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Numero do processo: 10283.100530/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO.
Acolhe-se embargos de declaração para sanar vício de contradição existente entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão.
Numero da decisão: 2301-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado para deixar clara a decisão de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. Acolhe-se embargos de declaração para sanar vício de contradição existente entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado para deixar clara a decisão de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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CONTRADIÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO. Acolhese embargos de declaração para sanar vício de contradição existente entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado para deixar clara a decisão de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 05 30 /2 00 7- 66 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos por esse Conselheiro Relator em face do acórdão de fl 237 a 241 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS. Nulidade do lançamento no tocante às rubricas GFI e GFW, pois na atribuição de prioridades para apropriação dos créditos que o sujeito passivo possui, concorreram em igualdade de condições, para efeito de rateio, fatos geradores declarados em GFIP e fatos geradores não declarados em GFIP, o que é inadmissível do ponto de vista formal. Sustentam os embargos de declaração que “há nítida contradição existente entre a fundamentação do voto condutor, o qual caminha para negar provimento ao recurso de ofício, mantendose, assim, a r. decisão colegiada de primeira instância, e a parte dispositiva, a qual registra a anulação da citada decisão.” Os embargos de declaração restaram admitidos pelo Despacho de nº 2301 225. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Nos autos discutese recurso de ofício interposto contra v. acórdão a quo o qual proclamou a nulidade do lançamento, em razão de equívocos cometidos na apropriação de créditos do sujeito passivo. Foram declarados nulos, pela decisão recorrida, os levantamentos GFI (Valores Declarados em GFIP) e GFW (Valores Não Declarados em GFIP), conforme assim exposto: “No caso em tela, em vez da apropriação integral dos créditos da postulante no levantamento GFI — VALORES DECLARADOS EM GFIP, parte dos mesmos precisamente as importâncias de R$1.397,88 e R$242,00 foram incorretamente apropriados aos levantamentos GFW — VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP, da presente Notificação e VAR — PRO LABORE ARBITRADO, da NFLD n° 37.089.9296, fato que acarretou a seguinte distorção: houve lançamento de contribuições lançadas em GFIP que já haviam sido integralmente quitadas (item "empresa" levantamento GFI), Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10283.100530/200766 Acórdão n.º 2301003.573 S2C3T1 Fl. 236 3 enquanto que deixaram de ser lançadas contribuições (não declaradas em GFIP) não pagas (itens "segurados" do levantamento GFW e "contribuinte individual" do levantamento VAR). Salientese que tal fato se repete de maneira idêntica no período de 01/2003 a 10/2005 e 01/2006 a 08/2006, dos levantamentos mencionados, assim como no levantamento GFR — VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP, da NFLD n° 37.089.9288. Tal fato significa que, na atribuição de prioridades para apropriação dos créditos que o sujeito passivo possui, concorreram em igualdade de condições, para efeito de rateio, fatos geradores declarados em GFIP e fatos geradores não declarados em GFIP, o que é inadmissível do ponto de vista formal. É plausível que, para que os créditos existentes, sejam considerados em um levantamento de débito, a fiscalização deve, primeiramente, abatêlos das contribuições declaradas em GFIP, para, posteriormente, se houver sobra, considerar para os levantamentos não declarados em GFIP, uma vez que se presume que a postulante recolheu em GPS a contribuição sobre os fatos geradores que assume como base de incidência nas suas GFIP. Tal exigência se justifica na medida em que a cobrança de valores declarados em GFIP tem redução de 50%, no valor da multa moratória, na forma do disposto no art. 35, §4° da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99, fato que não ocorre com os valores cujo tratamento é de sonegação fiscal (não declarados em GFIP). Provoca ainda, como já observado, a cobrança em duplicidade de valores já quitados (com multa moratória reduzida em 50%) e o não lançamento de de contribuição previdenciária sobre fatos geradores sonegados (cuja cobrança seria feita com a incidência de multa moratória no seu valor pleno). Houvesse a possibilidade de saneamento do erro de apropriação de recolhimento, seria provável que os novos DAD e RADA elaborados da Notificação em questão, assim como das NFLD n° 37.089.9288 e 37.089.9296, apresentassem mudanças substanciais nos valores devidos. Isto é, em certas competências os valores aumentariam, em outras diminuiriam e em outras nada mais restaria devido. Logo, haveria intensa migração de valores entre os diversos levantamentos, dificultando ainda mais o saneamento do feito já que os sistemas informatizados desta instituição não permitem o agravamento da exigência no mesmo lançamento. Desta forma, o erro na apropriação dos créditos do contribuinte acarreta a discriminação imprecisa das contribuições devidas, dificultando a compreensão da exação fiscal pelo sujeito passivo, trazendo prejuízo ao exercício do seu direito de defesa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Impossibilita também a esta julgadora a formação de convicção quanto aos valores exigidos em todo o lançamento fiscal. Na esteira do que prescreve o artigo 37, caput, da Lei 8.212/1991, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve ser lavrada com a "discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem". Assim sendo, verificase que os valores lançados no período de 01/2003 a 11/2005 e 01/2006 a 08/2006 não estão revestidos dos atributos de liquidez e certeza, essenciais a todo crédito tributário, conforme previsão expressa do art. 142 do CTN. Por outro lado, a Lei Fundamental pátria, de 1988, em seu art. 5°, LV, dispõe que "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". É cediço que a higidez formal do lançamento depende, invariavelmente, da higidez formal dos Relatórios e dos Discriminativos que o integram. A nulidade, por sua vez, não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal exceto quando a legislação expressamente condiciona a validade do ato à sua observância mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte. Isso porque as formalidades não são um fim em si mesmas, mas instrumentos assecuratórios do exercício da ampla defesa. No caso concreto, os vícios identificados comprometem irremediavelmente a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e, simultaneamente, prejudicam o exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo. O dever da administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, tem fundamento na Lei 9.784/99, Art. 53: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Em igual sentido sumulou o STFSupremo Tribunal Federal no enunciado n.° 473, vejase: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos: ou revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Por todo o exposto, devem ser julgados nulos os valores lavrados nas seguintes competências: • Levantamento GFI — VALORES DECLARADOS EM GFIP: 01/2003 a 08/2003, 01/2004, 09/2004 a 12/2004, 02/2005 a Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10283.100530/200766 Acórdão n.º 2301003.573 S2C3T1 Fl. 237 5 04/2005, 08/2005 a 11/2005, 01/2006 a 05/2006, 07/2006 e 08/2006; • Levantamento GFW — VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP: 01/2003 a 01/2006, 03/2006 e 08/2006.” O voto condutor do acórdão embargado compartilhou do entendimento esposado na decisão acima transcrita deixando claro que não há “motivo plausível capaz de reformar o julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA.” Contudo, a parte dispositiva do acórdão, na qual deveria constar “VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício” constou “ANULAR a decisão recorrida”, de forma contraditória aos fundamentos e à conclusão que havia sido firmada. Diante da nítida contradição, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para retificar a parte dispositiva do acórdão de que modo que seja negado provimento ao recurso de ofício. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017877/2007-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as despesas médicas fixadas em acordo homologado judicialmente em favor dos filhos do alimentante menores de 21 anos de idade. Inexistindo no acordo a previsão do pagamento aos alimentandos, descabe a dedução de tais despesas na declaração.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) e Tânia Mara Paschoalin que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do Voto Vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as despesas médicas fixadas em acordo homologado judicialmente em favor dos filhos do alimentante menores de 21 anos de idade. Inexistindo no acordo a previsão do pagamento aos alimentandos, descabe a dedução de tais despesas na declaração. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) e Tânia Mara Paschoalin que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do Voto Vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator Designado Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 105 1 104 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.017877/200766 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.008 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO CARLOS DOORGAL DE ANDRADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as despesas médicas fixadas em acordo homologado judicialmente em favor dos filhos do alimentante menores de 21 anos de idade. Inexistindo no acordo a previsão do pagamento aos alimentandos, descabe a dedução de tais despesas na declaração. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) e Tânia Mara Paschoalin que negavam provimento ao recurso. Designado Redator do Voto Vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 78 77 /2 00 7- 66 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 106 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 35/36), reproduzido a seguir: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, que formalizou a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.940,00, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até setembro de 2007, totalizando R$14.516,17. O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 25 a 27, entre os quais foi alterado o valor de dedução de despesas médicas de R$22.862,96 para R$1.262,96. De acordo com o relato da autoridade fiscal, a glosa dos valores foi efetuada por falta de apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas relacionadas abaixo: • Renata Pereira Grangeiro — CPF: 857.073.50659 — R$3.000,00; • Ellen Mara Nogueira de Santana— CPF: 029.316.97648 — R$3.000,00; • Karla Cristina de Oliveira Medeiros— CPF: 003.581.45600 — 5.600,00; • Nicolau Carvalho Esteves — 119.441.61600— 10.000,00. Cientificado do lançamento em 04/10/2007, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 01/03 em 05/11/2007, instruída com as cópias de documentos de fls. 04/18, alegando: Em preliminar, esclarece: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 107 3 1. Segundo declarações assinadas pela dentista Renata Pereira Grangeiro, datadas de 19/07/2007, realmente foi o responsável pelo desembolso da quantia R$1.398,00 para tratamento dentário de seu filho Martim Francisco Suppes de Andrada e pela quantia de R$1.602,00 em favor de seu filho, ambos os tratamentos referentes a prevenção, dentística e periondontia, totalizado em R$3.000,00; 2. Consoante declaração assinada pela dentista Ellen Mara Nogueira de Santana foi realizado tratamento odontológico dos alimentandos Maria Carolina Suppes de Andrada e Antônio Carlos Suppes Doorgal de Andrada, no valor de R$3.000,00; 3. Apresenta declaração assinada pela dentista Karla Cristina de Oliveira Medeiros informando ter recebido a quantia de R$5.600,00 referente ao tratamento odontológico do próprio contribuinte; 4. Apresenta recibo assinado pelo Dr. Nicolau Carvalho Esteves onde informa o desembolso da quantia de R$10.000,00, referente a tratamento ortopédico realizado pelo profissional ao contribuinte, e a titulo de prova documental anexa ressonância magnética efetuada junto ao Hospital Madre Teresa relativa ao tratamento da hérnia de disco descrita no recibo médico. Anexa à impugnação os documentos acima mencionados para demonstrar que se trata de contribuinte idôneo e afirma que, independente de não possuir cópias de cheque ou extratos bancários que comprovem os desembolsos dos valores pagos aos profissionais, os tratamentos foram efetivamente realizados. No mérito, inicialmente aduz a tempestividade da impugnação. Em seguida citando a legislação Decreto n° 3.000 (artigos 80, § 10 incisos I e II e 73) — alega que as despesas médicas declaradas foram indevidamente glosadas, uma vez que os procedimentos ortodônticos e tratamento ortopédico foram efetivamente realizados. Solicita a aprovação das despesas, principalmente da despesa médica citada, com a respectiva alteração de valores da cobrança. A 6ª Turma da DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. GLOSAS DE DEDUÇÕES. Havendo questionamento da autoridade fiscal, somente serão restabelecidas as deduções das despesas médicas quando comprovada a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 108 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 17/03/2011 (fl. 41 deste e processo), o interessado interpôs, em 14/04/2011, o recurso de fls. 45/50, ao qual anexou os documentos de fls. 51/74. Na peça recursal elenca ementas de acórdãos deste Conselho e aduz que: Segundo a Lei nº 11.727/2008, que alterou a redação do § 3° do art. 8° da Lei n° 9.250/2005, são permitidas as deduções das despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, na determinação da base de cálculo do imposto de renda; Não há como manter a glosa de despesas amparadas em documentos hábeis e idôneos, identificados por profissionais qualificados; Todos os profissionais que atenderam ao contribuinte e seus dependentes são membros ativos dos seus respectivos conselhos, estando, portando, aptos a prestar os respectivos serviços; Contra os mesmos não existe Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos, que pudesse invalidar suas declarações; Atendendo ao que consta no acórdão recorrido, apresenta declaração dos profissionais atestando a prestação dos serviços e seu efetivo pagamento e "provas complementares" compostas de fichas odontológicas, odontograma e exame de ressonância que atestam, de forma inequívoca, a efetivação da despesa e a veracidade das informações prestadas ao fisco. Ao fim, requer seja acolhido o presente Recurso com a validação das despesas glosadas e cancelamento da exigência expressa no acórdão recorrido. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 8, que o contribuinte, regularmente intimado, deixou de apresentar os recibos e a comprovação dos pagamentos, motivo pelo qual foram glosadas as despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual. À peça impugnatória foram anexadas declarações assinadas por profissionais da área odontológica atestando o pagamento de despesas realizadas com o tratamento dentário de diversas pessoas e do próprio contribuinte, bem como o recibo de fl. 16, referente a tratamento médico deste. No recurso, uma das alegações do interessado é de que a redação do § 3° do art. 8° da Lei n° 9.250/2005 permite deduções de despesas médicas de alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 109 5 O dispositivo citado realmente permite tais deduções. Registro, no entanto, que não constava dos autos a decisão judicial que determinou o pagamento de alimentos, por parte do Recorrente, às pessoas que teriam realizado os tratamentos constantes das fichas odontológicas anexadas à peça recursal. A Autoridade lançadora não poderia ter intimado o contribuinte a apresentar cópia da sentença judicial, haja vista que o lançamento foi efetuado em virtude da não apresentação dos recibos e da não comprovação dos pagamentos. Em outras palavras: até o momento do lançamento a Autoridade lançadora não sabia que parte dos valores deduzidos a título de despesas médicas seria de despesas realizadas com alimentandos. O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada por não terem sido comprovados os pagamentos das despesas médicas deduzidas na declaração de ajuste anual, ou seja, não se discutiu na instância a quo se as despesas deduzidas decorriam ou não do cumprimento de decisão judicial em ação de alimentos, não obstante o contribuinte ter indicado como alimentando, na peça impugnatória, Maria Carolina Suppes de Andrada e Antônio Carlos Suppes Doorgal de Andrada (não houve essa qualificação em relação a Martim Francisco Suppes de Andrada e Bonifácio José Suppes de Andrada). Por este motivo, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que o Interessado promovesse a juntada da decisão judicial que determinou o pagamento de alimentos. Às fls. 95/99 deste processo digital foram anexados o acordo celebrado entre o Recorrente e sua excônjuge e a sentença que o homologou. No que se refere à pensão alimentícia ficou acordado que (item 4.2 do acordo, à fl. 98) “Para a ajuda na mantença dos filhos e do cônjuge virago, o cônjuge varão obrigase a uma pensão mensal equivalente a 50% dos seus vencimentos líquidos, sendo 40% para os primeiros e 10% para a segunda”. Não há, no acordo homologado, nenhuma cláusula estipulando o pagamento, pelo alimentante, ora Recorrente, das despesas médicas dos seus filhos, de forma que entendo que devem ser mantidas, por ausência de previsão no acordo, as glosas das seguintes despesas: R$ 1.398,00 com o filho Martin Francisco Suppes de Andrada; R$ 1.602,00 com o filho Bonifácio José Suppes de Andrada; R$ 3.000,00 com os filhos Maria Carolina Suppes de Andrada e Antônio Carlos Suppes Doorgal de Andrada. Registro, ainda, que se tratando de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. No que se refere às despesas glosadas relativas ao próprio Recorrente, cabe ao contribuinte provar os fatos que as originaram, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 110 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, todavia, que tal faculdade deve ser concretizada, em regra, por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora não anexou aos autos o Termo de Intimação Fiscal solicitando a comprovação do efetivo pagamento, o que, a princípio, levaria ao restabelecimento das despesas glosadas, caso os recibos apresentados estiverem revestidos dos requisitos legais previstos na legislação, na linha do que vem sendo decidido por esta Turma de julgamento. Anoto, entretanto, que o Interessado informa, na peça impugnatória (fl. 4), que foi intimado a comprovar o efetivo desembolso. São deles as seguintes palavras: “O contribuinte, apesar de não possuir cópia de efetivo desembolso solicitada pela DRF, apresenta, a titulo de prova documental ressonância magnética efetuada junto ao Hospital Madre Teresa relativa ao tratamento de hérnia de disco descrita”. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação do contribuinte, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, uma vez que, nos termos do art. 73 do RIR/1999, acima transcrito, as deduções de despesas médicas “estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Assim, se o próprio Recorrente confirma a informação lançada na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 8), de que foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, penso que deve ser mantida a glosa de tais despesas, no valor de R$ 15.600,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre – Relator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do Ilustre Conselheiro Relator somente acerca da despesa medica do próprio contribuinte, no valor de R$10.000,00, com o profissional Nicolau Carvalho Esteves. Como se observa, esta parte do litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência do recibo, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10680.017877/200766 Acórdão n.º 2801003.008 S2TE01 Fl. 111 7 cumulativamente com o fato de o contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com o profissional, apesar de ter sido regularmente intimado. Por sua vez, o contribuinte afirma que a apresentação do recibo, da declaração, e dos documentos que comprovam a prestação do serviço são suficientes para o afastamento das glosas. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e o julgamento da DRJ e nelas não vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente. Ao contrário do entendimento do Acórdão recorrido, entendo que há nos autos a evidência de que o serviço realmente foi prestado e que não há qualquer indício de que a documentação é inidônea. Logo, entendo que não há nos autos elementos que permitam a DRJ afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte para fazer jus a dedução da despesa medica do próprio contribuinte, no valor de R$10.000,00, com o profissional Nicolau Carvalho Esteves, e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a despesa médica no valor de R$10.000,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002480/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Embargos de Declaração que não demonstre de forma inequívoca a ocorrência dos pressupostos para sua admissibilidade há que ser rejeitado.
Numero da decisão: 3803-005.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Embargos de Declaração que não demonstre de forma inequívoca a ocorrência dos pressupostos para sua admissibilidade há que ser rejeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Replicaremos o relatório exarado no acórdão embargado a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 24 80 /2 00 9- 82 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 “Por economia processual, transcrevo o relatório elaborado pela DRJ em Porto Alegre: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS (regimes cumulativo e nãocumulativo), com intimação para recolhimento do valor de R$ 7.474,19, referente a fatos geradores entre 30/11/2004 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. No corpo do auto de infração houve descrição dos fatos e enquadramento legal. Houve ciência em 26/11/2009; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS não cumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 34.431,92, referente a fatos geradores entre 30/11/2004 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. No corpo do auto de infração houve descrição dos fatos, constando, também, fundamentação legal. Houve ciência em 26/11/2009. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnações específicas (COFINS e PIS), onde faz breve referência aos fatos e dispõe a seguir: 1. em preliminar, pede a nulidade do auto de lançamento, visto que ele não contém todos os elementos necessários exigidos pelo Decreto n° 70.235, de 1972, na medida que se limita a apontar como enquadramento legal determinados dispositivos legais, de forma genérica. Além disso, os dispositivos legais apontados, ao contrário de dar sustentação à pretensão fiscal, garantem o direito de crédito da empresa. A empresa está prejudicada em seu direito de defesa, já que o ato formal de constituição do crédito tributário contempla vícios. Ele é manifestamente ilegal, não alcançando a presunção de validade que lhe é característica. O ato formal omitiuse me especificar a matéria tributável a lhe dar suporte de validade. Infringiu, assim, a CF, devendo ser declarado nulo o lançamento; 2. registra entendimentos sobre a nãocumulatividade, e diz que há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com alíquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 204, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuinte cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero ou com suspensão têm direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; 3. diz não existir na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria inconstitucional, porquanto a nãocumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o princípio da nãocumulatividade, Fl. 754DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002480/200982 Acórdão n.º 3803005.080 S3TE03 Fl. 11 3 autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam não cumulativas; 4. entende que o caráter de nãocumulatividade inerente às contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; 5. assenta que sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com alíquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da não cumulatividade; 6. diz ser confiscatória a multa de ofício aplicada, havendo transgressão de princípios constitucionais e do Direito Civil; 7. refere serem inexigíveis juros de mora com base na taxa SELIC, impondose sua substituição por juros de 1% ao mês, não capitalizados, e correção monetária calculada com base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de calcular os juros encontrará obstáculo no § 3º do art. 192 da CF. Ao finalizar requer seja recebida e processada a sua impugnação para, ao final, ser julgada procedente, tendo como efeito a improcedência da ação fiscal. A DRJ em Porto Alegre manteve o crédito tributário e indeferiu as impugnações apresentadas pela contribuinte, conforme se observa da ementa trasladada a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. E infundada a arguição de nulidade dos lançamentos, por cerceamento do direito de defesa, se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos nos Autos de Infração, o TV F descreve as infrações cometidas pela contribuinte, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabend o à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 22/11/2011, apresentou Recurso Voluntário em 19/12/2011, por meio do qual repisa os argumentos da Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002480/200982 Acórdão n.º 3803005.080 S3TE03 Fl. 12 5 impugnação, e ao final, requer a reforma a decisão para homologar as compensações efetuadas. É o relatório.” O recurso voluntário interposto não foi conhecido por esta turma julgadora, segundo ementa que colacionamos a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2008 PAF. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformado com o resultado do julgamento, o contribuinte protocolou embargos de declaração. Afirma que o acórdão embargado seria obscuro, por não haver lugar para aplicação da Súmula nº 1 do CARF no caso concreto, haja vista que a ação judicial interposta pela Embargante não abarca o mesmo período de apuração em discussão no presente recurso. Esclarece que interpôs o Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, cuja causa de pedir era a edição da Medida Provisória nº 451, de 15 de dezembro de 2008, que introduziu o § 15 no art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para restringir o direito ao crédito de PIS e de Cofins das distribuidoras, atacadistas e varejistas de produtos comercializados pela Embargante. Em síntese, a medida judicial em foco não alcançaria os créditos objeto da presente demanda, visto que estes foram adjudicados em data anterior à edição da MP nº 451, de 2008, de forma que não haveria lugar para aplicação da Súmula nº 1 do CARF. Ao efetuar o exame de admissibilidade, o i. Conselheiro desta turma, Dr. Jorge Victor Rodrigues, opinou por sua admissibilidade por não vislumbrar a ocorrência da concomitância reconhecida através do acórdão em discussão. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator Sustenta a embargante que o acórdão embargado possui clara discrepância quando atesta a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança nº 2009.71.05.0014210, isto porque na seara judicial se discutiu a aplicação da MP Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 nº 451, de 15 de dezembro de 2008, editada posteriormente ao período de apuração dos créditos em discussão, não os alcançando. A embargante não carreou aos autos qualquer documento que comprovasse as suas alegações, não veio a inicial do Mandado de Segurança ou qualquer outra peça processual que sustentasse sua afirmação de que na referida ação discutiase tão somente a aplicação da MP nº 451 de 15 de dezembro de 2008, o que extraímos da análise das publicações das decisões decorrentes do processo em referência nos leva a conclusão contrária às suas alegações, vejamos alguns trechos do acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região em 26 de janeiro de 2010: “APELAÇÃO CÍVEL Nº 2009.71.05.0014210/RS RELATOR: Juiz Federal ARTUR CÉSAR DE SOUZA APELANTE: REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MAQUINAS AGRICOLAS LTDA/ e outro ADVOGADO: Adriano Zir Barbosa e outro Eduardo Brock APELANTE: REDEPEÇAS REDEPARTS IND/ E COM/ LTDA/ ADVOGADO: Adriano Zir Barbosa APELADO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: Procuradoria Regional da Fazenda Nacional EMENTA TRIBUTÁRIO. LEI Nº 11.033/2004, ARTIGO 17. PIS E COFINS. DIREITO A CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO A INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Tratandose de tributação monofásica não há que se falar em cumulatividade, diante da inexistência do pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, qual seja, a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringese ao "Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO", descabendo aplicálo a situações diversas daquela prevista na legislação, sob pena de privilegiar indevidamente certas atividades econômicas, em detrimento das outras sujeitas à tributação polifásica.” Mais a frente, neste mesmo acórdão, ao tratar da sentença atacada na apelação civil extraímos o seguinte relato: “Quanto à questão controvertida, a sentença foi lavrada nas seguintes letras: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002480/200982 Acórdão n.º 3803005.080 S3TE03 Fl. 13 7 "Tratase de ação na qual a parteimpetrante requer a concessão da segurança, em decorrência da vedação imposta no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, para obter créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, corrigidos monetariamente pela SELIC, e determinar à Autoridade Impetrada que se abstenha de efetuar qualquer medida coativa ou punitiva tendente a exigir o estorno do crédito tributário. A parteimpetrante alega que se dedica à distribuição de máquinas agrícolas e peças, adquirindo produtos direto das indústrias, sendo que alguns, quando da revenda, existe suspensão do pagamento das contribuições para o PIS e COFINS, cuja tributação se dá com alíquota zero, isentos ou não são tributados. Disse que, desde a implantação do sistema não cumulativo, vinham descontando do valor a pagar relativo ao PIS e COFINS, créditos em relação às compras efetuadas com tributação destas contribuições, em conformidade com a redação original do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo por base o art. 17 da Lei nº 11.033/04 (MP nº 204/2004), que dispõe o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A Autoridade impetrada alega que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não possui o alcance que as impetrantes lhe atribuem, dizendo que o mesmo se destina a beneficiar apenas os vendedores de máquinas, equipamentos e outros bens adquiridos pelos beneficiários do REPORTO para utilização exclusiva em portos.”. Para dirimir a questão da existência ou não de concomitância entre a via judicial e a administrativa é necessário, num primeiro momento, entenderse o que vem a ser o objeto do processo. Nos termos do art. 301, § 2°, do CPC, “uma ação é idêntica a outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido”. Assim, a causa de pedir e o pedido formam o objeto litigioso, que é parte do objeto do processo. O objeto do processo, mais amplo, envolve todas as questões postas à apreciação do julgador: as incidentes (incidenter tantum), objeto apenas de cognição e resolução como etapa do julgamento, mas não decididas, e a questão principal (principaliter tantum), objeto da decisão (Didier Jr., Cruz e Tucci). Esta dicotomia no conceito de objeto é importante para se identificar o cerne do que será decidido e que suscita a concomitância. A tensão dialética deste processo como a do judicial gira em torno do direito ao crédito, como conteúdo do pedido mediato principal, o bem da vida sobre o qual a Impetrante/Recorrente pede a tutela. A causa de pedir, seja numa ou na outra via, é o alegado fato de estar sujeita ao regime não cumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins, conforme disposições das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, e a autorização legal de manutenção dos Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 créditos na aquisição de insumos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04. Aqui, a Recorrente apresenta a sua irresignação contra a declaração da Autoridade administrativa de inexistência de crédito e que as normas acima não amparam a decisão confirmada pelo órgão de primeira instância; lá, a Impetrante pugna pela manutenção desse suposto direito e contra a sua supressão pela introdução da MP nº 415/08. O pedido de homologação da compensação é secundário, porquanto contingente da análise do crédito, cujo reconhecimento do direito creditório é pedido implícito que se consubstancia na questão principal dos autos e prejudicial daquele pedido, como acima já aludido. De igual forma, o direito ao crédito é a questão principal (principaliter) do processo judicial. Reparese que acaso a decisão no Mandato de Segurança resultasse favorável à Impetrante, na qual obtivesse sentença declaratória do direito ao creditamento à luz do art. 17 da Lei nº 11.033/04, este direito, transitado em julgado, haveria de ser aplicado no âmbito administrativo, desfazendo decisão que, porventura, lhe fosse contrária na matéria, culminando no reconhecimento do direito creditório e consequente homologação da compensação. A Litispendência (concorrência de ações, concomitância) visa a evitar decisões díspares sobre a mesma matéria e mesma pessoa jurídica, no âmbito judicial, e o desfazimento de decisões administrativas em face de decisão judicial superveniente, posto caber ao Judiciário dizer o direito, forte na unicidade da Jurisdição. Basta a potencialidade de ocorrer esta desarmonia, para que se decrete a concomitância no âmbito administrativo: no caso, o direito ao crédito foi negado aqui e no tribunal. Da conclusão Ora, tanto pela ementa da decisão judicial quanto pelo breve relatório do TRF da 4ª Região, resta claro que a matéria tratada no Mandado de Segurança que gerou a concomitância reconhecida no acórdão atacado, não foi tão somente a aplicação da MP nº 451 de 15 de dezembro de 2008 como alega a embargante, antes disso, o cerne da questão é exatamente o mesmo do Recurso Voluntário julgado por esta Turma, qual seja a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004. Pelo exposto, voto por rejeitar os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e manter o acórdão n° 3803002.969 desta turma recursal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.006777/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. DEVOLUÇÃO DO PRAZO. MOLÉTIA GRAVE DO CÔNJUGE DO PATRONO DA CAUSA. INDEFRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
Tratando- se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1º, item II, do Decreto nº. 70.235/72, há de se ratificar a perempção.
Ademais, as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal não prevêem a hipótese de devolução do prazo recursal em casos de acometimento por moléstia grave do cônjuge do patrono da causa.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1402-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. DEVOLUÇÃO DO PRAZO. MOLÉTIA GRAVE DO CÔNJUGE DO PATRONO DA CAUSA. INDEFRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Tratando- se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1º, item II, do Decreto nº. 70.235/72, há de se ratificar a perempção. Ademais, as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal não prevêem a hipótese de devolução do prazo recursal em casos de acometimento por moléstia grave do cônjuge do patrono da causa. Recurso Voluntário não conhecido.
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INTIMAÇÃO POR EDITAL. DEVOLUÇÃO DO PRAZO. MOLÉTIA GRAVE DO CÔNJUGE DO PATRONO DA CAUSA. INDEFRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Tratando se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1º, item II, do Decreto nº. 70.235/72, há de se ratificar a perempção. Ademais, as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal não prevêem a hipótese de devolução do prazo recursal em casos de acometimento por moléstia grave do cônjuge do patrono da causa. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 67 77 /2 00 8- 71 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.006777/200871 Acórdão n.º 1402001.455 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 388/399) interposto contra v. acórdão da i. DRJ de São Paulo. A questão de mérito trata da exclusão do contribuinte do Simples Federal, em razão do excesso de receita bruta no ano de início das atividades, com efeitos a partir do início da atividade da pessoa jurídica. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator A brevidade do relatório explicase pelo fato de que o Recurso Voluntário é intempestivo. Compulsandose os autos, verificase que não foi possível intimar o contribuinte no endereço da Rua Sampaio Correia, n. 75, Limão, São Paulo, cujo AR foi devolvido com a informação “mudouse”, em 23/01/2013 (fls. 375/377). Resultando improfícua a intimação por via postal, em virtude de mudança no domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, foi determinada a intimação por edital. Em 29/01/2013, foi afixado o Edital nº. 25/2013 (fl. 379), cientificando o contribuinte do acórdão da Delegacia da receita Federal do Brasil de Julgamento e intimandoo a pagar os débitos de sua responsabilidade, ou apresentar recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, contados do 16º (décimo sexto) dia da data da afixação do edital. Nesse contexto, muito embora o prazo recursal tenha se esgotado em 18/03/13, o recurso voluntário do contribuinte só foi protocolado em 19/04/13, conforme se verifica da peça recursal (fl. 388). Nesse passo, há inclusive um despacho da DERAT/SPO/DICAT às fls. 433, confirmando o transcurso do prazo regulamentar para que o interessado apresentasse recurso à decisão da autoridade de primeira instância. Com efeito, conforme artigo 23 do Decreto 70235/1972, a intimação efetuada por edital poderá ser considerada válida quando a pessoa jurídica não houver sido encontrada em seu domicílio tributário, após tentativa frustrada de sua intimação, seja ela por via pessoal, postal ou eletrônica, como entendo ter acontecido no presente caso. Em sua peça recursal, a patrona da Recorrente apresenta preliminar solicitando a devolução do prazo para recurso voluntário, uma vez que, no período em que o Edital foi afixado ela se encontrava impossibilitada de verificar editais e de interpor recursos. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.006777/200871 Acórdão n.º 1402001.455 S1C4T2 Fl. 4 3 Isso porque, nesse período a patrona acompanhava seu cônjuge em tratamento quimioterápico e avaliação para cirurgia paleativa, em razão de ter ele se acometido de câncer no pâncreas com metástases. Anexa os respectivos documentos comprobatórios. Nada obstante os fatos, vale notar que não é possível atender o apelo da patrona da Recorrente, haja vista que as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal não prevêem a hipótese de devolução do prazo recursal em casos de acometimento por moléstia grave do cônjuge do patrono da causa. Portanto, resultando improfícua a intimação por via postal, em virtude de mudança no domicílio fiscal da Recorrente sem a devida comunicação ao fisco; e, intimada a Recorrente por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, § 1º, item II, do Decreto nº. 70.235/72, há de se ratificar a perempção. Sendo assim, resta claro que o recurso voluntário é intempestivo, razão pela qual não merece ser conhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 13005.720555/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2011 a 30/09/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 05 55 /2 01 2- 15 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.308 3 Relatório Período de apuração: 01/08/2011 a 30/09/2011 Data da lavratura do AIOP: 21/03/2012. Data da ciência do AIOP: 22/03/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.008.0391, decorrente de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, declaradas nas GFIP de agosto e setembro/2011, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 12/15. Em sua resenha fiscal, informa a Autoridade Lançadora que o crédito tributário ora lançado referese a glosas de valores indevidamente compensados pelo Município nas competências 08/2011 e 09/2011, declaradas em GFIP, relacionados a créditos que seriam decorrentes de: a) Contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos, no período de 02/1998 a 09/2004. A glosa é decorrente do fato de que os créditos serem objeto de execução de sentença contra a Fazenda Pública, nos autos da Ação Ordinária nº 2006.71.11.0036196 (renumerada para 000361983.2006.404.7111), e objeto de Embargos à Execução nº 2008.71.11.0013235 (000132320.2008.404.7111), cuja sentença, proferida em 24/02/2012, inclusive ajustou os valores dos créditos relativos a estes recolhimentos. Não houve desistência da ação judicial; b) Contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de terço constitucional de férias e horas extras; c) Contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A fiscalização relata que o contribuinte é enquadrado no código FPAS 582, CNAE 8411600, cuja alíquota para o SAT passou de 1% para 2% a partir de 06/2007, inexistindo recolhimento a maior. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1061/1077. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1041.529 – 6ª Turma da DRJ/POA, a fls. 1260/1265, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/12/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1270. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1272/1289, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Julgamento sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre rubricas cognominadas adicional de horas extras e terço constitucional de férias deve ficar sobrestado no âmbito do CARF, uma vez que tais rubricas estão sob análise do STF, afetados ao regime da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, por meio do Recurso Extraordinário nº 593.0688/SC; · Que as rubricas cognominadas adicional de horas extras e terço constitucional de férias possuem natureza indenizatória; · Que a atividade preponderante desenvolvida pelos empregados do município resumese à atividade burocrática, sobre a qual incide a alíquota mínima de 1%; Ao fim, requer a desconstituição do presente Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.309 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 07/12/2012. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 28/12/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Pondera o Recorrente que o Julgamento sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre rubricas cognominadas adicional de horas extras e terço constitucional de férias deve ficar sobrestado no âmbito do CARF, uma vez que tais rubricas estão sob análise do STF, afetados ao regime da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, por meio do Recurso Extraordinário nº 593.0688/SC. Com efeito, o Parágrafo primeiro do art. 62A do Regimento Interno do CARF assenta que os julgamentos dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo ficarão sobrestados sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Ocorre, todavia, que a matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 593.068 8/SC, eleito pelo Recorrente como paradigma, não possui identidade com as questões tratadas no vertente Processo Administrativo Fiscal, uma vez que aquelas versam sobre o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores civis da União, enquanto que estas versam sobre o Regime Geral de Previdência Social, sendo certo que tais regimes possuem regramentos próprios e distintos, inclusive no que se refere à sistemática de cálculo dos proventos da aposentadoria e aos critérios de atualização de tais valores. Dessarte, inexistindo identidade estrita de demandas, não há que se falar em sobrestamento do julgamento. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Igualmente não constarão na pauta de debate desta 2ª Turma Ordinária as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS FATOS GERADORES Pondera o Recorrente que as rubricas cognominadas adicional de horas extras e terço constitucional de férias possuem natureza indenizatória. Não vislumbramos razão. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.310 7 §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.311 9 força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.312 11 o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.313 13 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Avulta, de plano, que as verbas despendidas pela empresa, a título de horas extras e de Adicional Constitucional de férias, pagas a seus empregados, não integram o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurandose, portanto, como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. No que pertine às horas extras, a sua natureza salarial é inconteste tanto na doutrina como na jurisprudência, estando sua disciplina jurídica regulamentada pelos artigos 59 a 61 da CLT. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 59 A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. 1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. (grifos nossos) §2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.314 15 em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441/2001) (grifos nossos) §3º Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do parágrafo anterior, fará o trabalhador jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei nº 9.601/98) §4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164 41/2001) Art. 60 Nas atividades insalubres, assim consideradas as constantes dos quadros mencionados no capítulo "Da Segurança e da Medicina do Trabalho", ou que neles venham a ser incluídas por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comercio, quaisquer prorrogações só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim. Art. 61 Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite legal ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto. §1º O excesso, nos casos deste artigo, poderá ser exigido independentemente de acordo ou contrato coletivo e deverá ser comunicado, dentro de 10 (dez) dias, à autoridade competente em matéria de trabalho, ou, antes desse prazo, justificado no momento da fiscalização sem prejuízo dessa comunicação. §2º Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos demais casos de excesso previstos neste artigo, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe expressamente outro limite. (grifos nossos) §3º Sempre que ocorrer interrupção do trabalho, resultante de causas acidentais, ou de força maior, que determinem a impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas) horas, durante o número de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, desde que não exceda de 10 (dez) horas diárias, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 por ano, sujeita essa recuperação à prévia autorização da autoridade competente. Conforme demonstrado, o próprio Pergaminho Trabalhista trata a hora extra como acréscimo salarial e remuneração. Quanto ao adicional de férias, iluminese que o próprio §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estatui de maneira expressa que o adicional de um terço de férias integra o saláriodecontribuição, figurando, portanto, tal rubrica no conjunto das hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. Não procede a alegação recursal de que a rubrica referente ao terço constitucional de férias teria natureza indenizatória. As férias trabalhistas são conceituadas como o período do contrato de trabalho em que o empregado não presta serviços ao empregador, mas recebe remuneração, após ter adquirido o direito no decurso dos doze primeiros meses de vigência do seu contrato de trabalho. Sua natureza jurídica envolve um aspecto negativo, que é o período em que o empregado não deve trabalhar e o empregador não pode exigir serviços de obreiros. Assim, as férias trabalhistas se constituem num direito subjetivo do trabalhador e, em contrapartida, sob o prisma do empregador, numa obrigação de fazer e de dar ao mesmo tempo. Não há, portanto, qualquer indício de natureza indenizatória. Afinal, qual seria o dano sofrido pelo empregado para fazer jus à verba em questão? Ter ficado 30 dias sem trabalhar e ainda ser remunerado como salário integral? E quanto ao adicional constitucional de 1/3 das férias? Um plus remuneratório para curtir as férias? Haverá algum dano? De tal conjuntura deflui que o benefício auferido pelo segurado sob o rótulo de Adicional constitucional de Férias possui natureza remuneratória indireta, na forma de Benefícios Trabalhistas. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício ganho pelo trabalho e não para o trabalho. Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, de sorte que, onde o legislador ordinário, podendo fazêlo, não dispôs de forma expressa, não Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.315 17 pode o operador da lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Ao já explicitado, somase o fato de o conceito jurídico de Salário de Contribuição abraçar toda e qualquer verba recebida, a qualquer título, pelo segurado ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Portanto, tratandose de norma de exceção, o reconhecimento das excepcionalidades previstas taxativamente no dispositivo legal acima citado depende de prova a ônus do interessado, sob pena de se predominar a regra geral. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência prevista no art. 28 da Lei nº 8.212/91, é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supra aludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Por isso, não se contenta o ordenamento jurídico com a singela alegação de que determinados valores pagos a segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social consubstanciamse verbas indenizatórias. Tal condição há que ser demonstrada e provada no Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 111 do CTN. Dessarte, para os fatos geradores objeto do presente lançamento, inexiste qualquer subsunção do fato jurígeno tributário à norma de exclusão da base de cálculo, circunstância que implica sua integração na matéria tributável. Nesse contexto, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, há que persistir o lançamento. Mostrase auspicioso frisar que o Autuado não comprovou possui qualquer provimento judicial a lhe conferir direito creditório referente aos valores recolhidos sobre as rubrica acima assinaladas, não se prestando para tal fim as decisões isoladas proferidas incidenter tantum em ações judiciais das quais o Autuado não conste como parte do processo, eis que os efeitos de tais decisões operam, apenas, inter partes, jamais erga omnes. 3.2. DA ALÍQUOTA DO SAT. Alega o Recorrente que a atividade preponderante desenvolvida pelos empregados do município resumese à atividade burocrática, sobre a qual incide a alíquota mínima de 1%. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Sem razão. No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta de 1988, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.316 19 Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grifos nossos) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §6º Verificado erro no auto enquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 §8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. §9º A contribuição de que trata este artigo, a cargo da microempresa e da empresa de pequeno porte não optantes pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do art. 17 da Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994. (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §12. Para os fins do §11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.317 21 alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Está correto Recorrente ao afirmar que a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho varia em função do grau de risco da atividade preponderante da empresa, através do enquadramento nas subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, constantes do anexo V do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. Com efeito, nos termos do §1º do art. 72 da IN RFB nº 971/2009, reproduzindo o §1º do art. 86 da IN SRP nº 3/2005, o auto enquadramento para fins de determinação de grau de risco de acidente de trabalho será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupar o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: (…) II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; III 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhes prestam serviços, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2000; IV 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2000. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 §1º A contribuição prevista no inciso II do caput será definida da seguinte forma: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que se encontra reproduzida nas tabelas 1 e 2 do Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo as seguintes disposições: a) a empresa com 1 (um) estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tenha o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; d) os órgãos da Administração Pública Direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarseão na respectiva atividade, observado o disposto no § 9º; e e) a empresa de trabalho temporário enquadrarseá na atividade com a descrição "78205/00 Locação de MãodeObra Temporária" constante da relação mencionada no caput deste inciso; II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que: a) apurado na empresa ou no órgão do poder público, o mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, considerarseá como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; b) não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros; III a obra de construção civil edificada por empresa, cujo objeto social não se constitua na construção ou prestação de serviços na construção civil, está sujeita tanto à matrícula no CEI, como ao enquadramento próprio na CNAE e no correspondente grau de risco, não sendo considerados os segurados da obra na apuração da atividade econômica preponderante da empresa, aplicandose, em relação a esses, a alíquota correspondente ao grau de risco da obra, independentemente daquela a ser utilizada em função da atividade econômica preponderante da empresa, apurada em relação aos demais segurados; IV verificado erro no autoenquadramento, a RFB adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.318 23 empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo ao lançamento do crédito relativo aos valores porventura devidos. (...) § 9º Na hipótese de um órgão da Administração Pública Direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º. Há que se destacar, de plano, que uma mesma atividade pode ser executada tanto pela iniciativa privada, como uma atividade econômica propriamente dita, ou seja, um meio de obtenção de lucro, bem como pela administração pública, no desempenho de um serviço público. É o que sói ocorrer nos casos de saúde, educação e cultura, dentre tantos outros. Tal segregação é relevante, pois importará enquadramento CNAE distintos. A Tabela 1 do Anexo I da IN RFB nº 971/2009 relaciona os códigos CNAE das atividades, os correspondentes códigos FPAS e os percentuais de contribuição para o financiamento de aposentadorias especiais e dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, previstos no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Os códigos FPAS são listados em ordem numérica e se vinculam ao código CNAE da atividade à qual correspondem. Para fins do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 109 da IN RFB nº 971/2009 deverá o sujeito passivo observar rigorosamente o código CNAE de sua atividade a fim de identificar o código FPAS atribuído pela Tabela 1 acima aludida. Registrese, a fim de nocautear qualquer duvida ainda renitente, que com a promulgação da EC nº 19/98, e o fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos, os entes federativos passaram a poder contratar servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, os quais deveriam ser mensalmente declarados em GFIP. Houvese então por criado o código FPAS 582, e as atividades a eles associadas, conforme tabela abaixo, extraída da IN RFB nº 971/2009. ANEXO I ‐ IN 971/2009 ‐ TABELA 1 CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 64107/00 1,00% 582 Banco Central 84116/00 2,00% 582 Administração pública em geral 84124/00 2,00% 582 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais 84132/00 2,00% 582 Regulação das atividades econômicas 84213/00 2,00% 582 Relações exteriores 84221/00 2,00% 582 Defesa 84230/00 2,00% 582 Justiça 84248/00 2,00% 582 Segurança e ordem pública 84256/00 2,00% 582 Defesa Civil 84302/00 2,00% 582 Seguridade social obrigatória Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 99008/00 1,00% 582 Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais sem acordo internacional de isenção (com acordo: FPAS 876) Conforme se observa, as atividades associadas ao FPAS 582 são todas vinculadas às funções típicas de Estado, como Administração pública em geral, Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais, relações exteriores, defesa, segurança, justiça, seguridade social, etc. Nenhuma delas, de forma alguma, encontrase relacionada com atividade econômica stricto sensu. Ultrapassada tal questão, nos concentrando na identificação do código CNAE aplicado à espécie, apuramos que, tratandose de um serviço público prestado pela administração pública, o enquadramento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas ajustase na Seção ‘O’, Divisão 84 – “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL”. Tratandose de Administração pública representada por um único CNPJ, como assim demonstram as provas contidas nos autos, a classificação se estende pelo Grupo “84.1 Administração do estado e da política econômica e social” e se completa com a classe “84.116 Administração pública em geral” e subclasse “84116/00 Administração pública em geral”, conforme a Estrutura detalhada CNAE 2.0, a consulta na página da internet http://www2.sefaz.to.gov.br/consultas/cnae_arquivos/CNAE%202.0%20Subclasses%20 %20Estrutura%20detalhada.pdf. No vertente processo, o próprio Recorrente reconhece que a alíquota do SAT é determinada em função do enquadramento nas subclasses da CNAE, constantes do anexo V do Decreto nº 3.048/99. Compulsando o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Recorrente, anexo ao instrumento de Recurso Voluntário a fl. 1291, constatamos que a Classificação Nacional de Atividades Econômicas do Autuado é, exatamente, 84.116/00 – Administração Pública em Geral. Dessarte, ostentando a atividade desenvolvida pela administração pública em geral classificação CNAE 84116/00, a esta corresponde o grau de risco médio, nos termos do ANEXO V do Regulamento da Previdência Social, que expõe a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, conforme a classificação nacional de atividades econômicas, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 2%. CNAE ATIVIDADE SAT 84116/00 Administração pública em geral 2% 84124/00 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais. 2% 84132/00 Regulação das atividades econômicas 2% 84213/00 Relações exteriores 2% 84221/00 Defesa 2% 84230/00 Justiça 2% Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13005.720555/201215 Acórdão n.º 2302002.868 S2C3T2 Fl. 1.319 25 84248/00 Segurança e ordem pública 2% 84256/00 Defesa Civil 2% Não merece reparo, pois, o lançamento, eis que a alíquota de 2% para o SAT houvese aplicada em estreita sintonia com as normas fixadas na legislação previdenciária. 4. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10865.001687/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO.
A falta de apresentação à autoridade fiscal dos documentos que embasaram os registros contábeis efetuados autoriza o lançamento do tributo por creditamento indevido.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso.
Numero da decisão: 1102-000.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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DEVOLUÇÕES NÃO COMPROVADAS Recorrente MASTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial, quando não há pagamento antecipado, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A falta de apresentação à autoridade fiscal dos documentos que embasaram os registros contábeis efetuados autoriza o lançamento do tributo por creditamento indevido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 87 /2 00 6- 88 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MASTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA contra acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa encontrase assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Anocalendário: 2001 CREDITAMENTO. DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A falta de apresentação à autoridade fiscal dos documentos que embasaram os registros contábeis autoriza o lançamento do tributo por creditamento indevido. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento do tributo, previsto no § 4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo. fraude ou simulação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade refoge à competência da instância administrativa.” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n. 08.1.12.0020060000482, contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no valor de R$1.201.000,61 acrescidos de juros de mora de Fl. 748DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 4 3 R$1.106.995,11 e multa de ofício de R$900.750,31, totalizando R$3.208.746,03, baseado em glosa de valores relativos a vendas canceladas. Segundo consta do Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 18/29), intimada a prestar esclarecimentos sobre o valor de R$13.536.218,58, registrado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente a vendas canceladas, devoluções e descontos concedidos (fl. 482), a contribuinte respondeu que não dispunha dos documentos comprobatórios de vendas canceladas/devolvidas, bem como das compras e vendas efetuadas no ano calendário de 2001 em vista de que haviam sido roubados. Embora tivesse declarado não dispor das notas fiscais a contribuinte apresentou relação na qual constam o nome da empresa emitente, CNPJ, número da nota fiscal, data de entrada e de emissão, valor, base de cálculo e valor do IPI (fls. 19). Instada a apresentar cópia da publicação alusiva ao roubo, contemporânea aos fatos e veiculada em jornal de grande circulação, tal como preceituam as regras, respondeu que não efetuara tal providência por entender que tais normas não se aplicavam ao caso de furto ou roubo. Considerando que a importância deduzida sob tal rubrica correspondia a 24% de seu faturamento houve circularização para alguns dos clientes da contribuinte, intimandoos a se manifestarem sobre as notas fiscais correspondentes às vendas efetuadas, que ela havia deduzido na escrita fiscal (fls. 20/22). Segundo registrou a autoridade fiscal, as informações das clientes intimadas apontaram um pequeno percentual de vendas canceladas, descritas no demonstrativo de fls. 24/25. Novamente intimada a comprovar a efetividade das vendas canceladas, lançadas na DIPJ, a contribuinte reafirmou que não dispunha dos documentos fiscais solicitados. Em vista de que a contribuinte expressamente declarou que não dispunha dos documentos fiscais que embasavam a dedução lançada na DIPJ, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das devoluções comprovadas, cujos valores serviram de base para cálculo do IPI a ser deduzido do imposto lançado (fls. 24/25). De posse de tais informações, elaboraramse planilhas com informação do IPI sobre as devoluções não comprovadas, a dedução do imposto sobre as devoluções comprovadas e, por fim, o valor do IPI devido, apurado decendialmente, objeto do lançamento tributário (fls. 27/28). Regularmente intimada da imposição tributária ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 799/853, capeada por expediente em que pleiteia sejam as notificações remetidas para o endereço dos representantes. Alegou preliminarmente nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa caracterizado por falta de intimação à impugnante informandoa da possibilidade de pagamento com multa moratória, tal como estabelece o art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda; No mérito arguiu que é incabível o lançamento do crédito tributário em desfavor da impugnante em vista de que as devoluções efetivamente aconteceram, não havendo que se falar em incidência de tributos pois não ocorreu transferência da titularidade jurídica das Fl. 749DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 5 4 mercadorias. O fato de as notas fiscais não terem sido exibidas por um motivo justificado não pode ocasionar glosa dos registros contábeis a título de devolução, ausente a comprovação de que efetivamente inexistiram as aludidas devoluções; por tratarse de lançamento por homologação houve decadência do direito de o Fisco lançar os tributos anteriores a setembro de 2001; em face de que a natureza jurídica do tributo é a de ser nãocumulativo, é inconstitucional a vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matérias primas e material imune; a multa aplicada é confiscatória e fere a capacidade contributiva; a utilização da taxa Selic é inconstitucional. Ao final, protestou pela juntada de novos documentos e declarações não colacionados em função da exiguidade do tempo, pela produção de outras provas como perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências e consubstanciou seu pleito nos seguintes pedidos: a) preliminarmente, seja declarado nulo o Aulo de Infração por falta de intimação prévia da impugnante para prestar esclarecimentos ou quitar o suposto débito, nos termos do art. 844 do RIR/99; b) ou então, no mérito, que sejam os autos julgados totalmente improcedentes, i) pela legitimidade das operações de creditamento de IPI; ii) pela não comprovação (sic) das infrações apontadas; iii) pela inexistência de qualquer efeito tributário nas operações tidas por infracionais, irrelevantes para o fisco; c) ou então, que ao menos seja reduzido o valor lançado, iv) afastando os créditos relativos ao período de janeiro a agosto de 2001, diante da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir os valores tidos por devidos; v) pela ilegalidade da vedação ao aproveitamento de créditos do IPI; vi) pela necessária redução da multa para o percentual de 20%, sob pena de confiscatoriedade: vii) bem como seja excluída a aplicação da taxa Selic, aplicandose os juros de 1% ao mês, conforme previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional.” Em síntese, a DRJ rejeitou o pedido de diligência, não reconheceu a alegada violação ao direito de defesa, nem tampouco a ocorrência do fenômeno decadencial, ante a falta de pagamento de IPI no decorrer do anocalendário objeto do lançamento, e manteve integralmente o lançamento de glosa de créditos indevidos de IPI, ante a falta de comprovação documental da efetiva devolução e/ou cancelamento das vendas efetuadas. Também considerou que as arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária manejadas (relativas à vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matériasprimas e materiais imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, bem como à confiscatoriedade da multa imposta e à utilização da taxa Selic para cálculo dos juros) não podem ser apreciadas pelas autoridades administrativas. Cientificado desta decisão em 07.06.2011, conforme AR de fls. 665, e com ela inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 07.07.2011, no qual, em síntese, reprisa os argumentos apresentados na peça vestibular, no seguinte sentido: i) da nulidade do Aulo de Infração por falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos ou Fl. 750DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 6 5 quitar o suposto débito; ii) da legitimidade das operações de creditamento de IPI, e da ausência de comprovação da efetiva inexistência das aludidas devoluções; iii) da decadência relativa aos períodos anteriores a setembro de 2001; iv) da inconstitucionalidade da vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matérias primas e material imune; v) da inconstitucionalidade da multa aplicada e da taxa Selic para cálculo dos juros. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O processo versa sobre o lançamento de ofício de IPI, efetuado em decorrência de fiscalização na qual foi constatada infração à legislação do imposto de renda, tendo sido lavrados autos de infração para exigência deste imposto e seus reflexos (PIS, COFINS e CSLL), os quais encontramse consubstanciados no processo no 10865.001649/200625. Este fato motivou a prolação do Acórdão CARF no 3101001.362, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3a Seção de Julgamento, declinando, acertadamente, da competência para julgamento deste processo em favor desta 1a Seção. Cumpre registrar, também, que o processo relativo ao IRPJ e reflexos (processo no 10865.001649/200625) já foi objeto de julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1a Seção de Julgamento, tendo sido ali proferido, em 12 de setembro de 2012, o Acórdão CARF no 1202000.865, pelo qual, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte, confirmandose, no mérito, a ocorrência da redução indevida da receita (e do lucro) em razão da falta de comprovação da devolução/cancelamento das vendas efetuadas. Não mais se encontrando pendente de julgamento pelo CARF aquele processo, não há motivos para que este seja direcionado àquela Turma, pelo que devese prosseguir na análise. A recorrente alega a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, caracterizado pela falta de intimação informandoa da possibilidade de pagamento dos tributos devidos com multa moratória, nos termos do art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, cuja redação é a seguinte: “Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar Fl. 751DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 7 6 esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19).” Contudo, conforme já salientara a autoridade julgadora a quo, o art. 19 da Lei nº 3.470, de 1958, base legal do referido dispositivo do Regulamento, teve a sua redação alterada pelo art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, nos seguintes termos (grifei): “Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento.’ (NR)” Houve, portanto, substancial alteração, na medida em que foi substituída a expressão “efetuar o recolhimento do imposto devido” por “efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído”, com o objetivo de restringir os tributos passíveis de recolhimento espontâneo, na forma do que estabelece o art. 47 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Como, no caso, os créditos tributários aqui discutidos somente foram constituídos por meio do auto de infração em litígio, a eles não se aplica a aventada possibilidade de pagálos somente com o acréscimo de multa moratória, pelo que não há que se falar em cerceamento de defesa, ou de nulidade da autuação por este motivo. No tocante à alegada decadência do direito de lançar os tributos relativos aos períodos anteriores a setembro de 2001, não assiste razão à recorrente. Não há dúvidas de que o IPI é tributo que se submete à modalidade de lançamento por homologação, cuja regra decadencial regese pelo disposto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN. O entendimento expresso na majoritária jurisprudência do CARF (anterior ao julgamento pelo STJ do Recurso Especial 973.733), e também por este relator, é no sentido de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 8 7 que, nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, independente de ter havido ou não pagamento prévio, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento em sentido diverso, expresso no REsp 973.733, ao qual foi conferido o caráter de recurso repetitivo, nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, tendo tal decisão transitado em julgado em 29/10/2009. Segundo o STJ, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Nos termos do art. 62A, do vigente Regimento Interno do CARF, tal entendimento do STJ há de ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, o que torna obrigatório perquirir se houve ou não o efetivo pagamento antecipado. No caso dos autos, noticia a autoridade julgadora a quo que efetuou consulta aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal que controlam os pagamentos, tendo verificado que a recorrente, no decorrer do anocalendário de 2001, não efetuou qualquer recolhimento à conta do tributo objeto de lançamento nos presentes autos, informação esta em nenhum momento contestada pela recorrente, que apenas pugna pela aplicação do entendimento outrora manifestado pelo CARF, nos termos acima mencionados. Com relação ao período de apuração decendial mais antigo (aquele encerrado em 10.01.2001), o primeiro dia do exercício seguinte corresponde ao dia 01.01.2002, pelo que findaria o prazo quinquenal em 01.01.2007. A recorrente teve ciência do lançamento em 06.09.2006, dentro do prazo, portanto, de que dispõe o fisco para efetuar o lançamento. No mérito, aduz a recorrente que a não comprovação documental das devoluções deuse por força do extravio das notas fiscais, comprovado pelo Boletim de Ocorrência apresentado ao fisco (fls. 162163), mas que cumpria à risca o disposto na legislação, emitindo nota fiscal de devolução de mercadorias e cancelando as receitas escrituradas por força dessas notas, e creditandose do IPI nela destacado, do qual antes se havia debitado pela saída das mercadorias, não obtendo, com este procedimento, qualquer vantagem. Afirma também que a fiscalização não fez prova da efetiva inexistência das aludidas devoluções, e que alguns dos clientes consultados pela fiscalização confirmaram a devolução de parte das mercadorias descritas em algumas notas fiscais. Em outros casos, os clientes declararam que não tinham registro das mencionadas notas fiscais, o que implica dizer que não ficaram com as referidas mercadorias, e que tampouco pagaram por elas. A análise dos elementos constantes dos autos não dá respaldo às alegações da recorrente. Quem tem de fazer prova dos fatos registrados em sua contabilidade é o contribuinte. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 9 8 Diante do elevado montante referente às devoluções de vendas registradas, totalizando R$ 13.536.218,58, o equivalente a 24% do faturamento da empresa, a fiscalização buscou a comprovação de tal fato junto aos clientes da fiscalizada. Destaquese que, não obstante a recorrente não dispusesse dos documentos comprobatórios das vendas canceladas/devolvidas, bem como das compras e vendas efetuadas no ano de 2001, em razão do mencionado roubo de um veículo que transportava 180.000 notas fiscais de entrada e de saída da empresa, ela apresentou uma relação de tais notas fiscais, obtida da contabilidade, na qual informou os seguintes dados: empresa emitente, CNPJ, número da NF, data de entrada e de emissão, valor da NF, CFIS, base cálculo do IPI e valor do IPI. A fiscalização, então, encaminhou aos clientes mais representativos uma relação específica, com a identificação das notas fiscais canceladas vinculadas a cada um deles, conforme as informações prestadas pelo contribuinte, e intimouos a apresentar as cópias dos pedidos de compra cancelados. Conforme registrou a fiscalização (fls. 21), “as respostas, com unanimidade, discordaram da relação de notas fiscais canceladas a eles associadas, conforme indicamos a seguir...” Para se ter uma idéia, a VOLKSWAGEN DO BRASIL INDUSTRIA DE VEÍCULOS LTDA, por exemplo, informou que não houve pedidos de compras cancelados com relação à fiscalizada; a VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA confirmou a devolução de apenas 11 das 106 notas fiscais relacionadas no termo de intimação; a VALTRA DO BRASIL LTDA também informou não constar de seus arquivos nenhum pedido de compra cancelado para a fornecedora fiscalizada no ano de 2001; e a GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA, das 1.468 notas fiscais relacionadas nos termos de intimação (à matriz e filial), confirmou a devolução de apenas 9 (nove). É fato que, em alguns casos, a própria empresa circularizada informou desconhecer o conteúdo das notas fiscais relacionadas no termo de intimação, posto não constar dos seus arquivos cópias dos referidos pedidos (caso da ESCAPTOTAL LTDA), ou então encaminhou à fiscalização uma relação das notas fiscais de venda para ela emitidas pela fiscalizada que evidenciava não haver qualquer coincidência de numeração com aquelas alegadas pelo contribuinte como devolvidas ou canceladas (caso da VALTRA DO BRASIL LTDA), por exemplo. Contudo, isto não significa, conforme quer fazer crer a recorrente, que o lançamento não pode subsistir porque o fisco não provou cabalmente que as devoluções não ocorreram. Ora, conforme dito, é a recorrente quem tem de fazer prova que as mercadorias foram devolvidas. A fiscalização intimou as empresas clientes com base nas informações prestadas pela própria recorrente, de que aquelas clientes teriam devolvido aquelas mercadorias. E o resultado dessas diligências foi claramente contrário às alegações da recorrente, tendo sido comprovadas devoluções de tão somente R$ 72.598,24, dos R$ 13.536.218,58 declarados. A recorrente aduz que, em atenção ao princípio da não cumulatividade do imposto, este deve ser calculado e exigido segundo a sistemática da compensação do montante devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Neste sentido, entende a recorrente que os valores contidos no auto de infração são indevidos porque, nos períodos em questão, ela tinha direito de se creditar dos valores referentes à aquisição de Fl. 754DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 10 9 insumos, matérias primas e materiais de embalagem isentos, não tributados, ou tributados à alíquota zero, sendo inconstitucional a vedação ao seu creditamento. De fato, nos termos da legislação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados, é vedado o creditamento relativo a insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero, exceção feita aos créditos concedidos como incentivo, quando há expressa previsão legal neste sentido, o que não é o caso da recorrente, ou ao menos não foi feita prova neste sentido. A jurisprudência do CARF é pacífica neste sentido, conforme ementas a seguir transcritas, de forma exemplificativa: Acórdão 20402.578, sessão de 21 de junho de 2007, relator Flávio de Sá Munhoz: IPI — ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E TRIBUTADOS À ALIQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não geram crédito de IPI as aquisições de insumos nãotributados e tributados à alíquota zero. Impossibilidade de aplicação de alíquota prevista para o produto final ou de alíquota média de produção, sob pena de subversão do princípio da seletividade. O IPI é imposto sobre produto e não sobre valor agregado. Acórdão 203 13.764, sessão de 03 de fevereiro de 2009, relator Odassi Guerzoni Filho: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITOS FICTOS. EXTEMPORÂNEOS. INSUMOS ISENTOS, SUBMETIDOS À ALÍQUOTA ZERO E GRAVADOS COMO NT. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O Princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles isentos, não tributados ou gravados com a alíquota zero, não há imposto algum a ser creditado. Ademais, a recorrente sequer preocupouse em demonstrar ou quantificar o montante do suposto crédito passível de ser — no seu entendimento — abatido diretamente do valor lançado. No tocante às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade, quer com relação à vedação imposta ao creditamento (acima referida), quer com relação ao suposto caráter confiscatório da multa aplicada, ou, ainda, com relação à utilização da taxa Selic como índice de juros de mora, cumpre apenas registrar que estas são questões que não podem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas, consoante entendimento já pacificado por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 755DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 1102000.956 S1C1T2 Fl. 11 10 Pelo exposto, rejeito as preliminares, e nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 756DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003249/2003-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
NORMAS REGIMENTAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL.
A falta de manifestação sobre questões não suscitadas não caracteriza omissão, a ser integrada via embargos de declaração.
Numero da decisão: 9101-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos Embargos de Declaração.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NORMAS REGIMENTAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. A falta de manifestação sobre questões não suscitadas não caracteriza omissão, a ser integrada via embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 32 49 /2 00 3- 99 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10166.003249/200399 Acórdão n.º 9101001.711 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A Fazenda Nacional interpõe Embargos de Declaração em face do Acórdão 9101000141 1ª Turma, prolatado na sessão de 12 de maio de 2009, por meio do qual a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o cancelamento do lançamento por estar alcançado pela decadência. O lançamento litigado foi formalizado por auto de infração relativo à CSLL do anocalendário de 1997, cuja ciência ocorreu em 18/03/2003. A infração foi a compensação de bases negativas sem observância do limite de 30%, que absorveu toda a base positiva apurada no período. A questão da decadência foi suscitada desde a impugnação, e rejeitada pelo Acórdão 06.146, de 29/05/2003, da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, ao argumento de que o art. 45 da Lei nº 8.212/91 estabelece o prazo de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ao apreciar o recurso voluntário (Acórdão 10185.085, de julho de 2005), a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes acolheu a decadência, vencido o Relator, que se orientou pelo art. 45 da Lei 8.212/91. O voto (vencido) do Relator motivou a rejeição da decadência no entendimento de que “para as contribuições expressamente relacionadas pela Lei 8.212/91, dentre elas a contribuição social sobre o lucro, o prazo para o lançamento é de dez anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte ao que poderia ser realizado.”. A maioria da Câmara, contudo, entendeu que a decadência das contribuições sociais se rege pelo CTN, sendo o prazo de 5 anos, e o termo inicial o da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º. Em 05 de junho de 2007 a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando que a Câmara não aplicou ao caso o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, que dispõe o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais para a seguridade social, e pleiteou “seja afastada a decadência do lançamento apontada pela e. Câmara a quo, vez que efetuado dentro do prazo de dez anos legalmente fixado.”. O recurso especial foi julgado na sessão de 12 de maio de 2009, e a ele foi negado provimento por unanimidade, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8 212. de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante no 8 DOU do 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. Alega a Fazenda Nacional ter havido omissão na fundamentação da decisão, pois ao reconhecer a decadência em relação a todo o período lançado, o Relator aplicou a regra Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10166.003249/200399 Acórdão n.º 9101001.711 CSRFT1 Fl. 4 3 do § 4º do art. 150 do CTN, sem esclarecer se houve pagamento parcial do tributo devido no período. Pede seja sanada a omissão para que fique esclarecido se houve ou não pagamento parcial da CSLL para o período abrangido e, em caso negativo, que seja aplicada a regra do art. 173, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator De acordo com o Regimento Interno, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A Fazenda Nacional alega omissão na fundamentação, o que de fato não ocorreu. O recurso especial questionou a não aplicação do art. 45 da Lei 8.212/91, que previa o prazo de dez anos, e o acórdão recorrido negoulhe provimento em razão da inconstitucionalidade do dispositivo, reconhecida pelo STF. Em momento algum a Fazenda Nacional questionou o termo inicial do prazo. O Colegiado só teria o dever de se manifestar sobre a tese de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação sem que tenha havido pagamento prévio, o termo inicial não se rege pelo art. 150 do CTN, se a questão houvesse sido levantada. O dever de se manifestar sobre a matéria, independentemente de questionamento, só existe a partir da alteração do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF 586, de 21 de dezembro de 2010, que nele introduziu o art. 62A. Isso tendo em conta que o tema foi objeto de definição pelo STJ segundo o regime de recursos repetitivos, quando do julgamento do REsp 973.733SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/8/2009. Em 12 de maio de 2009, quando prolatado o acórdão embargado, não existia o art. 62A do Regimento, nem havia a decisão do STJ sobre o tema, no regime de recursos repetitivos. Uma vez que a existência de pagamento não era ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar, o acórdão não está contaminado pelo vício da omissão. Os presentes embargos, na realidade, configuram pretensão da embargante de, por via oblíqua, reabrir litígio definitivamente decidido na instância administrativa, trazendo nova argumentação, a qual deve ser repudiada por este órgão julgador. Isto posto, NÃO CONHEÇO dos embargos da D. Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2013. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10166.003249/200399 Acórdão n.º 9101001.711 CSRFT1 Fl. 5 4 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13706.000210/00-67
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. .
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Maria Teresa Martínez López e Nanci Gama.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. . JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 11/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Maria Teresa Martínez López e Nanci Gama.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POSTO VIA 11 LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 02 10 /0 0- 67 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. . JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 11/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Maria Teresa Martínez López e Nanci Gama. Relatório A Fazenda Nacional apresenta especial, por contrariedade à lei, contra decisão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte que considerou não prescrito direito de restituição de pagamentos indevidos do Finsocial referentes aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1990 e março de 1992 (recolhimentos entre 15 de fevereiro de 1990 e 20 de abril de 1992, cujo Pedido de Restituição/Compensação se deu originalmente em 25/01/2000. Postula a Fazenda a rejeição da tese acatada na decisão recorrida – segundo a qual o prazo previsto no art. 165 do CTN somente começaria a fluir a partir da publicação da MP n° 1.110/95 – e a adoção do entendimento de que ele se inicia a cada recolhimento, consoante art. 168, I do mesmo código, que afirma ter sido contrariado pela decisão, tomada por maioria. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido porquanto a decisão não foi unânime e a recorrente indica os atos legais que entende contrariados. Dele conheço. Mas a ele somente cabe negar provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13706.000210/0067 Acórdão n.º 9303002.336 CSRFT3 Fl. 5 3 A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. (...) No presente caso, conforme DARF de fls. 02/03 e planilha de fl. 04, os recolhimentos foram realizados entre fevereiro de 1990 (competência janeiro 1990) e abril de 1992 (competência março 1992), enquanto o pedido foi formalizado no dia 25 de janeiro de 2000 (fl. 01). Adotandose, por força do art. 62A do RICARF, o entendimento preconizado pela Ministra Ellen, nenhum dos recolhimentos foi afetado pela prescrição, visto que o direito relativo ao mês mais antigo (janeiro de 1990) somente prescreveria em 1º de fevereiro de 2000. Com essas considerações, voto por negar provimento ao apelo da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902987/2011-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 87 /2 01 1- 84 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902987/201184 Acórdão n.º 3803005.115 S3TE03 Fl. 101 2 decorrência da emissão de despacho decisório que homologara somente em parte a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado parcialmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/05/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902987/201184 Acórdão n.º 3803005.115 S3TE03 Fl. 102 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902987/201184 Acórdão n.º 3803005.115 S3TE03 Fl. 103 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902987/201184 Acórdão n.º 3803005.115 S3TE03 Fl. 104 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.906811/2011-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 68 11 /2 01 1- 68 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 144 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 145 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 17273.08953.280810.1.1.017929, transmitido em 28/08/2010, no valor de R$ 28.421,64, relativo ao 1º trimestre de 2010, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial e não homologação das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 4.777,70, à data da emissão do citado DDE. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Esclarece que as diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 146 4 tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 147 5 A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 98 a 120, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 148 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no período de janeiro a março/2010 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 46, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 149 7 A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 150 8 possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 151 9 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 152 10 Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 153 11 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906811/201168 Acórdão n.º 3801002.286 S3TE01 Fl. 154 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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