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Numero do processo: 16327.910469/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido o crédito do contribuinte e homologada a compensação, torna-se de rigor sua extinção.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Quando extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário anteriormente não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, com aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1201-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido o crédito do contribuinte e homologada a compensação, tornase de rigor sua extinção. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Quando extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário anteriormente não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, com aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 69 /2 00 9- 52 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos (f. 14), foi negada a homologação da Declaração de Compensação (Dcomp) nº 28212.71851.230806.1.3.040046, em que recolhimento a título de estimativa mensal figura como crédito do tipo pagamento indevido ou a maior. No referido despacho consta o seguinte: Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 5) na qual sustenta a ilegalidade da vedação imposta pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005 à compensação de pagamentos indevido ou a maior de estimativas mensais, posto que este dispositivo estaria a inovar a ordem jurídica, o que seria possível somente por norma de hierarquia superior, como a advinda de lei. Em virtude da edição da Solução de Consulta Interna nº 19, de 05/12/2011, que estabeleceu novo entendimento quanto à utilização em compensação/restituição de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, este julgador solicitou a realização de diligência (fl. 23) para que a autoridade diligenciadora se manifestasse sobre a existência do direito creditório, em face do novo entendimento. Em atendimento, a autoridade diligenciadora produziu o despacho de fl. 107/108. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 4 3 Em sessão de 18 de outubro de 2013 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, conforme atesta a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose retroativamente aos PER/DComp apresentados antes de 1º de janeiro de 2009, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa Com a ciência da decisão, a interessada, embora vencedora em primeira instância, interpôs Recurso Voluntário, para questionar a cobrança da multa de mora, pois alega que informou à Receita Federal o débito e aproveitouse, portanto, do instituto da denúncia espontânea. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A única matéria em discussão nos autos se refere à exigência da multa de mora, no valor de R$ 5.072,38, calculada ao tempo da transmissão da PER/DCOMP. Aduz a Recorrente que: Com efeito, no presente caso, o débito de CSLL do período de março de 2005 foi liquidado, em 23/08/2006, por meio da compensação (doc.03), antes de ter sido informado na DCTF original (doc.04), visto que a retificadora só foi transmitida em 20/03/2007 (doc.05). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, comprovada a liquidação do débito via Per/Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, ainda, antes da transmissão da correspondente DCTF, resta configurada a ocorrência da denúncia espontânea, o que afasta a aplicação de quaisquer penalidades aos débitos, conforme prevê o artigo 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Nesse passo, vale destacar que muito embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, o fato é que há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, quando homologados, visto que tanto o pagamento quanto a compensação extinguem o crédito tributário na data em que realizados. A análise dos autos indica que em 25 de agosto de 2006 a interessada comunicou à Receita Federal a denúncia espontânea de vários tributos (fls. 167), que foram compensados sem a inclusão das respectivas multas de mora. Entende o Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, como na hipótese do autos. Nesse sentido, reproduzimos a seguir acórdão paradigmático do STJ: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 6 5 procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. A partir da consolidação do entendimento no STJ, este Conselho também tem adotado a tese de que as multas moratórias devem ser excluídas quando da comprovação de denúncia espontânea, a teor do acórdão da Câmara Superior a seguir reproduzido: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40106009 do Processo 109120001689991 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 7 6 Data 12/08/2008 Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA CTN. ART. 138 INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Tendo o contribuinte efetuado, após seu vencimento, o recolhimento do tributo devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, devendo, portanto, ser excluída pela denúncia espontânea. Em decorrência, a multa de mora recolhida por ocasião da denúncia espontânea caracteriza indébito tributário, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição dos respectivos valores. Recurso especial negado. No caso dos autos, penso ser possível considerar a compensação como equivalente ao pagamento, para fins de exclusão da multa de mora e aplicação do recurso repetitivo do STJ, entendimento que encontra guarida na jurisprudência deste Conselho, conforme ementa a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Como o direito creditório da Recorrente já foi reconhecido pela decisão de piso, cabe afastar a exigência da multa de mora, por força da denúncia espontânea, com a Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 8 7 aplicação da inteligência do entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720023/2012-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAC¸A~O DIFERIDA.
A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 9101-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Lívia De Carli Germano (suplente convocada), que não conheceram e, no mérito, acordam, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rego. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAC¸A~O DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Lívia De Carli Germano (suplente convocada), que não conheceram e, no mérito, acordam, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rego. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Lívia De Carli Germano (suplente convocada), que não conheceram e, no mérito, acordam, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rego. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 23 /2 01 2- 61 Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.489 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida a WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA (doravante “WTORRE”, “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1102001.103 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). A empresa BR PROPERTIES SA consta como responsável solidária. Em brevíssima síntese, está em discussão se o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real, deve ou não submeterse à tributação pelo fato de o contribuinte optar pelo regime do “lucro presumido”. Na forma explicitada pela recorrente, “a controvérsia da presente lide envolve saber se o conteúdo do artigo 520 do RIR/99 se aplica aos casos de não tributação de saldos de Reserva de Reavaliação decorrentes da reavaliação de bens do ativo permanente”. Colhese do acórdão a quo o seguinte relato quanto ao presente caso (efls. 1160 e seg.): “Tratase de recurso de ofício interposto pela 5a Turma da DRJ/SP1, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.490 3 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O auto de infração foi lavrado em 09/02/2012, relativo ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em face da verificação de falta de recolhimento sobre ganho de capital incidente sobre o valor da reavaliação de bens integrantes do Ativo Imobilizado, que deveriam ter sido oferecidos quando da mudança do regime de lucro real para lucro presumido. Encontrase às fls. 467 a 490, o Termo de Verificação com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização, transcritos a seguir: Para o anocalendário de 2007, o contribuinte WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA efetuou opção pelo regime de tributação do IR com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ n° 1601869 (recibo n° 21.61.53.49.2022), entregue em 30/06/2008. Como visto anteriormente, o sujeito passivo optou pelo regime de lucro presumido para a tributação de suas operações ocorridas durante o anocalendário de 2007. Em análise efetuada na escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, referente ao anocalendário de 2007, esta fiscalização constatou que a conta contábil "P1418 Reserva de Ativos Próprios", integrante do patrimônio líquido, registrou em 01/01/2007, como saldo inicial, o valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos), originário dos bens reavaliados em 30/11/2006. Desta forma, este é o valor do saldo existente em 31/12/2006, período em que o contribuinte foi optante do lucro real e que, em decorrência da mudança para o regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ser oferecido à tributação. Verificando a DIPJ Lucro Presumido, do anocalendário de 2007, podemos observar que no 1o trimestre do anocalendário de 2007, nenhum valor foi computado na "Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido", mais precisamente, linha 08, campo onde deveriam ser consignados para compor a base de cálculo tributável, os valores relativos a "Realização de Valores cuja Tributação Tenha Sido Diferida" e tampouco foi informado qualquer valor na linha 06 da "Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", campo correlato da linha 08. Portanto, ao não adicionar à base de cálculo do IRPJ devido no 1o trimestre de 2007, o valor referente a reavaliação procedida nos bens do seu Ativo Imobilizado, e que estava amparado pelo diferimento em virtude da utilização do regime de tributação pelo lucro real, o contribuinte infringiu o comando legal inserto no art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidado no art. 520 do RIR/99. Restando incontroverso então, que, no anocalendário de 2007, o contribuinte optou pela tributação com base no regime de apuração pelo Lucro Presumido, a Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos) deveria ter sido objeto de realização e computada na base de cálculo da determinação do lucro presumido, o que poderia ser confirmado pelo fisco com as informações que deveriam ser prestadas nas linhas 08 e 06 das Fichas 14A e 18A, respectivamente, da DIPJ do anocalendário de 2007. A autoridade fiscal relata que a matéria objeto da autuação, trata da Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.491 4 tributação de saldos, cuja tributação havia sido diferida, em contribuinte que optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido. Ou seja, o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos à WTORRE PROPERTIES S/A, CNPJ 07.875.234/000121, sucessora por cisão parcial do patrimônio da autuada, WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em 30/07/2011, já posteriormente aos fatos geradores sob análise (fls. 485/490). Cientificada do lançamento em 16/03/2012, a empresa autuada, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 536 e 537), apresentou em 17/04/2012 a impugnação de fls. 494 a 534, acompanhada dos documentos às fls. 535 a 734, assim sintetizada: i. O art. 54 da Lei no 9.430/96 somente se aplica a valores cuja tributação tenha sido diferida (benefício fiscal), o que não é o caso da Reserva de Reavaliação. A não tributação da Reserva de Reavaliação não resulta de uma norma de diferimento, mas sim da ausência de concretização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL; ii. A tributação da Reserva de Reavaliação em virtude da simples mudança do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido é incompatível com o princípio da realização da receita ou do ganho tributável; é incompatível com o conceito legal do "fato gerador" dos tributos sobre a renda, definido como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (CTN, art. 43); e é incompatível com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, §1o); iii. A conclusão de que o saldo da Reserva de Reavaliação não pode ser tributado por força da simples mudança do regime tributário da Impugnante do Lucro Real para o Lucro Presumido é também confirmada pelo art. 49 Lei no 9.959/00, segundo o qual a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado; iv. O art. 54 da Lei no 9.430/96 foi tacitamente revogado pelo art. 4a da Lei no 9.959/00, pois esses dispositivos legais são absolutamente incompatíveis; v. O art. 54 da Lei no 9.430/96 referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando da base de cálculo da CSLL; vi. A Impugnante não obteve qualquer vantagem fiscal com a reavaliação dos imóveis, nem foi causado qualquer prejuízo ao Fisco, já que o novo valor atribuído ao imóvel nunca foi utilizado. Com efeito, os imóveis reavaliados foram reclassificados para o circulante e vendidos em anocalendário no qual a Impugnante estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos era totalmente irrelevante; vii. A manutenção dos autos de infração resultaria na dupla tributação da mesma valorização patrimonial, uma vez que essa valorização já foi oferecida à tributação pela Impugnante no momento em que os imóveis foram alienados; viii. Mesmo que os autos de infração ora impugnados não sejam Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.492 5 integralmente anulados, o que admitimos apenas em exercício de argumentação, deve afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal para a sua aplicação; ix. ix. A WTORRE PROPERTIES não é solidariamente responsável pelos supostos débitos em questão. Ainda que assim não fosse, a responsabilidade não alcançaria as multas impostas e seria proporcional ao valor do patrimônio líquido por ela incorporado, não recaindo sobre a integralidade do débito. Cientificada do lançamento em 21/03/2012, a responsável solidária, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 773 e 774), apresentou em 20/04/2012 sua impugnação de fls. 735 a 772, acompanhada dos documentos às fls. 773 a 909, na qual alega, em síntese, o seguinte: A mera reavaliação de bens não configura realização da renda para fins tributários, motivo pelo qual não pode ser considerado fato gerador do IRPJ e da CSLL. O registro do valor da Reserva de Reavaliação na Parte B do LALUR é um mero procedimento de controle do contribuinte, para deixar registrada a necessidade de sua tributação em eventual venda/alienação desse ativo (realização). O total equívoco cometido pela Fiscalização ao fundamentar os presentes lançamentos, uma vez que não se verificou no caso o pressuposto para a aplicação do artigo 520 do RIR/99: "valores com tributação diferida" a serem adicionados no momento da mudança do regime do lucro real para o lucro presumido Cita que esse é o entendimento manifestado pela Receita Federal em recente Solução de Consulta proferida pela SRRF09 (no 56/2012). Mesmo com a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido, o valor da reavaliação continuará sendo controlado pela conta contábil de "Reserva de Reavaliação". Não se verifica, no caso concreto, a presença do "interesse comum", previsto no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, para dar ensejo à eventual responsabilidade solidária A impossibilidade do Lançamento da multa de ofício o art. 132 do CTN responsabiliza a sucessora tão somente pelos tributos devidos pela sucedida, não englobando portanto eventuais multa punitivas. O acórdão de 1a instância (fls. 931/945) julgou pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento tributário, conforme fundamentação abaixo: (...) De plano observase que o autuante equivocouse quanto a natureza da Reserva de Reavaliação. A contrapartida da reavaliação de bens do ativo imobilizado, baseada em laudo nos termos do artigo 8o da Lei no 6.404/1976, não transita pelo lucro liquido apurado pelo contribuinte. É contabilizada diretamente no passivo como Reserva de Reavaliação. O fato de a mesma ser controlada na parte B do LALUR não significa que a receita foi diferida, mesmo porque, enquanto não ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 435 do RIR/1999 não se fala em realização da reserva. A matéria em questão foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9o no 56 de 23/03/2012 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. Como bem destacou o relator da solução de consulta a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.493 6 lucro presumido (9.430/1996), determina em seu artigo 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Ora, não tem sentido solicitar a comprovação da tributação do valor acrescido a um bem em um artigo e determinar a realização antecipada em outro. Destarte, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Devido à proposta de exoneração total do lançamento deixo de me manifestar acerca das alegações apresentadas pela impugnante e responsável solidária. Por superar o valor de alçada, foi interposto o presente recurso de ofício. A Fazenda Nacional apresentou petição denominada de “RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO”, protocolando com esteio no art. 48, par. 2o do Anexo II do RICARF (previsão para contrarrazões ao recurso voluntário), cujos argumentos às fls. 958/984 estão demonstrados a seguir, literis: Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro (...) Segundo a Autoridade Julgadora de primeira instância, o artigo 520 do RIR/99 se aplica somente aos casos de diferimento de tributação incidente sobre resultados que transitam pelo lucro líquido apurado pelo contribuinte, não se aplicando, portanto, em situações de não tributação de reavaliação de bem do ativo permanente. Nesse diapasão, a Turma ressaltou que, mesmo não sendo controlado pelo LALUR, o valor da reavaliação não tributada só poderá integrar o custo de aquisição do bem alienado se tiver sido tributado. Portanto, seria infundado o receio de não tributação no futuro da “mais valia” reconhecida. (...) Dessa forma, o objetivo do artigo 520 é assegurar a tributação em face do fato de o contribuinte que opta pelo lucro presumido não ter mais a obrigação de manter a existência do LALUR. E, como a Parte B do LALUR controla os elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros, todos esses elementos devem ser antecipados e tributados quando da opção pelo lucro presumido. (...) A decisão ora recorrida destaca que o receio de não tributação do futuro do valor da reavaliação é injustificado uma vez que, ainda que os bens reavaliados tenham seus custos atualizados, os saldos de Reserva de Reavaliação constante da contabilidade da empresa somente poderão ser considerados como custo se tiverem sido tributados. Portanto, o controle da tributação futura dos referidos saldos seria feito pelo próprio contribuinte ao optar por cancelálos Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.494 7 quando da alienação dos bens reavaliados. Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indaga se: se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado. Portanto, em face do objetivo com o qual foi redigido o artigo 520 do RIR/99 e do entendimento exposto pela decisão recorrida, resta, finalmente, averiguar se a hipótese acima aventada pode ocorrer ou não. Caso seja possível uma empresa cancelar o saldo de Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o respectivo valor do custo de aquisição do bem reavaliado, a aplicação do artigo 520 se mostrará viável e justa. Inúmeras são as possibilidades de uma empresa cancelar contabilmente o saldo de uma Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o correspondente registro no custo de aquisição do bem reavaliado. Como, a partir da vigência do artigo 4o da Lei no 9.959/2000, a contrapartida de reavaliação somente é tributada quando da efetiva realização do bem reavaliado, basta à empresa utilizar contabilmente o saldo da reserva para algum fim sem, contudo, realizar o bem reavaliado. Como exemplos dessa manobra contábil, citase a possibilidade de a empresa utilizar o saldo de Reserva de Reavaliação para aumentar o capital social ou amortizar prejuízos acumulados (...) Demonstrase, assim, a possibilidade e a razoabilidade da aplicação do artigo 520 do RIR/99 aos saldos de Reserva de Reavaliação quando uma empresa opta pelo lucro presumido. Como há a possibilidade concreta de a empresa nunca tributar esses saldos com a extinção do LALUR, é justa a tributação desses valores quando da opção pelo novo regime. Tendo em vista que o Acórdão de 1a instância (fls. 931/945), ora recorrido, julgou improcedente o lançamento por entender que o art. 520 do RIR não se aplicaria ao caso em análise, deixou, por conseguinte, de analisar os demais elementos de fato e de direito trazidos pelo contribuinte e pelo responsável tributável. Diante deste fato, deixo também de transcrever as razões da PFN acerca desses elementos de fato e de direito não abordados pelo acórdão recorrido. O contribuinte apresentou petição às fls. 986 a 1.037 reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo como fato novo o desentranhamento da petição fazendária sob argumento de inexistência de previsão legal no RICARF.” A Turma a quo, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. A aludida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.495 8 A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Em face do aludido acórdão, a PFN interpôs recurso especial (efls. 1175 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 1200 e seg. ). Em breve síntese, suscita a recorrente: “Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro. Nesse sentido, registrase a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: (...) 52. Outrossim, o bem reavaliado já consta do Ativo Permanente com o novo valor, e a reserva de reavaliação deixa de figurar na DIPJ para os optantes pelo lucro presumido. Assim, no caso de alienação do bem, a reavaliação fará com que o ganho de capital seja menor que o efetivamente ocorrido, fazendo com que uma parcela de tributos deixe de ser devidamente apurada.” “Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indagase: e se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado.” “E, nem se imagine que o fato de a empresa autuada ter transferido os bens reavaliados para o ativo circulante e ter tributado a receita de sua alienação como faturamento pelas regras do lucro presumido afasta a aplicação do artigo 520 do RIR/99. Não obstante esse ponto não constituir a controvérsia ora em debate, uma vez que não fora analisada pela decisão recorrida, vale destacar que não se esta aqui discutindo o que o contribuinte fez com os bens reavaliados após a opção pelo lucro presumido, mas sim a tributação da reavaliação em face da mudança de regime. Se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade. O que não pode ocorrer no presente julgamento é a falta de aproveitamento do custo reavaliado acarretar o cancelamento da tributação que é devida sobre ela. Não se pode considerar que o fato gerador deixou de ocorrer em face do destino que o contribuinte deu à riqueza auferida. Seria o mesmo que não se tributar o aumento patrimonial que fora posteriormente doado a Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.496 9 terceiros.” Ao final, requereu a PFN a reforma integral do acórdão recorrido e o retorno dos autos à DRJ para o julgamento das demais questões que restaram prejudicadas. O contribuinte apresentou contrarrazões, arguindo, em síntese (efls. 1207 e seg.): o despacho de admissibilidade do recurso especial da PFN teria sido proferido por agente incompetente; o acórdão indicado como paradigma não se prestaria a caracterizar a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial. Nem o contexto fático seria semelhante e nem a questão jurídica necessariamente seria a mesma. no mérito, a reserva de reavaliação somente poderia ser tributada quando efetivamente realizada pela venda, baixa ou depreciação do bem reavaliado. A decisão recorrida seria incompatível com o princípio da realização da renda, com a exigência da disponibilidade econômica ou jurídica da renda constante do art. 43 do Código Tributário Nacional (“CTN”), e com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, § 1º); o art. 54 da Lei nº 9.430/96 somente se aplicaria aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. A impossibilidade de tributação da reserva de reavaliação antes de sua realização não decorre de uma norma de “diferimento”, de benefício fiscal, mas da ausência de caracterização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL, razão pela qual o art. 54 da Lei nº 9.430/96 não seria aplicável ao presente caso; mesmo que o art. 54 da Lei nº 9.430/96 fosse aplicável às reservas de reavaliação, esse dispositivo legal referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando a base de cálculo da CSLL; o art. 4º da Lei nº 9.959/00 – posterior ao art. 54 da Lei nº 9.430/96 – estabeleceria que a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base cálculo da CSLL quando ocorrer a “efetiva realização” do bem avaliado. O art. 54 da Lei n. 9.430/96 teria sido tacitamente revogado, ao menos parcialmente, pelo art. 4º da Lei nº 9.959/00. não teria havido vantagem fiscal com o procedimento adotado, uma vez que parte dos imóveis reavaliados (os imóveis do Bloco A e parte do terreno do Bloco C) teria sido posteriormente transferida para o ativo circulante e alienada dentro do regime de tributação com base no lucro presumido e a reserva de reavaliação dos imóveis que permaneceram no ativo foi devidamente estornada no anocalendário 2010 em contrapartida do custo reavaliado dos imóveis com o objetivo de atender ao novo padrão contábil introduzidos no país. Não haveria, então, qualquer prejuízo ao Fisco; Haveria bitributação da mesma apreciação dos imóveis reavaliados. Uma vez, mediante a tributação direta da própria reserva de reavaliação (correspondente à diferença entre o valor contábil e o valor de mercado Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.497 10 estimado nos laudos de avaliação), no momento da opção pelo lucro presumido, enquanto o ganho era ainda meramente potencial. Também apresentou contrarrazões, na qualidade de devedora solidária, a BR PROPERTIES SA, arguindo, em síntese (efls. 1293 e seg.): a análise da admissibilidade não foi feita pelo presidente da Turma, portanto, seria nulo o despacho feito por agente incompetente; o acórdão paradigma trataria de situação fática diversa do acórdão recorrido. No caso paradigma, o contribuinte teria utilizado saldo registrado como reserva de reavaliação para aumento de capital, o que não se verificaria no caso sob julgamento; a recorrente não teria demonstrado as partes específicas do acórdão recorrido que são divergente do acórdão paradigma. A recorrente teria se insurgido em vários momentos contra a decisão proferida pela DRJ e não contra o acórdão recorrido; a reavaliação de imóveis não representa um ganho efetivo de capital (realização de renda), mas sim uma expectativa sobre o acréscimo patrimonial potencial, fundamento no art. 4º da Lei nº 9.959/00; a reserva de reavaliação não teria sido utilizada para nenhuma finalidade. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido CONHECIMENTO Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Suscita o contribuinte que o despacho de admissibilidade do recurso especial da PFN foi proferido por agente incompetente, tendo em vista tratarse de ato de competência do presidente da Câmara, conforme o art. 68 do RICARF então vigente, o que demandaria que novo despacho fosse proferido por agente competente. Compreendo que essa alegação não merece prosperar. Embora o Sr. Sérgio Rodrigues Mendes, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tenha auxiliado a elaboração do despacho de admissibilidade, este foi ratificado e assinado pelo então Presidente da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Suscita o contribuinte, ainda, que o acórdão paradigma indicado pela recorrente não se prestaria a demonstrar divergência de interpretação, pois teria enfrentado situação diversa. No caso do acórdão paradigma, a reserva de reavaliação teria sido utilizada para aumento do capital social, bem como a revogação do art. 54 da Lei n. 9.430/96 pelo art. 4o da 9.959/2000 teria sido determinante, o que não se verifica no caso concreto. Compreendo que, nesse ponto, assiste razão ao contribuinte. Ocorre que, enquanto no acórdão recorrido analisouse situação em que houve apenas a alteração do regime de tributação do lucro real para o presumido, no acórdão paradigma há elementos fáticos a mais: a reserva de reavaliação teria sido utilizada para aumento do capital social. Tratase de elemento fático relevante e que, de fato, pode conduzir a entendimentos diversos. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.498 11 Não se pode afirmar que, caso ausente esse elemento fático, a solução do acórdão indicado como paradigma seria a mesma, o que evidencia a distinção do contexto atinente ao acórdão recorrido. Não se trata, portanto, de acórdão hábil a demonstrar a divergência requerida pela norma regimental para a interposição do recurso especial. Voto, então, pelo não conhecimento do recurso especial. Voto vencedor MÉRITO Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial, passo à análise de seu mérito. A decisão recorrida explicitou o ponto nuclear para o julgamento do presente caso, in verbis (e fls. 1168 e seg.): “A quantificação, a legitimidade ou a formação do valor da reserva de reavaliação dos bens do ativo do contribuinte não foi questionado pela autuação, mas somente a falta de oferecimento à tributação desse valor após a mudança de regime do lucro real para o lucro presumido. Logo não se faz necessaŕio analisar os requisitos legais para formação da reserva sob análise. (...) Asseverou a fiscalização que o fato gerador do lançamento tributário não era a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 479/480): 49. Verificase neste dispositivo, que o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido.” Notese, ainda, que o art. 4o da Lei n. 9.959/2000 possui a seguinte redação. Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Para o julgamento do recurso especial, importa saber: o fato jurídico da opção pelo regime de tributação do lucro presumido enseja a “efetiva realização do bem reavaliado”, com a disponibilização de renda tributável ao contribuinte? Inclusive por força do art. 146 da Constituição, a legislação tributária deve ser interpretada sob a diretriz do CTN. E como elemento fundamental para a configuração do fato gerador do tributo, o art. 43 do CTN exige a “disponibilidade” da renda, seja “econômica” ou “jurídica”. De forma objetiva, é possível assumir que a aquisição de disponibilidade da renda pressupõe a entrada de novos recursos ao patrimônio ou de direitos incondicionalmente Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.499 12 passíveis de liquidação. São precisas as palavras de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA1, quando aduz que “o fato gerador é o aumento patrimonial formado pelas renda cuja disponibilidade tenha ocorrido durante determinado período de tempo”. No caso sob exame, o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real, não se torna renda disponível em face da simples opção pelo lucro presumido. Compreendo que o acórdão a quo alcançou conclusão correta e, portanto, não deve ser reformado. Os argumentos apresentados pela PFN não infirmam a conclusão da decisão da recorrida. Como se pode observar, em sua peça recursal, a recorrente labora com a suposição da potencialidade da ocorrência de possíveis patologias na relação jurídico tributária, afirmando que o agente fiscal teria agido corretamente, antecipandose à ocorrência de possíveis irregularidades. Mas não se pode exigir tributo com base em suposições de que o contribuinte, no futuro, pode vir a transgredir a legislação tributária. Apenas a partir da ocorrência do fato gerador é que se tornaria pertinente verificar as consequências tributárias do saldo de reserva de reavaliação dos bens em questão, bem como oportuno o ato administrativo do agente fiscal, caso os dispositivos legais que tutelam a obrigação tributária não fossem respeitados pelo contribuinte. Ocorre que a autoridade fiscal realizou o lançamento sem que nenhum fato gerador tenha ocorrido. Concretizado o fato gerador, na hipótese do contribuinte ser pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, ao menos duas formas distintas para o cálculo da obrigação tributária emergiriam, distinguindose bens do ativo não circulante (apuração do ganho de capital) de bens do ativo circulante (apuração do lucro presumido). O art. 52 da Lei n. 9.430/96, ao tutelar o ganho de capital apurado pela sistemática do lucro presumido, prescreve que, quando vier a ocorrer o fato gerador do tributo (por exemplo, com a venda do bem), impondose ao contribuinte a apuração do ganho de capital, a reserva de reavaliação apenas poderá ser considerada como custo de aquisição se já houver sido submetida à tributação: Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. O enunciado prescritivo em questão impõe, em especial, as seguintes normas atinentes às empresas optantes pelo lucro presumido: Quando ocorrer evento que dê ensejo à apuração de ganho de capital (fato gerador), a reserva de reavaliação somente poderá ser considerada no custo de aquisição de bens e direitos quando comprovadamente submetida a anterior tributação. Quando não ocorrer o fato gerador, não 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Breves considerações sobre o significado da disponibilidade da renda do fato gerador do Imposto de Renda. Revista do Superior Tribunal de Justiça, Brasília, v. 28, n. 242, 2016, p. 645 e seg. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.500 13 haverá competência da administração fiscal para tributar a reserva de reavaliação. Quando ocorrer o fato gerador, que dê ensejo à apuração de ganho de capital, competirá à Administração Fiscal averiguar se a reserva de reavaliação foi considerada como custo de aquisição do bem. A partir daí, ao menos três hipóteses podem surgir: i) a verificação de que a reserva de reavaliação não foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, de forma a não haver, em relação a isso, irregularidades; ii) a verificação de que a reserva de reavaliação foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, bem como que há comprovação quanto à anterior tributação desta, de forma a não haver, em relação a isso, irregularidades; iii) a verificação de que a reserva de reavaliação foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, sem a demonstração da anterior tributação desta, o que torna vinculante o lançamento de ofício para a glosa dessa parcela do custo. No caso concreto, contudo, sequer houve a ocorrência de quaisquer fatos que ensejassem a apuração de ganho de capital. Não há fato gerador do IRPJ ou da CSLL. Não houve, por exemplo, alienação dos bens imóveis ou, ainda, aumento de capital social da pessoa jurídica com o saldo da reserva de reavalização atinente aos referidos bens, como se deu caso do acórdão paradigma apresentado pela recorrente. E não há qualquer previsão legal para que a opção pelo lucro presumido imponha a apuração de ganhos de capital. Pelo contrário, a manutenção do auto de infração tornaria letra morta a regra do art. 52 da Lei n. 9.430/96, bem como uma série de instrumentos legais vigentes. A exigência fiscal imposta ao contribuinte não resiste, portanto, ao teste da legalidade. É fundamental observar que a autuação ora sob julgamento contraria o entendimento exarado pela Secretaria da Receita Federal. Um bom exemplo é colhido da Solucã̧o de Consulta n. 56 SRRF09/Disit: “a mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada”. Nesta solução de consulta, a Administração Fiscal apresenta a seguinte constatação em face do art. 52 da Lei n. 9.430/96: “19. Assim, se a empresa tributada pelo lucro presumido efetuar a venda de bem reavaliado, o valor correspondente à parcela ainda não realizada da reserva de reavaliação não poderá ser computada como custo. Essa hipótese só é possível porque a migração do lucro real para o presumido não implica tributação do valor da reserva, conforme se afirmou acima.” Deve ser verificado, ainda, o argumento do contribuinte de que parte dos bens imóveis em questão pertenceriam ao ativo circulante e, posteriormente, teriam sido alienados e tributados sob a sistemática do lucro presumido como receita operacional. Em relação a tal fator, assim aduziu a PFN em seu recurso especial: Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.501 14 “E, nem se imagine que o fato de a empresa autuada ter transferido os bens reavaliados para o ativo circulante e ter tributado a receita de sua alienação como faturamento pelas regras do lucro presumido afasta a aplicação do artigo 520 do RIR/99. Não obstante esse ponto não constituir a controvérsia ora em debate, uma vez que não fora analisada pela decisão recorrida, vale destacar que não se esta aqui discutindo o que o contribuinte fez com os bens reavaliados após a opção pelo lucro presumido, mas sim a tributação da reavaliação em face da mudança de regime. Se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade. O que não pode ocorrer no presente julgamento é a falta de aproveitamento do custo reavaliado acarretar o cancelamento da tributação que é devida sobre ela. Não se pode considerar que o fato gerador deixou de ocorrer em face do destino que o contribuinte deu à riqueza auferida. Seria o mesmo que não se tributar o aumento patrimonial que fora posteriormente doado a terceiros.” Compreendo não assistir razão aos argumentos da recorrente, que não são capazes de infirmam a solução apresentada pelo acórdão a quo. É certo que, na hipótese de tributação do “ganho de capital” obtido com bem do ativo não circulante, o seu custo de aquisição será relevante para a apuração do tributo, conforme analisado acima. No entanto, como é comum em empresas do mercado imobiliário e tradicionalmente tutelado pelo Direito, bens imóveis também podem compor o estoque da entidade (ativo circulante). Nesse caso, a alienação de bem do estoque, sob o regime do lucro presumido, o IRPJ e a CSLL devem ser apurados conforme a sistemática pertinente às receitas operacionais (e não aos ganhos de capital), em que o custo de aquisição dos respectivos bens, incluindo eventual reserva de reavaliação, é absolutamente irrelevante. Ocorre que, na sistemática do lucro presumido, o requisito do acréscimo patrimonial é determinante para a apuração de rendimentos como ganhos de capital, mas presumido diante de receitas operacionais imobiliárias: a base de cálculo do tributo corresponderia a 8% (IRPJ) e 12% (CSL) sobre a receita da venda dos bens imóveis do ativo circulante2. Sobre o lucro presumido em questão devem, então, incidir as alíquotas de IRPJ e CSL. Nesse contexto, se o bem imóvel reavaliado pertencer ao ativo circulante da pessoa jurídica optante pelo lucro presumido no momento de sua alienação, pouco importa se a reserva de reavaliação foi ou não anteriormente submetida à tributação. A reserva de reavaliação, assim como todo o custo do bem, embora registrados pela contabilidade, não seriam de nenhuma serventia ao para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Frisase: tratandose de venda de bem imóvel registrado no ativo circulante da pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, não é liberalidade adotar a sistemática de apuração prevista pelo legislador às suas receitas operacionais, isto é, ignorar os custos e aplicar os percentuais de presunção de lucratividade previstas em lei. Não procede, portanto, a afirmação da recorrente, de que “se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade”. O que aconteceria se o auto de infração fosse mantido? Haveria (ao menos) bitributação da renda do contribuinte, que seria expropriado: (i) a título IRPJ e CSLL incidentes sobre a reserva de reavaliação, no momento do mero exercício da opção fiscal ao 2 Vide: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, caput e § 4º, e art. 20. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.502 15 lucro presumido e, (ii) novamente a título de IRPJ e CSLL, quando e porventura alienasse o bem, agora calculados conforme o lucro presumido. Haveria a tributação de renda meramente potencial (saldo de reserva de reavaliação) somada à tributação da renda presumidamente obtida com a efetiva alienação do bem imóvel. Assim, não bastasse a ausência de previsão legal para o fato gerador considerado pelo auto de infração, há evidente conflito com normas vigentes e prescritas pelo legislador competente, o que não pode ser ignorado. Tratase da fundamental lição do Professor EROS GRAU, de que “não se interpreta o Direito em tiras”. Por fim, em face da argumentação da recorrente, cumpre ainda afirmar que não há a incidência ao caso do art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, refletido no art. 520 do RIR/99: Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). O aludido dispositivo é aplicável aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. Entretanto, conforme acima fundamentado, a impossibilidade de tributação da reserva de reavaliação antes de sua realização não decorre de uma norma de “diferimento”, de uma vantagem fiscal, mas sim da ausência da materialidade necessária para a incidência do IRPJ e da CSLL. Assim, como o art. 54 da Lei nº 9.430/96 (RIR, art. 520) tutela hipótese cuja tributação tenha sido diferida, mas o caso sob julgamento diz respeito à não ocorrência do fato gerador propriamente dita, o seu enunciado prescritivo não tem aplicação. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, por NEGARLHE PROVIMENTO. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada CONHECIMENTO Ouso divergir do ilustre relator no tocante ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a divergência restou, sim, caracterizada. Para tal análise, fazse necessário verificar como foi feita a presente autuação. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.503 16 Pois bem, o auto de infração teve como fundamento os arts. 434 do RIR/1999 e 54 da Lei nº 9.430/96 (art. 520 do RIR/99). Na parte B do Lalur não havia nenhum controle da conta Reserva de Reavaliação. A contrapartida dos valores agregados aos bens do ativo imobilizado em virtude da reavaliação está lançada na conta Reserva de Ativos Próprios (PL), com saldo em 01/01/2007 de aproximadamente R$ 165 milhões. Dentro do grupo Reserva de Reavaliação, havia a redutora “Tributos sobre Reavaliação”, cujo saldo em 01/01/2007 era de aproximadamente R$ 11 milhões. Ocorre que a contribuinte optou pelo lucro presumido para o AC 2007 e, em face disso, a Fiscalização entendeu que o saldo inicial da conta Reserva de Ativos Próprios, R$ 165 milhões, originário dos bens reavaliados em 30/11/2006, deveria ter sido oferecido à tributação. Defende a Fiscalização que o fato gerador não é a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração. No item 59 do TVF, a Fiscalização destaca que, consoante o §4º do art. 521 do RIR/99, os valores acrescidos ao Custo Original, a título de reavaliação, poderão ser parte integrante deste somente se o contribuinte comprovar que a reavaliação foi oferecida à tributação. A partir do item 66 do TVF, a Fiscalização consigna que em 2011 a contribuinte sofreu uma cisão parcial mas o faz tão somente para atribuir responsabilidade solidária à pessoa jurídica que recebeu uma parcela do patrimônio cindido, a WTORRE PROPERTIES. Foi lançado, então, o ganho de capital no valor do saldo da Reserva não oferecida à tributação, atribuindose responsabilidade solidária à WTORRE PROPERTIES (do mesmo grupo econômico, e que detinha 99,99% do capital social) em virtude de uma cisão parcial que ocorreu em 2011, segundo a qual tal PJ recebeu parcela do patrimônio da autuada. Para tanto, citouse os arts. 124 e 132 do CTN, além do art. 207, III, do RIR/99. Mas a DRJ/SP1, por unanimidade, entendeu que a mudança do regime para presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do IRPJ/CSLL o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada e fundamentou tal entendimento no item 17 da Solução de Consulta SRRF/9 nº 56, de 2012. O colegiado a quo , por unanimidade, manteve o mesmo entendimento da primeira instância, acrescentando em sua fundamentação a SC Cosit. nº 61 SRRF09/Disit, de 2013. A Procuradoria recorreu, trazendo como paradigma, o Acórdão nº 1101 00.705, de 2012. Segundo o relatório do voto condutor, a infração foi exatamente a falta de adição à base de cálculo do saldo da conta Reserva de Reavaliação, quando efetuou a alteração de regime do real para o presumido. Na base legal constam os arts. 434 e 520 do RIR/99. Em sua defesa, o contribuinte deste processo argui que o art. 4º da Lei nº 9.959, de 2000 “proíbe o computo de qualquer valor que não corresponda à efetiva realização do bem reavaliado”. Do voto condutor desse acórdão, destaco: No que tange a adição da reserva de reavaliação, cabe destacar que a divergência do contribuinte é apenas quanto ao direito Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.504 17 aplicado, pois não discorda dos fatos. Ou seja, o contribuinte concorda que possuía, em 1995, R$ 19.871.684,00 com tributação diferida, mas discorda que devesse oferecer tal valor para a tributação pela simples mudança de sistema de tributação. .......................................... Como se verá adiante, o contribuinte apenas alega que, dentre as diversas espécies de valores com a tributação diferida (e controlados na parte B do Lalur), esta não se submete a regra da tributação quando da saída do lucro real. Sustenta que só deve tributar o montante diferido quando da venda do imóvel (proc. fl. 400). .................................................................................... Portanto, a questão de fato (existência de R$ 19.871.684,00 com tributação diferida e mudança do lucro real para o presumido) é pacifica no presente processo. Só existe discordância quanto ao direito aplicado. No que se refere ao direito, o argumento da defesa consiste em afirmar que o art. 4° da Lei 9.959, de 2000, é posterior e incompatível com o art. 54 da Lei 9.430, de 1996, e, por isso, o revogou tacitamente. Analisando este argumento e considerando que na parte B do Lalur são controlados valores de diversas naturezas para serem adicionados ou excluídos de exercícios seguintes, percebese que o contribuinte defende uma revogação tácita parcial do art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996. E toda linha de argumentação do voto condutor do acórdão paradigma reside na mudança de regime. Não há qualquer menção ao fato de a reserva ter sido utilizada para aumento de capital. A situação de aumento de capital só é tratada na declaração de voto da ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, quando aduz: Quanto à tributação da reserva de reavaliação, vejo na acusação fiscal que a contribuinte reavaliou bens em períodos anteriores, computando o aumento correspondente em conta patrimonial de Reserva de Reavaliação, a qual foi utilizada para aumento de capital em 2004. Em razão da mudança de regime de tributação dos lucros da pessoa jurídica a partir de 2006, de lucro real para lucro presumido, a autoridade lançadora concluiu, com base nos art. 434 a 437 do Decreto n° 3000/99 e no art. 4° da Lei n° 9.959/2000 que o saldo da conta de Reserva de Reavaliação deveria ter sido oferecido A. tributação no 1 ° trimestre de 2006. ......................................................................................................... ................ Para afirmar que tal valor estava diferido e, em razão da mudança de sistemática de tributação de lucro real para lucro presumido, deve ser incluído na base tributável, entendo necessário discorrer um pouco mais sobre as diferenças entre a apuração contábil do lucro e a determinação do lucro real. Diz a lei societária que a contrapartida de aumento de valoratribuídoa elemento do ativo em virtude de nova avaliação é classificada em conta patrimonial de reserva de reavaliação, e Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.505 18 tal aumento de valor somente pode ser computado como lucro, para efeito de distribuição de dividendos ou participações, quando realizado. Significa dizer que este ganho somente autoriza a distribuição de lucros quando ele efetivamente se materializa. Em conseqüência, enquanto não é possívela distribuição de lucros, os sócios também não poderiam utilizar aquele aumento de valoratribuído a elemento do ativo para aumento de capital. Dai porque o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI — Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis,Atuariais e Financeiras da USP, em sua 3' edição de 1991 (Editora Atlas: Sao Paulo) reconhece a validade da interpretação fiscal que afirmava a tributação da reserva de reavaliação no momento de sua incorporação ao capital social. Vejase (p. 483): ........................................................................................................ Ou seja, contabilmente, ao promover a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, a pessoa jurídica deixa de manter o aumento de valor atribuído a elemento do ativo em conta de Reserva, e inviabiliza a sua transferência para conta de Lucros ouPrejuízosAcumulados no(s) momento(s) de sua realização. Tal valor não transitará por resultado contábil, nem pela conta de lucros acumulados, mas a futura realização do bem representará um menor ganho de capital, em razão do cômputo de seu custo reavaliado. Em conseqüência, para evitar a redução do lucro real em momento futuro, deve o sujeito passivo manter o aumento de valoratribuído a elemento do ativo que não mais consta em Reserva de Reavaliação, porque integrado ao capital, controlado na parte "B" do LALUR, para sua inclusão futura no lucro real, consoante orienta o RIR/99: .................................................................................... Correta, portanto, a conclusão fiscal de que o valor da reserva de reavaliação incorporada ao capital social em 2004 deveria ser adicionado ao primeiro período de apuração no qual foi adotada a sistemática do lucro presumido. Ocorre que, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso de Divergência só é cabível contra “decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Ou seja, inexiste Recurso Especial contra Declaração de Voto e a razão disso decorre do fato de que a Declaração de Voto representa o entendimento de um conselheiro, e não do colegiado. Em face desses argumentos, divirjo do Relator no que diz respeito ao não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, porque o conheço. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.506 19 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Ouso divergir do ilustre relator tanto em relação ao conhecimento quanto ao mérito, pelos motivos a seguir aduzidos. 1. DO CONHECIMENTO Entendo que se deve conhecer do Recurso Especial. Isto porque o acórdão recorrido e o acórdão paradigma divergem na interpretação exatamente da mesma legislação tributária aplicada a fatos semelhantes. Adianto que a não concordância com o voto do relator é quanto à semelhança entre os fatos considerados nos dois acórdãos, já que entendo que não há necessidade de identidade completa entre todos os fatos existentes nos dois processos. O que importa para a admissão do recurso especial é a semelhança entre os fatos apreciados e considerados relevantes nas duas decisões, somente a existência de um fato relevante ao qual foi dada uma qualificação jurídica decisiva é que pode obstar eventual configuração da divergência. Assim constou na ementa do acórdão recorrido, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que negou provimento ao Recurso de Ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado. Interpretando de forma oposta os artigos 4º da Lei n° 9.959, de 2000, e 54 da Lei n° 9.430, de 1996, assim constou na ementa do acórdão paradigma, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento parcial ao Recurso voluntário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 PROVAS. A demonstração dos fatos alegados deve estar baseada em fortes elementos de convicção Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.507 20 ASSUNTO: NORMAS GERAIS Exercício: 2005, 2006 ANTINOMIA APARENTE. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DIFERENTE. Não é possível haver conflito entre regras que têm pressupostos de incidência diferentes. ANTINOMIA APARENTE. LEI GENÉRICA. LEI ESPECIAL. Lei genérica posterior não revoga tacitamente lei especial que disponha em contrário. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Exercício: 2005, 2006 CONTRAPARTIDA DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DO LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS DIFERIDAS. O contribuinte que sai do lucro real e que tem contrapartidas de reserva de reavaliação diferidas é obrigado a oferecer tais parcelas no primeiro período de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado. O art. 4º da Lei n° 9.959, de 2000, não revogou tacitamente e parcialmente o art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, pois não existe incompatibilidade entre os dois dispositivos, que incidem em hipóteses diferentes. GLOSA DESPESAS. DESPESAS INEXISTENTES. REQUISITOS. A glosa de despesas, ao argumento de sua inexistência, exige a demonstração da inexistência. A falta de pagamentos é um forte elemento de convicção da inexistência da despesa, em algumas situações, mas não em todas. MUDANÇA DE SISTEMA. ADIÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A legislação determina a adição dos valores controlados na parte B do Lalur, quando o contribuinte sai do lucro real e vai para o lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão paradigma tratase de reservas de reavaliação constituídas em exercícios em que os contribuintes apuraram o lucro pelo regime do lucro real. Tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão paradigma os contribuintes optaram por migrar para a tributação pelo lucro presumido. E em ambos os casos não houve a tributação espontânea prescrita pelo artigo art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, dos valores com tributação diferida refletidos na escrita fiscal. No acórdão paradigma constatase que a reserva de reavaliação foi utilizada para aumento do capital social antes da migração do lucro real para o lucro presumido, fato não existente no acórdão recorrido. Devemos aferir se há relevância desse elemento fático suficiente para distinguir os contextos a que se depararam os dois acórdãos. Primeiro devese destacar que a incorporação da reserva de reavaliação para aumento do capital social não mais constava como hipótese para sua inclusão na base tributável do IRPJ ou da CSLL do período correspondente (art 436 do RIR/99). Desta forma, o diferimento da tributação persistia por determinação legal. Segundo devese destacar que não há a alegação, no acórdão paradigma, de que a incorporação da reserva de reavaliação para aumento do capital social tenha mudado o status de tributação diferida para a reserva de reavaliação. Bem resumiu o voto condutor no acórdão Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.508 21 paradigma que “o contribuinte concorda que possuía, em 1995, R$ 19.871.684,00 com tributação diferida”. Assim descreveu o voto condutor no acórdão paradigma: De fato, constatase na impugnação e recurso que o contribuinte não discorda sobre a existência de saldo de contrapartida da reserva de reavaliação. Inclusive declara na linha 31 da ficha 37 A, da DIPJ do anocalendário de 2005, o saldo de R$ 19.871.684,00 de reserva de reavaliação, em 31/12/2005 (proc. fl. 318), que também está retratado no seu razão do ano de 2006, na conta 2.4.1.03.001 (proc. fl. 267). Ainda, constatase que o contribuinte não questiona no seu recurso que a contrapartida de reserva de reavaliação foi utilizada para aumento de capital, conforme 9° aditivo do contrato social, datado de 2004 (proc. fl. 162). Além disso, o contribuinte não discute que este valor teve sua tributação diferida e que em 2005 seu saldo era de R$ 19.871.684,00. O contribuinte sequer discorda que tal montante seja controlado na parte B do Lalur. Como se verá adiante, o contribuinte apenas alega que, dentre as diversas espécies de valores com a tributação diferida (e controlados na parte B do Lalur), esta não se submete a regra da tributação quando da saída do lucro real. Sustenta que só deve tributar o montante diferido quando da venda do imóvel (proc. fl. 400). (Destaquei) Em outra passagem do acórdão o paradigma destaca que a questão de fato (existência de R$ 19.871.684,00 com tributação diferida e mudança do lucro real para o presumido) “é pacifica no processo”. Só existe discordância quanto ao direito aplicado. E é esta questão de fato que é semelhante e relevante nos dois processos: existência de tributação diferida oriunda de reserva de reavaliação de ativo permanente e mudança do lucro real para o presumido. Constatada a semelhança dos fatos relevantes e a divergência jurisprudencial, deve se admitir o recurso especial. 2. DO MÉRITO Considero acertado o entendimento de que os artigos 4º da Lei n° 9.959, de 2000, e 54 da Lei n° 9.430, de 1996, não são incompatíveis e regulam situações diferentes. No caso dos autos, devese aplicar o art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, pois presentes todos os elementos prescritos em seu texto então vigente: Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Como já bem explicado no voto condutor do acórdão paradigma n. 110100.705, razões que aqui adoto, o art. 4° da Lei n° 9.959, de 2000, é uma regra genérica do lucro real e estabelece uma proibição. O art. 54 da Lei 9.430, de 1996, é uma regra especifica de saída do lucro real e estabelece uma obrigação. Por isso não existe contradição entre eles e não cabe falar em revogação tácita do art. 54 da Lei 9.430, de 1996. Se aplicado ao caso presente, o disposto no art. 52 da Lei n. 9.430/96 prescreveria a proibição de se considerar como custo parcela não realizada da reserva de Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.509 22 reavaliação em eventual venda de bem reavaliado. Desta forma, em caso de desobediência do art. 54, o art. 52 preveria que não se utilizasse como custo parcela não realizada da reserva de reavaliação. Tais eventos não impediriam o lançamento de ofício que deveria ter sido efetuado espontaneamente pelo contribuinte (no ato da migração do lucro real para o lucro presumido). Logo, não há conflito entre o art. 52 da Lei n. 9.430/96 e o art. 54 da Lei n. 9.430/96. Observo que a ementa do acórdão recorrido somente diverge do texto legal (art. 54 da Lei n. 9.430/96) em sua conclusão (oposta à do texto legal), quando prescreve que, nas mesmas circunstâncias, não se obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Adianta o voto condutor do acórdão recorrido que “a simples reavaliação de bens lançada em conta de Reserva” não se subsume ao fato gerador do IRPJ, pois: “... a riqueza esperada para fins de materialização da renda tributada somente ocorreria com uma das hipóteses de realização dessa reserva.” Se o legislador prescreveu que o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real que muda de regime para o lucro presumido, deve ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda, somente a invalidação do dispositivo legal pelo Poder Judiciário poderia afastar a aplicação da norma. Como a decisão recorrida afasta a aplicação da lei (art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996), acredito que tal negativa de vigência esteja vedada pela Súmula nº 2 do CARF (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Repiso que a questão é apenas de direito: é sobre a revogação ou não do 54 da Lei n° 9.430, de 1996. Defendi a não revogação. O que importou para o legislador não foi tanto se os valores estariam de fato controlados na Parte B do LALUR, mas que deveriam estar controlados enquanto o contribuinte estivesse no lucro real. Caso não estivesse mais no lucro real não haveria mais a obrigação do controle. Neste caso, o não atendimento da obrigação acessória não poderia ser suficiente para se deixar de aplicar a norma. No primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido deverão ser adicionados à base de cálculo do imposto de renda. Nesse cenário, voto por CONHECER o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1509DF CARF MF
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Numero do processo: 11041.000123/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/03/2010
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Admitindo-se os embargos como inominados, o lapso manifesto identificado no Acórdão deve ser prontamente corrigido.
Numero da decisão: 2401-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, para retificar o dispositivo analítico do acórdão embargado, que passa a ser "voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negar-lhe provimento, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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LAPSO MANIFESTO. Admitindose os embargos como inominados, o lapso manifesto identificado no Acórdão deve ser prontamente corrigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, para retificar o dispositivo analítico do acórdão embargado, que passa a ser "voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 01 23 /2 01 0- 61 Fl. 160DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 161 3 Relatório Tratase de embargos inominados (fls. 148/151) opostos pela Delegacia da Receita Fedral do Brasil em Pelotas/RS, recebidos com fulcro no art. 66 do RICARF (Portaria MF nº. 256/2009), por ocorrência do que seria lapso manifesto na decisão proferida. O acórdão embargado (2401003.222 de fls. 134/142) julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário da ora embargada para o fim de recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, deduzindose os valores levantados a título de multas nas NFLD correlatas. A manifestação da DRF de Pelotas se dá pelos seguintes fatos: 3. Ao analisar o recurso impetrado pelo Frigo W Matadouro e Frigorífico Ltda, que teve contra si o Auto de Infração – AI 37.248.2023, contido no Processo em epígrafe, a Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF/MF proferiu a decisão a seguir transcrita: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91.(grifo nosso)Isto posto, requer o embargante o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para apreciar a existência de equívoco no enunciado. 5. Temos a informar que a situação mais benéfica ao contribuinte foi apurada por ocasião do lançamento, conforme está descrito no tópico “Da Retroatividade Benigna” do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, à fl. 21, do Volume – V1 deste processo. 6. No referido tópico, foi informado que, a partir de 04 de dezembro de 2008, com a edição da Medida Provisória 449/2008 posteriormente convertida na Lei 11.941, em 27 de maio de 2009, foram alterados os percentuais, previstos na Lei 8.212/91, no que concerne às multas aplicadas em lançamentos de ofício e por descumprimento de obrigações acessórias. 7. Até aquela data, de acordo com a Lei 8.212/91 o percentual da multa de mora aplicada em lançamentos de oficio era o previsto no inciso II do art. 35, ou seja, 24% do valor corrigido. 8. A multa aplicada por descumprimento de obrigações acessórias, no que tange à declaração omissa em GFIP, era a prevista no parágrafo 5º do art. 32 da Lei 8.212/91 e Fl. 162DF CARF MF 4 correspondia a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. 9. Com a edição da referida MP a aplicação da multa, em lançamentos de oficio, passou a ser a prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, correspondente à 75% da contribuição não recolhida. 10. Assim, reiteramos que na lavratura do presente Auto de Infração, foi observado o princípio da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, foi aplicada a penalidade menos severa ao contribuinte. 11. Desta forma em cada competência, a multa aplicada foi a de menor valor, resultante da comparação entre a multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 que corresponde a 75%, com a soma da multas previstas na Lei 8.212/91, ou seja, a prevista no inciso II do art. 35, que corresponde a 24% e a multa variável, equivalente a 100% do valor da contribuição não declarada, em razão da omissão de fatos geradores em GFIP, prevista no §5o do art. 32. 12. Em demonstrativo anexo denominado “Relatório Comparativo de Penalidades Aplicáveis” (fls 45/46, do Volume V1), apresentamos os valores das multas, calculados segundo cada dispositivo legal, por competência com a identificação da penalidade mais benéfica aplicada. 13. Realizada a comparação das penalidades a serem aplicadas, restou mais benéfico ao contribuinte a multa prevista na legislação anterior nas competências 02/2005, 12/2005, 01/2006 e 05/2006 a 08/2006 conforme demonstrativo denominado Pan VI Cálculo da Multa Aplicada (fls 47). Assim, em que pese o acórdão embargado ter determinado a aplicação da retroatividade benigna na redução das multas, a ser a análise realizada pela delegacia de origem mediante a comparação para cada competência, o AFRFB responsável pela execução do julgado apresentou os embargos inominados para informar, justamente, que este procedimento já fora realizado no momento da lavratura do Auto de Infração, razão pela qual haveria lapso manifesto no acórdão embargado. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Pressupostos de Admissibilidade Os embargos inominados, assim recebidos nos termos do art. 66 do RICARF, não se sujeitam à análise da tempestividade, pois esta não se aplica para a correção de erro manifesto no julgado, razão pela qual recebo os presentes por atender os pressupostos de admissibilidade. Da Análise dos Embargos O AFRFB da DRF de Pelotas/RS aponta equívoco cometido na elaboração do acórdão embargado, o qual determinou a realização de procedimento (comparativo de multas para aplicarse a mais benéfica ao contribuinte) já realizado pela autoridade fiscal na lavratura do Auto de Infração. Assim, resta evidente que, para melhor elucidação do acórdão embargado, deve o lapso manifesto do mesmo ser sanado, a fim de que o mesmo possa ser executado pela autoridade fazendária na origem. Do Mérito dos Embargos Conforme se extrai do acórdão embargado, temos que a conclusão do julgado restou redigida da seguinte forma: As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 164DF CARF MF 6 Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Analisando o Auto de Infração, vemos que consta do Relatório Fiscal de fls. 21, o seguinte tópico: Assim, resta claro que, de fato, a comparação das multas já foi realizada na lavratura do auto de infração, aplicandose a retroatividade benigna em favor da embargada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 163 7 Por essa razão, deve ser acolhida a manifestação da DRF de Pelotas/RS, como embargos inominados, para fim de corrigir a conclusão do Acórdão nº. 2401003.222 (fls. 134/142), com efeitos infringentes formais, sem efeitos materiais no cômputo do crédito tributário, alterandose a conclusão para: "CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte " CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer da manifestação como embargos inominados e, no mérito, DOULHE provimento, sem efeitos infringentes ao acórdão embargado, a fim de que a conclusão e o dispositivo do mesmo sejam redigidos nos termos a seguir: "CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte " " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte". É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001069/98-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.459
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes,por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes,por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. j2,ee-MF I FI. RESOLUÇÃO N° 202-00.459 ESAGA - PROJETOS, SANEAMENTO E OBRAS LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP 13830.001069/98-06 120.834 1 Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2002 4:-t.~~e-d,4~Á4'W~1'~4ffannque l'l&:'élroTorre?7 - Presidente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ~An~~~~ Relatora Processon° Recurso nO Recorrente Recorrida cl/cf 2 Às fls. 39/67, cópias de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF de Contribuição para o PIS. Com o pedido inicial foram trazidas as Planilhas de fls. 11/12, em que são apresentados comparativos entre os valores recolhidos conforme os Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88 e aqueles devidos tendo por base a Lei Complementar nO 7/70, sendo a diferença acrescidade correção monetária, legislação de regência da contribuição e da compensação. ~Ld ESAGA - PROJETOS, SANEAMENTO E OBRAS LTDA. 13830.001069/98-06 120.834 RELATÓRIO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso nO Recorrente O sujeito passivo trouxe aos autos o Arrazoado de fls. 02/10, em que tece considerações acerca da incidência da Contribuição para o PIS e da. declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, o que teria determinado a aplicação da Lei Complementar nO7/70, com a alíquota de 0,75%, e a base de cálculo como o faturamento do sexto mês anterior. Daí resultaria a existência de valores pagos a maior, devido à modificação da sistemática de cálculo da contribuição, o que implicaria em indébitos a serem restituídos pela Fazenda Pública, como tratado pela fustrução Normativa IN SRF n° 31/97, vez queo contribuinte que não recolheu a exação estaria dispensado de quaisquer exigências, quem a recolheuo fez de forma indevida. Invoca os artigos 66 da Lei nO8.383/91, 74 da Lei n° 9.430/96, e 1° do Decreto n° 2.138/97, para afirmar o seu direito à restituição pretendida, acrescida de atualizaçãomonetária determinada por lei. Trata o presente processo de pedidos de restituição/compensação de valores que o sujeito passivo teria recolhido a maior, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, pagos na forma dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, com débitos vencidos e vincendos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. À fl. 93, a requerente vem aos autos para comunicar que, a partir do mês de. março de 1999, passava a compensar o saldo que disporia de Contribuição para o PIS com valores devidos daquela contribuição e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social- COFINS, de conformidade com as IN SRF nOs21/97 e 03/97, e com o pronunciamento doSuperior Tribunal de Justiça no julgamento do RMS nO8.108/SP. A Delegacia da Receita Federal em Marília/SP deliberou no sentido de indeferira compensação pleiteada, sob o argumento de que, considerando-se o artigo 168, I, do CódigoTributário Nacional, ocorrera a decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagosaté 07/10/1993, vez que o pedido de restituição foi protocolizado em 07 de outubro de 1998. No tocante aos pagamentos posteriores, o crédito apontado resultaria do fato de a requerente ter calculado os valores devidos mediante a utilização do prazo de vencimento originalmente estabelecido pela Lei Complementar nO7170, sendo que, nesse tocante, a referida leifoi alterada por leis posteriore?J-- / 3 Anexa os Documentos de fls. 113/121. , ,/ ~Ld 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso n° É o relatóriof f A 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manifestou-se pelo indeferimento da solicitação, por entender que teria ocorrido a decadência para pleitear a restituição dos valores pagos até 07/10/1993, e, para os demaispagamentos, os créditos argumentados pela contribuinte decorrem de sua interpretação equivocadado parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar nO7/70, afirmando que o prazo ali referido dita que a base de cálculo da contribuição é o faturamento de seis meses atrás; entendeaquela autoridade que referida norma não se refere a base de cálculo, e sim a prazo de recolhimento. 2. não ocorreu na espécie a decadência, pois, observando-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e considerando-se que se trata de lançamento por homologação, apenas decairá o direito de pedir a repetição de indébitos após decorridos cinco anos do fato gerador, adicionados por mais cinco anos. 1. por tudo que instruiu o seu pedido inicial, e atos posteriores, onde foi alegada toda a ocorrência, mencionando todos os atos administrativos e do Poder Legislativo, no tocante à inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, ratificada pelo Senado Federal, deve ser reconhecido o seu direito à compensação; e o sujeito passivo apresentou impugnação ao ato supra-referido, argumentando emsua defesa, em apertada síntese, que: Irresignada com o julgamento a quo, a interessada, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, onde reapresenta os argumentos de defesa expendidos na impugnação para, ao final, defender o reconhecimento do direito pleiteado e a reforma do acórdão de primeira instância. conhecimento. pela Recorrente; - se sujeita ao PIS/Repique, que seja então procedida a verificação de créditos, IZ'CGMF IFI. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes - se sujeita ao PIS/Faturamento, que seja então procedida a verificação de créditos pela recorrente, utilizando-se do critério da semestralidade do PIS1, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6°, parágrafo único, da LC n° 7/70, conforme já definido em reiteradas decisões vazadas por este Colegiado e também pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, sobre a matéria; e - se não sujeita ao PIS/Repique, que seja então procedida a verific~ção de créditos pela recorrente, utilizando-se do critério da semestralidade do PIS2, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6°, parágrafo único, da LC nO7/70, conforme já definido em reiteradas decisões vazadas por este Colegiado e também pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, sobre a matéria; e - apure a real atividade da recorrente, ou seja, se é prestadora de serviços, vendedora de mercadorias ou mista, sujeita ao recolhimento da Contribuição para o PIS na modalidade PIS/Faturamento ou PIS/Repique; Nos autos não restou esclarecida a atividade empresarial desenvolvida pela peticionante, ou seja, se é empresa prestadora de serviços, vendedora de mercadorias ou mista, o que é de fundamental importância, considerando os termos da r. decisão recorrida, confrontados com as razões de recurso voluntário a esse Colegiado, somados estes elementos ao pleito compensatório formulado, e, com vistas a apurar a certeza e liquidez dos créditos alegados, voto no sentido de converter este julgamento em diligência à repartição de origem para que a mesma, conclusivamente: A análise da questão da decadência do direito de compensação dos valores que a recorrente argumenta ser credora deveria ser enfrentada preliminarmente, o. que, entretanto, deixo de fazer, em virtude das circunstâncias peculiares da espécie. . 1Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, RD/201-0.344, Acórdão CSRF/02-0.913, Sessão de julgamentos de 06/06/2000. 2Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, RDI201-0.344, Acórdão CSRF/02-0.913, Sessão de julgamentos de 06/06/2000 -}/ 4 A questão central do dissídio posto nos autos cinge-se ao pleito da compensação de valores de Contribuição para o PIS que teriam sido recolhidos a maior que o devido, na vigência dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, para suprir quantias referentes a tributos e contribuições vencidas ou vincendas. Processo nO Recurso n° 5 !2'CC-MF IFI. 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso nO Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2002 - ao final, para que se manifeste sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente com base nos índices estabelecidos pela NE/SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/6/1997, referentes a todos os períodos de que trata este processo, bem como proceda de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até o montante necessário para quitar os valores a se compensar aqui em exame, total ou parcialmente. Findas essas apurações, seja oferecida oportunidade à recorrente de se manifestar sobre os resultados da diligência, antes do retomo dos autos a esta Câmara. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901744/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 17 44 /2 00 9- 19 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.115, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1241/1242), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1254DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003040/2006-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela Recorrente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos.
MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA.
Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva.
CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada.
LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.
Numero da decisão: 1803-001.101
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela Recorrente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA. Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada. LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 409 2 Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 410 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 371 e 372): Tratase de apreciar impugnação ao auto de infração lavrado em 16/10/06 para exigência da multa isolada decorrente da falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devida mensalmente nos anoscalendário de 2001 a 2006, no valor de R$ 55.915,93 (fls. 02 a 10). Segundo o relatório da ação fiscal que integra o auto de infração (fl. 13 a 15), a empresa teria, nos anoscalendário de 2001 a 2005, tributado seus resultados com base no lucro real anual, utilizando balancetes de redução ou suspensão para apuração dos valores devidos mensalmente. Já no anocalendário de 2006, embora tivesse informado opção pelo lucro presumido, a DCTF relativa ao 1º semestre de 2006 informou débitos sob o código 248401, correspondente às pessoas jurídicas que apuram o lucro real com estimativa mensal. Os débitos foram compensados por meio de Declaração de Compensação, ficando manifesta a opção pelo lucro real anual nesse anocalendário. Consigna ainda a autoridade fiscal que apurou a CSLL devida mensalmente com base nos balancetes contábeis levantados pelo contribuinte, evidenciando falta de recolhimento da contribuição em alguns períodos, em relação aos quais exigiu a multa isolada de que trata o art. 44, inciso IV, § 1º, da Lei nº 9.430/96. O lançamento foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 07/11/06, que em 05/12/06 apresentou impugnação ao lançamento calcada, em síntese, nos seguintes argumentos (fl. 326 a 338): a) que a ação fiscal extrapolou os limites do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tendo em vista que o MPF original não indicou o IRPJ como tributo a ser fiscalizado, e o MPF complementar apenas incluiu o IRPJ para os períodos de 01/2001 a 03/2001, tornando o lançamento irregular; b) em relação ao IRPJ relativo às competências anteriores ao mês de novembro de 2001, alega ter ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário, à luz do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; c) que a penalidade aplicada somente é passível de exigência dentro do período de apuração do imposto; após o encerramento do período, com recolhimento integral do tributo, como ocorreu no caso, a multa é inexigível; d) como o tributo devido foi pago integralmente antes do início da fiscalização, cabe a aplicação do art. 138 do CTN, de forma que, também por isso, não cabe a aplicação da multa isolada; e) por fim, entende que a exigência esbarra nos termos do art. 23, inciso III, da Lei de Falências, tendo em vista o ajuizamento de pedido de concordata, cabendo conversão do julgamento em diligência, a fim de verificar o prazo e condições da concordata. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 411 4 Ao fim, requer a nulidade do auto de infração e inexigibilidade da penalidade aplicada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 370): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso das contribuições sociais, o prazo é de dez anos. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela impugnante. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA. Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada. Cabível, entretanto, a redução do percentual aplicado tendo em vista legislação posterior abrandando o percentual da multa aplicável. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 30/06/2008 (fls. 384), a tempo, em 29/07/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 386 a 399, instruído com o documento de fls. 400, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, examinando o acórdão recorrido, verificase que os Julgadores de Primeira Instância confirmam a existência dos vícios formais apontados pelo contribuinte, mas lhe atribuíram efeitos diversos dos legalmente estabelecidos para cada uma das falhas; b) que a referência feita pela decisão recorrida ao disposto no art. 45 da Lei 8.212/91 é absolutamente impertinente, visto que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF); c) que, neste contexto, extinto parte do crédito tributário pela decadência, deve ser reformada a decisão de primeira instância; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 412 5 d) que a cobrança da multa esbarra, também, nos termos do art. 23, inciso III, da Lei de Falências, vigente ao tempo dos fatos; e) que, diante desse argumento, os julgadores de primeiro grau concluíram que a regra é inaplicável, pois “a legislação vigente na data do lançamento, Lei nº 11.101, de 9/01/05, já havia revogado o dispositivo, permitindo a habilitação, na falência, das multas tributárias...” (fl. 377); e f) que deveriam os julgadores aplicar a regra do art. 144 do Código Tributário Nacional, segundo a qual a lei aplicável é a vigente ao tempo dos fatos e não a vigente no momento do lançamento. Em mesa para julgamento. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 413 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Generalidades 4. Com relação a tudo o que foi dito pela Recorrente, reprisando o que já houvera alegado na impugnação, faço minhas as palavras da decisão recorrida, às quais adoto como razões de decidir, uma vez que não foram de nenhum modo contraditadas: Do Mandado de Procedimento Fiscal A falta ou imperfeição do MPF não tem o condão de anular auto de infração que atenda aos requisitos fixados no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, posto tratarse de mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A teor do retrocitado artigo do CTN, o lançamento decorre de atividade privativa e vinculada da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional, quando se depare com infração definida em lei como suficiente ao lançamento de ofício: [...]. As portarias da Receita Federal sobre o MPF constituemse em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, não tendo o condão de determinar a nulidade do lançamento, entendimento reiterado pelos Conselhos de Contribuintes: [...]. A par do exposto, que, desde logo, afastaria a alegação de nulidade, vejo que, no caso em exame, sequer houve a irregularidade administrativa apontada. O MPF que respaldou o procedimento fiscal foi regularmente emitido em 23/08/05, sob nº 10.1.06.002005005216, dele constando ordem de fiscalização da CSLL relativa a julho de 2004. Posteriormente, foi objeto de complementação em 25/04/06, para incluir, na ordem, a CSLL de janeiro de 2001 a março de 2006 (fl. 27). De se concluir, portanto, que o MPF abarcava, em relação ao IRPJ (sic), o período de janeiro de 2001 a março de 2006, dentro do qual estão integralmente inseridos os fatos geradores objeto Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 414 7 do lançamento, inexistido a irregularidade apontada pela impugnante. [...]. Da decadência Segundo o entendimento unânime e reiterado firmado por esta Turma de Julgamento a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada com exclusividade no art. 173 do CTN. O prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN não é decadencial, mas de homologação tácita de lançamento pertinente a tributo sujeito à sistemática de apuração e pagamento nele prevista, tratandose de ficção jurídica que estabelece o implemento de condição resolutória extintiva do crédito tributário, no caso de ausência de homologação expressa por parte da Administração Pública. Por seu turno, a regra do art. 173, I, do CTN prevê a extinção do direito de lançar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, em relação aos fatos geradores ocorridos em 2001, a contagem do prazo quinquenal teve início em 2002, findando a possibilidade de lançamento em 31/12/06. Deste modo, considerando que o auto de infração foi cientificado à impugnante em 07/11/06, não há que se cogitar de decadência. [...]. Da aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional Não me parece aplicável ao caso vertente o disposto no art. 138 do CTN. O dispositivo exclui a responsabilidade quando houver denúncia espontânea da infração, desde que acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. A infração, no caso, é a falta de recolhimento da parcelas devidas por estimativa, e a elisão da penalidade dependeria, por força do texto legal, do seu pagamento. Ocorre que, além de a impugnante não ter feito qualquer prova do alegado – o pagamento antes do início do procedimento fiscal – em consulta ao sistema próprio da Receita Federal (Sinal10, fls. 364 a 368), não localizei qualquer pagamento de IRPJ (sic) no período de 01/01/01 a 07/11/06 (data da autuação). Não se aplica ao caso concreto, portanto, o art. 138 do CTN, como é possível conferir, por exemplo, na seguinte decisão do Conselho de Contribuintes: [...]. Do art. 23, inciso III, da Lei de Falências O dispositivo a que se refere a impugnante encontrase descrito no DecretoLei nº 7.661, de 21/06/45, com a seguinte redação (grifos meus): Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 415 8 Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. De plano verificase, primeiro, que o dispositivo arguido tem aplicação aos casos de falência e, no caso vertente, tratase de concordata preventiva; e, segundo, o impedimento restringese à reclamação da dívida na falência, não obstando a constituição de crédito tributário, que decorre do art. 142 do CTN. Entender se aplicável o dispositivo à concordata, obstando o lançamento, implicaria anistiar, quanto às penalidades, quaisquer infrações tributárias cometidas pelos contribuintes no curso da concordata. De se notar, aliás, que a legislação vigente na data do lançamento, Lei nº 11.101, de 9/01/05, já havia revogado o dispositivo, permitindo a habilitação, na falência, das multas tributárias (art. 83, inciso VI). Registro que o Conselho de Contribuintes também tem decidido quanto ao cabimento da multa nos casos de concordata, como se confere nos acórdãos abaixo: [...]. De resto, os elementos trazidos à colação informam que, já em 09/06/2005, o processo de concordata foi extinto pelo cumprimento da moratória judicial (fl. 343). 5. Acrescento, apenas, com relação à alegação da Recorrente de que, para a cobrança da multa isolada, se deve aplicar a regra do art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), que, nesse caso, o entendimento da decisão recorrida não se altera, em face do contido no § 1º do referido artigo: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 416 9 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Multa isolada por falta de recolhimento de estimativa 6. Com relação, especificamente, à exigência em si da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, transcrevo, nos itens subsequentes (9 a 14), o meu entendimento sobre a matéria. 7. Destaco, apenas, que a Recorrente não prova, nos autos, a existência dos alegados prejuízos fiscais. 8. A se aceitar como comprovação dessa alegação as folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), de fls. 290 a 292, verificase que, pelo menos para o ano calendário de 2004, houve apuração de lucro líquido do exercício, no valor de R$ 95.441,22 (fls. 291), superior ao apurado nos balancetes dos meses autuados de maio e setembro de 2004 (R$ 54.889,30 e R$ 58.264,11, respectivamente) (fls. 19). 9. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 10. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 417 10 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 11. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 418 11 aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 419 12 resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? Ora, o fato de haver sido apurado resultado negativo ao final do período anual não significa que, em todos os meses componentes desse mesmo período, também tenha sido apurado resultado negativo; h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 12. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao eventual montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007. 13. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 14. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 420 13 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Declaração de Voto O objetivo da presente declaração de voto é explicitar o motivo pelo qual acompanhei o relator pelas suas conclusões. Em que pese o brilhantismo da argumentação acerca da validade da cobrança da multa isolada, acompanho o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema. A jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que com a apuração do imposto e da contribuição devidos ao final do exercício, desaparece a base imponível da penalidade isolada (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde ao imposto e à contribuição efetivamente apuradas. Isto, até o advento da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a a base imponível da multa isolada, ao modificar a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. As ementas a seguir reproduzidas deixam bem clara a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do IRPJ e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir do IRPJ devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 421 14 demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ devido com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição na apuração anual. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.376, sessão em 06.12.2005)” “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro líqüido apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o IRPJ E A CSLL devidos a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do IRPJ e ou da contribuição, inclusive adicional, calculados com base no lucro líqüido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor dos tributos do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor dos tributos calculados sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração do IRPJ E CSLL anuais, o limite para a base de cálculo da sanção dos tributos devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa tenha apurado prejuízo anual. Indevida também em relação às diferenças apuradas pela fiscalização em virtude da ausência de previsão legal para cumulação das penalidades. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.441, sessão em 21.03.2006) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 422 15 No presente caso, acompanhei o relator pelas suas conclusões porque a Recorrente não provou, nos autos, a existência dos alegados prejuízos fiscais. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10480.905479/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.034
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 05 47 9/ 20 12 -1 2 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.528. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.720527/2006-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA.
A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitando-se ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao agravamento da multa, em relação ao ano-calendário 2004, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento; e (iii) quanto ao agravamento da multa, em relação aos anos-calendário 2000 a 2003, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinatura digital)
André Mendes de Moura - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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MULTA AGRAVADA. A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao agravamento da multa, em relação ao anocalendário 2004, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento; e (iii) quanto ao agravamento da multa, em relação aos anos calendário 2000 a 2003, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 27 /2 00 6- 08 Fl. 5195DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.196 2 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. (assinatura digital) André Mendes de Moura Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 1103 00.460 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 3ª Turma Ordinária, 1ª Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido assentou a descrição fática nos seguintes termos: “A ação fiscal consistiu na tributaca̧õ dos valores das diferenças entre as receitas escrituradas no livro "apuração de ICMS" em relaca̧õ àquelas informadas na Declaraçaõ de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e também entre os valores dos tributos originados pelas receitas constantes na escrituracã̧o contábil e aqueles informados/confessados na DIPJ e na Declaraçaõ de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Para fins do IRP.I e CSLL a apuração e tributação do lucro da empresa se deu pelo regime do lucro real no quarto trimestre de 2000; primeiro, terceiro e quarto trimestre de 2001; nos quatro trimestres de 2002; primeiro a terceiro trimestres de 2003 e nos dois primeiros trimestres de 2004, enquanto na seara das contribuições ao PIS e COFINS a tributaçaõ incidiu sobre as receitas mensais (faturamento) dos meses de janeiro de 2001 a dezembro de 2003. O Fisco também lavrou Termo de Declaraçaõ de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Mauro Antonio Costa de Araújo e Sra. Mary Goreth Melo Araújo, sócios e administradores da autuada, e lhes deu cien̂cia, ao fundamento de simulação na transferen̂cia de titularidade da empresa. assim considerada ante a inexistência de efetivo pagamento pelo negócio cumulada com a desativação paulatina da sociedade mediante mudanças do nome empresarial e de enderegos, aliados ao fato do ramo negocial ter continuado em outras sociedades de mesma titularidade. Também foi consignado que a multa de oficio fora qualificada para 150% (cento e cinquenta por cento) com base no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ante o fato da contribuinte Fl. 5196DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.197 3 ter transferido a empresa sob fiscalização para interposta pessoa, com o consentimento desta, em flagrante simulação do seu contrato social, eis que nenhum dos envolvidos logrou provar a real transferência societária, infringindo, assim, o disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em seguida, referida multa fora agravada para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), assim prevista no § 2º do artigo 44 citado, ao pressuposto da tentativa dos envolvidos de dificultar e embaraca̧r fiscalização.” Ao analisar as impugnações apresentadas, a DRJ/BHE proferiu decisão assim ementada (efls. 2019 e seg.): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e o contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados como excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DCTF RETIFICADORA A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ DIFERENÇA APURADA ENTRE O ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO Constatada divergência entre os valores escriturados e os declarados/pagos, é lícito o lançamento do imposto devido em relação às diferenças apuradas, quando o contribuinte não logra êxito em refutar às evidências expostas no trabalho fiscal. Deve ser retificado o lançamento quando comprovado, em diligência fiscal, que em período especificados foram incluídos indevidamente na base de cálculo do imposto valores correspondentes a transferências de mercadoria entre filial e matriz. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. JUROS DE MORA – TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 5197DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.198 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte. Os responsáveis solidários interpuseram recurso voluntário contra a referida decisão (efls. 2110 e seg.). Ao julgar o caso, a Turma a quo prolatou acórdão assim ementado (efls. 2515 e seg.): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Valores de vendas lançados nos livros "Razão" ou "Diário" ou "Registro de Saídas do ICMS", sem correspondência com a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ou com os tributos confessados na DCTF, caracterizam prova direta da subtração do crivo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), que tem o lucro como base de cálculo. Subsistindo o lançamento principal, na seara do IRPJ, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, afeta as condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tornada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil (razão ou diário) e fiscal (apuração do ICMS) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. MULTA AGRAVADA O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu as intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado ou documentos específicos, legalmente previstos. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. CTN ARTIGO 135. ALIENAÇÃO SOCIETÁRIA. SIMULAÇÃO. AGRAVAMENTO DA PENA PECUNIÁRIA. A simulação no negócio de alienação societária, por consistir prática de ato ilícito, autoriza a responsabilização dos sócios ditos cedentes para responder pelo crédito tributário, consubstanciando relação jurídica de garantia. Entrementes, por constituir obrigação autónoma aquela decorrente de fato gerador tributário, descabe a aplicação da qualificadora prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. A PFN interpôs recurso especial (efls. 2535 e seg.) em face do acórdão a quo, no qual requer seja reestabelecida a qualificação e o agravamento da multa de ofício aplicada. O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 4914 e seg.). A PFN alega, em apertada síntese, que: O acórdão paradigma autorizaria a aplicação de multa qualificada e agravada de 225%; Fl. 5198DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.199 5 Quanto à qualificação da multa (de 75% para 150%): como os responsáveis solidários transferiram a atividade da empresa sob fiscalização para interposta pessoa, teria havido simulação, com a incidência do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96; Quanto ao agravamento da multa (de 75% para 112,50% ou de 150% para 225%): A contribuinte teria solicitado sucessivas postergações de prazo para apresentar documentações, com o cumprimento apenas parcial. Tal fato geraria a aplicação do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Os responsáveis solidários apresentaram contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 5041 e seg.), em que se alega, em apertada síntese: Os acórdãos trazidos como paradigma pela recorrente não tratariam de hipóteses similares ao presente caso, razão pela qual o recurso especial da PFN não poderia ser aceito; Não teria havido prática fraudulenta para diminuir, retardar ou suprimir o pagamento de tributos exigidos, o que afastaria a hipótese de qualificação da multa; A empresa teria cumprido as intimações, o que afastaria a hipótese de agravamento da multa. Os responsáveis solidários também interpuseram recurso especial (efls. 4968 e seg.), o qual, contudo, não foi admitido por despacho irrecorrível (efls. 5169 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Conhecimento A PFN interpôs recurso especial de divergência em face do acórdão a quo, com a apresentação dos acórdãos n. 10613718 e n. 10809078 como paradigmas, arguindo que, nestes, teria sido adotada a multa qualificada e agravada de 225% em situações semelhantes à dos presentes autos. Os referidos acórdãos restaram assim ementados: Acórdão 10613718 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Fl. 5199DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.200 6 MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Acórdão 10809078: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a alegação de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa. O despacho de admissibilidade compreendeu que o recurso deveria ser conhecido integralmente, tanto em relação à qualificação quanto ao agravamento da multa (e fls. 4914 e seg.). No entanto, compreendo que o recurso especial não deve conhecido. Quanto ao tema da qualificação da multa, apenas o acórdão n. 10613718 foi indicado como paradigma. Contudo, o seu contexto fático é diverso daquele presente nestes autos. Naquele caso, foi realizado lançamento de IRPF em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos não identificados, em que restou evidenciada a utilização de interpostas pessoas para a ocultação dos reais beneficiários. Notese o trecho a seguir, colhido do acórdão paradigma: “ o evidente intuito de fraude verificado pela utilização de conta corrente aberta em nome de interposta pessoa, cujo movimento financeiro ocorreu desde 20/06/1996, com evidente intuito de sonegar tributos e informações aos órgãos públicos, prática constatada, ensejou a aplicação do percentual agravado da multa de ofício para 150%, com fulcro no artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, formalizandose os respectivos e competentes Processos Administrativos Fiscais de Representação Fiscal para Fins Penais”. No presente caso, por sua vez, está em discussão se deve ser qualificada a multa, para 150%, tendo em vista divergências de informações constatadas entre DIPJ, a DCTF, escrita contábil e fiscal do contribuinte, bem como em face da imputação de simulação do esvaziamento da pessoa jurídica. Há, portanto, diferença substancial de contexto fático entre o acórdão recorrido e o paradigma. Também é decisivo observar que a recorrente não realizou o cotejo analítico da divergência jurisprudencial, tal como requerido pelo RICARF, delegando aos julgadores Fl. 5200DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.201 7 deste Tribunal o ônus de realizálo, seja em relação ao tema da qualificação quanto do agravamento da multa. Em relação ao tema do agravamento da multa, foram indicados como paradigmas os acórdãos n. 10613718 e n. 10809078. No entanto, além de não haver qualquer cotejo quanto à semelhança fática dos casos e indicação dos trechos do acórdão recorrido que seriam divergentes de tais acórdãos, ao realizarse tal análise, verificase que o substrato fático destes é diverso e não há evidente divergência de entendimento entre estes. Colhese da ementa do acórdão n. 10613718 ser “cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado”. Já a ementa do acórdão n. 10809078, também indicado como paradigma, indica ser “cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa”. No presente caso, o fundamento da decisão recorrida é justamente a ausência de tais demonstrações consideradas necessárias pelos acórdãos n. 10613718 e n. 10809078 para o agravamento da multa. É o que se observa do seguinte trecho colhido do acórdão a quo: “Em que pesem as dificuldades relatadas pelo Fisco fato é que este não afirma a falta de respostas por parte da fiscalizada ou não aponta especificamente as omissões, mas sim registra que as justificativas ou esclarecimentos possuíam índole insatisfatória, o que remete a contexto subjetivo. Ademais, a própria fiscalização utilizase do vocábulo tentativa de embaraço. o que pressupõe não consumada a conduta embaraçadora, a qual, aliás, requisita lavratura de auto próprio (RIR/99. artigo 919). Dessa forma, caso verificasse presente a referida demonstração, é provável que o acórdão a quo alcançasse a mesma conclusão dos acórdãos indicados como paradigmas. Não há divergência, mas convergência. Nesse cenário, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. Mérito Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial, passo à análise de seu mérito. Qualificação da multa. Foram dois os eixos que guiaram o agente fiscal para a qualificação da multa isolada: i) as declarações DIPJ e DCTF não teriam apresentado o verdadeiro evento econômico ou os tributos devidos, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento da ocorrência do fato gerador e; ii) teria havido simulação na transferência de titularidade da empresa autuada. Quanto ao primeiro eixo, a decisão recorrida compreendeu que a não entrega de DIPJ e DCTF pelo contribuinte não seria por si só causa para a qualificação da multa, mas Fl. 5201DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.202 8 sim hipótese de incidência da multa de 75%, atentandose para o fato de que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, notadamente documentos atinentes ao ICMS, foram suficientes para embasar o lançamento tributário realizado, in verbis: “Reprisese: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestaçaõ de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não ha como o intérprete delas desconhecer. De qualquer sorte, nestes autos impera o fato de que as operacõ̧es econômicas praticadas no período fiscalizado, que vieram ensejar os respectivos fatos geradores dos tributos ora lançados, encontramse regularmente escrituradas, isto é, o montante da receita mensal esta registrado nos livros comerciais e no "livro de apuraca̧õ do ICMS". Notadamente, fora justamente essa escrita que serviu de base ao Fisco para o cálculo das diferenças. Diante dessa circunstancia, não nos parece que possa prosperar o entendimento de que se pretendeu ocultar os fatos geradores. Ainda, tenho que os livros fiscais exigidos por outros entes tributantes (v.g. livro de apuraca̧õ do ICMS ou livro de apuraçaõ do ISS). quando apresentados isoladamente pela defesa não se prestam e nem tampouco poderiam prestar como instrumentos de regularidade escritural porque não requisitados pela legislação tributária federal, que se encarregou de exigir outros, como os livros "diário", "razão" e "lalur" no caso do regime do lucro real e os livros "caixa" e "registro de inventário" na hipótese de regime do lucro presumido. Todavia, a Fiscalização entendeu pela eficácia da escrituração fiscal levada a efeito no livro "Registro de Apuração do ICMS" para formalizar parte da exigência, tanto que justamente essa escrita alicerco̧u a imputaçaõ fiscal de omissão de receita e/ou insuficien̂cia de recolhimentos.” Realmente, a matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75% (Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte, além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa. No caso dos autos, cujos fatos geradores se reportam a período anterior a 2007, para a qualificação da multa de ofício, exigese que seja “evidente” a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 5202DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.203 9 O artigo 72 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “fraude” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A conduta fraudulenta, que dolosamente intente impedir ou retardar a ocorrência do fato jurídico, a que se refere o enunciado acima, é tutelada pelo art. 1º da Lei 8.137/90, segundo o qual: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Por fim, o artigo 73 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “conluio” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. É da essência dos atos em questão o propósito de ocultar, de impedir ou retardar de forma artificial a ocorrência do fato gerador ou, ainda, o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que lhe digam respeito. No caso sob análise, vale repisar, essa majoração da multa apenas será cabível caso o intuito de fraude se mostrar “evidente”, em face da redação do art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, vigente à época dos fatos. Concordo com a decisão a quo, quando atribui relevo à manutenção de escrita contábil e fiscal que, colocada à disposição da fiscalização, foram suficientes para a lavratura do lançamento ora sob julgamento. Ocorre que, mesmo que se compreenda que a reiterada ausência de entrega de DIPJ e DCTF com informações completas possa corroborar para a compreensão de que o contribuinte procurou omitir do fisco a ocorrência do fato gerador, não se mostra “evidente” o intuito doloso quando “o montante da receita mensal esta registrado nos livros comerciais e no ‘livro de apuração do ICMS’”, notadamente quando tais escritas são suficientes para servir de base para o lançamento fiscal e estes foram entregues à fiscalização. Por sua vez, a decisão recorrida também observou que a alegada tentativa de esvaziamento da pessoa jurídica, após a prática dos fatos geradores, não influenciaria na gradação da multa. Em relação a esse segundo eixo, assim se manifestou a decisão recorrida: “Em suma: a qualificação da pena pecuniária consta no ordenamento e requisita a presença de conduta fraudulenta conectada diretamente ao fato gerador do tributo, enquanto sequer previsão de pena pecuniária existe para a simulação na compra e venda de quotas societárias. A propósito, convém lembrar que a indicação dos responsáveis solidários pode se dar a qualquer tempo, inclusive no decorrer da execução fiscal manejada contra a pessoa jurídica, ocasião em que sequer se cogita da qualificação da multa”. Fl. 5203DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.204 10 Concordo com a decisão recorrida quando conclui, em face dos fatos identificados, que não há elementos necessários para que se considere “evidente” que a reorganização societária implementada objetivou ocultar a realização do fato gerador, reduzir ou impossibilitar o montante a ser pago. Quanto à qualificação da multa, portanto, voto no sentido de manter a decisão recorrida. Agravamento da multa Iniciado o procedimento de fiscalização, a não colaboração do contribuinte pode ensejar o agravamento da multa que, a depender das peculiaridades do caso, será de 75% (agravável, então, para 112,5%) ou 150% (agravável, então, para 225%). Assim dispõe o art. 44, § 2º, da Lei n. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei No caso sob julgamento, a autoridade fiscal, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal, consignou a sua conclusão de que ao contribuinte “aplicase ainda a qualificação da multa, atingindose assim uma penalidade total de 225%, conforme o parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, em função da tentativa dos envolvidos em dificultar e embaraçar a fiscalização, através das práticas de apresentarem respostas parciais e/ou evasivas, pedidos de prorrogação de prazos excessivos, e descumprimentos sistemáticos de prazo de atendimento em praticamente todas as intimações dirigidas à empresa fiscalizada, culminadas com o não atendimento ao Termo de Reintimação n° 03” (efls. 84 e seg.). A Turma a quo decidiu afastar o agravamento da multa, em decisão assim ementada: MULTA AGRAVADA O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu As intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado on documentos específicos, legalmente previstos. A decisão estou assim fundamentada (efls. 2531 e seg.), in verbis: “Em que pesem as dificuldades relatadas pelo Fisco fato é que este não afirma a falta de respostas por parte da fiscalizada ou não aponta especificamente as omissões, mas sim registra que as justificativas ou esclarecimentos possuíam índole insatisfatória, o que remete a contexto subjetivo. Ademais, a própria fiscalização utilizase do vocábulo tentativa de embaraço, o que pressupõe não consumada a conduta embaraçadora, a qual, aliás, requisita lavratura de auto próprio (RIR/99. artigo 919). Asseverou a Fiscalização, ainda, que a contribuinte não forneceu os documentos solicitados no Termo de fls. 324 (fichas de registro de empregados e relações de empregados constantes da GFIP Guia de Fl. 5204DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.205 11 Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Tenho, neste particular, que os elementos indicados não caracterizam aqueles elencados nas alienas ‘b’ e ‘c’ do transcrito § 2°”. Concordo com a Turma a quo quando aduz que o agravamento da multa não deve ser aplicado aos casos em que não há demonstração de que o contribuinte realmente deixou de atender à fiscalização de tal forma a imporlhe obstáculos tendentes a ocasionar prejuízos ao erário. Inclusive por força do art. 112 do CTN, apenas deve ser aplicado o agravamento da penalidade nos casos em que não restem dúvidas quanto à subsunção do fato à norma. Dispositivo. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso especial da PFN e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre Relator, peço vênia para divergir quanto à admissibilidade, e, no mérito, a qualificação e agravamento da multa de ofício. Admissibilidade. Entendo que a recorrente logrou demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e os paradigmas. O paradigma nº 10613.718 apresentou situação no qual foi qualificada e agravada a multa de ofício, e o de nº 10809.078 no qual foi agravada a penalidade, ambos em situações semelhantes à dos presentes autos. Transcrevo as ementas na parte que interessa: (Acórdão 10613.718) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando Fl. 5205DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.206 12 comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. ........................................................................................................ (Acórdão 10809.078:) IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa. Entendo que o despacho de exame de admissibilidade (efls. 4914/4918) apreciou com precisão a divergência, com se pode observar pelo excerto reproduzido na sequência. Neste processo administrativo fiscal, foi aplicada à contribuinte a multa de 225% em razão de os sujeitos passivos terem tentado dificultar e embaraçar a fiscalização por meio de simulação de compra e venda da sociedade empresária, não tendo atendido às intimações do Fisco para apresentar documentação contábil e fiscal, apresentando sucessivos pedidos de prorrogação de prazo e entregando apenas parcialmente a documentação solicitada. Na decisão combatida, afastouse a imposição da multa aplicada com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Entendeuse que o caso se enquadra no de declaração inexata, e afastouse a hipótese de fraude. Vejase excerto do voto condutor da decisão: De plano, pois, a conduta do sujeito passivo em omitirse na confissão da dívida, ou de confessála em cifra de monta inferior à realidade, não soa perfeitamente sintonizada no tipo fraudulento descrito na norma. Em se tratando de pessoa jurídica e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimirse na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COFINS, IRPJ e da CSLL, afigurame que à contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declarála ao Fisco. Assim, penso que a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade. Já as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma que apenadas, em pecúnia, à razão Fl. 5206DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.207 13 de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. Repisese: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestação de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não há como o intérprete delas desconhecer. De qualquer sorte, nestes autos impera o fato de que as operações econômicas praticadas no período fiscalizado, que vieram ensejar os respectivos fatos geradores dos tributos ora lançados, encontramse regularmente escrituradas, isto é, o montante da receita mensal está registrado nos livros comerciais e no “livro de apuração do ICMS”. Notadamente, fora justamente essa escrita que serviu de base ao Fisco para o cálculo das diferenças. Diante dessa circunstância, não nos parece que possa prosperar o entendimento de que se pretendeu ocultar os fatos geradores. De outro modo, nos paradigmas, a simples falta de atendimento à intimação e a constatação do descumprimento intencional por parte da empresa foram suficientes para se considerar cabível a imputação da multa de 225%. Vale observar que, no que concerne à qualificação da multa, tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma (nº 10613.718) tratam de utilização de interposta pessoa, sendo no paradigma a penalidade mantida e no recorrido afastada. Sobre o agravamento de multa, trata de condições objetivas expostas pela norma. No recorrido, apesar do não atendimento às intimações, considerou a decisão que tal fato não era suficientemente relevante para aplicação da multa agravada, enquanto que os paradigmas (nº 10613718 e 10809.078), ao tratarem de situação semelhante, não hesitaram em manter a penalidade. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN. Fl. 5207DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.208 14 Mérito. Multa Qualificada e Agravada. Sobre a qualificação da multa, vale transcrever as conclusões do Termo de Verificação Fiscal (efls. 82/83): É aplicada multa qualificada de 150% sobre o crédito tributário apurado, com base no inciso II do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, haja vista que os contribuintes de fato, infringiram o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, uma vez que transferiram a empresa sob fiscalização para interposta pessoa, com o consentimento da mesma, fazendo apenas uma simulação no contrato social da empresa, uma vez que nenhum dos envolvidos logrou provar a real transferência, uma vez que não houve nenhum pagamento do Sr. Paulo César da Costa, aos reais sóciosproprietários da empresa o Sr. Mauro Antonio Costa de Araújo e a sua esposa, a Sra. Mary Goreth Melo Araújo. Ao executarem esta simulação, os envolvidos transferiram a empresa de endereço, informando um endereço incorreto para a Receita Federal, ou seja, o n° 151 da Av. Carandaí, e não o n° 147, onde funcionava apenas um pequeno escritório e posteriormente para uma sala ainda menor, no atual endereço da empresa (sic). Não é crível que uma empresa que apresentava um faturamento médio mensal no ano de 2003, acima de R$ 5.000.000,00, seja transferida apenas pelo valor do seu capital social, sem que nenhum pagamento seja efetuado, mesmo depois de transcorrido mais de 02 (dois) anos do início da simulação efetuada pelas pessoas já citadas. Cabe ainda ressaltar que o Sr. Paulo César da Costa, não possuía condições econômicasfmanceiras para se tomar o único sócio de tal empresa, bastando verificar as declarações de ajuste anual das pessoas fisicas apresentadas pelo mesmo, cópias às fls. 309 e 317. Fica ainda mais patente, a simulação quando se observa que a "marca" da empresa, ou seja, o nome "PORT", foi transferido para novas empresas (ou novos CNPJ's), não trazendo nenhum transtorno aos seus proprietários. Na sequência, apresenta a autoridade autuante um quadro com as empresas do grupo: Fl. 5208DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.209 15 Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 5209DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.210 16 previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de restabelecer a qualificação da multa. Em relação ao agravamento da multa, a norma tributária não deixa dúvidas quanto à sua imputação, estabelecendo requisitos de ordem objetiva: cabe a penalidade pelo não atendimento pelo sujeito passivo no prazo marcado para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação técnica. E, no caso concreto, é fato incontroverso que, de fato, a Contribuinte, em diversas oportunidades, não atendeu às intimações. O quadro demonstrativo elaborado pela Fiscalização não deixa dúvidas (efl. 84): Portanto, voto no sentido de restabelecer o agravamento da multa. Assim, restabelecidas a qualificação e o agravamento, consolidase a multa no percentual de 225%. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5210DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.211 17 Fl. 5211DF CARF MF
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Numero do processo: 13009.000156/99-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
PRECLUSÃO DE MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação
apresentados até 22/03/2000 foi tratado pelo primeiro acórdão do CARF.
Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida. Os embargos de declaração da contribuinte não restabeleceram qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996,
aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. O recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, e pretende reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo
respeito se operou a preclusão (CPC, art. 507). Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRECLUSÃO DE MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação apresentados até 22/03/2000 foi tratado pelo primeiro acórdão do CARF. Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida. Os embargos de declaração da contribuinte não restabeleceram qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996, aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. O recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, e pretende reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão (CPC, art. 507). Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao reconhecimento de homologação tácita para determinados Pedidos de Compensação que haviam sido apresentados pela contribuinte acima identificada. A recorrente insurgiu-se contra o Acórdão nº 1103-00.158, de 07/04/2010 (alterado parcialmente pelo Acórdão nº 1103-000.914, de 07/08/2013, em razão de embargos de declaração apresentados pela contribuinte), por meio do qual a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, "reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000". O Acórdão nº 1103-00.158 possui a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo, na parte que ora interessa: [...] PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - ART. 74, § 5º, DA LEI 9.430/96 Impõe-se reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22 de março de 2005. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - PIS E COFINS Cabe reconhecer as compensações pedidas após 22 de março de 2000 dos créditos de PIS e de COFINS, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita - após 22 de março de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/03/2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ (R$ 136.783,36) e de CSL Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 4 3 (R$ 40.679,22) referentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22/03/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/03/2000, dos créditos de PIS e de COFINS postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/03/2005), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva votou também pela homologação tácita dos créditos não reconhecidos em face de autos de infração. E o Acórdão nº 1103-000.914, exarado em razão de embargos de declaração apresentados pela contribuinte contra a decisão acima mencionada, contém as seguintes conclusões: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS EFEITO INFRINGENTE Contradição endógena aos fundamentos ao se dizer que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e que se devem deduzir dos valores dessas compensações (dos créditos absorvidos nessas compensações) os dos autos de infração relativos ao mesmo ano-calendário dos créditos. Efeito infringente do dispositivo como conseqüência lógica ou necessária do saneamento da contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, alterando o dispositivo do Acórdão nº 1103-00.158/2010 para "Dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSLL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/3/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005)." A PGFN afirma que a decisão do CARF deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao reconhecimento da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados antes de 22/03/2000. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. - a Turma a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, independentemente de esta ter sido realizada antes ou após a MP nº 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96; Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 5 4 - ocorre que a Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pelo Colegiado a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n.º 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003: Acórdão n° 203-11.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considera-se homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplica-se somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido em parte. - é clara a divergência entre a e. Turma a quo e a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao âmbito de aplicação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, visto que, com base em situação fática similar em ambos os feitos, há interpretações jurídicas díspares; - se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre a declaração e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; - resta demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, e encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. - antes da Medida Provisória n.º 135/2003, não havia que se cogitar de qualquer prazo para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação; - em outras palavras, quando da declaração de compensação apresentada nos presentes autos, em novembro de 1998 e março de 1999, não estava a administração, por lei, obrigada a cumprir qualquer lapso, findo o qual estaria caracterizada a homologação do referido pleito. De fato, como visto, a obrigação de cumprimento de prazo somente surgiu com a edição da Medida Provisória n.° 135/2003, de 30 de outubro de 2003; - entendimento diverso do aqui esposado conduziria à situação esdrúxula de ser a administração tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, sequer existia; Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 6 5 - a correta exegese exige que o prazo para homologação (5 anos) aplique-se tão-somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória n.º 135/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal; - outrossim, ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP N.º 135, de 30 de outubro de 2003, então, que fosse o referido lapso, em tais hipóteses, contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência; - oportuno registrar, a esse respeito, que Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar da Teoria do Isolamento dos atos processuais, correlacionada ao princípio da irretroatividade das leis (tempus regit actum), ambos consagrados em nosso ordenamento jurídico, nega aplicação imediata da lei processual nova quando esta retirar a proteção antes outorgada a determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida. O referido autor, ademais, rejeita a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas antes inexistentes; - no caso vertente, não se verifica qualquer das hipóteses elencadas no art. 106 do CTN, não sendo autorizada a retroatividade da lei para alcançar fatos pretéritos; - registre-se que, nos termos de seu art. 170, o Código Tributário Nacional previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; - a fim de normatizar a forma pela qual seria concebida a compensação no âmbito tributário, foram editadas leis, dentre as quais se destaca a de nº 9.430/96, que postula requisitos indispensáveis ao deferimento do pleito; - a realização da compensação fora das estritas hipóteses legais, que regem essa modalidade de extinção do crédito tributário, não pode ser admitida; - de fato, tanto o CTN (art. 170) quanto a Lei nº 9.430/96 (arts. 73 e 74), e demais atos normativos aplicáveis à matéria, estipularam normas condicionantes da compensação não só com a finalidade de verificar se os créditos de que um contribuinte se diz titular são líquidos e certos e aptos a liquidar os respectivos débitos, mas também com o desejável objetivo de controlar os créditos tributários extintos por compensação, impedindo, assim, a dispensa dos referidos créditos tributários fora dos casos previstos no CTN (art. 141); - por essas razões é que todas as normas e argumentos acima expostos levam à conclusão de que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade. Nesse ponto, é importante transcrever parte do Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005, que corrobora o que vem sendo exaustivamente defendido nesta peça (parecer transcrito); Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 7 6 - assim, tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato regula-se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), conclui-se ser imperiosa a reforma do julgado. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 20/07/2015, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Efetivamente como se deduz da leitura das ementas dos Acórdãos confrontados, a divergência restou caracterizada, posto que visível o descompasso entre o apontado pelo recorrido e o que consta do paradigma (Acórdão nº 203-11.648), um fixando que a contagem decadencial para DCOMP apresentada antes de 30/10/2003 conta-se da data da apresentação da declaração, o outro impondo que tal medida de tempo flui a partir de 30/10/2003, vigência da MP nº 135/2003 (depois Lei nº 10.833/2003). Assim, vê-se que o dissenso restou estampado. Em 19/08/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1103-000.914, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu esse recurso. Em 03/09/2015, ela remeteu por via postal as contrarrazões ao recurso, mas o aviso de recebimento (AR) lhe foi devolvido em 08/09/2015 com a informação "mudou-se", porque a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte tinha se transferido para um outro endereço daquela cidade. A contribuinte, então, fez nova postagem das contrarrazões, desta vez para o endereço atual da Delegacia da Receita Federal, e a peça processual foi juntada aos autos. O que se alega em sede de contrarrazões é o seguinte: PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DAS CONTRARRAZÕES - preliminarmente, esclarece a recorrida que as presentes contrarrazões foram interpostas por via postal, de acordo com a autorização contida no Ato Declaratório Normativo nº 19/1997; - uma vez que a ora recorrida foi cientificada em 19/08/2015 (quarta-feira), por via postal, conforme prova o rastreamento do objeto postado nos Correios sob o n° JH04293667BR, do despacho que lhe facultou impugnar o Recurso Especial interposto extemporaneamente pela Fazenda Nacional, encerra-se assim o prazo para tanto no dia 03/09/2015, nos termos da legislação de regência; - como as presentes contrarrazões foram enviadas à Autoridade Fiscal por via postal nesta data, e tendo em vista que o Ato Declaratório Normativo n° 19 de 1997 considera o protocolo ocorrido, para fins de aferição de tempestividade, a data de postagem da correspondência contendo a respectiva manifestação de irresignação, é de se concluir por sua tempestividade; Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 8 7 PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO - conquanto valha o respeito ao douto despacho que admitiu o recurso especial ora vergastado, é de se ver que há muito precluiu o direito da Fazenda Nacional oferecer esta irresignação, na medida em que o mérito de seu apelo trata da controvérsia relacionada à contagem do prazo decadencial para a homologação tácita de Declarações de Compensação após o advento da MP nº 135/2003; - em primeiro lugar, é de se esclarecer que o recurso especial somente foi veiculado após o julgamento de embargos de declaração opostos pela recorrida, e que nada tiveram a ver com a controvérsia relacionada à contagem do prazo decadencial para a homologação tácita de Declarações de Compensação após o advento da MP nº 135/03; - os Embargos foram manejados por conta de vícios materiais contidos no acórdão originário, de fls. 2174/2195, e diziam respeito tão somente à dedução de valores referentes a autos de infração das compensações tacitamente homologadas, como se vê às fls. 2.483; - com relação à matéria objeto do recurso especial, esta fora decidida integralmente pelo Acórdão de fls. 2174/2195, e contra o qual a Fazenda Nacional não interpôs recurso, consoante prova o Termo de Intimação de fls. 2196; - isto significa afirmar, sem nenhum possibilidade de contestação, que caso a recorrida se quedasse inerte e não tivesse manejado os embargos de declaração para corrigir um vício do Acórdão contra o qual a Fazenda expressamente desistiu de recorrer, sequer estar- se-ia levando este processo ao conhecimento desta Câmara Superior de Recursos Fiscais; - veja-se que o suposto paradigma citado no recurso especial da Fazenda Nacional já existia quando seu representante, às fls. 2196, expressa e inequivocamente deixou de oferecer recurso contra a decisão que efetivamente declarou tacitamente homologadas as Declarações de Compensação da recorrida; - obrigar a recorrida a ver esta questão rediscutida por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais é fazer tabula rasa dos institutos que regem a preclusão, pois não se trata a presente hipótese de preclusão lógica, mas sim de preclusão material, na medida em que a Fazenda Nacional, de forma expressa e inequívoca, absteve-se, consoante o Termo de Intimação de fls. 2196, de discutir ou recorrer da tese veiculada pelo Acórdão de fls. 2174/2195; - a legislação de regência sempre obrigou que, no caso de matérias autônomas, pode sim o recurso especial ser recebido parcialmente, o que torna forçosa a conclusão de que a matéria objeto do recurso especial ora contrarrazoado está preclusa, eis que no momento próprio a Fazenda Nacional, expressa e inequivocamente, abriu mão de discuti-la perante esta CSRF; - daí porque não se pode obrigar que a recorrida se socorra do princípio da eventualidade e discuta o mérito do recurso especial admitido, já que a matéria fora definitivamente decidida em desfavor da Fazenda Nacional, em decisão com a qual o douto Representante da PGFN concordou de forma expressa e inequívoca (fls. 2196); Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 9 8 - diante de todo o exposto, roga a recorrida, consoante prova o Termo de Intimação de fls. 2196 (PDF), seja negado conhecimento ao Recurso Especial de fls. 2487/2495, por tratar de matéria definitivamente decidida, nos termos do art. 156, IX, do Código Tributário Nacional, recompondo-se, em definitivo, com a escorreita aplicação da legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal. É o relatório. Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto Pedido de Restituição apresentado em 26/01/1999, referente a créditos apurados no ano-calendário de 1998, cumulado com Pedidos de Compensação protocolizados entre 26/01/1999 e 23/01/2001, com base nos referidos créditos. A Delegacia de origem exarou despacho de não homologação das compensações em 23/03/2005, o que ensejou o debate sobre a ocorrência ou não de homologação tácita para algumas delas, sob o enfoque do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei 9.430/1996. Em relação a essa questão, a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão nº 1103-00.158, de 07/04/2010, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, para fins de, entre outras coisas, "reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22 de março de 2005." (grifos acrescidos) No mês de agosto/2010, a PGFN foi intimada dessa decisão, e o processo foi devolvido ao CARF com a observação de que não haveria apresentação de recurso especial e nem de embargos de declaração. Em 23/01/2013, a contribuinte foi intimada dessa mesma decisão, e ela apresentou embargos de declaração, alegando a existência de contradição no acórdão do CARF, porque ele reconheceu expressamente a homologação tácita de algumas compensações, mas mandou deduzir uma determinada parcela dos créditos nelas utilizados. Ao examinar esses embargos de declaração, a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF exarou o Acórdão nº 1103-000.914, de 07/08/2013, para fins de corrigir erro contido na decisão anterior: [...] A contradição é endógena aos fundamentos quando se diz que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e, ao mesmo tempo, que se devem deduzir dos valores dessas compensações - óbvio, dos créditos absorvidos nessas compensações - os dos autos de infração supramencionados. Para além da contradição radicada nos fundamentos do decisório, faço o registro de que a dedução dos montantes dos autos de infração referidos é inovação no julgamento, porquanto isso não fora objeto de Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 11 10 enfrentamento no despacho decisório, e é antecipar o adimplemento dos processos (que presidem tais autos de infração) sem seus desfechos finais. Eventual efeito infringente dos embargos deve-se dar como conseqüência lógica ou necessária do saneamento de contradição ou do enchimento de omissão existentes (enchimento do vazio) no acórdão embargado. É o que se dá no caso vertente, com o saneamento da contradição acusada. Impõe-se reconhecer que das compensações homologadas tacitamente não devem ser deduzidos os valores de principal de IRPJ e de CSL dos autos de infração relativos ao ano-calendário de 1998. De tais compensações tacitamente homologadas, a dedução dos valores de desistências formuladas antes daquelas é de rigor, pela elementar razão de esses valores não terem sido objeto de compensação inalterável pela homologação tácita. Em tais termos, dou provimento parcial aos embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser o seguinte: DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/3/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005). Esse segundo acórdão do CARF teve por finalidade apenas suprimir a ordem para que fosse subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano- calendário de 1998 dos créditos constantes das compensações tacitamente homologadas (relativamente aos mesmos tributos), conforme fora determinado pelo primeiro acórdão. Mas no que toca ao reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação apresentados até 22/03/2000, o primeiro acórdão tratou exaustivamente do tema, e não deixou nenhuma dúvida sobre isso. Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida, e a PGFN, após intimada de seu conteúdo, devolveu os autos ao CARF com a observação de que não haveria apresentação de recurso especial e nem de embargos de declaração. Posteriormente, a contribuinte apresentou embargos de declaração, mas ela não restabeleceu qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996, aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 12 11 O que se constata é que o recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, relativamente aos critérios de aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996 (matéria cujo debate se esgotou naquele momento processual). A própria divergência jurisprudencial, que foi suscitada pela PGFN e reconhecida pelo despacho monocrático de admissibilidade do Resp, só se apresenta pelo confronto do acórdão paradigma com o primeiro acórdão do CARF. Com efeito, o voto que orientou o segundo acórdão do CARF (julgamento dos embargos da contribuinte) sequer menciona os dispositivos que tratam da homologação tácita (acima citados), não rediscute os critérios para a contagem desse evento, nem as datas para a sua consumação, etc. Tudo isso é matéria que foi decidida apenas pelo primeiro acórdão do CARF. Nesse passo, admitir o recurso especial da PGFN nesse segundo momento (após a ciência do segundo acórdão do CARF) é reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais: LEI Nº 13.105, DE16 DE MARÇO DE 2015 (CPC) Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. O recurso especial da PGFN, no momento e no contexto processual em que foi apresentado, não pode ser conhecido. Desse voto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2570DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725457/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/01/2009
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS E CAPITALIZAÇÃO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso em tela, as receitas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, seguros-saúde e títulos de capitalização estão inseridas em tal conceito e, portanto, sofrem a incidência do PIS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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INCLUSÃO NO CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividadesfim do contribuinte. No caso em tela, as receitas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e títulos de capitalização estão inseridas em tal conceito e, portanto, sofrem a incidência do PIS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 57 /2 01 1- 59 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório, datado de 14/05/2012, emitido pela DRF em Curitiba, que homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 25815.17170.300109.1.3.579002 (Per nº 10844.26526.300109.1.2.572571), no valor de R$ 1.744.742,00, de IRPJ 239001 do PA de 2008, e homologou parcialmente a compensação declarada no Per/Dcomp nº 33632.86128.300109.1.3.579002 (Per nº 42007.96960.300109.1.2.573105), que buscava a compensação de débito de IRPJ 231901, do PA de 2008, no valor de R$ 4.665.320,96, tendo sido homologada a importância de R$ 551.158,86, restando um saldo devedor de R$ 4.114.162,10, por insuficiência do crédito reconhecido. Segundo relatado no referido Despacho Decisório, a contribuinte obteve tutela judicial favorável no Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, no qual objetivou “concessão de ordem para o fim de afastar o art. 3º, caput, e § 1º, da Lei nº 9.718/1998, reconhecendose o seu direito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (conforme definido pela Lei Complementar nº 70/91), em razão de vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei nº 9.718/1998, a partir da competência de janeiro de 2001”. Em sentença prolatada foi concedida parcialmente a segurança, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em recurso de apelação interposto pela União, o E. TRF da 4ª Região “negou provimento ao agravo retido, ao apelo da União, e deu parcial provimento à remessa oficial para reconhecer a prescrição dos valores recolhidos antes de 13/02/2001”. O trânsito em julgado da ação ocorreu em 04/04/2008 e a impetrante renunciou à execução do julgado no que tange à repetição judicial dos valores indevidamente recolhidos. Após pedido de habilitação de crédito, houve deferimento da RFB, em 05/06/2008, para que fossem viabilizados e permitidos os meios eletrônicos hábeis a promover a compensação de seus créditos, porém não houve verificação, por parte do fisco, à época, do valor habilitado. Posteriormente, em 14/10/2011, foi iniciada auditoria dos créditos, objeto do PAF nº 10980.005905/200807, que culminou da emissão do Despacho Decisório pela DRF em Curitiba. No procedimento adotado pela fiscalização, quando da auditoria dos créditos, foi constatado que a contribuinte “interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312 (PR), extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a Cofins calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos.” Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 12 3 A autoridade administrativa assim entendeu porque a contribuinte, quando teve por objeto social, diretamente ou por meio de empresa incorporada, a prestação de serviços de capitalização, excluiu do conceito de ‘faturamento’ suas receitas de operações de capitalização e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais; no período em que teve por objeto social a prestação de serviços de seguros, cosseguros e resseguros dos ramos: Elementares, Vida e Previdência Privada Aberta, segurosaúde e de cobertura de custos assistenciais à saúde, excluiu do faturamento suas receitas de prêmios de seguros, rendas de contribuições relativas à previdência privada e receitas correlatas, além de outras receitas operacionais. Por conseqüência, as excluiu da base de cálculo do PIS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação que rege o tributo e em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança. Observouse, assim, que a contribuinte calculou créditos de PIS, desconsiderando como integrantes do seu faturamento receitas ligadas aos objetos principais de sua atividade, ou seja, ligadas ao próprio objetivo de existência da companhia, segundo seus Estatutos vigentes. A seguir, a autoridade administrativa fundamenta tratarse as atividades de seguros, cosseguros, resseguros, dos ramos elementares, vida e previdência privada aberta; de segurosaúde e de cobertura de custos assistenciais de saúde, e de capitalização, exercidas pelas instituições financeiras, que as têm expressamente previstas como objetos sociais, de efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento e, por conseqüência, parte da base de cálculo do PIS e da Cofins, citando: o § 2º do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) que considera serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.” ; a alínea b do item 3 do Artigo I do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços, ao definir o termo ‘serviços’, “inclui qualquer serviço em qualquer setor exceto aqueles prestados no exercício da autoridade governamental“ e o Anexo sobre Serviços Financeiros, do mesmo Acordo, dispõe em seu item 5 acerca das definições de serviços financeiros, que inclui os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros, discriminando as atividades relacionadas com cada elemento do grupo, definindo como atividades de prestação de serviços de seguros: seguros de vida, outros seguros, resseguros e retrocessão, intermediação de seguros e serviços auxiliares a prestação dos serviços de seguros; jurisprudência do STF se posicionando, em caso semelhante, da seguinte forma: “...Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (REAgR 400.479/RJ, STF, Rel. Min. Cezar Peluso, 2ª Turma, 10/10/2006, DJ 06/11/2006)”; no mesmo sentido decisão no Recurso Especial nº 1.197.440/RJ (2010/01024931), 2ª Turma STJ, Rel. Min. Herman Benjamin, 08/10/2010 – data do julgamento), que diz: “Além disso, ainda que se pudesse conhecer do mérito da discussão, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que, Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 13 4 mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as receitas advindas de prêmios de seguro integram o faturamento das seguradoras para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins, já que decorrentes do exercício de suas atividades empresariais”. Cientificada em 06/11/2012, a interessada ingressou, por meio de seus procuradores legalmente constituídos, com Manifestação de Inconformidade, trazendo, em resumo, as argumentações a seguir expostas. Traçando um perfil constitucional da Cofins e da contribuição ao PIS, relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Com base nessa decisão transitada em julgada é que apurou os recolhimentos feitos a maior a título de PIS desde janeiro de 2001 e apresentou o devido Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que há valores que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre atividades securitárias e as de previdência complementar. Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que a decisão adotada pela DRF/CTA no sentido de glosar parte dos créditos de PIS apurados após a recomposição das bases de cálculo nos anos de 2001 a 2008 não pode prosperar, eis que está em desacordo com o conteúdo da decisão proferida na ação judicial em comento. E mais, diz que a decisão administrativa apresenta uma interpretação disparatada do conteúdo da norma e do mandamento judicial, pretendendo, por vias oblíquas – glosa dos créditos e não Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 14 5 homologação das compensações, exigir exatamente valores cuja inexigibilidade já foi declarada pelo Poder Judiciário. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela DRF/CTA, dada a impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária e de capitalização no conceito de contraprestação pela prestação de serviços, conforme conceituação presente no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, firmado pelo Estado Federativo do Brasil no âmbito do GATT/OMC, e que o STF, em julgamento sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Cita, no mesmo sentido, doutrina a respeito. Salienta, ainda, nesse contexto, que muito embora parte de suas atividades possa estar prevista no item 19.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de distribuição e venda de bilhetes e demais produtos de loteria, bingos, cartões, pules ou cupons de apostas, sorteios, prêmios, inclusive os decorrentes de títulos de capitalização e congêneres”, com ela não se confunde, pois as lotéricas e outras distribuidoras de títulos de terceiros podem prestar o serviço previsto no referido item da lista, mas não as entidades de capitalização. Mesmo com relação à atividade securitária (exercida até outubro/2004), muito esteja previsto no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de riscos para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres” a jurisprudência do STF foi contundente em afastar a tributação de atividades que pudessem extrapolar o conceito constitucional de serviço. Finaliza que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias) a uma contraprestação de serviço (preço de serviço). Argumentando que o fato gerador da contribuição é uma prestação de serviços (ou uma venda de mercadorias), e nenhuma outra, afirma que esta não é a causa jurídica das receitas por ela auferidas, eis que não decorrem de uma prestação de serviço, por não remunerar qualquer espécie de esforço humano. Ressalta que além da atividade desenvolvida não se equiparar a uma prestação de serviços, não há possibilidade de se equiparar a atividade de capitalização à atividade securitária. Expõe que, por ser companhia seguradora, firma com seus clientes contratos pelos quais se obriga a custear/assumir despesas eventualmente incorridas em razão dos chamados ‘sinistros’, mediante o recebimento de um valor fixo mensal (‘prêmio’), destinado à constituição de um fundo comum que será utilizado para a cobertura de eventuais despesas dos clientes. Essa espécie contratual, complementa, é tipicamente aleatória, na medida em que uma das prestações é sempre incerta, dependente da ocorrência de evento futuro e imprevisível, percebendose, assim, que não se está diante de uma prestação de serviços, já que os valores recebidos não se prestam a remunerar um serviço especificamente prestado. Portanto, não se pode equiparar as receitas securitárias e de capitalização como oriundas de uma prestação de serviços, sob pena de alterar a definição de faturamento, emprestada do Direito Privado, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, restaurando por vias oblíquas a aplicabilidade do dispositivo legal já declarado inconstitucional e, inclusive, revogado pela novel legislação supramencionada (Lei nº 11.941/09), assim como afrontando o mandamento judicial transitado em julgado que tem a interessada em seu favor prolatado. Alegando a inaplicabilidade do CDC para a caracterização de serviços, realça que nem mesmo a qualificação das atividades de natureza financeira como se Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 15 6 serviço fossem pelo Código de Defesa do Consumidor permite a incidência tributária pretendida no Despacho Decisório. Relembra o conceito constitucional de serviço tributável trazido em entendimentos do STJ e do STF, para concluir que, a despeito de o CDC trazer a atividade securitária (dentre outras) como se serviço fosse, tal previsão não tem o condão de permitir a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas correspondentes; tanto que esse Código considera que uma operação tipicamente bancária, como um empréstimo, seria um serviço para fins exclusivos de atribuir proteção especial ao cliente/consumidor, o que, de modo algum, poderia significar transferência da competência tributária privativa da União aos Municípios. Refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre EstadosMembros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas de natureza securitária e de previdência privada. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Por fim, solicita o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo, em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo E. STF no Recursos Extraordinário nº 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral. É o relatório." A manifestação de inconformidade foi julgada integralmente improcedente e o Acórdão n° 0641.549 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2009 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 16 7 É o relatório. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar A Dra. Ana Paula Lui OAB/SP questionou se algum Conselheiro representante da Fazenda Nacional se considerava impedido para realizar o julgamento e os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho se consideraram aptos a realizar o julgamento. Mérito A contenda diz respeito à homologação parcial de compensação de créditos de PIS, relativos aos anoscalendário de 2001 a 2008, com débito de IRPJ, de 2008. Os pleitos foram precedidos de Pedidos de Habilitação de Crédito de PIS Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, os quais foram deferidos pelo Fisco, porém sujeitos a ulterior revisão. Naqueles anos, conforme fl. 1.093, a Recorrente e a HSBC Financial Capitalização (Brasil) S.A., incorporada em fevereiro de 2005, exploravam atividades de seguro, cosseguro e resseguro, assistência à saúde ("segurosaúde") e capitalização. Em 04/04/2008, obtiveram sentença favorável, em sede do MS nº 2006.70.00.0040312, em que foram declaradas a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e os direitos de recolher o PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 e Lei n° 9.715/98 e compensar os valores até então pagos a maior com tributos federais. No Despacho Decisório (fls. 1.077 a 1.111), consta que o contribuinte equivocouse na interpretação da sentença judicial e, por conseguinte, no cálculo do PIS indevidamente pago e passível de compensação. Da sentença, inferiu que o PIS seria devido exclusivamente sobre receitas da venda de mercadorias e serviços, não incluindo as de seguros e cosseguros e resseguros aceitos, segurosaúde e capitalização. Por seu turno, a fiscalização depreendeu que todas as receitas produzidas pelas atividadesfim seriam tributáveis pela contribuição. Com efeito, nas fls. 1.103 a 1.108, verificase que os créditos cuja compensação foi pleiteada, porém não aceita pela fiscalização, foram calculados sobre as rubricas representativas das receitas derivadas das atividades típicas de empresas de seguro, segurosaúde e capitalização. Na peça recursal, a Recorrente apresenta sua defesa em quatro pontos: Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 18 9 1) "Do erro da interpretação da DRJ quanto à decisão proferida pelo E.STF no RE n° 390.840" o julgador da primeira instância administrativa considera que tal decisão não teria excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras de instituições financeiras. Ao limitar a incidência ao faturamento, teria sim excluído as receitas financeiras. Da mesma forma, ao restringir à venda de mercadorias e serviços, inferese que as de seguros e capitalização também não comporiam a base de cálculo das contribuições. 2) "Mandado de Segurança n° 2006.70.00.0040312 o caso da Recorrente": a decisão prolatada em seu favor está em linha com a citada no item precedente: exclui das bases de cálculo do PIS e da COFINS as receitas da venda de seguros e capitalização. 3) "Impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária e de capitalização no conceito de contraprestação pela prestação de serviço" 3.1) "Impossibilidade de enquadramento das receitas securitárias e de capitalização como se prestação de serviços fossem": o STF, no julgamento da RE 116.121/SP (leading case sobre a incidência de ISS sobre locação de bens móveis), definiu serviço como obrigação de fazer, associada a esforço humano. Assim, não se pode considerar como prestação de serviços as atividades de empresa de seguros e capitalização. 3.2) "Inaplicabilidade do GATS para a caracterização dos serviços": entre outros, a fiscalização utilizou como argumento para considerar a venda de seguros como serviços o Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS. Aduz que tal previsão aplicase a negócios internacionais, não tendo o condão de resultar na incidência de tributos sobre práticas locais que não se configuram como serviços, à luz da legislação interna. 4) "Ad argumentandum da aplicação do artigo 62A do regimento Interno do CARF pendência de análise da matéria pelo STF": na hipótese de seus demais argumentos não prosperarem, com fundamento no art. 62A do RICARF, requer o sobrestamento do processo, até o julgamento definitivo do RE n° 609.096/RS, do qual emergirá a posição definitiva do STF sobre o conceito de faturamento/receita bruta. Divirjo da Recorrente. Em suma, não depreendo das ações judiciais em que se discutiu a constitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que o PIS e a COFINS incidem somente sobre vendas de bens e serviços. Minha oposição, entretanto, não reside na pretensa classificação da venda de seguros e títulos de capitalização como serviços. Indiscutivelmente, não os são. Entendo que o conceito de faturamento, receita bruta, venda de bens e serviços, é amplo, abrangente, evoluiu ao longo dos anos com a expansão da atividade empresarial e deve ser entendido como o fruto, a receita obtida com as atividadesfim, principais e típicas do negócio. Nesta linha, a receita derivada da venda de seguros e títulos de capitalização deve ser incluída nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Destaco, por oportuno, que no presente processo, não discutiremos a inclusão ou não das receitas financeiras no rol das integrantes do faturamento ou receita bruta ou receitas típicas de empresas de seguro e capitalização. A fiscalização não glosou créditos de PIS sobre receitas financeiras. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 19 10 De volta ao tema principal, cabe então apresentar aos Conselheiros desta Turma o processo movido pela Recorrente e os fundamentos da opinião que expus em parágrafos anteriores. Apesar da baixa qualidade da reprodução, dada a sua importância, reproduzo trechos das seguintes peças processuais: pedido incluído no citado Mandado de Segurança; a decisão que concedeu parcialmente a segurança; e a sentença que transitou em julgado, prolatada pelo TRF da 4° Região: MS nº 2006.70.00.0040312 (fl. 41) Pedido Concessão parcial da segurança Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 20 11 Sentença transitada em julgado (TRF 4° Região) Dos excertos acima, destaco que: a Recorrente pleiteou pagar PIS sobre o "faturamento"; e não obstante o fato de ser apenas a decisão de primeiro grau, o juízo que concedeu a segurança deixou claro que o conceito de faturamento não foi objeto de apreciação, por não ter sido incluído no pedido: "destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". No tocante aos textos legais em que fundamento o entendimento acima manifestado sobre "faturamento" ou "receita bruta" ou "receita da venda de bens e serviços", Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 21 12 inicio pelos artigos 278 a 280 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), cujo fundamento legal se encontra no Decretolei n° 1.598/77 e Lei n° 6.404/76 ("Lei das Sociedades Anônimas): Regulamento do Imposto de Renda (RIR) "Lucro Bruto Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Subseção I Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Receita Líquida Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º)." (g.n.) Adicionalmente, na sessão do julgamento do RE 346.084/PR (fls. 1.253 e 1.254), em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, o Ministro César Peluso expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento: “(. . . ) Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 22 13 a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (..) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento". (g.n.) O Ministro César Peluso manifestou idêntico posicionamento, quando do julgamento do AgR RE 371.258 e no AgR RE 400.479. Sobre este último, chamo a atenção dos Conselheiros para a reprodução da manifestação do referido ministro, pois trata do caso presente, isto é, tributação pelo PIS e COFINS de receitas da venda de seguros: AgR RE 371.258 “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” RE 400.479AgR, manifestação do Relator, Ministro Cezar Peluso “Tendo em conta que a doutrina comercialista mais acatada reconhece há tempos a relevância da chamada teoria da empresa e que o conceito básico do moderno direito comercial seria o de atividade empresarial, substituindo a velha noção de ato de comércio, assentou o relator que se deveria formular a ideia de faturamento sob a perspectiva da natureza e das finalidades da atividade empresarial. Ressaltou que o equívoco dos que querem furtarse ao regulamento das contribuições, alegando não comercializar bens nem serviços, decorreria da não percepção da ideia mais abrangente de atividade empresarial. Disse que, embora se use definir empresa com base na noção de empresário, entendido como quem exerce profissionalmente atividade organizada para a produção e circulação de bens e serviços, obviamente não haveria como nem por onde resumir a ideia da atividade empresarial à de venda de bens e serviços, nem tampouco interpretar restritivamente o sentido da referência a esses bens e serviços. A noção seria ampla e abarcaria o conjunto das atividades empresariais, pouco importando o ramo a que pertençam. Para o relator, não seria possível deixar de correlacionar atualmente a noção jurídica de faturamento com a de atividade empresarial. Realçou que, se nem todas as receitas constituem faturamento, seria preciso reconhecer, por outro lado, que as receitas que o compõem não se exauririam na rubrica das oriundas de vendas de bens e serviços. Não seria lícito, portanto, invocar a concepção curtíssima de mercadorias ou serviços para limitar a noção de faturamento, não procedendo a argumentação quer Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 23 14 da seguradora quer das instituições financeiras de que, por não venderem mercadorias nem prestarem serviços, estariam livres da incidência da contribuição sobre o faturamento. Aduziu que a atividade econômica se expressaria das mais variadas formas e o fato de certos ramos não se dedicarem à produção de mercadorias nem à prestação de serviço ‘stricto sensu’, não lhes retiraria nem esmaeceria o caráter empresarial que está indissociavelmente ligado ao pressuposto do fato autorizador do PIS e da COFINS” (Informativo STF n. 556, de 17 a 21 de agosto de 2009 – g. n.). Por fim, imprescindível mencionar que, em sessão de 24/08/2016, a 2° Turma Ordinária destas Seção e Câmara, em processo idêntico e de n° 10980.725458/201101, proferiu decisão em desfavor da Recorrente. O Acórdão 3302003.334 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições." (g.n.) No quarto item do recurso voluntário, a Recorrente requer o sobrestamento do processo, "em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo STF, em sede do RE n° 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral." Deste resultado, aguardase posicionamento definitivo do STF sobre a abrangência dos conceitos de "faturamento" / "receita bruta" / "receita da venda de bens e serviços", para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não obstante a pertinência do RE n° 609.096/RS com a discussão em tela, no Regimento Interno do CARF atualmente em vigor (Portaria MF n° 343/2015), não há mais previsão acerca de sobrestamento. Diante do exposto, entendo que as receitas derivadas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e de títulos de capitalização incluemse no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS, o qual abrange as receitas das atividadesfim do contribuinte. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 24 15 Fl. 1317DF CARF MF
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