envolve empresa veículo, sem propósito negocial, devendo, portanto, ser desconsideradas. e) As operações de transporte de carga seriam concentradas no operador multimodalidade (no caso a companhia Multimodal Participações Ltda.), a quem caberia a função essencial de integrar os diversos tipos de transportes utilizados, até a chegada da mercadoria a seu destinatário final. Nessa medida, caberia a esse operador a contratação do transporte rodoviário (na origem, no destino ou em qualquer outro momento que se fizesse necessário), dos serviços de armazém geral, do transporte ferroviário e de outras atividades meio/fim necessárias para a consecução do transporte da maneira mais rápida, eficiente e competitiva. f) A criação da Multimodal Participações e a posterior cisão e versão do ágio para as suas controladas é apenas um capítulo da história do Grupo ALL e sua tentativa frustrada de implantação do transporte multimodal. O filme visto como um todo revela que a estrutura societária criada tinha sim propósito negocial, de modo que o aproveitamento do ágio pela Impugnante foi mera decorrência do insucesso do modelo multimodal pretendido, motivo pelo qual não merecem prosperar as autuações em questão. g) O Sr. Fiscal autuante tenta imputar responsabilidades ao Grupo ALL de questões ocorridas antes da sua entrada na sociedade em questão. Tais elementos não eram de seu conhecimento. E mais, não há qualquer indicio que relacione a ALL a criação desse suposto esquema de empresas de prateleira descrito no TVF. h) Tais alegações são totalmente impertinentes e não tem qualquer relevância para o deslinde do caso concreto. Isso porque, o que é relevante para o exame do propósito negocial são os fatos ocorridos após a aquisição da J.P.E.S.P.E. Participações pelo Grupo ALL Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.151 11 e não antes disso (como foi dito o Grupo ALL não integrava esta sociedade quando da sua origem). i) Outras alegações feitas no Termo de Verificação Fiscal demonstram que o trabalho da fiscalização foi totalmente superficial e focouse em questões sem qualquer relevância para o objeto da autuação fiscal. Ora, qual é a relevância em saber que os antigos proprietários da J.P.E.S.P.E. Participações (a qual, repitase, encontravase inativa como reconheceu a própria fiscalização), possuíam outras empresas no mesmo endereço se, conforme constatou o próprio Sr. Fiscal, o endereço foi alterado pela sua nova controladora? j) Todos os elementos que supostamente comprovariam a artificialidade da J.P.E.S.P.E. Participações, bem como a suposta ausência de propósito negocial, são relacionados a fatos anteriores ao seu ingresso no Grupo ALL e, portanto, não são hábeis a fazer qualquer prova do que a fiscalização quer alegar. k) O histórico das operações societárias descrito no tópico anterior revela que a criação da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES é justificável por si só, em razão da complexidade operacional e societária das companhias adquiridas pelo Grupo ALL, uma vez que a aquisição se deu com a instauração de uma briga societária Grupo LAIF (acionista minoritário na Brasil Ferrovias), que se recusava a alienar as suas participações societárias, contrariando a intenção do Grupo ALL de consolidar seu investimento. l) Nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.611/98, há necessidade de um "Operador de Transporte Multimodal", o qual será o único responsável pela gestão do transporte desde a origem até o destino. Assim, não resta qualquer dúvida de que para que fosse possível a implementação do transporte multimodal era necessário, por imposição legal, a utilização de empresa dedicada a operação do sistema em comento (no caso a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES), a qual ficaria responsável pela coleta e entrega da mercadoria até o destinatário final. m) A multimodalidade no transporte de cargas existia apenas no contexto operacional, ou seja, do ponto de vista documental não houve evolução, obrigando o operador multimodal a manter várias estruturas separadas para a emissão dos documentos fiscais nas diversas modalidades de transporte a serem executadas. n) Como não aconteceu o avanço que se esperava na documentação do transporte multimodal de cargas, a estrutura que se pensava para a operacionalização eficaz do transporte começou a não fazer sentido. o) Desta forma, a ALL repensou seu formato operacional, mantendo as operações ferroviárias centralizadas em cada uma das concessionárias de transporte – inclusive, na sequência, a própria operação de transporte rodoviário deixou de ser uma opção para o complemento do transporte ferroviário e a empresa acabou optando por integrar a sua operação rodoviária a outros grupos especializados no setor, mantendo o seu foco operacional apenas no transporte ferroviário de cargas. p) Em razão disso, foi eliminada da estrutura societária criada para viabilizar o transporte multimodal (nos termos da Lei n° 9.611/98), por meio da cisão total Multimodal Participações e versão de seu patrimônio nas companhias ALL MALHA OESTE, ALL MALHA PAULISTA e ALL MALHA NORTE (ora Impugnante). Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.152 12 q) A frustração do plano de atuação do Grupo ALL no sistema de transporte multimodalidade justifica a ausência de funcionários na Holding (apontada pelo fiscal como elemento de que a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES nunca teria existido de fato). Isso porque, no momento em que se encontrava o projeto em questão, os próprios sócios conseguiam absorver diretamente as necessidades operacionais da empresa. r) A cisão em questão implicou na redução de custos para a ALL, conforme se pode verificar na nota explicativa 31.3, das suas demonstrações financeiras. s) A teoria do propósito negocial sequer seria aplicável ao presente caso concreto, pois se trata da simples aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, verdadeiras normas indutoras do comportamento dos contribuintes (hipótese legal expressa para casos como o presente). t) Admitindose os pressupostos dessa doutrina mais restrita (o que se faz apenas a título argumentativo), ainda assim encontramse presentes o motivo, a finalidade e congruência dos atos em cada uma das operações realizadas pelo Grupo ALL, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal. u) Todos os atos praticados tiveram por motivo: a aquisição de sociedades no segmento de transporte ferroviário (Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A) e expansão das suas atividades operacionais. v) A finalidade da operação foi: criar uma estrutura operacional que permitisse contemplar os interesses societários do Grupo ALL e possibilitar a gestão dos negócios no sistema de transporte multimodal. w) Todos os atos societários praticados inseremse congruentemente, neste contexto da aquisição de empresas e implementação da operação do transporte de carga multimodal, sendo que o motivo e a finalidade dos negócios jurídicos não foram predominantemente tributários. x) O último limite ao "planejamento tributário" consiste na análise da operação no contexto empresarial e na verificação de sua coerência com as estratégias e os planos futuros do empreendimento como um todo. Este último limite, contudo, não é aceito sequer por Marco Aurélio Greco, pois entende que este modelo "não está consolidado na experiência brasileira”. De qualquer forma, apesar de sua inaplicabilidade no nosso ordenamento jurídico, ressaltese que as operações ocorridas encontramse claramente inseridas no planejamento estratégico do Grupo ALL. y) O Grupo ALL possuía um planejamento estratégico claro e definido. Seu objetivo era realizar o transporte de carga integrando as malhas rodoviária e ferroviária, em sistema denominado "Transporte Multimodal de Cargas". Para tanto, como já foi demonstrado nos tópicos anteriores da presente impugnação, fezse necessário a concentração da operação em questão em uma empresa responsável pela operação do transporte multimodal (arts. 2° e 3° da Lei 9.611/98). A empresa escolhida para essa função foi justamente a J.P.E.S.P.E., a qual teve a sua razão social alterada para MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES. z) Mesmo após a adição de mais um limite à aplicação da doutrina e jurisprudência mais restritas, a presente operação seria válida, uma vez que (i) está demonstrada claramente a congruência entre o motivo e a finalidade da operação pretendida Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.153 13 pelo Grupo ALL, que não era predominantemente tributária (gerar economia fiscal); e (ii) as operações realizadas inseremse evidentemente no contexto do planejamento estratégico do Grupo ALL. aa) O E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem consistentemente rejeitando as constantes tentativas das Autoridades Fiscais de atribuir às empresas veículo a característica de abuso, aceitando a existência de tais sociedades nas estruturações societárias que envolvam aproveitamento do ágio, desde que da utilização destas não resulte uma economia tributária que, de outra forma, não seria devida. São diversos os casos já julgados pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos quais se entendeu que a utilização de empresas holding ("empresas veículo") não é motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio. bb) No presente caso é possível se distinguir dois fatos jurídicos distintos e autônomos de aquisição das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novoeste Brasil S/A: (i) FATO JURÍDICO 1; aquisição, pela ALL América Latina Logística, das ações de Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A em operação de incorporação de ações , pelo valor de R$ 2.512.083.080,00 (custo de aquisição); (ii) FATO JURÍDICO 2: aquisição, pela Multimodal Participações Ltda., das ações de Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, por meio da conferência em integralização de capital pela ALL América Latina Logística no valor de R$ 2.512.083.080,00 (custo de aquisição na conferência de ações). cc) No presente caso, foi feita uma conferência de bens em integralização de capital. Os bens conferidos em integralização foram as ações que a ALL possuía de Brasil Ferrovias e Novoeste. A questão controversa que se coloca é: qual o valor desse bem a ser conferido em integralização de capital? dd) Do ponto de vista da legislação societária, verificase que não há qualquer restrição à integralização da participação societária por seu valor avaliado em dinheiro. ee) O valor conferido às ações no ato de integralização de capital correspondia ao valor efetivamente pago pela ALL pelas ações adquiridas de Brasil Ferrovias e Novoeste junto a terceiros. Nesse sentido, do ponto de vista econômico, este era o único valor a ser atribuído às ações na integralização de capital, sob pena de se gerar perdas de capital para a ALL. ff) A legislação fiscal admite a integralização de capital pelo valor de custo de aquisição ou de mercado, nos moldes em que descrito anteriormente. Com efeito, tendo em vista que a integralização de capital é uma hipótese de alienação do investimento, ela deverá produzir os correspondentes efeitos fiscais, conforme seja utilizado um critério ou outro (custo de aquisição ou mercado que no presente caso é o mesmo). gg) O aproveitamento fiscal do ágio, como ocorre no presente caso, representa a mera fruição de um tratamento fiscal previsto em lei (artigo 386 do RIR/99) e não planejamento tributário. Tratase de uma operação societária, que possui todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. hh) Como se pode verificar dos lançamentos contábeis da Impugnante (cópia do RAZÃO contábil doc. 10), durante o ano de 2010 foram realizados os registros das despesas de amortização do ágio. Ocorre que também foram realizados registros das receitas de Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.154 14 reversões da PROVISÃO CVM 319349, motivo pelo qual o efeito fiscal nas demonstrações contábeis foi nulo (considerando esses lançamentos em conjunto). ii) Conforme se verifica das informações constantes do LALUR da Impugnante (doc. 11), o efeito fiscal verificado foi de apenas R$ 16.150.469,51 uma vez que foi apenas este valor excluído para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. jj) Como se pode perceber dos autos de infração lavrados contra a Impugnante, o Sr. Agente Fiscal, ao realizar o lançamento de ofício, efetuou a tributação do valor de R$ 19.505.387,96, o que não corresponde ao valor excluído no LALUR pela Impugnante. kk) Deve esta E. Turma Julgadora, em observância ao princípio da verdade material, sanar o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, determinando a exclusão das bases do IRPJ e da CSLL do valor de R$ 3.354.918,45 lançado a maior. ll) Destaquese, portanto, a fragilidade das alegações dos Srs. Agentes Fiscais no que tange à aplicação da multa agravada. Isto porque, pretendem imputar uma conduta criminosa à Impugnante sem nenhuma comprovação ou demonstração dos atos praticados, mencionando apenas a suposta existência de empresas veículo e a suposta ausência de propósito negocial (fatos não tipificados como crime no ordenamento jurídico brasileiro). mm) Pela simples leitura do Termo de Verificação de Infração, notase que não foi feita qualquer prova da suposta conduta ilícita praticada pela Impugnante, motivo suficiente ao cancelamento da penalidade agravada. Apesar da ausência de provas indispensáveis à tipificação dos fatos e à manutenção da multa agravada restará demonstrada, a seguir, a ausência de conduta típica pela Impugnante e a impossibilidade de manutenção da multa agravada lançada. nn) Quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, se utiliza de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou "laranjas" e de documentos falsos e inidôneos. oo) A Impugnante prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados nas respectivas Juntas Comercias e ainda, a Impugnante sempre diligenciou da melhor forma possível para conferir a maior transparência nas informações referentes à operação, tendo em vista tratarse de uma companhia de capital aberto com ações negociadas no Novo Mercado. pp) Não restou comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não houve fraude ou sonegação, fatores necessários à imposição da multa agravada, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados decorrentes da amortização do ágio. qq) Na realidade, o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei n° 7.689/88 citado, inclusive, pelo Sr. Agente Fiscal), não Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.155 15 elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. rr) Tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição da parcela do ágio ao lucro líquido, não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. De fato, o tributo só pode ser exigido quando ocorrer a efetiva subsunção do fato à norma tributária e, somente assim, poderia se falar em ocorrência do fato jurídico tributário. ss) Uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. tt) Mesmo que se considere a amortização fiscal do ágio indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no presente caso, o que se admite apenas a título argumentativo, é possível concluir que o lançamento de CSLL, objeto do presente processo administrativo, não possui fundamento legal, ou seja, afronta um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário, qual seja o Princípio da Legalidade, motivo que enseja o cancelamento do auto de infração em comento. uu) A multa isolada, prevista atualmente no inciso II, alínea "b" do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, diferentemente do que entendeu a Autoridade Fiscal, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. vv) Como os autos de infração, objeto do presente processo, foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2009 e 2010, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes. ww) Analisandose os autos de infração lavrados, verificase que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores supostamente devidos a título de IRPJ e da CSLL, o que não pode ser admitido. xx) Devese frisar que se trata, no presente caso, de dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que os valores adicionados pela Fiscalização nas bases mensais, para cálculo da multa isolada pela suposta falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e de CSLL, foram os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício sobre os valores supostamente não recolhidos desses tributos. yy) A impossibilidade da cumulação de multas em debate já é assunto com posicionamento pacífico no Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. Nesse sentido, citese o entendimento manifestado, por unanimidade de votos, no Acórdão n° 140100.021, proferido pela Primeira Turma Ordinária, da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. zz) No Termo de Verificação Fiscal há um tópico destinado exclusivamente à indicação "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS". No referido tópico, são listados nomes de diretores de empresas do Grupo ALL, sem tecer quaisquer comentários acerca dos motivos que levaram a fiscalização a elaborar tal listagem ou dos critérios utilizados para a escolha das pessoas que estão ali arroladas. Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.156 16 aaa) Tendo em vista que não foi apresentado por parte da fiscalização qualquer elemento de fato e de direito que tenha levado a elaboração da listagem em questão, o ato administrativo em questão é ilegítimo. bbb) Nessa medida, cabe a esta Turma Julgadora manifestarse acerca da ilegitimidade do ato administrativo em questão, bem como determinar a invalidade da listagem "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS", a qual, como foi demonstrado, fez parte indevidamente do Termo de Verificação Fiscal que acompanhou os autos de infração lavrados contra a Impugnante. ccc) Demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal. O responsável solidário ALL – América Latina Logística S/A também apresentou impugnação, nos seguintes termos: a) Ratifica os argumentos apresentados na impugnação apresentada por ALL Malha Norte. b) O Sr. Agente Fiscal não traz qualquer fundamentação fática que demonstre os motivos que levaram a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. c) A imputação de responsabilidade solidária à ora Impugnante criou dever (de pagar tributo caso a obrigação não venha a ser cumprida pelo devedor principal) e impôs sanção (de adimplir a multa se esta não for paga pelo contribuinte). Por isso, o Termo de Sujeição Passiva Solidária deveria conter não só o dispositivo legal que suportaria a suposta responsabilidade solidária da Impugnante, como também os fatos que levaram à Fiscalização por assim concluir. d) Nem se alegue que a menção feita ao Termo de Verificação Fiscal supriria tal deficiência. Isso porque, como será visto no próximo tópico, no aludido Termo não há nem sequer uma palavra que leve a conclusão de que a Impugnante teria interesse comum na situação que constitui o fato gerador. e) Por isso, aplicandose as premissas acima firmadas ao presente caso, é de rigor o reconhecimento da nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, já que sua motivação está deficientemente fundamentada. f) Em um primeiro momento poderseia entender que, no presente caso, estamos diante de uma situação exatamente como as descritas nos trechos acima, isto é, pessoas jurídicas que, por suas relações societárias, estariam, supostamente, no mesmo polo da relação jurídicotributária, e possuiriam um interesse comum que poderia dar azo à responsabilização solidária. g) No entanto, devese notar que eventuais vínculos societários entre a contribuinte autuada (ALL Malha Norte) e a Impugnante não são indicadores necessários e suficientes de que existe um interesse comum entre elas, para fins de aplicação do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.157 17 h) O mero e eventual interesse fático de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum previsto no artigo 124,1, do Código Tributário Nacional para fins de adoção do instituto da responsabilidade solidária. i) Devese diferenciar o interesse simplesmente convergente do interesse comum, que é aquele que se consubstancia quando as partes envolvidas estão situadas no mesmo polo de uma relação jurídica de direito privado, a qual é fato gerador da obrigação tributária. j) As empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal. k) Caso se admita a ideia de que todo aquele que possui algum interesse de fato na situação que constitui fato gerador da obrigação principal deve ser solidariamente responsabilizado, chegarseia ao absurdo de responsabilizar tributariamente os empregados de todas as empresas do grupo econômico, bem como seus credores. l) É certo que as empresas que possuem vínculos societários, embora tenham como interesse convergente na obtenção do lucro pelo grupo como um todo, não possuem o chamado interesse comum para fins de responsabilização solidária nos termos do artigo 124,1, do Código Tributário Nacional. m) No caso concreto, para que restasse caracterizado o interesse comum da Impugnante, necessário seria que fosse efetivamente demonstrado pela fiscalização que o benefício advindo da amortização fiscal do ágio ora em discussão fosse aproveitado também por ela. O Sr. Fiscal autuante não anexou aos autos qualquer prova nesse sentido e tampouco fez qualquer menção a fatos que levassem a essa conclusão. Assim, não há que se falar em interesse comum no presente caso! n) A Impugnante não tem qualquer relação de interesse jurídico no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ e da CSLL devidos pela ALL Malha Norte. Por essa razão, ainda que se entenda que a amortização fiscal do ágio na ALL Malha Norte não foi legítima o que apenas se admite a título argumentativo fato é que a Impugnante não possuía qualquer interesse em tal amortização/dedução, pelo simples fato de não fazer parte da relação jurídico tributária relativa ao IRPJ e à CSLL de que a ALL Malha Norte é contribuinte. A DRJ/SÃO PAULO I, decidiu a matéria consubstanciada no acórdão 16 58.108, de 22/05/2014, julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.158 18 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.159 19 A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do ato administrativo quando o sujeito passivo exerce plenamente o seu direito de defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. São solidariamente obrigados as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos voluntários interpostos pela empresa autuada (All América Latina Malha Norte) e pela responsável tributária solidária (All América Latina Logística S/A), são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Como visto do relatório trata o presente processo administrativo de autos de infração lavrados para a cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), relativos aos anosbase de 2009 e 2010, cumulados com juros de mora e multas qualificada e isolada pela suposta falta de recolhimento de estimativas mensais, no valor total de R$ 15.957.249,86. Extraise do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), que acompanhou os aludidos autos de infração, que a Recorrente amortizou indevidamente o ágio pago na aquisição das companhias Brasil Ferrovias S/A ("BF") e Novoeste Brasil S/A ("NO"), em razão da ausência de razões econômicas ou negociais para a criação da "empresa veículo" Multimodal Participações Ltda. ("MULTIMODAL") utilizada unicamente para a transferência do ágio da ALL América Latina Logística para as companhias operacionais ALL América Latina Logística Malha Paulista, ALL América Latina Logística Malha Oeste e ALL América Latina Logística Malha Norte (ora Recorrente). As peças recursais, em síntese, ratificam as argumentações iniciais (impugnação), nos seguintes tópicos: A ALL AMÉRICA LATINA MALHA NORTE DAS PRELIMINARES 1) "Preclusão"/Decadência da Possibilidade do FISCO Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio. 2) Da Iliquidez e Incerteza do Crédito Tributário. Necessidade de Reforma da Decisão e Consequente Cancelamento da Integralidade das Autuações. Erro na Apuração da Base Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.160 20 de Cálculo do IRPJ e da CSLL Quando da Glosa dos Valores Correspondestes às Despesas com Amortização do Ágio no AnoBase 2010. 3) Do Segundo Erro Verificado Desconsideração dos Efeitos da Redução da Base de Cálculo do IRPJ em Razão do Benefício Fiscal da SUDAM. 4) Da Nulidade Do Acórdão da DRJ. Inovação Quanto ao Fundamento do Auto de Infração. DO DIREITO 5) Da Efetiva Operação Realizada. Aquisição de Participações Societárias com Ágio entre Partes Independentes. 6) Demonstração do Propósito Negocial para a Concentração da Gestão do Sistema de Transporte Multimodalidade na Holding MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES (Antiga J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações). 7) Da Teoria do Propósito Negocial. Aplicabilidade às Operações Praticadas. Motivo, Finalidade e Congruência. Coerência com o Planejamento Estratégico do Empreendimento Econômico Liberdade Individual dos Contribuintes. 8) "Ad Argumentandum" — Validade da Suposta Empresa Veículo. 9) Da Legitimidade da Aquisição do Investimento com ágio pela ALL LOGÍSITCA e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal Pela Recorrente. 10) Da Inexistência de Fraude, Sonegação ou Conluio Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada. 11) AdArgumentandum Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização. 12) Da Impossibilidade da Cobrança da Multa Isolada em Razão da Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL por Estimativa. 13) Da Impertinência da Indicação de Pessoas Supostamente Ligadas aos Fatos Falta de Motivação do Ato Administrativo. 14) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Passo a análise. Como preliminar, inicialmente, a recorrente insurgese contra a decisão da Turma Julgadora a quo que decidiu no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria contado a partir do início da sua amortização (ano calendário 2009) e não quando da apuração do ágio (ano calendário 2007). Com relação a decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.161 21 apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da sua amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a amortização/dedução. No caso sob exame, a amortização iniciouse no ano calendário de 2009, como a ciência dos autos deuse em 24/09/2013, rejeito a preliminar da decadência conforme suscitada. Ainda em preliminar alega a ora recorrente iliquidez e incerteza do crédito tributário, aduzindo que os erros cometidos pela Autoridade Fiscal lançadora comprometeram, em substância, a constituição do crédito tributário, não estando as Autoridades Julgadoras autorizadas a promover alteração da base de cálculo, por entender que tal providência representaria inovação ao lançamento original. Neste ponto, como bem assinalado no voto condutor recorrido, a fiscalização constituiu o crédito tributário sobre o valor total das amortizações de ágio registradas na contabilidade, conta do Razão 4142109 (fls. 2705), no montante de R$ 19.505.387,96. Sendo que a recorrente excluiu no LALUR a título de realização da provisão de ágio (conta 1310349 4142109) o valor de R$ 16.150.469,51. A recorrente alega que o correto teria sido glosar a exclusão efetuada no LALUR.. Da leitura dos autos constatase que a diferença no valor de R$ 3.354.918,45 apurada pela fiscalização diante dos registros no livro LALUR restou assim assinalada no Relatório Fiscal integrante do auto de infração: "Em razão de ter sido comprovada, pelos motivos já relatados, a indedutibilidade fiscal das despesas com a amortização de ágio do sujeito passivo, as exclusões destas, efetuadas nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, relativas aos exercícios de 2009 e 2010, foram glosadas pela fiscalização. Em razão de incongruências constante no Livro de Apuração do Lucro Real/LALUR do ano calendário de 2010, posto que a conta 1310349 4142109 "Exclusão realização provisão ágio" passou de R$ 18.159.515,50 em 10/2010 para R$ 14.804.597,05 em 11/2010, sendo que os valores acumulados mensalmente, foram considerados, nesse ano, o total das amortizações registradas na contabilidade, como segue: VALOR NA CONTABILIDADE EXCLUSÕES NO LALUR AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2010 R$ 19.505.387,96 AC/2010 R$ 16.150.469,51 A peça recursal traz aos autos simples cópia da conta Razão 1310348 referente à Provisão/Ágio CVM319 no valor de R$ 16.150.469,51, e conta Razão 1310346 referente à Amortização do Ágio, no mesmo valor. O fato é que, constatase do Livro LALUR (Parte A), ano calendário 2010, lançamentos "Exclusões Realização Provisão Ágio Conta 1310349 4142109" com saldos acumulados em janeiro/R$ 1.815.951,55; fevereiro/R$ 3.631.903,10; março/R$ 5.447.854,65; abril a setembro/R$ 7.623.904,91; outubro/R$ 18.159.515,50 (total acumulado) e, no mês de Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.162 22 novembro valor total reduzido para o valor de R$ 14.804.597,05 (R$ 18.159.515,50 R$ 14.804.597,05 = R$ 3.354.918,45 diferença não justificada). Portanto, concluise, quanto às diferenças na apuração das bases de cálculo a recorrente não trouxe aos autos novos elementos além daqueles apresentados quando da impugnação e já considerados pela decisão recorrida, ou seja, o valor considerado como exclusão indevida referente a amortização de ágio é o registrado na contabilidade no montante de R$.19.505.387,96. O lançamento, nessa parte, não merece reparos. Outro ponto de discórdia, trazido na peça recursal, diz respeito a alegação por parte da ora recorrente de um segundo erro, qual seja, "Desconsideração dos Efeitos da Redução da Base de Cálculo do IRPJ em Razão do Benefício Fiscal da SUDAM". Matéria esta não trazida aos autos na impugnação apresentada, portanto, resta incontroversa no âmbito administrativo, pois, não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. Em última preliminar a defesa invoca a nulidade do Acórdão alegando que a DRJ teria inovado em questões que não foram abordadas pela fiscalização. Transcrevo, a seguir, fragmento do seu entendimento. "Porém, como se pode perceber da leitura do acórdão recorrido, fica claro que os Ilmos. Julgadores só não reconheceram a existência de propósito negocial na inserção da empresa MULTIMODAL nos quadros societários do Grupo ALL, pois não seria possível que aquela sociedade exercesse a gerência do sistema de transporte multímodalidade, por ser uma holding pura (fls. 31 do acórdão). Contudo, esse elemento jamais foi considerado pela fiscalização, a qual, como foi demonstrado na impugnação, já tinha ciência de que a MULTIMODAL tinha sido constituída para ser a operadora do sistema de multímodalidade. Dessa forma, deve a autoridade julgadora solucionar a lide com base nos argumentos que lhe foram submetidos pelas partes, sendolhe vedado apresentar novos fundamentos para justificar a providência adotada pelo agente enunciador do lançamento. Assim uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à autoridade julgadora, apenas a declaração da total improcedência do lançamento ou da sua procedência." Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A fiscalização glosou a exclusão ao fundamento, entre outros, pela ausência de propósito negocial da empresa Multimodal, descrevendo no Relatório Fiscal o seguinte: O Modus Operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com o objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.163 23 Da leitura dos autos, vêse que o lançamento deixa claro que a indedutibilidade do ágio decorre da circunstância de que as operações societárias que lhe deram origem não envolverem uma despesa prévia, tornandoo sem lastro. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras. Assim, não houve alteração do fundamento do lançamento. Isto posto, também, rejeito a preliminar de nulidade da decisão suscitada. Superadas as argüições preliminares, passase à apreciação do mérito. Inicialmente, de se recordar que a acusação fiscal no presente processo, em síntese, está relacionado ao entendimento da Administração Tributária que as operações questionadas foram realizadas com a utilização de empresa veículo e sem qualquer fundamento econômico ou propósito negocial, cujo único intuito era transferir o ágio da ALL América Latina Logística para a Recorrente (Malha Norte). A interessada/recorrente apresenta extensa peça de defesa historiando a questão do ágio nos aspectos contábeis e principalmente fiscais, inclusive no que se refere aos requisitos para a dedutibilidade que, sustenta, foram todos por ela cumpridos. Sustenta, inicialmente, que houve "Efetiva Operação com Aquisição de Participações Societárias com Ágio entre Partes Independentes". Aduz, neste ponto, em síntese que: "Portanto, a criação da Multimodal Participações e a posterior cisão e versão do ágio para as suas controladas é apenas um capítulo da história do Grupo ALL e sua tentativa frustrada de implantação do transporte multimodal. O filme visto como um todo revela que a estrutura societária criada tinha sim propósito negocial, de modo que o aproveitamento do ágio pela Recorrente foi mera decorrência do insucesso do modelo multimodal pretendido, motivo pelo qual não merecem prosperar as autuações em questão, devendo ser reformado o acórdão ora recorrido." E, mais: "Resta claro que todos os elementos que supostamente comprovariam a artificialidade da J.P.E.S.P.E. Participações, bem como a suposta ausência de propósito negocial, são relacionados a fatos anteriores ao seu ingresso no Grupo ALL e, portanto, não são hábeis a fazer qualquer prova do que a fiscalização quer alegar." A autoridade fiscal relata os seguintes fatos, que em resumo, peço licença para reprisálos: ORIGEM DO ÁGIO O ágio sob enfoque teve origem em operação de reorganização societária efetivada em 2006, consubstanciada na incorporação da totalidade das ações emitidas pela empresa BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ 02.457.269/000150 bem como da sua subsidiária integral a NOVOESTE BRASIL S.A, pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ 02.387.241/000160, fundamentado, conforme disposto no Fato Relevante conjunto datado de 31/05/2006, em razão dos valores Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.164 24 econômicos das ações objeto da incorporação, serem superiores aos respectivos valores de patrimônio líquido contábil. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO A amortização do ágio em comento, sob o ponto de vista fiscal, não seria vantajosa para a holding ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, já que suas despesas e receitas advêm, via de regra, de equivalência patrimonial, que são neutras tributariamente. Assim, foram executados os procedimentos a seguir arrolados, para efetuar a transferência do ágio para as empresas operacionais: a) Em 03/12/2007, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160 (ALL), juntamente com a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 07.749.207/000102 (ALL Participações), adquiriram a empresa J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e integralizaram o capital social (ainda apenas subscrito), em moeda corrente, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais); 499 quotas da ALL e 01 quota da ALL Participações (quota esta posteriormente cedida para a ALL); b) Na mesma data da aquisição, resolveram aumentar o capital social de R$ 500,00 (Quinhentos reais) para R$ 2.512.083.580,00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), aumento subscrito e integralizado pela ALL, mediante a conferência da totalidade das ações da BRASIL FERROVIAS S/A, e NOVOESTE BRASIL S/A. c) 25/07/2008, a J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000191, incorporou, a valor patrimonial contábil, as empresas BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ n° 02.457.269/000127, NOVOESTE BRASIL S.A., CNPJ n° 07.593.583/000150 e NOVA FERROBAN S/A, CNPJ n° 04.004.203/000107. d) Em 29/10/2008, as denominações sociais das companhias foram alteradas, passando de Ferrovias Bandeirantes S/A (FERROBAN S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A; de Ferrovia Novoeste S/A (NOVOESTE S/A) para ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA OESTE S/A e de Ferronorte S/A Ferrovias Norte Brasil (FERRONORTE S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A e) Em 5/11/2009, a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA (nova denominação social da J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) incorporou a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, com patrimônio líquido contábil de R$ 169.502.379,49 (cento e sessenta e nove milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta e nove centavos), igual ao investimento detido pela Incorporadora, cujo capital social permaneceu, pois, inalterado. f) Em 30/11/2009, encerrando a operação, foi aprovada a cisão total da empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo vertidas as parcelas de seu patrimônio líquido cindido (valor contábil) para a ALL Malha Oeste, ALL Malha Paulista e ALL Malha Norte. No caso específico da ALL Malha Norte, o acervo líquido incorporado no valor de R$ 395.405.821,85 (trezentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos), correspondeu exclusivamente à participação que a cindida detinha em seu capital social, motivo porque não houve aumento do mesmo. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.165 25 Assim, com a cisão total da Multimodal, o valor integral do ágio existente foi transferido para cada sociedade controlada, cabendo à ALL Malha Norte o montante de R$ 2.050.356.234,91 (dois bilhões, cinqüenta milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil, duzentos e trinta e quatro reais e noventa e um centavos). A transferência do ágio da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICAS/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, para a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A,CNPJ n° 24.962.466/000136, com passagem pela empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA,CNPJ n° 09.085.491/000191, é totalmente descabida e inaceitável, pois tal operação somente seria possível em caso de fusão, cisão ou incorporação, com a conseqüente extinção das empresas fusionadas, cindidas ou incorporadas, o que não ocorreu no caso presente, O ágio em comento foi transferido em uma operação de aumento de capital, realizado pela ALL América Latina Logística S/A,na empresa Multimodal Participações Ltda (então denominada J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA). Ainda que fosse lícito o aproveitamento do ágio pela fiscalizada, tal operação não poderia ter sido engendrada porquanto a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente com o propósito de possibilitar a dedução indevida das despesas com a amortização do ágio gerado na operação de incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como visto, resta claro, que no caso dos autos, a adquirente da Brasil Ferrovias e da Novoeste foi a ALL – Logística e não a Multimodal Participações, ao passo que foi esta última, e não a ALL Logística, quem absorveu o patrimônio das empresas adquiridas. Aqui, por pertinente, convém salientar em breve resumo os contornos que envolveram a criação da empresa Multimodal Participações Ltda (descritos no relatório). Criada em 15/08/2007, sob a denominação social de J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA), como sócias as advogadas Sras. Adriana Vechies Salvini e Linéia Mathias, com sede na Rua Pamplona, 818 9o. andar e com capital social de R$ 500,00 (a integralizar). Essas mesmas pessoas físicas (sócias) constam como responsáveis legais por 68 CNPJs (Adriana) e 83 CNPJs (Linéia), tendo como séde o mesmo endereço (Rua Pamplona, 818). Ressaltese, que quatro meses após a constituição da sociedade as sócias retiramse da mesma cedendo lugar para novas sócias as empresas ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, aumentando o capital da então J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA para o elevado montante de R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), o qual foi totalmente subscrito e integralizado pela primeira, mediante a totalidade das ações ordinárias e preferenciais representativas do capital social da Brasil Ferrovias S/A., e da Novoeste Brasil S/A. Tal fato já começa a evidenciar a artificialidade e a falta propósito negocial da Multimodal. Ou seja, o Modus operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.166 26 sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas, observese que não foi apresentado nenhum documento provando qualquer atividade operacional destas empresas. Enfim, da argumentação fiscal cabe destacar, inicialmente, as referências à finalidade da Lei n° 9.532/1997, e a interpretação de nela existir a imposição de que a incorporação resulte na extinção do investimento adquirido com ágio, para que sua amortização gere efeitos imediatos na apuração do lucro tributável. A recorrente, de seu lado, também aborda os objetivos da Lei n° 9.532/97 afirmando "que as alterações societárias adotadas pela Recorrente e por seu Grupo, deramse de forma lícita e adequada para atingir seu objetivo final, qual seja: (i) viabilizar a administração de forma eficiente dos negócios da Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, em razão da complexidade operacional e societária decorrentes da aquisição dessas companhias, bem como (ii) a implementação do transporte multimodal (o que será demonstrado de forma mais aprofundada adiante). Para tanto, traça um breve histórico que vai desde a origem da Recorrente, passando pela aquisição de sua controladora (Brasil Ferrovias) pelo Grupo ALL com ágio, a simplificação da estrutura societária do grupo visando a implantação do transporte multimodalidade e a cisão total da operadora multimodalidade, após a tentativa frustrada da implantação do referido sistema de entrega integrado (com o consequente aporte de parte do ágio na Recorrente), no que entende, restar demonstrado o propósito negocial das operações empreendidas e sua coerência com o planejamento estratégico. Consabido que na sistemática vigente (Lei n° 9.532/97, arts. 7 ° e 8°), a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Diante deste contexto, defende a Fiscalização (ver relatório) que deve ser observada a finalidade do instituto da incorporação como forma de agregação de empresas, com conseqüente confusão patrimonial do investimento para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Relativamente sobre a matéria "transferência do ágio" assim concluiu o I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão n° 130200.834, de 14 de março de 2014: Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORREA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de divida. Art. 385. 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20): Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.167 27 Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei no 9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n° 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação em vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina, é a prevista no inciso II do parágrafo 6° do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor "cheio", ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio liquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstancias que indiquem a constituição de "empresa veículo" no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada, pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de divida. Evidenciase, portanto, que a amortização é ilícita porque não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. Ou seja, inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.168 28 admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. No caso em concreto, o elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, de fato nunca aconteceu, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica. No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. Neste caso, alinhome aos que entendem que para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a razão negocial para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. É o que decorre da lei. Acrescento, ainda: fato é que os contribuintes podem adotar a forma jurídica que lhes parecer mais adequada aos seus negócios, desde que não seja ilícita, proibida ou vedada por lei, como reiteradamente de modo manso e já pacificado vem decidindo esse Egrégio Colegiado. Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, de forma artificiais, que causem prejuízo ao Erário Público, como no caso em apreço acima relatado, cujo encadeamento lógico de fatos convergente levam a formar convicção do acerto do trabalho fiscal. Assim, entendo que as razões de defesa não são hábeis a contestar o lançamento, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido manter a glosa da dedução das amortizações. MULTA QUALIFICADA A rigor, os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para qualificar a multa aplicada nos termos previstos no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, podem ser extraídos dos fragmentos abaixo transcritos, retirados do Relatório Fiscal. "A empresa ALL América Latina Logística S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresa veículo", sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculos dos referidos tributos. Outrossim, consoante demonstrado alhures, ainda que existisse propósito negocial na Multimodal, o ágio gerado na incorporação de ações da Brasil Ferrovias Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.169 29 e da Novo Oeste Brasil pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA não poderia sequer ter sido transferido para a "empresa veículo" em tela. Com efeito, tal operação engendrada pelas empresas do Grupo ALL materializa a conduta fraudulenta, prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida em foi uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL relativo aos anos de 2009 e 2010.” Observase, pois, diante dos fatos retratados, não restar dúvidas de que a fiscalizada agiu intencionalmente (dolosamente) no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação da penalidade é ínsita à própria infração imputada (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 72 da Lei 4.502/1964), vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida. Sou, pois, pela manutenção da multa aplicada de 150%. CSLL Na peça recursal, observo que a contribuinte sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, transcrevo o seguinte excerto da sua afirmação: "Na realidade, o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei n° 7.689/88 citado, inclusive, pelo Sr. Agente Fiscal), não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial." Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real e o disposto nos artigos 7o. e 8o. da Lei 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em outras palavras, uma vez demonstrado que nenhuma parcela daquele ágio existe materialmente, negase qualquer vantagem tributária ao sujeito passivo, de modo que nenhuma repercussão poderia existir na apuração do lucro contábil. Pertinente, portanto, a glosa das exclusões não previstas na legislação da CSLL, e da redução do lucro tributável por despesa atribuída a ágio, mas que não reveste as características necessárias para ser assim classificada. Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.170 30 Diante do exposto sou, também, por negar provimento ao recurso voluntário relativamente a este item. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA E JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Com relação a multa isolada por insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as estimativas mensais (prevista inciso II, alínea “b” do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) entende a contribuinte que "somente pode ser exigida caso o fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, antes do término do ano base", e segundo" e, com relação a concomitância aduz que "não pode haver, sobre a mesma base, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade". No presente caso, afasto a aplicação da súmula CARF nº 105, vez que o lançamento tributário não teve por suporte o inciso IV do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Explico: Para fatos geradores anteriores a MP 351/2007 (22/01/2007), convertida na Lei nº 11.488/2007 aplicase a Súmula CARF nº 105 (improcedência da multa). Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O alcance da Súmula, no entanto, é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. Tal constatação decorre do fato de que o enquadramento legal citado expressamente no texto da Súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que deixou de existir a partir de 22/01/2007. Nessa data, como já dito, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. O art. 14 da Lei (já em vigor desde a MP) assim dispunha: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.171 31 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Assim, alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado), tenho que inexiste Súmula CARF aplicável às faltas/insuficiências no recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL ocorridas após 22/01/2007, pelo que os Conselheiros estão livres para votar de acordo com suas convicções. Com efeito, no caso em tela, embora a autoridade autuante tenha indicado, no enquadramento legal os arts. 222 e 843 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/99, além de ter feito menção expressa à alteração promovida pela Medida Provisória nº 351/07 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007), no Relatório Fiscal, parte integrante das peças acusatórias, assinalou: "De acordo com o item II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, por estar a contribuinte obrigada ao Lucro Real Anual, sujeita, pois, aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, ao excluir as indedutíveis amortizações de ágio da incidência destes recolhimentos, fica o sujeito passivo sancionado com a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), aplicada sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, calculada conforme demonstrativo anexo." Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.172 32 Neste passo, com o devido respeito, equivocase a contribuinte/recorrente, pois, no caso, tratase de penalidade imposta aos contribuintes que, optando pela apuração anual do lucro real, deixem de recolher estimativas ao longo do ano calendário. Sua aplicação é cabível durante e depois de encerrado o anocalendário, na medida em que não se confunde com o crédito tributário devido no ajuste anual, sendo irrelevante, inclusive, se o ajuste anual se mostra inferior à soma das estimativas devidas mensalmente. Constatado o descumprimento daquela obrigação acessória, é devida a penalidade aqui exigida, não se verificando cumulação com a multa de oficio, devida em razão da falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Notese, nesse ponto, que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 (atual redação contida no inciso II, alínea “b”), segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Neste tópico argumenta, ainda, a ora recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício face a ausência de previsão legal para essa exigência. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2009 e 2010. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.173 33 Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.174 34 União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício e, neste caso, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Da Impertinência da Indicação de Pessoas Supostamente Ligadas aos Fatos Falta de Motivação do Ato Administrativo. Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.175 35 Por último a recorrente requer a invalidade das listagem "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS" que consta do Relatório Fiscal, sob o argumento que a mesma não foi devidamente fundamentada. Como bem assinalado no voto condutor ora recorrido a autoridade fiscal cumprindo o poder/dever que lhe é estatuído pela legislação de regência (art. 149 do CTN e art. 9o. do PAF), instruiu os autos de infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de provas indispensáveis à comprovação das hipóteses de ilicitudes detectadas. Ademais, consta do processo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, tão somente, com relação ao sujeito passivo ALL América Latina Logística S/A., nos termos do disposto no art. 124, I do CTN, o qual a seguir passamos a análise. B ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A DA AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA Neste tópico releva reproduzir os seguintes trechos do voto recorrido: Alega a impugnante que a fiscalização não traz qualquer fundamentação fática que demonstre os motivos que levaram a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. No termo de sujeição passiva de fls. 56/57 a fiscalização enquadrou a empresa ALL – América Latina Logística S/A, como responsável solidária, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Contrariamente ao que alega a impugnante, há vários elementos de prova colhidos pela fiscalização, e expostos no relatório fiscal, que sustentam a aplicação do art. 124, I. Ao longo do relatório fiscal, a empresa ALL – América Latina Logística S/A foi citada várias vezes, restando claro o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, como se depreende dos trechos abaixo reproduzidos: “Com efeito, o fato de a Multimodal ter sido constituída pelas mesmas sócias pessoas físicas e ter tido, por ocasião da sua criação, a mesma sede das dezenas de empresas em debate demonstra com clareza solar que à mesma só existiu formalmente. Já foi criada com o objetivo de ser, em curto espaço de tempo, TRANSFERIDA PARA as novas sócias pessoas jurídicas. ATÉ A RETIRADA das Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini da sociedade, ficou apenas "esperando" o vultuoso aporte de capital por parte ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A. a fim de unicamente atender aos INTERESSES DO Grupo ALL. Por todo o exposto, foi exaustivamente demonstrado que a Multimodal não possuiu propósito negocial, tendo sido criada para servir de passagem para que o ÁGIO, resultante incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A, chegasse ao patrimônio da fiscalizada e das outras empresas cindendas, de modo a permitir que os lucros destas fossem confrontados com a despesa dedutível decorrente da amortização do ágio. O objetivo, portanto, da criação da empresa em comento foi unicamente que a Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.176 36 mesma funcionasse como "empresaveículo" para que o ágio chegasse ao patrimônio da sociedade operativa, reduzindo a sua carga tributária, ATRAVÉS de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da citada despesa. Ademais, ocorreu um mau uso da personalidade jurídica da Multimodal para atingir um objetivo que não tem afinidade com a função institucional das sociedades empresárias, que é a exploração da atividade econômica. (...) A empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar o Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresaveículo" sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculo dos referidos tributos.” Nenhuma dúvida existe, ao meu ver, de que esses dois sujeitos passivos criaram e operaram o "planejamento tributário" (aspecto jurídico) visando como alhures restou comprovado a criação artificial de despesas de amortização de ágio e, do qual foram os únicos verdadeiros beneficiários (interesse comum). Improcede, por fim, as alegações dos recorrentes de que não restou comprovada, no presente caso, a existência de interesse comum que justificasse a aplicação do artigo 124, I, do CTN. Conforme se constata da transcrição do Relatório Fiscal que instrui os lançamentos, a sujeição passiva decorre de longa investigação da origem e do Modus Operandi que envolveram as operações societárias entre as duas empresas (fiscalizada e o sujeito passivo solidário). E em assim sendo, não há que se falar em nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, devendo ser mantida a responsabilidade que lhes foi atribuída. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que o são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.177 37 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que diz respeito à responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Inicialmente, de se verificar em que termos foi configurada, pelo Fisco, a responsabilidade da empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. O Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 56) traz o seguinte: Conforme descrito no relatório fiscal dos autos de infração formalizados nos autos do processo administrativo nº 10183723.840/201320, lavrados, em 17/09/2013, em decorrência do procedimento fiscal executado contra o sujeito passivo acima identificado, ficou caracterizada a sujeição pasiva solidária da empresa ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, nos termos do disposto no art, 124, inciso I, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional). O fundamento legal, portanto, foi o art. 124, inciso I, do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Causa estranheza o fato de que o Relatório Fiscal (fls. 29/51), referido acima, não traga qualquer consideração específica quanto à responsabilidade tributária. O documento se limita à descrição das operações societárias e do crédito tributário apurado no procedimento fiscal. Essa estranheza não passou desapercebida ao sujeito passivo solidário, que registrou a reclamação em sua impugnação (fls. 2282/2294). Não obstante, o acórdão recorrido superou as razões de defesa (fl. 2822), nos seguintes termos: No mérito, a questão central a ser analisada é se os elementos probatórios constantes dos autos são suficientes para configurar o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Afirma a impugnante que além dos vínculos societários entre a contribuinte autuada (ALL Malha Norte) e a ALL Logística, é indispensável que se tenha em conta que o mero e eventual interesse fático de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum. Contrariamente ao alegado pela impugnante, a fiscalização não fundamentou a aplicação do art. 124 apenas nos vínculos societários existentes entre as duas empresas. Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.178 38 Pelo contrário, os elementos trazidos aos autos demonstram a participação ativa da ALL Logística nas operações que criaram artificialmente a situação prevista nos arts. 7º e 8º. Esta participação fica muita clara quando verificamos que os diretores da empresa Multimodal são também diretores da ALL Logística, ou seja, reforçam a ideia de sinergia entre a ALL Malha Norte, que deduziu a despesa de ágio, e a ALL Logística, que planejou e executou os negócios jurídicos necessários para que a autuada atingisse seus objetivos. Sem a participação da ALL Logística não teria sido possível a amortização de ágio na ALL Malha Norte. A meu ver, os elementos fáticos constantes dos autos são suficientes para demonstrar o interesse comum nos termos do art. 124, I, do CTN, sendo evidente que aquele que pratica conjuntamente os atos necessários para atingir determinado objetivo, tem interesse na redução indevida da montante do tributo a ser recolhido. A matéria retornou à discussão em sede de recurso voluntário (fls. 2840/2856). Pois bem. Considero que a decisão de primeira instância buscou suprir algo que ficou apenas subentendido por ocasião do lançamento, ou seja, quais seriam os elementos fáticos e de direito a caracterizar o “interesse comum” a que se refere a norma. No entender da julgador a quo, haveria dois fundamentos distintos. O primeiro deles seriam os vínculos societários existentes entre as duas pessoas jurídicas (ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A e ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A). A primeira, sujeito passivo direto (na qualidade de contribuinte) da obrigação tributária, aquela que amortizou o ágio discutido nos autos e se beneficiou com a redução das bases tributáveis. A segunda, apontada como sujeito passivo por responsabilidade, sócia majoritária da primeira. O vínculo societário é incontroverso nos autos. No entanto, pouco se discutiu sobre os efeitos de tal vínculo. Com efeito, tenho que a condição de sócia, por si só, seria (e é) insuficiente para caracterizar o interesse comum, a ponto de atrair a imputação de responsabilidade tributária. É certo que o sócio tem interesse nos lucros da sociedade investida, mas se fosse esse o interesse comum entre investidor e investida, todo e qualquer sócio seria, sempre, responsável pelos tributos devidos pela investida. Penso não ser essa a melhor interpretação do texto legal. Esse interesse comum, então, deve ser buscado na forma tradicionalmente encontrada nas obras sobre o assunto, nas situações em que o fato gerador tributário é praticado conjuntamente por mais de uma pessoa, física ou jurídica. Nessa linha de raciocínio, as pessoas que conjuntamente praticam o fato gerador tributário são todas contribuintes (sujeito passivo direto), e a dicção do art. 124, I, não serviria para imputar ou atrair responsabilidade, mas tão somente para estabelecer a solidariedade entre aqueles que, já por força do art. 121, I, integram o polo passivo da obrigação jurídicotributária. Em outra linha de interpretação, também encontrada por vezes entre os muitos casos concretos trazidos à apreciação deste CARF, o interesse comum se evidencia diante da verdadeira confusão patrimonial entre as várias pessoas (físicas ou jurídicas) envolvidas, a tal ponto que se torna impossível distinguir o benefício auferido com a supressão do pagamento de tributos do benefício financeiro auferido diretamente por sócios e administradores. Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.179 39 Quanto a este primeiro fundamento, não vislumbro no caso concreto nenhuma das duas situações anteriormente delineadas. O fato gerador tributário objeto dos autos foi praticado pela contribuinte ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. Foi essa pessoa jurídica que amortizou o ágio e se beneficiou da redução dos tributos por ela própria devidos. E não há registro nos autos nada que evidencie confusão patrimonial entre as duas pessoas jurídicas. Em assim sendo, o primeiro fundamento (vínculos societários), tido isoladamente, é insuficiente para caracterizar a responsabilidade tributária. O segundo fundamento invocado pela Turma Julgadora em primeira instância seria a “participação ativa da ALL Logística nas operações que criaram artificialmente a situação prevista nos arts. 7º e 8º”. Essa participação ativa de uma pessoa jurídica, por certo, há de ser compreendida como os atos praticados por seus dirigentes e administradores, aliás, dirigentes e administradores de ambas as empresas. E não se esqueça, por relevante, que tais atos foram inquinados de dolosos e contrários à lei, com o único intuito de reduzir artificialmente o montante dos tributos devidos pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. Mas, observese: aqui a base legal para a imputação de responsabilidade seria distinta. Não o interesse comum de que trata o art. 124, I, mas os atos praticados por administradores com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos1, de que trata o art. 135, III, também do CTN. Além disto, a responsabilidade não recairia sobre a sócia pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, mas sim sobre as pessoas físicas dos administradores (de uma ou outra empresa) que teriam praticado tais atos. Não foi esta, entretanto, a linha adotada pelo Fisco. O corolário dessas constatações é de que o segundo fundamento (participação ativa nas operações) invocado pelo julgador de primeira instância para manter a responsabilidade tributária também se mostra inadequado. Em assim sendo, é de se reconhecer que assiste razão à recorrente ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, ao reclamar que não restou comprovada, no presente caso, a existência de interesse comum que justifique a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. Por todo o exposto, em conclusão, a decisão do Colegiado, por maioria de votos, foi no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. Em todos os demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto do ilustre Relator. (assinado digitalmente) 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.180 40 Waldir Veiga Rocha Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.003333/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.700
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em ação fiscal apurouse, conforme termos de verificação fiscal às fls. 96/97, diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago para o tributo/períodos acima referidos, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração (fls. 98114) e os termos, demonstrativos e documentos a ele integrados. O crédito tributário lançado, composto pelas contribuições, multas proporcionais juros de mora, calculados em 13/12/2004, perfazem o total de R$ 1.023.135,66. Enquadramento legal da Cofins (fl. 113): o art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; art. 77, III, do Decretolei n° 5.844/43; art. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 33 3/ 20 04 -5 1 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 798 2 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. A ciência do auto ocorreu em 17/12/2004. Em 18/01/2005 a empresa impugna as exigências de Cofins (fls. 116117), anexando documentos (fls. 118166), e alega, em síntese: no período compreendido entre agosto e dezembro de 1999, a base de cálculo para a apuração considerou erroneamente como faturamento montantes recebidos a título de rateio de despesas; não se configura como ingresso de receita o recebimento do rateio de despesa, já que se trata de uma mera recuperação de um crédito referente a uma despesa já reconhecida e suportada pela sociedade; conseqüentemente, a simples contabilização do saldo credor no resultado não se configura como base tributável, pois que não há a entrada efetiva de receita, mas sim, tratase de mero ajuste contábil; os Princípios Fundamentais da Contabilidade determinam que toda e qualquer despesa, independentemente da empresa que a suporte, seja contabilizada na empresa geradora da mesma; assim, a melhor técnica contábil dispõe que as despesas suportadas por entidades diferentes daquelas que a geram sejam reembolsadas pelo valor contábil das mesmas, não se considerando tal reembolso como auferimento de novas receitas; legítima a prática do rateio de despesas administrativas não se considerando o ingresso destes montantes como receita ou faturamento ou receita. A empresa impugna expressamente os valores de: R$ 76.918,23 (setenta e seis mil, novecentos e dezoito reais e vinte e três centavos) do Processo Fiscal e Auto de Infração em apreço, relativo ao principal, multa e juros referentes à não inclusão dos montantes recebidos a título de rateio de despesas no período de agosto a dezembro de 1999, posto que a base de cálculo de tal tributo foi indevidamente acrescida dos montantes recebidos a título de rateio de despesas de outras empresas do grupo; R$ 94.075,98 (noventa e quatro mil, setenta e cinco reais e noventa e oito centavos), referentes ao alegado não recolhimento da COFINS (acrescido de multa e juros) dos meses de fevereiro e março de 2002, posto que requerida a sua compensação mediante Pedidos de Compensação protocolados perante a SRF nas datas de 15.03.2002 e 11.04.2002 (diz juntar cópias); R$ 336.342,24 (trezentos e trinta e seis mil, trezentos e quarenta e dois reais e vinte e quatro centavos), referentes à alegada falta de pagamento da COFINS (acrescido de multa e juros) do período compreendido entre março e setembro de 2004, dado que os valores da COFINS do período foram integralmente recolhidos, através de Fl. 798DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 799 3 retenção nas notas fiscais (artigo 30 da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Requer a desconsideração do valor total de R$ 507.336,45 (quinhentos e sete mil, trezentos e trinta e seis reais e quarenta e cinco centavos) cancelandose o crédito tributário constituído a favor da Receita Federal, abstendose da imposição de encargos moratórios relativos aos valores impugnados. Informa a Impugnante que a diferença entre os valores constantes do Processo Fiscal e do Auto de Infração em referência e o valor ora impugnado, no total de R$ 428.574,00 (quatrocentos e vinte e oito mil, quinhentos e setenta e quatro reais), valor este considerando o desconto do valor da multa aplicada e corrigido até o mês de dezembro de 2004, foi recolhida na data de 14 de janeiro de 2005, por Documentos de Arrecadação da Receita Federal — DARF's. Houve pagamentos dos períodos de apuração de 01/99 a 07/2001, 01/2002, 05 002, 140 e 11/2002, 03 a 07/2003, 11/2003, e com isso a lide restou reduzida aos períodos de agosto a dezembro 2001, fevereiro e março de 2002 e fevereiro a setembro de 2004. Sobreveio decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo I/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL • Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002, 01/03/2003 a 31/07/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/02/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do Auto de Infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/02/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO, RATEIO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. INCLUSÃO. (01/08/2001 a 31/12/2001). A base de cálculo da contribuição corresponde à totalidade da receita auferida, integrandoa o valor contabilizado como recuperação de despesa, pois: o recebimento de valores custeados por uma das empresas do grupo e depois rateadas com as demais, pela gestão administrativa operacional de contratos destas, representa receita de serviços; as exclusões legisladas não abarcam o recebimento ou recuperação de despesa mediante rateio. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 800 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA.(01/02/2002 a 31/03/2002). A existência, em nome da interessada, de processo administrativo relativo a pedido de restituição e de compensação, ainda que pendente de análise e decisão, não impede o lançamento de ofício, pela autoridade fiscal, de débitos não declarados espontaneamente (art. 142 do CTN). RETENÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO.(01/02/2004 a 30/09/2004). As retenções se materializam, por excelência, nos recolhimentos em Darfs realizados pelas fontes pagadoras. A legislação também dispõe sobre emissão de comprovantes de retenção. Não comprovando as retenções não há como acatar seu argumento. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 2ª Turma Ordinária da 2ª câmara da 3ª Seção de julgamento do CARF decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que fossem analisados os documentos acostados aos autos, relativos ao período de fevereiro a setembro de 2004, e que fosse verificado se as referidas retenções foram efetuadas, como alega a recorrente. A Unidade de Origem apresentou duas manifestações acerca da diligência realizada, uma datada de 27/06/2012 (fl 700), que foi cientificada ao sujeito passivo, porém sem a concessão de prazo para este se manifestar, e outra datada de 17/08/2015, da qual a recorrente não foi intimada. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente afirma que durante os meses de fevereiro e março de 2002 realizou a compensação dos montantes devidos a título de Cofins com os créditos de IRRF cuja restituição é pleiteada nos autos do Processo Administrativo n°. 11831.001800/200251, e que durante os meses de fevereiro a setembro de 2004 realizou a compensação do montante devido de PIS e Cofins com os valores retidos na fonte a título de antecipação das quantias devidas destas mesmas contribuições, nos termos do artigo 30, da Lei n°10.833/2003. No que tange ao processo administrativo n° 11831.001800/200251, após a análise dos autos restaram dúvidas acerca sua vinculação aos débitos exigidos neste processo. Desta forma, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que a unidade de origem: a) informe se os débitos compensados por meio do processo n° 11831.001800/200251 encontramse constituídos no auto de infração ora em julgamento, ou possuem alguma vinculação com este; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 801 5 b) esclareça se o processo n° 11831.001800/200251 já possui decisão administrativa definitiva, bem como qual a influência desta eventual decisão neste auto de infração. No tocante às alegadas retenções do tributo na fonte, a unidade de origem, por meio de procedimento de diligência fiscal, apresentou relatório em que confirme a existência de valores retidos na fonte a título de Cofins. Não foi esclarecida, contudo, a vinculação destes recolhimentos ao presente lançamento se estes recolhimentos foram observados no momento da lavratura do auto de infração, e se estes recolhimentos resultam na necessidade de retificação do crédito constituído. Desta forma, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que a unidade de origem: c) informe se os valores retidos na fonte, já confirmados em procedimento de diligência fiscal, foram observados no momento da lavratura do auto de infração, e se a confirmação destes recolhimentos resulta na necessidade de retificação do crédito constituído; Tendo em vista que não foi concedido prazo a recorrente para manifestação acerca dos novos elementos trazidos ao processo, deve a unidade de origem, após a conclusão deste procedimento de diligência: d) intimar a recorrente acerca de todos os documentos anexados ao presente processo posteriormente a apresentação do recurso voluntário, incluídos os relacionados ao procedimento de diligência anterior, bem como o resultado da presente diligência, ofertando o prazo de 30 dias para manifestarse. É como voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto relator Fl. 801DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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