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Numero do processo: 13986.000028/2003-01
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO — COMPENSAÇÃO - Não decaído o
direito do contribuinte em reaver tributo recolhido em valor a maior que o devido, o valor deve-lhe ser restituído, não sendo razão para não fazê-lo a forma de quitação do mesmo, se por parcelamento ou pagamento regular no prazo legal, podendo ser, posteriormente, compensado com débitos tributários.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO POR
PARCELAMENTO ESPECIAL - A repetição do indébito tributário deve ser realizada em condições equânimes ao pagamento realizado, observado o mesmo índice de juros aplicado no parcelamento especial.
Numero da decisão: 1801-000.019
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para homologar as compensações pleiteadas às fls. 01/02, 62/63 e 85/86 até o limite de crédito apurado, a partir da atualização do saldo negativo de CSLL em 31/12/1999, da ordem de RS 59.201,22, pelo índice a que se sujeitou o valor da estimativa recolhida por meio de Refis (juros TJLP), até a data de sua quitação, a seguir pela taxa Selic, nos termos do relatório e voto que !assam a integrar o presente julgado
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO — COMPENSAÇÃO - Não decaído o direito do contribuinte em reaver tributo recolhido em valor a maior que o devido, o valor deve-lhe ser restituído, não sendo razão para não fazê-lo a forma de quitação do mesmo, se por parcelamento ou pagamento regular no prazo legal, podendo ser, posteriormente, compensado com débitos tributários. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO POR PARCELAMENTO ESPECIAL - A repetição do indébito tributário deve ser realizada em condições equânimes ao pagamento realizado, observado o mesmo índice de juros aplicado no parcelamento especial.
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I NA". t 01S.h10.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA " t r4 '.; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • •••' Processo n° 13986.000028/2003-01 Recurso n° 163.866 Voluntário Acórdão n" 1801-00.019 — P Turma Especial Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO - Ex(s): 2000 Recorrente POMIFRAI FRUTICULTURA S/A Recorrida TURMA/DRJ-FLORIANOPOLIS/SC Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO — COMPENSAÇÃO - Não decaído o direito do contribuinte em reaver tributo recolhido em valor a maior que o devido, o valor deve-lhe ser restituído, não sendo razão para não fazê-lo a forma de quitação do mesmo, se por parcelamento ou pagamento regular no prazo legal, podendo ser, posteriormente, compensado com débitos tributários. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO POR PARCELAMENTO ESPECIAL - A repetição do indébito tributário deve ser realizada em condições equânimes ao pagamento realizado, observado o mesmo índice de juros aplicado no parcelamento especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para homologar as compensações pleiteadas às fls. 01/02, 62/63 e 85/86 até o limite de crédito apurado, a partir da atualização do saldo negativo de CSLL em 31/12/1999, da ordem de RS 59.201,22, pelo índice a que se sujeitou o valor da estimativa recolhida por meio de Refis (juros TJLP), até a data de sua quitação, a seguir pela taxa Selic, nos termos do relatório e voto que ! assam a integrar o presente julgado. ONIO PRAG 'residente g Processo n° 13986.000028/2003-01 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.019 Fl. 2 ANA DE BARROS FERNANDES Relator Formalizado em: . 0 7 460 2009- • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Ana de Barros Fernandes (relatora) e Antônio Praga (Presidente). Ausente, justificadamente i o Conselheiro Roberto Armond F. da Silva. -41 2 Processo n° 13986.000028/2003-01 S 1-TE01 Acórdão n.° 1801-00.019 Fl. 3 Relatório A empresa em epígrafe, almejando compensar tributos federais, entregou as seguintes Declarações de Compensação — Dcomp: às fls. 01 e 02: saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999, no valor de R$ 59.201,22, para compensar R$ 22.767,20 (código 2172, 02/2003); às fls. 62 e 63: saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999, no valor acima, para compensar R$ 43.505,43 (código 2172, 03/2003); às fls. 85 e 86 : saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999, no valor acima, para compensar R$ 20.000,00 (código 2172, 04/2003). Cópia da DIPHOO, retificadora, encontra-se às fls. 14 às 54, destacando-se que o valor a ser compensado, a título de CSLL, está assinalado na Ficha 30, linha 31, às fls. 40. Às fls. 68 e 69 a contribuinte apresenta uma planilha de correção, pelos juros à taxa Selic, do valor original da referida base de cálculo negativa de CSLL e, em seguida, outra retratando as compensações com as Cotins dos meses de 02 e 03/2003. A empresa foi intimada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC a apresentar os DARF de recolhimentos das estimativas mensais. Em resposta, esclareceu, às fls. 78 e 79, que incluiu os débitos decorrentes da estimativa no Refis, não possuindo DARF correspondente àquele débito isolado. Aduz que o Refis já foi integralmente quitado — fls. 82 a 84. A autoridade administrativa competente exarou o Despacho Decisório n° 501/2003 de fls. 93 a 97 indeferindo a solicitação da contribuinte em compensar o saldo negativo da CSLL com as Co fins, conforme pleiteado. Fundamentou sua decisão no fato de a contribuinte não ter apresentado o DARF de recolhimento, no valor de R$ 122.246,77, a titulo de CSLL, estimada, relativa ao mês de agosto de 1999— fls. 37. Argumenta que o fato de haver declarado o débito em Refis, com condições de pagamento excepcionais (juros pela TJLP) não convalida o crédito, a seu ver, fictício, portanto, impossível de compensar com as Cotins devidas em 2003. Acrescenta, ainda, que a inclusão no Rens da estimativa devida em agosto/99, após a entrega da DIPJ, foi desnecessária, pois o tributo devido é o calculado no ajuste anual, cabendo, no caso de não pagamento da estimativa, somente aplicação da multa de oficio isolada. Inconformada a contribuinte manifesta-se às fls. 109 a 112, alegando que o direito creditório é existente desde que efetuou o pagamento do valor da CSLL, estimada, ainda que de forma parcelada, aderindo ao Refis. Argumenta que, antes de pleitear a compensação do valor em pauta, quitou o Refis, pelo que o débito da CSLL estimada foi efetivamente quitado, Processo n0 1398 .6.000028/2003 .01 81-T E01 Acórdão n.° 1801-00.019 Fl. 4 fazendo jus à compensação pleiteada. Se devida ou não, trata-se de questão irrelevante em virtude da contribuinte haver incluído o débito no Refis e o fisco ter admitido-o. Solicita a homologação das Dcomp apresentadas. A Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis exarou o Acórdão de fls. 122 a 124 mantendo a não homologação das Dcomp apresentadas. Respaldou a decisão administrativa a quo no concernente ao fato de que, após a entrega da DIPJ/00, a contribuinte não poderia mais ter incluído o débito a título de estimativa no Refis e que, na verdade, se não efetuou o pagamento da CSLL estimada em agosto de 1999, o saldo de CSLL ao final do período, no ajuste anual, era da ordem de RS 63.045,55 a pagar e não saldo negativo, conforme informado. Desta forma, explica que a autoridade não pode reconhecer a existência do crédito solicitado — saldo negativo de CSLL, por inexistente. Reconhece que pode haver tido pagamentos indevidos, mas que a contribuinte deve se dirigir à unidade de jurisdição local para reaver os valores, mediante o cálculo devido. Às fls. 129 a 135 a empresa apresenta o Recurso Voluntário contra o Acórdão retro mencionado. Em síntese, pelas seguintes razões: 1. o valor efetivamente devido a titulo de CSLL, deduzido o valor referente a 1/3 da Cofins paga, da ordem de RS 63.045,55 consta da DIPJ/00; 2. por equívoco, a contribuinte incluiu no Refis a parcela de RS 122.246,77 da CSLL devida por estimativa relativa a agosto de 1999; 3. esse valor foi totalmente quitado anteriormente às Dcomp; 4. se devido ou indevido o recolhimento, por Refis, o que importa é que houve pagamento a maior que o devido em lei e esse valor deve ser suscetível de compensação; 5. o valor pago de forma indevida, a maior — RS 122.246,77 é superior ao valor do saldo negativo da CSLL apurada ao final do ano de 1999 — RS 59.201,22, e mais que suficiente para as compensações pleiteadas — RS 86.272,63; 6. em respeito ao principio da economia processual e ao fato de que as próprias autoridades julgadoras reconhecem existir o direito creditório da recorrente, não tem cabimento a instauração de outro processo administrativo, quando esse órgão colegiado pode homologar as compensações, determinando que o órgão de origem proceda aos cálculos necessários. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. e5:=1 4 Processo n° 13986.000028/2003-01 SI-TE01 Acórdào n.° 1801-00.019 Fl. 5 Voto Conselheira Ana de Barros Femandes, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, e passo a analisa- lo estando o direito creditório objeto do presente litígio administrativo — R$ 59.201,22 — dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso I do artigo 2° da Portaria MF n°92/08. Dos fatos que constam no presente processo, inequívoco é que a recorrente incluiu em Refis, já quitado, o ^ valor da CSLL estimada em agosto de 1999, conforme se verifica às tis. 55 e 56, e que esse valor constou na DIPJ/00, à ficha 29, linha 08, relativa ao campo de agosto de 1999— fls. 39. Por conseguinte, o problema que exsurge e ora deve ser solvido é qual a forma da empresa reaver esse valor, corrigido por TJLP e não Selic, e se pode ou não ser objeto de compensação. Concordo com a recorrente que se a inclusão no Refis foi efetuada de forma indevida, não é relevante agora, visto que é incontroverso na seara pública que o Estado não pode se locupletar indevidamente e, tendo havido o recolhimento, seja forma parcelada ou não, acarretou o saldo na DIPJ/00, no que se refere à CSLL, negativo, da ordem de R$ 59.201,22, originalmente considerado — fls. 40. Nem cabe nesse momento, a meu ver, a discussão sobre o fato de que se a contribuinte não recolheu a estimativa em tempo hábil o resultado do saldo anual da CSLL teria sido positivo ou que o fisco poderia ter apenas exigido a multa isolada sobre o valor então não recolhido, em setembro de 1999. Após o pagamento efetuado, com multa moratória e juros, conforme nos dá notícia o extrato do parcelaMento de fls. 56, essas alegações não consistem em nada mais do que hipóteses que não se concretizaram. E, data venha às colocações do órgão do julgador de primeira instância, para se converter o resultado apurado espontaneamente pela contribuinte na DIPJ/00, de saldo negativo para saldo a pagar de CSLL, é necessário o lançamento tributário a ser realizado de oficio pela autoridade competente a efetuar referido lançamento, não surtindo efeito jurídico quando veiculado em decisão administrativa. E, nesse processo, não há noticia de que tal Auto de Infração tenha sido lavrado. A empresa recolheu a estimativa de fonna extemporânea com os acréscimos legais que a norma tributária estabeleceu e, por conseguinte, houve um recolhimento a maior em face do saldo anual apurado também em conformidade com as normas tributárias vigentes. A indignação da autoridade a quo (Delegado da Receita Federal) ao analisar o pleito da empresa, constata-se, centraliza no fato de agora a empresa vir a compensar o valor original corrigido com juros TJLP, indevidamente recolhido pelo fato de a norma não mais exigir o seu recolhimento após a entrega da DIPJ/00 respectiva, e, agora ver seu crédito anual .. . Processo n° I 3986.000028/2003-01 SI-TE01 Acórdão n." 1801-00.019 Fl. 6 (Saldo negativo de CSLL) corrigido pelo juros à razão Selic e suscetível de compensação com débitos tributários federais em aberto. É de indignar, concordo, mas não é razão para indeferir o pedido de compensação da requerente ou para se exigir que entre com outro processo administrativo percorrendo todo iler processual novamente. Com certeza isso fere frontalmente os princípios administrativos da eficiência e economia processual. A solução torna-se mais simples pela determinação de que a compensação dos débitos pleiteados à compensação com o saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1999, da ordem de R$ 59.201,22, seja efetuada corrigindo-se esse valor original de igual forma pelo índice a que se sujeitou o valor da estimativa recolhida por meio de Refis (juros TJLP), até a data de sua quitação, haja vista ter sido somente esta a estimativa recolhida durante o ano- calendário e que ocasionou o saldo negativo anual da referida CSLL. Desta forma não haverá dois pesos e duas medidas, devendo o cálculo do valor original de R$ 59.201,22 ser efetuado nos mesmos parâmetros, manualmente. Aí a compensação se homologa no limite do crédito apurado. Após o pagamento do valor da estimativa, com a quitação integral do Refis, segue-se, nos cálculos, pelas condições normais pertinentes a quaisquer crédito a ser restituído ou compensado pelos contribuintes. CONCLUSÃO Voto no sentido de homologar as compensações pleiteadas às fls. 01/02, 62/63 e 85/86 até o limite de crédito apurado, nos termos dessa decisão. Sala das Sessões - DF, em 07 de maio de 2009 ANA DE BARROS FERNANDES 7y 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.002169/95-44
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 1999
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR FALTA DE GUIA.
A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro é
incabível quando o produto importado guarda correspondência com a descrição feita pelo importador e este está imbuído de boa-fé.
RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 301-29.148
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Roberta Maria Ribeiro Aragão, relatora. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Paulo Lucena de Menezes.
Nome do relator: Roberta Maria Ribeiro Aragão
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ementa_s : INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR FALTA DE GUIA. A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro é incabível quando o produto importado guarda correspondência com a descrição feita pelo importador e este está imbuído de boa-fé. RECURSO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-01-09T11:51:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-01-09T11:51:47Z; Last-Modified: 2018-01-09T11:51:47Z; dcterms:modified: 2018-01-09T11:51:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-01-09T11:51:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-01-09T11:51:47Z; meta:save-date: 2018-01-09T11:51:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2018-01-09T11:51:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-01-09T11:51:47Z; created: 2018-01-09T11:51:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-01-09T11:51:47Z; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; pdf:docinfo:created: 2018-01-09T11:51:47Z | Conteúdo => %' g" • '," ,* '12;firr) i MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10830.002169/95-92 SESSÃO DE : 10 de novembro de 1999 ACÓRDÃO N° : 301-29.148 RECURSO N. : 120.346 RECORRENTE : 3M DO BRASIL LTDA RECORRIDA : DM/CAMPINAS/SP INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR FALTA DE GUIA. 1 1 A multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro é incabível quando o produto importado guarda correspondência comir a descrição feita pelo importador e este está imbuído de boa-fé.RECURSO PROVIDO. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Roberta Maria Ribeiro Aragão, relatora. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Paulo Lucena de Menezes. Brasília-DF, em 10 de novembro de 1999 ----0"1"---- 4P _.....-- 10 MO ' d 'o r,n, '' DE MEDEIROS aii OUT 2000 n I, PAULO UCEN . sg f MENEZES Relatjesor ignado IR çi i 30,1 , o . 51- 8" .2.3 /it. ol ,2,000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LEDA RUE DAMASCENO e CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO. Ausente a Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. tine • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.346 ACÓRDÃO N° : 301-28.148 RECORRENTE : 3M DO BRASIL LTDA RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP RELATOR(A) : ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO RELATOR DESIG. : PAULO LUCENA DE MENEZES RELATÓRIO O processo trata de erro na classificação fiscal dos produtos importados e descritos como "Silicato de alumínio hidratado" e "Behenato de prata" por ter o LABANA comprovado ser o primeiro produto "Caulim (silicato de • alumínio) beneficiado", enquanto que o segundo, "uma mistura de sais de prata de ácidos graxos com predominância de Behenato de prata.". A fiscalização desclassificou o produto e lavrou auto de infração exigindo a diferença das aliquotas do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, juros de mora, a multa sobre o imposto de importação, prevista no inciso I, do art. 4°, da Lei 8.218/91, e a multa ao controle administrativo das importações, prevista no inciso II, do art. 526, do R.A. A impugnação, tempestiva, concordou com as novas classificações tarifárias e discordou apenas da multa por falta de guia de importação alegando que o técnico não constatou serem outros produtos, mas apenas que a descrição deveria ser mais completa e minuciosa sobre os produtos em questão, o que não autoriza a ilação excessiva de falta de guia. A decisão de primeira instância rejeitou a defesa, mantendo o • lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO/IN VINCULADO — GUIA DE IMPORTAÇÃO — A descrição da mercadoria, na guia de importação, deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis para o perfeito enquadramento da operação nos registros da administração do comércio exterior, como também para seu posicionamento na NBM. Aplica-se a penalidade do art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro à hipótese em que a G.I., ainda que existente, licencia importação de mercadoria essencialmente diversa da efetivamente importada." Inconformada, a autuada apresenta recurso reiterando a sua discordância sobre a cobrança da multa do inciso II, do art. 526, do RA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.346 ACÓRDÃO N' : 301-28.148 A Recorrente comprovou o depósito às fls. 159 exigido pela Medida Provisória n° 1621-30, de 12/12/97. É o relatório. • • 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 120.346 ACÓRDÃO N° : 301-28.148 VOTO VENCEDOR Em que pese o posicionamento da insigne Conselheira Relatora, entendo que a multa aplicada à Recorrente, que foi objeto do recurso interposto (RA, art. 526, II), deve ser igualmente exonerada no que tange ao produto "silicato de alumínio". Com relação a esse tópico, verifica-se que a mercadoria importada • foi descrita como sendo "silicato de alumínio hidratado" para ser usado como "agente de carga" (TAB 2839.90.0100). O Erário, todavia, com base no laudo exarado pelo LAB ANA, entende tratar-se de "caulim (silicato de alumínio) beneficiado", cuja classificação correta seria TAB/SH 2507.00.0100 Destaca, outrossim, que a empresa adotou posteriormente a posição correta, o que comprova o equívoco na classificação. Segundo o referido laudo do LABANA (fl. 115), o produto em pauta não consiste, de fato, em "silicato de alumínio hidratado, um composto inorgânico de constituição definida e isolada", mas enquadra-se na posição que foi encampada pelo Fisco. Restou esclarecido, ainda, que o produto não é uma preparação e que, entre as suas destinações usuais, o mesmo é empregado como "pigmento e carga em tintas". Como venho sustentando, reiteradamente, em situações análogas à presente, a multa prevista no art. 526, ff, deve ser exonerada, com base nas disposições constantes do Ato Declaratório Normativo n° 12/97, que se aplica retroativamente aos casos não julgados (CTN, art. 112), posto que a mercadoria foi desclassificada com base em critérios técnicos que podiam não ser de conhecimento da importadora. O fato de a empresa ter alterado a classificação fiscal que vinha adotando, a partir de 1994, apenas reforça a presunção da boa-fé da Recorrente. A descrição da mercadoria, por outro lado, guarda correspondência com o produto importado, inclusive no tocante a sua destinação. A rigor, no contexto existente, sequer a multa prevista no inciso I, art. 40 da Lei n° 8.218/91 seria devida, em face do disposto no Ato Declaratório COSIT n° 10/97. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.346 ACÓRDÃO N° : 301-28.148 Assim sendo, voto no tido de ser dado provimento integral ao recurso Sala das Sessões, e, 0 de novembro de 1999 PAULO LU NA D ENEZES — Relator Designado O o • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.346 ACÓRDÃO N' : 301-28.148 VOTO VENCIDO O recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O processo trata de erro de classificação fiscal em decorrência de divergências, comprovadas através do laudo do Labana, para o produto importado "silicato de alumínio hidratado" (NBM 2839.90.0100) e para o produto importado "behenato de prata". •Para o primeiro produto ficou comprovado pelo referido laudo ser "caulim (silicato de alumínio) beneficiado" e a fiscalização o reclassificou no código NBM 2507.00.0100, para o segundo restou demonstrado tratar-se de "mistura de sais de prata de ácidos graxos com 59,4% de behenato de prata" e foi mantida a classificação fiscal. É importante ressaltar que, tanto na impugnação quanto no recurso a interessada questionou apenas a exigência da multa por falta de guia de importação, em decorrência das divergência apresentadas. A discussão se baseia, portanto, na aplicabilidade da multa por falta de guia de importação quando existe divergência entre a descrição constante da guia de importação e o laudo do LABANA. É de se observar que as divergência apresentadas são diferentes, tendo em vista que para o produto "behenato de prata" não cominou uma nova classificação tarifária, enquanto que para o produto "silicato de alumínio," a fiscalização determinou uma nova classificação. Portanto, passaremos a analisar a questão por produto. No caso do produto "behenato de prata", as divergências são irrelevante, senão vejamos: - o laudo do LABANA conclui: 1- sobre o produto descrito na guia de importação como "behenato de prata", que: "trata-se de uma mistura de sais de prata de ácidos graxos com predominância de behenato de prata, um produto de constituição química não definida". (grifo nosso) 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.346 ACÓRDÃO N° : 301-28.148 Verifica-se que, apesar da descrição não ter sido perfeita, este fato não foi motivo para que houvesse uma classificação errônea do produto, pois sequer houve mudança de classificação fiscal. Constata-se, também, que a conclusão de que o produto é "uma mistura com predominância de behenato" só pode ser determinada em laboratórios químicos. E que o fato de existir a predominância do referido produto, este não pode ser totalmente descaracterizado. É válido salientar que o Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 03-02.431/96 se refere ao descabimento da multa por falta de guia de importação quando a divergência entre a descrição constante da guia de importação e • o laudo do LABANA são irrelevantes. Entendo pois, que para o produto "behenato de prata" fica caracterizada serem essas divergências irrelevantes, e portanto é incabível a multa por falta de guia de importação, prevista no inciso II, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro. Quanto ao produto "silicato de alumínio", o laudo do LABANA conclui: 2- sobre o produto descrito na guia de importação como "silicato de alumínio", que: "trata-se de caulim (silicato de alumínio) beneficiado, um produto mineral." 11, Por sua vez, a própria empresa aceita a nova classificação, e argumenta apenas que a descrição foi incompleta, o que não caberia a multa por falta de guia. É de se notar que o laudo do LABANA conclui tratar-se de um outro produto, não sendo este, o caso de mistura; portanto, as divergências apresentadas para este produto não podem ser caracterizadas como irrelevantes, e a questão passará a ser analisada de outra forma. Constata-se que o produto importado, identificado pelo LABANA, é um outro produto, com outra classificação e, portanto, fica caracterizada a declaração inexata, inclusive aceita pela Recorrente. Ademais, é importante esclarecer que a ação de importar mercadorias do exterior sem guia de importação, descrita no inciso II, do art. 526, do 7 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO 1n1° : 120.346 ACÓRDÃO N° : 301-28.148 Regulamento Aduaneiro, é infração que consiste em desatender o controle administrativo das importações É válido salientar, também, que os Acórdãos de n° 303.27722 e CSRF/03-02/97 ao tratar da mesma questão decidiram pela manutenção da referida multa. Desta forma, fica caracterizada a inexistência de guia de importação, pois a guia de importação existente é para mercadoria diversa da efetivamente importada, sendo cabível a multa por falta de guia de importação, prevista no inciso II, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: - excluir a multa prevista no inciso II, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro, para o produto "behenato de prata" - manter a multa prevista no inciso II, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro, para o produto "silicato de alumínio". Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1999 2/20der‘ islrcorett ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO - Conselheira Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF _0032600.PDF _0032700.PDF _0032800.PDF _0032900.PDF _0033000.PDF _0033100.PDF
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Numero do processo: 10831.012344/2005-55
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 15/12/2000
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, sem que haja qualquer atividade de autorize o não pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do CTN. Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.177
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para analisar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López, que
negavam provimento. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TAM LINHAS AÉREAS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/12/2000 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, sem que haja qualquer atividade de autorize o não pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do CTN. Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para analisar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 23 44 /2 00 5- 55 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 533 a 539), em que se aponta contrariedade à legislação tributária, contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 515 a 525) que, (i) por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício; (ii) também por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade do lançamento; e (iii) por maioria de votos, acolheu a prejudicial de decadência, nos termos do voto do ilustre relator, Conselheiro Zenaldo Loibman. Consoante se depreende dos autos, e nos termos do relatório apresentado na instância a quo, a controvérsia originouse dos seguintes fatos, verbis (fl. 517): Tratase de auto de infração lavrado para exigir Imposto de Importação (II), IPI, PIS/PASEP – Importação, COFINS – Importação, apurados nos termos do art. 67, caput e § 1º, da Lei 10.833/03, e, ainda, a multa prevista no art. 521, II, d, do RA/85. A fiscalização constatou, em meio a conferência final de manifesto, a falta de armazenamento da carga correspondente a 03 (três) volumes, com peso de 151,2 Kg, indicadas no Termo de Entrada nº 000077470, de 15.12.2000, documento de carga MAWB 957 0037 8534, no vôo PTMZN. O documento de carga foi informado pelo contribuinte no Sistema MANTRA da SRF, voltado ao gerenciamento de manifesto, trânsito e armazenamento. Diante da alegação da empresa em causa, na fase de fiscalização, de que tais mercadorias não haviam sido embarcadas no exterior, a autoridade fiscal entendeu que se assim fosse o transportador poderia ter solicitado a exclusão do documento de carga dentro do prazo previsto na IN SRF 102/94, art. 8º (até duas horas depois do registro da chegada do veículo transportador), e não o tendo feito, deveria esta carga, para os efeitos legais, ser considerada manifestada perante a SRF. (...) De se destacar, em síntese, que o auto de infração foi lavrado contra a empresa transportadora, sendolhe exigidos os tributos incidentes sobre a importação em decorrência da falta de armazenamento da carga manifestada. A Colenda Turma a quo, em suma, (i) afastou a preliminar da contribuinte de cerceamento de defesa, (ii) manteve a desoneração do PIS – Importação e COFINS – Importação, visto que a legislação instituidora de tais tributos é posterior ao fato gerador, homenageando o princípio da irretroatividade da lei tributária, e, (iii) quanto à decadência, entendeu que na hipótese específica dos autos o lançamento se deu após o prazo legal de 5 anos. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10831.012344/200555 Acórdão n.º 9303001.177 CSRFT3 Fl. 560 3 A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os fundamentos da decisão, principalmente a questão relativa à decadência, tem o seguinte teor, verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 15/12/2000 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Afastada, porque houve clara menção do dispositivo legal que serviu de base ao cálculo do tributo devido, ainda que não tenha sido exposto um memorial descritivo da base de cálculo arbitrada com base na lei de enquadramento, o que conferiria ao trabalho fiscal melhor nível de excelência, sem, contudo, representar afronta ao direito de ampla defesa. DECADÊNCIA. A regra aplicável ao caso é a do parágrafo único do art. 173. No caso excepcional de responsabilização do transportador pelo recolhimento de tributos relativos a mercadoria considerada extraviada, o prazo decadencial deve ser contado a partir da constatação da falta de mercadoria, cujo primeiro registro se deu na ocasião em que deveria ocorrer seu armazenamento logo depois da sua descarga da aeronave. A aeronave de transporte das mercadorias acusadas como faltantes ingressou no território nacional em 15.12.2000, data em que supostamente houve a sua descarga e não ingresso no armazém, tudo registrado no MANTRA, e, portanto, desde aquela data, de 15.12.2000, corria o prazo decadencial. Na data de ciência da autuação, em 30.12.2005, já havia expirado o prazo decadencial. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando que restou violado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Para tanto, alegou, em síntese, que como as mercadorias importadas, constantes do manifesto de carga, não foram submetidas ao despacho aduaneiro de importação, não houve antecipação de pagamento dos tributos nos termos do artigo 150 do CTN, e, portanto, não incide à espécie o § 4º deste dispositivo, mas sim o inciso I do artigo 173 – cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Asseverou, outrossim, que muito embora o parágrafo único do artigo 173 do CTN antecipe o termo inicial do prazo decadencial na hipótese de ser iniciado procedimento fiscal anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte, o procedimento fiscal que verifica as mercadorias manifestadas a fim de apurar diferenças quanto a falta ou acréscimo de mercadoria é a conferência final de manifesto, prevista no artigo 39 do DecretoLei nº 37/1966. Nessa linha de entendimento, apontou que embora a empresa transportadora tenha manifestado as mercadorias e prestado as informações no sistema MANTRA, verbis, não há prova nos autos de que a fiscalização tenha iniciado a conferência final de manifesto antes do primeiro dia do exercício seguinte (1º de janeiro de 2001) ao de chegada da carga (2000). Fl. 590DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A Fazenda Nacional concluiu, assim, dessa forma, que a contagem do prazo decadencial segue o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Destarte, como a contagem teria se iniciado em 1º de janeiro de 2001 e a intimação da contribuinte se deu em 30 de dezembro de 2005, asseverou que não se pode considerar como tendo ocorrido decadência. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 537 a 539. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. Todavia, destaco, desde logo, que a r. decisão recorrida não merece qualquer reparo, não havendo que se falar em violação ao disposto no inciso I do artigo 173 do CTN. Ao contrário, o que se verifica, no presente caso, é que a norma contida no parágrafo único do mesmo artigo 173, consideradas as especificidades do lançamento, foi corretamente aplicada. Com efeito, restou provado nos autos que a contribuinte prestou as informações referentes à carga manifestada e não armazenada. Desde esse momento a fiscalização detinha informação necessária para a constituição do crédito tributário, sendo o registro no MANTRA, por si só, medida preparatória indispensável ao lançamento. A contribuinte, desde então, já tinha consciência da possível constituição do crédito tributário em razão da infração incorrida (falta de mercadoria manifestada, ou, em outras palavras, extravio), assim como a fiscalização aduaneira, que, via sistema informatizado, já detinha a mesma informação. Assim, fazse mister concordar com todos os termos do voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator no sentido da aplicação, na espécie, do disposto no parágrafo único do artigo 173 do CTN. É de se destacar, aliás, os seguintes excertos do voto condutor, os quais se pede vênia para adotar como razão de decidir: (...) Neste momento devemos enfrentar a questão prejudicial de mérito relativa à decadência do direito de lançar. Em geral essa pendenga gira em torno de estabelecer se a norma regente está no § 4º do art. 150 ou se está no inciso I do art. 173, todos do CTN. Aliás, esta foi a discussão proposta pelo interessado na fase de impugnação, defendendo a contagem do prazo a partir da data do fato gerador presumido. O voto vencedor na DRJ, focado na ausência de antecipação de qualquer valor de tributo, foi pela aplicação do art. 173, I, do CTN. Conforme é do conhecimento deste plenário, em geral, também é assim que tenho me posicionado para decidir entre as normas postas em confronto no caso de não haver qualquer Fl. 591DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10831.012344/200555 Acórdão n.º 9303001.177 CSRFT3 Fl. 561 5 recolhimento antecipado de tributo sujeito a homologação pelo fisco, entretanto, quero chamar a atenção desta Câmara para os termos do voto vencido na DRJ (defendido pela relatora e pelo Presidente da Turma) que põe no foco da discussão a aplicação neste caso do parágrafo único do art. 173. No voto vencido quanto à prejudicial de decadência, às fls. 315/317, em resumo, se observa o seguinte. Citamse diretrizes adotadas no CTN, explicitadas por Rubens Gomes de Souza, em Relatório apresentado em anexo ao Projeto do CTN, ao comentar seus artigos 138 e 139: “Na fixação do termo inicial do prazo de caducidade do direito de constituir o crédito, o Projeto teve em vista que o seu decurso deve partir da data em que o fisco teve, real ou presumidamente, conhecimento do fato gerador da obrigação. A doutrina moderna, tendo em vista que a extinção dos direitos e ações pelo decurso de tempo não tem por fundamento beneficiar o devedor, nem inversamente, prejudicar o credor, admite aquela extinção mesmo que a inércia do credor seja fruto do desconhecimento da situação de fato”. Continua o voto vencido na DRJ, indicando que tal entendimento é coerente com a sistemática adotada no CTN, no qual o prazo decadencial, na hipótese em que o fisco desconhece a ocorrência do fato gerador (que, aliás, também abrange o caso de ocorrência de dolo, fraude ou simulação), a contagem se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Aponta, então, que no caso em questão a fiscalização constatou o não armazenamento de três volumes constantes do documento de carga MAWB 957 0037 8534, devidamente informado pelo contribuinte, no MANTRA, em 12.12.2000 (fls.22). Ora, o MANTRA é parte do SISCOMEX e, foi instituído pela IN SRF nº 102/94 para gerenciar o controle aduaneiro de carga procedente do exterior. Vejase o que se dispõe no caput, e parágrafo único, do art.13 da IN SRF acima referida. Que o Auditor da Receita visará, no Sistema, o armazenamento das cargas recebidas pelo depositário, que na ausência de divergência entre a carga manifestada e a armazenada o visto será automático no MANTRA, salvaguardado o direito da fiscalização de, a qualquer momento, questionar a correção dos referidos registros, e quando couber, adotar as medidas pertinentes (grifo do relator na DRJ). E, no art. 23, da mesma IN SRF, se determina que a baixa do manifesto informatizado ocorrerá após verificação da correção das baixas nele processadas, cabendo ao AFTN (atual AFRF) adotar as providências decorrentes da apuração das divergências encontradas (grifo do relator). No caso concreto, a aeronave de transporte das mercadorias acusadas como faltantes, ingressou no território nacional em 15.12.2000, data em que supostamente houve a sua descarga da Fl. 592DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 aeronave e seu não armazenamento, tudo registrado documentalmente no MANTRA. Registrase, ainda, que a identificação do transportador como sujeito passivo do imposto de importação é exceção da regra geral, que esta define o importador como contribuinte, e a exceção indicada, decorre de constatação de extravio de mercadoria supostamente ingressada no país, por ficção legal, sendo o momento de ocorrência do fato gerador do tributo considerado o da constatação da infração, por absoluta impossibilidade de sua precisão. Ora, esse momento de constatação do extravio ocorre no momento imediatamente posterior ao da descarga da mercadoria, pelo registro do seu não armazenamento, inexistindo obstáculo legal a que ocorra já ali a imediata constituição do crédito tributário correspondente, ou pelo menos, o início da investigação fiscal devida. É neste momento relevante observar que o art. 87 do RA/85 ao eleger como momento de ocorrência do fato gerador o dia do lançamento, o faz apenas e tãosomente para fins de cálculo do quantum devido, conforme ali se expressa literalmente. Assim é que no caso excepcional de responsabilização do transportador pelo recolhimento do imposto de importação relativo a mercadoria considerada extraviada, o prazo decadencial deve ser contado a partir da constatação da falta de mercadoria, cujo primeiro registro se reporta ao momento em que deveria ocorrer seu armazenamento logo após a sua descarga da aeronave. O voto vencedor na DRJ apenas descartou a aplicação do parágrafo único do art.173 ao caso presente porque não haveria nos autos nenhuma prova de que a fiscalização tivesse iniciado a conferência de manifesto em data anterior ao do primeiro dia do exercício seguinte ao de chegada da carga. Com o que pretendeu fazer uma interpretação apenas literal do dispositivo legal sob análise. Essa posição vencedora na instância a quo chegou a admitir que a interessada apresentou manifesto de carga e que registrou tal informação no MANTRA, sistema gerencial do manifesto, trânsito e armazenamento de carga. Também não desmentiu a informação de fls. 22 de que houve registro no MANTRA, tanto da descarga da mercadoria quanto do seu não armazenamento, mas preferiu colocar ênfase literal em ato que indicasse o início, por notificação ao interessado, de constituição do crédito tributário. Ora, em face do mens legis da norma veiculada no parágrafo único do art.173 do CTN, parece pouco importante que o documento base para se iniciar a constituição do crédito tributário tenha surgido de intimação do fisco ao contribuinte ou de informação do contribuinte ao fisco, o importante é que desde o momento em que houve o registro do manifesto de carga, da suposta descarga da mercadoria e do seu não armazenamento no MANTRA, tudo passível de conhecimento do fisco e também do transportador interessado, desde aquela constatação de não armazenamento da mercadoria depois da descarga, com tudo isso registrado no sistema fiscal gerencial de acompanhamento da mercadoria importada, desde ali já Fl. 593DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10831.012344/200555 Acórdão n.º 9303001.177 CSRFT3 Fl. 562 7 podia ter havido a constituição do crédito tributário, e, portanto, desde aquela data, de 15.12.2000, corria o prazo decadencial. Neste caso, está claro, não houve qualquer antecipação de imposto de importação, até porque há, por parte do transportador, negativa de ocorrência do fato imponível, porém o fato gerador do tributo foi presumido em razão precisamente dos registros assentados no MANTRA pelo transportador da carga supostamente extraviada, informações compartilhadas entre autuado e autuante desde 15.12.2000, o que deixa, a meu ver, e s.m.j., clara a aplicação do disposto no parágrafo único do art.173 ao caso concreto, para assim concluir que na data de 30.12.2005 já havia expirado o prazo decadencial. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo nestes autos a ocorrência de decadência do direito de lançar. (grifos e destaques nossos) Por outro lado, é de se notar que a presente exação está sendo exigida do transportador em decorrência de extravio. Ou seja, não se está exigindo especificamente os tributos devidos na importação, visto que não houve registro da Declaração de Importação e tampouco desembaraço aduaneiro, fatos geradores, respectivamente, do II e do IPI. A exigência se deu, efetivamente, em razão do extravio, com esteio no parágrafo único do artigo 60 do DecretoLei nº 37/66: Art. 60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria – qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II extravio – toda e qualquer falta de mercadoria. Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. Não está se cuidando, então, ao lado das multas aplicáveis, exatamente do lançamento dos tributos devidos, mas sim de indenização pelos tributos que deixarem de ser recolhidos. Pareceme, aliás, que se está tratando muito mais de aplicação de penalidade (indenização) em decorrência da prática de uma infração. E isso porque a prática da infração (extravio), no caso, impediu a ocorrência dos fatos geradores e, por conseqüência, o surgimento da obrigação tributária e do correspondente crédito tributário. Nessa linha de entendimento, a par da informação quanto à falta das mercadorias manifestadas já constar no MANTRA, o que, por si só, afigurase medida preparatória indispensável ao lançamento, atraindo a incidência do parágrafo único do artigo 173 do CTN, pareceme que deve ser seguido o preceito constante do artigo 139 do Decreto Lei nº 37/66: Fl. 594DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (...) Art. 139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. (grifos e destaques nossos) Me parece, assim, pela interpretação sistemática dos artigos 60 e 139 do DecretoLei nº 37/66, e do parágrafo único do artigo 173 do CTN, que o termo inicial do prazo decadencial, no presente caso, é a data da ocorrência da infração. Não merece qualquer reparo, portanto, a r. decisão recorrida. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado A discordância que o Colegiado teve com o Ilustre relator diz respeito ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente a tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merece ser colacionado a título de doutrina os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ assim se pronunciou: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis Fl. 595DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10831.012344/200555 Acórdão n.º 9303001.177 CSRFT3 Fl. 563 9 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1ª Turma do STJ pronunciouse sobre o tema: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais Fl. 596DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Por derradeiro, no Resp nº 973733, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu sobre a matéria, sob sistemática prevista pelo art. 543C. Como sabemos, o art. 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73. Retornando aos autos, constatase que a intimação ao contribuinte se deu em 30 de dezembro de 2005 e a contagem do prazo decadencial se iniciou em 1º de janeiro de 2001. Logo, no caso em questão, não há decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração objeto deste processo, tendo em vista que o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Do exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a decadência e devolver os autos ao Colegiado Recorrido para análise das demais matérias. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 597DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assi nado digitalmente em 30/07/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 00880.035393/82-60
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 1984
Ementa: REDUÇÃO DO IMPOSTO - INVESTIMENTOS INCENTIVADOS - A aplicação dos incentivos fiscais,antes da vigência do Decreto-lei nº 1.841/80, não estava condicionada à subscrição de ações decorrentes de emissão pública, registrada na CVM, podendo ser feita, igualmente,
em empresa agropecuária, de capital fechado, cujas atividades visam ao desenvolvimento econômico da Amazônia.
Numero da decisão: 104-04.244
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo exercício do voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Walberto Chaves Rosas (Relator), Mário Rodrigues Teixeira, Tereso de Jesus Torres e Helena Cristina Lana de Paula. Designado o Conselheiro Eugênio Botinelly Soares para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Carlos Walberto Chaves Rosas
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Recurso nO: 41.422-: IRPF':'EX:1981 Recorrente ROBERTO LUIZ DA SILVA PRADO ACORDÃO N° """J.9.4::~.1.".".?44 Recorrido DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO - SP REDUÇÃO DO,.IMPOSTO - INVESTIMENTOS IN CENTIVADOS - A aplicação dos incenti vos fiscais,antes da vigência do De- creto-lei n9 1.841/80, não estava con dicionada à subscrição de ações decor= rentes de emissãopüblica, ~registrada na CVM, podendo ser feita, -'.igualmente, em empresa agropecuária, de capital fechado, cujas atividades visam ao de , senvolvimento econõmico da Amazõnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROBERTO LUIZ DA SILVA PRADO, ACORDAM os Membros da Quarta Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo exerclcio do voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Walberto Chaves Rosas (Relator)", Mário Rodrigues Teixeira, Tereso de Jesus Torres e Helena Cristina Lana" de Paula. Designado o Conselheiro Eug-ª nio Botinelly Soares para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 1984 F.RANCIS~NSO. PRESIDENTE E~y.SQ' S REDATOR-DESIGNADO VISTO EM G~kAGI" ' PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: 1~ J U N 1984 ZENDA NACIONAL RECURSO DA FKzENDA NACIONAL: RDZ104-0.249 P~rticiparam, ainda, do.presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: Olavo João Galvão e Victorino Ribeiro Coelho . •• e '\:-- " ..J) ~ ..ctVÓM-oL~ ~(kei-ol1.~<Ãdo p-e£o (XCÓf-tc{cX:o e fi (2 F/O) - o. S-36 cÁR.. Z3 - 05"- 85', ~. oie-cí~~ oÚ-- $e~- te- feon-; fort- "Vvt0\Ã..Q~ eLe- cv..o./-os I olCJ</"V ~ rv/i~ tX--O ~_ C.M/tW, ~ jex~ ~ h£(O<+-Ó.-LtlD e.- ~ ~ ~ o- ~~e'J~CV'I" () ~Je (ft/~fÂ.do. V€N1.c-i~ h e~ 'fre/her"/tIrS b~ )A ; .""t c>.-v.-ot~ .e J;t c>v..-t. c-i<;'--c..-o fJ.-vvl.Cvt ~ Jv1 0vvv1--V ' PRIMEIRO CONSHHO DE CONTRIBUINTES LL. (4,' CAMARA) ~ E~~=~:~R~~o~~s1~~ Chefe d. Secretaria SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NC? 0880/035.393/82-60 RECURSO N9: 41. 422 ACÓRDÃO N9: 104-4.244 RECORRENTE: ROBERTO LUIZ DA SILVA PRADO R E L A T Ó R I O Procedida a revisão na declaraçãa de rendimentos da ora recorrente, relativa, ao exercicio de.1981. ano-base de 1980, houve por bem a autoridade administrativa glosar a importâg ciade CR$ 500.001,00, referente à redução do imposto devido, co£ respondente a aplicação do valor supra mencionado na aquisição de ações da Agro-pecuária Médio Araguaia S/A, empresa considerada de interesse parao'desenvolvimento econômico da Amazônia. Fundou-se a ação fiscal na aplicação dos arts. 92, IV e 728, 11 do Regulamento em vigor, amparada "nas~.:.:i:nEo17mações constantes da Portar~a nQ 58. de 6 de 'ianeiro de 19~2, a qual apontara irregularidades nas emissões de ações da empresa em tela. ~ . A tempo ingressou o interessado. com. a impugnação de fls. 19/32, na qual sustenta que a subscrição das ações deu-se em empresa de capital fechado; não se tratando, ademais, de subs- crição pfiblica, eis que já possuiaele ações da referida socieda de, trazendo em prol de sua tese as disposi~ões constantes do Pa recer Normat~vo CST ng22, de .junho de 1980. O decis6rio de primeiro grau inde£eriu a pretensão, consignando em sua fundamentação. verbis: DMF - DF/19 c-c. Secgraf -1600/75 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo nC? 0880/035.393/82-60 Acórdão nC? 104-4.244 2. "Analisando-se as raz6es pelas quais foi alterado o cálculo do imposto da declaração, entre- gue pelo contribuinte, chega-se ã conclusão, ã vis ta da citada declaração e das peças do processo,de que é IMPROCEDENTE a impugnação feita como abaixo se demonstra: O impugnante reduziu o imposto devido em CR$ 225.000,00, em decorrªncia de utilização do in centivo previsto no artigo 92, inciso IV,do RIR/80-; correspondente a45% das aç6es adquiridas da empre- sa Agropecuária Médio Araguaia S/A. Foram adquiridas 166.667 aç6es nomi~ati~asi endossáveis, pelo preço unitário de CR$ 3,00, perfa zendo um total de CR$ 500.001,00 (fls. 06, 07 e 45)-;- de emissão pfibLica, consoante apuração da Comissão de Valores Mobiliários' (CVM), ãs fls. 04. A aquisição de ações de emissão pfiblica distribuidas no mercado, ~omente dão direito ã redu ção do imposto prevista no artigo 92, IV,do RIR/80-; qfiando a companhia emissora, além de cumprir as exigªncias previstas na legislação fiscal, houver efetfiado o prévio registro da emissão na Comissão de Valores Mobiliários, nos termos do disposto no artigo 19 da Lei nC? 6.385/76 (IN/SRF/16/80, PN/CST 22/80 e Instrução CVM 13/80). No presente caso, a empresa emissora ~:_.das ações não providenciou o prévio registro da ,émis são na CVM, tendo,.inclusive, a suspensão da distrI buição de ações determinada pela Portaria :.-cvMISGE 58/82 (fls. 01). Isto posto, decido tomar conhecimento impugnação, por tempestiva, para, no mérito, FERí-LA. " da INDE Intimado dessa decisão em 11 de maio de 1983, pro tocolizou a vencido..:opre~ente apelo em 31 ,de maio, do mesmo ano. A extensa peça recursaL procura demonstrar a regul~ ridade da aquisição das açoes, nos termos da Lei das Sociedades Anônimas, do Decreto-lei nC? 1.338~ de 1974, do Parecer Normativo nC? 22, de 1980, Parecer CST nC? 1963, de 18.07.80~ sustehtando, por fim, que a Portaria nC? 58, de 1982~ de Comissão de Valores Mobiliários não teria eficácia para reger a hipótese, eis que seus efeitos não retroagiriam ã época em que se realizaram as aquisições em discussão. É o relatório. )rll vr\ <: SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.244 v O T O Processo n9 0880/035/393/82-60 V E N C E D O R 3. Conselheiro EUG~NIO BOTINELLY SOARES REDATOR-DESIGNADO Em que pese a brilhante argumentação contida no vo to do ilustre Conselheiro Carlos Wa1berto Chaves Rosas, com assen to nesta Cãmara, permito-me diverg-ir da sua posição, com base nos fatos a seguir narrados. Com efeito, a manifestação da Câmara de Valores Mobiliários, ao expedir a Portaria n9 58, de 06/01/82,suspendendo a distribuição, no mercado, das ações emitidas pela empresa Agro- pecuária Médio Araguaia S/A - AGROPEMA, por não estar registrada naquela Comissão, posterior a subscrição das ações pelo Recorren te, em nada altera a situação preexistente, haja vista que, con- forme se observa dos autos, o interessado adquiriu aqueles p~ pels com direito de preferência, visto já ser acionista da empre- sa, circunstância essa de que se vale, por tratar-se de compa- nhia de capital fechado, conforme reconhece aquela Comissão (Of. CMV/GEA n9 772/81 - fls. 77). O fisco glosou o investimento na suposição de que as açoes foram adquiridas por subscrição pfiblica, o que não está provado nos autos, prevalecendo a afirmação do Recorrente, de que se trata de subscrição particular, como, aliás, comprova com docu mentação idônea (fls. 74/79). Releva notar que, somente a partir de 1982, com o advento do Decreto-lei n9 1.841/80, ficou condic~onada a redução do imposto ~ subscrição de ações decorrentes de emissão pfiblica, registrada na CVM, o que não é o caso de que se trata. Assim, não estando provado, de maneira irrefutá vel, que as ações subscritas pelo Recorrente não sao preferen- ciais, não vejo como impedir o gozo do benefício da redução do imposto pelo investimento feito, somente-me levando a modificar esse ponto de vista, o descumprimento das finalidades para que a empresa foi criada, caso em que estariam sendo fraudados os o~je- tivos da legislação aplicável ~ espécie (Decs.leis n9s. 756/69, ~ , " 'I I SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Ac6rdão n9 104-4.244 Processo n9 08801035.393/82~60 4. art. 23; 1.564/77, art. 19; 1.598/77, art. 19 S 19~ ~;e_1.730/79, art. 19, I). Nestas condiç5es~ voto no sentido de que seja da do provimento ao recuiso. BrasI1ia-DF., 26 de janeiro EUG£NIO ~~OARES de 1983 REDATOR-DESIGNADO Ir, I li' • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo. n9 0880/035.393/82-60 Acórdão n9 104-4.244 5. v O T O VEN C I D O Conselheiro CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS RELATOR Conheço do recurso em razao de sua oportuna inter posição, nos termos do art. 33 do Decreto n9 70.235, de 1972. A inadmissão da redução em.tela deveu-se à manifes tação da Comissão de Valores Mobiliários qu~, atrav~s da Portaria n9 58, expedida em 6 de janeiro de 1982, apontou_írregüla~idãdes na referida empresa, inclusive. relacionadas com a emissão e colo- cação pública de ações ordinárias e preferenciais em 1980, e men cionando encontrar-se em curso 'naquele órgão, Comissão de Inqu~ri to Administrativo visando a apuração de atos ilegais relacionados com a empresa em questão. Sustenta o contribuinte que a aquisição das açoes e do respectivo incentivo fiscal constituem atos regulares e abrigados pela legislação que rege a matéria . • A documentação contida nos autos, todavia, leva-me a reconhecer o acerto da decisão recorrida. ~. Com efeito, descabe a alegação de que o documento em questão nao seria aplicável a fatos anteriormente ocorridos e que os efeitos da Portaria em tela apenas seriam válidos a par tir de sua divulgaçio, ou seja, em 1982. Ora, a Portaria n9 58, de 1,982não veio para.criar, modificar ou extinguir direitos, porque essas tarefas não se lhe sao conferidas, senão à lei. Não lhe atribuo, por isso~ tão signi£icativos efe! tos, mas.a considero como ato administrativo que objetiva decla- rar situação preexistente a respeito da regularidade de entidade que desatendeu às normas legais que disciplinam certos atos que lhe cabem promover. Com aumento dO capital social da empresa, para 45 milhões de cruzeiros, em 1980r mediante a emissão de ações, onde .' '\ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0880/035.393/82-60 Acórdão n9 104-4.244 6. constam 6.478.02 aç5es preferenciais e 6.891.174 rias, após apuração do órgão- fiscalizador. (CVM), cada a ocorrência de irregularidades em 1980. ordiná- resultou verifi- A constatação de contrariedade aos preceitos da legislação pertinente, por. parte das empresas abrangidas ;-:;,::.pelas disposições do art. 92 do Regulamento do Impos.to de Renda, impli- ca na exclusão do direito ã.redução do imposto. A autoridade.fiscal,irt.ca:su, fez incidir sobre a especle os requisitos previstos na legis~açãQ de regência da mat~ ria e não qualquer disposição da Portaria, a qual serviu, apenas, de elemento informativo. para detectar a infringência da lei. Cabe ressaltar, ademais, que, em hipóteses idênti- cas, quer com relaçãoã empresa captadora de recursos, quer quan- to ao exercicio financeiro," estaCãmara já se pronunciou, recente mente, atrav~sdos Acórdãos n9s. 104-3.536, do qual foi relator designado o Conselheiro Teresb de Jesus Torres, peio não reconhe- cimento da redução pleiteada e 104-3.649 e 104-3.902, por mim relatados em 22 de abril e 19 de" agostb de 1983. Pelas razoes ora" alinhadas e por tudo mais que do processo consta, sou levado a negar provimento ao recurso. Brasilia-DF.,26 de janeiro de 1984 ~~ CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 18365.721204/2011-75
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE.
As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornam-se definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3001-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE. As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornamse definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 12 04 /2 01 1- 75 Fl. 93DF CARF MF 2 Adoto o relatório da decisão recorrida que bem historia os fatos objeto do presente processo (fls. 90/95), verbis. Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de novembro de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 4.817,31. A multa em questão foi calculada pelo percentual de 2% por mês de atraso, ou fração, incidente sobre o montante da COFINS informado no DACON — respeitados o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00 —, aplicandose, no caso concreto, redução de 50% no valor da penalidade, por se tratar de entrega espontânea do demonstrativo (art. 7º, inciso III e §§, da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Inconformada com a exigência, a Interessada apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 02/34, alegando, em síntese: • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou indevidamente a base de cálculo das referidas contribuições, ao determinar sua incidência sobre a totalidade das receitas auferidas; • Erro na apuração da COFINS – Ilegalidade e inconstucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, que majorou a alíquota da contribuição para 3%; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da inclusão da taxa de administração de cartões de débito e crédito nas bases de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da incidência das referidas contribuições sobre receitas decorrentes de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; • Efeito confiscatório da multa – Violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa à garantia do direito de propriedade; • Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18365.721204/201175 Acórdão n.º 3001000.790 S3C0T1 Fl. 3 3 Subsidiariamente, a Interessada pleiteia “a realização de diligência, para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração em questão, considerando, para tanto, as deduções concernentes às despesas com a prestação dos serviços realizados, bem como a constituição de novos cálculos, excluindose da base do PIS e a majoração da alíquota do COFINS, a Receita Bruta esculpida pelo artigo 3º da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, da não incidência do PIS/COFINS sobre a Taxa de Administração de Cartão de Crédito e Débito, bem como a não incidência do pagamento do PIS e COFINS sobre os serviços prestados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior”. Por fim, na eventualidade de se aplicar alguma multa, a Interessada postula, ao menos, “seja excluída a Taxa Selic, aplicandose os juros de mora de 1%, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 161 do CTN, bem como sejam reduzidas as multas aplicadas em patamar condizente com a condição econômica da impugnante”. A decisão recorrida negou guarida à pretensão deduzida pelo contribuinte em sua impugnação (fls. 90/95), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 90), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 95DF CARF MF 4 Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão guerreada em 29 de maio de 2017 (fls. 98/103), ingressou a contribuinte com Recurso Voluntário em 12 de junho de 2017, vazado em singelas 6 linhas (fls. 108). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo, posto que o contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29 de maio de 2017 e ingressou com Recurso em 12 de maio de 2017. Presentes os demais pressupostos processuais, dele tomo conhecimento. Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de novembro de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 4.817,31. A longa impugnação da empresa (fls. 3/35), foi devida e adequadamente rebatida pelo v. acórdão recorrido (fls. 90/96), em consonância com a jurisprudência predominante neste Conselho. Em seu singelo Recurso, a Companhia Tropical de Hoteis da Amazônia limitouse a reportarse ao que chamou de inicial e requerer o cancelamento do débito fiscal reclamado, em peça de apenas 6 linhas (fls. 108), verbis. I – Os Fatos/ Preliminar /Mérito Conforme já exposto na inicial sobre a improcedência dos débitos exigidos vêmse manifestar a este Conselho. II – Do pedido e Conclusão À vista de todo o exposto nas iniciais já apresentadas nos recursos, as estâncias anteriores e demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento Verificase, pois que, de fato, a empresa não se insurgiu sobre nenhum dos pontos abordados pelo v. Acórdão recorrido. Em outras palavras, não existe Recurso Voluntário a ser apreciado, uma vez que não foram rebatidos, mesmo que indiretamente, os fundamentos jurídicos formalizados através da decisão guerreada. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18365.721204/201175 Acórdão n.º 3001000.790 S3C0T1 Fl. 4 5 A matéria é conhecida deste Colegiado, sendo considerado como inexistente o Recurso Voluntário que não conteste motivadamente a decisão recorrida, haja vista que o apelo deve preencher todos os pressupostos processuais para ser conhecido. Quando não os preenche, não será conhecido, em obediência ao sistema recursal do processo à comando dos arts. 14 a 16 do Decreto nº 70.235/1972, regramento importante no exercício do direito na lide. Sob este aspecto, peço venia ao Conselheiro João Alfredo Duarte Filho para transcrever parte do seu voto que resultou no Acórdão nº 2001000.301 Turma Extraordinária 1ª Turma, proferido em 27 de fevereiro de 2018, verbis. Reformar decisão para afastar possível engano no julgamento que reflita injustiça corresponde a uma ação muito delicada e, especialmente por isso, o trâmite processual deve ser devidamente observado. A motivação é pressuposto fundamental para a admissão do recurso. A parte que recorre deve sempre motivar, ou seja, dar suas razões para interpor o recurso, seja pelo seu inconformismo, seja por discordar de algum ponto técnico na decisão. Nesse sentido não basta o Recorrente anexar provas sem dizer do contraditório ao que foi decidido no julgamento anterior. Relevante transcrever, também, a ementa constante do Acórdão nº 3302 006.108 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, poferido em 25 de outubro de 2018, tendo como Relator o ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, verbis ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. DEFINITIVIDADE. As matérias não contestadas por ocasião da impugnação tornamse definitivas, vez que sobre elas não se instaurou litígio, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto Lei nº 70.235/1972. IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. O conhecimento e apreciação das alegações recursais e provas deve ser conduzido sob as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, nos termos do disposto nos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/1972, segundo os quais as matérias que delimitam o contencioso devem ser aduzidas por ocasião da impugnação, não se podendo conhecer de novas alegações produzidas apenas em sede de recursal. Diante do exposto, e tendo em vista que, de fato, inexiste Recurso atacando o teor da decisão recorrida, voto POR NÃO CONHECER do apelo por falta de cumprimento de pressupostos básicos de admissibilidade, como recomendado nos arts. 14 a 16 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Fl. 97DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.000073/2005-58
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARMAZENAMENTO E DEPÓSITO DE PRODUTOS DE TERCEIROS. VEDAÇÃO.
A atividade de armazenamento e depósito de produtos de terceiros é
expressamente vedada ao ingresso no Simples.
Numero da decisão: 1301-001.255
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentâneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ARMAZENAMENTO E DEPÓSITO DE PRODUTOS DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. A atividade de armazenamento e depósito de produtos de terceiros é expressamente vedada ao ingresso no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentâneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 73 /2 00 5- 58 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000073/200558 Acórdão n.º 1301001.255 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Sitio Alvorada Comércio e Beneficiamento de Cereais Ltda. recorre da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, que indeferiu sua manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada e de atividade que requer profissional com habilitação legalmente exigida. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Ponta Grossa n° 008/2005, emitido em 15/02/2005, à fl. 106, verso, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, por incorrer na vedação prevista no art. 9º, incisos XII, "c", e XIII da Lei n° 9.317, de 1996. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte procurou desconstituir as duas motivações invocadas pela autoridade para excluílo do Simples. Quanto à primeira, alegou que o Parecer n° 23, de 19/04/1999, da Cosit, autoriza opção pelo Simples às pessoas jurídicas que têm como atividade a "prestação de serviços de produção, colheita, corte, descasque, empilhamento e outros serviços gerais". Explicou que a empresa prestava serviços agrícolas, que tinham por objeto recepção, pesagem, limpeza, secagem, classificação, transbordo e expedição de produtos rurais, caracterizandose como "beneficiamento de cereais". Aduziu que sempre praticou atividades de beneficiamento de cereais, as quais não se caracterizam como "armazenagem de produtos de terceiros", nem como atividades de prestação de serviços de engenheiro agrônomo. Expôs seu entendimento de que a atividade de "armazenamento e depósito de produtos de terceiros", vedada no art. 9 º, inciso XII, "c" da Lei n° 9.317/96, referese às pessoas jurídicas que constituem empresas que têm por fim a guarda e conservação de mercadorias e a emissão de títulos especiais que as represente, submetidas à regulação do Decreto n° 1.102, de 21/11/1903. Concluiu afirmando que: (a) armazenamento e depósito de produtos de terceiros é atividade juridicamente típica na ordem legal brasileira; (b) seu contrato social expressamente afastou de seu objeto social os serviços de armazenagem, regulados pelo Decreto n° 1.102/1903; (c) a estocagem desenvolvida pela empresa jamais se caracterizou como atividade principal; pelo contrário, era sempre realizada como meio para consecução das atividades principais. Quanto à segunda, refutou a assimilação das atividades da empresa a serviços característicos da profissão de engenheiro agrônomo, ressaltando que, de acordo com os contratos juntados, o contribuinte era obrigado a possuir instalações apropriadas (silos, moegas, balanças, elevadores, secadores, máquinas de pré e póslimpeza, expedição em alvenaria, escritórios em alvenaria) onde deveria prestar serviços contratados, obrigação esta confirmada na declaração firmada pela Prefeitura do Município de Imbituva. A Turma de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade ao argumento de que prática da atividade de armazenamento de produtos de terceiros foi constatada pela autoridade fiscal em procedimento de diligência. Aduziu que, no caso de Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000073/200558 Acórdão n.º 1301001.255 S1C3T1 Fl. 4 3 múltiplas atividades exercidas pelo contribuinte, basta a constatação de uma que seja vedada ao ingresso no Simples para autorizar a exclusão do regime. Refutou, também, a afirmativa do contribuinte de que sua atividade não se enquadra como prestação de serviços de engenheiro, argumentando que quando o legislador pretendeu excepcionar a vedação prevista no art. 9°, inciso XIII, o fez expressamente pela via legal, como no caso da Lei n° 10.964, de 28/10/2004, posteriormente alterada pelo art. 15 da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Finalmente, assentou que a data dos efeitos da exclusão, a partir de 01/01/2002, foi corretamente fixada pela autoridade fiscal, em vista de expressa previsão contida no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, considerando que o contribuinte é optante do Simples desde 07/11/1997 e a situação excludente é anterior a 31/12/2001. Ciente da decisão em 03 de setembro de 2008, a interessada ingressou com recurso em 17 do mesmo mês. Na petição recursal, além de reeditar os argumentos articulados na manifestação de inconformidade, reforçaos, ressaltando que: (a) os serviços agrícolas que presta se caracterizam como industrialização (beneficiamento), e assim, sua atividade econômica é industrialização por encomenda; (b) tais atividades não se caracterizam como armazenagem e depósito de produtos de terceiros nem como atividades de prestação de serviços de engenheiro agrônomo; (c) o "armazenamento" descrito pelo contribuinte em algumas notas fiscais, em anotações e em sua contabilidade, esporadicamente, era desenvolvido como mero instrumento de suas atividades empresariais; (d) a atividade de "armazenamento e depósito de produtos de terceiros" vedada pela lei alcança as pessoas jurídicas que têm por objeto a guarda e conservação de mercadorias e a emissão de títulos especiais, que as represente; (e) a estocagem desenvolvida jamais se caracterizou como sua atividade principal, e sempre foi realizada como meio para a consecução das atividades de recepção, pesagem, limpeza, secagem, classificação, transbordo e expedição de produtos rurais; (f) a Lei Complementar n° 123, de 2006, retirou o armazenamento como causa impeditiva de opção pelo Simples, e o entendimento do Conselho é no sentido de aplicála retroativamente; (g) a Resolução CONFEA n° 218/1973, invocada para assemelhar a atividade à de serviços de engenheiro, somente terá aplicação em casos de exercício de atividade intelectual, tais como elaboração de projetos rurais, a serem desenvolvidas por empresas; (h) pelos documentos juntados pela autoridade fiscalizadora verificase que o contribuinte obrigavase, contratualmente, a receber, pesar, limpar, secar, classificar, transbordar e expedir produtos rurais (soja, trigo e milho) mediante a utilização de instalações apropriadas para tais fins, jamais tendo desenvolvido atividades intelectuais próprias de engenheiro agrônomo. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo. Dele conheço. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000073/200558 Acórdão n.º 1301001.255 S1C3T1 Fl. 5 4 Como se viu do relatório, a autoridade administrativa excluiu o contribuinte do Simples ao fundamento de que ele teria incorrido em duas situações impeditivas, previstas no art. 9º., incisos XII, "c", e XIII da Lei nº 9.317/96, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; (...) XIII que preste serviços profissionais de (...)engenheiro, (...) ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Começo por analisar a acusação de prestação de serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado. A fiscalização, para concluir que a pessoa jurídica exerce atividade de engenheiro, arquiteto ou agrônomo, rotineiramente se vale da Resolução do CONFEA que, para efeito de fiscalização do exercício profissional dos engenheiros, arquitetos e agrônomos, designa as diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, e indica quais são as de competência de cada um dos profissionais (de nível superior, médio ou tecnólogo) de cada uma delas. Ocorre que a utilização desse ato para fins outros que não aqueles para os quais foi editado (fiscalização do exercício profissional das referidas atividades), têm gerado distorções inadmissíveis no campo da aplicação da legislação do SIMPLES. De fato, vêse que a autoridade tributária tem entendido (como no presente caso), que o simples fato de uma empresa necessitar de um profissional de nível superior de uma das áreas nominadas no inciso XIII do art. 9º representa impedimento à opção pelo SIMPLES. Sem me ater à questão de a atividade do contribuinte carecer ou não de profissional de engenharia (no caso, na especialidade de agronomia), é óbvio que o serviço por ele prestado não é “serviço de engenheiro”. A atividade profissional do engenheiro agrônomo, no caso, seria apenas uma atividade meio, necessária ao exercício de sua atividade principal, mas não teria o condão de caracterizar a atividade econômica do contribuinte como “serviço de engenharia”. Quanto à realização de operações relativas a armazenagem e depósito de produtos de terceiros, a documentação carreada aos autos pela autoridade fiscal demonstra que, efetivamente, a recorrente as realiza. Não só as notas fiscais e “documento de acerto de contas” anexados às fls. 86 a 98, que não deixam margem a dúvida, mas também os contratos com a Cargil e a Adubos Viana (fls. 25 a 62) evidenciam que a atividade de armazenamento e depósito não era desenvolvida apenas como atividade meio para execução da atividade de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000073/200558 Acórdão n.º 1301001.255 S1C3T1 Fl. 6 5 secagem, limpeza, classificação, etc. dos cereais (que exigiriam curto período de armazenamento e depósito), consistindo, sim, atividade paralela à de beneficiamento. A alegação de que somente constituem vedação as atividades de depósito reguladas pelo Decreto n° 1.102/1903 não prospera, pois a lei nada especifica nesse sentido. O fato de a Lei Complementar nº 123, de 2006, ter retirado o armazenamento do rol das causas impeditivas de opção pelo Simples em nada favorece a Recorrente. O regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar 123/2006, entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispôs seu art. 88, data em que ficou revogada a Lei nº 9.317/96, conforme art. 89. Conforme dispõe o art. 106 do CTN, a lei tributária se aplica aos fatos geradores futuros e aos presentes, e a possibilidade de sua aplicação a fato pretérito fica restrita aos casos de lei expressamente interpretativa (inciso I), ou de leis mais favoráveis que tratem de penalidades, e que sejam mais favoráveis (inciso II). O inciso II do art. 106 do CTN trata da retroatividade benigna de disposição legal em matéria de infrações, e o dispositivo legal cuja aplicação se pretende retroagir não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Não se tratando de hipóteses que se enquadrem no art. 106 do CTN para admitir sua aplicação a fatos pretéritos, a Lei Complementar 123/2006 que não se presta para permitir a manutenção da interessada no SIMPLES antes de 1º de julho de 2007. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13899.000061/2006-55
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. OBRIGATORIEDADE DE A FISCALIZAÇÃO CONTEMPLAR NO AUTO DE INFRAÇÃO A POSSIBILIDADE DE TAIS COMPENSAÇÕES EM PERÍODOS SUBSEQUENTES.
Verificado que a Fiscalização não glosou a formação do prejuízo fiscal, mas sim a sua utilização, não era necessário que o auto de infração contemplasse a possibilidade de compensação nos períodos posteriores, pois a Fiscalização não glosou a materialidade do prejuízo fiscal, de sorte que bastava à
Recorrente verificar um lucro da mesma natureza, passível de tais
compensações, e implementálas.
Numero da decisão: 1301-001.154
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. OBRIGATORIEDADE DE A FISCALIZAÇÃO CONTEMPLAR NO AUTO DE INFRAÇÃO A POSSIBILIDADE DE TAIS COMPENSAÇÕES EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. Verificado que a Fiscalização não glosou a formação do prejuízo fiscal, mas sim a sua utilização, não era necessário que o auto de infração contemplasse a possibilidade de compensação nos períodos posteriores, pois a Fiscalização não glosou a materialidade do prejuízo fiscal, de sorte que bastava à Recorrente verificar um lucro da mesma natureza, passível de tais compensações, e implementálas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. OBRIGATORIEDADE DE A FISCALIZAÇÃO CONTEMPLAR NO AUTO DE INFRAÇÃO A POSSIBILIDADE DE TAIS COMPENSAÇÕES EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. Verificado que a Fiscalização não glosou a formação do prejuízo fiscal, mas sim a sua utilização, não era necessário que o auto de infração contemplasse a possibilidade de compensação nos períodos posteriores, pois a Fiscalização não glosou a materialidade do prejuízo fiscal, de sorte que bastava à Recorrente verificar um lucro da mesma natureza, passível de tais compensações, e implementálas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 00 61 /2 00 6- 55 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Capinas/SP. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da ora Recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas —IRPJ, constatadas irregularidades no anocalendário 2001, descritas no Termo de Constatação Fiscal de folha 182. Resumidamente, segundo a autoridade administrativa lançadora, em revisão parametrizada, realizada na DIPJ/2002 da empresa supra, constatouse a compensação de prejuízo fiscal em montante superior ao saldo disponível e o contribuinte foi intimado a prestar os esclarecimentos quanto às diferenças constatadas neste exercício, sendo certo que em sua resposta, procurou demonstrar a apuração do prejuízo do exercício 2001, anobase 2000, sobre o qual não existe qualquer controvérsia, porque corresponde ao resultado dos valores por ele mesmo declarados neste Exercício, Ficha 06A, Linha 42, Receitas da Alienação de Bens/Direitos do Ativo Permanente, no valor de R$ 1.717.392,59, e Linha 44, Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados, no valor de R$ 3.418.501,76, gerando Resultado não operacional de (R$ 1.701.109,17) que compensado em parte na apuração de resultado do próprio exercício, resultou no Saldo de Prejuízo Não Operacional no valor de R$ 885.187,88, que por força do disposto no artigo 511 do RIR/1999, somente poderá ser compensado em exercícios futuros com lucros da mesma natureza. Segundo a Fiscalização, o esclarecimento objetivado no Termo de Intimação de 26/09/2005, referiase ao Exercício de 2002, Anocalendário de 2001, quando se verificou a pretensão do contribuinte em compensar, além do saldo de Prejuízo Fiscal de períodosbase anteriores que possuía no valor de R$ 1.360.262,98, a parcela de R$ 221.029,39 de Prejuízo Não Operacional do exercício anterior, atitude desautorizada pelo referido dispositivo legal. Devidamente notificada das imputações fiscais, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 190 – 201), alegando em síntese que teria observado as determinações do art. 36 da Instrução Normativa SRF n° 11/1996, aduzindo ser importante demonstrar a evolução das compensações de prejuízos fiscais operacionais e não operacionais efetuadas desde o ano calendário 1999 (DIPJ exercício 2000 — Doc. 03), devidamente escriturados no Livro de Apuração do Lucro Real — Lalur — Parte B Prejuízos Fiscais — Doc. 04, ressaltando que no anocalendário de 1999 foi apurado um prejuízo fiscal relativo às demais atividades no valor de R$ 1.360.254,40, valor que fora reconhecido pelo próprio agente autuante. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13899.000061/200655 Acórdão n.º 1301001.154 S1C3T1 Fl. 3 3 Assentou ainda, que foram apurados um prejuízo fiscal no valor de R$ 885.187,88 e um lucro não operacional no valor de R$ 1.701.109,17 e que esse prejuízo fiscal de R$ 885.187,88 foi devidamente considerado pela Recorrente como prejuízo fiscal não operacional, para fins de compensação no limite percentual de 30% com o lucro não operacional a ser apurado no período subsequente (anocalendário 2001), destacando que posteriormente, no anocalendário de 2001, conforme DIPJ do exercício de 2002, apurou um lucro real no valor de R$ 8.914.515,81, valor que pode ser compensado com o prejuízo fiscal apurado nos exercícios anteriores, até o limite percentual de 30%, conforme determina o artigo 15 da Lei federal n° 9.065/1995, mencionando que nesse mesmo exercício foi apurado um resultado positivo (lucro) não operacional no valor de R$ 3.918.543,62. Seguiu arrazoando que a apuração da base de cálculo do IRPJ foi feita conforme determinação da legislação fiscal de regência (artigo 250, inciso III do RIR/99), segundo o qual excluiu do lucro líquido do período de apuração o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, sendo observada a regra de compensação de prejuízos fiscais conforme a sua natureza (artigo 31 da Lei n° 9.249/95 e artigo 36 da Instrução Normativa SRF n° 11/96. Afirmou verificarse que no períodobase de 2001, em respeito aos parágrafos 8° e 9º da Instrução Normativa DRF n° 11/96, o valor do prejuízo fiscal não operacional (R$ 885.187,88) a ser compensado não excedeu o total dos resultados não operacionais positivos (R$ 3.918.543,62) apurados no período de compensação. Além do que a soma dos prejuízos fiscais não operacionais e operacionais, correspondentes aos valores de R$ 885.187,88 e R$ 1.360.254,41, respectivamente, resultou em um valor de R$ 2.245.442,32, inferior, portanto, ao limite de 30% do lucro líquido do períodobase da compensação, ou seja, ao valor de R$ 2.674.354,74. Concluiu, destarte, que houve equívoco da Fiscalização ao efetuar o lançamento do IRPJ, visto que o lucro não operacional do anocalendário 2001 foi suficiente para absorver todo o prejuízo não operacional do período anterior, razão pela qual seria infundada a assertiva que fundamenta a autuação fiscal de que houve insuficiência de saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores, ou de que a Recorrente teria excedido a compensação dos prejuízos, reiteradamente que tendo observado integralmente as normas da Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996, deve ser cancelada a autuação. A 2ª Turma da DRJ em Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 420 a 427, julgou procedente a autuação, ao fundamento de que, nos termos do artigo 511 do RIR/99, os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite previsto no caput do art. 510 e que se considera não operacionais os resultados decorrentes da alienação de bens ou direitos do ativo permanente, sendo que a regulamentação da aplicação da norma jurídica prevista no preceito legal foi efetivada com a edição da Instrução Normativa SRF n° 11/96. Rememorada a disciplina legal acerca do tema, assentou a decisão recorrida ser mister verificar se a Recorrente observou a legislação. Compulsando os dados das DIPJ 2001 e 2002 (anoscalendário 2000 e 2001), observando nesse sentido, que conforme as prescrições dos §§ 5° e 6° do art. 36 da IN SRF n° 11/96, é exigida a separação em prejuízos não operacionais e em prejuízos das demais atividades se, no período, são verificados, Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 cumulativamente, resultados não operacionais negativos e lucro real negativo (prejuízo fiscal), sendo que nesses casos, deve a pessoa jurídica comparar o prejuízo não operacional com o prejuízo fiscal apurado na demonstração do lucro real, e se todo o resultado não operacional negativo for maior ou igual ao prejuízo fiscal, todo o prejuízo fiscal será considerado não operacional. Concluiu ser justamente o que ocorreu no caso em apreço, porquanto no ano calendário 2000, a Recorrente apurou resultado não operacional negativo de R$ 1.701.109,17 e prejuízo fiscal de R$ 885.187,88. Verificando que o resultado não operacional negativo era maior que o prejuízo fiscal, este foi considerado prejuízo fiscal não operacional, sendo que a divergência entre a interpretação adotada pela Fiscalização e a Recorrente se instaura em relação à apuração do resultado não operacional na DIPJ 2002 (anocalendário de 2001). Reputou a decisão recorrida que a Fiscalização observou as instruções de preenchimento da DIPJ 2002, e de acordo com elas (instruções), concluiu que Recorrente, no anocalendário de 2001, teria apurado um resultado não operacional negativo de R$ 2.652.527,14 — diferença entre a receita de alienação de bens/direitos do Ativo Permanente de R$ 1.069.471,32 e o valor contábil dos bens/direitos alienados de R$ 3.721.998,46 (conforme consta do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais de fls. 418), sendo indevida, portanto, a compensação do prejuízo não operacional apurado no anocalendário anterior. Concluiuse assim, que pela impugnação, verificase que a Recorrente pretende incluir o valor de R$ 6.571.070,76, informado na Linha 41, a título de "Outras Receitas Não Operacionais" na apuração do resultado não operacional, o que redundaria na apuração de um resultado não operacional positivo de R$ 3.918.543,62, que autorizaria a compensação do prejuízo fiscal não operacional apurado no anocalendário anterior, todavia, tal procedimento apenas seria válido se comprovado erro de preenchimento da DIPJ 2002, porque em princípio, o valor que deveria ter sido informado naquela Linha, conforme acima visto, não integra a determinação do resultado não operacional, para efeito de aplicação do art. 511 do RIR/99. Por fim, na ausência de provas a corroborar o erro de preenchimento da DIPJ 2002, válida se configuraria a glosa da compensação de prejuízos fiscais no valor de R$ 221.029,39, realizada no anocalendário de 2001, tendo em conta que efetuada em valor superior ao saldo disponível de prejuízos fiscais das demais atividades dos anoscalendário anteriores de R$ 1.360.262,98, conforme demonstrativo de folha 418. Devidamente cientificada da decisão em questão (fls. 428 – 431), a contribuinte interpôs Recurso Voluntario (fls. 432 – 447), alegando em resumo que o Auto de Infração, lavrado em 2006, originouse da revisão da DIPJ referente ao anocalendário de 2001, e tem como objetivo a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ"), multa e juros, em virtude da glosa de prejuízos indevidamente compensados, relembrando que no tocante à glosa da compensação dos prejuízos o auto de infração menciona que a empresa não teria saldo suficiente para compensar, em 2001, o prejuízo nãooperacional apurado em 2000. Referiu, entretanto, que nem a autoridade fiscal nem a decisão recorrida observaram a possibilidade de o prejuízo fiscal nãooperacional ser compensado, no todo ou em parte, com o resultado nãooperacional positivo auferido nos exercícios seguintes (decorrente da alienação de bens do ativo permanente), sendo a consequência, caso fosse observada a possibilidade de compensação, a aplicação do mesmo tratamento da postergação do pagamento do imposto, conforme vem decidindo há anos o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que conta inclusive com uma súmula sobre a hipótese. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13899.000061/200655 Acórdão n.º 1301001.154 S1C3T1 Fl. 4 5 Dito isso, arrazoou que em momento algum o auto de infração ou o acórdão de primeira instância questionaram a existência do prejuízo fiscal nãooperacional no ano de 2000, passível de compensação no exercício seguinte, desde que houvesse saldo suficiente e fosse observado o limite percentual de 30% (trinta por cento), pois o que foi contestado na autuação foi o resultado nãooperacional positivo declarado na DIPJ 2002, o qual, segundo o fisco, teria sido insuficiente para absorver o prejuízo fiscal auferido no exercício anterior. Segundo a Recorrente, portanto, partindo da premissa que de fato o saldo era insuficiente, caberia a autoridade revisora, quando da lavratura do auto de infração, ter verificado se no período compreendido entre o anocalendário sob revisão e a data da autuação o contribuinte obteve lucro suficiente para absorver, ao menos parcialmente o prejuízo apurado, à semelhança do que ocorre na postergação de pagamento de tributo, sob pena de ser exigido imposto em duplicidade, porquanto no seu entender, no presente caso, a Recorrente apresentou resultado nãooperacional positivo (decorrente da alienação de bens do ativo permanente) nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, conforme se verifica das DIPJs 2003, 2004 e 2005 anexadas ao presente recurso (doc. 04). Afirmou a Recorrente, diante disso, que se tais resultados tivessem sido levados em conta pela autoridade revisora quando da lavratura do auto de infração, em 2006, o presente lançamento provavelmente deixaria de existir ou ao menos seria significantemente reduzido, uma vez que o prejuízo apurado (e glosado pela fiscalização) teria sido compensado com os resultados positivos daqueles anos. Salientou os precedentes administrativos acerca da postergação do pagamento, bem como o disposto na Súmula CARF nº 36, concluindo que não poderia ser penalizada com o lançamento advindo da glosa de sua compensação, uma vez que ficou demonstrado que apurou resultado positivo nãooperacional nos exercícios seguintes (decorrente da alienação de bens do ativo permanente), o que deveria ter levado à aplicação do tratamento de postergação do pagamento do tributo, requerendo o provimento do seu Recurso para reformada da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Segundo atestado pela Fiscalização e reconhecido pela decisão recorrida, a contribuinte pretendeu compensar prejuízos não operacionais com valores de outra natureza, situação sabidamente vedada pelo artigo 511, do RIR/99. De acordo com o que contido nos autos, presente a obrigatoriedade de segregação dos prejuízos não operacionais das demais atividades, se verificados cumulativamente, e os resultados não operacionais negativos e prejuízo fiscal, a Recorrente, no anocalendário de 2000, apurou resultado não operacional negativo de R$ 1.701.109,17 e prejuízo fiscal de R$ 885.187,88, verificandose que o resultado não operacional negativo era maior que o prejuízo fiscal, este foi considerado prejuízo fiscal não operacional. Tal como relatado acima, a decisão recorrida reconheceu que a empresa no anocalendário de 2001 teria apurado um resultado não operacional negativo de R$ 2.652.527,14 — diferença entre a receita de alienação de bens/direitos do Ativo Permanente de R$ 1.069.471,32 e o valor contábil dos bens/direitos alienados de R$ 3.721.998,46 (conforme consta do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais de folha 418), sendo indevida, portanto, a compensação do prejuízo não operacional apurado no anocalendário anterior. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte não infirma o conteúdo material da decisão recorrida, ou seja, a constatação de ser indevida a compensação naquele anocalendário, antes, porém, aduz que se o prejuízo era inconteste como reconheceu a própria Fiscalização, ao caso concreto deveria terse aplicado a regra da postergação do pagamento. Confirase, por oportuno, o trecho do item 08 do Recurso Voluntário (fls. 437 em diante), in verbis: (...) 08. Entretanto, nem a autoridade fiscal e tampouco a 2ª Turma de DRJ/CPS observaram a possibilidade de o prejuízo fiscal nãooperacional ser compensado, no todo ou em parte, com o resultado nãooperacional positivo auferido nos exercícios seguintes (decorrente da alienação de bens do ativo permanente). 9. A consequência decorrente, caso fosse observada a possibilidade de compensação, seria a aplicação do mesmo tratamento da postergação do pagamento do imposto, conforme vem decidindo há anos o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que conta inclusive com uma súmula sobre a hipótese. (...) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13899.000061/200655 Acórdão n.º 1301001.154 S1C3T1 Fl. 5 7 Afirma a Recorrente, com razão neste ponto, que em momento algum o auto de infração ou a decisão recorrida questionaram a efetiva existência do prejuízo fiscal não operacional no ano de 2000, passível de compensação no exercício seguinte, desde que houvesse saldo suficiente e fosse observado o limite percentual de 30%. Com efeito, foi glosado o resultado nãooperacional positivo declarado na DIPJ 2002, o qual, segundo o fisco, teria sido insuficiente para absorver o prejuízo fiscal auferido no exercício anterior. O que resta saber, portanto, é se de fato a Fiscalização estava adstrita, na lavratura do auto de infração, a observar analogamente as regras da postergação de pagamento, pois segundo a Recorrente, se o saldo era insuficiente caberia verificar se no período compreendido entre o anocalendário sob revisão e a data da autuação o contribuinte obteve lucro suficiente para absorver, ao menos parcialmente, o prejuízo apurado, sob pena de ser exigido imposto em duplicidade. Isso porque, segundo sustenta no item 14 da peça recursal, apresentou resultado nãooperacional positivo (decorrente da alienação de bens do ativo permanente) nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, conforme se verifica das DIPJs 2003, 2004 e 2005 anexadas ao presente recurso, sendo que tais resultados, caso tivessem sido levados em conta pela autoridade revisora quando da lavratura do auto de infração, em 2006, o presente lançamento provavelmente deixaria de existir ou ao menos seria significantemente reduzido, uma vez que o prejuízo apurado (e glosado pela fiscalização) teria sido compensado com os resultados positivos daqueles anos. Por mais simpatia que apresente o argumento invocado, entendo que na espécie a decisão recorrida não está a merecer qualquer reforma. Digo isso considerando que a própria Recorrente argumenta nos itens 11 e 12 que o auto de infração não questiona a existência do prejuízo fiscal nãooperacional no ano de 2000, mas sim o saldo positivo declarado na DIPJ 2002, considerados de natureza distinta e não passível de compensação com o dito prejuízo. Sendo assim, ao contrário do que concluiu a Recorrente, não era necessário que o auto de infração contemplasse a possibilidade de compensação nos períodos posteriores, bastava à Recorrente verificar um lucro da mesma natureza, passível de tais compensações, e implementálas. Com essas considerações encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 06 de março de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10945.004334/2006-40
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 200.2, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO.
A presunção do art. 42 da Lei n 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido as normas especificas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários.
Numero da decisão: 3402-000.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 200.2, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO. A presunção do art. 42 da Lei n 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido as normas especificas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:11:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:11:48Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:11:49Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:11:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f31e71b0-ae8a-45ec-8766-ef9ada75ef33; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:11:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:11:49Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:11:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:11:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:11:48Z; created: 2011-03-10T13:11:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-03-10T13:11:48Z; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:11:48Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl, 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10945.004334/2006-40 Recurso n° 16L936 Voluntário Acórdão n" 2202-00168 — 2° Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s): 2002 e 2003 Recorrente MOHAMAD SAID MANNAH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 200.2, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO. A presunção do art. 42 da Lei if 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido as normas especificas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, NE V AA 71 SO KNN Presidente PEDRO ANAN JÚNIOR - Relator EDITADO EM: 1 1 FEV 2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Heloisa Guarita Souza, Antonio Lopo Martinez, Rayana Alves de Oliveira França, 1 Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (suplente convocada), Pedro Anan Junior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Gustavo Lian Haddad e Conselheiros Ana Maria Ribeiro dos Reis. 2 Processo n 10945.004334/2006-40 S2-C2T2 Acórdão n " 220240,168 Fl, 2 Relatório Contra o contribuinte MOHAMAD SAID MANNAH, inscrito no CPF sob o n° 414,548,129-15, foi lavrado auto de infração de fls. 315 a .321, onde se exige o IRPF no valor de R$ 921.888,81 (principal, multa de oficio de 75% e juros de mora), 0 fundamento do auto de infração foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantida em instituição financeira no exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recuros utilizados nessas operações. Cuja origem foi o Memorando Circular/GAB n° 2006/050.3, o qual se referia ao denominado "caso especial Audi e Delta Bank". 0 termo de verificação fiscal de fls. 304 a .314, descreve os eventos que deram origem ao lançamento ora analisado. O contribuinte foi regulamente cientificado da exigência, apresentando impugnação de fls. 329 a 366, onde alega em síntese que: Houve engano acerca do conteúdo da autuação, pois os argumentos apresentados pela autoridade lançadora carecem de lógica jurídica e fundamenção legal; Argumenta a ausência de ordem judicial para a quebra do sigilo bancário, bem como falta de documentos para o desenvolvimento regular do procedimento administrativo fiscal, o que acarreta a nulidade absoluta da autuação; Questiona o conteúdo do oficio n° 001/04-FT/CC5/NY, de fl, 19, que estaria desacompanhada da planilha com a relação de contas que seriam submetidas a quebra do sigilo bancário, bem como a decisão judicial não comentar o nome do contribuinte; Teria ocorrido a transgressão ao devido processo legal, previstos na Constituição Federal, tendo em vista a ausência de tradução para o vernáculo de vários documentos estrangeiros; No mérito alega que deve ser reconhecida a decadência em relação ao saldo' existente na conta corrente em .31/12/2000, e que tal valor seja aproveitado corno saldo de caixa para o ano-calenddrio subsequente; Não teria ocorrido nenhum acréscimo patrimonial por parte do contribuinte, portanto não teria ocorrido o fato gerador do imposto de renda; Os valores movimentados não são de sua titularidade, mas sim das empresas Mannah SRL e Petisquera SRL, das quais é sócio e foram utilizados para pagamento de fornecedores; Alega que depósitos bancários, por si só, não configuram auferimento de rensa, sendo ilegal a autação com base nesse argumento; Que a multa tem caráter confiscatório. 3 Tendo em vista a juntada dos documentos de fls, 372/379 o contribuinte foi intimado a se manifestar a respeito dos mesmos, onde apresenta suas argumentações 384 a 393. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência do lançamento através do acórdão DRJ/C TA n° 14.963, de 02/08/2007, as fls. 397/411, cuja síntese da decisão segue abaixo: "ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário 2001, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracteriza-se omissão de rendimentos, a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas junto de instituiçaes financeiras no exterior, em relação aos quais o titular, pessoa regularmente intimada, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA DOCUMENTOS. REMESSA JUDICIAL Os documentos produzidos no âmbito da Justiça Federal e remetidos oficialmente gozam de presunção de legitimidade e autenticidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular na proporção de 50%, RECURSOS EM DINHEIRO Valores declarados Como dinheiro em espécie no final de um ano-calendário só poderão ser considerados como origem de recursos para o ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua exigência. ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário 2001, 2003 NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal .foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo Tratando-se de processo cujos elementos são originários da Justiça, presumem-se verdadeiras as alegações levantadas contra o interessado, a quem cabe desconstituir o ,feito. PRESUNÇÃO LEGAL PRODUÇÃO DE PROVAS 4 Process() n° 10945.0043.34/2006-40 sz-czn Ac6rao n ° 2202-00168 Fl 3 Não é dever da SRF produzir provas documentais cuja responsabilidade compete ao sujeito passivo, isto porque presunção legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o dints de elidir a imputação, mediante comprovação da origem de todos os recursos depositados; assim, descabe inquirir a autoridade.fazendária alienígena. MULTA CONFISCA TÓRIA A 'India de oficio é devida em face da infração, ás regras instituidas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, 6 inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. Lançamento Procedente, Devidamente cientificado dessa decisão em 24/08/2007, ingressou o contribuinte corn recurso voluntário tempestivamente cm 24/09/2007, onde rati fica os argumentos apresentados na impugnação. o relatório. 5 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR., Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. 0 fundamento do auto de infração foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito ou de investimentos, mantida em instituição financeira no exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recuros utilizados nessas operações. Cuja origem foi o Memorando Circular/GAB n° 2006/0503, o qual se referia ao denominado "caso especial Audi e Delta Bank". O que se coloca, no presente caso, diz respeito à ocorrência ou não de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Segundo a fiscalização, teria havido sim tal omissão, em virtude de movimentações verificadas na conta corrente n. 116682, mantida no Audi Bank titularidade do Recorrente e Atef Mohamad Said Manah. As movimentações financeiras furam identificadas através dos extratos bancários de fls. 43 a 47. E o recorrente não nega que as contas está em seu nome, o que ele alega é que em realidade tais valores são de titularidade de duas pessoas jurídicas sediadas no Paraguai — La Petisqueira SRL e Mannah SRL, apresentando vários documentos referentes as mesmas para justificar a movimentação bancária. Como já se antecipou, atribui-se ao Recorrente a omissão de rendimento de que trata o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que tem a seguinte redação: "Art, 42, Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição . financeira, em relacdo aos quais o titular, pessoa fisica ou . jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera cães, §1" 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira §2" Os valores cuja orizem houver sido comprovada , que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter -se-ão as normas de tributação especificlq, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos, §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados.. 6 Processo n 0 10945 004334/2006-40 S2-C2T2 Aet5r(Fao " 2202-00,168 Fl 4 I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no coso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1,000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n° 9481, de 199 7,1 ,§4" Tratando-se de pessoa.física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, cow base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. ,yç Quando provado que os valores creditados na canto de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da canto de depósito ou de investimento.(Incluido pela Lei n° 10.637, de 2002) 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informagde,s dos titulares ten/lain sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares, (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002)" Conforme se depreende do caput do referido dispositivo, caracteriza-se a omissão de rendimento quando a origem dos valores creditados na conta de deposito não for comprovada, caso em que a tributação da pessoa fisica sera feita corn base na tabela progressiva (§4°.). Se a origem dos depósitos for demonstrada, os respectivos valores deverão observar as regras de tributação especi ficas, nos termos do §2° da referida norma legal. Ou seja, os valores devem ser tributados com o fundamento de acréscimo patrimonial a descoberto ou omissão de rendimentos recebidos de pessoa fisica ou juridica, e nunca sob o fundamento de omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Estabelece ainda o §5°. que "quando provado que os valores creditados na conta de depósito „. pertencem a terceiro, evidenciando inlet-posição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da canto de depósito . E o caso dos autos, como passo a evidenciar . Podemos verificar que os extratos bancários de fls. 43 a 47, demonstram que foi o depositante dos valores objeto do presente lançamento conforme demonstro abaixo: Golden Eye Distributors Inc; Deraboix AS; ACH Kros Holding IN; Bonsucex INTL LTD; Seaway Holding Corp; The Global One Remittance; Além do mais, a própria autoridade lançadora confirma tais fatos, ao analisarmos o termo de verificação fiscal de fls, 309, abaixo transcrito: 'Se isso de fato ocorreu, seria lógico supor que essas empresas figurassem como depositantes na referida conta. No entanto, verifica-se nos extratos que os recursos foram depositados pelas empresas Gonden Eye Distributors Inc, Deraboix AS, ACH Kros Holdings IN, Bonsuces INTL LTD, Seaway Holding Corp e The Global One Rem itance, empresas que não . figuram no rol de empresas de que o contribuinte é sócio, O contribuinte não deu explicações convincentes acerca dessa incongruências. Em resumo, não foi feita prova da efetiva transferência dos recursos da La Petisquera e da Mannah para a conta corrente do contribuinte (pessoa física,). Ora, se todos os depósitos foram Minuciosamente identificados, a fiscalização deveria ter observado o disposto nos §§ 2°. e 5'. do artigo 42 da Lei n. 9430/96, o que não foi feito. Ou seja o fundamento do presente lançamento deveria ter sido acréscimo patrimonial a descoberto ou omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica. p recurso. Tendo em vi Recorrente. tivos que conheço do recurso no mérito dou provimento ao ao do mérito deixo de analisar as preliminares argüidas pelo PEDRO ANA UNIOR 8 Brasilia/DF, 11 de fevei de 2011, EVEL1NE COELHO DE MELO HOMAR MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARAJ2' SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10945.004334/2006-40 ,-- Recurso n°: 161.936 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto A Segunda Camara da Segunda Seção, a ton-1m ciência do Acórdão if 2202-00.168. Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10283.004095/2002-35
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 31/05/2000 a 31/03/2001
ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condiciona-se ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico.
FALTA DE DESTAQUE DO IPI. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO.
CABIMENTO. Comprovado o descumprimento do Processo Produtivo
Básico na industrialização dos produtos comercializados, em razão de conduta que se repute fraudulenta, a falta de destaque do IPI na nota fiscal, e conseqüente não-recolhimento, sujeita o contribuinte à multa de ofício de 150%, calculada sobre o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido (art.80, II, da Lei nº 4.502/64).
TAXA SELIC. JUROS. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula CARF Nº 4)
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF Nº 2)
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.865
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento a advogada Dra. Lilianne Patrícia Lima, OAB/DF nº 31.749.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condicionase ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Comprovado o descumprimento do Processo Produtivo Básico na industrialização dos produtos comercializados, em razão de conduta que se repute fraudulenta, a falta de destaque do IPI na nota fiscal, e conseqüente nãorecolhimento, sujeita o contribuinte à multa de ofício de 150%, calculada sobre o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido (art.80, II, da Lei nº 4.502/64). TAXA SELIC. JUROS. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula CARF Nº 4) INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF Nº 2) Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 40 95 /2 00 2- 35 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento a advogada Dra. Lilianne Patrícia Lima, OAB/DF nº 31.749. [Assinatura Digital] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [Assinatura Digital] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas.. Relatório Por considerar que a contribuinte descumpriu as condições impostas ao Processo Produtivo Básico, a DRJ manteve a exigência do IPI no respectivo período, conforme decisão de fls. 1881/1905 (vol. VII/IX) nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/05/2000 a 31/03/2001 ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. FISCALIZAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA. Não obstante a análise e aprovação de projeto técnicoeconômico que vise a obtenção de incentivos fiscais caber à SUFRAMA, a Secretaria da Receita Federal, por meio de seus Auditores Fiscais, exerce plenamente, por força de normas legais e de diplomas normativos outros (v.g., art. 196, § único, do CTN, art. 94 da Lei nº 4.502/64, arts. 12 e 13 do Decreto nº 61.244/67 e art.6º da Lei nº 10.593/02), a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações relacionadas aos tributos que administra. A Administração Fazendária e os seus servidores fiscais têm, nos limites de suas competências e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art.37, XVIII, da Constituição Federal). IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condicionase ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico, ou seja, sua existência sempre decorre da ocorrência de fato das condições estabelecidas previamente. Verificado, à luz de farto e Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10283.004095/200235 Acórdão n.º 3301000.865 S3C3T1 Fl. 2.437 3 coeso acervo probatório, que o pretenso beneficiário deixou de cumprir as condições que possibilitarlheiam tratar como isentas as saídas de produtos que industrializou, impõese a constituição do respectivo crédito tributário. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Comprovado o descumprimento do Processo Produtivo Básico na industrialização dos produtos comercializados, em razão de conduta que se repute fraudulenta, a falta de destaque do IPI na nota fiscal, e conseqüente não recolhimento, sujeita o contribuinte à multa de ofício de 150%, calculada sobre o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido (art.80, II, da Lei nº 4.502/64). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece às instâncias administrativas competência para afastar a aplicação de textos legais, regularmente inseridos no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente.” No recurso de fls. 1950/1978 (volume VIII/IX) a recorrente reitera os argumentos expendidos na impugnação e requer, ao final, a reforma da decisão recorrida, com o conseqüente cancelamento do credito tributário em exigência. Frisa ainda em seu recurso que, “se o fundamento da autuação é o suposto descumprimento do PPB, as referidas vendas necessariamente descontadas da acusação de descumprimento, porquanto nestas vendas a isenção do IPI independe do cumprimento do Processo Produtivo Básico”, sendo anexada à impugnação demonstrativos exemplificativos de diversas vendas para a Zona Franca de Manaus, exportações e vendas para a Amazônia Ocidental. É o Relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido das demais formalidades legais, razão pela qual dele conheço. Em relação à preliminar de nulidade, ratifico a apreciação constante da diligência (fls. 2270/2286), nos seguintes termos: “Rejeito a preliminar de suposta duplicidade de lançamentos, tendo em vista que de fato não houve duplicidade de lançamentos, o que houve foi um lançamento Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 complementar através do qual se excluiu as vendas para a Zona Franca de Manaus, em decorrência da diligência de fls. 470/477 (volume II/IX), sendo exigido da recorrente apenas o crédito tributário constante do lançamento complementar. Os próprios acórdãos citados pela Recorrente são uníssonos no sentido de que “O que não pode prevalecer é a exigência da mesma matéria em lançamentos formalizados em dois autos de infração distintos” (Ac. nº 10318.556), pois, como bem sustentou a decisão recorrida, no presente processo não se trata de dupla exigência, sendo exigido tão somente o lançamento constante do lançamento suplementar. No mesmo sentido seguem transcritas parcialmente as seguintes ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes: “Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR – VALIDADE.Verificado, em exames realizados no curso do processo, incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, é válido o auto de infração complementar quando é devolvido ao sujeito passivo prazo para impugnação da matéria modificada.” (Número do Recurso:151516 Processo:10980.000794/200591 Data da Sessão:26/04/2007 00:00:00 Relator:Moises Giacomelli Nunes da Silva Decisão:Acórdão 10248468 Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso). No mesmo sentido: “Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO COMPLEMENTAR 1) Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à parte modificada.” Número do Recurso: 109674 Processo:13963.000103/9730 Data da Sessão:18/08/1999 16:00:00 Relator:Ana Neyle Olímpio Holanda Decisão:ACÓRDÃO 20173079 Resultado:NCU NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, nos termos do voto da relatora). Ademais, não houve alteração dos critérios ou fundamentos jurídicos, conforme alega a Recorrente, não havendo, no presente caso, qualquer desrespeito ao princípio da ampla defesa, estando o auto de infração complementar autorizado pelo art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10283.004095/200235 Acórdão n.º 3301000.865 S3C3T1 Fl. 2.438 5 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No mérito importa verificar se de fato a Recorrente fez jus incentivo fiscal e se a mesma cumpriu o Processo Produtivo Básico aprovado pela SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus, conforme consta das Resoluções nº 052, de 30/11/1995 (fls. 103/104), para a montagem de televisores, monitores de vídeos, videocassete e forno de microondas, e nº 109, de 10/08/1999 (fls. 105/106) para montagem de DVD´s, no prazo estabelecido no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, pelo qual se estabelecem percentuais de redução do imposto de importação dos insumos importados utilizados no processo industrial. Da mesma forma o Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/98) condicionava a isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, o atendimento ao respectivo Plano Processo Produtivo Básico – PPB, conforme reproduzido no voto condutor da decisão recorrida e a seguir transcrito, verbis: “CAPÍTULO V DOS INCENTIVOS FISCAIS REGIONAIS SEÇÃO I Da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental SUBSESãO I Da Zona Franca de Manaus Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Art. 59. São isentos do imposto (DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (...) II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 3303 a 3307 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico;”(grifos acrescidos). Assim sendo, há que se considerar não só a aprovação do projeto competente pela SUFRAMA, mas também o cumprimento do PPB para a fruição do benefício da isenção fiscal, o que, no caso, não restou efetivamente comprovado. Com vistas à demonstrar as irregularidades constatadas na industrialização e que embasaram o lançamento complementar, de acordo com o relatório de diligência fiscal (fls. 475), foram juntados aos autos os DCR – Demonstrativos do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação de nºs 2397, 2378, 3261, todos de março de 2000 e 8236, 8237, 8238 de 22 de agosto de 2000, em relação aos quais houve descumprimento do Processo Produtivo Básico – PPB para a fruição dos benefícios da Zona franca de Manaus em razão da introdução das Placas de Circuito Impresso montadas (PCI) importadas por terceiros (TDK DA AMAZÔNIA IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA), nos quais se observa que não tem amparo no limite de 12% de importação da Portaria Interministerial nº 7, de 25 de fevereiro de 1998, da seguinte forma: PPB de aparelhos de áudio e vídeo Anexo XI do Decreto nº 783/93 (fl. 134): “a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível de componentes; c) integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens a e b acima; e d) gestão da qualidade e produtividade do processo e do produto final envolvendo, inicialmente, a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade do produto final, ressalvado o disposto no art. 2º deste decreto. Observação: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10283.004095/200235 Acórdão n.º 3301000.865 S3C3T1 Fl. 2.439 7 1) Fica temporariamente dispensada a montagem dos seguintes módulos ou subconjuntos: a) mecanismos, sintonizadores e subconjuntos óticos; b) módulos quartzo analógico ou digital. 2) Fica permitida a importação de placas de circuito impresso montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18% (dezoito por cento), sendo que esse limite será calculado tomandose como 100% (cem por cento) da quantidade de placas de circuito impresso, de montagem nacional, utilizadas pela empresa no ano imediatamente anterior. 3) Os Ministérios da Integração Regional, da Ciência e Tecnologia e da Indústria, do Comércio e do Turismo, em ato conjunto, regulamentarão em 60 (sessenta) dias, a contar da data de publicação deste decreto, a aplicação da incidência dos dezoito por cento, referidos no item anterior, sobre os diferentes tipos e especificações de placas. 4) Independentemente do estipulado no item 2, fica facultada a importação de circuitos impressos montados somente com os componentes de tecnologia SMD (Surface Mounted Device) pelo prazo de 18 (dezoito) meses, improrrogáveis, a contar da data de publicação deste decreto. 5) Para o cumprimento do disposto neste Anexo XI, será admitida a utilização de subconjuntos montados no País, por terceiros, preferencialmente instalados na Zona Franca de Manaus. 6) Os subconjuntos industrializados por terceiros, na Zona Franca de Manaus, deverão atender ao processo produtivo básico.” Portaria Interministerial n.º 7, de 25/02/1998 (fl. 135): “Art. 1º Estabelecer que a aplicação da incidência dos dezoito por cento para importação de Placas de Circuito Impresso, montada com seus componentes, referidos no item 2 das Observações do Anexo XI do Decreto n.º 783/93, se estenderá a qualquer tipo de placa de circuito impresso montada com seus componentes, destinada à fabricação de aparelhos de áudio e vídeo. Art. 2º Em 1999 e a partir de 2000, o percentual de que trata o artigo anterior será de, respectivamente, quinze por cento e doze por cento. Art. 3º Não caracteriza descumprimento ao Processo Produtivo Básico as importações de placas de circuito impresso montadas com seus componentes, realizadas até a data de publicação desta Portaria, desde que amparadas por autorizações da SUFRAMA” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 É certo que, a recorrente deveria cumprir integralmente o PPB, acima descrito, o que inclui a montagem e a soldagem de todos os componentes das Placas de Circuito Impresso (PCIs), sendo admitida a importação quando já montadas para os exercícios de 2000 e 2001 (objeto do lançamento complementar), no limite de 12% (doze por cento) da totalidade das placas de montagem nacional, utilizadas pela empresa no ano imediatamente anterior, sob pena de descumprimento do PPB e recolhimento dos tributos devidos, inclusive do IPI devido pela saída dos produtos industrializados do estabelecimento, nos quais foram aplicados os insumos, quando destinados a adquirentes situados fora da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, a jurisprudência deste colendo Segundo Conselho de Contribuintes é no sentido de que “O Laudo Técnico de Produto (LTP), conforme definido e disciplinado pela SUFRAMA , é instrumento hábil para comprovar se as condições de fabricação dos produtos aprovados, para efeito do gozo dos incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, estão de acordo com os processos produtivos básicos, conforme preceitua a Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1992, regulamentada pelo Decreto nº 783, de 25.03.93, e seus anexos e portarias interministeriais complementares”, conforme depreendese da ementa do acórdão nº 20212763 (RV nº111320, Processo nº 10283.007867/9899, julgado na sessão de 13/02/2001, de relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro), in verbis: “Ementa: NORMAS PROCESSUAIS I) INICIATIVA DO FISCO A atuação da SRF na garantia do crédito tributário relacionado com isenções especiais não está jungida ao impulso prévio do órgão incumbido de zelar pela observância das condições e requisitos para a sua concessão, deve, contudo, dar primazia às manifestações deste órgão em matéria de sua competência. II) SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisões de primeira instância sobre legislação referente a Imposto sobre Produtos Industrializados, à exceção daquela referente aos casos de importação, cujo julgamento dos recursos está cometido ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Preliminares de nulidade do lançamento e de incompetência deste Conselho rejeitadas. IPI I) ZONA FRANCA DE MANAUS ISENÇÃO O Laudo Técnico de Produto (LTP), conforme definido e disciplinado pela SUFRAMA , é instrumento hábil para comprovar se as condições de fabricação dos produtos aprovados, para efeito do gozo dos incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, estão de acordo com os processos produtivos básicos, conforme preceitua a Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1992, regulamentada pelo Decreto nº 783, de 25.03.93, e seus anexos e portarias interministeriais complementares. II) MULTA DE OFÍCIO É de ser afastada na hipótese de descumprimento de requisitos para a concessão de isenção em caráter especial, desde que não caracterizado dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele, por força do disposto no inciso II do art. 155, c/c o § 2º do art. 179, ambos do CTN. Recurso provido em parte.” Desta forma, o julgamento foi novamente convertido em diligência (Resolução nº 20201.256) de fls. 2270/2286, para os seguintes fins: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10283.004095/200235 Acórdão n.º 3301000.865 S3C3T1 Fl. 2.440 9 a) Apesar de constar do voto condutor do acórdão recorrido a afirmação de que foram excluídas as vendas para a Zona Franca de Manaus (fl. 1887), conforme tabela consolidada pela Diligência Fiscal de fls. 477, a recorrente alega que nem todas as vendas para a ZFM foram consideradas, merecendo ser reapreciado este item pela unidade fiscal de origem. b) Da mesma forma não estão sujeitos ao cumprimento do PPB (além dos destinados à própria Zona Franca de Manaus) os produtos exportados (não considerados na diligência), sobre os quais não foram feitas quaisquer referências, nem na diligência fiscal e tampouco na decisão recorrida, os quais, segundo a recorrente, podem ser fabricados sem o cumprimento do PPB e com PCI´s importadas montadas), ensejando também esclarecimentos pela unidade fiscal de origem. A diligência solicitada foi cumprida da seguinte forma (fls. 2428/2432): “1.0 Tratase de ação fiscal para verificar elementos da escrita fiscal do contribuinte visando constatar se a mesma cumpriu o Processo Produtivo Básico aprovado pela Suframa, sendo a referida ação fiscal norteada pela determinação contida no VOTO do relator, da Resolução acima citada. (...) V – CONCLUSÃO: Por todo o exposto, e com base no exame dos documentos acostados na presente diligência, passamos a tecer as seguintes considerações finais: a) O objetivo precípuo da Diligência, em atendimento a uma determinação do 2º Conselho de Contribuintes, era a empresa, provar, que dentre as Notas Fiscais relacionadas no Relatório de Diligência Fiscal de 09/08/2004 e anexos (fls. 470 a 498), encontramse outras vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus além das que já tinham sido excluídas na diligência anterior (2004) e de produtos para exportação. b) A empresa declarou na DIRPJ que possui Escrituração em MEIO MAGNÉTICO, bem como possui PATRIMÔNIO LÍQUIDO condizente com a determinação legal (fls. 2419 a 2426), porém não atendeu à intimação, limitandose a disponibilizar os diversos volumes dos livros fiscais, o que é ininteligível considerandose que o pleito partiu da própria empresa e o resultado só a ela aproveitaria. c) Através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, a fiscalização fez ver à empresa que as planilhas fornecidas não permitiam depreender as informações solicitadas na Resolução nº 20201.256, sendo reiterado o pedido de informações completas mediante o Termo de Intimação, que a empresa não atendeu e continuou disponibilizando a documentação em suas dependências. d) Quando da primeira diligência realizada em 2004, a empresa adotou a mesma postura, que redundou no Auto de Infração por embaraço à fiscalização (fls. 501 a 521) e só após esse fato a empresa demonstrou Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 possuir esses dados armazenados, posto que os apresentou de maneira completa, citando, inclusive, os adquirentes das mercadorias. e) Por fim, todos os fatos relatados impossibilitaram a continuação da diligência em curso, com a agravante de que a ação fiscal encontrase em aberto há, aproximadamente, 300 dias, o que levou este auditor a encerrar a ação fiscal inconclusa.” O objetivo precípuo da Diligência, se destinava à possibilitar a recorrente a comprovar que, dentre as Notas Fiscais relacionadas no Relatório de Diligência Fiscal de 09/08/2004 e anexos (fls. 470 a 498), encontravamse outras vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus além das que já tinham sido excluídas na diligência anterior (2004) e de produtos para exportação. Da mesma forma, objetivava ainda, esclarecer sobre a existência de produtos exportados, portanto não sujeitos ao cumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB), os quais não teriam sido considerados. Portanto, considerando que o gozo à isenção do IPI, para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, está condicionado ao atendimento ao Processo Produtivo Básico e uma vez não comprovado, mesmo após reiteradas diligências deve ser julgada procedente a exigência fiscal. Consequentemente, comprovado o descumprimento do processo produtivo básico, a falta de destaque do IPI, enseja o lançamento da multa de ofício, nos termos do art. 80, I, da Lei nº 4.502/64. Finalmente, no que toca à atualização do débito pela taxa Selic o assunto encontrase sumulado no âmbito do CARF, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por fim, quanto às alegações de inconstitucionalidade sobre a aplicação do referido índice, merece ser transcrita a Súmula nº 2, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em face do exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso – Relator. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10283.004095/200235 Acórdão n.º 3301000.865 S3C3T1 Fl. 2.441 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/02/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/01/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10508.000518/2006-90
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26).
CONTRIBUINTE COM UNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA.
Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão
de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.458
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga,
que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n° 26). CONTRIBUINTE COM UNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA. Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. in/Ne ‘ C; .I\if. ; ----7-e;s— rcdie \f\P tonio Lopo t4arti7z - Relator EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10508.000518/2006-90 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.458 Fl. 2 - Relatório Em desfavor do contribuinte, CARLOS ROBERTO RODRIGUES DA SILVA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF, no valor total de R$ 1.112.486,93, incluindo encargos legais, relativa ao ano calendário 2003. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 181/183, foi apurada a seguinte infração: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificada do lançamento em 24/12/2006, a contribuinte, apresentou a impugnação com as argumentações a seguir sintetizadas. - a DRF Ilheús não é competente para fiscalizá-lo pois seu domicilio a mais de 10 anag é no município de Arataca, sendo jurisdicionado por Itabuna; - é agricultor, proprietário de fazendas e seu rendimentos são oriundos da atividade rural; - a infração de depósitos bancários é insubsistente, pois os mesmos decorrem da atividade rural; - é impossível existir coincidência de datas e valores entre os depósitos e os valores contratuais; Em 13 de setembro de 2007, os membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento. A autoridade julgadora entendeu oportuno reduzir ao montante de 20%, uma parte das infrações, uma vez que ficou demonstrada que sua origem era proveniente da atividade rural. Cientificada em 18/10/2007, a contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou, em 19/11/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 241/243, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, que reforçando os seguintes pontos: - é agricultor, proprietário de fazendas e seu rendimentos são oriundos da atividade rural; - a infração de depósitos bancários é insubsistente, pois os mesmos decorrem da atividade rural; 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao cvntribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos qrs o '‘X 4 Processo n° 1 05 08.0005 1 8/2006-90 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.458 Fl. 3 titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Nesse ponto é de se ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento e, para tanto, se faz necessário proceder a uma análise mais detalhada se está correto tomar como de omissão de rendimentos o valor integral do depósito não comprovado quando o contribuinte explora unicamente a atividade rural. No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural. Da análise dos autos, principalmente do próprio teimo de depoimento fiscal, se constata que as origens de recursos tributáveis do contribuinte são originárias exclusivamente da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados, predominantemente, da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Aliás, diga-se de passagem, é o que rege o § 2o do artigo 42 da Lei n 9.430, de 1996: "Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.". Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação específica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração, constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Trata-se, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tri,butário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve 5 estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam, exclusiva e -comprovadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de founa anual e tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas munas legais que regem o assunto, quais sejam, Lei n° 7.713, de 1988, art. 49; e Lei n° 8.023, de 1990, com as devidas alterações posteriores. No referente a apreciação dos transações elencadas na impugnação e recurso, acompanho o arrazoado da autoridade recorrida, não o questionando. Enfatize-se que se trata de questão de provas, cabendo ao recorrente o ônus de provar o que alega. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência ao percentual de 20%. )^1.-41- ( tonio Lopo arti z 6 00:4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMLNISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2. CAMARAJ2 a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10508.000518/2006-90 Recurso n°: 163.657 •/ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.458 --' I 11 lr Brasilia/DF, À EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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