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Numero do processo: 13603.724491/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento.
Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.
Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.
A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO.
Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004).
Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 91 /2 01 1- 00 Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 2 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 3 COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 4 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 13603.724491/201100 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 5 A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/01/2008 a 31/01/2008, no valor total de R$ 3.231.812,56, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 2.792.488,90. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 1.922,66 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 437.401,00. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 6 memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 7 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 8 Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 9 essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 10 principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura se legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 11 Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 12 submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 13 superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011 004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/01/2014 (fls. 1421). Inconformada, a mesma apresentou, em Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 14 20/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1423/1450, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls. 3565/3570, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto. Intimado a manifestarse, o sujeito passivo, apresentou petição onde requer seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos princípios da ampla defesa e do contraditório. Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 15 O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 20/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 04/01/2014 conf. fls. 1421). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 16 previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. Do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS O regime da incidência nãocumulativa das contribuições sociais foi instituído, inicialmente, para o PIS/PASEP, mediante a publicação da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002. Posteriormente, com a publicação da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 – conversão da Medida Provisória nº 135, de 2003 –, tal regime foi estendido à COFINS. Concernente à não cumulatividade da COFINS a lei em evidência passou a produzir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em dinheiro. A seguir, examinaremos a legitimidade dos créditos calculados pela interessada seguindo a mesma ordem utilizada pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal TVF. Das glosas objeto do item 3.1 do TVF: bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 17 A fiscalização entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não estarem diretamente vinculados às atividades de industrialização. Por sua vez, o sujeito passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Segundo defende a interessada, seria inapropriado afirmar que os bens em evidência não se prestariam ao exercício de sua atividade industrial. Afirma que “quaisquer bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente), autorizam o creditamento”, e ainda, que “os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da Recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico”. O creditamento relativo a bens destinados ao ativo imobilizado está fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em relação ao PIS/PASEP, regramento no mesmo sentido consta da Lei nº 10.637/2002. Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais relevantes para a resolução da contenda: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] (grifo nosso) O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada. Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 18 Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação. Apenas esses últimos é que fazem jus ao creditamento. No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais não se enquadram na amplitude conceitual de insumo na produção dos bens destinados à venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito com base em tais rubricas. É por essa razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em que o sujeito passivo pretende se creditar do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção. O alcance do conceito de insumo para fins do regime de incidência não cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte. Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: • Comércio Exterior: ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário; ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário. • Contabilidade Geral; • Controle Fiscal; • Contas a pagar e Tesouraria; • Controle de ativo fixo; • Registro Fiscal; • Faturamento; • Gestão tributária e societária; • Serviços de assessoria a expatriados. Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 19 Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. O inciso II do artigo 3o das Leis 10.833/2003 e 10.637 de 2002 autoriza o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. As normais legais stricto sensu que prevêem a nãocumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – não cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos (como insumos), aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 20 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins3. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual, salvo nas hipóteses expressamente vedadas pela Lei nº 10.833/2003, o crédito de insumo deve ser calculado a partir do custo de produção da legislação do imposto de renda (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matériasprimas e quaisquer outros bens, direitos ou serviços aplicados ou consumidos no processo de fabricação, diretos ou indiretos, independentemente de desgaste, dano ou perda de propriedades físicoquímicas. Por sua vez, Marco Aurélio Greco5 defende que os insumos, para fins de PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira comenta a lição de Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha 3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 317. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 21 havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. Culpa da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto. De nossa parte, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso, não encontra alicerce na legislação pertinente. Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, ressalvadas as exceções legais. O detalhamento das possibilidades de creditamento e das vedações ao mesmo, sujeitos a emendas normativas implementadas no decorrer do tempo, revela, sem nenhuma dúvida, que o legislador sempre optou por um regime de não cumulatividade seletivo. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 22 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços. Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que requer, pois, análise individual do processo produtivo da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não cumulatividade. No caso presente, entendo que os serviços prestados à interessada pela Fiat do Brasil S.A. (despacho aduaneiro de importação e exportação, serviços de contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados) não se destinam diretamente à atividade de “fabricação de máquinas e equipamentos para terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ). Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico que o adotado pela Receita Federal nas suas instruções normativas nos 247, de 21/11/2002 e 404, de 12/03/2004, conforme razões acima desenvolvidas, e mesmo admitindo que muitos desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma direta, à atividade produtiva da interessada. Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Das glosas objeto dos itens 3.4 e 3.5 do TVF: fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada e fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 23 A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da COFINS calculados com base em “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso II, da mesma norma7. Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Tratase, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme ressaltado. Essa restrição ao gozo do mecanismo creditório se observa também em relação a outros casos previstos no regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, como, por exemplo, nos casos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; edificações e benfeitorias em imóveis; valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. No mais, entendo que aludidos fretes também não caracterizam insumo, até porque, conforme asseverado pela instância recorrida, o frete pago na compra de insumos integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente. Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF). Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. FRETE INTERCOMPANY. OPERAÇÃO DE VENDA NÃO CARACTERIZADA (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II, L10833). IMPOSSIBILIDADE. 1. O frete intercompany, referente à alocação dos produtos acabados das indústrias para os centros de distribuição da empresa, configura simples transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de venda. Com efeito, apenas enseja o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma. 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 24 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até chegar à sua destinação final, a "operação de venda", enquanto negócio jurídico, é relação estabelecida estritamente entre os sujeitos fornecedor e adquirente. Deste modo, as etapas anteriores à destinação do produto ao consumidor final, ainda âmbito da empresa (fornecedora), não podem ser consideradas operações de venda. 3. Na linha do que defende a doutrina mais moderna, o conceito de "insumo", no campo tributário, não é uniforme para todas as exações. Assim, os conceitos encontrados no IPI não são, de fato, suficientes para abarcar todos os custos que podem gerar créditos de PIS/COFINS. Enquanto na legislação de regência daquele imposto, há referência tãosó às despesas referentes à industrialização dos bens (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem etc.) aqui, as receitas submetidas às contribuições não são unicamente decorrentes da venda de produtos industrializados. 4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir se ao outro extremo, estendendoo de tal modo a incorporar "todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A nãocumulatividade deve estar adstrita à materialidade do tributo para PIS/COFINS, receita; para IR, lucro líquido. Logo, também imprestável, o conceito de despesa operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR. 5. Nesse contexto, de intermédio, primeiramente, há que se ter, por parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar os créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". 6. Portanto, o conceito legal de insumo, para efeito de crédito de PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens diretamente relacionados com a produção do contribuinte e que afetem o montante das receitas tributáveis pelas contribuições constituem crédito utilizáveis na apuração destas. 7. Por seu turno, Marco Aurélio Greco preconiza o critério da essencialidade ou relevância para análise do conceito de insumo, a ser entendido sob uma perspectiva dinâmica. Devem, assim, ser rechaçados como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte. 8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos, margarinas e cremes vegetais. A ser assim, não é de entenderse o frete entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às filiais, como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo desenvolvido pelo contribuinte. Tal custo é posterior ao processo de fabricação dos bens destinados à venda, não consistindo, pois, em insumo direto. 9. Assim, seja como for, quer se entendendo insumo como o gasto relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que ele corresponde a dispêndio elegível a título de mera conveniência da pessoa jurídica (não alcançando "perante o fator de produção o nível de Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 25 uma utilidade ou necessidade"), visando à melhor distribuição dos bens fabricados ao adquirente final. Apelação a que se nega provimento. (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº 544709. Relator Des. Federal José Maria Lucena. Data do acórdão: 15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. FRETE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1 O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é possível o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na sistemática da nãocumulatividade. A utilização do crédito presumido, em relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111 do CTN. 2 O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o conceito de insumo não abrange as operações de transferência interna de mercadorias entre os estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica (AGRESP 1335014). 3 Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 526.709. Relator Des. Federal Geraldine Pinto Vital de Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. ARTIGO 3º, INCISO IX. ARTIGO 15, INCISO II. LEI Nº 10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1 No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao creditamento, a título de PIS/COFINS, de valores despendidos com fretes contratados pela impetrante desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição. 2 A questão em discussão nestes autos diz respeito ao regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do artigo 195 da Constituição Federal, introduzidos pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (DOU 30.08.2002), convertida na Lei nº 10.637/2002 (DOU 31.12.2002) no que diz respeito ao PIS, e pela Medida Provisória nº 135/2003 (DOU 31.10.2003), convertida na Lei nº 10.833/2003 (DOU 31.12.2003) referente à COFINS. 3 Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e incisos) sobre os créditos passíveis de descontos a título de PIS do valor apurado na forma do artigo 2º da referida lei. E, no que tange a "frete", estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX, do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 26 interpretação restrita dada pela lei no sentido de se tratar de "frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor" (grifos meus). 4 Nesse passo, considerando que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais em comento estão afetas à definição infraconstitucional, ao amparo da Lei Maior, os aludidos diplomas normativos restringiram a hipótese de creditamento, não abrangendo a hipótese pretendida nestes autos, como equivocadamente entende a impetrante, ora recorrente. 5 Observase que a pretensão formulada neste mandamus não encontra guarida legal para prosperar, porquanto a impetrante objetiva o creditamento a título de PIS/COFINS de valores despendidos com "fretes contratados pela impetrante, desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição", hipótese essa não amparada pela lei de regência, que restringe o creditamento ao frete à operação de venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. 6 Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções de créditos para fins de apuração da base de cálculo das exações em comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo 111 do Código Tributário Nacional. 7 Na verdade, verificase que a recorrente insurgese quanto à base de cálculo das contribuições ao PIS/COFINS, objetivando a redução da incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo somente ocorre mediante expressa previsão legal, a cargo do Poder Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim, não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar a pretensão veiculada na presente ação mandamental, não merece prosperar o apelo da impetrante. 8 Apelação não provida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 325.368. Relator Des. Federal Nery Junior. Data do acórdão: 19/12/2013. Publicado em: 10/01/2014) TRIBUTÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA PIS E COFINS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE DESPESAS DE FRETE TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. 1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa jurídica, a fim de que possa desenvolver as suas atividades, tenha de adquirir insumos, matériasprimas ou serviços de outras pessoas jurídicas. 2. Assim, é natural que uma parcela das suas receitas, dos recursos advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 27 pagamento dos seus custos, das suas despesas operacionais, ou seja, à remuneração dos seus fornecedores e prestadores de serviço. Os pagamentos feitos aos seus fornecedores e prestadores de serviço representarão faturamento destes e sujeitarseão, por sua vez, à incidência do PIS e da COFINS. O que é dispêndio, desembolso para uma pessoa jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o faturamento e, posteriormente, todas as receitas como hipótese de incidência para contribuição destinada ao financiamento da seguridade social. Quando houver várias fases ou etapas de circulação econômica, a incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa. 3. As únicas deduções ou exclusões possíveis seriam aquelas previstas em lei, que teriam a natureza de isenção, de favor fiscal, determinado discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é, que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas das atividades empresariais, representando situação de nãoincidência. 4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela EC nº 47/2005 prevê a possibilidade de as contribuições sociais terem alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, conforme opção a ser exercida pelo legislador ordinário. 5. Por sua vez, o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº 42/2003, determina que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição social sobre as receitas será nãocumulativa. 6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado do PIS a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 7. Já a Lei nº 10.833/03, no inciso IX do artigo 3º, dispõe que do valor apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 8. Como as exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre os estabelecimentos do contribuinte, porque não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda. A transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa não caracteriza uma operação de venda, e, por isso, as despesas de frete desse transporte não estão relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. 9. Precedentes deste TRF e do STJ. 10. Apelação da autora desprovida. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 545.908. Relator Des. Federal Luiz Mattos. Data do acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013) (grifos nossos) Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 28 Finalmente, o precedente do Superior Tribunal de Justiça que alicerçou a fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido (STJ. Segunda Turma. Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.014. Relator Min. Castro Meira. Data do acórdão: 18/12/2012. Publicado em: 08/02/2013) (Grifos nossos) Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 29 terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 30 Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 31 maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 32 Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a devida vênia, que a DRJ não caminhou bem ao apreciar a questão. Na ocasião, assim nos manifestamos: A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Foi com essa motivação que propusemos a conversão do julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Em resposta à diligência supra a unidade de origem apresentou o Relatório Fiscal de fls. 3565/3570, de onde destacamos o seguinte trecho: Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 33 [...] Vários dos CTRCs informados na planilha anexa à Manifestação de Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram objeto de glosa. Tais documentos estão relacionados na planilha anexa denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas na Ação Fiscal”. Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente não tinham sido escrituradas (“Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte, via Termo de Intimação nº 001201500011, item 1, cientificado pessoalmente em 04/02/2015, que nos exibisse tanto estes dois Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas Fiscais a eles vinculadas, determinação esta cumprida parcialmente em 24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e 56000. Também por meio deste Termo de Intimação visamos comprovar a veracidade dos demais vínculos informados cujos créditos foram objeto de glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” do item 3.7 do TVF), solicitando assim, por amostragem, algumas Notas Fiscais e CTRCs, por meio do item 2 da mencionada intimação. Apesar de alguns CTRCs (nos 68797 e 886) e uma Nota Fiscal (nº 37183) não terem sido entregues, segundo o contribuinte, em virtude do “grande volume de documentos arquivados”, pôdese concluir, em consonância com este, que a documentação apresentada referenda a planilha por ele elaborada e anexada à Manifestação de Inconformidade, com exceção destes documentos não exibidos. Apesar de considerarmos comprovados os vínculos informados na defesa do sujeito passivo, algumas das notas fiscais relacionadas, salvo melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus fretes. Tal ocorre porque se referem a aquisições de bens para uso ou consumo ou destinados ao imobilizado, nos CFOPs – Códigos Fiscais de Operação – nos 1551, 2551 e 2556. Neste sentido, aliás, foi a decisão em 1ª instância em relação ao item 3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir: “REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.” Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 34 Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso e Consumo” detalhamos todos estes registros e, abaixo, temos o resumo mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida: Mês PIS COFINS fev/2008 0,92 4,24 jun/2008 3,94 18,13 ago/2008 1,30 6,00 set/2008 3,99 18,40 dez/2008 7,40 34,10 fev/2009 1,13 5,21 mar/2009 2,44 11,19 abr/2009 17,02 78,36 mai/2009 2,02 9,28 jun/2009 10,49 48,30 jul/2009 2,06 9,53 ago/2009 3,67 16,90 set/2009 12,88 59,36 out/2009 9,12 41,98 dez/2009 16,59 76,37 jan/2010 0,48 2,21 fev/2010 17,17 79,05 mar/2010 1,42 6,54 abr/2010 14,41 66,34 mai/2010 5,17 23,77 jun/2010 7,81 35,98 jul/2010 14,48 66,68 ago/2010 36,33 167,37 set/2010 8,98 41,42 Por outro lado, reunimos todas as glosas que o contribuinte logrou comprovar indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a seguir totalizadas mensalmente: Mês PIS COFINS jan/2008 286,53 1.319,78 fev/2008 381,23 1.755,95 mar/2008 3,92 18,06 abr/2008 605,72 2.790,07 mai/2008 804,26 3.704,48 jun/2008 148,17 682,45 jul/2008 2.010,67 9.261,50 ago/2008 3.674,28 16.924,00 Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 35 set/2008 1.445,04 6.656,14 out/2008 4.608,03 21.224,31 nov/2008 374,20 1.723,23 dez/2008 7.588,03 34.950,81 jan/2009 668,90 3.081,03 fev/2009 7.495,94 34.525,92 mar/2009 1.386,62 6.387,71 abr/2009 2.007,42 9.245,72 mai/2009 738,41 3.401,16 jun/2009 6.265,02 28.855,01 jul/2009 3.300,66 15.202,28 ago/2009 840,01 3.869,59 set/2009 719,75 3.315,29 out/2009 965,56 4.447,56 nov/2009 1.303,04 6.001,82 dez/2009 2.257,21 10.397,23 jan/2010 1.974,52 9.094,68 fev/2010 2.248,05 10.354,84 mar/2010 490,59 2.259,87 abr/2010 3.197,74 14.728,89 mai/2010 1.315,44 6.059,04 jun/2010 791,94 3.648,05 jul/2010 1.508,77 6.949,40 ago/2010 2.920,90 13.452,87 set/2010 2.954,21 13.607,00 Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a identificação do CTRC e o valor do PIS e da COFINS glosados. Esta planilha também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510, do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas. É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º trimestre de 2010, período para o qual o contribuinte, à época da fiscalização, não havia ainda apresentado Pedidos de Ressarcimento, portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela fiscalização. Porém, como nas planilhas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, assim como no demonstrativo anexo à Manifestação de Inconformidade há referências a documentos deste período, optamos por relacionálos também neste trabalho, apesar desta informação não gerar qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte. ***** Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 36 Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito passivo durante a fiscalização e por ocasião da sua Manifestação de Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de considerar como créditos de PIS/COFINS correspondentes a fretes pela aquisição de insumos os apurados na escrita do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal. [...] Intimada do teor do relatório fiscal acima reportado, o qual é padrão para todos os processos da interessada que ora apresentamos para julgamento, a recorrente, mediante expediente de fls. 3575/3577, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com as glosas originais, totaliza valor inexpressivo, e que, dado o grande volume de dados a analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação. Até a presente data, contudo, o sujeito passivo não apresentou nenhum argumento adicional frente ao resultado da diligência fiscal conduzida pelo Auditor Fiscal responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal. Portanto, considerando o criterioso trabalho conduzido pela autoridade administrativa, retratado por último na fundamentação objeto do relatório fiscal acima transcrito parcialmente, e ainda, diante da não apresentação, pela recorrente, de razões objetivas capazes de abalar minimamente o resultado do trabalho da autoridade em tela, entendo que deverão ser mantidas as glosas inerentes a fretes pelo transporte de mercadorias não admitidas pelo regime da nãocumulatividade, ajustadas nos termos do aduzido relatório fiscal. Consequentemente, há que se dar provimento em parte aos argumentos apresentados pela reclamante, mas apenas no que concerne aos ajustes perpetrados pela autoridade fiscal, acima referenciados. Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF O sujeito passivo também se insurge contra a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal. Segundo a fiscalização, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20058, os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 8 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 37 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – são passíveis de ressarcimento ou compensação. Contudo, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes, “por falta de previsão legal”, não seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Ressalta a autoridade administrativa que a recorrente importou diversas máquinas e veículos para revenda enquadradas nos códigos tarifários elencados no § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos, indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”. Vejamos a questão analisando cronologicamente os preceitos inerentes ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise. Como já ressaltado linhas cima, o artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. No âmbito dos preceitos legais em tela, esse direito de crédito alcança os “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo 3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa do PIS e da COFINS em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Ainda no que concerne às leis que criaram o regime da nãocumulatividade das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003. Posteriormente, foi editada a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, que instituiu o PIS e a COFINS incidentes sobre as importações de bens e de serviços. A norma em tela também dispôs sobre o creditamento das referidas contribuições incidentes sobre as 9 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 38 importações, conforme o correspondente artigo 15, cujos trechos relevantes seguem abaixo transcritos: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; [...] Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 39 (grifo nosso) Importa destacar que os produtos de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 são “máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”. Não há controvérsia quanto à subsunção das mercadorias importadas pelo sujeito passivo nesse dispositivo, já que ele próprio afirma isso quando denomina a planilha “Importação para Revenda de Máquinas e Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifouse) – vide item 4.2 do TVF. Historicamente, vêse que, até aqui, o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o regime, prevendo, contudo, a compensação ou o ressarcimento em espécie (se inexistir a possibilidade de dedução da contribuição a recolher ou compensação com outros tributos administrados pela RFB) exclusivamente no caso de as receitas serem decorrentes da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior. Sobreveio então a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, cujo artigo 17 permitia a manutenção, pelo vendedor, dos créditos decorrentes das “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo 16 estabelece os seguinte: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vêse, pois, que a possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 40 que a possibilidade de utilização dos créditos para fins de compensação ou de ressarcimento ampara as compras, pelo sujeito passivo, das máquinas e dos veículos destinadas à revenda. Quando o § 8º do artigo 15 diz que “as pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei” em relação, dentre outros, aos produtos do § 3º do artigo 8º (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório. Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente). Contudo, na realidade presente, inerente à importação das máquinas e veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz referência o inciso I do artigo 17 da mesma lei, os créditos serão apurados “mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição”. De fato, o artigo 17 da Lei nº 10.865/2004 trata especificamente da possibilidade de desconto de créditos nas hipóteses que elenca, e nada diz a respeito de eventual restrição à utilização do direito creditório calculado segundo as formas prescritas. Reproduzo, abaixo, o teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do presente litígio: Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 2º Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei. Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 41 [...] Por fim, vale destacar que quase todos os demais parágrafos do artigo 17 tratam, exclusivamente, de formas de apuração de crédito nas hipóteses abrangidas pelos mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei”, corrobora o presente entendimento concernente ao qual o artigo 17 particulariza a apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do artigo 15. Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida a reclassificação como “não ressarcível” operada pela fiscalização, uma vez que, conforme demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de ressarcimento. Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo. Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. De fato, conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação. Referido ajuste foi baseado no artigo 42 da IN RFB nº 900/2008, cujo § 7º autorizava a compensação de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos no mercado interno vinculados a receitas de exportação, mesmo antes de findo o trimestre do ano calendário a que se refere o crédito. Em pesquisa à mais atual instrução normativa que trata do assunto observei que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, dispõe que a compensação dos créditos, dentre outras hipóteses, decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, “poderá ser efetuada somente depois do encerramento do trimestre calendário”. Tal regramento, de fato, está amparado no caput do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. (grifo nosso) Vale lembrar que o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 trata, justamente, da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 42 Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente. Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que refiram, tãosomente, ao atraso de um ou dois meses (i.e, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre”, acaso a incidência dos encargos tenha extrapolado o correspondente trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual o contribuinte passou a ter direito ao crédito. Dessa forma, serão corrigidos até a data da compensação unicamente os débitos em aberto posteriormente aos ajustes em tela. Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos termos do parágrafo anterior. Dos erros de cálculo No que concerne aos erros de cálculo o sujeito passivo alega que a DRJ recorrida, “sem muitas justificativas, também negou a realização de diligência para tal verificação”. Todavia, ressaltou que, “quanto a dois dos quatro períodos apontados como exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 0246.070 e 0246.072)”. De fato, dentre todos os processos da empresa sob nossa responsabilidade que ora trazemos à pauta, observamos que a primeira instância já reconheceu crédito remanescente em relação aos seguintes processos da recorrente nos respectivos montantes a seguir discriminados: 13603.724502/201143 (R$ 7.743,90), 13603.724508/201111 (R$ 132.933,34), 13603.724529/201136 (R$ 339.948,59), 13603.724627/201173 (R$ 1.114,90) e 13603.724631/201131 (R$ 596.928,10). Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a reclamante não contesta o resultado das correções perpetradas pela DRJ, tendose limitado unicamente a reiterar a necessidade de “[...] diligência para a verificação da correção do cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade. Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724491/201100 Acórdão n.º 3301002.790 S3C3T1 Fl. 0 43 III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10830.007797/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.625
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 79 7/ 20 10 -3 7 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 32 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0540.5069ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.273.1120 (Terceiros). O crédito tributário se refere à contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominadas “Terceiros”, quais sejam, Fundo Nacional de Desenvolvimento da 'Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e 3° da L/ei 11.457 de 16/03/2007, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007. Nos autos, às fls. 30, há o Termo de Apensação informando que o presente processo foi apensado ao processo 10830.007796/201092, em 30.06.2015: Nessa data, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 10830.007796/201092 DATA DE EMISSÃO : 30/06/2015 O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: 2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91, conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo • Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240 de 28/03/2006, razão pela qual o presente crédito está sendo constituído. Nesta sentido, o Relatório Fiscal informa que a Recorrente informou em GFIP inadequadamente o código referente à entidade isenta de contribuições sociais previdenciárias: 3 O contribuinte informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com o código do FPAS 639. Entretanto conforme o ATO Fl. 32DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 33 3 CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS citado no item 2, o mesmo não faz jus à isenção da contribuição destinadas a outras entidades e fundos denominadas “ Terceiros” sendo, portanto inadequada o uso do referido código do FPAS. Ao utilizar 0 código de FPAS 639 na GFIP contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática durante o período fiscalizado, uma vez que o sistema deixa de calcular referida contribuição destinadas a outras entidades e fundos. O Relatório Fiscal apresenta os fatos geradores da autuação fiscal: 8.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 12/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado FPAS 639 lançadas sob código de levantamento “FP” e discriminadas no Relatório de Lançamentos RL. Salientamos que as bases de cálculo empregada na apuração das contribuições devidas foram o total da remuneração informada em GFIP no código inadequado FPAS 639 (ANEXO II) e os valores das contribuições lançadas encontramse discriminados, por competência, no anexo Discriminativo do Débito DD. O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o apresentado resumidamente no Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 2974 a 2981 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: A autuada apresentou impugnação, em 14/07/2010, onde, elabora um • relato de suas atividades e informa que: É reconhecida como de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal; Possui direito adquirido de isenção das contribuições previdenciárias patronais, conforme MS 9476, transitado em julgado; Não distribui renda ou parcela de seu patrimônio, a título de lucro ou participação no seu resultado, matem sua escrituração contábil dentro das formalidades legais e, portanto, faz jus à imunidade de que trata o §7°, artigo 195 da Constituição federal de 1988; Ajuizou Ação Declaratória n° 1999.61.05.0095167 para afastar a aplicação do artigo 55 da Lei 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis 9429/96, 9732/98, 9528/97 e MP 218713, sem sentença final; Em subtítulo específico, entende que, por se tratar de desoneração de tributos, o § 7% artigo 195 da CF/1988 deveria ter sido regulamentado por lei complementaR como determina o inciso II, artigo 146 da mesma Constituição e nesse sentido, até que outra lei complementar, as entidades beneficentes deve atender aos disposto no artigo 14 do CTN. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 34 4 Para fazer valer tal entendimento cita a Medida Cautelar n° 1999.61.05.0063970 e Ação Ordinária 1999.61.05.0095167, que interpôs no intuito de não observar a alteração trazida pela Lei 9.732/98 à Lei 8.212/91, ainda, cita a Ação Ordinária 206.61.05.0101630 que impetrou para anular as NFLD n° 35.774.6635 e 35.775.3518, tendo sido o Agravo de Instrumento, contra a decisão que lhe negara a tutela antecipada, recebido com efeito suspensivo. Esta Ação carece de decisão definitiva. Ainda, a Ação Ordinária n° 000668825.2010.4.03.6105, deferiu a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, em 18/05/2010, para suspender a exigibilidade da NFLD 35.847.6992. Esclarece que a autoridade fiscal não indicou que a SCEI tivesse descumprido tanto o artigo 14 do CTN, como o artigo 55 da Lei 8.212/91 e, portanto, esta exigência não possui qualquer respaldo legal, razão pela qual o Auto de Infração deve ser cancelado. • Pondera que a imunidade prevista no artigo 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, deve ser regulamentado por lei complementar e que, portanto, até que tal lei seja editada há que ser observado o disposto no artigo 14 do CTN. Infere que, por coexistir o fato gerador do tributo, seja em razão da isenção veiculada pela Lei n° 3577/59, seja por conta da imunidade tributária constante no art. 195, § 7, da Constituição Federal, é indevida multa de mora aplicada e a exigência das contribuições destinadas ao SALÁRIO EDUCAÇÃO, SAT, SESC, SEBRAE, SENAC e INCRA, por incidirem sobre a folha de pagamento. Em síntese, assegura que a Lei 8.212/91, ao definir a contribuição ao SAT— Seguro de Acidente do Trabalho, é omissa na conceituação de atividade preponderante, sendo que os vocábulos "atividade preponderante", "risco considerado leve, médio ou grave" foram definidos por meio de decretos o que contraria os princípios da legalidade e da tipicidade tributária. Entende que por não exercer atividade agroindustrial não está sujeita ao recolhimento da contribuição destinada ao INCRA e, ainda, o artigo 25 da Lei 8.870/94 foi declarado inconstitucional pelo STF. Assegura que as contribuições destinadas ao SESC, SENAC e SEBRAE devem ser exigidas exclusivamente das empresas comerciais conforme dispõem a legislação que as instituiu e sua cobrança atenta contra os princípios da legalidade, da verdade material e, principalmente, contra o princípio da moralidade, por força do caput do artigo 37 da CF/88. Por outro lado, em extensa dissertação, impugna a imposição dos juros com base na taxa do SELIC, por ter natureza remuneratória e não de mora. Entende que a aplicação dos juros com base no referido Sistema consiste em verdadeiro confisco e ofensa aos princípios da legalidade e capacidade contributiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0540.5069ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 34DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 35 5 Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir, às fls. 2974 a 2981 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições destinadas aos TERCEIROS, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título aos segurados empregados a seu serviço, na forma da Lei. DIREITO ADQUIRIDO À MANUTENÇÃO DE REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA Inexiste direito adquirido em regime jurídico, motivo pelo qual não há razão para se falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. ACRÉSCIMOS LEGAIS. As contribuições sociais, não recolhidas em épocas próprias, estão sujeitas • à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa do SELIC. APLICAÇÃO DA MULTA A multa aplicada no momento do lançamento atende ao primado da retroatividade benigna. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão 145` Sessão da 9` Turma de Julgamento da DRJ em Campinas Acordam os membros da 9a Turma de Julgamento, por unanimidade votos, considerar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada e MANTER 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO ora exigido, por meio do Auto de Infração n° 37.273.1120, conforme voto da relatora. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 2 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Destaquese que este Auto de Infração e o de n° 10830.007795/2010 48 (DEBCAD n° 37.273.1090) estão juntados por apensação ao processo n° 10830.007796/2010 92 (DEBCAD n° 37.273.1104). Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, às fls. 3038 a 3066 do Volume XII do processo 10830.007796/2010 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 36 6 92, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede Preliminar: (i) da nulidade da decisão recorrida por deixar de apreciar os fundamentos aduzidos na Impugnação. A decisão recorrida padece de nulidade, quer por ter deixado de apreciar todos os fundamentos que embasam a pretensão da recorrente, quer por incorrer em manifesta incoerência, de um lado reconhecendo expressamente ter deixado de apreciar atividade desenvolvida pela entidade junto à comunidade campineira, e de outro, concluindo que a recorrente não teria cumprido os requisitos do art. 55 da Lei 8212/91, para o que imprescindível seria a apreciação da atividade desempenhada pela entidade junto à comunidade local A invalidade também se verifica, na medida em que a decisão desconsiderou a existência de reconhecimento judicial em favor da recorrente quanto ao direito de usufruir da imunidade veiculada pelo art. 195, §7 1 da CF, independente da observância do art. 55 da Lei 8212/91. (ii) Cerceamento do direito de defesa A r. decisão recorrida afirma, em vários trechos, não ser pertinente a análise, nestes autos, do atendimento pela recorrente aos requisitos para gozo da imunidade a que alude o § 70 do art. 195 CF — instituto que foi tomado pelo julgador de primeira instância como se isenção fosse porque essa questão teria sido abordada pelo acórdão 240, de 25/03/2006, que referendou decisão cancelatória da isenção da entidade. (...) Mas, indo além, a r. decisão afirma que a recorrente não atenderia aos requisitos a que alude o art. 195 § 7 0 da CF. Ao afirmar à pág. 10 que a recorrente "distribuiu parcela de seu patrimônio, na forma de gratificação ao Secretário Estatutário Monsenhor José Machado Couto (Inc. 1, do art. 14), não comprovou a aplicação integral de seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inc. II, art. 14) e a escrituração contábil apresentou falhas (inc. III, art. 14) o que motivou a emissão de Representação Administrativa ao Conselho Federal de Contabilidade". Do Mérito (iii) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de juros equivalentes à taxa SELIC. De fato, o pedido subsidiário deduzido pela recorrente, de exclusão do crédito relativo a SELIC, uma vez que tal exigência ofende o Código Tributário Nacional, tem como fundamento não só a Fl. 36DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 37 7 inconstitucionaldiade, mas também a ilegalidade por ofensa à lei complementa. Dai a nulidade da r. decisão recorrida por violar o direto à ampla defesa e ao devido processo legal (arts. 5 1 LIV e LV CF, 21 "caput" e parágrafo único VII e 48 da Lei 9784/99 e art. 59 II do Decreto 70235/72), o dever de motivar (art. 50 da Lei 9784/99) e, ainda, ao art. 31 do Decreto 70235/72, na redação conferida pela Lei 8748/93, devendo, por isso, ser anulado para que outro seja proferido à luz do pedido deduzido pela recorrente. (iv) Descumprimento da coisa julgada (iv.1) A invocação dos fundamentos que serviram à concessão da antecipação da tutela nos autos da AO 000668825.2010.4.03.6105 não pode ser tida, sob nenhum aspecto, como protelatória, tal como afirmado pela r. decisão às fls. 2969. Ao referirse a essa ação, cuja cópia, aliás, juntou aos autos, a recorrente deixou claro que se cuida de ação anulatória da NFLD 35.847.6992. Em que pese o fato de tal NFLD exigir, tal como ora se exige, o recolhimento de contribuição à cota patronal, da qual a recorrente é imune, a recorrente não fez entre os dois feitos qualquer paralelo, apenas invocou precedente no qual o Judiciário reconheceu o valor das atividades benemerentes que desenvolve. (iv.2) O mesmo se dá com a remissão feita pela recorrente às decisões judiciais nos autos da AO 2006.61.05.010630 que foram invocadas em reforço às provas produzidas, demonstrando o atendimentos aos requisitos para o gozo da desoneração veiculada pelo art. 195 § 7° CF. Nesse feito, aliás, foi proferida, após a impugnação apresentada nestes autos, sentença, julgando procedente a ação e condenando a União Federal em litigância de máfé, em clara demonstração de que a omissão da Administração em controlar a legalidade de seus atos importa em graves danos para todas a sociedade. (iv.3) Ainda da mesma natureza foi a menção à decisão proferida nos autos da AO 1999.61.05.0095167, reconhecendo que a recorrente atende aos requisitos para o gozo da desoneração constitucional, não obstante cobre pelos serviços educacionais que presta. (iv.4) Já a decisão transitada em julgado nos autos do MS 9476/DF foi sim, violada pela expedição da NFLD ora atacada e pelo v.acórdão recorrido. A decisão proferida nestes autos, alcançada pela coisa julgada, reconheceu o direito adquirido da impetrante à isenção objeto da Lei 3577/59, independentemente do preenchimentos da observância do art. 55 da Lei 8212/91 que, aliás, não cuida de isenção e sim, procura regulamentar imunidade, matéria reservada à lei complementar, nos termos do art. 146 III CF. (v) Do direito da Recorrente ao gozo da imunidade do art. 195, § 7o da CF. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 38 8 Embora o dispositivo utilize o termo "isenção" ao indicar que as entidades beneficentes de assistência social são desoneradas de contribuição para a seguridade social, por se tratar de desoneração veiculada pelo próprio texto constitucional, a sua natureza jurídica é de verdadeira imunidade (...)Convém salientar que esse magistério doutrinário refletese na própria jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, que já identificou na cláusula inscrita no art. 195, § 7°, da Carta Política, a existência de uma típica garantia de imunidade estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social (RTJ 137/965, Rei. Min. MOREIRA ALVES). Sendo a uma limitação ao poder de tributar, a "lei" a que faz menção a parte final do § 7o, ou seja, a que pode estabelecer as exigências para o gozo do beneficio, há ser a lei complementar, por força do que estabelece o art. 146 II da CF, verbis: (...)Assim, até que sobrevenha lei complementar instituindo outras condições para o gozo da imunidade prevista no art. 195 § 7 da CF, tais dispositivos do CTN elencam as únicas que as entidades beneficentes de assistência social devem preencher para gozar da desoneração em tela, representando verdadeiras balizas a que se deve ater o legislador ordinário. (vi) A entidade atendeu não só ao art. 14 CTN, bem como o art. 55 da Lei 8212/91 (a) a entidade é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal: Decreto Federal de 27 de maio de 1992 (DO 28.05.92 publicado no Diário Oficial da União, de 28 de maio de 1992), Decreto Estadual 40.685, de 06 de setembro de 1962, e Lei municipal n° 6801, de 04 de dezembro de 1991.(does 04 a 06) art. 55 Ida Lei 8212/91; (b) desde 1971, a impugnante sempre obteve Certificado de Filantropia, hoje denominado Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social art. 55 II da Lei 8212/91(doc.07); (c) promoveu, no período fiscalizado, assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes (redação original do art. 55 III da Lei 8212/91, em vigor por força da liminar concedida nos autos da ADI 20285). As autoridades previdenciárias jamais questionaram que o Hospital Maternidade "Celso Pierro" HCMP presta relevantes serviços sociais para toda a região do Estado de São Paulo e ainda, para a região do sul do Estado de Minas Gerais, disponibilizando atendimento médico, de ótima qualidade, ao SUS, e quv > xíospital mantido pela impugnante, é uma entidade beneficente de assistência social, que supre as deficiências do Estado no cumprimento do seu dever constitucional de fornecer à população serviços médicos de primeira necessidade. Tampouco questionaram que essa também é a realidade da PUCCampinas, outra entidade mantida pela impugnante, dedicada ao ensino de graduação e pósgraduação, nas mais diversas áreas, contando com 10 cursos de Mestrado/Doutorado e 22 cursos de especialização, e ainda, faculdade voltada para a terceira idade. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 39 9 (d) não remunerou seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, como, tampouco, lhes concedeu quaisquer vantagens ou benefícios art. 55 IV da Lei 8212/91 e art. 14 I do CTN (art. 5o §§ Io e 2o dos estatutos), independente do fato, apontado pela autoridade fiscal, de ter sido paga gratificação a diretor do Colégio Pio XII, pela sua atuação profissional, na ocasião de sua aposentadoria, o que, conforme a própria jurisprudência administrativa e judicial, não constitui obstáculo ao gozo da isenção. (e) aplicou, integralmente, eventual resultado operacional na manutenção de desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS, relatório circunstanciado de suas atividades (art. 55 V da Lei 8212/91 e art. 14II CTN); (f) manteve escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, tal como exigido pelo art. 14 III CTN, cuidando, ainda, de divulgar publicamente seus resultados, fato reconhecido pela própria administração, à época. Outrossim, a impugnante apresentou ao INSS relatório circunstanciado de suas atividades, dandolhe a conhecer os serviços caritativos que desenvolveu no período. (vii) Da inexigibilidade do SESC, SEBRAE, SENAC, INCRA. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 40 10 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo, conforme informação colhida dos autos. DO PROCEDIMENTO FISCAL O crédito tributário se refere à contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominadas “Terceiros”, quais sejam, Fundo Nacional de Desenvolvimento da 'Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e 3° da L/ei 11.457 de 16/03/2007, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: 2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91, conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo • Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240 de 28/03/2006, razão pela qual o presente crédito está sendo constituído. O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 41 11 De início, é importante se observar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração lavrado NÃO TEVE como fundamento a lavratura para se prevenir a decadência, nos termos do art. 86, do decreto 7.574/2011: Art.86.O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2oO lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, continuemos. Observase que no fundamento em que baseou o procedimento fiscal aparece nos autos controvérsias judiciais a respeito: Senão, vejamos. Em relação aos efeitos da expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004. No presente processo administrativo, bem como no processo 10830.727646/201261, constam informações de medidas judiciais que discutes tal matéria acerca do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais: (a) O Mandado de Segurança impetrado no STJ, MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), na qual se reconhece o direito da impetrante à manutenção do CEBAS, anulandose o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; (b) No processo 10830.727646/201261 às fls. 1984 da Impugnação, temse referência ao Agravo de Instrumento AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região, na qual se discute a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas a Fl. 41DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 42 12 autônomos, onde a Recorrente informa que se reconheceu judicialmente a "imprestabilidade" dos fundamentos do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, além de lhe garantir o direito adquirido ao certificado de entidade filantrópica sem prazo determinado com a isenção da cota patronal. Ou seja, a partir do trânsito em julgado e os efeitos no processo administrativo fiscal do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012) e do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, é que se poderá determinar, em sede Preliminar, se incorre em nulidade (total ou parcial, formal ou material), ou não, esta segunda fundamentação do procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração. Em consulta ao AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 0008864 40.2011.403.6105), ao site do TRF da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20110 3000249289), em 05.12.2015, constatase que, em 02.10.2004, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em consulta ao MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), ao site do STJ (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 200302372012&totalR), em 05.12.2015, constatase que a última movimentação ocorreu em 16.04.2010 com a certidão de objeto e pé. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, como prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração temse, por óbvio, que se observar os seguintes trânsito em julgado e os efeitos neste processo administrativo fiscal: (i) da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; e (iii) do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007797/201037 Resolução nº 2202000.625 S2C2T2 Fl. 43 13 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe (sendo que, após a conclusão das Diligências requeridas, a Unidade da Receita Federal do Brasil deverá intimar o contribuinte acerca do resultado das Diligências, abrindo o prazo de 30 dias para Manifestação com vistas ao contraditório e à ampla defesa): (i) o trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (iii) o trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; (iv) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012); (v) o trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região; (vi) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105; (vii) conclusivamente se, em função do resultado das diligências elencadas acima, a Recorrente possui direito à isenção de contribuições sociais previdenciárias no período 01/2008 a 12/2008; (viii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13841.000220/2005-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 02 20 /2 00 5- 04 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Campo Grande (fls. 108/114), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. A lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Mercado Externo, no valor de 20.737,35, apurado segundo o regime de incidência não cumulativa, correspondente ao terceiro trimestre de 2004. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002. A DRF em Limeira/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 52/53, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 14.066,82. A parte glosada corresponde ao crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, o qual, segundo a autoridade fiscal, é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduziu o seguinte: a) que a Instrução Normativa n° 600/2006 não poderia ter sido aplicada retroativamente, sob pena de ferir a segurança jurídica, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito, previstos no art. 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal; b) que ainda que se admitisse a aplicação da Instrução Normativa em tela, a compensação ora pleiteada não o é com relação a outros tributos e contribuições, mas referese à própria contribuição; e, c) que indeferir a compensação afrontaria o art. 151, inciso III, do Código Tributário nacional (CTN) e a própria Constituição Federal. Os argumentos em evidência, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL A IN SRF n° 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 vedam expressamente a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004 com base no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/200504 Acórdão n.º 3301002.703 S3C3T1 Fl. 157 3 Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão vergastada ocorreu em 18/10/2014 (fls. 118). Inconformada, a interessada apresentou, em 23/10/2014 (fls. 119), o recurso voluntário de fls. 119/134, onde se insurge contra a decisão de primeira instância com fundamento nos mesmos argumentos outrora apresentados, em especial contra a aplicação retroativa da IN SRF nº 660/2006, cujos ditames, ainda que aplicados, não impediriam a compensação, já que os débitos compensados também dizem respeito a PIS. Aduz ainda que o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria não possui nenhuma vedação, já que a compensação com a própria contribuição ou com tributos administrados pela Receita Federal foram claramente o desejo do legislador ao estipular tais normas. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, ou, alternativamente, que seja autorizado o creditamento dos valores no Sped EFD PIS COFINS/DACON, a fim de que sejam compensados posteriormente com outros débitos. Ao presente processo foram apensados os processos nos , 13841.000243/200591, 13841.000313/200521, 13841.000314/200575 e 13841.000315/200510, inerentes a declarações de compensação de débitos de PIS não cumulativo (código de receita 6912), IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica (código 1708) e retenção de contribuições CSLL/COFINS/PIS (código 5952). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para o PIS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por este CARF quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/200504 Acórdão n.º 3301002.703 S3C3T1 Fl. 158 5 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/200504 Acórdão n.º 3301002.703 S3C3T1 Fl. 159 7 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os créditos presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/200504 Acórdão n.º 3301002.703 S3C3T1 Fl. 160 9 Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, importa destacar que referida instrução normativa não inovou quando tratou da impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos. Como visto, o caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04 restringe o emprego dos referenciados créditos à dedução da contribuição correspondente, de sorte que nada há na instrução normativa em comento que extrapole o ditame legal reportado. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. O mesmo se diga em relação ao disposto no § 3o, inciso II, do artigo 8o da IN 660/06, que expressamente veda a utilização dos créditos presumidos para fins de compensação. Toda essa exegese é corroborada pelo novo tratamento dado à matéria a partir da edição da Lei nº 12.350, de 20/12/2010. Os artigos 56A e 56B da norma em evidência passaram a autorizar a compensação ou o ressarcimento dos créditos presumidos nas condições específicas traçadas pelo legislador, conforme se observa abaixo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). O artigo 56A da Lei nº 12.350/2010 corrobora tudo o que aqui já foi dito no sentido de que o direito de compensação ou de ressarcimento não alcançava os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, sendo os mesmos passíveis unicamente de utilização para a dedução da correspondente contribuição devida. Com efeito, não faria sentido o legislador editar norma permissiva de hipótese de compensação e de ressarcimento se a legislação outrora vigente já contemplasse tal possibilidade. Quanto ao artigo 56B da Lei nº 12.350/2010, a exceção criada pelo legislador que fortalece o entendimento aqui adotado também não socorre o sujeito passivo, já que restrita aos produtores de farelo de soja. Com efeito, conforme a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado pela interessada, a mesma tem como atividade a "exportação, importação, comércio e benefício de café". No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000220/200504 Acórdão n.º 3301002.703 S3C3T1 Fl. 161 11 (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 11634.720286/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2006
SOBRESTAMENTO.
O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62-A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS
O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaram-nos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.
IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS.
Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles.
Numero da decisão: 1202-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 10/09/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando:
(I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;
(II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);
(III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e
(IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaramnos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS. Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 86 /2 01 1- 74 Fl. 3257DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator ad hoc. EDITADO EM: 10/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 29, de 23 de junho de 2015. Relatório Segundo a relatora: Fl. 3258DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 3 3 "VERGOTI COMÉRCIO DE METAIS LTDA EPP (CNPJ 81.709.800/000188), teve contra si lavrados os autos de infração a seguir descritos, em relação ao SIMPLES, para o período de abril a dezembro de 2006, com fundamento em omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimentos, resultando em mudança de faixa de tributação. Os tributos cobrados são: IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Valor : R$164.255,99 Base legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, §1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99. CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Valor : R$164.255,99 Base legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. PIS contribuição ao PIS Valor : R$120.226,69 Base legal: art. 3º , “b” , da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cofins Valor : R$482.098,80 Base legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Contribuição para o INSS: Valor : R$1.396.256,21 Base legal: o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Fl. 3259DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 A tais valores, foi acrescentado multa de ofício no patamar de 75% e juros moratórios calculados com base na SELIC. Em sua Impugnação, relata que sua atividade, no ano de 2006, era o comércio atacadista de sucata de metais, serviço de torno e repuxo de metais e indústria de vergalhões de metais, e em novembro do mencionado ano, alterou sua atividade para comércio atacadista de sucata de metais (exceto chumbos, acumuladores e resíduos industriais) e comércio atacadista de vergalhões e linguotes de metais. Logo, sempre foi considerada como Empresa de Pequeno Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei Federal 9841/99, recolhendo seus impostos pelo Simples. Embora estivesse sempre em dia com suas obrigações, foi surpreendida por fiscalização da Receita Federal que a intimou a apresentar extratos bancários das contas correntes e de aplicações financeiras da empresa no período de 01/2006 a 09/2010, o que foi prontamente atendido. Com tais documentos, houve o lançamento de diferenças de tributos que compõe o Simples, por conta de supostas omissões de receitas, englobando todos os depósitos realizados nas contascorrentes bancárias em 2006. Porém, entende ser absurda a diferença encontrada, em valor correspondente a R$ 5.175.349,13, que não é coerente com a atividade exercida pela empresa, repisando que não há qualquer valor devido como tributo, juros ou multa, já que houve declaração em momento oportuno e o respectivo pagamento. Entende que o que se evidencia é que a autoridade promoveu o lançamento às pressas, para escapar da ocorrência da decadência para o ano de 2006, deixando de averiguar fatos importantes, inclusive em referência à própria condição da empresa. Pugna pela invalidade do lançamento realizado com base exclusiva em movimentação financeira. Neste ponto, destaca que não houve nenhuma receita não escriturada, inexistindo movimentação bancária que seja indicativo de receita bruta, cabendo a noção razoável de que nem toda movimentação bancária é receita. Destaca que a atuação do fisco foi arbitrária e precipitada, indicando que foi intimada a prestar informações sobre grande volume de dados no prazo exíguo de 5 dias, prorrogados por mais 5 dias. Disto, apresentou os seguintes documentos: declaração referente ao anocalendário de 2006, com demonstração da receita bruta, despesas e pagamento do SIMPLES devido; contrato social e alterações contratuais, que indicam a atividade econômica exercida e seu enquadramento como EPP; notas fiscais que demonstram as origens dos depósitos indicados no extrato bancário apresentado em conjunto. Informa que, menos de seis meses após o inicio da fiscalização, com 23 dias de análise da documentação referente a 233 folhas de extratos bancários e 500 movimentações financeiras, a foi concluída parte da fiscalização, que entendeu, em resumo, que as provas apresentadas não eram suficientes, não se apresentando como hábeis e idôneas. Diz que sempre houve plena colaboração para com o Fisco, atendendo às suas solicitações adequadamente, demonstrando ainda ato de boafé ao comparecer pessoalmente para prestar informações. Fl. 3260DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 4 5 Não obstante tal fato, diz que o prazo de 10 dias que lhe foi oferecido para apresentar defesa é demais exíguo ante o volume de documentação apresentada e que, a autoridade fiscal desconsiderou totalmente as informações prestadas, inclusive em relação à condição legal da empresa, especialmente o valor da receita bruta, despesas, compras e formação do estoque, desconsiderando também notas fiscais que comprovavam os depósitos e transferências bancárias. Indica que a autoridade fiscal não especificou o que considera como receita, eis que a totalidade de sua movimentação bancária foi como tal computada, sendo o lançamento realizado unicamente com base na movimentação bancária, prática vedada, inclusive pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes e Tribunais pátrios, trazendo decisões neste sentido. Ante tal situação, requer a anulação do auto de infração. Alternativamente, pugna pela determinação da revisão do lançamento, para que sejam excluídos valores que não sejam receitas, conferindose ao contribuinte prazo razoável para demonstrar a origem dos depósitos bancários. Prossegue, apontando para o caráter confiscatório da multa aplicada, no patamar de 75%, indicando que o valor da autuação é de R$ 1.743.320,00, ou seja, superior à sua receita bruta auferida no ano de 2006. Esta situação é absurda, fugindo a qualquer parâmetro de legalidade, evidenciando o caráter confiscatório da multa, engessando suas atividades comerciais, eis que a continuidade da empresa é impossível se tiver que arcar com tal valor, pelo que requer sua anulação. Disto, faz os requerimentos de: realização de diligências, com oitiva de prepostos seus, para comprovar que não houve a omissão de receitas, e a determinação à DRF de Londrina que apresente os documentos que comprovem sua inadimplência com o Simples; o recebimento e análise de documentos posteriormente, por ter lhe sido conferido prazo insuficiente para demonstrar a origem das suas movimentações bancárias, considerandose também a antiguidade das notas fiscais e documentos relacionados ao período de autuação; sua intimação na pessoa de seu representante legal quando da inclusão do processo na pauta de julgamento da DRJ Curitiba. Pede pela anulação do auto de infração e sucessivamente pela revisão do lançamento, ou que na hipótese de entender algum valor devido, requer, em nome da equidade e da boafé e para resguardar a continuidade da empresa, o perdão da dívida pela autoridade competente. Analisando o feito, a 2ª Turma da DRJ/CTA, no Acórdão n. 0637.636, decidiu por julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inicia sua análise contextualizando os fatos ocorridos, com histórico da autuação, que a seguir transcrevo: Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 “14. A ação fiscal iniciou em 25/10/2010, oportunidade em que foi intimada a apresentar uma série de livros e documentos, conforme explicitado no Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 0204. O período abrangido pela fiscalização foi de janeiro de 2006 a setembro de 2010. O presente processo referese tão somente ao período de abril a dezembro de 2006, portanto, os registros contábeis aqui analisados já deveriam estar concluídos. Assim, reclamar sobre a exigüidade de tempo para justificar a movimentação bancária não pode prosperar, posto que a Lei nº 9.317, de 1996, prevê em seu artigo 7º: “Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2º O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista.” (grifos acrescidos). 15. Percebase que se tratando de um benefício fiscal, para aderir ao Simples o sujeito passivo deve, necessariamente observar a legislação de regência. A contribuinte não observou o regramento pois, se o tivesse feito, certamente não poderia ter permanecido no benefício face o volume de receita apurado pelo fisco. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade detectou que somente no ano calendário de 2006, para uma receita bruta declarada de R$1.341.347,59, ocorreram créditos nas contas correntes bancárias no importe de R$16.456.958,68, gerando uma omissão da ordem de R$15.115.611,09. Portanto, também descabe a queixa de que não foi observado o porte da empresa. O fato de a empresa haver declarado junto ao cadastro do CNPJ tratarse de uma EPP, não prospera diante da receita apurada. 16. Pois bem, os extratos bancários foram solicitados à contribuinte em 21/12/2010 e, em 05/04/2011 ela recebeu a intimação para comprovar a origem dos depósitos. Às fls. 250269 os valores a serem comprovados, individualizados por conta e por banco. O prazo estipulado foi de cinco dias e prorrogado por mais cinco, conforme solicitação à fl.270. 17. Em determinado ponto da defesa, a impugnante afirma que a autoridade fiscal desconsiderou suas justificativas. Mero argumento. Os documentos que foram apresentados se encontram às fls. 338342. No termo de Verificação Fiscal eis o que o fiscal fala sobre o assunto: “4.4 – A empresa fiscalizada em data de 11 de abril de 2011, solicitou nova dilação e prorrogação de prazo, tendo sido concedido por mais 05 (cinco) dias, cópia de fl. 270. Entretanto não houve atendimento ao solicitado na intimação, tendo a mesma apresentado cópias de algumas notas fiscais, por amostragem (cópias de fls. 338 342), coincidentes com os valores de depósitos efetuados e lançados nas contas correntes bancárias, mas que já haviam sido consideradas na Receita Bruta declarada anteriormente e já declaradas para a apuração mensal do Simples no exercício de 2006.” 18. E aqui cabe questionar, se o sujeito passivo se queixa de o fisco procurar a comprovação da origem de quase 500 lançamentos bancários, a simples apresentação de cinco notas fiscais não seria pouco para demonstrar seu empenho? Conforme restou consignado, no mais, ela não dispôs de argumentos e instrumentos que pudessem lhe dar sustentação e que criassem uma vinculação entre os depósitos e suas operações comerciais, essa representadas por umas poucas notas fiscais, por amostragem, e com informações verbais em relação aos créditos lançados. 19. Assim, com base na legislação que rege a matéria, a autoridade fiscal efetuou o lançamento por omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O permissivo legal autoriza a exigência com base na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 2006, cabendo à impugnante o ônus de afastála, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que justifiquem a origem daqueles créditos.” Em relação às decisões jurisprudenciais e administrativas trazidas e a doutrina citada, indica que cabe a observância ao art. 102, § 2º e 103A da Constituição Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 5 7 Federal, de onde se tem que apenas as Súmulas vinculantes, criadas de acordo com as normas constitucionais e as decisões nas quais o contribuinte figure como parte deverão ser observadas pela administração pública, indicando ainda que o administrador também não se submete aos entendimentos e súmulas dos Tribunais Superiores, por não fazerem parte da legislação tributária mencionada pelos artigos 96 e 100 do CTN – Código Tributário Nacional. Indica que as decisões trazidas somente produzem efeitos inter partes, nos termos do artigo272 do CTN, não produzindo estas ou a doutrina citada efeito vinculante às decisões e atos administrativos em geral. Na análise do valor das exigências discutidas, diz que o lançamento tributário é obrigatório, eis que sua legislação de regência é vinculante, não cabendo à autoridade fiscal questionar a legalidade ou sua oportunidade ou conveniência, eis que surgindo a obrigação tributária, tem –se o dever de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do CTN. Ainda, aponta ser necessário o lançamento porque a ciência deste pelo contribuinte, não obstante ser providência preparatória indispensável, não é a exigência do crédito tributário, pois a impugnação apresentada pode ser acolhida, afastandose a exigência, que só se torna efetiva com o decurso in albis do prazo para impugnação ou mediante decisão administrativa final, com a cobrança amigável ou a inclusão em Dívida Ativa, seguida da propositura de execução fiscal, providências a serem tomadas só na hipótese de não haver a suspensão do crédito nos termos do artigo 151 do CTN. Também aponta a necessidade da lavratura do auto, pois a constituição do crédito se dá pelo lançamento, sem o qual ele não existe, destacando que antes do lançamento só há a obrigação tributária, que depende unicamente da ocorrência do fato gerador. Assim, aponta que se os valores lavrados são de grande monta, isto ocorreu em decorrência da contribuinte não escriturar 91,2% de sua movimentação financeira ocorrida entre os meses de abril a dezembro de 2006, gerando a falta de recolhimento de tributos, sujeitandose ao lançamento de ofício, com o qual surge o poder/dever de o fisco exigir a multa e os juros moratórios. Aqui, indica que não há no processo administrativo fiscal a possibilidade de se afastar exigência fiscal somente porque o interessado assim o deseja. A única possibilidade decorre da existência de provas contundentes de que os valores objeto da autuação já foram tributados ou que a ação esta eivada de erro ou vício, o que não se vislumbra no caso. Afasta também a alegação do contribuinte de que o lançamento não tem suporte em um efetivo e real fato gerador, mas mera presunção que considerou os valores lançados em sua conta corrente como tributáveis. Diz que o contribuinte se insurgiu contra a autuação, tida como ilegal por ter sido embasada em depósitos bancários, que não seriam sinônimos de obtenção de renda. Apreciando a questão, indica que o lançamento possui respaldo no artigo. 42 da Lei n. 9430/96, que só poderia ser afastado pela declaração de inconstitucionalidade, não sendo cabíveis os argumentos trazidos na esfera administrativa, pelo que não toma conhecimento destes. Neste sentido, indica a vinculação da autoridade administrativa aos ditames legais, nos termos do artigo 116, III da Lei nº 8113/90, especialmente quando ao controle de Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 exercício do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, não cabendo aos seus agentes apreciar questões que importem em negação à vigência e eficácia dos preceitos legais considerados inconstitucionais ainda que indiretamente. A ela, cabe tão somente seguir a lei e obrigar seu cumprimento, conforme determinação contida no Parecer Normativo COSIT/SRF nº 329/70 e na Portaria MF nº 58/2006, art. 7º, pelo que entende superada a controvérsia sobre a matéria, ao menos em relação às DRJ. Indica que lhe falta competência para apreciar questões referentes à alegação de inconstitucionalidade dos preceitos legais contidos no auto de infração, eis que, em relação às leis regularmente editadas, há a presunção de legitimidade até sua declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, na via direta ou pelos demais órgãos do Poder Judiciário, pela via do controle difuso, sendo que, de qualquer modo, somente ao Poder Judiciário há a autorização constitucional para afastar a aplicação de lei regularmente editada, restando neste ponto, ao administrador sua aplicação, a menos que estas se incluam nas hipóteses do Decreto nº 2346/1997 ou em virtude de determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte. Apreciando a questão do lançamento, aponta que antes de adentrar o mérito da questão, deve contextualizar o lançamento efetuado, com a definição do fato gerador e o ônus da prova imputável a cada uma das partes. Transcrevo trecho da decisão, por ser didática: “47. Inicialmente, fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta à omissão de rendimentos objeto de tributação. 48. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. 49. Registrese que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal ocorreu em 25/10/2010 e, até a data da lavratura do Termo de Verificação Fiscal datado de 28/04/2011, nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos bancários foi encaminhado ao fisco. Assim, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. 50. Oportuno se faz um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 51. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.” 52. À vista de tais regras temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 53. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990: foi promulgada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que nos arts. 42 e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 6 9 art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF,de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...]” 54. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 55. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita ou sinal exterior de riqueza. 56. É notório que qualquer movimentação financeira retrata um fato que se reflete no patrimônio do contribuinte, sendo, portanto, passível de comprovação. A falta de comprovação da origem desse numerário evidencia que a mesma corresponde à disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada” Disto, esclarece que ante a verificação da omissão de receitas, esta influencia no montante de receita bruta mensal e receita bruta acumulada, que por sua vez influencia a apuração de quais percentuais serão aplicáveis no cálculo dos tributos. Assim, com a omissão de receitas, diminuiuse o valor da receita bruta mensalmente declarada, gerando a insuficiência no recolhimento de tributos pelo interessado. Em relação às exigências reflexas, indica que para os lançamentos de CSLL, PIS, COFINS, IPI e da contribuição ao INSS estes são decorrentes do lançamento do IRPJ, cabendo a eles seguir a sorte da decisão do lançamento principal. Aponta que este entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa, citando julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, não cabendo, portanto reparos ao lançamento. Analisando a argumentação trazida em relação à multa de ofício, repisa que o lançamento é ato administrativo plenamente vinculado à lei, cabendo responsabilização funcional do agente público caso não haja tal observância, nos termos do artigo 142 e seu parágrafo único do CTN, ante a consideração de que toda norma legislativa nasce com presunção de constitucionalidade, só afastada por decisão proferida em sede de Poder Judiciário. Com isso, a única conduta possível ao agente público é a aplicação da multa no patamar de 75%, conforme determinação do artigo 44, I, da Lei 9430/96. Indica que este também é o entendimento esposado na Súmula nº1 do CARF. Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Por fim, tece comentários sobre o pedido genérico de produção de provas e oitiva de testemunhas efetuado. Entende que foi dada ampla oportunidade de produção de provas e defesa à impugnante, ainda na fase de fiscalização, mas que, mesmo na fase de impugnação esta não se desincumbiu de apresentar documentação hábil que comprovasse que toda a receita foi oferecida à tributação. Informa que o momento oportuno para a juntada de documentos é a impugnação, sob pena de preclusão, conforme o disposto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, citando por oportuno o contido no artigo 16, §4º do mesmo artigo, com exceções ao aludido momento, destacando que nenhuma delas ocorreu no caso concreto. Aponta que em decorrência do falso pressuposto de que todo auto de infração já nasce perfeito e acabado, criouse a pretensão da autuada em querer imputar à administração pública o ônus de apurar a verdade dos fatos, o que não é verdade, eis que a princípio a função das instâncias julgadoras administrativas é de justamente aperfeiçoar o lançamento, por sua revisão, e em face de imperfeições do ato, buscarseia sua reforma, e não sua anulação. Analisando o argumento de que o lançamento não reproduz a verdade dos fatos, diz que a verdade é um conceito metafísico, de análise difícil, e que apesar de não poder sofrer experimentação, pode ser conhecida, racionalizada. Cita doutrina de Fabiana Del Padre Tomé e Tárek Moyses Moussalem sobre o tema, identificando, em apertada síntese que o que se convencionou chamar de “verdade real” não é senão a submissão do processo administrativo aos princípios da legalidade e da oficialidade, pelo que afasta o entendimento do contribuinte. Afasta também os pedidos de depoimento pessoal do impugnante, oitivas de testemunha e sustentação oral, ante inexistência de previsão legal a estes na primeira instância. Em relação à perícia, entende que esta busca transferir ao Fisco o ônus probatório imposto a contribuinte a ser exercido no decorrer da ação ou na impugnação. Destaca que, embora o pedido de prova pericial seja permitido, o mesmo pode ser indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70235/71 PAF, se a autoridade julgadora decidir que estas são prescindíveis ou impraticáveis. Ainda, indica que a realização da diligência ou perícia pressupõe a necessidade de conhecimento técnico especializado ou esclarecimentos de fatos considerados obscuros, não se incluindo entre os direitos subjetivos do contribuinte. No caso concreto, a perícia requerida busca comprovar a origem dos depósitos bancários no período fiscalizado, o que era de responsabilidade da parte, pelo que indefere o pleito, por considerala prescindível para o deslinde do feito. No que tange a remissão requerida, aponta que o artigo 150, §6º da Constituição Federal, eventual remissão de imposto sobre a renda deve ser precedida de lei específica, mencionando neste sentido o artigo 172 do CTN, que preceitua que somente a lei pode autorizar a concessão, via despacho fundamentado, de remissão parcial ou total do crédito tributário, hipótese que não se verifica no presente processo. Assim, por falta de previsão legal, afasta o pedido de remissão. Por fim, rejeita o pedido de intimação do representante legal da contribuinte da inclusão do processo em pauta de julgamento da DRJ, ante a inexistência de previsão legal. Assim, mantém integralmente o lançamento. A contribuinte foi intimada em 6 de agosto de 2012 e apresentou Recurso Voluntário em 5 de setembro de 2012, reiterando os argumentos trazidos em sua inicial, Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 7 11 acrescendo a estes, em essência, o argumento de que, em respeito ao reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, foi dado o caráter de repercussão geral, com o sobrestamento de todos os recursos em trâmite perante sua competência, referentes a “fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar n. 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência – Tema nº 225”. Logo, ante o disposto no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF, vez que há nos autos a discussão da constitucionalidade e legalidade das provas – extratos bancários – que serviram de base dos autos de infração de modo a evitar decisões conflitantes entre o STF e o órgão administrativo. Também, indica que a impugnação apresentada possuía efeitos suspensivos, e enquanto pendente a discussão dos efeitos e de sua suspensão do Sistema Simples, não poderiam ser lavrados autos de infração contra a empresa, pelo que estes padecem de nulidade. Aponta que ante o não deferimento de provas e diligências, que houve cerceamento de defesa, pedindo pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida. Disto, refuta a afirmação que o processo administrativo deve buscar a verdade processual. Cita doutrina de Leandro Paulsen, que indica que é necessário a busca da realidade dos fatos. Neste passo, aponta que o formalismo excessivo não pode se sobrepor à verdade, citando o Acórdão nº 1402000.497 do CARF. Destaca que é clara a intenção da recorrente em produzir as provas necessárias para afastar a presunção legal, especialmente por meio da juntada de novos documentos que irão comprovar que os depósitos realizados nas contas correntes não são receitas tributárias. Ainda, que a prova pericial requerida buscava afastar as incorreções dos cálculos realizados pela autoridade fiscal, especialmente por incluir na base de cálculo tributos como o ICMS ou valores correspondentes à venda de sucata para empresas no lucro real. Só pelo volume de operações imputados, há a autorização do pedido de provas requerido, conforme indica os arts. 36, 57, §6º do Decreto n] 7574/2011, mas mesmo assim não houve o deferimento pela autoridade, o que aponta para o cerceamento de defesa. Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc Segundo a relatora: O presente Recurso Voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, inclusive o temporal, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse os autos de cobrança de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, relativas ao período de abril a dezembro de 2006, fundamentada em omissão de receitas derivada de cruzamento das informações constantes nas Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 declarações do SIMPLES enviadas à Receita Federal e as informações constantes dos extratos bancários entregues pela recorrente em resposta à intimação durante o processo de fiscalização. A autoridade fiscal identificou que 92% da movimentação bancária do período não constavam nas declarações entregues à Receita Federal. A empresa era optante do SIMPLES, considerada como Empresa de Pequeno Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei nº 9841/99. Consoante relatório, sua atividade em 2006 era o comércio atacadista de sucata de metais, serviço de torno e repuxo de metais e indústria de vergalhões de metais. A partir de novembro do mesmo ano, alterou sua atividade para comércio atacadista de sucata de metais (exceto chumbos, acumuladores e resíduos industriais) e comércio atacadista de vergalhões e linguotes de metais, continuando a ser uma EPP. A recorrente, em seu Recurso Voluntário, traz o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal no Tema de nº 225 sobre o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, o que resultaria em sobrestamento do julgamento em virtude do artigo 62A, §1º do Regimento Interno do CARF. Cabe esclarecer que , em 18 de novembro de 2013, foi publicada Portaria nº 545, com o objetivo de revogar os §§ 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, os quais possuíam a seguinte redação: "§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Ou seja, de acordo com a regra anterior, caso o Supremo Tribunal Federal reconhecesse a repercussão geral de determinada controvérsia, esse colegiado deveria sobrestar os julgamentos dos recursos interpostos em sede de processos administrativos que versassem sobre matéria idêntica àquela tratada no leading case a ser julgado pela Suprema Corte. Após o julgamento da matéria que teve o reconhecimento em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, esse Colegiado deveria reproduzir em seus julgados a conclusão firmada no recurso julgado sob o regime da repercussão geral. Com a revogação desses parágrafos, não há mais o que se falar em sobrestamento dos recursos submetidos ao CARF com reconhecimento de repercussão geral, os julgamentos dos recursos administrativos sobrestados com base na regra antiga devem ser retomados, mesmo que o Supremo Tribunal Federal não tenha emitido juízo de valor definitivo sobre a controvérsia que teve a repercussão geral reconhecida. Permanece o dispositivo 62A, o qual determina que esse colegiado, em suas decisões, deve refletir o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (artigo 543B, CPC) e pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (artigo 543C, CPC). Desse modo, sem mesmo adentrar na semelhança ou da discussão aqui neste processo com o tema de nº 225 reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal como de repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 8 13 não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. Voltemos ao julgamento das preliminares e mérito. Alega a recorrente que o procedimento de fiscalização foi às pressas e não foi feita segregação do que é receita e o que não era. Como relatado pela autoridade lançadora e não refutado pela contribuinte, o procedimento fiscal se iniciou em 25 de outubro de 2010, para o período de janeiro de 2006 a setembro de 2010. Nos termos da Lei nº 9317/1996, artigo 7º, § 1º, a microempresa deve apresentar declaração simplificada em todos os anoscalendários e, apesar de não estar sujeita à escrituração comercial, deve manter em boa ordem e guarda o Livro Caixa, Livro de Registro de Inventário, e todos os demais documentos e papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos. Solicitada a apresentar os documentos, incluindo os extratos bancários, a recorrente o fez prontamente, quando possibilitou à autoridade fiscal a observar que foi declarada uma receita bruta de R$1.341.347,59, enquanto que o total de crédito nas contas correntes bancárias foi de R$16.456.958,68, com uma diferença de R$15.115.611,09. Chamada a explicar a diferença, no prazo de 5 dias prorrogados por mais 5 dias, a recorrente apresentou notas fiscais, por amostragem, (cópias de fls. 338342), que coincidem com créditos lançados em contascorrentes bancárias e também com receitas declaradas à Receita Federal, até o momento, a recorrente não explicou a diferença, como solicitado pela autoridade fiscal, individualizadamente e por conta e banco (fls. 250269). A reclamação da recorrente poderia estar correta se, em algum momento, tivesse dado indício de que há explicação para ter um crédito em contacorrente bancária muito maior que o apresentado nas declarações simplificadas, mas não apresentou. Apenas argumenta com os fatos e entrega para a autoridade lançadora o ônus da prova dessa diferença. Não há nada nos autos que dê sustentação ao pedido de diligência, requerido pela recorrente, ou que demonstre que há uma explicação para a não vinculação dos créditos em contacorrente bancária e os registros da declaração simplificada. Com isso, a presunção aqui apontada de omissão de receitas, parecenos correta. Com base no artigo 42, da Lei nº 9430/1996, temos que: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A partir de 1996, com o advento do artigo retro transcrito, temos que é considerada omissão de receitas ou rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou investimento junto à instituição financeira que não forem comprovados sua origem, mediante documentação hábil e idônea. Suportada por tal regra, a autoridade lançadora efetuou o lançamento. Em nenhum momento, a recorrente apresenta qualquer documento que tenha uma explicação para tal diferença. Portanto, o lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaramnos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 Sobre a perícia, produção de provas e oitiva de testemunhas, até o momento não temos documentação que traga algum indício de que não houve omissão de receitas, nada foi apresentado pela impugnante, nem na fase de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Nos termos do artigo 16, IV, §4º do Decreto 70235/1972, temos que: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” As diligências ou perícias têm que estar motivadas, o que aqui não vemos apresentados. Não há motivo para retardar o julgamento e solicitar nova revisão por parte de peritos, uma vez que não há documentação que indique os peritos que devem ser indicados, basta que sejam apresentadas provas, documentos que justifiquem a diferença apresentada, o que não foi feito. Assim, não cabe aqui também acatarmos o pedido da recorrente. Em relação à aplicação de multa de ofício de 75%, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, esse colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, devem ser seguidos os ditames do artigo 44, I, da Lei nº 9430/1996. Para os juros incidentes sobre a multa de ofício, concordo com a recorrente que a melhor interpretação que se faz do artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9430/1996. Há juros de mora somente sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, conforme o § 3º do mesmo, isto é, só se aplica os juros sobre os tributos e contribuições e, não, sobre as penalidades aplicadas aos tributos e contribuições. Esse também foi o entendimento desse colegiado, cuja ementa do Acórdão assim dispõe sobre os juros sobre multa de ofício: “Processo nº 19515.003663/200527 Acórdão 10196523 Sessão de 23/01/2008 INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV Provido em Parte.” Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles. Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720286/201174 Acórdão n.º 1202001.117 S1C2T2 Fl. 9 15 Por todo o exposto, o voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Foi como votou a relatora. Plínio Rodrigues Lima Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 13864.720036/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE MÚTUO, APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Exclui-se da base tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário, rejeitando-se alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações em termos gerais, dissociadas de comprovantes coincidentes e datas e valores, mormente se nenhum livro contábil ou fiscal foi apresentado pelo sujeito passivo.
ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou, alternativamente Livro Caixa, no qual esteja registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO CABIMENTO. Se a fiscalizada não se queda inteiramente inerte quanto ao atendimento às solicitações da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados e suas omissões foram inteiramente supridas pela autoridade fiscal mediante a aplicação da legislação pertinente (Requisição de Movimentação Financeira diretamente às instituições financeiras, em face da não apresentação de extratos; e arbitramento do lucro pela não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais), deve ser cancelado o agravamento da multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação.
Numero da decisão: 1302-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido sobrestamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 4) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.642 1 3.641 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720036/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.805 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2016 Matéria IRPJ e Reflexos Omissão de Receitas Recorrente ROYSTER SERVIÇOS S/A (Responsável tributário: Lúcio Bolonha Funaro) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE MÚTUO, APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Excluise da base tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário, rejeitandose alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações em termos gerais, dissociadas de comprovantes coincidentes e datas e valores, mormente se nenhum livro contábil ou fiscal foi apresentado pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou, alternativamente Livro Caixa, no qual esteja registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO CABIMENTO. Se a fiscalizada não se queda inteiramente inerte quanto ao atendimento às solicitações da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados e suas omissões foram inteiramente supridas pela autoridade fiscal mediante a aplicação da legislação pertinente (Requisição de Movimentação Financeira diretamente às instituições financeiras, em face da não apresentação de extratos; e arbitramento do lucro pela não apresentação dos livros e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 36 /2 01 3- 18 Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.643 2 documentos contábeis e fiscais), deve ser cancelado o agravamento da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido sobrestamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 4) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.644 3 Relatório ROYSTER SERVIÇOS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 07/03/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 91.538.306,55. Consta da decisão recorrida o seguinte relato da acusação fiscal: DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal iniciouse com o Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 26/03/2012, ciência da contribuinte por via postal "AR" em 04/04/2012 (fls. 4/7), no qual o Fisco comunicou o início do procedimento e requisitou a apresentação ou disponibilização dos seguintes Livros e documentos: ELEMENTOS e/ou ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS 1) Cópia do Contrato Social e alterações posteriores (permitida a apresentação somente em meio digital arquivo PDFt gravado em CD de dados ou pendrive) 2) Apresentar seus Livros Diário e Razão correspondentes ao anocalendário de 2008. 3) Apresentar cópia do Balanço Patrimonial assim como do Demonstrativo de Resultados do Exercido do anocalendário 2008, devidamente assinados pelo responsável (caso constem registrados no Livro Diário; está dispensada a apresentação deste item separadamente) 4) Apresentar seus Livros Caixa, de Registro de ISS e auxiliares, referentes ao ano calendárío de 2008 5) Relação de todas as suas contascorrentes, contas poupança ou contas de investimentos mantidas pela empresa no Brasil e no exterior, no período de 01/01/5008 a 31/12/2008, com a especificação do nome da instituição, números da agência e da conta. 6) Extratos completos da movimentação financeira de todas as contas a que se refere o item "5" acima, e que devem ser fornecidos em papel e em meio magnético (planilha de dados ou formato .pdf). 7) Em relação aos extratos a que se refere o item "6" acima, selecionar os 20 (vinte) maiores valores creditados/depositados no ano de 2008 que se referiam a TED ou DOC recebido ou DEPÓSITO RECEBIDO EM DINHEIRO OU CHEQUE. Para estes, identificar por escrito, e comprovar, mediante documentação hábil e idônea a origem destes valores (informando o remetente) 8) Em relação aos extratos a que se refere o item "6" acima, selecionar os 20 (vinte) maiores valores debitados no ano de 2008 que se referiam a TED ou DOC efetuado ou SAQUE EM DINHEIRO OU CHEQUE COMPENSADO. Para estes, identificar por escrito, e comprovar, mediante documentação hábil e idônea o destino dos valores (informando o beneficiário). 9) Apresentar listagem de maiores clientes. A listagem deve informar o CPF ou o CNPJ e a receita bruta obtida de cada um deles em ordem decrescente de valores até que se atinja ao menos 80% da receita bruta da empresa Royster no ano de 2008. Também devem ser descritos qual (is) o(s) tipo(s) de serviço foi(ram) prestado(s) a cada um destes clientes. Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.645 4 Após requerer prorrogações de prazo, a contribuinte entregou cópias de extratos bancários apenas de um estabelecimento (fls. 12/20), o que levou a Fiscalização, na forma do Termo de Intimação Fiscal de 17/05/2012 (ciência por via postal "AR" em 24/05/2012 (fls. 21/23) a reiterar as requisições feitas anteriormente e ainda não atendidas. Em 29/05/2012, capeado pela petição de fls. 24/25 a fiscalizada fez esclarecimentos que entendia necessários acerca de suas operações bancárias, apresentou cópias de seus Estatutos Sociais e entregou Balanço Patrimonial de 2008 (fls. 26/105), retornando aos autos em 15/06/2012 para requerer prorrogação no prazo para atendimento dos itens faltantes (fls. 106/107). Mediante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 18/06/2012 (ciência por via postal "AR" em 26/06/2012 fls. 108/111), a Autoridade Fiscal relatou o resumo do procedimento até referida data e concluiu entendendo ser incabível nova prorrogação de prazo, declarando a fiscalizada "revel" em relação aos documentos faltantes, configurandose "embaraço à fiscalização", na forma do artigo 919, parágrafo único do RIR/1999. No mesmo Termo, o Fisco reiterou que: a) ao contrário do que afirma a fiscalizada em sua petição protocolizada na repartição fiscal em 29/05/2012, a opção pelo lucro presumido não a isenta de possuir o Livro Caixa, pelo contrário, este passa ser obrigatório no caso de não efetuar a escrituração contábil regular nos termos da legislação comercial (art. 527 do RIR/99), b ) por outro lado, nem o Livro Razão que a empresa se comprometeu a entregar em 15 dias contados de 29/05/2012 foi apresentado. Aliás, vale lembrar que Livros Contábeis/Fiscais são documentos que a empresa deve apresentar de imediato por ser sua obrigação mantêlos escriturados e à disposição dos órgãos de fiscalização, não havendo sentido em solicitar seguidos pleitos de prorrogação para trazêlos,ainda mais sem justificativa razoável para tanto. c) da mesma forma, a opção pelo lucro presumido não a isenta de possuir o Livro de Registro de ISS, que também foi alvo de solicitação da fiscalização. d) o sujeito passivo também se recusou, sem, qualquer justificativa a fornecer informações relativas aos seus clientes. e) quanto às informações bancárias, em nenhum momento o sujeito passivo apresentou documentação ou informação dos bancos BIC e BRADESCO que comprovasse, ou indicasse, que estas instituições tinham problemas em fornecer os dados solicitados dentro do prazo estipulado, se limitando a dizer, a exemplo da petição protocolizada em 29/05/2012, que "estamos aguardando as lnstituições nos entregarem (sic)". Para finalizar: Dessarte, não havendo justificativa para o não atendimento às requisições fiscais, é de se deduzir negligência com as requisições fiscais ou um comportamento reiterado de intenção meramente protelatória por parte do sujeito passivo, caracterizado em qualquer caso o embaraço à fiscalização, sujeitando o contribuinte às conseqüências legal e normativamente previstas, sem prejuízo da faculdade da autoridade fiscal em solicitar novos elementos e/ou esclarecimentos no curso do procedimento em voga. Após cientificar a fiscalizada, por via postal "AR", da continuidade da ação fiscal (fls. 112/113), o condutor do feito solicitou ao Titular da DRF/São José dos Campos SP a emissão de Requisições de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF) da contribuinte em relação às instituições financeiras nas quais a mesma manteve movimentação no anocalendário de 2008, tendo os estabelecimentos intimados apresentados os documentos e prestado as informações requeridas (fls. 114/628). Sequencialmente, o Fisco cientificou a contribuinte sobre a continuidade da ação fiscal (fls. 629/632) e lavrou, em 09/01/2013, o Termo de Intimação Fiscal de fls. Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.646 5 633/634, elaborando ainda os Anexos I e II (enviados à intimada) contendo sua movimentação bancária e exigindo as devidas justificativas para os valores apontados em suas contas (fls. 635/652), com ciência da interessada em 15/01/2013, por via postal "AR" (fls. 653). Às fls. 654 consta petição da fiscalizada, datada de 21/01/2013, requerendo prorrogação por mais 45 dias no prazo para atendimento à intimação do Fisco, tendo este concedido 20 dias, fixando em 14/02/2013 o prazo final e improrrogável para que a contribuinte apresentasse os documentos e informações ainda não entregues ou prestadas (fls.655/656). A partir de 09/01/2013, o condutor do feito iniciou diversos procedimentos de "diligências" junto a pessoas físicas e jurídicas que, no entender fiscal, tinham relação com a contribuinte (cf. MPF(D) de fls. 2537/2555), tendo ainda juntado aos autos diversos documentos, dentre eles informações cadastrais e fiscais extraídas do banco de dados da Receita Federal e da Junta Comercial do Estado de São Paulo em relação à fiscalizada e aos diligenciados (fls. 657/1058). Juntou, ainda, cópia do "Relatório Final da CPI das ONGs", elaborado pelo Congresso Nacional (fls. 1059/2536). As intimações lavradas pelo Fisco para consecução das diligências e as informações prestadas e documentos apresentados pelos diligenciados estão juntados às fls. 2556/3000, 3101/3341 e 3348/3350. DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 3001/30351, a Autoridade Tributária relatou o resumo de todo o procedimento havido, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada e diligenciadas, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, afirmando, em caráter inaugural, sobre o objeto da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que, "embora sua receita bruta declarada tenha sido de R$ 3,3 milhões em 2008, a autoridade fiscal apurou o montante de mais de R$ 224 milhões em depósitos/créditos bancários que não tiveram a sua origem comprovada, assim como não houve a comprovação de que os mesmos já tivessem sido devidamente oferecidos à tributação ou que fossem isentos, razão pelo qual se constituiu o lançamento exofficio, sob a presunção de omissão de receita". A seguir, afirma o Agente Fiscal: i) que, "em 26/03/2012 foi elaborado Termo de Início de Fiscalização, através do qual o sujeito passivo foi intimado a apresentar, entre outros documentos, os seus livros contábeis/fiscais, os extratos de movimentação de suas contas bancárias e a listagem dos seus maiores clientes, assim como a especificação dos serviços a eles prestados, referentes ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2008". ii) que, "o sujeito passivo requereu em 26/04/2012, em petição assinada pelo seu DiretorPresidente, Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, a prorrogação em mais 45 dias do prazo para atendimento à fiscalização,que por sua vez concedeu uma extensão de 15 dias em função do contexto apresentado"; que, "o contribuinte em documento assinado pelo Sr. LUCIO, de tudo que foi solicitado pela fiscalização, apresentou apenas um extrato bancário de uma instituição financeira, solicitando prorrogação de outros 45 dias para os demais itens", e que, "não tendo a fiscalizada apresentado qualquer justificativa razoável para tal extensão de prazo, principalmente para itens que independiam de terceiros, tais como os livros fiscais e a listagem de clientes e de serviços prestados em 2008, a autoridade fiscal lavrou em 17/05/2012 Termo de Intimação em caráter peremptório para cumprimento por parte do sujeito passivo". Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.647 6 iii) que, "em 29/05/2012, o contribuinte entregou, em outra petição assinada pelo Sr. LUCIO, apenas cópias do seu contrato social e alterações e afirmando que, por ser tributada pelo lucro presumido, "não possuindo livros fiscais, somente o Livro Razão, o qual será entregue em 15 dias", e que, "passados os 15 (quinze) dias, o contribuinte enviou via Sedex novo documento ao fisco (recebido em 15/06/2012), afirmando que "os itens que ainda não puderam ser atendidos, inclusive por depender de terceiros (como instituições financeiras), constituem fato superveniente, que independem da vontade da contribuinte..."; iv) que, "diante da falta de motivos razoáveis para a postergação em fornecer informações simples (como a de informar quais os clientes da empresa e o tipo de serviços que eram prestados), da falta de comprovação de dificuldades externas à vontade da fiscalizada e do não cumprimento do compromisso em entregar o Livro Razão, a fiscalização lavrou em 18/06/2012 o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, registrando a negligência, o caráter protelatório das atitudes do contribuinte no curso da ação fiscal e a sua sujeição às conseqüências legais cabíveis"; v) que, "ainda assim, o contribuinte continuou a se negar a atender a fiscalização federal", e que, "não restando outra alternativa ao fisco, em13/08/2012 foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira às instituições bancárias de interesse'; vi) que, "não obstante, com base no conjunto de informações bancárias juntadas aos autos, foi possível à fiscalização levantar os depósitos/créditos cuja origem e devida tributação, a princípio, não puderam ser confirmados, o que foi objeto de uma nova intimação ao sujeito passivo"; que, "o termo que solicita do contribuinte a identificação e demonstração da origem dos valores foi lavrado em09/01/2013 e encaminhado ao seu domicílio fiscal'; que, "mais uma vezo contribuinte preferiu restar silente", e que, "não houve manifestação por parte do interessado". Depois de se referir às diligências que realizou (no total de 19, entre pessoas físicas e jurídicas), a Autoridade Fiscal passa a discorrer sobre as irregularidades apuradas na ação fiscal desenvolvida, destacando: 3.1 SOBRE A INCOMPATIBILIDADE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM RELAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS No tópico, informa ter procedido ao levantamento da movimentação bancária da fiscalizada, realizado o expurgo de valores comprovados (transferências entre contas de mesma titularidade, resgates de contas de poupança ou de aplicações financeiras, etc.), valores de créditos inferiores a R$ 100,00, elaborando planilha demonstrativa que foi enviada à contribuinte para as devidas justificativas das origens dos recursos. Nas literais palavras do Fisco: vii) que, "a mesma planilha, agora classificada em ordem de data, encontrase anexa ao presente Termo. A partir dela, verificase uma incompatibilidade entre a movimentação financeira de créditos e/ou depósitos bancários nas contas da contribuinte visàvis aos valores por ela declarados como receita bruta em DIPJ (ND 0687451 entregue em 29/06/2009/" (Termo de Verificação Fiscal fls. 3005); viii) que, "o comparativo está consolidado na tabela abaixo". Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.648 7 3.2 DA NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVAÇÕES E JUSTIFICATIVAS PELO CONTRIBUINTE Inicia o item esclarecendo que "submeteu os valores que foram levantados de depósitos/créditos bancários ao contribuinte, mas o mesmo preferiu restar silente'", para, a seguir, ressaltar. ix) que, "tendo sido o procedimento fiscal caracterizado por pedidos de prorrogação de prazos assinados pelo DiretorPresidente da empresa o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, mas sem o efetivo esclarecimento às demandas fiscais"; x) que, "dessarte, resta ao AuditorFiscal titular do procedimento proceder à conclusão do mesmo com o lançamento exofficio dos valores devidos". 3.3 DA IDENTIFICAÇÃO, ANÁLISE E MOTIVAÇÃO DOS FLUXOS DE RECURSOS Diz a Autoridade Fiscal ter dividido a auditoria em duas frentes de trabalho, uma diretamente ligada à movimentação financeira da fiscalizada e outra mediante diligências e circularizações em face de diversas pessoas físicas e jurídicas que pudessem ter envolvimento ou realizado negócios com a contribuinte, conforme resultado discriminado nos itens subsequentes. 3.3.1 DA IDENTIFICAÇÃO DOS FLUXOS A PARTIR DOS DADOS BANCÁRIOS Prefacia o tópico esclarecendo ter buscado não apenas detalhar a movimentação bancária da contribuinte, "mas também identificar as origens e destinos dos valores que passaram pelas contas da empresa ROYSTER ao longo do ano de 2008", situação resumida no gráfico de fls. 3007, abaixo reproduzido: Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.649 8 Prossegue afirmando que "parte dos fluxos não foi identificada exatamente em razão do banco Prosper não ter atendido à intimação fiscal. Assim, a quase totalidade dos fluxos referentes a créditos/depósitos não identificados e a débitos/transferências não identificadas está ligada a valores movimentados na conta do Prosper" e esclarece que "os chamados provedores líquidos de recursos são os agentes que, em termos líquidos, foram fornecedores de numerário para a fiscalizada, ROYSTER, embora também possam ter recebido remessas de valores da ROYSTER no mesmo ano"; "A NOVINVEST, por exemplo', diz o Fisco, "foi provedora de R$ 54,6milhões a ROYSTER em 2008 tendo recebido no mesmo ano R$ 24,4 milhões da ROYSTER. Já a Prosper CVC depositou R$ 56,6 milhões nas contas da ROYSTER e recebeu Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.650 9 dela R$ 21,3 milhões. O mesmo se aplica aos agentes receptores. A Gallway, por exemplo, recebeu da ROYSTER R$ 14,4 milhões e depositou para a mesma R$ 7,4 milhões. A CINGULAR recebeu R$ 27,9 milhões da ROYSTER e remeteu a ela R$ 1,3 milhão'. Continua dissertando que "o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO foi beneficiário de R$ 15,9 milhões da ROYSTER tendo destinado à conta da empresa R$ 2,6 milhões dentro do ano de 2008. Já as empresas MACAR, STOCKLOS e Centrais Elétricas Belém tão somente receberam recursos da ROYSTER no período sob análise'. E conclui o tópico realçando que "os valores constantes do Gráfico 1 são os fluxos líquidos dos agentes (remetido menos recebido ou viceversa)' 3.3.2 DA ANALISE DOS FLUXOS Inicia apresentando outro gráfico (fls. 3009), no qual busca definir os RELACIONAMENTOS SOCIETÁRIOS/ADMINISTRATIVOS ENTRE OS AGENTES NO ANO DE 2008: Explicando os dados inseridos no gráfico, a Autoridade Fiscal relata: xi) que, "o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, diretorpresidente e acionista praticamente exclusivo da ROYSTER, é também acionista preponderante (e também diretor, no caso) das empresas CINGULAR e STOCKLOS"; xii) que, "a GALLWAY tinha como sócioadministrador o Sr. SERGIO GUARACIABA M. REINAS e como presidente do Conselho Administração o Sr. JOSÉ OSWALDO MORALES, que era sócio majoritário da NOVINVEST"; xiii) que, "o Sr. ALCIDES MORALES FILHO era acionista da MACAR e do Banco Prosper, que detinha o controle acionário integral da Prosper CVC" Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.651 10 Destaca ser "interessante notar que as três alíneas supra abarcam todos os agentes identificados no esquema de fluxo de recursos (Gráfico 1)", e que, embora não formalmente registrada em documentos acessados pela Fiscalização, a relação entre Lucio Bolonha Funaro e Gallway existia de fato, conforme se comprova no depoimento prestado pelo primeiro na CPI da ONGs (documento nos autos). Elabora outro gráfico demonstrando o relacionamento da empresa Gallway com grandes obras relacionadas à infraestrutura de energia elétrica do país (fls. 3011), assevera que a ligação entre Lucio Bolonha Funaro e o grupo Gallway se confirma inclusive pelo fato de seu domicílio ser o mesmo da empresa Cingular, da qual o referido Sr. Bolonha Funaro é acionista com 99,99% e administrador isolado. ''Esta relação", escreve o Fisco, "corroboraria então outro elemento detectado pela fiscalização, a utilização das contas bancárias da ROYSTER para o pagamento de custos e despesas diversas de empresas do GRUPO GALLWAY, mormente da Centrais Elétricas Belém e de pagamentos realizados para o Sr. Sérgio Guaraciaba Martins Reinas (sócioadministrador de empresas do grupo GALLWAY)". E continua: xiv) que, "conforme cópias de Documentos de Ordens apresentadas pelo Banco Bradesco, a ROYSTER pagou tributos, fornecedores e diversas contas no lugar da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM CEBEL. Os pagamentos de tributos federais em nome da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM foram comprovados por pesquisas nos sistemas da Receita Federal"; xv) que, 'foi detectado ainda que a ROYSTER pagou contas diversas da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM, como um escritório de serviços contábeis e um posto de combustível, localizados no município de Vilhena/RO"; xvi) que, "sob o comando do Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, consta ainda nos Documentos de Ordens apresentados pelo Banco Bradesco, que a ROYSTER pagou diversas contas de outras empresas do Grupo GALLWAY. Estão registrados, por exemplo, pagamentos de tributos e/ou taxas/multas/outros para órgãos públicos (30/04/2008, 11/09/2008), contas de telefonia (28/04/2008, 25/09/2008) e pagamentos diversos (21/05/2008, 26/06/2008, 30/06/2008)"; xvii) que, "além disso, a ROYSTER pagava tributos e outras contas para outras pessoas jurídicas comandadas pelo Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, no caso as empresas CINGULAR e STOCKLOS. São contas de telefonia (21/07/2008, 11/09/2008), de luz (21/05/2008) e tributos (30/04/2008, 29/08/08, 09/09/2008)". Elabora demonstrativos que resumem referidos pagamentos e conclui o tópico informando que a "ROYSTER pagava tributos e outras contas em nome da própria pessoa física do Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO". 3.3.3 DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS ATRAVÉS DE DILIGÊNCIAS FISCAIS Começa relatando o objetivo das diligências e afirma que o resultado mostra "a utilização indevida da ROYSTER pelo Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO para pagar contas e terceiros, mormente da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM'. Diz ainda que muitas diligenciadas são empresas reconhecidas em suas áreas de atuação, tendo prestado serviços ou fornecido bens para o empreendimento hidrelétrico da CENTRAIS ELÉTRICAS BELÉM e recebido pagamentos feitos pela ROYSTER, conforme tabela inserida às fls. 3014/3015. Mais ainda: xviii) que, "o procedimento fiscal de diligência n° 0812000.2013.000050 confirma que o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO utilizou a empresa ROYSTER para benefício próprio. A diligenciada, SIMONE BIDERMAN GOLTCHER, CPF n° Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.652 11 171.452.70854, exerce a atividade de arquitetura e design de interiores em São Paulo (vide sítio na internet,www.simonegoltcher.com.br) e foi contratada para decorar a casa de campo de ROBERTA BOLONHA FUNARO, CPFn°263.763.558 46, que é irmã do Sr. LUCIO (conforme se observa dos dados cadastrais de ambos nos sistemas da RFB), com móveis e acessórios de alto padrão e preços (vide documentação juntada pela profissional)"; xix) que, "a fiscalização diligenciou ainda a concessionária de veículos de luxo AUTOSTAR em São Paulo, CNPJ n° 68.976.091/000139, sob a diligência de n° 0812000.2013.000238. Segundo resposta em meio eletrônico, o depósito de R$ 100.000,00 da ROYSTER foi parte do pagamento de automóvel importado zero quilômetro marca Land Rover, mas não no seu nome (empresa) e sim em nome da pessoa física de Marcelo Bernardino Guarnieri, CPF n° 266.644.51867 (vide cópia da nota fiscal), se constituindo, portanto, de pagamento irregular e injustificável. Importa notar que o Sr. Marcelo não possui qualquer vínculo com a pessoa jurídica da fiscalizada (não era seu acionista,diretor ou empregado)". Relata que as corretoras NOVINVEST e PROSPER CVC recusaramse a fornecer as informações requeridas pelo Fisco em diligência. Já o Sr. Lucio Bolonha Funaro, "diretorpresidente da ROYSTER" e que dela recebeu, no ano de 2008, "mais de 16 milhões em depósitos na sua conta bancária pessoal" (Termo de Verificação Fiscal fls. 3016), não atendeu às intimações em seu domicílio fiscal, só o fazendo no endereço da empresa ROYSTER. Todavia, em resposta à diligência, diz o Fisco, "o Sr. LUCIO se limita a apresentar um extrato de movimentação de mútuo, onde evidentemente o mesmo assina tanto como mutuante quanto como representante da mutuaria (ROYSTER). Tal mero documento, desprovido de qualquer formalidade e, portanto, de pouca valia para o fisco, valendo lembrar o disposto nos arts. 221 e 288 do Código Civil, não se faz suficiente para comprovar o solicitado pelo fisco. Até porque a fiscalizada ROYSTER, e mais especificamente o próprio Sr. LUCIO, se negou a apresentar a contabilidade da ROYSTER (seu LivroCaixa, obrigatório no caso de opção pelo lucro presumido, ou o seu Livro Razão que disse que apresentaria ao fisco em resposta de 29/05/2012 mas acabou não apresentando), que poderia corroborar os supostos mútuos se devidamente registrados e amparados"'. Além disso, redige a Fiscalização, "os saldos constantes da DIRPF do Sr. LUCIO não coincidem com os montantes apurados pela fiscalização. Na DIRPF o suposto mútuo entre a partes seria diminuído em R$ 7 milhões ao longo do ano de 2008, enquanto que pela movimentação bancária se verifica que o Sr. LUCIO recebeu ao longo do período R$ 13,3 milhões líquidos da ROYSTER". Depois de prosseguir afirmando que as demais diligenciadas, ligadas à Royster também apresentaram documentos despidos de quaisquer formalidades ou se recusaram a fornecer as informações requeridas, o condutor do feito concluiu dizendo que "as diligências não atendidas, entretanto, não se perfazem em obstáculo maior ao andamento devido da ação fiscal que a própria omissão da fiscalizada, e não prejudicam o lançamento de ofício e o enquadramento dos sujeitos passivos da obrigação tributária, alicerçados em conjunto probatório amplo e consistente". 3.4 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO SR. LUCIO BOLONHA FUNARO Acerca desta imputação, o Fisco relata longamente seu entendimento, buscando demonstrar que o diretorpresidente da ROYSTER, Lucio Bolonha Funaro, teria agido com excesso de poderes e de forma não prevista no Estatuto Social da empresa, surgindo daí, a necessidade de trazêlo aos autos como responsável solidário. Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.653 12 Assevera que, detendo 99,99% e sendo sempre seu diretorpresidente, o imputado agiu a seu exclusivo critério, inclusive realizando pagamentos a terceiros, utilizandose de contas da empresa, violando o próprio "princípio da entidade", em claro ferimento das normas comerciais e fiscais, além da resolução n° 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade (da qual transcreve o artigo 4°). "Incorre no mesmo erro", prossegue o Fisco, "quando mistura as contas bancárias da empresa ROYSTER com o de suas outras empresas, especificamente a CINGULAR e a STOCKLOS, a quem a ROYSTER direcionou somente no ano sob análise R$ 27,9 milhões e R$ 7 milhões, respectivamente, além de realizar diversos pagamentos no interesse destas empresas"'. Relata que o imputado agiu do mesmo modo em relação à sua própria pessoa física. Nas palavras literais do Agente Fiscal, "o Sr. LUCIO se beneficiou como pessoa física de R$ 15,9 milhões em recursos da ROYSTER (valores estes não declarados por ele em sua DIRPF) além de ter contas pessoais (das quais era devedor como pessoa física) pagas pela empresa ROYSTER, assim como a decoração da casa de campo de sua irmã, ROBERTA BOLONHA FUNARO (vide item 3.3.3 acima). Não poderia ter ele confundido o patrimônio e os negócios da empresa com os seus próprios"'. Para continuar: xx) que, "de qualquer forma, está caracterizada a infração ao estatuto social da empresa e a responsabilidade do administrador. O Sr. LUCIOBOLONHA FUNARO atuou à frente da empresa ROYSTER numa gestão que não guardava limites, em desafio aos controles fiscais e financeiros. Não há (ou ele não quis apresentar) contabilização, não há sequer LivroCaixa, não há consistência dos valores movimentados com os valores declarados ao fisco em DIPJ e em outras declarações, não há documentação que ampare no aspecto fiscal os vultosos créditos recebidos e as transferências realizadas"; xxi) que, "houve movimentação de montantes expressivos em moeda corrente. A ROYSTER recebeu depósitos em espécie de valores individuais astronômicos da GALLWAY, por exemplo: R$ 520.000,00 em 28/02/2008, R$ 370.000,00 em 25/04/2008, R$ 500.000,00 em 01/05/2012 e R$ 870.000,00 em 16/09/2008. Reiterase: foram depósitos feitos em dinheiro vivo"; xxii )que, "o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO utilizou as contas bancárias da empresa ROYSTER para movimentar recursos em benefício próprio, de outras empresas de um "grupo de fato " e de terceiros, com excesso de poderes. Não há dúvida de que o Sr. LUCIO, não como acionista majoritário (99,99% das ações), mas sim como diretorpresidente da companhia constituído de amplos e individuais poderes de gestão, está subsumido ao disposto no inciso III do art. 135 do CTN" (que transcreve). Referese ainda ao artigo 124, I, do CTN, dizendo que, na forma deste dispositivo, "são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", apóiase em doutrina e conclui dizendo que "tanto a fiscalizada quanto o sujeito passivo solidário serão desde o lançamento cientificados das suas condições, o que assim lhes permitirão, a seu critério, litigarem na esfera administrativa" 4 DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS ATRAVÉS DE AUTO DE INFRAÇÃO 4.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.654 13 Inicia o tópico comentando sobre a figura da presunção inserta no artigo 42, da Lei n° 9.430/1996 (que transcreve), fala sobre a inversão do ônus da prova neste caso, que foi permitido ao sujeito passivo demonstrar que os rendimentos já foram oferecidos à tributação, "o que, no caso presente, não ocorreu' (Termo de Verificação Fiscal fls. 3027), e que, "por outro lado, conforme se nota na planilha anexa ao presente Termo, a grande maioria dos depósitos vieram de terceiros, no caso duas corretoras de valores mobiliários, a NOVINVEST e a PROSPER CVC, razão pela qual as duas foram alvo de diligência da fiscalização" Relata que, "similarmente, a fiscalização diligenciou diversos agentes beneficiários de saídas de recursos das contas bancárias do sujeito passivo. Tal modus operandi, entretanto, não resultou em conclusão do fisco federal de que de alguma forma o sujeito passivo teria que ser exonerado da sua responsabilidade tributária, muito pelo contrário. Isso porque, conforme já detalhadamente explicitado ao longo do item 3 deste Termo, todo o esquema detectado só foi 4.2 DO LANÇAMENTO EXOFFICIO DO IRPJ E SEUS REFLEXOS Explicita que a autuada optou pelo regime do Lucro Presumido mas que, devidamente intimada diversas vezes, não apresentou seu Livro Caixa, obrigação que lhe é imposta pelo artigo 527, parágrafo único do RIR/1999 (que transcreve), para completar que, "não obstante a sua opção pelo lucro presumido, a determinação do imposto deve ocorrer através de arbitramento, conforme determina o art. 530 do mesmo Regulamento" (igualmente reproduzido). Disserta sobre a mensuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afirmando que, "o que determina o coeficiente a ser adotado para o contribuinte no caso de lucro presumido ou arbitrado é a atividade empresarial por ele exercida. Assim, considerando a atividade empresarial constante do seu estatuto social anexo à Ata de Assembléia Geral da companhia de 02/10/2003 e que coincide com o seu CNAE constante da base de dados da Receita Federal, a mesma se enquadra no coeficiente de 32% para ambos os tributos em questão", não sem antes ressaltar que, para o IRPJ, "conforme o art. 16 da Lei n° 9.249/95 o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento". Elabora tabela descritiva dos valores que apurou (fls. 3031), conforme reprodução abaixo: Sequencialmente discorre sobre os valores declarados em DCTF pela fiscalizada, afirma estar considerando tais valores na consecução dos lançamentos de IRPJ e Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.655 14 CSLL e elabora novas tabelas contendo os valores apurados, já com os descontos citados. Passa a tratar do PIS e da COFINS, diz não haver alterações nas alíquotas, que são as mesmas tanto no regime do Lucro Presumido quanto no do Lucro Arbitrado e elabora tabela demonstrativa dos valores devidos, segregandoos de forma mensal, tendo em vista os fatos geradores de tais contribuições ocorrerem ao final de cada mês e destaca estar levando em conta os montantes declarados em DCTF: 5 DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.656 15 A respeito, escreve: xxiii) que, "como já descrito no presente Termo, a pessoa jurídica desde o início se negou a fornecer à fiscalização informações das mais simples e em tese facilmente disponíveis, sem justificativa, e a partir de certo momento tornouse inerte em relação ao procedimento fiscal, impondo óbice à apuração fiscal e seus resultados". xxiv) que, "assim, ficou caracterizada a recusa e/ou descaso proposital no não atendimento às solicitações do fisco, o que ocasionou mora e maiores ônus ao fisco". xxv) que, "por esta razão, sobre os valores dos tributos e contribuições apurados através do presente procedimento foi acrescida multa de ofício de 112,5% (cento e doze e meio por cento), definida no §2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96", e que, "os juros de mora à taxa Selic são devidos conforme o art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96, tudo conforme demonstrativos constantes do Auto de Infração". 6 DA EXECUÇÃO DO ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Conclui o Termo de Verificação Fiscal ressaltando já existirem processos de "arrolamento de bens" contra a ROYSTER SERVIÇOS S.A e contra LUCIO BOLONHA FUNARO (n°s 13864.000455/200953 e 19515.000461/200523, respectivamente), mas que poderão ser complementados, "se for o caso". DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados em 07/03/2013, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 2 e 3045 a 3096. A ciência da contribuinte fezse em 19/03/2013, por via postal "AR" (fls. 3097) e o "Sujeito Passivo Solidário" deles teve ciência, juntamente com o respectivo "Termo de Sujeição Passiva Solidária" (fls. 3098/3099), na mesma data de 19/03/2013, igualmente por via postal "AR" (fls. 3100). A impugnação da contribuinte foi estrutura sob os seguintes tópicos: · Da incompetência da autoridade emitente do MPFF e dos atos abusivos da autoridade executora do MPFF; · Da incompetência da autoridade emitente do MPFD e dos atos abusivos da autoridade executora do MPFD; · Das multas confiscatórias de 112,5%; · Do aumento pela metade da multa de 75%; · Da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; e · Do arbitramento; O responsável tributário Lucio Bolonha Funaro também apresentou impugnação, questionando a competência da autoridade lançadora para lavrar o Termo de Sujeição passiva, pleiteando sua anulação e discordando do arrolamento de bens. A Turma julgadora apenas excluiu da base imponível depósitos bancários correspondentes a transferências de R$ 127.000,00, rejeitando as demais alegações dos impugnantes em acórdão assim ementado: Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.657 16 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que o MPF Fiscalização foi regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES E MOTIVAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. ATO DISCRICIONÁRIO DA ADMINISTRAÇÃO. Inserese dentro dos chamados “atos discricionários” da administração pública a seleção de contribuintes a serem fiscalizados pela Receita Federal, bem como a motivação para tal ato. Sendo a seleção realizada com observância dos princípios constitucionais de impessoalidade, interesse público, imparcialidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal, não há que se falar em nulidade ou qualquer excesso à lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de impugnação por parte da autuada é fixado em trinta dias, a partir da ciência dos lançamentos, a teor do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindose completamente em relação às informações que deveria prestar e à entrega dos Livros obrigatórios, mormente o Livro Caixa, dada sua condição inicial de optante pelo Lucro Presumido, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentandoa em 50,00%, ou seja, elevandoa de 75,00% para 112,50%, nos termos do artigo 959, do RIR/1999. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.658 17 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou, alternativamente Livro Caixa, no qual esteja registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. Inexistindo tais Livros ou não sendo eles exibidos ao Fisco, embora neste sentido tenham sido lavradas diversas intimações pela Autoridade Fiscal, nenhum reparo ao procedimento adotado pela Fiscalização de se arbitrar os lucros, a teor do artigo 530, III, do RIR/1999. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. A contribuinte e o responsável tributário foram cientificados da decisão de primeira instância em 11/11/2013 (fl. 3579/3580) e interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, em 11/12/2013 (fls. 3582/3622). A peça recursal principia com pleitos de seu encaminhamento a este Conselho formulados pela contribuinte e pelo responsável, separadamente. Na sequência, as razões de fato e de direito são apresentadas apenas pela contribuinte. Preliminarmente requer o sobrestamento do feito apesar da revogação do disposto no art. 62A, caput e §1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 545/2013, invocando aplicação subsidiária do art. 543B do Código de Processo Civil, dado o reconhecimento de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, acerca do fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência (RE nº 601.314 Relator Min. Ricardo Lewandowski). Discorre sobre a ilegalidade da quebra de sigilo bancário, afirmando que a função fiscalizatória deve observar limites estabelecidos nos direitos e garantias fundamentais, invocando as disposições do art. 5º, inciso XII, bem como do art. 145, §1º, ambos da Constituição Federal. Reportase a julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e a doutrina para argumentar que o direito ao sigilo de dados somente pode ser preterido em prol do interesse público quando houver fortes indícios de que alguma atividade ilícita esteja sendo praticada, o que evidentemente não se verifica no caso em comento. A quebra de sigilo, no caso presente, somente poderia advir de ordem judicial. Cita manifestação do Supremo Tribunal Federal, afirma a incompatibilidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 com os princípios constitucionais vigentes, discorda da justificativa deste procedimento no art. 145, Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.659 18 §1º da Constituição Federal, observa que a atividade da Receita Federal é vinculada nos termos do art. 37 da Constituição Federal, e enfatiza a discricionariedade presente nos atos autorizados pela Lei Complementar nº 105/2001. Acrescenta a inexistência de qualquer justificativa no Mandado de Procedimento Fiscal para requerimento da quebra do sigilo bancário da recorrente, bem como a impossibilidade de apresentação de impugnação a esta requisição, classificando de arbitrário o procedimento adotado. Observa, ainda, que por meio de intimação lhe foi requerida a apresentação de comprovantes de movimentação bancária que não está obrigado a fornecer, cabendo exclusivamente ao agente fiscal realizar as investigações necessárias para apurar a exatidão das informações prestadas pelos contribuintes. Defende que ninguém pode ser obrigado a apresentar documentação tendo em vista que é princípio constitucional que todos se presumem inocentes, e a recorrente não está obrigada a produzir prova contra si próprio. Adentrando ao mérito, diz que tendo sido apurados os vícios formal e material incorridos pela autoridade na constituição do crédito tributário, mormente quanto à determinação da matéria tributável, os lançamentos seriam carecedores de liquidez e certeza exigidas pelo art. 142 do CTN. Transcreve a imputação de omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada sintetizada no Auto de Infração e destaca o arbitramento dos lucros sob a justificativa de que a empresa deixou de apresentar os livros e documentos da sua escrituração, para reportarse às Requisições de Movimentação Financeira RMF que promoveram a quebra de seu sigilo bancário, e enfatizar que os questionamentos fiscais foram direcionados à movimentação financeira assim obtida, concluindo, a partir dos demonstrativos elaborados pela autoridade lançadora, que mesmo ante a alegação de que não foi comprovada a origem dos créditos bancários, a farta documentação acostada ao processo é suficiente para, em exame acurado, provar que o ingresso de recursos provêm de empréstimos tomados junto a pessoas jurídicas e físicas, a título de capital de giro, e de aplicações financeiras. A autoridade lançadora menciona que a grande maioria dos depósitos bancários vieram de terceiros, mais precisamente de duas corretoras de valores mobiliários: a NOVINVESTE e a PROSPER CVC, as quais foram objeto de diligência fiscal, e ainda assim se concluiu pela falta da comprovação da origem dos depósitos. Os extratos bancários apontavam nominalmente os depositantes, permitindo a circularização fiscal, de modo que até seria possível a autuação com base em depósitos bancários, mas nunca com fundamento na presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, mormente tendo em conta o disposto em seu §2º, que somente autoriza a aplicação daquela aos valores que não tenham sido oferecidos à tributação pela empresa. Há, portanto, vício material na determinação da base tributável, dado que era do conhecimento da fiscalização que a autuada havia apurado e recolhido o IRPJ e as contribuições incidentes sobre a receita bruta declarada de R$ 3.296.141,96 conforme informado no TVF. Afirma, também, a existência de vício de forma na capitulação errônea do lançamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99, invocando o disposto no art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. Abordando as circularizações promovidas pela autoridade lançadora, a recorrente diz que não foi cientificada do resultado destes trabalhos antes da lavratura do lançamento, não lhe sendo aberto prazo para contraporse às alegações apresentadas pela fiscalização. Classifica de tendenciosos os fatos mencionados pela Fiscalização por lhe ser atribuída conduta irregular em proveito do sócio Lúcio Bolonha Funaro e defende que os Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.660 19 documentos apresentados pelas pessoas diligenciadas constituem provas dos negócios realizados e origem dos créditos bancários questionados. Aduz que presta serviços de agenciamento de negócios, cobrança e consultoria em finanças, além de participação em outras sociedades, simples ou empresárias, conforme consta de seus atos constitutivos, asseverando que tais práticas não ferem a legislação tributária, considerando os seguintes aspectos: a) A movimentação financeira de expressivos valores pelas contas bancárias de titularidade da autuada decorrem de contratos de mútuo celebrados com pessoas jurídicas e com o sócio Lúcio Bolonha Funaro, sem qualquer efeito patrimonial ou fiscal em relação à autuada, considerando tratarse de fatos permutativos em razão da troca de ativos; b) Os pagamentos, objetos da circularização, foram realizados pela autuada em razão dos contratos firmados, nos padrões admitidos na legislação civil, empresarial e tributária, e inerentes ao objeto social da empresa; c) As relações de negócios estão formalmente registradas na documentação integrante dos autos e revelam a forma de atuação econômica da autuada; d) A busca por informações acerca dos pagamentos somente teria cabimento se a autuada estivesse se submetido à apuração dos lucro pelo regime do lucro real, posto que a fiscalização poderia glosálos caso apurasse alguma irregularidade na comprovação; e) Não é o caso dos autos, pois se trata de empresa tributada pelo lucro presumido, em que a legislação admite o oferecimento à tributação de 32% das receitas auferidas no anocalendário de 2008, sendo a diferença de 68% correspondente às despesas incorridas no período, independentemente de comprovação; f) Ademais, a exigência fiscal está baseada na presunção de omissão de receitas, cuja origem dos recursos foi considerada não comprovada pela fiscalização. Nesta hipótese as anotações feitas no TVF acerca dos pagamentos (fls. 3012/3015) não interfere no levantamento da base de cálculo do imposto/contribuições lançadas de ofício; g) A análise dos fluxos pela autoridade fiscal (TVF fls. 3006/3012) tampouco influenciam na quantificação da base de cálculo, haja vista que a determinação da matéria tributável se deu por presunção legal. A recorrente ainda observa que nem todos os valores creditados nas contas bancárias representam aquisição de disponibilidade econômica, a constituir fato gerador do imposto de renda, como é o caso daqueles decorrentes de operações de empréstimo e a movimentação transitória de recursos de terceiros, assim como, os valores registrados a crédito referentes a aplicações financeiras, cujas operações correspondem a quase totalidade dos ingressos de recursos nas contas bancárias de titularidade da autuada acima identificadas. Afirma que obteve empréstimos para capital de giro com Cingular Fomento Mercantil Ltda (fls. 2587/2589), Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros (fls. 2602/2607), Gallway Projetos e Energia do Brasil S/A (fls. 2614/2620) e Lucio Bolonha Funaro (fls. 2575/2579), conforme contratos de mútuo obtidos no procedimento de circularização, e discorda da negativa de eficácia destes documentos por falta de registro em Cartório, dado o disposto nos arts. 221 c/c 183 do Código Civil. Observa que com base nos arts. 586 e 587 do Código Civil o mútuo somente tem efeito fiscal relativamente aos Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.661 20 rendimentos obtidos pelo mutuante, e a recorrente, como mutuaria, não pode ser sujeito passivo desta obrigação tributária, ante o disposto no art. 734 do RIR/99. Esclarece que as movimentações junto à Prosper S/A Corretora de Valores e Câmbio tratamse de operações junto à carteira de compra e venda de valores mobiliários de negociação na Bolsa de Valores, como provam os Extratos de Contas Correntes do período de jan. a dez./2008 (fls. 3274/3283) e as Notas de Corretagem (fls. 3284/3339), e indica as contas bancárias nas quais estas operações e aquelas em que figuram Novinvest CMV foram realizadas, o que provaria a materialidade das operações. Destaca os históricos TRANSF P CTAN e TRANSF DA CTAN presentes nos extratos emitidos pelo Banco Prosper S/A, que comprovaria que os valores lançados de ofício como omissão de receitas correspondem ao retorno de investimento, não submetidos a incidência, exceto quanto aos ganhos líquidos, para os quais há tributação na fonte na forma do art. 758 do RIR/99, e foram tributados segundo sua opção pelo lucro presumido. Apresenta em tabela os valores que não poderiam, assim, ter sido submetidos a tributação neste lançamento, totalizandoos em R$ 134.560.352,41 (Banco Prosper S/A) e R$ 33.423.771,95 (Banco Bradesco S/A). Reportase, ainda, a outras ocorrências, no valor total de R$ 17.069.716,31, correspondentes a créditos nas contas bancárias cujos valores, coincidentes em data e valor, não representam disponibilidade econômica ou jurídica, não justificando o lançamento de ofício como omissão de receitas, dado que os ingressos são anulados na sequência pela saída dos respectivos valores. Abordando o arbitramento dos lucros, a recorrente defende que deveria ser observada sua opção pelo lucro presumido, na forma do art. 24, §1º da Lei nº 9.249/95, reportandose à DIPJ apresentada e aos recolhimentos promovidos. Assevera que, relativamente à receita bruta declarada em DIPJ, a fiscalização admitiu a regularidade do IRPJ e da CSLL apurados pelo presumido (ainda que não possuísse o Livro Caixa), e de outra banda, lançou de ofício o IRPJ e a CSLL baseados nos critérios do lucro arbitrado, e aduz que a Fiscalização não poderia homologar os valores declarados se o arbitramento foi motivado pela falta de apresentação do Livro Caixa. Assim, caso prevaleça o entendimento acerca da aplicabilidade ao caso do lucro arbitrado, os lançamentos de ofício também afrontam o disposto no §1º do citado art. 24, haja vista que a suposta receita omitida deveria ter sido adicionada à receita bruta conhecida, tributada com base no lucro presumido. Frente a tal vício insanável, os lançamentos seriam nulos de pleno direito. Outro vício presente no lançamento decorreria de a fiscalização ter adotado como base de cálculo das exações a integralidade dos créditos (depósitos bancários), dado que a receita bruta declarada também transitou pelas contas bancárias da autuada, sendo certo que no total apurado pela fiscalização como omissão de receita está computado o valor de R$ 3.296.141,96, cabendo sua exclusão com fundamento no art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96. Finaliza assim totalizando os valores que devem ser desconsiderados na base tributável dos lançamentos questionados: Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.662 21 A recorrente discorda do agravamento da penalidade ao percentual de 112,5% porque não verificada a alegada falta de apresentação de informações à autoridade fiscal, dadas as petições apresentadas pela contribuinte durante do procedimento fiscal, por meio das quais se demonstra a conduta de sempre colaborar com o trabalho da Fiscalização, somente não sendo atendidas as intimações nas datas aprazadas em razão da mora das instituições financeiras em lhe fornecer os extratos bancários. Observa que os esclarecimentos requeridos foram prestados e a desobediência à ordem de exibir livros e documentos fiscais não é conduta típica para fins de majoração da punição em referência, nem pode receber tratamento analógico in malam partem, sendo tal hipótese inscrita como causa de arbitramento dos lucros. Ademais, não é possível estabelecer quantas seriam as ordens fiscais para a prestação de esclarecimentos cujo descumprimento motivaria a punição mais severa, devendo ser examinado, à luz do caso concreto, o grau de desvalor da ação. Entende que se o fiscalizado forneceu o esclarecimento requisitado somente depois de intimado duas vezes para o mesmo propósito, longe está de restar caracterizada uma prática que denote acentuado desvalor, compatível com a sanção majorada. Conclui, assim, que o agravamento da penalidade não pode subsistir em razão de ato involuntário da contribuinte, ou por falta de apresentação de livros ou documentos que motivaram o arbitramento dos lucros. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento, e acrescenta, ainda, que para justificar o desatendimento dos pedidos de esclarecimentos, a Recorrente tinha em seu benefício o direito constitucional de não se auto incriminar ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada, ou seja, o exercício regular de direito como causa de exclusão da ilicitude. Por fim, opõese à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, limitandoa às exigências de multa isolada, conforme jurisprudência que cita. Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.663 22 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre REJEITAR o pedido de sobrestamento do julgamento em razão da repercussão geral reconhecida acerca do fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência (RE nº 601.314 Relator Min. Ricardo Lewandowski), porque a aplicação subsidiaria do art. 543B do Código de Processo Civil somente seria possível, no âmbito administrativo, se procedimento semelhante ao da repercussão geral fosse adotado para apreciação de litígios pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. De fato, a aplicação subsidiaria de outros diplomas legais processuais destinase, apenas, a suprir lacunas normativas no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, de modo a disciplinar procedimentos não previstos no Decreto nº 70.235/72, mas que se verificam tanto no âmbito processual tributário, como no âmbito processual civil. O rito da repercussão geral, por sua vez, é uma criação recente que objetivou, primordialmente, racionalizar o julgamento dos recursos extraordinários pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive limitando sua admissibilidade e interrompendo a produção de outros julgados que suscitassem a interposição daquela espécie de recurso. Na medida em que o presente julgado não se sujeita a questionamento por meio de recurso extraordinário e as atividades da CSRF não foram objeto de semelhante racionalização, os efeitos do art. 543B do Código de Processo Civil estão limitados ao que autoriza o art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, qual seja, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto cuja inconstitucionalidade tenha sido reconhecida naquele rito processual. A recorrente também afirma a ilegalidade da quebra de sigilo bancário, e embora não conclua expressamente neste sentido, inferese de sua argumentação a arguição de nulidade do lançamento. A decisão recorrida, porém, validamente expôs a regularidade do acesso do Fisco às informações bancárias das pessoas jurídicas. Do voto do julgador Paulo Mateus Ciccone extraise: Como se sabe, o acesso, pelas autoridades administrativas, às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: "Art. 145............................................................ § 1°. Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." E o Código Tributário Nacional, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.664 23 II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; (...)" Posteriormente, a Lei n° 8.021, de 12 de abril de 1990, dispôs sobre o acesso às informações bancárias, condicionando a requisição ao início do procedimento fiscal e à regulamentação ministerial: "Art. 8°. Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n. ° 4.595, de 31 de dezembro de 1.964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no §1º do art. 7º." Contudo, no presente contexto, já se tem a Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, que regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: "Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. §1º São consideradas instituições financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar: [...]. § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. [...] Art. 2º O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições. [...] Art. 3o Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide. [...] Art. 4o O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. [...] Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.665 24 poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Seguindoa, a Lei n° 10.174, de 2001, e o Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, apenas regraram com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, qualquer eventual tentativa de vincular esta atividade tão só ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Importa, também, acrescer que não há previsão expressa na Constituição quanto à inviolabilidade do sigilo bancário, advindo tal tese da interpretação doutrinária e jurisprudencial dada à matéria. E, mesmo pressupondo tal garantia, cumpre observar que, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 219.7805, em 13/04/1999, o ministro Carlos Veloso assim se manifesta: "[...] A questão, portanto, de quebra do sigilo, resolvese com observância de normas infraconstitucionais, com respeito ao princípio da razoabilidade e que estabeleceriam o procedimento ou o devido processo legal para a quebra do sigilo bancário. A questão, portanto, não seria puramente condicional. A quebra do sigilo bancário faz se com a observância, repito, de normas infraconstitucionais, que subordinamse ao preceito constitucional. E de dizer, aquelas normas sujeitamse ao controle de constitucionalidade, porque, em termos abstratos ou materiais, poderiam não estar conforme ao mandamento constitucional. [...]" Ainda neste voto, embora identificado o direito ao sigilo bancário como espécie de direito à privacidade, o Ministro reportase a julgado anterior no qual admite que ele ceda "na forma e com observância de procedimento estabelecido em lei ". E, embora cogite da impossibilidade deste procedimento ser veiculado por meio de leis ordinárias, dada a prerrogativa conferida ao Poder Judiciário pela Lei n° 4.595, de 1.964, com status de lei complementar, é de se observar que à época daquele julgado ainda não havia sido editada a Lei Complementar n° 105, de 2001. Também o Superior Tribunal de Justiça, antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, entendia possível o acesso aos dados protegidos por sigilo bancário. Vejase a seguinte ementa: "É certo que a proteção ao sigilo bancário constitui espécie do direito à intimidade consagrado no art. 5°, X, da Constituição, direito esse que revela uma das garantias do indivíduo contra o arbítrio do Estado. Todavia, não consubstancia ele direito absoluto, Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.666 25 cedendo passo quando presentes circunstâncias que denotem a existência de um interesse público superior. Sua relatividade, no entanto, deve guardar contornos na própria lei, sob pena de se abrir caminho para o descumprimento da garantia à intimidade constitucionalmente assegurada. " [STJ Corte Especial AgReg do IP n.° 187/DF Rel. Min. Sávio de Figueiredo Teixeira Diário de Justiça, Seção I, 16/09/96] Assente está, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder em face do interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela Lei Complementar n° 105, Lei n° 10.174 e Decreto n° 3.724, todos de 2001, as circunstâncias em que presente esse interesse são especificadas, inexistindo discricionariedade. O ato administrativo é vinculado às determinações legais, e estas correspondem à concretização da vontade do legislador de, naquelas hipóteses específicas, submeter as informações bancárias ao crivo fiscal. Assim, uma vez presente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, cumpre acatálo e utilizálo, até porque não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade de lei vigente, mediante juízos subjetivos, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. A corroborar todo o exposto, reproduzemse os fragmentos da decisão proferida no Agravo n° 138263, pelo Relator, Juiz Federal convocado, Carlos Muta, no TRF da 3a Região, 3° Turma Processo 2001.03.00.0277048 DJU de 13/11/2001, p. 590, reproduzido pela Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 216/219: "[...] Em coerência com a legislação complementar, a Lei 10.174, de 09.01.2001, introduziu alteração no art. 11 da Lei 9.311/96, permitindo que a Secretaria da Receita Federal, na posse das informações a respeito da movimentação financeira de titulares de contas bancárias, utilizeos para verificação da existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, e para o lançamento de crédito porventura existente, ... Como se observa, (...), é possível reconhecer que a legislação foi minuciosa e criteriosa na identificação das situações sujeitas à quebra do sigilo bancário e dos procedimentos necessários a tanto, resguardando, por meio do sigilo fiscal, as informações prestadas e os dados aferidos pelo exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras, e reservando o seu uso a fins específicos, que não transcendem ao que necessário para o regular, justificado, proporcional e razoável exercício da competência constitucional e legal que possui o EstadoAdministração de arrecadar os tributos e fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais. Tampouco procede a tese de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei. Com efeito, não existe direito adquirido à sonegação de informações ou de tributos ao Estado, mas apenas a possibilidade de invocação de decadência ou prescrição, (...). Por isso é que, prima facie, devese compreender que a criação de mecanismos de fiscalização e apuração de crédito tributário por lei nova não impede a sua aplicação mesmo no período anterior, desde que ainda possua o Fisco o poder de imposição, seja constituindo, seja revisando o lançamento efetuado pelo contribuinte. Em casos que tais, não se trata, por evidente, de criação ou majoração de tributo, com alteração da legislação vigente na data do fato gerador, mas apenas e tãosomente, da aferição da existência de tributo, devido conforme a lei da época, mas, eventualmente, não recolhido ou não declarado pelo contribuinte: em suma, a legislação impugnada não cria nem majora, em absoluto, qualquer tributo, mas apenas permite que o Fisco combata a sonegação fiscal, quando e se existente, o que é diferente. " E, por elucidativas, transcrevemse as seguintes ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes: " . . . SIGILO BANCÁRIO . . . Não configura quebra de sigilo, o fornecimento ao Fisco, de informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. Inteligência dos artigos 197, inciso II, e 198, ambos do CTN. ..." [Ac. 1° CC 10513223 Sessão de 12/07/2000] Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.667 26 "...QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Tendo a autoridade administrativa procedido em conformidade com o exposto no art. 197, II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e estando esta plenamente recepcionada pela Constituição Federal de 1988, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. "[Ac. 1° CC 10417152 Sessão de 17/08/1999] "SIGILO BANCÁRIO ... Informações obtidas regularmente junto às instituições financeiras e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. " [Ac 1° CC 10191.561 DO 09/12/1997] Ainda, cumpre observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição, às autoridades administrativas, de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5° e art. 6°, parágrafo único, ambos da Lei Complementar n° 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário, e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Especificamente com referência à retroatividade da lei, reprisese que ela tão só estabelece meios de fiscalização, e não hipóteses tributárias, destinandose a verificar a ocorrência de fato gerador de imposto, antes já previsto na legislação art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Clara é a disposição do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), no sentido de o lançamento submeterse ao procedimento disposto na lei vigente à data de sua formalização: [...] Cabe destacar que mesmo para fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei n.° 9.430, de 1996, há jurisprudência do STJSuperior Tribunal de Justiça mantendo lançamento tributário com fundamento na omissão de receitas em face de depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida ou comprovada. Nesse sentido, cabe transcrever parcialmente o voto prolatado em 21 de fevereiro de 2002, pelo Ilustre Ministro José Delgado, no Recurso Especial n° 379.081, interposto em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região Fiscal: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA. 1. Acórdão recorrido que reconhece devido imposto de renda cujo valor foi fixado por arbitramento. 2. Contribuinte que, intimado a justificar depósitos bancários em sua conta corrente, aduz que não o faz por não ter os documentos necessários. 3.Alega, em sede de recurso especial, de violação aos arts. 5°, X e XII, e 93, IX,da CF. Não conhecimento. 4. Acórdão que manteve o lançamento tributário, analisando o conjunto probatório, inclusive depósitos bancários de honorários advocatícios recebidos sem prova de pagamento de imposto de renda. 5. Não discussão, em segundo grau, sobre o art. 38, parágrafo 1°, da Lei n° 4.595, de 1964. Ausência de prequestionamento. Recurso especial não conhecido. " (...) VOTO O SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): O acórdão recorrido está sustentado em voto do seguinte teor (fls. 417/419): Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.668 27 (...) Quanto à análise do mérito, em si, do lançamento tributário, com base em extratos bancários, a Sentença merece reparos. Por certo que o fato gerador do imposto de renda, a teor do art. 43, caput, e incisos, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde à aquisição efetiva de disponibilidade econômica ou jurídica. E, claro, meros depósitos bancários não são, necessariamente, acréscimo patrimonial, auferido pelo contribuinte. Até porque não se pode presumir fato gerador, em matéria tributária. Só que, se por um lado, o depósito em si não é fato gerador de obrigação tributária, por outro, ele indica a existência de rendimentos que, aliados a outros elementos de prova, confirmam a aquisição de renda, justificando a incidência tributária. Exatamente por isso que o contribuinte é regularmente intimado, para demonstrar (e, em matéria tributária, o ônus probatório se inverte) que tais receitas (ou variações positivas na contacorrente, ou aplicações) não são tributáveis (como os alegados, e não provados, recebimentos, pelos clientes, de valores indenizados). O § 5°, do art. 6°, da Lei n° 8.021/90 não afronta o art. 43, caput, e incisos do CTN (enquanto lei complementar), ao permitir o arbitramento, com base em depósitos bancários, ou aplicações, realizadas junto às instituições financeiras. Isto porque deixa aberta, ao contribuinte, a possibilidade de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o contribuinte não demonstra a origem dos depósitos, então não estamos mais diante de uma presunção, mas sim, diante de efetivo acréscimo patrimonial. Como bem salientou a Ré, em seu apelo, "...se tais valores são movimentados à sua ordem, o pressuposto lógico é que pertencem ao contribuinte. E, se não foram declarados, são rendimentos omitidos, sujeitando o infrator ao lançamento de ofício. Portanto, não cabe ao fisco demonstrar o que já está demonstrado, ou seja, que tais depósitos são rendimentos do contribuinte e que o mesmo os omitiu à tributação. Se a situação do contribuinte fugir a tal regra de raciocínio lógico, caberia a ele e só a ele provála, demonstrando, por exemplo, que o dinheiro que transitou por suas contas bancárias, não lhe pertence ou que tem por hábito ficar fazendo sucessivos saques e depósitos com o mesmo dinheiro, etc... " (...) "... como ficou demonstrado, apesar da ampla defesa proporcionada, o contribuinte/apelado não provou a origem dos depósitos bancários, flagrantemente superiores ao rendimento declarado... ". (...) Por todas essas razões, entendo que a sentença merece reparos, devendo a presente ação anulatória de débito fiscal ser julgada totalmente improcedente, suportando, a parte autora, os ônus sucumbenciais integrais, sendo os honorários advocatícios fixados em 10% do valor da causa atualizado. Ante o exposto, conheço da apelação do autor, negando provimento. Conheço da remessa oficial e da apelação da Ré, dando provimento, para o efeito de julgar improcedente a ação anulatória de débito fiscal. E o voto. " Do exposto, concluise que a Corte de segundo grau decidiu: (...) c) embora o depósito bancário, em si, não seja fato gerador da obrigação tributária, não deixa, contudo, de indicar rendimentos que, aliados a outros elementos de prova, confirmam a aquisição de renda, justificando incidência tributária; b) no caso em exame, o contribuinte, embora chamado para tanto, não provou a origem dos depósitos bancários, flagrantemente superiores ao rendimento declarado para fins de imposto de renda; (...) Não conheço, em conseqüência, do recurso especial quanto a essa alegação. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.669 28 O acórdão aceitou o lançamento tributário com base na prova dos autos, não considerando, unicamente os extratos bancários. A sua fundamentação segue linha de entendimento de que o recorrente foi intimado a justificar os valores encontrados em sua conta bancária, sem que tenha conseguido fazêlo, incluindo se os valores que recebeu a título de honorários. Há, portanto, posicionamento do acórdão vinculado a fatos que não se esgotam, unicamente, no exame dos extratos bancários. Ressaltese que o acórdão entendeu ser válido e eficaz o lançamento tributário porque o recorrente não comprovou a origem dos seus depósitos bancários, considerando, ainda, a existência de valores recebidos a título de honorários, sem que o imposto de renda tenha sido recolhido. Isto posto, não conheço do recurso especial. "[grifouse] Diante de todo o exposto, por estar o acesso às informações bancárias regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, válidos são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à exigência fiscal. Inferese, pois, carecer sustentação à irresignação da autuada, pelo que é indeferida. Destaquese, por fim, que as decisões trazidas pela defesa em relação ao tema tratado, ainda que advindas da Corte Suprema, aproveitam apenas as partes envolvidas nas respectivas lides, não tendo o efeito erga omnes necessário a vincular os julgadores administrativos. Nesse contexto, como dito antes neste voto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, mesmo que possam existir julgamentos esporádicos (como os referidos pela defesa) com entendimentos divergentes ao esposado neste voto. Confirmando esse posicionamento, como igualmente reportado alhures, a Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dele fez constar o art. 62, o qual assim dispõe: "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Assim como também já foi editada a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF (e que vincula este Colegiado), antes reproduzida, mas novamente trazida para melhor fixação: Súmula CARF n" 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em suma, carece competência a este órgão julgador de 1a Instância para reconhecer, em sede administrativa, alegações sobre ilegalidades ou inconstitucionalidades arguidas pelos sujeitos passivos. (destaques do original) Tais argumentos são aqui adotados para afastar a alegação de que o sigilo bancário seria um direito constitucionalmente assegurado, sendo irrelevantes as referências da recorrente a decisões judiciais em sentido contrário, que firmam a necessidade de ordem judicial para tanto. Quanto à manifestação do Supremo Tribunal Federal acerca da incompatibilidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 com os princípios constitucionais vigentes, e com referência à alegada discricionariedade presente nos atos ali autorizados, cumpre acrescentar, para além da impossibilidade de se discutir, aqui, a inconstitucionalidade da lei tributária, que a Requisição de Informações sobre Movimentação Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.670 29 Financeira RMF está disciplinada no Decreto nº 3.724/2001, cujas regras afastam a alegada discricionariedade. O art. 4o, §5o do Decreto nº 3.724/2001 estabelece que a RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Por sua vez, o §6o do mesmo artigo dispõe que no relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. Tais requisitos evidenciam atos plenamente vinculados, em conformidade com o exigido pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente). No presente caso, a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira está juntada às fls. 114/118 e decorre de embaraço à fiscalização (art. 33 da Lei nº 9.430/96), devidamente demonstrado em razão da falta de atendimento às intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, também descritas por ocasião da lavratura dos lançamentos em debate. Esclareçase, ainda, que a lei autorizou tal acesso no curso do procedimento fiscal, cuja natureza é inquisitorial, e não abre espaço, assim, para impugnação, como pretendido pela recorrente. A possibilidade de discussão administrativa da prova e do procedimento para sua obtenção se verifica, nos termos do Decreto nº 70.235/72, a partir do lançamento e por meio dos recursos administrativos, sendo certo que, se alguma arbitrariedade ou ilegalidade existe, deve o prejudicado demonstrálas mediante confronto com os diplomas legais e regimentais pertinentes, para o que não se presta a argumentação de que o embaraço não teria se verificado em razão de a contribuinte não estar obrigada a produzir prova contra si mesma. Isto porque, como antes já se demonstrou, inexiste garantia constitucional ao sigilo bancário, mormente quando se está frente a atividades de pessoa jurídica da qual decorrem obrigações acessórias assim expostas no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.671 30 § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Os extratos bancários, como comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, são de conservação e guarda obrigatória, inexistindo qualquer ilegalidade na exigência, pelo Fisco, de sua apresentação. Caracterizada a negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como o não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, resta evidente o embaraço que autoriza a requisição das informações de movimentação bancária diretamente às instituições financeiras. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por quebra de sigilo bancário. Passando ao mérito, a recorrente aponta a existência de vícios formal e material incorridos pela autoridade na constituição do crédito tributário, mormente quanto à determinação da matéria tributável. Aduz, primeiramente, que a Fiscalização indevidamente afirmou não ter sido comprovada a origem dos créditos bancários apesar da farta documentação acostada ao processo, que seria suficiente para, em exame acurado, provar que o ingresso de recursos provêm de empréstimos tomados junto a pessoas jurídicas e físicas, a título de capital de giro, e de aplicações financeiras. Inicialmente cumpre observar que, em impugnação, a contribuinte limitouse a alegar que os valores autuados representariam mera passagem de recursos, apontando aqueles que se refeririam a transferências de mesma titularidade. As alegações foram assim apreciadas na decisão de 1ª instância: Antes de se prosseguir com a apreciação dos itens finais apresentado pela defesa, insta ver os lançamentos perpetrados pelo Fisco com supedâneo no artigo 42, da Lei n° 9.430/1996 e que têm vinculação direta com o tema atrás tratado (sigilo bancário). Tais lançamentos, relativos ao anocalendário de 2008, tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada, que viu carreada a crédito de suas contas correntes mantidas em diversas instituições financeiras, substanciais valores para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente (artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996), não logrou êxito. Relata o Fisco que ter permitido ao sujeito passivo demonstrar que os rendimentos já foram oferecidos à tributação, "o que, no caso presente, não ocorreu" (Termo de Verificação Fiscal fl. 3027) Expõe ainda ter diligenciado junto a "agentes beneficiários de saídas de recursos das contas bancárias do sujeito passivo", e que "todo o esquema detectado só foi viabilizado pela existência da pessoa jurídica da fiscalizada". Percorrendose os autos notase o cuidado do Agente condutor do feito em permitir à autuada, na forma do que dispõe o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, que justificasse as origens dos valores carreados a crédito de suas contas bancárias, como, p. ex., se vê às fls. 3006, do Termo de Verificação Fiscal: "a fiscalização submeteu os valores que foram levantados de depósitos/créditos bancários ao contribuinte, mas o mesmo preferiu restar silente, tendo sido o procedimento fiscal caracterizado por pedidos de prorrogação de prazos assinados pelo Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.672 31 DiretorPresidente da empresa o Sr. LUCIO BOLONHA FUNARO, mas sem o efetivo esclarecimento às demandas fiscais. Dessarte, resta ao AuditorFiscal titular do procedimento proceder à conclusão do mesmo com o lançamento exofficio dos valores devidos"'. Tais montantes foram assim resumidos pelo Fisco (cf. tabelas abaixo): [...] De seu lado, a impugnante resumiu sua defesa em tentar descaracterizar o acesso do Fisco às suas contas bancárias (matéria já tratada neste voto) e, naquilo que realmente deveria ser a seara em que batalharia, ou seja, a demonstração e justificativa das origens dos recursos que permitiram carrear a crédito de suas contas mantidas junto a instituições financeiras o volumoso montante de mais de 224 milhões de reais, contra uma receita informada em DIPJ de pouco mais de 3 milhões, em um brutal descompasso onde os referidos créditos somaram mais de 68 vezes a mencionada receita, ou, mais claramente, uma divergência de 6.816,55% (seis mil, oitocentos e dezesseis por cento), limitouse a alegar não terem sido desconsideradas as transferências e depósitos de mesma titularidade, conforme demonstrativo inserido em sua peça de contestação (fls. 3391), e que será analisado adiante. A propósito, afirma ainda a defesa que tais valores (somando R$ 23.880.166,62) devem ser excluídos dos lançamentos, em razão de se constituírem de "transferências entre contas de mesma titularidade" (impugnação fls. 3392) e que os demais montantes, inseridos na planilha de fls. 3036/3043 seriam "mera passagem de recursos; não são receitas e, portanto, são imprestáveis para formar a base de cálculo dos tributos e contribuições". Antes da análise dos números levantados pela defesa, impõese apreciar as assertivas finais, acima reproduzidas, confrontandoas com a figura da presunção legal trazida pelo artigo 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que permitiu ao Fisco caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em contas de depósitos ou de investimentos mantidas pela pessoa jurídica junto a instituições financeiras e em relação às quais, regulamente intimada, não conseguir comprovar, por documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que permitiram tal movimentação. Neste contexto, certamente, é pacífico dizer que somente o depósito bancário em si não é, realmente, sinônimo de receita, podendo se constituir em "marco inicial de uma investigação". Assim, seria extremamente cômodo mas, incorreto que a fiscalização tomasse os extratos bancários e, a seu bel entendimento e sem qualquer aprofundamento, concluísse as operações ali retratadas e lavrasse os autos de infração que entendesse cabíveis, sem a oitiva da parte contrária. Entretanto, não foi esse o procedimento adotado pela fiscalização (nesse e em tantos outros casos), permitindo à autuada apresentar as justificativas necessárias. De fato, com o surgimento no mundo jurídico do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, abriuse ao Fisco a possibilidade de se presumir a existência de omissão de receita ou rendimento quando o contribuinte, devidamente intimado, não conseguir justificar a origem dos valores lançados a crédito de suas contas em instituições financeiras. Tratase, pois, de uma presunção legal que só se valida com a rigorosa oferta ao fiscalizado da possibilidade de comprovar a origem dos recursos. Exatamente como ocorreu no caso presente. Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.673 32 Vale exprimir, não é o depósito bancário em si que se converte em omissão de renda ou receita e se transforma em fato gerador de tributos, mas os recursos que deram origem a tal depósito e que não venham a ser comprovados pelo fiscalizado, mesmo que devidamente intimado a demonstrar tais origens. De outra parte, prestigiese o trabalho fiscal que, em momento algum, resvalou por caminhos ilegais ou exorbitou de suas funções. Ao revés, sempre permitiu a manifestação da autuada de forma a encontrar a verdade dos fatos. Neste campo, ao receber as informações das instituições financeiras, cruzálas com as da própria fiscalizada e com o banco de dados da Receita Federal e intimar a contribuinte a justificar as divergências, sem que tenha recebido qualquer resposta sustentável, só lhe restava lançar mão da presunção legal de definir como omissão de receitas, valores que ingressaram nas contas bancárias do sujeito passivo e não foram devidamente justificados. É o dizer da Lei 9.430/96: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos qu s o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do cr dito efetuado pela instituição financeira. (...) Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Vejase, a respeito, o entendimento já pacificado da jurisprudência administrativa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal. (Acórdão CCn° 10323.543 Sessão de 14/08/2008) Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma 'probabilidade fática' da prova direta, in verbis: "Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível." Em seu trabalho 'Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação' (in Revista Dialética de Direito Tributário n.° 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.674 33 "As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa." Sabese que em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam, como dito, a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. No presente caso, a fiscalização promoveu correta e obedientemente à legislação a Intimação e a Reintimação da fiscalizada, tomando o cuidado de individualizar as operações questionadas, de modo que, permanecendo indemonstrada a origem dos recursos discriminados, a hipótese subsumese perfeitamente ao fato jurídico tributário descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Por não ser admissível prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a exigência, até porque admitida legalmente. Ademais, não se perca que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito, como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: ASSUNTO: PROVA INDICIARIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, "econômicos" e convergentes. (Acórdão n° 1401 000.405 Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Recurso n° 167753 Processo n° 15586.000098/200713 Sessão de25/01/2011 Relator ANTONIO BEZERRA NETO) Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, nem durante os procedimentos fiscais nem na presente impugnação apreciada, remanescendo sem comprovação a quase totalidade dos depósitos questionados, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.675 34 É indiscutível que, por se tratar de caso de presunção, não tem caráter absoluto, visto que pode ser afastada por prova em contrário, a ser produzida pela parte desfavorecida. Entretanto, no caso em questão, mesmo depois de terem sido concedidas sucessivas oportunidades para a empresa esclarecer e comprovar adequadamente os recursos que permitiram sua vultosa movimentação bancária, ainda assim não vieram aos autos tais comprovações, exceto naquilo que será explicitado à frente e que se constitui em ínfima parcela do aqui discutido. Em suma, a temerária afirmação da defesa de que os valores tomados pelo Fisco e expressos nas planilhas de fls. 3036/3043 seriam "mera passagem de recursos; não são receitas e, portanto, são imprestáveis para formar a base de cálculo dos tributos e contribuições", não tem a menor sustentabilidade em face do ordenamento jurídico vigente. Passase, agora, a analisar os valores suscitados pela defesa e que se refeririam a transferências de mesma titularidade, passível de exclusão da base de cálculo apurada (e que não teriam sido consideradas pela Fiscalização). Conforme exposto na impugnação (fls. 3391), os valores questionados pela defesa, reportandose aos Bancos BIC e BRASDESCO, são os seguintes, iniciandose pelo BIC: a) BANCO BIC De plano, destaquese inexistir o lançamento de "3/04/2008 TED", no valor de R$ 2.900.000,00, conforme se mostra pela reprodução abaixo, extraída da planilha elaborada pelo Fisco (Anexa ao Termo de Verificação Fiscal fls. 3036/3043), mostrando não haver qualquer registro de tal montante neste período: Sequencialmente, ainda com fulcro na mesma planilha, vêse que os demais valores questionados não permitem concluir se tratar de transferência de "mesma titularidade", como alega a defesa; muito ao contrário, o histórico aponta transferência de "titulares diferentes", conforme reprodução abaixo: Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.676 35 Observese o teor do histórico: "Transf.Dif.Titul.Interagencia", o que permite supor referirse a remessa feita por "diferente titularidade" e não "mesma titularidade", como aventado pela impugnante. Claro que, por se tratar de histórico resumido e questão suscetível de prova contrária, poderia (e, na verdade, deveria, por força da norma impositiva prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996) a autuada ter trazido aos autos provas concretas (como microfilmes dos lançamentos, declaração do estabelecimento bancário, etc), de que tais rubricas se refeririam, como alega, a transferências feitas pela mesma titular, no caso a Royster. Não o fez, limitandose a alegar (e frontalmente contra o histórico dos extratos) que mencionados valores seriam mera transferência, quedandose inerte em demonstrar o inverso e descaracterizar o trabalho fiscal. Desta forma, refutamse as alegações da defesa em relação às transferências havidas no Banco BIC, mantendose os valores tomados pelo Fisco. Em relação ao Banco Bradesco, o quadro é o seguinte: b) BANCO BRADESCO Analisandose caso a caso: 1) históricos que não permitem concluir tratarse de transferências de valores de contas de mesma titularidade, cabendo à autuada a prova do alegado, o que não se viu nos autos(*): Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.677 36 (*) Nestes históricos, a simples menção de "Depósito em Dinheiro Dep Ref a Dev de Documento" ou "Transf.Valor Entre Conta" não possibilita afirmar, conclusivamente, que foram transferências feitas de contas da própria autuada para sua conta no Bradesco, cabendolhe o ônus da prova de que tal situação teria ocorrido, o que não se fez presente. 2) históricos que permitem concluir tratarse de transferências de valores de contas de mesma titularidade e que, por isso, são excluídos da base de cálculo dos lançamentos(**): (**) Aqui, como os históricos mencionam "Transf Entre Agenc Dinh o Proprio Favorecido", há fortes indícios de que se tratam, efetivamente, de remessas de contas de mesma titularidade, impondo, na dúvida e em respeito a clássico princípio jurídico (in dubio pro reo), decidirse a favor da acusada, pelo que os valores serão excluídos dos lançamentos. Ademais, como se trata de "presunção" esta não pode comportar incertezas, restando fragilizado, neste caso pontual e específico, o lançamento fiscal. Assim, dos valores citados pela impugnante no Bradesco e que somariam R$ 15.875.666,62, restaram comprovados e expurgados os montantes descritos no item 2, acima, importando em R$ 127.000,008. Portanto, a materialidade do fato gerador restou comprovada, de modo que fica mantido o lançamento neste aspecto, por sua absoluta correção, com os ajustes acima promovidos e que serão demonstrados no final do presente voto. (destaques do original) Antecipese que, em recurso voluntário, a contribuinte renovou a vinculação de depósitos a transferências de mesma titularidade, apresentando a seguinte planilha: Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.678 37 Analisando as informações presentes nas folhas do processo citadas pela recorrente, temse: · Depósito de R$ 300.000,00 em 22/04/2008 no BRADESCO: à fl. 304 consta reprodução do extrato bancário no qual este valor está indicado a crédito sob o histórico DEPOSITO EM DINHEIRO ROYSTER SERVIÇOS S A e a débito sob o histórico TED TRANSF ELET DISP DEST. ROYSTER SERVIÇOS S/A. Ocorre que na relação de depósitos bancários de origem não comprovada, consta à fl. 3038 apenas um depósito de R$ 300.000,00 em 22/04/2008, possivelmente porque, se tal crédito foi transferido para outra conta de mesma titularidade, a duplicidade foi previamente excluída pela autoridade lançadora; · Depósito de R$ 20.000,00 em 09/05/2008 no BRADESCO: à fl. 305 consta reprodução do extrato bancário no qual este valor está indicado a crédito sob o histórico TRANSF ENTRE AGENCIA DINH O PROPRIO FAVORECIDO e a débito sob o histórico TED TRANSF ELET DISP *DEST ROYSTER SERVIÇOS S/A, operação também refletida à fl. 438. Mas, à semelhança do caso anterior, à fl. 3038 consta apenas um depósito de R$ 20.000,00 em 09/05/2008, não se verificando qualquer duplicidade; · Depósito de R$ 110.000,00 em 13/05/2008 no PROSPER: à fl. 13 consta extrato de PROSPER no qual o crédito de R$ 110.000,00 está vinculado ao histórico CRÉDITO POR (TED). Porém, à fl. 3038 inexiste depósito no valor de R$ 110.000,00 em 13/05/2008 que tenha se prestado como indício de presunção de omissão de receitas, provavelmente porque a Fiscalização identificou que este valor seria proveniente de transferência do BRADESCO, registrada a débito à fl. 305; Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.679 38 · Depósitos de R$ 2.123.000,00 e R$ 3.171.000,00 em 16/06/2008 no BRADESCO: à fl. 310 consta reprodução de extrato do BRADESCO no qual os valores de R$ 2.123.000,00 e R$ 3.171.000,00 constam a crédito sob o histórico TRASNF VALOR ENTRE CONTA e a débito sob o histórico TED TRANSF ELET DISP *DEST ROYSTER SERVIÇOS S/A, operações também refletida à fl. 485/486. Porém, à fl. 3039 somente constam como depósitos de origem não comprovada os primeiros ingressos de R$ 2.123.000,00 e R$ 3.171.000,00 no BRADESCO, sem qualquer referência ao ingresso das transferências de mesmo valor no PROSPER, porque a Fiscalização possivelmente já havia constatado esta duplicidade; · Depósitos de R$ 2.500,00, R$ 100.000,00 e R$ 2.000.000,00 em 01/07/2008 no BIC: à fl. 133 consta extrato do BIC no qual os três depósitos decorrentes de transferências são seguidos de débito referente a TEDE no valor de R$ 2.102.610,20. Contudo, à fl. 3040 somente constam os três ingressos em BIC como depósitos de origem não comprovada, não se verificando qualquer outro ingresso em outro banco no valor de R$ 2.102.500,00, ou mesmo de R$ 2.102.610,20, que pudesse evidenciar a alegada duplicidade; · Depósito de R$ 154.000,00 em 07/08/2008 no BRADESCO: à fl. 322 consta reprodução de extrato do BRADESCO no qual há registro de R$ 154.000,00 a crédito sob o histórico TRANSF. VALOR ENTRE CONTA, bem como a débito sob o histórico ESTORNO DE LANÇAMENTO. Observase, ainda, que inexiste qualquer outra operação em data próxima de mesmo valor, sendo válido, assim, concluir, que o depósito foi, de fato, estornado. Contudo, o depósito de R$ 154.000,00 consta dentre aqueles que se prestaram como indício de omissão de receitas (fl. 3041), devendo ser promovida sua exclusão da base tributável; · Depósito de R$ 4.063.216,31 em 30/09/2008 no BIC: à fl. 134 consta extrato do BIC no qual o valor de R$ 4.063.216,31 consta como crédito e débito em 30/09/2008, sendo o débito representado por parcelas de R$ 863.216,00 e R$ 3.200.000,00. Ocorre que, se tais débitos representam transferências para outra conta de titularidade da recorrente, esta ocorrência já foi considerada Fiscalização, porque apenas o crédito de R$ 4.063.216,31 consta dentre aqueles que se prestaram como indício de omissão de receitas (fl. 3042). Assim, inexiste duplicidade que demande retificação; · Depósito de R$ 5.100.000,00 em 06/10/2008 no BIC: à fl. 135 consta extrato do BIC no qual o valor de R$ 5.100.000,00 consta como crédito e débito em 06/10/2008, sendo o débito representado por parcelas de R$ 100.000,00 e R$ 5.000.000,00. Ocorre que, se tais débitos representam transferências para outra conta de titularidade da recorrente, esta ocorrência já foi considerada Fiscalização, porque apenas o crédito de R$ 5.000.000,00 consta dentre aqueles que se Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.680 39 prestaram como indício de omissão de receitas (fl. 3042). Assim, inexiste duplicidade que demande retificação; · Depósito de R$ 80.000,00 em 11/12/2008 no BIC: à fl. 136 consta extrato do BIC no qual o valor de R$ 80.000,00 consta como crédito e débito em 11/12/2008, sendo o débito representado por parcelas de R$ 25.000,00, R$ 25.000,00 e R$ 30.000,00. Ocorre que, se tais débitos representam transferências para outra conta de titularidade da recorrente, esta ocorrência já foi considerada Fiscalização, porque apenas o crédito de R$ 5.000.000,00 consta dentre aqueles que se prestaram como indício de omissão de receitas (fl. 3043). Assim, inexiste duplicidade que demande retificação; Esclareçase que apenas o depósito bancário decorrente de transferência entre contas bancárias de mesma titularidade não se presta como indício de omissão de receita, visto que sua origem é, à evidência, outra conta bancária do próprio sujeito passivo. Já o depósito bancário que antecede a transferência, cuja origem é externa, não pode ser descartado como indício de omissão de receitas apenas porque seus valores foram posteriormente transferidos a outra conta corrente de mesma titularidade. A duplicidade é evitada desconsiderandose o segundo depósito, e não o primeiro que antecede a transferência, cuja origem externa deve ser comprovada e vinculada a operação regularmente tributada ou não sujeita a tributação. Assim, dentre as alegações resumidas na planilha apenas, apenas o depósito de R$ 154.000,00 promovido em 07/08/2008, cujo estorno está demonstrado no correspondente extrato bancário, deve ser excluído do montante de depósitos de origem não comprovada. Retomando as alegações da recorrente na ordem apresentada, questiona ela o procedimento fiscal acerca das transferências cujos depositantes foram identificados, em especial as corretoras de valores mobiliários NOVINVEST e PROSPER CVC, mormente tendo em conta que o Fisco tinha conhecimento do recolhimento de tributos sobre as receitas declaradas no período. A contribuinte também questiona o procedimento de circularização procedido pela autoridade lançadora e as conclusões daí extraídas, argumentando que os documentos apresentados pelas pessoas diligenciadas constituem provas dos negócios realizados e origem dos créditos bancários questionados. Destaca a compatibilidade de seu objeto social com as operações realizadas, em sua maioria justificada pelos contratos de mútuo apresentados. As relações de negócios estariam formalmente registradas na documentação integrante dos autos e revelam a forma de atuação econômica da autuada, sendo descabida a busca por informações acerca dos pagamentos frente à sua opção pelo lucro presumido. A apreciação destas alegações demanda, inicialmente, recordar quais documentos foram apresentados pela contribuinte no curso do procedimento fiscal: · Extratos bancários de apenas um de seus estabelecimentos; · Cópias de seus Estatutos Sociais e Balanço Patrimonial de 2008; A contribuinte, optante pelo lucro presumido, sequer possuía o Livro Caixa ou o Livro de Registro de ISS, e também não apresentou o Livro Razão, apesar de ter se comprometido a fazêlo. Deixou, ainda, de fornecer informações relativas a seus clientes e os serviços a eles prestados, e alegou aguardar a entrega de extratos bancários pelas instituições Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.681 40 BIC e BRADESCO. Na sequência do procedimento fiscal, deixou de responder às intimações fiscais para comprovação da origem dos depósitos bancários. Neste cenário, a identificação dos depositantes e a existência de tributos recolhidos sobre receitas declaradas em nada afetam a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O §3º deste dispositivo estabelece que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Porém, a comprovação da origem se faz mediante apresentação da escrituração e de documentos coincidentes em datas e valores com os depósitos questionados, ao passo que, como já dito, a contribuinte não apresentou seu Livro Caixa nem as informações relativas a seus clientes e aos serviços a eles prestados. Assim, as informações invocadas pela recorrente são vazias de conteúdo e não se prestam a desconstituir a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Inexiste, assim, vício material na determinação da base tributável, ou mesmo vício formal na capitulação legal da infração. Quanto às informações obtidas em circularização destacase da acusação fiscal: a) as corretoras NOVINVEST e PROSPER CVC recusaramse a fornecer as informações requeridas pelo Fisco; b) STOCKLOS, MACAR e SERGIO GUARACIABA MARTINS REINAS solicitaram prorrogação de prazo, mas nada apresentaram; c) LUCIO BOLONHA FUNARO apenas entregou um extrato de movimentação de mútuo, onde evidentemente o mesmo assina tanto como mutuante quanto como representante da mutuaria (ROYSTER), sendo que tal documento, além de desprovido de qualquer formalidade, não pôde ser confrontado com a escrituração ou, ao menos, o Livro Caixa, que deixaram de ser apresentados pela fiscalizada, não bastasse o descompasso com os valores por ele informados em sua DIRPF (diminuição do crédito em R$ 7 milhões contra o recebimento líquido de R$ 13,3 milhões no período fiscalizado); d) CINGULAR apresentou contrato de contacorrente entre as partes também despido de qualquer formalidade, assinado apenas por Lucio Bolonha Funaro e que não pôde ser confrontado com o Livro Caixa que deixou de ser apresentado; e) GALLWAY apresentou contrato de contacorrente e contrato de investimento despidos de qualquer formalidade, além de serem insuficientes para, sequer, justificar o pagamento de contas desta empresa a partir de contas bancárias da fiscalizada. Inicialmente esclareçase que as provas reunidas em diligências integraram a fase inquisitorial do procedimento fiscal e assim sua ciência ao sujeito passivo somente é necessária na formalização do lançamento, contra o qual foi possível a apresentação de recursos administrativos e regular exercício do direito de defesa. Contudo, para se contrapor às conclusões fiscais, a recorrente limitase a classificar de tendenciosos os fatos narrados e a afirmar a validade das provas apresentadas por terceiros para demonstração da origem dos créditos bancários questionados, olvidando ser seu o dever de apresentar tal documentação, integrante de sua escrituração contábil/fiscal, cuja guarda e conservação são obrigatórias na forma do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 . A falta de apresentação destes elementos torna inócua a argumentação da recorrente acerca da regularidade dos serviços de agenciamento de negócios, cobrança e consultoria em finanças, além de participação em outras sociedades, simples ou empresárias, constante de seus atos constitutivos. De fato, para demonstrar que a movimentação financeira de expressivos valores pelas contas bancárias de titularidade da autuada decorrem de contratos de mútuo Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.682 41 celebrados com pessoas jurídicas e com o sócio Lúcio Bolonha Funaro, a contribuinte deveria não só apresentar os correspondentes contratos, como também documentos que os vinculassem individualmente a cada depósito questionado pelo Fisco, para além da regular escrituração destas operações, ao menos, em Livro Caixa. Elementos desta espécie também poderiam sustentar sua alegação de que os pagamentos, objetos da circularização, foram realizados pela autuada em razão dos contratos firmados. Mas, ao contrário, os contratos invocados pela defesa, que seriam referentes a empréstimos para capital de giro com Cingular Fomento Mercantil Ltda (fls. 2587/2589) e Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros (fls. 2602/2607), apenas enunciam genericamente que: CLAUSULA PRIMEIRA ESCOPO 1.1. O presente Instrumento tem por finalidade a realização de mútuos sucessivos entre as PARTES, em sistema de compensação, por meio de transferência bancária ou depósito na conta a ser indicada pelas PARTES, a fim de atender às necessidades de capital de giro de suas atividades, na medida de suas necessidades. CLAUSULA SEGUNDA MOVIMENTAÇÃO 2.1. As solicitações referentes aos empréstimos supracitados poderão ser realizados da forma que melhor convir às PARTES, seja por meio eletrônico, telefone, cartas ou notificações. 2.2. Todos os valores entregues pelas PARTES, uma à outra, dever são objeto de extrato ou relatório anual, assinado pelas PARTES, para realização de compensação, balançou e liquidação da dívida ao término do presente, que passarão a fazer parte integrante deste Instrumento. 2.3. O saldo em favor de uma das PARTES, se existente, deverá ser liquidado na forma prevista na Cláusula Quarta abaixo. 2.4. A qualquer momento, qualquer das PARTES, em verificando que o saldo devedor/credor ultrapassou o montante de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) [com CINGULAR e R$ 5.000.000,00 com GALLWAY], poderá dar por finalizado o presente Contrato, sem prévio aviso e mediante simples comunicado, sem qualquer prejuízo do pagamento do saldo devedor/credor na forma da Cláusula Quarta abaixo. CLÁUSULA TERCEIRA PRAZO 3.1. O presente Instrumento terá início na data de sua assinatura e vigorará até o fim do anocalendário 2008, salvo se prorrogado em comum acordo, por meio de aditamento ao presente. CLAUSULA QUARTA LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 4.1. Ao término do prazo estipulado na Cláusula Terceira, realizarseá balanço de entradas e saídas das PARTES, a fim de se apurar eventual saldo devedor. 4.2. Em havendo saldo devedor, a Parte devedora quitará a dívida no prazo de 30 (trinta) dias corridos, contados do término da vigência deste Instrumento. Alternativamente, as Partes deverão celebrar instrumento de confissão de dívida que represente o crédito, com ajuste do prazo em forma de pagamento. 4.3 Em caso de prorrogação do Instrumento, o prazo para realização de balanço e, consequentemente, para pagamento do valor devido será automaticamente prorrogado. 4.4 Os valores poderão ser corrigidos monetariamente pelo índice IGPM/FGV da época do pagamento. Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.683 42 Ainda que, abstraindose o significativo volume de recursos movimentados, afastese a necessidade de registro cartorário de tais documentos frente à assinatura de duas testemunhas, como invoca a recorrente, tais contratos não se prestam, isoladamente, a comprovar a origem dos depósitos bancários questionados, ainda o depositante deles seja parte. De fato, sem outro documento de prova da vontade das partes, e sem a escrituração correspondente, não há como vincular os depósitos promovidos por tais pessoas jurídicas à relação jurídica genericamente estipulada nos termos acima, podendo os créditos decorrerem de várias outras operações ou, até mesmo, representarem transferência de recursos de terceiros, mormente frente à evidente confiança entre as partes que se permitem, sem maiores garantias, o trânsito de créditos de tão representativa monta. Com referência às operações com Lucio Bolonha Funaro, consta às fls. 2575/2579 documento denominado Extrato de Movimentação de Mútuo, possivelmente emitido em razão de contratação semelhante à acima demonstrada, e que relata diversos créditos e débitos verificados entre as partes, em razão dos quais o saldo de R$ 16.285.690,00 em 31/12/2007 é reduzido a R$ 14.389.821,74 em 30/01/2008. Tal documento, porém, reporta se a, apenas, um mês de operações em 2008, e o único registro que possuiria alguma referência documental é o saldo inicial de R$ 16.285.690,00, refletido na DIRPF de Lucio Bolonha Funaro. A Fiscalização, por sua vez, observou que as operações realizadas entre a fiscalizada e Lucio Bolonha Funaro representaram o crédito líquido, em favor do sócio administrador, de cerca de R$ 13,3 milhões, diversamente dos registros em DIRPF que revelaram a redução de direitos de Lucio Bolonha Funaro em face da fiscalizada no montante de R$ 7 milhões. Além disso, recordese, mais uma vez, o apontamento fiscal acerca dos efeitos da falta de apresentação da escrituração contábil ou, ao menos, do Livro Caixa para confirmação de tais alegações. Tais operações, mormente quando realizadas com pessoa ligada, devem ser revestidas de regular comprovação, coincidente em datas e valores, que permitam avaliar a origem anterior dos valores entregues à pessoa jurídica, até porque muito antes da instituição da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, a legislação tributária já consolidara outra presunção legal de omissão de receita decorrente de suprimentos semelhantes, mas em caixa, nos termos do RIR/99: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Por fim, quanto ao contrato firmado com Gallway Projetos e Energia do Brasil S/A (fls. 2614/2620), consta ali, apenas, o compromisso da fiscalizada de investir o montante de até R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) naquela empresa, de acordo com a necessidade desta, para desenvolvimento de seus projetos de energia. Nada, no referido documento, estipula como a fiscalizada promoverá tais investimentos, e nenhum outro elemento foi apresentado para evidenciar sua efetivação. Nas diligências promovidas pela Fiscalização, constatouse junto a Voith Hidro Ltda, Politécnica Comercial Elétrica Ltda, Sae Towers Brasil Torres de Transmissão Ltda, Toshiba Infraestrutura America do Sul Ltda e Weg Equipamentos Elétricos S/A, o recebimento de valores pagos pela fiscalizada em razão de serviços e equipamentos fornecidos à Centrais Elétricas de Belém CEBEL. Todavia, além de Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.684 43 se tratar de informações prestadas por terceiros e não provas apresentadas pela fiscalizada, tais evidências estão relacionadas a pagamentos que teriam sido promovidos pela autuada, e não aos depósitos cuja origem não foi comprovada. Claro está, assim, que as relações de negócios não estão formalmente registradas na documentação integrante dos autos. E, esclareçase: os questionamentos fiscais que motivam a presunção de omissão de receitas foram direcionados aos depósitos bancários, de modo que as alegações da recorrente contrárias à busca por informações acerca dos pagamentos não tem qualquer relevo neste momento. Em verdade, as referências feitas pela Fiscalização aos pagamentos verificados nas contas bancárias da fiscalizada prestaramse, especialmente, a evidenciar a conduta irregular do sócioadministrador Lucio Bolonha Funaro, e as relações entre a fiscalizada e as demais pessoas jurídicas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, parte delas também administradas por Lucio Bolonha Funaro. A recorrente também se reporta aos documentos de fls. 3274/3283 e 3284/3339, referentes a resposta à intimação dirigida à diligenciada PROSPER CVC, encaminhados por via postal e recebidos pela Fiscalização em 20/03/2013, depois da lavratura do lançamento em 07/03/2013 e da sua ciência, por via postal, em 19/03/2013. Relata a Fiscalização que, intimada, PROSPER CVC requereu prorrogação de prazo para prestação das informações requeridas, mas tal prazo já havia expirado à época da lavratura do lançamento. Assim, os elementos tardios foram juntados aos autos depois da lavratura do lançamento, Os documentos em referência consistem em extratos emitidos por PROSPER CVC, indicando a autuada como cliente, e enunciando, a partir de 09/05/2008, diversas transferências para e do BANCO PROSPER, além de registros decorrentes de liquidação de operações em bolsa, possivelmente vinculados a notas de corretagem juntadas na sequência. A partir deles a contribuinte alega movimentações decorrentes de operações junto à carteira de compra e venda de valores mobiliários de negociação na Bolsa de Valores, que estariam provados em Extratos de Contas Correntes do período de jan. a dez./2008 (fls. 3274/3283) e Notas de Corretagem (fls. 3284/3339). Registrese inicialmente que tais alegações não foram veiculadas em impugnação e que os documentos referenciados foram apresentados por terceiros e não pela fiscalizada. Em tal contexto, caberia à recorrente, minimamente, empenharse em justificar, por meio de argumentos, por qual razão tais elementos poderiam ser tomados como prova da origem dos depósitos bancários questionados pela Fiscalização. Nesse sentido, porém, a recorrente apenas aduz que os históricos bancários evidenciariam que os valores lançados de ofício como omissão de receitas correspondem ao retorno de investimento, não submetidos a incidência, exceto quanto aos ganhos líquidos, para os quais há tributação na fonte na forma do art. 758 do RIR/99, e foram tributados segundo sua opção pelo lucro presumido. No mais, somente apresenta, em tabela, os valores que não poderiam ter sido submetidos a tributação neste lançamento. Desta tabela tomase como exemplo os depósitos de R$ 888.948,88, R$ 42.050,00 e R$ 118.595,00, verificados no Banco Prosper entre 09/05/2008 e 13/05/2008, tendo como depositante "Prosper SA Corretora de Valores de Câmbio" e vinculados à "operação" de "Aplicação", ao passo que no extrato enviado por PROSPER CVC consta, apenas, que tais valores foram TRANSF PARA O BANCO PROSPER, não sendo possível compreender porque o depósito de valores de uma corretora de valores mobiliários em um banco poderia representar uma "Aplicação", como indicado na tabela elaborada pela recorrente. Todos os demais depósitos desta natureza relacionados no recurso voluntário às fls. 3606/3608 Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.685 44 e vinculados à PROSPER CVC apresentam as mesmas características, insuficientes para se compreender porque a recorrente entende que sua origem estaria comprovada. Observase, ainda, que na referida tabela a recorrente também agrega recursos provenientes de "Aplicação" por NOVINVEST CVC, apesar de inexistir nos autos qualquer referência a estas operações, dado que tal corretora sequer atendeu à intimação dirigida pela Fiscalização e, demais disso, cumpriria à recorrente apresentar tais documentos que certamente deveria deter caso fosse cliente daquela corretora. Por fim, a recorrente relaciona na tabela em referência depósitos que, em razão do histórico TRANSF DA CTAN, evidenciariam retorno de aplicação, mormente tendo em conta a existência de outros registros, na mesma instituição financeira (Banco Prosper S/A), sob o histórico TRANSF P CTAN. Tais históricos, porém, não apresentam a clareza que a recorrente vislumbra e não se prestam, isoladamente, a suportar sua alegação. Indispensável seria a apresentação dos extratos de tais aplicações financeiras para se confirmar, mediante correspondência de datas e valores, que a origem dos depósitos seria o resgate de aplicações financeiras mantidas naquela instituição. Por certo, depósitos bancários decorrentes de empréstimos, de movimentação transitória de recursos de terceiros ou de resgate de aplicações financeiras não se prestam como indícios para presunção de omissão de receitas. A questão, porém, é que a recorrente não provou que os depósitos questionados pela Fiscalização teriam origem em operações desta espécie. Alegar, apenas, não basta, especialmente quando tais operações sequer foram objeto de registro contábil ou fiscal. Passando à determinação do lucro tributável a partir das receitas presumidamente omitidas, a recorrente defende que deveria ter sido respeitada sua opção pelo lucro presumido. Contudo, como já exposto na decisão de 1ª instância, o art. 530, III do RIR/99 impõe: o imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar o Livro Caixa, no caso de optante pelo lucro presumido desobrigado de manter escrituração comercial, mas apenas o Livro Caixa integrado por toda a movimentação financeira, na forma do art. 527, parágrafo único, do RIR/99. De outro lado, nenhum vício existe em se afastar a opção pelo lucro presumido e admitir, como receita bruta declarada, os valores informados em DIPJ, assim como tributos recolhidos aqueles apurados segundo aquela declaração. A DIPJ, produzida pelo sujeito passivo, é prova das receitas por ele reconhecidas e submetidas a tributação, ainda que não apresentada a correspondente escrituração. Para desconstituíla, cumpriria ao sujeito passivo demonstrar a origem de sua movimentação financeira e evidenciar que todas as operações não se sujeitariam a tributação, ou então que há correspondência entre as receitas presumidamente omitidas e aquelas que já haviam sido submetidas à tributação, para assim caracterizar a hipótese do art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96. Ausente qualquer demonstração documental neste sentido, as receitas provadas por declaração do sujeito passivo e por presunção são somadas para determinação dos tributos segundo o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase e não segundo o regime de tributação pelo qual a contribuinte optou. Neste sentido é a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.686 45 § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos, para excluir das bases tributáveis, apenas, o depósito de R$ 154.000,00 promovido em 07/08/2008. Com referência ao agravamento da penalidade, a contribuinte aduz não ter se verificado a alegada falta de apresentação de informações à autoridade fiscal, dadas as petições apresentadas pela contribuinte durante do procedimento fiscal, por meio das quais se demonstrou a conduta de sempre colaborar com o trabalho da Fiscalização, somente não sendo atendidas as intimações nas datas aprazadas em razão da mora das instituições financeiras em lhe fornecer os extratos bancários. A jurisprudência deste Conselho está consolidada contrariamente ao agravamento da penalidade em caso de arbitramento dos lucros, caso o agravamento seja motivado, apenas, pela falta de apresentação de livros e documentos que ensejaram o arbitramento dos lucros: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. No presente caso, o arbitramento dos lucros foi motivado pela falta de apresentação do Livro Caixa. Porém, como bem relata a autoridade lançadora, desde o início do procedimento fiscal, em 26/03/2012, exigiuse do sujeito passivo seus extratos bancários e informações sobre seus maiores clientes e especificação dos serviços prestados. Depois de concedida a primeira prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou apenas extrato de uma instituição financeira e requereu nova prorrogação de prazo, sem apresentar qualquer justificativa razoável para tal extensão de prazo, principalmente para itens que independiam de terceiros. Novamente intimada em 17/05/2012, a contribuinte apresentou apenas contrato social e alterações e prometeu apresentar o Livro Razão em novo prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual alegou estar impossibilitada de entregar os documentos por depender de terceiros (como instituições financeiras). Em 18/06/2012 foi lavrado termo de constatação e intimação fiscal de fls. 108/111 para, segundo a Fiscalização, registrar a negligência, o caráter protelatório das atitudes do contribuinte no curso da ação fiscal e a sua sujeição às consequências legais cabíveis. Neste documento a Fiscalização frisa a ausência de qualquer justificativa para a falta de apresentação não só do Livro Caixa, como também do Livro Registro de ISS e das informações relativas a seus clientes. Este contexto evidencia que o sujeito passivo limitou suas respostas aos extratos bancários e ao Livro Caixa exigidos desde o início do procedimento fiscal, nada dizendo acerca do Livro Registro de ISS e das informações relativas a seus clientes. Esta conduta omissiva já seria suficiente para caracterizar o não atendimento pelo sujeito passivo, Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.687 46 no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, hipótese que na forma do art. 44, §2º, inciso I, autoriza o agravamento da penalidade em 50%. Para além disso, depois de obtidas as informações das instituições financeiras via RMF, a Fiscalização novamente intimou o sujeito passivo, agora para comprovar a origem dos depósitos bancários (fl. 633), mas não obteve resposta. A contribuinte limitouse a requerer dilação de prazo, que foi parcialmente concedida (fl. 654/656), sem que houvesse qualquer outra manifestação no novo prazo marcado. Evidente, assim, a desídia do sujeito passivo durante o procedimento fiscal. Claramente sua conduta não foi de sempre colaborar com o trabalho da Fiscalização, e isso não só em relação ao Livro Caixa que motivou o arbitramento, como também em relação às informações de seus clientes e receitas declaradas, além da comprovação da origem dos depósitos bancários. Tais circunstâncias são suficientes para manutenção do agravamento da penalidade ainda que fosse possível admitir, como quer a recorrente, que ela não teria a guarda dos extratos bancários e dependeria da presteza das instituições financeiras para atender às exigências fiscal, ou mesmo estaria exercendo o direito constitucional de não se auto incriminar ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada. Esclareçase, ainda, que a hipótese de agravamento está explicitada em lei, sem que ali se cogite de análise valorativa dos efeitos do descumprimento. De toda sorte, mesmo admitindose a pretensão de que seja examinado, à luz do caso concreto, o grau de desvalor da ação, basta observar que o procedimento fiscal, tendo por referência o ano calendário 2008, teve início em 04/04/2012 e somente foi concluído em 19/03/2013, depois de ampla investigação perante terceiros determinada pela falta de colaboração do sujeito passivo e que, ao final, resultou na presunção de omissão de receitas extensamente questionada pela recorrente, bem como na reunião de provas da vinculação do sócio administrador às infrações cometidas pela contribuinte. Logo, nada há de involuntário na sua conduta. A postura adotada pela contribuinte e seu representante legal dificultou sobremaneira o procedimento fiscal e possivelmente almejava o decurso do prazo decadencial, a ocultação da responsabilidade tributária do sócio administrador e a instituição de dúvida sobre o lançamento que, ao final, precisou de valer da transferência de sigilo bancário e de presunção legal. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade. Por fim, a recorrente se opõe à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Tal matéria, porém, não foi impugnada, devendo ser renovado o entendimento assim firmado por este Colegiado no Acórdão nº 1302001.722: Essa matéria não foi trazida ao litígio instaurado pela impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.688 47 MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Assim, NEGASE CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. O presente voto, portanto, além de REJEITAR o pedido de sobrestamento e a arguição de nulidade do lançamento, e NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, resulta em PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir das bases tributáveis o depósito de R$ 154.000,00 de 07/08/2008. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.689 48 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto da ilustre Relatora, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência, que levou o colegiado a conclusão diversa quanto ao agravamento da multa de ofício. Tendo me alinhado à divergência suscitada pelo D. Conselheiro Alberto Pinto, recebi a designação para redigir o presente voto vencedor. Na situação examinada, entendeu a maioria do colegiado que o sujeito passivo fiscalizado não permaneceu inteiramente inerte quanto ao atendimento às solicitações da fiscalização, tendo entregue parte dos elementos solicitados. E, quanto às omissões a que deu causa, estas foram inteiramente supridas pela fiscalização mediante a aplicação da legislação pertinente, quais sejam: i) Requisição de Movimentação Financeira RMF diretamente às instituições financeiras, em face da não apresentação de extratos solicitados; e ii) arbitramento do lucro em face da não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais solicitados. Com efeito, ao não entregar os extratos bancários solicitados (entregou apenas o do Banco Prosper) , embora tenha pedido prorrogações de prazo para fazêlo, o contribuinte deu azo a que a fiscalização requisitasse diretamente às instituições financeiras os extratos e outros documentos que permitiram identificar a movimentação financeira com vistas a apurar eventual omissão de receitas por parte da interessada. No mesmo sentido, ao silenciar e deixar de identificar a origem dos recursos depositados ou creditados em suas contas bancárias a interessada teve contra si, como consequência imediata, a aplicação da presunção de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nª 9.430/1996 com base nos créditos de origem não comprovada No tocante à não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais, a fiscalização, corretamente, lançou mão do arbitramento do lucro como forma de apuração das bases tributáveis para o lançamento dos tributos. Por fim, a apuração dos fatos relativos à imputação da responsabilidade do sócio também foi devidamente suprida pelos elementos obtidos pelo Fisco, especialmente pela obtenção dos documentos bancários, via RMF, e das diligências realizadas junto a terceiros, que independiam da atuação e colaboração da interessada. Desta feita, não se vislumbrou a existência de elementos circunstanciais suficientes para justificar o agravamento da multa de ofício. Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO Processo nº 13864.720036/201318 Acórdão n.º 1302001.805 S1C3T2 Fl. 3.690 49 Por todo o exposto, a decisão do colegiado, em sua maioria, é pelo provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o agravamento da penalidade. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator designado Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHA DO
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Numero do processo: 16327.000872/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES.
Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas.
Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Eduardo Borges, OAB/SP nº 153881.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno. Recurso voluntário provido.
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VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Não constitui condição de venda a obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, a título de royalties, um percentual sobre as vendas que realizar no mercado interno. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 72 /2 00 6- 29 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Eduardo Borges, OAB/SP nº 153881. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de juros e de multas, proporcional e isoladas. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em 18/10/05 foi dada ciência ao contribuinte da Intimação FM n° 2005001297, fl. 16, dando início a procedimento de fiscalização sobre valores relativos a contrato de royalties. Após várias intimações e com base nas informações fornecidas pela impugnante, a fiscalização concluiu que a interessada não incluiu no valor aduaneiro valores pagos a título de royalties. Através do auto de infração de fls. 01 a 294, cobraramse as diferenças de II, IPI, juros de mora e multas de ofício. Intimada do Auto de Infração em 19/06/2006 (fls. 72 e 181), a interessada apresentou impugnação e documentos em 18/07/2006, juntados às folhas 295 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que é inaplicável o art. 8° do AVA ao caso em tela pois a Nota do mesmo art. 8° explica que não integram a base de cálculo na importação os royalties sobre produtos produzidos no país. Cita Opiniões Consultivas do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da O.M.A. 2. Alega que o contrato que embasa a autuação não tem por escopo a importação de produtos para revenda direta, mas apenas o licenciamento de tecnologia para que a impugnante possa produzir no Brasil produtos para serem revendidos. Alega que tal contrato não prevê a condição de venda de pagamento de royalties pelo direito de revender produtos importados. 3. Alega que não há vinculação entre os royalties remetidos ao exterior e as declarações de importação elencadas. 4. Requer, por fim, que seja julgado improcedente a presente autuação. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/200629 Acórdão n.º 3201002.050 S3C2T1 Fl. 641 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 1737.529, de 20/01/2010 (fls. 486 e ss.). ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 VALOR ADUANEIRO. CONDIÇÃO DE VENDA. ROYALTIES. Método do valor de transação. Ao preço efetivamente pago ou a pagar deve ser acrescentado o valor dos royalties relacionados às mercadorias, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 512/527, por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne da questão diz com a inclusão, nas bases de cálculo do II e do IPI vinculado à importação, dos royalties pagos em face de importações realizadas pela Recorrente (produtos licenciados: sistemas de poliuretanos e produtos para embalagem a base de laminados de espuma). O fundamento legal da exação é o art. 1° do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA, aprovado pelo Decreto nº 1.355, de 1994, combinado com o art. 8º, que prevê o ajuste do valor aduaneiro com os royalties quando estes são condição de venda: “Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: Artigo 8 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (...) 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis.” (g.n.) Intimada a apresentar esclarecimentos, a Recorrente apresentou planilhas nas quais estão registrados dados referentes às mercadorias importadas – posteriormente revendidas na mesma forma em que ingressaram no país –, para às quais houve pagamento de royalties em função dessas vendas no mercado interno. Em sua defesa, sustenta a Recorrente inaplicável ao caso o disposto no art. 8° do AVA, uma vez que a Nota ao mesmo dispositivo preveria que os royalties sobre produtos produzidos no país não integram a base de cálculo dos tributos aduaneiros. Eis a redação da Nota ao Artigo 8: Parágrafo 1(c) 1. Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo l (c) do Artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. (g.n.) Ao analisar as cláusulas encartadas no contrato celebrado entre a Recorrente e o exportador no exterior, entendeu a fiscalização que os royalties foram cobrados como condição de venda para o país de importação, vale dizer, não foram exigidos apenas para o caso de produção no território nacional, mas também de venda, tal como foram importados. Vale transcrever, a respeito, o seguinte fragmento da decisão recorrida: Ao contrário do alegado pela impugnante, o contrato de royaties apresentado prevê a hipótese de pagamento em casos de produtos fabricados no Brasil mas também de revenda de produtos importados. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/200629 Acórdão n.º 3201002.050 S3C2T1 Fl. 642 5 À fl. 52, sexto parágrafo, o contrato cita: "CONSIDERANDO que a TDCC está disposta a fornecer à LICENCIADA produtos, tecnologia de processo e suporte contínuo aos mesmos; ". Assim, diferenciase produtos de tecnologia de processos. O art. 1.01 cita os "PRODUTOS LICENCIADOS" que a "LICENCIADA está autorizada a produzir e vender... " O art. 1.03 cita os "NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS", os quais estariam "autorizados pela TDCC para produção, venda e/ou promoção de vendas... " O art. 1.11, fl. 54, define "VENDAS COMERCIAIS" como a soma das vendas comerciais mais as transferências para AFILIADAS. O art. 2.01, fl. 55, explicita que os "DIREITOS DE PATENTE" aplicamse na "produção, uso e venda" dos produtos licenciados. O art. 2.02, fl. 55, explicita que a "TDCC concede à LICENCIADA o direito de estender à seus clientes de PRODUTOS LICENCIADOS e presumíveis NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS dentro do TERRITÓRIO, imunidade sob os acima citados DIREITOS DE PATENTE, TECNOLOGIA, e MELHORAMENTOS TECNOLÓGICOS, para usar e revender os produtos licenciados ao amparo do presente instrumento, que foram adquiridos pela LICENCIADA. Vários são os excertos que citam a possibilidade de venda dos produtos com tecnologia licenciada, sem qualquer explicitação de que tais produtos são os exclusivamente fabricados no Brasil. De outro modo, em nenhum momento são excluídos do contrato os produtos simplesmente importados e revendidos pela impugnante. Pondo fim a qualquer dúvida nesse sentido, a própria planilha apresentada pela impugnante, relaciona os produtos importados pela mesma, não fabricados no Brasil, e que estão sujeitas ao pagamento de royalties. Dessa forma, afastase qualquer tentativa de interpretação que restrinja o alcance do contrato apenas aos produtos fabricados no Brasil. Também da leitura do contrato, fica claro que tais royalties são de fato uma condição de venda. O art. 3°, fl. 56, afirma: “3.01 Como compensação às licenças concedidas sob os Parágrafos 2.01 e 2.02, a LICENCIADA pagará à TDCC um percentual de suas VENDAS COMERCIAIS dos PRODUTOS LICENCIADOS e dos NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS, igual ao seguinte: (a) ROYALTY ESPECÍFICO POR PRODUTO e (b) ROYALTY DE APÔIO.” (g.n.) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Ocorre que, no nosso entendimento, essa informação – a venda, no mercado interno, dos produtos licenciados, sem que tenha sido submetido a um processo de industrialização – parecenos absolutamente irrelevante para a solução do litígio. Isso porque, embora a licença tenha sido conferida à Recorrente para a produção, o uso e a venda dos produtos licenciados (e também de processo licenciado, embora não seja o caso!), o pagamento dos royalties só se tornou, no caso, devido quando houve a venda no mercado interno. É o que se extrai do contrato celebrado entre ambos, o qual estabelece, como referência para o pagamento dos royalties, um percentual sobre as vendas realizadas pela Recorrente: ARTIGO 3 DOS PAGAMENTOS 3.01 Como compensação às licenças concedidas sob os Parágrafos 2.01 e 2.02, a LICENCIADA pagará à TDCC um percentual de suas VENDAS COMERCIAIS dos PRODUTOS LICENCIADOS e dos NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS, igual ao seguinte: (a) ROYALTY ESPECIFICO POR PRODUTO e (b) ROYALTY DE APÔIO. O ROYALTY DE APÔIO e o total de ROYALTIES ESPECIFICOS POR PRODUTO aplicáveis à cada PRODUTO LICENCIADO e NOVO PRODUTO LICENCIADO, e o ROYALTY DE APÔIO para cada PLATAFORMA DE NEGÓCIOS, encontramse estipulados no Anexo A ao presente instrumento, o qual será alterado no tocante a qualquer NOVO PRODUTO LICENCIADO mediante autorização da TDCC. (...) 3.04 A LICENCIADA deverá manter registros precisos de todas as VENDAS COMERCIAIS de PRODUTOS LICENCIADOS e de NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS, e ainda quanto ao uso de NOVOS PROCESSOS LICENCIADOS, conforme forem adotados relativamente aos mesmos, para a pronta constatação de suas obrigações de pagamento de royalties ao amparo do presente Contrato. A LICENCIADA deverá providenciar relatórios separados para a TDCC no último dia de Maio, Agosto, Novembro e Fevereiro de cada ano calendário correspondente ou anteriormente as citadas datas mostrando as VENDAS COMERCIAIS de PRODUTOS LICENCIADOS, de NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS, incluindo PRODUTOS LICENCIADOS e /ou NOVOS PRODUTOS LICENCIADOS fabricados através da colocação em prática de um NOVO PROCESSO LICENCIADO, tudo em conformidade com as licenças concedidas ao amparo deste instrumento, durante qualquer trimestre calendário precedente, e ainda o royalty devido, se for o caso. (g.n.) Portanto, se a Recorrente importou determinado produto licenciado e o usou, consumiu, no seu próprio estabelecimento, não pagou royalties em decorrência dessa importação. Isso porque pagamento só houve quando o produto foi vendido no mercado interno. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16327.000872/200629 Acórdão n.º 3201002.050 S3C2T1 Fl. 643 7 Nesse contexto, muito embora os royalties se relacionem com os produtos licenciados objeto da valoração, é de se concluir que o pagamento desse direito não constituiu uma condição da venda para a exportação para o país de importação das mercadorias importadas. A Recorrente poderia, sim – tal como, a propósito, o fez – adquirir os produtos licenciados sem pagar os royalties, porque isso somente ocorreria – tal como, a propósito, ocorreu – quando os vendesse no mercado interno. Apesar de não se referir a uma situação idêntica àquela aqui examinada, já que o pagamento dos royalties é realizado, na hipótese nela tratada, a uma terceira pessoa diferente do exportador no exterior, a Opinião Consultiva nº 4.2 do Comitê de Valoração Aduaneira (OMC), divulgada através da Instrução Normativa SRF nº 318, de 4 de abril de 2003, estabelece que, quando o pagamento não decorre de uma obrigação derivada do contrato de venda, mas de uma obrigação decorrente da venda no país de importação, os royalties não devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar na determinação do valor aduaneiro. Confirase: Opinião consultiva 4.2 ROYALTIES e direitos de licença segundo o Artigo 8.1 c) do Acordo Um importador adquire de um fabricante discos fonográficos que contêm obra musical. Segundo as leis do país de importação, o importador, quando revende os discos, deve pagar um royalty de 3% do preço de venda a uma terceira parte, o autor da composição musical, detentor do direito autoral. Nenhuma parte do royalty reverte direta ou indiretamente ao fabricante, nem se lhe transfere como conseqüência de uma obrigação derivada do contrato de venda. O royalty deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar? O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar na determinação do valor aduaneiro; o pagamento do royalty não constitui uma condição da venda para exportação das mercadorias importadas, mas decorre de uma obrigação legal do importador de pagar ao possuidor do direito autoral, quando os discos forem vendidos no país de importação. Concluindo, os royalties pagos pela Recorrente ao exportador em decorrência das vendas no mercado interno não devem ser acrescidos à base de cálculo dos tributos aduaneiros. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 647DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13830.721812/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS
CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS.
COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO.
A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento.
.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA;
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento. . (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA;
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ANESIA TONIOLO FONTÃO FERRAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento. . (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 18 12 /2 01 2- 11 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA; Relatório Adoto o bem lançado relatório elaborado pela Delegacia Reginal de Julgamento DRJRJO: "Tratase de Notificação de Lançamento em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) do exercício 2011, anocalendário 2010, em que foi efetuada glosa no valor de R$ 20.500,00 relativa a dedução indevida de despesas médicas e glosa no valor de R$ 3.272,86 relativa a dedução indevida de Previdência Privada e Fapi, por falta de atendimento à Intimação. 2. Em decorrência deste lançamento, apurouse Imposto de Renda Pessoa Física suplementar de R$ 6.537,54, multa de ofício de R$ 4.903,15, além de juros de mora de R$ 816,53 (calculados até 29/06/2012), totalizando o crédito no valor de R$ 12.257,22. Da Impugnação 3. Inconformado, o interessado contestou o lançamento em 04/07/2012, através do instrumento de fls 2 e anexos, argumentando em síntese: 3.1 O valor de R$ 20.500,00 referese a despesas médicas do próprio contribuinte. 3.2 O valor de R$ 3.272,86 referese a pagamento efetuado à Previdência Privada ou Fapi do contribuinte e o montante deduzido a este título não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados. 3.3 Anexa declaração emitida por Celina Maria da Silva Ferraz no valor de R$ 17.000,00 referente a serviços ondontológicos prestados à contribuinte, recibos emitidos por Cid Ferraz no total de R$ 3.500,00 relativo a serviços odontológicos e comprovante de rendimentos no qual consta a contribuição à Previdência Privada no valor de R$ 3.272,86. 4. Os autos foram encaminhados a DRF de origem para revisão do lançamento, uma vez que não houve atendimento à intimação prévia. Revisão do Lançamento 5. Com base no artigo 6º A da Instrução Normativa RFB nº 958/2009, com redação dada pela IN RFB nº 1.061 de 04/08/2010, a documentação apresentada na impugnação foi analisada pela autoridade lançadora. 6. O Termo Circunstanciado às fls. 70/73 informa que ficou comprovada a despesa com Previdência Privada, portanto restabelece a dedução a esse título no valor de R$ 3.272,86. Quanto às despesas médicas informa que analisando os documentos apresentados constatouse que a contribuinte mantém vínculo familiar com os prestadores de serviços. A dentista Celina é sua nora e o dentista Cid é seu filho e ambos exercem suas atividades profissionais na cidade de São Paulo, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/201211 Acórdão n.º 2202003.159 S2C2T2 Fl. 3 3 enquanto a fiscalizada reside em Pompéia, 400 km de distância. Através do TIF de 17/01/14 (fls. 21/22) foi solicitado os comprovantes dos efetivos desembolsos financeiros para os pagamentos dos recibos de despesas, os comprovantes da efetiva utilização dos serviços prestados e o local aonde o atendimento era realizado. A Contribuinte apresentou resposta informando que os pagamentos eram realizados em espécie, que o tratamento foi realizado na cidade de São Paulo e anexa extratos do Banco do Brasil, relatório dos dentistas e 16 chapas radiográficas. No entanto, através dos extratos apresentados não ficaram comprovados os pagamentos. Assim, foi mantida a glosa de despesa médica no valor de R$ 20.500,00 por falta de comprovação do efetivo pagamento dos serviços e por falta de comprovação da efetiva utilização dos serviços. 7. Foi efetuada nova tabela de cálculo, obtendose um imposto suplementar devido de R$ 5.637,51. 8. Assim, foi emitido o Despacho Decisório nº 022, fl. 74, em 11/11/2014, que deferiu a solicitação de cancelamento parcial da exigência. 9. A Interessada tomou ciência da decisão em 17/11/2014 e apresentou manifestação de inconformidade, fls. 76/77, em 11/12/2014, alegando, em síntese: 9.1 Entende que em conformidade com o inciso II do art. 5º da Constituição Federal a recorrente tem o direito de proceder ao tratamento dentário onde melhor lhe convier, pois no presente caso foi escolhida a cidade de São Paulo, levandose em conta a especialidade do filho e da nora. Ao invés de pagar pelo tratamento a um dentista estranho pagou à nora e ao filho, além de haver ficado hospedada gratuitamente na casa destes. Não existe nenhum dispositivo legal que impeça que filhos e noras prestem serviços aos genitores, mesmo com pagamento de honorários. Cita, ainda, o Estatuto do Idoso. A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e da prestação do serviço. Impugnação Improcedente Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual se reproduz as alegações sobre a legalidade da dedução efetuada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/201211 Acórdão n.º 2202003.159 S2C2T2 Fl. 4 5 ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) Intimada a prestar os esclarecimentos, a contribuinte juntou os laudos, nos quais estão discriminadas as fases do tratamento (fls. 47/48 e fls. 54), radiografias (fls. 66), declaração do Banco do Brasil de que a Recorrente não teve folhas de cheques emitidas desde a abertura das contas (fls. 33) e extratos bancários relativos ao período autuado (fls 3546). A DRJ, no entanto, considerou que "a comprovação de despesas médicas por meio de recibos/simples declarações emitidos por profissionais de saúde é, em alguns casos, muito frágil devendo servir apenas de ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não estando a autoridade fiscal, seja lançadora ou julgadora, obrigada a se satisfazer somente com esses documentos, principalmente quando se trata de documentos emitidos por parentes do contribuintes". Concluiu que, nesse caso, somente a apresentação de documentos que comprovem a efetividade dos pagamentos poderiam legitimar a dedução. A discussão central do presente recurso está na análise da necessidade ou não da comprovação da efetividade dos pagamentos para admitir a dedução das despesas médicas, mesmo quando apresentado pelo contribuinte os recibos associados a declarações e laudos dos prestadores de serviço. Conforme se verifica pela análise do Acórdão nº 9202003.528, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu que a apresentação de recibos médicos, corroborados por laudos, fichas e exames sobre os quais não tenha sido apontado qualquer indício de falsidade são suficientes para autorizar a dedução mesmo que não tenha sido comprovada a efetividade dos pagamentos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido." De acordo com o voto do Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, a exigência da comprovação dos pagamentos é prevista como uma forma alternativa de comprovação. Vale dizer, quando o contribuinte não possuir os recibos, laudos, etc, a legislação confere a ele a faculdade de comprovar os gastos, nestes termos: Observese, que a exigência pretendida pela fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, qual seja, a existência de cheques nominativos e/ou extratos bancários é contemplada pela legislação de regência de maneira alternativa. Em outras palavras, estabeleceu o legislador que tais provas deverão ser exigidas na falta de documentação comprobatória da prestação e pagamento dos serviços médicos e/ou outros. Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, de fls. 25/30, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. (grifamos) No caso dos autos, embora a fiscalização e a DRJ tenha questionado o fato dos recibos e laudos terem sido emitidos por profissionais que eram, respectivamente, nora e filho da autuada, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos mencionados documentos. Sendo assim, aplicável ao caso em questão o entendimento adotado pela Câmara Superior. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.721812/201211 Acórdão n.º 2202003.159 S2C2T2 Fl. 5 7 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10166.901435/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório. Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Tratase da análise da Declaração de Compensação transmitida pelo PER/DCOMP nº 37811.95385.280405.1.3.04.0639, em 28/04/2005, que se utilizou de pretenso crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ referente ao P.A. 31/12/2004, no montante principal de R$113.261,49, visando compensar débitos tributários de IRPJ referentes ao primeiro trimestre do anocalendário de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 01 43 5/ 20 09 -8 1 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/200981 Resolução nº 1201000.199 S1C2T1 Fl. 3 2 No Despacho Decisório de fl. 29 emitido em 18/02/2009, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o pagamento por meio de DARF de IRPJ no montante principal de R$218.221,75, do qual informou a contribuinte ser a origem do crédito, já teria sido integralmente utilizado para extinguir o débito do mesmo tributo de F.G. 31/12/2004. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília, em 06/03/2009 (fl.43), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/06, em 03/04/2009 (carimbo de recepção à fl. 02). Discorre a defesa que a requerente, para o ano calendário de 2004, sendo optante do lucro real anual, ao calcular o tributo a pagar a título de estimativa para o mês de dezembro, valeuse da dedução do IRRF sobre serviços prestados a pessoas jurídicas, motivo pelo qual apurou o IRPJ a pagar de R$104.960,26, valor que consta na DIPJ do período. Por sua vez, efetuou um pagamento por meio de DARF no montante principal de R$218.221,75, idêntico valor declarado em DCTF. Nesse sentido, pretende a retificação da DCTF para alterar o valor confessado para o montante de R$104.960,26, e por consequência requer o reconhecimento do direito creditório, além de protestar provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente provas documentais que se fizerem necessárias. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0347.484, de 16 de março de 2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4º do PAF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/200981 Resolução nº 1201000.199 S1C2T1 Fl. 4 3 O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 04/5/2012 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 31/5/2012 . As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente a Recorrente requer: ...seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, considerando a empresa não devedora do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas apurado no 1o Trimestre de 2005, no valor de R$ 111.992,48 (cento e onze mil, novecentos e noventa e dois reais e quarenta e oito centavos), apontado no referido Despacho Decisório, permitindo seja feito os ajustes necessários para regularização das informações na DCTF do mês de dezembro de 2004. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 37811.95385.280405 1.3.040639, transmitido em 28/04/2005, (fls.26/31), por meio do qual o contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ referentes ao primeiro trimestre do anocalendário de 2005, com crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor de R$113.261,49 decorrente do DARF (código de receita: 2362, Período de Apuração: 31/12/2004, Data de Arrecadação: 31/01/2005, Valor: R$ 218.221,75). Mediante o despacho de fl.25, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal / DRF de Brasília identificou o pagamento no valor de R$ 218.221,75 para quitação de débito do IRPJ, do período de apuração de 31/12/2004, em face do que não homologou a compensação declarada. A Recorrente alega que a existência do pagamento a maior de IRPJ é constatada pela verificação do valor informado na DIPJ/2005 apresentada pela empresa em confronto com o DARF pago em 31/01/2005, referente ao período de apuração de 31/12/2004, no valor original de R$ 218.221,75, visto que para tal período de apuração, o valor do IRPJ devido é de R$ 104.960,26. A interessada desde a manifestação de inconformidade, alega que sua Declaração de Informações DIPJ/2005 demonstra que o IRPJ de 31/12/2004 é R$ 104.960,26, apenas a DCTF não fora retificada, como pretende, para alterar o valor confessado para o montante devido de R$104.960,26 em consonância com a DIPJ/2005. A Recorrente requer a retificação da DCTF, a fim de que conste, tanto na DCTF quanto na DIPJ, que o valor do IRPJ de 31/12/2004 é R$ 104.960,26. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.901435/200981 Resolução nº 1201000.199 S1C2T1 Fl. 5 4 Do despacho decisório da autoridade administrativa da DRF de Brasília não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de 2004 para que se verifique a estimativa mensal de dezembro de 2004 e o real saldo a pagar do IRPJ em 31/12/2004. A recorrente juntou aos autos cópia da DIPJ/2005 na qual consta à fl.34, o saldo do IRPJ a pagar no valor de R$ 104.960,26 referente ao mês de dezembro de 2004. Portanto, confrontandose o valor apurado demonstrado na DIPJ/2005, fl.34, com o valor recolhido por meio de DARF, temse aparentemente o direito da Recorrente ao crédito do recolhimento a maior de IRPJ no valor de R$113.261,49. Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à DRF de Brasília/DF, para confrontar a DIPJ/2005 com a escrituração contábil/fiscal, documentação que lhe deu lastro e informar qual o IRPJ a pagar relativo ao mês de dezembro 2004, bem como verificar se na apuração do saldo do ajuste anual o contribuinte deduziu a título de estimativa o valor das estimativas confessadas na DCTF, inferindose o aproveitamento de pagamento a maior. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000838/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82).
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1201-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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AUDITORIA INTERNA DCTF. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GERDAU S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82). Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 38 /2 00 2- 16 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13702.000838/200216 Acórdão n.º 1201001.209 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso de ofício interposto pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, contra acórdão de sua lavra, que concluiu pela improcedência do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa possui o seguinte teor: “AUDITORIA INTERNA. DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO/PAGAMENTO. Após o encerramento do exercício, diante de falta de recolhimento mensal por estimativa, não se pode efetuar lançamento de ofício para a exigência da estimativa não recolhida.” O caso foi assim relatado pela instância julgadora a quo: “Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 17/30, lavrado pela DIFIS/RJ, para a exigência de crédito tributário de CSLL, no valor de R$6.983.409,74, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento de auditoria interna na DCTF, ter sido constatada a seguinte irregularidade: falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme Anexo III. O enquadramento legal foi citado à fl. 18. O interessado (cientificado em 14/06/2002 – fl. 181) apresentou, em 11/07/2002, a impugnação de fls. 3/16. Em sua defesa, alega, em síntese, que o crédito exigido se encontra extinto por pagamento e/ou compensação; se mantido o lançamento, deve se excluir os juros de mora com base na taxa Selic; se a prova não for suficiente, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos.” Amparado no art. 44 da Lei 9.430/1996, e legislação correlata, em especial a Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de Dezembro de 1997, e pela razão sucintamente exposta na ementa acima transcrita, a DRJ cancelou o crédito tributário lançado, e recorreu de ofício de sua decisão. Cientificado desta decisão em 30.06.2011, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Comprovado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de créditos relativos a tributos e encargos de multa em valor superior ao limite de R$ 1.000.000,00, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido. A análise dos autos não conduz à solução diversa daquela que foi dada pela autoridade julgadora de primeira instância. O crédito tributário aqui exigido é referente a CSLL por estimativa (código 2484), conforme se verifica no Anexo III do Auto de Infração (fl. 27). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13702.000838/200216 Acórdão n.º 1201001.209 S1C2T1 Fl. 4 3 A exigência fiscal de antecipação de imposto de renda ou de contribuição social, devidos sob o rótulo de estimativa, só tem pertinência quando efetuada no curso do próprio anocalendário. Uma vez encerrado o anocalendário, revelase impróprio exigir referida antecipação, vez que a apuração e a quantificação do tributo devido se dá com o resultado apurado em 31 de dezembro. Assim, no caso de falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do anocalendário, devese exigir apenas a multa de ofício isolada, no percentual de 50%, prevista atualmente no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07), além da eventual diferença de saldo de imposto ou contribuição apurados em 31 de dezembro. Neste mesmo sentido, aliás, também dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, já referida pela autoridade julgadora a quo em seu voto. Portanto, revelase de todo indevida a exigência feita no presente processo. Essa matéria, inclusive, já se encontra pacificada no CARF desde a publicação da Súmula CARF nº 82, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10725.721871/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL.
A apresentação de declaração/ficha cadastral do plano e extrato de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
In casu, tratando-se de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente declaração/ficha cadastral da Unimed e extratos de pagamentos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido.
Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL. A apresentação de declaração/ficha cadastral do plano e extrato de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, tratando-se de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente declaração/ficha cadastral da Unimed e extratos de pagamentos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido. Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.721871/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.120 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente CARMEN CELIA DE OLIVEIRA AZEVEDO MORETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL. A apresentação de declaração/ficha cadastral do plano e extrato de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, tratandose de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente declaração/ficha cadastral da Unimed e extratos de pagamentos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido. Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 18 71 /2 01 1- 18 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/201118 Acórdão n.º 2401004.120 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CARMEN CELIA DE OLIVEIRA AZEVEDO MORETTO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 20a Turma da DRJ em Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1246.377/2012, às fls. 29/32, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da dedução indevida de despesas médicas, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às fls. 19/24, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 12/12/2011, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurouse dedução indevida com despesa médica referentes a Unimed de Campos, não comprovada, motivo pelo qual foi glosada pelo auditor fiscal. A DRJ não acatou os argumentos trazidos na impugnação, obviamente julgou procedente a Notificação de Lançamento, sendo mantido o crédito em sua integralidade. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 38, procurando demonstrar sua total improcedência e nulidade, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que a beneficiária do plano é a própria contribuinte, de maneira única e exclusiva. O recorrente alega fazer jus a deduzir a despesa médica em questão, pois apresentou todos os documentos em tempo hábil, invocando o art. 8° da Lei 9.250; Afirma também, que por não terem sidos considerados pelo auditor e nem pela DRJ, junta aos autos novamente os documentos comprobatórios da identificação do contribuinte como beneficiário único. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Uma vez intimada a listar os beneficiários do Plano de Saúde, a autuada deixou de apresentálo, razão pela qual a fiscalização entendeu por bem proceder a glosa de aludida despesa, com a conseqüente lavratura da presente notificação de lançamento. Em sede de impugnação, de fl. 02, a contribuinte informou ser a própria beneficiária do plano de saúde constante de sua Declaração, trazendo à colação declaração e ficha cadastral contratual da Unimed, de fls. 03/04, além de extrato emitido pela Fundação Benedito Pereira Nunes, fl. 05, constando os valores descontados em folha de pagamento referente ao plano de saúde e o valor total pago no decorrer do anocalendário 2008. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que "no caso em tela, entendo que a contribuinte não supriu a pendência apontada no lançamento, já que, mesmo estando claramente indicado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 21/22) que o motivo da glosa foi a falta de apresentação de comprovante de pagamento com a discriminação dos valores por beneficiário do plano de saúde, não se pode constatar através dos documentos juntados à defesa". Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos em anexo, impondo seja decretada a improcedência do feito. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/201118 Acórdão n.º 2401004.120 S2C4T1 Fl. 4 5 Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se as despesas médicas da contribuinte, Plano de Saúde, se destinada exclusivamente ao titular (autuada) ou se possuía algum beneficiário, os quais poderiam ser excluídos se não atendidos as normas de regência. Assim, a contribuinte fora intimada para prestar tal informação, não o tendo feito na forma pleiteada pela fiscalização, que achou por bem glosar a integralidade da despesa. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA 6 Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, trouxe à colação por ocasião da impugnação documentos comprobatórios dos seus argumentos, explicitando ser a única beneficiária do Plano de Saúde, documentação que não fora aceita pelo julgador de primeira instância, vale salientar que não foi uma decisão unânime, tendo a relatora entendido como comprovado os argumentos da contribuinte. Em seu recurso voluntário, repisa a hipótese de isenção das despesas médicas suportadas pelo contribuinte, acostando ao processo, a declaração do próprio plano informando ser a contribuinte beneficiária deste e extrato descriminando o valor efetivamente pago. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e parte julgadora de primeira instância, o pleito da contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. No entanto, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pela contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco. Com efeito, desde o primeiro momento a contribuinte vem informando ser a única beneficiária do Plano de Saúde. Da declaração e da ficha contratual ofertadas, somente consta a informação do titular, não trazendo qualquer menção a eventuais beneficiários, além do extrato de pagamento. De fato, o extrato se apresenta muito superficial, não elucidando ponto crucial do lançamento. Entrementes, as declarações e a ficha cadastral colacionadas desde a impugnação e novamente em sede de recurso, melhor esclarece os fatos, demonstrando com maiores detalhes as especificidades do plano. Destarte, consta de tais documentos a confirmação da titularidade do contribuinte do plano de saúde, bem como a relação de benefícios, qual seja, o próprio Seguro de Saúde. Não consta, novamente, relação de beneficiários. Isto porque, em nossa conclusão, inexistem outros beneficiários do plano de saúde, como afirmado pela contribuinte. Ora, o cidadão que tem plano de saúde e costuma analisar a ficha cadastral, bem sabe que referido documento, via de regra, traz em seu bojo a lista dos benefícios e respectivos beneficiários. Assim, não constando do corpo dos documentos outros beneficiários, senão o próprio titular do plano, concluímos, por óbvio, que inexistem outros beneficiários. Referidos documentos se apresentam, pela sua própria essência, como declarações exclusivas. Ou seja, o que não se encontra ali inserido não é de direito do contratante. Aliás, a prova que a fiscalização requer da contribuinte tem natureza negativa, o que acaba por inviabilizar sua produção por parte da recorrente. Mais a mais, a documentação acostada ao processo já é por demais enfática que o beneficiário é o próprio titular não elencando qualquer outro, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA Processo nº 10725.721871/201118 Acórdão n.º 2401004.120 S2C4T1 Fl. 5 7 CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA
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