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6274474 #
Numero do processo: 13603.724491/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 1.453          1 1.452  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.724491/2011­00  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.790  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2016  Matéria  Pedido de Compensação ­ PER/DCOMP  Recorrente  CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO  E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  ­  além  de  seu  emprego  para  locação  a  terceiros  ­  a  seu  uso  “na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento  da  contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias  (ou  na  prestação  de  serviços),  não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita  de  bens  necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  UTILIZAÇÃO  DE  BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE  DO  DIREITO.  REALIDADE  FÁTICA.  SERVIÇOS  ENQUADRADOS  PARCIALMENTE  COMO  INSUMOS  NOS  TERMOS  DO  REGIME.  DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.  No regime de incidência não­cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis  10.637  de  2002  e  10.833  de  2003  (art.  3o,  inciso  II)  possibilitam  o  creditamento  tributário pela utilização de bens  e  serviços  como  insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na  prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.   O  escopo  das  mencionadas  leis  não  se  restringe  à  acepção  de  insumo  tradicionalmente  proclamada  pela  legislação  do  IPI  e  espelhada  nas  Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, §  4º),  sendo  mais  abrangente,  posto  que  não  há,  nas  Leis  nos  10.637/02  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 91 /2 01 1- 00 Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          2 10.833/03,  qualquer  menção  expressa  à  adoção  do  conceito  de  insumo  destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          3 COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SALDO  CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          4 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724491/2011­00 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de Apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          5 A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/01/2008 a 31/01/2008, no valor  total de R$ 3.231.812,56, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse  montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de  R$  2.792.488,90.  Por  seu  turno,  a  DRJ  recorrida  entendeu  que  deverão  ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a R$  1.922,66  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 437.401,00.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          6 memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          8 Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          9 essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          10 principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          11 Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          12 submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          13 superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  04/01/2014  (fls.  1421).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          14 20/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1423/1450,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3565/3570, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          15 O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  20/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 04/01/2014 ­ conf. fls. 1421).   Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção                                                                                                                                                                                              [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          17 A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          18 Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          19 Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          20 ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          21 havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.  Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          22 10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          23 A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.                                                               7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          24 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio  jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          25 uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          26 interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          27 pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          28 Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          29 terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          30 Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          31 maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          32 Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3565/3570, de onde destacamos o seguinte trecho:  Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          33   [...]    Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”   Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          34   Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          35 set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****  Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          36   Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3575/3577, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          37 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações  de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          38 importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          39 (grifo nosso)  Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          40 que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          41 [...]  Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          42 Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/2011­00  Acórdão n.º 3301­002.790  S3­C3T1  Fl. 0          43 III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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6255723 #
Numero do processo: 10830.007797/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.625
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 31          1 30  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.007797/2010­37  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2202­000.625  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  10 de dezembro de 2015  Assunto  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        RESOLVEM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter o processo em diligência.    Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente     Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator      Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique  Sales  Parada,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio, Martin  da  Silva Gesto,  José  Alfredo Duarte  Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 79 7/ 20 10 -3 7 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 32          2       RELATÓRIO    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  contra  Acórdão  nº  05­40.506­9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas ­  SP que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.273.112­0  (Terceiros).  O  crédito  tributário  se  refere  à  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos,  denominadas  “Terceiros”,  quais  sejam,  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  'Educação  ­ FNDE,  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária  ­  INCRA, Serviço  Social  do Comércio  ­ SESC e Serviço Brasileiro de Apoio  às Micro  e Pequenas Empresas  ­  SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e  3°  da  L/ei  11.457  de  16/03/2007,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007.  Nos  autos,  às  fls.  30,  há  o  Termo  de  Apensação  informando  que  o  presente  processo foi apensado ao processo 10830.007796/2010­92, em 30.06.2015:  Nessa  data,  este  processo  foi  juntado  por  apensação  ao  processo  nº  10830.007796/2010­92 DATA DE EMISSÃO : 30/06/2015  O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da  autuação  lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de  reconhecimento de  isenção de  contribuições sociais:  2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei  8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e  Instrução,  CNPJ:  46.020.301/0001­88  foi  cancelada  a  partir  de  01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e  V  do  artigo  55  da  Lei  8.212  de  24/07/91,  conforme  ATO  CANCELATÓRIO  DE  RECONHECIMENTO  DE  ISENÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  n°  21.424.1/003/2004,  datado  de  10/11/2004  e  mantido  em  última  instância  administrativa  pelo  •  Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240  de  28/03/2006,  razão  pela  qual  o  presente  crédito  está  sendo  constituído.  Nesta sentido, o Relatório Fiscal  informa que a Recorrente informou em GFIP  inadequadamente o código referente à entidade isenta de contribuições sociais previdenciárias:  3  ­ O  contribuinte  informou  as  Guias  de  Recolhimento  ao  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social­  GFIP  com  o  código  do  FPAS  639.  Entretanto  conforme  o  ATO  Fl. 32DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 33          3 CANCELATÓRIO  DE  RECONHECIMENTO  DE  ISENÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS citado no  item 2, o mesmo não  faz jus à  isenção  da  contribuição  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos  denominadas  “  Terceiros”  sendo,  portanto  inadequada  o  uso  do  referido código do FPAS. Ao utilizar 0 código de FPAS 639 na GFIP  contribuinte  teve  a  intenção  de  iludir  a  autoridade  fazendária  com  conduta  sistemática  durante  o  período  fiscalizado,  uma  vez  que  o  sistema  deixa  de  calcular  referida  contribuição  destinadas  a  outras  entidades e fundos.  O Relatório Fiscal apresenta os fatos geradores da autuação fiscal:  8.1 ­ As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores  empregados,  código  categoria  01  no  período  abrangido  pelas  competências  06/2006  a  12/2007,  apuradas  com  base  nos  valores  informados  na GFIP  no  código  inadequado  FPAS  639  lançadas  sob  código  de  levantamento  “FP”  e  discriminadas  no  Relatório  de  Lançamentos ­ RL. Salientamos que as bases de cálculo empregada na  apuração  das  contribuições  devidas  foram  o  total  da  remuneração  informada em GFIP no código inadequado FPAS 639 (ANEXO II) e os  valores  das  contribuições  lançadas  encontram­se  discriminados,  por  competência, no anexo Discriminativo do Débito ­ DD.  O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos  de Débito ­ DD, é de 06/2006 a 12/2007.  O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos.  A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese,  conforme o apresentado resumidamente no Relatório da decisão de primeira instância, às fls.  2974 a 2981 do Volume XII do processo 10830.007796/2010­92:  A autuada apresentou impugnação, em 14/07/2010, onde, elabora um •  relato de suas atividades e informa que:  ­  É  reconhecida  como  de  utilidade  pública  Federal,  Estadual  e  Municipal;  ­ Possui direito adquirido de isenção das contribuições previdenciárias  patronais, conforme MS 9476, transitado em julgado;  ­ Não distribui renda ou parcela de seu patrimônio, a título de lucro ou  participação no seu resultado, matem sua escrituração contábil dentro  das formalidades legais e, portanto, faz jus à imunidade de que trata o  §7°, artigo 195 da Constituição federal de 1988;  ­  Ajuizou  Ação  Declaratória  n°  1999.61.05.009516­7  para  afastar  a  aplicação  do  artigo  55  da  Lei  8.212/1991,  nas  redações  dadas  pelas  Leis 9429/96, 9732/98, 9528/97 e MP 2187­13, sem sentença final;  Em sub­título específico, entende que, por se tratar de desoneração de  tributos, o § 7% artigo 195 da CF/1988 deveria ter sido regulamentado  por lei complementaR como determina o inciso II, artigo 146 da mesma  Constituição  e  nesse  sentido,  até  que  outra  lei  complementar,  as  entidades beneficentes deve atender aos disposto no artigo 14 do CTN.  Fl. 33DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 34          4 Para  fazer  valer  tal  entendimento  cita  a  Medida  Cautelar  n°  1999.61.05.006397­0  e  Ação  Ordinária  1999.61.05.009516­7,  que  interpôs  no  intuito  de  não  observar  a  alteração  trazida  pela  Lei  9.732/98  à  Lei  8.212/91,  ainda,  cita  a  Ação  Ordinária  206.61.05.010163­0  que  impetrou  para  anular  as  NFLD  n°  35.774.663­5  e  35.775.351­8,  tendo  sido  o  Agravo  de  Instrumento,  contra  a  decisão  que  lhe  negara  a  tutela  antecipada,  recebido  com  efeito suspensivo. Esta Ação carece de decisão definitiva.  Ainda,  a  Ação  Ordinária  n°  0006688­25.2010.4.03.6105,  deferiu  a  antecipação  dos  efeitos  da  tutela  jurisdicional,  em  18/05/2010,  para  suspender a exigibilidade da NFLD 35.847.699­2.  Esclarece  que  a  autoridade  fiscal  não  indicou  que  a  SCEI  tivesse  descumprido  tanto  o  artigo  14  do  CTN,  como  o  artigo  55  da  Lei  8.212/91  e,  portanto,  esta  exigência  não  possui  qualquer  respaldo  legal,  razão  pela  qual  o  Auto  de  Infração  deve  ser  cancelado.  •  Pondera que a imunidade prevista no artigo 195, § 7° da Constituição  Federal de 1988, deve ser regulamentado por lei complementar e que,  portanto, até que tal  lei seja editada há que ser observado o disposto  no artigo 14 do CTN.  Infere  que,  por  coexistir  o  fato  gerador  do  tributo,  seja  em  razão  da  isenção  veiculada  pela  Lei  n°  3577/59,  seja  por  conta  da  imunidade  tributária  constante  no  art.  195,  §  7,  da  Constituição  Federal,  é  indevida  multa  de  mora  aplicada  e  a  exigência  das  contribuições  destinadas ao SALÁRIO EDUCAÇÃO, SAT, SESC, SEBRAE, SENAC e  INCRA, por incidirem sobre a folha de pagamento.  Em síntese, assegura que a Lei 8.212/91, ao definir a contribuição ao  SAT— Seguro de Acidente do Trabalho, é omissa na conceituação de  atividade  preponderante,  sendo  que  os  vocábulos  "atividade  preponderante",  "risco  considerado  leve,  médio  ou  grave"  foram  definidos  por  meio  de  decretos  o  que  contraria  os  princípios  da  legalidade e da tipicidade tributária.  Entende que por não exercer atividade agroindustrial não está sujeita  ao recolhimento da contribuição destinada ao INCRA e, ainda, o artigo  25 da Lei 8.870/94 foi declarado inconstitucional pelo STF.  Assegura que as contribuições destinadas ao SESC, SENAC e SEBRAE  devem ser exigidas exclusivamente das empresas comerciais conforme  dispõem a legislação que as instituiu e sua cobrança atenta contra os  princípios da legalidade, da verdade material e, principalmente, contra  o princípio da moralidade, por força do caput do artigo 37 da CF/88.  Por outro lado, em extensa dissertação, impugna a imposição dos juros  com base na taxa do SELIC, por ter natureza remuneratória e não de  mora.  Entende  que  a  aplicação  dos  juros  com  base  no  referido  Sistema  consiste em verdadeiro confisco e ofensa aos princípios da legalidade e  capacidade contributiva.  A  Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando  procedente  a  autuação, nos termos do Acórdão nº 05­40.506­9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 35          5 Brasil de Julgamento em Campinas  ­ SP, conforme Ementa a  seguir, às  fls. 2974 a 2981 do  Volume XII do processo 10830.007796/2010­92:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  OUTRAS  ENTIDADES  E  FUNDOS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.  A  empresa  é  obrigada  a  recolher  as  contribuições  destinadas  aos  TERCEIROS,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas, a qualquer título aos segurados empregados a seu serviço,  na forma da Lei.  DIREITO ADQUIRIDO À MANUTENÇÃO DE REGIME  JURÍDICO.  INEXISTÊNCIA   Inexiste direito adquirido em regime jurídico, motivo pelo qual não há  razão para se falar em direito à imunidade por prazo indeterminado.  ACRÉSCIMOS LEGAIS.  As  contribuições  sociais,  não  recolhidas  em  épocas  próprias,  estão  sujeitas • à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa do SELIC.  APLICAÇÃO DA MULTA   A multa  aplicada  no momento  do  lançamento  atende  ao  primado  da  retroatividade benigna.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Acórdão   145`  Sessão  da  9`  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Campinas  Acordam  os membros  da  9a  Turma de  Julgamento,  por  unanimidade  votos,  considerar  IMPROCEDENTE  a  impugnação  apresentada  e  MANTER 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO ora exigido, por meio do Auto de  Infração n° 37.273.112­0, conforme voto da relatora.  Intime­se para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da  ciência,  salvo  interposição  de  recurso  voluntário  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, em igual prazo, conforme  facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972,  alterado pelo art.  1 2 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e  pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002.  Destaque­se que este Auto de Infração e o de n° 10830.007795/2010­ 48  (DEBCAD  n°  37.273.109­0)  estão  juntados  por  apensação  ao  processo n° 10830.007796/2010­ 92 (DEBCAD n° 37.273.110­4).  Inconformada  com  a  decisão  de  1ª  instância,  a  Recorrente  apresentou  Recursos Voluntários, às fls. 3038 a 3066 do Volume XII do processo 10830.007796/2010­ Fl. 35DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 36          6 92, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede  de Impugnação, em apertada síntese:  ­ Em sede Preliminar:  (i)  da  nulidade  da  decisão  recorrida  por  deixar  de  apreciar  os  fundamentos aduzidos na Impugnação.  A  decisão  recorrida  padece  de  nulidade,  quer  por  ter  deixado  de  apreciar  todos  os  fundamentos  que  embasam  a  pretensão  da  recorrente,  quer  por  incorrer  em  manifesta  incoerência,  de  um  lado  reconhecendo  expressamente  ter  deixado  de  apreciar  atividade  desenvolvida pela entidade junto à comunidade campineira, e de outro,  concluindo que a recorrente não teria cumprido os requisitos do art. 55  da  Lei  8212/91,  para  o  que  imprescindível  seria  a  apreciação  da  atividade desempenhada pela entidade junto à comunidade local  A  invalidade  também  se  verifica,  na  medida  em  que  a  decisão  desconsiderou  a  existência  de  reconhecimento  judicial  em  favor  da  recorrente quanto ao direito de usufruir da  imunidade veiculada pelo  art.  195, §7 1 da CF,  independente da observância do art.  55 da Lei  8212/91.    (ii) Cerceamento do direito de defesa  A r. decisão recorrida afirma, em vários trechos, não ser pertinente a  análise,  nestes  autos,  do  atendimento  pela  recorrente  aos  requisitos  para gozo da imunidade a que alude o § 70 do art. 195 CF — instituto  que  foi  tomado  pelo  julgador  de  primeira  instância  como  se  isenção  fosse ­ porque essa questão teria sido abordada pelo acórdão 240, de  25/03/2006,  que  referendou  decisão  cancelatória  da  isenção  da  entidade.  (...) Mas, indo além, a r. decisão afirma que a recorrente não atenderia  aos requisitos a que alude o art. 195 § 7 0 da CF. Ao afirmar à pág. 10  que  a  recorrente  "distribuiu  parcela  de  seu  patrimônio,  na  forma  de  gratificação ao Secretário Estatutário Monsenhor José Machado Couto  (Inc.  1,  do  art.  14),  não  comprovou  a  aplicação  integral  de  seus  recursos na manutenção dos  seus objetivos  institucionais  (inc.  II, art.  14) e a escrituração contábil apresentou falhas (inc. III, art. 14) o que  motivou  a  emissão  de  Representação  Administrativa  ao  Conselho  Federal de Contabilidade".    Do Mérito    (iii)  a  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  da  exigência  de  juros  equivalentes à taxa SELIC.  De fato, o pedido subsidiário deduzido pela recorrente, de exclusão do  crédito relativo a SELIC, uma vez que  tal exigência ofende o Código  Tributário  Nacional,  tem  como  fundamento  não  só  a  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 37          7 inconstitucionaldiade,  mas  também  a  ilegalidade  por  ofensa  à  lei  complementa.  Dai  a  nulidade  da  r.  decisão  recorrida  por  violar  o  direto  à  ampla  defesa e ao devido processo legal (arts. 5 1 LIV e LV CF, 21 "caput" e  parágrafo  único  VII  e  48  da  Lei  9784/99  e  art.  59  II  do  Decreto  70235/72), o dever de motivar (art. 50 da Lei 9784/99) e, ainda, ao art.  31  do  Decreto  70235/72,  na  redação  conferida  pela  Lei  8748/93,  devendo, por isso, ser anulado para que outro seja proferido à luz do  pedido deduzido pela recorrente.    (iv) Descumprimento da coisa julgada   (iv.1)  A  invocação  dos  fundamentos  que  serviram  à  concessão  da  antecipação  da  tutela  nos  autos  da  AO  0006688­25.2010.4.03.6105  não  pode  ser  tida,  sob  nenhum  aspecto,  como  protelatória,  tal  como  afirmado pela r. decisão às fls. 2969.  Ao  referir­se  a  essa  ação,  cuja  cópia,  aliás,  juntou  aos  autos,  a  recorrente  deixou  claro  que  se  cuida  de  ação  anulatória  da  NFLD  35.847.699­2. Em que pese o fato de tal NFLD exigir, tal como ora se  exige,  o  recolhimento  de  contribuição  à  cota  patronal,  da  qual  a  recorrente é imune, a recorrente não fez entre os dois  feitos qualquer  paralelo, apenas invocou precedente no qual o Judiciário reconheceu o  valor das atividades benemerentes que desenvolve.  (iv.2) O mesmo se dá com a remissão feita pela recorrente às decisões  judiciais nos autos da AO 2006.61.05.01063­0 que foram invocadas em  reforço  às  provas  produzidas,  demonstrando  o  atendimentos  aos  requisitos para o gozo da desoneração veiculada pelo art. 195 § 7° CF.  Nesse feito, aliás, foi proferida, após a impugnação apresentada nestes  autos,  sentença,  julgando  procedente  a  ação  e  condenando  a  União  Federal  em  litigância  de  má­fé,  em  clara  demonstração  de  que  a  omissão  da  Administração  em  controlar  a  legalidade  de  seus  atos  importa em graves danos para todas a sociedade.  (iv.3) Ainda da mesma natureza foi a menção à decisão proferida nos  autos  da  AO  1999.61.05.009516­7,  reconhecendo  que  a  recorrente  atende aos requisitos para o gozo da desoneração constitucional, não  obstante cobre pelos serviços educacionais que presta.  (iv.4) Já a decisão transitada em julgado nos autos do MS 9476/DF foi  sim,  violada  pela  expedição  da  NFLD  ora  atacada  e  pelo  v.acórdão  recorrido.  A  decisão  proferida  nestes  autos,  alcançada  pela  coisa  julgada, reconheceu o direito adquirido da impetrante à isenção objeto  da Lei 3577/59, independentemente do preenchimentos da observância  do  art.  55  da  Lei  8212/91  que,  aliás,  não  cuida  de  isenção  e  sim,  procura  regulamentar  imunidade,  matéria  reservada  à  lei  complementar, nos termos do art. 146 III CF.    (v) Do direito da Recorrente ao gozo da imunidade do art. 195, § 7o da  CF.  Fl. 37DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 38          8 Embora  o  dispositivo  utilize  o  termo  "isenção"  ao  indicar  que  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  são  desoneradas  de  contribuição  para  a  seguridade  social,  por  se  tratar  de  desoneração  veiculada pelo próprio texto constitucional, a sua natureza jurídica é  de  verdadeira  imunidade  (...)Convém  salientar  que  esse  magistério  doutrinário  reflete­se  na  própria  jurisprudência  constitucional  do  Supremo Tribunal Federal,  que  já  identificou  na  cláusula  inscrita  no  art. 195, § 7°, da Carta Política, a existência de uma típica garantia de  imunidade  estabelecida  em  favor  das  entidades  beneficentes  de  assistência social (RTJ 137/965, Rei. Min. MOREIRA ALVES).  Sendo a uma limitação ao poder de tributar, a "lei" a que faz menção a  parte final do § 7o, ou seja, a que pode estabelecer as exigências para o  gozo  do  beneficio,  há  ser  a  lei  complementar,  por  força  do  que  estabelece o art. 146 II da CF, verbis:  (...)Assim,  até  que  sobrevenha  lei  complementar  instituindo  outras  condições para o gozo da  imunidade prevista no art. 195 § 7 da CF,  tais  dispositivos  do  CTN  elencam  as  únicas  que  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  devem  preencher  para  gozar  da  desoneração em tela, representando verdadeiras balizas a que se deve  ater o legislador ordinário.    (vi) A entidade atendeu não só ao art. 14 CTN, bem como o art. 55 da  Lei 8212/91   (a)  a  entidade  é  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal,  estadual  e  municipal:  Decreto  Federal  de  27  de  maio  de  1992  (DO  28.05.92  publicado  no  Diário  Oficial  da  União,  de  28  de  maio  de  1992),  Decreto  Estadual  40.685,  de  06  de  setembro  de  1962,  e  Lei  municipal n° 6801, de 04 de dezembro de 1991.(does 04 a 06) ­ art. 55  Ida Lei 8212/91;     (b)  desde  1971,  a  impugnante  sempre  obteve  Certificado  de  Filantropia,  hoje denominado Certificado de Entidade Beneficente de  Assistência Social ­ art. 55 II da Lei 8212/91­(doc.07);   (c)  promoveu,  no  período  fiscalizado,  assistência  social  beneficente,  inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou  pessoas  carentes  (redação original do  art.  55  III  da  Lei  8212/91,  em  vigor  por  força  da  liminar  concedida  nos  autos  da  ADI  20285).  As  autoridades  previdenciárias  jamais  questionaram  que  o  Hospital  Maternidade "Celso Pierro" ­ HCMP presta relevantes serviços sociais  para toda a região do Estado de São Paulo e ainda, para a região do  sul do Estado de Minas Gerais, disponibilizando atendimento médico,  de  ótima  qualidade,  ao  SUS,  e  quv  >  xíospital  mantido  pela  impugnante,  é  uma  entidade  beneficente  de  assistência  social,  que  supre  as  deficiências  do  Estado  no  cumprimento  do  seu  dever  constitucional  de  fornecer  à  população  serviços médicos  de  primeira  necessidade. Tampouco questionaram que essa  também é a  realidade  da PUC­Campinas, outra entidade mantida pela impugnante, dedicada  ao  ensino  de  graduação  e  pós­graduação,  nas  mais  diversas  áreas,  contando  com  10  cursos  de  Mestrado/Doutorado  e  22  cursos  de  especialização, e ainda, faculdade voltada para a terceira idade.   Fl. 38DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 39          9 (d) não remunerou seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou  benfeitores,  como,  tampouco,  lhes  concedeu  quaisquer  vantagens  ou  benefícios ­ art. 55 IV da Lei 8212/91 e art. 14 I do CTN (art. 5o §§ Io  e  2o  dos  estatutos),  independente  do  fato,  apontado  pela  autoridade  fiscal, de ter sido paga gratificação a diretor do Colégio Pio XII, pela  sua  atuação  profissional,  na  ocasião  de  sua  aposentadoria,  o  que,  conforme  a  própria  jurisprudência  administrativa  e  judicial,  não  constitui obstáculo ao gozo da isenção.   (e)  aplicou,  integralmente,  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  de  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando, anualmente ao órgão do INSS, relatório circunstanciado  de suas atividades (art. 55 V da Lei 8212/91 e art. 14II CTN);   (f)  manteve  escrituração  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  de  formalidades  capazes  de  assegurar  sua  exatidão,  tal  como  exigido  pelo  art.  14  III  CTN,  cuidando,  ainda,  de  divulgar  publicamente  seus  resultados,  fato  reconhecido  pela  própria  administração, à época. Outrossim, a impugnante apresentou ao INSS  relatório circunstanciado de suas atividades, dando­lhe a conhecer os  serviços caritativos que desenvolveu no período.    (vii) Da inexigibilidade do SESC, SEBRAE, SENAC, INCRA.      Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.      É o Relatório.    Fl. 39DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 40          10   VOTO    Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator     PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso é tempestivo, conforme informação colhida dos autos.    DO PROCEDIMENTO FISCAL    O  crédito  tributário  se  refere  à  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos,  denominadas  “Terceiros”,  quais  sejam,  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  'Educação  ­ FNDE,  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária  ­  INCRA, Serviço  Social  do Comércio  ­ SESC e Serviço Brasileiro de Apoio  às Micro  e Pequenas Empresas  ­  SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e  3°  da  L/ei  11.457  de  16/03/2007,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007.  O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da  autuação  lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de  reconhecimento de  isenção de  contribuições sociais:  2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei  8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e  Instrução,  CNPJ:  46.020.301/0001­88  foi  cancelada  a  partir  de  01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e  V  do  artigo  55  da  Lei  8.212  de  24/07/91,  conforme  ATO  CANCELATÓRIO  DE  RECONHECIMENTO  DE  ISENÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  n°  21.424.1/003/2004,  datado  de  10/11/2004  e  mantido  em  última  instância  administrativa  pelo  •  Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240  de  28/03/2006,  razão  pela  qual  o  presente  crédito  está  sendo  constituído.    O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos  de Débito ­ DD, é de 06/2006 a 12/2007.  O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos.  Fl. 40DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 41          11 De  início,  é  importante  se  observar  do  Relatório  Fiscal  que  o  Auto  de  Infração  lavrado  NÃO  TEVE  como  fundamento  a  lavratura  para  se  prevenir  a  decadência, nos termos do art. 86, do decreto 7.574/2011:  Art.86.O  lançamento para prevenir a decadência deverá  ser  efetuado  nos casos em que existir a concessão de medida  liminar em mandado  de  segurança  ou  de  concessão  de  medida  liminar  ou  de  tutela  antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966­ Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos  IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida  Provisória no 2.158­35, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado  ao  sujeito  passivo  com  o  esclarecimento  de  que  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  permanece  suspensa,  em  face  da  medida  liminar  concedida  (Lei  nº  5.172,  de  1966­Código  Tributário  Nacional,  arts.  145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o).  §2oO  lançamento  para  prevenir  a  decadência  deve  seguir  seu  curso  normal,  com a prática dos atos administrativos que  lhe  são próprios,  exceto  quanto  aos  atos  executórios,  que  aguardarão  a  sentença  judicial,  ou,  se  for  o  caso,  a  perda  da  eficácia  da  medida  liminar  concedida.    Afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção  da decadência, continuemos.    Observa­se  que  no  fundamento  em  que  baseou  o  procedimento  fiscal  aparece  nos autos controvérsias judiciais a respeito:  Senão, vejamos.  Em relação aos efeitos da expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de  Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004.  No  presente  processo  administrativo,  bem  como  no  processo  10830.727646/2012­61,  constam  informações  de  medidas  judiciais  que  discutes  tal  matéria  acerca do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais:  (a)  O  Mandado  de  Segurança  impetrado  no  STJ,  MS  n°  9476/DF  (2003/0237.201­2),  na  qual  se  reconhece  o  direito  da  impetrante  à  manutenção  do  CEBAS,  anulando­se  o  Ato  Cancelatório  de  Reconhecimento  de  Isenção  De  Contribuições  Sociais  n°  21.424.1/003/2004;  (b)  No  processo  10830.727646/2012­61  às  fls.  1984  da  Impugnação,  tem­se  referência  ao  Agravo  de  Instrumento  ­  AI  n°  2011.03.00.024928­9  tirado  do  AO  n°  0008864­40.2011.403.6105,  impetrado  no  TRF  da  3a  Região,  na  qual  se  discute  a  exigência  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  remunerações  pagas  a  Fl. 41DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 42          12 autônomos,  onde  a  Recorrente  informa  que  se  reconheceu  judicialmente  a  "imprestabilidade"  dos  fundamentos  do  Ato  Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais  n°  21.424.1/003/2004,  além  de  lhe  garantir  o  direito  adquirido  ao  certificado  de  entidade  filantrópica  sem  prazo  determinado  com  a  isenção da cota patronal.  Ou seja, a partir do trânsito em julgado e os efeitos no processo administrativo  fiscal do MS n° 9476/DF (2003/0237.201­2) e do AI n° 2011.03.00.024928­9 tirado do AO n°  0008864­40.2011.403.6105,  é  que  se  poderá  determinar,  em  sede  Preliminar,  se  incorre  em  nulidade  (total  ou  parcial,  formal  ou  material),  ou  não,  esta  segunda  fundamentação  do  procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração.  Em  consulta  ao  AI  n°  2011.03.00.024928­9  tirado  do  AO  n°  0008864­ 40.2011.403.6105),  ao  site  do  TRF  da  3a  Região  (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20110 3000249289),  em  05.12.2015,  constata­se  que,  em  02.10.2004,  a  Sociedade  Campineira  de  Educação e Instrução apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  Em  consulta  ao  MS  n°  9476/DF  (2003/0237.201­2),  ao  site  do  STJ  (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 200302372012&totalR),  em 05.12.2015,  constata­se  que  a  última movimentação  ocorreu  em  16.04.2010 com a certidão de objeto e pé.      DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL     Desta forma, afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função  de prevenção da decadência, como prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração tem­se, por  óbvio,  que  se  observar  os  seguintes  trânsito  em  julgado  e  os  efeitos  neste  processo  administrativo fiscal: (i) da Ação Popular n° 0003421­40.2011.4.02.5102 ­ 1a Vara Federal de  Niterói RJ ­ (2011.51.02.003421­7); (ii) do MS n° 9476/DF (2003/0237.201­2), impetrado no  STJ;  e  (iii)  do  AI  n°  2011.03.00.024928­9  tirado  do  AO  n°  0008864­40.2011.403.6105,  impetrado no TRF da 3a Região.    Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/2010­37  Resolução nº  2202­000.625  S2­C2T2  Fl. 43          13   CONCLUSÃO     CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da  Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe (sendo que, após a conclusão  das  Diligências  requeridas,  a  Unidade  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverá  intimar  o  contribuinte acerca do resultado das Diligências, abrindo o prazo de 30 dias para Manifestação  com vistas ao contraditório e à ampla defesa):    (i)  o  trânsito  em  julgado da Ação Popular n° 0003421­40.2011.4.02.5102  ­ 1a  Vara Federal de Niterói RJ ­ (2011.51.02.003421­7);  (ii)  quais  os  efeitos nos Autos de  Infração  lavrados do  trânsito  em  julgado da  Ação  Popular  n°  0003421­40.2011.4.02.5102  ­  1a  Vara  Federal  de  Niterói  RJ  ­  (2011.51.02.003421­7);  (iii) o trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.201­2), impetrado no  STJ;  (iv) quais os efeitos nos Autos de  Infração  lavrados do  trânsito em julgado do  MS n° 9476/DF (2003/0237.201­2);  (v)  o  trânsito  em  julgado  do  AI  n°  2011.03.00.024928­9  tirado  do  AO  n°  0008864­40.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região;  (vi) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do AI  n° 2011.03.00.024928­9 tirado do AO n° 0008864­40.2011.403.6105;  (vii)  conclusivamente  se,  em  função  do  resultado  das  diligências  elencadas  acima,  a  Recorrente  possui  direito  à  isenção  de  contribuições  sociais  previdenciárias  no  período 01/2008 a 12/2008;  (viii)  se  há  processo  judicial  na  qual  a  Recorrente  seja  parte,  por  qualquer  modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo­tributário.      É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro     Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 13841.000220/2005-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 156          1 155  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13841.000220/2005­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.703  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de dezembro de 2015  Matéria  Ressarcimento ­ Pis/Pasep  Recorrente  Costa Ribeiro Exportação e Importação Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  FORMA  DE  UTILIZAÇÃO.  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.   O  valor  do  crédito  presumido  das  contribuições  PIS/Pasep  e  COFINS,  calculados  sobre  o  valor  dos  insumos  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos de cooperado pessoa  física, utilizados na  fabricação dos produtos  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  previsto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de  ressarcimento  em  dinheiro.  Tais  créditos  somente  podem  ser  utilizados  na  dedução  do  valor  devido  da  respectiva  contribuição,  calculado  sobre  valor  das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno  no mesmo período de apuração.   Recurso ao qual se nega provimento.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 02 20 /2 00 5- 04 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     2 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ  Campo  Grande  (fls.  108/114),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  não  acolheu  as  razões  contidas  na  manifestação  de  inconformidade  formalizada  pela  interessada,  relativamente  a  pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável  pelo exame inicial do pleito.  A  lide  decorre  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  do  PIS/Pasep  ­  Mercado  Externo,  no  valor  de  20.737,35,  apurado  segundo  o  regime  de  incidência  não­ cumulativa, correspondente ao terceiro trimestre de 2004. O pedido foi fundamentado no § 1º  do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002.  A  DRF  em  Limeira/SP,  por  meio  do  Despacho  Decisório  de  fls.  52/53,  deferiu  apenas  parcialmente  o  pedido  formulado,  tendo  reconhecido  o  direito  creditório  no  montante de R$ 14.066,82. A parte glosada corresponde ao crédito presumido da agroindústria  relativo ao mercado externo, o qual, segundo a autoridade fiscal, é legalmente admitido apenas  para desconto da correspondente contribuição devida.  Inconformada,  a  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade  onde aduziu o seguinte:  a)  que  a  Instrução  Normativa  n°  600/2006  não  poderia  ter  sido  aplicada  retroativamente, sob pena de ferir a segurança jurídica, o direito adquirido e o  ato  jurídico  perfeito,  previstos  no  art.  5°,  inciso  XXXVI  da  Constituição  Federal;  b) que ainda que se admitisse a aplicação da Instrução Normativa em tela, a  compensação  ora  pleiteada  não  o  é  com  relação  a  outros  tributos  e  contribuições, mas refere­se à própria contribuição; e,  c)  que  indeferir  a  compensação  afrontaria  o  art.  151,  inciso  III,  do Código  Tributário nacional (CTN) e a própria Constituição Federal.  Os  argumentos  em  evidência,  todavia,  não  foram  acolhidos  pela  primeira  instância, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO  PRESUMIDO  DECORRENTE  DA  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL  A IN SRF n° 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF  n°  15/2005  vedam  expressamente  a  compensação  ou  ressarcimento  dos  créditos  presumidos  apurados  a  partir  de  01/08/2004  com  base  no  art.  8°  da  Lei  n°  10.925/2004,  permitindo apenas deduzi­los das contribuições devidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/2005­04  Acórdão n.º 3301­002.703  S3­C3T1  Fl. 157          3 Direito Creditório Não Reconhecido  A  ciência  da  decisão  vergastada  ocorreu  em  18/10/2014  (fls.  118).  Inconformada, a interessada apresentou, em 23/10/2014 (fls. 119), o recurso voluntário de fls.  119/134, onde se insurge contra a decisão de primeira instância com fundamento nos mesmos  argumentos  outrora  apresentados,  em  especial  contra  a  aplicação  retroativa  da  IN  SRF  nº  660/2006,  cujos  ditames,  ainda  que  aplicados,  não  impediriam  a  compensação,  já  que  os  débitos  compensados  também  dizem  respeito  a  PIS.  Aduz  ainda  que  o  aproveitamento  do  crédito presumido da agroindústria não possui nenhuma vedação, já que a compensação com a  própria  contribuição ou  com  tributos  administrados pela Receita Federal  foram  claramente o  desejo do legislador ao estipular tais normas.  Com  base  nos  argumentos  em  tela,  requer  seja  dado  provimento  ao  seu  recurso,  com  o  consequente  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  presumido  decorrente  das  vendas da agroindústria ao exterior, ou, alternativamente, que seja autorizado o creditamento  dos  valores  no  Sped  EFD  ­  PIS  COFINS/DACON,  a  fim  de  que  sejam  compensados  posteriormente com outros débitos.  Ao  presente  processo  foram  apensados  os  processos  nos  ,  13841.000243/2005­91,  13841.000313/2005­21,  13841.000314/2005­75  e  13841.000315/2005­10,  inerentes  a  declarações  de  compensação  de  débitos  de  PIS  não  cumulativo  (código  de  receita  6912),  IRRF  ­  remuneração  de  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica (código 1708) e retenção de contribuições CSLL/COFINS/PIS (código 5952).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  Conforme argumentos aduzidos em seu  recurso voluntário, vê­se que a  lide  se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do  crédito presumido da contribuição para o PIS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas  para o exterior.  O  problema  inerente  à  forma  de  utilização  do  crédito  presumido  da  contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de  julgamento por este CARF quando do exame do processo no 10945.004981/2007­32,  julgado  em  05/05/2011  (acórdão  no  3802­00.457),  da  relatoria  do  i.  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento, cujo  entendimento, abaixo  transcrito,  também adoto como  razões para decidir  a  presente contenda:  Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o  PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004.  Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da  evolução  do  tratamento  legal  que  foi  conferido  a  forma  de  utilização  do  crédito  presumido  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  calculado  sobre  o  valor  dos  insumos  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física  e  utilizados  na  fabricação  dos  produtos  destinados  à  alimentação humana ou animal.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     4 A instituição do referido benefício  fiscal  foi  feita pela Lei nº 10.684,  de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº  10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi  expressamente definida no § 10 do  citado preceito  legal,  ao passo que  [a]  forma  de  apuração  do  seu  valor  foi  estabelecida  no  §  11.  Tais  preceitos  legais tinham a seguinte redação, in verbis:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  §  10.  Sem  prejuízo  do  aproveitamento  dos  créditos  apurados  na  forma deste  artigo,  as  pessoas  jurídicas  que  produzam mercadorias  de  origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e  nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,  07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00,  15.17,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal  poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos  bens  e  serviços  referidos  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País.  (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais)  §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela  Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)  I ­ seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das  mencionadas  aquisições,  de  alíquota  correspondente  a  setenta por  cento  daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003)  (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)  II  ­  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.  (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925,  de 2004)  (...).  Em  seguida,  as  formas  de  utilização  e  de  cálculo  do  citado  crédito  presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas  no  caput  e  nos  §§  2º  e  3º  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  com  as  alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris:  Art.  8o  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3,  exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado  sobre o valor dos bens referidos no  inciso II do caput do art. 3o das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  (...)  § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste  artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período  de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País,  observado  o  disposto  no  §  4o  do  art.  3o  das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/2005­04  Acórdão n.º 3301­002.703  S3­C3T1  Fl. 158          5 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo  será  determinado  mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  mencionadas  aquisições, de alíquota correspondente a:  I  ­  60%  (sessenta  por  cento)  daquela  prevista  no  art.  2o  das  Leis  nos  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a  4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações  de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e  II  ­  50%  (cinqüenta  por  cento)  daquela  prevista  no  art.  2º  das Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23,  todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  35% (trinta  e  cinco por cento)  daquela prevista no  art.  2º das Leis  nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de  2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...).  Compulsando os preceitos legais transcritos, observa­se que, desde a  sua  instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia  ser  utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para  o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos  dispositivos  legais,  nem  em  qualquer  outro  diploma  legal,  referência  a  alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que  não  seja,  exclusivamente,  mediante  a  dedução  da  contribuição  devida,  apurada no respectivo período.  Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  ao  ressaltar  que,  “sem  prejuízo  do  aproveitamento  dos  créditos  apurados  na  forma”  do  regime  não­ cumulativo,  as  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição  para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito  presumido,  calculado  sobre  o  valor  dos  insumos  adquiridos,  no  mesmo  período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação  dos produtos destinados à alimentação humana ou animal.  [...]  Na  verdade,  [...]  tanto  os  preceitos  legais  revogados  como  os  revogadores  dispuseram  sobre  as  formas  de  utilização  e  de  apuração  do  mencionado  crédito  presumido,  conforme  dispõem,  respectivamente,  os  §§  10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art.  8º da Lei nº 10.925, de 2004.  Trata­se,  evidentemente,  de  disciplinamento  legal  expresso  que,  em  face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer  incongruência,  omissão  ou  ambiguidade  que, ao meu  ver,  pudesse  ensejar  qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos  comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento.  Não  se pode olvidar que, em se  tratando de benefício  fiscal,  o  texto  veiculado no  referido preceito  legal deve  ser  interpretado de  forma  literal  ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN.                                                              1 "Art. 111 ­ Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:   Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     6 Além disso, por  força do disposto no  inciso II do art. 97 do CTN, a  concessão  de  qualquer  benefício  fiscal  que  implique  redução  de  tributo  somente  pode  ser  concedida  por  lei. Neste  sentido,  o  legislador  ordinário  goza  de  plenas  prerrogativas  para  delimitar  a  extensão  e  a  forma  de  utilização do benefício concedido.  [...]  Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem  cabimento  a  pretensão  da Recorrente  no  sentido  de  atribuir  interpretação  extensiva  ao  disposto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004  [...].  Principalmente,  tendo  em  conta  que  a  interpretação  sistemática  dos  comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito  presumido  [...]  conduz  a  conclusão  inarredável  de  que  o  entendimento  exarado  no  Acórdão  recorrido,  com  suporte  no  ADI  SRF  nº  15,  de  2005,  está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em  apreço, conforme se demonstrará a seguir.  Também  não  procede  a  alegação  da  Recorrente  de  que  o  novel  disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou  apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo  as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física  ou recebidos de cooperado pessoa física.  Na verdade, contrariando  tal afirmação, verifica­se que os preceitos  legais  revogados,  assim  como  os  revogadores,  disciplinaram  e  continuam  disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito  presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art.  3º da Lei nº 10.637, de 2002,  e no caput  e §§ 2º e 3º do art.  8º  da Lei nº  10.925, de 2004.  Alegou  ainda  a  Recorrente  que  o  direito  a  compensação/  ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o  PIS/Pasep,  acumulados  em  face  da  imunidade  e  da  não­cumulatividade,  continuaria em pleno vigor.  A  alegação  da  Recorrente  é  verdadeira  apenas  em  relação  aos  créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da  não­cumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde  que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços  para  o  exterior,  conforme  expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que,  apesar  se  referir  à  Cofins,  também  se  aplica  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep não­cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme  disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003.  Em  face  da  importância  que  representa  para  o  esclarecimento  da  presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido  art. 6º:                                                                                                                                                                                           I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias".    2  "Art.  15. Aplica­se  à  contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que  trata  a Lei no  10.637,  de 30 de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  III ­ nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)".  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/2005­04  Acórdão n.º 3301­002.703  S3­C3T1  Fl. 159          7 Art.  6o  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações de:   I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada no  exterior,  cujo pagamento  represente  ingresso de divisas;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação.  § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar  o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de:  I  ­  dedução  do  valor  da  contribuição  a  recolher,  decorrente  das  demais  operações no mercado interno;  II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1o  poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria.  § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplica­se somente aos créditos apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o.  (...). (grifos não originais).  É  oportuno  esclarecer  ainda  que,  somente  dão  direito  ao  crédito  ordinário ou normal  (i) os bens adquiridos de pessoa  jurídica domiciliada  no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa  jurídica domiciliada no País. Da mesma forma,  também não dão direito a  crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  citada  Contribuição.  Neste  sentido  dispõem  o  inciso  II  do  §  2º  e  os  incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir  reproduzidos:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865,  de 2004)  I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  II  ­ da  aquisição  de bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao pagamento da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à  alíquota 0  (zero),  isentos ou não alcançados pela contribuição.  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I  ­ aos bens e  serviços adquiridos de pessoa  jurídica domiciliada no  País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa  jurídica domiciliada no País;  III  ­ aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a  partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     8 (...) (grifos não originais)  A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os  bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens  não  sujeitos  ao  pagamento  da  respectiva  Contribuição,  inclusive  no  caso  isenção.  Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que  trata  da  matéria,  resta  indubitável  que  as  formas  de  compensação  e  de  ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002,  aplicam­se exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à  receita de exportação, apurados segundo o regime da não­cumulativida da  Contribuição para o PIS/Pasep.   Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da  Lei  nº 10.833,  de  2003,  é  forçoso  concluir que os  créditos presumidos  em  apreço  não  podem  ser  utilizados  para  fim  de  compensação  ou  de  ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente.  Dessa  forma,  fica  devidamente  esclarecido  que  a  única  forma  de  utilização  do  valor  do  crédito  presumido  em  apreço  é  apenas  aquela  autorizada  no  caput  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  ou  seja,  exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o  PIS/Pasep,  calculado  sobre  valor  das  receitas  tributáveis  decorrentes  das  vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração.  (os destaques em sublinhado não constam do original)  Vale  lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual,  juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04.  Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade  de  utilização  de  compensação  e  ressarcimento  mas  unicamente  em  relação  aos  créditos  “apurados  de  acordo  com  o  regime  da  não­cumulatividade,  instituído  no  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  e  desde  que  tais  créditos  estejam  vinculados  exclusivamente  à  receita  de  exportação  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços  para  o  exterior,  conforme  expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido  direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei  no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução  da correspondente contribuição devida.                                                              3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.  § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa  jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º  para fins de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno;  II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados  pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer  das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria".  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/2005­04  Acórdão n.º 3301­002.703  S3­C3T1  Fl. 160          9 Quanto  ao  disposto  no  §  2o  do  artigo  5o  da  IN 660/064,  segundo o  qual  “é  vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de  créditos presumidos na forma deste artigo”, importa destacar que referida instrução normativa  não  inovou  quando  tratou  da  impossibilidade  de  utilização  dos  créditos  presumidos  da  recorrente para  fins de ressarcimento ou de compensação com outros  tributos. Como visto, o  caput  do  artigo  8o  da  Lei  no  10.925/04  restringe  o  emprego  dos  referenciados  créditos  à  dedução  da  contribuição  correspondente,  de  sorte  que  nada  há  na  instrução  normativa  em  comento que extrapole o ditame legal reportado.   Em outras palavras,  a vedação contida na  IN encontra­se  em  conformidade  com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. O mesmo se  diga em relação ao disposto no § 3o,  inciso II, do artigo 8o da  IN 660/06, que expressamente  veda a utilização dos créditos presumidos para fins de compensação.  Toda essa exegese é corroborada pelo novo tratamento dado à matéria a partir  da  edição  da Lei  nº  12.350,  de  20/12/2010. Os  artigos  56­A  e  56­B da norma  em  evidência  passaram a autorizar a compensação ou o ressarcimento dos créditos presumidos nas condições  específicas traçadas pelo legislador, conforme se observa abaixo:  Art.  56­A.  O  saldo  de  créditos  presumidos  apurados  a  partir  do  ano­ calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de  julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído  pela Lei nº 12.431, de 2011).  I ­ ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº  12.431, de 2011).  II ­ ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável  à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).  § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos  de  que  trata  o  caput  somente  poderá  ser  efetuado:  (Incluído  pela  Lei  nº  12.431, de 2011).  I  ­  relativamente  aos  créditos  apurados  nos  anos­calendário  de  2006  a  2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta  Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).  II  ­  relativamente  aos  créditos  apurados  no  ano­calendário  de  2009  e  no  período  compreendido  entre  janeiro  de 2010 e  o mês  de  publicação desta  Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).  § 2º O disposto neste artigo aplica­se aos créditos presumidos que tenham  sido  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei  nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº  10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).                                                              4 Art. 5º  A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o  PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não­cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados  sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos:     [...]  § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplica­se, também, à sociedade cooperativa  que exerça atividade agroindustrial.  § 2º   É vedado às pessoas  jurídicas de que  tratam os  incisos  I a  III do caput do art. 3º a utilização de créditos  presumidos na forma deste artigo.  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     10 Art. 56­B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada  trimestre­calendário,  não  conseguir  utilizar  os  créditos  presumidos  apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de  julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).  I  ­ efetuar  sua compensação com débitos próprios,  vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela  Lei nº 12.431, de 2011).  II  ­  solicitar  seu  ressarcimento  em  dinheiro,  observada  a  legislação  específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011).  Parágrafo único. O disposto no caput aplica­se aos créditos presumidos que  tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados  à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de  farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto  nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos  §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído  pela Lei nº 12.431, de 2011).  O artigo 56­A da Lei nº 12.350/2010 corrobora tudo o que aqui já foi dito no  sentido  de  que  o  direito  de  compensação  ou  de  ressarcimento  não  alcançava  os  créditos  presumidos  de  que  trata  a  Lei  no  10.925/04,  sendo  os  mesmos  passíveis  unicamente  de  utilização para a dedução da correspondente contribuição devida. Com efeito, não faria sentido  o  legislador  editar  norma  permissiva  de  hipótese  de  compensação  e  de  ressarcimento  se  a  legislação outrora vigente já contemplasse tal possibilidade.   Quanto  ao  artigo  56­B  da  Lei  nº  12.350/2010,  a  exceção  criada  pelo  legislador ­ que fortalece o entendimento aqui adotado ­ também não socorre o sujeito passivo,  já que restrita aos produtores de farelo de soja. Com efeito, conforme a informação fiscal que  subsidiou  o  despacho  decisório  que  reconheceu  apenas  em  parte  o  direito  pleiteado  pela  interessada, a mesma tem como atividade a "exportação, importação, comércio e benefício de  café".  No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o  qual  veda  expressamente  a  utilização  do  crédito  presumido  para  fins  de  compensação  ou  ressarcimento,  tal dispositivo  infralegal veio  somente esclarecer aquilo que a  lei  já  trazia em  seu  bojo. Assim,  tal  norma  complementar  de  direito  tributário  não  desbordou  de  seu  cunho  meramente  interpretativo,  posto  que  restringiu­se  unicamente  à  sua  função  complementar de  esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso.  Para  terminar,  importa  ressaltar que o  entendimento  acima está  em perfeita  sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso  Especial no 200900758996, assim se manifestou:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS  DECORRENTES  DA  LEI  10.925/04  COM  QUAISQUER  TRIBUTOS  ADMINISTRADOS  PELA  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA  NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO  LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial  interposto  nos  autos  de  mandado  de  segurança,  impetrado  pela  contribuinte  com  objetivo  de  ver  reconhecido  o  direito  de  compensar  seus  créditos  presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer  tributos administrados pela Receita Federal,  nos  termos do art.  16 da Lei  11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/2005­04  Acórdão n.º 3301­002.703  S3­C3T1  Fl. 161          11 (Ato  Interpretativo  Declaratório  15/2005  e  a  Instrução  Normativa  SRF  660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação  tributária  deve  ser  analisado  à  luz  do  princípio  da  legalidade  estrita,  em  conformidade  com  o  que  dispõe  o  art.  170  do  CTN:  "A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública".  Precedentes:  AgRg  no  Ag  1.207.543/PR,  de  minha  relatoria,  PRIMEIRA  TURMA,  DJe  17/06/2010;  AgRg  no  AgRg  no  REsp  1012172/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco  Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei  11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá  ser  objeto  de:  I  ­  compensação  com débitos próprios,  vencidos  ou  vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria  da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria".  4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a  utilização  dos  créditos  presumidos  disciplinados  na  Lei  10.925/04,  o  que,  por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado  nesta  impetração.  5. Além disso,  a  concessão de  créditos  presumidos  pela  Lei  10.925/04  tem  por  escopo  a  redução  da  carga  tributária  incidente  na  cadeia  produtiva  dos  alimentos,  na  medida  em  que  a  venda  de  bens  por  pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista)  não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela  sistemática  da  não  cumulatividade,  não  há,  efetivamente,  tributo  devido  para  a  adquirente  se  creditar.  6.  Essa  finalidade  é  suficiente  para  diferenciar  esses  créditos  presumidos  daqueles  expressamente  admitidos  pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da  sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e  10.865/04.  Aliás,  a  Lei  10.637/02  (com  redação  incluída  pela  Lei  10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito  derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da  contribuição,  inclusive no caso de  isenção, esse último quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  0  (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria  Lei 10.925/04, em  seus arts.  8º  e 15,  só prevê a utilização desses  créditos  presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8.  Portanto,  os  atos  regulamentares  expedidos  pelo  Poder  Executivo  ora  impugnados  pela  recorrente,  ao  impedirem a  compensação ora postulada,  não  inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16  da  Lei  11.116/05,  mas,  apenas  explicitaram  vedação  que,  como  visto,  já  estava  contida  na  legislação  tributária  vigente.  9.  Recurso  especial  não  provido.  (STJ.  Primeira  Turma.  Recurso  Especial  no  200900758996.  Relator:  Min  Benedito  Gonçalves.  Data  da  decisão:  24/08/2010.  Publicado  em  31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos)  Da conclusão  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS     12 Diante  das  considerações  acima  expostas,  voto  para  negar  provimento  ao  recurso voluntário interposto pela recorrente.  Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 11634.720286/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2006 SOBRESTAMENTO. O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62-A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaram-nos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS. Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles.
Numero da decisão: 1202-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc. EDITADO EM: 10/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA

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1202­001.117  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2014  Matéria  EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL PORTARIA RFB N  666, DE 2008  Recorrente  VERGOTI COMÉRCIO DE METAIS LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2006  SOBRESTAMENTO.  O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62­A não mais se aplica, ou seja,  não  se  aplica  o  sobrestamento  aqui  alegado  por  ter  sido  revogado  pela  Portaria do MF nº 545/2013.  PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS  O  lançamento  é  procedente  uma  vez  que  a  diferença  entre  as  receitas  declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção  legal,  a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por  parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito  e os fatos que levaram­nos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  INAPLICABILIDADE.  Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que  o  artigo  61  da  Lei  n.º  9.430/96  apenas  impõe  sua  incidência  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições.  Igualmente  não  incidem  os  juros  previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.  IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS.  Em  relação  aos  lançamentos  decorrentes,  CSLL,  contribuição  ao  PIS,  COFINS  e  contribuições  previdenciárias,  são  decorrentes  da  autuação  do  IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR  a  preliminar  de  nulidade;  em  NÃO  CONHECER  do  pedido  de  perícia;  e,  no     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 86 /2 01 1- 74 Fl. 3257DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     2 mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a  exigência  dos  juros  de mora  sobre  a multa  de  ofício,  vencido  o Conselheiro Carlos Alberto  Donassolo,  que negava  integralmente  provimento  ao  recurso. Ausente, momentaneamente,  o  Conselheiro João Bellini Junior.  (documento assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente da Segunda Câmara    (documento assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Redator ad hoc.   EDITADO EM: 10/09/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Carlos  Alberto  Donassolo  (Presidente  em  Exercício  à  época  do  julgamento),  Plínio  Rodrigues  Lima,  João  Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do  julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.  O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II  do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015,  publicada  no  DOU  em  10/06/2015,  formalizou  a  seguir  o  relatório  e  o  voto  do  presente  acórdão, considerando:  (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da  Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA  FINAMORE  HORTA  do  mandato  de  Conselheira,  representante  dos  Contribuintes,  junto  a  Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;   (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad  hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);  (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério  da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU  em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente,  representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do  CARF; e  (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da  Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.        Relatório  Segundo a relatora:  Fl. 3258DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 3          3 "VERGOTI  COMÉRCIO  DE  METAIS  LTDA  EPP  (CNPJ  81.709.800/000188), teve contra si lavrados os autos de infração a seguir descritos, em relação  ao SIMPLES, para o período de abril  a dezembro de 2006, com fundamento em omissão de  receitas,  caracterizada  por  depósitos  bancários  não  escriturados  e  insuficiência  de  recolhimentos, resultando em mudança de faixa de tributação.  Os tributos cobrados são:  ­ IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  Valor : R$164.255,99   Base legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º  do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, §1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de  1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, e;  art. 186, 188 e 199 do RIR/99.    ­ CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  Valor : R$164.255,99  Base legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art.  2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº  9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998.  ­ PIS ­ contribuição ao PIS  Valor : R$120.226,69  Base legal: art. 3º , “b” , da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970,  art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida  Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da  Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998.   ­ Cofins  Valor : R$482.098,80  Base  legal:  art.  1º  da Lei  Complementar  nº  70,  de  1991;  o  §  2º  do  art.  2º,  alínea “d” do § 1º do art. 3º,  inciso  II e § 1º do art. 5º,  art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº  9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998.  ­Contribuição para o INSS:  Valor : R$1.396.256,21  Base legal: o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do  art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com  o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998.  Fl. 3259DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     4 A tais valores,  foi acrescentado multa de ofício no patamar de 75% e  juros  moratórios calculados com base na SELIC.  Em sua Impugnação, relata que sua atividade, no ano de 2006, era o comércio  atacadista de sucata de metais, serviço de torno e repuxo de metais e indústria de vergalhões de  metais, e em novembro do mencionado ano, alterou sua atividade para comércio atacadista de  sucata de metais (exceto chumbos, acumuladores e resíduos industriais) e comércio atacadista  de vergalhões e linguotes de metais. Logo, sempre foi considerada como Empresa de Pequeno  Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei Federal 9841/99, recolhendo seus impostos pelo  Simples.  Embora estivesse sempre em dia com suas obrigações,  foi surpreendida por  fiscalização  da  Receita  Federal  que  a  intimou  a  apresentar  extratos  bancários  das  contas  correntes e de aplicações financeiras da empresa no período de 01/2006 a 09/2010, o que foi  prontamente atendido. Com tais documentos, houve o lançamento de diferenças de tributos que  compõe o Simples, por conta de supostas omissões de receitas, englobando todos os depósitos  realizados nas contas­correntes bancárias em 2006.  Porém, entende ser absurda a diferença encontrada, em valor correspondente  a R$ 5.175.349,13, que não é coerente com a atividade exercida pela empresa, repisando que  não  há  qualquer  valor  devido  como  tributo,  juros  ou  multa,  já  que  houve  declaração  em  momento oportuno e o respectivo pagamento.  Entende que o que se evidencia é que a autoridade promoveu o lançamento às  pressas, para escapar da ocorrência da decadência para o ano de 2006, deixando de averiguar  fatos  importantes,  inclusive  em  referência  à  própria  condição  da  empresa.  Pugna  pela  invalidade do lançamento realizado com base exclusiva em movimentação financeira.  Neste  ponto,  destaca  que  não  houve  nenhuma  receita  não  escriturada,  inexistindo  movimentação  bancária  que  seja  indicativo  de  receita  bruta,  cabendo  a  noção  razoável de que nem toda movimentação bancária é receita.  Destaca que a atuação do fisco foi arbitrária e precipitada, indicando que foi  intimada  a  prestar  informações  sobre  grande  volume  de  dados  no  prazo  exíguo  de  5  dias,  prorrogados por mais 5 dias. Disto, apresentou os seguintes documentos:  ­  declaração  referente  ao  ano­calendário  de  2006,  com  demonstração  da  receita  bruta,  despesas  e  pagamento  do  SIMPLES devido;  ­  contrato  social  e  alterações  contratuais,  que  indicam  a  atividade econômica exercida e seu enquadramento como EPP;  ­  notas  fiscais  que  demonstram  as  origens  dos  depósitos  indicados no extrato bancário apresentado em conjunto.  Informa que, menos de seis meses após o inicio da fiscalização, com 23 dias  de análise da documentação referente a 233 folhas de extratos bancários e 500 movimentações  financeiras,  a  foi  concluída  parte  da  fiscalização,  que  entendeu,  em  resumo,  que  as  provas  apresentadas não eram suficientes, não se apresentando como hábeis e idôneas.  Diz  que  sempre  houve  plena  colaboração  para  com  o  Fisco,  atendendo  às  suas  solicitações  adequadamente,  demonstrando  ainda  ato  de  boa­fé  ao  comparecer  pessoalmente para prestar informações.  Fl. 3260DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 4          5 Não obstante tal  fato, diz que o prazo de 10 dias que lhe foi oferecido para  apresentar  defesa  é  demais  exíguo  ante  o  volume  de  documentação  apresentada  e  que,  a  autoridade  fiscal  desconsiderou  totalmente  as  informações  prestadas,  inclusive  em  relação  à  condição  legal  da  empresa,  especialmente  o  valor  da  receita  bruta,  despesas,  compras  e  formação do estoque, desconsiderando também notas fiscais que comprovavam os depósitos e  transferências bancárias.  Indica que a autoridade fiscal não especificou o que considera como receita,  eis  que  a  totalidade  de  sua  movimentação  bancária  foi  como  tal  computada,  sendo  o  lançamento  realizado  unicamente  com  base  na  movimentação  bancária,  prática  vedada,  inclusive  pela  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  e  Tribunais  pátrios,  trazendo  decisões neste sentido.  Ante  tal  situação,  requer  a  anulação  do  auto  de  infração. Alternativamente,  pugna pela determinação da revisão do lançamento, para que sejam excluídos valores que não  sejam  receitas,  conferindo­se  ao  contribuinte  prazo  razoável  para  demonstrar  a  origem  dos  depósitos bancários.  Prossegue,  apontando  para  o  caráter  confiscatório  da  multa  aplicada,  no  patamar de 75%, indicando que o valor da autuação é de R$ 1.743.320,00, ou seja, superior à  sua receita bruta auferida no ano de 2006.  Esta  situação  é  absurda,  fugindo  a  qualquer  parâmetro  de  legalidade,  evidenciando o caráter confiscatório da multa, engessando suas atividades comerciais, eis que a  continuidade  da  empresa  é  impossível  se  tiver  que  arcar  com  tal  valor,  pelo  que  requer  sua  anulação.  Disto, faz os requerimentos de:  ­  realização  de  diligências,  com  oitiva  de  prepostos  seus,  para  comprovar  que  não  houve  a  omissão  de  receitas,  e  a  determinação à DRF de Londrina que apresente os documentos  que comprovem sua inadimplência com o Simples;  ­ o recebimento e análise de documentos posteriormente, por ter  lhe sido conferido prazo  insuficiente para demonstrar a origem  das  suas movimentações  bancárias,  considerando­se  também  a  antiguidade  das  notas  fiscais  e  documentos  relacionados  ao  período de autuação;  ­ sua intimação na pessoa de seu representante legal quando da  inclusão do processo na pauta de julgamento da DRJ Curitiba.  Pede  pela  anulação  do  auto  de  infração  e  sucessivamente  pela  revisão  do  lançamento, ou que na hipótese de entender algum valor devido, requer, em nome da equidade  e da boa­fé e para resguardar a continuidade da empresa, o perdão da dívida pela autoridade  competente.  Analisando  o  feito,  a  2ª  Turma  da  DRJ/CTA,  no  Acórdão  n.  06­37.636,  decidiu por julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário.  Inicia  sua  análise  contextualizando  os  fatos  ocorridos,  com  histórico  da  autuação, que a seguir transcrevo:   Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     6 “14. A ação fiscal iniciou em 25/10/2010, oportunidade em que foi intimada a apresentar uma série de  livros e documentos, conforme explicitado no Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 0204.  O período abrangido pela fiscalização foi de janeiro de 2006 a setembro de 2010. O presente processo  refere­se  tão somente ao período de abril a dezembro de 2006, portanto, os registros contábeis aqui  analisados já deveriam estar concluídos. Assim, reclamar sobre a exigüidade de tempo para justificar a  movimentação bancária não pode prosperar, posto que a Lei nº 9.317, de 1996, prevê em seu artigo 7º:  “Art.  7º  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES  apresentarão,  anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano­ calendário  subseqüente  ao  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  dos  impostos  e  contribuições  de  que  tratam os arts. 3º e 4º.  § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde  que  mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes:  a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  b)  Livro  de  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques  existentes  no  término de cada ano­calendário;  c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos  nas alíneas anteriores.  § 2º O disposto neste artigo não dispensa o  cumprimento, por parte da microempresa  e empresa de  pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista.” (grifos  acrescidos).  15. Perceba­se que se tratando de um benefício fiscal, para aderir ao Simples o sujeito passivo deve,  necessariamente observar a legislação de regência. A contribuinte não observou o regramento pois, se  o tivesse feito, certamente não poderia ter permanecido no benefício face o volume de receita apurado  pelo fisco. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade detectou que somente no ano calendário de  2006, para uma receita bruta declarada de R$1.341.347,59, ocorreram créditos nas contas correntes  bancárias no importe de R$16.456.958,68, gerando uma omissão da ordem de R$15.115.611,09.  Portanto, também descabe a queixa de que não foi observado o porte da empresa. O fato de a  empresa haver declarado junto ao cadastro do CNPJ  tratar­se de uma EPP, não prospera diante da  receita apurada.  16. Pois bem, os extratos bancários foram solicitados à contribuinte em 21/12/2010 e, em 05/04/2011  ela recebeu a intimação para comprovar a origem dos depósitos.  Às fls. 250­269 os valores a serem comprovados, individualizados por conta e por banco. O  prazo estipulado foi de cinco dias e prorrogado por mais cinco, conforme solicitação à fl.270.  17. Em determinado ponto da defesa, a impugnante afirma que a autoridade fiscal desconsiderou suas  justificativas. Mero argumento. Os documentos que foram apresentados se encontram às fls. 338­342.  No termo de Verificação Fiscal eis o que o fiscal fala sobre o assunto:  “4.4 – A empresa  fiscalizada em data de 11 de abril de 2011,  solicitou nova dilação e prorrogação de prazo,  tendo sido concedido por mais 05 (cinco) dias, cópia de fl. 270. Entretanto não houve atendimento ao solicitado  na intimação, tendo a mesma apresentado cópias de algumas notas fiscais, por amostragem (cópias de fls. 338­ 342),  coincidentes com os valores de depósitos efetuados e lançados nas contas correntes  bancárias, mas que já haviam sido consideradas na Receita Bruta declarada anteriormente e já declaradas para  a apuração mensal do Simples no exercício de 2006.”  18. E aqui cabe questionar, se o sujeito passivo se queixa de o fisco procurar a comprovação da origem de quase  500 lançamentos bancários, a simples apresentação de cinco notas fiscais não seria pouco para demonstrar seu  empenho? Conforme restou consignado, no mais, ela não dispôs de argumentos e instrumentos que pudessem lhe  dar  sustentação  e  que  criassem  uma  vinculação  entre  os  depósitos  e  suas  operações  comerciais,  essa  representadas  por  umas  poucas  notas  fiscais,  por  amostragem,  e  com  informações  verbais  em  relação  aos  créditos lançados.  19. Assim, com base na legislação que rege a matéria, a autoridade fiscal efetuou o lançamento por omissão de  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada.  O  permissivo  legal  autoriza  a  exigência com base na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 2006, cabendo à impugnante o  ônus de afastá­la, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que  justifiquem a origem daqueles créditos.”  Em  relação  às  decisões  jurisprudenciais  e  administrativas  trazidas  e  a  doutrina  citada,  indica  que  cabe  a  observância  ao  art.  102,  §  2º  e  103­A  da  Constituição  Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 5          7 Federal, de onde se tem que apenas as Súmulas vinculantes, criadas de acordo com as normas  constitucionais e as decisões nas quais o contribuinte figure como parte deverão ser observadas  pela administração pública,  indicando ainda que o administrador também não se submete aos  entendimentos  e  súmulas  dos  Tribunais  Superiores,  por  não  fazerem  parte  da  legislação  tributária mencionada pelos artigos 96 e 100 do CTN – Código Tributário Nacional.  Indica  que  as  decisões  trazidas  somente  produzem  efeitos  inter  partes,  nos  termos do artigo272 do CTN, não produzindo estas ou a doutrina  citada efeito vinculante às  decisões e atos administrativos em geral.  Na análise do valor das exigências discutidas, diz que o lançamento tributário  é obrigatório, eis que sua legislação de regência é vinculante, não cabendo à autoridade fiscal  questionar  a  legalidade  ou  sua  oportunidade  ou  conveniência,  eis  que  surgindo  a  obrigação  tributária,  tem –se o dever de efetuar o  lançamento,  sob pena de  responsabilidade  funcional,  nos termos do artigo 142 do CTN.  Ainda,  aponta  ser  necessário  o  lançamento  porque  a  ciência  deste  pelo  contribuinte,  não  obstante  ser  providência  preparatória  indispensável,  não  é  a  exigência  do  crédito tributário, pois a impugnação apresentada pode ser acolhida, afastando­se a exigência,  que só se torna efetiva com o decurso in albis do prazo para impugnação ou mediante decisão  administrativa  final,  com  a  cobrança  amigável  ou  a  inclusão  em  Dívida  Ativa,  seguida  da  propositura de execução  fiscal,  providências  a  serem  tomadas  só na hipótese de não haver  a  suspensão do crédito nos termos do artigo 151 do CTN.  Também  aponta  a  necessidade  da  lavratura  do  auto,  pois  a  constituição  do  crédito se dá pelo lançamento, sem o qual ele não existe, destacando que antes do lançamento  só há a obrigação tributária, que depende unicamente da ocorrência do fato gerador.  Assim, aponta que se os valores lavrados são de grande monta,  isto ocorreu  em decorrência da contribuinte não escriturar 91,2% de sua movimentação financeira ocorrida  entre  os  meses  de  abril  a  dezembro  de  2006,  gerando  a  falta  de  recolhimento  de  tributos,  sujeitando­se ao lançamento de ofício, com o qual surge o poder/dever de o fisco exigir a multa  e os juros moratórios.  Aqui, indica que não há no processo administrativo fiscal a possibilidade de  se afastar exigência fiscal somente porque o interessado assim o deseja. A única possibilidade  decorre da  existência de provas  contundentes de que os valores objeto da  autuação  já  foram  tributados ou que a ação esta eivada de erro ou vício, o que não se vislumbra no caso.  Afasta  também  a  alegação  do  contribuinte  de  que  o  lançamento  não  tem  suporte  em  um  efetivo  e  real  fato  gerador,  mas  mera  presunção  que  considerou  os  valores  lançados em sua conta corrente como tributáveis.  Diz que o contribuinte se insurgiu contra a autuação, tida como ilegal por ter  sido  embasada  em  depósitos  bancários,  que  não  seriam  sinônimos  de  obtenção  de  renda.  Apreciando a questão, indica que o lançamento possui respaldo no artigo. 42 da Lei n. 9430/96,  que  só  poderia  ser  afastado  pela  declaração  de  inconstitucionalidade,  não  sendo  cabíveis  os  argumentos trazidos na esfera administrativa, pelo que não toma conhecimento destes.   Neste  sentido,  indica a vinculação da  autoridade administrativa aos ditames  legais, nos termos do artigo 116,  III da Lei nº 8113/90, especialmente quando ao controle de  Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     8 exercício do  lançamento  tributário, nos  termos do artigo 142 do CTN, não cabendo aos  seus  agentes apreciar questões que importem em negação à vigência e eficácia dos preceitos legais  considerados inconstitucionais ainda que indiretamente. A ela, cabe tão somente seguir a lei e  obrigar seu cumprimento, conforme determinação contida no Parecer Normativo COSIT/SRF  nº 329/70 e na Portaria MF nº 58/2006, art. 7º, pelo que entende superada a controvérsia sobre  a matéria, ao menos em relação às DRJ.  Indica que lhe falta competência para apreciar questões referentes à alegação  de inconstitucionalidade dos preceitos legais contidos no auto de infração, eis que, em relação  às  leis  regularmente  editadas,  há  a  presunção  de  legitimidade  até  sua  declaração  de  inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta ou pelos demais órgãos do  Poder Judiciário, pela via do controle difuso, sendo que, de qualquer modo, somente ao Poder  Judiciário há a autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada,  restando  neste  ponto,  ao  administrador  sua  aplicação,  a  menos  que  estas  se  incluam  nas  hipóteses  do  Decreto  nº  2346/1997  ou  em  virtude  de  determinação  judicial  em  sentido  contrário beneficiando o contribuinte.  Apreciando a questão do lançamento, aponta que antes de adentrar o mérito  da questão,  deve  contextualizar o  lançamento  efetuado,  com  a definição  do  fato  gerador  e  o  ônus da prova imputável a cada uma das partes. Transcrevo trecho da decisão, por ser didática:  “47. Inicialmente, faz­se necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os  depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os  depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta à omissão  de rendimentos objeto de tributação.  48. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de  omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos,  quando o contribuinte,  tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais  depósitos, se nega a fazê­lo, ou não o faz satisfatoriamente.  49. Registre­se que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal ocorreu em 25/10/2010 e, até a data  da lavratura do Termo de Verificação Fiscal datado de 28/04/2011, nenhum documento comprobatório  da  origem  dos  depósitos  bancários  foi  encaminhado ao  fisco. Assim,  não  comprovada a  origem dos  recursos,  tem  a  autoridade  fiscal  o  dever/poder  de  considerar  os  valores  depositados  como  rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto  correspondente.  50.  Oportuno  se  faz  um  rápido  histórico  da  legislação  vigente  sobre  a  tributação  de  depósitos  bancários,  com  o  objetivo  de  se  aclarar  a  evolução  do  ordenamento  jurídico  que  regeu,  e  rege,  a  matéria tributária objeto do presente lançamento.  51. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou:  “Art.  6º  O  lançamento  de  ofício,  além  dos  casos  já  especificados  em  lei,  far­se­á  arbitrando­se  os  rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  (...)  §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a  instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas  operações.  §  6°  Qualquer  que  seja  a  modalidade  escolhida  para  o  arbitramento,  será  sempre  levada  a  efeito  aquela que mais favorecer o contribuinte.”  52. À vista de tais regras tem­se que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos  sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do  contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados,  desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao  contribuinte.  53. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele  previsto na Lei nº 8.021, de 1990: foi promulgada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que nos  arts. 42 e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme  Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 6          9 art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF,de 1988 c/c o art. 105 do CTN,  aplica­se aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997:  “Art.42.Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.  §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito  efetuado pela instituição financeira.  §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos  impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas  na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.  §3o  Para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  os  créditos  serão  analisados  individualizadamente,  observado que não serão considerados:  I­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;  II­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a  R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$  80.000,00 (oitenta mil reais).  [...]”    54. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão  de  rendimentos.  Não  logrando  o  titular  comprovar  a  origem  dos  créditos  efetuados  em  sua  conta  bancária, tem­se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os  recursos  depositados  traduzem  rendimentos  do  contribuinte.  Há  a  inversão  do  ônus  da  prova,  característica  das  presunções  legais  –  o  contribuinte  é  quem  deve  demonstrar  que  o  numerário  creditado não é renda tributável.  55. É  a  própria  lei  definindo  que  os  depósitos  bancários,  de  origem não  comprovada,  caracterizam  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  e  não  meros  indícios  de  omissão;  razão  por  que  não  há  obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de  receita ou sinal exterior de riqueza.  56. É notório que qualquer movimentação financeira retrata um fato que se reflete no patrimônio do  contribuinte,  sendo,  portanto,  passível  de  comprovação.  A  falta  de  comprovação  da  origem  desse  numerário  evidencia  que  a  mesma  corresponde  à  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  rendimentos sem origem justificada”  Disto, esclarece que ante a verificação da omissão de receitas, esta influencia  no montante de receita bruta mensal e  receita bruta acumulada, que por  sua vez  influencia a  apuração de quais percentuais serão aplicáveis no cálculo dos tributos. Assim, com a omissão  de  receitas,  diminuiu­se  o  valor  da  receita  bruta  mensalmente  declarada,  gerando  a  insuficiência no recolhimento de tributos pelo interessado.  Em relação às exigências reflexas, indica que para os lançamentos de CSLL,  PIS, COFINS,  IPI  e  da  contribuição  ao  INSS  estes  são  decorrentes  do  lançamento  do  IRPJ,  cabendo  a  eles  seguir  a  sorte  da  decisão  do  lançamento  principal.  Aponta  que  este  entendimento  é  pacífico  na  jurisprudência  administrativa,  citando  julgados  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes, não cabendo, portanto reparos ao lançamento.  Analisando a argumentação trazida em relação à multa de ofício, repisa que o  lançamento  é  ato  administrativo  plenamente  vinculado  à  lei,  cabendo  responsabilização  funcional  do  agente  público  caso  não  haja  tal  observância,  nos  termos  do  artigo  142  e  seu  parágrafo  único  do  CTN,  ante  a  consideração  de  que  toda  norma  legislativa  nasce  com  presunção  de  constitucionalidade,  só  afastada  por  decisão  proferida  em  sede  de  Poder  Judiciário. Com  isso,  a  única  conduta  possível  ao  agente  público  é  a  aplicação  da multa  no  patamar  de  75%,  conforme  determinação  do  artigo  44,  I,  da  Lei  9430/96.  Indica  que  este  também é o entendimento esposado na Súmula nº1 do CARF.  Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     10 Por fim,  tece comentários sobre o pedido genérico de produção de provas e  oitiva  de  testemunhas  efetuado.  Entende  que  foi  dada  ampla  oportunidade  de  produção  de  provas  e  defesa  à  impugnante,  ainda  na  fase  de  fiscalização,  mas  que,  mesmo  na  fase  de  impugnação esta não se desincumbiu de apresentar documentação hábil que comprovasse que  toda a receita foi oferecida à tributação.  Informa  que  o  momento  oportuno  para  a  juntada  de  documentos  é  a  impugnação, sob pena de preclusão, conforme o disposto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72,  citando por oportuno o contido no artigo 16, §4º do mesmo artigo, com exceções ao aludido  momento, destacando que nenhuma delas ocorreu no caso concreto.  Aponta que em decorrência do falso pressuposto de que todo auto de infração  já nasce perfeito e acabado, criou­se a pretensão da autuada em querer imputar à administração  pública o ônus de apurar a verdade dos fatos, o que não é verdade, eis que a princípio a função  das  instâncias  julgadoras  administrativas  é  de  justamente  aperfeiçoar  o  lançamento,  por  sua  revisão, e em face de imperfeições do ato, buscar­se­ia sua reforma, e não sua anulação.  Analisando  o  argumento  de  que  o  lançamento  não  reproduz  a  verdade  dos  fatos, diz que a verdade é um conceito metafísico, de análise difícil, e que apesar de não poder  sofrer experimentação, pode ser conhecida, racionalizada. Cita doutrina de Fabiana Del Padre  Tomé e Tárek Moyses Moussalem sobre o tema, identificando, em apertada síntese que o que  se convencionou chamar de “verdade real” não é senão a submissão do processo administrativo  aos princípios da legalidade e da oficialidade, pelo que afasta o entendimento do contribuinte.  Afasta também os pedidos de depoimento pessoal do impugnante, oitivas de  testemunha e sustentação oral, ante inexistência de previsão legal a estes na primeira instância.  Em  relação  à  perícia,  entende  que  esta  busca  transferir  ao  Fisco  o  ônus  probatório  imposto  a  contribuinte  a  ser  exercido  no  decorrer  da  ação  ou  na  impugnação.  Destaca que, embora o pedido de prova pericial seja permitido, o mesmo pode ser indeferido,  nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70235/71 ­ PAF, se a autoridade julgadora decidir que  estas são prescindíveis ou impraticáveis.   Ainda,  indica  que  a  realização  da  diligência  ou  perícia  pressupõe  a  necessidade de conhecimento  técnico especializado ou esclarecimentos de fatos considerados  obscuros,  não  se  incluindo  entre  os  direitos  subjetivos  do  contribuinte.  No  caso  concreto,  a  perícia requerida busca comprovar a origem dos depósitos bancários no período fiscalizado, o  que era de responsabilidade da parte, pelo que indefere o pleito, por considera­la prescindível  para o deslinde do feito.  No  que  tange  a  remissão  requerida,  aponta  que  o  artigo  150,  §6º  da  Constituição  Federal,  eventual  remissão  de  imposto  sobre  a  renda  deve  ser  precedida  de  lei  específica, mencionando neste sentido o artigo 172 do CTN, que preceitua que somente a  lei  pode autorizar a concessão, via despacho fundamentado, de remissão parcial ou total do crédito  tributário, hipótese que não se verifica no presente processo. Assim, por falta de previsão legal,  afasta o pedido de remissão.  Por fim, rejeita o pedido de intimação do representante legal da contribuinte  da inclusão do processo em pauta de julgamento da DRJ, ante a inexistência de previsão legal.  Assim, mantém integralmente o lançamento.  A  contribuinte  foi  intimada  em  6  de  agosto  de  2012  e  apresentou Recurso  Voluntário  em  5  de  setembro  de  2012,  reiterando  os  argumentos  trazidos  em  sua  inicial,  Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 7          11 acrescendo  a  estes,  em  essência,  o  argumento  de  que,  em  respeito  ao  reconhecimento  da  repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, foi dado o caráter de repercussão geral, com  o  sobrestamento  de  todos  os  recursos  em  trâmite  perante  sua  competência,  referentes  a  “fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  ao  Fisco  sem  autorização  judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar n. 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei  nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua  vigência  – Tema nº  225”.  Logo,  ante o  disposto  no  art.  62­A,  §1º  do Regimento  Interno  do  CARF,  vez  que  há  nos  autos  a  discussão  da  constitucionalidade  e  legalidade  das  provas  –  extratos  bancários  –  que  serviram  de  base  dos  autos  de  infração  de modo  a  evitar  decisões  conflitantes entre o STF e o órgão administrativo.  Também, indica que a impugnação apresentada possuía efeitos suspensivos, e  enquanto  pendente  a  discussão  dos  efeitos  e  de  sua  suspensão  do  Sistema  Simples,  não  poderiam ser lavrados autos de infração contra a empresa, pelo que estes padecem de nulidade.  Aponta  que  ante  o  não  deferimento  de  provas  e  diligências,  que  houve  cerceamento de defesa, pedindo pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida.  Disto,  refuta  a  afirmação  que  o  processo  administrativo  deve  buscar  a  verdade processual. Cita doutrina de Leandro Paulsen, que indica que é necessário a busca da  realidade dos  fatos. Neste passo, aponta que o  formalismo excessivo não pode se sobrepor à  verdade, citando o Acórdão nº 1402­000.497 do CARF.  Destaca  que  é  clara  a  intenção  da  recorrente  em  produzir  as  provas  necessárias  para  afastar  a  presunção  legal,  especialmente  por  meio  da  juntada  de  novos  documentos  que  irão  comprovar  que  os  depósitos  realizados  nas  contas  correntes  não  são  receitas  tributárias. Ainda,  que  a prova pericial  requerida  buscava  afastar  as  incorreções  dos  cálculos realizados pela autoridade fiscal, especialmente por incluir na base de cálculo tributos  como o ICMS ou valores correspondentes à venda de sucata para empresas no lucro real.  Só  pelo  volume  de  operações  imputados,  há  a  autorização  do  pedido  de  provas requerido, conforme indica os arts. 36, 57, §6º do Decreto n] 7574/2011, mas mesmo  assim não houve o deferimento pela autoridade, o que aponta para o cerceamento de defesa.  Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta    Voto             Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc  Segundo a relatora:  O  presente  Recurso  Voluntário  cumpre  os  requisitos  de  admissibilidade,  inclusive o temporal, portanto, dele tomo conhecimento.  Tratam­se  os  autos  de  cobrança  de  IRPJ,  CSLL,  contribuição  ao  PIS,  COFINS  e  contribuições  previdenciárias,  relativas  ao  período  de  abril  a  dezembro  de  2006,  fundamentada em omissão de receitas derivada de cruzamento das informações constantes nas  Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     12 declarações do SIMPLES enviadas à Receita Federal e as informações constantes dos extratos  bancários entregues pela recorrente em resposta à intimação durante o processo de fiscalização.  A autoridade fiscal identificou que 92% da movimentação bancária do período não constavam  nas declarações entregues à Receita Federal.  A empresa era optante do SIMPLES, considerada como Empresa de Pequeno  Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei nº 9841/99. Consoante relatório, sua atividade em  2006  era  o  comércio  atacadista  de  sucata  de metais,  serviço  de  torno  e  repuxo  de metais  e  indústria de vergalhões de metais. A partir de novembro do mesmo ano, alterou sua atividade  para  comércio  atacadista  de  sucata  de  metais  (exceto  chumbos,  acumuladores  e  resíduos  industriais) e comércio atacadista de vergalhões e linguotes de metais, continuando a ser uma  EPP.   A recorrente, em seu Recurso Voluntário, traz o reconhecimento em sede de  repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal no Tema de nº 225 sobre o fornecimento de  informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos da  Lei Complementar nº 105/2001, o que resultaria em sobrestamento do julgamento em virtude  do artigo 62­A, §1º do Regimento Interno do CARF.   Cabe esclarecer que , em 18 de novembro de 2013, foi publicada Portaria nº  545, com o objetivo de revogar os §§ 1º e 2º do artigo 62­A do Regimento Interno do CARF,  os quais possuíam a seguinte redação:  "§  1º Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes."  Ou  seja,  de  acordo  com a  regra  anterior,  caso  o Supremo Tribunal  Federal  reconhecesse a repercussão geral de determinada controvérsia, esse colegiado deveria sobrestar  os  julgamentos dos recursos  interpostos em sede de processos administrativos que versassem  sobre matéria idêntica àquela tratada no leading case a ser julgado pela Suprema Corte. Após o  julgamento da matéria que teve o reconhecimento em repercussão geral pelo Supremo Tribunal  Federal,  esse Colegiado deveria  reproduzir em seus  julgados  a conclusão  firmada no  recurso  julgado sob o regime da repercussão geral.  Com  a  revogação  desses  parágrafos,  não  há  mais  o  que  se  falar  em  sobrestamento dos recursos submetidos ao CARF com reconhecimento de repercussão geral, os  julgamentos  dos  recursos  administrativos  sobrestados  com  base  na  regra  antiga  devem  ser  retomados, mesmo que o Supremo Tribunal Federal não tenha emitido juízo de valor definitivo  sobre a controvérsia que teve a repercussão geral reconhecida.   Permanece o dispositivo 62­A, o qual determina que esse colegiado, em suas  decisões, deve refletir o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de  repercussão geral (artigo 543­B, CPC) e pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos  repetitivos (artigo 543­C, CPC).  Desse modo, sem mesmo adentrar na semelhança ou da discussão aqui neste  processo  com  o  tema  de  nº  225  reconhecido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  como  de  repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62­A não mais se aplica, ou seja,  Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 8          13 não  se  aplica  o  sobrestamento  aqui  alegado  por  ter  sido  revogado  pela  Portaria  do  MF  nº  545/2013. Voltemos ao julgamento das preliminares e mérito.  Alega a recorrente que o procedimento de fiscalização foi às pressas e não foi  feita segregação do que é receita e o que não era. Como relatado pela autoridade lançadora e  não refutado pela contribuinte, o procedimento fiscal se iniciou em 25 de outubro de 2010, para  o período de janeiro de 2006 a setembro de 2010. Nos termos da Lei nº 9317/1996, artigo 7º, §  1º,  a microempresa  deve  apresentar declaração  simplificada  em  todos  os  anos­calendários  e,  apesar  de  não  estar  sujeita  à  escrituração  comercial,  deve manter  em  boa  ordem  e  guarda  o  Livro  Caixa,  Livro  de  Registro  de  Inventário,  e  todos  os  demais  documentos  e  papéis  que  serviram de base para a escrituração dos livros referidos.   Solicitada  a  apresentar  os  documentos,  incluindo  os  extratos  bancários,  a  recorrente  o  fez  prontamente,  quando  possibilitou  à  autoridade  fiscal  a  observar  que  foi  declarada  uma  receita  bruta  de  R$1.341.347,59,  enquanto  que  o  total  de  crédito  nas  contas  correntes bancárias foi de R$16.456.958,68, com uma diferença de R$15.115.611,09.  Chamada a explicar a diferença, no prazo de 5 dias prorrogados por mais 5  dias,  a  recorrente  apresentou  notas  fiscais,  por  amostragem,  (cópias  de  fls.  338­342),  que  coincidem  com  créditos  lançados  em  contas­correntes  bancárias  e  também  com  receitas  declaradas  à  Receita  Federal,  até  o  momento,  a  recorrente  não  explicou  a  diferença,  como  solicitado pela autoridade fiscal, individualizadamente e por conta e banco (fls. 250­269).   A  reclamação  da  recorrente  poderia  estar  correta  se,  em  algum  momento,  tivesse dado indício de que há explicação para ter um crédito em conta­corrente bancária muito  maior que o apresentado nas declarações simplificadas, mas não apresentou. Apenas argumenta  com os  fatos e entrega para a autoridade  lançadora o ônus da prova dessa diferença. Não há  nada nos autos que dê sustentação ao pedido de diligência,  requerido pela recorrente, ou que  demonstre  que  há  uma  explicação  para  a  não  vinculação  dos  créditos  em  conta­corrente  bancária  e  os  registros  da  declaração  simplificada.  Com  isso,  a  presunção  aqui  apontada  de  omissão de receitas, parece­nos correta.  Com base no artigo 42, da Lei nº 9430/1996, temos que:   “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  A  partir  de  1996,  com  o  advento  do  artigo  retro  transcrito,  temos  que  é  considerada omissão de receitas ou rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou  investimento junto à instituição financeira que não forem comprovados sua origem, mediante  documentação  hábil  e  idônea.  Suportada  por  tal  regra,  a  autoridade  lançadora  efetuou  o  lançamento. Em nenhum momento, a recorrente apresenta qualquer documento que tenha uma  explicação  para  tal  diferença.  Portanto,  o  lançamento  é  procedente  uma  vez  que  a  diferença  entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção  legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade  lançadora,  em  estabelecer  o  nexo  causal  entre o  depósito  e os  fatos  que  levaram­nos, mas  a  recorrente, de forma a afastar a presunção.   Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     14 Sobre a perícia, produção de provas e oitiva de testemunhas, até o momento  não temos documentação que traga algum indício de que não houve omissão de receitas, nada  foi apresentado pela impugnante, nem na fase de Impugnação ou de Recurso Voluntário.   Nos termos do artigo 16, IV, §4º do Decreto 70235/1972, temos que:   “Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)”  As  diligências  ou  perícias  têm  que  estar motivadas,  o  que  aqui  não  vemos  apresentados. Não há motivo para  retardar o julgamento e solicitar nova revisão por parte de  peritos,  uma vez que não há documentação que  indique os peritos  que devem ser  indicados,  basta que sejam apresentadas provas, documentos que  justifiquem a diferença apresentada,  o  que não foi feito. Assim, não cabe aqui também acatarmos o pedido da recorrente.   Em relação à aplicação de multa de ofício de 75%, nos termos da Súmula n°  2 do CARF, esse colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Desse  modo,  devem  ser  seguidos  os  ditames  do  artigo  44,  I,  da  Lei  nº  9430/1996.  Para os juros incidentes sobre a multa de ofício, concordo com a recorrente  que a melhor interpretação que se faz do artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9430/1996. Há juros  de mora somente sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, conforme o § 3º do mesmo,  isto  é,  só  se  aplica  os  juros  sobre  os  tributos  e  contribuições  e,  não,  sobre  as  penalidades  aplicadas aos tributos e contribuições.  Esse  também  foi  o  entendimento  desse  colegiado,  cuja  ementa  do Acórdão  assim dispõe sobre os juros sobre multa de ofício:  “Processo nº 19515.003663/2005­27  Acórdão 101­96523  Sessão de 23/01/2008   INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  INAPLICABILIDADE ­ Não incidem os juros com base na taxa  Selic  sobre  a  multa  de  ofício,  vez  que  o  artigo  61  da  Lei  n.º  9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes  de  tributos  e  contribuições.  Igualmente  não  incidem  os  juros  previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.  RO Negado. RV Provido em Parte.”  Em  relação  aos  lançamentos  decorrentes,  CSLL,  contribuição  ao  PIS,  COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir  o lá decidido, pela intima relação entre eles.   Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/2011­74  Acórdão n.º 1202­001.117  S1­C2T2  Fl. 9          15 Por todo o exposto, o voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso  apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Foi como votou a relatora.  Plínio  Rodrigues  Lima                               Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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Numero do processo: 13864.720036/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE MÚTUO, APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Exclui-se da base tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário, rejeitando-se alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações em termos gerais, dissociadas de comprovantes coincidentes e datas e valores, mormente se nenhum livro contábil ou fiscal foi apresentado pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou, alternativamente Livro Caixa, no qual esteja registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO CABIMENTO. Se a fiscalizada não se queda inteiramente inerte quanto ao atendimento às solicitações da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados e suas omissões foram inteiramente supridas pela autoridade fiscal mediante a aplicação da legislação pertinente (Requisição de Movimentação Financeira diretamente às instituições financeiras, em face da não apresentação de extratos; e arbitramento do lucro pela não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais), deve ser cancelado o agravamento da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação.
Numero da decisão: 1302-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido sobrestamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 4) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 3.642          1 3.641  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13864.720036/2013­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.805  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  02 de março de 2016  Matéria  IRPJ e Reflexos ­ Omissão de Receitas  Recorrente  ROYSTER SERVIÇOS S/A (Responsável tributário: Lúcio Bolonha Funaro)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  PROVA.  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  OBTENÇÃO.  SIGILO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas  em  absoluta  observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária  prévia autorização judicial.  OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO  COMPROVADA.  A  Lei  n°  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta  bancária  para  os  quais  o  contribuinte  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  ALEGAÇÕES  DE  MÚTUO,  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  E  TRANSFERÊNCIAS  BANCÁRIAS.  Exclui­se  da  base  tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário,  rejeitando­se alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações  em  termos  gerais,  dissociadas  de  comprovantes  coincidentes  e  datas  e  valores,  mormente  se  nenhum  livro  contábil  ou  fiscal  foi  apresentado  pelo  sujeito passivo.   ARBITRAMENTO.  CABIMENTO.  Correto  o  arbitramento  procedido  pela  Autoridade  Fiscal  quando  o  contribuinte,  optante  pelo  regime  do  Lucro  Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais  ou,  alternativamente  Livro  Caixa,  no  qual  esteja  registrada  toda  sua  movimentação financeira, inclusive bancária.   MULTA  DE  OFÍCIO.  AGRAVAMENTO.  NÃO  CABIMENTO.  Se  a  fiscalizada  não  se  queda  inteiramente  inerte  quanto  ao  atendimento  às  solicitações da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados e  suas omissões foram inteiramente supridas pela autoridade fiscal mediante a  aplicação da  legislação pertinente  (Requisição de Movimentação Financeira  diretamente  às  instituições  financeiras,  em  face  da  não  apresentação  de  extratos;  e  arbitramento  do  lucro  pela  não  apresentação  dos  livros  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 36 /2 01 3- 18 Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.643          2 documentos contábeis e fiscais), deve ser cancelado o agravamento da multa  de ofício.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  PRECLUSÃO.  Preclui  o  direito  do  contribuinte  de  apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em:  1)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR o pedido sobrestamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de  nulidade  do  lançamento  por  quebra  de  sigilo  bancário;  3)  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 4) por  maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário  relativamente ao agravamento  da  penalidade,  vencida  a  Relatora  Conselheira  Edeli  Pereira  Bessa,  sendo  designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  e  votando  pelas  conclusões  da  divergência  a  Conselheira  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio;  e  5)  por  unanimidade  de  votos, NEGAR CONHECIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  aos  juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente e Relatora  (documento assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele  Souto Rodrigues Amadio,  Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil  e  Talita  Pimenta Félix.  Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.644          3   Relatório  ROYSTER  SERVIÇOS  S/A,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  PARCIALMENTE  PROCEDENTE  a  impugnação  interposta contra lançamento formalizado em 07/03/2013, exigindo crédito tributário no valor  total de R$ 91.538.306,55.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato da acusação fiscal:  DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL  A ação  fiscal  iniciou­se com o Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de  26/03/2012, ciência da contribuinte por via postal "AR" em 04/04/2012 (fls. 4/7), no  qual o Fisco  comunicou  o  início  do  procedimento  e  requisitou  a  apresentação ou  disponibilização dos seguintes Livros e documentos:  ELEMENTOS e/ou ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS  1) Cópia do Contrato Social e alterações posteriores (permitida a apresentação somente  em meio digital ­ arquivo PDFt gravado em CD de dados ou pen­drive)  2) Apresentar seus Livros Diário e Razão correspondentes ao ano­calendário de 2008.  3)  Apresentar  cópia  do  Balanço  Patrimonial  assim  como  do  Demonstrativo  de  Resultados  do  Exercido  do  ano­calendário  2008,  devidamente  assinados  pelo  responsável (caso constem registrados no Livro Diário; está dispensada a apresentação  deste item separadamente)  4)  Apresentar  seus  Livros  Caixa,  de  Registro  de  ISS  e  auxiliares,  referentes  ao  ano­ calendárío de 2008  5)  Relação  de  todas  as  suas  contas­correntes,  contas  poupança  ou  contas  de  investimentos mantidas pela empresa no Brasil e no exterior, no período de 01/01/5008  a  31/12/2008,  com  a  especificação  do  nome  da  instituição,  números  da  agência  e  da  conta.  6) Extratos completos da movimentação financeira de todas as contas a que se refere o  item "5" acima, e que devem ser fornecidos em papel e em meio magnético (planilha de  dados ou formato .pdf).  7) Em  relação  aos  extratos  a que  se  refere o  item "6"  acima,  selecionar os 20  (vinte)  maiores valores creditados/depositados no ano de 2008 que se referiam a TED ou DOC  recebido  ou  DEPÓSITO  RECEBIDO  EM  DINHEIRO  OU  CHEQUE.  Para  estes,  identificar  por  escrito,  e  comprovar, mediante  documentação  hábil  e  idônea  a  origem  destes valores (informando o remetente)  8) Em  relação  aos  extratos  a que  se  refere o  item "6"  acima,  selecionar os 20  (vinte)  maiores valores debitados no ano de 2008 que se referiam a TED ou DOC efetuado ou  SAQUE  EM DINHEIRO OU CHEQUE  COMPENSADO.  Para  estes,  identificar  por  escrito,  e  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea  o  destino  dos  valores  (informando o beneficiário).  9) Apresentar listagem de maiores clientes. A listagem deve informar o CPF ou o CNPJ  e a receita bruta obtida de cada um deles em ordem decrescente de valores até que se  atinja  ao menos  80% da  receita  bruta  da  empresa Royster  no  ano  de  2008.  Também  devem  ser  descritos  qual  (is)  o(s)  tipo(s)  de  serviço  foi(ram)  prestado(s)  a  cada  um  destes clientes.  Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.645          4 Após  requerer  prorrogações  de  prazo,  a  contribuinte  entregou  cópias  de  extratos  bancários apenas de um estabelecimento (fls. 12/20), o que levou a Fiscalização, na  forma do Termo de Intimação Fiscal de 17/05/2012 (ciência por via postal "AR" em  24/05/2012  (fls.  21/23)  a  reiterar  as  requisições  feitas  anteriormente  e  ainda  não  atendidas.  Em 29/05/2012, capeado pela petição de fls. 24/25 a fiscalizada fez esclarecimentos  que entendia necessários acerca de suas operações bancárias, apresentou cópias de  seus  Estatutos  Sociais  e  entregou  Balanço  Patrimonial  de  2008  (fls.  26/105),  retornando  aos  autos  em  15/06/2012  para  requerer  prorrogação  no  prazo  para  atendimento dos itens faltantes (fls. 106/107).  Mediante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 18/06/2012 (ciência por via  postal "AR" em 26/06/2012 ­ fls. 108/111), a Autoridade Fiscal relatou o resumo do  procedimento  até  referida  data  e  concluiu  entendendo  ser  incabível  nova  prorrogação de prazo, declarando a fiscalizada "revel" em relação aos documentos  faltantes,  configurando­se  "embaraço  à  fiscalização",  na  forma  do  artigo  919,  parágrafo único do RIR/1999.  No mesmo Termo, o Fisco reiterou que:  a) ao contrário do que afirma a fiscalizada em sua petição protocolizada na repartição  fiscal  em  29/05/2012,  a  opção  pelo  lucro  presumido  não  a  isenta  de  possuir  o  Livro  Caixa, pelo contrário,  este passa  ser obrigatório no caso de não efetuar a escrituração  contábil regular nos termos da legislação comercial (art. 527 do RIR/99),  b ) por outro lado, nem o Livro Razão que a empresa se comprometeu a entregar em 15  dias  contados  de  29/05/2012  foi  apresentado.  Aliás,  vale  lembrar  que  Livros  Contábeis/Fiscais  são documentos que a empresa deve apresentar de  imediato por  ser  sua  obrigação  mantê­los  escriturados  e  à  disposição  dos  órgãos  de  fiscalização,  não  havendo sentido em solicitar seguidos pleitos de prorrogação para trazê­los,ainda mais  sem justificativa razoável para tanto.  c) da mesma forma, a opção pelo  lucro presumido não a  isenta de possuir o Livro de  Registro de ISS, que também foi alvo de solicitação da fiscalização.  d)  o  sujeito  passivo  também  se  recusou,  sem,  qualquer  justificativa  a  fornecer  informações relativas aos seus clientes.  e) quanto às informações bancárias, em nenhum momento o sujeito passivo apresentou  documentação  ou  informação  dos  bancos  BIC  e  BRADESCO  que  comprovasse,  ou  indicasse,  que  estas  instituições  tinham  problemas  em  fornecer  os  dados  solicitados  dentro do prazo estipulado, se limitando a dizer, a exemplo da petição protocolizada em  29/05/2012,­ que "estamos aguardando as lnstituições nos entregarem (sic)".  Para finalizar:  Dessarte, não havendo justificativa para o não atendimento às requisições fiscais, é de  se  deduzir  negligência  com as  requisições  fiscais  ou  um comportamento  reiterado  de  intenção meramente protelatória por parte do sujeito passivo, caracterizado em qualquer  caso  o  embaraço  à  fiscalização,  sujeitando  o  contribuinte  às  conseqüências  legal  e  normativamente previstas,  sem prejuízo da  faculdade da autoridade  fiscal  em solicitar  novos elementos e/ou esclarecimentos no curso do procedimento em voga.  Após cientificar a  fiscalizada, por via postal "AR", da continuidade da ação  fiscal  (fls. 112/113), o condutor do feito solicitou ao Titular da DRF/São José dos Campos  ­  SP a  emissão  de Requisições  de  Informações  sobre  a Movimentação Financeira  (RMF)  da  contribuinte  em  relação  às  instituições  financeiras  nas  quais  a mesma  manteve  movimentação  no  ano­calendário  de  2008,  tendo  os  estabelecimentos  intimados  apresentados  os  documentos  e  prestado  as  informações  requeridas  (fls.  114/628).  Sequencialmente,  o Fisco  cientificou  a  contribuinte  sobre  a  continuidade  da  ação  fiscal  (fls.  629/632)  e  lavrou,  em 09/01/2013, o Termo de  Intimação Fiscal de  fls.  Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.646          5 633/634,  elaborando  ainda  os  Anexos  I  e  II  (enviados  à  intimada)  contendo  sua  movimentação  bancária  e  exigindo  as  devidas  justificativas  para  os  valores  apontados em suas contas (fls. 635/652), com ciência da interessada em 15/01/2013,  por via postal "AR" (fls. 653).  Às  fls.  654  consta  petição  da  fiscalizada,  datada  de  21/01/2013,  requerendo  prorrogação  por  mais  45  dias  no  prazo  para  atendimento  à  intimação  do  Fisco,  tendo este concedido 20 dias, fixando em 14/02/2013 o prazo final e improrrogável  para  que  a  contribuinte  apresentasse  os  documentos  e  informações  ainda  não  entregues ou prestadas (fls.655/656).  A  partir  de  09/01/2013,  o  condutor  do  feito  iniciou  diversos  procedimentos  de  "diligências"  junto  a  pessoas  físicas  e  jurídicas  que,  no  entender  fiscal,  tinham  relação com a contribuinte (cf. MPF(D) de fls. 2537/2555), tendo ainda juntado aos  autos diversos documentos, dentre eles informações cadastrais e fiscais extraídas do  banco de dados da Receita Federal e da Junta Comercial do Estado de São Paulo  em relação à fiscalizada e aos diligenciados (fls. 657/1058). Juntou, ainda, cópia do  "Relatório  Final  da  CPI  das  ONGs",  elaborado  pelo  Congresso  Nacional  (fls.  1059/2536).  As  intimações  lavradas  pelo  Fisco  para  consecução  das  diligências  e  as  informações  prestadas  e  documentos  apresentados  pelos  diligenciados  estão  juntados às fls. 2556/3000, 3101/3341 e 3348/3350.  DA ACUSAÇÃO FISCAL   Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 3001/30351, a Autoridade Tributária relatou  o  resumo  de  todo  o  procedimento  havido,  inclusive  as  respostas  e  manifestações  feitas  pela  fiscalizada  e  diligenciadas,  discorrendo  sobre  as  irregularidades  apuradas,  afirmando,  em  caráter  inaugural,  sobre  o  objeto  da  ação  fiscal  e  a  atividade  econômica  da  autuada,  para  explicitar  que,  "embora  sua  receita  bruta  declarada  tenha  sido  de  R$  3,3  milhões  em  2008,  a  autoridade  fiscal  apurou  o  montante  de  mais  de  R$  224  milhões  em  depósitos/créditos  bancários  que  não  tiveram a sua origem comprovada, assim como não houve a comprovação de que os  mesmos já tivessem sido devidamente oferecidos à tributação ou que fossem isentos,  razão pelo qual se constituiu o lançamento ex­officio, sob a presunção de omissão de  receita".  A seguir, afirma o Agente Fiscal:  i)  que,  "em 26/03/2012  foi  elaborado Termo  de  Início  de  Fiscalização,  através  do  qual  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar,  entre  outros  documentos,  os  seus  livros  contábeis/fiscais,  os  extratos  de movimentação  de  suas  contas  bancárias  e  a  listagem dos seus maiores clientes, assim como a especificação dos serviços a eles  prestados, referentes ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2008".  ii)  que,  "o  sujeito  passivo  requereu  em  26/04/2012,  em  petição  assinada  pelo  seu  Diretor­Presidente,  Sr.  LUCIO BOLONHA FUNARO,  a  prorrogação  em mais  45  dias  do  prazo  para  atendimento  à  fiscalização,que  por  sua  vez  concedeu  uma  extensão  de  15  dias  em  função do  contexto  apresentado"; que, "o  contribuinte  em  documento  assinado  pelo Sr. LUCIO,  de  tudo  que  foi  solicitado  pela  fiscalização,  apresentou  apenas  um  extrato  bancário  de  uma  instituição  financeira,  solicitando  prorrogação de outros 45 dias para os demais itens", e que, "não tendo a fiscalizada  apresentado  qualquer  justificativa  razoável  para  tal  extensão  de  prazo,  principalmente para itens que independiam de terceiros, tais como os livros fiscais e  a listagem de clientes e de serviços prestados em 2008, a autoridade fiscal lavrou em  17/05/2012 Termo de Intimação em caráter peremptório para cumprimento por parte  do sujeito passivo".  Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.647          6 iii) que, "em 29/05/2012, o contribuinte entregou, em outra petição assinada pelo Sr.  LUCIO, apenas cópias do seu contrato social e alterações e afirmando que, por ser  tributada  pelo  lucro  presumido,  "não  possuindo  livros  fiscais,  somente  o  Livro  Razão, o  qual  será  entregue  em 15  dias",  e  que,  "passados os  15  (quinze)  dias,  o  contribuinte enviou via Sedex novo documento ao fisco (recebido em 15/06/2012),  afirmando  que  "os  itens  que  ainda  não  puderam  ser  atendidos,  inclusive  por  depender de terceiros (como instituições financeiras), constituem fato superveniente,  que independem da vontade da contribuinte...";  iv)  que,  "diante  da  falta  de  motivos  razoáveis  para  a  postergação  em  fornecer  informações simples  (como a de informar quais os clientes da empresa e o  tipo de  serviços  que  eram  prestados),  da  falta  de  comprovação  de  dificuldades  externas  à  vontade da fiscalizada e do não cumprimento do compromisso em entregar o Livro  Razão,  a  fiscalização  lavrou  em  18/06/2012  o Termo  de Constatação  e  Intimação  Fiscal, registrando a negligência, o caráter protelatório das atitudes do contribuinte  no curso da ação fiscal e a sua sujeição às conseqüências legais cabíveis";  v)  que,  "ainda  assim,  o  contribuinte  continuou  a  se  negar  a  atender  a  fiscalização  federal",  e  que,  "não  restando  outra  alternativa  ao  fisco,  em13/08/2012  foram  emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira às instituições  bancárias de interesse';  vi) que, "não obstante, com base no conjunto de informações bancárias juntadas aos  autos, foi possível à fiscalização levantar os depósitos/créditos cuja origem e devida  tributação, a princípio, não puderam ser confirmados, o que foi objeto de uma nova  intimação  ao  sujeito  passivo";  que,  "o  termo  que  solicita  do  contribuinte  a  identificação  e  demonstração  da  origem  dos  valores  foi  lavrado  em09/01/2013  e  encaminhado  ao  seu  domicílio  fiscal';  que,  "mais  uma  vezo  contribuinte  preferiu  restar silente", e que, "não houve manifestação por parte do interessado".  Depois de se referir às diligências que realizou (no total de 19, entre pessoas físicas  e  jurídicas),  a  Autoridade  Fiscal  passa  a  discorrer  sobre  as  irregularidades  apuradas na ação fiscal desenvolvida, destacando:  3.1  ­ SOBRE A INCOMPATIBILIDADE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM  RELAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS   No  tópico,  informa  ter  procedido  ao  levantamento  da movimentação  bancária  da  fiscalizada,  realizado  o  expurgo  de  valores  comprovados  (transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  resgates  de  contas  de  poupança  ou  de  aplicações  financeiras,  etc.),  valores de  créditos  inferiores  a R$ 100,00,  elaborando planilha  demonstrativa  que  foi  enviada  à  contribuinte  para  as  devidas  justificativas  das  origens dos recursos.  Nas literais palavras do Fisco:  vii) que, "a mesma planilha, agora classificada em ordem de data, encontra­se anexa  ao  presente  Termo.  A  partir  dela,  verifica­se  uma  incompatibilidade  entre  a  movimentação  financeira  de  créditos  e/ou  depósitos  bancários  nas  contas  da  contribuinte  vis­à­vis  aos  valores  por  ela  declarados  como  receita  bruta  em DIPJ  (ND 0687451 entregue em 29/06/2009/" (Termo de Verificação Fiscal ­ fls. 3005);  viii) que, "o comparativo está consolidado na tabela abaixo".  Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.648          7   3.2­  DA  NÃO  APRESENTAÇÃO  DE  COMPROVAÇÕES  E  JUSTIFICATIVAS  PELO CONTRIBUINTE   Inicia  o  item  esclarecendo  que  "submeteu  os  valores  que  foram  levantados  de  depósitos/créditos bancários ao contribuinte, mas o mesmo preferiu restar silente'",  para, a seguir, ressaltar.  ix) que, "tendo sido o procedimento fiscal caracterizado por pedidos de prorrogação  de prazos  assinados pelo Diretor­Presidente da  empresa o Sr. LUCIO BOLONHA  FUNARO, mas sem o efetivo esclarecimento às demandas fiscais";  x)  que,  "dessarte,  resta  ao  Auditor­Fiscal  titular  do  procedimento  proceder  à  conclusão do mesmo com o lançamento ex­officio dos valores devidos".  3.3­  DA  IDENTIFICAÇÃO,  ANÁLISE  E  MOTIVAÇÃO  DOS  FLUXOS  DE  RECURSOS   Diz a Autoridade Fiscal ter dividido a auditoria em duas frentes de trabalho, uma  diretamente  ligada  à  movimentação  financeira  da  fiscalizada  e  outra  mediante  diligências  e  circularizações  em  face  de  diversas  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  pudessem  ter  envolvimento  ou  realizado  negócios  com  a  contribuinte,  conforme  resultado discriminado nos itens subsequentes.  3.3.1 ­ DA IDENTIFICAÇÃO DOS FLUXOS A PARTIR DOS DADOS BANCÁRIOS   Prefacia  o  tópico  esclarecendo  ter  buscado não apenas  detalhar  a movimentação  bancária da contribuinte, "mas também identificar as origens e destinos dos valores  que  passaram  pelas  contas  da  empresa  ROYSTER  ao  longo  do  ano  de  2008",  situação resumida no gráfico de fls. 3007, abaixo reproduzido:  Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.649          8   Prossegue afirmando que "parte dos fluxos não foi identificada exatamente em razão  do banco Prosper não ter atendido à intimação fiscal. Assim, a quase totalidade dos  fluxos referentes a créditos/depósitos não identificados e a débitos/transferências não  identificadas está  ligada a valores movimentados na conta do Prosper" e esclarece  que  "os chamados  provedores  líquidos de  recursos  são  os  agentes  que,  em  termos  líquidos,  foram  fornecedores  de  numerário  para  a  fiscalizada, ROYSTER,  embora  também possam ter recebido remessas de valores da ROYSTER no mesmo ano";  "A NOVINVEST,  por  exemplo', diz  o Fisco,  "foi  provedora  de R$  54,6milhões  a  ROYSTER em 2008 tendo recebido no mesmo ano R$ 24,4 milhões da ROYSTER.  Já  a Prosper CVC depositou R$ 56,6 milhões nas  contas da ROYSTER e  recebeu  Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.650          9 dela R$ 21,3 milhões. O mesmo  se  aplica  aos  agentes  receptores. A Gallway, por  exemplo, recebeu da ROYSTER R$ 14,4 milhões e depositou para a mesma R$ 7,4  milhões. A CINGULAR recebeu R$ 27,9 milhões da ROYSTER e remeteu a ela R$  1,3 milhão'.  Continua dissertando que "o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO foi beneficiário de  R$ 15,9 milhões da ROYSTER tendo destinado à conta da empresa R$ 2,6 milhões  dentro do ano de 2008. Já as empresas MACAR, STOCKLOS e Centrais Elétricas  Belém tão somente receberam recursos da ROYSTER no período sob análise'.  E conclui o tópico realçando que "os valores constantes do Gráfico 1 são os fluxos  líquidos dos agentes (remetido menos recebido ou vice­versa)'  3.3.2 ­ DA ANALISE DOS FLUXOS  Inicia  apresentando  outro  gráfico  (fls.  3009),  no  qual  busca  definir  os  RELACIONAMENTOS  SOCIETÁRIOS/ADMINISTRATIVOS  ENTRE  OS  AGENTES NO ANO DE 2008:    Explicando os dados inseridos no gráfico, a Autoridade Fiscal relata:   xi)  que,  "o  Sr.  LUCIO  BOLONHA  FUNARO,  diretor­presidente  e  acionista  praticamente exclusivo da ROYSTER, é também acionista preponderante (e também  diretor, no caso) das empresas CINGULAR e STOCKLOS";  xii)  que,  "a  GALLWAY  tinha  como  sócio­administrador  o  Sr.  SERGIO  GUARACIABA M. REINAS e como presidente do Conselho Administração o Sr.  JOSÉ OSWALDO MORALES, que era sócio majoritário da NOVINVEST";  xiii) que, "o Sr. ALCIDES MORALES FILHO era acionista da MACAR e do Banco  Prosper, que detinha o controle acionário integral da Prosper CVC"   Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.651          10 Destaca ser "interessante notar que as  três alíneas  supra abarcam  todos os agentes  identificados  no  esquema  de  fluxo  de  recursos  (Gráfico  1)",  e  que,  embora  não  formalmente  registrada  em  documentos  acessados  pela  Fiscalização,  a  relação  entre Lucio Bolonha Funaro  e Gallway existia de  fato,  conforme  se  comprova no  depoimento prestado pelo primeiro na CPI da ONGs (documento nos autos).  Elabora  outro  gráfico  demonstrando  o  relacionamento  da  empresa  Gallway  com  grandes obras relacionadas à infraestrutura de energia elétrica do país (fls. 3011),  assevera que a ligação entre Lucio Bolonha Funaro e o grupo Gallway se confirma  inclusive pelo  fato de  seu domicílio  ser o mesmo da empresa Cingular,  da qual o  referido Sr. Bolonha Funaro é acionista com 99,99% e administrador isolado.  ''Esta  relação", escreve o Fisco, "corroboraria  então outro  elemento detectado pela  fiscalização, a utilização das  contas bancárias da ROYSTER para o pagamento de  custos  e  despesas  diversas  de  empresas  do  GRUPO  GALLWAY,  mormente  da  Centrais Elétricas Belém e de pagamentos  realizados para o Sr. Sérgio Guaraciaba  Martins Reinas (sócio­administrador de empresas do grupo GALLWAY)".  E continua:  xiv)  que,  "conforme  cópias  de  Documentos  de  Ordens  apresentadas  pelo  Banco  Bradesco, a ROYSTER pagou  tributos,  fornecedores e diversas contas no  lugar da  CENTRAIS  ELÉTRICAS  BELÉM  ­  CEBEL. Os  pagamentos  de  tributos  federais  em nome da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM foram comprovados por pesquisas  nos sistemas da Receita Federal";  xv) que, 'foi detectado ainda que a ROYSTER pagou contas diversas da CENTRAIS  ELÉTRICAS  BELÉM,  como  um  escritório  de  serviços  contábeis  e  um  posto  de  combustível, localizados no município de Vilhena/RO";  xvi) que,  "sob o comando do Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, consta ainda nos  Documentos de Ordens apresentados pelo Banco Bradesco, que a ROYSTER pagou  diversas  contas  de  outras  empresas  do Grupo  GALLWAY.  Estão  registrados,  por  exemplo,  pagamentos  de  tributos  e/ou  taxas/multas/outros  para  órgãos  públicos  (30/04/2008,  11/09/2008),  contas  de  telefonia  (28/04/2008,  25/09/2008)  e  pagamentos diversos (21/05/2008, 26/06/2008, 30/06/2008)";  xvii)  que,  "além  disso,  a  ROYSTER  pagava  tributos  e  outras  contas  para  outras  pessoas  jurídicas  comandadas  pelo Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO,  no  caso  as  empresas  CINGULAR  e  STOCKLOS.  São  contas  de  telefonia  (21/07/2008,  11/09/2008), de luz (21/05/2008) e tributos (30/04/2008, 29/08/08, 09/09/2008)".  Elabora  demonstrativos  que  resumem  referidos  pagamentos  e  conclui  o  tópico  informando que a "ROYSTER pagava tributos e outras contas em nome da própria  pessoa física do Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO".  3.3.3 ­ DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS ATRAVÉS DE DILIGÊNCIAS FISCAIS   Começa  relatando  o  objetivo  das  diligências  e  afirma  que  o  resultado mostra  "a  utilização  indevida  da  ROYSTER  pelo  Sr.  LUCIO  BOLONHA  FUNARO  para  pagar contas e terceiros, mormente da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM'.  Diz  ainda  que muitas  diligenciadas  são  empresas  reconhecidas  em  suas  áreas  de  atuação,  tendo  prestado  serviços  ou  fornecido  bens  para  o  empreendimento  hidrelétrico da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM e recebido pagamentos feitos pela  ROYSTER, conforme tabela inserida às fls. 3014/3015.  Mais ainda:  xviii) que, "o procedimento fiscal de diligência n° 0812000.2013.00005­0 confirma  que  o  Sr.  LUCIO  BOLONHA  FUNARO  utilizou  a  empresa  ROYSTER  para  benefício  próprio.  A  diligenciada,  SIMONE  BIDERMAN  GOLTCHER,  CPF  n°  Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.652          11 171.452.708­54,  exerce  a  atividade  de  arquitetura  e  design  de  interiores  em  São  Paulo  (vide  sítio  na  internet,www.simonegoltcher.com.br)  e  foi  contratada  para  decorar a casa de campo de ROBERTA BOLONHA FUNARO, CPFn°263.763.558­ 46, que é irmã do Sr. LUCIO (conforme se observa dos dados cadastrais de ambos  nos  sistemas  da  RFB),  com  móveis  e  acessórios  de  alto  padrão  e  preços  (vide  documentação juntada pela profissional)";  xix)  que,  "a  fiscalização  diligenciou  ainda  a  concessionária  de  veículos  de  luxo  AUTOSTAR em São  Paulo, CNPJ  n°  68.976.091/0001­39,  sob  a  diligência  de  n°  0812000.2013.00023­8.  Segundo  resposta  em  meio  eletrônico,  o  depósito  de  R$  100.000,00  da  ROYSTER  foi  parte  do  pagamento  de  automóvel  importado  zero  quilômetro marca Land Rover, mas não no seu nome (empresa) e sim em nome da  pessoa física de Marcelo Bernardino Guarnieri, CPF n° 266.644.518­67 (vide cópia  da  nota  fiscal),  se  constituindo,  portanto,  de  pagamento  irregular  e  injustificável.  Importa notar que o Sr. Marcelo não possui qualquer vínculo com a pessoa jurídica  da fiscalizada (não era seu acionista,diretor ou empregado)".  Relata que as corretoras NOVINVEST e PROSPER CVC recusaram­se a fornecer as  informações requeridas pelo Fisco em diligência.  Já  o  Sr.  Lucio  Bolonha  Funaro,  "diretor­presidente  da  ROYSTER"  e  que  dela  recebeu, no ano de 2008, "mais de 16 milhões em depósitos na sua conta bancária  pessoal"  (Termo de Verificação Fiscal  ­  fls.  3016),  não  atendeu  às  intimações  em  seu domicílio fiscal, só o fazendo no endereço da empresa ROYSTER.  Todavia, em resposta à diligência, diz o Fisco, "o Sr. LUCIO se limita a apresentar  um extrato de movimentação de mútuo, onde evidentemente o mesmo assina tanto  como  mutuante  quanto  como  representante  da  mutuaria  (ROYSTER).  Tal  mero  documento, desprovido de qualquer  formalidade e, portanto, de pouca valia para o  fisco,  valendo  lembrar o disposto nos  arts.  221 e 288 do Código Civil,  não  se  faz  suficiente  para  comprovar  o  solicitado  pelo  fisco.  Até  porque  a  fiscalizada  ROYSTER, e mais especificamente o próprio Sr. LUCIO, se negou a apresentar a  contabilidade  da  ROYSTER  (seu  Livro­Caixa,  obrigatório  no  caso  de  opção  pelo  lucro  presumido,  ou  o  seu  Livro  Razão  que  disse  que  apresentaria  ao  fisco  em  resposta  de  29/05/2012 mas  acabou  não  apresentando),  que  poderia  corroborar  os  supostos mútuos se devidamente registrados e amparados"'.  Além disso,  redige a Fiscalização,  "os  saldos constantes da DIRPF do Sr. LUCIO  não coincidem com os montantes apurados pela  fiscalização. Na DIRPF o suposto  mútuo  entre  a  partes  seria  diminuído  em R$ 7 milhões  ao  longo do  ano  de  2008,  enquanto que pela movimentação bancária se verifica que o Sr. LUCIO recebeu ao  longo do período R$ 13,3 milhões líquidos da ROYSTER".  Depois  de  prosseguir  afirmando  que  as  demais  diligenciadas,  ligadas  à  Royster  também  apresentaram  documentos  despidos  de  quaisquer  formalidades  ou  se  recusaram  a  fornecer  as  informações  requeridas,  o  condutor  do  feito  concluiu  dizendo que "as diligências não atendidas, entretanto, não se perfazem em obstáculo  maior  ao  andamento devido da  ação  fiscal  que  a própria omissão da  fiscalizada, e  não prejudicam o lançamento de ofício e o enquadramento dos sujeitos passivos da  obrigação tributária, alicerçados em conjunto probatório amplo e consistente".  3.4 ­ DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO SR. LUCIO BOLONHA FUNARO   Acerca  desta  imputação,  o  Fisco  relata  longamente  seu  entendimento,  buscando  demonstrar  que  o  diretor­presidente  da  ROYSTER,  Lucio  Bolonha  Funaro,  teria  agido  com  excesso  de  poderes  e  de  forma  não  prevista  no  Estatuto  Social  da  empresa,  surgindo  daí,  a  necessidade  de  trazê­lo  aos  autos  como  responsável  solidário.  Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.653          12 Assevera que, detendo 99,99% e  sendo  sempre  seu diretor­presidente,  o  imputado  agiu  a  seu  exclusivo  critério,  inclusive  realizando  pagamentos  a  terceiros,  utilizando­se de contas da empresa, violando o próprio "princípio da entidade", em  claro  ferimento das normas comerciais e  fiscais, além da resolução n° 750/93, do  Conselho Federal de Contabilidade (da qual transcreve o artigo 4°).  "Incorre no mesmo erro", prossegue o Fisco, "quando mistura as contas bancárias da  empresa ROYSTER com o de suas outras empresas, especificamente a CINGULAR  e a STOCKLOS, a quem a ROYSTER direcionou somente no ano sob análise R$  27,9 milhões e R$ 7 milhões, respectivamente, além de realizar diversos pagamentos  no interesse destas empresas"'.  Relata que o imputado agiu do mesmo modo em relação à sua própria pessoa física.  Nas  palavras  literais  do Agente Fiscal,  "o Sr. LUCIO  se  beneficiou  como pessoa  física de R$ 15,9 milhões em recursos da ROYSTER (valores estes não declarados  por  ele  em  sua DIRPF)  além  de  ter  contas  pessoais  (das  quais  era  devedor  como  pessoa física) pagas pela empresa ROYSTER, assim como a decoração da casa de  campo de sua irmã, ROBERTA BOLONHA FUNARO (vide item 3.3.3 acima). Não  poderia  ter  ele  confundido  o  patrimônio  e  os  negócios  da  empresa  com  os  seus  próprios"'.  Para continuar:  xx)  que,  "de  qualquer  forma,  está  caracterizada  a  infração  ao  estatuto  social  da  empresa e a responsabilidade do administrador. O Sr. LUCIOBOLONHA FUNARO  atuou  à  frente  da  empresa ROYSTER numa  gestão  que  não  guardava  limites,  em  desafio  aos  controles  fiscais  e  financeiros.  Não  há  (ou  ele  não  quis  apresentar)  contabilização,  não  há  sequer  Livro­Caixa,  não  há  consistência  dos  valores  movimentados com os valores declarados ao fisco em DIPJ e em outras declarações,  não há documentação que ampare no aspecto fiscal os vultosos créditos recebidos e  as transferências realizadas";  xxi)  que,  "houve  movimentação  de  montantes  expressivos  em  moeda  corrente.  A  ROYSTER  recebeu  depósitos  em  espécie  de  valores  individuais  astronômicos  da  GALLWAY,  por  exemplo:  R$  520.000,00  em  28/02/2008,  R$  370.000,00  em  25/04/2008,  R$  500.000,00  em  01/05/2012  e  R$  870.000,00  em  16/09/2008.  Reitera­se: foram depósitos feitos em dinheiro vivo";  xxii  )que,  "o  Sr.  LUCIO  BOLONHA  FUNARO  utilizou  as  contas  bancárias  da  empresa  ROYSTER  para  movimentar  recursos  em  benefício  próprio,  de  outras  empresas  de  um  "grupo de  fato  "  e de  terceiros,  com excesso  de poderes. Não há  dúvida  de  que  o  Sr.  LUCIO,  não  como  acionista majoritário  (99,99%  das  ações),  mas sim como diretor­presidente da companhia constituído de amplos e individuais  poderes  de  gestão,  está  subsumido  ao  disposto  no  inciso  III  do  art.  135  do CTN"  (que transcreve).  Refere­se ainda ao artigo 124, I, do CTN, dizendo que, na forma deste dispositivo,  "são solidariamente obrigadas as pessoas que  tenham  interesse comum na situação  que constitua o fato gerador da obrigação principal", apóia­se em doutrina e conclui  dizendo  que  "tanto  a  fiscalizada  quanto  o  sujeito  passivo  solidário  serão  desde  o  lançamento  cientificados  das  suas  condições,  o  que  assim  lhes  permitirão,  a  seu  critério, litigarem na esfera administrativa"  4 ­ DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS ATRAVÉS DE AUTO DE INFRAÇÃO   4.1 ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  ORIGEM NÃO COMPROVADA  Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.654          13 Inicia o tópico comentando sobre a figura da presunção inserta no artigo 42, da Lei  n° 9.430/1996 (que transcreve), fala sobre a inversão do ônus da prova neste caso,  que  foi  permitido  ao  sujeito  passivo  demonstrar  que  os  rendimentos  já  foram  oferecidos  à  tributação,  "o  que,  no  caso  presente,  não  ocorreu'  (Termo  de  Verificação Fiscal ­ fls. 3027), e que, "por outro lado, conforme se nota na planilha  anexa  ao  presente Termo,  a  grande maioria  dos  depósitos  vieram  de  terceiros,  no  caso  duas  corretoras  de  valores mobiliários,  a NOVINVEST e  a PROSPER CVC,  razão pela qual as duas foram alvo de diligência da fiscalização"  Relata que, "similarmente, a fiscalização diligenciou diversos agentes beneficiários  de saídas de recursos das contas bancárias do sujeito passivo. Tal modus operandi,  entretanto,  não  resultou  em  conclusão  do  fisco  federal  de  que  de  alguma  forma  o  sujeito passivo teria que ser exonerado da sua responsabilidade tributária, muito pelo  contrário. Isso porque, conforme já detalhadamente explicitado ao longo do item 3  deste Termo, todo o esquema detectado só foi  4.2 ­ DO LANÇAMENTO EX­OFFICIO DO IRPJ E SEUS REFLEXOS   Explicita  que  a  autuada  optou  pelo  regime  do  Lucro  Presumido  mas  que,  devidamente  intimada  diversas  vezes,  não  apresentou  seu  Livro Caixa,  obrigação  que lhe é  imposta pelo artigo 527, parágrafo único do RIR/1999 (que  transcreve),  para completar que, "não obstante a sua opção pelo lucro presumido, a determinação  do imposto deve ocorrer através de arbitramento, conforme determina o art. 530 do  mesmo Regulamento" (igualmente reproduzido).  Disserta sobre a mensuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afirmando que,  "o que determina o  coeficiente  a  ser  adotado para o  contribuinte no  caso de  lucro  presumido  ou  arbitrado  é  a  atividade  empresarial  por  ele  exercida.  Assim,  considerando a atividade empresarial constante do seu estatuto social anexo à Ata de  Assembléia Geral  da  companhia  de  02/10/2003  e  que  coincide  com  o  seu CNAE  constante da base de dados da Receita Federal, a mesma se enquadra no coeficiente  de  32% para  ambos  os  tributos  em questão", não  sem antes  ressaltar  que,  para o  IRPJ, "conforme o art. 16 da Lei n° 9.249/95 o lucro arbitrado das pessoas jurídicas  será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta dos percentuais fixados  no art. 15, acrescidos de vinte por cento".  Elabora tabela descritiva dos valores que apurou (fls. 3031), conforme reprodução  abaixo:    Sequencialmente  discorre  sobre  os  valores  declarados  em DCTF pela  fiscalizada,  afirma estar  considerando  tais valores na  consecução dos  lançamentos de  IRPJ e  Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.655          14 CSLL e elabora novas tabelas contendo os valores apurados,  já com os descontos  citados.  Passa a tratar do PIS e da COFINS, diz não haver alterações nas alíquotas, que são  as mesmas  tanto  no  regime do Lucro Presumido  quanto  no  do Lucro Arbitrado e  elabora tabela demonstrativa dos valores devidos, segregando­os de forma mensal,  tendo em vista os fatos geradores de tais contribuições ocorrerem ao final de cada  mês e destaca estar levando em conta os montantes declarados em DCTF:        5 ­ DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA  Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.656          15 A respeito, escreve:  xxiii) que, "como já descrito no presente Termo, a pessoa jurídica desde o início se  negou a fornecer à fiscalização informações das mais simples e em tese facilmente  disponíveis,  sem  justificativa,  e  a  partir  de  certo  momento  tornou­se  inerte  em  relação ao procedimento fiscal, impondo óbice à apuração fiscal e seus resultados".  xxiv)  que,  "assim,  ficou  caracterizada  a  recusa  e/ou  descaso  proposital  no  não  atendimento às solicitações do fisco, o que ocasionou mora e maiores ônus ao fisco".  xxv)  que,  "por  esta  razão,  sobre  os  valores  dos  tributos  e  contribuições  apurados  através do presente procedimento foi acrescida multa de ofício de 112,5% (cento e  doze e meio por cento), definida no §2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96", e que, "os  juros de mora à taxa Selic são devidos conforme o art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96,  tudo conforme demonstrativos constantes do Auto de Infração".  6 ­ DA EXECUÇÃO DO ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS  Conclui  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  ressaltando  já  existirem  processos  de  "arrolamento  de  bens"  contra  a  ROYSTER  SERVIÇOS  S.A  e  contra  LUCIO  BOLONHA  FUNARO  (n°s  13864.000455/2009­53  e  19515.000461/2005­23,  respectivamente), mas que poderão ser complementados, "se for o caso".  DOS AUTOS DE INFRAÇÃO   Os autos de  infração  relativos ao  IRPJ, CSLL, PIS  e COFINS  foram  lavrados em  07/03/2013,  formalizado  e  protocolizado  o  processo  administrativo  pertinente  e  estão juntados às fls. 2 e 3045 a 3096.  A ciência da contribuinte fez­se em 19/03/2013, por via postal "AR" (fls. 3097) e o  "Sujeito Passivo Solidário" deles teve ciência, juntamente com o respectivo "Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária"  (fls.  3098/3099),  na  mesma  data  de  19/03/2013,  igualmente por via postal "AR" (fls. 3100).  A impugnação da contribuinte foi estrutura sob os seguintes tópicos:  · Da  incompetência  da  autoridade  emitente  do  MPF­F  e  dos  atos  abusivos da autoridade executora do MPF­F;  · Da  incompetência  da  autoridade  emitente  do  MPF­D  e  dos  atos  abusivos da autoridade executora do MPF­D;  · Das multas confiscatórias de 112,5%;  · Do aumento pela metade da multa de 75%;  · Da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; e  · Do arbitramento;  O  responsável  tributário  Lucio  Bolonha  Funaro  também  apresentou  impugnação,  questionando  a  competência  da  autoridade  lançadora  para  lavrar  o  Termo  de  Sujeição passiva, pleiteando sua anulação e discordando do arrolamento de bens.   A  Turma  julgadora  apenas  excluiu  da  base  imponível  depósitos  bancários  correspondentes  a  transferências  de  R$  127.000,00,  rejeitando  as  demais  alegações  dos  impugnantes em acórdão assim ementado:  Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.657          16 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2008   NULIDADE.  IMPROCEDÊNCIA.  Tendo  sido  o  lançamento  efetuado  com  observância  dos  pressupostos  legais  e  não  havendo  prova  de  violação  das  disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235,  de  1972,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento  em  questão.  O MPF  é  mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação  ao  mandado,  uma  vez  que  o  MPF  ­  Fiscalização  foi  regularmente  emitido  e  cientificado à Contribuinte.  SELEÇÃO  DE  CONTRIBUINTES  E  MOTIVAÇÃO  DA  FISCALIZAÇÃO.  ATO  DISCRICIONÁRIO DA  ADMINISTRAÇÃO.  Insere­se  dentro  dos  chamados  “atos  discricionários”  da  administração  pública  a  seleção  de  contribuintes  a  serem  fiscalizados  pela  Receita  Federal,  bem  como  a  motivação  para  tal  ato.  Sendo  a  seleção  realizada  com  observância  dos  princípios  constitucionais  de  impessoalidade,  interesse  público,  imparcialidade,  finalidade,  razoabilidade  e  justiça fiscal, não há que se falar em nulidade ou qualquer excesso à lei.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  Inexiste  ofensa  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório  quando  a  contribuinte  demonstra  ter  pleno  conhecimento  dos  fatos  imputados  pela  fiscalização,  bem  como  da  legislação  tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação   IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de  impugnação por parte da autuada é fixado em trinta dias, a partir da ciência dos  lançamentos, a teor do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2008   SUJEIÇÃO  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SOLIDÁRIA.  São  solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações  tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,  os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes  de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos  artigos 124 e 135, III, do CTN.  MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Comprovado nos autos  o  reiterado procedimento da autuada em não atender às  intimações  lavradas pelo  Fisco, omitindo­se completamente em relação às informações que deveria prestar e  à  entrega  dos  Livros  obrigatórios,  mormente  o  Livro  Caixa,  dada  sua  condição  inicial  de  optante  pelo  Lucro Presumido,  cabe  o  agravamento  da multa  de  ofício  lançada, aumentando­a em 50,00%, ou seja, elevando­a de 75,00% para 112,50%,  nos termos do artigo 959, do RIR/1999.  JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento  incidem  juros  cobrados  de  acordo  com  a  variação  da  taxa  Selic,  na  forma  do  disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de  mora serão de um por cento.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2008   Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.658          17 PROVA.  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  OBTENÇÃO.  SIGILO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas  em  absoluta  observância  das  normas  de  regência  e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária  prévia  autorização  judicial.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de  omissão  de  receita  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  contribuinte  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  ARBITRAMENTO.  CABIMENTO.  Correto  o  arbitramento  procedido  pela  Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido,  não  mantiver  escrituração  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais  ou,  alternativamente  Livro  Caixa,  no  qual  esteja  registrada  toda  sua  movimentação  financeira, inclusive bancária. Inexistindo tais Livros ou não sendo eles exibidos ao  Fisco,  embora  neste  sentido  tenham  sido  lavradas  diversas  intimações  pela  Autoridade Fiscal, nenhum reparo ao procedimento adotado pela Fiscalização de se  arbitrar os lucros, a teor do artigo 530, III, do RIR/1999.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO  ­ CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL ­ PIS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS. Na medida em que as exigências reflexas  têm por base os mesmos  fatos  que  ensejaram o  lançamento  do  imposto  de  renda,  a  decisão  de mérito  prolatada  naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.  A  contribuinte  e  o  responsável  tributário  foram  cientificados  da  decisão  de  primeira  instância  em  11/11/2013  (fl.  3579/3580)  e  interpuseram  recurso  voluntário,  tempestivamente, em 11/12/2013 (fls. 3582/3622). A peça recursal principia com pleitos de seu  encaminhamento  a  este  Conselho  formulados  pela  contribuinte  e  pelo  responsável,  separadamente.  Na  sequência,  as  razões  de  fato  e  de  direito  são  apresentadas  apenas  pela  contribuinte.   Preliminarmente  requer  o  sobrestamento  do  feito  apesar  da  revogação  do  disposto no art. 62­A, caput e §1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria  MF nº 545/2013, invocando aplicação subsidiária do art. 543­B do Código de Processo Civil,  dado  o  reconhecimento  de  repercussão  geral,  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  acerca  do  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  ao  Fisco  sem  autorização  judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e da aplicação retroativa da  Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao  de sua vigência (RE nº 601.314 ­ Relator Min. Ricardo Lewandowski).   Discorre  sobre  a  ilegalidade  da quebra  de  sigilo  bancário,  afirmando que  a  função fiscalizatória deve observar limites estabelecidos nos direitos e garantias fundamentais,  invocando  as  disposições  do  art.  5º,  inciso  XII,  bem  como  do  art.  145,  §1º,  ambos  da  Constituição  Federal.  Reporta­se  a  julgado  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  e  a  doutrina para argumentar que o direito ao sigilo de dados somente pode ser preterido em prol  do interesse público quando houver fortes indícios de que alguma atividade ilícita esteja sendo  praticada, o que  evidentemente não  se  verifica no  caso  em comento. A quebra de  sigilo,  no  caso  presente,  somente  poderia  advir  de  ordem  judicial.  Cita  manifestação  do  Supremo  Tribunal Federal, afirma a incompatibilidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 com  os princípios constitucionais vigentes, discorda da justificativa deste procedimento no art. 145,  Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.659          18 §1º da Constituição Federal, observa que a atividade da Receita Federal é vinculada nos termos  do art. 37 da Constituição Federal, e enfatiza a discricionariedade presente nos atos autorizados  pela Lei Complementar nº 105/2001.  Acrescenta  a  inexistência  de  qualquer  justificativa  no  Mandado  de  Procedimento Fiscal para requerimento da quebra do sigilo bancário da recorrente, bem como a  impossibilidade de apresentação de impugnação a esta requisição, classificando de arbitrário o  procedimento  adotado.  Observa,  ainda,  que  por  meio  de  intimação  lhe  foi  requerida  a  apresentação  de  comprovantes  de movimentação  bancária  que  não  está  obrigado  a  fornecer,  cabendo exclusivamente ao agente fiscal realizar as investigações necessárias para apurar a  exatidão  das  informações  prestadas  pelos  contribuintes.  Defende  que  ninguém  pode  ser  obrigado a apresentar documentação tendo em vista que é princípio constitucional que todos  se presumem inocentes, e a recorrente não está obrigada a produzir prova contra si próprio.   Adentrando  ao  mérito,  diz  que  tendo  sido  apurados  os  vícios  formal  e  material incorridos pela autoridade na constituição do crédito tributário, mormente quanto à  determinação da matéria  tributável, os  lançamentos seriam carecedores de  liquidez e certeza  exigidas  pelo  art.  142  do  CTN.  Transcreve  a  imputação  de  omissão  de  receita  presumida  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  sintetizada  no  Auto  de  Infração  e  destaca o arbitramento dos lucros sob a justificativa de que a empresa deixou de apresentar os  livros  e  documentos  da  sua  escrituração,  para  reportar­se  às  Requisições  de Movimentação  Financeira  ­  RMF  que  promoveram  a  quebra  de  seu  sigilo  bancário,  e  enfatizar  que  os  questionamentos  fiscais  foram  direcionados  à  movimentação  financeira  assim  obtida,  concluindo, a partir dos demonstrativos elaborados pela autoridade lançadora, que mesmo ante  a alegação de que não foi comprovada a origem dos créditos bancários, a farta documentação  acostada ao processo é suficiente para, em exame acurado, provar que o ingresso de recursos  provêm de empréstimos tomados junto a pessoas jurídicas e físicas, a título de capital de giro,  e de aplicações financeiras.   A  autoridade  lançadora  menciona  que  a  grande  maioria  dos  depósitos  bancários vieram de terceiros, mais precisamente de duas corretoras de valores mobiliários: a  NOVINVESTE e a PROSPER CVC, as quais foram objeto de diligência fiscal, e ainda assim se  concluiu pela falta da comprovação da origem dos depósitos. Os extratos bancários apontavam  nominalmente  os  depositantes,  permitindo  a  circularização  fiscal,  de  modo  que  até  seria  possível  a  autuação  com  base  em  depósitos  bancários,  mas  nunca  com  fundamento  na  presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, mormente tendo em conta o disposto  em  seu  §2º,  que  somente  autoriza  a  aplicação  daquela  aos  valores  que  não  tenham  sido  oferecidos  à  tributação  pela  empresa.  Há,  portanto,  vício material  na  determinação  da  base  tributável,  dado  que  era  do  conhecimento  da  fiscalização  que  a  autuada  havia  apurado  e  recolhido  o  IRPJ  e  as  contribuições  incidentes  sobre  a  receita  bruta  declarada  de  R$  3.296.141,96 conforme informado no TVF. Afirma, também, a existência de vício de forma na  capitulação  errônea  do  lançamento  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  c/c  art.  537  do  RIR/99,  invocando o disposto no art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72.  Abordando  as  circularizações  promovidas  pela  autoridade  lançadora,  a  recorrente  diz  que  não  foi  cientificada  do  resultado  destes  trabalhos  antes  da  lavratura  do  lançamento,  não  lhe  sendo  aberto  prazo  para  contrapor­se  às  alegações  apresentadas  pela  fiscalização.  Classifica  de  tendenciosos  os  fatos  mencionados  pela  Fiscalização  por  lhe  ser  atribuída  conduta  irregular  em  proveito  do  sócio  Lúcio  Bolonha  Funaro  e  defende  que  os  Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.660          19 documentos  apresentados  pelas  pessoas  diligenciadas  constituem  provas  dos  negócios  realizados e origem dos créditos bancários questionados.   Aduz  que  presta  serviços  de  agenciamento  de  negócios,  cobrança  e  consultoria em finanças, além de participação em outras sociedades, simples ou empresárias,  conforme  consta  de  seus  atos  constitutivos,  asseverando  que  tais  práticas  não  ferem  a  legislação tributária, considerando os seguintes aspectos:  a)  A  movimentação  financeira  de  expressivos  valores  pelas  contas  bancárias  de  titularidade  da  autuada decorrem de  contratos  de mútuo  celebrados  com  pessoas  jurídicas e com o sócio Lúcio Bolonha Funaro, sem qualquer efeito patrimonial ou  fiscal em relação à autuada, considerando tratar­se de fatos permutativos em razão  da troca de ativos;  b)  Os  pagamentos,  objetos  da  circularização,  foram  realizados  pela  autuada  em  razão  dos  contratos  firmados,  nos  padrões  admitidos  na  legislação  civil,  empresarial e tributária, e inerentes ao objeto social da empresa;  c)  As  relações  de  negócios  estão  formalmente  registradas  na  documentação  integrante dos autos e revelam a forma de atuação econômica da autuada;  d) A busca por  informações acerca dos pagamentos  somente  teria cabimento se a  autuada  estivesse  se  submetido  à  apuração  dos  lucro  pelo  regime  do  lucro  real,  posto que a fiscalização poderia glosá­los caso apurasse alguma irregularidade na  comprovação;  e) Não é o caso dos autos, pois se trata de empresa tributada pelo lucro presumido,  em  que  a  legislação  admite  o  oferecimento  à  tributação  de  32%  das  receitas  auferidas no ano­calendário de 2008, sendo a diferença de 68% correspondente às  despesas incorridas no período, independentemente de comprovação;  f) Ademais,  a  exigência  fiscal  está baseada na  presunção de  omissão  de  receitas,  cuja origem dos recursos foi considerada não comprovada pela fiscalização. Nesta  hipótese  as  anotações  feitas  no  TVF  acerca  dos  pagamentos  (fls.  3012/3015)  não  interfere no levantamento da base de cálculo do imposto/contribuições lançadas de  ofício;  g)  A  análise  dos  fluxos  pela  autoridade  fiscal  (TVF  fls.  3006/3012)  tampouco  influenciam na quantificação da base de cálculo, haja vista que a determinação da  matéria tributável se deu por presunção legal.  A recorrente ainda observa que nem todos os valores creditados nas contas  bancárias representam aquisição de disponibilidade econômica, a constituir  fato gerador do  imposto  de  renda,  como  é  o  caso  daqueles  decorrentes  de  operações  de  empréstimo  e  a  movimentação  transitória  de  recursos  de  terceiros,  assim  como,  os  valores  registrados  a  crédito referentes a aplicações financeiras, cujas operações correspondem a quase totalidade  dos  ingressos  de  recursos  nas  contas  bancárias  de  titularidade  da  autuada  acima  identificadas.   Afirma que obteve empréstimos para capital de giro com Cingular Fomento  Mercantil  Ltda  (fls.  2587/2589),  Gallway  S/A  Securitizadora  de  Créditos  Financeiros  (fls.  2602/2607),  Gallway  Projetos  e  Energia  do  Brasil  S/A  (fls.  2614/2620)  e  Lucio  Bolonha  Funaro  (fls.  2575/2579),  conforme  contratos  de  mútuo  obtidos  no  procedimento  de  circularização, e discorda da negativa de eficácia destes documentos por  falta de registro em  Cartório, dado o disposto nos arts. 221 c/c 183 do Código Civil. Observa que com base nos  arts.  586  e  587  do  Código  Civil  o  mútuo  somente  tem  efeito  fiscal  relativamente  aos  Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.661          20 rendimentos obtidos pelo mutuante, e a recorrente, como mutuaria, não pode ser sujeito passivo  desta obrigação tributária, ante o disposto no art. 734 do RIR/99.  Esclarece que as movimentações junto à Prosper S/A Corretora de Valores e  Câmbio tratam­se de operações junto à carteira de compra e venda de valores mobiliários de  negociação na Bolsa de Valores, como provam os Extratos de Contas Correntes do período de  jan. a dez./2008 (fls. 3274/3283) e as Notas de Corretagem (fls. 3284/3339), e indica as contas  bancárias  nas  quais  estas  operações  e  aquelas  em  que  figuram  Novinvest  CMV  foram  realizadas,  o  que  provaria  a materialidade  das  operações.  Destaca  os  históricos TRANSF P  CTAN  e  TRANSF DA  CTAN  presentes  nos  extratos  emitidos  pelo  Banco  Prosper  S/A,  que  comprovaria  que  os  valores  lançados  de  ofício  como  omissão  de  receitas  correspondem  ao  retorno de investimento, não submetidos a incidência, exceto quanto aos ganhos líquidos, para  os quais há tributação na fonte na forma do art. 758 do RIR/99, e foram tributados segundo sua  opção pelo lucro presumido. Apresenta em tabela os valores que não poderiam, assim, ter sido  submetidos  a  tributação  neste  lançamento,  totalizando­os  em  R$  134.560.352,41  (Banco  Prosper S/A) e R$ 33.423.771,95 (Banco Bradesco S/A).  Reporta­se,  ainda, a outras ocorrências, no valor  total de R$ 17.069.716,31,  correspondentes a créditos nas contas bancárias cujos valores, coincidentes em data e valor,  não  representam  disponibilidade  econômica  ou  jurídica,  não  justificando  o  lançamento  de  ofício como omissão de receitas, dado que os ingressos são anulados na sequência pela saída  dos respectivos valores.   Abordando o  arbitramento  dos  lucros,  a  recorrente defende  que  deveria  ser  observada  sua  opção  pelo  lucro  presumido,  na  forma  do  art.  24,  §1º  da  Lei  nº  9.249/95,  reportando­se  à  DIPJ  apresentada  e  aos  recolhimentos  promovidos.  Assevera  que,  relativamente  à  receita  bruta  declarada  em DIPJ, a  fiscalização  admitiu  a  regularidade  do  IRPJ e da CSLL apurados pelo presumido (ainda que não possuísse o Livro Caixa), e de outra  banda, lançou de ofício o IRPJ e a CSLL baseados nos critérios do lucro arbitrado, e aduz que  a  Fiscalização  não  poderia  homologar  os  valores  declarados  se  o  arbitramento  foi motivado  pela  falta  de  apresentação  do Livro Caixa. Assim,  caso  prevaleça o  entendimento  acerca  da  aplicabilidade  ao  caso  do  lucro  arbitrado,  os  lançamentos  de  ofício  também  afrontam  o  disposto  no  §1º  do  citado  art.  24,  haja  vista  que  a  suposta  receita  omitida  deveria  ter  sido  adicionada  à  receita  bruta  conhecida,  tributada  com  base  no  lucro  presumido.  Frente  a  tal  vício insanável, os lançamentos seriam nulos de pleno direito.   Outro vício presente no  lançamento decorreria de a  fiscalização  ter adotado  como base de cálculo das exações a integralidade dos créditos (depósitos bancários), dado que  a receita bruta declarada também transitou pelas contas bancárias da autuada, sendo certo que  no  total  apurado  pela  fiscalização  como  omissão  de  receita  está  computado  o  valor  de  R$  3.296.141,96, cabendo sua exclusão com fundamento no art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96.   Finaliza assim totalizando os valores que devem ser desconsiderados na base  tributável dos lançamentos questionados:  Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.662          21   A  recorrente  discorda  do  agravamento  da  penalidade  ao  percentual  de  112,5% porque  não  verificada  a  alegada  falta  de apresentação de  informações  à  autoridade  fiscal,  dadas  as  petições  apresentadas  pela  contribuinte  durante  do  procedimento  fiscal,  por  meio das quais  se demonstra a conduta de sempre colaborar com o  trabalho da Fiscalização,  somente  não  sendo  atendidas  as  intimações  nas  datas  aprazadas  em  razão  da  mora  das  instituições financeiras em lhe fornecer os extratos bancários.   Observa  que  os  esclarecimentos  requeridos  foram  prestados  e  a  desobediência à ordem de exibir livros e documentos fiscais não é conduta típica para fins de  majoração  da  punição  em  referência,  nem  pode  receber  tratamento  analógico  in  malam  partem,  sendo  tal  hipótese  inscrita  como  causa  de  arbitramento  dos  lucros.  Ademais,  não  é  possível estabelecer quantas seriam as ordens fiscais para a prestação de esclarecimentos cujo  descumprimento  motivaria  a  punição  mais  severa,  devendo  ser  examinado,  à  luz  do  caso  concreto, o grau de desvalor da ação. Entende que se o fiscalizado forneceu o esclarecimento  requisitado  somente  depois  de  intimado  duas  vezes  para  o  mesmo  propósito,  longe  está  de  restar  caracterizada  uma  prática  que  denote  acentuado  desvalor,  compatível  com  a  sanção  majorada.   Conclui, assim, que o agravamento da penalidade não pode subsistir em razão  de ato involuntário da contribuinte, ou por falta de apresentação de livros ou documentos que  motivaram  o  arbitramento  dos  lucros.  Cita  jurisprudência  em  favor  de  seu  entendimento,  e  acrescenta,  ainda,  que  para  justificar  o  desatendimento  dos  pedidos  de  esclarecimentos,  a  Recorrente  tinha em seu benefício o direito constitucional de não se auto  incriminar ou não  auxiliar  na  produção  de  prova  contra  si  elaborada,  ou  seja,  o  exercício  regular  de  direito  como causa de exclusão da ilicitude.   Por  fim,  opõe­se  à  aplicação  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  limitando­a às exigências de multa isolada, conforme jurisprudência que cita.  Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.663          22 Voto Vencido  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Preliminarmente  cumpre  REJEITAR  o  pedido  de  sobrestamento  do  julgamento em razão da repercussão geral reconhecida acerca do fornecimento de informações  sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da  Lei Complementar nº 105/2001 e da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração  de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência (RE nº 601.314 ­  Relator Min. Ricardo Lewandowski), porque a aplicação subsidiaria do art. 543­B do Código  de  Processo  Civil  somente  seria  possível,  no  âmbito  administrativo,  se  procedimento  semelhante  ao  da  repercussão  geral  fosse  adotado  para  apreciação  de  litígios  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  CSRF.  De  fato,  a  aplicação  subsidiaria  de  outros  diplomas  legais  processuais  destina­se,  apenas,  a  suprir  lacunas  normativas  no  âmbito  do  Processo  Administrativo  Fiscal,  de  modo  a  disciplinar  procedimentos  não  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72,  mas  que  se  verificam  tanto  no  âmbito  processual  tributário,  como  no  âmbito  processual civil. O rito da repercussão geral, por sua vez, é uma criação recente que objetivou,  primordialmente,  racionalizar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  inclusive  limitando  sua  admissibilidade  e  interrompendo  a  produção  de  outros julgados que suscitassem a interposição daquela espécie de recurso. Na medida em que  o  presente  julgado  não  se  sujeita  a  questionamento  por meio  de  recurso  extraordinário  e  as  atividades da CSRF não foram objeto de semelhante racionalização, os efeitos do art. 543­B do  Código de Processo Civil estão limitados ao que autoriza o art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do  Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, qual seja, o  afastamento  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto  cuja  inconstitucionalidade  tenha  sido reconhecida naquele rito processual.    A  recorrente  também  afirma  a  ilegalidade  da  quebra  de  sigilo  bancário,  e  embora não conclua expressamente neste sentido, infere­se de sua argumentação a arguição de  nulidade  do  lançamento.  A  decisão  recorrida,  porém,  validamente  expôs  a  regularidade  do  acesso  do  Fisco  às  informações  bancárias  das  pessoas  jurídicas. Do  voto  do  julgador  Paulo  Mateus Ciccone extrai­se:  Como  se  sabe,  o  acesso,  pelas  autoridades  administrativas,  às  informações  bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal:  "Art. 145............................................................  § 1°. Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte,  facultado  à  administração  tributária,  especialmente  para  conferir  efetividade  a  esses  objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas do contribuinte."   E o Código Tributário Nacional, com status de lei complementar, assim já previa, in  verbis:  "Art.  197.  Mediante  intimação  escrita,  são  obrigados  a  prestar  à  autoridade  administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios  ou atividades de terceiros:  (...)  Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.664          23 II­ os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;  (...)"  Posteriormente,  a Lei n° 8.021, de 12 de abril  de 1990, dispôs  sobre o acesso às  informações bancárias, condicionando a requisição ao início do procedimento fiscal  e à regulamentação ministerial:  "Art. 8°. Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações  sobre  operações  realizadas  pelo  contribuinte  em  instituições  financeiras,  inclusive  extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da  Lei n. ° 4.595, de 31 de dezembro de 1.964.  Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas  pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo  máximo  de  dez  dias  úteis  contados  da  data  da  solicitação,  aplicando­se,  no  caso  de  descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no §1º do art. 7º."  Contudo,  no  presente  contexto,  já  se  tem  a  Lei  Complementar  n.°  105,  de  10  de  janeiro de 2001, que regulou,  com mais detalhes,  a  solicitação de  informações às  instituições financeiras, assim determinando:  "Art.  1º  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações  ativas  e  passivas e serviços prestados.  §1º São consideradas instituições financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar:  [...].  § 3º Não constitui violação do dever de sigilo:   [...]  VI ­ a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°,  4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar.  [...]  Art.  2º  O  dever  de  sigilo  é  extensivo  ao  Banco  Central  do  Brasil,  em  relação  às  operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições.  [...]  Art.  3o  Serão  prestadas  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  pela  Comissão  de  Valores  Mobiliários  e  pelas  instituições  financeiras  as  informações  ordenadas  pelo  Poder  Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas  não poderão servir­se para fins estranhos à lide.  [...]  Art. 4o O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de  suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as  informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários  ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais.  [...]  Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de  seus serviços.  [...]  §  2o  As  informações  transferidas  na  forma  do  caput  deste  artigo  restringir­se­ão  a  informes  relacionados  com a  identificação  dos  titulares das operações  e os montantes  globais  mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados.  § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas,  incorreções ou omissões, ou de cometimento de  ilícito  fiscal, a autoridade  interessada  Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.665          24 poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar  fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos.  §  5o  As  informações  a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob  sigilo  fiscal,  na  forma da legislação em vigor.  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito  Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras, quando houver processo administrativo  instaurado ou procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa competente.  Parágrafo  único.  O  resultado  dos  exames,  as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária."  Seguindo­a,  a Lei  n°  10.174,  de  2001,  e  o Decreto n°  3.724,  de  10  de  janeiro  de  2001,  apenas  regraram  com  mais  precisão  a  obtenção  de  dados,  compondo  o  cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a  requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados.  Imprópria, assim, qualquer eventual  tentativa de vincular esta atividade  tão só ao  Poder Judiciário,  sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade  necessária à garantia do direito  fundamental à  intimidade ou à  inviolabilidade de  dados.  Os  atos  legais  e  regularmente  mencionados  disciplinaram  as  hipóteses  específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscrever­se a este âmbito, a  prova obtida é plenamente válida.  Importa, também, acrescer que não há previsão expressa na Constituição quanto à  inviolabilidade do sigilo bancário, advindo  tal  tese da  interpretação doutrinária e  jurisprudencial dada à matéria.  E,  mesmo  pressupondo  tal  garantia,  cumpre  observar  que,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n°  219.780­5,  em  13/04/1999,  o  ministro  Carlos  Veloso  assim se manifesta:  "[...]  A  questão,  portanto,  de  quebra  do  sigilo,  resolve­se  com  observância  de  normas  infraconstitucionais, com respeito ao princípio da razoabilidade e que estabeleceriam o  procedimento ou o devido processo legal para a quebra do sigilo bancário.  A questão, portanto, não seria puramente condicional. A quebra do sigilo bancário faz­ se  com  a  observância,  repito,  de  normas  infraconstitucionais,  que  subordinam­se  ao  preceito  constitucional.  E  de  dizer,  aquelas  normas  sujeitam­se  ao  controle  de  constitucionalidade,  porque,  em  termos  abstratos  ou  materiais,  poderiam  não  estar  conforme ao mandamento constitucional.  [...]"  Ainda neste voto, embora identificado o direito ao sigilo bancário como espécie de  direito à privacidade, o Ministro reporta­se a julgado anterior no qual admite que  ele  ceda  "na  forma  e  com  observância  de  procedimento  estabelecido  em  lei  ". E,  embora cogite da impossibilidade deste procedimento ser veiculado por meio de leis  ordinárias, dada a prerrogativa conferida ao Poder Judiciário pela Lei n° 4.595, de  1.964,  com  status  de  lei  complementar,  é  de  se  observar  que  à  época  daquele  julgado ainda não havia sido editada a Lei Complementar n° 105, de 2001.  Também o Superior Tribunal de Justiça, antes da edição da Lei Complementar n°  105, de 2001, entendia possível o acesso aos dados protegidos por sigilo bancário.  Veja­se a seguinte ementa:  "É  certo  que  a  proteção  ao  sigilo  bancário  constitui  espécie  do  direito  à  intimidade  consagrado no art. 5°, X, da Constituição, direito esse que revela uma das garantias do  indivíduo contra o arbítrio do Estado. Todavia, não consubstancia ele direito absoluto,  Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.666          25 cedendo  passo  quando  presentes  circunstâncias  que  denotem  a  existência  de  um  interesse  público  superior.  Sua  relatividade,  no  entanto,  deve  guardar  contornos  na  própria  lei,  sob  pena  de  se  abrir  caminho  para  o  descumprimento  da  garantia  à  intimidade constitucionalmente assegurada. " [STJ ­ Corte Especial ­ AgReg do IP n.°  187/DF ­ Rel. Min. Sávio de Figueiredo Teixeira ­ Diário de Justiça, Seção I, 16/09/96]   Assente está, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto e deve  ceder em face do interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela Lei  Complementar  n°  105,  Lei  n°  10.174  e  Decreto  n°  3.724,  todos  de  2001,  as  circunstâncias  em  que  presente  esse  interesse  são  especificadas,  inexistindo  discricionariedade.  O  ato  administrativo  é  vinculado  às  determinações  legais,  e  estas correspondem à concretização da vontade do legislador de, naquelas hipóteses  específicas, submeter as informações bancárias ao crivo fiscal.  Assim,  uma  vez  presente  o  comando  expresso,  em  lei  ordinária  e  complementar,  autorizando  o  exame  de  informações  bancárias,  cumpre  acatá­lo  e  utilizá­lo,  até  porque  não  cabe  aos  agentes  públicos  questionarem  a  constitucionalidade  de  lei  vigente,  mediante  juízos  subjetivos,  dado  o  princípio  da  legalidade  que  vincula  a  atividade administrativa.  A corroborar todo o exposto, reproduzem­se os fragmentos da decisão proferida no  Agravo n° 138263, pelo Relator, Juiz Federal convocado, Carlos Muta, no TRF da  3a Região, 3° Turma ­ Processo 2001.03.00.027704­8­ DJU de 13/11/2001, p. 590,  reproduzido pela Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 216/219:  "[...]   Em coerência com a legislação complementar, a Lei 10.174, de 09.01.2001, introduziu  alteração no art. 11 da Lei 9.311/96, permitindo que a Secretaria da Receita Federal, na  posse  das  informações  a  respeito  da  movimentação  financeira  de  titulares  de  contas  bancárias,  utilize­os  para  verificação  da  existência  de  crédito  tributário  relativo  a  impostos e contribuições, e para o lançamento de crédito porventura existente, ...  Como se observa, (...), é possível reconhecer que a legislação foi minuciosa e criteriosa  na identificação das situações sujeitas à quebra do sigilo bancário e  dos  procedimentos  necessários  a  tanto,  resguardando,  por  meio  do  sigilo  fiscal,  as  informações prestadas e os dados aferidos pelo exame de documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras,  e  reservando  o  seu  uso  a  fins  específicos,  que  não  transcendem  ao  que  necessário  para  o  regular,  justificado,  proporcional  e  razoável  exercício da competência constitucional e legal que possui o Estado­Administração de  arrecadar os tributos e fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais.  Tampouco procede a tese de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei. Com efeito,  não existe direito adquirido à sonegação de informações ou de tributos ao Estado, mas  apenas a possibilidade de invocação de decadência ou prescrição,  (...). Por  isso é que,  prima  facie,  deve­se  compreender  que  a  criação  de  mecanismos  de  fiscalização  e  apuração  de  crédito  tributário  por  lei  nova  não  impede  a  sua  aplicação  mesmo  no  período  anterior,  desde  que  ainda  possua  o  Fisco  o  poder  de  imposição,  seja  constituindo, seja revisando o lançamento efetuado pelo contribuinte. Em casos que tais,  não  se  trata,  por  evidente,  de  criação  ou  majoração  de  tributo,  com  alteração  da  legislação  vigente  na  data  do  fato  gerador, mas  apenas  e  tão­somente,  da  aferição  da  existência  de  tributo,  devido  conforme  a  lei  da  época,  mas,  eventualmente,  não  recolhido ou não declarado pelo contribuinte: em suma, a legislação impugnada não cria  nem majora, em absoluto, qualquer tributo, mas apenas permite que o Fisco combata a  sonegação fiscal, quando e se existente, o que é diferente. "   E, por elucidativas, transcrevem­se as seguintes ementas de acórdãos do Conselho  de Contribuintes:  " . . .   ­  SIGILO  BANCÁRIO  ­ . . .   Não  configura  quebra  de  sigilo,  o  fornecimento  ao  Fisco,  de  informações  sobre  a  movimentação  bancária  do  contribuinte,  as  quais  permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. Inteligência dos artigos 197, inciso  II, e 198, ambos do CTN. ..." [Ac. 1° CC 105­13223 ­ Sessão de 12/07/2000]   Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.667          26 "...QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO ­ Tendo a autoridade administrativa procedido  em conformidade com o exposto no art. 197, II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de  1966  (Código  Tributário  Nacional)  e  estando  esta  plenamente  recepcionada  pela  Constituição Federal de 1988, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. "[Ac.  1° CC 104­17152 ­ Sessão de 17/08/1999]   "SIGILO  BANCÁRIO  ...  ­  Informações  obtidas  regularmente  junto  às  instituições  financeiras  e  usadas  reservadamente,  no  processo,  pelos  agentes  do  Fisco,  não  caracterizam violação do sigilo bancário. " [Ac 1° CC 101­91.561 ­ DO 09/12/1997]   Ainda,  cumpre  observar  que  o  acesso  às  informações  bancárias  não  configura,  propriamente,  quebra  do  sigilo  bancário,  haja  vista  a  imposição,  às  autoridades  administrativas, de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude  do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art.  5o, § 5° e art. 6°, parágrafo único, ambos da Lei Complementar n° 105, de 2001.  Ademais, as  informações  se prestam apenas à constituição de crédito tributário, e  eventual apuração de  ilícito penal. Há, na verdade, mera  transferência do sigilo,  que  antes  vinha  sendo  assegurado  pela  instituição  financeira,  e  passa  a  ser  mantido pelas autoridades administrativas.  Especificamente  com  referência  à  retroatividade  da  lei,  reprise­se  que  ela  tão  só  estabelece  meios  de  fiscalização,  e  não  hipóteses  tributárias,  destinando­se  a  verificar a ocorrência de fato gerador de imposto, antes já previsto na legislação ­  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996.  Clara  é  a  disposição  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  n°  5.172,  de  1966),  no  sentido  de  o  lançamento  submeter­se  ao  procedimento disposto na lei vigente à data de sua formalização:  [...]  Cabe destacar que mesmo para fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei n.°  9.430,  de  1996,  há  jurisprudência  do  STJ­Superior Tribunal  de  Justiça mantendo  lançamento tributário com fundamento na omissão de receitas em face de depósitos  bancários cuja origem não foi esclarecida ou comprovada.  Nesse sentido, cabe transcrever parcialmente o voto prolatado em 21 de fevereiro de  2002,  pelo  Ilustre  Ministro  José  Delgado,  no  Recurso  Especial  n°  379.081,  interposto  em  face  de  acórdão  proferido  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  4a  Região Fiscal:  "EMENTA   TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA.  1. Acórdão recorrido que reconhece devido imposto de renda cujo valor foi fixado por  arbitramento.  2. Contribuinte que,  intimado a  justificar depósitos bancários  em  sua  conta­  corrente,  aduz que não o faz por não ter os documentos necessários.  3.Alega, em sede de recurso especial, de violação aos arts. 5°, X e XII, e 93, IX,da CF.  Não conhecimento.  4.  Acórdão  que  manteve  o  lançamento  tributário,  analisando  o  conjunto  probatório,  inclusive  depósitos  bancários  de  honorários  advocatícios  recebidos  sem  prova  de  pagamento de imposto de renda.  5. Não discussão, em segundo grau, sobre o art. 38, parágrafo 1°, da Lei n° 4.595, de  1964. Ausência de prequestionamento.  Recurso especial não conhecido. "  (...)  VOTO O SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR):  O acórdão recorrido está sustentado em voto do seguinte teor (fls. 417/419):   Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.668          27 (...)  Quanto  à  análise  do  mérito,  em  si,  do  lançamento  tributário,  com  base  em  extratos  bancários, a Sentença merece reparos.  Por certo que o fato gerador do imposto de renda, a teor do art. 43, caput, e incisos, do  Código Tributário Nacional (CTN), corresponde à aquisição efetiva de disponibilidade  econômica ou  jurídica. E,  claro, meros depósitos bancários não  são,  necessariamente,  acréscimo patrimonial, auferido pelo contribuinte. Até porque não se pode presumir fato  gerador, em matéria tributária.  Só que, se por um lado, o depósito em si não é fato gerador de obrigação tributária, por  outro, ele indica a existência de rendimentos que, aliados a outros elementos de prova,  confirmam a aquisição de renda, justificando a incidência tributária.  Exatamente por isso que o contribuinte é regularmente intimado, para demonstrar (e, em  matéria tributária, o ônus probatório se inverte) que tais receitas (ou variações positivas  na  conta­corrente,  ou  aplicações)  não  são  tributáveis  (como  os  alegados,  e  não  provados, recebimentos, pelos clientes, de valores indenizados).  O § 5°, do art. 6°, da Lei n°  8.021/90 não afronta o  art.  43, caput,  e  incisos do CTN  (enquanto  lei  complementar),  ao  permitir  o  arbitramento,  com  base  em  depósitos  bancários, ou aplicações, realizadas junto às  instituições  financeiras. Isto porque deixa  aberta, ao contribuinte, a possibilidade de comprovar a origem dos recursos utilizados  nessas operações.  Se o contribuinte não demonstra a origem dos depósitos, então não estamos mais diante  de uma presunção, mas sim, diante de efetivo acréscimo patrimonial.  Como  bem  salientou  a  Ré,  em  seu  apelo,  "...se  tais  valores  são movimentados  à  sua  ordem,  o  pressuposto  lógico  é  que  pertencem  ao  contribuinte.  E,  se  não  foram  declarados,  são  rendimentos  omitidos,  sujeitando  o  infrator  ao  lançamento  de  ofício.  Portanto,  não  cabe  ao  fisco  demonstrar  o  que  já  está  demonstrado,  ou  seja,  que  tais  depósitos são rendimentos do contribuinte e que o mesmo os omitiu à tributação. Se a  situação do contribuinte  fugir  a  tal  regra de raciocínio  lógico, caberia a ele e  só a ele  prová­la,  demonstrando,  por  exemplo,  que  o  dinheiro  que  transitou  por  suas  contas  bancárias, não lhe pertence ou que  tem por hábito ficar fazendo sucessivos saques e depósitos com o mesmo dinheiro, etc...  "  (...)  "...  como  ficou  demonstrado,  apesar  da  ampla  defesa  proporcionada,  o  contribuinte/apelado  não  provou  a  origem  dos  depósitos  bancários,  flagrantemente  superiores ao rendimento declarado... ".   (...)  Por todas essas razões, entendo que a sentença merece reparos, devendo a presente ação  anulatória  de  débito  fiscal  ser  julgada  totalmente  improcedente,  suportando,  a  parte  autora, os ônus  sucumbenciais  integrais,  sendo os honorários advocatícios  fixados em  10% do valor da causa atualizado.  Ante  o  exposto,  conheço  da  apelação  do  autor,  negando  provimento.  Conheço  da  remessa  oficial  e  da  apelação  da  Ré,  dando  provimento,  para  o  efeito  de  julgar  improcedente a ação anulatória de débito fiscal. E o voto. " Do exposto, conclui­se que  a Corte de segundo grau decidiu: (...)  c)  embora  o  depósito  bancário,  em  si,  não  seja  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  deixa,  contudo,  de  indicar  rendimentos  que,  aliados  a  outros  elementos  de  prova,  confirmam  a  aquisição  de  renda,  justificando  incidência  tributária;  b) no caso em exame, o contribuinte, embora chamado para tanto, não provou a  origem  dos  depósitos  bancários,  flagrantemente  superiores  ao  rendimento  declarado para fins de imposto de renda;  (...)  Não conheço, em conseqüência, do recurso especial quanto a essa alegação.  Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.669          28 O  acórdão  aceitou  o  lançamento  tributário  com  base  na  prova  dos  autos,  não  considerando, unicamente os extratos bancários. A sua fundamentação segue linha  de  entendimento  de  que  o  recorrente  foi  intimado  a  justificar  os  valores  encontrados em sua conta bancária, sem que tenha conseguido fazê­lo,  incluindo­ se os valores que recebeu a título de honorários.  Há,  portanto,  posicionamento  do  acórdão  vinculado  a  fatos  que  não  se  esgotam,  unicamente, no exame dos extratos bancários. Ressalte­se que o acórdão entendeu  ser válido e eficaz o lançamento tributário porque o recorrente não comprovou a  origem dos seus depósitos bancários, considerando, ainda, a existência de valores  recebidos a título de honorários, sem que o imposto de renda tenha sido recolhido.  Isto posto, não conheço do recurso especial. "[grifou­se]   Diante de todo o exposto, por estar o acesso às informações bancárias regularmente  autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, válidos  são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer  prejuízo à exigência fiscal.  Infere­se,  pois,  carecer  sustentação  à  irresignação  da  autuada,  pelo  que  é  indeferida.  Destaque­se,  por  fim,  que  as  decisões  trazidas  pela  defesa  em  relação  ao  tema  tratado,  ainda  que  advindas  da  Corte  Suprema,  aproveitam  apenas  as  partes  envolvidas  nas  respectivas  lides,  não  tendo  o  efeito  erga  omnes  necessário  a  vincular os julgadores administrativos.  Nesse contexto, como dito antes neste voto, a autoridade administrativa, por força  de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder  Executivo, deve limitar­se a aplicá­la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da  sua  constitucionalidade  ou  outros  aspectos  de  sua  validade,  mesmo  que  possam  existir julgamentos esporádicos (como os referidos pela defesa) com entendimentos  divergentes ao esposado neste voto.  Confirmando esse posicionamento, como igualmente reportado alhures, a Portaria  MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dele fez constar o art. 62, o qual assim  dispõe:  "Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade".  Assim  como  também  já  foi  editada  a  Súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais­CARF  (e  que  vincula  este  Colegiado),  antes  reproduzida,  mas  novamente trazida para melhor fixação:  Súmula  CARF  n"  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Em  suma,  carece  competência  a  este  órgão  julgador  de  1a  Instância  para  reconhecer,  em  sede  administrativa,  alegações  sobre  ilegalidades  ou  inconstitucionalidades arguidas pelos sujeitos passivos. (destaques do original)  Tais  argumentos  são  aqui  adotados  para  afastar  a  alegação  de  que  o  sigilo  bancário seria um direito constitucionalmente assegurado, sendo irrelevantes as referências da  recorrente  a  decisões  judiciais  em  sentido  contrário,  que  firmam  a  necessidade  de  ordem  judicial  para  tanto.  Quanto  à  manifestação  do  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  incompatibilidade  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  com  os  princípios  constitucionais  vigentes,  e  com  referência  à  alegada  discricionariedade  presente  nos  atos  ali  autorizados,  cumpre  acrescentar,  para  além  da  impossibilidade  de  se  discutir,  aqui,  a  inconstitucionalidade da  lei  tributária, que a Requisição de  Informações sobre Movimentação  Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.670          29 Financeira ­ RMF está disciplinada no Decreto nº 3.724/2001, cujas regras afastam a alegada  discricionariedade.  O art. 4o, §5o do Decreto nº 3.724/2001 estabelece que a RMF será expedida  com  base  em  relatório  circunstanciado,  elaborado  pelo  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  encarregado da execução do MPF ou por  seu chefe  imediato. Por  sua vez, o §6o do mesmo  artigo dispõe que no relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da  proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratar­se de situação  enquadrada  em  hipótese  de  indispensabilidade  prevista  no  artigo  anterior,  observado  o  princípio  da  razoabilidade.  Tais  requisitos  evidenciam  atos  plenamente  vinculados,  em  conformidade com o exigido pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (As autoridades e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do Distrito  Federal  e  dos Municípios  somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados  indispensáveis pela autoridade administrativa competente).  No  presente  caso,  a  Solicitação  de  Emissão  de  Requisição  de  Informação  sobre  Movimentação  Financeira  está  juntada  às  fls.  114/118  e  decorre  de  embaraço  à  fiscalização  (art.  33  da  Lei  nº  9.430/96),  devidamente  demonstrado  em  razão  da  falta  de  atendimento  às  intimações  lavradas  no  curso  do  procedimento  fiscal,  também  descritas  por  ocasião da lavratura dos lançamentos em debate.   Esclareça­se, ainda, que a lei autorizou tal acesso no curso do procedimento  fiscal,  cuja  natureza  é  inquisitorial,  e  não  abre  espaço,  assim,  para  impugnação,  como  pretendido  pela  recorrente.  A  possibilidade  de  discussão  administrativa  da  prova  e  do  procedimento para  sua obtenção se verifica, nos  termos do Decreto nº 70.235/72, a partir do  lançamento e por meio dos recursos administrativos, sendo certo que, se alguma arbitrariedade  ou ilegalidade existe, deve o prejudicado demonstrá­las mediante confronto com os diplomas  legais e regimentais pertinentes, para o que não se presta a argumentação de que o embaraço  não teria se verificado em razão de a contribuinte não estar obrigada a produzir prova contra si  mesma.  Isto  porque,  como  antes  já  se  demonstrou,  inexiste  garantia  constitucional  ao  sigilo  bancário, mormente  quando  se  está  frente  a  atividades  de  pessoa  jurídica  da  qual  decorrem  obrigações  acessórias  assim  expostas  no  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR/99,  aprovado pelo Decreto nº 3.000/99:  Art.  264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial  (Decreto­Lei  nº  486, de 1969, art. 4º).   § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de  livros,  fichas, documentos  ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de  grande  circulação  do  local  de  seu  estabelecimento,  aviso  concernente  ao  fato  e  deste  dará  minuciosa  informação,  dentro  de  quarenta  e  oito  horas,  ao  órgão  competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da  Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto­Lei nº 486, de 1969, art.  10).   §  2º  A  legalização  de  novos  livros  ou  fichas  só  será  providenciada  depois  de  observado o disposto no parágrafo anterior  (Decreto­Lei nº 486, de 1969, art. 10,  parágrafo único).   Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.671          30 §  3º  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até  que  se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública  constituir os  créditos  tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).   Os extratos bancários, como comprovantes da escrituração da pessoa jurídica,  são  de  conservação  e  guarda  obrigatória,  inexistindo  qualquer  ilegalidade  na  exigência,  pelo  Fisco,  de  sua  apresentação. Caracterizada  a  negativa  não  justificada  de  exibição  de  livros  e  documentos em que assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como o não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios ou de terceiros, resta evidente o embaraço que autoriza a requisição das informações  de movimentação bancária diretamente às instituições financeiras.  Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de REJEITAR  a  arguição  de  nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário.  Passando  ao  mérito,  a  recorrente  aponta  a  existência  de  vícios  formal  e  material incorridos pela autoridade na constituição do crédito tributário, mormente quanto à  determinação da matéria  tributável. Aduz, primeiramente,  que  a Fiscalização  indevidamente  afirmou  não  ter  sido  comprovada  a  origem  dos  créditos  bancários  apesar  da  farta  documentação acostada ao processo, que seria suficiente para, em exame acurado, provar que  o ingresso de recursos provêm de empréstimos tomados junto a pessoas jurídicas e físicas, a  título de capital de giro, e de aplicações financeiras.   Inicialmente cumpre observar que, em impugnação, a contribuinte limitou­se  a  alegar  que  os  valores  autuados  representariam  mera  passagem  de  recursos,  apontando  aqueles  que  se  refeririam  a  transferências  de mesma  titularidade. As  alegações  foram  assim  apreciadas na decisão de 1ª instância:  Antes de se prosseguir com a apreciação dos  itens  finais apresentado pela defesa,  insta  ver os  lançamentos perpetrados pelo Fisco  com supedâneo no artigo 42, da  Lei  n°  9.430/1996  e  que  têm  vinculação  direta  com  o  tema  atrás  tratado  (sigilo  bancário).  Tais  lançamentos,  relativos  ao  ano­calendário  de  2008,  tiveram  sustentáculo  na  movimentação  bancária  da  autuada,  que  viu  carreada  a  crédito  de  suas  contas  correntes mantidas  em diversas  instituições  financeiras,  substanciais  valores  para  os  quais,  devidamente  intimada  a  comprovar  suas  origens,  na  forma  prevista  na  legislação vigente (artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996), não logrou êxito.  Relata o Fisco que ter permitido ao sujeito passivo demonstrar que os rendimentos  já foram oferecidos à tributação, "o que, no caso presente, não ocorreu" (Termo de  Verificação Fiscal ­ fl. 3027)  Expõe ainda ter diligenciado junto a "agentes beneficiários de saídas de recursos das  contas  bancárias  do  sujeito  passivo",  e  que  "todo  o  esquema  detectado  só  foi  viabilizado pela existência da pessoa jurídica da fiscalizada".  Percorrendo­se os autos nota­se o cuidado do Agente condutor do feito em permitir  à  autuada,  na  forma  do  que  dispõe  o  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/1996,  que  justificasse  as  origens  dos  valores  carreados  a  crédito  de  suas  contas  bancárias,  como, p. ex., se vê às fls. 3006, do Termo de Verificação Fiscal:  "a  fiscalização  submeteu  os  valores  que  foram  levantados  de  depósitos/créditos  bancários  ao  contribuinte,  mas  o  mesmo  preferiu  restar  silente,  tendo  sido  o  procedimento fiscal caracterizado por pedidos de prorrogação de prazos assinados pelo  Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.672          31 Diretor­Presidente da empresa o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, mas sem o efetivo  esclarecimento  às  demandas  fiscais.  Dessarte,  resta  ao  Auditor­Fiscal  titular  do  procedimento proceder à conclusão do mesmo com o lançamento ex­officio dos valores  devidos"'.  Tais montantes foram assim resumidos pelo Fisco (cf. tabelas abaixo):  [...]  De seu lado, a  impugnante resumiu sua defesa em tentar descaracterizar o acesso  do Fisco  às  suas  contas  bancárias  (matéria  já  tratada  neste  voto)  e,  naquilo  que  realmente  deveria  ser  a  seara  em  que  batalharia,  ou  seja,  a  demonstração  e  justificativa  das  origens  dos  recursos  que  permitiram  carrear  a  crédito  de  suas  contas mantidas junto a instituições financeiras o volumoso montante de mais  de 224 milhões de reais, contra uma receita informada em DIPJ de pouco mais  de  3  milhões,  em  um  brutal  descompasso  onde  os  referidos  créditos  somaram  mais  de  68  vezes  a  mencionada  receita,  ou,  mais  claramente,  uma  divergência  de  6.816,55%  (seis  mil,  oitocentos  e  dezesseis  por  cento),  limitou­se  a  alegar  não  terem  sido  desconsideradas  as  transferências e depósitos de mesma titularidade, conforme demonstrativo inserido  em sua peça de contestação (fls. 3391), e que será analisado adiante.  A  propósito,  afirma  ainda  a  defesa  que  tais  valores  (somando  R$  23.880.166,62)  devem  ser  excluídos  dos  lançamentos,  em  razão  de  se  constituírem  de  "transferências entre contas de mesma titularidade"  (impugnação ­  fls. 3392) e que  os  demais  montantes,  inseridos  na  planilha  de  fls.  3036/3043  seriam  "mera  passagem de recursos; não são  receitas e, portanto,  são  imprestáveis para  formar a  base de cálculo dos tributos e contribuições".  Antes  da  análise  dos  números  levantados  pela  defesa,  impõe­se  apreciar  as  assertivas  finais, acima reproduzidas, confrontando­as com a  figura da presunção  legal  trazida  pelo  artigo  42,  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  que  permitiu ao Fisco caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em  contas  de  depósitos  ou  de  investimentos  mantidas  pela  pessoa  jurídica  junto  a  instituições financeiras e em relação às quais, regulamente intimada, não conseguir  comprovar,  por  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  que  permitiram tal movimentação.  Neste contexto, certamente, é pacífico dizer que somente o depósito bancário em si  não é,  realmente, sinônimo de receita, podendo se constituir em "marco inicial de  uma investigação".  Assim, seria extremamente cômodo ­ mas, incorreto ­ que a fiscalização tomasse os  extratos  bancários  e,  a  seu  bel  entendimento  e  sem  qualquer  aprofundamento,  concluísse  as  operações  ali  retratadas  e  lavrasse  os  autos  de  infração  que  entendesse cabíveis, sem a oitiva da parte contrária.  Entretanto, não foi esse o procedimento adotado pela fiscalização (nesse e em tantos  outros casos), permitindo à autuada apresentar as justificativas necessárias.  De  fato, com o  surgimento no mundo  jurídico do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996,  abriu­se ao Fisco a possibilidade de se presumir a existência de omissão de receita  ou  rendimento  quando  o  contribuinte,  devidamente  intimado,  não  conseguir  justificar  a  origem  dos  valores  lançados  a  crédito  de  suas  contas  em  instituições  financeiras.  Trata­se, pois, de uma presunção  legal que só se valida com a rigorosa oferta ao  fiscalizado da possibilidade de comprovar a origem dos recursos.  Exatamente como ocorreu no caso presente.  Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.673          32 Vale exprimir, não é o depósito bancário em si que se converte em omissão de renda  ou receita e se transforma em fato gerador de tributos, mas os recursos que deram  origem a tal depósito e que não venham a ser comprovados pelo fiscalizado, mesmo  que devidamente intimado a demonstrar tais origens.  De outra parte, prestigie­se o trabalho fiscal que, em momento algum, resvalou por  caminhos  ilegais  ou  exorbitou  de  suas  funções.  Ao  revés,  sempre  permitiu  a  manifestação da autuada de forma a encontrar a verdade dos fatos.  Neste campo, ao receber as informações das instituições financeiras, cruzá­las com  as da própria fiscalizada e com o banco de dados da Receita Federal e  intimar a  contribuinte a justificar as divergências, sem que tenha recebido qualquer resposta  sustentável, só lhe restava lançar mão da presunção legal de definir como omissão  de receitas, valores que ingressaram nas contas bancárias do sujeito passivo e não  foram devidamente justificados.  É o dizer da Lei 9.430/96:   Depósitos Bancários   Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  qu  s  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações.  §  1°  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido no mês do cr dito efetuado pela instituição financeira.  (...)  Mencionado  dispositivo,  ao  alçar  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a  legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários,  mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios  apurados.  Veja­se,  a  respeito,  o  entendimento  já  pacificado  da  jurisprudência  administrativa:  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão  de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status  legal.  (Acórdão CCn°  103­23.543 ­ Sessão de 14/08/2008)  Tem­se, dessa  forma, como ensina Maria Rita Ferragut  (in Presunções no Direito  Tributário, Dialética,  São Paulo,  2001),  uma prova  indireta  condutora  da mesma  'probabilidade fática' da prova direta, in verbis:  "Assim, tem a Administração Pública o dever­poder de investigar livremente a verdade  material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação  de  sua  convicção  acerca  da  existência  e  conteúdo  do  fato  jurídico,  já  que  é  uma  constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou  anular  o  encargo  fiscal.  E  essa  liberdade  pressupõe  o  direito  de  considerar  fatos  conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos  são desconhecidos de forma direta.  A  presunção  homini  de  forma  alguma  significa  que  a  tributação  ocorrerá  em  mera  verossimilhança,  probabilidade  ou  verdade  material  aproximada.  Pelo  contrário,  veiculará conclusão provável do ponto de vista  fático, mas certa do jurídico. Por  isso,  resta uma vez mais observar que também a prova direta leva­nos à certeza jurídica e à  probabilidade  fática,  já  que  não  relata  com  certeza  absoluta  o  evento,  inatingível.  Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível."  Em  seu  trabalho  'Evasão  Fiscal:  o  parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN  e  os  limites  de  sua  aplicação'  (in  Revista  Dialética  de  Direito  Tributário  n.°  67,  Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta:  Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.674          33 "As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas  acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e má­fé geral,  tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar  em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertem­se em  elementos fundamentais para a  identificação de fatos propositadamente ocultados para  se evitar a incidência normativa."  Sabe­se que em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas  pela doutrina como espécies de provas  indiretas. A doutrina do Direito Tributário  identifica  duas  espécies  distintas:  as  legais  e  as  simples  (comuns).  As  presunções  legais  se  subdividem  em  absolutas  (jure  et  de  jure)  e  relativas  (jures  tantum). As  presunções  absolutas  não  admitem  prova  em  contrário  ao  fato  presumido,  já  as  relativas  admitem  prova  contrária,  reputando­se  verdadeiro  o  fato  presumido  até  que a parte interessada prove o contrário.  As presunções legais relativas provocam, como dito, a chamada "inversão do ônus  da prova", cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de  adequada  comprovação  impede  o  acolhimento  do  pleito,  este  é  o  entendimento  expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II.  No presente caso, a fiscalização promoveu ­ correta e obedientemente à legislação ­  a Intimação e a Reintimação da fiscalizada, tomando o cuidado de individualizar as  operações questionadas, de modo que, permanecendo indemonstrada a origem dos  recursos  discriminados,  a  hipótese  subsume­se  perfeitamente  ao  fato  jurídico  tributário descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária.  Por não ser admissível prejuízo à  incidência  tributária pela  impossibilidade de  se  produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a  partir de tal indício é suficiente para a exigência, até porque admitida legalmente.  Ademais, não se perca que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em  nosso direito, como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram  explícitos, como já decidido pelo CARF:  ASSUNTO:  PROVA  INDICIARIA  A  prova  indiciária  é  meio  idôneo  admitido  em  Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que  se  constituem em  indícios precisos,  "econômicos"  e  convergentes.  (Acórdão n° 1401­ 000.405 ­ Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento ­ Recurso n°  167753  ­  Processo  n°  15586.000098/2007­13  ­  Sessão  de25/01/2011  ­  Relator  ANTONIO BEZERRA NETO)  Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi  feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela  própria  lei,  o  que  torna  lícita  a  inversão  do  ônus  da  prova  e  a  consequente  exigência  atribuída  ao  contribuinte  de  demonstrar  que  tais  valores  não  são  provenientes de  receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração  regular ou  em poder dos sócios.  A  prova  contrária  à  presunção  legal,  como  dito,  não  foi  fornecida  pela  autuada,  nem  durante  os  procedimentos  fiscais  nem  na  presente  impugnação  apreciada,  remanescendo  sem  comprovação  a  quase  totalidade  dos  depósitos  questionados,  como já enfatizado anteriormente.  Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da  figura  da  presunção  legal,  como  no  caso  em  análise,  quando  se  presume  a  ocorrência  de  omissão  de  receitas  se  o  fiscalizado,  devidamente  intimado,  não  consegue  comprovar,  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.  Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.675          34 É  indiscutível  que,  por  se  tratar  de  caso  de presunção,  não  tem  caráter  absoluto,  visto  que  pode  ser  afastada  por  prova  em  contrário,  a  ser  produzida  pela  parte  desfavorecida.  Entretanto, no caso em questão, mesmo depois de terem sido concedidas sucessivas  oportunidades para a empresa esclarecer e comprovar adequadamente os recursos  que  permitiram  sua  vultosa movimentação  bancária,  ainda  assim  não  vieram  aos  autos  tais  comprovações,  exceto  naquilo  que  será  explicitado  à  frente  e  que  se  constitui em ínfima parcela do aqui discutido.  Em suma, a temerária afirmação da defesa de que os valores tomados pelo Fisco e  expressos nas planilhas de fls. 3036/3043 seriam "mera passagem de recursos; não  são receitas e, portanto, são imprestáveis para formar a base de cálculo dos tributos e  contribuições", não tem a menor sustentabilidade em face do ordenamento jurídico  vigente.  Passa­se, agora, a analisar os valores suscitados pela defesa e que se refeririam a  transferências  de  mesma  titularidade,  passível  de  exclusão  da  base  de  cálculo  apurada (e que não teriam sido consideradas pela Fiscalização).  Conforme exposto na impugnação (fls. 3391), os valores questionados pela defesa,  reportando­se aos Bancos BIC e BRASDESCO, são os seguintes, iniciando­se pelo  BIC:  a) BANCO BIC    De plano, destaque­se inexistir o lançamento de "3/04/2008 TED", no valor de R$  2.900.000,00,  conforme  se  mostra  pela  reprodução  abaixo,  extraída  da  planilha  elaborada  pelo  Fisco  (Anexa  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal  ­  fls.  3036/3043),  mostrando não haver qualquer registro de tal montante neste período:    Sequencialmente, ainda com fulcro na mesma planilha, vê­se que os demais valores  questionados  não  permitem  concluir  se  tratar  de  transferência  de  "mesma  titularidade",  como  alega  a  defesa;  muito  ao  contrário,  o  histórico  aponta  transferência de "titulares diferentes", conforme reprodução abaixo:      Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.676          35 Observe­se o teor do histórico: "Transf.Dif.Titul.Interagencia", o que permite supor  referir­se a  remessa  feita por "diferente  titularidade"  e não "mesma  titularidade",  como aventado pela impugnante.  Claro  que,  por  se  tratar  de  histórico  resumido  e  questão  suscetível  de  prova  contrária, poderia (e, na verdade, deveria, por força da norma impositiva prevista  no  artigo  42,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996)  a  autuada  ter  trazido  aos  autos  provas  concretas  (como  microfilmes  dos  lançamentos,  declaração  do  estabelecimento  bancário, etc), de que tais rubricas se refeririam, como alega, a transferências feitas  pela mesma titular, no caso a Royster.  Não o fez, limitando­se a alegar (e frontalmente contra o histórico dos extratos) que  mencionados valores seriam mera transferência, quedando­se inerte em demonstrar  o inverso e descaracterizar o trabalho fiscal.  Desta  forma,  refutam­se  as  alegações  da  defesa  em  relação  às  transferências  havidas no Banco BIC, mantendo­se os valores tomados pelo Fisco.  Em relação ao Banco Bradesco, o quadro é o seguinte:  b) BANCO BRADESCO    Analisando­se caso a caso:  1) históricos  que  não  permitem concluir  tratar­se  de  transferências  de  valores  de  contas de mesma titularidade, cabendo à autuada a prova do alegado, o que não se  viu nos autos(*):    Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.677          36   (*) Nestes históricos, a simples menção de "Depósito em Dinheiro Dep Ref a Dev de  Documento"  ou  "Transf.Valor  Entre  Conta"  não  possibilita  afirmar,  conclusivamente, que foram transferências feitas de contas da própria autuada para  sua  conta  no  Bradesco,  cabendo­lhe  o  ônus  da  prova  de  que  tal  situação  teria  ocorrido, o que não se fez presente.  2) históricos que permitem concluir tratar­se de transferências de valores de contas  de  mesma  titularidade  e  que,  por  isso,  são  excluídos  da  base  de  cálculo  dos  lançamentos(**):    (**)  Aqui,  como  os  históricos  mencionam  "Transf  Entre  Agenc  Dinh  o  Proprio  Favorecido",  há  fortes  indícios  de  que  se  tratam,  efetivamente,  de  remessas  de  contas de mesma titularidade, impondo, na dúvida e em respeito a clássico princípio  jurídico (in dubio pro reo), decidir­se a favor da acusada, pelo que os valores serão  excluídos dos lançamentos. Ademais, como se  trata de "presunção" esta não pode  comportar  incertezas,  restando  fragilizado,  neste  caso  pontual  e  específico,  o  lançamento fiscal.  Assim,  dos  valores  citados  pela  impugnante  no  Bradesco  e  que  somariam  R$  15.875.666,62, restaram comprovados e expurgados os montantes descritos no item  2, acima, importando em R$ 127.000,008.  Portanto,  a  materialidade  do  fato  gerador  restou  comprovada,  de  modo  que  fica  mantido  o  lançamento  neste  aspecto,  por  sua  absoluta  correção,  com  os  ajustes  acima promovidos e que serão demonstrados no final do presente voto.  (destaques  do original)  Antecipe­se que, em recurso voluntário, a contribuinte renovou a vinculação  de depósitos a transferências de mesma titularidade, apresentando a seguinte planilha:  Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.678          37   Analisando  as  informações  presentes  nas  folhas  do  processo  citadas  pela  recorrente, tem­se:  · Depósito de R$ 300.000,00 em 22/04/2008 no BRADESCO: à fl. 304  consta reprodução do extrato bancário no qual este valor está indicado  a  crédito  sob  o  histórico  DEPOSITO  EM  DINHEIRO  ROYSTER  SERVIÇOS S A e a débito sob o histórico TED TRANSF ELET DISP  DEST. ROYSTER SERVIÇOS S/A. Ocorre que na relação de depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  consta  à  fl.  3038  apenas  um  depósito de R$ 300.000,00 em 22/04/2008, possivelmente porque, se  tal  crédito  foi  transferido  para  outra  conta  de mesma  titularidade,  a  duplicidade foi previamente excluída pela autoridade lançadora;  · Depósito de R$ 20.000,00 em 09/05/2008 no BRADESCO: à fl. 305  consta reprodução do extrato bancário no qual este valor está indicado  a  crédito  sob  o  histórico  TRANSF  ENTRE  AGENCIA  DINH  O  PROPRIO FAVORECIDO  e  a  débito  sob  o  histórico TED TRANSF  ELET  DISP  *DEST  ROYSTER  SERVIÇOS  S/A,  operação  também  refletida  à  fl.  438.  Mas,  à  semelhança  do  caso  anterior,  à  fl.  3038  consta  apenas  um  depósito  de R$ 20.000,00  em 09/05/2008,  não  se  verificando qualquer duplicidade;  · Depósito  de  R$  110.000,00  em  13/05/2008  no  PROSPER:  à  fl.  13  consta extrato de PROSPER no qual o crédito de R$ 110.000,00 está  vinculado  ao  histórico  CRÉDITO  POR  (TED).  Porém,  à  fl.  3038  inexiste depósito no valor de R$ 110.000,00 em 13/05/2008 que tenha  se  prestado  como  indício  de  presunção  de  omissão  de  receitas,  provavelmente porque a Fiscalização  identificou que este valor seria  proveniente de transferência do BRADESCO, registrada a débito à fl.  305;  Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.679          38 · Depósitos de R$ 2.123.000,00 e R$ 3.171.000,00 em 16/06/2008 no  BRADESCO: à fl. 310 consta reprodução de extrato do BRADESCO  no qual os valores de R$ 2.123.000,00 e R$ 3.171.000,00 constam a  crédito  sob o histórico TRASNF VALOR ENTRE CONTA  e  a débito  sob  o  histórico  TED  TRANSF  ELET  DISP  *DEST  ROYSTER  SERVIÇOS S/A,  operações  também  refletida  à  fl.  485/486. Porém,  à  fl. 3039 somente constam como depósitos de origem não comprovada  os  primeiros  ingressos  de  R$  2.123.000,00  e  R$  3.171.000,00  no  BRADESCO, sem qualquer referência ao ingresso das transferências  de mesmo valor no PROSPER, porque a Fiscalização possivelmente  já havia constatado esta duplicidade;  · Depósitos  de  R$  2.500,00,  R$  100.000,00  e  R$  2.000.000,00  em  01/07/2008 no BIC:  à  fl.  133 consta extrato do BIC no qual os  três  depósitos  decorrentes  de  transferências  são  seguidos  de  débito  referente a TED­E no valor de R$ 2.102.610,20. Contudo, à fl. 3040  somente constam os três ingressos em BIC como depósitos de origem  não comprovada, não se verificando qualquer outro ingresso em outro  banco no valor de R$ 2.102.500,00, ou mesmo de R$ 2.102.610,20,  que pudesse evidenciar a alegada duplicidade;  · Depósito de R$ 154.000,00 em 07/08/2008 no BRADESCO: à fl. 322  consta reprodução de extrato do BRADESCO no qual há registro de  R$  154.000,00  a  crédito  sob  o  histórico  TRANSF.  VALOR  ENTRE  CONTA,  bem  como  a  débito  sob  o  histórico  ESTORNO  DE  LANÇAMENTO.  Observa­se,  ainda,  que  inexiste  qualquer  outra  operação  em  data  próxima  de  mesmo  valor,  sendo  válido,  assim,  concluir, que o depósito  foi, de fato, estornado. Contudo, o depósito  de  R$  154.000,00  consta  dentre  aqueles  que  se  prestaram  como  indício de omissão de receitas (fl. 3041), devendo ser promovida sua  exclusão da base tributável;  · Depósito de R$ 4.063.216,31 em 30/09/2008 no BIC: à fl. 134 consta  extrato  do  BIC  no  qual  o  valor  de  R$  4.063.216,31  consta  como  crédito  e  débito  em  30/09/2008,  sendo  o  débito  representado  por  parcelas  de  R$  863.216,00  e  R$  3.200.000,00.  Ocorre  que,  se  tais  débitos representam transferências para outra conta de titularidade da  recorrente,  esta  ocorrência  já  foi  considerada  Fiscalização,  porque  apenas  o  crédito  de  R$  4.063.216,31  consta  dentre  aqueles  que  se  prestaram  como  indício  de  omissão  de  receitas  (fl.  3042).  Assim,  inexiste duplicidade que demande retificação;  · Depósito de R$ 5.100.000,00 em 06/10/2008 no BIC: à fl. 135 consta  extrato  do  BIC  no  qual  o  valor  de  R$  5.100.000,00  consta  como  crédito  e  débito  em  06/10/2008,  sendo  o  débito  representado  por  parcelas  de  R$  100.000,00  e  R$  5.000.000,00.  Ocorre  que,  se  tais  débitos representam transferências para outra conta de titularidade da  recorrente,  esta  ocorrência  já  foi  considerada  Fiscalização,  porque  apenas  o  crédito  de  R$  5.000.000,00  consta  dentre  aqueles  que  se  Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.680          39 prestaram  como  indício  de  omissão  de  receitas  (fl.  3042).  Assim,  inexiste duplicidade que demande retificação;  · Depósito  de R$  80.000,00  em  11/12/2008  no BIC:  à  fl.  136  consta  extrato do BIC no qual o valor de R$ 80.000,00 consta como crédito e  débito em 11/12/2008, sendo o débito representado por parcelas de R$  25.000,00, R$ 25.000,00 e R$ 30.000,00. Ocorre que, se tais débitos  representam  transferências  para  outra  conta  de  titularidade  da  recorrente,  esta  ocorrência  já  foi  considerada  Fiscalização,  porque  apenas  o  crédito  de  R$  5.000.000,00  consta  dentre  aqueles  que  se  prestaram  como  indício  de  omissão  de  receitas  (fl.  3043).  Assim,  inexiste duplicidade que demande retificação;  Esclareça­se que apenas o depósito bancário decorrente de transferência entre  contas bancárias de mesma titularidade não se presta como indício de omissão de receita, visto  que sua origem é, à evidência, outra conta bancária do próprio sujeito passivo. Já o depósito  bancário que  antecede  a  transferência,  cuja origem é  externa,  não pode  ser descartado como  indício de omissão de receitas apenas porque seus valores foram posteriormente transferidos a  outra  conta  corrente  de  mesma  titularidade.  A  duplicidade  é  evitada  desconsiderando­se  o  segundo depósito, e não o primeiro que antecede a transferência, cuja origem externa deve ser  comprovada e vinculada a operação regularmente tributada ou não sujeita a tributação.   Assim, dentre as alegações resumidas na planilha apenas, apenas o depósito  de R$ 154.000,00 promovido em 07/08/2008, cujo estorno está demonstrado no correspondente  extrato bancário, deve ser excluído do montante de depósitos de origem não comprovada.  Retomando as alegações da recorrente na ordem apresentada, questiona ela o  procedimento  fiscal  acerca  das  transferências  cujos  depositantes  foram  identificados,  em  especial as corretoras de valores mobiliários NOVINVEST e PROSPER CVC, mormente tendo  em  conta  que  o  Fisco  tinha  conhecimento  do  recolhimento  de  tributos  sobre  as  receitas  declaradas  no  período.  A  contribuinte  também  questiona  o  procedimento  de  circularização  procedido  pela  autoridade  lançadora  e  as  conclusões  daí  extraídas,  argumentando  que  os  documentos  apresentados  pelas  pessoas  diligenciadas  constituem  provas  dos  negócios  realizados  e  origem  dos  créditos  bancários  questionados.  Destaca  a  compatibilidade  de  seu  objeto social com as operações realizadas, em sua maioria justificada pelos contratos de mútuo  apresentados.  As  relações  de  negócios  estariam  formalmente  registradas  na  documentação  integrante dos autos e revelam a forma de atuação econômica da autuada, sendo descabida a  busca por informações acerca dos pagamentos frente à sua opção pelo lucro presumido.  A  apreciação  destas  alegações  demanda,  inicialmente,  recordar  quais  documentos foram apresentados pela contribuinte no curso do procedimento fiscal:  · Extratos bancários de apenas um de seus estabelecimentos;  · Cópias de seus Estatutos Sociais e Balanço Patrimonial de 2008;  A contribuinte, optante pelo  lucro presumido, sequer possuía o Livro Caixa  ou  o  Livro  de  Registro  de  ISS,  e  também  não  apresentou  o  Livro  Razão,  apesar  de  ter  se  comprometido a fazê­lo. Deixou, ainda, de fornecer informações relativas a seus clientes e os  serviços a eles prestados, e alegou aguardar a entrega de extratos bancários pelas  instituições  Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.681          40 BIC e BRADESCO. Na sequência do procedimento fiscal, deixou de responder às intimações  fiscais para comprovação da origem dos depósitos bancários.  Neste  cenário,  a  identificação  dos  depositantes  e  a  existência  de  tributos  recolhidos sobre receitas declaradas em nada afetam a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96.  O §3º deste dispositivo estabelece que os  valores cuja origem houver  sido comprovada, que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem sujeitos, submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação  vigente  à  época  em  que  auferidos  ou  recebidos.  Porém,  a  comprovação  da  origem  se  faz  mediante apresentação da escrituração e de documentos coincidentes em datas e valores com  os depósitos questionados, ao passo que, como já dito, a contribuinte não apresentou seu Livro  Caixa nem as informações relativas a seus clientes e aos serviços a eles prestados. Assim, as  informações invocadas pela recorrente são vazias de conteúdo e não se prestam a desconstituir  a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada.  Inexiste, assim, vício material na determinação da base tributável, ou mesmo vício formal na  capitulação legal da infração.  Quanto  às  informações  obtidas  em  circularização  destaca­se  da  acusação  fiscal:  a)  as  corretoras  NOVINVEST  e  PROSPER  CVC  recusaram­se  a  fornecer  as  informações  requeridas  pelo  Fisco;  b)  STOCKLOS,  MACAR  e  SERGIO  GUARACIABA  MARTINS  REINAS  solicitaram  prorrogação  de  prazo,  mas  nada  apresentaram;  c)  LUCIO  BOLONHA  FUNARO  apenas  entregou  um  extrato  de  movimentação  de  mútuo,  onde  evidentemente o mesmo assina tanto como mutuante quanto como representante da mutuaria  (ROYSTER), sendo que tal documento, além de desprovido de qualquer formalidade, não pôde  ser  confrontado  com  a  escrituração  ou,  ao  menos,  o  Livro  Caixa,  que  deixaram  de  ser  apresentados pela fiscalizada, não bastasse o descompasso com os valores por ele informados  em sua DIRPF (diminuição do crédito em R$ 7 milhões contra o  recebimento  líquido de R$  13,3 milhões  no  período  fiscalizado);  d)  CINGULAR  apresentou  contrato  de  conta­corrente  entre as partes também despido de qualquer formalidade, assinado apenas por Lucio Bolonha  Funaro e que não pôde ser confrontado com o Livro Caixa que deixou de ser apresentado; e)  GALLWAY  apresentou  contrato  de  conta­corrente  e  contrato  de  investimento  despidos  de  qualquer  formalidade,  além  de  serem  insuficientes  para,  sequer,  justificar  o  pagamento  de  contas desta empresa a partir de contas bancárias da fiscalizada.  Inicialmente esclareça­se que as provas reunidas em diligências integraram a  fase  inquisitorial  do  procedimento  fiscal  e  assim  sua  ciência  ao  sujeito  passivo  somente  é  necessária  na  formalização  do  lançamento,  contra  o  qual  foi  possível  a  apresentação  de  recursos administrativos e regular exercício do direito de defesa. Contudo, para se contrapor às  conclusões  fiscais,  a  recorrente  limita­se  a  classificar  de  tendenciosos  os  fatos  narrados  e  a  afirmar  a  validade  das  provas  apresentadas  por  terceiros  para  demonstração  da  origem  dos  créditos  bancários  questionados,  olvidando  ser  seu  o  dever  de  apresentar  tal  documentação,  integrante  de  sua  escrituração  contábil/fiscal,  cuja  guarda  e  conservação  são  obrigatórias  na  forma do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 . A  falta  de  apresentação  destes  elementos  torna  inócua  a  argumentação  da  recorrente  acerca  da  regularidade dos serviços de agenciamento de negócios, cobrança e consultoria em finanças,  além  de  participação  em  outras  sociedades,  simples  ou  empresárias,  constante  de  seus  atos  constitutivos.   De  fato,  para  demonstrar  que  a  movimentação  financeira  de  expressivos  valores  pelas  contas  bancárias  de  titularidade  da  autuada  decorrem  de  contratos  de mútuo  Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.682          41 celebrados com pessoas jurídicas e com o sócio Lúcio Bolonha Funaro, a contribuinte deveria  não só apresentar os correspondentes contratos, como também documentos que os vinculassem  individualmente  a  cada  depósito  questionado  pelo  Fisco,  para  além  da  regular  escrituração  destas  operações,  ao  menos,  em  Livro  Caixa.  Elementos  desta  espécie  também  poderiam  sustentar sua alegação de que os pagamentos, objetos da circularização, foram realizados pela  autuada  em  razão  dos  contratos  firmados.  Mas,  ao  contrário,  os  contratos  invocados  pela  defesa,  que  seriam  referentes  a  empréstimos  para  capital  de  giro  com  Cingular  Fomento  Mercantil  Ltda  (fls.  2587/2589)  e  Gallway  S/A  Securitizadora  de  Créditos  Financeiros  (fls.  2602/2607), apenas enunciam genericamente que:  CLAUSULA PRIMEIRA ­ ESCOPO  1.1. O presente  Instrumento  tem por  finalidade a  realização de mútuos  sucessivos  entre as PARTES, em sistema de compensação, por meio de transferência bancária  ou  depósito  na  conta  a  ser  indicada  pelas  PARTES,  a  fim  de  atender  às  necessidades de capital de giro de suas atividades, na medida de suas necessidades.  CLAUSULA SEGUNDA ­ MOVIMENTAÇÃO  2.1. As solicitações referentes aos empréstimos supracitados poderão ser realizados  da forma que melhor convir às PARTES, seja por meio eletrônico, telefone, cartas  ou notificações.  2.2. Todos os  valores  entregues pelas PARTES, uma à outra,  dever  são objeto de  extrato  ou  relatório  anual,  assinado  pelas  PARTES,  para  realização  de  compensação,  balançou  e  liquidação  da  dívida  ao  término  do  presente,  que  passarão a fazer parte integrante deste Instrumento.  2.3. O saldo em  favor de uma das PARTES,  se  existente,  deverá  ser  liquidado na  forma prevista na Cláusula Quarta abaixo.  2.4.  A  qualquer  momento,  qualquer  das  PARTES,  em  verificando  que  o  saldo  devedor/credor ultrapassou o montante de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de  reais)  [com  CINGULAR  e  R$  5.000.000,00  com  GALLWAY],  poderá  dar  por  finalizado  o  presente Contrato,  sem prévio  aviso  e mediante  simples  comunicado,  sem qualquer prejuízo do pagamento do saldo devedor/credor na forma da Cláusula  Quarta abaixo.  CLÁUSULA TERCEIRA ­ PRAZO  3.1. O presente Instrumento terá início na data de sua assinatura e vigorará até o  fim do ano­calendário 2008,  salvo se prorrogado em comum acordo, por meio de  aditamento ao presente.  CLAUSULA QUARTA ­ LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO  4.1. Ao término do prazo estipulado na Cláusula Terceira, realizar­se­á balanço de  entradas e saídas das PARTES, a fim de se apurar eventual saldo devedor.  4.2. Em havendo saldo devedor, a Parte devedora quitará a dívida no prazo de 30  (trinta)  dias  corridos,  contados  do  término  da  vigência  deste  Instrumento.  Alternativamente,  as  Partes  deverão  celebrar  instrumento  de  confissão  de  dívida  que represente o crédito, com ajuste do prazo em forma de pagamento.  4.3 Em caso de prorrogação do Instrumento, o prazo para realização de balanço e,  consequentemente,  para  pagamento  do  valor  devido  será  automaticamente  prorrogado.  4.4 Os  valores poderão ser  corrigidos monetariamente pelo  índice  IGPM/FGV da  época do pagamento.  Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.683          42 Ainda que, abstraindo­se o significativo volume de recursos movimentados,  afaste­se  a  necessidade  de  registro  cartorário  de  tais  documentos  frente  à  assinatura  de duas  testemunhas,  como  invoca  a  recorrente,  tais  contratos  não  se  prestam,  isoladamente,  a  comprovar a origem dos depósitos bancários questionados, ainda o depositante deles seja parte.  De  fato,  sem  outro  documento  de  prova  da  vontade  das  partes,  e  sem  a  escrituração  correspondente,  não  há  como  vincular  os  depósitos  promovidos  por  tais  pessoas  jurídicas  à  relação  jurídica genericamente  estipulada nos  termos  acima, podendo os créditos decorrerem  de várias outras operações ou, até mesmo, representarem transferência de recursos de terceiros,  mormente frente à evidente confiança entre as partes que se permitem, sem maiores garantias,  o trânsito de créditos de tão representativa monta.   Com  referência  às  operações  com  Lucio  Bolonha  Funaro,  consta  às  fls.  2575/2579  documento  denominado  Extrato  de  Movimentação  de  Mútuo,  possivelmente  emitido  em  razão  de  contratação  semelhante  à  acima  demonstrada,  e  que  relata  diversos  créditos e débitos verificados entre as partes, em razão dos quais o saldo de R$ 16.285.690,00  em 31/12/2007 é reduzido a R$ 14.389.821,74 em 30/01/2008. Tal documento, porém, reporta­ se a, apenas, um mês de operações em 2008, e o único registro que possuiria alguma referência  documental  é  o  saldo  inicial  de  R$  16.285.690,00,  refletido  na  DIRPF  de  Lucio  Bolonha  Funaro. A Fiscalização, por sua vez, observou que as operações realizadas entre a fiscalizada e  Lucio Bolonha Funaro  representaram  o  crédito  líquido,  em  favor  do  sócio  administrador,  de  cerca de R$ 13,3 milhões, diversamente dos registros em DIRPF que revelaram a redução de  direitos de Lucio Bolonha Funaro em face da fiscalizada no montante de R$ 7 milhões. Além  disso,  recorde­se,  mais  uma  vez,  o  apontamento  fiscal  acerca  dos  efeitos  da  falta  de  apresentação da escrituração contábil ou, ao menos, do Livro Caixa para confirmação de tais  alegações.   Tais operações, mormente quando  realizadas  com pessoa  ligada, devem ser  revestidas  de  regular  comprovação,  coincidente  em  datas  e  valores,  que  permitam  avaliar  a  origem anterior dos valores entregues à pessoa jurídica, até porque muito antes da instituição  da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, a legislação tributária já consolidara  outra presunção  legal de omissão de  receita decorrente de  suprimentos  semelhantes, mas  em  caixa, nos termos do RIR/99:  Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte  ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá­la com  base  no  valor  dos  recursos  de  caixa  fornecidos  à  empresa  por  administradores,  sócios da sociedade não anônima,  titular da empresa individual, ou pelo acionista  controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não  forem comprovadamente demonstradas (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º,  e Decreto­Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).   Por  fim,  quanto  ao  contrato  firmado  com  Gallway  Projetos  e  Energia  do  Brasil  S/A  (fls.  2614/2620),  consta  ali,  apenas,  o  compromisso  da  fiscalizada  de  investir  o  montante de até R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) naquela empresa, de acordo com a  necessidade  desta,  para  desenvolvimento  de  seus  projetos  de  energia.  Nada,  no  referido  documento,  estipula  como  a  fiscalizada  promoverá  tais  investimentos,  e  nenhum  outro  elemento  foi  apresentado  para  evidenciar  sua  efetivação.  Nas  diligências  promovidas  pela  Fiscalização, constatou­se junto a Voith Hidro Ltda, Politécnica Comercial Elétrica Ltda, Sae  Towers Brasil Torres de Transmissão Ltda, Toshiba Infraestrutura America do Sul Ltda e Weg  Equipamentos  Elétricos  S/A,  o  recebimento  de  valores  pagos  pela  fiscalizada  em  razão  de  serviços e equipamentos fornecidos à Centrais Elétricas de Belém ­ CEBEL. Todavia, além de  Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.684          43 se tratar de informações prestadas por terceiros e não provas apresentadas pela fiscalizada, tais  evidências  estão  relacionadas  a pagamentos que  teriam sido promovidos pela  autuada,  e não  aos depósitos cuja origem não foi comprovada.   Claro  está,  assim,  que  as  relações  de  negócios  não  estão  formalmente  registradas na documentação integrante dos autos. E, esclareça­se: os questionamentos fiscais  que motivam a presunção de omissão de receitas foram direcionados aos depósitos bancários,  de  modo  que  as  alegações  da  recorrente  contrárias  à  busca  por  informações  acerca  dos  pagamentos  não  tem qualquer  relevo  neste momento. Em verdade,  as  referências  feitas  pela  Fiscalização  aos  pagamentos  verificados  nas  contas  bancárias  da  fiscalizada  prestaram­se,  especialmente, a evidenciar a conduta irregular do sócio­administrador Lucio Bolonha Funaro,  e  as  relações  entre  a  fiscalizada  e  as  demais  pessoas  jurídicas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal, parte delas também administradas por Lucio Bolonha Funaro.  A  recorrente  também  se  reporta  aos  documentos  de  fls.  3274/3283  e  3284/3339,  referentes  a  resposta  à  intimação  dirigida  à  diligenciada  PROSPER  CVC,  encaminhados por via postal e recebidos pela Fiscalização em 20/03/2013, depois da lavratura  do  lançamento  em  07/03/2013  e  da  sua  ciência,  por  via  postal,  em  19/03/2013.  Relata  a  Fiscalização que, intimada, PROSPER CVC requereu prorrogação de prazo para prestação das  informações  requeridas, mas  tal prazo  já havia expirado à época da lavratura do  lançamento.  Assim, os elementos tardios foram juntados aos autos depois da lavratura do lançamento,   Os documentos em referência consistem em extratos emitidos por PROSPER  CVC,  indicando  a  autuada  como  cliente,  e  enunciando,  a  partir  de  09/05/2008,  diversas  transferências para  e do BANCO PROSPER,  além de  registros decorrentes de  liquidação de  operações em bolsa, possivelmente vinculados a notas de corretagem juntadas na sequência. A  partir deles a contribuinte alega movimentações decorrentes de operações junto à carteira de  compra  e  venda  de  valores  mobiliários  de  negociação  na  Bolsa  de  Valores,  que  estariam  provados em Extratos de Contas Correntes do período de jan. a dez./2008 (fls. 3274/3283) e  Notas de Corretagem (fls. 3284/3339).   Registre­se  inicialmente  que  tais  alegações  não  foram  veiculadas  em  impugnação  e que  os  documentos  referenciados  foram  apresentados  por  terceiros  e  não  pela  fiscalizada. Em tal contexto, caberia à recorrente, minimamente, empenhar­se em justificar, por  meio  de  argumentos,  por  qual  razão  tais  elementos  poderiam  ser  tomados  como  prova  da  origem  dos  depósitos  bancários  questionados  pela  Fiscalização.  Nesse  sentido,  porém,  a  recorrente apenas aduz que os históricos bancários evidenciariam que os valores lançados de  ofício como omissão de receitas correspondem ao retorno de investimento, não submetidos a  incidência, exceto quanto aos ganhos líquidos, para os quais há tributação na fonte na forma do  art.  758  do  RIR/99,  e  foram  tributados  segundo  sua  opção  pelo  lucro  presumido.  No mais,  somente  apresenta,  em  tabela,  os  valores  que não  poderiam  ter  sido  submetidos  a  tributação  neste  lançamento.  Desta  tabela  toma­se  como  exemplo  os  depósitos  de  R$  888.948,88,  R$  42.050,00  e  R$  118.595,00,  verificados  no  Banco  Prosper  entre  09/05/2008  e  13/05/2008,  tendo  como  depositante  "Prosper  SA  Corretora  de  Valores  de  Câmbio"  e  vinculados  à  "operação"  de  "Aplicação",  ao  passo  que  no  extrato  enviado  por  PROSPER  CVC  consta,  apenas,  que  tais  valores  foram  TRANSF  PARA  O  BANCO  PROSPER,  não  sendo  possível  compreender  porque  o  depósito  de  valores  de  uma  corretora  de  valores  mobiliários  em  um  banco poderia representar uma "Aplicação", como indicado na tabela elaborada pela recorrente.  Todos os demais depósitos desta natureza relacionados no recurso voluntário às fls. 3606/3608  Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.685          44 e  vinculados  à  PROSPER  CVC  apresentam  as  mesmas  características,  insuficientes  para  se  compreender porque a recorrente entende que sua origem estaria comprovada.  Observa­se,  ainda,  que  na  referida  tabela  a  recorrente  também  agrega  recursos  provenientes  de  "Aplicação"  por NOVINVEST CVC,  apesar  de  inexistir  nos  autos  qualquer  referência  a  estas  operações,  dado  que  tal  corretora  sequer  atendeu  à  intimação  dirigida pela Fiscalização e, demais disso,  cumpriria à  recorrente apresentar  tais documentos  que certamente deveria deter caso fosse cliente daquela corretora.   Por  fim,  a  recorrente  relaciona  na  tabela  em  referência  depósitos  que,  em  razão  do  histórico TRANSF DA CTAN,  evidenciariam  retorno  de  aplicação, mormente  tendo  em conta a existência de outros registros, na mesma instituição financeira (Banco Prosper S/A),  sob  o  histórico  TRANSF  P  CTAN.  Tais  históricos,  porém,  não  apresentam  a  clareza  que  a  recorrente  vislumbra  e  não  se  prestam,  isoladamente,  a  suportar  sua  alegação.  Indispensável  seria  a  apresentação  dos  extratos  de  tais  aplicações  financeiras  para  se  confirmar, mediante  correspondência de datas e valores, que a origem dos depósitos  seria o  resgate de aplicações  financeiras mantidas naquela instituição.  Por certo, depósitos bancários decorrentes de empréstimos, de movimentação  transitória de recursos de terceiros ou de resgate de aplicações financeiras não se prestam como  indícios  para  presunção  de  omissão  de  receitas.  A  questão,  porém,  é  que  a  recorrente  não  provou  que  os  depósitos  questionados  pela  Fiscalização  teriam  origem  em  operações  desta  espécie. Alegar,  apenas, não basta, especialmente quando  tais operações sequer  foram objeto  de registro contábil ou fiscal.  Passando  à  determinação  do  lucro  tributável  a  partir  das  receitas  presumidamente omitidas, a recorrente defende que deveria ter sido respeitada sua opção pelo  lucro presumido. Contudo, como já exposto na decisão de 1ª instância, o art. 530, III do RIR/99  impõe: o  imposto, devido  trimestralmente, no decorrer do ano­calendário,  será determinado  com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar o Livro  Caixa, no caso de optante pelo lucro presumido desobrigado de manter escrituração comercial,  mas apenas o Livro Caixa integrado por toda a movimentação financeira, na forma do art. 527,  parágrafo  único,  do RIR/99. De  outro  lado,  nenhum vício  existe  em  se  afastar  a  opção  pelo  lucro presumido e admitir, como receita bruta declarada, os valores informados em DIPJ, assim  como tributos recolhidos aqueles apurados segundo aquela declaração. A DIPJ, produzida pelo  sujeito passivo, é prova das receitas por ele reconhecidas e submetidas a tributação, ainda que  não  apresentada  a  correspondente  escrituração.  Para  desconstituí­la,  cumpriria  ao  sujeito  passivo  demonstrar  a  origem  de  sua  movimentação  financeira  e  evidenciar  que  todas  as  operações  não  se  sujeitariam  a  tributação,  ou  então  que há  correspondência  entre  as  receitas  presumidamente  omitidas  e  aquelas  que  já  haviam  sido  submetidas  à  tributação,  para  assim  caracterizar  a  hipótese  do  art.  42,  §2º  da  Lei  nº  9.430/96.  Ausente  qualquer  demonstração  documental  neste  sentido,  as  receitas  provadas  por  declaração  do  sujeito  passivo  e  por  presunção são somadas para determinação dos tributos segundo o regime de tributação a que  estiver submetida a pessoa jurídica no período­base e não segundo o regime de tributação pelo  qual a contribuinte optou. Neste sentido é a Lei nº 9.249/95:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor  do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a  que  estiver  submetida  a  pessoa  jurídica  no  período­base  a  que  corresponder  a  omissão.  Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.686          45  § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base  no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a  que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o  percentual mais elevado.   §  2º  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  da  contribuição  para  a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  os  Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público  ­ PIS/PASEP.  Por  todo  o  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de DAR PROVIMENTO  PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos, para excluir das bases  tributáveis, apenas, o depósito de R$ 154.000,00 promovido em 07/08/2008.  Com referência ao agravamento da penalidade, a contribuinte aduz não ter se  verificado  a  alegada  falta  de  apresentação  de  informações  à  autoridade  fiscal,  dadas  as  petições apresentadas pela contribuinte durante do procedimento fiscal, por meio das quais se  demonstrou a conduta de sempre colaborar com o trabalho da Fiscalização, somente não sendo  atendidas as intimações nas datas aprazadas em razão da mora das instituições financeiras em  lhe fornecer os extratos bancários.   A  jurisprudência  deste  Conselho  está  consolidada  contrariamente  ao  agravamento  da  penalidade  em  caso  de  arbitramento  dos  lucros,  caso  o  agravamento  seja  motivado,  apenas,  pela  falta  de  apresentação  de  livros  e  documentos  que  ensejaram  o  arbitramento dos lucros:  Súmula  CARF  nº  96:  A  falta  de  apresentação  de  livros  e  documentos  da  escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa  omissão motivou o arbitramento dos lucros.  No  presente  caso,  o  arbitramento  dos  lucros  foi  motivado  pela  falta  de  apresentação do Livro Caixa. Porém, como bem relata a autoridade lançadora, desde o início  do procedimento fiscal, em 26/03/2012, exigiu­se do sujeito passivo seus extratos bancários e  informações  sobre  seus  maiores  clientes  e  especificação  dos  serviços  prestados.  Depois  de  concedida  a primeira prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou apenas extrato de uma  instituição  financeira  e  requereu  nova  prorrogação  de  prazo,  sem  apresentar  qualquer  justificativa razoável para tal extensão de prazo, principalmente para itens que independiam  de  terceiros. Novamente  intimada  em 17/05/2012,  a  contribuinte  apresentou  apenas  contrato  social e alterações e prometeu apresentar o Livro Razão em novo prazo de 15  (quinze) dias,  findo o qual alegou estar impossibilitada de entregar os documentos por depender de terceiros  (como instituições financeiras). Em 18/06/2012 foi  lavrado termo de constatação e intimação  fiscal  de  fls.  108/111  para,  segundo  a  Fiscalização,  registrar  a  negligência,  o  caráter  protelatório  das  atitudes  do  contribuinte  no  curso  da  ação  fiscal  e  a  sua  sujeição  às  consequências  legais  cabíveis. Neste  documento  a  Fiscalização  frisa  a  ausência  de  qualquer  justificativa  para  a  falta  de  apresentação  não  só  do  Livro  Caixa,  como  também  do  Livro  Registro de ISS e das informações relativas a seus clientes.  Este  contexto  evidencia  que  o  sujeito  passivo  limitou  suas  respostas  aos  extratos  bancários  e  ao  Livro  Caixa  exigidos  desde  o  início  do  procedimento  fiscal,  nada  dizendo  acerca  do  Livro  Registro  de  ISS  e  das  informações  relativas  a  seus  clientes.  Esta  conduta omissiva já seria suficiente para caracterizar o não atendimento pelo sujeito passivo,  Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.687          46 no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, hipótese que na forma do art.  44, §2º, inciso I, autoriza o agravamento da penalidade em 50%.   Para além disso, depois de obtidas as informações das instituições financeiras  via RMF, a Fiscalização novamente intimou o sujeito passivo, agora para comprovar a origem  dos depósitos bancários (fl. 633), mas não obteve resposta. A contribuinte limitou­se a requerer  dilação  de  prazo,  que  foi  parcialmente  concedida  (fl.  654/656),  sem  que  houvesse  qualquer  outra manifestação no novo prazo marcado.   Evidente, assim, a desídia do sujeito passivo durante o procedimento fiscal.  Claramente sua conduta não foi de sempre colaborar com o trabalho da Fiscalização, e isso não  só  em  relação  ao  Livro  Caixa  que  motivou  o  arbitramento,  como  também  em  relação  às  informações  de  seus  clientes  e  receitas  declaradas,  além  da  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários. Tais  circunstâncias  são  suficientes  para manutenção  do  agravamento  da  penalidade ainda que fosse possível admitir, como quer a recorrente, que ela não teria a guarda  dos  extratos  bancários  e  dependeria  da  presteza  das  instituições  financeiras  para  atender  às  exigências  fiscal,  ou  mesmo  estaria  exercendo  o  direito  constitucional  de  não  se  auto  incriminar ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada.  Esclareça­se,  ainda,  que  a hipótese de  agravamento  está  explicitada  em  lei,  sem  que  ali  se  cogite  de  análise  valorativa  dos  efeitos  do  descumprimento.  De  toda  sorte,  mesmo  admitindo­se  a  pretensão  de  que  seja  examinado,  à  luz  do  caso  concreto,  o  grau  de  desvalor  da  ação,  basta  observar  que  o  procedimento  fiscal,  tendo  por  referência  o  ano­ calendário 2008, teve início em 04/04/2012 e somente foi concluído em 19/03/2013, depois de  ampla investigação perante terceiros determinada pela falta de colaboração do sujeito passivo e  que,  ao  final,  resultou  na  presunção  de  omissão  de  receitas  extensamente  questionada  pela  recorrente, bem como na reunião de provas da vinculação do sócio administrador às infrações  cometidas pela contribuinte. Logo, nada há de involuntário na sua conduta. A postura adotada  pela  contribuinte  e  seu  representante  legal  dificultou  sobremaneira  o  procedimento  fiscal  e  possivelmente  almejava  o  decurso  do  prazo  decadencial,  a  ocultação  da  responsabilidade  tributária do  sócio  administrador  e  a  instituição  de dúvida  sobre o  lançamento que,  ao  final,  precisou de valer da transferência de sigilo bancário e de presunção legal.   Estas  as  razões,  portanto,  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário relativamente ao agravamento da penalidade.  Por fim, a recorrente se opõe à aplicação de juros de mora sobre a multa de  ofício. Tal matéria,  porém,  não  foi  impugnada,  devendo  ser  renovado o  entendimento  assim  firmado por este Colegiado no Acórdão nº 1302­001.722:  Essa matéria não foi trazida ao litígio instaurado pela impugnação interposta pela  contribuinte,  sendo  insuscetível  de  ser  apreciada  por  este  órgão  colegiado  de  segunda  instância,  consoante  dispõe  o  artigo  17  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  disciplina o processo administrativo fiscal – PAF:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de  efeito)  Enriqueço  esse  voto  com  a  ementa  do  Acórdão  nº  01­03.351/01,  prolatado  pela  Câmara Superior de Recursos Fiscais:  Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.688          47 MATÉRIA  PRECLUSA  –  O  julgamento  administrativo  inicia­se  com  o  exame  do  lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por  parte do sujeito passivo. Admitida a  legalidade do ato, questões não provocadas a  debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento  administrativo,  com  a  apresentação  da  petição  impugnativa  inicial,  constituem  matérias  preclusas  das  quais  não  pode  o  Conselho  tomar  conhecimento,  por  afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo  Administrativo  Fiscal.  O  não  enfrentamento  da  matéria  na  inicial  implica  em  concordância  tácita  do  contribuinte  com  a  tributação  do  valor  omitido,  sendo  “extra  petita”  a  decisão  que  afasta  a  exigência.  Recurso  de  ofício  provido.  (grifos  não  pertencem ao original)   Assim, NEGA­SE CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à  aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício.  O presente voto, portanto, além de REJEITAR o pedido de sobrestamento e a  arguição  de  nulidade  do  lançamento,  e  NEGAR  CONHECIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, resulta em PROVIMENTO  PARCIAL ao  recurso voluntário,  apenas para  excluir  das bases  tributáveis o depósito de R$  154.000,00 de 07/08/2008.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora  Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.689          48 Voto Vencedor  Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Redator designado  Em  que  pese  o  bem  elaborado  e  fundamentado  voto  da  ilustre  Relatora,  durante  as  discussões  ocorridas  por  ocasião  do  julgamento  do  presente  litígio  surgiu  divergência,  que  levou o  colegiado  a  conclusão  diversa  quanto  ao  agravamento  da multa  de  ofício.  Tendo  me  alinhado  à  divergência  suscitada  pelo  D.  Conselheiro  Alberto  Pinto, recebi a designação para redigir o presente voto vencedor.  Na  situação  examinada,  entendeu  a  maioria  do  colegiado  que  o  sujeito  passivo fiscalizado não permaneceu inteiramente inerte quanto ao atendimento às solicitações  da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados.   E,  quanto  às  omissões  a  que  deu  causa,  estas  foram  inteiramente  supridas  pela fiscalização mediante a aplicação da legislação pertinente, quais sejam:   i)  Requisição  de  Movimentação  Financeira  ­  RMF  diretamente  às  instituições financeiras, em face da não apresentação de extratos solicitados; e   ii)  arbitramento  do  lucro  em  face  da  não  apresentação  dos  livros  e  documentos contábeis e fiscais solicitados.  Com  efeito,  ao  não  entregar  os  extratos  bancários  solicitados  ­  (entregou  apenas  o  do  Banco  Prosper)  ­,  embora  tenha  pedido  prorrogações  de  prazo  para  fazê­lo,  o  contribuinte deu azo a que a fiscalização requisitasse diretamente às instituições financeiras os  extratos e outros documentos que permitiram identificar a movimentação financeira com vistas  a apurar eventual omissão de receitas por parte da interessada.  No mesmo sentido, ao silenciar e deixar de identificar a origem dos recursos  depositados  ou  creditados  em  suas  contas  bancárias  a  interessada  teve  contra  si,  como  consequência imediata, a aplicação da presunção de omissão de receitas, prevista no art. 42 da  Lei nª 9.430/1996 com base nos créditos de origem não comprovada  No tocante à não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais, a  fiscalização, corretamente, lançou mão do arbitramento do lucro como forma de apuração das  bases tributáveis para o lançamento dos tributos.  Por  fim,  a  apuração dos  fatos  relativos  à  imputação da  responsabilidade  do  sócio também foi devidamente suprida pelos elementos obtidos pelo Fisco, especialmente pela  obtenção dos documentos bancários,  via RMF,  e das diligências  realizadas  junto  a  terceiros,  que independiam da atuação e colaboração da interessada.  Desta  feita,  não  se  vislumbrou  a  existência  de  elementos  circunstanciais  suficientes para justificar o agravamento da multa de ofício.  Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/2013­18  Acórdão n.º 1302­001.805  S1­C3T2  Fl. 3.690          49 Por  todo  o  exposto,  a  decisão  do  colegiado,  em  sua  maioria,  é  pelo  provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o agravamento da penalidade.    (documento assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Redator designado                Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO

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Numero do processo: 16327.000872/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Eduardo Borges, OAB/SP nº 153881. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno. Recurso voluntário provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Eduardo Borges, OAB/SP nº 153881. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao  recurso voluntário.  Fez  sustentação oral,  pela Recorrente,  o(a)  advogado(a) Eduardo Borges,  OAB/SP nº 153881.     Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araujo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima, Winderley Morais  Pereira,  Cassio  Shappo,  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.  Relatório  Trata o presente processo de auto de  infração  lavrado contra  a  contribuinte  acima  identificada,  constituindo  crédito  decorrente  do  Imposto  de  Importação  e  do  Imposto  sobre Produtos Industrializados ­ IPI, acrescido de juros e de multas, proporcional e isoladas.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  Relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  Em 18/10/05 foi dada ciência ao contribuinte da Intimação FM  n°  200500129­7,  fl.  16,  dando  início  a  procedimento  de  fiscalização sobre valores relativos a contrato de royalties.  Após  várias  intimações e com base nas  informações  fornecidas  pela  impugnante, a  fiscalização concluiu que a interessada não  incluiu no valor aduaneiro valores pagos a título de royalties.  Através  do  auto  de  infração  de  fls.  01  a  294,  cobraram­se  as  diferenças de II, IPI, juros de mora e multas de ofício.  Intimada do Auto de Infração em 19/06/2006  (fls.  72  e 181),  a  interessada  apresentou  impugnação  e  documentos  em  18/07/2006,  juntados  às  folhas  295  e  seguintes,  alegando  em  síntese:  1. Alega que é inaplicável o art. 8° do AVA ao caso em tela pois  a  Nota  do mesmo  art.  8°  explica  que  não  integram  a  base  de  cálculo na importação os royalties sobre produtos produzidos no  país. Cita Opiniões Consultivas do Comitê Técnico de Valoração  Aduaneira da O.M.A.  2.  Alega  que  o  contrato  que  embasa  a  autuação  não  tem  por  escopo  a  importação  de  produtos  para  revenda  direta,  mas  apenas  o  licenciamento  de  tecnologia  para  que  a  impugnante  possa produzir no Brasil produtos para serem revendidos. Alega  que tal contrato não prevê a condição de venda de pagamento de  royalties pelo direito de revender produtos importados.  3. Alega que não há vinculação entre os royalties remetidos ao  exterior e as declarações de importação elencadas.  4.  Requer,  por  fim,  que  seja  julgado  improcedente  a  presente  autuação.  É o relatório.  Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/2006­29  Acórdão n.º 3201­002.050  S3­C2T1  Fl. 641          3   A 2ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em São  Paulo  II  julgou  improcedente  a  impugnação,  proferindo  o  Acórdão  DRJ/SP2  n.º  17­37.529,  de  20/01/2010 (fls. 486 e ss.).    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004  VALOR ADUANEIRO. CONDIÇÃO DE VENDA. ROYALTIES.  Método do valor de transação. Ao preço efetivamente pago ou a  pagar deve ser acrescentado o valor dos royalties relacionados  às  mercadorias,  que  o  comprador  deva  pagar,  direta  ou  indiretamente, como condição de venda.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.  512/527, por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa argumentos já delineados em sua  impugnação.   O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  O  cerne  da  questão  diz  com  a  inclusão,  nas  bases  de  cálculo  do  II  e  do  IPI  vinculado à importação, dos royalties pagos em face de importações realizadas pela Recorrente  (produtos  licenciados:  sistemas  de  poliuretanos  e  produtos  para  embalagem  a  base  de  laminados de espuma).  O fundamento legal da exação é o art. 1° do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA, aprovado pelo Decreto nº 1.355, de 1994, combinado com o art. 8º, que prevê o ajuste  do valor aduaneiro com os royalties quando estes são condição de venda:  “Artigo 1  1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de  transação,  isto  é,  o  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar  pelas  mercadorias,  em  uma  venda  para  exportação  para  o  país  de  importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8,  desde que:  Artigo 8  Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições  do  Artigo  1,  deverão  ser  acrescentados  ao  preço  efetivamente  pago ou a pagar pelas mercadorias importadas:  (...)  (c)  royalties  e  direitos  de  licença  relacionados  com  as  mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar,  direta  ou  indiretamente,  como  condição  de  venda  dessas  mercadorias,  na  medida  em  que  tais  royalties  e  direitos  de  licença não estejam  incluídos no preço efetivamente pago ou a  pagar;  (...)  3.  Os  acréscimos  ao  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar,  previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados  objetivos e quantificáveis.” (g.n.)    Intimada  a  apresentar  esclarecimentos,  a  Recorrente  apresentou  planilhas  nas  quais  estão  registrados  dados  referentes  às  mercadorias  importadas  –  posteriormente  revendidas na mesma forma em que ingressaram no país –, para às quais houve pagamento de  royalties em função dessas vendas no mercado interno.  Em sua defesa, sustenta a Recorrente inaplicável ao caso o disposto no art. 8° do  AVA,  uma  vez  que  a  Nota  ao  mesmo  dispositivo  preveria  que  os  royalties  sobre  produtos  produzidos no país não  integram a base de cálculo dos  tributos aduaneiros. Eis a  redação da  Nota ao Artigo 8:  Parágrafo 1(c)  1. Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo l (c)  do Artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a  patentes, marcas registradas e direitos de autor.  No  entanto,  na  determinação  do  valor  aduaneiro,  os  ônus  relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no  país  de  importação  não  serão  acrescentados  ao  preço  efetivamente pago ou a pagar por elas.  2.  Os  pagamentos  feitos  pelo  comprador  pelo  direito  de  distribuir  ou  revender  as  mercadorias  importadas  não  serão  acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso  não  sejam  tais  pagamentos  uma  condição  da  venda,  para  exportação  para  o  país  de  importação  das  mercadorias  importadas. (g.n.)    Ao analisar as cláusulas encartadas no contrato celebrado entre a Recorrente e o  exportador no exterior, entendeu a fiscalização que os royalties foram cobrados como condição  de  venda  para  o  país  de  importação,  vale  dizer,  não  foram  exigidos  apenas  para  o  caso  de  produção  no  território  nacional,  mas  também  de  venda,  tal  como  foram  importados.  Vale  transcrever, a respeito, o seguinte fragmento da decisão recorrida:  Ao contrário do alegado pela impugnante, o contrato de royaties  apresentado  prevê  a  hipótese  de  pagamento  em  casos  de  produtos  fabricados  no  Brasil  mas  também  de  revenda  de  produtos importados.  Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/2006­29  Acórdão n.º 3201­002.050  S3­C2T1  Fl. 642          5 À  fl.  52,  sexto  parágrafo,  o  contrato  cita:  "CONSIDERANDO  que a TDCC está disposta a fornecer à LICENCIADA produtos,  tecnologia de processo e suporte contínuo aos mesmos; ". Assim,  diferencia­se produtos de tecnologia de processos.  O  art.  1.01  cita  os  "PRODUTOS  LICENCIADOS"  que  a  "LICENCIADA está autorizada a produzir e vender... "  O  art.  1.03  cita  os  "NOVOS PRODUTOS  LICENCIADOS",  os  quais  estariam  "autorizados  pela TDCC para  produção,  venda  e/ou promoção de vendas... "  O  art.  1.11,  fl.  54,  define  "VENDAS  COMERCIAIS"  como  a  soma  das  vendas  comerciais  mais  as  transferências  para  AFILIADAS.  O art. 2.01,  fl. 55, explicita que os "DIREITOS DE PATENTE"  aplicam­se  na  "produção,  uso  e  venda"  dos  produtos  licenciados.  O  art.  2.02,  fl.  55,  explicita  que  a  "TDCC  concede  à  LICENCIADA  o  direito  de  estender  à  seus  clientes  de  PRODUTOS  LICENCIADOS  e  presumíveis  NOVOS  PRODUTOS  LICENCIADOS  dentro  do  TERRITÓRIO,  imunidade  sob  os  acima  citados  DIREITOS  DE  PATENTE,  TECNOLOGIA, e MELHORAMENTOS TECNOLÓGICOS, para  usar e revender os produtos licenciados ao amparo do presente  instrumento, que foram adquiridos pela LICENCIADA.  Vários são os excertos que citam a possibilidade de venda dos  produtos com tecnologia licenciada, sem qualquer explicitação  de  que  tais  produtos  são  os  exclusivamente  fabricados  no  Brasil. De outro modo, em nenhum momento são excluídos do  contrato  os  produtos  simplesmente  importados  e  revendidos  pela impugnante.  Pondo fim a qualquer dúvida nesse sentido, a própria planilha  apresentada  pela  impugnante,  relaciona  os  produtos  importados pela mesma, não fabricados no Brasil, e que estão  sujeitas  ao  pagamento  de  royalties.  Dessa  forma,  afasta­se  qualquer  tentativa  de  interpretação  que  restrinja  o  alcance  do  contrato apenas aos produtos fabricados no Brasil.  Também da leitura do contrato, fica claro que tais royalties são  de fato uma condição de venda.  O art. 3°,  fl. 56, afirma: “3.01 Como compensação às  licenças  concedidas  sob  os  Parágrafos  2.01  e  2.02,  a  LICENCIADA  pagará à TDCC um percentual de suas VENDAS COMERCIAIS  dos  PRODUTOS  LICENCIADOS  e  dos  NOVOS  PRODUTOS  LICENCIADOS, igual ao seguinte: (a) ROYALTY ESPECÍFICO  POR PRODUTO e (b) ROYALTY DE APÔIO.” (g.n.)    Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     6 Ocorre  que,  no  nosso  entendimento,  essa  informação  –  a  venda,  no  mercado  interno,  dos  produtos  licenciados,  sem  que  tenha  sido  submetido  a  um  processo  de  industrialização – parece­nos absolutamente irrelevante para a solução do litígio.  Isso  porque,  embora  a  licença  tenha  sido  conferida  à  Recorrente  para  a  produção,  o  uso  e  a  venda  dos  produtos  licenciados  (e  também  de  processo  licenciado,  embora  não  seja  o  caso!),  o  pagamento  dos  royalties  só  se  tornou,  no  caso,  devido  quando  houve a venda no mercado interno. É o que se extrai do contrato celebrado entre ambos, o qual  estabelece,  como  referência  para  o  pagamento  dos  royalties,  um  percentual  sobre  as  vendas  realizadas pela Recorrente:  ARTIGO 3 ­ DOS PAGAMENTOS  3.01  Como  compensação  às  licenças  concedidas  sob  os  Parágrafos  2.01  e  2.02, a LICENCIADA pagará  à TDCC um  percentual de suas VENDAS COMERCIAIS dos PRODUTOS  LICENCIADOS e  dos NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS,  igual ao seguinte:  (a) ROYALTY ESPECIFICO POR PRODUTO e  (b) ROYALTY DE APÔIO.  O  ROYALTY  DE  APÔIO  e  o  total  de  ROYALTIES  ESPECIFICOS POR PRODUTO aplicáveis  à  cada PRODUTO  LICENCIADO  e  NOVO  PRODUTO  LICENCIADO,  e  o  ROYALTY  DE  APÔIO  para  cada  PLATAFORMA  DE  NEGÓCIOS,  encontram­se  estipulados no Anexo A ao presente  instrumento, o qual será alterado no tocante a qualquer NOVO  PRODUTO LICENCIADO mediante autorização da TDCC.  (...)  3.04 A LICENCIADA deverá manter registros precisos de todas  as VENDAS COMERCIAIS de PRODUTOS LICENCIADOS e  de  NOVOS  PRODUTOS  LICENCIADOS,  e  ainda  quanto  ao  uso  de  NOVOS  PROCESSOS  LICENCIADOS,  conforme  forem  adotados  relativamente  aos  mesmos,  para  a  pronta  constatação  de  suas  obrigações  de  pagamento  de  royalties  ao  amparo  do  presente  Contrato.  A  LICENCIADA  deverá  providenciar relatórios separados para a TDCC no último dia de  Maio,  Agosto,  Novembro  e  Fevereiro  de  cada  ano  calendário  correspondente ­ ou anteriormente as citadas datas ­ mostrando  as VENDAS COMERCIAIS de PRODUTOS LICENCIADOS, de  NOVOS  PRODUTOS  LICENCIADOS,  incluindo  PRODUTOS  LICENCIADOS  e  /ou  NOVOS  PRODUTOS  LICENCIADOS  fabricados  através  da  colocação  em  prática  de  um  NOVO  PROCESSO  LICENCIADO,  tudo  em  conformidade  com  as  licenças  concedidas  ao  amparo  deste  instrumento,  durante  qualquer  trimestre  calendário  precedente,  e  ainda  o  royalty  devido, se for o caso. (g.n.)    Portanto,  se  a  Recorrente  importou  determinado  produto  licenciado  e  o  usou,  consumiu,  no  seu  próprio  estabelecimento,  não  pagou  royalties  em  decorrência  dessa  importação.  Isso  porque  pagamento  só  houve  quando  o  produto  foi  vendido  no  mercado  interno.  Fl. 646DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/2006­29  Acórdão n.º 3201­002.050  S3­C2T1  Fl. 643          7 Nesse  contexto,  muito  embora  os  royalties  se  relacionem  com  os  produtos  licenciados objeto da valoração, é de se concluir que o pagamento desse direito não constituiu  uma  condição  da  venda  para  a  exportação  para  o  país  de  importação  das  mercadorias  importadas. A Recorrente poderia,  sim –  tal  como,  a propósito,  o  fez –  adquirir  os produtos  licenciados  sem  pagar  os  royalties,  porque  isso  somente  ocorreria  –  tal  como,  a  propósito,  ocorreu – quando os vendesse no mercado interno.  Apesar de não se referir a uma situação idêntica àquela aqui examinada, já que o  pagamento dos royalties é realizado, na hipótese nela tratada, a uma terceira pessoa diferente  do  exportador  no  exterior,  a  Opinião  Consultiva  nº  4.2  do  Comitê  de  Valoração Aduaneira  (OMC),  divulgada  através  da  Instrução  Normativa  SRF  nº 318, de 4  de  abril  de  2003,  estabelece que,  quando  o  pagamento  não  decorre de  uma obrigação  derivada do  contrato  de  venda, mas  de  uma  obrigação  decorrente  da  venda  no  país  de  importação,  os  royalties  não  devem  ser  acrescidos  ao  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar  na  determinação  do  valor  aduaneiro. Confira­se:  Opinião consultiva 4.2  ROYALTIES  e  direitos  de  licença  segundo  o  Artigo  8.1  c)  do  Acordo  Um  importador  adquire  de  um  fabricante  discos  fonográficos  que contêm obra musical. Segundo as leis do país de importação,  o importador, quando revende os discos, deve pagar um royalty  de  3%  do  preço  de  venda  a  uma  terceira  parte,  o  autor  da  composição musical, detentor do direito autoral. Nenhuma parte  do royalty reverte direta ou indiretamente ao fabricante, nem se  lhe transfere como conseqüência de uma obrigação derivada do  contrato  de  venda.  O  royalty  deve  ser  acrescido  ao  preço  efetivamente pago ou a pagar?  O  Comitê  Técnico  de  Valoração  Aduaneira  emitiu  a  seguinte  opinião:  O royalty não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou  a  pagar  na determinação do  valor aduaneiro; o  pagamento do  royalty  não  constitui  uma  condição  da  venda  para  exportação  das  mercadorias  importadas, mas  decorre  de  uma  obrigação  legal  do  importador de  pagar  ao  possuidor  do  direito  autoral,  quando os discos forem vendidos no país de importação.    Concluindo,  os  royalties  pagos  pela Recorrente  ao  exportador  em  decorrência  das  vendas  no  mercado  interno  não  devem  ser  acrescidos  à  base  de  cálculo  dos  tributos  aduaneiros.  Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário.   É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza              Fl. 647DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     8                 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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6322231 #
Numero do processo: 13830.721812/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento. . (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA;
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13830.721812/2012­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.159  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPF ­DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.    Recorrente  ANESIA TONIOLO FONTÃO FERRAZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS  CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS.  COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO.  A  apresentação  de  recibos  médicos,  corroborados  por  Laudos,  fichas  e  Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos  capazes  de  macular  a  idoneidade  de  aludidos  documentos  declinados  e  justificados  pela  fiscalização,  é  capaz  de  comprovar  a  efetividade  e  os  pagamentos  dos  serviços  médicos  realizados,  para  efeito  de  dedução  do  imposto de renda pessoa física   Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao  recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento.  .  (Assinado digitalmente)  MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)   JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA  BARBOSA  (Presidente),  JUNIA  ROBERTA  GOUVEIA  SAMPAIO,  PAULO  MAURÍCIO  PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA,  JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 18 12 /2 01 2- 11 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     2 (Suplente  convocado),  MARTIN  DA  SILVA  GESTO,  WILSON  ANTÔNIO  DE  SOUZA  CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA;  Relatório  Adoto  o  bem  lançado  relatório  elaborado  pela  Delegacia  Reginal  de  Julgamento ­ DRJ­RJO:        "Trata­se  de Notificação  de Lançamento  em  nome do  sujeito  passivo  em epígrafe, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração  de Ajuste Anual (DIRPF) do exercício 2011, ano­calendário 2010, em  que  foi  efetuada  glosa  no  valor  de  R$  20.500,00  relativa  a  dedução  indevida de despesas médicas e glosa no valor de R$ 3.272,86 relativa  a  dedução  indevida  de  Previdência  Privada  e  Fapi,  por  falta  de  atendimento à Intimação.  2.  Em  decorrência  deste  lançamento,  apurou­se  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  suplementar  de  R$  6.537,54,  multa  de  ofício  de  R$  4.903,15,  além  de  juros  de  mora  de  R$  816,53  (calculados  até  29/06/2012), totalizando o crédito no valor de R$ 12.257,22.  Da Impugnação  3. Inconformado, o interessado contestou o lançamento em 04/07/2012,  através do instrumento de fls 2 e anexos, argumentando em síntese:  3.1 O valor de R$ 20.500,00 refere­se a despesas médicas do próprio  contribuinte.  3.2  O  valor  de  R$  3.272,86  refere­se  a  pagamento  efetuado  à  Previdência Privada ou Fapi do contribuinte e o montante deduzido a  este título não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados.  3.3  Anexa  declaração  emitida  por  Celina  Maria  da  Silva  Ferraz  no  valor de R$ 17.000,00 referente a serviços ondontológicos prestados à  contribuinte, recibos emitidos por Cid Ferraz no  total de R$ 3.500,00  relativo  a  serviços  odontológicos  e  comprovante  de  rendimentos  no  qual  consta  a  contribuição  à  Previdência  Privada  no  valor  de  R$  3.272,86.  4.  Os  autos  foram  encaminhados  a  DRF  de  origem  para  revisão  do  lançamento, uma vez que não houve atendimento à intimação prévia.    Revisão do Lançamento    5. Com base no artigo 6º A da Instrução Normativa RFB nº 958/2009,  com  redação  dada  pela  IN  RFB  nº  1.061  de  04/08/2010,  a  documentação  apresentada  na  impugnação  foi  analisada  pela  autoridade lançadora.  6.  O  Termo  Circunstanciado  às  fls.  70/73  informa  que  ficou  comprovada a despesa com Previdência Privada, portanto restabelece  a dedução a esse título no valor de R$ 3.272,86.  Quanto  às  despesas  médicas  informa  que  analisando  os  documentos  apresentados constatou­se  que  a  contribuinte  mantém  vínculo  familiar  com  os  prestadores  de  serviços.  A  dentista  Celina  é  sua  nora  e  o  dentista  Cid  é  seu  filho  e  ambos exercem suas atividades profissionais na cidade de São Paulo,  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/2012­11  Acórdão n.º 2202­003.159  S2­C2T2  Fl. 3          3 enquanto  a  fiscalizada  reside  em  Pompéia,  400  km  de  distância.  Através do TIF de 17/01/14 (fls. 21/22) foi solicitado os comprovantes  dos efetivos desembolsos  financeiros para os pagamentos dos  recibos  de  despesas,  os  comprovantes  da  efetiva  utilização  dos  serviços  prestados e o local aonde o atendimento era realizado. A Contribuinte  apresentou  resposta  informando  que  os  pagamentos  eram  realizados  em espécie,  que o  tratamento  foi  realizado na cidade de São Paulo  e  anexa extratos do Banco do Brasil, relatório dos dentistas e 16 chapas  radiográficas.  No  entanto,  através  dos  extratos  apresentados  não  ficaram  comprovados  os  pagamentos.  Assim,  foi  mantida  a  glosa  de  despesa médica no valor de R$ 20.500,00 por falta de comprovação do  efetivo pagamento dos serviços e por falta de comprovação da efetiva  utilização dos serviços.  7.  Foi  efetuada  nova  tabela  de  cálculo,  obtendo­se  um  imposto  suplementar devido de R$ 5.637,51.  8.  Assim,  foi  emitido  o  Despacho  Decisório  nº  022,  fl.  74,  em  11/11/2014,  que  deferiu  a  solicitação  de  cancelamento  parcial  da  exigência.  9. A Interessada tomou ciência da decisão em 17/11/2014 e apresentou  manifestação de inconformidade, fls. 76/77, em 11/12/2014, alegando,  em síntese:  9.1  Entende  que  em  conformidade  com  o  inciso  II  do  art.  5º  da  Constituição  Federal  a  recorrente  tem  o  direito  de  proceder  ao  tratamento dentário onde melhor lhe convier,  pois no presente caso foi escolhida a cidade de São Paulo, levando­se  em conta a  especialidade do  filho  e da nora. Ao  invés de pagar pelo  tratamento  a  um  dentista  estranho  pagou  à  nora  e  ao  filho,  além  de  haver  ficado  hospedada  gratuitamente  na  casa  destes.  Não  existe  nenhum  dispositivo  legal  que  impeça  que  filhos  e  noras  prestem  serviços  aos  genitores,  mesmo  com  pagamento  de  honorários.  Cita,  ainda, o Estatuto do Idoso.        A  Delegacia  Regional  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  Impugnação,  conforme ementa abaixo transcrita:      Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Ano­calendário: 2010  DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO  DO EFETIVO PAGAMENTO.  A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do  contribuinte  está  condicionada  à  comprovação  hábil  e  idônea  dos  gastos  efetuados,  podendo  ser  exigida  a  demonstração  do  efetivo  pagamento e da prestação do serviço.  Impugnação Improcedente    Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  o  Recurso  Voluntário,  no  qual  se  reproduz as alegações sobre a legalidade da dedução efetuada.   Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     4     É o relatório     Voto             Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora  O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo,  portanto, ser conhecido.   A dedução  tributária dos gastos  incorridos  com despesas médicas  é  tratado  pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis:    Art.  8º  A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  ano­calendário  será  a  diferença entre as somas:  I ­ de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário, exceto os  isentos, os não­tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos  àtributação definitiva;  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como as  despesas  com exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias;  (...)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:    I ­ aplica­se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento  ou ressarcimento de despesas da mesma natureza;    II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio tratamento e ao de seus dependentes;    III ­ limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do  nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ­ CPF  ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC de quem os recebeu, podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;     IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie  ou cobertas por contrato de seguro;    V ­ no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e  dentárias,  exige­se a  comprovação com receituário médico  e nota  fiscal em  nome do beneficiário. (grifamos)     Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999:    "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/2012­11  Acórdão n.º 2202­003.159  S2­C2T2  Fl. 4          5 ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a").    § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):    I­ aplica­se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento  ou ressarcimento de despesas da mesma natureza;     II  ­restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio tratamento e ao de seus dependentes;    II  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação  do  nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ­ CPF  ou  no Cadastro Nacional  da  Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos)      Intimada a prestar os  esclarecimentos,  a  contribuinte  juntou os  laudos,  nos quais estão discriminadas as fases do tratamento (fls. 47/48 e fls. 54), radiografias (fls. 66),  declaração do Banco do Brasil de que a Recorrente não teve folhas de cheques emitidas desde a  abertura das contas (fls. 33) e extratos bancários relativos ao período autuado (fls 35­46).    A DRJ, no entanto, considerou que "a comprovação de despesas médicas por  meio de recibos/simples declarações emitidos por profissionais de saúde é, em alguns casos,  muito  frágil  devendo  servir  apenas  de  ponto  de  partida  para  a  comprovação  das  despesas  declaradas,  não  estando  a  autoridade  fiscal,  seja  lançadora  ou  julgadora,  obrigada  a  se  satisfazer  somente  com  esses  documentos,  principalmente  quando  se  trata  de  documentos  emitidos por parentes do contribuintes". Concluiu que, nesse caso, somente a apresentação de  documentos que comprovem a efetividade dos pagamentos poderiam legitimar a dedução.   A discussão central do presente recurso está na análise da necessidade ou não  da comprovação da efetividade dos pagamentos para admitir a dedução das despesas médicas,  mesmo quando apresentado pelo contribuinte os recibos associados a declarações e laudos dos  prestadores de serviço.   Conforme se verifica pela análise do Acórdão nº 9202­003.528, a 2ª Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  concluiu  que  a  apresentação  de  recibos  médicos,  corroborados  por  laudos,  fichas  e  exames  sobre  os  quais  não  tenha  sido  apontado  qualquer  indício  de  falsidade  são  suficientes  para  autorizar  a  dedução  mesmo  que  não  tenha  sido  comprovada a efetividade dos pagamentos:     "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA DE  PESSOA  FÍSICA  IRPF  Anocalendário:  2004  IRPF.  DEDUÇÕES  DESPESAS  MÉDICAS.  IDONEIDADE  DE  RECIBOS  CORROBORADOS  POR  LAUDOS,  FICHAS  E  EXAMES  MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO.  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA     6 A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e  Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros  fatos  capazes  de  macular  a  idoneidade  de  aludidos  documentos  declinados  e  justificados  pela  fiscalização,  é  capaz  de  comprovar  a  efetividade  e  os  pagamentos  dos  serviços  médicos  realizados,  para  efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.  Recurso especial provido."     De acordo com o voto do Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães  de  Oliveira,  a  exigência  da  comprovação  dos  pagamentos  é  prevista  como  uma  forma  alternativa de comprovação. Vale dizer, quando o contribuinte não possuir os recibos, laudos,  etc, a legislação confere a ele a faculdade de comprovar os gastos, nestes termos:    Observe­se, que a exigência pretendida pela fiscalização, corroborada  pelo  Acórdão  recorrido,  qual  seja,  a  existência  de  cheques  nominativos e/ou extratos bancários é contemplada pela legislação de  regência  de maneira  alternativa.  Em  outras  palavras,  estabeleceu  o  legislador  que  tais  provas  deverão  ser  exigidas  na  falta  de  documentação comprobatória da prestação e pagamento dos serviços  médicos e/ou outros.  Na  hipótese  dos  autos,  a  contribuinte  comprovou  a  efetividade  e  pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do  profissional,  não  tendo  a  fiscalização  declinado  qualquer  fato  que  pudesse macular a idoneidade de aludida documentação.  Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames  Médicos,  de  fls.  25/30,  acostados  aos  autos  junto  à  impugnação,  confirmando  a  prestação  do  serviço  e  o  recebimento  do  respectivo  pagamento. (grifamos)    No caso dos autos, embora a fiscalização e a DRJ  tenha questionado o fato  dos recibos e laudos terem sido emitidos por profissionais que eram, respectivamente, nora e  filho da autuada, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos mencionados documentos.  Sendo assim, aplicável ao caso em questão o entendimento adotado pela Câmara Superior.   Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário.   (Assinado digitalmente)  Júnia Roberta Gouveia Sampaio                              Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/2012­11  Acórdão n.º 2202­003.159  S2­C2T2  Fl. 5          7   Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 10166.901435/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.901435/2009­81  Recurso nº  000.001Voluntário  Resolução nº  1201­000.199  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  3 de março de 2016  Assunto  PER/DCOMP            Recorrente  DAN HEBERT S/A CONSTRUTORA E INCORPORADOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.   (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto ­ Presidente   (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Ester Marques  Lins  de  Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome,  Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.     Relatório.  Por  economia processual  e bem  resumir os  fatos  adoto o Relatório da decisão  recorrida que a seguir transcrevo:  Trata­se da análise da Declaração de Compensação  transmitida pelo  PER/DCOMP  nº  37811.95385.280405.1.3.04.0639,  em  28/04/2005,  que se utilizou de pretenso crédito relativo a pagamento indevido ou a  maior de IRPJ referente ao P.A. 31/12/2004, no montante principal de  R$113.261,49,  visando  compensar  débitos  tributários  de  IRPJ  referentes ao primeiro trimestre do ano­calendário de 2005.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 01 43 5/ 20 09 -8 1 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/2009­81  Resolução nº  1201­000.199  S1­C2T1  Fl. 3          2 No Despacho Decisório de fl. 29 emitido em 18/02/2009, a autoridade  tributária não homologou a compensação declarada,  sob a alegação  de  que  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja,  o  pagamento  por  meio  de  DARF  de  IRPJ  no  montante  principal  de  R$218.221,75, do qual informou a contribuinte ser a origem do crédito,  já teria sido integralmente utilizado para extinguir o débito do mesmo  tributo de F.G. 31/12/2004.  Cientificada  da  decisão  proferida  pela  DRF/Brasília,  em  06/03/2009  (fl.43), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de  fls.  02/06,  em 03/04/2009  (carimbo de  recepção à  fl.  02). Discorre  a  defesa que a requerente, para o ano calendário de 2004, sendo optante  do lucro real anual, ao calcular o tributo a pagar a título de estimativa  para o mês de dezembro, valeu­se da dedução do IRRF sobre serviços  prestados a pessoas jurídicas, motivo pelo qual apurou o IRPJ a pagar  de R$104.960,26, valor que consta na DIPJ do período. Por  sua vez,  efetuou  um  pagamento  por  meio  de  DARF  no montante  principal  de  R$218.221,75,  idêntico  valor  declarado  em  DCTF.  Nesse  sentido,  pretende a retificação da DCTF para alterar o valor confessado para o  montante  de  R$104.960,26,  e  por  consequência  requer  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  além  de  protestar  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  em  direito  admitidas,  especialmente provas documentais que se fizerem necessárias.  A  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Brasília/DF  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  conforme  decisão  proferida  no  Acórdão nº 03­47.484, de 16 de março de 2012, assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Data do fato gerador: 31/12/2004   DÉBITOS  CONFESSADOS.  RETIFICAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  ESCRITA  FISCAL.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR.  Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por  fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte.  PROTESTO PELA  JUNTADA DE  TODAS AS  PROVAS ADMITIDAS  EM DIREITO.  As  provas  documentais  devem  ser  apresentadas  por  ocasião  da  impugnação,  sob  pena  de  preclusão  processual,  exceto  nas  situações  previstas no art. 16, § 4º do PAF.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/2009­81  Resolução nº  1201­000.199  S1­C2T1  Fl. 4          3 O  contribuinte  cientificado  da  mencionada  decisão  em  04/5/2012  (Aviso  de  Recebimento­AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF,  protocolizado em 31/5/2012 .  As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas  na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repeti­las.  Finalmente a Recorrente requer:  ...seja  acolhido  o  presente  recurso  para  o  fim de  assim  ser  decidido,  cancelando­se o débito fiscal reclamado, considerando a empresa não  devedora  do  Imposto  de Renda  das Pessoas  Jurídicas  apurado no  1o  Trimestre  de  2005,  no  valor  de  R$  111.992,48  (cento  e  onze  mil,  novecentos e noventa e dois reais e quarenta e oito centavos), apontado  no  referido  Despacho  Decisório,  permitindo  seja  feito  os  ajustes  necessários para  regularização das  informações na DCTF do mês de  dezembro de 2004.  É o relatório.    Voto   Conselheira  Relatora Ester Marques Lins de Sousa   O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço.  O  presente  processo  tem  origem  no  PER/DCOMP  nº  37811.95385.280405  1.3.04­0639, transmitido em 28/04/2005, (fls.26/31), por meio do qual o contribuinte pretende  compensar débitos de  IRPJ referentes ao primeiro  trimestre do ano­calendário de 2005, com  crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor de R$113.261,49 decorrente do  DARF  (código  de  receita:  2362,  Período  de  Apuração:  31/12/2004,  Data  de  Arrecadação:  31/01/2005, Valor: R$ 218.221,75).  Mediante o despacho de fl.25, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita  Federal / DRF de Brasília identificou o pagamento no valor de R$ 218.221,75 para quitação de  débito  do  IRPJ,  do  período  de  apuração  de  31/12/2004,  em  face  do  que  não  homologou  a  compensação declarada.  A Recorrente alega que a existência do pagamento a maior de IRPJ é constatada  pela verificação do valor informado na DIPJ/2005 apresentada pela empresa em confronto com  o  DARF  pago  em  31/01/2005,  referente  ao  período  de  apuração  de  31/12/2004,  no  valor  original de R$ 218.221,75, visto que para tal período de apuração, o valor do IRPJ devido é de  R$ 104.960,26.  A  interessada  desde  a  manifestação  de  inconformidade,  alega  que  sua  Declaração de Informações ­ DIPJ/2005 demonstra que o IRPJ de 31/12/2004 é R$ 104.960,26,  apenas  a  DCTF  não  fora  retificada,  como  pretende,  para  alterar  o  valor  confessado  para  o  montante devido de R$104.960,26 em consonância com a DIPJ/2005.  A Recorrente requer a retificação da DCTF, a fim de que conste, tanto na DCTF  quanto na DIPJ, que o valor do IRPJ de 31/12/2004 é R$ 104.960,26.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/2009­81  Resolução nº  1201­000.199  S1­C2T1  Fl. 5          4 Do  despacho  decisório  da  autoridade  administrativa  da  DRF  de  Brasília  não  consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de  2004 para que se verifique a estimativa mensal de dezembro de 2004 e o real saldo a pagar do  IRPJ em 31/12/2004.  A recorrente juntou aos autos cópia da DIPJ/2005 na qual consta à fl.34, o saldo  do IRPJ a pagar no valor de R$ 104.960,26 referente ao mês de dezembro de 2004.  Portanto,  confrontando­se  o  valor  apurado  demonstrado  na  DIPJ/2005,  fl.34,  com o valor  recolhido por meio de DARF,  tem­se  aparentemente o direito da Recorrente  ao  crédito do recolhimento a maior de IRPJ no valor de R$113.261,49.  Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à DRF  de Brasília/DF, para confrontar a DIPJ/2005 com a escrituração contábil/fiscal, documentação  que  lhe  deu  lastro  e  informar  qual  o  IRPJ  a  pagar  relativo  ao mês  de  dezembro  2004,  bem  como  verificar  se  na  apuração  do  saldo  do  ajuste  anual  o  contribuinte  deduziu  a  título  de  estimativa  o  valor  das  estimativas  confessadas  na  DCTF,  inferindo­se  o  aproveitamento  de  pagamento a maior.   Realizada  a  diligência,  deve  ser  elaborado  relatório  circunstanciado,  do  qual  deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de  30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar  ao CARF para prosseguimento do julgamento.  É como voto.   (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa.    Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO

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6243258 #
Numero do processo: 13702.000838/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82). Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1201-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13702.000838/2002­16  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1201­001.209  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de dezembro de 2015  Matéria  CSLL. AUDITORIA INTERNA DCTF.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  GERDAU S.A.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 1997  EXIGÊNCIA  DE  ESTIMATIVA MENSAL  APÓS  O  ENCERRAMENTO  DO ANO­CALENDÁRIO.  Após o encerramento do ano­calendário, é incabível lançamento de ofício de  IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82).  Recurso de ofício negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.  Documento assinado digitalmente.  Marcelo Cuba Netto ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Marcelo  Cuba  Netto,  João  Otávio  Oppermann  Thomé,  Luis  Fabiano Alves  Penteado,  Roberto  Caparroz  de  Almeida,  e  Ester Marques Lins de Sousa.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 38 /2 00 2- 16 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13702.000838/2002­16  Acórdão n.º 1201­001.209  S1­C2T1  Fl. 3          2 Trata­se  de  recurso  de  ofício  interposto  pela  1ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/Rio  de  Janeiro­1­RJ,  contra  acórdão  de  sua  lavra,  que  concluiu  pela  improcedência  do  lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa possui o seguinte teor:  “AUDITORIA  INTERNA.  DCTF.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO/PAGAMENTO.  Após o encerramento do exercício, diante de falta de recolhimento mensal por  estimativa, não se pode efetuar lançamento de ofício para a exigência da estimativa  não recolhida.”  O caso foi assim relatado pela instância julgadora a quo:  “Versa  este  processo  sobre  o  Auto  de  Infração  de  fls.  17/30,  lavrado  pela  DIFIS/RJ,  para  a  exigência  de  crédito  tributário  de  CSLL,  no  valor  de  R$6.983.409,74, com multa de 75% e juros de mora.  O  lançamento  foi  efetuado  em  virtude  de,  em  procedimento  de  auditoria  interna na DCTF, ter sido constatada a seguinte irregularidade: falta de recolhimento  ou  pagamento  do  principal,  declaração  inexata,  conforme  Anexo  III.  O  enquadramento legal foi citado à fl. 18.  O  interessado  (cientificado  em  14/06/2002  –  fl.  181)  apresentou,  em  11/07/2002,  a  impugnação  de  fls.  3/16.  Em  sua  defesa,  alega,  em  síntese,  que  o  crédito exigido se encontra extinto por pagamento e/ou compensação; se mantido o  lançamento, deve se excluir os juros de mora com base na taxa Selic; se a prova não  for suficiente, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos.”  Amparado no art. 44 da Lei 9.430/1996, e legislação correlata, em especial a  Instrução  Normativa  SRF  nº  093,  de  24  de  Dezembro  de  1997,  e  pela  razão  sucintamente  exposta na ementa acima transcrita, a DRJ cancelou o crédito tributário lançado, e recorreu de  ofício de sua decisão.  Cientificado desta decisão em 30.06.2011, o contribuinte não se manifestou.  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  Comprovado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de créditos  relativos a tributos e encargos de multa em valor superior ao limite de R$ 1.000.000,00, fixado  pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido.  A análise dos autos não conduz à solução diversa daquela que foi dada pela  autoridade julgadora de primeira instância.  O crédito  tributário aqui exigido é referente a CSLL por estimativa (código  2484), conforme se verifica no Anexo III do Auto de Infração (fl. 27).  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13702.000838/2002­16  Acórdão n.º 1201­001.209  S1­C2T1  Fl. 4          3 A  exigência  fiscal  de  antecipação  de  imposto  de  renda  ou  de  contribuição  social,  devidos  sob  o  rótulo  de  estimativa,  só  tem  pertinência  quando  efetuada  no  curso  do  próprio  ano­calendário.  Uma  vez  encerrado  o  ano­calendário,  revela­se  impróprio  exigir  referida  antecipação,  vez  que  a  apuração  e  a  quantificação  do  tributo  devido  se  dá  com  o  resultado apurado em 31 de dezembro.  Assim, no caso de falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento  do  ano­calendário,  deve­se  exigir  apenas  a  multa  de  ofício  isolada,  no  percentual  de  50%,  prevista atualmente no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, (conforme redação dada  pela  Lei  nº  11.488/07),  além  da  eventual  diferença  de  saldo  de  imposto  ou  contribuição  apurados  em  31  de  dezembro.  Neste  mesmo  sentido,  aliás,  também  dispõe  a  Instrução  Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, já referida pela autoridade julgadora a quo  em seu voto.  Portanto, revela­se de todo indevida a exigência feita no presente processo.  Essa  matéria,  inclusive,  já  se  encontra  pacificada  no  CARF  desde  a  publicação da Súmula CARF nº 82, com o seguinte teor:  Súmula CARF nº 82  Após o encerramento do ano­calendário, é incabível lançamento de ofício de  IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.  Pelo exposto, nego provimento ao recurso.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Relator                                Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME

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6321547 #
Numero do processo: 10725.721871/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL. A apresentação de declaração/ficha cadastral do plano e extrato de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, tratando-se de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente declaração/ficha cadastral da Unimed e extratos de pagamentos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido. Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10725.721871/2011­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.120  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  CARMEN CELIA DE OLIVEIRA AZEVEDO MORETTO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  IRPF.  DEDUÇÕES  DESPESAS  MÉDICAS.  PLANO  DE  SAÚDE.  INEXISTÊNCIA  BENEFICIÁRIOS  NO  BOJO  DOS  DOCUMENTOS  COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.  PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL.  A  apresentação  de  declaração/ficha  cadastral  do  plano  e  extrato  de  pagamentos,  sem  que  haja  qualquer  indício  de  falsidade  ou  outros  fatos  capazes  de  macular  a  sua  idoneidade  declinados  e  justificados  pela  fiscalização,  é  capaz  de  comprovar  a  efetividade  e  os  pagamentos  dos  serviços  médicos  prestados,  para  efeito  de  dedução  do  imposto  de  renda  pessoa física.  In  casu,  tratando­se  de  Plano  de  Saúde,  não  constando  dos  documentos  ofertados  pela  contribuinte,  notadamente  declaração/ficha  cadastral  da  Unimed  e  extratos  de  pagamentos,  outros  beneficiários,  senão  o  próprio  titular  (autuada),  não  cabe  à  fiscalização  presumir  que  haveriam  mais  beneficiários  simplesmente  porque  a  contribuinte  não  produziu  prova  negativa neste sentido.  Mais  a  mais,  a  própria  natureza  de  tais  documentos,  na  condição  de  declarações  exclusivas  do  serviço  contratado,  nos  conduz  a  conclusão  que  somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a  defesa inaugural.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 18 71 /2 01 1- 18 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA     2    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário e, no mérito, dar­lhe provimento, nos termos do relatório e voto.      André Luís Marsico Lombardi ­ Presidente      Rayd Santana Ferreira ­ Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  André  Luis  Marsico  Lombardi,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Cleberson  Alex  Friess,  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Theodoro  Vicente  Agostinho,  Carlos  Alexandre  Tortato  e  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/2011­18  Acórdão n.º 2401­004.120  S2­C4T1  Fl. 3          3    Relatório  CARMEN  CELIA  DE  OLIVEIRA  AZEVEDO  MORETTO,  contribuinte,  pessoa física,  já qualificada nos autos do processo em referência,  recorre a este Conselho da  decisão da 20a Turma da DRJ em Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 12­46.377/2012, às fls. 29/32,  que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa  Física ­  IRPF, decorrente da dedução  indevida de despesas médicas,  em relação ao exercício  2009,  conforme peça  inaugural  do  feito,  às  fls.  19/24,  e  demais  documentos  que  instruem o  processo.  Trata­se de Notificação de Lançamento, lavrada em 12/12/2011, nos moldes  da  legislação  de  regência,  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  constituindo­se  crédito  tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação.  Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurou­se dedução indevida com  despesa  médica  referentes  a  Unimed  de  Campos,  não  comprovada,  motivo  pelo  qual  foi  glosada pelo auditor fiscal.  A DRJ não acatou os argumentos trazidos na impugnação, obviamente julgou  procedente a Notificação de Lançamento, sendo mantido o crédito em sua integralidade.  Inconformada  com  a  Decisão  recorrida,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário, à fl. 38, procurando demonstrar sua total improcedência e nulidade, desenvolvendo  em síntese as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento,  suscita que  a beneficiária do plano  é a própria  contribuinte,  de maneira única  e  exclusiva.  O  recorrente  alega  fazer  jus  a  deduzir  a  despesa  médica  em  questão,  pois  apresentou  todos  os  documentos  em  tempo  hábil,  invocando  o  art.  8°  da  Lei  9.250; Afirma  também, que por não terem sidos considerados pelo auditor e nem pela DRJ,  junta aos autos  novamente os documentos comprobatórios da identificação do contribuinte como beneficiário  único.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar a Notificação de Lançamento.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA     4    Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  Conforme  se  depreende  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  a  contribuinte  deduziu  de  seu  imposto  de  renda  as  despesas  médicas  suportadas  no  exercício  objeto do lançamento. Uma vez intimada a listar os beneficiários do Plano de Saúde, a autuada  deixou de apresentá­lo,  razão pela qual  a  fiscalização entendeu por bem proceder  a glosa de  aludida despesa, com a conseqüente lavratura da presente notificação de lançamento.  Em  sede  de  impugnação,  de  fl.  02,  a  contribuinte  informou  ser  a  própria  beneficiária do plano de  saúde constante de sua Declaração,  trazendo à colação declaração e  ficha  cadastral  contratual  da  Unimed,  de  fls.  03/04,  além  de  extrato  emitido  pela  Fundação  Benedito  Pereira  Nunes,  fl.  05,  constando  os  valores  descontados  em  folha  de  pagamento  referente ao plano de saúde e o valor total pago no decorrer do ano­calendário 2008.  Por  sua  vez,  ao  analisar  a  impugnação  e  documentos  ofertados  pela  contribuinte,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  entendeu  por  bem  manter  a  integralidade  da  ação  fiscal,  sob  o  argumento  de  que  "no  caso  em  tela,  entendo  que  a  contribuinte  não  supriu  a  pendência  apontada  no  lançamento,  já  que,  mesmo  estando  claramente indicado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 21/22) que o motivo  da glosa foi a falta de apresentação de comprovante de pagamento com a discriminação dos  valores  por  beneficiário  do  plano  de  saúde,  não  se  pode  constatar  através  dos  documentos  juntados à defesa".   Ainda  irresignada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  ora  objeto  de  análise,  suscitando  que  são  dedutíveis  na  declaração  as  despesas  previstas  na  legislação  do  imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme  documentos em anexo, impondo seja decretada a improcedência do feito.  Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre  trazer à baila os  dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem:  “      Lei nº 9.250/1995  Art. 8º A base de cálculo do  imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  [...]  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias;”  “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/2011­18  Acórdão n.º 2401­004.120  S2­C4T1  Fl. 4          5  Art  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).  §  2º  As  deduções  glosadas  por  falta  de  comprovação  ou  justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se  tornar  irrecorrível  na  esfera  administrativa  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 5º).  [...]  Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os  pagamentos efetuados, no ano­calendário, a médicos, dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a").  § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas  ­ CPF  ou  no Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;  [...]”  Consoante  se  infere  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  de  fato,  as  despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas  com documentação hábil e idônea.  Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se as despesas médicas  da contribuinte, Plano de Saúde, se destinada exclusivamente ao titular (autuada) ou se possuía  algum beneficiário, os quais poderiam ser excluídos se não atendidos as normas de regência.  Assim, a contribuinte fora intimada para prestar tal informação, não o tendo  feito na forma pleiteada pela fiscalização, que achou por bem glosar a integralidade da despesa.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA     6  Com  o  fito  de  rechaçar  a  pretensão  fiscal,  trouxe  à  colação  por  ocasião  da  impugnação  documentos  comprobatórios  dos  seus  argumentos,  explicitando  ser  a  única  beneficiária do Plano de Saúde, documentação que não  fora aceita pelo  julgador de primeira  instância,  vale  salientar  que  não  foi  uma  decisão  unânime,  tendo  a  relatora  entendido  como  comprovado os argumentos da contribuinte.  Em seu recurso voluntário, repisa a hipótese de isenção das despesas médicas  suportadas pelo contribuinte, acostando ao processo, a declaração do próprio plano informando  ser a contribuinte beneficiária deste e extrato descriminando o valor efetivamente pago.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  das  autoridades  fazendárias  autuante  e  parte  julgadora de  primeira  instância,  o  pleito  da  contribuinte merece  acolhimento, como passaremos a demonstrar.  De  início,  cabe  ressaltar  que o  lançamento  encontra­se  escorado  em pura  e  simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o  que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal.  No entanto, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pela  contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco.  Com efeito, desde o primeiro momento a contribuinte vem informando ser a  única beneficiária do Plano de Saúde. Da declaração e da ficha contratual ofertadas, somente  consta a informação do titular, não trazendo qualquer menção a eventuais beneficiários, além  do extrato de pagamento.  De  fato,  o  extrato  se  apresenta  muito  superficial,  não  elucidando  ponto  crucial do lançamento.  Entrementes,  as  declarações  e  a  ficha  cadastral  colacionadas  desde  a  impugnação e novamente em sede de  recurso, melhor  esclarece os  fatos,  demonstrando com  maiores detalhes as especificidades do plano.  Destarte,  consta  de  tais  documentos  a  confirmação  da  titularidade  do  contribuinte do plano de saúde, bem como a relação de benefícios, qual seja, o próprio Seguro  de Saúde. Não consta, novamente, relação de beneficiários.  Isto porque, em nossa conclusão, inexistem outros beneficiários do plano de  saúde,  como  afirmado  pela  contribuinte. Ora,  o  cidadão  que  tem  plano  de  saúde  e  costuma  analisar a ficha cadastral, bem sabe que referido documento, via de regra,  traz em seu bojo a  lista dos benefícios e respectivos beneficiários.  Assim, não constando do corpo dos documentos outros beneficiários, senão o  próprio titular do plano, concluímos, por óbvio, que inexistem outros beneficiários. Referidos  documentos se apresentam, pela sua própria essência, como declarações exclusivas. Ou seja, o  que não se encontra ali inserido não é de direito do contratante.  Aliás,  a  prova  que  a  fiscalização  requer  da  contribuinte  tem  natureza  negativa,  o  que  acaba  por  inviabilizar  sua  produção  por  parte  da  recorrente. Mais  a mais,  a  documentação  acostada  ao  processo  já  é  por  demais  enfática  que  o  beneficiário  é  o  próprio  titular não elencando qualquer outro, impondo seja decretada a improcedência do feito.  Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em  dissonância  com  as  normas  legais  que  regulamentam  a  matéria,  VOTO NO  SENTIDO  DE  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/2011­18  Acórdão n.º 2401­004.120  S2­C4T1  Fl. 5          7  CONHECER  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  e,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO,  decretando  a  improcedência  total  do  lançamento,  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  acima  esposadas.  É como voto.    Rayd Santana Ferreira.                              Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA

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