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Numero do processo: 10880.722564/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido.
Embargos de Declaração Rejeitados
Numero da decisão: 3402-002.585
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 25 64 /2 01 3- 15 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 A Representação Jurídica da Fazenda Nacional invocou o § 1º do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3403003.014, de 29 de maio de 2014, fls. 447 a 449, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE A semelhança da causa de pedir, expressada no fundamento jurídico da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mandado de segurança, com o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento de ofício, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos fundamentos idênticos, prevalecendo a solução do litígio através da via judicial provocada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança, não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido O arrazoado de fls. 453 a 456, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina a decisão do vício de obscuridade ao aplicar o § 1° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para negar provimento a recurso de ofício e manter o cancelamento da aplicação de multa de lançamento de ofício. O voto condutor da decisão embargada ratificou a decisão de primeira instância, por entender que ela teria dado à matéria sub judice – aplicação de multa de lançamento de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência – o tratamento previsto no referido dispositivo, quando, efetivamente, isso na aconteceu. Requer que sejam conhecidos e providos os ED, com efeitos infringentes, para sanar obscuridade apontada. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10880.722564/201315 Acórdão n.º 3402002.585 S3C4T2 Fl. 460 3 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 17/06/2014 (fls. 452). De acordo com § 3° do art. 7° da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, a intimação ficta do Procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 17/07/2014, e o prazo para a interposição do recurso encerrouse em 22/07/2014. Assim sendo, o recurso, apresentado em 11/07/2014, é francamente tempestivo. Na apreciação do recurso de ofício interposto pelo Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSB contra a decisão daquele Colegiado de cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício para prevenir a decadência, o voto condutor da decisão embargada considerou que se deu a matéria o tratamento estabelecido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Para tanto, considerou que o lançamento, lavrado em 02/08/2013, depois da concessão da medida liminar, em 29/05/2013, satisfazia os ditames do art. 63 suso transcrito. Há de se reconhecer, a redação do julgado foi clara, não oferecendo qualquer dificuldade para sua intelecção ou interpretação, inexistindo o vício de que foi inquinada. Assim, inobstante o eventual error in judicando em que teria incorrido o Colegiado, consubstanciado na inobservância de norma vigente a restringir a hipótese de lançamento de ofício para prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência sem aplicação de multa, devese ressaltar que inexiste no acórdão embargado qualquer obscuridade a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. A inconformidade manifestada pelo embargante não merece, pois, acolhida, haja vista destinarse, evidentemente, ao simples reexame do litígio e como meio de alterar a decisão, o que é impossível na via ora utilizada. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Com essas considerações, voto pela rejeição dos declaratórios da PFN. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909795/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
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DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 97 95 /2 01 2- 54 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Nova Injeção Sob Pressão e Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 1144045, prolatado pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 38330.40281.121112.1.3.049395 (fls. 2529), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl. 86, deixou de homologar a compensação, alegando que o valor recolhido através do DARF (R$56.409,68) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 30/12/2007, declarado na DCTF da Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0312), a Recorrente alegou nulidade do despacho decisório, que a seu ver teria cerceado o seu direito de defesa ao não fundamentar a contento a não homologação da compensação. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, através do acórdão ora recorrido (fls. 9093), manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “O texto constante do Despacho Decisório em lide, é claro ao expor que a não homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem do crédito estar totalmente vinculado a débito declarado como devido em DCTF. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 9192) Sustentou ainda a DRJ que a Receita Federal não poderia ter reconhecido crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento que supostamente geraria o crédito estava integralmente alocado ao pagamento de débito regularmente declarado pela empresa. Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 99105), sustentando que o ato administrativo que analisa a compensação tem natureza vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram a não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que a Receita Federal, ao deixar de homologar a compensação pretendida, não fundamentou a contento sua decisão, deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É ver as palavras da Recorrente: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909795/201254 Acórdão n.º 1801002.294 S1TE01 Fl. 120 3 “08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos.” (fl. 67) Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da premissa equivocada de que o despacho decisório não teria sido fundamentado suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl. 86) é possível depreender claramente as razões que levaram a Receita Federal a negar a homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a redação do despacho, que é clara nesse sentido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.” Ou seja, a despeito do que sustenta o recurso voluntário ora analisado, a Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o pressuposto de fato da não homologação: inexistência de recolhimento a maior, pois o recolhimento no valor de R$56.409,68 foi integralmente consumido pelo débito de IRPJ declarado pela própria contribuinte. E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos pagos quando eles forem indevidos ou tiverem sido pagos a maior. Portanto, apenas nessas duas hipóteses podese falar em créditos passíveis de compensação. E, no presente caso, a Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor. A partir do momento em que o despacho decisório consignou nestes autos que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito é do contribuinte. Como isso não foi feito nestes autos, a conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a presença de uma das hipóteses Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 autorizadoras da restituição/compensação de tributos (art. 165, I, do CTN). E sem essa comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos. Por estas razões, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho incólume a decisão ora recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001118/2002-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES.
Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 18 /2 00 2- 57 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 406 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com o crédito tributário no valor total de R$26.649,08 (vinte e seis mil, seiscentos e quarenta e nove reais e oito centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e de juros moratórios calculados pela taxa SELIC, totalizando um valor de R$55.190,24 (cinquenta e cinco mil, cento e noventa reais e vinte e quatro centavos). DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA A Contribuinte apresentou em 06/09/2002, Impugnação Administrativa acostada às fls. 28 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, o seguinte: a) que incorporou a empresa Prenda S/A, e através do processo administrativo fiscal nº 13063.000111/9748, solicitou o ressarcimento do crédito presumido do IPI, relativo aos períodos de apuração de 1995 a 1996, no valor de R$26.649,08; b) em maio de 2000 a incorporadora protocolou pedido de compensação deste crédito com débito da COFINS, relativo ao mês de maio de 2000, neste mesmo valor. A DRF de Santo Ângelo – RS indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI; c) A contribuinte interpôs recurso o qual foi negado provimento, sendo mantido o despacho denegatório do ressarcimento. Desta decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes; d) A contribuinte foi intimada a comprovar o recolhimento da COFINS no valor de R$26.649,08, cujo valor é objeto de compensação com o valor do crédito presumido do IPI, o qual julga a contribuinte ser credora em face do processo acima citado. Em resposta, informou que deixou de recolher a importância devida ao argumento de que interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes e este, em reiterados julgados, acolheu a tese defendida pela ora requerente; e) Alega que em 09/07/2002 teve contra si lavrado um auto de infração e imposição de multa, onde teria infringido a legislação tributária federal, sendo aplicada a multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96; f) Quanto ao direito, argumentou quanto ao procedimento administrativo de compensação e a suspenção da exigibilidade do crédito tributário e do apensamento do presente processo ao principal. Ao final, requereu a contribuinte o recebimento da defesa para cancelar integralmente o lançamento fiscal, antes a inexistência de qualquer infração à legislação tributária, bem como a suspensão do crédito tributário ou ainda o apensamento ao processo principal ou o sobrestamento do mesmo enquanto não sobrevier decisão final sobre a matéria. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), em 30/04/2003, proferiu acórdão de nº 2.462, às fls. 40 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES – Somente créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública podem ser compensados com créditos tributários. Quando o reconhecimento da liquidez e certeza exigidas depender de decisão administrativa, esta deverá obrigatoriamente preceder a compensação. Lançamento Procedente A DRJ considerou por julgar procedente o lançamento, tendo em vista que o alegado crédito tributário contra a Fazenda Pública não era líquido e certo, que é condição exigida pelo art. 170 do CTN, e que está sendo discutida administrativamente, sendo que sua falta impede a compensação pretendida. A prematura compensação feita pela contribuinte foi realizada ilegalmente e indevidamente, não podendo produzir ao seu favor os efeitos pretendidos. Assim, não é correta a assertiva de que os processos devam ser apensados ou este deva ser sobrestado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 23/05/2003 (conforme AR de fls. 50 – numeração eletrônica), a contribuinte apresentou em 23/06/2003 recurso contra decisão proferida pela DRJ de Florianópolis – SC. Aduz a contribuinte, em síntese, que as “reclamações e os recursos administrativos, inclusive referentes a pedidos de compensação, suspendem a exigibilidade do crédito tributário”. E que ainda há de operarse a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, os quais durante o período suspensivo não poderão ser objeto de autuações, fiscais ou de cobrança administrativa ou mesmo judicial, bem como colaciona o entendimento do TRF da 4ª Região. Assim, até que não aconteça a decisão final do Conselho de Contribuintes, não pode o Fisco constituir crédito tributário dos valores objetos de compensação, uma vez que o mesmo já foi constituído através da DCTF. Argumentou que a constituição do crédito tributário, em conformidade com a lei, somente seria após a decisão final que considerar a compensação como indevida ou não comprovada. Antes disso, não seria possível juridicamente afirmar que a compensação é indevida, conforme reiterados julgados do Conselho de Contribuintes, em que era reconhecido o crédito presumido, bem como o que é pleiteado pela requerente, sendo este, legítimo. Ainda que fosse outra a interpretação correta, o processo deveria aguardar o julgamento do processo principal por tratase da mesma matéria fática e jurídica. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 407 5 Diante do exposto, requereu pelo provimento do Recurso, julgando procedente a pretensão da contribuinte com a inversão do ônus sucumbencial. DA DILIGÊNCIA Através da Resolução nº 20200.709, o Segundo Conselho de Contribuintes, em 17/06/2004, converteu o julgamento do recurso em diligência para: 1. Verificar se, realmente, o período objeto do presente lançamento também é aquele contido no citado processo de compensação nº 13063.000111/9748; 2. Aguardar a decisão definitiva do processo de compensação e anexar cópia da decisão final; 3. Verificar se a compensação efetuada, nos moldes definidos pela decisão final administrativa proferida nos autos do processo nº 13063.000111/97848, foi suficiente para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos; e 4. Elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários. Às fls. 366 – numeração eletrônica, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba – SC, proferiu Informação Fiscal de nº 114/2006 solicitando o sobrestamento até o deslinde do processo nº 13063.000111/9748. De acordo com a Informação Fiscal SAFIS 048/2010, às fls. 400 – numeração eletrônica, “em relação ao primeiro item [..] o tributo apurado foi a COFINS referente ao período de maio de 2000, no valor de R$26.649,09 [...], ou seja, o valor e o período são os mesmos. [...] ao item 2, foi juntada ao processo [...] a decisão [...] a qual encerra a lide do processo nº 13063.000111/9748. Em referência ao item 3, verificamos que a SAORT desta Delegacia analisou o pedido de ressarcimento de IPI à luz da decisão final mencionada anteriormente, conforme despacho Decisório nº 1025/2010 [...] tal despacho não continham alguns elementos essenciais ao cálculo do crédito. Por esse motivo, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos no prazo de 20 dias, o qual foi prorrogado por mais 60 dias a pedido do contribuinte. Entretanto o prazo expirou em 06/11/2010, sem nenhuma manifestação por parte do contribuinte. Deste modo, respondendo ao item 3, como o pedido de ressarcimento do contribuinte foi indeferido, não há nenhum crédito para cobrir o valor lançado no Auto de Infração objeto do presente processo”. Esgotouse o prazo sem apresentação de manifestação por parte do contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 404 (quatrocentos e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 408 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência designada pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes, de Relatoria da Ilustre Conselheira Nayra Bastas Manatta, a qual, diante dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo no recurso voluntário de fls. 5158 (numeração eletrônica), houve por bem em entender prejudicado o julgamento dos autos, tendo em vista a pendência da decisão administrativa que analisaria o pedido de ressarcimento e a compensação até então não homologada (realizados pelo contribuinte), objeto deste lançamento. Conforme se pode depreender do relatório dos autos acima sintetizado, o auto de infração que ora se analisa decorre do indeferimento do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI e da consequente não homologação compensação da COFINS apurada pelo contribuinte, cuja ausência de recolhimento então foi alvo de lançamento pela Autoridade Fiscal. Diante do fato de que referido ressarcimento/compensação ainda não possuíam decisão final administrativa à época – tanto do lançamento, quanto do julgamento do extinto Segundo Conselho – foi o julgamento convertido em diligência para averiguação de elementos que seriam essenciais ao deslinde da causa, sendo concomitantemente, sobrestado até decisão final do PAF 13063.000111/9748. Findo o referido PAF, foram então anexadas cópias das principais decisões adotadas no processo e elaborada a solicitada Informação Fiscal, respondendo aos quesitos formulados na Resolução anteriormente prolatada, os quais davam conta de que o crédito do contribuinte, apesar de reconhecido em instância superior, não havia sido comprovado pelo sujeito passivo, motivo pelo qual permaneceram indeferidos os ressarcimentos apresentados, bem como não homologada a compensação alvo do Auto de Infração. Desta forma, considerando que o contribuinte foi intimado no referido processo em que sua sucedida pleiteava o ressarcimento dos créditos, temse que acabou restando patente a ausência de liquidez e certeza do crédito, e, em face do que dispõem os arts. 170, do CTN e 74, da Lei n° 9.430/96, não é possível deferir a compensação se o crédito nela utilizado não é passível de restituição ou, como no caso, de ressarcimento. Assim, não resta outra alternativa a esta Câmara senão aplicar o resultado do processo que julgou o direito ao ressarcimento de créditos, para refletir sobre a compensação que é apresentada como matéria de defesa do lançamento tributário em análise. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000317/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os co-titulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29.
ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os co-titulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61. Recurso Voluntário Provido.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os cotitulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 17 /2 00 9- 14 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 77.405,66 relativo ao anocalendário 2004. O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada em contas corrente mantidas nas instituições financeiras Banco Santander Banespa S/A. (agência nº 502, c/c nº 010047559 e c/c nº 010063766) e Banco do Brasil S/A.(agência nº 27480, c/c nº 7165 X), em relação às quais o contribuinte respondeu ao Termo de Inicio de Fiscalização, não apresentando, porém, qualquer documentação comprobatória referente à origem dos créditos discriminados. Os termos da impugnação vertida foram bem descritos pela decisão recorrida, motivo pelo qual passo, com a devida vênia, a transcrever o correspondente excerto do relatório desse julgado: 3.1 O trabalho fiscal se baseou em suposições, considerando até mesmo fatos e procedimentos totalmente estranhos ao requerente, o que, por si só, descaracteriza a lavratura do auto de infração. A fiscalização tem por finalidade a determinação real dos fatos ocorridos e a configuração da verdade, não sendo razoável que, de interpretação contrária, facilmente comprovável, se ache no direito de exigir impostos acompanhados de multas escorchantes, que ultrapassam em muito a capacidade contributiva do requerente, constituindose esse procedimento em verdadeiro confisco. Por tudo isso, fica requerido em preliminar, seja considerado o auto de infração nulo de pleno direito, principalmente por não ficar comprovada a movimentação bancária alegada, e ainda por não considerar que grande parte daquela movimentação se refere a valores de terceiros, como adiante ficará provado. 3.2 Além das atividades advocatícias, o contribuinte exerce ainda a atividade de corretor de imóveis, com escritório no município de UbatubaSP. Por consequência dessa atividade, movimenta diversas quantias de terceiros em sua conta pessoal, quantias essas que não se referem exclusivamente a aluguel, mas também para pagamento de consumo de água, consumo de luz, IPTU e manutenção de todos os imóveis administrados pelo declarante. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/200914 Acórdão n.º 2802003.313 S2TE02 Fl. 268 3 3.3 Por conta dessa atividade, mantêm controle especifico dessa movimentação, cuja origem e destinação foi objeto de esclarecimento nas planilhas elaboradas pelo impugnante, nas quais, mês a mês, são identificados todos os beneficiários e todos os valores transferidos a cada um deles. A fiscalização não analisou as referidas Planilhas, nem mesmo se manifestou sobre as mesmas. 3.4 Solicita que as planilhas apresentadas sejam objeto de analise pela autoridade julgadora, a qual poderá facilmente identificar que grande parte da movimentação referese a valores de terceiros ali identificados, inclusive com nome, CPF e número das respectivas contas correntes, para as quais foram repassados os correspondentes valores. Se as planilhas anexadas não forem analisadas, aí não restarão duvidas de que o objetivo da fiscalização é meramente arrecadatório. Ainda sobre as mesmas, fica facilmente comprovado que os valores conciliam com os depósitos efetuados, até em seus centavos e datas, e com isso não prosperará a alegação de que a movimentação bancária ocorrida se refere a omissão de receitas. 3.5 Dentro desse principio de conciliação e comparação de valores depositados, com os efetivos créditos de terceiros, o contribuinte destacou às fls. 201 a 205 alguns exemplos de valores arrecadados dos locatários e correspondentes a despesas de água, luz, telefone, IPTU e aluguel eventual, repassados aos favorecidos locadores. 3.6 Como pode se observar, as movimentações bancárias correspondentes aos diversos depósitos efetuados conciliam em data e valores com os repasses efetuados aos respectivos favorecidos. Isso por si só comprova que referidos depósitos não são receitas do requerente, mas tão somente movimentação de valores de terceiros. 3.7 Quanto ao sujeito passivo da obrigação, fica comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas não poderá permanecer em nome do titular da conta de depósito ou de investimento. Na realidade os valores movimentados na conta corrente do requerente é que pertencem a terceiros, pois nesse caso, o mesmo tornase um simples intermediário da operação. Isso fica evidenciado quando comparamos os referidos valores depositados e repassados diretamente a cada um dos favorecidos. Vale destacar ainda que nem sempre esses valores correspondem a rendimentos de alugueis, pois, na maioria das vezes, tratamse de numerários utilizados exclusivamente para cumprimento de obrigações financeiras tributárias e de utilização de serviços públicos. 3.8 Alem do que, como ficará provado, o requerente mantém e sempre movimentou as suas únicas duas contas correntes em conjunto com a esposa Sra. Lea Maria Morais do Nascimento, inscrita no CPF(MF) sob n° 122.059.20804, e dessa situação, se eventualmente ainda restar algum valor que se presuma ser omissão de receita do contribuinte, teria que esse montante ser rateado nas mesmas proporcionalidades para ambos, conforme preceitua a legislação tributária vigente. 3.9 Ainda que se considere que o requerente optou por declaração em conjunto, entende que, do montante apurado, que atinge o total de R$ 131.881,71, se rateado entre ambos, caberia a cada um a obrigação tributária sobre o montante individual de R$ 65.940,86. Pois bem, considerando essa linha de raciocínio, pois, conforme exposto, a própria legislação tributária assim determina, que, quando se tratar de conta conjunta, o montante das eventuais omissões de receitas devem ser rateado entre os titulares de cada conta corrente e, nesse caso, caberia individualmente o montante acima descrito, ou seja, R$ 65.940,86. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 3.10 O impugnante no ano calendário de 2.005 recebeu a titulo de rendimentos tributáveis valores correspondentes a honorários advocatícios que atingiram R$ 5.762,93 para o requerente e R$ 4.595,80 para sua esposa, além dos valores recebidos a titulo de aluguéis de pessoa jurídica, que também atingiram o montante de R$ 10.800,00 anual. Pois bem, todas somatórias correspondentes a esses rendimentos acabaram por circular através das contas correntes do requerente e, ainda assim, embora devidamente declarado e já tributado anteriormente, a autoridade fiscalizadora não considerou essas exclusões do montante apurado na movimentação bancária. Esses rendimentos, cuja somatória totaliza R$ 21.258,73, já foram devidamente tributados na correspondente declaração e não podem, sob pena de caracterizar bitributação, serem novamente, aqui, levados a nova tributação. 3.11 Finalmente reafirma que na movimentação ocorrida junto ao Banco do Brasil S.A. (001), agência 27.480, durante o ano de 2.004, todos os históricos correspondentes a “Desbloqueio de Depósitos”, não se referem a depósitos nem mesmo a créditos, ou seja, essa movimentação consiste na liberação de um depósito efetuado anteriormente, que já foi objeto de consideração e alegação de omissão de receitas. 3.12 Por tudo isso e por tudo aquilo que nos autos constam, julgar procedente o referido Auto de Infração é um ato não só de injustiça, como também de falta de bom senso, o que não é peculiar da autoridade julgadora. Isto posto, requer em preliminar que seja o auto de infração declarado nulo e, no mérito, seja julgado totalmente improcedente, cancelandose o suposto crédito tributário. A DRJ/SP1 manteve integralmente a autuação, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/8/2012, repisando as razões e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Rezam o caput e § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/200914 Acórdão n.º 2802003.313 S2TE02 Fl. 269 5 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º a 5º Omissis § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, no caso de contas bancárias de titularidade conjunta, é necessário, para a correta aferição dos aspectos quantitativos e pessoais do consequente normativo da regra matriz de incidência tributária, a intimação de todos os seus cotitulares. Registrese que, ainda que a declaração de ajuste tenha sido de natureza conjunta, o caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96 requer que o titular da conta seja intimado, ainda que essa titularidade seja exercida conjuntamente com outra pessoa. Em outras palavras, não é bastante que somente um dentre os titulares de conta conjunta seja intimado, mas sim todos. Compulsando os autos, pode ser verificado nos extratos das contascorrentes de nº 010047559 e nº 010063766 (fls. 73/140), ambas mantidas no Banco Santander S/A. e representando a ampla maioria dos depósitos sujeitos à comprovação de origem (fls. 153/165), que elas possuem titularidade conjunta do autuado e de sua esposa, Lea Maria Morais do Nascimento, CPF nº 122.059.20804, sendo que esta em nenhum momento foi devidamente intimada para esclarecimentos no curso do procedimento fiscal. A matéria foi tema da Súmula CARF nº 29, aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, e de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vale consignar que com sua publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído à Súmula CARF nº 29 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Ademais, com a exclusão dos depósitos vinculados às contas mantidas no Banco Santander Banespa S/A., temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 7165X do Banco do Brasil, são todos inferiores a R$ 12.000,00 e Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 totalizam tão somente R$ 20.632,09 (fl. 153), atraindo na espécie a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Cumpre, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a exigência fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10540.901369/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA.
Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão.
INTIMAÇÃO. CIÊNCIA.
A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim.
Numero da decisão: 1801-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator.. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 13 69 /2 00 9- 24 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 3 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. Relatório A FAZENDA NACIONAL, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1801002.113 (fl. 155), por este colegiado, interpõe embargos de declaração (fl. 160) objetivando o aperfeiçoamento da decisão. O presente processo trata da declaração de compensação de nº 37262.89027.290607.1.3.040079 (fl. 14), que não foi homologada pela Receita Federal do Brasil, nos termos do despacho decisório de fl. 13: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 1, em que alega, em síntese, que a DCTF correspondente foi preenchida com erro, o que foi sanado mediante apresentação de DCTF retificadora. A DRJ Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, considerase inexistente o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferindose o pedido de compensação a ele vinculado. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Considerando que o débito foi reduzido apenas em DCTF retificadora apresentada em momento posterior à ciência do Despacho Decisório, há que haver comprovação contábil do seu valor, sob pena de manutenção da cobrança. Cientificado dessa decisão em 08/05/2013, por meio de remessa postal (fl. 37), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 31), em 06/06/2013, em que alega: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 4 3 a) a DRJ não pode negar o efeito probante da DCTF retificadora enquanto a DRF intima o contribuinte a apresentar DCTF retificadora para sanear a situação da DCOMP; b) a DRJ desconsiderou a DIPJ apresentada antes do despacho decisório, que corrobora a existência do indébito; c) houve pagamento a maior do tributo e o seu não reconhecimento importa em enriquecimento ilícito por parte da Fazenda. Ao apreciar o feito, esta Turma de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação declarada, conforme o seguinte fundamento (fl. 158): Embora o despacho de fl. 23 informe que o contribuinte foi cientificado duas vezes do despacho decisório, não há nos autos a indicação da data da segunda intimação e, muito menos, comprovação da sua realização. Portanto, devese admitir como data de ciência aquela única comprovada nos autos, ou seja, 26/02/2010. Destarte, entendo que a DCTF retificadora supracitada foi realizada espontaneamente e constitui prova a favor do contribuinte, mormente quando apresenta coerência com o conteúdo da DIPJ apresentada, indubitavelmente, antes do despacho decisório.[destaquei] A Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos por entender que o acórdão recorrido deixou de considerar informação contida nos autos, conforme a seguinte transcrição (fl. 163): Nesse contexto, considerando que: [1] a Egrégia Turma restou omissa no que toca à análise da confissão constante na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada após a ciência do despacho decisório; [2] o fundamento para o provimento do recurso foi justamente o entendimento de que a DCTF retificadora apresentada antes da ciência do despacho decisório constitui prova a favor do contribuinte, o que não se confirmou no caso concreto; fazse mister que a Turma emita seu posicionamento, tendo em consideração a afirmação constante na manifestação de inconformidade de que a DCTF fora retificada após a ciência do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Os embargos são tempestivos por força do §9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quando determina que os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões deste Conselho com o término do prazo de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 5 4 trinta dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria. Na espécie, os autos foram movimentados para a Procuradoria em 07/10/2014 (fl. 159), presumindose a ciência no dia 06/11/2014. Os autos regressaram em 05/11/2014 (fl. 165), portanto, dentro do prazo legal. A razão dos embargos é a alegada omissão, ao apreciar as provas, de declaração do contribuinte contida na sua manifestação de inconformidade, que seria suficiente para demonstrar que a supracitada retificação da DCTF se deu após a ciência do despacho decisório, o que seria bastante para desacreditar das informações lá contidas. A declaração referida é a seguir transcrita (fl. 1): Apesar do recolhimento a maior, a DCTF de janeiro de 2006 foi equivocadamente preenchida pelo valor total do DARF, fato que o contribuinte corrige através do envio de DCTF retificadora nesta data, conforme recibo em anexo. De fato, a DCTF retificadora foi entregue em 04/12/2009 (fl. 6), mesma data em que a manifestação de inconformidade foi assinada (fl. 4). Apreciando as razões do embargante, verificase que ele entende que este fato é suficiente para provar que a ciência do despacho decisório se deu antes dessa data. Todavia, conforme consta dos autos, a ciência do despacho decisório ocorreu posteriormente, em 26/02/2010 (fl. 22). No argumento do recorrente há uma premissa implícita, a de que não é possível a contestação do despacho decisório sem a sua ciência. Como houve a contestação então, necessariamente, teria havido a ciência. Certamente este é um raciocínio logicamente válido, mas não deixa de ser uma presunção, sob a ótica do Direito Processual, uma vez não há nos autos um documento que demonstre essa ciência, nem mesmo há nos autos uma prova de que o contribuinte teve vistas dos autos. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, em que a única via de ciência ficta é o edital. Não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para se afirmar a ciência do despacho decisório, prendome às provas dos autos para reafirmar a espontaneidade jurídica do contribuinte ao retificar a DCTF em tela. Destaco outro fato que também foi utilizado nos fundamentos da decisão recorrida, embora de forma complementar: o valor contido na DCTF retificadora é o mesmo já declarado na DIPJ, entregue bem antes da emissão do despacho decisório em análise. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 6 5 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 13855.721630/2013-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE.
Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001.
GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO.
A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços.
MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado.
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SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 16 30 /2 01 3- 35 Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 10/07/2013 lavrados para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento das contribuições no período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010. Segundo o termo de verificação fiscal, a empresa valeuse de simulação para segmentar suas atividades com fim de reduzir os encargos previdenciários e de gerar créditos das contribuições não cumulativas de forma ilícita. Em procedimento de fiscalização das contribuições previdenciárias foi constatado, em síntese, que a TJ CALÇADOS utilizou a empresa JOSÉ CLÓVIS PEREIRA FRANCA EPP como interposta pessoa com a finalidade de contratar empregados com redução ilícita de encargos previdenciários, uma vez que sendo esta última optante pelo SIMPLES NACIONAL, não recolhe a contribuição previdenciária patronal calculada com base na folha de pagamento mensal. As evidências que conduzem a tal entendimento, são, em síntese, as seguintes: 1) as duas empresas ocupam o mesmo espaço físico e os empregados da JOSÉ CLÓVISEPP trabalham nas instalações da TJ CALÇADOS; 2) o trânsito de mercadorias entre as duas empresas era livre e não há nenhuma preocupação em se fazer o controle; 3) dos 39 empregados que tiveram seus contratos de trabalho rescindidos pela TJ CALÇADOS nos meses de abril e junho de 2003, 37 trabalhadores foram imediatamente registrados como empregados da JOSÉ CLÓVIS EPP; 4) com a publicação da MP nº 540/2011 que entrou em vigor a partir de novembro de 2011, as indústrias de calçados passaram a contribuir com o percentual de 1,5% sobre a receita bruta em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. A partir de então a TJ CALÇADOS voltou a recontratar os empregados da JOSÉ CLÓVIS EPP; 5) todos os custos da JOSÉ CLÓVIS EPP são suportados pela TJ CALÇADOS; 6) a JOSÉ CLÓVIS EPP presta serviços de corte, preparação, montagem, chanfração e pesponto de calçados. Entretanto, todo o maquinário é de propriedade da TJ CALÇADOS e foi repassado gratuitamente à JOSÉ CLÓVIS EPP por empréstimo. Toda manutenção dos equipamentos é efetuada pela TJ CALÇADOS; 6) O faturamento da JOSÉ CLÓVISEPP é insuficiente para cobrir as despesas geradas em seu nome; 7) a TJ CALÇADOS pagou viagens à Europa e também a construção de um apartamento de luxo ao senhor José Clóvis Pereira, sócio da JOSÉ CLÓVISEPP; 8) o departamento pessoal e a contabilidade das duas empresas funcionam no mesmo local e o serviço é efetuado pelas mesmas pessoas; 9) os equipamentos de proteção individual para todos os empregados são adquiridos pela TJ CALÇADOS; 10) trabalhadores formalmente registrados na JOSÉ CLÓVISEPP tiveram seus planos de saúde custeados pela TJ CALÇADOS; 11) A TJ CALÇADOS é a única cliente da JOSÉ CLÓVISEPP. Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 7 3 Com base nesse conjunto de fatos, concluiu a fiscalização que os empregados formalmente registrados pela empresa JOSÉ CLÓVISEPP eram, de fato, empregados da TJ CALÇADOS. Considerando que os serviços destacados nas notas fiscais emitidas pela JOSÉ CLÓVISEPP para sua única cliente, a TJ CALÇADOS, foram executados pelos próprios empregados desta última, são indevidos os créditos de PIS e COFINS tomados pela TJ CALÇADOS com base nessas notas fiscais. Foram glosados os créditos indevidos e lavrados os autos de infração de PIS e COFINS com multa qualificada de 150%, pois houve ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Foram arrolados como responsáveis solidários, com base no art. 135, III, do CTN os sócios da TJ CALÇADOS, senhor Jamil César David, CPF 072.254.81843 e a senhora Mary Aparecida Gomes David, CPF 071.780.25824; assim como o titular da empresa JOSÉ CLÓVISEPP, senhor José Clóvis Pereira, CPF 055.336.56812. Regularmente notificados todos os sujeitos passivos, o auto de infração foi impugnado apenas pela pessoa jurídica TJ CALÇADOS, tendo sido alegado o seguinte: 1) Houve quebra de quebra de sigilo bancário com violação do art. 5º, X, da Constituição. O STF já decidiu em Recurso Extraordinário, com repercussão geral reconhecida, que a Receita Federal do Brasil não pode ter acesso aos dados bancários do contribuinte. Essas provas são ilícitas e a documentação exigida está fora do período fiscalizado (2011/2012); 2) No que tange à localização das empresas envolvidas, alega que não há qualquer prova da conversa entre o sócio da autuada, em que este teria dito que a empresa José Clóvis mantinha endereço apenas formal na Rua Francisco Marques, 1400, não sendo admissível como elemento fático probatório; que o prédio é alugado pela empresa José Clóvis, conforme contrato de aluguel juntado aos autos; que o depoimento do Senhor Aparecido, no qual diz estar no local há cinco anos e que, anteriormente, no local funcionava as seções de corte e pesponto sob a responsabilidade do senhor José Clóvis, não possui legitimidade porque teria sido conduzido pela fiscal sem a presença de testemunhas e sem um representante da autuada; que as provas carreadas aos autos são frágeis e obtidas por meio fraudulentos; que a auditora deixa de citar fatos que contestariam de forma cabal as provas por ela elaboradas; que não há provas da conversa entre o representante legal e a auditora e que esta nunca existiu; que o CFOP das notas só demonstra a legalidade e transparência da relação empresarial; e que existe mãodeobra alocada pela José Clovis para produzir para a autuada, pelo que não há nenhuma hipótese de proibição legal; 3) Sobre a formalização dos registros de empregados, em resumo, a contribuinte alega que as provas articuladas se referem a fatos ocorridos em 2003 e não provam nenhum conluio ou armação e sim uma relação empresarial legítima; que o único fato que se prova neste procedimento é que a autuada diminuiu seus pedidos à prestadora em 2012 e se viu em situação benéfica com a diminuição de custos para contratação; que a empresa José Clovis continua trabalhando para a autuada e possui uma filial em Pedregulho/SP que não foi citada nos autos, e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma filial em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento; Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 4) Em relação ao comparativo entre faturamento e despesas da José Clóvis EPP, alega que esta se sustenta e é bastante lucrativa; que não há erro contábil e sim de análise da auditoria fiscal; que os documentos relativos ao valores recebidos pelo titular da empresa não foram apresentados porque ferem o sigilo bancário; que o ordenamento jurídico protege o cidadão no sentido de não produzir qualquer tipo de prova contra ele mesmo; que houve manipulação nos dados do Quadro 07 em relação às receitas e despesas (demonstrativos contábeis e comprovantes grifados em anexo); 5) Quanto às despesas de funcionamento e manutenção, alega que não há nos autos provas que identifiquem o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e se está contabilizada na empresa TJ e efetuados os pagamentos por esta, as contas são da empresa autuada. Argumenta ainda que não há crime em fazer a manutenção das máquinas e equipamentos utilizados pela José Clóvis EPP e nem é incomum a exclusividade na prestação de serviços; 6) Do vínculo entre o Senhor José Clóvis Pereira e a TJ Calçados, especialmente sobre o pagamentos de viagens ao exterior, alega que não são viagens de férias, que é de praxe que os grandes empresários mandem seus prestadores de serviços, representantes e funcionários a grandes centros, em busca de novidades e lançamentos. Quanto ao pagamento dos apartamentos, alega que não merecem explicação, que foram obtidas provas por meio fraudulento, protegidas por sigilo bancário, e que houve abuso de direito do fisco, com a manipulação de documentos e informações; 7) Quanto aos demais elementos de prova, apenas reitera que as provas juntadas aos autos demonstram uma relação empresarial comum, sem vícios, sem fraude e sem máscaras, que as duas empresas são idôneas com suas estruturas, funcionários, dependências, não havendo confusão entre as mesmas; 8) Da responsável pelo departamento fiscal das empresas envolvidas, alega que a contadora das duas empresas possui escritório de contabilidade na qual presta serviços para mais de 300 (trezentas) empresas, de modo que o fato desta ser contadora das duas empresas não comprova conluio e nem fraude entre ambas. Aduz que o Quadro 09 não faz jus ao período da fiscalização; que, durante o período fiscalizado, a funcionária foi registrada somente na José Clóvis; e que a funcionária trabalhava como freelancer para a TJ uma ou duas vezes por semana; 9) Dos equipamentos de segurança e proteção dos trabalhadores, argumenta que, diante da legislação trabalhista, a tomadora de serviços é subsidiária ou solidária aos erros e problemas gerados pela sua prestadora, sendo justa a preocupação com o fornecimento desses aparelhos ao empregados desta; 10) Do plano de saúde, alega que o departamento pessoal cometeu erro no tocante aos funcionários alocados aos convênios, o que será auditado pelo departamento financeiro e pelos sócios; e que este descontrole e desorganização por parte das duas empresas não são capazes de comprovar conluio ou fraude; 11) Do processo trabalhista, alega que a reclamação terminou em acordo sem reconhecimento de vínculo com a autuada e que todo o acordo foi quitado pela José Clóvis (ata de audiência juntada aos autos); 12) Da movimentação financeira entre as empresas envolvidas e da transferência de recursos financeiros da TJ Calçados para a José Clóvis EPP, alega que foram Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 8 5 obtidas por meio ilícito; que, em nenhum momento as empresas permitiram que fossem retirados os extratos bancários; que são várias as respostas aos termos de intimação, nas quais as duas empresas informam que os extratos foram retirados sem a sua permissão, pedindo a devolução dos mesmos. Reitera que houve quebra de sigilo bancário; 13) Sobre a terceirização, alega, em síntese que não há o vínculo empregatício entre a empresa tomadora e os trabalhadores arregimentados pela empresa prestadora e que não existe vedação à exclusividade na prestação de serviços. Remete à Lei nº 8.212/91 e ao Decreto nº 3.048/99 para alegar que compete ao Auditor Fiscal do Trabalho garantir o cumprimento da ordem jurídica trabalhista e avaliar os casos de contratação através de interpostas pessoas. Assim, sustenta que o auditor fiscal da RFB extrapolou da sua competência funcional ao analisar as contratações terceirizadas, e que a atuação deste deve se ater à verificação do cumprimento da legislação de tributos PIS e COFINS; 14) Alegou que não existe na legislação dos tributos PIS e Cofins previsão legal acerca do instituto da terceirização, pelo que a fiscalização teria afrontado o princípio da legalidade; 15) Segundo a defesa, a empresa José Clóvis – EPP encontrase regularmente enquadrada no Simples Nacional e que não há vedação para que os optantes possam prestar serviços terceirizados. Remetendo aos termos do relatório fiscal no que tange ao faturamento, argumenta ainda que o fisco poderia ter procedido à exclusão de ofício da referida empresa do Super Simples com fulcro na Lei Complementar 123/2006, sem ferir o princípio da legalidade. Alegou que a empresa autuada foi fiscalizada pelo Ministério do Trabalho em 2007 e 2009 e que a José Clóvis – EPP foi fiscalizada em 2007 e 2009 (em anexo), e que não foram lavrados autos de infração porque ausentes os requisitos legais da relação de emprego, dependência econômica, subordinação e direção dos empregados pela tomadora dos serviços (artigos 2º e 3º da CLT). Em sentido contrário, o Auditor da RFB não tomou o depoimento de nenhum dos funcionários que trabalhavam na tomadora de serviços, embora tenha visitado in loco a TJ Calçados. Observa que, no período fiscalizado, a auditoria cita apenas uma única reclamatória trabalhista, ajuizada em face da empresa prestadora de serviço e tomadora, quando é cediço que, nas lides trabalhistas que envolvam terceirização, o empregado ajuíza a reclamatória em face da prestadora e tomadora, em razão da responsabilidade subsidiária. Alegou que firmou um Termo de Ajuste de Conduta – TAC entre a tomadora e prestadora, perante o Ministério do Trabalho, no qual o empregador se compromete a cumprir obrigações ou a deixar de fazer alguma coisa ilícita ou considerada prejudicial à coletividade dos trabalhadores. Reafirma, ainda, que não há contratação irregular por meio de empresa interposta, ou seja, para a atividadefim; 16) Quanto à aplicação da multa qualificada, a contribuinte remete aos termos do relatório fiscal e a sua fundamentação legal para afirmar que não existe a previsão legal na legislação do PIS e da Cofins, e assim, restaria ferida de morte a fundamentação utilizada em face ao princípio constitucional da Legalidade, previsto nos artigos 5º da CF/88; 17) Reitera que a fiscalização não logrou êxito em provar a existência de interposta pessoa, lembrando que a TJ Calçados bem como a José Clóvis – EPP foram fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, e que este não apontou nenhuma irregularidade; Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 18) Quanto à representação fiscal para fins penais, alega que, enquanto não solucionado o litígio administrativo, não haverá representação criminal. Por meio do Acórdão nº 33.794, de 15/01/2013, a 4ª Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "(...) SIMULAÇÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. SIGILO BANCÁRIO. LICITUDE DO ATO ADMINISTRATIVO. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, o que não implica em quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, há o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Ao restar comprovada a prática de negócios simulados, com declaração enganosa de vontade, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, impõese a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Todos os sujeitos passivos foram regularmente notificados do acórdão de primeira instância por via postal, conforme avisos de recebimento juntados aos autos. A TJ CALÇADOS, regularmente notificada em 27/01/2014, foi a única a apresentar recurso voluntário em 21/02/2015, no qual reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O contribuinte alegou que seu sigilo bancário foi violado de forma ilícita e pleiteia a aplicação do RE 389.808, que no seu entender foi submetido à sistemática da repercussão geral. Pesquisandose o inteiro teor desse julgado, verificase que o STF realmente julgou inconstitucional a quebra de sigilo bancário pela Receita Federal com base no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, que permite a entrega das informações por parte dos bancos, a pedido do fisco sem autorização judicial. Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 9 7 Entretanto esse recurso extraordinário não é vinculante para o CARF, pois ao contrário do alegado, ele não foi submetido à sistemática da repercussão geral. No caso concreto, além da defesa não ter apresentado nenhuma prova da alegação de que a fiscalização teria se apropriado de documentos bancários ao arrepio de autorização da recorrente, as informações prestadas pelo banco foram franqueadas ao fisco com base em dispositivo legal com vigência e eficácia plenas (art. 6º da LC nº 105/2001) não existindo nenhuma ilegalidade cometida pelo fisco. Por outro lado, acrescentese que as informações bancárias obtidas pela fiscalização não possuem nenhuma relação direta com a exigência dos tributos PIS e COFINS, objeto dos autos de infração albergados neste processo. As glosas dos créditos indevidos foram feitas com base em documentos existentes na contabilidade da empresa, não tento nenhuma relação com as informações bancárias. No mérito, a fiscalização levantou uma série de fatos que analisados de forma global produzem a convicção de que a empresa JOSÉ CLÓVIS EPP existia apenas no papel para gerar desoneração previdenciária e, ao mesmo tempo, gerar créditos das contribuições não cumulativas. Tanto no recurso voluntário quanto na impugnação, a defesa rebateu isoladamente cada fato apontado pela fiscalização, tentando demonstrar que a acusação fiscal baseiase em mera presunção desacompanhada de provas. Conforme narrado pela fiscalização, a empresa José Clóvis – EPP funciona dentro das instalações da TJ Calçados há pelo menos cinco anos, incluindo assim o período fiscalizado, mantém um endereço apenas “formal” para fins cadastrais em outro endereço, não existem diferenças ou distinção entre os empregados das duas empresas dentro do prédio da TJ Calçados, sendo que esta situação vem ocorrendo aproximadamente há cinco anos, englobando o período fiscalizado (2008 a 2010). Relativamente aos documentos fiscais emitidos pela JOSÉ CLÓVISEPP, constatou a fiscalização que o CFOP 5124, utilizado nas notas da empresa, é a classificação de “saídas de mercadorias industrializadas para terceiros, compreendendo os valores referentes aos serviços prestados e os das mercadorias de propriedade do industrializador empregadas no processo industrial, e que consta no campo da descrição a expressão “serviços prestados dentro da própria indústria". Considerou ainda o fisco que o trânsito das mercadorias entre as duas empresas era livre e não havia qualquer preocupação em se fazer o seu controle, visto que mesmo os códigos em suas notas fiscais indicam que apenas houve a saída de mercadoria industrializada para terceiros sem o código de retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda para formalizar o retorno das mercadorias recebidas para industrialização. Esse fato é relevante, e demonstra que se a empresa JOSÉ CLÓVISEPP não existisse, os serviços por ela prestados continuariam a serem executados dentro da TJ CALÇADOS da mesma forma, sem nenhuma solução de continuidade. Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Quanto à localização das duas empresas, foi alegado que a fiscalização não juntou provas da conversa do sócio da autuada, onde este teria dito que a empresa JOSÉ CLÓVISEPP mantinha endereço apenas para fins cadastrais. O exame dos autos revela que existe prova de que a JOSÉ CLÓVISEPP mantinha um endereço apenas para fins cadastrais, conforme depoimento prestado pelo Senhor Aparecido Gonçalves de Oliveira. Observase que o teor desse depoimento confirma integralmente o teor da conversa que a auditorafiscal diz ter presenciado. Nesse depoimento está dito com todas as letras o seguinte: Que está no local há cinco anos, que o local pertence a Jamil César David e que anteriormente funcionava no local a linha de produção da T J Calçados. Desse período para cá passou a ser banca de pesponto do senhor José Clóvis, sendo a própria TJ a responsável pelo pagamento das despesas de funcionamento do local. Até cinco anos atrás neste local funcionava as seções de corte e pesponto, e quem era o responsável era o senhor José Clóvis. Agora no local, só funciona uma pequena banca de pesponto que faz apenas o excesso da produção da TJ Calçados (...). Que há aproximadamente cinco anos a TJ Calçados comprou um barracão no Distrito Industrial e lá passou a centralizar a sua linha de produção, ficando neste local uma pequena banca para trabalhar o excesso de produção. Declarou que é o encarregado da banca, responsável por organizar o trabalho e controlar os empregados, porém não tem registro em carteira, seu contrato é informal. Que presta contas para o senhor José Clóvis e que os empregados estão registrados em nome do senhor José Clóvis, mas que os controles ficam sob a responsabilidade da TJ Calçados. Portanto, o depoimento de um terceiro que não tem nenhuma relação formal com as duas empresas envolvidas, revela que a JOSÉ CLÓVISEPP é inteiramente subordinada à TJ CALÇADOS. Relativamente aos registros de empregados, a defesa alegou que as provas se referem a fatos ocorridos em 2003 e não provam nenhum conluio ou armação e sim uma relação empresarial legítima; que o único fato que se prova neste procedimento é que a autuada diminuiu seus pedidos à prestadora em 2012 e se viu em situação benéfica com a diminuição de custos para contratação; que a empresa JOSÉ CLÓVISEPP continua trabalhando para a autuada e possui uma filial em Pedregulho/SP que não foi citada nos autos; e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma filial em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento. Não tem razão a recorrente, pois o fisco demonstrou a ligação umbilical entre as duas empresas, com total subordinação da JOSÉ CLÓVISEPP à TJ CALÇADOS. Praticamente todos os empregados (90%) da TJ CALÇADOS foram contratados pela JOSÉ CLÓVISEPP para prestar os mesmos serviços que executavam na antiga contratante. Posteriormente, com a desoneração da folha de pagamento promovida pelo Governo, todos os empregados que de fato eram da TJ CALÇADOS, voltaram a ser seus empregados de direito, pois não havia mais interesse em mantêlos ligados à empresa terceirizada. No que tange aos faturamentos da duas empresas e à movimentação financeira entre ambas, a defesa alegou uma série de impropriedades e abusos que teriam sido Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 10 9 cometidos pela fiscalização, encerrando o chavão de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Nessa parte o fisco constatou a ocorrência de incorreções em diversos lançamentos escriturados no livros contábeis da empresa José ClóvisEPP como, por exemplo: nos livros Diário dos anos de 2008, 2009 e 2010 estão registrados a débito da conta Caixa e a crédito de Receitas Diversas as importâncias para capital de giro que teriam sido supostamente recebidas do titular, Senhor José Clóvis, pelas quais não foram apresentados ao fisco quaisquer documentos comprobatórios (demonstrações no Quadro 06 fl. 08 do Termo Fiscal); que, em grande parte do ano de 2008, a maioria dos pagamentos das despesas de José ClóvisEPP, inclusive a folha de pagamento, foi paga pela TJ Calçados por meio de débito em sua conta corrente nº. 676403 mantida no Bradesco; que a TJ Calçados continuou efetuando, pelo menos até o final de 2009, pagamentos de tributos e despesas da José Clóvis – EPP diretamente através de sua conta bancária; e que a TJ calçados é a única fornecedora de recursos financeiros para a José Clovis EPP fazer frente às despesas geradas em seu nome. Relata a fiscalização que a empresa José Clóvis presta serviços exclusivamente para a TJ Calçados, conforme informações prestadas verbalmente pelo Senhor Jamil César David, sócio desta última, e confirmada pelos documentos apresentados ao fisco; que a análise da sua contabilidade levou o fisco a concluir que foram criadas receitas fictícias e a ocultação de despesas em razão da receita bruta anual encontrarse prestes a atingir o limite para a permanência no Simples Nacional; que a demonstração do quadro 07 (fl. 08 do Termo Fiscal) indica que o faturamento da empresa José ClóvisEPP não foi suficiente para fazer frente às despesas geradas em seu nome; que o comparativo entre receitas e despesas não leva em conta outras despesas normais de funcionamento de uma empresa, tais como água e esgoto, energia elétrica, aquisição e manutenção de máquinas e equipamentos, aquisição de equipamentos e proteção para trabalhadores. Esses fatos evidenciam que a fiscalização, por meio da análise dos faturamentos e da massa salarial, revelou a distorção que transparece na falta de faturamento da empresa terceirizada para cobrir as despesas inerente às atividades de uma prestadora de serviços. A questão das despesas de funcionamento e manutenção, reforça o que até aqui foi visto, posto que não foram localizados quaisquer registros de despesas básicas de funcionamento de uma empresa tais como água e esgoto, energia elétrica, telefone e manutenção de máquinas e equipamentos; as despesas lançadas na contabilidade da empresa José ClóvisEPP, cujos gastos se referem quase que exclusivamente a despesas de pessoal e tributos (salários, férias, rescisões, décimo terceiro, FGTS, Simples, etc.), e as despesas de funcionamento, tanto do prédio da TJ Calçados, quanto do prédio usado como endereço formal da José Clovis EPP foram assumidas pelaTJ Calçados (quadro 08fl. 09 do Termo Fiscal). Portanto, devem ser julgadas improcedentes as alegações de defesa, pois a alegação de que o fisco manipulou dados veio desacompanhada de prova. Da mesma forma, são improcedentes as alegações de que a autuação não identifica o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e estão contabilizados na TJ, pois é óbvio que a referência no termo fiscal se refere à sede da TJ. Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Todos esses elementos, demonstram que JOSÉ CLÓVISEPP não era uma empresa terceirizada, mas apenas uma empresa de papel, criada para gerar desoneração de encargos previdenciários da TJ e créditos ilegítimos das contribuições não cumulativas ao PIS E COFINS. Reforça essa constatação o pagamento de viagens à Europa e de aquisição de apartamento de luxo efetuado pela TJ CALÇADOS para o a pessoa física do senhor José Clóvis Pereira. A alegação da defesa de que não se tratou de viagem de férias chega a ser risível, pois é pouco provável que um operário encarregado de operações fabris, que nem sequer pertence formalmente ao quadro de pessoal da TJ fosse enviado à Europa com tudo pago em busca de "novidades e lançamentos". Quanto ao pagamento de um apartamento de luxo para uma pessoa física estranha ao quadro de funcionários da TJ não foi apresentada nenhuma alegação de defesa, pois obviamente não há como explicar o inexplicável. Isso é o quanto basta para caracterizar que a JOSÉ CLÓVISEPP é uma empresa que não tem existência real, existindo apenas no papel para que a TJ CALÇADOS pudesse auferir redução de custos previdenciários e créditos ilegítimos das contribuições ao PIS e COFINS. A defesa discorre sobre terceirização e sobre competências da fiscalização federal tributária e do trabalho. Não houve vício de incompetência na lavratura do presente auto de infração, a teor do art. 142 do CTN e do art. 2º do Decreto nº 6.641/2008. No que concerne à terceirização, a Administração Tributária não condena nem a terceirização e nem o planejamento tributário, pois a teor do art. 170 da CF/88, empreendedor tem liberdade para organizar seu negócio de forma a reduzir seus custos e maximizar seu lucro. Não é crime reduzir custos e aumentar o lucro, desde que se respeite o ordenamento jurídico. No caso concreto, não haveria problema algum na criação da JOSÉ CLÓVIS EPP se esta empresa tivesse faturamento condizente com suas atividades, possuísse máquinas para prestar seus serviços, custeasse suas despesas e seus funcionários, ou seja, tivesse existência real e autônoma em relação à TJ CALÇADOS. O que não se admite é a criação de uma empresa de papel apenas para a geração de benefícios fiscais. Isso é simulação. E simulação é causa de nulidade dos atos jurídicos praticados, a teor do art. 167 do Código Civil. Tendo a fiscalização provado a existência de simulação, foi correto considerar que os serviços foram prestados pelos próprios empregados da TJ CALÇADOS, fato que autoriza a desconsideração das notas fiscais e a glosa dos créditos de PIS e COFINS pelos "serviços prestados" pela JOSÉ CLÓVISEPP. No que tange à multa de 150%, está correta a sua aplicação, pois a simulação foi engendrada com o fim de praticar a sonegação, a teor do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Não tem fundamento a alegação da defesa no sentido de que a legislação do PIS e COFINS não prevê a qualificação da multa, pois a Lei nº 4.502/64 não é uma lei Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 11 11 específica para o IPI. Os conceitos de sonegação, fraude e concluio, são aplicáveis de forma geral a todos os tributos federais. No que tange à representação fiscal para fins penais, invoco o entendimento da Súmula CARF nº 28, in verbis: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Em face do exposto, não tendo o contribuinte apresentado nenhum motivo de fato ou de direito relevante para elidir as imputações que lhe foram feitas pela fiscalização, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Recomendase à autoridade administrativa da DRF Franca que prossiga na cobrança do crédito tributário em relação aos responsáveis solidários. Tal cobrança já deveria ter sido iniciada, a teor do que determina o art. 21 do Decreto nº 70.235/72, pois em relação aos devedores solidários o prazo de prescrição do art. 174 do CTN começou a fluir no trigésimo primeiro dia posterior à data de ciência do auto de infração, conforme ARs de fls. 3808 a 3813. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10783.720897/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, relativos ao 4ª trimestre de 2008 e todo o ano de 2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Os autos de infração constituemse do valor principal das contribuições, de juros de mora e de multa qualificada de 150%, em virtude da caracterização de fraude nas operações em questão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 89 7/ 20 13 -1 6 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 4 2 Conforme extraise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 315 a 389), o procedimento fiscal teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos da contribuição não cumulativa para a COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP. O direito creditório apreciado pela autoridade fiscal fazem parte dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201. Segundo a alegação fiscal, o farto conjunto probatório colhido no curso das investigações que antecederam a referida ação fiscal, comprovou que toda a cadeia de comercialização do café passou a esquematizarse em função do regime de nãocumulatividade do PIS/COFINS, de tal sorte que as aquisições de café de produtores rurais/maquinistas passaram a ser guiadas fraudulentamente com notas fiscais de empresas laranjas visando o creditamento integral das alíquotas do PIS/COFINS. Para a fiscalização, esse esquema de utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS teria sido descortinado nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em 10/2007, e que resultaram posteriormente na Operação “Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A fiscalização alega que o modus operandi teria sido descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas), bem como robustecidos pelos documentos colhidos no decorrer das investigações e por aqueles apreendidos na Operação Broca. A auditoria fiscal fundamentada nessas provas constatou que a STOCKL CAFÉ lançou mão de pseudoatacadistas para dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar fraudulentamente dos créditos da COFINS. Devidamente cientificada a interessada sua impugnação, na qual alegou em apertada síntese: A vinculação entre os Processos Administrativos Fiscais n°s. 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201, além do processo 10783.720898/201352, lavrado para a cobrança de multa regulamentar; A inexistência de provas irrefutáveis de que teria atuado de modo dissimulado, adquirindo produtos de pessoas jurídicas irregulares à luz do ordenamento jurídico; Que a autoridade fiscal não traz nenhuma prova de seu efetivo envolvimento com as pessoas jurídicas que alcunhou de "pseudo atacadistas" e "empresas de fachada", mas apenas reutiliza generalizações sobre o funcionamento do mercado cafeeiro, colhidas ao longo das investigações das Operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 5 3 Que não sabia de qualquer artifício utilizado na comercialização de café, nem mesmo foi omissa em relação à existência de empresas supostamente fictícias, alegando sua boa fé. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 1264.195 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa em sua totalidade os argumentos esgrimidos na impugnação, e requer o provimento de seu recurso para reformar a decisão da Delegacia da Receita Federal de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 6 4 Julgamento no Rio de Janeiro I, promovendose o cancelamento dos lançamentos tributários correspondentes. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Conforme acima relatado, o auto de infração lavrado decorre da não homologação de parte das DCOMP’s e do indeferimento parcial dos ressarcimentos pleiteados pela Recorrente, em função de sua alegada participação no esquema de interpostas pessoas criadas para dissimular aquisições de café de pessoas físicas. O direito creditório apreciado pela autoridade fiscal fazem parte dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201, que ainda se encontram pendentes de decisão administrativa definitiva. Desta forma, tendo em vista a vinculação entre os processos, devese aguardar o resultado definitivo dos processos 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201, para o devido retorno do presente processo, para julgamento. Voto pela conversão do presente julgamento em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem, para aguardar o resultado definitivo dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201, anexando aos presentes autos, cópia das decisões definitivas dos processos acima referidos. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 28 de janeiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001692/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1301-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 16 92 /2 01 0- 08 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identifica, contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ em Porto Alegr/RS. Segundo depreendese pela análise do presente processo administrativo em desfavor da ora recorrente foram efetivados lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos em 2006, na modalidade do Simples. Verificase ainda a recorrente foi intimada a apresentar o Livro Caixa ou Livro Diário e Razão, Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do ICMS, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras, todos os comprovantes das receitas, custos e despesas, assim como cópias de ações judiciais relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, todos relativos ao anocalendário de 2006. O interessado disponibilizou parte da documentação solicitada, juntamente com cópias dos extratos bancários da CEF, SAFRA e BRADESCO. De posse destes extratos, a Fiscalização intimou a empresa a esclarecer a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representavam volume de recursos muito superiores às suas receitas declaradas. Anoutouse que a recorrente respondeu que em função do exíguo tempo concedido para o cumprimento da solicitação, faria um esclarecimento por amostragem, considerando o mês de junho/2006. Resultou das informações prestadas pelo contribuinte o esclarecimento relativo ao valor de R$ 26.581,12, referente a transferência entre contas, ambas mantidas na CEF. Quanto a alegação de que alguns valores representavam descontos de cheques prédatados, considerou a Fiscalização que isto somente indicava uma possível mudança de mês em relação ao fato gerador, não tendo sido comprovado que aqueles valores teriam origem diversa da atividade econômica da empresa. Informou a contribuinte, no decorrer da ação fiscal, que seu faturamento real é diverso do faturamento bruto, uma vez que o seu negócio envolve a contratação de serviços de terceiros e compra de materiais. Após a retirada dos valores justificados pelo contribuinte e que não se constituíam em receitas da atividade da empresa, ainda resultaram diferenças entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes (R$ 4.561.728,50) e aqueles declarados à Receita Federal (R$ 186.033,32), que representariam receitas omitidas. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/201008 Acórdão n.º 1301001.795 S1C3T1 Fl. 3 3 Constatou a Fiscalização que a receita auferida pela empresa, em 2006, ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do Simples, foi formalizada a Representação Fiscal solicitando à autoridade competente sua exclusão desta sistemática simplificada de tributação a partir de 01/01/2007. A formalização da exclusão deu se pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 68 de 21/05/2010 (fls. 602). O lançamento de ofício relativo ao anocalendário de 2006 está consubstanciado nos autos de infração – Simples (fls. 632 676), acrescido de multa proporcional e juros de mora. A ciência pessoal do ADE DRF/FNS nº 68/2010 e dos Autos de Infração ocorreu em 10/06/2010, e recorrente apresentou Impugnação (fls. 699/722), alegando em síntese que opera no ramo de comércio e beneficiamento de madeiras. Em decorrência de sua atividade, faz a intermediação de construção de casas e outras edificações e que o Fisco busca a exigência do crédito tributário sem investigar sequer fatores outros exteriores de riqueza, usando somente os extratos bancários como base para fazer incidir tributos federais. Aduziu que forneceu alguns documentos que comprovavam a movimentação bancária, conforme requerido. Numa aparente atitude inesperada, o fisco decidiu afastar os argumentos apresentados, alegando insuficiência de esclarecimentos e realizou o lançamento fiscal, desprezando que o período fiscalizado se refere ao ano de 2006 e eram inúmeros os pontos a serem esclarecidos mediante análise dos extratos bancários. Desta forma, caracterizado o cerceamento ao direito de defesa a que faz jus, caberá ser decretada a nulidade da combatida notificação fiscal. Mencionou que embora tenha requerido cópia do presente processo logo após intimada, só teve acesso ao mesmo após dez dias, restando vinte dias para juntada de documentos imprescindíveis ao deslinde da presente demanda administrativa e que não é todo ingresso de receita que poderá ser considerado como renda tributável para fins de imposto de renda, nem toda receita ou faturamento será alvo de tributação pelo PIS e COFINS, por exemplo. Defende que o fato é que o conceito constitucional de renda tem sido traduzido por acréscimo patrimonial. Em que pese o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 admitir a utilização das movimentações bancárias como “omissão de receita”, tal fato não legitima a incidência tributária, uma vez que caberá ao fisco investigar sua origem para somente então proceder ao correto enquadramento da hipótese de incidência prevista na legislação tributária, e que se traduziria em pessoa jurídica cuja organização é extremamente rudimentar e familiar, sendo grande parte de sua atividade voltada à intermediação na construção de casas. Desta forma, permitia que ingressasse em suas contas correntes inúmeros valores que, em verdade, não lhe pertenciam. Alega que a lei não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples dos depósitos bancários, citando a Súmula 182 do TRF. Insistiu na impossibilidade de tributação sobre ingressos de valores em contas correntes com posterior estorno diante de cheques devolvidos – transferência entre contas bancárias da mesma titularidade da requerente – de dupla apresentação de cheques – de devolução de cheques da própria requerente (consolidados no DOC. 04 fls. 830/831) – de operações de créditos (DOC. 09): estas situações, com exceção de operações de créditos, somadas atingem o montante de R$ 1.219.346,07, valores estes que foram considerados no momento da autuação como renda, receita ou faturamento da empresa. O DOC. 09 fls. 1150/1151 comprovaria que ingressaram valores em sua conta bancária originados de Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR 4 operações de crédito, ou melhor, empréstimo que não constituem faturamento da empresa e nem rendimentos tributáveis. Requereu fosse afastado o lançamento tributário diante da comprovação da ilegalidade de contemplar valores não previstos na hipótese de incidência dos tributos pretendidos e que circularam em contas de sua titularidade e defendeu a impossibilidade de tributação sobre os valores de terceiros que circulavam em suas contas bancárias, eis que juridicamente não lhe pertencem, já no exercício de suas atividades empresariais, intermediava a construção de casas além de outras edificações, para que no ato da aquisição das madeiras e artefatos de construção, seus clientes pudessem contar com o almejado apoio para o alcance de seus objetivos. Tal prática trazia comodidade ao cliente e possibilidade de incremento de suas vendas. Sendo assim, contratava pelo preço global (venda de madeiras, outros artefatos e intermediação na contratação de mãodeobra) e todos os valores, mesmo que de terceiros, circulavam em suas contas bancárias, e que tudo era feito de modo muito simples, não havendo preocupação com a forma documental e fiscal das atividades. No verso de cada contrato estava consignado que além da compra de materiais, estava também o cliente comprando a mãode obra da montagem da casa. Reputou que a multa aplicada de 75% pela suposta insuficiência de recolhimentos, e de 150% por suposta omissão de rendimentos, indicariam dupla penalidade, o que é ilegal e que não bastasse isso, o parágrafo 2º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece o limite de 20% para fins de multa moratória. Requer, então, a adequação da multa aplicada aos limites legais, qual seja, 20% (vinte por cento), defendeu ainda a inconstitucionalidade da taxa SELIC. Requereu a suspensão dos efeitos do ato declaratório que exclui a empresa do Simples Nacional, até decisão definitiva final do presente recurso administrativo, na forma do parágrafo 3º do artigo 15 da Lei nº 9.317/1996; e 13 ao final requer (a) seja decretada a invalidade do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 68/2010, permanecendo no regime fiscal diferenciado — SIMPLES e na hipótese de manutenção da exclusão seja revisto o lançamento tributário para autorizar o recolhimento dos valores em atraso relativos ao exercício de 2006 pela apuração com base no Lucro Presumido, diante da regra constitucional de tratamento diferenciado e favorecido para as empresas de pequeno porte, alínea d, inciso III, do artigo 146 da Constituição Federal. Diante da justificativa apresentada pelo contribuinte – item 7, acompanhada de documentos comprobatórios, o processo retornou à Delegacia de origem para manifestação, determinando o julgador, caso fossem aceitos os argumentos do contribuinte, se recalculasse os Autos de Infração. Conforme Informação de fls. 1259/1260, da análise dos documentos acostados aos autos às fls. 833/1149, concluiu o Fiscal que em relação aos cheques devolvidos e valores transferidos das contas correntes mantidas pelo contribuinte junto à CEF, Bradesco e SAFRA, efetivamente não representavam receitas da atividade da empresa. Desta forma, foram excluídos R$ 1.219.346,07 no total de “ingressos bancários decorrentes da atividade”, e o valor considerado para a constituição dos créditos tributários, relativos à receita da atividade omitida, que anteriormente era de R$ 4.375.695,18, passa a ser de R$ 3.156.349,11. Com relação a eventuais ingressos de recursos vinculados à operação de crédito (fls. 1.151), informa a fiscalização que não foi possível estabelecer vínculo com quaisquer dos valores listados, não havendo nenhuma retificação a ser feita. O contribuinte foi cientificado da Informação Fiscal, resultado da Diligência, em 04/11/2013 (fls. 1261) e, em 22/11/2013 vem novamente ao processo, ratificando os termos já defendidos nos autos, enfatizando que os valores de terceiros prestadores de serviços, pessoa Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/201008 Acórdão n.º 1301001.795 S1C3T1 Fl. 4 5 física ou jurídica, que ingressam no caixa da empresa e posteriormente são destinados aos mesmos, não podem servir de base de cálculo para lançamento dos tributos pretendidos pelo fisco, eis que juridicamente não lhe pertencem. A 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.274 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente. No início do enfretamento já se afastou as alegações de nulidade. No mais, refutou a alegação do contribuinte de que era empresa rudimentar, relembrando o quadro normativo que impõe a guarde e escrituração dos livros. No tocante à alegada intermediação e construção de casas, o que justificaria a movimentação bancária, entendeu a decisão recorrida que tendo optado pelo SIMPLES a apuração do lucro é substituída por percentual sob o faturamento, o que afastaria o argumento da contribuinte. Quanto ao mérito, consistente em autuação por omissão de receitas apurada com base em presunção legal, aludiuse ao disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, mantendo se a exigência ante a falta de comprovação da origem. Salientou a aplicabilidade da taxa Selic. Relativamente à exclusão do SIMPLES, ponderou a decisão recorrida que tendo o contribuinte alegado que os valores levantados pelo fisco não representavam receita omitida, mas não comprovado tal fato, o total de suas receitas, de acordo com a movimentação bancária em 2006 foi superior ao permitido para optar pelo Simples em 2007. Da mesma forma, como os demais argumentos trazidos por ele também foram desconsiderados, como já demonstrado, devem ser mantidos os Autos de Infração, confirmandose a exclusão do Simples a partir do exercício seguinte ao da constatação dessa ocorrência, ou seja, 01/01/2007. Devidamente cientificada (fl. 1.382) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.383 em diante), aduzindo a nulidade do auto de infração, defendendo que não seria possível a exigência tributária com base apenas na sua movimentação bancária, aludindo à Súmula 182 do extinto TFR. No tocante à comprovação da origem dos valores movimentados em sua conta bancária, arrazoou a contribuinte que após a autuação ficou sabendo que o irmão dos sócios, de forma irregular e inadvertida, utilizava as contas bancárias da recorrente para a prática de agiotagem. No mais, reiterou os argumentos já relatados e pugnou por provimento. É o relatório. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão trazia aos autos se relaciona à omissão de receitas apurada mediante a verificação de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não teria comprovado, desencadeando assim, presunção legal de omissão de receitas e a exclusão do SIMPLES, porquanto prevalente a exigência, ultrapassouse o limite de permanência no citado regime. Em alegação preliminar, aduz a contribuinte que os autos de infração seriam nulos porque a Notificação Fiscal não cumpriria os requisitos formais para sua efetivação, eis que os autos de infração necessitariam ser embasados por elementos de prova, o que não teria se dado nos autos, já que a exigência se fundou apenas em depósitos bancários. Em verdade a alegação preliminar da contribuinte muito mais se assemelha ao próprio mérito do seu inconformismo, porquanto de igual forma sustenta ser inviável o lançamento com base em “mera presunção”. Todavia, cuidando de alegação de nulidade, como bem se sabe, sua decretação está adstrita à ocorrência de ao menos uma das hipóteses fixadas no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, o que não se vê na espécie. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade, já que não se cuida de cerceamento ao direito de defesa, tampouco de incompetência da autoridade administrativa que executou o ato. Quanto ao mérito, e a possibilidade de tributação com base em presunção legal fixada na legislação de regência, importa consignar que a despeito do que argumenta a contribuinte, relativamente à impossibilidade de o lançamento se fundar em “mera presunção”, que a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, permite a presunção de receita omitida, em relação aos valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Portanto, convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na espécie, a fiscalização intimou a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, remanescendo ao fim, não comprovada a origem e a necessária tributação dos valores. Temse, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/201008 Acórdão n.º 1301001.795 S1C3T1 Fl. 5 7 movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria aos recorrentes afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Quanto às justificativas apresentadas pela contribuinte, mesmo aquela relacionada à suposta prática de agiotagem em suas contas, à sua revelia, importa esclarecer que estão desacompanhadas de provas que permitam identificar e assim individualizar seus montantes. Ademais, como bem lembrou a decisão recorrida tendo optado pelo Simples, a apuração do lucro é substituída pela aplicação de percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezadas todas as suas despesas. Assentese ainda que em relação a alegações do contribuinte de que ocorreram ingressos de recursos vinculados à operação de crédito, já afirmou a decisão recorrida e a fiscalização, com acerto, que não foi possível estabelecer vínculo com quaisquer dos valores listados. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto à alegada abusividade da multa, aplicada no patamar de 75%, impende considerar que consoante a Súmula CARF nº 02, falece competência à esfera administrativa para se pronunciar acerca da constitucionalidade de lei, de sorte que subsiste a multa aplicada, porquanto lançada em patamar mínimo e com fundamento legal válido. No que toca à utilização da Taxa Selic, somado ao fundamento acima mencionado, aplicase a Súmula CARF 04. Em vista de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR 8 Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001345/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro.
DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa.
MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE.
Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1301-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO. O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 45 /2 01 0- 61 Fl. 5760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.756 2 DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 5761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.757 3 Relatório NOROESTE AUTO PEÇAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram determinados por meio do arbitramento do lucro, vez que a escrituração mantida pela contribuinte foi considerada pela Fiscalização como imprestável para apuração das bases de cálculo correspondentes. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e das razões de defesa apresentadas pela contribuinte em sede de impugnação. ... Consta no processo que a fiscalização teve início para verificar a movimentação financeira de Walter Nicoletti, que, sendo intimado, não apresentou os extratos bancários, motivo pelo qual foi expedida a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Analisando os citados extratos bancários, verificouse a necessidade de circularizar alguns remetentes e destinatários de recursos movimentados nas contas bancárias de Walter Nicoletti (Banco do Brasil S/A e Nossa Caixa S/A), ficando evidente que elas eram utilizadas por Denilson César Marzocchi para movimentar recursos da Noroeste, da qual Denilson era proprietário. Novamente intimado, Walter Nicoletti confirmou ter dado procuração para o Sr. Denilson movimentar suas contas bancárias. Sendo intimado, Denilson César Marzocchi informou que "durante o ano de 2006 foram realizadas transações nas referidas contas correntes, podendo ser os recursos de minha responsabilidade nos negócios gerados". Tendo sido constatada, principalmente por meio da circularização entre débitos e créditos das contas de Walter Nicoletti, que a movimentação financeira é da Noroeste de propriedade de Denílson César Marzocchi, foi aberta fiscalização em nome da citada empresa, a qual foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, bem assim a apresentar os livros Diário, Razão, documentos que deram origem aos lançamentos e Lalur. Referidos livros foram apresentados, no entanto, não foi comprovada a origem dos valores depositados nas contas correntes de Walter Nicoletti, sendo a contribuinte novamente intimada a fazer essa comprovação e a apresentar nova Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.758 4 escrituração contábil, juntamente com os documentos que dariam origem a ela. Em resposta, a contribuinte afirmou que "a origem da movimentação financeira, objeto da intimação, é dos negócios próprios da empresa". A fiscalização constatou que os recursos movimentados nas contas de Walter Nicoletti não foram escriturados pela Noroeste e representam 78,17% do total da movimentação financeira efetivamente escriturada, o que torna a escrita fiscal imprestável para determinar o lucro real, sendo arbitrado o lucro da empresa. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sócio Denílson César Marzocchi, conforme se vê às fls. 1727/1728. Notificada do lançamento, a contribuinte, representada pelo sócio Denílson César Marzocchi (fls. 1807 a 1811, 1836/1837), ingressou com a impugnação de fls.1815 a 1835, alegando: Nulidade do lançamento. A fiscalização cometeu falha grave ao identificar a matéria tributável e efetuar a tributação com base na movimentação bancária de origem não comprovada, quando ficou comprovado que a origem dos depósitos eram as operações normais da empresa, da comercialização de suas mercadorias. Não existe lugar, nesse caso, para a presunção fundada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; Os créditos/depósitos extraídos dos extratos bancários e resumidos nas planilhas, identificados com a rubrica "cobrança", uma vez reconhecidos como operação comercial da empresa Noroeste, não podem e não devem ser taxados como "presunção" de omissão de receita. Vide, por exemplo, o valor de R$ 23.799,60 no extrato à fl. 372 e na planilha de fl. 1690; Ilegalidade da quebra do sigilo bancário. O auto de infração é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que torna ilícita a prova daí decorrente; A fiscalização valeuse, para determinação da matéria tributável, da movimentação financeira da pessoa física de Walter Nicoletti, em total afronta ao Código Tributário Nacional (CTN), art. 43, e art. 153, III, da Constituição Federal (CF). A movimentação bancária não caracteriza rendimento auferido, sendo que um mesmo valor pode circular por meio de reiteradas operações de depósitos, transferências e saques sem que, necessariamente, tenha ocorrido o acréscimo patrimonial; O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, deve ser interpretado de forma sistemática com a regra do art. 43 do CTN, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis. A única interpretação do citado art. 42 é no sentido de que o depósito bancário seja considerado indício de receita auferida, cabendo ao Fisco a tarefa de desenvolver a fiscalização, apurando outros elementos seguros (aquisição de bens, variação patrimonial em geral, etc.) com vistas à efetiva identificação do fato gerador do tributo. A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que tem força de lei complementar; Não existe motivo suficiente para que a sua escrituração seja declarada imprestável. Todos os documentos fiscais e todos os livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, tendo sido elaboradas as demonstrações financeiras. A Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.759 5 fiscalização conhecia a receita bruta, por meio das Gias de ICMS, tanto que se utilizou desses valores, não havendo razão para o arbitramento; Ocorreu duplicidade na apuração da matéria a tributar: os valores apurados pela fiscalização retratados no item 01 do auto de infração estão incluídos no item 02. Os autuantes concluíram que a receita bruta do período é a soma da receita declarada e da presunção de omissão de receitas oriundas dos depósitos bancários; Não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa. Para a exigência da multa de 150% deve ficar comprovado o intuito de fraudar, o que não ocorreu no presente processo, pois atendeu às intimações da fiscalização e a alegada imprestabilidade de sua escrituração contábil ocasionou o arbitramento do lucro; Não há legitimidade para o enquadramento do sócio Denílson César Marzocchi como responsável pelo crédito tributário, com fundamento no art. 124 do CTN, uma vez que essa tipificação legal prestase tãosomente para atribuir responsabilidade a terceiros interessado no fato gerador e não aos seus sócios. Não há como imputar ao sócio da empresa o dever de recolher tributos da sociedade sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas previstas nos arts. 135 e 137 do CTN; Os autuantes não apontam qualquer fato concreto que embasaria o redirecionamento da autuação fiscal ao sócio da empresa, aduzindo apenas que não resta dúvida do total envolvimento do sócio Denílson César Marzocchi nesse esquema para tirar proveito dos recursos financeiros correspondentes aos tributos sonegados; A simples falta de recolhimento de tributo não tem o condão de firmar a responsabilidade pessoal do administrador pelo crédito tributário, mas tãosomente a sua responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN, ou seja, sobrevindo a liquidação da sociedade, se a falta de recolhimento do tributo constitui omissão imputável ao dirigente. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1433.382, de 19 de abril de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.760 6 A escrituração que contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOA. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoa arrolada como responsável solidária pelos tributos exigidos da contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, afirmando que a decisão recorrida se ateve a repetir as conclusões trazidas aos autos pela Fiscalização, renovou parte dos argumentos expendidos na peça impugnatória e aditou outros. Nesse sentido, sustentou a Recorrente: que a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente; que, se a Fiscalização concluiu que há omissão de receita, é imperioso que sejam levados ao processo todos os elementos e todas as provas que servem de suporte para o lançamento; que, pela ausência da busca da verdade material e falta de motivação, a decisão de primeira instância é nula; Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.761 7 que, por disposição legal, o ônus da prova que embasou o lançamento é da autoridade lançadora, e não do contribuinte; que a Fiscalização sequer se empenhou no sentido do aproveitamento da escrituração contábil, simplesmente abandonou e partiu para o caminho mais fácil, que é o arbitramento de lucros; que não existe motivo suficiente para que a escrituração contábil seja declarada como imprestável; que a decisão da recorrida sequer se pronunciou sobre a duplicidade de tributação aplicada pelo Fisco; que os valores apurados pela fiscalização retratadas no item 001 do auto de infração estão incluídos no item 002, sendo um absurdo pensar que apesar dos Auditores estarem de posse de todos os documentos do ano de 2006, efetuaram o lançamento de tributos sobre a soma dos dois valores; que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a Fiscalização à qualificação da multa; que, da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade administrativa lançadora, não se pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude" que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada; que é perfeitamente cabível a apreciação da solidariedade passiva do sócio na fase administrativa; que, ao dizer que o seu sócio não poderia discutir sua condição de solidariamente responsável nesta fase administrativa, porque isto seria matéria restrita à fase judicial de execução do crédito tributário, o acórdão recorrido, verdadeiramente, vedou o amplo direito de defesa. Em sessão realizada em 16 de março de 2012, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara prolatou o acórdão nº 130200.836, cuja ementa, abaixo transcrita, torna claro o motivo pelo qual foi decretada a nulidade da decisão de primeiro grau. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados nos autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa. Em novo pronunciamento, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1438.402, de 16 de agosto de 2012, considerar não impugnada a matéria por parte do indicado no Termo de Responsabilidade lavrado pela autoridade fiscal e manter, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.762 8 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A escrituração que contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Cientificada da referida decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 5.055/5.081, sustentando: Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.763 9 o não acolhimento, por parte da decisão recorrida, da determinação no sentido de apreciar a imputação de responsabilidade solidária; a duplicidade na apuração da matéria tributada; a nulidade da decisão de primeira instância; que o ônus da prova que embasou o lançamento é da autoridade autuante; não ter havido autorização judicial para acesso às contas bancárias; a ausência de instauração de procedimento contra ela no ano de 2009, ano em que as requisições da movimentação financeira foram efetuadas; a contabilização das operações retratadas nos extratos bancários que serviram de suporte para os lançamentos; ausência de empenho da Fiscalização no sentido de aproveitar a sua escrituração contábil; ausência de motivo para que a escrituração fosse considerada imprestável; o total dos depósitos bancários é inferior ao montante das receitas declaradas; a inaplicabilidade da multa qualificada; a nulidade dos autos de infração do PIS e da COFINS. Em documento datado de 30 de janeiro de 2014, o Sr. Denilson César Marzocchi, indicado como sujeito passivo solidário, apresentou documento, por meio do qual requereu a extinção do processo, haja vista a adesão a parcelamento especial. É o Relatório. Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.764 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso interposto por NOROESTE AUTOPEÇAS LTDA. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por entender que a escrituração mantida pela contribuinte era imprestável para apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro. Amparada nas disposições dos arts. 124, I, do Código Tributário Nacional, A fiscalização atribuiu responsabilidade solidária ao Sr. Denílson César Marzocchi, sócio da contribuinte. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após tecer considerações acerca dos fatos retratados nos autos e do pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, a Recorrente discorre sobre as seguintes matérias: forma de apuração de receitas omitidas; necessidade que sejam trazidos ao processo as provas que serviram de suporte para o lançamento tributário; a necessidade de a Fiscalização comprovar o nexo de causalidade entre a omissão de receitas e os depósitos bancários; o fato de, nos termos do art. 924 do RIR/99, o ônus da prova pertencer à autoridade lançadora; a possibilidade de o crédito tributário constituído revelarse nulo, haja vista o seu desconhecimento acerca das causas ou motivos que levaram o Fisco a promover o lançamento. Não merecem acolhimento os argumentos expendidos pela Recorrente. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.743/1.756, a fiscalizada, ora Recorrente, movimentou recursos de sua titularidade em contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, sendo que tal movimentação não foi objeto de escrituração. Intimada a prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias em questão, a Recorrente nada comprovou, o que impulsionou a Fiscalização a considerar os referidos montantes como receita omitida, haja vista o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Os fatos apontados no Termo de Constatação Fiscal em referência podem assim ser sintetizados: i) primeiramente, foi instaurado procedimento fiscal no Sr. WALTER NICOLETTI, por meio do qual foi solicitado ao referido senhor esclarecimentos acerca da sua movimentação financeira; Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.765 11 ii) em atendimento a pedido de informação formalizado pela Fiscalização, o Sr. WALTER NICOLETTI simplesmente respondeu, in verbis (fls. 162): O requerente conta hoje com 72 anos de idade e reside juntamente com sua esposa no endereço supra. Toda documentação que recebe referente a banco, após analisálas, as destrói, não possuindo, em seu poder, qualquer tipo de documentação solicitada; além de tudo, a solicitação referese ao ano de 2006. Nunca, em emissão de cheques, fotocopiouos para qualquer finalidade que seja, razão pela qual não possui nenhuma cópia dos mesmos. Diante das alegações supra não reúne condições de atender as solicitações constante da presente intimação. iii) novamente intimado, o Sr. WALTER NICOLETTI informou (fls. 166): WALTER NICOLETTI, já qualificado, vem mui respeitosamente à presença de V. Sa. dizer que em atenção ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 13 de abril p.p o peticionário protocolou junto a essa unidade a resposta das solicitações firmadas conforme se verifica da cópia anexa., não reunindo condições de atender as solicitações feitas iv) diante da incompatibilidade da movimentação bancária do Sr. WALTER NICOLETTI e da possibilidade de os recursos não pertencerem, de fato, a ele, a Fiscalização emitiu Requisições de Movimentação Financeira (RMF), relativamente às contas bancárias nºs 283344 (NOSSA CAIXA) e 85472 (BANCO DO BRASIL); v) tomando por base os documentos encaminhados pelas instituições financeiras, a Fiscalização realizou diligências, que resultaram na constatação de que as contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI eram utilizadas pelo, à época, seu genro, Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, para movimentar recursos da Recorrente, da qual ele é sócio proprietário; vi) o Sr. WALTER NICOLETTI foi novamente intimado para justificar a movimentação financeira, sendo, na ocasião, indagado a respeito do fato de ter dado procuração para o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI movimentar suas contas bancárias, e, após prorrogação do prazo para atendimento, informou, por escrito, que efetivamente deu procuração para que o referido senhor movimentasse suas contas bancárias; vii) a ação investigadora foi, então, direcionada para o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, que, após ser intimado e reintimado a se manifestar acerca da procuração recebida e da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, admitiu a realização de transações, no ano de 2006, por meio das referidas contas bancárias; viii) evidenciado o fato de que os recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI diziam respeito a negócios da Recorrente, a ação fiscal foi, mais uma vez, redirecionada, desta vez para ela, para a Recorrente; Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.766 12 ix) intimada reiteradas vezes acerca da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI, a Recorrente limitouse a informar que referida movimentação dizia respeito a negócios próprios da empresa; x) a Recorrente também foi reiterada vezes intimada a promover nova escrituração, e, tanto em relação a essa questão, como em relação à movimentação bancária do. Sr. WALTER NICOLETTI, cingiuse a repisar informações anteriormente prestadas; xi) para a Fiscalização, o quadro extraído das verificações empreendidas é claramente revelador da INTERPOSIÇÃO DE PESSOA (Sr. WALTER NICOLETTI), tendo o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, como sócio proprietário da Recorrente, utilizado contas bancárias de terceiro para movimentar recursos financeiros da fiscalizada, recursos esses não escriturados e que representam 78,17% do total da movimentação financeira que foi efetivamente escriturada, tornando, assim, referida escrituração, imprestável para fins de determinação do lucro real; xii) embora comprovado que os recursos movimentados por meio das contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI efetivamente pertenciam à Recorrente, não houve por parte desta comprovação acerca da origem dos depósitos e créditos ali registrados, o que atraiu a aplicação das disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; xiii) diante da imprestabilidade da escrituração, o lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida, considerandose como tal o montante declarado ao Fisco estadual (R$ 6.771.877,21) acrescido da omissão de receita apurada a partir dos depósitos e créditos efetuados na conta do Sr. WALTER NICOLETTI (R$ 5.025.983,82). Conforme registro feito nas peças acusatórias, o Termo de Constatação Fiscal que, inclusive, serviu de base para apresentação do resumo acima, as integrou, de modo que a Recorrente dele tomou conhecimento. Quanto a esse aspecto, observo que a autuada requisitou, por meio do seu representante legal, cópia do processo, de modo que teve a oportunidade de conhecer, em detalhes, a natureza da infração que lhe foi imputada, os documentos que serviram de lastro para tal imputação e o enquadramento legal correspondente. Revelase, pois, descabido, o argumento de que não foram trazidos ao processo as provas que serviram de base para o lançamento tributário. Perscrutando os autos, identifico neles as intimações lavradas pela Fiscalização; as respostas apresentadas pelos intimados; os documentos que comprovam a natureza dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI; e os extratos bancários que lastrearam a quantificação da receita tida como omitida, documentação que, acompanhada das informações trazidas pelo Termo de Constatação Fiscal, possibilitam a perfeita compreensão por parte fiscalizada da infração que lhe foi imputada pela autoridade fiscal. Como é cediço, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, créditos bancários para os quais o contribuinte não comprove, por meio de documentos hábeis e idôneos, a sua origem, também caracterizam a omissão de receitas. Equivocase a Recorrente quando afirma que caberia à Fiscalização comprovar o nexo de causalidade entre a omissão de receitas e os depósitos bancários, e de Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.767 13 que, nos termos do art. 924 do RIR/99, o ônus da prova, no caso, pertence à autoridade lançadora. Quem deveria demonstrar o nexo de causalidade entre a omissão e os créditos bancários era a Recorrente, cabendo à Fiscalização, apenas, adotar o rito estabelecido na norma legal que introduziu a presunção, especialmente no que diz respeito à regular intimação ao contribuinte e à individualização dos referidos créditos. Tratandose de presunção prevista em lei, à autoridade fiscal cumpre, tão somente, provar o fato indiciário propulsor da aplicação da citada presunção. O caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, traz de forma expressa a inversão do ônus, senão vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] O dispositivo legal é claro no sentido de que, caso a pessoa física ou jurídica, regularmente intimadas, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento. Ausentes, pois, elementos capazes de justificar a invalidade do ato decisório recorrido, bem como o cerceamento do direito de defesa, rejeito a preliminar argüida. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Contestando o modo pelo qual a autoridade fiscal acessou a movimentação bancária que serviu de lastro para os lançamentos, a Recorrente consigna que “não houve autorização judicial” para tal. Esclarece que, no caso, “primeiramente houve acesso às contas bancárias e somente depois de um ano iniciouse a fiscalização na empresa”, o que afrontaria as disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001. Adiante, afirma: É importante ressaltar que não há no processo outros extratos bancários. Só esses em nome do Walter e que as operações neles descritas foram contabilizadas. Não há movimentação bancária à margem da contabilidade. Não foi apurado (a) omissão de receita como alega o Sr. Auditor na página 4 do Termo de Constatação – fls. 1748. Relativamente ao acesso à movimentação bancária, é certo que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), a utilizar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, inexistindo, pois, violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais quanto a esse aspecto. Fl. 5772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.768 14 A requisição às instituições financeiras revelouse regular, eis que presentes indícios de que o titular de direito das contas bancárias, Sr. Walter Nicoletti, era interposta pessoa do titular de fato (a fiscalizada, ora Recorrente). Resta evidente que, tratandose de movimentação de recursos por meio da interposição de pessoas, a confirmação de tal fato (a interposição) só pode se dar a partir da instauração do procedimento em nome do titular de direito das contas bancárias e do conseqüente acesso aos documentos utilizados na movimentação de referidas contas, eis que somente a partir de tal providência é possível identificar o titular de fato dos recursos movimentados. Portanto, absolutamente dissociada da realidade da investigação as considerações trazidas pela Recorrente, cabendo ressaltar, a título de mero esclarecimento, que a instauração do procedimento nela, depois de um ano do início das investigações, é simples resultado daquele que foi instaurado na pessoa que foi utilizada como meio para obstar o conhecimento do Fisco acerca do verdadeiro titular dos recursos movimentados. A Recorrente afirma que os recursos movimentados por meio das contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI foram contabilizados, porém, não comprova. Como é cediço, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Não são merecedoras de guarida, assim, as alegações da Recorrente. ARBITRAMENTO DO LUCRO Alega a Recorrente que a Fiscalização “sequer se empenhou no sentido do aproveitamento da escrituração contábil da contribuinte, simplesmente a abandonou e partiu para o cominho mais fácil, que é o arbitramento de lucros”. A realidade retratada no processo não é exatamente essa. Com efeito, a Fiscalização apurou e demonstrou que, por meio da utilização de contas bancárias de terceiro, a contribuinte fiscalizada movimentou recursos financeiros à margem da escrituração (a utilização de contas bancárias de terceiro constitui fato incontroverso nos autos, eis que admitido por ela própria). A partir de tal constatação e diante do volume dos recursos movimentados sem a devida contabilização, cuidou a autoridade fiscal de determinar o refazimento da escrituração de modo que a movimentação bancária fosse toda ela contemplada. Entretanto, nenhuma providência foi adotada pela autuada. Cabe destacar que estamos diante de créditos bancários no montante de R$ 5.025.983,82, que representam mais de setenta e cinco por cento daquilo que foi declarado à Receita Federal (R$ 6.644.464,33, conforme DIPJ de fls. 04/320). À evidência, uma escrituração que deixa de contabilizar operações desse vulto não é merecedora de credibilidade. Tenho por certo que, nas circunstâncias versadas nos autos, caso a Fiscalização simplesmente tivesse considerado o regime de tributação adotado pela Recorrente (lucro real), ela estaria sustentando a invalidade do lançamento, visto que em tal situação a receita omitida seria integralmente adicionada para fins de tributação, haja vista a apuração de resultados fiscais positivos em todos os trimestres submetidos a exame. Fl. 5773DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.769 15 Não custa lembrar que, ao arbitrar o lucro, apenas 9,6% e 12% da receita bruta conhecida constituiu base de cálculo do imposto e da contribuição social, respectivamente. A afirmação da Recorrente no sentido de que “o total dos depósitos bancários é inferior ao montante das receitas declaradas” só se mostraria relevante na situação em que os referidos depósitos, embora efetuados em contas bancárias de terceiro, tivessem sido efetivamente contabilizados, o que, entretanto, não restou comprovado nos autos. A Recorrente afirma que “o fiscal encontrou 11,7 milhões de receita. Os 6,7 milhões com documentos fiscais e declarados, mas que na visão do Auditor não transitaram pelo banco e os 5 milhões que transitaram pelos bancos, mas, também na visão do Auditor, a empresa omitiu”. A assertiva, com o devido respeito, é digna de reparos. É importante destacar que os BANCOS a que faz referência a Recorrente são aqueles em que o Sr. Walter Nicoletti mantinha as contas bancárias que, como restou demonstrado pela Fiscalização, movimentaram recursos dela, da Recorrente. Não se trata, portanto, de BANCOS, ao menos no que diz respeito à matéria tributável apontada no presente processo, nos quais a contribuinte detinha contas bancárias devidamente contabilizadas. Absolutamente imprópria, portanto, a comparação pretendida pela Recorrente, eis que não se pode confrontar receitas declaradas e que supostamente transitaram em contas bancárias de titularidade de fato e de direito do contribuinte fiscalizado com as omitidas, apuradas em contas bancárias de terceiro. Procedente, a meu ver, o arbitramento do lucro. DUPLICIDADE NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL A alegação básica da contribuinte, que deriva, até certo ponto, das ilações trazidas por ela em relação ao item anterior, é de que os valores apurados pela fiscalização e que constituem o objeto da infração 001 do auto de infração, estão incluídos no item 002. A infração 001 do auto de infração cuida da receita omitida apurada com base nos depósitos bancários, enquanto a 002 trata da receita declarada ao Fisco estadual. Obviamente, se acolhida a pretensão da Recorrente no sentido de que houve duplicidade de tributação, simplesmente desaparece o objeto da tributação de ofício, eis que os valores declarados superam os omitidos. Contudo, tenho por absolutamente equivocada a argumentação da Recorrente, e, em razão das lacunas que a permeia, até mesmo tendenciosa. Como já dito, a receita omitida apurada pela Fiscalização decorreu de investigação em contas bancárias de interposta pessoa, circunstância em nenhum momento ventilada pela contribuinte em sua peça recursal. A Recorrente trata a matéria como as receitas omitidas decorressem simplesmente de créditos apurados em contas bancárias de sua titularidade que foram Fl. 5774DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.770 16 devidamente contabilizados, o que, com a devida permissão, não guarda qualquer relação com os fatos retratados no processo. Além de não comprovar que os créditos registrados nas contas bancárias do Sr. Walter Nicolleti foram devidamente escriturados, a Recorrente também não reúne aos autos elementos capazes de comprovar que a totalidade de suas receitas transitaram pelas referidas contas bancárias, sendo elas, essas citadas contas, as únicas movimentadas por ela na exploração do seu negócio. Tenho, pois, por inexistente a duplicidade de tributação, por absoluta ausência de comprovação da alegação. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente “que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa”. Em resumo, diz que não há razão para a qualificação da penalidade visto que: a) tratase de lançamento por presunção e não por omissão de receita; b) ainda que a presunção fosse verdadeira, ocorreu apenas em um ano calendário, não havendo reincidência; e c) não se trata de movimentação em nome de interposta pessoa e todos os valores movimentados foram escriturados. De início, rejeito peremptoriamente a alegação da Recorrente no sentido de que o Termo de Constatação Fiscal silenciou quanto ao motivo que serviu de suporte para a qualificação da multa de ofício. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do referido Termo de Constatação, são suficientes para demonstrar a absoluta improcedência da alegação da Recorrente, senão vejamos: D . DA MULTA QUALIFICADA 23. Ficou devidamente comprovado o dolo com que agiu a Noroeste, através de seu sócioproprietário Sr. Denilson César Marzocchi, impedindo e retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme dispõe o artigo 44, inciso I e § lº , da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que diz: ... 24. Ficou evidentemente comprovado que o sócio Sr. Denilson César Marzocchi utilizouse de contas particulares para movimentar os recursos da Noroeste, ou seja, utilizouse de "interposta pessoa", com evidente intuito de fraudar os cofres públicos. Com essa conduta, o sócio escondeu esses recursos do fisco para não oferecêlos à tributação. Observamos que os referidos valores tratamse na realidade de faturamento da Noroeste, creditados com históricos de liquidação de cobrança de títulos, além de depósitos em cheques e dinheiro, que segundo a própria contribuinte (fls. 1685) , tratamse de "negócios próprios da empresa ", mas que em nenhum momento a Noroeste comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. 25. Durante todo o ano de 2006 a Noroeste utilizou as contas bancárias do Sr. Walter Nicoletti para movimentar seus recursos, e conforme constatamos neste procedimento fiscal, o objetivo era esconder sua movimentação financeira do Fisco. Fl. 5775DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.771 17 26. Restou totalmente comprovada a intenção da Noroeste em esconder os valores movimentados nas contas bancárias em questão, bastando observar o seu comportamento quanto a forma dessa movimentação através de saques na boca do caixa, através de cheques nominais à contribuinte e por ela endossados, conforme cópias às fls. 498 a 992. 2 7 . A Noroeste agiu, através do seu sócioproprietário Sr. Denilson César Marzocchi, de forma ardilosa e dolosa, durante o anocalendário de 2006, tentando impedir e esconder as obrigações tributárias a que estava submetida e o respectivo fato gerador do imposto, tanto que movimentou seus recursos em nome do "laranja" Sr. Walter Nicoletti, e, quando devidamente intimada e reintimada, não comprovou a origem dos recursos creditados/depositados nessas contas bancárias, conforme exaustivamente aqui relatado. 28. Assim sendo, há de se considerar que os elementos previstos no inciso I e § lº do art. 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n° 351 , de 22 de janeiro de 2007, se verificam e se aplicam na presente fiscalização. Insubsistente, como se vê, o argumento da Recorrente. Como reiteradamente referenciado, estamos diante de movimentação de recursos financeiros por meio da interposição de pessoa. Assim, na linha inclusive do assinalado no Termo de Constatação Fiscal, descabe maiores considerações acerca da procedência da multa qualificada, vez que a situação atrai a aplicação da súmula CARF nº 34, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Procedente, pois, a exasperação da penalidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Amparandose no pronunciamento da Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara acerca da necessidade de os argumentos relacionados à imputação de responsabilidade ao seu sócio serem objeto de apreciação, a Recorrente, tecendo considerações sobre o princípio da legalidade e a respeito de normas que regem o processo administrativo, sustenta, em apertada síntese, que não há razão para que os seus argumentos deixem de ser apreciados. A Turma Julgadora de primeiro grau, instada pela decisão exarada pela Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, não conheceu a impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada no que tange à responsabilização do Sr. Denílson César Marzocchi, por entender, em apertada síntese, que a referida peça de defesa não pode aproveitálo, sob pena de violação às disposições do 48 do CPC. Por ter sido o Relator da decisão prolatada pela Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara (acórdão nº 130200.836), esclareço, com o intuito de afastar eventual argüição de contradição, que a referida decisão apenas não acolheu o entendimento esposado em primeira instância no sentido de que não competia às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoa apontada como responsável solidária. Exigia Fl. 5776DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.772 18 se, assim, pronunciamento acerca dos argumentos expendidos na peça impugnatória, ainda que fosse para não conhecêlos haja vista a ausência de legitimidade da pessoa jurídica autuada para, em nome do sócio apontado como devedor solidário, contestar a imputação feita pela Fiscalização, o que, no caso, acabou ocorrendo. Quanto a tal pronunciamento, qual seja, ilegitimidade da pessoa jurídica autuada para apresentar defesa em nome do sócio, renovo aqui posicionamento já adotado nos acórdãos nºs 1301001.292, 1301001.212 e 1301001.064, que alinhase ao entendimento esposado no ato decisório recorrido, isto é, no caso vertente, inexiste legitimidade da Recorrente para se insurgir contra o feito em nome do sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária. Caberia, pois, ao Sr. Denílson César Marzocchi, em seu próprio nome, impugnar a exigência. Assim, ratificando o decidido em primeiro instância, deixo de conhecer os argumentos expendidos pela pessoa jurídica autuada, relativamente à imputação de sujeição passiva solidária promovida pela Fiscalização ao seu sócio, Sr. Denílson César Marzocchi. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO PIS E DA COFINS Tecendo considerações acerca da tributação monofásica do PIS e da COFINS a que se submetem os fabricantes e importadores de auto peças, sustenta a Recorrente que parte de sua mercadoria revendida foi anteriormente tributada pelas referidas contribuições, de modo que, relativamente a essas revendas, não cabe a incidência de tais exações. Quanto a essa questão, cabe considerar que a Recorrente a trouxe, apenas, em sede de recurso, ou seja, o mérito das exigências relativas ao PIS e à COFINS não foram objeto de impugnação, eis que na contestação inicial a contribuinte simplesmente assinalou: VI DOS AUTOS REFLEXOS DO PIS, DA COFINS E DA C. SOCIAL Considerando que os referidos Autos de Infração são decorrentes da autuação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a improcedência deste, conforme vigorosamente comprovada, comporta igual tratamento àqueles, isto é, aos lançamentos reflexos deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal. É cediço que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Ainda que assim não seja, a Recorrente, além de admitir que apenas parte de suas receitas derivaria de operações submetidas à tributação monofásica, não aporta ao processo documentos capazes de identificar as operações correspondentes, sendo certo que as planilhas juntadas ao recurso são imprestáveis para tal intento. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 5777DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/201061 Acórdão n.º 1301001.817 S1C3T1 Fl. 5.773 19 Destaco, contudo, que, em razão do pedido formalizado pelo Sr. Denílson César Marzocchi, a unidade administrativa responsável pela execução da presente decisão deverá observar as disposições do Código Tributário Nacional acerca do instituto da SOLIDARIEDADE, especialmente o estabelecido no inciso I do art. 125 do referido diploma legal. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 5778DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 15940.720168/2012-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009
01/02/2010 a 28/02/2010
PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora.
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais.
MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatando-se tais situações de forma objetiva, dispensando-se a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplica-se a multa de ofício quando esta mostrar-se menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ewan Teles Aguiar - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatandose tais situações de forma objetiva, dispensandose a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplicase a multa de ofício quando esta mostrarse menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 68 /2 01 2- 34 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ewan Teles Aguiar Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SANATÓRIO SÃO JOÃO LTDA contra Acórdão nº 1441.562 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto RPO , que julgou procedente a autuação. O que se discute nos autos em análise é o AI lavrados em 20/11/2012, sendo cientificado o contribuinte em 24/11/2012, assim descritos: ► DEBCAD 51.032.7834 decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal referente à contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados, descontada pela empresa das remunerações e não recolhida, no valor de R$ 33.249,42 (trinta e três mil, duzentos e quarenta e nove reais e quarenta e dois centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. Nos termos do Relatório Fiscal, o lançamento lançada referese às seguintes verbas: salários, horasextras, adicionais, férias normais gozadas e outras vantagens, discriminadas em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho e recibos de férias, inclusive décimo terceiro salário. Em atenção à regra exposta no artigo 106, II, “c” do CTN, que impõe – em caso de alteração legal superveniente à ocorrência do fato gerador e de lançamento ainda não definitivamente julgado a aplicação da penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, foi aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96, em virtude da alteração promovida no artigo 35 da Lei 8.212/91, pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, conforme esclarecimentos detalhados no Relatório Fiscal. Irresignada, a autuada apresentou impugnação na qual alega que: Por decisão judicial, o fisco está impedido de constituir o crédito tributário, ainda que com o objetivo de prevenir a decadência, antes do julgamento definitivo da ADI 2028; A autuada goza de imunidade, inclusive reconhecida judicialmente. A suspensão da exigibilidade do crédito perdurou de 2000 a 2008, quando provido agravo de instrumento que reformou a liminar concedida em sede de ação cautelar. Foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos da autuada, contudo, referida decisão não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente, pois é equivocado o entendimento de que os requisitos para fruição da imunidade possam ser instituídos por lei ordinária. Discorre acerca da controvérsia do tema e afirma que o STF ainda não sedimentou entendimento quanto ao tema. A fiscalização baseouse em decisão proferida pelo STF em 1999, quando da análise de pedido de concessão de liminar em Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referido entendimento já está ultrapassado, “sendo certo que o Supremo Tribunal Federal adotará medidas para proceder ao julgamento conforme determina a boa técnica, pugnando pela inconstitucionalidade de qualquer requisito para fruição de imunidades tributárias que esteja sendo veiculado por intermédio de lei ordinária”. Da referida sentença, foi interposta apelação em 22/08/2012, pendente de julgamento no TRF. Discorre a respeito da imunidade tributária, da importância dos serviços de saúde, dos princípios constitucionais aplicáveis. Aduz que o fisco está descumprindo a decisão judicial, ainda que não definitiva, que obsta o nascimento da obrigação tributária. Descreve as dificuldades enfrentadas na administração da instituição, inclusive com interdição judicial de uma das sócias. Aduz que os atos praticados por esta sócia não são válidos. Menciona a crise financeira enfrentada e informa que caso não sejam excluídos os créditos lançados não lhe restará outra alternativa além de recorrer ao Poder Judiciário. Resume seus argumentos concluindo que o crédito não poderia existir pois, conseqüência de uma administração desastrosa e contrário à decisão judicial. Impetrou mandado de segurança objetivando consolidar seus débitos no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 (Refis da Crise). Mesmo a ação mandamental ainda não tendo sido julgada, a fiscalização não poderia efetuar o lançamento. Esclarece que renunciou às discussões judiciais, pagando as parcelas no valor estipulado até o mês anterior ao da consolidação, mas ainda assim, o fisco lhe negou o direito à consolidação do parcelamento. Não pode subsistir a multa aplicada. Não houve pagamento parcial ou a menor, não houve preenchimento equivocado da GFIP e, não houve falta de declaração ou declarações inexatas. Para a qualificação da multa é necessário que haja a comprovação da intenção de fraude, o que não se verifica no caso concreto. Invoca o princípio da vedação ao confisco e alerta pela impossibilidade de pagamento dos valores excessivos. Ao final, pugna pela nulidade do processo ante a inobservância da decisão judicial, pela desconstituição dos AI que integram o feito, a exclusão da multa ou sua redução, bem como dos juros aplicados ao mínimo possível, além da realização das necessárias diligências, inclusive pericial, bem como a produção de todas as provas admitidas. A impugnação apreciada pela 9ª Turma da DRJ/São José do Rio Preto, manteve hígido o lançamento, tendo sido expressa a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007, 01/12/2008 a 31/12/2008 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 157 5 PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatandose tais situações de forma objetiva, dispensandose a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplicase a multa de ofício quando esta mostrarse menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Intimada da Decisão em 20/05/2013(fls. 131), persistindo inconformado o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos trazidos quando de sua impugnação. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. QUANTO AO MÉRITO Do Requerimento pela Produção de Provas: A autuada requereu a produção de todas as provas necessárias e admitidas, inclusive prova pericial e diligências. O ordenamento jurídico contempla regras garantidoras da celeridade processual e, nesse sentido, os elementos trazidos aos autos são suficientes à formação da convicção necessária ao seu julgamento, cabendo o indeferimento do pleito para a produção de outras provas, posto serem desnecessárias, o que se faz com fulcro na Portaria 10.875/2007, artigo 11, e Decreto 70.235/72, artigo 18. Da Contribuição Lançada: O lançamento referese à contribuição previdenciária dos segurados empregados, descontada pela empresa e não recolhida. A autuada alegou que o crédito tributário não poderia ter sido constituído pois contrário à decisão judicial, proferida em processo no qual pleiteia o reconhecimento de sua condição de entidade beneficente e, por conseguinte, beneficiária da imunidade das contribuições previdenciárias. No entanto, tal controvérsia não tem qualquer relação com as contribuições objeto do presente AI, pois, ainda para as empresas que gozam da imunidade em questão, persiste a obrigação de efetuar o recolhimento da contribuição dos segurados. O caso sob análise referese à contribuição dos segurados, não abrangida pela imunidade tratada no artigo 195, § 7o da Constituição Federal. Assim, independentemente de ser ou não beneficiária da imunidade em questão, tem a autuada a obrigação de descontar a contribuição do segurado que lhe presta serviços, e efetuar o recolhimento decorrente, respondendo em caso de inadimplemento. Quanto ao argumento de que houve a interdição judicial de uma das sócias da instituição e, por isso, os atos por ela praticados não são válidos, tal alegação não interfere na ocorrência do fato gerador, nos termos dos artigos 114 e 116 do CTN e na decorrente obrigação da autuada de efetuar o recolhimento da contribuição. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/201234 Acórdão n.º 2403002.969 S2C4T3 Fl. 158 7 E por fim, no que se refere às dificuldades financeiras da instituição, é certo que a autoridade fiscal não pode por esse motivo, deixar de proceder ao lançamento atividade plenamente vinculada nos termos do artigo 142 do CTN. Da Multa e dos Juros: Não assiste razão à recorrente quando questiona a multa que, na forma aplicada, segundo entende, exigiria a comprovação de fraude do sujeito passivo. A multa imposta foi da ordem de 75%, como se vê à fl. 03, onde o tributo perfaz o montante de R$ 16.375,00, enquanto a multa corresponde a 75% dessa quantia, ou seja, R$ 12.281,26. Conforme os relatórios FLD – Fundamentos Legais do Débito que também integram o AI, a multa de ofício tem fundamento nos dispositivos legais a seguir transcritos: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A situação concreta sob análise se amolda perfeitamente ao tipo legal. A autuada não declarou em GFIP a contribuição devida nem efetuou seu recolhimento, dando azo à aplicação da multa de ofício de 75%, mas não da qualificadora prevista no artigo 44, § 1o da Lei 9.430/96, que resultaria em multa de 150%, esta sim, condicionada a existência de sonegação, fraude ou conluio. Portanto, a multa de ofício aplicada decorre da constatação de situações objetivas o não pagamento e a não declaração das contribuições em GFIP – dispensando a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente, este sim necessário à qualificação da multa em 150% com base no § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96 (não aplicada ao caso presente), já que a qualificação está vinculada à constatação de sonegação, fraude ou conluio. Quanto à suscitada natureza confiscatória da multa, tal argumento trazido pela impugnante representa a argüição de inconstitucionalidade do dispositivo legal vigente e que estabelece a penalidade aplicável. A respeito, a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico, nos termos dispostos na Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007 (publicada no DOU 24/08/2007) em seu artigo 18 e no Decreto 70.235/72, artigo 26A, introduzido pela Medida Provisória 449/2008. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Assim, considerandose que a multa aplicada, bem como os juros incidentes sobre o crédito tributário lançado, encontramse respaldados na legislação vigente, a alteração ou afastamento desses acréscimos legais com base em suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade esbarra na impossibilidade deste órgão julgador administrativo apreciar questões desta índole. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, e no mérito NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Ewan Teles Aguiar. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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