Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5826869 #
Numero do processo: 10880.722564/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados
Numero da decisão: 3402-002.585
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201501

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10880.722564/2013-15

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5430628

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3402-002.585

nome_arquivo_s : Decisao_10880722564201315.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ALEXANDRE KERN

nome_arquivo_pdf_s : 10880722564201315_5430628.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.

dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015

id : 5826869

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702043885568

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 459          1  458  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.722564/2013­15  Recurso nº  10.880.722564201315   Embargos  Acórdão nº  3402­002.585  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de janeiro de 2015  Matéria  PIS ­ COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  PROCURADORIA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL  Recorrida  EMPRESA NORTE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA S/A    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ADMISSIBILIDADE.  PRESSUPOSTOS.  Os  Embargos  de  Declaração  são  modalidade  recursal  de  integração  e  objetivam,  tão­somente,  sanar  obscuridade,  contradição  ou  omissão,  de  maneira  a permitir  o  exato  conhecimento do  teor do  julgado, não podendo,  por  isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual  incorreção do  decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo,  em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do  ato regularmente proferido.  Embargos de Declaração Rejeitados      ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não  conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado  (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern – Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Fernando  Luiz  da  Gama  Lobo  D’Eça, Maria Aparecida Martins  de Paula,  João Carlos Cassuli  Júnior  e Francisco Mauricio  Rabelo de Albuquerque Silva.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 25 64 /2 01 3- 15 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO     2  A Representação Jurídica da Fazenda Nacional invocou o § 1º do art. 65 do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria  MF  nº  586,  de  21  de  dezembro  de  2010–DOU  de  22.12.2010,  para  interpor  Embargos  de  Declaração  contra  o Acórdão  nº  3403­003.014,  de 29  de maio  de  2014,  fls.  447  a  449,  cuja  ementa foi vazada nos seguintes termos:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012  AÇÃO  JUDICIAL  CONCOMITÂNCIA  COM  PROCESSO  ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE  A  semelhança  da  causa  de  pedir,  expressada  no  fundamento  jurídico  da  ação  declaratória  de  inexistência  de  relação  jurídico­tributária,  ou  mandado  de  segurança,  com  o  fundamento  da  exigência  consubstanciada  em  lançamento  de  ofício,  impede  o prosseguimento  do  processo  administrativo  no  tocante  aos  fundamentos  idênticos,  prevalecendo  a  solução  do  litígio através da via judicial provocada.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  MEDIDA  JUDICIAL.  EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE.  Na  constituição  de  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  por  medida  liminar  em  mandado  de  segurança,  não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Não Conhecido  Crédito Tributário Mantido  O arrazoado de fls. 453 a 456, após síntese dos fatos relacionados com a lide,  inquina a decisão do vício de obscuridade ao aplicar o § 1° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de  dezembro  de  1996,  para  negar  provimento  a  recurso  de  ofício  e manter  o  cancelamento  da  aplicação de multa de lançamento de ofício.  O  voto  condutor  da  decisão  embargada  ratificou  a  decisão  de  primeira  instância,  por  entender  que  ela  teria  dado  à  matéria  sub  judice  –  aplicação  de  multa  de  lançamento de ofício nos  lançamentos para prevenir a decadência – o  tratamento previsto no  referido dispositivo, quando, efetivamente, isso na aconteceu.  Requer  que  sejam  conhecidos  e  providos  os  ED,  com  efeitos  infringentes,  para sanar obscuridade apontada.  A numeração de folhas reporta­se à atribuída pelo processo eletrônico.  É o Relatório.  Fl. 460DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10880.722564/2013­15  Acórdão n.º 3402­002.585  S3­C4T2  Fl. 460          3  Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009  –  RI­CARF,  cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão  ou  contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de  cinco dias contados da ciência do acórdão.  Os  autos  digitais  foram  encaminhados  à  PGFN  para  ciência  da  decisão  embargada, em 17/06/2014 (fls. 452). De acordo com § 3° do art. 7° da Portaria MF nº 527, de  9  de  novembro  de  2010,  a  intimação  ficta  do  Procurador  da  Fazenda Nacional  ocorreu  em  17/07/2014, e o prazo para a interposição do recurso encerrou­se em 22/07/2014. Assim sendo,  o recurso, apresentado em 11/07/2014, é francamente tempestivo.  Na apreciação do recurso de ofício interposto pelo Presidente da 2ª Turma da  DRJ/BSB contra a decisão daquele Colegiado de cancelar a aplicação da multa de lançamento  de ofício para prevenir a decadência, o voto condutor da decisão embargada considerou que se  deu a matéria o tratamento estabelecido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996:  Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  § 1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  débito  tenha  ocorrido  antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.  Para tanto, considerou que o lançamento,  lavrado em 02/08/2013, depois da  concessão da medida liminar, em 29/05/2013, satisfazia os ditames do art. 63 suso transcrito.  Há de se reconhecer, a redação do julgado foi clara, não oferecendo qualquer  dificuldade para sua intelecção ou interpretação, inexistindo o vício de que foi inquinada.  Assim,  inobstante  o  eventual  error  in  judicando  em  que  teria  incorrido  o  Colegiado,  consubstanciado  na  inobservância  de  norma  vigente  a  restringir  a  hipótese  de  lançamento de ofício para prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência sem aplicação  de  multa,  deve­se  ressaltar  que  inexiste  no  acórdão  embargado  qualquer  obscuridade  a  reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da  decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida.  A  inconformidade manifestada pelo embargante não merece, pois, acolhida,  haja vista destinar­se, evidentemente, ao simples reexame do litígio e como meio de alterar a  decisão, o que é impossível na via ora utilizada.  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO     4  Com essas considerações, voto pela rejeição dos declaratórios da PFN.  Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015                                Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

score : 1.0
5859641 #
Numero do processo: 13839.909795/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 13839.909795/2012-54

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5441164

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1801-002.294

nome_arquivo_s : Decisao_13839909795201254.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA

nome_arquivo_pdf_s : 13839909795201254_5441164.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015

id : 5859641

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702069051392

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 119          1 118  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.909795/2012­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­002.294  –  1ª Turma Especial   Sessão de  04 de março de 2015  Matéria  IPI ­ Compensação  Recorrente  NOVA ­ INJEÇÃO SOB PRESSÃO E COMÉRCIO DE PEÇAS  INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2012  COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.  Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando  com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação  da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Fernando Daniel de Moura Fonseca ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Fernando Daniel  de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre  Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 97 95 /2 01 2- 54 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES     2 Trata­se de  recurso voluntário  interposto por Nova  ­  Injeção Sob Pressão  e  Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 11­44­045, prolatado pela 3ª Turma  da DRJ  de Recife/PE,  que manteve  integralmente  o  despacho  decisório  objeto  de  discussão  nestes autos.  Neste  processo,  discute­se  a  não  homologação  da  PER/DCOMP  de  nº  38330.40281.121112.1.3.04­9395 (fls. 25­29), transmitida pela Recorrente e por meio da qual  se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI.  A  Receita  Federal,  através  do  despacho  decisório  de  fl.  86,  deixou  de  homologar  a  compensação,  alegando que  o  valor  recolhido  através  do DARF  (R$56.409,68)  havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 30/12/2007,  declarado na DCTF da Recorrente.  Em  sua Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  03­12),  a  Recorrente  alegou  nulidade  do  despacho decisório,  que  a  seu  ver  teria  cerceado o  seu  direito  de defesa  ao  não  fundamentar a contento a não homologação da compensação.  Ao  conhecer  das  razões  da  Recorrente,  a  3ª  Turma  da  DRJ  de  Recife/PE,  através  do  acórdão  ora  recorrido  (fls.  90­93),  manteve  o  despacho  decisório,  nos  seguintes  termos:  “O  texto  constante  do  Despacho  Decisório  em  lide,  é  claro  ao  expor  que  a  não  homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem  do  crédito  estar  totalmente  vinculado  a  débito  declarado  como  devido  em DCTF. Como  se  sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho  de  1998,  016,  de  14  de  fevereiro  de  2000,  e  posteriores),  a DCTF  constitui  instrumento  de  confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 91­92)  Sustentou  ainda  a  DRJ  que  a  Receita  Federal  não  poderia  ter  reconhecido  crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento  que  supostamente  geraria  o  crédito  estava  integralmente  alocado  ao  pagamento  de  débito  regularmente declarado pela empresa.  Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls.  99­105),  sustentando  que  o  ato  administrativo  que  analisa  a  compensação  tem  natureza  vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram  a não homologação.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca  Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo.  Em seu  recurso voluntário,  a Recorrente  sustenta que a Receita Federal,  ao  deixar  de  homologar  a  compensação  pretendida,  não  fundamentou  a  contento  sua  decisão,  deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É  ver as palavras da Recorrente:  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909795/2012­54  Acórdão n.º 1801­002.294  S1­TE01  Fl. 120          3 “08.  Muito  bem,  ao  indeferir  o  pedido  ao  direito  de  compensação  da  recorrente,  é  necessário  que  aponte  os  pressupostos  do  ato  administrativo,  pois  estamos diante de um ato vinculado.  09.  A  indicação  dos  pressupostos  de  fato  e  dos  pressupostos  de  direito,  a  compatibilidade  entre  ambos  e  a  correção  da  medida  encetada  compõem  obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade.  10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja  vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação  de eficaz controle sobre a atuação administrativa.  (...)  12. Dessa  forma,  estamos  diante de um ato  administrativo vinculado,  sendo  necessário  preencher  os  requisitos  atribuídos  por  lei,  isto  é,  não  houvera  a  fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente  noticia  por  meio  da  margem  da  discricionariedade  que  foram  localizados  um  ou  mais pagamentos.” (fl. 67)  Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da  premissa  equivocada  de  que  o  despacho  decisório  não  teria  sido  fundamentado  suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl.  86)  é  possível  depreender  claramente  as  razões  que  levaram  a  Receita  Federal  a  negar  a  homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava  integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a  redação do despacho, que é clara nesse sentido:  “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima  identificado,  foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.”  Ou  seja,  a  despeito  do  que  sustenta  o  recurso  voluntário  ora  analisado,  a  Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o  pressuposto  de  fato  da  não  homologação:  inexistência  de  recolhimento  a  maior,  pois  o  recolhimento  no  valor  de  R$56.409,68  foi  integralmente  consumido  pelo  débito  de  IRPJ  declarado pela própria contribuinte.  E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos  pagos  quando  eles  forem  indevidos  ou  tiverem  sido  pagos  a maior.  Portanto,  apenas  nessas  duas  hipóteses  pode­se  falar  em  créditos  passíveis  de  compensação. E,  no  presente  caso,  a  Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor.  A  partir  do momento  em  que  o  despacho  decisório  consignou  nestes  autos  que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua  manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do  crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito  é do contribuinte.  Como  isso  não  foi  feito  nestes  autos,  a  conclusão  a  que  se  chega  é  que  a  Recorrente não  se  desincumbiu  do  seu  ônus  de  comprovar  a presença de  uma das  hipóteses  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES     4 autorizadoras  da  restituição/compensação  de  tributos  (art.  165,  I,  do  CTN).  E  sem  essa  comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos.  Por  estas  razões,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  e  mantenho  incólume a decisão ora recorrida.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fernando  Daniel  de  Moura  Fonseca  ­  Relator                               Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES

score : 1.0
5826856 #
Numero do processo: 10925.001118/2002-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201412

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10925.001118/2002-57

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5430626

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3402-002.569

nome_arquivo_s : Decisao_10925001118200257.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 10925001118200257_5430626.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014

id : 5826856

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702083731456

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 405          1 404  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.001118/2002­57  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.569  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2014            Matéria  COFINS  Recorrente  CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/05/2000  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  COMPENSAÇÃO  COMO  MATÉRIA  DE  DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES.  Apenas  podem  ser  deferidas  compensações  quando  o  correlato  direito  de  crédito  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  for  deferido  pela Administração,  por  revestir  as  condições  de  liquidez,  certeza  e  exigibilidade,  de modo  que  deve  ser  mantido  o  lançamento  que  visou  constituir  o  crédito  tributário  à  míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte.  Recurso Voluntário Negado.  Crédito Tributário Mantido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros  da  2ª  Turma  /  4ª  Câmara,  da  Terceira  Seção  de  julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.     (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto       (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 18 /2 00 2- 57 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2   Participaram do  julgamento os Conselheiros Participaram do  julgamento  os  Conselheiros  GILSON  MACEDO  ROSENBURG  (Presidente  Substituto),  MARIA  APARECIDA  MARTINS  DE  PAULA,  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D’EÇA,  FENELON  MOSCOSO  DE  ALMEIDA  (Suplente),  JOÃO  CARLOS  CASSULI  JUNIOR,  FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a  presente Sessão Ordinária.      Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/2002­57  Acórdão n.º 3402­002.569  S3­C4T2  Fl. 406          3 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  referente  à  contribuição  para  a  Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS, com o crédito tributário no valor total  de R$26.649,08 (vinte e seis mil, seiscentos e quarenta e nove reais e oito centavos), acrescido  de multa de ofício de 75% e de juros moratórios calculados pela taxa SELIC, totalizando um  valor de R$55.190,24 (cinquenta e cinco mil, cento e noventa reais e vinte e quatro centavos).  DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA  A  Contribuinte  apresentou  em  06/09/2002,  Impugnação  Administrativa  acostada às fls. 28 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, o seguinte:  a)  que  incorporou  a  empresa  Prenda  S/A,  e  através  do  processo  administrativo fiscal nº 13063.000111/97­48, solicitou o ressarcimento do  crédito  presumido  do  IPI,  relativo  aos  períodos  de  apuração  de  1995  a  1996, no valor de R$26.649,08;  b)  em  maio  de  2000  a  incorporadora  protocolou  pedido  de  compensação  deste crédito com débito da COFINS, relativo ao mês de maio de 2000,  neste mesmo valor. A DRF de Santo Ângelo – RS indeferiu o pedido de  ressarcimento do crédito presumido de IPI;  c)  A  contribuinte  interpôs  recurso  o  qual  foi  negado  provimento,  sendo  mantido  o  despacho  denegatório  do  ressarcimento.  Desta  decisão,  a  contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes;  d)  A contribuinte  foi  intimada a comprovar o  recolhimento da COFINS no  valor de R$26.649,08, cujo valor é objeto de compensação com o valor  do crédito presumido do  IPI, o qual  julga a contribuinte ser credora em  face  do  processo  acima  citado.  Em  resposta,  informou  que  deixou  de  recolher  a  importância  devida  ao  argumento  de  que  interpôs  recurso  voluntário  ao Conselho  de Contribuintes  e  este,  em  reiterados  julgados,  acolheu a tese defendida pela ora requerente;  e)  Alega  que  em 09/07/2002  teve  contra  si  lavrado  um auto  de  infração  e  imposição de multa, onde  teria  infringido a  legislação  tributária  federal,  sendo aplicada a multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96;  f)  Quanto ao direito, argumentou quanto ao procedimento administrativo de  compensação  e  a  suspenção  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  e  do  apensamento do presente processo ao principal.  Ao  final,  requereu  a  contribuinte  o  recebimento  da  defesa  para  cancelar  integralmente  o  lançamento  fiscal,  antes  a  inexistência  de  qualquer  infração  à  legislação  tributária,  bem  como  a  suspensão  do  crédito  tributário  ou  ainda  o  apensamento  ao  processo  principal ou o sobrestamento do mesmo enquanto não sobrevier decisão final sobre a matéria.  Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  A Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC),  em  30/04/2003,  proferiu  acórdão  de  nº  2.462,  às  fls.  40  (numeração  eletrônica),  nos  seguintes  termos:    ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário  Data do fato gerador: 31/05/2000  Ementa:  COMPENSAÇÃO.  CONDIÇÕES  –  Somente  créditos  líquidos  e  certos  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública  podem  ser  compensados  com  créditos  tributários.  Quando  o  reconhecimento  da  liquidez  e  certeza  exigidas  depender  de  decisão administrativa, esta deverá obrigatoriamente preceder a  compensação.  Lançamento Procedente  A DRJ considerou por julgar procedente o lançamento, tendo em vista que o  alegado  crédito  tributário  contra  a  Fazenda  Pública  não  era  líquido  e  certo,  que  é  condição  exigida pelo art. 170 do CTN, e que está sendo discutida administrativamente, sendo que sua  falta impede a compensação pretendida.   A prematura compensação feita pela contribuinte foi realizada ilegalmente e  indevidamente, não podendo produzir ao seu favor os efeitos pretendidos. Assim, não é correta  a assertiva de que os processos devam ser apensados ou este deva ser sobrestado.    DO RECURSO  Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 23/05/2003 (conforme AR  de  fls.  50  –  numeração  eletrônica),  a  contribuinte  apresentou  em  23/06/2003  recurso  contra  decisão proferida pela DRJ de Florianópolis – SC.  Aduz  a  contribuinte,  em  síntese,  que  as  “reclamações  e  os  recursos  administrativos, inclusive referentes a pedidos de compensação, suspendem a exigibilidade do  crédito  tributário”.  E  que  ainda  há  de  operar­se  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários, os quais durante o período suspensivo não poderão ser objeto de autuações, fiscais  ou de cobrança administrativa ou mesmo judicial, bem como colaciona o entendimento do TRF  da 4ª Região.  Assim,  até  que não  aconteça  a  decisão  final  do Conselho  de Contribuintes,  não pode o Fisco constituir crédito tributário dos valores objetos de compensação, uma vez que  o mesmo já foi constituído através da DCTF.  Argumentou que a constituição do crédito tributário, em conformidade com a  lei,  somente  seria  após  a decisão  final que  considerar  a  compensação como  indevida ou não  comprovada.  Antes  disso,  não  seria  possível  juridicamente  afirmar  que  a  compensação  é  indevida, conforme reiterados julgados do Conselho de Contribuintes, em que era reconhecido  o crédito presumido, bem como o que é pleiteado pela requerente, sendo este, legítimo.   Ainda que fosse outra a interpretação correta, o processo deveria aguardar o  julgamento do processo principal por trata­se da mesma matéria fática e jurídica.  Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/2002­57  Acórdão n.º 3402­002.569  S3­C4T2  Fl. 407          5 Diante  do  exposto,  requereu  pelo  provimento  do  Recurso,  julgando  procedente a pretensão da contribuinte com a inversão do ônus sucumbencial.  DA DILIGÊNCIA  Através da Resolução nº 202­00.709, o Segundo Conselho de Contribuintes,  em 17/06/2004, converteu o julgamento do recurso em diligência para:  1.  Verificar se, realmente, o período objeto do presente lançamento também  é  aquele  contido  no  citado  processo  de  compensação  nº  13063.000111/97­48;  2.  Aguardar a decisão definitiva do processo de compensação e anexar cópia  da decisão final;  3.  Verificar se a compensação efetuada, nos moldes definidos pela decisão  final  administrativa  proferida  nos  autos  do  processo  nº  13063.000111/978­48,  foi  suficiente  para  cobrir  o  valor  lançado  no  presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos; e  4.  Elaborar  planilha  de  cálculos  e  relatório  conclusivo,  anexando  os  documentos que se fizerem necessários.  Às  fls.  366  –  numeração  eletrônica,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Joaçaba  –  SC,  proferiu  Informação  Fiscal  de  nº  114/2006  solicitando  o  sobrestamento  até  o  deslinde do processo nº 13063.000111/97­48.  De  acordo  com  a  Informação  Fiscal  SAFIS  ­048/2010,  às  fls.  400  –  numeração  eletrônica,  “em  relação  ao  primeiro  item  [..]  o  tributo  apurado  foi  a  COFINS  referente  ao  período  de  maio  de  2000,  no  valor  de  R$26.649,09  [...],  ou  seja,  o  valor  e  o  período  são  os  mesmos.  [...]  ao  item  2,  foi  juntada  ao  processo  [...]  a  decisão  [...]  a  qual  encerra a lide do processo nº 13063.000111/97­48. Em referência ao item 3, verificamos que a  SAORT  desta  Delegacia  analisou  o  pedido  de  ressarcimento  de  IPI  à  luz  da  decisão  final  mencionada anteriormente, conforme despacho Decisório nº 1025/2010 [...] tal despacho não  continham alguns elementos essenciais ao cálculo do crédito. Por esse motivo, o contribuinte  foi intimado a apresentar esclarecimentos no prazo de 20 dias, o qual foi prorrogado por mais  60  dias  a  pedido  do  contribuinte. Entretanto  o prazo  expirou  em 06/11/2010,  sem nenhuma  manifestação por parte do contribuinte. Deste modo, respondendo ao item 3, como o pedido de  ressarcimento  do  contribuinte  foi  indeferido,  não  há  nenhum  crédito  para  cobrir  o  valor  lançado no Auto de Infração objeto do presente processo”.  Esgotou­se  o  prazo  sem  apresentação  de  manifestação  por  parte  do  contribuinte.  DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado,  vieram  os  autos  para  relatoria,  por  meio  de  processo  eletrônico,  em  02  (dois)  Volumes,  numerado  até  a  folha  404  (quatrocentos  e  quatro),  estando  apto  para  análise desta  Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF.  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6 É o relatório.  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/2002­57  Acórdão n.º 3402­002.569  S3­C4T2  Fl. 408          7 Voto             Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  Retornam os autos de diligência designada pelo extinto Segundo Conselho de  Contribuintes,  de Relatoria  da  Ilustre  Conselheira Nayra  Bastas Manatta,  a  qual,  diante  dos  argumentos  trazidos  pelo  sujeito  passivo  no  recurso  voluntário  de  fls.  51­58  (numeração  eletrônica), houve por bem em entender prejudicado o julgamento dos autos, tendo em vista a  pendência da decisão administrativa que analisaria o pedido de ressarcimento e a compensação  até então não homologada (realizados pelo contribuinte), objeto deste lançamento.  Conforme se pode depreender do relatório dos autos acima sintetizado, o auto  de infração que ora se analisa decorre do indeferimento do pedido de ressarcimento de crédito  presumido de IPI e da consequente não homologação compensação da COFINS apurada pelo  contribuinte,  cuja  ausência  de  recolhimento  então  foi  alvo  de  lançamento  pela  Autoridade  Fiscal.  Diante  do  fato  de  que  referido  ressarcimento/compensação  ainda  não  possuíam decisão final administrativa à época – tanto do lançamento, quanto do julgamento do  extinto Segundo Conselho  –  foi  o  julgamento  convertido  em  diligência  para  averiguação  de  elementos que  seriam  essenciais  ao deslinde da  causa,  sendo concomitantemente,  sobrestado  até decisão final do PAF 13063.000111/97­48.  Findo o  referido PAF,  foram então  anexadas  cópias das principais decisões  adotadas  no  processo  e  elaborada  a  solicitada  Informação  Fiscal,  respondendo  aos  quesitos  formulados na Resolução anteriormente prolatada, os quais davam conta de que o crédito do  contribuinte,  apesar  de  reconhecido  em  instância  superior,  não  havia  sido  comprovado  pelo  sujeito  passivo, motivo  pelo  qual  permaneceram  indeferidos  os  ressarcimentos  apresentados,  bem como não homologada a compensação alvo do Auto de Infração.  Desta  forma,  considerando  que  o  contribuinte  foi  intimado  no  referido  processo  em  que  sua  sucedida  pleiteava  o  ressarcimento  dos  créditos,  tem­se  que  acabou  restando patente a ausência de liquidez e certeza do crédito, e, em face do que dispõem os arts.  170, do CTN e 74, da Lei n° 9.430/96, não é possível deferir a compensação se o crédito nela  utilizado não é passível de restituição ou, como no caso, de ressarcimento.  Assim, não resta outra alternativa a esta Câmara senão aplicar o resultado do  processo que julgou o direito ao ressarcimento de créditos, para refletir sobre a compensação  que é apresentada como matéria de defesa do lançamento tributário em análise.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     8                               Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

score : 1.0
5868721 #
Numero do processo: 16045.000317/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os co-titulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os co-titulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 16045.000317/2009-14

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5443599

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2802-003.313

nome_arquivo_s : Decisao_16045000317200914.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON

nome_arquivo_pdf_s : 16045000317200914_5443599.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015

id : 5868721

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:25 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702118334464

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 267          1 266  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16045.000317/2009­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­003.313  –  2ª Turma Especial   Sessão de  10 de março de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  DALMO DO NASCIMENTO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001, 2002  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  AUSÊNCIA  DE  INTIMAÇÃO  DE  CO­TITULAR.  NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.  Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem  não  comprovada,  quando  não  intimados  todos  os  co­titulares  das  contas  conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29.  ART.  42,  §  3º,  II  DA  LEI  9.430/96.  DESCONSIDERAÇÃO  DOS  DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE  R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO­ CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.  Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem  ser  considerados,  para  fins  de  determinação  dos  rendimentos  omitidos  por  pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00,  desde que o seu somatório, dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor  de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.     (Assinado digitalmente)  Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 17 /2 00 9- 14 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON     2 (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson, Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Jorge  Cláudio  Duarte  Cardoso  (Presidente  da  Turma),  Jaci  de  Assis  Junior,  Mara  Eugênia  Buonanno  Caramico,  Ronnie  Soares  Anderson,  Vinícius  Magni  Verçoza  (Suplente  convocado)  e  Carlos  André  Ribas  de  Mello.       Relatório      Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) ­ DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de  Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total  de R$ 77.405,66 relativo ao ano­calendário 2004.  O  lançamento  decorreu  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  verificada  em  contas­ corrente mantidas nas instituições financeiras Banco Santander Banespa S/A. (agência nº 502,  c/c nº 01004755­9 e c/c nº 01006376­6) e Banco do Brasil S/A.(agência nº 2748­0, c/c nº 7165­ X),  em  relação  às  quais  o  contribuinte  respondeu  ao  Termo  de  Inicio  de  Fiscalização,  não  apresentando,  porém,  qualquer documentação  comprobatória  referente  à  origem dos  créditos  discriminados.  Os termos da impugnação vertida foram bem descritos pela decisão recorrida,  motivo  pelo  qual  passo,  com  a  devida  vênia,  a  transcrever  o  correspondente  excerto  do  relatório desse julgado:  3.1 O trabalho fiscal se baseou em suposições, considerando até mesmo fatos  e procedimentos totalmente estranhos ao requerente, o que, por si só, descaracteriza  a  lavratura  do  auto  de  infração. A  fiscalização  tem  por  finalidade  a  determinação  real  dos  fatos  ocorridos  e  a  configuração  da  verdade,  não  sendo  razoável  que,  de  interpretação  contrária,  facilmente  comprovável,  se  ache  no  direito  de  exigir  impostos  acompanhados  de  multas  escorchantes,  que  ultrapassam  em  muito  a  capacidade  contributiva  do  requerente,  constituindo­se  esse  procedimento  em  verdadeiro confisco. Por tudo isso, fica requerido em preliminar, seja considerado o  auto de  infração nulo de pleno direito, principalmente por não  ficar comprovada a  movimentação  bancária  alegada,  e  ainda  por  não  considerar  que  grande  parte  daquela movimentação se refere a valores de terceiros, como adiante ficará provado.  3.2 Além das atividades advocatícias, o contribuinte exerce ainda a atividade  de  corretor  de  imóveis,  com  escritório  no  município  de  Ubatuba­SP.  Por  consequência  dessa  atividade,  movimenta  diversas  quantias  de  terceiros  em  sua  conta  pessoal,  quantias  essas  que  não  se  referem  exclusivamente  a  aluguel,  mas  também para pagamento de consumo de água, consumo de luz, IPTU e manutenção  de todos os imóveis administrados pelo declarante.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/2009­14  Acórdão n.º 2802­003.313  S2­TE02  Fl. 268          3 3.3  Por  conta  dessa  atividade,  mantêm  controle  especifico  dessa  movimentação, cuja origem e destinação foi objeto de esclarecimento nas planilhas  elaboradas  pelo  impugnante,  nas  quais,  mês  a  mês,  são  identificados  todos  os  beneficiários  e  todos  os  valores  transferidos  a  cada  um  deles.  A  fiscalização  não  analisou as referidas Planilhas, nem mesmo se manifestou sobre as mesmas.  3.4  Solicita  que  as  planilhas  apresentadas  sejam  objeto  de  analise  pela  autoridade  julgadora,  a  qual  poderá  facilmente  identificar  que  grande  parte  da  movimentação refere­se a valores de terceiros ali identificados, inclusive com nome,  CPF e número das  respectivas contas correntes, para as quais  foram repassados os  correspondentes  valores.  Se  as  planilhas  anexadas  não  forem  analisadas,  aí  não  restarão duvidas de que o objetivo da fiscalização é meramente arrecadatório. Ainda  sobre  as  mesmas,  fica  facilmente  comprovado  que  os  valores  conciliam  com  os  depósitos  efetuados,  até  em  seus  centavos  e  datas,  e  com  isso  não  prosperará  a  alegação de que a movimentação bancária ocorrida se refere a omissão de receitas.  3.5  Dentro  desse  principio  de  conciliação  e  comparação  de  valores  depositados, com os efetivos créditos de terceiros, o contribuinte destacou às fls. 201  a  205  alguns  exemplos  de  valores  arrecadados  dos  locatários  e  correspondentes  a  despesas de água, luz, telefone, IPTU e aluguel eventual, repassados aos favorecidos  locadores.  3.6 Como pode se observar, as movimentações bancárias correspondentes aos  diversos depósitos efetuados conciliam em data e valores com os repasses efetuados  aos respectivos favorecidos. Isso por si só comprova que referidos depósitos não são  receitas do requerente, mas tão somente movimentação de valores de terceiros.  3.7 Quanto ao sujeito passivo da obrigação, fica comprovado que os valores  creditados  na  conta  de  depósito  ou  de  investimento  pertencem  a  terceiros,  evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  não poderá permanecer em nome do titular da conta de depósito ou de investimento.  Na  realidade  os  valores  movimentados  na  conta  corrente  do  requerente  é  que  pertencem a terceiros, pois nesse caso, o mesmo torna­se um simples intermediário  da  operação.  Isso  fica  evidenciado  quando  comparamos  os  referidos  valores  depositados  e  repassados  diretamente  a  cada  um  dos  favorecidos.  Vale  destacar  ainda que nem sempre esses valores correspondem a rendimentos de alugueis, pois,  na  maioria  das  vezes,  tratam­se  de  numerários  utilizados  exclusivamente  para  cumprimento  de  obrigações  financeiras  tributárias  e  de  utilização  de  serviços  públicos.  3.8  Alem  do  que,  como  ficará  provado,  o  requerente  mantém  e  sempre  movimentou  as  suas  únicas  duas  contas  correntes  em  conjunto  com  a  esposa Sra.  Lea Maria Morais  do Nascimento,  inscrita  no CPF(MF)  sob  n°  122.059.20804,  e  dessa  situação,  se  eventualmente  ainda  restar  algum  valor  que  se  presuma  ser  omissão de receita do contribuinte, teria que esse montante ser rateado nas mesmas  proporcionalidades para ambos, conforme preceitua a legislação tributária vigente.  3.9  Ainda  que  se  considere  que  o  requerente  optou  por  declaração  em  conjunto, entende que, do montante apurado, que atinge o total de R$ 131.881,71, se  rateado  entre  ambos,  caberia  a  cada  um  a  obrigação  tributária  sobre  o  montante  individual de R$ 65.940,86. Pois bem, considerando essa linha de raciocínio, pois,  conforme  exposto, a  própria  legislação  tributária  assim determina,  que,  quando  se  tratar de conta conjunta, o montante das eventuais omissões de receitas devem ser  rateado  entre  os  titulares  de  cada  conta  corrente  e,  nesse  caso,  caberia  individualmente o montante acima descrito, ou seja, R$ 65.940,86.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON     4 3.10  O  impugnante  no  ano  calendário  de  2.005  recebeu  a  titulo  de  rendimentos  tributáveis  valores  correspondentes  a  honorários  advocatícios  que  atingiram R$ 5.762,93 para o  requerente e R$ 4.595,80 para sua esposa, além dos  valores  recebidos  a  titulo de  aluguéis  de  pessoa  jurídica,  que  também atingiram o  montante  de  R$  10.800,00  anual.  Pois  bem,  todas  somatórias  correspondentes  a  esses rendimentos acabaram por circular através das contas correntes do requerente  e,  ainda  assim,  embora  devidamente  declarado  e  já  tributado  anteriormente,  a  autoridade  fiscalizadora  não  considerou  essas  exclusões  do  montante  apurado  na  movimentação bancária. Esses rendimentos, cuja somatória totaliza R$ 21.258,73, já  foram devidamente tributados na correspondente declaração e não podem, sob pena  de caracterizar bitributação, serem novamente, aqui, levados a nova tributação.  3.11 Finalmente  reafirma que na movimentação ocorrida  junto ao Banco do  Brasil  S.A.  (001),  agência  27.480,  durante  o  ano  de  2.004,  todos  os  históricos  correspondentes  a  “Desbloqueio  de  Depósitos”,  não  se  referem  a  depósitos  nem  mesmo a créditos, ou seja, essa movimentação consiste na liberação de um depósito  efetuado anteriormente, que já foi objeto de consideração e alegação de omissão de  receitas.  3.12 Por tudo isso e por tudo aquilo que nos autos constam, julgar procedente  o referido Auto de Infração é um ato não só de injustiça, como também de falta de  bom  senso,  o  que  não  é  peculiar  da  autoridade  julgadora.  Isto  posto,  requer  em  preliminar  que  seja  o  auto  de  infração  declarado  nulo  e,  no  mérito,  seja  julgado  totalmente improcedente, cancelando­se o suposto crédito tributário.  A  DRJ/SP1  manteve  integralmente  a  autuação,  consubstanciando  seu  entendimento no acórdão assim ementado:  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei  nº  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  de  omissão  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/8/2012, repisando as razões  e os pedidos da impugnação.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Rezam o caput e § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996:  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/2009­14  Acórdão n.º 2802­003.313  S2­TE02  Fl. 269          5 Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  § 1º a 5º Omissis  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Com  efeito,  no  caso  de  contas  bancárias  de  titularidade  conjunta,  é  necessário,  para  a  correta  aferição  dos  aspectos  quantitativos  e  pessoais  do  consequente  normativo da regra matriz de incidência tributária, a intimação de todos os seus co­titulares.  Registre­se  que,  ainda  que  a  declaração  de  ajuste  tenha  sido  de  natureza  conjunta,  o  caput  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  requer  que  o  titular  da  conta  seja  intimado,  ainda que essa titularidade seja exercida conjuntamente com outra pessoa. Em outras palavras,  não  é bastante que somente um dentre os  titulares de  conta conjunta  seja  intimado, mas  sim  todos.  Compulsando os autos, pode ser verificado nos extratos das contas­correntes  de nº 01004755­9 e nº 01006376­6 (fls. 73/140), ambas mantidas no Banco Santander S/A. e  representando a ampla maioria dos depósitos sujeitos à comprovação de origem (fls. 153/165),  que  elas  possuem  titularidade  conjunta  do  autuado  e  de  sua  esposa,  Lea  Maria  Morais  do  Nascimento, CPF  nº  122.059.208­04,  sendo  que  esta  em  nenhum momento  foi  devidamente  intimada para esclarecimentos no curso do procedimento fiscal.  A matéria foi tema da Súmula CARF nº 29, aprovada pelo Pleno da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  (CSRF)  em  sessão  de  8/12/2009,  e  de  observância  obrigatória  para os membros do CARF, nos  termos do caput do art. 72 do Regimento  Interno do CARF  (RICARF ­ Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leia­se o teor da súmula:  Súmula  CARF  nº  29:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  nela  efetuados,  na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou  rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.  Vale consignar que com sua publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria  MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído à Súmula CARF nº 29 efeito vinculante em relação à  administração tributária federal.  Ademais,  com  a  exclusão  dos  depósitos  vinculados  às  contas  mantidas  no  Banco Santander Banespa S/A.,  tem­se que os créditos  remanescentes objeto de  justificação,  atinentes  à  conta  nº  7165­X  do  Banco  do  Brasil,  são  todos  inferiores  a  R$  12.000,00  e  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON     6 totalizam  tão  somente  R$  20.632,09  (fl.  153),  atraindo  na  espécie  a  incidência  da  Súmula  CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010:  Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores  a R$ 12.000,00  (doze mil reais),  cujo  somatório não ultrapasse  R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física.  Cumpre, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando­ se a exigência fiscal.   Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.    (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                                Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON

score : 1.0
5886191 #
Numero do processo: 10540.901369/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim.
Numero da decisão: 1801-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim.

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10540.901369/2009-24

anomes_publicacao_s : 201504

conteudo_id_s : 5450373

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1801-002.338

nome_arquivo_s : Decisao_10540901369200924.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

nome_arquivo_pdf_s : 10540901369200924_5450373.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..

dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015

id : 5886191

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:14 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702123577344

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10540.901369/2009­24  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1801­002.338  –  1ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2015  Matéria  DCOMP ­ PAGAMENTO INDEVIDO  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  LOJAS INSINUANTE LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  ÔNUS DA PROVA.  Incumbe  à  Administração  Tributária  o  ônus  da  prova  dos  fatos  que  fundamentam a sua decisão.  INTIMAÇÃO. CIÊNCIA.  A  ciência  no  Processo  Administrativo  Fiscal  se  dá  apenas  por  uma  das  formas  exaustivamente  relacionadas  no  artigo  23  do Decreto  nº  70.235,  de  1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este  fim.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os  Embargos  de  Declaração  interpostos  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  e  ratificar  o  decidido no Acórdão nº  1801­002.113, proferido  em sessão  realizada  em 23 de  setembro de  2014, nos termos do voto do Relator..  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 13 69 /2 00 9- 24 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/2009­24  Acórdão n.º 1801­002.338  S1­TE01  Fl. 3          2 Participaram  do  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Leonardo  Mendonça  Marques,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque,  Joselaine  Boeira  Zatorre,  Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..  Relatório  A  FAZENDA  NACIONAL,  inconformada  com  a  decisão  proferida  no  Acórdão  nº  1801­002.113  (fl.  155),  por  este  colegiado,  interpõe  embargos  de  declaração  (fl.  160) objetivando o aperfeiçoamento da decisão.  O  presente  processo  trata  da  declaração  de  compensação  de  nº  37262.89027.290607.1.3.04­0079  (fl.  14),  que  não  foi  homologada  pela  Receita  Federal  do  Brasil, nos termos do despacho decisório de fl. 13:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP..  Ciente  dessa  decisão,  o  interessado  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade de fl. 1, em que alega, em síntese, que a DCTF correspondente foi preenchida  com erro, o que foi sanado mediante apresentação de DCTF retificadora.  A  DRJ  Salvador  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  ementando assim a sua decisão:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2006  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  AUSÊNCIA DE PROVAS.  Na  falta  de  comprovação  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  considera­se  inexistente  o  direito  creditório  alegado  pelo  contribuinte,  indeferindo­se  o  pedido  de  compensação  a  ele  vinculado.  DÉBITO  CONFESSADO  EM  DCTF.  RETIFICADORA  POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.  Considerando  que  o  débito  foi  reduzido  apenas  em  DCTF  retificadora  apresentada  em  momento  posterior  à  ciência  do  Despacho Decisório, há que haver comprovação contábil do seu  valor, sob pena de manutenção da cobrança.  Cientificado  dessa  decisão  em  08/05/2013,  por meio  de  remessa  postal  (fl.  37),  o  contribuinte  interpôs  o  presente Recurso Voluntário  (fl.  31),  em  06/06/2013,  em  que  alega:  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/2009­24  Acórdão n.º 1801­002.338  S1­TE01  Fl. 4          3 a) a DRJ não pode negar o efeito probante da DCTF retificadora enquanto a  DRF intima o contribuinte a apresentar DCTF retificadora para sanear a situação da DCOMP;  b) a DRJ desconsiderou a DIPJ apresentada antes do despacho decisório, que  corrobora a existência do indébito;  c) houve pagamento a maior do tributo e o seu não reconhecimento importa  em enriquecimento ilícito por parte da Fazenda.  Ao  apreciar  o  feito,  esta  Turma  de  Julgamento  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo  o  direito  creditório  e  homologando  a  compensação  declarada,  conforme o seguinte fundamento (fl. 158):  Embora  o  despacho  de  fl.  23  informe  que  o  contribuinte  foi  cientificado duas vezes do despacho decisório, não há nos autos  a  indicação  da  data  da  segunda  intimação  e,  muito  menos,  comprovação da sua realização. Portanto, deve­se admitir como  data  de  ciência  aquela  única  comprovada  nos  autos,  ou  seja,  26/02/2010.  Destarte,  entendo  que  a  DCTF  retificadora  supracitada  foi  realizada  espontaneamente  e  constitui  prova  a  favor  do  contribuinte,  mormente  quando  apresenta  coerência  com  o  conteúdo  da  DIPJ  apresentada,  indubitavelmente,  antes  do  despacho decisório.[destaquei]  A  Fazenda  Nacional  interpôs  os  presentes  embargos  por  entender  que  o  acórdão  recorrido  deixou  de  considerar  informação  contida  nos  autos,  conforme  a  seguinte  transcrição (fl. 163):  Nesse contexto, considerando que: [1] a Egrégia Turma restou  omissa  no  que  toca  à  análise  da  confissão  constante  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  contribuinte  de  que  a  DCTF  fora  retificada  após  a  ciência  do  despacho  decisório;  [2]  o  fundamento  para  o  provimento  do  recurso  foi  justamente  o  entendimento  de  que  a  DCTF  retificadora  apresentada  antes  da  ciência  do  despacho  decisório  constitui  prova a  favor do contribuinte, o que não se confirmou no caso  concreto;  faz­se mister que a Turma emita seu posicionamento,  tendo  em  consideração  a  afirmação  constante  na manifestação  de inconformidade de que a DCTF fora retificada após a ciência  do despacho decisório.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator.  Os  embargos  são  tempestivos  por  força  do  §9º  do  artigo  23  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  quando  determina  que  os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  considerados intimados pessoalmente das decisões deste Conselho com o término do prazo de  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/2009­24  Acórdão n.º 1801­002.338  S1­TE01  Fl. 5          4 trinta dias contados da data em que os  respectivos autos  forem entregues à Procuradoria. Na  espécie,  os  autos  foram  movimentados  para  a  Procuradoria  em  07/10/2014  (fl.  159),  presumindo­se  a  ciência  no  dia  06/11/2014.  Os  autos  regressaram  em  05/11/2014  (fl.  165),  portanto, dentro do prazo legal.  A  razão  dos  embargos  é  a  alegada  omissão,  ao  apreciar  as  provas,  de  declaração do contribuinte contida na sua manifestação de inconformidade, que seria suficiente  para  demonstrar  que  a  supracitada  retificação  da  DCTF  se  deu  após  a  ciência  do  despacho  decisório, o que seria bastante para desacreditar das informações lá contidas.  A declaração referida é a seguir transcrita (fl. 1):  Apesar do recolhimento a maior, a DCTF de janeiro de 2006 foi  equivocadamente preenchida pelo valor total do DARF, fato que  o  contribuinte  corrige  através  do  envio  de  DCTF  retificadora  nesta data, conforme recibo em anexo.  De fato, a DCTF retificadora foi entregue em 04/12/2009 (fl. 6), mesma data  em  que  a  manifestação  de  inconformidade  foi  assinada  (fl.  4).  Apreciando  as  razões  do  embargante, verifica­se que ele entende que este fato é suficiente para provar que a ciência do  despacho decisório se deu antes dessa data. Todavia, conforme consta dos autos, a ciência do  despacho decisório ocorreu posteriormente, em 26/02/2010 (fl. 22).  No  argumento  do  recorrente  há  uma  premissa  implícita,  a  de  que  não  é  possível  a  contestação  do  despacho  decisório  sem  a  sua  ciência. Como  houve  a  contestação  então,  necessariamente,  teria  havido  a  ciência. Certamente  este  é  um  raciocínio  logicamente  válido, mas não deixa de ser uma presunção, sob a ótica do Direito Processual, uma vez não há  nos autos um documento que demonstre essa ciência, nem mesmo há nos autos uma prova de  que o contribuinte teve vistas dos autos.  A  ciência  no  Processo  Administrativo  Fiscal  se  dá  apenas  por  uma  das  formas  exaustivamente  relacionadas  no  artigo  23  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  em  que  a  única via de ciência  ficta  é o  edital. Não  sendo a presunção hominis  um meio  juridicamente  aceito  para  se  afirmar  a  ciência  do  despacho  decisório,  prendo­me  às  provas  dos  autos  para  reafirmar a espontaneidade jurídica do contribuinte ao retificar a DCTF em tela.  Destaco  outro  fato  que  também  foi  utilizado  nos  fundamentos  da  decisão  recorrida, embora de forma complementar: o valor contido na DCTF retificadora é o mesmo já  declarado na DIPJ, entregue bem antes da emissão do despacho decisório em análise.   Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração.     (ASSINADO DIGITALMENTE)  Neudson Cavalcante Albuquerque                Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/2009­24  Acórdão n.º 1801­002.338  S1­TE01  Fl. 6          5                 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

score : 1.0
5844145 #
Numero do processo: 13855.721630/2013-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201502

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 13855.721630/2013-35

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5436531

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3403-003.604

nome_arquivo_s : Decisao_13855721630201335.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM

nome_arquivo_pdf_s : 13855721630201335_5436531.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015

id : 5844145

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702128820224

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 6          1 5  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13855.721630/2013­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.604  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  PIS e COFINS  Recorrente  TJ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  SIGILO  BANCÁRIO.  SOLICITAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  À  INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE.  Diante  da  recusa  do  contribuinte  em  franquear  seus  extratos  bancários,  é  lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor  do art. 6º da LC nº 105/2001.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  EMPRESA  TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO.   A  criação  de  empresa  prestadora  de  serviços  que  não  tem  existência  real  caracteriza  simulação,  fato  que  rende  ensejo  à  glosa  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços.  MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.  A  interposição  de  pessoa  jurídica  inexistente  de  fato,  apenas  para  gerar  redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a  sonegação,  circunstância  que  autoriza  a  imposição  da  multa  de  ofício  no  patamar de 150%.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS.  SÚMULA CARF Nº  28.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Recurso voluntário negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 16 30 /2 01 3- 35 Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério  Sawaya Batista e Ivan Allegretti.  Relatório  Trata­se de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em  10/07/2013 lavrados para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, multa de ofício  e juros de mora, em razão da falta de recolhimento das contribuições no período compreendido  entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010.  Segundo o termo de verificação fiscal, a empresa valeu­se de simulação para  segmentar suas atividades com fim de reduzir os encargos previdenciários e de gerar créditos  das contribuições não cumulativas de forma ilícita.  Em  procedimento  de  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  foi  constatado,  em síntese,  que  a TJ CALÇADOS utilizou a  empresa  JOSÉ CLÓVIS PEREIRA  FRANCA  ­  EPP  como  interposta  pessoa  com  a  finalidade  de  contratar  empregados  com  redução  ilícita  de  encargos  previdenciários,  uma  vez  que  sendo  esta  última  optante  pelo  SIMPLES NACIONAL, não recolhe a contribuição previdenciária patronal calculada com base  na folha de pagamento mensal.  As  evidências  que  conduzem  a  tal  entendimento,  são,  em  síntese,  as  seguintes:  1)  as  duas  empresas  ocupam  o  mesmo  espaço  físico  e  os  empregados  da  JOSÉ  CLÓVIS­EPP trabalham nas instalações da TJ CALÇADOS; 2) o trânsito de mercadorias entre  as duas empresas era  livre e não há nenhuma preocupação em se fazer o controle; 3) dos 39  empregados  que  tiveram  seus  contratos  de  trabalho  rescindidos  pela  TJ  CALÇADOS  nos  meses  de  abril  e  junho  de  2003,  37  trabalhadores  foram  imediatamente  registrados  como  empregados da JOSÉ CLÓVIS ­ EPP; 4) com a publicação da MP nº 540/2011 que entrou em  vigor  a  partir  de  novembro  de  2011,  as  indústrias  de  calçados  passaram  a  contribuir  com  o  percentual de 1,5% sobre a receita bruta em substituição às contribuições previstas nos incisos  I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. A partir de então a TJ CALÇADOS voltou a recontratar os  empregados  da  JOSÉ  CLÓVIS  ­  EPP;  5)  todos  os  custos  da  JOSÉ  CLÓVIS  ­  EPP  são  suportados  pela  TJ  CALÇADOS;  6)  a  JOSÉ  CLÓVIS  ­  EPP  presta  serviços  de  corte,  preparação, montagem, chanfração e pesponto de calçados. Entretanto, todo o maquinário é de  propriedade  da  TJ  CALÇADOS  e  foi  repassado  gratuitamente  à  JOSÉ  CLÓVIS  ­  EPP  por  empréstimo.  Toda  manutenção  dos  equipamentos  é  efetuada  pela  TJ  CALÇADOS;  6)  O  faturamento  da  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  é  insuficiente  para  cobrir  as  despesas  geradas  em  seu  nome;  7)  a  TJ  CALÇADOS  pagou  viagens  à  Europa  e  também  a  construção  de  um  apartamento  de  luxo  ao  senhor  José  Clóvis  Pereira,  sócio  da  JOSÉ  CLÓVIS­EPP;  8)  o  departamento  pessoal  e  a  contabilidade  das  duas  empresas  funcionam  no  mesmo  local  e  o  serviço é efetuado pelas mesmas pessoas; 9) os equipamentos de proteção individual para todos  os  empregados  são  adquiridos  pela  TJ  CALÇADOS;  10)  trabalhadores  formalmente  registrados  na  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  tiveram  seus  planos  de  saúde  custeados  pela  TJ  CALÇADOS; 11) A TJ CALÇADOS é a única cliente da JOSÉ CLÓVIS­EPP.  Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/2013­35  Acórdão n.º 3403­003.604  S3­C4T3  Fl. 7          3 Com base nesse conjunto de fatos, concluiu a fiscalização que os empregados  formalmente  registrados pela  empresa  JOSÉ CLÓVIS­EPP  eram, de  fato,  empregados  da TJ  CALÇADOS.  Considerando  que  os  serviços  destacados  nas  notas  fiscais  emitidas  pela  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  para  sua  única  cliente,  a  TJ  CALÇADOS,  foram  executados  pelos  próprios empregados desta última, são indevidos os créditos de PIS e COFINS tomados pela TJ  CALÇADOS com base nessas notas fiscais.  Foram glosados os créditos indevidos e lavrados os autos de infração de PIS  e  COFINS  com  multa  qualificada  de  150%,  pois  houve  ocorrência  de  sonegação,  fraude  e  conluio.  Foram arrolados como responsáveis solidários, com base no art. 135, III, do  CTN  os  sócios  da  TJ  CALÇADOS,  senhor  Jamil  César  David,  CPF  072.254.818­43  e  a  senhora Mary Aparecida Gomes David, CPF 071.780.258­24; assim como o titular da empresa  JOSÉ CLÓVIS­EPP, senhor José Clóvis Pereira, CPF 055.336.568­12.  Regularmente notificados  todos  os  sujeitos  passivos,  o  auto  de  infração  foi  impugnado apenas pela pessoa jurídica TJ CALÇADOS, tendo sido alegado o seguinte:  1) Houve quebra de quebra de sigilo bancário com violação do art. 5º, X, da  Constituição. O STF já decidiu em Recurso Extraordinário, com repercussão geral reconhecida,  que a Receita Federal do Brasil não pode ter acesso aos dados bancários do contribuinte. Essas  provas são ilícitas e a documentação exigida está fora do período fiscalizado (2011/2012);  2)  No  que  tange  à  localização  das  empresas  envolvidas,  alega  que  não  há  qualquer prova da conversa entre o sócio da autuada, em que este teria dito que a empresa José  Clóvis  mantinha  endereço  apenas  formal  na  Rua  Francisco  Marques,  1400,  não  sendo  admissível como elemento fático probatório; que o prédio é alugado pela empresa José Clóvis,  conforme contrato de aluguel juntado aos autos; que o depoimento do Senhor Aparecido, no  qual diz  estar no  local há  cinco anos  e que,  anteriormente,  no  local  funcionava  as  seções de  corte e pesponto sob a responsabilidade do senhor José Clóvis, não possui legitimidade porque  teria  sido  conduzido  pela  fiscal  sem  a  presença  de  testemunhas  e  sem  um  representante  da  autuada; que as provas carreadas aos autos são frágeis e obtidas por meio fraudulentos; que a  auditora deixa de citar  fatos que contestariam de forma cabal as provas por ela elaboradas;   que  não  há  provas  da  conversa  entre  o  representante  legal  e  a  auditora  e  que  esta  nunca  existiu; que  o  CFOP  das  notas  só  demonstra  a  legalidade  e  transparência  da  relação  empresarial; e que existe mão­de­obra alocada pela José Clovis para produzir para a autuada,  pelo que não há nenhuma hipótese de proibição legal;  3)  Sobre  a  formalização  dos  registros  de  empregados,  em  resumo,  a  contribuinte alega que as provas articuladas se referem a fatos ocorridos em 2003 e não provam  nenhum conluio ou armação e sim uma relação empresarial legítima; que o único fato que se  prova neste procedimento é que a autuada diminuiu seus pedidos à prestadora em 2012 e se viu  em situação benéfica com a diminuição de custos para contratação; que a empresa José Clovis  continua trabalhando para a autuada e possui uma filial em Pedregulho/SP que não foi citada  nos autos, e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma  filial em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento;  Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 4) Em  relação  ao  comparativo  entre  faturamento  e despesas da  José Clóvis  EPP,  alega  que  esta  se  sustenta  e  é  bastante  lucrativa; que  não  há  erro  contábil  e  sim  de  análise  da  auditoria  fiscal; que  os  documentos  relativos  ao  valores  recebidos  pelo  titular da  empresa não foram apresentados porque ferem o sigilo bancário; que o ordenamento jurídico  protege o cidadão no sentido de não produzir qualquer  tipo de prova contra ele mesmo; que  houve manipulação nos dados do Quadro 07 em relação às receitas e despesas (demonstrativos  contábeis e comprovantes grifados em anexo);  5) Quanto às despesas de funcionamento e manutenção, alega que não há nos  autos provas que identifiquem o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e se  está contabilizada na empresa TJ e efetuados os pagamentos por esta, as contas são da empresa  autuada.  Argumenta  ainda  que  não  há  crime  em  fazer  a  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos utilizados pela José Clóvis EPP e nem é incomum a exclusividade na prestação  de serviços;  6)  Do  vínculo  entre  o  Senhor  José  Clóvis  Pereira  e  a  TJ  Calçados,  especialmente sobre o pagamentos de viagens ao exterior, alega que não são viagens de férias,  que  é  de  praxe  que  os  grandes  empresários  mandem  seus  prestadores  de  serviços,  representantes e funcionários a grandes centros, em busca de novidades e lançamentos. Quanto  ao pagamento dos apartamentos, alega que não merecem explicação, que foram obtidas provas  por meio  fraudulento,  protegidas  por  sigilo  bancário,  e que  houve  abuso  de  direito  do  fisco,  com a manipulação de documentos e informações;  7)  Quanto  aos  demais  elementos  de  prova,  apenas  reitera  que  as  provas  juntadas aos autos demonstram uma relação empresarial comum, sem vícios, sem fraude e sem  máscaras, que as duas empresas são idôneas com suas estruturas, funcionários, dependências,  não havendo confusão entre as mesmas;  8) Da  responsável  pelo  departamento  fiscal  das  empresas  envolvidas,  alega  que a contadora das duas empresas possui escritório de contabilidade na qual presta serviços  para  mais  de  300  (trezentas)  empresas,  de  modo  que  o  fato  desta  ser  contadora  das  duas  empresas não comprova conluio e nem fraude entre ambas. Aduz que o Quadro 09 não faz jus  ao  período  da  fiscalização; que,  durante  o  período  fiscalizado,  a  funcionária  foi  registrada  somente  na  José Clóvis; e  que  a  funcionária  trabalhava  como  freelancer  para  a  TJ  uma  ou  duas vezes por semana;  9) Dos equipamentos de segurança e proteção dos  trabalhadores, argumenta  que, diante da legislação trabalhista, a tomadora de serviços é subsidiária ou solidária aos erros  e problemas gerados pela sua prestadora, sendo justa a preocupação com o fornecimento desses  aparelhos ao empregados desta;  10) Do plano  de  saúde,  alega  que o  departamento  pessoal  cometeu  erro  no  tocante  aos  funcionários  alocados  aos  convênios,  o  que  será  auditado  pelo  departamento  financeiro e pelos sócios; e que este descontrole e desorganização por parte das duas empresas  não são capazes de comprovar conluio ou fraude;  11) Do processo trabalhista, alega que a reclamação terminou em acordo sem  reconhecimento de vínculo com a autuada e que todo o acordo foi quitado pela José Clóvis (ata  de audiência juntada aos autos);  12)  Da  movimentação  financeira  entre  as  empresas  envolvidas  e  da  transferência de recursos financeiros da TJ Calçados para a José Clóvis EPP, alega que foram  Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/2013­35  Acórdão n.º 3403­003.604  S3­C4T3  Fl. 8          5 obtidas  por  meio  ilícito; que,  em  nenhum  momento  as  empresas  permitiram  que  fossem  retirados os extratos bancários; que são várias as respostas aos termos de intimação, nas quais  as duas  empresas  informam que os  extratos  foram  retirados  sem  a  sua permissão, pedindo  a  devolução dos mesmos. Reitera que houve quebra de sigilo bancário;  13)  Sobre  a  terceirização,  alega,  em  síntese  que  não  há  o  vínculo  empregatício  entre  a  empresa  tomadora  e  os  trabalhadores  arregimentados  pela  empresa  prestadora e que não existe vedação à exclusividade na prestação de serviços. Remete à Lei nº  8.212/91  e  ao Decreto  nº  3.048/99  para  alegar  que  compete  ao Auditor  Fiscal  do  Trabalho  garantir o cumprimento da ordem jurídica trabalhista e avaliar os casos de contratação através  de  interpostas  pessoas.  Assim,  sustenta  que  o  auditor  fiscal  da  RFB  extrapolou  da  sua  competência funcional ao analisar as contratações terceirizadas, e que a atuação deste deve se  ater à verificação do cumprimento da legislação de tributos PIS e COFINS;  14) Alegou que não existe na  legislação dos  tributos PIS e Cofins previsão  legal acerca do instituto da terceirização, pelo que a fiscalização teria afrontado o princípio da  legalidade;  15)  Segundo  a  defesa,  a  empresa  José  Clóvis  –   EPP  encontra­se  regularmente  enquadrada  no  Simples  Nacional  e  que  não  há  vedação  para  que  os  optantes  possam prestar serviços  terceirizados. Remetendo aos  termos do relatório  fiscal no que  tange  ao  faturamento,  argumenta  ainda  que  o  fisco  poderia  ter  procedido  à  exclusão  de  ofício  da  referida  empresa  do  Super  Simples  com  fulcro  na  Lei Complementar  123/2006,  sem  ferir  o  princípio  da  legalidade.  Alegou  que  a  empresa  autuada  foi  fiscalizada  pelo  Ministério  do  Trabalho  em  2007  e  2009  e  que  a  José Clóvis –   EPP  foi  fiscalizada  em  2007  e  2009  (em  anexo),  e  que  não  foram  lavrados  autos  de  infração  porque  ausentes  os  requisitos  legais  da  relação  de  emprego,  dependência  econômica,  subordinação  e  direção  dos  empregados  pela  tomadora dos serviços (artigos 2º e 3º da CLT). Em sentido contrário, o Auditor da RFB não  tomou o depoimento de nenhum dos  funcionários que  trabalhavam na  tomadora de  serviços,  embora tenha visitado in loco a TJ Calçados. Observa que, no período fiscalizado, a auditoria  cita  apenas  uma  única  reclamatória  trabalhista,  ajuizada  em  face  da  empresa  prestadora  de  serviço e tomadora, quando é cediço que, nas lides trabalhistas que envolvam terceirização, o  empregado  ajuíza  a  reclamatória  em  face  da  prestadora  e  tomadora,  em  razão  da  responsabilidade  subsidiária.  Alegou  que  firmou  um  Termo  de  Ajuste  de  Conduta  –   TAC  entre  a  tomadora  e  prestadora,  perante  o Ministério  do  Trabalho,  no  qual  o  empregador  se  compromete  a  cumprir  obrigações  ou  a  deixar  de  fazer  alguma  coisa  ilícita  ou  considerada  prejudicial à coletividade dos trabalhadores. Reafirma, ainda, que não há contratação irregular  por meio de empresa interposta, ou seja, para a atividade­fim;  16)  Quanto  à  aplicação  da  multa  qualificada,  a  contribuinte  remete  aos  termos do relatório fiscal e a sua fundamentação legal para afirmar que não existe a previsão  legal  na  legislação  do  PIS  e  da  Cofins,  e  assim,  restaria  ferida  de  morte  a  fundamentação  utilizada em face ao princípio constitucional da Legalidade, previsto nos artigos 5º da CF/88;  17)  Reitera  que  a  fiscalização  não  logrou  êxito  em  provar  a  existência  de  interposta  pessoa,  lembrando  que  a  TJ  Calçados  bem  como  a  José  Clóvis  –   EPP  foram  fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, e que este não apontou nenhuma irregularidade;  Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 18) Quanto à  representação fiscal para  fins penais, alega que, enquanto não  solucionado o litígio administrativo, não haverá representação criminal.  Por  meio  do  Acórdão  nº  33.794,  de  15/01/2013,  a  4ª  Turma  da  DRJ  ­  Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa:  "(...)  SIMULAÇÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com a  finalidade  de  dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.  SIGILO BANCÁRIO. LICITUDE DO ATO ADMINISTRATIVO.  É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte,  constantes  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso e tais exames forem indispensáveis, o que não implica em  quebra  de  sigilo  bancário,  mas  simples  transferência  deste,  porquanto, em contrapartida, há o sigilo fiscal a que se obrigam  os agentes fiscais por dever de ofício.  SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.  Ao  restar  comprovada  a  prática  de  negócios  simulados,  com  declaração  enganosa  de  vontade,  com  o  único  propósito  de  esquivar­se das obrigações tributárias, impõe­se a aplicação de  multa qualificada no percentual de 150%.  Todos  os  sujeitos  passivos  foram  regularmente  notificados  do  acórdão  de  primeira instância por via postal, conforme avisos de recebimento juntados aos autos.  A  TJ  CALÇADOS,  regularmente  notificada  em  27/01/2014,  foi  a  única  a  apresentar recurso voluntário em 21/02/2015, no qual reprisou as alegações de impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator.  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  tomo conhecimento.  O contribuinte  alegou que seu sigilo bancário  foi violado de  forma  ilícita e  pleiteia  a  aplicação  do  RE  389.808,  que  no  seu  entender  foi  submetido  à  sistemática  da  repercussão geral.  Pesquisando­se o inteiro teor desse julgado, verifica­se que o STF realmente  julgou inconstitucional a quebra de sigilo bancário pela Receita Federal com base no art. 6º da  Lei Complementar 105/2001, que permite a entrega das  informações por parte dos bancos, a  pedido do fisco sem autorização judicial.  Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/2013­35  Acórdão n.º 3403­003.604  S3­C4T3  Fl. 9          7 Entretanto esse recurso extraordinário não é vinculante para o CARF, pois ao  contrário do alegado, ele não foi submetido à sistemática da repercussão geral.  No  caso  concreto,  além  da  defesa  não  ter  apresentado  nenhuma  prova  da  alegação  de  que  a  fiscalização  teria  se  apropriado  de  documentos  bancários  ao  arrepio  de  autorização  da  recorrente,  as  informações  prestadas  pelo  banco  foram  franqueadas  ao  fisco  com base em dispositivo legal com vigência e eficácia plenas (art. 6º da LC nº 105/2001) não  existindo nenhuma ilegalidade cometida pelo fisco.  Por  outro  lado,  acrescente­se  que  as  informações  bancárias  obtidas  pela  fiscalização não possuem nenhuma relação direta com a exigência dos tributos PIS e COFINS,  objeto dos autos de infração albergados neste processo. As glosas dos créditos indevidos foram  feitas  com  base  em  documentos  existentes  na  contabilidade  da  empresa,  não  tento  nenhuma  relação com as informações bancárias.  No mérito, a fiscalização levantou uma série de fatos que analisados de forma  global produzem a convicção de que a empresa JOSÉ CLÓVIS ­ EPP existia apenas no papel  para gerar desoneração previdenciária e, ao mesmo tempo, gerar créditos das contribuições não  cumulativas.  Tanto  no  recurso  voluntário  quanto  na  impugnação,  a  defesa  rebateu  isoladamente cada fato apontado pela fiscalização,  tentando demonstrar que a acusação fiscal  baseia­se em mera presunção desacompanhada de provas.  Conforme narrado pela  fiscalização, a empresa José Clóvis – EPP funciona  dentro  das  instalações  da TJ Calçados  há  pelo menos  cinco  anos,  incluindo  assim o  período  fiscalizado, mantém um endereço apenas “formal” para  fins cadastrais em outro endereço,  não existem diferenças ou distinção entre os empregados das duas empresas dentro do prédio  da  TJ  Calçados,  sendo  que  esta  situação  vem  ocorrendo  aproximadamente  há  cinco  anos,  englobando o período fiscalizado (2008 a 2010).  Relativamente  aos  documentos  fiscais  emitidos  pela  JOSÉ  CLÓVIS­EPP,  constatou a fiscalização que o CFOP 5124, utilizado nas notas da empresa, é a classificação de  “saídas de mercadorias  industrializadas para  terceiros,  compreendendo os valores  referentes  aos serviços prestados e os das mercadorias de propriedade do industrializador empregadas no  processo  industrial,  e  que  consta  no  campo  da  descrição  a  expressão “serviços  prestados  dentro da própria indústria".  Considerou  ainda  o  fisco  que  o  trânsito  das  mercadorias  entre  as  duas  empresas  era  livre  e  não  havia  qualquer  preocupação  em  se  fazer  o  seu  controle,  visto  que  mesmo  os  códigos  em  suas  notas  fiscais  indicam  que  apenas  houve  a  saída  de  mercadoria  industrializada  para  terceiros  sem  o  código  de  retorno  de  mercadoria  utilizada  na  industrialização  por  encomenda  para  formalizar  o  retorno  das  mercadorias  recebidas  para  industrialização.  Esse fato é relevante, e demonstra que se a empresa JOSÉ CLÓVIS­EPP não  existisse,  os  serviços  por  ela  prestados  continuariam  a  serem  executados  dentro  da  TJ  CALÇADOS da mesma forma, sem nenhuma solução de continuidade.  Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     8 Quanto à  localização das duas empresas,  foi alegado que a  fiscalização não  juntou  provas  da  conversa  do  sócio  da  autuada,  onde  este  teria  dito  que  a  empresa  JOSÉ  CLÓVIS­EPP mantinha endereço apenas para fins cadastrais.  O  exame  dos  autos  revela  que  existe  prova  de  que  a  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  mantinha um endereço apenas para fins cadastrais, conforme depoimento prestado pelo Senhor  Aparecido  Gonçalves  de  Oliveira.  Observa­se  que  o  teor  desse  depoimento  confirma  integralmente o  teor da conversa que a auditora­fiscal diz  ter presenciado. Nesse depoimento  está dito com todas as letras o seguinte:  Que  está  no  local  há  cinco  anos,  que  o  local  pertence  a  Jamil  César David e que anteriormente funcionava no local a linha de  produção da T J Calçados. Desse período para cá passou a ser  banca de pesponto do senhor José Clóvis, sendo a própria TJ a  responsável pelo pagamento das despesas de  funcionamento do  local. Até  cinco anos atrás neste  local  funcionava as  seções de  corte  e  pesponto,  e  quem  era  o  responsável  era  o  senhor  José  Clóvis.  Agora  no  local,  só  funciona  uma  pequena  banca  de  pesponto que faz apenas o excesso da produção da TJ Calçados  (...).  Que  há  aproximadamente  cinco  anos  a  TJ  Calçados  comprou  um  barracão  no  Distrito  Industrial  e  lá  passou  a  centralizar  a  sua  linha  de  produção,  ficando  neste  local  uma  pequena banca para trabalhar o excesso de produção.  Declarou  que  é  o  encarregado  da  banca,  responsável  por  organizar o trabalho e controlar os empregados, porém não tem  registro em carteira, seu contrato é informal. Que presta contas  para o senhor José Clóvis e que os empregados estão registrados  em nome do senhor José Clóvis, mas que os controles ficam sob  a responsabilidade da TJ Calçados.  Portanto, o depoimento de um terceiro que não tem nenhuma relação formal  com  as  duas  empresas  envolvidas,  revela  que  a  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  é  inteiramente  subordinada à TJ CALÇADOS.  Relativamente aos registros de empregados, a defesa alegou que as provas se  referem  a  fatos  ocorridos  em  2003  e  não  provam  nenhum  conluio  ou  armação  e  sim  uma  relação  empresarial  legítima; que  o  único  fato  que  se  prova  neste  procedimento  é  que  a  autuada  diminuiu  seus  pedidos  à  prestadora  em  2012  e  se  viu  em  situação  benéfica  com  a  diminuição  de  custos  para  contratação;   que  a  empresa  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  continua  trabalhando  para  a  autuada  e  possui  uma  filial  em  Pedregulho/SP  que  não  foi  citada  nos  autos; e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma filial  em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento.  Não tem razão a recorrente, pois o fisco demonstrou a ligação umbilical entre  as  duas  empresas,  com  total  subordinação  da  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  à  TJ  CALÇADOS.  Praticamente  todos  os  empregados  (90%)  da  TJ CALÇADOS  foram  contratados  pela  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  para  prestar  os  mesmos  serviços  que  executavam  na  antiga  contratante.  Posteriormente, com a desoneração da folha de pagamento promovida pelo Governo, todos os  empregados que de fato eram da TJ CALÇADOS, voltaram a ser seus empregados de direito,  pois não havia mais interesse em mantê­los ligados à empresa terceirizada.  No  que  tange  aos  faturamentos  da  duas  empresas  e  à  movimentação  financeira entre ambas, a defesa alegou uma série de impropriedades e abusos que teriam sido  Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/2013­35  Acórdão n.º 3403­003.604  S3­C4T3  Fl. 10          9 cometidos pela fiscalização, encerrando o chavão de que ninguém é obrigado a produzir provas  contra si mesmo.   Nessa  parte  o  fisco  constatou  a  ocorrência  de  incorreções  em  diversos  lançamentos escriturados no livros contábeis da empresa José Clóvis­EPP como, por exemplo:  nos livros Diário dos anos de 2008, 2009 e 2010 estão registrados a débito da conta Caixa e a  crédito de Receitas Diversas as importâncias para capital de giro que teriam sido supostamente  recebidas do titular, Senhor José Clóvis, pelas quais não foram apresentados ao fisco quaisquer  documentos comprobatórios (demonstrações no Quadro 06 ­ fl. 08 do Termo Fiscal); que, em  grande  parte  do  ano  de  2008,  a  maioria  dos  pagamentos  das  despesas  de  José  Clóvis­EPP,  inclusive a folha de pagamento, foi paga pela TJ Calçados por meio de débito em sua conta­ corrente  nº.  676403  mantida  no  Bradesco; que  a  TJ  Calçados  continuou  efetuando,  pelo  menos  até  o  final  de  2009,  pagamentos  de  tributos  e  despesas  da  José  Clóvis  – EPP  diretamente  através  de  sua  conta  bancária; e  que  a  TJ  calçados  é  a  única  fornecedora  de  recursos financeiros para a José Clovis ­EPP fazer frente às despesas geradas em seu nome.  Relata  a  fiscalização  que  a  empresa  José  Clóvis  presta  serviços  exclusivamente para a TJ Calçados, conforme informações prestadas verbalmente pelo Senhor  Jamil  César  David,  sócio  desta  última,  e  confirmada  pelos  documentos  apresentados  ao  fisco; que a análise da  sua contabilidade  levou o fisco a concluir que foram criadas  receitas  fictícias e a ocultação de despesas em razão da receita bruta anual encontrar­se prestes a atingir  o limite para a permanência no Simples Nacional; que a demonstração do quadro 07 (fl. 08 do  Termo Fiscal)  indica que o  faturamento da  empresa  José Clóvis­EPP não  foi  suficiente para  fazer frente às despesas geradas em seu nome; que o comparativo entre receitas e despesas não  leva em conta outras despesas normais de funcionamento de uma empresa,  tais como água e  esgoto,  energia  elétrica,  aquisição  e manutenção  de máquinas  e  equipamentos,  aquisição  de  equipamentos e proteção para trabalhadores.  Esses  fatos  evidenciam  que  a  fiscalização,  por  meio  da  análise  dos  faturamentos e da massa salarial, revelou a distorção que transparece na falta de faturamento da  empresa  terceirizada  para  cobrir  as  despesas  inerente  às  atividades  de  uma  prestadora  de  serviços.  A questão  das  despesas  de  funcionamento  e manutenção,  reforça  o  que  até  aqui  foi  visto,  posto  que  não  foram  localizados  quaisquer  registros  de  despesas  básicas  de  funcionamento  de  uma  empresa  tais  como  água  e  esgoto,  energia  elétrica,  telefone  e  manutenção de máquinas e equipamentos;  as despesas lançadas na contabilidade da empresa  José Clóvis­EPP,  cujos gastos  se  referem quase  que exclusivamente  a despesas de pessoal  e  tributos  (salários,  férias,  rescisões,  décimo  terceiro,  FGTS,  Simples,  etc.),  e  as  despesas  de  funcionamento, tanto do prédio da TJ Calçados, quanto do prédio usado como endereço formal  da José Clovis EPP foram assumidas pelaTJ Calçados (quadro 08­fl. 09 do Termo Fiscal).  Portanto,  devem  ser  julgadas  improcedentes  as  alegações  de  defesa,  pois  a  alegação de que o fisco manipulou dados veio desacompanhada de prova.  Da  mesma  forma,  são  improcedentes  as  alegações  de  que  a  autuação  não  identifica o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e estão contabilizados na  TJ, pois é óbvio que a referência no termo fiscal se refere à sede da TJ.  Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM     10 Todos  esses  elementos,  demonstram  que  JOSÉ CLÓVIS­EPP  não  era  uma  empresa  terceirizada,  mas  apenas  uma  empresa  de  papel,  criada  para  gerar  desoneração  de  encargos previdenciários da TJ e créditos ilegítimos das contribuições não cumulativas ao PIS  E COFINS.  Reforça essa constatação o pagamento de viagens à Europa e de aquisição de  apartamento  de  luxo  efetuado  pela  TJ  CALÇADOS  para  o  a  pessoa  física  do  senhor  José  Clóvis Pereira.  A alegação da defesa de que não  se  tratou de viagem de  férias  chega a  ser  risível,  pois  é  pouco  provável  que  um  operário  encarregado  de  operações  fabris,  que  nem  sequer  pertence  formalmente  ao  quadro  de  pessoal  da  TJ  fosse  enviado  à Europa  com  tudo  pago em busca de "novidades e lançamentos".  Quanto  ao  pagamento  de  um  apartamento  de  luxo  para  uma  pessoa  física  estranha  ao  quadro  de  funcionários  da  TJ  não  foi  apresentada  nenhuma  alegação  de  defesa,  pois obviamente não há como explicar o inexplicável.  Isso  é  o  quanto  basta  para  caracterizar  que  a  JOSÉ  CLÓVIS­EPP  é  uma  empresa  que não  tem  existência  real,  existindo  apenas  no  papel  para que  a TJ CALÇADOS  pudesse  auferir  redução  de  custos  previdenciários  e  créditos  ilegítimos  das  contribuições  ao  PIS e COFINS.  A  defesa  discorre  sobre  terceirização  e  sobre  competências  da  fiscalização  federal tributária e do trabalho.  Não houve vício de incompetência na lavratura do presente auto de infração,  a teor do art. 142 do CTN e do art. 2º do Decreto nº 6.641/2008.  No  que  concerne  à  terceirização,  a  Administração  Tributária  não  condena  nem  a  terceirização  e  nem  o  planejamento  tributário,  pois  a  teor  do  art.  170  da  CF/88,  empreendedor  tem  liberdade  para  organizar  seu  negócio  de  forma  a  reduzir  seus  custos  e  maximizar seu lucro. Não é crime reduzir custos e aumentar o lucro, desde que se  respeite o  ordenamento jurídico.  No caso concreto, não haveria problema algum na criação da JOSÉ CLÓVIS­ EPP se esta empresa tivesse faturamento condizente com suas atividades, possuísse máquinas  para  prestar  seus  serviços,  custeasse  suas  despesas  e  seus  funcionários,  ou  seja,  tivesse  existência real e autônoma em relação à TJ CALÇADOS.  O  que  não  se  admite  é  a  criação  de  uma  empresa  de  papel  apenas  para  a  geração  de  benefícios  fiscais.  Isso  é  simulação.  E  simulação  é  causa  de  nulidade  dos  atos  jurídicos praticados, a teor do art. 167 do Código Civil.  Tendo  a  fiscalização  provado  a  existência  de  simulação,  foi  correto  considerar  que  os  serviços  foram  prestados  pelos  próprios  empregados  da  TJ  CALÇADOS,  fato que autoriza a desconsideração das notas fiscais e a glosa dos créditos de PIS e COFINS  pelos "serviços prestados" pela JOSÉ CLÓVIS­EPP.  No que tange à multa de 150%, está correta a sua aplicação, pois a simulação  foi engendrada com o fim de praticar a sonegação, a teor do art. 71 da Lei nº 4.502/64.  Não tem fundamento a alegação da defesa no sentido de que a legislação do  PIS  e  COFINS  não  prevê  a  qualificação  da  multa,  pois  a  Lei  nº  4.502/64  não  é  uma  lei  Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/2013­35  Acórdão n.º 3403­003.604  S3­C4T3  Fl. 11          11 específica para o  IPI. Os conceitos de sonegação,  fraude e concluio,  são aplicáveis de  forma  geral a todos os tributos federais.  No que tange à representação fiscal para fins penais, invoco o entendimento  da Súmula CARF nº 28, in verbis:  Súmula  CARF  nº  28:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Em face do exposto, não tendo o contribuinte apresentado nenhum motivo de  fato  ou  de  direito  relevante  para  elidir  as  imputações  que  lhe  foram  feitas  pela  fiscalização,  voto no sentido de negar provimento ao recurso.  Recomenda­se à autoridade administrativa da DRF ­ Franca que prossiga na  cobrança do crédito tributário em relação aos responsáveis solidários. Tal cobrança já deveria  ter sido iniciada, a teor do que determina o art. 21 do Decreto nº 70.235/72, pois em relação aos  devedores solidários o prazo de prescrição do art. 174 do CTN começou a  fluir no  trigésimo  primeiro dia posterior à data de ciência do auto de infração, conforme ARs de fls. 3808 a 3813.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                                  Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
5827577 #
Numero do processo: 10783.720897/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201501

camara_s : Primeira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10783.720897/2013-16

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5431292

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3101-000.408

nome_arquivo_s : Decisao_10783720897201316.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES

nome_arquivo_pdf_s : 10783720897201316_5431292.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015

id : 5827577

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702162374656

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 3          1 2  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10783.720897/2013­16  Recurso nº  1Voluntário  Resolução nº  3101­000.408  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  28 de janeiro de 2015  Assunto  Conversão em diligência  Recorrente  STOCKL CAFÉ INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.     Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente  Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator.    EDITADO EM: 21/02/2015   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio  Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  lavrados  para  a  cobrança  das  contribuições PIS  e Cofins não  recolhidas,  relativos ao 4ª  trimestre de 2008 e  todo o ano de  2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação  do  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  referidas  contribuições.  Os  autos  de  infração  constituem­se do valor principal das contribuições, de juros de mora e de multa qualificada de  150%, em virtude da caracterização de fraude nas operações em questão.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 89 7/ 20 13 -1 6 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/2013­16  Resolução nº  3101­000.408  S3­C1T1  Fl. 4          2 Conforme extrai­se do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 315 a 389),  o  procedimento  fiscal  teve  como  escopo  a  verificação  de  pretensos  créditos  deduzidos  dos  valores  devidos  da  contribuição  não  cumulativa  para  a  COFINS,  bem  como  utilizados  nos  pedidos  de  ressarcimento/compensação  por  meio  de  PER/DCOMP.  O  direito  creditório  apreciado  pela  autoridade  fiscal  fazem  parte  dos  processos  10783.720614/2012­47,  10783.720615/2012­91,  10783.720616/2012­36,  10783.720617/2012­81  e  10783.720613/2012­01.  Segundo  a  alegação  fiscal,  o  farto  conjunto  probatório  colhido  no  curso  das  investigações  que  antecederam  a  referida  ação  fiscal,  comprovou  que  toda  a  cadeia  de  comercialização do café passou a esquematizar­se em função do regime de não­cumulatividade  do  PIS/COFINS,  de  tal  sorte  que  as  aquisições  de  café  de  produtores  rurais/maquinistas  passaram  a  ser  guiadas  fraudulentamente  com  notas  fiscais  de  empresas  laranjas  visando  o  creditamento integral das alíquotas do PIS/COFINS.  Para  a  fiscalização,  esse  esquema  de  utilização  de  empresas  laranjas  como  intermediárias  fictícias  na  compra  de  café  de  produtores  para  obtenção  e  apropriação  dos  créditos  do  PIS/COFINS  teria  sido  descortinado  nas  investigações  da  DRF/Vitória/ES  (“Operação Tempo de Colheita”),  iniciadas  em 10/2007,  e que  resultaram posteriormente na  Operação  “Broca”,  deflagrada  em  01/06/2010,  fruto  da  parceria  entre  o  Ministério  Público  Federal, Polícia Federal e Receita Federal.  A  fiscalização  alega  que  o modus  operandi  teria  sido  descrito  detalhadamente  pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das  fictas intermediárias – empresas laranjas), bem como robustecidos pelos documentos colhidos  no decorrer das investigações e por aqueles apreendidos na Operação Broca.  A auditoria fiscal fundamentada nessas provas constatou que a STOCKL CAFÉ  lançou  mão  de  pseudo­atacadistas  para  dissimular  compras  de  café  de  pessoas  físicas  (produtores  rurais/maquinistas),  e  assim  se  apropriar  fraudulentamente  dos  créditos  da  COFINS.  Devidamente  cientificada  a  interessada  sua  impugnação,  na  qual  alegou  em  apertada síntese:   ­  A  vinculação  entre  os  Processos  Administrativos  Fiscais  n°s.  10783.720614/2012­47, 10783.720615/2012­91, 10783.720616/2012­36,  10783.720617/2012­81  e  10783.720613/2012­01,  além  do  processo  10783.720898/2013­52,  lavrado  para  a  cobrança  de  multa  regulamentar;  ­  A  inexistência  de  provas  irrefutáveis  de  que  teria  atuado  de  modo  dissimulado, adquirindo produtos de pessoas jurídicas irregulares à luz  do ordenamento jurídico;  ­  Que  a  autoridade  fiscal  não  traz  nenhuma  prova  de  seu  efetivo  envolvimento  com  as  pessoas  jurídicas  que  alcunhou  de  "pseudo­ atacadistas"  e  "empresas  de  fachada",  mas  apenas  reutiliza  generalizações sobre o funcionamento do mercado cafeeiro, colhidas ao  longo das investigações das Operações "Tempo de Colheita" e "Broca";  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/2013­16  Resolução nº  3101­000.408  S3­C1T1  Fl. 5          3 ­ Que  não  sabia  de  qualquer  artifício  utilizado  na  comercialização  de  café,  nem  mesmo  foi  omissa  em  relação  à  existência  de  empresas  supostamente fictícias, alegando sua boa fé.  A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no  Rio de Janeiro  I, por unanimidade de votos,  julgou  improcedente a  impugnação, mantendo o  crédito tributário exigido. O acórdão 12­64.195 foi assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato  gerador:  31/10/2009,  30/11/2009,  31/12/2009  FRAUDE.  DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO.  Comprovada  a  existência  de  simulação/dissimulação  por  meio  de  interposta  pessoa,  com  o  fim  exclusivo  de  afastar  o  pagamento  da  contribuição  devida,  é  de  se  glosar  os  créditos  decorrentes  dos  expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos.  USO  DE  INTERPOSTA  PESSOA.  INEXISTÊNCIA  DE  FINALIDADE  COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO.  Negócios  efetuados  com  pessoas  jurídicas,  artificialmente  criadas  e  intencionalmente  interpostas  na  cadeia  produtiva,  sem  qualquer  finalidade  comercial,  visando  reduzir  a  carga  tributária,  além  de  simular  negócios  inexistentes  para  dissimular  negócios  de  fato  existentes,  constituem  dano  ao  Erário  e  fraude  contra  a  Fazenda  Pública,  rejeitando­se  peremptoriamente  qualquer  eufemismo  de  planejamento tributário.   MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.  A multa de ofício qualificada deve  ser aplicada quando ocorre prática  reiterada,  consistente de ato destinado a  iludir a Administração Fiscal  quanto  aos  efeitos  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária, mormente  em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Data  do  fato  gerador:  31/10/2009,  30/11/2009,  31/12/2009  PROCESSO  ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA.  A prova documental deve  ser apresentada na  impugnação, precluído o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  exceto  quando justificado por motivo legalmente previsto.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso  voluntário, onde reprisa em sua totalidade os argumentos esgrimidos na impugnação, e requer  o  provimento  de  seu  recurso  para  reformar  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/2013­16  Resolução nº  3101­000.408  S3­C1T1  Fl. 6          4 Julgamento no Rio de  Janeiro  I,  promovendo­se o  cancelamento dos  lançamentos  tributários  correspondentes.  A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão  julgador de segunda instância.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator.  Conforme  acima  relatado,  o  auto  de  infração  lavrado  decorre  da  não  homologação de parte das DCOMP’s e do indeferimento parcial dos ressarcimentos pleiteados  pela  Recorrente,  em  função  de  sua  alegada  participação  no  esquema  de  interpostas  pessoas  criadas para dissimular aquisições de café de pessoas físicas.  O direito creditório apreciado pela autoridade fiscal  fazem parte dos processos  10783.720614/2012­47, 10783.720615/2012­91, 10783.720616/2012­36, 10783.720617/2012­ 81  e  10783.720613/2012­01,  que  ainda  se  encontram  pendentes  de  decisão  administrativa  definitiva.  Desta forma, tendo em vista a vinculação entre os processos, deve­se aguardar o  resultado  definitivo  dos  processos  10783.720615/2012­91,  10783.720616/2012­36,  10783.720617/2012­81 e 10783.720613/2012­01, para o devido retorno do presente processo,  para julgamento.  Voto  pela  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência,  com  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem,  para  aguardar  o  resultado  definitivo  dos  processos  10783.720614/2012­47, 10783.720615/2012­91, 10783.720616/2012­36, 10783.720617/2012­ 81 e 10783.720613/2012­01, anexando aos presentes autos, cópia das decisões definitivas dos  processos acima referidos.  Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento.  Sala das sessões, em 28 de janeiro de 2015.  [Assinado digitalmente]   Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator    Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

score : 1.0
5863791 #
Numero do processo: 11516.001692/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1301-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 11516.001692/2010-08

anomes_publicacao_s : 201503

conteudo_id_s : 5442394

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1301-001.795

nome_arquivo_s : Decisao_11516001692201008.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 11516001692201008_5442394.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015

id : 5863791

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:15 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702168666112

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.001692/2010­08  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.795  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de março de 2015  Matéria  SIMPLES  Recorrente  MADEIREIRA MENEGAZ LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2006  NULIDADE.  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA.  NÃO  OCORRÊNCIA.  Não demonstrados nos autos umas das possibilidade de decretação contidas  no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF.   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram  origem  restem  incomprovadas  presumem­se  advindos  de  transações  realizadas à margem da contabilidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar  provimento ao recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo  Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 16 92 /2 01 0- 08 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR   2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior  Relator  Participaram do  julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson  Fernandes Guimarães,  Paulo  Jakson  da  Silva Lucas, Valmir  Sandri,  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.        Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identifica,  contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ em Porto Alegr/RS.  Segundo  depreende­se  pela  análise  do  presente  processo  administrativo  em  desfavor da ora recorrente foram efetivados lançamento de ofício pertinente a fatos geradores  ocorridos em 2006, na modalidade do Simples.  Verifica­se  ainda  a  recorrente  foi  intimada  a  apresentar  o  Livro  Caixa  ou  Livro Diário e Razão, Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de  Apuração  do  ICMS,  extratos  de  contas  bancárias  e  de  aplicações  financeiras,  todos  os  comprovantes das receitas, custos e despesas, assim como cópias de ações judiciais relativas a  tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  ­ RFB,  todos relativos ao  ano­calendário  de  2006.  O  interessado  disponibilizou  parte  da  documentação  solicitada,  juntamente  com  cópias  dos  extratos  bancários  da  CEF,  SAFRA  e  BRADESCO.  De  posse  destes  extratos,  a  Fiscalização  intimou  a  empresa  a  esclarecer  a  origem  dos  recursos  que  ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representavam volume de recursos muito  superiores às suas receitas declaradas.  Anoutou­se  que  a  recorrente  respondeu  que  em  função  do  exíguo  tempo  concedido  para  o  cumprimento  da  solicitação,  faria  um  esclarecimento  por  amostragem,  considerando  o mês  de  junho/2006.  Resultou  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  o  esclarecimento relativo ao valor de R$ 26.581,12, referente a transferência entre contas, ambas  mantidas  na  CEF.  Quanto  a  alegação  de  que  alguns  valores  representavam  descontos  de  cheques  pré­datados,  considerou  a  Fiscalização  que  isto  somente  indicava  uma  possível  mudança de mês em relação ao fato gerador, não tendo sido comprovado que aqueles valores  teriam origem diversa da atividade econômica da empresa.  Informou a contribuinte, no decorrer da ação fiscal, que seu faturamento real  é diverso do faturamento bruto, uma vez que o seu negócio envolve a contratação de serviços  de terceiros e compra de materiais.  Após  a  retirada  dos  valores  justificados  pelo  contribuinte  e  que  não  se  constituíam em receitas da atividade da empresa, ainda resultaram diferenças entre os valores  efetivamente  ingressados  em suas  contas  correntes  (R$ 4.561.728,50)  e aqueles declarados  à  Receita Federal (R$ 186.033,32), que representariam receitas omitidas.  Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/2010­08  Acórdão n.º 1301­001.795  S1­C3T1  Fl. 3          3 Constatou  a  Fiscalização  que  a  receita  auferida  pela  empresa,  em  2006,  ultrapassou  o  limite  legal  permitido  para  o  enquadramento  na  sistemática  do  Simples,  foi  formalizada  a  Representação  Fiscal  solicitando  à  autoridade  competente  sua  exclusão  desta  sistemática simplificada de tributação a partir de 01/01/2007. A formalização da exclusão deu­ se pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 68 de 21/05/2010 (fls. 602).  O  lançamento  de  ofício  relativo  ao  ano­calendário  de  2006  está  consubstanciado  nos  autos  de  infração  –  Simples  (fls.  632  ­  676),  acrescido  de  multa  proporcional e juros de mora.  A  ciência  pessoal  do  ADE DRF/FNS  nº  68/2010  e  dos  Autos  de  Infração  ocorreu  em  10/06/2010,  e  recorrente  apresentou  Impugnação  (fls.  699/722),  alegando  em  síntese que opera no ramo de comércio e beneficiamento de madeiras. Em decorrência de sua  atividade, faz a intermediação de construção de casas e outras edificações e que o Fisco busca a  exigência  do  crédito  tributário  sem  investigar  sequer  fatores  outros  exteriores  de  riqueza,  usando somente os extratos bancários como base para fazer incidir tributos federais.  Aduziu que forneceu alguns documentos que comprovavam a movimentação  bancária,  conforme  requerido.  Numa  aparente  atitude  inesperada,  o  fisco  decidiu  afastar  os  argumentos  apresentados,  alegando  insuficiência  de  esclarecimentos  e  realizou o  lançamento  fiscal,  desprezando  que  o  período  fiscalizado  se  refere  ao  ano  de  2006  e  eram  inúmeros  os  pontos  a  serem  esclarecidos  mediante  análise  dos  extratos  bancários.  Desta  forma,  caracterizado o cerceamento ao direito de defesa a que faz jus, caberá ser decretada a nulidade  da combatida notificação fiscal.  Mencionou que embora tenha requerido cópia do presente processo logo após  intimada,  só  teve  acesso  ao  mesmo  após  dez  dias,  restando  vinte  dias  para  juntada  de  documentos imprescindíveis ao deslinde da presente demanda administrativa e que não é todo  ingresso de receita que poderá ser considerado como renda tributável para fins de imposto de  renda,  nem  toda  receita  ou  faturamento  será  alvo  de  tributação  pelo  PIS  e  COFINS,  por  exemplo.  Defende  que  o  fato  é  que  o  conceito  constitucional  de  renda  tem  sido  traduzido por acréscimo patrimonial. Em que pese o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 admitir a  utilização  das  movimentações  bancárias  como  “omissão  de  receita”,  tal  fato  não  legitima  a  incidência  tributária,  uma vez que caberá  ao  fisco  investigar  sua origem para  somente  então  proceder ao correto enquadramento da hipótese de incidência prevista na legislação tributária, e  que se  traduziria  em pessoa  jurídica cuja organização é  extremamente  rudimentar e  familiar,  sendo  grande  parte  de  sua  atividade  voltada  à  intermediação  na  construção  de  casas.  Desta  forma, permitia que  ingressasse em suas contas correntes  inúmeros valores que, em verdade,  não lhe pertenciam. Alega que a lei não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples  dos depósitos bancários, citando a Súmula 182 do TRF.  Insistiu na impossibilidade de tributação sobre ingressos de valores em contas  correntes  com  posterior  estorno  diante  de  cheques  devolvidos  –  transferência  entre  contas  bancárias  da  mesma  titularidade  da  requerente  –  de  dupla  apresentação  de  cheques  –  de  devolução  de  cheques  da  própria  requerente  (consolidados  no DOC.  04  ­  fls.  830/831)  –  de  operações  de  créditos  (DOC.  09):  estas  situações,  com  exceção  de  operações  de  créditos,  somadas  atingem  o montante  de R$  1.219.346,07,  valores  estes  que  foram  considerados  no  momento  da  autuação  como  renda,  receita  ou  faturamento  da  empresa.  O  DOC.  09  ­  fls.  1150/1151  comprovaria  que  ingressaram  valores  em  sua  conta  bancária  originados  de  Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR   4 operações  de  crédito,  ou melhor,  empréstimo  que  não  constituem  faturamento  da  empresa  e  nem rendimentos tributáveis.  Requereu  fosse  afastado  o  lançamento  tributário  diante da  comprovação  da  ilegalidade  de  contemplar  valores  não  previstos  na  hipótese  de  incidência  dos  tributos  pretendidos  e  que  circularam  em  contas  de  sua  titularidade  e  defendeu  a  impossibilidade  de  tributação  sobre  os  valores  de  terceiros  que  circulavam  em  suas  contas  bancárias,  eis  que  juridicamente não lhe pertencem, já no exercício de suas atividades empresariais, intermediava  a construção de casas além de outras edificações, para que no ato da aquisição das madeiras e  artefatos de construção, seus clientes pudessem contar com o almejado apoio para o alcance de  seus objetivos. Tal prática trazia comodidade ao cliente e possibilidade de incremento de suas  vendas.  Sendo  assim,  contratava  pelo  preço  global  (venda  de  madeiras,  outros  artefatos  e  intermediação  na  contratação  de  mão­de­obra)  e  todos  os  valores,  mesmo  que  de  terceiros,  circulavam em suas contas bancárias, e que tudo era feito de modo muito simples, não havendo  preocupação com a forma documental e fiscal das atividades. No verso de cada contrato estava  consignado que além da compra de materiais, estava também o cliente comprando a mão­de­ obra da montagem da casa.  Reputou  que  a  multa  aplicada  de  75%  pela  suposta  insuficiência  de  recolhimentos, e de 150% por suposta omissão de rendimentos, indicariam dupla penalidade, o  que é ilegal e que não bastasse isso, o parágrafo 2º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece  o  limite de 20% para fins de multa moratória. Requer, então, a adequação da multa aplicada  aos limites legais, qual seja, 20% (vinte por cento), defendeu ainda a inconstitucionalidade da  taxa SELIC.  Requereu a suspensão dos efeitos do ato declaratório que exclui a empresa do  Simples Nacional, até decisão definitiva final do presente recurso administrativo, na forma do  parágrafo  3º  do  artigo  15  da  Lei  nº  9.317/1996;  e  13­  ao  final  requer  (a)  seja  decretada  a  invalidade  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FNS  n°  68/2010,  permanecendo  no  regime  fiscal  diferenciado  —  SIMPLES  e  na  hipótese  de  manutenção  da  exclusão  seja  revisto  o  lançamento  tributário  para  autorizar  o  recolhimento  dos  valores  em  atraso  relativos  ao  exercício de 2006 pela apuração com base no Lucro Presumido, diante da regra constitucional  de tratamento diferenciado e favorecido para as empresas de pequeno porte, alínea d, inciso III,  do artigo 146 da Constituição Federal.  Diante da justificativa apresentada pelo contribuinte – item 7, acompanhada  de documentos comprobatórios, o processo retornou à Delegacia de origem para manifestação,  determinando o julgador, caso fossem aceitos os argumentos do contribuinte, se recalculasse os  Autos  de  Infração.  Conforme  Informação  de  fls.  1259/1260,  da  análise  dos  documentos  acostados aos autos às fls. 833/1149, concluiu o Fiscal que em relação aos cheques devolvidos  e valores transferidos das contas correntes mantidas pelo contribuinte junto à CEF, Bradesco e  SAFRA, efetivamente não representavam receitas da atividade da empresa. Desta forma, foram  excluídos R$ 1.219.346,07 no total de “ingressos bancários decorrentes da atividade”, e o valor  considerado para a constituição dos créditos tributários, relativos à receita da atividade omitida,  que anteriormente era de R$ 4.375.695,18, passa a ser de R$ 3.156.349,11.  Com  relação  a  eventuais  ingressos  de  recursos  vinculados  à  operação  de  crédito  (fls.  1.151),  informa  a  fiscalização  que  não  foi  possível  estabelecer  vínculo  com  quaisquer dos valores listados, não havendo nenhuma retificação a ser feita.        O contribuinte foi cientificado da Informação Fiscal, resultado da Diligência,  em 04/11/2013 (fls. 1261) e, em 22/11/2013 vem novamente ao processo, ratificando os termos  já defendidos nos autos, enfatizando que os valores de terceiros prestadores de serviços, pessoa  Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/2010­08  Acórdão n.º 1301­001.795  S1­C3T1  Fl. 4          5 física  ou  jurídica,  que  ingressam  no  caixa  da  empresa  e  posteriormente  são  destinados  aos  mesmos, não podem servir de base de cálculo para  lançamento dos  tributos pretendidos pelo  fisco, eis que juridicamente não lhe pertencem.   A 6ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, nos  termos do acórdão e voto de  folhas  1.274  em  diante,  julgou  o  lançamento  parcialmente  procedente.  No  início  do  enfretamento já se afastou as alegações de nulidade.  No mais, refutou a alegação do contribuinte de que era empresa rudimentar,  relembrando o quadro normativo que  impõe a guarde e escrituração dos  livros. No  tocante à  alegada  intermediação  e  construção  de  casas,  o  que  justificaria  a  movimentação  bancária,  entendeu a decisão recorrida que tendo optado pelo SIMPLES a apuração do lucro é substituída  por percentual sob o faturamento, o que afastaria o argumento da contribuinte.  Quanto ao mérito, consistente em autuação por omissão de receitas apurada  com base em presunção legal, aludiu­se ao disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, mantendo­ se a exigência ante a falta de comprovação da origem. Salientou a aplicabilidade da taxa Selic.  Relativamente  à  exclusão  do  SIMPLES,  ponderou  a  decisão  recorrida  que  tendo o  contribuinte  alegado que  os  valores  levantados  pelo  fisco  não  representavam  receita  omitida, mas não comprovado tal fato, o total de suas receitas, de acordo com a movimentação  bancária  em  2006  foi  superior  ao  permitido  para  optar  pelo  Simples  em  2007.  Da  mesma  forma, como os demais argumentos trazidos por ele também foram desconsiderados, como já  demonstrado, devem ser mantidos os Autos de Infração, confirmando­se a exclusão do Simples  a partir do exercício seguinte ao da constatação dessa ocorrência, ou seja, 01/01/2007.  Devidamente  cientificada  (fl.  1.382)  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário (fls. 1.383 em diante), aduzindo a nulidade do auto de infração, defendendo que não  seria possível a exigência tributária com base apenas na sua movimentação bancária, aludindo  à Súmula 182 do extinto TFR.  No  tocante  à  comprovação  da  origem  dos  valores  movimentados  em  sua  conta  bancária,  arrazoou  a  contribuinte  que  após  a  autuação  ficou  sabendo  que  o  irmão  dos  sócios,  de  forma  irregular  e  inadvertida,  utilizava  as  contas  bancárias  da  recorrente  para  a  prática de agiotagem.  No mais, reiterou os argumentos já relatados e pugnou por provimento.  É o relatório.  Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR   6   Voto             Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator.  O  Recurso  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  de  recorribilidade.  Admito­o para julgamento.  A  questão  trazia  aos  autos  se  relaciona  à  omissão  de  receitas  apurada  mediante a verificação de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê­lo, o contribuinte  não  teria  comprovado,  desencadeando  assim,  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  e  a  exclusão  do  SIMPLES,  porquanto  prevalente  a  exigência,  ultrapassou­se  o  limite  de  permanência no citado regime.  Em alegação preliminar, aduz a contribuinte que os autos de infração seriam  nulos porque a Notificação Fiscal não cumpriria os requisitos formais para sua efetivação, eis  que os autos de infração necessitariam ser embasados por elementos de prova, o que não teria  se dado nos autos, já que a exigência se fundou apenas em depósitos bancários.  Em verdade  a alegação preliminar da contribuinte muito mais  se assemelha  ao  próprio  mérito  do  seu  inconformismo,  porquanto  de  igual  forma  sustenta  ser  inviável  o  lançamento com base em “mera presunção”. Todavia, cuidando de alegação de nulidade, como  bem se sabe, sua decretação está adstrita à ocorrência de ao menos uma das hipóteses fixadas  no  artigo  59,  do  Decreto  nº  70.235/72,  o  que  não  se  vê  na  espécie.  Diante  disso,  rejeito  a  preliminar de nulidade, já que não se cuida de cerceamento ao direito de defesa, tampouco de  incompetência da autoridade administrativa que executou o ato.  Quanto  ao mérito,  e  a  possibilidade  de  tributação  com  base  em  presunção  legal  fixada na  legislação de regência,  importa consignar que a despeito do que argumenta a  contribuinte, relativamente à impossibilidade de o lançamento se fundar em “mera presunção”,  que  a matriz  sobre  a  qual  repousa  a  autuação,  consistente  no  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/96,  permite  a  presunção  de  receita  omitida,  em  relação  aos  valores mantidos  em  conta  bancária  cuja origem, intimado a fazê­lo, o contribuinte não comprova.  Portanto, convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários  por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como  já registrado acima,  também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº  9.430/96 consagrador de que  caracterizam­se como omissão de  receita ou de  rendimento,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não  comprove  mediante  documentação  hábil  e  idônea  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Na  espécie,  a  fiscalização  intimou  a  comprovar  a  origem  dos  recursos  depositados  em  suas  contas­correntes,  remanescendo  ao  fim,  não  comprovada  a  origem  e  a  necessária tributação dos valores.  Tem­se,  portanto,  perfeita  subsunção  das  circunstâncias  fáticas  à  abstrata  previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação  não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com  a  ausência  de  comprovação,  por  documentação  hábil  e  idônea,  da  origem  da  indigitada  Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11516.001692/2010­08  Acórdão n.º 1301­001.795  S1­C3T1  Fl. 5          7 movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu  receita.  Para  infirmar  os  trabalhos  fiscalizatórios,  portanto,  cumpria  aos  recorrentes  afastar  o  motivo  pelo  qual  se  implementou  a  presunção,  que  como  visto  no  parágrafo  precedente,  não  era  a  existência  dos  depósitos  ou  sua  natureza  jurídica  incompatível  com  a  definição  de  receita,  consistindo  sim,  na  prova  documental  das  origens  de  tais  depósitos  e  a  consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável.  Quanto  às  justificativas  apresentadas  pela  contribuinte,  mesmo  aquela  relacionada  à  suposta prática de agiotagem em suas  contas,  à  sua  revelia,  importa  esclarecer  que  estão  desacompanhadas  de  provas  que  permitam  identificar  e  assim  individualizar  seus  montantes.  Ademais,  como  bem  lembrou  a  decisão  recorrida  tendo  optado  pelo  Simples,  a  apuração do lucro é substituída pela aplicação de percentual sobre a totalidade da receita bruta,  sendo assim desprezadas todas as suas despesas.  Assente­se  ainda  que  em  relação  a  alegações  do  contribuinte  de  que  ocorreram  ingressos  de  recursos  vinculados  à  operação  de  crédito,  já  afirmou  a  decisão  recorrida e a fiscalização, com acerto, que não foi possível estabelecer vínculo com quaisquer  dos valores listados.  Ausente  qualquer  justificativa  quanto  à  origem  dos  depósitos  considerados  pela  Fiscalização,  está  incidir  na  espécie  a  presunção  legal  versada  no  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado,  por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado  até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira­ se:  Súmula  CARF nº  26:  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04­ 00.157, de 13/12/2005.  Por  essas  razões,  consideram­se  hígidas  e  suficientes  as  imputações  realizadas  pela  Fiscalização,  amparadas  em  presunção  disposta  na  legislação  de  regência,  considerando­se  suficientemente  demonstrada  a  materialidade  tributável  apontada  e  reconhecida pela decisão recorrida.   Quanto  à  alegada  abusividade  da  multa,  aplicada  no  patamar  de  75%,  impende  considerar  que  consoante  a  Súmula  CARF  nº  02,  falece  competência  à  esfera  administrativa para se pronunciar acerca da constitucionalidade de lei, de sorte que subsiste a  multa aplicada, porquanto lançada em patamar mínimo e com fundamento legal válido.  No  que  toca  à  utilização  da  Taxa  Selic,  somado  ao  fundamento  acima  mencionado, aplica­se a Súmula CARF 04.  Em  vista  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  as  preliminares  e  negar provimento ao Recurso Voluntário.    Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR   8   Sala das Sessões, em 04 de março de 2015.  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.                              Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR

score : 1.0
5894621 #
Numero do processo: 16004.001345/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO. O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1301-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO. O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa movimentação bancária, apurada em contas bancárias de interposta pessoa. No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade fiscal, não dispondo de elementos confiáveis para adotar o regime de tributação adotado pela contribuinte fiscalizada, agiu bem ao promover o arbitramento do lucro. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A alegação de que a tributação se deu de forma duplicada, haja vista a identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que sejam aportados ao processo elementos capazes de tornar indubitável a conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de ofício teve por lastro a movimentação em contas bancárias de interposta pessoa. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Em conformidade com a Súmula CARF nº 34, nos lançamentos em que se apura omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Responsabilidade Tributária a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 16004.001345/2010-61

anomes_publicacao_s : 201504

conteudo_id_s : 5455048

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1301-001.817

nome_arquivo_s : Decisao_16004001345201061.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES

nome_arquivo_pdf_s : 16004001345201061_5455048.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo realtor. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015

id : 5894621

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702177054720

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 5.755          1 5.754  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.001345/2010­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.817  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  IRPJ ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  NOROESTE AUTO PEÇAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007  Ementa:  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  ARGUIÇÃO.  IMPROCEDÊNCIA.  Ausente  fundamentação  robusta  capaz  de  demonstrar  que  o  ato  decisório  prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento  do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade.   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.  A  partir  da  edição  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  caracterizam­se  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO.  O  ordenamento  jurídico  vigente  autoriza  à  Administração  Tributária,  observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar  nº  105,  de  2001,  e  Decreto  nº  3.724,  também  de  2001),  acessar  e  usar  as  informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.  ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.  Não é merecedora de credibilidade a escrituração que deixa de refletir vultosa  movimentação  bancária,  apurada  em  contas  bancárias  de  interposta  pessoa.  No caso vertente, os créditos bancários não contabilizados representam mais  de setenta e cinco por cento da receita declarada, de modo que a autoridade  fiscal,  não  dispondo  de  elementos  confiáveis  para  adotar  o  regime  de  tributação  adotado  pela  contribuinte  fiscalizada,  agiu  bem  ao  promover  o  arbitramento do lucro.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 45 /2 01 0- 61 Fl. 5760DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.756          2 DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  A  alegação  de  que  a  tributação  se  deu  de  forma  duplicada,  haja  vista  a  identidade entre a matéria declarada e a que foi apurada de ofício, exige que  sejam  aportados  ao  processo  elementos  capazes  de  tornar  indubitável  a  conclusão, mormente na circunstância em que a receita omitida tributada de  ofício  teve  por  lastro  a  movimentação  em  contas  bancárias  de  interposta  pessoa.  MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA.  Em conformidade  com a Súmula CARF nº 34, nos  lançamentos  em que  se  apura  omissão  de  receita,  decorrente de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a  movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE.  Cabe  ao  sócio  indicado  no  Termo  de  Responsabilidade  Tributária  a  apresentação,  em  seu  nome,  dos  argumentos  de  defesa,  revelando  ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito.  PRECLUSÃO.  À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação  que  lhe  foi  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997,  a matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada, considerar­se­á não  impugnada. Decorre daí que,  não  tendo  sido  objeto  de  impugnação,  carece  competência  à  autoridade  de  segunda  instância  para  dela  tomar  conhecimento  em  sede  de  recurso  voluntário.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do  relatório e voto proferidos pelo realtor.  “documento assinado digitalmente”  Adriana Gomes Rêgo    Presidente  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães  Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo,  Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 5761DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.757          3 Relatório  NOROESTE AUTO PEÇAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos,  inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em  Ribeirão  Preto,  São  Paulo,  que  manteve,  na  íntegra,  os  lançamentos  tributários  efetivados,  interpõe  recurso  a  este  colegiado  administrativo  objetivando  a  reforma  da  decisão  em  referência.   Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e  reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL, Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS),  relativas  ao  ano­calendário  de  2006,  formalizadas  a  partir  da  constatação  de  omissão  de  receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.  O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido foram determinados por meio do arbitramento do lucro, vez que a escrituração mantida  pela contribuinte foi considerada pela Fiscalização como imprestável para apuração das bases  de cálculo correspondentes.  Transcrevo,  a  seguir,  relato  feito  em  primeira  instância  acerca  dos  fatos  apurados e das razões de defesa apresentadas pela contribuinte em sede de impugnação.  ...  Consta  no  processo  que  a  fiscalização  teve  início  para  verificar  a  movimentação financeira de Walter Nicoletti, que, sendo  intimado, não apresentou  os  extratos  bancários, motivo  pelo  qual  foi  expedida  a  Requisição  de  Informação  sobre Movimentação Financeira  (RMF). Analisando os  citados  extratos  bancários,  verificou­se  a  necessidade  de  circularizar  alguns  remetentes  e  destinatários  de  recursos movimentados nas  contas bancárias de Walter Nicoletti  (Banco do Brasil  S/A  e  Nossa  Caixa  S/A),  ficando  evidente  que  elas  eram  utilizadas  por  Denilson  César  Marzocchi  para  movimentar  recursos  da  Noroeste,  da  qual  Denilson  era  proprietário.  Novamente intimado, Walter Nicoletti confirmou ter dado procuração para o  Sr.  Denilson  movimentar  suas  contas  bancárias.  Sendo  intimado,  Denilson  César  Marzocchi informou que "durante o ano de 2006 foram realizadas  transações nas  referidas contas correntes, podendo ser os recursos de minha responsabilidade nos  negócios gerados".  Tendo  sido  constatada,  principalmente  por  meio  da  circularização  entre  débitos e créditos das contas de Walter Nicoletti, que a movimentação financeira é  da Noroeste de propriedade de Denílson César Marzocchi, foi aberta fiscalização em  nome  da  citada  empresa,  a  qual  foi  intimada  a  comprovar  a  origem  dos  recursos  depositados nas  contas bancárias,  bem assim a  apresentar os  livros Diário, Razão,  documentos que deram origem aos lançamentos e Lalur.  Referidos livros foram apresentados, no entanto, não foi comprovada a origem  dos  valores  depositados  nas  contas  correntes  de  Walter  Nicoletti,  sendo  a  contribuinte  novamente  intimada  a  fazer  essa  comprovação  e  a  apresentar  nova  Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.758          4 escrituração contábil, juntamente com os documentos que dariam origem a ela. Em  resposta, a contribuinte afirmou que "a origem da movimentação financeira, objeto  da intimação, é dos negócios próprios da empresa".  A fiscalização constatou que os recursos movimentados nas contas de Walter  Nicoletti  não  foram  escriturados  pela Noroeste  e  representam  78,17%  do  total  da  movimentação  financeira  efetivamente  escriturada,  o  que  torna  a  escrita  fiscal  imprestável para determinar o lucro real, sendo arbitrado o lucro da empresa.  Foi  lavrado  o Termo de Sujeição Passiva Solidária  contra  o  sócio Denílson  César Marzocchi, conforme se vê às fls. 1727/1728.  Notificada  do  lançamento,  a  contribuinte,  representada  pelo  sócio  Denílson  César Marzocchi  (fls.  1807  a  1811,  1836/1837),  ingressou  com  a  impugnação  de  fls.1815 a 1835, alegando:  ­ Nulidade do lançamento. A fiscalização cometeu falha grave ao identificar a  matéria  tributável  e  efetuar  a  tributação  com  base  na  movimentação  bancária  de  origem  não  comprovada,  quando  ficou  comprovado  que  a  origem  dos  depósitos  eram  as  operações  normais  da  empresa,  da  comercialização  de  suas  mercadorias.  Não existe lugar, nesse caso, para a presunção fundada no art. 42 da Lei n° 9.430, de  1996;  ­  Os  créditos/depósitos  extraídos  dos  extratos  bancários  e  resumidos  nas  planilhas,  identificados  com  a  rubrica  "cobrança",  uma  vez  reconhecidos  como  operação comercial da empresa Noroeste, não podem e não devem ser taxados como  "presunção" de omissão de receita. Vide, por exemplo, o valor de R$ 23.799,60 no  extrato à fl. 372 e na planilha de fl. 1690;  ­  Ilegalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário. O  auto  de  infração  é  nulo,  pois  houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que torna ilícita a prova  daí decorrente;  ­  A  fiscalização  valeu­se,  para  determinação  da  matéria  tributável,  da  movimentação  financeira  da  pessoa  física  de Walter Nicoletti,  em  total  afronta  ao  Código Tributário Nacional  (CTN), art. 43, e art. 153,  III, da Constituição Federal  (CF). A movimentação bancária não caracteriza rendimento auferido, sendo que um  mesmo  valor  pode  circular  por  meio  de  reiteradas  operações  de  depósitos,  transferências  e  saques  sem  que,  necessariamente,  tenha  ocorrido  o  acréscimo  patrimonial;  ­  O  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  deve  ser  interpretado  de  forma  sistemática  com  a  regra  do  art.  43  do  CTN,  sob  pena  de  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  hierarquia  das  leis. A  única  interpretação  do  citado  art.  42  é  no  sentido  de  que  o  depósito  bancário  seja  considerado  indício  de  receita  auferida,  cabendo ao Fisco a tarefa de desenvolver a fiscalização, apurando outros elementos  seguros (aquisição de bens, variação patrimonial em geral, etc.) com vistas à efetiva  identificação do fato gerador do tributo. A presunção de renda estabelecida por uma  lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que tem  força de lei complementar;  ­  Não  existe  motivo  suficiente  para  que  a  sua  escrituração  seja  declarada  imprestável.  Todos  os  documentos  fiscais  e  todos  os  livros  fiscais  e  contábeis  solicitados foram apresentados e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis  comerciais  e  fiscais,  tendo  sido  elaboradas  as  demonstrações  financeiras.  A  Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.759          5 fiscalização  conhecia  a  receita  bruta,  por  meio  das  Gias  de  ICMS,  tanto  que  se  utilizou desses valores, não havendo razão para o arbitramento;  ­ Ocorreu duplicidade na apuração da matéria a tributar: os valores apurados  pela fiscalização retratados no item 01 do auto de  infração estão incluídos no item  02.  Os  autuantes  concluíram  que  a  receita  bruta  do  período  é  a  soma  da  receita  declarada e da presunção de omissão de receitas oriundas dos depósitos bancários;  ­ Não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de  Infração o  motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa. Para a exigência da multa  de 150% deve ficar comprovado o intuito de fraudar, o que não ocorreu no presente  processo, pois atendeu às intimações da fiscalização e a alegada imprestabilidade de  sua escrituração contábil ocasionou o arbitramento do lucro;  ­  Não  há  legitimidade  para  o  enquadramento  do  sócio  Denílson  César  Marzocchi como responsável pelo crédito tributário, com fundamento no art. 124 do  CTN,  uma  vez  que  essa  tipificação  legal  presta­se  tão­somente  para  atribuir  responsabilidade a terceiros interessado no fato gerador e não aos seus sócios. Não  há como imputar ao sócio da empresa o dever de recolher tributos da sociedade sem  que haja comprovação de fraude ou outras práticas previstas nos arts. 135 e 137 do  CTN;  ­  Os  autuantes  não  apontam  qualquer  fato  concreto  que  embasaria  o  redirecionamento da autuação fiscal ao sócio da empresa, aduzindo apenas que não  resta  dúvida  do  total  envolvimento  do  sócio  Denílson  César  Marzocchi  nesse  esquema  para  tirar  proveito  dos  recursos  financeiros  correspondentes  aos  tributos  sonegados;  ­ A  simples  falta  de  recolhimento  de  tributo  não  tem  o  condão  de  firmar  a  responsabilidade pessoal do administrador pelo crédito tributário, mas tão­somente a  sua responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN, ou seja,  sobrevindo a liquidação da sociedade, se a falta de recolhimento do tributo constitui  omissão imputável ao dirigente.  A  já  citada  3a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº.  14­33.382, de 19 de abril de 2011, pela procedência dos lançamentos.  O referido julgado restou assim ementado:  DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de  depósito  mantidas  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção  legal  tem o condão de  inverter o ônus da prova,  transferindo­o  para a contribuinte, que pode refutá­la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  ESCRITURAÇÃO.  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA.  Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.760          6 A  escrituração  que  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para  identificar  a  efetiva movimentação financeira,  inclusive bancária,  ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro.  NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  quando  observados  os  requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos  processuais  pelo  acusado  e  o  seu  direito  de  resposta ou  de  reação  se  encontraram  plenamente assegurados.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Aplica­se à  tributação reflexa  idêntica solução dada ao  lançamento principal  em face da estreita relação de causa e efeito.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  EXCLUSÃO DE  PESSOA.  FALTA  DE COMPETÊNCIA.  Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da  exclusão de pessoa  arrolada  como  responsável  solidária pelos  tributos  exigidos da  contribuinte.  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas  em  absoluta  observância  das  normas  de  regência  e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária prévia autorização judicial.  MULTA QUALIFICADA.  Caracterizado  o  intuito  de  fraudar  o  Fisco,  correta  a  aplicação  da multa  no  percentual de 150%.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  apreciar  arguição  de  inconstitucionalidade de lei.  Irresignada, a contribuinte apresentou  recurso voluntário, por meio do qual,  afirmando  que  a  decisão  recorrida  se  ateve  a  repetir  as  conclusões  trazidas  aos  autos  pela  Fiscalização, renovou parte dos argumentos expendidos na peça impugnatória e aditou outros.  Nesse sentido, sustentou a Recorrente:  ­ que a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente;  ­ que, se a Fiscalização concluiu que há omissão de receita, é imperioso que  sejam levados ao processo todos os elementos e todas as provas que servem de suporte para o  lançamento;  ­  que,  pela  ausência  da  busca  da  verdade  material  e  falta  de  motivação,  a  decisão de primeira instância é nula;  Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.761          7 ­ que, por disposição legal, o ônus da prova que embasou o lançamento é da  autoridade lançadora, e não do contribuinte;  ­  que  a  Fiscalização  sequer  se  empenhou  no  sentido  do  aproveitamento  da  escrituração  contábil,  simplesmente  abandonou  e  partiu  para  o  caminho mais  fácil,  que  é  o  arbitramento de lucros;  ­  que  não  existe  motivo  suficiente  para  que  a  escrituração  contábil  seja  declarada como imprestável;  ­  que  a  decisão  da  recorrida  sequer  se  pronunciou  sobre  a  duplicidade  de  tributação aplicada pelo Fisco;  ­ que os valores apurados pela fiscalização retratadas no item 001 do auto de  infração  estão  incluídos  no  item  002,  sendo  um  absurdo  pensar  que  apesar  dos  Auditores  estarem de posse de todos os documentos do ano de 2006, efetuaram o lançamento de tributos  sobre a soma dos dois valores;  ­ que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem no Auto de Infração  o motivo que levou a Fiscalização à qualificação da multa;  ­  que,  da  análise dos documentos  constantes dos  autos  e das  suposições  da  autoridade administrativa lançadora, não se pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude"  que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada;  ­ que é perfeitamente cabível a apreciação da solidariedade passiva do sócio  na fase administrativa;  ­  que,  ao  dizer  que  o  seu  sócio  não  poderia  discutir  sua  condição  de  solidariamente  responsável nesta  fase  administrativa,  porque  isto  seria matéria  restrita  à  fase  judicial  de  execução  do  crédito  tributário,  o  acórdão  recorrido,  verdadeiramente,  vedou  o  amplo direito de defesa.  Em sessão  realizada  em 16 de março de 2012, a Segunda Turma Ordinária  desta Terceira Câmara prolatou o acórdão nº 1302­00.836, cuja ementa, abaixo transcrita, torna  claro o motivo pelo qual foi decretada a nulidade da decisão de primeiro grau.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO.  O  responsável  tributário  que  ingressa  na  relação  jurídico­tributária  como  sujeito passivo  indireto, poderá dela  ser excluído se assim entender as autoridades  competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos  pelos  indicados  nos  autos  para  compor  o  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa.   Em novo  pronunciamento,  a  3ª  Turma da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento em Ribeirão Preto, decidiu, por meio do Acórdão nº. 14­38.402, de 16 de agosto de  2012,  considerar  não  impugnada  a  matéria  por  parte  do  indicado  no  Termo  de  Responsabilidade  lavrado  pela  autoridade  fiscal  e  manter,  na  íntegra,  os  lançamentos  tributários efetivados.  O referido julgado restou assim ementado:  Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.762          8 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de  depósito  mantidas  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção  legal  tem o condão de  inverter o ônus da prova,  transferindo­o  para a contribuinte, que pode refutá­la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  ESCRITURAÇÃO.  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA.  A  escrituração  que  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para  identificar  a  efetiva movimentação financeira,  inclusive bancária,  ou determinar o lucro real, implica arbitramento do lucro.  NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  quando  observados  os  requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos  processuais  pelo  acusado  e  o  seu  direito  de  resposta ou  de  reação  se  encontraram  plenamente assegurados.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Aplica­se à  tributação reflexa  idêntica solução dada ao  lançamento principal  em face da estreita relação de causa e efeito.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  Considerar­se­á não  impugnada a matéria que não  tenha sido expressamente  contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização.  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas  em  absoluta  observância  das  normas  de  regência  e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária prévia autorização judicial.  MULTA QUALIFICADA.  Caracterizado  o  intuito  de  fraudar  o  Fisco,  correta  a  aplicação  da multa  no  percentual de 150%.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  apreciar  argüição  de  inconstitucionalidade de lei.  Cientificada da referida decisão, a contribuinte interpôs,  tempestivamente, o  recurso voluntário de fls. 5.055/5.081, sustentando:  Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.763          9 ­  o  não  acolhimento,  por  parte  da  decisão  recorrida,  da  determinação  no  sentido de apreciar a imputação de responsabilidade solidária;  ­ a duplicidade na apuração da matéria tributada;  ­ a nulidade da decisão de primeira instância;  ­ que o ônus da prova que embasou o lançamento é da autoridade autuante;  ­ não ter havido autorização judicial para acesso às contas bancárias;  ­ a ausência de instauração de procedimento contra ela no ano de 2009, ano  em que as requisições da movimentação financeira foram efetuadas;  ­  a  contabilização  das  operações  retratadas  nos  extratos  bancários  que  serviram de suporte para os lançamentos;  ­  ausência  de  empenho  da  Fiscalização  no  sentido  de  aproveitar  a  sua  escrituração contábil;  ­ ausência de motivo para que a escrituração fosse considerada imprestável;  ­  o  total  dos  depósitos  bancários  é  inferior  ao  montante  das  receitas  declaradas;  ­ a inaplicabilidade da multa qualificada;  ­ a nulidade dos autos de infração do PIS e da COFINS.   Em  documento  datado  de  30  de  janeiro  de  2014,  o  Sr.  Denilson  César  Marzocchi, indicado como sujeito passivo solidário, apresentou documento, por meio do qual  requereu a extinção do processo, haja vista a adesão a parcelamento especial.  É o Relatório.    Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.764          10 Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator  Atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  conheço  do  recurso  interposto  por NOROESTE AUTOPEÇAS LTDA.  Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e  reflexos, relativas ao ano­calendário de 2006, formalizadas a partir da constatação de omissão  de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.  Por  entender  que  a  escrituração  mantida  pela  contribuinte  era  imprestável  para  apuração  das  bases  de  cálculo  do  Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica  e  da Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro.   Amparada nas disposições dos arts. 124, I, do Código Tributário Nacional, A  fiscalização  atribuiu  responsabilidade  solidária  ao  Sr.  Denílson  César  Marzocchi,  sócio  da  contribuinte.  NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  Após  tecer  considerações  acerca  dos  fatos  retratados  nos  autos  e  do  pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, a Recorrente discorre sobre as seguintes  matérias: forma de apuração de receitas omitidas; necessidade que sejam trazidos ao processo  as provas que serviram de suporte para o lançamento tributário; a necessidade de a Fiscalização  comprovar o nexo de causalidade entre a omissão de receitas e os depósitos bancários; o fato  de,  nos  termos  do  art.  924  do RIR/99,  o  ônus  da  prova  pertencer  à  autoridade  lançadora;  a  possibilidade  de  o  crédito  tributário  constituído  revelar­se  nulo,  haja  vista  o  seu  desconhecimento acerca das causas ou motivos que levaram o Fisco a promover o lançamento.  Não merecem acolhimento os argumentos expendidos pela Recorrente.  Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.743/1.756, a  fiscalizada,  ora Recorrente, movimentou  recursos de  sua  titularidade em  contas bancárias do  Sr. WALTER NICOLETTI, sendo que tal movimentação não foi objeto de escrituração.  Intimada a prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos e créditos  efetuados nas contas bancárias em questão, a Recorrente nada comprovou, o que impulsionou a  Fiscalização a considerar os referidos montantes como receita omitida, haja vista o disposto no  art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  Os  fatos  apontados  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  em  referência  podem  assim ser sintetizados:  i)  primeiramente,  foi  instaurado  procedimento  fiscal  no  Sr.  WALTER  NICOLETTI, por meio do qual foi solicitado ao referido senhor esclarecimentos acerca da sua  movimentação financeira;  Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.765          11 ii) em atendimento a pedido de informação formalizado pela Fiscalização, o  Sr. WALTER NICOLETTI simplesmente respondeu, in verbis (fls. 162):  O requerente conta hoje com 72 anos de  idade e  reside juntamente com sua  esposa no endereço supra.  Toda documentação que recebe referente a banco, após analisá­las, as destrói,  não  possuindo,  em  seu  poder,  qualquer  tipo  de  documentação  solicitada;  além  de  tudo, a solicitação refere­se ao ano de 2006.  Nunca,  em  emissão  de  cheques,  fotocopiou­os  para  qualquer  finalidade  que  seja, razão pela qual não possui nenhuma cópia dos mesmos.  Diante  das  alegações  supra  não  reúne  condições  de  atender  as  solicitações  constante da presente intimação.  iii) novamente intimado, o Sr. WALTER NICOLETTI informou (fls. 166):  WALTER  NICOLETTI,  já  qualificado,  vem  mui  respeitosamente  à  presença de V. Sa. dizer que em atenção ao Termo de Início de Procedimento Fiscal,  em  13  de  abril  p.p  o  peticionário  protocolou  junto  a  essa  unidade  a  resposta  das  solicitações firmadas conforme se verifica da cópia anexa., não reunindo condições  de atender as solicitações feitas   iv) diante da incompatibilidade da movimentação bancária do Sr. WALTER  NICOLETTI e da possibilidade de os recursos não pertencerem, de fato, a ele, a Fiscalização  emitiu Requisições de Movimentação Financeira (RMF), relativamente às contas bancárias nºs  283344 (NOSSA CAIXA) e 8547­2 (BANCO DO BRASIL);  v)  tomando  por  base  os  documentos  encaminhados  pelas  instituições  financeiras, a Fiscalização realizou diligências, que resultaram na constatação de que as contas  bancárias  do  Sr.  WALTER  NICOLETTI  eram  utilizadas  pelo,  à  época,  seu  genro,  Sr.  DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI, para movimentar  recursos da Recorrente,  da qual  ele é  sócio proprietário;  vi)  o  Sr. WALTER  NICOLETTI  foi  novamente  intimado  para  justificar  a  movimentação  financeira,  sendo,  na  ocasião,  indagado  a  respeito  do  fato  de  ter  dado  procuração para o Sr. DENÍLSON CÉSAR MARZOCCHI movimentar suas contas bancárias,  e,  após  prorrogação  do  prazo  para  atendimento,  informou,  por  escrito,  que  efetivamente deu  procuração para que o referido senhor movimentasse suas contas bancárias;  vii)  a  ação  investigadora  foi,  então,  direcionada  para  o  Sr.  DENÍLSON  CÉSAR  MARZOCCHI,  que,  após  ser  intimado  e  reintimado  a  se  manifestar  acerca  da  procuração  recebida  e  da  origem  dos  recursos  movimentados  nas  contas  bancárias  do  Sr.  WALTER NICOLETTI,  admitiu  a  realização  de  transações,  no  ano  de  2006,  por meio  das  referidas contas bancárias;  viii)  evidenciado  o  fato  de  que  os  recursos  movimentados  nas  contas  bancárias  do  Sr.  WALTER  NICOLETTI  diziam  respeito  a  negócios  da  Recorrente,  a  ação  fiscal foi, mais uma vez, redirecionada, desta vez para ela, para a Recorrente;  Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.766          12 ix)  intimada  reiteradas  vezes  acerca  da  origem  dos  recursos movimentados  nas  contas  bancárias  do  Sr. WALTER NICOLETTI,  a Recorrente  limitou­se  a  informar  que  referida movimentação dizia respeito a negócios próprios da empresa;  x)  a  Recorrente  também  foi  reiterada  vezes  intimada  a  promover  nova  escrituração, e, tanto em relação a essa questão, como em relação à movimentação bancária do.  Sr. WALTER NICOLETTI, cingiu­se a repisar informações anteriormente prestadas;  xi)  para  a  Fiscalização,  o  quadro  extraído  das  verificações  empreendidas  é  claramente revelador da INTERPOSIÇÃO DE PESSOA (Sr. WALTER NICOLETTI), tendo o  Sr.  DENÍLSON  CÉSAR  MARZOCCHI,  como  sócio  proprietário  da  Recorrente,  utilizado  contas bancárias de terceiro para movimentar recursos financeiros da fiscalizada, recursos esses  não  escriturados  e  que  representam  78,17%  do  total  da  movimentação  financeira  que  foi  efetivamente  escriturada,  tornando,  assim,  referida  escrituração,  imprestável  para  fins  de  determinação do lucro real;  xii) embora comprovado que os recursos movimentados por meio das contas  bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI efetivamente pertenciam à Recorrente, não houve por  parte desta comprovação acerca da origem dos depósitos e créditos ali registrados, o que atraiu  a aplicação das disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996;  xiii)  diante  da  imprestabilidade  da  escrituração,  o  lucro  foi  arbitrado  com  base  na  receita  bruta  conhecida,  considerando­se  como  tal  o  montante  declarado  ao  Fisco  estadual  (R$ 6.771.877,21)  acrescido  da  omissão  de  receita  apurada  a  partir  dos  depósitos  e  créditos efetuados na conta do Sr. WALTER NICOLETTI (R$ 5.025.983,82).  Conforme registro feito nas peças acusatórias, o Termo de Constatação Fiscal  que, inclusive, serviu de base para apresentação do resumo acima, as integrou, de modo que a  Recorrente dele tomou conhecimento. Quanto a esse aspecto, observo que a autuada requisitou,  por meio do seu representante  legal, cópia do processo, de modo que  teve a oportunidade de  conhecer,  em  detalhes,  a  natureza  da  infração  que  lhe  foi  imputada,  os  documentos  que  serviram de lastro para tal imputação e o enquadramento legal correspondente.  Revela­se,  pois,  descabido,  o  argumento  de  que  não  foram  trazidos  ao  processo as provas que serviram de base para o lançamento tributário.  Perscrutando  os  autos,  identifico  neles  as  intimações  lavradas  pela  Fiscalização;  as  respostas  apresentadas  pelos  intimados;  os  documentos  que  comprovam  a  natureza dos recursos movimentados nas contas bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI; e os  extratos bancários que lastrearam a quantificação da receita tida como omitida, documentação  que, acompanhada das informações trazidas pelo Termo de Constatação Fiscal, possibilitam a  perfeita  compreensão  por  parte  fiscalizada  da  infração  que  lhe  foi  imputada  pela  autoridade  fiscal.  Como  é  cediço,  a  partir  da  edição  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  créditos  bancários  para  os  quais  o  contribuinte  não  comprove,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos, a sua origem, também caracterizam a omissão de receitas.  Equivoca­se  a  Recorrente  quando  afirma  que  caberia  à  Fiscalização  comprovar o nexo de  causalidade entre  a omissão de  receitas  e os depósitos bancários,  e de  Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.767          13 que,  nos  termos  do  art.  924  do  RIR/99,  o  ônus  da  prova,  no  caso,  pertence  à  autoridade  lançadora.  Quem deveria demonstrar o nexo de causalidade entre a omissão e os créditos  bancários era a Recorrente, cabendo à Fiscalização, apenas, adotar o rito estabelecido na norma  legal  que  introduziu  a  presunção,  especialmente  no  que  diz  respeito  à  regular  intimação  ao  contribuinte e à individualização dos referidos créditos. Tratando­se de presunção prevista em  lei, à autoridade fiscal cumpre, tão somente, provar o fato indiciário propulsor da aplicação da  citada presunção.  O caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, traz de forma expressa a inversão  do ônus, senão vejamos:  Lei nº 9.430, de 1996  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos recursos utilizados nessas operações.  [...]  O dispositivo legal é claro no sentido de que, caso a pessoa física ou jurídica,  regularmente intimadas, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos  recursos,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto a instituição financeira caracterizam­se como omissão de receita ou de rendimento.   Ausentes, pois, elementos capazes de justificar a invalidade do ato decisório  recorrido, bem como o cerceamento do direito de defesa, rejeito a preliminar argüida.  ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA  Contestando o modo pelo qual  a  autoridade  fiscal  acessou  a movimentação  bancária  que  serviu  de  lastro  para  os  lançamentos,  a  Recorrente  consigna  que  “não  houve  autorização judicial” para tal. Esclarece que, no caso, “primeiramente houve acesso às contas  bancárias e somente depois de um ano iniciou­se a fiscalização na empresa”, o que afrontaria  as disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001. Adiante, afirma:  É  importante  ressaltar que não há no processo outros  extratos bancários. Só  esses em nome do Walter e que as operações neles descritas foram contabilizadas.  Não  há  movimentação  bancária  à  margem  da  contabilidade.  Não  foi  apurado  (a)  omissão de receita como alega o Sr. Auditor na página 4 do Termo de Constatação –  fls. 1748.   Relativamente  ao  acesso  à  movimentação  bancária,  é  certo  que  o  ordenamento  jurídico  vigente  autoriza  à  Administração  Tributária,  observados  os  requisitos  legais  que  disciplinam  a  matéria  (Lei  Complementar  nº  105,  de  2001,  e  Decreto  nº  3.724,  também de 2001), a utilizar as  informações referentes a operações e serviços das instituições  financeiras, inexistindo, pois, violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais  quanto a esse aspecto.  Fl. 5772DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.768          14 A requisição às  instituições financeiras revelou­se regular, eis que presentes  indícios  de  que  o  titular  de  direito  das  contas  bancárias,  Sr. Walter Nicoletti,  era  interposta  pessoa do titular de fato (a fiscalizada, ora Recorrente).  Resta  evidente  que,  tratando­se  de movimentação  de  recursos  por meio  da  interposição de pessoas,  a confirmação de  tal  fato  (a  interposição)  só pode se dar a partir da  instauração  do  procedimento  em  nome  do  titular  de  direito  das  contas  bancárias  e  do  conseqüente  acesso  aos  documentos utilizados na movimentação de  referidas  contas,  eis que  somente  a  partir  de  tal  providência  é  possível  identificar  o  titular  de  fato  dos  recursos  movimentados.  Portanto,  absolutamente  dissociada  da  realidade  da  investigação  as  considerações trazidas pela Recorrente, cabendo ressaltar, a título de mero esclarecimento, que  a  instauração do procedimento nela, depois de um ano do  início das  investigações, é simples  resultado  daquele  que  foi  instaurado  na  pessoa  que  foi  utilizada  como  meio  para  obstar  o  conhecimento do Fisco acerca do verdadeiro titular dos recursos movimentados.  A  Recorrente  afirma  que  os  recursos  movimentados  por  meio  das  contas  bancárias do Sr. WALTER NICOLETTI foram contabilizados, porém, não comprova. Como é  cediço, alegar e não provar é o mesmo que não alegar.  Não são merecedoras de guarida, assim, as alegações da Recorrente.  ARBITRAMENTO DO LUCRO  Alega  a Recorrente  que  a Fiscalização  “sequer  se  empenhou no  sentido  do  aproveitamento da escrituração contábil da contribuinte, simplesmente a abandonou e partiu  para o cominho mais fácil, que é o arbitramento de lucros”.  A realidade retratada no processo não é exatamente essa.  Com efeito, a Fiscalização apurou e demonstrou que, por meio da utilização  de contas bancárias de  terceiro, a contribuinte  fiscalizada movimentou  recursos  financeiros à  margem  da  escrituração  (a  utilização  de  contas  bancárias  de  terceiro  constitui  fato  incontroverso nos autos, eis que admitido por ela própria). A partir de tal constatação e diante  do volume dos recursos movimentados sem a devida contabilização, cuidou a autoridade fiscal  de determinar o refazimento da escrituração de modo que a movimentação bancária fosse toda  ela contemplada. Entretanto, nenhuma providência foi adotada pela autuada.  Cabe destacar que estamos diante de créditos bancários no montante de R$  5.025.983,82, que representam mais de setenta e cinco por cento daquilo que foi declarado à  Receita Federal (R$ 6.644.464,33, conforme DIPJ de fls. 04/320).  À  evidência,  uma  escrituração  que  deixa  de  contabilizar  operações  desse  vulto não é merecedora de credibilidade.  Tenho  por  certo  que,  nas  circunstâncias  versadas  nos  autos,  caso  a  Fiscalização simplesmente tivesse considerado o regime de tributação adotado pela Recorrente  (lucro  real),  ela  estaria  sustentando  a  invalidade  do  lançamento,  visto  que  em  tal  situação  a  receita omitida seria integralmente adicionada para fins de tributação, haja vista a apuração de  resultados fiscais positivos em todos os trimestres submetidos a exame.  Fl. 5773DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.769          15 Não  custa  lembrar  que,  ao  arbitrar  o  lucro,  apenas  9,6%  e  12%  da  receita  bruta  conhecida  constituiu  base  de  cálculo  do  imposto  e  da  contribuição  social,  respectivamente.  A  afirmação  da  Recorrente  no  sentido  de  que  “o  total  dos  depósitos  bancários  é  inferior  ao  montante  das  receitas  declaradas”  só  se  mostraria  relevante  na  situação  em  que  os  referidos  depósitos,  embora  efetuados  em  contas  bancárias  de  terceiro,  tivessem sido efetivamente contabilizados, o que, entretanto, não restou comprovado nos autos.  A Recorrente afirma que “o fiscal encontrou 11,7 milhões de receita. Os 6,7  milhões com documentos  fiscais e declarados, mas que na visão do Auditor não  transitaram  pelo banco e os 5 milhões que transitaram pelos bancos, mas, também na visão do Auditor, a  empresa omitiu”.  A assertiva, com o devido respeito, é digna de reparos.  É importante destacar que os BANCOS a que faz referência a Recorrente são  aqueles  em  que  o  Sr.  Walter  Nicoletti  mantinha  as  contas  bancárias  que,  como  restou  demonstrado  pela  Fiscalização,  movimentaram  recursos  dela,  da  Recorrente.  Não  se  trata,  portanto, de BANCOS, ao menos no que diz respeito à matéria tributável apontada no presente  processo, nos quais a contribuinte detinha contas bancárias devidamente contabilizadas.   Absolutamente  imprópria,  portanto,  a  comparação  pretendida  pela  Recorrente, eis que não se pode confrontar receitas declaradas e que supostamente transitaram  em  contas  bancárias  de  titularidade  de  fato  e  de  direito  do  contribuinte  fiscalizado  com  as  omitidas, apuradas em contas bancárias de terceiro.  Procedente, a meu ver, o arbitramento do lucro.  DUPLICIDADE NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL  A  alegação  básica  da  contribuinte,  que  deriva,  até  certo  ponto,  das  ilações  trazidas por ela em relação ao item anterior, é de que os valores apurados pela fiscalização e  que constituem o objeto da infração 001 do auto de infração, estão incluídos no item 002.  A infração 001 do auto de infração cuida da receita omitida apurada com base  nos depósitos bancários, enquanto a 002 trata da receita declarada ao Fisco estadual.  Obviamente, se acolhida a pretensão da Recorrente no sentido de que houve  duplicidade de tributação, simplesmente desaparece o objeto da tributação de ofício, eis que os  valores declarados superam os omitidos.  Contudo,  tenho  por  absolutamente  equivocada  a  argumentação  da  Recorrente, e, em razão das lacunas que a permeia, até mesmo tendenciosa.  Como  já  dito,  a  receita  omitida  apurada  pela  Fiscalização  decorreu  de  investigação  em  contas  bancárias  de  interposta  pessoa,  circunstância  em  nenhum  momento  ventilada pela contribuinte em sua peça recursal.  A  Recorrente  trata  a  matéria  como  as  receitas  omitidas  decorressem  simplesmente  de  créditos  apurados  em  contas  bancárias  de  sua  titularidade  que  foram  Fl. 5774DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.770          16 devidamente contabilizados, o que, com a devida permissão, não guarda qualquer relação com  os fatos retratados no processo.  Além de não comprovar que os créditos registrados nas contas bancárias do  Sr. Walter Nicolleti foram devidamente escriturados, a Recorrente também não reúne aos autos  elementos capazes de comprovar que a  totalidade de suas  receitas  transitaram pelas  referidas  contas  bancárias,  sendo  elas,  essas  citadas  contas,  as  únicas  movimentadas  por  ela  na  exploração do seu negócio.  Tenho,  pois,  por  inexistente  a  duplicidade  de  tributação,  por  absoluta  ausência de comprovação da alegação.  MULTA QUALIFICADA  Alega a Recorrente “que não consta no Termo de Constatação Fiscal e nem  no Auto de Infração o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa”. Em resumo,  diz que não há razão para a qualificação da penalidade visto que: a) trata­se de lançamento por  presunção  e não  por omissão  de  receita;  b)  ainda  que  a presunção  fosse  verdadeira,  ocorreu  apenas em um ano calendário, não havendo reincidência; e c) não se trata de movimentação em  nome de interposta pessoa e todos os valores movimentados foram escriturados.  De  início,  rejeito peremptoriamente a alegação da Recorrente no sentido de  que o Termo de Constatação Fiscal  silenciou quanto ao motivo que serviu de suporte para a  qualificação da multa de ofício.  Os  fragmentos  abaixo  reproduzidos,  extraídos  do  referido  Termo  de  Constatação,  são  suficientes  para  demonstrar  a  absoluta  improcedência  da  alegação  da  Recorrente, senão vejamos:  D . DA MULTA QUALIFICADA  23. Ficou devidamente comprovado o dolo com que agiu a Noroeste, através  de seu sócio­proprietário Sr. Denilson César Marzocchi,  impedindo e retardando o  conhecimento por parte da  autoridade  fazendária da ocorrência do  fato gerador da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais,  conforme  dispõe o artigo 44,  inciso I e § lº  , da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n°  11.488, de 15 de junho de 2007, que diz:  ...  24.  Ficou  evidentemente  comprovado  que  o  sócio  Sr.  Denilson  César  Marzocchi  utilizou­se  de  contas  particulares  para  movimentar  os  recursos  da  Noroeste, ou seja, utilizou­se de "interposta pessoa", com evidente intuito de fraudar  os cofres públicos. Com essa conduta, o sócio escondeu esses recursos do fisco para  não  oferecê­los  à  tributação.  Observamos  que  os  referidos  valores  tratam­se  na  realidade  de  faturamento  da Noroeste,  creditados  com  históricos  de  liquidação  de  cobrança de títulos, além de depósitos em cheques e dinheiro, que segundo a própria  contribuinte (fls. 1685) , tratam­se de "negócios próprios da empresa ", mas que em  nenhum  momento  a  Noroeste  comprovou,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem desses recursos.  25. Durante todo o ano de 2006 a Noroeste utilizou as contas bancárias do Sr.  Walter  Nicoletti  para  movimentar  seus  recursos,  e  conforme  constatamos  neste  procedimento fiscal, o objetivo era esconder sua movimentação financeira do Fisco.  Fl. 5775DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.771          17 26.  Restou  totalmente  comprovada  a  intenção  da  Noroeste  em  esconder  os  valores  movimentados  nas  contas  bancárias  em  questão,  bastando  observar  o  seu  comportamento quanto a forma dessa movimentação através de saques na boca do  caixa,  através  de  cheques nominais  à  contribuinte  e por  ela  endossados,  conforme  cópias às fls. 498 a 992.  2  7  . A Noroeste  agiu,  através  do  seu  sócio­proprietário Sr. Denilson César  Marzocchi, de forma ardilosa e dolosa, durante o ano­calendário de 2006, tentando  impedir e esconder as obrigações  tributárias a que estava submetida e o  respectivo  fato gerador do imposto, tanto que movimentou seus recursos em nome do "laranja"  Sr. Walter Nicoletti, e, quando devidamente intimada e reintimada, não comprovou a  origem  dos  recursos  creditados/depositados  nessas  contas  bancárias,  conforme  exaustivamente aqui relatado.  28. Assim sendo, há de se considerar que os elementos previstos no inciso I e  § lº do art. 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n° 351 , de  22 de janeiro de 2007, se verificam e se aplicam na presente fiscalização.   Insubsistente, como se vê, o argumento da Recorrente.  Como  reiteradamente  referenciado,  estamos  diante  de  movimentação  de  recursos  financeiros  por  meio  da  interposição  de  pessoa.  Assim,  na  linha  inclusive  do  assinalado  no  Termo  de  Constatação  Fiscal,  descabe  maiores  considerações  acerca  da  procedência da multa qualificada, vez que a situação atrai a aplicação da súmula CARF nº 34,  abaixo transcrita.  Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou  rendimentos,  decorrente  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  é  cabível  a  qualificação  da multa  de  ofício,  quando  constatada  a  movimentação  de  recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.  Procedente, pois, a exasperação da penalidade.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  Amparando­se  no  pronunciamento  da  Segunda  Turma  Ordinária  desta  Terceira  Câmara  acerca  da  necessidade  de  os  argumentos  relacionados  à  imputação  de  responsabilidade ao seu sócio serem objeto de apreciação, a Recorrente, tecendo considerações  sobre o princípio da  legalidade e a  respeito de normas que regem o processo administrativo,  sustenta,  em  apertada  síntese,  que não  há  razão  para  que os  seus  argumentos  deixem de  ser  apreciados.  A  Turma  Julgadora  de  primeiro  grau,  instada  pela  decisão  exarada  pela  Segunda  Turma  Ordinária  desta  Terceira  Câmara,  não  conheceu  a  impugnação  apresentada  pela  pessoa  jurídica  autuada  no  que  tange  à  responsabilização  do  Sr.  Denílson  César  Marzocchi,  por  entender,  em  apertada  síntese,  que  a  referida  peça  de  defesa  não  pode  aproveitá­lo, sob pena de violação às disposições do 48 do CPC.  Por  ter  sido  o Relator  da  decisão  prolatada  pela  Segunda  Turma Ordinária  desta Terceira Câmara (acórdão nº 1302­00.836), esclareço, com o intuito de afastar eventual  argüição de contradição, que a  referida decisão apenas não acolheu o entendimento esposado  em  primeira  instância  no  sentido  de  que  não  competia  às Delegacias  da Receita  Federal  de  Julgamento a apreciação da exclusão de pessoa apontada como responsável solidária. Exigia­ Fl. 5776DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.772          18 se, assim, pronunciamento acerca dos argumentos expendidos na peça impugnatória, ainda que  fosse  para  não  conhecê­los  haja  vista  a  ausência  de  legitimidade  da  pessoa  jurídica  autuada  para,  em  nome  do  sócio  apontado  como  devedor  solidário,  contestar  a  imputação  feita  pela  Fiscalização, o que, no caso, acabou ocorrendo.  Quanto  a  tal  pronunciamento,  qual  seja,  ilegitimidade  da  pessoa  jurídica  autuada para apresentar defesa em nome do sócio, renovo aqui posicionamento já adotado nos  acórdãos  nºs  1301­001.292,  1301­001.212  e  1301­001.064,  que  alinha­se  ao  entendimento  esposado  no  ato  decisório  recorrido,  isto  é,  no  caso  vertente,  inexiste  legitimidade  da  Recorrente  para  se  insurgir  contra  o  feito  em  nome  do  sócio  indicado  no  Termo  de  Responsabilidade Tributária.  Caberia,  pois,  ao  Sr.  Denílson  César  Marzocchi,  em  seu  próprio  nome,  impugnar a exigência.  Assim,  ratificando  o  decidido  em  primeiro  instância,  deixo  de  conhecer  os  argumentos  expendidos  pela  pessoa  jurídica  autuada,  relativamente  à  imputação  de  sujeição  passiva solidária promovida pela Fiscalização ao seu sócio, Sr. Denílson César Marzocchi.  NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO PIS E DA COFINS  Tecendo considerações acerca da tributação monofásica do PIS e da COFINS  a que se submetem os fabricantes e importadores de auto peças, sustenta a Recorrente que parte  de sua mercadoria revendida foi anteriormente tributada pelas referidas contribuições, de modo  que, relativamente a essas revendas, não cabe a incidência de tais exações.  Quanto a essa questão, cabe considerar que a Recorrente a trouxe, apenas, em  sede de recurso, ou seja, o mérito das exigências relativas ao PIS e à COFINS não foram objeto  de impugnação, eis que na contestação inicial a contribuinte simplesmente assinalou:  VI ­ DOS AUTOS REFLEXOS DO PIS, DA COFINS E DA C. SOCIAL  Considerando que os referidos Autos de Infração são decorrentes da autuação  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  a  improcedência  deste,  conforme  vigorosamente  comprovada,  comporta  igual  tratamento  àqueles,  isto  é,  aos  lançamentos reflexos deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal.  É cediço que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972,  na  redação  que  lhe  foi  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997,  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada,  considerar­se­á  não  impugnada.  Decorre  daí  que,  não  tendo  sido  objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar  conhecimento em sede de recurso voluntário.   Ainda que assim não seja, a Recorrente, além de admitir que apenas parte de  suas  receitas  derivaria  de  operações  submetidas  à  tributação  monofásica,  não  aporta  ao  processo documentos capazes de identificar as operações correspondentes, sendo certo que as  planilhas juntadas ao recurso são imprestáveis para tal intento.  Assim,  considerado  todo  o  exposto,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  Fl. 5777DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16004.001345/2010­61  Acórdão n.º 1301­001.817  S1­C3T1  Fl. 5.773          19 Destaco,  contudo,  que,  em  razão  do  pedido  formalizado  pelo  Sr.  Denílson  César  Marzocchi,  a  unidade  administrativa  responsável  pela  execução  da  presente  decisão  deverá  observar  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  acerca  do  instituto  da  SOLIDARIEDADE, especialmente o estabelecido no inciso I do art. 125 do referido diploma  legal.  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães                                Fl. 5778DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO

score : 1.0
5891491 #
Numero do processo: 15940.720168/2012-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 01/02/2010 a 28/02/2010 PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatando-se tais situações de forma objetiva, dispensando-se a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplica-se a multa de ofício quando esta mostrar-se menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ewan Teles Aguiar - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 01/02/2010 a 28/02/2010 PROVAS. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade na formação da convicção da autoridade julgadora. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por seu inadimplemento, independentemente de estar ou não gozando da imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício quando verificada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração inexata, constatando-se tais situações de forma objetiva, dispensando-se a verificação do elemento subjetivo da conduta do agente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores à Medida Provisória 449/2008, aplica-se a multa de ofício quando esta mostrar-se menos severa ao sujeito passivo do que às multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 15940.720168/2012-34

anomes_publicacao_s : 201504

conteudo_id_s : 5454283

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2403-002.969

nome_arquivo_s : Decisao_15940720168201234.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : EWAN TELES AGUIAR

nome_arquivo_pdf_s : 15940720168201234_5454283.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ewan Teles Aguiar - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015

id : 5891491

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047702189637632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 155          1  154  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15940.720168/2012­34  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.969  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  SANATÓRIO SÃO JOÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009  01/02/2010 a 28/02/2010  PROVAS.  A  dilação  probatória  fica  condicionada  à  sua  necessidade  na  formação da convicção da autoridade julgadora.  IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a  descontar e recolher a contribuição do segurado empregado, respondendo por  seu  inadimplemento,  independentemente  de  estar  ou  não  gozando  da  imunidade que se limita às contribuições previdenciárias patronais.  MULTA DE OFÍCIO. Será  aplicada  a multa  de  ofício  quando verificada  a  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  a  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  constatando­se  tais  situações  de  forma  objetiva,  dispensando­se  a  verificação do elemento subjetivo da conduta do agente.  MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE. Aos fatos geradores anteriores  à  Medida  Provisória  449/2008,  aplica­se  a  multa  de  ofício  quando  esta  mostrar­se  menos  severa  ao  sujeito  passivo  do  que  às  multas  previstas  na  legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores.  INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO  DA  LEGISLAÇÃO  VIGENTE.  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA.  INCOMPETÊNCIA. A  instância administrativa é  incompetente para afastar a  aplicação  da  legislação  vigente  em  decorrência  da  argüição  de  sua  inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 68 /2 01 2- 34 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2    ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso.      Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente      Ewan Teles Aguiar ­ Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Ewan  Teles  Aguiar,  Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/2012­34  Acórdão n.º 2403­002.969  S2­C4T3  Fl. 156          3    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário,  interposto pela Recorrente – SANATÓRIO  SÃO JOÃO LTDA ­ contra Acórdão nº 14­41.562 ­ 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto ­ RPO , que julgou procedente a autuação.  O que se discute nos autos em análise é o AI lavrados em 20/11/2012, sendo  cientificado o contribuinte em 24/11/2012, assim descritos:  ►  DEBCAD  51.032.783­4  ­  decorrente  do  descumprimento  da  obrigação  tributária principal referente à contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados,  descontada pela empresa das remunerações e não recolhida, no valor de R$ 33.249,42 (trinta e  três mil, duzentos e quarenta e nove  reais e quarenta e dois centavos),  incluindo o principal,  juros e multa de ofício.  Nos termos do Relatório Fiscal, o lançamento lançada refere­se às seguintes  verbas:  salários,  horas­extras,  adicionais,  férias  normais  gozadas  e  outras  vantagens,  discriminadas em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho e recibos de  férias, inclusive décimo terceiro salário.  Em atenção à regra exposta no artigo 106,  II, “c” do CTN, que impõe – em  caso de alteração legal superveniente à ocorrência do fato gerador e de lançamento ainda não  definitivamente  julgado  ­  a  aplicação  da  penalidade  menos  gravosa  ao  sujeito  passivo,  foi  aplicada  a multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44,  I  da Lei  9.430/96,  em  virtude  da  alteração  promovida no artigo 35 da Lei 8.212/91, pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei  11.941/2009, conforme esclarecimentos detalhados no Relatório Fiscal.  Irresignada, a autuada apresentou impugnação na qual alega que:  ­  Por  decisão  judicial,  o  fisco  está  impedido  de  constituir  o  crédito  tributário,  ainda  que  com  o  objetivo  de  prevenir  a  decadência, antes do julgamento definitivo da ADI 2028;  ­  A  autuada  goza  de  imunidade,  inclusive  reconhecida  judicialmente.  ­  A  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  perdurou  de  2000  a  2008,  quando  provido  agravo  de  instrumento  que  reformou  a  liminar concedida em sede de ação cautelar.  ­ Foi proferida sentença  julgando  improcedentes os pedidos da  autuada,  contudo,  referida  decisão  não  encontra  respaldo  no  ordenamento jurídico vigente, pois é equivocado o entendimento  de  que  os  requisitos  para  fruição  da  imunidade  possam  ser  instituídos por lei ordinária. Discorre acerca da controvérsia do  tema  e  afirma  que  o  STF  ainda  não  sedimentou  entendimento  quanto ao tema.  ­  A  fiscalização  baseou­se  em  decisão  proferida  pelo  STF  em  1999, quando da análise de pedido de concessão de liminar em  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4  Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referido entendimento  já  está ultrapassado, “sendo certo que o Supremo Tribunal Federal  adotará  medidas  para  proceder  ao  julgamento  conforme  determina a boa técnica, pugnando pela inconstitucionalidade de  qualquer  requisito  para  fruição  de  imunidades  tributárias  que  esteja sendo veiculado por intermédio de lei ordinária”.  ­ Da  referida  sentença,  foi  interposta  apelação em 22/08/2012,  pendente de julgamento no TRF.  ­  Discorre  a  respeito  da  imunidade  tributária,  da  importância  dos serviços de saúde, dos princípios constitucionais aplicáveis.  ­ Aduz que o  fisco  está descumprindo a decisão  judicial,  ainda  que  não  definitiva,  que  obsta  o  nascimento  da  obrigação  tributária.  ­  Descreve  as  dificuldades  enfrentadas  na  administração  da  instituição, inclusive com interdição judicial de uma das sócias.  Aduz  que  os  atos  praticados  por  esta  sócia  não  são  válidos.  Menciona a crise financeira enfrentada e informa que caso não  sejam  excluídos  os  créditos  lançados  não  lhe  restará  outra  alternativa além de recorrer ao Poder Judiciário.  ­ Resume seus argumentos concluindo que o crédito não poderia  existir  pois,  conseqüência  de  uma  administração  desastrosa  e  contrário à decisão judicial.  ­  Impetrou mandado  de  segurança  objetivando  consolidar  seus  débitos  no  parcelamento  previsto  na  Lei  n°  11.941/2009  (Refis  da  Crise).  Mesmo  a  ação  mandamental  ainda  não  tendo  sido  julgada,  a  fiscalização  não  poderia  efetuar  o  lançamento.  Esclarece  que  renunciou  às  discussões  judiciais,  pagando  as  parcelas  no  valor  estipulado  até  o  mês  anterior  ao  da  consolidação,  mas  ainda  assim,  o  fisco  lhe  negou  o  direito  à  consolidação do parcelamento.  ­  Não  pode  subsistir  a  multa  aplicada.  Não  houve  pagamento  parcial  ou  a  menor,  não  houve  preenchimento  equivocado  da  GFIP e, não houve falta de declaração ou declarações inexatas.  Para  a  qualificação  da  multa  é  necessário  que  haja  a  comprovação  da  intenção  de  fraude,  o  que  não  se  verifica  no  caso  concreto.  Invoca  o  princípio  da  vedação  ao  confisco  e  alerta  pela  impossibilidade  de  pagamento  dos  valores  excessivos.  Ao  final,  pugna  pela nulidade  do  processo  ante  a  inobservância  da decisão  judicial, pela desconstituição dos AI que integram o feito, a exclusão da multa ou sua redução,  bem  como  dos  juros  aplicados  ao  mínimo  possível,  além  da  realização  das  necessárias  diligências, inclusive pericial, bem como a produção de todas as provas admitidas.  A  impugnação  apreciada  pela  9ª  Turma  da  DRJ/São  José  do  Rio  Preto,  manteve hígido o lançamento, tendo sido expressa a seguinte Ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/12/2007  a  31/12/2007,  01/12/2008  a  31/12/2008  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/2012­34  Acórdão n.º 2403­002.969  S2­C4T3  Fl. 157          5  PROVAS.  A  dilação  probatória  fica  condicionada  à  sua  necessidade  na  formação da convicção da autoridade julgadora.  IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO.  A empresa é obrigada a descontar e recolher a contribuição do  segurado  empregado,  respondendo  por  seu  inadimplemento,  independentemente  de  estar  ou  não  gozando  da  imunidade  que  se limita às contribuições previdenciárias patronais.  MULTA DE OFÍCIO.  Será  aplicada  a  multa  de  ofício  quando  verificada  a  falta  de  pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou declaração  inexata,  constatando­se  tais  situações  de  forma  objetiva,  dispensando­se  a  verificação do  elemento subjetivo da  conduta  do agente.  MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE.  Aos  fatos  geradores  anteriores  à Medida  Provisória  449/2008,  aplica­se a multa de ofício quando esta mostrar­se menos severa  ao  sujeito  passivo  do  que  às  multas  previstas  na  legislação  vigente à época da ocorrência dos fatos geradores.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  ARGÜIÇÃO.  AFASTAMENTO  DA  LEGISLAÇÃO  VIGENTE.  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.  A  instância  administrativa  é  incompetente  para  afastar  a  aplicação da  legislação vigente em decorrência da argüição de  sua inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Intimada  da  Decisão  em  20/05/2013(fls.  131),  persistindo  inconformado  o  contribuinte  apresenta Recurso Voluntário,  no qual  repisa os  argumentos  trazidos quando de  sua impugnação.  É o relatório.  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6    Voto             Conselheiro Ewan Teles Aguiar , Relator    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos.  Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito.  QUANTO AO MÉRITO  Do Requerimento pela Produção de Provas:  A autuada  requereu  a produção de  todas  as provas necessárias  e  admitidas,  inclusive prova pericial e diligências.  O  ordenamento  jurídico  contempla  regras  garantidoras  da  celeridade  processual  e,  nesse  sentido,  os  elementos  trazidos  aos  autos  são  suficientes  à  formação  da  convicção necessária ao seu julgamento, cabendo o indeferimento do pleito para a produção de  outras provas,  posto  serem desnecessárias,  o que  se  faz  com  fulcro na Portaria 10.875/2007,  artigo 11, e Decreto 70.235/72, artigo 18.  Da Contribuição Lançada:  O  lançamento  refere­se  à  contribuição  previdenciária  dos  segurados  empregados, descontada pela empresa e não recolhida.  A  autuada  alegou  que  o  crédito  tributário  não  poderia  ter  sido  constituído  pois contrário à decisão  judicial, proferida em processo no qual pleiteia o reconhecimento de  sua  condição  de  entidade  beneficente  e,  por  conseguinte,  beneficiária  da  imunidade  das  contribuições previdenciárias.  No entanto,  tal  controvérsia não  tem qualquer  relação com as contribuições  objeto  do  presente  AI,  pois,  ainda  para  as  empresas  que  gozam  da  imunidade  em  questão,  persiste a obrigação de efetuar o recolhimento da contribuição dos segurados.  O caso sob análise refere­se à contribuição dos segurados, não abrangida pela  imunidade tratada no artigo 195, § 7o da Constituição Federal.  Assim,  independentemente  de  ser  ou  não  beneficiária  da  imunidade  em  questão,  tem  a  autuada  a  obrigação  de  descontar  a  contribuição  do  segurado  que  lhe  presta  serviços, e efetuar o recolhimento decorrente, respondendo em caso de inadimplemento.  Quanto ao argumento de que houve a interdição judicial de uma das sócias da  instituição e, por isso, os atos por ela praticados não são válidos, tal alegação não interfere na  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  dos  artigos  114  e  116  do  CTN  e  na  decorrente  obrigação da autuada de efetuar o recolhimento da contribuição.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15940.720168/2012­34  Acórdão n.º 2403­002.969  S2­C4T3  Fl. 158          7  E por fim, no que se refere às dificuldades financeiras da instituição, é certo  que a autoridade fiscal não pode por esse motivo, deixar de proceder ao lançamento ­ atividade  plenamente vinculada nos termos do artigo 142 do CTN.  Da Multa e dos Juros:  Não  assiste  razão  à  recorrente  quando  questiona  a  multa  que,  na  forma  aplicada, segundo entende, exigiria a comprovação de fraude do sujeito passivo.  A multa  imposta  foi da ordem de 75%, como se vê à  fl. 03, onde o  tributo  perfaz  o montante  de R$ 16.375,00,  enquanto  a multa  corresponde  a 75% dessa quantia,  ou  seja, R$ 12.281,26.  Conforme os  relatórios FLD – Fundamentos Legais do Débito que  também  integram o AI, a multa de ofício tem fundamento nos dispositivos legais a seguir transcritos:   Lei n° 8.212/91:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Lei n° 9.430/96:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  A  situação  concreta  sob  análise  se  amolda  perfeitamente  ao  tipo  legal.  A  autuada não declarou em GFIP a contribuição devida nem efetuou seu recolhimento, dando azo  à aplicação da multa de ofício de 75%, mas não da qualificadora prevista no artigo 44, § 1o da  Lei  9.430/96,  que  resultaria  em  multa  de  150%,  esta  sim,  condicionada  a  existência  de  sonegação, fraude ou conluio.  Portanto,  a  multa  de  ofício  aplicada  decorre  da  constatação  de  situações  objetivas  ­ o não pagamento e a não declaração das contribuições em GFIP – dispensando a  verificação do elemento subjetivo da conduta do agente, este sim necessário à qualificação da  multa em 150% com base no § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96 (não aplicada ao caso presente),  já que a qualificação está vinculada à constatação de sonegação, fraude ou conluio.  Quanto  à  suscitada  natureza  confiscatória  da  multa,  tal  argumento  trazido  pela impugnante representa a argüição de inconstitucionalidade do dispositivo legal vigente e  que estabelece a penalidade aplicável.  A respeito, a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada  a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico, nos  termos  dispostos  na  Portaria  RFB  10.875,  de  16  de  agosto  de  2007  (publicada  no  DOU  24/08/2007) em seu artigo 18 e no Decreto 70.235/72, artigo 26­A,  introduzido pela Medida  Provisória 449/2008.  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8  Assim, considerando­se que a multa aplicada, bem como os juros incidentes  sobre o crédito tributário lançado, encontram­se respaldados na legislação vigente, a alteração  ou  afastamento  desses  acréscimos  legais  com  base  em  suposta  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  esbarra  na  impossibilidade  deste  órgão  julgador  administrativo  apreciar  questões  desta índole.  CONCLUSÃO  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  e  no  mérito  NEGAR  PROVIMENTO.  É como voto.    Ewan Teles Aguiar.                            Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

score : 1.0